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AULA 02: Direitos Sociais. Nacionalidade. Direitos 
Políticos. Partidos Políticos. 
 
SUMÁRIO PÁGINA 
1 – Direitos Sociais 1-17 
2 - Nacionalidade 18-28 
3 – Direitos Políticos 29-52 
4 – Partidos Políticos 53-58 
5 - Lista de questões 59-67 
6 - Gabarito 68-70 
Direitos Sociais 
I. As Gerações dos Direitos e Garantias Fundamentais 
Iniciaremos nossos comentários com a classificação dos direitos e 
garantias fundamentais. Esses direitos, segundo a doutrina, se dividem em: 
 Direitos de primeira geração: relacionam-se com a liberdade, visando à 
proteção dos indivíduos perante o Estado. São as chamadas liberdades-
negativas, por limitarem o poder estatal. Fazem parte desses direitos a 
liberdade de expressão, a liberdade de consciência e o direito à propriedade 
privada, dentre outros. Também incluem os direitos políticos, que permitem ao 
indivíduo participar da vontade do Estado. 
 Direitos de segunda geração: relacionam-se com o ideal de igualdade. 
São os direitos sociais, culturais e econômicos bem como os direitos coletivos 
ou de coletividade. Em regra, exigem do Estado prestações sociais, como 
saúde, educação, trabalho, previdência social, entre outras. A liberdade, aqui, 
aparece de forma positiva, em que se exige do Estado uma ação perante os 
indivíduos. 
 Direitos de terceira geração: estão associados ao princípio da 
fraternidade. Incluem o direito ao desenvolvimento, à paz, ao meio 
ambiente, à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade e à 
comunicação. 
Parte da doutrina considera, ainda, a existência de direitos de quarta 
geração. Esses incluiriam: o direito à democracia, o direito à informação e o 
direito ao pluralismo. Desses direitos dependeria a concretização de uma 
“civitas máxima”, uma sociedade sem fronteiras e universal. 
Os direitos sociais, como vimos, pertencem à segunda geração. Por esse 
motivo, exigem do Estado prestações positivas. Veja como isso foi cobrado 
pelo Cespe: 
1 (Cespe/2012/TER-RJ) As normas que tratam de direitos sociais 
são de eficácia limitada, ou seja, de aplicabilidade mediata, já que, 
para que se efetivem de maneira adequada, se devem cumprir 
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exigências como prestações positivas por parte do Estado, gastos 
orçamentários e mediação do legislador. 
Comentários: 
 
De fato, as normas que tratam de direitos sociais são de eficácia limitada e 
aplicabilidade mediata. Questão correta. 
II. Conceito 
 Dando continuidade à nossa aula, que tal lermos juntos o art. 6º da 
Constituição? 
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a 
alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a 
previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a 
assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. 
 Esse artigo trata dos direitos sociais, que são prestações positivas 
(ações) realizadas pelo Estado para melhorar a qualidade de vida dos 
hipossuficientes, ou seja, dos mais necessitados. Segundo Alexandre de 
Moraes, esses direitos constituem normas de ordem pública, com a 
característica de imperativas, sendo invioláveis, portanto, pela vontade das 
partes da relação trabalhista. 
 A alimentação foi incluída no rol de direitos sociais pela Emenda 
Constitucional no 64/2010. O objetivo dessa inclusão foi o fortalecimento das 
políticas públicas de segurança alimentar, em consonância com vários tratados 
internacionais dos quais o Brasil é signatário. 
 Vejamos como isso foi cobrado em prova: 
2 (Cespe/2012/TRE-RJ) A alimentação tem, no ordenamento 
jurídico nacional, o estatuto de direito fundamental, o que obriga o 
Estado a garantir a segurança alimentar de toda a população. 
Comentários: 
De fato, trata-se de direito fundamental, conforme dispõe o art. 6º da 
Constituição Federal. Questão correta. 
III. O Papel do Judiciário na Proteção dos Direitos Sociais 
Os direitos sociais são indispensáveis para que a realização da dignidade 
da pessoa humana. Assim, o “mínimo existencial” referente a cada um desses 
direitos deve ser objeto de proteção judicial. 
Nesse sentido, entende o STF que “embora inquestionável que resida, 
primariamente, nos Poderes Legislativo e Executivo, a prerrogativa de formular 
e executar políticas públicas, revela-se possível, no entanto, ao Poder 
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Judiciário, ainda que em bases excepcionais, determinar, especialmente nas 
hipóteses de políticas públicas definidas pela própria Constituição, sejam estas 
implementadas, sempre que os órgãos estatais competentes, por 
descumprirem os encargos político-jurídicos que sobre eles incidem em caráter 
impositivo, vierem a comprometer, com a sua omissão, a eficácia e a 
integridade de direitos sociais e culturais impregnados de estatura 
constitucional. (...)A intervenção do Poder Judiciário, em tema de 
implementação de políticas governamentais previstas e determinadas no 
texto constitucional, notadamente na área da educação infantil, objetiva 
neutralizar os efeitos lesivos e perversos, que, provocados pela omissão 
estatal, nada mais traduzem senão inaceitável insulto a direitos básicos que a 
própria Constituição da República assegura à generalidade das pessoas.”1 
IV. Os Direitos Sociais e a Reserva do Possível 
A teoria da reserva do possível serve para determinar os limites em que 
o Estado deixa de ser obrigado a dar efetividade aos direitos sociais. Segundo 
ela, a efetivação dos direitos sociais encontra dois limites: a suficiência de 
recursos públicos e a previsão orçamentária da respectiva despesa. 
 Assim, trata-se de uma teoria que afasta a aptidão do Poder Judiciário de 
intervir na garantia da efetivação de direitos sociais. Para que esse limite à 
ação do Judiciário seja válido, entretanto, é necessária a comprovação da 
ausência de recursos orçamentários suficientes para a implementação da ação 
estatal. 
 É importante destacar que a reserva do possível tem sido 
paulatinamente abandonada pelo STF, em seus julgados. A Corte Suprema, 
quando da análise de situações em que o Estado descumpriu uma obrigação de 
efetivar uma prestação positiva, tem exigido, para fazer uso da reserva do 
possível, não só a confirmação da inexistência de recursos, mas também a 
denominada exaustão orçamentária. 
 E o que é exaustão orçamentária? É a situação em que inexistem 
recursos suficientes para que a Administração cumpra determinada decisão 
judicial. É a famosa “falta de verbas”. 
 
3 (Cespe/2010/DPU) Os direitos sociais são exemplos típicos de 
direitos de 2.ª geração. 
 
1 STF, ARE 639337 SP, DJe-177 DIVULG 14-09-2011 PUBLIC 15-09-2011 
EMENT VOL-02587-01 PP-00125 
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/823945/constituição-da-republica-federativa-do-brasil-1988
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/823945/constituição-da-republica-federativa-do-brasil-1988
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Comentários: 
 
 Os direitos sociais, como dissemos, são exemplos de direitos de segunda 
geração, relacionando-se com o ideal de igualdade. Questão correta. 
4 (Cespe/2010/DPU) Os direitos sociais são exemplos de 
liberdades