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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ
MBA EM GESTÃO DA SAÚDE COM ÊNFASE EM ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA 
Resenha Crítica de Caso 
Sara Alves Marques de Freitas
Trabalho da disciplina:
Bioestatística Aplicada à Auditoria
 
 Tutor: Prof. Antonio Alexandre Lima
Horizonte 
2020
FARMACIAS SIMILARES: SAÚDE PÚBLICA E PRIVADA PARA A BASE DA PIRÂMIDE NO MÉXICO
Referência: 
CHU, Michael. GARCIA-CUELLAR, Regina. Farmácias Similares: Saúde Pública e Privada para a Base da Pirâmide no México. 311- po3, abril 2011.
O estudo de caso inicia-se com a exposição sobre o que vinha ocorrendo especificamente na área da saúde no México. Eduardo Gonzalez Pier, economista- chefe do ministério da saúde do México estava no seu último ano no cargo e estava a escrever instruções para o a próxima pessoa que ocuparia o seu cargo. Nos anos em que a equipe em que estava houve mudanças significativas na saúde inclusiva direcionada a população carente, e também houve a expansão de farmácias similares.
As farmácias Simi era voltada para a população com poucos recursos financeiros e se expandiram para vários bairros de baixa renda pelo México. Geralmente ao lado tinha uma clínica medica onde o atendimento custava apenas P$ 20. Embora o custo dos produtos fossem menor, a eficácia dos mesmos eram questionadas por parte das outras indústrias e grupos.
Era impossível a rede de farmácia passar despercebida e Gonzalez Pier começou a questionar até que ponto a Simi era eficaz e se o sucesso dela era algo isolado que acabaria no esquecimento ou era algo que demonstrava o fato de o ministério da saude não conseguir atender plenamente a população, em especial a carente?
O sistema de saúde pública mexicano é responsabilidade do estado desde 1910. Na sua implementação o papel do estado era garantir a população carente o acesso gratuito aos serviços de saúde, e aos assalariados uma espécie de seguro-saúde. Vários programas e seguros foram criados ao longo dos anos na tentativa de se chegar a uma igualdade ou alcançar ao máximo a atender ao maior número de pessoas, porem o sistema público não conseguia abarcar e a parcela excedente procurava ajudar no sistema privado.
O sistema de saúde privado cobria aproximadamente 3% da população e a cobertura era mínima de procedimentos. A equidade na saúde mexicana é questionada em vários pontos. O pais na classificação da OMS quanto ao sistema de saúde geral estava na posição 51 de 191 países. Além disso, havia a má distribuição de gastos públicos com a saúde publica. 
Observando as limitações da população ao acesso ao sistema público de saúde e a baixo investimento per capita, por meio de instalações médica, as pessoas menos abastadas financeiramente eram obrigadas a procurar o sistema privado para obterem serviços básicos, desembolsando seus próprios recursos que já eram limitados. A distribuição de verba para saúde por território também era desigual, as pessoas que moravam no norte recebiam tratamentos de melhor qualidade do que os do Sul que eram considerados mais pobres.
As eleições que ocorrem no México em 2000, trouxe novidades ao pais. Não apenas um novo partido entrava no poder, mas pela primeira vez na história o ministério da saúde tinha um ministro com formação na área de saúde publica. Em 2003, foi aprovada pelo congresso a reforma do sistema de saúde que criou o Sistema De Proteção Social Da Saúde. 
Anos antes da reforma do sistema de saúde, Victor Gonzalez Torres fundou a rede das Farmácias Similares dedicada a medicamentos genéricos, onde os produtos custavam 30% mais barato que os de marca tradicionais. As lojas tinham grandes portas na frente, e as produtos eram dispostos em prateleiras onde a visão do cliente poderia alcançar com facilidade. 
A equipe usava trajes brancos e era treinada para ser eficiente e gentil e ao lado da maioria das lojas havia um consultório médico. A expansão das Farmácias Simi ocorreu de modo rápido por todo México. Em 2005, era a maior rede farmacêutica da América Latina. Victor vinha de uma família de farmacêuticos, seu pai era dono do Best Laboratories, que fabricava medicamentos genéricos e era um dos que atendiam as demandas do setor público. 
Em 1996, fundou o movimento nacional anticorrupção, onde o objetivos era a reforma do modo de aquisição pela qual o sistema nacional de saúde comprava medicamentos, Gonzalez alegava a falta de transparência e acusou os administradores e políticos de corrupção. Cerca de um ano despois do ocorrido, lançou a primeira loja Farmácia Simi, onde poderia disponibilizar a população medicamentos onde antes apenas era fornecido ao sistema público e prometia que a economia era de até 75%.
Surgiram várias acusações sobre a eficácia dos produtos disponíveis e vendidos pela rede, se realmente eram equivalentes aos de marca tradicionais. Contudo o Dr. Simi fazia reclamações públicas contra a indústria farmacêutica de estrangeiros e burocratas acusando-os de preços abusivos e corrupção. A marca Similares da Farmácia Simi trazia na embalagem o slogan “o mesmo, só que mais barato”. Mesmo que os cliente estivem interessados no custo benefício, médicos estavam desconfiados na eficácia do produtos, pois não passavam por teste de bioequivalência para comprovar se tinham os mesmo princípio ativos.
Em 1998, uma nova emenda trouxe diferenciação quanto a medicação no México. Os medicamentos foram divididos em três grupos. O primeiro Medicamentos inovadores que eram protegidos por patentes em vigor. O segundo grupo composto por Genéricos intercambiáveis, que eram aqueles medicamentos que tinham sido aprovados em testes clínicos de princípio ativos equivalentes. E o terceiro grupo formado por Similares ou copias genéricas, que eram aprovados e registrados pelo MoH, porém não tinham passando pelo teste de bioequivalência e biodisponibilidade. Com esses novos termos ficou claro que os produtos das Farmácias Similares não eram idênticos segundo a emenda. 
Com o tempo as dúvidas só aumentaram e o problema já estava ganhando mais visibilidade em todo território nacional. Outra interferência do governo ocorreu em 2002, com uma lei onde era permitido somente a compra de Genéricos, similares só eram permitidos caso faltava o primeiro. Em seguida o Congresso tornou lei que todos os medicamentos vendidos ao público tivessem os testes de BE. Em 2005, outra emenda entrou onde todos os genéricos também teriam que possui tal teste. Gonzalez primeiramente se opôs, mas depois acalmou os ânimos e em 2010, todos os Similares estavam fora das prateleiras, e substituídos por genéricos.
Os produtos da Simi, não se resumiam apenas a medicamentos. A rede incluía artigos de beleza e higiene pessoal, com uma linha em expansão constante, por exemplo o “Simicondón” preservativo de baixo custo, e a “SimiVitamins” um suplemento, que eram um sucesso de vendas. O sucesso vinha de um sistema de remuneração dos empregados, onde a equipe recebia um bônus de 5% das vendas. Além disso a qualidade era supervisionadas de perto pelos gerentes, e cada produtos testado em laboratório de terceiros.
O consultório que ficava ao lado da maioria das farmácias não faziam parte formal da Simi. Eles eram parte da Best Foundation, uma ONG do México que recebia doações das Farmácias Simi e Best Labs. O consultório possuía uma sala de espera com 5 a 10 lugares, além de não atender emergências, não aplicar injeções ou fazer curativos, apenas eram realizadas consultas clinicas e a taxa era fixa de P$ 20. O médico era geralmente um recém formado que buscava ter seu próprio espaço.
A receita da Simi vinha de duas fontes: vendas de realizadas por lojas próprias e vendas feitas pelas franquias. As franquias também desempenhavam um papel importante na expansão da rede Simi. Em 2005, o número de franquias ultrapassaram o número de lojas próprias, embora as lojas próprias rendessem mais. No mesmo ano, a renda liquida era aproximadamente U$$64 milhões.
Com o sucesso aparente, a Simi ganhou diversos concorrente inclusive o próprio irmão de Gonzalez Torres, Javier.