Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

COMPETÊNCIA 
 
1. CONCEITO 
1.1. Conceito tradicional 
Competência é a medida da jurisdição, ou ainda a quantidade de 
jurisdição delegada a um determinado órgão ou grupo de órgãos 
jurisdicionais. 
Esse conceito, apesar de tradicional, tem dois graves problemas (por isso 
deve ser descartado): 
1º) Jurisdição é uma e indivisível – não dá para falar em quantidade 
de jurisdição delegada a um órgão; não dá para falar que o órgão recebe uma 
parte da jurisdição (tem a característica da indivisibilidade, da unidade) 
2º) A falta de competência acarreta uma falta de jurisdição – e isso é 
inadmissível. 
 
FALTA DE COMPETÊNCIA FALTA DE JURISDIÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em razão dessas críticas, adotaremos o conceito moderno de jurisdição. 
 
1.2. Conceito moderno 
Competência é uma limitação ao exercício legítimo da jurisdição. 
Uma coisa é não ter jurisdição, outra coisa é se exercer a jurisdição de 
forma legítima. A competência não gera falta de jurisdição, mas sim o exercício 
ilegítimo da jurisdição no caso concreto. 
A 
B C 
D 
Processo tramitando no órgão B – pelo 
conceito clássico de jurisdição os 
órgãos A, C e D não teriam jurisdição. 
Mas, isso está errado porque se o órgão 
é jurisdicional ele SEMPRE tem 
jurisdição, NUNCA vai faltar jurisdição. 
Pode faltar competência, mas jurisdição 
NÃO! 
 Por que se limita o exercício legítimo da jurisdição? Se a 
jurisdição é una e indivisível, não deveria ser o seu exercício legítimo? 
A resposta se baseia na premissa dos objetivos das regras de competência, 
ou seja, a competência serve para distribuir o trabalho jurisdicional entre os 
órgãos jurisdicionais (a competência, materialmente falando, distribui o trabalho 
entre os órgãos). 
Ao se distribuir os trabalhos entre os órgãos tem-se (A) a organização das 
tarefas (organiza o que cada órgão irá fazer na sua atuação) e (B) a 
racionalização. 
 
2. REGRA KOMPETENZ KOMPETENZ 
Numa tradução livre seria a competência da competência. 
 
É necessário que tenha um órgão para declarar a incompetência (ato 
jurisdicional que só pode ser praticado se tiver jurisdição). 
Esse órgão pode ser: 1) o próprio órgão ou 2) órgão superior 
 
O KOMPETENZ KOMPETENZ é a competência do juízo de declarar a sua 
própria incompetência. Ele nunca seria possível se a falta de competência 
gerasse falta de jurisdição, se o órgão não tem jurisdição, ele não pode praticar 
ato algum. 
 
3. COMPETÊNCIA ABSOLUTA E RELATIVA 
3.1. Introdução 
Sempre que se falar em competência relativa deve-se lembrar de regras 
que prestigiam a vontade das partes por meio da criação de normas que 
buscam proteger as partes (autor ou réu), franqueando a ela a opção pela sua 
aplicação ou não no caso concreto. 
*O objeto de tutela de uma regra de competência relativa é o interesse 
das partes. 
 
No plano da competência relativa há normas dispositivos (normas que pode 
ser objeto de disposição): buscam privilegiar a liberdade das partes, valor 
indispensável num Estado Democrático de direito como o brasileiro, pois o 
sistema de competência absolutamente rígido, no qual a vontade das partes é 
irrelevante, é incompatível com o Estado democrático de direito. E um sistema 
composto apenas por regras de competência relativa geraria um caos judiciário. 
 
Sempre que se falar em competência absoluta deve-se lembrar de regras 
fundadas em razões de ordem pública, para as quais a liberdade das partes 
deve ser desconsiderada, em virtude da prevalência do interesse público sobre 
os interesses particulares. São normas de natureza cogente (normas de 
aplicação obrigatória) que deve ser aplicada sem nenhuma ressalva ou restrição. 
*O objeto de tutela de uma regra de competência absoluta é a ordem 
pública, ela cria um mínimo rígido (= de aplicação obrigatória, para evitar o caos) 
para a distribuição dos trabalhos entre os órgãos. 
 
Um sistema composto apenas por regras de competência absoluta geraria 
um sistema ditatorial. 
 
Por isso, deve-se criar um sistema equilibrado que ora privilegia a vontade 
das partes e que ora privilegia a imposição da lei. 
 
3.2. Diferenças procedimentais 
3.2.1. Legitimados para alegar a incompetência 
A) Competência relativa 
1) Autor: não tem legitimidade para alegar a incompetência em decorrência 
da preclusão lógica – porque se há incompetência relativa essa incompetência 
é, em qualquer hipótese, responsabilidade do autor, pois foi ele quem criou o 
vício e, por isso, ele não pode, posteriormente, alegar a incompetência em 
benefício próprio. 
Exemplo: sujeito entra com uma ação na Comarca de João Pessoa para 
depois alegar que não é a competente, que a Comarca competente é a de São 
Bernardo do Campo – NÃO PODE! – territorialidade é uma competência relativa 
por excelência. 
 
2) Réu: é o legitimado padrão. Se existe um sujeito que tem legitimidade 
para alegar a incompetência relativa, esse sujeito é o réu. 
 
3) Juiz: O juiz pode reconhecer a incompetência relativa 
de ofício? 
De acordo com a Súmula 33 do STJ o juiz não pode reconhecer a 
incompetência de ofício (Súmula 33, STJ: “A incompetência relativa não pode ser 
declarada de ofício”), pois se a regra de competência, que existe para proteger as 
partes, foi violada é a parte lesada quem deve alegar. O juiz não atua no 
processo para defender o interesse da parte. 
*Se a regra existe para proteger as partes cabe a elas alegar seu 
descumprimento e violação 
*Essa súmula, apesar de antiga, está em plena vigência, o entendimento 
está bastante atual. Mas, esse entendimento é excepcionado em duas 
hipóteses: 
1ª) Incompetência territorial nos Juizados Especiais – apesar de não 
constar expressamente no texto da Lei 9.099/95, é um entendimento consagrado 
no âmbito dos Juizados Especiais, que o juiz pode reconhecer a incompetência 
territorial. 
 
2ª) Art. 63, § 3º, CPC (Art. 63. “As partes podem modificar a 
competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde será proposta 
ação oriunda de direitos e obrigações. § 3o. Antes da citação, a cláusula de 
eleição de foro, se abusiva, pode ser reputada ineficaz de ofício pelo juiz, que 
determinará a remessa dos autos ao juízo do foro de domicílio do réu”). 
*Cláusula de eleição de foro abusiva (criação de dificuldade no 
exercício da ampla defesa) em qualquer espécie de contrato (no CPC/73 era só 
para o contrato de adesão, mas o novo CPC retirou a expressão adesão e 
manteve contrato, o que significa que pode ser contrato de adesão ou não). 
Quando o juiz se depara com essa situação, ele declara a cláusula ineficaz (o 
que nada mais é do que o reconhecimento da incompetência relativa). 
*Se a cláusula é ineficaz, a regra é a do foro do domicílio do autor 
(Regra geral do art. 46, CPC: “A ação fundada em direito pessoal ou em direito 
real sobre bens móveis será proposta, em regra, no foro de domicílio do réu. § 
1o. Tendo mais de um domicílio, o réu será demandado no foro de qualquer 
deles. § 2o. Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele poderá ser 
demandado onde for encontrado ou no foro de domicílio do autor. § 3o. Quando 
o réu não tiver domicílio ou residência no Brasil, a ação será proposta no foro de 
domicílio do autor, e, se este também residir fora do Brasil, a ação será proposta 
em qualquer foro. § 4o. Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes domicílios, 
serão demandados no foro de qualquer deles, à escolha do autor. § 5o. A 
execução fiscal será proposta no foro de domicílio do réu, no de sua residência 
ou no do lugar onde for encontrado”). 
*O juiz precede, sucessivamente, a duas atividades de ofício: 1ª) 
Declara a cláusula ineficaz (porque enquanto aquela cláusula tiver gerando 
efeitos, não se terá incompetência nenhuma) e 2ª) Reconhece a incompetência 
relativa (porque sem a cláusula tem que se aplicar a regra geral) remetendo o 
processo parao domicílio do réu. 
 
4) Ministério Público: Art. 65, pár. ún. CPC: Art. 65. “Prorrogar-se-á a 
competência relativa se o réu não alegar a incompetência em preliminar de 
contestação. Parágrafo único. A incompetência relativa pode ser alegada 
pelo Ministério Público nas causas em que atuar”). 
A) Como Autor o MP não têm legitimidade para alegar a incompetência 
relativa, como nenhum autor tem. 
B) Como réu (raríssimas exceções) o MP tem legitimidade para alegar a 
incompetência relativa. 
C) Como fiscal da ordem jurídica o MP tem legitimidade para alegar a 
incompetência relativa, por força do pár. ún. do art. 65 do CPC. 
 
B) Competência absoluta 
Todos os sujeitos processuais têm legitimidade para arguir a incompetência 
absoluta, pois todos os sujeitos processuais têm legitimidade para tutelar o 
interesse público (interesse de todos). 
 
1) Juiz: tem o dever de reconhecer a incompetência absoluta (art. 64, § 1º, 
CPC: “A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão 
preliminar de contestação. § 1o. A incompetência absoluta pode ser alegada 
em qualquer tempo e grau de jurisdição e deve ser declarada de ofício”). O 
juiz decide de ofício com relação às matérias de ordem pública. 
 
2) Autor: mesmo sendo o causador do vício tem legitimidade para alegá-
lo porque se trata de nulidade absoluta. 
 
Considerações importantes – quando se fala em incompetência 
absoluta temos: 
1) Incompetência absoluta originária – que é a incompetência que 
vem desde a propositura da ação. Nesse tipo, a culpa é sempre do autor. E, 
mesmo assim ele tem legitimidade para alegar, pois se trata de nulidade 
absoluta, que pode ser alegada mesmo pela parte a causou. 
2) Incompetência absoluta superveniente – é a incompetência 
decorrente de uma mudança de fato e de direito que pode gerar a incompetência 
absoluta no caso concreto. Aqui a culpa não é do autor. 
Exemplo: EC que altera a competência da Justiça Federal e diz que 
questões relativas às sociedades de economia mista passa a ser da Justiça 
Federal. 
 
 E se o autor criar o vício que causa nulidade absoluta para tirar 
algum proveito? 
Esse problema será resolvido com aplicação de multa por litigância de má-
fé caso haja comprovação de que o erro dele foi para tirar algum proveito. 
 
3) Terceiro absolutamente desinteressado (que não tem qualquer 
interesse jurídico na demanda) também tem pode alegar a incompetência 
absoluta. 
 Só as partes têm legitimidade para tutelar o interesse público? 
Não! O interesse público é de todos, todos podem brigar por ele, todos 
podem exigir o seu respeito no caso concreto. Esse terceiro desinteressado, 
mesmo não tendo interesse jurídico na demanda, sempre terá legitimidade para 
preservar a ordem pública. 
 
3.2.2. Momento de alegação da incompetência 
A) Competência relativa 
Preclusão temporal: na contestação, como matéria preliminar, cabe ao réu 
a alegação da incompetência relativa. A ausência dessa alegação gera 
preclusão temporal, ou seja, se não alegou no momento da preliminar na 
contestação, não se poderá alegar novamente (isso gera um fenômeno chamado 
de prorrogação da competência (que decorre da convalidação do vício). 
 
Art. 340, CPC: “Havendo alegação de incompetência relativa ou absoluta, a 
contestação poderá ser protocolada no foro de domicílio do réu, fato que será 
imediatamente comunicado ao juiz da causa, preferencialmente por meio eletrônico. 
§ 1o A contestação será submetida a livre distribuição ou, se o réu houver sido citado por 
meio de carta precatória, juntada aos autos dessa carta, seguindo-se a sua imediata remessa 
para o juízo da causa. 
§ 2o Reconhecida a competência do foro indicado pelo réu, o juízo para o qual for 
distribuída a contestação ou a carta precatória será considerado prevento. 
§ 3o Alegada a incompetência nos termos do caput, será suspensa a realização da 
audiência de conciliação ou de mediação, se tiver sido designada. 
§ 4o Definida a competência, o juízo competente designará nova data para a 
audiência de conciliação ou de mediação”. 
 
OBS.: Por força do Art. 334, CPC (“Se a petição inicial preencher os requisitos 
essenciais e não for o caso de improcedência liminar do pedido, o juiz designará audiência 
de conciliação ou de mediação com antecedência mínima de 30 (trinta) dias, devendo ser 
citado o réu com pelo menos 20 (vinte) dias de antecedência), em regra, não é sempre, o 
réu não é citado para contestar, mas sim para comparecer a uma audiência de 
mediação e conciliação. E, somente se não houver a solução consensual, se 
abrirá o prazo de 15 dias para a contestação. 
Isso acarreta um grande problema: se cabe ao réu alegar a incompetência 
só na contestação, ele está obrigado a comparecer a uma audiência, perante um 
foro incompetente, para só depois da frustração da audiência alegar a 
incompetência. Esse problema foi tratado pelo Art. 340, CPC. 
Se o réu tiver como matéria de defesa a incompetência, ele pode 
apresentar a contestação antes da audiência de mediação e conciliação por 
previsão expressa e regulamentada do Art. 340, CPC. A ideia é óbvia: que a 
alegação do réu seja analisada antes da audiência para que haja uma decisão a 
respeito da competência, antes da realização da mesma. 
 
B) Competência absoluta 
Pode ser alegada a qualquer momento do processo, a qualquer tempo 
(nulidade absoluta não preclui), salva de forma originária nos recursos 
excepcionais. 
*Os Tribunais Superiores (STF e STJ), não admitem, nos recursos 
excepcionais (recurso extraordinário e recurso especial), o reconhecimento 
originário de matéria de ordem pública (incompetência absoluta), ou seja, se a 
matéria de ordem pública tiver sido discutida pelo 2º grau ela poderá ser discutida 
pelos Tribunais Superiores, mas se não houver decisão do 2º grau sobre a 
matéria (ordem pública – competência absoluta) e a parte alegar pela primeira 
vez em sede de recurso extraordinário/especial, tanto o STF quanto o STJ 
entendem que a falta de prequestionamento torna impossível a admissibilidade 
do recurso. 
*Tem uma parcela da doutrina que afirma que esse entendimento 
mudará por conta do parágrafo único do art. 1.034 do CPC (“Admitido o recurso 
extraordinário ou o recurso especial, o Supremo Tribunal Federal ou o Superior Tribunal de Justiça 
julgará o processo, aplicando o direito. Parágrafo único. Admitido o recurso extraordinário ou 
o recurso especial por um fundamento, devolve-se ao tribunal superior o conhecimento dos 
demais fundamentos para a solução do capítulo impugnado”). Contudo, não é isso que 
está acontecendo, pois o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de 
Justiça têm mantido o entendimento nas decisões proferidas após a entrada em 
vigor do CPC. 
A incompetência absoluta também pode ser alegada na ação rescisória 
(Art. 966, II, CPC: “A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: II 
- for proferida por juiz impedido ou por juízo absolutamente incompetente”). 
 
3.2.3. Identidades procedimentais entre as competências absoluta e 
relativa 
A) Forma de alegação da incompetência 
Seja a incompetência relativa, seja incompetência absoluta a forma de 
alegação da incompetência é na preliminar de contestação. 
 
OBS.: a incompetência absoluta pode ser alegada depois da contestação 
(salvo, originariamente, em sede de recursos excepcionais), pois a contestação 
não gera preclusão temporal para a alegação de incompetência absoluta. Após 
a contestação, a incompetência absoluta pode ser alegada sob qualquer forma 
– escrita ou oral – estamos falando de interesse público e a forma pela qual se 
alega não importa. 
 
B) Atos praticados 
B.1) Natureza dilatória da incompetência 
Art. 64, § 3º, CPC: “A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão 
preliminar de contestação. § 3o Caso a alegação de incompetência seja acolhida,os autos 
serão remetidos ao juízo competente”). 
A incompetência não extingue o processo, quando ela é reconhecida, há a 
dilação do tempo de duração do processo, pois por previsão legal, o processo 
será remetido ao juízo competente. Sendo válido ressaltar que esse já era um 
entendimento consolidado no STJ (AgRg no AResp 660.756/BA, 4ª Turma, STJ). 
*O juiz deve, por decisão interlocutória, remeter o processo ao juízo 
competente (nada de extinção do processo por meio de sentença, pois não é 
caso de extinção e a decisão é interlocutória). 
OBS. 1: Art. 51, III, Lei 9.099/95 (“Extingue-se o processo, além dos casos 
previstos em lei: III - quando for reconhecida a incompetência territorial”) – extinção do 
processo nos Juizados Especiais em razão da incompetência territorial (natureza 
peremptória da incompetência que leva à extinção do processo por meio da 
sentença). Nos Juizados Especiais, por uma previsão expressa, na hipótese de 
incompetência territorial, ao invés de se remeter o processo para o Juizado 
competente, extingue-se o mesmo, por opção de política legislativa. 
OBS. 2: Cumulação de pedidos de diferentes competências absolutas 
perante juízo absolutamente incompetente para ambos 
Exemplo: pedido X de competência da Justiça do Trabalho + pedido Z de 
competência da Justiça Estadual – protocolizada na Justiça Federal 
 
Art. 64, § 4º, CPC (“A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como 
questão preliminar de contestação. § 4o Salvo decisão judicial em sentido contrário, 
conservar-se-ão os efeitos de decisão proferida pelo juízo incompetente até que outra seja 
proferida, se for o caso, pelo juízo competente”). 
 Qual o destino dos atos praticados pelo juízo incompetente? 
Os atos praticados por juízo incompetente são válidos, devendo ser 
revistos ou ratificados, pelo juízo competente. O ato é eficaz, salvo decisão em 
contrário. 
Exemplo: o juiz se declara incompetente e não fala nada sobre a eficácia 
dos atos praticados com o reconhecimento da incompetência até a 
remessa do processo para o juízo competente tem um lapso temporal, no qual o 
ato praticado pelo juiz incompetente continua surtindo efeitos até chegar no novo 
juízo se o juiz ratificar o ato os efeitos perduram até o fim; caso o juiz 
competente revogue o ato, a eficácia terá fim. 
 
4. ESPÉCIES DE COMPETÊNCIA 
4.1. Competência Territorial 
É a competência do FORO. 
 
Na Justiça Estadual – FORO – é COMARCA 
Na Justiça Federal – FORO – SEÇÃO ou SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA 
 
4.1.1. Foro comum (trata-se de COMPETÊNCIA RELATIVA) 
REGRA: é o foro de domicílio do réu (Art. 46, CPC: “A ação fundada em direito 
pessoal ou em direito real sobre bens móveis será proposta, em regra, no foro de 
domicílio do réu. § 1o Tendo mais de um domicílio, o réu será demandado no foro de qualquer 
deles. § 2o Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele poderá ser demandado onde for 
encontrado ou no foro de domicílio do autor. § 3o Quando o réu não tiver domicílio ou residência 
no Brasil, a ação será proposta no foro de domicílio do autor, e, se este também residir fora do 
Brasil, a ação será proposta em qualquer foro. § 4o Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes 
domicílios, serão demandados no foro de qualquer deles, à escolha do autor. § 5o A execução 
fiscal será proposta no foro de domicílio do réu, no de sua residência ou no do lugar onde for 
encontrado”). 
No direito comparado é comum o foro de domicílio do réu, pois parte-se da 
ideia de que o réu, ao ser processado, está sendo atacado e nada mais justo 
que ele se defenda no foro onde resida. 
 
4.1.2. Foros especiais (trata-se de COMPETÊNCIA RELATIVA) 
É qualquer foro que não seja o comum ou o do domicílio do réu. Exemplos: 
1) Foro de domicílio do autor 
*Art. 53, III, “e”, CPC: “É competente o foro: III - do lugar: e) de residência do idoso, 
para a causa que verse sobre direito previsto no respectivo estatuto” – residência do 
idoso para causas que versem sobre direito previsto no Estatuto do Idoso. 
 
2) Local da coisa 
*Art. 47, CPC: “Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente 
o foro de situação da coisa. § 1o O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro 
de eleição se o litígio não recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e 
demarcação de terras e de nunciação de obra nova. § 2o A ação possessória imobiliária será 
proposta no foro de situação da coisa, cujo juízo tem competência absoluta”. 
*Lei de Locações – foro competente é o do local do imóvel 
 
3) Local ato/fato 
*Art. 53, IV, CPC: “É competente o foro: IV - do lugar do ato ou fato para a ação: a) 
de reparação de dano”. 
 
Ainda sobre a competência territorial, é necessário tratar dos (1) foros 
concorrentes e (2) foros sucessivos: 
(1) Foros concorrentes: têm- se foros concorrentes sempre que a lei 
trouxer mais de um foro abstratamente competente. Exemplo: art. 381, 2º, CPC 
(“A produção antecipada da prova será admitida nos casos em que: § 2o A produção 
antecipada da prova é da competência do juízo do foro onde esta deva ser produzida ou do 
foro de domicílio do réu”). Nos foros concorrentes têm-se a escolha do autor, pois 
ele define, concretamente, qual o foro a ação tramitará, dentre os previstos pela 
lei: a) Forum shopping (escolha LIVRE do autor – ele escolhe, dentre aqueles 
que a lei prever, o que ele quiser) e b) Forum non conveniens (escolha 
CONDICIONADA do autor – porque a escolha não pode geral prejuízos ao 
processo e ao réu. 
 
(2) Foros sucessivos: há uma ordem legal entre os foros previstos, tanto 
o réu quanto o autor devem respeitar a ordem legal prevista. Exemplo clássico: 
art. 53, I, CPC (“É competente o foro: I - para a ação de divórcio, separação, 
anulação de casamento e reconhecimento ou dissolução de união estável: 
a) de domicílio do guardião de filho incapaz; 
 
b) do último domicílio do casal, caso não haja filho incapaz; 
 
c) de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no antigo 
domicílio do casal”). 
 
4.2. Competência em razão do Valor da Causa 
4.2.1. Juizados Especiais 
1) Juizados Especiais Estaduais (Lei n. 9.099/95) 
Art. 3º, I, Lei n. 9.099/95: “O Juizado Especial Cível tem competência para 
conciliação, processo e julgamento das causas cíveis de menor complexidade, assim 
consideradas: I - as causas cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário 
mínimo”. 
 Causas de até 40 (quarenta) salários mínimos. 
 
O Enunciado 1 do FONAJE (Fórum Nacional dos Juizados Especiais) 
diz: “O exercício do direito de ação no Juizado Especial Cível é facultativo para 
o autor”, ou seja, se se tem uma causa inferior a 40 salários mínimos, o autor 
pode escolher entre a Justiça Comum e o Juizado Especial (prestigia-se a 
vontade da parte). 
*Se se prestigia a vontade das partes é competência relativa. 
 
OBS.: se a causa for superior a 40 salários mínimos a competência da 
Justiça Comum é absoluta. Se a ação for proposta no Juizado Especial o juiz 
reconhecerá a incompetência de ofício. 
 
2) Juizados Especiais Federais (Lei n. 10.259/2001) 
Art. 3º, Lei n. 10.259/2001: “Compete ao Juizado Especial Federal Cível processar, 
conciliar e julgar causas de competência da Justiça Federal até o valor de sessenta 
salários mínimos, bem como executar as suas sentenças”. 
 Causas de até 60 (quarenta) salários mínimos. 
 
Art. 3º, § 3º, Lei n. 10.259/2001: “Compete ao Juizado Especial Federal Cível 
processar, conciliar e julgar causas de competência da Justiça Federal até o valor de sessenta 
salários mínimos, bem como executar as suas sentenças. § 3o No foro onde estiver 
instalada Vara do Juizado Especial, a sua competência é absoluta” – 
competência absoluta de caráter funcional. 
(1) Causa de valor inferior a 60 salários mínimos – a Justiça Comum éabsolutamente incompetente 
(2) Causa de valor superior a 60 salários mínimos – o Juizado Especial 
Federal é absolutamente incompetente 
 
3) Juizados Especiais da Fazenda Pública (Lei n.º 12.153/2009) 
Art. 2º, Lei n. 12.153/2009: “É de competência dos Juizados Especiais da Fazenda 
Pública processar, conciliar e julgar causas cíveis de interesse dos Estados, do Distrito 
Federal, dos Territórios e dos Municípios, até o valor de 60 (sessenta) salários 
mínimos”. Causas de até 60 (quarenta) salários mínimos. 
 
Art. 2º, § 4º, Lei n. 12.153/2009: “É de competência dos Juizados Especiais da 
Fazenda Pública processar, conciliar e julgar causas cíveis de interesse dos Estados, do Distrito 
Federal, dos Territórios e dos Municípios, até o valor de 60 (sessenta) salários mínimos”. § 4o No 
foro onde estiver instalado Juizado Especial da Fazenda Pública, a sua 
competência é absoluta” – competência absoluta de caráter funcional. 
(1) Causa de valor inferior a 60 salários mínimos – o Justiça Comum é 
absolutamente incompetente. 
(2) Causa de valor superior a 60 salários mínimo – o Juizado Especial da 
Fazenda Pública é absolutamente incompetente. 
 
3) Foros regionais/distritais – competência absoluta funcional. 
 
4.3. Competência Funcional (trata-se de COMPETÊNCIA ABSOLUTA) 
A competência funcional pode ser explicada por quatro maneiras distintas: 
 
1ª) Pelas fases do procedimento 
O juízo que atuou na fase A se torna absolutamente competente para a 
fase B (o juízo da fase A será OBRIGATORIAMENTE o juízo da fase B). essa 
competência para a fase B vem do exercício da função jurisdicional na fase A. 
Exemplos: 
(1) Fase de conhecimento/fase de liquidação de sentença – o juiz que atuou 
na fase de conhecimento e proferiu a sentença ilíquida é absolutamente 
competente para a fase de liquidação de sentença. 
(2) Ação de exigir contas (Arts. 550 a 553, CPC) – primeiro condena o réu 
a prestar contas e depois apura o saldo devedor. O juiz que condena o réu a 
prestar contas é o mesmo que apura o saldo devedor. 
 
OBS. 1: não há competência funcional entre a fase de conhecimento e de 
cumprimento de sentença (Art. 515, CPC: “O cumprimento da sentença efetuar-se-á 
perante: I - os tribunais, nas causas de sua competência originária; II - o juízo que decidiu a causa 
no primeiro grau de jurisdição; III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal 
condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal 
Marítimo. Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o exequente poderá optar 
pelo juízo do atual domicílio do executado, pelo juízo do local onde se 
encontrem os bens sujeitos à execução ou pelo juízo do local onde deva ser 
executada a obrigação de fazer ou de não fazer, casos em que a remessa dos autos 
do processo será solicitada ao juízo de origem”). Num processo sincrético tem-se (1) a 
fase de conhecimento com a prolação da sentença e (2) a fase executiva (ou de 
cumprimento de sentença) – não há competência funcional e a razão está no 
parágrafo único do art. 516 do CPC. 
 
OBS. 2: liquidação individual de sentença coletiva no foro do domicílio do 
indivíduo (Informativo 422, STJ: CC 96.682/RJ, 3ª Seção) – nesse caso, não tem 
competência funcional. Exemplo: sentença coletiva da Comarca de Uruaçu e a 
parte mora em Goianésia a parte pega a sentença e liquida na 
Comarca de Goianésia. 
**Se na sentença coletiva houver a liquidação de sentença coletiva a 
competência volta a ser funcional e, por isso, de competência absoluta (o juiz 
que proferiu a sentença ilíquida e o que vai liquidar essa sentença). 
 
2ª) Relação entre ação principal e ações acessórias e incidentais 
Temos, aqui, a competência absoluta de caráter funcional do juízo da ação 
principal para as ações acessórias e incidentais. Exemplos: 
(1) Reconvenção (Arts. 343, CPC: “Na contestação, é lícito ao réu propor 
reconvenção para manifestar pretensão própria, conexa com a ação principal ou com o 
fundamento da defesa. § 1o Proposta a reconvenção, o autor será intimado, na pessoa de seu 
advogado, para apresentar resposta no prazo de 15 (quinze) dias. § 2o A desistência da ação ou 
a ocorrência de causa extintiva que impeça o exame de seu mérito não obsta ao prosseguimento 
do processo quanto à reconvenção. § 3o A reconvenção pode ser proposta contra o autor e 
terceiro. § 4o A reconvenção pode ser proposta pelo réu em litisconsórcio com terceiro. § 5o Se o 
autor for substituto processual, o reconvinte deverá afirmar ser titular de direito em face do 
substituído, e a reconvenção deverá ser proposta em face do autor, também na qualidade de 
substituto processual. § 6o O réu pode propor reconvenção independentemente de oferecer 
contestação”): é a ação do réu contra o autor no mesmo processo em que aquele 
é demandado. Não é defesa, é demanda. Essa ação amplia objetivamente o 
processo, pois o processo passa a ter novo pedido. Deve ser oferecida na própria 
contestação pelo réu, mas nada impede que seja oferecida separadamente. 
(2) Oposição (Arts. 682 a 686, CPC: “Quem pretender, no todo ou em parte, a coisa 
ou o direito sobre que controvertem autor e réu poderá, até ser proferida a sentença, oferecer 
oposição contra ambos. 
Art. 683. O opoente deduzirá o pedido em observação aos requisitos exigidos para 
propositura da ação. 
Parágrafo único. Distribuída a oposição por dependência, serão os opostos citados, na 
pessoa de seus respectivos advogados, para contestar o pedido no prazo comum de 15 (quinze) 
dias. 
Art. 684. Se um dos opostos reconhecer a procedência do pedido, contra o outro 
prosseguirá o opoente. 
Art. 685. Admitido o processamento, a oposição será apensada aos autos e tramitará 
simultaneamente à ação originária, sendo ambas julgadas pela mesma sentença. 
Parágrafo único. Se a oposição for proposta após o início da audiência de instrução, o juiz 
suspenderá o curso do processo ao fim da produção das provas, salvo se concluir que a unidade 
da instrução atende melhor ao princípio da duração razoável do processo. 
Art. 686. Cabendo ao juiz decidir simultaneamente a ação originária e a oposição, desta 
conhecerá em primeiro lugar”): é a ação na qual terceiro deduz em juízo pretensão 
incompatível com os interesses conflitantes do autor e do réu de um processo 
cognitivo pendente. O que caracteriza a pretensão do terceiro é o fato do pedido 
ser relativo ao mesmo bem que as partes originárias disputam. Deve ser 
oferecida até o momento da prolação da sentença. 
 
3ª) Competência por graus de jurisdição (Tribunal) 
Toda competência, de qualquer tribunal, é absoluta funcional: tanto a 
competência recursal quanto a competência originária são absolutas. 
 
4ª) Objeto do juízo 
Numa mesma decisão participam dois diferentes órgãos: procedimento de 
declaração incidental de inconstitucionalidade (arts. 948 a 950, CPC) e no 
incidente de assunção de competência (art. 947, CPC). Numa mesma decisão 
temos (1) o Órgão Pleno (que fixa a tese) e (2) o Órgão Fracionário (que decide 
a ação com base na tese do Pleno). 
Essas competências, dentro da mesma decisão, são absolutas de caráter 
funcional. 
 
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE! Além das 4 hipóteses de competência 
funcional acima estudadas, temos outra (que seria uma 5ª hipótese), criada por 
Chiovenda, que é a competência funcional em razão da facilidade do 
exercício da jurisdição, ou seja, para o jurista italiano determinado território, 
pelo fato de ser no foro mais eficaz e fácil, facilita o exercício da função 
jurisdicional que deve ser considerado de competência absoluta. Nessa 
situação, por ele apresentada, as partes não escolhem porque esse foro é tão 
melhor que os outros (em termos de eficácia, efetividade e facilidade de 
procedimento). O legislador fez isso em duas oportunidades: (1ª) Art. 47, CPC 
(“Para as ações fundadasem direito real sobre imóveis é competente o foro de 
situação da coisa. § 1o O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição 
se o litígio não recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de 
terras e de nunciação de obra nova. § 2o A ação possessória imobiliária será proposta no foro de 
situação da coisa, cujo juízo tem competência absoluta”) – são sete ações reais imobiliárias 
previstas cuja a competência absoluta é a do foro do local do imóvel e (2ª) Art. 
2º, Lei 7.347/85 (“As ações previstas nesta Lei serão propostas no foro do 
local onde ocorrer o dano, cujo juízo terá competência funcional para processar 
e julgar a causa”) – nas ações coletivas a competência absoluta é a do foro do local 
do dano, inclusive o legislador, no art. 2º, chama essa competência de funcional. 
Adotam essa teoria: Nelson Nery, Min. Luiz Fux. 
*Mas Dinamarco e Barbosa Moreira rechaçam essa ideia, pois, para eles, 
quando se fala de competência de foro se fala de competência territorial (a 
competência de determinado local, não interessa por qual razão, é uma 
competência territorial). Sendo válido ressaltar que, é uma competência 
territorial absoluta por imposição da lei. 
 
4.4. Competência em razão da Matéria (trata-se de COMPETÊNCIA 
ABSOLUTA) 
4.4.1. Competência da Justiça 
1) Justiças Especializadas 
Justiça do Trabalho (Art. 114, CF) 
Justiça Eleitoral (Art. 121, CF) 
Justiça Militar (Art. 125, CF) 
 
2. Justiça Comum 
A competência da justiça comum é residual: tudo o que não for matéria da 
justiça especializada será da comum. 
Pode ser: (1) Justiça Federal (art. 109, III, V-A, X, XI, CF) – se a demanda 
versar sobra as matérias previstas nesses incisos a competência é da justiça 
comum federal e (2) Justiça Estadual – que é a competência residual por 
excelência. 
 
4.4.2. Competência do Juízo 
Numa vara especializada a competência em razão da matéria é absoluta. 
Exemplos: as competências das Varas de Família e Sucessões e da Vara dos 
Registros Públicos são absolutas. 
 
Havendo uma vara especializada, de acordo com a lei de organização 
judiciária de cada local, a competência será absoluta. 
 
OBS.: Para se definir a competência deve-se: 
 Federal 
(1º) Definir a justiça competente 
 Estadual 
 
 Comarca 
(2º) Definir a competência do foro 
 Seção ou Subseção Judiciária 
 
 Vara Comum 
(3º) Definir a competência do juízo 
 Vara Especializada 
*A competência do juízo só interessa após a definição da competência do 
foro. 
 
4.5. Competência em razão da Pessoa (ratio personae) 
Trata-se de competência absoluta em razão do sujeito processual (autor, 
réu e 3º interveniente). 
 
4.5.1. Competência da Justiça (Art. 109, I, II, VII, CF) 
OBS.: intervenção de ente federal em processos em trâmite na 
Justiça Estadual – Art. 45, CPC: Art. 45. “Tramitando o processo perante outro 
juízo, os autos serão remetidos ao juízo federal competente se nele 
intervier a União, suas empresas públicas, entidades autárquicas e 
fundações, ou conselho de fiscalização de atividade profissional, na 
qualidade de parte ou de terceiro interveniente, exceto as ações: I - de 
recuperação judicial, falência, insolvência civil e acidente de trabalho; II - 
sujeitas à justiça eleitoral e à justiça do trabalho. § 1o Os autos não serão 
remetidos se houver pedido cuja apreciação seja de competência do juízo 
perante o qual foi proposta a ação. § 2o Na hipótese do § 1o, o juiz, ao não admitir 
a cumulação de pedidos em razão da incompetência para apreciar qualquer 
deles, não examinará o mérito daquele em que exista interesse da União, de 
suas entidades autárquicas ou de suas empresas públicas. § 3o O juízo federal 
restituirá os autos ao juízo estadual sem suscitar conflito se o ente federal 
cuja presença ensejou a remessa for excluído do processo”). 
 
4.5.2. Competência do Juízo 
A maioria das varas especializadas existem em razão da matéria, mas isso 
não exclui a existência de varas especializadas em razão da pessoa. O exemplo 
mais comum e que toda Comarca grande tem é o da Vara da Fazenda Pública, 
que reúne todas as ações que tem os Estados e Municípios como parte). 
 
OBS.: havendo vara especializada em razão da pessoa o procedimento 
para definir a competência é o mesmo utilizado para definir a competência em 
razão da matéria (item 4.4.2). 
3.2.2. Momento de alegação da incompetência 
A) Competência relativa 
Preclusão temporal: na contestação, como matéria preliminar, cabe ao réu 
a alegação da incompetência relativa. A ausência dessa alegação gera 
preclusão temporal, ou seja, se não alegou no momento da preliminar na 
contestação, não se poderá alegar novamente (isso gera um fenômeno chamado 
de prorrogação da competência (que decorre da convalidação do vício). 
 
Art. 340, CPC: “Havendo alegação de incompetência relativa ou absoluta, a 
contestação poderá ser protocolada no foro de domicílio do réu, fato que será 
imediatamente comunicado ao juiz da causa, preferencialmente por meio eletrônico. 
§ 1o A contestação será submetida a livre distribuição ou, se o réu houver sido citado por 
meio de carta precatória, juntada aos autos dessa carta, seguindo-se a sua imediata remessa 
para o juízo da causa. 
§ 2o Reconhecida a competência do foro indicado pelo réu, o juízo para o qual for 
distribuída a contestação ou a carta precatória será considerado prevento. 
§ 3o Alegada a incompetência nos termos do caput, será suspensa a realização da 
audiência de conciliação ou de mediação, se tiver sido designada. 
§ 4o Definida a competência, o juízo competente designará nova data para a 
audiência de conciliação ou de mediação”. 
 
OBS.: Por força do Art. 334, CPC (“Se a petição inicial preencher os requisitos 
essenciais e não for o caso de improcedência liminar do pedido, o juiz designará audiência 
de conciliação ou de mediação com antecedência mínima de 30 (trinta) dias, devendo ser 
citado o réu com pelo menos 20 (vinte) dias de antecedência), em regra, não é sempre, o 
réu não é citado para contestar, mas sim para comparecer a uma audiência de 
mediação e conciliação. E, somente se não houver a solução consensual, se 
abrirá o prazo de 15 dias para a contestação. 
Isso acarreta um grande problema: se cabe ao réu alegar a incompetência 
só na contestação, ele está obrigado a comparecer a uma audiência, perante um 
foro incompetente, para só depois da frustração da audiência alegar a 
incompetência. Esse problema foi tratado pelo Art. 340, CPC. 
Se o réu tiver como matéria de defesa a incompetência, ele pode 
apresentar a contestação antes da audiência de mediação e conciliação por 
previsão expressa e regulamentada do Art. 340, CPC. A ideia é óbvia: que a 
alegação do réu seja analisada antes da audiência para que haja uma decisão a 
respeito da competência, antes da realização da mesma. 
 
B) Competência absoluta 
Pode ser alegada a qualquer momento do processo, a qualquer tempo 
(nulidade absoluta não preclui), salva de forma originária nos recursos 
excepcionais. 
*Os Tribunais Superiores (STF e STJ), não admitem, nos recursos 
excepcionais (recurso extraordinário e recurso especial), o reconhecimento 
originário de matéria de ordem pública (incompetência absoluta), ou seja, se a 
matéria de ordem pública tiver sido discutida pelo 2º grau ela poderá ser discutida 
pelos Tribunais Superiores, mas se não houver decisão do 2º grau sobre a 
matéria (ordem pública – competência absoluta) e a parte alegar pela primeira 
vez em sede de recurso extraordinário/especial, tanto o STF quanto oSTJ 
entendem que a falta de prequestionamento torna impossível a admissibilidade 
do recurso. 
*Tem uma parcela da doutrina que afirma que esse entendimento 
mudará por conta do parágrafo único do art. 1.034 do CPC (“Admitido o recurso 
extraordinário ou o recurso especial, o Supremo Tribunal Federal ou o Superior Tribunal de Justiça 
julgará o processo, aplicando o direito. Parágrafo único. Admitido o recurso extraordinário ou 
o recurso especial por um fundamento, devolve-se ao tribunal superior o conhecimento dos 
demais fundamentos para a solução do capítulo impugnado”). Contudo, não é isso que 
está acontecendo, pois o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de 
Justiça têm mantido o entendimento nas decisões proferidas após a entrada em 
vigor do CPC. 
A incompetência absoluta também pode ser alegada na ação rescisória 
(Art. 966, II, CPC: “A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: II 
- for proferida por juiz impedido ou por juízo absolutamente incompetente”). 
 
3.2.3. Identidades procedimentais entre as competências absoluta e 
relativa 
A) Forma de alegação da incompetência 
Seja a incompetência relativa, seja incompetência absoluta a forma de 
alegação da incompetência é na preliminar de contestação. 
 
OBS.: a incompetência absoluta pode ser alegada depois da contestação 
(salvo, originariamente, em sede de recursos excepcionais), pois a contestação 
não gera preclusão temporal para a alegação de incompetência absoluta. Após 
a contestação, a incompetência absoluta pode ser alegada sob qualquer forma 
– escrita ou oral – estamos falando de interesse público e a forma pela qual se 
alega não importa. 
 
B) Atos praticados 
B.1) Natureza dilatória da incompetência 
Art. 64, § 3º, CPC: “A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão 
preliminar de contestação. § 3o Caso a alegação de incompetência seja acolhida, os autos 
serão remetidos ao juízo competente”). 
A incompetência não extingue o processo, quando ela é reconhecida, há a 
dilação do tempo de duração do processo, pois por previsão legal, o processo 
será remetido ao juízo competente. Sendo válido ressaltar que esse já era um 
entendimento consolidado no STJ (AgRg no AResp 660.756/BA, 4ª Turma, STJ). 
*O juiz deve, por decisão interlocutória, remeter o processo ao juízo 
competente (nada de extinção do processo por meio de sentença, pois não é 
caso de extinção e a decisão é interlocutória). 
OBS. 1: Art. 51, III, Lei 9.099/95 (“Extingue-se o processo, além dos casos 
previstos em lei: III - quando for reconhecida a incompetência territorial”) – extinção do 
processo nos Juizados Especiais em razão da incompetência territorial (natureza 
peremptória da incompetência que leva à extinção do processo por meio da 
sentença). Nos Juizados Especiais, por uma previsão expressa, na hipótese de 
incompetência territorial, ao invés de se remeter o processo para o Juizado 
competente, extingue-se o mesmo, por opção de política legislativa. 
OBS. 2: Cumulação de pedidos de diferentes competências absolutas 
perante juízo absolutamente incompetente para ambos 
Exemplo: pedido X de competência da Justiça do Trabalho + pedido Z de 
competência da Justiça Estadual – protocolizada na Justiça Federal 
 
Art. 64, § 4º, CPC (“A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como 
questão preliminar de contestação. § 4o Salvo decisão judicial em sentido contrário, 
conservar-se-ão os efeitos de decisão proferida pelo juízo incompetente até que outra seja 
proferida, se for o caso, pelo juízo competente”). 
 Qual o destino dos atos praticados pelo juízo incompetente? 
Os atos praticados por juízo incompetente são válidos, devendo ser 
revistos ou ratificados, pelo juízo competente. O ato é eficaz, salvo decisão em 
contrário. 
Exemplo: o juiz se declara incompetente e não fala nada sobre a eficácia 
dos atos praticados com o reconhecimento da incompetência até a 
remessa do processo para o juízo competente tem um lapso temporal, no qual o 
ato praticado pelo juiz incompetente continua surtindo efeitos até chegar no novo 
juízo se o juiz ratificar o ato os efeitos perduram até o fim; caso o juiz 
competente revogue o ato, a eficácia terá fim. 
 
4. ESPÉCIES DE COMPETÊNCIA 
4.1. Competência Territorial 
É a competência do FORO. 
 
Na Justiça Estadual – FORO – é COMARCA 
Na Justiça Federal – FORO – SEÇÃO ou SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA 
 
4.1.1. Foro comum (trata-se de COMPETÊNCIA RELATIVA) 
REGRA: é o foro de domicílio do réu (Art. 46, CPC: “A ação fundada em direito 
pessoal ou em direito real sobre bens móveis será proposta, em regra, no foro de 
domicílio do réu. § 1o Tendo mais de um domicílio, o réu será demandado no foro de qualquer 
deles. § 2o Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele poderá ser demandado onde for 
encontrado ou no foro de domicílio do autor. § 3o Quando o réu não tiver domicílio ou residência 
no Brasil, a ação será proposta no foro de domicílio do autor, e, se este também residir fora do 
Brasil, a ação será proposta em qualquer foro. § 4o Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes 
domicílios, serão demandados no foro de qualquer deles, à escolha do autor. § 5o A execução 
fiscal será proposta no foro de domicílio do réu, no de sua residência ou no do lugar onde for 
encontrado”). 
No direito comparado é comum o foro de domicílio do réu, pois parte-se da 
ideia de que o réu, ao ser processado, está sendo atacado e nada mais justo 
que ele se defenda no foro onde resida. 
 
4.1.2. Foros especiais (trata-se de COMPETÊNCIA RELATIVA) 
É qualquer foro que não seja o comum ou o do domicílio do réu. Exemplos: 
1) Foro de domicílio do autor 
*Art. 53, III, “e”, CPC: “É competente o foro: III - do lugar: e) de residência do idoso, 
para a causa que verse sobre direito previsto no respectivo estatuto” – residência do 
idoso para causas que versem sobre direito previsto no Estatuto do Idoso. 
 
2) Local da coisa 
*Art. 47, CPC: “Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente 
o foro de situação da coisa. § 1o O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro 
de eleição se o litígio não recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e 
demarcação de terras e de nunciação de obra nova. § 2o A ação possessória imobiliária será 
proposta no foro de situação da coisa, cujo juízo tem competência absoluta”. 
*Lei de Locações – foro competente é o do local do imóvel 
 
3) Local ato/fato 
*Art. 53, IV, CPC: “É competente o foro: IV - do lugar do ato ou fato para a ação: a) 
de reparação de dano”. 
 
Ainda sobre a competência territorial, é necessário tratar dos (1) foros 
concorrentes e (2) foros sucessivos: 
(1) Foros concorrentes: têm- se foros concorrentes sempre que a lei 
trouxer mais de um foro abstratamente competente. Exemplo: art. 381, 2º, CPC 
(“A produção antecipada da prova será admitida nos casos em que: § 2o A produção 
antecipada da prova é da competência do juízo do foro onde esta deva ser produzida ou do 
foro de domicílio do réu”). Nos foros concorrentes têm-se a escolha do autor, pois 
ele define, concretamente, qual o foro a ação tramitará, dentre os previstos pela 
lei: a) Forum shopping (escolha LIVRE do autor – ele escolhe, dentre aqueles 
que a lei prever, o que ele quiser) e b) Forum non conveniens (escolha 
CONDICIONADA do autor – porque a escolha não pode geral prejuízos ao 
processo e ao réu. 
 
(2) Foros sucessivos: há uma ordem legal entre os foros previstos, tanto 
o réu quanto o autor devem respeitar a ordem legal prevista. Exemplo clássico: 
art. 53, I, CPC (“É competente o foro: I - para a ação de divórcio, separação, 
anulação de casamento e reconhecimento ou dissolução de união estável: 
a) de domicílio do guardião de filho incapaz; 
 
b) do último domicílio do casal, caso não haja filho incapaz; 
 
c)de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no antigo 
domicílio do casal”). 
 
4.2. Competência em razão do Valor da Causa 
4.2.1. Juizados Especiais 
1) Juizados Especiais Estaduais (Lei n. 9.099/95) 
Art. 3º, I, Lei n. 9.099/95: “O Juizado Especial Cível tem competência para 
conciliação, processo e julgamento das causas cíveis de menor complexidade, assim 
consideradas: I - as causas cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário 
mínimo”. 
 Causas de até 40 (quarenta) salários mínimos. 
 
O Enunciado 1 do FONAJE (Fórum Nacional dos Juizados Especiais) 
diz: “O exercício do direito de ação no Juizado Especial Cível é facultativo para 
o autor”, ou seja, se se tem uma causa inferior a 40 salários mínimos, o autor 
pode escolher entre a Justiça Comum e o Juizado Especial (prestigia-se a 
vontade da parte). 
*Se se prestigia a vontade das partes é competência relativa. 
 
OBS.: se a causa for superior a 40 salários mínimos a competência da 
Justiça Comum é absoluta. Se a ação for proposta no Juizado Especial o juiz 
reconhecerá a incompetência de ofício. 
 
2) Juizados Especiais Federais (Lei n. 10.259/2001) 
Art. 3º, Lei n. 10.259/2001: “Compete ao Juizado Especial Federal Cível processar, 
conciliar e julgar causas de competência da Justiça Federal até o valor de sessenta 
salários mínimos, bem como executar as suas sentenças”. 
 Causas de até 60 (quarenta) salários mínimos. 
 
Art. 3º, § 3º, Lei n. 10.259/2001: “Compete ao Juizado Especial Federal Cível 
processar, conciliar e julgar causas de competência da Justiça Federal até o valor de sessenta 
salários mínimos, bem como executar as suas sentenças. § 3o No foro onde estiver 
instalada Vara do Juizado Especial, a sua competência é absoluta” – 
competência absoluta de caráter funcional. 
(3) Causa de valor inferior a 60 salários mínimos – a Justiça Comum é 
absolutamente incompetente 
(4) Causa de valor superior a 60 salários mínimos – o Juizado Especial 
Federal é absolutamente incompetente 
 
3) Juizados Especiais da Fazenda Pública (Lei n.º 12.153/2009) 
Art. 2º, Lei n. 12.153/2009: “É de competência dos Juizados Especiais da Fazenda 
Pública processar, conciliar e julgar causas cíveis de interesse dos Estados, do Distrito 
Federal, dos Territórios e dos Municípios, até o valor de 60 (sessenta) salários 
mínimos”. Causas de até 60 (quarenta) salários mínimos. 
 
Art. 2º, § 4º, Lei n. 12.153/2009: “É de competência dos Juizados Especiais da 
Fazenda Pública processar, conciliar e julgar causas cíveis de interesse dos Estados, do Distrito 
Federal, dos Territórios e dos Municípios, até o valor de 60 (sessenta) salários mínimos”. § 4o No 
foro onde estiver instalado Juizado Especial da Fazenda Pública, a sua 
competência é absoluta” – competência absoluta de caráter funcional. 
(3) Causa de valor inferior a 60 salários mínimos – o Justiça Comum é 
absolutamente incompetente. 
(4) Causa de valor superior a 60 salários mínimo – o Juizado Especial da 
Fazenda Pública é absolutamente incompetente. 
 
3) Foros regionais/distritais – competência absoluta funcional. 
 
4.3. Competência Funcional (trata-se de COMPETÊNCIA ABSOLUTA) 
A competência funcional pode ser explicada por quatro maneiras distintas: 
 
1ª) Pelas fases do procedimento 
O juízo que atuou na fase A se torna absolutamente competente para a 
fase B (o juízo da fase A será OBRIGATORIAMENTE o juízo da fase B). essa 
competência para a fase B vem do exercício da função jurisdicional na fase A. 
Exemplos: 
(1) Fase de conhecimento/fase de liquidação de sentença – o juiz que atuou 
na fase de conhecimento e proferiu a sentença ilíquida é absolutamente 
competente para a fase de liquidação de sentença. 
(2) Ação de exigir contas (Arts. 550 a 553, CPC) – primeiro condena o réu 
a prestar contas e depois apura o saldo devedor. O juiz que condena o réu a 
prestar contas é o mesmo que apura o saldo devedor. 
 
OBS. 1: não há competência funcional entre a fase de conhecimento e de 
cumprimento de sentença (Art. 515, CPC: “O cumprimento da sentença efetuar-se-á 
perante: I - os tribunais, nas causas de sua competência originária; II - o juízo que decidiu a causa 
no primeiro grau de jurisdição; III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal 
condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal 
Marítimo. Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o exequente poderá optar 
pelo juízo do atual domicílio do executado, pelo juízo do local onde se 
encontrem os bens sujeitos à execução ou pelo juízo do local onde deva ser 
executada a obrigação de fazer ou de não fazer, casos em que a remessa dos autos 
do processo será solicitada ao juízo de origem”). Num processo sincrético tem-se (1) a 
fase de conhecimento com a prolação da sentença e (2) a fase executiva (ou de 
cumprimento de sentença) – não há competência funcional e a razão está no 
parágrafo único do art. 516 do CPC. 
 
OBS. 2: liquidação individual de sentença coletiva no foro do domicílio do 
indivíduo (Informativo 422, STJ: CC 96.682/RJ, 3ª Seção) – nesse caso, não tem 
competência funcional. Exemplo: sentença coletiva da Comarca de Uruaçu e a 
parte mora em Goianésia a parte pega a sentença e liquida na 
Comarca de Goianésia. 
**Se na sentença coletiva houver a liquidação de sentença coletiva a 
competência volta a ser funcional e, por isso, de competência absoluta (o juiz 
que proferiu a sentença ilíquida e o que vai liquidar essa sentença). 
 
2ª) Relação entre ação principal e ações acessórias e incidentais 
Temos, aqui, a competência absoluta de caráter funcional do juízo da ação 
principal para as ações acessórias e incidentais. Exemplos: 
(1) Reconvenção (Arts. 343, CPC: “Na contestação, é lícito ao réu propor 
reconvenção para manifestar pretensão própria, conexa com a ação principal ou com o 
fundamento da defesa. § 1o Proposta a reconvenção, o autor será intimado, na pessoa de seu 
advogado, para apresentar resposta no prazo de 15 (quinze) dias. § 2o A desistência da ação ou 
a ocorrência de causa extintiva que impeça o exame de seu mérito não obsta ao prosseguimento 
do processo quanto à reconvenção. § 3o A reconvenção pode ser proposta contra o autor e 
terceiro. § 4o A reconvenção pode ser proposta pelo réu em litisconsórcio com terceiro. § 5o Se o 
autor for substituto processual, o reconvinte deverá afirmar ser titular de direito em face do 
substituído, e a reconvenção deverá ser proposta em face do autor, também na qualidade de 
substituto processual. § 6o O réu pode propor reconvenção independentemente de oferecer 
contestação”): é a ação do réu contra o autor no mesmo processo em que aquele 
é demandado. Não é defesa, é demanda. Essa ação amplia objetivamente o 
processo, pois o processo passa a ter novo pedido. Deve ser oferecida na própria 
contestação pelo réu, mas nada impede que seja oferecida separadamente. 
(2) Oposição (Arts. 682 a 686, CPC: “Quem pretender, no todo ou em parte, a coisa 
ou o direito sobre que controvertem autor e réu poderá, até ser proferida a sentença, oferecer 
oposição contra ambos. 
Art. 683. O opoente deduzirá o pedido em observação aos requisitos exigidos para 
propositura da ação. 
Parágrafo único. Distribuída a oposição por dependência, serão os opostos citados, na 
pessoa de seus respectivos advogados, para contestar o pedido no prazo comum de 15 (quinze) 
dias. 
Art. 684. Se um dos opostos reconhecer a procedência do pedido, contra o outro 
prosseguirá o opoente. 
Art. 685. Admitido o processamento, a oposição será apensada aos autos e tramitará 
simultaneamente à ação originária, sendo ambas julgadas pela mesma sentença. 
Parágrafo único. Se a oposição for proposta após o início da audiência de instrução, o juiz 
suspenderá o curso do processo ao fim da produçãodas provas, salvo se concluir que a unidade 
da instrução atende melhor ao princípio da duração razoável do processo. 
Art. 686. Cabendo ao juiz decidir simultaneamente a ação originária e a oposição, desta 
conhecerá em primeiro lugar”): é a ação na qual terceiro deduz em juízo pretensão 
incompatível com os interesses conflitantes do autor e do réu de um processo 
cognitivo pendente. O que caracteriza a pretensão do terceiro é o fato do pedido 
ser relativo ao mesmo bem que as partes originárias disputam. Deve ser 
oferecida até o momento da prolação da sentença. 
 
3ª) Competência por graus de jurisdição (Tribunal) 
Toda competência, de qualquer tribunal, é absoluta funcional: tanto a 
competência recursal quanto a competência originária são absolutas. 
 
4ª) Objeto do juízo 
Numa mesma decisão participam dois diferentes órgãos: procedimento de 
declaração incidental de inconstitucionalidade (arts. 948 a 950, CPC) e no 
incidente de assunção de competência (art. 947, CPC). Numa mesma decisão 
temos (1) o Órgão Pleno (que fixa a tese) e (2) o Órgão Fracionário (que decide 
a ação com base na tese do Pleno). 
Essas competências, dentro da mesma decisão, são absolutas de caráter 
funcional. 
 
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE! Além das 4 hipóteses de competência 
funcional acima estudadas, temos outra (que seria uma 5ª hipótese), criada por 
Chiovenda, que é a competência funcional em razão da facilidade do 
exercício da jurisdição, ou seja, para o jurista italiano determinado território, 
pelo fato de ser no foro mais eficaz e fácil, facilita o exercício da função 
jurisdicional que deve ser considerado de competência absoluta. Nessa 
situação, por ele apresentada, as partes não escolhem porque esse foro é tão 
melhor que os outros (em termos de eficácia, efetividade e facilidade de 
procedimento). O legislador fez isso em duas oportunidades: (1ª) Art. 47, CPC 
(“Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o foro de 
situação da coisa. § 1o O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição 
se o litígio não recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de 
terras e de nunciação de obra nova. § 2o A ação possessória imobiliária será proposta no foro de 
situação da coisa, cujo juízo tem competência absoluta”) – são sete ações reais imobiliárias 
previstas cuja a competência absoluta é a do foro do local do imóvel e (2ª) Art. 
2º, Lei 7.347/85 (“As ações previstas nesta Lei serão propostas no foro do 
local onde ocorrer o dano, cujo juízo terá competência funcional para processar 
e julgar a causa”) – nas ações coletivas a competência absoluta é a do foro do local 
do dano, inclusive o legislador, no art. 2º, chama essa competência de funcional. 
Adotam essa teoria: Nelson Nery, Min. Luiz Fux. 
*Mas Dinamarco e Barbosa Moreira rechaçam essa ideia, pois, para eles, 
quando se fala de competência de foro se fala de competência territorial (a 
competência de determinado local, não interessa por qual razão, é uma 
competência territorial). Sendo válido ressaltar que, é uma competência 
territorial absoluta por imposição da lei. 
 
4.4. Competência em razão da Matéria (trata-se de COMPETÊNCIA 
ABSOLUTA) 
4.4.1. Competência da Justiça 
1) Justiças Especializadas 
Justiça do Trabalho (Art. 114, CF) 
Justiça Eleitoral (Art. 121, CF) 
Justiça Militar (Art. 125, CF) 
 
2. Justiça Comum 
A competência da justiça comum é residual: tudo o que não for matéria da 
justiça especializada será da comum. 
Pode ser: (1) Justiça Federal (art. 109, III, V-A, X, XI, CF) – se a demanda 
versar sobra as matérias previstas nesses incisos a competência é da justiça 
comum federal e (2) Justiça Estadual – que é a competência residual por 
excelência. 
 
4.4.2. Competência do Juízo 
Numa vara especializada a competência em razão da matéria é absoluta. 
Exemplos: as competências das Varas de Família e Sucessões e da Vara dos 
Registros Públicos são absolutas. 
 
Havendo uma vara especializada, de acordo com a lei de organização 
judiciária de cada local, a competência será absoluta. 
 
OBS.: Para se definir a competência deve-se: 
 Federal 
(1º) Definir a justiça competente 
 Estadual 
 
 Comarca 
(2º) Definir a competência do foro 
 Seção ou Subseção Judiciária 
 
 Vara Comum 
(3º) Definir a competência do juízo 
 Vara Especializada 
*A competência do juízo só interessa após a definição da competência do 
foro. 
 
4.5. Competência em razão da Pessoa (ratio personae) 
Trata-se de competência absoluta em razão do sujeito processual (autor, 
réu e 3º interveniente). 
 
4.5.1. Competência da Justiça (Art. 109, I, II, VII, CF) 
OBS.: intervenção de ente federal em processos em trâmite na Justiça 
Estadual – Art. 45, CPC: Art. 45. “Tramitando o processo perante outro juízo, 
os autos serão remetidos ao juízo federal competente se nele intervier a 
União, suas empresas públicas, entidades autárquicas e fundações, ou 
conselho de fiscalização de atividade profissional, na qualidade de parte 
ou de terceiro interveniente, exceto as ações: I - de recuperação judicial, 
falência, insolvência civil e acidente de trabalho; II - sujeitas à justiça 
eleitoral e à justiça do trabalho. § 1o Os autos não serão remetidos se houver 
pedido cuja apreciação seja de competência do juízo perante o qual foi proposta 
a ação. § 2o Na hipótese do § 1o, o juiz, ao não admitir a cumulação de pedidos 
em razão da incompetência para apreciar qualquer deles, não examinará o 
mérito daquele em que exista interesse da União, de suas entidades autárquicas 
ou de suas empresas públicas. § 3o O juízo federal restituirá os autos ao juízo 
estadual sem suscitar conflito se o ente federal cuja presença ensejou a 
remessa for excluído do processo”). 
 
4.5.2. Competência do Juízo 
A maioria das varas especializadas existem em razão da matéria, mas isso 
não exclui a existência de varas especializadas em razão da pessoa. O exemplo 
mais comum e que toda Comarca grande tem é o da Vara da Fazenda Pública, 
que reúne todas as ações que tem os Estados e Municípios como parte). 
 
OBS.: havendo vara especializada em razão da pessoa o procedimento 
para definir a competência é o mesmo utilizado para definir a competência em 
razão da matéria (item 4.4.2). 
 
5. PRORROGAÇÃO DA COMPETÊNCIA 
Significa tornar concretamente competente um juízo abstratamente 
competente. 
 
5.1. Prorrogação Legal 
Há duas hipóteses em que teremos a prorrogação da competência: 
 
5.1.1. Conexão e continência 
A) Conceito 
A.1) Conexão 
Identidade da causa de pedir ou do pedido (Art. 55, caput, CPC: “Reputam-
se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir”). 
Sempre que tiver duas ou mais ações com as mesmas causas de pedir ou os 
mesmos pedidos se tem uma conexão entre elas. 
A.2) Continência 
Identidade das partes, causa de pedir e o pedido de uma ação, por ser mais 
amplo, abrange os das demais (Art. 56, CPC: “Dá-se a continência entre 2 (duas) ou 
mais ações quando houver identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o pedido de uma, 
por ser mais amplo, abrange o das demais”). 
Exemplo: ação de cobrança de um contrato de 10 parcelas vence 
a primeira parcela (o contratante ingressa com uma ação de cobrança exigindo 
o pagamento da parcela vencida) e espera que o contratado pague a 2ª, mas 
isso não ocorre. Sendo válido ressaltar que existe uma cláusula no contrato que 
diz que “não ocorrendo o pagamento há o vencimento antecipado das parcelas 
vincendas” e que não foi exigidoo cumprimento na primeira ação. O autor 
ingressa com uma nova ação (mesmas partes, mesma causa de pedir, com o 
pedido mais amplo – o contratante quer receber o contrato inteiro). 
OBS.: A continência é uma conexão qualificada, pois se há identidade da 
causa de pedir tem-se a conexão, isto significa que em toda continência tem uma 
conexão. 
 
B) Efeitos da conexão e da continência 
B.1) Efeitos da conexão 
Reunião dos processos perante o juízo prevento (art. 58, CPC: “A reunião das 
ações propostas em separado far-se-á no juízo prevento, onde serão decididas simultaneamente”) 
que provoca a prorrogação da competência. 
*Juízo prevento é o juízo em que primeiramente ocorreu o registro ou a 
distribuição da petição inicial – art. 59, CPC: “O registro ou a distribuição da petição 
inicial torna prevento o juízo”. 
 
OBS. 1: não há reunião de ações conexas se uma delas já tiver sido 
sentenciada (Súmula 235, STJ: “A conexão não determina a reunião dos processos, se um 
deles já foi julgado” – Art. 55, § 1º, CPC: “Os processos de ações conexas serão reunidos 
para decisão conjunta, salvo se um deles já houver sido sentenciado”). 
A principal razão de ser dessa reunião é a harmonização do julgado, ou 
seja, é evitar decisões contraditórias ou conflitantes. Se uma das ações já foi 
sentenciada ou não houve recurso e ela já transitou em julgado ou houve um 
recurso e não dá para evitar uma desarmonia (um processo no Tribunal e outro 
no 1º grau). 
 
OBS. 2: conexão entre ação de execução e de conhecimento relativa ao 
mesmo ato jurídico (art. 55, § 2º, I, CPC: “Aplica-se o disposto no caput: I – à execução 
de título extrajudicial e à ação de conhecimento relativa ao mesmo ato jurídico”). Essa conexão 
prevista em lei, na verdade, não existe porque nunca se terá a mesma causa de 
pedir e o pedido. Na ação de execução a causa de pedir é o título executivo e 
o pedido é a satisfação do direito; na ação de conhecimento a causa de pedir 
não será o título executivo e o pedido não será a satisfação do direito. Se 
previu essa conexão apenas para conseguir o efeito da reunião desses 
processos perante o juízo prevento (se a ação de execução e a ação de 
conhecimento tratam do mesmo ato jurídico é absolutamente conveniente que 
elas sejam resolvidas pelo mesmo juízo). 
 
OBS. 3: conexão entre ações de execução fundadas no mesmo título 
executivo - mesma causa de pedir (art. 55, § 2º, II, CPC: “Aplica-se o disposto no 
caput: II – às execuções fundadas no mesmo título executivo”). 
 
OBS. 4: reunião de ações não conexas sempre que exista riscos de 
prolação de decisões conflitantes ou contraditórias (art. 55, § 3º, CPC: “Aplica-se 
o disposto no caput: Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar 
risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, 
mesmo sem conexão entre eles”). O legislador optou por reunir (= efeito da conexão) 
ações não conexas sempre que houver o risco de desarmonia do julgado, ou 
seja, sempre que houver o risco de decisões conflitantes ou contraditórias 
teremos a reunião das demandas. 
 
B.2) Efeitos da continência 
Ação continente que tiver sido proposta anteriormente, o processo relativo 
à ação contida será extinto sem resolução do mérito; caso contrário, as ações 
serão necessariamente reunidas (Art. 57, CPC: “Quando houver continência e a ação 
continente tiver sido proposta anteriormente, no processo relativo à ação contida será proferida 
sentença sem resolução de mérito, caso contrário, as ações serão necessariamente reunidas”). 
A continência pode levar: 
(A) Reunião dos processos (dilatória); ou 
(B) Extinção dos processos (peremptória) – dependendo da 
prevenção do juízo. 
*Se o juízo prevento for o da ação continente (ação mais ampla) – a 
ação contida menos ampla será extinta. 
*Se o juízo prevento for o da ação contida – a ação continente será 
reunida à contida no juízo prevento. 
 
C) Juízo prevento 
Previsto no art. 59, CPC: “O registro ou a distribuição da petição inicial torna 
prevento o juízo”. 
 
1º Registro (toda inicial é registrada, num foro de vara única só existe o 
registro (não se distribui) 
1ª Distribuição (só se tem distribuição em foro com mais de uma vara; num 
foro com mais de uma vara depois do registro vem a distribuição. 
 
5.1.2. Ausência de alegação de incompetência relativa 
Art. 65, caput, CPC: “Prorrogar-se-á a competência relativa se o réu não alegar a 
incompetência em preliminar de contestação”. 
Art. 63, §§ 3º e 4º, CPC: “As partes podem modificar a competência em razão do valor 
e do território, elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações. § 3o Caso 
a alegação de incompetência seja acolhida, os autos serão remetidos ao juízo competente. § 4o 
Salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão proferida pelo 
juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente”. Juiz só 
pode conhecer de ofício a incompetência relativa antes de citar o réu (cláusula 
abusiva de eleição de foro) – o juiz declara ineficaz a cláusula de eleição de foro, 
reconhece a incompetência territorial e remete o processo para o foro de 
domicílio do réu. 
 Essa atuação do juiz evita a prorrogação da competência. 
 
5.2. Prorrogação Voluntária 
Decorre de ato de vontade das partes. 
 
5.2.1. Cláusula de eleição de foro 
É uma espécie de negócio jurídico processual (as partes escolhem a 
Comarca ou Seção/Subseção judiciária. 
Art. 63, caput, CPC: “As partes podem modificar a competência em razão do valor e do 
território, elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações”. 
*Esse artigo prevê que a cláusula de eleição de foro é aplicável à 
competência territorial (desde que relativa) e à incompetência em razão do valor 
da causa (inaplicável porque as partes não podem modificar competência de foro 
central/regional e nem dos Juizados Especiais). 
*Esse artigo tem um erro grave, pois quando se fala em cláusula de 
eleição de foro fala-se de competência territorial, ou seja, escolher o foro é 
escolher o território que a demanda vai tramitar, nada a ver, portanto, com o valor 
da causa. Além disso, o valor da causa não pode ser modificado pela vontade 
das partes porque ela é, em regra, absoluta. 
 
Requisitos formais da cláusula de eleição de foro: 
1º) Só é aplicável às relações jurídicas de direito obrigacional (não é 
qualquer relação jurídica processual que admite a cláusula de eleição de foro). 
2º) É, necessariamente, uma cláusula escrita. 
3º) Tem que indicar negócio jurídico específico (não existe cláusula de 
eleição de foro geral). 
4º) Não se pode escolher a justiça e nem o juízo (competência absoluta). 
Na cláusula de eleição de foro as partes só escolhem o foro, pois tanto a 
competência da justiça quanto a competência do juízo são competências em 
razão da matéria ou em razão da pessoa, que são espécies de competência 
absoluta (não há nenhuma possibilidade das partes transigirem sobre ela). 
 
5.2.2. Vontade unilateral do autor 
O autor pode, unilateralmente, prorrogar a competência. 
Foro geral sempre que a regra for foro do domicílio do autor. O autor tem, 
no caso concreto, uma regra legal que aponta o foro do domicílio do autor como 
competente – foro especial. 
Exemplo: Art. 101, I, CDC (“Na ação de responsabilidade civil do fornecedor de 
produtos e serviços, sem prejuízo do disposto nos Capítulos I e II deste título, serão observadas 
as seguintes normas: I – a ação pode ser proposta no domicílio do autor”) – o consumidor 
decide propor a ação no foro do domicílio do fornecedor – abre mão da proteção 
legal e prorroga a competência por vontade unilateral. 
Para Dinamarco e Marcato o réu só poderá alegar incompetência do juízo 
se provar prejuízo na escolha do autor. 
 
6. PRINCÍPIO DA PERPETUATIO JURISDICTIONIS(CUIDADO!!! 
PERPETUATIO JURISDICTIONIS trata da PERPETUAÇÃO DA 
COMPETÊNCIA e não da jurisdição) 
O objetivo da perpetuatio jurisdictionis é: EVITAR QUE O PROCESSO SE 
TORNE ITINERANTE. 
Art., 43, CPC: “Determina-se a competência no momento do registro ou da 
distribuição da petição inicial, sendo irrelevantes as modificações do estado de 
fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem órgão 
judiciário ou alterarem a competência absoluta”. 
*Esse artigo prevê que no momento do registro ou da distribuição se 
perpetua a competência, isto significa que as alterações fáticas ou jurídicas 
supervenientes não alteram a competência do processo. 
 
Exceções: 
(1ª) Qualquer mudança de competência absoluta (pode derivar de 
uma situação fática ou jurídica). 
Exemplo: litígio entre José X BACEN e Itaú como o 
Banco Central figura no polo passivo a ação deve ser proposta na Justiça 
Federal (Art. 109, I, CF: “Aos juízes federais compete processar e julgar: I – as causas 
em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na 
condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de 
trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho”) a ação é 
proposta o juiz, ao analisar a inicial, verifica que o BACEN é 
parte ilegítima e o exclui do processo Resultado: sobram no 
processo o José e o Itaú. 
 Pergunta: diante desse novo cenário, criado por um 
fato novo, a Justiça Federal continua competente? 
Não! Num processo entre José e o Banco Itaú a competência é da 
justiça estadual. No caso em tela, o juiz deve reconhecer, imediatamente, a 
incompetência absoluta e remeter o processo para a justiça competente 
(estadual). 
A competência não se prorrogou porque houve uma mudança de 
competência absoluta no decorrer do processo. 
 
(2ª) Extinção do órgão jurisdicional. 
 
OBS. 1: a criação de uma nova seção/subseção judiciária (Informativo 
783, STF) e nova vara ou comarca (STJ, 2ª Turma, REsp. 1.373.132/PB) não 
excepciona a perpetuatio jurisdictionis, pois essa criação é um fato novo que 
muda a competência territorial. 
CUIDADO!!! A única possibilidade de criação de novo foro gerar uma 
alteração da competência (excepcionar a perpetuatio jurisdictionis) é quando 
essa mudança da competência territorial for, excepcionalmente, a competência 
territorial absoluta. Exemplo: 
 
 Município 1 (M1) 
 
 COMARCA A 
 
 Município 2 (M2) 
 
 
 
 
 
 
 
TRIBUNAL DE JUSTIÇA resolve: 
 
 
 Município 1 Comarca A 
 
 
 
 Município 2 Comarca B 
 
 
Na Comarca A (M1 + M2) tinha uma ação real imobiliária de um imóvel 
situado no Município 2, no momento que o Município 2 passa a ser da Comarca 
B a competência absoluta passa a ser desse nova Comarca. Nesse caso, tem-
se, em tese, uma exceção ao princípio da perpetuatio jurisdictionis porque a 
competência absoluta foi alterada. Mas, como em regra, a competência territorial 
é relativa, o entendimento é que não haverá uma exceção nesse caso. 
 
OBS. 2: o Superior Tribunal de Justiça, tanto numa ação de alimentos (STJ, 
2ª Seção, CC 114.461/SP) quanto numa ação de guarda de incapaz (STJ, 2ª 
Seção, 114.782/RS), entendeu que a alteração do domicílio do autor, durante o 
processo, é o suficiente para a mudança da competência territorial. Nesses 
casos, o STJ criou uma exceção não prevista no art. 43, CPC. 
 
7. CONFLITO DE COMPETÊNCIA 
7.1. Conceito 
O artigo 66 do Código de Processo Civil nos dá o conceito: “há conflito de 
competência quando (I) 2 (dois) ou mais juízes se declaram competentes, ou 
(II) 2 (dois) ou mais juízes se consideram incompetentes, atribuindo um ao 
outro a competência; ou (III) entre 2 (dois) ou mais juízes surge controvérsia 
acerca da reunião ou separação de processos”. 
 
Segundo a doutrina tradicional temos: 
A) Conflito de competência positivo 
Ocorre quando 2 ou mais juízes se declaram competentes para o 
julgamento (inciso I do art. 66 do CPC). 
*No conflito de competência positivo basta que ambos pratiquem atos 
que demonstrem que entendem ser competentes, ou seja, no conflito positivo 
não é necessária decisão declarando a competência, a simples circunstância 
dos juízes atuarem como competentes é o suficiente para se constatar um 
conflito positivo de competência. 
B) Conflito de competência negativo 
Ocorre quando 2 ou mais juízes se declaram incompetente (incisos II 
e III do art. 66 do CPC). 
*No conflito de competência negativo, os juízos envolvidos devem 
atribuir reciprocamente a competência para a demanda, ou seja, no conflito 
negativo o juízo A tem que dizer que a competência é do juízo B e vice-versa 
(tem que ter “acusações recíprocas de competência). 
 
7.2. Natureza jurídica 
A natureza jurídica do conflito de competência é de incidente processual (é 
uma questão controversa secundária e acessória que surge no curso de um 
processo e que precisa ser julgada antes da decisão do mérito da causa 
principal). 
 
7.3. Legitimidade para alegar o conflito de competência 
Segundo o art. 951, caput, CPC: “O conflito de competência pode ser 
suscitado por qualquer das partes, pelo Ministério Público ou pelo juiz”. 
(1) Qualquer das partes no processo (autor, réu, assistentes, terceiros 
intervenientes, dentre outros). 
(2) Ministério Público como fiscal da ordem jurídica (nos casos 
previstos no art. 178, CPC). 
(3) Juiz pode alegar de ofício. 
 
De acordo com o art. 952, CPC (“Não pode suscitar conflito a parte que, 
no processo, arguiu incompetência relativa”): se o réu já tiver alegado a 
incompetência relativa não pode suscitar o conflito de competência (ou o réu 
alega a incompetência relativa ou suscita o conflito de competência). 
 
OBS. 1: No CPC/73 todo conflito de competência demandava a 
participação obrigatória do MP como fiscal da lei. No CPC/2015, a atuação do 
MP no conflito de competência não é mais hipótese de intervenção necessária, 
pois como fiscal da ordem jurídica ele só participa do conflito de competência se 
presentes, no caso concreto, uma das hipóteses previstas no art. 178, CPC. 
 
7.4. Competência para julgar o conflito de competência 
O conflito de competência sempre será decidido por tribunal. 
STF (Art. 102, I, “o”, CF: “Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a 
guarda da Constituição, cabendo-lhe: I – processar e julgar, originariamente: o) os conflitos 
de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer tribunais, entre 
Tribunais Superiores, ou entre estes e qualquer outro tribunal”). 
 
STJ (Art. 105, I, “d”, CF: “Compete ao Superior Tribunal de Justiça: I – 
processar e julgar, originariamente: d) os conflitos de competência 
entre quaisquer tribunais, ressalvado o disposto no art. 102, I, "o", bem 
como entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vinculados 
a tribunais diversos”). 
 
TJ (julga conflitos de competência entre Comarcas)/TRF (julga conflitos de 
competência entre seções/subseções judiciárias) – juízos de primeiro grau 
vinculados ao mesmo tribunal do segundo grau. 
 
OBS. 1: conflito de competência entre justiça comum e Juizados Especiais: 
1) competência do TRF (Súmula 428, STJ: “Compete ao Tribunal Regional 
Federal decidir os conflitos de competência entre juizado especial federal e juízo 
federal da mesma seção judiciária”) e 2) competência do TJ (STJ, 2ª Seção, 
CC 100.609/MG). 
 
OBS. 2: Súmula 3, STJ: “Compete aotribunal regional federal dirimir 
conflito de competência verificado, na respectiva região, entre juiz 
federal e juiz estadual investido de jurisdição federal”. O TRF é o 
tribunal competente para resolver conflito de competência entre uma vara federal 
e uma estadual atuando por delegação). 
 
7.5. Procedimento para alegação do conflito de competência. 
1º) Início por petição (partes ou MP) ou ofício (o próprio juiz envolvido no 
conflito) dirigido ao presidente do tribunal (documentos necessários à prova do 
conflito). 
 
2º) Relator determina o sobrestamento* e indica o juízo responsável por 
medidas urgentes**. 
*Sobrestamento é a suspensão/paralisação do que se estava 
executando, em razão de qualquer fato, que a tenha autorizado, ou para que se 
cumpra qualquer outra medida necessária à continuação ou ao prosseguimento 
do que se sobrestou. 
**Exemplo: conflito de competência entre as comarcas de Goianésia 
e Uruaçu – suspende-se os 2 processos e indica a Comarca de Goianésia para 
tomar medidas de urgência, caso sejam necessárias. 
 
3º) Oitiva dos juízes envolvidos no conflito em prazo a ser fixado pelo 
relator. 
 
4º) 5 dias de prazo para a manifestação do MP, quando ele participar (não 
é obrigatória). Mesmo que o MP não se manifeste o procedimento segue (Art. 
956, CPC: “Decorrido o prazo designado pelo relator, será ouvido o Ministério 
Público, no prazo de 5 (cinco) dias, ainda que as informações não tenham sido 
prestadas, e, em seguida, o conflito irá a julgamento”). 
OBS.: não há previsão legal para a oitiva das partes do processo envolvido 
no conflito de competência. Segundo o Professor Daniel Assumpção, a oitiva 
deveria ser feita em respeito ao princípio do contraditório. 
 
5º) A decisão pode ser monocrática (Parágrafo único do art. 955 do CPC: 
“O relator poderá julgar de plano o conflito de competência quando sua 
decisão se fundar em: I – súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior 
Tribunal de Justiça ou do próprio tribunal; II – tese firmada em julgamento de 
casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência”). 
*Contra a decisão monocrática caberá o agravo interno (art. 1.021, CPC: 
“Contra decisão proferida pelo relator caberá agravo interno para o respectivo órgão 
colegiado, observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno do tribunal”). 
*Se não houver a possibilidade de decisão monocrática (hipóteses do 
parágrafo único do art. 955 do CPC) far-se-á o julgamento colegiado. Seja um 
julgamento monocrático, seja um julgamento colegiado o que o tribunal faz é 
decidir o juízo competente e decidir sobre a validade dos atos praticados pelo 
juízo incompetente.

Mais conteúdos dessa disciplina