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BIODISPONIBILIDADE DE NUTRIENTES VITAMINA A RETINOL E CAROTENOIDES A deficiência crônica de vitamina A esta em segundo lugar em relação a problemas nutricionais, ainda é um problema de saúde pública, e provavelmente a causa mais importante a ser combatida para a prevenção da cegueira em crianças de países em desenvolvimento. ESTRUTURA: 2 Tipos: 1- VITAMINA A (Pré- formada ou Retinol): encontrada em tecido animal · Retinol todo-trans · Retinal · Éster de retinila · Ácido retinoico O retinol é um álcool primário que contém um anel β-ionona com cadeia lateral insaturada, é encontrado em tecidos animais como éster retinila com ácidos graxos de cadeia longa. O retinal é o aldeído derivado da oxidação do retinol. O retinal e o retinol podem ser facilmente Inter convertidos. O ácido retinoico é o ácido derivado da oxidação do retinal. Este ácido não pode ser reduzido no organismo e, assim, não pode originar retinal ou retinol. 2- CAROTENÓIDES: encontrada nos vegetais, precursores da vitamina A. · Mais de 600 Tipos encontrados na natureza · Menos de 10% são fontes potenciais de vitamina A · B-caroteno · A e g carotenos · Criptoxantina Os carotenoides contribuem significativamente para a atividade da vitamina A em alimentos tanto de origem animal como vegetal. De aproximadamente 600 carotenóides conhecidos, cerca de 50 apresentam alguma atividade de pró-vitamina A (são convertidos em vitamina A in vivo, de forma parcial). Alimentos de origem vegetal contêm β-caroteno, que pode ser clivado oxidativamente no intestino em duas moléculas de retinal. Para que um composto apresente atividades de vitamina A ou pró-vitamina A, deve apresentar semelhanças estruturais com o retinol, como: (1) ter ao menos um anel β-ionona intacto e não oxigenado e (2) ter uma cadeia lateral isoprenoide com terminação de uma função de álcool, aldeído ou carboxila. Os carotenoides com atividade de vitamina A são considerados pró-vitamínicos até que passem por clivagem enzimática oxidativa da ligação central C15-C15´ na mucosa intestinal, para a liberação de duas moléculas ativas de retinol. Entre os carotenoides o β-caroteno apresenta maior atividade pró-vitamínica A. Embora haja a possibilidade de duas moléculas de vitamina A serem produzidas a partir de cada molécula de β-caroteno, a ineficiência desse processo contribui para o fato de que o β-caroteno exibe apenas 50% da atividade de vitamina A. INGESTÃO E ABSORÇÃO DE VITAMINA A: Os alimentos que contem vitamina A, como os vegetais folhosos escuros, quando são cortados, amassados ou triturados são melhores absorvidos pelo organismo. Pois quando ocorre um aumento da superfície de contato aumenta a velocidade da reação (absorção). RETINOL A vitamina A pré-formada como o retinol são substancias lipossolúveis, portando para que sejam absolutamente absorvidas se recomenda que se faça o consumo juntamente com lipídios. Processo de digestão começa na boca com as rupturas mecânicas e enzimáticas da matriz alimentar, tendo esse mesmo processo de ruptura no estomago e duodeno. Assim há uma liberação das moléculas de ésteres de retinila ou carotenoides que por sua vez se incorporam nas gotículas de lipídios em emulsão no estomago, sendo assim sofrera ação das lipases gástricas e após das lipases pancreáticas e dois sais biliares secretados do duodeno, ocorrendo a formação de micelas mistas por sais biliares e produtos de hidrolise de lipídios, que são responsáveis por solubilizar os nutrientes lipossolúveis no lúmen intestinal. O retinol livre (concentrações fisiológicas) e absorvido via difusão facilitada por transportador não identificado. Já o retinol em concentrações farmacológicas e absorvido por difusão simples. No interior dos eritrócitos o retinol se liga a cellular retinol binding protein type-ll (CRBP-II) é esterificado pela ação da enzima lecitina-retinol acil transferase (LRAT) e secretado como um componente dos quilomicrons no sistema linfático. Os quilomicrons seguem pelo ducto torácico e entram na circulação sanguínea na qual exercem a função de carregadores de ácidos graxos (na forma de triacilgliceróis) e de retinol para diversos tecidos periféricos, até o ponto que ficam fracos (debilitados) e passam a ser chamados de quilomicrons remanescentes. Os ésteres de retinila dos quilomicrons remanescentes entram no fígado pela veia porta e são captados, por meio dos receptores específicos, pelas células parênquima hepático, nas quais são hidrolisados a retinol, que então se une a APO-RBP para que seja secretado, ligando a RBP4 ou esterificado como éster de retinila associado a quilomicron remanescentes. Quando as reservas hepáticas da vitamina são adequadas a mais parte do retinol recém-ingerido e transferida para as células estreladas e armazenadas como ésteres de retinila. O fígado e o principal local de metabolização e armazenamento de retinoides. Há dois tipos de células hepáticas para esses processos: 1- Células de parênquima- hepatócitos 2- Células estreladas- células de ITO que armazenam gordura entre os capilares e os hepatócitos. As células estreladas hepáticas são relativamente muito menores e menos abundante. A vitamina A e armazenada no fígado de 50-80% do total do organismo. Sendo suficiente para vários meses. Suas formas de armazenamento são palmitato de retinila, estearato e entre outros. A mobilização da vit A dos estoques hepáticos ocorre por meio da hidrolise dos ésteres de retinila, seguida da associação do retinol resultante com a RBP4 e com a transtirretina (TTR) e do transporte na circulação na forma de complexo retinol-RBP4-TTR, ou como ésteres de retinila esterificados associados a quilomicrons remanescentes. Na circulação o complexo retinol-RBP4-TTR e facilmente reconhecido pelos receptores stimulated by retinoic acid gene 6 protein homolog (STRA6) situados na superfície da célula com maior afinidade pela rbp4, captando o retinol da circulação pelo processo de endocitose. (Ácido retinoico e transportado pelo fígado ligado a albumina) Quando as reservas de vit A estão baixas ocorrem um acumulo de RBP no fígado. A RBP4 pertence à família das lipocalinas que tem por função de transportadora, ou seja, e a proteína transportadora de retinol na circulação. Em pesquisas recentes há evidencias que a RBP4 seja uma possível adipocina relacionada com a obesidade e comorbidades em especial a resistência a insulina, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica. Após a captação do retinol do complexo RBP4-TTR, a APO-RBP e filtrada nos glomérulos, podendo uma pequena parte ser perdida na urina, porem a maioria e absorvida nos túbulos renais proximais e é catabolizada por hidrolases dos lisossomos, essa e a principal via do catabolismo da RBP4, a apo proteína não é reciclada. FUNÇÕES: CICLO VISUAL A vit A e um componente dos pigmentos de cones e bastonetes, situados na retina (porção dos olhos sensíveis a luz). Os cones são responsáveis pela visão das cores em luminosidade intensa e os bastonetes pela visão em luminosidade baixa ou no escuro. A rodopsina e um pigmento visual dos bastonetes na retina, consiste do 11-cis-retinal ligado de modo especifico a proteína opsina. Quando a luz atinge o pigmento visual ocorre a isomerização da dupla ligação 11-cis e a dissociação do complexo rodopsina dando origem a opsina e ao retinal-trans, que é inativo na síntese da rodopsina. O retinal-trans inativo, pela ação da retinal-redutase na presença da nicotinamida adenina dinucleotideo reduzida (NADH, transforma-se em retinol-trans, também inativo na síntese da rodopsina. Com o retinol-trans na circulação a retina capta o retinol 11-cis, que e oxidado a retinal 11-cis por ação reversiva da redutase retinemica na presença de nicotinamida adenina dinucleotideo (NAD). O retinol 11-cis une-se, então a opsina, ressintetizando a rodopsina. Nos processos de desintegração da rodopsina e isomerização do retinol, há liberação de energia, que ativa o nervo óptico e resulta na excitação nervosa que propicia a visão. Quando há diminuição do retinol circulante a reconstituiçãoda rodopsina torna-se mais lenta, provocando a cegueira noturna e alteração funcional mais grave da hipovitaminose A. DEFICIENCIA DE VITAMINA A: Fosfato de retinil como carreador manosil: A deficiência de vitamina A pode reduzir a secreção de mucina (glicoproteína principal do muco e responsável por sua viscosidade.) e, consequentemente, levando à liquefação da córnea observada na xeroftalmia. PROLIFERAÇÃO CELULAR: Retinol e ácido retinoico na proliferação e diferenciação celular: O ácido retinoico promove crescimento e diferenciação celular, enquanto que o retinol é essencial para a fertilidade. Entre os genes regulados por essa vitamina, estão aqueles da queratina, colágeno e colagenase, todos importantes para o citoesqueleto e matriz extracelular. CAROTENOIDES: São pigmentos naturais responsáveis pelas cores amarela laranja e roxa das frutas, raízes, flores e pescados, algas, bactérias, fungos e leveduras. Dos mais de 600 carotenoides conhecidos, cerca de 50 deles são precursores de vitamina A. TIPOS DE CAROTENOIDES: B - Caroteno frutos e folhas verdes escuras B-Caroteno de frutos é mais efetivo e aumentar a concentração de retinol e B- caroteno no plasma. A cocção parece controversa, porem o cozimento a vapor parece aumentar conteúdo de carotenoides. Limitação de proteínas na dieta Pode resultar em produção limitada de RBP (proteína transportadora de retinol). Má absorção de vitamina A, pode resultar em diarreia, infecções intestinais e infecção por parasita. INTERAÇÕES: Ferro A deficiência de ferro altera a distribuição da vitamina no fígado e plasma; A deficiência de Vitamina A prejudica a mobilização de ferro dos estoques. Zinco Mineral essencial para a síntese de RBP e, portanto para a mobilização e o transporte da vitamina A do fígado para corrente sanguínea. Pode influenciar a conversão de b-Caroteno em vitamina A e no ciclo visual por meio da retinal redutase que depende deste mineral. RECOMENDAÇÕES DE VITAMINA A: eStagio de vida EAR ug/dia RDA ug/dia UL ug/dia Lactantes 0 6 meses - 400(AI) 600 7 a 12 meses - 500(AI) 600 Crianças 1 a 3 anos 210 300 600 4 a 8 anos 275 400 900 Masculino 9 a 13 anos 445 600 1.700 14 a 18 anos 630 900 2.800 19 a 70 anos 625 900 3.00 Feminino 9 a 13 anos 420 600 1.700 14 a 18 anos 485 700 2.800 19 a 70 anos 500 700 3.000 Gestantes <18 anos 530 750 2.800 19 a 50 anos 550 770 3.000 Lactação <18 anos 880 1.200 2.800 19 a 50 anos 900 1.300 3.000 FONTES: