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MATERIAL DIDÁTICO 
 
 
INTRODUÇÃO AO DIREITO PENAL E 
PROCESSUAL PENAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
U N I V E R S I DA D E
CANDIDO MENDES
 
CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA 
PORTARIA Nº 1.282 DO DIA 26/10/2010 
 
Impressão 
e 
Editoração 
 
0800 283 8380 
 
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SUMÁRIO 
 
 
UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO ................................................................................. 03 
 
UNIDADE 2 – FONTES FORMAIS E MATERIAIS ................................................. 06 
2.1 Inovações para o CPP de 1942 ......................................................................... 14 
 
UNIDADE 3 – PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS ....................................................... 20 
3.1 Princípios Fundamentais do Direito Penal......................................................... 23 
3.2 Princípios do Processo Penal ............................................................................ 24 
3.3 Princípios informadores da execução penal ...................................................... 26 
 
UNIDADE 4 – INTERPRETAÇÕES E APLICAÇÃO DA LEI PENAL E 
PROCESSUAL E PENAL ....................................................................................... 28 
4.1 Interpretação da Lei .......................................................................................... 28 
4.2 No tempo ........................................................................................................... 29 
4.3 No espaço ......................................................................................................... 30 
 
UNIDADE 5 – TEORIA DO CRIME ......................................................................... 31 
 
UNIDADE 6 – TEORIA DA PENA .......................................................................... 34 
6.1 Teoria retributiva da pena.................................................................................. 36 
6.2 Teorias preventivas da pena ............................................................................. 38 
6.3 Teorias unificadoras .......................................................................................... 39 
 
UNIDADE 7 – TEORIA DA PROVA ........................................................................ 42 
7.1 Finalidade da prova ........................................................................................... 42 
7.2 Alegações excluídas da atividade probatória .................................................... 43 
 
UNIDADE 8 – TEORIA GERAL DOS RECURSOS ................................................ 45 
 
UNIDADE 9 – CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES .................................................... 49 
 
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 61 
 3 
 
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UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO 
 
Iniciamos nosso curso de Direito Penal e Direito Processual Penal já 
alertando que mudanças virão em breve! Pelo menos é o que desejam e esperam 
juristas, congressistas e população, uma vez que novos conceitos, novas 
configurações e o avanço tecnológico são apenas alguns dos motivos que tornam 
urgente a revisão do Código. 
Notícias muito recentes dão conta de que o projeto de lei que trata da 
reforma do Código Penal brasileiro (nº 236/2012) já recebeu mais de mil emendas e 
o Senado Federal já contabiliza quase sete mil sugestões apresentadas pela 
sociedade acerca dessas mudanças. Sua tramitação foi suspensa em novembro 
último, a pedido do presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), 
Ophir Cavalcante, exatamente em defesa de um maior aprofundamento dos 
debates. 
A OAB criticou a exiguidade dos prazos previstos para a apreciação de 
matéria tão relevante, e defendeu a necessidade de se promover maiores 
discussões no Legislativo a fim de se evitar incongruências e equívocos na fixação 
de penas, punições e na legislação que afeta a vida, a liberdade, a segurança, o 
patrimônio e outros bens jurídicos de milhões de pessoas. O texto do projeto de lei 
foi elaborado por uma comissão de 15 juristas e propõe alterações relacionadas aos 
crimes de aborto, uso de drogas e prostituição, entre outros, sendo motivo de 
divergências técnicas, políticos, morais e religiosas. 
Ao comunicar à OAB a suspensão, o senador Pedro Taques (PDT-MT), 
relator do projeto do novo Código Penal na Comissão Especial do Senado, informou 
que a intenção do Senado é realizar uma série de audiências públicas com 
entidades civis e setores acadêmicos, jurídicos e religiosos da sociedade brasileira. 
De acordo com a Agência Senado (03/01/2013), o projeto do novo Código 
Penal (PLS 236/2012) deve ir a votação no Plenário do Senado em junho/2013. A 
previsão é do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente de comissão especial 
de senadores responsável por examinar a proposta, elaborada por um grupo de 
juristas nomeado pelo presidente José Sarney. 
 
 
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Dadas essas informações que são úteis para que atentem aos 
acontecimentos, vamos aos conceitos básicos. 
Direito Penal e Direito Processual Penal são definidos respectivamente 
como: 
 conjunto de normas que ligam ao crime, como fato, a pena como 
consequência, e disciplinam também as relações jurídicas daí derivadas, para 
estabelecer a aplicabilidade das medidas de segurança e a tutela do direito 
de liberdade em face do poder de punir do Estado; 
 conjunto de normas e princípios que regulam a aplicação jurisdicional do 
direito penal objetivo, a sistematização dos órgãos da jurisdição e respectivos 
auxiliares, bem como da persecução penal (MARQUES, 2002). 
De maneira ampla e geral, o Direito Processual Penal é o conjunto de 
normas e princípios que visam tornar realidade o Direito Penal. São as leis 
processuais que tiram a lei do plano abstrato para dar vida a uma situação concreta. 
Nenhuma pena será aplicada senão por intermédio de um juiz (em matéria penal). 
“Nulla poena sine judice” – “Nulla poena sine judicio” 
O Estado é responsável pela tutela penal. O processo é uma exigência de 
ordem pública, ninguém pode dispensá-lo. 
Quanto ao Código Penal Brasileiro, este é o conjunto de leis que visa a um 
só tempo defender os cidadãos e punir aqueles que cometam crimes e infrações. 
Criado em 1940, o código passou, ao longo dos anos, por modificações com 
o propósito de modernizá-lo e torná-lo mais coerente com as características da 
sociedade atual. Exemplos desse processo de atualização são: a introdução da Lei 
Maria da Penha, que tem como objetivo punir os crimes cometidos contra a mulher; 
a inclusão do sequestro-relâmpago como crime; indicação do atentado violento ao 
pudor na categoria de crimes contra a dignidade sexual, entre outros. 
De acordo com a legislação brasileira, todo cidadão tem direito a se 
defender de qualquer acusação, o que inclui o pagamento de um advogado pelo 
Estado, caso o acusado não tenha condições financeiras para contratar um 
profissional que assuma sua defesa. Outra característica do Código Penal Brasileiro, 
 
 
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inspirado no Direito Romano, é a adoção do Tribunal do Júri para a o julgamento dos 
chamados crimes contra a vida. A ideia é compor um painel multifacetado de 
pessoas, que representem a sociedade de um modo hegemônico, capaz de avaliar e 
decidir se o réu é culpado ou inocente. 
O Brasil possui um período-limite de trinta anos para o cumprimento de uma 
pena, independente de sua natureza, gravidade ou reincidência. Como se vê, essa 
característica exclui a possibilidade de prisão perpétua no país. 
O Código Penal Brasileiro, bem como o Código de Processo Penal, não 
podem conter decisões que se sobreponham à Constituição do País. Por isso, por 
exemplo, todos os cidadãos são considerados iguais perante a lei (PORTAL 
BRASIL, 2012 - http://www.brasil.gov.br/). 
Pois bem, veremos neste primeiro momento as fontes e princípios que 
regem a matéria em estudo, a interpretação da lei, bem como introduziremos 
algumas teorias (do crime, da pena, da prova, dos recursos) e apresentaremos uma 
breve classificação dos crimes. 
Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmica tenha como 
premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, fugiremos um 
pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados 
cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar, 
deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores, 
incluindo aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma 
redação original e tendo em vista o caráter didático da obra, não serão expressas 
opiniões pessoais. 
Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se 
outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas, mas que, de todo modo, 
podem servir para sanar lacunas que por ventura venham a surgir ao longo dos 
estudos. 
 
 
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UNIDADE 2 – FONTES FORMAIS E MATERIAIS 
 
Segundo FERNANDO DA COSTA TOURINHO FILHO (2009), reserva-se à 
expressão fontes do Direito, o sentido de formas de exteriorização do Direito. Fontes 
do Direito, portanto, nada mais são que as formas pelas quais as regras jurídicas se 
exteriorizam, se apresentam. São, enfim, “modos de expressão do Direito”. 
Todo fato social é uma fonte do direito e estas fontes se classificam em 
materiais e formais. As primeiras são as fontes potenciais do direito e compreendem 
o conjunto dos fenômenos sociais, que contribuem para a formação da substância, 
da matéria do direito. As fontes formais são os meios pelos quais se estabelece a 
norma jurídica (SUSSEKIND, 1993). 
MAURÍCIO GODINHO DELGADO (2009) assevera que o tema relativo às 
fontes do ordenamento jurídico é um dos mais nobres e fundamentais de todo o 
direito. É tema nuclear da Filosofia Jurídica, na medida em que examina as causas e 
fundamentos remotos e emergentes do fenômeno jurídico. É tema central da Ciência 
do Direito, na medida em que estuda os meios pelos quais esse fenômeno 
exterioriza-se. É também tema essencial a qualquer ramo jurídico específico, na 
medida em que discute as induções que levaram à formação das normas jurídicas 
em cada um dos ramos enfocados e os mecanismos concretos de exteriorização 
dessas normas. 
A palavra ‘fontes’ comporta relativa variedade conceitual, tendo uso até 
mesmo metafórico que foi o caso da ciência jurídica que usa esse conceito 
designando a origem das normas jurídicas. 
Segundo WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO (1995, p. 12), fontes são 
os meios pelos quais se formam ou pelos quais se estabelecem as normas jurídicas. 
São os órgãos sociais de que dimana o direito objetivo. 
As acepções podem ser específicas, ajustadas ao interesse de cada tipo de 
estudo. 
GERSON MELLO BOSON (S.D apud PINTO, 2003) destaca as seguintes 
definições: 
 
 
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 fundamento do próprio Direito; 
 grupo social que constitui o Direito; 
 origem da norma jurídica. 
JOSÉ AUGUSTO RODRIGUES PINTO (2003) expõe uma primeira grande 
divisão que é das fontes diretas e fontes auxiliares. As fontes diretas, por sua vez, 
classificam-se em fontes materiais e fontes formais, tal qual classifica a Ciência do 
Direito, separados segundo a perspectiva de enfoque do fenômeno das fontes, que 
são as fontes materiais e as fontes formais. Divisão esta que é clássica para a 
maioria dos doutrinadores. 
As fontes materiais se dividem segundo os tipos de fatores que se enfoca no 
estudo da construção e mudanças de fenômeno jurídico. Elas podem ser 
econômicas, sociológicas, políticas e filosóficas. 
As fontes materiais são, em última instância, o lócus de onde se extrai o 
sistema jurídico, isto é, as relações objetivas e subjetivas que os homens travam 
entre si e com a sociedade no curso do processo histórico (GENRO, 1985, p. 47). 
Nesse sentido, correspondem à base objetiva do Direito dentro de uma 
totalidade histórica, podendo ser compreendidas como a pressão que os grupos 
organizados fazem diante do Estado para que suas reivindicações sejam 
reconhecidas e institucionalizadas, passando, assim, à condição de direitos 
assegurados no ordenamento jurídico. 
As Fontes Materiais ou Reais dão substância à regra jurídica. Condizem com 
o conhecimento e a criação da norma jurídica. Proporcionam ao legislador os 
elementos para a transformação da ordem jurídica. Como dito inicialmente, o fato 
social é a fonte das fontes. 
Por fontes materiais devem-se ter em mente as variáveis sociais, 
econômicas e políticas que, em determinado momento, ou durante a evolução 
histórica de uma sociedade, informam a produção das normas jurídicas. 
Como afirma DÉLIO MARANHÃO (1993), “em cada sociedade, em cada 
cultura, vários serão os fatores sociais que, em cada momento histórico, contribuirão 
para fornecer a matéria, a substância de determinada norma ou de determinado 
 
 
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sistema de normas do direito. Esses fatores são as fontes materiais do direito”. 
Concordamos com este conceito, não seguindo, assim, o estabelecido por Kelsen e 
Recaséns Siches, de que a única fonte material do direito seja a vontade do Estado, 
ou a vontade do legislador (MORENO, 1997 apud CASTRO; LAZZARI, 2009). 
Sobre as fontes formais, ainda há que se dizer que são a maneira de 
expressão da norma jurídica positiva e, se substanciais, constituem matéria em que 
se busca o conteúdo do preceito jurídico. Assim, certos princípios universais como o 
neminem laedere (negativo) são fontes substanciais. 
Segundo FERNANDO DA COSTA TOURINHO FILHO (2009), não há, em 
doutrina, uniformidade de vistas quanto à classificação das fontes formais. 
Predomina, no entanto, a ideia de que se reduzem a duas: a lei e o costume. Outros 
ainda acrescentam a jurisprudência, a doutrina e os princípios gerais do Direito. 
A lei é, realmente, a principal fonte do Direito. Grosso modo, é por meio da 
norma jurídica que o Direito se manifesta e se revela. É a principal fonte, porque 
contém em si mesma a norma. Outras fontes, sem que contenham a norma, 
produzem-na indiretamente e outras produzem de uma maneira secundária e 
incidental. “otras Ia producen de una manera secundaria o incidental”.Assim, podemos classificar as fontes formais em diretas, que contêm em si a 
norma, e em supletivas, que são de duas ordens: “indiretas”, que, sem conterem a 
norma, produzem-na indiretamente, e “secundárias”, as que a produzem de maneira 
secundária ou incidental. 
As fontes diretas são constituídas pelas leis – entendendo-se esta em seu 
sentido mais amplo, isto é, como toda disposição emanada de qualquer órgão 
estatal na esfera de sua própria competência. Dentro das fontes diretas, fazem-se 
algumas divisões, “atendendo-se à finalidade ou importância das normas 
processuais nelas contidas”. 
Desse modo podemos classificar as fontes diretas em: 
a) fontes processuais penais principais (CF e CPP); 
b) fontes processuais penais extravagantes; 
c) fontes orgânicas principais; e, 
 
 
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d) fontes orgânicas complementares. 
As fontes processuais penais extravagantes são de duas espécies: 
complementares e modificativas. São fontes extravagantes complementares: a Lei nº 
5.250, de 9-12-1967 (Lei de Imprensa); o Decreto-lei nº 201, de 27-2-1967 (crimes 
de responsabilidade dos Prefeitos municipais e respectivo processo); a Lei nº 1.079, 
de 10-4-1950 (crimes de responsabilidade de Presidente da República, Ministros de 
Estado, Ministros do STF e Procurador-Geral da República); a Lei nº 1.521, de 26-
12-1951 (crime contra a economia popular); a Lei nº 4.898, de 9-12-1965 (abuso de 
autoridade); a Lei nº 11.101/05, definindo os crimes falimentares e estabelecendo o 
respectivo procedimento; a Lei nº 11.343, de 23-8-2006. 
Tais normas, em sua grande maioria, são aplicáveis a setores que não foram 
compreendidos pelo Código de Processo Penal (TOURINHO FILHO, 2009). 
Como fontes extravagantes modificativas, e como tais se entendem as que 
“modificam, ampliam ou extinguem normas e preceitos do Código”, podemos citar: a 
Lei nº 1.408, de 9-8-1951 (sobre a contagem dos prazos); a Lei nº 263, de 23-2-1948 
(sobre a instituição do Júri); a Lei nº 4.336, de 1°-6-1964 (que acrescentou o § 4° ao 
art. 600 do CPP); a Lei nº 5.941, de 22-11-1973 (que alterou a redação dos arts. 408 
e 594 do CPP); a Lei nº 6.416, de 24-5-1977 (que alterou dispositivos sobre 
liberdade provisória); a Lei nº 8.035, de 27-4-1990 (sobre fiança); a Lei nº 8.038, de 
28-5-1990 (sobre a ação penal originária da alçada do STF e do STJ e sobre o 
procedimento dos recursos extraordinário e especial); a Lei nº 8.072, de 25-7-1990 
(sobre os crimes hediondos); a Lei nº 8.658, de 26-5-1993 (que revogou os arts. 556 
a 562 do CPP); a Lei nº 9.099, de 26-9-1995 (que instituiu os Juizados Especiais 
Criminais); a Lei nº 9.271, de 17-4-1996 (que deu nova redação aos arts. 366, 367, 
368, 369 e 370 do CPP); a Lei nº 10.259, de 12-7-2001, criando os Juizados 
Especiais Cíveis e Criminais da Justiça Federal; a Lei nº 11.313-2006, alterando o 
conceito de infração de menor potencial ofensivo; a Lei nº 11.340, de 7-8-2006, 
criando mecanismos contra a violência doméstica; a Lei nº 11.101/2005, sobre 
crimes falimentares e respectivo procedimento; a Lei nº 11.343-2006, sobre Tóxicos; 
a Lei nº 11.689/2008, que alterou o procedimento dos crimes da competência do 
 
 
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Júri; a Lei nº 11.719-2008, que alterou todas as formas procedimentais; a Lei nº 
11.690/2008, que modificou inúmeras disposições sobre a prova, etc. 
Como fontes orgânicas principais temos as leis de organização judiciária, 
porquanto “revelam, em grande parte, as regras pertinentes à nomeação, investidura 
e atribuições dos órgãos jurisdicionais e seus auxiliares” (TOURINHO FILHO, 2009). 
São fontes orgânicas complementares os Regimentos Internos dos Tribunais 
que contêm normas subsidiárias da legislação processual, constatada pelos arts. 
667, 666, 638 e 618 do CPP. Nesse rol se incluem os Regimentos Internos da 
Câmara Federal, do Senado e das Assembleias Legislativas, por força do que 
dispõem os arts. 38, 73 e 79 da Lei nº 1.079, de 10-4-1950 (Lei do impeachment). 
Fontes indiretas, como visto, são aquelas que, embora não contenham a 
norma, produzem-na indiretamente. Assim, são considerados como tais: os 
costumes, a jurisprudência e os princípios gerais do Direito. 
Costume – é o uso geral, constante e notório, observado sob a convicção de 
corresponder a uma necessidade jurídica. Ninguém nega o extraordinário valor do 
costume na formação do Direito, porquanto, até à organização do Estado, o Direito 
nada mais era senão uma “estratificação dos costumes”, e, ademais, “os 
monumentos legislativos da antiguidade mais remota foram condensação dos 
costumes”. 
Compõe-se o costume de dois elementos: um interno, que se concretiza em 
uma observância constante, geral e uniforme, e outro externo, que é a opinio juris et 
necessitatis (convencimento geral da necessidade jurídica). 
Geralmente, costumam os autores indicar três formas de costumes: 
 os costumes secundum legem (de acordo com a lei), que consistem na 
interpretação ou aplicação uniforme da lei; 
 os costumes praeter legem (fora da lei), também chamados integrativos, uma 
vez que suprem as lacunas das normas ou especificam seu conteúdo e 
extensão; 
 
 
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 os costumes contra legem (contra a lei), que introduzem novas normas 
contrárias à lei, e isto de duas maneiras: ou criando normas ou não aplicando 
normas existentes. 
A jurisprudência (julgados repetidos e constantes em casos idênticos) é 
considerada, igualmente, fonte do Direito Processual Penal, muito embora não falte 
quem combata tal afirmativa, sob a alegação de que as sentenças judiciais não 
possuem força criadora. 
Do ponto de vista legal pode-se inferir que o valor da jurisprudência como 
fonte do Direito Processual Penal é nulo, uma vez que a lei não a reconhece como 
tal. Mas, do ponto de vista da realidade, o seu valor é imensurável. As decisões 
constantes e ininterruptas dos nossos Tribunais, em casos idênticos, chegam a 
constituir verdadeira doutrina. 
É a jurisprudência, realmente, fonte supletiva para a interpretação da lei 
processual penal, cujos preceitos são elucidados, clareados, desenvolvidos e 
explicados, determinando, assim, seu significado e alcance. 
Princípios gerais do Direito – segundo FERNANDO DA COSTA TOURINHO 
FILHO (2009), não há, na doutrina, uniformidade conceitual a respeito dos 
chamados princípios gerais do Direito. Entretanto grande parte da doutrina, senão a 
maioria, identifica-os com os brocardos jurídicos, “que nada mais representam senão 
condensação de soluções e de noções tradicionais do nosso ordenamento jurídico”. 
No caso, tais princípios seriam aqueles que servem de base e fundamento à 
legislação vigente em matéria processual penal. 
As fontes secundárias, emprestando-se à expressão o sentido de fontes 
que, sem conter a norma, produzem-na de maneira secundária ou incidental, têm, 
também, sua importância. Tem tal qualidade o Direito histórico, o Direito estrangeiro, 
as construções doutrinárias nacionais ou alienígenas que, inegavelmente, auxiliam a 
redação das leis, a sua interpretação e, às vezes, a própria aplicação da norma. 
A doutrina é obra dos juris scriptores, que estudam o Direito nos seus 
aspectos filosófico, científico, técnico e prático, em tratados, comentários e 
monografias. Ela revela, antes dequalquer coisa, uma autoridade moral, e será 
tanto maior quanto o valor do jurista. 
 
 
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De maneira histórica e evolutiva, a fonte direta remota do Direito Processual 
Penal pátrio é a legislação portuguesa. O primeiro Código português recebeu o 
nome de “Ordenações Afonsinas”, em homenagem a D. Afonso V, em cujo reinado 
foi concluída a obra. Sua confecção, desde o seu início, durou cerca de quarenta e 
cinco anos. 
Surgiu, exatamente, no ano de 1446 e foi considerado um verdadeiro 
monumento de sabedoria. O Livro V, com cento e vinte e um títulos, versava sobre 
os crimes, as penas e o Processo Penal. Durante os setenta e cinco anos de sua 
vigência e para atender aos reclamos sociais, muitas e muitas leis foram elaboradas, 
como normas extravagantes, a ponto de D. Manuel I, no limiar do século XVI, haver 
determinado se fizesse uma compilação, o que se deu por volta do ano de 1521, 
recebendo o novo Código a denominação “Ordenações Manuelinas”. 
Logo em seguida às “Ordenações Manuelinas”, e durante o seu período de 
vigência, surgiu o Código Sebastiânico, vigendo ao lado das Ordenações 
Manuelinas, sem, contudo, revogá-las. 
Em 1603, depois da batalha de Alcácer-Quibir, e já no reinado de Felipe II, 
surgiram as “Ordenações Filipinas”, que chegaram a viger entre nós até o segundo 
quartel do século XIX. 
Em todas essas Ordenações, o sistema adotado era o inquisitivo, com as 
indispensáveis torturas. O processo iniciava-se pela devassa, querela ou denúncia. 
As devassas nada mais eram senão as investigações empreendidas de ofício pelo 
Magistrado. Podiam ser especiais, quando promovidas pelo Juiz, em determinados 
crimes, e gerais, quando procedidas pelo Juiz de fora. Este chegava a uma cidade 
qualquer e procedia às investigações sobre os crimes que ocorreram naquele lugar 
a fim de processar todos os responsáveis pelos crimes havidos até aquela época. 
Proclamada a Independência do Brasil, surgiu a lei de 20-9-1823, 
determinando vigerem no País as Ordenações, leis, regulamentos, alvarás, decretos 
e resoluções promulgadas pelos reis de Portugal. A Constituição Imperial, no seu 
art. 179, XVIII, prometia ao povo brasileiro um Código Civil e um Criminal fundados 
nas sólidas bases da justiça e da equidade. 
 
 
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Em 1830, surgiu o Código Criminal, vindo a seguir, em 1832, o Código de 
Processo Criminal. Este diploma trouxe profundas modificações, destacando-se a 
extinção das devassas, a formação da culpa, que passou a ser pública, a instituição 
do habeas corpus, a regulamentação do Júri, instituindo o Júri de Acusação e o Júri 
de Julgamento (TOURINHO FILHO, 2009). 
Duas leis posteriores ao Código de Processo Criminal tiveram repercussão: 
a de 3-12-1841 e a de 20-9-1871. A primeira, referindo-se, particularmente, às 
funções da Polícia e ampliando suas atribuições. A segunda, estabelecendo regras 
sobre fiança, criando o habeas corpus preventivo, estendendo essa garantia, na sua 
feição liberatória ou preventiva, aos estrangeiros, e o inquérito policial, que, pela 
primeira vez, aparece com esse nomen juris. 
Em 1889, modificou-se o regime político do Brasil. A Constituição de 1891 
outorgou aos Estados-Membros a competência para legislarem sobre matéria 
processual civil e penal. Muitos Estados, senão a grande maioria, elaboraram seus 
estatutos processuais, e outros continuaram sendo regidos pelas leis imperiais 
(modificadas e completadas por sua legislação esparsa sobre Processo Penal), até 
que, em 1934, a Carta Política aboliu aquela prerrogativa dos Estados. 
A competência para legislar sobre Direito Processual deslocou-se para a 
União. E, sem embargo daquela abolição, não se empreendeu a realização de um 
Código de Processo Penal. A Carta Magna de 1937 repetiu a exigência da anterior, 
e, assim, em 1941, surgiu o nosso atual Código de Processo Penal (CPP). 
O CPP brasileiro, que começou a vigorar em 1°-1-1942, e que continua 
vigendo com alterações e modificações ao longo desses 70 anos, é dividido em 
livros; estes, em títulos; os títulos em capítulos e os capítulos, por sua vez, em 
artigos, com um total de 811 artigos, sem contar os artigos acrescidos de letras, 
resultado de alterações posteriores, por exemplo, o art. 396-A. 
Os livros são em número de seis: o 1º é dedicado ao processo em geral; o 
2º, aos processos em espécie; o 3º, às nulidades e aos recursos em geral; o 4º, à 
execução; o 5º, às relações jurisdicionais com autoridades estrangeiras; e, 
finalmente, o 6º, versando sobre as disposições gerais. 
 
 
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O Livro I contém doze títulos, tratando, respectivamente, das disposições 
preliminares, inquérito policial, ação penal, ação civil (actio civilis ex delicto), da 
competência, das questões e processos incidentais (abrangendo as prejudiciais, as 
exceções, incompatibilidades e impedimentos, conflito de jurisdição, restituição de 
coisas apreendidas, medidas assecuratórias, incidente de falsidade e insanidade 
mental), da prova, dos sujeitos processuais, prisão e liberdade provisória (o título 
sobre prisão e liberdade provisória compreende as disposições gerais sobre a 
prisão, flagrante, preventiva, apresentação espontânea do acusado, prisão 
administrativa, liberdade provisória com ou sem fiança), citações e intimações, da 
aplicação provisória de interdições de direito e medidas de segurança, sentença. 
O Livro II encerra três títulos versando, respectivamente, sobre o processo 
comum, os processos especiais e os processos da competência originária do STF e 
Tribunais de Apelação, hoje denominados Tribunais de Justiça. 
O Livro III compreende dois títulos: um sobre as nulidades e outro sobre os 
recursos em geral. 
O Livro IV versa sobre a execução, tendo títulos pertinentes às disposições 
gerais, à execução das penas em espécie (das penas privativas de liberdade, das 
penas pecuniárias, das penas acessórias); aos incidentes da execução (suspensão 
condicional da pena e livramento condicional); à graça, ao indulto, à anistia e à 
reabilitação; e à execução das medidas de segurança. 
O Livro V, com um único título, compreende disposições gerais, cartas 
rogatórias, homologação das sentenças estrangeiras. 
Finalmente, o Livro VI, pertinente às “disposições gerais”. 
 
2.1 Inovações para o CPP de 1942 
O CPP, que começou a viger entre nós em janeiro de 1942, trouxe algumas 
inovações e, ao mesmo tempo, fez desaparecerem certas imperfeições 
encontradiças no Direito Processual anterior. Inegavelmente, para aquela época, o 
CPP representou uma grande conquista. 
 
 
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Hoje, entretanto, não são poucas as críticas que se fazem ao atual diploma. 
Na verdade, há certos institutos obsoletos e que precisam, com urgência, de 
alteração. No entendimento de TOURINHO FILHO (2009) e outros juristas, não é 
necessária uma modificação total; bastará corrigir alguma coisa. Poder-se-á, por 
exemplo: 
a) abolir o recurso em sentido estrito e fazer surgir, em seu lugar, o agravo retido e 
de instrumento, este, com o traslado das peças, respostado agravado e juízo de 
retratação, à semelhança dos atuais arts. 587, 588 e 589 do CPP; 
b) incluir no corpo do CPP os recursos extraordinário e especial, à maneira do que 
ocorre no Processo Civil; 
c) abolir o libelo, ficando a acusação cristalizada na sentença de pronúncia, pois 
todos sabemos que o libelo tem sido fonte de numerosas nulidades; 
d) permitir que o Juiz, antes de receber a denúncia ou queixa, ouça o acusado ou 
querelado, à semelhança do que ocorre nos crimes da competência originária dos 
Tribunais; 
e) abolir a carta testemunhável; 
f) permitir que o Ministério Público funcione, também, em primeira instância, nos 
pedidos de habeas corpus; 
g) atualizar o capítulo das nulidades, seguindo a orientação do Projeto nº 633/75 
(Anteprojeto Frederico Marques); 
h) não permitir o trânsito em julgado de sentença condenatória, a não ser por 
intimação pessoal, quando o réu houver sido citado por edital e o feito correr à sua 
revelia; 
i) não aceitar que os pedidos de dilação de prazo para a conclusão de inquérito 
sejam feitos ao Juiz, e sim ao Ministério Público; 
j) admitir apenas dois tipos de prisão processual – a prisão em flagrante e a 
preventiva, podendo esta ser decretada em qualquer fase do inquérito ou da 
instrução, inclusive na pronúncia e na sentença penal condenatória recorrível, uma 
 
 
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vez sendo necessária para preservar a instrução criminal ou assegurar a aplicação 
da lei penal; 
k) abolir o recurso obrigatório, tal como está no nosso ordenamento, e introduzir 
outro, sempre que houver condenação a uma pena igual ou superior a 8 anos, 
amparando assim, de modo indireto, a ampla defesa, muitas vezes postergada por 
Defensores displicentes; 
l) não permitir à Acusação apelar com fundamento na letra d do inc. III do art. 593 do 
CPP, respeitando assim a soberania dos veredicta e, por óbvio, não estendendo a 
proibição à Defesa, em face mesmo do princípio da proporcionalidade: entre o direito 
de liberdade e a soberania do Júri há uma diferença de grau bem acentuada; 
m) nos casos de revisão criminal, se procedente a ação, fazer publicar na imprensa 
da Comarca a decisão que inocentou o condenado; 
n) colocar o habeas corpus e a revisão criminal em título especial; 
o) preservar o princípio do contraditório, não permitindo ao Ministério Público, em 
segunda instância, ao examinar os recursos, manifestar-se sobre o mérito, limitando- 
se a analisá-los sob o aspecto formal (a alegação de que sua manifestação é a de 
custos legis não passa de subterfúgio para esconder a pena do acusador que 
sempre foi durante mais de vinte anos); sob o aspecto formal, poderá ver se 
realmente estão presentes os pressupostos recursais objetivos ou subjetivos, se o 
recurso foi endereçado ao Tribunal competente; na hipótese de sentença 
condenatória (e já agora em face da Súmula 160 do STF), constatar a regularidade 
procedimental, eventual nulidade, desde que arguível fora da oportunidade do art. 
571 do CPP; 
p) conferir ao indiciado ou vítima, no inquérito, o direito de requerer diligências que 
lhe parecerem necessárias, cujo indeferimento deverá ser fundamentado com 
recurso ao superior hierárquico; 
q) determinar a intimação do impetrante da decisão que designar data para 
julgamento de habeas corpus nos Tribunais; 
r) ser obrigatória a intimação do despacho que designar data para ouvida de 
testemunhas no juízo deprecado. 
 
 
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Aí estão algumas sugestões dadas por Tourinho Filho que valem reflexão e 
análise mais profunda por parte daqueles que se interessam pelo direito em estudo, 
embora concordemos que estas alterações não levarão a um modelo de perfeição, 
mas modifica para melhor. 
Na esteira das reformas que foram possíveis e introduzidas pelo CPP de 
1942, podemos citar: admitia-se, no Direito anterior, o procedimento ex officio, nos 
crimes inafiançáveis, quando a denúncia não fosse apresentada no prazo legal (CP 
de 1890, art. 407, § 3º). O diploma de 1942, entretanto, consagrou o princípio do ne 
procedat judex ex officio. O Juiz não mais poderia dar início ao procedimento. Se 
houvesse negligência do Ministério Público, cabia ao ofendido (e ainda cabe) ou ao 
seu representante legal oferecer queixa substitutiva da denúncia, nos precisos 
termos do art. 29 do CPP. O legislador de 1942 fez, no particular, uma ressalva: as 
contravenções. 
Quanto a estas, foi mantido o procedimento ex officio, como se constata 
pelos arts. 26 e 531 do CPP. A Lei nº 4.611, de 2-4-1965, ampliou o quadro do 
procedimento ex officio. 
As dúvidas que surgiam quando o Promotor de Justiça requeria o 
arquivamento de autos de inquérito foram dirimidas com a seguinte norma: se o 
órgão do Ministério Público, em vez de apresentar a denúncia, requerer o 
arquivamento do inquérito policial, ou de quaisquer peças de informação, o Juiz, no 
caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará a remessa dos autos 
ao Procurador-Geral e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do 
Ministério Público para oferecê-la ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual, só 
então, estará o Juiz obrigado a atender (CPP, art. 28). 
No Direito anterior, o Juiz não podia retificar a classificação feita na denúncia 
para impor ao réu sanção mais grave. Era o Juiz obrigado a julgar nulo o processo 
ou improcedente a ação penal, conforme o caso, e devia o Ministério Público 
apresentar nova denúncia, se não estivesse extinta a punibilidade pela prescrição. 
O Código de 1942 corrigiu semelhante falha, adotando as regras insertas 
nos arts. 383, 384 e seu respectivo parágrafo único. 
 
 
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Quanto aos processos dos crimes contra a honra, de competência do Juiz 
singular, o art. 520 trouxe uma inovação: antes de receber a queixa, o Juiz oferecerá 
às partes oportunidade para se reconciliarem, fazendo-as comparecer em juízo e 
ouvindo-as, separadamente, sem a presença dos seus advogados, não se lavrando 
termo. Na hipótese de reconciliação (art. 522), depois de assinado pelo querelante o 
termo de desistência, a queixa será arquivada. 
E não é só: no que respeita às provas, prisão em flagrante, prisão preventiva 
etc., houve inúmeras alterações, e seria mesmo superfluidade citar inovação por 
inovação, modificação por modificação, quando uma simples leitura da Exposição de 
Motivos que acompanha o CPP esclarece a matéria. 
Em face da Constituição de 5-10-1988, surgiram várias alterações: 
a) aboliu-se o procedimento ex officio (art. 129, I); b) tornaram-se 
inadmissíveis as provas obtidas por meios ilícitos (art. 5º, LVI); c) a identificação 
dactiloscópica do civilmente identificado fica proibida, salvo as hipóteses que a lei 
vier a estabelecer (art. 5º, LVIII); d) a busca domiciliar só será feita mediante 
determinação judicial (art. 5º, XI); e) o réu passou a ter direito ao silêncio (art. 5º, 
LXIII); f) ficou proibida a incomunicabilidade do preso (art. 136, § 3º, IV); g) a Justiça 
Militar não mais poderá processar e julgar os crimes contra a segurança nacional; e, 
como tais crimes são políticos, a competência passou para a Justiça Federal com 
recurso ordinário para o STF; h) as imunidades material e formal dos Deputados e 
Senadores ampliaram-se e, posteriormente, sofreram alterações ditadaspela EC nº 
35, de 2001; i) conferiu-se aos Vereadores imunidade material; j) os Prefeitos só 
podem ser processados e julgados nos crimes comuns pelo Tribunal de Justiça; k) 
instituiu-se o Juizado Especial Criminal para o processo e julgamento das infrações 
de menor potencial ofensivo, inclusive a transação como fórmula para julgar a 
pequena criminalidade, etc. (TOURINHO FILHO, 2009). 
 
Em síntese... 
Fontes materiais: constituem a base criadora do processo penal, isto é, a 
União, principalmente, mas também os Estados, se autorizados a fazê-lo por lei 
complementar editada pela União, além de outros campos especificamente 
 
 
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destinados pela Constituição, como a edição de leis de organização judiciária e 
legislação concorrente de direito penitenciário, procedimentos e processo de 
juizados especiais criminais. 
Fontes formais: são as maneiras de expressão do processo penal, que se 
concentram basicamente na lei, mas admitem outras formas, como os costumes, os 
princípios gerais de direito, a analogia e os tratados e convenções. 
Interpretação: é a extração do real conteúdo da norma, buscando dar 
sentido lógico à sua aplicação. 
 
 
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UNIDADE 3 – PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS 
 
Em cada ramo do direito encontramos seus princípios próprios (trabalho in 
dúbio pro misero, penal in dubio pró réu), mas todos os ramos seguem primeiro aos 
princípios comuns a todos os ramos que são os princípios gerais (CINTRA; 
GRINOVER; DINAMARCO, 2006). 
Princípios são normas que fornecem coerência e ordem a um conjunto de 
elementos sistematizando-o, são fundamentos que servem para regular as relações 
entre as pessoas. São proposições que se colocam na base da Ciência Jurídica 
Processual e auxiliam na compreensão do conteúdo e extensão do comando 
inserido nas normas jurídicas e em caso de lacuna da norma, servem como fator de 
integração. 
A palavra princípio, em sua raiz latina última, significa “aquilo que se toma 
primeiro” (primum capere), designando início, começo, ponto de partida. Princípios 
de uma ciência, segundo JOSÉ CRETELLA JÚNIOR (1989, p. 129), “são as 
proposições básicas, fundamentais e típicas que condicionam todas as estruturas 
subsequentes”. Correspondem, mutatis mutandis, aos axiomas, teoremas e leis em 
outras determinadas ciências. 
Igual concepção nos oferece TALDEN FARIAS (2006, p. 3) ao ressaltar que a 
palavra princípio significa o alicerce, a base ou o fundamento de alguma coisa. [...]. 
Na ideia de princípio está a acepção de início ou de ponto de partida. 
MAURÍCIO GODINHO DELGADO (2009, p. 184) afirma que a palavra 
princípio significa “proposição elementar e fundamental que embasa um 
determinado ramo de conhecimento ou proposição lógica básica em que se funda 
um pensamento”. 
No entendimento de ROQUE ANTÔNIO CARRAZA (1998, p. 31), o princípio 
jurídico é um enunciado lógico implícito ou explícito que, por conta de sua grande 
generalidade, ocupa posição de preeminência nos vastos quadrantes da Ciência 
Jurídica e por isso mesmo vincula de modo inexorável o entendimento e a aplicação 
das normas jurídicas que com ele se conectam. 
 
 
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ÉDIS MILARÉ (2004) bem nos lembra que, entre ciências afins, um princípio 
pode não ser exclusivo, cabendo na fundamentação de mais de uma ciência; o que 
ocorre, sabidamente, quando os princípios são mais gerais e menos específicos. 
Com esta advertência, interessa destacar, aqui, não apenas os princípios 
fundamentais expressamente formulados nos textos de um sistema normativo 
específico, como também os decorrentes do sistema de direito positivo em vigor, a 
que a doutrina apropriadamente chama de princípios jurídicos positivados. 
Os princípios exercem uma função especialmente importante frente às outras 
fontes do Direito porque, além de incidir como regra de aplicação do Direito no caso 
prático, eles também influenciam na produção das demais fontes do Direito. 
É com base nos princípios jurídicos que são feitas as leis, a jurisprudência, a 
doutrina e os tratados e convenções internacionais, já que eles traduzem os valores 
mais essenciais da Ciência Jurídica. 
TALDEN FARIAS (2006) assevera que se na ausência de uma legislação 
específica há que se recorrer às demais fontes do Direito, é possível que no caso 
prático não haja nenhuma fonte do Direito a ser aplicada a não ser os princípios 
jurídicos. 
Com efeito, pode ser que não exista lei, costumes, jurisprudência, doutrina ou 
tratados e convenções internacionais, mas em qualquer situação os princípios 
jurídicos poderão ser aplicados (FARIAS, 2006). 
Na opinião de JOAQUIM JOSÉ GOMES CANOTILHO (1999, p. 122), os 
princípios desempenham um papel mediato, ao servirem como critério de 
interpretação e de integração do sistema jurídico, e um papel imediato ao serem 
aplicados diretamente a uma relação jurídica. Para o autor as três funções principais 
dos princípios são: 
1. impedir o surgimento de regras que lhes sejam contrárias; 
2. compatibilizar a interpretação das regras; e, 
3. dirimir diretamente o caso concreto frente à ausência de outras regras. 
LUÍS ROBERTO BARROSO (2002, p. 149) defende que segundo a 
dogmática moderna, as normas jurídicas podem ser divididas em normas-disposição 
 
 
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e em normas-princípio, de maneira que a distinção entre normas e princípios está 
superada. Enquanto as normas-disposição são regras aplicáveis somente às 
situações a que se dirigem, as normas-princípio ou simplesmente princípios, 
possuem um grau maior de abstração e uma importância mais destacada dentro do 
sistema jurídico. 
CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO (1992, p. 230) entende que os 
princípios jurídicos constituem o mandamento nuclear do sistema normativo, já que 
além de servirem de critério para a interpretação de todas as normas jurídicas, eles 
têm a função de integrar e de harmonizar todo o ordenamento jurídico 
transformando-o efetivamente em um sistema. 
O certo é que princípio é uma ideia, mais generalizada, que inspira outras 
ideias, a fim de tratar especificamente de cada instituto. É o alicerce das normas 
jurídicas de certo ramo do Direito; é fundamento da construção escalonada da 
ordem jurídico-positiva em certa matéria. 
MIGUEL REALE (2003) trabalha essa categoria sob o ponto de vista lógico, 
como enunciados admitidos como condição ou base de validade das demais 
asserções que compõem dado campo do saber, “verdades fundantes” de um 
sistema de conhecimento. 
As regras ordinárias, portanto, devem estar embebidas destes princípios, 
sob pena de se tornarem letra morta, ou serem banidas do ordenamento. Adota-se, 
aqui, para efeitos deste estudo, que os princípios não deixam de ser normas 
jurídicas, segundo a elaboração constante da obra de Robert Alexy, citada, entre 
outros, por DANIEL MACHADO DA ROCHA (2004, p. 125), em que as normas 
jurídicas são subdivididas em princípios e regras, sendo a diferença entre estas duas 
espécies traduzida na ideia de que os princípios são “mandados de otimização”, 
enquanto as regras sãoimposições definitivas, que se baseiam nos princípios 
norteadores do sistema, sendo, portanto, os princípios erigidos à categoria de 
normas mais relevantes do ordenamento jurídico. 
Vamos, então, à análise de cada um dos princípios! 
 
 
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Tomaremos como referência para falar dos princípios do Direito Penal e 
Processual Penal, o Vade Mecum esquematizado de doutrina, organizado por 
GUSTAVO BREGALDA NEVES e KHEYDER LOYOLA (2011), a saber: 
 
3.1 Princípios Fundamentais do Direito Penal 
O princípio da legalidade ou da reserva legal quer dizer que em matéria 
penal só a lei, em seu sentido mais estrito, pode definir crimes e cominar 
penalidades (art. 5º, XXXIX, CRFB/88). 
De acordo com o princípio da anterioridade, para que haja crime e seja 
imposta pena é preciso que o fato tenha sido cometido depois de a lei entrar em 
vigor (art. 5º, XXXIX, CRFB/88; art. 1º e 2º do CP). 
O princípio da irretroatividade da lei penal nova mais severa (arts. 5º, XL, da 
CRFB/88 e 2º, parágrafo único do CP), diz que: 
 a lei posterior mais severa é irretroativa; 
 a lei posterior mais benéfica é retroativa; 
 a anterior mais benéfica é ultra-ativa. 
Princípio da continuidade das leis: uma lei permanece em vigor enquanto 
não vier outra que a revogue. 
Princípio da taxatividade: a lei penal deve ser precisa, o tipo penal deve ser 
específico, sendo, assim, vedada a criação de tipos penais abertos, ressalvados os 
tipos culposos. 
Princípio da vedação ao emprego da analogia in malam partem: consiste na 
vedação do emprego de analogia em normas penais incriminadoras. 
Princípio da insignificância (Claus Roxin): o direito penal deve preocupar-se 
em proteger bens de valor significativo para a sociedade. Crimes de bagatela devem 
ser considerados atípicos. 
Princípio da culpabilidade ou responsabilidade subjetiva: Nullum crimen sine 
culpa. A pena só pode ser imposta quando há dolo ou culpa, e, merecendo um juízo 
de reprovação, cometeu o agente um fato típico e antijurídico. 
 
 
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Princípio do estado de inocência: “ninguém será considerado culpado até o 
trânsito em julgado de sentença penal condenatória” (art. 5º, LVII, da CF). 
Princípio da igualdade: consiste na consideração de que todos são iguais 
perante a lei; é expressamente proibida a discriminação de qualquer natureza (art. 
5º, caput, da CF). 
Princípio do non bis in idem: ninguém pode ser punido duas vezes pelo 
mesmo fato (art. 8º do CP). 
Princípio da proporcionalidade da pena: a pena deve ser proporcional ao 
crime praticado (art. 5º, XLVI e XLVII, da CF). 
Princípio da dignidade da pessoa humana: nenhuma previsão legal de 
infração penal pode ter conteúdo atentatório à dignidade humana. 
Princípio da subsidiariedade das normas penais: exercendo função 
suplementar de proteção jurídica em geral, a norma penal só impõe sanções quando 
os demais ramos do direito não se mostrarem eficazes na defesa dos bens jurídicos. 
Princípio da intervenção mínima: o direito penal deve intervir o mínimo 
possível nos direitos do particular, só o necessário, só nos casos em que colocada 
em risco a sociedade. 
Princípio da fragmentariedade: o direito penal não protege todos os bens 
jurídicos, intervém nos casos de maior gravidade, protegendo um fragmento dos 
interesses jurídicos. 
Princípio da alteridade (Claus Roxin): proíbe a incriminação de atitude 
meramente subjetiva, que não ofenda nenhum bem jurídico. 
Princípio da individualização da pena: garante ao acusado a individualização 
da pena imposta pelo Estado, de acordo com os critérios legais (art. 5º, XLVI, da 
CF). 
 
3.2 Princípios do Processo Penal 
1) Princípio da verdade real – o que se busca no processo é a verdade, pelo 
menos teoricamente. A reprodução dos fatos deve ser como realmente aconteceu. O 
processo é o instrumento de apreciação da verdade. 
 
 
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2) Princípio da indisponibilidade – só existe na ação penal pública. Quando 
se tratar de crime de ação penal pública ninguém pode dispor do processo. É de 
competência do Ministério Público, pois é ele que promove a ação penal pública e 
uma vez ajuizada, ela torna-se indisponível, ninguém nem o Ministério Público pode 
desistir da ação penal pública, porque mesmo existindo a vítima, o direito é coletivo 
e não apenas dessa vítima. Nenhum efeito tem a vontade da parte, porque esse tipo 
de ação é indisponível. De acordo com a Lei nº 9.099/95 pode ser suspenso o 
processo para os casos em que a pena mínima não é superior a um ano. Se 
decorrido o prazo de suspensão, a pessoa cumpre tudo, o processo é extinto. Esse 
é um tipo de exceção para o princípio da indisponibilidade. Art. 129, I, CF. 
3) Princípio da obrigatoriedade – só ocorre nas ações penais públicas. Não 
existe no juizado especial criminal porque lá mesmo a ação penal pública 
incondicionada não é obrigatória. Nos demais é obrigatória. Naqueles casos 
previstos na Lei nº 9099/95, nessa lei há a possibilidade da transação. Nos demais 
casos dessa ação estando presentes todos os seus pressupostos, o Ministério 
Público é obrigado a propô-la. 
4) Princípio do contraditório (art. 5º , LV, CF) – ninguém pode abrir mão da 
defesa, ou tem defesa ou o processo é nulo. Nesse caso a nulidade é absoluta. Art. 
261, CPP. 
5) Princípio do devido processo legal (art. 5º , LIV, CF) – ninguém será 
privado da sua liberdade e de seus bens sem o devido processo legal. Tem que 
haver necessariamente o processo. 
6) Princípio da inadmissibilidade das provas ilícitas (art. 5 º, LVI, CF) – não 
se admite no processo as provas produzidas ilicitamente, tudo o que for obtido de 
forma criminosa, ilícita não deve servir de prova no processo penal. Na prática não 
acontece bem assim. Exemplo: um grampo telefônico, interceptação de cartas não 
são admissíveis. Alguns doutrinadores entendem que a prova mesmo ilícita, mas 
verdadeira deve ser admitida, essa é a posição da minoria. O que prevalece é o que 
está na Constituição Federal. 
7) Princípio da presunção de inocência (art. 5 º, LVII, CF) – ninguém será 
considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. 
 
 
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Enquanto não existir uma sentença definitiva que o condene, o réu é considerado 
inocente. Todo réu goza da presunção constitucional de inocência. 
8) Princípio do favor do réu – toda vez que a lei penal ou a lei processual 
penal comportar mais de uma interpretação ou uma interpretação divergente, deve 
prevalecer aquela que seja mais benéfica para o réu. Se houver dúvida que se 
decida em favor do réu - indubio pro réu. A condenação só pode existir quando 
houver a certeza da prova. 
9) Princípio da oficialidade – é próprio apenas da ação penal pública. Só 
quem promove a ação penal pública é o Estado por intermédio do seu órgão oficial 
público, que é o Ministério Público (art. 129, I, CF). Compete privativamente ao 
Ministério Público o patrocínio da ação penal pública. 
10) Princípio da publicidade – os atos processuais no processo criminal são 
públicos, salvo exceções (art.792, CPP). Quanto a imprensa o réu pode exigir que 
não tire fotos, por exemplo, mas a imprensa pode assistir o processo. 
 
3.3 Princípios informadores da execução penal 
Em relação aos princípios relativos ao Direito da Execução Penal, JOSÉ 
EDUARDO GOULART (1994, p. 86) enfatiza que eles constituem “proposições de 
valor geral, que operam como condicionantes e orientadores de sua compreensão, 
especialmente, no que respeita à sua aplicação”. Ainda, segundo o autor, tais 
princípios “atuam no sentido de iluminar suas bases e fundamentos e, por igual, 
orientam sua aplicação e o sentido de sua compreensão”. 
Segundo VITOR GONÇALVES MACHADO (2010), grande parte dos 
doutrinadores concebem como princípios informadores do Direito da Execução 
Penal os seguintes: 
I) princípio da humanidade das penas; 
II) princípio da legalidade; 
III) princípio da personalização da pena; 
IV) princípio da proporcionalidade da pena; 
V) princípio da isonomia; 
 
 
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VI) princípio da jurisdicionalidade; 
VII) princípio da vedação ao excesso de execução; e, 
VIII) princípio da ressocialização. 
Primeiramente, cumpre ressaltar que a autonomia conferida ao Direito da 
Execução Penal faz com que não sejam confundidos seus princípios com aqueles 
inerentes especificamente ao Direito Penal e Processual Penal, conforme esclarece 
SALO DE CARVALHO (2004, p. 168). Contudo, os princípios constitucionais 
máximos, como, por exemplo, aqueles expressos e implicitamente previstos no art. 
5º da Carta Magna, que acabam norteando todo o ordenamento jurídico vigente – 
inclusive o Direito Penal material e processual –, devem inegavelmente incidir no 
âmbito da execução das penas (NUCCI, 2006, p. 950). 
Muitos destes princípios apresentam íntima ligação com os chamados 
direitos humanos, os quais são aqueles direitos fundamentais inerentes a toda 
pessoa, pelo próprio fato de ser humano. Diz-se, assim, que os direitos humanos 
não são concedidos, mas sim devidos a todo homem pela sociedade política 
(HERKENHOFF, 1994, p. 30). 
Contudo, ocorre que o postulado dos direitos humanos não pode ser apenas 
positivado ou declarado, como muito acontece atualmente, pois o ideal que se 
pretende alcançar é a efetiva proteção destes direitos, sendo necessário, para tanto, 
estabelecer mecanismos eficientes como forma de garantir os direitos fundamentais 
reconhecidos (ROCHA, 2000, p. 63). 
 
 
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UNIDADE 4 – INTERPRETAÇÕES E APLICAÇÃO DA LEI 
PROCESSUAL E PENAL 
 
4.1 Interpretação da Lei 
Interpretar a lei é atividade inerente a todo operador do direito, 
especialmente pelo fato de que o legislador nem sempre é feliz ao editar normas, 
valendo-se de termos dúbios, contraditórios, obscuros e incompletos. Não se trata 
de processo de criação de norma, nem de singelo suprimento de lacuna, mas de dar 
o real significado a uma lei (NUCCI, 2008). 
Em processo penal, qualquer forma de interpretação é válida: literal 
(espelha-se no exato significado das palavras constantes do texto legal); restritiva 
(restringe-se o alcance dos termos utilizados na lei para atingir seu real significado); 
extensiva (alarga-se o sentido dos termos legais para dar eficiência à norma); 
analógica (vale-se o intérprete de um processo de semelhança com outros termos 
constantes na mesma norma para analisar o conteúdo de algum termo duvidoso ou 
aberto) ou teleológica sistemática (busca-se compor o sentido de determinada 
norma em comparação com as demais que compõem o sistema jurídico no qual está 
inserida). 
O art. 3º do Código de Processo Penal é claro ao autorizar a interpretação 
extensiva (logo, as demais formas, menos expansivas, estão naturalmente 
franqueadas), bem como a analogia (processo de integração da norma, suprindo 
lacunas). 
Somente para exemplificar, utilizando-se a interpretação extensiva, podemos 
corrigir um aspecto da lei, que disse menos do que deveria ter previsto: quando se 
cuida das causas de suspeição do juiz (art. 254), deve-se incluir também o jurado, 
que não deixa de ser um magistrado, embora leigo. Outra ilustração: onde se 
menciona no Código de Processo Penal a palavra réu, para o fim de obter liberdade 
provisória, é natural incluir-se indiciado. Amplia-se o conteúdo do termo para 
alcançar o autêntico sentido da norma. 
 
 
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Como exemplo de interpretação analógica, vê-se o caso do art. 254, II, do 
Código de Processo Penal, cuidando das razões de suspeição do juiz, ao usar na 
própria lei a expressão “estiver respondendo a processo por fato análogo”. 
Quanto à analogia, ensina Carlos Maximiliano (1954 apud NUCCI, 2008) que 
no sentido primitivo, tradicional, oriundo da Matemática, é uma semelhança de 
relações. (...) Passar, por inferência, de um assunto a outro de espécie diversa é 
raciocinar por analogia. 
Esta se baseia na presunção de que duas coisas que têm entre si um certo 
número de pontos de semelhança, possam consequentemente assemelhar-se 
quanto a um outro mais. Se entre a hipótese conhecida e a nova a semelhança se 
encontra em circunstância que se deve reconhecer como essencial, isto é, como 
aquela da qual dependem todas as consequências merecedoras de apreço na 
questão discutida; ou, por outra, se a circunstância comum aos dois casos, com as 
consequências que da mesma decorrem, é a causa principal de todos os efeitos; o 
argumento adquire a força de uma indução rigorosa (MAXIMILIANO, 1954 apud 
NUCCI, 2008). 
Como exemplos, temos os seguintes: 
a) o art. 207 do Código de Processo Civil prevê a possibilidade de se transmitir por 
telefone uma carta de ordem ou precatória, dependendo somente da confirmação do 
emissor. Não havendo dispositivo semelhante no Código de Processo Penal, tem-se 
usado tal preceito para a transmissão de ordens de habeas corpus, para a soltura do 
paciente, justamente porque mais eficaz; 
b) não há um número especificado no Código de Processo Penal para ouvir 
testemunhas no caso de exceção de suspeição apresentada contra o juiz, razão 
pela qual deve-se usar o disposto no art. 407, parágrafo único, do CPC, ou seja, três 
para cada fato (NUCCI, 2008) 
 
4.2 No tempo 
A regra é que seja ela aplicada tão logo entre em vigor e, usualmente, 
quando é editada nem mesmo vacatio legis possui, justamente por ser norma que 
não implica na criminalização de condutas, inexigindo período de conhecimento da 
 
 
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sociedade. Passa, assim, a valer imediatamente, colhendo processos em pleno 
desenvolvimento, embora não afete atos já realizados sob a vigência de lei anterior. 
Exemplo: se uma lei processual recém-criada fixa novas regras para a citação do 
réu ou para a intimação de seu defensor, o chamamento já realizado sob a égide da 
antiga norma é válido e não precisa ser refeito. As intimações futuras imediatamente 
passam a ser regidas pela lei mais recente. Confira o artigo 2º do CPP, in verbis: 
Art. 2º – A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da 
validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior. 
 
4.3 No espaçoO artigo 1º do CPP determina que as regras processuais penais gerais serão 
utilizadas tão-somente dentro do território nacional independente das regras de 
direito penal da extraterritorialidade, pois em território estrangeiro poderá ser 
aplicada a lei penal, se compatível, porém jamais será aplicada a Lei processual. 
Art. 1º – O processo penal reger-se-á, em todo o território brasileiro, por este 
Código, ressalvados: 
I - os tratados, as convenções e regras de direito internacional; 
II - as prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos 
ministros de Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da República, e dos 
ministros do Supremo Tribunal Federal, nos crimes de responsabilidade 
(Constituição, arts. 86, 89, § 2º, e 100); 
III – os processos da competência da Justiça Militar; 
IV – os processos da competência do tribunal especial (Constituição, art. 
122, nº 17); 
V – os processos por crimes de imprensa. 
Parágrafo único – Aplicar-se-á, entretanto, este Código aos processos 
referidos nos nºs IV e V, quando as leis especiais que os regulam não dispuserem de 
modo diverso. 
 
 
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UNIDADE 5 – TEORIA DO CRIME 
 
Em todas as ciências temos teorias embasadoras, no direito penal uma 
teoria também serve de pilar. Aqui nesta área temos, dentre outras que serão 
descritas a seguir, a teoria do crime, a qual leva a definir se um fato é criminoso ou 
não. Dentro da corrente majoritária diz-se que um fato é um crime quando esse fato 
apresenta as seguintes características: ser típico, ilícito e culpável. 
Para GUILHERME DE SOUZA NUCCI (2010), acrescenta-se aos três 
elementos acima a punibilidade que no final, resume ou junta-se aos elementos 
anteriores. 
Fato típico é o fato material, no qual se identifica a efetivação de uma 
conduta prevista no tipo penal incriminador e, ainda, que afeta ou ameaça de forma 
relevante bens penalmente tutelados. Possui os seguintes elementos: 
a) conduta (dolosa ou culposa, omissiva ou comissiva); 
b) resultado jurídico/normativo; 
c) nexo de causalidade (entre a conduta e o resultado); 
d) tipicidade (formal e conglobante) (FERREIRA, 2008). 
Para que o fato seja típico deve possuir os elementos enunciados. 
Ressaltando-se que há autores que defendem seja elemento do fato típico o 
resultado naturalístico. Para essa corrente, tal resultado seria imprescindível, assim 
como o nexo de causalidade, apenas nos crimes materiais. Alguns entendem de 
forma diferente, acreditando que como elemento do fato típico deva figurar o 
resultado jurídico (normativo), entendendo-se este como a lesão ou ameaça de 
lesão ao bem jurídico tutelado. Sendo que, por este ângulo, todo fato típico deve 
possuir resultado (GRECO, 2007), elevando-se este à categoria de elemento 
essencial. 
A despeito da polêmica supra, fato é que, se diante do fato concreto, 
verifica-se que este não é típico (por conta da ausência ou exclusão de um de seus 
elementos essenciais), de pronto fica descartada a ocorrência do fato como 
 
 
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criminoso. De outro modo, acaso superada a primeira fase da análise, chegando-se 
à conclusão do fato ser típico, deve-se investigar se o mesmo é ilícito ou não. 
Para saber se o fato é ilícito, a melhor maneira é fazer um raciocínio a 
contrario sensu; ou seja, deve-se verificar se está presente alguma das excludentes 
de ilicitude: 
a) estado de necessidade; 
b) legítima defesa; 
c) estrito cumprimento de dever legal; 
d) exercício regular de direito; 
e) livre e eficaz consentimento do ofendido. 
Se estiver, o fato não é ilícito. Se for lícito, inútil se continuar com a análise, 
pois isso já leva à conclusão sobre a inexistência de crime. 
Concluindo-se pela ilicitude do fato, por último deve-se averiguar se o fato é 
culpável, pelo que se deve averiguar a presença dos elementos essenciais da 
culpabilidade, quais sejam: 
a) imputabilidade; 
b) potencial consciência sobre a ilicitude do fato; 
c) exigibilidade de conduta diversa. 
Para decidir sobre a presença da imputabilidade, o melhor critério também é 
fazer um raciocínio a contrario sensu, averiguando a presença de uma de suas 
excludentes, que são as seguintes: 
a) doença mental (art. 26 do CP); 
b) imaturidade natural (menoridade penal – art. 27 do CP); 
c) embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior (art. 28, 
§ 1º, do CP); 
d) condição de silvícola inadaptado (BARROS, 2006). 
 
 
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Presente uma dessas excludentes, não há imputabilidade e, por 
conseguinte, o fato não é culpável (não há culpabilidade) (FERREIRA, 2008). 
Quanto à potencial consciência da ilicitude do fato, também a melhor forma 
de identificar se ela está presente ou não é através da averiguação da presença de 
sua única excludente: o erro de proibição inevitável (art. 21 do CP, parte 
intermediária). Acaso tenha ocorrido erro de proibição inevitável, não há potencial 
consciência da ilicitude do fato, não sendo também o fato culpável. 
No tocante à exigibilidade de conduta diversa, prevalece o mesmo 
raciocínio. Busca-se identificar suas excludentes que são, a princípio, duas (ambas 
previstas no art. 22 do CP): 
a) coação moral irresistível; e, 
b) obediência hierárquica. 
A doutrina majoritária admite, no entanto, causas supralegais de exclusão da 
exigibilidade de conduta diversa, que devem ser identificadas diante das situações 
concretas, sempre tendo em mente o raciocínio de que para excluir a exigibilidade 
de conduta diversa, o proceder do agente deve estar em consonância com o 
comportamento que a sociedade exige para a situação que se apresenta. 
Superada a análise da culpabilidade, chegando-se à conclusão de que o fato 
é culpável, e já tendo concluído que o mesmo é típico e ilícito, finalmente se pode 
dizer que estamos diante de um crime (FERREIRA, 2008). 
 
 
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UNIDADE 6 – TEORIA DA PENA 
 
A origem da pena coincide com o surgimento do Direito Penal, em virtude da 
constante necessidade de existência de sanções penais em todas as épocas e todas 
as culturas. A pena é a consequência jurídica principal que deriva da infração penal 
(NERY, 2012). 
Fazendo uma breve retrospectiva histórica, pode-se comentar que as penas 
e os castigos que o Estado impôs àqueles transgressores das normas, foram 
evoluindo em face de um sentido maior de humanização. A partir da obra de 
Beccaria, titulada “Dos delitos e das penas”, as penas desumanas e degradantes do 
primitivo sistema punitivo, cederam seu espaço para outras, com senso mais 
humanitário, cuja finalidade é a recuperação do delinquente. Desta forma, as penas 
corporais foram substituídas pelas penas privativas de liberdade, persistindo este 
objetivo de humanização das penas, ainda nos dias de hoje (NERY, 2012). 
A pena não tem uma definição genérica, válida para qualquer lugar e 
qualquer momento. Consiste em um conceito legal de cada código penal em 
particular, em que se são elencadas sanções, cujas variações refletem as mudanças 
vividas pelo Estado. 
A pena, na verdade, é oriunda da realizaçãode uma conduta ilícita, 
antijurídica e culpável, destinada a todo aquele que desrespeitou a legislação penal, 
sendo assim, uma forma do Estado efetivamente aplicar a norma ao caso concreto. 
Ou seja, é o meio do Estado exercer a jurisdição, subsumindo uma conduta abstrata 
a um caso real, aplicando o preceito secundário da norma a um ato considerado 
ilícito, conforme leciona LUIZ REGIS PRADO (2005, p. 567): 
A justificativa da pena envolve a prevenção geral e especial, bem como a 
reafirmação da ordem jurídica, sem exclusivismos. Não importa exatamente 
a ordem de sucessão ou de importância. O que se deve ficar patente é que 
a pena é uma necessidade social – ultima ratio legis, mas também 
indispensável para a real proteção de bens jurídicos, missão primordial do 
Direito Penal. 
 
De igual modo, deve ser a pena, sobretudo em um Estado constitucional e 
democrático, sempre justa, inarredavelmente adstrita à culpabilidade (princípio e 
 
 
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categoria dogmática) do autor do fato punível. O que é claramente evidenciado 
numa análise sobre a teoria da pena (vista adiante) é que sua essência não pode 
ser reduzida a um único ponto de vista, com exclusão pura e simples dos outros, ou 
seja, seu fundamento contém realidade altamente complexa. 
Na análise de LUIZ REGIS PRADO (2005), a pena é uma forma de 
prevenção, buscando diminuir a realização de condutas criminosas, penitenciar o 
condenado e uma forma de destacar o poder estatal, punindo todo aquele que não 
observar seus parâmetros de conduta. 
Já FRANCESCO CARNELUTTI (2006, p. 103) afirma que a pena não é 
apenas uma punição ao criminoso, como também, uma forma de aviso para aqueles 
que tenham alguma pretensão criminosa: 
Dizem, facilmente, que a pena não serve somente para a redenção do 
culpado, mas também para a advertência dos outros, que poderiam ser 
tentados a delinquir e por isso deve os assustar; e não é este um discurso 
que deva se tomar por chacota; pois ao menos deriva dele a conhecida 
contradição entre função repressiva e a função preventiva da pena: o que a 
pena deve ser para ajudar o culpado não é o que deve ser para ajudar os 
outros; e não há, entre esses dois aspectos do instituto, possibilidade de 
conciliação. 
 
 
O jurista (2006, p. 103) diverge dos fins buscados pela aplicação da pena, 
afirmando que o condenado acaba sendo punido, como forma de exemplificação 
para os demais, ou seja, mesmo estando recuperado da suposta índole criminosa, o 
condenado permanece encarcerado, com objetivo de servir como parâmetro para o 
resto da sociedade, o jurista afirma que: 
O mínimo que se pode concluir dele é que o condenado, o qual, ainda tendo 
caído redimido antes do término fixado para a condenação, continua em 
prisão porque deve servir de exemplo aos outros, é submetido a um 
sacrifício por interesse alheio; este se encontra na mesma linha que o 
inocente, sujeito a condenação por um daqueles erros judiciais que nenhum 
esforço humano jamais conseguirá eliminar. Bastaria para não assumir 
diante da massa dos condenados aquele ar de superioridade que 
infelizmente, mais ou menos, o orgulho, tão profundamente aninhado ou 
mais íntimo de nossa alma, inspira a cada um de nós, ninguém 
verdadeiramente sabe, no meio deles, quem é ou não é culpado e quem 
continua ou não sendo. 
 
Através dos tempos, o Direito Penal tem dado respostas diferentes a 
questão de como solucionar o problema da criminalidade. Essas soluções são 
 
 
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chamadas Teorias da pena, que são opiniões científicas sobre a pena, principal 
forma de reação do delito. Principal, porque existem outras formas de reação social 
à criminalidade, que são mais eficazes do que a pena (NERY, 2012). 
A doutrina, para conceituar a finalidade da pena, utiliza três grandes grupos 
de teorias, a teoria absoluta, a teoria relativa, e a teoria mista ou unificadora, sendo 
que cada qual com seu grau de punição (GROKSKREUTZ, 2010). 
As teorias absolutas estão ligadas essencialmente às doutrinas da 
retribuição ou da expiação; e as teorias relativas, que se analisam em dois grupos 
de doutrinas (as doutrinas da prevenção geral e as doutrinas da prevenção especial 
ou individual). 
 
6.1 Teoria Retributiva da pena 
Para as teorias absolutas também denominadas de retributivas, a pena é 
uma forma de retribuição ao criminoso pela conduta ilícita realizada, é a maneira de 
o Estado lhe contrapesar pelo possível mal causado a uma pessoa específica ou a 
própria sociedade como um todo (bens jurídicos). 
Diante desta teoria, não se vislumbra qualquer outro objeto a não ser o de 
punir o condenado, lhe causando um prejuízo, oriundo de sua própria conduta, um 
meio de o condenado entender que está sendo penalizado em razão de seu 
desrespeito para com as normas jurídicas e para com seus iguais (GROKSKREUTZ, 
2010). 
Não é uma forma de ressocializar o condenado, muito menos reparar o dano 
causado pelo delito, não se fala em reeducação, ou imposição de trabalho com 
objetivo de dignificar o preso, mas sim, de punir, castigar e retribuir ao mesmo a falta 
de atenção com os parâmetros legais e o desrespeito para com a sociedade. 
Segundo estudos de DÉA CARLA PEREIRA NERY (2012), a Teoria 
retributiva considera que a pena se esgota na ideia de pura retribuição, tem como 
fim a reação punitiva, ou seja, responde ao mal constitutivo do delito com outro mal 
que se impõe ao autor do delito. 
 
 
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Esta teoria somente pretende que o ato injusto cometido pelo sujeito 
culpável deste, seja retribuído através do mal que constitui a pena. Para alguns 
autores como HASSEMER e MUÑOZ CONDE (2001 apud NERY, 2012) existe uma 
variante subjetiva da Teoria retributiva que considera que a pena deve ser também 
para o autor do delito uma forma de "expiación", ou seja, uma espécie de penitência 
que o condenado deve cumprir para purgar (expiar) seu ato injusto e sua 
culpabilidade pelo mesmo. 
A teoria retribucionista (teoria absoluta) considera que a exigência de pena 
deriva da ideia de justiça. 
É também uma forma de demonstrar o poder do Estado, exercendo o jus 
puniendi, para que o condenado perceba que sua prisão é uma consequência de 
seu próprio ato, e que este entenda que se não tivesse delinquido não estaria sendo 
punido e consequentemente, não estaria encarcerado. 
Segundo ROMEU FALCONI (2002), a teoria absoluta da pena surgiu com a 
escola clássica do direito penal, seguindo a mesma ideia de retribuir o mal causado 
à sociedade, considerando ainda o livre arbítrio de cada um, pois é possível optar 
pela realização ou não de um delito, e a realização do ilícito autoriza o Estado à 
causar um mal ao condenado. 
Diz o autor acima que para os clássicos, a pena tem finalidade de 
“RETRIBUIÇÃO”. É uma forma de corrigir o mal causado mediante a aplicação de 
outro mal ao criminoso. São chamadas as teorias “absolutas”. Partindo-se da 
premissa de que o homem é detentor do “livre arbítrio”, sendo por isso moralmente 
responsável (responsabilidade moral), se ele descumpre ou infringe, terá contra si a 
pena, que funciona como retribuição ao mal causado. 
Em sua doutrina, INÁCIO DE CARVALHO NETO (1999) assevera que a 
teoria absoluta tem por finalidade retribuir, tendo por característica a negação da 
negaçãodo direito, ressaltando que os demais efeitos secundários da pena em nada 
influenciam em seu verdadeiro fim, que seria estritamente o de punir o criminoso 
Enfim, a pena retributiva esgota o seu sentido no mal que se faz sofrer ao 
delinquente como compensação ou expiação do mal do crime; nesta medida é uma 
doutrina puramente social-negativa que acaba por se revelar estranha e inimiga de 
 
 
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qualquer tentativa de socialização do delinquente e de restauração da paz jurídica 
da comunidade afetada pelo crime. Em suma, inimiga de qualquer atuação 
preventiva e, assim, da pretensão de controle e domínio do fenômeno da 
criminalidade. 
 
6.2 Teorias preventivas da pena 
As teorias preventivas da pena são aquelas teorias que atribuem à pena a 
capacidade e a missão de evitar que no futuro se cometam delitos. Podem 
subdividir-se em teoria preventiva especial e teoria preventiva geral (NERY, 2012). 
Esta teoria possui uma pretensão diversa da anterior, e têm por objetivo a 
prevenção de novos delitos, ou seja, busca obstruir a realização de novas condutas 
criminosas; impedir que os condenados voltem a delinquir. 
Observa-se que, para tal teoria, presume-se que o condenado irá cometer 
novas condutas ilícitas, caso não seja punido imediatamente, por esta razão, a teoria 
relativa ou preventiva visa a impedir o cometimento de ilícitos. 
É uma forma de manter a paz e o equilíbrio social, haja vista que aquelas 
pessoas que presumidamente são criminosas, ou tenham uma pré-disposição ao 
crime, já estarão encarcerados, dificultando assim a ocorrência de novas condutas 
ilegais (GROKSKREUTZ, 2010). 
As teorias preventivas também reconhecem que, segundo sua essência, a 
pena se traduz num mal para quem a sofre. Mas, como instrumento político-criminal 
destinado a atuar no mundo, não pode a pena bastar-se com essa característica, em 
si mesma destituída de sentido social-positivo. Para como tal se justificar, a pena 
tem de usar desse mal para alcançar a finalidade precípua de toda a política 
criminal, precisamente, a prevenção ou a profilaxia criminal. 
A teoria preventiva geral está direcionada à generalidade dos cidadãos, 
esperando que a ameaça de uma pena, e sua imposição e execução, por um lado, 
sirva para intimidar aos delinquentes potenciais (concepção estrita ou negativa da 
prevenção geral), e, por outro lado, sirva para robustecer a consciência jurídica dos 
 
 
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cidadãos e sua confiança e fé no Direito (concepção ampla ou positiva da prevenção 
geral). 
Deste modo, por uma parte, a pena pode ser concebida como forma 
acolhida de intimidação das outras pessoas através do sofrimento que com ela se 
inflige ao delinquente e que, ao fim, as conduzirá a não cometerem fatos criminais 
(prevenção geral negativa ou de intimidação). 
Por outra parte, a pena pode ser concebida, como forma de que o Estado se 
serve para manter e reforçar a confiança da comunidade na validade e na força de 
vigência das suas normas de tutela de bens jurídicos e, assim, no ordenamento 
jurídico-penal; como instrumento por excelência destinado a revelar perante a 
comunidade a inquebrantabilidade da ordem jurídica, apesar de todas as violações 
que tenham tido lugar (prevenção geral positiva ou de integração). 
A teoria preventiva especial está direcionada ao delinquente concreto 
castigado com uma pena. Tem por denominador comum a ideia de que a pena é um 
instrumento de atuação preventiva sobre a pessoa do delinquente, com o fim de 
evitar que, no futuro ele cometa novos crimes. Deste modo, deve-se falar de uma 
finalidade de prevenção da reincidência (NERY, 2012). 
Essa teoria não busca retribuir o fato passado, senão justificar a pena com o 
fim de prevenir novos delitos do autor. Portanto, diferencia-se, basicamente, da 
prevenção geral, em virtude de que o fato não se dirige a coletividade. Ou seja, o 
fato se dirige a uma pessoa determinada que é o sujeito delinquente. Deste modo, a 
pretensão desta teoria é evitar que aquele que delinquiu volte a delinquir. 
A prevenção positiva persegue a ressocialização do delinquente, através, da 
sua correção. Ela advoga por uma pena dirigida ao tratamento do próprio 
delinquente, com o propósito de incidir em sua personalidade, com efeito de evitar 
sua reincidência. A finalidade da pena-tratamento é a ressocialização (NERY, 2012). 
 
6.3 Teorias unificadoras 
O terceiro grupo de teorias que diz respeito à pena é a denominada teoria 
mista, unificadora ou eclética, que na verdade é uma combinação das teorias 
 
 
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absolutas e relativas, pois, para esta teoria, a pena possui dois desideratos 
específicos, diversos e simultâneos, “foi desenvolvida por Adolf Merkel, sendo a 
doutrina predominante na atualidade” (SOUZA, 2006). 
Para a teoria mista ou eclética, a pena é tanto uma retribuição ao condenado 
pela realização de um delito, como uma forma de prevenir a realização de novos 
delitos. Ou seja, é uma mescla entre tais teorias, sendo a pena uma forma de 
punição ao criminoso, ante o fato do mesmo desrespeitar as determinações legais. E 
também uma forma de prevenir a ocorrência dos delitos, tanto na forma geral como 
na forma específica (GROKSKREUTZ, 2010). 
Segundo INÁCIO CARVALHO NETO (1999), as teorias mistas tiveram início 
por ocasião das críticas atribuídas às teorias absolutas e relativas, unificando as 
duas e aplicando os fins retributivos e preventivos concomitantemente, segundo o 
autor: das críticas opostas a estas teorias surgiram às chamadas teorias mistas ou 
ecléticas, que tentam fundi-las, mesclando-se os conceitos preventivos com os 
retributivas. 
A punição deriva unicamente da teoria absoluta, haja vista que seu intuito é 
devolver ao delinquente o mal causado à sociedade e ao sujeito passivo do delito, 
indicando ao mesmo que se cometer algum crime será reciprocamente lesado pelo 
mal causado e pelo seu desrespeito para com o ordenamento jurídico e a sociedade. 
Enquanto que a prevenção deriva da teoria relativa da pena, pois é uma 
forma de evitar a realização de novas condutas tipificadas criminalmente, para 
alguns autores é também uma forma de ressocializar o condenado, e ainda prevenir 
que este volte a delinquir (prevenção especifica), e para que os outros cidadãos 
tenham receio em cometer algum ilícito (prevenção geral). 
Portanto, a teoria mista, unificadora ou eclética aderiu às outras duas 
teorias, possuindo dois interesses, o primeiro retribuir ao condenado o mal causado, 
e o segundo prevenir que o condenado e a sociedade busquem o cometimento de 
novas condutas criminosas. 
Sem esquecer, é claro, que, de acordo com a unificação das duas teorias, a 
pena passa a ter a característica de um castigo, com um fim além de si mesma, 
fazer justiça em consequência de mal causado, prevenindo que o delinquente volte a 
 
 
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realizar condutas criminosas, e a sociedade em geral tenha tal receio e, por 
consequência, recuperar o interno, e protegendo os bens jurídicos, buscando a paz 
e o equilíbrio social(GROKSKREUTZ, 2010). 
 
 
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UNIDADE 7 – TEORIA DA PROVA 
 
EDILSON MOUGENOT BONFIM (2009) define a prova como um 
instrumento usado pelos sujeitos processuais para comprovar os fatos da causa, isto 
é, aquelas alegações que são deduzidas pelas partes como fundamento para o 
exercício da tutela jurisdicional. Entende-se como sujeitos processuais o autor, o réu 
e o juiz. 
O vocábulo ‘prova’, além deste conceito apresentado acima, possui 
diferentes significados se analisado detalhadamente: 
 a palavra pode ser empregada como forma dos sujeitos do processo 
ratificarem a veracidade que os mesmos declaram (art. 226, CPP); 
 a palavra pode ser utilizada como elementos ou instrumentos para 
demonstrar a veridicidade da existência de eventos ou empregada para 
instituir a certeza no íntimo do destinatário. No caso, diretamente, ao julgador 
e indiretamente as partes interessadas, podendo ou não aceitarem a decisão 
como justa. 
 
7.1 Finalidade da prova 
Para que os fatos produzam efeitos jurídicos, é necessário que neles sejam 
empregados normas jurídicas, ou seja, para que casos concretos produzam efeitos 
jurídicos, há a necessidade dos julgadores terem conhecimento de todos eles, para 
que possam empregar nestes casos normas do direito. Conforme expressa 
EDILSON MOUGENOT BONFIM (2009, p.304): “a prova tem como finalidade 
permitir que o julgador conheça o conjunto sobre os quais fará incidir o direito”. Em 
consonância com as palavras de PAULO RANGEL (2006, p. 382): 
O objeto da prova é a coisa, o fato, o acontecimento que deve ser 
conhecido pelo juiz, a fim de que possa emitir um juízo de valor. São os 
fatos sobre os quais versa o caso penal. Ou seja, é o thema probandum que 
serve de base à imputação penal feita pelo Ministério Público. É a verdade 
dos fatos imputados ao réu com todas as suas circunstâncias. 
 
 
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Na hipótese do MP arrogar à determinada pessoa a prática do crime de 
homicídio, este crime caracterizar-se-á como o objeto da prova. 
Vale ressaltar que há diferença entre objeto da prova e objeto de prova. O 
objeto de prova significa todos os fatos ou coisas que necessitam da comprovação 
de sua veridicidade (GOMES FILHO, 1997). 
Na ocorrência de um processo, tanto o autor quanto o réu apresentam 
argumentos favoráveis a eles mesmos, assim como acontecimentos que 
demonstrem a veracidade de suas alegações. Ocorrendo isso, os mesmos acabam 
por delimitar o objeto da prova, devendo o julgador ater-se à somente estes fatos 
(Princípio da Economia Processual). 
Segundo EDILSON MOUGENOT BONFIM (2009, p. 305), 
são as partes, portanto, que definem essencialmente os fatos que deverão 
ser objeto de prova, restando ao juiz, eventualmente, apenas completar o 
rol de provas a produzir, utilizando-se de seu poder instrutório, o que 
determinará somente com a finalidade de fazer respeitar o princípio da 
verdade real. 
 
7.2 Alegações excluídas da atividade probatória 
Em um processo penal, existem fatos em que não há a necessidade de 
provar-se a sua existência, a saber: 
a) fatos notórios – são aqueles acontecimentos de conhecimento da maioria 
de uma sociedade ou, como ilustra PAULO RANGEL (2006, p.382), é: “aquele que é 
do conhecimento de qualquer pessoa medianamente informada” ou faz parte da 
cultura deste grupo. Exemplo é a moeda corrente do Brasil (Real). 
Vale ressaltar que um fato é notório porque é de conhecimento da maioria e 
não porque é de conhecimento do juiz, uma vez que este pode ter conhecimento de 
fatos que não sejam evidentes. Também não é notório um acontecimento por ser 
sabido por um número indeterminado da população, haja vista que este fato pode 
ser fruto de boatos sem fundamento algum; 
b) presunções absolutas – é quando a lei determina a veracidade de um 
fato, não admitindo determinação contrária. Como exemplo existe o art. 27, CP; 
 
 
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c) as máximas de experiência – são os conhecimentos adquiridos pelo juiz 
ao longo de sua magistratura. Estes conhecimentos são construídos mediante vários 
casos concretos já vivenciados pelo mesmo em outros processos. Como diz 
EDILSON MOUGENOT BONFIM (2009), é o agregado empírico-sensorial que 
compõe o conhecimento do julgador e lhe possibilitará a projeção judicante em face 
do ao caso concreto, por comparação às situações adrede vividas ou conhecidas; 
d) os fatos intuitivos ou evidentes – são aqueles que, pela simples 
apreciação, pode-se constatar a sua veracidade. Como exemplo existe a máxima 
popular: “se anda como jacaré, tem boca e corpo de jacaré, obviamente que trata-se 
de um jacaré”; 
e) os fatos inúteis ou irrelevantes – são elementos que nada contribuirão 
para a apuração da verdade; 
f) os fatos incontroversos – são fatos que, ao serem alegados por uma das 
partes, não é contestado pela outra. 
Importa observar que, mesmo não sendo confrontados, estes fatos devem 
ser averiguados, acatando assim o Princípio da Verdade Real. Este assunto é 
abordado na obra de PAULO RANGEL (2006, p. 382), in verbis: 
no processo penal, os fatos, controvertidos ou não, necessitam ser 
provados, face os princípios da verdade processual e do devido processo 
legal, pois, mesmo que o réu confesse todos os fatos narrados na denúncia, 
sua confissão não tem valor absoluto, devendo ser confrontada com os 
demais elementos de prova dos autos (cf. art.197 do CPP). 
 
 
Segundo o art.156, II, CPP: 
A prova da alegação incumbirá a quem fizer, sendo, porém, facultado ao 
juiz de ofício: [...] II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir 
sentença, a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto 
relevante. 
 
 
O direito geralmente não necessita ser provado, partindo da conjetura que o 
juiz conhece o direito (Iura novit curia). Somente em casos de serem leis municipais, 
internacionais, etc., é que a parte deverá provar a vigência e conteúdo das mesmas 
(art. 337, CPC). 
 
 
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UNIDADE 8 – TEORIA GERAL DOS RECURSOS 
 
Recurso é a providência legal imposta concedida à parte interessada, 
consistente em um meio de se obter nova apreciação da decisão ou situação 
processual, pelo juiz prolator da decisão ou órgão superior, com o fim de corrigi-la, 
modificá-la ou esclarecê-la. Em suma, trata-se do meio pelo qual se obtém o 
reexame de uma decisão. 
O recurso é o procedimento através do qual a parte, ou quem esteja 
legitimado a intervir na causa, provoca o reexame das decisões judiciais, a fim de 
que elas sejam invalidadas ou reformadas, pelo próprio magistrado que as proferiu, 
ou por algum órgão de jurisdição superior. 
De etimologia latina, o verbo recursare significa “correr para trás ou correr 
para o lugar de onde se veio”, e daí esta ideia de reexame. Como o processo é um 
progredir ordenado, no sentido de obter-se com a sentença a prestação da tutela 
jurisdicional que se busca, o recurso corresponderá sempre a um retorno, no sentido 
de reflexo, sobre o próprio percurso do processo, a partir daquilo que se decidiu para 
trás, a fim de que se reexamine a legitimidadee os próprios fundamentos da decisão 
impugnada. 
De acordo com as mesas de Processo Penal da Faculdade de Direito da 
Universidade de São Paulo, recurso é um meio voluntário de impugnação de 
decisão, utilizado antes da preclusão e na mesma relação jurídica processual, apto a 
propiciar ao recorrente resultado mais vantajoso, decorrente da reforma, da 
invalidação do esclarecimento ou da integração da decisão. 
Segundo FERNANDO COSTA TOURINHO FILHO (2009), “é o direito 
público subjetivo de se pedir o reexame de uma decisão”. 
Para EDUARDO ESPÍNOLA FILHO (2000), pode afirmar-se ser o recurso 
um remédio, cujo uso a lei, expressamente, ordena ao juiz, ou autoriza à parte, que 
se considera prejudicada por uma decisão daquele ou por uma situação processual, 
visando à nova apreciação do focalizado (seja a causa, no seu conjunto, seja um 
 
 
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incidente processual, seja a situação criada para o réu), para o próprio julgador, ou o 
Tribunal Superior, corrigir, modificar ou confirmar o estado de coisa existente. 
No entendimento de ADA PELLEGRINO GRIONOVER e ANTÔNIO 
SCARANCE FERNANDES, recurso é o instrumento processual voluntário de 
impugnação de decisões judiciais, previsto em lei, utilizado antes da preclusão e na 
mesma relação jurídica. 
Uma primeira corrente diz que o recurso é um desdobramento do direito de 
ação. Quando se interpõe um recurso, dá-se continuidade ao processo na mesma 
relação jurídica processual, diferentemente do habeas corpus ou revisão criminal 
(pois criam nova relação jurídica processual conexa). É a posição majoritária 
(TOURINHO FILHO, ADA PELLEGRINE GRINOVER, EUGÊNIO PACELLI e do STF 
e do STJ). 
Se recurso é um desdobramento do direito de ação, a doutrina consegue 
extrair duas conclusões: 
a) como se trata de desdobramento do direito de ação, todas as condições 
da ação também devem estar presentes na fase recursal, sob pena de não-
conhecimento do recurso; 
b) como se trata de desdobramento do direito de ação, o recurso é 
manejado na mesma relação jurídica processual, o que faz distinguir recursos de 
ações autônomos de impugnação, já que estas são manejadas em relação jurídica 
autônoma. 
Numa segunda corrente, o recurso é uma nova ação dentro do processo. As 
partes que funcionam no polo ativo e passivo da ação podem ser invertidos na fase 
recursal (recorrente e recorrido), daí porque se trata de uma nova ação dentro de um 
processo já existente. Trata-se de um equívoco, pois a mudança dos fatores não 
altera o produto. Logo, não é porque as partes podem ser alteradas que o recurso 
seria uma nova ação. 
Uma terceira corrente, o próprio CPP (na redação originária em 1941) definia 
que recurso seria qualquer ferramenta de impugnação da decisão judicial. Posição 
esta que podemos inferir estar absolutamente ultrapassada. O CPP peca ao adotar 
 
 
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tal corrente, colocando no capítulo dos recursos o habeas corpus a Revisão 
Criminal, que na verdade são ações de impugnação. É a posição que não deve ser 
adotada na atualidade. 
Para EDÍLSON MOUGENOT BONFIM (2009) e ADA PELLEGRINE 
GRINOVER; ANTÔNIO SCARANCE FERNANDES; ANTÔNIO MAGALHÃES 
GOMES FILHO (2009), os fundamentos dos recursos seriam: 
a) a própria natureza falível do ser humano, e do juiz enquanto tal, não 
estando isento de equívocos. Nesse norte a doutrina diz que todo recurso para juiz 
superior (provocatio dos romanos) corresponde e satisfaz a uma tendência 
irresistível da natureza humana; é a expressão legal do instinto que leva todo 
homem a não se sujeitar, sem reação, ao conceito ou sentença do primeiro censor 
ou juiz. Ou seja, por tal fundamento, o recurso justifica-se porque o juiz pode 
cometer erros, de modo que o recurso permite a possibilidade de revisão da decisão 
por um órgão colegiado. Ademais, a partir do momento em que o juiz sabe que sua 
decisão pode ser revista, ele tomará mais cuidado no exercício de sua prestação 
jurisdicional; 
b) a necessidade psicológica do homem de ver reapreciada uma decisão 
desfavorável. Em qualquer ramo da atividade humana, a pessoa é vulnerável às 
dúvidas, sobretudo quando se trata do desenvolvimento dos atos judiciais, restando 
necessário o reexame da questão, através do recurso para suprir as desconfianças 
naturais do indivíduo. 
Por tal fundamento, o recurso justifica-se porque a partir do momento em 
que se possibilita que uma decisão desfavorável a alguém possa ser revisada por 
tribunal, pode-se amenizar o inconformismo do condenado. Dificilmente alguém se 
conforma com o primeiro “não”. A existência de um recurso, então, permitiria a 
revisão da decisão recorrida por um órgão mais experiente e mais propenso (em 
tese) a um julgamento justo; 
c) certa coação psicológica sobre o juiz de grau inferior, que o levaria a 
“julgar melhor”, sabedor da possibilidade de sua decisão ser reexaminada por um 
órgão superior. Esse fator faz com que o julgador seja mais diligente na hora de 
proferir sua decisão, levando-o a afastar do erro e do arbítrio, bem como o 
 
 
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impulsionado à pesquisa e constante aperfeiçoamento para evitar a censura do 
órgão jurisdicional superior. 
Em outras palavras: evitar a autotutela – por tal fundamento, o recurso 
justifica-se porque na era moderna não é dado aos homens, uma vez convivendo 
em sociedade, a utilização da autotutela, isto e, a justiça com as próprias mãos 
(PELLEGRINI; FERNANDES; GOMES FILHO, 2009); 
d) a possibilidade da causa ser julgada por um órgão colegiado, formado por 
juízes de maior experiência e saber jurídico. 
Quanto aos efeitos dos recursos, estes correspondem a três modalidades: 
devolutivo, suspensivo e extensivo. 
1. Efeito devolutivo – é a essência de qualquer recurso. Trata-se da remessa do 
que foi decidido para reexame pelo juízo ou tribunal “ad quem”. É classificado 
em: a) Iterativo: a devolução é para o próprio juízo “a quo” (p. ex: embargos 
de declaração); b) Reiterativo: devolução é perante o juízo “ad quem” (p. ex: 
apelação); c) Misto: tanto o juízo “a quo” quanto o “ad quem” apreciam a 
matéria impugnada (p.ex: Recurso em sentido estrito – juízo de retratação). 
2. Efeito suspensivo – é a qualidade do recurso em suspender a eficácia da 
decisão até o julgamento da nova decisão. A lei determina expressamente 
quando um recurso possui esse efeito (p.ex: art. 584 do CPP). Alguns dos 
efeitos de uma sentença absolutória não podem ser suspensos por um 
recurso (art. 596 do CPP). 
3. Efeito extensivo – é a hipótese de em um concurso de agentes, um dos 
acusados condenados recorre, sendo que é possível a extensão de eventuais 
benefícios àqueles que não recorreram, desde que não sejam de caráter 
exclusivamente pessoal (art. 580 do CPP). 
 
 
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UNIDADE 9 – CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES 
 
Classificar os crimes nos levam a várias ramificações. 
Se pensarmos quanto à gravidade, na França, por exemplo, ele possui três 
elementos (crime, delito, contravenção) daí ser considerada uma Tricotomia, ao 
passo que no Brasil seria uma dicotomia (Crime ou delitoe contravenção). 
Classificação dos crimes: 
1) crimes comuns – é o que pode ser praticado por qualquer pessoa (lesão 
corporal, estelionato, furto).É definido no Código Penal; 
2) crimes especiais – são definidos no Direito Penal Especial. Crime que 
pressupõe no agente uma particular qualidade ou condição pessoal, que pode ser 
de cunho social; 
3) crimes próprios – são aqueles que exigem ser o agente portador de uma 
capacidade especial. O tipo penal limita o círculo do autor, que deve encontrar-se 
em uma posição jurídica, como funcionário público, médico, ou de fato, como mãe 
da vítima (art. 123), pai ou mãe (art. 246) etc.; 
4) crime de mão própria (Atuação Pessoal) – distinguem-se dos delitos 
próprios porque estes não são suscetíveis de ser cometidos por um número limitado 
de pessoas, que podem, no entanto, valer-se de outras para executá-los, enquanto 
nos delitos de mão própria – embora passíveis de serem cometidos por qualquer 
pessoa – ninguém os pratica por intermédio de outrem. Como exemplos têm-se o de 
falsidade ideológica de atestado médico e o de falso testemunho ou falsa perícia; 
5) crimes de dano – só se consumam com a efetiva lesão do bem jurídico 
visado, por exemplo, lesão à vida, no homicídio; ao patrimônio, no furto; à honra, na 
injúria etc.; 
6) crimes de perigo – o delito consuma-se com o simples perigo criado para 
o bem jurídico. O perigo pode ser individual, quando expõe ao risco o interesse de 
uma só ou de um número determinado de pessoas, ou coletivo, quando ficam 
 
 
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expostos ao risco os interesses jurídicos de um número indeterminado de pessoas, 
tais como nos crimes de perigo comum; 
7) crimes materiais – há necessidade de um resultado externo à ação, 
descrito na lei, e que se destaca lógica e cronologicamente da conduta. Ex.: 
Homicídio, furto e roubo; 
8) crimes formais – não há necessidade de realização daquilo que é 
pretendido pelo agente, e o resultado jurídico previsto no tipo ocorre ao mesmo 
tempo em que se desenrola a conduta. A lei antecipa o resultado no tipo; por isso, 
são chamados crimes de conduta antecipada. Ex.: Ameaça (art. 147); 
9) crimes de mera conduta – a Lei não exige qualquer resultado 
naturalístico, contentando-se com a ação ou omissão do agente. Não sendo 
relevante o resultado material, há uma ofensa (de dano ou de perigo) presumida 
pela lei diante da prática da conduta. Ex.: Violação de domicílio (art. 150); 
10) crimes comissivos – são os que exigem, segundo o tipo penal objetivo, 
em princípio, uma atividade positiva do agente, um fazer. Na rixa (art. 137) será o 
“participar”; no furto (art. 155) o “subtrair”, etc.; 
11) crimes omissivos – são os que objetivamente são descritos com uma 
conduta negativa, de não fazer o que a lei determina, consistindo a omissão na 
transgressão da norma jurídica e não sendo necessário qualquer resultado 
naturalístico. Ex.: Não prestar assistência a uma pessoa ferida (omissão de socorro, 
art. 135); 
12) crimes comissivos por omissão – a omissão consiste na transgressão do 
dever jurídico de impedir o resultado, praticando-se o crime que, abstratamente, é 
comissivo. Ex.: Mãe que deixa de amamentar ou cuidar do filho causando-lhe a 
morte; 
13) crimes instantâneos – é aquele que, uma vez consumado, está 
encerrado, a consumação não se prolonga. Isso não quer dizer que a ação seja 
rápida, mas que a consumação ocorre em determinado momento e não mais 
prossegue. Ex.: Homicídio; 
 
 
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14) crimes permanentes – a consumação se prolonga no tempo, dependente 
da ação do sujeito ativo. Ex.: Cárcere privado (art. 148). 
15) crimes instantâneos de efeitos permanentes – ocorrem quando, 
consumada a infração em dado momento, os efeitos permanecem, 
independentemente da vontade do sujeito ativo. Na bigamia (art. 235), não é 
possível aos agentes desfazer o segundo casamento; 
16) crime continuado – compreende uma pluralidade de atos criminosos da 
mesma espécie, praticados sucessivamente e sem intercorrente punição, a que a lei 
imprime unidade em razão de sua homogeneidade objetiva; 
17) crimes principais – independem da prática de delito anterior; 
18) crimes acessórios – sempre pressupõe a existência de uma infração 
penal anterior, a ele ligada pelo dispositivo penal que, no tipo, faz referência àquela. 
O crime de receptação (art. 180), por exemplo, só existe se antes foi cometido outro 
delito (furto, roubo, estelionato etc.); 
19) crimes condicionados – a instauração da persecução penal depende de 
uma condição objetiva de punibilidade. (art. 7º, II); 
20) crimes incondicionados – a instauração da persecução penal não 
depende de uma condição objetiva de punibilidade; 
21) crimes simples – é o tipo básico, fundamental, que contém os elementos 
mínimos e determina seu conteúdo subjetivo sem qualquer circunstância que 
aumente ou diminua sua gravidade. Há homicídio simples, furto simples, etc.; 
22) crimes complexos – encerram dois ou mais tipos em uma única 
descrição legal. Ex.: Roubo (art. 157), que nada mais é que a reunião de um crime 
de furto (art. 155) e de ameaça (art. 147); 
23) crime progressivo – um tipo abstratamente considerado contém 
implicitamente outro que deve necessariamente ser realizado para se alcançar o 
resultado. O anterior é simples passagem para o posterior e fica absorvido por este. 
Assim, no homicídio, é necessário que exista, em decorrência da conduta, lesão 
corporal que ocasione a morte; 
 
 
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24) delito putativo – dá-se quando o agente imagina que a conduta por ele 
praticada constitui crime mas em verdade constitui uma conduta atípica, ou seja, não 
há punição para o ato praticado; 
25) crime de flagrante esperado – ocorre quando o indivíduo sabe que vai 
ser a vítima de um delito e avisa a Polícia, que põe seus agentes de sentinela, os 
quais apanham o autor no momento da prática ilícita; não se trata de crime putativo, 
pois não há provocação; 
26) crime de flagrante forjado – alguém, de forma insidiosa, provoca o 
agente à prática de um crime, ao mesmo tempo que toma providências para que o 
mesmo não se consuma; 
27) crime impossível – aquele que jamais poderia ser consumado em razão 
da ineficácia absoluta do meio empregado ou pela impropriedade absoluta do objeto. 
A ineficácia do meio se caracteriza quando o instrumento utilizado não permite que o 
delito possa ser consumado. Por exemplo: usar um alfinete para matar uma pessoa 
adulta ou produzir lesões corporais mediante o mero arremesso de um travesseiro 
de pluma, etc. A impropriedade do objeto se caracteriza quando a conduta do 
agente não pode provocar nenhum resultado lesivo à vítima. Por exemplo: matar um 
cadáver; 
28) crime consumado – ato que já reuniu todos os elementos da definição 
legal de um crime; 
29) crime tentado – o ato que, tendo sua execução iniciada, por 
circunstâncias alheias à vontade do agente não chega a reunir todos os elementos 
da definição legal de um crime; 
30) crime falho – em sendo a tentativa perfeita, o resultado não se verifica 
por circunstâncias alheias à vontade do agente. Vale salientar que em tal crime o 
agente esgota todo o seu potencial lesivo sem, contudo, alcançar o resultado 
esperado; 
31) crimes unissubsistente – é o que se perfaz comum único ato, como a 
injúria verbal; 
 
 
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32) crimes plurissubsistente – é aquele que exige mais de um ato para sua 
realização. Ex.: Estelionato (art. 171); 
33) crimes de dupla subjetividade passiva – é aquele que tem, 
necessariamente, mais de um sujeito passivo, como é o caso do crime de violação 
de correspondência (art. 151), no qual o remetente e o destinatário são ofendidos. 
34) crime exaurido – é aquele em que o agente, mesmo após atingir o 
resultado consumativo, continua a agredir o bem jurídico. Não caracteriza novo 
delito, e sim mero desdobramento de uma conduta já consumada. Influencia na 
dosagem da pena, por poder agravar as consequências do crime, funcionando como 
circunstância judicial desfavorável; 
35) crime de concurso necessário – é o que exige pluralidade de sujeitos 
ativos. Ex.: Rixa (art. 137); 
36) crime doloso – possui algumas teorias. 
Teoria da Vontade: dolo é a vontade de realizar a conduta e produzir o 
resultado. 
Teoria da Representação: dolo é a vontade de realizar a conduta, prevendo 
a possibilidade de produção do resultado. 
Teoria do Assentimento: dolo é a vontade de realizar a conduta, assumindo 
o risco pela produção do resultado. 
Teorias Adotadas pelo CP: o art. 18, I, do CP, diz que há crime doloso 
quando o agente quer o resultado (dolo direto) ou quando assume o risco de 
produzi-lo (dolo eventual). Na hipótese de dolo direto, o legislador adotou a teoria da 
vontade e, no caso de dolo eventual, consagrou-se a teoria do assentimento; 
37) crime culposo – no Crime Culposo, o agente não quer nem assume o 
risco de produzir o resultado, mas a ele dá causa, nos termos do art. 18, II, do CP, 
por imprudência, negligência ou imperícia. 
Teoria do Crime – crime culposo é aquele resultante da inobservância de um 
cuidado necessário, manifestada na conduta produtora de um resultado 
objetivamente prevísivel, através de imprudência, negligência ou imperícia. 
 
 
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38) crime preterdoloso – é apenas uma das espécies dos chamados crimes 
qualificados pelo resultado. Estes últimos ocorrem quando o legislador, após 
descrever uma figura típica fundamental, acrescenta-lhe um resultado, que tem por 
finalidade aumentar a pena. O resultado vai além do dolo do agente. Ex: O agente 
desfere um soco na vítima, apenas com a intenção de agredi-lo fisicamente, porém, 
a vítima sofre uma hemorragia e vem a óbito; 
39) crime simples – tipo básico, fundamental, que contém os elementos 
mínimos e determina seu conteúdo subjetivo sem qualquer circunstância que 
aumente ou diminua sua gravidade. Há homicídio simples (art. 121, caput), furto 
simples (art. 155, caput), etc.; 
40) crime privilegiado – existe quando ao tipo básico a lei acrescenta 
circunstância que o torna menos grave, diminuindo, em consequência, suas 
sanções. São crimes privilegiados, por exemplo, o homicídio praticado por relevante 
valor moral (eutanásia, por exemplo). Nessas hipóteses, as circunstâncias que 
envolvem o fato típico fazem com que o crime seja menos severamente apenado; 
41) crime qualificado – é aquele em que ao tipo básico a lei acrescenta 
circunstância que agrava sua natureza, elevando os limites da pena. Não surge a 
formação de um novo tipo penal, mas apenas uma forma mais grave de ilícito. 
Chama-se homicídio qualificado, por exemplo, aquele praticado “mediante paga ou 
promessa de recompensa ou por outro motivo torpe”. (art. 121, parágrafo 2º, I); 
42) crime subsidiário – é aquele cujo tipo penal tem aplicação subsidiária, 
isto é, só se aplica se não for o caso de crime mais grave (periclitação da vida ou 
saúde de outrem – art. 132, que só ocorre se, no caso concreto, o agente não tinha 
a intenção de ferir ou matar). Incide o princípio da subsidiariedade; 
43) crime vago – é aquele que tem por sujeito passivo entidade sem 
personalidade jurídica, como a coletividade em seu pudor. É o caso do crime de ato 
obsceno (art. 223); 
 44) crime de mera suspeita – o autor é punido pela mera suspeita 
despertada. Em nosso ordenamento jurídico, só há uma forma que se assemelha a 
esse crime, que é a contravenção penal prevista no art. 25 da LCP (posse de 
 
 
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instrumentos usualmente empregados para a prática de crime contra o patrimônio, 
por quem já tenha sido condenado por esse delito); 
45) crime comum – atingem bens jurídicos do indivíduo, da família, da 
sociedade e do próprio Estado, estando definidos no CP e em leis especiais; 
46) crime político – lesam ou põem em perigo a própria segurança interna ou 
externa do Estado. Ex.: Lei nº 7.170/83. São crimes políticos os que lesam ou 
expõem a perigo de lesão: I – a integridade territorial e a soberania nacional; 
47) crime multitudinário – cometido por influência de multidão em tumulto 
(linchamento); 
48) crime de opinião – é o abuso da liberdade de expressão do pensamento 
(é o caso do crime de injúria – art. 140); 
49) crime inominado – partindo da premissa de que em matéria penal não há 
direitos adquiridos, criou uma categoria de crimes consistentes na violação de uma 
regra ou bem jurídico do indivíduo consagrados pela lei penal, apresentando caráter 
ilícito pela ausência de qualquer direito, legal ou natural, que pudesse favorecer o 
agente. Seriam punidos no interesse do indivíduo e não no da sociedade. Não aceita 
pela doutrina esta teoria; 
50) crime de ação múltipla – o tipo contém várias modalidades de conduta, 
em vários verbos, qualquer deles caracterizando a prática de crime. Pode-se praticar 
o crime definido no art. 122, induzindo, instigando ou prestando auxílio ao suicida; o 
de fabricação, importação, exportação, aquisição ou guarde de objetos obsceno (art. 
234) etc. Neste último, as condutas são fases do mesmo crime; 
51) crime de forma livre – é o praticado por qualquer meio de execução. Ex.: 
O crime de homicídio (art. 121) pode ser cometido de diferentes maneiras, não 
prevendo a lei um modo específico de realizá-lo; 
52) crime de forma vinculada – o tipo já descreve a maneira pela qual o 
crime é cometido. Ex.: O curandeirismo é um crime que só pode ser realizado de 
uma das maneiras previstas no tipo penal (art. 284 e incisos, CP); 
 
 
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53) crime de ação penal pública – punível mediante ação que pode ser 
movida pelo ofendido ou seu representante, se o ministério público não a mover no 
prazo legal (art. 29, CPP); 
54) crime de ação penal privada – punível mediante ação que pode ser 
movida pela própria vítima, e não pelo ministério público; 
55) crime habitual – constituído de uma reiteração de atos, penalmente 
indiferentes, que constituem um todo, um delito apenas, traduzindo geralmente um 
modo ou estilo de vida. Embora a prática de um ato apenas não seja típica, o 
conjunto de vários, praticados com habitualidade, configurará o crime. Ex.: 
curandeirismo, exercer ilegalmente a medicina; 
56) crime profissional – qualquer delito praticado por aquele que exerce uma 
profissão, utilizando-se dela para a atividade ilícita. Assim, o aborto praticado por 
médicosou parteiras, o furto qualificado com chave falsa ou rompimento de 
obstáculos por serralheiro, etc.; 
57) crime conexo – crime que é pressuposto, elemento constitutivo, ou 
agravante de outro (art. 108); 
58) crime de ímpeto – ocorre o crime de ímpeto no homicídio cometido sob 
domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação, vez que a 
pessoa age repentinamente. Logo se conclui que crime de ímpeto é aquele em que 
o agente, de forma súbita e ligeira pratica uma conduta delituosa sem qualquer 
arquitetura do plano delitivo – que é obra de um ato repentino deste; 
59) crime funcional – cometido pelo funcionário público. Crime Funcional 
próprio é o que só pode ser praticado pelo funcionário público; crime funcional 
impróprio é o que pode ser cometido também pelo particular, mas com outro nomen 
juris (p. ex., a apropriação de coisa alheia pode configurar peculato, se cometida por 
funcionário público, ou a apropriação indébita, quando praticada por particular); 
60) crime a distância – é aquele em que a execução do crime dá-se em um 
país e o resultado em outro. Ex.: O agente escreve uma carta injuriosa em SP e 
remete a seu desafeto em Paris. Aplica-se a teoria da ubiquidade, e os dois países 
são competentes para julgar o crime; 
 
 
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61) crime plurilocal – é aquele em que a conduta se dá em um local e o 
resultado em outro, mas dentro do mesmo país. Aplica-se a teoria do resultado, e o 
foro competente é o do local da consumação; 
62) delito de referência – é a denominação dada ao fato de o sujeito não 
denunciar um crime conhecido quando iminente ou em grau de realização, mas 
ainda não concluído, questão que será analisada no concurso de agentes; 
63) delito de impressão – causam determinado estado anímico na vítima. 
Dividem-se em: 
a) delitos de inteligência – os que se realizam com o engano, como o 
estelionato; 
b) delitos de sentimento – incidem sobre as faculdades emocionais, como a 
injúria; 
c) delitos de vontade – incidem sobre a vontade, como o constrangimento 
ilegal. 
64) crime de simples desobediência – consiste crime desobedecer à ordem 
legal de funcionário público. O exemplo mais claro seria o da ocorrência de prisão 
por desobediência quando o suposto autor dos fatos for encontrado em atitude 
suspeita, e que tem sido uma constante quando atuamos em um Juizado Especial 
Criminal. O cidadão é abordado por policiais em atitude suspeita e desobedece a 
ordem de parar ou de se submeter à realização de uma busca pessoal. São comuns 
os casos de pessoas que são conduzidas para a delegacia de polícia e enviadas aos 
Juizados Especiais Criminais nessa situação; 
65) crime pluriofensivo – são os que lesam ou expõem a perigo de dano 
mais de um bem jurídico (ex. art.157, parágr.3. “in fine”); 
66) crime falimentar – são certos atos, previstos em lei, praticados pelo 
comerciante antes ou depois de decretada sua falência, como por exemplo, o desvio 
de bens, ou qualquer outro ato fraudulento, que cause ou possa causar prejuízo aos 
seus credores. “Os delitos falimentares são os chamados crimes do colarinho 
branco. Isto porque, a prática criminosa pelo empresário possui certos requintes que 
a distingue da delinquência comum.”; 
 
 
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67) crime a prazo – é aquele que se consuma após passado um período de 
tempo. Ex. art. 129, §1, I, CP; 
68) crime gratuito – entende-se por crime gratuito aquele praticado sem 
motivo. Porém, atenção, crime gratuito não se confunde com motivo fútil. No motivo 
fútil, o motivo existe, mesmo sendo pequeno ou insignificante; 
69) delito de circulação – “praticado por intermédio do automóvel” (Damásio 
E. de Jesus); 
70) delito transuente ou transeunte – não deixa vestígios; 
71) delito não transuente ou transeunte – deixe vestígios; 
72) crime de atentado ou de empreendimento – delito em que o legislador 
prevê à tentativa a mesma pena do crime consumado, sem atenuação. (Ex.: arts. 
352 e 358); 
73) crime em trânsito – são delitos em que o sujeito desenvolve a atividade 
em um país sem atingir qualquer bem jurídico de seus cidadãos; 
74) crimes internacionais – são crimes que, por tratado ou convenção, o 
Brasil se obrigou a reprimir. Podemos citar como exemplo o tráfico de mulheres, 
entorpecentes, etc.; 
75) quase crime – são os definidos no Código Penal no art. 17 (crime 
impossível) e art. 31 (participação impunível); 
76) crime de tipo fechado – são aqueles que apresentam a definição 
completa, como homicídio; 
77) crime de tipo aberto – são os que não apresentam a descrição típica 
completa. A norma de proibição violada não aparece claramente; 
78) tentativa branca – há a tentativa branca quando “o objetivo material não 
sofre lesão”; 
79) tentativa cruenta – quando o sujeito atinge a vítima; 
80) tentativa incruenta – quando a vítima não é atingida; 
 
 
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81) crime consunto e consuntivo – é a denominação que recebem os delitos, 
quando aplicável o princípio da consunção. Crime Consunto: é o absorvido; Crime 
Consuntivo: o que absorve; 
82) crimes de responsabilidade – este tipo de crime é alvo de discussões, 
pois esta classificação suscita dúvidas no que concerne a sua interpretação. Por 
vezes é entendido como crimes e infrações de natureza político-administrativas não 
sancionadas com penas de natureza criminal; 
83) crimes hediondos – toda vez que uma conduta delituosa estivesse 
revestida de excepcional gravidade, seja na execução, quando o agente revela total 
desprezo pela vítima, insensível ao sofrimento físico ou moral a que a submete, seja 
quanto à natureza do bem jurídico ofendido, ainda pela especial condição das 
vítimas. A Constituição Federal de 1988 considera estes crimes inafiançáveis e 
insuscetíveis de graça ou anistia (art. 5º, inc. XLIII); 
84) crimes contra a economia popular – obter ou tentar obter ganhos ilícitos 
em detrimento do povo ou de número indeterminado de pessoas, mediante 
especulações ou processos fraudulentos (bola de neve, cadeias, pichardismo, e 
quaisquer outros meios equivalentes) – art. 2.º, IX, da Lei n. 1.521/51; 
85) crime contra as relações de consumo – é todo aquele que definido como 
tal, por lei, atinge de forma direta ou indireta os interesses e necessidades dos 
consumidores, bem como sua dignidade, saúde, segurança e interesses 
econômicos. Ex.: Pool – coligação feita entre várias pessoas, físicas ou jurídicas, de 
caráter temporário, visando uma especulação econômica, com a finalidade de 
eliminar os concorrentes; 
86) crime de genocídio – é definido como crime contra a humanidade, que 
consiste em cometer, com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo 
nacional, étnico, racial ou religioso, qualquer dos seguintes atos: I) matar membros 
do grupo; II) causar-lhes lesão grave à integridade física ou mental; 
87) crimes ambientais – ato que viola e vai contra as leis impostas pelos 
governos acerca do meio ambiente, sendo a sua culpabilidade um pressuposto da 
pena; 
 
 
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88) crime de imprensa – quando há conduta imprópriaque resulte em 
situações de ofensa intencional a cidadãos ou instituições. “Caluniar alguém, 
imputando-lhe falsamente fato definido como crime, pena: detenção de seis meses a 
três anos e multa de um a 20 salários mínimos” (CRFB/88, artigo 20); 
89) contravenções penais – são infrações consideradas de menor potencial 
ofensivo que muitas pessoas acabam cometendo no dia a dia, que chegam até a ser 
toleradas pela sociedade e até por autoridades, mas que não podem deixar de 
receber a devida punição; 
90) crimes eleitorais – os crimes eleitorais são previstos no Código Eleitoral 
e em leis extravagantes, como nas Leis nºs 9.504/97, 6.091/74, 6.996/82, 7.021/82 e 
Lei Complementar nº 64/90, sendo definidos como condutas lesivas aos serviços 
eleitorais e ao processo eleitoral. Os crimes eleitorais são tidos como crimes comuns 
e, não como crimes políticos, conforme entendimento do Tribunal Superior Eleitoral 
(TSE, REspe nº 16.048-SP, Rel. Min. Eduardo Alckmin, DJU 14.04.2000, p. 96). O 
delito de corrupção eleitoral ou crime de compra de votos, previsto no art. 299 do 
Código Eleitoral, é o crime de maior incidência, em virtude do alto grau de corrupção 
no nosso País; 
91) crimes contra a segurança nacional – trata-se de proteger a segurança 
do Estado, como bem interesse de importância fundamental. Essa tutela jurídica se 
dirige, no plano da segurança externa, à preservação da independência e da 
integridade do território nacional, e da defesa contra agressão no exterior. No plano 
de segurança interna, procura-se preservar contra a sedição, os órgãos em que se 
estrutura o governo, na forma em que a Constituição os prevê; 
92) crimes militares – toda violação acentuada ao dever militar e aos valores 
das instituições militares. Ex.: Dormir em serviço. 
 
 
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REFERÊNCIAS 
 
REFERÊNCIAS BÁSICAS 
 
BONFIM, Edilson Mougenot. Curso de Processo Penal. 4 ed.de acordo com as Leis 
n. 11.689/08 e 11.719/08. São Paulo: Saraiva, 2009. 
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