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Centro Universitário Estácio do Recife
Psicopatologia I
Professor: Marcelo
Aluna: Jéssica Bezerra dos Santos
 Matrícula:201509616901
Resenha do capítulo 16 do livro psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais: Afetividade e suas alterações 
Este capítulo vai tratar da psicologia e psicopatologia da afetividade iniciando com algumas definições básicas: “Afetividade é um termo genérico, que compreende várias modalidades de vivências afetivas como o humor as emoções e os sentimentos” e segundo Mira y López (1974), quanto mais os estímulos e os fato ambientais afetam o individuo (até a intimidade do ser), mais nele aumenta a alteração e diminui a objetividade. Segundo este autor, a “fronteira entre a percepção e a afeição, entre sensação e o sentimento, entre saber e o sentir é a mesma fronteira entre o Eu e o não-eu”. Essas experiências afetam a totalidade individual e que, por isso mesmo recebe o qualificativo de afetiva. E distingue e cinco tipos básicos de vivências afetivas: Humor ou estado de ânimo, Emoções, Sentimentos, Afetos e Paixões.
Humor ou estado de ânimo: É o tônus afetivo do indivíduo. É a disposição afetiva de fundo que penetra toda a experiência psíquica, a lente afetiva que dá ao sujeito cor particular ampliando e reduzindo o impacto das experiências reais e, muitas vezes modificando a natureza e o sentido destas.
Emoções são as reações afetivas desencadeadas por estímulos significativos e são frequentemente acompanhadas de reações somáticas. Para o autor: “o humor e as emoções são, ao mesmo tempo experiências psíquicas e somáticas, e revelam sempre a unidade psicossomática básica do ser humano.
Sentimentos são estados mais comumente associados a conteúdos intelectuais, são mais atenuados em intensidade e mais estáticos. De acordo com sua tonalidade afetivas eles podem ser; sentimentos da esfera da tristeza, da alegria, da agressividade, relacionados a atração pelo outro, associados ao perigo e do tipo narcísico.
Afetos seria o comportamento emocional de uma ideia ou representação mental.
Paixões Domina a atividade psíquica, dirigindo a atenção e o interesse do indivíduo.
Aqui o autor sinaliza as discordâncias teóricas sobre as emoções; se elas têm base neurobiológica, psicológica ou sociocultural e ilustra com uma tabela, as emoções universais como presentes em praticamente todas as culturas sugeridas pela teoria de Brown (1991). Em seguida, lembra a tradicional questão da Razão versus Emoção: “A emoção turva a razão e distancia o homem da verdade e da conduta correta”, mas não deixa de mencionar as concepções contrárias a essa ideia. Alguns existencialistas por exemplo, chegaram a hipervalorizar a emoção no processo do conhecimento “conhecemos muito mais pelos sentimentos que pela inteligência. Não só a simpatia e o amor, porém mesmo a inimizade e a raiva auxiliam no conhecimento”.
Antes de abordar finalmente os aspectos cerebrais e neuropsicológicos das emoções: Sistema límbico e as emoções, Dalgalarrondo bem lembra o valor da influência da afetividade na vida mental do indivíduo - O conceito de Catatimia de Bleuler (1942) sobre como o estado de humor, as emoções, paixões, exercem forte influência nas funções psíquicas, onde sintonização afetiva seria a capacidade do indivíduo ser influenciado afetivamente por estímulos externos- ocorrências dolorosas causam tristeza e experiências positivas causam riso, satisfação, ou seja, sintonia com o ambiente. A irradiação afetiva é a transmissão, a “contaminação” dos outros por seu estado afetivo momentâneo, os outros entram em sintonia como o indivíduo. Na rigidez afetiva a pessoa tem impossibilidade de sintonização assim como de irradiação com os outros e não reage as diferenças ambientais e dos outros indivíduos, nem os influencia.
Finalmente chega às teorias “neurobiológicas” da afetividade e inicia essa parte com as teorias e dimensões da afetividade onde a base das emoções estão na periferia do corpo: James (1952) diz que “após as mudanças corpóreas, segue-se imediatamente a percepção do fato excitante, e a emoção é o que sentimos dessas mudanças” e continua com o exemplo: “o homem primeiro vê o tigre, começa em seguida a suar, a empalidecer, a ter taquicardia, e em consequência dessas mudanças corporais, passa, então, a sentir propriamente o medo”, mas não deixa de mencionar que contra essa teria já se observou diversas situações de pessoas com alterações viscerais e autonômicas sem o concomitante emocional ou mental. Embora também outras observações corroboram a teoria de James-Lange de indivíduos com lesões medulares que apresentaram mudanças na qualidade de suas emoções.
Teoria de Papez-Mclean:
Papez (1995) Propõe que as estruturas antigas do cérebro (hipotálamo, hipocampo, corpos mamilares, núcleos talâmicos... no lobo frontal fechariam um circuito cerebral das emoções, uma outra concepção parecida é a de MacLean ( 1990) que chama de sistema límbico das emoções e o hipotálamo vai ser o elemento fundamental na expressão psicofisiológica.
Complementando essas duas visões, Gray (1995) propõe ordenar as estruturas límbicas de acordo com padrões emocionais e comportamentais e ilustra com uma tabela (quadro 16.20 pag. 161) o padrão comportamental e a área límbica envolvida respectivamente. Por exemplo: comportamento predatório agressivos: evitação ativa, está relacionada na área septal, feixe prosencefálico medial e hipotálamo lateral. 
Aqui são detalhadas as estruturas cerebrais que tem sido mais estudadas nos últimos anos e de suma importância para a compreensão dos processos emocionais: a amigdala a que se atribui principalmente as reações de medo e ao estresse e a reações relacionadas a estímulos mais complexos como linguagem, símbolos linguísticos e descobriu-se através de estudos de ressonância em humanos que estímulos agradáveis como, por exemplo o sabor doce na boca são moduladas pela amígdala. 
Córtex orbitofrontal: particularmente ativado após estímulos tátil prazeroso, como sabores e odores agradáveis e relacionado a respostas emocionais aprendidas. Essa região, quando lesada, a pessoa tende a responder de forma socialmente inadequada.
Circuito septo-hipocampal: tem sido apontado como relevante para as experiências emocionais e implicado em experiências de ansiedade .
Porção medial do lobo frontal é parte do sistema cardiovascular e de respostas dopaminérgicas e estímulos aversivos e utiliza informações da amigdala para monitorar estados internos do organismo e regular a resposta apropriadas a esses estados. Lobo parietal direito ligado ao desconhecimento afetivo de situações quando acontecem lesões nesta área: agnosias visuais por uma dificuldade no processamento cortical multimodal dos estímulos proprioceptivos e exteroceptivos. 
Chegando aos aspectos psicodinâmicos, o autor traz a importante contribuição da teoria freudiana da área da afetividade e, particularmente a angústia emerge como o “afeto básico do conflito eterno do indivíduo, seus impulsos instintivos primordiais, seus desejos e suas necessidades, por um lado, e, por outro as exigências de comportamento civilizado, restrições”
A depressão ou melancolia: As perdas reais ou simbólicas e sua significação para o indivíduo. 
E finalmente chega as consequências pelas alterações patológicas da afetividade que englobam as alterações do humor e as ilustra rapidamente como “verbetes”, exemplificando através de quadros psicopatológicos, as quais podem surgir: Distimia, distimia hipotímica distimia hipertímica, disforia, hipotimia, hipertimia, euforia, elação, expansão do Eu, puerilidade, moria, estado de êxtase, irritabilidade patológica.
Ansiedade, Angústia e Medo:
Aqui o autor vai diferenciar estes termos traçando paralelos das teorias e suas diferenças sutis e muniu-se das escolas psicanalítica e existencial diferenciando os tipos de Angustia na visão de cada teoria. Na visão psicanalítica cita a Angústia de castração, Angústia de morte ou de aniquilamento, Angustia de ansiedade depressiva, persecutória ou paranoide e Angustia de separação.
Na escola existencialistacita: A Angustia existencial que se atrela ao fato do homem estar condenado a ser livre e responsável por suas decisões e jamais poder abdicar do seu livre arbítrio. 
Nas escolas comportamentalistas e cognitivistas lista as: Ansiedade de desempenho, relacionada a temores de execução de tarefa, frequentes na fobia social e Ansiedade antecipatória; sofrimento antecipado diante de situações estressantes.
O final do capítulo vai listar as alterações das emoções e dos sentimentos, discorrendo a semiologia de cada uma delas: Apatia, Hipomodulação do afeto, Inadequção do afeto ou paratimia, Embotamento afetivo, devastação afetiva , sentimento de falta de sentimento, Anedonia , indiferença afetiva, Labilidade afetiva e incontinência afetiva, Ambivalência afetiva, Neotimia, Medo, Fobias, Pânico.
Um Quadro(16.4) contendo a semiotécnica da afetividade ajuda a compreender como cada humor desencadeia sentimentos e emoções no indivíduo, através de questões norteadores que vão possibilitar a compreensão dessas condições. O autor, de forma pertinente, ressalta a importância de se fazer a distinção de que alguns sentimentos como ciúme em intensidade, que pode ser difícil de sere diferenciado do delírio de ciúmes, por exemplo e assim encerra o capítulo.
A proposta de apresentar as alterações da afetividade de maneira suscinta e rápida diminui sua eficiência ao longo das 12 páginas, por condensar excessivamente as explicações. Também reduz bastante a compreensão da maneira que essas alterações psicopatológicas se apresentam no indivíduo. Nos paralelos das concepções teóricas das principais Escolas, creio que para um melhor entendimento do leitor, faz-se necessário um certo aprofundamento das matrizes filosófica destas e, não apenas o conhecimento superficiail, visto nas disciplinas da graduação, para que o intento de se absolver as informações deste livro seja bem sucedido.
Referência bibliográfica:
Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais / Paulo Dalgalarrondo. -2. Ed.- Porto Alegre: Artmed, 2008

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