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Prof. Ms. Davidson Marrony Santos Wanderley Disciplina: Toxicologia (8º Período) (davidsonwanderley@gmail.com) • Originária da Ásia Central, a Cannabis sativa é considerada uma das mais antigas plantas cultivadas pelo homem; • Os registros mais remotos datam de 2723 a.c, quando foi mencionada na Farmacopeia chinesa; • Linné foi quem primeiramente a classificou como Cannabis sativa, em 1753; • Com relação ao Brasil, existem documentos históricos mostrando que a maconha foi introduzida na época das capitanias (final do séc. XVIII) para a produção de fibras. CANNABIS • No entanto, acredita-se que a planta seja conhecida há mais tempo, utilizada como hipnótico pelos primeiros escravo; • Seu uso era frequente entre as classes mais baixas, porém mais tarde foi difundido entre os jovens de todas as classes; • De acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas (World Drug Report) de 2013, a Cannabis permanece a droga de uso ilícito mais consumida no mundo. CANNABIS CANNABIS • A maconha possui compostos químicos chamados de CANABINÓIDES, que atuam em nosso sistema nervoso. QUÍMICA E CONSTITUINTES DA CANNABIS SATIVA SEU EFEITO PSICOATIVO É DECORRENTE DA AÇÃO DE UM CANABINÓIDE ESPECÍFICO, O TETRA-HIDROCANABINOL (THC) SEMELHANTE UM NEUROTRANSMISSOR PRODUZIDO PELO PRÓPRIO CORPO HUMANO E QUE JÁ FAZ PARTE DO SISTEMA CANABINÓIDE ENDÓGENO • Atualmente, o termo canabinoide refere-se a todos os ligantes dos receptores canabinoides e compostos relacionados, incluindo ligantes endógenos e grande número de análogos sintéticos; • Até hoje foram identificados 70 FITOCANABINÓIDES na C. sativa L. (∆9 -THC , ∆8 -THC, Canabinol (CBD), Canabigerol (CBG), Canabiciclol (CBL) etc.); • Dentre todos os FITOCANABINÓIDES contidos na Cannabis sativa L, o ∆9 -THC é o principal composto químico reconhecido com efeito psicoativo. QUÍMICA E CONSTITUINTES DA CANNABIS SATIVA QUÍMICA E CONSTITUINTES DA CANNABIS SATIVA QUÍMICA E CONSTITUINTES DA CANNABIS SATIVA https://www.youtube.com/watch?v=a9cVr1Him9k ENTENDENDO MELHOR A FARMACOLOGIA! https://www.youtube.com/watch?v=a9cVr1Him9k QUÍMICA E CONSTITUINTES DA CANNABIS SATIVA • No Brasil a maconha é fumada por meio de cigarros conhecidos como “fininho” ou “baseado”. • Em média, um cigarro contém 0.5 a 1.0 g da planta inteira. • O teor ∆9-THC é de 1-3%. • Alta concentração nas folhas; • É termosensível e fotosensível – de acordo com as condições de estocagem e tempo de armazenamento, podem perder a potência • VIA PULMONAR - Por meio do fumo de cigarros e pequenos cachimbos; • VIA ORAL - Droga incorporada em alimentos (doces), ou na forma de extratos ou soluções alcoólicas em bebidas, usando a semente ou óleo de planta. VIAS DE ADMINISTRAÇÃO • ABSORÇÃO ALVEOLAR - A absorção pulmonar do ∆9 -THC é muito rápida devido as condições anatômicas do pulmão (alto fluxo sanguíneo e área); - Detectável no plasma, segundos após a primeira tragada de um cigarro; TOXICOCINÉTICA • ABSORÇÃO ALVEOLAR - Biodisponibilidade varia de 8 a 24%, influenciada por: o Perda do ∆9 -THC no ato de fumar (pirólise); o Dinâmica no ato de fumar (nº e tempo da tragada); o Experiência do fumante (usuários crônicos são mais eficientes na técnica de fumar). TOXICOCINÉTICA Ocorre uma ruptura da estrutura molecular original de um determinado composto pela ação do calor em um ambiente com pouco ou nenhum oxigênio • ABSORÇÃO PELO TGI - Após o consumo oral, a absorção do ∆9 -THC é lenta e irregular; - A biodisponibilidade oral é muito baixa, variando de 4 a 12%, pelos seguintes fatores: o Extensa biotransformação hepática (1º passagem no fígado); o Degradação do ∆9 -THC devido ao meio ácido do estômago. TOXICOCINÉTICA VIA DE ADMINISTRA ÇÃO VELOCIDADE DE ABSORÇÃO BIODISPONIBILIDA DE SISTÊMICA INÍCIO DOS EFEITOS EFEITO MÁXIMO DURAÇÃO ORAL LENTA E IRREGULAR 4-12% 30-60 MIN 2-5 HORAS 4-6 HORAS PULMONAR MUITO RÁPIDA 8-12% 3-10 MIN 8-15 MINUTOS 1-3 HORAS TOXICOCINÉTICA • Diferenças na velocidade de absorção, biodisponibilidade e no tempo de efeito entre as vias oral e pulmonar da Cannabis. • Após a absorção, devido as suas propriedades fisico- químicas o ∆9 -THC é rapidamente distribuído para os tecidos altamente vascularizados (cérebro, coração, rins); • É ligado as proteínas plasmáticas cerca de 97 a 99%; • Cruzam a barreira placentária e são secretados no leite materno; • Se depositam no tecido adiposo. • O ∆9 -THC é quase inteiramente biotransformado principalmente pelo fígado (citocromo P450); TOXICOCINÉTICA • Aproximadamente, 70% de uma dose total de ∆9 -THC são excretados dentro de 72 horas. • Sendo 30% na urina e 40% nas fezes. • THC-COOH: É o principal produto de biotransformação urinário, sendo um biomarcador de exposição á Cannabis. • Em média a janela de detecção do THC-COOH urinário é de: • Até 7 dias para fumantes eventuais, • Até 30 dias para fumantes frequentes, • Até 90 dias em casos excepcionais. • O valor mínimo detectado na urina é de 15ng/mL. TOXICOCINÉTICA • Em média a janela de detecção do THC-COOH urinário é de: • Até 7 dias para fumantes eventuais, • Até 30 dias para fumantes frequentes, • Até 90 dias em casos excepcionais. • O valor mínimo detectado na urina é de 15ng/mL. TOXICOCINÉTICA • Variam muito de indivíduo para indivíduo; • São influenciados pela quantidade do material ativo que alcança a circulação; • Existem muitos efeitos comportamentais tipicamente descritos para o usuário da maconha; • Período inicial de euforia; • A euforia é seguida de relaxamento, sonolência ou depressão; • Perda da discriminação de tempo e de espaço; • Coordenação motora diminuída; • Prejuízo da memória recente; • Taquicardia; • Hiperemia das conjuntivas (olhos vermelhos); • Aumento do apetite com secura na boca e garganta. EFEITOS A CURTO PRAZO • Sistema pulmonar: bronquite, enfisema pulmonar; insuficiência respiratória crônica; • Sistema cardiovascular: problemas no transporte e liberação de oxigênio, aumento da velocidade cardíaca; • Sistema imune: deteriora a habilidade do sistema imune para combater as infecções bacterianas e tumores; • Psicopatologias: Aumenta o risco de sintomas psicóticos e doenças mentais (esquizofrenia); • Anormalidades comportamentais do recém nascido: tremor acentuado, choro agudo, resposta alterada a estímulos visuais. EFEITOS A LONGO PRAZO • O uso a longo prazo da maconha pode levar a dependência. • O diagnóstico da dependência têm gerado controvérsias na literatura, devido aos critérios utilizados (frequência); • Quando um jovem de pouca idade é exposto à maconha, aumenta a probabilidade dele ter problemas com drogas o resto da vida. • Evitando-se o primeiro contato, pode-se prevenir a dependência. DEPÊNDENCIA • A tolerância se desenvolve para a maioria dos efeitos da Cannabis, canabinóides e análogos sintéticos que atuam no receptor canabinóide CB1; • Síndrome de abstinência: desejo veemente pela maconha, diminuição do apetite, dificuldade para dormir, perda de peso, agressão, raiva, irritabilidade, inquietação e sonhos estranhos; • Esses efeitos são similares àqueles observados em estudos de abstinência a nicotina. TOLERÂNCIA E SÍNDROME DE ABSTINÂNCIA CENAS DOS PRÓXIMOS CAPITULOS