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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ª VARA CÍVEL DO FORO _________________________________________________________
Processo nº ____________________________________
____________________________________________, parte já qualificada, por sua advogado que esta subscreve, vem respeitosamente à presença de Vossa Excelência, nos autos da ação declaratória que promove em face do BANCO _______________, também já qualificado, com fundamento no artigo 1.009 do Novo Código de Processo Civil interpor
RECURSO DE APELAÇÃO
por entender que houve desacerto na sentença proferida.
SÍNTESE DO CASO
Nobres Desembargadores, para melhor compreensão do caso, faz-se necessária uma sucinta narrativa dos fatos.
Trata-se de ação judicial com escopo de reaver o veículo automotor objeto da concessão de crédito no instrumento particular celebrado entre as partes.
O Juízo de primeiro grau optou por julgar procedente o pedido para consolidar a posse e propriedade do bem em favor da empresa Apelada.
Todavia, tal decisão merece reparo, frente a duvidosa dívida apontada como causa de pedir remota (inadimplência).
A instituição financeira contribuiu sobremaneira para a inadimplência contratual, eis que impingiu à parte Apelante uma série de encargos abusivos que, agregados ao saldo devedor, inviabilizaram a manutenção da adimplência e tornaram praticamente impossível a purgação da mora contratual.
Conforme pode ser observado no quadro resumo do contrato, consta EXCLUSIVAMENTE QUE SÃO DEVIDOS OS JUROS E OS ENCARGOS CAPITULADOS NO PREÂMBULO, não havendo qualquer informação no que toca ao sistema de amortização utilizado para saldar o débito, o que é indispensável, pois, sabemos, pode gerar um demasiado encargo e desvantagem excessiva ao consumidor, além de violar direito básico de informação (art. 6, III, do CDC).
Pior, notadamente o contrato utiliza de modo oculto a TABELA PRICE para amortizar a dívida, o que enseja na cobrança de juros sobre juros, aflorando evidente prática de anatocismo, vedado pelo ordenamento jurídico pátrio!
Muito embora, a Constituição Federal Brasileira promulgada em 1988 não faça nenhuma alusão à matéria supramencionada, restringindo-se à CF a exigir lei complementar para regular as atividades atinentes ao Sistema Financeiro Nacional – SFN em seu artigo 192, o fato é que a legislação infra proíbe.
Desde 1933 o Brasil proíbe veementemente a prática de USURA por qualquer pessoa dentro do território nacional, inclusive pelas instituições que integram o chamado Sistema Financeiro Nacional – SFN. 
O vigente Decreto Lei 22.626/33 consagra como defeso o método de amortização de juros sobre juros, senão vejamos:
Art. 4º. E proibido contar juros dos juros: esta proibição não compreende a acumulação de juros vencidos aos saldos líquidos em conta corrente de ano a ano.
Porém, a discussão acerca da recepção constitucional de referido decreto ganhou relevância nacional, tendo sido pacificada, pelo Supremo Tribunal Federal ao editar a súmula 121 que assim dispõe:
“É vedada a capitalização de juros, ainda que expressamente convencionada.”
É justamente a hipótese dos autos, pois presente no instrumento particular carreado com a petição, método de amortização da dívida (não contratado porque não consta no quadro resumo e em nenhuma das cláusulas) que propicia inequívoco anatocismo, ou seja, aplicação de juros sobre juros.
O método PRICE é tão perverso à saúde financeira do consumidor (que não sabe de sua existência, pois não previsto no contrato) que sua substituição é indispensável a adequação do próprio equilíbrio financeiro contratual estabelecido no pacto.
A manutenção da “amortização PRICE” no contrato entabulado entre as partes destoa de todos os preceitos principiológicos norteadores dos negócios jurídicos, especialmente os princípios normatizados da boa-fé objetiva (artigo 113 do Código Civil), boa-fé subjetiva (artigo 422 do Código Civil) e da própria função social do contrato (artigo 421 do Código Civil).
A r. sentença recorrida deflagra desacertos, já que DUVIDOSA A MORA DA PARTE APELANTE.
Ademais, desejar sustentar a legalidade da capitalização de juros de maneira composta com fulcro na Medida Provisória 2170-36/2001 é absolutamente desarrazoado, por incontáveis problemas técnicos.
Não se pode desconsiderar o relevante contexto jurídico, de que a Medida Provisória nº 2.170-36/01 está sendo combatida no Supremo Tribunal Federal, por meio da ADI Cautelar nº 2316, onde tanto o Min. Relator Sidney Sanches, como também os Min. Marco Aurélio e Carlos Ayres de Brito FORAM FAVORÁVEIS AO DEFERIMENTO DA ADI.
Na ADI 2316, o Partido Liberal (atual Partido da República – PR) alega inconstitucionalidade da Medida Provisória por ofensa ao ordenamento jurídico, bem como por inconstitucionalidade formal, uma vez que a matéria deveria ser regulada por lei complementar, nos termos dos artigos 62, §1°, III e 192 da CF. Vejamos:
"Art. 62, § 1º, III. É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: III - reservada a lei complementar;"
"Art. 192. O sistema financeiro nacional, estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade, em todas as partes que o compõem, abrangendo as cooperativas de crédito, será regulado por leis complementares que disporão, inclusive, sobre a participação do capital estrangeiro nas instituições que o integram."
Por fim, o PL (atual PR) alega que a capitalização de juros, além de gerar encarecimento do crédito e onerosidade excessiva, é injusta, exemplificando:
"(...) utilizando-se uma máquina financeira ou resolvendo-se complexas fórmulas matemáticas tem -se que a mesma taxa de Juros de 10 % ao mês, quando capitalizada mensalmente, corresponde a 213, 84% ao ano", além do que "cobrar juros de juros representa cobrar juros de um montante que a instituição financeira não emprestou".
Ou seja, Nobres Desembargadores, a usura impregnada na inadimplência compromete a procedência do pedido.
Referido método é repudiado pelo Direito, pois afronta ao sistema jurídico vigente (já visto nas teses desenvolvidas nesta apelação). Por isso, de forma ardilosa, é que o Banco Apelado não informou no contrato sua utilização!
DA VEDAÇÃO A CUMULAÇÃO DA COMISSÃO DE PERMANÊNCIA COM JUROS REMUNERATÓRIOS, MORATÓRIOS, MULTA E CORREÇÃO MONETÁRIA
Outro ponto que merece destaque no presente recurso, é a indevida cumulação da comissão de permanência, com juros remuneratórios, moratórios e multa.
Evidente que essa nefasta prática contribui para a inadimplência da parte consumidora.
São tantas irregularidades que agigantam o débito, que a mora se mostra impagável, ensejando mesmo na retomada do bem financiado/arrendado.
As súmulas 30 e 472 do STJ proíbem a cumulação da comissão de permanência com juros remuneratórios e outros encargos, mas no presente caso TUDO ESTÁ CUMULADO, conforme previsão no contrato celebrado entre as partes.
DA IRREGULARIDADE DAS “TARIFAS BANCÁRIAS”
Outro ponto que merece destaque no presente recurso é a cobrança das tarifas bacárias, eis que o Superior Tribunal de Justiça, em data de 28 de agosto de 2013, julgou o Recurso Especial repetitivo de nº 1.251.331 / RS, assentando que:
“nos contratos bancários celebrados até 30 de abril de 2008 (fim da vigência da Resolução CMN 2.303/96), era válida a pactuação dessas tarifas, inclusive as que tiverem outras denominações para o mesmo fato gerador, ressalvado o exame da abusividade em cada caso concreto” e
“Com a vigência da Resolução CMN 3.518/2007, em 30.4.2008, a cobrança por serviços bancários prioritários para pessoas físicas ficou limitada às hipóteses taxativamente previstas em norma padronizadora expedida pela autoridade monetária. Desde então, não mais tem respaldo legal a contratação da Tarifa de Emissão de Carnê (TEC) e da Tarifa de Abertura de Crédito (TAC), ou outra denominação para o mesmo fato gerador” (grifos nossos)
Por isso, entende a parte Apelante que a sentença também peca neste ponto, posto que as tarifas previstas no quadro resumo, estãotodas inseridas como dívida na petição inicial, que por sua vez, fundamentou a procedência do pedido!
CONCLUSÃO
Por todo o exposto, requer-se o conhecimento e PROVIMENTO DO PRESENTE RECURSO DE APELAÇÃO, para o fim de reformar na íntegra a r. sentença guerreada, de modo a torná-la IMPROCEDENTE, eis que COMPROMETIDA A MORA CONTRATUAL – CAUSA DE PEDIR REMOTA DA PETIÇÃO INICIAL
São Paulo, ____ de _____________ de 20___
____________________________
Advogado
OAB/SP ______________

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