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HISTÓRIA Prezado(a) Estudante, Com intuito de contribuir para suas aprendizagens durante este período de suspensão de aulas, estaremos postando fichas de atividades a respeito de conteúdos, que estavam previstos para o 1º Bimestre no componente curricular de HISTÓRIA. Mas, você não precisa se preocupar. As atividades são bem dialógicas, ou seja, passo a passo elas vão ajudar você a construir as competências necessárias para respondê-las. Esta semana, estamos propondo atividades de DIFERENTES FORMAS DE MEDIÇÃO DO TEMPO, EXPANSÃO MARÍTIMA, REVOLUÇÕES INGLESAS E A INCLUSÃO DOS NEGROS - PÓS-ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA. No retorno das aulas, você poderá usar este material como ponto de partida para tirar dúvidas e se aprofundar com seus professores. Você também pode usar seu livro didático, ou outras ferramentas, que possua para pesquisar mais sobre os temas das atividades e se aprofundar. Desejamos a você bons estudos!!! Atividade de História – 6º Ano de Ensino Fundamental Diferentes Formas de Medição do Tempo Objetivos: Apresentar como era efetuada a passagem do tempo pela sociedade; Discutir as diferentes formas de compreensão da noção de tempo e da sua periodização dos processos históricos. Vamos ver algumas curiosidades sobre o tema? Pesquisadora Muriel regulando o relógio atômico de feixe térmico do laboratório de Divisão de Metrologia em Tecnologia da Informação e Telecomunicações (Dimci/Dmtic). A ORIGEM DA CONTAGEM DO TEMPO Por Ricardo Normando Ferreira de Paula De onde surgiu a necessidade de controlar o tempo? Por que acompanhamos sempre o relógio para controlarmos as nossas atividades cotidianas? A Cronologia (o estudo do tempo) é uma das invenções fundamentais da espécie humana! É com base neste conjunto de conhecimentos que a civilização consegue, até os dias de hoje, controlar e organizar sua vida e suas atividades. Para compreendermos este costume tão cotidiano (às vezes nem nos damos conta de como a influência do relógio é importante em nossas vidas) é preciso recuar à aurora da humanidade. Para os caçadores do Período Paleolítico, a posição dos astros e suas periodicidades eram usadas para saber quando a Lua mudaria, em que períodos as diversas estações da natureza aconteciam e qual sua influência no comportamento e migração dos animais para que a caça e a pesca pudessem ser bem sucedidas. Como viviam em bandos, uma caçada mal sucedida poderia comprometer sua alimentação e, consequentemente, sua espécie. Já no Período Neolítico, arar a terra, semeá-la e o período de colheita precisavam de medidas de tempo precisas para que os períodos mais favoráveis fossem observados para que cada fase da agricultura fosse completada com sucesso garantindo, assim, o prosseguimento da espécie em um dado local. E estas medidas de tempo tinham por base fenômenos naturais repetitivos. Ora, antigamente, antecedendo à invenção da escrita, a humanidade não detinha conhecimentos acerca da construção de artefatos que os auxiliassem na medição do intervalo de tempo. Desta forma, recorrer aos fenômenos naturais que fossem periódicos tornava-se a ferramenta mais favorável naquele momento onde despontava a aurora da nossa civilização. Os fenômenos periódicos mais utilizados foram os movimentos dos corpos celestes e, a partir daí, estes fenômenos passaram a determinar as estações do ano, os meses e os anos. Exemplificando, há cerca de 20.000 anos, os caçadores faziam medição de tempo contando os dias entre as fases da Lua, por meio de marcações em gravetos e ossos. As descobertas arqueológicas indicam que em todas as civilizações antigas, desde os primeiros hominídeos, algumas pessoas estavam preocupadas com a medição do tempo, seja por motivos religiosos, agrícolas ou de estudo dos fenômenos celestes (uma forma antiga de astronomia). Os Sumérios (povo residente na mesopotâmia) chegaram a elaborar um calendário, que dividia o ano em 12 meses de 30 dias, sendo que os dias eram divididos em 12 períodos (que equivalem a duas horas), e dividiam cada um destes períodos em 30 partes (aproximadamente 4 minutos). Pelo período ocupado por essa civilização (entre 5.300 e 2.000 anos antes de Cristo), a precisão de seu calendário é fantástica! Além dos sumérios, os Egípcios também tinham um calendário que utilizava os ciclos das fases da Lua, mas que passou a utilizar o movimento da estrela Sirius, que passa próxima ao Sol a cada 365 dias, na mesma época em que a inundação anual do Nilo tem início. Isto foi muito importante para o crescimento da civilização Egípcia. Heródoto (historiador grego) afirmou que “O Egito é um presente do Nilo.”, já que a região seria apenas deserto se não houvesse este rio. Podemos então sintetizar, afirmando que os fenômenos celestes é que determinavam o período de fertilidade da terra e o comportamento dos animais, grande preocupação de todos os povos. Com o passar dos anos, muitos instrumentos para contar o tempo surgiram: relógios de areia, de sol, de água, ... Até chegar aos modernos relógios atômicos. Mas isto é outra história! Texto originalmente publicado em https://www.infoescola.com/historia/a-origem-da-contagem- do-tempo/ INSTRUMENTOS USADOS PARA A MEDIÇÃO DO TEMPO O tempo é uma convenção humana, pelo menos a forma de contá-lo com certeza foi inventada pelo homem. Durante a História, o homem criou variados instrumentos e formas de medir o tempo, utilizando-se desde a sombra que a posição da luz solar emitia em algum objeto na superfície terrestre para se localizar em qual fase do dia ele estava, até o relógio atômico que mede as trocas de energias no interior do átomo, sendo a mais precisa forma de medir o tempo já criada pela mente humana. Veja alguns instrumentos usados pelo homem através dos tempos para medir o próprio tempo. O relógio de sol é o mais antigo instrumento de medição do tempo e foi inventado há pelo menos 3.500 anos. Nele, as horas são indicadas pela sombra que o gnômon (objeto que pela direção ou comprimento de sua sombra indica a hora do dia numa superfície horizontal.) faz na superfície do relógio. Essa sombra se move conforme a Terra gira em torno do Sol, mostrando a passagem do tempo. O relógio de areia, também conhecido como ampulheta, é um instrumento constituído de dois recipientes em forma de cone que estão interligados por uma pequena passagem. Ele marca o tempo pela passagem da areia do recipiente de cima para baixo. O relógio de água, também conhecido como clepsidra, é formado por dois recipientes colocados em níveis diferentes, sendo uma na parte superior, contendo a água, e o outro na parte inferior, com a marcação das horas na parte interna. Por meio de uma abertura no recipiente de cima, o líquido escorre, gradualmente, para o de baixo, ou seja, utilizando-se da força https://www.infoescola.com/historia/a-origem-da-contagem-do-tempo/ https://www.infoescola.com/historia/a-origem-da-contagem-do-tempo/ da gravidade. Elas eram utilizadas principalmente durante a noite, quando não era possível se basear no horário pelo sol. A clepsidra mais antiga foi encontrada no Egito. Por volta de 1504, Peter Henlein, na cidade de Nuremberga, fabricou o primeiro relógio de bolso, denominado pela forma, tamanho e procedência, de Ovo de Nuremberg. O relógio de bolso era todo de ferro, com corda para quanta horas e precursor da "Mola Espiral", utilizando-se do pêlo de porco; constituía-se de um indicador e de um complexo mecanismo para badalar. Foi, sem dúvida, em muitos países, o acelerador para diversas invenções e melhorias, principalmente na Europa, desenvolvendo de maneira vertiginosa a indústria relojoeira. O relógio de Pêndulo foi criado no ano de 1656. Utiliza pesos para fornecer a energia necessária para mover os ponteiros. A partir do século XX, este instrumento foi superado em precisãopelo relógio de quartzo e depois pelo relógio atômico, mas continua a ter certo emprego pelo seu valor estético e artístico. A regularidade no movimento de um pêndulo foi estudada por Galileu Galilei no século XVI, mas a invenção do relógio de pêndulo é atribuída ao holandês Christiaan Huygens. O relógio de pulso foi inventado pela empresa Patek Philippe no fim do século XIX, embora costume-se atribuir, erroneamente, a Santos Dumont os louros da invenção desta modalidade de relógio. De fato, a Princesa Isabel, então exilada na França, deu-lhe uma medalha de São João Batista. Preocupado que o uso da medalha no pescoço pudesse machucá-lo, Santos Dumont colocou-a no pulso. Para controlar melhor os seus tempos de voo, teve a ideia de amarrar um relógio no pulso. Não se sabe ao certo, mas outro motivo seria que durante os voos, ele teria dificuldade de tirar o relógio do bolso. Santos Dumont encomendou então a seu amigo joalheiro, Louis Cartier, um relógio que ficasse preso ao pulso para que ele pudesse cronometrar melhor as suas experiências aéreas. Em março de 1904, Cartier apresentou o que é considerado erroneamente o primeiro relógio de pulso do mundo, batizado de Santos, com pulseira de couro. No entanto, os relógios de pulso já eram conhecidos e usados anteriormente. O que acontecia é que eram adereços essencialmente femininos e eram geralmente feitos sob encomenda. Na verdade, a Santos Dumont coube a popularização do relógio de pulso entre os homens. A Primeira Guerra Mundial foi o marco definitivo no uso do relógio de pulso, já que os soldados precisavam de uma forma prática de saber as horas. O relógio digital foi criado mais recentemente na década de 1970. Para funcionar, o relógio digital utiliza a energia elétrica, geralmente de uma bateria. O relógio digital é pequeno, preciso e relativamente barato, por isso tornou-se popular. Hoje está integrado a outros equipamentos eletrônicos, como aparelho de som, forno de microondas, telefone celular, etc. O Relógio Atômico foi criado em 1955. Seu funcionamento depende das propriedades do átomo. Desde 1967, a definição internacional do tempo baseia-se num relógio atômico, assim como os relógios, satélites e aparelhos de última geração. O Relógio Atômico é o mais preciso de todos que existem atualmente. Ele mede as diminutas trocas de energia do interior dos átomos do metal Césio. Por serem muito regulares, as trocas criam um padrão preciso para medir o tempo. O Relógio Atômico mede as vibrações naturais dos átomos de Césio. Eles vibram mais de 9 bilhões de vezes por segundo, com isso, o Relógio Atômico atrasará poucos segundos a cada 100.000 anos. Para reflexão... Povos de diferentes regiões no mundo, de diferentes culturas e diferentes períodos da História, sentiram a necessidade de fazer a medição do tempo, mesmo sem se conhecerem, na maioria dos casos. Isso tem contribuído para regular os ciclos de vida da humanidade. Pois, inicialmente se baseando na movimentação dos astros no espaço (um pouco do que Geografia nos ensinou), foram percebendo a mudança do clima, a alteração dos níveis das marés e dos rios, a presença ou ausência de chuvas, a mudança da temperatura, o aumento ou não da procriação dos animais e, por fim, o período de maior abundância de alimentos. Ou seja, esses povos, pela observação atenta e a capacidade de reflexão, foram percebendo ao passar dos dias e das noites, que a mudança de posição dos astros (Sol, Lua e Estrelas) possibilitava as mudanças dos fenômenos na Terra. Mas, essa é uma compreensão mais geral do tema. Diante dessa compreensão, qual o sentimento que a gente tem na hora de organizar o tempo e distribuí-lo entre todas as nossas atividades, responsabilidades e necessidades diárias? REFLITA E RESPONDA A compreensão sobre organização do tempo nos ajuda a planejar e executar melhor nossas atividades diárias? Por quê? Eu posso afirmar que a forma mais simples de compreender o tempo é criando uma linha mental resumindo em: passado, presente e futuro? E qual o significado desse saber para as nossas vidas e para a nossa aprendizagem diária? Assista aos vídeos O Tempo e a História- organização dos períodos históricos: https://www.youtube.com/watch?v=w42hNxmhffk Após ter assistido ao vídeo responda: Qual a forma de periodização do tempo na História? Leia ou escute o áudio para saber um pouco mais sobre as “Diferentes formas de medição do tempo na História”, no site abaixo: A Origem da Contagem do Tempo https://www.infoescola.com/historia/a-origem-da-contagem-do- tempo/ Para reflexão... A maneira de medição do tempo foi sempre da mesma forma ao longo da história? Você concorda que as diferentes formas de medição do tempo se deram por que as culturas são diferentes? O que mais você pode dizer sobre isso? Descreva alguns dos povos e as tecnologias que cada um deles utilizou para contar o tempo. Atividades E para concluirmos a atividade de hoje, que tal um desafio? Organize uma agenda que se encaixe em 24h e avalie após esse tempo, se conseguiu realizar toda a programação. Nesta agenda, você deve incluir as refeições, o lazer, o momento de dormir, o momento de estudo, o momento de conversa com os colegas e com os familiares. Referências PAULA, Ricardo Normando Ferreira de. A origem da contagem do tempo. Disponível em https://www.infoescola.com/historia/a-origem-da-contagem-do-tempo/. Acesso em 01 de abr. de 2020. ATIVIDADE 1 a) Explique como os egípcios contavam o tempo. b) O que é cronologia e porque ela é importante? ATIVIDADE 2 a) Explique como surgiu o relógio de pulso. b) Qual é o relógio mais preciso que existe e como ele funciona? c) Explique porque é importante contar o tempo. https://www.youtube.com/watch?v=w42hNxmhffk https://www.infoescola.com/historia/a-origem-da-contagem-do-tempo/ https://www.infoescola.com/historia/a-origem-da-contagem-do-tempo/ https://www.infoescola.com/historia/a-origem-da-contagem-do-tempo/ HISTÓRIA PRESENT E. Instrumentos usados para a medição do tempo. Disponível em: http://historiapensante.blogspot.com/2013/03/instrumentos-uados-para-medicao-do- tempo.html. Acesso em: 01 de abr. de 2020. Atividade de História – 7º Ano de Ensino Fundamental Expansão Marítima Objetivos: Mostrar como um dos maiores feitos da História provocou mudanças no Velho Continente; Compreender o conceito de Modernidade, associado ao processo de expansão marítimo- colonial e confronto de culturas, decorrentes. Vamos ver algumas curiosidades sobre o tema? EXPANSÃO MARÍTIMA Por Fernanda Paixão Pissurno Este termo se refere a um processo histórico de longa duração, ocorrido entre os séculos XV e XVII, que levou a uma expansão técnica-comercial na Europa. Tal expansão, por sua vez, conduziria a uma grande acumulação de capital neste continente, juntamente com o alargamento das fronteiras geopolíticas. Em seu conjunto, esta expansão marítima europeia é mais comumente chamada como as Grandes Navegações. As primeiras condições para o desenvolvimento deste processo podem ser datadas ainda do século XVIII, quando ocorreram as invasões islâmicas na Península Ibérica. Embora as tentativas por parte dos cristãos para expulsá-los tenham sido frequentes nos séculos seguintes, é inegável que os muçulmanos contribuíram imensamente para a cultura da região http://historiapensante.blogspot.com/2013/03/instrumentos-uados-para-medicao-do-tempo.html http://historiapensante.blogspot.com/2013/03/instrumentos-uados-para-medicao-do-tempo.html ao trazer consigo conhecimentos anteriormente desconhecidos na Península. Entre estes, estavam a bússola e o astrolábio. Estas inovações seriam muito úteis para os portugueses quando procuraram encontrar um novo caminho para ter acesso às riquezas do Oriente que não necessariamente passassepelas cidades italianas e, consequentemente, o alto preço que estas cobravam pelos produtos monopolizados – principalmente depois da queda de Constantinopla perante os turcos otomanos, em 1453. Neste sentido, podemos, sem dúvida, considerar Portugal o reino pioneiro nas Grandes Navegações. Sua posição geográfica privilegiada e centralização precoce tornaram possível que ainda no século XV a Casa de Avis pudesse lançar as primeiras expedições oficiais. Em 1415, ocorreu a tomada da cidade de Ceuta; em 1418, seria descoberto o arquipélago dos Açores; em 1434, seria cruzado o temido Cabo Bojador. Mais descobertas ocorreriam nas próximas décadas, seguidas pela exploração das riquezas de África e de seus habitantes autóctones, mas a ambicionada rota para as Índias ainda não fora alcançada. Então, em 1487, o navegador Bartolomeu Dias tornou-se o primeiro europeu a cruzar o chamado Cabo das Tormentas (posteriormente renomeado como Cabo da Boa Esperança), atingindo o Oceano Índico. Com essa grande conquista, a possibilidade de encontrar-se um caminho marítimo direto para as Índias tornou-se uma realidade cada vez mais próxima. Embora fosse delineado um projeto neste sentido, seriam os espanhóis que, em 1492, pensaram ter alcançado um caminho direto para as Índias numa missão comandada pelo genovês Cristóvão Colombo – muito embora mais tarde fosse provado que ele atingira um novo continente, as Américas. De qualquer forma, essa descoberta fez o reino português procurar um acordo com o vizinho ibérico a fim de renegociar as zonas de influência de cada um no Oceano Atlântico, acertado anteriormente em 1479 no Tratado de Alcáçovas. Em 1494, seria assinado o Tratado de Tordesilhas, que determinava que todas as terras localizadas a oeste de um meridiano a 370 léguas (cerca de 1.800 quilômetros) das ilhas de Cabo Verde seriam de possessão espanhola; todas a oeste seriam de possessão portuguesa. Em 1500, dois anos depois da chegada de Vasco da Gama às Índias, o fidalgo Pedro Álvares Cabral lideraria uma expedição que descobriria a chamada Terra de Vera Cruz – hoje Brasil. Espanha e Portugal continuariam suas explorações oceânicas até o final do século XVI, fundando a base de seus impérios coloniais. França, Inglaterra e Holanda tentariam fazer o mesmo. Enquanto os dois primeiros não obtiveram sucesso, refugiando-se na pirataria, o último atacaria com sucesso algumas colônias ibéricas no decorrer do século seguinte, abrindo caminho para o seu domínio dos mares durante o século XVII. Bibliografia: LIMA, Lizânias de Souza; PEDRO, Antonio. “A expansão europeia e a América antes da conquista”. In: História da civilização ocidental. São Paulo: FTD, 2005. pp. 178-179. EXPANSÃO MARÍTIMA EUROPEIA Por Juliana Bezerra A expansão marítima europeia foi o período compreendido entre os séculos XV e XVIII quando alguns povos europeus partiram para explorar o oceano que os rodeava. Estas viagens deram início ao processo da Revolução Comercial, ao encontro de culturas diferentes e da exploração do novo mundo, possibilitando a interligação dos continentes. Expansão Ultramarina As primeiras grandes navegações permitiram a superação das barreiras comerciais da Idade Média, o desenvolvimento da economia mercantil e o fortalecimento da burguesia. A necessidade do europeu lançar-se ao mar resultou de uma série de fatores sociais, políticos, econômicos e tecnológicos. A Europa saía da crise do século XIV e as monarquias nacionais eram levadas a novos desafios que resultariam na expansão para outros territórios. A Europa atravessava um momento de crise, pois comprava mais que vendia. No continente europeu, a oferta era de madeira, pedras, cobre, ferro, estanho, chumbo, lã, linho, frutas, trigo, peixe, carne. Os países do Oriente, por sua vez, dispunham de açúcar, ouro, cânfora, sândalo, porcelanas, pedras preciosas, cravo, canela, pimenta, noz-moscada, gengibre, unguentos, óleos aromáticos, drogas medicinais e perfumes. Cabia aos árabes o transporte dos produtos até a Europa em caravanas realizadas por rotas terrestres. O destino eram as cidades italianas de Gênova e Veneza que serviam como intermediárias para a venda das mercadorias ao restante do continente. Outra rota disponível era pelo Mar Mediterrâneo monopolizada por Veneza. Por isso, era necessário encontrar um caminho alternativo, mais rápido, seguro e, principalmente, econômico. Paralela à necessidade de uma nova passagem, era preciso solucionar a crise dos metais na Europa, onde as minas já davam sinais de esgotamento. Uma reorganização social e política também impulsionava à busca de mais rotas. Eram as alianças entre reis e burguesia que formaram as monarquias nacionais. O capital burguês financiaria a infraestrutura cara e necessária para o feito ao mar. Afinal, era preciso navios, armas, navegadores e mantimentos. Os burgueses pagavam e recebiam em troca a participação nos lucros das viagens. Este foi um modo de fortalecer os Estados nacionais e submeter à sociedade a um governo centralizado. No campo da tecnologia foi necessário o aperfeiçoamento da cartografia, da astronomia e da engenharia náutica. Os portugueses tomaram a dianteira deste processo através da chamada da Escola de Sagres. Ainda que não fosse uma instituição do modo que conhecemos hoje, serviu para reunir navegadores e estudiosos so patrocínio do Infante Dom Henrique (1394-1460). Portugal A expansão marítima portuguesa começou através das conquistas na costa da África e se expandiram para os arquipélagos próximos. Experientes pescadores, eles utilizaram pequenos barcos, o barinel, para explorar o entorno. Mais tarde, desenvolveriam e construiriam as caravelas e naus a fim de poderem ir mais longe com mais segurança A precisão náutica foi favorecida pela bússola e o astrolábio, vindos da China. A bússola já era utilizada pelos muçulmanos no século XII e tem como finalidade apontar para o norte (ou para o sul). Por sua vez, o astrolábio é utilizado para calcular as distâncias tomando como medida a posição dos corpos celestes. Com tecnologia desenvolvida e a necessidade econômica de explorar o Oceano, os portugueses ainda somaram a vontade de levar a fé católica para outros povos. As condições políticas eram bastante favoráveis. Portugal foi a primeira nação a criar um Estado-nacional associado aos interesses mercantis através da Revolução de Avis. Em paz, enquanto outras nações guerreavam, houve uma coordenação central para as estimular e organizar as incursões marítimas. Estas seriam essenciais para suprir a falta de mão de obra, de produtos agrícolas e metais preciosos. O primeiro sucesso português nos mares foi a Conquista de Ceuta, em 1415. Sob o pretexto de conquista religiosa contra os muçulmanos, os portugueses dominaram o porto que era o destino de várias expedições comerciais árabes. Assim, Portugal estabeleceu-se na África, mas não foi possível interceptar as caravanas carregadas de escravos, ouro, pimenta, marfim, que paravam em Ceuta. Os árabes procuraram outras rotas e os portugueses foram obrigados a procurar novos caminhos para obter as mercadorias que tanto aspiravam. Na tentativa de chegar à Índia, os navegadores portugueses foram contornando a África e se estabelecendo na costa deste continente. Criaram feitorias, fortes, portos e pontos para negociação com os nativos. A essas incursões deu-se o nome de périplo africano e tinham o objetivo de obter lucro através do comércio. Não havia o interesse em colonizar ou organizar a produção de algum produto nos locais explorados. Em 1431, os navegadores portugueses chegavam às ilhas dos Açores, e mais tarde, ocupariam a Madeira e Cabo Verde. O Cabo do Bojador foi atingido em 1434, numa expedição comandada por Gil Eanes. O comércio de escravos africanos já era uma realidadeem 1460, com retirada de pessoas do Senegal até Serra Leoa. Foi em 1488 que os portugueses chegaram ao Cabo da Boa Esperança sob o comando de Bartolomeu Dias (1450-1500). Esse feito constitui entre as importantes marcas das conquistas marítimas de Portugal, pois desta maneira se encontrou uma rota para o Oceano Índico em alternativa ao Mar Mediterrâneo. Entre 1498, o navegador Vasco da Gama (1469-1524) conseguiu chegar a Calicute, nas Índias, e aí estabelecer negociações com os chefes locais. Dentro deste contexto, a esquadra de Pedro Álvares Cabral (1467-1520), se afasta da costa da África a fim de confirmar se havia terras por ali. Desta maneira, chega nas terras onde seria o Brasil, em 1500. Espanha A Espanha unificou grande parte do seu território com a queda de Granada, em 1492, com a derrota do último reino árabe. A primeira incursão espanhola ao mar resultou na descoberta da América, pelo navegador italiano Cristóvão Colombo (1452-1516). Apoiado pelos reis Fernando de Aragão e Isabel de Castela, Colombo partiu em agosto de 1492 com as caravelas Nina e Pinta e com a nau Santa Maria rumo a oeste, chegando à América em outubro do mesmo ano. Dois anos depois, o Papa Alexandre VI aprovou o Tratado de Tordesilhas, que dividia as terras descobertas e por descobrir entre espanhóis e portugueses. França Através de uma crítica ao Tratado de Tordesilhas feita pelo rei Francisco I, os franceses se lançaram em busca de territórios ultramarinos. A França saía da Guerra dos Cem Anos (1337-1453), das lutas do rei Luís XI (1461-1483) contra os senhores feudais. A partir de 1520, os franceses passaram a fazer expedições, chegando ao Rio de Janeiro e Maranhão, de onde foram expulsos. Na América do Norte, chegaram à região hoje ocupada pelo Canadá e o estado da Louisiana, nos Estados Unidos. No Caribe, se estabeleceram no Haiti e na América do Sul, na Guiana. Inglaterra Os ingleses, que também estavam envolvidos na Guerra dos Cem Anos, Guerra das Duas Rosas (1455-1485) e conflitos com senhores feudais, também queriam buscar uma nova rota para as Índias passando pela América do Norte. Assim, ocuparam o que hoje seria os Estados Unidos e o Canadá. Igualmente, ocuparam ilhas no Caribe como a Jamaica e Bahamas. Na América do Sul, se estabeleceram na atual Guiana. Os métodos empregados pelo país eram bastante agressivos e incluía o estímulo à pirataria contra a Espanha, com a anuência rainha Elizabeth I (1558-1603). Os ingleses dominaram o tráfico de escravos para a América Espanhola e também ocuparam várias ilhas no Pacífico, colonizando as atuais Austrália e Nova Zelândia. Holanda A Holanda se lançou na conquista por novos territórios a fim de melhorar o próspero comércio que dominavam. Conseguiram ocupar vários territórios na América estabelecendo-se no atual Suriname e em ilhas no Caribe, como Curaçao. Na América do Norte, chegaram a fundar a cidade de Nova Amsterdã, mas foram expulsos pelos ingleses que a rebatizaram de Nova Iorque. Igualmente, tentaram arrebatar o nordeste do Brasil durante a União Ibérica, mas foram repelidos pelos espanhóis e portugueses. No Pacífico, ocuparam o arquipélago da Indonésia e ali permaneceriam por três séculos e meio. Referências BEZERRA, Juliana. EXPANSÃO MARÍTIMA EUROPEIA. Disponível em : https://www.todamateria.com.br/expansao-maritima-europeia/. Acesso em 01 de abr. de 2020. PISSURNO, Fernanda Paixão. Expansão Marítima. Disponível em: https://www.infoescola.com/historia/expansao-maritima/ . Acesso em 01 de abr. de 2020. Para reflexão... Assistindo à aula e lendo os textos acima, você poderá perceber e compreender que, a Expansão Marítima realizada pelos países europeus, a partir do século 15 (XV), só foi possível depois de grandes eventos, que aconteceram no próprio continente europeu. O Renascimento, que provocou mudanças na forma de compreender o mundo, a nova forma de fazer arte e o desenvolvimento tecnológico e científico. Com ele, o Humanismo, que mudou a forma de ver a humanidade e sua relação com a religião e com formas de se comportar perante o mundo e o https://www.todamateria.com.br/expansao-maritima-europeia/ https://www.infoescola.com/historia/expansao-maritima/ Mercantilismo, que tiraram a Europa do isolamento dos séculos de Idade Média, estabelecendo padrões de consumo estimulados pelo comércio de produtos manufaturados e especiarias, vindos da Ásia. Em especial da Índia e da China. O Mercantilismo se estabeleceu porque gerava grande concentração de riqueza, a partir da expansão do mercado de produtos. As tecnologias vão contribuir para o desenvolvimento de grandes embarcações e de equipamentos que auxiliam as viagens em longa distância. Isso fez com que as Nações europeias se desenvolvessem e buscassem expandir suas riquezas e territórios. Com essa busca de novos territórios, chegaram à América e, no contato com os povos nativos, causaram o extermínio de milhões de pessoas e implantaram o Sistema Colonial. O desenvolvimento tecnológico fez com que os europeus se expandissem pelo mundo e criassem a mundialização de certas coisas, hábitos crenças e costumes. Mas, até que ponto isso contribuiu o fortalecimento dos povos? O que aconteceu com todos os povos conquistados pelas nações europeias? Fique sabendo! Havia pelo menos três grandes civilizações organizadas na América, antes da chegada dos europeus: Inca, Maia e Asteca. Portugal e Espanha foram as primeiras nações europeias a se transformarem em Estados Nacionais, ainda no século 14, após a expulsão dos Muçulmanos da Península Ibérica. REFLITA E RESPONDA Existiam vários povos na América antes da chegada das nações europeias. Você lembra alguns deles? Quer saber mais sobre Expansão Marítima Europeia? Assista aos filmes... https://www.youtube.com/watch?v=C-D6-4Xt2bU https://www.youtube.com/watch?v=YI8EGs0r4rw https://www.youtube.com/watch?v=C-D6-4Xt2bU https://www.youtube.com/watch?v=YI8EGs0r4rw Leia para saber um pouco mais... A Modernidade se refere a um período da História europeia e ocidental, que se inicia no século 15 até o fim do século 18. A modernidade, se caracteriza pela mudança profunda pela qual passa a Europa, no pós-Idade Média ou Feudalismo. Enquanto no feudalismo houve grande redução do comércio, esvaziamento dos centros urbanos e das cidades, a divisão dos territórios e propriedades feudais (quando surgiram os castelos), fragmentação dos grandes reinos e muitas guerras, na Modernidade, surgiram os Estados-Nação, o comércio faz com que as cidades reapareçam, as classes sociais se diversifiquem, as tecnologias mudam o comportamento das pessoas, os dogmas religiosos sejam questionados, provocando divisão no pensamento e no poder religioso e possibilita o contato com localidades e povos distantes, por meio das grandes navegações ou Expansão Marítima, que fez com que os europeus interferissem nas culturas de outros povos em busca de riqueza. Com isso, algumas nações europeias colonizaram todo o continente americano: Portugal, Espanha, França, Holanda e Inglaterra. Refletindo sobre a leitura acima... Quais os fatores que você descreve como os mais marcantes para o surgimento da modernidade? Qual a importância do desenvolvimento tecnológico para as grandes navegações? O que aconteceu com os Nativos da América, após a chegada dos europeus? ATIVIDADE 1 a) Explique a que se refere o termo Expansão Marítima. b) Cite alguns dos motivos que levaram Portugal a ser pioneiro nas Expansões Marítimas? ATIVIDADE 2 a) Explique porque os navegadores europeus procuravam um novo caminho para chegar às Índias. b) Quais foram as superações alcançadas pelas primeiras Grandes Navegações? E para concluirmos a atividade de hoje, que tal um desafio? Você vai investigar e responder por que o continenteamericano está dividido entre América Anglo-saxônica e América Latina. Atividade de História – 8º Ano de Ensino Fundamental Revoluções Inglesas Objetivos: Conhecer as revoluções que ocorreram na Inglaterra no século XVII que passaram a limitar o poder do rei, abrindo caminho para a consolidação do poder da burguesia. Compreender os conceitos de Revolução e de Liberalismo, a partir das Revoluções Inglesas do Século 17 (XVII). Você sabia? A Revolução Inglesa foi considerada a primeira das grandes revoluções burguesas, isto é, as revoluções encabeçadas por lideranças da burguesia europeia, que havia se tornado expressivamente forte, do ponto de vista econômico, ao longo dos séculos XVI e XVII, e que precisava alcançar legitimidade política. A burguesia é a classe social dominante dentro do sistema capitalista. Significa, na prática, que é o grupo de pessoas que possuem os bens de produção ou o capital, ou seja, são as pessoas donas das empresas, dos maquinários e do dinheiro. Revolução Inglesa A Revolução Inglesa é um processo histórico ocorrido na Inglaterra, Escócia e Irlanda no século XVII. Trata-se um conjunto de guerras civis e mudanças de regime político que marcaram a ascensão da burguesia na Inglaterra. A Revolução Inglesa pode ser dividida em quatro fases principais: A Revolução Puritana e a Guerra Civil, de 1640 a 1649; A República de Oliver Cromwell, de 1649 a 1658; A Restauração da dinastia Stuart, com os reis Charles II e Jaime II, de 1660 a 1688; A Revolução Gloriosa, que encerrou o reinado de Jaime II e instituiu a Monarquia Parlamentarista. Revolução Puritana e Guerra Civil Durante o reinado de Charles I houve uma disputa acirrada entre o rei e o Parlamento. O monarca julgava que somente o rei deveria dirigir a nação, dispensando a ajuda das câmaras parlamentárias. Devido a esta briga, Charles I dissolveu o Parlamento três vezes em quatro anos de reinado. No entanto, ele tinha o desejo de unificar as igrejas da Escócia e da Inglaterra, impondo aos escoceses o Book of Common Prayer. A igreja da Escócia se rebela contra esta ordem e o rei decide entrar em guerra contra os opositores. Mas, para isso, precisava de dinheiro e este deveria ser autorizado pelo Parlamento. Seguiu-se, então, uma disputa sobre quem deveria ter autorização para aumentar impostos: o rei que tinha o direito divino de governar? Ou o Parlamento que representava alguns setores da nação? Após muitas ameaças, o rei e o Parlamento organizam exércitos que se enfrentam em uma guerra civil que culmina na derrota do rei Charles I. Condenado, sua morte abriu espaço para a primeira e única experiência republicana inglesa. Apesar de ter sido o primeiro rei inglês a ser condenado à morte por seus compatriotas, Charles I tentou modernizar o país. Construiu estradas, aterrou pântanos, criou um serviço postal e começou um serviço de busca de trabalho. Igualmente foi patrono das artes e da arquitetura e tentou fazer de Londres uma grande capital, trouxe pintores como Rubens para decorar seus palácios. República de Oliver Cromwell Oliver Cromwell governou a Inglaterra de 1853 a 1858 Após a execução do rei Charles I, Oliver Cromwell, antigo membro do Parlamento, assume o governo britânico e instaura a Commonwealth. Um dos primeiros atos de Cromwell beneficiou diretamente a burguesia que o apoiava. Em 1650, ele estipulou os Atos de Navegação, que determinava que os produtos ingleses deveriam ser transportados somente por navios de bandeira inglesa. Isto dispensava navios de outra nacionalidade e fomentava a indústria naval interna. No entanto, o próprio Cromwell sentia-se ameaçado pelo Parlamento e o fecha em 1653. Também manda prender e executar os chefes do Exército burguês que ele mesmo mandara formar. Ainda consegue colocar seu filho, Richard, frente ao governo. Sem o mesmo prestígio que o pai, a própria burguesia pede a volta da monarquia. Em 1660, Charles II volta ao trono e restaura a dinastia Stuart na Inglaterra. Restauração da Dinastia Stuart Os irmãos Charles e Jaime restauraram a família Stuart no trono inglês Com a restauração dos Stuart, os problemas religiosos e políticos não acabam. O rei Charles II era abertamente favorável a uma política de tolerância religiosa, mas o Parlamento dominado pelos protestantes era contra. Igualmente, o soberano assina leis que favorecem a Igreja Anglicana em detrimento de outras correntes do protestantismo e da Igreja Católica. A disputa entre o Parlamento e o Rei se aprofundou quando se descobriu que o irmão de Charles II, Jaime, era católico. Isto fez surgir duas vertentes políticas que até hoje existem na política britânica: Whigs: desejavam excluir Jaime da linha de sucessão ao trono; Tory: não queriam excluir Jaime da linha de sucessão ao trono. Naturalmente, o rei Charles II se alinhou aos Tories desencadeando uma perseguição aos Whigs. Como não teve filhos com sua esposa e Jaime o sucederia, as sobrinhas tiveram que ser criadas como protestantes. Revolução Gloriosa (1688) A Revolução Gloriosa encerra um período de revoluções na Inglaterra iniciado pela Revolução Puritana. Religião e política estavam intimamente ligadas nesta época. A crença do indivíduo determinava a sua posição política e por isso era tão importante definir qual seria a religião do reino e do soberano. Por isso, a burguesia só via com bons olhos o fortalecimento da religião protestante que defendia a limitação do poder do monarca através do Parlamento. Desta maneira, o católico Jaime II sempre foi visto com desconfiança. O Parlamento conspira para que o trono seja entregue a seu sobrinho Guilherme que havia se casado com sua filha, a princesa Maria II. Jaime II foge para França. Por sua vez, Guilherme e Maria são recebidos como reis na Inglaterra. Em seguida, é instituída a monarquia parlamentarista que limita consideravelmente o poder do soberano no governo. Vamos ver algumas curiosidades sobre o tema? Sabemos que a Inglaterra é uma nação que surgiu no decorrer da Idade Média, com os conflitos bárbaros, no fim do Império romano. Ela foi fruto da fusão de três povos: Saxões, Anglos e Bretões, influenciados pela religião cristã. No início da Idade Moderna, em finais do século 14 (XIV), surgiram os Estados-Nação. A Inglaterra foi um desses Estados. O Estado Nacional se caracteriza pela definição de uma identidade cultural, uma língua própria, um governo próprio e um território próprio. Na modernidade, essas nações tiveram reis absolutistas. Ou seja, reis que governavam só, sem deputados e sem juízes, para dividir o poder. Esses reis ou rainhas constituem as monarquias, que são governantes vitalícios, que recebem o título por herança ou indicação. Não são eleitos pelo povo. Nas monarquias, temos as dinastias, que são sucessivos reis ou rainhas da mesma família. No caso da Inglaterra do século 17, as dinastias, que governaram foram as dos Stuart e dos Tudor. Durante o governo dessas dinastias, aconteceram as Revoluções Inglesas. As revoluções foram influenciadas pela divisão na Igreja Católica, pela expansão marítimo-mercantilista, pelo fortalecimento da burguesia inglesa e pela disputa do poder pelas famílias. A burguesia era constituída pelos grandes comerciantes e banqueiros. A nobreza era constituída pelos tradicionais proprietários de terra e pelas famílias monárquicas. Os representantes da Igreja se encontravam dos dois lados. Lembrando que o Rei Henrique 8º (VIII) separou a Inglaterra da Igreja Católica, criando a Igreja Anglicana e ainda existiam os protestantes. Os escoceses, que faziam parte do reino inglês, eram presbiterianos. Uma das correntes da Reforma Protestante, do século 16 (XVI). Eles tinham participação no parlamento Inglês. Mesmo o parlamento tendo poucos poderes, em tempos deAbsolutismo. Para reflexão... Como se pode ver, a Inglaterra, antes de fazer as revoluções, passou por várias mudanças culturais. Não foi de um dia para a noite. Como podemos comparar com a atualidade? De que forma observamos se a nossa sociedade está passando por mudanças? Como identificamos as mudanças de uma sociedade? De que forma se dá nossa participação nessas mudanças? Fique sabendo! O Liberalismo foi uma corrente filosófica, que teve influência na política, na economia e no comportamento social. Hoje, nós temos o neoliberalismo, que é uma forma de adequar o pensamento liberal, aos dias atuais, do século 21. A revolução é o processo de transformação profunda, por que passa uma pessoa, um lugar uma sociedade ou a humanidade. Ela muda hábitos, costumes, crenças, formas de relacionamento entre pessoas, estruturas econômicas e estruturas de poder. Reformas são mudanças parciais. Quer saber mais sobre as revoluções inglesas? Assista aos filmes... A História da Inglaterra https://www.youtube.com/watch?v=xqXs8jcD28U Revoluções Inglesas https://www.youtube.com/watch?v=T9ISDaRR2KQ Revolução Inglesa https://www.youtube.com/watch?v=gW8IloLp798 https://www.youtube.com/watch?v=xqXs8jcD28U https://www.youtube.com/watch?v=T9ISDaRR2KQ https://www.youtube.com/watch?v=gW8IloLp798 Leia para saber um pouco mais... A Revolução Inglesa se deu entre 1640 a 1688. Durou 48 anos. Aconteceu na transição entre o poder das dinastias Tudor (de Henrique 8º- VIII) e Stuart (de Charles II) e na disputa entre o parlamento protestante e a monarquia anglicana. O parlamento protestante representava interesses da burguesia que fazia constantes enfrentamentos ao absolutismo da monarquia. Em meio a esse conflito, Oliver Cromwell instalou a República na Inglaterra. Essa república foi única na história inglesa e durou seis anos, de 1649-59, sendo derrubada porque Cromwell usou da mesma tirania que os monarcas. A última etapa da revolução, denominada Revolução Gloriosa, se deu com a volta da monarquia, só que não mais absolutista. Dessa forma, a Inglaterra se torna a primeira nação moderna a se tornar uma monarquia constitucional. Essa, influenciado por ideais liberais foi o verdadeiro caráter revolucionário Dessa Revolução. Pois, a partir daí, irá influenciar todas as demais monarquias na Europa, com o passar do tempo. Refletindo sobre a leitura acima... Quando podemos dizer que aconteceu uma revolução? Quais os interesses que estavam por traz dos conflitos que gerou a Revolução Inglesa? Quais os grupos que disputavam o poder? ATIVIDADE 01 a) Cite as principais fases da Revolução Inglesa. b) Explique porque o Rei Charles I e o Parlamento inglês não se entendiam. c) Explique porque o Ato de Navegação de Oliver Cromwell favoreceu a indústria naval da Inglaterra. ATIVIDADE 02 a) Explique como o rei Charles II tratava as questões religiosas em seu governo. b) Explique porque a última revolução dos ingleses no século XVI tem o nome de Revolução Gloriosa. c) Explique o que significou a instituição da Monarquia Parlamentarista na Inglaterra. Referências BEZERRA, Juliana. Revolução Inglesa. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/revolucoes-inglesas/. Acesso em 01 de abr. de 2020. Revolução Inglesa. Disponível em: https://www.historiadomundo.com.br/idade- moderna/revolucao-inglesa.htm. Acesso em: 01 de abr. de 2020. SUGESTÕES Filme: Morte ao Rei, 2003, de Mike Barker. TEXTO: Oliver Cromwell promulga os Atos de Navegação. Disponível em: https://ensinarhistoriajoelza.com.br/linha-do-tempo/oliver-cromwell-atos-de-navegacao/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues. E para concluirmos a atividade de hoje, que tal um desafio? Faça uma retrospectiva e observe em quais aspectos ela passou por uma revolução. https://www.todamateria.com.br/revolucoes-inglesas/ https://www.historiadomundo.com.br/idade-moderna/revolucao-inglesa.htm https://www.historiadomundo.com.br/idade-moderna/revolucao-inglesa.htm Atividade de História – 9º Ano de Ensino Fundamental A inclusão dos Negros – Pós-abolição da Escravatura: Como ficou a vida do povo negro após o fim da escravidão no Brasil? Objetivos: Compreender a formação da sociedade brasileira, a partir da inserção da população negra e sua cultura nesta organização social. Conhecer o modo de vida da população negra do Brasil após a libertação dos escravos. José do Patrocínio Vamos ver algumas curiosidades sobre o tema? A segunda metade do século 19 (XIX) no Brasil foi marcada pela chegada de Dom Pedro II ao Trono Imperial. Dom Pedro II era filho de Dom Pedro I, herdeiro do Trono Português, que deixou o Brasil para governar Portugal, em 1831, deixando o seu herdeiro sob a tutela de José Bonifácio de Andrada e Silva, pelo fato de a Constituição Imperial, definia que a maior idade para governar seria 21 anos. Numa tentativa de acelerar a chegada de Dom Pedro II ao poder, uma parcela da aristocracia local manipulou a regra para que ele assumisse o trono com 14 anos, em 1840. Esse período foi de grandes conflitos em todo o território imperial, várias províncias se rebelavam contra o poder central e muitas rebeliões populares também aconteceram, em decorrência da grande desigualdade social em que a população mais pobre vivia. Principalmente, os descendentes de africanos e de indígenas. A aristocracia vivia à custa do Estado e esbanjava nas ruas da Capital Imperial, Rio de Janeiro. Boa parte dos negros estava liberta, mas, viviam em extrema pobreza, nas ruas das grandes cidades brasileiras, como, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Salvador e Olinda. Mas, havia grande parte de negros escravizados, que sustentavam a economia do Brasil, que era baseada na agricultura e mão de obra escrava. Os negros se viravam como podiam. Eram vendedores ambulantes, sapateiros, músicos, alfaiates, e tantas outras ocupações informais. A sociedade brasileira da época já era multicultural. Porém, a população negra era constantemente maltratada e humilhada, não importando se era liberto ou escravo. O padrão cultural que se estabeleceu foi o europeu de Portugal. Os costumes e práticas africanas eram reprimidos constantemente. Após a Abolição da escravidão, no final do século 19, em 1888, trouxe a libertação formal de muitos africanos e descendentes, mas, não garantiu a estes, direito a terra, a indenização, a escola, a saúde e outros considerados básicos. Você sabia que ... O Brasil foi o último país do Ocidente a libertar seus escravo. Um dos fatores da pobreza da população negra do Brasil é reultado da forma como se fez a libertação dos escravos; libertados sem qualquer idenização ou suporte financeiro, sem terras e sem qualquer garantia que lhes proporcionasse uma vida dígna. Como ficou a vida dos ex-escravos após a Lei Áurea? A abolição da escravatura, que aconteceu no Brasil em 13 de maio de 1888, foi um dos acontecimentos mais importantes de nossa história. Esse foi um assunto que atravessou o debate político no Brasil durante todo o século XIX, e a abolição só aconteceu por meio de uma campanha popular aliada à resistência dos escravos. Com a abolição, os escravos conquistaram a sua liberdade e seus antigos donos não receberam nenhum tipo de indenização por isso. Uma pergunta muito importante que surge desse assunto é: como ficou a vida dos ex-escravos após a Lei Áurea? Assim, neste texto tentaremos trazer alguns esclarecimentos acerca das condições de vida dos libertos após o 13 de maio. Contexto Antes de tudo, é necessário entendermos um pouco do contexto pós-abolição. A luta pelo fim da escravidão no país foi algo que se estendeu durante todo o século XIX. Ao longo desse século, os escravos resistiram de diversas maneiras e em diversos locais do país. Seja por meio de fugas, seja pormeio de revoltas, os escravos demonstraram diversas vezes a sua insatisfação. A escravidão no Brasil era uma instituição que existia desde meados do século XVI, tendo sido introduzida pelos portugueses durante a colonização. Com a nossa Independência, essa instituição cresceu e tornou-se profundamente presente em nossa sociedade. A quantidade de escravos que entrou no Brasil via tráfico negreiro, a partir do século XIX, evidencia isso. Três dados importantes que reforçam a presença do tráfico de escravos no Brasil são: Na primeira metade do século XIX, cerca de 1,5 milhão de africanos desembarcaram no Brasil;|1| https://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-abolicao-escravatura.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiab/brasil-colonia.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiab/independencia-brasil.htm Entre 1831 e 1845, cerca de 470 mil africanos foram enviados para o Brasil pelo tráfico;|2| Entre 1841 e 1850, 83% dos africanos enviados para a América vieram para o Brasil.|3| O primeiro passo para a abolição da escravidão em nosso país deu-se com a proibição do tráfico por meio da Lei Eusébio de Queirós, em 1850. Essa lei foi aprovada como forma de evitar um conflito com a Inglaterra — país que pressionava o Brasil, havia décadas, pelo fim do tráfico negreiro. Caso tenha interesse em saber mais sobre o tráfico ultramarino de escravos, acesse este texto: Tráfico negreiro. A proibição do tráfico de escravos deu início a um lento processo que resultou na abolição da escravatura quase quatro décadas depois. O movimento abolicionista ganhou real força na sociedade brasileira a partir da década de 1870. A mobilização pelo fim da escravidão aconteceu em diferentes níveis e contou com a participação de intelectuais, classes populares e, principalmente, com o envolvimento dos próprios escravos. Os escravos organizavam-se e preparavam fugas individuais ou em massa e, para isso, reuniam-se em quilombos que cresciam ao redor das grandes cidades. Outras vezes organizavam revoltas contra os seus senhores. A resistência africana contou com o apoio de grupos da sociedade que a abrigavam quando estava em fuga, incentivavam-na a rebelar-se, davam apoio jurídico, defendiam a causa politicamente etc. O enfraquecimento da escravidão no Brasil, resultado do esforço do movimento abolicionista, é claramente identificado por meio da população de escravos que foi diminuindo consideravelmente ao longo do século XIX, conforme levantamento do historiador João José Reis|4|: 1864: 1.715.000 1874: 1.540.829 1884: 1.240.806 1887: 723.419 No final da década de 1880, a manutenção da escravidão era praticamente inviável, pois, ao mesmo tempo que afetava a imagem internacional do Brasil (o último país da América a ainda utilizar trabalhadores escravos), afetava a ordem interna do país, já que o Império não conseguia mais controlar a situação e as fugas eram frequentes. https://brasilescola.uol.com.br/historiab/trafico-negreiro.htm Assim, em 13 de maio de 1888 foi aprovada a Lei Áurea. Essa lei, primeiramente, foi aprovada no Senado e depois foi encaminhada para que a princesa regente, princesa Isabel, assinasse-a. A Lei Áurea garantiu a liberdade para os escravos de maneira imediata e os donos de escravos não receberam nenhum tipo de indenização. Com essa lei, os libertos agora estavam livres para buscarem uma vida melhor. A vida dos escravos pós-abolição não foi fácil, principalmente pelo fato de que o preconceito na sociedade era evidente e porque não houve medidas para integrá-los economicamente na sociedade. Vejamos abaixo como foi o contexto imediato da vida dos escravos após a abolição. O dia após a abolição No dia em que a Lei Áurea estava sendo aprovada, a expectativa popular nas ruas do Rio de Janeiro era gigantesca e as pessoas reuniram-se ao redor do Senado e do Paço Imperial. A aglomeração de pessoas contava com a realização de passeatas dos grupos abolicionistas, conforme pontuou o historiador Walter Fraga.|5| Após ser aprovada no Senado, a Lei Áurea foi encaminhada para a assinatura da princesa Isabel — que aconteceu no meio da tarde de 13 de maio de 1888. Assim que foi divulgada a notícia de que a abolição da escravidão havia sido decretada, a festa espalhou- se pela capital do Brasil. A comemoração do Rio de Janeiro foi tão grande que se estendeu por sete dias. A comemoração na capital mobilizou milhares de pessoas e esse cenário repetiu- se em outras grandes cidades do Brasil, como foram os casos de Salvador e Recife. Nas duas cidades, foram realizadas comemorações de ruas que contaram com passeatas de associações abolicionistas, foguetório, desfile de bandas e o envolvimento de milhares de pessoas que festejaram por dias. As festas em ambos os estados mesclaram-se com outras celebrações populares típicas desses locais. No caso de Salvador, a comemoração da abolição mesclou-se com celebrações do 2 de julho de 1823 (data em que a Bahia concretizou sua independência de Portugal no contexto das guerras de Independência), e no caso de Recife, as comemorações da abolição associaram-se com o 25 de março de 1884 (data que foi abolida a escravatura no Ceará).|6| https://brasilescola.uol.com.br/biografia/princesa-isabel.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiab/guerras-independencia.htm A festa nos três locais citados contou com a adesão dos libertos e foram tão efusivas como os registros contam porque, como explica o historiador Walter Fraga, simbolizaram a vitória popular e traziam uma forte expectativa por dias melhores para os escravos e para todo o país.|7| Essa preocupação e esse desejo por dias melhores são muito bem representados por um registro resgatado pela historiadora Wlamyra Albuquerque. Nesse registro, um grupo de libertos de Paty do Alferes, no Rio de Janeiro, redigiu uma carta para Rui Barbosa demonstrando a preocupação com o futuro de seus filhos: “Nossos filhos jazem imersos em profundas trevas. É preciso esclarecê-los e guiá-los por meio da instrução”.|8| O relato em questão é de 1889 e demonstra grande preocupação com o futuro dos filhos dos escravos nascidos após a Lei do Ventre Livre, de 1871, e com a falta de instrução dada a esses. Isso demonstra claramente que os ex-escravos preocupavam-se com o seu futuro e a falta de ações governamentais para promover melhores condições de vida aos libertos após 1888. Como ficou a vida dos ex-escravos após a Lei Áurea? A primeira grande reação dos libertos com a Lei Áurea foi, naturalmente, comemorar. À medida que a notícia espalhava-se, grandes comemorações eram realizadas e festas aconteceram tanto nas grandes cidades como nas zonas rurais do Brasil. Uma vez passada a euforia, a nova situação levou os libertos a procurarem melhores alternativas para viver e Walter Fraga, utilizando o cenário do Recôncavo Baiano, fala que uma das reações dos libertos foi mudarem-se de lugar.|9| Assim, muitos escravos acabaram abandonando as fazendas nas quais foram escravizados e mudaram-se para outras ou então foram para cidades. Essas migrações de ex- escravos aconteceram por múltiplos fatores. Os libertos mudavam-se para distanciarem-se dos locais em que foram escravizados, ou então iam para outros lugares procurar parentes e estabelecer-se juntos desses ou até mesmo procurar melhores salários, conforme descreve Walter Fraga. Essas migrações, na maioria dos casos, eram uma ação mais realizada pelos homens jovens, por terem melhores possibilidades de estabelecerem-se em uma terra para cultivá-la. As mulheres que possuíam filhos e os idosos tinham menos possibilidades de migrar à procura de melhores condições. A migração de ex-escravos gerou uma reação de grandes proprietários e das autoridades daquela época trazendo-lhes muita insatisfação, sobretudo porque os primeiros não aceitavammais as condições de trabalho degradantes que existiam antes de 1888 e porque estavam sempre em busca de melhores salários. Assim, os grandes proprietários, sobretudo do interior do país, começaram a pressionar as autoridades para que elas reprimissem essa movimentação. Com isso, os grupos de ex-escravos que migravam começaram a sofrer com a repressão e foram sendo taxados de vadiagem e vagabundagem. Essa medida focava, sobretudo, os libertos que eram mais insubordinados e que costumavam não aceitar as condições impostas pelos grandes proprietários. Muitas vezes também, os grandes fazendeiros e antigos donos de escravos impediam que os libertos fizessem suas mudanças. Muitos desses eram ameaçados fisicamente para que não se mudassem, e outra estratégia utilizada era a de tomar a tutoria dos filhos dos ex-escravos. Inúmeros grandes proprietários acionavam a justiça para ter a tutoria sobre os filhos dos libertos e com isso forçavam esses a permanecerem em sua propriedade. Houve, inclusive, casos de filhos de libertos que foram sequestrados. Existiram senhores de escravos que não aceitavam pagar salários para os ex- escravos, mas havia muita resistência por parte dos libertos quanto a isso. Após a Lei Áurea, os libertos passaram a questionar as condições que lhes eram oferecidas e essa atitude passou a ser vista como insolência. A repressão mencionada anteriormente foi uma resposta dos grandes fazendeiros a isso. Se os libertos não encontrassem condições que lhes agradassem, e se tivessem outras condições, a migração era sempre uma opção. Os pagamentos exigidos eram realizados diariamente ou semanalmente e a jornada deveria ter um limite. Aqueles que se mudavam para as cidades acabavam aprendendo diferentes ofícios, tais como o de marceneiro, charuteiro (produtor de charuto), servente, pedreiro etc. As mulheres, na maioria dos casos, assumiam posições relacionadas com o trato doméstico. Logo após a abolição da escravatura, uma das questões mais importantes, e que foi definidora para garantir a manutenção do liberto como um indivíduo marginal e subalterno na pirâmide social, foi a questão da terra. Não foi realizada reforma agrária e, assim, a grande maioria dos 700 mil libertos, a partir de 1888, não teve acesso à terra, sendo esses forçados a sujeitarem-se aos salários baixos oferecidos pelos grandes proprietários. A falta de acesso à educação por parte dos libertos, como mencionado em uma citação anterior, era uma preocupação para esses e foi uma questão fundamental para manter esse grupo marginalizado. Sem acesso ao estudo, esse grupo permaneceu sem oportunidades para melhorar sua vida. Após a abolição, muitos libertos acabaram optando por retornarem ao continente africano, dada as dificuldades encontradas aqui para eles. Todas as dificuldades, porém, não foram impeditivos para fazer com que os libertos relembrassem e comemorassem o 13 de maio como um marco da sociedade brasileira. |1| REIS, João José. Nos achamos em campo a tratar da liberdade: a resistência negra no Brasil oitocentista. In: MOTA, Carlos Guilherme (Org.). Viagem incompleta: a experiência brasileira. São Paulo: Senac, 1999. p. 245. |2| ARAÚJO, Carlos Eduardo Moreira. Fim do tráfico. In: SCHWARCZ, Lilia Moritz e GOMES, Flávio (Org.). Dicionário da escravidão e liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 232. |3| SCHWARCZ, Lilia Moritz e STARLING, Heloísa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 274. |4| REIS, João José. Nos achamos em campo a tratar da liberdade: a resistência negra no Brasil oitocentista. In: MOTA, Carlos Guilherme (Org.). Viagem incompleta: a experiência brasileira. São Paulo: Senac, 1999. p. 245. |5| FILHO, Walter Fraga. Pós-abolição: o dia seguinte. In: SCHWARCZ, Lilia Moritz e GOMES, Flávio (Org.). Dicionário da escravidão e liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 352. |6| Idem, p. 354. |7| Idem, p. 353. |8| ALBUQUERQUE, Wlamyra. Movimentos sociais abolicionistas. In: SCHWARCZ, Lilia Moritz e GOMES, Flávio (Org.). Dicionário da escravidão e liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 333. |9| FILHO, Walter Fraga. Migrações, itinerários e esperanças de mobilidade social no recôncavo baiano após a abolição. Cadernos — trabalho e política. Acesso em: 30 abr. 2019. Para reflexão... Um dos temas mais discutidos na sociedade brasileira nos dias atuais é a intolerância religiosa. De que forma esse tema se relaciona com a formação da sociedade brasileira do pós- abolição? De que forma o padrão cultural estabelecido no Brasil imperial, contribuiu na desigualdade social atual do país? Fique sabendo! As primeiras organizações sociais de negros no Brasil foram os quilombos. Porém, é no século 19, que surgem as sociedades urbanas, por meio de grêmios recreativos, sociedades católicas de negros, jornais populares e os templos religiosos de matriz africana. Eles criaram essas formas de organização, porque seus hábitos costumes e formas de viver, não eram aceitos no padrão construído pelos colonizadores. REFLITA E RESPONDA Todo esse processo de formação da história do Brasil deixou dívidas históricas aos negros. Identifique algumas delas. Assista aos vídeos para saber um pouco mais... História do Quilombo dos Palmares https://www.youtube.com/watch?v=zHFfLuUD8Dw Quinhentos Anos o Brasil – dos Grilhões ao quilombo – EP 4 https://www.youtube.com/watch?v=_94ZWfGlbv0 Vista a Minha Pele https://www.youtube.com/watch?v=LWBodKwuHCM Leia para saber um pouco mais... A luta pela abolição da escravidão no Brasil vem de muito longe. Desde a chegada dos primeiros negros como escravos, por volta de 1540. Porém, foi durante o século 19, que essa luta ganha mais defensores. Entre eles, empresários e filhos de fazendeiros intelectuais liberais. O movimento abolicionista foi reforçado pela Revolução Industrial. Pois, à medida que se acelerava a produção de mercadorias com as máquinas, os países industriais, necessitavam de mais mercado consumidor. O Brasil tinha uma população muito grande, na época, mas, formada em grande parte de negros escravizados ou livres sem renda e sem terra. A elite não se preocupava com tal situação. Pelo Contrário. Se pudessem, devolveriam os negros de volta à África. Ainda no século 19, o próprio governo tentou devolver de volta para a África, os negros. Como era um empreendimento muito https://www.youtube.com/watch?v=zHFfLuUD8Dw https://www.youtube.com/watch?v=_94ZWfGlbv0 https://www.youtube.com/watch?v=LWBodKwuHCM caro, o governo recuou. O documentário Atlântico Negro, fala um pouco sobre os “Agudá”, que são negros ex-escravos, deportados para o Benim, na África. Dessa forma, não se tinha como transformar o Brasil num grande mercado consumidor. Com isso, a Inglaterra começou a pressionar o Brasil pela abolição. Os novos empresários locais tinham certo interesse nisso. Então vários fatores foram se juntando às revoltas constantes dos negros nas senzalas e a compra constante de alforria, que era uma certidão de liberdade. Essas alforrias dependiam do valor daquele escravo que estava sendo comprado. E isso quem definia era o seu proprietário. Esse século é marcado, também, pela chegada de imigrantes para trabalhar nas indústrias que começavam a surgir e nos cafezais. Com isso, a elite local se prepara para substituir os negros no mercado de trabalho, com operários brancos, assalariados. Com a liberdade, veio também o abandono pelo poder público, criando uma grande massa de pobres e miseráveis, sujeitos a todas as formas de violência, já vivida com a anterior escravidão. Mesmo diante disso, a população negra brasileira foi capaz de contribuir de forma significativa, para a formação da rica cultura brasileira. Refletindo sobre a leitura acima... Quais foram as medidas governamentais para acolher a população negrabrasileira, após a abolição? Quais os reais interesses da elite, ao apoiar a libertação dos negros? De onde veio a maior pressão pela abolição da escravidão? ATIVIDADE 01 a) Explique porque muitos ex-escravos se mudaram após a abolição. b) Que meios os proprietários de terras utilizaram para que os ex-escravos lhes obedecessem. c) Explique porque a falta de acesso à educação foi fundamental para manter os ex- escravos no grupo dos marginalizados. ATIVIDADE 02 Observe ao seu redor e responda: a) Quantas pessoas negras tem carro do ano na sua rua (sem citar nomes)? b) Quantas pessoas negras você conhece que são donas de empresas na sua rua? c) Quantos políticos negros você conhece? d) A maioria das pessoas ricas que você conhece são negras ou brancas? Por que? Referências Brasil Escola. Como ficou a vida dos ex-escravos após a Lei Áurea? Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/como-ficou-vida-dos-ex-escravos-apos-lei- aurea.htm. Acesso em 01 de abr. de 2020. SUGESTÕES Vídeo: Panorama | 130 anos da Lei Áurea | 11/06/2018. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=UPvqpR5ir20 TEXTO: Brasil viveu um processo de amnésia nacional sobre a escravidão, diz historiadora. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-44034767 Como a Lei de Terras perpetuou a opressão dos negros. Disponível em: http://mercadopopular.org/politica/como-lei-de-terras-perpetuou-opressao-dos-negros/ E para concluirmos a atividade de hoje, que tal um desafio? Com essas leituras e filmes assistidos, tente identificar na atualidade as formas de organização social ou e cultural dos negros e negras e faça um catálogo. Depois, faça um comparativo entre as formas de organização, que existiam no século 19 e atualmente. https://brasilescola.uol.com.br/historiab/como-ficou-vida-dos-ex-escravos-apos-lei-aurea.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiab/como-ficou-vida-dos-ex-escravos-apos-lei-aurea.htm https://www.youtube.com/watch?v=UPvqpR5ir20 https://www.bbc.com/portuguese/brasil-44034767 http://mercadopopular.org/politica/como-lei-de-terras-perpetuou-opressao-dos-negros/