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PRODUÇÃO TEXTUAL 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Jeferson Ferro 
 
 
 
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CONVERSA INCIAL 
Olá, alunos e alunas de Jornalismo! Nossa unidade temática, dentro da 
disciplina “Produção Textual”, trata das etapas e dos processos da produção 
jornalística. Depois dessa aula, você será capaz de: 
 Compreender como o conceito de intertextualidade é importante para 
a escrita; 
 Identificar as diferentes relações entre o texto e a imagem no 
Jornalismo atual; 
 Compreender os diferentes níveis de formalidade da linguagem 
escrita; 
 Expressar opiniões de forma coerente e embasada, por meio do 
estudo de gêneros textuais opinativos. 
CONTEXTUALIZANDO 
Abordaremos alguns temas importantes, os quais você confere a seguir: 
 A intertextualidade: o texto dentro do texto 
Todo texto faz parte de uma corrente textual, ou seja, ele se desenvolve 
a partir de textos que vieram antes dele e, se tudo der certo, será referência para 
outros textos que virão depois. Vamos pensar em como essa corrente da 
textualidade se manifesta e nas implicações disso para a produção jornalística. 
 O texto e a imagem no Jornalismo 
A imagem sempre esteve ligada ao texto jornalístico. Hoje, todavia, isso é 
cada vez mais evidente, sobretudo nos ambientes virtuais. Quais são os 
 
 
3 
diferentes aspectos dessa relação entre texto e imagem? Pensaremos a respeito 
do tema. 
 Formalidade e informalidade no texto jornalístico 
Novos tempos trazem consigo novas regras de etiqueta, não é mesmo? 
O que está acontecendo com a linguagem escrita nos dias de hoje? Estamos 
perdendo as referências da norma culta? Como equilibrar o coloquialismo com 
a linguagem formal no texto jornalístico? Pensaremos a respeito do tema com 
diversos exemplos práticos. 
 O texto digital (blogs, tuítes etc.) 
A intertextualidade, a imagem e a informalidade da linguagem ganham 
destaque com a ascensão do universo virtual. O texto na tela ganha uma 
dinâmica própria, que o liberta das amarras do tempo do papel. Mas nem por 
isso a escrita digital é uma grande massa disforme, há lógica em sua 
organização. Vamos procurar saber qual é. 
 O texto de opinião 
Por fim, abordaremos um gênero clássico da escrita: o texto 
argumentativo. Mais uma vez, o mundo digital nos coloca novos desafios: somos 
constantemente chamados a opinar sobre os mais diversos assuntos. Mas como 
escrever um texto de opinião com consistência? 
Como você pôde ver, analisaremos a produção textual — que sofre forte 
influência da comunicação digital — sob vários aspectos. Venha para essa breve 
jornada de reflexão sobre a escrita para que, ao final, você tenha se tornado um 
escritor mais eficiente e um leitor mais perspicaz. 
 
 
4 
 
TEMA 1 – INTERTEXTUALIDADE 
Neste tema, vamos falar sobre um conceito fundamental para a leitura e 
produção de textos: a intertextualidade. A ideia básica por trás desse conceito é 
a de que os textos frequentemente fazem referência a outros textos que foram 
publicados antes dele. Isso significa que eles “conversam” entre si. Essa 
conversa também pode ser entendida como uma influência causada por um 
texto fonte sobre outros textos que virão depois dele. 
Acesse a Biblioteca Virtual, por meio do Único, e procure pelo livro “Ler e 
Compreender os Sentidos do Texto”, de Ingedore Koch e Vanda Elias (São 
Paulo: Contexto, 2010). O Capítulo 4 (páginas 74 a 100) traz algumas 
informações importantes para entendimento dos conteúdos que serão 
trabalhados. 
A intertextualidade não é um fenômeno contemporâneo, pois essa rede 
de comunicação entre os textos existe desde sempre. Porém, a ascensão dos 
meios eletrônicos de comunicação intensificou bastante essa característica da 
comunicação escrita. O leitor, diante de um texto na internet, pode facilmente 
identificar a qual “rede” de textos ele está ligado, mesmo quando o texto que está 
sendo lido não deixa isso claro. Ela pode se manifestar de formas diversas, quer 
um exemplo? 
Considere um fato noticiado pela imprensa ao longo de vários dias, como 
a revelação de um esquema de corrupção, a notícia de um atentado terrorista ou 
o relato de um desastre natural. O primeiro texto a dar a notícia, que pode ser 
um furo de reportagem, inicia uma corrente textual que vai se estender ao longo 
de todo o processo de cobertura jornalística daquele fato. 
Este texto inicial inevitavelmente será retomado por diversos outros 
jornalistas que escreverão sobre o assunto nos dias subsequentes, citando 
dados e fatos ali apresentados, suas afirmações mais importantes, as 
 
 
5 
declarações de envolvidos etc. Neste caso, o foco estará claramente centrado 
nas opiniões e nos fatos e expostos pela cobertura jornalística, e não tanto na 
estrutura do texto em si. 
Podemos dizer que a intertextualidade pode ser explícita e implícita. 
Veremos cada uma delas a seguir: 
Intertextualidade explícita 
Acontece quando se deixa claro qual é o texto mencionado. Um caso 
típico de intertextualidade explícita no jornalismo acontece quando um texto cita 
outro texto como fonte de informação. 
Por exemplo: “Em entrevista publicada no jornal Folha de São Paulo, 
edição de 10/04/2015, o presidente da empresa afirmou desconhecer quaisquer 
fatos que...” Em situações como essa, é comum incluir um link para o texto 
mencionado. Outro aspecto importante desse caso de intertextualidade é que 
ele se realiza por meio da paráfrase, ou seja, pela reescrita de parte do texto 
original, o autor reproduz as informações daquele texto, mas usando suas 
próprias palavras. A cópia de um trecho do texto original também é possível. 
Neste caso, trata-se de uma citação direta, e o trecho copiado deve estar 
devidamente identificado. 
A paráfrase e a citação são duas estratégias típicas dos textos científicos 
e acadêmicos. Neste ambiente de escrita, o autor deve respeitar de maneira 
muito cuidadosa a noção de autoria, sob o risco de cometer plágio (crime 
imperdoável). Todo texto acadêmico é essencialmente intertextual, pois é 
construído a partir de outras fontes que abordam o seu tema. 
Isso não significa, todavia, que fazer referência a um texto implica 
concordar com ele. Ao se apropriar de um texto anterior, o autor pode ter como 
objetivo: 
 Reforçar seu ponto de vista; 
 
 
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 Discordar dele, sendo que é de seu interesse debater esse ponto de 
vista contrário. 
Intertextualidade implícita 
Acontece quando a referência não é dada na superfície do texto. Resgata-
se um texto famoso, de conhecimento público, para utilizá-lo em um novo 
contexto de enunciação, que pode não ter qualquer relação com o texto original. 
Ou seja, um autor se apropria da força de um texto clássico, que é bem 
conhecido por todos, para dizer algo novo, sem qualquer ligação com o conteúdo 
do texto original. 
“Ser ou não ser intertextual, eis a questão”, percebe? Esse tipo de 
conversa textual é muito comum na literatura, sendo geralmente caracterizado 
como um caso de intertextualidade implícita. 
Vejamos um exemplo. O poema “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias, é 
um texto que certamente pertence ao conjunto canônico da literatura brasileira. 
Escrito em 1843, enquanto o poeta estudava em Portugal, o poema é uma 
manifestação da saudade pela terra natal, neste caso, o Brasil. Sua última 
estrofe é composta dos seguintes versos: 
Não permita Deus que eu morra, 
Sem que eu volte para lá; 
Sem que desfrute os primores 
Que não encontro por cá; 
Sem qu'inda aviste as palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 
Disponível em: 
<http://www.vidaempoesia.com.br/goncalvesdias.htm>.Acesso em: 10 
maio 2016. 
 
Já nos anos 1920, o poeta modernista Oswald de Andrade se apropriou 
do poema de Gonçalves Dias e construiu versos que falavam do seu momento 
de vida e da sua cidade, no poema “Canto de Regresso à Pátria”. Seus últimos 
versos são: 
Não permita Deus que eu morra 
 
 
7 
Sem que volte pra São Paulo 
Sem que veja a Rua 15 
E o progresso de São Paulo 
Disponível em: <http://www.releituras.com/oandrade_canto.asp>. 
Acesso em: 10 maio 2016. 
 
Mais recentemente, o escritor curitibano Dalton Trevisan parodiou o 
poema clássico, escrevendo um texto em que expressa o desejo não de retornar 
à terra natal, mas de fugir dela. Em sua “Canção do Exílio”, de 1984, Trevisan 
inicia o texto com os seguintes versos: 
Não permita Deus que eu morra 
sem que daqui me vá 
sem que diga adeus ao pinheiro 
onde já não canta o sabiá 
Fonte: Trevisan (1992). 
 
Nestes casos, o leitor só percebe que existe intertextualidade se já 
conhece o texto fonte: o poema de Gonçalves Dias. A paródia, como o exemplo 
de Dalton Trevisan nos mostra, só existe enquanto intertextualidade, pois ela irá 
obrigatoriamente se referir a outro texto. 
Luis Fernando Veríssimo é provavelmente o cronista contemporâneo mais 
famoso do Brasil. A paródia é um gênero que ele emprega com muita frequência 
em suas publicações cotidianas na imprensa. Clique no link abaixo para ler a 
crônica “Psiu”: 
http://maisocitocina.blogspot.com.br/2013/03/o-principe-encantado-e-as-
mulheres-luis.html 
Difícil imaginar um leitor que não seja capaz de entender esta crônica 
como uma paródia do clássico conto de fadas, não é mesmo? O autor emprega 
a estrutura “princesa beija sapo que vira príncipe” mas não está interessado em 
discutir seu enredo. Ele quer, na verdade, usar a força desse texto para promover 
um novo olhar sobre a sociedade atual. 
 
 
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Na vida cotidiana, a intertextualidade se manifesta de forma tão frequente 
e natural que muitas vezes nem nos damos conta disso. A rigor, a 
intertextualidade não acontece apenas entre textos escritos, mas também entre 
imagens. As charges, por exemplo, costumam reproduzir imagens famosas em 
um novo contexto de significação. 
No link abaixo, é possível encontrar uma tirinha do cartunista Laerte. Você 
saberia dizer qual é a imagem famosa que ele está reproduzindo? 
http://www2.uol.com.br/laerte/tiras/dia-a-dia/veiculos/tira5.gif 
Pois bem, Laerte reproduziu trechos de uma das mais clássicas 
sequências de imagens da história do cinema, a cena da escadaria de Odessa, 
do filme “O Encouraçado Potemkin”, de 1925. Nesta cena, o exército russo 
reprime um levante popular, matando várias pessoas, inclusive a mãe da criança 
cujo carrinho desce, desprotegido, pela imensa escadaria. A releitura proposta 
pelo cartunista brasileiro é irônica e num contexto de significação completamente 
distinto. 
A publicidade também faz uso frequente da intertextualidade. Afinal de 
contas, apropriar-se de um texto ou de uma imagem amplamente conhecido pelo 
público e inseri-lo num contexto novo é uma ótima forma de chamar a atenção 
das pessoas, como você pode ver nos exemplos mencionados no link abaixo: 
http://concisoecoeso.blogspot.com.br/2010/03/intertextualidade-na-
propaganda.html 
TEMA 2 – O TEXTO E A IMAGEM NO JORNALISMO 
A partir de agora vamos discutir um aspecto central para o Jornalismo 
contemporâneo: a relação que os textos possuem com as imagens. Pode 
parecer que essa é uma conjunção natural e orgânica por natureza, mas é 
importante lembrar que a tecnologia de imprensa é anterior à fotografia. E 
mesmo charges e ilustrações, já presentes nos primeiros jornais diários, 
envolviam um alto custo de produção. É com as transformações tecnológicas 
 
 
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que a mídia começa a se tornar mais e mais imagética, ou seja, mais centrada 
no poder comunicativo das imagens. 
É própria da linguagem jornalística contemporânea a articulação entre 
texto e imagem. Em seu livro "Jornalismo de Revista", Marília Scalzo comenta 
que uma pesquisa feita pelos leitores da revista "Veja" mostrou que uma matéria 
de uma coluna sem foto ou ilustração é lida por 9% dos leitores, enquanto o 
mesmo texto com uma foto sobe para 15%. Isso ainda vale para a internet, em 
que uma boa imagem destaca uma notícia no meio do frenesi das redes sociais. 
Mas chamar atenção para o texto é apenas a ponta do iceberg. 
Acesse a Biblioteca Virtual, por meio do Único, e procure pelo livro 
“Jornalismo de Revista”, de Marília Scalzo (São Paulo: Contexto, 2011). 
A primeira imagem que deve preocupar um veículo é a sua própria. Cada 
publicação possui uma identidade visual particular que é prevista pelo 
planejamento gráfico. Boa parte dela é motivada por herança histórica e 
convenções de gênero. No fundo, é essa a diferença central entre jornais e 
revistas, por exemplo. Um jornal, antes de tudo, tem "cara de jornal". O mesmo 
vale para a revista. Espaços entre colunas (se houver), letras e linhas, fonte, 
tamanho de título, cores e, claro, onde e como colocar uma imagem. Tudo isso 
é parte da identidade visual de um veículo. 
Acesse a Biblioteca Virtual, por meio do Único, e procure pelo livro 
"Linguagem Jornalística”, de Nilson Lage (São Paulo: Ática, 2006). 
Lage escreve, entre outras coisas, sobre como algumas características da 
mídia impressa, de livros a revistas, são heranças de uma época em que o 
catolicismo detinha o monopólio dos tipos móveis e da reprodução técnica de 
textos. Muitas das convenções de como se apresentam os textos têm origem na 
antiguidade e envolvem tanto o fato de falarmos línguas lidas da esquerda para 
direita quanto as transformações culturais contínuas. 
Mas nem só de herança obscurantista vive uma publicação. Muito estudo 
é aplicado em relação à movimentação dos olhos de um leitor em uma página 
 
 
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de jornal, revista ou site. A ideia é determinar quais são as "áreas nobres" de 
uma publicação e usar isso para escolher como e onde irão as imagens e textos. 
Em primeiro lugar, todo veículo de comunicação deve ter um 
planejamento gráfico que se articula com o planejamento editorial. É, em 
essência, a maneira como o jornal, revista ou site vai usar os textos e as imagens 
para construir seu conteúdo, criando uma forma única e própria de expressão. 
Envolve desde os seus posicionamentos sócio-políticos, refletidos nas matérias, 
até o tamanho e posicionamento de suas fotos em relação aos textos. 
Por melhor que seja uma foto e por mais autoevidente que seja o fato que 
ela busca destacar, é sempre necessário articulá-la com texto. Por isso, toda foto 
em qualquer veículo virá, pelo menos, acompanhada de uma legenda, que tem 
a função de contextualizar ou chamar atenção para algum detalhe que seja 
importante para história que está sendo contada. Uma fotolegenda, inclusive, é 
a prática de publicar apenas a foto e sua legenda, sem acompanhar uma 
reportagem, recurso usado em colunas sociais e, mais recentemente, em sites, 
por meio das galerias de fotos. 
Em revistas e jornais, normalmente a imagem é colocada na área mais 
nobre da página, como o canto direito superior das páginas ímpares. Em sites 
de notícia não há regras. Há uma tendência de centralizar o texto em relação à 
tela, mas a posição e o tamanho da imagem mudam muito de acordo com o 
aparelho em que a matéria está sendo lida. Independentemente do caso, a foto 
tem a função primeira de captar a atenção do leitor para a matéria. Mas essa 
não é a única. 
Imagens ajudam a legitimar o discurso da verdade do jornalismo, 
reforçando que o texto é baseado em fatos verificáveis. Mesmo em uma 
reportagem construída com depoimentos, emque as informações não são 
atestadas por uma imagem, é importante dar um rosto para as falas que 
aparecem no texto, humanizando e personalizando as informações. 
 
 
11 
Muitas vezes, a indicação de quantas e quais imagens irão acompanhar 
o texto pode vir já na pauta. Mas, como em todo o processo jornalístico, o 
repórter precisa de flexibilidade e astúcia para compreender quando a 
reportagem leva para outros caminhos, exigindo ou possibilitando a presença de 
outro tipo de fotos, mapas, ilustrações, gráficos ou infográficos. 
Que tal usar todo esse conteúdo para analisar uma situação real? 
A última semana de novembro de 2015 trouxe um fato inédito para a 
política brasileira: um senador da república foi preso durante o exercício de seu 
mandato. O senador Delcídio do Amaral (PT), segundo a justiça, estaria 
atrapalhando as investigações da operação Lava Jato. Delcídio era o líder do PT 
no senado, e sua prisão foi mais um golpe duríssimo contra o partido. 
O jornalista Mario Magalhães interpretou o fato a partir de uma foto do 
líder maior do partido, o ex-presidente Lula. Acesse o link a seguir e confira o 
texto: 
http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/2015/11/27/uma-
foto-para-a-historia/ 
O texto de Mario Magalhães é exemplar sobre o poder de uma foto para 
o discurso jornalístico. A imagem do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, 
abatido por conta de uma gripe, na mesma semana em que uma liderança do 
PT, seu partido, foi presa, mostra essa relação. A legenda, "O ex-presidente Lula, 
que fez críticas ao senador Delcídio do Amaral", é a ponte necessária para 
amarrar a relação de sentido. 
As olheiras e a expressão da boca, que mostra certa amargura, em 
substituição ao sorriso habitual, combinados com o texto sobre Delcídio do 
Amaral constroem o discurso de que Lula sofreu uma grande derrota. A foto é 
mais do que uma mera ilustração: é parte das informações que a matéria busca 
passar para o leitor, pois comunica o descontentamento do líder de maneira 
impactante. 
 
 
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Fotojornalismo 
Como a foto tem uma relação direta com a realidade, ela está intimamente 
ligada à construção do discurso da verdade que compõe o texto jornalístico. Com 
câmeras mais leves e portáteis, não demorou muito para que fotógrafos 
conseguissem estar na hora e no lugar em que os fatos aconteciam, ou tinham 
acabado de acontecer. Foi assim que surgiu o fotojornalismo, ou seja, o 
momento na história do jornalismo quando a foto tomou do texto o protagonismo 
na informação. Se compararmos a página de um portal de notícias de hoje com 
a primeira página de um jornal anterior à internet, perceberemos claramente 
como as imagens passaram a ocupar mais espaço na mídia. Todavia, as 
imagens ainda necessitam do texto para comunicar. 
Dica: assista ao filme "O Abutre", de Dan Gilroy, estrelado por Jake 
Gylenhaal e Renne Russo. Apesar de tratar de imagens de violência da noite de 
Los Angeles feitas para TV, o filme é parcialmente inspirado na história de Arthur 
"Weegee" Fellig, fotógrafo de Nova York que nos anos 1930 instalou um rádio 
policial em seu carro e passava as madrugadas registrando crimes com sua 
câmera e vendendo para quem pagasse melhor. Assim como Louis Bloom, o 
personagem central do filme, Weegee, também chegou muitas vezes antes da 
polícia na cena de crime. 
Infográfico 
As tecnologias de edição de imagem facilitaram a integração entre 
imagem e texto, permitindo que o planejamento gráfico se tornasse menos 
engessado. Com isso surgiu o infográfico, que é uma maneira de fornecer 
informação ao leitor utilizando um conjunto de gráficos, tabelas, desenhos, fotos, 
legendas, ilustrações, mapas, maquetes etc. Eles contêm todo um conjunto 
próprio de informações que, de outra forma, teriam uma apresentação mais 
pobre. 
 
 
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Infográficos são mais bem utilizados na hora de descrever processos, 
fazer analogias e dar dimensão de tamanho. Sempre devem complementar o 
texto da reportagem, evitando a redundância. 
Com a internet e os recursos de interatividade, os infográficos evoluíram 
bastante e hoje empregam tecnologias como Flash e Html5. É possível fazer o 
leitor mergulhar nas informações de forma didática, otimizando a apreensão do 
conteúdo. 
Acessando o link a seguir você confere a sessão de infográficos do G1: 
http://g1.globo.com/infograficos/index.html 
Veja também a lista com os melhores infográficos feita pelo site Edhy 
Marketing: 
http://www.edhy.com.br/index.php/2014/10/28/melhores-infograficos-10-
exemplos/ 
TEMA 3 – FORMALIDADE E INFORMALIDADE NO TEXTO JORNALÍSTICO 
Neste tema, a discussão é sobre estilo do texto jornalístico, mais 
especificamente sobre níveis de formalidade na linguagem. Como saber quando 
e onde se pode ser mais ou menos formal na construção do texto? Como 
articular esses dois polos aparentemente opostos deixando sempre a 
informação, o norte de todo texto jornalístico, em primeiro lugar? 
Os estudiosos da língua costumam comparar os diferentes registros 
linguísticos que usamos em nossas interações sociais com a maneira como nos 
vestimos. Eles dizem: “É possível ir à praia de terno e gravata, mas não é uma 
boa ideia”. Isso quer dizer que a linguagem que usamos deve ser apropriada à 
ocasião do uso. 
A escolha entre o uso da norma culta em seu registro mais formal e o uso 
coloquial da língua portuguesa seria então uma questão de entender o contexto. 
 
 
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Os poetas, que em geral captam melhor a dinâmica da língua do que os 
gramáticos, costumam brincar com essas questões. 
Um dos mais conhecidos poemas de Oswald de Andrade faz justamente 
isso: 
Pronominais 
Dê-me um cigarro 
Diz a gramática 
Do professor e do aluno 
E do mulato sabido 
Mas o bom negro e o bom branco 
Da Nação Brasileira 
Dizem todos os dias 
Deixa disso camarada 
Me dá um cigarro 
Fonte: <http://www.jornaldepoesia.jor.br/oswal.html#pronominais>. Acesso em: 
10 maio 2016. 
"Pronominais" é um poema que explora, justamente, esta tensão que há 
entre a norma culta e a escrita coloquial. O uso de textos informais e formais 
dentro do Jornalismo opera da mesma forma. É preciso que se observe o espaço 
em que se escreve, como o poeta Oswald de Andrade deixa claro. Em ambientes 
acadêmicos, observar o rigor da norma culta do português é a regra. Nas ruas, 
onde de fato se compraria um cigarro, melhor optar pelo coloquial. 
Assim como muitas outras questões envolvendo o jeito que se escreve no 
Jornalismo, é a linha editorial do veículo o que irá determinar o grau de liberdade 
dado aos jornalistas para serem mais ou menos informais em seus textos. 
Tabloides sensacionalistas, como o “Extra”, do Rio de Janeiro, ou o “Super 
Notícias”, de Belo Horizonte, primam pela linguagem popular, enquanto jornais 
voltados para economia, como o “Valor Econômico” ou o “Jornal do Comércio”, 
 
 
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trazem textos mais sisudos e raramente permitem coloquialismo em suas 
matérias. 
O estilo é, inclusive, parte de sua estratégia de convencimento. Observe 
a capa de jornal exposta no link abaixo: 
http://extra.globo.com/capas-jornal-extra/2015-03-10-
15662126.html?mesSelecionado=Mar&ano=2015 
Esta capa do “Extra”, de 21 de março de 2015, é um exemplo da 
linguagem informal que caracteriza o discurso deste tipo de jornal. A manchete 
"Devo, não nego" coloca o Governador do Rio, Pezão, contra a parede. Chama 
atenção do leitor levando-o diretamente para a lista de dívidas que, segundo a 
publicação, somavam mais de 700 milhões de reais. No canto inferior esquerdo, 
outro exemplo de linguagem “das ruas”: "'Traste', diz ex do Brother pegador". 
Uma chamada daeditoria de celebridades, voltada para iniciados no assunto (só 
os entendidos saberão quem é o tal "Brother pegador"). 
Agora leremos os dois primeiros parágrafos de um dos mais famosos 
perfis jornalísticos já escritos: "Frank Sinatra está resfriado", escrito por Gay 
Talese (nota biográfica ao final desta unidade), publicado em abril de 1966 pela 
"Esquire", revista masculina que era, e ainda é, uma das mais importantes dos 
EUA: 
Frank Sinatra está resfriado 
Gay Talese 
Frank Sinatra, segurando um copo de bourbon numa mão e um cigarro na outra, estava 
num canto escuro do balcão entre duas loiras atraentes, mas já um tanto passadas, que 
esperavam ouvir alguma palavra dele. Mas ele não dizia nada; passara boa parte da noite calado; 
só que agora, naquele clube particular em Beverly Hills, parecia ainda mais distante, fitando, 
através da fumaça e da meia-luz, um largo salão depois do balcão, onde dezenas de jovens 
casais se espremiam em volta de pequenas mesas ou dançavam no meio da pista ao som 
trepidante do folk rock que vinha do estéreo. As duas loiras sabiam, como também sabiam os 
quatro amigos de Sinatra que estavam por perto, que não era uma boa ideia forçar uma conversa 
 
 
16 
com ele quando ele mergulhava num silêncio soturno, uma disposição nada rara em Sinatra 
naquela primeira semana de novembro, um mês antes de seu quinquagésimo aniversário. 
Sinatra estava fazendo um filme que agora o aborrecia e não via a hora de terminá-lo; 
estava cansado de toda a falação da imprensa sobre seu namoro com Mia Farrow, então com 
vinte anos, que aliás não deu as caras naquela noite; estava furioso com um documentário da 
rede de televisão CBS sobre a vida dele, que iria ao ar dentro de duas semanas e que, segundo 
se dizia, invadia a sua privacidade e chegava a especular sobre suas ligações com os chefes da 
máfia; estava preocupado com sua atuação num especial da NBC intitulado “Sinatra - Um 
Homem e Sua Música”, no qual ele teria de cantar dezoito canções com uma voz que, naquela 
ocasião, poucas noites antes do início das gravações, estava debilitada, dolorida e insegura. 
Sinatra estava doente. Padecia de uma doença tão comum que a maioria das pessoas a 
considera banal. Mas quando acontece com Sinatra, ela o mergulha num estado de angústia, de 
profunda depressão, pânico e até fúria. Frank Sinatra está resfriado. 
Disponível em: <http://pt.slideshare.net/aulasdejornalismo/frank-
sinatraestaresfriadotextointegral-1-13064614>. Acesso em: 10 maio 2016. 
O texto começa familiarizando o leitor com o espaço em torno de Sinatra, 
o grande ídolo rodeado de admiradoras. São dois longos parágrafos reforçando 
seu mito e a aura construída a sua volta. Talese costura o ambiente como um 
artesão (não são poucas as comparações de seu estilo de escrever com o ofício 
do pai, alfaiate). Tudo para terminar de forma igualmente precisa: "Frank Sinatra 
está resfriado". Com esse pequeno toque de informalidade, um dado banal e 
cotidiano dentro de um texto rigoroso em suas descrições e contextualizações, 
Talese humaniza o grande ídolo. Dentro de seu estilo particular, esse detalhe 
pode ser considerado uma expressão de informalidade. 
Esse texto exemplifica o equilíbrio entre formalidade e informalidade que 
o bom jornalismo diário almeja. O toque certo de informalidade pode conferir 
humanidade ao tema e fazer com que o leitor se identifique com o objeto que 
está sob o foco da análise. Ao mesmo tempo, trata-se de um texto bem 
estruturado, com linguagem apropriada para transmitir a seriedade esperada 
pelo leitor de um perfil na revista "Esquire". Retomando a analogia da roupa, é 
como se um sujeito trajado de paletó e gravata contasse uma piada picante. 
 
 
17 
Gay Talese já era um escritor respeitado quando escreveu esse texto, por 
isso podia exercer certas liberdades que jornalistas novatos não teriam. Em 
geral, os jornais, mesmo os mais sérios, permitem que seus nomes de destaque 
se manifestem livremente em colunas de opinião. No Brasil, hoje, é difícil pensar 
em um colunista mais informal do que Xico Sá, que vinha de uma trajetória de 
pequenas polêmicas na “Folha de S. Paulo” e parece ter encontrado seu espaço 
no “El País”, onde se sente confortável para escrever textos como este do qual 
extraímos os dois primeiros parágrafos: 
A mulher busca um homem que não existe 
(Xico Sá – 09/10/2015, El País) 
Bora começar com um grande título de livro: “Um bom homem é difícil de encontrar”, 
assina que é teu gênia Flannery O´Connor, nega fodona norte-americana da Georgia (1925-
1964). Esta coletânea de contos você pode encontrar no Brasil nas melhores casas do ramo e 
nos melhores atchins dos sebos, vilge, vale muito a pena. 
O homem bom, de tudo bom, não existe. Além, muito além da exigência feminina, nossa 
fraqueza mesmo já mostramos de cara. Mesmo o fofo, aquele que você, amiga, julga como quase 
uma versão personificada de uma música fofíssima de Los Hermanos, nem sempre foforiza por 
mais de três encontros. Até acho que o fofo, o cara que promete-promete-promete e não entrega, 
é o novo canalha! Este engana muito mais do que o cara de quem você não espera nada mesmo. 
Disponível em: 
<http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/09/opinion/1444392564_573803.html>. Acesso em 10 
maio 2016. 
O tom do texto é o da conversa informal, como se estivéssemos sentados 
à mesa de um bar, batendo papo. A primeira palavra é nada menos do que 
“bora”, um coloquialismo que parte da redução da expressão “vamos embora” 
para significar “vamos fazer isso”. E segue nesse ritmo com expressões do 
mesmo gênero: “nega fodona”, “atchins” e “vilge”. 
Esse grau de informalidade apela para uma intimidade com o leitor, 
fazendo-o se sentir muito próximo do escritor. Essa proximidade, no entanto, 
servirá para o bem e para o mal. Se por um lado pode aproximar o leitor, por 
 
 
18 
outro pode afastá-lo com a mesma intensidade quando ele não se sentir em 
sintonia com o autor. 
 
TEMA 4 – O TEXTO DIGITAL 
Neste tema, veremos a questão do texto digital sob vários aspectos, 
considerando as questões abordadas quando estudamos intertextualidade, a 
relação entre texto e imagem e a informalidade, cada vez mais presente quando 
se escreve para a internet, já que não há como negar que o ambiente digital 
representou um forte impulso de informalidade para a escrita de forma geral. 
Acesse a Biblioteca Virtual, por meio do único, e procure pelo livro 
“Hipertexto Hipermídia - as novas ferramentas da comunicação digital”, 
organizado por Pollyana Ferrari (São Paulo: Contexto, 2007). Leia 
especialmente os seguintes capítulos: 
 Blog: uma ferramenta para o jornalismo (p. 41), de André Borges; 
 Da rigidez do texto à fluidez do hipertexto (p. 69), de Urbano Nobre 
Nojosa; 
 A linguagem audiovisual do hipertexto (p. 107), de Vicente Gosciola; 
 Elementos das narrativas digitais (p. 121), de Nora Paul; 
 A não linearidade do jornalismo digital (p. 141), de Nora Paul; 
 Navegação e construção de sentidos (p. 149), de Taís Bressane. 
Quando a internet comercial surgiu, no início dos anos 1990, o paradigma 
vigente era o que se convencionou chamar de web 1.0. Algumas pessoas, com 
conhecimento avançado de linguagem de programação, detinham as chaves do 
reino, disponibilizando o conteúdo para terceiros. Era uma via de mão única, mas 
 
 
19 
já bastante revolucionária, como o próprio nome já sugeria. A internet era uma 
teia de informação que nascia intercruzada e em perspectiva, com a lógica 
intertextual já presente em sua gênese. Mas as coisas mudariam de fato na 
"revolução" seguinte. 
A web 2.0, surgida no começo dos anos 2000, mudou tudo por ser 
colaborativa.Não há mais separação entre quem produz e quem compartilha. É 
a internet dos blogs, das redes sociais, dos comentários, do texto de opinião, da 
polifonia e da polissemia. Todos podem ser produtores de conteúdo em 
particular, com direito a um pitaco definitivo sobre qualquer assunto. É a internet 
da leviandade, mas também da construção coletiva do conhecimento. A 
Wikipedia, as ferramentas de produção coletiva de textos e as redes sociais são 
a sua cara. 
Um exemplo de como o poder da colaboração virtual pode influenciar 
nossas vidas está descrito na matéria abaixo, sobre a contribuição dos usuários 
do Reddit e do 4chan, sites do tipo “bulletin board” colaborativo, para identificar 
os autores do atentado terrorista na Maratona de Boston: 
http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/reddit-e-4chan-tentam-
achar-suspeitos-de-ataque-em-boston 
A segunda característica da web 2.0 é que ela não se restringe ao texto 
escrito. Tecnologias como Flash (hoje já datada) e HTML5 permitem que o texto 
se integre com o espaço virtual onde se lê, mesclando vídeos e imagens e 
aumentando o potencial informativo da leitura. A ideia é permitir que o leitor 
manipule a informação e a absorva de uma maneira particular, já que ele pode 
escolher como estabelecerá sua relação com a reportagem. 
A descentralização dos grandes conglomerados de mídia — que permite 
a qualquer pessoa se tornar um repórter — junto ao potencial multimidiático das 
plataformas on-line fizeram com que veículos nascidos para a internet 
ganhassem mais e mais notoriedade. Correspondentes de blogs de política são 
credenciados para cobrir a Casa Branca, sede do governo estadunidense. 
 
 
20 
Políticos e governantes já entendem que as mídias digitais são tão importantes 
quanto as mídias tradicionais, e por isso merecedoras de sua atenção. 
O presidente Barack Obama já deu uma entrevista para o “WTF”, podcast 
de Marc Marron, e lançou seu programa de saúde no “Between two Ferns”, show 
de entrevistas apresentado pelo comediante Zach Galifianakis. No Brasil, ainda 
não temos casos como esse. 
Para o Jornalismo, os dois conceitos próprios da web 2.0 que mais 
importam são os blogs e as redes sociais, o que gera complicações específicas 
dentro do que vínhamos discutindo. Afinal, eles (blogs e redes sociais) podem 
ser pensados como veículos próprios e independentes, como parte de um 
contexto maior de produção de conteúdo — caso em que se constituem em uma 
maneira particular de escrita — ou ainda como elementos dentro de uma linha 
editorial mais ampla, como os blogs dentro do site de um jornal. 
Acessando os links a seguir você vê o exemplo de dois blogs de cinema 
chamados “Blog da Ana Maria Bahiana” e “Cinema com Rapadura”: 
http://anamariabahiana.blogosfera.uol.com.br/ 
http://cinemacomrapadura.com.br/ 
No caso de Ana Maria Bahiana, seu blog funciona com a mesma lógica 
de uma coluna em um jornal impresso. Seus textos refletem diretamente sua 
opinião e são publicados sem precisar passar pelo crivo de um editor, desde que 
respeitem a linha editorial do UOL. Ou seja, seu espaço possui uma lógica 
própria em diálogo com a do veículo que o suporta. 
Já o blog “Cinema com Rapadura” é um veículo próprio, que segue regras 
próprias de funcionamento com sua própria linha editorial. Mesmo sendo 
parceiro do “Diário do Nordeste” (como o header indica), o conteúdo do jornal 
não tem vinculação direta com o conteúdo produzido no blog. 
 
 
21 
Como os blogs são próprios da cultura pop, é fácil pensá-los como sempre 
voltados para o entretenimento ou mesmo para a lógica confessional, da onde 
surgiu seu nome (weblog, ou seja, acesso pessoal de rede, o que levou a ser 
usado originalmente como um diário virtual). Mas há muitos blogs de linha bem 
séria, dedicados a assuntos “duros”, como a política. 
Um bom exemplo é o “Blog do Noblat”, de Ricardo Noblat, autor de "A Arte 
de Fazer Jornal Diário", um dos colunistas mais respeitados na imprensa 
nacional. 
http://noblat.oglobo.globo.com/ 
Os blogs não têm uma linguagem própria e, por isso, podem ser 
facilmente adaptáveis para qualquer tipo de projeto editorial, seja ele particular 
ou integrado em um contexto maior de mídia. Também a natureza do conteúdo 
pode ser de grande diversidade: é possível ter um blog para uma organização 
científica, para uma empresa, uma escola, um hospital, um cachorro — sim, já 
cachorros que têm blog — etc. 
Já nas redes sociais a formatação e a linguagem tendem a ser bastante 
específicas e, em alguns casos, até os conteúdos são bastante direcionados. 
Cada uma delas exige um tom específico, o que torna um desafio trabalhar um 
conteúdo central em diversos veículos distintos. 
A brevidade do Twitter, cuja informação completa precisa caber em 140 
caracteres, traz um desafio de ordem completamente diferente da informalidade 
do Facebook, que exige imagens de destaque e um texto pendendo para o 
sensacionalismo, atraindo comentários, curtidas e compartilhamentos, que 
deverão resultar em acessos ao site principal. 
Na prática: compare como os veículos se comportam em diferentes redes 
sociais. Observe o tratamento dado às mesmas matérias no Facebook e no 
Twitter, por exemplo. O que muda na linguagem empregada? Seguem abaixo 
algumas sugestões de sites: 
 
 
22 
G1 
https://twitter.com/g1 
https://www.facebook.com/g1 
Buzzfeed 
https://twitter.com/buzzfeedbrasil 
https://www.facebook.com/BuzzFeedBrasil/ 
Folha de S. Paulo 
https://twitter.com/folha 
https://www.facebook.com/folhadesp 
Gazeta do Povo 
https://www.facebook.com/gazetadopovo 
https://twitter.com/gazetadopovo 
Facebook e Twitter são as redes sociais tidas como obrigatórias, já que 
têm maior popularidade. Mas não necessariamente as mais interessantes. 
Estamos diante de uma nova revolução que poderá implicar uma pulverização 
das redes sociais, que passariam a se organizar em nichos. Já há documentação 
de uma tendência segundo a qual jovens não se interessam pelo Facebook 
(careta demais) ou pelo Twitter (rápido e desorganizado), manifestando 
preferência para a comunicação mais imagética e pretensamente interpessoal 
proporcionada pelo Snapchat. Isso quer dizer que, possivelmente, a hegemonia 
da dupla Facebook e Twitter esteja com os dias contados. 
Até pouco tempo atrás, o Pinterest seria o melhor lugar para se publicar 
conteúdo de natureza marcadamente visual, mas ele logo deu lugar ao 
Instagram, que teve que oferecer a opção de vídeos curtos quando começou a 
 
 
23 
perder espaço para o Vine, que, por sua vez, era completamente diferente do 
YouTube, o que obrigou o Google a fazê-lo funcionar com a mesma lógica de 
rede social, oferecendo perfis para as pessoas. 
Os serviços são específicos e mudam rapidamente. É preciso não apenas 
compreender como trabalhar conteúdo, relacionado à linha editorial do veículo, 
como também saber em quais investir e por quanto tempo. Em um mundo em 
constante mutação, o que pode ser um grande desafio. 
TEMA 5 – TEXTO DE OPINIÃO 
Neste tema, iremos falar sobre um tipo de texto específico: o opinativo. 
Dar uma opinião sobre qualquer assunto sempre será uma questão bastante 
pessoal, pois o caráter desta opinião estará intimamente ligado à vivência de seu 
proponente, o que ele ou ela sabe sobre o assunto e quais seus interesses em 
defender uma determinada ideia. Por isso, o texto opinativo é necessariamente 
autoral, diferentemente do texto informativo, que muitas vezes não traz a 
assinatura de seu autor. 
Acesse a Biblioteca Virtual, por meio do Único, e procure pelo livro “A arte 
de escrever bem – um guia para jornalistas eprofissionais do texto”, de Dad 
Squarisi e Arlete Salvador (São Paulo: Contexto, 2009). Leia o capítulo “Opine, 
não ache” (p. 75 a 79) e complemente seus estudos! 
Para efeitos didáticos, podemos opor estes dois tipos de texto: 
 Opinativo: um texto em que se argumenta em favor de uma ideia e, 
por isso, expressa a opinião de alguém; 
 Informativo: um texto em que o objetivo principal é transmitir 
informações de forma imparcial, o que em muitos casos torna sua 
autoria pouco ou nada relevante. 
Na prática, porém, não é tão fácil separar esses dois tipos de texto. Por 
um lado, o texto opinativo deverá fornecer informações confiáveis para embasar 
 
 
24 
seus argumentos se realmente tiver o objetivo de convencer seu leitor. Por outro, 
o autor de um texto informativo seleciona e apresenta as informações de uma 
determinada maneira, o que pode revelar intenções que vão além da mera 
reprodução de dados concretos sobre o mundo. 
Que tal fazermos um teste? 
Leia as cinco frases dispostas abaixo. Julgue se o que é dominante nelas 
é uma informação concreta ou uma opinião de alguém e classifique-as a partir 
desse julgamento como informativas (I) ou opinativas (O). Em seguida, compare 
sua classificação com a de outro colega. 
a) O aborto é uma questão de saúde pública. 
b) O Brasil não é um país racista. 
c) A “teoria da evolução das espécies”, de Charles Darwin, explica como o 
homo sapiens surgiu na terra. 
d) Quanto mais dinheiro uma pessoa tem, mais provável é que ela seja feliz. 
e) Maltratar animais é tão errado quanto maltratar seres humanos. 
Pode ser bem complicado separar fatos de opiniões, não é mesmo? 
Se olharmos para o passado, veremos que muitas “verdades científicas”, 
afirmações que já foram aceitas como absolutamente inquestionáveis, são hoje 
risíveis — “o sol gira em torno da terra”, por exemplo. Há uma piada entre os 
cientistas que explicita essa descrença no poder revelador dos fatos que, na 
ciência, costumam ser traduzidos em números: “estatística é a arte de torturar 
os números até que eles digam o que você quer ouvir”. 
Sabemos que é muito difícil produzir um texto completamente isento de 
opinião. Todavia, isso não significa que a busca pela imparcialidade deixe de ser 
um princípio válido na redação jornalística, assim como na ciência. Ainda que a 
identidade de um autor esteja sempre presente na sua escrita, “contaminando” 
 
 
25 
sua imparcialidade, ele ou ela deverá escolher entre tentar escrever de forma 
imparcial ou não, e sua escolha terá efeitos bastante concretos no resultado final 
do texto. 
Hoje em dia somos bombardeados por informações ininterruptamente, já 
que vivemos conectados a “fontes de informação” inesgotáveis, como o 
Facebook, o e-mail, o WhatsApp, os portais de informação etc. Também somos 
frequentemente pressionados a nos posicionar nas redes sociais sobre as 
polêmicas do momento, sejam elas oriundas do último caso de corrupção no 
governo federal ou sobre a nova gatinha de uma celebridade qualquer. 
Uma certa descrença no poder último da ciência em determinar o que é 
verdade associada às pressões midiáticas pela nossa opinião a todo instante 
produz um cenário de confusão em que se poderia facilmente cair na falácia de 
que tudo é opinião e de que todas as opiniões são igualmente válidas. 
 Nada mais falso. Há dois aspectos centrais que podem nos iluminar 
nesse “caos opinativo”: a argumentação e a análise de pontos de vista 
distintos. Um bom texto opinativo é aquele que consegue construir uma 
argumentação sólida, o que não é possível quando não se conhece pontos de 
vista diferentes dos que você defende. Qualquer redator que deseje escrever 
bons textos opinativos, portanto, deverá saber como manusear esses dois 
elementos no texto. Vejamos agora, a partir de alguns textos da imprensa, como 
eles se manifestam. 
Elementos da argumentação 
É possível escrever dois textos completamente diferentes a partir dos 
mesmos dados. A forma como se realiza a organização lógica dos fatos 
apresentados, bem como o valor conferido a eles dentro da argumentação, é o 
que dá sentido a um texto opinativo e revela as intenções de quem escreve. 
Num texto opinativo, portanto, não basta “mostrar” as coisas, é preciso 
dizer quais são as relações lógicas entre elas, suas causas e consequências, 
 
 
26 
pois o que se busca é convencer o leitor de um determinado ponto de vista, ou 
ao menos provocá-lo a pensar sobre o tema. 
Jornais e revistas cedem seu espaço para que intelectuais de destaque, 
jornalistas ou não, escrevem textos de opinião. Os que publicam com 
periodicidade determinada são os chamados “colunistas”. Em geral, possuem 
liberdade para expressar suas opiniões, que não são necessariamente as 
mesmas opiniões do veículo em que escrevem. Os veículos de comunicação, 
por sua vez, expressam sua opinião nos editoriais, que podem ser assinados 
por uma única pessoa, o editor, ou podem representar um grupo de editores. 
Vejamos um exemplo desse tipo de texto, do qual extraímos alguns excertos: 
Resposta Necessária (Folha de São Paulo, 27/11/2015) 
Em boa hora a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) ajuizou ação no Supremo 
Tribunal Federal na qual pede a declaração de inconstitucionalidade da recém-aprovada Lei do 
Direito de Resposta. 
(...) 
Imagine-se que um juiz deu razão a uma pessoa que tenha se declarado ofendida por 
determinada reportagem; a sentença obriga o órgão a publicar a resposta; deve fazê-lo em 24 
horas, sob pena de precisar pagar multa elevada. 
Caso queira se defender dessa decisão, o órgão poderá, naturalmente, contar com o 
reexame da situação por um tribunal. Precisará esperar, entretanto, que um colegiado de 
desembargadores se reúna; caso isso não aconteça a tempo –o que decerto constituirá a regra–
, terá de arcar com os termos da sentença. 
Não espanta que esse estapafúrdio juízo colegiado não figure em nenhuma outra parte 
do ordenamento jurídico brasileiro. Sua existência contraria os princípios do contraditório e da 
ampla defesa, duas garantias banidas somente por governos ditatoriais. 
(...) 
Esta Folha, não custa repetir, tem defendido a criação de uma lei específica para regular 
o direito de resposta. Isso é necessário tanto para assegurar prazos razoáveis a ambas as partes 
como para definir os parâmetros de sua utilização. 
 
 
27 
Obviamente, nada disso pode ser feito em desrespeito à Constituição. Dessa lição 
básica, contudo, o legislador se esqueceu – e só o Supremo Tribunal Federal, agora, pode aplicar 
o devido corretivo. 
Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2015/11/1711733-resposta-
necessaria.shtml>. Acesso em: 10 maio 2016. 
Neste editorial, a leitura do título e do primeiro parágrafo já deixa claro ao 
leitor qual é o assunto do texto e qual a posição tomada por quem escreve: opor-
se à nova Lei do Direito de Resposta. Essa interpretação se torna inequívoca a 
partir do emprego de dois adjetivos: “necessária”, no título, e “boa”, na primeira 
frase. 
Uma vez estabelecido o assunto e a posição que o autor toma em relação 
a ele, o restante do texto será dedicado à argumentação em defesa desse ponto 
de vista. Neste sentido, o texto expõe, hipoteticamente, as consequências da lei 
e as qualifica como resultado de um “estapafúrdio juízo colegiado”. 
Por fim, o texto se mostra favorável à inspiração da lei, reconhecendo que 
ela é necessária, ainda que sua forma atual seja equivocada. Aqui temos, 
portanto, muito mais do que a mera exposição de um fato seguida de um 
julgamento de valor sobre ele, temos a formulação de hipóteses que reforçam 
esse julgamento e também o reconhecimento parcial doponto de vista contrário, 
que é a necessidade da criação de uma lei que verse sobre o assunto. 
Vejamos agora um exemplo de outra natureza, no caso de um texto de 
colunista. Maria Rita Khel era colunista do jornal “O Estado de São Paulo”, no 
qual publicou o texto “Dois Pesos...” durante a corrida presidencial de 2010, 
quando José Serra e Lula se enfrentaram no segundo turno. 
O texto causou muita polêmica e resultou na sua demissão. Ela mais tarde 
alegaria que fora demitida por “um delito de opinião”. Abaixo reproduzimos 
trechos do texto. 
Dois Pesos... (O Estado de São Paulo, 02/10/2010) 
 
 
28 
Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o 
candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas 
páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se 
declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da 
República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais 
ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos 
luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do 
Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro. 
Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior 
do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de 
mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos 
pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo 
Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. 
Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola. 
Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. 
Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, 
indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de 
que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais 
ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto 
chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os 
verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais 
que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha 
questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do 
emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e 
aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do 
mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para 
quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola. 
(...) 
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância 
e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo 
interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-
cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos 
cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos. 
Disponível em: <http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,dois-pesos-imp-,618576>. Acesso 
em: 10 maio 2016. 
 
 
29 
Ao mencionar, no início do texto, que o veículo de imprensa em que 
escreve assumiu uma posição quanto à disputa eleitoral, a autora não chega a 
afirmar sobre o que os “dois pesos” mencionados no título se referem, mas já 
nos dá uma pista: trata-se de discutir o posicionamento político no conturbado 
ambiente de véspera de eleição, que é descrito no restante do parágrafo. No 
segundo parágrafo, ela declara seu argumento principal: a desqualificação do 
voto dos mais humildes por parte do mais ricos, e suas verdadeiras motivações, 
que ela pretende revelar. 
A partir disso, a autora constrói sua argumentação por meio da 
contestação, muitas vezes irônica, do ponto de vista oposto ao seu. Esse tipo de 
argumentação é muito contundente, pois se apropria das palavras do outro e 
confere a elas uma determinada interpretação, apenas para refutá-la. 
Observe este trecho: “Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem 
mais pés de chinelo como antigamente”. Aqui, a argumentação da autora conclui 
que quem defende o ponto de vista da desqualificação do voto dos humildes são 
as mesmas pessoas que pensam dessa forma, ou seja, que diriam frases 
ofensivas como aquelas. 
Essa estratégia de argumentação é bastante agressiva e não deixa 
espaço para o consenso, pois separa claramente dois lados opostos numa luta 
em que o objetivo é derrubar o adversário. Ainda assim, seria justificável demitir 
a colunista por isso? O fato é que a demissão dela teve uma forte repercussão 
negativa para o jornal e foi debatida pelo “Observatório da Imprensa”. 
Para conferir a entrevista com Maria Rita Khel a respeito de seu polêmico 
texto de opinião, seguida por uma entrevista com um diretor do jornal, acesse o 
link a seguir: 
http://observatoriodaimprensa.com.br/imprensa-em-questao/fui-demitida-
por-um-delito-de-opiniao/ 
 
 
30 
TROCANDO IDEIAS 
Escolha um tema polêmico e construa um painel de discussão, por meio 
de um wiki sobre o assunto. Trabalhe em equipes. Os membros da equipe 
deverão se revezar expondo seus pontos de vista, que devem sempre discordar, 
ainda que em parte, do texto anterior. 
O que importa é o exercício de argumentação e a construção de hipóteses 
a partir de fatos e dados, com consequências lógicas. Cada texto deverá ter entre 
120 e 150 palavras. 
NA PRÁTICA 
Imagine a seguinte situação: a Associação de Moradores do seu bairro 
anda meio abandonada. Poucas pessoas estão participando das discussões e 
ajudando a resolver os problemas. A presidente entendeu que se trata de um 
problema de comunicação, já que a associação não dispõe de nenhum canal 
virtual. Assim, você foi convidado a elaborar um blog, uma conta de Twitter e 
uma página no Facebook. 
Seu primeiro objetivo é trazer as pessoas para a próxima reunião da 
associação, que planeja discutir o problema da segurança no bairro. Nessa 
pauta, há uma questão polêmica: muitos moradores têm adquirido cachorros 
ferozes para proteger suas residências, mas esta medida implica riscos para 
toda a comunidade, pois esses animais podem fugir e atacar pessoas na rua. Já 
houve um caso em que um cachorro fugiu de seu dono e atacou outro animal, 
menor, de um vizinho, causando-lhe graves ferimentos. 
Escreva um texto expondo o problema no blog e conclamando os 
moradores a participarem da reunião. Em seguida, elabore três posts para o 
Facebook e três tuítes para a divulgação do fato. 
 
 
31 
SÍNTESE 
Nesta aula, estudamos diversos aspectos referentes à produção textual. 
Iniciamos falando sobre a intertextualidade, conceito fundamental que aponta 
para o caráter dialógico da linguagem, segundo o qual os textos que produzimos 
fazem parte de uma grande rede de trocas linguísticas. 
Em seguida, falamos das relações entre o texto e a imagem e da forma 
como na contemporaneidade a imagem tem se tornado a protagonista dos 
processos comunicativos, especialmente nas mídias digitais. 
Discutimos também a questão da formalidade do texto, o que nos remete 
às discussões em torno do estilo da escrita. Vimos como a linha editorial tem um 
papel definidornesse aspecto. Nosso quarto tema tratou do texto digital. 
Discutimos quais as características e tendências relacionadas à escrita no 
ambiente digital. 
Por fim, abordamos um gênero textual clássico: o texto de opinião. Em um 
universo midiático tão afoito por polêmicas, tornamo-nos comentaristas de tudo. 
Mas, para se escrever um bom texto opinativo, é preciso saber argumentar. Foi 
o que vimos através de alguns exemplos. 
Esperamos que você tenha aprofundado seu conhecimento sobre os 
processos de escrita e que possa agora colocá-los em prática para se tornar um 
escritor melhor. 
 
REFERÊNCIAS 
ELIAS, Vanda; KOCH, Ingdore. Ler e Compreender os Sentidos do 
Texto. São Paulo: Contexto, 2010. 
FERRARI, Pollyana (Org.). Hipertexto Hipermídia - as novas 
ferramentas da comunicação digital. São Paulo: Contexto, 2007. 
 
 
32 
LAGE, Nilson. Linguagem Jornalística. São Paulo: Ática, 2006. 
SALVADOR, Arlete; SQUARIZI, Dad. A arte de escrever bem – um guia 
para jornalistas e profissionais do texto. São Paulo: Contexto, 2009. 
SCALZO, Marília. Jornalismo de Revista. São Paulo: Contexto, 2011. 
TREVISAN, Dalton. Em busca da Curitiba perdida. Rio de janeiro: 
Record, 1992.

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