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CITOLOGIA CLÍNICA 
Érika Mayara Barros Pires 
INTRODUÇÃO
 Inflamação é a resposta dos tecidos às lesões
ocasionadas por vários agentes, tais como:
✓ Bactérias
✓ Vírus
✓ Fungos
✓ Parasitas 
✓ Trauma
✓ Reações químicas
✓ Calor
✓ Frio 
✓ Radiação.
INTRODUÇÃO
Os processos inflamatórios são agudos ou crônicos.
 Inflamação aguda: caracteriza-se pela formação de
novos capilares e migração de leucócitos
polimorfonucleares para dentro do local lesado. É
comum o achado de tecidos necróticos.
 Inflamação crônica: caracteriza-se pela presença de
linfócitos e macrófagos e proliferação de fibroblastos. Os
processos inflamatórios crônicos também ocasionam
modificações importantes nas estruturas epiteliais, tais
como hiperplasia, metaplasia e reparação.
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
MACRÓFAGO
INTRODUÇÃO
 Ocasionalmente é possível identificar nos esfregaços
cérvico-vaginais o(s) agente(s) causador(es) de uma
reação inflamatória.
 No trato genital feminino, esse agentes costumam ser
transmitidos durante a atividade sexual (doenças
sexualmente transmissíveis), ainda que sejam possíveis
as transmissões pelo sangue ou a partir de órgãos
adjacentes.
 A flora bacteriana vaginal normal também pode
ocasionar uma inflamação quando ocorrem mudanças
na acidez ou no nível de PH dessa região.
ALTERAÇÕES HISTOLÓGICAS DAS 
ESTRUTURAS EPITELIAIS 
 Hiperplasia de células basais do epitélio escamoso
✓ É facilmente observada em biópsias cervicais, porém
praticamente inexiste nos preparados citológicos.
✓ Nos cortes teciduais existe um aumento do número de
camada de células basais.
✓ Geralmente acima dessas células o que se observa é a
maturação convencional do epitélio.
ALTERAÇÕES HISTOLÓGICAS DAS 
ESTRUTURAS EPITELIAIS 
 Hiperplasia das células de reserva do epitélio
endocervical
✓ É a primeira etapa da metaplasia escamosa.
✓ Nos cortes histológicos é possível identificar várias
camadas de pequenas células de reserva.
ALTERAÇÕES HISTOLÓGICAS DAS 
ESTRUTURAS EPITELIAIS 
ALTERAÇÕES HISTOLÓGICAS DAS 
ESTRUTURAS EPITELIAIS 
✓ A metaplasia escamosa atípica/imatura pode ser
intensificada por um processo inflamatório.
✓ Histologicamente, é possível observar áreas contendo
células metaplásicas , com alterações moderadas, tais
como aumento discreto no tamanho do núcleo,
binucleação, hipercromasia leve e proeminência de
nucléolos.
ALTERAÇÕES HISTOLÓGICAS DAS 
ESTRUTURAS EPITELIAIS 
ALTERAÇÕES HISTOLÓGICAS DAS 
ESTRUTURAS EPITELIAIS 
 Reparação
✓ A destruição do epitélio cervical desencadeia uma
reação de reparação.
✓ As causas dessa lesão epitelial incluem biópsias,
cauterização, criocirurgia, histerectomia, radioterapia,
inflamações agudas e crônicas e até mesmo a pressão
exercida por um dispositivo contraceptico intra-uterino ou
um pólipo endocervical.
ALTERAÇÕES HISTOLÓGICAS DAS 
ESTRUTURAS EPITELIAIS 
 A lesão epitelial gera uma reação inflamatória no
estroma, que se caracteriza pela invasão do tecido por
leucócitos polimorfonucleares e, após isso, pela
proliferação de novos capilares e fibroblastos,
acompanhados por linfócitos e macrófagos.
 A reparação do epitélio escamoso tem início com a
proliferação das células basais na periferia da área
lesada, processo que progride até cobrir toda a
superfície comprometida.
ALTERAÇÕES HISTOLÓGICAS DAS 
ESTRUTURAS EPITELIAIS 
CITOLOGIA DAS LESÕES INFLAMATÓRIAS 
 Independente da causa, as reações inflamatórias estão
representadas nos esfregaços por um exsudato
inflamatório composto por leucócitos, macrófagos e
detritos que constituem uma evidência de necrose
celular (esfregaços sujos).
 Os linfócitos são mais comuns na inflamação crônica e
podem estar presentes em todas as suas formas de
diferenciação, desde os linfócitos, passando pelos
linflobastos até os imunoblastos.
 Os plasmócitos são comparativamente mais raros.
CITOLOGIA DAS LESÕES INFLAMATÓRIAS 
 É comum encontrar macrófagos, mono ou
multinucleados, contendo fragmentos fagocitados de
detritos celulares em seus citoplasmas.
 A presença de eritrócitos, tanto preservados com
fragmentados, também é comum pois os tecidos
sangram facilmente.
 O achado de macrófagos, com pigmento sanguíneo
(hemossiderina) em seu citoplasma, é um indicador de
hemorragia crônica progressa.
CITOLOGIA DAS LESÕES INFLAMATÓRIAS 
 Nos esfregaços inflamatórios, as células escamosas
podem apresentar núcleos discretamente aumentados
de tamanho e contornos irregulares ou cromatina
condensada, sugerindo o início de picnose.
 Quando a degeneração nuclear é acentuada, os núcleos
tornam-se homogêneos e fragmentados (cariorrexe e
apoptose).
 Em alguns quadros infecciosos, uma típica zona clara e
estreita circunda os núcleos celulares (halo perinuclear
pequeno)
CITOLOGIA DAS LESÕES INFLAMATÓRIAS 
CITOLOGIA DAS LESÕES INFLAMATÓRIAS 
 O citoplasma pode conter vacúolos de tamanho e
números variáveis, que apontam para lesão celular.
 Em alguns casos, os eventos inflamatórios destroem o
citoplasma, deixando apenas núcleos nus, os quais
assumem um padrão semelhante ao da citólise.
CITOLOGIA DAS LESÕES INFLAMATÓRIAS
 As células endocervicais colunares podem apresentar
evidências degenerativas representadas por tumefação
e vacuolização citoplasmáticas, além de infiltração de
leucócitos polimorfunucleares.
 Os núcleos costumam estar aumentados de tamanho.
 As células escamosas metaplásicas podem estar
presentes.
CITOLOGIA DAS LESÕES INFLAMATÓRIAS
Presença de pequenos vacúolos citoplasmáticos
Núcleos discretamente aumentados
CITOLOGIA DAS LESÕES INFLAMATÓRIAS
Reparação
✓ As alterações celulares refletem o rápido crescimento e a
acelerada síntese de proteínas, ambos necessários para
a reparação.
✓ As células escamosas metaplásicas podem formar
grandes lâminas achatadas .
✓ Os núcleos são grandes e de tamanho variáveis.
✓ Eles apresentam cromatina de padrão granulado e
nucléolos geralmente grandes e as vezes múltiplos
CITOLOGIA DAS LESÕES INFLAMATÓRIAS
 O citoplasma é basofílico, por vezes vacuolizado e pode
estar colonizado por leucócitos polimorfonucleares.
 As células endocervicais geralmente apresentam um
volume maior, com núcleos grandes, às vezes de
contornos irregulares, além de citoplasma abundante,
por vezes vacuolizado.
 Os macrófagos que acompanham o processo de
inflamação podem ser numerosos.
INFECÇÕES BACTERIANAS 
INTRODUÇÃO
✓ A vagina e o colo útero estão inseridos em um
ecossistema complexo, contendo numerosas espécies
aeróbias e anaeróbias.
✓ Essas bactérias podem ocasionar inflamação cervico-
vaginal, muitas vezes acompanhadas por uma secreção
de odor desagradável.
✓ Tais infecções acometem mulheres de todos os grupos
etários.
INFECÇÕES BACTERIANAS 
✓ Nos quadros de vaginose bacteriana com flora mista, os
esfregaços costumam evidenciar inúmeras colônias
bacterianas.
✓ Existe uma relação inflamatória de intensidade variável,
geralmente com evidências de necrose celular e
hemorragia microscópica.
✓ Tais esfregaços costumam apresentar aspecto “sujo”.
INFECÇÕES BACTERIANAS 
✓ Nos esfregaços cervico-vaginais corados pela técnica
de Papanicolaou é possível identificar a flora cérvico-
vaginal. No entanto, na maioria das vezes, é preferível
realizar a cultura bacteriana para distinguir os
microrganismos envolvidos.
INFECÇÕES BACTERIANAS
 Cocos gram-positivos 
✓ Várias espécies de cocos, arranjados na forma de
cadeias ou agrupamentos, podem ser observadas nos
esfregaços cérvico-vaginais.
✓ As mais comuns são os estafilococos e os
estreptococos, os quais coram de azul no método
Papanicolaou.
INFECÇÕES BACTERIANAS
✓ O Staphylococcus aureus já foi correlacionado ao
desenvolvimento de choque séptico em usuárias de
absorventes intravaginais (Shands, 1980)
✓ Geralmente os cocos se acompanham de um exsudato
inflamatório.
✓ A identificação precisa das espécies de cocos exige uma
cultura bacteriana.
INFECÇÕES BACTERIANASINFECÇÕES BACTERIANAS
Cocos gram negativos
A gonorréia, uma doença sexulamente transmissível
bastante comum, é produzida por um diplococo gram-
negativo (Neisseria gonorrhoeae).
INFECÇÕES BACTERIANAS
Nos recém-nascidos infectados por suas mães, pode
surgir uma conjutivite purulenta que evolui, em algumas
ocasiões, para cegueira.
Infecções Bacterianas
 Nas mulheres, a fase aguda da infecção costuma
ocasionar uma secreção vaginal purulenta, ainda que
possa ser assintomática.
 Podem ser identificados no interior ou na superfície das
células escamosas metaplásicas.
 Habitualmente os diplococos se acompanham de um
exsudato inflamatório de natureza inespecífica.
 A identidade desse microrganismo deve ser estabelecida
por meio de culturas.
INFECÇÕES BACTERIANAS
Chlamydia trachomatis
✓ É um parasita intracelular obrigatório.
✓ Esta bactéria é responsável por muitos processos infecciosos.
✓ No trato genital feminino, esse agente de transmissão sexual
ocasiona vaginite, cervicite, uretrite e salpingite, que pode
levar a esterilidade.
✓ A infecção pode ser assintomática ou então produzir sintomas
inespecíficos.
INFECÇÕES BACTERIANAS
✓ No colo uterino, a junção escamocolunar e epitélio
endocervical são os locais mais comprometidos
(Brunham et al.,1984).
✓ A bactéria pode produzir alterações citoplasmáticas nas
células endocervicais e metaplásicas (Naib, 1970; Carr
et al., 1979; Gupta et al., 1979).
✓ Nos esfregaços, a primeira mudança observada nos
esfregaços é o aparecimento de numerosos e diminutos
corpos cocóides, circundados por zonas claras e
estreitas.
INFECÇÕES BACTERIANAS
✓ Nos estágios finais da infecção, os corpúsculos cocóides
se fundem formando densas inclusões localizadas no
interior dos vacúolos maiores.
✓ Giemsa é superior à de Papanicolaou para a
visibilização das inclusões.
✓ As células infectadas podem apresentar um maior
volume e também um aumento do tamanho nuclear, bem
como multinucleação, hipercromasia e grandes
nucléolos.
✓ Os esfregaços geralmente demonstram um exuberante
exsudato inflamatório.
INFECÇÕES BACTERIANAS
INFECÇÕES BACTERIANAS
 Este agente infeccioso nem sempre produz anomalias
citológicas e os vacúolos citoplasmáticos podem ser de
natureza inespecífica. Por exemplo, vacúolos e inclusões
citoplasmáticas podem ser encontrados em esfregaços
de mulheres submetidas à radioterapia.
 A sensibilidade e a especificidade do diagnóstico
citológico não são particularmente elevadas.
 Um diagnóstico definitivo exije cultura microbiológica,
imunofluorescência com antígeno ou ensaio ELISA.
Infecções Bacterianas
Actinomyces
✓ É uma bactéria filamentosa gram-negativa de difícil
classificação.
✓ Nos esfregaços cérvico-vaginais ela aparece na forma
de “bolas”, com centro denso, circundadas por
filamentos que se irradiam a partir da condensação
central. As bolas assumem uma característica coloração
cinza-azulada.
ACTINOMYCES
INFECÇÕES BACTERIANAS
✓ A infecção é especialmente comum nas mulheres que
utilizam o mesmo dispositivo contraceptivo intra-uterino
(DIU) por vários anos.
✓ A bactéria costuma produzir uma reação inflamatória
intensa, composta fundamentalmente nos neutrófilos
polimorfonucleares e macrófagos.
INFECÇÕES BACTERIANAS
 Na maioria das vezes, o quadro é de natureza discreta,
ainda que possa ser reSponsável por abcessos pélvicos
levando à esterilidade.
 Detritos amorfos calcificados, provenientes de
fragmentos do plástico de que são feitos os dispositivos
contraceptivos intra-uterinos, podem acompanhar a
infecção.
INFECÇÕES BACTERIANAS
Tuberculose
✓ A tuberculose no trato genital feminino é uma
manifestação de tuberculose sistêmica.
✓ Um aumento recente na prevalência de tuberculose foi
correlacionado à síndrome da imunodeficiência adquirida
(AIDS).
INFECÇÕES BACTERIANAS
✓ A doença caracteriza-se pela formação de granulomas
compostos por pequenos macrófagos, denominados
células epitelióides e por grandes células multinucledas
que recebem o nome de célula de Langhans.
✓ A presença de tecidos necróticos, denominada necrose
caseosa, é comum nessa doença.

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