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PORTUGUÊS 269
Sujeito e predicado constituem a oração. Quando con -
ju gamos um verbo, estamos construindo orações com
sujeito e predicado. Assim, em eu ando, o pronome eu é
o sujeito e ando é o predicado, valendo a mesma análise
para toda a conjugação (tu andas, ele anda etc.). Se
omitir mos o pronome, dizemos que o sujeito está oculto
ou elíptico: Andamos (sujeito oculto: nós). Se, em vez do
pro no me ele(s), houver um ou mais de um substantivo,
o sujei to será esse(s) substantivo(s). Compare: Ele
chegou / Paulo chegou; Eles chegaram / Paulo e Regina
chegaram.
É, portanto, muito simples e fácil definir o sujeito. No
entanto, as gramáticas tradicionais apresentam defini ções
problemáticas, defeituosas ou insuficientes.
Consideremos, para começar, que, embora o sujeito seja
classificado como termo essencial da oração, pode haver
orações sem sujeito, como, por exemplo: É tarde; Trovejou a
noite toda; Escureceu rapidamente; São duas horas; Há
políticos honestos etc.
Vejamos algumas definições correntes de sujeito:
1.a – Sujeito é o ser de quem se declara algo.
2.a – Sujeito é o ser que pratica a ação verbal.
3.a – Sujeito é o ser que pratica ou sofre a ação verbal.
1 – Sujeito simples e composto
2 – Vícios de linguagem
3 – Prática de Redação (1)
4 – Sujeito oculto e indeterminado
5 – Crônica
6 e 7 – Prática de Redação (2) 
8 – Sujeito inexistente
9 – Funções da linguagem
10 e 11 – Prática de Redação (3)
12 – Predicado nominal
13 – Crônica: interpretação
14 e 15 – Prática de Redação (4) 
16 – Predicado verbal 
17 – Crônica narrativa: interpretação 
18 – Complementos verbais
19 – Interpretação de textos metalinguísticos
20 – Predicado verbo-nominal
21 – Provérbios e ditos populares
22 e 23 – Prática de Redação (5) 
24 – Adjunto adverbial
Classes gramaticais e descrição – Módulos
1 Sujeito simples e composto • Sujeito explícito• Núcleo do sujeito
Linguagem e metalinguagem
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PORTUGUÊS270
Leia o haicai de Custódio.
(www.custodio.net)
1 (UFTM – MODELO ENEM) – Analise as
afirmações.
I. Nas suas três ocorrências, a palavra nada
pertence à mesma classe gramatical inva -
riável.
II. Nas duas ocorrências, a palavra que é um
pronome rela ti vo, pois, além de ligar orações,
retoma termos da oração anterior.
III. As formas verbais Sabe e deixe têm o
mesmo sujeito gramatical.
É correto afirmar que
a) I, II e III são verdadeiras.
b) apenas I é verdadeira.
c) apenas II é verdadeira.
d) apenas III é verdadeira.
e) I, II e III são falsas.
Resolução A afirmação I está incorreta, porque
na primeira ocorrência nada é verbo; na segunda
e na ter cei ra, pronome indefinido. A afirmação II é
des cabi da, porque apenas o segundo que é pro -
no me relativo, o primeiro é conjunção inte gran -
te. Em III, o sujeito de saber é oculto ele (o peixe),
o sujeito de deixar é o pronome relativo que.
Resposta: E
2 (PUC – MODELO ENEM) – Indique a alter -
nativa correta no que se refere ao sujeito da
oração: “Da chaminé da usina subiam para o
céu nuvens de fumaça”.
a) Simples, tendo por núcleo chaminé.
b) Simples, tendo por núcleo nuvens.
c) Composto, tendo por núcleo nuvens de
fumaça.
d) Simples, tendo por núcleo fumaça.
e) Simples, tendo por núcleo usina.
Resolução
No enunciado o sujeito é nuvens de fumaça. A
oração está em ordem indireta: Nuvens de
fumaça subiam da chaminé da usina para o céu. 
Resposta: B
3 (UEL – MODELO ENEM) – Foi impossível
a venda do terreno, mas eles deixaram
(a)
os documentos lá porque precisavam
(b)
de precisavam de uma cópia autenticada,
(c)
que seria feita por um funcionário, assim
(d)
assim que eles fechassem o expediente.
(e)
É sujeito de uma oração o segmento assinalado
com a letra
a) a. b) b. c) c. d) d. e) e.
Resolução Colocando-se a oração em ordem
direta, evidencia-se a função de sujeito: A
venda do terreno foi impossível. Em b e e, os
termos grifados funcionam como objeto direto;
em d, objeto indireto; em e, agente da passiva.
Resposta: A
No Dicionário Houaiss, encontra-se a seguinte definição:
“Sujeito é o termo da oração sobre o qual recai a predicação da
oração e com o qual o verbo concorda.”
1 Considere a seguinte oração: “O ruído dos automóveis
festejava a vitória.” (Alcântara Machado)
a) Qual é o sujeito da oração?
RESOLUÇÃO: O sujeito é “o ruído dos automóveis”. 
b) Com que palavra do sujeito o verbo concorda?
RESOLUÇÃO: Concorda com o núcleo do sujeito “ruído”.
c) Transcreva o predicado.
RESOLUÇÃO: “festejava a vitória.”
2 a) Agora analise a frase abaixo e tente aplicar a definição
dada pelo dicionário. Lembre-se de que retirando-se o sujeito, o
que resta na frase é o predicado. 
Chove torrencialmente.
RESOLUÇÃO: 
Nessa oração não há sujeito (inexistente), portanto o predicado é a
frase toda. Assim, a definição do dicionário não se aplica a esse caso.
b) Com base na explicação dada no exercício anterior, tente
justificar por que a forma verbal “Chove” está no singular.
RESOLUÇÃO:
Quando a oração não tem sujeito (sujeito inexistente), o verbo fica
na terceira pessoa do singular, porque não tem com que ou com
quem concordar.
3 Com base nas definições vistas e em suas conclusões
sobre elas, qual seria a melhor definição para sujeito?
RESOLUÇÃO: 
Sujeito é o termo com o qual o verbo concorda.
NÚCLEO DO SUJEITO: quando o sujeito é constituído
por expres são de mais de uma palavra, o núcleo do
sujeito é sua palavra principal, que não se subordina a
nenhuma outra e é o centro de sua significação.
Consideremos, agora, algumas frases:
1. Ganhei um gato lindo, com pelos pretos e sedosos,
olhos verdes e muito manhoso. 
Você deve ter percebido que o sujeito está oculto, é o
pronome pessoal eu, mas é sobre o gato que se declara algo,
o que pode confundir quem considera a primeira definição de
sujeito.
2. Aquela casa foi comprada pelo meu tio.
O sujeito da oração é aquela casa, considerado sujeito
paciente, pois não é ele que pratica a ação verbal, pelo
contrário, sofre a ação do verbo comprar. Assim, a segunda
definição de sujeito não contempla essa oração.
3. A criança ficou feliz com o presente.
O sujeito (“a criança”) está explícito na frase, não há
dúvida quanto a sua classificação, porém ele não pratica
nem sofre a ação expressa pelo verbo, já que o verbo ficar
é de ligação e apenas liga o sujeito ao estado (“feliz”) da
criança. Aqui, nem a segunda nem a terceira definição de
sujeito podem ser aplicadas. 
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5 a) Qual a função sintática das palavras que preencheram as
lacunas do texto?
RESOLUÇÃO: Todas são sujeito.
b) Há, no texto, algum sujeito com mais de um núcleo?
RESOLUÇÃO: 
Sim, a expressão “os telhados e as árvores” constitui sujeito
composto.
c) Qual a classe gramatical dos núcleos dos sujeitos?
RESOLUÇÃO: 
São todos substantivos.
6 Examine atentamente as orações a seguir. 
Formule perguntas usando quem ou que antes dos verbos. Em
seguida, grife a resposta à pergunta formulada. (Obs.: Só leve
em conta verbos conjugados, não verbos no infinitivo.)
a) “O silêncio era sepulcral.” (Machado de Assis)
b) “Não parece um disparate este bilhete?” (Aluísio Azevedo)
c) “Os pequenos são dois, um menino e uma menina.”
(Artur Azevedo)
d) “Pelo caminho tudo lhe sorria.” (Lima Barreto)
e) “Educar é ensinar a pensar.” (Paulo Francis)
f) “Era João dos Passos um rapaz de vinte e tantos anos, esta-
 tura regular, bigode raro e barba rapada.” (Machado de Assis)
g) “Caíram na risada as duas.” (Mário de Andrade)
h) “Aguiar e eu apertamos a mão um do outro”. (Machado de
Assis)
i) “Ele vive nas mais antigas recordações de minha infância...”
(Rubem Braga)
j) “A curiosidade é o pavio do aprendizado.” (William Arthur
Ward)
7 Em qual das frases do exercício anterior o sujeito não pode
ser classificado como simples?
RESOLUÇÃO:
Apenas no de letra h: “Aguiar e eu” — sujeito composto.
8 Você deve ter observado que os núcleos dos sujeitos que
você grifou no exercício 6 são substantivosou palavras subs -
tantivadas. Transcreva os núcleos do sujeito que são palavras
substantivadas.
RESOLUÇÃO:
“pequenos”, “Tudo”, “educar” e “duas”.
9 (FUVEST)
a) A palavra alma tem o mesmo sentido para ambas as perso- 
nagens? Justifique.
b) Seguindo a indicação do velhinho, redija a frase na versão
que a ele pareceu mais coerente.
RESOLUÇÃO: 
a) Alma, no contexto, pode significar “essência” ou “fa tor funda -
mental”. O sentido, portanto, é o mes mo para ambas as perso -
nagens.
b) “O negócio é a alma da propaganda.”
CONVERSA NO ÔNIBUS
Sentaram-se lado a lado um jovem publicitário e um velhinho
muito religioso. O rapaz falava ani madamente sobre sua profissão,
mas no tou que o assunto não despertava o mesmo entu siasmo no
parceiro. Justificou-se, quase desa fiando, com o velho chavão:
— A propaganda é a alma do negócio.
— Sem dúvida, respondeu o velhinho. Mas sou daqueles que
acham que o sujeito dessa frase devia ser o negócio.
PORTUGUÊS 271
AMADA NEVE
Um dia, _______________ surpreendeu-me na montanha. _______________ estava azul, __________________ estendia-se 
imensa e tranquila. De repente, ___________________________________ começaram a luzir daqui, dali, como vaga-lumes de prata. 
___________________ corriam para seus abrigos, ______________________ suspendia as orelhas e a cauda, __________________ 
__________________ enfiavam, apressados, suas capas de palha. E ___________________ caía, cada vez mais densa, e logo
___________________________________ foram ficando brancos e _______________ perdeu sua cor, não houve mais horizontes, 
________________________ era uma enorme folha de papel com breves linhas e ponti nhos negros, tal uma gravura com sucintas 
indicações de vales, povoações, estradas... ___________________ parecia desabitado e morto.
(Cecília Meireles)
a) o céu (duas vezes) b) O mundo c) As galinhas d) o cãozinho e) a paisagem (duas vezes)
f) as centelhas de neve g) os telhados e as árvores h) a neve (duas vezes) i) os lavradores
a neve O céu a paisagem
as centelhas de neve
As galinhas o cãozinho
a neve
o céu
a paisagem
O mundo
os lavradores
os telhados e as árvores
4 Observe os verbos e o contexto em que estão inseridas as frases do texto abaixo. Em seguida, complete as lacunas com as
palavras que estão depois do texto, de maneira que a narrativa tenha sentido.
Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL
OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”,
digite PORT2M101
No Portal Objetivo
C1_2A_SOROCABA_PORT_2013_GK 31/10/12 14:28 Page 271
J (FGV – MODELO ENEM) – Assinale a alternativa em que o
pronome você exerça a função de sujeito do verbo destacado.
a) Cabe a você alcançar aquela peça do maleiro.
b) Não enchas o balão de ar, pois ele pode ser levado pelo
vento.
c) Ao chegar, vi você perambulando pelo shopping center da
Mooca.
d) Ei, você, posso entrar por esta rua?
e) Na Estação Trianon-Masp desceu a Angelina; na Consolação,
desceu você.
RESOLUÇÃO:
Basta transpor para a ordem direta para que se evidencie a função
de sujeito: “A Angelina desceu na Estação Trianon-Masp; você
desceu na Consolação.” Trata-se de sujeito posposto ao verbo.
Resposta: E
SUJEITOS DETERMINADOS
Simples: tem um só núcleo.
Exemplo: Soaram no silêncio, nítidos, os primeiros
passos do burro. (Osman Lins)
Sujeito: os primeiros passos do burro
Núcleo do sujeito: passos 
Composto: tem mais de um núcleo.
Exemplo: Pai jovem, mãe jovem não deixam menino
solto. (G. Amado)
Sujeito (composto): Pai jovem, mãe jovem
Núcleos do sujeito: pai, mãe 
PORTUGUÊS272
1 (UNIFESP – MODELO ENEM) – Chama-
se cacofonia ao som desa gra dável, provenien te
da união das sílabas finais de uma palavra com
as ini ciais da seguinte. (Dicionário Aurélio Básico
da Língua Portu gue sa). Normalmente, a palavra
produzida é de sentido ridículo e baixo. Podemos
encontrar no texto passagem em que o autor
poderia ter invertido a ordem dos termos, mas
não o fez certa mente porque geraria uma
cacofonia de muito mau gosto, até mesmo
veiculadora de preconceito, o que seria alta -
mente indesejável.
Assinale a alternativa que ilustra os comentários
sobre essa possibilidade de expressão linguís -
tica.
a) Você já ouviu a história de Adão e Eva? =
Você já ouviu a história de Eva e Adão?
b) ...e deve se lembrar do que aconteceu com
os dois. = ...e deve lembrar-se do que acon -
teceu com os dois.
c) ...o pobre coitado não resistiu. = ...não resistiu
o pobre coitado.
d) ...pagar um preço tão alto por uma simples
maçã. = ...pagar um preço tão alto por uma
maçã simples.
e) E, assim, nasceu a propaganda. = E a propa -
ganda assim nasceu.
Resolução
A cacofonia ocorre na frase: “Você já ouviu a
história de Eva e Adão”, pois a junção dos
termos “Eva e Adão” sugere um sentido
“ridículo e baixo”.
Resposta: A
2 (UNESP – MODELO ENEM) – Assinale a
alternativa em que o emprego da pa la vra nível é
adequado do ponto de vista da norma culta da
língua.
a) A nível de partido esta será a decisão mais
adequada.
b) Nunca se viu tanta exploração política a nível
de televisão brasileira.
c) Há pessoas que apreciam mais o clima de
cidades que se situam ao nível do mar.
d) Este aparelho a nível de à vista compensa
muito mais do que a nível de a prazo.
e) Ao nível da Justiça, fraudar eleições é mais
grave do que roubar caminhões.
Resolução
A expressão “a nível de” refere-se a altitude (“à
mesma altura”), em outras acepções pode-se
usar em nível ou de nível + adjetivo: em nível
mundial, aluno de nível médio. Deve-se, porém,
evitar o emprego desta expressão em sentido
figurado (melhor que em nível mundial é em
âmbito mundial), pois o uso indiscriminado de a
nível de ou em nível de é um dos vícios de
linguagem mais frequentes no Brasil. 
Resposta: C
3 (AFA – MODELO ENEM) – Leia as frases
abaixo.
I. “Paulo pegou o ônibus correndo.”
II. “Sim, meu filho, neste momento tens meu
consentimento para o casamento.”
III. “Nosso hino é o mais belo do mundo.”
IV. “Há três meses atrás eu já previa o
resultado. “
Há vício de linguagem nas frases
a) I, II, III e IV. b) I, II e III apenas.
c) I e III apenas. d) II e IV apenas.
Resolução 
Em I, há ambiguidade; em II, eco; em III,
cacófato (suíno); em IV, pleonasmo. 
Resposta: A
4 (FGV) – A concisão é uma qualidade da
comunicação. Transcreva as frases a seguir,
mas elimine o que for redundante.
a) Compre dois sabonetes e ganhe grátis o
terceiro.
b) O jogador encarou de frente o adversário.
c) O advogado é um elo de ligação entre o
cliente e a Justiça.
d) Certos países do mundo vivem em
constante conflito.
e) No momento não temos esse produto, mas
vamos recebê-lo futuramente.
Resolução
a) Compre dois sabonetes e ganhe o terceiro.
b) O jogador encarou o adversário.
c) O advogado é um elo entre o cliente e a
Justiça.
d) Certos países vivem em conflito.
e) No momento não temos esse produto, mas
vamos recebê-lo.
2 Vícios de linguagem • Ambiguidade • Eco• Pleonasmo • Cacofonia
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PORTUGUÊS 273
Visando ao aprimoramento da linguagem, reescreva as frases a
seguir, eliminando os vícios de linguagem que estão definidos
em cada item.
1 – Ambiguidade
1 O rapaz viu o crime da varanda.
RESOLUÇÃO: 
a) O rapaz estava na varanda quando viu o crime; b) O rapaz viu o
crime que ocorreu na varanda.
2 Vi uma fotografia sua no ônibus.
RESOLUÇÃO: 
a) Vi uma fotografia sua fixada no ônibus.
b) No ônibus, vi uma fotografia sua que estava comigo.
3 Peguei o ônibus correndo.
RESOLUÇÃO: 
a) Peguei o ônibus, enquanto eu corria.
b) O ônibus corria (estava em movimento) quando o peguei.
AMBIGUIDADE, duplo sentido ou anfibologia: defeito
da frase que apresenta mais de um sentido.
2 – Eco
4 Não tenho conhecimento do consentimento para o
casamento.
RESOLUÇÃO: 
Desconheço a aprovação (anuência) para o casamento.
5 Tenho a impressão de que sua atuação foi uma sensação.
RESOLUÇÃO: 
Acho (sinto, acredito) que seu desempenho (sua atuação) foi um
sucesso (uma sensação).6 Realmente, a gente não tinha em mente esse projeto.
RESOLUÇÃO: 
Na verdade, nós não tínhamos em mente esse projeto.
7 O acusado foi interrogado pelo magistrado.
RESOLUÇÃO: 
O magistrado interrogou o réu.
ECO: acúmulo, num período, de palavras com a mesma
terminação.
C1_2A_SOROCABA_PORT_2013_GK 31/10/12 14:28 Page 273
PORTUGUÊS274
3 – Cacofonia ou Cacófato
8 Na vez passada saímos mais cedo.
RESOLUÇÃO: 
(vespa) Na última vez saímos mais cedo.
9 Nenhuma palavra doce saía da boca dela.
RESOLUÇÃO: 
(cadela) Nenhuma palavra doce saía de sua boca.
J Receberá dez reais por cada hora de trabalho.
RESOLUÇÃO: 
(porcada) Receberá dez reais por hora de trabalho.
K Há pessoas que têm fé demais.
RESOLUÇÃO: 
(fede) Há pessoas que têm muita fé.
4 – Pleonasmo Vicioso
Elimine (risque) o termo ou expressão redundante.
L O principal protagonista do livro Dom Casmurro é Bentinho.
RESOLUÇÃO: 
O protagonista do livro Dom Casmurro é Bentinho.
M Nossa primeira prioridade é exterminar o desperdício.
RESOLUÇÃO:
Nossa prioridade é exterminar o desperdício.
N Ela chegou como a brisa matinal da manhã.
RESOLUÇÃO: 
Ela chegou como a brisa matinal.
O Os empresários fizeram um planejamento antecipado da
aplicação de verbas.
RESOLUÇÃO:
Os empresários fizeram um planejamento da aplicação de verbas.
5 – Queísmo
P Quando chegaram, pediram-me que devolvesse o livro que
me fora emprestado por ocasião dos exames que se realizaram
no fim do ano que passou.
RESOLUÇÃO:
Quando chegaram, pediram-me a devolução do livro que me fora
emprestado por ocasião dos exames no fim do ano passado.
Q Camões, que é o autor do maior poema épico que já se
escreveu em língua portuguesa, deixou também uma série de
sonetos que são considerados obras-primas no gênero.
RESOLUÇÃO: 
Camões, autor do maior épico já escrito em língua portuguesa,
deixou também uma série de sonetos considerados obras-primas
do gênero.
R (UNAERP – MODELO ENEM) – Algumas vezes encon -
tramos dificul da des ao usar algumas expressões da "moda", prin -
cipal men te, por ouvirmos seu emprego de forma inadequada.
Assinale a opção que traz a expressão usada de forma adequada:
a) Você pensa como eu, logo suas ações vão de encon tro com
as minhas.
b) Vamos vender esse produto a nível de Brasil.
c) Há dez anos atrás, eu o reencontrei.
d) Referia-se ao livro cujo o autor acaba de morrer.
e) Ao invés de falar o que sabia, calou-se.
RESOLUÇÃO:
Em a, o correto seria "vão ao encontro das minhas"; em b, "por todo
o Brasil"; em c, "Há dez anos", pois o emprego de "atrás" é pleo nás -
tico; em d, "cujo autor". Em e, "ao invés de" foi empre gado cor -
retamente, pois a frase contém os antônimos "falar" e "calou-se".
Resposta: E
S Que vício de linguagem você tem?
RESOLUÇÃO: 
Resposta pessoal.
CACOFONIA OU CACÓFATO: palavra desa gra dável pro duzida
pela jun ção das sílabas de palavras vizinhas.
PLEONASMO VICIOSO: emprego de palavra ou expres -
são cujo sentido já está subentendido em outro termo.
V – QUEÍSMO (Othon Garcia – Comunicação em
Prosa Moderna): repetição exaustiva da palavra que.
Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL
OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”,
digite PORT2M102
No Portal Objetivo
C1_2A_SOROCABA_PORT_2013_GK 31/10/12 14:28 Page 274
PORTUGUÊS 275
1 O único verbo com sujeito simples na
tirinha é
a) “cheguei”. b) “veio”.
c) “terei”. d) “Lamentamos”. 
e) “encomendou”.
Resolução
No primeiro quadrinho, o verbo vir tem como
sujeito simples minha pistola. Os demais
verbos tem sujeito oculto ou elíptico: em a e c,
sujeito oculto eu; em d, nós; em e, você.
Resposta: B
2 Suponha que tenha havido o roubo de uma
imagem em uma igreja do interior. Tanto o
sacristão como um fiel foram ouvidos na
delegacia. Compare o relato dos dois:
1.o) Relato do fiel
Dois homens bem trajados arrombaram a
porta lateral da igreja. Quebraram a cúpula de
vidro onde se encontrava a imagem e a
levaram consigo.
2.o) Relato do sacristão
Arrombaram a porta lateral da igreja.
Quebraram a cúpula de vidro onde se
encontrava a imagem e a levaram consigo.
Qual é a diferença entre os dois relatos?
Que razões podem ter levado o sacristão a
relatar o fato dessa forma?
Resolução
O relato do fiel determina quem praticou o
roubo: dois homens bem trajados. O relato do
sacristão não determina quem praticou a ação.
Duas razões poderiam justificar a maneira vaga
como o fato foi relatado pelo sacristão: ele não
sabia quem cometeu o roubo ou sabia, mas não
quis dizer.
3 (MACKENZIE – MODELO ENEM)
DESTINO ATROZ
Um poeta sofre três vezes: primeiro quando
ele os sente, depois quando os escreve e, por
último, quando declamam os seus versos.
(Mário Quintana)
Nesse texto, o sujeito do verbo declamam é
a) “os” (elíptico).
b) “indeterminado.”
c) “eles” (oculto).
d) “os seus versos” (composto).
e) “três vezes” (simples).
Resolução
O verbo está na 3.a pessoa do plural sem
referente no texto.
Resposta: B
4 (ITA – MODELO ENEM)) – Para uma
pessoa mais exigente no que se refere à
redação, especificamente a construções em
que está em jogo a omissão do sujeito, só seria
aceitável a alternativa:
a) As mulheres devem evitar o uso de
produtos de higiene feminina perfumados, pois
podem causar irritações (...) 
(“Infecção urinária”. In: A Cidade. Lorena,
março/2002, ano IV, n.o 42.)
b) E recomendável também não usar roupas
justas, pois assim permite uma boa ventilação
(...), o que reduz as chances de infecção.
(“Infecção urinária”. In: A Cidade. Lorena,
março/2002, ano IV, n.o 42.)
c) Alguns medicamentos devem ser ingeridos
ao le van tar-se (manhã), e outros antes de
dormir (noite), aproveitando assim seu efeito
quando ele é mais necessário. 
(Boletim informativo sobre o uso de me -
dicamentos, produzido por M & R Comuni ca -
ções)
d) Já a rouquidão persistente é sinal de abuso
exces sivo da voz, o que pode levar à formação
de nódulos (ca los) ou pólipos, e merecem
atenção especial. 
(“Rou quidão: o que é e como ela afeta sua
saúde vocal”. Panfleto de divulgação do curso
de Fonoau diologia. Lorena, abril de 2001.)
e) As sequelas [causadas pelo herpes] variam
de pa cien te para paciente e podem ou não ser
perma nen tes. 
(Folha Equilíbrio. Folha de S. Paulo,
27/06/2002, p. 3.)
Resolução
Em todas as alternativas, salvo e, há omissão
inepta do sujeito: em a, o sujeito de “podem
causar” poderia ser tanto “mulheres” quanto
“produtos”, embora seja logicamente este
último; em b, não é possível encontrar o sujeito
de “permite”; em c, o sujeito de “levantar-se”,
“dormir” e “aproveitando” não aparece na
frase; em d, não se sabe qual é o sujeito de
“merecem” – “nódulos”, “pólipos” ou ambos?
Resposta: E
4 Sujeito oculto e indeterminado • Sujeito oculto, elíptico ou desinencial• Sujeitos não-expressos
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PORTUGUÊS276
Leia, com atenção, o poema abaixo:
1 a) A partir das formas verbais sê, exagera, exclui, sê, põe e
fazes, você pode reconhecer a pessoa gramatical a que se dirige
o eu lírico. Qual é essa pessoa gramatical? Ela está explícita no
poema? 
RESOLUÇÃO:
A pessoa gramatical é tu, 2.a pessoa do singular, e não está
explícita no poema. 
b) Que nome recebe o sujeito não expresso, mas indicado pela
desinência verbal? 
RESOLUÇÃO:
Chama-se sujeito oculto ou elíptico.
2 Agora leia o poema abaixo e grife os verbos cujo sujeito está
oculto ou elíptico.
RESOLUÇÃO: 
“vão tocando”, “voltam”, “vêm mordendo”, “apos tando”, “dan -
çan do”, “bamboleando” – sujeito oculto: eles (= “os meninos
carvoeiros”). 
[ATENÇÃO: o sujeito oculto ou elíptico é sempre indicado pela desi -
nência verbal; por tanto, é sempre um pronome pessoal. Quando
se trata de pronome de terceira pes soa, ele pode cor responder a
algum(ns) substantivo(s) do texto, como neste caso, mas o sujeito
elíptico propriamente dito é o pronome, não o(s) nome(s) que ele
representa].
3 Como você pôde perceber a quem se referia o sujeito
oculto eles no poema de Manuel Bandeira?
RESOLUÇÃO: 
Pelo con texto. “Os meninos carvoeiros” é sujeitosimples de “pas -
sam”; junto aos demais verbos grifados não há sujeito expresso,
mas se entende que o sujeito elíptico eles remete também a
“meninos carvoeiros”.
Concluindo:
4 Classifique os sujeitos das orações abaixo, considerando o
que você aprendeu até agora sobre os tipos de sujeito.
a) “Fechei os olhos, / meu coração doía.” (Luandino Vieira)
RESOLUÇÃO:
O sujeito é oculto (eu) para o verbo fechar e simples (“meu
coração”) para o verbo doer.
b) “Acaba a prudência quando acaba a paciência.” (ditado
popular) 
RESOLUÇÃO:
Sujeitos simples: “a prudência“ e “a paciência“.
c) “Pensamos muito, mas sentimos pouco. Temos mais
neces sidade de espírito humano do que de mecanização.”
(Charles Chaplin)
RESOLUÇÃO:
O sujeito é oculto (nós) para os três verbos. 
d) “Os homens não melhoraram
e matam-se como percevejos.”
(Carlos D. de Andrade)
RESOLUÇÃO:
“Os homens” é sujeito simples do verbo me lhorar e corresponde
ao sujeito oculto (eles) do verbo matar. 
e) “Entraram dois deputados e um chefe político da paróquia.”
(Machado de Assis) 
RESOLUÇÃO:
“Dois deputados e um chefe político da paróquia” é sujeito
composto.
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
(Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa)
MENINOS CARVOEIROS
Os meninos carvoeiros
Passam a caminho da cidade.
– Eh, carvoero!
E vão tocando os animais com um relho enorme.
............................................................................
Quando voltam, vêm mordendo um pão encarvoado,
Encarapitados nas alimárias,
Apostando corrida,
Dançando, bamboleando nas cangalhas como 
[espantalhos desamparados!
(Manuel Bandeira)
Sujeito elíptico (ou oculto): não expresso, indi cado
pela desinência verbal e, em muitos casos, identificado
pelo contexto.
Exemplos:
Vivemos sempre nesta cidade.
Sujeito elíptico: nós (indicado pela desinência verbal)
Ela concordava conosco. Ganhava, aos poucos, a nossa
simpatia.
Sujeito do verbo ganhar, elíptico: ela (identificado pelo
contexto)
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5 No trecho dado, as formas verbais “entendiam” e “andas -
sem” estão na terceira pessoa do plural, mas a classificação do
sujeito é diferente para cada uma delas. Classifique o sujeito e
justifique sua resposta.
RESOLUÇÃO:
O sujeito de “entendiam” não tem referente no trecho, ou seja, não
se indica quem é o sujeito, o agente da ação verbal. Nesse caso, o
sujeito existe, mas é indeterminado. No segundo trecho,
“andassem” tem um sujeito oculto, eles, que o contexto permite
identificar como “os meninos”, termo presente em oração anterior.
6 (FESP – MODELO ENEM) – Em: “Retira-te, criatura ávida de
vin gan ça.”, o sujeito é
a) te. b) inexistente.
c) oculto. d) criatura.
e) indeterminado.
RESOLUÇÃO: 
O sujeito é oculto (tu); “criatura ávida de vingança” é vocativo.
Resposta: C
Tendo respondido ao exercício 6, você descobriu a dife rença
entre sujeito determinado (simples, composto ou oculto) e
sujeito indeter minado.
Concluindo:
Por enquanto, você só irá deter-se no estudo do sujei to inde -
terminado com verbo na 3.a pessoa do plural. Mais tarde, após
estudar outros conceitos, você verá mais de ti damente a outra
maneira de indeterminar o sujeito.
Sujeito indeterminado é aquele que existe, mas não
podemos ou não queremos identificar com precisão.
Ocorre em dois casos:
• com verbo na 3.a pessoa do plural, sem refe rência
a ne nhum substantivo ou pronome anterior mente
expresso;
• com verbo intransitivo, transitivo indireto ou de
ligação acompanhado da partícula se, cha mada
índice de indeter minação do sujeito.
[Fabiano] Não gostava de se ver no meio do povo. Falta
de costume. Às vezes dizia uma coisa sem intenção de
ofender, entendiam outra, e lá vinham questões. 
Os meninos sumiam-se numa curva do caminho.
Fabiano adiantou-se para alcançá-los. Era preciso aproveitar
a disposição deles, deixar que andassem à vontade.
(Graciliano Ramos, Vidas Secas) 
PORTUGUÊS 277
PREDICADO
Definição Tipos
Definição: 
Tudo que se declara do sujeito (= o que resta na frase tirando-se o sujeito).
Termo com o qual o verbo concorda e ao qual o predicado 
se refere.
simples: tem um só núcleo.
composto: tem mais de um núcleo.
elíptico (ou oculto): não expresso, podendo ser de -
ter minado pela desi nên cia verbal e identificado pelo
contexto.
indeterminado: existe, mas não podemos ou não que -
re mos identificá-lo com preci são.
SUJEITO
7 Com base nas aulas sobre sujeito, complete os quadros de resumo.
Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”, digite PORT2M103
No Portal Objetivo
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PORTUGUÊS278
Flagrante: momento. Pitorescos: originais. Inusitados: incomuns. Coloquial: típica da linguagem cotidiana, falada, oral. Cantochão: canto litúrgico
essencial men te monódico; canto liso, canto gregoriano. Trucidadas: mortas barbaramente, com crueldade. Remontando: erguendo-se, elevando-se. 
A palavra crônica signi fica originalmente “narração
histórica, ou registro de acontecimentos organizados em
ordem cronológica”. Em épocas passadas, de sig nava qual -
quer documento de caráter histórico. Nesse sentido, era cro -
nista todo estudioso de História, hoje chamado historiador.
Atualmente, o termo é reservado para nomear um
gênero narrativo ou reflexivo breve, periódico, episódico
e comunicativo, tendo merecido grande atenção por
parte do público e da crítica.
Os personagens são definidos apenas quanto ao
momento da ação, pouco ou nada sendo dito sobre
eles além do que possa interessar ao flagrante.
Podemos dizer que a crônica corresponde a um
flagrante do coti diano, em seus aspectos pitorescos
e inusitados, a uma abor dagem humorística, a uma
reflexão existen cial, a uma passagem lírica ou a um
comentário de interesse social. A linguagem é
coloquial e, geral mente, irreve rente.
Existem, na literatura brasileira atual, autores que
fazem da crônica um grande meio de expressão
literária. Os quatro mais conhecidos e consagrados pela
crítica são Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo
Mendes Campos e Carlos Drummond de Andrade.
Exatamente esses quatro cronistas foram esco lhi -
dos para figurar no primeiro volume da coleção Para
gostar de ler. Na abertura do livro esses cronistas,
conjunta mente, recepcionam o leitor com as seguintes
palavras:
Antonio Candido, crítico literário, assim define esse
gênero sempre presente em jornais e revistas: “Por meio
dos assuntos, ela se ajusta à sensibilidade de todo dia.
Principalmente porque elabora uma linguagem que fala
de perto ao nosso modo de ser mais natural”.
Além dos já citados, foram ou são cronistas notá veis:
Machado de Assis, Manuel Bandeira, Cecília Meireles,
Clarice Lispector, Vinicius de Moraes, Luis Fernando
Verissimo, Carlos Eduardo Novaes, Sérgio Porto (Stanislaw
Ponte Preta), João Ubaldo Ribeiro, Carlos Heitor Cony.
Tipos de crônica
As crônicas podem ser didaticamente classificadas em
narrativas, descritivas, narrativo-descritivas, líricas, meta -
lin guísticas, reflexivas e críticas. Apesar dessa classifi ca -
ção, as crônicas são geralmente híbridas (mescla de mo-
 da lidades), não prescindindo da reflexão e do comentário.
As crônicas podem ser dos seguintes tipos: 
1 – Crônica descritiva
Predomina a caracterização de seres animados e
inanimados no espaço — carac teri za ção que pode ser viva
como uma pintura, precisa como uma fotografia ou
dinâmica como um filme:
... o mato, a água, as pedras, o ar. Aquilo está ha vendo
naquele mo men to, como o movimento de um grande animal
bruto e branco morrendo, cheio de uma espan tosa vida
desencadeada, numa agonia mons truosa, eterna, choran -
do, chamando. E até onde a vista alcan ça, num semicírculo
imen so, há montes de água estron dando neste
cantochão, árvores tremendo, ilhas depen duradas, in -
sanas, se toucan do de arco-íris, nuvens voando para cima,
como o es pírito das águas truci da das remon tando para o
sol, fugindo à tor rente estreita e funda onde todas essas
cachoeiras juntam absur damente suas águas es magadas
ferventes, num atro pelo de espumas entre dois muros
altíssimos de rocha. (Rubem Braga)
ferir, pensar, entender melhor o que se passa dentro e fora 
da gente. Daí por diante a leitura ficará sendo um hábito,
e esse hábito leva a novas descobertas. Uma curtição.
As crônicas serão apenas um começo. Há um infinito de
coisas deliciosas que só a leitura oferece, e que você irá en -
contrando sozinho, pela vida afora, na leitura dos bons livros.
(Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1977. v.1, pp.4-5.)
O cotidiano é feito, em sua maior parte, de bana li da des,
mesquinharias e irritações, esteja você em Paris ou em
Barbacena. Observá-las, chamar atenção para elas por meio
de linguagem escrita, transfor mando-as em breves mo -
mentos poéticos, é tarefa que requer distanciamento,
capacidade de abstração, certa maturidade vivencial —
trabalho de cronista, enfim, que resulta, como definem os
teóricos, entre o conto e a poesia. (Bernardo Ajzenberg)
Experimente abrir este livro em qualquer página onde
começa uma crônica. Crônica é um escrito de jornal que
procura contar ou comentar histórias da vida de hoje.
Histórias que podem ter acontecido com todo mundo: até
com você mesmo, com pessoas de sua família ou com
seus amigos. Mas uma coisa é acontecer, outra coisa é
escre ver aquilo que aconteceu. Então você notará, ao ler
a narração do fato, como ele ganha um interesse especial,
produzido pela escolha e arrumação das palavras. E aí
começa a alegria da leitura, que vai longe. Ela nos faz con-
5 Crônica • Gênero textual• Flagrante do cotidiano
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PORTUGUÊS 279
2 – Crônica narrativa
Episódio cativante cuja trama é leve, envolvendo
muita ação, poucas perso nagens e, geralmente, uma
conclusão inusitada:
3 – Crônica narrativo-descritiva
Predomina a nar ração com flagrantes descritivos:
4 – Crônica lírica
Predomina a linguagem dos senti mentos para tradu -
zir poeticamente a nostalgia, a saudade e a emoção:
5 – Crônica metalinguística
É a crônica que discorre sobre o próprio ato de
escrever, o fazer literário, o ato de criação. A falta de
assunto é um tema de sempre dos cronistas:
6 – Crônica reflexiva
O autor tece reflexões de caráter geral, anali sando,
em geral subje tivamente, os mais variados assuntos e
situações:
O beijo é uma coisa que todo mundo dá em todo mundo.
Tem uns que gos tam muito, outros que ficam aborrecidos e
limpam o rosto dizendo já vem você de novo e tem ainda
umas pessoas que quanto mais beijam, mais beijam, como
a minha irmãzinha que quando começa com o namorado dá
até aflição. O beijo pode ser no escuro ou no claro. O beijo
no claro é o que papai dá na mamãe quan do chega, o que eu
dou na vovó quando vou lá e mamãe obriga, e que o papai
deu de raspão na empregada noutro dia, mas esse foi tão
rápido que eu acho que até foi sem querer... 
(Millôr Fernandes)
Observação: Esta crônica faz parte da obra Compozissões
Imfãtis, em que o autor imita o estilo da criança, com as
características naturais da comunicação infantil.
A falta de assunto conjugada à quantidade absurda de
cronistas em atividade no país tem provocado cenas hilárias
no convívio dessa gente – ô, raça! São dezenas, centenas,
milhares de páginas em branco à procura de histórias para o
fechamento da próxima coluna de cada um. Um troço engra -
çado, uma novidade, um persona gem, um absurdo, boas e
más notícias, um passeio, uma mulher, um prato de comida,
qualquer coisa pode virar crônica e, ainda assim, a oferta de
assuntos é insufi ciente para atender à demanda dos colu -
nistas, coitados! 
(Tutty Vasques, No mínimo, revista extinta da Internet.)
E se um pequeno rumor chega ao seu ouvido e um vulto
parece apontar na esquina, o guarda-noturno torna a trilar
longamente, como quem vai soprando um longo colar de
contas de vidro. E recomeça a andar, passo a passo, firme e
cauteloso, dissipando ladrões e fantas mas. É a hora muito
profunda em que os insetos do jardim estão completamente
exta siados ao perfume da gardênia e à brancura da lua. E as
pessoas adormecidas sentem, dentro de seus sonhos, que o
guarda-noturno está tomando conta da noite, a vagar pelas
ruas, anjo sem asas, porém armado. 
(Cecília Meireles)
BRINQUEDOS
Ora, uma noite, correu a notícia de que o bazar se incen -
diara. E foi uma espécie de festa fantástica. O fogo ia muito
alto, o céu ficava todo rubro, voavam chispas e labare das pelo
bairro todo. As crianças queriam ver o incên dio de perto, não
se conten ta vam com portas e janelas, fugiam para a rua,
onde brilha vam bombeiros entre jorros d’água. A eles não
interessava nada, peças de pano, cetins, cretones, cober -
tores, que os adultos lamenta vam. Sofriam pelos cavalinhos
e bonecas, os trens e os palhaços, fechados, sufocados em
suas grandes caixas.
Brinquedos que jamais teriam possuído, sonho apenas
da infância, amor platônico.
O incêndio, porém, levou tudo. O bazar ficou sendo um
famoso galpão de cinzas.
Felizmente, ninguém tinha morrido – diziam em redor.
Como não tinha morrido ninguém? – pensa vam as crianças.
Tinha morrido um mundo, e, dentro dele, os olhos amorosos
das crianças, ali deixados.
E começávamos a pressentir que viriam outros incên dios.
Em outras idades. De outros brinquedos. Até que um dia tam -
bém desaparecêssemos, sem socorro, nós, brinquedos que
somos, talvez de anjos distantes! 
(Cecília Meireles)
Ao varar meio século de defuntos e caixões, a
Funerária Boa Espe rança de São José do Barro ofere ceu, no
Hotel Primor, almoço de confra ternização geral. Na entrada
do robalo, Alcebilá quio Castanho, feliz pro prie tário do
estabele cimento, pediu a palavra, firmou as mãos na mesa
e soltou o seu improviso. Assim:
— Deus mata e a Funerária Boa Esperança enterra
auxiliada pelos bons serviços do doutor Manequinho
Condeixa, que passa atestado de óbito em qual quer bronquite
ou resfriado. Sem o doutor Manequinho, que zela por nós
desde o tempo do cinema mudo, a Funerária Boa Esperança
nunca que tinha chega do ao que chegou. O doutor sozinho é
muito doutor de dar trabalho para um ce mitério inteiro. Ainda
mais agora que comprou aparelhagem de operação. É o que
sempre digo. O doutor Manequinho Condeixa é uma garantia
para a Fu ne rária Boa Esperança, a que melhor vela pelos
defuntos de São José do Barro.
Na ponta da mesa, todo de preto, o doutor Manequinho
Condeixa agra deceu comovido. Parecia um atestado de óbito. 
(José Cândido de Carvalho)
Robalo: tipo de peixe, de até 1,20m de comprimento. Improviso: sem preparação prévia, repentino, improvisado. Trilar: trinar, apitar.
Dissipando: fazendo desaparecer. Extasiados: absortos, enlevados. Hilárias: brasileirismo, corruptela coloquial de hilariantes, “divertidas,
que provocam riso”.
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PORTUGUÊS280
As questões de números 1 a 4 baseiam-
se no texto abaixo.
HOJE NÃO ESCREVO
Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais
pro priamente, de falta de apetite para os
milhares de assuntos.
Escrever é triste. Impede a conjugação de
tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado,
as letras se reunindo com maior ou menor
velocidade, mas com igual indiferença pelo que
vão dizen do, enquanto lá fora a vida estoura
não só em bombas como também em dádivas
de toda natureza, inclusive a simples clari dade
da hora, vedada a você, que está de olho na
maquininha. O mundo deixa de ser realidade
quente para se reduzir a mar gi nália, purê de
palavras, reflexos no espelho (infiel) do
dicionário.
(...)
Que é isso, rapaz. Entretanto, aí está você,
casmurro e indisposto para a tarefa de encher
o papel de sinaizinhos pretos. Conclui que não
há assunto, quer dizer: que não há para você,
porque ao assunto deve corresponder certo
número de sinaizinhos, e você não sabe ir além
disso, não corta na verdade a barriga da vida,
não revolve os intestinosda vida, fica em sua
cadeira assuntando, assuntando. Então hoje
não tem crônica.
(Carlos Drummond de Andrade)
1 (UFORCEP – MODELO ENEM) – Consi -
dere as seguintes afirmações:
I. A ação de escrever priva, por vezes, o
escritor de usufruir de coisas simples do
cotidiano.
II. Não basta haver variedade de assunto;
escrever exige predisposição e inspiração.
III. O escritor empenha-se em produzir textos
de qua lidade superior à daqueles escritos por
simples falantes da Língua.
Está correto, em relação ao texto, o que se
afirma em
a) somente I e III. b) somente II e III.
c) I, II e III. d) somente II. 
e) somente I e II.
Resolução
Não há nenhuma afirmação no texto que
justifique o que se diz no item III.
Resposta: E
2 (UFORCEP – MODELO ENEM) – No
fragmento: “...refle xos no espelho (infiel) do
dicio nário”, o adjetivo infiel denota que
a) o escritor não pode dispensar o auxílio do
dicio nário – o que lhe garante a perfeição do
texto.
b) nem sempre o significado dicionarizado das
pala vras satisfaz plenamente a busca daquele
que escreve.
c) as palavras dicionarizadas perdem a
essência de seu significado, uma vez contex -
tualizadas.
d) o emprego adequado da palavra decorre da
ativi dade de consulta ao dicionário.
e) há matizes de significado entre as palavras
arrola das na mesma série sinonímica.
Resolução
Nem sempre o significado dado pelo dicionário
traduz o que o escritor pretende transmitir.
Resposta: B
3 (UFORCEP – MODELO ENEM) – O seg -
mento em que uma metáfora está explicitada
em outra metáfora é:
a) “...purê de palavras, reflexos no espelho
(infiel) do dicionário.”
b) “...a vida estoura não só em bombas como
também em dádi vas de toda natureza...”
c) O mundo deixa de ser realidade quente para
se reduzir a marginália...”
d) “...não corta na verdade a barriga da vida,
não revol ve os intestinos da vida...”
e) Escrever é triste. Impede a conjugação de
tantos outros verbos.”
Resolução 
A metáfora revolve os intestinos da vida foi
criada em função da metáfora anterior: não
corta... a barriga da vida. Ambas significam que
a crônica não trata de assuntos complexos
relativos à vida dos indivíduos.
Resposta: D
4 (UFORCEP – MODELO ENEM) – De
acordo com o último parágrafo do texto,
a) letras e escritor embaralham-se no
momento de passar a expressão das ideias
para o papel.
b) momentos de reflexão são importantes para
que o assunto venha a ocupar a mente daquele
que es creve.
c) escrever bem implica sensibilidade e talento
na percepção da matéria a ser explorada na
escrita.
d) a indisposição para a tarefa de encher o
papel de sinaizinhos pretos é própria das
pessoas casmurras.
e) a falta, bem como a abundância de assunto
depen dem das condições intelectuais daquele
que escreve.
Resolução 
O último parágrafo e, principalmente, as
metáforas que nele se encontram sugerem que
o escritor deve ter capacidade de captar e
expressar sentimentos.
Resposta: C
CRÔNICA
Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo
prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa
de um ficcionista, na qual este é levado meio
a tapa pelas personagens e situações que, azar
dele, criou porque quis. Com um prosador do
cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se ele
diante de sua máquina, acende um cigarro,
olha através da janela e busca fundo em sua
imaginação um fato qualquer, de preferência
colhido no noticiário matutino, ou da véspera,
em que, com suas artimanhas peculiares,
possa injetar um sangue novo.
(Vinicius de Moraes)
5 (UNIFOR – MODELO ENEM) – No texto
acima, Vinicius de Moraes busca definir a
crônica como um gênero
a) que se opõe a todas as outras formas de
ficção, já que há nela muito mais trabalho com
a linguagem.
b) cuja principal característica é relatar eventos
de interesse público, mantendo-se fiel a todos
os detalhes que os singu larizam.
c) menos extenso que outras formas de
ficção, mas que enfrenta os mesmos desafios
que os roman cistas ou cronistas.
d) em que o narrador se sente amarrado às
criaturas ficcionais a que ele mesmo vai dando
vida.
e) que se alimenta sobretudo de fatos recen -
tes, aos quais dará uma nova e original inter -
pretação.
Resolução 
A crônica tem como característica a brevidade
e o assunto corresponde a um flagrante do
cotidiano que a sensibilidade do cronista trans -
forma em reflexão crítica e bem-humorada.
Resposta: E
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PORTUGUÊS 281
Texto para as questões de 1 a 6.
1 (FUVEST) – No primeiro parágrafo do texto, está pres- 
suposto que as crônicas
a) destinam-se originalmente, em geral, à publicação em jornais
e revistas.
b) são escritas como peças individuais e isoladas, mas já
prevendo sua posterior reunião em livro.
c) dependem da publicação em livro para alcançar o reco -
nhecimento do público e da crítica.
d) variam conforme o tipo de veículo de comunicação a que se
destinam.
e) deveriam ser sistematicamente reunidas em livro, para que
não se perdessem no tempo. 
Resposta: A
2 (FUVEST) – Em: “As de Alencar são muito boas; são
excelentes as de Machado de Assis e Olavo Bilac; as de João
do Rio ainda se leem com prazer.”, encontra-se uma
a) gradação crescente, que revela o progresso do gênero
crônica, do primeiro ao último autor mencionado.
b) gradação decrescente, que hierarquiza os autores citados.
c) enumeração de autores que, embora de valores diversos,
guardam igualmente interesse.
d) sucessão cronológica de autores, que enfatiza a descon -
tinuidade da produção de crônicas ao longo do tempo.
e) comparação entre os cronistas do passado, realizada com
intenção irônica. Resposta: C
3 (FUVEST) – A ressalva expressa pelo autor em: “Embora
seja imprudente comparar sem a perspectiva do tempo...”
refere-se
a) ao risco que se corre quando se avaliam obras ainda muito
recentes.
b) à dificuldade de se compararem obras produzidas em
períodos históricos muito afastados uns dos outros.
c) ao problema de se privilegiar as obras do passado, em
detrimento das obras do presente.
d) à pressa com que habitualmente são avaliadas, na crítica
jornalística, as obras literárias recentes.
e) à carência de uma definição da crônica literária, que servisse
de base para o juízo crítico responsável.
Resposta: A
4 (FUVEST) – Segundo o texto, o escritor Rubem Braga
a) tem na crônica um meio auxiliar de expressão, secundário
em relação às suas outras atividades literárias.
b) pratica a crônica como um gênero autônomo, embora prefira
outros gêneros literários.
c) ultrapassa os limites da crônica, elevando-a ao nível da
grande literatura.
d) utiliza a crônica como um veículo adequado aos limites
relativamente estreitos de sua capacidade literária.
e) encontra na crônica um gênero para a realização plena de seu
talento.
Resposta: E
5 (FUVEST) – O texto afirma ainda que outros escritores
a) utilizam a crônica como mera válvula de escape para
sentimentos menos elevados, produzindo obras de nível
igualmente secundário.
b) produzem crônicas de qualidade inferior às de Rubem Braga,
mas ainda assim contribuem para enriquecer o pano rama da
literatura brasileira.
c) não têm na crônica seu gênero preferencial e exclu si vo, mas
a praticam, também, com alta qualidade literária.
d) não se concentram na prática da crônica, dispersando seu
talento em gêneros secundários.
e) encontram na crônica um gênero propício à repre sentação
de personagens secundárias, menos adequadas aos gêneros
mais complexos.
Resposta: C
6 (FUVEST) – Considerando-se o contexto, o trecho: “...efê -
me ros em teoria, se reúnem não obstante com felicidade no
livro,...” está reconstruído de modo a não alterar o sentido do
texto apenas em:
a) mesmo sendo teoricamente transitórios, são reunidos com
felicidade no livro.
b) visto que são inspirados em teoria, seriam reunidos com
felicidade no livro.
c) desde que sejam teoricamente perenes, são certa mente
reunidos com felicidade no livro.
d) são duradouros em teoria, para que sejam reunidos com
felicidade no livro.
e) sendo teoricamente passageiros, serão obviamente reunidos
com felicidade no livro.
Resposta: A
Um fenômeno interessante da literaturabrasileira é a
persistência da crônica. Antes se chamou folhetim, e sem -
pre achou quem a cultivasse com tão boa mão, que os seus
produtos, efêmeros em teoria, se reúnem não obstante
com felicidade no livro, resistindo bem à prova deste veí -
culo de escritos destinados a vida mais longa. As de Alencar
são muito boas; são excelentes as de Machado de Assis e
Olavo Bilac; as de João do Rio ainda se leem com prazer.
Embora seja imprudente comparar sem a perspectiva
do tempo, talvez se possa dizer que estamos no período
áureo da crônica brasileira. Mesmo porque, só agora tem
sido cultivada como gênero autônomo, capaz de absorver
vocações que até aqui preferiam realizar-se noutros,
tomando-a como linha auxiliar. É notadamente o caso de
Rubem Braga, que se realiza como escritor de alto porte
sem deixar os seus limites. Outros, todavia, encontram
nela válvula para com ponentes secundários da perso nali -
dade literária, e, sem nela se fecharem, trazem-lhe contri -
buição de igual nível. Em consequência, ela se vem tor -
nando um dos ângulos mais vivos do panorama literário.
(Antonio Candido, Textos de intervenção)
Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL
OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”,
digite PORT2M104
No Portal Objetivo
C1_2A_SOROCABA_PORT_2013_GK 31/10/12 14:28 Page 281
PORTUGUÊS282
Texto para o teste 7. 
7 (ENEM) – O assunto de uma crônica pode ser uma expe -
riência pessoal do cronista, uma informação obtida por ele ou
um caso imaginário. O modo de apresentar o assunto também
varia: pode ser uma descrição objetiva, uma exposição argumen -
tativa ou uma narrativa sugestiva. Quanto à finalidade pre -
tendida, pode-se promover uma reflexão, definir um sentimento
ou tão somente provocar o riso.
Na crônica O jivaro, escrita a partir da reportagem de um jornal,
Rubem Braga se vale dos seguintes elementos:
RESOLUÇÃO: O assunto do texto não é um “caso imaginário”
(alter nativa a) nem uma “experiência pessoal” (alternativas d e e).
Trata-se, eviden te mente, da “informação colhida” (alternativas b
e c) – colhida, como informa o enunciado do teste, na “reportagem
de um jornal”. O modo de apresentação é, claramente, narrativo,
tratando-se de uma história sugestiva, ou seja, que sugere
significação que vai além do que é contado. Portanto, trata-se de
um texto cuja finalidade é “promover reflexão” – no caso, reflexão
acerca da visão das relações humanas e da justiça contida na fala. 
Resposta: B
Assunto Modo de apresentar Finalidade
a) caso imaginário descrição objetiva provocar o riso
b)
informação 
colhida
narração sugestiva promover reflexão
c)
informação 
colhida
descrição objetiva definir um sentimento
d)
experiência 
pessoal
narrativa sugestiva provocar o riso
e)
experiência 
pessoal
exposição 
argumentativa
promover reflexão
O JIVARO
Um Sr. Matter, que fez uma viagem de exploração à
América do Sul, conta a um jornal sua conversa com um
índio jivaro, desses que sabem reduzir a cabeça de um
morto até ela ficar bem pequenina. Queria assistir a uma
dessas operações, e o índio lhe disse que exatamente ele
tinha contas a acertar com um inimigo.
O Sr. Matter:
— Não, não! Um homem, não. Faça isso com a cabeça
de um macaco.
E o índio:
— Por que um macaco? Ele não me fez nenhum mal!
(Rubem Braga)
Texto para o teste 1.
Tu, Marília, agora vendo 
de Amor o lindo retrato,
contigo estarás dizendo
que é este o retrato teu.
Sim, Marília, a cópia é tua,
que Cupido é deus suposto:
se há Cupido, é só teu rosto,
que ele foi quem me venceu
(Tomás Antônio Gonzaga, Marília de Dirceu)
1 A respeito dos termos destacados nos
versos acima, assinale a alternativa que
apresenta uma afirmação incorreta.
a) Tu — primeiro verso — é pronome pessoal
do caso reto, funciona sintaticamente como
sujeito de estarás dizendo e é o interlocutor
(Marília) a quem se dirige o eu lírico.
b) Em “se há Cupido”, o eu lírico põe em
dúvida a existência de Cupido, termo que
funciona como sujeito do verbo haver.
c) Nas frases “a cópia é tua” e “Cupido é deus
suposto”, o predicado é nominal, funcionando
“tua” e “deus suposto” como predicativos do
sujeito.
d) No último verso, o pronome quem desem -
penha a função de sujeito do verbo venceu.
e) Os pronomes possessivos teu e tua —
quarto, quinto e sétimo versos — designam
pertences de Marília, cujo rosto é, para o eu
lírico, a representação do Amor.
Resolução
O verbo haver é impessoal, não tem sujeito.
Resposta: B 
2 Em “se há Cupido”, o sujeito é classifi -
cado como o da seguinte frase: 
a) Fazia um calor tremendo naquela tarde. 
b) Reputavam-no o maior comilão da cidade.
c) Foi a luz gradativamente morrendo no céu. 
d) Os bandos de quero-queros saudavam os
últimos raios de sol.
e) Dos aterros sanitários saíam crianças com
sacos às costas.
Resolução O verbo haver, significando existir,
é impessoal, fica na 3.a pessoa do singular e a
oração não tem sujeito. Na oração com verbo
fazer indi cando tempo ou clima, o sujeito é
inexistente. Em b, o sujeito é indeterminado;
em c, a luz é sujeito de foi; em d, o sujeito é os
bandos de quero-queros; em e, crianças.
Resposta: A 
3 (UNIRIO-RJ – MODELO ENEM) – Em:
“Na mocidade, muitas coisas lhe haviam
acontecido”, temos oração
a) sem sujeito.
b) com sujeito simples e claro.
c) com sujeito oculto.
d) com sujeito composto.
e) com sujeito indeterminado.
Resolução “Muitas coisas” é sujeito simples
da locução verbal “ha viam acontecido”. Obser -
var que o verbo haver é auxiliar de acontecer. 
Resposta: B
4 (UNIP – MODELO ENEM) – Assinale a
única alternativa que apresenta uma oração
sem sujeito.
a) “Marina, morena Marina, você se pintou.”
b) “Era primavera na serra...”
c) “A serra do Rola-Moça não tinha esse nome
não.”
d) “Sonhei que tu estavas tão linda...”
e) Nada justifica a tortura.
Resolução
A oração com verbo ser indicando tempo, clima
ou espaço não tem sujeito.
Resposta: B
8 Sujeito inexistente • Oração sem sujeito• Verbos impessoais
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1 Nem toda oração apresenta sujeito. Muitas vezes o su jeito é
inexistente. Examine atentamente os períodos a seguir.
Formule perguntas usando quem ou que antes dos verbos
sublinhados para encontrar o sujeito. Se houver sujeito
determinado, sublinhe-o e classifique-o.
a) “Onde existe amor, há vida.“ (Mahatma Gandhi)
RESOLUÇÃO: 
“Amor” é o sujeito do verbo existir; o sujeito do verbo haver é
inexistente. [Prova – passar para o plural: Onde existem conflitos,
há disputas.]
b) “Era inverno na certa no alto sertão.“ (José Lins do Rego)
RESOLUÇÃO: 
O sujeito é inexistente.
c) “Começou a chover grosso...“ (Domingos Pellegrini)
RESOLUÇÃO: 
O sujeito é inexistente.
d) “Não pode haver acordo, nem compromisso, nem debate
com a intolerância e o ódio.“ (Jacques Chirac)
RESOLUÇÃO: 
O sujeito é inexistente.
e) “Era noite de Natal.“ (Machado de Assis)
RESOLUÇÃO:
O sujeito é inexistente.
f) “Matamos o tempo, o tempo nos enterra.“ (Machado de
Assis)
RESOLUÇÃO:
Sujeito oculto (nós) para o verbo matar e sujeito simples "o tempo"
para o verbo enterrar. 
g) “Eram sete horas da noite quando entrei no carro, ali no
Jardim Botânico.“ (Fernando Sabino)
RESOLUÇÃO: 
O sujeito é inexistente para o verbo ser e oculto (eu) para o verbo
entrar.
h) “Chovem boas notícias sobre o crescimento econômico.”
(Clóvis Rossi)
RESOLUÇÃO:
“Boas notícias sobre o crescimento econômico” é sujeito simples.
i) “Um dia, no fim do verão, o Dourado amanheceu morto...”
(Simões Lopes)
RESOLUÇÃO: 
“o Dourado”.
j) “Fazia um tempão que não dava sinal de vida.” (José
Américo de Almeida)
RESOLUÇÃO: 
O sujeito é inexistente.
2 a) Classifique o sujeito do verbo destacado e justifique sua
resposta.
“Havia cinco semanas que ali morava...“ (Machado de Assis)
b) Na frase acima, substitua o verbo haver por fazer.
RESOLUÇÃO:
a) O sujeito é inexistente, pois o verbo haver, indicando tempo
decorrido, é impessoal e fica na terceira pessoa do singular. 
b) Fazia cinco semanas que ali morava.
O verbo fazer também é impessoal, indicando tempo decorrido.3 a) Substitua o verbo grifado por existir.
"Há coisas que melhor se dizem calando..." (Machado de Assis)
b) Reescreva as duas frases (a do enunciado e a da resposta),
empregando o verbo dever como auxiliar dos verbos haver e
existir.
RESOLUÇÃO:
a) Existem coisas que melhor se dizem calando. (O objeto direto
"coisas" do verbo haver é sujeito do verbo existir.)
b) Deve haver coisas que melhor se dizem calando.
Devem existir coisas que melhor se dizem calando.
As ORAÇÕES SEM SUJEITO (orações com sujeito
inexistente) ocorrem com os seguintes verbos impes -
soais: 
• os que indicam fenômenos da natureza;
• fazer ou estar na indicação de tempo ou clima;
• ser indicando tempo ou espaço;
• haver significando “existir”, “ocorrer” ou expres -
sando tempo decorrido.
PORTUGUÊS 283
Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL
OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”,
digite PORT2M105
No Portal Objetivo
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PORTUGUÊS284
9 Consultando a gramática, complete o quadro de resumo.
• verbos que se referem a fenômenos meteorológicos;
• haver no sentido de existir;
• fazer referindo-se a fenômenos meteorológicos ou a tempo decorrido;
• ser na indicação de tempo (horas, data etc.) e distância.
Verbos impessoais
Oração cujo verbo é impessoal e fica na terceira pessoa do singular.Definição
ORAÇÃO SEM SUJEITO
4 (EFAM) – Assinale a opção em que o verbo chover é
pessoal:
a) Se não chover, a festa no parque promete superar as
expectativas.
b) Tomara que chova três dias sem parar.
c) Chovam bênçãos sobre nós.
d) Nas últimas semanas, aqui tem chovido muito.
e) Irei domingo ao campo, chova ou faça sol.
RESOLUÇÃO:
Resposta: C
5 (UNIBEM) – Leia, com atenção, as frases a seguir:
I. Vão haver, muitas vezes, obstáculos em nosso caminho.
II. Vai haver, muitas vezes, obstáculos em nosso caminho.
III. Vão existir, muitas vezes, obstáculos em nosso caminho.
IV. Vai existir, muitas vezes, obstáculos em nosso caminho.
Considerando a concordância dos verbos haver e existir, é
correto o que se afirma apenas em:
a) I. b) II. c) IV. d) I e IV. e) II e III. 
RESOLUÇÃO:
Resposta: E
6 (FUVEST) – Assinale a alternativa que tem oração sem
sujeito.
a) Existe um povo que a bandeira empresta. 
b) Embora com atraso, haviam chegado.
c) Existem flores que devoram insetos.
d) Alguns de nós ainda tinham esperança de encontrá-lo.
e) Há de haver recurso desta sentença. 
RESOLUÇÃO:
Resposta: E
Texto para o teste 7. 
7 (UFV – MODELO ENEM) – Se a afirmativa de MIGUEL
fosse verdadeira, não teríamos oração em:
a) Existia nas cabeças de Custódio e Aires uma série de
interrogações.
b) Aires e Custódio não pareciam concordes com o nome da
tabuleta.
c) Havia sérias interrogações nas cabeças de Custódio e Aires.
d) Custódio e Aires se houveram muito bem na análise dos
diversos nomes para a tabuleta.
e) Graças a Aires, choveu uma série de sugestões para a
tabuleta de Custódio.
RESOLUÇÃO:
Se o sujeito fosse um termo essencial da oração como afirma o
autor, não existiriam orações sem sujeito, como é o caso da oração
com verbo haver na alternativa c.
Resposta: C
8 (PUCC-SP) – Se mais oportunidades __________________,
mais pessoas ________________ quanto ao novo regulamento.
a) houvessem – haveriam de se pronunciar.
b) houvesse – haveria de se pronunciar.
c) houvessem – haveria de se pronunciarem.
d) houvessem – haveriam de se pronunciarem.
e) houvesse – haveriam de se pronunciar.
RESOLUÇÃO:
Resposta: E
Essenciais são os termos fundamentais da oração, sem
os quais a oração deixa de existir. Essenciais no corpo
humano são o sistema digestivo, respiratório e circulatório;
essenciais no automóvel são o motor, o sistema de câmbio
e freio, os pneus, a carroceria. Es senciais na oração são o
sujeito e o predicado.
(MIGUEL, Jorge. Curso de língua portuguesa. 
São Paulo: Habra, 1989. p. 250.)
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PORTUGUÊS 285
A classificação das funções da linguagem depende
das relações estabelecidas entre elas e os elementos que
participam do circuito da comunicação:
O linguista russo Roman Jakobson, ba sean do-se nos
seis elementos da comunicação, elaborou este quadro
das funções da linguagem. Segundo ele, cada função é
cen trada em um dos seis elementos que compõem o
circuito da comunicação. O reconhecimento e a adequada
utili zação das funções são fundamentais tanto na
produção quanto no entendimento de qualquer tipo de
texto.
1 – Função referencial
Nas 14 edições dos Jogos Pan-Americanos, 34
marcas mundiais foram quebradas. Só no Pan de 1967,
em Winnipeg, foram 14 recordes batidos, dos quais 3
pelo nadador ame ricano Mark Spitz, o maior recordista
mundial em Pan. 
O atletismo foi a modalidade que rendeu os dois
únicos recordes conquistados por esportistas brasileiros
em Pan-Americanos. Adhemar Ferreira da Silva foi bicam -
peão no salto triplo e quebrou o recorde mundial no Pan
de 1955, no México. Vinte anos depois, também no
México e na mesma prova, João Carlos de Oliveira, o
João do Pulo, deu à torcida brasileira um momento
inesquecível. Saltou incrí veis 17,89 metros de distância,
45 centímetros a mais que o soviético Victor Saneyev,
até então recordista nessa prova.
(Superinteressante, julho/2007)
2 – Função emotiva ou expressiva 
A tua ausência, para que a minha dor não acha nome
bastante triste, há de privar-me para sempre de me mirar
nos teus olhos, onde eu vi tanto amor, que me enchiam
de alegria, que eram tudo para mim?
Ai de mim! Os meus perderam a luz que os alumiava
e não fazem senão chorar.
(Sóror Mariana Alcoforado, Cartas Portuguesas)
3 – Função fática
— Olá, como vai?
— Eu vou indo, e você? Tudo bem?
(Paulinho da Viola e Chico Buarque)
4 – Função conativa ou apelativa 
Não acredites no que teus olhos te dizem, tudo o
que eles mostram é limitação. 
Olha com entendimento, descobre o que já sabes e
verás como voar...
(Richard Bach)
Beba coca-cola.
Centrada no contexto (a refe rência ou o referente da
mensagem) – é aquela que remete à rea lidade exterior;
sua finalidade é informar o receptor. É usada prin -
cipalmente em textos de caráter objetivo e teor infor -
mativo:
Centrada no recep tor (tu ou você), a segunda pessoa
da comunicação – é aquela que tem por objetivo
influir no compor ta mento do recep tor, por meio de
um apelo ou ordem. Emprega verbos no impe rativo
e vocativos. É utili zada principalmente em textos
propagan dísticos e outros que visam a convencer o
receptor a adotar alguma opinião ou comporta mento:
Centrada no canal da comuni ca ção – é aquela que tem
por objetivo es ta belecer o contato com o receptor
(“Olá, como vai?”), testar o funcio namento do canal
(“Alô, está me ouvindo?”) ou prolongar o contato, na
falta de outro conteúdo a comunicar (“Pois é”, “É
fogo”, “É” etc.):
Centrada no emis sor, o eu da comu nicação – é aquela
que exte rio riza o estado psíquico do emissor,
traduzindo suas opi niões e emoções. Aparece,
portanto, na primeira pessoa:
9 Funções da linguagem • Circuito da comunicação• Elementos do circuito
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PORTUGUÊS286
5 – Função poética
Podeis aprender que o homem
é sempre a melhor medida;
Mais, que a medida do homem
não é a morte, mas a vida.
(João Cabral de Melo Neto)
A função poética ocorre também em textos em que
o discurso convencional recebe uma configuração nova,
produzindo um efeito estético inesperado (humor, im -
pacto, estranheza):
Filho de rico é boy, filho de pobre é motoboy.
Lojas Marabraz
Preço melhor 
Ninguém faz
(Nos casos desses exemplos, a função poética não
predomina, como ocorre na poesia e na literatura; ela é
uma função secundária.)
6 – Função metalinguística
— O que significa “olhar vulpino”? 
— Significa olhar de raposa.
POEMAS
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto,
alimentam-se um instante
em cada par de mãos
e partem.E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...
(Mário Quintana)
Centrada na mensagem – é aquela em que o es sencial
é a organi za ção do texto (a mensagem), por meio da
seleção e arrumação de palavras, dos efeitos sonoros
e rítmicos, do jogo com figuras de linguagem e do
aproveitamento de todo tipo de simetrias ou
antissimetrias entre pala vras e fra ses. É utilizada
principalmente em textos literários:
Centrada no código – é aquela voltada para a própria
linguagem e seus ele men tos (palavras, regras
gramaticais, estrutu ras da men sagem etc.). Também
corresponde à fun ção meta lin guística o comentário ou
explica ção de outros códi gos e suas mensagens
(visuais, como a pintura ou o cinema; sonoros, como a
música etc.):
1 (ENEM) – Indique o enunciado em que se
busca persuadir o receptor por meio de uma
objetiva argumentação socioeco nômica.
a) Este balanço expõe o quadro deficitário da
empresa, neste momento. Por ora, não é
possível contratar mais pessoal.
b) Não era nossa intenção magoá-lo, pois
imaginávamos que ele viesse a se envergonhar
de sua condição de desem pregado.
c) Pareceu-me, desde sempre, que essa
revolução nasceu para cumprir objetivos alheios
aos que foram divulgados. Os fatos deverão
comprová-lo.
d) Levo um padrão de vida condizente com
meus recursos, apesar de me encontrar
endividado. Acredito que logo honrarei meus
compromissos.
e) Há muito suspeito de que essa crise nos
atingirá. Os indícios estão no ar, só um cego
não os vê.
Resolução
O receptor é persuadido a não contratar novos
funcio ná rios porque os dados apresentados no
balanço comprovam a crise financeira por que
passa a empresa (argumento socioeconô mico).
Resposta: A
2 (ENEM) – “O senhor siga junto ao rio,
dobre à direita e suba a ladeira.”
A função conativa da linguagem, predominante
na frase acima, decorre
a) das referências feitas ao caminho a seguir.
b) das indicações referentes ao emissor.
c) do emprego das preposições e dos artigos.
d) do tipo de coordenação sintática das
orações.
e) do emprego do pronome de tratamento e
das formas verbais.
Resolução
A frase é dirigida a um receptor que é tratado
por senhor, sujeito da oração. Os verbos que
concordam com esse sujeito estão na 3.a
pessoa do singular, no modo imperativo: siga,
dobre e suba.
Resposta: E
Texto para o teste 3. 
Daqui a alguns anos, a água pode ser a
bebida mais cara da sua mesa.
Nos últimos 60 anos, o consumo de água
no mundo quadruplicou, e a pre visão é de que
em 2015 o consumo atinja o limite da dispo -
nibilidade atual, que é de 9 trilhões de litros.
Independente do avanço da tecnologia para
degelar gelei ras e dessalinizar as águas, este
assunto é motivo de preocupação no mundo
inteiro. Mas, ficar preocupado não é o suficiente.
Você tem o que fazer:
– recicle o lixo;
–dê preferência para produtos biode -
gradá veis;
–não deposite lixo nem manipule pro -
dutos tóxicos próximo de lagos e rios;
–não polua nem desperdice.
Se cada um mudar a postura com relação
ao meio ambiente, um pequeno gesto será
muito mais do que uma simples gota no oceano.
(Anúncio publicitário da Associação
Gaúcha de Empresas de Obras de
Saneamento – AGEOS)
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PORTUGUÊS 287
3 (U. PASSO FUNDO – MODELO ENEM) – No segmento em negrito do texto, a função predominante da lingua gem, manifesta por marcas
linguísticas específicas, é a
a) referencial, porque se privilegia o referente da mensagem, levando infor mações objetivas e inequívocas ao leitor.
b) emotiva ou expressiva, porque se dá ênfase aos pontos de vista corporativos da AGEOS.
c) conativa ou apelativa, porque há um explícito objetivo de persuadir o leitor a adotar determinado comportamento.
d) metalinguística, porque há uma parti cular preocupação com a clareza do texto e, portanto, com o uso de termos ade quados ao contexto.
e) poética, porque a mensagem é elabo rada de forma criativa, destacando-se, particularmente, o ritmo, evidente na sequência das recomenda -
ções.
Resolução A mensagem é dirigida ao receptor. Tanto o pronome de tratamento você quanto o emprego de verbos no imperativo (recicle, dê, não
deposite, não polua) indicam que o interesse é convencer o leitor a tomar medidas de preservação ambiental.
Resposta: C
4 (FAGA) – No primeiro quadrinho não
houve a transmissão de informação nova,
uma vez que a intenção do emissor foi ape -
nas fazer um cumprimento, “puxar conver -
sa”. A função da lingua gem que apresenta
esta característica é a
a) metalinguística.
b) poética.
c) emotiva.
d) fática.
e) apelativa. 
Resolução A expressão oi cara! é uma forma convencional de iniciar uma conversa, estabelecer contato. Quando as mensagens se referem ao canal 
de comunicação, iniciando, testando ou encer rando o contato, tem-se função fática.
Resposta: D
Texto para o teste 1. 
1 (UFABC) – Assinale a alternativa correta sobre o poema
transcrito.
a) O emprego de formas de imperativo (pensem, não se
esqueçam) é próprio da função apelativa da linguagem, e seu
efeito de sentido é buscar a adesão do leitor.
b) O texto é predominantemente informativo, principal mente
porque a linguagem do autor é coloquial.
c) Pela temática, o poema representa a poesia sensual neossim -
bolista do autor, marcada pela quebra de convenções sociais.
d) São características do estilo modernista, a que o autor adere:
repetição de palavras e ritmo regular, de rimas perfeitas.
e) A metáfora da rosa para referir-se à bomba de Hiroxima é pró pria
para identificar a matriz denotativa do texto, cujo sentido é literal.
RESOLUÇÃO: As formas do imperativo são próprias da função cona -
 tiva ou apelativa da linguagem, e seu propósito é influir no leitor.
Essa função, porém, é secundária aqui: ela se associa à função poé -
ti ca, sempre predominante em poesia. [Notar que a poesia lírica quase
sempre apresenta a função emotiva como secundária; em alguns
casos, porém, a função secundária é a conativa.] 
Resposta: A
Texto para o teste 2. 
2 (UNIFESP-corrigido) – Nos versos acima de Garrett, como
em toda poesia, predomina a função poética da linguagem. Ao
lado dela, destaca-se a função
ESTE INFERNO DE AMAR
Este inferno de amar — como eu amo!
Quem mo pôs aqui n’alma... quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida — e que a vida destrói —
Como é que se veio a atear,
Quando — ai quando se há-de ela apagar?
(Almeida Garrett)
ROSA DE HIROXIMA
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada
(Vinicius de Moraes)
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PORTUGUÊS288
a) metalinguística da linguagem, com extrema valori zação da
subjetividade no jogo entre o espiritual e o profano.
b) apelativa da linguagem, num jogo de sentido pelo qual o
poeta transmite uma forma idealizada de amor.
c) referencial da linguagem, privilegiando-se a expres são de
forma racional.
d) emotiva da linguagem, marcada pela não contenção dos
sentimentos e pelo subjetivismo.
e) fática da linguagem, utilizada para expressar as ideias de
forma evasiva, como sugestões. 
RESOLUÇÃO:
O eu lírico extravasa seus sentimentos e emoções, re presentados
graficamente pela exclamação, as reti cências e a interjeição “ai”
no último verso. O subjeti vismo também é marcado pela escolha
lexical – “inferno de amar”, “que a vida destrói”, “atear” –, que
denota descomedimento na expressão do sofri mento amoroso.
Resposta: D
3 Indique duas características do texto acima que permitem
afirmar que nele predomina a função poética da linguagem.
RESOLUÇÃO:
Percebe-se que a própria mensagem – isto é, a sua organização, a
sua estruturação – é o centro de interesse, quando se observa, por
exemplo, que o número de sílabas dos versos ées tri tamente
controlado (são versos eneassílabos: nove sílabas métricas até a
última tônica), que as sílabas mais fortes (tônicas) ocupam
posições determinadas (sempre na 3.a, 6.a e 9.a posições de cada
verso, perfazendo três vezes a sequência fraca-fraca-forte). Essas
características, somadas a outras, como as repetições de certos sons,
criam o ritmo do texto – um dos elementos importantes da poesia. 
4 Qual a função predominante na tirinha e no texto acima?
Justifique sua resposta.
RESOLUÇÃO: 
Trata-se da função fática. Centrada no canal, checa a recep ção da
mensagem e busca manter a conexão entre os falantes. Na tirinha,
o canal (telefone) falha, a comunicação não se estabelece e a
expressão fática repetida com insistência, “alô”, é uma tentativa de
manter ou testar a conexão. No texto, a resposta dada à pergunta
feita não acrescenta nenhuma informação rele vante, há apenas
“ruídos” que mantêm a conexão entre os falantes.
— E você? O que acha do movimento de liberação
femi nina?
— Olha, no meu ponto de vista, sabe, a mulher tipo
libe rada, sabe, é... bem... como eu estava dizendo, a mulher
libe rada, fala, isto é, discute, sabe como é, né? Entendeu?
Bem, no final das contas, você percebe, né, acho que esse
tipo de mulher é isso aí.
5 (UFAC) – Na sequência da tirinha acima, Hamlet explica a uma garota o que é amor. Em sua explicação, a personagem de Dick
Browne serve-se de uma função da linguagem. Identi fique-a.
a) poética. b) fática. c) emotiva. d) conativa. e) metalinguística. Resposta: E
Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”, digite PORT2M106
No Portal Objetivo
C1_2A_SOROCABA_PORT_2013_GK 31/10/12 14:28 Page 288
PORTUGUÊS 289
A questão 1 baseia-se no texto que se segue.
No dia 11 de julho de 1927, um poeta
vestindo terno escuro, chapéu, gravata, camisa
de punhos e calças brancas sentou sobre um
trilho da Madeira-Mamoré e sorriu. Na foto, o
poeta sorri. É uma fotografia cinzenta e pouco
contrastada. O céu é uma pasta cinzenta e a
mata um borrão horizontal. O poeta sorri
porque tem uma razão muito forte para fazer
isto. É um homem feliz. Na verdade, apenas
parte de seu rosto é visível naquela fotografia
antiga. Justamente a ponta do nariz e a boca
abrindo num sorriso. Ele tem um chapéu de
abas moles protegendo a cabeça do sol do
meio-dia e sorri.
(SOUZA, Márcio. Mad Maria. São Paulo:
Círculo do Livro, 1980. p.340.)
1 (UNIUBE – MODELO ENEM) – Uma das
características do texto é a presença de muitos
sintagmas formados por substantivo antece -
dido ou seguido de adjetivo; por exemplo:
“calças brancas”, “borboletas ama re las”, “sim -
ples borrões claros”. Alguns desses sintagmas
desem penham a mesma função sintática.
Assinale a alternativa que contém sintagmas
que desempenham apenas a função sintá tica
de predicativo do sujeito.
a) “Terno escuro”, “pasta cinzenta”, “foto -
grafia antiga”.
b) “Pasta cinzenta”, “borrão horizontal”,
“homem feliz”.
c) “Fotografia antiga”, “homem feliz”, “abas
moles”.
d) “Borrão horizontal”, “borboletas amarelas”,
“mão direita”.
e) “Terno escuro”, “fotografia antiga”, “borbo -
letas amarelas”.
Resolução
As três expressões destacadas na alternativa b
qualificam o sujeito, são antecedidas de verbo
de ligação e, portanto, exercem a função sintá -
tica de predicativo do sujeito.
Resposta: B
2 (MODELO ENEM) – Em: “Fiquei carní -
voro. Era a sorte humana: foi a minha.”
(Machado de Assis), os termos grifados são,
respectivamente,
a) predicativo do sujeito, predicativo do sujeito,
sujeito.
b) predicativo do sujeito, sujeito, predicativo do
sujeito.
c) predicativo do sujeito, predicativo do sujeito,
predicativo do sujeito.
d) objeto direto, objeto direto, objeto direto.
e) predicativo do sujeito, objeto direto,
predicativo do sujeito.
Resolução 
Os termos destacados carnívoro, sorte e minha
referem-se, por meio de um verbo, ao sujeito.
Resposta: C
3 (MED-Pouso Alegre – MODELO ENEM)
– Assinale a alternativa em que o verbo não é
de ligação:
a) A criança estava com fome. 
b) Pedro parece adoentado.
c) Ele tem andado confuso. 
d) Ficou em casa o dia todo.
e) A jovem continua sonhadora. 
Resolução
Ficar não funciona como verbo de ligação porque
não se prende a ele palavra que indique quali -
dade, estado ou condição do sujeito. As expres -
sões em casa e o dia todo funcionam, respec- 
tivamente, como adjunto adverbial de lugar e
tempo. Nesse caso, o verbo é intransitivo.
Resposta: D (VI + A. ADV.)
12 Predicado nominal • Verbos de ligação• Predicativo do sujeito
Predicado nominal é aquele que apresenta como núcleo
um nome (substantivo, adjetivo ou palavra com valor de
substantivo ou adjetivo).
No predicado nominal, os verbos de ligação unem ao
sujeito uma noção de estado, qualidade ou condição que
pode ser:
• estado permanente. 
Exemplo: O sol é uma estrela.
• estado transitório. 
Exemplo: Marina anda triste.
• continuidade de estado. 
Exemplo: Marina continua triste.
• mudança de estado. 
Exemplo: Marina ficou triste.
• aparência. 
Exemplo: Esse professor parece exigente.
Frequentemente são usados como verbos de ligação:
• ser • estar
• ficar • permanecer
• parecer • continuar
• tornar-se
• viver (no sentido de “estar sempre”) 
• andar (no sentido de “estar”)
Observe que esses verbos só são empregados como
verbos de ligação quando
• não têm significação própria;
• não indicam nenhuma ação;
• não indicam a posição do sujeito num lugar;
• ligam o sujeito a um nome.
O verbo de ligação une ao sujeito uma característica
denominada PREDICATIVO DO SUJEITO.
Exemplo:
O silêncio estava pesado.
Pesado é predicativo do sujeito, pois está unido ao sujeito
“o silêncio” pelo verbo de ligação “estava”.
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PORTUGUÊS290
Examine os verbos sublinhados no seguinte fragmento poético:
1 No poema, há verbos que indicam uma ação do sujeito, são
chamados verbos nocionais, ou seja, verbos que indicam
atividade ou ocorrência. Transcreva-os.
RESOLUÇÃO: “vivi”, “nasci”, “tive”.
2 Quando o predicado indica ação, seu núcleo é um verbo
nocional, como os verbos da resposta anterior. Como se chama
o predicado que contém esses verbos?
RESOLUÇÃO: Chama-se predicado verbal.
3 No poema, verifique se há um ou mais verbos que apenas
indicam estado, isto é, que apenas unem ao sujeito uma quali -
dade, situação ou característica. Se houver, transcreva-os.
RESOLUÇÃO: “sou” (duas vezes), “é”.
4 Quando o predicado indica uma propriedade (qualidade,
estado) do sujeito, seu núcleo é um nome (substantivo ou
adjetivo) e nesse caso os verbos são de ligação, como o verbo
ser. Como se chama o predicado que contém esses verbos?
RESOLUÇÃO: Chama-se predicado nominal. 
5 Transcreva do poema os adjetivos ou substantivos, junto
aos verbos de ligação, que atribuem uma propriedade, qualidade
ou situação ao sujeito. 
RESOLUÇÃO: "triste", "orgulhoso", "de ferro", "funcionário pú -
blico", "uma fotografia".
6 Qual a função sintática exercida pelos adjetivos e subs -
tantivos indicados na resposta do exercício anterior?
RESOLUÇÃO:
Eles exercem a função sintática de predicativo do sujeito.
7 Com base nas explicações anteriores, grife o predicativo do
sujeito dos trechos. 
a) “– Seremos felizes.” (Machado de Assis)
RESOLUÇÃO: “felizes“. 
b) “Só o poeta permanecera impassível...” (Eça de Queirós)
RESOLUÇÃO: “impassível“.
c) “Fique quieto no seu canto.” (Carlos Drummond de Andrade)
RESOLUÇÃO: “quieto“.
d) “Nunca estou em solidão. Os rios, as matas e os índios são
minha eterna companhia.” (Orlando Villas-Boas)
RESOLUÇÃO: 
“em solidão“, “minha eterna companhia“. 
e) “Fabiano estava de bom humor.” (Graciliano Ramos)
RESOLUÇÃO: 
“de bom humor“ (= bem-humorado).
8 Algumas vezes, os verbos listados como de ligação não têm
predicativo, vêm seguidos apenas de circunstância de lugar,
tempo ou outras. Nesse caso, eles não são verbos de ligação,
mas verbos nocionais intransitivos (que não pedem comple -
mentos). Analise as frases abaixo. 
a) “Não permaneceriaali muito tempo.” (Graciliano Ramos)
RESOLUÇÃO: 
“Ali” indica circunstância de lugar e “muito tempo”, de tempo, por
isso o verbo permanecer é intransitivo e o predicado é verbal.
b) “– Ora essa! Então o senhor D. Jacinto está em Tormes?”
(Eça de Queirós)
RESOLUÇÃO:
“Em Tormes” indica circunstância de lugar, por isso o verbo estar
é intransitivo e o predicado é verbal.
9 Dê o sentido dos verbos de ligação nas duas frases abaixo:
a) O menino é alegre.
b) O menino está alegre.
RESOLUÇÃO: 
Na primeira, o verbo ser indica condição permanente; na segunda,
condição temporária.
CONFIDÊNCIA DO ITABIRANO
Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. 
(...)
Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede. 
Mas como dói!
(Carlos Drummond de Andrade)
Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”, digite PORT2M107
No Portal Objetivo
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PORTUGUÊS 291
O autor do texto abaixo critica, ainda que em
linguagem metafórica, a sociedade contempo -
rânea em relação aos seus hábitos alimentares.
“Vocês que têm mais de 15 anos, se
lembram quando a gente comprava leite em
garrafa, na leiteria da esquina? (...)
Mas vocês não se lembram de nada, pô! Vai
ver nem sabem o que é vaca. Nem o que é
leite. Estou falando isso porque agora mesmo
peguei um pacote de leite — leite em pacote,
imagina, Tereza! — na porta dos fundos e esta -
va escrito que é pasterizado, ou pasteurizado,
sei lá, tem vitamina, é garantido pela
embromatologia, foi enriquecido e o escambau.
Será que isso é mesmo leite? No dicio nário
diz que leite é outra coisa: ‘Líquido branco,
contendo água, proteína, açúcar e sais
minerais’. Um alimento pra ninguém botar
defeito. O ser humano o usa há mais de 5.000
anos. É o único alimento só alimento. A carne
serve pro animal andar, a fruta serve pra fazer
outra fruta, o ovo serve pra fazer outra galinha
(...) O leite é só leite. Ou toma ou bota fora.
Esse aqui examinando bem, é só pra botar
fora. Tem chumbo, tem benzina, tem mais
água do que leite, tem serragem, sou capaz de
jurar que nem vaca tem por trás desse negócio.
Depois o pessoal ainda acha estranho que
os meninos não gostem de leite. Mas, como
não gostam? Não gostam como? Nunca
tomaram! Múúúúúúú!”
(Millôr Fernandes, O Estado de S. Paulo,
22/8/1999)
1 (ENEM) – A crítica do autor é dirigida
a) ao desconhecimento, pelas novas gerações,
da im por tância do gado leiteiro para a economia
nacional.
b) à diminuição da produção de leite após o de -
sen vol vi mento de tec nologias que têm substi -
tuído os pro dutos naturais por produtos
artificiais.
c) à artificialização abusiva de alimentos
tradicionais, com perda de critério para julgar
sua qualidade e sa bor.
d) à permanência de hábitos alimentares a
partir da revolução agrícola e da domesticação
de animais iniciada há 5.000 anos.
e) à importância dada ao pacote de leite para a
con ser vação de um produto perecível e que
necessita de aper feiçoamento tecnológico.
Resolução O caso do leite (“...em pacote…
pasteurizado… tem vita mina, é garantido pela
embromatologia, foi enriquecido e o escambau”)
serve como exemplo para a crítica à “artificiali -
zação abusiva dos alimentos tradicionais”, nos
termos da alternativa c.
Resposta: C
2 (ENEM) – A palavra embromatologia usa -
da pelo autor é
a) um termo científico que significa estudo dos
bro ma tos.
b) uma composição do termo de gíria “embro -
mação” (enga nação) com bromatologia, que é
o estudo dos ali mentos.
c) uma junção do termo de gíria “embro ma -
ção” (en ga na ção) com lactologia, que é o
estudo das em ba la gens para leite.
d) um neologismo da química orgânica que sig -
nifica a téc nica de retirar bromatos dos laticínios.
e) uma corruptela de termo da agropecuária
que significa a ordenha mecânica.
Resolução O autor, para efeito corrosivamente
cômico, elabora uma “palavra-montagem” em que
ocorre o trocadilho mencio nado na alternativa b.
Resposta: B
A questão de número 3 refere-se ao texto
apresentado abaixo.
COISAS INCRÍVEIS NO CÉU E NA TERRA
De uma feita, estava eu sentado sozinho
num banco da Praça da Alfândega quando
começaram a acontecer coisas incríveis no
céu, lá para as bandas da Casa da Correção:
havia uns tons de chá, que se foram avinhando
e se transformaram nuns roxos de insuportável
beleza. Insuportável, porque o sentimento de
beleza tem de ser compartilhado. Quando me
levantei, depois de findo o espetáculo, havia
umas moças conhecidas, paradas à esquina da
Rua da Ladeira.
— Que crepúsculo fez hoje! — disse-lhes
eu, ansioso de comunicação.
— Não, não reparamos em nada —
respondeu uma delas. — Nós estávamos aqui
esperando o Cezimbra.
E depois ainda dizem que as mulheres não
têm senso de abstração...
(Mário Quintana)
3 (ENEM) – O narrador do texto
a) relata, observando de longe, os fatos que
ocorrem ao homem sentado no banco.
b) é testemunha dos fatos vividos pelas pro -
tagonistas, que são objetivamente analisadas.
c) é o protagonista, que expressa a inten -
sidade de suas sensações e emoções.
d) não faz parte do universo narrado, tratando-
se, assim, de um narrador em terceira pessoa.
e) revela conhecimento pleno de tudo o que
ocorre com as personagens, até mesmo de
seus pensamentos.
Resolução Os pronomes e verbos em primeira
pessoa confir mam um narrador persogagem,
que descreve, deslumbrado, um céu que funde
os mais variados matizes. Resposta: C
4 (MACKENZIE – MODELO ENEM) 
O filho já tinha nome, enxoval e destino
traçado. Era João como o pai, e como acon -
selhavam a devoção e a pobreza. Enxoval e
brinquedos de pobres, comprados com antece -
dência que caracteriza, não os previdentes,
mas os sonhadores. E destino, para não dizer
profissão, ou melhor, ofício, era o de pedreiro,
curial ambição do pai, que, embora na casa dos
30, trabalhava ainda de servente.
Tudo isso o menino tinha, mas não havia
nascido. Eles nascem antes, nascem no
momento em que se anunciam, quando há
realmente desejo de que venham ao mundo. O
parto apenas dá forma a uma realidade que já
funcionava. Para João mais velho, João mais
moço era companhia tão patente quanto os
colegas da obra, e muito mais ainda, pois
quando se separavam ao toque da sineta, os
colegas deixavam por assim dizer de existir,
cada um se afundava em sua insignificância, ao
passo que o menino ia encolhido naquele trem
do Realengo, e eram longas conversas entre
João e João, e João miúdo adquiria ainda maior
consistência ao chegarem em casa, quando a
mãe, trazendo-o no ventre, contudo o esperava
e recebia das mãos do pai, que de madrugada
o levava para a obra.
(Carlos Drummond de Andrade)
I. No primeiro parágrafo, temos uma decla -
ração introdutória, seguida de orações que
expandem e explicam cada uma das ideias nela
contidas.
II. No segundo parágrafo, as orações “...quan -
do há realmente desejo de que venham ao
mundo...” apresentam uma circuns tância de
tempo em relação às anteriores.
III. No último período do texto, a conjunção
contudo expressa a oposição entre as ideias de
trazer o filho no ventre e, simul taneamente,
esperá-lo e recebê-lo do pai que volta para casa.
A partir da relação entre as afirmações acima e
a crônica, assinale:
a) se apenas III está correta.
b) se apenas II e III estão corretas.
c) se todas estão corretas.
d) se apenas I e II estão corretas.
e) se apenas II está correta.
Resolução Em I, o texto confirma a introdução:
“O filho já tinha nome, enxoval e destino
traçado.” e a seguir a explicação das ideias nela
contidas; em II, as orações dão ideia de tempo
em relação às anteriores (quando); contudo, em
III, é conjunção coordenativa adversativa
indicando contraste, oposição.
Resposta: C
13 Crônica: interpretação • Funções da linguagem• Situação de interlocução
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PORTUGUÊS292
1 Qual das funções da linguagem predomina no texto?
Explique.
RESOLUÇÃO:
Predomina a funçãometalinguística, pois o assunto do texto é
linguagem (uma discussão em torno de uma palavra que se
procura para designar um objeto que, sem ela, não se pode saber
qual seja).
2 Algumas das falas do vendedor — “Pois não”, “Sim?”, “Sim
senhor” (onde caberia uma vírgula depois de “sim”) —têm
apenas a função de fazer que o interlocutor continue falando.
Nesse caso, de que função da linguagem se trata? Por quê?
RESOLUÇÃO:
Trata-se da função fática da linguagem, pois nessas falas o
vendedor comunica apenas que está ouvindo e que o interlocutor
pode continuar falando. Portanto, essas mensagens se referem ao
contato (canal) entre os dois falantes, ou seja, elas visam apenas a
fazer que a comunicação prossiga.
COMUNICAÇÃO
É importante saber o nome das coisas. Ou, pelo menos,
saber comu nicar o que você quer. Imagine-se entrando numa
loja para comprar um... um... como é mesmo o nome? 
“Posso ajudá-lo, cavalheiro?” 
“Pode. Eu quero um daqueles, daque les...” 
“Pois não?” 
“Um... como é mesmo o nome?” 
“Sim?” 
“Pomba! Um... um... Que cabeça a minha. A palavra me
escapou por completo. É uma coisa simples, conhe cidíssima.” 
“Sim senhor.” 
“O senhor vai dar risada quando souber.” 
“Sim senhor.” 
“Olha, é pontuda, certo?” 
“O quê, cavalheiro?” 
“Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende?
Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem reto de novo,
e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na
ponta tem outra volta, só que esta é mais fechada. E tem um,
um... Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco
onde encaixa a outra ponta, a pontuda, de sorte que o, a, o
negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa pontuda que
fecha. Entende?” 
“Infelizmente, cavalheiro...”
“Ora, você sabe do que eu estou falando.”
“Estou me esforçando, mas...”
“Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo
numa ponta, certo?” 
“Se o senhor diz, cavalheiro...”
“Como, se eu digo? Isso já é má vontade. Eu sei que é
pontudo numa ponta. Posso não saber o nome da coisa, isso
é um detalhe. Mas sei exatamente o que eu quero.” 
“Sim senhor. Pontudo numa ponta.” 
“Isso. Eu sabia que você compreen deria. Tem?” 
“Bom, eu preciso saber mais sobre o, a, essa coisa. Tente
descrevê-la outra vez. Quem sabe o senhor desenha para nós?” 
“Não. Eu não sei desenhar nem casinha com fumaça
saindo da chaminé. Sou uma negação em desenho.” 
“Sinto muito.” 
“Não precisa sentir. Sou técnico em contabilidade, estou
muito bem de vida. Não sou um débil mental. Não sei
desenhar, só isso. E hoje, por acaso, me esqueci do nome
desse raio. Mas fora isso, tudo bem. O desenho não me faz
falta. Lido com números. Tenho algum problema com os
números mais complicados, claro. O oito, por exemplo. Tenho
que fazer um rascunho antes. Mas não sou um débil mental,
como você está pensando.”
“Eu não estou pensando nada, cavalheiro.” 
“Chame o gerente.” 
“Não será preciso, cavalheiro. Tenho certeza de que
chegaremos a um acordo. Essa coisa que o senhor quer, é
feito do quê?” 
“É de, sei lá. De metal.” 
“Muito bem. De metal. Ela se move?” 
“Bem... É mais ou menos assim. Presta atenção nas minhas
mãos. É assim, assim, dobra aqui e encaixa na ponta, assim.” 
“Tem mais de uma peça? Já vem montado?” 
“É inteiriço. Tenho quase certeza de que é inteiriço.” 
“Francamente.” 
“Mas é simples! Uma coisa simples. Olha: assim, assim,
uma volta aqui, vem vindo, vem vindo, outra volta e clique,
encaixa.”
“Ah, tem clique. É elétrico.” 
“Não! Clique, que eu digo, é o barulho de encaixar.” 
“Já sei!” 
“Ótimo!” “O senhor quer uma antena externa de
televisão.” 
“Não! Escuta aqui. Vamos tentar de novo...”
“Tentemos por outro lado. Para o que serve?”
“Serve assim para prender. Entende? Uma coisa pontuda
que prende. Você enfia a ponta pontuda por aqui, encaixa a
ponta no sulco e prende as duas partes de uma coisa.” 
“Certo. Esse instrumento que o senhor procura funciona
mais ou menos como um gigantesco alfinete de segurança
e...”
“Mas é isso! É isso! Um alfinete de segurança!” 
“Mas do jeito que o senhor descrevia parecia uma coisa
enorme, cavalheiro!” 
“É que eu sou meio expansivo. Me vê aí um... um... Como
é mesmo o nome?”
(VERISSIMO, Luis Fernando. Para gos tar de ler. 
São Paulo: Ática, 1982. v. 7.)
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PORTUGUÊS 293
3 Há também no texto a função conativa. Identifique as
passagens em que ela ocorre. Justifique sua resposta.
RESOLUÇÃO:
“Olha”, “O quê, cavalheiro?”, “Escuta”, “Chame o gerente”, “Me
vê aí”.
A função conativa evidencia-se no emprego de verbos no
imperativo e no uso do vocativo “cavalheiro”; os dois recursos
indicam um apelo ao interlocutor.
4 No texto, quando o narrador reproduz, em discurso direto,
as palavras dos dois personagens, não aparecem verbos decla -
rativos ou de elocução, tais como, disse, perguntou, respondeu. 
a) Por que meio fica o leitor sabendo que se estabelece um
diálogo entre os personagens?
RESOLUÇÃO:
As aspas, no contexto, indicam que as frases são transcrições das
falas. São característicos do diálogo: uso do vocativo para apelo
ao interlocutor (“cavalheiro”), falas com verbos no presente e troca
de informações entre os falantes.
b) Com a omissão dos verbos declarativos ou de elocução, que
efeito estaria buscando o escritor?
RESOLUÇÃO:
O efeito é atualizar a história, presentificando a ação.
5 Por que o título do texto é “Comunicação”? A narrativa
corresponde ao título?
RESOLUÇÃO:
O título “Comunicação” deve-se à presença de diálogo; entretanto,
constitui um deboche, pois o que ocorre é uma tentativa de
comunicação que só se efetiva no final do texto.
F Considerando-se o processo de comunicação (aula 8), em
que elemento está centrado o diálogo entre os perso nagens?
Por quê?
RESOLUÇÃO:
Como a discussão se refere ao nome de um objeto, ou seja, a uma
palavra, ela está centrada no código, isto é, na linguagem em que
ocorre a comunicação. Um código é um sistema de signos (as
palavras, no caso da linguagem) e de regras que determinam o
sentido e o uso desses signos (a gramática, no caso da linguagem). 
G (PUCCAMP – MODELO ENEM) – Leia atentamente a
história em quadrinhos e o poema abaixo transcritos. 
Texto I
Texto II
Comparando-se os textos, é correto afirmar:
a) I inovou ao constituir a narrativa só com o protagonista, sem
a presença de qualquer força antagônica; II, ao fazer uso dos
parênteses, recurso gráfico típico da prosa.
b) I e II assemelham-se porque cada um explora com
exclusividade a forma de linguagem que o caracteriza, a visual
e a verbal, respectivamente.
c) I e II, como distintas formas de expressão, têm objetivos
próprios e se valem de recursos específicos, não cabendo
qualquer tipo de aproximação entre eles.
d) I e II, mesmo pertencendo a diferentes gêneros, manifestam
em comum o humor e a presença da metalinguagem.
e) I e II estruturam-se de forma semelhante: em ambos, as
unidades – quadros e estrofes – podem ser justapostas de
maneiras distintas, sem prejuízo dos textos. 
RESOLUÇÃO: Na tirinha, o fato de o personagem utilizar um
elemento do próprio código (as margens laterais da tirinha) confi -
gura função meta linguística. No poema, o eu poemático discorre
sobre o fato de ser poeta, o que também indica que a mensagem
está centrada no códido.
Resposta: D
Eu sou o poeta mais importante
da minha rua.
(Mesmo porque a minha rua
é curta.)
(PAES, José Paulo. Socráticas: poemas. 
São Paulo: Companhia das Letras, 2001. p. 37.)
Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL
OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”,
digite PORT2M108
No Portal Objetivo
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PORTUGUÊS294
JOSÉ
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
(...) 
Se você gritasse, 
se você gemesse,
se você tocasse ,
a valsa vienense, 
se você dormisse,
se você cansasse, 
se você morresse... 
Mas você não morre, 
você é duro, José!
(Carlos Drummond de Andrade)
1 (MODELO ENEM) – Sobre o poema acima:
I. Há predomínio de verbosintransitivos,
explicitando a impossibilidade de ação do
personagem José.
II. Há predomínio de verbos de ligação e os
predicativos atribuem condição transitória ao
personagem José. 
III. Há predomínio de verbos transitivos diretos
e seus comple mentos verbais indicam o objeto
para o qual converge a ação de José.
IV. A conjunção se que inicia alguns versos
exprime pos sibilidades que José não realiza.
V. A única qualidade dada a José é duro,
predicativo do sujeito em linguagem conotativa,
ou seja, figurada. 
Está correto o que se afirma 
a) apenas em I, III e IV. 
b) apenas em I, II e III. 
c) apenas em I, IV e V. 
d) apenas em II, III e IV. 
e) apenas em III, IV e V. 
Resolução
Em II, a afirmação de que há predicativos é
incorreta; em III, os verbos são intransitivos e
não transitivos diretos.
Resposta: C 
2 (FGV – MODELO ENEM) – Assinale a
alternativa em que, pelo menos, um verbo
esteja sendo usado como transitivo direto.
a) Dependeu o coveiro de alguém que rezasse.
b) Oremos, irmãos!
c) Chega o primeiro raio da manhã.
d) Loureiro escolheu-nos como padrinhos.
e) Contava com o auxílio de Marina para cuidar
do evento.
Resolução
O verbo escolheu, empregado como transitivo
direto, tem como complemento (objeto direto)
o pronome oblíquo átono nos. Os verbos das
alternativas b e c estão em pregados como
intransitivos; os das alternativas a e e, como
transitivos indiretos.
Resposta: D 
Se eu tivesse uma prova de que Madalena
era inocente, dar-lhe-ia uma vida como ela
nem imaginava.
(Graciliano Ramos, São Bernardo)
3 (MODELO ENEM) – Os verbos desta -
cados podem ser classificados quanto à
predicação como
a) transitivo direto, de ligação, transitivo direto,
intransitivo.
b) transitivo indireto, intransitivo, transitivo
direto e indireto, transitivo indireto.
c) transitivo direto, de ligação, transitivo direto
e indireto, intransitivo.
d) intransitivo, de ligação, transitivo indireto,
intransitivo.
e) transitivo direto, intransitivo, transitivo direto
e indireto, transitivo direto.
Resolução
O verbo ter é transitivo direto com objeto direto
uma prova; o verbo ser é de ligação com
predicativo do sujeito inocente; dar é transitivo
direto e indireto com objeto direto uma vida e
indireto lhe; imaginar é intransitivo porque não
tem complemento verbal.
Resposta: C
Texto para a questão 4.
Ornemos nossas testas com as flores,
e façamos de feno um brando leito; 
prendamo-nos, Marília, em laço estreito, 
gozemos do prazer de sãos amores (...)
(...) aproveite-se o tempo, antes que faça
o estrago de roubar ao corpo as forças
e ao semblante a graça.
(Tomás Antônio Gonzaga)
4 (MACKENZIE – MODELO ENEM) – No
poema, roubar exigiu objeto direto e indireto.
Assinale a alternativa que contém verbo
empregado do mesmo modo.
a) Ele insistiu comigo sobre a questão da
assinatura da revista.
b) Emendou as peças para formar o desenho
de uma casa.
c) Encontrou ao fim do dia o endereço dese -
jado.
d) Eles alinharam aos trancos a ferragem da
bicicleta.
e) Só ontem avisou-me de sua viagem.
Resolução
A oração que emprega os complementos
verbais exigidos é: “só ontem avisou-me de sua
viagem” (me – objeto direto; de sua viagem –
objeto indireto). A alternativa a apresenta verbo
transitivo indireto e adjunto adverbial de
assunto; as demais, verbos transitivos diretos.
Resposta: E
5 (ESPM – MODELO ENEM) – “Sorvete
Kibon decora sua cozinha. E dá nome às
latas.” Os termos destacados são, respec -
tivamente,
a) sujeito, objeto direto, objeto indireto.
b) objeto direto, sujeito, objeto direto.
c) sujeito, objeto direto, objeto direto.
d) sujeito, sujeito, objeto indireto.
e) objeto direto, sujeito, objeto direto.
Resolução
Resposta: A 
16 Predicado verbal • Verbos transitivos• Verbos intransitivos
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PORTUGUÊS 295
Leia com atenção o poema seguinte e responda às questões
que se seguem.
1 No primeiro e no segundo versos do poema, os verbos
enlouqueceu e sonhar não têm complementos verbais.
Classifique esses verbos quanto à predicação.
RESOLUÇÃO: 
Ambos são verbos intransitivos.
2 Classifique os verbos dos versos: "Estava perto do céu, /
Estava longe do mar..." 
RESOLUÇÃO: 
São verbos intransitivos e vêm seguidos de expressões que
indicam lugar. [A pergunta usada para identificar essa circuns -
tância é onde e o professor pode explicar com outros exemplos
extraídos do texto: "Sua alma subiu ao céu, / Seu corpo desceu ao
mar...".]
3 Analise o seguinte verso do poema: "As asas... / Ruflaram
de par em par...":
RESOLUÇÃO: 
Sujeito simples: "As asas".
Verbo intransitivo: "Ruflaram".
Expressão que indica modo: "de par em par".
["De par em par" indica circunstância de modo e a pergunta para
identificá-la é como.]
Concluindo
RESOLUÇÃO: intransitivos, predicado verbal.
4 Na quarta estrofe, pergunte o quê? ou quem? em seguida
aos verbos (pendeu o quê? queria o quê?). Se houver resposta,
o verbo se classifica como transitivo direto e as expressões que
o acom panham são objetos diretos. Isso ocorre? 
RESOLUÇÃO:
Sim, os verbos "pendeu", "queria" e "queria" são transitivos
diretos e as expressões "as asas", "a lua do céu", "a lua do mar" são
objetos diretos.
[Professor, "do céu" e "do mar" são locuções adjetivas e podem
ser substituídas por adjetivos: celeste e marítima. Caso o aluno
fique em dúvida, explique que o objeto direto pode ser substituído
por um pronome oblíquo: pendeu as asas — pendeu-as; queria a
lua do céu — queria-a, não é possível acrescentar "do céu" ou "do
mar" no final, porque o pronome a recupera toda a expressão:
queria-a = queria a lua do céu.] 
Concluindo
RESOLUÇÃO: transitivos diretos, predicado verbal.
Os verbos _____________________________________
têm com ple mento verbal não preposicionado, que
são os objetos diretos. Esses verbos são núcleo do
______________________________________________ .
ISMÁLIA 
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...
E no desvario seu, delírio, loucura
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...
E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par... bateram
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
(Alphonsus de Guimaraens)
Os verbos _____________________________________
não têm complemento verbal, mas podem vir seguidos
de expressões que indicam lugar, tempo, modo etc.
Esses verbos são núcleo do ___________________
________________________________ .
Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL
OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”,
digite PORT2M109
No Portal Objetivo
C1_2A_SOROCABA_PORT_2013_GK 31/10/12 14:28 Page 295
Analise a frase abaixo:
"A paixão pertence aos deuses e às deusas..."
(Robert A. Johnson)
5 Observe que nesse caso não cabe a pergunta o quê? ou
quem? feita após o verbo, mas cabe a quê? ou a quem? A per -
gunta é antecedida da preposição a, como poderia ser
antecedida de qualquer outra preposição que consta do quadro
desta página. Nesse caso, como se classificam o verbo e o
comple mento verbal?
RESOLUÇÃO:
O verbo é transitivo indireto (porque entre ele e seu complemento
há uma preposição) e o complemento verbal é o objeto indireto
"aos deuses e às deusas".
Concluindo
RESOLUÇÃO: transitivos indiretos, predicado verbal.
Analise agora a frase abaixo:
“Tinha dado a Dona Plácida cinco contos de réis...” 
(Machado de Assis)
6 a) Observe que nesse caso você fará duas perguntas. Quais
são elas?
RESOLUÇÃO: O quê? e a quem?
b) Com base nas perguntas feitas, transcreva o objeto direto e
o indireto.
RESOLUÇÃO:
Objeto direto: "cinco contos de réis".
Objeto indireto: "a Dona Plácida".
c) Quanto à predicação, como você classifica a locução verbal
"tinha dado"?
RESOLUÇÃO: 
Trata-se de verbo transitivo direto e indireto.
Concluindo
RESOLUÇÃO: transitivos diretos e indiretos, predicadoverbal.
7 Analise as orações e indique a predicação dos verbos grifados.
VTD – para verbo nocional que rege complemento sem prepo -
sição.
VTI – para verbo nocional que rege complemento com prepo -
sição.
VTDI – para verbo nocional que rege um complemento sem
prepo sição e outro com preposição.
VI – para verbo nocional que não rege complemento, mas pode
vir seguido de adjunto adverbial.
a) “Os pequenos insistiram. Onde estaria a cachorrinha? (...)
De repente Baleia apareceu.” (Graciliano Ramos)
b) “Há emoções que abrem talhos incicatrizáveis na alma da
gente.” (Paulo Setúbal) 
c) “Pensou na mulher, nos filhos e na cachorra morta.”
(Graciliano Ramos)
d) “— Devo ao meu Jacinto uma bela pesca...” (Eça de Queirós)
Concluindo
8 (FGV – MODELO ENEM) – Assinale a alternativa em que
um verbo, tomando outro sentido, tem alterada a sua predicação.
a) O alfaiate virou e desvirou o terno, à procura de um defeito. /
Francisco virou a cabeça para o lado, indiferente.
b) Clotilde anda rápido como um raio. / Clotilde anda adoentada
ultimamente.
c) A mim não me negam lugar na fila. / Neguei o acesso ao
prédio, como me cabia fazer.
d) Não assiste ao prefeito o direito de julgar essa questão. / Não
assisti ao filme que você mencionou.
e) Visei o alvo e atirei. / As autoridades portuárias visa ram o
passaporte.
RESOLUÇÃO: 
A mudança de predicação ocorre com o verbo andar. Na pri meira
oração da alternativa b, o verbo indica ação e significa caminhar e
é intransitivo; na segunda, é verbo de ligação, expressa o estado do
sujeito e tem o sentido de estar.
Resposta: B
O predicado verbal contém verbos nocionais (VI, VTD,
VTI, VTD e I), ou seja, verbos que indicam ação ou
ocorrência e podem necessitar ou não de comple -
mento verbal. Os com ple mentos verbais são o
objeto direto, que não precisa de preposição, e o
objeto indireto, sempre preposi cionado.
( VTDI )
( VTI )
( VTD ) ( VTD )
( VI )
( VI ) ( VI )
Os verbos _____________________________________
________________________ têm dois complementos,
um objeto direto (sem preposição) e um objeto indi -
reto (com prepo si ção). Esse verbo é núcleo do
______________________________________________ . 
Preposição: palavra invariável que serve de conec tivo
de subor dinação entre palavras e orações.
a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em,
entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás.
Os verbos _____________________________________
têm complemento verbal preposicionado, que são os
objetos indiretos. Esses verbos são núcleo do
_______________________________________________ .
PORTUGUÊS296
C1_2A_SOROCABA_PORT_2013_GK 31/10/12 14:29 Page 296
PORTUGUÊS 297
São Paulo vai se recensear. O governo quer
saber quantas pessoas governa. A indagação
atingirá a fauna e a flora domesticadas. Bois,
mulheres e algodoeiros serão reduzidos a
números e invertidos em estatísticas.
O homem do censo entrará pelos bangalôs,
pelas pen sões, pelas casas de barro e de
cimento armado, pelo sobradinho e pelo apar -
tamento, pelo cortiço e pelo hotel, pergun -
tando:
— Quantos são aqui?
Pergunta triste, de resto. Um homem dirá:
— Aqui havia mulheres e criancinhas.
Agora, felizmente, só há pulgas e ratos.
E outro:
— Amigo, tenho aqui esta mulher, este
papagaio, esta sogra e algumas baratas. Tome
nota de seus nomes, se quiser. Querendo levar
todos, é favor… (…)
E outro:
— Dois, cidadão, somos dois. Naturalmente
o sr. não a vê. Mas ela está aqui, está, está! A
sua saudade jamais sairá de meu quarto e de
meu peito! 
(BRAGA, Rubem. Para gostar de ler, v. 3. São
Paulo: Ática, 1998. p. 32-3 (fragmento).)
1 (ENEM) – O fragmento acima, em que há
referência a um fato sócio-histórico — o
recenseamento —, apresenta característica
mar cante do gênero crônica ao
a) expressar o tema de forma abstrata, evo -
cando imagens e buscando apresentar a ideia
de uma coisa por meio de outra.
b) manter-se fiel aos acontecimentos, retra -
tando os persona gens em um só tempo e um
só espaço.
c) contar história centrada na solução de um
enigma, cons truin do os personagens psicologi -
camente e revelando-os pouco a pouco.
d) evocar, de maneira satírica, a vida na cidade,
visando trans mitir ensinamentos práticos do
cotidiano para manter as pes soas informadas.
e) valer-se de tema do cotidiano como ponto
de partida para a construção de texto que
recebe tratamento estético.
Resolução
Já a designação do gênero – crônica – sugere a
temática ligada ao cotidiano. No caso do texto
transcrito, trata-se de uma medida gover -
namental, o recenseamento. O autor dá “trata -
mento esté tico” a esse tema ao repre sentar
situações existenciais fictícias, de conteúdo
emo cional variado, com que se confrontariam
os recen seadores. 
Resposta: E
INSTRUÇÃO: As questões de números 2 a
5 referem-se ao texto seguinte.
Na minha opinião, existe no Brasil, em per -
ma nente funcio namento, não fechando nem para
o almoço, uma Central Geral de Maracutaia.
Não é pos sível que não exista. E, com toda a
certeza, é uma das organizações mais perfeitas
já constituídas, uma con tribuição inestimável
do nosso país ao patri mônio da raça humana.
Nada de novo é implantado sem que surja no
mesmo instante, às vezes sem intervalo visível,
imediatamen te mesmo, um esquema bem
montado para fraudar o que lá seja que tenha
sido criado. [...] Exemplo mais recente ocorreu
em São Paulo, mas podia ser em qualquer
outra cidade do país, porque a CGM é onipre -
sente, não deixa passar nada, nem discrimina
ninguém. Segundo me contam aqui, a prefei -
tura de São Paulo agora fornece caixão e
enterro gratuitos para os doadores de órgãos,
certamente os mais pobres. Basta que a família
do morto prove que ele doou pelo menos um
órgão, para receber o benefício. Mas claro, é
isso mesmo, você adi vi nhou, ser brasileiro é
meramente uma questão de prática. Surgiram
indivíduos ou organizações que, mediante uma
módica contraprestação pecuniária, fornecem
do cumentação falsa, “provando” que o defunto
doou órgãos, para que o caixão e o enterro
sejam pagos com dinheiro público.
(João Ubaldo Ribeiro, O Estado de S.Paulo,
18/09/2005.)
2 (UFSCar – MODELO ENEM) – A frase de
João Ubaldo — “E, com toda a certeza, é uma
das organizações mais perfeitas já constituídas,
uma contribuição ines ti má vel do nosso país ao
patri mônio da raça humana” — reveste-se de
um aspecto
a) discriminatório. b) gentil. c) medíocre.
d) irônico. e) ufanista.
Resolução A ironia consiste em afirmar o
contrário daquilo que se quer dizer: a frase
exclamativa e congratulatória de João Ubaldo
Ribeiro refere-se, na verdade, não a um como
feito louvável, mas a um vício execrável.
Resposta: D
3 (UFSCar – MODELO ENEM) – No trecho
— “... uma contri buição inestimável do nosso
país ao patrimônio da raça humana.” —,
contribuição tem como referência
a) o Brasil, em geral. 
b) fechamento para o almoço.
c) a Prefeitura de São Paulo.
d) a opinião do autor.
e) Central Geral de Maracutaia.
Resolução O autor se refere à entidade fictícia
que ele imagina como geradora e controladora
da corrupção nacional.
Resposta: E
4 (UFSCar – MODELO ENEM) – O trecho
— “... a CGM é onipre sente, não deixa passar
nada, nem discrimina ninguém.” — pode ser
reescrito, sem alteração de sentido, como:
a) a CGM é sempre presente, não deixa passar
nada, nem inocenta ninguém.
b) a CGM é ubíqua, não deixa passar nada, nem
absolve ninguém.
c) a CGM é virtual, não deixa passar nada, nem
exclui ninguém.
d) a CGM é quase presente, não deixa passar
nada, nem distingue ninguém.
e) a CGM está presente em todo lugar, não
deixa passar nada, nem segrega ninguém.
Resolução Onipresente significa “presente em
todo lugar”. Dis cri minar é “separar, distinguir,
isolar”, o mesmo que segregar.
Resposta: E
5 (UFSCar – MODELO ENEM) – Assinale a
alternativa em que a subs tituição das palavras
destacadas mantém o mesmo sen tido original
do trecho: “Exemplo mais recente ocor reu em
São Paulo, mas podia ser em qualquer outra
cidade do país, porque a CGM é onipresente...”
a) Exemplo mais recente ocorreu em São
Paulo, noentanto podia ser em qualquer outra
cidade do país, uma vez que a CGM é onipre -
sente.
b) Exemplo mais recente ocorreu em São
Paulo, pois podia ser em qualquer outra cidade
do país, já que a CGM é onipresente.
c) Exemplo mais recente ocorreu em São
Paulo, podia, pois, ser em qualquer outra cidade
do país, visto que a CGM é onipresente.
d) Exemplo mais recente ocorreu em São
Paulo, apesar disso podia ser em qualquer outra
cida de do país, assim que a CGM é
onipresente.
e) Exemplo mais recente ocorreu em São
Paulo, já que podia ser em qualquer outra
cidade do país, à me dida que a CGM é
onipresente.
Resolução As conjunções mas e porque
estabelecem, no período trans crito, relações,
respectivamente, de oposição e explicação/
causa. As mesmas relações são mantidas com
o emprego das conjunções “no entanto” e
“uma vez que”.
Resposta: A
17
Crônica 
narrativa: interpretação
• Variedades linguísticas populares
• Linguagem coloquial
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PORTUGUÊS298
A crônica pode ser narrativa, ou seja, semelhante a um
pequeno conto. No entanto, difere deste não apenas quan -
to à extensão, mas também quanto à linguagem. A crônica
busca a intimidade e o humor, numa linguagem coti diana que
encontra receptividade em todos os leitores. Os cro nis tas
criaram uma diversidade de estilos, compondo crôni cas
narrativas em que as sutilezas humorísticas alternam-se
com a crítica irreverente ou com o lirismo enternecedor.
INSTRUÇÃO: As questões de números A a E baseiam-se no
texto de Moacyr Scliar.
A (UNIFESP – MODELO ENEM) – No texto, a ideia de ilusões
perdidas diz respeito à
a) realização da maternidade que, na verdade, não atinge a sua
plenitude.
b) desolação da jovem mãe ao ver que a casa recebida não era
luxuosa como concebera.
c) alegria da mãe com a casa e à superação da tristeza pela
doação da criança.
d) melancolia da mãe por programar todas as crianças que teria
para trocar por casas.
e) certeza do homem de que a mulher não formará com ele um
lar na casa nova.
RESOLUÇÃO:
A maternidade, nos termos eufemísticos do examinador, "não
atinge a sua plenitude" porque a mãe, embora tenha dado a criança
à luz, é forçada a desistir dela, aceitando a imposição do marido de
trocá-la pela casa. 
Resposta: A
B (UNIFESP – MODELO ENEM) – O casal age de modo
contrário aos senti mentos comuns de justiça e dignidade. No
contexto da narrativa, tais comportamentos explicam-se
a) pela falta de amor que há entre a mulher e o companheiro, fa -
zen do com que tudo que os rodeia se torne um negócio vantajoso.
b) pelo amor exagerado que a mulher sente e pela confusão de
sentimentos que o companheiro vive na descoberta desse amor.
c) pelo ódio exagerado que a mulher sente do companheiro e
pela forma displicente e pouco amável como ele a vê.
d) pela submissão exagerada da mulher ao companheiro e pela
forma mesquinha e interesseira como ele resolve as coisas.
e) pela forma irresponsável com que a mulher age em relação
ao companheiro, o que o faz tomar atitudes impensadas.
RESOLUÇÃO: 
Os princípios de justiça e dignidade são aviltados na relação marido
e mulher, porque ele, com suas atitudes despóticas, reduz o ser
humano a moeda de troca (filhos/casas) e a mulher a mera
reprodutora. Ela se submete à sandice autoritária do marido, num
servi lismo que a rebaixa a uma condição degradante.
Resposta: D
C (UNIFESP) – Eu faço tudo que você quiser, eu dou um jeito
de arranjar trabalho, eu sustento o nenê, mas, por favor, me
deixe ser mãe.
Mantida a mesma forma de tratamento e supondo que a frase
fosse proferida pelo homem, ela assumiria a seguinte forma:
a) Faças tudo que eu quero, dês um jeito de arranjar trabalho,
sustentas o nenê, que eu te deixo ser mãe.
b) Faz tudo que eu quero, dê um jeito de arranjar trabalho,
sustenta o nenê, que eu lhe deixo ser mãe.
c) Faz tudo que eu quero, dá um jeito de arranjar trabalho,
sustenta o nenê, que eu deixo você ser mãe.
d) Faça tudo que eu quero, dá um jeito de arranjar trabalho,
sustente o nenê, que eu lhe deixo ser mãe.
e) Faça tudo que eu quero, dê um jeito de arranjar trabalho,
sustente o nenê, que eu a deixo ser mãe.
RESOLUÇÃO:
Se a frase dita pela esposa fosse proferida pelo marido, seria
necessário empregar os três primeiros verbos no imperativo,
mantendo a terceira pessoa do singular: faça, dê e sustente.
Resposta: E
A CASA DAS ILUSÕES PERDIDAS
Quando ela anunciou que estava grávida, a primeira reação
dele foi de desagrado, logo seguida de franca irritação. Que
coisa, disse, você não podia tomar cuidado, engravidar logo
agora que estou desem pregado, numa pior, você não tem
cabe ça mesmo, não sei o que vi em você, já deveria ter
trocado de mulher havia muito tempo. Ela, naturalmente,
chorou, chorou muito. Disse que ele tinha razão, que aquilo
fora uma irrespon sabilidade, mas mesmo assim queria ter o
filho. Sempre sonhara com isso, com a maternidade — e
agora que o sonho estava prestes a se realizar, não deixaria
que ele se desfizesse.
— Por favor, suplicou. — Eu faço tudo que você quiser, eu
dou um jeito de arranjar trabalho, eu sustento o nenê, mas,
por favor, me deixe ser mãe.
Ele disse que ia pensar. Ao fim de três dias daria a
resposta. E sumiu.
Voltou, não ao cabo de três dias, mas de três meses.
Àquela altura ela já estava com uma barriga avantajada que
tornava impossível o aborto; ao vê-lo, esqueceu a descon -
sideração, esqueceu tudo — estava certa de que ele vinha
com a mensagem que tanto esperava, você pode ter o nenê,
eu ajudo você a criá-lo.
Estava errada. Ele vinha, sim, dizer-lhe que podia dar à luz
a criança; mas não para ficar com ela. Já tinha feito o negócio:
trocariam o recém-nascido por uma casa. A casa que não
tinham e que agora seria o lar deles, o lar onde — agora ele
prometia — ficariam para sempre.
Ela ficou desesperada. De novo caiu em prantos, de novo
im plorou. Ele se mostrou irredutível. E ela, como sempre,
cedeu.
Entregue a criança, foram visitar a casa. Era uma modesta
construção num bairro popular. Mas era o lar prometido e ela
ficou extasiada. Ali mesmo, contudo, fez uma declaração:
— Nós vamos encher esta casa de crianças. Quatro ou
cinco, no mínimo.
Ele não disse nada, mas ficou pensando. Quatro ou cinco
casas, aquilo era um bom começo.
(Moacyr Scliar, Folha de S. Paulo, 14/6/1999)
C1_2A_SOROCABA_PORT_2013_GK 31/10/12 14:29 Page 298
PORTUGUÊS 299
D (UNIFESP – MODELO ENEM) – Ele não disse nada, mas fi -
cou pensando. Quatro ou cinco casas, aquilo era um bom começo.
As duas frases finais do texto deixam evidente que ter mais filhos
a) é uma possibilidade pouco atraente para o casal que, por
hora, já conquistou algo à custa de sofrimento.
b) será para o casal uma forma de alcançar a felicidade, já que a
mulher e seu companheiro poderão ter a casa cheia de crianças.
c) pode tornar-se lucrativo na ótica do companheiro, embora a
mulher ainda veja isso com olhos sonhadores.
d) se torna uma forma de compensar o episódio pouco feliz da
doação do primeiro filho do casal.
e) não alteraria em nada a vida do casal, já que não haveria
como fazer os dois esquecerem a criança doada.
RESOLUÇÃO: 
A perspectiva do companheiro é a do lucro, porque ele já planejou
a troca de futuros bebês por outras casas; ela, porém, acreditava
ingenuamente que desempe nharia seu papel de mãe.
Resposta: C
E (UNIFESP) – No texto, há muitas retomadas pronominais,
basica mente expressas pelos prono mes ele e ela. Isso não gera
ambiguidade principalmente porque
a) se alternam os pronomes com sinônimos.
b) as referências dos pronomes são muito restritas.
c) as formas verbais estão todas no mesmo tempo.
d) todos os pronomes poderiam ser omitidos.
e) as frases curtas limitam a interpretação.
RESOLUÇÃO: 
O emprego quase exclusivo dos pronomes ele e ela não provoca
am biguidade, porque o enredo da crônica gira em torno de apenas
duas personagens e o contexto esclarece que se trata de marido e
mulher. 
Resposta: B
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No Portal Objetivo
1 (VUNESP)
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Faça o que é pedido:
a) Reescreva a estrofe anterior, substituindo
os termos desta cados pelo pronome pessoal
correspondente e elimine as expressões
adverbiais.
b) Classifique os verbos do período reescrito,
quanto à pre dicação.
Resolução
a) Vi-o, catando-a.
b) Ver e catar são, no texto, transitivos diretos.
2 (UNIP – MODELO ENEM) – Substituindo-
se os comple mentos verbais destacados em:
“Eu traçaria o plano, intro duziria na história
rendimentos de agricultura e pecuária, faria
as despesas e poria o meu nome na capa.”
por pronomes oblíquos, obtêm-se
a) o, -los, -las, -lo.
b) -lo, -lhes, -las, -o.
c) o, -lhes, -as, -lo.
d) -lo, -los, -lhes, -lhe.
e) lhe, -lhes, -lhes, -lo.
Resolução
Resposta: A
Os testes 3 e 4 referem-se ao seguinte
texto:
Retirei a corda do bolso e em alguns saltos,
silenciosos como o das onças de José Bahia,
estava ao pé de Julião Tavares. Tudo isto é
absurdo, é incrível, mas realizou-se natural -
mente. A corda enlaçou o pescoço do homem,
e as minhas mãos apertadas afastaram-se.
Houve uma luta rápida, um gor golejar, uns
braços a debater-se. Exatamente o que havia
ima ginado. O corpo de Julião Tavares ora
tombava para frente e ameaçava arrastar-me
ora se inclinava para trás e queria cair em cima
de mim. A obsessão ia desaparecer. Tive um
deslumbramento.
(Graciliano Ramos)
3 (MODELO ENEM) – O sujeito da primeira
oração e da última oração do texto é
a) indeterminado.
b) simples: a corda do bolso.
c) elíptico (oculto).
d) inexistente.
e) composto.
Resolução 
O sujeito da primeira e da última oração do texto
é re pre sentado pelo pronome eu, subentendido
na pessoa verbal (1.a).
Resposta: C
4 (MODELO ENEM) – Os verbos das duas
primeiras orações do texto são, respectiva -
mente,
a) intransitivo e de ligação.
b) transitivo direto e intransitivo.
c) de ligação e intransitivo.
d) transitivo direto e indireto e de ligação.
e) transitivo direto e de ligação.
Resolução
O verbo retirar é transitivo direto porque pede
complemento e não rege preposição. O verbo
estar é intransitivo porque não há, no predicado,
predicativo do sujeito, apenas adjunto adverbial.
Resposta: B
18 Complementos verbais • Objeto direto e indireto• Pronomes oblíquos
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PORTUGUÊS300
1 Nas orações que se seguem, classifique o termo desta cado,
colocando: 
OD – Objeto Direto OI – Objeto Indireto
a) "A mão trêmula da velha tateou o bolso da saia." (Rachel de
Queiroz)
RESOLUÇÃO: OD
b) "Fechou o livro lentamente e abraçou o amigo."
(Machado de Assis)
RESOLUÇÃO: OD
c) "Não queria lembrar-se do patrão nem do soldado amarelo."
(Graciliano Ramos)
RESOLUÇÃO: OI
d) "Ouvindo o tiro e os latidos, sinha Vitória pegou-se à Virgem
Maria e os meninos rolaram na cama chorando alto." (Graciliano
Ramos)
RESOLUÇÃO: OI
e) "Agora tudo dependerá da reação dele. Se for um calhorda,
ele o desafiará." (Luis Fernando Verissimo)
RESOLUÇÃO: OI
B Substitua, nas frases que se seguem, o objeto direto e
indireto em destaque por um destes pronomes oblíquos átonos:
o(os), a(as), no(nos), na(nas), lo(los), la(las), lhe(lhes).
a) O ingênuo sabiá deu crédito àqueles mentirosos.
O ingênuo sabiá ______________________ àqueles men tirosos.
b) O ingênuo sabiá deu crédito àqueles mentirosos.
O ingênuo sabiá __________________________ crédito.
c) Deves refazer a redação com cuidado.
Deves __________________________ com cuidado.
d) Põe as cartas sobre a mesa. 
__________________________ sobre a mesa.
e) Informaram às autoridades o crime ecológico.
__________________________ o crime ecológico.
f) Informaram às autoridades o crime ecológico.
__________________________ às autoridades.
RESOLUÇÃO: a) deu-o; b) deu-lhes; c) refazê-la; d) põe-nas; e)
infor mara-lhes; f) informaram-no.
Concluindo:
C Classifique sintaticamente os pronomes grifados nos
seguintes trechos:
a) Enfim, minha mãe, algumas semanas depois, quando lhe fui
pedir licença para casar, além do consentimento, deu-me igual
profecia, salva a redação própria de mãe: “Tu serás feliz, meu
filho!” (Machado de Assis)
RESOLUÇÃO: 
Todos os pronomes grifados funcionam sintatica mente como
objetos indiretos.
b) “Eu amava Capitu! Capitu amava-me!” (Machado de Assis)
RESOLUÇÃO: objeto direto.
Concluindo:
COMPLEMENTOS VERBAIS são termos inte gran -
tes da oração.
• OBJETO DIRETO: liga-se ao verbo sem prepo sição.
Complementa o sentido de um verbo tran sitivo
direto ou transitivo direto e indireto.
• OBJETO INDIRETO: liga-se ao verbo por prepo -
sição. Complementa o sentido de um verbo tran -
sitivo indireto ou transitivo direto e indireto.
SUBSTITUIÇÕES
• O OBJETO DIRETO pode ser substituído pelos
pronomes oblíquos o(s), a(s). 
Depois de verbos terminados em R, S ou Z, os
verbos per dem essas letras e os pronomes passam a
lo(s), la(s).
Depois de verbos terminados em som nasal, os
pronomes passam a no(s), na(s).
• O OBJETO INDIRETO pode ser substituído pelos
pronomes oblíquos lhe, lhes.
a) Os pronomes oblíquos o, a, os, as (no, na, nos, nas e
lo, la, los, las) exercem função sintática de objeto direto;
b) os pronomes oblíquos lhe, lhes exercem a função
sintática de objeto indireto; 
c) os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos exercem
a função sintática de objeto direto ou objeto indireto,
dependendo do verbo que rege esses pronomes.
Pronomes pessoais oblíquos
Pronomes
pessoais retos
me, te, se,
nos, vos
funcionam
como
objeto
direto ou
objeto
indireto
lhe, lhes
funcionam
como
objeto
indireto
o, a, os, as
funcionam
como
objeto
direto
eu, tu, ele, ela, nós,
vós, eles, elas
funcionam como 
sujeito
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PORTUGUÊS 301
Metalinguagem é a linguagem que fala da própria
linguagem, questionando-a, esclarecendo-a, ou apenas
referindo-se a ela. É a mensagem que fala de si mesma,
de outra mensagem ou do código.
Exemplo
Entendendo linguagem como qualquer manifes ta ção
linguística verbal ou não verbal, temos metalin gua gem
também na propaganda que aborda o processo de
elaboração da própria propaganda, como no caso de uma
mensagem publicitária da Bombril que, de forma
humorística, apresentava a galinha da Maggi e o Elefante
da Cica, personagens de outras propagandas.
Há alguns filmes cujo enredo mostra o processo
cinematográfico de um filme, personagens que são atores
ou, ainda, estúdios de filmagem. A Rosa Púrpura do Cairo
é um exemplo de metalinguagem. A prota gonista,
assistindo a um filme, vê o ator saindo da tela para ter um
romance com ela; ou Cinema Paradiso, em que um
personagem reúne os beijos mais famosos dos filmes
clássicos.
Os comentários machadianos, interrompendo a nar -
rativa para “conversar” com o leitor, são frequentemente
metalin guís ticos:
Há aí, entre as cinco ou dez pessoas que me leem, há
aí uma alma sensível, que está decerto um tanto
agastada com o capítulo anterior, começa a tremer pela
sorte de Eugênia, e talvez...
Há poemas que se referem à própria elaboração da
poesia, num processo metalinguístico:
Escritores às vezes escrevem sobre o próprio ato de
escrever e sua finalidade:
Desde que, adulto, comecei a escrever roman ces,
tem-me animado até hoje a ideia de que o menos que
um escritor pode fazer numa época de atrocidades e
injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer
luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre
ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos
e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da
náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada
elétrica, acen damos o nosso toco de vela ou, em último
caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal
de que não deser tamos nosso posto. (Érico Veríssimo)
A PALAVRA
Já não quero dicionários
consultados em vão. 
Quero só a palavra 
que nunca estará neles 
nem se pode inventar.
Queresumiria o mundo
e o substituiria. 
Mais sol do que o sol, 
dentro da qual vivêssemos 
todos em comunhão, 
mudos, 
saboreando-a. 
(Carlos Drummond de Andrade)
Escrever é um ato livre, universal. Vencer o medo de
escrever, rebaixar a censura prévia, liberar a ima ginação
são passos para a desinibição. (Samir Curi)
19
Interpretação
de textos metalinguísticos
• Metalinguagem
• Linguagem sobre a própria linguagem
Exemplo de metalinguagem em HQ:
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PORTUGUÊS302
Texto para as questões de 1 a 4. 
MEIO-DIA E MEIA
Acho muito simpática a maneira de a Rádio
Jornal do Brasil anunciar a hora: “onze e meia”
no lugar de “vinte e três e trinta”, “um quarto
para as cinco” em vez de “dezesseis e
quarenta e cinco”. Mas confesso minha
implicância com aquele “meio-dia e meia”.
Sei que “meio-dia e meio” está errado;
“meio” se refere à hora e tem de ficar no
feminino. Sim, “meio-dia e meia” está certo.
Mas a língua é como a mulher de César: não
lhe basta ser honesta, convém que o pareça.
Aquele “meia” me dá ideia de teste de colé gio
para pegar estudante distraído. Para que fazer
da nossa língua um alçapão?
Lembrando um conselho que me deu certa
vez um amigo boêmio quando lhe perguntei se
certa fra se estava certa (“olhe, Rubem, faça
como eu, não tope parada com a gramática: dê
uma voltinha e diga a mes ma coisa de outro
jeito”), eu preferiria dizer “do ze e meia” ou
“meio-dia e trinta”, sem nenhuma afe ta ção.
Aliás a língua da gente não tem apenas regras:
tem um espírito, um jeito, uma pequena alma
que aquele “meio-dia e meia” faz sofrer. E,
ainda que se ja errado, gosto da moça que diz:
“Estou meia tris te...” Aí, sim, pelo gênio da
língua, o “meia” está certo.
(Rubem Braga)
1 (MODELO ENEM) – De acordo com o
autor,
a) a norma gramatical mostra-se inútil para a
eficiência da comunicação.
b) até construções corretas podem ferir o
“espírito” da língua.
c) fatores de ordem afetiva devem ser despre -
zados no manuseio da língua.
d) as preocupações gramaticais devem estar
circunscritas ao âmbito escolar.
e) a gramática tortura o falante com cons -
tantes “pega dinhas”.
Resolução
A afirmação apresentada em b encontra-se no
trecho “Aliás a língua da gente não tem apenas
regras: tem um espírito, um jeito, uma pequena
alma que aquele ‘meio-dia e meia’ faz sofrer”.
Resposta: B
2 (MODELO ENEM) – Diante de uma
dificuldade ou dúvida gramatical, o conselho
apresentado no texto é
a) desprezar a preocupação com a possibili -
dade de erro e manter em mente a clareza
necessária à comunicação.
b) dedicar-se com mais afinco aos estudos das
normas de linguagem.
c) ter consciência do problema e deixá-lo claro
ao interlocutor.
d) ignorar o obstáculo e simular, por meios
estético-afetivos, domínio linguístico.
e) parafrasear, reescrever, ou seja, buscar
formas diferentes de expressar a mesma ideia.
Resolução
O que se afirma na alternativa e corresponde
ao trecho em que se transcreve o conselho do
amigo: “olhe, Rubem, faça como eu, não tope
parada com a gramática: dê uma voltinha e diga
a mesma coisa de outro jeito”.
Resposta: E
3 (MODELO ENEM) – O texto estabelece
uma oposição entre
a) forma culta e forma inculta.
b) correção e barbarismo.
c) norma gramatical e espírito da língua.
d) submissão e subversão.
e) autoridade e subserviência.
Resolução O texto estabelece uma contra po -
sição entre a exigência da norma, que pede a
construção “meio-dia e meia”, e o “espírito”
— ou sentimento que os falantes têm da língua
—, que recomendaria a forma “meio-dia e
meio”.
Resposta: C
4 (MODELO ENEM) – No texto, a referência
à mulher de César significa que, em certos
casos,
a) mais valem as aparências que a realidade.
b) as aparências podem disfarçar a realidade,
mas não a eliminam.
c) as aparências importam muito, a realidade
não é suficiente.
d) não adianta parecer sem ser.
e) não se pode parecer algo que não se é.
Resolução
A ideia contida na citação do caso da mulher de
César (que teria sido rejeitada por ele em razão
de suspeita de adultério con fir madamente
falsa) é que, em certos casos, não bastam os
fatos — a mulher de César é hones ta, a
concordância em “meio-dia e meia” está
correta — se as aparências não os confirmam
—, pois parecia que a mulher de César não era
honesta, como parece que “meio-dia e meia”
tem erro de concordância. 
Resposta: C
Texto para as questões A e B.
A (FUVEST) – Na frase "...quem era impolido no infinitivo hoje
é polido no gerúndio", o autor faz uso da ironia, como ocorre em:
a) Suporta-se com paciência a cólica do próximo.
b) A vida, se bem aproveitada, rende encantos inimagináveis.
c) Ser amado mas não ser ouvido por todos é seu grande drama.
d) Dinheiro e negócios são indissociáveis na vida moderna.
e) Não se educa batendo ou xingando.
Resposta: A
B (FUVEST)
"Um momento, vou estar fazendo o seu pedido",
"Vou estar passando o seu recado quando o Dr. José chegar".
Nas frases acima, o emprego abusivo do gerúndio supõe uma
ação que
a) se prolonga indefinidamente no tempo.
b) possui continuidade no passado.
c) se sucede a uma outra no futuro.
d) transcorre em um curto espaço de tempo.
e) é simultânea a uma outra no presente. 
Resposta: A
Tempos houve em que o cidadão que ligasse para algu ma
empresa ou para uma repartição pública (públicas eram quase
todas) com a finalidade de reclamar de algum serviço ou
solicitar algum favor (com polidez) ouvia em 90% das vezes:
"não posso fazer nada". Para amenizar, às vezes o "nada" era
"naaaaada". Agora a pessoa que atende costuma dizer "vou
estar fazendo isto, vou estar fazendo aquilo". Pois bem:
quem era impolido no infinitivo hoje é polido no gerúndio.
(Texto adaptado de José Walter Rossi, 
discussão sobre "gerundismo" – Internet)
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Texto para as questões de C a F.
C (MACKENZIE) – A reprodução de explica ções do neuro -
logista tem, no texto, o intuito de
a) assegurar marcas de oralidade, necessárias ao texto jorna -
lístico atual.
b) separar claramente as opiniões conflitantes — do jornalista e
do especialista consultado — acerca do tema.
c) validar, por meio das palavras de um especialista, as infor -
mações divulgadas no texto.
d) evidenciar a discordância entre o discurso do leigo, presente
no texto da internet, e o do cientista.
e) explicitar o caráter abstrato e tecnicista das des crições mé -
dicas, sempre distantes do uso colo quial da língua.
RESOLUÇÃO: 
O especialista citado no texto corrobora e explica, de um ponto de
vista científico, a informação veiculada.
Resposta: C
D (MACKENZIE) – Assinale a alternativa correta sobre o
primeiro parágrafo do texto.
a) É rigoroso na separação entre a exposição e a forma de
exemplificação de um conceito.
b) Opera com um mecanismo que permite a demonstração
prática da ideia defendida.
c) Divulga, com precisão técnica, uma descoberta científica
recente, ao mesmo tempo em que indica formas de testá-la.
d) Corresponde a um teste científico, que não inclui a expo sição
das hipóteses que o fundamentam.
e) Desenvolve um conceito teórico que tem sua aplicação
exemplificada nos outros parágrafos.
RESOLUÇÃO: 
No primeiro parágrafo, o autor utilizou o expediente de fazer que
a própria forma do texto possibilite a demonstração prática de seu
conteúdo, pois o leitor comprova, em sua própria leitura, a
veracidade do que está sendo afirmado.
Resposta: B
E (MACKENZIE) – Considere as seguintes afirma ções sobre
o segundo parágrafo.
I. A conjunção “mas” (linha 10) permite pressupor que conhe -
cimentos científicos, geralmente, não se manifestam em
brincadeiras.
II. A negativa (linha 8) com que é iniciado tem a função de
simular um diálogo com o leitor.
III. Os dois-pontos (linha 10) introduzem trecho que funda menta
a informação enunciada anterior mente.
Assinale:
a) se todas as afirmativas estiverem corretas.
b) se todas as afirmativas estiverem incorretas.
c) se apenas I e II estiverem corretas.
d) se apenas I e III estiverem corretas.
e) se apenas II e III estiverem corretas.
RESOLUÇÃO: 
A conjunçãomas introduz uma oração que se opõe à anterior;
portanto, a afirmação I interpreta correta mente o texto. O não
inicial do parágrafo 2 funciona como resposta a uma suposta
reação do leitor ao primeiro parágrafo (afirmação II). Os dois-
pontos da linha 10 têm sua função descrita com precisão na
afirmação III.
Resposta: A
F (MACKENZIE) – “Esse mecanismo não funciona apenas
com a leitura...” (linha 17)
Assinale a frase que apresenta sentido equivalente ao do trecho
citado, levando em conta o contexto.
a) Esse mecanismo apenas não funciona com a leitura.
b) Esse mecanismo funciona não apenas com a leitura.
c) Com apenas a leitura, esse mecanismo não funciona.
d) Apenas esse mecanismo não funciona com a leitura.
e) Esse mecanismo não funciona com a leitura.
RESOLUÇÃO: 
Na frase proposta, o advérbio não refere-se a apenas, tal como na
alternativa b. Nas demais alternativas, o não refere-se ao verbo
funciona. 
Resposta: B
1 ”De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesiddae
ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as lrteas de uma
plravaa etãso, a úncia csoia iprotmatne é que a piremria
e a úlmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe
5 ser uma ttaol bçguana que vcoê pdoe anida ler sem
pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa lrtea
isladoa, mas a plaravaa cmoo um tdoo.”
Não, o trecho acima não foi publicado por descuido.
Trata-se de uma brincadeira que está circulando na
10 internet, mas que é baseada em princípios científicos:
“O cérebro aplica um sistema de inferência no processo
de leitura. Esse siste ma, chamado ‘sistema de preen -
chimento’, se baseia em pontos nodais ou relevantes,
a partir dos quais o cérebro completa o que falta ou
15 coloca as partes corretas nos seus devidos lugares”,
explica o neurologista Benito Damasceno.
Esse mecanismo não funciona apenas com a leitura:
“Quando vemos apenas uma ponta de caneta, por
exemplo, somos capazes de inferir que aquilo é uma
20 caneta inteira”, diz Damasceno.
(Evanildo da Silveira)
PORTUGUÊS 303
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PORTUGUÊS304
1 (MODELO ENEM) – Assinale a alternativa
cuja oração apresente predicado do mesmo
tipo que o da frase “Ele sempre reclama
contrariado”:
a) O silêncio era sepulcral.
b) O trem chegou atrasado. 
c) Ele está apressado.
d) O pássaro voou para a mata.
e) Você parece preocupado.
Resolução
A oração do enunciado contém verbo de ação
(reclama) e o estado em que se encontra o
sujeito (contrariado), portanto o predicado é
verbo-nominal. Isso também ocorre em O trem
chegou atrasado, em que chegar é verbo de
ação e atrasado é predicativo do sujeito.
Resposta: B
2 (UE-Ponta Grossa-PR – MODELO ENEM)
– Assinale a opção cuja frase possui predicado
verbo-nominal.
a) O professor entrou na sala pensativo.
b) Ele andava a passos largos.
c) Ninguém lhe era agradável.
d) Em qualquer situação, continuava sorrindo.
e) Foi sofrível tua participação. 
Resolução
O verbo entrar é de ação e pensativo é um
estado do sujeito, assim tem-se verbo
intransitivo e predicativo do sujeito, o que
classifica o predicado como verbo-nominal.
Resposta: A
20 Predicado verbo-nominal • Predicado verbal + predicado nominal
1 Transforme os pares de orações seguintes, que apre sen -
tam predicado verbal e predicado nominal, em uma única oração
com predicado verbo-nominal. Grife e classifique o predicativo.
a) Tu pisavas nos astros. Tu estavas distraída.
RESOLUÇÃO:
Tu pisavas nos astros distraída.
Predicativo do sujeito
b) Começamos um novo ano. Estamos mais confian tes e
esperançosos.
RESOLUÇÃO:
Começamos um novo ano mais confiantes e es pe rançosos.
Predicativo do sujeito
c) O guarda-florestal encontrou os adolescentes. Os adoles -
centes estavam desorientados.
RESOLUÇÃO:
O guarda-florestal encontrou os adolescentes desorientados.
Predicativo do objeto direto
d) A anfitriã recebeu os convidados. A anfitriã estava enver -
gonhada.
RESOLUÇÃO:
A anfitriã recebeu os convidados envergonhada.
Predicativo do sujeito
e) Surpreenderam o amigo. O amigo estava preocupado.
RESOLUÇÃO:
Surpreenderam o amigo preocupado. 
Predicativo do objeto 
2 As frases a seguir têm verbo transitivo direto e pre dica tivo.
Para localizar o predicativo, refaça as frases, substituindo o
objeto di reto por um pronome oblíquo e observe que o adje ti vo
que sobra funciona sintaticamente como predi cativo do sujeito
ou do objeto.
a) Consideraram severa a punição do juiz.
RESOLUÇÃO:
Consideraram-na severa. (predicativo do objeto)
Observe os predicados das orações seguintes.
Ele saiu. Ele estava apressado.
Ele saiu. (predicado verbal)
Ele estava apressado. (predicado nominal)
Observe, agora, a transformação dessas duas orações
em uma única oração, com predicado verbo-nominal.
Ele saiu apressado.
VI Predicativo do sujeito
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PORTUGUÊS 305
b) A herança deixou rica a família.
RESOLUÇÃO:
A herança deixou-a rica. (predicativo do objeto)
c) Ele pronunciou tais palavras revoltadíssimo.
RESOLUÇÃO:
Ele pronunciou-as revoltadíssimo. (predicativo do sujeito)
3 Sublinhe os predicativos e coloque
PS – para predicativo do sujeito; PO – para predicativo do objeto. 
a) ( PS ) Os colegas conversaram distraídos.
b) ( PS ) A plateia ouvia-o interessada.
c) ( PO ) Depois de um exame atento, considerei o caso perdido.
d) ( PO ) A faculdade diplomou o rapaz médico.
e) ( PO ) O sertão tem-no como corajoso.
f) ( PS ) Para nossa tristeza, muitos morreram afogados no
acidente.
g) ( PS ) A moça caminhou receosa para o meio da sala.
h) ( PO ) Tacharam-no de desonesto.
i) ( PO ) "Capitu chamava-me às vezes bonito, mocetão, uma
flor..." (Machado de Assis)
j) ( PO ) "Pensem nas crianças / Mudas telepáticas." (Vinicius 
de Moraes) 
4 “O diretor ouviu o funcionário preocupado.” 
a) O predicativo, na frase dada, é do sujeito ou do objeto?
RESOLUÇÃO: 
Não é possível classificar o predicativo porque a frase é ambígua.
b) Reescreva a frase desfazendo o problema apontado na
questão anterior.
RESOLUÇÃO:
I. O diretor, preocupado, ouviu o funcionário.
Preocupado, o diretor ouviu o funcionário.
O diretor ouviu preocupado o funcionário.
II. O diretor ouviu o funcionário, que estava preocupado.
O funcionário, preocupado, foi ouvido pelo diretor.
5 Classifique o predicado e o predicativo:
a) Assentiram contrariados os representantes da oposição.
RESOLUÇÃO:
Predicado verbo-nominal
Predicativo do sujeito: contrariados
b) “Naquele ano Ismael achou o avô mais macam búzio.”
(Autran Dourado)
RESOLUÇÃO:
Predicado verbo-nominal
Predicativo do objeto: mais macambúzio
c) “Jacinto empalidecera, impressionado.” (Eça de Queirós)
RESOLUÇÃO:
Predicado verbo-nominal
Predicativo do sujeito: impressionado
d) “Julgava-a [a cama de couro] inatingível.” (Graciliano Ramos)
RESOLUÇÃO:
Predicado verbo-nominal
Predicativo do objeto: inatingível
6 (FCMSCSP – MODELO ENEM) – Examine as três frases
abaixo.
I. As questões de física são difíceis.
II. O examinador deu uma entrevista ao repórter do jornal.
III. O candidato saiu do exame cansadíssimo.
Os predicados assinalados nas três frases são,
a) respectivamente, verbo-nominal, nominal, verbal.
b) respectivamente, nominal, verbal, verbo-nominal.
c) todos nominais.
d) todos verbais.
e) todos verbo-nominais.
RESOLUÇÃO: 
Em I, tem-se verbo de ligação e predicativo do su jei to, portanto o
predicado é nominal. Em II, o verbo é de ação (tran sitivo direto e
indireto) seguido de objeto direto e indireto, por isso o predicado
é verbal. Em III, o verbo sair é de ação e há predicativo do sujeito
(cansadíssimo), o que dá predicado verbo-nominal.
Resposta: B
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PORTUGUÊS306
1 (ENEM)
As linhas nas duas figurasgeram um efeito que
se associa ao seguinte ditado popular:
a) “Os últimos serão os primeiros.”
b) “Os opostos se atraem.”
c) “Quem espera sempre alcança.”
d) “As aparências enganam.”
e) “Quanto maior a altura, maior o tombo.”
Resolução
No primeiro desenho, as linhas retas (que
simulam paralelas e criam o efeito de
perspectiva) dão a impressão de que o segundo
homem seja maior que o primeiro, e o terceiro
maior que o segundo, quando na verdade os
três são do mesmo tamanho. No segundo
desenho, as linhas retas do plano de fundo dão
a impressão de que a figura central seja
irregular, quando na verdade se trata de uma
circunferência.
Resposta: D
2 (ENEM) – Os provérbios constituem um
pro du to da sabe doria popular e, em geral,
pretendem trans mitir um en sina mento. A
alternativa em que os dois provérbios reme tem
a ensina mentos semelhantes é:
a) “Quem diz o que quer, ouve o que não
quer” e “Quem ama o feio, bonito lhe parece”.
b) “Devagar se vai ao longe” e “De grão em
grão, a galinha enche o papo”.
c) “Mais vale um pássaro na mão do que dois
voando” e “Não se deve atirar pérolas aos
porcos”.
d) “Quem casa quer casa” e “Santo de casa
não faz milagre”.
e) “Quem com ferro fere, com ferro será
ferido” e “Casa de ferreiro, espeto de pau”.
Resposta: B
3 (MODELO ENEM) – O provérbio ou ditado
popular que mais se aproxima do sentido de
“Suporta-se com paciência a cólica do
próximo” (Machado de Assis) é:
a) “Em terra de sapo, de cócoras como ele.”
b) “Quem com ferro fere com ferro será
ferido.”
c) “Desgraça pouca é bobagem.”
d) “Pimenta nos olhos dos outros é refresco.”
e) “A corda sempre arrebenta do lado mais
fraco.”
Resolução
No enunciado e em d, a ideia é de que é
impossível ter noção real de um sofrimento a
menos que se passe por ele.
Resposta: D
4 (MODELO ENEM) – Provérbio é uma
máxima ou sentença de caráter prá tico e
popular que transmite, de forma sucinta, um
ensi na mento. Assinale a alternativa em que os
dois provérbios apresentam ensinamentos
semelhantes: 
a) “Nem tudo que reluz é ouro.” / “Quem vê
cara não vê coração.
b) “Quem ri por último ri melhor.” / “Quem tem
pressa come cru.
c) “Quem tem boca vai a Roma.” / “Em boca
fechada não entra mosca.
d) “Não se cutuca onça com vara curta.” /
“Antes de matar a onça, não se vende o
couro.”
e) “Leite de vaca não mata bezerro.” / “Não
se cospe no prato em que se come.”
Resolução 
Os dois provérbios da alternativa a apontam
para o mesmo ensinamento: o de que as
aparências podem enganar.
Resposta: A
Provérbio, máxima, dito, adágio, aforismo: frase
curta, geralmente de origem popular, frequentemente
com ritmo e rima, rica em imagens, que sintetiza um
conceito a respeito da realidade ou uma regra social ou
moral. 
Exemplos:
"Deus ajuda a quem cedo madruga."
"Quem tudo quer tudo perde."
"Devagar se vai ao longe."
"Amor com amor se paga."
21 Provérbios e ditos populares • Transmissão de um ensinamento• Sabedoria popular
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PORTUGUÊS 307
1 (FUVEST) – De acordo com o ditado popular: “Invejoso
nunca medrou, nem quem perto dele morou.”
a) O invejoso nunca teve medo, nem amedronta seus vizinhos.
b) Enquanto o invejoso prospera, seus vizinhos empobrecem. 
c) O invejoso não cresce e não permite o crescimento dos
vizinhos.
d) O temor atinge o invejoso e também seus vizinhos. 
e) O invejoso não provoca medo em seus vizinhos. 
Resposta: C
2 (FUVEST) – “Não adianta chorar sobre o leite der -
ramado.“ 
O pensamento contido neste provérbio também está presente em:
a) “Quem não tem cão caça com gato.“
b) “Fazer o bem sem olhar a quem.“
c) “Casa de ferreiro, espeto de pau.“
d) “O uso do cachimbo faz a boca torta.“
e) “O que não tem remédio remediado está.“
Resposta: E
3 A letra da música acima apresenta vários provérbios alte -
rados. Reconheça-os e reescreva-os em sua forma original.
RESOLUÇÃO:
“Se conselho fosse bom, não se dava, vendia-se.”
“Quem espera sempre alcança.”
“Quem brinca com fogo pode se queimar ou acabar se quei mando.”
“Faça como eu digo, não faça como eu faço.”
”Pense duas vezes antes de agir.”
”Dar tempo ao tempo.”
”Devagar se vai ao longe.”
”Quem semeia vento colhe tempestade.”
4 (MODELO ENEM) 
I. “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
II. “Em terra de sapo, de cócoras como ele.”
III. “Quem tudo quer, tudo perde.”
IV. “É melhor não cutucar onça com vara curta.”
O sentido dos provérbios acima se relaciona, respectivamente, a
a) resolução, transformação, corrupção, precaução.
b) tenacidade, modificação, generosidade, cautela.
c) obstinação, alteração, mesquinhez, audácia.
d) persistência, adaptação, ambição, prudência.
e) determinação, mudança, avareza, temor.
RESOLUÇÃO: 
O primeiro provérbio se relaciona à constância; o segundo, à
necessidade de adaptar-se às circunstâncias; o terceiro revela a
consequência da cobiça desmedida; o quarto diz respeito à
necessidade de cautela diante de situações arriscadas.
Resposta: D
5 (FUVEST) – O provérbio “Devagar com o andor que o santo
é de barro“ diz respeito à cau tela. Identifique o provérbio que
diz respeito ao egoísmo.
a) “Nem tudo o que reluz é ouro.“
b) “A cavalo dado, não se olham os dentes.“
c) “Devagar se vai ao longe.“
d) “Farinha pouca, meu pirão primeiro.“
e) “De grão em grão, a galinha enche o papo.“
Resposta: D
6 (FUVEST) – Leia o seguinte texto:
a) Com base na queixa da andorinha-de-barriga-branca,
reformule o provérbio “Uma andorinha não faz verão”.
b) Está adequado o emprego do verbo “filosofou”, tendo em
vista que ele se refere ao provérbio citado no texto? Justifique
sucintamente sua resposta.
RESOLUÇÃO: 
a) Uma andorinha não faz verão; muitas, porém, produzem juntas
um calor terrível.
b) O emprego do verbo filosofar se justifica por ter ele, no texto, o
sentido coloquial de “meditar, raciocinar, formular uma refle xão de
sentido geral” ou, para usar um brasileirismo, “matutar”. O
provérbio citado exprime o conteúdo da reflexão da andorinha.
VERÃO EXCESSIVO
Eu sei que uma andorinha não faz verão, filosofou a
andorinha-de-barriga-branca.
Está certo, mas agora nós somos tantas, no beiral, que
faz um calor terrível, e eu não aguento mais!
(Carlos Drummond de Andrade, Contos plausíveis)
BOM CONSELHO
Ouça um bom conselho 
Eu lhe dou de graça 
Inútil dormir que a dor não passa 
Espere sentado 
Ou você se cansa 
Está provado, quem espera nunca alcança 
Venha, meu amigo 
Deixe esse regaço 
Brinque com meu fogo 
Venha se queimar 
Faça como eu digo 
Faça como eu faço 
Aja duas vezes antes de pensar 
Corro atrás do tempo 
Vim de não sei onde 
Devagar é que não se vai longe 
Eu semeio vento na minha cidade 
Vou pra rua e bebo a tempestade... 
(Chico Buarque, A arte de Chico Buarque)
Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL
OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”,
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PORTUGUÊS308
7 As frases abaixo são paródias criativas e irônicas de provérbios e máximas conhecidos e estão circulando na internet. Faça a
correspondência, considerando a ideia veiculada em cada um deles.
1. Quem ri por último 
2. Quem com ferro fere 
3. Sol e chuva
4. Devo, não pago
5. Quem tem boca
6. Gato escaldado
7. Quem espera
8. Quando um não quer
9. Os últimos
10. Há males
11. Se Maomé não vai à montanha
12. A esperança e a sogra 
13. Depois da tempestade
14. Devagar
15. Antes tarde
16. Em terra de cego
17. Quem cedo madruga
a) vou sair de guarda-chuva. ( )
b) são as últimas que morrem. ( )
c) vem a gripe. ( ) 
d) sempre cansa. ( )
e) é retardado. ( )
f) nego enquanto puder. ( )
g) então vai à praia. ( )
h) que vêm para piorar. ( )
i) o outro insiste. ( ) 
j) fala, quem tem condição vai a Roma. ( )
k) não sabe como dói. ( ) 
l) morre. ( )
m) serão desclassificados. ( )
n) fica com sono o dia inteiro. ( )
o) nunca se chega. ( )
p) quem tem um olho é caolho. ( ) 
q) do que mais tarde. ( )
RESOLUÇÃO: 1) e; 2) k; 3) a; 4) f; 5) j; 6) l; 7) d; 8) i; 9)m; 10) h; 11) g; 12) b; 13) c; 14) o; 15) q; 16) p; 17) n. 
O ADJUNTO ADVERBIAL é um termo acessório da
oração.
O adjunto adverbial modifica o verbo, um adjetivo ou
outro advérbio da oração.
O adjunto adverbial pode indicar qualquer tipo de circuns -
tância; por isso, seria longo e pouco útil apresentar uma
lista de todos os tipos de adjunto adverbial. Sua classifi -
cação adequada depende do contexto em que o termo
aparece.
As perguntas que indicam a circunstância expressa pelo
adjunto adverbial são quando? (tempo), onde? (lugar),
como? (modo), para quê? (finalidade), de quê? ou por
quê? (causa), com quê? (instrumento) etc.
• afirmação: Com certeza, ele virá à reunião.
• assunto: Todo mundo falava sobre aquele progra -
ma de TV.
• causa: Com a seca, até a água do poço acabou.
• companhia: O marido acabou saindo com alguns
velhos amigos.
• comparação: Ele falava, como todo homem fala.
• concessão: Apesar de tudo, a vida continua.
• condição: Sem a autorização do gerente, não
posso descontar o cheque.
• conformidade: Os alunos farão o exame de acordo
com a minha orientação.
• direção: O ladrão atirou para o alto.
• dúvida: Talvez você esteja certo.
• finalidade: Muitos alunos prepararam-se para o
vestibular.
• frequência: Ele aparece todas as quartas-feiras.
• instrumento: Conseguiu abrir a maleta com um
canivete.
• intensidade: Aquelas meninas falam demais.
• lugar: Aonde vais, com tanta pressa?
• matéria: O telhado foi construído de zinco.
• medida: Construíram um edifício de 30 metros.
• meio: Ele soube a notícia pelos jornais.
• modo: O tempo passava depressa e ele andava com
calma.
• negação: Não conheço a sua namorada.
• origem: Ele vem de família pobre.
• preço: O livro custou vinte reais.
• quantidade: Escreveu versos aos milhares.
• tempo: De vez em quando ela sorria.
24 Adjunto adverbial • Termo acessório• Circunstância
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PORTUGUÊS 309
A crônica muitas vezes constitui um espaço
para reflexão sobre aspectos da sociedade em
que vivemos.
Eu, na rua, com pressa, e o menino
segurou no meu braço, falou qualquer coisa
que não entendi. Fui logo dizendo que não
tinha, certa de que ele estava pedindo dinheiro.
Não estava. Queria saber a hora.
Talvez não fosse um Menino De Família,
mas também não era um Menino De Rua. É
assim que a gente divide. Menino De Família é
aquele bem-vestido com tênis da moda e
camiseta de marca, que usa relógio e a mãe dá
outro se o dele for roubado por um Menino De
Rua. Menino De Rua é aquele que quando a
gente passa perto segura a bolsa com força
porque pensa que ele é pivete, trom badinha,
ladrão. 
(...) Na verdade não existem meninos De
rua. Existem meninos NA rua. E toda vez que
um menino está NA rua é porque alguém o
botou lá. Os meninos não vão sozinhos aos
lugares. Assim como são postos no mundo,
durante muitos anos também são postos onde
quer que estejam. Resta ver quem os põe na
rua. E por quê.
(COLASANTI, Marina. In: Eu sei, 
mas não devia. Rio de Janeiro: Rocco,1999.)
1 (ENEM) – No terceiro parágrafo em:
”...não existem meni nos De rua. Existem
meninos NA rua.”, a troca de De pelo Na
determina que a relação de sentido entre
“menino” e “rua” seja
a) de localização e não de qualidade.
b) de origem e não de posse.
c) de origem e não de localização.
d) de qualidade e não de origem.
e) de posse e não de localização.
Resolução 
Segundo o texto, o fato de estarem na rua é
uma cir cunstância que define os meninos
apenas espa cial mente (indica onde estão), e
não es sencialmente (não indica quem são nem
como são). Portanto, ela subs titui uma atribui -
ção de qualidade (“de rua”) por uma indicação
de circunstância espacial (“na rua”).
Resposta: A
Para responder à questão 2, leia os versos:
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
Mudaram as estações
Nada mudou
(Renato Russo)
2 (UFSCar) – É notória a oposição de ideias
nos versos, o que significa que neles se
encontra como principal figura de linguagem a
a) metáfora. b) antítese. c) sinestesia.
d) metonímia. e) catacrese.
Resolução
Antítese é a figura correspondente à aproxi ma -
ção de antô ni mos ou de ideias que se contra -
põem.
Resposta: B
3 (CÁSPER LÍBERO – MODELO ENEM) –
“Na pressa, quebrou a janela para fugir com
uma pedra.”
A frase acima apresenta construção ambígua
produzida por uma expressão adverbial seme -
lhante à que ocorre na seguinte alternativa:
a) Para o pai, era só mais um pijama de
homem listrado.
b) Em Ouro Preto, um templo construído por
escravos foi encontrado duzentos anos após
sua construção.
c) João afirmou que, na Casa de Cláudia, quem
mandava era sua mãe.
d) Ao final da reunião com seus assessores,
Pedro deixou a sala às pressas.
e) Comprou ingressos para ir à Bienal por
telefone.
Resolução
Os adjuntos adverbiais de instrumento — “com
uma pedra” e “por telefone” — podem referir-
se a qualquer um dos dois verbos que há em
cada uma das duas frases, embora seja
evidente, nas duas, a referência correta. 
Resposta: E 
4 (UFABC – MODELO ENEM) – Assinale a
alternativa em que o termo sublinhado não
exerça a mesma função sintática dos demais.
a) A mulher, impaciente, ficou na sala.
b) As pessoas abraçaram-se com entusiasmo.
c) O orador, nervoso, falou baixo.
d) A mulher, com medo, não saiu à rua.
e) Imediatamente, as árvores viraram cinzas.
Resolução
“Cinzas” é predicativo do sujeito, os demais
são adjuntos adverbiais: a) lugar, b) modo, 
c) modo, d) lugar.
Resposta: E
1 Classifique os adjuntos adverbiais destacados no texto abaixo, indicando a circunstância que eles expressam, segundo o código:
a) lugar b) tempo c) modo d) companhia e) comparação
Afinal volta Martim de novo às terras que foram de sua felicidade e são agora de amarga saudade.
Quando seu pé sentiu o calor das brancas areias, em seu coração, derramou-se um fogo que o requeimou: era o
fogo das recordações, que ardiam como centelha sob as cinzas. (...)
Muitos guerreiros de sua raça acompanharam o chefe branco, para fundar com ele a mairi [cidade] dos cristãos.
Veio também um sacerdote de sua religião, para plantar a cruz na terra selvagem. 
(José de Alencar, Iracema)
( a )
( d )
( e )
( a )
( b )( a )( b )( b )
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PORTUGUÊS310
2 Classifique os adjuntos adverbiais destacados no texto abaixo, indicando a circunstância que eles expressam, segundo o
código:
a) lugar b) negação c) causa d) intensidade e) concessão f) tempo
Não houve lepra, mas há febres por todas essas terras humanas sejam velhas ou novas. Onze meses depois,
Ezequiel morreu de uma febre tifoide e foi enterrado nas imediações de Jerusalém. (...)
Apesar de tudo, jantei bem e fui ao teatro.
(Machado de Assis, Dom Casmurro)
( a )( d )( e )
( a )( c )
( f )( a )( b )
3 Grife os adjuntos adverbiais do texto seguinte, indicando a circunstância que eles expressam, segundo o código:
a) tempo b) modo c) negação d) dúvida e) intensidade 
f) lugar g) comparação h) instrumento i) causa
Fabiano, encaiporado [infeliz, aborrecido, chateado], fechou as mãos e deu murros na coxa. Diabo. Esforçava-se 
por esquecer uma infelicidade, e vinham outras infelicidades. Não queria lembrar-se do patrão nem do soldado amarelo. 
Mas lembrava-se, com desespero, enroscando-se como uma cascavel assanhada. Era um infeliz, era a criatura mais infeliz
do mundo. Devia ter ferido naquela tarde o soldado amarelo, devia tê-lo cortado a facão. (...) Se não fosse
tão fraco, teria entrado no cangaço e feito misérias. Depois levaria um tiro de emboscada ou envelheceria na cadeia,
cumprindo sentença, mas isto era melhor que acabar-se numa beira de caminho, assando no calor, a mulher e os filhos
acabando-se também. Devia terfurado o pescoço do amarelo com faca de ponta, devagar. Talvez estivesse preso e
respeitado, um homem respeitado, um homem.
(Graciliano Ramos, Vidas Secas)
( h ) ( b ) ( d )
( f ) ( i )
( e ) ( f ) ( a ) ( f )
( a ) ( h ) ( c )
( b ) ( g )
( c )
( f )
4 a) Classifique os adjuntos adverbiais do trecho.
RESOLUÇÃO:
já: adjunto adverbial de tempo; meio: adj. ad. de intensidade; com desgosto: adj. ad. de modo.
b) Por que “desconfiado” não é classificado como adjunto adverbial? Qual sua função sintática?
RESOLUÇÃO:
O advérbio é palavra invariável e “desconfiado” é adjetivo, varia em número e gênero e funciona sintaticamente como predicativo do sujeito.
5 No texto dado, o pensamento do personagem mescla-se ao discurso do narrador. Que nome recebe esse tipo de discurso?
RESOLUÇÃO:
Trata-se de discurso indireto livre.
Ele já andava meio desconfiado vendo as flores min guarem. E olhava com desgosto a brancura das manhãs
longas e a vermelhidão sinistra das tardes.
(Graciliano Ramos, Vidas Secas)
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PORTUGUÊS 311
Texto para as questões 6 e 7.
F (UFSCar) – Nos dois primeiros quar tetos do soneto de
Vinícius de Moraes, delineia-se a ideia de que o poeta 
a) não acredita no amor como entrega total entre duas pessoas.
b) acredita que, mesmo amando muito uma pessoa, é possível
apaixonar-se por outra e trocar de amor. 
c) entende que somente a morte é capaz de findar com o amor
de duas pessoas.
d) concebe o amor como um sentimento intenso a ser
compartilhado, tanto na alegria quanto na tristeza.
e) vê, na angústia causada pela ideia da morte, o impedimento
para as pessoas se entregarem ao amor.
RESOLUÇÃO:
A ideia de que o amor deve ser compartilhado tanto na alegria
como na tristeza depreende-se dos dois últimos versos da segunda
estrofe: “E rir meu riso e derramar meu pranto/Ao seu pesar ou
seu contentamento.”
Resposta: D
G (UFSCar) – No segundo verso do poema, no qual o poeta
mostra como tratará o seu amor, as expressões “com tal ze lo”,
“sempre” e “tanto” dão, respec tivamente, ideia de
a) modo – intensidade – modo. 
b) modo – tempo – intensidade.
c) tempo – tempo – modo.
d) finalidade – tempo – modo.
e) finalidade – modo – intensidade.
RESOLUÇÃO:
Com tal zelo é equivalente a “de modo tão zeloso” ou “tão
zelosamente”, indicando, pois, modo. Sempre é um advérbio de
tempo e tanto um advérbio de inten sidade.
Resposta: B
Texto para a questão 8.
8 (MODELO ENEM) – Analise as afirmações sobre o texto:
I. A crônica acima é predominantemente narrativa e a história
serve para provocar no leitor uma reflexão sobre o aborto.
II. O trecho “por distúrbios psiquiátricos” indica a causa por que
a mulher fora internada.
III. Os termos destacados em “examinou-a” e “mãe” referem-
se a “uma mulher”.
IV. Nos trechos “interromper a gravidez” e “solicitou ao
Departamento de Saúde Pública”, substituindo-se os objetos
por um pronome correspondente, têm-se: interrompê-la e
solicitou-o. 
Está correto o que se afirma 
a) apenas em I e II. b) apenas em I, II e III.
c) apenas em II, III e IV. d) apenas em I, III e IV.
e) em I, II, III e IV.
RESOLUÇÃO:
Em IV, a expressão ao Departamento de Saúde Pú bli ca exerce a
função sintática de objeto indireto do verbo solicitar, por isso deve
ser substituído pelo pronome lhe: solicitou-lhe.
Resposta: B
9 Às vezes, pode ocorrer ambiguidade em relação à
circunstância adverbial. Por exemplo
Explique o duplo sentido.
RESOLUÇÃO:
O adjunto adverbial no debate do Canal 2 pode equivaler a “sobre
o debate do Canal 2”, indicando assunto; ou “durante o debate do
Canal 2”, indicando tempo.
Jornalista fala no debate do Canal 2.
SONETO DE FIDELIDADE
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
(Vinicius de Moraes)
Já contei há tempo, neste espaço, o caso de uma
mulher na Alemanha do século 18. Com mais de 52 anos,
não tinha idade segura para engravidar, mesmo assim
engravidou. Era pobre, sofria de tuberculose, tinha hemop -
tises diárias, fora internada diversas vezes em asilos por
distúrbios psiquiátricos.
Um médico examinou-a e solicitou ao Departamento
de Saúde Pública de Bonn a licença para interromper a
gravidez, que, entre outras coisas, colocava em risco a vida
da mãe e do filho.
A licença foi negada. O filho nasceu. Era descon junta -
do, surdo, antissocial. Seu nome: Ludwig von Beethoven. 
(Carlos Heitor Cony)
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PORTUGUÊS312
• O aluno deve preencher corretamente todos os
itens do cabeçalho com letra legível.
• Centralizar o título na primeira linha, sem aspas e
sem grifo.
• Pular uma linha entre o título e o texto, para então
iniciar a redação.
• Fazer parágrafos distando mais ou menos três
centímetros da margem e mantê-los alinhados.
• Não ultrapassar as margens (direita e esquerda) e
também não deixar de atingi-las.
• Evitar rasuras e borrões. O erro deverá ser anulado
com um traço apenas. Ex.: O maior poblema
problema...
• Apresentar letra legível, cursiva ou de forma.
• Distinguir bem as maiúsculas das minúsculas,
espe cialmente no uso de letra de forma.
• Evitar exceder o número de linhas pautadas ou
pedidas como limites máximos e mínimos. 1.o e
2.o ano: mínimo de vinte e máximo de trinta linhas.
• Escrever apenas com caneta preta ou azul. O
rascunho ou o esboço das ideias podem ser feitos
a lápis e rasurados. O texto não será corrigido em
caso de utilização de lápis ou caneta vermelha,
verde etc. na redação definitiva.
Lembretes
• Antes de começar a escrever, faça um esquema
de seu texto, distribuindo em parágrafos as ideias
que pretende expor. Isso evita repetição ou esque -
cimento de alguma ideia.
• Verifique se os pontos de vista que você vai
defender não são contraditórios em relação à tese.
• Não tenha preguiça de refazer seu texto várias
vezes. É a melhor maneira de chegar a um bom
resultado.
• Enquanto escreve, tenha sempre à mão um dicio -
nário para checar a grafia das palavras e descobrir
sinônimos para evitar repetições desnecessárias. 
• Selecione, organize e relacione argumentos, fatos
e opiniões para defender seu ponto de vista, sem
ferir os direitos humanos. 
• Jamais analise os temas propostos movido por
emoções exageradas. Nunca se dirija ao leitor.
• Não escreva sobre o que você não conhece, ar -
riscan do-se a incorrer em erros e imprecisões de
conteúdo.
• Não empregue palavras cujo significado seja
desco nhe cido para você. Evite utilizar noções
vagas, como “liber dade”, “democracia”,
“injustiça” — termos que têm um signi ficado tão
amplo que chegam a não significar nada.
• Evite expressões do tipo “belo”, “bom”, “mau”,
“incrí vel”, “péssimo”, “triste”, “pobre”, “rico” —
são juízos de valor sem carga informativa,
imprecisos e subjetivos.
• Evite o lugar-comum: frases feitas e expressões
cristali zadas, como “a pureza das crianças” e “a
sabedoria dos velhos”. Há crianças e velhos de
todos os tipos. Evite também gírias e a palavra
“coisa” (procure o vocabulário adequado a cada
ideia). Não use “etc.”, nem abrevie palavras.
• Procure não “embromar”, tentando preencher
mais algumas linhas. Cada palavra deve ser
fundamental e informativa na redação.
• Não repita ideias, tentanto explicá-las melhor. Se
você escrever com clareza, uma vez só basta.
• Cuidado com o uso inadequado de conjunções.
Elas podem estabelecer relações que não existem
entre as frases e tornar o texto sem nexo.• Se formular uma pergunta na tese, responda-a ao
longo do texto. Evite interrogações na argumen ta -
ção e jamais as utilize na conclusão. Para aprofun -
dar seus argumentos, suas afirma ções, use
exemplos, fatos notórios ou históricos, conheci -
men tos geográficos, cifras aproximadas e infor ma -
ções adquiridas por meio de leitura, estudo e
aquisições culturais.
• Respeite os limites indicados: evite escrever
demais, pois você corre o risco de entediar o
corretor e cometer erros.
• Evite orações demasiadamente longas e parágra -
 fos de uma só frase.
• Dê um título coerente ao assunto abordado em
seu texto.
• Releia o texto, depois de rascunhá-lo, para
observar se você não “fugiu” ao tema proposto.
• Passe o texto a limpo, procurando aprimorar o
vocabulário.
APRESENTAÇÃO VISUAL DA REDAÇÃO
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PORTUGUÊS 313
Com base no texto, elabore uma crônica que se inicie com o trecho: Meu ideal seria escrever...
MEU IDEAL SERIA ESCREVER
Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando
lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse — “ai meu Deus, que história mais
engraçada”. E então contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a
quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse
como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma
ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria — “mas essa história é mesmo muito
engraçada!”
(...)
E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na
Nigéria, a um australiano, em Dublim, a um japonês, em Chicago — mas que em todas as línguas ela guar das se a sua
frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito
sábio e muito velho dissesse: “Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena
ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum ho mem; foi com certeza algum anjo
tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma
história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina”.
E quando todos me perguntassem — “mas de onde é que você tirou essa história?” — eu respon deria que ela não
é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal
começara a contar assim: “Ontem ouvi um sujeito contar uma história...”
E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo,
quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha
naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.
(Rubem Braga, A Traição das Elegantes)
Prática de Redação 1 (Para Casa)MÓDULO
3
Nome legível __________________________________________________________________
Unidade ______________________________________________________________________
Ano/Classe _____________________________________ Data _________________________
N.o de Computador – 
COLÉGIO
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PORTUGUÊS314
Observações do(a) corretor(a): Nome: _______________________
O tema é livre, pois a frase Meu ideal seria escrever dá margem a que o aluno escreva sobre qualquer assunto e em qualquer
modalidade. Podem aparecer crônicas narrativas, reflexivas e até em forma de carta etc. 
O título fica por conta do aluno, porém, ele pode repetir o título da crônica de Rubem Braga. O texto deve iniciar-se com a frase:
Meu ideal seria escrever (a que ele dará continuidade na mesma linha).
O conteúdo pode apresentar teor lírico, romântico (escrever para alguém), trágico, cômico ou humorístico, e os alunos podem
dirigir-se às autoridades (até ao presidente da República), pedindo, por exemplo, o fim da miséria, da violência, das guerras, das
doenças, entre outros. O professor deve incentivar o aluno mesmo que as reivindicações sejam utópicas.
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PORTUGUÊS 315
A crônica reflexiva de Marina Colasanti adquire contornos líricos através da construção anafórica “A gente se acostuma…”.
Plasmada em subjetividade, a crônica constata o patético das imposições de um cotidiano massificante e deteriorado.
Escreva uma crônica narrativa ou reflexiva sobre o seguinte tema:
Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro. (Freud)
EU SEI, MAS NÃO DEVIA
Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque
não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as
cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma,
esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está
atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar
no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir o jornal e a
ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números,
aceita não acreditar nas negociações de paz. (...) 
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a
comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos
produtos.
A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às
besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se
acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.
(...) 
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, de tanto se acostumar, se perde de si mesma.
(Marina Colasanti)
Prática de Redação 2 (Para Casa)MÓDULOS
6 e 7
Nome legível __________________________________________________________________
Unidade ______________________________________________________________________
Ano/Classe _____________________________________ Data _________________________
N.o de Computador – 
COLÉGIO
C1_2A_SOROCABA_PORT_2013_GK 31/10/12 14:29 Page 315
PORTUGUÊS316
Observações do(a) corretor(a): Nome: _______________________
O aluno pode redigir uma crônica narrativa ou reflexiva que não precisa apresentar o mesmo recurso anafórico do texto “Não
devia”. Caso o aluno conheça a estrutura dissertativa, seu texto poderá tender para a dissertação, na tentativa de fazer uma
crônica reflexiva. Não tirar pontos por isso; alguns alunos não conseguem soltar-se o suficiente para redigir uma crônica, que
exige lirismo, ironia, humor e muita emotividade. O texto de Marina Colasanti deve provocar reflexões profundas e interessantes.
O resultado dos trabalhos elaborados com base neste texto costumam ser gratificantes.
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PORTUGUÊS 317
A crônica lida trata da condição da mulher emancipada e da consequente ruptura do mito da mulher submissa, vivendo em função
do marido e dos filhos. Além desse mito, há outro que também é desfeito: o do casamento perfeito e duradouro (“e foram felizes
para sempre”).
Com base nesse exemplo, escreva uma crônica narrativa ou reflexiva sobre esse mito ou outro qualquer que não mais seja
válido emnossa sociedade. Faça isso tomando por referência sua vivência, ou leituras e comentários que você ouviu de seus pais,
tios, avós e de outros adultos.
CONTO DE FADAS PARA AS MULHERES DO SÉCULO XXI
Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa que, independente e cheia de autoestima, enquanto
contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava em conformidade ecológica, se
deparou com uma rã.
Então, a rã pulou para o seu colo e disse:
– Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta
rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo em um belo príncipe e poderemos casar e constituir
lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o nosso jantar, lavarias as
roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre…
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à milanesa, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um
finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava… Nem morta!
(Luis Fernando Verissimo, com adaptações)
Prática de Redação 3 (Para Casa)MÓDULOS
10 e 11
Nome legível __________________________________________________________________
Unidade ______________________________________________________________________
Ano/Classe _____________________________________ Data _________________________
N.o de Computador – 
COLÉGIO
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PORTUGUÊS318
Observações do(a) corretor(a): Nome: _______________________
O professor pode sugerir alguns mitos que a sociedade moderna desfez: homem não sabe cozinhar, não sabe cuidar de criança
(lembrar que há homens solteiros adotando crianças), sempre tem um salário maior do que o da mulher (esposa); mulher não
consegue fazer trabalhos pesados (motorista de ônibus, trabalhadora da construção civil etc), não pratica esportes radicais ou
tradicionalmente masculinos (os jogos Pan-Americanos provaram o contrário), não exerce determinadas profissões (juízas,
delegadas, bandeirinhas, engenheiras) e outros.
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PORTUGUÊS 319
Prática de Redação 4 (Para Casa)MÓDULOS
14 e 15
Nome legível __________________________________________________________________
Unidade ______________________________________________________________________
Ano/Classe _____________________________________ Data _________________________
N.o de Computador – 
COLÉGIO
Agora você terá a oportunidade de exercitar a paráfrase. Reescreva o fragmento do texto de Jairo Carvalho, fazendo novas
construções frásicas e substituindo o vocabulário, tendo, porém, o cuidado de não alterar o conteúdo original. Não se preocupe com
o número de linhas que serão ocupadas por sua paráfrase. Obedeça à sequência de ideias do texto a ser reescrito.
ˇ
SOBRE RAÇAS HUMANAS 
Desde a Antiguidade, a mentalidade ocidental convive
com a ideia de que os seres humanos estão divididos em
raças, mas foi no decorrer do século XIX, quando os países
europeus necessitavam justificar seus projetos de expansão
imperialista, que uma grande parte dos seus recursos
intelectuais estiveram mais empenhados em definir e
hierarquizar as raças que compõem nossa espécie. 
Para classificar a variedade de fenótipos humanos,
muitos cientistas trabalharam exaustivamente e sua influência
deu credibilidade à afirmação de que os brancos de origem
europeia ocupariam os estágios mais elevados do desen -
volvimento, em detrimento dos não brancos, invariavelmente
identificados com o atraso. 
(...) 
A ciência do século XIX dava ao racismo o fundamento
que lhe permitia justificar a escravização criminosa de milhões
de africanos e o autorizava a contradizer de modo convincente
o 1.o artigo da "Declaração Universal dos Direitos Humanos"
de que os seres humanos nascem livres e iguais. 
Entre os resultados práticos da noção de que a
humanidade se divide em raças, e que algumas são
superiores e outras inferiores, está o extermínio de 6 milhões
de judeus pelos nazistas nas décadas de 30 e 40 do século
passado . 
Entretanto, com o progresso da genética e da biologia
molecular, os biólogos e antropólogos observaram que
nenhum gene humano é específico de uma raça e que todas
as populações têm mais ou menos os mesmos genes. As
suas conclusões são de que nem a genética nem a
bioquímica fornecem qualquer subsídio para justificar a
existência do conceito "raças humanas". Pelo contrário,
afirmou-se, em seu lugar, que a espécie humana é essencial -
mente uma só, o que municiou a ciência para atestar com
absoluta segurança que as bases conceituais das afirmações
anteriores não têm qualquer valor. 
(Texto adaptado de Jairo Carvalho)
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PORTUGUÊS320
Observações do(a) corretor(a): Nome: _______________________
A paráfrase abaixo é apenas uma possibilidade de reescrita do texto dado:
O mundo ocidental sempre partilhou a ideia de que a humanidade se dividia em raças, porém foi a necessidade de expansão
imperialista dos países europeus, no século XIX, que levou os cientistas a dedicarem-se com afinco a definir e hierarquizar as
espécies humanas. Eles se aplicaram na classificação dos tipos e confirmaram a crença de que os brancos de origem europeia
seriam mais desenvolvidos que os demais povos.
Assim, os argumentos científicos do século XIX reforçaram uma postura preconceituosa que justificava a escravização hedionda
(ignóbil, repulsiva) de milhões de africanos, o que contradizia (refutava, dizia o contrário de, estava em desacordo com) o 1.o artigo
da "Declaração Universal dos Direitos Humanos" de que todos nascem livres e iguais em direitos.
Um exemplo das consequências da divisão da espécie humana em raças superiores e inferiores ocorreu durante a Segunda
Guerra Mundial, em que 6 milhões de judeus foram exterminados pelos nazistas.
Porém, com o avanço da genética e da biologia molecular, os cientistas descobriram que não há genes específicos que
identifiquem as raças e que os seres humanos têm os genes quase idênticos. A conclusão a que chegaram é a de que não existem
dados que comprovem o conceito de "raças humanas". Dessa forma, contradizendo pressupostos antiquados, essas pesquisas
comprovam que a humanidade não se divide em raças.
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PORTUGUÊS 321
Escolha um dos provérbios acima e, a partir dele, escreva uma crônica narrativa. O provérbio escolhido deve ter relação com a
história e aparecer mencionado ou transcrito no desfecho.
Provérbios e ditos populares
1. A união faz a força. 
2. Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. 
3. Em terra de cego, quem tem um olho é rei. 
4. Quem tudo quer, tudo perde. 
5. Quem desdenha quer comprar.
6. Papagaio come milho, periquito leva fama. 
7. Em casa de ferreiro, espeto de pau.
8. Em boca fechada não entra mosca.
9. Não adianta chorar sobre o leite derramado.
10. Falar é prata, calar é ouro.
11. Quem espera sempre alcança.
12. Aqui se faz, aqui se paga.
13. Quem tem telhado de vidro não atira pedra ao vizinho.
14. Gato escaldado tem medo de água fria.
15. Um é pouco, dois é bom, três é demais.
16. Quem ri por último ri melhor.
17. As aparências enganam.
18. Quem semeia ventos, colhe tempestades.
19. Nem tudo que reluz é ouro.
20. Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.
Prática de Redação 5 (Para Casa)MÓDULOS
22 e 23
Nome legível __________________________________________________________________
Unidade ______________________________________________________________________
Ano/Classe _____________________________________ Data _________________________
N.o de Computador – 
COLÉGIO
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PORTUGUÊS322
Observações do(a) corretor(a): Nome: _______________________
O aluno pode compor uma narrativa verossímil ou uma fábula, que sempre é encerrada com um preceito moral. Tanto na narração
“realista” quanto na fábula, o enredocriado pelo aluno deve ilustrar o provérbio escolhido. O professor pode mencionar o fato
de que no vestibular da FATEC de 2006, os temas foram: “Quem semeia ventos, colhe tempestades” e “As aparências enganam?”.
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PORTUGUÊS 323
1 (MODELO ENEM) – A definição de paró -
dia está correta na alternativa:
a) Trata-se de uma variedade de reescrita em
que o texto meta é reelaborado em uma língua
diferente.
b) Consiste na reelaboração de um texto fonte
em função de seu conteúdo (resumos, conden -
sações, atas etc.)
c) É a apropriação ou imitação, essencialmente
ilícita, de texto ou obra alheia; oculta seu
processo de criação.
d) Consiste no ato discursivo por meio do qual
o enunciador corrige ou modifica uma palavra,
uma construção (...), objetivando tornar a
expressão mais clara.
e) É a imitação cômica de um texto, especial -
mente uma composição literária, ou de qualquer
obra artística.
Resolução
A alternativa e define apropria da mente paródia.
As demais alternativas definem: a) tradução; b)
paráfrase; c) plágio; d) retificação. As definições
apresentadas nas alternativas foram extraídas
da Gramática Houaiss, de José Carlos de Aze -
redo, e adaptadas.
Resposta: E
Texto para o teste 2.
SATÉLITE
Ah Lua deste fim de tarde,
Demissionária de atribuições românticas,
Sem show para as disponibilidades 
[sentimen tais!
Fatigado de mais-valia,
Gosto de ti assim:
Coisa em si,
— Satélite.
(Manuel Bandeira)
LUA DE SÃO JORGE
Lua de São Jorge
Brilha nos altares
Brilha nos lugares
Onde estou e vou
Lua de São Jorge
Brilha sobre os mares
Brilha sobre o meu amor
(Caetano Veloso)
2 (UFMA-MA – MODELO ENEM) – Em am -
bos os textos, o eu lírico dirige-se à lua. Entre -
tanto, o tratamento dado a ela é diferente, pois,
a) para Manuel Bandeira, a lua se reveste de
tons sentimentais e emotivos.
b) para Caetano Veloso, a lua é destituída de
qualquer conotação religiosa.
c) para Manuel Bandeira, a lua é metáfora do
exibicionismo dos enamorados.
d) para Caetano Veloso, o brilho da lua se
sobre põe ao amor do poeta.
e) para Manuel Bandeira, a lua perde a cono -
tação romântica.
Resolução
No poema de Bandeira, o eu lírico afirma gostar
da lua como “coisa em si”, ou seja, como
satélite da Terra, destituída de suas “atribuições
românticas”.
Resposta: E
1 e 2 – Romantismo e paródia 
3 – Romantismo e paródia: 
Álvares de Azevedo –
Lira dos Vinte Anos – Parte I
4 – Romantismo e paródia: 
Álvares de Azevedo –
Lira dos Vinte Anos – Parte II
5 e 6 – Castro Alves: poesia social
7 – Castro Alves: poesia lírica
8 – José de Alencar e 
Manuel Antônio de Almeida
9 – Antero de Quental
10 – Eça de Queirós: O Primo Basílio
e O Crime do Padre Amaro
11 – Eça de Queirós:
A Cidade e as Serras
12 – Cesário Verde 
13 e 14 – Machado de Assis I: Memórias
Póstumas de Brás Cubas
15 e 16 –Machado de Assis II:
Quincas Borba e Dom Casmurro
Romantismo – Realismo – Módulos
1 e 2 Romantismo e paródia • Poesia romântica brasileira • Paródia• Humor e ironia modernista
Machado de Assis (1839-1908)
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PORTUGUÊS324
Texto 1
Texto 2
1 Qual a diferença básica na forma pela qual cada um dos
poemas se dirige à interlocutora?
RESOLUÇÃO:
No poema de Joaquim Manuel de Macedo, o eu lírico dirige-se à
inter locutora de maneira algo formal e idealizada, pois a chama
“Irmã”. O texto de Bandeira é mais íntimo (a interlocutora é
chamada pelo prenome) e informal (como demonstram os termos
de gíria utilizados).
2 Manuel Bandeira apresentou seu texto (publicado em jornal,
em 1925) como “tradução pra caçanje” (“caçanje”: mau
português) do então muito conhecido poema de J. M. de
Macedo. Justifique essa forma brincalhona com que o poeta
apresentou seu trabalho.
RESOLUÇÃO:
O “caçanje” ou português de “baixa extração” revela-se em
expressões como “bancar o sentimental”, “pra cima de você”,
“paixão do tamanho de um bonde”, “é lágrima de cinema, é
tapeação”, “cai fora”. A “tradução” expõe a oposição entre o uso
da linguagem formal e da coloquial no texto poético.
Texto 3
Teresa, se algum sujeito bancar o sentimental em cima de você
E te jurar uma paixão do tamanho de um bonde
Se ele chorar
Se ele ajoelhar
Se ele se rasgar todo
Não acredita não Teresa
É lágrima de cinema
É tapeação
É mentira
CAI FORA.
(Manuel Bandeira, poeta modernista)
Mulher, Irmã, escuta-me: não ames,
Quando a teus pés um homem terno e curvo
Jurar amor, chorar pranto de sangue,
Não creias não, mulher: ele te engana!
As lágrimas são galas da mentira ornamentos, enfeites
E o juramento manto da perfídia. engano, traição
(Joaquim Manuel de Macedo, 
escritor romântico)
MEUS OITO ANOS
Oh! souvenirs! printemps! aurores!1
(Victor Hugo)
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras agradáveis, serenas
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
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1 – “Oh! recordações! primaveras! auroras!” é a tradução do verso de
Victor Hugo (pronúncia aproximada: victôrr ügô).
“Meus Oito Anos” é o mais famoso dos poemas de Casimiro
de Abreu, tendo sido lido e decorado por diversas ge ra ções de
estudantes, pois até há pouco tempo constava de todas as
antologias escolares. A seguir, apresenta-se a paródia que o
modernista Oswald de Andrade fez do poema de Casimiro:
Texto 4
C Todos os versos do poema de Casimiro de Abreu apre -
sentam sete sílabas métricas. O mesmo ocorre no poema de
Oswald de Andrade?
RESOLUÇÃO:
No poema de Oswald de Andrade ocorre uma aparente ruptura da
regularidade métrica nos versos 3-4, que são mais curtos. Juntos,
porém, os dois formam um verso de sete sílabas, como todos os
demais, menos dois: 9 e 18. Esses dois versos, que são idênticos,
pois funcionam como refrão, contam apenas seis sílabas. É notável
que o poeta “erra” (voluntariamente) na métrica no mes mo verso
em que comete um erro infantil de português, adequado (como
brincadeira) num poema sobre a infância. Também se observa que,
nos versos 9 e 18, Oswald de Andrade nega um elemento presente
no poema de Casimiro de Abreu.
meus oito anos
Oh que saudades que eu tenho
Da aurora de minha vida
Das horas
De minha infância
Que os anos não trazem mais
Naquele quintal de terra
Da Rua de Santo Antônio
Debaixo da bananeira
Sem nenhum laranjais
Eu tinha doces visões
Da cocaína da infância
Nos banhos de astro-rei
Do quintal de minha ânsia
A cidade progredia
Em roda de minha casa
Que os anos não trazem mais
Debaixo da bananeira
Sem nenhum laranjais
(Primeiro Caderno do Aluno 
de Poesia Oswald de Andrade,1927)
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d’amor!
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar! descanso, prazer
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
(...)
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberto o peito,
— Pés descalços, braços nus! —
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos felizes
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias, ao entardecer
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
(...)
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
(Casimiro de Abreu, Lisboa, 1857)
PORTUGUÊS 325
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PORTUGUÊS326
D Como são as imagens de infância do poema de Casimiro
de Abreu?
RESOLUÇÃO: 
São idealizadas e românticas: a infância é descrita como uma etapade sonho, felicidade e perfeição.
E Como são as imagens de infância do poema de Oswald de
Andrade?
RESOLUÇÃO: 
São imagens reais, cotidianas e não idealizadas.
Texto 5
F Chico Buarque fez uma releitura do poema “Meus Oito
Anos”, de Casimiro de Abreu. Há diferença entre os dois
autores no modo como evocam a infância?
RESOLUÇÃO:
Casimiro de Abreu e Chico Buarque tematizam a nostalgia da
infância; aquele o faz numa visão idealizada, este, com imagens
que evocam a realidade. 
DOZE ANOS
Ai, que saudades que eu tenho 
Dos meus doze anos 
Que saudade ingrata 
Dar banda por aí 
Fazendo grandes planos 
E chutando lata 
Trocando figurinha 
Matando passarinho 
Colecionando minhoca 
Jogando muito botão 
Rodopiando pião 
Fazendo troca-troca 
Ai, que saudades que eu tenho 
Duma travessura 
O futebol de rua 
Sair pulando muro 
Olhando fechadura
E vendo mulher nua 
Comendo fruta no pé 
Chupando picolé
Pé de moleque, paçoca,
E disputando troféu 
Guerra de pipa no céu 
Concurso de piroca 
(Chico Buarque de Holanda)
José Marques CASIMIRO DE ABREU (1839-1860):
Nasceu em Barra de
São João, Província
do Rio de Janeiro.
Passou sua infân cia
no campo, de onde
saiu para estudar
humani dades em
Nova Friburgo. Seu
pai, fazendeiro e co -
mer ciante português
de boa situação
econômica, mandou-
o ao Rio para praticar comércio, o que produziu nele
certo ressentimento, visível em alguns de seus
poemas, já que não possuía vocação para os negócios.
Em 1853, aos quatorze anos de idade, foi enviado a
Lisboa para prosseguir na mesma prática comercial.
Ficou em Portugal quatro anos e lá se iniciou como
poeta e dramaturgo. De volta ao Rio, fale ceu vítima de
tuberculose, aos vinte anos. Seus prin cipais temas são
a saudade da infância, o amor à natu reza, a religião e
um patriotismo difuso e sentimental. 
O Destaque!!
Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL
OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”,
digite PORT2M117
No Portal Objetivo
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PORTUGUÊS 327
3
Romantismo e paródia: Álvares de
Azevedo – Lira dos Vinte Anos – Parte I
• Mal-do-século 
• Spleen • Byronismo
1 (PASUSP-SP – MODELO ENEM) – Em
relação aos heróis literários, a personagem da tira
a) manifesta uma atitude oposta ao ideal do
herói romântico.
b) representa um herói literário, disposto a
enfrentar qualquer perigo.
c) admira a paisagem natural, exaltando a
natureza bucólica.
d) demonstra sua decepção com a sociedade e
busca refúgio na imaginação.
e) apresenta uma atitude angustiada e
pessimista diante dos perigos.
Resolução
A atitude pragmática e consumista da perso -
nagem dos quadrinhos é o oposto do idealismo
grandioso característico do herói romântico, tal
como definido no texto I.
Resposta: A
2 (PASUSP-SP – MODELO ENEM) –
Tendo por base somen te o primeiro quadrinho
da tira, assinale qual das afirmações a seguir
expressa correta mente um princípio geral
correspon dente a seu conteúdo.
a) Fazer o que não dá prazer pode ser útil.
b) Só se deve fazer o que dá prazer.
c) Deve-se fazer sempre o que se quiser.
d) É melhor não fazer nada, para não sofrer.
e) Não se deve fazer o que causa sofri mento.
Resolução
No primeiro quadrinho se exprime, pre -
cisamente, o princípio de que “fazer o que não
dá prazer” (“seguir por uma estrada tortuo -
sa...”) “pode ser útil” (“às vezes é preferível”).
Resposta: A
Textos para os testes 1 e 2.
I. O Romantismo, movimento literário do século XIX, apresenta, entre outras carac terísticas,
uma visão de mundo centrada no indivíduo. Seus heróis são personagens portadoras de verdades,
destemidas, de caráter exemplar e que realizam grandes missões.
II.
(Disponível em: http://www2.uol.com.br/adaoonline/v2/tiras/
lavie/tiras/caminho5.gif. Acesso: ago. 2009.)
Texto para as questões de A a E.
LEMBRANÇA DE MORRER
No more! Oh never more!1
(Shelley)
Quando em meu peito rebentar-se a fibra
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.
E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento. morte
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro empoeirado
— Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro; som – aquele que
[toca o sino
Como o desterro de minh’alma errante, solidão
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade — é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia2. embelezava
Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!
Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.
Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu! eu vou amar contigo!
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PORTUGUÊS328
1 – “Não mais! Oh, nunca mais!”; Shelley (pronúncia shéli; 1792-1822)
foi um grande poeta romântico inglês. 2 – Neste ponto, o poeta suprimiu
duas estrofes da primeira versão do poema, que falavam das saudades da
mãe, do pai e dos amigos. Apesar de o autor as ter ris ca do, os editores
insistem em manter no texto as duas estrofes sentimentais e contraditórias.
3 – Há uma variante deste verso em que se lê pratear-me, que parece
ser uma versão melhor, porque menos sentimental (e o próprio poeta
afirmou, versos atrás, que não queria que lhe chorassem a morte) e mais
informativa (ganha-se a imagem do luar prateado, em vez da vaga
sugestão do “choro” da lua).
A O chamado mal do século... Transcreva palavras e/ou ver -
sos do poema que indiquem esses estados de espírito.
RESOLUÇÃO:
“Dor vivente”, “Eu deixo a vida como deixa o tédio / Do deserto, o
poento caminheiro” etc.
B Aponte trechos do poema que indiquem ser a vida, na visão
do poeta, algo negativo, enquanto a morte passa a ser a solução.
RESOLUÇÃO: 
A terceira estrofe, por exemplo.
C Indique um trecho que sirva para exemplificar a presença do
amor dito “platônico”, ou seja, espiritualizado, que marcou a
obra e, segundo seus biógrafos, também a vida do poeta.
RESOLUÇÃO:
Os dois últimos versos da sétima estrofe.
D Indique trechos em que se verifique a relação subjetiva e
direta entre homem e natureza, característica do Romantismo.
RESOLUÇÃO: 
As três últimas estrofes do poema.
E Qual a relação entre o verso que o poeta deseja como seu
epitáfio (inscrição tumular) e a escola literária a que ele
pertence?
RESOLUÇÃO:
O verso “Foi poeta — sonhou — e amou na vida” revela a associa -
ção da poesia com o sonho (o ideal) e o amor, característica do
Romantismo, especialmente da geração romântica a que pertence
Álvares de Azevedo.
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
— Foi poeta — sonhou — e amou na vida.
Sombras do vale, noites da montanha
Que minh’alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!
Mas quando preludia ave d’aurora inicia o canto
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos...
Deixai a lua prantear-me3 a lousa! pedra sepulcral, túmulo
(Álvares de Azevedo)
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PORTUGUÊS 329
Texto para as questões F e G.
F (FUVEST-SP – adaptada) – Caracterize brevemente a
concepção de amor presente no poema anterior. 
RESOLUÇÃO:
A concepção de amor expres sa no poema privilegia a urgência e a
concretude da realização do ato amoroso, eufemisticamente
camuflado sob o verbo “casar”. [O eu poemático projeta com
intensidade o seu desejo, na reiteração do “quero me casar”. O
objeto desse desejo importa menos (“loura morena / preta ou azul
/ uma noiva verde...”) que sua realização urgente: “Depressa, que
o amor / não pode esperar!”]
G (FUVEST-SP – adaptada) – A concepção de amor ex pres -
sa no poema é semelhante à que predominava na literatura do
Romantismo?Justifique.
RESOLUÇÃO: 
Não, pois o poema subverte a visão idealizadora da mulher e
concentra-se no desejo do sujeito, marcado por indisfarçável
sensualidade. A mulher aqui importa menos, diante da urgência
do desejo.
Texto para o teste H.
H (PUC-RJ – modificado – MODELO ENEM) – Marque a
opção correta em relação ao poema. 
a) O título Epitáfio prenuncia a presença trágica e irreversível
da morte, tema predominante no poema. 
b) O uso de metrificação regular e a disposição das estrofes
aproximam o poema da poesia trovadoresca. 
c) O eu lírico idealiza a morte, bem como a figura feminina. 
d) O eu lírico encontra na morte a possibilidade de transcen -
dência e eternidade.
e) O poema incorpora o sentimento iconoclasta do Primeiro
Tempo Modernista. 
RESOLUÇÃO: O poema trata a morte, bem como o amor e a figura
feminina, com irreverência. Trata-se de atitude iconoclasta, que
alude ao Romantismo de maneira irônica e satírica.
Resposta: E
EPITÁFIO
Eu sou redondo, redondo
Redondo, redondo eu sei
Eu sou uma redon’ilha
Das mulheres que beijei
Por falecer do oh! amor
Das mulheres da minh’ilha
Minha caveira rirá ah! ah! ah!
Pensando na redondilha
(Oswald de Andrade, poeta modernista)
QUERO ME CASAR
Quero me casar
na noite na rua
no mar ou no céu
quero me casar.
Procuro uma noiva
loura morena
preta ou azul
uma noiva verde
uma noiva no ar
como um passarinho.
Depressa, que o amor
não pode esperar!
(Carlos Drummond de Andrade, poeta modernista)
Manuel Antônio ÁLVARES DE
AZEVEDO (1831-1852): Nas -
ceu em São Paulo, mas cedo
partiu para o Rio de Janeiro. Aos
16 anos regres sou a São Paulo,
onde cur sou Direito. De talento
precoce, integrou-se aos gru pos
boê mios da época, to mando
parte nos des mandos da Socie -
dade Epicureia, fundada em
1845. Nas férias do curso de Direito, do quarto para o
quinto ano, gozadas no Rio, submeteu-se a uma
operação por causa de um tumor. Morreu em 1852,
tuberculoso, aos vinte anos de idade, não vendo reunida
em livro sua obra.
O Destaque!!
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PORTUGUÊS330
1 (MODELO ENEM) – Na tira acima, há um
diálogo entre Níquel Náusea, o rato maior, e
Gatinha, ambos personagens do cartunista
Fernando Gonsales. Baseando-se no diálogo,
é correto afirmar:
a) Níquel Náusea fala por meio de enigmas.
b) Gatinha não sabe o que é um grande amor.
c) Gatinha age de modo antirromântico.
d) Níquel Náusea usa linguagem conota tiva.
e) Gatinha se expressa usando monos -
sílabos.
Resolução
Gatinha age de modo antirromântico, ou seja,
ela tem um comportamento contrário àquele
que comumente chamamos romântico, sonha -
dor, sensível. Ela parece não saber criar ima -
gens abstratas ou talvez não tenha o gosto por
esse tipo de imagem ou linguagem. Todos os
exem plos de “coisa bem grande” que ela dá
são objetos concretos, prosaicos, como uma
geladeira, um ônibus e um terreno baldio. No
final, Gatinha mostra não ter interesse em ouvir
o poema de amor que fora composto para ela.
Resposta: C
2 (MODELO ENEM) – A comicidade da tira
decorre
a) do emprego da palavra coisa, cujo sentido
é muito vago.
b) da comparação descabida entre obje tos
materiais e o amor.
c) do fato de Gatinha só conhecer três
“coisas” grandes.
d) da resposta negativa e inesperada de
Gatinha.
e) da ideia absurda de um rato escrever um
poema.
Resolução
No último quadrinho, a resposta negativa e
muito direta de Gatinha rompe com a
expectativa que se havia criado por e para
Níquel Náusea, até aquele momento. Para ele,
suas perguntas estavam criando uma
atmosfera propícia à apresentação de seu
poema de amor. No entanto, sua expec tativa
foi frustrada e, no último quadrinho, as duas
posturas (a romântica e a antir romântica)
tornaram-se explícitas. 
Resposta: D
4
Romantismo e paródia: Álvares de
Azevedo – Lira dos Vinte Anos – Parte II
• Ironia romântica • Humor romântico
• Poesia romântica humorística
Texto para os testes 1 e 2.
NAMORO A CAVALO
Eu moro em Catumbi. Mas a desgraça
Que rege minha vida malfadada
Pôs lá no fim da rua do Catete
A minha Dulcineia1 namorada.
Alugo (três mil-réis) por uma tarde
Um cavalo de trote (que esparrela!) logro, engano
Só para erguer meus olhos suspirando
À minha namorada na janela...
Todo o meu ordenado vai-se em flores
E em lindas folhas de papel bordado
Onde eu escrevo trêmulo, amoroso,
Algum verso bonito... mas furtado.
Morro pela menina, junto dela
Nem ouso suspirar de acanhamento...
Se ela quisesse eu acabava a história
Como toda a comédia — em casamento.
Ontem tinha chovido... Que desgraça!
Eu ia a trote inglês ardendo em chama,
Mas lá vai senão quando uma carroça
Minhas roupas tafuis encheu de lama... elegantes, janotas
Eu não desanimei. Se Dom Quixote
No Rocinante2 erguendo a larga espada
Nunca voltou de medo, eu, mais valente,
Fui mesmo sujo ver a namorada...
Mas eis que, ao passar pelo sobrado
Onde habita nas lojas minha bela, no andar térreo
Por ver-me tão lodoso ela, irritada, 
Bateu-me sobre as ventas a janela... nariz
O cavalo, ignorante de namoros,
Entre dentes tomou a bofetada,
Arrepia-se, pula, e dá-me um tombo
Com pernas para o ar, sobre a calçada...
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PORTUGUÊS 331
1 – Dulcineia: a amada idealizada de D. Quixote, no livro Dom Quixote de
la Mancha, de Miguel de Cervantes. 2 – Rocinante: cavalo de D. Quixote.
1 A obra poética de Álvares de Azevedo, contida prin cipal -
mente no seu livro póstumo, Lira dos Vinte Anos (1853), consta,
por um lado, de poemas de tom grave, linguagem formal e
temas românticos “sérios”. Por outro lado, há poe mas de tom
brincalhão, linguagem coloquial e romantismo irônico. Em qual
dos dois grupos você classificaria o poema transcrito? Por quê?
RESOLUÇÃO: 
“Namoro a Cavalo” pertence ao segundo grupo: a linguagem é
coloquial, o tom é de deboche e a atitude romântica é comple ta -
men te ironizada. Contrariamente, “Lembrança de Morrer” (o poe -
ma de Álvares de Azevedo estudado na aula 3) é um poema do
pri meiro grupo: linguagem e tom elevados, expressão roman ti -
camente séria de emoções.
2 No Romantismo, a originalidade e a expressão individual
são muito importantes para o poeta, pois garantem a expressão
sincera e autêntica de suas emoções. Em “Namoro a Cavalo”,
Álvares de Azevedo faz uma zombaria que envolve esse ponto.
Em que trecho tal zombaria ocorre?
RESOLUÇÃO: 
Ocorre na estrofe 3, em que ele fala do verso “furtado” que
escrevia para a namorada.
3 Pode-se dizer que também o casamento é objeto de
zombaria neste poema? Por quê?
RESOLUÇÃO: 
Sim, pois o casamento é dado como o fim de “toda a comédia”.
Essa associação parece sugerir algum aspecto cômico do
casamento.
Dei ao diabo os namoros. Escovado
Meu chapéu que sofrera no pagode zombaria, caçoada,
Dei de pernas corrido e cabisbaixo [cena engraçada
E berrando de raiva como um bode.
Circunstância agravante: a calça inglesa
Rasgou-se no cair, de meio a meio,
O sangue pelas ventas me corria
Em paga do amoroso devaneio!...
(Álvares de Azevedo)
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PORTUGUÊS332
4 Qual a diferença entre a figura feminina deste poema e a que
aparece nos poemas românticos “sérios”, inclusive os de Álvares
de Azevedo (como, por exemplo, “Lembrança de Morrer”)?
RESOLUÇÃO:
A diferença é que a figura feminina mais frequente na poesia
romântica é vaga, inatingível, etérea, apesar de muitas vezes
aparecer tingida de sensualidade. A mulher de “Namoro a Cavalo”
é uma moça algo truculenta, de “maus bofes”, que bate violen -
tamente a janela no nariz do namorado por estarem as roupas dele
enlameadas.
5 Apresente dois trechos do texto em que o poeta explore o
ridículo, invertendo situações românticas.
RESOLUÇÃO: 
Momentos ridículos em que se ironizam elementos românticos:
“ela, irritada, / Bateu-me sobre as ventas a janela...” (aqui o
clássico encontro dos namorados na janela, como em Romeue
Julieta, é invertido e tornado cômico, pois a mulher não é uma
jovem etérea e delicada, mas uma moça agressiva e mal-
humorada). A estrofe seguinte apresenta o “herói” sendo
derrubado do cavalo, em outro momento ridículo e antir-
romântico. Também no verso em que o namorado se descreve a
sair “berrando como um bode” há zombaria, seja na maneira como
o poeta representa a expressão do que o namorado sentia, seja na
linguagem empregada, bastante sugestiva e vulgar.
Texto para o teste 6.
6 (FUVEST-SP – MODELO ENEM) – Neste excerto, o eu
lírico parece aderir com intensidade aos temas de que fala, mas
revela, de imediato, desinteresse e tédio. Essa atitude do eu
lírico manifesta a
a) ironia romântica.
b) tendência romântica ao misticismo.
c) melancolia romântica.
d) aversão dos românticos à natureza.
e) fuga romântica para o sonho.
RESOLUÇÃO: 
No quarto verso, o eu lírico parece manifestar tédio, ao bocejar
diante da lua, figura recorrente na poesia lírica, ora como fonte de
inspiração, ora como interlocutora e testemunha de incontáveis
lamentos e confissões. Há, portanto, uma inversão ou ironia
romântica nos versos de Álvares de Azevedo, já que o eu lírico
banaliza um elemento caro à tradição poética e rompe com a
expectativa do leitor.
Resposta: A
Teu romantismo bebo, ó minha lua,
A teus raios divinos me abandono,
Torno-me vaporoso... e só de ver-te
Eu sinto os lábios meus se abrir de sono.
(Álvares de Azevedo, 
“Luar de Verão”, Lira dos Vinte Anos)
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PORTUGUÊS 333
5 e 6 Castro Alves: poesia social • Condoreirismo• Poesia abolicionista
O assunto desta aula é a poesia social de
Castro Alves, em particular a poesia chamada
abolicionista. Leia a seguir alguns versos
extraídos do poema “O Navio Negreiro” e
responda aos testes 1, 2 e 3.
Texto 1
Quem são estes desgraçados 
Que não encontram em vós 
Mais que o rir calmo da turba1
Que excita a fúria do algoz?
(...)
Ontem plena liberdade, 
A vontade por poder... 
Hoje... cúm’lo de maldade, 
Nem são livres pra morrer...
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre2 serpente — 
Nas roscas da escravidão. 
E assim zombando da morte, 
Dança a lúgubre coorte3
Ao som do açoite4... Irrisão5!... 
Senhor Deus dos desgraçados! 
Dizei-me vós, Senhor Deus, 
Se eu deliro... ou se é verdade 
Tanto horror perante os céus?!... 
Ó mar, por que não apagas 
Coa esponja de tuas vagas6
Do teu manto este borrão? 
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades! 
Varrei os mares, tufão!...
1 – Turba: multidão. 2 – Lúgubre: fúnebre, que
lembra a morte. 3 – Coorte: legião. 4 – Açoite:
chicote. 5 – Irrisão: zombaria, caçoada. 6 – Vaga:
onda.
Sobre Castro Alves, Alfredo Bosi afirmou:
“A sua estreia coincide com o amadurecer de
uma situação nova: a crise do Brasil puramente
rural; o lento mas firme crescimento da cultura
urbana, dos ideais democráticos e, portanto, o
despontar de uma repulsa pela moral do
senhor-e-servo, que poluía as fontes da vida
familiar e social do Brasil-Império. (...) A palavra
do poeta baiano seria, no contexto em que se
inseriu, uma palavra aberta.” (História Concisa
da Literatura Brasileira)
1 (MODELO ENEM) – Assinale a alter nativa
que apresenta um comentário inadequado aos
versos transcritos.
a) Os ideais liberais, transpostos ao âmbito
social, põem de lado o sentimen talismo ego -
cêntrico.
b) As palavras são de repúdio à realidade de
uma nação que se nutre da mão de obra escrava.
c) Trata-se da expressão de uma análise racio -
nal da realidade, cujo objetivo é envolver e
sensibilizar o leitor.
d) Os versos são excelente exemplo da mani -
festação daquela repulsa de que nos fala
Alfredo Bosi.
e) O eu lírico emprega recursos da ora tória
(arte do bem dizer) e metáforas arrebatadoras e
ousadas, de forte impacto emocional.
Resolução
Não se trata de uma análise racional da
realidade, e o que, de fato, envolve e sen sibiliza
o leitor é justamente a intensidade retórica e o
tom enfático e exaltado, que revelam a indig -
nação e o repúdio do eu lírico, seus
sentimentos mais aflorados.
Resposta: C
2 (MODELO ENEM) – Em “o rir calmo da
turba excita a fúria do algoz” há
a) comparação. b) sinestesia.
c) paradoxo. d) antítese.
e) onomatopeia.
Resolução
Há antítese no trecho apresentado no enun -
ciado, pois a expressão “rir calmo” se opõe a
“excita a fúria”.
Resposta: D
Leia a seguir um trecho de um poema chamado
“Litania dos Pobres”, do poeta simbolista bra -
sileiro Cruz e Sousa, e responda ao teste 3.
Texto 2
Os miseráveis, os rotos
São as flores dos esgotos.
São espectros implacáveis
Os rotos, os miseráveis.
São prantos negros de furnas
Caladas, mudas, soturnas.
São os grandes visionários
Dos abismos tumultuários.
As sombras das sombras mortas,
Cegas, a tatear nas portas.
Procurando o céu aflitos
E varando o céu de gritos.
Faróis à noite apagados
Por ventos desesperados.
Inúteis, cansados braços
Pedindo amor aos Espaços.
(...)
Bandeiras rotas, sem nome,
Das barricadas da fome.
Bandeiras estraçalhadas
Das sangrentas barricadas.
(...)
Ó pobres! o vosso bando
É tremendo, é formidando1!
Ele já marcha crescendo,
O vosso bando tremendo...
(...)
1 – Formidando: pavoroso, que mete medo.
3 (MODELO ENEM) – “Só nos poemas dos
escravos, de Castro Alves, encontramos
ressonância tão funda quanto a que vibra neste
poema de Cruz e Sousa.” (Tasso da Silveira)
Considerando os textos 1 e 2 e a opinião
emitida pelo crítico citado, assinale a alternativa
que apresenta uma interpretação indevida.
a) O tom de protesto e repulsa tem, tanto no
poema de Castro Alves como no de Cruz e
Sousa, o mesmo acento libertário.
b) No poema de Castro Alves, fala-se da
inadaptação do homem ao mundo, como
resultado do conflito entre opressor e oprimido. 
c) As imagens de “Litania dos Pobres” não se
atêm ao fluxo da sonoridade apenas; elas
também se organizam para a construção de
uma unidade de sentido.
d) Os dois textos apresentam aspectos
formais comuns, tais como o tipo de verso, a
estrofação e o esquema de rimas.
e) O condoreirismo do poema de Castro Alves
contrasta com o acento pessoal e sombrio do
poema de Cruz e Sousa.
Resolução
Os textos apresentam o mesmo tipo de verso,
com sete sílabas métricas (heptas sílabo ou
redondilho maior), no entanto o tipo de estrofe
e o esquema de rimas são diferentes.
Resposta: D
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PORTUGUÊS334
III
Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais... inda mais... não pode olhar humano ainda
Como o teu mergulhar no brigue voador! barco
Mas que vejo eu aí... Que quadro d’amarguras!
É canto funeral!... Que tétricas figuras!... horríveis, medonhas
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! desprezível
[Que horror!
IV
Era um sonho dantesco... o tombadilho1 infernal
Que das luzernas avermelha o brilho clarão, luz muito intensa
Em sangue a se banhar. 
Tinir de ferros... estalar de açoite... 
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas, fantasmas
Em ânsia e mágoa vãs!
E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doidas espirais... 
Se o velho arqueja, se no chão resvala, arqueia, se curva
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia, desequilibra-se
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
“Vibrai rijo o chicote, marinheiros! violento, severo
Fazei-os mais dançar!...”
(...)
V
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... seé verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Coa esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!
(...)
Ontem a Serra Leoa2,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d’amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...
Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm’lo de maldade,
Nem são livres pra morrer...
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente — 
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoite... Irrisão!...
(...)
VI
Existe um povo que a bandeira empresta
Pra cobrir tanta infâmia e cobardia!... covardia
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!... libertina, devassa
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia? sem pudor – mastro –
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto [dança
Que o pavilhão se lave no teu pranto!...
Auriverde pendão de minha terra, bandeira, estandarte
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu, que da liberdade após a guerra
Foste hasteado dos heróis na lança,
Antes te houvessem roto na batalha, rasgado
Que servires a um povo de mortalha!... veste, roupa 
[de cadáver
(São Paulo, 18 de abril de 1868 – “Os Escravos”)
Leia a seguir mais algumas estrofes de “O Navio Negreiro” e
responda às questões de 1 a 5.
1 – O tombadilho é uma superestrutura erguida na popa de um navio; diz-se
também do pavimento dessa superestrutura. 2 – Serra Leoa é uma região da África.
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PORTUGUÊS 335
1 Selecione e transcreva alguns versos que falam do trata -
mento recebido pelos escravos.
RESOLUÇÃO:
“E ri-se a orquestra irônica, estridente... / (...) E voam mais e
mais...” / “No entanto o capitão manda a manobra, / (...) fazei-os
mais dançar!...”, entre outros.
2 Nas estrofes que se iniciam com os versos “Ontem a Serra
Leoa” e “Ontem plena liberdade”, destaque pares de oposições
que contrapõem a vida do negro livre à do escravo.
RESOLUÇÃO:
Os pares de oposições podem ser os seguintes, entre outros:
“Ontem a Serra Leoa” x “Hoje... o porão negro, fundo” ou “Infecto,
apertado, imundo”; “A guerra, a caça ao leão” x “Tendo a peste
por jaguar...”; “O sono dormido à toa” x “E o sono sempre
cortado”; “Ontem plena liberdade” x “Hoje... cúm’lo de maldade /
Nem são livres pra morrer”.
3 Do que tratam as duas últimas estrofes? 
RESOLUÇÃO:
As duas últimas estrofes combatem abertamente a escravidão
como uma vergonha nacional.
4 Atentando-se para a pontuação do poema e para o largo
emprego de apóstrofes e hipérboles, como se pode supor que
deva ser lido “O Navio Negreiro”? 
RESOLUÇÃO:
A pontuação do poema — reticências, travessões, exclamações —,
além do emprego copioso de hipérboles e apóstrofes, sugere que
os versos devam ser lidos de forma enfática, apaixonada, como se
se estivesse num palanque, o que é coerente com a gravidade e a
urgência escandalosa do tema tratado.
5 Todas as seguintes alternativas trazem exemplos de após -
trofe extraídos do poema, exceto:
a) “Senhor Deus dos desgraçados!” (estrofe 7)
b) “Ó mar”(estrofe 7)
c) “Férrea, lúgubre serpente” (estrofe 9)
d) “Musa” (estrofe 10)
e) “Auriverde pendão de minha terra” (estrofe 11)
RESOLUÇÃO:
O trecho transcrito na alternativa c consiste numa metáfora, aposto
do termo corrente, do verso anterior.
Resposta: C
Texto para as questões de 6 a H.
HAITI 
Quando você for convidado pra subir no adro da pátio
Fundação Casa de Jorge Amado, [externo
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos, 
Dando porrada na nuca de malandros pretos, 
De ladrões mulatos 
E outros quase brancos,
Tratados como pretos,
Só pra mostrar aos outros quase pretos 
(E são quase todos pretos) 
E aos quase brancos pobres como pretos 
Como é que pretos, pobres e mulatos 
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados. 
E não importa se olhos do mundo inteiro possam 
Estar por um momento voltados para o largo 
Onde os escravos eram castigados. 
E hoje um batuque, um batuque com a pureza de 
Meninos uniformizados, 
De escola secundária, em dia de parada,
E a grandeza épica de um povo em formação 
Nos atrai, nos deslumbra e estimula. 
Não importa nada: 
Nem o traço do sobrado, nem a lente do Fantástico 
Nem o disco de Paul Simon. 
Ninguém,
Ninguém é cidadão.
Se você for à festa do Pelô, e se você não for,
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
(...)
(Música de Caetano Veloso e 
Gilberto Gil, letra de Caetano Veloso, 1993)
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PORTUGUÊS336
6 No trecho transcrito, alude-se a uma cena de violência
urbana. De que tipo de violência se trata? Onde ocorre a cena?
RESOLUÇÃO:
Trata-se de violência policial, e a cena transcorre no Centro
Histórico de Salvador, no Largo do Pelourinho, apelidado “Pelô”
por seus moradores e visitantes.
7 Segundo o texto, o que acontecia ali no passado?
RESOLUÇÃO:
Naquele lugar, os escravos eram castigados. O largo recebeu esse
nome porque ali havia um pelourinho, instrumento de castigo à
época da escravidão. Lá, os senhores de engenho castigavam
publicamente seus escravos, dando ao povo uma prova de poder.
8 Por que motivo, segundo o texto, os policiais praticam a
violência?
RESOLUÇÃO: 
O espancamento realiza-se em lugar público como demonstração
de força, de poder, conforme o trecho: “Só pra mostrar aos outros
quase pretos / (E são quase todos pretos) / E aos quase brancos
pobres como pretos / Como é que pretos, pobres e mulatos / E
quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados.” A
violência é exercida como forma de repressão. 
Escravidão no Brasil. Gravura de Jean-Baptiste Debret (1768-1848).
Antônio Frederico de CASTRO ALVES (1847-1871):
Nasceu na Bahia e estudou na
Facul dade de Direito de Recife,
onde já começava a cam panha
liberal-aboli cionista, da qual viria
a ser um dos líderes. Apai -
xonou-se pela atriz Eugênia
Câmara, para quem escreveu o
drama Gonzaga ou A Revo lução
de Minas. Viajou a São Paulo,
onde pretendia prosseguir os estudos, mas
permaneceu na cidade por pouco tempo, por causa de
um acidente de caça em decorrência do qual perdeu
uma perna. Tuberculoso, não resistiu, morrendo em
Salvador, aos vinte e quatro anos de idade. Foi muito
admirado em sua época não apenas pela força de sua
poesia e por sua generosidade, mas também por sua
beleza, elegância e poder de sedução. Além de
Eugênia Câmara, seu grande e atormentado amor,
teve outras paixões e diversos namoros.
O Destaque!!
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PORTUGUÊS 337
7 Castro Alves: poesia lírica • Lírica amorosa • A mulher na lírica amorosa de Castro Alves
Textos para os testes de 1 a 4.
Texto 1
Oh! eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama1 os ares; 
Ver minh’alma adejar2 pelo infinito, 
Qual branca vela n’amplidão dos mares.
No seio da mulher há tanto aroma…
Nos seus beijos de fogo há tanta vida…
— Árabe errante, vou domir à tarde
À sombra fresca da palmeira erguida.
Mas uma voz responde-me sombria:
Terás o sono sob a lájea3 fria.
(...)
Morrer — é ver extinto dentre as névoas
O fanal4, que nos guia na tormenta:
Condenado — escutar dobres de sino,
— Voz da morte, que a morte lhe lamenta —
Ai! morrer — é trocar astros por círios5,
Leito macio por esquife6 imundo,
Trocar os beijos da mulher — no visco
Da larva errante no sepulcro fundo.
(ALVES, Castro. Mocidade e Morte. 
In: Poesias Completas de Castro Alves.
17. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995. p. 22-23.)
1 – Embalsamar: perfumar.
2 – Adejar: voar.
3 – Lájea: laje, pedra tumular.4 – Fanal: farol.
5 – Círio: vela.
6 – Esquife: caixão.
Texto 2
Debalde nos meus sonhos de ventura
Tento alentar minha esperança morta
E volto-me ao porvir1;
A minha alma só canta a sepultura,
E nem última ilusão beija e conforta
Meu suarento2 dormir…
Debalde! que exauriu-me3 o desalento: 
A flor que aos lábios meus um anjo dera
Mirrou4 na solidão… 
Do meu inverno pelo céu nevoento
Não se levantará nem primavera,
Nem raio de verão!
(AZEVEDO, Álvares de. Hino do Profeta.
In: Lira dos Vinte Anos. São Paulo: FTD,
1994, p. 103 – Grandes Leituras.)
1 – Porvir: o que está por vir, futuro.
2 – Suarento: coberto de suor.
3 – Exaurir: esgotar-se.
4 – Mirrar: murchar.
1 (ENEM) – O texto 1, como o próprio título
— “Mocidade e Morte” — sugere, aborda o
inconformismo do poeta com a antevisão da
morte prematura, ainda na juventude. A
imagem da morte aparece na palavra
a) embalsama. b) infinito. 
c) amplidão. d) dormir.
e) sono.
RESOLUÇÃO:
A associação entre a imagem da morte e o
sono, bastante convencional, é reforçada, no
dístico de Castro Alves, pela expressão “sob a
lájea fria”, perífrase eufemística de túmulo. O
verbo dormir, que também pode ser associado
à imagem da morte, não tem qualquer cono -
tação fúnebre nos versos: “— Árabe errante,
vou dormir à tarde / À sombra fresca da
palmeira erguida”, que sugerem o descanso
reparador do caminhante do deserto que chega
a um oásis.
Resposta: E
2 (UEFS-BA – MODELO ENEM) – Em
relação aos dois textos, pode-se afirmar:
a) No texto 1, o sujeito poético vê a morte como
solução para o conflito amoroso; no 2, o beijo
da amada reacende o desejo e traz a crença no
futuro.
b) No texto 1, o eu lírico declara seu amor à
vida, enxergando a morte como algo negativo;
no 2, revela-se desencantado em face da
existência, daí o desejo de morte.
c) No texto 1, o sujeito poético anseia pela
transcendentalidade; no 2, o eu lírico lamenta a
perda da espiritualidade, pois isso lhe trouxe
sofrimento.
d) Tanto no texto 1 quanto no 2, o sujeito
poético mostra-se em desequilíbrio interior, em
virtude do antagonismo presente na realidade
circundante.
e) Em ambos os textos, o eu lírico evidencia a
sua expectativa de que a realidade passe a ter
a marca de uma vida venturosa.
Resolução
No texto 1, o eu lírico canta a vida e seus
encantos e prazeres; no texto 2, o eu lírico
expressa seu completo desconsolo e
pessimismo em relação à vida.
Reposta: B
3 (UEFS-BA – MODELO ENEM) – Há metá -
fora no seguinte fragmento: 
a) “No seio da mulher há tanto aroma…” (Texto
1, v. 5)
b) “À sombra fresca da palmeira erguida.”
(Texto 1, v. 8)
c) “Debalde nos meus sonhos de ventura.”
(Texto 2, v. 1)
d) “E volto-me ao porvir.” (Texto 2, v. 3)
e) “Do meu inverno pelo céu nevoento.” (Texto
2, v. 10)
Resolução
No poema, a metáfora “meu inverno” repre -
senta a tristeza do eu lírico.
Reposta: E
4 (UEFS-BA – MODELO ENEM) – Os textos
1 e 2 enqua dram-se no Romantismo por
apresentarem em comum
a) gosto pela solidão.
b) platonismo amoroso.
c) evasão para a morte.
d) ponto de vista pessoal no enfoque do tema.
e) atitude de contestação em face do social.
Resolução
Em ambos os textos, destaca-se a expressão
dos sentimentos do eu lírico, seja para exaltar a
vida (texto 1), seja para lastimá-la (texto 2).
Destaca-se, portanto, além da função poética, a
função emotiva da linguagem, centrada no
emissor da mensagem (no caso da poesia lírica,
o eu lírico, que também pode denominar-se eu
poético, sujeito poético, entre outros).
Reposta: D
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PORTUGUÊS338
Texto para a questão 1.
1 Em relação ao poema “Adormecida”, explique de que
modo se dá a identificação entre sujeito e natureza, comum no
Romantismo.
RESOLUÇÃO:
O poeta imagina-se no lugar dos ramos de árvore que, segundo
ele, beijam e acariciam a jovem adormecida. Tal identificação acaba
por ocasionar uma caracterização humana dos elementos naturais
(personificação).
Texto para o teste 2.
2 (MODELO ENEM) – Comparando-se os versos de Castro
Alves com os versos de Álvares de Azevedo, conclui-se que
a) Em ambos, a figura feminina é apresentada de forma
recatada e idealizada.
b) Em Castro Alves, a mulher é apresentada de forma erótica,
sensual.
c) Nos versos de Álvares de Azevedo, o eu lírico expressa
emoção verdadeira.
d) Ambos os poetas descrevem o repouso de uma mesma
mulher.
e) Castro Alves, na descrição da cena, rejeita elementos da
natureza.
RESOLUÇÃO:
Em Castro Alves, a mulher não é espiritualizada, diferentemente de
vários outros poetas românticos, como Álvares de Azevedo. Ao
contrário, é apresentada de forma marcadamente sensual, erótica,
numa descrição que seria classificada, por certas feministas de
hoje, de machista e “sexista”.
Resposta: B
Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre nuvens de amor ela dormia!
Era a virgem do mar, na escuma fria espuma
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!
Era mais bela! o seio palpitando
Negros olhos as pálpebras abrindo
Formas nuas no leito resvalando.
Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti — as noites eu velei chorando,
Por ti — nos sonhos morrerei sorrindo!
(Álvares de Azevedo)
ADORMECIDA
Uma noite, eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente. próximo, 
[quase encostando
‘Stava aberta a janela. Um cheiro agreste próprio do campo
Exalavam as silvas da campina... arbustos do prado
E ao longe, num pedaço do horizonte,
Via-se a noite plácida e divina. calma, serena
De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras, brisas
Iam na face trêmulos — beijá-la.
Era um quadro celeste!... A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia...
Quando ela serenava... a flor beijava-a... se acalmava
Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...
Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças... inocentes, puras
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia-lhe ondear as negras tranças!
E o ramo ora chegava ora afastava-se...
Mas quando a via despeitada a meio,
Pra não zangá-la... sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio...
Eu, fitando esta cena, repetia olhando atentamente
Naquela noite lânguida e sentida: sensual – comovente
“Ó flor! — tu és a virgem das campinas!
“Virgem! — tu és a flor da minha vida!...”
(Castro Alves, Espumas Flutuantes)
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PORTUGUÊS 339
Texto para as questões de 3 a 6.
1 – Sorrento: cidade italiana da região de Nápoles.
3 Castro Alves classificou “O Gondoleiro do Amor” como
uma barcarola, ou seja, uma composição em que a cadência
do verso procura imitar a batida do remo na água. Sabendo-
se que “gondoleiro” é a pessoa que anda em gôn dola (tipo de
barco), explique que efeito acaba sendo criado pela oscilação,
na maioria das estrofes, entre versos terminados por palavras
paroxítonas e versos terminados por palavras oxítonas (ou por
monossílabos tônicos, que equivalem a palavras oxítonas).
RESOLUÇÃO:
A oscilação entre palavras paroxítonas e oxítonas (ou monos -
sílabos tônicos) contribui para dar aos versos um ritmo binário
semelhante às remadas. Contribui também para esse efeito o uso
de redondilhos maiores e a acentuação dos versos.
4 O que há de erótico na denominação que o eu lírico faz de
si mesmo como “o gondoleiro do amor”?
RESOLUÇÃO:
A autoafirmação do eu poemático como um gondoleiro do amor é
carregada de erotismo, pois sugere o fato de ele navegar o corpo
da amada, naufragar e perder-se nele.
5 No poema, indique que comparações ou metáforas, usa -
das para caracterizar a amada e seu amor, se referem a
a) seus olhos. b) sua voz. c) seu sorriso.
d) seu seio. e) seu amor.
RESOLUÇÃO:
a) ”Teus olhos são negros, negros, / Como as noites sem luar... /
São ardentes, são profundos, / Como o negrume do mar”;
b) “Tua voz é a cavatina”;
c) “Teu sorriso é uma aurora / Queo horizonte enrubesceu. / Rosa
aberta com o biquinho / Das aves rubras do céu”;
d) “Teu seio é vaga dourada...”; 
e) Seu amor é caracterizado sucessivamente como astro na treva,
canção no silêncio, brisa na calmaria, abrigo no tufão, ou seja,
como algo positivo que livra de situações negativas.
6 Que relação o penúltimo verso estabelece com o conjunto
do poema?
RESOLUÇÃO:
O penúltimo verso funciona como uma “recolha”, retomada ou
recapitulação das metáforas e comparações usadas no corpo do
poema para caracterizar a amada, a Dama Negra.
O GONDOLEIRO DO AMOR 
DAMA NEGRA
Teus olhos são negros, negros,
Como as noites sem luar...
São ardentes, são profundos,
Como o negrume do mar;
Sobre o barco dos amores,
Da vida boiando à flor, à superfície, à tona
Douram teus olhos a fronte brilham – rosto
Do Gondoleiro do amor.
Tua voz é a cavatina pequena peça musical
Dos palácios de Sorrento1,
Quando a praia beija a vaga,
Quando a vaga beija o vento.
E como em noites de Itália
Ama um canto o pescador,
Bebe a harmonia em teus cantos
O Gondoleiro do amor.
Teu sorriso é uma aurora alvorecer
Que o horizonte enrubesceu. tornou rubro, vermelho
— Rosa aberta com o biquinho
Das aves rubras do céu;
Nas tempestades da vida,
Das rajadas no furor, ventos intensos – ira, raiva
Foi-se a noite, tem auroras
O Gondoleiro do amor.
Teu seio é vaga dourada
Ao tíbio clarão da lua, fraco
Que, ao murmúrio das volúpias, grandes prazeres sexuais
Arqueja, palpita nua; respira exaltadamente
Como é doce, em pensamento,
Do teu colo no langor sensualidade
Vogar, naufragar, perder-se navegar
O Gondoleiro do amor!?
Teu amor na treva é – um astro,
No silêncio uma canção,
É brisa — nas calmarias, grande calor sem ventos
É abrigo — no tufão;
Por isso eu te amo, querida,
Quer no prazer, quer na dor...
Rosa! Canto! Sombra! Estrela!
Do Gondoleiro do amor. (Castro Alves)
Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL
OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”,
digite PORT2M124
No Portal Objetivo
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PORTUGUÊS340
1 (PUC-SP – MODELO ENEM) – Iracema, a
virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos
mais negros que a asa da graúna e mais longos
que seu talhe de palmeira. O favo da jati não
era doce como seu sorriso; nem a baunilha
recendia no bosque como seu hálito
perfumado (...). Cedendo à meiga pressão, a
virgem reclinou-se ao peito do guerreiro, e ficou
ali trêmula e palpitante como a tímida perdiz
(...). A fronte reclinara, e a flor do sorriso
expandia-se como o nenúfar ao beijo do sol (...).
Em torno carpe a natureza o dia que expira.
Soluça a onda trépida e lacrimosa; geme a brisa
na folhagem; o mesmo silêncio anela de
opresso. (...) A tarde é a tristeza do sol. Os dias
de Iracema vão ser longas tardes sem manhã,
até que venha para ela a grande noite.
Os fragmentos constroem-se estilistica mente
com figuras de linguagem, caracteriza doras do
estilo poético de Alencar. Apresentam eles,
predominantemente, as seguintes figuras:
a) comparações e antíteses.
b) antíteses e inversões.
c) pleonasmos e hipérboles.
d) onomatopeias e prosopopeias.
e) comparações e metáforas.
Resolução
São notórias, nos fragmentos transcritos, assim
como em todo o livro, as comparações e
metáforas que se valem de aproximações entre
as figuras humanas e os elementos da fauna e
da flora de um Brasil exuberante e selvagem.
Resposta: E
2 (MODELO ENEM) – A expressão “a gran -
de noite”, no final do texto, é eufemismo de
a) tristeza. b) reencontro amoroso.
c) sono. d) morte.
e) velhice.
Resolução
A expressão “a grande noite” é eufemismo —
palavra ou expressão que suaviza o significado
de outra palavra — de morte.
Resposta: D
8
José de Alencar e 
Manuel Antônio de Almeida
• Idealização romântica
• Dessacralização romântica
Texto 1
1 – Reverberação: brilho. 2 – Inebriar-se: embriagar-se, deliciar-se, mara -
vilhar-se. 3 – Abjeto: desprezível. 4 – Reptil: réptil. 5 – Fulgor: brilho. 
6 – Acerbo: amargo. 7 – Veemência: intensidade, força impetuosa
dos sen ti mentos. 8 – Procela: tormenta. 9 – Volúpia: prazer, deleite.
10 – Vislumbre: vaga ideia, conjectura. 11 – Prendas: qualidade.
12 – Chatterton: Thomas Chatterton (1752-1770) foi um poeta inglês.
Ficou conhecido por seus poemas escritos no estilo medieval, sob o
pseudônimo Thomas Rowley, e pelo fato de ter cometido suicídio com
apenas 17 anos. 13 – Cruciante: torturante. 14 – Opulência: luxo,
magnificência. 15 – Estalão: padrão, medida.
Na sala, cercada de adoradores, no meio das esplên -
didas reverberações1 de sua beleza, Aurélia, bem longe de
inebriar-se2 da adoração produzida por sua formosura, e do
culto que lhe rendiam, ao contrário parecia unicamente
possuída de indignação por essa turba vil e abjeta3.
Não era um triunfo que ela julgasse digno de si, a torpe
humilhação dessa gente ante sua riqueza. Era um desafio,
que lançava ao mundo; orgulhosa de esmagá-lo sob a
planta, como a um reptil4 venenoso.
E o mundo é assim feito; que foi o fulgor5 satânico da
beleza dessa mulher a sua maior sedução. Na acerba6
veemência7 da alma revolta, pressentiam-se abismos de
paixão; e entrevia-se que procelas8 de volúpia9 havia de ter
o amor da virgem bacante.
Se o sinistro vislumbre10 se apagasse de súbito, deixan -
do a formosa estátua na penumbra suave da candura e ino -
cên cia, o anjo casto e puro que havia naquela, como há em
todas as moças, talvez passasse despercebido pelo
turbilhão.
As revoltas mais impetuosas de Aurélia eram justamen -
te contra a riqueza que lhe servia de trono, e sem a qual
nunca por certo, apesar de suas prendas11, receberia como
rainha desdenhosa a vassalagem que lhe rendiam.
Por isso mesmo considerava ela o ouro um vil metal que
rebaixava os homens; e no íntimo sentia-se pro fundamente
humilhada pensando que para toda essa gente que a cer ca- 
va, ela, a sua pessoa, não merecia uma só das bajulações
que tributavam a cada um dos seus mil contos de réis.
Nunca da pena de algum Chatterton12 desconhecido
saíram mais cruciantes13 apóstrofes contra o dinheiro, do
que vibrava muitas vezes o lábio perfumado dessa feiticeira
menina, no seio de sua opulência14.
Um traço basta para desenhá-la sob esta face.
Convencida de que todos os seus apaixonados, sem exce -
ção de um, a pretendiam unicamente pela riqueza, Aurélia
reagia contra essa afronta, aplicando a esses indi víduos o
mesmo estalão15.
Assim costumava ela indicar o merecimento relativo de
cada um dos pretendentes, dando-lhes certo valor
monetário. Em linguagem financeira, Aurélia cotava os seus
adoradores pelo preço que razoavelmente poderiam obter
no mercado matrimonial.
(José de Alencar, Senhora) 
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PORTUGUÊS 341
Texto 2
1 – Lufa-lufa: corre-corre, agitação. 2 – Cassa: tecido fino, transparente, de
linho ou de algodão. 3 – Mareado: embaçado, sem brilho, oxidado. 
4 – Crisólita: variedade de gema (pedra); no caso, trata-se das pedras de
cor ver de de que são feitos os brincos. 5 – Toucado: conjunto de adornos
para a cabeça.
1 Uma palavra do último parágrafo do segundo texto serve
para marcar a mais cabal diferença entre a personalidade da
heroína alencariana e a personagem de Manuel Antônio de
Almeida. Indique-a, justificando sua resposta.
RESOLUÇÃO:
O narrador informa que Luisinha aceitou “indiferentemente a pro -
posta de sua tia”. Aurélia não era do tipo que aceitasse indife -
rentemente qualquer coisa que fosse, sobretudo em se tratando
de uma proposta de casamento.
2 a) Mesmo dotando sua personagem de consciência crítica,
o autor do primeiro texto acaba por retratá-la a partir de
qualidades caras ao heroísmo romântico. Como se supõe que
seja descrita, durante todo o livro, a personagem Aurélia
Camargo, já a partir do título do romance? 
RESOLUÇÃO:
Aurélia é descrita como mulher altiva, inflexível. O título do livro
(que na época se pronunciava com a vogal fechada, senhôra) nada
tem a ver com o tratamento formal que hoje se dá às mulheres (sra.
fulana), mas sim com a personalidadesenhoril, dominadora, da
heroína.
b) Luisinha tem o mesmo tipo de personalidade que Aurélia?
Comente.
RESOLUÇÃO:
Não. Luisinha é apresentada como uma menina um pouco tonta, de
vontade fraca, indiferente a coisas capitais de sua vida, como a
proposta de casamento que lhe apresenta a tia.
TRIUNFO COMPLETO DE JOSÉ MANOEL
Era um sábado de tarde; em casa de D. Maria havia um
lufa-lufa1 imenso; andavam as crias e mais escravos de
dentro para fora; espanava-se a sala; arrumavam-se as
cadeiras; corria-se, falava-se, gritava-se.
A dona da casa trajava, fora do ordinário, um rico vestido
de cassa2 bordado de prata, de corpinho muito curto e
mangas de um volume enorme. Seja dito de passagem que
a prata do bordado estava já mareada3, e o mais do vestido
um pouco encardido. Trazia ainda D. Maria um penteado de
desmedida altura, um formidável par de rodelas de crisólitas4
nas orelhas, e dez ou doze anéis de diversos tamanhos e
feitios nos dedos.
Luisinha trajava também um vestido que qualquer menos
entendido na matéria desconfiaria que era filho legítimo do de
sua tia; trazia um toucado5 de plumas brancas na cabeça e
um rosário de ouro de contas mui grossas na cintura.
Acabavam de sair as duas assim preparadas do quarto de
vestir, quando sentiu-se rodar uma carruagem e parar na porta
da casa. Luisinha estremeceu; D. Maria levou o lenço aos
olhos, e tirou-o em pouco tempo molhado de lágrimas. (...) A
carruagem era um formidável, um monstruoso maqui nismo
de couro, balançando-se pesadamente sobre quatro
desmesuradas rodas. Não parecia coisa muito nova; e com
mais dez anos de vida poderia muito bem entrar no número
dos restos infelizes do terremoto, de que fala o poeta. (...)
É inútil observar que a vizinhança estava toda à janela e via
todo aquele movimento com olhos regalados pela mais
desabrida curiosidade. (...)
Luisinha estava nesta ocasião em um daqueles períodos
de abatimento que se costumam produzir nos moços, e
principalmente nas moças que ainda marcham por aquela
estrada florida que leva dos treze aos vinte e cinco anos,
quando as oprime o isolamento.
Ora, como sabem todos os que me leem, o Leonardo
tinha abandonado Luisinha; ela aceitou portanto indife -
rentemente a proposta de sua tia.
(Manuel Antônio de Almeida, 
Memórias de um Sargento de Milícias, cap. XXXV)
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PORTUGUÊS342
3 Aurélia Camargo não julga ser sua fortuna um dom ou
privilégio, já que não era suficiente para fazê-la feliz. Porém,
utiliza-se dela e de sua beleza para outro intuito. Qual? 
RESOLUÇÃO:
Aurélia utiliza sua riqueza e sua beleza para impor-se à sociedade
que ela despreza, e que não faria nenhum caso dela se ela
continuasse pobre como antes era. 
4 Relacione sua resposta à questão 3 ao título do romance,
de modo a justificá-lo.
RESOLUÇÃO:
Aurélia Camargo utiliza seu poder para impor-se àquele mundo
como senhora.
5 Indique, do segundo texto, palavras ou expressões que
denunciem o procedimento irônico, beirando o sarcástico, com
que o autor retrata suas personagens.
RESOLUÇÃO:
“Seja dito de passagem que a prata do bordado estava já mareada,
e o mais do vestido um pouco encardido”; “... penteado de
desmedida altura, um formidável par de rodelas de crisólitas nas
orelhas”; “... um vestido que qualquer menos entendido na matéria
desconfiaria que era filho legítimo do de sua tia”, entre outros. 
6 (MODELO ENEM) – Ambos os autores parecem querer
denunciar indícios de uma decadência da sociedade que
retratam. Com base nos textos lidos, compare tais indícios e
assinale a alternativa que faz um comentário indevido.
a) Alencar sugere a decadência moral da sociedade que retrata.
b) Manuel Antônio de Almeida chama a atenção para aspectos
materiais da decadência.
c) Alencar fala de falsidade, bajulação, humilhação diante do
dinheiro.
d) O autor das Memórias refere-se a roupas já um pouco
gastas, adornos de mau gosto.
e) Ambos adotam um tom grave, apresentando uma reflexão
séria sobre o assunto de que tratam.
RESOLUÇÃO:
Alencar adota tom grave, mas Manuel Antônio de Almeida é
brincalhão, irônico.
Resposta: E 
Cena de galanteio: o cavalheiro faz a corte à sua dama.
Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”, digite PORT2M125
No Portal Objetivo
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PORTUGUÊS 343
MAIS LUZ!
Amem a noite os magros crapulosos1,
E os que sonham com virgens impossíveis, 
E os que se inclinam, mudos e impassíveis,
À borda dos abismos silenciosos...
Tu, lua, com teus raios vaporosos,
Cobre-os, tapa-os e torna-os insensíveis,
Tanto aos vícios cruéis e inextinguíveis,
Como aos longos cuidados dolorosos2! 
Eu amarei a santa madrugada,
E o meio-dia, em vida refervendo,
E a tarde rumorosa e repousada.
Viva e trabalhe em plena luz: depois,
Seja-me dado ainda ver, morrendo,
O claro sol, amigo dos heróis!
(Antero de Quental)
1 – Crapuloso: devasso, libertino.
2 – Longos cuidados dolorosos: inquie tações.
1 (MODELO ENEM) – Assinale a alter -
nativa cujo fragmento melhor se associa à
figura que se vê na pintura Vagante sobre o
Mar de Névoa, do pintor romântico alemão
Caspar David Friedrich.
a) “Tu, lua, com teus raios vaporosos, / Cobre-
os, tapa-os.”
b) “Seja-me dado ainda ver, morrendo, / O
claro sol, amigo dos heróis.”
c) “E os que se inclinam / À borda dos
abismos silenciosos...”
d) “Eu amarei a santa madrugada, / E o meio-
dia / E a tarde.”
e) “Tu, lua, / torna-os insensíveis.”
Resolução
Na pintura de Caspar David Friedrich se vê
uma figura solitária, à beira de um penhasco,
distan ciada de tudo e de todos e acima das
próprias nuvens.
Resposta: C
2 (MODELO ENEM) – É correto afirmar
que o eu lírico critica
a) a devassidão moral característica dos
artistas.
b) o fato de os artistas preferirem a imagem
da lua à imagem do sol.
c) a covardia dos jovens, comparados às
gerações passadas.
d) o irracionalismo emocional dos
românticos.
e) os vícios a que se entregam os artistas em
geral.
Resolução
O soneto transcrito é exemplo do lado
“luminoso” da poesia de Antero de Quental,
não apenas pelo sentido literal do título, mas
sobretudo por seu sentido figurado, ligado à
razão e ao trabalho diurno, em oposição ao
irracionalismo emocional dos românticos,
definido como noturno, sonhador e vicioso. O
título do soneto reproduz as palavras do
grande poeta Goethe ao morrer (“Mehr
Licht!”, em alemão).
Resposta: D
9 Antero de Quental • Poesia filosófica • Soneto• Tendência “luminosa” e “noturna”
Observe a pintura a seguir e leia o poema de Antero de Quental para responder aos testes 1 e 2.
Vagante sobre o Mar de Névoa (c. 1817-1818), 
Caspar David Friedrich (1774-1840), óleo sobre tela, 
Hamburger Kunsthalle, Hamburgo.
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PORTUGUÊS344
Texto para as questões de 1 a 6.
1 – Quem tanto pudera...: se alguém tanto pudesse...
1 O crítico português Antônio Sérgio apontou uma
alternância, nos sonetos de Antero de Quental, entre duas
tendências: a luminosa — positiva, otimista, confiante em
relação à vida e ao progresso social — e a noturna — negativa,
pessimista em relação à vida e às possibilidades de avanço
social. A que tipo de tendência — luminosa ou noturna — você
associaria este soneto de Antero? Justifique.
RESOLUÇÃO:
Trata-se de um soneto “noturno”, o mais “noturno possível”, aliás,
como se comprova pela simples constatação do pessimismo
integral, na ideia de que a vida é só sofrimento, o prazer é
imaginário, culminando na conclusão de que estar vivo é o pior dos
males.
2 Dê o sentido da expressão “o que devia / Por natureza ser
não nos assiste”.
RESOLUÇÃO:
Aquilo que seria lógico (natural) que existisse (para que a vida fosse
mais satisfatória) não existe na realidade. (“Não nos assiste”
significa “não está presente para nós” ou “não nos socorre”.) 
3 Explique o sentido dos dois versos finais da segunda
estrofe: “Se fiamos num bem, que a mente cria, / Que outro
remédio há aí senão ser triste?”
RESOLUÇÃO:
Deacordo com o texto, o bem é apenas um produto da nossa
mente (o que corresponde à ideia do verso 2: os prazeres são
criações da nossa fantasia). Assim sendo, se confiarmos nessa
criação mental, se esperarmos que essa fantasia seja real, só
poderemos nos entristecer e ficar infelizes, pois a realidade nos
decepcionará.
A GERMANO MEIRELES
Só males são reais, só dor existe;
Prazeres só os gera a fantasia;
Em nada, um imaginar, o bem consiste,
Anda o mal em cada hora e instante e dia.
Se buscamos o que é, o que devia
Por natureza ser não nos assiste; socorre, presta assistência
Se fiamos num bem, que a mente cria, confiamos
Que outro remédio há aí senão ser triste?
Oh! quem tanto pudera1 que passasse
A vida em sonhos só, e nada vira... visse
Mas, no que se não vê, labor perdido! trabalho, esforço
Quem fora tão ditoso que olvidasse... feliz – esquecesse
Mas nem seu mal com ele então dormira, dormiria
Que sempre o mal pior é ter nascido!
(Antero de Quental)
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PORTUGUÊS 345
4 Observe o trecho: “Quem fora tão ditoso que olvi dasse…”.
Por que nem mesmo esquecer tudo seria de fato uma solução?
Justifique com passagem do texto.
RESOLUÇÃO:
O esquecimento não seria a solução, porque para evitar o
sofrimento seria preciso esquecer a vida em geral, que é feita de
sofrimento, segundo essa visão. Assim sendo, quem de fato
esquecesse os males da vida ficaria de tal forma isolado, de tal
forma alheio à vida, que nada poderia estar presente no espírito
dessa pessoa: ela não poderia lembrar-se de nada, pois tudo é
sofrimento. Por isso, “nem seu mal com ele então dormira” — o
que implica uma solidão que seria também uma forma extrema de
sofrimento.
5 Releia a informação sobre Arthur Schopenhauer constante
da aula anterior e responda: A visão da existência contida no
soneto “A Germano Meireles” pode ser considerada
schopenhaueriana? Justifique sua resposta.
RESOLUÇÃO:
Pelo pessimismo, ou seja, pela visão da existência como
sofrimento, o poema de Antero pode ser considerado
schopenhaueriano. A vida seria sofrimento porque “só males são
reais”, sendo o bem e os prazeres criações da nossa mente,
produtos da nossa fantasia. Quanto à razão de ser assim, ela não
é assunto do poema. Não há, portanto, elementos para que se
saiba se o pensamento do poeta coincidia com a concepção do
filósofo, segundo a qual a vida é sofrimento porque é
essencialmente vontade — ou seja, insatisfação, sendo o prazer
uma negação passageira dessa vontade. [Os estudiosos da obra de
Antero sabem que ele era versado em filosofia alemã e que, em seu
lado positivo, otimista, “luminoso”, recebeu influência de Hegel
(pronúncia aproximada: rrêguel), mestre de Marx, e em seu lado
negativo, pessimista, “noturno”, foi influenciado pelas ideias de
Schopenhauer, contemporâneo e opositor de Hegel.]
6 Por que o poema transcrito é um soneto? Qual o tipo de
verso empregado e qual o esquema de rimas?
RESOLUÇÃO:
O poema é um soneto por corresponder à forma desse tipo de
composição, constante de 14 versos divididos em dois quartetos e
dois tercetos, com duas rimas para os quartetos e outras duas ou
três para os tercetos. O verso empregado é o decassílabo e o
esquema de rimas é ABAB, BABA, CDE, CDE.
ANTERO Tarquínio DE QUENTAL
(1842-1891): Foi pensador, poeta,
líder estudantil e militante po lítico.
Grande polemista, foi também
místico, buscando uma solução
existencial que nunca encontrou.
Ciclotímico, alternava fases de
entusiasmo e otimismo com
outras de abatimento e visão negra da vida. Suicidou-
se com 49 anos de idade. Sua poesia, filoso ficamente
idealizadora, apresenta elementos românticos;
entretanto a temática são as preocupações próprias
do Realismo — não do Realismo determinista, voltado
para problemas da realidade imediata, mas um
Realismo mais brando, preocupado com temas mais
genéricos como a Verdade, o Sonho, a Aparência. Era
um poeta agoniado, que se debatia entre tensões que
se podem resumir no polo luminoso — euforia pela
ideia de Progresso da Humanidade, de Revolução e
também pela busca mística da Verdade — e no polo
noturno — depressão, pessimismo e a consciência do
caráter ilusório de todas as coisas.
O Destaque!!
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PORTUGUÊS346
1 (UFV-MG – modificado – MODELO
ENEM) – “O Romantismo era a apoteose do
sentimento; o Realismo é a anatomia do cará -
ter. É a crítica do homem. É a arte que nos pinta
a nossos próprios olhos — para nos conhe -
cermos, para que saibamos se somos verda -
deiros ou falsos, para condenar o que houver
de mau na nossa sociedade.” (Eça de Queirós)
O texto de Eça de Queirós reúne alguns prin -
cípios básicos do Realismo. Entre as alterna -
tivas abaixo, assinale a que está em desacordo
com a definição do romancista português.
a) O Realismo foi marcado por um forte espírito
crítico e assumiu uma atitude mais combativa
dian te dos problemas sociais contemporâneos
a ele.
b) O autor realista procurou retratar com fide -
lidade a psicologia da personagem, demons -
trando um interesse maior pelas fraquezas
humanas e pelos dramas existenciais.
c) As preocupações psicológicas da prosa de
ficção realista levaram o romancista a uma
conscientização do próprio “eu” e à manifes -
tação de sua mais profunda interioridade.
d) Em oposição à idealização romântica, o
escritor realista procurou descobrir a verdade
de suas personagens, dissecando-lhes o com -
portamento.
e) O sentido de observação e análise vigente
no Realismo exigiu do escritor uma postura
racional e crítica diante das contradições do
homem enquanto ser social.
Resolução
O que se afirma na alternativa c (“conscien -
tização do próprio ‘eu’” e “manifestação de sua
mais profunda interioridade”) diz respeito ao
Romantismo. No Realismo, as “preocupações
psicológicas” servem à análise de caráter e à
crítica social.
Resposta: C
2 (MODELO ENEM) – O fragmento a seguir
foi extraído de O Primo Basílio, de Eça de
Queirós. A protagonista da obra, Luísa, vítima
do ócio e de uma educação desleixada, deixa-
se levar pela fantasia român tica da época e trai
Jorge, seu desinteressante marido, com
Basílio, conquistador medíocre.
Que noite para Luísa! A cada momento
acordava num sobressalto, abria os olhos na
penumbra do quarto, e caía-lhe logo na alma,
como uma punhalada, aquele cuidado [preo -
cupação] pungente: Que havia de fazer? Como
havia de arranjar dinheiro? Seiscentos mil-réis!
As suas joias valiam talvez duzentos mil-réis.
Mas depois, que diria Jorge? Tinha as pratas...
[a prataria da casa] Mas era o mesmo!
A noite estava quente, e na sua inquietação
a roupa escorregara; apenas lhe restava o
lençol sobre o corpo. Às vezes a fadiga reador -
mecia-a de um sono superficial, cortado de
sonhos muito vivos. Via montões de libras
reluzirem vagamente, maços de notas agita -
rem-se brandamente no ar. Erguia-se, saltava
para as agarrar, mas as libras começavam a
rolar como infinitas rodinhas sobre um chão
liso, e as notas desapareciam, voando muito
leves com um frêmito [movimento agitado] de
asas irônicas. Ou então era alguém que entrava
na sala, curvava-se respeitosamente e come -
çava a tirar do chapéu, a deixar-lhe cair no
regaço libras, moedas de cinco mil-réis, peças
[moedas], muitas, muitas, profusamente; não
conhecia o homem (...). Seria o diabo? Que lhe
importava? Estava rica, estava salva! Punha-se
a chamar, a gritar por Juliana, a correr atrás
dela, por um corredor que não findava, e que
começava a estreitar-se, a estreitar-se, até que
era como uma fenda por onde ela se arrastava
de esguelha [de lado, obliquamente], respi ran -
do mal e apertando contra si o montão de libras
que lhe punha frialdades [sensações de frio] de
metal sobre a pele nua do peito.
Há prosopopeia em
a) “As suas joias valiam talvez duzentos mil-réis.”
b) “A noite estava quente, e na sua inquietação
a roupaescorregara...”
c) “... mas as libras começaram a rolar como
infinitas rodinhas sobre um chão liso...”
d) “... e as notas desapareciam, voando muito
leves com um frêmito de asas irônicas.”
e) “... até que era como uma fenda por onde
ela se arrastava de esguelha...”
Resolução
No trecho transcrito na alternativa d, afirma-se que
as notas “voavam com um frêmito de asas irôni -
cas”. Trata-se de prosopopeia ou personi fi ca ção.
Resposta: D
10
Eça de Queirós: O Primo Basílio
e O Crime do Padre Amaro
• Romance realista português
• Crítica social • sociedade portuguesa
Texto para as questões de 1 a 3. 1 – Tépido: morno. 2 – Cerrado: fechado. 3 – Enxovalhado: manchado,
sujo. 4 – Voltaire: cadeira de encosto alto, muito confortável. 5 – Dama
das Camélias: romance de Alexandre Dumas Filho, publicado em 1848.
1 Neste excerto, o narrador de O Primo Basílio apresenta
algumas características da personalidade de Luísa. Quais são
essas características? 
RESOLUÇÃO: 
A preguiça e certa entrega displicente aos prazeres físicos, enten -
dida como luxúria dos sentidos. 
Luísa espreguiçou-se. Que seca ter de se ir vestir! Dese ja -
ria estar numa banheira de mármore cor-de-rosa, em água té -
pida1, perfumada e adormecer! Ou numa rede de seda, com
as janelinhas cerradas2, embalar-se, ouvindo música! (...)
Tornou a espreguiçar-se. E saltando na ponta do pé des -
calço, foi buscar ao aparador por detrás de uma compota um
livro um pouco enxovalhado3, veio estender-se na voltaire4,
quase deitada, e, com o gesto acariciador e amoroso dos
dedos sobre a orelha, começou a ler toda interessada.
Era a Dama das Camélias5. Lia muitos romances; tinha
uma assinatura, na Baixa, ao mês.
(Eça de Queirós, O Primo Basílio)
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PORTUGUÊS 347
2 Apresenta-se ainda certo hábito de Luísa, ao qual ela parece
dedicar-se com bastante interesse e afinco. Que hábito é esse?
Indique a passagem do texto que se refere a ele.
RESOLUÇÃO:
As leituras românticas, cujo interesse por parte da personagem se
justifica na seguinte passagem: “...Era a Dama das Camélias. Lia
muitos romances; tinha uma assinatura, na Baixa, ao mês”.
3 Por que a leitura de romances românticos, associada às
caracterís ticas de sua personalidade, poderia ser tão “perni -
ciosa” a Luísa?
RESOLUÇÃO:
Luísa poderia procurar imitar na vida real as aventuras que
admirava nos romances românticos.
A Leitura (1892), de Almeida Júnior (1850-1899), óleo sobre tela,
Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Texto para as questões de 4 a 6.
1 – Peau de suède (francês; pronúncia: pô de süéd ): couro acamurçado e macio.
2 – Escarlate: vermelho. 3 – Paquete: navio a vapor. 4 – Degredo: exílio, afas ta mento;
local onde vive o degredado. 5 – Intrépido: arrojado, corajoso. 6 – Palrar: conversar.
Luísa desceu o véu bran co, calçou devagar as luvas de
peau de suède1 claras, deu duas panca dinhas fofas ao
espelho na gra vata de ren da e abriu a porta da sala. Mas
quase recuou; fez “ah!”, toda escarlate2. Tinha-o reco nhe -
 cido logo. Era o primo Basílio.
Houve um shake-hands demo rado, um pouco trê mulo.
Estavam ambos cala dos; ela com todo o sangue no rosto,
um sorriso vago; ele fitando-a muito, com um olhar
admirado. Mas as palavras, as perguntas vieram logo, muito
precipitada mente: — Quando tinha ele chegado? Se sabia
que ele estava em Lisboa? Como soubera a morada dela?
Chegara na véspera no paquete3 de Bordéus. Perguntara
no ministério; disseram-lhe que Jorge estava no Alentejo;
deram-lhe a adresse...
— Como tu estás mudada, Santo Deus!
— Velha?
— Bonita!
— Ora!
E ele, que tinha feito? Demorava-se?
Foi abrir uma janela, dar uma luz larga, mais clara.
Sentaram-se. Ele no sofá muito languidamente; ela ao pé,
pousada de leve à beira de uma poltrona, toda nervosa.
Tinha deixado o “degredo”4 — disse ele. — Viera respirar
um pouco à velha Europa. Estivera em Constantinopla, na
Terra Santa, em Roma. O último ano passara-o em Paris.
Vinha de lá, daquela aldeola de Paris! — Falava devagar,
recostado, com um ar íntimo, estendendo sobre o tapete,
comodamente, os seus sapatos de verniz.
Luísa olhava-o. Achava-o mais varonil, mais trigueiro. No
cabelo preto anelado havia agora alguns fios brancos; mas o
bigode pequeno tinha o antigo ar moço, orgulhoso e
intrépido5; os olhos, quando ria, a mesma doçura amolecida,
banhada num fluido. Reparou na ferradura de pérola da sua
gravata de cetim preto, nas pequeninas estrelas brancas
bordadas nas suas meias de seda. A Bahia não o vulgarizara.
Voltava mais interessante!
— Mas tu, conta-me de ti — dizia ele com um sorriso,
inclinado para ela. — És feliz, tens um pequerrucho...
— Não — exclamou Luísa, rindo. — Não tenho! Quem
te disse?
— Tinham-me dito. E teu marido demora-se?
— Três, quatro semanas, creio.
Quatro semanas! Era uma viuvez! Ofereceu-se logo para
a vir ver mais vezes, palrar6 um momento, pela manhã...
(Eça de Queirós, O Primo Basílio)
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PORTUGUÊS348
4 Basílio, ao chegar de viagem, dirige-se à casa da prima, de
quem fora namorado no passado. Como Luísa reage ao vê-lo? 
RESOLUÇÃO: 
Luísa demonstra-se surpresa: “Mas quase recuou, fez ‘ah!’, toda
escarlate. Tinha-o reconhecido logo. Era o primo Basílio.” Tenta
reconstituir-se, mas está visivelmente inquieta, “mexida” com sua
presença: “Foi abrir uma janela, dar uma luz larga, mais clara.
Sentaram-se. Ele no sofá muito languidamente; ela ao pé, pousada
de leve à beira de uma poltrona, toda nervosa.”
5 O narrador, por meio de sua onisciência, parece “pene trar”
e pôr “a nu” os pensamentos de Luísa. Tal atitude poderia
revelar o quanto ela ainda está envolvida com o primo?
Justifique com elementos do texto.
RESOLUÇÃO: 
Certamente, pois, por meio do conhecimento de seus pensa -
mentos, percebemos o interesse latente de Luísa. Podemos mesmo
antever o adultério, a partir do trecho que vai de “Luísa olhava-o.
Achava-o mais varonil, mais trigueiro” até “A Bahia não o
vulgarizara. Voltava mais interessante!”.
6 (MODELO ENEM) – Que outro fragmento do texto,
formulado de modo bastante irônico pelo narrador, serve de
prenúncio para o adultério a ser cometido por Luísa?
a) “Luísa desceu o véu branco, calçou devagar as luvas de peau
de suède claras, deu duas pancadinhas fofas ao espelho na
gravata de renda e abriu a porta da sala.”
b) “Foi abrir uma janela, dar uma luz larga, mais clara. Sentaram-
se.”
c) “Falava devagar, recostado, com um ar íntimo, estendendo
sobre o tapete, comodamente, os seus sapatos de verniz.”
d) “— Mas tu, conta-me de ti — dizia ele com um sorriso,
inclinado para ela. — És feliz, tens um pequerrucho...”
e) “Quatro semanas! Era uma viuvez! Ofereceu-se logo para a
vir ver mais vezes, palrar um momento, pela manhã...”
RESOLUÇÃO: 
No trecho transcrito na alternativa e, sugere-se, ironicamente, que
Basílio se aproveitaria da ausência de Jorge para se aproximar de
Luísa. 
Resolução: E
José Maria EÇA DE QUEIRÓS (1845-1900): Nasceu em Póvoa de Varzim e estudou Direi to na 
Universidade de Coimbra. Não par ti ci pou dire tamente da Ques tão Coimbrã, mas tomou parte nas Confe rên cias
do Cassino Lisbonense (1871), falando sobre o Realismo. Foi jornalista e diplomata, tendo servido em várias partes
(Cuba, Ingla terra, França). Eça de Queirós é tido como o maior representante da prosa realista em Portugal, por ter
renovado a linguagem do romance, abandonando esquemas românticos e o estilo tradicional da prosa até então.
Entre suas principais obras estão O Crime do Padre Amaro (1876), O Primo Basílio (1878), Os Maias (1888), A
Ilustre Casa de Ramires (1900) e A Cidade e as Serras (1901). 
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11
Eça de Queirós:
A Cidade e as Serras
• Crítica social • Sociedade
e progresso • Cidade versus campo
Textospara os testes 1 e 2.
MÃOS DADAS
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes
[esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos
[dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma
[história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem 
[vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de
[suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por
[serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente,
[os homens presentes,
a vida presente.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. 
In: Sentimento do Mundo.
Rio de Janeiro: Record, 1993.)
FAÇAMOS AS PAZES COM A TERRA 
(fragmento)
O chamado que nos é feito hoje para por mos
fim à guerra contra a natureza é por uma
solidariedade sem precedentes com as gera ções
futuras. Será que, para chegar a isso, a hu ma -
nidade precisará selar um novo pacto, um
“contrato natural” de codesenvolvimento com o
planeta, assinando um armistício com a natureza?
Precisamos da sabedoria necessária para
defender uma ética para o futuro, pois, se qui ser -
mos fazer as pazes com a Terra, essa ética terá
que prevalecer. Este planeta é o nosso reflexo:
se ele está ferido, nós estamos feridos; se ele
está mutilado, a humanidade também está.
(MATSUURA, Koïchiro. 
Façamos as Pazes com a Terra. 
Folha de S.Paulo, 4 jul. 2007.)
1 (ETEC-SP – modificado – MODELO
ENEM) – Assinale a alternativa que traz a ideia
comum aos textos escolhidos.
a) O futuro da humanidade não é relevante e
não deve ser uma preocupação imediata, pois
de ve mos nos ater, prioritariamente, ao presente.
b) A esperança justifica-se, e o ser humano
conseguirá superar os problemas que enfrenta,
já que o pacto com a natureza foi selado.
c) O caminho para a solução dos problemas
que afetam a espécie humana é a solidariedade
e não o individualismo e o materialismo.
d) Há uma crítica explícita às pessoas que não
se associam a organizações cujo objetivo é
defender causas ecológicas e preservar o
planeta.
e) É um equívoco refletir sobre o passado e
analisá-lo, já que ele consiste em um “mundo
caduco”, sem consequências para o presente.
Resolução
A resposta ao teste é bastante evidente: em
ambos os textos, valorizam-se a ética, a união
e a solidariedade entre os homens diante dos
imen sos problemas que a realidade atual
apresenta. 
Resposta: C
2 (MODELO ENEM) – Em relação ao
poema de Drummond, assinale a alternativa
em cujo verso a palavra destacada expressa
oposição entre ideias.
a) “Também não cantarei o mundo futuro.”
b) “Estou preso à vida e olho meus com -
panheiros.”
c) “Estão taciturnos mas nutrem grandes
espe ranças.”
d) “não distribuirei entorpecentes ou cartas
de suicida”
e) “não fugirei para as ilhas nem serei raptado
por serafins.”
Resolução
O verso apresentado na alternativa c contém
oposição de ideias, pois os companheiros
estão taciturnos (tristes, sombrios) e, ao
mesmo tempo, têm grandes esperanças (espe -
ram por mudanças). Opõem-se, portanto, um
sentimento negativo em relação ao presente e
um sentimento positivo, otimista, em relação
ao futuro. Nas alternativas a, b e e, há adição de
ideias; em d, alternância ou disjunção.
Resposta: C
Primeiros bondes elétricos em Paris. 
Este quadro, do conhecido pintor Édouard
Cortès (1882-1969), retrata bondes de dois
andares movidos a bateria na linha que ia 
até a Gare de l’Est, em Paris, no princípio 
do século XX. Durante as últimas décadas 
do século XIX, vários meios de tração
mecânica foram introduzidos nos bondes 
de Paris, como ar comprimido, vapor, 
baterias e eletricidade por rede aérea.
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PORTUGUÊS350
Texto para as questões de 1 a 7. 1 – No mês de abril é primavera na Europa. 2 – Pó de caliça: argamassa res -
sequida. 3 – Retininte: ruidoso.4 – Rancho: grupo (de pessoas). 5 – Petit-Bleu
(francês; pronúncia aproximada: peti blö – ö = som e com lábios arredondados de
o): canção popular francesa. 6 – Em fralda: vestido somente de camisa comprida.
7 – Estacar: parar. 8 – Descoser: descosturar. 9 – Sebe: cerca. 10 – Ascensão:
entrada da primavera. 11 – Soda Water: refrigerante; soda. 12 – Medoc: vinho
dessa região francesa. 13 – Ligeiro: leve. 14 – Esparrinhar: espirrar. 15 – Mecânica:
as máquinas. 16 – Erudição: grande conhecimento, vasta cultura. 17 – Franzino:
frágil, delgado, magro. 18 – Marroquim: couro de cabra, bom para encadernação.
19 – Hirto: duro, estacado. 20 – Ruma: pilha. 21 – Water-closet: banheiro.
1 Todo o romance A Cidade e as Serras obedece a um
esquema em que se opõem civilização (“a cidade”), artificial,
inútil e até nociva ao homem saudável, e natureza (“as ser ras”),
sempre benéfica e revigorante. Mesmo fora do con tras te
cidade-campo, pode-se notar no livro a contraposição do natu ral
com o artificial, da natureza com a civilização (ou cultura, em
sentido amplo). No início do texto transcrito, encontra-se um
trecho em que se observa tal contraposição. Aponte-o.
RESOLUÇÃO: 
No primeiro parágrafo, depois de referir-se aos desastres, o
narrador afirma: “enquanto as rosas desabrochavam, a nossa
agitada casa (...) incessantemente tremeu, envolta num pó de
caliça e de empreitada, com o bruto picar de pedra, o retininte
martelar de ferro”. Aqui se contrapõem, de um lado, uma das
belezas que a natureza oferece sem nenhum alarde e, de outro,
toda a agitação, o barulho e a sujeira que marcariam a construção
do mundo artificial da civilização e da cultura.
No entanto Jacinto, desesperado com tantos desastres
humi lhadores — as torneiras que dessoldavam, os eleva do -
res que emperravam, o vapor que se encolhia, a eletri cidade
que se sumia —, decidiu valorosamente vencer as resis tên -
cias finais da matéria e da força por novas e mais poderosas
acumulações de mecanismos. E nessas semanas de abril 1,
enquanto as rosas desabrochavam, a nossa agitada casa,
entre aquelas quietas casas dos Campos Elísios, que pregui -
çavam ao sol, incessantemente tremeu, envolta num pó de
caliça2 e de empreitada, com o bruto picar de pedra, o reti -
ninte3 martelar de ferro. Nos silenciosos corredores, onde
me era doce fumar antes do almoço um pensativo cigarro,
circulavam agora, desde madrugada, os ranchos4 de operá -
rios, de blusas brancas, assobiando o Petit-Bleu5, e intimi -
dando meus passos quando eu atravessava em fralda6 e
chinelas para o banho ou para outros retiros...
Cada dia estacava7 diante do portão alguma lenta carroça,
de onde os criados, em mangas de camisa, descarregavam
caixotes de madeira, fardos de lona, que se despregavam e
se descosiam8 numa sala asfaltada, ao fundo do jardim, por
trás da sebe9 de lilases. E eu descia, reclamado pelo meu
Prín ci pe, para admirar uma nova máquina que nos tornaria a
vida mais fácil, estabelecendo de um modo mais seguro
nosso domínio sobre a substância. Durante os calores, que
aper ta vam depois da ascensão10, ensaiamos esperançada -
mente, para refrescar as águas minerais, a Soda Water11 e os
Medocs12 ligeiros13, três geleiras, que se amontoaram na
copa suces sivamente des pres ti giadas. Com os morangos
novos apare ceu um instru men tozinho astuto, para lhes
arrancar os pés, delicadamente. Depois recebemos outro,
prodigioso, de prata e cristal, para remexer freneticamente
as saladas; e, na pri meira vez que experimentei, todo o
vinagre esparrinhou14 sobre os olhos do meu Príncipe, que
fugiu aos uivos! Mas ele teimava... Nos atos mais elemen ta -
res, para aliviar ou apres sar o esforço, se socorria Jacinto da
dinâmica. E agora era por intervenção de uma máquina que
abotoava as ceroulas.
E simultaneamente ou em obediência à sua ideia, ou
governado pelo despotismo do hábito, não cessava, ao lado
da mecânica15 acumulada, de acumular erudição16. Oh, a
invasão dos livros no 202! Solitários, aos pares, em pacotes,
dentro de caixas, franzinos17, gordos e repletos de
autoridade, envoltos em plebeia capa amarela ou revestidos
de mar roquim18e ouro, perpetuamente, torrencialmente,
inva diam por todas as largas portas (...). A biblioteca
transbordara através de todo o 202! Não se abria um armário
sem que de dentro se despenhasse, desamparada, uma pilha
de livros! Não se franzia uma cortina, sem que detrás
surgisse, hirta19, uma ruma20 de livros! E imensa foi a minha
indignação quando uma manhã, correndo urgentemente, de
mãos nas calças, encontrei, vedada por uma tremenda
coleção de estudos sociais, a porta do water-closet21!
(Eça de Queirós, A Cidade e as Serras)
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PORTUGUÊS 351
2 Associado ao amor pelos engenhos, pelas máquinas, qual
é o outro costume de Jacinto criticado pelo narrador? 
RESOLUÇÃO:
O costume de buscar erudição e acumular livros. Nesse sentido,
os livros são tão inúteis quanto as “engenhocas” de Jacinto.
3 Em que medida essa crítica é irônica? Responda trans -
crevendo passagens do texto.
RESOLUÇÃO: 
A crítica aos livros é irônica, porque, na descrição de Eça, os livros,
personificados, são alvos apenas de acúmulo, quedando amon -
toados, sem grande ou real utilidade: “E simultaneamente ou em
obediência à sua ideia, ou governado pelo despotismo do hábito,
não cessava, ao lado da mecânica acumulada, de acumular
erudição. Oh, a invasão dos livros no 202!”
4 Qual a situação descrita no último período do texto, em que
o narrador aparece “correndo, urgentemente, de mãos nas
calças”? Qual o elemento que intensifica a comicidade da
situação?
RESOLUÇÃO:
A situação é a de um homem “apertado”, correndo para o ba -
nheiro, segurando as calças com as mãos. A comicidade é inten -
sificada pelo fato de ele encontrar a porta do banheiro obstruída
por livros, “uma tremenda coleção de estudos sociais”. 
5 Que deve indicar, no texto, a palavra “geleiras” e que
significa dizer que três delas tinham sido “sucessivamente
desprestigiadas”?
RESOLUÇÃO: 
As “geleiras” eram geladeiras primitivas, que certamente funciona -
vam mal; daí que três “geleiras” tivessem sido abandonadas
(“desprestigiadas”), uma depois da outra (“sucessivamente”), pois
não se haviam revelado úteis.
6 Hipálage é uma figura de linguagem que consiste no
deslocamento de um adjetivo do termo próprio para outro que
esteja próximo. Há hipálage em “fumar antes do almoço um
pensativo cigarro”. Explique essa construção e a função expres -
siva de tal recurso no contexto.
RESOLUÇÃO:
A transposição do adjetivo, criando certa estranheza e perso -
nificando “cigarro”, aumenta em muito a expressividade da frase,
que de outra forma nada teria que chamasse a atenção.
7 Como seria a frase “normal”, sem a hipálage?
RESOLUÇÃO: 
“Pensativo”, na frase “normal”, seria atribuído ao sujeito (elíptico:
“eu”): “pensativo, me era doce fumar um cigarro”. Ou então, em
vez do adjetivo, poderíamos ter um advérbio: “fumar, pensativa -
mente, um cigarro”.
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PORTUGUÊS352
Textos para os testes 2 e 3.
Texto 1
Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade1, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício2 do Tejo, a maresia,
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.
(...)
E, enorme, nesta massa irregular
De prédios sepulcrais, com dimensões de
[montes,
A Dor humana busca os amplos horizontes,
E tem marés de fel como um sinistro mar!
(Cesário Verde, 
“O Sentimento dum Ocidental”)
1 – Soturnidade: clima sombrio.
2 – Bulício: agitação.
Texto 2
Como amanhece! Que meigas
As horas antes do almoço!
Fartam-se as vacas nas veigas1
E um pasto orvalhado e moço
Produz as novas manteigas.
(Cesário Verde, “Provincianas”)
1 – Veiga: várzea; planície cultivada e fértil.
Texto 3
Ao entardecer, debruçado pela janela,
(...)
Leio até me arderem os olhos
O Livro de Cesário Verde.
Que pena que tenho dele! Ele era um 
[camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
(Fernando Pessoa (1888-1935), 
Poemas Completos de Alberto Caeiro)
2 (MODELO ENEM) – Todas as alternativas
seguintes interpretam corretamente os textos
1, 2 e 3, menos uma. Assinale-a.
a) Cesário Verde, em “O Sentimento dum
Ocidental”, apresenta a cidade de modo
fragmentário, por meio de flashes justapostos. 
b) Os textos 1 e 2 apresentam um mesmo
ponto de vista, crítico e pessimista, em relação
aos espaços (a cidade e o campo, respec -
tivamente) que descrevem. 
c) Em Cesário, há elementos, como
“sombras, o bulício do Tejo” e “maresia”, que
repre sentam, de certa maneira, a ansiedade do
poeta; são elementos objetivos que exprimem
estados subjetivos.
d) Alberto Caeiro enxerga Cesário Verde como
uma vítima da civilização moderna. A partir de
seu ponto de vista, Caeiro considera Cesário
infeliz pela opressão da cidade.
e) Segundo Caeiro, Cesário repara nas coisas
da cidade como quem olha uma árvore, anda
pelas ruas “como se estivesse no campo”, ou
seja, ele canta a cidade como se estivesse
cantando a natureza. 
Resolução
Há uma oposição entre o primeiro e o segundo
texto de Cesário Verde: o primeiro é depres -
sivo e focaliza a cidade; o segundo, porém, é
alegre e positivo, tendo como tema o campo. 
Resposta: B
3 (MODELO ENEM) – Quanto ao texto 3,
nos versos “Leio até me arderem os olhos / O
Livro de Cesário Verde”, destaca-se a seguinte
função da linguagem:
a) fática. b) metalinguística.
c) emotiva. d) referencial.
e) conativa.
Resolução
Na referência aO Livro de Cesário Verde,
destaca-se a função metalinguística.
Resposta: B
12 Cesário Verde • Poesia do cotidiano urbano • Poesiavisual • Poesia e camadas populares
1 (MODELO ENEM) – Cesário Verde, poeta da época do Realismo, apresenta a Portugal uma poesia voltada a elementos consi derados en tão
apoéticos, pois, em vez de discorrer sobre o amor, por exemplo, observa operárias voltan do para casa depois de um dia de trabalho. Analise o fragmento
abaixo, extraído do poema “O Sentimento dum Ocidental”, e identifique, nas obras reprodu zidas, aquela em que se observa o mesmo espírito do
movimento a que pertenceu Cesário Verde.
Semelham-se a gaiolas, com viveiros, parecem-se
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.
Resolução
Dos quadros reproduzidos, o único que se aproxima da notação
realista de Cesário Verde (1855-1886) é o da alternativa c, em
que Gustave Courbet (1819-1877) representa mulheres
trabalhando. Os demais quadros
são: a) do modernista russo
Vassily Kandinsky (1866-1944);
b) do renascentista italiano
Bronzino, pseudônimo de Agnolo
Tori (1503-1572); d) do artista
pop americano Andy Warhol
(1928-1987); e) do pós-impres -
sionista holandês Vincent Van
Gogh (1853-1890).
Resposta: C
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PORTUGUÊS 353
Leia a seguir mais algumas estrofes do poema “O Sentimento
dum Ocidental” e responda ao que se pede.
1 Pode-se afirmar que o tema dos versos é
a) religioso.
b) filosófico.
c) prosaico.
d) amoroso.
e) épico.
RESOLUÇÃO:
O poema apresenta um tema prosaico, ao descrever cenas do
cotidiano. Esse tipo de tema não era usual até então.
Resposta: C
2 Este poema enfatiza aspectos visuais do entardecer na
cidade, mas aponta também outras sensações, olfativas e
auditivas. Aponte dois exemplos de cada.
RESOLUÇÃO:
Olfativas: “o gás extravasado enjoa-me”, “peixe podre”.
Auditivas: “tinir de louças e talheres”, “bairro aonde miam gatas”.
O SENTIMENTO DUM OCIDENTAL
I. AVE-MARIAS
Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.
O céu parece baixo e de neblina.
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba multidão
Toldam-se duma cor monótona e londrina. cobrem-se
Batem os carros de aluguer, ao fundo, aluguel
Levando à via férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista exposições, países:
Madri, Paris, Berlim, S. Petersburgo,o mundo!
Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.
(...)
E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres; pequenos
E em terra num tinir de louças e talheres [barcos
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.
(...)
Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras; operárias
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras, fortes
Correndo com firmeza, assomam as varinas. surgem – 
[vendedoras de peixe
Vêm sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras; masculinos
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras cestas
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.
Descalças! Nas descargas de carvão, descarrega-
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas; [mentos
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera os focos de infecção!
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PORTUGUÊS354
3 Este trecho compõe a primeira parte do poema “O Senti -
mento dum Ocidental”, um dos mais conhecidos do autor, e
tem como subtítulo “Ave-Marias”. Explique esse subtítulo.
RESOLUÇÃO:
Ave-Marias designam o cair da noite, e o poema descreve cenas
da cidade a essa hora.
4 Como são caracterizadas as pessoas no poema, por traços
individuais ou grupais?
RESOLUÇÃO:
São sempre vistas coletivamente, sem individualidade, agrupadas
pelo seu ofício: “turba”, “mestres carpinteiros”, “obreiras”,
“varinas”.
5 No início do poema há uma inter-relação de elementos do
mundo objetivo e do mundo subjetivo. Explique.
RESOLUÇÃO:
Os elementos do mundo objetivo (as sombras, o bulício, o rio, a
maresia) são associados a estados emocionais (melancolia,
soturnidade) e despertam no sujeito um “desejo absurdo de
sofrer”. Portanto, o exterior e o interior — o objetivo e o subjetivo
— encontram-se associados.
A Lavadeira
(c. 1850-1853),
de Honoré
Daumier 
(1808-1879),
óleo sobre 
tela, Museu
Hermitage,
São Petersburgo.
José Joaquim CESÁRIO VERDE (1855-1886): Nasceu em Lisboa. Era filho de comerciante e levou vida
tranquila, tendo frequentado por algum tempo o Curso Superior de Letras e viajado a Paris um ano
antes de sua morte prematura, aos 31 anos de idade. A poesia inovadora que produziu não foi
devidamente reconhecida durante sua vida, sendo publicada somente em 1887, por seu amigo Silva
Pinto, com o título O Livro de Cesário Verde. É o mais singular poeta realista português. Sua obra
apresenta linguagem objetiva e coloquial, comple tamente fora dos padrões do lirismo tradicional, ao
descrever cenas do cotidiano, até então consideradas inadequadas para a poesia.
O Destaque!!
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PORTUGUÊS 355
Compare o texto de Machado de Assis com a
ilustração de Portinari. É correto afirmar que a
ilustração do pintor
a) apresenta detalhes ausentes na cena
descrita no texto verbal.
b) retrata fielmente a cena descrita por
Machado de Assis.
c) distorce a cena descrita no romance.
d) expressa um sentimento inadequado à
situação.
e) contraria o que descreve Machado de Assis.
Resolução
A fidelidade da ilustração de Portinari refere-se
a alguns aspectos propriamente descritivos do
texto: “onze amigos”, “chovia”, e a situação
de um orador proferindo o necrológio do finado
Brás Cubas. Contudo, como enunciado na
alternativa a, há “detalhes ausentes na cena
descrita no texto verbal”, como as montanhas
ao fundo, outros túmulos, arbustos, dois
guarda-chuvas etc., ele mentos que podem ser
subentendidos na situação evocada pelo texto,
mas que não foram explicitados. A questão
envolve, porém, um conceito de fidelidade que
não é possível estabelecer quando se põem
em questão formas tão distintas de
representação. Não há, portanto, como excluir
que a reprodução é fiel à cena em sua
essência, como afirma a alternativa b; por
outro lado, não há como negar a existência de
detalhes alheios ao texto verbal, como afirma
a alternativa a, gabarito divulgado pela banca
examinadora.
Resposta: A
2 (ENEM) – No trecho abaixo, o narrador,
ao descrever a personagem, critica sutilmente
um outro estilo de época: o Romantismo.
Naquele tempo contava apenas uns quinze
ou dezesseis anos; era talvez a mais atrevida
criatura da nossa raça, e, com certeza, a mais
voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a
primazia da beleza, entre as mocinhas do
tempo, porque isto não é romance, em que o
autor sobredoura a realidade e fecha os olhos
às sardas e espinhas; mas também não digo
que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou
espinha, não. Era bonita, fresca, saía das mãos
da natureza, cheia daquele feitiço, precário e
eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo,
para os fins secretos da criação.
(ASSIS, Machado de.
Memórias Póstumas de Brás Cubas.
Rio de Janeiro: Jackson, 1957.)
A frase do texto em que se percebe a crítica
do narrador ao Romantismo está transcrita na
alternativa:
a) “... o autor sobredoura a realidade e fecha
os olhos às sardas e espinhas...”
b) “... era talvez a mais atrevida criatura da
nossa raça...”
c) “Era bonita, fresca, saía das mãos da
natureza, cheia daquele feitiço, precário e
eterno...”
d) “Naquele tempo contava apenas uns quinze
ou dezesseis anos...”
e) “... o indivíduo passa a outro indivíduo, para
os fins secretos da criação.”
Resolução
O narrador afasta-se da idealização sentimental
do Romantismo quando afirma que o texto que
escreve não “sobredoura a realidade” e não
“fecha os olhos às sardas e espinhas”. Fica
patente, portanto, que o narrador vai registrar
também aspectos que contrariam qualquer
idealização — aspectos “realistas”, aos quais
os autores românticos fechariam os olhos.
Resposta: A
13 e 14
Machado de Assis I: Memórias
Póstumas de Brás Cubas • Romance realista brasileiro
1 (ENEM) – Leia o texto e examine a ilustração:
ÓBITO DO AUTOR
(...) expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de
agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta
e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos
contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos!
Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia —
peneirava — uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e
tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta
engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova: “Vós,
que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a
natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais
belos caracteres que tem honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas
gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um
crepe funéreo, tudo isto é a dor crua e má que lhe rói à natureza as mais
íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre
finado.” (...)
(ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Ilustrado por 
Cândido Portinari. Rio de Janeiro: Cem Bibliófilos do Brasil, 1943, p.1. Adaptado.)
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PORTUGUÊS356
Texto para as questões de 1 a 5.
1 – Cuidar: pensar, supor. 2 – Visto: conhecedor, entendido. 3 – Dixe:
joia. 4 – Cingir: circundar. 5 – Diadema: joia que se usa na cabeça.
1 “Cuido haver dito, no capítulo XIV, que Marcela morria de
amores pelo Xavier.”
Assinale a alternativa que menciona o recurso empregado pelo
autor no trecho apresentado no enunciado.
a) Análise psicológica. b) Ironia.
c) Discurso indireto livre. d) Metalinguagem.
e) Intertextualidade.
RESOLUÇÃO:
No texto de Machado, o narrador, discutindo sua própria maneira
de narrar, menciona um capítulo anterior e até se corrige (“Cuido
haver dito...”). A esse procedimento, em que a linguagem se refere
a si mesma (a narrativa que se refere à própria narrativa, por
exemplo), dá-se o nome de metalinguagem.
Resposta: D
2 Expliqueo humor e a ironia da frase “Não morria, vivia”.
RESOLUÇÃO:
O humor já nasce do jogo entre as expressões “morrer de amores”
e “viver de amores”. A primeira é uma hipérbole corrente e
significa “amar muito”; a segunda, nova, é irônica porque indica,
não que Marcela amava o narrador, mas que ela dependia do
dinheiro dele.
3 Cite e explique outra passagem humorística e irônica do
texto.
RESOLUÇÃO:
Há humor e ironia também em “Marcela amou-me durante quinze
meses e onze contos de réis”. Aqui o humor consiste em
aproximar, numa só expressão, a quantidade de dinheiro que Brás
Cubas gastou com Marcela e a quantidade de meses que durou o
seu amor. A ironia está justamente no emprego do verbo amar
para indicar uma relação não propriamente amorosa, mas sim
mercenária.
4 Por que é imoral a reflexão sobre o amor apresentada no
texto?
RESOLUÇÃO:
A reflexão apresentada pelo narrador é imoral porque contraria a
moral comum, segundo a qual não se deve nem se pode conquistar
amor com dinheiro ou presentes. [Não obstante, segundo uma
frase ora atribuída a Nelson Rodrigues, ora a Millôr Fernandes,
“dinheiro compra até amor verdadeiro”.]
5 Neste texto realista há um elemento que se pode consi -
derar antir romântico. Qual é ele?
RESOLUÇÃO:
O elemento antirromântico marcante no texto é a irônica negação
de um dos maiores mitos do Romantismo — o do amor puro e
desinteressado.
UMA REFLEXÃO IMORAL
Ocorre-me uma reflexão imoral, que é ao mesmo tempo
uma correção de estilo. Cuido1 haver dito, no capítulo XIV,
que Marcela morria de amores pelo Xavier. Não morria, vivia.
Viver não é a mesma coisa que morrer; assim o afirmam
todos os joalheiros desse mundo, gente muito vista2 na
gramática. Bons joalheiros, que seria do amor se não fossem
os vossos dixes3 e fiados? Um terço ou um quinto do
universal comércio dos corações. Esta é a reflexão imoral que
eu pretendia fazer, a qual é ainda mais obscura do que imoral,
porque não se enten de bem o que eu quero dizer. O que eu
quero dizer é que a mais bela testa do mundo não fica menos
bela, se a cingir4 um diadema5 de pedras finas; nem menos
bela, nem menos ama da. Marcela, por exemplo, que era bem
bonita, Marcela amou-me...
DO TRAPÉZIO E OUTRAS COISAS
Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos
de réis; nada menos. (...)
(Machado de Assis, 
Memórias Póstumas de Brás Cubas, cap. XVI / XVII)
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PORTUGUÊS 357
Texto para as questões 6 e G.
1 – Califa: chefe religioso. 2 – Fortuna: sorte, destino.
F Dos fatos citados no texto, quais são considerados pelo
narrador negativos e quais positivos? No texto, segundo o
narrador, o saldo foi positivo, negativo ou houve empate?
RESOLUÇÃO:
São considerados fatos negativos: “Não alcancei a celebridade do
emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casa -
mento.” São considerados positivos: “coube-me a boa fortuna de
não comprar o pão com o suor do meu rosto”, “não tive filhos, não
transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.” Segundo
o narrador, o saldo foi positivo, pois ele chegou ao outro lado “do
mistério” com um pequeno saldo, a derradeira negativa: “não tive
filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa
miséria”.
Machado de Assis descendo de uma carruagem, em companhia de
Carolina, sua esposa.
G Qual a ironia presente no texto?
RESOLUÇÃO:
O narrador ironiza seus fracassos, suas faltas (não ter lutado o
suficiente para vencer no plano profissional e afetivo) foram
compensadas pelo fato de ele não ter lutado por sua sobrevi vência:
não comprou o pão com o suor do seu rosto, contrariando um valor
essencialmente burguês, restando-lhe ainda um saldo positivo, o
de não ter tido filhos e, com isso, não ter transmitido “o legado da
nossa miséria”.
Casa em que viveu
Machado de Assis, no
Rio de Janeiro. A ca -
sa, hoje demolida, fi -
ca va na Rua Cosme
Velho n.o 18.
DAS NEGATIVAS
(...)
Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a
celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa1, não
conheci o casamento. Verdade é que, ao lado destas faltas,
coube-me a boa fortuna2 de não comprar o pão com o suor
do meu rosto (...). Somadas umas coisas e outras, qualquer
pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e
conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal,
porque, ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me
com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste
capítulo de negativas: — Não tive filhos, não transmiti a
nenhuma criatura o legado da nossa miséria.
(Machado de Assis, 
Memórias Póstumas de Brás Cubas, cap. CLX)
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PORTUGUÊS358
Texto para o teste A.
CAPÍTULO III
Um criado trouxe o café. Rubião pegou na
xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia
disfarçadamente mirando a bandeja, que era de
prata lavrada. Prata, ouro, eram os metais que
amava de coração; não gostava de bronze, mas o
amigo Palha disse-lhe que era matéria de preço, e
assim se explica este par de figuras que aqui está
na sala: um Mefistófeles e um Fausto. Tivesse,
porém, de escolher, escolheria a bandeja — primor
de argentaria, execução fina e acabada. O criado
esperava teso e sério. Era espanhol; e não foi sem
resistência que Rubião o aceitou das mãos de
Cristiano; por mais que lhe dissesse que estava
acostumado aos seus crioulos de Minas, e não
queria línguas estrangeiras em casa, o amigo
Palha insistiu, demonstrando-lhe a necessidade de
ter criados brancos. Rubião cedeu com pena. O
seu bom pajem, que ele queria pôr na sala, como
um pedaço da província, nem o pôde deixar na
cozinha, onde reinava um francês, Jean; foi
degradado a outros serviços.
(ASSIS, M. Quincas Borba. 
In: Obra Completa. V.1. 
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993)
A (ENEM) – Quincas Borba situa-se entre as
obras-primas do autor e da literatura brasileira. No
fragmento apresentado, a peculiaridade do texto
que garante a universalização de sua abordagem
reside
a) no conflito entre o passado pobre e o pre sente
rico, que simboliza o triunfo da aparência sobre a
essência.
b) no sentimento de nostalgia do passado devido
à substituição da mão de obra escrava pela dos
imigrantes.
c) na referência a Fausto e Mefistófeles, que
representam o desejo de eternização de Rubião.
d) na admiração dos metais por parte de Rubião,
que metaforicamente representam a durabilidade
dos bens produzidos pelo trabalho.
e) na resistência de Rubião aos criados es tran -
geiros, que reproduz o sentimento de xenofobia.
Resolução
Rubião tem de se afastar de sua origem pobre e
mineira, assim como dos gestos que traz dela, para
corresponder às exigências de representação que,
segundo o amigo Palha, a nova situação social lhe
impõe.
Resposta: A
Texto para o teste B.
(...) Quincas Borba mal podia encobrir a
satisfação do triunfo. Tinha uma asa de frango no
prato e trincava-a com filosófica serenidade. Eu fiz-
lhe ainda algumas objeções, mas tão frouxas, que
ele não gastou muito tempo em destruí-las.
— Para entender bem o meu sistema, concluiu
ele, importa não esquecer nunca o princípio
universal, repartido e resumido em cada homem.
Olha: a guerra, que parece uma calamidade, é uma
operação conveniente, co mo se disséssemos o
estalar dos dedos de Humanitas; a fome (e ele
chupava filosofi camente a asa do frango), a fome é
uma prova a que Humanitas submete a própria
víscera. Mas eu não quero outro documento da
subli midade do meu sistema, senão este mesmo
frango. Nutriu-se de milho, que foi plantado por um
africano, suponhamos, importado de An go la.
Nasceu esse africano, cresceu, foi vendido; um
navio o trouxe, um navio construído de madeira
cortada no mato por dez ou doze ho mens, levado
por velas, que oito ou dez homens teceram, sem
contar a cordoalha e outras partes do aparelho
náutico. Assim, este frango, que eu almocei agora
mesmo, é o resultado de umamultidão de esforços
e lutas, executados com o único fim de dar mate
ao meu apetite.
(ASSIS, M. Memórias Póstumas de Brás Cubas.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975.)
B (ENEM) – A filosofia de Quincas Borba — a
Humanitas — contém princípios que, con for me a
explanação do personagem, consideram a
cooperação entre as pessoas uma forma de
a) lutar pelo bem da coletividade.
b) atender a interesses pessoais.
c) erradicar a desigualdade social.
d) minimizar as diferenças individuais.
e) estabelecer vínculos sociais profundos.
Resolução
Pela explicação apresentada pela personagem, o
esforço coletivo (o produto da interação de indiví -
duos) gera a satisfação do indivíduo. 
Resposta: B
Texto para os testes C e D.
CXIX 
PARÊNTESES
Quero deixar aqui, entre parênteses, meia
dúzia de máximas das muitas que escrevi por esse
tempo. São bocejos de enfado; podem servir de
epígrafe a discursos sem assunto:
––––––––––––
Suporta-se com paciência a cólica do próximo.
––––––––––––
Matamos o tempo; o tempo nos enterra.
––––––––––––
Um cocheiro filósofo costumava dizer que o
gosto da carruagem seria diminuto, se todos
andassem de carruagem.
____________
Crê em ti; mas nem sempre duvides dos outros.
____________
Não se compreende que um botocudo fure o
beiço para enfeitá-lo com um pedaço de pau. Esta
reflexão é de um joalheiro.
––––––––––––
Não te irrites se te pagarem mal um benefício:
antes cair das nuvens, que de um terceiro andar.
(ASSIS, M. Memórias Póstumas 
de Brás Cubas. São Paulo: Ática, 1990.)
C (MODELO ENEM) – As afirmações seguin tes
descrevem adequadamente diversos ele mentos
do texto transcrito, menos uma. Assinale-a.
a) O texto exemplifica uma das características do
narrador machadiano, que interrompe a narrativa
para dialogar com o leitor, tecer comentários
jocosos, emitir opiniões cínicas.
b) O tom irônico do capítulo deve-se ao teor
zombeteiro das máximas apresentadas, quando de
“máximas” se esperariam grandes verdades
morais.
c) A expressão “bocejos de enfado” refere-se às
máximas, constituindo, portanto, uma metáfora.
d) O título do capítulo “Parênteses” justifica-se,
pois o narrador intercala uma digressão na
sequência narrativa.
e) A utilidade de máximas, segundo o narrador,
limita-se a epígrafes de discursos sem assunto.
Resolução
O narrador afirma que as máximas que ele irá
apresentar podem servir de epígrafe a discursos
sem assunto, e não que máximas em geral
tenham apenas essa função.
Resposta: E
D (MODELO ENEM) – Nas alternativas se -
guintes, uma das máximas do autor se encon tra
inadequadamente interpretada. Assinale-a.
a) A máxima 1 refere-se à nossa indiferença aos
problemas alheios e equivale ao provérbio
“Pimenta nos olhos dos outros é refresco”.
b) Na máxima 2, há um paradoxo, pois se afirma
que o tempo, que matamos, é quem nos enterra
depois.
c) Na máxima 3, o narrador defende a ideia de
que o valor dos objetos é determinado por sua
utilidade.
d) Da máxima 5, depreende-se que nosso pon to
de vista está condicionado por nossa cultura.
e) Na máxima 6, a queda em sentido cono tativo
causa menos malefícios que a queda em sentido
denotativo.
Resolução
Segundo a máxima 3, o valor dos objetos (e o
prazer que eles proporcionam) depende de serem
eles reservados a poucos, o que confere prestígio
social àqueles que os possuem ou a eles têm
acesso.
Resposta: C
15 e 16
Machado de Assis II:
Quincas Borba e Dom Casmurro
• Romance realista brasileiro
• Crônica machadiana
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PORTUGUÊS 359
Texto para as questões de 1 a 3.
1 – Vexado: envergonhado. 2 – Voltarete: jogo de cartas. 3 – Urgir: ser
indispensável, muito importante, urgente. 4 – Mirar: olhar atentamente.
1 (FUVEST-SP) – Major Siqueira, Rubião e Sofia participam
desta cena do romance Quincas Borba, de Machado de Assis.
a) Por que o major diz, no primeiro parágrafo, que está uma
noite para namorados?
b) Diante das palavras do major, qual foi a primeira reação de
Sofia?
RESOLUÇÃO:
a) Porque se tratava de uma bela noite enluarada e o major
pretendia ironizar a situação “romântica” em que encontrara Sofia
e Rubião.
b) Sofia afetou naturalidade, concordou com o major e dirigiu a
conversa para outro assunto.
2 (FUVEST-SP)
a) Quem mencionou o padre Mendes? Com que objetivo?
b) Por que o major mal podia conter o assombro?
RESOLUÇÃO:
a) Sofia mencionou o padre Mendes, com o objetivo de evitar o
constrangimento da situação e deixar de lado a observação do
major sobre namorados.
b) O major estava espantado com o que vira (Sofia e Rubião de
mãos dadas), em contraste com a atitude de Sofia ao ser
surpreendida: “risonha, tranquila, impenetrável”.
D. Sofia, por exemplo, nunca ele a viu na rua que me não
dissesse: Hoje vi aquela bonita senhora do Palha... Morreu
cônego; era filho de Saquarema... E, na verdade, tinha bom
gosto... Realmente, a mulher do nosso Palha é um primor,
bela de cara e de figura; eu ainda a acho mais bem feita que
bonita... Que lhe parece?
— Parece que sim...
— E boa pessoa, excelente dona de casa, continuou o
major acendendo um charuto.
(Machado de Assis, Quincas Borba, cap. XLII)
— Olá! estão apreciando a lua? Realmente, está deliciosa;
está uma noite para namorados... Sim, deliciosa... Há muito
que não vejo uma noite assim... Olhem só para baixo, os
bicos de gás... Deliciosa! para namorados... Os namorados
gostam sempre da lua. No meu tempo, em Icaraí...
Era Siqueira, o terrível major. Rubião não sabia que dis -
sesse; Sofia, passados os primeiros instantes, readquiriu a
posse de si mesma; respondeu que, em verdade, a noite era
linda; depois contou que Rubião teimava em dizer que as
noites do Rio não podiam comparar-se às de Barbacena, e, a
propósito disso, refe rira uma anedota de um padre Mendes...
Não era Mendes?
— Mendes, sim, o padre Mendes, murmurou Rubião.
O major mal podia conter o assombro. Tinha visto as duas
mãos presas, a cabeça do Rubião meia inclinada, o movi men -
to rápido de ambos, quando ele entrou no jardim; e sai-lhe
de tudo isto um padre Mendes... Olhou para Sofia; viu-a
risonha, tranquila, impenetrável. Nenhum medo, nenhum
acanha mento; falava com tal simplicidade, que o major
pensou ter visto mal. Mas Rubião estragou tudo. Vexado1,
calado, não fez mais que tirar o relógio para ver as horas,
levá-lo ao ouvido, como se lhe parecesse que não andava,
depois limpá-lo com o lenço, devagar, devagar, sem olhar
para um nem para outro...
— Bem, conversem, vou ver as amigas, que não podem
estar sós. Os homens já acabaram o maldito voltarete2?
— Já, respondeu o major olhando curiosamente para Sofia. Já,
e até perguntaram por este senhor; por isso é que eu vim
ver se o achava no jardim. Mas estavam aqui há muito
tempo?
— Agora mesmo, disse Sofia.
Depois, batendo carinhosamente no ombro do major,
passou do jardim à casa; não entrou pela porta da sala de
visitas, mas por outra que dava para a de jantar; de maneira
que, quando chegou àquela pelo interior, era como se
acabasse de dar ordens para o chá.
Rubião, voltando a si, ainda não achou que dizer, e contudo
urgia3 dizer alguma coisa. Boa ideia era a anedota do padre
Mendes; o pior é que não havia padre nem anedota e ele
era incapaz de inventar nada. Pareceu-lhe bastante isto:
— O padre! o Mendes! Muito engraçado o padre
Mendes!
— Conheci-o, disse o major sorrindo. O padre Mendes?
Conheci-o; morreu cônego. Esteve algum tempo em Minas?
— Creio que esteve, murmurou o outro espantado.
— Era filho aqui de Saquarema; era um que não tinha este
olho, continuou o major levando o dedo ao olho esquerdo.
Conheci-o muito, se é que é o mesmo; pode ser que seja outro.
— Pode ser.
— Morreu cônego. Era homem de bons costumes, mas
amigo de ver moças bonitas, como se mira4 um painel
de mestre, e que maior mestre que Deus? dizia ele. Esta
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PORTUGUÊS360
3 (FUVEST-SP)
a) Qual foi o comportamento de Rubião durante todo o
episódio?
b) Ao descrever as características físicas e morais do padre
Mendes, o major faz referênciaa uma afirmação do padre sobre
Sofia, para em seguida concluir que ela era boa pessoa e
excelente dona de casa. Qual a mensagem que ele pretendia
passar a Rubião?
RESOLUÇÃO:
a) Rubião mostrou-se embaraçado, sem jeito — um compor ta -
mento que denunciava aquilo que Sofia tentava ocultar.
b) A fala do major trazia, implícita, uma censura às intenções de
sedutor de Rubião: o padre é censurado apenas por gostar de ver
belas moças e, além de tudo, Sofia era uma senhora respeitável.
Texto para os testes de D a F.
D (FUVEST-SP) – As formas verbais Tinham passado (linha 6)
e viriam (linha 7) traduzem ideia, respectivamente, de anterio -
ridade e de posterioridade em relação ao fato expresso pela
palavra
a) explicam. b) estada. c) passagem.
d) dizíamos. e) montava.
RESOLUÇÃO:
As formas verbais tinham passado e viriam relacionam-se à
passagem do cavaleiro dandy mencionada no início do texto.
Resposta: C
E (FUVEST-SP) – Com a frase “como então dizíamos”
(linha 3), o narrador tem por objetivo, principalmente,
a) comentar um uso linguístico de época anterior ao presente
da narração.
b) criticar o uso de um estrangeirismo que caíra em desuso.
c) marcar o uso da primeira pessoa do plural.
d) registrar a passagem do cavaleiro diante da janela de Capitu.
e) condenar o modo como se falava no passado.
RESOLUÇÃO:
O narrador comenta o emprego da palavra dandy (“indivíduo que
se veste com elegância e requinte, janota”), usual na época a que
o narrador-personagem se refere. Marca-se, assim, uma diferença
entre o tempo em que se escreve a narrativa (tempo da
enunciação) e aquele em que ela se passa (tempo do enunciado).
Tal distinção é fundamental nesse livro de memórias.
Resposta: A
F (FUVEST-SP) – Considerando-se o excerto no contexto da
obra a que pertence, pode-se afirmar corretamente que as
referências a Alencar e a Álvares de Azevedo revelam que, em
Dom Casmurro, Machado de Assis
a) expôs, embora tardiamente, o seu nacionalismo literário e
sua consequente recusa de leituras estrangeiras.
b) negou ao Romantismo a capacidade de referir-se à realidade,
tendo em vista o hábito romântico de tudo idealizar e exagerar.
c) recusou, finalmente, o Realismo, para começar o retorno às
tra dições românticas que irá caracterizar seus últimos romances.
d) declarou que o passado não tem relação com o presente e
que, portanto, os escritores de outras épocas não mais
merecem ser lidos.
e) utilizou, como em outras obras suas, elementos do legado
de seus predecessores locais, alterando-lhes, entretanto,
contexto e signifi cado.
RESOLUÇÃO:
A intertextualidade é um dos recursos mais expressivos em
Machado de Assis. No excerto, o autor cita Alencar e Álvares de
Azevedo para, ironicamente, contextualizar um acontecimento na
vida de Bentinho. Ao se apropriar do legado de seus predecessores
locais, Machado modifica-lhes, portanto, o contexto e o significado.
Resposta: E
Assim se explicam a minha estada debaixo da janela
de Capitu e a passagem de um cavaleiro, um dandy,
como então dizíamos. Montava um belo cavalo alazão,
firme na sela, rédea na mão esquerda, a direita à cinta,
botas de verniz, figura e postura esbeltas: a cara não me
era desconhecida. Tinham passado outros, e ainda outros
viriam atrás; todos iam às suas namoradas. Era uso do
tempo namorar a cavalo. Relê Alencar: “Porque um
estudante (dizia um dos seus personagens de teatro de
1858) não pode estar sem estas duas coisas, um cavalo
e uma namorada”. Relê Álvares de Azevedo. Uma das
suas poesias é destinada a contar (1851) que residia em
Catumbi, e, para ver a namorada no Catete, alugara um
cavalo por três mil-réis...
(Machado de Assis, Dom Casmurro)
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PORTUGUÊS 361
Guimarães chama-se ele; ela, Cristina. Tinham um filho, a quem puseram o nome de Abílio. Cansados de lhe dar
maus-tratos, pegaram do filho, meteram-no dentro de um caixão e foram pô-lo em uma estrebaria, onde o pequeno
passou três dias, sem comer nem beber, coberto de chagas, recebendo bicadas de gali nhas, até que veio a falecer.
Contava dois anos de idade. Sucedeu este caso em Porto Alegre, segundo as últimas folhas, que acrescentam terem
sido os pais recolhidos à cadeia, e aberto o inquérito. A dor do pequeno foi natu ralmente grandíssima, não só pela
tenra idade, como porque bicada de galinha dói muito, mormente em cima de chaga aberta. Tudo isto, com fome e sede,
fê-lo passar um mau quarto de hora como dizem os franceses, mas um quarto de hora de três dias, donde se pode inferir
que o organismo do menino Abílio era apropriado aos tormen tos. Se chegasse a homem, dava um lutador resistente;
mas prova de que não iria até lá, é que morreu.
Se não fosse Schopenhauer, é provável que eu não tratasse deste caso diminuto, simples notícia de gazetilha. Mas
há na principal das obras daquele filósofo um capítulo destinado a explicar as causas trans cendentes do amor. Ele, que
não era mo des to, afirma que esse estudo é uma pérola. A expli cação é que dois namorados não se escolhem um ao
outro pelas causas individuais que presumem, mas porque um ser, que só pode vir deles, os incita e conjuga.
Apliquemos esta teoria ao caso Abílio. 
Um dia Guimarães viu Cristina, e Cristina viu Guimarães. Os olhos de um e de outro trocaram-se, e o coração de
ambos bateu fortemente. Guimarães achou em Cristina uma graça particular, alguma coisa que nenhuma outra mulher
possuía. Cristina gostou da figura de Guimarães, reco nhecendo que entre todos os homens era um homem único. E
cada um disse consigo: “Bom consorte para mim!”. O resto foi o namoro mais ou menos longo, o pedido da moça, as
formalidades, as bodas. (...) Mas o autor de tudo, segundo o nosso filósofo, foi unicamente Abílio. O menino, que ainda
não era menino nem nada, disse con sigo, logo que os dois se encontraram: “Guimarães há de ser meu pai e Cristina
há de ser minha mãe: é preciso que nasça deles. Levando comigo, em resumo, as qualidades que estão separadas nos
dois”. As entrevistas dos namo rados era o futuro Abílio que preparava; se eram difíceis, ele dava coragem a Guimarães
para afrontar os riscos, e paciência a Cristina para esperá-lo. As cartas eram ditadas por ele. Abílio andava no pensamento
de ambos, mascarado com o rosto dela, quando estava no dele, e com o dele, se era no pensamento dela. E fazia isso
a um tempo, como pessoa que, não tendo figura própria, não sendo mais que uma ideia específica, podia viver inteiro
em dois lugares, sem quebra da identidade nem da integridade. Falava nos sonhos de Cristina com a voz de Guimarães,
e nos de Guimarães com a de Cristina, e ambos sentiam que nenhuma outra voz era tão deleitosa. 
Enfim, nasceu Abílio. Não contam as folhas coisa alguma acerca dos primeiros dias daquele menino. Podiam ser
bons. (...) Também não se sabe quando começaram os castigos — refiro-me aos castigos duros, os que abriram as
primeiras chagas, não as pancadinhas do princípio, visto que todos as coisas têm princípio, e muito provável é que
nos primeiros tempos da criança os golpes fossem aplicados diminuti vamente. Se chorava, é porque a lágrima é o suco
da dor. Demais, é livre — mais livre ainda nas crianças que mamam, que nos homens que não mamam. Chagado,
encaixotado, foi levado à estrebaria onde, por um desconcerto das coisas humanas, em vez de cavalos, havia galinhas.
Sabeis já que estas, mariscando, comiam ou arrancavam somente pedaços da carne de Abílio. Aí, nesses três dias,
podemos imaginar que Abílio, inclinado aos monólogos, recitasse este outro de sua invenção: “Quem mandou aqueles
dois casarem-se para me trazerem a este mundo? Estava tão sossegado, tão fora dele, que bem podiam fazer-me o
pequeno favor de me deixarem lá. Que mal lhes fiz eu antes, se não era nascido? Que banquete é este em que o
convidado é que é comido?” Nesse ponto do discurso é que o filósofo de Dantzig, se fosse vivo e estivesse em Porto
Alegre, bradaria com a sua velha irritação: “Cala a boca, Abílio. Tu não só ignoras a verdade, mas até esqueceso
passado. Que culpa podem ter essas duas criaturas humanas, se tu mesmo é que os ligaste? Não te lembras que,
quando Guimarães passava e olhava para Cristina, e Cristina para ele, cada um cuidando de si, tu é que os fizeste
atraídos e namorados? Foi a tua ânsia de vir a este mundo que os ligou sob a forma de paixão e de escolha pessoal.
Eles cuidaram fazer o seu negócio, e fizeram o teu. Se te saiu mal o negócio, a culpa não é deles, mas tua, e não sei
se tua somente... Sobre isto, é melhor que aproveites o tempo que ainda te sobrar das galinhas, para ler o trecho da
minha grande obra, em que explico as coisas pelo miúdo. É uma pérola. Está no tomo II, Livro IV, capítulo XLIV...
Anda, Abílio, a verdade é verdade ainda na hora da morte. (...)” E Abílio, entre duas bicadas: 
— Será verdade o que dizes, Artur; mas é também verdade que, antes de cá vir, não me doía nada, e se eu
soubesse que teria de acabar assim, às mãos dos meus próprios autores, não teria vindo. Ui! Ai!
(Machado de Assis, “A Semana”, 16 de junho de 1895)
Leitura complementar: “O autor de si mesmo”
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PORTUGUÊS362
O “Panelinha”, grupo que reunia importantes intelectuais do início do século
XX, como Machado de Assis (sentado, segundo da esquerda para a direita),
Artur Azevedo (em pé, segundo da esquerda para a direita) e Olavo Bilac (em
pé, quarto da esquerda para a direita). A fotografia é de um almoço, em 1901,
no Hotel Rio Branco, que ficava na Rua das Laranjeiras n.o 192.
Rio de Janeiro, Av. Central (mais tarde Av. Rio Branco), 1900. A paisagem
urba na contemporânea aos últimos anos de Machado de Assis.
Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”, digite PORT2M132
No Portal Objetivo
1. Machado de Assis menciona o motivo que o levou a escrever essa crônica. Que motivo é esse?
Resolução
O motivo que o levou a escrever a crônica é que o caso policial serve de ilustração para a com preensão da filosofia de
Schopenhauer.
2. Que causas o filósofo alemão, segundo o texto, apresenta para o amor?
Resolução
A causa que incita a união afetiva do casal é a “ân sia” da criança “de vir a este mundo”, sendo essa vontade, “sob a
forma de paixão e de escolha pes soal”, o que une aqueles que viriam a ser seus pais. 
3. A que conclusão chega a criança enquanto é devorada pelas galinhas?
Resolução
Ela conclui que melhor seria não ter nascido: “antes de cá vir, não me doía nada, e se eu soubesse que teria de acabar
assim, às mãos dos meus próprios autores, não teria vindo. Ui! Ai!“. 
4. Schopenhauer escreveu: “A felicidade não passa de um sonho, e a dor é real... Há oitenta anos que o sinto. Quanto
a isso, não posso fazer outra coisa senão me resignar, e dizer que as moscas nasceram para serem comidas pelas
aranhas e os homens para serem devorados pelo pesar“. Essa declaração, bem como a crônica de Machado, evidencia
uma constante da filosofia de Schopenhauer. De que se trata?
Resolução
Trata-se do pessimismo. Para o filósofo, viver é sofrer e “só a dor é real“. Essa lição foi vivenciada, na crônica de
Machado, pela criança, torturada por seus pais, devorada por galinhas famintas.
5. O tom dessa crônica é sério ou humorístico?
Resolução
O tom é galhofeiro; trata-se do humor negro machadiano.
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PORTUGUÊS 363
FRENTE 1
Módulo 1 – Sujeito simples e composto
1 (PUC-RIO) – Aponte a opção em que as palavras des ta ca -
das não têm a mesma função sintática do termo destacado em:
a) (…) e bandos folgazões de quero-queros sau davam os
últimos raios do Sol (…)
b) Já se havia difundido o crepúsculo (…)
c) Foi a luz gradativamente morrendo no céu (…)
d) Com tanta leveza voam os pássaros (…)
e) (…) como repetiam o uivo selvático da suçua rana, a nota
plangente do sabiá ou a martelada metálica da ara ponga.
2 Assinale a alternativa em que ocorra sujeito composto.
a) Deus, Deus, que farei?
b) Os livros contemplei, os quadros e as outras obras.
c) Nós, os homens do futuro, venceremos.
d) Foram João e Maria à feira.
e) Ontem foi João e José, hoje.
3 (UFMG) – A propósito do trecho que segue, aponte o su jei -
to de supõe. 
a) a imaginação entusiasta 
b) O idealismo 
c) imaginação
d) entusiasta
Texto para a questão 4.
4 (PUC-SP) – O núcleo do sujeito de reuniram-se é
a) cineasta b) convite c) colegas 
d) totalidade e) se
Texto para a questão E.
5 (FMU-SP) – O sujeito da afirmação com que se inicia o Hino
Nacional é
a) indeterminado.
b) um povo heroico.
c) as margens plácidas do Ipiranga.
d) do Ipiranga.
e) o brado retumbante.
6 (PUC-SP) – Indique a alternativa correta no que se refere ao
sujeito da oração: Da chaminé da usina subiam para o céu
nuvens de fumaça.
a) Simples, tendo por núcleo chaminé.
b) Simples, tendo por núcleo nuvens.
c) Composto, tendo por núcleo nuvens de fumaça.
d) Simples, tendo por núcleo fumaça.
e) Simples, tendo por núcleo usina.
7 (FGV-SP) – Assinale a alternativa em que estrelas tem a
mesma função sintática que em: Brilham no alto as estrelas.
a) Querem erguer-se às estrelas.
b) Gostavam de contemplar as estrelas.
c) Seus olhos tinham o brilho das estrelas.
d) Fui passear com as estrelas do tênis.
e) As estrelas começavam a surgir.
8 (UNI-RIO) – Em Na mocidade, muitas coisas lhe haviam
acontecido, temos oração 
a) sem sujeito.
b) com sujeito simples e claro. 
c) com sujeito oculto.
d) com sujeito composto.
e) com sujeito indeterminado.
Módulo 2 – Vícios de linguagem
Reescreva as frases abaixo, eliminando os vícios de lingua gem.
1 O corretor dava valor a seu superior.
2 O requerimento que enviamos naquele momento era o
único instrumento disponível.
3 Sua primeira prioridade era eliminar os gastos supérfluos.
4 Prefiro mil vezes mais trabalhar fora a ficar em casa.
5 O pintor deu o acabamento final naquele quarto. 
Em sua mente tumul tuavam negros pensa mentos.
O idealismo supõe a imaginação entusiasta que se adianta à
realidade no encalço da perfeição.
Em 1949 reuniram-se em Perúgia, Itália, a convite da
quase totalidade dos cineastas italianos, seus colegas de
diversas partes do mundo.
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heroico o brado retumbante…
I. Eco – repetição de termos com a mesma termi nação.
II. Pleonasmo vicioso – redundância de termos cuja signifi -
cação nada acrescenta ao que já foi ex presso.
EXERCÍCIOS-TAREFAS
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PORTUGUÊS364
6 Se ela ainda me amasse, eu não me teria revoltado.
7 O aluno perguntou ao professor de Física:
— Tempo tinha que pôr no gráfico?
8 Vou-me já porque está chovendo.
9 Paulo viu que a garota saiu sem seu cachorro.
J O mutirão contra a violência da polícia não pro du ziu o efeito
desejado.
K A imprensa não pode cumprir o seu papel funda men tal de
informar a população, estando ela mesma mal informada.
Texto para a questão L.
L (MODELO ENEM) – O humor da tirinha anterior é provo -
cado pelo(a)
a) fato de o verme falar e ler.
b) linguagem em sentido figurado.
c) mistura de padrão culto e informal.
d) duplo sentido de seus termos.
e) identificação do leitor com um verme.
Texto para a questão M.
M (MODELO ENEM) – O fenômeno lin guís tico que se observa
no último qua dro da tira ocorre também em:
a) “A moça que eu disse que conhecia quer que você a contrate.”
b) “O presidente resolveu encarar de frente o problema da
fome no Brasil.”
c) “Você não precisa gastar rios de dinheiro para adquirir seu
carro zero.”
d) “Uma jovem intérprete transformou a música ‘Eu e a Brisa’
num vendaval de Itu.”
e) “Reencontrei um rapaz que fez natação comigo na praia.”
Módulo 4 – Sujeito oculto e
indeterminado
Texto para a questão A.
1 (UNIP) – No texto, tem-se sujeito
a) elíptico e simples.
b) simples e elíptico.
c) elíptico e indeterminado.
d) composto e indeterminado.
e) composto e elíptico. 
Texto para a questão B.
2 No texto, tem-se sujeito
a) elíptico e simples.
b) elíptico e indeterminado.
c) indeterminado e elíptico.d) inexistente e elíptico.
e) composto e indeterminado.
Texto para a questão C.
3 (MACKENZIE) – Nesse texto, o sujeito do verbo declamam
é
a) os (elíptico).
b) indeterminado.
c) “eles” (oculto).
d) os seus versos (composto).
e) três vezes (simples).
4 (UNIP) – Assinale a alternativa que contém uma oração cujo
su jei to é do mesmo tipo que o sujeito da oração Estão batendo
à porta.
a) Há cem anos nasceu minha avó.
b) Carlos e Maria escreveram um livro juntos.
c) Os alunos foram a um passeio.
d) Basta de brincadeira!
e) Só raramente se assiste a bons concertos.
IV. Ambiguidade (ou anfibologia) – defeito da frase que
apresenta duplo sentido.
Enfim, peguei dos livros e corri à lição. Não corri preci -
samente; a meio caminho parei, adver tindo que devia ser
muito tarde, e podiam ler-me no semblante alguma cousa
(Machado de Assis)
Quando entrei na sala, ninguém ralhou comigo.
(Ma cha do de Assis)
DESTINO ATROZ
Um poeta sofre três vezes: primeiro quando ele os sente,
depois quando os escreve e, por último, quando declamam
os seus versos.
(Mário Quintana)
III. Cacófato ou cacofonia – junção das sílabas de palavras
vizinhas, gerando uma palavra desa gra dá vel.
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PORTUGUÊS 365
5 Escreva SO quando se tratar de sujeito oculto e SI quan do
se tratar de sujeito indeter minado do verbo destacado.
( ) Reputavam-no o maior comilão da cidade. (Ciro do Anjos)
( ) Ficou satisfeito com o resultado.
( ) Os manifestantes chegaram em comitiva e, decididos,
invadiram a prefeitura.
( ) Depois que deu meia-noite, invadiram a prefeitura.
( ) Tiveste tempo para te arrependeres.
6 Classifique o sujeito dos verbos destacados:
7 (UFV – MODELO ENEM) – Assinale a alternativa em que
aparece(m) verbo(s) no plural com sujeito indeter minado:
a) “Minhas irmãs são belas, são ditosas...”
b) “Ainda hoje são, por fado adverso, / Meus filhos — alimária
do universo...”
c) “As cegonhas espiam debruçadas / (...) / As tribos erram do
areal nas vagas...”
d) “Ai! dizem: ‘Lá vai África embuçada ... (...)’ / Nem veem que
o deserto é meu sudário...”
e) “Qual de José os vis irmãos outrora / Venderam seu irmão.”
Módulo 5 – Crônica 
Leia o seguinte texto e responda às questões A e F.
1 Assinale a alternativa correta.
O texto de Millôr é uma crônica
a) descritiva, pois explora a caracterização de elementos no
espaço.
b) narrativa, pois relata um episódio que envolve ação.
c) narrativo-descritiva, pois alterna momentos narrativos com
flagrantes descritivos.
d) comentário, pois a crítica é irônica numa abordagem quase
jorna lís tica do assunto.
e) reflexiva, pois o autor interpreta a realidade através de
associação de ideias.
2 Assinale a alternativa incorreta.
Trata-se de uma crônica, pois
a) capta o prosaico como tema.
b) faz uma reflexão despretensiosa.
c) não apresenta preocupação com a estrutura textual.
d) há irreverência na abordagem e na lingua gem.
e) apresenta uma discussão.
3 Assinale a alternativa correta.
Para o autor, a realidade fora do lar compreende
a) um meio deteriorado, degenerado.
b) um lugar onde o passado não pode ser mais sonhado.
c) um paralelo com as praças romanas.
d) um espaço que sempre induz à reflexão.
e) um mundo afetado pela incapacidade de pensar filoso -
ficamente.
4 As palavras recesso e hausto significam, respecti va mente,
a) espaço, suspiro.
b) retiro, momento.
c) canto, gole.
d) traço, momento.
e) desejo, instante.
5 Assinale a alternativa correta.
Por dissoluta entendemos
a) falsa. 
b) libertina.
c) autoritária.
d) perigosa.
e) insolúvel.
6 Assinale a alternativa incorreta.
De acordo com o texto, o banheiro é enaltecido como
a) um lugar onde se pode refletir, ponderar, concluir e ama -
durecer, como as grutas dos companheiros de Chi co de
Assis.
b) um santuário dentro de casa.
c) um reduto de solidão e inspiração para pensar no mundo.
d) um lugar para discursar sobre filosofias, paz e sossego.
e) um lugar onde o homem oculta mágoas e dores.
O BANHEIRO
Não é o lar o último recesso do homem civilizado, sua
última fuga, o derradeiro recanto em que pode esconder suas
mágoas e dores. Não é o lar o castelo do homem. O castelo
do homem é o seu banheiro. Num mundo atribulado, numa
época convulsa, numa sociedade desgovernada, numa
família dissolvida ou dissoluta só o banheiro é um recanto
livre, só essa dependência da casa e do mun do dá ao homem
um hausto de tranquilidade. É ali que ele sonha suas
derradeiras filo sofias e seus moribundos cálculos de paz e
sossego. Outrora, em outras eras do mundo, havia jardins
livres, particulares e públicos, onde o homem podia se
entregar à sua meditação e à sua prece. Desapareceram os
jardins particulares pois o homem passou a viver em lajes,
tendo como ilusão de floresta duas ou três plantas enlatadas
que não são bastante grandes para ocultar o seu corpo da
fúria destrutiva da proximidade forçada de outros homens.
Não encontrando mais as imensidões das praças romanas
que lhe davam um sentido de solidão, não tendo mais os
desertos, hoje saneados, irrigados e povoados, faltando-lhe
as grutas dos compa nheiros de Chico de Assis, onde era
 possível refletir e ponderar, concluir e ama durecer, o homem
foi recuando, deses perou-se e só obteve um instante de
calma no dia em que de novo descobriu seu santuário dentro
de sua própria casa – o banheiro.
(Millôr Fernandes)
Os meirinhos de hoje são homens como quaisquer
outros; nada têm de imponentes, nem no seu semblante
nem no seu trajar, confundem-se com qualquer procurador,
escrevente de cartório ou contínuo de repartição. 
(Manuel Antônio de Almeida)
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PORTUGUÊS366
Módulo 8 – Sujeito inexistente
1 (OSEC-modificado) – Das seguintes ora ções: A ca verna
anoitecia aos poucos; Fazia um calor tremendo naquela tarde;
o sujeito se classifica, respectivamente, como
a) inexistente, simples.
b) simples, indeterminado.
c) inexistente, inexistente.
d) simples, simples.
e) simples, inexistente.
2 (MACKENZIE-modificado) – Em Já era mais de meia noite
quando chegamos ao baile, o sujeito do verbo ser é
a) inexistente.
b) indeterminado. 
c) simples.
d) oculto.
e) composto.
3 Preencha as lacunas com os verbos entre parênteses.
___________________ (Fazer) anos que não se colhem bons
frutos; _________________ (deve haver) pragas a assolarem os
pomares.
a) Faz – deve haver
b) Fazem – deve haver
c) Fazem – devem haver
d) Faz – devem de haver
e) Faz – devem haverem
4 __________________ fazer cinco meses que não a vemos;
_________________________ existir motivos im pe riosos para sua
ausên cia, pois se não os _________________________ ela já nos
teria procurado.
a) Vai – deve – houvessem
b) Vai – devem – houvessem
c) Vão – deve – houvessem
d) Vai – devem – houvesse
e) Vão – devem – houvessem
5 (UNIP) – Assinale a única alternativa que apresenta uma
oração sem sujeito.
a) Marina, morena Marina, você se pintou.
b) Era primavera na serra...
c) A serra do Rola-Moça não tinha esse nome não.
d) Sonhei que tu estavas tão linda...
e) Nada justifica a tortura.
6 (FEI) – No período: Toda a huma nidade estaria condenada
à morte se houvesse um tribunal para os crimes imaginários.
(Paulo Bonfim),
a) qual o sujeito da primeira oração?
b) qual o sujeito da segunda oração?
7 Escreva:
SO quando o sujeito for oculto;
SI quando o sujeito for indeterminado;
OSS quando a oração não apresentar sujeito.
( ) Cancelaram todos os pedidos.
( ) Costuma enviar cartas sem se identi ficar.
( ) Praticaram aqui todo tipo de vanda lismo.
( ) Para tudo, há um momento decisivo.
( ) Aqui troveja muito no verão.
( ) Trovejaram muito contra as injustiças.
( ) Está muito frio!
Módulo 9 – Funções da linguagem
Texto para a questão A.
1 No poema-canção Língua, Caetano esta be lece uma das
mais felizes fusões, em nossa poesia, da função poética da
linguagem com a função
a) emotiva. 
b) fática. 
c) metalinguística. 
d) conativa. 
e) referencial.
“Minha Pátria é minha língua”
Fala mangueira!
Fala!
Vamos atentar para a sintaxedos paulistas
E o falso inglês relax dos surfistas
Sejamos imperialistas
Vamos na velô de dicção Choo choo de Carmem Miranda
E que Chico Buarque de Holanda nos resgate
É um xeque-mate – explique-nos Luanda
Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo
Sejamos o lobo do lobo do homem
Flor do Lácio Sambódromo
Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode 
Esta língua
(Caetano Veloso, Língua – fragmento)
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PORTUGUÊS 367
Texto para a questão B.
2 Indique a função predominante no texto dado.
Texto para a questão C.
3 Assinale a alternativa correta sobre o texto dado:
a) Há função fática, pois o diálogo está sem nexo.
b) Há função referencial na transmissão de informações do
diálogo.
c) Predomina a função conativa ou apelativa, marcada pelo uso
de vocativo.
d) Há função poética obtida pelo arranjo linguístico.
e) A função metalinguística revela-se na expli cação sobre a
boneca “de celulóide”.
4 (UNAERP) – Os enunciados produzidos em situações de
comunicação apresentam uma intencionalidade, que está
relacionada à situação. Dos textos abaixo, assinale em qual
prevalece a função conativa da linguagem.
a) Houve tempo em que expressões de cunho religioso, que
invocavam a proteção divina, eram empregadas pelas
pessoas ao se encon trarem.
b) Conheça uma vista melhor que a de seu apartamento.
c) a noite 
me pinga uma estrela no olho 
e passa
(Paulo Leminski)
d) Alô! Alô, marciano,
Aqui quem fala é da Terra...
(Rita Lee)
e) O sedentarismo, as dietas ricas em gordura e o excesso de
peso funcionam como poderosos gatilhos para o apareci -
mento do câncer de mama – com ou sem risco genético.
Módulo 12 – Predicado nominal
Texto para a questão A.
1 (LORENA-SP) – Os substantivos sobremesa e goiabada-
cascão, respecti va mente, têm a função de núcleo
a) do predicativo e do sujeito.
b) do objeto direto e do sujeito.
c) do sujeito e do objeto indireto.
d) do vocativo e do predicativo.
e) do sujeito e do predicativo.
2 (UFSM) – O período a seguir apresenta cinco seg mentos
desta cados, um dos quais desempenha a função sintática de
predicativo do sujeito. Identifique-o, assinalando a letra
correspondente.
Nos exercícios de 3 a F, assinale a única alternativa em que
o ver bo não é de ligação.
3 a) O professor ficou aborrecido.
b) O professor ficou na sala.
c) O animal estava doente.
d) O sol estava alto.
4 a) A alma exterior daquele judeu eram os seus ducados.
(Machado de Assis)
b) Eu sou tão infeliz… (Aluísio Azevedo)
c) Continuarei sozinho.
d) Continuarei no parque.
e) Você parece louco.
5 a) O rapaz virou uma fera.
b) O chefe anda preocupado. 
c) A festa é neste salão.
d) Os passageiros continuam irritados.
e) São duas horas.
6 a) Os passageiros continuavam no saguão do aeroporto.
b) Já era tarde. 
c) Éramos seis.
d) O rapaz parecia desolado.
e) Seu comportamento tornou-se insuportável.
7 Nas frases abaixo, classifique e transcreva o predicado e o
predicativo:
a) Ela parecia uma figura de retrato. (Autran Dourado)
b) A vida dele era necessária a ambas. (Machado de Assis)
Sua linguagem irreverente e corajosa é diferente de 
(a) (b) (c) (d)
tudo o que já se fez no jornalismo esportivo do país.
(e)
Sonham com bife a cavalo, batata frita. E a sobremesa é
goiabada-cascão com muito queijo.
– Mamãe! posso dar a minha boneca de celulóide pra
Maria Luísa, posso?
– Pode, minha filha.
– Mamãe, quando eu posso ver Maria Luísa, heim?
– Mamãe, mas depois você me dá uma boneca de louça
pra mim?...
– Minhas filhas, vocês estão amolando sua mãe!
(Mário de Andrade, Amar, Verbo Intransitivo)
Pesquisa realizada pelo Instituto Gallup, em julho e agosto,
mostra que a maioria da nossa população consi de ra poluídas
as praias do País. A mesma maioria acredita que os respon -
sáveis pela poluição sejam os próprios banhis tas, os esgotos
urbanos, o despejo de óleos e resíduos e a degradação dos
rios.
(Rodolfo Konder)
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8 (PUC-RJ) – Não vira para trás, Bianca...
Temos nessa frase um predicado verbal. Assinale a oração
abaixo que apresenta o mesmo tipo de predicado: 
a) O rapaz virou fera.
b) Teria ele realmente virado um revolucio nário?
c) O vento forte virou o barco depressa demais.
d) Ele virou inimigo da própria mulher.
e) Ele virava aflito as páginas do livro.
9 (MED-Pouso Alegre) – Assinale a alter na tiva em que o
verbo não é de ligação:
a) A criança estava com fome.
b) Pedro parece adoentado.
c) Ele tem andado confuso.
d) Ficou em casa o dia todo.
e) A jovem continua sonhadora.
Módulo 13 – Crônica: interpretação
Texto para as questões de A a F.
1 (UNIRIO) – Assinale a opção que contém a frase que
justifica o título do texto.
a) “Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou.” (L. 7-8)
b) “Toda a casa era um corredor deserto (...)” (L. 10)
c) “Acaso é saudade, Senhora?” (L. 18)
d) “Que fim levou o saca-rolhas?” (L. 20-21)
e) “Venha para casa, Senhora, por favor.” (L. 23) 
2 (UNIRIO) – Considerado o sentido geral do texto, a signi -
ficação de es quecido em esquecido na conversa de esquina
(L. 3-4) é:
a) não lembrado por Senhora.
b) entretido com os companheiros, na esquina.
c) afastado da sensação da ausência de Senhora.
d) absorto pela falta da mulher.
e) pensativo por causa da conversa na esquina.
3 (UNIRIO) – Assinale a opção que justifica a afir ma tiva Pri -
mei ros dias, para dizer a verdade, não senti falta (L. 2-3).
a) A quebra da rotina traz a sensação de liberdade.
b) A relação amorosa estabelece limites para a liberdade de
cada um.
c) A sensação de liberdade faz falta a algumas pessoas.
d) O estranhamento causado pela ausência do ser amado é
acentuado pela rotina.
e) O novo tem um apelo encantatório, que afasta o sentimento
da ausência.
4 (UNIRIO) – A marca da Senhora está contra di to ria mente
impressa em fatos que ocorrem na sua au sên cia. Assinale a
opção imprópria para exem pli fi car o que se afirma nesta
questão. 
a) “(...) não senti falta.” (L. 2-3)
b) “(...) o leite primeira vez coalhou.” (L. 7-8)
c) “(...) a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou
debaixo da escada.” (L. 8-10)
d) “(...) o canário ficou mudo.” (L. 10-11)
e) “Não tenho botão na camisa, (...)” (L. 19-20)
5 (UNIRIO) – O penúltimo período do texto dimensiona o
papel de Senhora na família. Assim, ela pode ser definida como
a) sublevadora. b) apaziguadora. c) sofredora.
d) dominadora. e) impostora.
6 (UNIRIO) – A eclosão do apelo, no terceiro parágrafo, vai-
se construindo por meio de uma função da linguagem nele
predominante e que se denomina função
a) poética. b) fática. c) apelativa.
d) emotiva. e) referencial.
Módulo 16 – Predicado verbal 
1 Classifique sintaticamente o predicado de cada oração:
(1) verbal (2) nominal
a) ( ) Tu pareces triste.
b) ( ) Era noite.
c) ( ) Notícias mais graves não poderia haver.
d) ( ) Quem está aí?
e) ( ) Alguém falou.
f) ( ) Estava a morte ali.
g) ( ) A casa era azul.
2 (FF-RECIFE-PE) – Assinale a oração em que há erro quanto
à clas sificação do verbo.
a) Meus prognósticos estariam certos? (de ligação)
b) A costureira pagou a conta? (transitivo direto)
c) Pagou a conta à costureira? (transitivo direto e indireto)
d) Neide apresentou-me a seus pais. (transitivo direto e indi re to)
e) As feras rugiram em suas jaulas. (transitivo indireto)
APELO
Amanhã faz um mês que a Senhora está longe
de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti
falta, bom chegar tarde, esquecido na con ver sa de
esquina. Não foi ausência por uma sema na: o batom
ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem
de relance no espelho.
Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coa -
lhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pi lha de
jornais ali no chão, ninguém os guar dou debaixo da
escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o
caná rio ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah,
Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite
e eles se iam e eu ficava só, semo perdão de sua
presença a todas as aflições do dia, como a última luz
na varanda.
E comecei a sentir falta das pequenas brigas por
causa do tempero na salada – O meu jeito de querer
bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na
janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não
tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim
levou o saca-rolhas? Nenhum de nós sabe, sem a
Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas
mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.
(Dalton Trevisan)
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3 (PUC-MG) – Considerando que verbo transitivo direto
requer comple mento verbal chamado objeto direto, assinale a
alternativa em que esse termo ocorre.
a) O tostão é regateado com cerimônia.
b) –– Como viverei sem ti, meu bem?
c) –– Vamos… –– disse Jesuíno.
d) Eram todos irmãos, felizmente.
e) E vão fazendo telhados.
Texto para a questão D.
4 (UNIP-SP) – Os verbos destacados são, respectivamente,
a) transitivo direto – transitivo indireto – intransitivo.
b) transitivo direto – transitivo direto – transitivo direto.
c) transitivo indireto – intransitivo – transitivo direto.
d) intransitivo – intransitivo – intransitivo.
e) intransitivo – transitivo direto – transitivo direto.
5 (UNIP-SP) – Dentre as opções seguintes, indique a única
que apresenta objeto indireto.
a) O embaixador não gostou de Londres.
b) Mário lê muitos livros e aprende pouco.
c) A testemunha viu o assassino fugir.
d) Ela satisfez o pedido do pai.
e) O inspetor visou o diploma.
6 (VUNESP-SP) – “Amanhã faz um mês que a se nho ra está
longe de casa.” Da oração em destaque, na frase transcrita, é
correto dizer:
a) Trata-se de uma oração em que o sujeito está elíp tico, e o
verbo é de ligação.
b) A oração tem por sujeito a palavra amanhã, e o verbo é
transitivo direto.
c) A oração tem por sujeito um mês, e o verbo é intransitivo.
d) Trata-se de uma oração sem sujeito, e o verbo é transitivo
direto.
e) A oração tem um sujeito indeterminado, e o verbo é de
ligação.
7 (PUC) – No trecho “Os próprios moradores descreveram a
algazarra à reportagem”, pode-se dizer que os dois termos
destacados são, respectivamente,
a) o sujeito e o predicado do verbo "descre veram".
b) o adjunto adnominal e o adjunto adverbial do verbo descre -
veram.
c) o objeto direto e o objeto indireto do verbo descreveram.
d) o aposto e o vocativo do verbo descre veram.
e) o complemento nominal e o agente da passiva do verbo
descreveram. 
Módulo 17 – Crônica narrativa:
interpretação 
Texto para as questões de A a C.
(UFMT – Adaptado) – Julgue os itens como verda deiros (V) ou
falsos (F).
1 ( ) O texto defende a ideia de que a posição da mulher
no lar e na sociedade deve ser definida em con -
traste com a posição do homem.
( ) O texto reflete sobre a condição humana, sobre a
opressão que a mulher pode sofrer dentro do pró -
prio lar.
( ) O fato de o homem e a mulher não terem sido
nomeados também revela o tratamento uni ver sal
dado ao tema.
( ) O texto satiriza as relações em que predo mi nam o
ciúme, a vaidade e a submissão.
2 ( ) Sem estar estruturado por meio de enredo e per -
sonagens, o texto é uma crônica.
( ) Este texto pertence ao gênero narrativo.
( ) Os eventos narrados obedecem a uma ordem cro -
nológica.
( ) Através do discurso direto o leitor conhece a per -
sonalidade das per sonagens deste texto.
PARA QUE NINGUÉM A QUISESSE
Porque os homens olhavam demais para a sua mulher,
mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de
se pintar. Apesar disso, sua beleza chamava atenção, e ele foi
obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os
sapatos de saltos altos. Dos armários tirou as rou pas de seda,
da gaveta tirou todas as joias. E vendo que, ainda assim, um
ou outro olhar viril se acendia à pas sagem dela, pegou a
tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos.
Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas
vezes, homem nenhum se interes sava por ela. Esquiva como
um gato, não mais atravessava praças. E evitava sair.
Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela,
permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos, mimetiza -
da com os móveis e as sombras.
Uma fina saudade, porém, começou a alinhavar-se em
seus dias. Não saudade da mulher. Mas do desejo inflamado
que tivera por ela. 
Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de
seda. À noite tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar-
lhe o que restava dos cabelos.
Mas ela tinha desaprendido a gostar des sas coisas, nem
pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido numa gaveta,
esqueceu o batom. E continuou andando pela casa de vestido
de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.
(COLASANTI, Marina. Para que ninguém a quisesse. 
In: Contos de amor rasgados. 
Rio de Janeiro, Rocco, 1986. p. 111-2).
Quando repeti isto, pela terceira vez, pensei no semi -
nário, mas como se pensa em perigo que passou, um mal
abortado, um pesadelo extinto; todos os meus nervos me
disseram que homens não são padres.
(Machado de Assis)
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3 ( ) Há exemplo de sinestesia na expressão fina sau -
dade e metáfora em olhar viril.
( ) A expressão tosquiou-lhe os longos cabelos eviden -
cia o ponto cul minante da submissão da mulher.
( ) Na frase Esquiva como um gato, não mais atra ves -
sava praças, há metáfora.
( ) No texto, o corte de seda está para a sen sua li dade
e o prazer de viver, como o vestido de chita está
para a anulação da feminilidade e o desinteresse
pela vida.
Módulo 18 – Complementos verbais
1 Substitua os termos destacados por um pronome pessoal
oblíquo:
a) Os domingos, porém, pertenciam aos dois. (F. Namora)
b) Naquele ano Ismael achou o avô mais macambúzio. (Autran
Dourado)
c) Mas – quem daria dinheiro aos pobres?
d) Mas – quem daria dinheiro aos pobres?
e) Mas – quem daria dinheiro aos pobres?
f) Quis seu castigo como a um prazer.
g) Ofereceram presentes aos necessitados.
h) O rapaz podia vender a motocicleta.
2 Assinale a alternativa cujo verbo da man chete é tran sitivo
direto e indireto.
a) Tremor mata pelo menos 50 pessoas no Equador. (FSP, 30-
3-96, p. 1-1)
b) Europa ajuda britânicos na crise da carne. (FSP, 30-3-96,
p. 1-1)
c) Cai estoque para aviões. (FSP, 30-3-96, p. 2-1)
d) Javali traz o sabor de caça à feijoada. (FSP, 26-3-96, p. 5-1)
e) Processos e inquéritos ‘somem’. (FSP, 26-3-96, p. 3-1)
3 (FGV) – Assinale a alternativa que completa correta mente
as lacunas da frase:
a) lhe, lhe, há, lhe.
b) o, o, haviam, o.
c) lhe, o, havia, lhe. 
d) o, lhe, haviam, o.
e) o, o, havia, o.
4 (FGV-SP) – Assinale a alternativa em que, pelo menos, um
verbo esteja sendo usado como transitivo direto.
a) Dependeu o coveiro de alguém que rezasse.
b) Oremos, irmãos!
c) Chega o primeiro raio da manhã.
d) Loureiro escolheu-nos como padrinhos.
e) Contava com o auxílio de Marina para cuidar do evento.
5 (UNIP) – Qual das alternativas seguintes substitui cor -
retamente os trechos destacados nas orações de I a III?
a) fugiu-me – lhe enviou-o – deu-lhe
b) fugiu-se – enviou-lhe – deu-o
c) fugiu-me – enviou-lho – deu-lhe
d) fugiu-me – enviou-lhe-o – deu-o
e) fugiu-se – enviou-o-lhe – deu-lhe
6 (ESPM – MODELO ENEM) – Observe as frases abaixo.
Substituindo-se o termo destacado em cada frase pelo pronome
correspondente, têm-se, respectivamente,
a) lhes – lhe – lo.
b) lo – lhe – o.
c) los – no – o.
d) lhes – no – lo.
e) los – o – lhe.
7 Substitua os termos destacados por um pronome pessoal.
a) O engenheiro refez os cálculos.
b) Entregaram as provas ao professor.
c) Entregaram as provas ao professor.
d) O ministro discutiu o assunto com seus asses sores.
e) O promotor analisou as provas do crime.
Eu ____________ encontrei ontem, mas não _____________
reconheci porque _________ anos que não __________ via.
I. O menino fugiu de mim.
II. A moça enviou o livro a ele.
III. Carlos deu um abraço no seu primo.
• As empresas globais têm condições de melhoraros pro -
dutos.
• Os portugueses romperam o monopólio das cidades.
• O chip acabará tendo o mesmo preço.
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Módulo 19 – Interpretação de textos
metalinguísticos
Texto para as questões de A a C.
1 (PUC) – Observe a seguinte afirmação feita pelo autor: Em
nos sa civilização apressada, o “bom dia”, o “boa tar de” já não
funcionam para engatar conversa. Qualquer assunto servindo,
fala-se do tempo ou de futebol. Ela faz referência à função da
linguagem cuja meta é “quebrar o gelo”. Indique a alternativa
que explicita es sa função.
a) Função emotiva. 
b) Função referencial. 
c) Função fática.
d) Função conativa. 
e) Função poética.
2 (PUC) – Considerando a relação entre estes dois enun -
ciados: Coçar e comer é só come çar e Conver sar e escre ver
também, assinale qual é o valor expresso pela pala vra também
nesse contexto.
a) Oposição em relação à ideia anterior.
b) Retomada de ideia já anteriormente expressa. 
c) Causa da ideia posterior.
d) Consequência da ideia anterior.
e) Condição para a ideia posterior.
3 (PUC) – Segundo o autor, está sendo apresentada uma
forma nova e particular de se conceber o ato de escrever.
Assinale a alter nativa que traduz essa concepção.
a) Escrever é um processo de interlocução decorrente da ima -
ginação.
b) Escrever é um processo de interlocução realizado exclu -
sivamente pelo leitor.
c) Escrever é um processo de seleção de ideias expres sas de
forma correta.
d) Escrever é um processo de interlocução realizado exclu -
sivamente pelo autor.
e) Escrever é um processo de interlocução entre o autor e seus
possíveis leitores.
Módulo 20 – Predicado verbo-nominal
1 Numere as orações abaixo, de acordo com a seguinte indi -
cação:
(1) oração com predicado nominal.
(2) oração com predicado verbal.
(3) oração com predicado verbo-nominal.
a) ( ) Acabarás doente.
b) ( ) Acabei a lição.
c) ( ) Acabei, cansada, a lição.
d) ( ) Caiu doente.
e) ( ) Caiu do automóvel.
f) ( ) Caiu, ferida, do automóvel.
2 Assinale a alternativa em que aparece um pre di cado verbo-
nominal.
a) Os viajantes chegaram cedo ao destino.
b) Demitiram o secretário da instituição.
c) Nomearam as novas ruas da cidade.
d) Compareceram todos atrasados à reunião.
e) Estava irritado com as brincadeiras.
3 Indique a alternativa em que o predicado é verbo-nominal.
a) Desde então ficou desconfiado.
b) Eu ia caminhando pela avenida.
c) Encontrei Maria Clara mais envelhecida.
d) Viajarei amanhã de manhã.
e) Conheço o rapaz mentiroso.
A QUESTÃO É COMEÇAR
Coçar e comer é só começar. Conversar e es cre ver tam -
bém. Na fala, antes de iniciar, mesmo numa livre conver -
sação, é necessário quebrar o gelo. Em nossa civilização
apres sada, o “bom dia”, o “boa tarde”, “como vai?” já não
fun cionam para engatar con ver sa. Qualquer assunto ser -
vindo, fala-se do tempo ou de futebol. No escrever também
poderia ser assim, e deveria haver para a escrita algo como
conversa vadia, com que se divaga até encontrar assunto
para um discurso enca deado. Mas, à diferença da conversa
falada, nos ensinaram a escrever e na lamen tável forma
mecânica que supunha texto prévio, mensagem já elaborada.
Escrevia-se o que antes se pensara. Agora entendo o con -
trário: escrever para pensar, uma outra forma de conversar.
Assim fomos “alfabetizados”, em obe diência a certos
rituais. Fomos induzidos a, desde o início, escrever bonito e
certo. Era preciso ter um começo, um desen volvimento e um
fim predeterminados. Isso es tra gava, porque bitolava, o
começo e todo o resto. Ten taremos agora (quem? eu e você,
leitor) con versando entender como necessitamos nos
reeducar para fazer do escrever um ato inaugural; não apenas
transcrição do que tínha mos em mente, do que já foi pensado
ou dito, mas inauguração do próprio pensar. “Pare aí”, me
diz você. “O escrevente escreve antes, o leitor lê depois.”
“Não!”, lhe respon do, “Não consi go escrever sem pensar
em você por perto, espiando o que escrevo. Não me deixe
falando sozinho.”
Pois é; escrever é isso aí: iniciar uma conversa com inter -
locutores invi síveis, impre visíveis, virtuais apenas, sequer
ima ginados de carne e ossos, mas sempre ativamente pre -
sentes. Depois é espichar conversas e novos interlo cutores
surgem, entram na roda, puxam assuntos. Termina-se sabe
Deus onde.
(MARQUES, M.O. Escrever é Preciso)
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PORTUGUÊS372
Texto para a questão D.
4 O pre dicado dos verbos ria, falava e continuava é, respec -
tiva mente,
a) verbal, verbal, nominal.
b) nominal, verbo-nominal, verbal.
c) verbal, nominal, verbo-nominal.
d) verbo-nominal, nominal, verbal.
e) verbo-nominal, verbo-nominal, verbo-nominal.
5 Em Os excursionistas retornaram felizes a sua cidade, tem-
se predicado
a) verbal com verbo transitivo direto.
b) nominal com verbo de ligação.
c) verbo-nominal com predicativo do sujeito.
d) verbo-nominal com predicativo do objeto direto.
e) verbo-nominal com predicativo do objeto indireto.
Classifique os termos grifados como predica tivo do sujeito ou do
objeto.
6 Meu tio foi nomeado embaixador.
7 Alguns acharam meu discurso um desastre parlamentar.
8 Consideraram meu irmão como malfeitor.
9 Recebi a notícia como verídica.
Coloque:
A) para verbo de ligação;
B) para verbo intransitivo;
C) para verbo transitivo.
J ( ) Sou favorável ao novo projeto.
K ( ) O carrapato lembrava miséria e abandono.
L ( ) Era muito feliz.
M ( ) A fogueira estalava. (Graciliano Ramos)
N ( ) A fazenda renasceria. (Graciliano Ramos)
O ( ) Vede como está contente, pelos hor rores escri -
tos. (Cecília Meireles)
P ( ) Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
(Carlos Drummond de Andrade)
Q ( ) Meu pai virou uma fera.
R ( ) O carro virou na esquina.
S ( ) A criança virou a xícara.
T Em O mestre tachou-nos de indiscipli nados, o termo des -
ta cado é
a) objeto direto.
b) predicativo do sujeito.
c) predicativo do objeto.
d) objeto indireto.
e) sujeito.
U21 (MACKENZIE) – Julgaram-no o me lhor presiden ciá vel.
O termo destacado acima exerce a função sintática de
a) sujeito.
b) objeto direto.
c) predicativo do sujeito.
d) objeto indireto.
e) predicativo do objeto.
U22 Reescreva em um único período a oração abaixo eliminando
a ambiguidade.
Ele encontrou o amigo feliz.
a) feliz como predicativo do sujeito
b) feliz como predicativo do objeto
Módulo 21 – Provérbios
e ditos populares
1 Identifique o provérbio que mais se apro xima da interpre -
tação do último quadrinho:
a) “Mais vale quem Deus ajuda do que quem cedo madru ga.”
b) “Deus dá o frio, conforme o cobertor.”
c) “Quem ri por último, ri melhor.”
d) “O homem põe e Deus dispõe.”
e) “Cada um por si e Deus por todos.”
Capitu ria alto, falava alto, como se me avisasse; eu con -
 tinuava surdo, a sós comigo e o meu desprezo.
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2 Completando o último quadrinho, chegaría mos ao ditado
Em Roma, como os romanos. Assinale dentre os provérbios
abaixo aquele que recupera essa mensagem:
a) “Todos os caminhos levam a Roma.”
b) “Diga-me com quem andas e te direi quem és.”
c) “Quem não tem cão, caça com gato.”
d) “Em terra de sapo, de cócoras como ele.”
e) “Quem dorme com morcego, acorda de cabeça para baixo.”
(Exame)
3 (ENEM) Entre os seguintes ditos popu lares, qual deles
melhor cor responde à figura anterior?
a) “Com perseverança, tudo se alcança.“
b) “Cada macaco no seu galho.“
c) “Nem tudo que balança cai.“
d) “Quem tudo quer, tudo perde.“
e) “Deus ajuda quem cedo madruga.“
Módulo 24 – Adjunto adverbial
Texto para a questão A.
1 Os termos sim e não são adjuntos adverbiais, respec tiva -
mente, de
a) lugar e modo. b) afirmação e negação.
c) dúvida e negação. d) afirmação e intensidade.
e) afirmação e afirmação.
Texto para a questão B.
2 Os termos destacados indicam, respectivamente, cir cuns -
tância adver bial de
a) modo – lugar – lugar.
b) causa – causa – modo.
c) condição – modo – causa.
d) causa – modo – condição.
e) concessão – condição– concessão.
3 Assinale as orações com adjunto adverbial.
a) Todos falavam alto.
b) O som estava alto.
c) Passeávamos com o intérprete.
d) Fomos à Bahia.
e) De modo algum te intrometas na vida alheia.
f) Esqueçamos esta dor sem remédio.
g) Viajava folgadamente.
h) Estava folgado.
i) Vives bem mal.
4 Adjunto adverbial de causa está em
a) Compro livros com o dinheiro.
b) O poço secou com o calor.
c) Estou sem amigos.
d) Vou ao Rio.
e) Pedro é efetivamente bom.
5 (FEI-SP) – Resolva as questões a seguir conforme o código
que segue:
a) adjunto adverbial de lugar;
b) adjunto adverbial de tempo;
c) adjunto adverbial de modo;
d) adjunto adverbial de causa.
I. ( ) Segunda-feira haverá um jogo importante.
II. ( ) Com o mau tempo não podemos trabalhar ao
relento.
III. ( ) O livro foi acolhido com entusiasmo pelos lei tores.
IV. ( ) O automóvel parou perto do rio.
Há muito tempo, sim, que não te escrevo.
(Carlos Drummond de Andrade)
Falava baixinho; pegou-me na mão e pôs o dedo na
boca.
(Machado de Assis)
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6 Associe a coluna A com a coluna B, indi cando a circuns -
tância expressa pelo termo destacado.
7 (FUVEST-SP) – Assinalar a oração que começa com um
adjunto adverbial de tempo:
a) Com certeza havia um erro no papel do branco.
b) No dia seguinte Fabiano voltou à cidade. 
c) Na porta, (...) enganchou as rosetas das esporas... 
d) Não deviam tratá-lo assim.
e) O que havia era safadeza. 
FRENTE 2
Módulos 1 e 2 – Romantismo e paródia 
Texto para as questões de 1 a 4. 
Oh! céu da minha terra — azul sem mancha — 
Oh! sol de fogo que me queima a fronte,
Nuvens douradas que correis no ocaso,
Névoas da tarde que cobris o monte;
Perfumes da floresta, vozes doces,
Mansa lagoa que o luar prateia,
Claros riachos, cachoeiras altas,
Ondas tranquilas que morreis na areia.
(Casimiro de Abreu)
1 Os versos exemplificam uma das caracte rísticas centrais
do Romantismo, que é
a) a despreocupação com a forma.
b) a autocomiseração.
c) a valorização da paisagem local.
d) a valorização do sonho e da fantasia.
e) o subjetivismo.
2 Indique as prosopopeias (personificações) presentes nos
versos.
3 Na descrição apresentada no poema, fez-se uso abun dante
de qualificativos (adjetivos e locuções adjetivas). Quais os únicos
elementos que não aparecem qualificados, isto é, modi ficados
por um adjetivo ou locução adjetiva?
4 Que diferença você percebe entre a exaltação da natureza
típica do Arcadismo e a exaltação apresentada no poema de
Casimiro de Abreu?
5 Releia os textos analisados em sala de aula e, considerando
o conceito de paródia ali presente, assinale a alternativa que
apresenta um termo implicado em todo texto paródico.
a) Metalinguagem.
b) Intertextualidade.
c) Plágio.
d) Paráfrase.
e) Lugar-comum.
Texto para o teste 6.
Quero morrer cercado dos perfumes
Dum clima tropical
E sentir, expirando, as harmonias
Do meu berço natal!
6 Os versos transcritos, de Casimiro de Abreu, exaltam
a) a morte. 
b) a natureza local.
c) a infância.
d) a música.
e) a paisagem árcade.
Módulo 3 – Romantismo e paródia:
Álvares de Azevedo –
Lira dos Vinte Anos – Parte I
Texto para as questões de 1 a 5.
Frouxo o verso talvez, pálida a rima.
Por estes meus delírios cambeteia1,
Porém odeio o pó que deixa a lima
E o tedioso emendar que gela a veia!
Quanto a mim é o fogo quem anima
De uma instância o calor: quando formei-a,
Se a estátua não saiu como pretendo,
Quebro-a — mas nunca seu metal emendo.
(Álvares de Azevedo)
1 – Cambetear: andar com dificuldade.
1 No poema, o poeta 
a) justifica o rigor formal.
b) critica os versos rimados.
c) idealiza a mulher.
d) defende a liberdade de criação.
e) combate o subjetivismo exagerado.
Coluna A
I. Sairemos durante a noite.
II. Iremos à sua casa.
III. Ela caminhava depressa.
IV. O lugar é muito agradável.
V. Realmente houve problemas.
VI. A moça não respondia.
VII. Talvez ela volte para mim.
VIII. Às vezes chorava de desespero.
IX. Gostava de falar de futebol.
X. Fique comigo!
XI. Haviam deixado um espaço
para a colocação da mesa. 
XII. Apesar de seu conhecimento, 
cometeu equívocos.
XIII. Sem ajuda, não terá êxito. 
XIV. Veio em minha direção. 
XV. Poucos ainda escrevem 
a máquina.
XVI. Recebi a mensagem pelo 
correio eletrônico.
XVII. O apóstolo negou Cristo 
três vezes.
Coluna B
a) afirmação
b) causa
c) assunto
d) companhia
e) condição
f) concessão
g) direção
h) dúvida
i) finalidade
j) frequência
l) instrumento
m) intensidade
n) lugar
p) modo
q) tempo
r) negação
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PORTUGUÊS 375
2 Os versos são rimados? Em caso afirmativo, indique o
esquema de rimas.
3 Todos os versos apresentam o mesmo número de sílabas
métricas? Faça a escansão dos dois primeiros versos.
4 A estrofe de oito versos, com métrica e es quema de rimas
iguais aos da estrofe transcrita, já foi utilizada por um poeta
português do Classicismo. De quem se trata? Como se chama
essa estrofe? Em qual de suas obras esse poeta a utilizou?
5 Embora defendendo um ponto de vista teó rico, o poeta
manifesta subjetivismo. Trans creva expres sões que revelam
esse subjetivis mo.
Texto para o teste 6.
Em frente do meu leito, em negro quadro
A minha amante dorme. É uma estampa
De bela adormecida. A rósea face
Parece em visos de um amor lascivo
De fogos vagabundos acender-se.
6 Estes versos de Álvares de Azevedo, de Lira dos Vinte
Anos, apoiam a seguinte afir mação sobre o conjunto de “Ideias
Íntimas”, de onde foram extraídos:
a) A lascívia, combinada com a sátira, elimina a possibilidade de
lirismo amoroso.
b) No espaço do quarto, o poeta vinga-se das frustrações
amorosas, satirizando a imagem de sua amada.
c) Imaginando-se pintor, o poeta vai esbo çando num quadro as
figuras da virgem român tica e da amante calorosa. 
d) Em versos brancos e em ritmo fluente, o discurso poético
combina notações realistas e fantasias amorosas.
e) O lirismo exageradamente sensual deve-se ao aspecto
paródico dos versos.
Texto para o teste 7.
Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!
(Álvares de Azevedo)
7 A característica mais evidente no texto é
a) o pessimismo.
b) a religiosidade.
c) a idealização da mulher.
d) o erotismo explícito.
e) o tema da morte.
Módulo 4 – Romantismo e paródia:
Álvares de Azevedo –
Lira dos Vinte Anos – Parte II
Texto para a questão 1.
Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre nuvens do amor ela dormia!
Era a virgem do mar, na escuma fria espuma
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!
Era mais bela! o seio palpitando... 
Negros olhos as pálpebras abrindo... 
Formas nuas no leito resvalando...
Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti — as noites eu velei chorando, fiquei acordado
Por ti — nos sonhos morrerei sorrindo!
(Álvares de Azevedo)
1 Álvares de Azevedo compôs poemas senti mentais-
ingênuos e poemas irônicos. Em qual dos dois grupos o soneto
transcrito pode ser incluído? Por quê?
Texto para o teste 2.
É ela! é ela! — murmurei tremendo,
E o eco ao longe murmurou — é ela!
Eu a vi... minha fada aérea e pura —
A minha lavadeira na janela!
Dessas águas-furtadas1 onde eu moro
Eu a vejo estendendo no telhado
Os vestidos de chita2, as saias brancas;
Eu a vejo e suspiro enamorado! 
1 – Águas-furtadas: espaço entre o telhado e o forro das construções.
2 – Chita: tecido barato, de algodão.
2 (PUC-SP – MODELO ENEM) – Com pa rando o poema
“Pálida à luz da lâmpada sombria” (questão 1) com o poema “É
ela, é ela”, podemos afirmar que,
a) no primeiro, se manifesta o desejo de amar e a realização
amorosa se dá plenamente entre os amantes.
b) no segundo, apesar de haver um tom de humor e sátira, não
se caracteriza o rebaixa mento do tema amoroso.
c) no primeiro, o poeta figura a mulher ador mecida e a toma
como objeto de amor jamais realizado.d) no segundo, o poeta expressa as condições mais rasteiras
de seu cotidiano, porém atribui à mulher traços de idealização
iguais aos do primeiro texto.
e) no segundo, ao substituir a musa virginal pela lavadeira, o
poeta confere ao tema amoroso tratamento idêntico ao
verificado no primeiro texto.
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PORTUGUÊS376
Módulos 5 e 6 – Castro Alves:
poesia social
Texto para as questões de 1 a 3.
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus...
Ó mar! por que não apagas
Coa esponja de tuas vagas ondas 
De teu manto este borrão?...
Astros! noite! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!...
Quem são estes desgraçados,
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba multidão
Que excita a fúria do algoz? carrasco
Quem são?... Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa, libérrima, audaz!
São os filhos do deserto
Onde a terra esposa a luz,
Onde voa em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados,
Que com os tigres mosqueados pintados
Combatem na solidão...
Homens simples, fortes, bravos...
Hoje míseros escravos
Sem ar, sem luz, sem razão...
(...)
1 Qual é o “borrão” a que Castro Alves se refere, em lingua -
gem figurada, na primeira estrofe? De que figura de linguagem
se trata?
2 Qual o tema central dos versos?
3 (SENAC-SP) – É correto afirmar que este texto, enqua -
drado na poesia romântica con doreira de Castro Alves, explora
a temática da
a) dominação cultural, adotando solução de estilo que privilegia
as funções informativa (referencial) e poética da linguagem.
b) escravidão, adotando solução de estilo que privilegia as
funções emotiva e apelativa (conativa) da linguagem.
c) supremacia dos três principais continentes sobre a África,
adotando solução de estilo que privilegia a função informativa
(referencial) da linguagem.
d) falta de integração dos povos, adotando solução de estilo que
privilegia a função meta linguística da linguagem.
e) concentração do poder econômico nas mãos de poucos,
adotando solução de estilo que pri vi legia as funções poética
e fática da lin guagem.
Módulo 7 – Castro Alves: poesia lírica
Texto para a questão 1.
MOCIDADE E MORTE
E perto avisto o porto
Imenso, nebuloso e sempre noite
Chamado — Eternidade. —
Laurindo [Rabelo]
Lasciate ogni speranza, voi ch’entrate.1
Oh! eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh’alma adejar2 pelo infinito,
Qual branca vela n’amplidão dos mares.
No seio da mulher há tanto aroma...
Nos seus beijos de fogo há tanta vida...
— Árabe errante, vou dormir à tarde
À sombra fresca da palmeira erguida.
Mas uma voz responde-me sombria:
Terás o sono sob a lájea3 fria.
Morrer... quando este mundo é um paraíso,
E a alma um cisne de douradas plumas:
Não! o seio da amante é um lago virgem...
Quero boiar à tona das espumas.
Vem! formosa mulher — camélia pálida
Que banharam de pranto as alvoradas.
Minh’alma é a borboleta que espaneja4
O pó das asas lúcidas5, douradas...
E a mesma voz repete-me terrível,
Com gargalhar sarcástico: — Impossível!
Eu sinto em mim o borbulhar do gênio.
Vejo além um futuro radiante:
Avante! — brada-me6 o talento n’alma
E o eco ao longe me repete — avante! —
O futuro... o futuro... no seu seio...
Entre louros e bênçãos dorme a glória!
Após — um nome do universo n’alma,
Um nome escrito no Panteon7 da história.
1 – O Inferno, na Divina Comédia, de Dante Alighieri (poeta italiano,
1265-1321), tem esta inscrição em seu portal: “Deixai toda a esperança,
vós que entrais.” 2 – Adejar: bater as asas, voar. 3 – Lájea: laje (de
túmulo). 4 – Espanejar: espanar, sacodir. 5 – Lúcido: brilhante, luminoso.
6 – Bradar: gritar. 7 – Panteon, na Antiguidade, era o templo de todos
(pan) os deuses (teon). Usa-se também como nome de um monumento
para consagrar os maiores heróis.
1 “Eu sinto em mim o borbulhar do gênio.” – Este verso
pode ser tomado como expressivo de duas carac terísticas
frequentes no Roman tismo: o egotismo e uma certa concepção
do trabalho artístico.
a) Explique por que esse verso exprime ego tismo.
b) Esclareça qual concepção de arte e do traba lho artístico pode
ser depreen dida do verso.
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PORTUGUÊS 377
2 No poema “Ahasverus e o Gênio”, de Castro Alves, o poeta
afirma: “O Gênio é como Ahasverus... / A marchar no itinerário
/ Sem termo do existir. / Invejado! A invejar os invejosos. / (...) /
Pede u’a mão de amigo — dão-lhe palmas; / Pede um beijo de
amor — e as outras almas / Fogem pasmas de si.” Ao comparar
a vida do gênio à vida de Ahasverus, judeu condenado a vagar
eternamente sobre a Terra, o poeta aproxima-os pelo fato de
serem ambos
a) incompreendidos. b) solitários.
c) felizes. d) grandiosos.
e) incansáveis.
Texto para o teste 3.
O “ADEUS” DE TERESA
A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus...
E amamos juntos... E depois na sala
“Adeus” eu disse-lhe a tremer coa fala...
E ela, corando, murmurou-me: “adeus”.
Uma noite... entreabriu-se um reposteiro...
E da alcova saía um cavalheiro
Inda beijando uma mulher sem véus...
Era eu... Era a pálida Teresa!
“Adeus” lhe disse conservando-a presa...
E ela entre beijos murmurou-me: “adeus!”
3 O poema é uma amostra fiel
a) da poesia social de Castro Alves.
b) do lirismo ardente de Castro Alves.
c) do tema do amor e do medo.
d) do amor abstrato.
e) do erotismo assexuado.
Módulo 8 – José de Alencar e
Manuel Antônio de Almeida
Textos para as questões de 1 a 5.
Texto 1
Era a sobrinha de Dona Maria já muito desenvolvida, porém
que, tendo perdido as graças de menina, ainda não tinha
adquirido a beleza de moça: era alta, magra, pálida; andava com
o queixo enterrado no peito, trazia as pálpebras sempre baixas
e olhava a furto; tinha os braços finos e com pri dos; o cabelo,
cortado, dava-lhe apenas até o pescoço e, como andava mal
penteada e trazia a cabeça sempre baixa, uma grande porção
lhe caía sobre a testa e olhos, como uma viseira. 
(Manuel Antônio de Almeida, 
Memórias de um Sargento de Milícias)
Texto 2
Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos
mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe
de palmeira.
O favo da jati não era doce como seu sorriso, nem a baunilha
recendia no bosque como seu hálito perfumado.
Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o
sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da
grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava
apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras
águas. 
(José de Alencar, Iracema)
1 (PUC-SP – modificado) – Do texto 1, pode afirmar-se que
a) confirma o padrão romântico na descrição da personagem
feminina, representada nesta obra por Luisinha.
b) exemplifica a afirmação de que este roman ce estava em
descompasso com os padrões e o tom do Romantismo.
c) não fere o estilo romântico de descrever e narrar, pois se
justifica por seu caráter de transição da estética romântica
para a realista.
d) justifica, dentro do Romantismo, a carac terização sempre
idealizada do perfil feminino.
e) se insere na estética romântica, apesar das características
negativas da personagem, que fazem dela legítima repre -
sentante do tipo anti-heroico.
2 Podemos dizer que a descrição da perso nagem feminina
do texto 1 é a mesma que se vê no texto 2? Justifique.
3 (UECE-CE) – Ao caracterizar Iracema, José de Alencar a
relaciona a elementos da natureza, pondo aquela em relação a
esta em uma posição de
a) equilíbrio.
b) dependência.
c) complementaridade.
d) vantagem.
e) submissão.
4 (UECE-CE) – Para descrever Iracema, Alencar emprega
palavras que apelam prin cipalmente
a) à razão. b) aos sentidos.
c) aos sentimentos. d) à fantasia.
e) à ética.
5 (UECE-CE) – Ao aproximar a heroína dos elementos da
natureza, José de Alencar cumpre umdos itens do programa
romântico, segundo o qual a natureza
I. tem função decorativa.
II. significa e revela.
III. encarna as impressões anímicas.
É correto o que se afirma
a) apenas em I. b) em II e III.
c) apenas em III. d) em I e II.
e) em I, II e III.
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Módulo 9 – Antero de Quental
Texto para as questões de 1 a 7.
O QUE DIZ A MORTE
Deixai-os vir a mim, os que lidaram1;
Deixai-os vir a mim, os que padecem;
E os que cheios de mágoa e tédio encaram
As próprias obras vãs2, de que escarnecem3.
Em mim, os Sofrimentos que não saram, 
Paixão, Dúvida e Mal, se desvanecem4.
As torrentes da Dor, que nunca param,
Como num mar, em mim desaparecem.” —
Assim a Morte diz. Verbo velado5,
Silencioso intérprete sagrado
Das cousas invisíveis, muda e fria,
É, na sua mudez, mais retumbante6
Que o clamoroso7 mar; mais rutilante8,
Na sua noite, do que a luz do dia.
(Antero de Quental)
1 – Lidar: lutar, sofrer. 2 – Vão: inútil. 3 – Escarnecer: zombar. 4 – Des -
va necer: desfazer. 5 – Verbo velado: palavra oculta. 6 – Retumbante:
barulhento. 7 – Clamoroso: ruidoso. 8 – Rutilante: brilhante.
1 O pronome de primeira pessoa (mim) a quem se refere?
2 Quem são aqueles que a morte chama?
3 Por que os substantivos Morte, Sofrimentos, Paixão,
Dúvida e Mal estão grafados com inicial maiúscula?
4 Que quer dizer a Morte com a expressão “As torrentes da
Dor (...) / (...) em mim desa parecem”?
5 A que termo se referem os adjetivos “muda” e “fria”, na
terceira estrofe?
6 No segundo terceto, além de comparações, há uma figura de
linguagem, que se repete, na qual elementos contraditórios são
aproximados. Explique e exemplifique com expressões do texto.
7 Assinale a alternativa que apresenta um ele mento que não
se aplica ao poema trans crito.
a) Trata-se de um soneto petrarquista, com posto, portanto, de
14 versos distribuídos em dois quartetos e dois tercetos.
b) O esquema de rimas é regular e pode ser assim repre -
sentado: ABAB-ABAB-CCD-EED.
c) Os versos são decassílabos, sendo tônicas a sexta e a
décima sílabas (decassílabo heroico). 
d) Há no poema dois enunciadores: a Morte, nos versos de 1 a
8, e o eu lírico, nos versos de 9 a 14.
e) O tema é religioso, visto que o eu lírico discorre sobre a vida
após a morte, segundo a crença na reencarnação.
Módulo 10 – Eça de Queirós:
O Primo Basílio e
O Crime do Padre Amaro
Texto para as questões de 1 a 4.
Nascera em Lisboa. O seu nome era Juliana Couceiro Tavira.
Sua mãe fora engomadeira (...)
Servia, havia vinte anos. Como ela dizia, mudava de amos,
mas não mudava de sorte. Vinte anos a dormir em cacifos1, a
levantar-se de madrugada, a comer os restos, a vestir trapos
velhos, a sofrer os repelões das crianças e as más palavras das
senhoras, a fazer despejos, a ir para o hospital quando vinha a
doença, a esfalfar-se quando voltava a saúde!... Era demais!
Tinha agora dias em que só de ver o balde das águas sujas e o
ferro de engomar se lhe embrulhava o estômago. Nunca se
acostu mara a servir. Desde rapariga a sua ambição fora ter um
negociozito, uma taba caria, uma loja de capelista ou de quinqui -
lharias, dispor, governar, ser patroa; mas apesar de economias
mesquinhas e de cálculos sôfregos, o mais que conseguira
juntar foram sete moedas ao fim de anos: tinha então adoecido;
com o horror do hospital fora tratar-se para casa de uma parenta;
e o dinheiro ai! derretera-se. No dia em que se trocou a última
libra, chorou horas com a cabeça debaixo da roupa.
Ficou sempre adoentada desde então, perdeu toda a
esperança de se estabelecer. Teria de servir até ser velha,
sempre, de amo em amo! Essa certeza dava-lhe uma descon -
solação constante. Começou a azedar-se.
E depois não tinha jeito, não sabia tirar partido das casas: via
companheiras divertir-se, vizinhar, janelar, bisbilhotar, sair aos
domin gos às hortas e aos retiros, levar o dia cantando, e quando
as patroas iam ao teatro, abrir a porta aos derriços2 — e
patuscar pelos quartos! Ela não. Sempre fora embezerrada3.
Fazia a sua obrigação, comia, ia estirar-se sobre a cama; e aos
domingos, quando não passeava, encostava-se a uma janela,
com o lenço sobre o peitoril para não roçar as man gas, e ali
estava imóvel, a olhar, com o seu broche de filigrana4 e a cuia
dos dias santos! Outras com panheiras eram muito das amas,
faziam-se muito humildes, sabujavam5, traziam de fora as
histórias da rua, e cartinhas levadas e reca dinhos e para dentro
e para fora, muito confi dentes — muito presenteadas também!
Ela não podia. Era minha senhora isto! minha senhora aquilo! E
cada uma no seu lugar! Era gênio!
(Eça de Queirós, O Primo Basílio)
1 – Cacifo: recanto pequeno e escuro. 2 – Derriço: namorado.
3 – Embezerrado: aquele que não se afasta de uma linha de conduta.
4 – Filigrana: técnica de ourivesaria que consiste em entrelaçar fios de
ouro ou prata, na maioria das vezes. 5 – Sabujar: bajular.
1 O trecho transcrito é eminentemente descritivo, narrativo
ou dissertativo? Justifique.
2 Dos adjetivos abaixo, indique aqueles que podem carac -
terizar Juliana.
( ) intrépida ( ) ressentida ( ) entusiasmada
( ) conscienciosa ( ) amarga ( ) desconsolada
( ) azeda ( ) bajuladora
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PORTUGUÊS 379
3 Pode-se afirmar que o comportamento de Juliana repre sen -
ta o compor tamento geral dos criados? Justifique sua resposta.
4 O que nos revela o quarto parágrafo acerca da persona -
lidade de Juliana?
Texto para a questão 5.
Que noite para Luísa! A cada momento acordava num
sobressalto, abria os olhos na penumbra do quarto,e caia-lhe
logo na alma, como uma punhalada, aquele cuidado pungente:
Que havia de fazer? Como havia de arranjar dinheiro?
Seiscentos mil-réis! As suas joias valiam talvez duzentos mil-
réis. Mas depois, que diria Jorge? Tinha as pratas... [a prataria
da casa] Mas era o mesmo!
(...)
(...) Quem lhe poderia valer? — Sebastião!, Sebastião era
rico, era bom. Mas mandá-lo chamar, e dizer-lhe que ela, ela
Luísa, mulher de Jorge: — Empreste-me seiscentos mil-réis —
Para que, minha senhora? E podia lá res ponder: para resgatar
umas cartas que escrevi ao meu amante. Era lá possível! Não,
estava perdida. Restava-lhe ir para um convento.
5 Qual a técnica narrativa de que se utilizou Eça neste trecho,
para dar vivacidade ao relato dos pensamentos de Luísa? Dê um
exemplo.
Módulo 11 – Eça de Queirós:
A Cidade e as Serras
Nos exercícios de 1 a 5, indique o romance que se associa
à afirmação dada. Utilize o seguinte código:
A) O Crime do Padre Amaro
B) O Primo Basílio
C) Os Maias
D) A Ilustre Casa de Ramires
E) A Cidade e as Serras
1 ( ) Crítica à vida ociosa e decadente da alta sociedade
portuguesa.
2 ( ) Crítica à hipocrisia moral da vida provin ciana, mar -
cada por uma religiosidade supers ti ciosa e falsa.
3 ( ) Crítica ao artificialismo da civiliza ção mo der na, em
contrapo sição aos benefícios e à naturalidade da
vida campestre.
4 ( ) Crítica à média burguesia lisboeta, com trágico
final de uma mulher envolvida pelo imaginário
romântico.
5 ( ) Crítica à decadência em que vive Portugal, com a
an tiga nobreza apresentada como reserva moral
de virtudes.
6 “O livro parece de fato empenhado em ridicu larizar o
progresso técnico, embora seu alcance diga antes respeito à
ociosidade endinheirada e ao conceito de civilização como
‘armazenamento’ de comodidades.”
Com essas palavras, os críticos Antônio José Saraiva e Óscar
Lopes referem-se ao romance:
a) O Primo Basílio.
b) Os Maias. 
c) A Relíquia.
d) A Cidade e as Serras.
e) A Ilustre Casa de Ramires.
Texto para a questão 7.
Mas, à porta, que de repente se abriu, apareceu minha prima
Joaninha, corada do passeio e do vivo ar, com um vestido claro
um pouco aberto no pescoço, que fundia mais docemente,
numa larga claridade, o esplendor branco da sua pele, e o louro
ondeado dos seus belos cabelos, lindamente risonha, na
surpresa que alargava os seus largos, luminosos olhos negros,
e trazendo ao colo uma criancinha,gorda e cor-de-rosa, apenas
coberta com uma camisinha, de grandes laços azuis.
(Eça de Queirós, A Cidade e as Serras)
7 Na descrição de Joaninha, qual é o elemento sensorial
dominante?
Módulo 12 – Cesário Verde 
Texto para as questões de 1 a 6.
DESLUMBRAMENTOS
Milady, é perigoso contemplá-la,
Quando passa aromática e normal,
Com seu tipo tão nobre e tão de sala,
Com seus gestos de neve e de metal.
Sem que nisso a desgoste ou desenfade,
Quantas vezes, seguindo-lhe as passadas,
Eu vejo-a, com real solenidade,
Ir impondo toilettes complicadas!...
Em si tudo me atrai como um tesouro:
O seu ar pensativo e senhoril,
A sua voz que tem um timbre de oiro ouro
E o seu nevado e lúcido perfil!
Ah! Como me estonteia e me fascina...
E é, na graça distinta do seu porte,
Como a Moda supérflua e feminina,
E tão alta e serena como a Morte!...
Eu ontem encontrei-a, quando vinha,
Britânica e fazendo-me assombrar;
Grande dama fatal, sempre sozinha,
E com firmeza e música no andar!
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PORTUGUÊS380
O seu olhar possui, num jogo ardente,
Um arcanjo e um demônio a iluminá-lo;
Como um florete1, fere agudamente,
E afaga como o pelo dum regalo!
Pois bem. Conserve o gelo por esposo,
E mostre, se eu beijar-lhe as brancas mãos,
O modo diplomático e orgulhoso
Que Ana de Áustria2 mostrava aos cortesãos.
E enfim prossiga altiva como a Fama,
Sem sorrisos, dramática, cortante;
Que eu procuro fundir na minha chama
Seu ermo3 coração, como um brilhante.
Mas cuidado, milady, não se afoite, se atreva
Que hão de acabar os bárbaros reais;
E os povos humilhados, pela noite,
Para a vingança aguçam os punhais. afiam
E um dia, é flor do Luxo, nas estradas,
Sob o cetim do Azul e as andorinhas,
Eu hei de ver errar, alucinadas,
E arrastando farrapos — as rainhas!
(Cesário Verde)
1 – Florete: espada usada na esgrima. 2 – Ana de Áustria (1601-1666) foi
rainha da França, esposa de Luís XIII, a quem sucedeu como regente.
3 – Ermo: solitário, deserto.
1 Como é a figura feminina caracterizada nos versos? Indique
imagens apresentadas no poema que justifiquem sua resposta.
2 Ao descrever o olhar da mulher, o poeta usa elementos
contras tantes. De que figura de linguagem se trata? Cite exem -
plos do texto.
3 Que trecho do poema sugere que a reação da mulher
parece ambígua para o eu lírico?
4 O que expressam as duas últimas estrofes?
5 O que o eu lírico sente pela mulher? Indique trechos do
poema que justifiquem sua resposta.
6 A designação “milady” sugere, sobretudo,
a) respeito. b) reverência. c) ironia. 
d) carinho. e) desprezo.
Texto para as questões 7 e 8.
NÓS
Ai daqueles que nascem neste caos,
E, sendo fracos, sejam generosos!
As doenças assaltam os bondosos
E — custa a crer — deixam vivos os maus!
(Cesário Verde)
7 Qual a medida dos versos de Cesário Verde? Faça a escan -
são dos dois últimos versos.
8 Qual seu esquema de rimas?
Módulos 13, 14, 15 e 16 – 
Machado de Assis: Memórias Póstumas
de Brás Cubas e Dom Casmurro
Texto para as questões de A a C.
O SENÃO DO LIVRO
Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse;
eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros
capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco
da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz
certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o
maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer,
e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo
regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios,
guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam,
urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...
(Machado de Assis, 
Memórias Póstumas de Brás Cubas, cap. LXXI)
A (FUVEST-SP) – O emprego dos pronomes este e esse, no
início do texto,
a) tem a finalidade de distinguir entre o que já se mencionou
(mundo) e o que se vai mencionar (livro).
b) marca a oposição entre o concreto (mundo real) e o abstrato
(mundo da ficção).
c) faz uma distinção decorrente da diferença entre a posição do
narrador e do leitor.
d) é consequência da oposição entre passado (livro) e presente
(mundo).
e) é indiferente; assim como hoje, esses pronomes não têm
valor distintivo.
B (FUVEST-SP) – A alternativa em que o termo senão apre sen -
ta o mesmo valor gramatical expresso em “O senão do livro” é:
a) O motivo não pode ser outro senão que a melancólica paisagem.
b) Falara como pai, senão como juiz.
c) Ninguém senão seu irmão ouvia.
d) Resplandecia aos olhos dos homens, formosa sem senão.
e) Não o apanhara senão para ter uma parte na glória e no serviço. 
C (FUVEST-SP) – Tendo em vista o contexto das Memórias
Póstumas de Brás Cubas, é correto afirmar que, nesse excerto,
a) as imagens que se referem ao próprio livro, mesmo
exageradas, apontam para características que esse romance
de fato apresenta.
b) ao ponderar a opinião do leitor, o narrador novamente
evidencia o respeito e a consideração que tem por ele.
c) o movimento autocrítico põe em relevo, principalmente, a
modéstia e a contenção características do narrador.
d) o fato de o narrador dirigir-se diretamente ao leitor configura
um momento de exceção do livro.
e) a atitude do narrador contradiz a constância e a persistência
com que habitualmente executa seus projetos.
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PORTUGUÊS 381
Texto para o teste D.
Uma flor, o Quincas Borba. Nunca em minha infância, nunca
em toda a minha vida, achei um menino mais gracioso,
inventivo e travesso. Era a flor, e não já da escola, senão de toda
a cidade. A mãe, viúva, com alguma coisa de seu, adorava o
filho e trazia-o amimado, asseado, enfeitado, com um vistoso
pajem atrás, um pajem que nos deixava gazear a escola, ir caçar
ninhos de pássaros, ou perseguir lagartixas nos morros do
Livramento e da Conceição, ou simplesmente arruar, à toa,
como dois peraltas sem emprego. E de imperador! Era um
gosto ver o Quincas Borba fazer de imperador nas festas do
Espírito Santo. De resto, nos nossos jogos pueris, ele escolhia
sempre um papel de rei, ministro, general, uma supremacia,
qualquer que fosse. Tinha garbo o traquinas, e gravidade, certa
magnificência nas atitudes, nos meneios. Quem diria que...
Suspendamos a pena; não adiantemos os sucessos. Vamos de
um salto a 1822, data da nossa independência política, e do
meu primeiro cativeiro pessoal.
(Machado de Assis, 
Memórias Póstumas de Brás Cubas)
D (FUVEST-SP) – A busca de “uma supremacia, qualquer que
fosse”, que neste trecho caracteriza o comportamento de
Quincas Borba, tem como equivalente, na trajetória de Brás
Cubas,
a) o projeto de tornar-se um grande dramaturgo.
b) a ideia fixa da invenção do emplasto.
c) a elaboração da filosofia do Humanitismo.
d) a ambição de obter o título de marquês.
e) a obsessão de conquistar Eugênia.
Texto para os testes E e F.
Meses depois fui para o seminário de S. José. Se eu
pudesse con tar as lágrimas que chorei na véspera e na manhã,
somaria mais que todas as vertidas desde Adão e Eva. Há nisto
alguma exageração; mas é bom ser enfático, uma ou outra vez,
para compensar este escrú pulo de exatidão que me aflige.
(Machado de Assis, Dom Casmurro)
E (FUVEST-SP) – Considerando-se o contexto deste romance
de Machado de Assis, pode-se afirmar corretamente que, no
trecho acima, ao comentar o próprio estilo, o narrador procura
a) afiançar a credibilidade do ponto de vista que lhe interessa
sus tentar.
b) provocar o leitor, ao declará-lo incapaz de compreender o
enredo do livro.
c) demonstrar que os assuntos do livro são mero pretexto para
a prática da metalinguagem.
d) revelar sua adesão aos padrões literários estabelecidos pelo
Romantismo.
e) conferir autoridade à narrativa, ao basear sua argumentação
na História Sagrada.
F (FUVEST-SP) – O “escrúpulo de exatidão” que, no trecho,
o narrador contrapõe à exageração ocorre também na frase:
a) No momento em que nos contaram a anedota, quase
estouramos de tanto rir.
b) Dia a dia, mês a mês, ano a ano, até o fimdos tempos, não
tirarei os olhos de ti.
c) Como se sabe, o capitão os alertou milhares de vezes sobre
os perigos do lugar.
d) Conforme se vê nos registros, faltou às aulas trinta e nove
vezes durante o curso.
e) Com toda a certeza, os belíssimos presentes lhe custaram
os olhos da cara.
FRENTE 1
Módulo 1 – Sujeito simples e composto
A Resposta: E
B Resposta: D
C Resposta: B
D Resposta: C
E Resposta: C
F Resposta: B
G Resposta: E
H (muitas coisas) 
Resposta: B
Módulo 2 – Vícios de linguagem
A O corretor valorizava seu chefe.
B O requerimento que enviamos naquela oca sião era o único
recurso disponível.
RESOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS-TAREFAS
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PORTUGUÊS382
C Cortar “primeira”, pois prioridade sig nifica “qualidade do
que está em pri meiro lu gar, primazia”. Sua prioridade era
eliminar os gastos supérfluos.
D Suprimir “mil vezes mais”, pois preferir significa “gostar
mais” ou “dar prio ri da de”. Prefiro trabalhar fora a ficar em
casa.
E Suprimir “final”, pois acabamento é a fase final, no caso da
pintura é a última mão de tinta. O pintor deu o acaba mento
naquele quarto.
F Se ela ainda me amasse, eu não me teria re voltado.
∪
Se ela ainda me amasse, eu não me revol ta ria (ou não me
sentiria revoltado ou não te ria sentido revolta)
G Tempo tinha que pôr no gráfico? 
∪
Tempo devia ser colocado no gráfico?
H Vou-me já porque está chovendo.
∪
Vou embora porque está chovendo.
I a) Paulo viu que a garota saiu sem o ca chor ro dele.
b) Paulo viu que a garota saiu sem o ca chor ro.
J a) O mutirão de polícia contra a violên cia não p roduziu o
efeito desejado.
b) O mutirão contra a violência da polí cia não pro duziu o
efeito desejado.
K a) A imprensa, estando mal informada, não pode cumprir o
seu papel fun da men tal de informar a população.
b) A imprensa não pode cumprir o seu pa pel fundamental
de informar se a po pu la ção está mal informada.
L O humor da tirinha decorre do sentido du plo da expressão
“livro que prende o lei tor”, visto que ela se relaciona tanto
ao fato de o livro ser interessante, prendendo (em sentido
figurado) a atenção do leitor, quan to ao fato de a
personagem ter ficado pre sa (sentido literal) entre as
páginas do livro.
Resposta: D
M No último quadrinho ocorre uma redun dância chamada
pleo nas mo — “ganhar... grátis” —, pois ganhar significa
“receber de gra ça” e em grátis o mesmo sentido se repete.
Também em “encarar de frente” há pleonasmo, pois
encarar significa “olhar de frente, enfrentar”. 
Resposta: B
Módulo 4 – Sujeito oculto e
indeterminado
A Resposta: C
B Resposta: A
C Resposta: B
D Resposta: E
E SI – SO – SO – SI – SO
F são: meirinhos; simples
têm: sujeito oculto ou elíptico, sendo indicado apenas pela
pessoa do verbo: [eles] = (meirinhos); elíptico, determi nado
pelo contexto: eles (meirinhos)
confundem-se: idem: [eles] = (meiri nhos); elíptico, deter -
minado pelo contex to: eles (meirinhos)
G Os verbos dizem e veem estão na terceira pessoa do plural
sem referente explícito no trecho, o que evidencia sujeito
indeter minado.
Resposta: D
Módulo 5 – Crônica 
A Resposta: E
B Resposta: E
C Resposta: A
D Resposta: B
E Resposta: B
F Resposta: D
Módulo 8 – Sujeito inexistente
A Resposta: E
B Resposta: A
C Faz / deve haver
Resposta: A
D Resposta: D
E Resposta: B
F a) Toda a humanidade
b) Inexistente
G SI – SO – SI – OSS – OSS – SI – OSS
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Módulo 9 – Funções da linguagem
A Resposta: C
B Função referencial
C Resposta: C
D As alternativas apresentam as seguintes funções: em a,
metalinguística e referen cial; em c, poética; em d, fática e
em e, referencial.
Resposta: B
Módulo 12 – Predicado nominal
A Resposta: E
B Resposta: D
C Resposta: B
D Resposta: D
E Resposta: C
F Resposta: A
G a) Predicado nominal: parecia uma figura de retrato 
Predicativo do sujeito: uma figura de retrato
b) Predicado nominal: era necessária a ambas.
Predicativo do sujeito: necessária a ambas.
H Nas alternativas a e b o predicado é nominal. Em d e e,
verbo-nominal.
Resposta: C
I Resposta: D
Módulo 13 – Crônica: interpretação
A Resposta: E
B Resposta: B
C Resposta: E
D Resposta: A
E Resposta: B
F Resposta: C
Módulo 16 – Predicado verbal 
A a) 2; b) 2; c) 1; d) 1; e) 1, f) 1; g) 2
B Resposta: E
C Resposta: E
D Resposta: A
E Resposta: A
F Resposta: D
G O verbo descrever, no trecho dado, é transitivo direto e
indireto, tendo como objeto direto “a algazarra” e indireto
“à reportagem”.
Resposta: C
Módulo 17 – Crônica narrativa:
interpretação 
A Todas verdadeiras.
B F / V / V / F
C V / V / F / V
Módulo 18 – Complementos verbais
A a) pertenciam-lhes (pertenciam a eles); b) achou-o; c) o
daria; d) lhes daria; e) lhos daria; f) Qui-lo; g) Ofereceram-
nos; h) vendê-la.
B Resposta: D
C Nos três casos, o pronome oblíquo átono o exerce a função
de objeto direto, pois encontrar, reconhecer e ver são
verbos transitivos diretos. Portanto, seria total mente inade -
quada a forma lhe, que caberia se os verbos fossem
transitivos indiretos que admitissem tal pronome. Na
indicação de tempo transcorrido, o verbo haver é
impessoal, ou seja, não tem sujeito e só admite a flexão da
terceira pessoa do singular. Portanto, seria total mente
inadequada a forma haviam.
Resposta: E
D O verbo escolheu, empregado como tran si tivo direto, tem
como comple mento (ob jeto direto) o pronome oblíquo
átono nos. Os verbos das alternativas b e c estão em -
pregados como intransitivos; os das alter na ti vas a e e,
como transitivos indiretos.
Resposta: D
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E Resposta: C
F Na primeira frase, os produtos é objeto direto do verbo
melhorar, que perde o r e recebe o pronome los: melhorá-
los. Na segunda frase, o monopólio das cidades é objeto
direto da forma verbal romperam, que, por terminar em
consoante nasal, recebe o pronome no: romperam-no. Na
terceira frase, o mesmo preço é objeto dire to que toma a
forma do pronome o, por que o verbo termina em vogal:
tendo-o.
Resposta: C
G Substituindo os termos destacados, tem-se:
a) O engenheiro refê-los.
b) Entregaram-nas ao professor.
c) Entregaram-lhe as provas.
d) O ministro discutiu-o com seus asses sores.
e) O promotor analisou-as.
Módulo 19 – Interpretação de textos
metalinguísticos
A Conforme o quadro de funções da lin guagem proposto por
Roman Jakobson, a função fática cor responde à mensagem
cujo referente é o próprio canal de comu nicação, ou seja, o
contato entre o emis sor e o receptor. Expressões como bom
dia e outras fórmulas salutares são utili zadas para estabele -
ci mento de con tato ou “ligação” do canal de comu nicação.
Resposta: C
B Também significa, no contexto, “da mesma forma, igual -
mente”. Portanto, corresponde à “retomada de ideia já
anteriormente expressa”.
Resposta: B
C Segundo o autor, “escrever é (...) iniciar uma conversa com
interlocutores invi sí veis, imprevisíveis, virtuais apenas,
sequer imaginados de carne e ossos, mas sempre
ativamente presentes”. 
Resposta: E
Módulo 20 – Predicado verbo-nominal
A a) 1 – b) 2 – c) 3 – d) 1 – e) 2 – f) 3
B Resposta: D
C Resposta: C
D Resposta: A
E Resposta: C
F predicativo do sujeito
G predicativo do objeto
H predicativo do objeto
I predicativo do objeto
J Resposta: A
K Resposta: C
L Resposta: A
M Resposta: B
N Resposta: B
O Resposta: A
P Resposta: C/C
Q Resposta: A
R Resposta: B
S Resposta: C
T Resposta: C
U21 Resposta: E
U22 a) Feliz, ele encontrou o amigo.
Ele, feliz, encontrou o amigo.
b) O amigo, feliz, ele encontrou.
Módulo 21 – Provérbios
e ditos populares
A Resposta: E
B Resposta: D
C Entende-se a adequação do dito contido na alternativa a
ima ginando-se a imensa dificuldade do caracol para chegar
aonde está, sendo lento como uma lesma e tendo ainda de
carregar sua “casa”.
Resposta: A
Módulo 24 – Adjunto adverbial
A Resposta: B
B Resposta: A
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PORTUGUÊS 385
C A, C, D, E, G, I.
D Resposta: B
E I – B, II – D, III – C, IV – A.
F I – q; II – n; III – p; IV – m; V – a; 
VI – r; VII – h; VIII – b; IX – c; X – d;
XI – i; XII – f; XIII – e; XIV – g; 
XV – l; XVI – o; XVII – j
G Resposta: B
FRENTE 2
Módulos 1 e 2 – Romantismo e paródia 
A Resposta: C
B “Nuvens... que correis”, “mansa lagoa” e “ondas...
morreis”.
C “Fronte”, “ocaso”, “monte”, “luar” e “areia”.
D De modo geral, as obras típicas do Arca dismo exaltam a
natureza conven cional mente amena, bucólica, pastoril, não
neces sariamente a americana ou bra si lei ra. O poema de
Casimiro de Abreu, ufa nista, apresenta exaltação da
natureza brasileira.
E Um texto paródico sempre mantém uma relação intertex -
tual com o texto imitado. A paródia é uma das formas por
meio das quais uma composição literária (ou qualquer
criação artística) estabelece uma relação intertextual com
outra obra. 
Resposta: B
F É evidente nos versos a exaltação da natureza brasileira.
Resposta: B
Módulo 3 – Romantismo e paródia:
Álvares de Azevedo –
Lira dos Vinte Anos – Parte I
A Resposta: D
B Sim. O esquema de rimas é ABABABCC.
C Sim. Os versos são decassílabos. Escan didos os dois
primeiros versos, temos:
Frou / xo o / ver / so / tal / vez, / pá / li / da a / ri(ma)
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Por / es / tes / meus / de / lí / rios / cam / be / tei(a)
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
D A estrofe se chama oitava-rima ou oitava real e foi utilizada
por Camões em Os Lusíadas.
E Revelam subjetivismo as construções em primeira pessoa:
“meus delírios”, “odeio”, “quanto a mim”, “quando
formei-a”, “quebro-a”, “mas nunca seu metal emendo”.
F O lirismo fantasioso percorre o poema “Ideias Íntimas”,
havendo, entretanto, notações realistas, como, por
exemplo, na descrição de ambientes. Os versos são
brancos, ou seja, não apresentam rima e o ritmo é marcado
pelo verso decassílabo.
Resposta: D
G Os versos falam da “virgem sonhada”, ou seja, da mulher
idealizada presente nos sonhos do eu lírico.
Resposta: C
Módulo 4 – Romantismo e paródia:
Álvares de Azevedo –
Lira dos Vinte Anos – Parte II
A O soneto transcrito inclui-se no grupo dos poemas
sentimentais-ingênuos, porque exprime, de forma grave,
séria, sem nenhuma ironia, a idealização e a subli mação
sexual de um jovem: a mulher é bela, desejável mas
inatingível; o amante sofre e arrasta, feliz (“sorrindo”),
aquele amor irrealizado até a morte, em sonhos.
B No primeiro poema, há idealização da figura feminina, ao
contrário do que ocorre no segundo, em que a amada é
uma lavadeira, uma mulher da vida “real”, destituída
daquela aura ideali zante que costuma caracterizar a mulher
na poesia romântica conven cional. 
Resposta: C
Módulos 5 e 6 – Castro Alves:
poesia social
A O “borrão” é o tráfico de escravos. Trata-se de uma
metáfora.
B O tema é a escravidão do negro.
C O tema da escravidão é bastante evidente no trecho
transcrito, e o eu lírico im pregna os versos de emoção
(função emotiva), por meio de pontuação expres siva, como
exclamações e interrogações, e de forte apelo (função
conativa ou de apelo), por meio de apóstrofes dirigidas a
Deus, ao mar, às forças da natureza, enfim.
Resposta: B
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PORTUGUÊS386
Módulo 7 – Castro Alves: poesia lírica
A a) Egotismo, diz o dicionário, é “senti mento excessivo da
própria personali dade; importância no trato consigo mes -
mo”. Assim sendo, este poema, como mui tos outros
poemas român ticos, é pro fundamente egótico, pois
parte inteira mente de uma consi deração gran diosa de
si, do próprio valor, da própria geniali dade.
b) A concepção romântica que há por trás deste verso é a
de que o poeta, ou o artista em geral, é um ser
excepcional, dotado de um dom muito especial. A arte
decorreria desse dom, sem relação neces sária com o
preparo, o estudo, a cultura, a técnica — enfim, com o
trabalho do artista. Segundo essa visão romântica, o que
vale é a “genia lidade” e a “inspira ção”, que não depen -
deriam do trabalho, mas sim de uma graça, recebida dos
deuses, de Deus, ou do que seja, segundo a crença do
poeta. Os realistas tinham uma con cepção diferente, na
qual o trabalho de elabo ração da arte era pelo menos tão
impor tante quanto o talento do artista.
B Ahasverus deve vagar eternamente sobre a Terra, sem nunca
ter paz, e situação semelhante ocorre com o gênio, visto que,
embora invejado, não pode contar com a sorte de um amor
ou com um amigo; sua glória não alimenta sua alma.
Resposta: B
C Nestes versos representativos da lírica amorosa de Castro
Alves, nota-se que a experiência amorosa é consumada,
diferentemente do que se observa nos versos de poetas
da chamada Segunda Geração Romântica, em que o amor
é mormente idealizado.
Resposta: B
Módulo 8 – José de Alencar e
Manuel Antônio de Almeida
A A descrição apresenta a sobrinha de Dona Maria, Luisinha,
desajeitada, sem a beleza e a graça da típica heroína do
folhetim romântico. Este fragmento exemplifica a afirmação
de que Memórias de um Sar gento de Milícias se afasta do
tom sentimental e idealizador do Romantismo.
Resposta: B
B Não, pois no texto de Alencar a perso nagem feminina é
idealizada, perfeita mente enquadrada no ideário da literatura
romântica. A personagem de Manuel Antônio de Almeida é
descrita sem idealização, chegando-se até a um tom
cômico-irônico.
C Os elementos que caracterizam Iracema superam os
elementos da natureza com os quais os atributos da índia são
comparados: cabelos mais negros que a asa da graúna, o
sorriso mais doce que o favo da jati, o hálito mais perfumado
que a baunilha etc. Portanto, as qualidades de Iracema levam
vantagem em relação aos elementos da natureza.
Resposta: D
D A descrição de Alencar apela aos sentidos: paladar, odor,
visão etc.
Resposta: B
E No Romantismo, a natureza é expressiva das emoções, e
não apenas mera paisa gem convencional, como ocorre no
Arcadismo.
Resposta: B
Módulo 9 – Antero de Quental
A Refere-se à Morte.
B Todos aqueles que sofrem: os que lutaram, os que
padecem, os que zombam das próprias obras vãs.
C Porque esses elementos estão personifi cados, isto é,
tornados vivos e apresen tados como indivíduos.
D A Morte afirma que ela é o fim de todo sofrimento.
E À Morte.
F A aproximação de elementos contrários ou contraditórios
corresponde à figura de linguagem chamada antítese. Há
antítese entre mudez e retumbante e entre noite e ruti lante.
G No poema, a morte aparece como solução para o
sofrimento, mas nada há nos versos que faça alusão à
crença na reencarnação.
Resposta: E
Módulo 10 – Eça de Queirós:
O Primo Basílio e
O Crime do Padre Amaro
A O trecho é eminentemente descritivo, pois traça o caráter
da personagem.
B Ressentida, amarga, desconsolada e azeda.
C A descrição de Juliana a individualiza, pois seu compor ta -
mento é diferente do das outras criadas, como mostra o
parágrafo “E depois não tinha jeito... Era gênio!”
D Juliana tinha uma conduta rígida, inal te rável, parece que
menos por virtude e mais por não inclinar-se a pequenos
prazeres e alegrias como as demais criadas.
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E O discurso indireto livre. Exemplos: “Que havia de fazer?
Como havia de arranjar dinheiro? Seiscentos mil-réis!”;
“Seria o diabo? Que lhe importava? Estava rica, estava
salva!”; “Quem lhe poderia valer? — Sebastião!”, etc.
Módulo 11 – Eça de Queirós:
A Cidade e as Serras
A Resposta: C B Resposta: A C Resposta: E
D Resposta: B E Resposta: D F Resposta: D
G Predomina o elemento sensorial ligado à visão, como se
nota em “corada do pas seio”, “vestido claro”, “larga
claridade” etc.
Módulo 12 – Cesário Verde 
A É altiva, formal (“Com seu tipo tão nobre e tão de sala”, “E
enfim prossiga altiva como a Fama”), elegante (“Ir impondo
toilettes complicadas”, “na graça distinta do seu porte”),
impassível (“Britânica”), fria (“Com seus gestos de neve e
de metal”, “Conserve o gelo por esposo”, “Seu ermo
coração”),

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