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9
EFEITOS DO MÉTODO DE GINÁSTICA ABDOMINAL HIPOPRESSIVA SOBRE A COMPOSIÇÃO CORPORAL DAS MULHERES
 FRANCIELE ALINE TONINI[footnoteRef:1] [1: Acadêmica do Curso de Educação Física da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas – Facisa/Funoesc Xaxim.] 
SANDRO CLARO PEDROZO[footnoteRef:2] [2: Professor do curso de Educação Física da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas – Facisa/Funoesc Xaxim.
] 
RESUMO: Os músculos abdominais influenciam os movimentos das vísceras alterando o tônus. Eles intervêm frequentemente nos movimentos do corpo, acompanhando ou direcionando os movimentos do tronco; também podem estabilizá-lo, permitindo o jogo de amplitude dos braços e das pernas. Nesta pesquisa, foi possível verificar os efeitos de um programa de treinamento LPF sobre características antropométricas, neuromusculares e posturais de mulheres. Com a participação de 16 mulheres, entre 20 e 60 anos foram realizados testes para identificar os benefícios da utilização do método de ginástica abdominal hipopressiva e foi possível vislumbrar que o referido método possui resultados satisfatórios. 
Palavras-chave: Mulher. Ginastica. Hipopressiva. Abdome. Resultados. 
1. INTRODUÇÃO
O envelhecimento populacional, observado em quase todo o mundo, traz importantes consequências para os serviços de saúde. Como as mulheres vivem mais que os homens, são a maioria entre os idosos e, com isso, espera-se um aumento da demanda por tratamentos específicos para esse segmento da população. As disfunções do assoalho pélvico (AP), incluindo o prolapso genital e a incontinência urinária, são extremamente frequentes em mulheres idosas, uma vez que a idade é um dos fatores de risco mais relevantes para tais disfunções. Raramente resultam em morbidade grave ou mortalidade, entretanto, estão relacionadas a limitação das atividades de vida diária e restrição na participação social, com piora da qualidade de vida (BARACHO, 2018).
As mudanças históricas nos últimos tempos tornaram as mulheres do século 21 mais livres que suas antepassadas nas suas escolhas pessoais, sociais e políticas. Entre os vários direitos conquistados, pode-se citar o direito ao voto, ao prazer sexual e ao controle da natalidade. O horizonte feminino se ampliou para muito além do reservado e esperado pela sociedade: ser mãe. A maternidade tornou-se uma das muitas escolhas possíveis e não mais o destino da mulher (PINTO et al., 2019).
Entretanto, a sua natureza singular – menstruar, ciclar, engravidar, amamentar – é condição intrínseca do feminino e que favorece o comportamento criativo, inovador e multifacetário no âmbito da maternidade, no ambiente de trabalho e nas relações familiares e sociais (PINTO et al., 2019).
Os músculos da parede abdominal têm a importante função de garantir a estabilização ventral do tronco. Eles reagem à oscilação da pressão intra-abdominal juntamente com os músculos do AP e contribuem para a fixação dos órgãos pélvicos (BARACHO, 2018).
A técnica hipopressiva surgiu nos anos 80 como uma alternativa para a recuperação da musculatura abdominal e perineal no pós parto, no âmbito terapêutico da fisioterapia obstétrica (LPF BRASIL, 2019).
Isso deve-se a uma regulação da pressão da cavidade abdominal em virtude do reposicionamento dos órgãos internos e a uma melhora no tônus de repouso da musculatura abdominal, principalmente da musculatura profunda do CORE, tornando a musculatura mais firme mesmo quando relaxada (LPF BRASIL, 2019).
O LPF trata-se de uma excelente ferramenta para prevenir e tratar mulheres com IUE (Incontinência Urinária de Esforço). São exercícios posturais e respiratórios, baseado em posturologia, técnica hipopressiva, neurôdinamica e cadeias miofasciais. Estes exercícios reposicionam os órgãos internos, diminuindo deste modo a pressão intra-abdominal e intra-pélvica ao mesmo tempo que tonificam a musculatura estabilizadora lombo-pélvica (LPF BRASIL, 2019).
Dentre os benefícios elencados pela utilização da técnica estão: tonificar o assoalho pélvico; melhora da postura; diminuir dores de coluna; ativar o metabolismo basal; controlar os problemas de incontinência urinária; melhorar a circulação; melhorar o funcionamento intestinal; acelerar a recuperação pós-parto; combater a insônia; melhorar o desempenho sexual; e aumentar da capacidade cardiorrespiratória. Verificar os efeitos de um programa de treinamento LPF sobre características antropométricas, neuromusculares e posturais de mulheres (CARVALHO, 2019).
2. MATERIAIS E MÉTODOS
Essa pesquisa caracterizou-se como descritiva do tipo experimental de abordagem quantitativa.
A pesquisa descritiva abordou aspectos descritivos, registros, análise e interpretação dos fenômenos atuais com o objetivo funcional no presente. Já a quantitativa utilizou basicamente de recursos estatísticos como forma de identificar as causas e conhecer um fenômeno/problema. Foi composta pelo público feminino, mulheres pertencentes às cidades de Xaxim/SC e Xanxerê/SC.
A amostra foi representada por 16 (dezesseis) indivíduos do sexo feminino, sendo mulheres entre os 20 (vinte) anos até 60 (sessenta) anos de idade. A amostra requereu, de acordo com a idade pré-selecionada, que praticassem atividades físicas regularmente pelo menos duas vezes na semana e estivessem dispostas a se comprometer em participar dos testes de avaliação e do protocolo de treinamento LPF por doze semanas. 
Essa duração de três meses realizou-se em encontros semanais com duração de 30 à 45min por sessão com monitoramento, e uma pratica diária de dez minutos como tarefa de casa.
Foram realizados quatro testes: muscular diafragmático (feito com a mão na porção próxima ao ângulo de Sharpy, abaixo do gradil costal, palpando o músculo diafragma); avaliação postural; teste de flexibilidade (utilizado para mensurar a flexibilidade da coluna torácica e lombar (na flexão da coluna) e dos músculos isquiotibiais (na flexão do quadril); e de antropometria método ISAK (para os cálculos da composição corporal, indicadores de saúde, proporcionalidade e somatotipo dos indivíduos).
Os testes ocorreram em dois estúdios respectivos de Xaxim/SC, e Xanxerê/SC. O primeiro – teste muscular diafragmático – o indivíduo deveria deitar-se em decúbito dorsal, em um colchonete, a avaliação ocorreu por meio de observação ventilatória e palpação diafragmática com a mão sob o sujeito, o resultado foi averiguado e registrado em uma escala de avaliação de 0 a 3. 
O segundo – coleta de dados posturais – realizou-se nas dependências dos estúdios. Para a avaliação foram utilizados a ficha de dados, câmera do aparelho celular e o tripé. 
O terceiro – teste de flexibilidade – se dá em centímetros, à partir da posição mais longínqua que o aluno alcançou com as pontas dos dedos em uma escala. Desta forma, registrou-se o melhor resultado entre duas execuções.
O quarto – avaliação antropométrica de medidas – foram realizadas e digitadas no software perfil por perfil dos indivíduos e anexados à um arquivo com os dados finais que o teste gerou. 
3. RESULTADOS
	De acordo com os métodos utilizados para execução do estudo apresentado, foi possível avaliar o grau de evolução nas amostras realizadas com 16 mulheres.
	Quanto à idade morfológica, cálculo de índice de massa corporal e avaliação musculoesquelética, houve uma melhora nos valores apresentados. A avaliação postural também obteve resultados positivos.
Segundo Carvalho (2019), a manobra hipopressiva inicia-se na posição de pé, com as seguintes medidas: 
- Uma inspiração costal com elevação das costelas inferiores, seguida de expiração total, apneia e fechamento da glote. Nesse momento, os músculos acessórios inspiratórios (serrátil anterior, intercostais, escalenos e esternocleidomastóideo) são contraídos, provocando uma abertura das costelas inferiores e a elevação da caixa torácica. A manutenção da apneia (8 a 15 segundos) mantém a contração dos músculos acessórios da inspiração, que induz a elevação das cúpulas diafragmáticas, com consequente queda da pressão abdominal e deslocamento anterior do centro de gravidade(autoalongamento axial);
- A posição dos membros inferiores deve permanecer com as mãos em flexão dorsal, voltadas para dentro, com os cotovelos semifletidos voltados para frente e ombros relaxados;
Durante a ginástica, há uma diminuição de aproximadamente 50 mmHg da pressão no recinto manométrico abdominal, que repercute em uma aspiração das vísceras para cima, com contração reflexa das fibras musculares tipo I dos MAPs e da região abdominal. Tal condição resulta na normalização das tensões intrínsecas de todas as estruturas musculoaponeuróticas antagonistas ao diafragma, envolvendo todos os grandes grupos musculares esqueléticos do corpo (CARVALHO, 2019).
TABELA 1 - CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA
	
	
	PRÉ-TESTE
	PÓS-TESTE
	
	
	
	
	
	
	
	
	n
	Média (dp)
	Média (dp)
	
	
	
	
	
	
	
	Idade (anos)
	
	42,62 (10,24)
	42,62 (10,24)
	
	
	
	
	
	
	
	Peso (kg)
	16
	60,91 (8,22)
	60,61 (8,54)
	
	
	
	
	
	
	
	Estatura (cm)
	
	161,70 (4,94)
	161,70 (4,94)
	
	
	
	
	
	
	
TABELA 2 – COMPARAÇÃO ENTRE OS VALORES MÉDIOS DA AVALIAÇÃO MORFOLÓGICA E MUSCULOESQUELÉTICA
	
	PRÉ-TESTE
	PÓS-TESTE
	
	
	Média (dp)
	Media (dp)
	p-valor
	IMC (kg/m2)
	23,28 (2,93)
	23,16 (3,03)
	0,382
	CC (cm)
	78,42 (9,11)
	74,62 (9,21)
	<0,001*
	% G (%)
	27,29 (5,03)
	26,98 (5,35)
	0,053
	Diafragma
	1,00 (0,73)
	2,12 (0,81)
	<0,001*
	Sentar e alcançar (cm)
	26,97 (7,71)
	31,75 (6,39)
	<0,001*
*p<0,05.
TABELA 3 – DISTRIBUIÇÃO DAS VARIÁVEIS EM ESTUDO ANTES E APÓS A INTERVENÇÃO
	
	Pré-teste
	Pós-teste
	
	n (%)
	n (%)
	Desvios Posturais
	
	
	Ausência de desvios
	4 (18,8)
	7 (43,8)
	Presença de desvios
	12 (81,2)
	9 (56,2)
	Estado Nutricional
	
	
	Normal
	12 (75,0)
	13 (81,2)
	Sobrepeso
	3 (18,8)
	2 (12,5)
	Obesidade
	1 (6,3)
	1 (6,3)
	Adiposidade Abdominal
	
	
	Normal
	8 (50,0)
	11 (68,8)
	Moderada
	5 (31,2)
	3 (18,8)
	Elevada
	3 (18,8)
	2 (12,5)
	Flexibilidade 
	
	
	Fraco
	4 (25,0)
	0 (0,0)
	Abaixo da média
	1 (6,2)
	2 (12,5)
	Média
	4 (25,0)
	4 (25,0)
	Acima da média
	5 (31,3)
	6 (37,5)
	Excelente
	2 (12,5)
	4 (25,0)
	Força muscular diafragmática
	
	
	Grau 0
	4 (25,0)
	0 (0,0)
	Grau 1
	8 (50,0)
	4 (25,0)
	Grau 2
	4 (25,0)
	6 (37,5)
	Grau 3
	0 (0,0)
	6 (37,5)
4. DISCUSSÃO
Existe uma diferença entre a pelve masculina e a feminina. As mulheres tendem a possuir menos massa muscular do que os homens, sendo que a pelve da mulher adulta é, via de regra, mais uniforme e mais leve e tem protuberâncias menores para inserção de músculos ou ligamentos. A procriação também é um motivo para a existência desta diferença (BECKER, 2019).
Na mulher, os órgãos da pelve menor (bexiga, útero, reto) são recobertos pelo peritônio parietal pélvico. Graças à continuidade dos ligamentos largos, o peritônio parietal pélvico adere lateralmente às paredes pélvicas que constituem as aponeuroses dos obturadores e dos elevadores (BUSQUET-VANDERHEYDEN, 2009).
O peritônio encontra-se em contato, de um lado, com a face interna da cavidade abdominal e, de outro, com a face externa dos órgãos. Ela é fechada no homem e aberta na mulher no nível do pavilhão da tuba uterina e do ovário. É uma membrana serosa composta por dois folhetos (BUSQUET-VANDERHEYDEN, 2009).
Segundo Cintas (2019), para que o ciclo respiratório aconteça satisfatoriamente, é necessário que o centro respiratório dorsal do bulbo envie o estímulo inspiratório através da via parassimpática para que os músculos inspiratórios se contraiam. O diafragma é um músculo de função respiratória. Ele é composto por uma lâmina músculo-fibrosa curvada que divide a cavidade torácica da cavidade abdominal. (CINTAS, 2019).
O diafragma também possui as funções de: mobilidade visceral; retorno venoso e linfático; e contenção gastroesofágica. A contração do diafragma aumenta a pressão abdominal, a pressão torácica e a pressão craniana (CINTAS, 2019).
Durante uma respiração em repouso, a expiração acontece quando houver o relaxamento do diafragma e dos músculos intercostais externos, e as propriedades elásticas do tórax e dos pulmões causam diminuição passiva do volume torácico. Além disso, as contrações dos músculos abdominais ajudam a empurrar os órgãos abdominais e o diafragma para cima (BECKER apud VANPUTTE; REGAN; RUSSO, 2016).
Os músculos abdominais influenciam os movimentos das vísceras alterando o tônus. Eles intervêm frequentemente nos movimentos do corpo, acompanhando ou direcionando os movimentos do tronco; também podem estabilizá-lo, permitindo o jogo de amplitude dos braços e das pernas (CALAIS-GERMAIN, 2013).
A ginástica abdominal hipopressiva, associada à aspiração diafragmática, pode ser sugerida como método auxiliar na reeducação abdominal e na estabilização vertebral, pois objetiva restituir o tônus e a força dos músculos envolvidos na sustentação visceral abdominal, ambas pautadas pela variação de pressão intracorpórea (CALAIS-GERMAIN, 2013).
A técnica hipopressiva é um tipo de exercício que tem como foco principal a contração do abdômen, promovendo um estiramento das fáscias, que são os tecidos que envolvem grupos musculares, músculos, nervos e vasos sanguíneos (PILATES, 2019).
Alternativamente, a ginástica hipopressiva terapêutica também pode ser utilizada no período do puerpério. Ela foi idealizada para promover o fortalecimento dos músculos abdominais em detrimento da prática de exercícios abdominais hiperpressivos (flexão anterior do tronco), em que o vetor de força resultante é transferido no sentido caudal em direção ao diafragma pélvico, que pode provocar sobrecarga muscular e predisposição a incontinência urinária (CARVALHO, 2019).
A ginástica hipopressiva é uma técnica que, por meio do estímulo da musculatura acessória respiratória, relaxa o diafragma, diminui a pressão abdominal e reflexamente tonifica tanto a musculatura abdominal quanto a do assoalho pélvico (AP). Os registros da pratica e surgimento da técnica marcam os anos 80 pela grande repercussão na Europa (CALAIS-GERMAIN, 2013).
No pós parto, por exemplo, para Busquet-Vanderheyden (2009), somente a ginástica hipopressiva, praticada em paralelo, favorece o retorno e a reabsorção de líquidos respeitando a fisiologia e a anatomia do peritônio. Praticada metodicamente, essa ginástica hipopressiva facilita a aspiração de líquidos, a aspiração visceral e a melhoria da tonicidade abdominal, bem como a do assoalho pélvico.
5. CONCLUSÕES
REFERÊNCIAS
BARACHO, Elza. Fisioterapia aplicada à saúde da mulher. 6 Ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018, 514 p.
BECKER, Roberta Oriques. Medicina – Anatomia. Porto Alegre: Sagah, 2018, 566 p.
BUSQUET-VANDERHEYDEN, Michèle. As Cadeias Fisiológicas: a cadeia visceral abdome/pelve. Descrição e tratamento. Volume VI. 2 Ed. Barueri: Editora Manole Ltda, 2009. 156 p. 
CALAIS-GERMAIN, Blandine. Exercícios abdominais sem riscos. Barueri: Manole, 2013. 159 p.
CARVALHO, Marcus Renato de. Amamentação: bases científicas. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019. 533 p.
CINTAS, Janaina. O ato respiratório: como trabalhar respiração na fisioterapia. Disponível em: < https://janainacintas.com.br/respiracao-na-fisioterapia/> Acesso em 30 jun. 2019.
LPF BRASIL. LPF e Incontinência Urinária. Disponível em: <http://www.lpfbrasil.com.br/lpf-e-incontine%cc%82ncia-urinaria/> Acesso em 01 jul. 2019.
LPF BRASIL. Protocolo de Exercícios Hipopressivos para o tratamento de Incontinência Urinária. Disponível em: <http://www.lpfbrasil.com.br/protocolo-de-exercicios-hipopressivos-para-o-tratamento-de-incontinencia-urinaria/> Acesso em 01 jul. 2019.
PINTO E SILVA, Marcela Ponzio; MARQUES, Andréa de Andrade; AMARAL, Maria Teresa Pace do. Tratado de fisioterapia em saúde da mulher. 2 Ed. Rio de Janeiro: Roca, 2019. 472 p.
Effects of the hypopressive abdominal gymnastic method on women's body composition
ABSTRACT: The abdominal muscles influence the movements of the viscera by changing the tone. They often intervene in body movements, accompanying or directing trunk movements; they can also stabilize it, allowing for arm and leg breadth play. In this research, it waspossible to verify the effects of an LPF training program on anthropometric, neuromuscular and postural characteristics of women. With the participation of 40 women, between 20 and 60 years old tests were performed to identify the benefits of using the method of hypopressive abdominal gymnastics and it was possible to see that the method has satisfactory results.
Keywords: Woman. Fitness. Hypopressive. Abdomen Results.

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