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Faculdade de Direito
	1º SEMESTRE DE 2020
	
	
	
ROTEIRO DE AULAS
Disciplina: MEDICINA LEGAL
Turma: 1º SEMESTRE
Professor: ROSA MARIA MARCIANI
Caros(as) alunos(as), esse material foi elaborado com a finalidade de servir de apoio ao estudo. É um roteiro de aula. 
Bons estudos!
Rosa Maria Marciani- 
email: rosa.marciani@ceunsp.edu.br
TANATOLOGIA FORENESE 
Prof. Rosa Marciani 
Tanatologia forense 
Tanatologia é a parte da medicina legal que se ocupa da morte e dos problemas médico-legais com ela relacionados. 
É uma palavra de origem grega: Tanathos - o deus da morte e Logia - ciência.
--> Estuda a morte e as consequências jurídicas a ela inerentes <--
Como ramo das ciências forenses,  procura estabelecer:    
- a identificação do cadáver 
- o mecanismo da morte 
- a causa da morte 
- o diagnóstico diferencial médico-legal (acidente, suicídio, homicídio ou morte de causa natural). 
RESOLUÇÃO CFM nº 2.173/17,
A morte é definida por critérios estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina (Resolução 1480/97) que a considera como sendo a parada total e irreversível das atividades encefálicas. É o que se denomina morte encefálica.
A Resolução CFM nº 2.173/17 estabelece que os procedimentos para a determinação da morte encefálica devem ser iniciados em todos os pacientes que apresentem coma não perceptivo, ausência de reatividade supraespinhal e apneia persistente.
Devem haver Agora, os 2 médicos devem ser especificamente qualificados, sendo que um deles deve, obrigatoriamente, possuir uma das seguintes especialidades: medicina intensiva adulta ou pediátrica, neurologia adulta ou pediátrica, neurocirurgia ou medicina de emergência. O outro deve ter, no mínimo, um ano de experiência no atendimento a pacientes em coma, tenha acompanhado ou realizado pelo menos 10 determinações de morte encefálica ou tenha realizado curso de capacitação. Nenhum dos dois médicos deve fazer parte da equipe de transplantes.
O quadro clínico do paciente também deve apresentar todos os seguintes pré-requisitos: presença de lesão encefálica de causa conhecida e irreversível; ausência de fatores tratáveis que confundiriam o diagnóstico; tratamento e observação no hospital pelo período mínimo de seis horas; temperatura corporal superior a 35º graus; e saturação arterial de acordo com critérios estabelecidos pela Resolução. No caso de crianças, os parâmetros são um pouco diferentes, com um período de observação maior.
Uma equipe multidisciplinar deve ter avaliar os eventos fisiopatológicos que surgem após a lesão cerebral grave, levando o paciente ao coma não reativo e com ausência dos reflexos do tronco cerebral. 
O laudo deve ser assinado por profissional com comprovada experiência e capacitação para a realização desse tipo de exame.
MORTE 
Para medicina legal a morte não é um momento, é um processo que se desenrola, se conclui ao longo do  tempo. 
A morte nunca é instantânea, há um intervalo de tempo entre a instalação e a sua consumação. 
Tratando-se de processo evolutivo, pode-se distinguir a morte do morrer. (Jornal da USP, 3 a 9 de março de 1997, p. 2) Enquanto o morrer é o final da vida, a morte é a sua progressão no organismo. 
Tipos de morte 
Morte natural –. Conseqüência de um processo esperado e previsível como o envelhecimento natural. 
Morte violenta – é a que resulta de ato praticado por outra pessoa(homicídio), ou por si mesma (suicídio), ou em razão de acidentes, sempre existindo responsabilidade penal a ser apurada. 
Morte suspeita: é a que após investigação cuidadosa das circunstâncias em que o óbito ocorreu e de seu local, suscita razões para se suspeitar, de modo fundamentado, que sua causa tenha sido violenta, e não natural. 
Morte 
A morte pode ser: 
Real - é a morte constatada, existência do cadáver é a prova incontestável.
Aparente - Entendida como um estado do organismo no qual as funções vitais se reduziram à um mínimo tal que dão a impressão errônea da morte. Ocorre nas intoxicações graves produzidas por soníferos, nos congelamentos, em obstetrícia quando se pratica a reanimação dos recém-nascidos aparentemente mortos, que sofrem de asfixia pálida. 
TANOTOGNOSE 
É a parte da Tanatologia Forense que estuda o diagnóstico da realidade da morte. 
O diagnóstico da morte é baseado nos fenômenos abióticos (cadavéricos): 
Imediatos, Consecutivos, Transformativos. 
Realidade da morte: Fenômenos post mortem ou sinais tanatológicos: 
1. Imediatos.
2. Consecutivos ou mediatos.
3. Transformativos
Através desses fenômenos é possível identificar a data aproximada da morte- CRONOTANATOGNOSE
CRONOTANATOGNOSE : É a parte da Medicina Legal que tenta diagnosticar o tempo da morte, com base no estudo e análise dos processos deformativos e putrefativos ocorridos após a morte. 
Entre eles:
Livores;
Rigidez cadavérica;
Mancha verde;
Hipostases;
Informação complementar: 
Entomologia Forense
 é o estudo dos insetos, ácaros e outros artrópodes, associados, a um cadáver humano para se determinar o tempo da morte.
Fenômenos post mortem:	
I- Fenômenos IMEDIATOS- ABIÓTICOS IMEDIATOS:
Surgem logo após a parada cardíaca, o colapso e morte dos órgãos e estruturas, como o pulmão e o encéfalo. São sinais que indicam a possibilidade de morte e são denominados por alguns autores como período de morte aparente, por outros são chamados de morte intermediária. 
-perda da consciência;
-abolição do tônus muscular com imobilidade;
-perda da sensibilidade;
-cessação da respiração e dos batimentos cardíacos;
-ausência de pulso;
-pálpebras cerradas. 
Manobras e sinais para constatar a realidade da morte: 
Para se ter certeza da morte deve-se fazer a constatação através da observação dos fenômenos cadavéricos/sinais (abióticos imediatos), bem como através de manobras/provas: 
MAGNUS -ligadura /garrote na extremidade de um dos dedos, que adquirirá cor violácea/rosada se persistir a circulação – NEGATIVO PARA MORTE, se ficar cianótico/roxo indica morte
 HALLUIN -inserir uma gota de éter na conjuntiva ocular; IRRITAÇÃO –NEGATIVO PARA MORTE
I CARD-- prova da fluoresceína, injetada no corpo, se a pele e mucosas adquirem coloração amarela – NEGATIVO PARA MORTE– se ficarem coradas indica morte
LEVASSEN- aplicação de uma ventosa ao corpo inerte; se há vida, sai sangue – CASO CONTRÁRIO INDICAÇÃO DE MORTE 
II- Fenômenos CONSECUTIVOS OU ABIÓTICOS CONSECUTIVOS 
Surgem após os imediatos, podem levar minutos, horas ou dias para ocorrer
A- Desidratação do corpo:
Perda de peso - Tem início entre 15 e 30 minutos após a morte, - Leva à perda de 10 à 18 gramas/Kg/dia no adulto e de 8 gramas/Kg/dia em crianças
Provoca apergaminhado cutâneo (pele dura e amarelada- palidez da pele em pessoas claras)
Traz queda da tensão do globo ocular (opaco e enegrecido) . Há a formação de tela viscosa sobre a córnea e surgimento de mancha negra na esclerótica (por transparência do pigmento coroidiano) –Sinal de Sommer Larcher 
Leva a dessecamento e perda de brilho dos lábios e córneas.
Olhos opacos e Sinal de Sommer Larcher 
B- esfriamento da temperatura corpórea- chamado “ALGOR MORTIS”;
Depende de diversos fatores: Crianças e velhos esfriam mais rápido que adultos normais. Os obesos mais lentamente que magros. Os vestidos mais lentamente que aqueles com menos roupas. 
Cálculo. 
Para Delton Croce:
0,5°C nas 3 primeiras horas e 1°C nas seguintes até atingir a temperatura ambiente.
C- Rigidez cadavérica “RIGOR MORTIS”
* rigidez cadavérica = originada por uma reação química de acidificação num estado de contratura muscular que desaparece quando se inicia a putrefação;
Rigidez cadavérica “RIGOR MORTIS”. Inicia-se pela mandíbula e pescoço, algumas horas depois atinge os membros inferiores e até 8 horas ocorre a rigidez completa. Após 24 horas da morte, o corpo vai perdendo a rigidez e aos poucos vai se tornando flácido, quando então inicia-se a putrefação. 
D- MANCHAS CUTÂNEAS provocados pelo acúmulo de sangue nos tecidos= LIVOR MORTIS
Ou 
Livores de hipóstase
· São manchas que se formam nas partes em declive do cadáver, por consequênciada ação da gravidade sobre o fluxo sanguíneo.
· Têm tonalidade violácea- manchas arroxeadas, 
· Surgem em torno da segunda hora após a morte,
· Fixam-se em torno da 10ª hora.
TRIADE DA MORTE - LAR 
· Algor mortis - esfriamento cadavérico.
· Rigor mortis - rigidez cadavérica
· Livor mortis - manchas de hipóstase ou livor cadavérico.
III- Fenômenos TRANSFORMATIVOS- ABIÓTICOS TRANSFORMATIVOS 
Irão decompor e destruir o corpo
i) AUTÓLISE: fenômenos fermentativos das células que começam a se romper por fenômenos químicos internos das próprias enzimas do nosso corpo
ii) PUTREFAÇÃO: é a decomposição da matéria orgânica do corpo pela ação de diversos germes. Bactérias que viviam no próprio organismo passam a decompor o tecido humano e seres externos. 
PERÍODOS DA PUTREFAÇÃO: 
a- COLORAÇÃO: (20 a 24 horas após a morte)- Pigmentação esverdeada- mancha verde abdominal . Causada por pigmento biliar. 
b- GASOSO: formação de gases no interior do corpo, inchaço do corpo.
c- COLIQUATIVO: desintegração dos tecidos mais moles, pode perdurar meses após a morte.
d- ESQUELETIZAÇÃO: os tecidos na fase coliquativa se desfazem e há desintegração total , permanecendo apenas os ossos.
iii) 		Fenômenos CONSERVATIVOS: são fenômenos que por razões externas preservam o corpo, ao invés de desintegrá-lo.
a. SAPONIFICAÇÃO: conserva o corpo devido a umidade do local. O corpo fica numa consistência gordurosa.]
b. MUMIFICAÇÃO: conserva o corpo devido a local muito seco, muito difícil ocorrer naturalmente, geralmente é pelo processo de embalsamento.
c. MACERAÇÃO: decorre da imersão no meio aquoso. comum em fetos.
d. CALCIFICAÇÃO: PETRIFICAÇÃO DO CORPO, geralmente ocorre com fetos que morrem e ficam retidos na cavidade uterina.
e. CORIFICAÇÃO: fenômeno raro, que só foi observado em corpos enterrados em urnas metálicas de zinco. A pele fica intacta com aparência de couro curtido.
IMPORTÂNCIA JURÍDICA da TANATOLOGIA
- É um fenômeno intimamente ligado ao direito. POIS A MORTE:
Cessa a personalidade civil adquirida com o nascimento e advém as conseqüências jurídicas. 
- Põe a termo a capacidade jurídica.
 - Termina a aptidão de ser titular de direitos. 
- Seus bens se transmitem desde logo para seus herdeiros.
 - Com a morte do réu extingue-se a punibilidade.
Caso Pesseghini 
Exames requisitados
A respeito dos exames periciais solicitados para corroborar a tese de homicídio seguido de suicídio, apresentada pela PM, foram solicitados exames ao Instituto Médico-Legal (IML) e Instituto de Criminalística (IC), ambos da Polícia Técnico-Científica.
Foram requisitados testes para saber o tempo da morte de Marcelo em comparação com sua mãe, seu pai, sua avó e sua tia-avó. Isso porque o tempo de rigidez cadavérica dele é mais recente do que as das outras quatro vítimas.
Também foram solicitadas colheitas de material genético para exame de DNA de todos os mortos, além do exame residuográfico para o casal, o filho e o volante do carro.

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