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MATERIAL DIDÁTICO INTRODUÇÃO AO DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL U N I V E R S I DA D E CANDIDO MENDES CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA PORTARIA Nº 1.282 DO DIA 26/10/2010 Impressão e Editoração 0800 283 8380 www.ucamprominas.com.br Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas SUMÁRIO UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO ................................................................................. 03 UNIDADE 2 – FONTES FORMAIS E MATERIAIS ................................................. 06 2.1 Inovações para o CPP de 1942 ......................................................................... 14 UNIDADE 3 – PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS ....................................................... 20 3.1 Princípios Fundamentais do Direito Penal......................................................... 23 3.2 Princípios do Processo Penal ............................................................................ 24 3.3 Princípios informadores da execução penal ...................................................... 26 UNIDADE 4 – INTERPRETAÇÕES E APLICAÇÃO DA LEI PENAL E PROCESSUAL E PENAL ....................................................................................... 28 4.1 Interpretação da Lei .......................................................................................... 28 4.2 No tempo ........................................................................................................... 29 4.3 No espaço ......................................................................................................... 30 UNIDADE 5 – TEORIA DO CRIME ......................................................................... 31 UNIDADE 6 – TEORIA DA PENA .......................................................................... 34 6.1 Teoria retributiva da pena.................................................................................. 36 6.2 Teorias preventivas da pena ............................................................................. 38 6.3 Teorias unificadoras .......................................................................................... 39 UNIDADE 7 – TEORIA DA PROVA ........................................................................ 42 7.1 Finalidade da prova ........................................................................................... 42 7.2 Alegações excluídas da atividade probatória .................................................... 43 UNIDADE 8 – TEORIA GERAL DOS RECURSOS ................................................ 45 UNIDADE 9 – CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES .................................................... 49 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 61 3 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO Iniciamos nosso curso de Direito Penal e Direito Processual Penal já alertando que mudanças virão em breve! Pelo menos é o que desejam e esperam juristas, congressistas e população, uma vez que novos conceitos, novas configurações e o avanço tecnológico são apenas alguns dos motivos que tornam urgente a revisão do Código. Notícias muito recentes dão conta de que o projeto de lei que trata da reforma do Código Penal brasileiro (nº 236/2012) já recebeu mais de mil emendas e o Senado Federal já contabiliza quase sete mil sugestões apresentadas pela sociedade acerca dessas mudanças. Sua tramitação foi suspensa em novembro último, a pedido do presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, exatamente em defesa de um maior aprofundamento dos debates. A OAB criticou a exiguidade dos prazos previstos para a apreciação de matéria tão relevante, e defendeu a necessidade de se promover maiores discussões no Legislativo a fim de se evitar incongruências e equívocos na fixação de penas, punições e na legislação que afeta a vida, a liberdade, a segurança, o patrimônio e outros bens jurídicos de milhões de pessoas. O texto do projeto de lei foi elaborado por uma comissão de 15 juristas e propõe alterações relacionadas aos crimes de aborto, uso de drogas e prostituição, entre outros, sendo motivo de divergências técnicas, políticos, morais e religiosas. Ao comunicar à OAB a suspensão, o senador Pedro Taques (PDT-MT), relator do projeto do novo Código Penal na Comissão Especial do Senado, informou que a intenção do Senado é realizar uma série de audiências públicas com entidades civis e setores acadêmicos, jurídicos e religiosos da sociedade brasileira. De acordo com a Agência Senado (03/01/2013), o projeto do novo Código Penal (PLS 236/2012) deve ir a votação no Plenário do Senado em junho/2013. A previsão é do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente de comissão especial de senadores responsável por examinar a proposta, elaborada por um grupo de juristas nomeado pelo presidente José Sarney. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 4 Dadas essas informações que são úteis para que atentem aos acontecimentos, vamos aos conceitos básicos. Direito Penal e Direito Processual Penal são definidos respectivamente como: conjunto de normas que ligam ao crime, como fato, a pena como consequência, e disciplinam também as relações jurídicas daí derivadas, para estabelecer a aplicabilidade das medidas de segurança e a tutela do direito de liberdade em face do poder de punir do Estado; conjunto de normas e princípios que regulam a aplicação jurisdicional do direito penal objetivo, a sistematização dos órgãos da jurisdição e respectivos auxiliares, bem como da persecução penal (MARQUES, 2002). De maneira ampla e geral, o Direito Processual Penal é o conjunto de normas e princípios que visam tornar realidade o Direito Penal. São as leis processuais que tiram a lei do plano abstrato para dar vida a uma situação concreta. Nenhuma pena será aplicada senão por intermédio de um juiz (em matéria penal). “Nulla poena sine judice” – “Nulla poena sine judicio” O Estado é responsável pela tutela penal. O processo é uma exigência de ordem pública, ninguém pode dispensá-lo. Quanto ao Código Penal Brasileiro, este é o conjunto de leis que visa a um só tempo defender os cidadãos e punir aqueles que cometam crimes e infrações. Criado em 1940, o código passou, ao longo dos anos, por modificações com o propósito de modernizá-lo e torná-lo mais coerente com as características da sociedade atual. Exemplos desse processo de atualização são: a introdução da Lei Maria da Penha, que tem como objetivo punir os crimes cometidos contra a mulher; a inclusão do sequestro-relâmpago como crime; indicação do atentado violento ao pudor na categoria de crimes contra a dignidade sexual, entre outros. De acordo com a legislação brasileira, todo cidadão tem direito a se defender de qualquer acusação, o que inclui o pagamento de um advogado pelo Estado, caso o acusado não tenha condições financeiras para contratar um profissional que assuma sua defesa. Outra característica do Código Penal Brasileiro, Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.brou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 5 inspirado no Direito Romano, é a adoção do Tribunal do Júri para a o julgamento dos chamados crimes contra a vida. A ideia é compor um painel multifacetado de pessoas, que representem a sociedade de um modo hegemônico, capaz de avaliar e decidir se o réu é culpado ou inocente. O Brasil possui um período-limite de trinta anos para o cumprimento de uma pena, independente de sua natureza, gravidade ou reincidência. Como se vê, essa característica exclui a possibilidade de prisão perpétua no país. O Código Penal Brasileiro, bem como o Código de Processo Penal, não podem conter decisões que se sobreponham à Constituição do País. Por isso, por exemplo, todos os cidadãos são considerados iguais perante a lei (PORTAL BRASIL, 2012 - http://www.brasil.gov.br/). Pois bem, veremos neste primeiro momento as fontes e princípios que regem a matéria em estudo, a interpretação da lei, bem como introduziremos algumas teorias (do crime, da pena, da prova, dos recursos) e apresentaremos uma breve classificação dos crimes. Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmica tenha como premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, fugiremos um pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar, deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores, incluindo aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma redação original e tendo em vista o caráter didático da obra, não serão expressas opiniões pessoais. Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas, mas que, de todo modo, podem servir para sanar lacunas que por ventura venham a surgir ao longo dos estudos. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 6 UNIDADE 2 – FONTES FORMAIS E MATERIAIS Segundo FERNANDO DA COSTA TOURINHO FILHO (2009), reserva-se à expressão fontes do Direito, o sentido de formas de exteriorização do Direito. Fontes do Direito, portanto, nada mais são que as formas pelas quais as regras jurídicas se exteriorizam, se apresentam. São, enfim, “modos de expressão do Direito”. Todo fato social é uma fonte do direito e estas fontes se classificam em materiais e formais. As primeiras são as fontes potenciais do direito e compreendem o conjunto dos fenômenos sociais, que contribuem para a formação da substância, da matéria do direito. As fontes formais são os meios pelos quais se estabelece a norma jurídica (SUSSEKIND, 1993). MAURÍCIO GODINHO DELGADO (2009) assevera que o tema relativo às fontes do ordenamento jurídico é um dos mais nobres e fundamentais de todo o direito. É tema nuclear da Filosofia Jurídica, na medida em que examina as causas e fundamentos remotos e emergentes do fenômeno jurídico. É tema central da Ciência do Direito, na medida em que estuda os meios pelos quais esse fenômeno exterioriza-se. É também tema essencial a qualquer ramo jurídico específico, na medida em que discute as induções que levaram à formação das normas jurídicas em cada um dos ramos enfocados e os mecanismos concretos de exteriorização dessas normas. A palavra ‘fontes’ comporta relativa variedade conceitual, tendo uso até mesmo metafórico que foi o caso da ciência jurídica que usa esse conceito designando a origem das normas jurídicas. Segundo WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO (1995, p. 12), fontes são os meios pelos quais se formam ou pelos quais se estabelecem as normas jurídicas. São os órgãos sociais de que dimana o direito objetivo. As acepções podem ser específicas, ajustadas ao interesse de cada tipo de estudo. GERSON MELLO BOSON (S.D apud PINTO, 2003) destaca as seguintes definições: Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 7 fundamento do próprio Direito; grupo social que constitui o Direito; origem da norma jurídica. JOSÉ AUGUSTO RODRIGUES PINTO (2003) expõe uma primeira grande divisão que é das fontes diretas e fontes auxiliares. As fontes diretas, por sua vez, classificam-se em fontes materiais e fontes formais, tal qual classifica a Ciência do Direito, separados segundo a perspectiva de enfoque do fenômeno das fontes, que são as fontes materiais e as fontes formais. Divisão esta que é clássica para a maioria dos doutrinadores. As fontes materiais se dividem segundo os tipos de fatores que se enfoca no estudo da construção e mudanças de fenômeno jurídico. Elas podem ser econômicas, sociológicas, políticas e filosóficas. As fontes materiais são, em última instância, o lócus de onde se extrai o sistema jurídico, isto é, as relações objetivas e subjetivas que os homens travam entre si e com a sociedade no curso do processo histórico (GENRO, 1985, p. 47). Nesse sentido, correspondem à base objetiva do Direito dentro de uma totalidade histórica, podendo ser compreendidas como a pressão que os grupos organizados fazem diante do Estado para que suas reivindicações sejam reconhecidas e institucionalizadas, passando, assim, à condição de direitos assegurados no ordenamento jurídico. As Fontes Materiais ou Reais dão substância à regra jurídica. Condizem com o conhecimento e a criação da norma jurídica. Proporcionam ao legislador os elementos para a transformação da ordem jurídica. Como dito inicialmente, o fato social é a fonte das fontes. Por fontes materiais devem-se ter em mente as variáveis sociais, econômicas e políticas que, em determinado momento, ou durante a evolução histórica de uma sociedade, informam a produção das normas jurídicas. Como afirma DÉLIO MARANHÃO (1993), “em cada sociedade, em cada cultura, vários serão os fatores sociais que, em cada momento histórico, contribuirão para fornecer a matéria, a substância de determinada norma ou de determinado Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 8 sistema de normas do direito. Esses fatores são as fontes materiais do direito”. Concordamos com este conceito, não seguindo, assim, o estabelecido por Kelsen e Recaséns Siches, de que a única fonte material do direito seja a vontade do Estado, ou a vontade do legislador (MORENO, 1997 apud CASTRO; LAZZARI, 2009). Sobre as fontes formais, ainda há que se dizer que são a maneira de expressão da norma jurídica positiva e, se substanciais, constituem matéria em que se busca o conteúdo do preceito jurídico. Assim, certos princípios universais como o neminem laedere (negativo) são fontes substanciais. Segundo FERNANDO DA COSTA TOURINHO FILHO (2009), não há, em doutrina, uniformidade de vistas quanto à classificação das fontes formais. Predomina, no entanto, a ideia de que se reduzem a duas: a lei e o costume. Outros ainda acrescentam a jurisprudência, a doutrina e os princípios gerais do Direito. A lei é, realmente, a principal fonte do Direito. Grosso modo, é por meio da norma jurídica que o Direito se manifesta e se revela. É a principal fonte, porque contém em si mesma a norma. Outras fontes, sem que contenham a norma, produzem-na indiretamente e outras produzem de uma maneira secundária e incidental. “otras Ia producen de una manera secundaria o incidental”.Assim, podemos classificar as fontes formais em diretas, que contêm em si a norma, e em supletivas, que são de duas ordens: “indiretas”, que, sem conterem a norma, produzem-na indiretamente, e “secundárias”, as que a produzem de maneira secundária ou incidental. As fontes diretas são constituídas pelas leis – entendendo-se esta em seu sentido mais amplo, isto é, como toda disposição emanada de qualquer órgão estatal na esfera de sua própria competência. Dentro das fontes diretas, fazem-se algumas divisões, “atendendo-se à finalidade ou importância das normas processuais nelas contidas”. Desse modo podemos classificar as fontes diretas em: a) fontes processuais penais principais (CF e CPP); b) fontes processuais penais extravagantes; c) fontes orgânicas principais; e, Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 9 d) fontes orgânicas complementares. As fontes processuais penais extravagantes são de duas espécies: complementares e modificativas. São fontes extravagantes complementares: a Lei nº 5.250, de 9-12-1967 (Lei de Imprensa); o Decreto-lei nº 201, de 27-2-1967 (crimes de responsabilidade dos Prefeitos municipais e respectivo processo); a Lei nº 1.079, de 10-4-1950 (crimes de responsabilidade de Presidente da República, Ministros de Estado, Ministros do STF e Procurador-Geral da República); a Lei nº 1.521, de 26- 12-1951 (crime contra a economia popular); a Lei nº 4.898, de 9-12-1965 (abuso de autoridade); a Lei nº 11.101/05, definindo os crimes falimentares e estabelecendo o respectivo procedimento; a Lei nº 11.343, de 23-8-2006. Tais normas, em sua grande maioria, são aplicáveis a setores que não foram compreendidos pelo Código de Processo Penal (TOURINHO FILHO, 2009). Como fontes extravagantes modificativas, e como tais se entendem as que “modificam, ampliam ou extinguem normas e preceitos do Código”, podemos citar: a Lei nº 1.408, de 9-8-1951 (sobre a contagem dos prazos); a Lei nº 263, de 23-2-1948 (sobre a instituição do Júri); a Lei nº 4.336, de 1°-6-1964 (que acrescentou o § 4° ao art. 600 do CPP); a Lei nº 5.941, de 22-11-1973 (que alterou a redação dos arts. 408 e 594 do CPP); a Lei nº 6.416, de 24-5-1977 (que alterou dispositivos sobre liberdade provisória); a Lei nº 8.035, de 27-4-1990 (sobre fiança); a Lei nº 8.038, de 28-5-1990 (sobre a ação penal originária da alçada do STF e do STJ e sobre o procedimento dos recursos extraordinário e especial); a Lei nº 8.072, de 25-7-1990 (sobre os crimes hediondos); a Lei nº 8.658, de 26-5-1993 (que revogou os arts. 556 a 562 do CPP); a Lei nº 9.099, de 26-9-1995 (que instituiu os Juizados Especiais Criminais); a Lei nº 9.271, de 17-4-1996 (que deu nova redação aos arts. 366, 367, 368, 369 e 370 do CPP); a Lei nº 10.259, de 12-7-2001, criando os Juizados Especiais Cíveis e Criminais da Justiça Federal; a Lei nº 11.313-2006, alterando o conceito de infração de menor potencial ofensivo; a Lei nº 11.340, de 7-8-2006, criando mecanismos contra a violência doméstica; a Lei nº 11.101/2005, sobre crimes falimentares e respectivo procedimento; a Lei nº 11.343-2006, sobre Tóxicos; a Lei nº 11.689/2008, que alterou o procedimento dos crimes da competência do Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 10 Júri; a Lei nº 11.719-2008, que alterou todas as formas procedimentais; a Lei nº 11.690/2008, que modificou inúmeras disposições sobre a prova, etc. Como fontes orgânicas principais temos as leis de organização judiciária, porquanto “revelam, em grande parte, as regras pertinentes à nomeação, investidura e atribuições dos órgãos jurisdicionais e seus auxiliares” (TOURINHO FILHO, 2009). São fontes orgânicas complementares os Regimentos Internos dos Tribunais que contêm normas subsidiárias da legislação processual, constatada pelos arts. 667, 666, 638 e 618 do CPP. Nesse rol se incluem os Regimentos Internos da Câmara Federal, do Senado e das Assembleias Legislativas, por força do que dispõem os arts. 38, 73 e 79 da Lei nº 1.079, de 10-4-1950 (Lei do impeachment). Fontes indiretas, como visto, são aquelas que, embora não contenham a norma, produzem-na indiretamente. Assim, são considerados como tais: os costumes, a jurisprudência e os princípios gerais do Direito. Costume – é o uso geral, constante e notório, observado sob a convicção de corresponder a uma necessidade jurídica. Ninguém nega o extraordinário valor do costume na formação do Direito, porquanto, até à organização do Estado, o Direito nada mais era senão uma “estratificação dos costumes”, e, ademais, “os monumentos legislativos da antiguidade mais remota foram condensação dos costumes”. Compõe-se o costume de dois elementos: um interno, que se concretiza em uma observância constante, geral e uniforme, e outro externo, que é a opinio juris et necessitatis (convencimento geral da necessidade jurídica). Geralmente, costumam os autores indicar três formas de costumes: os costumes secundum legem (de acordo com a lei), que consistem na interpretação ou aplicação uniforme da lei; os costumes praeter legem (fora da lei), também chamados integrativos, uma vez que suprem as lacunas das normas ou especificam seu conteúdo e extensão; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 11 os costumes contra legem (contra a lei), que introduzem novas normas contrárias à lei, e isto de duas maneiras: ou criando normas ou não aplicando normas existentes. A jurisprudência (julgados repetidos e constantes em casos idênticos) é considerada, igualmente, fonte do Direito Processual Penal, muito embora não falte quem combata tal afirmativa, sob a alegação de que as sentenças judiciais não possuem força criadora. Do ponto de vista legal pode-se inferir que o valor da jurisprudência como fonte do Direito Processual Penal é nulo, uma vez que a lei não a reconhece como tal. Mas, do ponto de vista da realidade, o seu valor é imensurável. As decisões constantes e ininterruptas dos nossos Tribunais, em casos idênticos, chegam a constituir verdadeira doutrina. É a jurisprudência, realmente, fonte supletiva para a interpretação da lei processual penal, cujos preceitos são elucidados, clareados, desenvolvidos e explicados, determinando, assim, seu significado e alcance. Princípios gerais do Direito – segundo FERNANDO DA COSTA TOURINHO FILHO (2009), não há, na doutrina, uniformidade conceitual a respeito dos chamados princípios gerais do Direito. Entretanto grande parte da doutrina, senão a maioria, identifica-os com os brocardos jurídicos, “que nada mais representam senão condensação de soluções e de noções tradicionais do nosso ordenamento jurídico”. No caso, tais princípios seriam aqueles que servem de base e fundamento à legislação vigente em matéria processual penal. As fontes secundárias, emprestando-se à expressão o sentido de fontes que, sem conter a norma, produzem-na de maneira secundária ou incidental, têm, também, sua importância. Tem tal qualidade o Direito histórico, o Direito estrangeiro, as construções doutrinárias nacionais ou alienígenas que, inegavelmente, auxiliam a redação das leis, a sua interpretação e, às vezes, a própria aplicação da norma. A doutrina é obra dos juris scriptores, que estudam o Direito nos seus aspectos filosófico, científico, técnico e prático, em tratados, comentários e monografias. Ela revela, antes dequalquer coisa, uma autoridade moral, e será tanto maior quanto o valor do jurista. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 12 De maneira histórica e evolutiva, a fonte direta remota do Direito Processual Penal pátrio é a legislação portuguesa. O primeiro Código português recebeu o nome de “Ordenações Afonsinas”, em homenagem a D. Afonso V, em cujo reinado foi concluída a obra. Sua confecção, desde o seu início, durou cerca de quarenta e cinco anos. Surgiu, exatamente, no ano de 1446 e foi considerado um verdadeiro monumento de sabedoria. O Livro V, com cento e vinte e um títulos, versava sobre os crimes, as penas e o Processo Penal. Durante os setenta e cinco anos de sua vigência e para atender aos reclamos sociais, muitas e muitas leis foram elaboradas, como normas extravagantes, a ponto de D. Manuel I, no limiar do século XVI, haver determinado se fizesse uma compilação, o que se deu por volta do ano de 1521, recebendo o novo Código a denominação “Ordenações Manuelinas”. Logo em seguida às “Ordenações Manuelinas”, e durante o seu período de vigência, surgiu o Código Sebastiânico, vigendo ao lado das Ordenações Manuelinas, sem, contudo, revogá-las. Em 1603, depois da batalha de Alcácer-Quibir, e já no reinado de Felipe II, surgiram as “Ordenações Filipinas”, que chegaram a viger entre nós até o segundo quartel do século XIX. Em todas essas Ordenações, o sistema adotado era o inquisitivo, com as indispensáveis torturas. O processo iniciava-se pela devassa, querela ou denúncia. As devassas nada mais eram senão as investigações empreendidas de ofício pelo Magistrado. Podiam ser especiais, quando promovidas pelo Juiz, em determinados crimes, e gerais, quando procedidas pelo Juiz de fora. Este chegava a uma cidade qualquer e procedia às investigações sobre os crimes que ocorreram naquele lugar a fim de processar todos os responsáveis pelos crimes havidos até aquela época. Proclamada a Independência do Brasil, surgiu a lei de 20-9-1823, determinando vigerem no País as Ordenações, leis, regulamentos, alvarás, decretos e resoluções promulgadas pelos reis de Portugal. A Constituição Imperial, no seu art. 179, XVIII, prometia ao povo brasileiro um Código Civil e um Criminal fundados nas sólidas bases da justiça e da equidade. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 13 Em 1830, surgiu o Código Criminal, vindo a seguir, em 1832, o Código de Processo Criminal. Este diploma trouxe profundas modificações, destacando-se a extinção das devassas, a formação da culpa, que passou a ser pública, a instituição do habeas corpus, a regulamentação do Júri, instituindo o Júri de Acusação e o Júri de Julgamento (TOURINHO FILHO, 2009). Duas leis posteriores ao Código de Processo Criminal tiveram repercussão: a de 3-12-1841 e a de 20-9-1871. A primeira, referindo-se, particularmente, às funções da Polícia e ampliando suas atribuições. A segunda, estabelecendo regras sobre fiança, criando o habeas corpus preventivo, estendendo essa garantia, na sua feição liberatória ou preventiva, aos estrangeiros, e o inquérito policial, que, pela primeira vez, aparece com esse nomen juris. Em 1889, modificou-se o regime político do Brasil. A Constituição de 1891 outorgou aos Estados-Membros a competência para legislarem sobre matéria processual civil e penal. Muitos Estados, senão a grande maioria, elaboraram seus estatutos processuais, e outros continuaram sendo regidos pelas leis imperiais (modificadas e completadas por sua legislação esparsa sobre Processo Penal), até que, em 1934, a Carta Política aboliu aquela prerrogativa dos Estados. A competência para legislar sobre Direito Processual deslocou-se para a União. E, sem embargo daquela abolição, não se empreendeu a realização de um Código de Processo Penal. A Carta Magna de 1937 repetiu a exigência da anterior, e, assim, em 1941, surgiu o nosso atual Código de Processo Penal (CPP). O CPP brasileiro, que começou a vigorar em 1°-1-1942, e que continua vigendo com alterações e modificações ao longo desses 70 anos, é dividido em livros; estes, em títulos; os títulos em capítulos e os capítulos, por sua vez, em artigos, com um total de 811 artigos, sem contar os artigos acrescidos de letras, resultado de alterações posteriores, por exemplo, o art. 396-A. Os livros são em número de seis: o 1º é dedicado ao processo em geral; o 2º, aos processos em espécie; o 3º, às nulidades e aos recursos em geral; o 4º, à execução; o 5º, às relações jurisdicionais com autoridades estrangeiras; e, finalmente, o 6º, versando sobre as disposições gerais. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 14 O Livro I contém doze títulos, tratando, respectivamente, das disposições preliminares, inquérito policial, ação penal, ação civil (actio civilis ex delicto), da competência, das questões e processos incidentais (abrangendo as prejudiciais, as exceções, incompatibilidades e impedimentos, conflito de jurisdição, restituição de coisas apreendidas, medidas assecuratórias, incidente de falsidade e insanidade mental), da prova, dos sujeitos processuais, prisão e liberdade provisória (o título sobre prisão e liberdade provisória compreende as disposições gerais sobre a prisão, flagrante, preventiva, apresentação espontânea do acusado, prisão administrativa, liberdade provisória com ou sem fiança), citações e intimações, da aplicação provisória de interdições de direito e medidas de segurança, sentença. O Livro II encerra três títulos versando, respectivamente, sobre o processo comum, os processos especiais e os processos da competência originária do STF e Tribunais de Apelação, hoje denominados Tribunais de Justiça. O Livro III compreende dois títulos: um sobre as nulidades e outro sobre os recursos em geral. O Livro IV versa sobre a execução, tendo títulos pertinentes às disposições gerais, à execução das penas em espécie (das penas privativas de liberdade, das penas pecuniárias, das penas acessórias); aos incidentes da execução (suspensão condicional da pena e livramento condicional); à graça, ao indulto, à anistia e à reabilitação; e à execução das medidas de segurança. O Livro V, com um único título, compreende disposições gerais, cartas rogatórias, homologação das sentenças estrangeiras. Finalmente, o Livro VI, pertinente às “disposições gerais”. 2.1 Inovações para o CPP de 1942 O CPP, que começou a viger entre nós em janeiro de 1942, trouxe algumas inovações e, ao mesmo tempo, fez desaparecerem certas imperfeições encontradiças no Direito Processual anterior. Inegavelmente, para aquela época, o CPP representou uma grande conquista. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 15 Hoje, entretanto, não são poucas as críticas que se fazem ao atual diploma. Na verdade, há certos institutos obsoletos e que precisam, com urgência, de alteração. No entendimento de TOURINHO FILHO (2009) e outros juristas, não é necessária uma modificação total; bastará corrigir alguma coisa. Poder-se-á, por exemplo: a) abolir o recurso em sentido estrito e fazer surgir, em seu lugar, o agravo retido e de instrumento, este, com o traslado das peças, respostado agravado e juízo de retratação, à semelhança dos atuais arts. 587, 588 e 589 do CPP; b) incluir no corpo do CPP os recursos extraordinário e especial, à maneira do que ocorre no Processo Civil; c) abolir o libelo, ficando a acusação cristalizada na sentença de pronúncia, pois todos sabemos que o libelo tem sido fonte de numerosas nulidades; d) permitir que o Juiz, antes de receber a denúncia ou queixa, ouça o acusado ou querelado, à semelhança do que ocorre nos crimes da competência originária dos Tribunais; e) abolir a carta testemunhável; f) permitir que o Ministério Público funcione, também, em primeira instância, nos pedidos de habeas corpus; g) atualizar o capítulo das nulidades, seguindo a orientação do Projeto nº 633/75 (Anteprojeto Frederico Marques); h) não permitir o trânsito em julgado de sentença condenatória, a não ser por intimação pessoal, quando o réu houver sido citado por edital e o feito correr à sua revelia; i) não aceitar que os pedidos de dilação de prazo para a conclusão de inquérito sejam feitos ao Juiz, e sim ao Ministério Público; j) admitir apenas dois tipos de prisão processual – a prisão em flagrante e a preventiva, podendo esta ser decretada em qualquer fase do inquérito ou da instrução, inclusive na pronúncia e na sentença penal condenatória recorrível, uma Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 16 vez sendo necessária para preservar a instrução criminal ou assegurar a aplicação da lei penal; k) abolir o recurso obrigatório, tal como está no nosso ordenamento, e introduzir outro, sempre que houver condenação a uma pena igual ou superior a 8 anos, amparando assim, de modo indireto, a ampla defesa, muitas vezes postergada por Defensores displicentes; l) não permitir à Acusação apelar com fundamento na letra d do inc. III do art. 593 do CPP, respeitando assim a soberania dos veredicta e, por óbvio, não estendendo a proibição à Defesa, em face mesmo do princípio da proporcionalidade: entre o direito de liberdade e a soberania do Júri há uma diferença de grau bem acentuada; m) nos casos de revisão criminal, se procedente a ação, fazer publicar na imprensa da Comarca a decisão que inocentou o condenado; n) colocar o habeas corpus e a revisão criminal em título especial; o) preservar o princípio do contraditório, não permitindo ao Ministério Público, em segunda instância, ao examinar os recursos, manifestar-se sobre o mérito, limitando- se a analisá-los sob o aspecto formal (a alegação de que sua manifestação é a de custos legis não passa de subterfúgio para esconder a pena do acusador que sempre foi durante mais de vinte anos); sob o aspecto formal, poderá ver se realmente estão presentes os pressupostos recursais objetivos ou subjetivos, se o recurso foi endereçado ao Tribunal competente; na hipótese de sentença condenatória (e já agora em face da Súmula 160 do STF), constatar a regularidade procedimental, eventual nulidade, desde que arguível fora da oportunidade do art. 571 do CPP; p) conferir ao indiciado ou vítima, no inquérito, o direito de requerer diligências que lhe parecerem necessárias, cujo indeferimento deverá ser fundamentado com recurso ao superior hierárquico; q) determinar a intimação do impetrante da decisão que designar data para julgamento de habeas corpus nos Tribunais; r) ser obrigatória a intimação do despacho que designar data para ouvida de testemunhas no juízo deprecado. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 17 Aí estão algumas sugestões dadas por Tourinho Filho que valem reflexão e análise mais profunda por parte daqueles que se interessam pelo direito em estudo, embora concordemos que estas alterações não levarão a um modelo de perfeição, mas modifica para melhor. Na esteira das reformas que foram possíveis e introduzidas pelo CPP de 1942, podemos citar: admitia-se, no Direito anterior, o procedimento ex officio, nos crimes inafiançáveis, quando a denúncia não fosse apresentada no prazo legal (CP de 1890, art. 407, § 3º). O diploma de 1942, entretanto, consagrou o princípio do ne procedat judex ex officio. O Juiz não mais poderia dar início ao procedimento. Se houvesse negligência do Ministério Público, cabia ao ofendido (e ainda cabe) ou ao seu representante legal oferecer queixa substitutiva da denúncia, nos precisos termos do art. 29 do CPP. O legislador de 1942 fez, no particular, uma ressalva: as contravenções. Quanto a estas, foi mantido o procedimento ex officio, como se constata pelos arts. 26 e 531 do CPP. A Lei nº 4.611, de 2-4-1965, ampliou o quadro do procedimento ex officio. As dúvidas que surgiam quando o Promotor de Justiça requeria o arquivamento de autos de inquérito foram dirimidas com a seguinte norma: se o órgão do Ministério Público, em vez de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito policial, ou de quaisquer peças de informação, o Juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará a remessa dos autos ao Procurador-Geral e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual, só então, estará o Juiz obrigado a atender (CPP, art. 28). No Direito anterior, o Juiz não podia retificar a classificação feita na denúncia para impor ao réu sanção mais grave. Era o Juiz obrigado a julgar nulo o processo ou improcedente a ação penal, conforme o caso, e devia o Ministério Público apresentar nova denúncia, se não estivesse extinta a punibilidade pela prescrição. O Código de 1942 corrigiu semelhante falha, adotando as regras insertas nos arts. 383, 384 e seu respectivo parágrafo único. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 18 Quanto aos processos dos crimes contra a honra, de competência do Juiz singular, o art. 520 trouxe uma inovação: antes de receber a queixa, o Juiz oferecerá às partes oportunidade para se reconciliarem, fazendo-as comparecer em juízo e ouvindo-as, separadamente, sem a presença dos seus advogados, não se lavrando termo. Na hipótese de reconciliação (art. 522), depois de assinado pelo querelante o termo de desistência, a queixa será arquivada. E não é só: no que respeita às provas, prisão em flagrante, prisão preventiva etc., houve inúmeras alterações, e seria mesmo superfluidade citar inovação por inovação, modificação por modificação, quando uma simples leitura da Exposição de Motivos que acompanha o CPP esclarece a matéria. Em face da Constituição de 5-10-1988, surgiram várias alterações: a) aboliu-se o procedimento ex officio (art. 129, I); b) tornaram-se inadmissíveis as provas obtidas por meios ilícitos (art. 5º, LVI); c) a identificação dactiloscópica do civilmente identificado fica proibida, salvo as hipóteses que a lei vier a estabelecer (art. 5º, LVIII); d) a busca domiciliar só será feita mediante determinação judicial (art. 5º, XI); e) o réu passou a ter direito ao silêncio (art. 5º, LXIII); f) ficou proibida a incomunicabilidade do preso (art. 136, § 3º, IV); g) a Justiça Militar não mais poderá processar e julgar os crimes contra a segurança nacional; e, como tais crimes são políticos, a competência passou para a Justiça Federal com recurso ordinário para o STF; h) as imunidades material e formal dos Deputados e Senadores ampliaram-se e, posteriormente, sofreram alterações ditadaspela EC nº 35, de 2001; i) conferiu-se aos Vereadores imunidade material; j) os Prefeitos só podem ser processados e julgados nos crimes comuns pelo Tribunal de Justiça; k) instituiu-se o Juizado Especial Criminal para o processo e julgamento das infrações de menor potencial ofensivo, inclusive a transação como fórmula para julgar a pequena criminalidade, etc. (TOURINHO FILHO, 2009). Em síntese... Fontes materiais: constituem a base criadora do processo penal, isto é, a União, principalmente, mas também os Estados, se autorizados a fazê-lo por lei complementar editada pela União, além de outros campos especificamente Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 19 destinados pela Constituição, como a edição de leis de organização judiciária e legislação concorrente de direito penitenciário, procedimentos e processo de juizados especiais criminais. Fontes formais: são as maneiras de expressão do processo penal, que se concentram basicamente na lei, mas admitem outras formas, como os costumes, os princípios gerais de direito, a analogia e os tratados e convenções. Interpretação: é a extração do real conteúdo da norma, buscando dar sentido lógico à sua aplicação. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 20 UNIDADE 3 – PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS Em cada ramo do direito encontramos seus princípios próprios (trabalho in dúbio pro misero, penal in dubio pró réu), mas todos os ramos seguem primeiro aos princípios comuns a todos os ramos que são os princípios gerais (CINTRA; GRINOVER; DINAMARCO, 2006). Princípios são normas que fornecem coerência e ordem a um conjunto de elementos sistematizando-o, são fundamentos que servem para regular as relações entre as pessoas. São proposições que se colocam na base da Ciência Jurídica Processual e auxiliam na compreensão do conteúdo e extensão do comando inserido nas normas jurídicas e em caso de lacuna da norma, servem como fator de integração. A palavra princípio, em sua raiz latina última, significa “aquilo que se toma primeiro” (primum capere), designando início, começo, ponto de partida. Princípios de uma ciência, segundo JOSÉ CRETELLA JÚNIOR (1989, p. 129), “são as proposições básicas, fundamentais e típicas que condicionam todas as estruturas subsequentes”. Correspondem, mutatis mutandis, aos axiomas, teoremas e leis em outras determinadas ciências. Igual concepção nos oferece TALDEN FARIAS (2006, p. 3) ao ressaltar que a palavra princípio significa o alicerce, a base ou o fundamento de alguma coisa. [...]. Na ideia de princípio está a acepção de início ou de ponto de partida. MAURÍCIO GODINHO DELGADO (2009, p. 184) afirma que a palavra princípio significa “proposição elementar e fundamental que embasa um determinado ramo de conhecimento ou proposição lógica básica em que se funda um pensamento”. No entendimento de ROQUE ANTÔNIO CARRAZA (1998, p. 31), o princípio jurídico é um enunciado lógico implícito ou explícito que, por conta de sua grande generalidade, ocupa posição de preeminência nos vastos quadrantes da Ciência Jurídica e por isso mesmo vincula de modo inexorável o entendimento e a aplicação das normas jurídicas que com ele se conectam. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 21 ÉDIS MILARÉ (2004) bem nos lembra que, entre ciências afins, um princípio pode não ser exclusivo, cabendo na fundamentação de mais de uma ciência; o que ocorre, sabidamente, quando os princípios são mais gerais e menos específicos. Com esta advertência, interessa destacar, aqui, não apenas os princípios fundamentais expressamente formulados nos textos de um sistema normativo específico, como também os decorrentes do sistema de direito positivo em vigor, a que a doutrina apropriadamente chama de princípios jurídicos positivados. Os princípios exercem uma função especialmente importante frente às outras fontes do Direito porque, além de incidir como regra de aplicação do Direito no caso prático, eles também influenciam na produção das demais fontes do Direito. É com base nos princípios jurídicos que são feitas as leis, a jurisprudência, a doutrina e os tratados e convenções internacionais, já que eles traduzem os valores mais essenciais da Ciência Jurídica. TALDEN FARIAS (2006) assevera que se na ausência de uma legislação específica há que se recorrer às demais fontes do Direito, é possível que no caso prático não haja nenhuma fonte do Direito a ser aplicada a não ser os princípios jurídicos. Com efeito, pode ser que não exista lei, costumes, jurisprudência, doutrina ou tratados e convenções internacionais, mas em qualquer situação os princípios jurídicos poderão ser aplicados (FARIAS, 2006). Na opinião de JOAQUIM JOSÉ GOMES CANOTILHO (1999, p. 122), os princípios desempenham um papel mediato, ao servirem como critério de interpretação e de integração do sistema jurídico, e um papel imediato ao serem aplicados diretamente a uma relação jurídica. Para o autor as três funções principais dos princípios são: 1. impedir o surgimento de regras que lhes sejam contrárias; 2. compatibilizar a interpretação das regras; e, 3. dirimir diretamente o caso concreto frente à ausência de outras regras. LUÍS ROBERTO BARROSO (2002, p. 149) defende que segundo a dogmática moderna, as normas jurídicas podem ser divididas em normas-disposição Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 22 e em normas-princípio, de maneira que a distinção entre normas e princípios está superada. Enquanto as normas-disposição são regras aplicáveis somente às situações a que se dirigem, as normas-princípio ou simplesmente princípios, possuem um grau maior de abstração e uma importância mais destacada dentro do sistema jurídico. CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO (1992, p. 230) entende que os princípios jurídicos constituem o mandamento nuclear do sistema normativo, já que além de servirem de critério para a interpretação de todas as normas jurídicas, eles têm a função de integrar e de harmonizar todo o ordenamento jurídico transformando-o efetivamente em um sistema. O certo é que princípio é uma ideia, mais generalizada, que inspira outras ideias, a fim de tratar especificamente de cada instituto. É o alicerce das normas jurídicas de certo ramo do Direito; é fundamento da construção escalonada da ordem jurídico-positiva em certa matéria. MIGUEL REALE (2003) trabalha essa categoria sob o ponto de vista lógico, como enunciados admitidos como condição ou base de validade das demais asserções que compõem dado campo do saber, “verdades fundantes” de um sistema de conhecimento. As regras ordinárias, portanto, devem estar embebidas destes princípios, sob pena de se tornarem letra morta, ou serem banidas do ordenamento. Adota-se, aqui, para efeitos deste estudo, que os princípios não deixam de ser normas jurídicas, segundo a elaboração constante da obra de Robert Alexy, citada, entre outros, por DANIEL MACHADO DA ROCHA (2004, p. 125), em que as normas jurídicas são subdivididas em princípios e regras, sendo a diferença entre estas duas espécies traduzida na ideia de que os princípios são “mandados de otimização”, enquanto as regras sãoimposições definitivas, que se baseiam nos princípios norteadores do sistema, sendo, portanto, os princípios erigidos à categoria de normas mais relevantes do ordenamento jurídico. Vamos, então, à análise de cada um dos princípios! Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 23 Tomaremos como referência para falar dos princípios do Direito Penal e Processual Penal, o Vade Mecum esquematizado de doutrina, organizado por GUSTAVO BREGALDA NEVES e KHEYDER LOYOLA (2011), a saber: 3.1 Princípios Fundamentais do Direito Penal O princípio da legalidade ou da reserva legal quer dizer que em matéria penal só a lei, em seu sentido mais estrito, pode definir crimes e cominar penalidades (art. 5º, XXXIX, CRFB/88). De acordo com o princípio da anterioridade, para que haja crime e seja imposta pena é preciso que o fato tenha sido cometido depois de a lei entrar em vigor (art. 5º, XXXIX, CRFB/88; art. 1º e 2º do CP). O princípio da irretroatividade da lei penal nova mais severa (arts. 5º, XL, da CRFB/88 e 2º, parágrafo único do CP), diz que: a lei posterior mais severa é irretroativa; a lei posterior mais benéfica é retroativa; a anterior mais benéfica é ultra-ativa. Princípio da continuidade das leis: uma lei permanece em vigor enquanto não vier outra que a revogue. Princípio da taxatividade: a lei penal deve ser precisa, o tipo penal deve ser específico, sendo, assim, vedada a criação de tipos penais abertos, ressalvados os tipos culposos. Princípio da vedação ao emprego da analogia in malam partem: consiste na vedação do emprego de analogia em normas penais incriminadoras. Princípio da insignificância (Claus Roxin): o direito penal deve preocupar-se em proteger bens de valor significativo para a sociedade. Crimes de bagatela devem ser considerados atípicos. Princípio da culpabilidade ou responsabilidade subjetiva: Nullum crimen sine culpa. A pena só pode ser imposta quando há dolo ou culpa, e, merecendo um juízo de reprovação, cometeu o agente um fato típico e antijurídico. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 24 Princípio do estado de inocência: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória” (art. 5º, LVII, da CF). Princípio da igualdade: consiste na consideração de que todos são iguais perante a lei; é expressamente proibida a discriminação de qualquer natureza (art. 5º, caput, da CF). Princípio do non bis in idem: ninguém pode ser punido duas vezes pelo mesmo fato (art. 8º do CP). Princípio da proporcionalidade da pena: a pena deve ser proporcional ao crime praticado (art. 5º, XLVI e XLVII, da CF). Princípio da dignidade da pessoa humana: nenhuma previsão legal de infração penal pode ter conteúdo atentatório à dignidade humana. Princípio da subsidiariedade das normas penais: exercendo função suplementar de proteção jurídica em geral, a norma penal só impõe sanções quando os demais ramos do direito não se mostrarem eficazes na defesa dos bens jurídicos. Princípio da intervenção mínima: o direito penal deve intervir o mínimo possível nos direitos do particular, só o necessário, só nos casos em que colocada em risco a sociedade. Princípio da fragmentariedade: o direito penal não protege todos os bens jurídicos, intervém nos casos de maior gravidade, protegendo um fragmento dos interesses jurídicos. Princípio da alteridade (Claus Roxin): proíbe a incriminação de atitude meramente subjetiva, que não ofenda nenhum bem jurídico. Princípio da individualização da pena: garante ao acusado a individualização da pena imposta pelo Estado, de acordo com os critérios legais (art. 5º, XLVI, da CF). 3.2 Princípios do Processo Penal 1) Princípio da verdade real – o que se busca no processo é a verdade, pelo menos teoricamente. A reprodução dos fatos deve ser como realmente aconteceu. O processo é o instrumento de apreciação da verdade. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 25 2) Princípio da indisponibilidade – só existe na ação penal pública. Quando se tratar de crime de ação penal pública ninguém pode dispor do processo. É de competência do Ministério Público, pois é ele que promove a ação penal pública e uma vez ajuizada, ela torna-se indisponível, ninguém nem o Ministério Público pode desistir da ação penal pública, porque mesmo existindo a vítima, o direito é coletivo e não apenas dessa vítima. Nenhum efeito tem a vontade da parte, porque esse tipo de ação é indisponível. De acordo com a Lei nº 9.099/95 pode ser suspenso o processo para os casos em que a pena mínima não é superior a um ano. Se decorrido o prazo de suspensão, a pessoa cumpre tudo, o processo é extinto. Esse é um tipo de exceção para o princípio da indisponibilidade. Art. 129, I, CF. 3) Princípio da obrigatoriedade – só ocorre nas ações penais públicas. Não existe no juizado especial criminal porque lá mesmo a ação penal pública incondicionada não é obrigatória. Nos demais é obrigatória. Naqueles casos previstos na Lei nº 9099/95, nessa lei há a possibilidade da transação. Nos demais casos dessa ação estando presentes todos os seus pressupostos, o Ministério Público é obrigado a propô-la. 4) Princípio do contraditório (art. 5º , LV, CF) – ninguém pode abrir mão da defesa, ou tem defesa ou o processo é nulo. Nesse caso a nulidade é absoluta. Art. 261, CPP. 5) Princípio do devido processo legal (art. 5º , LIV, CF) – ninguém será privado da sua liberdade e de seus bens sem o devido processo legal. Tem que haver necessariamente o processo. 6) Princípio da inadmissibilidade das provas ilícitas (art. 5 º, LVI, CF) – não se admite no processo as provas produzidas ilicitamente, tudo o que for obtido de forma criminosa, ilícita não deve servir de prova no processo penal. Na prática não acontece bem assim. Exemplo: um grampo telefônico, interceptação de cartas não são admissíveis. Alguns doutrinadores entendem que a prova mesmo ilícita, mas verdadeira deve ser admitida, essa é a posição da minoria. O que prevalece é o que está na Constituição Federal. 7) Princípio da presunção de inocência (art. 5 º, LVII, CF) – ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 26 Enquanto não existir uma sentença definitiva que o condene, o réu é considerado inocente. Todo réu goza da presunção constitucional de inocência. 8) Princípio do favor do réu – toda vez que a lei penal ou a lei processual penal comportar mais de uma interpretação ou uma interpretação divergente, deve prevalecer aquela que seja mais benéfica para o réu. Se houver dúvida que se decida em favor do réu - indubio pro réu. A condenação só pode existir quando houver a certeza da prova. 9) Princípio da oficialidade – é próprio apenas da ação penal pública. Só quem promove a ação penal pública é o Estado por intermédio do seu órgão oficial público, que é o Ministério Público (art. 129, I, CF). Compete privativamente ao Ministério Público o patrocínio da ação penal pública. 10) Princípio da publicidade – os atos processuais no processo criminal são públicos, salvo exceções (art.792, CPP). Quanto a imprensa o réu pode exigir que não tire fotos, por exemplo, mas a imprensa pode assistir o processo. 3.3 Princípios informadores da execução penal Em relação aos princípios relativos ao Direito da Execução Penal, JOSÉ EDUARDO GOULART (1994, p. 86) enfatiza que eles constituem “proposições de valor geral, que operam como condicionantes e orientadores de sua compreensão, especialmente, no que respeita à sua aplicação”. Ainda, segundo o autor, tais princípios “atuam no sentido de iluminar suas bases e fundamentos e, por igual, orientam sua aplicação e o sentido de sua compreensão”. Segundo VITOR GONÇALVES MACHADO (2010), grande parte dos doutrinadores concebem como princípios informadores do Direito da Execução Penal os seguintes: I) princípio da humanidade das penas; II) princípio da legalidade; III) princípio da personalização da pena; IV) princípio da proporcionalidade da pena; V) princípio da isonomia; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 27 VI) princípio da jurisdicionalidade; VII) princípio da vedação ao excesso de execução; e, VIII) princípio da ressocialização. Primeiramente, cumpre ressaltar que a autonomia conferida ao Direito da Execução Penal faz com que não sejam confundidos seus princípios com aqueles inerentes especificamente ao Direito Penal e Processual Penal, conforme esclarece SALO DE CARVALHO (2004, p. 168). Contudo, os princípios constitucionais máximos, como, por exemplo, aqueles expressos e implicitamente previstos no art. 5º da Carta Magna, que acabam norteando todo o ordenamento jurídico vigente – inclusive o Direito Penal material e processual –, devem inegavelmente incidir no âmbito da execução das penas (NUCCI, 2006, p. 950). Muitos destes princípios apresentam íntima ligação com os chamados direitos humanos, os quais são aqueles direitos fundamentais inerentes a toda pessoa, pelo próprio fato de ser humano. Diz-se, assim, que os direitos humanos não são concedidos, mas sim devidos a todo homem pela sociedade política (HERKENHOFF, 1994, p. 30). Contudo, ocorre que o postulado dos direitos humanos não pode ser apenas positivado ou declarado, como muito acontece atualmente, pois o ideal que se pretende alcançar é a efetiva proteção destes direitos, sendo necessário, para tanto, estabelecer mecanismos eficientes como forma de garantir os direitos fundamentais reconhecidos (ROCHA, 2000, p. 63). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 28 UNIDADE 4 – INTERPRETAÇÕES E APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL E PENAL 4.1 Interpretação da Lei Interpretar a lei é atividade inerente a todo operador do direito, especialmente pelo fato de que o legislador nem sempre é feliz ao editar normas, valendo-se de termos dúbios, contraditórios, obscuros e incompletos. Não se trata de processo de criação de norma, nem de singelo suprimento de lacuna, mas de dar o real significado a uma lei (NUCCI, 2008). Em processo penal, qualquer forma de interpretação é válida: literal (espelha-se no exato significado das palavras constantes do texto legal); restritiva (restringe-se o alcance dos termos utilizados na lei para atingir seu real significado); extensiva (alarga-se o sentido dos termos legais para dar eficiência à norma); analógica (vale-se o intérprete de um processo de semelhança com outros termos constantes na mesma norma para analisar o conteúdo de algum termo duvidoso ou aberto) ou teleológica sistemática (busca-se compor o sentido de determinada norma em comparação com as demais que compõem o sistema jurídico no qual está inserida). O art. 3º do Código de Processo Penal é claro ao autorizar a interpretação extensiva (logo, as demais formas, menos expansivas, estão naturalmente franqueadas), bem como a analogia (processo de integração da norma, suprindo lacunas). Somente para exemplificar, utilizando-se a interpretação extensiva, podemos corrigir um aspecto da lei, que disse menos do que deveria ter previsto: quando se cuida das causas de suspeição do juiz (art. 254), deve-se incluir também o jurado, que não deixa de ser um magistrado, embora leigo. Outra ilustração: onde se menciona no Código de Processo Penal a palavra réu, para o fim de obter liberdade provisória, é natural incluir-se indiciado. Amplia-se o conteúdo do termo para alcançar o autêntico sentido da norma. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 29 Como exemplo de interpretação analógica, vê-se o caso do art. 254, II, do Código de Processo Penal, cuidando das razões de suspeição do juiz, ao usar na própria lei a expressão “estiver respondendo a processo por fato análogo”. Quanto à analogia, ensina Carlos Maximiliano (1954 apud NUCCI, 2008) que no sentido primitivo, tradicional, oriundo da Matemática, é uma semelhança de relações. (...) Passar, por inferência, de um assunto a outro de espécie diversa é raciocinar por analogia. Esta se baseia na presunção de que duas coisas que têm entre si um certo número de pontos de semelhança, possam consequentemente assemelhar-se quanto a um outro mais. Se entre a hipótese conhecida e a nova a semelhança se encontra em circunstância que se deve reconhecer como essencial, isto é, como aquela da qual dependem todas as consequências merecedoras de apreço na questão discutida; ou, por outra, se a circunstância comum aos dois casos, com as consequências que da mesma decorrem, é a causa principal de todos os efeitos; o argumento adquire a força de uma indução rigorosa (MAXIMILIANO, 1954 apud NUCCI, 2008). Como exemplos, temos os seguintes: a) o art. 207 do Código de Processo Civil prevê a possibilidade de se transmitir por telefone uma carta de ordem ou precatória, dependendo somente da confirmação do emissor. Não havendo dispositivo semelhante no Código de Processo Penal, tem-se usado tal preceito para a transmissão de ordens de habeas corpus, para a soltura do paciente, justamente porque mais eficaz; b) não há um número especificado no Código de Processo Penal para ouvir testemunhas no caso de exceção de suspeição apresentada contra o juiz, razão pela qual deve-se usar o disposto no art. 407, parágrafo único, do CPC, ou seja, três para cada fato (NUCCI, 2008) 4.2 No tempo A regra é que seja ela aplicada tão logo entre em vigor e, usualmente, quando é editada nem mesmo vacatio legis possui, justamente por ser norma que não implica na criminalização de condutas, inexigindo período de conhecimento da Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 30 sociedade. Passa, assim, a valer imediatamente, colhendo processos em pleno desenvolvimento, embora não afete atos já realizados sob a vigência de lei anterior. Exemplo: se uma lei processual recém-criada fixa novas regras para a citação do réu ou para a intimação de seu defensor, o chamamento já realizado sob a égide da antiga norma é válido e não precisa ser refeito. As intimações futuras imediatamente passam a ser regidas pela lei mais recente. Confira o artigo 2º do CPP, in verbis: Art. 2º – A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior. 4.3 No espaçoO artigo 1º do CPP determina que as regras processuais penais gerais serão utilizadas tão-somente dentro do território nacional independente das regras de direito penal da extraterritorialidade, pois em território estrangeiro poderá ser aplicada a lei penal, se compatível, porém jamais será aplicada a Lei processual. Art. 1º – O processo penal reger-se-á, em todo o território brasileiro, por este Código, ressalvados: I - os tratados, as convenções e regras de direito internacional; II - as prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos ministros de Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da República, e dos ministros do Supremo Tribunal Federal, nos crimes de responsabilidade (Constituição, arts. 86, 89, § 2º, e 100); III – os processos da competência da Justiça Militar; IV – os processos da competência do tribunal especial (Constituição, art. 122, nº 17); V – os processos por crimes de imprensa. Parágrafo único – Aplicar-se-á, entretanto, este Código aos processos referidos nos nºs IV e V, quando as leis especiais que os regulam não dispuserem de modo diverso. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 31 UNIDADE 5 – TEORIA DO CRIME Em todas as ciências temos teorias embasadoras, no direito penal uma teoria também serve de pilar. Aqui nesta área temos, dentre outras que serão descritas a seguir, a teoria do crime, a qual leva a definir se um fato é criminoso ou não. Dentro da corrente majoritária diz-se que um fato é um crime quando esse fato apresenta as seguintes características: ser típico, ilícito e culpável. Para GUILHERME DE SOUZA NUCCI (2010), acrescenta-se aos três elementos acima a punibilidade que no final, resume ou junta-se aos elementos anteriores. Fato típico é o fato material, no qual se identifica a efetivação de uma conduta prevista no tipo penal incriminador e, ainda, que afeta ou ameaça de forma relevante bens penalmente tutelados. Possui os seguintes elementos: a) conduta (dolosa ou culposa, omissiva ou comissiva); b) resultado jurídico/normativo; c) nexo de causalidade (entre a conduta e o resultado); d) tipicidade (formal e conglobante) (FERREIRA, 2008). Para que o fato seja típico deve possuir os elementos enunciados. Ressaltando-se que há autores que defendem seja elemento do fato típico o resultado naturalístico. Para essa corrente, tal resultado seria imprescindível, assim como o nexo de causalidade, apenas nos crimes materiais. Alguns entendem de forma diferente, acreditando que como elemento do fato típico deva figurar o resultado jurídico (normativo), entendendo-se este como a lesão ou ameaça de lesão ao bem jurídico tutelado. Sendo que, por este ângulo, todo fato típico deve possuir resultado (GRECO, 2007), elevando-se este à categoria de elemento essencial. A despeito da polêmica supra, fato é que, se diante do fato concreto, verifica-se que este não é típico (por conta da ausência ou exclusão de um de seus elementos essenciais), de pronto fica descartada a ocorrência do fato como Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 32 criminoso. De outro modo, acaso superada a primeira fase da análise, chegando-se à conclusão do fato ser típico, deve-se investigar se o mesmo é ilícito ou não. Para saber se o fato é ilícito, a melhor maneira é fazer um raciocínio a contrario sensu; ou seja, deve-se verificar se está presente alguma das excludentes de ilicitude: a) estado de necessidade; b) legítima defesa; c) estrito cumprimento de dever legal; d) exercício regular de direito; e) livre e eficaz consentimento do ofendido. Se estiver, o fato não é ilícito. Se for lícito, inútil se continuar com a análise, pois isso já leva à conclusão sobre a inexistência de crime. Concluindo-se pela ilicitude do fato, por último deve-se averiguar se o fato é culpável, pelo que se deve averiguar a presença dos elementos essenciais da culpabilidade, quais sejam: a) imputabilidade; b) potencial consciência sobre a ilicitude do fato; c) exigibilidade de conduta diversa. Para decidir sobre a presença da imputabilidade, o melhor critério também é fazer um raciocínio a contrario sensu, averiguando a presença de uma de suas excludentes, que são as seguintes: a) doença mental (art. 26 do CP); b) imaturidade natural (menoridade penal – art. 27 do CP); c) embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior (art. 28, § 1º, do CP); d) condição de silvícola inadaptado (BARROS, 2006). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 33 Presente uma dessas excludentes, não há imputabilidade e, por conseguinte, o fato não é culpável (não há culpabilidade) (FERREIRA, 2008). Quanto à potencial consciência da ilicitude do fato, também a melhor forma de identificar se ela está presente ou não é através da averiguação da presença de sua única excludente: o erro de proibição inevitável (art. 21 do CP, parte intermediária). Acaso tenha ocorrido erro de proibição inevitável, não há potencial consciência da ilicitude do fato, não sendo também o fato culpável. No tocante à exigibilidade de conduta diversa, prevalece o mesmo raciocínio. Busca-se identificar suas excludentes que são, a princípio, duas (ambas previstas no art. 22 do CP): a) coação moral irresistível; e, b) obediência hierárquica. A doutrina majoritária admite, no entanto, causas supralegais de exclusão da exigibilidade de conduta diversa, que devem ser identificadas diante das situações concretas, sempre tendo em mente o raciocínio de que para excluir a exigibilidade de conduta diversa, o proceder do agente deve estar em consonância com o comportamento que a sociedade exige para a situação que se apresenta. Superada a análise da culpabilidade, chegando-se à conclusão de que o fato é culpável, e já tendo concluído que o mesmo é típico e ilícito, finalmente se pode dizer que estamos diante de um crime (FERREIRA, 2008). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 34 UNIDADE 6 – TEORIA DA PENA A origem da pena coincide com o surgimento do Direito Penal, em virtude da constante necessidade de existência de sanções penais em todas as épocas e todas as culturas. A pena é a consequência jurídica principal que deriva da infração penal (NERY, 2012). Fazendo uma breve retrospectiva histórica, pode-se comentar que as penas e os castigos que o Estado impôs àqueles transgressores das normas, foram evoluindo em face de um sentido maior de humanização. A partir da obra de Beccaria, titulada “Dos delitos e das penas”, as penas desumanas e degradantes do primitivo sistema punitivo, cederam seu espaço para outras, com senso mais humanitário, cuja finalidade é a recuperação do delinquente. Desta forma, as penas corporais foram substituídas pelas penas privativas de liberdade, persistindo este objetivo de humanização das penas, ainda nos dias de hoje (NERY, 2012). A pena não tem uma definição genérica, válida para qualquer lugar e qualquer momento. Consiste em um conceito legal de cada código penal em particular, em que se são elencadas sanções, cujas variações refletem as mudanças vividas pelo Estado. A pena, na verdade, é oriunda da realizaçãode uma conduta ilícita, antijurídica e culpável, destinada a todo aquele que desrespeitou a legislação penal, sendo assim, uma forma do Estado efetivamente aplicar a norma ao caso concreto. Ou seja, é o meio do Estado exercer a jurisdição, subsumindo uma conduta abstrata a um caso real, aplicando o preceito secundário da norma a um ato considerado ilícito, conforme leciona LUIZ REGIS PRADO (2005, p. 567): A justificativa da pena envolve a prevenção geral e especial, bem como a reafirmação da ordem jurídica, sem exclusivismos. Não importa exatamente a ordem de sucessão ou de importância. O que se deve ficar patente é que a pena é uma necessidade social – ultima ratio legis, mas também indispensável para a real proteção de bens jurídicos, missão primordial do Direito Penal. De igual modo, deve ser a pena, sobretudo em um Estado constitucional e democrático, sempre justa, inarredavelmente adstrita à culpabilidade (princípio e Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 35 categoria dogmática) do autor do fato punível. O que é claramente evidenciado numa análise sobre a teoria da pena (vista adiante) é que sua essência não pode ser reduzida a um único ponto de vista, com exclusão pura e simples dos outros, ou seja, seu fundamento contém realidade altamente complexa. Na análise de LUIZ REGIS PRADO (2005), a pena é uma forma de prevenção, buscando diminuir a realização de condutas criminosas, penitenciar o condenado e uma forma de destacar o poder estatal, punindo todo aquele que não observar seus parâmetros de conduta. Já FRANCESCO CARNELUTTI (2006, p. 103) afirma que a pena não é apenas uma punição ao criminoso, como também, uma forma de aviso para aqueles que tenham alguma pretensão criminosa: Dizem, facilmente, que a pena não serve somente para a redenção do culpado, mas também para a advertência dos outros, que poderiam ser tentados a delinquir e por isso deve os assustar; e não é este um discurso que deva se tomar por chacota; pois ao menos deriva dele a conhecida contradição entre função repressiva e a função preventiva da pena: o que a pena deve ser para ajudar o culpado não é o que deve ser para ajudar os outros; e não há, entre esses dois aspectos do instituto, possibilidade de conciliação. O jurista (2006, p. 103) diverge dos fins buscados pela aplicação da pena, afirmando que o condenado acaba sendo punido, como forma de exemplificação para os demais, ou seja, mesmo estando recuperado da suposta índole criminosa, o condenado permanece encarcerado, com objetivo de servir como parâmetro para o resto da sociedade, o jurista afirma que: O mínimo que se pode concluir dele é que o condenado, o qual, ainda tendo caído redimido antes do término fixado para a condenação, continua em prisão porque deve servir de exemplo aos outros, é submetido a um sacrifício por interesse alheio; este se encontra na mesma linha que o inocente, sujeito a condenação por um daqueles erros judiciais que nenhum esforço humano jamais conseguirá eliminar. Bastaria para não assumir diante da massa dos condenados aquele ar de superioridade que infelizmente, mais ou menos, o orgulho, tão profundamente aninhado ou mais íntimo de nossa alma, inspira a cada um de nós, ninguém verdadeiramente sabe, no meio deles, quem é ou não é culpado e quem continua ou não sendo. Através dos tempos, o Direito Penal tem dado respostas diferentes a questão de como solucionar o problema da criminalidade. Essas soluções são Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 36 chamadas Teorias da pena, que são opiniões científicas sobre a pena, principal forma de reação do delito. Principal, porque existem outras formas de reação social à criminalidade, que são mais eficazes do que a pena (NERY, 2012). A doutrina, para conceituar a finalidade da pena, utiliza três grandes grupos de teorias, a teoria absoluta, a teoria relativa, e a teoria mista ou unificadora, sendo que cada qual com seu grau de punição (GROKSKREUTZ, 2010). As teorias absolutas estão ligadas essencialmente às doutrinas da retribuição ou da expiação; e as teorias relativas, que se analisam em dois grupos de doutrinas (as doutrinas da prevenção geral e as doutrinas da prevenção especial ou individual). 6.1 Teoria Retributiva da pena Para as teorias absolutas também denominadas de retributivas, a pena é uma forma de retribuição ao criminoso pela conduta ilícita realizada, é a maneira de o Estado lhe contrapesar pelo possível mal causado a uma pessoa específica ou a própria sociedade como um todo (bens jurídicos). Diante desta teoria, não se vislumbra qualquer outro objeto a não ser o de punir o condenado, lhe causando um prejuízo, oriundo de sua própria conduta, um meio de o condenado entender que está sendo penalizado em razão de seu desrespeito para com as normas jurídicas e para com seus iguais (GROKSKREUTZ, 2010). Não é uma forma de ressocializar o condenado, muito menos reparar o dano causado pelo delito, não se fala em reeducação, ou imposição de trabalho com objetivo de dignificar o preso, mas sim, de punir, castigar e retribuir ao mesmo a falta de atenção com os parâmetros legais e o desrespeito para com a sociedade. Segundo estudos de DÉA CARLA PEREIRA NERY (2012), a Teoria retributiva considera que a pena se esgota na ideia de pura retribuição, tem como fim a reação punitiva, ou seja, responde ao mal constitutivo do delito com outro mal que se impõe ao autor do delito. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 37 Esta teoria somente pretende que o ato injusto cometido pelo sujeito culpável deste, seja retribuído através do mal que constitui a pena. Para alguns autores como HASSEMER e MUÑOZ CONDE (2001 apud NERY, 2012) existe uma variante subjetiva da Teoria retributiva que considera que a pena deve ser também para o autor do delito uma forma de "expiación", ou seja, uma espécie de penitência que o condenado deve cumprir para purgar (expiar) seu ato injusto e sua culpabilidade pelo mesmo. A teoria retribucionista (teoria absoluta) considera que a exigência de pena deriva da ideia de justiça. É também uma forma de demonstrar o poder do Estado, exercendo o jus puniendi, para que o condenado perceba que sua prisão é uma consequência de seu próprio ato, e que este entenda que se não tivesse delinquido não estaria sendo punido e consequentemente, não estaria encarcerado. Segundo ROMEU FALCONI (2002), a teoria absoluta da pena surgiu com a escola clássica do direito penal, seguindo a mesma ideia de retribuir o mal causado à sociedade, considerando ainda o livre arbítrio de cada um, pois é possível optar pela realização ou não de um delito, e a realização do ilícito autoriza o Estado à causar um mal ao condenado. Diz o autor acima que para os clássicos, a pena tem finalidade de “RETRIBUIÇÃO”. É uma forma de corrigir o mal causado mediante a aplicação de outro mal ao criminoso. São chamadas as teorias “absolutas”. Partindo-se da premissa de que o homem é detentor do “livre arbítrio”, sendo por isso moralmente responsável (responsabilidade moral), se ele descumpre ou infringe, terá contra si a pena, que funciona como retribuição ao mal causado. Em sua doutrina, INÁCIO DE CARVALHO NETO (1999) assevera que a teoria absoluta tem por finalidade retribuir, tendo por característica a negação da negaçãodo direito, ressaltando que os demais efeitos secundários da pena em nada influenciam em seu verdadeiro fim, que seria estritamente o de punir o criminoso Enfim, a pena retributiva esgota o seu sentido no mal que se faz sofrer ao delinquente como compensação ou expiação do mal do crime; nesta medida é uma doutrina puramente social-negativa que acaba por se revelar estranha e inimiga de Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 38 qualquer tentativa de socialização do delinquente e de restauração da paz jurídica da comunidade afetada pelo crime. Em suma, inimiga de qualquer atuação preventiva e, assim, da pretensão de controle e domínio do fenômeno da criminalidade. 6.2 Teorias preventivas da pena As teorias preventivas da pena são aquelas teorias que atribuem à pena a capacidade e a missão de evitar que no futuro se cometam delitos. Podem subdividir-se em teoria preventiva especial e teoria preventiva geral (NERY, 2012). Esta teoria possui uma pretensão diversa da anterior, e têm por objetivo a prevenção de novos delitos, ou seja, busca obstruir a realização de novas condutas criminosas; impedir que os condenados voltem a delinquir. Observa-se que, para tal teoria, presume-se que o condenado irá cometer novas condutas ilícitas, caso não seja punido imediatamente, por esta razão, a teoria relativa ou preventiva visa a impedir o cometimento de ilícitos. É uma forma de manter a paz e o equilíbrio social, haja vista que aquelas pessoas que presumidamente são criminosas, ou tenham uma pré-disposição ao crime, já estarão encarcerados, dificultando assim a ocorrência de novas condutas ilegais (GROKSKREUTZ, 2010). As teorias preventivas também reconhecem que, segundo sua essência, a pena se traduz num mal para quem a sofre. Mas, como instrumento político-criminal destinado a atuar no mundo, não pode a pena bastar-se com essa característica, em si mesma destituída de sentido social-positivo. Para como tal se justificar, a pena tem de usar desse mal para alcançar a finalidade precípua de toda a política criminal, precisamente, a prevenção ou a profilaxia criminal. A teoria preventiva geral está direcionada à generalidade dos cidadãos, esperando que a ameaça de uma pena, e sua imposição e execução, por um lado, sirva para intimidar aos delinquentes potenciais (concepção estrita ou negativa da prevenção geral), e, por outro lado, sirva para robustecer a consciência jurídica dos Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 39 cidadãos e sua confiança e fé no Direito (concepção ampla ou positiva da prevenção geral). Deste modo, por uma parte, a pena pode ser concebida como forma acolhida de intimidação das outras pessoas através do sofrimento que com ela se inflige ao delinquente e que, ao fim, as conduzirá a não cometerem fatos criminais (prevenção geral negativa ou de intimidação). Por outra parte, a pena pode ser concebida, como forma de que o Estado se serve para manter e reforçar a confiança da comunidade na validade e na força de vigência das suas normas de tutela de bens jurídicos e, assim, no ordenamento jurídico-penal; como instrumento por excelência destinado a revelar perante a comunidade a inquebrantabilidade da ordem jurídica, apesar de todas as violações que tenham tido lugar (prevenção geral positiva ou de integração). A teoria preventiva especial está direcionada ao delinquente concreto castigado com uma pena. Tem por denominador comum a ideia de que a pena é um instrumento de atuação preventiva sobre a pessoa do delinquente, com o fim de evitar que, no futuro ele cometa novos crimes. Deste modo, deve-se falar de uma finalidade de prevenção da reincidência (NERY, 2012). Essa teoria não busca retribuir o fato passado, senão justificar a pena com o fim de prevenir novos delitos do autor. Portanto, diferencia-se, basicamente, da prevenção geral, em virtude de que o fato não se dirige a coletividade. Ou seja, o fato se dirige a uma pessoa determinada que é o sujeito delinquente. Deste modo, a pretensão desta teoria é evitar que aquele que delinquiu volte a delinquir. A prevenção positiva persegue a ressocialização do delinquente, através, da sua correção. Ela advoga por uma pena dirigida ao tratamento do próprio delinquente, com o propósito de incidir em sua personalidade, com efeito de evitar sua reincidência. A finalidade da pena-tratamento é a ressocialização (NERY, 2012). 6.3 Teorias unificadoras O terceiro grupo de teorias que diz respeito à pena é a denominada teoria mista, unificadora ou eclética, que na verdade é uma combinação das teorias Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 40 absolutas e relativas, pois, para esta teoria, a pena possui dois desideratos específicos, diversos e simultâneos, “foi desenvolvida por Adolf Merkel, sendo a doutrina predominante na atualidade” (SOUZA, 2006). Para a teoria mista ou eclética, a pena é tanto uma retribuição ao condenado pela realização de um delito, como uma forma de prevenir a realização de novos delitos. Ou seja, é uma mescla entre tais teorias, sendo a pena uma forma de punição ao criminoso, ante o fato do mesmo desrespeitar as determinações legais. E também uma forma de prevenir a ocorrência dos delitos, tanto na forma geral como na forma específica (GROKSKREUTZ, 2010). Segundo INÁCIO CARVALHO NETO (1999), as teorias mistas tiveram início por ocasião das críticas atribuídas às teorias absolutas e relativas, unificando as duas e aplicando os fins retributivos e preventivos concomitantemente, segundo o autor: das críticas opostas a estas teorias surgiram às chamadas teorias mistas ou ecléticas, que tentam fundi-las, mesclando-se os conceitos preventivos com os retributivas. A punição deriva unicamente da teoria absoluta, haja vista que seu intuito é devolver ao delinquente o mal causado à sociedade e ao sujeito passivo do delito, indicando ao mesmo que se cometer algum crime será reciprocamente lesado pelo mal causado e pelo seu desrespeito para com o ordenamento jurídico e a sociedade. Enquanto que a prevenção deriva da teoria relativa da pena, pois é uma forma de evitar a realização de novas condutas tipificadas criminalmente, para alguns autores é também uma forma de ressocializar o condenado, e ainda prevenir que este volte a delinquir (prevenção especifica), e para que os outros cidadãos tenham receio em cometer algum ilícito (prevenção geral). Portanto, a teoria mista, unificadora ou eclética aderiu às outras duas teorias, possuindo dois interesses, o primeiro retribuir ao condenado o mal causado, e o segundo prevenir que o condenado e a sociedade busquem o cometimento de novas condutas criminosas. Sem esquecer, é claro, que, de acordo com a unificação das duas teorias, a pena passa a ter a característica de um castigo, com um fim além de si mesma, fazer justiça em consequência de mal causado, prevenindo que o delinquente volte a Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 41 realizar condutas criminosas, e a sociedade em geral tenha tal receio e, por consequência, recuperar o interno, e protegendo os bens jurídicos, buscando a paz e o equilíbrio social(GROKSKREUTZ, 2010). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 42 UNIDADE 7 – TEORIA DA PROVA EDILSON MOUGENOT BONFIM (2009) define a prova como um instrumento usado pelos sujeitos processuais para comprovar os fatos da causa, isto é, aquelas alegações que são deduzidas pelas partes como fundamento para o exercício da tutela jurisdicional. Entende-se como sujeitos processuais o autor, o réu e o juiz. O vocábulo ‘prova’, além deste conceito apresentado acima, possui diferentes significados se analisado detalhadamente: a palavra pode ser empregada como forma dos sujeitos do processo ratificarem a veracidade que os mesmos declaram (art. 226, CPP); a palavra pode ser utilizada como elementos ou instrumentos para demonstrar a veridicidade da existência de eventos ou empregada para instituir a certeza no íntimo do destinatário. No caso, diretamente, ao julgador e indiretamente as partes interessadas, podendo ou não aceitarem a decisão como justa. 7.1 Finalidade da prova Para que os fatos produzam efeitos jurídicos, é necessário que neles sejam empregados normas jurídicas, ou seja, para que casos concretos produzam efeitos jurídicos, há a necessidade dos julgadores terem conhecimento de todos eles, para que possam empregar nestes casos normas do direito. Conforme expressa EDILSON MOUGENOT BONFIM (2009, p.304): “a prova tem como finalidade permitir que o julgador conheça o conjunto sobre os quais fará incidir o direito”. Em consonância com as palavras de PAULO RANGEL (2006, p. 382): O objeto da prova é a coisa, o fato, o acontecimento que deve ser conhecido pelo juiz, a fim de que possa emitir um juízo de valor. São os fatos sobre os quais versa o caso penal. Ou seja, é o thema probandum que serve de base à imputação penal feita pelo Ministério Público. É a verdade dos fatos imputados ao réu com todas as suas circunstâncias. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 43 Na hipótese do MP arrogar à determinada pessoa a prática do crime de homicídio, este crime caracterizar-se-á como o objeto da prova. Vale ressaltar que há diferença entre objeto da prova e objeto de prova. O objeto de prova significa todos os fatos ou coisas que necessitam da comprovação de sua veridicidade (GOMES FILHO, 1997). Na ocorrência de um processo, tanto o autor quanto o réu apresentam argumentos favoráveis a eles mesmos, assim como acontecimentos que demonstrem a veracidade de suas alegações. Ocorrendo isso, os mesmos acabam por delimitar o objeto da prova, devendo o julgador ater-se à somente estes fatos (Princípio da Economia Processual). Segundo EDILSON MOUGENOT BONFIM (2009, p. 305), são as partes, portanto, que definem essencialmente os fatos que deverão ser objeto de prova, restando ao juiz, eventualmente, apenas completar o rol de provas a produzir, utilizando-se de seu poder instrutório, o que determinará somente com a finalidade de fazer respeitar o princípio da verdade real. 7.2 Alegações excluídas da atividade probatória Em um processo penal, existem fatos em que não há a necessidade de provar-se a sua existência, a saber: a) fatos notórios – são aqueles acontecimentos de conhecimento da maioria de uma sociedade ou, como ilustra PAULO RANGEL (2006, p.382), é: “aquele que é do conhecimento de qualquer pessoa medianamente informada” ou faz parte da cultura deste grupo. Exemplo é a moeda corrente do Brasil (Real). Vale ressaltar que um fato é notório porque é de conhecimento da maioria e não porque é de conhecimento do juiz, uma vez que este pode ter conhecimento de fatos que não sejam evidentes. Também não é notório um acontecimento por ser sabido por um número indeterminado da população, haja vista que este fato pode ser fruto de boatos sem fundamento algum; b) presunções absolutas – é quando a lei determina a veracidade de um fato, não admitindo determinação contrária. Como exemplo existe o art. 27, CP; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 44 c) as máximas de experiência – são os conhecimentos adquiridos pelo juiz ao longo de sua magistratura. Estes conhecimentos são construídos mediante vários casos concretos já vivenciados pelo mesmo em outros processos. Como diz EDILSON MOUGENOT BONFIM (2009), é o agregado empírico-sensorial que compõe o conhecimento do julgador e lhe possibilitará a projeção judicante em face do ao caso concreto, por comparação às situações adrede vividas ou conhecidas; d) os fatos intuitivos ou evidentes – são aqueles que, pela simples apreciação, pode-se constatar a sua veracidade. Como exemplo existe a máxima popular: “se anda como jacaré, tem boca e corpo de jacaré, obviamente que trata-se de um jacaré”; e) os fatos inúteis ou irrelevantes – são elementos que nada contribuirão para a apuração da verdade; f) os fatos incontroversos – são fatos que, ao serem alegados por uma das partes, não é contestado pela outra. Importa observar que, mesmo não sendo confrontados, estes fatos devem ser averiguados, acatando assim o Princípio da Verdade Real. Este assunto é abordado na obra de PAULO RANGEL (2006, p. 382), in verbis: no processo penal, os fatos, controvertidos ou não, necessitam ser provados, face os princípios da verdade processual e do devido processo legal, pois, mesmo que o réu confesse todos os fatos narrados na denúncia, sua confissão não tem valor absoluto, devendo ser confrontada com os demais elementos de prova dos autos (cf. art.197 do CPP). Segundo o art.156, II, CPP: A prova da alegação incumbirá a quem fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício: [...] II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante. O direito geralmente não necessita ser provado, partindo da conjetura que o juiz conhece o direito (Iura novit curia). Somente em casos de serem leis municipais, internacionais, etc., é que a parte deverá provar a vigência e conteúdo das mesmas (art. 337, CPC). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 45 UNIDADE 8 – TEORIA GERAL DOS RECURSOS Recurso é a providência legal imposta concedida à parte interessada, consistente em um meio de se obter nova apreciação da decisão ou situação processual, pelo juiz prolator da decisão ou órgão superior, com o fim de corrigi-la, modificá-la ou esclarecê-la. Em suma, trata-se do meio pelo qual se obtém o reexame de uma decisão. O recurso é o procedimento através do qual a parte, ou quem esteja legitimado a intervir na causa, provoca o reexame das decisões judiciais, a fim de que elas sejam invalidadas ou reformadas, pelo próprio magistrado que as proferiu, ou por algum órgão de jurisdição superior. De etimologia latina, o verbo recursare significa “correr para trás ou correr para o lugar de onde se veio”, e daí esta ideia de reexame. Como o processo é um progredir ordenado, no sentido de obter-se com a sentença a prestação da tutela jurisdicional que se busca, o recurso corresponderá sempre a um retorno, no sentido de reflexo, sobre o próprio percurso do processo, a partir daquilo que se decidiu para trás, a fim de que se reexamine a legitimidadee os próprios fundamentos da decisão impugnada. De acordo com as mesas de Processo Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, recurso é um meio voluntário de impugnação de decisão, utilizado antes da preclusão e na mesma relação jurídica processual, apto a propiciar ao recorrente resultado mais vantajoso, decorrente da reforma, da invalidação do esclarecimento ou da integração da decisão. Segundo FERNANDO COSTA TOURINHO FILHO (2009), “é o direito público subjetivo de se pedir o reexame de uma decisão”. Para EDUARDO ESPÍNOLA FILHO (2000), pode afirmar-se ser o recurso um remédio, cujo uso a lei, expressamente, ordena ao juiz, ou autoriza à parte, que se considera prejudicada por uma decisão daquele ou por uma situação processual, visando à nova apreciação do focalizado (seja a causa, no seu conjunto, seja um Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 46 incidente processual, seja a situação criada para o réu), para o próprio julgador, ou o Tribunal Superior, corrigir, modificar ou confirmar o estado de coisa existente. No entendimento de ADA PELLEGRINO GRIONOVER e ANTÔNIO SCARANCE FERNANDES, recurso é o instrumento processual voluntário de impugnação de decisões judiciais, previsto em lei, utilizado antes da preclusão e na mesma relação jurídica. Uma primeira corrente diz que o recurso é um desdobramento do direito de ação. Quando se interpõe um recurso, dá-se continuidade ao processo na mesma relação jurídica processual, diferentemente do habeas corpus ou revisão criminal (pois criam nova relação jurídica processual conexa). É a posição majoritária (TOURINHO FILHO, ADA PELLEGRINE GRINOVER, EUGÊNIO PACELLI e do STF e do STJ). Se recurso é um desdobramento do direito de ação, a doutrina consegue extrair duas conclusões: a) como se trata de desdobramento do direito de ação, todas as condições da ação também devem estar presentes na fase recursal, sob pena de não- conhecimento do recurso; b) como se trata de desdobramento do direito de ação, o recurso é manejado na mesma relação jurídica processual, o que faz distinguir recursos de ações autônomos de impugnação, já que estas são manejadas em relação jurídica autônoma. Numa segunda corrente, o recurso é uma nova ação dentro do processo. As partes que funcionam no polo ativo e passivo da ação podem ser invertidos na fase recursal (recorrente e recorrido), daí porque se trata de uma nova ação dentro de um processo já existente. Trata-se de um equívoco, pois a mudança dos fatores não altera o produto. Logo, não é porque as partes podem ser alteradas que o recurso seria uma nova ação. Uma terceira corrente, o próprio CPP (na redação originária em 1941) definia que recurso seria qualquer ferramenta de impugnação da decisão judicial. Posição esta que podemos inferir estar absolutamente ultrapassada. O CPP peca ao adotar Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 47 tal corrente, colocando no capítulo dos recursos o habeas corpus a Revisão Criminal, que na verdade são ações de impugnação. É a posição que não deve ser adotada na atualidade. Para EDÍLSON MOUGENOT BONFIM (2009) e ADA PELLEGRINE GRINOVER; ANTÔNIO SCARANCE FERNANDES; ANTÔNIO MAGALHÃES GOMES FILHO (2009), os fundamentos dos recursos seriam: a) a própria natureza falível do ser humano, e do juiz enquanto tal, não estando isento de equívocos. Nesse norte a doutrina diz que todo recurso para juiz superior (provocatio dos romanos) corresponde e satisfaz a uma tendência irresistível da natureza humana; é a expressão legal do instinto que leva todo homem a não se sujeitar, sem reação, ao conceito ou sentença do primeiro censor ou juiz. Ou seja, por tal fundamento, o recurso justifica-se porque o juiz pode cometer erros, de modo que o recurso permite a possibilidade de revisão da decisão por um órgão colegiado. Ademais, a partir do momento em que o juiz sabe que sua decisão pode ser revista, ele tomará mais cuidado no exercício de sua prestação jurisdicional; b) a necessidade psicológica do homem de ver reapreciada uma decisão desfavorável. Em qualquer ramo da atividade humana, a pessoa é vulnerável às dúvidas, sobretudo quando se trata do desenvolvimento dos atos judiciais, restando necessário o reexame da questão, através do recurso para suprir as desconfianças naturais do indivíduo. Por tal fundamento, o recurso justifica-se porque a partir do momento em que se possibilita que uma decisão desfavorável a alguém possa ser revisada por tribunal, pode-se amenizar o inconformismo do condenado. Dificilmente alguém se conforma com o primeiro “não”. A existência de um recurso, então, permitiria a revisão da decisão recorrida por um órgão mais experiente e mais propenso (em tese) a um julgamento justo; c) certa coação psicológica sobre o juiz de grau inferior, que o levaria a “julgar melhor”, sabedor da possibilidade de sua decisão ser reexaminada por um órgão superior. Esse fator faz com que o julgador seja mais diligente na hora de proferir sua decisão, levando-o a afastar do erro e do arbítrio, bem como o Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 48 impulsionado à pesquisa e constante aperfeiçoamento para evitar a censura do órgão jurisdicional superior. Em outras palavras: evitar a autotutela – por tal fundamento, o recurso justifica-se porque na era moderna não é dado aos homens, uma vez convivendo em sociedade, a utilização da autotutela, isto e, a justiça com as próprias mãos (PELLEGRINI; FERNANDES; GOMES FILHO, 2009); d) a possibilidade da causa ser julgada por um órgão colegiado, formado por juízes de maior experiência e saber jurídico. Quanto aos efeitos dos recursos, estes correspondem a três modalidades: devolutivo, suspensivo e extensivo. 1. Efeito devolutivo – é a essência de qualquer recurso. Trata-se da remessa do que foi decidido para reexame pelo juízo ou tribunal “ad quem”. É classificado em: a) Iterativo: a devolução é para o próprio juízo “a quo” (p. ex: embargos de declaração); b) Reiterativo: devolução é perante o juízo “ad quem” (p. ex: apelação); c) Misto: tanto o juízo “a quo” quanto o “ad quem” apreciam a matéria impugnada (p.ex: Recurso em sentido estrito – juízo de retratação). 2. Efeito suspensivo – é a qualidade do recurso em suspender a eficácia da decisão até o julgamento da nova decisão. A lei determina expressamente quando um recurso possui esse efeito (p.ex: art. 584 do CPP). Alguns dos efeitos de uma sentença absolutória não podem ser suspensos por um recurso (art. 596 do CPP). 3. Efeito extensivo – é a hipótese de em um concurso de agentes, um dos acusados condenados recorre, sendo que é possível a extensão de eventuais benefícios àqueles que não recorreram, desde que não sejam de caráter exclusivamente pessoal (art. 580 do CPP). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 49 UNIDADE 9 – CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES Classificar os crimes nos levam a várias ramificações. Se pensarmos quanto à gravidade, na França, por exemplo, ele possui três elementos (crime, delito, contravenção) daí ser considerada uma Tricotomia, ao passo que no Brasil seria uma dicotomia (Crime ou delitoe contravenção). Classificação dos crimes: 1) crimes comuns – é o que pode ser praticado por qualquer pessoa (lesão corporal, estelionato, furto).É definido no Código Penal; 2) crimes especiais – são definidos no Direito Penal Especial. Crime que pressupõe no agente uma particular qualidade ou condição pessoal, que pode ser de cunho social; 3) crimes próprios – são aqueles que exigem ser o agente portador de uma capacidade especial. O tipo penal limita o círculo do autor, que deve encontrar-se em uma posição jurídica, como funcionário público, médico, ou de fato, como mãe da vítima (art. 123), pai ou mãe (art. 246) etc.; 4) crime de mão própria (Atuação Pessoal) – distinguem-se dos delitos próprios porque estes não são suscetíveis de ser cometidos por um número limitado de pessoas, que podem, no entanto, valer-se de outras para executá-los, enquanto nos delitos de mão própria – embora passíveis de serem cometidos por qualquer pessoa – ninguém os pratica por intermédio de outrem. Como exemplos têm-se o de falsidade ideológica de atestado médico e o de falso testemunho ou falsa perícia; 5) crimes de dano – só se consumam com a efetiva lesão do bem jurídico visado, por exemplo, lesão à vida, no homicídio; ao patrimônio, no furto; à honra, na injúria etc.; 6) crimes de perigo – o delito consuma-se com o simples perigo criado para o bem jurídico. O perigo pode ser individual, quando expõe ao risco o interesse de uma só ou de um número determinado de pessoas, ou coletivo, quando ficam Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 50 expostos ao risco os interesses jurídicos de um número indeterminado de pessoas, tais como nos crimes de perigo comum; 7) crimes materiais – há necessidade de um resultado externo à ação, descrito na lei, e que se destaca lógica e cronologicamente da conduta. Ex.: Homicídio, furto e roubo; 8) crimes formais – não há necessidade de realização daquilo que é pretendido pelo agente, e o resultado jurídico previsto no tipo ocorre ao mesmo tempo em que se desenrola a conduta. A lei antecipa o resultado no tipo; por isso, são chamados crimes de conduta antecipada. Ex.: Ameaça (art. 147); 9) crimes de mera conduta – a Lei não exige qualquer resultado naturalístico, contentando-se com a ação ou omissão do agente. Não sendo relevante o resultado material, há uma ofensa (de dano ou de perigo) presumida pela lei diante da prática da conduta. Ex.: Violação de domicílio (art. 150); 10) crimes comissivos – são os que exigem, segundo o tipo penal objetivo, em princípio, uma atividade positiva do agente, um fazer. Na rixa (art. 137) será o “participar”; no furto (art. 155) o “subtrair”, etc.; 11) crimes omissivos – são os que objetivamente são descritos com uma conduta negativa, de não fazer o que a lei determina, consistindo a omissão na transgressão da norma jurídica e não sendo necessário qualquer resultado naturalístico. Ex.: Não prestar assistência a uma pessoa ferida (omissão de socorro, art. 135); 12) crimes comissivos por omissão – a omissão consiste na transgressão do dever jurídico de impedir o resultado, praticando-se o crime que, abstratamente, é comissivo. Ex.: Mãe que deixa de amamentar ou cuidar do filho causando-lhe a morte; 13) crimes instantâneos – é aquele que, uma vez consumado, está encerrado, a consumação não se prolonga. Isso não quer dizer que a ação seja rápida, mas que a consumação ocorre em determinado momento e não mais prossegue. Ex.: Homicídio; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 51 14) crimes permanentes – a consumação se prolonga no tempo, dependente da ação do sujeito ativo. Ex.: Cárcere privado (art. 148). 15) crimes instantâneos de efeitos permanentes – ocorrem quando, consumada a infração em dado momento, os efeitos permanecem, independentemente da vontade do sujeito ativo. Na bigamia (art. 235), não é possível aos agentes desfazer o segundo casamento; 16) crime continuado – compreende uma pluralidade de atos criminosos da mesma espécie, praticados sucessivamente e sem intercorrente punição, a que a lei imprime unidade em razão de sua homogeneidade objetiva; 17) crimes principais – independem da prática de delito anterior; 18) crimes acessórios – sempre pressupõe a existência de uma infração penal anterior, a ele ligada pelo dispositivo penal que, no tipo, faz referência àquela. O crime de receptação (art. 180), por exemplo, só existe se antes foi cometido outro delito (furto, roubo, estelionato etc.); 19) crimes condicionados – a instauração da persecução penal depende de uma condição objetiva de punibilidade. (art. 7º, II); 20) crimes incondicionados – a instauração da persecução penal não depende de uma condição objetiva de punibilidade; 21) crimes simples – é o tipo básico, fundamental, que contém os elementos mínimos e determina seu conteúdo subjetivo sem qualquer circunstância que aumente ou diminua sua gravidade. Há homicídio simples, furto simples, etc.; 22) crimes complexos – encerram dois ou mais tipos em uma única descrição legal. Ex.: Roubo (art. 157), que nada mais é que a reunião de um crime de furto (art. 155) e de ameaça (art. 147); 23) crime progressivo – um tipo abstratamente considerado contém implicitamente outro que deve necessariamente ser realizado para se alcançar o resultado. O anterior é simples passagem para o posterior e fica absorvido por este. Assim, no homicídio, é necessário que exista, em decorrência da conduta, lesão corporal que ocasione a morte; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 52 24) delito putativo – dá-se quando o agente imagina que a conduta por ele praticada constitui crime mas em verdade constitui uma conduta atípica, ou seja, não há punição para o ato praticado; 25) crime de flagrante esperado – ocorre quando o indivíduo sabe que vai ser a vítima de um delito e avisa a Polícia, que põe seus agentes de sentinela, os quais apanham o autor no momento da prática ilícita; não se trata de crime putativo, pois não há provocação; 26) crime de flagrante forjado – alguém, de forma insidiosa, provoca o agente à prática de um crime, ao mesmo tempo que toma providências para que o mesmo não se consuma; 27) crime impossível – aquele que jamais poderia ser consumado em razão da ineficácia absoluta do meio empregado ou pela impropriedade absoluta do objeto. A ineficácia do meio se caracteriza quando o instrumento utilizado não permite que o delito possa ser consumado. Por exemplo: usar um alfinete para matar uma pessoa adulta ou produzir lesões corporais mediante o mero arremesso de um travesseiro de pluma, etc. A impropriedade do objeto se caracteriza quando a conduta do agente não pode provocar nenhum resultado lesivo à vítima. Por exemplo: matar um cadáver; 28) crime consumado – ato que já reuniu todos os elementos da definição legal de um crime; 29) crime tentado – o ato que, tendo sua execução iniciada, por circunstâncias alheias à vontade do agente não chega a reunir todos os elementos da definição legal de um crime; 30) crime falho – em sendo a tentativa perfeita, o resultado não se verifica por circunstâncias alheias à vontade do agente. Vale salientar que em tal crime o agente esgota todo o seu potencial lesivo sem, contudo, alcançar o resultado esperado; 31) crimes unissubsistente – é o que se perfaz comum único ato, como a injúria verbal; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 53 32) crimes plurissubsistente – é aquele que exige mais de um ato para sua realização. Ex.: Estelionato (art. 171); 33) crimes de dupla subjetividade passiva – é aquele que tem, necessariamente, mais de um sujeito passivo, como é o caso do crime de violação de correspondência (art. 151), no qual o remetente e o destinatário são ofendidos. 34) crime exaurido – é aquele em que o agente, mesmo após atingir o resultado consumativo, continua a agredir o bem jurídico. Não caracteriza novo delito, e sim mero desdobramento de uma conduta já consumada. Influencia na dosagem da pena, por poder agravar as consequências do crime, funcionando como circunstância judicial desfavorável; 35) crime de concurso necessário – é o que exige pluralidade de sujeitos ativos. Ex.: Rixa (art. 137); 36) crime doloso – possui algumas teorias. Teoria da Vontade: dolo é a vontade de realizar a conduta e produzir o resultado. Teoria da Representação: dolo é a vontade de realizar a conduta, prevendo a possibilidade de produção do resultado. Teoria do Assentimento: dolo é a vontade de realizar a conduta, assumindo o risco pela produção do resultado. Teorias Adotadas pelo CP: o art. 18, I, do CP, diz que há crime doloso quando o agente quer o resultado (dolo direto) ou quando assume o risco de produzi-lo (dolo eventual). Na hipótese de dolo direto, o legislador adotou a teoria da vontade e, no caso de dolo eventual, consagrou-se a teoria do assentimento; 37) crime culposo – no Crime Culposo, o agente não quer nem assume o risco de produzir o resultado, mas a ele dá causa, nos termos do art. 18, II, do CP, por imprudência, negligência ou imperícia. Teoria do Crime – crime culposo é aquele resultante da inobservância de um cuidado necessário, manifestada na conduta produtora de um resultado objetivamente prevísivel, através de imprudência, negligência ou imperícia. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 54 38) crime preterdoloso – é apenas uma das espécies dos chamados crimes qualificados pelo resultado. Estes últimos ocorrem quando o legislador, após descrever uma figura típica fundamental, acrescenta-lhe um resultado, que tem por finalidade aumentar a pena. O resultado vai além do dolo do agente. Ex: O agente desfere um soco na vítima, apenas com a intenção de agredi-lo fisicamente, porém, a vítima sofre uma hemorragia e vem a óbito; 39) crime simples – tipo básico, fundamental, que contém os elementos mínimos e determina seu conteúdo subjetivo sem qualquer circunstância que aumente ou diminua sua gravidade. Há homicídio simples (art. 121, caput), furto simples (art. 155, caput), etc.; 40) crime privilegiado – existe quando ao tipo básico a lei acrescenta circunstância que o torna menos grave, diminuindo, em consequência, suas sanções. São crimes privilegiados, por exemplo, o homicídio praticado por relevante valor moral (eutanásia, por exemplo). Nessas hipóteses, as circunstâncias que envolvem o fato típico fazem com que o crime seja menos severamente apenado; 41) crime qualificado – é aquele em que ao tipo básico a lei acrescenta circunstância que agrava sua natureza, elevando os limites da pena. Não surge a formação de um novo tipo penal, mas apenas uma forma mais grave de ilícito. Chama-se homicídio qualificado, por exemplo, aquele praticado “mediante paga ou promessa de recompensa ou por outro motivo torpe”. (art. 121, parágrafo 2º, I); 42) crime subsidiário – é aquele cujo tipo penal tem aplicação subsidiária, isto é, só se aplica se não for o caso de crime mais grave (periclitação da vida ou saúde de outrem – art. 132, que só ocorre se, no caso concreto, o agente não tinha a intenção de ferir ou matar). Incide o princípio da subsidiariedade; 43) crime vago – é aquele que tem por sujeito passivo entidade sem personalidade jurídica, como a coletividade em seu pudor. É o caso do crime de ato obsceno (art. 223); 44) crime de mera suspeita – o autor é punido pela mera suspeita despertada. Em nosso ordenamento jurídico, só há uma forma que se assemelha a esse crime, que é a contravenção penal prevista no art. 25 da LCP (posse de Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 55 instrumentos usualmente empregados para a prática de crime contra o patrimônio, por quem já tenha sido condenado por esse delito); 45) crime comum – atingem bens jurídicos do indivíduo, da família, da sociedade e do próprio Estado, estando definidos no CP e em leis especiais; 46) crime político – lesam ou põem em perigo a própria segurança interna ou externa do Estado. Ex.: Lei nº 7.170/83. São crimes políticos os que lesam ou expõem a perigo de lesão: I – a integridade territorial e a soberania nacional; 47) crime multitudinário – cometido por influência de multidão em tumulto (linchamento); 48) crime de opinião – é o abuso da liberdade de expressão do pensamento (é o caso do crime de injúria – art. 140); 49) crime inominado – partindo da premissa de que em matéria penal não há direitos adquiridos, criou uma categoria de crimes consistentes na violação de uma regra ou bem jurídico do indivíduo consagrados pela lei penal, apresentando caráter ilícito pela ausência de qualquer direito, legal ou natural, que pudesse favorecer o agente. Seriam punidos no interesse do indivíduo e não no da sociedade. Não aceita pela doutrina esta teoria; 50) crime de ação múltipla – o tipo contém várias modalidades de conduta, em vários verbos, qualquer deles caracterizando a prática de crime. Pode-se praticar o crime definido no art. 122, induzindo, instigando ou prestando auxílio ao suicida; o de fabricação, importação, exportação, aquisição ou guarde de objetos obsceno (art. 234) etc. Neste último, as condutas são fases do mesmo crime; 51) crime de forma livre – é o praticado por qualquer meio de execução. Ex.: O crime de homicídio (art. 121) pode ser cometido de diferentes maneiras, não prevendo a lei um modo específico de realizá-lo; 52) crime de forma vinculada – o tipo já descreve a maneira pela qual o crime é cometido. Ex.: O curandeirismo é um crime que só pode ser realizado de uma das maneiras previstas no tipo penal (art. 284 e incisos, CP); Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 56 53) crime de ação penal pública – punível mediante ação que pode ser movida pelo ofendido ou seu representante, se o ministério público não a mover no prazo legal (art. 29, CPP); 54) crime de ação penal privada – punível mediante ação que pode ser movida pela própria vítima, e não pelo ministério público; 55) crime habitual – constituído de uma reiteração de atos, penalmente indiferentes, que constituem um todo, um delito apenas, traduzindo geralmente um modo ou estilo de vida. Embora a prática de um ato apenas não seja típica, o conjunto de vários, praticados com habitualidade, configurará o crime. Ex.: curandeirismo, exercer ilegalmente a medicina; 56) crime profissional – qualquer delito praticado por aquele que exerce uma profissão, utilizando-se dela para a atividade ilícita. Assim, o aborto praticado por médicosou parteiras, o furto qualificado com chave falsa ou rompimento de obstáculos por serralheiro, etc.; 57) crime conexo – crime que é pressuposto, elemento constitutivo, ou agravante de outro (art. 108); 58) crime de ímpeto – ocorre o crime de ímpeto no homicídio cometido sob domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação, vez que a pessoa age repentinamente. Logo se conclui que crime de ímpeto é aquele em que o agente, de forma súbita e ligeira pratica uma conduta delituosa sem qualquer arquitetura do plano delitivo – que é obra de um ato repentino deste; 59) crime funcional – cometido pelo funcionário público. Crime Funcional próprio é o que só pode ser praticado pelo funcionário público; crime funcional impróprio é o que pode ser cometido também pelo particular, mas com outro nomen juris (p. ex., a apropriação de coisa alheia pode configurar peculato, se cometida por funcionário público, ou a apropriação indébita, quando praticada por particular); 60) crime a distância – é aquele em que a execução do crime dá-se em um país e o resultado em outro. Ex.: O agente escreve uma carta injuriosa em SP e remete a seu desafeto em Paris. Aplica-se a teoria da ubiquidade, e os dois países são competentes para julgar o crime; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 57 61) crime plurilocal – é aquele em que a conduta se dá em um local e o resultado em outro, mas dentro do mesmo país. Aplica-se a teoria do resultado, e o foro competente é o do local da consumação; 62) delito de referência – é a denominação dada ao fato de o sujeito não denunciar um crime conhecido quando iminente ou em grau de realização, mas ainda não concluído, questão que será analisada no concurso de agentes; 63) delito de impressão – causam determinado estado anímico na vítima. Dividem-se em: a) delitos de inteligência – os que se realizam com o engano, como o estelionato; b) delitos de sentimento – incidem sobre as faculdades emocionais, como a injúria; c) delitos de vontade – incidem sobre a vontade, como o constrangimento ilegal. 64) crime de simples desobediência – consiste crime desobedecer à ordem legal de funcionário público. O exemplo mais claro seria o da ocorrência de prisão por desobediência quando o suposto autor dos fatos for encontrado em atitude suspeita, e que tem sido uma constante quando atuamos em um Juizado Especial Criminal. O cidadão é abordado por policiais em atitude suspeita e desobedece a ordem de parar ou de se submeter à realização de uma busca pessoal. São comuns os casos de pessoas que são conduzidas para a delegacia de polícia e enviadas aos Juizados Especiais Criminais nessa situação; 65) crime pluriofensivo – são os que lesam ou expõem a perigo de dano mais de um bem jurídico (ex. art.157, parágr.3. “in fine”); 66) crime falimentar – são certos atos, previstos em lei, praticados pelo comerciante antes ou depois de decretada sua falência, como por exemplo, o desvio de bens, ou qualquer outro ato fraudulento, que cause ou possa causar prejuízo aos seus credores. “Os delitos falimentares são os chamados crimes do colarinho branco. Isto porque, a prática criminosa pelo empresário possui certos requintes que a distingue da delinquência comum.”; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 58 67) crime a prazo – é aquele que se consuma após passado um período de tempo. Ex. art. 129, §1, I, CP; 68) crime gratuito – entende-se por crime gratuito aquele praticado sem motivo. Porém, atenção, crime gratuito não se confunde com motivo fútil. No motivo fútil, o motivo existe, mesmo sendo pequeno ou insignificante; 69) delito de circulação – “praticado por intermédio do automóvel” (Damásio E. de Jesus); 70) delito transuente ou transeunte – não deixa vestígios; 71) delito não transuente ou transeunte – deixe vestígios; 72) crime de atentado ou de empreendimento – delito em que o legislador prevê à tentativa a mesma pena do crime consumado, sem atenuação. (Ex.: arts. 352 e 358); 73) crime em trânsito – são delitos em que o sujeito desenvolve a atividade em um país sem atingir qualquer bem jurídico de seus cidadãos; 74) crimes internacionais – são crimes que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir. Podemos citar como exemplo o tráfico de mulheres, entorpecentes, etc.; 75) quase crime – são os definidos no Código Penal no art. 17 (crime impossível) e art. 31 (participação impunível); 76) crime de tipo fechado – são aqueles que apresentam a definição completa, como homicídio; 77) crime de tipo aberto – são os que não apresentam a descrição típica completa. A norma de proibição violada não aparece claramente; 78) tentativa branca – há a tentativa branca quando “o objetivo material não sofre lesão”; 79) tentativa cruenta – quando o sujeito atinge a vítima; 80) tentativa incruenta – quando a vítima não é atingida; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 59 81) crime consunto e consuntivo – é a denominação que recebem os delitos, quando aplicável o princípio da consunção. Crime Consunto: é o absorvido; Crime Consuntivo: o que absorve; 82) crimes de responsabilidade – este tipo de crime é alvo de discussões, pois esta classificação suscita dúvidas no que concerne a sua interpretação. Por vezes é entendido como crimes e infrações de natureza político-administrativas não sancionadas com penas de natureza criminal; 83) crimes hediondos – toda vez que uma conduta delituosa estivesse revestida de excepcional gravidade, seja na execução, quando o agente revela total desprezo pela vítima, insensível ao sofrimento físico ou moral a que a submete, seja quanto à natureza do bem jurídico ofendido, ainda pela especial condição das vítimas. A Constituição Federal de 1988 considera estes crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia (art. 5º, inc. XLIII); 84) crimes contra a economia popular – obter ou tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de número indeterminado de pessoas, mediante especulações ou processos fraudulentos (bola de neve, cadeias, pichardismo, e quaisquer outros meios equivalentes) – art. 2.º, IX, da Lei n. 1.521/51; 85) crime contra as relações de consumo – é todo aquele que definido como tal, por lei, atinge de forma direta ou indireta os interesses e necessidades dos consumidores, bem como sua dignidade, saúde, segurança e interesses econômicos. Ex.: Pool – coligação feita entre várias pessoas, físicas ou jurídicas, de caráter temporário, visando uma especulação econômica, com a finalidade de eliminar os concorrentes; 86) crime de genocídio – é definido como crime contra a humanidade, que consiste em cometer, com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, qualquer dos seguintes atos: I) matar membros do grupo; II) causar-lhes lesão grave à integridade física ou mental; 87) crimes ambientais – ato que viola e vai contra as leis impostas pelos governos acerca do meio ambiente, sendo a sua culpabilidade um pressuposto da pena; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 60 88) crime de imprensa – quando há conduta imprópriaque resulte em situações de ofensa intencional a cidadãos ou instituições. “Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime, pena: detenção de seis meses a três anos e multa de um a 20 salários mínimos” (CRFB/88, artigo 20); 89) contravenções penais – são infrações consideradas de menor potencial ofensivo que muitas pessoas acabam cometendo no dia a dia, que chegam até a ser toleradas pela sociedade e até por autoridades, mas que não podem deixar de receber a devida punição; 90) crimes eleitorais – os crimes eleitorais são previstos no Código Eleitoral e em leis extravagantes, como nas Leis nºs 9.504/97, 6.091/74, 6.996/82, 7.021/82 e Lei Complementar nº 64/90, sendo definidos como condutas lesivas aos serviços eleitorais e ao processo eleitoral. Os crimes eleitorais são tidos como crimes comuns e, não como crimes políticos, conforme entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE, REspe nº 16.048-SP, Rel. Min. Eduardo Alckmin, DJU 14.04.2000, p. 96). O delito de corrupção eleitoral ou crime de compra de votos, previsto no art. 299 do Código Eleitoral, é o crime de maior incidência, em virtude do alto grau de corrupção no nosso País; 91) crimes contra a segurança nacional – trata-se de proteger a segurança do Estado, como bem interesse de importância fundamental. Essa tutela jurídica se dirige, no plano da segurança externa, à preservação da independência e da integridade do território nacional, e da defesa contra agressão no exterior. No plano de segurança interna, procura-se preservar contra a sedição, os órgãos em que se estrutura o governo, na forma em que a Constituição os prevê; 92) crimes militares – toda violação acentuada ao dever militar e aos valores das instituições militares. Ex.: Dormir em serviço. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 61 REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS BÁSICAS BONFIM, Edilson Mougenot. Curso de Processo Penal. 4 ed.de acordo com as Leis n. 11.689/08 e 11.719/08. São Paulo: Saraiva, 2009. BRASIL. Decreto-Lei n. 2.848 de 07 de dezembro de 1940. Código Penal. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm BRASIL. Decreto-Lei n. 3.689 de 03 de outubro de 1941. Código de Processo Penal. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm BRASIL. Lei n. 11.689 de 09 de junho de 2008. Altera dispositivos do Decreto-Lei n. 3.689, de 3 de outubro de 1941 – Código de Processo Penal, relativos ao Tribunal do Júri, e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/l11689.htm BRASIL. 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