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Disciplina: Ergonomia e ginástica laboral Tarefa: Portfólio do ciclo 2 Nome: Daniel de França Beltrão RA: 8082534 Turma: DGEFB1901RECA4S Com base nas leituras propostas, responda às questões a seguir: 1) A Ergonomia possui um caráter multidisciplinar, analisando o trabalho de forma global. Baseado nisso, ela comtempla três domínios relacionados com a execução da Tarefa. Descreva-os e diferencie estes domínios. Os três domínios contemplados pela ergonomia são: ergonomia física, ergonomia cognitiva e ergonomia organizacional. A ergonomia física está diretamente relacionada aos conhecimentos advindos da anatomia, fisiologia, biomecânica e antropometria. Refere-se a relação que é estabelecida entre o meio e o sujeito no que tange ao manuseios de materiais, repetição de tarefas, ruídos, temperatura e iluminação do ambiente, bem como as posturas corporais executadas pelo ser humano na realização de uma determinada tarefa e os possíveis distúrbios que podem ser causados por estes itens. A ergonomia cognitiva refere-se aos processos mentais, como a percepção, o raciocínio, concentração, atenção, armazenamento e recuperação da memória e como estes são afetados pelas interações que o ser humano tem com o meio que está inserido. Logo, a ergonomia cognitiva visa atenuar ou solucionar questões atreladas a pressão, estresse, carga mental exigida pelo trabalho, interação do sujeito com a máquina, interação do sujeitos com os seus pares, etc., de modo a qualificar o ambiente de trabalho e potencializar a produtividade dos trabalhadores. Já a ergonomia organizacional está vinculada ao clima e a cultura organizacional de uma empresa, com suas normatizações e processos. Almeja adaptar as condições da mesma para que o trabalhador tenha maior segurança, saúde e bem-estar no seu ambiente de trabalho. Para isso, incide sobre o modelo de gestão, tipos de liderança, definição da jornada de trabalho, metas alcançáveis, planejamento, qualificação dos trabalhadores (formação continuada), etc., visando fomentar um ambiente propício para a otimização das relações interpessoais e qualificação do trabalho em equipe. 2) Descreva sobre a História do Trabalho e sua relação com o Taylorismo. Houve um período durante a revolução industrial em que eram péssimas as condições de trabalho nas quais os empregados estavam submetidos: má qualidade estrutural das fábricas, jornada de trabalho exacerbada, trabalhadores não tinham direito à férias e a remuneração que eles recebiam era muito baixa. Ademais, a mão-de-obra não tinha boa qualidade e a produção ocorria de maneira desorganizada. Todos estes fatores afetavam negativamente a produtividade das indústrias, culminando no fechamento de muitas fábricas. Diante deste contexto, Frederick Winslow Taylor, criou o que ficou conhecido por Taylorismo, que fundamenta uma organização do trabalho com base na [...] aplicação de métodos científicos para administrar o trabalho, tirando o poder de controle do trabalhador sobre suas ações e escolhas e transferindo-o para o setor administrativo. (RAZZA et al, 2010, p.42). Taylor visava dar uma maior organização e tornar a indústria mais eficiente, bem como, fazer com que os administradores das fábricas tivessem controle ou conhecimento das tarefas realizadas pelos seus trabalhadores. Somado a isso, Taylor racionalizou a produção, otimizou, especializou e criou a supervisão do trabalho (cronometragem da produção), objetivou o máximo de produtividade e rendimento com o mínimo de tempo e esforço nas fábricas, criou metas a serem atingidas o que geraria um maior engajamento dos empregados, já que os mesmos receberiam bônus salariais caso conseguissem alcança-las e tornou metódica a execução das tarefas laborais nas fábricas. Razza et al (2010, p.44) ratificam as informações do parágrafo anterior e acrescentam que: Sem dúvida, o taylorismo possibilitou o aumento considerável da produtividade dos trabalhadores, reduzindo custos de produção e consequentemente o preço das mercadorias, permitindo, sobretudo, aumentar consideravelmente os lucros e a prosperidade dos patrões, cujo benefício para o empregado, segundo Taylor, seria o aumento de seu salário habitual, sem considerar as questões humanas no trabalho. Taylor, portanto, através da sua forma de sistematizar o trabalho no interior das fábricas fez emergir um novo paradigma que visava tornar a produção do setor industrial mais eficiente e mudou a forma de se enxergar as atividades laborais com ideais que ainda estão presentes nos dias atuais. 3) Duas correntes se desenvolveram dentro da prática da Ergonomia. Descreva-as e em que aspectos elas se diferenciam, dentro de uma análise ergonômica. Existem duas abordagens de estudos na ergonomia: a anglo-saxônica e a francesa. Ambas se complementam e possuem o mesmo objetivo que é a adequação do trabalho ao homem, contudo, também apresentam pontos divergentes entre si. (PADOVEZ, 2015). A ergonomia anglo-saxônica é a mais antiga, foi originária e desenvolvida em países de linha inglesa, como Inglaterra e EUA. Utiliza-se de conhecimentos da antropometria, biologia e fisiologia buscando atenuar perigos e fadigas na relação que o homem possui com a máquina. Para isso, faz uso de situações experimentais que darão embasamento para a construção de máquinas e equipamentos para uso laboral. Destarte, o foco desta corrente está nos aspectos físicos do trabalho que deveriam ser dimensionados, discriminados e controlados, sempre visando o melhor desempenho possível do homem no meio que ele estiver inserido. Diferenciando-se da ergonomia anglo-saxônica, a corrente francesa, também conhecida como ergonomia contemporânea, surge nas indústrias focando nas situações existentes. Segundo Almeida (2015, p.118) O ergonomista francófono preocupa-se fundamentalmente com a organização do trabalho. Sua abordagem irá responder às seguintes questões relacionadas ao trabalho: o que faz, quem faz, como faz, e de que maneira poderia fazê-lo melhor. Logo, não preocupa-se apenas com a eficiência do trabalhador durante a realização das suas atividades laborais, focando, também, nas relações estabelecidas pelo empregador com os seus pares, sejam eles companheiros de trabalho, supervisores e familiares. Esta corrente preocupa-se com questões de cunho mais psicológico, visando não só uma maior produtividade do empregador, como também o seu estado emocional na execução de suas funções. 4) Descreva sobre os principais pressupostos da Ergonomia utilizados na sua prática como princípios básicos e a importância destes princípios para a análise ergonômica do trabalho. A prática da ergonomia é guiada por três princípios básicos: a interdisciplinaridade, a análise da situação real de trabalho e a participação dos sujeitos. O homem é um ser complexo que relaciona-se de diferentes formas com o meio que está inserido. Desta forma, é imprescindível que o trabalho humano seja analisado de diferentes perspectivas no qual se justifica o princípio da interdisciplinaridade aplicado à ergonomia, visto que situações-problemas que devem ser resolvidas podem emergir a partir de questões de cunho físico, cognitivo e social. Portanto, é fundamental que haja uma equipe interdisciplinar para a ação do ergonômico seja otimizada. A análise das situações reais de trabalho é o princípio que diz respeito ao trabalho que o ergonômico deve fazer para planejar e propor mudanças que qualificarão o ambiente de trabalho. Este trabalho engloba a observação dos indivíduos em ação, visando “reconstruir de forma sistemática a atividade, a partir da consulta de uma variedade de fontes e de um processo participativo.” O último princípio é a participação dos sujeitos, refere-se a relação estabelecida pelos ergonomistas e os sujeitos envolvidos no trabalho. Estes sujeitos são seres subjetivos, que carregam consigo diferentes experiências, o que é um fator imprescindível a ser levado em conta pelos ergonomistas. Ademais, “se por um lado o ergonomista possui ferramentas teórico-metodológicas para a analisar a situação, por outroé o indivíduo quem detém as competências sobre seu trabalho e possibilita a compreensão da atividade em profundidade e amplitude”, portanto, a participação dos sujeitos é um princípio de suma importância na ergonomia, através dele, poder-se-á agir para transformar o trabalho para melhor (SILVINO, ABRAHÃO, SZNELWAR, 2009). 5) A Análise Ergonômica do Trabalho (AET) permite identificar e ajustar as condições de trabalho que possam trazer prejuízos a saúde do trabalhador. Baseado no protocolo de identificação de fatores de riscos dos postos de trabalho, elaborada pelo grupo Ergo & Ação e SimuCad da UFSCAR, cite os 14 itens que são analisados em uma situação de trabalho, registre e analise por meio de foto, uma situação real de trabalho na posição sentada. Analise os seguintes itens: a) Área de trabalho. b) Distância visual. c) Assento. d) Ângulo de visão. e) Espaço para pernas. f) Tipo de cadeira. Os 14 itens são: local de trabalho, atividade física geral, tarefas de elevação, posturas e movimentos, risco de acidente, conteúdo do trabalho, restritividade do trabalho, comunicação e contatos pessoais entre os trabalhadores, tomada de decisões, repetitividade do trabalho, nível de atenção requerido, iluminação, ambiente térmico e ruído. Área de trabalho: todos os materiais, ferramentas e equipamentos de trabalho encontram-se situados na superfície de trabalho. Os controles encontram-se na área natural de alcance do trabalhador, que no caso das mulheres é de 58 cm (PADOVEZ, 2015). Distância visual e ângulo de visão: o objeto de maior frequência de observação, o computador, encontra-se na posição correta, ou seja, centrado em frente ao trabalhador. O ângulo de visão também está correto, estando entre 15 e 45º (PADOVEZ, 2015).. Espaçamento para as pernas, assento e tipo de cadeira: o espaço livre atrás do trabalhador atende a recomendação de 90 cm, o espaço recomendado para as pernas permite uma boa movimentação das mesmas e a profundidade do nível do joelho ultrapassa o mínimo recomendado de 45 cm. O assento possui uma almofada fina e forro impermeável, bem como facilidade no ajuste da sua altura. Sendo, portanto, um ótimo assento para o desempenho das funções laborais (PADOVEZ, 2015).. Referências bibliográficas ALMEIDA, R. G. A ergonomia sob a ótica anglo-saxônica e a ótica francesa. Revista Vértices, Campos dos Goytacazes/RJ, v. 13, n. 1, p. 115-126, jan./abr. 2011. PADOVEZ, R. F. C. M. Ergonomia e Ginástica Laboral. Batatais: Claretiano, 2015. SILVINO, A.; ABRAHÃO, J. I.; SZNELWAR, L.. Introdução à ergonomia: da prática à teoria. 1ed. São Paulo: Edgard Blucher, 2009. 240 p. RAZZA, B. M,; LUCIO, C. C.; SILVA, J. C. P.; PASCHOARELLI, L. C. Da organização científica à ergonomia: a contribuição de Frederick Winslow Taylor. In: silva, J. C. P.; Paschoarelli, L. C.. (Org). A evolução histórica da ergonomia no mundo e seus pioneiros. 1ed.São Paulo: Editora Unesp, 2010, v.1, p. 37-48.