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COMO APRESENTAR UM TRABALHO CIENTÍFICO
Prof Tatiane Regina de Sousa
Adapte a apresentação em função do público. Para isso, você deve saber qual será o público. É comum fazer essa pergunta a quem o convida (ou ao seu orientador). Por exemplo, uma apresentação para um parceiro industrial será muito diferente de uma defesa acadêmica, apesar de às vezes tratar do mesmo assunto.
Adapte a apresentação à duração. Parece óbvio, mas não é. Se você tem 10 minutos, preveja apenas 3 slides e vá direto ao ponto. Pule a introdução e a conclusão. Não há tempo. Se você tem 20-30 minutos, formate bem a apresentação mas tente ganhar tempo na introdução e nas generalidades (estado da arte, contexto científico…). 
Se você tem 40 minutos, comece a prever slides de transição, de plano, um contexto científico mais profundo. Se você tem uma hora, está na hora de lançar mão de truques para acordar o público no meio, por exemplo contando piadas ou historinhas… (Tem gente muita séria que faz isso.)
Um erro bem comum é prever uma apresentação padrão de 30 minutos e forçar a barra para usá-la em 10 minutos (estoura e fica muito confuso) ou em 45 minutos (falta conteúdo).
Assim como pela escrita, não esqueçam que o trabalho de convencer é do palestrante: seu público não fará o esforço de pensar muito no assunto, se você não estiver claro e tiver um trabalho fundamentado.
Não aposte demais na platéia. O pessoal vai dormir, vai pensar em outra coisa, vai mexer com celular, var ler sua dissertação enquanto você está falando. Se você é professor, você pode se interromper e importunar o aluno que dormiu. Se você é palestrante, o único jeito é repetir, repetir e repetir ainda o recado para que quem tiver perdido parte do show possa entender a idéia afinal.
Controle o tempo. É muito importante. Alguns minutos de atraso são aceitáveis, mas um atraso de mais de 5-10 minutos vai irritar a banca. Se não o manifestar, vai levar isso em conta na hora de dar o conceito. Em conferências ou bancas mais importantes, você pode ser “incentivado” a pular parte da sua apresentação… Uma boa forma de controlar o tempo, em especial em apresentações longas, é ter coringas: prever slides que se pode pular se for necessário.
Sempre ajude o público a se localizar na apresentação. Multiplique os slides com o plano. Insista nas transições entre os slides, ou entre as partes, sobretudo na fala: “Agora que apresentei tal coisa, vou passar à parte seguinte…”. É uma forma inteligente e polida de possibilitar que quem tenha perdido o raciocínio há 10 slides tente se recompor e pelo menos entenda a parte que ainda tem pela frente.
Evite fazer idas e voltas nos slides, a não ser durante as perguntas. Isso confunde bastante o público que não tem a visão geral e não sabe sequer se você está apertando a tecla “up” ou “down”, indo para trás ou para frente nas lâminas.
Não se empolgue demais com apresentações de palestrantes famosos, tipo Steve Jobs ou seu professor favorito. Eu sei que isso vai magoar alguns, mas sejamos realistas: uma banca não vai gostar que um aluno defenda seu TC ou seu mestrado, começando pela história de como ensinou ao seu cachorro a fazer malabarismo, e fazendo perguntas à platéia. Algumas técnicas simplesmente não se aplicam ao caso da defesa mais formal. Fique clássico, até porque a banca quer verificar que você sabe o clássico (é o propósito do ensino na graduação…). Depois que você tiver o diploma que garante que você domina o feijão com arroz, você pode ir para a feijoada integral…
Nas primeiras vezes, a tentação é muito grande de decorar a fala. Não se pode fazê-lo, é irrealista. E, pior, não é eficiente, pois o público se dá conta que falta naturalidade. Aconselho a decorar, se houver necessidade (por exemplo é uma ótima formar de driblar o estresse), os primeiros minutos. Tipicamente, os 2 primeiros slides, a apresentação pessoal e o plano. A conclusão também pode merecer trabalho especial, para encerrar com uma boa impressão. Quanto ao resto, decore palavras chaves (que constarão no slide), e trabalhe para poder improvisar frases com elas.
CONTEÚDO DOS SLIDES
Os slides não podem ser muito textuais. Frases compridas e inteiras são a proscrever. Por outro lado, também não podem se limitar a uma sequência de itens-palavras chaves.
Uma regra comum é dizer que deve ter uma figura por lâmina. Eu discordo dessa regra, no contexto de um trabalho científico onde nem sempre a figura traz a precisão necessária.
No entanto, é inegável que o material gráfico ajuda o público a entender e acompanhar. Ora, é isso que se quer. Nada adianta ter material perfeitamente rigoroso, se ninguém está prestando atenção. 
SUGESTÃO: 7 linhas com 7 palavras cada.
Recomenda-se para um trabalho de pesquisa, de começar com um slide único que sintetize seu objetivo.