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UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP
Instituto de Ciências Humanas
Curso de Psicologia
Disciplina: Psicopatologia Geral
Professor: Flávio Rossi Provazi
Aluno: Aline dos Santos Medeiros – RA: T910765
DALGALARRONDO, P. A memória e suas alterações. In: DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais: Porto Alegre, Artmed, 2000. Cap.15, p.137-154.
A MEMÓRIA E SUAS ALTERAÇÕES - Capítulo 15
A memória é a capacidade de registrar, manter e evocar os fatos já ocorridos a capacidade de memorizar relaciona - se intimamente com o nível de consciência, com a atenção e com o interesse afetivo. Tudo o que uma pessoa aprende em sua vida depende intimamente da capacidade de memorização. A memória pode ser distinguida através dos seguintes tipos: 
Memória Genética – conteúdos de informações biológicas contidas no material genético, adquiridas ao longo da história filogenética da espécie; 
Memória Imunológica – conjunto de informações registradas e recuperáveis pelo sistema imunológico de um ser vivo; 		
Memória Cognitiva – atividade total mente diferenciada do sistema nervoso, que permite ao indivíduo registrar, conservar e evocar dados aprendidos da experiência. A memória cognitiva é composta de três fases: Fase de percepção, registro e fixação; Fase de retenção e conservação; Fase de reprodução e evocação. 
Memória Cultural – um conjunto de conhecimentos e práticas culturais (costumes, valores, habilidades artísticas e estéticas, preconceitos, ideologias, estilo de vida, etc.) produzidos, acumulados e mantidos por um grupo social minimamente estável. 
FATORES PSICOLÓGICOS DO PROCESSO DE MEMORIZAÇÃO
 O processo de fixação depende, do ponto de vista psicológico, de 
– Nível de consciência e estado geral do organismo
– Atenção global e capacidade indivíduo concentrar- se
– Sensopercepção preservada 
– Interesse emocional relacionado ao conteúdo a ser fixado, assim como do empenho do indivíduo em aprender 
– Conhecimento anterior, elementos já conhecidos ajudam a adquirir elementos novos
– Capacidade de compreensão do conteúdo a ser fixado 
– Canais senso perceptivos envolvidos na percepção, já que, quanto maior o número de canais sensoriais, mais eficaz a fixação. Ex: Visão + Audição 
A conservação (retenção) depende da repetição do conteúdo fixado e associações com outros elementos. A evocação é a capacidade de recuperar e atualizar os dados fixados. Já o esquecimento é a impossibilidade de evocar e recordar. O reconhecimento é a capacidade de identificar o conteúdo mnêmico como lembrança e diferencia-lo da imaginação e de representações atuais. 										Em relação ao processo temporal de aquisição e evocação dos elementos, dividimos a memória em três fases ou tipos: 
Memória imediata ou de curtíssimo prazo: é aquela que tem uma capacidade limitada e é a capacidade de manter o material (que são palavras, números, imagens, etc.) imediatamente após ser percebido; Este tipo de memória confunde - se com a atenção e com a memória de trabalho (que será vista adiante), pois é a capacidade de reter o material (palavras, números, imagens, etc.) imediatamente após ser percebido. A memória imediata tem capacidade limitada e depende da concentração, da fatigabilidade e de certo treino. As memórias imediatas e de trabalho dependem sobretudo da integridade das áreas pé -frontais. 
Memória recente ou de curto prazo: também é um tipo de memória limitada e mantém a informação por um período curto de tempo, desde alguns minutos até meia ou uma hora; 2. Memória recente ou de curto prazo (de poucos minutos: 3 a 6 horas). Refere-se à capacidade de reter a informação por curto período. Também é um tipo de memória de capacidade limitada. A memória recente depende de estruturas cerebrais das partes mediais dos lobos temporais, como a região do hipocampo, do córtex entorrinal, assim como do córtex parietal posterior 
Memória remota ou de longo prazo: é a capacidade de evocação de informações e acontecimentos ocorridos no passado após meses ou anos do evento. Memória remota ou de longo prazo (de meses até muitos anos). É a capacidade de evocação de informações e acontecimentos ocorridos no passado, geralmente após muito tempo do evento (pode durar por toda a vida). É um tipo de memória de capacidade bem mais ampla que a imediata e a recente. Acredita-se que a memória remota relaciona- se tanto ao hipocampo (no processo de transferência de memórias recentes para remotas) como as amplas e difusas áreas corticais, principalmente frontais, incluindo todos os outros lobos cerebrais, sobretudo em suas áreas corticais de associação. 									Quanto ao esquecimento também se dá por três vias: 
Normal (fisiológico): por desinteresse do próprio indivíduo ou por desuso da informação retida; 									
Por repressão : quando se trata de um material desagradável ou pouco importante para o indivíduo, podendo, no entanto, o sujeito, por esforço próprio, voltar a recordar certos conteúdos reprimidos (que ficam estocados no pré-consciente) 
Esquecimento por recalque: é um tipo de esquecimento onde certos conteúdos mnêmicos, devido ao fato de serem emocionalmente insuportáveis, são banidos da consciência, podendo ser recuperados apenas em circunstâncias especiais. 
TIPOS ESPECÍFICOS DE MEMÓRIA
 	Com o avançar das neurociências, atualmente não se pode mais falar em memória, mas sim em memórias ou tipos específicos de memória. Distinguem- se os tipos de memória de acordo com o caráter consciente ou não - consciente do processamento do conteúdo mnêmico e, principalmente, segundo as áreas e estruturas cerebrais envolvidas. 				Esses tipos são, atualmente, as principais formas de memória de interesse à semiologia neurológica, psiquiátrica e neuropsicológica. São eles: Memória de Trabalho, Memória Episódica, Memória Semântica e Memória de Procedimentos. 
Memória de trabalho: a memória de trabalho é, na verdade, a combinação de habilidades de atenção (capacidade de prestar atenção e de concentração) e da memória imediata. São exemplos de memória de trabalho ao ouvir um número telefônico, retê-lo na mente, para, em seguida, discar, assim como, quando ao dirigir em uma cidade desconhecida, perguntar sobre um endereço, receber a informação e a sugestão do trajeto e, mentalmente, executar o itinerário de forma progressiva. A memória de trabalho é, de modo geral, explícita e declarativa. 
Memória episódica: esta é possivelmente a forma mais relevante de memória para a clínica neurológica, psiquiátrica e neuropsicológica. Trata - se de uma forma de memória explícita e declarativa relacionada a eventos específicos da experiência pessoal do indivíduo, ocorridos em determinado contexto. 
Memória semântica: esse tipo de memória se refere a aprendizado, conservação e utilização de algo que pode ser designado como o arquivo geral de conceitos e conhecimentos factuais do indivíduo. Assim, conhecimentos como a cor de um leão (marrom) ou de um papagaio (verde), ou quem foi o maior jogador de futebol do Brasil (Pelé) são de caráter geral e se cristalizam por meio da linguagem, ou seja, também são de caráter semântico. Assim como a memória episódica, a memória semântica é sempre explícita e declarativa. 
Memória de procedimentos: trata- se de um tipo de memória automática, geralmente não- consciente. Exemplos desse tipo de memória são habilidades motoras e perceptuais mais ou menos complexas (andar de bicicleta, digitar no computador, tocar um instrumento musical, bordar, etc.), habilidades viso espaciais (como a capacidade de aprender soluções de labirintos e quebra- cabeças) e habilidades automáticas relacionadas ao aprendizado de línguas ( regras gramaticais incorporadas na fala automaticamente, decorar a conjugação de verbos de uma língua estrangeira, etc.).
 ALTERAÇÕES PATOLÓGICAS DA MEMÓRIA 
Alterações Quantitativas 
Hipermnésias: as representações mnêmicas afluem rapidamente, em tropel,ganhando em número, porém perdendo em clareza e precisão. Traduz-se mais como uma aceleração do ritmo psíquico do que uma alteração propriamente da memória; Amnésias: Denomina - se amnésia, de forma genérica, a perda da memória, seja a da capacidade de fixar ou a da capacidade de manter e evocar antigos conteúdos mnêmicos .
Amnésias psicogênicas: consiste na perda de elementos psíquicos que tem um valor psicológico específico (valor simbólico ou afetivo), onde o indivíduo esquece de um evento da sua vida que teve um significado especial para a pessoa, mas o mesmo consegue se lembrar de tudo que o correu ao seu redor. 
 Amnésia orgânica: é quando se perde primeiro a capacidade de fixação das memórias imediatas e recentes e em estados avançados da doença, chega também a afetar a memória remota ou de longo prazo.
Amnésia anterógrada: consiste na incapacidade de fixar elementos mnêmicos a partir do momento em que o correu o evento, ou seja, após um trauma cranioencefálico.
Amnésia Retrógrada: é a perda da memória onde o indivíduo esquece fatos remontados a antes do início da doença. 
ALTERAÇÕES QUALITATIVAS DA MEMÓRIA (PARAMNÉSIAS) 
É uma deformação do processo de evocação de conteúdos mnêmicos fixados, onde o indivíduo tem uma lembrança deformada que não corresponde a sensopercepção original. Os principais tipos de paramnésias são: 
 Ilusões mnêmicas: quando há um acréscimo de elementos falsos a um núcleo verdadeiro de memória, como por exemplo, um paciente afirma ter tido uma centena de filhos, quando que na realidade, só tivera um filho; 
Alucinações mnêmicas: são verdadeiras criações imaginativas com a aparência de lembranças ou reminiscências não correspondentes a nenhum elemento mnêmico ou nenhuma lembrança real e verdadeira. Essas ilusões e alucinações mnêmicas constituem muitas vezes o material para a formação de delírios; 
Fabulações (ou confabulações): Casos onde o paciente completa com suas lembranças ou sua imaginação os espaços de sua memória. São invenções e criações da imaginação do individuo.
Criptomnésias: consiste em um falseamento da memória na qual as lembranças aparecem como fatos novos ao paciente, onde o mesmo não reconhece como lembranças, vivendo- a como se fosse um acontecimento novo; 		 
Ecmnésia: é uma recapitulação e revivência intensa, abreviada e panorâmica da existência, ou seja, uma recordação condensada do passado, que ocorre num breve período de tempo; 
Lembrança obsessiva: é uma ideia fixa, ou seja, o surgimento de imagens mnêmicas ou conteúdos ideativos do passado, onde uma vez instalados na consciência, não podem ser afastados voluntariamente pelo indivíduo. 
 ALTERAÇÕES DO RECONHECIMENTO 
As alterações do reconhecimento se dividem em dois grupos: Agnosias (comumente de origem cerebral) e transtornos do reconhecimento (sem base orgânica definida) associados a transtornos psiquiátricos. 										As agnosias (que significa incapaz de conhecer) são déficits do reconhecimento de estímulos sensoriais, objetos e fenômenos que não podem ser explicados por um déficit sensorial, por distúrbios da linguagem ou por perdas cognitivas globais. São classificadas, de modo geral, segundo a modalidade sensorial na qual o indivíduo perdeu a capacidade de reconhecimento. Definem- se, então, as agnosias visuais, táteis e auditivas e as agnosias para percepções complexas. 
1. As agnosias táteis, divididas em dois subtipos : a astereognosia, na qual o paciente é incapaz de reconhecer as formas dos objetos colocados em suas mãos, estando o mesmo de olhos fechados; e a agnosia tátil propriamente dita, na qual, apesar de o paciente identificar as formas elementares do objeto, há incapacidade de reconhecimento global de tal objeto ;
2. As agnosias visuais são aquela nas quais o paciente não consegue mais reconhecer, pela visão, deter minados objetos; enxerga-os, pode descreve-los, mas não sabe o que realmente são. 
3. A prosopagnosia era considerada a agnosia de reconhecimento de faces previamente conhecidas. Entretanto, expandiu- se o conceito de prosopagnosia, incluindo a incapacidade de reconhecer membros específicos de determinado grupo genérico de coisas, como certo tipo ou marca de carro no meio de vários carros, determinada casa entre várias casas, uma face específica em meio a várias faces. 
4. A agnosia auditiva é a incapacidade de reconhecer sons (sem haver déficit auditivo) não- linguísticos (agnosia auditiva seletiva) ou linguísticos (agnosia verbal). A agnosia verbal, ou surdez verbal pura, ocorre por lesão da área auditiva primária bilateralmente ou por certas lesões subcorticais caprichosas (a chamada disfasia auditiva subcorticais). O paciente pode falar, ler e escrever correta e fluentemente; entretanto, não entende qualquer palavra falada que ouve, apenas as reconhece como ruídos. 
5. A anosognosia é a incapacidade de o doente reconhecer um déficit ou uma doença que o acomete. Tipicamente, o paciente não reconhece, por exemplo, que tem o hemicorpo esquerdo parético ou mesmo paralisado, chegando mesmo a não identificar a existência de um membro ou de um hemicorpo. A anosodiaforia é a incapacidade de o paciente reconhecer o estado afetivo no qual se encontra. Já a simultanagnosia é a incapacidade de reconhecer mais de um objeto ao mesmo tempo. 
 6. A grafestesia é o reconhecimento da escrita pelo tato. Escrevem- se, na mão do paciente, letras ou números com um objeto semelhante a uma caneta (mas sem a tinta) e pede- se que ele os reconheça com os olhos fechados. O comprometimento da grafestesia é um indicativo de perturbação do reconhecimento por déficit da integração sensório- motora no nível cortical. 
7. Alguns pacientes conseguem identificar e nomear adequadamente o hospital no qual se encontram; entretanto, afirmam que ele é próximo à sua residência ou, a inda, reconhecem o hospital, mas afirmam (incorretamente) que este se situa em sua cidade. Tal déficit de reconhecimento foi denominado paramnésia reduplicativa. 
 	Já os transtornos do reconhecimento associados a transtornos psiquiátricos se dividem em dois: 	
Falso reconhecimento, quando o paciente identifica alguém como o médico ou o psicólogo, o enfermeiro, o vizinho ou qualquer outra pessoa como se fosse alguém de sua família ou um velho conhecido.						
 Falso desconhecimento, ocorre quando há o não reconhecimento de pessoas muito familiares (como o pai, a mãe, a esposa, os filhos, etc.), onde o paciente afirma piamente não conhece- lós. 
 Alterações do reconhecimento não- delirante
Conhecido como o fenômeno do “já visto ou vivido”, sensação ou impressão de que determinada situação já foi experenciada. (Déja-vu). Contrário a este, há o fenômeno “jamais visto”, onde o individuo mesmo já tendo vivenciado determinada situação, tem a certeza que nunca viu, conheceu ou viveu aquilo. Esses fenômenos costumam ocorrer em decorrência de grande fadiga e estafa. Não são necessariamente patológicos, mas sim indícios de grande esgotamento.

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