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DIREITO PROCESSUAL PENAL 
28º CPR 
 
2 
 
Sumário 
1.a. Teoria do processo. Princípios constitucionais do processo penal. .......................................................................................... 4 
1.b. Provas no processo penal: documental e testemunhal. Reconhecimentos (pessoas e coisas). Acareação. Buscas e 
apreensões. Prova pericial. Peritos e intérpretes. ........................................................................................................................... 7 
1.c. Recursos no Processo Penal: Apelação. ................................................................................................................................ 10 
2.a. Sistemas processuais ............................................................................................................................................................. 12 
2.b. Coisa julgada e preclusão. ..................................................................................................................................................... 14 
2.c. Os reflexos do Pacto de São José da Costa Rica no processo penal brasileiro. ................................................................... 16 
3.a. Princípios da Ação Penal ....................................................................................................................................................... 18 
3.b. Indícios e Questões Probatórias. ........................................................................................................................................... 19 
3.c. Recursos no Processo Penal: Embargos de Declaração, Embargos Infringentes e de Nulidade e Embargos de Divergência.
 ...................................................................................................................................................................................................... 20 
4.a. Princípios e questões relativas aos Inquéritos Policiais e Investigações Criminais. ............................................................... 23 
4.b. Procedimentos especiais. ....................................................................................................................................................... 25 
4.c. Revisão criminal ..................................................................................................................................................................... 27 
5.a – Ação Penal: espécie. Denúncia. Queixa. .............................................................................................................................. 29 
5.b – O defensor e o assistente no processo penal brasileiro ....................................................................................................... 32 
5.c – Sigilos bancário e fiscal ........................................................................................................................................................ 34 
6.a Hipóteses e requisitos para arquivamento de inquéritos e investigações criminais. ................................................................ 35 
6.b Medidas assecuratórias ou acautelatórias do CPP e de leis especiais .................................................................................... 37 
6.c Procedimento relativo aos crimes de tráfico ilícito e uso indevido de drogas. .......................................................................... 39 
7.a. Efeitos da condenação. Reparação do dano. ......................................................................................................................... 40 
7.b. Controle externo da atividade policial. .................................................................................................................................... 42 
7.c. Prova no processo penal: princípios e questões gerais. ......................................................................................................... 43 
8.a. Condições da ação e pressupostos processuais. ................................................................................................................... 45 
8.b. Prisões. Espécies, requisitos e cabimento. ............................................................................................................................ 47 
8.c. Habeas Corpus e Mandado de Segurança em matéria penal................................................................................................. 49 
9.a. O Ministério Público no processo penal brasileiro .................................................................................................................. 51 
9.b Medidas cautelares e liberdade provisória no CPP em leis especiais. .................................................................................... 52 
9.c Execução das penas restritivas de direitos: espécies, forma de cumprimento, incidentes. Execução da pena de multa. ........ 54 
10.a. Conflito de atribuições entre Membros do Ministério Público. Declínio de atribuição............................................................ 56 
10.b. Perpetuatio jurisdictionis ....................................................................................................................................................... 58 
10.c: Indulto, graça e anistia. ......................................................................................................................................................... 60 
11.a.Jurisdição e competência. ..................................................................................................................................................... 62 
11. b. Citações, notificações e intimações no CPP e em leis especiais. Cartas: precatória, de ordem e rogatória. ....................... 65 
11.c.Provas ilícitas. ....................................................................................................................................................................... 66 
12.a. Execução penal: objeto e aplicação da Lei de Execução Penal. Direitos e deveres da pessoa presa. Órgãos da execução 
penal. Estabelecimentos penais. ................................................................................................................................................... 68 
12.b. Sentenças e outros atos judiciais. ........................................................................................................................................ 70 
12.c. Nulidades no Processo Penal. Princípios. ............................................................................................................................ 72 
13.a. Competência da JF. ............................................................................................................................................................. 74 
13.b. Transação Penal (TP) .......................................................................................................................................................... 78 
13.c. Execução das penas privativas de liberdade. Regimes, progressão, autorizações de saída, remição, monitoração 
eletrônica. ...................................................................................................................................................................................... 80 
14.a. Questões prejudiciais. Exceções. Conflitos. Incompatibilidades e impedimentos no processo penal. Incidentes de falsidade 
e de insanidade mental. ................................................................................................................................................................ 85 
14.b. Recursos: questões gerais, princípios, pressupostos, requisitos efeitos e espécies............................................................. 87 
14.c. Juizados Especiais Criminais. ..............................................................................................................................................89 
15.a. O Juiz no processo penal brasileiro. Funcionários da Justiça. .............................................................................................. 91 
15.b. Procedimentos relativos aos crimes de competência do Tribunal do Júri ............................................................................. 92 
15.c. Cooperação internacional: espécies e procedimentos. Convenções internacionais contra a corrupção e contra o crime 
organizado. ................................................................................................................................................................................... 94 
16.a. Proteção especial a vítimas e testemunhas. ......................................................................................................................... 96 
16.b. Procedimentos Comum (ordinário, sumário e sumaríssimo) e Especiais. ............................................................................ 98 
16.c. Competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral em matéria penal. ............................................................................ 100 
17.a. Restituição de coisas apreendidas. Perdimento de bens. .................................................................................................. 102 
17.b. Organizações criminosas: conceito. Investigação e meios de obtenção de prova. Lei no 12.850/13 e Lei no 12.694/12. ... 104 
17.c. Atos processuais: lugar, forma de realização, prazos e sanções. ....................................................................................... 106 
18 a. Ação penal originária. Competência, legitimidade, procedimento e requisitos em geral. .................................................... 107 
18. b. Proteção e benefícios legais a réus ou investigados colaboradores. ................................................................................. 109 
18.c. Regulamento Penitenciário Federal. ................................................................................................................................... 110 
19.a. Suspensão Condicinal do Processo ................................................................................................................................... 111 
19.b. Recursos especial, extraordinário e ordinário ..................................................................................................................... 114 
19.c - Procedimento relativo aos crimes de Responsabilidade (Lei nº 1.079/50 e Decreto-Lei nº 201/67). ................................. 116 
20.a. Norma de direito processual penal no tempo e no espaço. Interpretação e integração da lei processual penal. ................ 119 
20.b. Interrogatório do réu, confissão e perguntas. Procedimentos. Ordem da instrução processual. ......................................... 121 
20.c. Recurso em sentido estrito. Agravos. Correição parcial. .................................................................................................... 122 
 
 
3 
 
4 
1.a. Teoria do processo. Princípios constitucionais do processo penal. 
 
Pacelli adota uma noção de Estado Democrático de Direito orientada pela necessidade de reconhecimento e de 
afirmação dos direitos fundamentais, não só como meta política, mas como critério de interpretação do Direito, e, de modo 
especial, do Direito Penal e do Direito Processual Penal. “E isso não só é possível como necessário, na medida em que a 
intervenção penal vem explicitamente admitida no texto constitucional (ver, por exemplo, referência expressa, aos crimes de 
racismo, de tortura, de drogas e entorpecentes, aos crimes hediondos, bem como à garantia processual da ação privada 
subsidiária da pública no caso de inércia do Ministério Público – art. 5º, XLII, XLIII, LIX, CF)” (2014, p. 32). A partir dessa 
noção, defende que a tutela penal deve ser dirigida à proteção dos direitos fundamentais no marco do Direito Penal de 
Intervenção Mínima, tendo como postulados de interpretação constitucional a máxima efetividade dos direitos fundamentais 
e a proibição de excesso (desdobramentos do princípio da proporcionalidade sistematizados pelo direito alemão). Para o 
autor, os postulados são abstrações deduzidas do sistema dos direitos fundamentais que configuram a base do nosso 
ordenamento, como métodos de interpretação e aplicação das normas jurídicas; já os princípios, tais como as regras, são 
normas jurídicas implícita ou explicitamente positivadas nos textos constitucionais ou legais, cuja correta interpretação só 
pode ser alcançada se em consonância com os postulados (2014, p. 32-33). Como o CPP é um Decreto-lei (3.689/41) que 
tem nítida inspiração fascista, imperioso proceder à sua ressignificação à luz dos princípios da CRFB/88. Natureza jurídica 
dos princípios: normas jurídicas (pós-positivismo/ neoconstitucionalismo). Para Pacelli, os princípios se apresentam como 
normas fundantes do sistema processual, sem os quais não se cumpriria a tarefa de proteção dos direitos fundamentais, 
visto que o Direito Processual Penal é essencialmente de fundo constitucional (2010, p. 37). 
Princípio do devido processo legal (art. 5°, LIV, CRFB/88): a) procedimental ou formal: a pretensão punitiva 
deve perfazer-se dentro de um procedimento regular, perante autoridade competente, tendo como alicerce provas 
validamente colhidas, respeitando-se o princípio do contraditório e da ampla defesa; b) material: obediência à razoabilidade 
(STF, HC nº 45.232), se divide em duas vertentes: I) negativa (proibição do excesso): essa restrição é adequada a alcançar 
o fim desejado (adequação)? A restrição é menos gravosa (necessidade)?; o valor protegido é mais importante que o 
restringido (proporcionalidade em sentido estrito?; e II) positiva (dever de proteção ou “proibição de proteção insuficiência – 
STF: RE nº 418.376 e ADI 3112): a Constituição prevê, como forma de proteger os cidadãos, alguns mandados de 
criminalização; o Estado não é mais inimigo, mas antropologicamente um amigo. O Direito Penal é locus propício de proteção 
aos Direitos Fundamentais. Conferir STF, HC nº 104.410/RS, (descriminalização do crime de porte de arma desmuniciada x 
Princípio da proibição de proteção insuficiente). Garantismo integral x Garantismo penal hiperbólico monocular: interesse 
particular e persecução penal por meio da proporcionalidade (Douglas Fischer). 
Princípio acusatório: consiste a divisão das funções de acusar, defender e julgar entre diferentes órgãos. Opõe-
se ao Princípio inquisitório, em que há a concentração de duas ou mais dessas funções nas mãos do mesmo órgão. No 
Brasil, há o predomínio do Princípio acusatório (art. 129, I e art. 5°, LIII, CRFB/88 – conferir ADI 1570/2004), porém com 
algumas mitigações. O art. 40, CPP, deve ser analisado sob a luz deste princípio e do da independência funcional do MP 
(art. 127, §1º, CRFB/88), no sentido de que a atuação do MP não está vinculada à análise do magistrado. DOUGLAS 
FISHCER (O SISTEMA ACUSATÓRIO BRASILEIRO À LUZ DA CF/1988 E O PL 156): o “sistema acusatório se 
caracteriza por contar com dois elementos fixos, que são: o princípio acusatório e o fato de que somente o 
oferecimento da acusação é que permite o início de seu processo. Os demais elementos invocados pela doutrina (p. 
ex., os princípios da oralidade, contraditório, publicidade e igualdade de armas) são elementos variáves desse sistema [...]”. 
Não há nenhum óbice de que exista a coincidência e concentração na mesma figura dos poderes de investigação e de 
acusação. A contrario sensu, esta circunstância de aglutinação de papéis não importará em qualquer desvirtualmento do 
sistema acusatório.[...] Desde já deixamos expresso e claro que, segundo nossa leitura, não há previsão expressa na 
Constituição Federal de 1988 de que o sistema adotado no Brasil seria o acusatório. Mas tal circunstância não impede 
que, a partir da compreensão (aberta e sistêmica)dos princípios, regras e valores insertos na Carta dirigente, possa ser 
extraída conclusão que o nosso sistema se pauta pelo princípio acusatório. Com efeito, nos termos do art. 129, I, CF, 
compete ao Ministério Público promover, privativamente, a ação penal pública. Portanto, o titular da ação penal 
(ressalvado os casos específicos), de regra, é o parquet. E a função de julgar pertence ao Judiciário, observado o 
princípio (fundamental) do juiz natural. 
Princípio da igualdade ou da “paridade de armas”: corolário do devido processo legal, consiste na concessão 
de tratamento isonômico às partes no curso do processo. A igualdade deve ser analisada no aspecto material (“tratar os 
desiguais desigualmente, na medida de suas desigualdades”). DOUGLAS FISHCER (O SISTEMA ACUSATÓRIO 
BRASILEIRO À LUZ DA CF/1988 E O PL 156): a imparcialidade do julgador (fundamental para a manutenção da paridade 
de armas) deve ser vista como (e unicamente) um meio de impedir que o juízo adote uma postura acusatória no sentido de 
ele, sem qualquer iniciativa do titular da ação penal, atue de forma substitutiva na produção da prova que entenda deva ser 
feita. Numa síntese, compreendemos haver vedação ao Juiz de iniciativa judicial de produção de prova na fase 
investigatória, mas não visualizamos qualquer incompatibilidade para que, inclusive de ofício, e sempre 
excepcionalmente, determine diligência probatória para o fim (único) de esclarecer dúvidas sobre a prova já 
produzida pelas partes. 
Princípio do juiz natural: Origem: direito anglo-saxão, ligado à proibição de criação de tribunal de exceção; já o 
direito norte-americano acrescentou a exigência de regra de competência previamente estabelecida ao fato. O Direito 
brasileiro adota o princípio em suas duas vertentes fundamentais: a) vedação ao tribunal de exceção (CRFB/88, art. 5º, 
XXXVII); e b) competência para julgamento atribuída pela Constituição (em razão da matéria e em razão da prerrogativa de 
função – ex.: art. 5º, XXXVIII, “d” e art. 52, I). 
Juiz legal: conforme definido em lei. STF (HC nº 91.253): a criação de varas especializadas não fere o principio 
do juiz natural. STJ (HC nº 109.456 – mudança de entendimento) /STF (RE nº 597.133/RS, Repercussão Geral): o julgamento 
por Colegiado integrado, em sua maioria, por magistrados de primeiro grau convocados não viola o princípio do juiz natural 
nem o duplo grau de jurisdição, já que o recurso se dirige ao Tribunal e não aos juízes/desembargadores que nele estejam 
atuando. Também pode contemplar a obrigatoriedade do Juiz Imparcial. Identidade física do juiz no Processo Penal: presente 
no Júri e agora, como regra, para todos os processos criminais (art. 399, §2°, CPP c/c art. 132, CPC). 
5 
Princípio do promotor natural: significa a vedação à designação arbitrária de membros do MP, pela Chefia da 
Instituição, para patrocinar causas específicas. Tem havido uma oscilação jurisprudencial sobre a matéria. STJ: não é 
simétrico como o juiz natural, diz respeito a indicações manipuladoras feitas pelo Procurador-Geral (com viés político ou de 
forma oportunista). STF: há precedente contrário (RE nº 387.974), mas há vários outros em que reconhece a sua existência 
(leading case: HC nº 67.759). O princípio do promotor natural deve ser um reforço ao principio da inamovibilidade e 
independência funcional (MAZZILLI, p. 33). 
Defensor Natural: A ideia de defensor natural consiste na vedação de nomeação de defensor diverso daquele 
defensor público que tem atribuição legal para atuar na causa. Vedam-se a nomeação de defensor dativo pelo juiz e 
designações arbitrárias do Defensor Público Geral (TÁVORA, p. 60-61). 
Contraditório: Art. 5º, LV, CRFB/88. Garantia de participação informada (debater toda matéria decidida em juízo) 
= informação de qualquer fato contrário ao interesse da parte + possibilidade de participação ou reação + paridade de armas, 
ou que a oportunidade da resposta possa ser dada na mesma intensidade e extensão (aspecto substancial, Elio Fazzalari). 
Ex. Súmula STF nº 707. DOUGLAS FISHCER (O SISTEMA ACUSATÓRIO BRASILEIRO À LUZ DA CF/1988 E O PL 156): 
É importante sobremaneira assentar que há diferenças fundamentais entre o princípio da ampla defesa (do que aqui se fala) 
com o do contraditório (possibilidade franqueada às partes em contraditar os argumentos e provas trazidas pela que se 
apresenta em pólo adverso). 
Ampla defesa: Art. 5º, LV, CRFB/88. Consiste na garantia de utilização pela defesa de todos os meios admitidos 
em direito para provar suas alegações. Constitui-se em defesa técnica (efetuada por profissional) e autodefesa (realizada 
pelo próprio imputado – direito de ser ouvido em audiência e direito de presença aos atos), aspectos que se complementam 
(RE nº 602.543-RG-QO). Ex. súmulas STF nº 523, 705 e 707. Não basta a possibilidade em abstrato de uso de todos os 
meios de defesa pelo acusado – a defesa tem que ser efetiva (ver observação sobre o aspecto substancial do contraditório). 
DOUGLAS FISHCER - SV14: É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova 
que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam 
respeito ao exercício do direito de defesa. A súmula era desnecessária, pois o artigo 7º, inciso XIII, do Estatuo da OAB, já 
disciplinava satisfatoriamente a matéria. Ainda, o teor da súmula é restritivo, pois limitas-se a inquéritos, quando na verdade 
o direito se estende a qualquer tipo de procedimento investigatório de responsabilidade de qualquer autoridade, em atenção 
à ampla defesa (e não ao contraditório). 
Inocência presumida (“In dubio pro Reo” e “Favor Rei”): Tem três aspectos: a) quanto à prova: ônus da prova 
do fato e autoria é da acusação (Pacelli entende que as excludentes de ilicitude e culpabilidade devem ser provadas pelo 
réu); b) quanto ao tratamento: o réu, em nenhum momento do iter persecutório, pode sofrer restrições pessoais fundadas 
exclusivamente na possibilidade de condenação – parcimônia no manejo da prisão processual e do indiciamento do 
investigado – desconsideração de processo em que não haja condenação definitiva para fins civis; c) quanto à restrição da 
liberdade: não há prisão cautelar obrigatória – vedação de execução provisória da pena antes do trânsito em julgado da 
sentença condenatória. 
Direito ao silêncio e não autoincriminação (“Nemo tenetur se detegere”): origem histórica no direito anglo-
saxão. Permite que o acusado permaneça em silêncio durante toda investigação e em juízo e impede que ele seja compelido 
a produzir ou contribuir com a prova contrária ao seu interesse (art. 5°, LXIII, CRFB/88). Extensão e limites no direito 
brasileiro: o interrogatório como meio de defesa (STF: HC 94.016) – a mera recusa de manifestação por parte do paciente 
não pode ser interpretada em seu desfavor para fins de decretação de prisão preventiva (STF: HC nº 91.514); proteção 
contra o interrogatório sub-reptício; proteção contra a mentira em interrogatório – permite o réu selecionar as perguntas que 
vai responder; não protege contra elementos de prova real que se tenha tornado, por livre vontade do sujeito passivo, rei 
derelictae (ex.: é possível fazer DNA a partir de copo jogado no lixo). O STF/STJ entendem que o uso de documento falso 
não está abrangido pela não autoincriminação, configurando-se, assim, o crime do artigo 304 CP (STF: HC nº 1.003.314/MS, 
HC 111706/SP; STJ: AgRg no REsp 1369983/RS, HC 176405/RO). A vedação à autoincriminação não pode ser oposta em 
relação à identificação falsa do acusado, hipótese em que poderá responder pelo crime de identidade falsa (STF, RE 
640.139; STJ, HC 151.866; Súmula 522-STJ: A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é 
típica, ainda que em situação de alegada autodefesa.). Em suma, tanto o STF como o STJ entendem que a alegação 
de autodefesa não servepara descaracterizar a prática dos delitos do art. 304 ou do art. 307 do CP. “Direito de mentir”: 
bastante polêmico. Há doutrinadores que defendem que, por conta do direito ao silêncio, o acusado teria direito de mentir 
em juízo; para outros doutrinadores, há apenas a inexigibilidade da verdade, pois, no Brasil, o perjúrio (mentira contada pelo 
acusado) não é tipificado – contudo, se a mentira do acusado incriminar terceiro inocente, deverá responder pelo crime 
denunciação caluniosa. Também é crime a conduta de acusar-se, perante a autoridade, de crime inexistente ou praticado 
por outrem, nos termos do art. 341 do CP – crime de autoacusação falsa – (Renato Brasileiro, 2014, p. 81). DOUGLAS 
FISHCER: não se admite a condução coercitiva do réu para fins de interrogatório, pois, se ele pode se recusar a 
depor, pode, também, deixar de comparecer. Todavia, para o ato de reconhecimento (artigo 226 do CPP), o réu pode 
ser conduzido coercitivamente, sendo que não há que se falar, com isso, em ofensa ao direito ao silêncio 
(Comentários, página 462). De acordo com Pacelli e Fischer, “para o ato de reconhecimento, se o acusado, regularmente 
intimado, não comparecer, poderá ele ser conduzido coercitivamente, para que a testemunha ou testemunhas (e o ofendido) 
façam – ou não – a identificação de autoria do delito” (p. 433), inexistindo qualquer ofensa ao chamado direito ao silêncio. 
Vedação de revisão pro societate: impede que alguém possa ser julgado mais de uma vez pelo mesmo fato do 
qual já tenha sido absolvido, por decisão passada em julgado. Consagrado no Pacto do São José da Costa Rica (art. 8.4). 
STF: não se aplica o princípio no caso de extinção de punibilidade baseada em certidão falsa de óbito, podendo ser retomado 
o processo (HC nº 84.525). Arquivamento (por atipicidade) proferido por juiz absolutamente incompetente faz coisa julgada 
material (HC nº 83.346). 
Proibição de prova ilícita (art. 157, CPP): Prova ilícita: violação do direito material. Prova ilegítima: violação do 
direito processual. Fonte independente: a prova é ilícita por derivação, mas, se for possível chegar ao mesmo resultado por 
outra fonte de prova, não haverá qualquer ilicitude (STF: HC nº 83.921). Descoberta inevitável: por juízo de probabilidade, 
se demonstrada que a prova seria descoberta independentemente da prática de ato ilícito/ilegítimo (não é considerada ilícita. 
STJ: HC nº 52.995). STF: admite a utilização de provas ilícitas/ilegítimas no processo penal em caráter excepcional e 
6 
exclusivamente em favor da defesa, após efetuada a ponderação de interesses com outros princípios constitucionais (ex.: 
dignidade da pessoa humana). 
Princípio da demanda: Correlação entre acusação e sentença – impossibilidade de o juiz imputar ao réu, de 
ofício, fatos não descritos na peça acusatória. Fundamenta o instituto da mutatio libelli. O STF admite que o MP pode re-
denunciar um acusado por outros fatos ocorridos no mesmo contexto, ao argumento de que “a ofensa à coisa julgada exige 
a identidade de causa, caracterizada pela identidade do fato, sendo que esta não se verifica no caso de alteração de um dos 
elementos que o constitui (tempo, lugar, conduta imputada ao agente)” (HC nº 82.980). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
1.b. Provas no processo penal: documental e testemunhal. Reconhecimentos (pessoas e 
coisas). Acareação. Buscas e apreensões. Prova pericial. Peritos e intérpretes. 
 
Prova Documental: Segundo Nucci, documento é toda base materialmente disposta a concentrar e expressar 
um pensamento, uma ideia ou qualquer manifestação de vontade do ser humano, que sirva para expressar um fato 
juridicamente relevante. Segundo PACELLI, a sua característica principal é a originalidade – daí consideram-se prova 
documental não somente os escritos, mas também as provas fotográficas, cinematográficas e desenhos (p. 428-429). 
Classificações de documentos: a) quanto à origem: a.1. Públicos ou oficiais; a.2. Particulares ou privados. b) quanto à forma: 
b.1. Originais; b.2. Cópias. O parágrafo único do art. 232 do CPP assenta que à fotografia do documento devidamente 
autenticada, se dará o mesmo valor do original. Nessa linha, o STF já decidiu que a fotocópia autenticada de cheque 
tem o valor de corpo de delito. OBS: Depoimentos prestados em cartório por terceiros sobre um fato criminoso que 
tenha presenciado não são prova documental, e sim testemunhal! OBS: Pareceres opinativos não se equiparam a 
documentos públicos, não havendo necessidade sequer de abertura de vista para a parte contrária (STF, RHC nº 
94.350/SC). 
A valoração dos documentos é feita quanto a dois aspectos: a) verdade ou veracidade dos fatos representados 
ou comunicados (em relação ao conteúdo); b) autenticidade (em relação à forma). A produção do documento pode ser 
espontânea ou provocada (art. 234, CPP). Momento da produção: em regra, a qualquer momento (princípio da liberdade 
probatória), inclusive por requisição do juiz da causa (art. 156, II, CPP). Exceção: art. 479, CPP – proibição de utilização de 
documento em plenário do Júri que não tiver sido comunicado à parte contrária com antecedência, pelo menos, de 03 dias. 
Prova Testemunhal: Testemunha é todo indivíduo estranho ao feito (não é vítima nem o acusado) e equidistante 
das partes, chamado ao processo para falar sobre fatos perceptíveis a seus sentidos e relativos ao objeto do litígio. 
Características: (a) Judicialidade – em regra, deve ser produzida em juízo, durante a audiência de instrução e julgamento, 
logo após o depoimento do ofendido (art. 400, CPP). Cuidado! Regras especiais de oitiva de testemunhas: (1) o depoimento 
da testemunha residente em outro foro será tomado por meio de carta precatória, rogatória ou de ordem; (2) as pessoas 
impossibilitadas de comparecerem por motivo de enfermidade ou doença serão ouvidas onde estiverem (art. 220, CPP); (3) 
a testemunha presa poderá ser interrogada por meio de videoconferência (art. 185, §8º, CPP c/c Lei nº 11.900/09); (4) as 
pessoas elencadas no art. 221, CPP, têm a prerrogativa de ajustarem previamente com o juiz dia, hora e local para a colheita 
do testemunho. Súmula STF nº 155: “É relativa a nulidade do processo criminal por falta de intimação da expedição de 
precatória para inquirição de testemunha.” (b) Oralidade – em regra, deve ser colhida verbalmente em contato direto com 
o juiz e as partes (art. 204, CPP); possibilidade de certas autoridades prestarem depoimento por escrito. (c) Objetividade – 
o depoimento deve versar sobre os fatos, sem juízo valorativo. (d) Retrospectividade – o objeto do testemunho são fatos 
passados. (e) Imediação – a testemunha deve narrar aquilo que captou imediatamente por meio dos sentidos; (f) 
Individualidade – cada testemunha presta seu depoimento isolada da outra. Espécies de testemunhas: (1) Numerárias; 
(2) Extranumerárias (ouvidas por iniciativa do juiz (art. 209, CPP), referidas, informantes etc.); (3) Próprias; (4) 
Impróprias (instrumentais ou fedatárias); (5) Diretas (“de visu”); (6) Indiretas (“de auditu”); (7) Laudatórias ou de 
antecedentes; (8) Testemunha da coroa ou infiltração (agente infiltrado – Leis nº 9.034/95 e 11.343/06). Quantidade de 
testemunhas (número fixado por fato delituoso): - Procedimento comum ordinário: 08; - Procedimento comum sumário: 05; 
- Procedimento comum sumaríssimo (JECRIM): a Lei nº 9.099/95 é omissa; a doutrina sugere 03; - Procedimento do Júri: 
08, na primeira fase; 05, na segunda fase. Em regra, todas as pessoas podem ser testemunhas (art. 202, CPP), inclusive 
menores, incapazes, crianças, silvícolas, policiais, juízes, promotores, etc. Exceção: Estão proibidas de depor as pessoas 
que em razão de função (ocupação de natureza pública), ministério (encargo de natureza religiosa ou social), ofício (atividade 
manual) ou profissão (atividade predominantemente intelectual) devam guardarsegredo, salvo se, desobrigadas pela 
parte interessada e não proibidas por regulamentação pertinente, quiserem dar seu testemunho (art. 207, CPP). OBS: 
Corréu não pode ser testemunha no mesmo processo em que foi processado! O (cor)réu fala no momento do interrogatório 
e goza da garantia da vedação à autoincriminação (art. 5°, LXIII, CRFB/88). Forma de inquirição das testemunhas – 
Sistema do Cross examination. Após a reforma processual de 2008, empreendidas pela Lei nº 11.690/08, a forma de 
inquirição das testemunhas passou a ser feita diretamente pelas partes, primeiramente, por quem a tiver arrolado como 
testemunha, em seguida, pela parte ex adversa, e, por último, pelo juiz que presidir a instrução, o qual, diante do exame 
direto e cruzado das perguntas feitas pelas partes, formulará perguntas às testemunhas sobre pontos não esclarecidos, 
complementando a inquirição (Brasileiro, p. 665). Prova oral MPF: 13. O que é documento? 14. Qual é a oportunidade 
em que se pode juntar documento aos autos? 15. A juntada de documento (extrato bancário) encaminhando pelo 
Ministério Público dos EUA, por meio do contato direto, sem tradução, causa nulidade ou anulabilidade? 16. Fale 
sobre a evolução do sistema probatório brasileiro no que tange à oitiva de testemunhas. 
O reconhecimento de pessoas e coisas é o procedimento tendente à identificação de pessoas, de alguma 
maneira envolvidas no fato delituoso, e de coisas, cuja prova da existência e individualização seja relevante para a apuração 
das responsabilidades. STJ: 3. "A inobservância das formalidades do reconhecimento pessoal não configura nulidade, 
notadamente quando realizado com segurança em juízo, sob o crivo do contraditório, e a sentença vem amparada em outros 
elementos de prova." (HC 109048 / SP); “2. Ainda que não observado totalmente o disposto no artigo 226 do Código de 
Processo Penal, não há se falar em nulidade, haja vista não se ter demonstrado eventual prejuízo, o qual nem ao menos se 
pode presumir, diante da existência de outras provas da autoria, devidamente judicializadas.” (AgRg no REsp 1063031 / 
PR). De acordo com Pacelli e Fischer, “para o ato de reconhecimento, se o acusado, regularmente intimado, não 
comparecer, poderá ele ser conduzido coercitivamente, para que a testemunha ou testemunhas (e o ofendido) façam 
– ou não – a identificação de autoria do delito” (p. 433), inexistindo qualquer ofensa ao chamado direito ao silêncio. 
O art. 226 do CPP só descreve o reconhecimento ao vivo, não prevendo o fotográfico (reconhecimento indireto) – 
considerado prova inominada –, o qual, segundo Nucci, deve ser admitido com cautela, com a igual observância do 
disposto no art. 226, I, II e IV, do CPP (p. 505). Retrato falado é meio de investigação, não de reconhecimento. O 
reconhecimento de imagens e vozes, segundo Nucci, “não ingressa no contexto do art. 226 do CPP, pois inexiste a previsão 
de quais as formalidades a observar. Por isso, havendo necessidade de ser realizado o reconhecimento de alguma imagem 
8 
ou de voz, existirão duas possibilidades: a) prova pericial (o exame será feito por especialista e transformar-se-á em laudo); 
b) prova testemunhal (a testemunha fornece a sua impressão à autoridade competente)” (p. 505). 
A acareação é meio de prova pelo qual se confrontam pessoas que prestaram depoimentos divergentes sobre 
fatos relevantes em suas declarações. Como bem observam Pacelli, e Fischer, “O procedimento de acareação insere-se 
com desdobramento da prova testemunhal e das declarações do ofendido. Não constitui meio autônomo de prova, mas mera 
diligência tendente ao esclarecimento de depoimentos em direções diferentes ou de distintas versões sobre o mesmo fato. 
A acareação pode se dar entre: acusados; acusado e testemunha; testemunhas; acusado ou testemunha e a pessoa 
ofendida; pessoas ofendidas. Pacelli critica a acareação dizendo que “é o típico procedimento de índole intimidatória. Quanto 
ao direito a não auto-incriminação (nemo tenetur se detegere), previsto no CIDH, o STF esclareceu recentemente 
que se restringe apenas à garantia de não ser coagido, moral ou fisicamente, a produzir provas contra si. A acareação 
pode ser feita imediatamente após os testemunhos. No caso de acareação entre testemunhas ausentes, segue-se o disposto 
no artigo 230 do CPP. A doutrina chama a hipótese do artigo 230 do CPP de confronto. 
Prova pericial é uma prova técnica, na medida em que pretende certificar a existência de fatos cuja certeza, 
segundo a lei, somente seria possível a partir de conhecimentos específicos. Perícia é o exame realizado em pessoa ou 
coisa para comprovação de fatos, por quem tem conhecimento técnico, científico ou artístico adequado, seja por falta destes 
conhecimentos pelo julgador, seja por exigência legal. A partir da Lei 11.690/2008, a perícia poderá ser realizada por 
apenas um perito oficial, portador de diploma de curso superior, salvo quando o objeto a ser periciado exigir o 
conhecimento técnico em mais de uma área de conhecimento específico. Na ausência de perito oficial na comarca, 
o exame será realizado por duas pessoas idôneas portadoras de diploma oficial. Indicação de assistente de acusação: 
art. 159, §§ 3º e 4º. Tal dispositivo menciona “ofendido” e “assistente de acusação”, portanto, pode-se concluir que “o 
ofendido, mesmo que não habilitado como assistente, poderá requerer a admissão de assistentes técnicos” (questão 116 da 
prova obj. 25CPR) (Pacelli, p. 422). Corpo de delito é o conjunto de elementos sensíveis deixados pelo crime, isto é, todas 
aquelas alterações perceptíveis no mundo fenomênico e derivadas da ocorrência do delito que, de alguma forma, comprovam 
a existência do fato. O exame de corpo de delito é a análise feita pelo perito nestes elementos e o laudo de exame de 
corpo de delito é a peça técnica em que ele descreve os vestígios e suas conclusões técnicas. Espécies: i) direto – é 
realizado pelo perito diretamente sobre o objeto material do crime (o corpo de delito); ii) indireto – é realizado por perito 
sobre dados ou vestígios paralelos (ex: ficha médica). 5. Segundo Pacelli, a regra do art. 167 do CPP não é espécie de 
exame de corpo de delito indireto, mas prova exclusivamente testemunhal (art. 167: “não sendo possível o exame de corpo 
de delito, pelo desaparecimento de vestígios, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta”.). A confissão não supre a 
ausência do exame de corpo de delito, quando a infração deixar vestígios (CPP, art. 158). 
BUSCAS E APREENSÕES: Trata-se de medida eminentemente cautelar, para acautelamento de material 
probatório, de coisa, de animais e até de pessoas, que não estejam ao alcance, espontâneo, da Justiça. Não é 
necessariamente um meio de prova, mas sim um instrumento, que tanto pode servir para coleta de material probatório, 
quanto para acautelamento de outros bens jurídicos. A medida cautelar exige a presença dos requisitos do fumus boni 
iures (ou, ainda, do fumus comissi delicti) e do periculum in mora para a sua determinação. A busca poderá ser domiciliar 
ou pessoal. Busca domiciliar: é realizada em residência, bem como em qualquer compartimento habitado, ou aposento 
ocupado de habitação coletiva ou em compartimento não aberto ao público, no qual alguém exerce profissão ou atividade, 
nos termos do art. 246 do CPP. Todos esses locais, bem como em quartos de hotéis, motéis ou equivalentes, quando 
habitados, encontram-se incluídos e protegidos pela cláusula constitucional da inviolabilidade de domicílio (art. 5º, XII). O 
automóvel (assim como outros veículos, ou aeronaves) não se inclui na definição legal de domicílio, a não ser quando 
estiver no interior deste. Requisitos: a) ordem judicial escrita e fundamentada (reserva de jurisdição! – CPIs não 
podem); b) indicação precisa do local, dos motivos e da finalidade da diligência (art. 243, CPP); c) cumprimento da 
diligência durante o dia, salvo se consentida ànoite, pelo morador; d) o uso da força e o arrombamento somente serão 
possíveis em caso de desobediência, ou em caso de ausência do morador ou de qualquer pessoa no local (art. 245,§§3º e 
4º). O mandado de busca domiciliar deve compreender todas as acessões existentes no imóvel alvo da busca, sob 
pena de se frustrarem seus fins. 2. É admissível a apreensão de bens em poder de terceiro, morador do mesmo 
imóvel em que reside o investigado, quando interessarem às investigações, máxime diante de indícios de um 
liame entre ambos (STF, 1ª Turma, Dias Tóffoli, 30.09.2014). Escritório de Advocacia: não será permitida a apreensão 
de documento em poder do defensor do acusado, salvo quando constituir elemento do corpo de delito. STJ, HC 
149.008-PR, DJe 9/8/2010: “os documentos, as mídias e os objetos pertencentes a clientes do advogado averiguado, bem 
como dos demais instrumentos de trabalho que contenham informações sobre clientes somente poderão ser utilizados 
caso ele esteja sendo formalmente investigado como partícipe ou coautor pela prática do mesmo crime que deu causa à 
quebra de inviolabilidade (§ 7º do art. 7º da Lei n. 8.906/1994)”. É lícita a apreensão, em escritório de advocacia, de 
drogas e de arma de fogo, em tese pertencentes a advogado, na hipótese em que outro advogado tenha 
presenciado o cumprimento da diligência por solicitação dos policiais, ainda que o mandado de busca e 
apreensão tenha sido expedido para apreender arma de fogo supostamente pertencente a estagiário do escritório 
– e não ao advogado – e mesmo que no referido mandado não haja expressa indicação de representante da OAB 
local para o acompanhamento da diligência. STJ. 5ª Turma. RHC 39.412-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 
3/3/2015 (Info 557- Q 107, I, DO 28ºCPR). Já a busca pessoal não depende de autorização judicial, ainda que se possa 
constatar, em certa medida, uma violação à intangibilidade do direito à intimidade e à privacidade, previstos no art. 5º, X, 
da CF. (Pacelli, p. 433). Fischer e Pacelli defendem a constitucionalidade da regra em face da ponderação, assim como é 
possível a violação do domicílio quando haja situações urgentes (art. 5º, X, da CF). Encontro fortuito de provas: ocorre 
quando a prova de determinada infração penal é obtida a partir da busca regularmente autorizada para a investigação de 
outro crime. Entretanto, a teoria tem limites, conforme exemplo do Pacelli (p. 363): em investigação de crime contra a 
fauna, o mandado judicial de busca e apreensão deve exclusivamente a busca de animais silvestres (art. 243, II, CPP); O 
fato de elementos indiciários acerca da prática de crime surgirem no decorrer da execução de medida de quebra 
de sigilo bancário e fiscal determinada para apuração de outros crimes não impede, por si só, que os dados 
colhidos sejam utilizados para a averiguação da suposta prática daquele delito. Com efeito, pode ocorrer o que se 
chama de fenômeno da serendipidade, que consiste na descoberta fortuita de delitos que não são objeto da 
investigação. STJ. 6ª Turma. HC 282.096-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 24/4/2014. (Info 539) Q 
9 
107, II, DO 28ºCPR: Deferida a busca e apreensão por Juiz Federal em relação a fatos de competência da Justiça Federal, 
a apreensão fortuita de outras provas quanto a delito de competência estadual enseja o reconhecimento da conexão 
probatória, com consequente competência federal para apuração de ambos os delitos, incidindo ao caso a Súmula 112, 
STJ (ERRADO). Extraterritorialidade da atuação policial: art. 250 CPP. Os peritos e intérpretes são os auxiliares 
eventuais da justiça. Colaboram com o juiz nos pontos em que este precisa de esclarecimentos ou de conhecimentos 
especializados. Não podem ser peritos: a) os que estiverem sujeitos a penas restritivas de direito de interdição temporária 
do exercício da profissão ou cargo público; b) os que tiverem prestado depoimento no processo ou opinado anteriormente 
sobre o objeto da perícia; c) os analfabetos e os menores de 21 anos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
1.c. Recursos no Processo Penal: Apelação. 
 
Cabimento: Em regra, a apelação dirige-se apenas às sentenças (art. 593, I e III) e às decisões definitivas ou 
com força de definitiva, salvo se recorríveis por Recurso em Sentido Estrito (art. 593, II CPP – ex.: decisão que julga 
pedido de restituição de coisa apreendida; sequestro, pedido de especialização de hipoteca legal ou arresto, etc.). 
 Excepcionalmente, por força expressa de texto legal, caberá em relação a decisões de outra natureza, como a 
impronúncia e a absolvição sumária (art. 416 do CPP) e a que rejeita a denúncia ou a queixa no JECRIM (art. 82 da Lei nº 
9.099/95). Prazo: nos termos do CPP, 05 dias para interposição, em petição escrita ou termo nos autos, e apresentação das 
razões no prazo de 08 dias, podendo estas serem apresentadas diretamente na instância superior. Apelação nos crimes de 
menor potencial ofensivo: interposição em 10 dias, já acompanhada de razões (art. 82 da Lei nº 9.099/95). Pacelli sustenta 
que apenas a defesa poderá optar em arrazoar diretamente no 2º grau de jurisdição (art. 600, § 4º), na medida em que o 
órgão do MP de primeiro grau não tem capacidade postulatória para peticionar perante o juízo ad quem e o órgão de segundo 
grau deve ter sua independência funcional assegurada. Súmula STF nº 448: “O prazo para o assistente recorrer, 
supletivamente, começa a correr imediatamente após o transcurso do prazo do Ministério Público”. 
Efeitos: como regra, efeito suspensivo (princípio de inocência) e efeito devolutivo amplo (“tantum devolutum 
quantum appellatum”). Pacelli sustenta que, como pode ser interposta até por termo nos autos, a simples manifestação de 
vontade de recorrer bastará para a completa devolução da matéria, restringindo-se o efeito devolutivo apenas quando o 
recorrente deseja impugnar parte do julgado, limitando-se àquela matéria impugnada. Exceção ao efeito devolutivo amplo: 
Súmula STF nº 713 (“O efeito devolutivo da apelação contra decisões do Júri é adstrito aos fundamentos da sua 
interposição”). Em razão do efeito suspensivo, além da exigência constitucional de toda prisão decorrer de ordem escrita e 
fundamentada de juiz competente, a regra é que o réu apele em liberdade, impondo-se ao juiz, no caso de condenação, 
fundamentar a necessidade de manutenção ou decretação de eventual cautela prisional impondo-lhe também a imediata 
soltura do réu, em caso de absolvição (STF, HC nº 88.420); o STF adotou este entendimento também em relação ao art. 59 
da Lei de Drogas (HC nº 103.529-MC/SP). Pacelli vislumbra inconstitucionalidade de todas as disposições da legislação 
esparsa que vedam expressamente o réu apelar em liberdade (art. 9º Lei 9.034/95; Lei 8.072/90, 9.613/98), as quais padecem 
do mesmo vício do agora revogado art. 594 do CPP (condicionava o direito de apelar ao recolhimento à prisão). Súmula STJ 
nº 347:“O conhecimento do recurso de apelação do réu independe de sua prisão”. Exceção ao efeito suspensivo na apelação: 
sentença absolutória (art. 596, caput, CPP). 
Há a vedação da reformatio in pejus na apelação exclusiva da defesa, como manifestação da ampla defesa, 
impedindo-se o agravamento da situação do réu (art. 617, CPP). 
No rito do Júri, a soberania popular obstaculizará a vedação da reformatio in pejus, podendo validamente ser 
agravada a situação do réu em novo julgamento pela anulação do anterior (e não pelo Tribunal que julgar a apelação, uma 
vez que a apelação, caso procedente, apenas anulará o julgado), em decorrência do reconhecimento de circunstâncias 
agravantes, causas de aumento, qualificadoras, não apreciadas ou rejeitadas no primeiro julgamento. Todavia, caso a nova 
decisão seja igual à anterior em termos de definição do crime e suas circunstâncias, o juiz-presidente do Júri não poderá 
agravar a situaçãodo réu exclusivamente por ocasião da dosimetria da pena. 
Há também a vedação da reformatio in pejus indireta, por meio da qual, no caso de anulação da sentença, por 
qualquer vício (exceção à incompetência absoluta, quando ela é incabível), a nova decisão não poderá superar a condenação 
imposta anteriormente – ressalvados, como visto, os casos do Tribunal do Júri. O Tribunal, na análise de apelação 
exclusiva da defesa, não está impedido de manter a sentença condenatória recorrida com base em fundamentação 
distinta da utilizada em primeira instância, desde que respeitados a imputação deduzida pelo órgão de acusação, a 
extensão cognitiva da sentença impugnada e os limites da pena imposta no juízo de origem. Isso não viola o princípio 
do non reformatio in pejus. STJ. 6ª Turma. HC 302.488-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 20/11/2014 
(Info 553). Não caracteriza reformatio in pejus a decisão de tribunal de justiça que, ao julgar recurso de apelação 
exclusivo da defesa, mantém a reprimenda aplicada pelo magistrado de primeiro grau, porém, com fundamentos 
diversos daqueles adotados na sentença. STF. 1ª Turma. RHC 119149/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 10/2/2015 
(Info 774). 
Q 109, II, 28º CPR: Apreciando recurso exclusivamente da defesa, que pugna com base em inúmeros 
fundamentos a absolvição do réu, é induvidoso afirmar que há violação do princípio da reformatio in pejus pela 
circunstância de o tribunal, negando provimento à irresignação, manter a condenação imposta, porém por 
fundamentos diversos dos existentes na sentença. (Errada). TODAVIA: O réu foi condenado, em 1ª instância, pela 
prática de furto qualificado (art. 155, § 4º, II, do CP). O MP conformou-se com a sentença, mas a defesa interpôs 
apelação. O Tribunal entendeu que os fatos ocorreram realmente na forma como narrada pelo MP, mas que, em seu 
entendimento, isso configurou peculato (art. 312, § 1º do CP) e não furto qualificado. Vale ressaltar que, a fim de não 
prejudicar o réu/recorrente, o TJ manteve o quantum da pena imposta na sentença. O Tribunal fez uma emendatio 
libelli, mas isso não era permitido no caso concreto. Em princípio, é possível que o Tribunal, no julgamento de um 
recurso contra a sentença, faça emendatio libelli. No entanto, se o recurso era exclusivo da defesa, o Tribunal não 
pode causar uma piora na situação do réu, já que isso significa reformatio in pejus. No caso concreto, a pena imposta 
permaneceu a mesma. No entanto, mesmo assim houve um agravamento na situação do réu. Isso porque uma 
condenação por crime contra a Administração Pública (peculato) é mais grave e traz maiores efeitos deletérios do 
que uma condenação por crime contra o patrimônio (furto). Segundo o art. 33, § 4º do CP, os condenados pela prática 
de crime contra a Administração Pública somente podem obter a progressão de regime se efetuarem previamente a 
reparação do dano causado ou a devolução do produto do ilícito praticado. A análise da ocorrência ou não de 
reformatio in pejus não pode ficar restrita ao quantum da pena aplicada, devendo ser analisados os outros efeitos 
da condenação. STF. 2ª Turma. HC 121089/AP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 2/12/2014 (Info 770). 
Processamento: envolve a questão prévia relativa ao juízo de admissibilidade, devendo a apelação mostrar-se 
tempestiva e adequada (além de preencher os requisitos dos incisos I e III do art. 593, CPP, é preciso que não se trate de 
hipótese impugnável por Recurso em sentido estrito), sendo apresentada por quem tem legitimidade e interesse. Recebida 
a apelação pelo órgão de primeiro grau, serão atribuídos, em regra, os efeitos devolutivo e suspensivo (art.597, CPP), 
11 
ressalvada fundamentação na sentença em sentido contrário. Encerrados os prazos para oferecimento de razões, os autos 
serão remetidos ao tribunal ad quem, com ou sem razões, no prazo de 05 dias (art. 601, CPP). Os tribunais superiores vinham 
se manifestando pela facultatividade da medida, alterando-se aparentemente a orientação em decisão recente do STJ – caso 
o apelado seja o acusado, a falta de apresentação de contrarrazões pelo defensor constituído, enseja intimação do réu para 
nova constituição; persistindo a inércia, haverá a designação de defensor público ou dativo para o ato, tido como essencial 
à ampla defesa. Enunciado 23/2ªCCR: é dever funcional do membro do MPF apresentar, fundamentadamente, 
contrarrazões em recurso de apelação, por força do princípio da obrigatoriedade da ação penal pública. 
Ao chegarem ao Tribunal, os autos serão distribuídos ao relator, havendo necessidade de um revisor caso se trate 
de delito com pena de reclusão. Na 2ª instância, o MP terá vista dos autos na condição de custos legis, para exarar parecer 
no prazo de cinco dias. Em relação à ordem de manifestação: A ordem de sustentação oral nos processos criminais 
perante os Tribunais: uma leitura acerca do espectro do que decidido pelo STF no HC Nº 87.926SP (DOUGLAS 
FISCHER, 30.04.2009): AÇÃO PENAL. Recurso. Apelação exclusiva do Ministério Público. Sustentações orais. Inversão 
na ordem. Inadmissibilidade. Sustentação oral da defesa após a do representante do Ministério Público. Provimento ao 
recurso. Condenação do réu. Ofensa às regras do contraditório e da ampla defesa, elementares do devido processo legal. 
Nulidade reconhecida. HC concedido. Precedente. Inteligência dos arts. 5º, LIV e LV, da CF, 610, § único, do CPP, e 143, § 
2º, do RI do TRF da 3ª Região. No processo criminal, a sustentação oral do representante do Ministério Público, 
sobretudo quando seja recorrente único, DEVE SEMPRE PRECEDER À DA DEFESA, SOB PENA DE NULIDADE DO 
JULGAMENTO. (STF, Pleno, Cesar Peluzo, 20.02.2008). 1) à luz de uma Constituição garantista (na verdadeira concepção 
e acepção do termo, buscada na origem dos ensinamentos de Ferrajoli), quando se tratar de recurso exclusivo da 
acusação, o contraditório impõe que a defesa fale por último, como se dá no curso normal do processo penal até ser 
exarada decisão (seja em primeiro grau, seja nos tribunais); Garantir que a defesa fale por último quando da sustentação 
oral em havendo recurso exclusivo da acusação é corolário inafastável da ampla defesa; 2) quando o recurso for exclusivo 
da defesa, sem desbordar em absolutamente nada do princípio do contraditório, a paridade de armas (par conditio) impõe 
que, neste caso, o Ministério Público tenha a oportunidade de contraditar o que pretende a defesa; 3) Prosseguindo, 
parece-nos que a solução deva passar pela compabilização da situação sob análise (recursos de ambas as partes, 
acusação e defesa) ao que decidido pelo Supremo Tribunal Federal (nos limites postos naquele precedente, dizemos 
insistentemente). Já adiantamos (e depois fundamentaremos) como deva ser adotado o procedimento: a) em relação ao 
recurso do Ministério Público ou da assistência, deverá se manifestar no tribunal, em primeiro lugar, o Parquet, mas 
limitado a falar inicialmente só sobre esse recurso; b) depois, falará a defesa, contraditando o recurso do Parquet e 
defendendo o seu recurso (a ordem de como fazer, escolhe a defesa); c) por fim, novamente deverá ser conferida 
palavra ao Ministério Público para que se manifeste unicamente sobre o recurso da defesa. É dizer: precisa-se garantir 
o (verdadeiro) contraditório em relação à pretensão deduzida pela defesa; 4) Em caso de haver mínimo avanço desses limites 
para além do que previamente estabelecido (limites do pedido recursal), por qualquer um dos que estejam fazendo a defesa 
oral perante o tribunal, deverá ser concedida oportunidade à parte adversa a se manifestar novamente (como garantia 
exatamente do princípio do contraditório). Ou seja, se, em sua segunda manifestação (propiciada para falar unicamente sobre 
o recurso da defesa), o Parquet retomar e insistir em argumentos expostos anteriormente para reafirmar – mesmo que 
indiretamente – a pretensão objeto do recurso do MinistérioPúblico (ou do assistente), deverá ser garantido à defesa retorquir 
uma vez mais os argumentos na parte em que (indevidamente) avançou a sustentação ministerial, que deveria estar limitada 
a apenas rebater a pretensão deduzida no recurso defensivo. Isso é contraditório, ao menos para nós! 
Estando pronto o processo, o relator pedirá dia para julgamento, solicitando inclusão em pauta (art. 610, caput, 
CPP). Não há possibilidade de aplicação de mutatio libelli pelo órgão de 2ª instância (Súmula STF nº 453). Já a emendatio 
libelli (alteração da classificação do fato imputado) é perfeitamente possível (arts. 617 c/c 383, 386 e 387, CPP). 
Informativo 739/STF: A juntada do voto vencido em momento posterior à publicação do acórdão afronta o 
princípio da ampla defesa, a ensejar que o tribunal de origem proceda a novo juízo de admissibilidade do recurso 
cabível. Com base nessa orientação, a 2ª Turma deferiu, em parte, “habeas corpus” para reconhecer a nulidade da 
certidão de trânsito em julgado da condenação e determinar ao tribunal de justiça que, superada a intempestividade 
do recurso interposto, proceda a novo juízo de admissibilidade. Determinou, ainda, fosse oficiado ao juízo das 
execuções para sobrestar o andamento da execução e recolher o mandado de prisão. Na espécie, o acórdão da 
apelação fora publicado em determinada data, a constar decisão unânime, e o voto divergente a ele fora juntado 
posteriormente. A Turma asseverou que, ante a ausência do mencionado voto, a defesa teria sido impedida de 
verificar os fundamentos e a extensão da divergência para apresentar o recurso cabível. Acentuou que esse fato 
não poderia ser tratado como mera irregularidade, em face do manifesto prejuízo ao paciente. HC 118344/GO, Rel. 
Min. Gilmar Mendes, julgado em 18/3/2014. 
 
12 
2.a. Sistemas processuais 
 
Noções gerais 
A caracterização de um sistema processual depende do exame dos seguintes pontos: a) quem exerce a jurisdição; 
b) se o juiz pode iniciar um processo de ofício; c) quem é legitimado a propor a ação penal e se ela é popular, privada ou 
pública; d) se as funções de julgar e acusar são atribuídas a órgãos distintos; e) se o réu é sujeito de direitos ou não; f) se o 
procedimento é escrito, oral, público ou secreto; g) se o contraditório é observado; h) como é feita a valoração das provas e 
i) se há recurso. Com base nestes pontos e na evolução histórica do processo penal, a doutrina distingue, basicamente, três 
sistemas processuais: inquisitório, acusatório e misto. 
Confusão conceitual: “Na verdade, não existem dois sistemas nos quais se possa configurar o processo, um 
inquisitório e outro acusatório”, ensina Montero Aroca, “mas dois sistemas de atuação do Direito penal pelos tribunais, dos 
quais um é não processual, o inquisitório, e outro sim é processual, o acusatório”. A rigor, a denominação “processo 
inquisitório” somente tinha pertinência em um momento histórico — na época das monarquias absolutas — em que não 
havia uma bem demarcada distinção entre as funções administrativas e as jurisdicionais, confiando-se ambas as funções 
aos distintos órgãos a um só tempo, e os então impropriamente chamados “tribunais” aplicavam penas sem a realização de 
um processo. Logo, eram “inquisitoriais”, mas não configuravam, obviamente, um sistema processual. Assim, a 
denominação “processo inquisitório” parece-nos incorreta, pois “não foi e não pode ser, obviamente, um verdadeiro processo 
(Edilson Mougenot Bonfim, Curso de Processo Penal) 
Sistema Acusatório: surge na antiguidade clássica (Grécia e Roma). Funções de acusar e julgar são exercidas 
por sujeitos processuais distintos. O processo é iniciado pelo exercício da ação penal, deduzida por órgão de acusação. O 
acusado é sujeito de direitos, não objeto de investigação probatória. A verdade é obtida pelo debate em contraditório, não 
pela pesquisa. Vigem os princípios da oralidade e publicidade (Pacelli fala que o processo verbal é característico do sistema 
inquisitório, p. 10, ed. 2012). A valoração das provas segue o sistema da persuasão racional, salvo no tribunal do júri (íntima 
convicção). Há forte conexão entre o sistema acusatório e o regime democrático. EUA e Inglaterra adotam um sistema 
acusatório puro ou de partes, no qual o juiz assume posição absolutamente inerte e imparcial. De acordo com Pacelli, o 
sistema acusatório brasileiro “Por certo que não se trata de um modelo adversary, ou de partes, tal como é o modelo 
estadunidense, em que o juiz se afasta completamente de quaisquer funções probatórias, limitando-se ao controle de 
legalidade na instrução judicial. Já o dissemos aqui e repetimos: tal modelo parece-nos medieval, tomando como premissa 
legitimadora uma suposta igualdade de partes. Essa igualdade, ainda que abstratamente comprovada, não pode justificar 
uma decisão condenatória fundada em uma insuficiência da defesa. Igualdade processual, abstrata ou concreta, justifica um 
processo de partes exclusivamente em matéria não-penal, no bojo do qual se discute a titularidade de direitos subjetivos. 
Em processo penal, jamais” (p. 15). Segundo Pacelli, a CRFB, ao consagrar direitos fundamentais do réu, ao impor a 
fundamentação das decisões judiciais e ao erigir instituição autônoma e independente como titular da ação penal (MP), 
adotou o sistema acusatório. Porém, diz ele, nosso sistema não é o acusatório puro ou de partes, pois o juiz não é 
absolutamente inerte, possuindo iniciativa probatória subsidiária (sanação de dúvidas) e, também, em favor do réu (isonomia 
material). A título de exemplo, vale lembrar que o STF já assentou, “por imperativo do princípio acusatório, a impossibilidade 
de o juiz determinar de ofício novas diligências de investigação no inquérito cujo arquivamento é requerido” (HC 82507/SE, 
Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, julgado em 10.12.2002). Delegado de polícia, no inquérito, pode 
representar ao juiz para uma prisão ou qualquer medida cautelar e o juiz deferir sem ouvir o MP? Não, pois as disposições 
infraconstitucionais devem ser interpretadas de acordo com a CF. As normas que autorizam o delegado a pedir essa medida 
cautelar sem a oitiva do MP são contrárias ao sistema acusatório, pois o MP é o titular da ação penal, então a ele cabe 
avaliar e, se for o caso, postular pelas medidas acessórias, instrumentais, que são as medidas cautelares, não podendo ser 
essas medidas deferidas sem a oitiva dele. O delegado não pode requerer diligências porque ele não é titular da ação penal, 
do contrário, os delegados estariam substituindo o MP. O delegado tampouco possui capacidade postulatória, tanto que ele 
não requer, ele representa, tanto é que, se a representação for negada, ele não pode recorrer. Essa é a posição da 2ª 
Câmara de Coordenação e Revisão do MP. Processo : 1.00.001.000095/2010-86 Ementa : A restrição ao direito à intimidade 
do suspeito, quanto aos dados bancários, telefônicos ou tributários, também só podem ser requerida, pela mesma razão, 
pelo titular da ação penal, que tem legitimidade e capacidade postulatória e atribuição para verificar se a restrição de direito 
é necessária para a persecução penal ou se a prova já coligida é suficiente para embasar ação penal ou mesmo se há 
excludente de culpabilidade que impeça a persecução penal, tornando desnecessária a medida assecuratória. Decisão: 
Acolhido por unanimidade o voto da Relatora. 
Sistema Inquisitório: surge no fim da Idade Média e se estabelece no Estado Absolutista. Como reflexo do poder 
absoluto do soberano, a figura do inquisidor reúne todas as funções processuais. As funções de acusar e julgar são exercidas 
pelo inquisidor. O processo é iniciado pelo próprio inquisidor, que também possui ampla iniciativa probatória. O acusado é 
mero objeto de prova, sem direito ao contraditório ou à ampla defesa. O processo é predominantemente escrito e sigiloso 
(para Pacelli, é verbal e em segredo,p. 10, ed. 2012). A valoração das provas segue o sistema de provas tarifadas, sendo 
a confissão a prova máxima, normalmente obtida mediante tortura. O nosso CPP, em sua redação original e antes de receber 
os influxos da CRFB, possuía forte perfil inquisitório. Influenciado pelo processo penal fascista italiano, o CPP assentava-se 
na presunção de culpabilidade do réu – apregoada por Manzini –, na ampla iniciativa probatória do juiz, inclusive na fase 
investigativa, justificada pela busca da verdade real, e no interrogatório como simples meio de prova. Prova oral do 25o CPR: 
Dê exemplos de resquícios inquisitivos no processo penal brasileiro. Para Pacelli, o sistema inquisitório foi inteiramente 
superado. Entretanto, traz crítica ao art. 156, o qual faculta ao juiz, de ofício, ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, 
a produção antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, e o considera violação patente – e recente – do 
sistema acusatório (p. 11 e 12, ed. 2012). Ademais, ainda segundo Pacelli, somente se pode entender sistemas processuais 
a partir da deflagração do processo, tudo antes são meros procedimentos informativos, de modo que a atuação do juiz será 
13 
examinada no curso do processo. Assim, a atuação do juiz na fase pré-processual se limitará a tutela das liberdades públicas, 
não podendo determinar a prisão cautelar, antes de ajuizada a respectiva ação penal (Pacelli, p. 14 e 15, ed. 2014). 
Sistema Misto ou de Fases: surge no século XIX, tendo como marco o Código de Instrução Criminal da França, 
de 1808. O processo é dividido em fases: investigação, de caráter predominantemente inquisitivo, a cargo de um juízo de 
instrução, e julgamento, na qual prevalecem os cânones do sistema acusatório. Pacelli adverte que nossa doutrina, levando 
em consideração a existência da fase investigativa inquisitiva (inquérito policial ou outras investigações administrativas), 
erroneamente classifica como misto o nosso sistema. Ora, diz ele, inquérito policial não é processo, é procedimento e servirá 
como meros elementos informativos, logo não pode servir de critério de caracterização do sistema processual. Nosso sistema 
não é misto, mas acusatório. 
Prova oral MPF: 1. Explique os sistemas processuais penais inquisitivo e acusatório. 
Perguntas do oral do 26º: 3) Sistema acusatório e inquisitório. Natureza jurídica do arquivamento: decisão 
judicial que tem o condão de produzir coisa julgada formal, já que a reabertura das investigações está condicionada ao 
surgimento de novas provas; 25) Quais os direitos relacionados no pacto de San José no que toca ao processo penal? 
Provas, provas ilícitas. O que são e pra que servem o reconhecimento e a acareação. O reconhecimento pode se feito por 
foto? A acareação viola o nemo tenetur? Quais os sistemas processuais? Quais as características do sistema 
inquisitório no CPP? 
Inf. nº 514 do STJ: DIREITO PROCESSUAL PENAL. RECONHECIMENTO DO RÉU POR FOTOGRAFIA. Para 
embasar a denúncia oferecida, é possível a utilização do reconhecimento fotográfico realizado na fase policial, desde que 
este não seja utilizado de forma isolada e esteja em consonância com os demais elementos probatórios constantes dos 
autos. HC 238.577-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 6/12/2012. 
Delegado de polícia, no inquérito, pode representar ao juiz para uma prisão ou qualquer medida cautelar 
e o juiz deferir sem ouvir o MP? Não, pois as disposições infraconstitucionais devem ser interpretadas de acordo com a 
CF. As normas que autorizam o delegado a pedir essa medida cautelar sem a oitiva do MP são contrárias ao sistema 
acusatório, pois o MP é o titular da ação penal, então a ele cabe avaliar e, se for o caso, postular pelas medidas acessórias, 
instrumentais, que são as medidas cautelares, não podendo ser essas medidas deferidas sem a oitiva dele. O delegado não 
pode requerer diligências porque ele não é titular da ação penal, do contrário, os delegados estariam substituindo o MP. O 
delegado tampouco possui capacidade postulatória, tanto que ele não requer, ele representa, tanto é que, se a representação 
for negada, ele não pode recorrer. Essa é a posição da 2ª Câmara de Coordenação e Revisão do MP. Processo : 
1.00.001.000095/2010-86 Ementa : A restrição ao direito à intimidade do suspeito, quanto aos dados bancários, telefônicos 
ou tributários, também só podem ser requerida, pela mesma razão, pelo titular da ação penal, que tem legitimidade e 
capacidade postulatória e atribuição para verificar se a restrição de direito é necessária para a persecução penal ou se a 
prova já coligida é suficiente para embasar ação penal ou mesmo se há excludente de culpabilidade que impeça a 
persecução penal, tornando desnecessária a medida assecuratória. Decisão: Acolhido por unanimidade o voto da Relatora 
Um Subprocurador-Geral da República, após autorização do STJ, instaurou procedimento de investigação 
contra um Governador do Estado (art. 105, I, “a”, da CF/88). Ao final das diligências, o membro do MPF concluiu que 
não havia elementos para oferecer a denúncia e requereu ao STJ o arquivamento do procedimento. O STJ poderá 
discordar do pedido? NÃO. Não existe esta possibilidade de remessa para o PGR. Não se aplica o art. 28 do CPP neste 
caso. Isso porque os membros do MPF que funcionam no STJ atuam por delegação do Procurador-Geral da República. 
Assim, em decorrência do sistema acusatório, nos casos em que o titular da ação penal se manifesta pelo arquivamento de 
inquérito policial ou de peças de informação, não há alternativa, senão acolher o pedido e determinar o arquivamento. Em 
suma, não há que se falar em aplicação do art. 28 do CPP nos procedimentos de competência originária do STJ. O MPF 
pediu o arquivamento, este terá que ser homologado pela Corte. STJ. Corte Especial. Inq 967-DF, Rel. Min. Humberto 
Martins, julgado em 18/3/2015 (Info 558). 
 
14 
2.b. Coisa julgada e preclusão. 
Coisa julgada: é uma qualidade da decisão judicial da qual não caiba mais recurso. CJ FORMAL: preclusão = 
indiscutibilidade da decisão no processo (maioria). CJ MATERIAL. Fundamento: segurança jurídica. Pressupostos: 
a) decisão jurisdicional; b) exame de mérito; c) cognição exauriente; d) CJ formal. Efeitos: a) negativo: impedir nova 
apreciação principaliter tantum; b) positivo: observância quando for fundamento de outra demanda; c) eficácia 
preclusiva da CJ: o dedutível, mas não deduzido, reputa-se deduzido e repelido (CPC, art. 474) – obs1: fato superveniente 
não é abarcado, pois não era dedutível; obs2: outras causas de pedir são abrangidas? Araken: sim; majoritário (ex.: 
Barbosa Moreira): não, pois outra causa de pedir gera outra demanda. 
Coisa julgada em matéria penal: a) sentença absolutória: a eficácia preclusiva da coisa, neste caso, visa 
impedir novas investidas acusatórias contra o réu absolvido (proíbe-se a revisão pro societate); b) sentença condenatória: 
pode ser a qualquer tempo rescindida por meio da revisão criminal (art. 621 e seguintes, CPP); c) coisa julgada formal: 
decisões judiciais que, quando passadas em julgado, impedem a rediscussão da matéria unicamente em relação ao contexto 
em cujo processo foi prolatada [ex.: decisão que rejeita denúncia por ausência de pressupostos processuais; decisão que 
determina o arquivamento do inquérito (em regra)]; coisa julgada material: decisão judicial que não pode ser reapreciada 
em qualquer processo; no processo penal apenas as sentenças absolutórias possuem essa qualidade (ex.: decisão de 
arquivamento por atipicidade da conduta). Limites: a) subjetivos: em face do princípio da intranscendência, entende-se que 
a pena não passará da pessoa do condenado (art. 5, XLV, CR/88); b) objetivos: para Pacelli é a realidade histórica, 
afastando a possibilidade de discussão sobre o mesmo fato tal como efetivamente realizado, independente do acerto ou 
equívoco da imputação (2010, p. 634-365);contudo, o STF (HC 82980) já decidiu que a alteração da imputação da conduta 
imputada ao agente não ofende a coisa julgada, mesmo que a realidade histórica seja a mesma, por considerarem que não 
há identidade de fato (tempo, lugar e conduta imputada ao agente). 
Na esfera penal a coisa julgada é bastante mitigada. Pode dar uma maior elasticidade para a coisa julgada no 
processo penal, nunca contra o réu, nunca prejudicando o réu. 
A coisa julgada formal refere-se à imutabilidade da sentença no processo em que foi proferida (endoprocessual). 
Assim, na mesma ação, não será possível nova discussão e apreciação atinente ao mesmo fato. 
Na coisa julgada material a imutabilidade da sentença é transferida para o plano exterior do processo. Assim, o 
juiz de outro processo está obrigado a respeitar a decisão na medida em que isto lhe é imposto pela lei. A vedação de bis in 
idem, a vedação de rediscussão da coisa julgada material impede que fora daquele processo, se possa rediscutir aquela 
questão. Se for injustiça, será caso de revisão criminal. 
Pode opor exceção de CJ ao ato do delegado? Não se pode opor exceção de coisa julgada ao ato de instauração 
do inquérito policial pelo delegado já tendo transitado em julgado uma decisão anterior, pode impetrar HC diante da violação 
da coisa julgada, trancando o inquérito, pois é uma situação de manifesta ilegalidade que vai ser demonstrada juntando a 
certidão de trânsito em julgado demonstrando que aquela questão já foi decidida. 
Controvérsia quanto às consequências da comprovação posterior da falsidade da certidão de óbito utilizada para 
extinguir a punibilidade: o processo retoma seu curso, se não houver morte, estava ausente o pressuposto de extinção da 
punibilidade, não pode haver coisa julgada. A decisão de extinção da punibilidade é apenas interlocutória, não gerando coisa 
julgada material. Segundo a orientação do STF: revoga-se o despacho que julgou extinta a punibilidade, pois fundamentado 
em documento comprovadamente falso. Além de não fazer coisa julgada em sentido estrito, já que o acusado estaria se 
beneficiando de conduta ilícita, fundou-se em fato juridicamente inexistente, não produzindo qualquer efeito. 
Súmula vinculante 35: A homologação da transação penal prevista no artigo 76 da Lei 9.099/1995 não faz coisa 
julgada material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior, possibilitando-se ao Ministério Público a 
continuidade da persecução penal mediante oferecimento de denúncia ou requisição de inquérito policial. 
A alteração da jurisprudência, que de qualquer modo favoreça o agente, poderá servir de fundamento para o 
pedido de revisão criminal? Em regra não, sob pena de violar a autoridade da coisa julgada. A simples mudança da 
orientação da jurisprudência não justifica, por si só, a revisão criminal. Mas a jurisprudência admite a revisão criminal quando 
a modificação do entendimento dos tribunais a respeito de questão controvertida, acarreta cancelamento ou edição de 
súmula por Tribunal Superior. 
Incidente de Falsidade: “Qualquer que seja a decisão, não fará coisa julgada em prejuízo de ulterior processo 
penal ou civil” (art. 148, CPP). A decisão, dessa forma, é limitada ao procedimento incidente. Reconhecida a falta de 
autenticidade da prova, desentranha-se esta e determina-se a apuração do falso, em processo principal 
DIREITO PROCESSUAL PENAL. EFEITOS DO ARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL PELO 
RECONHECIMENTO DE LEGÍTIMA DEFESA. Promovido o arquivamento do inquérito policial pelo reconhecimento 
de legítima defesa, a coisa julgada material impede a rediscussão do caso penal em qualquer novo feito criminal, 
descabendo perquirir a existência de novas provas. Isso porque a decisão judicial que define o mérito do caso penal, 
mesmo no arquivamento do inquérito policial, gera efeitos de coisa julgada material. (Informativo 554) 
DIREITO PROCESSUAL PENAL. HIPÓTESE DE RELATIVIZAÇÃO DA COISA JULGADA. Constatado o 
trânsito em julgado de duas decisões condenando o agente pela prática de um único crime – a primeira proferida 
por juízo estadual absolutamente incompetente e a segunda proferida pelo juízo federal constitucionalmente 
competente –, a condenação anterior deve ser anulada caso se verifique que nela fora imposta pena maior do que 
a fixada posteriormente Em primeiro lugar, faz-se necessário asseverar que o STJ já se pronunciou no sentido de que “A 
sentença proferida por juízo absolutamente incompetente impede o exame dos mesmos fatos ainda que pela justiça 
15 
constitucionalmente competente, pois, ao contrário, estar-se-ia não só diante de vedado bis in idem como também na 
contramão da necessária segurança jurídica que a imutabilidade da coisa julgada visa garantir” (RHC 29.775-PI, Quinta 
Turma, DJe 25/6/2013). Com efeito, sopesando a garantia do juiz natural em face do princípio do ne bis in idem, deve 
preponderar este último como decorrência do princípio fundamental da dignidade da pessoa humana, princípio basilar do 
Estado Democrático de Direito, consoante explicita o inciso III do art. 1º da CF. Cabe ressaltar, a propósito, que esse 
entendimento foi consolidado para, dando efetividade ao princípio do favor rei, impedir o início ou a continuidade de outro 
processo que tenha por objetivo discutir os mesmos fatos que já foram objeto de decisão anterior. A situação em análise, 
entretanto, é peculiar. Existem duas condenações transitadas em julgado, sendo que a primeira foi proferida por juízo 
estadual absolutamente incompetente e a segunda pelo juízo constitucionalmente competente, tendo este estabelecido, 
inclusive, quantum de pena inferior ao definido anteriormente. Dessa forma, nessa hipótese, considerando a situação mais 
favorável ao réu, bem como a existência de trânsito em julgado perante a justiça competente para análise do feito, deve ser 
relativizada a coisa julgada, de modo a tornar possível a prevalência do princípio fundamental da dignidade da pessoa 
humana. HC 297.482-CE, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 12/5/2015, DJe 21/5/2015 (Informativo 562). 
DIREITO PROCESSUAL PENAL. DESCONSTITUIÇÃO DE ACÓRDÃO DE REVISÃO CRIMINAL QUE NÃO 
CORRESPONDE AO JULGAMENTO DO ÓRGÃO COLEGIADO. O Tribunal pode, a qualquer momento e de ofício, 
desconstituir acórdão de revisão criminal que, de maneira fraudulenta, tenha absolvido o réu, quando, na verdade, o 
posicionamento que prevaleceu na sessão de julgamento foi pelo indeferimento do pleito revisional. O processo, em sua 
atual fase de desenvolvimento, é reforçado por valores éticos, com especial atenção ao papel desempenhado pelas partes, 
cabendo-lhes, além da participação para construção do provimento da 232 causa, cooperar para a efetivação, a observância 
e o respeito à veracidade, à integralidade e à integridade do que se decidiu, conforme diretrizes do Estado Democrático de 
Direito. A publicação intencional de acórdão apócrifo – não autêntico; ideologicamente falso; que não retrata, em nenhum 
aspecto, o julgamento realizado – com o objetivo de beneficiar uma das partes não pode reclamar a proteção de nenhum 
instituto do sistema processual (coisa julgada, segurança jurídica, etc.) (Informativo 555). 
Preclusão: perda de faculdade processual em decorrência (a) de seu não exercício no prazo (temporal), 
(b) de ela já ter sido exercida (consumativa) ou (c) da prática de ato incompatível com seu exercício (lógica – boa-fé 
processual). Há tb. a preclusão-sanção. É indispensável à marcha processual (razoável duração do processo) e à 
segurança jurídica. A nulidade relativa é sujeita a preclusão. 
Competência relativa: é aquela que pode ser flexibilizada, tutela o processo em curso, podendo as partes 
processuais excepcionarem a incompetência relativa do juízo, por meio da exceção de incompetência, sob pena de 
preclusão consumação: interposto o recurso, de regra, ocorre a preclusão consumativa, exaurindo-se essa faculdadeprocessual. 
Pronúncia: exige prova da materialidade e elementos indicativos de autoria. Revela um juízo de probabilidade, 
e não de certeza. Da pronúncia deve constar a narração do fato delituoso, incluindo as qualificadoras e as causas de 
aumento. As causas de privilégio e de diminuição, bem como as atenuantes e agravantes podem ser reconhecidas ainda 
que não constem da denúncia. Trata-se de decisão interlocutória mista (encerra fase procedimental bem delimitada e é 
impugnável mediante RSE). Não tem eficácia de coisa julgada, já que não vincula o Tribunal do Júri, mas se sujeita aos 
efeitos da preclusão. Mesmo após a preclusão, será possível a modificação da imputação, se houver fato 
superveniente que altere a classificação do crime, caso em que o MP deve aditar a acusação. 
Obs. O art. 600, §4º é uma faculdade que o MP não possui. O MP deve impugnar a matéria por conta da preclusão. 
Júri: Nulidades relativas quanto aos quesitos devem ser apresentadas na sessão, pena de preclusão. tanto a 
doutrina quanto a jurisprudência são pacíficas no sentido de que não é possível determinar a excepcional providência do 
desaforamento sem a preclusão da pronúncia, ex vi do art. 427, § 4º, do CPP. 
Suris: Se não for oferecida a suspensão condicional do processo, o acusado deverá adotar providências 
imediatas, sob pena de preclusão. 
denúncia ou queixa: Rol de testemunhas. Produção de prova testemunhal é facultativa; mas o momento para 
apresentação do rol é com a inicial, pena de preclusão 
Efeitos dos Recursos: )Obstativo de coisa julgada: no sistema brasileiro todos os recursos obstam o trânsito 
em julgado da decisão impugnada. Assim, o primeiro e constante efeito dos recursos é exatamente o de impedir a 
preclusão. 
DIREITO PROCESSUAL PENAL. VALIDADE DO DEPOIMENTO SEM DANO NOS CRIMES SEXUAIS CONTRA 
CRIANÇA E ADOLESCENTE. Não configura nulidade por cerceamento de defesa o fato de o defensor e o acusado de 
crime sexual praticado contra criança ou adolescente não estarem presentes na oitiva da vítima devido à utilização 
do método de inquirição denominado “depoimento sem dano”, precluindo eventual possibilidade de arguição de 
vício diante da falta de alegação de prejuízo em 211 momento oportuno e diante da aquiescência da defesa à 
realização do ato processual apenas com a presença do juiz, do assistente social e da servidora do Juízo. (HC 251.735-
RS, Sexta Turma, DJe 14/4/2014). RHC 45.589-MT, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 24/2/2015, DJe 3/3/2015 
(Informativo 556). 
 
16 
2.c. Os reflexos do Pacto de São José da Costa Rica no processo penal brasileiro. 
A CIDH, conforme a orientação do STF posterior à EC 45, de 2004, possui status supralegal, porém abaixo da 
CRFB. Não obstante a natureza formal de norma supralegal, integra o bloco de constitucionalidade, visto que dispõe sobre 
direitos fundamentais3. 
O pacto é fonte imediata de direitos aos acusados e investigados, haja vista a aplicabilidade imediata imposta 
pela CRFB no art. 5º, §1º. Com base nesse dispositivo, os operadores do direito devem aplicar as normas garantidoras de 
direitos fundamentais, como é o caso da CIDH, independentemente de lei mediadora. 
Traz a CIDH várias garantias aos acusados que são repetidas pelo ordenamento interno, seja em nível 
constitucional, seja no próprio CPP. Com isso, o Brasil já implementa um dos deveres de direito internacional previsto pelo 
pacto, em seu art. 2º, que é o dever de adequar o ordenamento interno de modo a tornar efetivos os direitos previstos no 
instrumento internacional. 
Assim, a CIDH traz, para o processo penal, garantias elencadas nos artigos 7º e 8º, como: a) devido processo 
legal; b) direito de petição de toda pessoa privada de liberdade a um órgão judicial; c) direito de audiência (“one day in court”); 
d) conhecimento da acusação pormenorizadamente e do seu acusador, bem como de tempo e meios para elaborar sua 
defesa; e) duração razoável do processo “ou de ser posta em liberdade”; f) direito a um julgador competente, independente 
e imparcial, anteriormente estabelecido por lei; g) presunção de inocência; h) assistência gratuita de tradutor ou intérprete, 
se necessário; i) defesa técnica, por defensor de sua escolha ou proporcionado pelo Estado, bem como direito de autodefesa; 
j) comunicação livre e em particular com seu defensor; k) direito a recurso (duplo grau de jurisdição); l) direito de inquirir as 
testemunhas presentes e de obter o comparecimento de testemunhas e peritos; m) direito a não auto-incriminação (nemo 
tenetur se detegere), que o STF esclareceu recentemente que se restringe apenas à garantia de não ser coagido, moral ou 
fisicamente, a produzir provas contra si; n) direito do absolvido a não ser processado novamente pelo mesmo fato; o) 
publicidade do processo penal. 
Dentre essas garantias, é possível que exista um tratamento mais benéfico pela norma de direito doméstico. 
Ocorrendo isso, o artigo 29, item 2, do pacto de São José, determina a aplicação daquela mais benéfica ao acusado. A 
CIDH, por exemplo, não demanda que o acusado seja advogado, caso deseje se defender em juízo sem auxílio técnico. 
Entretanto, isto não afasta a norma de direito interno mais protetiva, que determina a irrenunciabilidade da defesa técnica 
no processo penal. 
Por fim, importante ressaltar que o desrespeito a quaisquer dessas garantias, por ato de quaisquer dos três 
poderes da República, pode levar, a depender da gravidade do ato, à responsabilização internacional do Brasil perante a 
Corte Interamericana. 
Ver questão 111 da prova obj. do 25º CPR. 
1 De acordo com Pacelli, o sistema acusatório brasileiro “Por certo que não se trata de um modelo adversary, ou 
de partes, tal como é o modelo estadunidense, em que o juiz se afasta completamente de quaisquer funções probatórias, 
limitando-se ao controle de legalidade na instrução judicial. Já o dissemos aqui e repetimos: tal modelo parece-nos medieval, 
tomando como premissa legitimadora uma suposta igualdade de partes. Essa igualdade, ainda que abstratamente 
comprovada, não pode justificar uma decisão condenatória fundada em uma insuficiência da defesa. Igualdade processual, 
abstrata ou concreta, justifica um processo de partes exclusivamente em matéria não-penal, no bojo do qual se discute a 
titularidade de direitos subjetivos. Em processo penal, jamais” (p. 15). 
2 A título de exemplo, vale lembrar que o STF já assentou, “por imperativo do princípio acusatório, a 
impossibilidade de o juiz determinar de ofício novas diligências de investigação no inquérito cujo arquivamento é requerido” 
(HC 82507/SE, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, julgado em 10.12.2002). 
3 “PRISÃO CIVIL DO DEPOSITÁRIO INFIEL EM FACE DOS TRATADOS INTERNACIONAIS DE DIREITOS 
HUMANOS. INTERPRETAÇÃO DA PARTE FINAL DO INCISO LXVII DO ART. 5O DA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA DE 
1988. POSIÇÃO HIERÁRQUICO-NORMATIVA DOS TRATADOS INTERNACIONAIS DE DIREITOS HUMANOS NO 
ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO. Desde a adesão do Brasil, sem qualquer reserva, ao Pacto Internacional 
dos Direitos Civis e Políticos (art. 11) e à Convenção Americana sobre Direitos Humanos - Pacto de San José da 
Costa Rica (art. 7º, 7), ambos no ano de 1992, não há mais base legal para prisão civil do depositário infiel, pois o 
caráter especial desses diplomas internacionais sobre direitos humanos lhes reserva lugar específico no 
ordenamento jurídico, estando abaixo da Constituição, porém acima da legislação interna. O status normativo 
supralegal dos tratados internacionais de direitos humanos subscritos pelo Brasil torna inaplicável a legislação 
infraconstitucional com ele conflitante, seja ela anterior ou posterior ao ato de adesão. Assim ocorreu com o art. 
1.287 do Código Civil de 1916 e com o Decreto-Lei n° 911/69, assim como em relação ao art. 652 do Novo Código 
Civil (Lei n° 10.406/2002). ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA. DECRETO-LEIN° 911/69. EQUIPAÇÃO DO 
DEVEDOR-FIDUCIANTE AO DEPOSITÁRIO. PRISÃO CIVIL DO DEVEDOR-FIDUCIANTE EM FACE DO PRINCÍPIO DA 
PROPORCIONALIDADE. A prisão civil do devedor-fiduciante no âmbito do contrato de alienação fiduciária em garantia viola 
o princípio da proporcionalidade, visto que: a) o ordenamento jurídico prevê outros meios processuais-executórios postos à 
disposição do credor-fiduciário para a garantia do crédito, de forma que a prisão civil, como medida extrema de coerção do 
devedor inadimplente, não passa no exame da proporcionalidade como proibição de excesso, em sua tríplice configuração: 
adequação, necessidade e proporcionalidade em sentido estrito; e b) o Decreto-Lei n° 911/69, ao instituir uma ficção jurídica, 
17 
equiparando o devedor-fiduciante ao depositário., para todos os efeitos previstos nas leis civis e penais, criou uma figura 
atípica de depósito, transbordando os limites do conteúdo semântico da expressão "depositário infiel" insculpida no art. 5º, 
inciso LXVII, da Constituição e, dessa forma, desfigurando o instituto do depósito em sua conformação constitucional, o que 
perfaz a violação ao princípio da reserva legal proporcional. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E NÃO 
PROVIDO” (RE 349703, Relator o Ministro CARLOS BRITTO, Tribunal Pleno, julgado em 03/12/2008, DJe-104 de 5.6.2009). 
 
18 
3.a. Princípios da Ação Penal 
 
1. Ação Penal Pública 
a) Obrigatoriedade (ou legalidade processual): Presentes os requisitos legais, o MP é obrigado a oferecer 
denúncia (art. 24, 1ª parte, CPP), não se reservando ao Parquet qualquer juízo de discricionariedade. O art. 28 do CPP 
implica controle jurisdicional do preceito em tela. 
A Lei nº 9.099/95 (art. 76) relativizou, no tocante às infrações de menor potencial ofensivo, o princípio no ponto 
em que permite a transação penal, dando origem ao princípio da obrigatoriedade mitigada ou da discricionariedade regrada. 
No âmbito federal, quem faz o controle da obrigatoriedade, analisando as promoções de arquivamento, é a 2ª 
CCR, conforme seu enunciado nº 9 (entende-se institucionalmente que houve revogação do art. 28 do CPP pelo art. 62, IV, 
da LC 75/93). 
Questão importante e nada pacificada em Pacelli: estaria o órgão do MP compelido à propositura da ação penal, 
ainda quando entendesse presentes algumas das causas excludentes da ilicitude? Uns entendem que sim, tendo em vista 
a importância de as provas serem produzidas perante o juiz e não apenas no inquérito; outros entendem que tal 
obrigatoriedade viola a independência funcional do MP. 
Renato Brasileiro (p. 216/218) aponta as seguintes exceções ao princípio da obrigatoriedade: 
i) transação penal; 
ii) termo de ajustamento de conduta; 
iii) parcelamento tributário 
v) colaboração premiada da nova Lei de Organizações Criminosas 
 
b) Indisponibilidade: Uma vez proposta a ação, o MP não pode dela dispor (art. 42, CPP). Como corolário, 
também não pode desistir do recurso (art. 576, CPP). A Lei nº 9.099/95 (art. 89) também mitigou o princípio ao prever o 
sursis processual. 
c) Oficialidade: A persecução penal em juízo está a cargo de um órgão oficial, o MP, e na fase pré-processual, 
a cargo da autoridade policial ou do MP, em se tratando se ação penal pública. No caso de ação penal privada, o princípio 
da oficialidade incide apenas na fase pré-processual. 
d) Autoritariedade: O promotor de justiça (ou Procurador da República) é autoridade pública. Aplica-se à ação 
penal privada apenas na fase pré-processual. Na ação penal pública, aplica-se em ambas as fase. 
e) Oficiosidade: Aplicável apenas à ação pública incondicionada, em relação a qual não se exige qualquer 
autorização, devendo o MP atuar de ofício, independentemente de provocação do ofendido ou de terceiros. Não se aplica à 
ação penal privada, já que, desde a fase pré-processual, a atuação do polícia investigativa depende de requerimento do 
ofendido ou de seu representante legal. 
f) Divisibilidade: Em que pesem vozes em contrário, prevalece o entendimento de que o princípio da 
indivisibilidade não se aplica às ações penais públicas, as quais são pautadas pelo princípio da divisibilidade (PACELLI, p. 
152). O Ministério Público pode, por exemplo, oferecer denúncia em relação aos acusados que estão presos e requerer o 
prosseguimento das investigações quanto aos acusados soltos. Foi o que aconteceu no Caso Maluf. Há precedentes no 
STF (HC 104356/RJ, RHC 95141/RJ, HC 96700/PE) e no STJ (APn 382/RR, AgRg no REsp 898302/PR, HC 160229/SP) no 
sentido de que o princípio da indivisibilidade não se aplica à ação penal pública, mas apenas à ação penal privada. 
g) Intranscendência (ou pessoalidade): Mercê da natureza subjetiva da responsabilidade criminal, a ação não 
pode prejudicar terceiros que não tenham concorrido de alguma forma para o delito. Logo, a ação penal privada somente 
poderá ser propostas em relação ao provável autor do delito. Entretanto, o falecimento do autor do fato não afasta a obrigação 
dos herdeiros indenizarem a vítima, dentro das forças da herança. Arts. 29 do CP e 5º, XLV, CF. 
2. Ação Penal Privada 
a) Oportunidade (ou conveniência): É facultado à vítima ofertar ou não a ação. Como corolários do princípio: i) 
não exercitado o direito de ação no prazo de 6 meses do conhecimento do autor do fato supostamente delituoso, opera-se 
a decadência; ii) pode o querelante renunciar ao direito de ação, sendo a renúncia irretratável (art. 107, V, CP). 
b) Disponibilidade: Uma vez oferecida a queixa, o querelante poderá desistir da ação penal, perdoando o 
acusado ou dando azo à perempção. PACELLI elenca a renúncia como corolário desse princípio e não menciona o sobredito 
princípio da oportunidade (p. 142). Ainda segundo PACELLI (p. 160), o princípio da disponibilidade não se aplica à ação 
privada subsidiária da pública, pois o interesse público é prevalecente e o seu titular é órgão público, o MP, reservando-se 
ao particular apenas a iniciativa. Características do perdão: i) pode ser expresso ou tácito, processual ou extraprocessual; 
ii) bilateralidade (exigência de aceitação pelo querelado para surtir efeitos); iii) pode ser oferecido até o trânsito em julgado 
da sentença (art. 106, §2º, CP); iv) havendo corréus, o perdão oferecido a apenas um estende-se aos demais. A perempção 
vem disciplinada no art. 60 do CPP. 
c) Indivisibilidade: É a impossibilidade de se fracionar a persecução penal. Caso opte por oferecer a ação penal, 
deve o querelante fazê-lo em face de todos os envolvidos. Na hipótese de ser oferecida denúncia apenas em face de 
algum(ns) do(s) réu(s), a doutrina majoritária entende que o MP, enquanto custos legis, não poderá aditar a queixa para 
incluir os demais réus, devendo manifestar-se pela extinção da punibilidade se a omissão do querelante foi voluntária, por 
ter havido renúncia tácita em relação aos demais réus (art. 107, V, VP). PACELLI (p. 150) entende diferentemente, 
asseverando ser possível ao MP realizar o aditamento, pois lhe compete exercer controle final sobre a responsabilização 
penal subjetiva e por ser o interesse penal sempre público, além de ser o Parquet o órgão responsável pela defesa da ordem 
jurídica. 
d) Intranscendência (ou pessoalidade): A ação penal somente pode ser proposta em face do provável autor do 
delito. 
 
19 
3.b. Indícios e Questões Probatórias. 
O indício, segundo o art. 239 do CPP, é a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, 
autoriza, por indução, concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias. Difere da presunção, que, consoante 
TÁVORA e ALENCAR (p. 442), “é o conhecimento daquilo que normalmente acontece, a ordem normal das coisas, que uma 
vez positivada em lei, estabelece como verídico determinado acontecimento”. 
Para Paulo Rangel, indício significa indicar, apontar. É todo e qualquer fato, ou circunstância, certo e provado, 
quetenha conexão com o fato, mais ou menos incerto, que se procura provar. Presunção significaria opinião ou juízo 
baseado nas aparências, suposição ou suspeita. 
É possível fazer o seguinte silogismo: premissa menor – é o indício, ou seja, a circunstância conhecida e provada; 
premissa maior – é o princípio de razão ou regra de experiência, utilizados na análise daquilo que normalmente acontece 
(presunção); conclusão – comparação entre as premissas, que nos permite chegar ao resultado, ao denominador (TÁVORA; 
ALENCAR, p. 442). 
Sendo assim, exemplifica Paulo Rangel: o fato de Tício ter sido visto com uma arma na mão no local do crime, no 
dia e na hora em que o mesmo ocorreu, indica que Tício foi seu autor. A operação mental (processo de raciocínio lógico) 
que é realizada para concluir que Tício é autor do homicídio é a presunção (suposição, suspeita). Indício é o fato provado e 
conhecido (Tício estava no local do crime no mesmo horário e dia em que foi praticado, com uma arma na mão); a presunção 
é a operação que liga esse fato a outro, qual seja: Tício é o autor do crime. 
Para PACELLI (p. 430-431), o indício não é propriamente um meio de prova, mas a utilização de um raciocínio 
dedutivo, para, a partir da prova de um fato ou de uma circunstância, chegar-se à conclusão da existência de um outro ou 
de uma outra (verdadeira presunção feita pelo julgador). A prova indiciária, ou por indícios, terá sua eficácia probatória 
condicionada à natureza do fato ou circunstância que se pretende provar por meio dela (é prova indireta). Por exemplo, 
tratando-se de prova do dolo ou da culpa, ou dos demais elementos subjetivos do tipo, que se situam no mundo das 
ideias, a prova por indícios será de grande valia (não se pode provar por prova material o que não pode ser materializado). 
Contudo, quando se pretende demonstrar por indícios fatos e circunstâncias que podem ser normalmente provados por 
prova material (tal como a materialidade e a autoria), o valor probatório do indício vai ser reduzido. 
Os indícios podem ser classificados em indício positivo (indica a presença do fato ou elemento que se quer 
provar; ratifica a tese sustentada) e indício negativo ou contra indício (alimenta a impossibilidade lógica do fato alegado 
e que se deseja provar; informa uma determinada tese; é o exemplo do álibi). 
Nos HC’s 103118/SP e 101519/SP, ambos julgados em 20/03/2012 e relatados pelo Min. Luiz Fux, a Primeira 
Turma do STF assentou que os indícios têm aptidão para lastrear decreto condenatório, haja vista vigorar o sistema do livre 
convencimento motivado. Constou das ementas que “O princípio processual penal do favor rei não ilide a possibilidade de 
utilização de presunções hominis ou facti, pelo juiz, para decidir sobre a procedência do ius puniendi, máxime porque o 
Código de Processo Penal prevê expressamente a prova indiciária (...) O julgador pode, através de um fato devidamente 
provado que não constitui elemento do tipo penal, mediante raciocínio engendrado com supedâneo nas suas experiências 
empíricas, concluir pela ocorrência de circunstância relevante para a qualificação penal da conduta.” 
 
20 
3.c. Recursos no Processo Penal: Embargos de Declaração, Embargos Infringentes e de 
Nulidade e Embargos de Divergência. 
 
1. Embargos de Declaração 
Destinam-se a integrar decisão, sentença ou acórdão contra omissões, obscuridades, contradições e 
ambiguidades (no âmbito dos juizados, ao invés de ambiguidade, são opostos no caso de “dúvida”). A competência para 
exame é do próprio órgão prolator do julgado. A oposição dar-se-á mediante petição dirigida ao mesmo órgão que proferiu 
a decisão inquinada com aqueles vícios. PRAZO: em geral, é de 2 (dois) dias e de 5 (cinco) dias (em caso de decisão em 
AP originária no STF ou no caso de oposto no âmbito de JECRIM). Quando interpostos em face de sentença, são também 
chamados de “embarguinhos” (art. 382 do CPP). Têm como efeito a interrupção do prazo para ambas as partes para a 
interposição de outros recursos, diversamente do que ocorre no JECRIM, onde, além de o prazo ser de 05 dias, opera-se a 
suspensão dos demais prazos recursais (art. 83, §§ 1º e 2º, 9.099/95), o que significa dizer que transcorrido parte do prazo 
para os demais recursos, opostos os embargos de declaração, o prazo para os demais recursos volta a correr pelo que 
remanescer. Em casos excepcionais, os declaratórios poderão conter efeito infringente (em casos de omissão ou contradição 
que alteram a substância da decisão), hipótese em que a parte adversa deverá ser intimada para apresentar contrarrazões, 
em homenagem ao princípio do contraditório. Sendo os embargos evidentemente protelatórios e declarados como tal, o 
prazo para a interposição de outro recurso não se interrompe ou suspende (RISTF, art. 339, § 2º). O STF admite a aplicação 
do princípio da fungibilidade para receber embargos de declaração como agravo regimental (AI 837155 ED/PR e HC 112444 
ED/RS). Pacelli defende que é possível haver aumento de pena por meio de embargos de declaração, desde que o recurso 
tenha sido interposto pela acusação. 
 
2. Embargos Infringentes e de Nulidade 
Trata-se de recurso que objetiva o reexame de decisões não unânimes proferidas em sede de apelação e de 
recurso em sentido estrito quando o acusado for sucumbente na parte objeto de divergência. Embora o nome pareça indicar 
a existência de dois recursos (assim, entende Renato Brasileiro, p. 1655, 2014; Távora e Alencar, p. 1001, 2013; Pacelli, p. 
985, 2014), é um único recurso com dupla possibilidade de manejo, pois a matéria impugnável é ampla, incluindo questões 
de mérito (“infringentes”) e questões processuais (“de nulidade”). Não tem efeito suspensivo e será interposto no prazo de 
10 dias, a contar da publicação do acórdão, por petição acompanhada de razões. O objeto do recurso é restrito à matéria 
da divergência. É recurso privativo da defesa. Mas o MP tem legitimidade para interpô-lo, desde que o faça em favor da 
defesa. É apreciado no âmbito do próprio tribunal julgador. Prevalece na doutrina o entendimento segundo o qual são 
cabíveis embargos infringentes e de nulidade contra decisões proferidas em sede de agravo em execução, haja vista sua 
similitude com o recurso em sentido estrito. O julgamento dos embargos infringentes e de nulidade pode dar azo ao que a 
doutrina convencionou chamar de voto médio, que representa a adoção de um critério para a obtenção da vontade da 
maioria, quando os votos dos membros do órgão colegiado são discrepantes entre si. Como exemplo, há a divergência sobre 
o quantitativo de penas. O critério indicado pode variar conforme se adote a média aritmética das penas votadas pelos 
membros do tribunal, a pena que se situe em permeio às demais ou, ainda, a sanção que seja mais favorável ao acusado. 
1: Tal recurso sobrestará o prazo para interposição de recurso extraordinário ou recurso especial relativamente à 
parte unânime, na forma do art. 498 do CPC, ou seja, o prazo para esses recursos excepcionais que pretendam atacar a 
parte unânime e/ou a parte divergente terá início com a publicação do acórdão referente ao julgamento dos embargos 
infringentes interpostos. Nesse sentido, entende o STJ, v. RESP nº 881.847/PE e RESP 785.679/MG. O STF, por sua vez, 
entende que o art. 498 do CPC, não se aplica ao processo penal, continuando a aplicar a Súmula 355: “Em caso de embargos 
infringentes parciais, é tardio o recurso extraordinário interposto após o julgamento dos embargos, quanto à parte da decisão 
embargada por eles não abrangida”. A propósito, é o teor do seguinte julgado: 
EMENTA: Recurso extraordinário criminal: intempestividade: interposição após o julgamento de embargos 
infringentes, quanto à parte da decisão recorrida por eles não abrangida: entendimento que a Súmula 355 documentou e 
que, em matéria criminal, não foi modificado pela L. 10.352/01, que alterou o art. 498do C. Pr. Civil: precedente (AI 197.032-
QO, Pertence, RTJ 167/1030) (AI 432884 QO, Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Primeira Turma, julgado em 
09/08/2005, DJ 16-09-2005 PP-00024 EMENT VOL-02205-03 PP-00511) 
Na 18ª edição de seu Curso de Proceso Penal, Pacelli (p. 985 e 988) teceu severas críticas a decisão do STF na 
AP 470/MG que entendeu que a norma prevista no art. 333 do RISTF teria sido recepcionada pela ordem constitucional de 
1988. São elas: 1) a delegação de poderes normativos ao STF para regular procedimentos de sua competência vem de 
fonte ilegítima do Poder Público, dado que proveniente da Constituição de 1967, ordem jurídica constitucional instalada com 
o advento do Golpe Militar de 1964; 2) a Constituição de 1988 atribuiu competência exclusiva à União para legislar sobre 
direito processual, não podendo o STF invadir a competência do Poder Legislativo para tratar de matéria que é reservada à 
Lei; 3) a CRFB arrolou taxativamente a competência recursal do STF; 4) a Lei nº 8.038/90 tratou exaustivamente a respeito 
das ações penais originárias e sobre os respectivos procedimentos, não contemplando os embargos infringentes do art. 333 
do RISTF, além de que dispôs acerca dos recursos cabíveis em face de tais ações julgadas pelo plenário, não tratando em 
momento algum dos embargos infringentes para atacá-las, já que, segundo o art. 29 da referida Lei, eles são cabíveis contra 
decisão de turma, para submeter a matéria ao plenário, e desde que sobre a matéria nele deduzida haja divergência entre 
as turmas ou entre a turma e o plenário. Muito embora todas essas críticas, certo é que o STF entendeu que o art. 333 do 
RISTF foi recepcionado pela CRFB, mostrando-se compatível, inclusive, com a Lei nº 8.038/90. Chegou-se a falar em 
violação ao duplo grau de jurisdição, que não se trata de princípio aplicável às ações penais originárias apreciadas pelo STF, 
por opção do constituinte originário, até porque a jurisdição dos Tribunais Internacionais é subsidiária e vinculada a 
determinados pressupostos objetivos (morosidade, julgamentos de exceção, etc.) 
Súmulas do STF: 
293: “são inadmissíveis embargos infringentes contra decisão em matéria constitucional submetida ao plenário 
dos tribunais”. 
455: “da decisão que se seguir ao julgamento de constitucionalidade pelo tribunal pleno, são inadmissíveis 
embargos infringentes quanto à matéria constitucional”. 
21 
Súmulas do STJ: 
207: “É inadmissível recurso especial quando cabíveis embargos infringentes contra acórdão proferido no tribunal 
de origem” 
390: “Nas decisões por maioria, em reexame necessário, não se admitem embargos infringentes”. 
Ver também art. 25, lei 12.016/2009. 
 
3. Embargos de Divergência 
Trata-se de recurso próprio das instâncias superiores (STF/STJ), que visa uniformizar a jurisprudência de órgãos 
fracionários do mesmo tribunal unicamente sobre questão de direito sufragada por tais órgãos. Devem ser interpostos em 
petição escrita, já com razões, no prazo de 15 dias (art. 29 da Lei n° 8.038/90), serem dirigidos ao relator da causa, intimando-
se em seguida o embargado para apresentar contrarrazões no mesmo prazo. Cabível contra decisão em sede de RE e REsp 
cujo teor seja divergente do julgamento de outra turma, seção, órgão especial ou pleno. Não são cabíveis em face de decisão 
monocrática de Ministro Relator (STJ, AgRg no EAREsp 10115/SP). “Em sede de embargos de divergência, os paradigmas 
devem, necessariamente, ser provenientes de julgados prolatados em recurso especial, não se prestando para 
demonstração do dissídio arestos provenientes de julgamento em habeas corpus, nem em conflito de competência" (STJ, 
AgRg nos EREsp 575.684/SP). A legitimidade e o interesse são visualizados sob a perspectiva da ideia de sucumbência. 
Ver Súmulas n° 286 do STF e n° 158, 168 (“não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do 
Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado”), 315 (“não cabem embargos de divergência no âmbito de 
agravo de instrumento que não admite recurso especial”) e 316 (“cabem embargos de divergência contra acórdão que, em 
agravo regimental, decide recurso especial”) do STJ. O processamento é disciplinado pelo regimento interno do tribunal. 
 
 
 
 
22 
23 
4.a. Princípios e questões relativas aos Inquéritos Policiais e Investigações Criminais. 
 
Inquérito Policial. É um procedimento administrativo, formado por um conjunto de diligências, destinadas a 
investigar um crime. NJ: procedimento administrativo e não ato de jurisdição; vale ressaltar que os vícios constantes do 
inquérito policial não afetam a ação penal a que deu origem. Finalidade: colher elementos de informação relativos à autoria 
e materialidade da infração penal; destina-se à formação da opinio delicto. Presidência: a cargo da autoridade policial. Polícia 
administrativa ou de segurança: preventiva, com caráter ostensivo, com a finalidade de impedir ocorrência de infrações. 
Polícia judiciária: repressiva, tem a missão primordial de elaboração do inquérito policial. Notitia criminis apócrifa: com base 
na cláusula constitucional de vedação do anonimato, o STF afirmou a impossibilidade de instauração de persecução criminal, 
leia-se inquérito policial ou procedimento investigatório, com base exclusivamente em notitia criminis apócrifa, salvo quando 
o documento em questão tiver sido produzido pelo acusado, ou constituir o próprio corpo de delito (Inquérito 1.957/PR). 
Inquéritos não criminais: parágrafo único do art. 4º CPP. Há o inquérito parlamentare, (CPI, que remeterá seus 
relatórios ao MP, polícias e demais órgãos de controle); o IP militar; o inquérito civil (ACP); inquérito para apuração de crimes 
praticados por magistrados ou promotores (investigações presididas por órgãos de cúpula de cada carreira - LC 35/79, art. 
33, LC 75/93, art. 18 Lei n. 8625, art. 41); investigação envolvendo autoridades com prerrogativa de foro (tramitam no Tribunal 
respectivo, ex: STF Inq2411). Há também investigações criminais administrativas realizadas por outros órgãos, como a 
Fazenda Pública, o Banco Central, e outros, devendo tais procedimentos ser encaminhados ao MP quando apurados ilícitos 
penais. Não há mais investigação judicial, da antiga lei de falências; a Lei 11.105/2005 não a prevê, aplicando-se as normas 
do CPP. Há, ainda, a possibilidade de investigação por conta do próprio MP. O STJ e a 2ª Turma do STF possuíam 
precedentes reconhecendo o poder de investigação do MP. Esse entendimento foi reafirmado pelo Plenário do STF no 
julgamento do RE 593727, com repercussão geral, apreciado em 14/05/2015. Reconheceu-se a legitimidade do MP para 
promover, por autoridade própria, investigações de natureza penal, mas deverá respeitar alguns parâmetros: 1) respeito aos 
direitos e garantias fundamentais dos investigados; 2) os atos investigatórios devem ser necessariamente documentados e 
praticados por membros do MP; 3) devem ser observadas as hipóteses de reserva constitucional de jurisdição; 4) respeito 
às prerrogativas profissionais asseguradas por lei aos advogados; 5) garantia prevista na súmula vinculante 14 do STF; 6) 
realizada dentro de prazo razoável; 7) sujeitos ao permanente controle do Poder Judiciário. OBS: eventual escuta e posterior 
transcrição das interceptações telefônicas pelos servidores do Ministério Público não têm o condão de macular a mencionada 
prova, pois não passa de mera divisão de tarefas dentro do próprio órgão, o que não retira do membro que conduz a 
investigação a reponsabilidade pela condução das diligências. 
Teoria dos Poderes Implícitos: a CF/88, ao prever as funções institucionais do MP, no art. 129, estabelece que, 
além de exercer o controle externo da atividade policial – o que só pode se relacionar com os procedimentos investigatórios 
(inciso VII) – atribui-se-lhe a competência para suprir eventuais procedimentosnão realizados ou realizados de forma 
insuficiente. Pode o MP requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial (VIII); logo, se pode 
requisitar, pode também realizá-las. Ainda que não haja um procedimento legal previsto (assim como o inquérito no CPP), a 
CF prevê a possibilidade de exercício de "outras funções que lhe forem atribuídas" (inciso IX); assim, desde que com base 
em lei, sem usurpação das atribuições da autoridade policial, pode sim o MP realizar investigação criminal. A LC 75/93, em 
seus arts. 7º, II, e 8º, prevê várias diligências investigatórias de atribuição do MPF. Além disso, a Lei nº 8625/93, lei orgânica 
nacional do MP, em seu art. 26, também explicita várias diligências investigatórias que podem ser por este realizadas. 
Crimes contra a ordem tributária: a Lei 9.430/96 não institui a condição de procedibilidade da ação penal pública 
para a persecução dos crimes contra a ordem tributária, não se podendo falar em subordinação da atuação do Ministério 
Público ao julgamento da instância administrativa. Entretanto, o STF vem exigindo o encerramento do procedimento fiscal 
para a constituição ou não do crédito tributário, como condição objetiva de punibilidade, rejeitando as denúncias oferecidas 
antes da conclusão final administrativa à conta de ausência de justa causa. A condição objetiva de punibilidade para o início 
da persecução penal é exigido apenas para os crimes materiais em que se exige um resultado, não se aplicando para os 
crimes formais. Súmula Vinculante nº 24-STF. 
Características do IP: 1. É uma peça escrita, art. 9º, CPP. 2. É instrumental. 3. É uma peça dispensável. 4. É uma 
peça sigilosa, artigo 20, CPP. A Lei 12.681/2012 alterou o artigo 20 do CPP, passando a prever, expressamente, além do 
sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade, que a autoridade policial não poderá mencionar 
quaisquer anotações referentes à instauração de inquérito contra os requerentes. Ao juiz e ao promotor não se opõe esse 
sigilo. Delegado negou acesso aos autos a advogado com procuração, pode impetrar HC ou MS? O correto seria MS, mas 
pode impetrar também HC. STF: sempre que houver constrangimento à liberdade de locomoção, mesmo que potencial, será 
cabível o uso do HC. 5. É uma peça inquisitiva. 6. É uma peça informativa. Em regra, o elemento produzido na fase 
investigatória não pode ser levado à fase judicial e utilizado para a condenação, mas excepcionalmente é possível em relação 
às provas antecipadas, cautelares e irrepetíveis, cujo contraditório é diferido. 7. É uma peça indisponível. 8. É temporário. 9. 
Oficiosidade: deve instaurar o IP de ofício. 
Formas de instauração do IP a. De ofício: inicia-se o inquérito por meio de portaria (isso para ação penal pública 
incondicionada). b. Mediante requisição do juiz ou do MP: em face do sistema acusatório, não é aceitável a requisição da 
instauração do inquérito pelo juiz, que deve ficar afastado da fase pré-processual, ressalvada a tutela das garantias públicas. 
Fischer e Pacelli entendem pela não recepção da regra pela CF/88. c. Por requerimento do ofendido ou de seu representante 
legal: o delegado, diante do requerimento do ofendido, não é obrigado a instaurar o inquérito se não houver um mínimo de 
elementos informativos. Fischer e Pacelli defendem que o juízo da autoridade policial deve limitar-se à análise da tipicidade 
formal do fato; não cabe exame de excludentes. d. Mediante auto de prisão em fragrante. e. Por notícia oferecida por 
qualquer do povo, conhecida como delatio criminis (art. 5º, p. 3º, CPP). 
Direito ao silêncio: uma das perspectivas do princípio geral do Nemo tenectur se detegere (ninguém é obrigado a 
se descobrir), princípio por força do qual o acusado deixou de ser objeto de prova e tornou-se sujeito de direitos. No Brasil, 
o direito ao silêncio, também designado como um direito a não auto incriminação, tem fundo constitucional (art. 5º, LXIII), do 
mesmo modo que a norma que garante ao investigado o direito de identificar os responsáveis, tanto por sua prisão quanto 
por seu interrogatório judicial (art. 5º, LXIV)- Fischer e Pacelli. O acusado sequer é obrigado a comparecer perante a 
autoridade policial; somente é obrigado a estar presente na diligência de reconhecimento de pessoas (arts. 226 e 228 CPP). 
24 
Pacelli: não há inconstitucionalidade na exigência desta última. 
Identificação Criminal: é formada pela identificação fotográfica e identificação dactiloscópica. É também uma 
modalidade de intervenção corporal que não é tido como inconstitucional. Art. 5º, LVIII, CF. Sendo norma de eficácia contida, 
possibilitou que a lei previsse hipóteses de identificação do civilmente identificado. As Leis 9.034/95 e Lei 10.054/00 foram 
revogadas pela Lei nº 12.037/2009, que prevê a identificação para quaisquer pessoas que não apresentem identificação 
civil, desde que se achem submetidas à persecução penal. Prevê, ainda, a identificação pelo processo datiloscópico e 
fotográfico para aqueles já identificados civilmente, quando (art. 3º) haja situações em que se pode questionar a identificação 
civil; fora isso, somente por determinação judicial será cabível a medida. É também vedada a referência da identificação 
criminal em atestados de antecedentes ou em informações não destinadas ao juízo criminal, antes do trânsito em julgado. 
Indiciamento. É a imputação à alguém, no IP, da prática do ilícito penal, em decorrência de indícios convergentes 
de autoria. Pressupostos do indiciamento: a) Prova da existência do crime e b) Indícios de autoria. O indiciamento é ato 
privativo da autoridade policial, segundo sua análise técnico-jurídica do fato. O juiz não pode determinar que o Delegado de 
Polícia faça o indiciamento de alguém. (STF HC 115015/SP, 27/8/2013). 
Incomunicabilidade do indiciado preso: não foi recepcionado pela CF/88. Se nem estado de defesa não é possível 
a incomunicabilidade (art. 136, §3º, IV, CF), o que dizer então em um período de normalidade. 
Informativos do STF 
É INCONSTITUCIONAL lei estadual que preveja a tramitação direta do inquérito policial entre a polícia e o 
Ministério Público. 
É CONSTITUCIONAL lei estadual que preveja a possibilidade de o MP requisitar informações quando o inquérito 
policial não for encerrado em 30 dias, tratando-se de indiciado solto. 
 
 
 
25 
4.b. Procedimentos especiais. 
 
Conceito. é todo aquele previsto no âmbito dos CPP ou Leis Especiais para as hipóteses específicas, incorporando 
regras próprias de tramitação processual. 
 
Processos de competência originária. Lei nº 8.038/90. O IP tramitará perante o próprio órgão da jurisdição, 
competente para o processo e julgamento da futura ação penal. Prazo para denúncia ou arquivamento do IP: 15 dias acusado 
solto e 5 dias acusado preso. Instrução: não há regramento expresso, mas o STF disse que é presidida pelo juiz relator, cujo 
juízo de valor é do MP, o que não configura a figura do juiz inquisidor (juiz de garantias). Notificação do acusado para oferecer 
resposta em 15 dias. Pacelli: entende ser aplicável às ações penais originárias o disposto no art. 366 do CPP (p. 778). Em 
seguida, o tribunal, e não só o relator, deverá se manifestar sobre o recebimento ou sobre a rejeição da denúncia, prevendo 
o art. 6º que poderá ser julgada improcedentes a acusação se a decisão não depender de outras provas, com designação de 
dia e permissão de manifestação oral das partes pelo prazo de 15 minutos. Pacelli: quando se tratar de rejeição da denúncia, 
o juízo que sobre a matéria se estende é simplesmente de viabilidade da ação. No entanto, sustenta ser aplicável por analogia 
o art. 397 do CPP, quanto ao conteúdo da matéria versada no aludido dispositivo (p. 779). STJ/STF: (AgRg APN 697/Info 
736) não é necessária a aplicação do art. 397 CPP, porque o rito dessa lei já traz a previsão do denunciado apresentaruma 
resposta preliminar (art. 8), o que torna despicienda o dispositivo do CPP. Recebida a denúncia, segue-se o interrogatório do 
acusado, mediante a sua citação (art. 7º). Pacelli: o interrogatório poderá ser realizado, por analogia, como último ato da 
instrução. Ainda não há um posicionamento pacífico do STF e do STJ a respeito do tema, embora a posição mais recente do 
STF é no sentido de que o ato do interrogatório passou a ser o último ato da instrução. A não ser que se entenda aplicável a 
nova regra do interrogatório, será aberto o prazo de cinco dias para a defesa prévia (art. 8º). Após, a oitiva das testemunhas 
e observância do rito comum dos crimes punidos com reclusão. Requerimento de diligencias final: 5 dias. Alegações finais: 
15 dias (art. 11). Na data marcada, após a manifestação oral das partes por 1 hora, ocorrerá o julgamento (art. 12). 
 
Dos crimes de responsabilidade de funcionários públicos. Rito estabelecido para os crimes comuns (crimes 
funcionais próprios). Oferecida denúncia ou queixa nos crimes afiançáveis, o juiz ordenará a notificação do acusado, para 
responder por escrito, dentro do prazo de 15 dias. Súmula 330 STJ: a apresentação de defesa preliminar seria desnecessária 
na ação penal que foi instruída por IP. A nulidade por inobservância do art. 514 do CPP é relativa, devendo ser demonstrado 
efetivo prejuízo. A jurisprudência assentou o entendimento de que, tendo a denúncia imputado ao paciente crimes funcionais 
e não funcionais, não se aplica o art. 514 do CPP (STJ HC 171117, 23/04/2013). Recebida a denúncia ou a queixa, segue-
se o rito comum ordinário com a citação do acusado. Pacelli sustenta estarem revogados os arts. 514 e 516 do CPP, 
entendendo que agora o rito é o ordinário. Aury Lopes Jr faz uma crítica contundente à súmula 330 do STJ, dizendo que com 
ou sem IP é necessária a resposta preliminar, e, para finalizar, aduz que após a adoção do procedimento ordinário, a súmula 
perdeu seu objeto. O STF possui julgados em sentido contrário à súm. 330 STJ, ou seja, afirmando que a defesa prévia é 
indispensável em qualquer hipótese (RHC 120569, 11/03/2014). Info 743 STF: se o acusado, à época do oferecimento da 
denúncia, não era mais servidor público, não terá direito à defesa preliminar. 
 
Dos crimes contra a honra. Submetem-se ao rito sumaríssimo do JECRIM, constituindo infração de menor 
potencial ofensivo, pois a maior pena máxima é a do crime de calúnia que não supera 2 anos. Contudo, havendo concurso 
material será excedida a competência do JECRIM, devendo o processo seguir o rito estabelecido nos arts. 519 e seguintes 
do CPP. 
As disposições do CPP aplicam-se somente para crimes de ação penal privada, ou seja, não abrange os crimes 
contra a honra do Presidente da República ou Chefe de Governo estrangeiro (ação penal depende de requisição do Ministro 
da Justiça) e da injúria real, bem como ritos previstos em lei especial, como os do CE, e da Lei 8038/90. Outrossim, no caso 
de crime contra funcionário público, a ação pode ser ajuizada mediante queixa (súm. 714 STF), ocasião em que poderá ser 
aplicado este rito. Antes de receber a queixa, o juiz oferecerá às partes oportunidade para se reconciliarem, sob pena de 
nulidade absoluta, pois é uma condição de procedibilidade. Consequências do não comparecimento do querelante à 
audiência de conciliação: 1C) Há perempção (Aury Lopes Jr.); 2C) Há condução coercitiva do querelado. Exceção da verdade 
ou da notoriedade do fato imputado: o querelante poderá contestar a exceção no prazo de 2 dias. Não é admitida nos crimes 
de injúria, pois é ferida a honra subjetiva da pessoa. Quando se tratar de querelante que goze de prerrogativa de função, a 
exceção será decidida pelo tribunal competente para julgar o funcionário público que depois devolverá o processo ao juízo 
de origem, conforme interpretação do artigo 85, do CPP (STF HC 74649/SP). Info 522 STJ: o juízo de admissibilidade, o 
processamento e a instrução da exceção da verdade oposta em face de autoridades públicas com prerrogativa de foro devem 
ser realizados pelo próprio juízo da ação penal. Somente após a instrução dos autos, caso admitida a exceptio veritatis, o 
juízo da ação penal originária deverá remetê-los à instância superior para o julgamento do mérito. Não cabe recurso da 
decisão que inadmite a exceção da verdade. Cabendo ao querelado, caso condenado, insurgir-se em preliminar de eventual 
apelação. Há posição contrária, admitindo a apelação (TRF5 ACR 4792 CE 2006.81.00.009517-3). 
Caso o crime contra a honra seja praticado por meio da imprensa, não deve aplicar a Lei de Imprensa em razão 
da ADPF 130-7, de modo que o rito ali previsto não foi recepcionado, pela violação da liberdade de imprensa, manifestação, 
pensamento, como decorrência da democracia e da dignidade da pessoa humana 
 
Do processo penal eleitoral. Crimes de ação penal pública incondicionada. Oferecimento de denúncia: 10 dias. 
Em razão do silêncio do CE, Pacelli entende que o prazo de 10 dias deve ser aplicado apenas quando se tratar de denunciado 
solto, devendo ser respeitado o prazo de 5 dias se ele se encontrar preso (art. 46 CPP analogia). No caso de o magistrado 
discordar das razões apresentadas para o requerimento de arquivamento do MP, deverá fazer a remessa dos autos ao (PRE) 
para tomar as medidas do art. 28 do CPP (art. 357, § 1°, do CE). No entanto, a 2ª CCR entende que os autos devem ser 
remetidos à ela, tendo havido derrogação do mencionado artigo do CE pelo art. 62, IV, da LC nº 75/93 (enunciado 29). Pacelli: 
nos casos de ação penal originária, se o PRE requerer o arquivamento e houver discordância do órgão julgador, caberá ao 
PGE analisar as razões invocadas; sustenta a observância do disposto no art. 394, § 4°, do CPP. O art. 359 do CE fala em 
26 
depoimento pessoal do acusado, mas deve ser interpretado como meio de defesa, permitindo-se a participação dos 
interessados, tal como agora ocorre no interrogatório no processo penal comum. Alegações finais: 5 dias. Conclusão dos 
autos: 48 horas. Sentença: 10 dias. Das decisões finais de condenação ou absolvição cabe recurso inominado, no prazo de 
10 dias acompanhado das razões. Tratando-se de decisão interlocutória, simples ou mista, aplica-se o recurso em sentido 
estrito, por analogia, desde que no prazo de 3 dias (art. 258 CE). Cabíveis embargos de declaração em 3 dias (art. 258 do 
CE). Pacelli: não aplicação do art. 600, §.4°, do CPP, já que os prazos eleitorais são integrais. As medidas cautelares pessoais 
introduzidas no CPP pela Lei nº 12.403/11 são também admitidas no processo penal eleitoral, nos limites e na extensão em 
que aplicáveis no processo geral (Pacelli, 2014, 825). Nenhuma autoridade poderá, desde 5 dias antes e até 48 horas depois 
do encerramento da eleição, prender ou deter qualquer eleitor, salvo flagrante delito ou em virtude de sentença criminal 
condenatória por crime inafiançável, ou ainda, por desrespeito a salvo-conduto. Referido prazo é de 15 dias, em se tratando 
de candidatos, mesários e fiscais dos partidos. 
 
Crimes falimentares. Crimes de ação penal pública incondicionada, cujo rito é o sumário (art. 185 da Lei nº 
11.105/05) e cuja competência é do Juiz Criminal da jurisdição onde tenha sido decretada a falência, concedida a recuperação 
judicial ou homologado o plano de recuperação extrajudicial. Não há mais o inquérito judicial falimentar. A sentença que 
decreta a falência ou concede a recuperação judicial ou a recuperação extrajudicial é condição objetiva de procedibilidade, 
embora a lei fale em punibilidade. O prazo para oferecimento da denúncia regula-se pelo art. 46 do CPP, salvo se o MP, 
estando o réu solto ou afiançado, decidir aguardar a apresentação da exposição circunstanciada de que trata o art. 186 da 
Lei 11.101/05, devendo, em seguida, oferecer a denúncia. Na omissão do MP, qualquer credor habilitado ou o administrador 
judicial poderáoferecer ação penal privada subsidiária da pública, observado o prazo decadencial de 6 meses. Pacelli: os 
credores poderão ser assistentes da acusação por força do art. 188 da Lei nº 11.101/05, e do art. 268 do CPP; impossibilidade 
de aplicação do novo rito aos crimes praticados antes da Lei nº 11.101/05, já que as novas regras processuais são mais 
gravosas. 
 
 
27 
4.c. Revisão criminal 
 
Revisão Criminal: é uma ação autônoma de impugnação (embora situada no CPP no capítulo dos recursos em 
geral), de caráter constitutivo (primeiro desconstitui, depois constitui). A sociedade espera a estabilidade da decisão justa e 
não a manutenção de pronunciamento judicial caracterizado por erro de fato ou de direito. 
A revisão será admitida: I - quando a sentença condenatória for contrária ao texto expresso da lei penal ou à 
evidência dos autos; II - quando a sentença condenatória se fundar em depoimentos, exames ou documentos 
comprovadamente falsos; III - quando, após a sentença, se descobrirem novas provas de inocência do condenado (pré-
constituídas, não se admite dilação probatória) ou de circunstância que determine ou autorize diminuição especial da pena; 
IV – configuração de nulidade processual (art. 626 do CPP). Ação de fundamentação vinculada. Não obstante o art. 621 faça 
menção de que a natureza da decisão contra a qual poderá ser requerida a revisão é condenatória, pacificou-se a sua 
admissão de sentença absolutória imprópria com trânsito em julgado. 
Pode ser requerida em qualquer tempo, antes da extinção da pena ou após, pelo próprio réu ou por procurador 
legalmente habilitado ou, no caso de morte do réu, pelo cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. Não deve ser exigida 
capacidade postulatória (advogado). Não será admissível a reiteração do pedido, salvo se fundado em novas provas. Pacelli: 
a vedação à reiteração do pedido independe da identidade das partes no pedido anterior; ou seja, a vedação é para qualquer 
legitimado. 
Segundo o STF, o MP não é legitimado para formalizar a revisão criminal (RHC 80796). Ressalte-se o 
entendimento majoritário de que o MP também tem legitimidade para ingressar com pedido de revisão criminal, desde que 
em favor do acusado, visto que, em sede de alegações finais, pode pugnar pela absolvição do acusado, além de poder 
impetrar habeas corpus em prol da proteção à liberdade de locomoção dos cidadãos em geral (arts. 385 e 654, CPP). 
Serão julgadas pelo STF, quanto às condenações por ele proferidas. TJ ou TRF, o julgamento será efetuado pelas 
câmaras ou turmas criminais, reunidas ou em sessão conjunta, quando houver mais de uma, e, no caso contrário, pelo 
tribunal pleno. Relator não poderá ter pronunciado qualquer decisão em qualquer fase do processo anterior. Julgando 
procedente a revisão, o tribunal poderá alterar a classificação da infração, absolver o réu, modificar a pena ou anular o 
processo. Não poderá ser agravada a pena imposta pela decisão revista. O tribunal, se o interessado o requerer, poderá 
reconhecer o direito a uma justa indenização pelos prejuízos sofridos. A indenização não será devida se o erro ou a injustiça 
da condenação proceder de ato ou falta imputável ao próprio impetrante, como a confissão ou a ocultação de prova em seu 
poder ou se a acusação houver sido meramente privada (Pacelli critica e entende que mesmo o erro judicial na ação privada 
é indenizável). 
Tribunal superior não será competente para revisão criminal se não conheceu do RESP/RE (prova objetiva do 26º 
MPF 2011). Caberá revisão criminal se houver mudança jurisprudencial (interpretação do direito), sem novas provas. Não é 
permitida revisão criminal no interesse da acusação contra o acusado. Embora não se admita a revisão criminal ‘pro 
societate’, o STF já admitiu, na hipótese em que o acusado teve extinta a sua punibilidade com base em certidão de óbito 
falsa (fundamento: inexistência de coisa julgada em sentido estrito, pois, caso contrário, o acusado estaria sendo beneficiado 
de sua conduta ilícita e, por sua vez, de sua própria torpeza). Se o pressuposto é falso, não há como admitir o consequente 
(HC nº 84.525/MG, Rel. Min. Carlos Velloso). 
Possibilidade de ajuizamento para alteração de julgamento do Tribunal do Júri. Prevalece que somente é possível 
haver o juízo rescidente, já que o Tribunal do Júri é o juiz natural para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida, não 
cabendo aos Tribunais em geral substituí-los para desconstituir ou cassar seus julgados, sob pena de malferir a soberania 
de seus julgados (RESP nº 1.172.278/GO). 
Nada obsta revisão criminal de condenações proferidas no âmbito dos Juizados Especiais. 
Não se admite revisão criminal das sentenças que tenham homologado transação penal, já que não há sentença 
condenatória, nem absolutória imprópria, quiçá análise da conduta do acusado e das provas a respeito de existência da 
autoria e da materialidade. Não se admite revisão criminal das decisões políticas que determinem o afastamento do Chefe 
do Poder Executivo e de Ministros de Estado (Impeachment), já que se trata de sanção política, decorrentes de crime de 
responsabilidade, que têm natureza jurídica de infração político-administrativa, cuja competência é do Poder Legislativo, sob 
pena de ofender o arranjo constitucional dos poderes. 
Cabível em caso de atualização da jurisprudência. Se for alteração legislativa: basta petição à VEC ou HC. 
Qualquer alteração possível na dosimetria permite revisão. Revisão criminal não tem efeito suspensivo. Se o acusado foi 
condenado com decisão transitada em julgado, não se pode postular liberdade com base na demora do julgamento da 
revisão criminal. (HC 169.605-GO). Cabe mesmo que morto o requerente. Só poderá ser proposta uma vez, salvo se fundada 
em novas provas. Tribunal superior só é competente se, concretamente, analisaram o mérito da decisão condenatória. 
Relator pode determinar produção de novas provas (ex: testemunhais) A amplitude da matéria a ser examinada é a maior 
possível. Tribunal pode absolver mesmo se pedido for de anulação ou diminuição da pena. Se pedir absolvição, Greco Filho 
diz que tribunal não pode anular; Pacelli diz que pode. Assim, tribunal pode alterar a classificação (mais branda), absolver, 
modificar a pena ou anular o processo ou julgar improcedente. JUÍZO RESCINDENTE: tribunal julga procedente a revisão e 
desconstitui a decisão anterior. JUÍZO RESCISÓRIO: tribunal julga novamente, reforma. Não aplica teoria da causa madura, 
sob pena de supressão de instância. Deve ser observado o princípio da ‘ne reformatio in pejus’ direta. Deve-se atentar para 
o princípio da ‘ne reformatio in pejus’ indireta, aplicável na hipótese em que o Tribunal, que julgar a revisão criminal, anule e 
determine que o juízo a quo profira nova decisão, hipótese em que este ficará adstrito ao máximo de pena imposta no 
primeiro decisum, não podendo agravar a situação do acusado. 
O ônus da prova na revisão criminal: acusado requerente, não se aplicando o ‘in dubio pro reo’, pois já formada 
coisa julgada em seu desfavor, havendo um juízo de veracidade e certeza em relação ao crime pelo qual fora condenado. 
Recursos cabíveis: todos, com exceção do recurso de apelação e do recurso de embargos infringentes, cabendo 
destacar a hipótese de recurso inominado (que faz às vezes de agravo regimental) quando o relator rejeitar liminarmente o 
pedido revisional, se deficientemente instruído e se contrário ao interesse da justiça o apensamento dos autos originais, v. 
art. 625, §§3º e 4º. 
Súmula do STF: 393. 
28 
“(...) Em se tratando de habeas corpus impetrado no âmbito de processo de revisão criminal, a controvérsia deve 
ser examinada e decidida à luz e nos limites admitidos para a revisão de sentenças, estabelecidos no art. 621 do CPP. A 
ação de habeas corpus não se mostra adequada para formular pretensões que ultrapassem esses limites, ampliandoas 
hipóteses de revisão criminal.” (STF. 2ª Turma. RHC 116947/SP) 
 
 
29 
5.a – Ação Penal: espécie. Denúncia. Queixa. 
 
1) Ação penal pública 
1.1) Incondicionada: constitui a regra no ordenamento (a CF adotou o modelo acusatório público e dispõe o art. 
100 do CP que a ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a declara privativa do ofendido). Conforme destaca 
Pacelli, do dever estatal da persecução penal resulta a obrigatoriedade do MP em promover a ação penal. Ou seja, quando 
verificada a conduta delituosa e satisfeitas as condições da ação penal não possui o parquet discricionariedade. Porém, 
defende Pacelli que, em virtude da independência funcional do MP, verificada uma das causas de justificação da conduta, 
pode o parquet requerer o arquivamento (a prova da existência das excludentes deve se apresentar de modo incontestável, 
longe de qualquer dúvida razoável). Nesse sentido, enunciado 21 da 2ªCCR (excludente cabalmente provada). O princípio 
da obrigatoriedade da ação penal traz desdobramentos que se traduzem na indisponibilidade, oficialidade (legitimação da 
persecução em órgãos do Estado), autoritariedade e oficiosidade (algumas das classificações doutrinárias utilizadas, de 
acordo com Pacelli). 
Pacelli destaca alguns casos em que a ação será pública incondicionada: Lei 8.069/90 quando praticados contra 
criança ou adolescente, Lei 11.105/05 (Falências), Lei 10.741/03 (Estatuto do Idoso) e crimes eleitorais, sendo que neste 
último caso é possível a ação privada subsidiária da pública. Discricionariedade regrada: alguns doutrinadores sustentam 
sua existência após a introdução no ordenamento jurídico do instituto da transação penal. Seria uma forma de mitigação do 
princípio da obrigatoriedade da ação penal. Pacelli não concorda com tal entendimento até mesmo por entender que não 
existe discricionariedade na sua aplicação por parte do parquet, mas tão somente em relação à modalidade de pena a ser 
objeto de transação. 
1.2) Condicionada: impõe-se uma condição de procedibilidade: a representação ou requisição do Ministro da 
Justiça, tendo em conta o strepitus iudicii (na tradução livre seria o escândalo do processo, que pode atingir a vítima). Pacelli 
observa que no caso de requisição do Ministro da Justiça há repercussões de ordem política que são levadas em 
consideração, motivo pelo qual existe a referida norma, e que em tais casos a “requisição” aplica-se a inquérito policial, pois 
não pode haver requisição de ação penal, pois esta se insere na titularidade e independência funcional do MP. Pode haver 
ainda interesse tutelado que diga respeito às relações de Direito Internacional (art. 7º, §3º, b, do CP – crime cometido por 
estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil – requisição do Ministro da Justiça). Há, ainda, casos em que a representação do 
ofendido serve tão somente para dimensionar a efetiva lesão ao bem jurídico (representação do ofendido nos crimes de 
ameaça – art. 147 do CP e sigilo de correspondência – 151 e seguintes do CP). 
Características da representação: i) sem ela, não pode sequer ser iniciado o inquérito policial ou lavrado o auto 
de prisão em flagrante; ii) consoante STF e STJ, prescinde de rigor formal; iii) o prazo de 6 meses para seu oferecimento 
conta-se do conhecimento da autoria pela vítima e ostenta natureza decadencial; nos juizados, a representação é 
apresentada oralmente na audiência preliminar, acaso frustrada a composição civil (art. 75 da Lei nº 9.099/95); iv) em se 
tratando de vítima menor de 18 anos, apenas seu representante poderá oferecê-la e o prazo decadencial só inicia quando 
atingida a maioridade; v) em caso de morte ou declaração de ausência da vítima, o direito passa ao CADI (art. 31 do CPP); 
vi) o MP não está vinculado, donde pode enquadrar a conduta em dispositivo diverso ou promover o arquivamento; vii) 
ostenta eficácia objetiva, de modo que, se a vítima indicar apenas parte dos envolvidos o MP pode oferecer denúncia contra 
os demais coautores ou partícipes; viii) enquanto não oferecida a denúncia é possível a retratação. A doutrina majoritária 
admite retratação da retratação quantas vezes a vítima reputar conveniente. 
Característica da requisição do MJ: i) tem por destinatário o PGJ ou PGR; ii) não se submete a prazo decadencial, 
podendo ser ofertada enquanto não prescrito o crime; iii) o MP não está vinculado; iv) ostenta eficácia objetiva (tal como a 
representação); v) pode haver retratação, de acordo com o entendimento de Pacelli. 
Lei Maria da Penha: a retratação da representação no âmbito da violência doméstica somente pode ser feita 
perante a autoridade judicial em audiência designada para tal fim (art. 16 da Lei 11.340/06). V. ADI 4424 - interpretação 
conforme aos artigos 12, inciso I, e 16, ambos da Lei nº 11.340/2006 - natureza incondicionada da ação penal em caso de 
crime de lesão, pouco importando a extensão desta, praticado contra a mulher no ambiente doméstico. 
Em relação a crime contra a honra do servidor público, a despeito do disposto na Súmula 714 do STF (“É 
concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do Ministério Público, condicionado à representação do ofendido, 
para a ação penal por crime contra a honra do servidor público em razão do exercício de suas funções.”), Pacelli entende 
que tal espécie de legitimação é alternativa e não concorrente, pois sendo condicionada à representação o MP jamais estaria 
legitimado a agir ex officio, cabendo, portanto, ao ofendido optar entre a representação ou a propositura de ação privada 
(uma opção exclui a outra). 
1.3) Subsidiária da pública: prevista no art. 2º, §2º, do Decreto-lei nº 201/67, não foi recepcionada pela CF/88. 
 
2) Ação penal privada 
 A doutrina majoritária justifica a existência desta ação com base no mesmo fundamento utilizado para a ação 
pública condicionada: o strepitus iudicii. Para Pacelli, contudo, o fundamento é outro: tão somente reservar-se à vítima a 
opinio delicti, pois o ordenamento prevê o perdão e a perempção apenas para a ação privada (se o fundamento fosse o 
strepitus iudicii não teria previsto, já que estes institutos incidem quando já foi divulgada a existência do fato). 
2.1) Exclusivamente privada (ou propriamente dita): exercida pela vítima ou seu representante legal, passível 
de sucessão nos casos de morte ou ausência 
2.2) Personalíssima: o direito de ação só pode ser exercido pela vítima. O único exemplo atualmente é o do art. 
236 do CP. 
2.3) Subsidiária da pública (ou supletiva): funda-se no reconhecimento da existência também de interesse 
privado na imposição de sanção penal ao autor (Pacelli). O prazo de 6 meses conferido ao particular para ajuizar a queixa 
inicia-se após o término do prazo do MP. A atuação do MP, segundo Nestor Távora, dá-se a título de “interveniente adesivo 
obrigatório”, o que lhe confere amplos poderes, previstos no art. 29 do CPP. Pacelli defende que o MP não pode reduzir o 
campo temático inaugurado com a queixa, ignorando ou afastando a imputação já feita pelo particular, porquanto se trata de 
garantia fundamental (art. 5º, LIX, CF – verdadeiro direito de ação). Nos dizeres de Pacelli, o que pode a denúncia substitutiva 
30 
fazer é narrar o mesmo fato sob o enfoque de novas circunstâncias, de maneira diversa quanto às consequências, bem 
como dar a ele nova definição jurídica e fazer imputações aos mesmos e/ou a outros réus. 
 
1. DENÚNCIA x QUEIXA 
1.1) DENÚNCIA: é a peça inaugural da ação penal pública (incondicionada e condicionada), de titularidade do 
MP. 
- PRAZO PARA OFERECIMENTO DA DENÚNCIA: 
 
RE
GRA 
CPP/CPPM: acusado preso = 5 dias; acusado solto = 15 dias 
 
EX
CEÇÕES 
(a) Lei de drogas = 10 dias (acusado preso ou solto); (b) Código Eleitoral = 10 dias 
(acusado preso ou solto); (c) Lei de abuso de autoridade = 48 horas (acusado preso ou solto); 
(d) Lei de crimescontra a economia popular = 2 dias (acusado preso ou solto). 
 
- CONSEQÜÊNCIAS DE UMA DENÚNCIA FORA DO PRAZO: (a) cabimento da ação penal privada 
subsidiária da pública; (b) relaxamento da prisão, se a extrapolação do prazo for abusiva; (c) perda do subsídio, 
segundo o art. 801 CPP (para parte da doutrina não foi recepcionado pela CF/88); e (d) eventual crime de prevaricação. 
1.2) QUEIXA-CRIME: é a peça inaugural da ação penal privada (exclusiva, personalíssima e subsidiária da 
pública), de titularidade do ofendido ou de seu representante legal, podendo passar ao cônjuge, companheiro, 
ascendente, descendente ou irmão do ofendido em caso de morte, salvo na ação penal privada personalíssima. 
- PRAZO PARA OFERECIMENTO DA QUEIXA-CRIME: o ofendido/representante legal perde o direito de 
oferecer a queixa se não o fizer no prazo de 6 meses, contado, em REGRA, a partir do momento em que se souber 
quem é o autor do delito (art. 38 CPP). Renato Brasileiro defende que, estando o acusado preso, o 
ofendido/representante legal tem prazo de 5 dias para o oferecimento da queixa. 
 
2. REQUISITOS DA PEÇA ACUSATÓRIA (art. 41 CPP) 
2.1) REQUISITOS ESSENCIAIS: são de observância obrigatória; vício enseja a inépcia formal e a 
consequente rejeição da denúncia/queixa. A arguição da inépcia formal deve se dar até a prolação da sentença, sob 
pena de preclusão, quando só poderá ser discutida a nulidade da sentença (STF, RHC 99787). 
*OBS.: Para Paccelli e Douglas Fischer, a formulação do pedido de condenação não é requisito essencial da 
peça acusatória. Nestor Távora entende ser requisito essencial, ainda que implícito, nos termos da inicial. 
(a) EXPOSIÇÃO DO FATO CRIMINOSO COM TODAS AS SUAS CIRCUNSTÂNCIAS: serve para viabilizar o 
exercício do direito de defesa, pois, no processo penal, o acusado defende-se dos fatos que lhe são imputados (e 
não da sua capitulação legal). Na narrativa do fato, há os elementos necessários/essenciais (necessários para 
identificar a conduta como fato típico, cuja ausência é causa de nulidade absoluta – ex: criptoimputação) e os elementos 
secundários/acidentais (ligados às circunstâncias de tempo ou espaço, cuja ausência nem sempre prejudica a ampla 
defesa, podendo produzir uma nulidade relativa). DENÚNCIA NOS CRIMES CULPOSOS: não basta citar a modalidade 
da culpa, devendo o MP descrever em que consistiu a imprudência, a negligência e a imperícia. DENÚNCIA NOS CRIMES 
SOCIETÁRIOS OU CRIMES DE GABINETE: segundo a posição antiga do STF (HC 85579), a denúncia genérica, que 
não individualizava a conduta de cada um dos denunciados, era considerada apta, bastando a indicação de que os 
acusados eram responsáveis pela condução da sociedade empresarial. Na posição atual do STF (HC 80549 e HC 
85327), quando se tratar de crimes societários, a denúncia não pode ser genérica, devendo estabelecer o vínculo do 
administrador ao ato ilícito que lhe está sendo imputado. 
*OBS.: Paccelli distingue a acusação geral (quando o órgão da acusação imputa a todos os acusados o 
mesmo fato delituoso, independentemente das funções por eles exercidas na empresa) da acusação genérica (quando 
vários fatos delituosos são atribuídos aos agentes, imputando a acusação tais fatos de maneira genérica a todos os 
integrantes da sociedade), entendendo que somente a acusação genérica NÃO deve ser admitida, permitindo-se a 
acusação geral, porque nesta só há um fato delituoso, sendo possível a defesa. 
(b) IDENTIFICAÇÃO DO ACUSADO: qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa 
identificá-lo. Para Renato Brasileiro, desde a Lei 11.719/08, que revogou o art. 363, II, CPP, extinguindo a possibilidade de 
citação por edital quando o acusado fosse pessoa incerta, não cabe mais denúncia/queixa contra pessoa incerta. 
(c) APRESENTAÇÃO DA PEÇA ACUSATÓRIA EM VERNÁCULO: a denúncia/queixa deve ser apresentada 
por escrito na língua pátria. EXCEÇÃO: no JEC, há previsão de oferecimento da denúncia ou queixa oral, que será 
reduzida a termo posteriormente (art. 77 da Lei 9.099/95). 
2.2) REQUISITOS NÃO-ESSENCIAIS: podem não estar presentes na peça acusatória; vício admite 
convalidação. 
(a) CLASSIFICAÇÃO DO CRIME: capitulação jurídica do crime, que não vincula o juiz. Segundo Pacceli, o 
equívoco na classificação não é causa de inépcia, mas a sua ausência pode justificar a rejeição da peça acusatória por 
inépcia, quando importar violação à ampla defesa. 
 
EMENDATIO LIBELLI (art. 383 
CPP) 
MUTATIO LIBELLI (art. 384 CPP) 
- Atribuição de nova definição 
jurídica aos fatos descritos na peça 
acusatória, sem alteração na descrição 
inicial desses fatos. 
- Atribuição de nova definição jurídica aos fatos descritos 
na peça acusatória, em razão do surgimento, na instrução 
processual, de prova de elementar ou circunstância não contida 
na descrição dos fatos na peça acusatória. 
- Realizada de forma automática 
e direta pelo juiz. 
- Depende de aditamento pelo MP, oitiva da defesa, 
recebimento do aditamento pelo juiz e nova instrução. 
31 
- Pode ser realizada pelo juízo a 
quo ou pelo juízo ad quem (respeitado o 
princípio que veda a reformatio in pejus na 2ª 
instância). 
- Realizada somente pelo juízo a quo. O juízo ad quem 
não pode realizá-la, sob pena de supressão de instância (Súmula 
453/STF). 
- Pode ocorrer em crimes de ação 
penal pública ou crimes de ação penal 
privada. 
*OBS.: Para a doutrina majoritária 
e a jurisprudência (STF, HC 87324; STJ, HC 
165278), a emendatio libelli só é cabível no 
momento da sentença. Doutrina minoritária 
(Renato Brasileiro, Scarance Fernandes) diz 
que a emendatio libelli pode se dar já no 
momento do recebimento da peça acusatória, 
de maneira incidental e provisória, quando 
caracterizado o excesso da acusação. 
- Cabível só nos crimes de ação penal pública e ação 
penal privada subsidiária da pública (art. 384, caput, CPP), 
devendo o aditamento ser feito pelo MP. Alguns doutrinadores 
defendem também ser cabível na ação penal privada personalíssima, 
quando o aditamento deve ser feito pelo próprio querelante, 
atentando-se sempre para eventual renúncia tácita operada. 
- Com a Lei 11.719/08, no caso de recebimento do 
aditamento por conta da mutatio libelli, a sentença condenatória 
estará adstrita aos termos do aditamento, NÃO podendo haver 
condenação pela imputação originária, SALVO (a) aditamento feito 
para incluir elemento especializante (ex: qualificadora); e (b) crimes 
complexos (ex: furto e roubo). 
 
(b) ROL DE TESTEMUNHAS: para a acusação, deve ser apresentado na peça acusatória, sob pena de 
preclusão. Com base no princípio da busca da verdade real, juiz pode ouvir as testemunhas não arroladas no momento 
oportuno como testemunhas do juízo. O número máximo de testemunhas por fato varia com o procedimento, não 
ingressando na contagem os ofendidos e os informantes: (a) COMUM ORDINÁRIO = 8; (b) COMUM SUMÁRIO = 5; (c) 
SUMARÍSSIMO = 5 ou 3 (divergência); (d) 1ª FASE DO JÚRI = 8; (e) 2ª FASE DO JÚRI = 5; (f) LEI DE DROGAS = 5. 
(c) SUBSCRIÇÃO PELO MP OU PELO ADVOGADO: a ausência de assinatura na peça acusatória será 
considerada mera irregularidade se não houver dúvidas acerca da sua autenticidade ou se for facilmente identificável a 
pessoa que a elaborou (ex: cota da denúncia assinada pelo MP). No caso da queixa, o ofendido/representante legal deve 
assinar junto com o advogado ou, se o advogado assina sozinho, deve ter uma procuração com poderes especiais. 
(d) PROCURAÇÃO NA QUEIXA-CRIME: A procuração deve conter poderes especiais, devendo dela constar o 
nome do querelado e menção do fato criminoso (art. 44 CPP). A procuração defeituosa pode ser sanada a qualquer 
momento, mediante ratificação dos atos processuais (STJ, REsp 663934 e STF, HC 84397). 
 
3. ADITAMENTO DA PEÇA ACUSATÓRIA 
- O aditamento da peça acusatória pode ser feito até a prolação da sentença.Espécies: (a) aditamento 
próprio = acréscimo de fatos (aditamento próprio real) ou sujeitos (aditamento próprio pessoal) não contidos na inicial; o 
recebimento do aditamento próprio real interrompe a prescrição quanto ao fato novo (STJ, REsp 276841). (b) aditamento 
impróprio = correção de omissões da peça acusatória, sem inovar na acusação (art. 569 CPP). 
- LEGITIMIDADE: (a) aditamento da denúncia = MP; (b) aditamento da queixa = ofendido/representante 
legal, desde que não tenha havido renúncia tácita quanto a alguns dos acusados (princípio da indivisibilidade da ação 
penal privada). MP pode promover o aditamento impróprio da queixa em qualquer espécie de ação penal privada (art. 45 
CPP), mas o aditamento próprio é restrito à ação penal privada subsidiária da pública. Para Pacceli, o MP, como fiscal da 
indivisibilidade da ação penal privada, pode, em qualquer ação privada, aditar a queixa para incluir sujeito não apontado 
pelo querelante, apenas não lhe sendo permitido o aditamento para incluir fato novo. 
- RECURSO: RESE (se ocorrer por decisão interlocutória) ou apelação (se ocorrer em sede de sentença). 
 
4. REJEIÇÃO DA PEÇA ACUSATÓRIA 
*OBS.: Desde a Lei 11.719/08, não há mais diferença entre rejeição x não recebimento da peça acusatória. 
- CAUSAS DE REJEIÇÃO (art. 395 do CPP): (a) inépcia da peça acusatória (inépcia formal = não 
preenchimento de seus requisitos obrigatórios previstos no art. 41 do CPP); (b) ausência dos pressupostos 
processuais/condições da ação; (c) ausência de justa causa (inépcia material = falta de lastro probatório mínimo para 
o início do processo). *OBS.: É possível a rejeição parcial da peça acusatória quando o juiz verificar um excesso de 
acusação. Somente há coisa julgada formal (removido o defeito, nova peça acusatória pode ser oferecida). 
- RECURSOS CONTRA A REJEIÇÃO: como REGRA, cabe RESE (art. 581, I do CPP), sendo obrigatória a 
intimação do acusado para apresentar contrarrazões (Súmula 707/STF). EXCEÇÕES: apelação nos JECs (art. 82 da Lei 
9.099/95) e agravo regimental nos processos de competência originária dos tribunais. O acórdão que provê o recurso 
contra a rejeição da denúncia vale, desde logo, pelo recebimento dela, sendo o marco interruptivo da prescrição, salvo 
quando nula a decisão de primeiro grau (Súmula 709/STF). 
 
5. RECEBIMENTO DA PEÇA ACUSATÓRIA 
- O recebimento da denúncia/queixa NÃO precisa ser fundamentado (STF, HC 95354), SALVO nos 
procedimentos especiais em que houver previsão de defesa preliminar. 
- MOMENTO PARA O RECEBIMENTO DA PEÇA ACUSATÓRIA: imediatamente após o oferecimento da 
denúncia/queixa, desde que não seja caso de rejeição da peça acusatória (STJ, HC 138089). 
- CONSEQUÊNCIAS DO RECEBIMENTO DA PEÇA ACUSATÓRIA: (a) fixação da competência por 
prevenção (art. 83 CPP) e (b) interrupção da prescrição (art. 117, I, CPP), SALVO no caso de recebimento por juiz 
absolutamente incompetente (STF, Inq 1544). 
- RECURSO CONTRA O RECEBIMENTO DA PEÇA ACUSATÓRIA: em REGRA, a decisão é irrecorrível. 
Como EXCEÇÃO, pode-se usar um HC buscando o trancamento do processo e, no caso de competência originária dos 
tribunais, cabe agravo regimental. 
 
32 
5.b – O defensor e o assistente no processo penal brasileiro 
 
1. O defensor no processo penal - Noções Gerais. 
A ampla defesa manifesta-se por via da defesa técnica, autodefesa, defesa efetiva (efetiva atuação do defensor 
em prol dos interesses do acusado), bem como pela utilização de todos os meios de prova. 
Defesa técnica: todo ato processual deve ser obrigatoriamente realizado na presença de um defensor, 
devidamente habilitado nos quadros da OAB, seja ele constituído, nomeado (por procuração ou indicado por ocasião do 
interrogatório) exclusivamente para o ato (ad hoc) ou dativo (art. 261, CPP). Nos Estados em que a Defensoria Pública já 
tiver sido constituída, a defesa dativa será exercida normalmente por um membro da instituição, que tem, como prerrogativa 
funcional, a contagem em dobro de seus prazos procedimentais (LC 80) 
 
2. Atuação do defensor como forma de tutelar a ampla defesa. 
Qualquer que seja o espaço institucional de sua atuação (Poder Legislativo, Poder Executivo ou Poder Judiciário), 
ao Advogado incumbe neutralizar os abusos, fazer cessar o arbítrio, exigir respeito ao ordenamento jurídico e velar pela 
integridade das garantias jurídicas do réu, dentre as quais, destacam-se a prerrogativa contra a autoincriminação e o direito 
de não ser tratado, pelas autoridades públicas, como se culpado fosse (STF, Informativo 498, Transcrições). 
Não é por outro motivo que o réu tem o direito de escolher o seu próprio defensor. Essa liberdade de escolha 
traduz, no plano da ‘persecutio criminis’, específica projeção do postulado da amplitude de defesa proclamado pela 
Constituição (STF - HC 75.962/RJ, Rel. Min. ILMAR GALVÃO). No entanto, a defesa técnica é aquela exercida por 
profissional legalmente habilitado, com capacidade postulatória, constituindo direito indisponível e irrenunciável. Ao acusado, 
contudo, não é dado apresentar sua própria defesa, quando não possuir capacidade postulatória (STF - HC 102.019, Rel. 
Min. Ricardo Lewandowski). Mesmo nos Juizados Especiais Criminais: ADI 3.168, Rel. Min. Joaquim Barbosa. 
Nesse sentido, se o acusado não o tiver, ser-lhe-á nomeado defensor pelo juiz, ressalvado o seu direito de, a todo 
tempo, nomear outro de sua confiança, ou a si mesmo defender-se, caso tenha habilitação (art. 263 do CPP). A ausência 
de advogado em audiência, caso seja provado o impedimento antes do início, enseja seu adiamento, caso injustificada, será 
nomeado defensor ad hoc para a realização do ato (art. 265, §1° e §2°, CPP), no caso de falta injustificada do advogado em 
sessão do júri, haverá adiamento da mesma uma só vez (art. 456, CPP). 
Ainda, o direito à participação da defesa técnica - do advogado - de corréu durante o interrogatório de ‘todos os 
acusados’ está incluído no princípio da ampla defesa (PACELLI, p. 44). Ressalta-se que, em virtude de recente reforma do 
Código, o advogado do corréu tem direito a participar do interrogatório e formular perguntas (FERNANDES, Antonio 
Scarance). Ver: STF – Informativo 526, Transcrições. 
Ausência de alegações finais gera nulidade relativa (HC 80281, STF). No entanto, Eugênio Pacelli entende que é 
causa de nulidade absoluta, bem como, a ausência de nomeação de defensor ao réu para a realização do interrogatório 
(2012, p. 469). Ausência de razões de apelo, assim como, contrarrazões à apelação do MP não é causa de nulidade por 
cerceamento de defesa, se e quando o defensor constituído pelo réu foi devidamente intimado a apresentá-la (HC 91251/RJ, 
STF). Pacelli entende que a ausência de contrarrazões da defesa ao recurso da acusação gera nulidade (2012, p. 893). Já 
foi reconhecida a nulidade absoluta no processo em que o advogado constituído pela parte confessara a imputação, por 
ausência de defesa técnica (HC, 82672, STF). 
Por fim, é direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já 
documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao 
exercício do direito de defesa (SV 14) 
 
2. Do assistente no processo penal. 
A assistência no processo penal brasileiro é, nos termos do artigo 268 e seguintes do CPP, modalidade de 
procedimento que viabiliza a intervenção do ofendido (ou seu representante legal, no caso do menor de 18 anos, e as 
pessoas mencionadas no artigo 31 do CPP em caso de ausência ou morte daquele) na ação penal pública. 
Conforme entendimento de Pacelli, a legitimação do assistente não se dá em razão do interesse exclusivamente 
patrimonial da sentença condenatória. Há legitimação também do ofendido enquanto custos legis na aplicação da sanção 
penal pelo Estado. Reafirmando sua posição, Pacelli entendeque se o interesse fosse exclusivamente patrimonial não 
haveria o reconhecimento quanto à possibilidade da ação penal subsidiária por parte do ofendido, que possui à disposição 
o Juízo Cível ab initio. No mesmo sentido entende Nestor Távora, para quem “a abstração dos interesses do ofendido não 
é condizente com a efetividade dos direitos fundamentais da Constituição”. Cumpre ressalvar que há posição minoritária que 
reputa a figura do assistente como incompatível com a Constituição, ancorando-se basicamente em dois argumentos: a) a 
CF outorgou ao MP o dominus litis, não subsistindo o art. 268 do CPP e b) o processo penal se transformaria em instrumento 
de vingança privada. 
Somente os crimes com sujeito passivo determinado admitem a assistência, de acordo com Nestor Távora. 
Cumpre observar que Pacelli destaca que no caso do crime do artigo 184 do CP, há previsão no artigo 530-H da legitimidade 
de associações de direitos de autor e os que lhe são conexos, para atuar em nome próprio como assistente. 
Pode a pessoa jurídica de direito público atuar como assistente de acusação? Pacelli entende que sim, mas 
desde que haja comprovado interesse distinto daquele defendido pelo MP. Cita como exemplo o caso de um Município que 
possui interesse em ação penal contra servidor acusado de peculato por desvio de verbas públicas (o interesse seria em 
reaver os bens indevidamente desviados, bem como a aplicação de futura sanção administrativa – pela amplitude do campo 
probatório no processo penal). O interesse da pessoa jurídica de direito público apenas como custos legis não se justifica, 
de acordo com Pacelli, pois neste caso o Estado já está representado pelo parquet. 
O assistente (ofendido ou as pessoas citadas no art. 31, CPP) pode intervir nas ações públicas (art. 268, CPP), 
desde a propositura até o trânsito em julgado (art. 269), recebendo o processo no estado em que se encontrar. Contudo, 
conforme destacada Pacelli, sendo a atividade do assistente supletiva à do MP enquanto titular da ação, o “seu ingresso nos 
autos somente é possível após a instauração da demanda, com o recebimento da denúncia”. Na hipótese de rejeição da 
denúncia não se reconhece sua legitimidade recursal nos termos do art. 271 do CPP (Pacelli, página 478). 
33 
O Ministério Público manifestar-se-á a respeito do pedido de assistência (art. 272), sendo que não caberá recurso 
da decisão que admitir, ou não, a assistência (art. 273). A doutrina defende o uso do Mandado de Segurança contra a decisão 
de inadmissibilidade. Caso o assistente, devidamente intimado, não compareça a qualquer ato do processo, sem justificativa 
para tanto, deixará de ser intimado para os atos posteriores (art. 271, §2º, CPP). Quais as atribuições do assistente? De 
acordo com o art. 271, “Ao assistente será permitido propor meios de prova, requerer perguntas às testemunhas, aditar o 
libelo e os articulados, participar do debate oral e arrazoar os recursos interpostos pelo Ministério Público, ou por ele próprio, 
nos casos dos arts. 584, § 1o, e 598.” O assistente pode arrolar testemunhas? A doutrina (LOPES Jr., Aury, 2011, p. 47), 
entende que não, pois o momento processual adequado para arrolar testemunha é a denúncia, enquanto que o assistente 
só ingressa no processo após a denúncia. No mesmo sentido PACELLI, para quem, de igual modo, não poderia o assistente 
arrolar testemunhas tampouco aditar a denúncia. Segundo essa visão, o assistente só poderia arrolar testemunhas para 
serem ouvidas no Plenário do Júri. Há decisão antiga do STF admitindo tal hipótese (HC 72484, p. 01/12/95), bem como 
decisão do STJ (HC 74467, p. 04/06/07) entendendo possível, desde que não se ultrapasse o número máximo de 
testemunhas (no mesmo sentido defende Pacelli em relação ao procedimento do júri). 
Há algumas previsões específicas, que alargam a legitimidade para intervenção como assistente. Por exemplo, a 
Lei 7.492/1996 prevê, em seu art. 26, parágrafo único, que "será admitida a assistência da Comissão de Valores Mobiliários 
- CVM, quando o crime tiver sido praticado no âmbito de atividade sujeita à disciplina e à fiscalização dessa Autarquia, e do 
Banco Central do Brasil quando, fora daquela hipótese, houver sido cometido na órbita de atividade sujeita à sua disciplina 
e fiscalização". No mesmo sentido, o CDC, em seu art. 80, reza que "No processo penal atinente aos crimes previstos neste 
código, bem como a outros crimes e contravenções que envolvam relações de consumo, poderão intervir, 
como assistentes do Ministério Público, os legitimados indicados no art. 82, inciso III e IV, aos quais também é facultado 
propor ação penal subsidiária, se a denúncia não for oferecida no prazo legal". 
Há duas grandes discussões acerca do assistente, quais sejam, se ele poderá recorrer de sentença absolutória, 
caso o MP não recorra; e se ele poderá recorrer para elevar a pena fixada na sentença condenatória. O STF pacificou o 
entendimento de que o assistente poderá recorrer da sentença absolutória. (HC 100243, p. 25/10/10, HC 102085, p. 
27/08/10), caso o MP não recorra (no mesmo sentido defende Pacelli), em que pese algumas opiniões doutrinárias afirmando 
a inconstitucionalidade desta interpretação diante do art. 129, I, CF (titularidade do MP quanto à ação penal pública). 
Reconheceu-se a validade da Súmula 210 (“o assistente do Ministério Público pode recorrer, inclusive extraordinariamente, 
na ação penal, nos casos dos arts. 584, § 1º, e 598 do código de processo penal”) à luz da CF/88. A posição do STJ é a 
mesma (HC 137339, p. 01/02/11), admitindo-se a atuação do assistente em caso de inércia do MP ou de recurso parcial. V. 
também Súmula 208 STF. 
Por outro lado, posicionam-se STF e STJ pela admissibilidade do recurso do assistente para elevação da pena 
fixada na sentença condenatória, sob o fundamento de que a legitimidade do assistente está calcada na busca por uma 
sentença justa e adequada, e não apenas pelo interesse econômico resumido na criação do título executivo (art., 63, CPP), 
a saber: STF, HC 102085, p. 27/08/10 STJ, HC 137339, p. 01/02/11, Resp. 696038, p. 26/05/08). 
O STJ decidiu recentemente que “a seguradora não tem direito líquido e certo de figurar como assistente do 
Ministério Público em ação penal na qual o beneficiário do seguro de vida é acusado de ter praticado o homicídio 
do segurado.” (j. 23/04/2015, vide INFO 560) 
Observação: em relação à legitimidade recursal é importante destacar a posição atual de PACELLI que, revendo 
entendimento anterior, passou a entender que não é possível o recurso do assistente contra sentença condenatória 
buscando o agravamento da pena, pois implicaria presumir inércia inexistente por parte do MP, titular da ação penal e, 
consequentemente, do juízo valorativo acerca de eventual acerto da decisão. 
O prazo para o assistente recorrer é de 05 dias, contados a partir do término do prazo do MP (na hipótese de 
assistente habilitado) ou de 15 dias, a contar da publicação da decisão (na hipótese de assistente não-habilitado), nos termos 
do parágrafo único do art. 598, CPP (Súmula n. 448, STF). 
O corréu não pode ser assistente da acusação contra os demais corréus (art. 270, CPP). A assistência deve ser 
conduzida por advogado habilitado. 
Não cabe assistência em sede de execução penal. Também não se admite atuação do assistente do MP na ação 
de habeas corpus, uma vez que se trata de ação exclusiva da defesa, e a atuação do assistente se restringe às ações 
condenatórias (STF, HC 93033, 2011; STJ HC 305.141, 05/2015) 
A assistência é direito subjetivo do ofendido e demais legitimados, somente podendo ser indeferido o pedido caso 
provoque prejuízo à tramitação do feito, caso em que a decisão poderá ser desafiada por meio de mandado de segurança 
(Pacelli). 
Na colaboração premiada (Lei 12.850/2013) a participação do defensor é essencial para a validade do acordo 
(artito 4º, § 15. Em todosos atos de negociação, confirmação e execução da colaboração, o colaborador deverá estar 
assistido por defensor.) 
 
 
34 
5.c – Sigilos bancário e fiscal 
 
Sigilos bancário e fiscal: em relação aos sigilos bancário e fiscal, Pacelli defende que a lei pode atribuir a outras 
autoridades do Poder Público a flexibilização do direito à intimidade/vida privada que não se apresenta como absoluto. 
Assim, o referido autor entende não ser inconstitucional a LC 105/01, ao autorizar as autoridades fazendárias, desde que 
haja procedimento administrativo ou fiscal instaurado a examinar documentos, livros, registros, incluindo os referentes a 
contas e aplicações financeiras. Em relação ao tema, percebe-se que o STF no julgamento do RE 389.808 entendeu ser 
necessária autorização judicial para os atos previsto na LC 105/01. Contudo, em face da mudança na composição do STF 
não se sabe ainda qual será a posição definitiva sobre o tema, encontrando-se pendente de julgamento ADI sobre o tema. 
O STJ tem entendido pela necessidade de autorização judicial (5ª Turma, HC 160.646, julgado em 01.09.2011 –Informativo 
STJ nº 482). Porém, Pacelli critica tal posição e entende que a LC 105/01 respeitou a proporcionalidade, bem como a 
LC75/93 ao permitir acesso aos dados por parte dos membros do MPU. 
No MS 21729 (1995), o Pleno do STF havia decidido não poder o BB negar ao MPF informações sobre nomes 
de beneficiários de empréstimos concedidos pela instituição, com recursos subsidiados pelo erário federal, a pretexto 
do sigilo bancário. Contudo, conforme destaca Pacelli, tal precedente não tratava de quebra de sigilo, mas sim de 
rastreamento de verbas públicas. 
Acesso aos dados bancários, fiscais e registros telefônicos por CPI: o STF no julgamento do MS 24.817 
entendeu que o sigilo bancário, fiscal e de registros telefônicos são garantias que não estão cobertas pela reserva absoluta 
de jurisdição. De fato, atualmente a jurisprudência não admite, por nenhum motivo, a quebra do sigilo bancário sem o 
socorro judicial, exceção feita à CPI. Há hoje dois conceitos de reserva de jurisdição: um, mais amplo, impedindo o acesso 
às liberdades públicas a qualquer autoridade que não o juiz; outro mais, restrito, aplicável às CPIs, relativamente à prisão, 
busca domiciliar e interceptação de comunicação de dados e telefônica (PACELLI e FISCHER, 2011, pp. 307,308 e 310). 
Por fim, merece destaque a posição firmada no STF (ACO 730-RJ, julgada em 2004), no sentido de que a quebra 
de sigilo bancário é poder inerente às CPIs Federais e Estaduais, mas não pode ser determinada por CPI Municipal. 
Na disciplina do combate aos crimes praticados por organizações criminosas, o artigo 15 da Lei 12.850/2013 
permite o acesso da autoridade policiai e do Ministério Público aos dados cadastrais do investigado (Art. 15. O delegado de 
polícia e o Ministério Público terão acesso, independentemente de autorização judicial, apenas aos dados cadastrais do 
investigado que informem exclusivamente a qualificação pessoal, a filiação e o endereço mantidos pela Justiça Eleitoral, 
empresas telefônicas, instituições financeiras, provedores de internet e administradoras de cartão de crédito.) 
Para o STJ o Fisco pode requisitar, sem autorização judicial, informações bancárias das instituições financeiras 
para fins de constituição de créditos tributários. Contudo, tais informações obtidas pelo Fisco não podem ser enviadas ao 
MP para servirem de base para a propositura de uma ação penal, salvo quando houver autorização judicial, sob pena de 
configurar quebra de sigilo bancário (REsp repetitivo n. 1.134.665/SP, 11/2009). 
Esse entendimento, segundo o qual “os dados obtidos pela Receita Federal com fundamento no art. 6º da 
LC 105/2001, mediante requisição direta às instituições bancárias no âmbito de processo administrativo fiscal sem 
prévia autorização judicial, não podem ser utilizados para sustentar condenação em processo penal”, repetido mais 
recentemente no REsp 1.361.174 (06/2014), persiste na esfera processual penal sobretudo por conta da divisão de 
competência entre as turmas do STJ, uma vez que quem julga os processos tributários é a 1ª e a 2ª Turmas (1ª Seção) 
e quem aprecia os processos criminais é a 5ª e 6ª Turmas (3ª Seção). 
O posicionamento do MPF é de que a movimentação de recursos públicos em contas de órgãos da Administração 
Pública não está acobertada pelo sigilo bancário, podendo o MP ter acesso direto, com fundamento, entre outros, no artigo 
129, VI, da CF. 
O STF decidiu recentemente que o BNDES não poderia se opor á requisição de informações do TCU. Isso porque 
o BNDES, embora seja instituição financeira, visa, basicamente, a atividade de fomento com recursos públicos (MS 33340, 
05/2015) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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6.a Hipóteses e requisitos para arquivamento de inquéritos e investigações criminais. 
 
Noções Gerais. Encerradas as investigações, os autos do inquérito são encaminhados ao MP (o delegado não 
pode desistir do inquérito ou o arquivar), que poderá adotar as seguintes providências: a) oferecer denúncia; b) requisitar 
novas diligências; ou c) requerer o arquivamento do inquérito se entender: pela existência manifesta de causa excludente 
da ilicitude do fato; pela existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade; que o 
fato narrado evidentemente não constitui crime; estar extinta a punibilidade do agente; pela ilegitimidade ad causam; faltar 
justa causa, ou seja, elementos probatórios mínimos que permitam sustentar o exercício da ação penal; faltar condição de 
procedibilidade ou faltar pressuposto processual negativo, ou seja, houver impedimento processual que afete a investigação 
criminal, como por exemplo, a litispendência. 
Caso requerido o arquivamento, o juiz poderá adotar duas vias possíveis: a) concordar com o pedido, 
determinando o arquivamento dos autos. Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do promotor 
de justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas. (Súmula 524 do STF). b) discordar do pedido (art. 28, 
CPP) encaminhando para o PGJ (MPE) ou para 2°, 5ª ou 7ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF (salvo atribuição 
originária do PGR, art. 46, parágrafo único, III, art. 48, II, e art. 62, IV, todos da LC 75/93). A CCR poderá: a) designar outro 
membro do MP para denunciar. A posição majoritária é que esse outro membro é obrigado a oferecer denúncia, pois funciona 
por delegação; b) insistir no arquivamento, caso em que o juiz é obrigado a arquivar. 
Caso o PGR requeira arquivamento do inquérito, não se aplica o art. 28, CPP, sendo o STF compelido a 
determinar a providência (Pet. 2509 Agr/ MG e Pet. 2820 Agr/RN). 
O arquivamento indireto ocorre quando o órgão do Ministério Público se manifesta no sentido da incompetência 
do juízo perante o qual oficia, recusando, por isso, atribuição para a apreciação do fato investigado. Duas hipóteses podem 
ocorrer: a) o juiz concorda com a manifestação ministerial e declina a sua competência; b) o juiz discorda. Neste caso, aplica-
se, por analogia o art. 28 do CPP. 
Arquivamento implícito: configura-se quando o MP omite infratores (arquivamento implícito subjetivo) ou crimes 
(arquivamento implícito objetivo) no momento em que oferta a denúncia, sem expressa manifestação ou justificação desse 
procedimento. O STF (RHC 95141) e o STJ (RHC 24927 / RJ) não adotam o instituto, por ausência de previsão legal. O 
princípio da indivisibilidade não se aplica à ação penal pública incondicionada. 
Arquivamento determinado por juiz absolutamente incompetente: segundo Pacelli “o arquivamento do 
inquérito por juiz absolutamente incompetente não se subordina ao princípio da vedação de revisão pro societate, 
permanecendo em aberto a possibilidadede instauração da ação penal pelo órgão constitucionalmente legitimado, perante 
o respectivo juiz natural, ressalvados os casos de arquivamento por atipicidade da conduta, tendo em vista a natureza de 
mérito da referida decisão, desde que limitada, é certo, ao fato tal como narrado na denúncia ou queixa”. 
Arquivamento do inquérito e coisa julgada material: Pacelli entende que a decisão de arquivamento de 
inquérito em caso do reconhecimento de atipicidade da conduta gera coisa julgada material, mesmo no caso em o juiz 
que determinou a medida seja absolutamente incompetente em face do princípio da proibição de revisão pro societate. 
Contudo, tal não ocorreria, não sendo sequer necessária novas provas (apenas em caso de arquivamento por órgão 
incompetente), para os casos de arquivamento com efeito preclusivo de coisa julgada formal, caso em que, deve 
prevalecer a competência constitucional, podendo haver a retomada imediata das investigações, prevalecendo o princípio 
do juiz natural (PACELLI). 
Não é possível a reabertura de inquérito policial quando este houver sido arquivado a pedido do Ministério Público 
e mediante decisão judicial, com apoio na extinção da punibilidade do indiciado ou na atipicidade penal da conduta a ele 
imputada, casos em que se opera a coisa julgada material (STF – Informativo 367), ainda que emanada a decisão de juiz 
absolutamente incompetente. No RMS 3785/MG, o STJ entendeu ser nula a decisão de juiz constitucionalmente 
incompetente que determina o arquivamento do inquérito policial. 
A jurisprudência do STF é farta quanto ao caráter impeditivo de desarquivamento de inquérito policial nas 
hipóteses de reconhecimento de atipicidade, mas não propriamente de excludente de ilicitude. STF: A decisão que determina 
o arquivamento de inquérito policial, a pedido do Ministério Público e determinada por juiz competente, que reconhece que 
o fato apurado está coberto por excludente de ilicitude, não afasta a ocorrência de crime quando surgirem novas provas, 
suficientes para justificar o desarquivamento do inquérito, como autoriza a Súmula 524 deste Supremo Tribunal Federal. 
(HC 95211) 
STJ: A par da atipicidade da conduta e da presença de causa extintiva da punibilidade, o arquivamento de 
inquérito policial lastreado em circunstância excludente de ilicitude também produz coisa julgada material. (RHC 
46.666/MS) 
Retratação. Não há possibilidade de retratação do arquivamento, seja tácita ou expressa, com o oferecimento da 
denúncia, em especial por ausência de provas novas. Na organização do Ministério Público, vicissitudes e desavenças 
internas, manifestadas por divergências entre os sucessivos ocupantes de sua chefia, não podem afetar a unicidade da 
instituição.(STF, Inq 2028) 
 
Enunciados da 2ª CCR: 
Nº 5 O membro do Ministério Público Federal que se manifestou pelo arquivamento do inquérito policial, sendo 
essa conclusão não acatada pela Câmara Criminal, fica impossibilitado de oficiar na respectiva ação penal que tenha sido 
iniciada por denúncia de outro membro para tanto designado. 
N.º 7 O magistrado, quando discordar da motivação apresentada pelo órgão do Ministério Público para o não 
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oferecimento da denúncia, qualquer que seja a fundamentação, deve remeter os autos à 2ª Câmara de Coordenação e 
Revisão, valendo-se do disposto nos artigos 28, do Código de Processo Penal e 62, IV, da LC 75/93. 
Nº 9 A promoção de arquivamento feita pelo membro do Ministério Público Federal será submetida à 2ª Câmara 
de Coordenação e Revisão, que se manifestará no exercício de sua competência revisional. 
Nº 10 O arquivamento promovido pelo membro do Ministério Público Federal deve ser por ele comunicado ao 
interessado, antes da remessa dos autos à 2ª Câmara para revisão. 
Nº 19 Suspensa a pretensão punitiva dos crimes tributários, por força do parcelamento do débito, os autos de 
investigação correspondentes poderão ser arquivados na origem, sendo desarquivados na hipótese do § 1º do art. 83 da Lei 
nº 9.430/1996, acrescentado pela Lei nº 12.382/11. 
Nº 21 É admissível o arquivamento dos autos de investigação ao fundamento de excludente da tipicidade, da 
ilicitude e da culpabilidade. Porém, em todas as hipóteses, a excludente deve resultar cabalmente provada, ao término de 
regular investigação. 
Nº 25 Não se sujeita à revisão da 2ª Câmara o declínio de atribuição de um órgão para outro no âmbito do próprio 
Ministério Público Federal. 
Nº 32 Compete à 2ª Câmara homologar declínio de atribuição promovido por membro do Ministério Público 
Federal em favor do Ministério Público Estadual ou de outro ramo do Ministério Público da União, nos autos de peças de 
informação ou de procedimento investigatório criminal 
Nº 33 Compete à 2ª Câmara homologar o declínio de atribuição promovido nos autos de inquérito policial que 
tramite diretamente entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. 
Nº 34 Quando o declínio de atribuições, em procedimento administrativo criminal, tiver por base entendimento já 
expresso em enunciado ou orientação da 2ª Câmara, os autos poderão ser remetidos diretamente ao Ministério Público com 
a respectiva atribuição, comunicando-se à 2ª Câmara de Coordenação e Revisão por meio do Sistema Único. Aplicação 
analógica do §3º, art. 6º, da Resolução 107 do CSMPF, de 6.4.2010. 
Nº 35 Quando o declínio de atribuições, em inquérito policial, tiver por base entendimento já expresso em 
enunciado ou orientação da 2ª Câmara, os autos poderão ser remetidos diretamente ao Ministério Público com a respectiva 
atribuição, comunicando-se à 2ª Câmara de Coordenação e Revisão por meio do Sistema Único. Aplicação analógica do 
§3º, art. 6º, da Resolução 107 do CSMPF, de 6.4.2010. Na hipótese, o Procurador oficiante deverá comunicar ao juízo e à 
autoridade policial. 
Nº 36 Quando o arquivamento de procedimento administrativo criminal ou inquérito policial tiver por base 
entendimento já expresso em enunciado ou orientação da 2ª Câmara os autos não precisam ser remetidos a esta Câmara 
de Coordenação e Revisão, que deverá ser comunicada por meio do Sistema Único. 
Nº 46 Nos casos em que a abertura do procedimento investigatório criminal se der por representação, o 
interessado será cientificado formalmente da promoção de arquivamento e da faculdade de apresentar recurso e 
documentos, no prazo de 10 (dez) dias, contados da juntada da intimação. Após o transcurso desse prazo, com ou sem 
novas razões, os autos serão remetidos à 2ª CCR para apreciação. 
Nº 52 O pagamento integral do débito tributário extingue a punibilidade e autoriza o arquivamento da investigação 
e da ação penal pelo MPF. 
Nº 53 A prescrição do crime de estelionato previdenciário, em detrimento do INSS, cometido mediante saques 
indevidos de benefícios previdenciários após o óbito do segurado, ocorre em doze anos a contar da data do último saque, 
extingue a punibilidade e autoriza o arquivamento da investigação pelo MPF. 
 
 
37 
6.b Medidas assecuratórias ou acautelatórias do CPP e de leis especiais. 
 
Legislação: Previstas dos artigos 125 a 144-A do Código de Processo Penal; Lei nº 9.613/98; Lei 11.343/06; 
Alienação Antecipada: Art. 144-A CPP: O juiz determinará a alienação antecipada para preservação do valor 
dos bens sempre que estiverem sujeitos a qualquer grau de deterioração ou depreciação, ou quando houver dificuldade para 
sua manutenção. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012) § 1o O leilão far-se-á preferencialmente por meio eletrônico. § 2o 
Os bens deverão ser vendidos pelo valor fixado na avaliação judicial ou por valor maior. Não alcançado o valor estipulado 
pela administração judicial, será realizado novo leilão, em até 10 (dez) dias contados da realização do primeiro, podendo os 
bens ser alienados por valor não inferior a 80% (oitenta por cento) do estipulado na avaliação judicial. § 3o O produtoda 
alienação ficará depositado em conta vinculada ao juízo até a decisão final do processo, procedendo-se à sua conversão 
em renda para a União, Estado ou Distrito Federal, no caso de condenação, ou, no caso de absolvição, à sua devolução ao 
acusado. 
Busca e apreensão: tem por objeto o material probatório e como finalidade resguardar os meios de prova. A 
devolução de tais bens não está sujeita a prazo fixo, sendo mantida a medida enquanto interessarem ao processo. 
Sequestro (art. 125). É a retenção de bens adquiridos com o resultado da infração penal. Cabimento: caberá o 
sequestro (antes ou durante ação penal) dos bens imóveis e móveis, adquiridos pelo indiciado com os proventos da infração, 
ainda que já tenham sido transferidos a terceiro. No caso de bens móveis, porém, se o bem for ele próprio o produto da 
infração, a medida cabível será busca e apreensão. No caso de bens imóveis, deve ser levado à inscrição no Registro de 
Imóveis (art. 128, CPP). Legitimidade: pode ser decretado de ofício, a requerimento do Ministério Público ou do ofendido ou 
mediante representação da autoridade policial. Procedimento: autuado em apartado, Juiz de ofício decreta o sequestro, a 
requerimento do MP ou ofendido, ou representação da autoridade policial. Pode ser decretado na fase investigatória ou no 
curso da ação penal. No primeiro caso, a denúncia ou queixa devem ser oferecidas no prazo de 60 dias após a conclusão 
da diligência, sob pena de levantamento da medida. Poderá ser levantado por terceiro que preste caução suficiente (art. 131, 
II, CPP). Requisitos para decretação: a) existência do fato criminoso; b) indícios veementes da origem ilícita dos bens (art. 
126, CPP); e c) perigo da demora – requisito não expresso na lei, mas que pode ser inferido do art. 131, I, CPP. 
Processamento: é processado em apartado e admite o oferecimento de embargos tanto pelo acusado (alegando que o bem 
não foi adquirido com os proventos da infração), quanto por terceiros (alegando boa-fé). Os embargos não podem ser 
julgados até o trânsito em julgado da sentença. Sentença absolutória ou extintiva da punibilidade: levantamento imediato do 
sequestro (muito embora ainda possa haver o direito do lesado à recomposição civil). Sentença condenatória: o bem será 
levado a leilão, recolhendo-se o apurado ao Tesouro Nacional, depois de retirado o que couber ao lesado ou terceiro de boa-
fé (art. 133, CPP). 
O DL 3240/41 disciplina o cabimento de sequestro de qualquer bem do indiciado (salvo os absolutamente 
impenhoráveis), ainda que em poder de terceiros, desde que estes os tenham adquirido dolosamente, ou com culpa grave, 
em crime praticado em prejuízo da Fazenda. Ou seja, o DL não exige que o bem seja provento (proveito) da infração, 
bastando indícios veementes da responsabilidade. O prazo para a ação penal é de 90 dias da decretação. STJ: o referido 
decreto continua em pleno vigor e prevalece sobre a norma geral, que deve ser aplicada apenas subsidiariamente, em face 
do princípio da especialidade (REsp nº 1124658). 
Hipoteca legal (art. 134): medida destinada a garantir a solvabilidade do devedor na liquidação de obrigação ou 
responsabilidade civil decorrente de infração penal. Objeto: incide apenas sobre bens imóveis do acusado, 
independentemente da origem ou da fonte de aquisição da propriedade. Trata-se de exceção à impenhorabilidade de bem 
de família (art. 3º, VI, da Lei nº 8.009/90). Momento: qualquer fase do processo. Finalidade: assegurar responsabilização 
civil futura da vítima (prioridade), despesas processuais e penas pecuniárias (somente após ressarcimento da vítima). 
Requisitos: certeza da infração (existência do fato) e indícios suficientes de autoria. Não se exige que bem seja proveito da 
infração. Pedida a especialização mediante requerimento, em que a parte estimará o valor da responsabilidade civil, e 
designará e estimará o imóvel ou imóveis que terão de ficar especialmente hipotecados, o juiz mandará logo proceder ao 
arbitramento do valor da responsabilidade e à avaliação do imóvel ou imóveis. Legitimidade: ofendido. Cabe ao MP requerer 
hipoteca legal e arresto se houver interesse da Fazenda ou se o ofendido for pobre e o requerer (art. 142). Contraditório em 
dois dias e decisão. Réu pode oferecer caução para evitar hipoteca. Cancelamento: absolvição ou extinção da punibilidade 
com coisa julgada. Sentença condenatória: os autos da hipoteca são encaminhados ao juízo cível para liquidação da 
execução (art. 143, CPP). 
Arresto (art. 136): é a retenção de quaisquer bens para fins de garantia da solvabilidade do devedor. Modalidades: 
a) arresto preparatório para hipoteca legal (decretado no início do pedido da hipoteca, revogando-se em 15 dias se não 
for promovida a hipoteca); b) arresto de móveis subsidiariamente à hipoteca, se o responsável não possuir bens 
imóveis ou os tiver em valor insuficiente. Se deterioráveis e fungíveis, cabe avaliação e venda em leilão. Das rendas dos 
móveis pode juiz arbitrar recursos para manutenção do indiciado e sua família. Depósito e administração do bem arrestado 
segue CPC. Levantamento: absolvição ou extinção da punibilidade com coisa julgada. 
Medidas assecuratórias na Lei nº 9.613/98 (Lei de Lavagem de Dinheiro): a) sequestro; e b) apreensão de 
bens, direitos ou valores do acusado (a apreensão equivale à medida de busca e apreensão do art. 240, com ordem judicial 
de apreensão de coisas produto do crime). Legitimidade: ambas podem ser decretadas de ofício, a requerimento do MP e 
representação da Autoridade Policial. Momento: no curso do inquérito ou ação. Requisitos: basta comprovação de indícios 
de autoria e da materialidade. Procedimento: o das medidas assecuratórias acima, com alterações da 9.613/98. 
Medidas assecuratórias na Lei 11.343/06: a) apreensão e adoção de outras medidas assecuratórias previstas 
no CPP sobre bens móveis e imóveis ou valores consistentes em produtos dos crimes ou que constituam proveito auferido 
com sua prática, desde que haja indícios suficientes da proveniência ilícita; b) sequestro; e c) declaração de indisponibilidade. 
Os bens sujeitos a essas medidas poderão ser alienados antecipadamente (cautelarmente) ou serem perdidos ao final para 
a União. Procedimento: o juiz, de ofício, a requerimento do MP ou representação da autoridade policial, ouvido o MP, 
havendo indícios, poderá decretar, no curso do inquérito ou da ação, a apreensão e outras medidas assecuratórias aos bens 
móveis e imóveis ou valores consistentes em produtos dos crimes sobre droga, ou que constituam proveito auferido com 
sua prática, procedendo-se na forma dos arts. 125 a 144 do CPP. Após, facultará ao acusado, em 5 dias, provas da origem 
38 
lícita. Nenhum pedido de restituição será conhecido sem o comparecimento pessoal do acusado. Não havendo prejuízo para 
instrução e comprovado o interesse público/social, mediante autorização judicial, ouvido o MP e cientificada a Senad, os 
bens apreendidos poderão ser utilizados pelos órgãos ou pelas entidades que atuam na prevenção e repressão, 
exclusivamente para tais fins. A autoridade policial poderá deles fazer uso, sob sua responsabilidade e com o objetivo de 
sua conservação, mediante autorização judicial, ouvido o MP. Apreensão de dinheiro ou cheques: a autoridade policial 
requererá ao Juiz a intimação do MP, o qual deverá requerer ao juízo, em caráter cautelar, a conversão do cheque em 
moeda nacional e o depósito em conta. No curso da ação penal, MP, em petição autônoma, requererá, cautelarmente, 
proceda-se à alienação dos bens apreendidos, excetuados aqueles que a SENAD indicar para uso e custódia da autoridade 
policial, de órgãos de inteligência ou militares e de órgãos envolvidos nas ações de prevenção, exclusivamente no interesse 
dessas atividades. Requerimento será autuado em apartado para tramitação autônoma. Provado o nexo entre o tráfico e o 
bem apreendido e se houver risco deperda do valor econômico do bem, há a alienação antecipada ou cautelar (avaliação, 
ciência à Senad, intimação da União, MP e interessado antes e leilão antecipado). Juiz dirime controvérsias e determina 
alienação antecipada em leilão, cujo produto ficará em conta judicial até o final da ação penal, quando será transferido ao 
Funad, se condenatória. Terão apenas efeito devolutivo os recursos interpostos contra as decisões proferidas no curso do 
procedimento previsto neste artigo. Ao proferir a sentença de mérito, o juiz decidirá sobre o perdimento do que foi apreendido, 
sequestrado ou declarado indisponível. O que foi apreendido e não foi objeto de tutela antecipada ou cautelar, após 
decretado o seu perdimento em favor da União, será revertido ao Funad. Compete à Senad a alienação dos bens 
apreendidos e não leiloados em caráter cautelar, cujo perdimento já tenha sido decretado em favor da União. Transitada em 
julgado, o juiz, de ofício ou a requerimento do MP, remeterá à Senad relação dos bens, direitos e valores declarados perdidos 
em favor da União, indicando, quanto aos bens, o local em que se encontram e a entidade ou o órgão em cujo poder estejam. 
A União, por intermédio da Senad, poderá firmar convênio com os Estados e com organismos para a prevenção e repressão, 
com vistas na liberação de equipamentos e de recursos por ela arrecadados, para programas sobre drogas. STF já decidiu 
não ser exigida a continuidade ou permanência na utilização de bens no tráfico de entorpecentes para o seu confisco. 
STF: Impossibilidade de se manter o valor da fiança sem analisar a situação econômica do agente. O CPP 
prevê que o valor da fiança poderá ser reduzido ou até dispensado se assim recomendar a situação econômica do preso. 
Logo, o juiz, para indeferir o pedido da defesa para dispensa da fiança, deverá fundamentar sua decisão na análise da 
capacidade econômica do agente. Não se pode, portanto, manter a fiança sem levar em consideração esse fator essencial. 
(HC 114731) 
STJ: Não acarreta nulidade o deferimento de medida cautelar patrimonial de sequestro sem anterior 
intimação da defesa. Na hipótese de sequestro, o contraditório será diferido em prol da integridade do patrimônio e contra 
a sua eventual dissipação. Nesse caso, não se caracteriza qualquer cerceamento à defesa, que tem a oportunidade de 
impugnar a determinação judicial, utilizando os meios recursais legais previstos para tanto. (RMS 30.172-MT) 
 
 
 
39 
6.c Procedimento relativo aos crimes de tráfico ilícito e uso indevido de drogas. 
 
A Lei n.º 11.343/2006 tem como uma das principais finalidades prescrever regime jurídico distinto entre as 
infrações cometidas pelo usuário e pelo traficante, o que ensejou o estabelecendo de dois ritos diferentes para cada uma 
daquelas espécies. Enquanto os tipos ligados ao propósito de prevenção ao uso indevido (arts. 28, caput e §1º, 33, §3º, e 
38) são submetidos ao rito sumaríssimo disciplinado pela Lei n.º 9.099/95, as infrações penais ligadas ao combate/repressão 
ao tráfico de drogas (artigos 33, caput, e §§ 1º e 2º, 34, 35, 36, 37 e 39, § único) submetem-se ao procedimento previsto nos 
artigos 50 a 59 da Lei n.º 11.343/2006, com aplicação subsidiária do procedimento ordinário do CPP. 
Havendo concurso de crimes entre o tipo do art. 28 e o tipo de tráfico, fazendo surgir a figura do usuário-traficante, 
não haverá aplicação do rito dos Juizados Especiais, devendo-se aplicar o rito previsto nos artigos 50 a 59 mesmo em 
relação ao delito do art. 28. A doutrina pondera, no entanto, que o concurso entre os crimes do art. 28 e 33, §3º (“Oferecer 
droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu relacionamento, para juntos a consumirem”), por serem 
ambos de menor potencial ofensivo, podem ser processados perante o Juizado Especial, ao contrário do que sugere a 
literalidade do art. 48, §1º. 
Da investigação (arts. 50 a 54): O art. 50, §1º, estabelece que, ocorrendo prisão em flagrante, há necessidade 
de confecção de laudo de constatação da natureza e quantidade da droga, firmado por perito oficial ou, na falta dele, por 
pessoa idônea. Tal laudo é provisório, servindo unicamente como lastro probatório mínimo, sendo o laudo toxicológico 
definitivo o documento capaz de ensejar eventual condenação. A denúncia poderá ser instruída apenas com laudo preliminar 
de constatação, devendo o laudo definitivo (toxicológico) ir aos autos até três dias antes da audiência una (52, § ú, I). 
Em qualquer fase da persecução, desde que autorizadas judicialmente, ouvido o MP, poderão ser adotadas 
medidas especiais de investigação, tais como a infiltração de agentes de polícia no seio de organização criminosa e a ação 
controlada, esta com o retardamento da prisão em flagrante, desde que conhecidos o itinerário provável e alguns agentes 
do delito, com o fim de identificar/responsabilizar maior número de autores. 
Da instrução criminal (arts. 54 a 59): oferecimento denúncia, notificação do réu, apresentação de defesa 
preliminar escrita – arrolar até 5 testemunhas (prazo 10 dias), recebimento, designação de audiência una de 
instrução/julgamento, citação pessoal réu e intimação do MP/assistente e eventual requisição pelo juiz de laudos periciais. 
Ordem de atos na audiência: interrogatório, oitiva de testemunhas da acusação e da defesa, debates orais 20min, 
prorrogáveis por mais 10 min e sentença. 
Advirta-se que tal procedimento foi alterado pela Lei 11.719/2008. Sendo assim, diante da regra contida no art. 
394, §4º do CPP, tem-se que deverá ser observado em todo procedimento de primeira instância, seja comum ou especial, 
as etapas dos arts. 395 a 397, ou seja: 1) a peça acusatória poderá ser rejeitada por questões processuais alinhadas no art. 
395; 2) se não o for, a denúncia ou queixa será recebida, determinando-se a citação do acusado para apresentação da 
resposta escrita no prazo de 10 dias (art. 396 e art. 396-A); 3) com a resposta, o juiz poderá absolver sumariamente o 
acusado, nas hipóteses mencionadas no art. 397, CPP. 
Competência da Justiça Federal: Quando caracterizada a transnacionalidade do delito (aqueles previstos nos 
arts. 33 a 37), a competência será da Justiça Federal (art. 70 da Lei 11343). 
O crime de tráfico de drogas, com a redução do § 4º do art. 33, é equiparado a hediondo, estando sujeito 
a progressão com requisitos objetivos mais rígidos. A aplicação da causa de diminuição de pena prevista no art. 33, § 
4º, da Lei 11.343/2006 não afasta a hediondez do crime de tráfico de drogas, limitando-se, por critérios de razoabilidade e 
proporcionalidade, a abrandar a pena do pequeno e eventual traficante, em contrapartida com o grande e contumaz 
traficante, ao qual a Lei de Drogas conferiu punição mais rigorosa que a prevista na lei anterior. Assim, se o indivíduo é 
condenado por tráfico de drogas e recebe a diminuição prevista no § 4º do art. 33, mesmo assim terá cometido um crime 
equiparado a hediondo. (STF, RHC 118099/MS e HC 118032/MS) 
Interrogatório. Ao contrário do que ocorre no procedimento comum (ordinário, sumário e sumaríssimo), no 
especial rito da Lei n.º 11.343/2006, o interrogatório é realizado no limiar da audiência de instrução e julgamento. (STJ, RHC 
53.539/PR, julgado em 02/06/2015) 
Defesa preliminar. A inobservância do rito previsto na Lei n. 11.343/2006, pela falta de oportunidade para 
oferecimento de defesa preliminar, antes do recebimento da inicial acusatória (art. 55), constitui nulidade relativa que deve 
ser arguida oportunamente, sob pena de preclusão, com a demonstração de efetivo prejuízo à defesa. Ainda que não tenha 
sido obedecido o aludido procedimento, a superveniência de sentença condenatória, que denota a viabilidade da ação penal, 
prejudica o reconhecimento da preliminar de nulidade. (STJ, HC 293.675/PB) 
 
 
 
 
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7.a. Efeitos da condenação. Reparação do dano. 
 
A condenaçãocriminal transitada em julgado produz efeitos de natureza penal e extrapenal. Entre os efeitos 
penais, tem-se o efeito principal (pena privativa de liberdade, restritiva de direito ou multa) e os efeitos secundários, como a 
reincidência (art. 63, CP). Por sua vez, os efeitos extrapenais repercutem em outras esferas, como a civil, administrativa, 
política etc. É efeito extrapenal da condenação, por exemplo, a suspensão dos direitos políticos enquanto não extinta a 
punibilidade (art. 15, III, CF). Da mesma forma, a perda automática de cargo, emprego ou função pública em razão de 
condenação por crime de tortura (art. 1º, § 5º, da Lei 9.455/97). Afora outras hipóteses eventualmente existentes na 
legislação especial, o Código Penal estabeleceu, de forma geral, efeitos extrapenais genéricos (de incidência automática) e 
específicos (demandam a expressa e motivada declaração na sentença) da condenação nos seus arts. 91 e 92, 
respectivamente, cuja leitura se recomenda. Sucintamente, mencione-se que são efeitos genéricos (i) tornar certa a 
obrigação de indenizar o dano causado e (ii) a perda, em favor da União, ressalvados os direitos do lesado ou de terceiro 
de boa-fé, dos instrumentos, produtos ou proveitos do crime, na forma do art. 91, CP, sendo efeitos específicos (i) a perda 
do cargo, função pública ou mandato eletivo, quando aplicada pena privativa de liberdade superior a 04 (quatro) anos ou 
nos crimes cometidos com abuso de poder ou violação de dever para com a administração, quando aplicada pena superior 
a 01 (um) ano; (ii) a incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou curatela, nos crimes dolosos, sujeitos à pena 
de reclusão, cometidos contra filho, tutelado ou curatelado, e (iii) a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como 
meio para a prática de crime doloso. 
No que tange ao efeito de perda de mandato eletivo, após idas e vindas, o STF fixou o entendimento de que a 
condenação criminal transitada em julgado NÃO é suficiente, por si só, para acarretar a perda do mandato eletivo 
de Deputado Federal ou de Senador. O STF, ao condenar um Parlamentar federal, NÃO poderá determinar a perda do 
mandato eletivo. Ao ocorrer o trânsito em julgado da condenação, se o réu ainda estiver no cargo, o STF deverá oficiar à 
Mesa Diretiva da Câmara ou do Senado Federal para que tais Casas deliberem acerca da perda ou não do mandato, nos 
termos do § 2º do art. 55 da CF/88 (STF. Plenário. AP 565/RO, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 7 e 8/8/2013). Note-se 
que a exceção constitucional aplica-se apenas a parlamentares federais, por força da redação expressa do § 2º do art. 55 
da CF/88. De outro lado, o STF sedimentou que parlamentares não têm imunidade formal quanto à prisão decorrente de 
condenação definitiva, uma vez que o § 2º do art. 53 da CF/88 veda apenas a prisão penal cautelar (provisória) do 
parlamentar, ou seja, não proíbe a prisão decorrente da sentença transitada em julgado, como no caso de Deputado Federal 
condenado definitivamente pelo STF. (STF. Plenário. AP 396 QO/RO, AP 396 ED-ED/RO, rel. Min. Cármen Lúcia, 
26/6/2013). 
Reparação do dano. A lesão causada pelo crime pode atingir, diretamente, a coletividade do corpo social, tal 
como ocorre no tráfico de drogas, como pode afetar mais intensamente o patrimônio de uma determinada pessoa. À luz do 
art. 91, I, do CP, é efeito da condenação “tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime”. Segundo 
Alexandre Câmara, há 2 sistemas de fixação da responsabilidade civil pelos danos decorrentes de ilícitos penais: i – sistema 
da separação: proíbe que no processo penal se postule a reparação civil (sistema acolhido anteriormente à Lei 11.719/09); 
ii – sistema da adesão: permite que se postule a reparação civil no processo penal (adotado pelo atual art. 387, IV, CPP, 
segundo o qual o juiz, na sentença, “fixará valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os 
prejuízos sofridos pelo ofendido”) 
Hipótese semelhante já era contemplada em nosso ordenamento de forma setorial, apenas para os crimes 
ambientais (art. 20 da Lei 9.605/98: “a sentença penal condenatória, sempre que possível, fixará o valor mínimo para 
reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido ou pelo meio ambiente”) 
O regime atualmente adotado, segundo Câmara, é o da adesão facultativa, consoante o qual não há empecilho a 
que seja proposta demanda civil de reparação do dano, porquanto ainda vigora o art. 64 do CPP. Caso proposta a demanda 
cível, será vedado ao condenado discutir, nesse âmbito, a existência do delito ou sua responsabilidade pela reparação (art. 
935 do CC). 
Para Pacelli, não só não há óbice ao ajuizamento da demanda cível, como também esta é obrigatória para o fim 
de se obter a reparação. Após a fixação do patamar mínimo, a vítima ou os legitimados do art. 63, caput, do CPP poderão 
ajuizar no juízo cível: i) uma demanda executória, pleiteando exatamente o valor fixado na sentença penal, servindo esta 
como título executivo judicial (art. 475-N, II, CPC c/c art. 63, § único, CPP); ii) uma demanda de conhecimento, figurando o 
percentual fixado na sentença penal como o mínimo a ser fixado pelo juizo civel (art. 63, § único, CPP). 
Qual é a natureza jurídica dessa fixação do valor mínimo de reparação? Trata-se de um efeito extrapenal genérico 
da condenação. 
O juiz fixará um valor mínimo. Assim, a vítima poderá executar desde logo este valor mínimo e pleitear um valor 
maior que o fixado na sentença, bastando que prove que os danos que sofreu foram maiores que a quantia estabelecida na 
sentença. Essa prova é feita em procedimento de liquidação por artigos (arts. 475-E e 475-F do CPC). 
Este Tribunal sufragou o entendimento de que deve haver pedido expresso e formal, feito pelo parquet ou pelo 
ofendido, para que seja fixado na sentença o valor mínimo de reparação dos danos causados à vítima, a fim de que seja 
oportunizado ao réu o contraditório e sob pena de violação ao princípio da ampla defesa. (...) (AgRg no AREsp 389.234/DF, 
Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, julgado em 08/10/2013) 
Deverá haver provas dos prejuízos sofridos. A fixação da reparação civil mínima também não dispensa a 
participação do réu, sob pena de frontal violação ao seu direito de contraditório e ampla defesa, na medida em que o autor 
da infração faz jus à manifestação sobre a pretensão indenizatória, que, se procedente, pesará em seu desfavor. (...) (REsp 
1236070/RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Quinta Turma, julgado em 27/03/2012) 
O juiz pode deixar de fixar o valor mínimo em algumas situações, como, por exemplo: a) quando não houver prova 
do prejuízo; b) se os fatos forem complexos e a apuração da indenização demandar dilação probatória, o juízo criminal 
poderá deixar de fixar o valor mínimo, que deverá ser apurado em ação civil (STF. Plenário. AP 470/MG, rel. Min. Joaquim 
Barbosa, 17.12.2012); c) quando a vítima já tiver sido indenizada no juízo cível. 
Além dos prejuízos materiais, o juiz poderá também condenar o réu a pagar a vítima por danos morais? 1ª 
corrente: SIM. Posição de Norberto Avena. 2ª corrente: NÃO. Defendida por Eugênio Pacelli. 
41 
O art. 387, IV, do CPP NÃO fez com que o Brasil passasse a adotar a chamada “cumulação ou união de instâncias” 
em matéria de indenização pela prática de crimes. Conforme explica Pacelli e Fischer, “por esse sistema, o ajuizamento da 
demanda penal determina a unidade de juízo para a apreciação da matéria cível” (Comentários ao Código de Processo 
Penal). No Brasil, não há unidade de instâncias porque o juízo criminal irá, apenas quando for possível, definir um valor 
mínimo de indenização pelos danos sofridos, sem, contudo, esgotar a apreciação do tema, que ainda poderá ser examinado 
pelo juízo cível para aumentar esse valor. Assim, continuamos adotando o modelo da separaçãomitigada ou relativa 
de instâncias, em razão da existência de uma subordinação temática de uma instância a outra (vide art. 935 do CC). 
Segundo entendimento majoritário, o inciso IV do art. 387 do CPP é norma híbrida (de direito material e 
processual) e, por ser mais gravosa ao réu, não pode ser aplicada a fatos praticados antes da vigência da Lei 11.719/2008 
(STF. Plenário. RvC 5437/RO, 17/12/2014. STJ. 5ª Turma. REsp 1.193.083-RS, 20/8/2013). 
A via processual do habeas corpus não é adequada para impugnar a reparação civil fixada na sentença penal 
condenatória, por ausência de ameaça, sequer indireta ou reflexa, à liberdade de locomoção (HC 191.724/RJ, Rel. Min. 
Laurita Vaz, Quinta Turma, julgado em 15/10/2013). 
Extinta a condenação pela prescrição, extingue-se também a condenação pecuniária fixada como reparação dos 
danos causados à vítima, nos termos do art. 387, IV, do CPP, pois dela decorrente, ficando ressalvada a utilização de ação 
cível, caso a vítima entenda que haja prejuízos a serem reparados (REsp 1260305/ES, Sexta Turma, julgado em 
12/03/2013). 
Possibilidade de suspensão da ação cível: art. 64 do CPP: “intentada a ação penal, o juízo da ação civil poderá 
suspender o curso desta, até o julgamento definitivo daquela”. 
Coisa julgada no cível: o CPP, art. 65, dispõe que faz coisa julgada no cível a sentença penal que reconhecer 
ter sido o ato praticado em estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento do dever legal ou no exercício 
regular do direito. Ainda sobre o art. 65 do CPP, Pacelli anota que, embora seja vedada a reabertura da discussão acerca 
das matérias decididas (excludentes reais), a responsabilidade civil não estará afastada quando houver expressa disposição 
legal prevendo a recomposição do dano, mesmo nas hipóteses de legítima defesa, estado de necessidade, estrito 
cumprimento de dever legal ou exercício regular de direito (arts. 929 e 930 c/c art. 188, I e II, todos do CC). 
Cleber Masson explica que, em se tratando de extinção da punibilidade derivada de abolitio criminis ou de anistia, 
embora ocorra a rescisão da sentença condenatória no âmbito penal, o efeito civil da reparação do dano persiste. Da mesma 
forma, persistem os efeitos civis no caso de graça ou indulto. Pondera, igualmente, que se o réu condenado com trânsito em 
julgado for absolvido em revisão criminal, desaparece a força executiva, mesmo se já tiver sido iniciada a execução civil. Por 
fim, dispõe o art. 66 que: “não obstante a sentença absolutória no juízo criminal, a ação civil poderá ser proposta quando 
não tiver sido, categoricamente, reconhecida a inexistência material do fato”. 
Absolvição por negativa de autoria: na hipótese do art. 386, IV do CPP (estar provado que o réu não concorreu 
para a infração penal) a instância cível ficará vinculada à decisão penal; no caso do art. 386, V (absolvição por ausência de 
prova da autoria), não haverá a referida vinculação. 
Absolvição sumária: Pacelli sustenta que o art. 65 do CPP tem como pressuposto a absolvição definitiva proferida 
após regular instrução processual que preserve os interesses do ofendido na recomposição patrimonial do dano, não 
podendo ser abarcada pela nova redação do art. 397, I e II do CPP (excludentes de ilicitude e culpabilidade). Igualmente, 
não haverá força preclusiva no caso do art. 397, IV, CPP, relativamente à extinção da punibilidade do fato. 
Legitimidade do Ministério Público: o art. 68 do CPP que prevê a legitimação ativa do parquet para a 
propositura da ação civil ex delicto. Para o STF, com o advento da CF/88 e a previsão da Defensoria Pública, a razão de ser 
da legitimação do MP deixou de existir, razão pela qual fixou a tese da inconstitucionalidade progressiva do dispositivo 
(norma em trânsito para a inconstitucionalidade) mantém sua vigência até o funcionamento regular da defensoria. 
Por fim, reconhece-se a legitimação extraordinária do Ministério Público, assim como dos demais legitimados do 
art. 82, CDC, para promover a execução, no cível, da sentença criminal na hipótese de infração penal capitulada na Lei n. 
8.078/ 90, forte nos arts. 97 e 98 do referido diploma. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
42 
 
 
 
7.b. Controle externo da atividade policial. 
 
Conceito: O controle externo da atividade policial deve ser compreendido como o “conjunto de normas que 
regulam a fiscalização exercida pelo Ministério Público em relação à Polícia, na prevenção, apuração e investigação de fatos 
tidos como criminosos, na preservação dos direitos e garantias constitucionais dos presos que estejam sob responsabilidade 
das autoridades policiais e na fiscalização do cumprimento das determinações judiciais” (GUIMARÃES, Rodrigo Régnier 
Chemim). Cuida-se de atividade decorrente do sistema de freios e contrapesos previsto no regime democrático. 
Legitimidade: A Constituição da República de 1988 incumbiu ao Ministério Público o exercício do controle externo 
da atividade policial, na forma de lei complementar, de iniciativa dos respectivos Procuradores-Gerais dos MPs da União e 
dos Estados (art. 129, inc. VII). 
Com efeito, a Lei Complementar n. 75/93, regulamentando o dispositivo constitucional, previu que “O Ministério 
Público da União exercerá o controle externo da atividade policial tendo em vista: a) o respeito aos fundamentos do Estado 
Democrático de Direito, aos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, aos princípios informadores das 
relações internacionais, bem como aos direitos assegurados na Constituição Federal e na lei; b) a preservação da ordem 
pública, da incolumidade das pessoas e do patrimônio público; c) a prevenção e a correção de ilegalidade ou de abuso de 
poder; d) a indisponibilidade da persecução penal; e) a competência dos órgãos incumbidos da segurança pública” (art. 3º). 
Objetivo: Por sua vez, a Resolução CSMPF 127/2012 estabeleceu como objetivo do controle externo velar pela 
regularidade, pela adequação e pela eficiência da atividade policial, atentando, especialmente: I – ao respeito aos 
fundamentos do Estado Democrático de Direito, aos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, aos princípios 
informadores das relações internacionais, bem como aos direitos assegurados na Constituição Federal e na lei; II – à 
preservação da ordem pública, da incolumidade das pessoas e do patrimônio público; III – à prevenção ou à correção de 
irregularidade, ilegalidades ou de abuso de poder relacionados à atividade policial; IV – à competência dos órgãos 
incumbidos da segurança pública; V – à prevenção da criminalidade; VI – à finalidade, à celeridade, ao aperfeiçoamento e à 
indisponibilidade da persecução penal; VII – à superação de falhas na produção probatória, inclusive de natureza técnica, 
para fins de investigação criminal; VIII – a probidade administrativa no exercício da atividade policial (art. 1º da Resolução 
CSMPF 127/2012). 
Instrumentos: O Ministério Público, por meio de medidas judiciais e extrajudiciais, pode: “I - ter livre ingresso em 
estabelecimentos policiais ou prisionais; II - ter acesso a quaisquer documentos relativos à atividade-fim policial; III - 
representar à autoridade competente pela adoção de providências para sanar a omissão indevida, ou para prevenir ou corrigir 
ilegalidade ou abuso de poder; IV - requisitar à autoridade competente para instauração de inquérito policial sobre a omissão 
ou fato ilícito ocorrido no exercício da atividade policial; V - promover a ação penal por abuso de poder” (art. 9º da LC 75/93). 
Além disso, “a prisão de qualquer pessoa, por parte de autoridade federal ou do Distrito Federal e Territórios, 
deverá ser comunicada imediatamente ao Ministério Público competente, com indicação do lugar onde se encontra o preso 
e cópia dos documentos comprobatórios da legalidade da prisão”(art. 10 da LC 75/93). 
Submetem-se ao controle externo: Os organismos policiais relacionados no art. 144 da CF/88, bem como as 
polícias legislativas ou qualquer outro órgão ou instituição, civil ou militar, à qual seja atribuída parcela de poder de polícia 
relacionada com a segurança pública e persecução criminal (art. 1º da Resolução CNMP 20/2007). 
Exercício do Controle Externo da Atividade Policial: Na forma de controle difuso, é realizado por todos os 
membros do Ministério Público com atribuição criminal, quando do exame dos procedimentos que lhes forem atribuídos. Em 
sede de controle concentrado, é feito através de membros com atribuições específicas para o controle externo da atividade 
policial, conforme disciplinado no âmbito de cada Ministério Público. No âmbito do MPF, por exemplo, em cada unidade da 
federação há um grupo – Grupo de Controle Externo da Atividade Policial (GCEAP) – designado pelo prazo de 2 anos por 
ato do Procurador-Geral da República, nos termos do art. 5º, inc. II, da Resolução 127/2012do CSMPF, para realizar o 
controle externo da atividade policial no âmbito da respectiva Unidade da Federação, incluindo as questões que extrapolem 
o controle difuso. 
O controle externo pode ser também ordinário ou extraordinário. O ordinário (ou geral) consiste na verificação 
da regularidade do trâmite das investigações policiais e no cumprimento das diligências requisitadas em inquéritos e outros 
expedientes cautelares criminais, e também é exercido mediante visitas periódicas às unidades de polícia, a fim de verificar 
a regularidade dos procedimentos policiais e da custódia dos presos que porventura se encontrarem no local. O controle 
extraordinário, por sua vez, tem objeto específico, identificado nas inspeções e visitas ordinárias. Visa à verificação concreta 
de um ato ilícito ou irregular por parte de algum policial o exercício de suas funções. 
 
Resoluções sobre a matéria: Resolução CSMPF n. 127/2009 e Resolução CNMP n. 20/20071. 
 
 
 
 
 
 
 
1
 A Resolução CNMP n. 20/2007 foi objeto de discussão perante o STF, por meio da ADI 4220, que não foi conhecida, porquanto se trata 
de ato de índole regulamentar, atrelado aos dispositivos legais que já disciplinam satisfatoriamente a matéria, não havendo inovação 
justamente porque os mecanismos primordiais para o exercício do controle externo da atividade policial são extraídos dos artigos 9º e 10 
da LC 75/93. 
43 
7.c. Prova no processo penal: princípios e questões gerais. 
 
Conceito: Segundo lecionam TÁVORA e ALENCAR, prova consiste em tudo aquilo que contribui para a formação 
do convencimento do magistrado (o CPP não traz um rol exaustivo de meios de prova). NUCCI (2011, p. 388), por sua vez, 
alerta que prova pode ser: a) o ato de provar a exatidão ou verdade do fato alegado no processo; b) o meio, o instrumento 
pelo qual se faz essa prova (ex.: prova testemunhal); c) o resultado ou produto extraído da análise dos instrumentos de 
prova. 
Objetivo da prova: reconstrução dos fatos investigados no processo, buscando uma verdade judicial, uma certeza 
jurídica, que pode ou não corresponder à realidade histórica. 
Teoria da prova: Trata-se do estudo dos princípios e regras aplicáveis ao estudo da prova, sem a análise dos 
meios de prova. 
Princípios Regentes: 
a) Contraditório e ampla defesa: as partes tem direito à prova. Necessidade de efetiva participação do réu na 
formação do convencimento judicial. A ampla defesa é que autoriza o ingresso de provas ilícitas favoráveis à defesa. Doutrina 
de Élio FAZZALARI: paridade de armas. 
b) Identidade física do juiz: importante inovação trazida pelo art. 399, § 2º, CPP. Se o provimento judicial final 
deve demonstrar sempre um juízo de certeza, quando condenatória a sentença, o juiz da instrução está mais apto a proferir 
a sentença. Para PACELLI, o art. 132 do CPC é aplicável subsidiariamente ao processo penal. 
c) Verdade material: tradicionalmente, diz-se que o processo civil contenta-se com uma certeza derivada da 
simples ausência de impugnação aos fatos articulados na inicial, ao passo que o processo penal não admite a verdade 
formal, exigindo-se a materialização da prova pela acusação (as correntes mais atuais criticam essa noção tradicional de 
verdade formal/verdade material). Segundo PACELLI, toda verdade judicial é sempre uma verdade processual. 
d) Inocência: compete à acusação todo o ônus probatório (deve provar a existência do crime, bem como sua 
autoria). Para PACELLI, o novo art. 156, I, CPP, é inconstitucional, por ferir o modelo acusatório. O juiz não deve tutelar a 
investigação, nem tomar qualquer providência de ofício nesta fase. Quanto ao art. 156, II, CPP, o juiz não pode desigualar 
as forças produtoras da prova no processo, sob pena de violação ao contraditório, ampla defesa e igualdade das partes – 
apenas será permitido fazê-lo quando em benefício da defesa ou quando existir dúvida sobre prova produzida (não em caso 
de ausência de prova, quando a absolvição se impõe). 
e) Livre convencimento motivado: o juiz não está preso a nenhum critério de valoração prévia da prova, mas 
deve declinar as razões pelas quais optou por tal ou qual prova. Não se aplica ao júri (íntima convicção). 
� CPP: art. 155: O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova 
produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos 
colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas 
f) Comunhão das provas: uma vez produzida, a prova pode ser utilizada por ambas as partes; não há “dono” da 
prova. 
Questões gerais. 
- O novo art. 155, CPP, estabelece impedimento ao magistrado de fundar condenação exclusivamente em material 
colhido na fase de investigação (exceto as provas cautelares, antecipadas e não repetíveis – ex.: perícias técnicas). 
- Segundo PACELLI, é legítima a exigência de meios de prova específicos para a constatação de determinados 
fatos, se justificada pela proteção de valores reconhecidos pela ordem jurídica. Não se trata de hierarquia entre as provas 
(prova tarifada), mas de meio mais adequado para a prova de determinado fato. É o caso da vedação às provas ilícitas (art. 
5º, LVI, CR e art. 157, CPP) ou das limitações quanto à matéria relativa ao estado das pessoas. 
- Quem faz a alegação é que deve provar (art. 156, CPP). Assim, a acusação deve fazer prova quanto à autoria 
e à materialidade, mas à defesa incumbe a prova acerca de excludente eventualmente alegada. 
- A regra no processo penal é que a prova pode ser produzida a qualquer tempo, incluindo a fase recursal, 
e até mesmo em segunda instância, respeitado o contraditório. Exceção: antecedência de 3 dias úteis do plenário para 
juntar documentos no procedimento do júri (art. 479, CPP), sempre dando ciência à outra parte. 
- O art. 157, CPP fala em provas ilícitas como sendo aquelas obtidas com violação a normas constitucionais ou 
legais; a doutrina, contudo, distingue: a) provas ilícitas seriam aquelas obtidas com violação ao direito material; b) provas 
ilegítimas são as que violam normas de direito processual. 
- Teoria dos frutos da árvore venenosa: o atual art. 157, § 1º, CPP, dispõe: “são também inadmissíveis as provas 
derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas 
puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras”. Fonte de prova independente: é a prova não relacionada 
com os fatos que geraram a produção da prova contaminada. Descoberta inevitável: admite-se a prova, ainda que presente 
eventual relação de causalidade ou de dependência entre as provas (a ilícita e a descoberta), exatamente em razão de se 
tratar de meios de prova rotineiramente adotados em determinadas investigações.Com isso, evita-se a contaminação da 
totalidade das provas que sejam subsequentes à ilícita. 
- No que tange aos delitos materiais, há que se ressaltar a necessidade de feitura de exame de corpo de delito, 
haja vista que são crimes que deixam vestígios. Tal exame visa à constatação da materialidade delitiva. No ponto, merece 
destaque a possibilidade de realização do aludido exame de forma direta (através do exame cadavérico) ou indireta (que 
consiste no raciocínio utilizado sobre o ocorrido, através das demais provas realizadas em juízo, em virtude da 
impossibilidade de realização do exame de corpo de delito direto). 
Pontos relevantes. 
- O STJ, sistematicamente, aceita a gravação da conversa feita por um dos interlocutores, sem o consentimento 
do outro, com base na aplicação do p. da proporcionalidade (STJ, HC 4654/RS; RHC 5944/PR). 
- A jurisprudência do STF e a doutrina nacional majoritária (na contramão da tendência mundial, relatada por 
JOSÉ ADÉRCIO citado por PACELLI, p. 314) não aceitam a possibilidade de quebra do sigilo bancário diretamente pelo MP 
(STF, RECR 215.301/CE). No MS 21.729-4, entendeu-se que “em se tratando de informações relativas a desvios de verbas 
públicas federais, o MP poderia obter tais informações diretamente da instituição financeira”. 
44 
- Teoria do encontro fortuito de provas: quando a prova de determinada infração penal é obtida a partir da busca 
regularmente autorizada para a investigação de outro crime. O STF já reconheceu a licitude da prova de outro crime, diverso 
daquele investigado, obtida por meio de interceptação telefônica autorizada, de início, para a apuração de crime punido com 
reclusão (AI 626214 AgR). 
- No caso Glória Trevi, artista mexicana que alegou ter sido vítima de estupro nas dependências da PF, o STF 
deferiu a produção de exame de DNA na placenta da gestante, recolhida sem a autorização desta, com fundamento em uma 
necessária ponderação entre valores constitucionais contrapostos, admitindo, então, a aplicação da proporcionalidade na 
produção da prova (STF, RCL 2.040/DF). 
Importância da prova indiciária (Manual do Procurador da República). 
A palavra indícios é polissêmica e foi empregada pelo próprio legislador, no CPP, de diversas maneiras diferentes, 
com sentidos variados em relação ao distinto momento processual em que é utilizada. Em um destes sentidos, o legislador 
faz menção aos “indícios de prova”, referindo-se a um conjunto de provas que permita um juízo de probabilidade. Nesse 
sentido: arts. 126, 134 e 312, CPP. 
A expressão indícios, neste sentido, deve ser interpretada não como prova indireta, mas, sim, como um conjunto 
de provas que demonstrem, razoavelmente, uma suspeita fundada, baseada em algum dado objetivo. 
Estes “indícios de prova” não podem ser confundidos a “prova de indícios”, esta sim disciplinada no art. 239 do 
CPP, aqui considerada a expressão em sua “dimensão probatória”. A “prova de indícios” é uma prova indireta, segundo a 
qual, partindo-se de um fato base comprovado, chega-se, por via de um raciocínio dedutivo, a um fato consequência, que 
se quer provar. 
Em vista do princípio do livre convencimento motivado, adotado no art.155 do CPP, a prova de indícios, desde 
que estes sejam coerentes, uníssonos e afastem a versão do acusado, podem levar a uma decisão condenatória. 
Assim, ao contrário do que alguns afirmam, aprova de indícios pode – e no caso de delitos complexos, deve, em 
razão da dificuldade de se obter provas diretas - ser utilizada para embasar um decreto condenatório, pois permite uma 
cognição profunda no plano vertical, de sorte a permitir que o juízo forme sua convicção acima de qualquer dúvida razoável. 
A prova indiciária muitas vezes é a mais idônea e, na maior parte das vezes, a única possível para comprovar a 
existência de delitos complexos, sobretudo delitos societários, em especial naqueles chamados de colarinho branco. No 
julgamento da Ação Penal 470 – conhecido como caso do “Mensalão” – a importância da prova indiciária nos crimes 
complexos e “do colarinho branco” foi aventada em diversos momentos pelo STF. 
Compreendeu-se a prova em sua função persuasiva, permitindo a formação do convencimento do magistrado a 
partir de “uma ampla discussão entre todos os sujeitos participantes do processo”, sendo possível, portanto, a condenação 
com base em um conjunto forte e sólido de indícios e circunstâncias comprovados, sobretudo em contextos associativos 
complexos, que é a marca da criminalidade contemporânea, nos quais a prova indiciária é predominante, por ser raro que 
se obtenham provas documentais ou gravações dos fatos criminosos, sobretudo porque tais delitos geralmente são 
realizados a portas fechadas. 
 
 
 
 
45 
8.a. Condições da ação e pressupostos processuais. 
 
Ação penal: ação penal é o direito público subjetivo de pedir ao Estado-Juiz a aplicação do direito penal objetivo 
ao caso concreto. 
 
Condições da ação: 
Conceito: são requisitos necessários e condicionantes ao exercício regular do direito de ação. São condições 
genéricas: legitimidade ad causam, interesse processual, possibilidade jurídica do pedido e a justa causa (cujo 
enquadramento como quarta condição da ação causa certa polêmica). De maneira específica, há condições de 
procedibilidade em determinados casos, sem as quais a persecução penal não poderá ser deflagrada (ex.: representação 
da vítima e requisição do ministro da justiça em crimes de ação penal pública condicionada). 
Condições genéricas: 
(I) possibilidade jurídica do pedido: exige-se que a providência requerida pelo demandante seja admitida pelo 
direito objetivo. Assim, pedido possível é aquele, em tese, com respaldo legal. Para PACELLI, no entanto, em tema de 
pedido, na ação penal condenatória, a exigência de previsibilidade abstrata da providência requerida não constitui óbice à 
admissibilidade da ação e ao conhecimento da pretensão. E assim é também porque a regra é que se apresente ao juízo 
criminal o pedido de condenação do acusado, pouco importando o eventual descompasso entre a sanção pretendida e 
aquela cominada ao tipo penal previsto para o fato imputado: tratando-se de ação penal pública, em que a acusação é dever 
do estado, a só imputação a alguém da prática de um fato alegadamente delituoso (art. 41, CPP) constitui manifestação 
expressa da pretensão punitiva, ensejando ao juiz, por ocasião da sentença, a adequação do fato à norma, impondo solução 
de direito que lhe parecer aplicável, por força da emendatio libelii prevista no art. 383 do CPP. Para PACELLI, nem mesmo 
no caso de ação privada haveria óbice à admissibilidade da demanda, uma vez que, acaso o querelante não requeira da 
condenação, como exige o art. 60, III, do CPP, a solução será de perempção da ação já ajuizada e admitida, e não de 
carência dela. 
(II) interesse de agir: materializa-se no trinômio necessidade, adequação e utilidade. Quando ao interesse-
necessidade, o que se objetiva identificar é se a lide pode ser resolvida na seara extrajudicial, por outras formas de contenção 
de conflitos, ou se é necessário o uso das vias regulares, com o exercício da ação criminal. Em matéria penal, o interesse-
necessidade é presumido, uma vez que afigura-se, normalmente, como imprescindível lançar mão do direito de ação para 
solver a contenda criminal. Já o chamado interesse-adequação diz respeito à eleição do mecanismo a ser empregado para 
a solução do litígio – ex.: desejando a parte trancar ação penal iniciada para apurar infração apenada somente com pena de 
multa, o meio adequado é o mandado de segurança, e não o habeas corpus (súmula 693 do STF); quando a vítima de 
infração privada deseja trancar inquérito deflagrado à sua revelia, o meio adequado é também o mandado de segurança, 
haja vista não haver ameaça à sua liberdade de locomoção; se pessoa jurídica figurar como ré em ação penal,a ação de 
impugnação adequada é o mandado de segunda, e não o habeas corpus, uma vez que é incompatível com a concepção da 
pessoa jurídica a liberdade de locomoção. Para PACELLI, não haveria qualquer utilidade em se falar de interesse-adequação 
em ações penais condenatórias, uma vez que o erro quanto ao tipo de reprimenda requerida não impede o recebimento da 
denúncia, cabendo ao magistrado, ao sentenciar, corrigi-lo, com base no art. 383 do CPP. Já o interesse-utilidade só existe 
se houver esperança, mesmo que remota, da realização do jus puniendi estatal, com aplicação da sanção penal adequada 
– se a sanção não é mais possível, a ação passa a ser absolutamente inútil. Obs.: prescrição virtual, antecipada ou em 
perspectiva – é o reconhecimento da carência de ação (falta de interesse-utilidade), por conta da constatação de que 
eventual pena que venha a ser aplicada, numa condenação hipotética, inevitavelmente será abarcada pela prescrição 
retroativa, tornando inútil a instauração da ação penal, ou, se for o caso, a continuação da ação já iniciada; o STJ já sumulou 
a matéria, chancelando a impossibilidade da extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva com 
fundamento em pena hipotética, independentemente da existência ou sorte do processo penal. 
(III) legitimidade (legitimidade ad causam): é a pertinência subjetiva da ação. No polo ativo deve figurar como 
regra o Ministério Público, titular exclusivo da ação penal pública, ou o particular (querelante), titularizando as ações de 
iniciativa privada, na condição de substituto processual (pleiteando em nome próprio direito alheio, o jus puniendi pertencente 
ao estado). No polo passivo figura o réu, que nas ações de iniciativa privada é chamado de querelado. Estando a pessoa 
jurídica do polo ativo da demanda, exercendo o direito de ação, a representação será feita por quem os respectivos contratos 
ou estatutos designarem, e no silencio destes, pelos diretores ou sócios-administradores (art. 37, CPP). 
(IV) justa causa: a ação só pode ser validamente exercida se a parte autora lastrear a inicial com um mínimo 
probatório que indique os indícios de autoria, da materialidade delitiva, e da constatação da ocorrência de infração penal em 
tese (art. 395, III, CPP). É o fumus commissi delicti (fumaça da prática do delito) para o exercício da ação penal. Como a 
instauração do processo já atenta contra o status dignitatis do demandado, não se pode permitir que a ação seja uma 
aventura irresponsável, lançando-se no polo passivo, sem nenhum critério, qualquer pessoa. A justa causa é a demonstração 
prima facie de que a acusação não é leviana, mas lastreada em um mínimo de prova. Para PACELLI, a questão de se exigir 
lastro mínimo de prova pode ser apreciada também sob a perspectiva do direito à ampla defesa: exigir do estado, por meio 
do órgão da acusação, ou do particular, na ação privada, que a imputação feita na inicial demonstre, de plano, a pertinência 
do pedido, aferível pela correspondência e adequação entre os fatos narrados e a respectiva justificativa indiciária (prova 
mínima, colhida ou declinada), nada mais é que ampliar, na exata medida do preceito constitucional do art. 5º, LV, da CF, o 
campo em que se irá desenvolver a defesa do acusado, já ciente, então, do caminho percorrido na formação da opinio delicti. 
A justa causa, todavia, não é pacificamente aceita como quarta condição da ação – alguns a integram ao interesse de agir 
(VICENTE GRECO FILHO) ou mesmo como requisito ao desenvolvimento do procedimento, e não à propositura da demanda 
(FREDIE DIDIER). 
Condições específicas – condições de procedibilidade e condições objetivas de punibilidade: em 
determinadas situações, a lei exige o preenchimento de determinadas e específicas condições para o exercício da ação 
penal. Assim, por exemplo, nas ações penais públicas condicionadas, o MP somente poderá ingressar com a ação se já 
oferecida a representação (autorização ou consentimento do ofendido ou outro a tanto legitimado) ou requisição do ministro 
da justiça (ex.: art. 7, §3º, b, do CP, art. 145, par. único, CP). Uma condição de procedibilidade é uma questão processual 
46 
(como a representação do ofendido e a requisição do ministro da justiça). Já a condição objetiva de punibilidade é 
uma questão de direito material (condição ou circunstância do crime que se encontra fora do tipo penal). A doutrina, 
de modo geral, considera as condições de procedibilidade condições específicas da ação penal. PACELLI, no entanto, 
acompanhando a doutrina de AFRÂNIO SILVA JARDIM, entende que as condições de procedibilidade podem ser 
conduzidas à categoria da possibilidade jurídica do pedido. 
Condições de prosseguibilidade: seria uma condição para a continuidade da ação já deflagrada. Ex.: 
necessidade do agente recobrar a higidez mental nas hipóteses de insanidade superveniente, pois, enquanto isso não 
ocorre, o processo fica paralisado, e a prescrição corre normalmente (art. 152, caput, CPP). 
 
Pressupostos processuais. 
Conceito: para DIDIER, pressupostos processuais são todos os elementos de existência, os requisitos de 
validade e as condições de eficácia do procedimento, aspecto formal do processo, que é ato-complexo de formação 
sucessiva. 
Pressuposto de existência: pressuposto de existência do processo não é o mesmo que pressuposto de 
existência da relação processual. Esta, independentemente da teoria que se adote em relação ao tema (se angular, na qual 
se nega a relação jurídica processual entre autor e réu, ou se triangular, quando presente), exige sempre o concurso ou a 
participação de autor e acusado, reunidos sob a jurisdição do magistrado. Exemplo da utilidade da distinção pode ser visto 
na decisão que rejeita liminarmente a denúncia ou queixa (art. 395, CPP). Nessa hipótese, embora incompleta a relação 
processual ou incompleto o processo (art. 363, CPP: o processo terá completada a sua formação quando realizada a citação 
do acusado), já que o acusado sequer teria sido chamado em juízo, vê-se que inegavelmente teria existido processo (a 
menos que se queria admitir manifestações do poder judiciário, com eficácia preclusiva, fora do processo judiciário). Assim, 
afirma PACELLI que é inconsistente a doutrina que aponta como pressuposto de existência do processo a presença de 
partes, autor e réu, exigência esta ligada tão somente à existência da relação jurídica processual. Para PACELLI, também é 
equivocada a doutrina que afirma como pressuposto de existência do processo a presença do órgão jurisdicional 
constitucionalmente competente, em razão da garantia, também constitucional, do juiz natural. Sublinha o autor que a função 
jurisdicional é una, prestando-se a repartição de competências unicamente à adequada operacionalidade da jurisdição, 
consoante os critérios de especialização, por matéria ou por pessoa. Assim, quando é provocada a jurisdição, cível ou penal, 
é o estado quem atua nos autos, por meio de órgãos investidos dela, fazendo-o no campo e no estado que lhe são próprios: 
o processo. Para PACELLI, negar existência à atividade estatal desenvolvida, ainda que por juiz incompetente, é recusar a 
existência da própria jurisdição enquanto poder público. Para o autor, pressuposto de existência do processo é tão-somente 
o órgão investido de jurisdição, podendo-se admitir até a inclusão da exigência de demanda (ato de pedir em juízo e não o 
próprio pedido) – nesse sentido, destaca que o STF tem entendido que o vício de incompetência material ou constitucional 
é causa de nulidade absoluta, e não de inexistência do processo. 
Requisitos de validade: a legislação processual penal exige o cumprimento de alguns requisitos sem os quais a 
relação processual não poderá se desenvolver validamente. Tais requisitos de validade dizem respeito ora ao juiz e às partes 
(denominados por isso subjetivos) ora ao próprio objeto da ação penal (requisitosobjetivos). São requisitos subjetivos: a) 
quanto ao juiz – competência e imparcialidade (ausência de hipóteses de suspeição, impedimento ou incompatibilidade, 
ainda que o art. 564, I, do CPP, refira-se apenas à suspeição e ao suborno do magistrado); b) quanto às partes – capacidade 
processual ou legitimatio ad processum, isto é, a capacidade de estar em juízo (o menor de 18 anos não tem capacidade 
para integrar a relação processual nem mesmo como réu), e capacidade postulatória, devendo a parte, se não for habilitada, 
ser representada por advogado regularmente habilitado nos quadros da OAB, à exceção da ação de habeas corpus, revisão 
criminal, recursos e incidentes de execução (como pedido de reconhecimento de indulto, de anistia ou de reabilitação). São 
requisitos objetivos: a) citação válida, cujo vício poderá ser suprido pelo comparecimento espontâneo (art. 570 do CPP); 
b) observância das exigências legais atinentes aos requisitos da denúncia ou queixa (art. 41, CPP), no que se refere à 
idoneidade formal da peça de ingresso. Alguns autores incluem ainda entre os requisitos de validade os chamados 
pressupostos processuais negativos: a inexistência de coisa julgada e a ausência de litispendência. Para PACELLI, tanto 
a litispendência quanto a coisa julgada não dizem respeito à validade do processo, até porque o vício, quando existente, se 
encontraria mesmo fora do processo, ou seja, decorreria apenas da existência de outro processo, versando (ou já tendo 
versado e decidido) a mesma pretensão – a hipótese, então, estaria ligada ao tema da admissibilidade da ação, e não à 
invalidade do processo. O tema relativo aos requisitos de validade do processo e da relação processual penal, exatamente 
porque identificado como seu válido desenvolvimento, encontra-se regulado, de modo geral, no campo das nulidades 
processuais previstas nos arts. 564 e seguintes do CPP. A ausência de pressupostos e/ou requisitos processuais é causa 
de rejeição da denúncia ou queixa, nos termos do art. 395, II, do CPP. Segundo PACELLI, ainda que recebida a peça 
acusatória, deve o juiz, se constatar a ausência de pressuposto de existência do processo, anular, de ofício, a própria decisão 
anterior, com fundamento no art. 564, II, do CPP. Nesse caso, o fundamento seria por analogia, já que a ilegitimidade de 
parte ali prevista é condição da ação, cujo tratamento é o mesmo designado aos pressupostos processuais. Também por 
analogia, a hipótese do inciso III, e, serviria de suporte para a decisão de anulação do recebimento da peça acusatória, tendo 
em vista que a citação válida é considerada pressuposto processual. 
47 
8.b. Prisões. Espécies, requisitos e cabimento. 
Conceito: possui diversos sentidos, todos relacionados com a privação da liberdade de locomoção. Significa 
desde o próprio local em que está a pessoa presa, como também a captura, a custódia ou a detenção. Engloba tanto a 
prisão-pena quanto a prisão processual. Captura é o ato constitutivo da prisão. Detenção é a privação da liberdade por curto 
espaço de tempo até o encaminhamento a Autoridade Policial para lavratura do auto de prisão em flagrante. Custódia é a 
manutenção da pessoa presa (MENDONÇA). Após o advento da CF/88, toda e qualquer prisão antes do trânsito em julgado 
da condenação deve vir lastreada em ordem escrita e fundamentada do juiz competente, exceto transgressão militar e crime 
militar. 
Espécies: (I) prisão penal: é a decretada por juiz para fins penais, durante a fase investigatória, processual penal 
ou na sentença. Divide-se em prisão definitiva (ocorre após o trânsito em julgado) e prisão provisória, cautelar ou processual 
(que se dá antes do trânsito em julgado); (II) prisão extrapenal: é uma modalidade excepcional de prisão e não decorre de 
uma decisão judicial proferida em sede penal (exemplo: a do devedor de alimentos - art. 5º, LXVII, CF). Não subsiste mais 
a prisão do depositário infiel - RE 466.343/SP, STF. 
Prisão cautelar: Após a Lei nº 12.403/11, só existem 03 espécies de prisão cautelar: prisão em flagrante, prisão 
preventiva e prisão temporária. Foram expressamente revogadas a prisão decorrente de sentença condenatória recorrível e 
a decorrente de pronúncia (MENDONÇA). As prisões processuais penais decorrentes de mandado somente poderão ser 
decretadas pelo juiz. A CPI não pode determinar prisão, exceto em flagrante delito (reserva de jurisdição). 
Requisitos de cautelaridade: fumus comissi delicti (aparência da prática de um fato delituoso) e periculum 
libertatis (representa a necessidade e a urgência da medida para evitar um perigo a um bem jurídico relevante). Ambos os 
requisitos são analisados sob um juízo de probabilidade, não sendo a cognição exauriente, aprofundada. 
Princípio da homogeneidade das prisões processuais: há que ser feita uma relação entre as prisões 
processuais e a prisão pena: a prisão processual não pode ser mais grave que a própria pena que será aplicada ao réu. É 
decorrência da proporcionalidade. 
Prisão especial: é cabível para determinadas pessoas, em razão das funções públicas por elas exercidas, da 
formação escolar por elas alcançada e, finalmente, em razão do exercício de atividades religiosas. Aplicam-se apenas às 
prisões provisórias, ou seja, às prisões cautelares, não se aplicando àquelas resultantes de sentença penal condenatória, 
também tratadas como definitivas. Os réus sujeitos à prisão especial têm a possibilidade de auferir a progressão de regime 
quando ainda estão confinados nessas celas privativas (Súmula 717 do STF). 
Prisão do índio: a interpretação conjugada do art. 231 da CF e do art. 56 do Estatuto do Índio, assegura “o 
cumprimento da prisão processual também seja feito em observância das condições culturais indígenas. Se a pena de prisão, 
aplicada após o trânsito em julgado, deve ser cumprida em regime especial de semiliberdade, no local de funcionamento do 
órgão federal de assistência aos índios mais próximo da habitação do condenado, com muito maior razão a prisão 
processual” (HC 124.622/PE, STJ). 
Prisão em flagrante: é aquela que ocorre enquanto a infração está sendo cometida ou acabou de sê-la. É uma 
medida restritiva da liberdade, de natureza cautelar e caráter eminentemente administrativo, uma vez que não exige ordem 
escrita do juiz, até porque o fato ocorre, em regra, inesperada, inopinada ou desavisadamente. Natureza jurídica: há 
divergências doutrinárias a respeito: a) uns entendem ser medida de caráter precautelar (BRASILEIRO); b) ato 
administrativo; c) ato complexo, sendo a prisão-captura – 1ª fase de ordem administrativa, pré-cautelar – e a comunicação 
ao juiz e atos consequentes – 2ª fase de ordem processual, quando a homologação ou manutenção ou transformação da 
prisão somente deve ocorrer se presente um dos fundamentos para preventiva (TÁVORA E ALENCAR); d) prisão cautelar 
(esta última posição é a prevalecente, segundo BRASILEIRO). Quanto ao sujeito ativo, o flagrante é obrigatório (autoridade 
policial e seus agentes) ou facultativo (qualquer pessoa do povo). Quanto ao sujeito passivo, são as pessoas maiores de 18 
anos. Mas algumas pessoas sofrem certas restrições sobre a possibilidade de serem presas em flagrante delito (Promotor, 
Juiz, Parlamentares, Presidente, Governadores, Embaixadores e Cônsul). Estados de flagrância (art. 302, CPP): 1) próprio: 
incisos I e II, quando o sujeito é surpreendido praticando uma infração penal ou quando acaba de cometê-la; 2) impróprio: 
inciso II (quando o agente é perseguido logo após cometer a infração penal, em situação que se permita presumir ser o autor 
da infração); e 3) presumido ou ficto: inciso IV (o agente é preso logo depois de o crime ter acontecido com instrumentos, 
armas, objetos ou papéis que façam presumir ser autor da infração). O rol é taxativo. Causas excludentes de ilicitude não 
impedem a prisão em flagrante. Flagrante preparado ou provocado por obra do agente provocador(súmula 145, STF: 
“não há crime, quando a preparação pela polícia torna impossível a consumação”): fundamenta-se no art. 17, CP (crime 
impossível). Ocorre quando um agente provocador, ao mesmo tempo em que induz a prática delituosa, atua adotando 
medidas para tornar impossível a consumação. É ilegal. Flagrante esperado: é aquele em que se aguarda pela prática do 
delito, prendendo o agente quando da consumação do crime. É plenamente válido. Flagrante forjado: cria-se, de modo 
criminoso, uma situação de flagrância, com o intuito de prender alguém. Há manifesta ilegalidade, pois os agentes que 
criaram tal situação podem ter cometido o delito de denunciação caluniosa ou mesmo abuso de autoridade. Flagrante 
prorrogado, retardado ou diferido: é a postergação da prisão em flagrante, para que a autoridade policial a realize no 
melhor momento para a colheita de provas. Não depende de autorização judicial, por ausência de previsão legal (STJ, HC 
nº 119.205/MS). OBS.: o flagrante retardado tem assento em alguns diplomas legais, como no art. 53 da Lei de Drogas, no 
art. 4º-B da Lei de Lavagem de Dinheiro (em que é determinada pelo juiz a suspensão da ordem de prisão ou de outras 
medidas assecuratórias, ouvido, o MP, quando a sua execução puder comprometer as investigações, seja por impedir a 
identificação de outros criminosos envolvidos com o esquema de lavagem de capitais, seja por impedira descoberta de 
outros bens ocultados) e no art. 8º da Nova Lei de Organização Criminosa (denominada de ação controlada, consistente 
em retardar a intervenção policial ou administrativa relativa à ação praticada por organização criminosa ou a ela vinculada, 
desde que mantida sob observação e acompanhamento para que a medida legal se concretize no momento mais eficaz à 
formação de provas e obtenção de informações). Imperioso ressaltar que a ação controlada e, portanto, o retardamento da 
realização da prisão em flagrante, requer prévia autorização judicial nos casos dos crimes de Lavagem de Dinheiro e 
previstos na Lei de Drogas. Contudo, tal exigência não se faz presente na Lei nº 12.850/2013, em que há apenas previsão 
no art. 8º, §1º, no sentido de que, o juiz competente será previamente comunicado que, se for o caso, estabelecerá os limites 
e comunicará ao MP (BRASILEIRO). 
48 
Prisão preventiva: “é estabelecida com o intuito de tutelar valores relacionados à persecução penal 
(intraprocessuais), assim como interesses da sociedade (metaprocessuais)” (MENDONÇA). Os pressupostos são a prova 
da existência do delito e indícios suficientes de autoria. Os requisitos são a garantia da ordem pública (é a segurança e a 
tranquilidade da sociedade posta sob risco ponderável da repetição da ação delituosa objeto do processo, acompanhado do 
exame acerca da gravidade do fato e de sua repercussão, não se confundindo com clamor público), garantia da ordem 
econômica (visa evitar a prática de novas infrações penais econômicas, de modo similar a garantia da ordem pública), 
conveniência da instrução criminal (busca-se proteger as fontes de prova contra alteração, destruição ou ameaça por parte 
do réu, evitando a criação de obstáculos à instrução processual) e assegurar a aplicação da lei penal (visa evitar que o réu 
fuja durante o processo, inviabilizando a futura aplicação da lei penal). Há três situações claras em que poderá ser imposta 
a prisão preventiva: a) a qualquer momento da fase de investigação ou do processo, de modo autônomo e independente 
(art. 311, CPP); b) como conversão da prisão em flagrante, quando insuficientes ou inadequadas outras medidas cautelares 
(art. 310, II, CPP), e c) em substituição à medida cautelar eventualmente descumprida (art. 282, §4º, CPP). Nas primeiras 
hipóteses, a e b, a prisão preventiva dependerá da presença das circunstâncias fáticas e normativas do art. 312, CPP, bem 
como daquelas do art. 313, CPP; na última, apontada na alínea c, retro, não se exigirá a presença das hipóteses do art. 313, 
CPP. De outro lado, não será cabível a preventiva, a) para os crimes culposos e b) quando não for prevista pena privativa 
da liberdade para o delito (art. 283,§1º, CPP) (PACELLI). Adite-se que os crimes dolosos devem ter pena abstrata máxima 
superior a 04 anos (art. 313, I, CPP), quantitativo conciliável ao máximo autorizador da substituição por restritiva de direitos. 
Pode ser decretada a qualquer tempo até o trânsito em julgado do processo. É possível que o juiz a decrete de ofício, desde 
que em curso ação penal (sistema acusatório). Quanto ao prazo, não existe previsão legal de prazo máximo, exceção feita 
na Lei nº 12.850/13, art. 22, p.u., (a instrução criminal deverá ser encerrada em prazo razoável, o qual não poderá exceder 
a 120 (cento e vinte) dias quando o réu estiver preso, prorrogáveis em até igual período, por decisão fundamentada, 
devidamente motivada pela complexidade da causa ou por fato procrastinatório atribuível ao réu), que revogou a Lei nº 
9.0340/95, art. 8º (81 dias, para o término da instrução criminal, se estiver o acusado preso, tal prazo vem sendo utilizado 
como parâmetro pela jurisprudência, sem embargo da análise casuística e dos requisitos do art. 312 do CPP). Deve durar 
enquanto estiverem presentes os requisitos que autorizaram sua decretação, não podendo ter prazo indefinido (TEORIA 
DOS TRÊS CRITÉRIOS desenvolvida pela Corte Interamericana de DH (caso Lacayo) que leva em consideração: (i) 
complexidade do assunto; (ii) atividade processual do interessado; (iii) conduta das autoridades judiciais). Eventual excesso 
deve ser analisado à luz do caso concreto e do princípio da razoabilidade. 
Prisão temporária: tem natureza cautelar, visa a auxiliar na fase de investigação de determinados crimes. Foi 
declarada constitucional (STF, ADI 162). Somente pode ser decretada durante o inquérito policial ou até antes dele. A partir 
do recebimento da denúncia não tem mais cabimento (MENDONÇA). O juiz não pode decretá-la (a prisão temporária) de 
ofício. Para sua decretação há a necessidade da conjugação dos pressupostos da cautelaridade (fumus comissi delicti e 
periculum libertatis) e do crime estar inserido no rol do ar. 1º da Lei nº 7.960/89. Entende-se que devem estar 
cumulativamente preenchidas uma das situações previstas nos incisos I ou II com os crimes enumerados no inciso III (rol 
taxativo). A decisão deve ser fundamentada e expedida no prazo de 24 horas. O prazo de duração é, em regra, de 05 dias, 
prorrogável por mais 05 dias, em caso de comprovada e extrema necessidade. Exceção: crimes hediondos e 
equiparados têm o prazo de 30 dias prorrogável por mais 30 dias, também em caso de comprovada e extrema 
necessidade. Nada impede que o juiz fixe prazo menor, se a medida for mais adequada ao caso concreto (MENDONÇA). 
Seu termo inicial é a partir da efetiva prisão do investigado. O entendimento jurisprudencial majoritário é no sentido que a 
contagem do prazo dá-se segundo o disciplinado no CP, embora o instituto seja de natureza processual penal. Expirado o 
prazo, o investigado é automaticamente colocado em liberdade, sem a necessidade de que seja expedido alvará de soltura, 
salvo se houver uma prorrogação da temporária ou tiver sido decretada a preventiva. 
Prisão domiciliar: medida cautelar inédita no CPP (art. 317). Será admitida quando o agente for: I) maior de 80 
anos; II) extremamente debilitado por motivo de doença grave; imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 
6 anos de idade ou com deficiência; IV) gestante a partir do 7º mês de gravidez ou sendo esta de alto risco. Não se confunde 
com a prisão domiciliar prevista na LEP (art. 117). Esta é a denominada prisão domiciliar-pena e é uma forma de cumprimento 
de pena. A prevista no CPP é a prisão domiciliar processual, podendo ser decretada autonomamente (quando o juiz verificar 
a desnecessidade da preventiva – art. 282, § 6º e 310, II, ambos do CPP – mesmo que não esteja em algumadas situações 
elencadas no art. 318, CPP) ou em caráter substitutivo da prisão preventiva (art. 318, CPP – rol taxativo). A prisão domiciliar 
não se confunde, também, com o recolhimento domiciliar - art. 319, V, CPP (GOMES E MARQUES). 
Prisão para fins extradição (art. 82 do Estatuto do Estrangeiro, com a redação dada pela Lei nº 12.878, de 04 
de novembro de 2013): a autoridade estrangeira poderá requerer ao STF a prisão preventiva de investigado ou condenado 
em seu Estado, por via diplomática ou pelo Ministério da Justiça, até mesmo antes da existência do procedimento formal de 
extradição. Nessa hipótese, o Estado estrangeiro deverá no prazo de 90 dias apresentar o pedido formal de extradição, sob 
pena de, ultrapassado tal, ser restituída imediatamente a liberdade do representado. OBS.: INFO 767/STF (NOV/2014) – A 
INTERPOL tem legitimidade para requerer, no Brasil, prisão cautelar para fins de extradição; o estatuto do estrangeiro foi 
recentemente alterado pela Lei nº 12.878 e passou a prever que o pedido de prisão cautelar pode ser apresentado ao 
Ministério da Justiça pela INTERPOL, desde que exista ordem de prisão proferida no estado estrangeiro. 
OBS.: AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA (PL554/2011): é instrumento processual de defesa da liberdade pessoal e da 
dignidade da pessoa humana. Consiste na apresentação imediata ou sem demora da pessoa presa em flagrante ou sem 
mandado judicial pela polícia ao juiz. Serve a propósitos processuais, humanitários e de defesa de direitos fundamentais 
inerentes ao devido processo legal. Torna mais célere o exame da validade e da necessidade da prisão e previne o emprego 
de tortura e outros tratamentos desumanos, degradantes ou cruéis sobre a pessoa presa. Tem raízes constitucionais: a) 
relaxamento da prisão ilícita (art. 5º, LXV); b) celeridade processual (art. 5º, LXXVIII); c) juiz natural (art. 5º, LIII); d) vedação 
do tribunal de exceção (art. 5º, XXXVII). Fundamento convencional: a) CADH, art. 7º (CASO CASTILLO PAEZ); b) PIDCP, 
art. 9º. Atualmente, o art. 306, §1º, do CPP, prevê o encaminhamento do auto de prisão em flagrante para que o juiz 
competente analise a legalidade e a necessidade da prisão, mas não torna obrigatório o contato direto do juiz com o preso. 
Há ACP do MPF com fundamento na CADH para obrigar a União a implementar a audiência de custódia. 
 
49 
8.c. Habeas Corpus e Mandado de Segurança em matéria penal. 
 
Mandado de segurança em matéria penal: é regulamentado pela Lei n. 12.016/09 e cabível para a tutela de 
direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data (princípio da subsidiariedade ou residualidade). 
Trata-se de ação constitucional de natureza cível destinada à obtenção de ordem judicial dirigida à autoridade apontada 
como coatora (ou violadora do alegado direito), por meio do qual se exige dessa autoridade determinado comportamento (é 
uma ordem), comissivo ou omissivo, suficiente a fazer cessar a ilegalidade ou abuso de poder. A cognição desenvolvida no 
mandado de segurança é, no plano horizontal, sumária, por limitada à apreciação da existência de direito líquido e certo. Já 
no plano vertical, a cognição é parcial, pois somente se examina prova documental produzida no processo (TÁVORA E 
ALENCAR). A autoridade coatora, que deverá responder como sujeito passivo na ação de mandado de segurança, é 
exatamente aquela responsável pela prática do ato, ainda que futuro (se iminente), violador do alegado direito, com poderes, 
então, para a sua revisão. Em matéria penal, nem sempre o que estará em disputa é a liberdade do réu. Se o for, o remédio 
constitucional destinado a proteger o jurisdicionado será o habeas corpus. No complexo das relações processuais que 
envolvem as partes do processo penal, são atribuídas a elas determinadas faculdades, bem como determinados direitos 
subjetivos. A violação a essas faculdades e/ou direitos subjetivos é que ensejará a impetração de mandado de segurança. 
O MP pode mover, portanto, mandado de segurança para assegurar a aplicação da lei processual penal, quando a 
providência não favorecer o réu ou, quando o beneficiar, o crime não estabeleça, em abstrato, pena privativa de liberdade 
(TÁVORA E ALENCAR). O procedimento será o mesmo aplicável à matéria cível. Como toda impetração em que se queira 
o reconhecimento de direito à acusação veicula interesse também da defesa, é de se exigir a intimação ou citação do réu – 
quando ele não compuser ainda a relação jurídica processual – na posição de litisconsorte passivo, sob pena de nulidade 
(súmula 701, STF). No âmbito penal, da mesma forma que no âmbito cível, a utilização do mandado de segurança contra 
decisão judicial é excepcional, somente sendo admitido nos casos de decisão judicial teratológica ou de ato irrecorrível que 
cause gravame à parte (STJ, AgRg no REsp 964.154/MT). Não obstante o teor da súmula 267 do STF (“não cabe mandado 
de segurança contra ato passível de recurso ou correição”), tem sido admitido o writ quando o recurso cabível é desprovido 
de efeito suspensivo, ou visando dar efeito suspensivo ao recurso apresentado. A competência para o julgamento do 
mandado de segurança está assentada em 02 elementos: qualificação da autoridade coatora (federal ou estadual) e 
hierarquia da autoridade (GRINOVER, GOMES FILHO E SCARANCE FERNANDES). Aplica-se, também no processo penal, 
o prazo decadencial de 120 dias, contados de quando o interessado tomou conhecimento do ato coator, sem prejuízo de 
que, caso tenha sido ultrapassado esse prazo, o interessado propor ação ordinária. 
Hipóteses de cabimento do mandado de segurança em matéria penal: I) decisão de indeferimento de 
habilitação do assistente (art. 268, CPP); II) de indeferimento de vista dos autos fora de cartório, em juízo, ou mesmo na 
Polícia, quando não for o caso de exigência de sigilo das investigações (art. 798, CPP); III) nos procedimentos de sequestro, 
arresto ou de restituição de bens apreendidos (arts. 118 e ss do CPP); IV) para que se atribua efeito suspensivo a recurso 
que não seja dotado desse efeito, e; finalmente, V) em todas as situações em que, por não existir ameaça, nem potencial 
(caso de infração penal cuja pena cabível seja exclusivamente de multa), à liberdade individual, não seja cabível o habeas 
corpus, e estiver configurada a prática de ilegalidade pelos agentes públicos, em prejuízo ao regular exercício de direitos 
subjetivos (PACELLI). Para fins de trancamento do inquérito ou ação penal em desfavor de pessoa jurídica (TÁVORA E 
ALENCAR), ou para qualquer outra finalidade destinada a resguardar seus interesses, desde que inexista recurso previsto 
para tanto. Obs.: não pode ser impetrado contra decisão judicial transitada em julgado, na mesma linha do enunciado nº 
268 da Súmula de Jurisprudência do STF: “não cabe mandado de segurança contra decisão judicial transitada em julgado”, 
até porque tal remédio constitucional não é sucedâneo de revisão criminal. 
Habeas corpus: instrumento destinado a preservar (cunho preventivo) ou restabelecer (cunho repressivo ou 
liberatório) a liberdade de locomoção ilegalmente ameaçada ou violada. Embora inserido no CPP entre os recursos, trata-
se de verdadeira ação autônoma de impugnação de natureza penal, cuja tramitação pode ocorrer antes mesmo do início 
da ação penal. Impõe-se, como regra, que toda a matéria de prova suscitada no habeas corpus já acompanhe a petição que 
o veicula. Outrossim, a ilegalidade deve ser patente, até porque não se presta o writ ao aprofundado reexame de fato e 
provas, consoante a jurisprudência do STF e do STJ. Para a configuração de ato atentatório da liberdade de locomoção não 
é necessário ordem de prisão determinada por autoridade judiciária ou que o titular do direito se encontre preso. Será objeto 
do writ tanto a ameaça real quanto a potencial. Por ameaça potencial, entende-se o simples início de qualquer atividade 
persecutória que tenha por objetoa apuração de fato imputado ou imputável à pessoa individualizada. Nesse sentido, a 
simples instauração de inquérito policial ou de procedimento investigatório será suficiente para configurar situação de 
ameaça potencial à liberdade de locomoção, quando dirigida a fato certo e a pessoa previamente determinada e, desde que, 
para a conduta, seja prevista imposição de pena privativa de liberdade (PACELLI). Apesar de o tema ser controvertido na 
jurisprudência, segundo a doutrina, o habeas corpus pode cumprir o papel da revisão criminal e enfrentar a coisa julgada 
para combater condenações proferidas por juiz absolutamente incompetente ou veiculadas em processo absolutamente 
nulo, reconhecer a prescrição da pretensão punitiva (STF, AI 544607 QO/SP) ou, até mesmo, reconhecer a atipicidade 
manifesta da conduta (PACCELI e FISCHER no CPP comentado também são favoráveis à utilização do HC como substitutivo 
de revisão – ver ed. 2015, p. 1.429). O HC não será cabível quando se tratar de privação de liberdade decorrente de punição 
disciplinar militar. O que é efetivamente vedado ao controle judicial é o exame acerca da conveniência ou oportunidade da 
medida disciplinar adotada, não sendo obviamente vedada a apreciação de sua legalidade. O HC é cabível para modificar 
decisão de internação de menor e adolescente por aplicação de medida socioeducativa prevista no ECA (STF, HC 
85.503/SP). É também cabível para discutir aspectos atinentes à exclusão de criminalidade (atipicidade, licitude e ausência 
de culpabilidade) e da pena (prescrição), mesmo tratando-se de processo suspenso em virtude do art. 89 da Lei n. 9.099/95 
(STF, HC 85.747/SP). Como regra geral, não compete ao STF conhecer de HC impetrado contra decisão do relator que, em 
habeas corpus requerido a tribunal superior, indefere a liminar (Súmula n. 691). Entretanto, esse entendimento vem sendo 
mitigado pela Corte Suprema quando verificado de plano a manifesta ilegalidade da decisão indeferitória liminar (STF, 
HC/MC 86.864). E tal súmula vem sendo aplicada pelo STJ, quando a liminar é em indeferida pelos Tribunais locais e 
federais. 
Casuística legal do habeas corpus (art. 648 do CPP): espécies de coação ilegal ao direito de ir e vir. No que 
50 
toca à justa causa (existência de fundamento jurídico e suporte fático caracterizadores do constrangimento à liberdade 
ambulatória), ela pode receber o mesmo tratamento dispensado às condições da ação, caso em que a concessão do writ 
determinará o encerramento do processo, sem solução de mérito, fazendo coisa julgada formal e, uma vez reunido material 
probatório apto a lastrear uma imputação penal, poderá ser realizada nova persecução penal, ou pode ser também incluída 
nas questões de mérito da ação penal ou do inquérito policial. Neste caso, quando o fato em apuração ou já imputado 
revelar-se manifestamente atípico, o juiz ou tribunal concederá a ordem para trancar o inquérito ou a ação, cuja decisão terá 
efeito de coisa julgada material (PACELLI). A fixação da competência para o julgamento do habeas corpus atenderá à 
qualidade da função exercida pela autoridade, primeiro da perspectiva da eventual prerrogativa de foro desta, para crimes 
comuns, depois em razão da hierarquia jurisdicional dos juízos envolvidos. Quanto à legitimação, prevê o art. 654 do CPP 
que o HC poderá ser impetrado por qualquer pessoa, independentemente de capacidade postulatória, em seu favor ou de 
outrem, além do MP. No § 2o do mesmo dispositivo, estabelece que também os juízes e Tribunais poderão expedir, de ofício, 
ordem de habeas corpus, quando no curso do processo verificarem que alguém sofre ou está na eminência de sofrer coação 
ilegal. Também pode ser impetrado por pessoa jurídica, em favor de pessoa física. A pessoa jurídica não poderá figurar 
como paciente no HC, segundo entendimento do STF (HC 92.921/BA). 
Habeas corpus substitutivo: ambas as turmas da 3ª Seção do STJ (v. HC nº 290.867/SP, Rel. Exma. Min. 
Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe 15.05.2014; e HC nº 288.310/MG, Rel. Exma. Min. Laurita Vaz, Quinta 
Turma, DJe de 13.05.2014), alinhando-se ao entendimento firmado na 1ª Turma do STF (HC nº 109.956/PR, Rel. Exmo. 
Min. Marco Aurélio, DJe de 11.09.2012), não tem conhecido dos habeas corpus substitutivos de recursos ordinários 
ou excepcionais cabíveis, ou de revisão criminal, por ofensa à lógica recursal prevista pelo constituinte originário 
e ordenamento jurídico por ele engendrado, com o propósito de resgatar a função precípua de sanar ilegalidade ou 
abuso de poder que resulte em coação ou ameaça à liberdade de locomoção. A 2ª Turma do STF, por sua vez crítica 
tal posicionamento, admitindo a impetração substitutiva (ex.: RHC nº 120551/MT, Rel. Exmo. Min. Ricardo 
Lewandowski, DJe de 25.04.2014). 
 
OBS.: INFO 722/STF: O STF decidiu que não tem competência para julgar habeas corpus cuja autoridade 
apontada como coatora seja delegado federal chefe da Interpol no Brasil. STF. Plenário. HC 119056 QO/DF, rel. Min. Cármen 
Lúcia, julgado em 3/10/2013. 
 
 
 
51 
9.a. O Ministério Público no processo penal brasileiro 
 
 Segundo Pacelli, a origem do Ministério Público, ao menos na configuração atual, 
remonta ao século XVIII, na França e decorre da necessidade de se impedir a vingança privada. Com o advento da CRFB/88, 
operou-se verdadeira consolidação do sistema acusatório no processo penal brasileiro, caracterizado pela nítida separação 
entre as funções de acusar, julgar e defender. Sob essa perspectiva, a atuação judicial deve ser pautada pela imparcialidade 
(Pacelli), vedando-se ao juiz a adoção de comportamento tendente ao reforço da atividade do órgão estatal (MP) legitimado 
para persecução penal, especialmente na seara probatória, sob pena de violação da igualdade e paridade de armas. 
 O MP, segundo PACELLI, atua com imparcialidade, interessando-lhe não só a 
condenação do culpado, mas também a absolvição do inocente. Ele é parte apenas no sentido formal (enquanto formula 
pedido), não o sendo em sentido material (parcialidade), pois não há vinculação entre sua posição processual e a 
manifestação de direito material que veiculará na causa, permitindo-o, pois, postular a absolvição do réu. Nesse sentido, o 
MP não é órgão da acusação (postulando condenação a todo custo), mas sim órgão legitimado para a acusação, nas ações 
penais públicas (PACELLI, p. 452), no sentido de que lhe incumbe a defesa da ordem jurídica e não propriamente de 
interesses acusatórios, o que o coloca em posição de absoluta imparcialidade diante da jurisdição penal. Outra corrente, 
todavia, sustenta que o Ministério Público é parcial, já que há interesses antagônicos no processo. 
Princípios institucionais: unidade (um só órgão, uma só chefia), indivisibilidade (possibilidade de um membro 
suceder ao outro nos autos, sem necessidade de designação específica) e independência funcional (vinculação apenas à 
sua consciência jurídica e às normas de Direito). 
Garantias de independência: inamovibilidade (salvo por interesse público, mediante voto da maioria absoluta do 
CSMPF), irredutibilidade de subsídios e vitaliciedade. 
 Resumidamente, o princípio do promotor natural é a vedação do promotor ou 
acusador de exceção (PACELLI, p. 461), já admitido pelo STJ. O Supremo Tribunal Federal, a seu turno, já se manifestou 
por diversas vezes pela inexistência do princípio do promotor natural no ordenamento jurídico brasileiro (HC 90.277, Rel. 
Min. Ellen Gracie; HC 67.759, Pleno, DJ de 1-7-1993). O Ministro Celso de Mello acolhe o princípio do promotor natural, 
entendendo que sua aplicação necessita apenas de ‘interpositio legislatoris’ para efeito de atuação do princípio. Já os Min. 
Sepúlveda Pertence, Marco Aurélio e Carlos Velloso manifestaram-se pela incidência do postulado, independentemente de 
intermediação legislativa. Reconhecimento da possibilidade de instituição de princípiodo promotor natural mediante lei (Min. 
Sydney Sanches). 
 Por fim, os poderes investigatórios do Ministério Publico já foram reconhecidos no 
âmbito no Supremo Tribunal Federal (2015). A favor do poder investigatório do MP, tem-se os seguintes argumentos: trata-
se, na prática, de mera informação preliminar, que servirá de denúncia, devendo ser confirmada em juízo, sob o prisma do 
contraditório; a teoria dos poderes implícitos, já que, se conferido o poder exclusivo de iniciar a ação penal, necessários se 
faz garantir os meios para tal incumbência. 
Como garantia da imparcialidade, o CPP aplica as causas de suspeição, impedimento e incompatibilidades aos 
membros do Ministério Público. 
 
“O Ministério Público dispõe de competência para promover, por autoridade própria, e por prazo razoável, 
investigações de natureza penal, desde que respeitados os direitos e garantias que assistem a qualquer indiciado 
ou a qualquer pessoa sob investigação do Estado, observadas, sempre, por seus agentes, as hipóteses de reserva 
constitucional de jurisdição e, também, as prerrogativas profissionais de que se acham investidos, em nosso País, 
os Advogados (Lei 8.906/94, artigo 7º, notadamente os incisos I, II, III, XI, XIII, XIV e XIX), sem prejuízo da 
possibilidade – sempre presente no Estado democrático de Direito – do permanente controle jurisdicional dos atos, 
necessariamente documentados (Súmula Vinculante 14), praticados pelos membros dessa instituição”. STF. 
Plenário. RE 593727/MG, red. p/ o acórdão Min. Gilmar Mendes, julgado em 14/5/2015. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
52 
9.b Medidas cautelares e liberdade provisória no CPP em leis especiais. 
 
 CR/88: a) princípio afirmativo da situação de inocência de todo aquele que estiver 
submetido à persecução penal (art. 5°, LVII); b) garantia de que toda prisão anterior à condenação seja fundamentada e por 
ordem escrita de autoridade competente (art. 5°, LXI) e tenha por finalidade a preservação da finalidade do processo 
(cautelar). 
 Proporcionalidade (princípio fundamental das medidas cautelares) e art. 282, I 
e II e art. 312, CPP: a necessidade e a adequação são os referenciais fundamentais na aplicação das novas medidas 
cautelares pessoais no processo penal, em sua dupla função a) proibição de excesso, mas, também, na máxima 
efetividade dos direitos fundamentais, serve de efetivo controle da validade e do alcance das normas, autorizando o intérprete 
a recusar a aplicação daquela (norma) que contiver sanções ou proibições excessivas e desbordantes da necessidade de 
regulação; b) ponderação da norma mais adequada em caso de eventual tensão entre elas, ou seja, quando mais de uma 
norma, legal ou constitucional, se apresentar como aplicável a um mesmo fato. Assim, quando verificada a necessidade da 
cautelar, pelo juiz, deverá ele adequar à providência, tendo em vista a concreta situação do agente, bem como da gravidade 
das circunstâncias e do fato. Ademais a primazia deverá ser pela aplicação de medida cautelar diversa da prisão (art. 282, 
§4°, CPP). 
 Em face da proporcionalidade, nenhuma providência cautelar pode ser superior do 
que o resultado final do processo, conseqüências: 1) não cabe nenhuma cautelar: a) quando no tipo não há previsão de 
pena privativa de liberdade; b) crime culposo (salvo, na hipótese do art. 313, parágrafo único do CPP e, excepcionalmente, 
se reincidente); c) pena inferior a 2 anos (Lei 9099/95); d) quando cabe suspensão condicional do processo. 2) não cabe 
prisão preventiva: em caso de crime doloso com pena inferior a 4 anos (já que, em regra, caberá substituição por restritiva 
de direito). 
 A partir da Lei 12.403/11, há duas modalidades de cautelares: a) as prisões; b) 
as medidas cautelares, diversas das prisões (a liberdade provisória é apenas uma delas). 
 Medidas cautelares diversas da prisão: a) comparecimento periódico em juízo (já 
presente no art. 89, da Lei 9099/95, deve o juiz estabelecer a periodicidade); b) proibição de acesso ou freqüência a 
determinados lugares (tanto pode impedir a prática de novas infrações, o acirramento de ânimos em determinados locais, 
quanto se mostrar conveniente para investigação ou instrução); c) proibição de manter contato com pessoa determinada 
(núcleo central da preocupação: vítimas e familiares); d) proibição de ausentar-se da Comarca para fins da investigação e 
da instrução (pouca valia, em face da garantia da não auto-incriminação, a pessoa não pode ser compelida a produzir prova 
contra si mesma, mais eficiente para garantir a aplicação da lei penal, finalidade não prevista expressamente); e) 
recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga (não tem finalidade específica, pode ser substitutiva da prisão 
em flagrante, sendo menos gravosa que a preventiva, é diferente da prisão domiciliar, pode ser aplicada conjuntamente com 
o monitoramento eletrônico, Pacelli entende que caberia detração da pena do tempo de cumprimento); f) suspensão do 
exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou financeira (finalidade seria o impedimento da utilização 
de tais circunstâncias para reiteração criminosa, também pode ser utilizada, excepcionalmente, por conveniência da 
instrução ou investigação, por função pública se entende toda sorte de atividade desenvolvida da prestação de serviços pelo 
servidor público, no tocante a atividade econômica-financeira abrange qualquer atividade empresarial ou atuação junto às 
instituições abrangidas pelo Sistema Financeiro Nacional); g) internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes 
praticados com violência ou grave ameaça, quando os peritos concluírem ser inimputável ou semi-imputável; h) fiança (ganha 
nova importância, trata-se de medida de cunho patrimonial, com o objetivo de assegurar o comparecimento do acusado aos 
atos do processo (também da investigação), evitar a obstrução do seu andamento ou em caso de injustificada resistência a 
ordem judicial, para Pacelli a fiança pode ser uma forma de liberdade provisória substitutiva da prisão em flagrante ou imposta 
de modo autônomo); i) monitoração eletrônica (depende de regulamentação, já que na LEP apenas há regras pertinentes à 
execução penal); j) proibição de ausentar-se do país (art. 320, CPP, deve-se aplicada quando há fundado receio de fuga); l) 
liberdade provisória. Obs. Pacelli entende que a referência feita na lei às finalidades e propósitos das 
cautelares não pode afastar o juízo de sua pertinência para situações diversas daquelas, entendendo que mantida a 
vinculação da fundamentação genérica da cautelar às finalidades genéricas de sua concessão (art. 282, I e II, CPP), nada 
impede a aplicação de qualquer uma delas, mesmo afastada a definição legal de seu objetivo. No tocante à fiança, entende 
Pacelli que a dualidade liberdade provisória com ou sem fiança perde o sentido, podendo a fiança ser aplicada (cumulativa 
ou isoladamente com qualquer outra cautelar) em todos os casos em que ela não é proibida (2011, p. 25-26). 
Procedimentos cautelares: não existe em nosso direito processual penal um processo cautelar preparatório do 
principal. Inclusive, a fase de investigação tem natureza administrativa e admite inúmeras providências de natureza 
cautelares, muitas das quais dependentes de autorização judicial, mas, ainda assim, não vinculadas a um processo, 
rigorosamente falando. Por isso, entende Pacelli, que as cautelares que dependem de ordem judicial podem ser objeto 
de representação da autoridade policial (art. 282, §2°,727 CPP), sem que se possa falar em ausência de capacidade 
postulatória na fase de investigação (em sentido contrário, entendendo não ser compatível com o sistema de matriz 
acusatório, bem como em face da ausência de legitimidade processual e capacidade postulatória e ofensiva a 
proporcionalidade – já que poderia o MP achar desnecessáriaa medida - a representação da polícia para solicitação 
de medidas cautelares: CALABRICH e FISCHER). 
Legitimidade para o requerimento: I) fase de investigação: MP e autoridade policial; II) fase do processo: MP, 
querelante, assistente habilidade, juiz, de ofício. Pacelli entende que em caso persecução penal privada seria irrecusável a 
legitimidade do ofendido para o requerimento de cautelares na fase de investigação (2011, p. 28). 
 A medida imposta pode ser substituída por uma menos gravosa ou mais gravosa ou 
cumulada com novas, podendo, em ultimo caso, ser decretada a preventiva (lógica da evitação do cárcere). Novidade é a 
possibilidade de contraditório antes da decisão judicial impositiva da cautelar, salvo quando tornar inefetiva a medida, como 
na decretação da preventiva ou quando o fundamente é risco da investigação ou instrução. 
Prazo: não há previsão, podendo ser mantida enquanto durar o processo, desde que mantidos o requisitos do 
art. 282, I e II, CPP, tem que analisar a fundamentação. Recurso: recurso em sentido estrito (art. 581, V, CPP). Pacelli 
53 
entende que não caberia HC, pois a substituição de outra medida cautelar pela preventiva só se dará pelo seu 
descumprimento (2011, p. 31-32). 
Liberdade Provisória: Conceito: liberdade concedida ao réu mediante condições. Natureza jurídica: medida 
cautelar. Hoje não é mais apenas contracautela (substitutiva da prisão), mas pode ser medida originária (sem ter tido 
nenhuma prisão anterior). Assim, pode substituir a prisão em flagrante ou preventiva (antes apenas substituía a prisão em 
flagrante). 
Espécies: 
a) liberdade provisória em que é vedada a fiança: cabível sempre após a prisão em flagrante, com a obrigatória 
imposição de qualquer das cautelares do art. 319 e do art. 320, CPP, com exceção da fiança, quando não for necessária a 
prisão preventiva e quando for expressamente proibida a imposição daquela (fiança - art. 323 e art. 324); 
b) liberdade provisória com fiança: cabível sempre após a prisão em flagrante e quando não necessária a 
preventiva. Será imposta, obrigatoriamente, a fiança, além de outra cautelar, se entender necessário o juiz; 
c) liberdade provisória sem fiança: cabível após a prisão em flagrante, quando inadequada ou incabível a 
preventiva, com a imposição de qualquer outra medida cautelar, por julgar o juiz desnecessária a fiança; d) liberdade 
provisória vinculada, ao comparecimento obrigatório a todos os atos do processo, sob pena de revogação (art. 310, parágrafo 
único). 
Infrações em que não é concedida fiança (art. 323 e art. 324, CPP): crimes de racismo; crimes de tortura, tráfico 
ilícito de entorpecentes e drogas afins, terrorismo e nos definidos como crimes hediondos; crimes cometidos por grupos 
armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; aos que, no mesmo processo, tiverem 
quebrado fiança anteriormente concedida ou infringido, sem motivo justo, qualquer das obrigações a que se referem os arts. 
327 e 328 deste Código; em caso de prisão civil ou militar; quando presentes os motivos que autorizam a decretação da 
prisão preventiva (art. 312). 
Valor da fiança (art. 325, CPP): não é inconstitucional sua vinculação ao salário mínimo, pois não há 
conseqüências para economia. 
Ampliação da possibilidade de o Delegado conceder: até 4 anos. Liberdade provisória sem fiança: a) 
excludente de antijuridicidade (art. 310, §único); b) réu for incapaz de pagar; c) infração inafiançável (arts. 323 e 324). 
Cabe liberdade provisória para os crimes inafiançáveis? Desde 77. Crítica à inafiançabilidade: Pacelli entende 
que a liberdade provisória com a proibição da fiança é fruto de delírio legislativo, fundamentado na Constituição da República, 
que previu a inafiançabilidade para vários e graves delitos. A idéia parece ter sido a proibição de qualquer restituição da 
liberdade para aquele preso em crimes inafiançável. Contudo, é própria Constituição que exige ordem e escrita e 
fundamentada de autoridade judiciária competente para qualquer modalidade de prisão. Não bastasse, a redação do art. 
283, CPP, reafirma essa exigência, introduzindo, porém, um novo regime de irrecusável contradição: autoriza a liberdade 
provisória para todo e qualquer crime, quando ausentes as razões da preventiva, vedando a exigência de fiança justamente 
para os crimes mais graves e de maior reprovação social! 
 Apesar da Lei 12403 não haver revogado as lei especiais que vedam a liberdade 
provisória, Lei 9.034/95; a Lei nº 9.613/98 e Lei nº 10.826/03 (art. 21, julgado inconstitucional pela ADI 3112-1), Lei nº 11.343, 
Pacelli entende que todas são inconstitucionais. 
 Jurisprudência: Suprema Corte, em decisões emanadas de sua Primeira Turma, vem 
aceitando a proibição quando há previsão de inafiançabilidade na CR/88 (HC nº 101.101-MG, STF, 1ª Turma), contrariando, 
conforme Pacelli, as exigências constitucionais, e divergindo da Segunda Turma daquele Tribunal (HC n. 99.278/RS, 2ª 
Turma). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
54 
9.c Execução das penas restritivas de direitos: espécies, forma de cumprimento, incidentes. 
Execução da pena de multa. 
 
Penas restritivas de direitos (espécies): prestação pecuniária (1-360 salários mínimos, pago à vítima, 
dependentes ou entidades beneficentes, deverá ser abatida da condenação da responsabilidade civil, descumprimento gera 
a execução originária da pena privativa de liberdade, ao contrário da multa que se converte em dívida de valor); perda de 
bens e valores (recai sobre bens lícitos e tem como limite o prejuízo causado ou o ganho auferido); prestação de serviço à 
comunidade ou a entidades públicas (a condenação deve ser superior a 6 meses e uma hora equivale a um dia de 
condenação); interdição temporária de direitos (tem que haver pertinência com o crime cometido); limitação de fim de semana 
(recolhimento no sábado e domingo por 5 horas diárias). Caráter substitutivo: em regra, substituem as privativas de 
liberdade, mas podem ser autônomas (no CTB, a suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para 
dirigir veículo automotor pode ser imposta como penalidade principal, Lei 9503/93, art. 292). 
Requisitos: I) objetivos: a) crime culposo: qualquer que seja a pena aplicada; b) crime doloso cometido sem 
violência ou grave ameaça: pena privativa de liberdade não superior a quatro anos; c) crime doloso cometido com violência 
ou grave ameaça: pena privativa de liberdade inferior a um ano (art. 54, CP); II) subjetivos: a) não reincidência em crime 
doloso (exceção: se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, em face de condenação 
anterior, a medida seja socialmente recomendável e a reincidência não se tenha operado em virtude da prática do mesmo 
crime); b) circunstâncias judiciais favoráveis: a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do 
condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente. STF: o Plenário da 
Suprema Corte, ao julgar o HC 97.256/RS, rel. Min. Ayres Britto, declarou, por maioria, a inconstitucionalidade incidental da 
parte final do art. 44 da Lei 11.343/2006, bem como da expressão “vedada a conversão em penas restritivas de direitos”, 
prevista no § 4º do art. 33 do mesmo diploma legal. Forma: condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser 
feita por multa ou por uma pena restritiva de direitos; se superior a um ano, a pena privativa de liberdade pode ser substituída 
por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas de direitos. Vide: Súmula 171, STJ. STF: (HC 83092/RJ): 
a) se a pena imposta ultrapassar 6 meses e for menor ou igual a 1 ano deverá ser aplicada uma restritiva de direitos; b) se 
superior a esse tempo, duas restritivas de direitos. 
Reversibilidade: pena restritiva de direitos converte-seem privativa de liberdade quando ocorrer o 
descumprimento injustificado da restrição imposta. No cálculo da pena privativa de liberdade a executar será deduzido o 
tempo cumprido da pena restritiva de direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão. Sobrevindo 
condenação a pena privativa de liberdade, por outro crime, o juiz da execução penal decidirá sobre a conversão, podendo 
deixar de aplicá-la se for possível ao condenado cumprir a pena substitutiva anterior. Vide: art. 180 e 181, LEP. 
Execução: conforme a LEP (arts. 147-155) caberá ao juiz de execução promover a execução das penas restritivas 
de direito, com a colaboração de entidades públicas e privadas. Execução provisória: penas restritivas de direitos, a teor do 
disposto no art. 147, da Lei de Execução Penal, só podem ser executadas após o trânsito em julgado da sentença penal 
condenatória. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal (STJ, HC 197737 / SP) 
Execução da pena de multa. Nos termos do artigo 49 do Código Penal, a pena de multa consiste no pagamento 
ao fundo penitenciário da quantia fixada na sentença. No entanto, a multa não é o pagamento, e sim a obrigação de pagar 
ao Estado certa quantia. O pagamento é a execução ou a satisfação da obrigação (Mirabete, p. 693). Os valores das multas 
constituem recursos do Fundo Penitenciário Nacional. 
A execução da pena de multa seguia o rito dos artigos 164 e 165 da Lei de Execuções Penais. Entretanto, a Lei 
9.268/95 deu nova redação ao artigo 51 do Código Penal, existindo divergência na doutrina quanto à extensão da revogação 
dos artigos da LEP. A multa é uma sanção penal, não constituindo um tributo. No entanto, o artigo 51 do Código Penal 
estabelece que transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será considerada dívida de valor, aplicando-se lhe 
as normas da legislação relativa à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas interruptivas e 
suspensivas da prescrição. Por essa razão, regem a matéria a Lei de Execuções Fiscais, o Código Tributário Nacional e o 
artigo 578 e parágrafo único do CPC. 
Requisitos: a multa deve ser paga dentro de 10 (dez) dias depois de transitada em julgada a sentença (artigo 50 
do CP). O STJ, interpretando o artigo 50 do Código Penal, estabeleceu que, com o trânsito em julgado da sentença penal 
condenatória, e não efetuado o pagamento da pena de multa no prazo do artigo 50 do Código Penal, o Juízo das Execuções 
Penais deve comunicar o fato à Fazenda Pública, que procederá à execução nos termos da Lei 6.830/80 (REsp 1181905, 
5ª Turma, 2011). Assim, antes da remessa da certidão da sentença condenatória com trânsito em julgado à Fazenda Pública 
deve o juízo da Execução Penal notificar o condenado para que, dentro do prazo de 10 dias, efetue o pagamento (PRADO, 
p. 568). Pela necessidade de intimação prévia: Mirabete (p. 712). 
Hipóteses: verificam-se as seguintes hipóteses: a) estando o condenado preso: é possível o desconto na 
remuneração do trabalho do preso (artigo 170 da LEP), ainda que com parcelamento. Caso não haja o pagamento, em que 
pese cumprida a pena privativa de liberdade ou obtido o livramento condicional, segue-se à sua execução fiscal; b) estando 
o condenado solto: atende ao pedido de parcelamento, efetua-se o desconto em folha ou se procede à execução fiscal. A 
legislação ainda estabelece 3 (três) formas de pagamento da multa: a) pagamento integral; b) pagamento parcelado; c) 
desconto em folha (vencimentos e salários). O pagamento integral é feito mediante recolhimento do valor ao Fundo 
Penitenciário. Já o parcelamento deste valor está previsto no artigo 169 da LEP (pedido em 10 dias a partir da intimação 
para pagamento), conforme Bitencourt (p. 617). O desconto no vencimento ou salário do condenado é a última modalidade 
de pagamento ou cobrança (art. 168 da LEP), quando (art. 50 do CP): a) aplicada isoladamente; b) aplicada cumulativamente 
com pena restritiva de direitos; c) concedida a suspensão condicional da pena. Caso o condenado esteja preso, a multa será 
cobrada mediante desconto na sua remuneração (art. 170 da LEP). 
Cabimento: a execução da pena de multa é cabível quando não haja o pagamento espontâneo por parte do 
condenado no prazo legal. Não é possível a conversão da pena de multa em pena privativa de liberdade, ainda que seja nos 
Juizados Especiais (STF, HC 79474, 2ª Turma, 1999). Não é possível a execução provisória da pena de multa (STJ, HC 
53192, 5ª Turma, 2006). 
Atribuição: em que pese o artigo 164 da LEP atribuir a legitimidade ativa para a execução da pena de multa ao 
55 
Ministério Público, consolidou-se no STJ que a titularidade cabe à Fazenda Pública (Súmula 521 
A legitimidade para a execução fiscal de multa pendente de pagamento imposta em sentença condenatória é 
exclusiva da Procuradoria da Fazenda Pública. Terceira Seção, aprovada em 25/3/2015, DJe 6/4/2015.), em decorrência da 
conversão da sanção penal de multa em dívida de ativa da Fazenda Pública a qual caberá propor execução fiscal, se não 
houver o pagamento voluntário da obrigação. Pela legitimidade da Fazenda Pública: Prado, p. 568; Queiroz, p. 515. Pela 
legitimidade do Ministério Público: Mirabete, p. 713; Bitencourt, p. 619, e o Supremo Tribunal Federal, em decisões do Min. 
Roberto Barroso, nos autos de Execuções Penais decorrentes da Ação Penal 470, vem reconhecendo a legitimidade do 
Ministério Público para executar a multa penal, sem prejuízo da atuação subsidiária da Fazenda Pública, senão vejamos: 
 
"23. É certo que a Lei nº 9.268/96, ao dar nova redação ao art. 51 do Código Penal, proibiu a conversão da pena 
de multa em detenção e referiu-se a ela como “dívida de valor”. Portanto, e como visto, a pena de multa, além de sanção 
criminal, é também uma dívida para com a Fazenda Pública. Por ser, em primeiro lugar, uma pena criminal, é natural a 
primazia do Ministério Público para a sua cobrança. Nada obstante, por ser também dívida de valor, pode ser 
subsidiariamente cobrada pela advocacia da Fazenda Pública, notadamente se o Ministério Público não houver atuado. 
24. Além da natureza essencial de pena criminal e da expressa previsão legal de titularidade do Ministério Público 
para sua cobrança – os arts. 164 a 170 da LEP não foram revogados pela Lei nº 9.268/96 ou por qualquer outra –, não 
haveria qualquer sentido em se inscrever a multa em dívida ativa. Isso porque se estaria transformando um título judicial em 
título extrajudicial. (...) 
25. A matéria aqui versada ainda deverá ser objeto de discussão no Plenário do STF, quando apreciar a ADI 
3.150. Por ora, porém, deixo assentada, para fins de execução na Ação Penal 470, a legitimidade do Ministério Público para 
exigir judicialmente, perante a Vara de Execução Penal, o valor das multas fixadas, nos termos do art. 164 da Lei de 
Execução Penal. Como o prazo prescricional para a referida cobrança já vai avançado, a não atuação do Ministério Público 
em prazo razoável dará ensejo à legitimação subsidiária da Fazenda Pública." 
 
O tema foi trazido pelo examinador Douglas Fischer à rede membros. Tanto ele, quanto o Min. Relator, ressaltam 
a necessidade de buscar-se a efetividade da execução penal, a qual, nos crimes de colarinho branco, às vezes é alcançada 
mais através da cobrança efetiva das multas do que da própria execução da pena privativa de liberdade. 
A título apenas de complementação, a ADI 3150 foi proposta pelo então PGR Claudio Fonteles, buscando dar ao 
art. 51, CP, uma correta interpretação, no sentido de que a legitimidade para execução da multa fosse do MP e ocorresse 
no próprio Juízo Criminal. Dentre outros argumentos, aduz que (i) a privatividade da Ação Penal Pública compreende o 
processo de conhecimento como também a execução penal; (ii) se fosse a multa dívida de valor, poderia ser cobrada dos 
herdeiros do réu; (iii) não há lógicade transformar um título judicial em título extrajudicial e (iv) a Lei 9268/96 alterou apenas 
o rito de cobrança, não descaracterizando a natureza penal da multa. 
 
 
 
 
56 
10.a. Conflito de atribuições entre Membros do Ministério Público. Declínio de atribuição. 
 
1. Conceito: Segundo Eugênio Pacelli de Oliveira (p. 73), por conflito de atribuições deve-se entender a 
divergência estabelecida entre membros do Ministério Público acerca da responsabilidade ativa para a persecução penal 
em razão da matéria ou das regras processuais que definem a distribuição das atribuições ministeriais. 
Atenção: O conflito de atribuições não se confunde com o conflito de competência. Há conflito de competência 
quando for praticado “ato de conteúdo jurisdicional com força bastante para atrair a tipificação de conflito negativo de 
competência (...) Paulo Cézar Pinheiro Carneiro... O juiz, quando determina o encaminhamento dos autos do inquérito para 
outro órgão do Ministério Público, o faz exercitando unicamente a atividade administrativa como chefe que é dos serviços 
administrativos do cartório” (STF, Pet. 3631/SP, Pleno, DJ de 6.3.2008). Tratando-se de controvérsia entre órgãos do 
Ministério Público sobre ato que caiba a um deles praticar, ter-se-á um conflito de atribuições. 
2. Competência: para dirimir conflitos de atribuições entre órgãos do MP pode ser sintetizada da seguinte forma: 
a) Se o conflito de atribuições se der entre órgãos do Ministério Público pertencentes ao mesmo Estado da 
Federação, a competência para dirimir recairá sobre o Procurador-Geral de Justiça (Lei n. 8.625/93, art.10, X); 
b) Caso o conflito se estabeleça no âmbito do Ministério Público Federal, entre Procuradores da República, caberá 
à 2ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal seu processo e julgamento, com possibilidade de 
recurso para o Procurador-Geral da República (arts. 49, VIII, e 62, VII, da LC 75/93); 
c) Se o conflito de atribuições ocorrer entre órgãos do Ministério Público Militar, a competência será da Câmara 
de Coordenação e Revisão do Ministério Público Militar, com recurso para o Procurador-Geral da Justiça Militar (LC 75/93, 
art. 136, VI c/c art. 124, VI); 
d) Caso o conflito se dê entre integrantes de ramos diferentes do Ministério Público da União, a competência para 
dirimi-lo será do Procurador-Geral da República (LC 75/93, art. 26, VII); 
e) Grande Celeuma: caso o conflito de atribuições se dê entre Procurador da República e Promotor de Justiça ou 
entre Promotores de Justiça de Estados diferentes, há controvérsia sobre qual seria o órgão competente para dirimi-lo. 
i. Entendimento dos tribunais superiores: 1. Atual: O Supremo Tribunal Federal possui, hoje, jurisprudência no 
sentido de que compete a ele, STF, o julgamento do conflito de atribuições entre Ministérios Públicos diferentes, como se se 
tratasse de uma causa entre União e Estado ou entre Estados, nos exatos moldes do art. 102, “f”, da CF, pois os Ministérios 
Públicos estaduais não estão submetidos processual, administrativa ou institucionalmente ao PGR. Nesse sentido: STF, Pet 
5075/PA, Rel. Min. Marco Aurélio Mello, j. 23/09/2014. Ressalta-se que se trata de conflito de atribuições – e não de 
competência – enquanto não há pronunciamento jurisdicional controverso sobre a competência para conhecer do mesmo 
fato criminoso ou sobre a unidade de juízo, junção ou separação de processos (como explicado acima). 2. Antigo: o STF já 
tratou da matéria em apreço como “conflito virtual de jurisdição”, seguindo o entendimento de que a simples tramitação dos 
inquéritos policiais perante os juízos já significaria o “encampamento” por estes das manifestações ministeriais em dissenso. 
Caberia, assim, ao Superior Tribunal de Justiça resolver a questão, cf. art. 105, I, d, CF. Nesse sentido, Pet 1503/MG, Rel. 
Min. Mauricio Correa, j. 03/10/02. 
ii. MPF: embora se trate de posicionamento adotado em ação cível, o parecer do PGR na ACO nº 2225/ES, datado 
de novembro de 2014, leva à conclusão de que o Parquet federal discorda do atual entendimento do STF. Conforme 
ementado o parecer “cabe ao Procurador-Geral da República, na linha com decisões monocráticas do Supremo Tribunal 
Federal, decidir o conflito negativo de atribuições quando surgir entre o Ministério Público Federal e o Ministério Público 
Estadual, na medida em que são órgãos que fazem parte da mesma instituição, de nítido caráter nacional, tratando-se, 
portanto, de conflito interno, devendo sua resolução ser também interna”. Conforme o parecer, não há, nesses conflitos de 
atribuição, controvérsia federativa com envergadura bastante para inaugurar a competência do STF. Ainda, de acordo com 
decisão do Min. Teori Zavascki reproduzida no parecer, “a solução da divergência interna noticiada na demanda supõe, 
necessariamente, um juízo de valor sobre o resultado da própria investigação a ser promovida e uma avaliação e tomada 
de posição sobre as providências judiciais ou extrajudiciais cabíveis, juízo esse inserido no âmbito do típico exercício das 
funções institucionais do Ministério Público, insuscetível de delegação ao Judiciário. Considerar essa divergência um conflito 
federativo significaria, por igual razão, atribuir essa mesma natureza à divergência, que certamente poderia ocorrer, entre 
órgãos das polícias judiciárias federais e estaduais para apuração desse mesmo fato. A exemplo do que ocorre no âmbito 
da polícia judiciária, cumpre ao próprio Ministério Público, e não ao Judiciário, identificar e afirmar ou não, as atribuições 
investigativas de cada um dos seus órgãos em face de um fato concreto.” 
5. Declínio de atribuições: Enunciados da 2ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF: 
a) Enunciado nº 25: Não se sujeita à revisão da 2ª Câmara o declínio de atribuição de um órgão para outro no 
âmbito do próprio Ministério Público Federal. (15.04.2009); 
b) Enunciado nº 32: Compete à 2ª Câmara homologar declínio de atribuição promovido por membro do Ministério 
Público Federal em favor do Ministério Público Estadual ou de outro ramo do Ministério Público da União, nos autos de peças 
de informação ou de procedimento investigatório criminal (17.05.2010); 
c) Enunciado nº 33: Compete à 2ª Câmara homologar o declínio de atribuição promovido nos autos de inquérito 
policial que tramite diretamente entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (Resolução n.º 63 do E. Conselho de 
Justiça Federal). (17.05.2010) 
d) Enunciado nº 34: Quando o declínio de atribuições, em procedimento administrativo criminal, tiver por base 
57 
entendimento já expresso em enunciado da 2ª Câmara, os autos poderão ser remetidos diretamente ao Ministério Público 
com a respectiva atribuição, comunicando-se, por ofício, à 2ª Câmara de Coordenação e Revisão. Aplicação analógica do 
§3º, art. 6º, da Resolução 107 do CSMPF, de 6.4.2010; 
e) Enunciado nº 35: Quando o declínio de atribuições, em inquérito policial, tiver por base entendimento já 
expresso em enunciado da 2ª Câmara, os autos poderão ser remetidos diretamente ao Ministério Público com a respectiva 
atribuição, comunicando-se à 2ª Câmara de Coordenação e Revisão, com o envio de cópia por meio eletrônico. Aplicação 
analógica do §3º, art. 6º, da Resolução 107 do CSMPF, de 6.4.2010. Na hipótese, o Procurador oficiante deverá comunicar 
ao juízo e à autoridade policial. (001ª Sessão de Coordenação, de 17.05.2010); 
6. OBS: Na hipótese em que o Procurador da República pugna pela declinação da competência, não tendo 
oferecido a denúncia, e o juiz não concordar com a declinação por se entender competente, não poderá ele obriga-lo a 
oferecer a peça acusatória, sob pena de violação ao princípio da independência funcional (art. 127, §1º, da CR). Nesse caso, 
deverá o juiz receber a manifestação ministerial como se fosse um pedido de arquivamento indireto do inquérito policial oudo procedimento investigatório criminal, aplicando, analogicamente, o art. 28 do CPP, remetendo os autos à 2ª CCR 
(Brasileiro, p. 165, 2014). 
 
 
58 
10.b. Perpetuatio jurisdictionis 
 
1. Princípio da Perpetuatio jurisdictionis: Eugênio Pacelli de Oliveira explica que, por força do princípio em 
questão, em regra, a ação penal instaurada perante um juízo territorialmente competente deverá ali ter prosseguimento 
(perpetua-se a competência), a não ser quando excepcionada, nas hipóteses legais, a incompetência (descritas abaixo). 
Norberto Avena leciona que “significa possibilidade de substituição da competência relativa de um juízo por outro” (p. 611). 
Competência relativa: de foro ou territorial. Tal postulado é perfeitamente aplicável ao processo penal e pretende impedir 
modificações da competência em nome da mais célere e efetiva prestação da tutela jurisdicional penal. 
2. Correlação com o princípio da identidade física do juiz: nas palavras de Eugênio Pacelli de Oliveira, a 
“perpetuatio jurisdictionis” seria como uma companheira inseparável do princípio da identidade física do juiz (sufragado 
expressamente pela lei processual penal a partir das alterações promovidas pela Lei 11719/2008 – art. 399, § 2°, CPP), pois 
ambos os princípios voltam-se a prestigiar o julgamento da causa pelo juízo ao qual distribuída e perante o qual realizou-se 
a instrução probatória. Presume a lei que o juiz que primeiro tomou conhecimento da causa e colheu as provas, tendo contato 
com as partes e suas alegações, entre outros, possui mais condições para julgar a causa rápida e efetivamente. 
3. Parte da doutrina e dos Tribunais sustenta a aplicação do art. 87 do CPC para o processo penal, tendo em 
vista a permissão do art. 3º do CPP. Há quem sustente a aplicação pura e simples do art. 87 do CPC ao argumento de que 
a competência deve ser fixada no momento em que proposta a ação. Mirabete fala que o art. 83 do CPP teria acolhido 
expressamente a perpetuatio. Pacelli discorda da solução apontada com base no art. 87 do CPC, aduzindo que o próprio 
artigo ressalva a possibilidade de alteração da competência em razão da matéria. 
No julgamento do RHC 83181/RJ, o STF (DJ 22/10/2004) entendeu que a competência deve ser apurada no 
momento do ajuizamento da ação e que a aplicação, por analogia, do art. 87 do CPC, “deve ser vista como norma de 
prudência, que visa preservar o princípio do juiz natural” (no caso entendeu-se pela permanência da competência territorial 
da vara criminal de Magé/RJ mesmo após a instalação de uma vara regional no local do crime – Piabetá/RJ). 
Nesse sentido, pela aplicabilidade do art. 87 do CPC ao processo penal, é o posicionamento de Renato Brasileiro 
de Lima (v. p. 546/547, 2014). A esse respeito, vale conferir o teor do art. 87 do CPC: “Determina-se a competência no 
momento em que a ação é proposta. São irrelevantes as modificações do estado de fato e de direito ocorridas 
posteriormente, salvo quando suprimirem o órgão judiciário ou alterarem a competência em razão da matéria ou da 
hierarquia”. Observa-se, portanto, que são irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito, salvo em três 
hipóteses: a) quando ocorrer a extinção de órgão judiciário, como sucedeu com os Tribunais de Alçada (EC nº 45/04); b) 
quando a competência for alterada em razão da matéria, a ex. da Lei nº 9.299/96 que conferiu ao Tribunal do Júri a 
competência para processar e julgar os crimes dolosos contra a vida praticados por militar contra civil, ainda que cometidos 
em serviço; c) quando a competência for alterada em razão da hierarquia, quando o acusado venha ser diplomado a cargo 
que lhe confira prerrogativa de foro, hipótese em que cessa automaticamente a competência do Juiz de 1ª Instância, 
cabendo-lhe remeter os autos ao Tribunal competente, após a diplomação do acusado. 
4. Hipóteses de perpetuatio jurisdictionis: 
a) art. 81, CPP: na hipótese de reunião de processos, ainda que o Juiz sentenciante absolva ou desclassifique o 
crime que atraiu a sua competência, deverá julgar os demais (essa regra tem aplicação no juízo singular e nos tribunais, não 
se estendendo ao Tribunal do Júri); o motivo é simples: aproveitamento da instrução ali realizada, já que a desclassificação, 
em regra, somente é feita na fase decisória, após a colheita da prova. Assim, o princípio da “perpetuatio jurisdictionis”, 
consoante enunciam Nestor Távora e Rosmar Rodrigues Alencar (p. 270), permite que, havendo reunião de feitos pela 
conexão ou continência, o juízo prevalente continue competente para julgar as demais infrações mesmo que desclassifique 
ou absolva a infração que determinou a sua competência (a competência é “perpetuada”). V. também (HC 132135, Rel. Min. 
Jorge Mussi, p. 17/05/11, e HC 90014, Rel. Min. Maria Thereza A. de Moura, p. 10/05/10). 
b) Segundo o entendimento do STJ, a competência territorial deve ser arguida no prazo da defesa, por meio de 
exceção (art. 108, CPP), sob pena de preclusão (HC 132982, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, p. 05/04/10) e perpetuação 
da competência. Porém, aqui, seria cabível falar em prorrogação da competência; 
c) Além disso, entendem STF e STJ que havendo a criação de uma nova Vara no interior, com competência 
territorial sobre uma região anteriormente abrangida pela competência da Vara da Capital, não há modificação da 
competência, devendo o processo prosseguir na Vara da Capital (STF, RHC 83181, p. 22/10/04, e STJ, Resp 849276, p. 
13/10/09). 
5. Exceções à regra da perpetuatio jurisdictionis: 
5.1. Modificação de competência territorial por normas de organização judiciária: Pacelli reconhece que não há 
razões para rechaçar, de plano, modificações de competência territorial determinadas por normas de organização judiciária 
(com previsão constitucional – art. 96 da CF/88). Atenção: estas normas podem prever a alteração da competência territorial 
por matéria (que não se confunde com alteração de competência material e, portanto, constitucional). Assim, não haveria 
qualquer ilegalidade na alteração excepcional da regra da “perpetuatio jurisdictionis” consubstanciada na alteração de 
“competência territorial de processos já em curso, salvo quando encerrada a instrução” (em homenagem ao princípio da 
identidade física do juiz) “e desde que fundadas em criações de novas varas especializadas por matéria e/ou de novas varas 
que possam configurar, nos termos da lei processual penal, como o lugar da infração penal (caso típico da interiorização da 
Justiça)” – o local do crime, em regra, é o mais apropriado para a produção da prova, além de constar expressamente de 
regra de competência territorial prevista no art. 70 CPP (p. 269). “Tal não será, porém, o caso de simples aumento de varas 
criminais entre aquelas já existentes no mesmo foro ou comarca, quando, então, nada justificará a divisão quantitativa dos 
59 
processos em curso” (p. 269). Nesse sentido, válidas as Resoluções 314/03 e 517/06 do Conselho da Justiça Federal que 
criaram varas federais especializadas em determinados crimes eis que ausente qualquer violação ao princípio do juiz natural 
- já que se cuida de competência territorial por matéria, e não competência material constitucional. Conforme o STF, o 
“deslocamento da competência em decorrência de criação de vara especializada não ofende os princípios do juiz natural, 
da vedação ao juízo de exceção, ou da perpetuatio jurisdictionis” (ARE 802238 AgR/SP, Rel. Min. Luiz Fux, j. 05/08/2014). 
5.2. Na hipótese de conexão ou continência, a extinção da punibilidade em relação ao crime que atraiu a 
competência daquele Juízo, enseja a remessa dos demais crimes para os respectivos Juízos competentes (STJ, CC 110998, 
Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, 3a Seção, p. 04/06/10 e HC 108.350/RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, 
T6, DJe 24/08/2009; ver também CC 122.195/SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, DJe 11/06/2012).Em sentido contrário, 
verifica-se julgado do STF, no qual apenas se afirma que “IV – A posterior extinção da punibilidade de um dos feitos e o 
reconhecimento da incompetência do outro, que também atraíram a competência da Justiça Federal não extingue a 
competência desta em razão da perpetuação de jurisdição, nos termos do art. 81 do CPP. Precedentes.” (HC 100154, 
Primeira Turma, p. 22/2/2011). Porém, em julgado mais recente (HC 122202/GO, Rel. Min. Carmen Lúcia, j. 28/10/14) o STF 
adota o mesmo entendimento do STJ, pela remessa dos autos para o juízo competente para o processamento dos crimes 
remanescentes. 
5.3 Se o Juiz, na primeira fase do procedimento do Júri, desclassificar o crime, ou absolver ou impronunciar o réu 
pelo crime que atraiu a competência do Júri, deverá remeter o processo para o Juízo competente. (art. 81, parágrafo único, 
CPP). Se a desclassificação for feita pelo próprio Tribunal do Júri, a seu Presidente caberá proferir a sentença (arts. 74, § 
3°, e 492, §§ 1° e 2°, CPP), se da desclassificação não resultar modificação da competência de jurisdição – juiz natural, p. 
ex., na desclassificação para crime militar, hipótese em que os autos devem ser encaminhados à Justiça Militar. Tal não 
ocorre, contudo, no caso da desclassificação da qual resulte crime de competência dos Juizados Especiais Criminais, pois 
caberá ao juiz Presidente adotar as providências previstas na Lei n° 9.099/95 (transação penal etc.), nos termos do art. 492, 
§1°, CPP, com a redação dada pela Lei n° 11.689/08 (Pacelli, p. 272-3). 
6. Súmulas: 
a) enunciado 33 do STJ: “A incompetência relativa não pode ser declarada de ofício”. 
OBS: a súmula 33 do STJ foi editada sob a ótica do processo civil, muito embora existam julgados do STJ a 
aplicando no processo penal. É que, no processo penal, o art. 109 do CPP não faz nenhuma restrição quanto à espécie de 
competência, se relativa ou absoluta. Outrossim, é sabido que todos os juízes têm ao menos competência para se 
autoproclamarem incompetentes (princípio do Kompetenz-Kompetenz) ou para delimitarem sua competência, pouco 
importando ser ela absoluta ou relativa. Assim, segundo Brasileiro (p. 314/316), tal enunciado não deve ser aplicado ao 
processo penal, já que nele a competência territorial geralmente é determinada pelo local da consumação do delito, 
independentemente do interesse das partes. Ora, acima desse interesse há interesse pública em buscar a verdade, de sorte 
que é muito mais provável que provas idôneas sejam encontradas onde se deram os fatos, ainda que o acusado resida em 
local diverso. Portanto, no processo penal, admitir-se-ia ao juiz o poder de declinar de ofício a sua incompetência relativa 
até o momento da prolação da sentença, ou seja, até que não se tenha encerrado sua jurisdição sobre a ação penal em 
questão. Entretanto, com a inserção do princípio da identidade física do juiz no processo penal pela Lei nº 11.719/08, esse 
entendimento de que a incompetência relativa poderá ser declarada de ofício merece nova análise, a fim de que o juiz 
recipiente não tenha de renovar toda a instrução penal a fim de que tal princípio seja respeitado. Dessa forma, Brasileiro, na 
mesma linha de Pacelli, pensa que o reconhecimento da incompetência relativa somente pode ocorrer até o início da 
instrução processual, de modo que, uma vez esta tenha início, a matéria não mais poderia ser debatida, ante a incidência 
da preclusão, inclusive, para o juiz. 
b) Enunciado 706 do STF: “É relativa a nulidade decorrente da inobservância da competência penal por 
prevenção”. 
 
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10.c: Indulto, graça e anistia. 
 
Legislação básica: art. 5o, XLIII, 21, XVII e 48, VIII, 84, XII da CF/88; art. 107, 359 do CP; Lei nº. 8.072/90, art. 
2º, I; Lei de Execução Penal nº. 7.210/1984; art. 188; Decreto n. 4.495/02.; Lei nº. 6.683/1979, art. 1º. 
1. Noções gerais: Cleber Masson ensina que “são modalidades de indulgência soberana emanadas de órgãos 
estranhos ao Poder Judiciário, que dispensam, em determinadas hipóteses, a total ou parcial incidência da lei penal” (p. 
816). Extinguem a punibilidade a anistia, a graça e o indulto (art. 107, inc. II, CP). O Estado renuncia ao seu direito de punir 
(Rogério Sanches, p. 219/220), perdoando a prática de infrações penais, que, normalmente, têm cunho político, nada 
impedindo que, pela anistia, seja renunciado o poder-dever de punir crimes comuns (Rogério Greco, p. 695). 
2. Anistia: 
2.1 Noção: Segundo Cleber Masson “é a exclusão, por lei ordinária” editada pelo Congresso Nacional (art. 21, 
XVII e 48, VIII, CF/88) “de um ou mais fatos criminosos do campo da incidência do Direito Penal” (p. 816). Destina-se, 
preponderantemente, a delitos políticos (anistia especial) e a crimes comuns – abolitio criminis de efeito temporário e só 
retroativo (ex tunc) (STF, ADI 104/RO, rel. Min. Sepúlveda Pertence, Tribunal Pleno, 4/6/2007). Pode ser concedida antes 
ou depois da sentença penal condenatória, sempre retroagindo a de beneficiar os agentes (Rogério Greco, p. 696). 
Natureza objetiva – o que importa, em regra, é o fato, não o destinatário, por exemplo: o artigo 1º da Lei nº. 
6.683/79. Extingue os efeitos penais da sentença condenatória se anterior ao trânsito em julgado. Salvo quando 
condicionada, a anistia não pode ser recusada pelo destinatário e, uma vez concedida, é irrevogável (mesmo que o anistiado 
não cumpra as condições impostas; hipótese em que poderá responder, eventualmente, pelo ilícito previsto no art. 359 do 
CP). 
2.2. Legitimidade para que a anistia seja concedida: o juiz de ofício, ou a requerimento do interessado ou do 
Ministério Público, por proposta da autoridade administrativa ou do Conselho Penitenciário, declara a extinção da 
punibilidade (Art. 187 da LEP). 
2.3. Competência para declarar a extinção da punibilidade: se concedida ao tempo da ação em 1º grau, será do 
juiz que conduz a ação; se estiver em sede recursal ou em caso de competência originária, será pelo Tribunal em que estiver 
o recurso ou competente, por conseguinte, depois do trânsito em julgado da condenação, será do juízo da execução (Art. 
66, III da LEP e Súmula 611 do STF). 
2.4. Classificação: a) própria (quando concedida antes da condenação); imprópria (concedida após a 
condenação); b) irrestrita, geral ou absoluta (de concessão ampla e indistinta); restrita, parcial ou relativa (circunscrita a 
determinados agentes ou limitada a uma categoria de crimes especificados em lei, a determinadas circunstâncias – réu 
primário e de boa conduta social, p. ex.); c) incondicionada; condicionada (a lei impõe alguma condição, ex: ressarcimento 
do dano), neste caso poderá ser recusada; d) comum (incide sobre delitos comuns); especial (crimes políticos; Luiz Regis 
Prado obtempera que a anistia volta-se especialmente a estes delitos, o que não exclui sua aplicação a crimes comuns). 
3. Indulto e Graça: 
3.1 Noção: serão tratados em conjunto em vista das inúmeras semelhanças que possuem. Ambos são atos 
privativos do Presidente da República, concedidos via decreto presidencial (art. 84, XII, CF/88 – poder de graça) – pode 
delegar a atribuição de indultar a Ministro de Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral da União 
(art. 84, parágrafo único, CF/88). O indulto tem caráter coletivo, e a graça, individual. A graça ostenta caráter subjetivo e o 
indulto possui natureza mista, pois é analisado o “quantum”, a espécie da pena e o comportamento carcerário. A graça é 
solicitada, enquanto o indulto é espontâneo. 
3.2 Legitimidade para requerer a concessão da graça (chamada pela LEP de indulto individual): poderá ser 
provocada por petição do condenado, por iniciativa do Ministério Público, do Conselho Penitenciário, ou da autoridade 
administrativa (art. 188, LEP), sendo que a petição acompanhada dos documentos que a instruírem, será entregue ao 
Conselho Penitenciário para a elaboração de parecere posterior encaminhamento ao Ministério da Justiça (art. 189 da LEP). 
3.3 Efeitos: A graça atinge apenas o cumprimento da pena, restando íntegros os efeitos penais secundários e os 
efeitos de natureza civil, assim como o indulto, o qual “extingue as sanções penais mencionadas no decreto presidencial, 
subsistindo os demais efeitos, penais e extrapenais, não abarcado pelo benefício” (Cleber Masson, p. 820). 
3.4 Classificação: Luiz Regis Prado (p. 669) explica que o indulto pode ser pleno (quando extingue 
completamente a punibilidade) ou parcial (quando diminui a pena). Não admite recusa, salvo em se tratando de comutação 
da pena ou de indulto condicionado. Comutação da pena consiste na substituição da pena imposta por uma de menor 
gravidade e admite recusa por parte do condenado. 
3.5. Condições: Pode obter o indulto aquele que está em gozo de sursis ou de livramento condicional, permitindo-
se também a soma das penas de duas condenações para verificar se estão dentro ou fora dos limites previstos no decreto 
de indulto. Tanto a graça quanto o indulto, diferentemente da anistia, dependem de sentença condenatória transitada em 
julgado. No caso de recurso da acusação visando a alterar a quantidade de pena ou as condições exigidas para concessão 
do indulto e da comutação, a aplicação desses institutos não será possível (STJ, HC 69385/SP, julgamento com base no 
Decreto n. 4.495/02). Entretanto, no caso de sentença recorrível, a doutrina entende que estará indultado o sentenciado 
quando a decisão tiver transitado em julgado para a acusação. Nesse sentido, jurisprudência do STF pela possibilidade de 
concessão de indulto antes do trânsito em julgado da sentença condenatória, desde que tenha havido recurso exclusivo da 
defesa (HC 105.022/DF, pub. 9/6/2011 e diversos precedentes que remontam à década de 70). Atenção: o cometimento 
pelo apenado de crime doloso caracteriza a falta grave (art. 52, da LEP), independentemente do trânsito em julgado de 
61 
eventual sentença penal condenatória, por se tratar de procedimento administrativo, todavia, a ocorrência de falta grave não 
deve interferir no lapso temporal necessário para o livramento condicional ou para concessão de indulto e comutação da 
pena, salvo se o requisito for expressamente previsto no próprio Decreto Presidencial (STJ HC 205.863/RS, julg. em 
15/05/2012, e diversos precedentes). 
4. Crimes insuscetíveis de anistia, graça e indulto: os crimes hediondos, a prática de tortura, o tráfico ilícito de 
entorpecentes e drogas afins e o terrorismo, consumados ou tentados (arts. 5°, XLIII, CF; 2°, I, Lei n. 8.072/90; e 1°, §6°, da 
Lei n. 9.455/97). Divergência: como a Constituição Federal vedou expressamente apenas a graça e anistia, há entendimento 
de que a regra do art. 2º, I da Lei 8.072/1990 é inconstitucional por abranger hipótese não prevista na Constituição, já a outra 
posição entende constitucional porquanto a graça é gênero do qual indulto é espécie (posição do STF no informativo 486, 
HC 90.364/MG de 31/10/2007). 
Informativos do STF 
- Nº 733 
MAGISTRADO NÃO PODE EXIGIR QUE O RÉU FAÇA EXAME CRIMINOLÓGICO PARA CONCEDER O 
INDULTO SE ESSA CONDIÇÃO NÃO FOI PREVISTA NO DECRETO 
O Presidente da República editou um Decreto Presidencial concedendo o “indulto natalino”. O TJ condicionou 
a concessão do indulto à realização, pelo sentenciado, de exame criminológico. Ocorre que o Decreto Presidencial em 
nenhum momento estabeleceu, como um dos requisitos para a concessão do indulto, que o apenado fosse submetido a 
exame criminológico. Logo, tal condição é indevida. Preenchidos os requisitos previstos no Decreto, não pode o 
Judiciário exigir a realização do exame criminológico para aferição do mérito do sentenciado, por absoluta falta de 
previsão legal. STF. 2ª Turma. HC 116101/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 17/12/2013. 
- Nº 745 
A 2ª Turma reiterou jurisprudência no sentido de não ser possível o deferimento de indulto a réu condenado 
por tráfico de drogas, ainda que tenha sido aplicada a causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, da Lei 11.343/2006 
à pena a ele imposta, circunstância que não altera a tipicidade do crime. Na espécie, paciente condenada pela prática 
dos delitos de tráfico e de associação para o tráfico ilícito de entorpecentes pretendia a concessão de indulto humanitário 
em face de seu precário estado de saúde (...). A Turma asseverou que o fato de a paciente estar doente ou ser acometida 
de deficiência visual não seria causa de extinção da punibilidade nem de suspensão da execução da pena. Afirmou que 
os condenados por tráfico de drogas ilícitas não poderiam ser contemplados com o indulto. Ponderou que, nos termos 
da Lei 8.072/1990, o crime de tráfico de droga, equiparado a hediondo, não permitiria anistia, graça e indulto (...). 
Assinalou que a proibição do art. 5º, XLIII, da CF seria aplicável ao indulto individual e ao indulto coletivo. Enfatizou que, 
tanto o tráfico ilícito de entorpecentes, quanto a associação para o tráfico foram equiparados a crime hediondo (Lei 
11.343/2006, art. 44) e, por isso, a benesse requerida não poderia ser concedida. HC 118213/SP, rel. Min. Gilmar 
Mendes, j. 06/04/14. 
Informativo nº 538 do STJ 
A regra prevista no art. 1º, I, do Dec. 7.873/2012, que admite a concessão de indulto coletivo aos 
condenados a pena inferior a oito anos, não pode ser interpretada de forma a permitir que também obtenham o 
benefício aqueles que, embora condenados a pena total superior a esse limite, tenham menos de oito anos de 
pena remanescente a cumprir na data da publicação do referido diploma legal. (...). Esse dispositivo legal traz 
critério objetivo e de redação categórica: o paradigma para a concessão do benefício é a quantidade de pena a que o 
réu foi condenado, não podendo essa regra ser interpretada de forma a ser considerado o período que remanesce da 
pena na data da publicação do Decreto, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade. Tanto é assim que o referido 
diploma normativo é categórico ao estabelecer que, para a concessão da comutação das penas, "o cálculo será feito 
sobre o período de pena já cumprido até 25 de dezembro de 2012" (art. 2º, § 1º), ou seja, se fosse a intenção da 
Presidente da República instituir indulto considerando apenas o período remanescente, o teria feito expressamente. HC 
276.416/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, j. 27/03/14. 
 
62 
11.a.Jurisdição e competência. 
 
Jurisdição Penal: é monopolizada pelo Estado e realiza a função de aplicação do Direito Penal, por meio 
do Processo Penal, aos fatos violadores de bens, direitos e valores reconhecidos pelo corpo social, na exata medida e 
proporção previamente indicadas em lei (PACELLI, 2010, p. 221). Competência: decorre da necessidade de 
distribuição de parcelas da jurisdição – competências – derivada da própria CR/88, reunidas sob a proteção da 
cláusula assecuratória do art. 5°, LIII, CR/88. Juiz natural (constitucional): entendido como órgão da jurisdição cuja 
competência, estabelecida anteriormente ao cometimento do fato, derive de fontes constitucionais, legitimado 
a partir da vedação, imposta ao legislador infraconstitucional, da instituição do juízo ou tribunal de exceção (art. 
5, XXXVII, CR/88). Não viola o juiz natural a designação de dois ou mais juízes para atuação em determinado juízo em 
regime de multirão ou quando criadas varas especializadas. Juiz legal (infraconstitucional): competência em razão do 
lugar, da natureza da infração, do domicílio, da prevenção e da distribuição. Competência absoluta: determinada em 
razão do interesse público, sendo indisponível e inafastável por qualquer decisão dos interessados que concretamente 
estejam integrando determinada relação processual (partes ou órgão julgador). Competência relativa: é 
aquela que pode ser flexibilizada, tutela o processo em curso, podendo as partes processuais excepcionarem a 
incompetênciarelativa do juízo, por meio da exceção de incompetência, sob pena de preclusão. Também o juízo, ex 
officio, pode declinar da incompetência relativa no processo penal (art. 109, CPP). Pacelli entende que essa ultima 
hipótese fica restrita até o momento da audiência de instrução e julgamento em face do princípio da identidade física 
do juiz (2010, p. 282). 
Critérios definidores da competência: a) em razão da matéria (ratione materiae): a CR/88 adota o 
critério de especialização para ditar a repartição de competência em razão da matéria, delimitando-se, em primeiro 
momento, a existência de uma jurisdição penal, encarregada e especializada em matéria criminal. A partir 
desse critério, estabeleceram-se competências distintas em relação à titularidade do bem, valor ou interesse jurídico 
atingido (justiça comum Federal e Estadual) ou em relação à natureza jurídica do delito (Tribunal do Júri e a 
jurisdição especial da Justiça Eleitoral e Militar). São da competência da Justiça Eleitoral os crimes definidos em 
lei como crimes eleitorais e da Justiça Militar os crimes qualificados como tal na legislação. A Justiça do Trabalho não 
tem jurisdição penal. b) em razão da pessoa (ratione personae): é prevista jurisdição colegiada, ou competência 
originária dos tribunais, estabelecida em razão das relevantes funções públicas exercidas pelo autor – ou acusado 
– da infração penal. A competência será sempre do tribunal ao qual está vinculada a autoridade (exceção ao art. 
70, CPP). Mesmo que a infração penal seja cometida antes do exercício da função ou cargo, enquanto o acusado 
estiver exercendo-o terá assegurado o foro privativo, perdendo-o assim que o exercício terminar (caráter itinerante da 
ação penal). Vide: Lei 8038/90. Concurso de crimes e concurso de pessoas e foro por prerrogativa: em regra, aplica-
se o art. 78, III, CPP e Súmula 704, STF, exceção: no caso de crimes dolosos contra a vida haverá separação dos 
processos. Inquérito policial para investigar detentores de foro especial: não pode ser instaurado de ofício, devendo 
ser requerida sua instauração pelo MP ao Tribunal competente (não é conduzido pelo tribunal, mas supervisionado). 
Obs. a investigação de crime praticado por um membro do MPF tramita perante o PGR. Crimes de responsabilidade: 
não configuram verdadeiramente infrações penais, mas de natureza eminentemente política, estão submetidas a 
processo e julgamento jurisdição política, integrada, em geral por órgãos do Poder Legislativo. 
 
Jurisdição 
Competente 
Executivo Legislativo Judiciário Outros Critério de foro 
privativo, quanto à 
natureza da 
infração 
STF 
(art. 102, I, b e c, 
CR/88) 
Presidente, Vice-
Presidente, 
Ministros e 
Advogado Geral da 
União, Chefe da 
Casa Civil, da 
Controladoria-Geral 
da União e 
Presidente do Banco 
Central e demais 
autoridades 
equiparadas a 
Ministros de Estado. 
Membros do 
Congresso Nacional 
Membros dos 
tribunais superiores, 
inclusive, STF 
Procurador-Geral da 
República, 
Comandante das 
Forças Armadas, 
membros do TCU e 
Chefe de missão 
diplomática. 
Foro privativo fixo, 
independente da 
 natureza da 
infração. 
STJ 
art. 105, I, a, CR/88) 
Governador Membros do TRF, 
TRE, TJ e TRT 
Membros do TCE e 
dos TCM e membros 
do MP da União que 
atuam perante 
tribunais. 
Foro privativo fixo, 
independente da 
natureza da infração. 
TRFs, TJ TRE 
(crimes eleitorais) 
Prefeitos Deputados 
Estaduais 
Juízes de Direito, 
Federais, do 
Trabalho, Militares e 
da União. 
Membros do MPU 
(MPF, MPT, MPM e 
 MPDF) e MPE. 
Foro móvel, em 
relação aos crimes 
eleitorais, quando a 
competência será do 
TRE. 
Deputados estaduais 
e prefeitos são 
julgados pelo TRE, 
se o crime é eleitoral 
63 
e TRF, se o crime é 
federal. 
 
 
Deputado e Prefeito: o foro de prerrogativa de função dos deputados estaduais decorre do art. 27,§1° e 
dos prefeitos do art. 29, X todos da CR/88. Entende-se que todos os crimes de competência da justiça estadual, 
praticados por deputado estadual ou prefeito, serão julgados pelo TJ, incluindo os crimes contra a vida, já se da 
competência da justiça federal, serão julgados pelo TRF, bem como pelo TRE se da competência da justiça 
eleitoral (aplica-se a ambos a Súmula 702, STF). 
Extensão de foros privativos nas Constituições Estaduais (CE): as CE não podem afastar ou modificar 
as regras estabelecidas na CR/88 (sob pena de ofensa ao juiz natural). Ver súmula 721 do STF. Na ADI n° 2.587 o 
STF reconheceu a constitucionalidade da criação na CE de foro por prerrogativa de função. Pacelli entende que o foro 
deferido às autoridades na CE é restrito ao julgamento de crimes estaduais, excluídos os demais juízes naturais 
previstos na CR/88, qual sejam, o tribunal do júri, os juízes federais e eleitorais (2010, p. 239). Contudo, o STF no 
julgamento da QO-INQ n° 2051-6/TO entendeu que o secretário do estado teria foro privativo perante o TRF se o 
crime fosse federal. 
c) em razão do lugar (ratione loci): uma vez definido o juiz natural (estabelecido na CR/88), ou seja, a 
competência de jurisdição, o próximo passo é descobrir o juízo competente, cuja definição é estabelecida pela legislação 
ordinária. O CPP adotou o critério do lugar da infração (racione loci). Deve-se entender como lugar da infração o 
local do resultado (teoria do resultado), sendo que, no caso de tentativa, deve-se verificar o local dos últimos atos de 
execução, conforme art. 70, CPP. Nos casos dos chamados crimes à distância (início da execução ocorre em 
território nacional e a consumação fora dele ou vice-versa) a competência será ou do local onde de praticou o ultimo 
ato de execução ou onde se consumou ou deveria se consumar. Já no caso dos crimes plurilocais (parte do iter crimines 
é realizado em mais de um lugar), a regra é primeiro observar o local do resultado. Exceção: Lei 9.099/95 adota a teoria 
da atividade. Obs. STJ entende em caso de crime doloso contra a vida se aplica a teoria da atividade. Vide súmulas 
521 do STF, 48, STJ. d) em razão da natureza da infração: estabelecida por normas de organização judiciária, 
distribuindo-se a competência criminal por meio de varas especializadas (art. 74, CPP). Também a competência 
do Júri e dos Juizados Especiais Criminais são em razão da natureza, mas essas não são determinadas pelas 
normas de organização judiciária, sendo a primeira firmada em razão da matéria e a segunda em razão do rito. e) em 
razão do domicílio ou residência do réu: apenas aplicável quando não conhecido o local da infração ou quando 
se tratar de ação penal privada (arts. 72 e 73, CPP). f) Prevenção: é critério subsidiário, também de competência 
relativa (vide súmula 706, STF). É necessário que hajam dois juízes igual e originariamente competentes (competência 
territorial) ou desconhecido o local da infração e o réu não tem domicílio fixo ou tem o paradeiro desconhecido. A 
competência será firmada em favor de quem realizou o primeiro ato decisório (art. 38, CPP), seja na fase processual 
ou pré-processual (com a determinação de cautelares pessoais, reais ou probatórias). Conexão: foro privativo 
determinado pela CRFB e crime doloso contra a vida: separação obrigatória dos processos. É competência constitucional 
em ambos os casos, por isso não prevalece. g) Distribuição: antecedência na distribuição do inquérito ou de qualquer 
diligência anterior à denuncia ou queixa fixará a competência quando houver na mesma circunscrição judiciária mais de 
um juiz competente (art. 75, CPP). salvo se nenhum juiz tiver praticado ato decisório anterior (art. 83, CPP). 
Perpetuatio jurisdictionis: atende ao interesses da reta aplicação da lei penal, impedindo, o quanto 
possível, as alterações de competência, com objetivo máximo aproveitamento dos atos processuais praticados, 
em benefício de uma persecução penal ágil e livre de obstáculosprotelatórios. Atrelado ao princípio da identidade 
física do juiz (art. 399, §2°, CPP). Ex. art. 81, CPP. 
Exceções à perpetuatio jurisdictionis: a) Criação de varas especializadas: Pacelli entende que não há 
qualquer inconveniente em permitir que seja excepcionada a perpetuatio jurisdictionis em face da criação de varas 
especializadas ou da criação de novas varas (interiorização), desde que respeitada o princípio da identidade física do 
juiz (2010, p. 292-195). Posição também do STJ (HC 21087, RHC 15564/PR) e STF (HC 91253/MS). b) 
Desclassificação: quando o juiz não concorda com a classificação feita na denuncia ou queixa, ele poderá corrigir 
a inicial (emendatio libelli, art. 383, CPP), fazendo a adequação que lhe parecer mais correta, independentemente de 
qualquer providenciam uma vez que a parte (o réu, no caso) defende-se do fato imputado e não de sua 
classificação; se houver, com a desclassificação, modificação da competência, deve o juiz encaminhar os autos ao 
juiz competente (art. 383, §2°, CPP), chamada de desclassificação própria. Nos casos de crime cuja competência 
seja inicialmente atribuída ao Tribunal do Júri, se o juiz desclassificar a infração, na fase de pronuncia, para outra da 
competência do juiz singular deverá remeter ao juiz competente (art. 73, §3°, CPP), contudo, quando a 
desclassificação for feita pelo próprio Tribunal do Júri, a seu Presidente caberá proferir a sentença (art. 492, 
§1°, CPP), se da desclassificação não resultar modificação da competência de jurisdição (ex. crime militar), quando 
caberá ao juiz remeter os autos ao juízo competente (STF, RHC 80.718/RS). c) Conexão (pluralidade de 
condutas): consiste em aproximação entre eventos, estabelecendo pontos de afinidade, de contado ou de influência 
na respectiva apuração. Espécies: a) intersubjetiva (art. 76, I, CPP): hipótese de pluralidade de sujeitos, pode ser por 
simultaneidade (duas ou mais infrações houverem sido praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas), 
por concurso (concurso de agentes para a prática de várias infrações) ou por reciprocidade (por várias pessoas, 
umas contra as outras); b) material ou teleológica (art. 76, II, CPP): em razão da finalidade ou motivação da prática de 
um crime, tendo em vista a existência de outro anterior; c) instrumental ou probatória (art. 76, III, CPP): trata da questão 
da influência da prova de um crime na apuração de outro. Consequência: reunião dos processos, até a prolação da 
sentença (art. 82, CPP). d) Continência (unidade de conduta): quando duas ou mais pessoas forem acusadas 
pela mesma infração (art. 77, I, CPP), ou quando se verifica concurso formal de crimes ou aberratio ictus ou aberratio 
crimines. Conseqüência: reunião dos processos, até a prolação da sentença (art. 82, CPP). e) Eleição do juízo 
prevalente: deve ser entendido como juízo do domínio, ou seja, o juízo que deverá fazer prevalecer a sua jurisdição 
quando em concurso (ou em concorrência) com as outras, em razão de conexão ou continência. Aplica-se as 
64 
regras do art. 78, CPP. f) Separação dos processos conexos ou continentes: a) obrigatória: concurso entre 
jurisdição penal e Juizado da Criança e do Adolescente (art. 79, II, CPP e Súmula 90, STJ) e entre crime militar e 
comum (art. 79, I, CPP), se um dos acusados é acometido de doença mental após a prática do crime e recusa de 
jurado por parte de correu (art. 469, CPP); b) facultativa: quando o juiz reputar conveniente, por qualquer razão 
que possa tumultuar ou inviabilizar a marcha do processo (art. 80, CPP). g) Prorrogação de competência: ocorre 
quando o órgão jurisdicional originariamente incompetente para o julgamento de determinado processo adquire 
a competência em virtude da aplicação de quaisquer das regras processuais que impõem a reunião dos processos. 
h) Incidente de deslocamento de competência: I) quem julga? 3° Seção; II) quem pede? PGR; Quando? Qualquer 
fase do IP ou processo; III) Requisitos? Grave violação aos DH; possibilidade de responsabilização internacional 
do BR; incapacidade ou falta de vontade de o Estado Membro, por suas instituições/ autoridades, levar a cabo a 
persecução penal (requisito implícito). i) Transferência de processos (art. 21, Convenção de Palermo): vários 
processos de mesma organização criminosa podiam ser concentrados no mesmo país. Está previsto no projeto de lei 
do CPP. 
Vide: enunciados da 2° CCR: 27, 30; 31; 38; 39; 41. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
65 
11. b. Citações, notificações e intimações no CPP e em leis especiais. Cartas: precatória, de 
ordem e rogatória. 
 
Citações: é modalidade de ato processual cujo objetivo é a chamamento do acusado ao processo, para fins 
de conhecimento da demanda instaurada e oportunidade de exercício, desde logo, da ampla defesa e demais 
garantias processuais. 
 
Espécies: a) por mandado: é a regra, quando se tratar de citação realizada na mesma comarca em que o 
juiz da causa exerce jurisdição, é a citação pessoal, feita por mandado (art. 351, CPP), no qual deverão constar 
todos os requisitos do art. 352, CPP (requisitos intrínsecos) e será realizada por oficial de justiça, devendo ele proceder 
à leitura do mandado para o acusado e a entrega da contrafé, o que será certificado nos autos, conforme art. 357, CPP 
(requisitos extrínsecos); b) por precatória: utilizada quando o acusado residir fora do território em que o juiz da causa 
exerça sua jurisdição, nesta, o juiz da causa (deprecante) pede ao juiz onde reside o réu (deprecado) o cumprimento 
do ato citatório, que se dará por oficial de justiça (arts. 353-356, CPP). Se o oficial verificar que o réu se oculta para 
não receber a citação deverá proceder a citação por hora certa, não mais se aplicaria o §2°, art. 355, CPP (PACELLI, 
2010, p. 579), se constatado que o acusado não mais se encontra naquele território de jurisdição, a carta será remetida 
ao juízo sob cuja jurisdição estiver aquele (carta rogatória itinerante), se o ato é solicitado a juiz de outro país chama-se 
o meio de carta rogatória; c) por hora certa (art. 362, CPP c/c art. 227-229, CPC): caso o oficial de justiça, após a ida 
ao domicilio ou residência do réu por três vezes, suspeite que ele se oculta, deverá informar a pessoa da família ou 
vizinho, que no dia imediato irá efetuar a citação na hora designada, caso o réu não se faça presente será entregue a 
contrafé para pessoa da família ou vizinho, devendo o escrivão enviar ao réu carta, telegrama ou radiograma. Vide: 
Súmula 710, STF; d) por edital (citação ficta): quando o réu não é encontrado, será citado por edital, contudo, em 
face da dificuldade de o réu tomar real conhecimento da existência de uma ação penal por esse meio e, 
consequentemente, exercer todas as garantias processuais, o CPP estabelece que, caso réu seja citado por edital e 
não apresente defesa em 10 dias ou constitua advogado deverá o processo ser suspenso, bem como o prazo 
prescricional (art. 366, CPP). A suspensão do processo não poderá ser eterna, terá seu limite temporal nos prazos 
previsto no art. 109, CP. Vide Súmulas 415 e 455, STJ. Obs. a Lei 9613/98, art. 2, §2°, faz ressalva de aplicação do 
art. 366 para o delito de lavagem de dinheiro (aplicar-se-ia o art. 367, CPP), contudo, Pacelli entende que essa 
regra não se aplica em face da alteração estabelecida na Lei 11719/08 que alterou o art. 394, §4°; CPP (2010, p. 
590); e) citação do militar e do funcionário púbico: a citação do militar será feita por meio de requisição ao superior 
hierárquico (art. 358, CPP); o funcionário público será citado pessoalmente, devendo o chefe da repartição ser 
notificado (art. 359, CPP); f) por meio de carta rogatória: o pedido é encaminhado pelo juiz ou tribunal ao Ministro da 
Justiça, para o envio, por via diplomática, às autoridades competentes estrangeiras; g) por carta de ordem: é adeterminação por parte de tribunal superior de cumprimento de ato ou diligencia processual a serem realizadas por 
órgãos de jurisdição da instância inferior; h) de réu preso: todo o réu preso, independente de sua localização, será 
citado por mandado ou por precatória, não podendo o ato ser dispensado e o réu simplesmente requisitado (art. 360, 
CPP); h) de incapaz: se a incapacidade já for conhecida, a citação deverá ser feita na pessoa do curador. 
 
Intimações: é o meio procedimental que noticia a existência de ato processual e que possibilita o 
exercício de faculdades e ônus processuais reservado às partes, bem como viabiliza o efetivo cumprimento do dever 
legal de comparecimento e participação de terceiros no processo penal. A intimação do MP e do defensor nomeado é 
sempre pessoal (dativo ou Defensoria Pública), do advogado constituído será pela imprensa oficial. A Lei 11.340 
estabelece que a mulher deverá ser intimada de todos os atos relativos ao agressor, especialmente dos pertinentes 
à entrada e saída da prisão (art. 21), estendida aos demais procedimentos pela Lei 11690/08 (alterou art. 201, 
CPP). A intimação da sentença se fará nos moldes do art. 392, CPP. A decisão de pronuncia será feira ao réu 
pessoalmente (art. 420, I, CPP). 
 
Meios eletrônicos (Lei 11.419/2006): prevê a informatização do processo judicial, aplicável também à 
jurisdição penal, permitindo, a utilização de meios eletrônicos para a realização de quaisquer atos judiciais, 
incluindo citações, intimações, notificações, cartas precatórias e de ordem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
66 
11.c.Provas ilícitas. 
 
Provas ilícitas são aquelas que violam disposições de direito material ou princípios constitucionais penais. Ex: 
confissão obtida mediante tortura, interceptação telefônica realizada sem autorização judicial. 
Por outro lado, provas ilegítimas são as que violam normas processuais e princípios constitucionais da mesma 
espécie. Ex: laudo pericial subscrito por apenas um perito não oficial. 
No entanto, a Constituição e a Lei n. 11.690/08 não fizeram essa distinção promovida pela doutrina, reputando o 
art. 157 do CPP, caput, como ilícitas aquelas provas obtidas em violação a normas de caráter constitucional ou 
infraconstitucional267, as quais, por consequência, devem ser desentranhadas do processo. 
 Veja-se decisões recentes do STF sobre o tema: 
 
Habeas corpus. 2. Inviolabilidade de domicílio (art. 5º, IX, CF). Busca e apreensão em estabelecimento 
empresarial. Estabelecimentos empresariais estão sujeitos à proteção contra o ingresso não consentido. 3. Não verificação 
das hipóteses que dispensam o consentimento. 4. Mandado de busca e apreensão perfeitamente delimitado. Diligência 
estendida para endereço ulterior sem nova autorização judicial. Ilicitude do resultado da diligência. 5. Ordem concedida, para 
determinar a inutilização das provas. (HC 106566 / SP - SÃO PAULO 
HABEAS CORPUS, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Julgamento: 16/12/2014, Órgão Julgador: Segunda 
Turma, Publicação DJe-053 DIVULG 18-03-2015 PUBLIC 19-03-2015) 
 
Ementa: QUESTÃO DE ORDEM. INQUÉRITO INSTAURADO A PARTIR DE CARTA DENÚNCIA E DE 
DEGRAVAÇÃO DE FITA MAGNÉTICA. GRAVAÇÃO AMBIENTAL. CONVERSAS NÃO PROTEGIDAS POR SIGILO LEGAL. 
AUSÊNCIA DE ILICITUDE. INDÍCIOS DE PARTICIPAÇÃO DE AGENTE DETENTOR DE PRERROGATIVA DE FORO. 
COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. QUESTÃO DE ORDEM RESOLVIDA, POR MAIORIA, 
PARA DETERMINAR O PROSSEGUIMENTO DAS INVESTIGAÇÕES NO STF . 1. É lícita a prova obtida mediante a 
gravação ambiental, por um dos interlocutores, de conversa não protegida por sigilo legal. Hipótese não acobertada pela 
garantia do sigilo das comunicações telefônicas (inciso XII do art. 5º da Constituição Federal). 2. Se qualquer dos 
interlocutores pode, em depoimento pessoal ou como testemunha, revelar o conteúdo de sua conversa, não há como 
reconhecer a ilicitude da prova decorrente da gravação ambiental. 3. A presença de indícios de participação de agente titular 
de prerrogativa de foro em crimes contra a Administração Pública confere ao STF o poder-dever de supervisionar o inquérito. 
4. Questão de ordem resolvida no sentido da fixação da competência do Supremo Tribunal Federal para supervisionar as 
investigações e da rejeição da proposta de trancamento do inquérito por alegada ilicitude da gravação ambiental que motivou 
a abertura desse procedimento investigatório. (Inq 2116 QO / RR - RORAIMA , QUESTÃO DE ORDEM NO INQUÉRITO 
Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO Relator(a) p/ Acórdão: Min. AYRES BRITTO Julgamento: 15/09/2011 Órgão 
Julgador: Tribunal Pleno) 
 
“São consideradas ilícitas as provas produzidas a partir da quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico, sem a 
devida fundamentação. Com esse entendimento, a Segunda Turma deferiu habeas corpus para reconhecer a ilicitude das 
provas obtidas nesta condição e, por conseguinte, determinar o seu desentranhamento dos autos de ação penal. Na espécie, 
os pacientes foram denunciados pela suposta prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional (Lei 7.492/1986, arts. 
11, 16 e 22, caput), lavagem de dinheiro (Lei 9.613/1998, art. 1º, VI e VII,e § 4º), e formação de quadrilha (CP, art. 288), por 
promoverem evasão de divisas do país, efetuarem operação de câmbio não autorizada, operarem instituição financeira 
clandestina e, ainda, movimentarem recursos e valores paralelamente à contabilidade exigida pela legislação. Ressaltou-se 
que a regra seria a inviolabilidade do sigilo das correspondências, das comunicações telegráficas, de dados e das 
comunicações telefônicas (CF, art. 5º, XII), o que visa, em última análise, a resguardar também direito constitucional à 
intimidade (art. 5º, X). E, somente se justificaria a sua mitigação quando razões de interesse público, devidamente 
fundamentadas por ordem judicial, demonstrassem a conveniência de sua violação para fins de promover a investigação 
criminal ou instrução processual penal. No caso, o magistrado de primeiro grau não apontara fatos concretos que 
justificassem a real necessidade da quebra desses sigilos, mas apenas se reportara aos argumentos deduzidos pelo 
Ministério Público. Asseverou-se, ademais, que a Constituição veda expressamente, no seu art. 5º, LVI, o uso da prova 
obtida ilicitamente nos processos judiciais, no intuito precípuo de tutelar os direitos fundamentais dos atingidos pela 
persecução penal.” (HC 96.056, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 28-6-2011, Segunda Turma, Informativo 633.); 
 
“Encontro fortuito de prova da prática de crime punido com detenção. (...) O Supremo Tribunal Federal, como 
intérprete maior da Constituição da República, considerou compatível com o art. 5º, XII e LVI, o uso de prova obtida 
fortuitamente através de interceptação telefônica licitamente conduzida, ainda que o crime descoberto, conexo ao que foi 
objeto da interceptação, seja punido com detenção.” (AI 626.214-AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 21-9-
2010, Segunda Turma, DJE de 8-10-2010.) No mesmo sentido: HC 83.515, Rel. Min. Nelson Jobim, julgamento em 16-9-
2004, Plenário, DJ de 4-3-2005. Vide: HC 102.304, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 25-5-2010, Primeira Turma, DJE 
de 25-5-2011. 
 
Teorias sobre o tema “provas ilícitas” 
 
1. Teoria dos frutos da árvore envenenada (fruits of the poisonous tree) 
O meio probatório que, não obstante produzido validamente em momento posterior, encontra-se afetado pelo 
vício da ilicitude originária, que a ele se transmite contaminando-o por efeito de repercussão causal. Essa teoria surge no 
direito norte-americano (precedentete: Silverthorne Lumber Co X U.S (1920); caso Nardone v. U.S. (1939) e foi adotada pelo 
artigo 157, § 1º, CPP. 
 
2. Teorias decorrentes 
67 
2.1. Teoria da fonte independente (independent source doctrine): se o órgão da persecução penaldemonstrar que 
obteve legitimamente novos elementos de informação a partir de uma fonte autônoma de prova, que não guarde qualquer 
relação de dependência, nem decorra da prova originariamente ilícita, com esta não mantendo vínculo causal, tais dados 
probatórios são admissíveis, pois não contaminados pelo vício da ilicitude originária. Essa teoria é aplicada pelo STF (HC 
83.921) e pelo STJ (RHC 90.376). 
 
2.1 Teoria da descoberta inevitável: aplicável caso se demonstre que a prova derivada da ilícita seria produzida 
de qualquer maneira, independentemente da prova ilícita originária. Para a aplicação O Ministro Celso de Mello, nos autos 
do HC 82788, reconhece que a prova obtida por violação a norma material ou processual configura prova ilícita. Dessa teoria 
não é possível se valer de dados meramente especulativos, sendo indispensável a existência de dados concretos 
confirmando que a descoberta seria inevitável. Sustenta-se que sua previsão legal está no art. 157, § 2º, CPP. Pois, embora 
ele mencione a Teoria da Fonte Independente, o conceito é da Teoria da Exceção da Descoberta Inevitável. 
 
2.3. Teoria do nexo causal atenuado: opera-se quando um ato posterior, totalmente independente, retira a ilicitude 
originária. O nexo causal entre a prova primária e a prova secundária é atenuado não em razão de circunstância da prova 
secundária possuir existência independente daquela, mas sim em virtude do espaço temporal decorrido entre uma e outra, 
bem com as circunstâncias intervenientes no conjunto probatório. 
 
2.4. Teoria do encontro fortuito de provas: aplica-se quando a autoridade policial, cumprindo uma diligência, 
casualmente encontra provas que não estão na linha de desdobramento normal da investigação. Se esse encontro for casual, 
a prova será lícita; se houver desvio de finalidade, a prova será ilícita (veja-se, no STF, o HC 83.515). 
 
A prova ilícita anexa aos autos do processo penal enseja o direito de exclusão, cuja operacionalização é feita 
mediante o seu desentranhamento. Em regra, a ilicitude deve ser apreciada pelo juiz antes da audiência de instrução e 
julgamento. Contra essa decisão interlocutória será cabível o recurso em sentido estrito (artigo 581, XIII, CPP), conforme 
sustenta Cleber Masson. Por outro lado, Nestor Távora e Rosmar Rodrigues Alencar, sustentam que, “como não foi previsto 
recurso específico para combater o desentranhamento, resta a utilização das ações autônomas de impugnação” (habeas 
corpus e mandado de segurança). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
68 
12.a. Execução penal: objeto e aplicação da Lei de Execução Penal. Direitos e deveres da 
pessoa presa. Órgãos da execução penal. Estabelecimentos penais. 
 
1. Execução Penal: fase do processo penal de cumprimento da pretensão executória, na qual “o Judiciário é o 
órgão encarregado de proferir comandos pertinentes à execução da pena, embora o efetivo cumprimento se dê em 
estabelecimentos administrados pelo Executivo, sob a sua responsabilidade” (NUCCI/2008, 401). Se aplica tanto aos presos 
definitivos quanto aos provisórios internados em estabelecimento sujeito à jurisdição ordinária. 
 
2. Direitos e deveres da pessoa presa: sobre o direito do preso ao sigilo de correspondência, a solução da 
questão passa por entender que não existem direitos fundamentais absolutos e que, por isso mesmo, os princípios 
são mandados de otimização. Em assim sendo, a questão posta deve ser resolvida pelo princípio da proporcionalidade. 
Com essa argumentação, o STF já decidiu pela validade da regra do artigo 41, parágrafo único da LEP, que permite que o 
diretor do presídio, por ato motivado, suspenda ou restrinja tal direito. OBS.: Ler Súmula 520, STJ. 
 
3. Órgãos da execução penal (atribuições e competências): a) Conselho Nacional de Política Criminal e 
Penitenciária: subordinado ao Ministério da Justiça, propõe diretrizes de política criminal e planos de ação, avalia o 
sistema criminal, estimula e promove pesquisas criminológicas, elabora plano nacional penitenciário de formação e 
avaliação de servidores e regras para construção de presídios, que inspeciona e fiscaliza, e critérios para elaboração 
de estatística criminal, informando-se quanto à execução penal no país, propondo medidas para seu aprimoramento; b) 
Juízo da execução: vide item de Direito Processual Penal 9c; c) Ministério Público: intervém como parte e fiscal da lei, 
obrigatoriamente, em toda a execução da pena, devendo ser ouvido e se pronunciar sobre todos os pedidos formulados, 
manifestar-se em todos os incidentes, postulando medidas – inclusive em favor do executado – e recorrendo de decisões, 
cumprindo as diversas incumbências previstas exemplificativamente no artigo 68 da LEP, cuja leitura é necessária, com 
destaque para a obrigação de visitar mensalmente os estabelecimentos penais, registrando a sua presença em livro 
próprio; d) Conselho Penitenciário: órgão consultivo e fiscalizador da execução penal, integrado por membros 
nomeados pelo Governador do Estado, dentre professores e profissionais da área criminal, com mandato de 04 anos, tem 
atribuição de emitir parecer sobre indulto e comutação (exceto indulto pelo estado de saúde), inspecionar 
estabelecimentos e serviços penais, apresentar no primeiro trimestre de cada ano, ao CNPCP, relatório dos trabalhos 
efetuados no exercício anterior e supervisionar os patronatos e a assistência aos egressos (obs.: não pode interpor 
agravo em execução, STJ, RHC 24238/ES); e) Departamento Penitenciário Nacional: subordinado ao MJ, órgão 
executivo da política penitenciária, apoia o CNPCP, tendo atribuições de acompanhar a fiel aplicação da LEP 
no país, inspecionar estabelecimentos e serviços penais, assistir e colaborar com as unidades federativas – 
inclusive na formação dos servidores e no ensino profissionalizante dos condenados e internados –, estabelecer 
cadastro nacional de vagas – em especial para presos em regime disciplinar –, administrar o Fundo Penitenciário 
Nacional, coordenando e supervisionando os estabelecimentos penais federais; f) Patronato: público ou particular, presta 
assistência a albergados e egressos, apoiando a reintegração social, dando alojamento e alimentação pelo prazo de 2 
meses (renovável por igual período), orientando condenados a PRD’s e fiscalizando as PSC’s, bem como o 
cumprimento de sursis e do livramento condicional; g) Conselho da Comunidade: cada comarca tem um, formado 
por representantes da comunidade, tendo atribuição de visitar mensalmente os estabelecimentos penais, apresentando 
relatórios ao juízo da execução e ao Conselho Penitenciário, diligenciando na obtenção de recursos materiais e 
humanos para assistência aos segregados; h) Defensoria Pública: reconhecida como órgão de execução pela Lei n. 
12.313/10, deve velar pela execução da pena e medida de segurança, oficiando no processo de execução e incidentes, 
defendendo os necessitados, de forma individual ou coletiva, com as diversas incumbências previstas 
exemplificativamente no artigo 81B da LEP, dentre as quais se destaca o dever de visitar periodicamente os 
estabelecimentos penais, registrando presença em livro próprio. Participação do Ministério Público no Conselho 
Penitenciário: depende da legislação estadual, pois não há previsão na LEP ou em lei federal quanto à sua composição, 
mas decorre dos arts. 129, IX, CF, e 25, VI, Lei 8.625/93 (LONMP) (STJ, RMS 18675/MT), sendo comum a participação 
de membros do MPU, a qual é necessária ante as suas atribuições, sobretudo quanto à fiscalização de estabelecimentos 
e serviços prisionais e à adoção de medidas protetivas dos direitos dos presos. 
 
4. Informativos do STF: 1. Presídios federais: O controle da transferência ou da permanência do preso nos 
presídios federais deve ser exercido tanto pelo juiz de origem como pelo juiz federal responsável pelo presídio federal. No 
entanto, depois de tersido deferido o requerimento pelo magistrado de execução estadual, não cabe ao juiz federal 
corregedor do presídio exercer juízo de valor sobre a gravidade das razões do solicitante, salvo se evidenciadas condições 
desfavoráveis ou inviáveis da unidade prisional (Info 738). 2. Não havendo Casa do Albergado, é permitido o cumprimento 
da pena em prisão domiciliar: Constatada pelo juízo da execução a inexistência, no Estado-membro, de estabelecimento 
prisional para cumprimento de pena em regime aberto, permite-se o início do cumprimento em prisão domiciliar, até ser 
disponibilizada vaga no regime adequado (Info 736). 3. A remição da pena deve ser efetuada pelos dias trabalhados pelo 
condenado e não pelas horas: A LEP estabelece que o cálculo da remição da pena será efetuado pelos dias trabalhados 
pelo condenado (art. 126, § 1º, II, da Lei nº 7.210/84), não podendo o Judiciário construir uma nova forma de cálculo com 
base nas horas trabalhadas (Info 731). 4. Transferência para presídio federal sem oitiva prévia da defesa: A transferência 
de preso para presídio federal de segurança máxima sem a sua prévia oitiva, desde que fundamentada em fatos 
caracterizadores de situação emergencial, não configura ofensa aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa, 
da individualização da pena e da dignidade da pessoa humana (Info 718). 5. Execução penal (progressão no caso de crimes 
hediondos): A exigência de cumprimento de um 1/6 da pena para a progressão de regime se aplica a crimes hediondos 
praticados antes da vigência da Lei 11.464/2007, que, ao alterar a redação do art. 2º da Lei 8.072/90, passou a exigir o 
cumprimento de 2/5 da pena, para condenado primário, e 3/5, para reincidente. Para os crimes anteriores à Lei nº 
11.464/2007, como o antigo § 1º era inconstitucional, o STF considera que é possível a progressão de regime cumprido 1/6 
69 
da pena (art. 112 da LEP). No mesmo sentido é o entendimento do STJ (Súmula 471-STJ). Para os crimes posteriores à 
Lei nº 11.464/2007, foi prevista a possibilidade de progressão de regime para crimes hediondos, conforme os requisitos 
previstos no § 2º do art. 2º (2/5 se primário e 3/5 se reincidente) (Info 706). 6. Regressão: O inciso I do art. 118 da LEP afirma 
que o apenado irá regredir de regime se praticar um fato definido como crime. Segundo a jurisprudência do STF e do STJ, 
não é necessário que o juiz das execuções penais aguarde que a pessoa seja condenada com trânsito em julgado para 
determinar a sua regressão (Info 705). 7. Segundo o § 4º do art. 33 do CP, para que o condenado por crime contra a 
Administração Pública tenha direito à progressão de regime e necessário que ele faça a reparação do dano que causou, ou 
à devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais. O STF decidiu que essa previsão do § 4º do art. 33 
do CP é CONSTITUCIONAL. Vale ressaltar, no entanto, que deve ser permitido que o condenado faça o parcelamento do 
valor da dívida (Info 772). 8. As penas impostas aos réus da AP 470 que não foram objeto de embargos infringentes deveriam 
ser executadas mediatamente. Segundo o STF, a parte que condenou o réu ao art. 317 do CP era um capítulo de sentença 
autônomo em relação à condenação do art. 288 do CP, por exemplo (STF, Info 728, 2013). 9. A remição de pena deverá ser 
efetuada pelos dias trabalhados pelo condenado, e não pelas horas (STF, Info 713, 2013). 10. Para os crimes anteriores à 
Lei n. 11.464/07 (que alterou a redação do art. 2º da Lei de Crimes Hediondos), o STF considera que é possível a progressão 
de regime cumprido 1/6 da pena. No mesmo sentido é o entendimento do STH (Súmula 471). 11. Não é necessário que o 
juiz das execuções penais aguarde a condenação com trânsito em julgado do apenado que comete fato definido como crime 
para determinar a regressão de regime, nos termos do inc. I, art. 118 da LEP (Info 705, 2013). 12. Em casos de extrema 
necessidade, o juiz federal poderá autorizar a imediata transferência do preso para presídio federal, hipótese de contraditório 
diferido (Info 718, 2013). 13. Não é possível a execução provisória da pena, sob pena de ofender o princípio da não-
culpabilidade (Info 754); 14. A exigência de que o condenado cumpra 1/6 da pena para ter direito ao trabalho externo não 
se aplica ao regime aberto e semiaberto (Info 752, 2014); 15. O apenado poderá progredir par o regime semiaberto, mesmo 
havendo uma ordem de extradição ainda não cumprida (Info 748, 2014). 16. Não é possível deferir indulto a réu condenado 
por tráfico de drogas, ainda que com a diminuição de pena do art. 33, § 4º, circunstância que não afasta a hediondez do 
crime (Info 745); 17. Preenchidos os requisitos previstos no Decreto presidencial que concede o indulto natalino, não pode 
o Judiciário exigir a realização de exame criminológico (Info 733); 18. É possível a prorrogação da permanência do preso 
em presídio federal, excepcionalmente, quer por fato novo, quer pela persistência das razões ensejadoras da transferência 
inicial (Info 738); 19) O não pagamento voluntário de multa imposta cumulativamente aplicada ao sentenciado, em regra, 
impede a progressão de regime. A exceção se dá na situação em que o condenado comprovar a absoluta incapacidade 
econômica para quitá-la, ainda que parceladamente (Info 780); 20) O § 4º, art. 33, do CP é constitucional (Info 772). 
 
5. Informativo do STJ: 1. Para que o juiz decrete a perda dos dias remidos na fração de 1/3 é necessária 
fundamentação concreta: Reconhecida falta grave no decorrer da execução penal, não pode ser determinada a perda dos 
dias remidos na fração máxima de 1/3 sem que haja fundamentação concreta para justificá-la (Info 539). 2. A prática de novo 
crime durante a vigência do livramento condicional não gera a perda dos dias remidos: A prática de crime no curso do 
livramento condicional não pode ser considerada como falta grave e não gera, por isso, a perda de 1/3 dos dias remidos (art. 
127 da LEP). O cometimento de novo delito durante a vigência do livramento condicional já traz graves consequências que 
são previstas no art. 88 do Código Penal. Esse dispositivo não menciona a perda dos dias remidos. Desse modo, não há a 
possibilidade de imposição de faltas disciplinares ao beneficiado com o livramento condicional (HC 271.907-SP, 2014). 3. 
Indulto natalino e interpretação objetiva de suas regras: A regra prevista no art. 1º, I, do Dec. 7.873/2012, que admite a 
concessão de indulto coletivo aos condenados a pena inferior a oito anos, não pode ser interpretada de forma a permitir que 
também obtenham o benefício aqueles que, embora condenados a pena total superior a esse limite, tenham menos de oito 
anos de pena remanescente a cumprir na data da publicação do referido diploma legal (Info 538). 4. A aplicação da causa 
de diminuição de pena do art. 33, § 4º da Lei 11.343/06 não afasta a hediondez do crime. Assim, o indivíduo deverá se 
submeter normalmente aos critérios de progressão da Lei de Crimes Hediondos (STJ, Info 519, 2013). 5. A aplicação de 
sanção disciplinar depende de prévio processo administrativo, em que seja assegurado o direito de defesa, a ser realizado 
por advogado constituído ou defensor público nomeado (Info 532, 2013). 6. A posse de chip de telefone celular pelo preso , 
dentro do estabelecimento prisional, configura falta grave, ainda que ele não esteja portando o aparelho (Info 517, 2013). 7. 
Não configura falta grave a posse, em estabelecimento prisional, por visitante, de um cabo USB e um microfone de ouvido 
(Info 519, 2013). 8. O rol de faltas graves da LEP é taxativo, de modo que a mudança de endereço sem autorização judicial 
durante o livramento não configura, por si só, falta grave (Info 532, 2013). 9. Se não existir casa do albergado na localidade, 
o condenado deverá cumprir a pena em prisão domiciliar (Info 520, 2013). 10. O inimputável submetido a medida de 
segurança não pode cumpri-la em estabelecimentoprisional comum (Info 522, 2013). 11. Magistrado não pode negar induto 
com base em pressuposto não previsto no decreto presidencial (Info 527). 12. Para a concessão do livramento, a análise da 
satisfatoriedade do comportamento do acusado não pode ser limitada a um período absoluto e curto de tempo (Info 535, 
2014). 13. O prazo prescricional de infrações disciplinares na execução penal é de 3 anos (Info 745). 14. A prática de falta 
grave impõe a perda de 1/3 dos dias remidos, ficando a discricionariedade do julgador adstrita à fração da perda (Info 559, 
2015). 15. O estudo em dias não-úteis pode ser considerado para fins de remição (Info 556). 
 
6. Informativos de teses/MPF: Tese 17 - Detém legitimidade o Poder Judiciário para determinar adoção de 
políticas públicas que garantam intangibilidade do mínimo existencial do direito fundamental ao respeito à integridade física 
e moral dos presos, na hipótese de comprovação de falta de condições mínimas de habitabilidade e salubridade em 
estabelecimento prisional, pois é necessária a observância do direito de defesa do preso em não ser encarcerado em 
condições lesivas quando caracterizada a omissão estatal, sendo cabível a intervenção do Poder Judiciário para garantia de 
direitos fundamentais explícitos na Constituição Federal. (RE 592.581); Tese 18 - Não é cabível a aplicação da cláusula da 
reserva do possível na hipótese de resultar em negativa de vigência de núcleo essencial de direito fundamental, pois o 
Estado deve garantir proteção do mínimo existencial do direito fundamental de respeito à integridade física e moral dos 
presos, núcleo essencial intangível a ser assegurado, independentemente de condições adversas, limites financeiros ou 
colisão com outros direitos fundamentais. (RE 592.581). 
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12.b. Sentenças e outros atos judiciais. 
 
1. Atos decisórios: são atos privativos do juiz, como regra, praticados após a fase instrutória, como 
provimento final, mas podendo ser realizados na fase pré-processual (como, por exemplo, com o reconhecimento 
da causa extintiva da punibilidade, art. 61, CPP) ou antes da fase instrutória (absolvição sumária). 
 
2. Sentença: por meio dela o juiz criminal julga definitivamente o mérito da pretensão penal, resolvendo-o em 
todas as etapas possíveis, a saber: a da imputação da existência do fato, a imputação da autoria do fato e, por fim, o juízo 
de adequação jurídico-penal da conduta (extinguem o processo com julgamento de mérito da pretensão punitiva). 
Segundo Nestor Távora, “esta noção corresponde à sentença em sentido estrito, mas há sentenças que não encerram 
o processo, a exemplo da ‘sentença’ de pronúncia, que poderia ser assimilada como uma ‘decisão interlocutória mista 
não terminativa’”. Espécies: a) condenatória (art. 387, CPP); b) absolutória (art. 386, CPP); c) absolutória imprópria 
(condena e impõe medida de segurança); e) absolutória sumária (art. 397,CPP). 
 
3. Correlação entre sentença e pedido: a providência final no processo penal condenatório é a condenação ou 
absolvição do réu nas sanções que ele se achar em curso, o pedido será sempre genérico, no sentido de que com ele se 
viabilizar a correta aplicação da lei penal. O juiz criminal estaria apenas vinculado à imputação dos fatos, atribuindo-
lhes, uma vez reconhecidos, a consequência jurídica que achar adequada, tanto do que respeita a classificação quanto 
à pena e à quantidade a ser imposta. Princípio da correlação: o réu não poderá ser condenado jamais por fato não 
descrito na denuncia ou queixa, ou por fato diverso daquele ali mencionado, sem que antes se proceda a correção da 
inicial (mutatio libelli), ou seja, está atrelado à causa petendi. 
Emendatio Libelli: é a correção da inicial (libelo) para fim de adequar o fato narrado e efetivamente provado ao 
tipo penal previsto em lei. Ainda que a pena seja mais grave (art. 383, CPP), não fere o princípio do contraditório, pois 
o réu não se defende da capitulação, mas da imputação da prática de conduta criminosa. Por isso, a conduta poderá 
ser adotada em qualquer grau de jurisdição. Contudo, em razão do princípio de proibição da reformatio in pejus, se houver 
apenas recurso da defesa, o tribunal poderá corrigir a capitulação, contudo, da emenda, não poderá resultar pena mais 
grave. Se da alteração resultar crime para o qual seja prevista a suspensão condicional do processo, o juiz deverá abrir 
vistas ao MP para a proposta; se houver modificação de competência do juízo, para o juízo competente deverão ser 
remetidos os autos. Questões polêmicas: 1) Quando juiz realizar a emendatio, ele deve ouvir a defesa? Segundo 
posicionamento majoritário, não há necessidade, porque o réu se defende dos fatos, e não da capitulação legal, os quais na 
emendatio permanecem inalterados. 2) Os Tribunais podem realizar emendatio? O Tribunal pode promover a devida 
correção, sem que isso acabe promovendo uma reformatio in pejus. 3) O juiz pode realizar a emendatio no recebimento 
da denúncia? Pode. Ainda que o art. 383 do CPP esteja inserido no capítulo da sentença, indicando que a modificação da 
capitulação legal do fato (emendatio) deveria ser efetuada nessa oportunidade, certo é que não há qualquer problema na 
situação de o juiz proceder a emendatio antes, ou seja, no recebimento da denúncia, desde que se trate de erro material. 
Mutatio Libelli: só pode ser realizada em primeiro grau, sob pena de supressão de instância. Em conseqüência 
de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação, haverá aditamento 
da denuncia pelo MP que dará nova definição jurídica ao fato (imputação de fato novo), ficando o juiz adstrito aos termos 
do aditamento, não sendo o instituto manejável nas ações penais privadas, salvo se subsidiária da pública (art. 384, CPP). 
Em caso de não aditamento, caberá ao juiz aplicar o art. 28, CPP, e, mantendo-se a imputação inicialmente feita pelo órgão 
revisor, poderá o juiz absolver o réu, pela ausência de imputação típica. Se o PGJ ou a 2ª CCR concordarem com o 
promotor ou procurador e devolver o feito para o magistrado, o que ele deverá fazer? Há duas orientações: 1ª – Tourinho: 
resta ao juiz, nesse caso, absolver o acusado, já que ele está convencido de que o fato imputado não ocorreu; 2ª – 
Jurisprudência que prevalece: o que juiz deverá fazer aqui é condenar nos moldes da denúncia, até porque ele recebeu a 
denúncia, então existe uma imputação válida. Caso contrário, se a solução fosse a absolvição, poderia redundar numa coisa 
julgada injusta. 
Fixação do valor mínimo para a reparação do dano causado pela infração: tem como requisitos que 1) o 
dano tenha sido objeto da discussão ao longo do processo; e que 2) os prejuízos materiais sejam efetivamente 
comprovados (haja liquidez e certeza quanto à sua natureza). Não recepção do art. 393, CPP (PACELLI, 2010, p. 629). 
Jurisprudência: 1) Para que seja fixado na sentença valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, com 
base no art. 387, IV, do CPP, é necessário pedido expresso do ofendido ou do Ministério Público e a concessão de 
oportunidade de exercício do contraditório pelo réu (STJ, Info 528, 2013); 2) A regra do art. 387, IV, do CPP, que dispõe 
sobre a fixação, na sentença condenatória, de valor mínimo para reparação civil dos danos causados ao ofendido, aplica-se 
somente aos delitos praticados depois da vigência da Lei 11.719/2008, que deu nova redação ao dispositivo. Isso porque se 
trata de norma híbrida - de direito material e processual - mais gravosa ao réu, de sorte que não pode retroagir. (REsp 
1.193.083-RS, 2013). OBS.: este também é o entendimento manifestado pelo STF no Info 772. 
 
4. Coisa julgada: é uma qualidade da decisão judicial da qual não caiba mais recurso. 1) Coisa julgada 
formal: decisões judiciais que, quando passada em julgado, impedem a rediscussão da matéria unicamente em relação 
aocontexto em cujo processo foi prolatada ex. decisão que rejeita denúncia por ausência de pressupostos processuais, 
decisão que determina o arquivamento do inquérito (em regra); 2) Coisa julgada material: decisão judicial que não 
pode ser reapreciada em qualquer processo, no processo penal apenas as sentenças absolutórias possuem essa 
qualidade, ex. decisão de arquivamento por atipicidade da conduta. 
A eficácia preclusiva da coisa julgada em matéria penal se manifesta das seguintes formas: 1) na sentença 
absolutória: neste caso, impede novas investidas acusatórias contra o réu absolvido (proíbe-se a revisão pro societate); 
2) na sentença condenatória: pode ser a qualquer tempo rescindida por meio da revisão criminal (art. 621 e seguintes, 
CPP); 
71 
Limites: 1) subjetivos: em face do princípio da intranscendência, entende-se que a pena não passará 
da pessoa do condenado (art. 5, XLV, CR/88); 2) objetivos: para Pacelli é a realidade histórica, afastando a possibilidade 
de discussão sobre o mesmo fato tal como efetivamente realizado, independente do acerto ou equivoco da imputação 
(2010, p. 634-365), contudo, o STF já decidiu que a alteração da imputação da conduta imputada ao agente não ofende a 
coisa julgada, mesmo que a realidade histórica seja a mesma, por considerarem que não há identidade de fato (tempo, 
lugar e conduta imputada ao agente). Vide: HC 82980). 
 
5. Jurisprudência: 1) As diligências invasivas de acesso a dados (bancários, telefônicos e de empresa de 
transporte aéreo), para serem deferidas, precisam ser motivadas com a menção à necessidade e proporcionalidade das 
diligências (STJ, Info 545); 2) Se na peça acusatória estiver narrada a circunstância que configura causa de aumento de 
pena, não é indispensável que o MP (ou o querelante) requeira a condenação com base no dispositivo legal no qual está 
prevista a causa de aumento (Info 759); 3) A delação de corréu e o depoimento de informante não poderiam servir coo 
elementos decisivos para a condenação,. Porque não seria exigido o compromisso legal de falar a verdade (STF, Info 743); 
4) Em regra, o momento processual oportuno para a emendatio libelli é a sentença. Contudo, é admissível juízo 
desclassificatório prévio, em caso de erro de direito, quando a qualificação jurídica do crime imputado repercute na definição 
da competência (STF, Info 725); 5) Extinta a condenação pela prescrição, extingue-se também a condenação pecuniária 
fixada como reparação dos danos causados à vítima, nos termos do art. 387, IV, CPP, pois dela decorrente, ficando 
ressalvada a utilização de ação cível, caso a vítima entenda que haja prejuízos a serem reparados (REsp 1260305/ES, 
2013). 6) Havendo duas sentenças transitadas em julgado envolvendo as mesmas partes, mesma causa de pedir e o mesmo 
pedido, a segunda deverá ser reconhecida como inexistente, por ter sido proferida numa demanda em que o autor era 
carente de ação (por falta de interesse jurídico) e por afrontar a coisa julgada. Não há necessidade de rescisória, podendo-
se obter declaração de inexistência perante o próprio juízo de origem, por meio de ação ou objeção, tendo o STJ admitido a 
arguição do vício por meio de exceção de pré-executividade (Info 557, 2015). 7) Quando na denúncia não houver 
circunstância sequer implícita que indique a prática do crime na modalidade culposa, não poderá o magistrado, na sentença, 
desclassificar a conduta dolosa do agente (descrita na denúncia) para a forma culposa do crime, sem a observância do art. 
384, caput, do CPP (STJ, Info 557, 2015). 8) A emendatio libelli poderá ser realizada antes da prolação da sentença quando: 
a) beneficiar o réu; b) permitir a correta fixação da competência ou do procedimento a ser adotado (STJ, 553, 2014). 
 
6. Informativo de teses/MPF: Tese 12 - Não é necessária autorização judicial para que a Administração Pública, 
para consecução de atribuição que lhe foi conferida constitucionalmente, obtenha informações imprescindíveis sobre 
contribuinte na hipótese de procedimento adotado em observância à Lei Complementar 105/2001, pois não se pode confundir 
transferência de dados bancários com quebra de sigilo bancário, uma vez que, na quebra de sigilo, há divulgação das 
informações, enquanto na transferência as informações ficam sob o cuidado das entidades receptoras que têm o dever legal 
de manter o sigilo de dados. (RE 601314). 
 
 
 
72 
12.c. Nulidades no Processo Penal. Princípios. 
 
1. Conceito e noções gerais: a nulidade não é a essência do ato irregular, mas a sua consequência (Pacelli, 
pág. 811). A nulidade processual, diferentemente da nulidade do direito privado (automática, congênita), não decorre 
necessariamente do texto legal, mas depende de uma decisão judicial que a reconheça, retirando a eficácia do ato praticado 
irregularmente. Desta forma, mesmo vícios gravíssimos podem não afetar a validade do ato, se não for reconhecida a 
nulidade e houver trânsito em julgado da sentença final (Grinover, pág. 21). Embora exista um rol de nulidades no art. 564 
do CPP, tal rol é exemplificativo (Nucci, p. 894). As nulidades consistem em sanções impostas pela lei aos atos processuais 
praticados com violação da forma prescrita em lei. Atos inexistentes: ligados aos pressupostos de existência do processo. 
O ato inexistente não produz efeito no processo nem é convalidável, ao contrário dos atos nulos; nulidades 
absolutas: há prejuízo da função judicante; nulidade relativa: há prejuízo para as partes. 
 
2. Princípios: 1) Princípio do prejuízo (art. 563, CPP): sem ofensa à finalidade da norma não há prejuízo e, por 
isso, o reconhecimento da nulidade nessa hipótese consagraria um formalismo exagerado e inútil. Somente a atipicidade 
relevante dá lugar à nulidade (pas de nullité sans grief), mesmo se tratando de nulidade absoluta. É o posicionamento 
adotado pelo STJ (HC 104.062, 5ª Turma, 2011) e pelo STF (HC 81.510, 1ª Turma, 2002). 2) Princípio do interesse (Art. 
565, CPP): Se a irregularidade resulta da preterição de formalidade instituída para a garantia de uma determinada parte, 
somente esta poderá invocar a nulidade, não sendo possível à outra fazê-lo por simples capricho. No entanto, a aplicação 
dessa regra sofre mitigação no processo penal, por possuir o MP, no bojo de ação pública, como objetivo sempre a obtenção 
de título executivo válido, razão pela qual não se pode negar seu interesse na obediência de todas as formalidades legais, 
inclusive as que asseguram a participação da defesa (Grinover, pág. 31). De acordo com a doutrina, esse princípio também 
não se aplica as nulidades absolutas. 3) Princípio da convalidação: em consonância com os princípios da 
instrumentalidade das formas e efetividade do processo, o ordenamento estabelece remédios pelos quais será possível 
aproveitar a atividade processual atípica. Elementos fundamentais para a convalidação: a) que o ato, mesmo que atípico, 
tenha atingido a sua finalidade; b) que não tenha havido prejuízo para as partes; c) que o contraditório tenha sido preservado. 
4) Princípio da extensão, sequencialidade, causalidade ou contaminação: a nulidade de um ato ocasiona a nulidade 
dos que lhe forem consequência ou decorrência (art. 573, §1º, CPP). 
 
3. Nulidade e incompetência absoluta: o direito processual penal brasileiro veda a "reformatio in pejus" direta 
ou indireta (efeito prodrômico da sentença), obstando, assim, que decisões posteriores, ainda que oriundas do Tribunal do 
Júri (STF, HC 89544, 2ª Turma, 2009), ou de juízos absolutamente incompetentes (STF HC 75907, 1ª Turma, 1997), 
imponham ao acusado quadro mais gravoso que o da primeira condenação, ressalvadas as hipóteses de cassação de 
absolvição sumária por recurso "ex officio" (STF HC 68922, 1ª Turma, 1991). 
 
4. Nulidades. Efeito devolutivo. A jurisprudência não admite o reconhecimento da nulidade absoluta ex 
officio em prejuízo da defesa(PACELLI, 2009, p. 698). 
 
5. Instrumentalidade das formas ou pas de nullité sans grief: não se declara a nulidade do ato que não 
“ostentar qualquer potencialidade probatória, nem tiver sido, à luz do caso concreto, objeto de mensuração na 
decisão final.” (PACELLI, 2009, 704) 
 
6. Jurisprudência: 1) O juiz deferiu mandado de busca e apreensão tendo como alvo o escritório de um banco, 
localizado no 28º andar de um prédio comercial. Quando os policiais chegaram para cumprir a diligência, perceberam que a 
sede do banco ficava no 3º andar. Diante disso, entraram em contato com o juiz substituto que autorizou, por meio de ofício 
sem maiores detalhes, a apreensão do HD na sede do banco. A 2ª Turma do STF declarou a ilegalidade da apreensão por 
ausência de mandado judicial específico. (Info 772, 2014); 2) Há nulidade do julgamento da apelação se o novo advogado 
constituído do réu não for intimado. Ocorre a nulidade mesmo sem ter havido revogação expressa do mandato outorgado 
ao primeiro advogado, se tiver ficado clara a intenção do réu de alterar seu causídico (revogação tácita). A jurisprudência do 
STF é firme no sentido de que a não intimação de advogado constituído configura cerceamento de defesa e, portanto, 
nulidade dos atos processuais. Para o STF, a constituição de novo mandatário para atuar em processo judicial, sem ressalva 
ou reserva de poderes, enseja a revogação tácita do mandato anteriormente concedido (Info 786, 2015); 3) Não há nulidade 
do julgamento colegiado de MS por ausência de sustentação oral no caso em que a defesa pede o adiamento da sessão 
apenas na véspera (STJ, Info 513); 4) São nulos os atos processuais praticados por advogado com a inscrição da OAB 
suspensa (STF, Info 705); 5) O comparecimento do réu preso supre a nulidade por ausência de citação (STF, Info 705); 6) 
O direito de entrevista consiste no direto do réu à entrevista reservada com seu defensor antes do interrogatório, e não antes 
da inquirição das testemunhas (STF, Info 711); 7) A nulidade decorrente da inversão da ordem prevista no art. 212 do CPP 
é relativa, necessitando, portanto, para a sua decretação de (I) protesto da parte prejudicada no momento oportuno e (II) da 
comprovação do efetivo prejuízo (STJ, HC 143.559/DF, 2013). 8) Não havendo peritos oficiais na comarca, é válida a 
realização do laudo pericial que reconheça a qualificadora do furto por duas pessoas idôneas e portadoras de curso superior, 
ainda que sejam policiais (STJ, Info 532). 9) A utilização de termos mais fortes contra o réu na sentença pelo magistrado 
não é o suficiente para torna-lo suspeito (STJ, Info 530); 10) Não se deve anular julgamento colegiado do qual participou 
julgador impedido se a exclusão de seu voto não alterar o resultado (STF, Info 727); 11) Magistrado que julgou PAD contra 
o réu não está impedido de decidir o processo criminal (STF, Info 748); 12) Magistrado que julgou ACP contra o réu também 
não está impedido de decidir o processo criminal (STJ, Info 510); 13) Em julgamento de apelação, a juntada do voto vencido 
em momento posterior à publicação do acórdão afronta o princípio da ampla defesa, pois subtrai do réu a possibilidade de 
verificar os fundamentos e a extensão da divergência para apresentar o recurso cabível (STF, Info 739); 14) Não configura 
nulidade a decisão do juiz que nega o pedido da Defensoria para que o réu preso seja transportado até a sede do órgão 
para lá ser entrevistado pessoalmente com o defensor (STJ, Info 551); 15) Não há nulidade se a falta de intimação do 
defensor dativo decorrer de pedido seu para ser intimado dos atos processuais pelo diário oficial (STJ, Info 560, 2015). 16) 
73 
O STJ decidiu que o Tribunal pode, a qualquer momento e de ofício, desconstituir acórdão de revisão criminal que, de 
maneira fraudulenta, tenha absolvido o réu, quando, na verdade, o posicionamento que prevaleceu na sessão de julgamento 
foi pelo indeferimento do pleito revisional (Info 555, 2015). 
 
Fonte: Dizer o Direito. 
 
9. Súmulas do STF: 155, 160, 351, 361, 366, 431, 523, 706, 707, 708 e 712. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
74 
13.a. Competência da JF. 
 
Enunciados da 2ªCCR sobre o tema. E. 55 O fato de a conduta ter ocorrido por meio da rede mundial de 
computadores não atrai, por si só, a atribuição do MPF para a persecução penal do crime tipificado no art. 20 da Lei nº 
7.716/89. E. 54 A atribuição de membro do MPF para persecução penal do crime de descaminho é definida pelo local onde 
as mercadorias foram apreendidas, pois ali consuma-se o crime. E. 51 A persecução penal de crime contra a honra, cometido 
entre particulares, ainda que praticado por meio da internet, não é de atribuição do MPF. E. 50 A persecução penal dos 
crimes de estelionato (CP, art. 171), em detrimento de particulares, ainda que praticados por meio da rede mundial de 
computadores, não é da atribuição do MPF. E. 48 Crime contra o sistema financeiro nacional. É de atribuição do MPF a 
persecução penal do crime de obtenção fraudulenta de financiamento em instituição financeira para aquisição de automóvel, 
tipificado no art 19 da Lei nº 7.492/86. E. 47 A persecução penal dos crimes sexuais contra vulnerável (capítulo II do título 
VI da parte especial do Código Penal), por si só, não é de atribuição do MPF, salvo se cometidos a bordo de navio ou 
aeronave, ou incidir em outra hipótese especifica de competência federal ou tiver conexão com crime federal. E. 45 A 
persecução penal do crime previsto no art 60 da Lei nº 9.605/98 é da atribuição do MPF apenas quando o ilícito ocorrer em 
área pertencente ou protegida pela União. E. 43 A persecução penal dos crimes contra a flora, previstos na Lei nº 9.605/98, 
é da atribuição do MPF apenas quando o ilícito ocorrer em área pertencente ou protegida pela União. E. 44 A persecução 
penal do crime previsto no art 29 da Lei nº 9.605/98 é da atribuição do MPF apenas quando o espécime da fauna silvestre 
estiver ameaçada de extinção ou quando oriundo de área pertencente ou protegida pela União. E. 41 Os crimes de redução 
a condição análoga à de escravo são de atribuição do MPF. E. 42 Não é atribuição do MPF a persecução penal de ato 
infracional cometido por menor inimputável, ainda que a infração tenha ocorrido em detrimento de bens, serviços ou interesse 
da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas. E. 38 A persecução penal da conduta ilícita de adquirir, 
distribuir e revender combustíveis em desacordo com as normas estabelecidas no art. 1º, da Lei nº 8.176/91, não é da 
atribuição do MPF, exceto quando houver interesse direto e específico da União, nos termos do art. 109, IV da Constituição 
Federal. (Precedentes do STF) E. 39 A persecução penal da conduta ilícita de transportar madeira sem a devida guia 
(“ATPF”), tipificada no parágrafo único, do art. 46, da Lei nº 9.605/98, não é da atribuição do MPF, exceto quando o produto 
transportado for oriundo de área pertencente ou protegida pela União. E. 37 Não é atribuição do MPF a persecução penal 
de contravenções penais, ainda que ocorra, com a infração, prejuízo a bem, serviços ou interesse direto e específico da 
União, suas entidades 27 autárquicas ou empresas públicas. E. 30 O processo e julgamento do crime de pesca proibida (art. 
34, caput e parágrafo único da Lei n.º 9.605/98) competem à JF quando o espécime for proveniente de rio federal, mar 
territorial, zona econômica exclusiva ou plataforma continental. E. 31 O crime ambiental tipificado no art. 50 da Lei n.º 
9.605/98, praticado em faixa de fronteira, é de atribuição do MPF por afetar interesse direto da União. E. 27 A persecução 
penal relativa aos crimes previstos nos §§ 3º e 4º do art. 297 do Código Penal é de atribuição do MPF, por ofenderem a 
Previdência Social. 
Posicionamentosda 2ª CCR (não enunciados): (a) Importação de semente de maconha pelos correios. A 
2ªCCR entende que a competência territorial é do local por onde a droga entrou no país, ou seja, em São Paulo. Não se 
aplica a Súmula 151/STJ, onde a competência seria do local da apreensão, como o do contrabando. (b) Artigo 273 do CP. 
PIC em que o MP apurou a lavagem de dinheiro e comercialização sem autorização de medicamentos. O fato do 
medicamento importado (ex.: remédio do Canadá) sem registro da Anvisa não é suficiente para definir a competência da JF. 
É necessário que haja a demonstração da internacionalidade. Critério da internacionalização: será da JF se o medicamento 
for apreendido no momento da importação. Se o medicamento chega ao seu destino no Brasil, sendo apreendido quando 
exposto no armazém, perde a internacionalidade do delito. Isso vale também para drogas. (c) Lide simulada na JT. Advogado 
do empregado faz um acordo lesivo a este com a empresa. Crime do artigo 203 do CP (frustação de direito assegurado por 
lei trabalhista). Esse crime é de competência da JE; porém, nesse caso, ainda que não verificada a dimensão coletiva, 
também é da JF (pois atinge a dignidade e funcionalidade de um órgão da União que é a JT). (d) Crime de extração de 
minerais (areia, argila, cascalho, diamante, ouro, brita, água mineral) são patrimônio da união, independentemente da 
titularidade do bem (usurpação de bem público – art. 2º da Lei 8176/90 - em concurso com crime ambiental do art. 55 da Lei 
9.605/98). O crime é federal, ainda que praticado em bem público estadual ou particular. Os minerais são bens da União 
(art. 20/CF). (e) Crime em zona de amortecimento de UC federal que pode causar influencia na imunidade (ex.: caça): 
competência JF. (f) fraude para obter de empréstimo (art. 171, CP) e financiamento (Lei 7492/92) perante CEF: competência 
da JF. Em caso de financiamento, a competência será da vara especializada da capital dos crimes financeiros. (g) Furto de 
bagagem no aeroporto: competência da JE. (h) Crime ambiental em terra indígena: competência da JF. (g) art. 184, p. 2º, 
CP só é crime federal se o delito for internacional ou em conexo com crime federal. (h) junta comercial é administrativamente 
vinculada ao Estado, sendo a falsidade ideológica cometida contra a entidade de competência da JE. (i) comercialização de 
produto veterinário sem registro no MAPA (Ministério da Agricultura): por si só, não é crime federal. (j) Quilombolas não são 
tratados como índios, mesmo aplicando a convenção OIT 169; arts 108 e 109 da CF não dá aos quilombolas o mesmo 
tratamento no âmbito criminal que é dada aos índios (parecer da 6ª CCR); exploração sexual de menor em área de 
quilombolas: competência da JE. Somente na esfera coletiva em área quilombola seria de competência da JF. Crimes 
ocorridos dentro de terra indígena, tendo caráter difuso ou particular, a competência é sempre da JF. (k) Crime do art. 56 da 
Lei 9605/98 (transporte de carga perigosa): JE. Brasil é parte da Convenção da Basileia. Internacionalidade do transporte: 
JF. (l) Fraude a execução é crime de AP privada; fraude a execução contra pessoa jurídica federal: APP incondicionada na 
JF. (m) Cartão clonado ou fraude no pagamento de cheque de correntista da CEF: JF. (n) Crime em terra indígena é crime 
federal mesmo que envolva interesse individual. 
Posição examinador no tema: crime do art. 297, p. 4º, CP (anotação falsa em CTPS) é crime federal; a súmula 
62 do STJ vai cair, inclusive, já admitindo se tratar de crime federal. 
Competência da JF. É sempre expressa e taxativa, ao passo que a competência da JE é residual. Por conta 
disso, em havendo conexão entre crime de competência da JF e da JE, prevalece a competência da JF (S. 122 do STJ). 
Embora não haja hierarquia entre as Justiças, já que ambas fazem parte da Justiça Comum, entende-se que a JF é especial 
em relação à JE. STF � Teoria do juízo aparente: A produção de provas determinada por juízo que se revele posteriormente 
incompetente não será anulada se, pelas circunstâncias fáticas existentes no momento desta produção, tal juízo 
75 
aparentemente era o competente para tanto. Assim, por exemplo, se, em um primeiro momento, o crime processado é o de 
tráfico local de drogas, a ordem proferida por juiz estadual que permite a interceptação das comunicações telefônicas não 
será anulada e esta prova não será tida como ilícita ainda que, com o passar do tempo, as circunstâncias táticas sejam 
alteradas, evidenciando, o caráter internacional deste crime (Inf. 701). As hipóteses de competência da JF de primeiro grau 
estão previstas nos incisos IV, V, V-A, VI, VII, IX, X, XI e § 3° do art. 109 da CF. Art. 109 - Aos juízes federais compete 
processar e julgar: 
IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da 
União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a 
competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral. (A) S.38/STJ: "Compete à JE Comum o processo por contravenção 
penal, ainda que praticada em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades". STJ: é da 
competência da JE o julgamento de contravenções penais, mesmo que conexas com delitos de competência da JF (Inf. 
511). (B) Infração penal for praticada em detrimento de bens, serviços ou interesse de sociedade de economia mista, a 
competência será da JE, nos termos da S. 42 do STJ. Por falta de previsão constitucional, outros entes estão também 
excluídos da competência da JF, a saber, concessionárias de serviço público, sindicatos e entidade particular de ensino 
superior. (C) As regras de competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral também devem prevalecer sobre a regra de 
competência tratada no dispositivo constitucional, afinal de contas ambas envolvem competências constitucionais especiais. 
(D) Embora o dispositivo constitucional em apreço não faça menção expressa, entende-se que os crimes praticados em 
detrimento de uma fundação pública federal são também processados e julgados pela JF, afinal de contas tais entidades 
seriam espécies do gênero autarquia. (E) De outro lado, o crime cometido contra Conselhos de fiscalização profissional, a 
exemplo da OAB, deve ser julgado pela JF, pois tais entes têm natureza de autarquia, consoante posicionamento do STF 
firmado no julgamento da ADI 1.717-DF, que decidiu pela inconstitucionalidade do art. 58 da Lei n° 9.649/98, o qual retirava 
essa natureza dos citados entes. (F) saliente-se que o simples fato de um réu ser servidor público federal (delegado da 
polícia federal, por exemplo) não atrai a competência da JF: para fins de definição desta competência, é preciso, além disso, 
que o crime viole bens, serviços ou interesses da União e de suas autarquias públicas ou empresas públicas, conforme 
entendimento do STJ (Inf. 430). (G) STJ: competência para julgamento do delito de uso de documento falso deve ser fixada 
com base na qualificação do órgão à qual foi apresentado o documento falsificado, que efetivamente sofre prejuízo em seus 
bens ou serviços, pouco importando, em princípio, a natureza do órgão responsável pela expedição do documento. (H) Os 
crimes políticos são aqueles definidos nos arts 8° a 29 da Lei de Segurança Nacional (Lei n° 7.170/83). A esse respeito, 
registre-se que o art. 30 do referido diploma, que estatuía que os crimes contra a segurança nacional seriam julgados pela 
Justiça Militar, não foi recepcionado pela CF. Ademais, contra a decisão proferida pelo juiz federal em processo envolvendo 
crime político caberá o recurso ordinário constitucional, que é dirigido diretamente ao STF, consoante o art. 102, inciso lI, 
alínea b, da CF. (I) STF: crimes ambientais relacionados com organismos geneticamente modificados, competência 
da JF como foro prevalecente (ADI 3035). A competência da JF só se justifica, nos crime contra

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