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Práticas Pedagógicas e Processos Cognitivos W B A 0 2 5 2 _ v1 _ 0 2/241 Práticas Pedagógicas e Processos Cognitivos Autoria: Luiza Cristina de Azevedo Ricotta Como citar este documento: RICOTTA, Luiza Cristina de Azevedo. Práticas Pedagógicas e Processos Cognitivos. Valinhos: 2017. Sumário Apresentação da Disciplina 04 Unidade 1: Modalidades e Estilos de Aprendizagem 08 Assista a suas aulas 37 Unidade 2: Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utiliza- ção da Informação 44 Assista a suas aulas 71 Unidade 3: Estratégias Cognitivas no Processo de Ensino-Aprendizagem 78 Assista a suas aulas 101 Unidade 4: Metacognição — Aprender a Ensinar em uma Perspectiva Metacognitiva 108 Assista a suas aulas 128 2/241 3/2413 Unidade 5: Estratégias Metacognitivas no Processo de Ensino-aprendizagem 135 Assista a suas aulas 154 Unidade 6: Instrumentos Metacognitivos para Avaliação do Processo de Ensino-aprendizagem 161 Assista a suas aulas 180 Unidade 7: Estilos de Aprendizagem de Kolb. O Inventário de Estilos de Aprendizagem de Kolb (ILS) 187 Assista a suas aulas 211 Unidade 8: Teoria da Mobilidade Cognitiva Estrutural de Reuven Feuerstein. Fatores de Desenvolvi- mento Cognitivo e Experiência de Aprendizagem Mediada 218 Assista a suas aulas 234 Sumário Práticas Pedagógicas e Processos Cognitivos Autoria: Luiza Cristina de Azevedo Ricotta Como citar este documento: RICOTTA, Luiza Cristina de Azevedo. Práticas Pedagógicas e Processos Cognitivos. Valinhos: 2017. 4/241 Apresentação da Disciplina Esta disciplina visa apresentar aos profis- sionais as Teorias de Aprendizagem que demonstram formas e estilos variados na maneira de aprender. Será determinante o modo como o indivíduo é capaz de processar suas informações e torná-las conhecimen- to, desde a sua assimilação, observação, produção, compreensão até a formulação de novos saberes. A disciplina também ex- põe como ocorrem os processos metacog- nitivos, nos quais a consciência do conheci- mento e a reflexão sobre o modo de pensar são capazes de possibilitar novas compre- ensões e, consequentemente, a expansão do conhecimento. Com a formulação de Te- orias de Aprendizagem, os estudos da psi- cologia e o surgimento da psicologia cogni- tiva nos trouxeram uma concepção amplia- da do que é inteligência, seu processamen- to e como pode ser estimulada, bem como as várias formas de aprender do indivíduo, a fim de atender aos interesses de aprendiza- gem de cada um e ao conhecimento que se aplica a todos nós. O funcionamento cerebral, utilizando os hemisférios direito e esquerdo, produzem conexões pelas células nervosas que, ao se conectarem com outras, formam uma gran- de rede por meio das sinapses, nas quais o indivíduo processa as informações que co- lhe do ambiente. Com essas conexões, é possível comparar, pensar, se emocionar, fazer escolhas, memorizar, além de outras funções possíveis no universo vasto que é a mente humana. 5/241 Essa grande rede de circuitos cerebrais são os registros das experiências que servem de estímulo para a ocorrência da aprendiza- gem: o desenvolvimento linguístico, a fala, bem como a escrita e tudo o que envolve a produção do pensar (analisar, observar, comparar, refletir). O processamento da informação conta também com a memó- ria, importante função que lhe permite ar- mazenar vivências, experiências, emoções, conteúdos e articulá-los entre si a ponto de poder utilizá-la novamente quando for ne- cessário, auxiliando na tomada de decisão e na capacidade de fazer escolhas. Veremos como a Teoria Experiencial de Aprendizagem de David Kolb, que em 1984 publicou o livro “Aprendizagem Experiencial: Experiência Como A Fonte de Aprendizagem e Desenvolvimento”, aborda o comportamento da aprendizagem pelo modo como diferen- tes pessoas podem aprender, reverencian- do os autores que iniciaram os estudos da Para saber mais Assista ao vídeo para entender a função e a or- ganização do sistema nervoso de forma geral, no qual podemos dar-nos conta sobre as contribui- ções da neurociência associada à educação.Dis- ponível em: <https://www.youtube.com/wat- ch?v=dGXOJXGCb68>. Acesso em 5 abr. 2017. https://www.youtube.com/watch?v=dGXOJXGCb68 https://www.youtube.com/watch?v=dGXOJXGCb68 6/241 Teoria Experiencial de Aprendizagem, como Piaget, Rogers e Jung no período de 1900. Os processos internos (mentais) cogniti- vos e metacognitivos serão apresentados, já que passam a ter uma importância vital na compreensão de como o ser humano aprende. E, se este aprende, como elege o que quer aprender? Tudo que está diante de si é uma oportunidade para aprender? Es- tes são questionamentos, como outros que este estudo suscitará: como associar aos estilos de aprendizagem presentes nos es- tágios do sentir ou pensar, do observar ou fazer – tidos como a combinação de dois ei- xos, conceituadas no Contínuo de Kolb: a) Contínuo de Processamento (o modo como abordamos uma tarefa). b) Contínuo de Percepção (o modo como nós nos sentimos a respeito do que nos interessa). Temos a contribuição da Teoria das Inteli- gências Múltiplas de Howard Gardner, o Mo- delo de Estilo de Aprendizagem de VAK (am- bas são influências da Teoria Experiencial) e a Teoria Cognitivista de Piaget, Vygotsky e Wallon. Veremos também o grande facilita- dor da aprendizagem, a Teoria da Aprendi- zagem Mediada de Feuerstein (no Tema 8), ao ressaltar que a mediação é consciente e direcionada para trocas e num fazer peda- gógico que conta com a participação dire- ta entre mediador (educador) que, com sua visão de mundo, contribui com leituras e auxilia o mediado (o educando) na tarefa de decifrar, pensar e aprender. 7/241 Aproveite! A prova maior é o fato de estar- mos aqui sendo estimulados a entender todo esse processo que ocorre conosco e, certamente, por isso nos propomos ao es- tudo: para que possamos aprender mais e sermos facilitadores da aprendizagem de outros. 8/241 Unidade 1 Modalidades e Estilos de Aprendizagem Objetivo 1. As Metodologias Ativas. 2. Novas Compreensões da Inteligência. 3. Estilos de Aprendizagem Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem9/241 1. Introdução Os desafios contemporâneos no tocante às mais variadas formas de aprender passam pelas chamadas “metodologias ativas”, que envolvem o educando num ritmo e dina- mismo maior. Envolvendo-os na mudança do padrão do pensamento e no aumento da capacidade de refletir e concluir posiciona- mentos. A grande transformação coletiva, social e comportamental vem modificando as formas de desenvolver novas ações pe- rante arealidade. O surgimento dessa abor- dagem tem sido uma resposta necessária para acompanhar a modificação de interes- ses e necessidades atuais. Alguns educado- res são resistentes à adoção do uso de me- todologias ativas nas práticas pedagógicas, receosos do rompimento com a tradição já que não tiveram acesso a tais conhecimen- tos, e, no contexto atual, são surpreendidos com a inovação no ensino e aprendizagem. Certamente, irão buscar um meio de inte- grar os conhecimentos, sem que seja neces- sário abandonar ou substituir inteiramente práticas pedagógicas que funcionem, e que se relaciona com o estilo do próprio profis- sional. É relevante que tenha acesso e possa compreender as repercussões práticas des- sas metodologias para que possa integrar com o seu conhecimento já consolidado. Os estilos de aprendizagem apontam para variadas formas de aprender, portanto, não existe uma ideal. Podem, inclusive, atender ao estilo considerado o mais adequado ao educando. Isso representou uma grande inovação no âmbito da compreensão da in- teligência, como veremos mais à frente. Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem10/241 A contextualização do saber, o desenvolvi- mento das competências e das habilidades e a transposição de conhecimentos para outros tornaram o desafio de educar muito mais amplo. Um maior interessepor parte dos educadores em manter a motivação dos educandos, o próprio interesse e a agilida- de do pensar atual, bem como as demandas que surgem em tempo real exigem do edu- cador uma atuação não apenas dinâmica, mas “experienciada” (vivida), marcada no tempo presente, pois o tempo do aprender é também aquele que surge no momento do compartilhamento, com as contribuições dos educandos, num fazer pedagógico con- junto, cocriado. 2. As Metodologias Ativas A Prática Pedagógica e os Processos Cogniti- vos podem ser úteis na vida do profissional que faz uso do conhecimento na sua gestão e na da informação, bem como na condução do seu processo de aprendizagem, aplican- do de forma criativa a cognição, com recur- sos inovadores, permitindo que o aprender resulte na melhor destinação para os con- ceitos a serem aplicados na vida. As Meto- dologias Ativas são um exemplo do geren- ciamento dessas funções. Reunir os melhores recursos cognitivos, inicia-se ao estimular a capacidade inova- dora do conhecimento, que não é estáti- ca e sim mobilizada a todo tempo, o qual deixa, necessariamente, de ser empregado Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem11/241 na sua forma habitual e tradicional, como aquisição específica, para ser incorporado a ações mais efetivas, eficazes e multifun- cionais. Ampliando a posição tradicional de alteridade entre educador e educando, cuja interação se associava à posição de se colocar como promotor do saber e tendo o aprendiz na função passiva, que “aguarda- va” o conteúdo, sem qualquer indagação ou reflexão, dos conhecimentos apresentados. Sendo unicamente assimilados. A mudança de uma postura passiva para uma ativa está associada a uma alteração central no papel dos dois agentes: educador e educando, as- sumindo uma postura de interlocução, de facilitação e de construção conjunta. O que necessariamente assegura uma aprendiza- gem. Diferente daquela postura passiva, de simples assimilação sem uma reflexão. De acordo com Moura (2014), as Metodologias Ativas são aquelas que apresentam as se- guintes características: • Demandam e estimulam a participa- ção do aluno, envolvendo-o em todas as suas dimensões humanas: sensó- rio-motor, afetivo-emocional e men- tal-cognitiva. • Respeitam e estimulam a liberdade de escolha do aluno diante dos estudos e atividades a serem desenvolvidas, possibilitando a consideração de múl- tiplos interesses e objetivos. • Valorizam e se apoiam na contextua- lização do conhecimento, imprimindo um sentido de realidade e utilidade Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem12/241 nos estudos e atividades desenvolvi- das. • Estimulam as atividades em grupos, possibilitando as contribuições for- mativas do trabalho em equipe. • Promovem a utilização de múltiplos recursos culturais, científicos e tecno- lógicos que podem ser providencia- dos pelos próprios alunos no mundo em que vivemos. • Promovem a competência de sociali- zação do conhecimento e dos resulta- dos obtidos nas atividades desenvol- vidas. Tais metodologias têm o seu foco no de- senvolvimento das competências técnicas necessárias para a sua formação profissio- nal, mas consideram o desenvolvimento de valores pessoais essenciais no mundo con- temporâneo, como: conduta ética, capaci- dade de iniciativa, criatividade, atitude em- preendedora, flexibilidade, autocontrole, comunicação, expressão oral e escrita etc. a) Há duas Metodologias Ativas de apren- dizagem propícias para jovens em período pré-universitário e univer- sitário, como aponta Moura (2014): Aprendizagem baseada em proble- mas (ABprob): os temas tratados são geralmente escolhidos pelo professor, que pode levar em conta os objetivos e os conteúdos de sua disciplina ou cur- so. E estão mais próximas das aborda- gens tradicionais. Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem13/241 b) Aprendizagem baseada em projetos (ABproj): o aluno tem grande liber- dade de escolha do tema que estará contido em seu projeto, o qual, muitas vezes, não se enquadra exatamente nos conteúdos propostos para a disci- plina. Os efeitos positivos da liberda- de de escolha, como a motivação do aluno, são maiores. Tanto uma quanto a outra propiciam e es- timulam o desenvolvimento de habilidades importantes. A destinação do conhecimento neste for- mato metodológico tem como objetivo pre- parar o educando para as suas atividades e realizações, tomar decisões e fazer esco- lhas na vida. Sendo um acréscimo em sua história, aprendendo a pensar sobre o que se conhece, aprendendo a dar soluções e a criar conjuntamente com as situações às quais está exposto. As Metodologias Ativas também se conciliam com a abordagem ex- periencial como veremos mais adiante ao estudar a Teoria Experiencial de Aprendiza- gem de Kolb e seus estilos Para saber mais Veja mais informações sobre Metodologias Ativas numa palestra entre dirigentes de graduação das IES (Instituições de Ensino Superior) particula- res. Disponível em: <http://migre.me/wCqeJ>. Acesso em: 12 maio2017. http://migre.me/wCqeJ Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem14/241 3. Novas Compreensões da Inte- ligência Entre nossos objetivos, destaca-se a com- preensão da inteligência, que passou por transformações importantes. Tal estudo contribui para a inovação e adoção de práti- cas pedagógicas que venham a atender me- lhor às necessidades dos educandos. A evo- lução do conceito de inteligência nos trouxe modificações qualitativas na compreensão dos processos de cognição e de aprendiza- do humano de modo a considerar os distin- tos estilos de aprendizagem, atendendo aos mais variados interesses e formas de apren- der. Isso representa um grande avanço, não havendo uma única maneira de ensinar e, consequentemente, apenas uma forma de aprender. São múltiplas as formas do uso da inteligência, consideradas as capacidades que cada indivíduo possui, empregando o conhecimento de formas distintas. A neurociência aplicada à educação tem sido um tema atraente para fundamentar o estudo do cérebro, especialmente sobre como obter melhores níveis de aprendiza- gem e desenvolver capacidades intelectivas, como a memorização e o acesso ao próprio banco de memórias, dados e informações que são reunidos no decorrer da vida. Este aspecto contribui para que o indivíduo pos- sa solidificar a sua base de experiências, ou seja, um repertório vivencial de aprendiza- dos, e que, certamente, resultará em novos interesses. Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem15/241 A perspectiva da multi, trans e pluri disci- plinas tem nos oferecido muitas possibili- dades, pois admitimos, finalmente, que as ciências conversam entre si, que podemos obter e produzir mais conhecimento quan- do nos propomos a considerar as contribui- ções de uma e de outra, e, assim, compor uma estrutura, cuja visão é sistêmica, apro- ximada da construção do saber. E que, desta forma, a inteligência se expande e amplia. A compreensão do conceito de inteligência, a qual era vista pela abordagem tradicio- nalista como score, sujeita a ser pontuada e classificada, visando determinar, portanto, se o indivíduo aprendia, foi muito modifi- cada desde que o psicólogo francês, Alfred Binet, em 1905, junto com Thomas Simon formularam o primeiro teste de inteligên- cia, o Coeficiente de Inteligência, QI. Este procurava quantificar o nível de inteligên- cia do indivíduo e separava as pessoas em categorias: os que aprendiam e os que não aprendiam muito bem. Outros estudiosos também contribuíram com o estudo da in- teligência, mas faltavam elementos para se pensar a inteligência como um processo mental que não fosse mensurável, mas qua- litativo. Sendo possível avaliar que pessoas podem aprender determinados assuntos com mais facilidade e outras apresentarem mais dificuldade. Considerando a natureza dos processos cognitivos ser de ordem subjetiva e, por ve- zes, abstrata, foi necessário acompanhar aevolução dos estudos de inteligência, que passou a incluir todo tipo de pessoa e toda Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem16/241 forma de aprendizado, inclusive, aque- la que não estava teoricamente prevista e que poderia surgir como resultado extra do educando, como quem também produz co- nhecimento conjuntamente com seu inter- locutor: - o educador, pois foi vivenciada e observada. De um conceito singular, cujo coeficiente opera na instância concreta e objetiva, pas- samos por uma evolução, para uma con- cepção plural da inteligência pelas contri- buições de Gardner (1995), apresentando- -nos “A Teoria das Múltiplas Inteligências” no livro “Estruturas da Mente”, que revolu- cionou a compreensão tradicional. Os constructos de Gardner (1995) nos fi- zeram compreender que há um universo de habilidades, sendo estas distintas en- tre uma pessoa e outra, o que, por sua vez, permitem meios de aprender diferenciados, bem como a possibilidade de cada indivíduo de forjar seus talentos próprios. Esses talentos são enaltecidos quando se percebe um tipo de inteligência que favore- ce determinadas habilidades, já que as pes- Para saber mais Veja mais a respeito do histórico da produção da Escala de Inteligência, e demais colabora- dores. Repare a evolução que tivemos. Dispo- nível em: <https://www.methodus.com.br/ artigo/22/a-medida-da-inteligencia.html>. Acesso em: 5 ago. 2017. https://www.methodus.com.br/artigo/22/a-medida-da-inteligencia.html https://www.methodus.com.br/artigo/22/a-medida-da-inteligencia.html Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem17/241 soas são diferentes e podem aprender mais e melhor algumas atribuições que sejam de sua necessidade. Compreendemos com isso que a cognição está associada aos inte- resses da pessoa, ou seja, o conhecimento, o objetivo, a finalidade, o sentido e o sig- nificado com que se relacionam com suas demandas de aprendizado, de acordo com suas indagações que são curiosidades que partem de algo que se observou, sentiu, e, com isso, o moveu a buscar respostas e for- mular conclusões. Tornando-se assim expe- riências cognitivas importantes, e registros de aprendizados significativos. A dimensão que o conhecimento tomou as- sumiu proporções grandiosas, partindo de uma consciência individual do que é apren- dido, como as Teorias de Aprendizagem nos mostram, e seguindo para a contribuição em seu ambiente social e familiar. Assim, sua função maior é cumprida quando com- partilhada na convivência em sociedade. O conhecimento e a aprendizagem tornaram- -se pilares da sociedade da informação as- sociados a um melhor uso da inteligência. A atualização é constante principalmente devido à velocidade da comunicação digi- tal, expandindo o saber em escalas cada vez maiores. É nesta sociedade da informação atual, digital e contemporânea do século XXI, que muitos aprendizados ocorrem. O que fazer com aqueles que pensam de forma diferente de outras pessoas que cap- tam e analisam outros aspectos? E os que não se interessam pelo conteúdo que está sendo apresentado? Estão associados à fal- Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem18/241 ta de motivação e interesse? São menos in- teligentes por isso? Ao observarem um número crescente de in- divíduos que aprendiam coisas diferentes ou aplicavam o aprendido em outros usos, pode-se constatar a existência de outros interesses que não aqueles previstos. Ao conceber que as pessoas são diferentes, foi possível avaliar que talvez a sua inteligên- cia pudesse ser diversa das demais, dentro de uma diversidade de formas possíveis de apreensão, de registro de conteúdos e in- formações com capacidade para serem uti- lizadas de infinitas formas. A noção do indivíduo inteligente se modi- ficou a partir do momento em que Gardner (2000) redefine inteligência, à luz das ori- gens biológicas da habilidade para a solu- ção de problemas. Dando lugar a múltiplas constatações, muito diferentes do modelo tradicional: se o indivíduo não aprende do modo esperado, acaba aprendendo o que? De que forma? E para qual finalidade? E aqueles que não aprendem neste modelo, estão tendo dificuldade em que área? Ou em qual habilidade? Para Gardner (2000), o conteúdo e avalia- ção “massificado” subestimam as variadas inteligências e estilos de aprendizagem dos alunos, afastando-os de suas experiências e realidade diária, tornando-se um fator alta- mente desmotivador para a aprendizagem. Gardner (2000) afirma que se mostrará mui- to mais proveitoso ofertar uma variedade de abordagens e estratégias pedagógicas ao aluno, com múltiplas formas de apre- Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem19/241 sentar informações (texto, imagens, vídeo, multimídia interativa, entre outras) e ferra- mentas para apoiá-las, respeitando as vá- rias inteligências e estilos de aprendizagem dos alunos. A inteligência foi pluralizada e ganhou no- vos contornos que levaram em considera- ção a sua marca pessoal. As pessoas apren- dem de formas distintas em razão de de- terminadas habilidades existirem em grau mais acentuado para uma e menos para ou- tra, sem que isso represente que uma seja melhor ou pior, mas apenas diferentes. Com isso, a Teoria das Múltiplas Inteligências de Gardner (2001) ganhou expressiva adesão por parte dos educadores, uma vez que suas premissas consideraram o estudo da men- te humana e suas correlações multidiscipli- nares, oferecendo a ampliação do conceito de inteligência como sendo: “Um potencial biopsicológico para processar informações que pode ser ativado num cenário cultural para solucionar problemas ou criar produ- tos que sejam valorizados por uma cultura”. (GARDNER, 2001, p. 46) A essas capacidades diversas de processa- mento da informação Gardner chamou de inteligências, no plural. E o seu desenvolvi- mento será definido por fatores genéticos, neurobiológicos e ambientais. E cada uma poderá se expressar em maior ou menor grau. A cultura também é base para a expli- cação de sua teoria, pois o desenvolvimento ou a evolução dessas modalidades de inteli- gências tem uma repercussão direta na for- ma do indivíduo responder em seu ambiente. Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem20/241 Os Tipos de Múltiplas Inteligências estrutu- radas por Gardner (2000) são: • Inteligência linguística: sensibilida- de para os sons, ritmos e significados das palavras, além de uma especial percepção das diferentes funções da linguagem usando-as para conven- cer, agradar, estimular ou transmitir ideias. • Inteligência musical: se manifesta por meio de uma habilidade para apreciar, compor ou reproduzir uma peça mu- sical. • Inteligência lógico-matemática: os componentes centrais desta inteli- gência são descritos como uma sensi- bilidade para padrões, ordem e siste- matização, característica de matemá- ticos e cientistas. • Inteligência espacial: é a capacidade para perceber o mundo visual e es- pacial de forma precisa. É a habilida- de para manipular formas ou objetos mentalmente e, a partir das percep- ções iniciais, criar tensão, equilíbrio e composição, numa representação vi- sual ou espacial. • Inteligência cinestésica: se refere à habilidade para resolver problemas ou criar produtos por meio do uso de parte ou de todo o corpo. É a habili- dade para usar a coordenação grossa ou fina em esportes, artes cênicas ou plásticas no controle dos movimentos Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem21/241 do corpo e na manipulação de objetos com destreza. • Inteligência interpessoal: habilidade para entender e responder adequa- damente a humores, temperamentos motivações e desejos de outras pes- soas. • Inteligência intrapessoal: Esta inteli- gência é o correlativo interno da in- teligência interpessoal, isto é, a ha- bilidade para ter acesso aos próprios sentimentos, sonhos e ideias, para discriminá-los e lançar mão deles na solução de problemas pessoais. Pode-se observar tambéma relevância dos estudos genéticos relacionados à capaci- dade do aprender, tornando a Biologia im- prescindível para a compreensão das mui- tas indagações decorrentes da evolução das formas e estilos de aprendizagem. O estudo do cérebro tem tido destaque nas moder- nas metodologias em como extrair um de- sempenho maior e melhor. Este é o local no qual ocorrem os processamentos internos de aprendizagem, cognitivos e metacogni- tivos. A capacidade de desenvolver correla- ções e estabelecer associações que venham a contribuir com novas sinapses neuronais o que resulta na chamada expansão de cons- ciência-visão ampliada acerca de um as- sunto ou tema. As contribuições da neurociência associada à educação são inúmeras. Pode-se enten- der que os circuitos cerebrais favorecem à movimentação de frequência mental, pelos Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem22/241 o que dificulta a aprendizagem são algumas das reflexões pertinentes. Atente logo mais para o sujeito cerebral abordado no vídeo sugerido “Neurociência na aprendizagem escolar”. neurônios, que são as células que compõem o sistema nervoso central, estabelecendo associações entre as informações, o que au- menta a sua capacidade de compreensão. O estudo da neurociência aplicada à edu- cação, e especificamente à qualidade da aprendizagem, tem seu propósito na com- preensão das várias formas possíveis de aprender, na observação do comportamen- to do educando em situação de aprendiza- gem, em conhecer a Biologia cerebral nas suas dimensões cognitivas, afetivas e mo- toras. Estuda o Sistema Nervoso Central e suas complexidades, anatomia e fisiologia num cérebro capaz de aprender. De que forma o cérebro aprende, de que for- ma estimular o aluno a aprender e conhecer Para saber mais Faça as suas reflexões sobre o tema. Procure ano- tar outras indagações que surjam no decorrer do vídeo e as ideias centrais que lhe serão úteis. O vídeo “Neurociência na aprendizagem escolar”. Disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=M5F2S5D5CDE>. Acesso em: 3 abr. 2017. https://www.youtube.com/watch?v=M5F2S5D5CDE https://www.youtube.com/watch?v=M5F2S5D5CDE Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem23/241 4. Estilos de Aprendizagem A teoria de aprendizagem de Kolb na visão de Chapman (2008) no artigo intitulado: Kolb Learning Styles (tradução: “Os Estilos de Aprendizagem de Kolb”), apresenta quatro distintos estilos de aprendizagem, que são vivenciados em quatros estágios nos quais as experiências imediatas e concretas vão possibilitar suas observações e reflexões. Estas são assimiladas e tornam-se concei- tos abstratos, entendidos numa concepção particular e até simbólica, influenciando a qualidade da ação que é concreta. Essa po- derá ser ativamente testada, e, por sua vez, oferecerá meios para serem criadas novas experiências. Trata-se de uma sequência que o autor chama de círculo de aprendi- zagem e até podemos entender como um ciclo, partindo de um e seguindo, necessa- riamente, ao outro e assim por diante. Este círculo que inclui a experiência, a reflexão, o pensamento e a atividade, veremos em detalhe a seguir: Conforme o artigo de Chapman (2008), Kolb trabalha em dois níveis: Pelo círculo de quatro estágios: Estágio 1: Experiência Concreta. Estágio 2: Observação Reflexiva. Estágio 3: Conceituação Abstrata. Estágio 4: Experimentação Ativa. E pelo outro nível que, em razão da passa- gem por estes estilos de aprendizagem vi- vidos sequencialmente, terá em cada um Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem24/241 destes a combinação de dois estilos prefe- ridos, ou melhor, uma matriz dois por dois dos estilos de círculo de quatro estágios, como veremos a seguir: a) Divergência. b) Assimilação. c) Convergência. d) Acomodação. Chapman (2008) esclarece que conhecen- do um estilo de aprendizagem de uma pes- soa (e o seu próprio) é possível aprender e se orientar por esse método preferido. Isso representa também que cada um respon- de e necessita de estímulos de outro estilo de aprendizagem, apesar de ter um ou outro como preferencial. Identificamos em segui- da como se dá a junção de dois estilos em um. • Divergência (sentir e observar): es- tas pessoas são hábeis para observar as coisas de diferentes perspectivas. Elas são sensitivas, preferem obser- var a fazer, tendendo a obter infor- mação e usar a imaginação para re- solver problemas. Elas são melhores para enxergar situações concretas sob diferentes pontos de vista. Kolb denominou esse estilo como ”Diver- gência” porque essas pessoas apre- sentam um desempenho melhor em situações que requerem geração de ideias, por exemplo, tempestade ce- rebral. Pessoas com o estilo de apren- dizagem ”Divergência” têm amplos Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem25/241 interesses culturais e gostam de obter informação. Elas são interessadas em pessoas, tendem a ser imaginativas e emocionais e serem fortes nas artes. Pessoas como o estilo ”Divergência” preferem trabalhar em grupos, escu- tar com uma mente aberta e receber retorno pessoal. • Assimilação (observar e pensar): A preferência de aprendizagem “Assi- milação” é para uma abordagem con- cisa e lógica. Ideias e conceitos são mais importantes do que pessoas. Es- tas pessoas requerem explanação boa e clara ao invés de oportunidade prá- tica. Elas se sobressaem ao entender informação de amplo alcance e em organizá-la de forma clara e lógica. Pessoas com um estilo de aprendiza- gem por “Assimilação” são menos fo- cadas em pessoas e mais interessadas em ideias e conceitos abstratos. Pes- soas com esse estilo são mais atraídas por teorias que soam logicamente do que abordagens baseadas em valores práticos. Essas pessoas desse tipo de aprendizagem são importantes para a eficiência na informação e nas carrei- ras científicas. Em situações de apren- dizagem formal, pessoas com esse es- tilo preferem leituras, palestras e ex- plorar modelos analíticos. • Convergência (fazer e pensar): pes- soas com um estilo de aprendizagem por “Convergência” podem resolver problemas e usarão sua aprendizagem Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem26/241 para encontrar soluções para ques- tões práticas. Elas preferem tarefas técnicas e se relacionam menos com pessoas e com aspectos interpessoais. São as melhores para encontrar ques- tões práticas para ideias e teorias. Elas podem resolver problemas e to- mar decisões. São mais atraídas para tarefas técnicas e problemas ao invés de questões interpessoais ou sociais. Esse estilo capacita habilidades espe- cialistas e de tecnologia. Gostam de experimentar novas ideias, simular e trabalhar com aplicações práticas. • Acomodação (fazer e sentir): O estilo de aprendizagem por “Acomodação” confia na intuição mais do que na ló- gica. Essas pessoas usam análise de outras pessoas e preferem utilizar uma abordagem prática e experimental. São atraídas para novos desafios, ex- periências e para executar planos. Elas comumente agem por instinto interno ao invés de análise lógica. Tenderão a confiar em outros para informação ao invés de desenvolver suas próprias análises. Este estilo de aprendizagem é predominante útil em papéis que re- querem ação e iniciativa. Preferem tra- balhar em equipe para completar tare- fas. Elas fixam alvos e ativamente tra- balham no campo tentando diferentes caminhos para atingir um objetivo. A teoria de Walter Barbe aponta um modelo de aprendizagem no qual identifica pesso- as que são mais visuais, outras que são mais Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem27/241 cinestésicas e as que são mais auditivas. Reconhecida pela sigla VAC, cada indivíduo aprende ou se desenvolve melhor conside- rando tal peculiaridade: • Visual: pelo que enxerga e visualiza. • Auditivos: pelo que escutam. • Cinestésicos: pelo que sente por meio dos órgãos dos sentidos e as sensa- ções. Os pesquisadores Peter Honeye Alan Mum- ford (1970) criaram outro modelo em rela- ção aos estilos de aprendizagem propostos por Kolb. Desenvolveram enquanto traba- lhavam em um projeto para a corporação Chloride nos anos de 1970. Eles dividiram os aprendizes em quatro ti- pos: reflexivos, teóricos, pragmáticos e ati- vos. • Os reflexivos são aqueles que estão sempre perguntando o porquê das coisas. Eles precisam ter essa infor- mação, caso contrário, se sentem per- didos na aprendizagem. • Os teóricos são aqueles que gostam de se aprofundar na teoria e conhecer todos os conceitos presentes nela, por Para saber mais Assista o vídeo sobre Estilos de Aprendizagem: Modelo VAC (Visual, Auditivo e Cinestésico). Dis- ponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=HgMVh2KTmfU>. Acesso em: 3 maio2017. https://www.youtube.com/watch?v=HgMVh2KTmfU https://www.youtube.com/watch?v=HgMVh2KTmfU Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem28/241 isso, eles estão sempre perguntan- do o quê. • Os pragmáticos são aqueles que que- rem saber a “receita do bolo”. Eles perguntam o como e gostam de rece- ber o passo a passo para fazerem algo ou resolverem um problema prático. • Os ativos estão sempre se perguntan- do E se… “E se eu fizesse tal coisa?”, “E se acontecesse isso ou aquilo…?”. Esse é o tipo de aprendiz que precisa co- locar a mão na massa para realmen- te sentir que entendeu aquela nova informação e que pensa sempre em uma nova alternativa. É possível observar, nos modelos e estilos apresentados pelos autores, como cada um deles faz sentido e corroboram com a pre- missa de que existem maneiras diferentes Link No artigo abaixo é possível ter acesso ao texto do Blog “Mais Aprendizagem” de Ana Lopes em que aborda alguns dos estilos de aprendizagem de forma bem clara, vale conferir e assistir ao exce- lente vídeo referenciado a seguir sobre os Mode- los de Estilos de Aprendizagem. Disponível em: <http://www.maisaprendiza- gem.com.br/estilos-de-aprendizagem-vo- ce-esta-usando-jeito-certo/>. Acesso em: 26 abr. 2017. http://www.maisaprendizagem.com.br/estilos-de-aprendizagem-voce-esta-usando-jeito-certo/ http://www.maisaprendizagem.com.br/estilos-de-aprendizagem-voce-esta-usando-jeito-certo/ http://www.maisaprendizagem.com.br/estilos-de-aprendizagem-voce-esta-usando-jeito-certo/ Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem29/241 em que as pessoas aprendem. E cada mo- delo aponta a natureza da aprendizagem de pontos de vista diferentes. Entretanto, al- guns neurocientistas dizem que esses mo- delos não são válidos como teoria científica porque não podem ser testados de maneira rigorosa. No entanto, o que fortalece tais modelos é a experiência da aprendizagem, que é possível observar, seja por parte dos educadores, como dos aprendizes, cada qual em sua função a veracidade destes es- tilos. No círculo de aprendizagem proposto por Kolb considera-se que haja a combinação de dois estilos num mesmo modelo. O edu- cando aprende não somente por um atri- buto, mas por dois ou mais. O processo de memorização acontece por vários canais de assimilação, por isso, quanto mais in- dagamos sobre algo de nosso interesse, é melhor para que possamos dispor de várias formas e compreender a informação. Isso representa que podemos ser auditivos e vi- suais, podemos ser reflexivos e pragmáti- cos, como podemos passar pelo círculo de aprendizagem e agruparmos os modelos de “convergência” (fazer e pensar) e “acomo- dação” (fazer e sentir). Sendo possível as- sim efetivarmos uma série de conexões que vão consolidar o processo de memorização e retenção de conteúdos. Concluindo, a educação é um processo com repercussões amplas, oferecendo subsídios para que se permaneça criando novas con- clusões. O ponto aprendido e assimilado torna-se recurso de viabilização na prática Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem30/241 cotidiana, em suas ações, formas de pen- sar e conviver em sociedade. Essa talvez tenha sido a maior contribuição que o con- hecimento e a pedagogia tem tido até o momento: promovendo que mais pessoas aprendam, observem, analisem, reflitam, concluam e interfiram na realidade com no- vas respostas para as situações conhecidas. Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem31/241 Glossário Neurociência voltada para a educação: área da ciência que estuda os neurônios, as células nervosas, que pelos estímulos provocam as sinapses que são geradoras de apreensão e registro dos fatos envolvidos em uma emoção, sentimentos e fenômenos bioquímicos do corpo huma- no. Estuda o funcionamento do cérebro e da mente, extraindo daí níveis de compreensão do processo de aprendizagem. O que favorece e o que contribui para um melhor aprender (reter) e poder fazer uso destes conteúdos quando necessários. Inteligências Múltiplas: conceito de Gardner (1995) que contribui para uma visão plural da inteligência, diferindo do modelo concreto para o termo como algo obtido por um coeficiente numérico que apontava que as pessoas eram mais ou menos inteligentes. A pluralidade da in- teligência revoluciona o termo, pois constata a diversidade de formas de aprender e registrar o conhecimento que está exposto na vida. Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem32/241 Glossário Metodologias Ativas: traduzindo-se do inglês para o português o conceito refere-se a “estu- dantes passivos, nunca mais”. Sua metodologia apresenta as seguintes características: a par- ticipação mais frequente do aluno; a liberdade de escolha do aluno com múltiplos objetivos e interesses; a contextualização do conhecimento; atividades em grupos, o trabalho em equipe; a utilização de múltiplos recursos culturais, científicos e tecnológicos; a socialização ou o com- partilhamento do conhecimento e dos resultados obtidos nas atividades desenvolvidas. Questão reflexão ? para 33/241 Pesquise mais a respeito da Teoria das Inteligências Múl- tiplas e seus tipos, abrindo uma discussão com o grupo sobre a percepção que cada um tem de si no modo no qual é mais fácil de aprender, e a quais estímulos respon- de melhor na situação de aprendizagem. Troque com os colegas essas impressões a fim de verificar as diferenças existentes. 34/241 Considerações Finais • Uma mesma situação de aprendizagem pode levar a caminhos diferentes, podendo então conceber que cada aprendiz/educando possa cumprir a sua jornada de acordo com seu interesse, surpreendendo-se com as novas con- tribuições que forem sendo geradas na situação de aprendizagem. • O avanço dos estudos da inteligência possibilitou muitos ganhos ao aceita- rem que as pessoas são diferentes e que não é só um índice que quantifica a capacidade do aprendiz aprender, mas também deve ser considerado o aspecto qualitativo que contribui com o acervo de registros memorizados. • Na adoção dos estilos de aprendizagem é possível associar ou mesclar dois ou mais estilos, pois a assimilação ocorre de várias formas simultâneas, o que facilita a memorização dos conteúdos. • Existem preferências quanto ao seu próprio estilo de aprendizagem que é o produto de dois pares de variáveis ou duas ”escolhas” separadas. Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem35/241 Referências BEHRENS, Marilda A.; SANTOS, Gerson R. A Aprendizagem Colaborativa e As Inteligências Múl- tiplas. Paraná: PUC PR. EDUCERE, 2006. BATISTA, Gustavo Araújo: SILVA, Márcia R. Luis da. Estilos de Aprendizagem em kolb. Tradução do original CHAPMAN, Alan. Kolb Learning Styles, 2008 Disponível em: <http://www.fucamp.edu. br/editora/index.php/cadernos/article/view/105> Acesso em: 5 ago. 2017. COUTINHO, Clara; LISBOA, Eliana. Sociedade da Informação, do Conhecimento e da Aprendiza- gem: Desafios para Educação no Século XXI. Revista de Educação. Vol. XVIII, nº 1, p. 5-22. 2011. GARDNER, Howard. Inteligências Múltiplas: a Teoria na Prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000. GARDNER, Howard. Inteligência: um Conceito Reformulado. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. GARDNER,Howard. Estruturas da mente: Teoria das Inteligências Múltiplas. Porto Alegre: ArtMed. 1995. MOURA, Dácio Guimarães de. Metodologias Ativas de Aprendizagem e os desafios Educacio- nais da Atualidade. Palestra apresentada no XI Encontro Nacional de Dirigentes de Graduação das IES Particulares, Curitiba: Universidade Positivo, 2014. http://www.fucamp.edu.br/editora/index.php/cadernos/article/view/105 http://www.fucamp.edu.br/editora/index.php/cadernos/article/view/105 Unidade 1 • Modalidades e Estilos de Aprendizagem36/241 WERTHEIN, Jorge. A Sociedade da Informação e Seus Desafios. Ci. Inf., Brasília, v.29, n.2, p. 71-77, mai/ago. 2000.Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi- d=S010019652000000200009&lng=en&nrm=iso&tlng=pt> Acesso em 19 de agosto de 2017. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010019652000000200009&lng=en&nrm=iso&tlng=pt http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010019652000000200009&lng=en&nrm=iso&tlng=pt 37/241 Assista a suas aulas Aula 1 - Tema: Modalidades e Estilos de Apren- dizagem. Bloco I Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/9a56b873b9147e13da43fd3af202d0a0>. Aula 1 - Tema: Modalidades e Estilos de Aprendi- zagem. Bloco I Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ b99190c90f34c3c480c5df996b370192>. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/9a56b873b9147e13da43fd3af202d0a0 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/9a56b873b9147e13da43fd3af202d0a0 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/9a56b873b9147e13da43fd3af202d0a0 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/b99190c90f34c3c480c5df996b370192 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/b99190c90f34c3c480c5df996b370192 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/b99190c90f34c3c480c5df996b370192 38/241 1. As Metodologias Ativas podem ser definidas de forma breve como: a) Tudo o que representa o universo digital e tecnologias em educação. b) Recusa à passividade do aluno, considerando-o ativo, coparticipante de todo o processo de aprendizagem. c) São resultados da neurociência aplicada à educação. d) São recursos que empoderam o educador deixando-o livre para atuar. e) É um método de aprendizagem propício ao estilo de aprendizagem de “acomodação”. Questão 1 39/241 2. A Teoria Experiencial de Kolb tem como eixo central: a) Baseia-se na experiência que está disponível no cotidiano, tudo é aprendizagem, a própria vida. b) Os estilos: Divergência, Assimilação, Convergência e Acomodação. c) O círculo de aprendizagem sequencial: Experiência Concreta, Observação Reflexiva, Concei- tuação Abstrata e Experimentação Ativa. d) Composto de uma mistura de dois ou mais estilos de aprendizagem. e) Seus quatro estilos levam a outra sequência e todos eles são o foco central da teoria. Questão 2 40/241 3. A característica central da aprendizagem baseada em projetos é: a) O educador compartilha as suas ideias com os educandos a fim de que estes apontem como desejam que a apresentação da disciplina ocorra. b) O educador é detentor de todo o plano de aula, se propõe e é cobrado a cumpri-lo. c) O aluno aceita o que o professor propõe, contudo, é motivado pelos constantes estímulos de dinamismo dos temas envolvidos com a aprendizagem. d) A liberdade de escolha dos temas de interesse, sem necessariamente estar ligado ao curso e a uma maior motivação por parte do aluno. e) Nenhuma delas. Questão 3 41/241 4. A característica central da aprendizagem baseada em problemas é: a) Mais próxima do método tradicional de ensino, no qual os temas são escolhidos pelo pro- fessor de acordo com os objetivos e conteúdos da disciplina. b) Tem o seu foco no compartilhamento das ideias que surgem entre os aprendizes diante do tema exposto. c) Propõe-se a resolver o problema que todos formulam relativo ao assunto em situação de aprendizagem. d) Tanto o aluno quanto o professor buscam compreender qual a questão central a ser tratada. e) Nenhuma delas está associada com a pergunta. Questão 4 42/241 5. O modelo de aprendizagem baseado nos estilos Visual, Auditivo e Ci- nestésico (VAC) foram estudados por qual pesquisador: a) Hooward Gardner. b) Walter Barbe. c) David Kolb. d) Munford & Honey. e) Reuven Fuerstein. Questão 5 43/241 Gabarito 1. Resposta: B. Recusa à passividade do aluno, consideran- do-o ativo, coparticipante de todo o pro- cesso de aprendizagem. 2. Resposta: C. O círculo de aprendizagem sequencial: Ex- periência Concreta, Observação Reflexiva, Conceituação Abstrata e Experimentação Ativa. 3. Resposta: D. A liberdade de escolha dos temas de inte- resse, sem necessariamente estar ligado ao curso e a uma maior motivação por parte do aluno. 4. Resposta: A. Mais próxima do método tradicional de en- sino, no qual os temas são escolhidos pelo professor de acordo com os objetivos e con- teúdos da disciplina. 5. Resposta: B. Walter Barbe. 44/241 Unidade 2 Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação Objetivo 1. Discutir o incentivo da metacognição nas práticas pedagógicas. O uso do conheci- mento e da informação. 2. Entender as funções do professor/educa- dor e aluno/ educando em uma propos- ta de autonomia nas práticas de ensino– aprendizagem. 3. Mostrar que as pessoas aprendem de for- ma diferente ainda que o conteúdo seja o mesmo. 4. Apresentar a Andragogia, da Heutagogia. Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação45/241 1. Introdução A relevância deste tema a respeito das es- tratégias de aprendizagem aplicadas ao processo de ensino-aprendizagem envolve a aquisição (assimilação), o armazenamen- to (retenção de conteúdos) e o uso da infor- mação (finalidade e objetivo). Veremos que as pessoas aprendem de forma diferente ainda que o conteúdo seja o mesmo, e que existem estilos de aprendizagem distintos. As diferenças entre as pessoas são marcan- tes, principalmente, ao tratarmos do públi- co adulto, que, como pessoas já constituí- das, apresentam referenciais de identidade tais como psicológicos, sociais, culturais que as distinguem uma das outras. A apren- dizagem voltada para os adultos é chama- da de Andragogia, que envolve o estudo e os efeitos da aprendizagem em adultos. A metacognição na aprendizagem de adultos geram autonomia e autoconfiança, tornan- do-se os próprios agentes da promoção do conhecimento e das suas formas de apli- cação. Como detentor da eficiência de seu processo de aprendizagem, cabe a si mes- mo escolher a melhor forma para tal, pois sabe que aprende melhor de determinada forma, e não de outra. A metacognição na aprendizagem de adul- tos é geradora de autonomia e autocon- fiança, tornando-os agentes da promoção do seu conhecimento bem como de sua aplicação. Desenvolvendo a habilidade de que forma utilizá-lo. Detendo a eficiência de seu próprio processo de aprendizagem, escolhem a melhor forma de aplicar a infor- mação, e, sabendo reconhecer de que forma Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação46/241 aprende melhor. A metacognicão os auxi- lia a aprender como se aprende, investindo maciçamente na independência de ação. Este é um conceito muito importante para a psicologia cognitiva, fazendo com que os alunos planejem as suas ações futuras com base nos conhecimentos adquiridos, e que sejam capazes de identificar as suas próprias dificuldades e buscar meios efica- zes de superá-las: compreender o que não deu acerto. Antes, tido como marcador de uma aprendizagemnão bem-sucedida, é, em tempos atuais, transformada para uma visão de desafio: pensar em uma nova solu- ção e como alcançá-la. Dar-se conta de es- colher o que lhe interessa aprender e qual a melhor forma para que isso ocorra. 2. Aquisição, Armazenamento e Utilização do Conhecimento A metacognição é um recurso importante que deve ser incentivado pelo educador nas práticas pedagógicas, pois ela apontará ao Link O artigo “As Práticas Curriculares de Sala de Aula e a Constituição das Diferenças dos Alunos no Processo de Ensino e Aprendizagem” de LUNAR- DI, Geovana Mendonça - PUC-SP/UNISUL (CAPES/ CNPQ) vale como contribuição neste ponto que estamos tratando. Disponível em: <www.28reu- niao.anped.org.br/textos/gt15/gt151363int. rtf>. Acesso em: 19 maio 2017. http://www.28reuniao.anped.org.br/textos/gt15/gt151363int.rtf http://www.28reuniao.anped.org.br/textos/gt15/gt151363int.rtf http://www.28reuniao.anped.org.br/textos/gt15/gt151363int.rtf Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação47/241 educando de que forma fará uso da infor- mação e do conhecimento. Possui três prin- cípios básicos: • O desenvolvimento de um plano de ação: eleger o que fazer primeiro, es- tabelecendo a prioridade. Calcular quanto tempo para realizar a tarefa e verificar o conhecimento que já possui a respeito do tema. • O monitoramento do plano de ação: perceber o caminho ou a estratégia: se está seguindo bem e se deve conti- nuar por este caminho ou modificá-lo no meio do percurso. Dar-se conta do que especificamente precisa modifi- car para executar a tarefa. • A avaliação do plano de ação: perce- ber se está saindo-se bem e se con- cluiu bem a tarefa e se é possível fa- zer algo diferente. Observar o que não foi possível cumprir, e, em situações futuras, o que poderá fazer diferen- te e elaborar finalmente em que esse aprendizado irá lhe ajudar. Pelo modelo metacognitivo, o educador al- meja promover a autonomia e estimular a tomada de decisões dos educandos, incen- tivando-os a fazer seu próprio plano de es- tudo e a desenvolver a capacidade de avaliar a si mesmo. Devem verificar se são capazes de perceber obstáculos, desafios e proble- mas, superando-os e tornando possíveis as seguintes ações: Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação48/241 • Refletir sobre o melhor modo para aprender, ou seja, desenvolver a me- tacognição. • Organizar e apresentar os conteú- dos escolares de modo a favorecer a aprendizagem dos alunos • Avaliar seus alunos e seus próprios métodos de ensino, verificando se os métodos estão adequados para a sua finalidade, que é promover a aprendi- zagem. • Modificar os métodos para determi- nados alunos/educandos. Isso será necessário, pois também deve-se aplicar ametacognição aos seus mé- todos de ensino. Pensar a forma como eles são desenvolvidos e de que modo os atingem. Os agentes dessa transformação, educador e educando, têm funções ou papéis distin- tos. São os atores principais da construção do conhecimento, seja no modelo presen- cial ou no ensino à distância (EaD), virtual, que atualmente cresce vertiginosamente, no cenário de uma pedagogia que aposta na autoaprendizagem, que falaremos mais adiante. É relevante ressaltar a interlocu- ção existente entre estes dois agentes na atuação de um tutor/facilitador, por vezes, mediador junto a alguém que indaga, e o outro que é curioso quando motivado para o aprendizado e que participa construin- do um saber e estabelecendo trocas entre o grupo. A participação do educando se modificou, sendo, portanto, mais atuante no seu próprio processo de aprendizagem. Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação49/241 Como vimos no início, as pessoas aprendem de forma diferente e, por isso, suas contri- buições são valiosas para o grupo exposto ao conhecimento, pois as diferenças exis- tentes marcam a importância dos variados pontos de vista e de compreensão e uso do conhecimento. Vamos conhecer a Teoria de Independência e Dependência de Campo criada por Whi- tkin (1977). De acordo com Piconez (2002) apud Whitkin (1977) e seus colaboradores, realizaram vários experimentos para de- monstrar como algumas pessoas são me- nos influenciadas pelo campo e outras, me- nos. Associado aos estudos relativos às es- truturas da cognição, estabeleceram duas formas de perceber a informação: a) Dependente (global). b) Independente (analítica). Sendo que as duas formas se referem à ex- tensão que uma pessoa é capaz de perceber a parte de um campo (ambiente), distinta do campo mais amplo, o Todo. O termo “cam- po” é utilizado para demonstrar o contexto (diferindo o Todo de suas partes que o com- põem), de como as pessoas são mais ou me- nos influenciadas pelo campo e pela forma como priorizam essa percepção variável. Recebendo a influência de fatores biológi- cos, de seu histórico de vida individual e cul- turais. Determinando-se assim dois estilos de aprendizagem: Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação50/241 • As práticas pedagógicas que apos- tam na autonomia dos alunos: caracterizada pelo desenvolvimento do estilo de independência de campo. • As práticas pedagógicas mais pater- nalistas, mais conduzidas e guiadas: Caracterizada pelo estilo de depen- dência de campo. No estilo de aprendizagem “independente de campo” as seguintes características são percebidas: • Percebem os elementos separados do seu contexto. • São menos influenciados pelo feedba- ck e meio social. • Mais autoconfiantes. • Resolvem problemas analíticos, ainda que não percebam o contexto organi- zado e têm facilidade de estruturar o campo. • Adaptam-se à abstração, que em nos- sas ponderações podemos entender como “metacognição”. • Buscam objetivos autodefinidos. • Atuam bem com suas próprias estra- tégias. • Preferem interagir com o conteúdo a se relacionar com professores e cole- gas. • Aceitam ser corrigidos e possuem fa- cilidade de corrigir os outros (base de troca). Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação51/241 No estilo de aprendizagem “dependente de campo” as seguintes características são no- tadas: • Têm dificuldade em tratar dos pro- blemas em que haja necessidade de separar algum ponto ou elemento do contexto mais amplo. • Têm dificuldade em reorganizar as in- formações para que seja utilizada num contexto diferente. • Falta autoconfiança e segurança para modificar e criar no contexto. • Preferem se apoiar em esquemas do- minantes de referência para definir suas crenças, atitudes e sentimentos. • Demonstram sensibilidade aos senti- mentos. • Habilidades interpessoais desenvolvi- das. • Preferem o direcionamento, ser guia- das e obter feedbacks. • Dão importância às referencias sociais. • Se sentem bem resolvendo problemas em grupo. • Aprendem de forma colaborativa. • Têm dificuldade em lidar com mate- riais desorganizados. • Precisam de instruções mais explícitas. • Na interação entre educador e edu- cando apreciam a informalidade e a proximidade. • Não apreciam dar e receber críticas. Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação52/241 Como o desenvolvimento da metacogni- ção em aprendizagem ocorre tardiamente, a partir do 7-11 anos de idade, podemos explorar os recursos de aprendizagem apli- cados ao Ensino Médio e Nível Superior, que pela vivência, histórico de vida, preferências e capacidade de escolha e decisão, já se en- contram em pleno exercício com condições para a autoaprendizagem, automonitora- ção e autoavaliação do seu aprendizado. Portanto, educador e educando são envol- vidos conjuntamente no processo de ensi- no-aprendizagem,cabendo ao educador formular os meios e métodos pelos quais irá criar contextos de aprendizagem e ao edu- cando dar-se conta do que aprende, de que forma e quais são os desafios que enfrenta. O educador, como reiteramos, é um interlo- cutor do desenvolvimento cognitivo, cons- truindo maneiras para que pessoas apren- dam, se conscientizem e possam pensar, refletir e agir. Sai a posição de um professor hierarquizado como ponto de partida da relação para assu- mir uma postura de ora facilitador, ora par- ticipante da produção de desdobramentos do saber, ora colaborador, ora estimulador e motivador de forças para cumprir deter- minados pontos da evolução daqueles que navegam sob a condução de uma lideran- ça. Sim, a função do professor é de lideran- ça, de gestor, das várias situações que irão compor o conjunto, seja do seu aprendizado como do educando. Inúmeros aprendizados são incorporados, pois são experimentados Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação53/241 por meio de recursos que atendam aos an- seios e às necessidades dos educandos, que os ajudam a buscar exemplos no dia a dia, fazendo-os refletir para que possam decidir e operar sobre suas escolhas de um modo mais aproximado dos seus valores pessoais. Na interação entre educador-educando, visando a coconstrução do conhecimento, o saber é aprendido, refletido e comparti- lhado e não, necessariamente, encerrado em si como conhecimento estático e imu- tável. Compondo uma grande teia que não cessa em aprender, fazer, pensar, elaborar, construir, edificar, formatar, tornar a pensar, aplicar, trocar, escutar, ser ouvido, decidir, empregar e utilizar. O processo cognitivo não cessa em se reinventar na forma de ler e compreender o mundo, pois ele é aprendido para ser aplicado na vida. É inserido na sua porção humana e não fora dela. Vamos abordar agora o ensino e aprendiza- gem de adultos, a chamada Andragogia que etimologicamente provém do grego andros = adulto + agogus = guiar, conduzir e edu- Para saber mais O artigo bastante interessante de José Moran (2000), cujo tema é “Mudar a forma de ensinar e de aprender aborda a transformação nas aulas em pesquisa e comunicação presencial-virtual e no processo de ensino-aprendizagem. Disponível em: <http://www.eca.usp.br/prof/ moran/site/textos/tecnologias_eduacacao/ uber.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2017. http://www.eca.usp.br/prof/moran/site/textos/tecnologias_eduacacao/uber.pdf http://www.eca.usp.br/prof/moran/site/textos/tecnologias_eduacacao/uber.pdf http://www.eca.usp.br/prof/moran/site/textos/tecnologias_eduacacao/uber.pdf Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação54/241 car. Foi conceituada em 1833 pelo profes- sor alemão Alexander Kapp para descrever o método de ensino utilizado por Platão com pequenos grupos de adultos. Desen- volveram técnicas para envolver os alunos adultos diante do interesse em um determi- nado conhecimento. Já investiam no pensar, numa formulação que se dedicava à con- dução do próprio educando e na sua com- preensão. Não admitiam o saber como uma mera transmissão de conteúdos, em que os educandos recebem de forma passiva, e sim de forma interativa.Já realizavam o estudo de caso, por meio de parábolas, em que os participantes do grupo (educandos) traziam uma situação prática e todos se agrupavam em torno desse caso para propor soluções. O diálogo socrático, em que o líder ou membro do grupo propõe uma pergunta ou dilema e os membros do grupo reúnem suas ideias e experiências em busca de uma resposta ou solução (KNOWLES; HOLTON; SWANSON, 2009 apud FILATRO, 2014). A Andragogia retoma o seu interesse de es- tudo em 1921 pelo pesquisador Rosenstock (apud FILATRO, 2014) em um artigo no qual defende que a educação de adultos exige bases filosóficas e metodológicas próprias e peculiares ao seu grupo. Há também outra pesquisa intitulada “O significado da edu- cação de adultos”, de 1926, por Eduard C. Linderman, que evidencia o valor da experi- ência, que é pessoal e intransferível. Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação55/241 Linderman (apud ALMEIDA, 2009, p. 106) escreve que: “a fonte de maior valor na edu- cação do adulto é a experiência do aprendiz (...) A experiência é o livro vivo do aprendiz adulto” (...) A educação do adulto terá ex- periências muito distintas das experiências das crianças e a autonomia do adulto em seu processo de aprendizagem, pois adqui- re contornos muito diferentes, embora seja necessário criar situações de aprendizagem que favoreçam o desenvolvimento da auto- nomia nas crianças. Na década de 1970, nos Estados Unidos as ideias da Andragogia ganharam maior re- percussão, inclusive com a publicação da obra “O aprendiz adulto: uma espécie ne- gligenciada”, de 1973 e escrita por Malcolm Knowles, com o título original “The adult learner: a neglected species”, apontando como esse público estava sempre associa- do aos temas da educação envolvidos com a pedagogia infantil. Delimitando assim a necessidade de separar a aprendizagem de crianças e jovens dos adultos. Para Knowles (1998 apud FRATILO, 2014), o aprendiz adulto se caracteriza pelo au- todirecionamento decorrente de uma ma- turidade orgânica e psicológica. Já atingiu um estágio de maturação física (prontidão), psicológica e emocional, que lhe permite assumir responsabilidades em sua própria vida, no âmbito social, profissional e fami- liar, e conta também com seu histórico de vida, suas vivências. Podendo comparar ex- periências e se aperfeiçoar mediante suas ponderações. Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação56/241 O ensino e aprendizagem de adultos requer métodos que estejam de acordo com o seu público, valorizando a experiência de vida, o autoconhecimento e sua autonomia para tomar decisões. Contudo, surge o conceito de Heutago- gia, no ano de 2000, cuja nomenclatura faz menção ao grego, na qual Heuta significa “próprio” e agogus “guiar; conduzir; edu- car”, representando a autoaprendizagem e a valorização do conhecimento comparti- lhado, conforme definiram Hase e Kenyon (2000 apud FILATRO, 2014). Os pesquisa- dores já apontam pelo uso das Tecnologias de Informação e Comunicação em Educa- ção (TICs), tornando possível e disponível o conhecimento na medida do seu interesse: no local, horário e dedicação definidos pelo educando ou usuário (termo como já men- cionado faz menção àquele que se utiliza do computador para o seu ensino-aprendiza- gem, sendo necessário domínio do uso digi- tal para poder acessar o conhecimento). Na Heutagogia, a gestão e o controle da apren- dizagem estão sob as coordenadas do aluno adulto, o que remete ao “autodidatismo”. Porém, com o compartilhamento desses sa- beres e a produção de novos conhecimen- tos que crescem a medida em que ocorre a interação com o conteúdo e com as pessoas envolvidas – servindo inclusive de aprendi- zagem para outras pessoas. A Heutagogia é conhecida como “geração digital”, que surge a partir da década de 1980, fazendo parte desta cultura, que vi- gora até o presente momento, práticas pe- Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação57/241 dagógicas abertas e totalmente livres, sem especificamente destinar-se a uma faixa etária especifica. Há conhecimento e pro- dução de novos conteúdos para todos os in- teresses, preferências e idades. Assistimos a uma total emancipação do conhecimento, como sendo aquele necessário, na medida do próprio interesse e para usos variados. Com isso, o crescimento do ensino à distân- cia (EaD) se deu, bem como a uma gama de linha de cursos voltados para a formação profissional. Por fim, para ter a abrangência da perspec- tivaandragógica, precisamos considerar as várias correntes teóricas que a fundamen- tam de acordo com Filatro (2014): • A aprendizagem autodirecionada. • A aprendizagem centrada no aluno. • A pedagogia crítica. • A aprendizagem experiencial. Para saber mais Assista ao vídeo que aborda o tema: O uso da in- ternet na educação, em temas como a aplicação das diferentes mídias na educação e a aprendiza- gem colaborativa. 2008. TV Paulo Freire. A entre- vista é com José Moran. Disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=G1_g-N4sDuA>. Acesso em: 12 de abr. 2017. https://www.youtube.com/watch?v=G1_g-N4sDuA https://www.youtube.com/watch?v=G1_g-N4sDuA Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação58/241 Quando se fala em inovação, estamos nos referindo ao que didaticamente existe e que passa a obter uma nova aplicação ou enten- dimento pela ampliação ou expansão do seu sentido e pelas variadas formas adotadas diante de realidades diferentes, públicos e, objetivos específicos. Inovamos em contex- tos já existentes e a busca pela excelência, que pressupõe qualidade com frequência, é uma pauta que persiste na formação do profissional de educação atualmente, pois se o destino das práticas pedagógicas está direcionado para a sua funcionalidade, para um público específico e para um objeti- vo proposto; a aproximação da psicologia nos temas da educação acabou se tornan- do uma inovação na compreensão dos as- pectos psicológicos e emocionais que são presentes na aprendizagem, e que serão responsáveis em qualificar o conhecimento aprendido em capacidade para melhor apli- cá-lo. Também em aumento da capacidade em reter conteúdos para que estes sirvam de base para se atingir, além dos objetivos pedagógicos esperados, as novas respostas decorrentes deste processo. O que se compreendeu e tem sido inovador é o ponto de vista pelo qual se olha a edu- cação. Necessariamente as funções ensino e aprendizagem vêm sendo ampliadas, ga- nhando novos ares pela junção de demais ciências, que não podem ficar desarticula- das da sua compreensão, como a sociolo- gia, antropologia, a biologia. É inovadora também pela sua aproximação com o Construtivismo, método em que as Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação59/241 pessoas envolvidas compartilham suas re- flexões e saídas para os desafios que criam com base no seu próprio conhecimento, interagindo com o ambiente e os colegas. Esse método traz a riqueza de compreender que o estudo pode ser construído por todos os atores do processo em funções especifi- cas entre educador x educando, como entre os próprios colegas, entre os alunos quando dialogam, trocam experiências, comentam e se expressam a partir de suas compre- ensões distintas, podendo perceber o grau transformador e a riqueza advinda de que todas as compreensões são certas, pois não existe uma única posição correta. A experiência de aprender tem sido incenti- vada pelo o que podemos desenvolver con- juntamente. Desarticulado da posição na qual o professor possui o saber inquestioná- vel. Diz-se assim para enfatizar a posição de alteridade existente do educador, como res- ponsável em transmitir os conteúdos, sendo essa a sua primeira missão. Mas quando os pensadores da educação passaram a ques- tionar o que deve ser feito com aqueles que não aprendem como a maioria, que questio- nam, indagam e sugerem em sala de aula? Admitir que as contribuições dos educado- res possam enriquecer é estabelecer uma nova ordem na qual tudo é compartilhado e não compreendido simplesmente como dar voz ao aluno e retirar o valor da função do professor. Essa e outras questões vêm sen- do refletidas e modificadas de forma inova- dora para atender à evolução do processo de aprender no qual o pensar é estimulado Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação60/241 e incremento para as reflexões de um e de outro, alternando entre si o papel daquele que alcança o entendimento do tema o qual se deseja transmitir. O respeito às diferenças também é uma postura inovadora no contexto educacio- nal, pois entende-se que todas as pessoas podem aprender e, com isso desenvolver nossos saberes para serem aplicados na vida. Essa condição se tornou maior na vida daqueles que se beneficiam do aprendiza- do. Cujos aprendizes, desenvolvem a ideia de que todo conhecimento sendo útil ofe- rece algo de positivo, sabendo qualificá-lo, ampliá-lo. O novo aprender é diferente do propósito da educação formal, que aponta que o indivíduo possui informações como um banco de dados que pode ser medi- do por uma nota e pela simples aprovação, mas que não dialoga com os resultados prá- ticos da vida e na sua utilização, ressaltan- do, com isso, o quanto pode gerar eficiência em tudo, desde que esteja articulada com a prática. O conhecimento também vem ad- quirindo novas funções devido a sua aplica- bilidade e a sua transposição em outras ci- ências, criando a multidisciplinaridade. Este diálogo crescente entre as ciências que tem se direcionado para outro fator preponde- rante: a visão sistêmica, que integra todos os elementos citados. São contribuições de várias ciências que, até então, permane- ciam enraizadas em sua própria delimitação e campo de atuação. Entendemos que essa transformação é inovadora, pois abrange as ciências como um tecido único, integrado e Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação61/241 sistematizado, no qual o indivíduo e a socie- dade estão inseridos e o papel da educação remete ao que todos apreendem sobre a re- alidade que os cercam. Com isso, o segmen- to digital cresceu para cumprir o propósito da democratização do conhecimento. As Práticas Pedagógicas inovadoras são ins- piradas pelo construtivismo, pela visão sis- têmica da linguagem dialógica ao invés de monólogos, pela comunicação digital, pe- las novas formas de evoluir o pensamen- to quando este é contextualizado e pelas variadas formas de compreender quando se alia ao seu sentido prático. Que quando aplicado na prática Transforma os saberes em novas compreensões. O homem atual tem a sua disposição um le- que de opções maior, seja para escolher, seja para resolver algo. O mesmo ocorre com a utilização das modalidades de mídia e in- ternet na educação, que pode criar novos espaços de aprender que extrapolam a sala de aula presencial. As mídias destinadas à educação são criadas e utilizadas para um grupo específico. Há as plataformas fun- cionam como base de dados de conteúdos com o propósito de aprendizagem, disponí- veis para um número maior de beneficiários. Existem os repositórios de artigos científicos que oferecem maior facilidade de acesso em tempo real e no momento em que faze feito um questionamento, por exemplo. É possível fazer uma breve pesquisa em pouco tempo e depois selecionar o que lhe interessa, para poder se dedicar a movimentar o seu pensa- mento. As mídias são veículos e devem ser Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação62/241 bem utilizadas, pois pelo fato de existirem, aumentam nossas possibilidades de aprender. Para que se possa fazer o seu uso, exige-se a atualização de informações. “Com a Internet estamos começando a ter que modificar a forma de ensinar e aprender tanto nos cursos presenciais como nos de educação continuada, à distância. Só vale a pena estarmos juntos fisicamente - num curso empre- sarial ou escolar - quando acontece algo significativo, quando aprendemos mais estando juntos do que pesquisando isoladamente nas nossas casas. Muitas formas de ensinar hoje não se justificam mais. Perdemos tempo de- mais, aprendemos muito pouco, nos desmotivamos continuamente. Tanto professorescomo alunos, temos a clara sensação de que em muitas aulas convencionais perdemos muito tempo” (MORAN, 2000, p. 1-2). Surge também a utilização das plataformas de armazenamento de cursos a distância e semi- presenciais cujos conteúdos são precisamente elaborados para produzir novos conhecimen- tos, apresentando objetivos bem delimitados. Existe o direcionamento quanto ao conteúdo e às tarefas a serem realizadas, porém, a forma de executar contará com a participação mais ati- va do seu usuário (termo utilizado para associar o educando/aluno que por meio da tecnologia Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação63/241 faz uso da plataforma de aprendizagem via internet e computador) podendo guiar-se e estudar em seu tempo, e inclusive escolher qual curso realizar. Os recursos do processo de aprendizagem são bem interessantes, principalmente quando compreendemos que a sua fun- ção é ampliar a nossa capacidade de forma dinâmica e variada. As pessoas possuem tempos de reflexão diferentes para respos- tas diversas sobre um mesmo interesse ab- sorvido por um grupo, por exemplo, e isso os diferencia das respostas de outras pes- soas. O que torna o processo cognitivo pes- soal e intransferível, pois aprende-se a to- mar decisões conforme as escolhas feitas, que apontam caminhos, e fazem alcançar novas descobertas. Vale refletir sobre isso, pois estamos nos desprendendo da ideia de que o aprendizado é estático, com respostas prontas, como responder a um questionário objetivo no qual apenas uma única alterna- tiva é a correta. Quando refletimos, abrimos o campo de percepção e podemos identifi- car diversas formas de pensar para o mes- mo conceito que, quando aplicado à prática pedagógica, apresenta variações, como po- demos concluir dos argumentos expostos neste tema e no texto indicado para leitura complementar. • Desligando o automatismo, o “pensa- mento e o fazer viciado”. • Tendo uma “descoberta” (insight). • Sabendo perguntar para ampliar a vi- são. Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação64/241 • Compreendendo e podendo resolver alguma situação. • Obtendo um aprendizado efetivo. Assimilado esse aspecto entre a prática pe- dagógica e as peculiaridades das necessi- dades do aluno, podemos compreender a recusa por uma aprendizagem que se torna paralisada devido à falta de conexão entre as práticas pedagógicas pouco articuladas com o seu principal público, os alunos,que são pessoas diferentes entre si, ainda que o conteúdo seja o mesmo. Para saber mais Leia o artigo sobre “O Uso Pedagógico da Lousa Digital Associado a Teoria dos Estilos de Aprendi- zagem” dos pesquisadores Prof. Dr. Sergio Ferreira do Amaral, Profa. Rosária Helena Ruiz Nakashima e Prof.ª Drª Daniela Melaré Vieira Barros. Disponível em: <http://docplayer.com.br/8067896-O- -uso-pedagogico-da-lousa-digital-associa- do-a-teoria-dos-estilos-de-aprendizagem. html>. Acessado em 19 agosto 2017. http://docplayer.com.br/8067896-O-uso-pedagogico-da-lousa-digital-associado-a-teoria-dos-estilos-de-aprendizagem.html http://docplayer.com.br/8067896-O-uso-pedagogico-da-lousa-digital-associado-a-teoria-dos-estilos-de-aprendizagem.html http://docplayer.com.br/8067896-O-uso-pedagogico-da-lousa-digital-associado-a-teoria-dos-estilos-de-aprendizagem.html http://docplayer.com.br/8067896-O-uso-pedagogico-da-lousa-digital-associado-a-teoria-dos-estilos-de-aprendizagem.html Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação65/241 Glossário Práticas Pedagógicas Inovadoras: são estratégias pedagógicas criativas, contextualizadas, ativas ou dinâmicas que favoreçam à aquisição do conhecimento. São também consideradas como desafios de aprendizagem que favorecem à compreensão do aluno em níveis mais avan- çados, seja da sua compreensão redimensionada pela mudança de contexto, até a sua compre- ensão global. Associam-se a práticas que investem na autonomia do educando, na sua auto- aprendizagem, automonitoração e autoavaliação. Educador: a transformação da função do educador vem sendo atualizada para a de facilita- dor, que, favorece o aprendizado de forma diferenciada, rica e de múltiplas formas para que o conhecimento se efetive. Tem postura ética, clara e de facilitador na interação e interlocução das reflexões necessárias para que se desenvolva o saber dos alunos/educandos. Estimula tam- bém os elementos dos aspectos pessoais envolvidos na aprendizagem, os valores pessoais e sociais, implícitos na interação com o aluno/educando. Tem visão ampla para oferecer práticas pedagógicas inovadoras, pois sabe o valor de se enriquecer com essa variedade. Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação66/241 Glossário Educando: aquele que na interação com o educador (seu interlocutor), vivencia os desafios que são apresentados pelo educador. Mantém o dinamismo intelectual e enriquece a apresentação do tema pelas perguntas, reflexões que irão satisfazer a sua pretensão de saber mais e poder fazer conexões com outros saberes. Questão reflexão ? para 67/241 Você está com um tema para desenvolver com seus alu- nos de curso de pós-graduação. Todos são profissionais críticos e bem formados, e você pretende surpreendê- -los propondo uma atividade prévia para “aquecer”. Qual texto você indicaria como leitura prévia para iniciá-los no assunto “práticas pedagógicas inovadoras”. Pes- quise, leia e verifique o que vem a complementar o conteúdo a respeito do Tema 2. 68/241 Considerações Finais • A efetividade da aprendizagem está na qualidade das respostas que os educandos, mediante a estratégia pedagógica, vivenciam e na riqueza de conclusões intelectuais que obtêm, enxergando a realidade e a aplicação do conhecimento de forma ampla. A inovação é um critério relevante na adoção das práticas pedagógicas, pois considera importante “criar” situa- ções novas para as mais variadas situações. O aprendizado é representati- vo para a vida. Pode-se extrair um conhecimento que garanta ação prática no cotidiano • O ensino-aprendizagem de adultos tem uma dinâmica diferente do ensi- no de crianças e jovens em período escolar, a autonomia é preponderante, contando cada vez mais com o processo metacognitivo ocorrido, de acordo com a sua independência e direcionamento por suas preferências e senti- do para o seu histórico de vida. Buscando a maneira de aprender e o que lhe interessa aprender. A auto-aprendizagem é o motor dessa modalidade, chamando-se a isso de Andragogia. Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação69/241 Referências ALMEIDA, Maria E. B. As teorias principais da andragogia e heutagogia. In: LITTO, Fredric M.; FORMIGA, Marcos (Org). Educação a distância: o estado da arte. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009. p. 105-111. ALEXANDROFF, Marlene Coelho. O Papel das emoções na constituição do sujeito. Constr. psico- pedag., São Paulo , v. 20, n. 20, p. 35-56, 2012. . Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/ scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-69542012000100005&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 10 ago. 2017. AQUINO, Carlos Tasso Eira de. Como aprender: Andragogia e as Habilidades de aprendizagem. São Paulo: Pearson, 2007. AMARAL, Ana Luiza Neiva; MITJANS MARTINEZ, Albertina. Aprendizagem e criatividade no con- texto universitário. Psicol. Am. Lat., México , n. 8, nov. 2006. . Disponível em: <http://pepsic. bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1870-350X2006000400003&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 10 ago. 2017. CARVALHO, Mariana. O; FRANÇA Sonia M. M. Novas Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação Superior: A Visualidade como Recurso em Sala de Aula. UNOPAR. Londrina, PR. Re- vista de Ensino, Educação e Ciência Humanas,v. 10, n. 1,p. 35-41, 2009. Unidade 2 • Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação70/241 FILATRO, Andrea. Estilos de Aprendizagem. Brasília: ENAP, 2014. MORAN, José. Mudar a Forma de Ensinar e de Aprender: Transformar as aulas em pesquisa e comunicação presencial-virtual. Disponível em: <http://www.eca.usp.br/prof/moran/site/textos/ tecnologias_eduacacao/uber.pdf>. Acesso em: 29 ago. 2017. PICONEZ, Stela. Educação escolar de jovens e adultos. São Paulo: Papirus, 2002. RODRIGUES, Ana Maria. Psicologia da Aprendizagem e da Avaliação. São Paulo: Cengage, 2016. http://www.eca.usp.br/prof/moran/site/textos/tecnologias_eduacacao/uber.pdf http://www.eca.usp.br/prof/moran/site/textos/tecnologias_eduacacao/uber.pdf 71/241 Assista a suas aulas Aula 2 - Tema: Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação. Bloco I Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 727dac4904e5d5d6964e3bf3343558a2>. Aula 2 - Tema: Estratégias de Aprendizagem que Facilitam a Aquisição, o Armazenamento e a Utilização da Informação. Bloco II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 450c9f2e8257415d60d6d2e9f4f30648>. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/727dac4904e5d5d6964e3bf3343558a2 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/727dac4904e5d5d6964e3bf3343558a2 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/727dac4904e5d5d6964e3bf3343558a2 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/450c9f2e8257415d60d6d2e9f4f30648 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/450c9f2e8257415d60d6d2e9f4f30648 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/450c9f2e8257415d60d6d2e9f4f30648 72/241 1. Conhecida como “geração digital”, que surgiu a partir da década de 1980, possui práticas pedagógicas abertas e totalmente livres. Assinale a alternativa que corresponde a definição de: a) Heutagogia. b) Andragogia. c) Pedagogia crítica. d) Aprendizagem autocentrada. e) Aprendizagem. Questão 1 73/241 2. O processo de ensino-aprendizagem da Andragogia refere-se ao: Questão 2 a) Aprendizado de jovens a partir de 11 anos. b) Aprendizado de crianças. c) Aprendizado de adultos. d) Aprendizado tanto de crianças, jovens, como de adultos. e) Aprendizado de profissionais. 74/241 3. O estilo de aprendizagem “independente de campo” tem diversas carac- terísticas, aponte qual delas “é contrária totalmente” ao conceito: Questão 3 a) São pouco influenciados por feedbacks e meio social. b) São menos autoconfiantes. c) Preferem interagir com o conteúdo. d) Atuam bem com suas próprias estratégias. e) Vão em busca de objetivos autodefinidos. 75/241 4. O estilo de dependência de campo está associado a diversas características, entre as listadas abaixo, existe uma correta,aponte qual é: Questão 4 a) Demonstram pouco sua sensibilidade aos sentimentos. b) Aprendem de forma colaborativa. c) Precisam de instruções breves sem muitos detalhes. d) Apreciam a formalidade e a distância. e) Não dão importância a influências sociais. 76/241 5. A autoaprendizagem, autoavaliação e automonitoração são resultados de uma aprendizagem: Questão 5 a) Metacognitiva. b) Centrada no aluno. c) Construtivista. d) Cognitivista. e) Todas estão corretas. 77/241 Gabarito 1. Resposta: A. A definição apresentada refere-se à Heuta- gogia. 2. Resposta: C. A Andragogia refere-se unicamente ao aprendizado de adultos, portanto, a letra “c” está correta. 3. Resposta: B. O item “b” que menciona ser “menos auto- confiantes”, não procede, portanto, é incor- reta, sendo esta a resposta para a questão 4. Resposta: B. A alternativa correta é a letra “b” e todas as outras estão incorretas. 5. Resposta: A. Todas se referem a uma prática de meta- cognição. 78/241 Unidade 3 Estratégias Cognitivas no Processo de Ensino-Aprendizagem Objetivos 1. Apontar ao educador/professor que o uso de estraté- gias surge como necessidade para estabelecer o su- cesso da aprendizagem, na junção das melhores con- dições possíveis em viabilizar o processo de ensino- -aprendizagem de forma eficaz, efetiva e concreta. 2. Apontar que cada aluno mobiliza em si uma conduta cognitiva distinta, cujas estruturas do pensamento ati- vam a inteligência e o nível de resposta será especifico. 3. Observar que as práticas de ensino variam de acordo com os modelos usados e o professor poderá auxiliar o aluno no processo de aprender e compreender. Unidade 3 • Estratégias Cognitivas no Processo de Ensino-Aprendizagem79/241 1. Introdução Saber que o conhecimento é relevante na vida do indivíduo é como constatar que céu e terra estão inteiramente ligados ainda que com funções distintas. O conhecimento é uma grande ferramenta estratégica a ser- viço da evolução humana. É o que nos per- mite mudar e acelerar o processo de apren- dizagem, e, como consequência, gerar alte- rações na conduta siginificativas que pro- movem maior eficiência. O modo como os seres humanos se adap- tam às transformações contemporâneas resultam em aprendizado. Isso exige das pessoas uma estrutura cognitiva ainda mais complexa. As estruturas do pensamento mobilizam a inteligência (função cognitiva). Conforme avançamos no desenvolvimento da nossa capacidade cognitiva, tivemos a necessidade de incluir novas compreensões por meio de estratégias que elevem a capa- cidade de aprender, inovar e transformar. A aquisição de saberes é capaz de modificar as pessoas e, com isso, permite-as se expres- sarem com um nível de respostas potencial- mente melhor em todas as áreas da sua vida. A experiência tem um papel muito importan- te, pois denota o quanto é relevante a todos os estímulos pelos quais o aprendiz se permi- te explorar, sejam influências internas, como suas reflexões e pensamentos, como fatos e eventos externos que lhe permitem com- preender uma nova concepção da realidade. Portanto, experiência e aprendizagem estão intimamente ligadas, assim como a compre- ensão e aprendizagem. Vamos compreender a função das estratégias. Unidade 3 • Estratégias Cognitivas no Processo de Ensino-Aprendizagem80/241 A maneira pela qual o educador pode au- xiliar na aprendizagem do educandoocorre por meio da adoção de estratégias, de modo a reunir condições favoráveis para uma ação bem-sucedida e eficiente diante de uma fi- nalidade desejada. As estratégias cogniti- vas no processo de ensino-aprendizagem apresentam dois pontos de vistas que po- dem ocorrer: a) Quando o aluno aplica a estratégia para que ele mesmo possa aprender. b) Quando o professor mobiliza o aluno para ensinar. Devemos compreender que a utilização de estratégias no ensino-aprendizagem são ações de alta performance que se pautam no que há de melhor na atuação e na quali- dade de resposta diante do desafio existen- te, produzindo resultados efetivos. A estra- tégia possibilita: eficiência com efetividade. Também tem como propósito a clareza de ideias, a lucidez do sujeito sobre a tarefa a ser realizada, seja por parte do educador ou do educando, para que possa compreen- der o objetivo proposto e mobilizar proce- dimentos diferentes poderá fim de escolher um em especial. Ao professor é fundamental observar a es- tratégia utilizada pelos seus alunos a fim de compreender o modo como agiram e responderam à situação, seja relacionado ao objetivo proposto ou a formas de com- preensão do conhecimento diferentes. Por isso, é relevante compreender os meios pe- los quais os alunos/educandos procuraram Unidade 3 • Estratégias Cognitivas no Processo de Ensino-Aprendizagem81/241 resolver suas questões (o que o mobiliza nosentido de aprender), para poder acompa- nhá-los e orientá-los a uma condição bem sucedida. Desta forma, a aprendizagem se mistura com os sentidos aplicados a “apren- der” e a “compreender”, sendo entendido muitas vezes com o mesmo significado. A aprendizagem interage entre duas gran- des áreas da ciência: a) Psicologia. b) Educação. Pode estar presente tanto no contexto es- colar (aprendiz que inicia com tarefas sim- ples e vai assumindo desafios mais comple- xos) como na prática profissional (formação qualificadora e técnica). Essa dicotomia ocorre quando o aluno passa pelo processo de entendimento do objetivo proposto, pois a sua ação poderá realizar-se de forma di- ferente. Na formação profissional, a instrução se pauta em observação e imitação, e com conteúdos técnicos, na qual é possível che- gar ao resultado esperado. Como descreve Perraudeau (2009), no ensi- no escolar, a marca utilitarista foi presença nos séculos XIX e XX, sendo este o principal objetivo da aprendizagem, cujo propósito era tornar possível o cumprimento de deter- minadas funções como medição e leitura. Mas, na metade do século XX, os progres- sos no conhecimento do desenvolvimen- to da criança e o nascimento da psicologia cognitiva revolucionaram as concepções da aprendizagem. Aos poucos, foram sen- Unidade 3 • Estratégias Cognitivas no Processo de Ensino-Aprendizagem82/241 do diferenciadas modalidades de tarefas destinadas a memorizar, associar conheci- mentos, tarefas de compreensão, reflexão, analisar e levantar problemas, e, com isso, surgiu a necessidade de criar novos proce- dimentos. Tais diferenças são presentes até a atualidade, resultando em duas formas de aprendizado: • Uma forma faz menção ao condicio- namento e automatismo, em que não é preciso uma compreensão propria- mente dita. São comportamentos que se aprendem simplesmente por serem necessários, como o hábito de utilizar o talher para alimentar-se, que não exigem grande compreensão, apenas por meio da imitação é possível obter autonomia do comportamento para poder repeti-lo, sem refletir sobre a ação, apenas a executando. Sem dúvi- da, essa modalidade de aprendizagem é importante, mas cabe ressaltar que é diferente daquela que suscita análise, reflexão e mudanças para a ocorrência de avanços pedagógicos expressivos. • E uma outra forma que incentiva a consciência daquele exposto à apren- dizagem, a fim de que ele consiga compreender em níveis mais elevados nas esferas linguística, social, lógica e outras. A ação da aprendizagem por Perraudeau (2009) envolve três dimensões ou pólos, para dar conta do processo como um todo: Unidade 3 • Estratégias Cognitivas no Processo de Ensino-Aprendizagem83/241 • Pólo particular, do indivíduo (compor- tamento cognitivo, afetivo e conativo que aponta a autoconfiança deste em relação ao aprendido, a imagem que pensa ter sobre as demais pessoas e sobre o que aprende). • Pólo social (ambiente e interação com demais pessoas, a família, a escola e meio cultural). • Pólo contextual (contexto escolar: ambiente no qual o professor estimu- la os alunos para que estes adiram às aprendizagens. Indicando que efeitos o professor possui em classe: a forma de apresentar o conteúdo e modo de transpor os saberes). Nesta dicotomia entre “aprender e com- preender”, entre “acertar e aprender” (es- tratégia construtivista), entre o erro como oportunidade de aprendizagem, é relevante que o professor possa compreender o pro- cedimento do aluno nas suas atividades a fim de poder acompanhá-lo mais de perto e atuar na estratégia viável para o contexto. A aplicação de estratégias eficazes exige um pensamento organizado e estruturado, de forma a desenvolver competências cogniti- vas, seja em relação ao saber, ao quão próxi- mo ou distante está do objetivo e finalidade do conhecimento. Os estilos de conduta do professor vão influenciar as estratégias que os alunos utilizam, de modo a aumentar as suas condutas cognitivas e tornar mais rico seus procedimentos diante da tarefa. Unidade 3 • Estratégias Cognitivas no Processo de Ensino-Aprendizagem84/241 O psicólogo Jean Piaget dedicou-se igual- mente a essa questão, diferenciando a aprendizagem que acredita no “acertar” e objetiva o “saber-fazer” da aprendizagem que resulta do compreender, o que é próprio da conceitualização. Do ponto de vista da “estratégia constru- tivista”, surgida em 1950, e de acordo com Perraudeau (2009), é relevante diferenciar “acertar” de “aprender”. A estratégia, quan- do responde à definição dada na introdução é considerada mais da ordem da compre- ensão. Ela diz respeito à forma de alcançar o objetivo da tarefa e está mais vinculada à competência (o que é mobilizado para che- gar ao resultado) do que ao desempenho (a exatidão do resultado). Nessa perspectiva, não se propõe mais ao aluno uma noção que ele conhece e que vai repetir, ao contrário, o professor cria, voluntariamente, uma situa- ção que confronta o aluno com um obstá- culo novo. O postulado bachelardiano, no qual se apoia esse percurso, segundo Astolfi, Peterfalvi e Vérin (1998) e Fabre (1999), se traduz no fato de que o confronto com o obstáculo é capaz de levar o aprendiz a modificar pro- fundamente suas representações e suas estratégias antigas. Michel Fabre distingue o termo dificuldade de obstáculo, de que este não resulta da falta de conhecimento, mas do fato de que o conhecimento é con- textualizado e, portanto, gerador de erros e situações imprevistas, inéditas. Ele se dife- rencia da dificuldade, que está mais relacio- nada com a falta de conhecimento ou com a complexidade da tarefa por exemplo. Unidade 3 • Estratégias Cognitivas no Processo de Ensino-Aprendizagem85/241 No decorrer do processo de ensino-apren- dizagem ocorre uma série de atividades mentais. De acordo com Perraudeau (2009), na concepção psicológica de Piaget, a capa- cidade de aprendizagem do aluno depende diretamente do nível de desenvolvimento de seu pensamento. Do ponto de vista do psicólogo bielo-russo Vygotsky é o inverso: o desenvolvimento do pensamento é favo- recido pelas aprendizagens envolvidas. Os dois pontos de vista se completam mais do que se opõem: desenvolvimento do pensa- mento e a aprendizagem alimentam-se um do outro. Compreender o aluno que aprende para po- der ajudá-lo em suas aquisições, exige co- nhecer as bases do seu pensamento lógico, do que o direcionou a esta conclusão, para então poder identificar o que pode ser se- melhante e diferente dos demais alunos, e se faz uso de alguma estratégia. As Estratégias de aprendizagem de tipo comportamentalista tratam da aquisição de uma forma de ação, que se reverte na otimi- zação do resultado. Têm compromisso com a eficácia e nenhum com a compreensão. A instrução da estratégia procura, neste mo- delo fornecer ao aluno os recursos necessá- rios para que ele próprio se conduza como a manusear uma calculadora e a fazer ope- rações. Desenvolve-se o pensamento para ações automáticas. Ao aluno cabe obedecer essas instruções, pois são procedimentos a serem seguidos, observados e imitados. O professor que observa o aluno envolvido na aprendizagem está voltado para o que Unidade 3 • Estratégias Cognitivas no Processo de Ensino-Aprendizagem86/241 Piaget chama de “estrutura”, referindo-se ao pensamento, que poderá ser novamen- te utilizada quando em situações similares. As condutas cognitivas dos alunos serão de grande relevância, seja para a sua compre- ensão como para novas inserções que farão em outras situações. As instruções referentes a uma tarefa dada pelo professor ao aluno não têm como prin- cípio normatizar condutas, pois é sabido que a experiência é única. O modo como um aluno se comporta diante de determi- nada tarefa é relevante, pois leva em conta o estilo; um cumpre a instrução como quem deseja seguir uma norma, já para outro alu- no sua primeira ação será a de verificar as diferençasentre tarefas anteriores e àquela que deve realizar no momento. De acordo com o estilo do pensar do aluno que este é influenciado ao adotar uma estratégia. Na estratégia construtivista, como vimos acima, é essencial discernir “acertar” de “compreender” e forma de alcançar o ob- jetivo também é importante. São relevan- tes: o desenvolvimento da “competência”, o modo como o aluno age para chegar no re- sultado, e o “desempenho”, que está asso- ciado à exatidão do resultado. O professor/ educador então cria novas situações para o aluno/educando vivenciar um novo desafio de aprendizagem ao invés de proporcionar situações já conhecidas. As competências desenvolvidas serão de três ordens: em relação à disciplina, à tarefa e às estratégias. Unidade 3 • Estratégias Cognitivas no Processo de Ensino-Aprendizagem87/241 • Competências ligadas à disciplina: são as condições de compreensão do que é para ser aprendido e de como o fazer. Ou seja, de situar o que a tarefa pede e de identificar os conceitos que estão presentes. Como consequência do sucesso do processo de compreen- são vivido na situação de aprendiza- gem, ganham dimensão outras capa- cidades, como a autoconfiança, auto- estima e motivação (denominadas de desenvolvimento conativo). • Competências ligadas à tarefa em si: quando o aluno procura compreender o objetivo da tarefa e como falar so- bre ela, avaliando sua capacidade de resolvê-la: se será necessário algum auxilio e, em caso positivo, de que tipo de ajuda (por exemplo, pesquisa em li- vros), ou, em caso negativo, se deverá realizá-la sozinho. • Competências ligadas às estratégias mobilizadas pela tarefa: quando o alu- no procura selecionar as informações importantes a serem consideradas; identificar que tipo de procedimentos serão coerentes com a tarefa e prever qual delas será a melhor. Neste ponto, já surgem as estratégias metacogni- tivas, que veremos mais adiante nos próximos temas deste curso. Cabe ressaltar também que ainda não ire- mos nos aprofundar neste tema: a impor- tância da afetividade que está sempre pre- sente nas situações de aprendizagem. A Teoria da Epistemologia Genética e a Teoria Unidade 3 • Estratégias Cognitivas no Processo de Ensino-Aprendizagem88/241 Sócio-histórica levam em consideração na aprendizagem o teor emocional que permeia toda observação empírica da realidade, bem como toda a experiência vivida, o contato com o meio e com as pessoas. Todos esses ingredientes integrados compõem a aprendizagem, a afetividade e a intelectualidade. Alguns autores apontam para isso, como na citação: As construções intelectuais têm dois aspectos indissociáveis, afetivo e cog- nitivo. Enquanto o primeiro fornece condições internas de motivação para o desenrolar das ações, o segundo refere-se aos mecanismos de raciocí- nio, que possibilitam uma compreensão do que acontece nessas ações. (TIJIBOY; PEREIRA; WOICIECHOSKI, 2009 apud PIAGET, 1977, p. 45) Para saber mais No artigo a seguir, a relevância da afetividade se faz presente pelas autoras citadas acima, no qual tais fatores são determinantes em aprendizagem em AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem) – sendo uma estratégia de aprendizagem tecnológica bastante atual na vida de professores e alunos que buscam se familiarizar por esta via de ensino. Vale conferir este artigo.Disponível em: <http://www.seer.ufrgs.br/ renote/article/view/13986>. Acesso em: 30 mar. 2017. http://www.seer.ufrgs.br/renote/article/view/13986 http://www.seer.ufrgs.br/renote/article/view/13986 Unidade 3 • Estratégias Cognitivas no Processo de Ensino-Aprendizagem89/241 Quando se pensa em prática pedagógica es- tamos falando de ações especificas, com uma metodologia especifica, para cumprir os desafios do saber, ou seja, os meios pelos quais trilharemos o caminho que favorecerá o aprendizado do aluno. Por isso, são ações estratégicas, como pistas que lhe favore- cem a tomar um caminho seguro. Visam cumprir determinados objetivos, e até mes- mo permitir que muitas inovações possam ocorrer pelo trajeto. Não é estática, poden- do ser transformada na forma de transmi- tir e até mesmo de buscar novos elementos que contribuam ao plano original a fim de atender um grupo, ao interesse de um aluno e às necessidades e anseios dos beneficiá- rios do aprendizado. É isso que a aprendiza- gem promove: inovação de conteúdos que passam a ser utilizados de outra forma e construídos em função de algo que é perce- bido, e que venham a atender prontamente as indagações do contexto de aprendizado. O método (o caminho) serve para tornar de- terminado objetivo possível e estabelecer níveis de aprendizado viabilizando o pro- cesso inteiro. Em ações estratégicas que envolvam a compreensão, como vimos an- teriormente, ele se dá por meio de níveis de entendimento, numa ação processual, na qual os agentes (educador- educando) vão se modificando e evoluindo diante dos estímulos do aprender, até encontrar obs- táculos, o que poderá gerar insatisfação e frustração. Neste caso, deve-se desafiá-los a ponto de requisitar uma capacidade maior de compreensão para chegar a um resulta- do satisfatório. Unidade 3 • Estratégias Cognitivas no Processo de Ensino-Aprendizagem90/241 O conhecimento surge como uma demanda, na qual cada um avalia ser necessário avan- çar de acordo com os interesses que possui, seja no seu ofício (conhecimento técnico), seja para dar conta das movimentações do seu pensar, que é dinâmico. Mas, de forma geral, o saber é indispensável para aqueles que buscam um fim objetivo e prático e para as pessoas que vivem mergulhadas em pen- samentos e reflexões num crescimento in- terior constante. Neste último caso, requisi- tando, certamente, mais estímulos. As mentes curiosas têm “fome” de saber e buscam a informação de diferentes formas. Há aqueles que se interessam por determi- nado saber associado a alguma aquisição prática, atendendo a uma utilidade. Para muitos, é a falta de entendimento a fon- te de sua desmotivação, pela ausência do “despertar”, do iluminar-se (sem o sentido meditativo) no âmbito de que a informação clareia suas posições e opiniões sobre a vida e tudo o que circunda a sua vida e ao mundo. E ao adquirir, em níveis crescentes, o conhe- cimento que o aprimoramento se dá, possi- bilitando a retenção desses conteúdos, que consequentemente promoverão os desdo- bramentos que propiciam novos saberes. Para esse desafio, o empenho, grau de efi- ciência e efetividade serão fundamentais. Isto representa “fazer bem feito” e “cumprir o propósito”, ou seja, agregar informação tornando-a disponível à novas conexões e associações do pensamento que provoca- rão novas ondas. O estudo ocupa uma fun- ção importante, pois representa a disposi- Unidade 3 • Estratégias Cognitivas no Processo de Ensino-Aprendizagem91/241 ção para o saber, a permanência à exposição diante de conteúdos que venham promover novas formas de pensar sobre tudo o que for de seu interesse. Se há uma curiosida- de, há questões que são levantadas a partir dela, e passamos a buscar pelo caminho do pensamento as muitas perguntas que irão promover uma análise mais profunda, dife- rente dos indivíduos que são inertes dian- te dos interesses, e revelam a “mesmice”, a falta de enriquecimento e iluminação dian- te dos aspectos que permeiam a vida, como se não existissem. Pode-se entender isso quando percebemos uma pessoa com uma visão rasa e superficial da vida. Isso repre- senta que as portas do saber foram fecha- das e que o limite tomou conta, impedindo que o conhecimento cumpra a sua missão de fazer com que as pessoas brilhem pela sua capacidade e potencial. As mentes que desvendam novos saberes, são criativas (ultrapassam os chamados er- ros e criam novos desafios do conhecimen- to), e aceitam o fato delas se modificarem, pois compreendem o ciclo evolutivo do aprender e conseguem favorecer a si e aos que se beneficiam do conhecimento. As formas de apresentarmoso conheci- mento poderão ser infinitas e dependem do grau de criatividade – outro ingrediente fun- damental para uma boa prática pedagógi- ca e que possibilitará as muitas saídas para evoluir nas estratégias adotadas em situa- ção de aprendizagem. A criatividade é um dos alicerces da motivação, de acordo com Rodrigues (2016), mantendo os aprendizes Unidade 3 • Estratégias Cognitivas no Processo de Ensino-Aprendizagem92/241 e educadores interessados, já que sabem que existem desdobramentos de uma ação prática pe- dagógica. O compartilhamento dos saberes além de propiciar interação, motiva e mobiliza os educandos/alunos a uma aprendizagem sem hierarquia, em que todos se enriquecem. Para saber mais O artigo “Aprendizagem e Criatividade no contexto universitário: um estudo de caso” publicado na revista cientifica (Psicol. Am. Lat. n.8 México nov. 2006) é um exemplo, apontando que na construção dos saberes que são consolidados, dá-se lugar a um processo de aquisição do conhecimento no qual também a criativi- dade tem um papel estratégico no favorecimento das soluções de aprendizagem. Disponível em: <http:// pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1870-350X2006000400003>. Acesso em: 29 mar. 2017. Se associarmos a contribuição da Teoria das Múltiplas Inteligências de Gardner (2000), que ad- mite uma inteligência plural como vimos no Tema 1, pontua-se a capacidade de desenvolver processos cognitivos dos modos mais variados, de acordo com a preferência e estilo de apren- dizagem, como também vimos ao passarmos pelos modelos de David Kolb, Munford & Honey e Walter Barbe como pesquisadores e autores que contribuíram com essas mudanças na forma de aprender (todos esses autores foram vistos no Tema 1). http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1870-350X2006000400003 http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1870-350X2006000400003 Unidade 3 • Estratégias Cognitivas no Processo de Ensino-Aprendizagem93/241 Entendemos que cada pessoa será capaz de assimilar e aplicar o saber de maneiras distintas, ainda que o conhecimento expos- to seja o mesmo a todos. E isso se dá pelo fato de que cada pessoa tem seus próprios registros e experiências: o seu acervo vivo. Tendendo a fazer uso deste saber adquirido, da experiência vivida, que é o que o diferen- cia das demais pessoas. Havendo aí um pro- cesso de aprendizagem que vai para além do saber especifico, estando associado ao seu modo de compreensão, de fazer asso- ciações e correlações com conhecimentos pré-existentes. Indivíduos que são capazes de fazer novas leituras em situações distintas e que pos- suem como base o seu acervo de conheci- mento, têm maiores condições de se estru- turarem e lidarem melhor com os impactos que os conflitos acarretam. Não estamos mencionando o objetivo de um conheci- mento que é medido por meio da obtenção de uma nota, um conceito avaliativo, um valor atribuído ao que se aprendeu e que fazemos uso de recursos que comprovem isso, como as provas, exercícios e avaliações diversas. Sabemos que o fundamento disso está em mensurar se houve o aprendizado, e isso está associado com a memória, ou seja, com poder lembrar-se dos conceitos e encontrar as respostas certas, ou alcançar os acertos que o professor deseja. Mas que essas não são as únicas formas de se medir o conhecimento. Mas e se a aprendizagem levar a um conhe- cimento diferente do que o próprio educa- dor se propôs? Ele ainda seria válido? Fala- mos de uma espécie de estar “sem controle” Unidade 3 • Estratégias Cognitivas no Processo de Ensino-Aprendizagem94/241 quanto ao resultado da aprendizagem que pode se obter na medida em que se partilha conhecimentos e estes já não são seus, mas aquisições que tomarão rumos conforme a elaboração daqueles com quem se compar- tilham. Lembremo-nos dos três pólos que possibilitam a ocorrência do aprendizado: individual, social e o contexto, citados aci- ma por Perreaud (2009). O aprender passa pela ótica do indivíduo e afora o contexto possa ser ampliado para fora do ambien- te da sala de aula, é possível permitir-se a aplicar em novos contextos, o que se tra- duzem uma aprendizagem bem sucedida, com efeitos em outro polo, o social como menciona acima Perreaud (2009. Na medi- da em que o contexto da aprendizagem se amplia, também há uma expansão da sua repercussão em outras áreas da sua vida e interações, seja com os demais educandos ou com outros agentes de sua interação. Para saber mais Leia o texto que faz uma aproximação interessante entre “Aprendizagem Colaborativa e Múltiplas In- teligências” como forma de compreender melhor a expansão e a abrangência da ação docente: o quanto requer de profissionalismo e muito preparo para ser um facilitador e mobilizador do progresso pedagógico do outro, pois é preciso saber por onde caminha e sobre a sua extrema responsabilidade de possibilitar paragens seguras do aprendizado, ainda que acompanhe tempestades criativas gera- doras de intensos fluxos de elaboração. Disponível em: <http://www.pucpr.br/eventos/educere/ educere2006/anaisEvento/docs/CI-026-TC. pdf>. Acesso em: 29 mar. 2017. http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2006/anaisEvento/docs/CI-026-TC.pdf http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2006/anaisEvento/docs/CI-026-TC.pdf http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2006/anaisEvento/docs/CI-026-TC.pdf Unidade 3 • Estratégias Cognitivas no Processo de Ensino-Aprendizagem95/241 Glossário Criatividade: processo espontâneo, atributo da inteligência que respalda o indivíduo em ofe- recer melhores respostas diante das situações. É possível desenvolver a criatividade tanto do educador como do educando, favorecendo a sua liberdade de pensar, opinar ou concluir de for- ma diferente do esperado, podendo-se observar novas conclusões antes não pensadas. A cria- ção surge como elemento inusitado e é um marcador de qualidade no ensino e aprendizagem. Está associada a se permitir elaborar concepções diferentes do esperado e ampliar o contexto do “certo”, já que criar não incide ao erro. Facilitador: termo se refere ao educador que “facilita” o trabalho de aprendizagem e tem seu sentido na função que ocupa ao mediar a interação dos alunos/educandos diante do conheci- mento e das atividades pedagógicas criadas com o objetivo de aprendizagem. Facilita o pro- cesso de aquisição do educando e propicia que este chegue na compreensão de conteúdos pelo seu caminho de pensamento. Estratégia de ensino-aprendizagem: é uma ação escolhida entre outras possibilidades tendo em vista a finalidade de reunir condições de execução, partindo da lucidez e clareamento das ideias, e interferindo positivamente na sua conclusão A estratégia envolve uma alta performance. Questão reflexão ? para 96/241 Quando um aluno não aplica determinado procedimen- to é porque não possui o conhecimento ou não sabe como usá-lo? Pesquise sobre este assunto a fim de res- ponder na condição de um educador. 97/241 Considerações Finais (1/2) • As estratégias são modos eficazes de se percorrer um trajeto de sucesso frente ao desafio do aprender. • O professor deve levar em conta que, com a mesma inteligência, os alunos vão apresentar comportamentos distintos um do outro, um mais retraído, enquanto outro mais impulsivo. Com isso, elabora meios para mostrar ao primeiro que precisa lidar com os limites que ele próprio impõe a si, enquan- to que, a estratégia para auxiliar o outro aluno, será diferente: a de apontar o valor da observação e análise antes de agir. Isso significa que a estratégia se modificará ao observar o modo como o aluno/educando se conduz. • O resultado da aprendizagem tem efeitos conativos: a autoconfiança, auto- estima, motivação e autoimagem positiva. Tem o propósito de ser bem-su- cedido. Podendo ser uma ação objetiva e repetida, como aquela que suscita maior elaboração e compreensão. Podendo desencadear novos desafios de aprender que não estejam associadoscom o “acertar” e sim com o compre- ender para evoluir em novas ações. 98/241 • A experiência do aprendizado é também elemento de decifrar o que se capta e assimila no ambiente, revelando sentimentos e emoções, podendo gerar tensões, medo, frustração, satisfação, realização, impedimento e transcen- dência, indo para além do que é proposto. • O aprender envolve o indivíduo como um todo e o seu resultado tende a se repetir como recompensa, permitindo que se sinta com o ímpeto e a dispo- sição de agir e intervir. Quando se aprende, passa-se a apresentar elemen- tos para a tomada de iniciativa. • O aprender está associado às diferenças individuais de cada um, conside- rando suas influências ambientais e culturais, além dos seus valores pesso- ais, permitindo existir liberdade para se escolher o que deseja incorporar e aceitar como aquisição. Considerações Finais (2/2) Unidade 3 • Estratégias Cognitivas no Processo de Ensino-Aprendizagem99/241 Referências AMARAL, Ana Luiza Neiva; MITJANS MARTINEZ, Albertina. Aprendizagem e criatividade no con- texto universitário. Psicol. Am. Lat., México , n. 8, nov. 2006. Disponível em: <http://pepsic.bv- salud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1870-350X2006000400003&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 10 ago 2017. BEHRENS, Marilda Aparecida; SANTOS, Resciel Gerson. A Aprendizagem Colaborativa e as Inte- ligências Múltiplas. PR: EDUCERE ANAIS – PUC/PR. 2006. Disponível em: <http://www.pucpr.br/ eventos/educere/educere2006/anaisEvento/docs/CI-026-TC.pdf> Acesso em 19 agosto 2017. BERBEL, Neusi A. Navas. A problematização e a aprendizagem baseada em problemas: dife- rentes termos ou diferentes caminhos? — Comunicação, Saúde, Educação, v. 2, n. 2, 1998. Dis- ponível em: <http://www.scielo.br/pdf/icse/v2n2/08.pdf>. Acesso em 19 agosto 2017. GARDNER, Howard. Inteligências Múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000. PERRAUDEAU, Michel. Estratégias de Aprendizagem: como acompanhar os alunos na aquisi- ção dos saberes. Porto Alegre: Artmed, 2009. REVISTA NOVAS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO, RENOTE - ISSN 1679-1916 vol. 7 n.1,2009. Aces- so em 09 de abril de 2017. Revista Novas Tecnologias na Educação, RENOTE, v. 7, n.1 Disponível em <http://seer.ufrgs.br/index.php/renote/issue/view/950/showToc>. 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Acesso em: 30 mar. 2017. http://www.seer.ufrgs.br/renote/article/view/13986 http://www.seer.ufrgs.br/renote/article/view/13986 101/241 Assista a suas aulas Aula 3 - Tema: Estratégias Cognitivas no Pro- cesso de Ensino-Aprendizagem. Bloco I Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ aae85bf36df9bc40c13806a6e7ba1e7f>. Aula 3 - Tema: Estratégias Cognitivas no Pro- cesso de Ensino-Aprendizagem. Bloco II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/43b6d429a9d2abb751aa632711a64224>. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/aae85bf36df9bc40c13806a6e7ba1e7f https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/aae85bf36df9bc40c13806a6e7ba1e7f https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/aae85bf36df9bc40c13806a6e7ba1e7f https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/43b6d429a9d2abb751aa632711a64224 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/43b6d429a9d2abb751aa632711a64224 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/43b6d429a9d2abb751aa632711a64224 102/241 1. Os conceitos aprender e acertar se misturam sendo necessária a sua dife- renciação a fim de se aplicar corretamente as estratégias de ensino-apren- dizagem. Qual é a conduta que irá diferenciá-los? a) Agir. b) Compreender. c) Refletir. d) Pensar. e) Observar. Questão 1 103/241 2. A estratégia comportamentalista tem como base qual aspecto significativo? a) Compromisso com a forma exata de proceder. b) Sem uso da compreensão. c) Envolvida com o sucesso da tarefa e obtenção do resultado. d) Com a forma de elaborar o pensamento. e) Com as percepções que se tem do ambiente. Questão 2 104/241 3. Aponte a alternativa que melhor define o que é: “Aprendizagem Colabora- tiva”: a) Incentiva a confiança grupal e estabelece uma aprendizagem que é cocriada e compartilha- das entre todos. b) Não existe hierarquização entre professor e aluno e entre alunos. c) É uma prática que prioriza a construção do conhecimento conjunto entre os educandos. d) Modelo que explora a interação do saber entre os alunos/educandos como forma de en- riquecimento, troca e construção do conhecimento, sem hierarquização e com confiança entre todos. e) Todas estão corretas. Questão 3 105/241 4. A estratégia de aprendizagem construtivista tem como princípio qual as- pecto? a) Está centrada na compreensão. b) Diferencia o “acertar” e o “aprender”. c) Seu foco está na construção conjunta de novos saberes. d) Tem seu foco na ação resultante do pensar. e) Um misto de compreensão, de acertar e aprender e também construir conjuntamente novos saberes. Questão 4 106/241 5. As estratégias de aprendizagem podem ser de dois pontos de vista, apon- te quais: a) Estratégias pragmáticas e de novas atitudes. b) Estratégias em que o aluno aplica para aprender e elaborar o pensar. c) Estratégias que o professor mobiliza para ensinar e criar. d) Estratégias dinâmicas e passivas. e) Estratégias tanto do aluno (aprender) como do professor (ensinar). Questão 5 107/241 Gabarito 1. Resposta: B. Compreender é o conceito que está asso- ciado a aprender. 2. Resposta: E. Com as percepções que se tem do ambiente. 3. Resposta: E. Todos os itens falam o que é aprendizagem colaborativa de forma correta. 4. Resposta: E. Um misto de compreensão, de acertar e aprender e também construir conjuntamen- te novos saberes. 5. Resposta: E. Os pontos de vista distintos na adoção de estratégias estão associados à do professor, para ensinar, e a do aluno, para aprender. 108/241 Unidade 4 Metacognição — Aprender a Ensinar em uma Perspectiva Metacognitiva Objetivos 1. Entender o que é a metacognição. 2. Compreender como as estratégias cognitivas e metacognitivas são uma forma de obtenção de maior resulta- do (eficácia e eficiência). 3. Compreender como a metacognição melhora a aprendizagem. Unidade 4 • Metacognição — Aprender a Ensinar em uma Perspectiva Metacognitiva109/241 1. Introdução A mobilização para aprender, parte de uma curiosidade, necessidade ou indagação. O conhecimento é associado a uma utilidade. Com isso, caminha-se em direção ao pro- cesso de aquisição que o aprendizado pos- sibilita, que servirá de base para novas inda- gações. Sabemos como e quando utilizar a informação novamente. E seremos capazes, de forma inconsciente, de utilizá-la como recurso do que já foi aprendido, sem preci- sar percorrer o desafio de antes, pois con- seguimos identificar e reconhecer as pistas anteriores. Caminhamos sobre uma forma de pensar, e esta nos direciona aoresulta- do pretendido. A ponto de não precisarmos pensar mais sobre isso de forma consciente, e reconhecemos de que forma se chegou ao resultado, pois já foi incorporado como par- te de seu acervo intelectual. Quando se aprende, algo novo é assimilado. Atualiza-se a base de informação, até en- tão, vigente, renovando o conhecimento e consolidando o seu patrimônio intelectual. As ações decorrentes da aprendizagem, da cognição efetiva e bem-sucedida, propicia- rão ao aprendiz mais capacidade para ofe- recer melhores respostas em cada situação, transformando o conhecimento em habili- dade e competências. O aspecto relevante está em como desen- volvemos nossa forma de pensar e qual a estratégia adotada. Conseguimos evoluir mentalmente e cognitivamente, pois tudo o que já foi aprendido servirá como base (ex- periência) para a formulação de novas es- tratégias e concepções. Também possibili- tando abrir caminhos para a compreensão Unidade 4 • Metacognição — Aprender a Ensinar em uma Perspectiva Metacognitiva110/241 dos novos conhecimentos. Com isso, a au- tonomia e o sentido de autoconfiança tor- nam-se maiores, estabelecendo segurança e produzindo melhores tomadas de deci- sões. 2. A Metacognição De acordo com Jou & Sperb (2006) a meta- cognição é o enfoque da psicologia cogni- tiva no tocante ao como o cérebro proces- sa suas informações. Considerando que a mente tem conexão com o ambiente ex- terno à pessoa e interage frequentemente com esse meio, a partir disso, acontece o estímulo para os processos internos men- tais, ocorrendo a monitoração, autorregu- lação e a própria potencialização do sistema mental, no qual, quanto mais experiências de aprendizagem ocorrerem, maior será a elevação da capacidade cognitiva, tornan- do possível dimensionar o que se sabe e de- senvolver recursos para investir em novos desafios. Nos estudos dos efeitos da aprendizagem para Jou & Sperb (2006), seu histórico abri- gava duas determinantes relevantes: a) Capacidades cognitivas (expectativa do que podia ser aprendido e assimi- lado associado a algum fim, interesse ou necessidade). b) Fatores motivacionais (que estimulam o interesse pela aprendizagem e que estão associados ao estilo da pessoa e ao seu modo de ser). Unidade 4 • Metacognição — Aprender a Ensinar em uma Perspectiva Metacognitiva111/241 Com os estudos do psicólogo americano John Hurley Flavell, pioneiro nas Teorias do Desenvolvimento, um dos fundadores da Psicologia Social Cognitiva do Desenvolvi- mento, a partir de 1970, incluiu-se uma ter- ceira determinante: c) Processos metacognitivos (memória, leitura, compreensão de textos, sa- ber falar a respeito do conhecimen- to, compreender o que é dito e outras funções associadas). Consciência e automonitoramento do aprendizado, com a apropriação dos comandos in- ternos frente aos estímulos externos. Os processos metacognitivos tem a capa- cidade de orientar a pessoa diante do co- nhecimento, apontando de que forma o seu pensamento se prepara para a execução de uma ação, a fim de cumprir determina- do objetivo associado a um contexto e uma situação. Podendo reconhecer inclusive suas dificuldades. Pois não se trata de uma “fantasia em aprender”, suposições ou in- ferências. O conhecimento é o que é, sem margens de interpretação, pois sempre es- tará associado ao aumento da capacidade do aprendiz, da sua competência especifica para determinada finalidade e que tende a se ampliar a partir das estratégias metacog- nitivas já conhecidas e possibilitar meios para novos resultados. Unidade 4 • Metacognição — Aprender a Ensinar em uma Perspectiva Metacognitiva112/241 O processo da metacognição tem como re- sultado potencializar a aprendizagem, po- dendo perceber os processos da evolução do pensamento e a maneira de lidar com as informações advindas do meio e que o es- timularão a buscar novas cognições, pois o objetivo pedagógico está na melhoria de desempenho (performance), na sua eficiên- cia e eficácia. Para saber mais O vídeo “Explicando a Metacognição” é ilustrati- vo e interessante para compor o entendimento do conceito. Disponível em: <https://www.youtu- be.com/watch?v=3zdrUYaPoxQ>. Acesso em: 1 maio 2017. Para compreendermos a distinção entre ambas, o sentido do conceito pelo Michae- lis Dicionário da Língua Portuguesa (2017) apresenta como definição: • Eficiência: conseguir o melhor ren- dimento com o mínimo de erros e/ou dispêndios. Capacidade de ser efetivo competente. Saber executar a tarefa de modo correto. • Eficácia: a eficácia seria a conclusão de um objetivo, baseando-se nas de- cisões corretas. Contribui para o sen- tido da autoconfiança do aprendiz/ educando. Portanto, a metacognição ocorre por meio de treinos com fins de elevação da perfor- mance (desempenho com resultados), e, https://www.youtube.com/watch?v=3zdrUYaPoxQ https://www.youtube.com/watch?v=3zdrUYaPoxQ Unidade 4 • Metacognição — Aprender a Ensinar em uma Perspectiva Metacognitiva113/241 para tanto, são utilizadas as chamadas es- tratégias – meios de se obter o objetivo com a ação de passos. É um recurso adotado que contém as informações necessárias para que possa cumprir o objetivo. Desta forma, o indivíduo, o aprendiz compreenda o modo de se chegar, o processo e a finalidade. Ele- vando assim a eficácia ao adotar uma es- tratégia e percorrer um caminho que o faça chegar nos seus propósitos com eficiência. O conhecimento metacognitivo pressupõe um aprendiz ativo na situação de aprendi- zagem, na qual o pensar não é passivo,. pois suas movimentações são constantes. Tra- ta-se de um modelo cinético que pressupõe dinamismo constante em razão da criativi- dade – pela capacidade de inovar diante do contexto ou desafio intelectual, ampliando os resultados para outras situações. Adotar estratégias não representa ser bem sucedido nas tarefas sempre, pois é preci- so que se reconheça o momento certo para utilizá-las, e não admitir que todas as pes- soas tenham formas de aprender cognitiva- mente de forma igual, já que apresentam ti- pos distintos de compreensão e finalidades variadas por serem pessoas diferentes, São capazes, inclusive, de desvendar novas es- tratégias. Na metacognição, o aprendiz se dispõe a avaliar quais recursos poderá uti- lizar e se surpreender com resultados ines- perados. Na metacognição o nível de eficácia é alto por colocar o interessado em ações de pla- nejamento, fazendo-o perceber como e quando utilizá-la e poder avaliar o que se aprendeu. Pois como vimos na definição, Unidade 4 • Metacognição — Aprender a Ensinar em uma Perspectiva Metacognitiva114/241 tomar as decisões certas também é parte do processo. Flavell (1970) propôs sua teoria conside- rando em seus estudos a obra de Piaget, sobre como as crianças analisam as formas de seus pensamentos, sendo possível com- preender o processo pelo qual o aprendiz/ educando vivencia para chegar aos resul- tados de uma aprendizagem bem eficien- te. “Para aprender é preciso aprender como fazer para aprender, que não basta fazer e saber, mas é preciso saber como se faz para saber e como se faz para fazer” (GRANGEAT, 1999 apud RIBEIRO, 2003). A memória tem um importante papel na metacognição, os estudos de Flavell e Well- man (1977 apud RIBEIRO, 2003) analisaram o que é conceituado de metamemória. En- tendem a necessidade da “conscienciali- zação” - ato ou efeito de se conscientizar; pelo sujeito (aprendiz) na constatação das variáveis que influenciam no resultado das atividades cognitivas (conscientizando-se, apropriando-se do que foi retido na memó- ria). O sistema para o desenvolvimento da metamemória envolve: a) Sensibilidade. b) Conhecer as variáveis que serão de- terminantes da pessoa, da tarefa em si e da estratégia. A experiência do aprender gera emoções e sentimentos, podendo requisitar de quem aprende tensão, entusiasmo, frustração, autoconfiança ou insegurança. Depen- dendo do contexto o sentimento que lhe Unidade4 • Metacognição — Aprender a Ensinar em uma Perspectiva Metacognitiva115/241 acompanha no decorrer da situação marca a profundidade ou permanece numa com- preensão mais superficial. A medida da in- tensidade será dada por quem aprende por quem ousa, por quem “abre as portas” do interesse pelo conhecimento e busca na sua curiosidade, ir mais além, se essa for a sua demanda. A sensibilidade é um aspecto pessoal, in- trapsíquico, e contribui para a capacidade perceptual, influenciando na condução e orientação do pensamento, na maneira de vivenciar e na aquisição do conhecimento. A sensibilidade também compõe o aspecto afetivo da aprendizagem e mantém o seu interesse por saber reconhecer e identificar o aprendido. Podendo, com isso, monitorar o pensamento para a realização de novas situações. Na perspectiva de Flavell (1970 apud RIBEI- RO, 2003) a metacognição está relacionada ao conhecimento do próprio conhecimento. 3. Estratégias Cognitivas e Meta- cognitivas Nas modalidades estratégicas relacionadas, estas são recursos para se chegar a um de- Link Aqui um artigo que associa a memória ao apren- dizado de língua italiana. Interessante é observar que a metacognição transita nas mais variadas áreas e em diversas modalidades de ensino e prá- ticas. Disponível em: <https://dialnet.unirioja. es/descarga/articulo/5106108.pdf>. Acesso em: 8 maio 2017. https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/5106108.pdf https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/5106108.pdf Unidade 4 • Metacognição — Aprender a Ensinar em uma Perspectiva Metacognitiva116/241 terminado fim. O modo pelo qual se percor- re um trajeto com a finalidade de alcançar novas cognições oriundas do movimento intelectual ao qual é estimulado a desen- volver. Para Flavell (1970) distingue: a) Estratégias cognitivas: proporcionam o conhecimento dos passos a serem seguidos em vista de um aprendizado e podem ser monitorados. b) Estratégias metacognitivas: são re- sultado da reflexão cujos atributos pessoais configuram um estilo cogni- tivo próprio. A atividade é consciente e pode ser relatada. Podem também promover processos inconscientes que se configuram no aprendizado de algo novo que não se esperava, sen- do surpreendido com um resultado diferente. O professor prepara o edu- cando/aprendiz para fazer cumprir o automonitoramento e planejar suas atividades. O professor também mul- tiplica as opções e possibilidades de investigação, podendo se antecipar às consequências de suas escolhas. Sendo estratégia reguladora de aprendizagem, apresenta resultados para diversos tipos de conhecimento, seja a matemática, ciências, leitura, bem como auxilia aos professores a criarem estratégias para favorecer a apreensão de diversos conteúdos dis- poníveis. Unidade 4 • Metacognição — Aprender a Ensinar em uma Perspectiva Metacognitiva117/241 Na Metacognição o aprendizado está rela- cionado ao pós-compartilhamento, em que todas essas contribuições promoverão uma série de insights (descobertas que são per- cebidas pela ocorrência da ação cognitiva). Podemos perceber isso como aquela con- Para saber mais Acesse o artigo que aborda “A Metacognição como Estratégia Reguladora da Aprendizagem” dos au- tores Jou e Sperb (2006). Apresenta uma contribui- ção valiosa no entendimento da metacognição, inclusive como instrumento de regulação, moni- toramento do desenvolvimento e progresso. Dis- ponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/bits- tream/handle/10183/25685/000588886. pdf?sequence=1>. Acesso em: 9 maio 2017. versa interior que nosso pensamento produz e estabelece novas conexões, associações e deduções. Trata-se da reflexão, que tem importante papel para que saibamos onde e como utilizarmos o aprendido em novas situações e contextos. Com a ocorrência de sinapses, conexões nervosas que ocorrem à medida que nosso cérebro é exposto à situ- ação de aprendizagem, ocorrendoa “meta- cognição” – o desencadeamento de novas compreensões que são feitas à medida que o pensar rastreia, analisa, compara, desven- da, faz leituras novas e torna o que antes era aprendido em uma nova aprendizagem. Que não cessa ao formar um conceito, pros- seguindo em novas compreensões que a re- alidade percebida lhe aponta Para Flavell (1987) apud Ribeiro (2003) o sujeito que re- http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/25685/000588886.pdf?sequence=1 http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/25685/000588886.pdf?sequence=1 http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/25685/000588886.pdf?sequence=1 Unidade 4 • Metacognição — Aprender a Ensinar em uma Perspectiva Metacognitiva118/241 presenta e inter-relaciona ações passadas, presentes e futuras estaria em uma melhor posição para fazer progressos metacogniti- vos, comparativamente a outros. A oportunidade que o aprendizado irá pos- sibilitar quando consolidado é poder plane- jar, organizar e estruturar ações diante de novas ações para que chegue a determina- do resultado. O que é entendido como ser capaz de monitorar o caminho que o pen- samento faz para que se aprenda novos co- nhecimentos. O ponto é: o que é aprendido torna-se base para novas aquisições; seja para estabelecer um caminho que funcio- na e dá certo, seja para novas situações de aprendizado não previstas, e que possibi- litarão uma nova compreensão, podendo propiciar um novo resultado. Há duas mudanças no desenvolvimento que contribuem para a aquisição da metacogni- ção: 1) O desenvolvimento do self (do seu mundo interno, que representa o eu), como um agente facilitador da cog- nição, pois tudo faz sentido quando a pessoa está envolvida em si e no seu processo de aquisição. O self é o local do controle interno pessoal, no qual é possível monitorar e regular as pró- prias atividades cognitivas. 2) O aumento da capacidade de planejar. O self associa os elementos pessoais na in- tenção e predisposição da aprendizagem, como sendo específicas daquele indivíduo e, com isso, é possível se organizar e plane- Unidade 4 • Metacognição — Aprender a Ensinar em uma Perspectiva Metacognitiva119/241 jar a ação – antes de iniciar a tarefa em si, nos seus ajustes necessários e nas revisões a fim de se verificar os resultados. Na figura indicada o gráfico proposto por Lawson (1984) nos mostra a sequência des- se processo de aquisição. (Figura extraída do artigo: “Metacognição: um apoio ao pro- cesso de aprendizagem” referenciado na bibliografia) Figura 1. Conhecimento metacognitivo como re- sultado dos processos executivos Fonte: Adaptado de Lawson (1984). Os estudiosos do tema apontam que a prá- tica da metacognição conduz a uma me- lhoria da atividade cognitiva e motivacio- nal, potencializando o processo de apren- der. Tendo-se a noção do que foi aprendido, bem como do que não compreendeu. Pela Unidade 4 • Metacognição — Aprender a Ensinar em uma Perspectiva Metacognitiva120/241 monitoração tem consciência das estraté- gias que pode lançar mão, assim como das que conhece bem e das que não tem conhe- cimento e que aprenderá como resposta de potencial mais elevado. De alguma forma, podemos entender que a metacognição pode ser um objetivo de uma mente que pretende estar preparada para algo que ainda não conhece, nem sabe, mas que permanece em evolução. A metacogni- ção evidencia o uso da inteligência e tende a ampliar não somente a sua visão sobre o mundo, mas também como a maneira de compreendê-lo e participar por meio das suas ações, trabalho e capacidade expressa nas habilidades que passa a desenvolver. Outro aspecto relevante para compreen- dermos os processos metacognitivos está na sua contextualização que podemos en- tender como ambiente. E o que representa o ambiente da aprendi- zagem? Essa é uma pergunta que se faz necessária a fim de que possamos identificar tudo aqui- lo que compõe a realidade que nos cerca, e que propicia o aprendizado, estímulo para o desafio da aprendizagem. É também um modo de reconhecer qualestratégia será aplicada no monitoramento. Todo tipo de aprendizado está também as- sociado ao seu ambiente e às diversas fun- cionalidades e propósitos. O ambiente re- mete a quando fizer uso dessa ou daquela ação. Na metacognição, os novos identifi- cadores auxiliam a permanecer evoluindo, o Unidade 4 • Metacognição — Aprender a Ensinar em uma Perspectiva Metacognitiva121/241 que entendemos por inovação em aprendi- zagem. As novas referências, bases atuali- zadas do conhecimento já adquirido, e que vão sendo incorporadas por meio de no- vas situações, aumentam a capacidade e a competência. Duas pessoas distintas, mas capazes igual- mente, apresentarão diferenças em termos de resultados que obterão de seus apren- dizados. Vamos apontar como exemplo, o interesse cultural. Se o indivíduo “A” gosta de atividade cultural e faz visitas regulares a museus por várias cidades ou países, cer- tamente essa prática aumenta seu espectro de conhecimento relacionado ao assunto e ao ambiente “museu” bem como ao tipo de experiência que obtém dessa realidade. É esse gosto ou preferência que proporciona tomar atitudes e decisões a fim de se expor a essas experiências que lhe proporcionam aprendizado e satisfação. Percebam que um ambiente especifico é capaz de promover tais estímulos, mas se não houvesse tal interesse construído, o indivíduo “A”, em suas viagens e passeios, não dedicaria seu tempo e nem investiria fi- nanceiramente neste interesse. Suas ações identificam um processo metacognitivo, um direcionamento para onde dirigir sua aten- ção e lhe oferecem potencialmente o conti- nuísmo desse interesse. Vamos aprendendo a dar novos sentidos às coisas conhecidas que vivemos, e, com isso, interferimos qua- litativamente em nossas tomadas de de- cisão, pois já temos conhecimento do que funciona ou leva a determinado objetivo. Unidade 4 • Metacognição — Aprender a Ensinar em uma Perspectiva Metacognitiva122/241 O mesmo critério no caso, o cultural, pode- rá se expressar de forma diferente no indi- víduo “B”. E conduzirá sua conduta frente a experiências que tenham uma proporção que lhe atenda. Se a aquisição do conheci- mento é um processo intransferível, pode- mos compreender a razão da utilização de estratégias metacognitivas terem efeitos distintos em pessoas diferentes. O indivíduo ”B”, gosta de cultura e de museus e a sua maior referência em termos dessa vivência é passear em sua cidade natal e conhecer o único museu que existe em sua cidade. Isso também desenvolvem ações pertinentes a essa preferência. Naturalmente, é sensível tanto quanto o indivíduo “A” ao tema “mu- seu”, e apesar de ter uma menor referência sobre o assunto, certamente irá se mobilizar interesse por leituras de museus do mundo todo por exemplo. As referências podem ser diferentes, uma mais ampla que outra; no entanto ambos, A e B buscarão estímu- los que tenham retorno mediante as suas preferências e gostos. Quanto mais o indivíduo incide em proces- sos metacognitivos, mais a autoconfiança se amplia. Transforma-se num interesse e tendência. Buscando mais do mesmo, e, com isso, tenderá a inovar e observar as- pectos novos que aumentarão as referên- cias sobre determinado assunto. Assim, o resultado tem efeitos amplos. Pessoas que assimilam o aprendizado de formas difer- entes apontam que elas utilizam o processo de pensar sobre o conhecimento aprendido de formas diferentes e, destarte, obtêm re- Unidade 4 • Metacognição — Aprender a Ensinar em uma Perspectiva Metacognitiva123/241 sultados distintos, podendo “A” sair-se mel- hor que “B” por alcançar melhores resulta- dos e seu conhecimento sobre museus ser mais eficiente e eficaz. A metacognição tem por princípio impulsionar o indivíduo a uma conduta, a assumir características, pois es- tas o definirão. É visto pela apresentação de suas condutas, pelas respostas que formu- lam e pelos desafios que vivem. Os professores são autorreguladores, aux- iliando neste processo de gerar metacog- nições, principalmente quando se tratam de crianças menores e que precisam dessa interlocução. Os educadores devem garantir a realização dos projetos pessoais de cada um, auxil- iando-os a se planejar e se organizar para concluir seus objetivos. Sua função está em ampliar as alternativas possíveis e antever os resultados para os alunos, sendo media- dores na aprendizagem. A metacognição pode auxiliar na execução de muitas tarefas de acordo com Jou & Sperb (2006), na seleção de estratégias de memória mais adequadas para cada situ- ação. Oferecendo maior economia de tem- po e melhor aprimoramento do conheci- mento adquirido. Unidade 4 • Metacognição — Aprender a Ensinar em uma Perspectiva Metacognitiva124/241 Glossário Estratégia cognitiva: o modo como o aprendiz se propõe à aprendizagem com finalidade de compreender e envolver-se num tipo de cognição relacionada ao trajeto percorrido. A busca do resultado está no aprendizado. Estratégia Metacognitiva: resultado da reflexão associada aos seus atributos pessoais, confi- gurando um determinado estilo cognitivo que prossegue. Adotando atividades que sejam pas- síveis de monitoramento, de evolução crescente e, por isso, tornam-se mais eficazes quanto ao aprendizado consciente e inconsciente. Saber o que se sabe e reconhecer o que não aprendeu. Metacognição: é um processo que envolve o aprender a aprender, adotando estratégias para a aquisição do conhecimento, monitorando o seu modo de pensar e aprender frente aos desafios, avaliando se as metas foram atingidas. As três etapas da metacognição são: Planejar, Monito- rar, Avaliar. Questão reflexão ? para 125/241 Proponha a experimentação do processo metacognitivo a partir da escolha de uma tarefa que contenha um desafio intelectual, que aponte a evolução do seu processo de aquisição, em etapas. Peça a todos do grupo de trabalho fazerem um registro escrito de como chegaram ao entendimento de um determinado assunto combina- do entre vocês e de como foram evoluindo na sua compreensão. Perceba como o pensamento se conduz para as conclusões, ao em- prego de estratégias como forma de ampliar o conhecimento e o entendimento de sua utilidade. Troquem entre si, compartilhando o registro de como percebem a evolução da sua aprendizagem so- bre um tema especifico. 126/241 Considerações Finais • A metacognição abre espaço para novos estudos das diferenças individuais em relação ao próprio rendimento. Havendo tipos de estratégias diferentes para cada tarefa. Devido à forma sobre como cada um atua sobre a ativida- de e por fatores pessoais. • A metacognição permite ao indivíduo avançar na sua competência, man- tendo-o em movimento intelectual constante. Tem como propósito a eleva- ção de eficácia em aprendizagem. • A aquisição de estratégias cognitivas e metacognitivas permitem ao edu- cando planejar, organizar e monitorar seu aprendizado, além de tomar cons- ciência do que é aprendido e decidir qual estratégia fazer uso. • A metacognição tem como base aprender a aprender e a conhecer quais es- tratégias serão utilizadas para aprender. Unidade 4 • Metacognição — Aprender a Ensinar em uma Perspectiva Metacognitiva127/241 Referências DANTAS, Cláudia; RODRIGUES, Camila Cruz. Estratégias Metacognitivas Como Intervenção Psi- copedagógica para o Desenvolvimento do Automonitoramento. Rev. psicopedag. São Paulo, v. 30, n. 93, p. 226-235, 2013. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_art- text&pid=S0103-84862013000300009> JOU, Graciela Inchausti de; SPERB, Tania Mara. A Metacognição como Estratégia Reguladora da Aprendizagem. Psicologia Reflexão Crítica, v. 19, n. 2, p. 177-185, 2006. PORTILHO, Evelise Maria Labatut; DREHER, Simone A. Souza. Categorias metacognitivas como subsídio à prática pedagógica. Educ. Pesquisa. São Paulo, v.38, n.1, p. 109-116, Jan./Mar. 2012. RIBEIRO, Célia. Metacognição: um apoio ao processo de aprendizagem. Psicol. Reflex. Crit. Porto Alegre,v.16, n.1, p.109-116, 2003. MICHAELIS Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa Online. Disponível em: <http://micha- elis.uol.com.br/moderno-portugues/>. Acesso em: 13 maio 2017. SALLES, Jerusa Fumagalli. Metacognição e funções executivas: relações entre os conceitos e im- plicações para a aprendizagem. Psic.: Teor. E Pesq. Brasília, v.29, n.1, p. 22-29, Jan./Mar. 2013. 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Bloco II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/pA- piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/68d- d97e3d60b51a2dcf1935886be57c1>. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/0cbef02197ac012758f29c74cb302d36 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/0cbef02197ac012758f29c74cb302d36 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/0cbef02197ac012758f29c74cb302d36 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/68dd97e3d60b51a2dcf1935886be57c1 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/68dd97e3d60b51a2dcf1935886be57c1 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/68dd97e3d60b51a2dcf1935886be57c1 129/241 1. A melhor definição descrita para Metacognição enquanto conceito é: a) É o processo de conhecer o conhecimento ou aprender o aprender. b) É o processo que avança em patamares de compreensão mais eficazes. c) É o modo de utilizar estratégias em busca de obter a consciência dos conhecimentos. d) É o processo que envolve o aprender a aprender e avança para novos patamares de compre- ensão. e) É o processo de elaboração mental por meio das imagens que se faz Questão 1 130/241 2. O processo metacognitivo de compreensão se dá de que forma? a) Pelas marcas registradas no cérebro de que tais experiências ocorreram. b) Em vista de um desafio intelectual, da captação constante da realidade e ambiente promo- tor de estímulos. c) Pelo aprendizado de saber como se conduzir. d) Pelas etapas que promovem a formação de um conceito. e) Pelas imagens simbólicas que se tem no momento do aprendizado Questão 2 131/241 3. Assinale o aspecto que está dissociado ao que se propõe à metacogni- ção. a) Ser constante. b) Ser efetivo em resultados. c) Ter respostas sempre novas. d) Conservar o ponto original. e) Coparticipação grupal. Questão 3 132/241 4. Flavell (1970) propôs a Teoria do Desenvolvimento realizando seus estu- dos pautado na obra de: a) Edgar Morin. b) Paulo Freire. c) Piaget. d) Wellman. e) Piaget, Vygostsky e Wallon. Questão 4 133/241 5. Quais os tipos de estratégias são utilizadas no processo de conhecer o conhecimento? a) Estratégias diferentes para cada tipo de situação encontrada como desafio intelectual. b) Estratégia cognitiva e estratégia metacognitiva. c) Estratégias de automonitoramento. d) Estratégias de reflexão e planejamento com a adoção de seu estilo próprio, verificando em que momento utilizá-las. e) As alternativas “a”, “b”, ”c” e ”d” são estratégias para se perceber e conhecer o conhecimen- to. Questão 5 134/241 Gabarito 1. Resposta: D. O item C está incompleto e, portanto, os itens A e B contemplam a pergunta. 2. Resposta: B. Sempre é envolvida com uma necessidade intelectual e que é dinâmica, colocando-o em ação, com uma finalidade específica. 3. Resposta: D. O processo metacognitivo consiste em estar sempre em movimento e nunca é estático. 4. Resposta: C. Piaget, estudos de como as crianças pen- sam sobre a forma de pensar. 5. Resposta: E. Todas estão corretas. 135/241 Unidade 5 Estratégias Metacognitivas no Processo de Ensino-aprendizagem Objetivos 1. Apresentar a função da Psicologia Cognitiva. 2. Apresentar a Teoria de Aprendizagem e Desenvolvimento Cognitivo e suas Contribuições. 3. Apresentar a Aprendizagem por Des- coberta, a Motivação e o Ambiente. 4. Apresentar o Processo de Ensino- -aprendizagem de Jerome Bruner. Unidade 5 • Estratégias Metacognitivas no Processo de Ensino-aprendizagem136/241 1. Introdução Uma questão relevante para a educação é “tentar” compreender e explorar como acontece o processo de ensino e aprendi- zagem. Muitos estudiosos e pesquisadores ocupam-se desse assunto com o intuito de encontrar meios para uma aprendizagem eficiente e responder a essa complexa e de- safiadora questão que envolve professores, alunos, escola e sociedade como um todo: de que forma podemos aprimorar nossa aprendizagem na perspectiva de melhores resultados em termos de eficiência e eficá- cia. A relevância e a função da aprendiza- gem está para além da “aquisição” do saber. E sim na adoção de uma pedagogia que ve- nha dar conta de fazer com que o educando prossiga interessado e busque evoluir com o seu aparato cognitivo. O funcionamento cerebral, o processo mental desde quando estamos expostos a algum estímulo, e do modo como aprendemos; bem como os as- pectos psíquicos e emocionais envolvidos, tornando possível simbolizarmos e dar sig- nificados outros, bem como o desenvolvi- mento de habilidades e competências que determinarão o campo das atitudes, a ação propriamente, e seu uso transformado em uma nova prática. É pela aprendizagem da descoberta e de es- tratégias metacognitivas que prosseguimos construindo e significando conhecimentos. A Psicologia Cognitiva é uma linha ou cor- rente da psicologia que recusa a ideia de que os sujeitos aprendem pelo processo de reação imediata ou direta aos estímu- los. Compreende que as pessoas ou sujeitos Unidade 5 • Estratégias Metacognitivas no Processo de Ensino-aprendizagem137/241 constroem “representações da realidade”, reguladas por princípios da aprendizagem. Jean Piaget, Jerome Bruner e David Ausubel são alguns dos mais importantes autores desta corrente. Jean Piaget, psicólogo e epistemólogo suí- ço, nascido em Neuchâtel, em 1896. Douto- rado em Biologia, desde cedo se interessou pelo estudo do desenvolvimento cognitivo das crianças, por meio da observação das crianças em situações naturalistas. A sua teoria do desenvolvimento cognitivo criou os pressupostos psicológicos para a elabo- ração do modelo de ensino construtivista (MARQUES, 2000). David Ausubel, psicólogo e pedagogo nor- te-americano nascido em 1918, influencia- do pela teoria cognitivista de Jean Piaget, orientou os seus estudos para o conheci- mento da importância da significação na eficácia da aprendizagem. Sua teoria da aprendizagem, conhecida pelo nome de aprendizagem significativa, tem sido apli- cada com sucesso no ensino das ciências. Ausubel introduziu o conceito de “organiza- dor prévio” como uma forma de aprendiza- gem anterior, que enquadra as aprendiza- gens novas e que podemos citar o modelo de aula invertida (MARQUES, 2000). A Teoria Cognitiva e um de seus principais representantes Jerome S. Bruner, nos mos- tra a ênfase nos processos de aquisição do conhecimento. Parte de um modelo inte- rativo, num modelo pedagógico inspirado nas teorias cognitivo desenvolvimentistas da aprendizagem, e privilegia a “aprendiza- Unidade 5 • Estratégias Metacognitivas no Processo de Ensino-aprendizagem138/241 gem pela descoberta” de forma autônoma e orientada. A “aprendizagem por descoberta” é quandoo educando ou aprendiz vai desvendando a realidade que o conhecimento que lhe pro- porciona, de forma gradual, a medida de sua autonomia. O papel do educador é de guia e facilitador e não de transmissor de conhe- cimentos. E considera-se que o aluno é um agente ativo da construção do conhecimen- to e que, dessa forma, aprende a aprender. Portanto, a aprendizagem por descoberta pode ser autônoma (o aluno identifica um problema, formula hipóteses, recolhe infor- mações e atinge os resultados sem a dire- ção do professor) ou orientada (quando o professor dá uma certa ajuda, sempre que o aluno revela dificuldade em chegar às con- clusões sozinho) (MARQUES, 2000). Jean Piaget e Lawrence Kohlberg estão en- tre os autores que mais contribuíram para a construção do aparato teórico que enqua- dra esse modelo, que, por vezes, é conhe- cido pelo nome de modelo construtivista, sobretudo quando se acentuam tarefas de aprendizagem mais diretamente relaciona- das com a teoria do desenvolvimento cog- nitivo de Jean Piaget. O professor assume o papel de facilitador e de interlocutor e di- namizador de situações de aprendizagem. O processo de ensino e aprendizagem rea- liza-se por meio do envolvimento dos alu- nos em projetos nos quais há oportunida- de para a construção do conhecimento. Os “modelos interativos” privilegiam o desen- Unidade 5 • Estratégias Metacognitivas no Processo de Ensino-aprendizagem139/241 volvimento de relações sociais na sala de aula, quer como objetivo, quer como meto- dologia, e estão quase sempre relacionados com modelos ideais de sociedade. Inclusive dando suporte para suas futuras inserções sociais em outros grupos. De acordo com Marques (2000), a Teoria Cog- nitivo desenvolvimentista da Aprendizagem tem as suas raízes no pensamento de Jean Piaget, em que o conhecimento é constru- ído pela criança pela interação com o am- biente, pelos estádios do desenvolvimento cognitivo que são a base da aprendizagem construtivista. Para o autor, o conhecimen- to não existe no exterior do indivíduo. Sen- do, portanto, uma construção da criança ao interagir com o ambiente. Neste sentido, o conhecimento é resultado da interação das experiências externas, sejam físicas ou so- ciais, com as estruturas mentais internas. É a partir dessa interação que surge a motiva- ção para aprender. E a criança aprende mais e melhor, quanto mais motivador for para ela, não sendo fácil e nem difícil o problema a desvendar, decifrar ou descobrir, mas que possa ser compreendido pelas estruturas cognitivas da criança. As implicações edu- cativas desta teoria podem ser identificadas pelas seguintes características: • A educação deve estimular a forma- ção de estruturas cognitivas. • A planificação (planejamento). • Considerar cada estágio do desenvol- vimento cognitivo do aluno. Unidade 5 • Estratégias Metacognitivas no Processo de Ensino-aprendizagem140/241 • A motivação intrínseca, que interage com a participação ativa nos proces- sos de descoberta. • Inserida num ambiente intelectu- almente estimulante que suscite a aprendizagem pela descoberta. • Os papéis do professor são, sobretu- do, a dinamização de situações pro- blemáticas, a animação dos grupos e a facilitação da aprendizagem. Segundo Bruner (1976) em sua publicação “Uma Nova Teoria da Aprendizagem”: o ho- mem para tentar entender seu mundo faz uso de estratégias de comportamento, re- conhecendo, continuamente, regularidades dentro da complexidade dos fenômenos. A partir disso, forma conceitos estratégicos que vão sendo assimilados e sedimentados permitindo influir sobre o seu meio. O autor observou também que em suas pesquisas com crianças que cada indivíduo assimila a informação em tempos e ritmos diferentes (o que tratamos no Tema 2 ao nos referir- mos que as pessoas aprendem de formas diferentes ainda que seja sobre o mesmo conteúdo), de acordo com seus respectivos potenciais e capacidades. Link Leia o artigo “O que significa ser diferente na escola? As diferenças no processo de ensino e aprendizagem nas séries iniciais”, da pesquisado- ra LUNARDI, Geovana, para enriquecer o assunto. Disponível em: <http://www.intermeio.ufms. br/revistas/24/24%20Artigo_04.pdf>. Acesso em: 23 maio 2017. http://www.intermeio.ufms.br/revistas/24/24 Artigo_04.pdf http://www.intermeio.ufms.br/revistas/24/24 Artigo_04.pdf Unidade 5 • Estratégias Metacognitivas no Processo de Ensino-aprendizagem141/241 Continuando, sobre a Teoria de Aprendiza- gem do Desenvolvimento Cognitivo na vi- são de Bruner (1976), valeram-se da divisão entre faixas etárias infantis, na qual dife- rentes tipos de desenvolvimento podiam ser observados nos variados estágios, e que o desenvolvimento intelectual depende da: a) Maturação (amadurecimento do edu- cando, que tem variações de pessoa para pessoa, como pela faixa etária ou pela exposição a determinadas experi- ências prévias). Estão divididas em três modos de representação do mundo: • Respostas motoras (enativo). De 0-3 anos de idade. Ação como forma de representa- ção da realidade: tocar, manipular, deslocar, objetos aprendizagem de respostas e hábitos, orientação da própria ação. • Icônico (organização perceptiva e imagens). De 03-9/10 anos de idade. Representação visual da realida- de, recurso das imagens sistema- tizadoras, capacidade de reprodu- ção de imagens, sem transposição: propriedades exteriores são fixadas por meio das imagens, memória vi- sual concreta e específica. • Simbólico (utilização de símbolos, or- denando com historicidade ou na di- mensão de uma linha do tempo). De 10 anos em diante. Unidade 5 • Estratégias Metacognitivas no Processo de Ensino-aprendizagem142/241 Linguagem como forma de repre- sentação da realidade, sistema mais elaborado e especializado de atividade simbólica. b) Integração (a capacidade do sujeito de transcender o momentâneo, desen- volvendo meios de ligar passado-pre- sente-futuro. Por meio de conexões e ligações que façam sentido). Aponta que se deve usar da fase de desen- volvimento da criança para fazê-la aprender, induzindo-a a participar ativamente de seu processo de aprendizagem, com questões desafiadoras em um ambiente que propor- cione a ela usar de conhecimentos já adqui- ridos (estratégias previamente conhecidas) para resolver novas situações problemas que se apresentem . O aluno aprende quan- do filtra e transforma as novas informações, sugere hipóteses e é capaz de tomar deci- sões, utilizando uma estrutura cognitiva. As estratégias de aprendizagem estão di- retamente ligadas à metacognição, a qual possibilita ao aluno refletir, avaliar, construir e reconstruir seu próprio conhecimento. Outro ponto importante na teoria de Bru- ner (1997, p.41) é a de que a cultura exerce forte influência na aprendizagem de uma criança. Enfatizando que dizer, que uma te- oria do desenvolvimento é independente da cultura, não é fazer uma afirmação errada, mas absurda. Unidade 5 • Estratégias Metacognitivas no Processo de Ensino-aprendizagem143/241 Constata a importância da observação e percepção da realidade, do meio ambien- te, de nossa cultura, mas também do papel “decisivo” do professor, que deverá estimu- lar os alunos para a descoberta, criando si- tuações problemas que os façam pensar e analisar, inteirando-os no processo, mas, Para saber mais Trazemos uma dissertação de mestradointeres- sante cuja temática é “A concepção de cultura em Bruner e Vigotski: implicações para a educação escolar”, UNESP Araraquara. Disponível em: <ht- tps://repositorio.unesp.br/bitstream/hand- le/11449/92407/rabatini_vg_me_arafcl.pd- f?sequence=1>. Acesso em: 5 ago. 2017. sobretudo, encontrando ou proporcionan- do uma metodologia que facilite sua apren- dizagem, com uma linguagem acessível para sua compreensão e assimilação. Des- tacando-se a “motivação”, que é um tipo de comportamento que une o sujeito a um objetivo. Podendo haver motivações inatas e motivações adquiridas, assimcomo moti- vações internas ou intrínsecas e motivações externas ou extrínsecas. https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/92407/rabatini_vg_me_arafcl.pdf?sequence=1 https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/92407/rabatini_vg_me_arafcl.pdf?sequence=1 https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/92407/rabatini_vg_me_arafcl.pdf?sequence=1 https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/92407/rabatini_vg_me_arafcl.pdf?sequence=1 Unidade 5 • Estratégias Metacognitivas no Processo de Ensino-aprendizagem144/241 A aprendizagem também está associada à motivação, que é o que evoca o interesse para aquilo que se tem curiosidade quan- to ao que se é inspirado a aprender. Para “aprender” é preciso criar uma ambienta- ção propícia, e a motivação é uma das for- mas de se mobilizar esse interesse por parte do educando, em seu contexto de aprendi- zagem, bem como do grupo de colegas que compartilham o mesmo saber. É preciso criar ou ter um motivo de atração para que a aprendizagem ocorra de forma agradável. Havendo uma modalidade que ocorre indi- vidualmente e outra na troca com demais pessoas na sua mesma posição de aprendiz. O papel e função do educador também resi- de na manutenção e perpetuação da cultura, bem como do conhecimento, tornando-se Link A título de curiosidade Abraham Maslow desen- volveu uma teoria a que se dá o nome de pirâmide motivacional. Leia o artigo. “Maslow desconheci- do: uma revisão sobre seus principais trabalhos de motivação” de autoria do pesquisador Jáder dos Reis Sampaio, UFMG. Disponível em: <http:// www.gerenciamento.ufba.br/Disciplinas/ Lideran%C3%A7a/3%20O%20Maslow%20 desconhecido%20-%20uma%20revisao%20 de%20seus%20principais%20trabalhos%20 sobre%20motivacao.pdf>. Acesso em: 25 maio 2017. http://www.gerenciamento.ufba.br/Disciplinas/Lideran%C3%A7a/3 O Maslow desconhecido - uma revisao de seus principais trabalhos sobre motivacao.pdf http://www.gerenciamento.ufba.br/Disciplinas/Lideran%C3%A7a/3 O Maslow desconhecido - uma revisao de seus principais trabalhos sobre motivacao.pdf http://www.gerenciamento.ufba.br/Disciplinas/Lideran%C3%A7a/3 O Maslow desconhecido - uma revisao de seus principais trabalhos sobre motivacao.pdf http://www.gerenciamento.ufba.br/Disciplinas/Lideran%C3%A7a/3 O Maslow desconhecido - uma revisao de seus principais trabalhos sobre motivacao.pdf http://www.gerenciamento.ufba.br/Disciplinas/Lideran%C3%A7a/3 O Maslow desconhecido - uma revisao de seus principais trabalhos sobre motivacao.pdf http://www.gerenciamento.ufba.br/Disciplinas/Lideran%C3%A7a/3 O Maslow desconhecido - uma revisao de seus principais trabalhos sobre motivacao.pdf Unidade 5 • Estratégias Metacognitivas no Processo de Ensino-aprendizagem145/241 um acervo vivo. O que é aprendido oferece recursos e estratégias de saídas e soluções para o que for encontrar, atuando sobre ela de acordo com a sua leitura de representa- ção da realidade, e, poder constituir senti- dos e significados a tudo o que compreen- de.A escola (o “lócus”, o ambiente) é impor- tante na elaboração da autoconsciência e da percepção do outro, oferecendo retorno da atuação do aluno por meio da percepção que este tem de si mesmo (autoimagem), bem como aquela identificada na interação com os demais colegas. Acriança começa a ser julgada por seu desempenho, possibi- litando construir meios de se autoavaliar e conceber o que pode realizar e o que está além de suas capacidades. Os estudos de Bruner (1976) conferem ên- fase à linguagem como o principal meio de representação simbólica da realidade, tanto concreta, quanto abstrata, em que a crian- ça começa a dominar os símbolos linguísti- cos e passa a entrar em contato com a co- municação oral e escrita, abandonando os tipos de representações ativas e visuais por ela já utilizados. Remete também à ideia de que o desenho é uma das primeiras formas de comunicação utilizadas pela criança, ou seja, uma forma visual, juntamente com as “representações ativas”. As “representações ativas”, nas palavras do autor, feitas pelas crianças em seus primei- ros estágios de desenvolvimento, por sua vez, correspondem à tentativa de repre- sentação de determinadas realidades, por Unidade 5 • Estratégias Metacognitivas no Processo de Ensino-aprendizagem146/241 meio da supressão do estágio de represen- tação linguística. Se observarmos as crian- ças nessa fase, veremos nitidamente que tentam substituir a linguagem por atitudes e gestos para que se façam entender, sendo assim, pelas “representações ativas”. Já em fase adulta, podem ser observadas pela lei- tura corporal acompanhada do seu contex- to. Envolvidas com a motivação, pelo en- volvimento com a tarefa ou atividade, pela coerência entre suas crenças e seu modo de agir.. Muitas situações são apontadas pela expressão facial e que são, inclusive, pistas para o educador poder ter o retorno da situ- ação aplicada, podendo, com isso, intervir, guiar e direcionar a aprendizagem para uma mais satisfatória. Em sua obra “O Processo da Educação” Bru- ner (1976), nos diz que aprender envolve três processos quase simultâneos: 1. A aquisição de nova informação – esta, muitas vezes, contraria ou substitui o que a pessoa anteriormente sabia de forma implícita ou explicitamente. 2. O aspecto da aprendizagem que pode ser chamado de transformação – o processo de manipular o conheci- mento de modo a adaptá-lo a novas tarefas. 3. O aspecto da aprendizagem que é a avaliação crítica, verificando se o modo pelo qual manipulamos a infor- mação é adequado à tarefa. Unidade 5 • Estratégias Metacognitivas no Processo de Ensino-aprendizagem147/241 Os conceitos de “prontidão” e de “aprendi- zagem em espiral” são contribuições do au- tor para a teoria da aprendizagem. Vamos entender “prontidão” como toda dis- posição para a aprendizagem, estando as- sociada à utilização de uma estratégia, seja por parte do educador, como do educando. Ambos serão estratégicos nas formas de conduzir o seu processo: ao educador, faci- litar, por vezes inspirar e até mediar os te- mas para que o aprendizado seja bem-su- cedido. Já, ao educando, a estratégia para colocar-se diante do seu trajeto mental, compreendendo que o conhecimento en- cadeado proporciona e direciona-lhe a um entendimento maior. O conceito de “apren- dizagem em espiral” pode ser entendido como um desenvolvimento em estágios ou níveis, ocupando-se de uma compreensão qualitativa em cada etapa, e que poderão ser revistos novamente e oportunizar uma compreensão mais evoluída. Sendo assim, é importante estarmos pre- ocupados com a adequação dos métodos com relação ao desenvolvimento cognitivo da criança, conforme necessidades e inte- resses, concebendo uma aprendizagem sig- nificativa. Em resumo, para Bruner (1976), é preciso levar em consideração as vivências do ho- mem produzidas pela linguagem, narrati- vas e símbolos de uma cultura ou de um de- terminado meio social. Lembrando-se que somos frutos de um contexto sociocultural que nos faz diferentes uns dos outros, e úni- cos na forma de pensar e agir. Retomando Unidade 5 • Estratégias Metacognitivas no Processo de Ensino-aprendizagem148/241 que ainda que estejamos diante de um mes- mo conteúdo, o aprendizado será diferente para cada um considerando suas particula- ridades e especificidades. Seja pela sua ca- pacidade de significar, isto é, pela articula- ção estratégica que faz uso a fim de chegar a resultados satisfatórios. Ou seja, como se conduz a fim de possibilitar a si próprio a experiência do aprender que tenha sentido e significado. Se considerarmos a teoria de Bruner (1976) ela está explicitada de forma prática e ní- tida, fazendo-nos repensar e ao mesmo tempo operar em nossas escolas, em nos- so currículo, para um reexame, uma análise de como proceder para que o aluno apren- da com qualidade, percebendo ou estando ciente de seus próprios processos de pen- samento e de como a reflexão pode fazer parte deseu processo de ensino-aprendi- zagem, de forma a melhorar e a evoluir en- quanto sujeito ativo na construção de seu conhecimento. O processo de ensino e aprendizagem exige necessariamente a análise das formas de or- ganização do trabalho pedagógico. Estudar o método, planejamento, recursos didáti- cos, desenvolvimento e aprendizagem, por exemplo, são aspectos imprescindíveis no processo educacional. Dentro desse con- texto há um elemento que também precisa absorver as atenções principais das ativi- dades investigativas sobre a escola: a aval- iação. Unidade 5 • Estratégias Metacognitivas no Processo de Ensino-aprendizagem149/241 Link No artigo “Metacognição: O Elo de Significação entre Método, Avaliação e Aprendizagem”, de Fi- lippi, A; Bortolini, C; Dias, R.H.., o objetivo é ten- tar apreender a metacognição enquanto elo de significação entre método, avaliação e aprendi- zagem, pois se acredita que, a partir da proposi- ção de estratégias metacognitivas no processo de aprendizagem, está se desenvolvendo uma avaliação como forma de significar o aprender, levando o aluno a criar sua própria maneira de observar, analisar e conceituar. Disponível em: <http://www.ucs.br/etc/conferencias/in- dex.php/anpedsul/9anpedsul/paper/viewFi- le/2186/92>. Acesso em: 23 maio 2017. http://www.ucs.br/etc/conferencias/index.php/anpedsul/9anpedsul/paper/viewFile/2186/92 http://www.ucs.br/etc/conferencias/index.php/anpedsul/9anpedsul/paper/viewFile/2186/92 http://www.ucs.br/etc/conferencias/index.php/anpedsul/9anpedsul/paper/viewFile/2186/92 Unidade 5 • Estratégias Metacognitivas no Processo de Ensino-aprendizagem150/241 Glossário Ambiente de aprendizagem: o local, o contexto e a organização do processo de ensino apren- dizagem que influenciam a forma como os alunos se envolvem na realização das tarefas. Aprendizagem por descoberta: quando o aluno descobre com autonomia os conhecimentos. O papel do professor é de guia e facilitador e não de transmissor de conhecimentos, e o aluno é um agente ativo da construção do conhecimento. E, dessa forma, aprende a aprender. A apren- dizagem por descoberta pode ser autônoma ou orientada. No primeiro caso, é autônoma quando o aluno identifica um problema, formula hipóteses, recolhe informações e atinge os resultados sem a direção do professor. No segundo caso, é orientada, quando o professor oferece alguma ajuda, sempre que o aluno revela dificuldade para chegar às conclusões sozinho. Representações ativas: termo utilizado na Teoria Cognitiva para demonstrar a tentativa de re- presentação de determinadas realidades, por meio da supressão (suspensão) do estágio de re- presentação linguística. Se observarmos as crianças nessa fase, veremos nitidamente que ten- tam substituir a linguagem por atitudes e gestos para que se façam entender. Questão reflexão ? para 151/241 Faça uma pesquisa sobre a concepção de cultura na edu- cação escolar sob a ótica de Lev Semenovich Vigotski e de Jerome Bruner, e estabeleça um comparativo entre os dois autores. 152/241 Considerações Finais • Os processos metacognitivos facilitam, estimulam e melhoram a aprendi- zagem. • A metacognição contribui para a tomada de consciência dos próprios pro- cessos cognitivos do indivíduo, permitindo controlar os seus processos mentais fazendo a “autorregulação” e a “autoavaliação” de suas estratégias de aprendizagem. Estimulando-o a desenvolver procedimentos com estra- tégias de aprendizagem mais eficientes. • Ao desenvolver estratégias de aprendizagem eficientes, o indivíduo melho- ra a aprendizagem, ampliando seu desenvolvimento cognitivo. • Ao melhorar seu desenvolvimento cognitivo torna-se um sujeito com au- tonomia, com consciência, portanto, crítico de si mesmo e do mundo, cujo aprendizado se reverte em resultados para a vida. Unidade 5 • Estratégias Metacognitivas no Processo de Ensino-aprendizagem153/241 Referências BRUNER, Jerome. Uma Nova Teoria da Aprendizagem. Rio de Janeiro: Bloch, 1976. ______. Processo da Educação. Tradução de Lólio Lourenço de Oliveira. 6 ed. São Paulo: Nacio- nal, 1976. BRUNER, Jerome. Realidade mental, mundos possíveis. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. ______. A Cultura da Educação. Tradução de Marcos A. G. Domingues. Porto Alegre: Artmed, 2001. BRUNER, Jerome. Piaget, Jean e Vygotsky,Lev. Celebremos a Divergência. In: HOUDÉ, O.; MELJAC, C. (Orgs.). O espírito piagetiano: homenagem internacional a Jean Piaget. Porto Alegre: Art- med, 2002. MARQUES, Ramiro. Dicionário Breve de Pedagogia. Disponível em: <http://www.eses.pt/usr/ ramiro/docs/etica_pedagogia/dicionario%20pedagogia.pdf>. Acesso em: 23 maio 2017. http://www.eses.pt/usr/ramiro/docs/etica_pedagogia/dicionario%20pedagogia.pdf http://www.eses.pt/usr/ramiro/docs/etica_pedagogia/dicionario%20pedagogia.pdf 154/241 Assista a suas aulas Aula 5 - Tema: Estratégias Metacognitivas no Processo de Ensino-Aprendizagem. Bloco I Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 3d41fb67e62835df09e7f68a3c51ad16>. Aula 5 - Tema: Estratégias Metacognitivas no Processo de Ensino-Aprendizagem. Bloco II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 47ff1da6cc21ed7c813f88c49ab8aa1a>. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/3d41fb67e62835df09e7f68a3c51ad16 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/3d41fb67e62835df09e7f68a3c51ad16 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/3d41fb67e62835df09e7f68a3c51ad16 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/47ff1da6cc21ed7c813f88c49ab8aa1a https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/47ff1da6cc21ed7c813f88c49ab8aa1a https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/47ff1da6cc21ed7c813f88c49ab8aa1a 155/241 1. Quais os estudiosos envolvidos com a Teoria Cognitiva? a) Vygotski. b) Bruner. c) Jean Piaget. d) David Ausubel, Jean Piaget e Jerome Bruner. e) Pavlov e Skinner. Questão 1 156/241 2. Podemos dizer que a seguinte definição: “___________ compreende que as pessoas ou sujeitos constroem ’representações da realidade‘, regu- ladas por princípios da aprendizagem”. Trata-se da: Questão 2 a) Aprendizagem Significativa. b) Psicologia Cognitiva. c) Desenvolvimento Linguístico e Simbólico. d) Teoria Construtivista. e) Aprendizagem por Descoberta. 157/241 3. Há dois tipos de desenvolvimento cognitivo pela visão de Bruner (1976) relacionados com a faixa etária: Questão 3 a) Motor e psíquico. b) Aquisição e motivação. c) Simbolismo e linguístico. d) Maturação e integração. e) Enativo, icônico e simbólico. 158/241 4. A seguinte citação “dizer, que uma teoria do desenvolvimento é indepen- dente da cultura não é fazer uma afirmação errada, mas absurda” é de au- toria de qual dos citados abaixo: Questão 4 a) Bruner. b) Jean Piaget. c) David Ausubel. d) Marques. e) Vygotsky. 159/241 5. Há tipos ou modalidades de “motivação” ao nos referirmos a fatores re- levantes para a aprendizagem: Questão 5 a) Interna e externa. b) Intrínseca e extrínseca. c) Inata e adquirida. d) Espontânea e criativa. e) Interna e intrínseca; externa e extrínseca. 160/241 Gabarito 1. Resposta: D. São três, os estudiosos que formaram a Teo- ria Cognitiva: Piaget, Ausubel e Bruner. 2. Resposta: B. Corresponde à Psicologia Cognitiva. 3. Resposta: D. Os dois tipos são maturação, maturidade adquirida em níveis, e integração, aspecto social. 4. Resposta: A. A citação em referência é de Bruner quando evidencia a importância da cultura no pro- cesso de aprendizagem. 5. Resposta: E. A motivação é interna ou intrínseca e exter- na ou extrínseca, portanto, a alternativa “e” está correta. 161/241 Unidade 6 Instrumentos Metacognitivos para Avaliaçãodo Processo de Ensino-aprendizagem Objetivos 1. Contextualizar a “metacognição” e sua etimologia. 2. Indagar como saber se os estudantes estão realmente aprendendo? 3. Avaliar os Instrumentos Metacogniti- vos. 4. Apresentar a autorregulação da ava- liação, considerando que a melhor avaliação é aquela feita pelo próprio aluno. Unidade 6 • Instrumentos Metacognitivos para Avaliação do Processo de Ensino-aprendizagem162/241 1. Introdução A relevância deste tema está em apontar que a informação ou conhecimento assimi- lado é passível de ser avaliado, verificando o processo de compreensão ocorrido e seus desdobramentos, um entendimento crítico do conhecimento, seguindo para uma aná- lise. É um processo de transformação pro- fundo e gradual ao qual chamamos de me- tacognitivo, que, ocorre de forma interna na mente, e serve de base para a produção de novas compreensões. Os objetivos da ava- liação estão em conhecer os resultados da aprendizagem, observar o que a impulsiona e o que favorece a sua qualidade. A avalia- ção é o motor da aprendizagem, como nos diz SanMartí (2009), já que dela depende a forma que se ensina, quanto, a forma que se aprende. Avaliar é também conhecer a es- tratégia utilizada por um aluno na execução de uma determinada tarefa, compreender as causas de suas dificuldades e ajudá-lo a tomar decisões de modo a superá-las. Por- tanto, a finalidade principal da avaliação é a regulação tanto das dificuldades e erros dos alunos, quanto do processo de ensino. Relevante também apontar que a avaliação é útil para fazer com que os alunos apren- dam a se autorregular de forma autônoma o seu aprendizado, e, assim, não somente os professores devem se ocupar da missão de detectar os erros e êxitos. A finalidade máxima da avaliação está em aprender a se autoavaliar aponta SanMartí (2009), co- nhecendo os objetivos da aprendizagem, as estratégias de pensamento e de ação, para responder às tarefas propostas e aos cri- Unidade 6 • Instrumentos Metacognitivos para Avaliação do Processo de Ensino-aprendizagem163/241 térios de avaliação. A troca de impressões e opiniões dos outros colegas também auxi- liam na avaliação. Em aula, todo o grupo de alunos pode avaliar e regular o aprendizado, numa contribuição coletiva. 2. A Avaliação como Instrumen- to Metacognitivo A avaliação mais importante é aquela que o próprio aluno realiza quando aprende a fa- zer na prática a autorregulação, estimulan- do a sua aprendizagem quando traz à tona o que aprendeu, gerando mais motivação. As emoções e sentimentos inspiram o aluno como facilitador dos processos metacogni- tivos. Só não se inspiram aqueles que redu- zem a sua disponibilidade a experiências de vida ou que tenham uma conotação nega- tiva a tudo o que vivenciam, sem compre- ender que se trata de uma oportunidade de desenvolver-se e ampliar concepções para novos aprendizados. Extraindo o conteúdo emocional negativo, é possível que se ama- dureça, e a psicologia mostra bem isso, que somos transformados pelas situações que aprendemos. Possibilitar experiências aos alunos e poder avaliar conjuntamente são formas de mobi- lizar forças emocionais motivadoras que os induzem a amadurecer de forma mais rápi- da. Sendo essas maneiras de ler a realidade que lhe cerca e compreender os conceitos e os possíveis desdobramentos decorren- tes. Conforme SanMartí (2009), “avaliar é uma condição necessária para melhorar o Unidade 6 • Instrumentos Metacognitivos para Avaliação do Processo de Ensino-aprendizagem164/241 ensino”, e a avaliação deve proporcionar informação que permita julgar a qualidade do currículo aplicado, com a finalidade de melhorar a prática docente e a teoria que a sustenta. A aprendizagem pode ser dinâmica, es- timulada e atualizada no tempo, ou seja, pode ser modificada pela formação de no- vos pensamentos e ideias que venham pos- sibilitar evoluções. As emoções e sentimen- tos compõem a estrutura psíquica de um indivíduo e estão presentes na formação do pensamento e nas atitudes, são capazes de influenciar o modo como recebemos as in- formações e a maneira pela qual transmi- timos saberes. Podemos assim conceber a neurociência das emoções e sentimentos. Após esse estímulo, vamos associar como estratégico o canal da afetividade como parte do processo de aquisição na situação de aprendizagem, pois este são “lentes” pelas quais o indivíduo ”enxerga” a reali- dade por meio de seus sentimentos e emo- ções, registrando seus conteúdos conforme a tendência afetiva que a aprendizagem mobiliza. Talvez este seja um dos fatores Link Assista o vídeo sobre “O que são Emoções e Sen- timentos?” com o professor Pedro Calabrez. Dis- ponível em: <https://www.youtube.com/wa- tch?v=SUAQeBKiQk0>. Acesso em: 30 mar. 2017. https://www.youtube.com/watch?v=SUAQeBKiQk0 https://www.youtube.com/watch?v=SUAQeBKiQk0 Unidade 6 • Instrumentos Metacognitivos para Avaliação do Processo de Ensino-aprendizagem165/241 espetaculares da aprendizagem que a torna única e intransferível, pela peculiaridade do indivíduo. Podemos transmitir saberes, mas não pas- samos o patrimônio intelectual que adqui- rimos, pois se tornaram elementos essen- ciais de nossas experiências, pois são ele- mentos extraídos da experiência particular,, que desenvolveráo discernimento e a forma pessoal de interpretar a realidade Por isso, entendemos que os processos cognitivos e metacognitivos, o modo de aprender, a for- ma com que se aprende e o sentido crítico após a vivência de aprendizagem, possibili- tam e são determinantes na identidade do indivíduo. Para desenvolver os processos metacognitivos dos alunos que ocorrem tardiamente, por volta dos 7-11 anos é ne- cessária a contribuição integrada de vários processos. A internalização, que refere-se a capacidade de registrarmos mentalmente o entendimento a respeito de algo apren- dido,de forma gradual e a personalização de atividades metacognitivas observadas, guiadas e/ou reguladas por outros (pais, professores, colegas etc). A maturação e aquisição de aptidões e co- nhecimentos cognitivos, possibilitam tam- bém processos metacognitivos mais com- plexos, além do desenvolvimento como um todo, na esfera biológica social, afetiva, motivacional. Com a maturidade, o aluno que se envolve com a aprendizagem pelos recursos metacognitivos acaba desenvol- vendo também a sua capacidade de auto- monitoramento. Unidade 6 • Instrumentos Metacognitivos para Avaliação do Processo de Ensino-aprendizagem166/241 Etimologicamente, a palavra metacognição significa ir além da cognição, isto é, a facul- dade de conhecer o próprio ato de conhecer, ou, por outras palavras, “consciencializar”, o mesmo que tomar consciência, podendo analisar e avaliar como se conhece e “pen- sar sobre o próprio pensamento”. Por meio da reflexão sobre a maneira como se aprende, pode-se repensar os processos de pensamento individual. A metacogni- ção é o conjunto de conhecimentos sobre os próprios conhecimentos e de processos de percepção, avaliação, regulação e orga- nização dos próprios processos cognitivos. Ela pode ser pensada como cognições de segunda ordem: pensamentos sobre pensa- mentos, aprender a aprender, conhecimen- tos sobre conhecimentos, reflexões sobre ações. A “metacognição” desempenha um papel importante na aprendizagem por mediar a percepção sobre os próprios erros e dificul- dades tanto em relação às tarefas e conte- údos, como em relação às emoções e moti- vações, além do monitoramento e avaliação do desempenho na tarefa e das estratégias mais eficientes de realizá-la. A atenção e orientação nos processos metacognitivos permite ao indivíduo melhorar sua capa- cidade de aprender de forma mais geral, por meio de processos de conscientização, monitoramento e controle de seus proces- sos cognitivos e ações. Está mais envolvida com a “compreensão” do que com o “acer- tar” – que envolve um aprendizado ligado ao automatismo daresposta certa, sem o desafio da reflexão e do senso crítico (vimos Unidade 6 • Instrumentos Metacognitivos para Avaliação do Processo de Ensino-aprendizagem167/241 no Tema 3 a diferença entre “aprender” e “compreender”). Jou & Sperb (2006 apud FLAVELL e WELL- MAN, 1977) foram os primeiros autores a considerar a metacognição como uma área específica de pesquisa, Flavell (1987) con- ceitua o termo “metacognição” visto ante- riormente no Tema 2, e, recapitulando, pro- põe um modelo de monitoração cognitiva do conhecimento: • Sensibilidade: consiste em aprender a identificar em que situações há ne- cessidade de recorrer a determina- das ações ou estratégias e o conheci- mento metacognitivo compreenderia crenças a respeito de si, das pessoas, da tarefa e da estratégia, permitindo ao aprendiz reconhecer e representar as situações, ter mais fácil acesso ao repertório das estratégias disponíveis e selecionar as suscetíveis de se apli- car. • Variáveis da pessoa. • Variáveis da tarefa. • Variáveis da estratégia. Das experiências metacognitivas, a monito- ração envolve aqueles objetivos (cumpridos ou não as ações (ou estratégias) que foram eficazes e efetivas). Extrapolam o resultado e vão para além, da compreensão do conhe- cimento. Para Jou & Sperb (2006 apud FLAVELL, 1987), Nelson & Narens (1996) e Sternberg (2000), a metacognição é a capacidade do Unidade 6 • Instrumentos Metacognitivos para Avaliação do Processo de Ensino-aprendizagem168/241 ser humano de monitorar e autorregular os processos cognitivos. Se estamos falando de instrumentos metacognitivos empregados na avaliação, certamente que relacionamos a regulação e monitoramento da aprendi- zagem com a autoavaliação que o aluno faz, que, como veremos mais a frente, é a melhor avaliação de ensino- aprendizagem confir- mada pelos pesquisadores do tema. Ao pensarmos em como responder a uma autoavaliação, torna-se relevante questio- nar: como saber se os aprendizes estão re- almente aprendendo? Independentemente da metodologia de en- sino usada, as estratégias metacognitivas são um dos fatores principais para garantir o êxito do trabalho realizado pelo educador. Os instrumentos de avaliação de aprendi- zagem devem ser largamente utilizados ao longo do período letivo. Esses instrumen- tos de avaliação devem permitir que o pro- fessor/educador colha informações sobre a capacidade de aprendizado dos alunos, medida, em especial, pela competência dos mesmos para resolver problemas e instru- mentalizar o conhecimento para a tomada de decisões. Não existem instrumentos es- pecíficos de avaliação capazes de detectar a totalidade do desenvolvimento e apren- dizagem dos alunos. É diante da limitação que cada instrumento de avaliação apre- senta que se faz necessário pensar em ins- trumentos diversos e mais adequados com suas finalidades, para que deem conta jun- tos da complexidade do processo. Cabe ao professor da disciplina definir os instrumen- Unidade 6 • Instrumentos Metacognitivos para Avaliação do Processo de Ensino-aprendizagem169/241 tos que serão utilizados para melhor acom- panhar o aprendizado de seus alunos, por exemplo: assistir TV, mas colocando o lado crítico em evidência. Estamos nesse mo- mento exercendo uma atividade metacog- nitiva. Na simples exposição ao programa selecionado, novas compreensões são fei- tas, extrapolando o sentido do que é dito e apresentado, ou seja, além da informação propriamente dita. Recapitulando, conforme abordado no Tema 2, o termo “estratégia metacognitiva” refere-se ao “conhecimento do próprio co- nhecimento”. Utilizá-lo implica desenvolver capacidade de avaliação, organização e re- gulação do conhecimento adquirido. Supõe ainda a capacidade de entender que com- petências são necessárias para se resolver um problema, seja ele relacionado a núme- ros ou a palavras. As estratégias metacog- nitivas deveriam ser desenvolvidas desde o início do processo de educação formal do estudante, mas nem sempre isso é obser- vado. Os docentes do ensino fundamental e médio são pouco preparados para desen- volver essa competência em seus estudan- tes. E isso não é diferente quando tratamos do ensino superior. Envolvem-se em tare- fas cujo objetivo é unicamente a cognição (registro e o sentido de aprender pela as- similação), sem direcionar o trabalho para uma formação qualitativa e crítica daquilo que se aprende, como se estivessem apenas empenhados em cumprir o plano de aula, o temário dos conteúdos que precisam ser passados, sem se ocupar do processo de Unidade 6 • Instrumentos Metacognitivos para Avaliação do Processo de Ensino-aprendizagem170/241 entendimento e compreensão que ocorre com o aluno/educando quando exposto ao conhecimento. Os processos metacognitivos podem ser chamados de “processos de autocontrole” e devem incluir exercícios que possibilitem organizar uma tarefa, ajustá-la durante seu desenvolvimento e rever seus resulta- dos. Em outras palavras, é a capacidade de identificar as melhores estratégias capazes de promover uma aprendizagem mais dura- doura e de levar a resultados mais eficazes. Boas instituições de ensino superior, que assumem o compromisso de minimizar as deficiências trazidas do ensino médio, con- tribuem significativamente para o progres- so de seus estudantes. No entanto, não po- dem restringir-se a apenas isso. A educa- ção de boa qualidade exige mais: ações que auxiliem os estudantes a compreender e controlar seus próprios processos de apren- dizagem. Pois, temos visto as contribuições da metacognição na aprendizagem de vá- rias ciências, no ensino da língua portugue- sa, física e matemática. Muitos alunos são julgados em termos da criação de crivos avaliativos por educadores radicais que não têm abertura do seu cam- po perceptual para poder dimensionar uma avaliação ampla e abrangente, que consi- dere diversos aspectos. Se em determinada área, um aluno não tem um bom destaque, é preciso observar em qual aspecto ele tem competência? Perceber também que, se em determinada tarefa não utiliza os seus me- lhores recursos, em outra poderá usá-las. Unidade 6 • Instrumentos Metacognitivos para Avaliação do Processo de Ensino-aprendizagem171/241 A autoavaliação, para SanMartí (2009) pode ter meios variados, mas, em suma, pode ser identificada como um processo na seguinte sequência: • Recolher informação, seja por meio de instrumentos escritos ou não. Pode- -se também avaliar, por exemplo, pelo intermédio da relação com os alunos no grande grupo: observando seus rostos ao iniciar a aula e comentando aspectos de seu trabalho enquanto realizam suas tarefas. • Analisar essa informação e emitir um juízo sobre ela. Por exemplo, de acor- do com a expressão dos rostos obser- vados, valorizar se aquilo que tinha como objetivo de trabalho para aque- le dia será difícil de obter. • Tomar decisões de acordo com o juízo emitido. Uma adaptação do conceito de “avaliação” de Eddwards & Mercer (1988) é apontada pelo autor SanMar- tí (2009), apontando que as decisões derivadas das avaliações podem ter dois tipos de finalidade: a) Caráter social: avaliação somativa – tem a função de selecionar e orientar os alunos. b) Caráter pedagógico: avaliação forma- tiva — tem a finalidade de “regular” tanto o processo de ensino quanto o de aprendizagem. Para SanMartí (2009) na avaliação forma- tiva tradicional a função dos professores deveria se centrar em compartilhar com Unidade 6 • Instrumentos Metacognitivos para Avaliação do Processo de Ensino-aprendizagem172/241 os alunos o processo avaliativo. Afinal está comprovado que somente o próprio aluno pode corrigir seus erros, apercebendo-se motivo pelo qual se equivoca e tomando decisões adequadas de mudança. Não é aquele que ensina quem oferece ao aluno a informação de que necessita, tampouco é o aluno quem descobre qual conhecimento é novo. Na medida em que o aluno vai iden- tificando o que conhece, o queobserva e o que dizem os demais, passa a valorizar o que lhe interessa, tomando decisões quan- do assimilar as novas informações e formas de raciocinar, de fazer ou de falar. E aquele que ensina também avalia o que acontece em aula: de que forma os alunos raciocinam e agem, tomando decisões sobre quais situ- ações didáticas, atividades, quais propostas devem ser colocadas ao grupo, de forma a facilitar a superação das dificuldades que- aqueles que aprendem poderão encontrar: “A finalidade principal da avaliação é a re- gulação tanto das dificuldades e dos erros dos alunos quanto do processo de ensino” (SANMARTÍ, 2009). A concepção cognitivis- ta da avaliação formativa busca compreen- der por que um aluno não entende um con- ceito ou não sabe fazer uma determinada tarefa. A avaliação formativa nasce dos trabalhos que Bonniol e Nunziati, entre outros, co- meçaram a desenvolver nos anos de 1970, na Universidade de Pro- vence, em colabo- ração com professores de escolas de Mar- selha (França). Nesse contexto, gerou-se um marco teórico que orientou o projeto e Unidade 6 • Instrumentos Metacognitivos para Avaliação do Processo de Ensino-aprendizagem173/241 a aplicação de novas práticas da avaliação (NUNZIATI, 1990). As investigações reali- zadas ao redor dessas práticas mostraram que os resultados dos alunos melhoraram muito. A equipe da Universidade Autôno- ma de Barcelona, coordenada por Jorba e Sanmartí, juntamente com os professores das áreas de ciências e matemática dos IESM, Juan Manuel Zafra e Juan de la Cierva de Barcelona, adaptou muitos dos postula- dos da avaliação formadora e analisou dis- tintas práticas e como melhorá-las. (JORBA; SANMARTÍ, 1996). A associação da Neurociência à Educação e, especificamente, o estudo que busca com- preender o que possibilita a ocorrência da aprendizagem são a sustentação necessária que talvez estivesse faltando aos educado- res para compreender o processo metacog- nitivo da aprendizagem e para envolver-se com a qualidade dos desdobramentos pos- síveis dos seus educandos. Assim, poderiam obter uma avaliação de como cada qual evo- luiu no seu processo de entender que ocorre quando se aprende. Com a ação do tempo, conseguimos per- ceber o que cada um fez das possibilidades de seu caminho particular, o modo como se utilizou seu potencial aprendiz, pois já não está preso na avaliação especifica de um critério do seu desempenho. E, se na vida apresentam resultados muito além da ex- pectativa de uma nota, a avaliação signifi- ca que muito devemos refletir nesse campo. Principalmente para deixarmos de pautar nossos educandos em critérios que estão Unidade 6 • Instrumentos Metacognitivos para Avaliação do Processo de Ensino-aprendizagem174/241 fora do contexto e consequentemente os levam ao desinteresse. A avaliação precisa remeter ao potencial que o aprendiz possui ao invés de se buscar marcas fantasiosas que não retratam a sua pessoa. Os colegas que eram tidos como os “me- lhores alunos”, foram avaliados costumei- ramente pela nota ao invés de globalmen- te – que é quando abrange um resultado qualitativo amplo na vida, pelo uso da in- teligência, pelas boas escolhas e tomadas de decisão. Essa visão de uma educação para a vida, é a que mais beneficia o sujei- to “aprendiz”, que sabe empregar bem cada aquisição do conhecimento direcioná-lo a um resultado pessoal global. Programas que possibilitem a compara- ção do desempenho acadêmico semestre a semestre, permitindo que os estudantes identifiquem continuadamente o progresso de sua aprendizagem são ferramentas de grande valia. Representam uma alternati- va de auxílio para a identificação de pontos fracos, viabilizando, consequentemente, que reflexões e ações sejam realizadas para minimizá-los. O feedback e as orientações subsequentes à avaliação podem ser utili- zados como reorganizadores do percurso de aprendizagem, possibilita aos estudan- tes que conheçam e foquem a atenção em mudanças essenciais ao bom desempenho. O mundo hoje é o da velocidade, no qual a única certeza é a mudança e a intensa ne- cessidade de adaptação. É preciso ter fle- xibilidade e capacidade para aprimorar, no sentido de apresentar qualidade nas res- Unidade 6 • Instrumentos Metacognitivos para Avaliação do Processo de Ensino-aprendizagem175/241 postas, nas soluções e nos desafios intelectuais. Adaptar-se é encontrar novos meios de res- ponder a velhas questões, além de ter disposição em ampliar o aprendido todos os dias. Isso é aplicar metacognição, percebendo na prática que é possível sair do automatismo da busca pelas respostas certas para navegar no aprimoramento cognitivo. Certamente, viverá melhor aquele que conseguir aprender de forma eficiente e estiver disposto a “aprender como aprender”. Para saber mais O texto “Sociedade da informação, do conhecimento e da aprendizagem: desafios para educação no sé- culo XXI” de pesquisadoras da Universidade do Minho, Portugal, faz um apanhando interessante sobre a transformação e a utilização do conhecimento contemporâneo, inclusive com a inserção de práticas pedagógicas tecnológicas digitais: do aprender a fazer, a conhecer e a conviver. Vale a leitura como en- tendimento destas transformações e para compreensão do sentido amplo que a “informação” e o “co- nhecimento” atingiram ao serem concebidas no contexto da sociedade. Disponível em: <https://reposi- torium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/14854/1/Revista_Educa%C3%A7%C3%A3o%2cVolX- VIII%2cn%C2%BA1_5-22.pdf>. Acesso em: 15 abr. 2017 https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/14854/1/Revista_Educa%C3%A7%C3%A3o%2cVolXVIII%2cn%C2%BA1_5-22.pdf https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/14854/1/Revista_Educa%C3%A7%C3%A3o%2cVolXVIII%2cn%C2%BA1_5-22.pdf https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/14854/1/Revista_Educa%C3%A7%C3%A3o%2cVolXVIII%2cn%C2%BA1_5-22.pdf Unidade 6 • Instrumentos Metacognitivos para Avaliação do Processo de Ensino-aprendizagem176/241 Glossário Monitoração cognitiva: forma de identificar o processo de aquisição do conhecimento como forma de comprovar que a aprendizagem ocorreu, verificando-se a passagem pelas etapas de sensibilidade, variáveis da pessoa, variáveis da tarefa e variáveis da estratégia. Avaliação da aprendizagem: capacidade de avaliação, organização e regulação do conheci- mento adquirido. Supõe ainda a capacidade de entender que competências são necessárias para se resolver um problema, seja ele relacionado a números ou palavras, a uma informação ou ao conhecimento mais amplo. Avaliação somativa: tem a função de selecionar e orientar os alunos. É de caráter social e parte de uma decisão derivada da avaliação pesquisada por Edwards e Mercer (1988 apud SANMARTÍ, 2009). Avaliação formativa: tem a finalidade de “regular” tanto o processo de ensino quanto o de aprendizagem. É de caráter pedagógico e Parte de uma decisão derivada da avaliação pesqui- sada por Edwards e Mercer (1988 apud SANMARTÍ, 2009). Questão reflexão ? para 177/241 Pesquise a respeito das diferenças entre “consciencia- lizar” o conhecimento e “internalizar” o conhecimento. E procure exemplificar em quais situações seria possível aplicar os termos. 178/241 Considerações Finais • O entendimento de como se desenvolve a metacognição é relevante para a eficácia e efetividade da aprendizagem e dos desdobramentos que vão ga- rantir a compreensão maior do próprio conhecimento. • A inter-relação entre metacognição e a aprendizagem estão associadas a um entendimento profundo entre os recursos pessoais como a sensibilida- de e o conhecimento metacognitivo do qual podemos partir para avaliar a qualidade da aprendizagem. • Poder identificar o progresso da aprendizagem é extremamente importan- te. O feedback e as orientações advindas da avaliação podem ser utilizados como reorganizadores do percurso de aprendizagem. Podendo efetuar mu- danças que sejam necessárias ao bom desempenho. • A avaliação,entendida como autoavaliação e coavaliação, constitui forço- samente o motor de todo o processo de construção do conhecimento. Unidade 6 • Instrumentos Metacognitivos para Avaliação do Processo de Ensino-aprendizagem179/241 Referências DANTAS, Cláudia; RODRIGUES, Camila Cruz. Estratégias Metacognitivas Como Intervenção Psi- copedagógica para o Desenvolvimento do Automonitoramento. Rev. Psicopedag. São Paulo, vol. 30, n. 93, p. 226-235, 2013. JOU, Graciela Inchausti de; SPERB, Tania Mara. A Metacognição como Estratégia Reguladora da Aprendizagem. Porto Alegre, Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 19, n. 2, p. 177-185, 2006. SANMARTÍ, Neus. Avaliar Para Aprender. Porto Alegre: Artes Médicas, 2009. 180/241 Assista a suas aulas Aula 6 - Tema: Instrumentos Metacognitivos para Avaliação do Processo de Ensino-Aprendi- zagem. Bloco I Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 970926c000fc5ae0a06c18868d948e5c>. Aula 6 - Tema: Instrumentos Metacognitivos para Avaliação do Processo de Ensino-Aprendizagem. Bloco II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/3c65cc455c3dfcd6fb0c9b02770e769c>. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/970926c000fc5ae0a06c18868d948e5c https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/970926c000fc5ae0a06c18868d948e5c https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/970926c000fc5ae0a06c18868d948e5c https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/3c65cc455c3dfcd6fb0c9b02770e769c https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/3c65cc455c3dfcd6fb0c9b02770e769c https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/3c65cc455c3dfcd6fb0c9b02770e769c 181/241 1. Qual a necessidade de avaliar o processo de ensino- aprendizagem? Questão 1 a) Aprender, registrar no cérebro as experiências e as impressões obtidas. b) Compreensão dos conteúdos permitindo que estes gerem novos saberes. c) Mediar o conhecimento de forma a transformá-lo no compartilhamento com outros. d) Passar pelo crivo das próprias crenças e variáveis que envolvem sua pessoa, a tarefa, o obje- tivo e a finalidade. e) Deixar que o conhecimento atue e que se possa observá-lo. 182/241 2. A metacognição é uma habilidade que se desenvolve a partir de qual faixa etária? Questão 2 a) Precocemente a partir dos 2 anos de idade. b) Tardiamente após os 15-17 anos de idade. c) Depende de cada indivíduo, podendo ser a partir dos 7 anos, como aos18-21 anos, quando pode admitir-se uma maturação do processo metacognitivo. d) Dos 7-11 anos de idade. e) Logo ao nascer já é possível o processo de compreensão de todos os registros. 183/241 3. As estratégias metacognitivas devem ocorrer em qual momento da ava- liação da aprendizagem? Questão 3 a) Devem ser utilizadas antes do educador se propor a quais conhecimentos transmitir. b) Devem ser utilizadas após a conclusão da transmissão de todos os conteúdos da disciplina. c) Devem ser pouco utilizadas, apenas em situações nas quais o educador percebe que houve pouca assimilação por parte dos alunos. d) Devem ser largamente utilizadas ao longo do período letivo. e) Não devem ser utilizadas, pois quando ocorrem, já é implícita a sua ocorrência. 184/241 4. Flavell (1987) propõe um modelo de monitoração cognitiva que envolve os seguintes aspectos: Questão 4 a) O conhecimento metacognitivo: sensibilidade, variáveis da pessoa, variáveis da tarefa e va- riáveis da estratégia. b) Do conhecimento metacognitivo e da experiência metacognitiva. c) A experiência metacognitiva: objetivos e ações. d) As alternativas “a”, “b” e “c” abordam o modelo de monitoração cognitiva. e) Processo bastante complexo, difícil de estabelecer um modelo. 185/241 5. Que tipo de ações metacognitivas pode servir de reorganizador do per- curso de aprendizagem após avaliação de ensino- aprendizagem? Questão 5 a) Avaliação escrita e oral para verificar o conhecimento do conhecimento. b) Dissertação da percepção do educando/aluno quanto às suas dificuldades. c) Reflexão constante do que foi aprendido. d) Feedback e orientações feitas pelo educador para ocorrência de mudanças necessárias para um melhor desempenho. e) Fazer uma análise de tudo o que foi vivido naquele período, revendo os conteúdos. 186/241 Gabarito 1. Resposta: B. O correto é pensar que a “compreensão” do conhecimento é necessária para evoluir no- vos saberes, portanto, a alternativa B. 2. Resposta: D. A partir dos 7-11 anos, tardiamente, neces- sitando de maturação do indivíduo para tal. 3. Resposta: D. Elas precisam ocorrer de forma constante e no decorrer de todo o ano letivo. 4. Resposta: D. As alternativas “a”, “b” e “c” realmente são corretas e todas fazem menção ao monito- ramento proposto por Flavell) 5. Resposta: D. Está correto considerar o feedback e orien- tações do educador. 187/241 Unidade 7 Estilos de Aprendizagem de Kolb. O Inventário de Estilos de Aprendizagem de Kolb (ILS) Objetivos 1. Apresentar os estilos de aprendiza- gem no modelo experiencial de Kolb. 2. Apresentar as influências de outros teóricos como Carl Gustav Jung e Carl Rogers. 3. Apresentar alternativas para que o educador e educando reflitam sobre a melhor maneira de aprender e de apresentar os conteúdos. Unidade 7 • Estilos de Aprendizagem de Kolb. O Inventário de Estilos de Aprendizagem de Kolb (ILS)188/241 1. Introdução A Teoria Experiencial de Aprendizagem de David Kolb surge em 1984 com a apresen- tação de uma classificação de estilos, numa publicação intitulada Aprendizagem Expe- riencial: Experiência Como a Fonte de Apren- dizagem e Desenvolvimento. Seu principal foco é a compreensão do funcionamento da aprendizagem baseada em experiências e como as pessoas podem aprender, sendo este o mesmo que transformar experiência em conhecimento. A Teoria Experiencial teve influências de psicólogos como Carl Rogers (1902-1987) e Carl Gustav Jung, dando elementos relativos à personalidade e à psicometria ao modo de mensurar aspectos psíquicos e psicoló- gicos de uma pessoa, que são um conjunto de comportamentos que se deseja conhe- cer melhor por intermédio de recursos ou técnicas. É um modo de medir facilitando a percepção relativa aos processos psicológi- cos que são abstratos. A Teoria também re- cebe influências de Jean Piaget. Vale ressaltar que a influência “rogeriana”, de corrente de pensamento humanista, tem seu enfoque na autoaprendizagem. Suas ideias para a educação são uma extensão da teoria “centrada na pessoa” ou centrada no cliente. Reforçando para as duas áreas, a psicologia e a pedagogia, que o próprio cliente/educando ou aluno é o responsável pela condução e sucesso do tratamento/ formação escolar. Sendo não diretiva, re- presenta que, o terapeuta/educador ou pro- fessor apenas facilita o processo do apren- dizado, assimo aluno conduz a seu modo. https://pt.wikipedia.org/wiki/Comportamento Unidade 7 • Estilos de Aprendizagem de Kolb. O Inventário de Estilos de Aprendizagem de Kolb (ILS)189/241 As influências do médico pós-graduado em psiquiatria Carl Gustav Jung (1875-1961) sobre as ideias de Kolb sobre são percebidas na adoção dos estilos de aprendizagem que resultam de caminhos de adaptação com a finalidade de compreender e fazer leituras do mundo que o cerca. Correlacionando-se com a dimensão dialética dos Tipos Psico- lógicos de Jung, classificados em dois mo- delos: • Extroversão (mundo exterior): o mun- do das pessoas, coisas e experiências. • Introversão (mundo interior): o mun- do das reflexões. Kolb, influenciado por estas ideias dos Tipos Psicológicos de Jung, constatou a existência de dois pares de abordagens ligadas à: • Percepção das coisas - Sensação e In- tuição. • Julgamentode fatos - Pensamento e Sentimento. Definindo quatro dimensões ou funções que, combinadas, podem definir diferentes tipos psicológicos, como: Link Vale a leitura da reportagem na Revista Nova Es- cola que aborda o referencial teórico humanista de Rogers, que da psicologia transpôs conheci- mentos para a pedagogia. Disponível em: <ht- tps://novaescola.org.br/conteudo/1453/ carl-rogers-um-psicologo-a-servico-do- -estudante>. Acesso em: 27 maio 2017. https://novaescola.org.br/conteudo/1453/carl-rogers-um-psicologo-a-servico-do-estudante https://novaescola.org.br/conteudo/1453/carl-rogers-um-psicologo-a-servico-do-estudante https://novaescola.org.br/conteudo/1453/carl-rogers-um-psicologo-a-servico-do-estudante https://novaescola.org.br/conteudo/1453/carl-rogers-um-psicologo-a-servico-do-estudante Unidade 7 • Estilos de Aprendizagem de Kolb. O Inventário de Estilos de Aprendizagem de Kolb (ILS)190/241 • Pensamento, sentimento, sensação e intuição. Sendo que cada uma dessas funções pode ser vivenciada tanto de maneira “introverti- da” quanto “extrovertida”. Kolb classificou cada uma da seguinte for- ma: • Sensação, entende-se percepções dos órgãos sensoriais. • Pensamento, o conhecimento intelec- tual e a lógica de formação de conclu- sões. • Sentimento, uma função que nos indi- ca o que é apropriado ou não. • Intuição, a percepção latente ou in- consciente. A expressão dessas funções não ocorre necessariamente em equilíbrio, podendo haver uma dessas em primeiro plano en- quanto outras ficam em segundo plano. São mescladas dando contornos específicos da individualidade de cada um. O que vai de encontro à Teoria de Kolb e ao Inventário de Estilos de Aprendizagem, pois dão forte co- notação ao estilo individual que apresenta tendências peculiares. Para Jung, as funções que predominam são bem perceptíveis, mas as outras de segundo plano podem atuar de forma inconsciente, sem serem controla- das; pois se entende que somos direciona- dos naturalmente pelas nossas tendências. Unidade 7 • Estilos de Aprendizagem de Kolb. O Inventário de Estilos de Aprendizagem de Kolb (ILS)191/241 2. Estilos e Inventário de Apren- dizagem de Kolb De acordo com Cerqueira (2000) a Teoria de Aprendizagem Experiencial de Kolb veio acompanhada de um Inventário de Estilos de Aprendizagem (IEA) ou Learning Style Inventory (LSI) criado em 1971, uma forma prática de aplicar os conceitos da teoria, tanto que desempenham resultados inte- ressantes no estudo e avaliação da forma- ção universitária e profissional de adultos. Havendo alterações em 1985 e 1993, modi- ficando-se o formato do inventário e acres- centando-se novos itens, passando de nove para doze sentenças, num formato tipo questionário e alterando a ordem das ques- tões, para uma sequência aleatória, a fim de elevar a confiabilidade do instrumento, que é composto de doze sentenças, com quatro alternativas para cada sentença que devem ser ordenadas pelo que responde o questio- nário de maneira decrescente, sendo 1 (um) a maneira menos provável de aprender, e 4 (quatro) a maneira mais provável de apren- der. Não havendo possibilidade de repetir números em uma mesma sentença. Logo, para cada sentença apenas uma alternati- va pode ser assinalada com 4 (quatro), ape- nas uma alternativa pode receber a nota 3 (três) e assim sucessivamente. Cada pala- vra presente nas quatro respostas possíveis das sentenças está relacionada com um dos modos de aprendizagem apresentados no quadro 3: sentir, observar, pensar e fazer. Unidade 7 • Estilos de Aprendizagem de Kolb. O Inventário de Estilos de Aprendizagem de Kolb (ILS)192/241 Após preenchidas as doze sentenças, os scores de cada estágio do Ciclo de Aprendi- zagem serão calculados a partir da contri- buição recebida em cada uma das senten- ças. Para saber mais É possível encontrar no item “Anexos” da tese de doutorado de Teresa Cerqueira o Inventário de Estilo de Aprendizagem de Kolb (1993), traduzi- do para o português e autorizado. Disponível em: <http://repositorio.unicamp.br/bitstream/ REPOSIP/253390/1/Cerqueira_TeresaCristi- naSiqueira_D.pdf>. Acesso em: 24 maio 2017. Link O artigo “Estilos de Aprendizagem sob a ótica do Inventário de David Kolb: Um Estudo de Caso com os Alunos de Graduação do Curso de Ciências Contábeis da UFBA”, do XV Congresso Brasileiro de Custos realizado em Curitiba em 2008. Ilustra a utilização do Inventário numa formulação prática para análise dos discentes (alunos) de graduação. Disponível em: <https://anaiscbc.emnuvens. com.br/anais/article/download/1185/1185>. Acesso em: 26 maio 2017. A Teoria de Kolb e seu Inventário apontam que as “experiências imediatas ou concre- tas” fornecem elementos para uma base de “observações e reflexões”. E ao serem “assimiladas”, formam-se “conceitos abs- http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/253390/1/Cerqueira_TeresaCristinaSiqueira_D.pdf http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/253390/1/Cerqueira_TeresaCristinaSiqueira_D.pdf http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/253390/1/Cerqueira_TeresaCristinaSiqueira_D.pdf https://anaiscbc.emnuvens.com.br/anais/article/download/1185/1185 https://anaiscbc.emnuvens.com.br/anais/article/download/1185/1185 Unidade 7 • Estilos de Aprendizagem de Kolb. O Inventário de Estilos de Aprendizagem de Kolb (ILS)193/241 tratos” (simbólicos e significativos pelo re- sultado da experiência), que consequente- mente produzem elementos para uma ação e desdobramentos para novas experiências e ações resignificadas, seja individualmen- te na consciência de estratégias como na forma do educador poder explorar metodo- logias que melhor dialoguem diretamente com os educandos ou aprendizes. Sabemos que o que tornam as pessoas dis- tintas são seus estilos individuais, acompa- nhados de sua personalidade (tendência em agir) com experiências especificas do seu histórico de vida. Os estilos de aprendizagem são quatro e po- demos entender como as preferências que uma pessoa adota, compondo assim o que Kolb nomeia como a passagem por “círculo de aprendizagem”, com quatros estágios ou níveis: a) Experiência Concreta (experiência). b) Observação Reflexiva (reflexão). c) Conceituação Abstrata (pensamento). d) Experimentação Ativa (atividade). Sendo esta última a espiral contínua que envolve a constante evolução das experiên- cias. Com o círculo de aprendizagem definem-se quatro tipos de estilos de aprendizagem que são a combinação de dois estilos preferidos, sendo estes: Estilo de Divergência. Estilo de Assimilação. Unidade 7 • Estilos de Aprendizagem de Kolb. O Inventário de Estilos de Aprendizagem de Kolb (ILS)194/241 Estilo de Convergência. Estilo de Acomodação. • Chapman (2008 apud KOLB, 1984) explica que considerando que as pessoas são diferentes, essas natu- ralmente preferem certo estilo sin- gular de aprendizagem e que vários fatores influenciarão a adoção de um estilo preferido de aprendiza- gem experiencial, e sugere a pro- pensão de integrar ou associar dois estilos de aprendizagem, à medida de nosso amadurecimento. Iden- tificando três estágios de desen- volvimento: Aquisição – do nasci- mento à adolescência – desenvol- vimento de habilidades básicas e estruturas cognitivas. • Especialização – escolarização, pri- meiros trabalhos e experiências da idade adulta – o desenvolvimento de um particular estilo de aprendizagem especializada adquirida por fatores sociais, educacionais e socialização organizacional. • Integração – ao longo da meia-idade até ao fim da vida – expressão de es- tilo de aprendizagem não dominante no trabalho e na vida pessoal. O Inventário de Estilos de Aprendizagem, abordado acima, é um autoquestionário com uma série de perguntas a fim de verifi- car como a pessoa que o realiza aprende. As respostas tabuladas pelo teste são posicio- nadas num diagrama que reproduz o ciclo de aprendizagem experiencial, o que per- Unidade 7 • Estilos deAprendizagem de Kolb. O Inventário de Estilos de Aprendizagem de Kolb (ILS)195/241 mite ao indivíduo visualizar seus modos de adaptação preferenciais: SENTIR-PENSAR • Experiência Concreta (sentir) X Con- ceituação Abstrata (pensar) Diz respeito à compreensão da reali- dade. OBSERVAR-FAZER • Observação Reflexiva (observar) X Ex- perimentação Ativa (fazer) X Diz respeito à transformação da reali- dade. Nessa configuração acima, são dois contí- nuos que Kolb (1987) classifica: • Eixo leste-oeste: Contínuo de Pro- cessamento (como nós abordamos uma tarefa). • Eixo norte-sul: Contínuo de Per- cepção (nossa resposta emocional, como nós pensamos ou sentimos a respeito dela). Esses estilos de aprendizagem são a com- binação de duas linhas de eixo contínuos, cada qual formado entre aquilo que Kolb chama modos relacionados dialeticamen- te de “experiência compreensiva” (fazer ou observar) e “experiência transformadora” (sentir ou pensar). Nós internamente deci- dimos se nós desejamos fazer ou observar e, ao mesmo tempo, decidimos pensar ou sentir. Unidade 7 • Estilos de Aprendizagem de Kolb. O Inventário de Estilos de Aprendizagem de Kolb (ILS)196/241 O resultado dessas duas decisões produz o estilo preferido de aprendizagem. Que aponta uma forma de “compreender a realidade ou a experiência”, e define nossa forma de abordagem. E nós escolhemos uma forma de “transformar a realidade ou a experiência” em algo significativo e usável, que define nossa resposta emocional à experiência. Os Estilos de Aprendizagem Fonte: CHAPMAN, Alan. Kolb. Learning Styles, 2008. Unidade 7 • Estilos de Aprendizagem de Kolb. O Inventário de Estilos de Aprendizagem de Kolb (ILS)197/241 Thinking é pensar. Doing é fazer. Watching é observar. Feeling é sentir. Assim, uma pessoa com um determinado estilo de aprendizagem dominante de “fa- zer” melhor que “observar” a tarefa, ou de “sentir” melhor que “pensar” sobre a expe- riência, terá um estilo que combina e repre- senta esses processos, denominado “Aco- modação” na terminologia de Kolb. Para saber mais No trabalho acadêmico de Luiz Antonio Dantas, de título “Aplicação do Teste de Kolb na Análise dos Estilos de Aprendizagem em Ingressantes do Curso de Ciências Contábeis” (Universidade de Sergipe), é possível conhecer outra situação prá- tica de análise das respostas de discentes (gradu- ação) adultos às perguntas do autoquestionário - Inventário de Estilo de Aprendizagem (1993) Disponível em: <https://semanaacademica. org.br/system/files/artigos/artigo_1_0.pdf>. Acesso em: 25 maio 2017. As pessoas têm suas preferências de orien- tação e de como direcionar o campo, seu campo perceptual, suas análises e observa- ções. E, com isso, tendem a uma forma de https://semanaacademica.org.br/system/files/artigos/artigo_1_0.pdf https://semanaacademica.org.br/system/files/artigos/artigo_1_0.pdf Unidade 7 • Estilos de Aprendizagem de Kolb. O Inventário de Estilos de Aprendizagem de Kolb (ILS)198/241 responder às situações, a tomar decisões de acordo com sua personalidade, suas ideias e visão de mundo. Tudo isso influi na postura usualmente adotada. Portanto, é perceptí- vel adotar um ou outro estilo de aprendiza- gem. Sendo um caminho natural, agir e con- duzir-se deste modo, desenvolvendo fami- liaridade e até padrões de comportamento como de pensamento. Se observarmos as características dos estilos citados, percebe- remos que são realmente distintos, e, o fato de adotar um em especial, não representa estar certo ou errado, mas o indivíduo estar na sua melhor expressão, na qual se desta- car melhor. Como vimos, de acordo com os estilos as pessoas se valem de suas preferências e fa- cilidades. O uso estratégico dos recursos de aprendizagem inclui valer-se daquilo que lhe é fácil, ou seja, a forma mais natural de proceder e conduzir-se. Acompanhe na figura a configuração dos estilos: Unidade 7 • Estilos de Aprendizagem de Kolb. O Inventário de Estilos de Aprendizagem de Kolb (ILS)199/241 Estilos de Aprendizagem Fonte: Filatro, Andrea. Estilos de Aprendizagem. ENAP2014/2015. Unidade 7 • Estilos de Aprendizagem de Kolb. O Inventário de Estilos de Aprendizagem de Kolb (ILS)200/241 Derivada deste modelo da Teoria de Estilos de David Kolb surge uma outra classificação conforme aponta Amaral & Barros (2007 apud HONEY & MUMFORD, 1970). Segun- do essa categorização, a aprendizagem e o comportamento humano resultam da inte- ração entre o ambiente, a experiência pré- via vivida pelo aprendiz adulto, e os conhe- cimentos construídos individualmente. En- quanto o Inventário de Kolb só pode ser uti- lizado mediante pagamento de royalties, o questionário de Honey e Mumford (1970) é de livre utilização. Mesmo assim, existe uma forte correlação entre os estilos de Kolb e de Honey e Mumford, como veremos a seguir pela nova classificação, são eles: • Estivo Ativo. • Estilo Reflexivo. • Estilo Pragmático. • Estilo Teórico. Vamos apontar algumas das características de cada estilo (FILATRO, 2014). • Estilo Ativo As pessoas de estilo ativo apreciam novas experiências, têm a mente aberta e são en- tusiasmadas por tarefas novas. Vivem em grupo e se envolvem com os assuntos dos outros. Seus dias são repletos de atividades, assim que terminam uma, já pensam na próxima. Elas gostam de desafios que pos- sibilitam novas experiências, mas não apre- ciam prazos muito longos. Adjetivos que Unidade 7 • Estilos de Aprendizagem de Kolb. O Inventário de Estilos de Aprendizagem de Kolb (ILS)201/241 se aplicam aos representantes deste estilo são: animadores, improvisadores, descobri- dores, abertos ao risco e espontâneos. • Estilo Reflexivo As pessoas do estilo reflexivo gostam de considerar uma experiência de diferentes perspectivas. Costumam reunir dados, ana- lisando-os detalhadamente antes de for- mular uma conclusão. Tendem a ser pruden- tes, gostam de analisar todas as alternati- vas possíveis antes de tomar uma decisão e agir. Também preferem observar a atuação das outras pessoas, em vez de serem ob- servadas. Adjetivos que se aplicam aos re- presentantes deste estilo são: ponderados, conscientes, receptivos e analíticos. • Estilo Pragmático As pessoas do estilo pragmático gostam de colocar as ideias em prática. Descobrem o aspecto positivo das novas ideias e aprovei- tam a primeira oportunidade para experi- mentá-las. Tendem a distanciar-se de teorizações e a demonstrar impaciência com discussões e pessoas extremamente abstratas. São rea- listas quando precisam tomar decisões. Sua filosofia é “sempre é possível fazer algo me- lhor” e “se algo funciona, isso significa que é bom”. Adjetivos que se aplicam aos repre- sentantes deste estilo são: experimentado- res, práticos, diretos, eficazes e realistas. Unidade 7 • Estilos de Aprendizagem de Kolb. O Inventário de Estilos de Aprendizagem de Kolb (ILS)202/241 • Estilo Teórico As pessoas do estilo teórico encaram os problemas de forma lógica. Integrando o que fazem em teorias complexas e coe- rentes. Gostam de analisar e sintetizar. São profundas ao pensar sobre princípios, teo- rias e modelos. Para elas, se é lógico, é bom. Buscam a racionalidade e a objetividade, distanciam-se do subjetivo e do ambíguo, tendendo ao perfeccionismo. Adjetivos que se aplicam aos representantes deste estilo são: metódicos, lógicos, objetivos, críticos e estruturados. Estabelecendo associações entre a Teo- ria de Aprendizagem do Modelo Experien- cial de Kolb e a dos pesquisadores Honey& Mumford, relativo aos estágios do ciclo de treinamento ou desenvolvimento,t eremos a seguinte comparação: Honey e Mumford Kolb Ativista = Acomodação Refletor = Divergência Teórico = Assimilação Pragmático = Convergência Agora observe na nova figura, em associa- ção com o modelo de Honey e Mumford apud Filatro (2014). Unidade 7 • Estilos de Aprendizagem de Kolb. O Inventário de Estilos de Aprendizagem deKolb (ILS)203/241 Estilos de Aprendizagem Fonte: Estilos de Aprendizagem. ENAP2014/2015 Unidade 7 • Estilos de Aprendizagem de Kolb. O Inventário de Estilos de Aprendizagem de Kolb (ILS)204/241 Cabe ressaltar o quanto a Teoria Experien- cial de Kolb é útil ao educador na verificação dos estilos de aprendizagem presentes em situações de aprendizagem, o que Cerquei- ra (2000) comenta: • Cada pessoa é única, pode aprender e tem um estilo de aprendizagem indi- vidual. • Os estilos de aprendizado devem ser conhecidos e respeitados, é uma fun- ção da hereditariedade e experiência, impõem barreiras e limitações. • Os estudantes absorvem conheci- mentos de seus próprios estilos e dos outros. • Os estudantes aprenderão melhor quando forem trabalhadas as prefe- rências em que eles são bem sucedi- dos. • Os estudantes serão mais completos e, portanto, melhores quando pude- rem expandir suas preferências. • Quando o ensino acomodar várias preferências, mais alunos serão bem sucedidos. Link Acesse o link desta rica Tese de Doutorado “Esti- los e estratégias de aprendizagem de estu- dantes universitários” de Lislie Lopes Vidal Silva do Instituto de Psicologia da USP (2012). Disponível em: file:///C:/Users/Luiza/Down- loads/lislie_me%20(1).pdf Acesso em: 26 maio 2017. http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-12092012-161445/publico/lislie_me.pdf http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-12092012-161445/publico/lislie_me.pdf http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-12092012-161445/publico/lislie_me.pdf file:///C:/Users/Luiza/Downloads/lislie_me%20(1).pdf file:///C:/Users/Luiza/Downloads/lislie_me%20(1).pdf Unidade 7 • Estilos de Aprendizagem de Kolb. O Inventário de Estilos de Aprendizagem de Kolb (ILS)205/241 Glossário Assimilação: o estilo assimilador gosta de reunir fatos e organizá-los de forma lógica e integra- da, é mais focado em ideias e conceitos abstratos que em pessoas, e está mais interessado na coerência lógica que na utilidade prática. Suas preferências de aprendizagem incluem: leituras, palestras e exploração de modelos analíticos. Acomodação: aprende principalmente a partir da experiência prática, apreciando desafios e novas experiências, gosta de assumir riscos e de situações em que precisa adaptar-se a mudan- ças, confia mais nos sentimentos que na análise lógica, e mais nas pessoas que em análises téc- nicas. Suas preferências de aprendizagem compreendem trabalhos de campo, atividades prá- ticas e role playings (técnica que se propõe simular, no “como se fosse”, ao desempenhar papéis de uma situação que se deseja rever, analisar). Convergência: busca aplicações práticas para as ideias, aprecia resolver problemas e tomar deci- sões e prefere tarefas técnicas a questões interpessoais. Suas preferências de aprendizagem são: simulações, experiências em laboratório, aplicações claras ao mundo real e testes objetivos. Unidade 7 • Estilos de Aprendizagem de Kolb. O Inventário de Estilos de Aprendizagem de Kolb (ILS)206/241 Glossário Divergência: o estilo divergente encara as situações concretas de diferentes pontos de vista, aprecia a geração de ideias, tem interesse nas pessoas e tende a ser imaginativo e emocional. Suas preferências de aprendizagem incluem: brainstorming (técnica conhecida como tempes- tade de ideias, na qual não há censura para expor aquilo que pensa e várias possibilidades de solução, até que vá se afunilando frente a possibilidades reais), trabalhos em grupo, e feedback (dar uma devolutiva à pessoa a respeito de uma atividade especifica) personalizado. Questão reflexão ? para 207/241 Faça uma pesquisa sobre as autoras Katherine Cook Bri- ggs e Isabel Briggs Myers (1940) que criaram o questio- nário para identificar o “tipo psicológico”: MBTI Myers– Briggs Type Indicator1, que apesar de ser baseado na ti- pologia de Carl Jung, nos interessa em razão de oferecer elementos para estabelecer uma correlação com a Teoria Experiencial de Kolb. 208/241 Considerações Finais (1/2) • As pessoas são diferentes, e parte de suas diferenças são pautadas nas suas experiências pessoais, que são intransferíveis e. com isso, se sentem fami- liarizadas e melhor direcionadas a seguir uma determinada preferência em estilo de aprendizagem. • O modelo de Kolb oferece subsídios para compreender o funcionamento da personalidade (características pessoais que dão representação de identi- dade individual, familiar e social) e da psicometria, ou seja, de que modo podemos medir e mensurar aspectos pessoais a fim de que possamos ve- rificar em que segmentos destaca-se melhor e qual a sua melhor forma de expressar-se. • Ao conhecer o seu próprio processo de desenvolvimento o aprendiz se fa- miliariza com a sua forma de agir e, proporcionalmente, se torna eficiente garantindo soluções com eficácia, por saber o modo como é melhor agir. Isso abrevia tempo, e, confere elementos para o autoconhecimento (saben- do como é melhor realizar as atividades em situações de aprendizagem). 209/241 • Adequar os métodos e práticas de ensino diante do conhecimento dos es- tilos de aprendizagem, favorecendo e otimizando as atividades. Tendo em vista elevar inclusive a motivação dos educadores, que encontram uma sin- cronia de linguagens entre as práticas e os estilos de seus educandos. Os estilos de aprendizagem podem ser bem empregados no ensino de adultos. Considerações Finais (2/2) Unidade 7 • Estilos de Aprendizagem de Kolb. O Inventário de Estilos de Aprendizagem de Kolb (ILS)210/241 Referências AMARAL, S. F.; BARROS, D. M. V. Estilos de aprendizagem no contexto educativo de uso das tec- nologias digitais interativas. In: Simpósio Internacional sobre Novas Competências em Tecno- logias Digitais Interativas na Educação, 1, 2007, São José dos Campos. Disponível em: <https:// edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/813099/mod_resource/content/1/Leitura%20Estilos%20de%20 Aprendizagem.pdf>. Acesso em: 21 maio 2017. CHAPMAN, Alan. Kolb learning styles. Tradução do texto por BATISTA, Gustavo Araújo; SILVA, Márcia R. Luiz. Estilos de Aprendizagem de Kolb. 2008. Disponível em: <www.businessballs.com/kolblearningstyles.htm>. Acesso em: 21 maio 2017. CERQUEIRA, Teresa. Estilos de Aprendizagem em Universitários. Campinas, Tese(Doutorado) — Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2000. FILATRO, Andrea. Estilos de Aprendizagem. Brasília: ENAP, 2014. Disponível em : <http://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/2361/1/ESTILOS_APRENDIZAGEM_ MOD_2.pdf> Acessado em 15 maio 2017. SILVA, Lislie Lopes Vidal. <Estilos e estratégias de aprendizagem de estudantes universitários>. Tese (Doutorado) — Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 125 f.;2012. Disponível em: file:///C:/Users/Luiza/Downloads/lislie_me%20(1).pdfAcesso em: 26 maio 2017. https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/813099/mod_resource/content/1/Leitura%20Estilos%20de%20Aprendizagem.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/813099/mod_resource/content/1/Leitura%20Estilos%20de%20Aprendizagem.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/813099/mod_resource/content/1/Leitura%20Estilos%20de%20Aprendizagem.pdf www.businessballs.com/kolblearningstyles.htm http://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/2361/1/ESTILOS_APRENDIZAGEM_MOD_2.pdf http://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/2361/1/ESTILOS_APRENDIZAGEM_MOD_2.pdf http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-12092012-161445/publico/lislie_me.pdf 211/241 Assista a suas aulas Aula 7 - Tema: Estilos de Aprendizagem de KOLB. Inventário do KOLB. Bloco I Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/856901e5bd17ecaa5c93b28f91c80186>. Aula 7 - Tema: Estilos de Aprendizagem de KOLB. Inventário do KOLB. Bloco II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 0f258badee5d258ee3c4e350989cb2b7>. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/856901e5bd17ecaa5c93b28f91c80186https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/856901e5bd17ecaa5c93b28f91c80186 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/856901e5bd17ecaa5c93b28f91c80186 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/0f258badee5d258ee3c4e350989cb2b7 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/0f258badee5d258ee3c4e350989cb2b7 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/0f258badee5d258ee3c4e350989cb2b7 212/241 1. Assinale a alternativa correta. O foco principal da Teoria Experiencial de David Kolb está: Questão 1 a) Na observação da melhor forma de aprender. b) Na aprendizagem baseada em experiência e que permite evoluir em estágios diferentes. c) No tipo de conclusões ao final de uma tarefa. d) Na capacidade de realizar reflexões. e) Na preferência por determinado estilo de aprendizagem. 213/241 2. Dos quatro estágios que compõem o “ciclo de aprendizagem” proposto por Kolb, aponte a alternativa que os nomeia: Questão 2 a) Pensamento, sentimento, sensação e intuição. b) Introversão, extroversão, percepção das coisas e julgamento dos fatos. c) Experiência, reflexão, pensamento e atividade. d) Sentir, pensar, observar e fazer. e) Ativo, reflexivo, pragmático e teórico. 214/241 3. Sobre o estágio da Teoria de Kolb denominado “pragmático”, aponte a alternativa que melhor o define: Questão 3 a) Gostam de refletir muito e buscam muitas certezas antes de colocar em prática. b) Aproveitam a melhor maneira de colocar em prática suas ideias. c) Distanciam-se de teorizações e apresentam impaciência com discussões e pessoas abstra- tas. d) Discutem com o grupo para chegar a uma conclusão. e) Congregam um misto de saber colocar em prática as ideias e distanciamento das abstrações. 215/241 4. Sobre o estágio da Teoria de Kolb denominado “reflexivo”, aponte a al- ternativa que melhor o define: Questão 4 a) A experiência é abrangente e, para tanto, é necessário verificar os dados antes de formular uma conclusão. b) São prudentes e parcimoniosos, apreciando verificar todas alternativas possíveis antes de agir. c) Preferem observar pessoas a ser observado por elas. d) Optam por um estilo ativo, voltado para a ação constante, pois isso motiva-lhes. e) As alternativas “a”, “b” e “c” juntas expressam o estilo reflexivo. 216/241 5. Sobre o estágio da Teoria de Kolb denominado “teórico”, aponte a alter- nativa que melhor o define: Questão 5 a) Encaram os problemas de forma simbólica e abstrata. b) Embora pretendam adotar uma atitude, buscam inicialmente os pontos desfavoráveis da questão antes de definirem uma conclusão. c) São pouco críticos e mais flexíveis. d) Buscam um método aberto que lhe deem condição de abrir para o debate grupal antes de se posicionar. e) Nenhuma alternativa traduz o que o estilo teórico representa. 217/241 Gabarito 1. Resposta: B. Está pautada na experiência, tanto que o nome utilizado para a Teoria se chama Ex- periencial de Aprendizagem. 2. Resposta: C. Os quatro estágios são: experiência concre- ta; observação reflexiva; conceituação abs- trata e experimentação ativa. Portanto, a alternativa “c” está correta. 3. Resposta: E. As alternativas “a” e “d” são contrárias ao estilo proposto, portanto, a correta é a al- ternativa “e” que considera as alternati- vas “b” e “c” como de fato mostra a carac- terística do estilo pragmático proposto. 4. Resposta: E. As alternativas “a”, “b” e “c” identificam o estilo reflexivo, portanto, a alternativa “e” está correta. 5. Resposta: E. Nenhuma traduz o que o estilo teórico se propõe. 218/241 Unidade 8 Teoria da Mobilidade Cognitiva Estrutural de Reuven Feuerstein. Fatores de Desenvolvimento Cognitivo e Experiência de Aprendizagem Mediada Objetivos 1. Contextualizar a obra de Reuven Feuerstein. 2. Fundamentar a Teoria da Mobilidade Cognitiva Estrutural. 3. Apresentar a Teoria da experiência mediada da aprendizagem. 4. Apresentar o programa de Enriqueci- mento Instrumental. Unidade 8 • Teoria da Mobilidade Cognitiva Estrutural de Reuven Feuerstein. Fatores de Desenvolvimento Cognitivo e Experiência de Aprendizagem Mediada219/241 1. Introdução A Teoria de Reuven Feurstein apresentada por Silvia Zanatta Ros (2002) tem sua rele- vância na visão prospectiva e positiva. Está direcionada para o que o indivíduo pode “vir a ser”, sem a necessidade de definir a pes- soa, seus significados e símbolos adquiridos de forma pontual ou definitiva. A Teoria par- te da premissa de que não somos acabados, mas uma constante transformação, rica em aquisições novas relativas ao conhecimen- to. Mostraremos como esse autor, pesqui- sador e atuante no campo da aprendiza- gem, tem uma visão humanista, partindo de estudos com crianças imigrantes em situ- ação de privação e traumas por condições psicológicas precárias. Tal conjuntura nos leva a considerar que essas crianças não ti- nham condições de se desenvolver, nem de acompanhar o ensino proposto e estabele- cido como o adequado. Porém, a visão do autor contrapõe a ideia de que as crianças, ou mesmo outras pessoas submetidas as mesmas situações, não es- tejam alijadas de aprender ou permanecer defasadas. Principalmente se a comparação for feita em vista da exposição a métodos que procuram de algum modo “enquadrar” pessoas num tipo de resultado esperado. Feuerstein pode comprovar em estudos com essas crianças, por um período de 18 anos, sendo essa sua rica fonte de observa- ções de sua tese de doutorado em 1970. As crianças da pesquisa foram submetidas a testes de inteligência e outros tradicionais, apresentando uma quantificação baixa com relação ao aspecto da capacidade cogniti- Unidade 8 • Teoria da Mobilidade Cognitiva Estrutural de Reuven Feuerstein. Fatores de Desenvolvimento Cognitivo e Experiência de Aprendizagem Mediada220/241 va e demais aspectos. O pensamento domi- nante até então era de que permaneceriam “desfalcadas de acompanhar qualquer pro- cesso de ensino e aprendizagem”, alijadas de fazerem parte da cultura vigente como quem não pertence a ela. Mas seus estu- dos apontaram algo diferente disso, con- trapondo-se a tudo o que pretendia “limitar ou classificar pessoas”. Ou seja, apostando sempre no processo cognitivo que “virá a ser” por meio da condução das mudanças ocorridas no seu desenvolvimento do pro- cesso de ensinar e aprender. Observou que essas crianças, ainda que fossem expostas a tais condições, não representavam que se tornariam ou seriam definidas desta for- ma: “pela sua precariedade ou experiências dolorosas marcantes” em seu desenvolvi- mento pessoal. E que elas têm a chance da transformação em razão da sua mutabilida- de constante e frequente, podendo desen- volver outros níveis de respostas e condutas que as direcionem ao aprendizado de outra forma, que não a tradicional, como o que pode contextualizar em sua obra. Para saber mais No artigo de Beyer há o histórico da vida de Reuven Feuerstein a fim de complementar as informações do texto. Bem como estabelecer uma aproxima- ção teórica com outras influências como Piaget e Vygotsky e a ação psicopedagógica. Disponível em: <https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/ handle/10183/20947/000227617.pdf?se- quence=1>. Acesso em: 29 maio 2017. https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/20947/000227617.pdf?sequence=1 https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/20947/000227617.pdf?sequence=1 https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/20947/000227617.pdf?sequence=1 Unidade 8 • Teoria da Mobilidade Cognitiva Estrutural de Reuven Feuerstein. Fatores de Desenvolvimento Cognitivo e Experiência de Aprendizagem Mediada221/241 2. Teoria da Mobilidade Cogniti- va Estrutural e a Aprendizagem Mediada De acordo com Silvia Zanatta Ros (2002) a Teoria de Mobilidade Cognitiva Estrutural criada por Reuve Feursteinparte do contex- to histórico-social em Israel no período en- tre 1940 e início de 1950, em pleno século XX. Partindo de estudos das avaliações psi- cológicas de crianças, filhos dos imigrantes que vinham do norte da África para Israel que, em situações de privações e condições intelectuais precárias, apresentavam défi- cits na aprendizagem. Apesar de ter nascido na Romênia em 1921, estudou em Bucareste psicologia e peda- gogia, partindo na Segunda Grande Guerra Mundial para Israel, candidatando-se à do- cência, mas acabou seguindo para a Suíça, estudar Psicologia em Genebra, sendo alu- no de Piaget e fazendo parte dos seus cola- boradores. Criou um programa educacional sistemati- zado que serviu de base às suas indagações e estudos sobre mediação, o que deu origem ao termo “aprendizagem mediada” via inte- rações e mediações humanas, cuja concep- ção apontava para o coletivo, e no coletivo; sendo contrário à posição de Piaget, seu grande influenciador. Sua pedagogia tem o foco no sujeito em constantes mudanças, pois é constituído pelas interações sociais que estabelece, sejam essas relações inter- pessoais, bem como as influências externas mais amplas, como fatos que vão definir as influências históricas pelas quais vivencia. Simultaneamente ao passar pelas transfor- Unidade 8 • Teoria da Mobilidade Cognitiva Estrutural de Reuven Feuerstein. Fatores de Desenvolvimento Cognitivo e Experiência de Aprendizagem Mediada222/241 mações, do que vai se tornando, modifica a si próprio face às suas aquisições de conhe- cimento e inserido no seu contexto – que é a base, de onde se extrai a marca da estrutura histórico-cultural de sua teoria, na qualcul- tura e o homem, bem como suas relações sociais, estão intimamente envolvidos. Sendo sua Teoria da Mobilidade Cognitiva Estrutural direcionada para a importância da interação de âmbito social e seus des- dobramentos quanto aos efeitos que pro- duz, o educador é interlocutor na dinâmi- ca do processo de ensino-aprendizagem, compartilhando significados afetivos e in- telectivo-sociais, que geram experiências de aprendizagem mediadas, e que, por sua vez, levam ao seu desenvolvimento. Assu- me caminho oposto às teorias de aprendi- zagem que se centram ora no indivíduo, ora nas influências do contexto social (quanto a problemática que vivenciam). As experi- ências de aprendizagem são mediadas nas interações sociais o que permite que elabo- rem estratégias intelectuais em lidar com as situações, a aprender, bem como formar Link Consulte o artigo: “Interação terapêutica em saú- de mental usando a teoria da aprendizagem me- diada”. Interessante observar que o recurso aten- de a diversos públicos. Neste artigo, em especi- fico, na interação terapeuta com paciente tendo como base a Teoria da Aprendizagem mediada. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/pe/ v14n3/v14n3a06.pdf>. Acesso em: 29 ago. 2017. http://www.scielo.br/pdf/pe/v14n3/v14n3a06.pdf http://www.scielo.br/pdf/pe/v14n3/v14n3a06.pdf Unidade 8 • Teoria da Mobilidade Cognitiva Estrutural de Reuven Feuerstein. Fatores de Desenvolvimento Cognitivo e Experiência de Aprendizagem Mediada223/241 No século XX, a Teoria da Aprendizagem Mediada surge com os constructos das te- orias de privações culturais, que entendiam as deficiências e os fracassos escolares li- gados às classes sociais e às minorias ét- nicas. Feuerstein reage a esse movimento propondo a modificabilidade pelas “intera- ções mediadoras do desenvolvimento hu- mano”. Postulava que, em situações psico- lógicas, sociais e culturais desfavoráveis, as crianças não podem apropriar-se do saber, e isso não quer dizer incapacidade. Preten- dia-se uma pedagogia voltada às potencia- lidades criadas com os sujeitos envolvidos e por meio deles sendo coconstruída. A partir dos estudos com crianças imigran- tes, cria as Estratégias de Avaliação do Poten- cial de Aprendizagem, denominada pela sigla LPAD, antes do seu programa pedagógico, significados e símbolos específicos da vi- vência pessoal, a partir destas interações, cujas constatações não se obteriam de ou- tra forma. Essas diferenças do processo de transformação são individuais e peculiares. Link Acompanhe o artigo “Direito à Inteligência” que trata da entrevista com o educador Reuven Feuers- tein, em visita ao Brasil, para aplicação no ensino público baiano. Seu método revolucionário que afirma que todos são capazes de aprender. Dispo- nível em: <http://www.cdcp.com.br/artigo-di- reito.php>. Acesso em: 29 maio 2017. http://www.cdcp.com.br/artigo-direito.php http://www.cdcp.com.br/artigo-direito.php Unidade 8 • Teoria da Mobilidade Cognitiva Estrutural de Reuven Feuerstein. Fatores de Desenvolvimento Cognitivo e Experiência de Aprendizagem Mediada224/241 surgindo novos entendimentos ligados ao potencial de desenvolvimento do indivíduo. Utilizando o termo “propensity” (“poten- cial”), cuja tradução do inglês para o por- tuguês remete o sentido de propensão ou tendência, atribuído à conotação de “pos- sibilidade de modificabilidade”. Um trabalho voltado para a transformação e desenvol- vimento do potencial do aprendiz, das ten- dências do individuo e de como aflorá-las. Silvia Zanatta Ros (2002) explica o entendi- mento da “modificabilidade” de Feuerstein, aponta que o processo de desenvolvimen- to e aprendizagem compreende a presença do outro como representante da cultura e mediador daquilo que se apropria, seja do conhecimento ou vivência, que lhe desper- tam significados e símbolos. Considera que os objetos materiais são fontes de uma fun- damentação histórica e não uma mera jun- ção de informações e acontecimentos iso- lados, compreendendo que os aspectos da cultura compõem a história do indivíduo e seu contexto social. Sendo capaz, portanto, de existir pelo que é, sem necessariamente estar associado a ser alguém debilitado ou visto pelas limitações. Não acredita em ins- pirações individuais, mas em produções co- Link Leia o artigo publicado na Revista Gestão Educa- cional “O Gestor Mediador” de Novembro de 2005 de David Sasson – colaborador da equipe de Feuers- tein por 25 anos em Israel. Disponível em: <http:// www.cdcp.com.br/artigo-gestor.php>. Aces- so em: 29 maio 2017. http://www.cdcp.com.br/artigo-gestor.php http://www.cdcp.com.br/artigo-gestor.php Unidade 8 • Teoria da Mobilidade Cognitiva Estrutural de Reuven Feuerstein. Fatores de Desenvolvimento Cognitivo e Experiência de Aprendizagem Mediada225/241 letivas do conhecimento enquanto forças criadoras de novas forças diante de mediações com- partilhadas em um coletivo mobilizado por relações sociais adversas, de várias expressões. Estas constituem, portanto, a base para a formulação das hipóteses da modificabilidade, mediadas pela cultura e pelos valores. E que o aprender mediado é: (...) é uma experiência intrapessoal, produzida por relações interpessoais. É uma experiência, não uma confrontação de conhecimentos por transmis- são. O que medeia o indivíduo é o fato de que ele, enquanto sujeito, intera- ge com o outro que é sujeito também. Há uma reciprocidade entre os dois sujeitos, um encontro. (ROS, Silvia Zanatta (2002) apud Reuven Feuerstein em uma comunicação informal em Jerusalém,1996) Após a conclusão da Avaliação do Potencial de Aprendizagem cria uma metodologia o Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI), que instrumentalizou na prática a Teoria da Experiência de Aprendizagem Mediada sendo, portanto, decorrência das suas ideias iniciais mencionadas acerca da Teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural. Sendo assim, acredita que a inteligência é im- previsível e pode ser modificada, tendo em vista que o aprendizado é dinâmico e mutável. Unidade 8 • Teoria da Mobilidade Cognitiva Estrutural de Reuven Feuerstein. Fatores de Desenvolvimento Cognitivo e Experiência de Aprendizagem Mediada226/241 O Programa de Enriquecimento Instrumen- tal – PEI de Feuerstein tende a fazer com que as pessoas em geral (independentementeda sua condição patológica, idade ou sta- tus social) adquiram um melhor desempe- nho cognitivo, mais eficiente e integrado ao ambiente em que estão inseridos, e que Para saber mais Leia o artigo “O envelhecimento, a doença de Alzheimer e as contribuições do Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI)”. Do Cua- dernos de Neuropsicologia (vol.4, no.1, Santia- go, 2010). Disponível em: <http://pepsic.bv- salud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pi- d=S0718-41232010000100003>. Acesso em: 30 maio 2017. possam descobrir maneiras de pensar, de forma ampla, expandindo sua capacidade de aprender. O que o autor intitula de “modificabilidade cognitiva estrutural” tem por finalidade de- senvolver os seguintes pontos: • Corrigir deficiências cognitivas defi- cientes. • Adquirir vocabulário, entender con- ceitos, desenvolver operações e rela- ções relevantes para as tarefas do PEI e resolução de problemas em geral. • Criar motivação intrínseca (interna) por meio da formação de hábitos. • Criar insights e pensamento reflexivo. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0718-41232010000100003 http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0718-41232010000100003 http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0718-41232010000100003 Unidade 8 • Teoria da Mobilidade Cognitiva Estrutural de Reuven Feuerstein. Fatores de Desenvolvimento Cognitivo e Experiência de Aprendizagem Mediada227/241 Este instrumento (PEI) pode ser aplicado aos indivíduos com privação cultural, dificulda- des de aprendizagem e até aos superdota- dos, em casos de reabilitação, na educação de adultos, aprendizagem organizacional e em pacientes com danos cerebrais. Com en- foque e ação sempre no aspecto cognitivo. • Criar motivação intrínseca por meio das tarefas. • Mudar a autopercepção do indivíduo de um ser passivo e reprodutor de con- dutas e formas de pensar; para um ser ativo e que gera novas informações. Link Neste artigo “Qualificando o processo educativo” da pedagoga Sandra Pereira de Arruda você en- contra os objetivos do PEI e juntamente com outro modelo, que o ajudará a refletir e pensar a aplica- ção do instrumento. Disponível em: <http://www. cdcp.com.br/artigo-qualificando.php>. Aces- so em: 29 maio 2017. Link Leia o artigo “Privação cultural e aprendizagem: mediar reafirmando identidades” do professor e pesquisador israelense Alex Kozulin que aborda o Programa de Enriquecimento Instrumental em Escolas Públicas na Bahia e em Israel. Disponível em: <http://www.cdcp.com.br/artigo-priva- cao.php>. Acesso em: 30 maio 2017. http://www.cdcp.com.br/artigo-qualificando.php http://www.cdcp.com.br/artigo-qualificando.php http://www.cdcp.com.br/artigo-privacao.php http://www.cdcp.com.br/artigo-privacao.php Unidade 8 • Teoria da Mobilidade Cognitiva Estrutural de Reuven Feuerstein. Fatores de Desenvolvimento Cognitivo e Experiência de Aprendizagem Mediada228/241 De acordo com Oliveira (2010, p. 39 apud Feuerstein), O “Programa de Enriquecimento Instrumental – (PEI) é um programa de intervenção projetado para aumentar as habilidades cognitivas necessá- rias para o pensamento independente, provocando mudanças dinâmicas nas funções cognitivas essenciais requeridas para o sucesso e ao longo da vida (...)”. E continua, “(...) esta técnica busca afiar o pensamento crítico com os conceito de ha- bilidades, estratégias, operações e atitudes necessárias para a aprendiza- gem independente; diagnosticar e corrigir deficiências nas habilidades de pensamento; e ajudar indivíduos a aprenderem a aprender”. A Teoria de Aprendizagem Mediada de Feuerstein, tem abordagem sócio interacionista com simi- laridades na teoria de Lev Vygotsky, especificamente nos conceitos de zona de desenvolvimento Unidade 8 • Teoria da Mobilidade Cognitiva Estrutural de Reuven Feuerstein. Fatores de Desenvolvimento Cognitivo e Experiência de Aprendizagem Mediada229/241 proximal. Reconhece similaridades, porém, alega que essas ideias surgiram depois de ter elaborado sua teoria. Tem influências de Jean Piaget de quem foi aluno, tendo diver- gência quanto ao tema relacionado a “expo- sição direta aos estímulos” na concepção do desenvolvimento humano, e Feuerstein tem o entendimento de que o indivíduo passa a existir quando concebe o mundo mediado por aspectos culturais. Para saber mais Leia a tradução do artigo que aborda a “Inter-re- lação entre os paradigmas Vygostkinianos e da Experiência de Aprendizagem Mediada (EAM) na capacitação de docentes” do Professor israelense Alex Kozulin. Disponível em: <http://www.cdcp. com.br/artigo-inter.php>. Acesso em: 30 maio 2017. http://www.cdcp.com.br/artigo-inter.php http://www.cdcp.com.br/artigo-inter.php Unidade 8 • Teoria da Mobilidade Cognitiva Estrutural de Reuven Feuerstein. Fatores de Desenvolvimento Cognitivo e Experiência de Aprendizagem Mediada230/241 Glossário Experiência de Aprendizagem Mediada (EAM): se entende uma interação na qual o mediador (os pais, professores, profissionais, por exemplo) situam-se entre o mediado (o outro) e o am- biente (estímulos ou sinais, imagens, objetos, obstáculos, problemas, eventos etc.), de forma a selecionar, mudar, ampliar ou interpretar os estímulos do ambiente, utilizando estratégias inte- rativas que produzam significação para além das necessidades imediatas da situação de apren- dizagem, com o objetivo de proporcionar uma experiência ou vivência que capacite o mediado para novas aprendizagens. Modificabilidade Cognitiva Estrutural (MCE): o principal pressuposto é que o desenvolvimen- to cognitivo de qualquer indivíduo é estruturalmente modificável, uma mudança tanto em ter- mos de respostas nas situações de intervenção, quanto no aumento do emprego de processos metacognitivos importantes na solução de situações-problema em todo e qualquer espaço ou contexto. Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI): criado pelo Professor Reuven Feuerstein e ba- seado na Teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural, desenvolve o participante para mediar processos cognitivos que ampliam a capacidade de seu raciocínio e aprendizagem dos mediados. Questão reflexão ? para 231/241 Faça uma pesquisa a fim de verificar a correlação en- tre as visões de Jean Piaget, que sabemos que Feurstein teve influências significativas, apresentando similari- dades entre as teorias. No entanto, os aspectos que se contrapõem e passaram a ser divergentes ou contrários podem ser pesquisados, e é o que propomos aqui. Pes- quise e verifique em quais desses pontos teóricos as po- sições entre os dois autores se diferenciam. 232/241 Considerações Finais • A aprendizagem é um processo que oferece dimensões histórico-culturais de seu desenvolvimento pelos significados e símbolos que dão representa- tividade ao sujeito. • A Teoria da Mobilidade Cognitiva Estrutural constata as mudanças crescen- tes e frequentes, numa proposta do “vir a ser”. • As experiências de aprendizagem são mediadas nas interações sociais. • O sujeito ou indivíduo é capaz de elaborar estratégias intelectuais para aprender, lidar com as situações e obter significados destas interações. Unidade 8 • Teoria da Mobilidade Cognitiva Estrutural de Reuven Feuerstein. Fatores de Desenvolvimento Cognitivo e Experiência de Aprendizagem Mediada233/241 Referências BEYER, Hugo Otto. O Método Reuven Feuerstein: uma abordagem para o atendimento psicope- dagógico de indivíduos com dificuldades de aprendizagem, portadores ou não de necessidades especiais. Revista Brasileira de Educação Especial. Piracicaba, SP, v. 4, p. 79-89, 1996. CUNHA, Ana Cristina Barros; GUIDORENI, Bárbara Schätchter. Interação Terapêutica em Saúde Mental Usando a Teoria da Aprendizagem Mediada. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 14, n. 3, p. 455-463, jul./set. 2009. OLIVEIRA, Antonia. O envelhecimento, a doença de alzheimer e as contribuições do Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI). Cuad. Neuropsicol.v. 4, n. 1, p. 31-41, Jun. 2010. ROS, Silvia Zanatta. Pedagogia e Mediação em Reuven Feuerstein. São Paulo: Summus Editori- al, 2002. 234/241 Assista a suas aulas Aula 8 - Tema: Teoria da Mobilidade Cognitiva Estrutural de Reuven Feuerstein. Desenvolvi- mento Cognitivo e Experiência de Aprendiza- gem Mediada Reuven Feuerstein. Bloco I Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ c6051e0a37cb5762d3c20ece271c3503>. Aula 8 - Tema: Teoria da Mobilidade Cognitiva Es- trutural de Reuven Feuerstein. Desenvolvimento Cognitivo e Experiência de Aprendizagem Media- da Reuven Feuerstein. Bloco II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/pA- piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/c81a- 58d471b88ce61ef6463f6844de0d>. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/c6051e0a37cb5762d3c20ece271c3503 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/c6051e0a37cb5762d3c20ece271c3503 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/c6051e0a37cb5762d3c20ece271c3503 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/c81a58d471b88ce61ef6463f6844de0d https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/c81a58d471b88ce61ef6463f6844de0d https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/c81a58d471b88ce61ef6463f6844de0d 235/241 1. Em que período surge a Teoria da Mobilidade Cognitiva Estrutural: a) 1970. b) Entre 1940 e início de 1950. c) Século XX. d) Vigente até o presente momento. e) Em pleno século XXI. Questão 1 236/241 2. Qual a nacionalidade do pesquisador Reuven Feuerstein: Questão 2 a) Suíço. b) Romeno. c) Russo. d) Israelense. e) Alemão. 237/241 3. O que significa a menção ao conceito de “modificabilidade” na obra de Feuerstein? Questão 3 a) Que o desenvolvimento cognitivo de qualquer indivíduo é estruturalmente modificável. b) Que é capaz de resolver problemas pelo aumento de processos metacognitivos. c) Que se transforma de forma frequente. d) Que estão envolvidos na ampliação das respostas constantes, sem poder ser definidos de forma restrita e limitada, num processo do “vir a ser” constante. e) As alternativas “a”, “b”, “c” e “d” juntas referem-se ao conceito “modificabilidade”. 238/241 4. O que significa a sigla PEI: Questão 4 a) Planejamento Estrutural Intelectual. b) Programa de Enriquecimento Instrumental. c) Programa de Empoderamento Instrumental. d) Programa de Educação Institucional. e) Plano Estrutural da Inteligência. 239/241 5. A menção ao conceito “mediada” ao referir-se à aprendizagem represen- ta que: Questão 5 a) Obtém significados e símbolos advindos das mudanças cognitivas que ocorrem pelas inte- rações sociais. b) Realiza interações constantes com pessoas em geral de forma restrita tendo em vista uma necessidade. c) As experiências de aprendizagem são mediadas nas interações sociais. d) Elaboram estratégias intelectuais para lidar com as situações. e) São restritas e únicas a sua pessoa. 240/241 Gabarito 1. Resposta: B. Surge no período de final de 1940 e início de 1950. 2. Resposta: B. Nascido na Romênia em 1921. 3. Resposta: E. Todas estão corretas, pois dizem respeito à Teoria. 4. Resposta: B. A alternativa correta é a que menciona: Pro- grama de Enriquecimento Instrumental. 5. Resposta: C. A alternativa “c” é correta em mostrar que o termo “mediada” refere-se às interações sociais que o individuo tem contato.