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TCC BALANÇO SOCIAL - PÓS CONTROLADORIA E FINANÇAS SENAC

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aceitamos a existência e o valor transcendente de uma ética social e empresarial, a cujos imperativos submetemos nossas motivações, interesses, atividades e racionalidade de nossas decisões; 2 – estamos convencidos de que a empresa, além de sua função econômica de produtora de bens e serviços, tem a função social que se realiza através da promoção dos que nela trabalham e na comunidade na qual deve integrar-se.
Somente em período muito posterior ao ocorrido na Europa e Estados Unidos, é que as empresas brasileiras passaram a discutir de forma mais incisiva sobre o Balanço Social, e de forma paulatina houve a conscientização sobre a responsabilidade social, porém na maioria dos casos envolvida pelas relações internacionais, que para se consolidarem exigiam o Balanço Social para que conseguisse adentrar no mercado mundial. Isto reforça que no Brasil esta atitude não surgiu pelos movimentos das bases, mas sim do interesse das empresas, que lhe dá uma conotação muito diferente a que se encontra em outros países.
Teixeira citado por Tinoco (2001, p.66) ressaltou que percebe-se uma alteração na motivação em produzir o Balanço Social de 1980, pautada na necessidade de desenvolver de forma mais positiva a consciência dos empresários, deixando somente o interesse da empresa, e realmente se importando com uma gestão integral incluindo a obrigatoriedade moral de assumir de forma ideal a sua responsabilidade social.
Porém somente em 1984 foi publicado o primeiro Balanço Social de empresa brasileira, a Nitrofértil. Somente oito anos depois é que o Banespa também publica um relatório detalhado, com a divulgação de suas ações sociais. Verifica-se que esta atitude começa a ser desencadeada por varias empresas a partir de 1993 (FREIRE, 1999, p. 27).
Resultante da ação proferida por Herbert de Souza – o Betinho juntamente com o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas - IBASE, é que em 1997, ocorre a popularização da divulgação do Balanço Social, a partir de campanha nacional fundamentada em inúmeras discussões entre associações e representantes de empresas. Um apoio importante foi dado pela Associação Brasileira das Empresas de Capital Aberto (ABRASCA), o Instituto de Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE) e a Comissão de Valores Mobiliários –(CVM) (NEGRA, TEIXEIRA E CARMO, 2002, p.72).
Negra, Teixeira e Carmo (2002, p.73) salientaram que em 18 de junho de 1997 é que foi declarado o lançamento oficial do Balanço Social, com os empresários assumindo o compromisso de apresentar o papel desempenhado por suas empresas no plano social.
Mesmo com estes movimentos sociais ainda é muito pequeno o número de empresas que publicam o Balanço Social no Brasil, alcançando cerca de 70 empresas, que é um valor extremamente reduzido quando comparada com as mil empresas de capital aberto, registradas no CVM.
3 ESTRUTURA DO BALANÇO SOCIAL 
O Balanço Social possui quatro vertentes, sendo elas: o Balanço Ambiental, o Balanço de Recursos Humanos, Demonstração do Valor Adicionado e Benefícios e Contribuições à Sociedade em geral (GELBCKE, IUDÍCIBUS e MARTINS, 2000, p.31).
A existência destas vertentes tem por intuito evidenciar a postura da empresa em cada área de atuação, demonstrando, com valores monetários, como está atuando em cada área da sociedade.
a) Balanço Ambiental
O alerta dado por Ernest e Young (1999, p.4) é que o novo milênio a utilização do Balanço Social será moralmente obrigatório, pois as empresas que não o adotarem poderão inviabilizar sua continuidade no mercado, o que impõem às empresas maior atenção para o fato de que as questões ambientais devem ser tratadas como parte de suas atividades.
Os níveis de alterações climáticas no planeta estão vinculados aos despejos de poluentes na atmosfera, desta maneira as empresas devem assumir uma postura clara em relação ao nível de poluição emitida pelos seus processos produtivos, passando a se preocupar em manter um nível adequado, que não seja prejudicial ao ambiente e à população que lhes cercam.
Esta ação ambiental se refere apenas uma das diversas facetas que são legadas ao Balanço Social, que refletirá a relação que a empresa mantém com os recursos naturais, principalmente o não renovava (GELBCKE, IUDÍCIBUS e MARTINS, 2000, p. 31).
Um dos elementos que são divulgados pelo Balanço Social se refere justamente sobre o nível de investimentos realizados pela empresa com preservação, proteção e recuperação dos recursos naturais, aliadas aos vinculados na aquisição de equipamentos e tecnologias direcionados à área ambiental e aos indicadores para medição dos poluentes produzidos em determinado período.
Conceitua-se que os custos ambientais se relacionam às práticas adotadas pelas empresas no seu processo produtivo relacionadas aos danos causados ao meio ambiente, tais como, o nível de poluentes expelidos no ar, água, além de avaliar o lixo produzido e o nível de barulho (poluição sonora) decorrente do seu processo industrial. 
Estes valores pertencem aos passivos ambientais, originados em taxas, contribuições, impostos, penalidades decorrentes ao não-cumprimento das legislações ambientais ou pela implantação de métodos que a tornem viável a continuidade de negócios relativos a aspectos ambientais.
Destaca-se a posição de Ribeiro e Lisboa (1999:84) ao salientarem: “custos ambientais são representados pelo somatório de todos os custos dos recursos utilizados pelas atividades desenvolvidas com o propósito de controle, preservação e recuperação ambiental”.
Foram identificados como custos diretos:
· Insumos adicionais para combater a produção de resíduos poluentes. 
· Mão de obra especializada. 
· Depreciação de máquinas e equipamentos utilizados na proteção e preservação ambiental.
Como custo indireto poderia citar:
· Aluguel da área ocupada por máquinas e pessoas destinadas ao trabalho de preservação e recuperação ambiental. 
· Salário de supervisores.
Como despesas operacionais:
· Taxas;
· Penalidades exigidas por legislação ambiental;
· Materiais de escritório;
· Salário do pessoal de escritório; e
· Depreciação de máquinas utilizadas no processo administrativo. 
Ainda salientando a posição defendida por Ribeiro e Lisboa (1999, p.07) vê-se: “o custo da atividade será o produto da multiplicação do custo de cada direcionador pela quantidade de vezes em que este se repete para a realização de uma atividade”. 
A aferição das atividades presentes no Balanço Social pode ser fragmentada por localização na empresa, o que permite gerar-se indicadores mais consistentes quando realizados por natureza, processo, centro de custo, período, linha de produto, produto e outros.
Atuando desta forma visualiza-se que o custeio por atividade oferece resultados mais precisos, do que os métodos por motivo. Os custos indiretos de fabricação são identificados através das atividades de origem, muito diferente dos dois outros métodos citados.
Isto levou Ribeiro e Lisboa (1999, p.14) a afirmarem que:
... o custeio por atividade “ABC” oferece informações mais confiáveis sobre os recursos realmente consumidos em cada fase do processo por produto e durante todo o ciclo de vida deste. Em decorrência, fica mais evidente a existência de desperdícios, sua origem e causa e as fases do processo operacional passíveis de melhorias.
Existe ainda uma necessidade de que os dados sejam precisos, para que ofereçam condições para redução de custos, controlando os desperdícios com matéria prima, ociosidade de mão de obra e má distribuição de recursos, além daqueles que se referem a investimentos para controle e preservação ambiental.
No modelo elaborado por IBASE a empresa irá descrever os investimentos realizados para conseguir-se o monitoramento da qualidade dos resíduos/efluentes, despoluição, gastos com a introdução de métodos não-poluentes, auditorias ambientais, programas de educação ambiental para os funcionários.
b) Recursos Humanos
Kroetz (2000, p. 85) salienta que a empresa é o seu pessoal; isto representando que a força de trabalho aliado aos recursos

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