Prévia do material em texto
W BA 0 25 5_ v2 Fabiana Larissa Kamada Legislação Trabalhista Copyright Este material é um é de total responsabilidade do autor e da instituição. Sendo permitido utilizar partes ou trechos apenas com a autorização da instituição. Título original Tecnologias Digitais e Metodologias Ativas Aplicadas à Educação Profis- sional e EJA Autor Ana Paula Moraes da Silva Maccafani Produtora VG Consultoria Educacional Projeto gráfico Fernando Truculo Evangelista Design Educacional Maria Fernanda Adrielle Bergamasco Yara Dias Revisão Jaquelina Kutsunugi Viviane Notari Janaína bicudo kikuchi dos santos Diagramação Renata Sguissardi Andresa Guilhen Zam Andre Morais Diego Ricardo Fernando Henrique Mendes SUMÁRIO Tema 1: Contrato de trabalho e trabalho doméstico ................ 5 Tema 2: Remuneração e Salário .................................................. 22 Tema 3: Jornada de trabalho ....................................................... 35 Tema 4: Intervalos e descanso semanal remunerado .............. 50 Tema 5: Férias ................................................................................. 61 Tema 6: Rescisão do contrato de trabalho e verbas rescisórias ....71 Tema 7: FGTS .................................................................................. 81 Tema 8: Direito coletivo do trabalho ........................................... 89 Conhecer o Direito do Trabalho e a legislação trabalhista é fundamental para o sucesso em diversas carreiras como em administração, contabilidade, gestão de pessoas, segurança do trabalho, recursos humanos, entre tantos outros cursos. O profissional que busca estudar a legislação trabalhista conseguirá prevenir situações de descumprimento da legislação trabalhista por descuido ou desconhecimento e, assim, evitar demandas trabalhistas. É importante salientar que no Brasil a legislação principal que regula- menta as questões trabalhistas é a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), de 1943, criada no governo de Getúlio Vargas. No entanto, essa legislação só se aplica aos trabalhadores urbanos e avulsos, podendo ser aplicada de forma subsidiária para outros trabalhadores quando a lei específica assim determinar. Isto ocorre, por exemplo, com a regulamentação do trabalhador rural, Lei nº 5.889/73 e o trabalho doméstico, Lei Complementar 150/15. Como norte dos direitos trabalhistas há a Constituição Federal de 1988 que no art. 7º estabelece os direitos mínimos existenciais dos trabalhadores urbanos e rurais. A legislação trabalhista, além da CLT, alterada pela Lei nº 13.467/17, e da CF/88, é composta por diversas leis esparsas e específicas, de Súmulas dos Tribunais Regionais de cada região e de Súmulas do Tribunal Superior do Trabalho. As súmulas demonstram o entendimento sedimentado dos tribu- nais após reiteradas decisões sobre um determinado tema. O grande desafio desta disciplina é levar o máximo de conhecimento sobre as regras trabalhistas, de forma simplificada e atualizada, para que no seu dia a dia haja a aplicação da lei sem qualquer dúvida ou temor. APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA 1 Contrato de trabalho e trabalho doméstico 6 Objetivos Específicos • Compreender os requisitos para caracterização do contrato de trabalho e os princípios que regem as relações laborais. • Conhecer as espécies de contrato individual do trabalho. • Entender as regras do trabalho doméstico. Introdução O trabalho e as formas de regulamentação e contratação foram diferentes ao longo da história. É inegável que o homem sempre trabalhou. No entanto, as sociedades foram caracterizadas pela forma de divisão do trabalho, formando-se, ao longo do tempo, regimes de trabalho como a escra- vidão, a servidão, o trabalho livre, o trabalho assalariado. É justamente o trabalho assalariado que repousa o objeto do Direito do Trabalho na sociedade capitalista. Isto porque embora já existisse desde a Antiguidade o trabalho livre, aquele que tra- balhava em troca de um pagamento, o chamado salário, somente com a Revolução Industrial, no final do século XVIII, é que surge a figura do trabalhador assalariado que se vincula ao trabalho por uma relação duradoura, possibilitando o contratante estabelecer regras e condutas necessárias ao empreendimento industrial. O contrato de trabalho, dessa forma, é o elemento central de toda a legislação trabalhista. Para a análise de todos os direitos trabalhistas é preciso se identificar os elementos e os sujeitos que com- põem o contrato laboral. 7 1. Contrato de trabalho: requisitos para a sua caracterização A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em seu artigo 442, conceitua o contrato de trabalho ao estabelecer que: “Contrato individual de trabalho é o acordo tácito ou expresso, correspondente à rela- ção de emprego”. Para Arnaldo Süssekind (2002), levando-se em consideração o disposto nos artigos 2º e 3º da CLT, o contrato individual do trabalho pode ser definido como o negócio jurídico “em vir- tude do qual um trabalhador obriga-se a prestar pessoalmente serviços não even- tuais a uma pessoa física ou jurídica, subordinando ao seu poder de comando, dele recebendo os salários ajustados”.1 Assim, pode-se extrair dos artigos 2º e 3º da CLT que para um trabalhador urbano ou rural seja considerado empregado é obri- gatório que estejam presentes os seguin- tes requisitos: pessoalidade, subordinação, onerosidade, não eventualidade, alteridade. Para a caracterização do vínculo de emprego é preciso se observar a onerosidade do contrato, ou seja, as vantagens recíprocas. O objetivo do contrato laboral é constituir uma obrigação. O empregado possui a obrigação de fazer, ou seja, prestar o trabalho. Já para o empregador nasce a obrigação de dar, o que significa, pagar o salário, manter o ambiente de trabalho equilibrado e respeitar as regras trabalhistas. A toda prestação de trabalho deverá haver uma contraprestação pecuniária ou in natura. O traba- lho fornecido gratuitamente será considerado voluntário, sem repercussão trabalhista. 1 SUSSEKIND, Arnaldo. Curso de direito do trabalho. Rio de Janeiro/São Paulo: Renovar, 2002, p. 209. Para saber mais Arnaldo Lopes Süssenkid foi um jurista trabalhista muito importante. É conhecido como o “construtor do Direito do Trabalho”. Süssekind, com apenas 29 anos, integrou a comissão nomeada por Getúlio Vargas para elaboração da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1942 (GOMES, Ângela de Castro; PESANHA, Eliana G. da Fonte; MOREL, Regina de Moraes (Orgs.) Arnaldo Sïssekind, um construtor do direito do trabalho. Rio de Janeiro: Renovar, 2004). 8 O contrato de emprego deverá ser prestado por pessoa física, de forma pessoal (caráter intuitu personae), apenas com relação ao empregado. Isto porque o indivíduo contratado foi escolhido por suas qualificações pessoais e habilidades técnicas. A ele é depositada a confiança do empregador para a realização das atividades contratadas. Dessa forma, o empregado não poderá ser substituído por outro de sua escolha, ou seja, não poderá mandar o amigo, o irmão, o vizinho, ou qualquer outra pessoa por mais qualificado que seja para trabalhar em seu lugar. Na relação de emprego também deverá estar presente o requisito da subordinação jurídica. Isto quer dizer que o empregador possui o poder diretivo de comandar, escolher, controlar, fiscalizar os fatores de produção e os seus trabalhadores. O poder diretivo pode ser desmembrado em: poder de direção, aquele que constitui a capacidade do empregador em comandar as atividades do trabalhador, visando atingir os objetivos da empresa; poder disciplinar, impondo punições aos empregadores e o poder hierárquico ou de organização compreen- dendo a hierarquia dos cargos e funções, bem como de escolher as estratégias e rumos da empresa. Além disso, a prestação de trabalho deverá ser habitual, não eventual. A mão de obra será per- manente e contínua, em regra.E, por fim, alguns doutrinadores2 consideram ainda, o Princípio da Alteridade, um requisito carac- terizador do contrato de trabalho. Isto significa dizer que quem corre o risco do negócio é sempre o empregador e não o empregado. 2. Princípios que regem os contratos de trabalho Para o Direito, de forma geral, os princípios são proposições genéricas importantes que servem de fundamento, inspiração e interpretação para todos os juristas e legisladores, na elaboração das nor- mas. Nem todos os fatos jurídicos são previstos em leis e regras. Assim, os princípios são essenciais 2. CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier/Método, 2016. 9 para resolver situações e problemas não observados pelos legisladores, em caso de lacuna e omis- são, ou ainda, como baliza orientadora na interpretação de determinado dispositivo pelos juristas, visando solucionar casos da melhor maneira possível. Dessa forma, é necessário o conhecimento dos princípios elementares do direito do trabalho. Quais sejam: princípio da proteção; princípio da irrenunciabilidade; princípio da continuidade da rela- ção de emprego; princípio da primazia da realidade; princípio da inalterabilidade contratual; princípio da irredutibilidade salarial. O princípio da proteção, o de maior importância para o direito do trabalho, consiste em equilibrar a relação trabalhista, entre o empregado, o polo mais fraco e hipossuficiente, e o empregador. Ao empre- gado é garantido mecanismos destinados a tutelar os direitos mínimos trabalhistas com a finalidade de dimi- nuir as desigualdades presentes no contrato de trabalho. O princípio da irrenunciabilidade de direitos, disposto no artigo 9º da CLT, torna os direitos trabalhistas indisponíveis. Tal mecanismo é funda- mental diante da pressão dos empregado- res que, por vezes, querem retirar direitos trabalhistas. Com a Lei nº 13.467/17, a chamada reforma trabalhista, muitos pontos da CLT foram alterados, com a intenção de trazer renúncias aos direitos dos trabalhadores. Pode-se citar, como exemplo, a criação do trabalho intermitente, do art. 443, §º 3º, CLT e a preva- lência do negociado, art. 444, § único, CLT. No entanto, para uma boa parte da doutrina: A liberdade e a autonomia na declaração de vontade do trabalhador antes, durante e depois da vigência da relação de emprego é o fio condutor da validade dos ajustes efetuados entre empregado e patrão. Independentemente do grau de vulnerabilidade, do valor do salário, da formação técnica do trabalhador, os direitos trabalhistas previstos em lei são indisponí- veis e, por isso, irrenunciáveis e intransacionáveis, salvo raras exceções legalmente auto- rizadas. Ademais, a intenção do legislador constituinte foi a melhoria da condição social do Para saber mais “Art. 9º da CLT - Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, im- pedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação”. 10 trabalhador (art. 7°, caput), por isso, também nesse aspecto, a Reforma Trabalhista retrata verdadeiro retrocesso de direitos trabalhistas. Equivocou-se a mudança legislativa trazida pela chamada “reforma trabalhista” quando prestigiou a negociação individual entre as par- tes sobre os direitos previstos em lei, permitindo que o negociado individualmente prevaleça sobre o legislado, pois parte da falsa premissa de que o trabalhador quer livremente abrir mão de seus direitos, ignorando sua vulnerabilidade jurídica.3 O princípio da continuidade da relação de emprego é a regra no direito do trabalho. Sempre haverá a presunção de que os contratos de trabalho são por prazo indeterminado. Caso haja um con- trato por prazo determinado, este deverá ser provado. O princípio da primazia da realidade estabelece que o que importa é a realidade dos fatos em detrimento da verdade formal. Esse procedimento visa coibir as fraudes trabalhistas. O princípio da inalterabilidade contratual em prejuízo ao trabalhador estabelece que é vedado a alteração que objetiva lesionar os interesses do empregado. O artigo 468, da CLT, permite a altera- ção das cláusulas contratuais somente quando houver mútuo consentimento e desde que não acar- rete prejuízo, direta ou indiretamente, ao empregado. E, por fim, o princípio da irredutibilidade salarial visa proteger a estabilidade financeira, proibindo a redução do salário, em regra. A Constituição Federal de 1988 flexibilizou esse entendimento ao per- mitir a diminuição salarial por meio de convenção ou acordo coletivo de trabalho. 3. Espécies de contrato de trabalho Para que o contrato de trabalho seja válido é preciso observar, primeiramente, os elementos essenciais do contrato. Conforme dispõe o artigo 104 do Código Civil (CC), para a validade do negó- cio jurídico, e dessa forma, do contrato, é imprescindível que haja: agente capaz, objeto lícito, pos- sível, determinado ou determinável e forma prescrita ou não defesa em lei. Somente poderá ser realizado contrato de trabalho com maiores de dezesseis anos, idade mínima 3 CASSAR, Vólia Bomfim; BORGES, Leonardo Dias. Comentários à Reforma Trabalhista. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2017, p. 18. 11 para o trabalho, salvo para a aprendizagem com idade a partir dos quatorze anos. Não será, ainda, permitido o trabalho de atividades proibidas, por exemplo, o trabalho de menor de idade entre dezesseis e dezoito anos para trabalhos insalubre e perigosos. Para a validação do contrato é essencial a observância das espécies permitidas de contrato de trabalho. O artigo 443, da CLT, alterado pela Lei nº 13.467/17, dispõe que: “O contrato individual de trabalho poderá ser acordado tácita ou expressamente, verbalmente ou por escrito, por prazo determinado ou indeterminado, ou para prestação de tra- balho intermitente”. O contrato de trabalho poderá ser expresso ou tácito. Aquele será ajustado entre as partes de forma clara e precisa as cláusulas do pacto laboral. Atenção que o contrato expresso poderá ser escrito ou verbal. O contrato tácito é a prestação habitual do empregado, sem a oposição do empregador e sem o ajuste expresso das cláusulas contratuais. O trabalhador poderá firmar um contrato escrito caracterizado pela assinatura da Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) ou pela assinatura de um pacto contendo todos os detalhes da contratação. Mas em função da informalidade, admite-se a contratação verbal. A não assinatura da CTPS, em 48 horas, contado da admissão, conforme prevê o artigo 29 e 39, § 1º da CLT, gera um ilícito administrativo não impedindo o pacto verbal com todas as repercussões trabalhistas. Todavia, algumas espécies de con- trato devem ser obrigatoriamente realizadas de forma expressa, por escrito, como o contrato do menor aprendiz (artigo 428, CLT), o contrato de trabalho temporário (Lei nº 6.019/74, artigo 11), entre outros. A regra dos contratos trabalhistas é que sejam pactuados de forma indeterminada, passando o empregado a integrar permanentemente a atividade empresarial. De forma excepcional é permitido a contratação por prazo determinado, os chamados contratos a termo. Nesta situação, as partes já Para saber mais Em 2009, foi editado o Decreto nº 6.481 esta- belecendo a proibição das piores formas de tra- balho infantil e ação imediata para sua eliminação. Foi aprovado a Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP), proibindo o exercício de algumas atividades aos trabalhadores menores de dezoito anos. 12 têm conhecimento do início e do fim do contrato. No entanto, em virtude do princípio da continui- dade da relação trabalhista, o contrato a termo somente poderá ser celebrado nos casos permitidos por lei. São diversas normas que permitem o contrato por prazo determinado, a saber as principais: CLT, Lei nº 9.601/98 e Lei nº 6.019/74. De acordo com a CLT é possível a contratação por prazo determinado, artigo443, de serviço cuja natureza ou transitoriedade justifique a predeterminação do prazo; de atividades empresariais de cará- ter transitório e de contrato de experiência. Na primeira hipótese, o que importa é a natureza ou perio- dicidade do serviço. Podemos identificar essa situação na contratação temporária de um funcionário para a montagem de uma máquina e excesso de demanda. No segundo caso, a atividade da empresa é que é temporária, como ocorre na produção de ovos de páscoa e o funcionamento de hotel que só abre na temporada. Nas duas situações anteriores, o prazo máximo é de 2 anos. E, por último, o contrato de experiência no qual ambas as partes irão se testar mutualmente, tendo como prazo máximo 90 dias, admitindo-se, dentro do prazo máximo de validade, uma única prorrogação (artigos 445 e 451 da CLT). O contrato por prazo determinado pre- visto na Lei nº 9.601/98, flexibilizando os direitos trabalhistas na tentativa de estimu- lar novos empregos, prevê a contratação a termo em qualquer situação, sem as restri- ções da CLT exigindo apenas a negociação coletiva. O prazo máximo é de 2 anos. A Lei nº 6.019/74, alterada pelas Leis nº 13.429/17 e 13.467/17, passa a regular o trabalho tem- porário e a terceirização de serviços em geral. O art. 2º, da Lei nº 6.019/74 dispõe, por sua vez, que trabalho temporário é aquele: prestado por pessoa física contratada por uma empresa de trabalho temporário que a coloca à disposição de uma empresa tomadora de serviços, para atender à necessidade de substituição transitória de pessoal permanente ou à demanda complementar de serviços. Link TRT3. Contratos de trabalho por tempo determina- do, previstos na CLT. Disponível em: <https://www. trt3.jus.br/download/trabalho_tempo_determina- do_banner.pdf>. Acesso em: 30 abr. 2018. 13 Nesta modalidade, haverá uma empresa intermediadora da mão de obra. Com a alteração se passou a admitir a terceirização do trabalho temporário para os trabalhadores rurais, que para alguns, “trará consequências drásticas para o meio rural, pois barateará ainda mais essa mão de obra tão sofrida e explorada”.4 Além disso, a lei esclarece que é possível a terceirização do trabalho temporário para a atividade-fim (§ 3º, do art. 9º), o que já era admitido pela maior parte da doutrina. O prazo que antes era de 3 meses, prorrogáveis por mais 3 ou 6 meses, dependendo da hipótese, passou a ser de 180 dias, prorrogáveis por mais 90, totalizando 270 dias. Com relação à terceirização em geral, prevista nos arts. 4-A e 5-A, da Lei nº 6.019/74, na reda- ção original, dada pela Lei nº 13.429/17, havia a previsão da empresa prestadora de serviços prestar serviços “determinados e específicos” à contratante. No entanto, com a reforma trabalhista a nova redação retirou os termos e disciplinou que: “Art. 4o-A. Considera-se prestação de serviços a ter- ceiros a transferência feita pela contratante da execução de quaisquer de suas atividades, inclusive sua atividade principal, à pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviços que possua capa- cidade econômica compatível com a sua execução”. A Reforma Trabalhista trouxe uma novidade, criou uma espécie de contrato, chamado de “trabalho intermitente”, ou seja, a jornada móvel variável. Neste tipo de contrato haverá a imprevisibilidade da prestação de serviços, sem garantia mínima de salário mensal, equiparando o empregado ao autô- nomo. Um contrato extremamente controvertido, que não garante nem salário, nem trabalho. O art. 443, § 3º da CLT esclarece que: Considera-se como intermitente o contrato de trabalho no qual a prestação de serviços, com subordinação, não é contínua, ocorrendo com alternância de períodos de prestação de serviços e de inatividade, determinados em horas, dias ou meses, independentemente do tipo de ativi- dade do empregado e do empregador, exceto para os aeronautas, regidos por legislação própria. O art. 452-A, da CLT, com redação dada pela Medida Provisória nº 808, de novembro de 2017, estabelece quais são os requisitos para a celebração do contrato intermitente. Deverá ser celebrado 4 CASSAR, Vólia Bomfim; BORGES, Leonardo Dias. Comentários à Reforma Trabalhista. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2017, p. 86. 14 por escrito e registrado na CTPS, ainda que previsto acordo coletivo de trabalho ou convenção cole- tiva, e conterá: I - identificação, assinatura e domicílio ou sede das partes; II - valor da hora ou do dia de trabalho, que não poderá ser inferior ao valor horário ou diário do salário mínimo, assegurada a remuneração do trabalho noturno superior à do diurno e observado o disposto no § 12; e III - o local e o prazo para o pagamento da remuneração. Verifica-se que ocorrerá, na verdade, a elaboração de um cadastro de empregados para, quando houver trabalho, serem acionados. O § 5º, do art. 452-B, da CLT dispõe que o período em que o empregado não é chamado para trabalhar não é considerado tempo à disposição do empregador não assegurando salários, benefícios ou encargos. 4. Trabalho doméstico No Direito do Trabalho, a CLT é a norma aplicada para os trabalhadores urbanos. Para outras rela- ções trabalhistas, a lei será outra como se verifica, por exemplo, no trabalho rural, Lei nº 5.889/73; no trabalho avulso Lei nº 12.023/09; no trabalho portuário Lei nº 9.719/98. O trabalho doméstico é um desses trabalhos que não são regulados pela CLT, mas pela Constituição Federal de 1988 e por normas específicas. O trabalho doméstico é uma das atividades mais antigas do mundo, por sua forte relação com a organização social e familiar. Desde o período da escravidão havia a figura da escrava doméstica que com o fim da escravatura foram incorporadas ao trabalho doméstico. Em verdade, nos “anos finais do século XIX e início do XX mais de 70% da população economicamente ativa ex-escrava estava inserida no trabalho doméstico”.5 Dessa forma, as primeiras legislações sobre o trabalho doméstico refletiam o conceito histórico de atividade subalterna, desvalorizada e desqualificada. A CLT expressamente excluiu a regulação da atividade doméstica em seu artigo 7º. 5 PEREIRA, Bergman de Paula. De escravas a empregadas domésticas – a dimensão social e o “lugar” das mulheres negras no pós- abolição, p. 3. Disponível em: <http://www.snh2011.anpuh.org/resources/anais/14/1308183602_ARQUIVO_ArtigoANPUH-Bergman. pdf>. Acesso em: 30 abr. 2018. 15 Anteriormente, o emprego doméstico era regulado pela Lei nº 5.859/72 revogada pela Constituição Federal, com a Emenda Constitucional 72, de 2013 e pela Lei Complementar 150, de 2015. A atual redação do parágrafo único, do artigo 7º, da Constituição Federal, com a alteração da EC 72/13 disciplina os novos direitos dos trabalhadores domésticos. Como novidade, destaca-se: con- trole de jornada de trabalho, pagamento de horas extras, possibilidade de banco de horas, obrigato- riedade do FGTS que antes era facultativo, intervalo para descanso (que poderá ser reduzido para 30 minutos), seguro-desemprego (direito a três parcelas no valor de um salário mínimo, quando houver dispensa sem justa causa). O empregado doméstico terá direito ao FGTS correspondente a um depósito mensal de 8% com base em sua remuneração. Além disso, o empregador deverá recolher mensalmente o percentual de 3,2% a título de indenização compensatória (multa rescisória) que será revertido ao empregado ou ao empregador no fim do contrato de trabalho de acordo com o tipo de rescisão. Alguns direitos já tinham aplicação imediata, outros foram regulamentados pela Lei Complementar 150/15 que conceitua, no artigo 1º, o trabalhador doméstico sendo “aquele que presta serviços de forma contínua, subordinada, onerosa e pessoal, de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família, no âmbito residencial destas, por mais de 2 (dois) dias por semana”. Com a instituição, pela LC 150/15, do simples doméstico, que unificou o pagamento dos tribu-tos e dos encargos trabalhistas e previdenciários que deverão ser recolhidos pelos empregadores domésticos em função dos trabalhadores a eles vincula- dos, todo trabalhador doméstico deverá ser cadastrado no E-social, sistema de escritu- ração digital das obrigações fiscais, previ- denciárias e trabalhistas, que visa unificar a prestação de informações pelo empregador em relação aos seus trabalhadores. Link BRASIL. Portal eSocial. Disponível em: <http:// www.esocial.gov.br/>. Acesso em: 30 abr. 2018 16 Questão para reflexão Analise a antiga legislação do trabalhador doméstico, antiga redação do parágrafo único do artigo 7º, CF/88 c/c Lei nº 5.859/72, e compare com a nova regulamentação estabelecida no parágrafo único do artigo 7º, da CF/88 e a LC 150/15 e verifique quais foram os direitos ampliados aos traba- lhadores domésticos que não eram assegurados anteriormente. Considerações finais • Para a caracterização do contrato de trabalho é preciso estar presente a pessoalidade (pessoa física), subordinação, não eventualidade, onerosidade e a alteridade (risco da atividade pelo empregador). • O contrato de trabalho poderá ser tácito ou expresso; verbal ou escrito e indeterminado ou determinado. E, ainda, com a reforma trabalhista, trabalho intermitente. • São elementos essenciais à validade do contrato de trabalho (artigo 104, CC): agente capaz; objeto lícito, possível, determinado ou determinável; forma prescrita ou não defesa em lei. • São princípios do direito do trabalho: princípio da proteção; princípio da continuidade da rela- ção trabalhista; princípio da primazia da realidade; princípio da irrenunciabilidade; princípio da inalterabilidade contratual lesiva; princípio da irredutibilidade salarial; princípio da alteridade. • A EC 72/13 garantiu diversos direitos aos trabalhadores domésticos não assegurados anteriormente. Alguns direitos tiveram aplicação imediata, outros foram regulamentados pela LC 150, de 2015. Glossário Trabalho: sua origem vem da palavra tripalium que significa instrumento feito de três paus que tinha a finalidade de debulhar o trigo ou milho. Essa ferramenta era utilizada também como método de tortura. Hoje, o conceito é entendido como o conjunto de atividades realizadas com o objetivo de se atingir uma meta. 17 Empregador: conceito disposto no artigo 2º da CLT: “Considera-se empregador a empresa, indi- vidual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço”. Empregado: conceito disciplinado pelo artigo 3º da CLT: “Considera-se empregado toda pes- soa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário”. Verificação de leitura QUESTÃO 1- São princípios do Direito do Trabalho: a) princípio da legalidade, princípio da impessoalidade e princípio da publicidade. b) princípio da primazia da realidade, princípio da continuidade da relação de emprego e princípio da legalidade. c) princípio da irredutibilidade salarial, princípio da primazia da realidade e princípio da pro- teção. d) princípio da primazia da realidade, princípio da continuidade da relação de emprego e princípio da publicidade. e) princípio da legalidade, princípio da irrenunciabilidade de direitos e princípio da publici- dade. QUESTÃO 2- São requisitos caracterizadores da relação de emprego: a) pessoalidade e subordinação. b) pessoalidade e eventualidade. c) onerosidade e impessoalidade. d) subordinação e eventualidade. e) impessoalidade e eventualidade. 18 QUESTÃO 3- Sobre o contrato de trabalho, é correto a afirmação: a) o contrato de trabalho, em qualquer situação, poderá ser de forma expressa ou tácita; verbal ou escrito e determinado ou indeterminado. b) o contrato de trabalho, em regra, é informal, podendo ser de forma expressa ou tácita; verbal ou escrito e determinado ou indeterminado. As normas trabalhistas, no entanto, tra- zem regras especiais para a contratação por tempo determinado, devendo ser o contrato realizado de forma expressa e escrita, caso contrário haverá a presunção de continuidade contratual. c) o contrato de trabalho deverá ser sempre expresso, escrito, tanto para os contratos por prazo indeterminado quanto para os a termo. d) o contrato de trabalho deverá ser expresso, ou seja, aquele que é escrito ou tácito. e) é proibido o contrato de trabalho realizado de forma verbal. QUESTÃO 4- Para o contrato de trabalho ser válido, é preciso se observar: a) a capacidade do agente. É permitido o trabalho a partir dos 14 anos. b) a capacidade do agente. É permitido o trabalho a partir dos 18 anos, salvo a partir dos 16 como aprendiz. c) a capacidade do agente. O trabalho, em qualquer situação, somente será permitido para os maiores de 16 anos, sendo autorizados aos maiores de 14 anos a aprendizagem. d) a capacidade do agente. O trabalho será permitido a partir dos 16 anos, ressalvados al- guns trabalhos considerados prejudiciais aos menores de 18 anos, que só poderão exercer certas funções ao completarem os 18 anos. e) a capacidade do agente. É permitido a aprendizagem a partir dos 14 anos até os 21 anos. 19 QUESTÃO 5- São elementos de validade dos contratos, inclusive os trabalhistas: a) agente capaz; objeto lícito, possível, determinado ou determinável; forma prescrita ou não defesa em lei. b) agente capaz; objeto explícito é lícito; forma escrita. c) agente capaz; objeto lícito e possível, não precisa ser determinado; forma expressa. d) agente capaz; objeto lícito, possível, determinado ou determinável; forma não prescrita ou não defesa em lei. Referências bibliográficas BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado. htm>. Acesso em: 30 abr. 2018. BRASIL. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Consolidação das Leis do Trabalho. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 30 abr. 2018. BRASIL. Decreto nº 6.481, de 12 de junho de 2008. Regulamenta a Convenção 182 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que trata da proibição das piores formas de trabalho infantil e ação imediata para sua eliminação. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/cci- vil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/D6481.htm>. Acesso em: 30 abr. 2018. BRASIL. Lei Complementar nº 150, de 1º de junho de 2015. Dispõe sobre o trabalho doméstico. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp150.htm>. Acesso em: 30 abr. 2018. BRASIL. Lei nº 5.859, de 11 de dezembro de 1972. Dispõe sobre a profissão de empregado domés- tico. Alterado pela Lei Complementar nº 150, de 2015. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/Leis/L5859.htm>. Acesso em: 30 abr. 2018. 20 BRASIL. Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973. Estatui normas reguladoras do trabalho rural. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5889.htm>. Acesso em: 30 abr. 2018. BRASIL. Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974. Dispõe sobre o trabalho temporário nas empresas urbanas. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6019. htm>. Acesso em: 30 abr. 2018. BRASIL. Lei nº 9.601, de 21 de janeiro de 1998. Dispõe sobre o contrato de trabalho por prazo determinado. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ L9601.htm>. Acesso em: 30 abr. 2018. BRASIL. Lei nº 9.719, de 27 de novembro de 1998. Dispõe sobre normas e condições gerais de proteção ao trabalho portuário. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/L9719.htm>. Acesso em: 30 abr. 2018. BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Brasília, DF, Senado. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 02 dez. 2016. CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier/Método, 2016. CASSAR, Vólia Bomfim; BORGES, Leonardo Dias. Comentários à Reforma Trabalhista. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2017. DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: LTr, 2008. GOMES, Angela de Castro; PESANHA, Eliana G. da Fonte; MOREL, Regina de Moraes (Orgs.). Arnaldo Sïssekind, um construtor do direito do trabalho. Rio de Janeiro: Renovar, 2004. PEREIRA, Bergman de Paula. De escravas a empregadas domésticas – a dimensão social e o “lugar” das mulheres negras no pós-abolição. Disponível em: <http://www.snh2011.anpuh.org/ resources/anais/14/1308183602_ARQUIVO_ArtigoANPUH-Bergman.pdf>. Acesso em: 30 abr. 2018. SUSSEKIND, Arnaldo. Curso de direito do trabalho. Rio de Janeiro/São Paulo: Renovar, 2002. 21 GABARITO QUESTÃO 1- Resposta C. São princípios do direito do trabalho: da proteção, da continuidade, da relação de emprego, da primazia da realidade, da alteridade, da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas, da irredutibili- dade salarial, da vedação de alteração contratual em prejuízo ao trabalhador. QUESTÃO 2- Resposta A. São elementos caracterizadores da relação de emprego: a pessoalidade, subordinação, não even- tualidade e a onerosidade. QUESTÃO 3- Resposta B. Para o direito do trabalho, o princípio da continuidade da relação trabalhista rege as relações con- tratuais. Dessa forma, a legislação permite que o contrato seja de forma expressa ou tácita; verbal ou escrito e determinado ou indeterminado, sendo obrigatório a forma escrita e expressa para os contratos determinados, caso contrário haverá a presunção da continuidade da relação trabalhista. QUESTÃO 4- Resposta D. É permitido o trabalho a partir dos 16 anos, salvo as atividades previstas na Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (TIP) que proíbe o trabalho do menor de 18 anos. O aprendiz deverá ter de 14 a 24 anos. Para os aprendizes com deficiência, não se aplica a idade máxima. QUESTÃO 5- Resposta A. Conforme o artigo 104 do Código Civil, são elementos obrigatórios para a validade dos negócios jurídicos, ou seja, os contratos de forma geral: o agente capaz; objeto lícito, possível, determinado ou determinável; forma prescrita ou não defesa em lei. 2 Remuneração e Salário 23 Objetivos Específicos • Compreender os conceitos de remuneração e salário. • Analisar as possibilidades de descontos salariais e as normas de proteção do salário. • Estudar a gratificação natalina. Introdução Entender a composição e a forma de cálculo da remuneração não é uma tarefa fácil. Primeiramente, é preciso compreender o que significa remuneração, salário, salário básico, salário utilidade, salário complessivo, além de outros tipos de salários e possíveis descontos, para que seja possível praticar os cálculos trabalhistas e realizar os pagamentos de forma correta. A legislação trabalhista protege o salário do trabalhador contra os abusos do empregador. Assim, é preciso compreender as normas e princípios de proteção ao salário. É interessante notar que a palavra salário deriva do latim salis que significa sal, justamente por ter sido o sal a moeda de pagamento oferecida pelos romanos para pagar seus domésticos e soldados. O termo pecúnia também deriva do latim pecus que significa boi, pois, assim como o sal, o boi era moeda de troca na Antiguidade. As nomenclaturas, para salário, são diferentes dependendo da categoria. Os funcionários públi- cos recebem vencimentos; os magistrados os subsídios; o profissional liberal o honorário; o militar o soldo; o aposentado o provento, o chefe religioso a côngrua. 1. Remuneração De acordo com o artigo 457 da CLT, a remuneração consiste para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. Assim, podemos dizer que a remuneração equivale a soma do salário mais a gorjeta. REMUNERAÇÃO = salário + gorjeta 24 2. Gorjeta A gorjeta, conforme o § 3º do artigo 457 da CLT, é não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também o valor cobrado pela empresa, como serviço ou adi- cional, a qualquer título, e destinado à distri- buição aos empregados. O trabalhador poderá receber a gorjeta diretamente do cliente ou mediante os 10% cobrados sobre a conta. No Brasil, a gorjeta é facultativa. A gorjeta integra a remuneração do empregado não servindo de base de cálculo para as parcelas de aviso-prévio, adicional noturno, horas extras e repouso semanal remunerado, conforme o entendimento do TST na súmula 354. Como novidade, a CLT, disciplina, no § 4º, do art. 457 que “consideram-se prêmios as libera- lidades concedidas pelo empregador em forma de bens, serviços ou valor em dinheiro a empregado ou a grupo de empregados, em razão de desem- penho superior ao ordinariamente espe- rado no exercício de suas atividades”. Além disso, estabelece, nos §§ 12 e 13, que a gor- jeta não é receita própria dos empregado- res, destinando os valores aos trabalhado- res, que serão distribuídos integralmente a eles, segundo critérios de custeio e rateio definidos em convenção ou acordo coletivo Para saber mais A gorjeta é o hábito de retribuir quem prestou al- gum serviço de forma satisfatória. Uma das hipó- teses do surgimento da gorjeta atribui a origem aos costumes na Europa. Quando alguém solicita- va um serviço dava a quem o realizava uma bebi- da ou um dinheiro para comprá-la. Assim, o termo utilizado em diversos países remete à “bebida”: em inglês “tip” (derivado da palavra “tipple”, sinônimo de bebida); na Alemanha “trinkgeld” (dinheiro para bebida); na França “pourboire” (para beber). No Brasil, é comum as pessoas se referirem à gorjeta como “um cafezinho”. Para saber mais Não se pode confundir gorjeta com guelta. Esta é a gratificação, um incentivo oferecido por terceiros (fornecedor, produtor ou distribuidor) aos empre- gados pela promoção do produto ou marca. Ocorre muito com a promoção de medicamentos. O TST entende ser aplicável, por analogia, a súmula 354 para as gueltas. 25 de trabalho. Inexistindo previsão em convenção ou acordo coletivo de trabalho, os critérios de rateio e distribuição da gorjeta e os percentuais de retenção serão definidos em assembleia geral dos trabalhadores. 3. Salário O salário é a contraprestação paga diretamente pelo empregador ao empregado pelos serviços prestados, em dinheiro ou em utilidade, § 2º do artigo 458 da CLT. As normas e os princípios traba- lhistas visam proteger o salário do empregado, objetivando o pagamento integral, de forma irredu- tível e intangível. O pagamento, que deverá ser em moeda corrente do país, caso contrário será considerado como não realizado, não deverá ser estabelecido por período superior a um mês, devendo ser pago até o 5º dia útil subsequente ao mês vencido, salvo às comissões, percentagens ou gratificações, artigo 459 da CLT. A fixação do salário levará em conta a) o tempo trabalhado ou à disposição do empregador; b) o resultado obtido em função da produção; c) a tarefa realizada em determinado tempo. Na primeira hipótese, o salário será estabelecido por hora, dia, semana, quinzena ou por mês, não se vinculando com o resultado, mas com o tempo despendido do empregado. Na segunda modalidade, a aferição do salário não está vinculada com o tempo gasto na execução do serviço, mas com o próprio serviço realizado, por exemplo, o número de peças produzidas. Por fim, e mais raro, é possível a fixação do salário com relação à tarefa, na qual o trabalhador deverá executar determinadas tarefas durante a sua jornada de trabalho, e caso tenha cumprido antes do fim de sua jornada diária terá a faculdade de ir embora. Além disso, há quatro tipos de salário: salário básico; salárioin natura; sobressalário; salário complessivo. O salário básico é a contraprestação paga pelo empregador ao trabalhador em função do serviço prestado, podendo ser totalmente em dinheiro ou parte em dinheiro e parte em utilidade. É preciso 26 destacar que o salário não poderá ser pago integralmente em utilidade, é preciso que o pagamento de 30% seja realizado em dinheiro. SALÁRIO = salário em dinheiro + salário utilidade (in natura) O salário utilidade, previsto no artigo 458 da CLT, estabelece que além do pagamento em dinheiro, compreende-se salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas noci- vas. Assim, para caracterizar o salário utilidade é preciso estar presente dois requisitos: a habitua- lidade e a gratuita. Caso a utilidade seja fornecida como uma vantagem pela prestação de serviço terá natureza salarial. O sobressalário é a prestação que integra o complexo salarial complementando o salário básico, como o adicional noturno, o adicional de insalubridade e periculosidade, o adicional de horas extras, gratificações, comissões, percentagens. SALÁRIO = salário básico + sobressalário Salário complessivo é o pagamento sem a discriminação das verbas quitadas pelo empregador, ou seja, quando o pagamento do salário é efetuado em parcela única, sem delimitar, de forma clara, o valor de cada verba trabalhista (salário, férias, décimo terceiro salário, adicionais, entre outros). Nesta situação, o trabalhador por não poder auferir exatamente o quanto recebeu atinente a cada parcela, o TST entende que o ato é nulo (§ 2º, do artigo 477 da CLT e Súmula 91 do TST). 4. Isonomia de salários e equiparação salarial A Constituição Federal de 1988, no artigo 7º, XXX, proíbe qualquer discriminação em razão de salá- rio, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil. Neste sentido, a Lei nº 9.029/95 proíbe qualquer prática discriminatória nas relações de emprego. Além da isonomia de salários e a não discriminação, o trabalhador que exerce a mesma função, 27 atendidos os requisitos impostos pela lei (identidade de funções; trabalho de igual valor; mesmo empregador; mesmo estabelecimento empresarial; simultaneidade na prestação de serviço e ine- xistência de quadro organizado de carreira) e que não possua igualdade salarial poderá postular na Justiça do Trabalho a equiparação salarial com o paradigma. A Lei nº 13.467/17, como novidade, altera o art. 461, da CLT que prevê que para a equiparação salarial é preciso que o empregado e o paradigma sejam do mesmo estabelecimento empresarial. Anteriormente era possível a equiparação salarial de empregados desde que estivessem na mesma localidade, entendido como o mesmo município ou região metropolitana. Haverá a equiparação salarial, entre pessoas cuja diferença de tempo de serviço para o mesmo empregador não seja superior a quatro anos e a diferença de tempo na função não seja superior a dois anos. 5. Descontos no salário É vedado qualquer desconto, pelo empregador, nos salários do trabalhador, salvo quando resultar de adiantamento, de dispositivo de lei (por exemplo: contribuição sindical) ou de contrato coletivo (por exemplo: contribuição assistencial), artigo 462 da CLT. É permito os descontos salariais efetuados pelo empregador, com a autorização prévia e por escrito do empregado, para ser integrado em planos de assistência odontológica, médico-hospitalar, de seguro, de previdência privada, ou de entidade cooperativa, cultural ou recreativo-associativa de seus trabalhadores, em seu benefício e de seus dependentes, não afrontam o disposto no art. 462 da CLT, salvo se ficar demonstrada a existência de coação ou de outro defeito que vicie o ato jurídico, conforme a súmula 342 do TST. Será lícito o desconto quando o empregado causar dano, desde que esta possibilidade tenha sido acordada no contrato de trabalho ou na ocorrência de dolo do empregador. 28 6. Gratificação natalina A gratificação natalina, também conhe- cida como 13º salário, é o pagamento com- pulsório que possui natureza salarial, prevista na CF/88, artigo 7º, VIII e Lei nº 4.090/62. O 13º salário equivale a um mês da remune- ração do empregado quando tiver completado 12 meses de trabalho, considerando-se a fra- ção igual ou superior a 15 dias como mês inte- gral para efeito de pagamento. Caso o contrato de trabalho seja rescindido antes de completar os 12 meses, o empregado receberá o paga- mento proporcional da gratificação natalina. O pagamento da gratificação natalina deverá ser realizado até o dia 20 de dezembro de cada ano, devendo o empregador adiantar o pagamento, pri- meira parcela correspondendo à metade do salário recebido no mês anterior, entre fevereiro e novembro de cada ano. O empregador não tem a obrigação de con- ceder o adiantamento a todos os trabalha- dores no mesmo mês. No entanto, caso o obreiro requeira o adiantamento, no mês de janeiro, deverá ser obrigatoriamente con- cedido a primeira parcela do 13º salário no mês de férias deste trabalhador. Para saber mais O 13º salário, em sua origem, era uma prática in- formal carregada de significados culturais que se transformou em benefício garantido por lei. Na dé- cada de 1940, os trabalhadores achavam que tin- ham direito a receber alguma gratificação na épo- ca do Natal. O interessante é que na primeira vez em que os operários se reuniram e foram conver- sar com o patrão sobre a gratificação, “eles foram contemplados com um saco de laranja. Indignados, no ano seguinte os trabalhadores resolveram fazer outra proposta: um corte de tecido. O patrão con- cedeu, mas o tecido era considerado de má qual- idade, além de ser muito quente para a estação do ano. Mesmo assim, os funcionários da fábrica resolveram aceitar”. CORREA, Larissa Rosa. Tra- balhadores têxteis e metalúrgicos a caminho da Justiça do Trabalho: leis e direitos na cidade de São Paulo, 1953 a 1964. Dissertação de Mestrado. 2007. 243 f. Dissertação (Mestrado em História) - Institu- to de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas, p. 154. Link CORREA, Larissa Rosa. Trabalhadores têxteis e metalúrgicos a caminho da Justiça do Trabalho: leis e direitos na cidade de São Paulo, 1953 a 1964. Dissertação de Mestrado. 2007. 243 f. Dissertação (Mestrado em História) - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas. Disponível em: <http://www.tst.jus. br/documents/10157/3557467/larissacorrea.pdf>. Acesso em: 30 abr. 2018. 29 Questão para reflexão Analise um holerite e identifique quais verbas compõem a remuneração, o salário básico, salário utilidade (in natura) e o sobressalário. Considerações finais • A remuneração consiste para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago direta- mente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. • O salário é a contraprestação paga diretamente pelo empregador ao empregado pelos serviços prestados, em dinheiro ou em utilidade. • A Constituição Federal de 1988, no artigo 7º, XXX, proíbe qualquer discriminação em razão de salário, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil. • É vedado qualquer desconto, pelo empregador, nos salários do trabalhador, salvo quando resultar de adiantamento, de dispositivo de lei ou de contrato coletivo. • O 13º salário equivale a um mês da remuneração do empregado quando tiver completado 12 meses de trabalho, considerando-se a fração igual ou superior a 15 dias como mês integral para efeito de pagamento. Caso o contrato de trabalho seja rescindido antes de completar os 12 meses, o empregado receberá o pagamento proporcionalda gratificação natalina. Glossário Gratificações: pagamento pelo empregador ao empregado de um valor como forma de prêmio ou incentivo. Paradigma: que serve de modelo, padrão. Dolo: é um ato ou vontade de um indivíduo que age de má-fé. A deliberação de violar a lei. 30 Verificação de leitura QUESTÃO 1- A remuneração é composta: a) pelo salário e sobressalário. b) pelo salário “in natura” e salário-base. c) pelo salário e gorjeta. d) pelo salário complessivo e guelta. e) pelo salário “in natura” e sobressalário. QUESTÃO 2- Sobre o salário, é possível afirmar que: a) é permitido a redução do salário por acordo individual entre o empregado e empregador. b) o salário poderá ser pago pelo empregador exclusivamente em utilidade. c) o empregador poderá realizar o pagamento sem discriminar as verbas quitadas ao em- pregado. d) é composto pelo salário básico e a gorjeta. e) para a configuração do salário utilidade como parte integrante do salário é preciso se observar a habitualidade e a gratuidade. QUESTÃO 3- A equiparação salarial é um direito do trabalhador constitucionalmente as- segurado e pressupõe a presença de requisitos. Dentre os requisitos a seguir, o único que não é exigido é: a) a identidade de funções. b) o trabalho de igual valor. c) o mesmo empregador. d) a existência de quadro organizado em carreira. e) a simultaneidade na prestação de serviço. 31 QUESTÃO 4- Em respeito ao princípio da intangibilidade salarial, a legislação trabalhista dispõe que: a) é proibido, em qualquer circunstância, o desconto no salário do trabalhador. b) ao empregador é vedado efetuar qualquer desconto nos salários do empregado, salvo quando este resultar de adiantamentos, de dispositivos de lei ou de contrato coletivo. c) será lícito o desconto do salário do empregado quando ele tiver causado danos ao em- pregador. d) é permitido o desconto pela empresa da venda de mercadorias aos empregados, utilizan- do-se do sistema de barracão ou armazéns. e) em caso de dano causado pelo empregado é permitido o desconto pelo empregador ape- nas quando na ocorrência de dolo do empregado. QUESTÃO 5- Sobre o 13º salário é possível afirmar que: a) não possui natureza salarial. b) não é devido ao empregado doméstico. c) a primeira parcela do 13º salário deve ser paga entre os meses de fevereiro e novembro ou por ocasião das férias quando for solicitado pelo empregado. d) a fração igual ou superior a 20 dias de trabalho será havida como mês integral para o cálculo do 13º salário. e) a gratificação corresponderá a 1/13 avos da remuneração devida em dezembro. 32 Referências bibliográficas BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado. htm>. Acesso em: 30 abr. 2018. BRASIL. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Consolidação das Leis do Trabalho. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 30 abr. 2018. BRASIL. Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962. Institui a Gratificação de Natal para os trabalhado- res. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4090.htm>. Acesso em: 30 abr. 2018. CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier/Método, 2016. CORREA, Larissa Rosa. Trabalhadores têxteis e metalúrgicos a caminho da Justiça do Trabalho: leis e direitos na cidade de São Paulo, 1953 a 1964. Dissertação de Mestrado. 2007. 243 f. Dissertação (Mestrado em História) - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas. DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: LTr, 2008. 33 Gabarito QUESTÃO 1- Resposta C. A remuneração é composta pelo salário e a gorjeta, conforme o artigo 457 da CLT. QUESTÃO 2- Resposta E. Para a configuração do salário utilidade como parte integrante do salário é preciso se observar a habitualidade (artigo 458, da CLT) e a gratuidade. As demais assertivas estão erradas, pois o salário está protegido pelo princípio da irredutibilidade salarial, sendo permitida a redução apenas quando houver convenção ou acordo coletivo do trabalho. O salário deverá ser pago pelo menos 30% em dinheiro. O pagamento deverá ser discriminado, caso contrário será caracterizado o salário comples- sivo. O salário é composto pela somatória do salário básico e o sobressalário. QUESTÃO 3- Resposta D. Os requisitos exigidos para que haja a equiparação salarial são: identidade de funções; trabalho de igual valor; mesmo empregador, ou seja, mesmo estabelecimento empresarial; inexistência de quadro organizado em carreira e simultaneidade na prestação de serviço. A adoção pelo empregador de quadro organizado em carreira, em que as promoções são feitas por antiguidade e merecimento, excluem o direito à equiparação salarial. 34 QUESTÃO 4- Resposta B. O artigo 462 da CLT veda o desconto nos salários do empregado, salvo quando este resultar de adiantamentos, de dispositivos de lei ou de contrato coletivo. Será lícito o desconto em caso de dano causado pelo empregado, desde que esta possibilidade tenha sido acordada ou na ocorrência de dolo do empregado. Não é permitido o desconto pela empresa da venda de mercadorias aos empregados, utilizando-se do sistema de barracão ou armazéns, figura conhecida como “truck system”. QUESTÃO 5- Resposta C. O 13º salário possui natureza salarial e é devido aos trabalhadores urbanos, rurais, avulsos e domésticos. A primeira parcela do 13º salário deve ser paga entre os meses de fevereiro e novembro ou por ocasião das férias quando for solicitado pelo empregado. A fração igual ou superior a 15 dias de trabalho será havida como mês integral para o cálculo do 13º salário. A gratificação correspon- derá a 1/12 avos da remuneração devida em dezembro. 3 Jornada de trabalho 36 Objetivos Específicos • Compreender as modalidades de jornada de trabalho. • Entender as formas de prorrogação de trabalho. • Analisar os trabalhadores excluídos do controle de jornada. Introdução Estabelecer uma jornada de trabalho é extremamente importante para o Direito do Trabalho, compondo as regras de saúde e segurança do trabalho. É preciso delimitar o tempo de trabalho diário, semanal, dentro da jornada (estabelecendo des- cansos e pausas), entre as jornadas diárias para que o corpo e a mente consigam se recompor do desgaste do trabalho. Isto porque o excesso de trabalho traz fadiga, estresse, cansaço, afetando a saúde do trabalhador. Além disso, é importante que todos possam participar da sociedade, compar- tilhar experiências com a família e amigos, que tenham a possibilidade de estudar e realizar cursos. E para isso é necessário que o trabalhador tenha conhecimento de seu horário de trabalho dentro do tempo permitido pela legislação laboral. Assim, a delimitação do tempo de duração do trabalho tem como fundamento os aspectos bioló- gicos, sociais e até econômicos. Este aspecto é considerado pela doutrina6 por ter estudos que com- provam que o trabalhador cansado produz pouco trazendo desvantagens econômicas para o patrão. 1. Jornada de trabalho Para Delgado (2008), a jornada de trabalho é: o lapso temporal diário em que o empregado se coloca à disposição do empregador em virtude do respectivo contrato. É, desse modo, a medida principal do tempo diário de 6 CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier/Método, 2016. 37 disponibilidade do obreiro em face de seu empregador como resultado do cumprimento do contrato de trabalho que os vincula.7 O estudo da jornada de trabalho é extremamente importante por ser por meio dela que o salário do trabalhador é auferido. Além disso, a fixação do tempo de trabalho é fundamental para a pre- servação da saúde do trabalhador. Sendo assim, o controle da jornada detrabalho é uma medida necessária para reduzir os acidentes de trabalho e doenças profissionais, permitir que o trabalhador tenha um projeto de vida, garantia de empregos, entre outros fatores. A Constituição Federal de 1988 assegura, no artigo 7º, XIII, que a duração do trabalho normal não será superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horá- rios e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. A jornada de trabalho, em regra, é de 8 horas diárias e 44 semanais e para os turnos ininterruptos de revezamento, em empresas que funcionam 24 horas, jornada de 6 horas, salvo negociação coletiva. O controle da jornada, do horário de entrada e de saída do trabalhador, deverá ser realizado por meio de anotação obrigatória, manual, mecânico ou eletrônico para os estabelecimentos de mais de dez trabalhadores. Além disso, não serão descontadas nem computadas como jornada extraor- dinária as variações de horário no registro de ponto não excedentes de cinco minutos, observado o limite máximo de dez minutos diários. É o que dispõe os artigos 74, § 2º e 58, § 1º, da CLT. É permitida a prorrogação de jornada, conforme o artigo 59, da CLT, em número não excedente de duas horas, mediante acordo individual, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho. Sempre que o trabalhador prestar serviço após a jornada normal de trabalho haverá 7 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: LTr, 2008, p. 832. Para saber mais Súmula nº 338, do TST JORNADA DE TRABALHO. REGISTRO. ÔNUS DA PROVA. III - Os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova, inver- tendo-se o ônus da prova, relativo às horas extras, que passa a ser do empregador, prevalecendo a jor- nada inicial se dele não se desincumbir. 38 trabalho extraordinário que deverá ser remunerado com o adicional de no mínimo 50% ao da hora normal, artigos 7º, XVI, CF e 59, § 1º, da CLT. Ao prorrogar a jornada de trabalho, o empregador poderá optar pela Compensação de Jornada ou pelo Banco de Horas. Nestas hipóteses, o empregador não estará obrigado a pagar as horas extras, mas a deduzir ou abater essas horas realizadas pelo trabalhador. Há a possibilidade do chamado banco de horas, previsto no art. 59, §§ 2º e 3º, da CLT, desde que celebrado por acordo ou convenção coletiva de trabalho. As horas suplementares não serão remunera- das, mas compensadas no período de 1 ano, proibido ultrapassar o limite de 10 horas diárias. Caso haja o término do contrato de trabalho sem que tenha havido a compensação total da jornada extraordinária, fará jus o empregado ao pagamento das horas extras não compensadas, acrescida o adicional de 50%. Anteriormente à Reforma Trabalhista, o TST vinha entendendo só ser possível o Banco de Horas quando autorizado por norma coletiva, Súmula nº 85, V, TST. No entanto, a Lei nº 13.467/17 permi- tiu, nos §§ 5º e 6º, do art. 59, a compensação de jornada por banco de horas também quando houver ajuste escrito entre empregado e empregador, desde que a compensação ocorra no máximo em seis meses. Além disso, será possível, ainda, o ajuste estabelecido por acordo individual, tácito ou escrito, para a compensação no mesmo mês. Antes da Reforma Trabalhista, a realização de trabalho em regime de tempo parcial, artigo 58-A, da CLT, era o considerado aquele cuja duração não exce- desse a vinte e cinco horas semanais. Após a Reforma ficou permitido o contrato em regime de tempo parcial aquele cuja dura- ção não exceda a trinta horas semanais, sem a possibilidade de horas suplementares semanais, ou, ainda, aquele cuja duração não exceda a vinte e seis horas semanais, com a possibilidade de acréscimo de até seis horas suplementares semanais. Link LANDI, Flávio. Novas tecnologias e a duração do trabalho. 2009. Dissertação (Mestrado em Direito do Trabalho) – Faculdade de Direito. Universi- dade de São Paulo, 2009. Disponível em: <http:// www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2138/tde- 06052010-154656/publico/Flavio_Landi_Versao_ Integral.pdf>. Acesso em: 30 abr. 2018. 39 A Reforma Trabalhista, alterada pela Medida Provisória 808/17, ainda, prevê a jornada 12x36, por acordo individual ou norma coletiva, ininterruptas de descanso, observados ou indenizados os inter- valos para repouso e alimentação. Ou seja, foi indiretamente autorizada a não concessão do inter- valo, mediante o pagamento, sendo este de natureza indenizatória. Além disso, a remuneração mensal pactuada abrange os pagamentos devidos pelo descanso sema- nal remunerado e pelo descanso em feriados e serão considerados compensados os feriados e as prorrogações de trabalho noturno, quando houver, de que tratam o art. 70 e o § 5º do art. 73, da CLT. As entidades atuantes no setor de saúde poderão, por meio de acordo individual escrito, conven- ção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, estabelecer jornada 12x36 horas ininterruptas de des- canso, observados ou indenizados os intervalos para repouso e alimentação. Como novidade, a reforma trabalhista também autoriza a jornada móvel variada e o trabalho móvel variado, chamado pela legislação de trabalho intermitente, isto é, “para serviços descontí- nuos, transitórios, com alternância de períodos de trabalho e de inatividade. Algumas vezes a neces- sidade do serviço é imprevisível e pode variar de tempos em tempos. Essa espécie de contrato não se aplica aos aeronautas”.8 2. Empregados excluídos do controle de jornada Os trabalhadores que exercem atividade externa incompatível com a fixação do horário de trabalho estão excluídos do controle de jornada, como ocorre com gerentes, diretores e vendedores viajantes. De acordo com o artigo 62 da CLT não são abrangidos pelo regime de controle de jornada os empregados que exercem atividade externa incompatível com a fixação de horário de trabalho; os gerentes, assim considerados os exercentes de cargos de gestão e, como novidade, os empregados em regime de teletrabalho. 8 CASSAR, Vólia Bomfim; BORGES, Leonardo Dias. Comentários à Reforma Trabalhista. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2017, p. 45. 40 Teletrabalho, conforme o art. 75-B é “a prestação de serviços preponderantemente fora das dependências do empregador, com a utilização de tecnologias de informação e de comunicação que, por sua natureza, não se constituam como trabalho externo”. A Reforma Trabalhista excluiu o teletrabalho do capítulo “Da Duração do Trabalho”, retirando a direito às horas extras, intervalos, hora noturna e adicional noturno. É importante ressaltar que o trabalho externo não significa que o empregado não possua jornada de trabalho. Caso haja como controlar os horários do trabalhador, e isso está cada vez mais presente com a tecnologia, haverá controle de jornada e o pagamento de horas extras eventualmente trabalhadas. Os trabalhadores que exercem efetiva- mente os cargos de gerência e confiança, ou seja, aqueles que detêm o poder de mando, comando e gestão não terão o controle de jornada. No entanto, receberão 40%, no mínimo, a título de gratificação, não sendo devidas horas extras. 3. Trabalho noturno O trabalho prestado no período noturno deverá ser remunerado com um acréscimo, um adicional. Esta previsão decorre do desgaste do trabalhador que exerce suas atividades em horário em que se normalmente estaria em repouso, alterando o metabolismo e causando danos a longo prazo. Além disso, o trabalho noturno, muitas vezes, afasta o trabalhador das atividades sociais e familiares. O trabalho noturno dos urbanos é aquele realizado no período compreendido entre 22 horas e 5 horas, com o adicional de 20% sobre a hora diurna, conforme o artigo 73, da CLT. A hora noturna será computada como de 52 minutos e 30 segundos, ou seja, é reduzida. Link MELO, Geraldo Magela. O teletrabalho na nova CLT. 28 jul. 2017. Disponívelem: <https://www.ana- matra.org.br/artigos/25552-o-teletrabalho-na-no- va-clt>. Acesso em: 02 maio 2018. 41 O trabalho noturno dos rurais, por sua vez, previsto na Lei nº 5.889/73, artigo 7º, caput e pará- grafo único, estabelece que para os trabalhadores da lavoura será das 21 horas às 5 horas e da pecu- ária das 20 horas às 4 horas, considerando a hora os 60 minutos, com adicional de 25%. 4. Horas in itinere O tempo despendido no trajeto realizado pelo trabalhador, na ida e na volta, entre a residência e o trabalho, em transporte fornecido pelo empregador denomina-se horas in itinere. De acordo com a antiga redação do artigo 58, § 2º, da CLT, as horas de locomoção entre a resi- dência e o trabalho eram computadas na jornada de trabalho desde que fosse um local de trabalho de difícil acesso, não servido de transporte público e que a condução fosse fornecida pelo empre- gador. A mera insuficiência ou precariedade de transporte público não ensejava o pagamento das horas in itinere. Todavia, a Reforma Trabalhista retirou o direito às horas in itinere. Assim, o tempo gasto pelo empregado com o percurso entre a residência e trabalho e vice-versa foi desconsiderado como tempo à disposição e, assim, como tempo de serviço: art. 58, § 2º, da CLT: O tempo despendido pelo empregado desde a sua residência até a efetiva ocupação do posto de trabalho e para o seu retorno, caminhando ou por qualquer meio de transporte, inclusive o fornecido pelo empregador, não será computado na jornada de trabalho, por não ser tempo à disposição do empregador. 5. Horas à disposição da empresa Conforme a CLT, no artigo 4º, é possível o empregado ficar à disposição da empresa considerando como de serviço efetivo o período em que o empregado ficar à disposição do empregador, aguar- dando ou executando ordens, salvo disposição especial expressamente consignada. 42 Será computado como tempo de serviço, para efeitos de indenização e estabilidade, os períodos em que o empregado estiver afastado do trabalho prestando serviço militar e por motivo de acidente do trabalho. De acordo com o entendimento do Tribunal Superior do Trabalho (TST), o tempo gasto com atividades preparatórias, tais como troca de uniforme, colocação de Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs), reuniões e higiene pessoal, realizadas dentro das dependências da empresa, é considerado como tempo à disposição do empregador, quando houver obrigatoriedade, conforme disposto no art. 4º da CLT, devendo ser remunerado como hora extraordinária o período que ultra- passar em cinco minutos ou, no total, a 10 minutos da jornada diária. Com a Reforma Trabalhista, no art. 4º, § 2º, da CLT, não será considerado tempo à disposição do empregador, não computando como período extraordinário o que exceder a jornada normal, ainda que ultrapasse o limite de cinco minutos previsto no § 1o do art. 58 da CLT, quando o empregado, por escolha própria, buscar proteção pessoal, em caso de insegurança nas vias públicas ou más con- dições climáticas, bem como adentrar ou permanecer nas dependências da empresa para exercer atividades particulares, entre outras: I - práticas religiosas; II - descanso; III - lazer; IV - estudo; V - alimentação; VI - atividades de relacionamento social; VII - higiene pessoal; VIII - troca de roupa ou uniforme, quando não houver obrigatoriedade de realizar a troca na empresa. Figuras semelhante, mas que não se confundem com o tempo à disposição, são os chama- dos sobreaviso ou prontidão. No sobreaviso, o empregado fica em casa aguardando, a qualquer momento, o chamado para prestar algum serviço, sendo remuneradas as horas a razão de 1/3 do salário hora normal. Na prontidão, o trabalhador fica nas dependências da empresa, aguardando ordens, sendo remuneradas as horas a razão de 2/3 do salário hora normal. As normas que a princí- pio se aplicavam apenas aos ferroviários, com a sedimentação da súmula nº 428, do TST, foi pacifi- cado a analogia do artigo 244, da CLT, para todos os trabalhadores. Anteriormente, o TST entendia que o uso do BIP ou telefone celular quando o empregado possuía a liberdade de locomoção não ensejava horas de sobreaviso. No entanto, com a alteração do artigo 6º da CLT, em 2011, o TST revisou o seu entendimento na súmula nº 428 para dispor que o uso, por 43 si só, de instrumentos telemáticos ou informatizados não caracterizam regime de sobreaviso. No entanto, será considerado sobreaviso o empregado que, à distância e submetido a controle patronal por instrumentos telemáticos ou informatizados, permanecer em regime de plantão ou equivalente, aguardando a qualquer momento o chamado para o serviço durante o período de descanso. A Lei nº 13.103, de 2015, que regula a profissão do motorista e que altera a CLT, disciplina o tempo de espera, outra figura que não se confunde com as anteriores. De acordo com o artigo 235-C, da CLT: A jornada diária de trabalho do motorista profissional será de 8 (oito) horas, admitindo-se a sua prorrogação por até 2 (duas) horas extraordinárias ou, mediante previsão em convenção ou acordo coletivo, por até 4 (quatro) horas extraordinárias. § 1º Será considerado como trabalho efetivo o tempo em que o motorista empregado estiver à disposição do empregador, excluídos os inter- valos para refeição, repouso e descanso e o tempo de espera. § 8o São considerados tempo de espera as horas em que o motorista profissional empregado ficar aguardando carga ou descarga do veículo nas dependências do embar- cador ou do destinatário e o período gasto com a fiscaliza- ção da mercadoria transportada em barreiras fiscais ou alfandegá- rias, não sendo computados como jornada de trabalho e nem como horas extraordinárias. § 9o As horas relativas ao tempo de espera serão indenizadas na proporção de 30% (trinta por cento) do salário-hora normal. Pela lei do motorista, o tempo de espera será remunerado, de forma indenizatória, na proporção de 30% do salário-hora normal. Para saber mais A regulamentação do motorista profissional traz um instrumento preventivo de acidentes no trân- sito obrigando os trabalhadores a realizar exames toxicológicos tanto para obtenção/revalidação de CNHs (tipos C, D e E), quanto para exames admis- sionais e demissionais. Link SILVA, José Antônio Ribeiro de Oliveira. Lei do Motorista Profissional: tempo de trabalho, tempos de descanso e tempo de direção. Dis- ponível em: <https://juslaboris.tst.jus.br/han- dle/20.500.12178/104304>. Acesso em: 15 maio 2018. 44 Questão para reflexão Assista ao filme “Tempos Modernos”, de Charlie Chaplin, de 1936 e reflita sobre a crítica realizada pelo cineasta sobre o trabalho, a jornada e o meio ambiente do trabalho, na era industrial. Considerações finais • A jornada de trabalho, em regra, é de 8 horas diárias e 44 semanais. • A Constituição Federal de 1988 prevê a possibilidade de prorrogação excepcional de jornada de trabalho em até duas horas diárias com o pagamento de horas extras de no mínimo 50% da hora normal. • São permitidos o regime de compensação de horas e o sistema de banco de horas. As hipó- teses anteriores não ensejarão o pagamento de horas extras, mas a compensação das horas trabalhadas. • Os trabalhadores que exercem atividade externa incompatível com a fixação do horário de tra- balho estão excluídos do controle de jornada. • É permitido a jornada 12x36 por acordo individual, escrito entre patrão e empregado ou norma coletiva. • O contrato de trabalho em regime parcial será de 30 horas semanais ou 26 horas semanais, podendo este último contrato ser acrescido de até 6 horas extras. • Está autorizada a jornada móvel variada e o trabalho móvel variado, chamado pela legislação de Trabalho Intermitente. • O trabalho prestado no período noturno deverá ser remunerado com o adicional noturno. • O tempo despendido no trajeto realizado pelo trabalhador, na ida e na volta, entre aresidência e o trabalho, em transporte fornecido pelo empregador denomina-se horas in itinere. Estas horas não serão computadas na jornada de trabalho do empregado, nem serão consideradas tempo à disposição do empregador. 45 • Será considerado horas à disposição da empresa o período em que o empregado ficar à dis- posição do empregador, aguardando ou executando ordens, salvo disposição especial expres- samente consignada. Além disso, o sobreaviso, prontidão e tempo de espera são figuras que ensejarão a remuneração de 1/3, 2/3 e 30% do salário-hora normal, respectivamente. Glossário Súmula: é a interpretação majoritária de um tribunal adotada a partir de julgamentos reiterados a respeito de um tema específico. No Direito do Trabalho, as súmulas são extremamente importantes para a interpretação das normas. Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs): é todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado a proteção contra riscos capazes de ameaçar a sua segurança e a sua saúde. Ônus da prova: consiste na atribuição de determinada incumbência a um sujeito de comprovar fatos que lhe são favoráveis no processo. Verificação de leitura QUESTÃO 1- Sobre a jornada de trabalho, é possível afirmar que: a) a legislação trabalhista não limita o tempo de trabalho diário a que está submetido o trabalhador. b) o trabalhador só poderá realizar horas extraordinárias quando houver força maior. c) a jornada de trabalho, em regra, é de 8 horas diárias e 44 semanais, não podendo ser objeto de negociação coletiva. d) o controle da jornada, do horário de entrada e de saída do trabalhador, deverá ser reali- zado por meio de anotação obrigatória, manual, mecânico ou eletrônico para os estabeleci- mentos de mais de dez trabalhadores. e) serão descontadas e computadas como jornada extraordinária as variações de horário no registro de ponto não excedentes a dois minutos. 46 QUESTÃO 2- A legislação brasileira permite a prorrogação de jornada de trabalho: a) mediante acordo escrito, individual ou coletivo, em número não excedente a 2 horas. b) apenas mediante convenção ou acordo coletivo. c) devendo o valor das horas extraordinárias ser estabelecido em convenção coletiva, caso contrário será remunerado com o adicional de 25% superior ao da hora normal. d) não sendo possível a realização de compensação de jornada. e) admitindo o Tribunal Superior do Trabalho a incorporação das horas extras prestadas ha- bitualmente ao salário do obreiro. QUESTÃO 3- É considerado horário noturno dos trabalhadores urbanos, o período: a) das 22h às 5h. b) das 20h às 5h. c) das 21h às 5h. d) das 20h às 4h. e) das 22h às 4h. QUESTÃO 4- Em relação às horas “in itinere”, é possível afirmar que: a) é o tempo correspondente à ida e volta da residência do trabalhador ao local de trabalho e vice-versa, em transporte público. b) as horas “in itinere” serão computadas na jornada de trabalho do empregado. c) as horas “in itinere” são aquelas destinadas ao intervalo de descanso e refeição do trabalhador. d) o tempo de deslocamento de ida e volta da residência do trabalhador ao local de trabalho e vice-versa, não será computado na jornada de trabalho, nem considerado tempo à disposição. e) a mera insuficiência de transporte público já enseja o pagamento de horas “in itinere”. 47 QUESTÃO 5- Acerca da jornada de trabalho, assinale a alternativa correta: a) a jornada de trabalho, em regra, é de 8 horas diárias e 40 semanais, salvo negociação coletiva. b) o adicional de horas extras deve ser, no máximo, 50% superior à normal. c) o repouso semanal remunerado deverá ser obrigatoriamente aos domingos. d) a compensação de jornada de trabalho pode ser ajustada por acordo individual, escrito ou tácito, por acordo coletivo ou convenção coletiva. e) é válido acordo de compensação de jornada em atividade insalubre. Referências bibliográficas BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado. htm>. Acesso em: 02 maio 2018. BRASIL. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Consolidação das Leis do Trabalho. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 02 maio 2018. CASSAR, Vólia Bomfim; BORGES, Leonardo Dias. Comentários à Reforma Trabalhista. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2017. DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: LTr, 2008. LANDI, Flávio. Novas tecnologias e a duração do trabalho. 2009. Dissertação (Mestrado em Direito do Trabalho) – Faculdade de Direito. Universidade de São Paulo, 2009. Disponível em: <http:// www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2138/tde-06052010-154656/publico/Flavio_Landi_Versao_ Integral.pdf>. Acesso em: 02 maio 2018. MELO, Geraldo Magela. O teletrabalho na nova CLT. 28 jul. 2017. Disponível em: <https://www. anamatra.org.br/artigos/25552-o-teletrabalho-na-nova-clt>. Acesso em: 02 maio 2018. 48 Gabarito QUESTÃO 1- Resposta D. A afirmação correta dispõe exatamente o conteúdo do artigo 74, § 2º. QUESTÃO 2- Resposta A. É possível a prorrogação de jornada mediante acordo escrito, individual ou coletivo, em número não excedente a 2 horas, com pagamento da remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em 50% a do normal, podendo a convenção ou acordo coletivo estabelecer um valor maior. As horas extras prestadas habitualmente não incorporam ao salário do obreiro, conforme a Súmula 291 do TST. QUESTÃO 3- Resposta A. Conforme o artigo 73 da CLT estabelece o trabalho noturno dos trabalhadores urbanos aquele compreendido entre 22h e 5h, fixando o adicional noturno em 20% sobre a hora diurna. QUESTÃO 4- Resposta D. Após a Reforma Trabalhista, o tempo de deslocamento de ida e volta da residência do trabalhador ao local de trabalho e vice-versa não será computado na jornada de trabalho, nem será considerado tempo à disposição. 49 QUESTÃO 5- Resposta D. Anteriormente à Reforma Trabalhista só era autorizado a compensação (Banco de Horas) por norma coletiva (Súmula nº 85, do TST). No entanto, a Lei nº 13.467/17 permitiu, nos §§ 5º e 6º, do art. 59, a compensação de jornada por banco de horas também quando houver ajuste escrito entre empregado e empregador, desde que a compensação ocorra no máximo em seis meses. Além disso, será possível, ainda, o ajuste estabelecido por acordo individual, tácito ou escrito, para a compen- sação no mesmo mês. 4 Intervalos e descanso semanal remunerado 51 Objetivos específicos • Verificar as hipóteses de intervalo intrajornada. • Compreender o intervalo interjornada. • Analisar o descanso semanal remunerado (DSR). Introdução Os períodos de descanso são fundamen- tais para os trabalhadores por estar relacio- nado à saúde e à recomposição fisiológica da pessoa. Não é por acaso que o legislador inseriu nas normas trabalhistas a obrigato- riedade ao descanso, fixou jornadas máxi- mas, intervalos obrigatórios e ainda uma remuneração diferenciada para as horas extraordinárias. Para que haja a recomposição do traba- lhador, a legislação trabalhista prevê os intervalos intrajornada e interjornada. Para saber mais Há estudos1 que relacionam a existência do excesso de jornada com a ocorrência de acidentes do tra- balho e doenças profissionais. A sobrecarga de tra- balho é um dos fatores que causam acidentes do trabalho em todo o mundo. A fadiga por excesso de trabalho tem acarretado um desgaste físico e men- tal que dificulta a concentração. 1 COLETA, José Augusto Dela. Acidentes de trabalho: fator humano, contribuições da psicologia do trabalho, atividades de prevenção. São Paulo: Atlas, 1989. Link ALMEIDA, Saulo Nunes de Carvalho; GOMES, Ana Virginia Moreira. O direito fundamental ao lazer nas relações de trabalho: uma perspectiva humanísti-ca. Disponível em: <http://publicadireito.com.br/ artigos/?cod=ad7b25e2374b4235>. Acesso em: 02 maio 2018. 52 1. Intervalos inter e intrajornada O intervalo interjornada corresponde a pausa entre o final de uma jornada diária e o começo de outra, para descanso do trabalhador. O artigo 66 da CLT dispõe que entre duas jornadas de trabalho haverá um período mínimo de 11 horas consecutivas para descanso. Caso a pausa entre as jornadas de trabalho não for respeitada, o empregador deverá pagar como horas extras, ou seja, acrescida, de no mínimo, 50% da hora normal de trabalho, conforme a Orientação Jurisprudencial 355 do TST. É importante ressaltar que o respeito ao intervalo interjornada deve ser em conjunto com o des- canso semanal remunerado, de 24 horas. Uma pausa não exclui a outra. Assim, há a necessidade de que as 11 horas de intervalo interjornada sejam somadas com as 24 horas do repouso semanal remunerado, totalizando 35 horas. O intervalo intrajornada, por sua vez, são as pausas que ocorrem dentro da jornada diária de tra- balho, para descanso e refeição, de acordo com o artigo 71 da CLT. Jornadas diárias que excederem 6 horas deverão ter um intervalo para repouso ou alimentação de no mínimo 1 hora e, salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário, não poderão exceder 2 horas. Para as jornadas diárias que excederem 4 horas e não ultrapassarem 6 horas haverá um intervalo de 15 minutos. É importante destacar que o período de descanso não será computado na duração do trabalho. Além disso, poderá haver a redução do limite mínimo de uma hora de intervalo intrajornada quando houver autorização no Ministério do Trabalho após a comprovação de que o estabeleci- mento atende integralmente às exigências concernentes à organização dos refeitórios, e quando os respectivos empregados não estiverem sob regime de trabalho prorrogado a horas suplementares. A OJ/SDI-I 342, do TST, dispõe ser inválida a cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando a supressão ou redução do intervalo intrajornada porque este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido por norma de ordem pública. 53 Não sendo respeitado o intervalo intrajornada ficará o empregador obrigado ao pagamento das horas suprimidas como horas extraordinárias. A reforma trabalhista, contrariamente do que enten- dia a doutrina majoritária e a jurisprudência, estabeleceu, no § 4º, do art. 71, da CLT, que será inde- nizado apenas o período suprimido, com acréscimo de 50%. Para os trabalhadores rurais, o intervalo intrajornada para jornadas supe- riores a 6 horas será de no mínimo 1 hora, observados os usos e costumes da região. Em algumas profissões há, ainda, pausas obrigatórias em razão da atividade. Para os serviços de datilografia, escrituração ou cál- culo, a cada período de 90 minutos de tra- balho consecutivo haverá um repouso de 10 minutos, não deduzidos da duração normal de trabalho, de acordo com o artigo 72, da CLT. Para os empregados que trabalhem no interior de câmaras frigoríficas ou submeti- dos a trabalho contínuo em ambiente arti- ficialmente frio a cada 1 hora e 40 minutos de trabalho contínuo, será assegurado um descanso de 20 minutos, computado como de trabalho efetivo, artigo 253, da CLT c/c Súmula 438, do TST. É importante ressaltar que a reforma tra- balhista revogou o art. 384, da CLT, que previa pausa de 15 minutos, antes do período extraordinário do trabalho, em caso de prorrogação de jornada de trabalho da mulher. Para saber mais O documentário “Carne e osso” retrata a situação nos frigoríficos brasileiros e a necessidade de im- plementação das pausas para descanso. Vale a pena assistir! Link PORTO, Noemia. Sofrimento banalizado em “carne e osso”: o Direito a qual proteção fundamental? Disponível em: <https://juslaboris.tst.jus.br/han- dle/20.500.12178/34307>. Acesso em: 15 maio 2018. 54 2. Repouso semanal remunerado e feriados O repouso semanal remunerado consiste no descanso do trabalhador pelo prazo de 24 horas, sem prejuízo de sua remuneração e demais vantagens, exercido preferen- cialmente aos domingos. O feriado também é considerado uma interrupção no contrato de trabalho nos casos previs- tos pela legislação, objetivando comemorar datas cívicas e religiosas. A Lei nº 605/49 regulamenta o repouso semanal remunerado e o pagamento de salário nos dias feriados civis e religiosos, prevendo em seu artigo 1º e 8º: Art. 1º Todo empregado tem direito ao repouso semanal remunerado de vinte e qua- tro horas consecutivas, pre- ferentemente aos domingos e, nos limites das exigências técnicas das empresas, nos feriados civis e religiosos, de acordo com a tradição local. Art. 8º Excetuados os casos em que a execução do ser- viço for imposta pelas exigên- cias técnicas das empresas, é vedado o trabalho em dias feriados, civis e religiosos, Para saber mais São motivos justificados para a falta no serviço: 2 dias em caso de falecimento do cônjuge, ascenden- te, descendente, irmão ou pessoa que, declarada em sua carteira de trabalho e previdência social, viva sob sua dependência econômica; 3 dias em virtude de casamento; 1 dia em caso de nascimento de filho no decorrer da primeira semana; 1 dia, em cada 12 meses, em caso de doação voluntária de sangue devidamente comprovada; até 2 dias con- secutivos ou não, para o fim de se alistar eleitor; no período de tempo em que tiver de cumprir as exigências do Serviço Militar; nos dias em que esti- ver comprovadamente realizando provas de exame vestibular para ingresso em estabelecimento de En- sino Superior; pelo tempo que se fizer necessário, quando tiver que comparecer a juízo; pelo tempo que se fizer necessário, quando, na qualidade de representante de entidade sindical, estiver partici- pando de reunião oficial de organismo internacional do qual o Brasil seja membro; até 2 dias para acom- panhar consultas médicas e exames complementa- res durante o período de gravidez de sua esposa ou companheira (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016); 1 dia por ano para acompanhar filho de até 6 anos em consulta médica; a ausência do emprega- do devidamente justificada, a critério da adminis- tração do estabelecimento; a paralisação do serviço nos dias em que, por conveniência do empregador, não tenha havido trabalho; a falta ao serviço com fundamento na lei sobre acidente do trabalho; a doença do empregado, devidamente comprovada. 55 garantida, entretanto, aos empregados a remuneração respectiva, observados os dispositi- vos dos artigos 6º e 7º desta lei. Para as empresas que necessitam funcionar de domingo e feriados, e que estejam autorizadas pela Lei nº 605/49 ou por norma coletiva, deverão organizar escala de revezamento entre os traba- lhadores para permitir que pelo menos de 7 em 7 semanas o repouso semanal remunerado coincida com o domingo. O empregado, mesmo trabalhando aos domingos, deverá usufruir de uma folga compensatória na semana, sob pena de receber em dobro a remuneração do dia trabalhado, de acordo com a súmula 146, do TST. Não será devida a remuneração do repouso semanal remunerado e dos feriados quando o empre- gado não tiver trabalhado durante a semana anterior, cumprindo integralmente o seu horário de tra- balho, sem motivo justificado. 3. Questão para reflexão Leia o texto do professor e juiz do traba- lho Jorge Souto Maior e reflita sobre o direito ao trabalho e o direito ao não trabalho. O trabalhador possui o direito ao descanso, lazer e desconexão do trabalho? Considerações finais • O intervalo interjornada corresponde a pausa entre o final de uma jornada diária e o início de outra, para descanso e recuperação do trabalhador. • O intervalo intrajornada são as pausas que ocorrem dentro da jornada diária de trabalho, para descanso e refeição. • Poderá haver a redução do limite mínimo de uma hora de intervalo intrajornada quandohouver Link MAIOR, Jorge Souto. Do Direito à Desconexão do Trabalho. Disponível em: <http://egov.ufsc.br/por- tal/sites/default/files/do_direito_a_desconexao_ do_trabalho.pdf>. Acesso em: 15 maio 2018. 56 autorização no Ministério do Trabalho após a comprovação de que o estabelecimento atende integralmente às exigências concernentes à organização dos refeitórios, e quando os respec- tivos empregados não estiverem sob regime de trabalho prorrogado a horas suplementares. • O repouso semanal remunerado consiste no descanso do trabalhador pelo prazo de 24 horas, sem prejuízo de sua remuneração e demais vantagens, exercido preferencialmente aos domingos. Glossário Orientação Jurisprudencial: são orientações do Tribunal Superior do Trabalho que refletem o seu posicionamento, com a intenção principal de uniformizar a jurisprudência trabalhista. Interrupção do contrato de trabalho: ocorre quando o trabalhador não presta o serviço, mas permanece recebendo normalmente sua remuneração. Por exemplo, as férias e o descanso semanal remunerado. Suspensão do contrato de trabalho: ocorre quando o trabalhador não realiza o serviço contratado e o empregador deixa de remunerar o empregado. São exemplos de suspensão do contrato de tra- balho o período de gozo do auxílio-acidente, prestação do serviço militar obrigatório e greve. Verificação de leitura QUESTÃO 1- O intervalo intrajornada, conhecido como intervalo para descanso e refeição, deverá ser de no mínimo 1 e no máximo 2 horas. De acordo com a doutrina e a jurispru- dência, a redução do intervalo intrajornada para 30 minutos: a) não poderá ocorrer em nenhuma hipótese. b) poderá ocorrer se autorizado pela Justiça do Trabalho. c) poderá ser autorizada pelo Ministério Público do Trabalho. d) poderá ser autorizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego quando verificado a instituição de refeitório adequado, mesmo quando houver empregado em regime de horas suplementares. e) será inválida a cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando a su- pressão ou redução do intervalo intrajornada porque este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido por norma de ordem pública. 57 QUESTÃO 2- Sobre o intervalo intrajornada, é correto afirmar que: a) o intervalo será computado na duração do trabalho. b) quando o intervalo não for concedido pelo empregador, este ficará obrigado ao paga- mento de uma multa administrativa no valor de 10% sobre o salário mínimo. c) quando a duração do trabalho não ultrapassar 4 horas, o empregado terá direito a um intervalo de 15 minutos. d) não excedendo 6 horas o trabalho, será, entretanto, obrigatório um intervalo de 30 mi- nutos quando a duração ultrapassar 4 horas. e) em qualquer trabalho contínuo, cuja duração exceda 6 horas, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação, o qual será, no mínimo, de 1 hora e, salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário, não poderá exceder 2 horas. QUESTÃO 3- Assinale a alternativa correta sobre intervalo interjornada de acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). a) O intervalo interjornada é o período mínimo de 11 horas consecutivas de descanso entre uma jornada de trabalho e outra. b) O intervalo interjornada é o período mínimo de 12 horas consecutivas de descanso entre uma jornada de trabalho e outra. c) O intervalo interjornada é o período mínimo de 13 horas consecutivas de descanso entre uma jornada de trabalho e outra. d) O intervalo interjornada é o período de descanso e refeição de no mínimo 1 hora e no máximo 2 horas. e) O intervalo interjornada é o período de descanso e refeição de no mínimo 30 minutos e no máximo 2 horas. 58 QUESTÃO 4- Com relação ao descanso semanal remunerado, é correto afirmar que: a) o repouso semanal remunerado consiste no descanso do trabalhador pelo prazo de 24 horas, sem prejuízo de sua remuneração e demais vantagens, exercido preferencialmente aos sábados. b) o empregado, mesmo trabalhando aos domingos, deverá usufruir de uma folga compen- satória na semana, sob pena de receber em dobro a remuneração do dia trabalhado. c) o empregado que prestar serviço aos domingos terá sempre o direito de receber, em do- bro, estes dias de trabalho. d) é devido o pagamento do descanso semanal remunerado e dos feriados mesmo quando o empregado não tiver trabalhado durante a semana anterior, cumprindo integralmente o seu horário de trabalho, sem motivo justificado. e) o feriado é considerado uma suspensão do contrato de trabalho nos casos previstos pela legislação, objetivando comemorar datas cívicas e religiosas. QUESTÃO 5- Acerca das pausas obrigatórias durante o período de trabalho, assinale a alternativa correta: a) nos serviços permanentes de mecanografia, a cada período de 90 minutos de trabalho conse- cutivo corresponderá um repouso de 10 minutos não deduzidos da duração normal de trabalho. b) serviços permanentes de mecanografia, a cada período de 90 minutos de trabalho con- secutivo corresponderá a um repouso de 10 minutos deduzidos da duração normal de tra- balho. c) para os empregados que trabalham no interior das câmaras frigoríficas e para os que movimentam mercadorias do ambiente quente ou normal para o frio e vice-versa, depois de 1 hora e 40 minutos de trabalho contínuo, será assegurado um período de 10 minutos de repouso, computado esse intervalo como de trabalho efetivo. d) para os empregados que trabalham no interior das câmaras frigoríficas e para os que movimentam mercadorias do ambiente quente ou normal para o frio e vice-versa, depois de 1 hora e 40 minutos de trabalho contínuo, será assegurado um período de 10 minutos de repouso, não computado esse intervalo como de trabalho efetivo. e) em cada período de 3 horas consecutivas de trabalho, será obrigatória uma pausa de 10 minutos para repouso, a qual será computada na duração normal de trabalho efetivo. 59 Referências ALMEIDA, Saulo Nunes de Carvalho; GOMES, Ana Virginia Moreira. O direito fundamental ao lazer nas relações de trabalho: uma perspectiva humanística. Disponível em: <http://publicadi- reito.com.br/artigos/?cod=ad7b25e2374b4235>. Acesso em: 02 maio 2018. BRASIL. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Consolidação das Leis do Trabalho. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 02 maio 2018. BRASIL. Lei nº 605, de 5 de janeiro de 1948. Repouso semanal remunerado e o pagamento de salário nos dias feriados civis e religiosos. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <http://www.pla- nalto.gov.br/ccivil_03/leis/L0605.htm>. Acesso em: 02 maio 2018. CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier/Método, 2016. MAIOR, Jorge Souto. Do Direito à Desconexão do Trabalho. Disponível em: <http://egov.ufsc. br/portal/sites/default/files/do_direito_a_desconexao_do_trabalho.pdf>. Acesso em: 02 maio 2018. PORTO, Noemia. Sofrimento banalizado em “carne e osso”: o Direito a qual proteção funda- mental? Disponível em: <https://juslaboris.tst.jus.br/handle/20.500.12178/34307>. Acesso em: 15 maio 2018. 60 Gabarito QUESTÃO 1- Resposta E. OJ/SDI-I 342, do TST. QUESTÃO 2- Resposta E. Artigo 71, da CLT. QUESTÃO 3- Resposta A. Artigo 66, da CLT. QUESTÃO 4- Resposta B. Súmula 146, do TST. QUESTÃO 5- Resposta A. Artigo 72, da CLT. 5 Férias 62 Objetivos específicos • Entender os requisitos para a concessão das férias. • Analisar as férias coletivas. • Compreender a remuneração e o abono de férias. Introdução O trabalho cotidiano gera muitos desgastes físico e intelectual trazidos por preocupações, obri- gações e pressões psicológicas e biológicas que os descansos semanais e intervalos não são capazes de restaurar. Assim, as férias anuais são fundamentais para todo trabalhador e trabalhadora. É nesse momento de descanso que haverá a recuperação das forças e o reequilíbrio orgânicodo empregado. As férias possuem extrema importância na vida dos trabalhadores por diversas razões: psicológi- cas e fisiológicas, por recompor as energias e o equilíbrio mental do excesso de trabalho; econômico, pelo fato do descanso aumentar a produtividade e satisfação do trabalhador; social, por aproximar o obreiro da família, dos amigos, da sociedade de forma geral; entre outras. Para o início do estudo das férias é importante o entendimento das formas de interrupção e sus- pensão do contrato de trabalho. A suspensão do contrato de trabalho ocorre quando tanto o empregado quanto o empregador suspendem suas obrigações contratuais, ou seja, o trabalhador não presta o serviço e o patrão não paga a remuneração. Em regra, não há contagem de tempo de serviço nem recolhimento do FGTS e previdenciário. O contrato tem os efeitos paralisados. Ocorre nos casos de greve, aci- dente de trabalho ou doença após o 15º dia, aposentadoria por invalidez, prestação do serviço militar obrigatório etc. Para saber mais Em caso de acidente do trabalho e durante a prestação do serviço militar obrigatório, embora sejam hipóteses de suspensão do contrato de tra- balho, há a contagem de tempo de serviço e a con- tinuidade do recolhimento fundiário. 63 A interrupção do contrato de trabalho, por sua vez, ocorre quando o empregado não presta o serviço, mas continua recebendo sua remuneração pelo empregador. Isso acontece na incidência das faltas justificadas e abonadas (art. 473 da CLT), feriados, férias, repouso semanal remunerado, licença-paternidade de cinco dias, entre outras hipóteses. Dessa forma, as férias são consideradas interrupção do contrato de trabalho na qual haverá a paralisação da prestação do serviço pelo empregado, mas a remuneração continuará a ser realizada pelo empregador. 1. Férias A licença anual remunerada é um direito irrenunciável do trabalhador pre- visto nos artigos 7º, XVII, CF e 129 e seguin- tes da CLT. Para o empregado ter direito às férias deverá ter completado o período aquisitivo, ou seja, 12 meses de trabalho a contar da data de sua contratação. Após esse período, o tra- balhador deverá usufruir das férias no prazo de 12 meses, no chamado período concessivo. As férias podem ser caracterizadas como: anuais, pois as férias só são devi- das após 12 meses de trabalho contado da data de contratação; remuneradas, pois as férias são pagas com acréscimo de um terço (art. 7º, XVII, CF); contínuas, pois em regra elas devem ser gozadas sem interrupção; irrenunciável, já que o Link OIT. Convenção nº 132 sobre férias remuneradas. Disponível em: <http://www.ilo.org/brasilia/con- vencoes/WCMS_235863/lang--pt/index.htm>. Acesso em: 14 maio 2018. Para saber mais Após cada período de 12 meses de vigência do con- trato de trabalho, o empregado terá direito a férias, na seguinte proporção: 30 dias corridos, quando não houver faltado ao serviço mais de 5 vezes; 24 dias corridos, quando houver tido de 6 a 14 faltas; 18 dias corridos, quando houver tido de 15 a 23 fal- tas; 12 dias corridos, quando houver tido de 24 a 32 faltas. 64 trabalhador não poderá abdicar das férias e proporcional, pois depende da assiduidade do tra- balhador (art. 130, CLT). O trabalhador, em regime de tempo parcial, também terá direito às férias remuneradas na seguinte proporção: dezoito dias, para a duração do trabalho semanal superior a vinte e duas horas, até vinte e cinco horas; dezesseis dias, para a duração do trabalho semanal superior a vinte horas, até vinte e duas horas; quatorze dias, para a duração do trabalho semanal superior a quinze horas, até vinte horas; doze dias, para a duração do trabalho semanal superior a dez horas, até quinze horas; dez dias, para a duração do trabalho semanal superior a cinco horas, até dez horas; oito dias, para a duração do trabalho semanal igual ou inferior a cinco horas. Cumprindo-se com os requisitos de concessão das férias, conforme o art. 134 e seus parágrafos, da CLT, o empregador deverá conceder o descanso em um só período, de uma vez. Desde que haja concordância do empregado, as férias poderão ser usufruídas em até três períodos, sendo que um deles não poderá ser inferior a quatorze dias corridos e os demais não poderão ser inferiores a cinco dias corridos, cada um. Os membros de uma família que trabalhem no mesmo estabelecimento ou empresa terão direito a usufruir das férias no mesmo período, caso requisitarem e não resultar pre- juízo ao serviço. Além disso, o empregado estudante, menor de 18 anos, terá o direito de gozar as suas férias junto com as férias escolares. Anteriormente à reforma trabalhista era proibido o parcelamento das férias para os menores de 18 anos e maiores de 50 anos de idade, que deveriam ser concedidas de uma só vez. No entanto, este dispositivo foi revogado pela Lei nº 13.467/17. O período de gozo das férias será escolhido pelo empregador, no momento em que melhor aten- der os seus interesses, devendo haver a comunicação antecipada de no mínimo 30 dias, por escrito ao empregado. É permitido ao empregador conceder férias coletivas a todos os empregados de uma empresa ou de determinados estabelecimentos ou setores da empresa, art. 139 da CLT. Os empregados que não completaram o período aquisitivo de 12 meses gozarão, na oportunidade, de férias proporcionais, iniciando-se, então, novo período aquisitivo. 65 Caso o contrato de trabalho seja rescindido, a pedido do empregado ou por dispensa do emprega- dor, terá o obreiro direito à indenização das férias vencidas simples ou em dobro, bem como à inde- nização referente às férias proporcionais, acrescidas de um terço. Nesta última hipótese, não serão devidos quando houver dispensa por justa causa. Não terá direito às férias o trabalhador que no curso do período aquisitivo deixar o emprego e não for readmitido dentro de 60 dias subsequentes à sua saída; permanecer em gozo de licença, com percepção de salários, por mais de 30 dias; deixar de traba- lhar, com percepção do salário, por mais de 30 dias, em virtude de paralisação parcial ou total dos serviços da empresa; e tiver percebido da Previdência Social prestações de acidente de trabalho ou de auxílio-doença por mais de 6 meses, embora descontínuos. Nestas hipóte- ses se iniciará uma nova contagem do perí- odo aquisitivo no retorno do empregado ao trabalho, não perdendo, o obreiro, o terço constitucional. 2. Remuneração e abono de férias O empregado receberá, pelo menos dois dias antes do início das férias, a remuneração devida acrescida do terço constitucional, art. 7º, XVII da CF. É permitido pelo nosso ordenamento jurídico que o empregado converta um terço de seu perí- odo de férias a que tiver direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devido. Neste caso, o trabalhador deverá requisitar, até 15 dias antes do término do período aquisitivo, a conversão de 10 dias de suas férias em abono pecuniário. Tratando-se de férias coletivas, a conver- são a que se refere este artigo deverá ser objeto de acordo coletivo entre o empregador e o sindicato Link DECISÕES mostram preocupação do TST com férias dos trabalhadores. TST. 14 jan. 2013. Disponível em: <http://www.tst.jus.br/noticias/-/asset_publish- er/89Dk/content/decisoes-mostram-preocupacao- do-tst-com-ferias-dos-trabalhadores>. Acesso em: 02 maio 2018. 66 representativo da respectiva categoria profissional, independente de requerimento individual a con- cessão do abono, conforme art. 143 da CLT. Se as férias forem concedidas fora do período concessivo, após os 12 meses subsequentes à aqui- sição do direito, o empregador deverá pagar em dobro a respectiva remuneração. Questão para reflexão Como você viu é possível a venda de parte das férias pelo empregado ao empregador. Será que é possível e lícito o empregador impor a conversão de parte das férias ao empregado? Considerações finais • As fériassão consideradas interrupção do contrato de trabalho. • Para o empregado ter direito às férias deverá ter completado o período aquisitivo de 12 meses de trabalho a contar da data de sua contratação. • As férias são irrenunciáveis. • As férias poderão ser divididas em três períodos, sendo que um deles não poderá ser inferior a quatorze dias corridos e os demais não poderão ser inferiores a cinco dias corridos, cada um. • É faculdade do empregador a escolha do período de férias do empregado. • É permitida a concessão de férias coletivas. • São devidas as férias proporcionais, acrescidas de um terço quando não houver dispensa por justa causa. • O empregado receberá, pelo menos dois dias antes do início das férias, a remuneração devida acrescida do terço constitucional. • É possível a conversão de 10 dias de férias em abono pecuniário, a critério do empregado. 67 Glossário Irrenunciável: aquilo que não é disponível. Convenção da OIT: as convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT) são tratados internacionais sujeitos a ratificação pelos Estados-Membros pertencentes à Organização. Trabalho em regime de tempo parcial: regime de trabalho cuja duração não ultrapasse 25 horas semanais. Verificação de leitura QUESTÃO 1- É correta a afirmativa de que o período de férias é caracterizado pela: a) suspensão do contrato de trabalho. O empregado continua recebendo os salários haven- do a contagem do tempo de serviço. b) suspensão do contrato de trabalho. Há a paralisação temporária da prestação de serviços, com a manutenção do pagamento de salários sem haver a contagem do tempo de serviço. c) interrupção do contrato de trabalho. O empregado continua recebendo os salários havendo a contagem do tempo de serviço. Há apenas a paralisação temporária da prestação de serviços. d) interrupção do contrato de trabalho. O empregado continua recebendo os salários não havendo a contagem do tempo de serviço. e) interrupção do contrato de trabalho. Não haverá o pagamento dos salários não compu- tando o tempo de afastamento como tempo de serviço. QUESTÃO 2- Com relação às férias, regulamentada pela CLT, assinale a alternativa correta: a) o período de férias não será computado como tempo de serviço. b) é possível descontar do período de férias as faltas do empregado ao serviço, não poden- do ultrapassar 30 dias. c) o período de gozo das férias dos empregados será definido pelo empregador, no momen- to em que melhor atender os seus interesses. 68 d) o período de férias não poderá ser fracionado, devendo ser sempre de 30 dias. e) o período de férias será considerado suspensão do contrato de trabalho. QUESTÃO 3- Sobre a remuneração e o abono de férias, assinale a alternativa correta: a) o empregado deverá receber a remuneração das férias com 20 dias de antecedência. b) o abono de férias será o correspondente a 50% do salário do empregado. c) o abono de férias será o correspondente a 30% do salário do empregado. d) se as férias forem concedidas fora do período concessivo, após os 12 meses subsequentes à aquisição do direito, o empregador deverá pagar em dobro a respectiva remuneração. e) é permitido pelo nosso ordenamento jurídico que o empregado converta metade de seu período de férias a que tiver direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devido. QUESTÃO 4- João da Silva, empregado de uma multinacional do setor de automobilístico, casado, 54 anos, pai de cinco filhos, pretende tirar férias para viajar para o exterior com os seus filhos. Já tendo completado o período aquisitivo de 12 meses, João solicita ao em- pregador a concessão de suas férias desmembrada em dois períodos, uma de 20 dias e outra de 10 dias. Com base no caso anterior, é possível afirmar que: a) não poderá o empregador conceder o desmembramento das férias de João. Os maiores de 50 anos de idade deverão ter as férias concedidas de uma só vez. b) é proibido pela legislação o fracionamento do período de férias para qualquer trabalhador. c) não poderá o empregador conceder o desmembramento das férias nos termos requeridos por João. Somente poderá haver o desmembramento das férias por dois períodos de 15 dias. d) o empregador poderá conceder as férias desmembradas, pois a lei permite o parcelamen- to das férias em até três períodos, não podendo ser inferior a dez dias, cada um. e) o empregador poderá conceder as férias desmembradas, pois a lei permite o parcelamen- to das férias em até três períodos, sendo que um deles não poderá ser inferior a quatorze dias corridos e os demais não poderão ser inferiores a cinco dias corridos, cada um. 69 QUESTÃO 5- Com relação ao direito a férias e sua duração, assinale a alternativa correta: a) é permitido descontar, do período de férias, as faltas do empregado ao serviço. b) o empregado contratado sob o regime de tempo parcial que tiver mais de dez faltas in- justificadas ao longo do período aquisitivo terá o seu período de férias reduzido à metade. c) não será considerada falta ao serviço, para os efeitos de concessão de férias, a ausência do empregado por 1 dia por ano para acompanhar o filho de até 12 anos em consulta médica. d) o período das férias não será computado, para todos os efeitos, como tempo de serviço. e) após cada período de 12 meses de vigência do contrato de trabalho, o empregado terá direito a férias, na proporção de 30 dias corridos, quando não houver faltado ao serviço mais de 5 vezes. Referências bibliográficas BRASIL. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Consolidação das Leis do Trabalho. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 02 maio 2018. BRASIL. Lei nº 605, de 5 de janeiro de 1948. Repouso semanal remunerado e o pagamento de salário nos dias feriados civis e religiosos. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <http://www.pla- nalto.gov.br/ccivil_03/leis/L0605.htm>. Acesso em: 02 maio 2018. CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier/Método, 2016. DECISÕES mostram preocupação do TST com férias dos trabalhadores. TST. 14 jan. 2013. Disponível em: <http://www.tst.jus.br/noticias/-/asset_publisher/89Dk/content/decisoes-mostram-preocupa- cao-do-tst-com-ferias-dos-trabalhadores>. Acesso em: 02 maio 2018. OIT. Convenção nº 132 sobre férias remuneradas. Disponível em: <http://www.ilo.org/brasilia/ convencoes/WCMS_235863/lang--pt/index.htm>. Acesso em: 14 maio 2018. 70 Gabarito QUESTÃO 1- Resposta C. Na interrupção do contrato de trabalho, o empregado continua recebendo os salários havendo a contagem do tempo de serviço. Há apenas a paralisação temporária da prestação de serviços. Na suspensão do contrato de trabalho não haverá o pagamento dos salários não computando o tempo de afastamento como tempo de serviço. QUESTÃO 2- Resposta C. O período de gozo das férias dos empregados será definido pelo empregador, no momento em que melhor atender os seus interesses. QUESTÃO 3- Resposta D. Artigo 137, da CLT. QUESTÃO 4- Resposta E. Artigo 134, § 1º, da CLT. QUESTÃO 5- Resposta E. Artigo 130, I, da CLT. 6 Rescisão do contrato de trabalho e verbas rescisórias 72 Objetivos específicos • Analisar as hipóteses de extinção do contrato de trabalho e os seus efeitos. • Compreender o pagamento das verbas rescisórias na extinção, com e sem justa causa, do con- trato de trabalho. • Entender a aplicação do aviso-prévio e do aviso-prévio proporcional. Introdução O término do contrato de trabalho é um momento no qual devem ser observados os detalhes desse rompimento. O pagamento das verbas rescisórias dependerá do motivo e da forma de extin- ção do contrato de trabalho. É importante ressaltar que a doutrina não é pacífica com relação a adoção da terminologia para qualificar o término do contrato de trabalho, não havendo consenso a respeito desta matéria. Os doutrinadores utilizam a nomenclatura extinção, cessaçãoou dissolução para se referirem ao término do contrato de trabalho. 1. Extinção do contrato de trabalho A extinção do contrato poderá ocorrer de forma normal ou anormal. O modo usual do fim do con- trato de trabalho é a sua execução, ou seja, o implemento do termo final. A extinção anormal poderá ocorrer pela resilição, resolução, rescisão, a morte, a extinção da empresa, fechamento ou falência. Ocorrerá a resilição do contrato de trabalho quando pelo menos uma das partes resolver, sem justo motivo, romper o pacto de emprego. Esta modalidade de extinção do contrato de trabalho poderá se dar: pela dispensa sem justa causa do empregado, por pedido de demissão do obreiro ou por distrato. Na hipótese de dispensa sem justa causa, o empregado terá direito aos seguintes direitos: avi- so-prévio proporcional; saldo de salário; férias integrais não gozadas, simples ou em dobro mais um 73 terço; férias proporcionais acrescido o terço constitucional quando não houver completado um ano de empresa; 13º salário proporcional; indenização compensatória de 40% dos depósitos fundiários; levantamento do saldo existente na conta vinculada do FGTS e guias de seguro-desemprego. Quando o empregado pede demissão, rompendo imotivadamente o pacto laboral, o aviso-prévio proporcional deixa de ser um direito do empregado passando a ser um dever, sob pena do emprega- dor descontar o valor correspondente ao período do aviso, art. 487, § 2º da CLT. O trabalhador, nesta hipótese, terá direito: saldo de salários, férias integrais não gozadas, simples ou em dobro mais um terço; férias proporcionais acrescido o terço constitucional quando não houver completado um ano de empresa; 13º salário proporcional. O distrato é o mútuo acordo entre o empregado e empregador em extinguir o contrato de traba- lho. Ocorre no chamado Plano de Demissão Voluntária (PDV). No entanto, essa modalidade precisa observar os princípios protetivos do Direito do Trabalho que objetivam pro- teger o trabalhador. Na resolução, o término do contrato de trabalho ocorre quando há a prática de uma falta por uma das partes. A resolução poderá ocorrer de três formas diferentes: por dis- pensa do empregado por justa causa; por rescisão indireta ou culpa recíproca. A dispensa por justa causa ocorre quando o empregado comete alguma falta grave, prevista no art. 482 da CLT. Para a configuração da justa causa é preciso se observar os seguin- tes requisitos: a falta tem que ser grave; deve ser comprovado que o trabalhador agiu com dolo ou culpa; deve haver a proporcionalidade na aplicação da pena; admite-se apenas uma única penali- dade para cada falta cometida; uma vez aplicada a pena ela não poderá ser substituída por uma de natureza mais grave; a pena deve ser aplicada imediatamente, caso contrário será considerado per- dão tácito; vinculação entre a pena e a infração. Para saber mais O Plano de Demissão Voluntária - PDV é um me- canismo utilizado pelas empresas como forma de enxugamento do quadro de pessoal, visando otimização dos custos e racionalização na gestão de pessoas. 74 Configurada a justa causa o empregado não terá direito ao aviso-prévio (proporcional), às férias proporcionais, ao 13º salário, ao levantamento do FGTS, à indenização compensatória de 40%, às guias do seguro-desemprego. A despedida indireta ocorre quando a falta grave é cometida pelo empregador, nos casos previstos no artigo 483 da CLT justificando a ruptura do contrato de trabalho pelo trabalhador. Esta situação somente será reconhecida pela justiça do trabalho por meio de uma reclama- ção trabalhista e caso o reclamante vença a demanda, terá direito a todas as verbas rescisórias, como se tivesse sido dispensado de forma imotivada. Na resolução do contrato de trabalho por culpa recíproca, quando ambas as par- tes da relação trabalhista cometem falta grave, previstos nos arts. 482 e 483 da CLT, o empregado terá direito a 50% do valor do aviso-prévio, do 13º salário e das férias pro- porcionais, conforme a súmula 14 do TST. Além disso, será devido a metade da multa de 40% sobre os depósitos do FGTS. A rescisão é a extinção do contrato de trabalho em situações de nulidade. Se o objeto do contrato for ilícito nada é devido, nem mesmo os salários, pois não será possível o Judiciário chancelar o tra- balho que explora o crime, como ocorre com o “Jogo do Bicho” (OJ 199 da SDI-I do TST). Na nulidade do contrato por trabalho proibido só é devido ao trabalhador o saldo de salário e o pagamento do FGTS. A extinção do contrato a termo, por sua vez, em regra, ocorre com o cumprimento Link RESCISÃO indireta é um trunfo do empregado con- tra o mau empregador. TST. 29 jan. 2013. Disponível em: <http://www.tst.jus.br/noticias/-/asset_pub- lisher/89Dk/content/rescisao-indireta-e-um-trun- fo-do-empregado-contra-o-mau-empregador>. Acesso em: 02 maio 2018. Para saber mais Súmula 363 do TST CONTRATO NULO. EFEITOS. A contratação de servidor público, após a CF/1988, sem prévia aprovação em concurso público, encon- tra óbice no respectivo art. 37, II e § 2º, somente lhe conferindo direito ao pagamento da contra- prestação pactuada, em relação ao número de horas trabalhadas, respeitado o valor da hora do salário mínimo, e dos valores referentes aos de- pósitos do FGTS. 75 total do pacto celebrado no prazo determinado. As verbas rescisórias devidas são: saldo de salário, 13º salário vencido e proporcional, férias vencidas e proporcionais com o terço constitucional, saque do FGTS referente ao período contratual, guia do seguro-desemprego. Não há a necessidade da con- cessão do aviso-prévio, pois as partes já conhecem o termo final do contrato. Se por algum motivo o empregador quiser rescindir o contrato antes do advento do termo terá que pagar ao trabalhador a título de indenização o valor correspondente à metade da remuneração que o trabalhador teria direito até o final do contrato acrescida da indenização de 40% do FGTS, art. 479 da CLT. Além disso, deverá haver a expedição da guia do seguro-desemprego. Caso a solicita- ção do término do contrato a termo seja realizado pelo empregado, este não terá direito ao levanta- mento do FGTS e será obrigado a indenizar o empregador pelos prejuízos causados, de acordo com o artigo 480 da CLT, que não poderá ultrapassar o valor a que teria direito em idênticas condições. Para a extinção do contrato de trabalho há a necessidade de certas formali- dades, previstas no artigo 477 da CLT e seus parágrafos. Os contratos com mais de um ano de duração deverão ser homologados com a assistência do sindicato ou perante a autoridade do Ministério do Trabalho e Previdência Social. O instrumento de resci- são deve ter especificada a natureza e os valores de cada parcela paga ao empregado. 2. Aviso-prévio O aviso-prévio é a comunicação prévia de uma parte a outra do desejo de romper o contrato de trabalho. A intenção do aviso-prévio é dar tempo ao empregador para que consiga se organizar e substituir a mão de obra e ao empregado para que consiga encontrar um novo emprego. Para saber mais Os sindicatos dos empregados e empregadores domésticos que, antes da Emenda Constitucion- al nº 72/2013 e da Lei Complementar 150/2015, eram juridicamente incapazes para celebrarem convenção coletiva de trabalho, a partir da nova regulamentação passaram a ter o direito de repre- sentar juridicamente esta classe de trabalhadores e a promover a homologação dos contratos domésti- co quando de sua extinção para aqueles contratos com mais de um ano. 76 O aviso-prévio poderá ser trabalhado ou indenizado. Quando o empregador conceder o aviso-pré- vio ao empregado, este terá o direito à redução no horário de trabalho em duas horas diárias ou sete dias corridos. Caso o empregador não conceda a redução de horário ao empregado será considerado como não dado o aviso-prévio. O artigo 7º, XXI da CF/88, fixou o direito ao aviso-prévioproporcional ao tempo de serviço, sendo, no mínimo de 30 dias. A Lei nº 12.506/11 regulamentou o aviso prévio proporcional estabelecendo que até um ano de trabalho o empregado terá direito ao aviso-prévio de 30 dias e serão acresci- dos 3 dias por ano de serviço prestado na mesma empresa, até o máximo de 60 dias, perfazendo um total de até 90 dias. A falta do aviso-prévio enseja ao paga- mento dos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integra- ção desse período no seu tempo de serviço. Questão para reflexão A aposentadoria espontânea tem o condão de romper o vínculo empregatício ou não? Considerações finais • A rescisão do contrato de trabalho por prazo indeterminado poderá ocorrer por resilição ou resolução. • A resilição poderá ocorrer pela dispensa sem justa causa do empregado, por pedido de demis- são do obreiro ou por distrato. • A resolução poderá ocorrer de três formas diferentes: por dispensa do empregado por justa causa; por rescisão indireta ou culpa recíproca. Para saber mais Para a contagem do aviso-prévio é preciso excluir o dia do começo e incluir o dia do término. 77 • A extinção do contrato a termo, em regra, ocorre com o cumprimento total do pacto celebrado no prazo determinado. • Os contratos com mais de um ano de duração deverão ser homologados com a assistência do sindicato. • A Lei nº 12.506/11 regulamentou o aviso-prévio proporcional estabelecendo que até um ano de trabalho o empregado terá direito ao aviso-prévio de 30 dias e serão acrescidos 3 dias por ano de serviço prestado na mesma empresa, até o máximo de 60 dias, perfazendo um total de até 90 dias. Glossário Demissão: ocorre quando o empregado solicita ao empregador o encerramento de seu contrato de trabalho. Dispensa: ocorre quando o empregador encerra o contrato de trabalho. Rescisão: o termo rescisão é utilizado para indicar a extinção quando ocorrer alguma nulidade no contrato de trabalho. Verificação de leitura QUESTÃO 1- O trabalhador que sofre acidente de trabalho e se aposenta por invalidez deve ter o seu contrato de trabalho considerado: a) suspenso. b) interrompido. c) extinto. d) anulado. e) revogado. 78 QUESTÃO 2- Maria Aparecida Pereira, trabalhou durante 10 anos na empresa “Delícias de Bolo” como cozinheira. No dia 01 de maio, uma segunda-feira, ela foi dispensada sem jus- ta causa. A empresa preferiu indenizar o aviso-prévio e dispensá-la imediatamente. Neste caso, a empresa deverá pagar as verbas rescisórias: a) até o primeiro dia útil imediato ao término do contrato. b) até o décimo dia, contado da data da notificação da demissão. c) até o quinto dia útil imediato ao término do contrato. d) até o final do mês em que ela foi notificada. e) a legislação não estabelece um prazo certo e determinado. QUESTÃO 3- Sobre a despedida indireta, é correto afirmar que: a) é a falta grave cometida pelo empregado que poderá ser punida por procedimento ad- ministrativo. b) é a falta grave cometida pelo empregado que somente poderá ser punida por decisão no judiciário. c) é a falta grave cometida pelo empregador que somente poderá ser reconhecida por de- cisão no judiciário. d) é a falta grave cometida pelo empregador que poderá ser reconhecida por procedimento administrativo. e) é a falta grave cometida de forma recíproca, tanto do empregado quanto do empregador . QUESTÃO 4- Assinale a alternativa que não corresponde a uma hipótese de justa causa do empregado, disciplinada pela Consolidação da Leis do Trabalho. a) Ato de improbidade. b) Violação de segredo da empresa. c) Ato lesivo da honra ou da boa fama ou ofensas físicas praticadas contra o empregador e superiores hierárquicos, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem. 79 d) Faltas injustificadas. e) incontinência de conduta ou mau procedimento. QUESTÃO 5- O aviso-prévio é a comunicação prévia, do empregado ou empregador, do desejo de romper o contrato de trabalho. A Constituição Federal estabelece que o aviso -prévio será de no mínimo: a) 90 dias. b) 60 dias. c) 10 dias. d) 20 dias. e) 30 dias. Referências BRASIL. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Consolidação das Leis do Trabalho. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 02 maio 2018. BRASIL. Lei nº 605, de 5 de janeiro de 1948. Repouso semanal remunerado e o pagamento de salário nos dias feriados civis e religiosos. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <http://www.pla- nalto.gov.br/ccivil_03/leis/L0605.htm>. Acesso em: 02 maio 2018. BRASIL. Lei nº 12.506, de 11 de outubro de 2011. Dispõe sobre o aviso prévio. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12506.htm>. Acesso em: 02 maio 2018. CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier/Método, 2016. DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: LTr, 2008. 80 Gabarito QUESTÃO 1-Resposta A. Art. 475, da CLT - o empregado que for aposentado por invalidez terá suspenso o seu contrato de trabalho durante o prazo fixado pelas leis de previdência social para a efetivação do benefício. QUESTÃO 2- Resposta B. Artigo 477, § 6º, b, da CLT. QUESTÃO 3- Resposta C. Artigo 483, da CLT. É a falta grave cometida pelo empregador que somente poderá ser reconhe- cida por decisão no judiciário. QUESTÃO 4- Resposta D. As hipóteses de justa causa estão taxativamente previstas no artigo 482 da CLT. QUESTÃO 5- Resposta E. Artigo 7º, XXI, CF. 7 FGTS 82 Objetivos específicos • Compreender a transição da estabilidade decenal para o FGTS. • Entender a finalidade do FGTS. • Analisar a forma de depósito na conta vinculado do empregado e as hipóteses de saque pelo trabalhador. Introdução Anteriormente a criação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) havia a proteção do tempo de serviço do empregado, previsto principalmente nos artigos 478 e 492 da CLT. O trabalha- dor que completasse dez anos de emprego se tornava estável, consolidando a estabilidade decenal, somente podendo ser dispensado se cometesse falta grave. No entanto, uma norma que visava proteger o trabalhador muitas vezes o prejudicava. O empre- gado que estivesse por atingir o requisito dos dez anos no serviço acabava sendo dispensado. Na prática, houve um desvirtuamento do instituto da estabilidade decenal. Essa situação levou a insatisfação dos empregadores que alegavam ser o trabalhador estável menos produtivo. Assim, com o tempo, a estabilidade decenal do trabalhador foi dando lugar ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). 1. Estabilidade decenal Em 1966, com a Lei nº 5.107, hoje revogada, criou-se um sistema alternativo à estabilidade dece- nal. O empregado poderia, ao ingressar no serviço, optar pelo FGTS, mediante concordância escrita, no prazo de 365 dias da vigência da lei ou da admissão, quando esta se desse após a vigência da lei. O trabalhador, ao optar pelo FGTS, teria a sua estabilidade extinta e, em contrapartida, receberia uma vantagem, o levantamento dos valores depositados pelo empregador. Esse sistema, na época, era facultativo. No entanto, os trabalhadores após a alteração se viam obrigados a optar pelo FGTS. 83 Com o advento da Constituição Federal de 1988, o regime do FGTS passou a ser obrigatório, eli- minando a estabilidade decenal. No entanto, foi respeitado o direito adquirido para aqueles que já haviam completado dez anos de serviço na data da promulgação da CF/88. 2. FGTS Com a CF/88 os trabalhadores, urbanos e rurais, passaram a ser regidos pelo sistema do FGTS, artigo 7º, III. O FGTS corresponde a um valor depositado pelo empregador, de 8% sobre a remuneração do empregado, em conta vinculada na Caixa Econômica Federal. Tem como objetivo proteger o tra- balhador em caso de desligamento ocorrido de forma involuntária. O saque da quantia deposi- tadagarante ao trabalhador a sua subsistência enquanto não obtém nova colocação no mercado de trabalho. São beneficiários do FGTS os trabalhadores regidos pela CLT, avulsos, rurais, temporários, mãe social, domésticos e o aprendiz. Este último terá o depósito mensal com redução da alíquota para 2%. Não terão direito ao FGTS o trabalhador autônomo, o eventual, o servidor público e o militar. A Lei nº 8.036/90, que regulamenta o FGTS, estabelece que será obrigação do empregador depo- sitar mensalmente, até o dia 7 de cada mês, na conta vinculada do empre- gado, sem ônus do trabalhador, 8% da remuneração recebido pelo empre- gado, inclusive sobre o 13º salário. O afastamento do trabalhador em vir- tude de acidente do trabalho ou prestação do serviço militar obrigatório não exime o empregador dos pagamentos do FGTS. O artigo 20, da Lei nº 8.036/90, estabelece as hipóteses de movimentação e retirada dos valores pelo trabalhador. A título de exemplo, Para saber mais Não se pode confundir a estabilidade com a ga- rantia no emprego. Esta é todo ato que impede ou dificulta a dispensa imotivada ou arbitrária do tra- balhador. A estabilidade é a espécie do gênero ga- rantia de emprego, ou seja, uma das formas de op- erar a garantia no emprego. Possuem estabilidade provisória o dirigente sindical; o cipeiro; a gestante, o acidentado, entre outros. 84 poderá o trabalhador sacar a quantia quando houver dispensa sem justa causa; aposenta- doria concedida pela Previdência Social; para pagamento de parte das prestações decor- rentes de financiamento habitacional; extin- ção normal do contrato a termo; quando o trabalhador ou os seus dependentes tiverem neoplasia maligna ou o vírus HIV, quando o trabalhador tiver idade igual ou superior a setenta anos. Questão para reflexão Ainda é possível haver trabalhadores com estabilidade decenal? Considerações finais • Antes da criação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) havia o regime da estabi- lidade decenal. O trabalhador que completasse dez anos de emprego se tornava estável. • Com o advento da CF/88, o FGTS consolidou-se como regime obrigatório. • O depósito do FGTS corresponde a um valor depositado pelo empregador, de 8% sobre a remu- neração do empregado, em conta vinculada na Caixa Econômica Federal. • O artigo 20, da Lei nº 8.036/90, estabelece as hipóteses de movimentação e retirada dos valo- res pelo trabalhador. Link COIMBRA, Rodrigo. Estabilidade e garantia de em- prego. Disponível em: <http://www.egov.ufsc.br/ portal/sites/default/files/anexos/22793-22795-1- PB.pdf>. Acesso em: 02 maio 2018. Para saber mais Neoplasia maligna é mais conhecida como tumor ma- ligno ou câncer. 85 Glossário Revogar: anular, desfazer, eliminar, derrogar, invalidar. Mãe social: é a denominação da atividade profissional, regulamentada pela Lei nº 7.644/87, exercida por mulheres em casas de acolhimento de menores. Cipeiro: empregado eleito para cargo de direção de comissões internas de prevenção de acidentes. Verificação de leitura QUESTÃO 1- Sobre o Fundo de Garantia de Tempo de Serviço, é correto afirmar que: a) o depósito do FGTS é sempre facultativo. b) o depósito do FGTS é sempre facultativo. No entanto, a partir do primeiro depósito ele se tornará obrigatório. c) o depósito só será obrigatório para os trabalhadores urbanos. d) terá direito aos depósitos do FGTS os trabalhadores regidos pela CLT, os trabalhadores ru- rais, os temporários, os avulsos, os safreiros, os atletas profissionais e o trabalhador doméstico. e) antes da constituição de 1988, o FGTS já era um instituto obrigatório para todos os trabalhadores. QUESTÃO 2- A conta vinculada do trabalhador no FGTS poderá ser movimentada nas se- guintes situações, exceto: a) despedida sem justa causa, inclusive a indireta, de culpa recíproca e de força maior. b) aposentadoria concedida pela Previdência Social. c) quando o trabalhador ou qualquer de seus dependentes for acometido por endometriose. d) falecimento do trabalhador, sendo o saldo pago a seus dependentes. e) quando o trabalhador ou qualquer de seus dependentes for portador do vírus HIV. 86 QUESTÃO 3- Sobre o regime do FGTS, assinale a alternativa correta: a) na hipótese de despedida pelo empregador sem justa causa, depositará este, na conta vinculada do trabalhador no FGTS, importância igual a quarenta por cento do montante de todos os depósitos realizados na conta vinculada durante a vigência do contrato de trabalho, atualizados monetariamente e acrescidos dos respectivos juros. b) o valor a ser depositado na conta vinculada do empregado é de 10% sobre a remuneração. c) é obrigatório o depósito do FGTS para os empregados regidos pela CLT, os trabalhadores rurais, os temporários, os avulsos, os safreiros e os atletas profissionais. Já o recolhimento do FGTS do trabalhador doméstico é facultativo. d) o FGTS é constituído de contas vinculadas, abertas em nome de cada trabalhador, quan- do o empregador efetua o primeiro depósito. O saldo da conta vinculada é formado pelos depósitos mensais efetivados pelo empregador, equivalentes a 8% do salário pago ao em- pregado, sem o acréscimo de atualização monetária e juros. e) o empregado poderá levantar os valores do FGTS a qualquer tempo. QUESTÃO 4- Os valores do depósito do FGTS do trabalhador urbano, aprendiz e do traba- lhador doméstico são, respectivamente, de: a) 8%, 2% e 11,2%. b) 8%, 3% e 8%. c) 8%, 3% e 11,2%. d) 10%, 2% e 8%. e) 10%, 2% e 11,2%. 87 QUESTÃO 5- Com relação ao rendimento das contas do FGTS, é correto afirmar que: a) todo dia 5 recebem atualização monetária mensal e juros de 3% a.a. b) todo dia 10 recebem atualização monetária mensal e juros de 3% a.a. c) todo dia 15 recebem atualização monetária mensal e juros de 3% a.a. d) todo dia 5 recebem atualização monetária mensal e juros de 5% a.a. e) todo dia 10 recebem atualização monetária mensal e juros de 5% a.a. Referências BRASIL. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Consolidação das Leis do Trabalho. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 02 maio 2018. BRASIL. Lei nº 605, de 5 de janeiro de 1948. Repouso semanal remunerado e o pagamento de salário nos dias feriados civis e religiosos. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <http://www.pla- nalto.gov.br/ccivil_03/leis/L0605.htm>. Acesso em: 02 maio 2018. BRASIL. Lei nº 5.107, de 13 de setembro de 1966. Cria o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5107.htm>. Acesso em: 02 maio 2018. BRASIL. Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990. Dispõe sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/ L8036consol.htm>. Acesso em: 02 maio 2018. CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier/Método, 2016. COIMBRA, Rodrigo. Estabilidade e garantia de emprego. Disponível em: <http://www.egov.ufsc. br/portal/sites/default/files/anexos/22793-22795-1-PB.pdf>. Acesso em: 02 maio 2018. SILVA, Homero Batista Mateus da. Curso de Direito do Trabalho Aplicado: Direito Coletivo, v.7. São Paulo: RT, 2015. 88 Gabarito QUESTÃO 1- Resposta D. Terá direito aos depósitos do FGTS os trabalhadores regidos pela CLT, os trabalhadores rurais, os temporários, os avulsos, os safreiros, os atletas profissionais, o diretor não empregado (que poderá ser equiparado aos demais trabalhadores sujeitos ao regime do FGTS) e o trabalhador doméstico. QUESTÃO 2- Resposta C. Artigo 20, da Lei nº 8.036/90. QUESTÃO 3- Resposta A. Artigo 18, § 1º, da Lei nº 8.036/90. QUESTÃO 4- Resposta A. O valor do FGTS do trabalhador urbano será o correspondente a 8% (oito por cento) do salário bruto pago ao trabalhador. Para os contratos de aprendizagem, o percentual é reduzido para 2%. No caso de trabalhador doméstico,o recolhimento é correspondente a 11,2 %, sendo 8% a título de depósito mensal e 3,2% a título de antecipação do recolhimento rescisório. QUESTÃO 5- Resposta B. Todo dia 10 recebem atualização monetária mensal e juros de 3% a.a., conforme previsto na Lei nº 8.036/1990. 8 Direito coletivo do trabalho 90 Objetivos Específicos • Compreender a estrutura sindical brasileira e os princípios que regem as relações coletivas do trabalho. • Analisar o sistema de custeio do sindicato. • Entender a negociação coletiva do trabalho. • Estudar o instituto da greve. Introdução Abordar o direito coletivo do trabalho no Brasil é um grande desafio. A construção do sindicalismo após a Constituição Federal de 1988 é muito criticada por suas bases no corporativismo. A liberdade sindical, sua criação e financiamento trazem diversas reflexões. Apesar do debate acadêmico sobre o assunto é fato que o direito coletivo do trabalho tem um papel importante nas relações de emprego. São por meio dos sindicatos e das negociações coleti- vas, que os protagonistas, empregado e empregadores, ganham voz e tentam se entender em uma relação bastante antagônica. A luta por melhores condições de trabalho não é de hoje. Durante, especialmente os séculos XIX e XX, as mobilizações de trabalhadores influenciaram a incorporação dos direitos sociais nas constitui- ções, reconhecendo a necessidade de meios judiciais e extrajudiciais de solução de conflitos coletivos. O direito coletivo do trabalho é encarregado de tratar sobre organização sindical, negociação coletiva, contratos coletivos, representação dos trabalhadores e greve. Elementos que serão anali- sados a seguir. 1. Organização sindical O sindicato tem a função de defender os direitos e interesses, individuais e coletivos, de sua cate- goria, tanto judicial quanto administrativamente. São organizados por categoria e não por profissões. 91 O artigo 511 da CLT disciplina que é lícita a associação para fins de estudo, defesa e coordenação dos seus interesses econômicos ou profissionais de todos os que, como empregadores, empregados, agentes ou trabalhadores autônomos ou pro- fissionais liberais exerçam, respectivamente, a mesma atividade ou profissão ou ativida- des ou profissões similares ou conexas. Os sindicatos são regidos por alguns prin- cípios fundamentais que norteiam o direito coletivo. Dois se destacam: o princípio da autonomia sindical e o princípio da liber- dade sindical. É assegurado pela nossa Constituição Federal de 1988, no art. 5º, XVI e XVII, a liberdade de reu- nião e associação de um grupo de pessoas, com objetivos em comuns. Especificamente no direito sindical, o art. 8º, CF, garante a liberdade de associação profissional ou sindical. O princípio da liber- dade sindical garante o direito dos empregados e empregadores de se organizarem e constituírem livremente seus sindicatos, sem sofrer qualquer interferência ou intervenção do Estado. Os trabalhadores e empregadores possuem a faculdade de filiar-se, manter-se filiado ou mesmo desfiliar-se do sindicato. O princípio da autonomia sindical consiste na liberdade das instituições sindicais de se organizarem internamente, com poderes de autogestão e autoadminis- tração, sem a intervenção e interferência do Estado. A lei não exige para a criação do sindicato autorização do Estado, apenas um registro no órgão competente. Para saber mais Categoria é o conjunto “de pessoas com interess- es profissionais ou econômicos em comum, decor- rentes de identidade de condições ligadas ao tra- balho ou atividade econômica desempenhada”.1 1 GARCIA, Gustavo Felipe Barbosa. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: Método, 2008, p. 1068. Para saber mais É importante salientar que a liberdade sindical não é plena no Brasil, uma vez que a legislação perpet- uou a estrutura corporativista, mantendo a unici- dade sindical e, até 2017, a contribuição sindical obrigatória, que deixou de ser compulsória com a Reforma Trabalhista. 92 O sindicato será representado pelo seu dirigente sindical que terá poderes de negociação com as empresas e entidades patronais. Para que tenha auto- nomia e independência em suas funções a CLT prevê, no artigo 543, § 3º, a prote- ção do líder sindical de dispensa, a partir do momento do registro de sua candidatura até um ano após o final do seu mandato, caso seja eleito, inclusive se aplicando a regra ao suplente. Podendo ser dispensado quando houver justa causa. 2. Sistema de custeio do sindicato A Reforma Trabalhista retirou a compulsoriedade da contribuição sindical. Antes era obrigatória e a partir da Lei nº 13.467/17 passou a ser facultativa, conforme art. 545, da CLT: “Os empregadores ficam obrigados a descontar da folha de pagamento dos seus empregados, desde que por eles devi- damente autorizados, as contribuições devidas ao sindicato, quando por este notificados”. O sistema de custeio dos sindicatos é formado por quatro formas de contribuição: a contribuição sindical (facultativa), assistencial, confederativa e voluntária. A contribuição sindical facultativa, conforme o art. 578, da CLT, é devida aos sindicatos pelos par- ticipantes das categorias econômicas ou profissionais ou das profissões liberais representadas pelas referidas entidades, sob a denominação de contribuição sindical, e serão pagas, recolhidas e aplica- das na forma da CLT, desde que prévia e expressamente autorizadas. Os empregadores são obrigados a descontar da folha de pagamento de seus empregados rela- tiva ao mês de março de cada ano a contribuição sindical dos empregados que autorizaram prévia e expressamente o seu recolhimento aos respectivos sindicatos, art. 582, da CLT. A reforma não mexeu nas outras fontes de custeio. Link KAMADA, Fabiana Larissa; BERTOLIN, Patrícia Tuma Martins. AUSENTES OU INVISÍVEIS? A partic- ipação das mulheres nos sindicatos. Caderno Es- paço Feminino, v.25, n.1, 2012. Universidade Fed- eral de Uberlândia (UFU). Disponível em: <http:// www.seer.ufu.br/index.php/neguem/article/view- File/13656/11077>. Acesso em: 02 maio 2018. 93 A contribuição assistencial, prevista no art. 513, alínea e, da CLT, consiste no pagamento de uma taxa ao sindicato, fixada, em geral em cláusulas de convenção ou acordo coletivo. A taxa assistencial será cobrada apenas dos associados e tem a finalidade de custear o processo de negociação da categoria. A contribuição confederativa prevista no artigo 8º, IV, da CF, será fixada pela assem- bleia geral, com desconto em folha, para custeio do sistema confederativo da repre- sentação sindical respectiva, independente- mente da contribuição prevista em lei. Por fim, a contribuição voluntária con- siste no pagamento, pelos associados, de uma mensalidade ao sindicato, prevista nos estatutos da entidade, como se fosse um clube ou associação recreativa, para fins de uso de colônia de férias. 3. Negociação coletiva de trabalho A negociação é a forma que tem de um interessado em obter daquele que tem interesse diverso uma solução que satisfaça ambas as partes. No direito coletivo do trabalho as negociações, na maioria das vezes, ocorrem por meio de con- venção e acordo coletivo de trabalho. O acordo coletivo de trabalho é a faculdade dos sindicatos representativos de categoria profissio- nal, conforme § 1º, do artigo 611 da CLT: de celebrar acordos coletivos com uma ou mais empresas da correspondente categoria econômica, que estipulem condições de trabalho, aplicáveis no âmbito da empresa ou das acordantes respectivas relações de trabalho. Para saber mais A estrutura sindical brasileira é formada pelos sindicatos; federações (entidades sindicais de grau superior, organizadas nos Estados, art. 533 da CLT), confederações (são entidades sindicais de grau su- perior, em âmbito nacional, composta de no mín- imo três federações, art. 535, da CLT) e centrais sindicais (pela Lei nº 11.648/08 são entidades derepresentação geral dos trabalhadores, de alca- nce nacional, que possuem poderes de coordenar a representação dos trabalhadores por meio das organizações sindicais a ela filiadas e de participar de negociações em fóruns, colegiados de órgãos públicos e demais espaços de diálogo social que possuam composição tripartite, nos quais estejam em discussão assuntos de interesse geral dos tra- balhadores). 94 A convenção coletiva do trabalho, por sua vez, pelo caput do artigo 611 da CLT, é o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho. O que diferencia a convenção e o acordo coletivo de trabalho são seus signatários. A convenção cole- tiva é a negociação entre o sindicato da categoria profissional (dos trabalhadores) e o sindicato da cate- goria econômica (patronal). Já o acordo coletivo de trabalho é o instrumento normativo pactuado entre o sindicato da categoria profissional e uma ou mais empresas. O TST, na súmula 277, estabeleceu que as cláusulas normativas das convenções coletivas e dos acordos coletivos de trabalho integravam os contratos individuais de trabalho e somente pode- riam ser modificados ou suprimidas mediante negociação de trabalho. Assim, as cláusulas acorda- das integrariam os contratos individuais do trabalho até que uma nova negociação a elas se refira expressamente. Apesar do entendimento consolidado pelo TST sobre os efeitos das convenções e acordos coleti- vos, o Ministro Gilmar Mendes, no dia 14 de outubro de 2016, na medida cautelar para Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 323 entendeu, contrariamente ao disposto na súmula 277 do TST, que: Ao melhor analisar a questão, inclusive após o recebimento de informações dos tribunais trabalhistas, pude ter percepção mais ampla da gravidade do que se está aqui a discutir. Em consulta à jurisprudência atual, verifico que a Justiça Trabalhista segue reiteradamente aplicando a alteração jurisprudencial consolidada na nova redação da Súmula 277, clara- mente firmada sem base legal ou constitucional que a suporte. Para solucionar a divergência de entendimento sobre a vigência das normas coletivas, a Lei nº 13.467/17, no § 3º, do art. 614, esclareceu que não será permitido estipular duração de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho superior a dois anos, sendo vedada a ultratividade. 95 A Reforma Trabalhista priorizou o nego- ciado sobre o legislado. Como estabelece o art. 611-A, da CLT: A convenção coletiva e o acordo coletivo de traba- lho, observados os incisos III e VI do caput do art. 8º da Constituição, têm prevalência sobre a lei quando, entre outros, dispuserem sobre: I - pacto quanto à jornada de trabalho, observados os limites constitucionais; II - banco de horas anual; III - intervalo intrajornada, respeitado o limite mínimo de trinta minutos para jornadas superiores a seis horas; [...]. No entanto, a legislação também prevê quais são os direitos que não podem ser negociados cole- tivamente, impondo os limites da negociação, no art. 611-B, da CLT. Ademais, o art. 620, da CLT, com nova redação prevê, diferentemente da antiga, que as condi- ções estabelecidas em acordo coletivo de trabalho sempre prevalecerão sobre as estipuladas em convenção coletiva de trabalho. 4. Greve Greve é a paralisação coletiva e temporária do trabalho, por meio da pressão exercida pelo sin- dicato profissional, para reivindicar melhores condições de trabalho ou para protestar contra algo. A Lei de Greve, nº 7.783/89, no artigo 2º, considera legítimo o exercício do direito de greve a sus- pensão coletiva, temporária e pacífica, total ou parcial, de prestação pessoal de serviços a empre- gador. Assim, a greve deve ser exercida nos limites estabelecidos pela lei, caso contrário será consi- derada abusiva. Para a deflagração da greve, é preciso observar as seguintes peculiaridades: a. frustração da negociação coletiva; b. necessidade de realizar assembleia prévia aprovando a greve; Link ADPF questiona súmula do TST sobre vigência de normas coletivas. Notícias STF. 09 jul. 2014. Dis- ponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/cms/ verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=270646>. Acesso em: 02 maio 2018. 96 c. comunicação prévia de 48 horas ao sindicato patronal ou empresa e de 72 horas para as gre- ves nos serviços essenciais; d. prestação dos serviços indispensáveis à sociedade nos serviços essenciais (artigo 10, da Lei de Greve); e. são assegurados os direitos dos grevistas (artigo 6º, da Lei de Greve); f. é vedado a empresa utilizar meios para constranger o empregado ao comparecimento no trabalho; g. livre adesão à greve; h. a greve suspende o contrato de trabalho; i. qualquer abuso de direito, nos atos praticados, será apurado conforme a legislação trabalhista, penal ou civil; j. é vedado a paralisação das atividades por iniciativa do empregador (lockout). Também é assegurado aos servidores públicos o direito de greve (artigo 37, VII, CF). No entanto, a regulamentação ainda está pendente de regulamentação. Assim, em 2007, o STF entendeu ser aplicável ao setor, no que couber, a lei de greve do setor privado. Questão para reflexão Qual deve ser o conteúdo de uma norma coletiva? Quais direitos podem ser negocia- dos? Há algum limite? Link DELGADO, Maurício Godinho. Direito do Tra- balho e seus princípios informadores. Disponível em: <https://juslaboris.tst.jus.br/bitstream/han- dle/1939/52335/007_delgado.pdf?sequence=1>. Acesso em: 02 mai. 2018. 97 Considerações finais • A estrutura sindical brasileira é formada pelos sindicatos; federações, confederações e centrais sindicais. • O sindicato tem a função de defender os direitos e interesses, individuais e coletivos, de sua categoria, tanto judicial quanto administrativamente. São organizados por categoria e não por profissões. • O sistema de custeio dos sindicatos é formado por quatro formas de contribuição: a contribui- ção sindical facultativa, assistencial, confederativa e voluntária. • Não há mais a contribuição compulsória no Direito Sindical Brasileiro. • A negociação no direito do trabalho é a forma que tem de um interessado em obter daquele que tem interesse diverso uma solução que satisfaça ambas as partes. Poderá ocorrer por meio de uma convenção ou acordo coletivo de trabalho. • A legislação priorizou o negociado sobre o legislado. • Há a prevalência das condições estabelecidas no acordo coletivo do trabalho sobre a conven- ção coletiva do trabalho. • É vedada a ultratividade na duração de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho que não será superior a dois anos. • Greve é a paralisação coletiva e temporária do trabalho, por meio da pressão exercida pelo sindi- cato profissional, para reivindicar melhores condições de trabalho ou para protestar contra algo. 98 Glossário Corporativismo: foi uma modalidade de intervenção estatal que delimitou regras para o nasci- mento e funcionamento do sindicato. Unicidade sindical: é o modelo adotado na estrutura sindical brasileira que limita a atuação dos sindicatos de cada categoria a uma base territorial. É proibido a existência de mais de um sindicato na mesma base de atuação. Personalidade jurídica: de acordo com o artigo 1º do Código Civil a personalidade jurídica é um atributo essencial para ser sujeito de direito. É a partir da personalidade que a pessoa terá aptidão genérica para titularizar direitos e contrair obrigações. Verificação de leitura QUESTÃO 1-Com relação ao Direito Coletivo do Trabalho, assinale a alternativa correta: a) nas greves de atividades essenciais, os sindicatos ou os trabalhadores deverão comunicar a decisão de entrar em greve aos empregadores e aos usuários com antecedência mínima de 48 horas. b) o recolhimento dacontribuição sindical é compulsória o sistema brasileiro e só deverá ser exigido dos empregados sindicalizados. c) o acordo coletivo do trabalho é a negociação coletiva entre dois ou mais sindicatos repre- sentativos de categorias econômicas e profissionais para estipularem condições de trabalho. d) a convenção coletiva de trabalho é a negociação coletiva entre dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais que estipulam condições de traba- lho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho. e) a estrutura sindical é formada pelos sindicatos e confederações. 99 QUESTÃO 2- Acerca da organização e estrutura do sindicalismo no Brasil, assinale a opção correta: a) é livre a associação profissional, sendo exigido pela lei a autorização do Estado para a fundação de sindicato. b) é permitido a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, represen- tativa de categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial, que será definida pelos trabalhadores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um Município. c) é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho. d) todos os trabalhadores são obrigados a filiar-se e a manter-se filiado ao sindicato. e) o aposentado filiado não tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais. QUESTÃO 3- Com relação aos direitos de greve, é correto afirmar que: a) são considerados serviços ou atividades essenciais: tratamento e abastecimento de água; produção e distribuição de energia elétrica, gás e combustíveis; assistência médica e hos- pitalar; distribuição e comercialização de medicamentos e alimentos; funerários; transporte coletivo; captação e tratamento de esgoto e lixo; telecomunicações; guarda, uso e controle de substâncias radioativas, equipamentos e materiais nucleares; processamento de dados ligados a serviços essenciais; controle de tráfego aéreo; compensação bancária. b) em caso de greve, o empregador poderá substituir a mão de obra dos grevistas para não interromper a sua atividade produtiva. c) o militar possui direito de associação e de greve. d) é permitido o “Lockout” pela legislação brasileira, ou seja, a greve do empregador. e) os dias de greve não suspendem o contrato de trabalho. 100 QUESTÃO 4- São atividades essenciais, exceto: a) assistência médica e hospitalar. b) entidade educacional. c) tratamento e abastecimento de água. d) transporte coletivo. e) telecomunicações. QUESTÃO 5- A negociação coletiva do trabalho é um instrumento importante para as re- lações trabalhistas. Acerca do tema, assinale a alternativa correta: a) ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, somente em questões judiciais. b) Convenção Coletiva de Trabalho é um documento, pelo qual dois ou mais Sindicatos re- presentativos de categorias econômicas e profissionais recomendam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais do trabalho. c) não será permitido estipular duração de convenção coletiva ou acordo coletivo de traba- lho superior a dois anos, sendo vedada a ultratividade. d) os Sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as empresas, quando provocados, podem recusar-se à negociação coletiva. e) as condições estabelecidas na Convenção sempre prevalecem com relação às condições previstas no Acordo Coletivo de Trabalho. 101 Referências ADPF questiona súmula do TST sobre vigência de normas coletivas. Notícias STF. 09 jul. 2014. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=270646>. Acesso em: 02 maio 2018. BRASIL. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Consolidação das Leis do Trabalho. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 02 maio 2018. BRASIL. Lei nº 605, de 5 de janeiro de 1948. Repouso semanal remunerado e o pagamento de salário nos dias feriados civis e religiosos. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <http://www.pla- nalto.gov.br/ccivil_03/leis/L0605.htm>. Acesso em: 02 maio 2018. BRASIL. Lei nº 7.783, de 28 de junho de 1989. Dispõe sobre o exercício do direito de greve. Brasília, DF, Senado. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7783.htm>. Acesso em: 02 maio 2018. DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: LTr, 2008. ______. Direito do Trabalho e seus princípios informadores. Disponível em: <https://juslaboris. tst.jus.br/bitstream/handle/1939/52335/007_delgado.pdf?sequence=1>. Acesso em: 02 mai. 2018. GARCIA, Gustavo Felipe Barbosa. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: Método, 2008, p. 1068. 102 GABARITO QUESTÃO 1- Resposta E. Artigo 533 da CLT e Lei nº 11.648/08. QUESTÃO 2- Resposta C. Artigo 8º, da CF. QUESTÃO 3- Resposta A. Artigo 10, Lei nº 7.783/89. QUESTÃO 4- Resposta B. Artigo 10 da Lei nº 7.783/89. QUESTÃO 5- Resposta C. Art. 614, § 3º, da CLT.