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1 Epidemiologia, História Natural e Prevenção de Doenças. CONCEITO DE EPIDEMIOLOGIA Epidemiologia, segundo a Associação Internacional de Epidemiologia (IEA), em seu “Guia de Métodos de Ensino” (1973), é definida como: “o estudo dos fatores que determinam a freqüência e a distribuição das doenças nas coletividades humanas”. Segundo a IEA, são três os objetivos principais da epidemiologia: 1. “Descrever a distribuição e a magnitude dos problemas de saúde nas populações humanas”. 2. Proporcionar dados essenciais para o planejamento, execução e avaliação das ações de prevenção, controle e tratamentos das doenças, bem como para estabelecer prioridades. 3. Identificar fatores etiológicos na gênese das enfermidades. HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA História natural da doença: É o nome dado ao conjunto de processos interativos compreendendo “as inter-relações do agente, do suscetível e do meio ambiente que afetam o processo global e seu desenvolvimento, desde as primeiras forças que criam o estímulo patológico no meio ambiente ou em qualquer outro lugar, passando pela resposta do homem ao estímulo, até as alterações que levam a um defeito, invalidez, recuperação ou morte” (Leavell & Clark, 1976). Uma definição precisa do termo epidemiologia não é fácil: sua temática é dinâmica e seu objetivo, complexo. Pode-se de uma maneira simplificada, conceitua-la como: ciência que estuda o processo saúde-doença em coletividades humanas, analisando a distribuição e os fatores determinantes das enfermidades, danos à saúde e eventos associados à saúde coletiva, propondo medidas especificas de prevenção, controle ou erradicação de doenças, e fornecendo indicadores que sirvam de suporte ao planejamento, administração e avaliação das ações de saúde. 2 A história natural da doença, portanto, tem o desenvolvimento em dois períodos seqüenciados: período epidemiológico e o período patológico. Período epidemiológico: O interesse é dirigido para as relações suscetível- ambiente. Período patológico: Interessam as modificações que se passam no organismo vivo. PERÍODO DE PRÉ-PATOGÊNESE O primeiro período da história natural (denominado por Leavell & Clark [1976] como período pré-patogênico) é a própria evolução das inter-relações dinâmicas, que envolvem, de um lado, os condicionantes sociais e ambientais e, do outro lado, os fatores próprios do suscetível, até que se chegue a uma configuração favorável a instalações da doença e também a descrição desta evolução. Maria Zélia Rouquayrol & Naomar de Almeida Filho. In: Epidemiologia & Saúde, 6ª ed- Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. cap. 2 – Epidemiologia, História Natural e Prevenção de Doença. 3 Estrutura epidemiológica: que tem funcionamento sistêmico, estende-se o conjunto formado pelos fatores vinculados ao suscetível e ao ambiente, incluindo ai o agente etiológico, conjunto este dotado de uma organização interna que define as suas interações e também é responsável pela produção da doença. San Martin (1981) põe em relevo o sistema formado pelo ambiente, população, economia e cultura, designando este conjunto de sistema epidemiológico-social. FATORES SOCIAIS. O estudo em nível pré-patogênico da produção da doença em termos coletivos, objetivando o estabelecimento de ações de ordem preventiva, deve considerar a doença como fluindo de processos sociais, crescendo através de relações ambientais e ecológicas desfavoráveis, atingido o homem pela ação direta de agentes químicos, fiscos, biológicos e psicológicos, ao se defrontarem, no indivíduo suscetível, com pré-condições genéticas ou somáticas desfavoráveis. Modernamente, as condições sociais da doença considerada em nível coletivo têm sido trados a partir de dois pontos de vista. 1. O componente social na pré-patogênse poderia ser definido como uma categoria residual: conjunto de todos os fatores que não podem ser classificados como componentes genéticos ou agressores físicos, químicos e biológicos. a. Fatores socioeconômicos. b. Fatores sociopolítico. c. Fatores socioculturais. d. Fatores psicossociais. 2. Graças aos esforços dos novos epidemiologistas, vem se firmando uma maneira diferente de trabalhar o social. “Neste trabalho, o ‘social’ já não é apresentado como uma variável ao lado dos outros ‘fatores causais’ da doença, mas, antes, como um campo onde a doença adquire um significativo específico. O social não é mais expresso sob forma de um indicador de consumo (quantidade de renda, nível de instrução etc.). Ele aparece agora sob 4 a forma de relações sociais de produção responsáveis pela posição de segmento da população na estrutura social”. Fatores socioeconômicos. Os grupos sociais economicamente privilegiados estão menos sujeitos à ação dos fatores ambientais que ensejam ou que estimulam a ocorrência de certos tipos de doenças cuja incidência é acintosamente elevada nos grupos economicamente desprivilegiados. Segundo Renaud (1992), os pobres. São percebidos como mais doentios e mais velhos; São de duas ou três vezes mais propensos a enfermidades graves; Permanecem doentes com mais freqüência; Morrem mais jovens; Procriam crianças de baixo peso, em maior proporção; Sua taxa de mortalidade infantil é mais elevada. Fatores sociopolíticos. Os fatores políticos que devem ser fortemente considerados ao se analisarem as condições de pré-patogênse ao nível do social, segundo, o ponto de vista de Rouquayrol & Almeida Filho (2003). Instrumentação jurídico-legal; Decisão política; Higidez política; Participação consentida e valorização da cidadania; Participação comunitária efetivamente exercida; Transparência das ações e acesso à informação. Fatores socioculturais. No contexto do social, devem ser citados preconceitos e hábitos culturais, crendices, comportamentos e valores, valendo como fatores pré-patogênicos contribuintes para a difusão e manutenção de doenças. Fatores psicossociais. Dentre os fatores psicossociais aos quais pode ser imputada a característica de pré-patogênese, encontra-se: a marginalidade, a falta de apoio no contexto social em que vive, condições de trabalho extenuantes ou estressantes, 5 promiscuidade, transtornos econômicos, falta de cuidado materno na infância, carência afetiva de ordem geral, e outros. FATORES AMBIENTAIS. Entendido como todos os fatores que mantém relações interativas com o agente etiológico e o suscetível. O termo tem maior abrangência do que lhe é dado no campo da ecologia. Além de incluir o ambiente físico, que abriga e torna possível a vida autotrófica e o ambiente biológico, que abrange todos os seres vivos, inclui também a sociedade envolvente, sede das interações sociais, políticas, econômicas e culturais. Agressores ambientais são agentes que, de forma imediata, sem mais intermediações, podem pôr-se em contato direto com o suscetível. Quanto a forma de surgimento ou por sua presença, podem ser inseridos em uma das seguintes categorias: a. Agentes presentes no ambiente de forma habitual, em convivência natural ou tradicional com o homem; b. Agentes poucos comuns e que a mercê de situações novas, por exemplo, alterações impostas por novos hábitos ou por modificações na maneira de viver, por má administração ou manipulação inábil de meios e recursos, por importação, passam a se fazer presente de forma perceptível, como agentes, em algum evento epidemiológico; c. Agentes que explodem em situações anormais de grande monta como são as macroperturbações ecológicas, os desastres naturais e as catástrofes. São componentes do ambiente físico: situação geográfica, solo, clima, recursos hídricos e topografia, agentesquímicos e físicos. Publicação da Organização Pan-Americana de Saúde (OPS, 1976) menciona que, com a industrialização crescente e a modificação dos costumes, há um grande numero de substâncias carcinogênicas que se ingerem, inalam, absorvem por via cutânea ou que se introduzem no organismo como medicamentos ou por acidentes. 6 No ambiente humano (OPS, 1962), o uso de medicamentos é outro fator importante que pode compor a estrutura epidemiológica de doenças não- infecciosas. As características normais do feto poderão sofrer alterações se uma nova droga passar a ser comercializada sem provas suficientes de sua inocuidade. Fatores genéticos. Os fatores genéticos provavelmente determinam a maior ou menor suscetibilidade da pessoa quanto à aquisição de doenças. O fato é que, em relação à incidência de doenças, percebe-se que, quando ocorre uma exposição a um fator patogênico externo, alguns dos expostos são acometidos outros permanecem isentos. PERÍODO DE PATOGÊNESE A história natural da doença tem seguimento com a sua implantação e evolução no homem. É o período da patogênese. Este período se inicia com as primeiras ações que os agentes patológicos exercem sobre o ser afetado. Seguem-se as perturbações bioquímicas em nível celular, continuam com as perturbações na forma e na função, evoluindo para defeitos permanentes, cronicidade, morte ou cura. Nos nossos estudos, serão considerados quatro níveis de evolução da doença no período de patogênese: a. Interação estímulo-suscetível. b. Alterações bioquímicas, fisiológicas e histológicas. c. Sinais e sintomas d. Defeitos permanentes, cronicidade. Interação Estímulo-suscetível. Nesta etapa a doença ainda não tomou desenvoltura, porém todos fatores necessários estão presentes. Alterações Bioquímicas, Histológicas e Fisiológicas. Neste estágio, a doença já está implantada no organismo afetado. Embora não se percebam manifestações clínicas, já existem alterações histológicas em nível de percepção subclínica de caráter genérico. Estas alterações não são 7 perceptíveis. Porém, ainda neste estágio, a doença já está presente e pode ser percebida através de exames clínicos ou laboratoriais orientados. Denomina-se “horizonte clínico”, uma linha imaginária. Abaixo dessa linha se processam todas as manifestações bioquímicas, fisiológicas e histológicas que precedem as manifestações clínicas da doença. É o chamado período de incubação. Sinais e Sintomas. Acima do horizonte clínico os sinais iniciais da doença, ainda confusos, tornam-se nítidos e transforma-se em sintomas. É o estágio chamado de clínico, iniciado ao ser atingida uma massa critica de alterações funcionais no organismo acometido. A evolução da doença encaminha-se então para um desenlace; a doença pode passar para o período de cura, evoluir para a cronicidade ou progredir para a invalidez ou para a morte. Cronicidade. A evolução clínica da doença pode progredir até o estado de cronicidade ou conduzir o doente a um dado nível de incapacidade física por tempo variável. Pode também produzir lesões que serão, no futuro, uma porta aberta para novas doenças. Do estado crônico, com incapacidade temporária para desempenho de algumas atividades específica, a doença pode evoluir para a invalidez permanente ou para a morte. Em outros casos, para a cura. PREVENÇÃO “Saúde Pública é a ciência e a arte de evitar doença, prolongando a vida e desenvolve a saúde física e mental e a eficiência, através de esforços organizados da comunidade para o saneamento do meio ambiente, o controle de infecções na comunidade, a organização de serviços médicos e paramédicos para o diagnostico precoce e o tratamento preventivo das doenças, dentre outras” (Winslow, citado por Leavel & Clark, 1976). A definição formulada acima com o pensamento de outros autores, levaram a considerar a saúde pública como uma tecnologia, mais do que como uma ciência, isto é, saúde pública é técnica e é arte. 8 Parece-nos que a saúde pública e epidemiologia são indissociáveis quanto a seus objetivos sociais e quanto à sua prática, sendo a epidemiologia o instrumento privilegiado para orientar a saúde pública. A saúde pública é a face tecnológica e a epidemiologia será a face científica. A saúde pública intervém buscando evitar doenças, prolongando a vida física e mental e a eficiência. A epidemiologia persegue a observação exata, a interpretação correta, a explicação racional e a sistematização científica dos eventos de saúde-doença em nível coletivo, orientando, portanto, as ações de intervenção. A saúde pública como tecnologia pode ser inserida como arte em uma tecnologia mais abrangente, a medicina preventiva. Antes que haja uma prevenção primária, há de haver uma prevenção de caráter estrutural. Prevenir e prever antes que algo aconteça ou mesmo cuidar para que não aconteça. Prevenção em saúde pública é a ação antecipada, tendo por objetivo interceptar ou anular a evolução de uma doença. Pode ser feita nos períodos pré-patogênese e patogênese. O conhecimento da história natural da doença favorece o domínio das ações preventivas necessárias. TÉCNICA E ARTE MEDICINA PREVENTIVA MEDICINA PREVENTIVA DE SAÚDE PÚBLICA MEDICINA PREVENTIVA INDIVIDUA- LIZADA CIÊNCIA PATOLOGIA CIÊNCIA EPIDEMIOLOGIA 9 Prevenção Primária. A prevenção primária se faz com a intercepção dos fatores pré-patogênicos. Inclui: (a) promoção a saúde; (b) proteção específica. Promoção a saúde (é feita através de medidas de ordem geral). Moradia adequada. Escolas. Área de lazer. Alimentação adequada. Educação em todos os níveis. Proteção específica. Imunização. Saúde ocupacional. Higiene pessoal e do lar. Proteção contra acidentes. Aconselhamento genético. Controle de vetores. Prevenção Secundária. É realizada no indivíduo, já sob a ação do agente patogênico, ao nível do estado de doença. Inclui: (a) diagnósticos; (b) tratamento precoce; (c) limitação da invalidez. Diagnóstico precoce. Inquéritos para a descoberta de casos na comunidade. Exames periódicos, individuais, para detecção precoce de casos. Isolamento para evitar a propagação de doenças. Tratamento para evitar a propagação da doença. Limitação da incapacidade. Evitar futuras complicações. Evitar seqüelas. 10 Prevenção Terciária. Consiste na prevenção da incapacidade através de medidas destinadas à reabilitação. Assim, o processo de reeducação e readaptação de pessoas com defeitos após acidentes ou devido seqüelas de doenças é exemplo de prevenção em nível terciário. Reabilitação (impedir a incapacidade total). Fisioterapia. Terapia ocupacional. Emprego para o reabilitado. Maria Zélia Rouquayrol & Naomar de Almeida Filho. In: Epidemiologia & Saúde, 6ª ed- Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. cap. 2 – Epidemiologia, História Natural e Prevenção de Doença. 11 Epidemiologia descritiva Epidemiologia descritiva é, portanto, o estudo das distribuições de freqüência das doenças e dos agravos à saúde coletiva, em função de variáveis ligadas ao tempo, ao espaço – ambientais e populacionais – e à pessoa, possibilitando o detalhamento do perfil epidemiológico, com vistas à promoção da saúde. Na ciência epidemiológica, é fundamental o conhecimento das circunstância sob as quais se desenvolve o processo saúde-doença na população. Onde, quando e sobre quem ocorre determinada doença? Há grupos especiais mais vulneráveis? Existe alguma época do ano em que aumenta o numero de casos? Em que área do município ou região do país a doençaé mais freqüente? Há disparidades regionais ou locais? Indivíduos idosos são mais atingidos do que crianças? Pertencer a uma dada classe social determina diferenças nos riscos? Maria Zélia Rouquayrol & Naomar de Almeida Filho.In: Epidemiologia & Saúde, 6ª ed - Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. cap. 04, 23. 12 Epidemiologia descritiva O processo epidêmico UMA DETERMINADA DOENÇA, EM RELAÇÃO A UMA POPULAÇÃO, QUE AFETE OU QUE POSSA AFETAR, PODE SER CARACTERIZADA COMO: 1. PRESENTE EM NÍVEL ENDÊMICO. 2. PRESENTE EM NÍVEL EPIDÊMICO 3. PRESENTE EM CASOS ESPORÁDICOS. 4. INEXISTENTES. Endemia (I) – Ocorrência coletiva de uma determinada doença que, no decorrer de um longo período histórico, acometendo sistematicamente grupos humanos distribuídos em espaços delimitados e caracterizados, mantém a sua incidência constante, permitidas as flutuações de valores, tais como as variações sazonais. Endemia (II) – É a presença constante de uma doença ou de um agente infeccioso em determinada área geográfica; pode significar também a prevalência usual de determinada doença nessa área. Hiperendemia significa transmissão intensa persistente, e holeandemia, um alto nível de infecção que começa no início da vida e afeta a maior parte da população; aplica-se, por exemplo, à malária em alguns lugares (OPS, 1992). Endemia (III) – Variação da incidência de uma doença em uma comunidade, isto é, dentro de uma faixa limitada por dois desvios padrões acima ou abaixo da incidência media da doença, tomando-se como base um certo número de anos anteriores. Faixa Endêmica – Característica de uma determinada doença, referente a uma determinada população em determinada época, definida para um ciclo completo de variação sazonal ou atípica, faixa endêmica é o espaços nos limites do qual as medidas de incidência podem flutuar sem que delas se possa inferir ter havido qualquer alteração sistêmica na estrutura epidemiológica condicionante, do processo saúde-doença considerado. Maria Zélia Rouquayrol & Naomar de Almeida Filho.In: Epidemiologia & Saúde, 6ª ed - Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. cap. 04, 23. 13 Endemicidade – Refere-se à intensidade do caráter endêmico de determinada doença, em determinado lugar e intervalo cronológico – é a endemicidade dessa doença no lugar e no tempo considerado. Epidemia (I) – Denomina-se da ocorrência de doenças em grande número de pessoas ao mesmo tempo (latu sennso). Em sentido restrito, pode ser considerada uma alteração, especial e cronologicamente definida, do estado de saúde-doença de uma população, caracterizada por uma elevação progressivamente crescente, inesperada e descontrolada dos coeficientes de incidência de determinada doença, ultrapassando e reinterando valores acima do limiar epidêmico preestabelecido (conceito operativo). Epidemia (II) – A manifestação, em uma coletividade ou região, de um grupo de casos de alguma enfermidade que excede claramente a incidência prevista. O número de casos que indica a existência de uma epidemia varia com o agente infeccioso, o tamanho e as características da população exposta, sua experiência prévia ou falta de exposição à enfermidade e o local e a época do ano em que ocorre. Por decorrência a epiemicidade guarda relação com a freqüência comum da enfermidade na mesma estação do ano. O aparecimento de um único caso de doença transmissível que durante um lapso de tempo prolongado não tinha sido identificada requer notificação imediata e uma completa investigação epidemiológica; a ocorrência de dois casos dessa doença, associados no tempo e no espaço, pode ser considerada uma epidemia (OPS, 1992). A CURVA EPIDÊMICA. Incremento inicial de Casos Egressão Progressão Incidência máxima Regressão Decréscimo de Incidência Endêmica DURAÇÃO DA DEMAIS EPIDEMIAS. Abrangência das epidemias Surto Epidêmico – Denomina-se surto epidêmico, ou simplesmente surto, uma ocorrência epidêmica restrita a um espaço extremamente delimitado: colégio, 14 quartel, edifícios de apartamentos, bairro etc. É a epidemia de proporções reduzidas, atingindo uma pequena comunidade humana. Muitos restringem o tempo para o caso de instituições fechadas, outras o usam como sinônimos de “epidemia”. Pandemia – Ocorrência epidêmica caracterizada por uma larga distribuição espacial, atingindo varias nações. A pandemia pode ser tratada como uma série de epidemias localizadas em diferentes regiões e que ocorrem em vários paises ao mesmo tempo. ASPECTOS DIFERENCIAIS DAS EPIDEMIAS. Epidemia Progressiva – Epidemia de desenvolvimento lento, na qual a doença se difunde de pessoa a pessoa por vias respiratórias, anal, oral genital, ou por vetores, de modo que os casos identificados não podem ser atribuídos a agentes transmitidos a partir de uma única fonte. A propagação de epidemia se dá em cadeia, gerando verdadeira corrente de transmissão, de suscetível a suscetível, até o esgotamento desses ou sua diminuição abaixo do nível critico. São sinônimos: epidemia de contato, epidemia de contágio e epidemia propagada. Epidemia Explosiva – Nome dado à epidemia que apresenta uma rápida progressão, até atingir a incidência máxima num curto espaço de tempo. São sinônimos: epidemia maciça. Epidemia Lenta – Designação dada à epidemia de progressão vagarosa, isto é, apresenta velocidade lenta para atingir a incidência máxima. Este tipo de epidemia acontece nas doenças cujo casos se sucedem lentamente. Pode ocorrer com as doenças cujo agentes apresentam baixa resistência ao meio exterior aos quais a população seja altamente resistente ou imune. O decurso moroso da epidemia pode ainda ser decorrente de doenças de longo período de incubação (AIDS, por exemplo) e da difusão parca no meio de fatores de transmissão da doença. Epidemia por fonte comum – Epidemia definida a partir de uma fonte comum, em que o fator extrínseco (agente infeccioso, fatores físico-químicos ou produtos do metabolismo biológico) é veiculado pela água, alimentos, ar ou introduzidos por inoculação. Nesse tipo de epidemia não existe propagação de doenças pessoa a pessoa: todos os afetados devem ter tido acesso direto ao veiculo disseminador da doença, não necessariamente ao mesmo tempo e no mesmo lugar. Trata-se 15 geralmente de uma epidemia explosiva e bastante localizada em relação às variáveis tempo, espaço e pessoa. São suas variantes: a epidemia por fonte pontual e a epidemia por fonte persistente. São sinônimos: epidemia por veiculo comum. Epidemia por fonte persistente – Epidemia por fonte comum e persistente (no tempo), resultando na exposição prolongada (por um lapso de tempo) da população. Epidemia por fonte pontual – Epidemia por fonte comum em que, por causa da fonte pontual (no tempo), a exposição se dá durante um curto intervalo de tempo e cessa, não tornando a se repetir. São exemplos a exposição a radiação ionizantes etc. autores da língua francesa a denominam de epidemia focal. CONGLOMERAÇÃO – Em epidemiologia, nome dado ao processo de agrupamento dos casos individuais de determinado agravo à saúde, de acordo com o lapso de tempo decorrido entre o evento supostamente causal e a manifestação mórbida em estudo, e o local em que ocorrem. CONGLOMERADO DE CASOS OU DE ÓBITOS - Um conjunto de casos ou de óbitos para os quais poder-se-ia hipotetizar origem idêntica, seja a ação de uma substância química, de um agente infeccioso, a retirada de um fator ambiental e, até mesmo, os modos de vida. CONGLOMERADO ESPECIAL DE CASOS - Casos de doenças de etiologia conhecida ou desconhecida, com doentes exibindo sintomas e sinais iguais, para os quais pode ser suspeita ou evidenciada uma origem idêntica, ou mesmo comum, associada a algum fator ou fatores surgidos em um território circunscritocujos limites possam ser perfeitamente definidos. CONGLOMERADO TEMPORAL DE CASOS – Um grupo de casos para os quais se suspeita um fator comum e que ocorrem dentro dos limites de intervalos de tempo significativamente iguais, medidos a partir do evento que supostamente lhes deu origem. CASO – Pessoa ou animal infectado ou doente apresentando características clinicas, laboratoriais e epidemiológicas especificas (CDC, 1988). CASOS ALÓCTONE – É o doente, atualmente presente na área sob consideração, que tenha adquirido a sua doença em outra região de onde emigra ou onde esteve ocasionalmente. Sinônimo: caso importado. Exemplo: do vôo 386 que decolou de 16 Buenos Aires em 14/02/92, com escala em Lima-Peru, desembarcaram, em Los Angeles, algumas pessoas com sintomas de cólera. Após comprovação laboratorial, esses pacientes foram registrados nos EUA como casos importados. CASO AUTÓCTONE – É o caso de doença que teve origem dentro dos limites do lugar em referência ou sob investigação. Exemplo: pessoa comprovadamente doente ou portadora de cólera e atualmente residindo em área epidêmica do Brasil. CASO CONFIRMADO – Pessoa de quem foi isolado e identificado o agente etiológico ou de quem foram obtidas outras evidencias laboratoriais da presença do agente etiológico, como por exemplo, a conversão sorológica em amostras de sangue colhidas nas fases aguda e convalescente (CDC, 1988). Pode-se firmar o diagnostico de um caso sob investigação, mesmo na ausência de dados laboratoriais, apenas por critérios clínicos e epidemiológicos consistentes. CASO ESPORÁDICO – Caso que, segundo informações disponíveis, não se apresenta epidemiologicamente relacionados a outros já conhecidos (CDC, 1988). CASO-ÍNDICE – Primeiro entre vários de natureza similar e epidemiologicamente relacionados. O caso-índice é muitas vezes identificado como fonte de contaminação ou infecção (CDC, 1988). CASO PRESUNTIVO – Pessoa com síndrome clinica compatível com a doença, porém sem confirmação laboratorial do agente etiológico (CDC, 1988). CASO SECUNDÁRIO – Caso novo de uma doença transmissível, surgido a partir do contato como caso-índice. CASO SUSPEITO – Pessoa cuja história clínica, sintomas e possível exposição a uma fonte infecciosa sugerem que a mesma possa estar ou vir a desenvolver alguma doença infecciosa (CDC, 1988). Maria Zélia Rouquayrol & Naomar de Almeida Filho.In: Epidemiologia & Saúde, 6ª ed - Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. cap. 04, 23. 17 Principais Indicadores de Saúde. INTRODUÇÃO O conhecimento das condições de saúde de uma população implica no manuseio adequado de números informações. Indicadores positivos e negativos. Tradicionalmente, em avaliação realizadas na área da saúde, são utilizados indicadores “negativos”, como mortalidade e morbidade, em lugar dos “positivos”, do tipo bem- estar, qualidade de vida e normalidade. Alguns outros indicadores não se enquadram na classificação de positivos ou negativos, sendo exemplos a natalidade e a fecundidade, embora possam ser feitas correlações com estes significados. MORTALIDADE. Historicamente, o primeiro indicador em avaliações de saúde coletiva, e ainda hoje o mais empregado, é a de mortalidade. Isto pode ser explicado pelas facilidades operacionais: a morte é objetivamente definida, ao contrário da doença, e cada óbito tem de ser registrado. O registro obrigatório resulta na formação de uma “base de dados”, mantidas e atualizadas por técnicos do governo, divulgada periodicamente. Esta base de dados é armazenadas, o que facilita a preparação de estatísticas sob diversas formas, cuja interpretação, mesmo que superficial, fornece um diagnóstico sa situação. Obs.: Segundo Angel (1973), o nível de saúde de uma nação pode ser avaliado com a utilização de apenas de indicadores: mortalidade infantil, mortalidade materna e expectativa de vida. Limitações do uso da mortalidade como indicador. As estatística de mortalidade exprimem a gravidade da situação, mas, como o óbito representa a último acontecimento no processo saúde-doença, as estatísticas de mortalidade refletem uma historia muito incompleta da doença e de seus fatores determinantes. Os danos que raramente levam ao óbito praticamente não estão representados nas estatísticas de mortalidade. 18 As mudanças nas taxas de mortalidade, com o passar do tempo, são, em geral, de pequena amplitude, o que as torna pouco úteis para a avaliação de curto prazo. MORBIDADE. O conhecimento do perfil de morbidade da população é essencial para o pessoal de saúde. As estatística que expressam a situação da doença na população têm múltipla utilização: elas permitem inferir o risco de adoecer a que as pessoas estão sujeitas, bem como constituem indicações a serem utilizadas na preparação das investigações dos seus fatores determinantes e na escolha das ações saneadoras adequadas. As medidas de morbidade, comparadas às de mortalidade, são mais sensíveis para expressar mudanças de curto prazo. Gravidade do processo mórbido. Além do conhecimento da simples ocorrência ou não de danos a saúde, um outro ângulo na mensuração da morbidade diz respeito à gravidade deste dano. As medidas que expressam gravidade são muitas usadas, por exemplo, nas investigações sobre a história natural da doença e na aferição da eficácia do tratamento. Entre os muitos aspectos possíveis da quantificação, estão os tipos de agravos a saúde e a incidência de óbitos, de complicações e de efeitos indesejáveis entre as pessoas afetadas por um determinado dano à saúde. O grau em que os sistemas orgânicos, anatômico ou funcionais estão comprometidos, nesta mesma pessoa, é uma outra possibilidade de avaliação. Na verdade, verdade existem muitas opções e escalas de risco para estimar gravidade, por exemplo: Tipo de agravo. Há danos a saúde que evoluem com pior prognóstico do que outros. Alguns pode ser evitado ou tratados com tecnologia disponível. A incidência com que estes eventos ocorrem em um grupo populacional pode refletir as condições de saúde deste grupo. Por exemplo: doenças infecciosas x não-infecciosa. Nas regiões menos desenvolvida, observa-se alta incidência de doença infecciosas, carenciais e perinatais. Nas mais desenvolvidas, a população costuma ser, em média, mais idosa, com predominância das doenças crônicas-degenerativas. Assim, o próprio conhecimento da estrutura da 19 morbidade (ou mortalidade), com o predomínio de um particular grupo de afecções, permite inferir o nível de saúde e até mesmo o grau de desenvolvimento da região. Restrição de atividades. Muitas avaliações indireta da gravidade do dano à saúde baseiam-se na incapacidade funcional gerada pelo processo da doença, medida pela hospitalização, pelo confinamento ao leito ou pelas seqüelas que produz. INDICADORES NUTRICIONAIS. Numerosas medidas do estado nutricional das pessoas são usadas na avaliação das condições de saúde e nutrição de população. Elas são agrupadas em duas categorias. Avaliação indireta do estado nutricional. Alguns indicadores mais usados para avaliar indiretamente o esta do nutricional da população provêm das estatísticas vitais. Os mais empregados com este propósito encontram-se sob a forma de coeficiente ou de proporção. A mortalidade pré-escolar (um a quatro anos). A mortalidade infantil (de menores de um ano). A mortalidade infantil tardia (28 dias a 11 meses). Avaliação direta do estado nutricional. Três enfoques são usados mais freqüentemente para produzir indicadores diretos das condições nutricionais. Avaliação dietética: São utilizadas para determinar a natureza e a quantidade dos alimentos pela população. As informações são obtidas através do conhecimento da inclusão na dieta de alimentos ou grupos alimentaresque fornecem os nutrientes essenciais. Avaliação clínica: Visam detectar sinais e sintomas da presença excessiva ou da deficiência de um ou mais nutrientes no organismo. Avaliações laboratoriais: Numerosas dosagens bioquímicas (ferro, proteínas, iodo etc) são utilizadas, geralmente, em amostras de sangue e urina, com o intuito de detectar alterações de nutrientes. Mauricio Gomes Pereira. In: Epidemiologia Teoria e Prática, 5ª ed – Editora GUANABARA KOOGAN S.A, 2001. cap. 4 – Indicadores de Saúde. 20 INDICADORES DEMOGRÁFICOS. As condições de saúde da população podem ser estimadas através de indicadores demográficos. Dentre eles, os que apresentam maior interesse aos campos da demografia e da saúde são a mortalidade e a esperança de vida. INDICADORES SOCIAIS. As condições socioeconômicas estão intimamente relacionadas à saúde, de modo que são usadas como indicadores sanitários indiretos, como é o caso da renda per capta, da distribuição de renda, da taxa de analfabetismo e da proporção de crianças em idade escolar fora das escolas. INDICADORES AMBIENTAIS. Alguns dos principais indicadores de saúde ambiental estão estreitamente relacionados com o nível socioeconômico da população, entre os quais as condições de moradia e do peridomicílio. Um importante ângulo da questão ambiental refere-se à cobertura e à qualidade de serviços de “saneamento básico”: abastecimento de água, de esgoto, de coleta de lixo e de águas pluviais. A eles, reserva-se a denominação “indicadores sanitários”. Um indicador muito utilizado é a proporção da população que dispõe de um sistema adequado de abastecimento de água, de eliminação de dejetos e de coleta regular de lixo. SERVIÇO DE SAÚDE. Muitos indicadores são especialmente criados para refletir o que ocorre no âmbito da assistência à saúde, sob diversos ângulos, onde, são expostos três grande grupos: 1. Indicadores de insumos; 2. Indicadores de processo; 3. Indicadores de resultados. INDICADORES POSITIVOS DE SAÚDE. Epidemiologia da doença. Epidemiologia da saúde. 21 Operacionalização da definição de saúde da OMS: A definição de saúde da Organização Mundial de Saúde – “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de doença”. Qualidade de vida. Mauricio Gomes Pereira. In: Epidemiologia Teoria e Prática, 5ª ed – Editora GUANABARA KOOGAN S.A, 2001. cap. 4 – Indicadores de Saúde. Maria Zélia Rouquayrol & Naomar de Almeida Filho. In: Epidemiologia & Saúde, 5ª ed- Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. cap. 3 – A Medida da Saúde coletiva. 22 Medidas da Saúde Coletiva INTRODUÇÃO Medir o estado de saúde e bem-estar de uma determinada população é, portanto, não só uma necessidade para que sejam feitos diagnósticos, realizações de intervenções e avaliação de impacto nesta população. Como também é uma tarefa complexa, para qual ainda não dispomos de instrumentos e metodologia que atendam plenamente essas necessidades. A quantificação de variáveis populacionais é, sem dúvida, uma etapa importante e imprescindível, procurando, através de metodologia específicas, conhecer as primeiras doenças e agravos à saúde que atingem uma determinada comunidade, os grupos mais susceptíveis, as faixas etárias mais atingidas, os riscos mais relevantes e os mecanismos efetivos de controle de cada caso. A Organização Pan-Americana de saúde (OPAS) reconhece que contextos sociais e econômicos desempenham papel determinantes na situação de saúde da população. Assim, propõe que sejam aumentados os esforços no sentido de caracterizar as desigualdades da situação sanitária das populações e do acesso aos serviços de saúde identificando os grupos de maior risco, para que medidas efetivas produzam um impacto de melhoria da saúde dessas populações (OPAS, 1998). Valores relativos Os dados colhidos diretamente de fontes de informação, ou gerados através de observações controladas, são dados não-trabalhados e tomam a designação de valores absolutos. Os valores absolutos, quando relacionados à variável independente, passam a ser denominados freqüências absoluta associados à referida variável. As novas variáveis dependentes não são mais freqüências absolutas e passam a ser coeficientes e índices. Denomina-se coeficiente as relações entre o número de eventos reais e os que podem acontecer. Assim, os coeficientes são, portanto, medidas de risco, além disso, medem o risco de se adoecer por uma determinada doença, por exemplo a dengue, ou seja, os coeficientes são também medidas de probabilidade. 23 Entende-se por índice as relações entre freqüências atribuídas das mesma unidade. Os índices são geralmente apresentados sob a forma de porcentagem. Assim, os índices ou proporções, que expressam a freqüência de um determinado evento. Obs.: Para transformar os números decimais em números inteiros, multiplica-se o coeficiente ou índice por potência de 10, que seria a base referencial da população exposta. Por exemplo, em Roraima foram encontrados 0,001573 caso da dengue, dividindo-se os casos de dengue pela população. Neste sentido, o coeficiente 0,001573 será multiplicado por 100.000, o que transformaria no coeficiente 157,3 por 100.000 (157,3/100.000). Maria Zélia Rouquayrol & Naomar de Almeida Filho. In: Epidemiologia & Saúde, 6ª ed- Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. cap. 3 – Medidas de Saúde Coletiva. Coeficiente de Mortalidade. Os coeficientes de mortalidade são definidos como quocientes entre as freqüências absoluta de óbitos e o número dos expostos ao risco de morrer. Podem ser categorizados segundo os critérios mais diversos, tais como sexo, idade ou estado civil. Os óbitos ocorridos podem ser classificados segundo causa ou lugar. Outros critérios podem ser propostos, mas sempre levando em conta o objetivo que se quer atingir. Coeficiente de Mortalidade Geral. Calcula-se o coeficiente de mortalidade geral dividindo-se o número de óbitos relativos a todas as causas, em um determinado ano, pela população, naquele ano, circunscrito a uma determinada área e multiplicando-se por 1.000, base referencial para a população exposta. Obs.: No cálculo dos coeficientes, deve-se ter o cuidado de excluir no denominador as pessoas não expostas ao risco, como por exemplo, excluir mulheres do denominador na determinação de coeficiente de câncer de próstata. Total de óbitos registrados em certa área durante o ano CMG = x 1.000 População da área ajustada para o meio do ano 24 No Brasil, os dados de mortalidade são registrados pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde e vêm melhorando e aumentando sua abrangência, desde sua implementação em 1975/76 (Jorge, 2002). Coeficiente de Mortalidade Infantil. O coeficiente de mortalidade infantil é calculado dividindo-se o número de óbitos de crianças menores de 1 ano pelos nascidos vivos naquele ano, em uma determinada área, e multiplicando-se por 1.000 o valor encontrado. Mede, portanto, o risco de morte para crianças menores de 1 ano. Mortalidade por Causas. O coeficiente de mortalidade por causa é calculado dividindo-se o número de óbitos ocorridos por uma determinada causa e a população exposta e, a seguir multiplicando-se por 1.000 base referencial da população. O erro no preenchimento da causa básica do ocorrido na Declaração de Óbito ainda é um problema a ser enfrentado . O Manual de Instruções para o preenchimento da Declaração de Óbito define a causa básica do óbito como “a doença ou lesão que iniciouuma sucessão de eventos que levaram à morte; ou, no caso de acidente ou violência, as suas circunstancias.Assim, o preenchimento do atestado de óbito é um fator muito importante pois, o seu preenchimento inadequado (onde existem padrões para tal), as estatísticas de mortalidade, segundo causas básicas ou primárias serão falhas, o que não só afeta a comparabilidade como resulta em um quadro epidemiológico falso”. Nº de óbitos de menores de 1 ano em certas áreas durante o ano CMI = x 1.000 Total de nascidos vivos nessa área durante o ano Nº de óbitos ocorridos por uma determinada causa CMC = x 1.000 População exposta 25 Os erro mais freqüentes não só no Brasil mais também em outros paises no preenchimento dos atestados de óbitos são: O diagnóstico clínico errado; O diagnóstico correto pode ser erroneamente registrado na Declaração de Óbito; O óbito pode não ser incluído no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. Os coeficientes de mortalidade por causa podem ser bons reveladores do estado geral de saúde das coletividades. Esses coeficientes quando se referem às doenças transmissíveis medem, de certa forma, as condições de saneamento e a eficiência dos serviços de prevenção e controle. Coeficiente de Letalidade. Entende-se por letalidade o maior ou menor poder que tem uma doença em provocar a morte das pessoas que adoeceram por esta doença. O coeficiente de letalidade é elaborado calculando-se a relação entre o número de óbitos devidos a determinadas causas e o número de pessoas que foram realmente acometidas pela doença. O coeficiente de letalidade, sempre expresso em termos de percentuais, permite avaliar a gravidade de uma doença, considerando as variáveis idade, sexo, condições socioeconômicas da região onde ocorre. Por exemplo, a letalidade da raiva é de 100%, todo caso correspondente a um óbito. Índice de Mortalidade. Índice de Swaroop & Uemura O índice de Swaroop & Uemura é calculado dividindo-se o número de óbitos de pessoas que faleceram com 50 anos ou mais de idade, pelo total de óbitos, multiplicando-se por 100. Nº de óbitos devido a determinada causa CL = x 100 Nº de pessoas que foram realmente acometidas pela doença Nº de óbitos de pessoas com 50 e mais anos de idade ISU = x 100 Nº de óbitos totais 26 MORBIDADE As estatísticas de morbidade têm como característica fundamental o fato de serem utilizadas, preferencialmente, para avaliação do nível de saúde e o aconselhamento de medidas de caráter abrangentes (por exemplo, o saneamento básico), que visem melhorar o estado sanitário da comunidade. Para garantir a correção das decisões (por exemplo, eficácia na vacinação) ou apoiar ações especificas necessárias ao controle de determinada doença (por exemplo, o tratamento da hanseníase), consultam-se os coeficientes de morbidade discriminados em coeficientes de incidência e de prevalência. Estes interessam, no campo da saúde publica, ao planejador, ao administrador, ao pesquisador, ao epidemiologista e a toda comunidade ligada ao SUS. Denota-se morbidade ao comportamento das doenças e dos agravos à saúde em uma população exposta. Isto é, morbidade sempre será referente a uma população pré-definida. Assim, por exemplo, na morbidade por silicose, entende-se por população o conjunto dos que estão expostos a contrair a doença, em um espaço e um tempo determinados: trabalhadores em britagem na industria X no ano Y por exemplo. A expressão quantitativa da morbidade é dada por diferentes coeficientes de morbidade. Para fins operacionais, estes coeficientes são definidos como quocientes entre números de casos de uma doença e a população. Inquérito epidemiológico: Dever ser entendido o estudo das condições de morbidade por causa específicas, efetuado em amostra representativa ou no todo de uma população definida e localizada no tempo e espaço. Vigilância epidemiológica: “Significa a observação sistemática e ativa de casos suspeitos ou confirmados de doenças transmissíveis e de seus contatos. Trata-se, portanto, da vigilância de pessoas, através de medidas de isolamento ou quarentena, aplicadas individualmente, e não de forma coletiva”. Maria Zélia Rouquayrol & Naomar de Almeida Filho. In: Epidemiologia & Saúde, 6ª ed- Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. cap. 3 – Medidas de Saúde Coletiva. Nº de casos de uma doença Coeficiente de morbidade = x 10n População 27 PREVALÊNCIA Prevalência é um termo que descreve a força com que subsistem as doenças nas coletividades. Operacionalmente, o coeficiente de prevalência pode ser definido como a relação entre o número de casos conhecidos de uma dada doença e a população, multiplicando o resultado pela base referencial da população que é potência de 10, usualmente 1.000, 10.000 ou 100.000. Deve ser esclarecido que “nº de casos conhecidos de uma dada doença” mede os casos que subsistem, isto é, mede a soma dos “casos anteriormente conhecidos e que ainda existem” com os “casos novos” que foram diagnosticados desde a data da computação anterior. A prevalência instantânea, pontual ou momentânea é medida pela freqüência da doença ou pelo seu coeficiente em um ponto definido no tempo, seja o dia, a semana, o mês ou ano. Assim, o coeficiente de prevalência instantânea mede a proporção de uma população que a um determinado instante apresenta a doença. A prevalência que abrange um lapso de tempo mais ou menos longo e que não concentra a informação em um dado ponto desse intervalo pode ser denominada prevalência lápsica ou por período. Assim, esta prevalência mede a proporção da população que apresenta a doença num lapso de tempo, incluindo os casos de cura, óbito e emigração. Maria Zélia Rouquayrol & Naomar de Almeida Filho. In: Epidemiologia & Saúde, 6ª ed- Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. cap. 3 – Medidas de Saúde Coletiva. Oswaldo Paulo Forattini. In: Epidemiologia Geral, 2ª ed- 1996. cap. 4 – Medida das doenças. Nº de casos conhecidos de Coeficiente uma dada doença de Prevalência = x 10n População 28 INCIDÊNCIA Incidência, em epidemiologia traduz a idéia de intensidade com que acontece a morbidade em uma população, enquanto a prevalência é termo descritivo da força com que subsistem as doenças nas coletividades. A incidência de doenças é medida, grosso modo, pela freqüência absoluta de casos novos relacionados à unidade de intervalo de tempo, dia, semana, mês ou ano. Assim, a expressão 3 casos novos por dia ou 300 por ano são relações que expressam a incidência, ou seja, a intensidade com que estão surgindo casosnovos, seja por dia, seja por ano, tomados esses intervalos com unidade de tempo. O coeficiente de incidência é definido como a razão entre o número de casos novos de uma doença que ocorre em uma comunidade, em um intervalo de tempo determinado e a população exposta ao risco de adquirir referida doença no mesmo período, multiplicando o resultado por potencia de 10, que é a base referencial da população. Maria Zélia Rouquayrol & Naomar de Almeida Filho. In: Epidemiologia & Saúde, 6ª ed- Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. cap. 3 – Medidas de Saúde Coletiva. Oswaldo Paulo Forattini. In: Epidemiologia Geral, 2ª ed- 1996. cap. 4 – Medida das doenças. Nº de casos de uma doença ocorrente em determinada Coeficiente comunidade em certo período do ano de incidência = x 10n Nº de pessoas expostas ao risco de adquirir a doença no referido período 29 Aspectos Epidemiológicos das Doenças Transmissíveis. A DOENÇA: A doença pode ser definida como um “desajustamento ou uma falha no mecanismo de adaptação do organismo ou uma ausência de reação aos estímulos, cuja ação está exposto. O processo conduz a uma perturbação da estrutura ou da função de um órgão, ou de um sistema ou de todo organismo ou de suas funções vitais” (Jenicek & Cléroux, 1982). Doença Infecciosa: Segundo a Organização Pan Americana da Saúde (OPAS,1983), é a “doença, clinicamente manifesta, do homem ou dos animais, resultante de uma infecção”. Doença Não-Infecciosa: São aquelas que não resultarem de infecção, por exemplo, doença coronariana, diabetes e outras. As doenças em relação a sua duração e aspecto podem ser; crônicas ou agudas. As crônicas são doenças que se desenvolvem a longo prazo, e as agudas são as de curta duração. Quatro são as categorias fundamentais de doenças. Obs.: Infecção, não é sinônimo de doença infecciosa. Pode ocorrer infecção sem doença. Segundo a OPAS (1983), a penetração e desenvolvimento ou multiplicação de um agente infeccioso no organismo de uma pessoa ou animal é dado cimo infecção. Infestação, refere-se ao alojamento, desenvolvimento e reprodução de artrópodes na superfície do corpo ou nas vestes. Etiologia Duração Agudas Crônicas Infecciosas Doenças infecciosas agudas: tétano, Doenças infecciosas crônicas: raiva, difteria, sarampo, gripe tuberculose, hanseníase, doença Não-infecciosa Doenças não-infecciosas agudas: de Chagas Envenenamento por picada de Doenças não-infecciosas crônicas: cobra diabetes, coronariana, cirrose (álcool) Maria Zélia Rouquayrol, Mônica Cardoso Façanha & Fátima M. Fernandes Veras. In: Epidemiologia & Saúde, 5ª ed- Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. cap. 9 – Aspectos Epidemiológicos das Doenças Transmissíveis. 30 Doença Contagiosa: Reserva-se as doenças infecciosas cujos agentes etiológicos atingem os sadios através do contato direto, por exemplos, as doenças sexualmente transmissíveis. Doença Transmissível: Em síntese pela OPAS; pode ser definida como doença cujo agente etiológico é vivo e é transmissível. Doenças Quarentenáveis: São aquelas que podem levar à restrição de atividades ao susceptível, durante o período máximo de incubação, a fim de evitar a propagação da doença, por exemplo, cólera e febre amarela. Doenças de Isolamento: São aquelas que exigem o isolamento dos indivíduos doentes durante o período de transmissibilidade da doença, em lugar e condições que evitem a transmissão direta ou indireta do agente à pessoas e animais, por exemplo, febre tifóide, raiva e outras. Período de Incubação: É o intervalo de tempo que decorre entre a exposição a um agente infeccioso e o aparecimento de sinais ou sintomas da doença. é extremamente variável, desde algumas horas (cólera) até meses ou anos (hanseníase, AIDS). Período de Transmissibilidade: Período durante o agente infeccioso pode ser transferido, direto ou indiretamente, de uma pessoa infectada a outra, ou de um animal infectado ao homem ou vice-versa. OS BIOAGENTES PATOGÊNICOS: Agentes infecciosos é um ser vivo, ou seja, um vírus, uma bactéria, um fungo, um protozoário, um helminto, que pode ser introduzido em outro ser vivo, onde é capaz de se desenvolver ou de se multiplicar e, dependendo do hospedeiro pode gerar ou não um estado patológico, denominado de doença infecciosa, que também é doença transmissível. Infectividade: É a capacidade que têm certos organismos de penetrar e de se desenvolver ou de se multiplicar no novo hospedeiro, ocasionando infecção. Patogenicidade: É a qualidade que tem o agente infeccioso de, uma vez instalado no organismo do homem ou de animais, produzir sintomas em maior ou menor proporção dentre os hospedeiros infectados. Casos de doença Patogenicidade = x 100 Nº total de infectados 31 Virulência: É a capacidade de um bioagente produzir casos graves ou fatais. Dose Infectante: É a quantidade do agente etiológico necessário para iniciar uma infecção. Varia com a virulência do bioagente e com a resistência do acometido. Poder Invasivo: É a capacidade que tem o parasita de se difundir, através de tecidos, órgãos e sistemas anatomofisiológicos do hospedeiro. Imunogenicidade ou Imunogênico: É a capacidade que tem o bioagente para induzir imunidade no hospedeiro. O HOSPEDEIRO SUSCEPTÍVEL: O termo “hospedeiro” pode ser utilizado em dois níveis de abrangência: referindo- se ao individuo ou no sentido abstrato, referindo-se a toda espécie. Assim, pode ser definido como hospedeiro suscetível, a espécie humana ou outra que em condições naturais, alberga o bioagente patogênico. Além disso, concede subsistência permitindo-lhes seu desenvolvimento e multiplicação. O hospedeiro pode ser: primário ou definitivo e/ou secundário ou intermediário. Primário ou definitivo é quando o parasita (bioagente patogênico) atinge a maturidade ou passa sua fase sexuada, por exemplo, infecção por forma adulta de tênia. Já, a secundário ou intermediário o parasita se encontra em forma larvária ou assexuada, por exemplo, infecção pela forma larvária da tênia, denominada de cisticercose. Resistência: É o sistema de defesa com o qual o organismo impede a difusão ou a multiplicação de agentes infecciosos que o invadiram, ou os efeitos nocivos de seus produtos tóxicos. Suscetibilidade: Considerando a espécie como sendo suscetível à determinadas doenças, onde, dentro de uma mesma espécie pode ocorrer a existência de alguns indivíduos resistentes como também não-resistentes. Assim, indivíduo suscetível é aquele que não possui resistência a determinado agente patogênico podendo contrair a doença quando posto em contato. Casos graves ou fatais Virulência = x 100 Total de casos de doença 32 Resistência Natural: Tem caráter inespecífico. É a capacidade de resistir a doença independente de anticorpos ou de reações especificas dos tecidos. Por exemplo, os indivíduos da raça negra apresentamuma maior resistência à penetração das larvas de ancilostomídeos, talvez devido à textura da pele ou a cor. Indivíduo Imune: É o individuo que possui anticorpos específicos ou imunidade celular em conseqüência de uma infecção ou imunização anterior. Imunidade: Imunidade Passiva Ativa Natural Imunização passiva natural: Adquirida por via transplacentária ( recém-nascido imune à difteria) Imunização ativa natural: Adquirida como conseqüência de infecção diftérica. Artificial Imunização passiva artificial: Adquirida por aplicação de soro antidiftérico. Imunização ativa artificial: Induzida pela aplicação de vacina contra a difteria. O AMBIENTE NAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS: Os indivíduos infectados por um dado agente poderá participar de dois dos elementos estruturais da epidemiologia. Será hospedeira quando sua função for servir de substrato onde evolua a infecção e se exteriorize a doença. E será tomado como fator ambiental ao participar como reservatório do bioagente. RESERVATÓRIO de agentes infecciosos é o ser humano ou animais, artrópodes, plantas, solo ou matéria inanimada (ou combinação estes) (OPAS, 1983). O homem como reservatório – são reservatórios humanos os casos clínicos, quer sejam morados, graves ou fatais, são identificáveis através de sinais e sintomas, os casos atípicos e abortivos são ainda mais importantes do ponto de vista epidemiológicos por constituírem uma fonte de infecção de difícil controle. Por outro lado, os portadores, nas diversas categorias, são excelentes fontes de infecção, porque passam despercebidos quando examinados. Maria Zélia Rouquayrol, Mônica Cardoso Façanha & Fátima M. Fernandes Veras. In: Epidemiologia & Saúde, 5ª ed- Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. cap. 9 – Aspectos Epidemiológicos das Doenças Transmissíveis. 33 PORTADORES são todos aqueles que, embora estejam eliminando o agente, não apresentam sintomas clínicos no momento em que estão sendo examinados. o Portadores convalescentes são os que já apresentam os sinais e sintomas clínicos. o Portadores incubados sãos os que ainda vão desenvolver a doença. o Portadores sãos ou assintomáticos sãos os que nunca apresentaram nem apresentarão quaisquer sintomas. Estes sobre o ponto de vista epidemiológico, são os mais importantes, porque, não sendo clinicamente diagnosticados, passam despercebidos e continuam difundindo o agente etiológico de modo continuo ou intermitente. ANTROPONOSES são as doenças as quais o homem é o único reservatório, único hospedeiro e único susceptível. Por exemplo, a gripe e febre tifóide. ZOONOSES são infecções comuns ao homem e a outros animais. ANTROPOZOONOSES os animais são reservatórios. Poe exemplo a leishmaniose a brucelose. ZOOANTROPONOSES as zoonoses nas quais a população humanas constituem o reservatório. Por exemplo a Taenia. ANFIXENOSES tanto o homem quanto os animais podem ser reservatórios dependo das circunstâncias. Por exemplo a doença de Chagas. VETORES são seres vivos, que veiculam o agente desde reservatórios até o hospedeiro potencial. o Vetores mecânicos agem apenas como transportadores de agentes infeccioso: são insetos que caminham ou voam e carregam os agentes pelas suas patas, etc. o Vetores biológicos, aqueles nos quais os microorganismos desenvolvem obrigatoriamente uma de suas fases de ciclo antes de serem disseminados no ambiente ou inoculados em novo hospedeiro. Por exemplo, insetos anofelinos como vetores biológicos na transmissão da malária. Maria Zélia Rouquayrol, Mônica Cardoso Façanha & Fátima M. Fernandes Veras. In: Epidemiologia & Saúde, 5ª ed- Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. cap. 9 – Aspectos Epidemiológicos das Doenças Transmissíveis. 34 TRANSMISSÃO: Significa levar ou fazer passar algo de ponto a outro. Transmitir-se algo de uma fonte para um receptor, utilizando-se de meios materiais para o transporte. O termo “transmissão” no seu emprego em epidemiologia e em clínica raramente isolado, quase sempre, vinculado a um complemento que especifica aquilo que está sendo transmitido. Por exemplo, transmissão do vírus da gripe, da influenza, etc. Transmissão de Agente Infeccioso: É o processo pelo qual o agente infeccioso, oriundo de um indivíduo infectado, pessoa ou animal, com passagens ou não por intermediários vivos ou por objetos inanimados, tem acesso ao meio interno de um novo hospedeiro. Elos na Transmissão de Bioagentes Patogênicos: Envolvem os susceptíveis, os bioagentes patogênicos e os reservatórios. O alastramento de uma doença infecciosa em uma população prossegue por dispersão de bioagentes por entre os indivíduos susceptíveis, através de um mecanismo em cadeia. Ao conjunto encadeado de elos de transmissão de uma dada patologia pode ser dado o nome de módulo de transmissão. São fatores vivos essenciais a um modulo de transmissão: o indivíduo infectado e dotado de poder infectante, o agente infeccioso e o individuo susceptível ou infectável. Os mecanismos transmissíveis podem ser reduzidos a três esquemas básicos: 35 Esquema nº1 Parte “A”: Os indivíduos infectados e infectáveis pertencem à mesma espécie, por exemplo, o agente da sífilis através da contaminação sexual. Parte “B”: São duas espécies hospedeiras envolvidas. O infectante pertence a uma espécie e o infectável a outra igualmente susceptível. A infecção do vírus rábico através da mordedura de cão em humanos é um exemplo. Parte “C”: Os contingentes do bioagente sob forma esporular encontrados no meio ambiente, potencialmente infectantes, são oriundos de reservatórios naturais constituídos pelos intestinos dos animais e do homem, onde é habitante normal e inócuo. Maria Zélia Rouquayrol, Mônica Cardoso Façanha & Fátima M. Fernandes Veras. In: Epidemiologia & Saúde, 5ª ed- Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. cap. 9 – Aspectos Epidemiológicos das Doenças Transmissíveis. 36 Esquema nº2 Parte “A”: O vetor tem desempenho puramente mecânico e é, por este motivo, denominado vetor mecânico. O agente infeccioso é apenas transportado pelo vetor, onde não se desenvolve nem se multiplica. Parte “A.1”: O vetor, além de funcionar com vinculador do agente infeccioso, desempenha também a função de abrigo biológico, no qual o agente cumpre parte necessária de seu ciclo vital, chamado de vetor biológico. Como exemplo, temos o agente etiológico da malaria onde, passa no mosquito anofelino parte de seu ciclo vital. Parte “B”: Este tipo de hospedeiro intermediário tem sido denominado hospedeiro intercalado. Ele não tem a função de conduzir o agente infeccioso de uma fonte a outra, não tem papel de vetor. Na verdade, entende-se pelo termo vetor os seres vivos que transladam o agente infeccioso da fonte primária para uma outra fonte. Os moluscos que abrigam a transformação de miracídios em cercárias não participam a vetoração do bioagente, donde serem mais bem referidos como hospedeiros intermediários intercalados. Maria Zélia Rouquayrol, Mônica Cardoso Façanha & Fátima M. Fernandes Veras. In: Epidemiologia & Saúde, 5ª ed- Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. cap. 9 – Aspectos Epidemiológicos das Doenças Transmissíveis.