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KETHRELLY C. DE ANDRADE SILVA RA:51914114 TPG 1 RESUMO DO LIVRO “ELES, OS JUÍZES, VISTOS POR NÓS, OS ADVOGADOS” O ilustríssimo jurista Piero Calamandrei escreveu um belíssimo livro sobre suas experiências como advogado na Itália, em 1935 e 1956, relatando não os casos em que atuou e as decisões proferidas, mas suas impressões sobre o comportamento e a idiossincrasia dos juízes que conheceu. O livro conta uma lenda, que injustamente acusado de um crime cometido por outro, um homem foi levado a um julgamento arranjado para que fosse condenado à forca. Simulando um julgamento justo, o juiz propôs que o acusado escolhesse o seu veredicto entre dois papeis colocados em cima da mesa, os papeis deveriam conter as palavras Culpado ou Inocente, respectivamente, só que na prática, em função da armação, os dois papéis continham igualmente a palavra Culpado; percebendo a armação, o acusado escolheu um dos papéis e o engoliu rapidamente e em seguida exigiu que o juiz lesse em voz alta para a plateia a palavra oposta à sua sentença, que ele tinha acabado de engolir. A obra, "Eles, Os Juízes, Vistos Por Nós, Os Advogados", nos traz lições incomensuráveis e uma visão de 360° sobre todos os aspectos no âmbito jurídico e sobre a função do juiz e do advogado. O juiz possui a função mais bela da humanidade que é a de administrar e praticar a justiça mas o advogado e extremamente importante o seu circo faz parte do rito da audiência; a missão específica do advogado não é se fazer ouvir pelos juízes; é antes disso, ouvir os seus clientes. O advogado deve saber sugerir, de forma discreta, ao juiz os argumentos que lhe deem razão, de tal modo que este fique convencido de os ter encontrado por conta própria. Entretanto o juiz admira melhor a brevidade: quando um advogado fala pouco, o juiz, mesmo que não compreenda o que ele diz, compreende que ele tem razão, se escrever demais, o advogado não será lido; se falar demais, não será ouvido e, se for obscuro, não terá tempo para ser compreendido. Julgar os outros implica, a cada instante, o dever de ajustar as contas com a sua própria consciência; o drama do juiz é a solidão, porque para julgar ele deve estar livre dos afetos humanos e situado um degrau acima dos semelhantes. Ao advogado, cabe cumprir o seu dever, que é o de falar de tal maneira a ajudar o juiz a cumprir o dele, que é o de compreender. Capitulo I - Da confiança nos juízes; primeiro dever do advogado - Para se tornar um bom advogado a fidelidade é fundamental, assim como um religioso é fiel à sua igreja um advogado deve ser fiel a sua justiça; o advogado ao defender uma causa de um cliente deve estar convencido de que é uma causa justa e ter consigo bons argumentos, claros e válidos para convencer o juiz; e mesmo que seu adversário for um advogado de carreira e possuir uma grande carga de conhecimento o advogado modesto e inexperiente se defender sua causa com garra e com a certeza de uma causa justa não há adversário com palavras bonitas para convencer um juiz, sendo a razão o único argumento válido. E se o advogado for um advogado daqueles que são temidos por suas habilidades para o juiz não há nada mais válido a sua confiança por uma causa justa. Ser um bom advogado é se encontrar com a justiça e defende -lá com cautela, paixão e com a certeza absoluta de estar defendendo uma causa justa. Não basta conhecer as leis, tem que compreender o direito; o poder de um juiz é tão grande que é comparado ao poder que vai além do ser humano, a reputação ilibada é uma das principais características na escolha de um juiz. Seu poder é de plena responsabilidade de compreender o direito e fazer com que a KETHRELLY C. DE ANDRADE SILVA RA:51914114 TPG 2 RESUMO DO LIVRO “ELES, OS JUÍZES, VISTOS POR NÓS, OS ADVOGADOS” justiça prevaleça independentemente de quem seja o advogado o juiz sempre ficará ao lado da razão. Capitulo II - Das boas maneiras (ou da descrição) nos tribunais - O juiz quando fora do tribunal se mostra uma pessoa agradável e uma excelente companhia, mas quando se apresenta no tribunal se torna outra pessoa como se tivesse incorporado uma personalidade, mais ríspida e bronca o que é de longe compara-lo visto fora do tribunal. O advogado para ter uma boa causa sendo justa, deve sempre manter o respeito e a mente sólida mesmo que sendo interrompido pelo juiz; já o advogado que não medir o tom de voz e ainda argumenta saber mais que um juiz não entende que assim como ele o juiz entende muito bem de direito e agindo com grosseria poderá estar condenando o seu cliente. Na audiência deve prevalecer os bons modos, o advogado que em julgamento percebe que seu cliente está em desvantagem e o juiz diz que não estas com a razão deve-se sempre aceitar o que o juiz disse e o cumprimentar com reverencia e respeito. O advogado de grande mérito é aquele que pelo físico não é lembrado pelo juiz e sim lembrado pelos seus bons argumentos que ao lado da razão defenderam o seu cliente. Aqueles advogados que apenas se preocupam em exibir sua impecável oratória não será o motivo para a justiça permanecer ao seu lado. Os fatos devem ser claros e os argumentos válidos; o advogado que apenas se preocupa com a sua imagem e não em defender o seu cliente, mostra-se desrespeitoso para com o juiz e desleal com o direito. O aforismo irá novit curia (o juiz conhece o direito) não é apenas uma regra de direito processual, que significa que o juiz deve encontrar por si a norma que serve ao fato, sem esperar que as partes a sugiram; é também uma regra de bons modos forenses, a qual adverte que, se quiser ganhar a causa, o advogado não deve tomar ares de ensinar ao juiz aquele direito, em que a boa educação impõe considerá-los mestres. Capitulo III - De algumas semelhanças e de algumas diferenças entre os juízes e o advogado - O advogado é preciso adquirir maturidade de conhecimentos, preciso, ser ativo e fazer compreendido, o juiz deve ser sereno compreensível e imparcial. Ainda neste capitulo o autor cita um exemplo em que um juiz procura um advogado na posição de cliente, neste caso o juiz não deve se posicionar tecnicamente, para o juiz basta confiar na competência do advogado. Imparcial deve ser o juiz, que está acima dos contendores; mas os advogados são feitos para serem parciais, não apenas porque a verdade é mais facilmente alcançada se escalada de dois lados, mas porque a parcialidade de um é o impulso que gera o contra impulso do adversário, o estímulo que suscita a reação do contraditor e que, através de uma série de oscilações quase pendulares de um extremo a outro, permite ao juiz apreender, no ponto de equilíbrio, o justo. O arrazoado da defesa, para ser verdadeiramente útil, não deveria ser um monólogo contínuo, mas um diálogo vivaz com o juiz, que é o verdadeiro interlocutor – e que deveria responder com os olhos, com os gestos, com as interrupções. Interromper significa reagir, e a reação é o melhor reconhecimento da ação estimuladora. A objetividade do discurso do advogado deve orientar-se pela clareza, concisão e harmonia com seus ouvintes. Capítulo IV - Da Pretensa eloquência do pretório - O dever do advogado é esclarecer ao juiz sua tese, argumentando de maneira coesa e de KETHRELLY C. DE ANDRADE SILVA RA:51914114 TPG 3 RESUMO DO LIVRO “ELES, OS JUÍZES, VISTOS POR NÓS, OS ADVOGADOS” forma clara para ser compreendido, ao juiz cabe compreender os argumentos que lhe são apresentados; a maneira mais fácil de ganhar uma causa é com discursos breves e diretos; a oratória do advogado deve visar principalmente o juiz, que e deverá agir de maneira imparcial e fazer justiça conforme a sua consciência. A sustentação oral, em vez de parte integrante do processo, degenerou assim numa espécie de parênteses de divulgação inserido no meio do processo. A forma de eloquência em que melhor se fundem as duas qualidades mais apreciadas do orador, a brevidade e a clareza, é o silêncio. O debate oralé a expressão da confiança (‘basta-me a tua palavra”), enquanto a escrita é a expressão da desconfiada cautela (‘as palavras voam, os escritos ficam’). Capítulo V - De certa imobilidade dos juízes durante a audiência - Os advogados muitas vezes não percebem que seu discurso é redundante e maçante o que acarreta muitas vezes interrupções dos juízes ou até mesmo induz a sua sonolência. O sono muitas vezes é um sinal do juiz ao advogado que demonstra algo incorreto em seu discurso. Capítulo VI - De certas relações entre os advogados e a verdade, ou a parcialidade obrigatória dos primeiros - Há o raciocínio que toda causa que possuem dois advogados um está certo e outro errado, sendo assim cinquenta por cento dos advogados seriam mentirosos. Claro que este raciocínio se trata de uma falácia, primeiramente pelo fato de um advogado que perde uma causa ganha outras, mas principalmente pelo fato que na realidade o advogado deve demonstrar a verdade e tanto ele quanto seu adversário pretendem o mesmo. Neste combate a verdade a caba por vir átona revelando todos os argumentos necessários para um juiz tomar uma decisão. Capítulo VII - De certas aberrações dos cliente, dos quais os juízes se deve m lembrar de como atenuantes dos advogados - Os clientes procuram muitas vezes qualidades no advogado que são opostas as qualidades apreciadas pelo juiz, o advogado deve falar estritamente o necessário sem abusar de sua personalidade mesmo que agindo desta forma não agrade o seu cliente pois agindo assim certamente terá grandes chances de agradar o juiz. Os juízes gostam de teses objetivas enquanto os clientes gostam de oratórias e discursos apelativos. A grande diferença entre um e o outro é que enquanto um procura argumentos e razões o outro procura aparências. Capítulo VIII - Considera ações sobre a chamada "chicana" - O advogado deve ser o juiz de seus clientes, colocando a questão moral antes da questão jurídica; o advogado honesto deve ser, mais que o clínico, o higienista da vida judiciária e compreender que os códigos não devem ser ocultados, e sim encarar a verdade de frente; o advogado deve ser considerado como o mais leal cooperante do juiz; ao aceitar o caso de um cliente, ainda que seja uma causa de mínima e sem importância, o advogado encara a causa como algo digno e nobre. Na questão judicial o advogado disfruta aos poucos de um novo processo, porque lhe renova a ansiedade de espera, e mesmo quando derrotado pelo seu KETHRELLY C. DE ANDRADE SILVA RA:51914114 TPG 4 RESUMO DO LIVRO “ELES, OS JUÍZES, VISTOS POR NÓS, OS ADVOGADOS” adversário, ao invés de perder a coragem, o advogado procura compreender aonde ouve a falha. Capítulo IX - Das predileccições dos advogados e dos juízes pelas questões de direito ou pelas de facto - No meio judiciário as questões mais úteis e relevantes são muitas vezes deixadas de lado, como por exemplo o médico que em visita aos pacientes esquece de auscultá-lo, dando atenção por exemplo a discursos metafísicos que nada adiantam na solução esperada pelo paciente. Tanto juízes e quanto advogados tem tendência a descartar certos materiais sobre as questões e muitas vezes o que é debatido é irrelevante se analisado por um especialista. Capítulo X - Do sentimento e da lógica das sentenças - Esse capitulo comenta a dificuldade de evitar sentimentos pessoais na análise dos casos jurídicos, muitas vezes a lógica construída mentalmente pelo juiz pode ter um de seus ramos alterados e provir um julgamento tendencioso; cabe ao juiz não dar ouvidos a sua intima voz sem analisar antes os argumentos; nada mais angustiante para o juiz do que em uma decisão que lhe parece ser justa porem sem argumentos que ele possa encontrar para demonstrar seu julgamento. Nem sempre uma sentença bem fundamentada significa uma sentença justa, e nem toda sentença justa é bem fundamentada. Para o autor deve se prevalecer a intuição humana aliada a sua intelectualidade. Capítulo XI - Do amor dos advogados pelos juízes e vice-versa - Os advogados por muitas vezes agem como se enamorasse os juízes, muitas vezes chegando a ensaiar discursos em frente ao espelho, porém diferente de um namoro os advogados devem saber como reagir quando perdem uma causa, devendo revisar seus argumentos procurando seus erros cometidos. A amizade com o juiz também não é sinônimo de causas ganhas, o juiz deve ser honesto e impetuoso agindo de maneira indiferente ao decidir as causas sendo irrelevante o fato de ser ou não amigo do advogado. Capítulo XII - De certas tristezas e de certos heroísmos da vida dos juízes - O quão árduo é o fardo do juiz, se compara aos médicos no que diz respeito às suas responsabilidades. O “drama do juiz" é a solidão, a contemplação cotidianas das tristezas humanas e principalmente é aquele hábito que o consome e o desencoraja até o ponto de ser rotineiro que a decisão da honra e da vida dos homens passou para ele a ser apenas uma prática de administração ordinária. Como diz o autor: “o juiz que se habitua a fazer justiça é como um sacerdote que se habitua a dizer a missa”. Capítulo XIII - De certas tristezas e de certos heroísmos da vida dos advogados - O advogado não só se preocupa com a sua reputação e com o dinheiro, mas também há frequentemente “aquela caridade cristã” em seus atos; fato este que pode contribuir na sua dedicação a causa e até mesmo em sua oratória, muitas vezes a relação do advogado com seu cliente é muito próxima, comparando com o doente que faz confissões ao médico, mesmo que sem esperança de cura, o cliente procura o advogado, mesmo em casos em que KETHRELLY C. DE ANDRADE SILVA RA:51914114 TPG 5 RESUMO DO LIVRO “ELES, OS JUÍZES, VISTOS POR NÓS, OS ADVOGADOS” não se espere a vitória, porque sabe que não encontrará outra pessoa disposta a ouvi-lo com tanta paciência e atenção. Capítulo XIV - De uma certa coincidência dos destinos dos juízes e dos advogados - Neste capítulo há um diálogo entre um advogado e um juiz onde cada um expõe sua visão sobre a natureza da profissão do outro, no diálogo é exaltado argumentos de ambos os lados que se demonstram semelhantes; cada profissão tem seus altos e baixos e muitas vezes aquilo que um vê como uma grande vantagem na profissão do outro, o outro por sua vez vê desvantagens nos mesmos argumentos e vice-versa. Por fim eles encerram o diálogo valorizando as suas profissões e percebendo que uma profissão é inerente a outra. Sobre acreditar em demasia na jurisprudência - O advogado deve sempre manter em torno da interpretação a ser dada às leis certa elasticidade de opinião, de modo que, seja como for, possa adotar, quando se trata de defender o interesse do seu cliente, a interpretação que, por ser seguida pelas mais respeitadas autoridades, assegure à sua causa as maiores probabilidades de vitória”. A clareza da sentença judicial; dizer o direito à partir dos fatos - Sob esse aspecto é bom que também o juiz tenha um pouco de habilidade do advogado, porque, ao redigir a fundamentação, deve ser o defensor da tese já estabelecida por sua consciência. Muitas vezes os motivos declarados são bem diferentes dos verdadeiros, e que, com muita frequência, a fundamentação oficial nada mais é que um biombo dialético para ocultar os móbeis verdadeiros, de caráter sentimental ou político, que levaram o juiz a julgar assim”. Os juízes são como membros de uma ordem religiosa: é preciso que cada um deles seja um exemplo de virtude, se não quiser que os crentes percam a fé. Com relação a Lei e o juiz - A interpretação da lei remonta sempre à origem de sua concepção, ou melhor, substancialmente, à inspiração política que circula nela e a torna socialmente atual. Assim toda a interpretação jurídica permeia certa dose de opção política. Lex specialis, sententia generalis – assim o legislador e o juiz remetem um ao outroa responsabilidade: e um e outro podem dormir sonos tranquilos, enquanto o inocente balança na forca. “Debaixo da ponte da justiça passam todas as dores, todas as misérias, todas as aberrações, todas as opiniões políticas, todos os interesses sociais. E seria bom que o juiz fosse capaz de reviver em si para compreendê-los, cada um desses sentimentos: experimentar a prostração de quem rouba para matar a fome ou o tormento de quem mata por ciúmes; ser sucessivamente (e, algumas vezes, ao mesmo tempo) inquilino e locador, meeiro e proprietário de terras, operário em greve e industrial”.