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COMPETÊNCIA 1. CONCEITO 1.1. Conceito tradicional Competência é a medida da jurisdição, ou ainda a quantidade de jurisdição delegada a um determinado órgão ou grupo de órgãos jurisdicionais. Esse conceito, apesar de tradicional, tem dois graves problemas (por isso deve ser descartado): 1º) Jurisdição é uma e indivisível – não dá para falar em quantidade de jurisdição delegada a um órgão; não dá para falar que o órgão recebe uma parte da jurisdição (tem a característica da indivisibilidade, da unidade) 2º) A falta de competência acarreta uma falta de jurisdição – e isso é inadmissível. FALTA DE COMPETÊNCIA FALTA DE JURISDIÇÃO Em razão dessas críticas, adotaremos o conceito moderno de jurisdição. 1.2. Conceito moderno Competência é uma limitação ao exercício legítimo da jurisdição. Uma coisa é não ter jurisdição, outra coisa é se exercer a jurisdição de forma legítima. A competência não gera falta de jurisdição, mas sim o exercício ilegítimo da jurisdição no caso concreto. A B C D Processo tramitando no órgão B – pelo conceito clássico de jurisdição os órgãos A, C e D não teriam jurisdição. Mas, isso está errado porque se o órgão é jurisdicional ele SEMPRE tem jurisdição, NUNCA vai faltar jurisdição. Pode faltar competência, mas jurisdição NÃO! Por que se limita o exercício legítimo da jurisdição? Se a jurisdição é una e indivisível, não deveria ser o seu exercício legítimo? A resposta se baseia na premissa dos objetivos das regras de competência, ou seja, a competência serve para distribuir o trabalho jurisdicional entre os órgãos jurisdicionais (a competência, materialmente falando, distribui o trabalho entre os órgãos). Ao se distribuir os trabalhos entre os órgãos tem-se (A) a organização das tarefas (organiza o que cada órgão irá fazer na sua atuação) e (B) a racionalização. 2. REGRA KOMPETENZ KOMPETENZ Numa tradução livre seria a competência da competência. É necessário que tenha um órgão para declarar a incompetência (ato jurisdicional que só pode ser praticado se tiver jurisdição). Esse órgão pode ser: 1) o próprio órgão ou 2) órgão superior O KOMPETENZ KOMPETENZ é a competência do juízo de declarar a sua própria incompetência. Ele nunca seria possível se a falta de competência gerasse falta de jurisdição, se o órgão não tem jurisdição, ele não pode praticar ato algum. 3. COMPETÊNCIA ABSOLUTA E RELATIVA 3.1. Introdução Sempre que se falar em competência relativa deve-se lembrar de regras que prestigiam a vontade das partes por meio da criação de normas que buscam proteger as partes (autor ou réu), franqueando a ela a opção pela sua aplicação ou não no caso concreto. *O objeto de tutela de uma regra de competência relativa é o interesse das partes. No plano da competência relativa há normas dispositivos (normas que pode ser objeto de disposição): buscam privilegiar a liberdade das partes, valor indispensável num Estado Democrático de direito como o brasileiro, pois o sistema de competência absolutamente rígido, no qual a vontade das partes é irrelevante, é incompatível com o Estado democrático de direito. E um sistema composto apenas por regras de competência relativa geraria um caos judiciário. Sempre que se falar em competência absoluta deve-se lembrar de regras fundadas em razões de ordem pública, para as quais a liberdade das partes deve ser desconsiderada, em virtude da prevalência do interesse público sobre os interesses particulares. São normas de natureza cogente (normas de aplicação obrigatória) que deve ser aplicada sem nenhuma ressalva ou restrição. *O objeto de tutela de uma regra de competência absoluta é a ordem pública, ela cria um mínimo rígido (= de aplicação obrigatória, para evitar o caos) para a distribuição dos trabalhos entre os órgãos. Um sistema composto apenas por regras de competência absoluta geraria um sistema ditatorial. Por isso, deve-se criar um sistema equilibrado que ora privilegia a vontade das partes e que ora privilegia a imposição da lei. 3.2. Diferenças procedimentais 3.2.1. Legitimados para alegar a incompetência A) Competência relativa 1) Autor: não tem legitimidade para alegar a incompetência em decorrência da preclusão lógica – porque se há incompetência relativa essa incompetência é, em qualquer hipótese, responsabilidade do autor, pois foi ele quem criou o vício e, por isso, ele não pode, posteriormente, alegar a incompetência em benefício próprio. Exemplo: sujeito entra com uma ação na Comarca de João Pessoa para depois alegar que não é a competente, que a Comarca competente é a de São Bernardo do Campo – NÃO PODE! – territorialidade é uma competência relativa por excelência. 2) Réu: é o legitimado padrão. Se existe um sujeito que tem legitimidade para alegar a incompetência relativa, esse sujeito é o réu. 3) Juiz: O juiz pode reconhecer a incompetência relativa de ofício? De acordo com a Súmula 33 do STJ o juiz não pode reconhecer a incompetência de ofício (Súmula 33, STJ: “A incompetência relativa não pode ser declarada de ofício”), pois se a regra de competência, que existe para proteger as partes, foi violada é a parte lesada quem deve alegar. O juiz não atua no processo para defender o interesse da parte. *Se a regra existe para proteger as partes cabe a elas alegar seu descumprimento e violação *Essa súmula, apesar de antiga, está em plena vigência, o entendimento está bastante atual. Mas, esse entendimento é excepcionado em duas hipóteses: 1ª) Incompetência territorial nos Juizados Especiais – apesar de não constar expressamente no texto da Lei 9.099/95, é um entendimento consagrado no âmbito dos Juizados Especiais, que o juiz pode reconhecer a incompetência territorial. 2ª) Art. 63, § 3º, CPC (Art. 63. “As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações. § 3o. Antes da citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, pode ser reputada ineficaz de ofício pelo juiz, que determinará a remessa dos autos ao juízo do foro de domicílio do réu”). *Cláusula de eleição de foro abusiva (criação de dificuldade no exercício da ampla defesa) em qualquer espécie de contrato (no CPC/73 era só para o contrato de adesão, mas o novo CPC retirou a expressão adesão e manteve contrato, o que significa que pode ser contrato de adesão ou não). Quando o juiz se depara com essa situação, ele declara a cláusula ineficaz (o que nada mais é do que o reconhecimento da incompetência relativa). *Se a cláusula é ineficaz, a regra é a do foro do domicílio do autor (Regra geral do art. 46, CPC: “A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis será proposta, em regra, no foro de domicílio do réu. § 1o. Tendo mais de um domicílio, o réu será demandado no foro de qualquer deles. § 2o. Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele poderá ser demandado onde for encontrado ou no foro de domicílio do autor. § 3o. Quando o réu não tiver domicílio ou residência no Brasil, a ação será proposta no foro de domicílio do autor, e, se este também residir fora do Brasil, a ação será proposta em qualquer foro. § 4o. Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes domicílios, serão demandados no foro de qualquer deles, à escolha do autor. § 5o. A execução fiscal será proposta no foro de domicílio do réu, no de sua residência ou no do lugar onde for encontrado”). *O juiz precede, sucessivamente, a duas atividades de ofício: 1ª) Declara a cláusula ineficaz (porque enquanto aquela cláusula tiver gerando efeitos, não se terá incompetência nenhuma) e 2ª) Reconhece a incompetência relativa (porque sem a cláusula tem que se aplicar a regra geral) remetendo o processo parao domicílio do réu. 4) Ministério Público: Art. 65, pár. ún. CPC: Art. 65. “Prorrogar-se-á a competência relativa se o réu não alegar a incompetência em preliminar de contestação. Parágrafo único. A incompetência relativa pode ser alegada pelo Ministério Público nas causas em que atuar”). A) Como Autor o MP não têm legitimidade para alegar a incompetência relativa, como nenhum autor tem. B) Como réu (raríssimas exceções) o MP tem legitimidade para alegar a incompetência relativa. C) Como fiscal da ordem jurídica o MP tem legitimidade para alegar a incompetência relativa, por força do pár. ún. do art. 65 do CPC. B) Competência absoluta Todos os sujeitos processuais têm legitimidade para arguir a incompetência absoluta, pois todos os sujeitos processuais têm legitimidade para tutelar o interesse público (interesse de todos). 1) Juiz: tem o dever de reconhecer a incompetência absoluta (art. 64, § 1º, CPC: “A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão preliminar de contestação. § 1o. A incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer tempo e grau de jurisdição e deve ser declarada de ofício”). O juiz decide de ofício com relação às matérias de ordem pública. 2) Autor: mesmo sendo o causador do vício tem legitimidade para alegá- lo porque se trata de nulidade absoluta. Considerações importantes – quando se fala em incompetência absoluta temos: 1) Incompetência absoluta originária – que é a incompetência que vem desde a propositura da ação. Nesse tipo, a culpa é sempre do autor. E, mesmo assim ele tem legitimidade para alegar, pois se trata de nulidade absoluta, que pode ser alegada mesmo pela parte a causou. 2) Incompetência absoluta superveniente – é a incompetência decorrente de uma mudança de fato e de direito que pode gerar a incompetência absoluta no caso concreto. Aqui a culpa não é do autor. Exemplo: EC que altera a competência da Justiça Federal e diz que questões relativas às sociedades de economia mista passa a ser da Justiça Federal. E se o autor criar o vício que causa nulidade absoluta para tirar algum proveito? Esse problema será resolvido com aplicação de multa por litigância de má- fé caso haja comprovação de que o erro dele foi para tirar algum proveito. 3) Terceiro absolutamente desinteressado (que não tem qualquer interesse jurídico na demanda) também tem pode alegar a incompetência absoluta. Só as partes têm legitimidade para tutelar o interesse público? Não! O interesse público é de todos, todos podem brigar por ele, todos podem exigir o seu respeito no caso concreto. Esse terceiro desinteressado, mesmo não tendo interesse jurídico na demanda, sempre terá legitimidade para preservar a ordem pública. 3.2.2. Momento de alegação da incompetência A) Competência relativa Preclusão temporal: na contestação, como matéria preliminar, cabe ao réu a alegação da incompetência relativa. A ausência dessa alegação gera preclusão temporal, ou seja, se não alegou no momento da preliminar na contestação, não se poderá alegar novamente (isso gera um fenômeno chamado de prorrogação da competência (que decorre da convalidação do vício). Art. 340, CPC: “Havendo alegação de incompetência relativa ou absoluta, a contestação poderá ser protocolada no foro de domicílio do réu, fato que será imediatamente comunicado ao juiz da causa, preferencialmente por meio eletrônico. § 1o A contestação será submetida a livre distribuição ou, se o réu houver sido citado por meio de carta precatória, juntada aos autos dessa carta, seguindo-se a sua imediata remessa para o juízo da causa. § 2o Reconhecida a competência do foro indicado pelo réu, o juízo para o qual for distribuída a contestação ou a carta precatória será considerado prevento. § 3o Alegada a incompetência nos termos do caput, será suspensa a realização da audiência de conciliação ou de mediação, se tiver sido designada. § 4o Definida a competência, o juízo competente designará nova data para a audiência de conciliação ou de mediação”. OBS.: Por força do Art. 334, CPC (“Se a petição inicial preencher os requisitos essenciais e não for o caso de improcedência liminar do pedido, o juiz designará audiência de conciliação ou de mediação com antecedência mínima de 30 (trinta) dias, devendo ser citado o réu com pelo menos 20 (vinte) dias de antecedência), em regra, não é sempre, o réu não é citado para contestar, mas sim para comparecer a uma audiência de mediação e conciliação. E, somente se não houver a solução consensual, se abrirá o prazo de 15 dias para a contestação. Isso acarreta um grande problema: se cabe ao réu alegar a incompetência só na contestação, ele está obrigado a comparecer a uma audiência, perante um foro incompetente, para só depois da frustração da audiência alegar a incompetência. Esse problema foi tratado pelo Art. 340, CPC. Se o réu tiver como matéria de defesa a incompetência, ele pode apresentar a contestação antes da audiência de mediação e conciliação por previsão expressa e regulamentada do Art. 340, CPC. A ideia é óbvia: que a alegação do réu seja analisada antes da audiência para que haja uma decisão a respeito da competência, antes da realização da mesma. B) Competência absoluta Pode ser alegada a qualquer momento do processo, a qualquer tempo (nulidade absoluta não preclui), salva de forma originária nos recursos excepcionais. *Os Tribunais Superiores (STF e STJ), não admitem, nos recursos excepcionais (recurso extraordinário e recurso especial), o reconhecimento originário de matéria de ordem pública (incompetência absoluta), ou seja, se a matéria de ordem pública tiver sido discutida pelo 2º grau ela poderá ser discutida pelos Tribunais Superiores, mas se não houver decisão do 2º grau sobre a matéria (ordem pública – competência absoluta) e a parte alegar pela primeira vez em sede de recurso extraordinário/especial, tanto o STF quanto o STJ entendem que a falta de prequestionamento torna impossível a admissibilidade do recurso. *Tem uma parcela da doutrina que afirma que esse entendimento mudará por conta do parágrafo único do art. 1.034 do CPC (“Admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial, o Supremo Tribunal Federal ou o Superior Tribunal de Justiça julgará o processo, aplicando o direito. Parágrafo único. Admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial por um fundamento, devolve-se ao tribunal superior o conhecimento dos demais fundamentos para a solução do capítulo impugnado”). Contudo, não é isso que está acontecendo, pois o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça têm mantido o entendimento nas decisões proferidas após a entrada em vigor do CPC. A incompetência absoluta também pode ser alegada na ação rescisória (Art. 966, II, CPC: “A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: II - for proferida por juiz impedido ou por juízo absolutamente incompetente”). 3.2.3. Identidades procedimentais entre as competências absoluta e relativa A) Forma de alegação da incompetência Seja a incompetência relativa, seja incompetência absoluta a forma de alegação da incompetência é na preliminar de contestação. OBS.: a incompetência absoluta pode ser alegada depois da contestação (salvo, originariamente, em sede de recursos excepcionais), pois a contestação não gera preclusão temporal para a alegação de incompetência absoluta. Após a contestação, a incompetência absoluta pode ser alegada sob qualquer forma – escrita ou oral – estamos falando de interesse público e a forma pela qual se alega não importa. B) Atos praticados B.1) Natureza dilatória da incompetência Art. 64, § 3º, CPC: “A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão preliminar de contestação. § 3o Caso a alegação de incompetência seja acolhida,os autos serão remetidos ao juízo competente”). A incompetência não extingue o processo, quando ela é reconhecida, há a dilação do tempo de duração do processo, pois por previsão legal, o processo será remetido ao juízo competente. Sendo válido ressaltar que esse já era um entendimento consolidado no STJ (AgRg no AResp 660.756/BA, 4ª Turma, STJ). *O juiz deve, por decisão interlocutória, remeter o processo ao juízo competente (nada de extinção do processo por meio de sentença, pois não é caso de extinção e a decisão é interlocutória). OBS. 1: Art. 51, III, Lei 9.099/95 (“Extingue-se o processo, além dos casos previstos em lei: III - quando for reconhecida a incompetência territorial”) – extinção do processo nos Juizados Especiais em razão da incompetência territorial (natureza peremptória da incompetência que leva à extinção do processo por meio da sentença). Nos Juizados Especiais, por uma previsão expressa, na hipótese de incompetência territorial, ao invés de se remeter o processo para o Juizado competente, extingue-se o mesmo, por opção de política legislativa. OBS. 2: Cumulação de pedidos de diferentes competências absolutas perante juízo absolutamente incompetente para ambos Exemplo: pedido X de competência da Justiça do Trabalho + pedido Z de competência da Justiça Estadual – protocolizada na Justiça Federal Art. 64, § 4º, CPC (“A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão preliminar de contestação. § 4o Salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente”). Qual o destino dos atos praticados pelo juízo incompetente? Os atos praticados por juízo incompetente são válidos, devendo ser revistos ou ratificados, pelo juízo competente. O ato é eficaz, salvo decisão em contrário. Exemplo: o juiz se declara incompetente e não fala nada sobre a eficácia dos atos praticados com o reconhecimento da incompetência até a remessa do processo para o juízo competente tem um lapso temporal, no qual o ato praticado pelo juiz incompetente continua surtindo efeitos até chegar no novo juízo se o juiz ratificar o ato os efeitos perduram até o fim; caso o juiz competente revogue o ato, a eficácia terá fim. 4. ESPÉCIES DE COMPETÊNCIA 4.1. Competência Territorial É a competência do FORO. Na Justiça Estadual – FORO – é COMARCA Na Justiça Federal – FORO – SEÇÃO ou SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA 4.1.1. Foro comum (trata-se de COMPETÊNCIA RELATIVA) REGRA: é o foro de domicílio do réu (Art. 46, CPC: “A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis será proposta, em regra, no foro de domicílio do réu. § 1o Tendo mais de um domicílio, o réu será demandado no foro de qualquer deles. § 2o Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele poderá ser demandado onde for encontrado ou no foro de domicílio do autor. § 3o Quando o réu não tiver domicílio ou residência no Brasil, a ação será proposta no foro de domicílio do autor, e, se este também residir fora do Brasil, a ação será proposta em qualquer foro. § 4o Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes domicílios, serão demandados no foro de qualquer deles, à escolha do autor. § 5o A execução fiscal será proposta no foro de domicílio do réu, no de sua residência ou no do lugar onde for encontrado”). No direito comparado é comum o foro de domicílio do réu, pois parte-se da ideia de que o réu, ao ser processado, está sendo atacado e nada mais justo que ele se defenda no foro onde resida. 4.1.2. Foros especiais (trata-se de COMPETÊNCIA RELATIVA) É qualquer foro que não seja o comum ou o do domicílio do réu. Exemplos: 1) Foro de domicílio do autor *Art. 53, III, “e”, CPC: “É competente o foro: III - do lugar: e) de residência do idoso, para a causa que verse sobre direito previsto no respectivo estatuto” – residência do idoso para causas que versem sobre direito previsto no Estatuto do Idoso. 2) Local da coisa *Art. 47, CPC: “Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o foro de situação da coisa. § 1o O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição se o litígio não recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de terras e de nunciação de obra nova. § 2o A ação possessória imobiliária será proposta no foro de situação da coisa, cujo juízo tem competência absoluta”. *Lei de Locações – foro competente é o do local do imóvel 3) Local ato/fato *Art. 53, IV, CPC: “É competente o foro: IV - do lugar do ato ou fato para a ação: a) de reparação de dano”. Ainda sobre a competência territorial, é necessário tratar dos (1) foros concorrentes e (2) foros sucessivos: (1) Foros concorrentes: têm- se foros concorrentes sempre que a lei trouxer mais de um foro abstratamente competente. Exemplo: art. 381, 2º, CPC (“A produção antecipada da prova será admitida nos casos em que: § 2o A produção antecipada da prova é da competência do juízo do foro onde esta deva ser produzida ou do foro de domicílio do réu”). Nos foros concorrentes têm-se a escolha do autor, pois ele define, concretamente, qual o foro a ação tramitará, dentre os previstos pela lei: a) Forum shopping (escolha LIVRE do autor – ele escolhe, dentre aqueles que a lei prever, o que ele quiser) e b) Forum non conveniens (escolha CONDICIONADA do autor – porque a escolha não pode geral prejuízos ao processo e ao réu. (2) Foros sucessivos: há uma ordem legal entre os foros previstos, tanto o réu quanto o autor devem respeitar a ordem legal prevista. Exemplo clássico: art. 53, I, CPC (“É competente o foro: I - para a ação de divórcio, separação, anulação de casamento e reconhecimento ou dissolução de união estável: a) de domicílio do guardião de filho incapaz; b) do último domicílio do casal, caso não haja filho incapaz; c) de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no antigo domicílio do casal”). 4.2. Competência em razão do Valor da Causa 4.2.1. Juizados Especiais 1) Juizados Especiais Estaduais (Lei n. 9.099/95) Art. 3º, I, Lei n. 9.099/95: “O Juizado Especial Cível tem competência para conciliação, processo e julgamento das causas cíveis de menor complexidade, assim consideradas: I - as causas cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário mínimo”. Causas de até 40 (quarenta) salários mínimos. O Enunciado 1 do FONAJE (Fórum Nacional dos Juizados Especiais) diz: “O exercício do direito de ação no Juizado Especial Cível é facultativo para o autor”, ou seja, se se tem uma causa inferior a 40 salários mínimos, o autor pode escolher entre a Justiça Comum e o Juizado Especial (prestigia-se a vontade da parte). *Se se prestigia a vontade das partes é competência relativa. OBS.: se a causa for superior a 40 salários mínimos a competência da Justiça Comum é absoluta. Se a ação for proposta no Juizado Especial o juiz reconhecerá a incompetência de ofício. 2) Juizados Especiais Federais (Lei n. 10.259/2001) Art. 3º, Lei n. 10.259/2001: “Compete ao Juizado Especial Federal Cível processar, conciliar e julgar causas de competência da Justiça Federal até o valor de sessenta salários mínimos, bem como executar as suas sentenças”. Causas de até 60 (quarenta) salários mínimos. Art. 3º, § 3º, Lei n. 10.259/2001: “Compete ao Juizado Especial Federal Cível processar, conciliar e julgar causas de competência da Justiça Federal até o valor de sessenta salários mínimos, bem como executar as suas sentenças. § 3o No foro onde estiver instalada Vara do Juizado Especial, a sua competência é absoluta” – competência absoluta de caráter funcional. (1) Causa de valor inferior a 60 salários mínimos – a Justiça Comum éabsolutamente incompetente (2) Causa de valor superior a 60 salários mínimos – o Juizado Especial Federal é absolutamente incompetente 3) Juizados Especiais da Fazenda Pública (Lei n.º 12.153/2009) Art. 2º, Lei n. 12.153/2009: “É de competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública processar, conciliar e julgar causas cíveis de interesse dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, até o valor de 60 (sessenta) salários mínimos”. Causas de até 60 (quarenta) salários mínimos. Art. 2º, § 4º, Lei n. 12.153/2009: “É de competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública processar, conciliar e julgar causas cíveis de interesse dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, até o valor de 60 (sessenta) salários mínimos”. § 4o No foro onde estiver instalado Juizado Especial da Fazenda Pública, a sua competência é absoluta” – competência absoluta de caráter funcional. (1) Causa de valor inferior a 60 salários mínimos – o Justiça Comum é absolutamente incompetente. (2) Causa de valor superior a 60 salários mínimo – o Juizado Especial da Fazenda Pública é absolutamente incompetente. 3) Foros regionais/distritais – competência absoluta funcional. 4.3. Competência Funcional (trata-se de COMPETÊNCIA ABSOLUTA) A competência funcional pode ser explicada por quatro maneiras distintas: 1ª) Pelas fases do procedimento O juízo que atuou na fase A se torna absolutamente competente para a fase B (o juízo da fase A será OBRIGATORIAMENTE o juízo da fase B). essa competência para a fase B vem do exercício da função jurisdicional na fase A. Exemplos: (1) Fase de conhecimento/fase de liquidação de sentença – o juiz que atuou na fase de conhecimento e proferiu a sentença ilíquida é absolutamente competente para a fase de liquidação de sentença. (2) Ação de exigir contas (Arts. 550 a 553, CPC) – primeiro condena o réu a prestar contas e depois apura o saldo devedor. O juiz que condena o réu a prestar contas é o mesmo que apura o saldo devedor. OBS. 1: não há competência funcional entre a fase de conhecimento e de cumprimento de sentença (Art. 515, CPC: “O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante: I - os tribunais, nas causas de sua competência originária; II - o juízo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição; III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo. Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o exequente poderá optar pelo juízo do atual domicílio do executado, pelo juízo do local onde se encontrem os bens sujeitos à execução ou pelo juízo do local onde deva ser executada a obrigação de fazer ou de não fazer, casos em que a remessa dos autos do processo será solicitada ao juízo de origem”). Num processo sincrético tem-se (1) a fase de conhecimento com a prolação da sentença e (2) a fase executiva (ou de cumprimento de sentença) – não há competência funcional e a razão está no parágrafo único do art. 516 do CPC. OBS. 2: liquidação individual de sentença coletiva no foro do domicílio do indivíduo (Informativo 422, STJ: CC 96.682/RJ, 3ª Seção) – nesse caso, não tem competência funcional. Exemplo: sentença coletiva da Comarca de Uruaçu e a parte mora em Goianésia a parte pega a sentença e liquida na Comarca de Goianésia. **Se na sentença coletiva houver a liquidação de sentença coletiva a competência volta a ser funcional e, por isso, de competência absoluta (o juiz que proferiu a sentença ilíquida e o que vai liquidar essa sentença). 2ª) Relação entre ação principal e ações acessórias e incidentais Temos, aqui, a competência absoluta de caráter funcional do juízo da ação principal para as ações acessórias e incidentais. Exemplos: (1) Reconvenção (Arts. 343, CPC: “Na contestação, é lícito ao réu propor reconvenção para manifestar pretensão própria, conexa com a ação principal ou com o fundamento da defesa. § 1o Proposta a reconvenção, o autor será intimado, na pessoa de seu advogado, para apresentar resposta no prazo de 15 (quinze) dias. § 2o A desistência da ação ou a ocorrência de causa extintiva que impeça o exame de seu mérito não obsta ao prosseguimento do processo quanto à reconvenção. § 3o A reconvenção pode ser proposta contra o autor e terceiro. § 4o A reconvenção pode ser proposta pelo réu em litisconsórcio com terceiro. § 5o Se o autor for substituto processual, o reconvinte deverá afirmar ser titular de direito em face do substituído, e a reconvenção deverá ser proposta em face do autor, também na qualidade de substituto processual. § 6o O réu pode propor reconvenção independentemente de oferecer contestação”): é a ação do réu contra o autor no mesmo processo em que aquele é demandado. Não é defesa, é demanda. Essa ação amplia objetivamente o processo, pois o processo passa a ter novo pedido. Deve ser oferecida na própria contestação pelo réu, mas nada impede que seja oferecida separadamente. (2) Oposição (Arts. 682 a 686, CPC: “Quem pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre que controvertem autor e réu poderá, até ser proferida a sentença, oferecer oposição contra ambos. Art. 683. O opoente deduzirá o pedido em observação aos requisitos exigidos para propositura da ação. Parágrafo único. Distribuída a oposição por dependência, serão os opostos citados, na pessoa de seus respectivos advogados, para contestar o pedido no prazo comum de 15 (quinze) dias. Art. 684. Se um dos opostos reconhecer a procedência do pedido, contra o outro prosseguirá o opoente. Art. 685. Admitido o processamento, a oposição será apensada aos autos e tramitará simultaneamente à ação originária, sendo ambas julgadas pela mesma sentença. Parágrafo único. Se a oposição for proposta após o início da audiência de instrução, o juiz suspenderá o curso do processo ao fim da produção das provas, salvo se concluir que a unidade da instrução atende melhor ao princípio da duração razoável do processo. Art. 686. Cabendo ao juiz decidir simultaneamente a ação originária e a oposição, desta conhecerá em primeiro lugar”): é a ação na qual terceiro deduz em juízo pretensão incompatível com os interesses conflitantes do autor e do réu de um processo cognitivo pendente. O que caracteriza a pretensão do terceiro é o fato do pedido ser relativo ao mesmo bem que as partes originárias disputam. Deve ser oferecida até o momento da prolação da sentença. 3ª) Competência por graus de jurisdição (Tribunal) Toda competência, de qualquer tribunal, é absoluta funcional: tanto a competência recursal quanto a competência originária são absolutas. 4ª) Objeto do juízo Numa mesma decisão participam dois diferentes órgãos: procedimento de declaração incidental de inconstitucionalidade (arts. 948 a 950, CPC) e no incidente de assunção de competência (art. 947, CPC). Numa mesma decisão temos (1) o Órgão Pleno (que fixa a tese) e (2) o Órgão Fracionário (que decide a ação com base na tese do Pleno). Essas competências, dentro da mesma decisão, são absolutas de caráter funcional. OBSERVAÇÃO IMPORTANTE! Além das 4 hipóteses de competência funcional acima estudadas, temos outra (que seria uma 5ª hipótese), criada por Chiovenda, que é a competência funcional em razão da facilidade do exercício da jurisdição, ou seja, para o jurista italiano determinado território, pelo fato de ser no foro mais eficaz e fácil, facilita o exercício da função jurisdicional que deve ser considerado de competência absoluta. Nessa situação, por ele apresentada, as partes não escolhem porque esse foro é tão melhor que os outros (em termos de eficácia, efetividade e facilidade de procedimento). O legislador fez isso em duas oportunidades: (1ª) Art. 47, CPC (“Para as ações fundadasem direito real sobre imóveis é competente o foro de situação da coisa. § 1o O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição se o litígio não recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de terras e de nunciação de obra nova. § 2o A ação possessória imobiliária será proposta no foro de situação da coisa, cujo juízo tem competência absoluta”) – são sete ações reais imobiliárias previstas cuja a competência absoluta é a do foro do local do imóvel e (2ª) Art. 2º, Lei 7.347/85 (“As ações previstas nesta Lei serão propostas no foro do local onde ocorrer o dano, cujo juízo terá competência funcional para processar e julgar a causa”) – nas ações coletivas a competência absoluta é a do foro do local do dano, inclusive o legislador, no art. 2º, chama essa competência de funcional. Adotam essa teoria: Nelson Nery, Min. Luiz Fux. *Mas Dinamarco e Barbosa Moreira rechaçam essa ideia, pois, para eles, quando se fala de competência de foro se fala de competência territorial (a competência de determinado local, não interessa por qual razão, é uma competência territorial). Sendo válido ressaltar que, é uma competência territorial absoluta por imposição da lei. 4.4. Competência em razão da Matéria (trata-se de COMPETÊNCIA ABSOLUTA) 4.4.1. Competência da Justiça 1) Justiças Especializadas Justiça do Trabalho (Art. 114, CF) Justiça Eleitoral (Art. 121, CF) Justiça Militar (Art. 125, CF) 2. Justiça Comum A competência da justiça comum é residual: tudo o que não for matéria da justiça especializada será da comum. Pode ser: (1) Justiça Federal (art. 109, III, V-A, X, XI, CF) – se a demanda versar sobra as matérias previstas nesses incisos a competência é da justiça comum federal e (2) Justiça Estadual – que é a competência residual por excelência. 4.4.2. Competência do Juízo Numa vara especializada a competência em razão da matéria é absoluta. Exemplos: as competências das Varas de Família e Sucessões e da Vara dos Registros Públicos são absolutas. Havendo uma vara especializada, de acordo com a lei de organização judiciária de cada local, a competência será absoluta. OBS.: Para se definir a competência deve-se: Federal (1º) Definir a justiça competente Estadual Comarca (2º) Definir a competência do foro Seção ou Subseção Judiciária Vara Comum (3º) Definir a competência do juízo Vara Especializada *A competência do juízo só interessa após a definição da competência do foro. 4.5. Competência em razão da Pessoa (ratio personae) Trata-se de competência absoluta em razão do sujeito processual (autor, réu e 3º interveniente). 4.5.1. Competência da Justiça (Art. 109, I, II, VII, CF) OBS.: intervenção de ente federal em processos em trâmite na Justiça Estadual – Art. 45, CPC: Art. 45. “Tramitando o processo perante outro juízo, os autos serão remetidos ao juízo federal competente se nele intervier a União, suas empresas públicas, entidades autárquicas e fundações, ou conselho de fiscalização de atividade profissional, na qualidade de parte ou de terceiro interveniente, exceto as ações: I - de recuperação judicial, falência, insolvência civil e acidente de trabalho; II - sujeitas à justiça eleitoral e à justiça do trabalho. § 1o Os autos não serão remetidos se houver pedido cuja apreciação seja de competência do juízo perante o qual foi proposta a ação. § 2o Na hipótese do § 1o, o juiz, ao não admitir a cumulação de pedidos em razão da incompetência para apreciar qualquer deles, não examinará o mérito daquele em que exista interesse da União, de suas entidades autárquicas ou de suas empresas públicas. § 3o O juízo federal restituirá os autos ao juízo estadual sem suscitar conflito se o ente federal cuja presença ensejou a remessa for excluído do processo”). 4.5.2. Competência do Juízo A maioria das varas especializadas existem em razão da matéria, mas isso não exclui a existência de varas especializadas em razão da pessoa. O exemplo mais comum e que toda Comarca grande tem é o da Vara da Fazenda Pública, que reúne todas as ações que tem os Estados e Municípios como parte). OBS.: havendo vara especializada em razão da pessoa o procedimento para definir a competência é o mesmo utilizado para definir a competência em razão da matéria (item 4.4.2). 3.2.2. Momento de alegação da incompetência A) Competência relativa Preclusão temporal: na contestação, como matéria preliminar, cabe ao réu a alegação da incompetência relativa. A ausência dessa alegação gera preclusão temporal, ou seja, se não alegou no momento da preliminar na contestação, não se poderá alegar novamente (isso gera um fenômeno chamado de prorrogação da competência (que decorre da convalidação do vício). Art. 340, CPC: “Havendo alegação de incompetência relativa ou absoluta, a contestação poderá ser protocolada no foro de domicílio do réu, fato que será imediatamente comunicado ao juiz da causa, preferencialmente por meio eletrônico. § 1o A contestação será submetida a livre distribuição ou, se o réu houver sido citado por meio de carta precatória, juntada aos autos dessa carta, seguindo-se a sua imediata remessa para o juízo da causa. § 2o Reconhecida a competência do foro indicado pelo réu, o juízo para o qual for distribuída a contestação ou a carta precatória será considerado prevento. § 3o Alegada a incompetência nos termos do caput, será suspensa a realização da audiência de conciliação ou de mediação, se tiver sido designada. § 4o Definida a competência, o juízo competente designará nova data para a audiência de conciliação ou de mediação”. OBS.: Por força do Art. 334, CPC (“Se a petição inicial preencher os requisitos essenciais e não for o caso de improcedência liminar do pedido, o juiz designará audiência de conciliação ou de mediação com antecedência mínima de 30 (trinta) dias, devendo ser citado o réu com pelo menos 20 (vinte) dias de antecedência), em regra, não é sempre, o réu não é citado para contestar, mas sim para comparecer a uma audiência de mediação e conciliação. E, somente se não houver a solução consensual, se abrirá o prazo de 15 dias para a contestação. Isso acarreta um grande problema: se cabe ao réu alegar a incompetência só na contestação, ele está obrigado a comparecer a uma audiência, perante um foro incompetente, para só depois da frustração da audiência alegar a incompetência. Esse problema foi tratado pelo Art. 340, CPC. Se o réu tiver como matéria de defesa a incompetência, ele pode apresentar a contestação antes da audiência de mediação e conciliação por previsão expressa e regulamentada do Art. 340, CPC. A ideia é óbvia: que a alegação do réu seja analisada antes da audiência para que haja uma decisão a respeito da competência, antes da realização da mesma. B) Competência absoluta Pode ser alegada a qualquer momento do processo, a qualquer tempo (nulidade absoluta não preclui), salva de forma originária nos recursos excepcionais. *Os Tribunais Superiores (STF e STJ), não admitem, nos recursos excepcionais (recurso extraordinário e recurso especial), o reconhecimento originário de matéria de ordem pública (incompetência absoluta), ou seja, se a matéria de ordem pública tiver sido discutida pelo 2º grau ela poderá ser discutida pelos Tribunais Superiores, mas se não houver decisão do 2º grau sobre a matéria (ordem pública – competência absoluta) e a parte alegar pela primeira vez em sede de recurso extraordinário/especial, tanto o STF quanto oSTJ entendem que a falta de prequestionamento torna impossível a admissibilidade do recurso. *Tem uma parcela da doutrina que afirma que esse entendimento mudará por conta do parágrafo único do art. 1.034 do CPC (“Admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial, o Supremo Tribunal Federal ou o Superior Tribunal de Justiça julgará o processo, aplicando o direito. Parágrafo único. Admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial por um fundamento, devolve-se ao tribunal superior o conhecimento dos demais fundamentos para a solução do capítulo impugnado”). Contudo, não é isso que está acontecendo, pois o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça têm mantido o entendimento nas decisões proferidas após a entrada em vigor do CPC. A incompetência absoluta também pode ser alegada na ação rescisória (Art. 966, II, CPC: “A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: II - for proferida por juiz impedido ou por juízo absolutamente incompetente”). 3.2.3. Identidades procedimentais entre as competências absoluta e relativa A) Forma de alegação da incompetência Seja a incompetência relativa, seja incompetência absoluta a forma de alegação da incompetência é na preliminar de contestação. OBS.: a incompetência absoluta pode ser alegada depois da contestação (salvo, originariamente, em sede de recursos excepcionais), pois a contestação não gera preclusão temporal para a alegação de incompetência absoluta. Após a contestação, a incompetência absoluta pode ser alegada sob qualquer forma – escrita ou oral – estamos falando de interesse público e a forma pela qual se alega não importa. B) Atos praticados B.1) Natureza dilatória da incompetência Art. 64, § 3º, CPC: “A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão preliminar de contestação. § 3o Caso a alegação de incompetência seja acolhida, os autos serão remetidos ao juízo competente”). A incompetência não extingue o processo, quando ela é reconhecida, há a dilação do tempo de duração do processo, pois por previsão legal, o processo será remetido ao juízo competente. Sendo válido ressaltar que esse já era um entendimento consolidado no STJ (AgRg no AResp 660.756/BA, 4ª Turma, STJ). *O juiz deve, por decisão interlocutória, remeter o processo ao juízo competente (nada de extinção do processo por meio de sentença, pois não é caso de extinção e a decisão é interlocutória). OBS. 1: Art. 51, III, Lei 9.099/95 (“Extingue-se o processo, além dos casos previstos em lei: III - quando for reconhecida a incompetência territorial”) – extinção do processo nos Juizados Especiais em razão da incompetência territorial (natureza peremptória da incompetência que leva à extinção do processo por meio da sentença). Nos Juizados Especiais, por uma previsão expressa, na hipótese de incompetência territorial, ao invés de se remeter o processo para o Juizado competente, extingue-se o mesmo, por opção de política legislativa. OBS. 2: Cumulação de pedidos de diferentes competências absolutas perante juízo absolutamente incompetente para ambos Exemplo: pedido X de competência da Justiça do Trabalho + pedido Z de competência da Justiça Estadual – protocolizada na Justiça Federal Art. 64, § 4º, CPC (“A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão preliminar de contestação. § 4o Salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente”). Qual o destino dos atos praticados pelo juízo incompetente? Os atos praticados por juízo incompetente são válidos, devendo ser revistos ou ratificados, pelo juízo competente. O ato é eficaz, salvo decisão em contrário. Exemplo: o juiz se declara incompetente e não fala nada sobre a eficácia dos atos praticados com o reconhecimento da incompetência até a remessa do processo para o juízo competente tem um lapso temporal, no qual o ato praticado pelo juiz incompetente continua surtindo efeitos até chegar no novo juízo se o juiz ratificar o ato os efeitos perduram até o fim; caso o juiz competente revogue o ato, a eficácia terá fim. 4. ESPÉCIES DE COMPETÊNCIA 4.1. Competência Territorial É a competência do FORO. Na Justiça Estadual – FORO – é COMARCA Na Justiça Federal – FORO – SEÇÃO ou SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA 4.1.1. Foro comum (trata-se de COMPETÊNCIA RELATIVA) REGRA: é o foro de domicílio do réu (Art. 46, CPC: “A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis será proposta, em regra, no foro de domicílio do réu. § 1o Tendo mais de um domicílio, o réu será demandado no foro de qualquer deles. § 2o Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele poderá ser demandado onde for encontrado ou no foro de domicílio do autor. § 3o Quando o réu não tiver domicílio ou residência no Brasil, a ação será proposta no foro de domicílio do autor, e, se este também residir fora do Brasil, a ação será proposta em qualquer foro. § 4o Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes domicílios, serão demandados no foro de qualquer deles, à escolha do autor. § 5o A execução fiscal será proposta no foro de domicílio do réu, no de sua residência ou no do lugar onde for encontrado”). No direito comparado é comum o foro de domicílio do réu, pois parte-se da ideia de que o réu, ao ser processado, está sendo atacado e nada mais justo que ele se defenda no foro onde resida. 4.1.2. Foros especiais (trata-se de COMPETÊNCIA RELATIVA) É qualquer foro que não seja o comum ou o do domicílio do réu. Exemplos: 1) Foro de domicílio do autor *Art. 53, III, “e”, CPC: “É competente o foro: III - do lugar: e) de residência do idoso, para a causa que verse sobre direito previsto no respectivo estatuto” – residência do idoso para causas que versem sobre direito previsto no Estatuto do Idoso. 2) Local da coisa *Art. 47, CPC: “Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o foro de situação da coisa. § 1o O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição se o litígio não recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de terras e de nunciação de obra nova. § 2o A ação possessória imobiliária será proposta no foro de situação da coisa, cujo juízo tem competência absoluta”. *Lei de Locações – foro competente é o do local do imóvel 3) Local ato/fato *Art. 53, IV, CPC: “É competente o foro: IV - do lugar do ato ou fato para a ação: a) de reparação de dano”. Ainda sobre a competência territorial, é necessário tratar dos (1) foros concorrentes e (2) foros sucessivos: (1) Foros concorrentes: têm- se foros concorrentes sempre que a lei trouxer mais de um foro abstratamente competente. Exemplo: art. 381, 2º, CPC (“A produção antecipada da prova será admitida nos casos em que: § 2o A produção antecipada da prova é da competência do juízo do foro onde esta deva ser produzida ou do foro de domicílio do réu”). Nos foros concorrentes têm-se a escolha do autor, pois ele define, concretamente, qual o foro a ação tramitará, dentre os previstos pela lei: a) Forum shopping (escolha LIVRE do autor – ele escolhe, dentre aqueles que a lei prever, o que ele quiser) e b) Forum non conveniens (escolha CONDICIONADA do autor – porque a escolha não pode geral prejuízos ao processo e ao réu. (2) Foros sucessivos: há uma ordem legal entre os foros previstos, tanto o réu quanto o autor devem respeitar a ordem legal prevista. Exemplo clássico: art. 53, I, CPC (“É competente o foro: I - para a ação de divórcio, separação, anulação de casamento e reconhecimento ou dissolução de união estável: a) de domicílio do guardião de filho incapaz; b) do último domicílio do casal, caso não haja filho incapaz; c)de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no antigo domicílio do casal”). 4.2. Competência em razão do Valor da Causa 4.2.1. Juizados Especiais 1) Juizados Especiais Estaduais (Lei n. 9.099/95) Art. 3º, I, Lei n. 9.099/95: “O Juizado Especial Cível tem competência para conciliação, processo e julgamento das causas cíveis de menor complexidade, assim consideradas: I - as causas cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário mínimo”. Causas de até 40 (quarenta) salários mínimos. O Enunciado 1 do FONAJE (Fórum Nacional dos Juizados Especiais) diz: “O exercício do direito de ação no Juizado Especial Cível é facultativo para o autor”, ou seja, se se tem uma causa inferior a 40 salários mínimos, o autor pode escolher entre a Justiça Comum e o Juizado Especial (prestigia-se a vontade da parte). *Se se prestigia a vontade das partes é competência relativa. OBS.: se a causa for superior a 40 salários mínimos a competência da Justiça Comum é absoluta. Se a ação for proposta no Juizado Especial o juiz reconhecerá a incompetência de ofício. 2) Juizados Especiais Federais (Lei n. 10.259/2001) Art. 3º, Lei n. 10.259/2001: “Compete ao Juizado Especial Federal Cível processar, conciliar e julgar causas de competência da Justiça Federal até o valor de sessenta salários mínimos, bem como executar as suas sentenças”. Causas de até 60 (quarenta) salários mínimos. Art. 3º, § 3º, Lei n. 10.259/2001: “Compete ao Juizado Especial Federal Cível processar, conciliar e julgar causas de competência da Justiça Federal até o valor de sessenta salários mínimos, bem como executar as suas sentenças. § 3o No foro onde estiver instalada Vara do Juizado Especial, a sua competência é absoluta” – competência absoluta de caráter funcional. (3) Causa de valor inferior a 60 salários mínimos – a Justiça Comum é absolutamente incompetente (4) Causa de valor superior a 60 salários mínimos – o Juizado Especial Federal é absolutamente incompetente 3) Juizados Especiais da Fazenda Pública (Lei n.º 12.153/2009) Art. 2º, Lei n. 12.153/2009: “É de competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública processar, conciliar e julgar causas cíveis de interesse dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, até o valor de 60 (sessenta) salários mínimos”. Causas de até 60 (quarenta) salários mínimos. Art. 2º, § 4º, Lei n. 12.153/2009: “É de competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública processar, conciliar e julgar causas cíveis de interesse dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, até o valor de 60 (sessenta) salários mínimos”. § 4o No foro onde estiver instalado Juizado Especial da Fazenda Pública, a sua competência é absoluta” – competência absoluta de caráter funcional. (3) Causa de valor inferior a 60 salários mínimos – o Justiça Comum é absolutamente incompetente. (4) Causa de valor superior a 60 salários mínimo – o Juizado Especial da Fazenda Pública é absolutamente incompetente. 3) Foros regionais/distritais – competência absoluta funcional. 4.3. Competência Funcional (trata-se de COMPETÊNCIA ABSOLUTA) A competência funcional pode ser explicada por quatro maneiras distintas: 1ª) Pelas fases do procedimento O juízo que atuou na fase A se torna absolutamente competente para a fase B (o juízo da fase A será OBRIGATORIAMENTE o juízo da fase B). essa competência para a fase B vem do exercício da função jurisdicional na fase A. Exemplos: (1) Fase de conhecimento/fase de liquidação de sentença – o juiz que atuou na fase de conhecimento e proferiu a sentença ilíquida é absolutamente competente para a fase de liquidação de sentença. (2) Ação de exigir contas (Arts. 550 a 553, CPC) – primeiro condena o réu a prestar contas e depois apura o saldo devedor. O juiz que condena o réu a prestar contas é o mesmo que apura o saldo devedor. OBS. 1: não há competência funcional entre a fase de conhecimento e de cumprimento de sentença (Art. 515, CPC: “O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante: I - os tribunais, nas causas de sua competência originária; II - o juízo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição; III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo. Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o exequente poderá optar pelo juízo do atual domicílio do executado, pelo juízo do local onde se encontrem os bens sujeitos à execução ou pelo juízo do local onde deva ser executada a obrigação de fazer ou de não fazer, casos em que a remessa dos autos do processo será solicitada ao juízo de origem”). Num processo sincrético tem-se (1) a fase de conhecimento com a prolação da sentença e (2) a fase executiva (ou de cumprimento de sentença) – não há competência funcional e a razão está no parágrafo único do art. 516 do CPC. OBS. 2: liquidação individual de sentença coletiva no foro do domicílio do indivíduo (Informativo 422, STJ: CC 96.682/RJ, 3ª Seção) – nesse caso, não tem competência funcional. Exemplo: sentença coletiva da Comarca de Uruaçu e a parte mora em Goianésia a parte pega a sentença e liquida na Comarca de Goianésia. **Se na sentença coletiva houver a liquidação de sentença coletiva a competência volta a ser funcional e, por isso, de competência absoluta (o juiz que proferiu a sentença ilíquida e o que vai liquidar essa sentença). 2ª) Relação entre ação principal e ações acessórias e incidentais Temos, aqui, a competência absoluta de caráter funcional do juízo da ação principal para as ações acessórias e incidentais. Exemplos: (1) Reconvenção (Arts. 343, CPC: “Na contestação, é lícito ao réu propor reconvenção para manifestar pretensão própria, conexa com a ação principal ou com o fundamento da defesa. § 1o Proposta a reconvenção, o autor será intimado, na pessoa de seu advogado, para apresentar resposta no prazo de 15 (quinze) dias. § 2o A desistência da ação ou a ocorrência de causa extintiva que impeça o exame de seu mérito não obsta ao prosseguimento do processo quanto à reconvenção. § 3o A reconvenção pode ser proposta contra o autor e terceiro. § 4o A reconvenção pode ser proposta pelo réu em litisconsórcio com terceiro. § 5o Se o autor for substituto processual, o reconvinte deverá afirmar ser titular de direito em face do substituído, e a reconvenção deverá ser proposta em face do autor, também na qualidade de substituto processual. § 6o O réu pode propor reconvenção independentemente de oferecer contestação”): é a ação do réu contra o autor no mesmo processo em que aquele é demandado. Não é defesa, é demanda. Essa ação amplia objetivamente o processo, pois o processo passa a ter novo pedido. Deve ser oferecida na própria contestação pelo réu, mas nada impede que seja oferecida separadamente. (2) Oposição (Arts. 682 a 686, CPC: “Quem pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre que controvertem autor e réu poderá, até ser proferida a sentença, oferecer oposição contra ambos. Art. 683. O opoente deduzirá o pedido em observação aos requisitos exigidos para propositura da ação. Parágrafo único. Distribuída a oposição por dependência, serão os opostos citados, na pessoa de seus respectivos advogados, para contestar o pedido no prazo comum de 15 (quinze) dias. Art. 684. Se um dos opostos reconhecer a procedência do pedido, contra o outro prosseguirá o opoente. Art. 685. Admitido o processamento, a oposição será apensada aos autos e tramitará simultaneamente à ação originária, sendo ambas julgadas pela mesma sentença. Parágrafo único. Se a oposição for proposta após o início da audiência de instrução, o juiz suspenderá o curso do processo ao fim da produçãodas provas, salvo se concluir que a unidade da instrução atende melhor ao princípio da duração razoável do processo. Art. 686. Cabendo ao juiz decidir simultaneamente a ação originária e a oposição, desta conhecerá em primeiro lugar”): é a ação na qual terceiro deduz em juízo pretensão incompatível com os interesses conflitantes do autor e do réu de um processo cognitivo pendente. O que caracteriza a pretensão do terceiro é o fato do pedido ser relativo ao mesmo bem que as partes originárias disputam. Deve ser oferecida até o momento da prolação da sentença. 3ª) Competência por graus de jurisdição (Tribunal) Toda competência, de qualquer tribunal, é absoluta funcional: tanto a competência recursal quanto a competência originária são absolutas. 4ª) Objeto do juízo Numa mesma decisão participam dois diferentes órgãos: procedimento de declaração incidental de inconstitucionalidade (arts. 948 a 950, CPC) e no incidente de assunção de competência (art. 947, CPC). Numa mesma decisão temos (1) o Órgão Pleno (que fixa a tese) e (2) o Órgão Fracionário (que decide a ação com base na tese do Pleno). Essas competências, dentro da mesma decisão, são absolutas de caráter funcional. OBSERVAÇÃO IMPORTANTE! Além das 4 hipóteses de competência funcional acima estudadas, temos outra (que seria uma 5ª hipótese), criada por Chiovenda, que é a competência funcional em razão da facilidade do exercício da jurisdição, ou seja, para o jurista italiano determinado território, pelo fato de ser no foro mais eficaz e fácil, facilita o exercício da função jurisdicional que deve ser considerado de competência absoluta. Nessa situação, por ele apresentada, as partes não escolhem porque esse foro é tão melhor que os outros (em termos de eficácia, efetividade e facilidade de procedimento). O legislador fez isso em duas oportunidades: (1ª) Art. 47, CPC (“Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o foro de situação da coisa. § 1o O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição se o litígio não recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de terras e de nunciação de obra nova. § 2o A ação possessória imobiliária será proposta no foro de situação da coisa, cujo juízo tem competência absoluta”) – são sete ações reais imobiliárias previstas cuja a competência absoluta é a do foro do local do imóvel e (2ª) Art. 2º, Lei 7.347/85 (“As ações previstas nesta Lei serão propostas no foro do local onde ocorrer o dano, cujo juízo terá competência funcional para processar e julgar a causa”) – nas ações coletivas a competência absoluta é a do foro do local do dano, inclusive o legislador, no art. 2º, chama essa competência de funcional. Adotam essa teoria: Nelson Nery, Min. Luiz Fux. *Mas Dinamarco e Barbosa Moreira rechaçam essa ideia, pois, para eles, quando se fala de competência de foro se fala de competência territorial (a competência de determinado local, não interessa por qual razão, é uma competência territorial). Sendo válido ressaltar que, é uma competência territorial absoluta por imposição da lei. 4.4. Competência em razão da Matéria (trata-se de COMPETÊNCIA ABSOLUTA) 4.4.1. Competência da Justiça 1) Justiças Especializadas Justiça do Trabalho (Art. 114, CF) Justiça Eleitoral (Art. 121, CF) Justiça Militar (Art. 125, CF) 2. Justiça Comum A competência da justiça comum é residual: tudo o que não for matéria da justiça especializada será da comum. Pode ser: (1) Justiça Federal (art. 109, III, V-A, X, XI, CF) – se a demanda versar sobra as matérias previstas nesses incisos a competência é da justiça comum federal e (2) Justiça Estadual – que é a competência residual por excelência. 4.4.2. Competência do Juízo Numa vara especializada a competência em razão da matéria é absoluta. Exemplos: as competências das Varas de Família e Sucessões e da Vara dos Registros Públicos são absolutas. Havendo uma vara especializada, de acordo com a lei de organização judiciária de cada local, a competência será absoluta. OBS.: Para se definir a competência deve-se: Federal (1º) Definir a justiça competente Estadual Comarca (2º) Definir a competência do foro Seção ou Subseção Judiciária Vara Comum (3º) Definir a competência do juízo Vara Especializada *A competência do juízo só interessa após a definição da competência do foro. 4.5. Competência em razão da Pessoa (ratio personae) Trata-se de competência absoluta em razão do sujeito processual (autor, réu e 3º interveniente). 4.5.1. Competência da Justiça (Art. 109, I, II, VII, CF) OBS.: intervenção de ente federal em processos em trâmite na Justiça Estadual – Art. 45, CPC: Art. 45. “Tramitando o processo perante outro juízo, os autos serão remetidos ao juízo federal competente se nele intervier a União, suas empresas públicas, entidades autárquicas e fundações, ou conselho de fiscalização de atividade profissional, na qualidade de parte ou de terceiro interveniente, exceto as ações: I - de recuperação judicial, falência, insolvência civil e acidente de trabalho; II - sujeitas à justiça eleitoral e à justiça do trabalho. § 1o Os autos não serão remetidos se houver pedido cuja apreciação seja de competência do juízo perante o qual foi proposta a ação. § 2o Na hipótese do § 1o, o juiz, ao não admitir a cumulação de pedidos em razão da incompetência para apreciar qualquer deles, não examinará o mérito daquele em que exista interesse da União, de suas entidades autárquicas ou de suas empresas públicas. § 3o O juízo federal restituirá os autos ao juízo estadual sem suscitar conflito se o ente federal cuja presença ensejou a remessa for excluído do processo”). 4.5.2. Competência do Juízo A maioria das varas especializadas existem em razão da matéria, mas isso não exclui a existência de varas especializadas em razão da pessoa. O exemplo mais comum e que toda Comarca grande tem é o da Vara da Fazenda Pública, que reúne todas as ações que tem os Estados e Municípios como parte). OBS.: havendo vara especializada em razão da pessoa o procedimento para definir a competência é o mesmo utilizado para definir a competência em razão da matéria (item 4.4.2). 5. PRORROGAÇÃO DA COMPETÊNCIA Significa tornar concretamente competente um juízo abstratamente competente. 5.1. Prorrogação Legal Há duas hipóteses em que teremos a prorrogação da competência: 5.1.1. Conexão e continência A) Conceito A.1) Conexão Identidade da causa de pedir ou do pedido (Art. 55, caput, CPC: “Reputam- se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir”). Sempre que tiver duas ou mais ações com as mesmas causas de pedir ou os mesmos pedidos se tem uma conexão entre elas. A.2) Continência Identidade das partes, causa de pedir e o pedido de uma ação, por ser mais amplo, abrange os das demais (Art. 56, CPC: “Dá-se a continência entre 2 (duas) ou mais ações quando houver identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o pedido de uma, por ser mais amplo, abrange o das demais”). Exemplo: ação de cobrança de um contrato de 10 parcelas vence a primeira parcela (o contratante ingressa com uma ação de cobrança exigindo o pagamento da parcela vencida) e espera que o contratado pague a 2ª, mas isso não ocorre. Sendo válido ressaltar que existe uma cláusula no contrato que diz que “não ocorrendo o pagamento há o vencimento antecipado das parcelas vincendas” e que não foi exigidoo cumprimento na primeira ação. O autor ingressa com uma nova ação (mesmas partes, mesma causa de pedir, com o pedido mais amplo – o contratante quer receber o contrato inteiro). OBS.: A continência é uma conexão qualificada, pois se há identidade da causa de pedir tem-se a conexão, isto significa que em toda continência tem uma conexão. B) Efeitos da conexão e da continência B.1) Efeitos da conexão Reunião dos processos perante o juízo prevento (art. 58, CPC: “A reunião das ações propostas em separado far-se-á no juízo prevento, onde serão decididas simultaneamente”) que provoca a prorrogação da competência. *Juízo prevento é o juízo em que primeiramente ocorreu o registro ou a distribuição da petição inicial – art. 59, CPC: “O registro ou a distribuição da petição inicial torna prevento o juízo”. OBS. 1: não há reunião de ações conexas se uma delas já tiver sido sentenciada (Súmula 235, STJ: “A conexão não determina a reunião dos processos, se um deles já foi julgado” – Art. 55, § 1º, CPC: “Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se um deles já houver sido sentenciado”). A principal razão de ser dessa reunião é a harmonização do julgado, ou seja, é evitar decisões contraditórias ou conflitantes. Se uma das ações já foi sentenciada ou não houve recurso e ela já transitou em julgado ou houve um recurso e não dá para evitar uma desarmonia (um processo no Tribunal e outro no 1º grau). OBS. 2: conexão entre ação de execução e de conhecimento relativa ao mesmo ato jurídico (art. 55, § 2º, I, CPC: “Aplica-se o disposto no caput: I – à execução de título extrajudicial e à ação de conhecimento relativa ao mesmo ato jurídico”). Essa conexão prevista em lei, na verdade, não existe porque nunca se terá a mesma causa de pedir e o pedido. Na ação de execução a causa de pedir é o título executivo e o pedido é a satisfação do direito; na ação de conhecimento a causa de pedir não será o título executivo e o pedido não será a satisfação do direito. Se previu essa conexão apenas para conseguir o efeito da reunião desses processos perante o juízo prevento (se a ação de execução e a ação de conhecimento tratam do mesmo ato jurídico é absolutamente conveniente que elas sejam resolvidas pelo mesmo juízo). OBS. 3: conexão entre ações de execução fundadas no mesmo título executivo - mesma causa de pedir (art. 55, § 2º, II, CPC: “Aplica-se o disposto no caput: II – às execuções fundadas no mesmo título executivo”). OBS. 4: reunião de ações não conexas sempre que exista riscos de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias (art. 55, § 3º, CPC: “Aplica-se o disposto no caput: Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles”). O legislador optou por reunir (= efeito da conexão) ações não conexas sempre que houver o risco de desarmonia do julgado, ou seja, sempre que houver o risco de decisões conflitantes ou contraditórias teremos a reunião das demandas. B.2) Efeitos da continência Ação continente que tiver sido proposta anteriormente, o processo relativo à ação contida será extinto sem resolução do mérito; caso contrário, as ações serão necessariamente reunidas (Art. 57, CPC: “Quando houver continência e a ação continente tiver sido proposta anteriormente, no processo relativo à ação contida será proferida sentença sem resolução de mérito, caso contrário, as ações serão necessariamente reunidas”). A continência pode levar: (A) Reunião dos processos (dilatória); ou (B) Extinção dos processos (peremptória) – dependendo da prevenção do juízo. *Se o juízo prevento for o da ação continente (ação mais ampla) – a ação contida menos ampla será extinta. *Se o juízo prevento for o da ação contida – a ação continente será reunida à contida no juízo prevento. C) Juízo prevento Previsto no art. 59, CPC: “O registro ou a distribuição da petição inicial torna prevento o juízo”. 1º Registro (toda inicial é registrada, num foro de vara única só existe o registro (não se distribui) 1ª Distribuição (só se tem distribuição em foro com mais de uma vara; num foro com mais de uma vara depois do registro vem a distribuição. 5.1.2. Ausência de alegação de incompetência relativa Art. 65, caput, CPC: “Prorrogar-se-á a competência relativa se o réu não alegar a incompetência em preliminar de contestação”. Art. 63, §§ 3º e 4º, CPC: “As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações. § 3o Caso a alegação de incompetência seja acolhida, os autos serão remetidos ao juízo competente. § 4o Salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente”. Juiz só pode conhecer de ofício a incompetência relativa antes de citar o réu (cláusula abusiva de eleição de foro) – o juiz declara ineficaz a cláusula de eleição de foro, reconhece a incompetência territorial e remete o processo para o foro de domicílio do réu. Essa atuação do juiz evita a prorrogação da competência. 5.2. Prorrogação Voluntária Decorre de ato de vontade das partes. 5.2.1. Cláusula de eleição de foro É uma espécie de negócio jurídico processual (as partes escolhem a Comarca ou Seção/Subseção judiciária. Art. 63, caput, CPC: “As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações”. *Esse artigo prevê que a cláusula de eleição de foro é aplicável à competência territorial (desde que relativa) e à incompetência em razão do valor da causa (inaplicável porque as partes não podem modificar competência de foro central/regional e nem dos Juizados Especiais). *Esse artigo tem um erro grave, pois quando se fala em cláusula de eleição de foro fala-se de competência territorial, ou seja, escolher o foro é escolher o território que a demanda vai tramitar, nada a ver, portanto, com o valor da causa. Além disso, o valor da causa não pode ser modificado pela vontade das partes porque ela é, em regra, absoluta. Requisitos formais da cláusula de eleição de foro: 1º) Só é aplicável às relações jurídicas de direito obrigacional (não é qualquer relação jurídica processual que admite a cláusula de eleição de foro). 2º) É, necessariamente, uma cláusula escrita. 3º) Tem que indicar negócio jurídico específico (não existe cláusula de eleição de foro geral). 4º) Não se pode escolher a justiça e nem o juízo (competência absoluta). Na cláusula de eleição de foro as partes só escolhem o foro, pois tanto a competência da justiça quanto a competência do juízo são competências em razão da matéria ou em razão da pessoa, que são espécies de competência absoluta (não há nenhuma possibilidade das partes transigirem sobre ela). 5.2.2. Vontade unilateral do autor O autor pode, unilateralmente, prorrogar a competência. Foro geral sempre que a regra for foro do domicílio do autor. O autor tem, no caso concreto, uma regra legal que aponta o foro do domicílio do autor como competente – foro especial. Exemplo: Art. 101, I, CDC (“Na ação de responsabilidade civil do fornecedor de produtos e serviços, sem prejuízo do disposto nos Capítulos I e II deste título, serão observadas as seguintes normas: I – a ação pode ser proposta no domicílio do autor”) – o consumidor decide propor a ação no foro do domicílio do fornecedor – abre mão da proteção legal e prorroga a competência por vontade unilateral. Para Dinamarco e Marcato o réu só poderá alegar incompetência do juízo se provar prejuízo na escolha do autor. 6. PRINCÍPIO DA PERPETUATIO JURISDICTIONIS(CUIDADO!!! PERPETUATIO JURISDICTIONIS trata da PERPETUAÇÃO DA COMPETÊNCIA e não da jurisdição) O objetivo da perpetuatio jurisdictionis é: EVITAR QUE O PROCESSO SE TORNE ITINERANTE. Art., 43, CPC: “Determina-se a competência no momento do registro ou da distribuição da petição inicial, sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem órgão judiciário ou alterarem a competência absoluta”. *Esse artigo prevê que no momento do registro ou da distribuição se perpetua a competência, isto significa que as alterações fáticas ou jurídicas supervenientes não alteram a competência do processo. Exceções: (1ª) Qualquer mudança de competência absoluta (pode derivar de uma situação fática ou jurídica). Exemplo: litígio entre José X BACEN e Itaú como o Banco Central figura no polo passivo a ação deve ser proposta na Justiça Federal (Art. 109, I, CF: “Aos juízes federais compete processar e julgar: I – as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho”) a ação é proposta o juiz, ao analisar a inicial, verifica que o BACEN é parte ilegítima e o exclui do processo Resultado: sobram no processo o José e o Itaú. Pergunta: diante desse novo cenário, criado por um fato novo, a Justiça Federal continua competente? Não! Num processo entre José e o Banco Itaú a competência é da justiça estadual. No caso em tela, o juiz deve reconhecer, imediatamente, a incompetência absoluta e remeter o processo para a justiça competente (estadual). A competência não se prorrogou porque houve uma mudança de competência absoluta no decorrer do processo. (2ª) Extinção do órgão jurisdicional. OBS. 1: a criação de uma nova seção/subseção judiciária (Informativo 783, STF) e nova vara ou comarca (STJ, 2ª Turma, REsp. 1.373.132/PB) não excepciona a perpetuatio jurisdictionis, pois essa criação é um fato novo que muda a competência territorial. CUIDADO!!! A única possibilidade de criação de novo foro gerar uma alteração da competência (excepcionar a perpetuatio jurisdictionis) é quando essa mudança da competência territorial for, excepcionalmente, a competência territorial absoluta. Exemplo: Município 1 (M1) COMARCA A Município 2 (M2) TRIBUNAL DE JUSTIÇA resolve: Município 1 Comarca A Município 2 Comarca B Na Comarca A (M1 + M2) tinha uma ação real imobiliária de um imóvel situado no Município 2, no momento que o Município 2 passa a ser da Comarca B a competência absoluta passa a ser desse nova Comarca. Nesse caso, tem- se, em tese, uma exceção ao princípio da perpetuatio jurisdictionis porque a competência absoluta foi alterada. Mas, como em regra, a competência territorial é relativa, o entendimento é que não haverá uma exceção nesse caso. OBS. 2: o Superior Tribunal de Justiça, tanto numa ação de alimentos (STJ, 2ª Seção, CC 114.461/SP) quanto numa ação de guarda de incapaz (STJ, 2ª Seção, 114.782/RS), entendeu que a alteração do domicílio do autor, durante o processo, é o suficiente para a mudança da competência territorial. Nesses casos, o STJ criou uma exceção não prevista no art. 43, CPC. 7. CONFLITO DE COMPETÊNCIA 7.1. Conceito O artigo 66 do Código de Processo Civil nos dá o conceito: “há conflito de competência quando (I) 2 (dois) ou mais juízes se declaram competentes, ou (II) 2 (dois) ou mais juízes se consideram incompetentes, atribuindo um ao outro a competência; ou (III) entre 2 (dois) ou mais juízes surge controvérsia acerca da reunião ou separação de processos”. Segundo a doutrina tradicional temos: A) Conflito de competência positivo Ocorre quando 2 ou mais juízes se declaram competentes para o julgamento (inciso I do art. 66 do CPC). *No conflito de competência positivo basta que ambos pratiquem atos que demonstrem que entendem ser competentes, ou seja, no conflito positivo não é necessária decisão declarando a competência, a simples circunstância dos juízes atuarem como competentes é o suficiente para se constatar um conflito positivo de competência. B) Conflito de competência negativo Ocorre quando 2 ou mais juízes se declaram incompetente (incisos II e III do art. 66 do CPC). *No conflito de competência negativo, os juízos envolvidos devem atribuir reciprocamente a competência para a demanda, ou seja, no conflito negativo o juízo A tem que dizer que a competência é do juízo B e vice-versa (tem que ter “acusações recíprocas de competência). 7.2. Natureza jurídica A natureza jurídica do conflito de competência é de incidente processual (é uma questão controversa secundária e acessória que surge no curso de um processo e que precisa ser julgada antes da decisão do mérito da causa principal). 7.3. Legitimidade para alegar o conflito de competência Segundo o art. 951, caput, CPC: “O conflito de competência pode ser suscitado por qualquer das partes, pelo Ministério Público ou pelo juiz”. (1) Qualquer das partes no processo (autor, réu, assistentes, terceiros intervenientes, dentre outros). (2) Ministério Público como fiscal da ordem jurídica (nos casos previstos no art. 178, CPC). (3) Juiz pode alegar de ofício. De acordo com o art. 952, CPC (“Não pode suscitar conflito a parte que, no processo, arguiu incompetência relativa”): se o réu já tiver alegado a incompetência relativa não pode suscitar o conflito de competência (ou o réu alega a incompetência relativa ou suscita o conflito de competência). OBS. 1: No CPC/73 todo conflito de competência demandava a participação obrigatória do MP como fiscal da lei. No CPC/2015, a atuação do MP no conflito de competência não é mais hipótese de intervenção necessária, pois como fiscal da ordem jurídica ele só participa do conflito de competência se presentes, no caso concreto, uma das hipóteses previstas no art. 178, CPC. 7.4. Competência para julgar o conflito de competência O conflito de competência sempre será decidido por tribunal. STF (Art. 102, I, “o”, CF: “Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I – processar e julgar, originariamente: o) os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer tribunais, entre Tribunais Superiores, ou entre estes e qualquer outro tribunal”). STJ (Art. 105, I, “d”, CF: “Compete ao Superior Tribunal de Justiça: I – processar e julgar, originariamente: d) os conflitos de competência entre quaisquer tribunais, ressalvado o disposto no art. 102, I, "o", bem como entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vinculados a tribunais diversos”). TJ (julga conflitos de competência entre Comarcas)/TRF (julga conflitos de competência entre seções/subseções judiciárias) – juízos de primeiro grau vinculados ao mesmo tribunal do segundo grau. OBS. 1: conflito de competência entre justiça comum e Juizados Especiais: 1) competência do TRF (Súmula 428, STJ: “Compete ao Tribunal Regional Federal decidir os conflitos de competência entre juizado especial federal e juízo federal da mesma seção judiciária”) e 2) competência do TJ (STJ, 2ª Seção, CC 100.609/MG). OBS. 2: Súmula 3, STJ: “Compete aotribunal regional federal dirimir conflito de competência verificado, na respectiva região, entre juiz federal e juiz estadual investido de jurisdição federal”. O TRF é o tribunal competente para resolver conflito de competência entre uma vara federal e uma estadual atuando por delegação). 7.5. Procedimento para alegação do conflito de competência. 1º) Início por petição (partes ou MP) ou ofício (o próprio juiz envolvido no conflito) dirigido ao presidente do tribunal (documentos necessários à prova do conflito). 2º) Relator determina o sobrestamento* e indica o juízo responsável por medidas urgentes**. *Sobrestamento é a suspensão/paralisação do que se estava executando, em razão de qualquer fato, que a tenha autorizado, ou para que se cumpra qualquer outra medida necessária à continuação ou ao prosseguimento do que se sobrestou. **Exemplo: conflito de competência entre as comarcas de Goianésia e Uruaçu – suspende-se os 2 processos e indica a Comarca de Goianésia para tomar medidas de urgência, caso sejam necessárias. 3º) Oitiva dos juízes envolvidos no conflito em prazo a ser fixado pelo relator. 4º) 5 dias de prazo para a manifestação do MP, quando ele participar (não é obrigatória). Mesmo que o MP não se manifeste o procedimento segue (Art. 956, CPC: “Decorrido o prazo designado pelo relator, será ouvido o Ministério Público, no prazo de 5 (cinco) dias, ainda que as informações não tenham sido prestadas, e, em seguida, o conflito irá a julgamento”). OBS.: não há previsão legal para a oitiva das partes do processo envolvido no conflito de competência. Segundo o Professor Daniel Assumpção, a oitiva deveria ser feita em respeito ao princípio do contraditório. 5º) A decisão pode ser monocrática (Parágrafo único do art. 955 do CPC: “O relator poderá julgar de plano o conflito de competência quando sua decisão se fundar em: I – súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do próprio tribunal; II – tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência”). *Contra a decisão monocrática caberá o agravo interno (art. 1.021, CPC: “Contra decisão proferida pelo relator caberá agravo interno para o respectivo órgão colegiado, observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno do tribunal”). *Se não houver a possibilidade de decisão monocrática (hipóteses do parágrafo único do art. 955 do CPC) far-se-á o julgamento colegiado. Seja um julgamento monocrático, seja um julgamento colegiado o que o tribunal faz é decidir o juízo competente e decidir sobre a validade dos atos praticados pelo juízo incompetente.