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1 
Epidemiologia, História Natural e Prevenção de Doenças. 
 
CONCEITO DE EPIDEMIOLOGIA 
 Epidemiologia, segundo a Associação Internacional de Epidemiologia (IEA), em 
seu “Guia de Métodos de Ensino” (1973), é definida como: “o estudo dos fatores 
que determinam a freqüência e a distribuição das doenças nas coletividades 
humanas”. 
 Segundo a IEA, são três os objetivos principais da epidemiologia: 
1. “Descrever a distribuição e a magnitude dos problemas de saúde nas 
populações humanas”. 
2. Proporcionar dados essenciais para o planejamento, execução e avaliação 
das ações de prevenção, controle e tratamentos das doenças, bem como 
para estabelecer prioridades. 
3. Identificar fatores etiológicos na gênese das enfermidades. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA 
 História natural da doença: É o nome dado ao conjunto de processos interativos 
compreendendo “as inter-relações do agente, do suscetível e do meio ambiente que 
afetam o processo global e seu desenvolvimento, desde as primeiras forças que 
criam o estímulo patológico no meio ambiente ou em qualquer outro lugar, 
passando pela resposta do homem ao estímulo, até as alterações que levam a um 
defeito, invalidez, recuperação ou morte” (Leavell & Clark, 1976). 
 
Uma definição precisa do termo epidemiologia não é fácil: sua temática é 
dinâmica e seu objetivo, complexo. Pode-se de uma maneira simplificada, 
conceitua-la como: ciência que estuda o processo saúde-doença em coletividades 
humanas, analisando a distribuição e os fatores determinantes das enfermidades, 
danos à saúde e eventos associados à saúde coletiva, propondo medidas 
especificas de prevenção, controle ou erradicação de doenças, e fornecendo 
indicadores que sirvam de suporte ao planejamento, administração e avaliação 
das ações de saúde. 
 
 2 
 A história natural da doença, portanto, tem o desenvolvimento em dois períodos 
seqüenciados: período epidemiológico e o período patológico. 
 Período epidemiológico: O interesse é dirigido para as relações suscetível-
ambiente. 
 Período patológico: Interessam as modificações que se passam no organismo 
vivo. 
 
PERÍODO DE PRÉ-PATOGÊNESE 
 O primeiro período da história natural (denominado por Leavell & Clark [1976] 
como período pré-patogênico) é a própria evolução das inter-relações dinâmicas, 
que envolvem, de um lado, os condicionantes sociais e ambientais e, do outro 
lado, os fatores próprios do suscetível, até que se chegue a uma configuração 
favorável a instalações da doença e também a descrição desta evolução. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Maria Zélia Rouquayrol & Naomar de Almeida Filho. 
 In: Epidemiologia & Saúde, 6ª ed- Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. 
cap. 2 – Epidemiologia, História Natural e Prevenção de Doença. 
 
 
 3 
 Estrutura epidemiológica: que tem funcionamento sistêmico, estende-se o 
conjunto formado pelos fatores vinculados ao suscetível e ao ambiente, incluindo 
ai o agente etiológico, conjunto este dotado de uma organização interna que 
define as suas interações e também é responsável pela produção da doença. 
 San Martin (1981) põe em relevo o sistema formado pelo ambiente, população, 
economia e cultura, designando este conjunto de sistema epidemiológico-social. 
 
 FATORES SOCIAIS. 
 O estudo em nível pré-patogênico da produção da doença em termos 
coletivos, objetivando o estabelecimento de ações de ordem preventiva, deve 
considerar a doença como fluindo de processos sociais, crescendo através de 
relações ambientais e ecológicas desfavoráveis, atingido o homem pela ação 
direta de agentes químicos, fiscos, biológicos e psicológicos, ao se 
defrontarem, no indivíduo suscetível, com pré-condições genéticas ou 
somáticas desfavoráveis. 
 Modernamente, as condições sociais da doença considerada em nível coletivo 
têm sido trados a partir de dois pontos de vista. 
1. O componente social na pré-patogênse poderia ser definido como uma 
categoria residual: conjunto de todos os fatores que não podem ser 
classificados como componentes genéticos ou agressores físicos, químicos e 
biológicos. 
a. Fatores socioeconômicos. 
b. Fatores sociopolítico. 
c. Fatores socioculturais. 
d. Fatores psicossociais. 
2. Graças aos esforços dos novos epidemiologistas, vem se firmando uma 
maneira diferente de trabalhar o social. “Neste trabalho, o ‘social’ já não é 
apresentado como uma variável ao lado dos outros ‘fatores causais’ da 
doença, mas, antes, como um campo onde a doença adquire um significativo 
específico. O social não é mais expresso sob forma de um indicador de 
consumo (quantidade de renda, nível de instrução etc.). Ele aparece agora sob 
 
 4 
a forma de relações sociais de produção responsáveis pela posição de 
segmento da população na estrutura social”. 
 Fatores socioeconômicos. 
 Os grupos sociais economicamente privilegiados estão menos sujeitos à ação 
dos fatores ambientais que ensejam ou que estimulam a ocorrência de certos 
tipos de doenças cuja incidência é acintosamente elevada nos grupos 
economicamente desprivilegiados. Segundo Renaud (1992), os pobres. 
 São percebidos como mais doentios e mais velhos; 
 São de duas ou três vezes mais propensos a enfermidades graves; 
 Permanecem doentes com mais freqüência; 
 Morrem mais jovens; 
 Procriam crianças de baixo peso, em maior proporção; 
 Sua taxa de mortalidade infantil é mais elevada. 
 Fatores sociopolíticos. 
 Os fatores políticos que devem ser fortemente considerados ao se analisarem 
as condições de pré-patogênse ao nível do social, segundo, o ponto de vista de 
Rouquayrol & Almeida Filho (2003). 
 Instrumentação jurídico-legal; 
 Decisão política; 
 Higidez política; 
 Participação consentida e valorização da cidadania; 
 Participação comunitária efetivamente exercida; 
 Transparência das ações e acesso à informação. 
 Fatores socioculturais. 
 No contexto do social, devem ser citados preconceitos e hábitos culturais, 
crendices, comportamentos e valores, valendo como fatores pré-patogênicos 
contribuintes para a difusão e manutenção de doenças. 
 Fatores psicossociais. 
 Dentre os fatores psicossociais aos quais pode ser imputada a característica de 
pré-patogênese, encontra-se: a marginalidade, a falta de apoio no contexto 
social em que vive, condições de trabalho extenuantes ou estressantes, 
 
 5 
promiscuidade, transtornos econômicos, falta de cuidado materno na infância, 
carência afetiva de ordem geral, e outros. 
 
 FATORES AMBIENTAIS. 
 Entendido como todos os fatores que mantém relações interativas com o 
agente etiológico e o suscetível. O termo tem maior abrangência do que lhe é 
dado no campo da ecologia. Além de incluir o ambiente físico, que abriga e 
torna possível a vida autotrófica e o ambiente biológico, que abrange todos os 
seres vivos, inclui também a sociedade envolvente, sede das interações 
sociais, políticas, econômicas e culturais. 
 Agressores ambientais são agentes que, de forma imediata, sem mais 
intermediações, podem pôr-se em contato direto com o suscetível. Quanto a 
forma de surgimento ou por sua presença, podem ser inseridos em uma das 
seguintes categorias: 
a. Agentes presentes no ambiente de forma habitual, em convivência 
natural ou tradicional com o homem; 
b. Agentes poucos comuns e que a mercê de situações novas, por exemplo, 
alterações impostas por novos hábitos ou por modificações na maneira 
de viver, por má administração ou manipulação inábil de meios e 
recursos, por importação, passam a se fazer presente de forma 
perceptível, como agentes, em algum evento epidemiológico; 
c. Agentes que explodem em situações anormais de grande monta como 
são as macroperturbações ecológicas, os desastres naturais e as 
catástrofes. 
 São componentes do ambiente físico: situação geográfica, solo, clima, 
recursos hídricos e topografia, agentesquímicos e físicos. 
 Publicação da Organização Pan-Americana de Saúde (OPS, 1976) menciona 
que, com a industrialização crescente e a modificação dos costumes, há um 
grande numero de substâncias carcinogênicas que se ingerem, inalam, 
absorvem por via cutânea ou que se introduzem no organismo como 
medicamentos ou por acidentes. 
 
 6 
 No ambiente humano (OPS, 1962), o uso de medicamentos é outro fator 
importante que pode compor a estrutura epidemiológica de doenças não-
infecciosas. As características normais do feto poderão sofrer alterações se 
uma nova droga passar a ser comercializada sem provas suficientes de sua 
inocuidade. 
 Fatores genéticos. 
 Os fatores genéticos provavelmente determinam a maior ou menor 
suscetibilidade da pessoa quanto à aquisição de doenças. O fato é que, em 
relação à incidência de doenças, percebe-se que, quando ocorre uma exposição 
a um fator patogênico externo, alguns dos expostos são acometidos outros 
permanecem isentos. 
 
PERÍODO DE PATOGÊNESE 
 A história natural da doença tem seguimento com a sua implantação e evolução 
no homem. É o período da patogênese. Este período se inicia com as primeiras 
ações que os agentes patológicos exercem sobre o ser afetado. Seguem-se as 
perturbações bioquímicas em nível celular, continuam com as perturbações na 
forma e na função, evoluindo para defeitos permanentes, cronicidade, morte ou 
cura. 
 Nos nossos estudos, serão considerados quatro níveis de evolução da doença no 
período de patogênese: 
a. Interação estímulo-suscetível. 
b. Alterações bioquímicas, fisiológicas e histológicas. 
c. Sinais e sintomas 
d. Defeitos permanentes, cronicidade. 
 Interação Estímulo-suscetível. 
 Nesta etapa a doença ainda não tomou desenvoltura, porém todos fatores 
necessários estão presentes. 
 Alterações Bioquímicas, Histológicas e Fisiológicas. 
 Neste estágio, a doença já está implantada no organismo afetado. Embora não 
se percebam manifestações clínicas, já existem alterações histológicas em 
nível de percepção subclínica de caráter genérico. Estas alterações não são 
 
 7 
perceptíveis. Porém, ainda neste estágio, a doença já está presente e pode ser 
percebida através de exames clínicos ou laboratoriais orientados. 
 Denomina-se “horizonte clínico”, uma linha imaginária. Abaixo dessa linha 
se processam todas as manifestações bioquímicas, fisiológicas e histológicas 
que precedem as manifestações clínicas da doença. É o chamado período de 
incubação. 
 Sinais e Sintomas. 
 Acima do horizonte clínico os sinais iniciais da doença, ainda confusos, 
tornam-se nítidos e transforma-se em sintomas. É o estágio chamado de 
clínico, iniciado ao ser atingida uma massa critica de alterações funcionais no 
organismo acometido. A evolução da doença encaminha-se então para um 
desenlace; a doença pode passar para o período de cura, evoluir para a 
cronicidade ou progredir para a invalidez ou para a morte. 
 Cronicidade. 
 A evolução clínica da doença pode progredir até o estado de cronicidade ou 
conduzir o doente a um dado nível de incapacidade física por tempo variável. 
Pode também produzir lesões que serão, no futuro, uma porta aberta para 
novas doenças. Do estado crônico, com incapacidade temporária para 
desempenho de algumas atividades específica, a doença pode evoluir para a 
invalidez permanente ou para a morte. Em outros casos, para a cura. 
 
PREVENÇÃO 
 “Saúde Pública é a ciência e a arte de evitar doença, prolongando a vida e 
desenvolve a saúde física e mental e a eficiência, através de esforços organizados da 
comunidade para o saneamento do meio ambiente, o controle de infecções na 
comunidade, a organização de serviços médicos e paramédicos para o diagnostico 
precoce e o tratamento preventivo das doenças, dentre outras” (Winslow, citado por 
Leavel & Clark, 1976). 
 A definição formulada acima com o pensamento de outros autores, levaram a 
considerar a saúde pública como uma tecnologia, mais do que como uma ciência, 
isto é, saúde pública é técnica e é arte. 
 
 8 
 Parece-nos que a saúde pública e epidemiologia são indissociáveis quanto a seus 
objetivos sociais e quanto à sua prática, sendo a epidemiologia o instrumento 
privilegiado para orientar a saúde pública. 
 A saúde pública é a face tecnológica e a epidemiologia será a face científica. A 
saúde pública intervém buscando evitar doenças, prolongando a vida física e 
mental e a eficiência. A epidemiologia persegue a observação exata, a 
interpretação correta, a explicação racional e a sistematização científica dos 
eventos de saúde-doença em nível coletivo, orientando, portanto, as ações de 
intervenção. 
 A saúde pública como tecnologia pode ser inserida como arte em uma tecnologia 
mais abrangente, a medicina preventiva. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Antes que haja uma prevenção primária, há de haver uma prevenção de caráter 
estrutural. 
 Prevenir e prever antes que algo aconteça ou mesmo cuidar para que não 
aconteça. Prevenção em saúde pública é a ação antecipada, tendo por objetivo 
interceptar ou anular a evolução de uma doença. 
 Pode ser feita nos períodos pré-patogênese e patogênese. O conhecimento da 
história natural da doença favorece o domínio das ações preventivas necessárias. 
 
 
 
TÉCNICA E ARTE 
 
MEDICINA 
PREVENTIVA 
MEDICINA 
PREVENTIVA 
DE SAÚDE 
PÚBLICA 
MEDICINA 
PREVENTIVA 
INDIVIDUA- 
LIZADA 
CIÊNCIA 
 
PATOLOGIA 
CIÊNCIA 
 
EPIDEMIOLOGIA 
 
 9 
 Prevenção Primária. 
 A prevenção primária se faz com a intercepção dos fatores pré-patogênicos. 
Inclui: (a) promoção a saúde; (b) proteção específica. 
 Promoção a saúde (é feita através de medidas de ordem geral). 
 Moradia adequada. 
 Escolas. 
 Área de lazer. 
 Alimentação adequada. 
 Educação em todos os níveis. 
 Proteção específica. 
 Imunização. 
 Saúde ocupacional. 
 Higiene pessoal e do lar. 
 Proteção contra acidentes. 
 Aconselhamento genético. 
 Controle de vetores. 
 Prevenção Secundária. 
 É realizada no indivíduo, já sob a ação do agente patogênico, ao nível do 
estado de doença. Inclui: (a) diagnósticos; (b) tratamento precoce; (c) 
limitação da invalidez. 
 Diagnóstico precoce. 
 Inquéritos para a descoberta de casos na comunidade. 
 Exames periódicos, individuais, para detecção precoce de 
casos. 
 Isolamento para evitar a propagação de doenças. 
 Tratamento para evitar a propagação da doença. 
 Limitação da incapacidade. 
 Evitar futuras complicações. 
 Evitar seqüelas. 
 
 
 
 
 10 
 Prevenção Terciária. 
 Consiste na prevenção da incapacidade através de medidas destinadas à 
reabilitação. Assim, o processo de reeducação e readaptação de pessoas com 
defeitos após acidentes ou devido seqüelas de doenças é exemplo de 
prevenção em nível terciário. 
 Reabilitação (impedir a incapacidade total). 
 Fisioterapia. 
 Terapia ocupacional. 
 Emprego para o reabilitado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Maria Zélia Rouquayrol & Naomar de Almeida Filho. 
 In: Epidemiologia & Saúde, 6ª ed- Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. 
cap. 2 – Epidemiologia, História Natural e Prevenção de Doença. 
 
 
 11 
 
 
Epidemiologia descritiva 
 
 
 
 
Epidemiologia descritiva é, portanto, o estudo das distribuições de 
freqüência das doenças e dos agravos à saúde coletiva, em função de variáveis 
ligadas ao tempo, ao espaço – ambientais e populacionais – e à pessoa, 
possibilitando o detalhamento do perfil epidemiológico, com vistas à promoção 
da saúde. 
 
 Na ciência epidemiológica, é fundamental o conhecimento das 
circunstância sob as quais se desenvolve o processo saúde-doença na 
população. 
 
 Onde, quando e sobre quem ocorre determinada doença? 
 Há grupos especiais mais vulneráveis? 
 Existe alguma época do ano em que aumenta o numero de casos? 
 Em que área do município ou região do país a doençaé mais freqüente? 
Há disparidades regionais ou locais? 
 Indivíduos idosos são mais atingidos do que crianças? 
 Pertencer a uma dada classe social determina diferenças nos riscos? 
 
Maria Zélia Rouquayrol & Naomar de Almeida Filho.In: Epidemiologia & 
Saúde, 6ª ed - Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. cap. 04, 23. 
 
 12 
 
 
Epidemiologia descritiva 
O processo epidêmico 
 
 UMA DETERMINADA DOENÇA, EM RELAÇÃO A UMA POPULAÇÃO, QUE 
AFETE OU QUE POSSA AFETAR, PODE SER CARACTERIZADA COMO: 
 
1. PRESENTE EM NÍVEL ENDÊMICO. 
2. PRESENTE EM NÍVEL EPIDÊMICO 
3. PRESENTE EM CASOS ESPORÁDICOS. 
4. INEXISTENTES. 
 
 Endemia (I) – Ocorrência coletiva de uma determinada doença que, no decorrer de 
um longo período histórico, acometendo sistematicamente grupos humanos 
distribuídos em espaços delimitados e caracterizados, mantém a sua incidência 
constante, permitidas as flutuações de valores, tais como as variações sazonais. 
 
 Endemia (II) – É a presença constante de uma doença ou de um agente infeccioso 
em determinada área geográfica; pode significar também a prevalência usual de 
determinada doença nessa área. Hiperendemia significa transmissão intensa 
persistente, e holeandemia, um alto nível de infecção que começa no início da vida e 
afeta a maior parte da população; aplica-se, por exemplo, à malária em alguns 
lugares (OPS, 1992). 
 
 Endemia (III) – Variação da incidência de uma doença em uma comunidade, isto é, 
dentro de uma faixa limitada por dois desvios padrões acima ou abaixo da incidência 
media da doença, tomando-se como base um certo número de anos anteriores. 
 
 Faixa Endêmica – Característica de uma determinada doença, referente a uma 
determinada população em determinada época, definida para um ciclo completo de 
variação sazonal ou atípica, faixa endêmica é o espaços nos limites do qual as 
medidas de incidência podem flutuar sem que delas se possa inferir ter havido 
qualquer alteração sistêmica na estrutura epidemiológica condicionante, do 
processo saúde-doença considerado. 
 
Maria Zélia Rouquayrol & Naomar de 
Almeida Filho.In: Epidemiologia & 
Saúde, 6ª ed - Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. 
cap. 04, 23. 
 
 
 13 
 Endemicidade – Refere-se à intensidade do caráter endêmico de determinada 
doença, em determinado lugar e intervalo cronológico – é a endemicidade dessa 
doença no lugar e no tempo considerado. 
 Epidemia (I) – Denomina-se da ocorrência de doenças em grande número de 
pessoas ao mesmo tempo (latu sennso). Em sentido restrito, pode ser considerada 
uma alteração, especial e cronologicamente definida, do estado de saúde-doença de 
uma população, caracterizada por uma elevação progressivamente crescente, 
inesperada e descontrolada dos coeficientes de incidência de determinada doença, 
ultrapassando e reinterando valores acima do limiar epidêmico preestabelecido 
(conceito operativo). 
 
 Epidemia (II) – A manifestação, em uma coletividade ou região, de um grupo de 
casos de alguma enfermidade que excede claramente a incidência prevista. O 
número de casos que indica a existência de uma epidemia varia com o agente 
infeccioso, o tamanho e as características da população exposta, sua experiência 
prévia ou falta de exposição à enfermidade e o local e a época do ano em que ocorre. 
Por decorrência a epiemicidade guarda relação com a freqüência comum da 
enfermidade na mesma estação do ano. O aparecimento de um único caso de doença 
transmissível que durante um lapso de tempo prolongado não tinha sido identificada 
requer notificação imediata e uma completa investigação epidemiológica; a 
ocorrência de dois casos dessa doença, associados no tempo e no espaço, pode ser 
considerada uma epidemia (OPS, 1992). 
 
 A CURVA EPIDÊMICA. 
 Incremento inicial de Casos 
 Egressão 
 Progressão 
 Incidência máxima 
 Regressão 
 Decréscimo de Incidência Endêmica 
 
 DURAÇÃO DA DEMAIS EPIDEMIAS. 
 Abrangência das epidemias 
 Surto Epidêmico – Denomina-se surto epidêmico, ou simplesmente surto, uma 
ocorrência epidêmica restrita a um espaço extremamente delimitado: colégio, 
 
 14 
quartel, edifícios de apartamentos, bairro etc. É a epidemia de proporções reduzidas, 
atingindo uma pequena comunidade humana. Muitos restringem o tempo para o caso 
de instituições fechadas, outras o usam como sinônimos de “epidemia”. 
 Pandemia – Ocorrência epidêmica caracterizada por uma larga distribuição 
espacial, atingindo varias nações. A pandemia pode ser tratada como uma série de 
epidemias localizadas em diferentes regiões e que ocorrem em vários paises ao 
mesmo tempo. 
 
 ASPECTOS DIFERENCIAIS DAS EPIDEMIAS. 
 Epidemia Progressiva – Epidemia de desenvolvimento lento, na qual a doença se 
difunde de pessoa a pessoa por vias respiratórias, anal, oral genital, ou por vetores, 
de modo que os casos identificados não podem ser atribuídos a agentes transmitidos 
a partir de uma única fonte. A propagação de epidemia se dá em cadeia, gerando 
verdadeira corrente de transmissão, de suscetível a suscetível, até o esgotamento 
desses ou sua diminuição abaixo do nível critico. São sinônimos: epidemia de 
contato, epidemia de contágio e epidemia propagada. 
 Epidemia Explosiva – Nome dado à epidemia que apresenta uma rápida progressão, 
até atingir a incidência máxima num curto espaço de tempo. São sinônimos: 
epidemia maciça. 
 Epidemia Lenta – Designação dada à epidemia de progressão vagarosa, isto é, 
apresenta velocidade lenta para atingir a incidência máxima. Este tipo de epidemia 
acontece nas doenças cujo casos se sucedem lentamente. Pode ocorrer com as 
doenças cujo agentes apresentam baixa resistência ao meio exterior aos quais a 
população seja altamente resistente ou imune. O decurso moroso da epidemia pode 
ainda ser decorrente de doenças de longo período de incubação (AIDS, por exemplo) 
e da difusão parca no meio de fatores de transmissão da doença. 
 Epidemia por fonte comum – Epidemia definida a partir de uma fonte comum, em 
que o fator extrínseco (agente infeccioso, fatores físico-químicos ou produtos do 
metabolismo biológico) é veiculado pela água, alimentos, ar ou introduzidos por 
inoculação. Nesse tipo de epidemia não existe propagação de doenças pessoa a 
pessoa: todos os afetados devem ter tido acesso direto ao veiculo disseminador da 
doença, não necessariamente ao mesmo tempo e no mesmo lugar. Trata-se 
 
 15 
geralmente de uma epidemia explosiva e bastante localizada em relação às variáveis 
tempo, espaço e pessoa. São suas variantes: a epidemia por fonte pontual e a 
epidemia por fonte persistente. São sinônimos: epidemia por veiculo comum. 
 Epidemia por fonte persistente – Epidemia por fonte comum e persistente (no 
tempo), resultando na exposição prolongada (por um lapso de tempo) da população. 
 Epidemia por fonte pontual – Epidemia por fonte comum em que, por causa da 
fonte pontual (no tempo), a exposição se dá durante um curto intervalo de tempo e 
cessa, não tornando a se repetir. São exemplos a exposição a radiação ionizantes etc. 
autores da língua francesa a denominam de epidemia focal. 
 
 CONGLOMERAÇÃO – Em epidemiologia, nome dado ao processo de agrupamento 
dos casos individuais de determinado agravo à saúde, de acordo com o lapso de 
tempo decorrido entre o evento supostamente causal e a manifestação mórbida em 
estudo, e o local em que ocorrem. 
 CONGLOMERADO DE CASOS OU DE ÓBITOS - Um conjunto de casos ou de 
óbitos para os quais poder-se-ia hipotetizar origem idêntica, seja a ação de uma 
substância química, de um agente infeccioso, a retirada de um fator ambiental e, até 
mesmo, os modos de vida. 
 CONGLOMERADO ESPECIAL DE CASOS - Casos de doenças de etiologia 
conhecida ou desconhecida, com doentes exibindo sintomas e sinais iguais, para os 
quais pode ser suspeita ou evidenciada uma origem idêntica, ou mesmo comum, 
associada a algum fator ou fatores surgidos em um território circunscritocujos 
limites possam ser perfeitamente definidos. 
 CONGLOMERADO TEMPORAL DE CASOS – Um grupo de casos para os quais 
se suspeita um fator comum e que ocorrem dentro dos limites de intervalos de tempo 
significativamente iguais, medidos a partir do evento que supostamente lhes deu 
origem. 
 CASO – Pessoa ou animal infectado ou doente apresentando características clinicas, 
laboratoriais e epidemiológicas especificas (CDC, 1988). 
 CASOS ALÓCTONE – É o doente, atualmente presente na área sob consideração, 
que tenha adquirido a sua doença em outra região de onde emigra ou onde esteve 
ocasionalmente. Sinônimo: caso importado. Exemplo: do vôo 386 que decolou de 
 
 16 
Buenos Aires em 14/02/92, com escala em Lima-Peru, desembarcaram, em Los 
Angeles, algumas pessoas com sintomas de cólera. Após comprovação laboratorial, 
esses pacientes foram registrados nos EUA como casos importados. 
 CASO AUTÓCTONE – É o caso de doença que teve origem dentro dos limites do 
lugar em referência ou sob investigação. Exemplo: pessoa comprovadamente doente 
ou portadora de cólera e atualmente residindo em área epidêmica do Brasil. 
 CASO CONFIRMADO – Pessoa de quem foi isolado e identificado o agente 
etiológico ou de quem foram obtidas outras evidencias laboratoriais da presença do 
agente etiológico, como por exemplo, a conversão sorológica em amostras de sangue 
colhidas nas fases aguda e convalescente (CDC, 1988). Pode-se firmar o diagnostico 
de um caso sob investigação, mesmo na ausência de dados laboratoriais, apenas por 
critérios clínicos e epidemiológicos consistentes. 
 CASO ESPORÁDICO – Caso que, segundo informações disponíveis, não se 
apresenta epidemiologicamente relacionados a outros já conhecidos (CDC, 1988). 
 CASO-ÍNDICE – Primeiro entre vários de natureza similar e epidemiologicamente 
relacionados. O caso-índice é muitas vezes identificado como fonte de contaminação 
ou infecção (CDC, 1988). 
 CASO PRESUNTIVO – Pessoa com síndrome clinica compatível com a doença, 
porém sem confirmação laboratorial do agente etiológico (CDC, 1988). 
 CASO SECUNDÁRIO – Caso novo de uma doença transmissível, surgido a partir 
do contato como caso-índice. 
 CASO SUSPEITO – Pessoa cuja história clínica, sintomas e possível exposição a 
uma fonte infecciosa sugerem que a mesma possa estar ou vir a desenvolver alguma 
doença infecciosa (CDC, 1988). 
Maria Zélia Rouquayrol & Naomar de Almeida Filho.In: Epidemiologia & 
Saúde, 6ª ed - Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. cap. 04, 23. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 17 
Principais Indicadores de Saúde. 
 
INTRODUÇÃO 
 O conhecimento das condições de saúde de uma população implica no manuseio 
adequado de números informações. 
 Indicadores positivos e negativos. 
Tradicionalmente, em avaliação realizadas na área da saúde, são utilizados indicadores 
“negativos”, como mortalidade e morbidade, em lugar dos “positivos”, do tipo bem-
estar, qualidade de vida e normalidade. Alguns outros indicadores não se enquadram na 
classificação de positivos ou negativos, sendo exemplos a natalidade e a fecundidade, 
embora possam ser feitas correlações com estes significados. 
 
 MORTALIDADE. 
Historicamente, o primeiro indicador em avaliações de saúde coletiva, e ainda hoje o 
mais empregado, é a de mortalidade. Isto pode ser explicado pelas facilidades 
operacionais: a morte é objetivamente definida, ao contrário da doença, e cada óbito 
tem de ser registrado. O registro obrigatório resulta na formação de uma “base de 
dados”, mantidas e atualizadas por técnicos do governo, divulgada periodicamente. Esta 
base de dados é armazenadas, o que facilita a preparação de estatísticas sob diversas 
formas, cuja interpretação, mesmo que superficial, fornece um diagnóstico sa situação. 
Obs.: Segundo Angel (1973), o nível de saúde de uma nação pode ser avaliado com a 
utilização de apenas de indicadores: mortalidade infantil, mortalidade materna e 
expectativa de vida. 
 Limitações do uso da mortalidade como indicador. 
 As estatística de mortalidade exprimem a gravidade da situação, mas, como o 
óbito representa a último acontecimento no processo saúde-doença, as 
estatísticas de mortalidade refletem uma historia muito incompleta da doença 
e de seus fatores determinantes. 
 Os danos que raramente levam ao óbito praticamente não estão representados 
nas estatísticas de mortalidade. 
 
 18 
 As mudanças nas taxas de mortalidade, com o passar do tempo, são, em geral, 
de pequena amplitude, o que as torna pouco úteis para a avaliação de curto 
prazo. 
 
 MORBIDADE. 
O conhecimento do perfil de morbidade da população é essencial para o pessoal de 
saúde. As estatística que expressam a situação da doença na população têm múltipla 
utilização: elas permitem inferir o risco de adoecer a que as pessoas estão sujeitas, bem 
como constituem indicações a serem utilizadas na preparação das investigações dos 
seus fatores determinantes e na escolha das ações saneadoras adequadas. As medidas de 
morbidade, comparadas às de mortalidade, são mais sensíveis para expressar mudanças 
de curto prazo. 
 Gravidade do processo mórbido. 
Além do conhecimento da simples ocorrência ou não de danos a saúde, um outro ângulo 
na mensuração da morbidade diz respeito à gravidade deste dano. As medidas que 
expressam gravidade são muitas usadas, por exemplo, nas investigações sobre a história 
natural da doença e na aferição da eficácia do tratamento. 
Entre os muitos aspectos possíveis da quantificação, estão os tipos de agravos a saúde e 
a incidência de óbitos, de complicações e de efeitos indesejáveis entre as pessoas 
afetadas por um determinado dano à saúde. O grau em que os sistemas orgânicos, 
anatômico ou funcionais estão comprometidos, nesta mesma pessoa, é uma outra 
possibilidade de avaliação. Na verdade, verdade existem muitas opções e escalas de 
risco para estimar gravidade, por exemplo: 
 Tipo de agravo. 
Há danos a saúde que evoluem com pior prognóstico do que outros. Alguns pode ser 
evitado ou tratados com tecnologia disponível. A incidência com que estes eventos 
ocorrem em um grupo populacional pode refletir as condições de saúde deste grupo. Por 
exemplo: doenças infecciosas x não-infecciosa. Nas regiões menos desenvolvida, 
observa-se alta incidência de doença infecciosas, carenciais e perinatais. Nas mais 
desenvolvidas, a população costuma ser, em média, mais idosa, com predominância das 
doenças crônicas-degenerativas. Assim, o próprio conhecimento da estrutura da 
 
 19 
morbidade (ou mortalidade), com o predomínio de um particular grupo de afecções, 
permite inferir o nível de saúde e até mesmo o grau de desenvolvimento da região. 
 Restrição de atividades. 
Muitas avaliações indireta da gravidade do dano à saúde baseiam-se na incapacidade 
funcional gerada pelo processo da doença, medida pela hospitalização, pelo 
confinamento ao leito ou pelas seqüelas que produz. 
 
 INDICADORES NUTRICIONAIS. 
Numerosas medidas do estado nutricional das pessoas são usadas na avaliação das 
condições de saúde e nutrição de população. Elas são agrupadas em duas categorias. 
 Avaliação indireta do estado nutricional. 
Alguns indicadores mais usados para avaliar indiretamente o esta do nutricional da 
população provêm das estatísticas vitais. Os mais empregados com este propósito 
encontram-se sob a forma de coeficiente ou de proporção. 
 A mortalidade pré-escolar (um a quatro anos). 
 A mortalidade infantil (de menores de um ano). 
 A mortalidade infantil tardia (28 dias a 11 meses). 
 Avaliação direta do estado nutricional. 
Três enfoques são usados mais freqüentemente para produzir indicadores diretos das 
condições nutricionais. 
 Avaliação dietética: São utilizadas para determinar a natureza e a quantidade 
dos alimentos pela população. As informações são obtidas através do 
conhecimento da inclusão na dieta de alimentos ou grupos alimentaresque 
fornecem os nutrientes essenciais. 
 Avaliação clínica: Visam detectar sinais e sintomas da presença excessiva ou da 
deficiência de um ou mais nutrientes no organismo. 
 Avaliações laboratoriais: Numerosas dosagens bioquímicas (ferro, proteínas, 
iodo etc) são utilizadas, geralmente, em amostras de sangue e urina, com o 
intuito de detectar alterações de nutrientes. 
 
Mauricio Gomes Pereira. In: Epidemiologia Teoria e 
Prática, 5ª ed – Editora GUANABARA KOOGAN S.A, 
2001. cap. 4 – Indicadores de Saúde. 
 
 20 
 INDICADORES DEMOGRÁFICOS. 
As condições de saúde da população podem ser estimadas através de indicadores 
demográficos. Dentre eles, os que apresentam maior interesse aos campos da 
demografia e da saúde são a mortalidade e a esperança de vida. 
 
 INDICADORES SOCIAIS. 
As condições socioeconômicas estão intimamente relacionadas à saúde, de modo que 
são usadas como indicadores sanitários indiretos, como é o caso da renda per capta, da 
distribuição de renda, da taxa de analfabetismo e da proporção de crianças em idade 
escolar fora das escolas. 
 
 INDICADORES AMBIENTAIS. 
Alguns dos principais indicadores de saúde ambiental estão estreitamente relacionados 
com o nível socioeconômico da população, entre os quais as condições de moradia e do 
peridomicílio. Um importante ângulo da questão ambiental refere-se à cobertura e à 
qualidade de serviços de “saneamento básico”: abastecimento de água, de esgoto, de 
coleta de lixo e de águas pluviais. A eles, reserva-se a denominação “indicadores 
sanitários”. Um indicador muito utilizado é a proporção da população que dispõe de um 
sistema adequado de abastecimento de água, de eliminação de dejetos e de coleta 
regular de lixo. 
 
 SERVIÇO DE SAÚDE. 
Muitos indicadores são especialmente criados para refletir o que ocorre no âmbito da 
assistência à saúde, sob diversos ângulos, onde, são expostos três grande grupos: 
1. Indicadores de insumos; 
2. Indicadores de processo; 
3. Indicadores de resultados. 
 
 INDICADORES POSITIVOS DE SAÚDE. 
 Epidemiologia da doença. 
 Epidemiologia da saúde. 
 
 21 
 Operacionalização da definição de saúde da OMS: A definição de saúde 
da Organização Mundial de Saúde – “um estado de completo bem-estar 
físico, mental e social, e não meramente a ausência de doença”. 
 Qualidade de vida. 
 
Mauricio Gomes Pereira. In: Epidemiologia Teoria e 
Prática, 5ª ed – Editora GUANABARA KOOGAN S.A, 
2001. cap. 4 – Indicadores de Saúde. 
Maria Zélia Rouquayrol & Naomar de Almeida Filho. 
 In: Epidemiologia & Saúde, 5ª ed- Rio de Janeiro: 
MEDSI, 2003. cap. 3 – A Medida da Saúde coletiva. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 22 
Medidas da Saúde Coletiva 
 
INTRODUÇÃO 
 Medir o estado de saúde e bem-estar de uma determinada população é, portanto, não 
só uma necessidade para que sejam feitos diagnósticos, realizações de intervenções e 
avaliação de impacto nesta população. Como também é uma tarefa complexa, para 
qual ainda não dispomos de instrumentos e metodologia que atendam plenamente 
essas necessidades. 
 A quantificação de variáveis populacionais é, sem dúvida, uma etapa importante e 
imprescindível, procurando, através de metodologia específicas, conhecer as 
primeiras doenças e agravos à saúde que atingem uma determinada comunidade, os 
grupos mais susceptíveis, as faixas etárias mais atingidas, os riscos mais relevantes e 
os mecanismos efetivos de controle de cada caso. 
 A Organização Pan-Americana de saúde (OPAS) reconhece que contextos sociais e 
econômicos desempenham papel determinantes na situação de saúde da população. 
Assim, propõe que sejam aumentados os esforços no sentido de caracterizar as 
desigualdades da situação sanitária das populações e do acesso aos serviços de saúde 
identificando os grupos de maior risco, para que medidas efetivas produzam um 
impacto de melhoria da saúde dessas populações (OPAS, 1998). 
 
 Valores relativos 
 Os dados colhidos diretamente de fontes de informação, ou gerados através de 
observações controladas, são dados não-trabalhados e tomam a designação de 
valores absolutos. Os valores absolutos, quando relacionados à variável 
independente, passam a ser denominados freqüências absoluta associados à referida 
variável. 
 As novas variáveis dependentes não são mais freqüências absolutas e passam a ser 
coeficientes e índices. 
 Denomina-se coeficiente as relações entre o número de eventos reais e os que 
podem acontecer. Assim, os coeficientes são, portanto, medidas de risco, além 
disso, medem o risco de se adoecer por uma determinada doença, por exemplo a 
dengue, ou seja, os coeficientes são também medidas de probabilidade. 
 
 23 
 
 
 
 
 Entende-se por índice as relações entre freqüências atribuídas das mesma unidade. 
Os índices são geralmente apresentados sob a forma de porcentagem. Assim, os 
índices ou proporções, que expressam a freqüência de um determinado evento. 
 Obs.: Para transformar os números decimais em números inteiros, multiplica-se o 
coeficiente ou índice por potência de 10, que seria a base referencial da população 
exposta. Por exemplo, em Roraima foram encontrados 0,001573 caso da dengue, 
dividindo-se os casos de dengue pela população. Neste sentido, o coeficiente 
0,001573 será multiplicado por 100.000, o que transformaria no coeficiente 157,3 
por 100.000 (157,3/100.000). 
Maria Zélia Rouquayrol & Naomar de Almeida Filho. 
 In: Epidemiologia & Saúde, 6ª ed- Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. 
cap. 3 – Medidas de Saúde Coletiva. 
 Coeficiente de Mortalidade. 
 Os coeficientes de mortalidade são definidos como quocientes entre as freqüências 
absoluta de óbitos e o número dos expostos ao risco de morrer. 
 Podem ser categorizados segundo os critérios mais diversos, tais como sexo, idade 
ou estado civil. Os óbitos ocorridos podem ser classificados segundo causa ou lugar. 
Outros critérios podem ser propostos, mas sempre levando em conta o objetivo que 
se quer atingir. 
 
 Coeficiente de Mortalidade Geral. 
 Calcula-se o coeficiente de mortalidade geral dividindo-se o número de óbitos 
relativos a todas as causas, em um determinado ano, pela população, naquele ano, 
circunscrito a uma determinada área e multiplicando-se por 1.000, base referencial 
para a população exposta. 
 
 
 
 
Obs.: No cálculo dos coeficientes, deve-se ter o cuidado de excluir no 
denominador as pessoas não expostas ao risco, como por exemplo, excluir 
mulheres do denominador na determinação de coeficiente de câncer de próstata. 
Total de óbitos registrados em certa área durante o ano 
CMG = x 1.000 
População da área ajustada para o meio do ano 
 
 24 
 No Brasil, os dados de mortalidade são registrados pelo Sistema de Informações 
sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde e vêm melhorando e aumentando 
sua abrangência, desde sua implementação em 1975/76 (Jorge, 2002). 
 
 Coeficiente de Mortalidade Infantil. 
 O coeficiente de mortalidade infantil é calculado dividindo-se o número de óbitos de 
crianças menores de 1 ano pelos nascidos vivos naquele ano, em uma determinada 
área, e multiplicando-se por 1.000 o valor encontrado. Mede, portanto, o risco de 
morte para crianças menores de 1 ano. 
 
 
 
 
 
 Mortalidade por Causas. 
 O coeficiente de mortalidade por causa é calculado dividindo-se o número de óbitos 
ocorridos por uma determinada causa e a população exposta e, a seguir 
multiplicando-se por 1.000 base referencial da população. 
 
 
 
 
 
 O erro no preenchimento da causa básica do ocorrido na Declaração de Óbito ainda 
é um problema a ser enfrentado . O Manual de Instruções para o preenchimento da 
Declaração de Óbito define a causa básica do óbito como “a doença ou lesão que 
iniciouuma sucessão de eventos que levaram à morte; ou, no caso de acidente ou 
violência, as suas circunstancias.Assim, o preenchimento do atestado de óbito é um 
fator muito importante pois, o seu preenchimento inadequado (onde existem padrões 
para tal), as estatísticas de mortalidade, segundo causas básicas ou primárias serão 
falhas, o que não só afeta a comparabilidade como resulta em um quadro 
epidemiológico falso”. 
Nº de óbitos de menores de 1 ano em certas áreas durante o ano 
CMI = x 1.000 
Total de nascidos vivos nessa área durante o ano 
Nº de óbitos ocorridos por uma determinada causa 
CMC = x 1.000 
População exposta 
 
 25 
 Os erro mais freqüentes não só no Brasil mais também em outros paises no 
preenchimento dos atestados de óbitos são: 
 O diagnóstico clínico errado; 
 O diagnóstico correto pode ser erroneamente registrado na 
Declaração de Óbito; 
 O óbito pode não ser incluído no Sistema de Informações sobre 
Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. 
 Os coeficientes de mortalidade por causa podem ser bons reveladores do estado 
geral de saúde das coletividades. Esses coeficientes quando se referem às doenças 
transmissíveis medem, de certa forma, as condições de saneamento e a eficiência dos 
serviços de prevenção e controle. 
 
 Coeficiente de Letalidade. 
 Entende-se por letalidade o maior ou menor poder que tem uma doença em 
provocar a morte das pessoas que adoeceram por esta doença. 
 O coeficiente de letalidade é elaborado calculando-se a relação entre o número de 
óbitos devidos a determinadas causas e o número de pessoas que foram realmente 
acometidas pela doença. O coeficiente de letalidade, sempre expresso em termos de 
percentuais, permite avaliar a gravidade de uma doença, considerando as variáveis 
idade, sexo, condições socioeconômicas da região onde ocorre. Por exemplo, a 
letalidade da raiva é de 100%, todo caso correspondente a um óbito. 
 
 
 
 
 
 Índice de Mortalidade. 
 Índice de Swaroop & Uemura 
 O índice de Swaroop & Uemura é calculado dividindo-se o número de óbitos de 
pessoas que faleceram com 50 anos ou mais de idade, pelo total de óbitos, 
multiplicando-se por 100. 
 
Nº de óbitos devido a determinada causa 
CL = x 100 
 Nº de pessoas que foram realmente acometidas pela doença 
Nº de óbitos de pessoas com 50 e mais anos de idade 
ISU = x 100 
 Nº de óbitos totais 
 
 26 
MORBIDADE 
 As estatísticas de morbidade têm como característica fundamental o fato de serem 
utilizadas, preferencialmente, para avaliação do nível de saúde e o aconselhamento 
de medidas de caráter abrangentes (por exemplo, o saneamento básico), que visem 
melhorar o estado sanitário da comunidade. Para garantir a correção das decisões 
(por exemplo, eficácia na vacinação) ou apoiar ações especificas necessárias ao 
controle de determinada doença (por exemplo, o tratamento da hanseníase), 
consultam-se os coeficientes de morbidade discriminados em coeficientes de 
incidência e de prevalência. Estes interessam, no campo da saúde publica, ao 
planejador, ao administrador, ao pesquisador, ao epidemiologista e a toda 
comunidade ligada ao SUS. 
 Denota-se morbidade ao comportamento das doenças e dos agravos à saúde em 
uma população exposta. Isto é, morbidade sempre será referente a uma população 
pré-definida. Assim, por exemplo, na morbidade por silicose, entende-se por 
população o conjunto dos que estão expostos a contrair a doença, em um espaço e 
um tempo determinados: trabalhadores em britagem na industria X no ano Y por 
exemplo. 
 A expressão quantitativa da morbidade é dada por diferentes coeficientes de 
morbidade. Para fins operacionais, estes coeficientes são definidos como quocientes 
entre números de casos de uma doença e a população. 
 
 
 
 
 
 Inquérito epidemiológico: Dever ser entendido o estudo das condições de 
morbidade por causa específicas, efetuado em amostra representativa ou no todo de 
uma população definida e localizada no tempo e espaço. 
 Vigilância epidemiológica: “Significa a observação sistemática e ativa de casos 
suspeitos ou confirmados de doenças transmissíveis e de seus contatos. Trata-se, 
portanto, da vigilância de pessoas, através de medidas de isolamento ou quarentena, 
aplicadas individualmente, e não de forma coletiva”. 
Maria Zélia Rouquayrol & Naomar de Almeida Filho. 
 In: Epidemiologia & Saúde, 6ª ed- Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. 
cap. 3 – Medidas de Saúde Coletiva. 
 Nº de casos de uma doença 
Coeficiente de morbidade = x 10n 
 População 
 
 27 
PREVALÊNCIA 
 Prevalência é um termo que descreve a força com que subsistem as doenças nas 
coletividades. 
 Operacionalmente, o coeficiente de prevalência pode ser definido como a relação 
entre o número de casos conhecidos de uma dada doença e a população, 
multiplicando o resultado pela base referencial da população que é potência de 10, 
usualmente 1.000, 10.000 ou 100.000. 
 
 
 
 
 
 Deve ser esclarecido que “nº de casos conhecidos de uma dada doença” mede os 
casos que subsistem, isto é, mede a soma dos “casos anteriormente conhecidos e que 
ainda existem” com os “casos novos” que foram diagnosticados desde a data da 
computação anterior. 
 A prevalência instantânea, pontual ou momentânea é medida pela freqüência da 
doença ou pelo seu coeficiente em um ponto definido no tempo, seja o dia, a 
semana, o mês ou ano. Assim, o coeficiente de prevalência instantânea mede a 
proporção de uma população que a um determinado instante apresenta a doença. 
 A prevalência que abrange um lapso de tempo mais ou menos longo e que não 
concentra a informação em um dado ponto desse intervalo pode ser denominada 
prevalência lápsica ou por período. Assim, esta prevalência mede a proporção da 
população que apresenta a doença num lapso de tempo, incluindo os casos de cura, 
óbito e emigração. 
 
 
Maria Zélia Rouquayrol & Naomar de Almeida Filho. 
 In: Epidemiologia & Saúde, 6ª ed- Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. 
cap. 3 – Medidas de Saúde Coletiva. 
Oswaldo Paulo Forattini. In: Epidemiologia Geral, 2ª ed- 1996. 
cap. 4 – Medida das doenças. 
 
 
 Nº de casos conhecidos de 
Coeficiente uma dada doença 
de Prevalência = x 10n 
 População 
 
 28 
 INCIDÊNCIA 
 Incidência, em epidemiologia traduz a idéia de intensidade com que acontece a 
morbidade em uma população, enquanto a prevalência é termo descritivo da força 
com que subsistem as doenças nas coletividades. 
 A incidência de doenças é medida, grosso modo, pela freqüência absoluta de casos 
novos relacionados à unidade de intervalo de tempo, dia, semana, mês ou ano. 
Assim, a expressão 3 casos novos por dia ou 300 por ano são relações que 
expressam a incidência, ou seja, a intensidade com que estão surgindo casosnovos, 
seja por dia, seja por ano, tomados esses intervalos com unidade de tempo. 
 O coeficiente de incidência é definido como a razão entre o número de casos novos 
de uma doença que ocorre em uma comunidade, em um intervalo de tempo 
determinado e a população exposta ao risco de adquirir referida doença no mesmo 
período, multiplicando o resultado por potencia de 10, que é a base referencial da 
população. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Maria Zélia Rouquayrol & Naomar de Almeida Filho. 
 In: Epidemiologia & Saúde, 6ª ed- Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. 
cap. 3 – Medidas de Saúde Coletiva. 
Oswaldo Paulo Forattini. In: Epidemiologia Geral, 2ª ed- 1996. 
cap. 4 – Medida das doenças. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Nº de casos de uma doença ocorrente em determinada 
Coeficiente comunidade em certo período do ano 
de incidência = x 10n 
 Nº de pessoas expostas ao risco de 
 adquirir a doença no referido período 
 
 29 
Aspectos Epidemiológicos das Doenças Transmissíveis. 
 
 A DOENÇA: 
 A doença pode ser definida como um “desajustamento ou uma falha no mecanismo 
de adaptação do organismo ou uma ausência de reação aos estímulos, cuja ação 
está exposto. O processo conduz a uma perturbação da estrutura ou da função de 
um órgão, ou de um sistema ou de todo organismo ou de suas funções vitais” 
(Jenicek & Cléroux, 1982). 
 Doença Infecciosa: Segundo a Organização Pan Americana da Saúde (OPAS,1983), 
é a “doença, clinicamente manifesta, do homem ou dos animais, resultante de uma 
infecção”. 
 Doença Não-Infecciosa: São aquelas que não resultarem de infecção, por exemplo, 
doença coronariana, diabetes e outras. 
 
 
 
 
 
 
 As doenças em relação a sua duração e aspecto podem ser; crônicas ou agudas. As 
crônicas são doenças que se desenvolvem a longo prazo, e as agudas são as de curta 
duração. Quatro são as categorias fundamentais de doenças. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Obs.: Infecção, não é sinônimo de doença infecciosa. Pode ocorrer 
infecção sem doença. Segundo a OPAS (1983), a penetração e 
desenvolvimento ou multiplicação de um agente infeccioso no organismo 
de uma pessoa ou animal é dado cimo infecção. 
 Infestação, refere-se ao alojamento, desenvolvimento e reprodução 
de artrópodes na superfície do corpo ou nas vestes. 
Etiologia Duração 
 
 Agudas Crônicas 
 
Infecciosas Doenças infecciosas agudas: tétano, Doenças infecciosas crônicas: 
 raiva, difteria, sarampo, gripe tuberculose, hanseníase, doença 
Não-infecciosa Doenças não-infecciosas agudas: de Chagas 
 Envenenamento por picada de Doenças não-infecciosas crônicas: 
 cobra diabetes, coronariana, cirrose (álcool) 
 
Maria Zélia Rouquayrol, Mônica Cardoso Façanha & 
Fátima M. Fernandes Veras. In: Epidemiologia & Saúde, 
5ª ed- Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. cap. 9 – 
 Aspectos Epidemiológicos das Doenças Transmissíveis. 
 
 
 30 
 Doença Contagiosa: Reserva-se as doenças infecciosas cujos agentes etiológicos 
atingem os sadios através do contato direto, por exemplos, as doenças sexualmente 
transmissíveis. 
 Doença Transmissível: Em síntese pela OPAS; pode ser definida como doença cujo 
agente etiológico é vivo e é transmissível. 
 Doenças Quarentenáveis: São aquelas que podem levar à restrição de atividades ao 
susceptível, durante o período máximo de incubação, a fim de evitar a propagação da 
doença, por exemplo, cólera e febre amarela. 
 Doenças de Isolamento: São aquelas que exigem o isolamento dos indivíduos 
doentes durante o período de transmissibilidade da doença, em lugar e condições que 
evitem a transmissão direta ou indireta do agente à pessoas e animais, por exemplo, 
febre tifóide, raiva e outras. 
 Período de Incubação: É o intervalo de tempo que decorre entre a exposição a um 
agente infeccioso e o aparecimento de sinais ou sintomas da doença. é extremamente 
variável, desde algumas horas (cólera) até meses ou anos (hanseníase, AIDS). 
 Período de Transmissibilidade: Período durante o agente infeccioso pode ser 
transferido, direto ou indiretamente, de uma pessoa infectada a outra, ou de um 
animal infectado ao homem ou vice-versa. 
 
 
 OS BIOAGENTES PATOGÊNICOS: 
 Agentes infecciosos é um ser vivo, ou seja, um vírus, uma bactéria, um fungo, um 
protozoário, um helminto, que pode ser introduzido em outro ser vivo, onde é capaz 
de se desenvolver ou de se multiplicar e, dependendo do hospedeiro pode gerar ou 
não um estado patológico, denominado de doença infecciosa, que também é doença 
transmissível. 
 Infectividade: É a capacidade que têm certos organismos de penetrar e de se 
desenvolver ou de se multiplicar no novo hospedeiro, ocasionando infecção. 
 Patogenicidade: É a qualidade que tem o agente infeccioso de, uma vez instalado 
no organismo do homem ou de animais, produzir sintomas em maior ou menor 
proporção dentre os hospedeiros infectados. 
 
 
 
 Casos de doença 
Patogenicidade = x 100 
 Nº total de infectados 
 
 31 
 Virulência: É a capacidade de um bioagente produzir casos graves ou fatais. 
 
 
 
 
 
 Dose Infectante: É a quantidade do agente etiológico necessário para iniciar uma 
infecção. Varia com a virulência do bioagente e com a resistência do acometido. 
 Poder Invasivo: É a capacidade que tem o parasita de se difundir, através de 
tecidos, órgãos e sistemas anatomofisiológicos do hospedeiro. 
 Imunogenicidade ou Imunogênico: É a capacidade que tem o bioagente para 
induzir imunidade no hospedeiro. 
 
 O HOSPEDEIRO SUSCEPTÍVEL: 
 O termo “hospedeiro” pode ser utilizado em dois níveis de abrangência: referindo-
se ao individuo ou no sentido abstrato, referindo-se a toda espécie. Assim, pode ser 
definido como hospedeiro suscetível, a espécie humana ou outra que em condições 
naturais, alberga o bioagente patogênico. Além disso, concede subsistência 
permitindo-lhes seu desenvolvimento e multiplicação. 
 O hospedeiro pode ser: primário ou definitivo e/ou secundário ou intermediário. 
Primário ou definitivo é quando o parasita (bioagente patogênico) atinge a 
maturidade ou passa sua fase sexuada, por exemplo, infecção por forma adulta de 
tênia. Já, a secundário ou intermediário o parasita se encontra em forma larvária ou 
assexuada, por exemplo, infecção pela forma larvária da tênia, denominada de 
cisticercose. 
 Resistência: É o sistema de defesa com o qual o organismo impede a difusão ou a 
multiplicação de agentes infecciosos que o invadiram, ou os efeitos nocivos de seus 
produtos tóxicos. 
 Suscetibilidade: Considerando a espécie como sendo suscetível à determinadas 
doenças, onde, dentro de uma mesma espécie pode ocorrer a existência de alguns 
indivíduos resistentes como também não-resistentes. Assim, indivíduo suscetível é 
aquele que não possui resistência a determinado agente patogênico podendo contrair 
a doença quando posto em contato. 
 Casos graves ou fatais 
Virulência = x 100 
 Total de casos de doença 
 
 32 
 Resistência Natural: Tem caráter inespecífico. É a capacidade de resistir a doença 
independente de anticorpos ou de reações especificas dos tecidos. Por exemplo, os 
indivíduos da raça negra apresentamuma maior resistência à penetração das larvas 
de ancilostomídeos, talvez devido à textura da pele ou a cor. 
 Indivíduo Imune: É o individuo que possui anticorpos específicos ou imunidade 
celular em conseqüência de uma infecção ou imunização anterior. 
 Imunidade: 
 
Imunidade 
 
Passiva Ativa 
 
Natural 
Imunização passiva natural: 
Adquirida por via transplacentária 
( recém-nascido imune à difteria) 
Imunização ativa natural: 
Adquirida como conseqüência 
de infecção diftérica. 
 
Artificial 
Imunização passiva artificial: 
Adquirida por aplicação de soro 
antidiftérico. 
Imunização ativa artificial: 
Induzida pela aplicação de 
vacina contra a difteria. 
 
 
 O AMBIENTE NAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS: 
 Os indivíduos infectados por um dado agente poderá participar de dois dos 
elementos estruturais da epidemiologia. 
 Será hospedeira quando sua função for servir de substrato onde evolua a infecção e 
se exteriorize a doença. E será tomado como fator ambiental ao participar como 
reservatório do bioagente. 
 RESERVATÓRIO de agentes infecciosos é o ser humano ou animais, artrópodes, 
plantas, solo ou matéria inanimada (ou combinação estes) (OPAS, 1983). 
 O homem como reservatório – são reservatórios humanos os casos clínicos, quer 
sejam morados, graves ou fatais, são identificáveis através de sinais e sintomas, os 
casos atípicos e abortivos são ainda mais importantes do ponto de vista 
epidemiológicos por constituírem uma fonte de infecção de difícil controle. Por 
outro lado, os portadores, nas diversas categorias, são excelentes fontes de infecção, 
porque passam despercebidos quando examinados. 
Maria Zélia Rouquayrol, Mônica Cardoso Façanha & 
Fátima M. Fernandes Veras. In: Epidemiologia & Saúde, 
5ª ed- Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. cap. 9 – 
 Aspectos Epidemiológicos das Doenças Transmissíveis. 
 
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 PORTADORES são todos aqueles que, embora estejam eliminando o agente, não 
apresentam sintomas clínicos no momento em que estão sendo examinados. 
o Portadores convalescentes são os que já apresentam os sinais e sintomas 
clínicos. 
o Portadores incubados sãos os que ainda vão desenvolver a doença. 
o Portadores sãos ou assintomáticos sãos os que nunca apresentaram nem 
apresentarão quaisquer sintomas. Estes sobre o ponto de vista epidemiológico, 
são os mais importantes, porque, não sendo clinicamente diagnosticados, 
passam despercebidos e continuam difundindo o agente etiológico de modo 
continuo ou intermitente. 
 ANTROPONOSES são as doenças as quais o homem é o único reservatório, único 
hospedeiro e único susceptível. Por exemplo, a gripe e febre tifóide. 
 ZOONOSES são infecções comuns ao homem e a outros animais. 
 ANTROPOZOONOSES os animais são reservatórios. Poe exemplo a leishmaniose a 
brucelose. 
 ZOOANTROPONOSES as zoonoses nas quais a população humanas constituem o 
reservatório. Por exemplo a Taenia. 
 ANFIXENOSES tanto o homem quanto os animais podem ser reservatórios 
dependo das circunstâncias. Por exemplo a doença de Chagas. 
 VETORES são seres vivos, que veiculam o agente desde reservatórios até o 
hospedeiro potencial. 
o Vetores mecânicos agem apenas como transportadores de agentes 
infeccioso: são insetos que caminham ou voam e carregam os agentes 
pelas suas patas, etc. 
o Vetores biológicos, aqueles nos quais os microorganismos desenvolvem 
obrigatoriamente uma de suas fases de ciclo antes de serem disseminados 
no ambiente ou inoculados em novo hospedeiro. Por exemplo, insetos 
anofelinos como vetores biológicos na transmissão da malária. 
 
Maria Zélia Rouquayrol, Mônica Cardoso Façanha & 
Fátima M. Fernandes Veras. In: Epidemiologia & Saúde, 
5ª ed- Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. cap. 9 – 
 Aspectos Epidemiológicos das Doenças Transmissíveis. 
 
 
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 TRANSMISSÃO: 
 Significa levar ou fazer passar algo de ponto a outro. Transmitir-se algo de uma fonte para um 
receptor, utilizando-se de meios materiais para o transporte. O termo “transmissão” no seu 
emprego em epidemiologia e em clínica raramente isolado, quase sempre, vinculado a um 
complemento que especifica aquilo que está sendo transmitido. Por exemplo, transmissão do vírus 
da gripe, da influenza, etc. 
 Transmissão de Agente Infeccioso: É o processo pelo qual o agente infeccioso, oriundo de um 
indivíduo infectado, pessoa ou animal, com passagens ou não por intermediários vivos ou por 
objetos inanimados, tem acesso ao meio interno de um novo hospedeiro. 
 Elos na Transmissão de Bioagentes Patogênicos: Envolvem os susceptíveis, os bioagentes 
patogênicos e os reservatórios. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 O alastramento de uma doença infecciosa em uma população prossegue por dispersão de 
bioagentes por entre os indivíduos susceptíveis, através de um mecanismo em cadeia. Ao conjunto 
encadeado de elos de transmissão de uma dada patologia pode ser dado o nome de módulo de 
transmissão. São fatores vivos essenciais a um modulo de transmissão: o indivíduo infectado e 
dotado de poder infectante, o agente infeccioso e o individuo susceptível ou infectável. Os 
mecanismos transmissíveis podem ser reduzidos a três esquemas básicos: 
 
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Esquema nº1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Parte “A”: Os indivíduos infectados e infectáveis pertencem à mesma espécie, por 
exemplo, o agente da sífilis através da contaminação sexual. 
 Parte “B”: São duas espécies hospedeiras envolvidas. O infectante pertence a uma 
espécie e o infectável a outra igualmente susceptível. A infecção do vírus rábico 
através da mordedura de cão em humanos é um exemplo. 
 Parte “C”: Os contingentes do bioagente sob forma esporular encontrados no meio 
ambiente, potencialmente infectantes, são oriundos de reservatórios naturais 
constituídos pelos intestinos dos animais e do homem, onde é habitante normal e 
inócuo. 
 
Maria Zélia Rouquayrol, Mônica Cardoso Façanha & 
Fátima M. Fernandes Veras. In: Epidemiologia & Saúde, 
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Esquema nº2 
 
 
 Parte “A”: O vetor tem desempenho puramente mecânico e é, por este motivo, 
denominado vetor mecânico. O agente infeccioso é apenas transportado pelo vetor, 
onde não se desenvolve nem se multiplica. 
 Parte “A.1”: O vetor, além de funcionar com vinculador do agente infeccioso, 
desempenha também a função de abrigo biológico, no qual o agente cumpre parte 
necessária de seu ciclo vital, chamado de vetor biológico. Como exemplo, temos o 
agente etiológico da malaria onde, passa no mosquito anofelino parte de seu ciclo 
vital. 
 Parte “B”: Este tipo de hospedeiro intermediário tem sido denominado hospedeiro 
intercalado. Ele não tem a função de conduzir o agente infeccioso de uma fonte a 
outra, não tem papel de vetor. Na verdade, entende-se pelo termo vetor os seres 
vivos que transladam o agente infeccioso da fonte primária para uma outra fonte. Os 
moluscos que abrigam a transformação de miracídios em cercárias não participam a 
vetoração do bioagente, donde serem mais bem referidos como hospedeiros 
intermediários intercalados. 
 
Maria Zélia Rouquayrol, Mônica Cardoso Façanha & 
Fátima M. Fernandes Veras. In: Epidemiologia & Saúde, 
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