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Artigo Científico - Priscila Mendes da Silva Oliveira - Pós Psicopedagogia

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número de casos na população, é mais ou menos o mesmo, no entanto, o transtorno é uma doença e não é secundário ao ambiente.”
Essa informação descarta a ideia de alguns estudiosos que acreditam que a hiperatividade pode estar ligada e influenciada por fatores econômicos, uma vez que crianças criadas em países diferentes vivem em culturas e hábitos diferentes e mesmo com isso, a prevalência dos casos nas populações são estabilizadas.
Os tipos, sintomas e intensidade da presença de TDAH são variáveis em cada pessoa, o que significa que mesmo que o diagnóstico reconheça o transtorno, cada criança é uma criança então seus comportamentos e sintomas podem não ser os mesmos.
Há duas extensões de sintomas do TDAH, a desatenção e a hiperatividade acompanhada de impulsividade.
O que diferencia a extensão de desatenção é a identificação, por exemplo, quando o indivíduo tem dificuldade em prestar atenção e comete erros advindos de descuidos, por não prestar atenção aos detalhes. Nessa extensão ocorrem os esquecimentos de compromissos e combinados, pois os indivíduos não conseguem organizar-se e tão pouco manter a atenção em conversas.
Na extensão de hiperatividade e impulsividade, os indivíduos são exageradamente inquietos. Costumam mexer-se até mesmo quando estão sentados, não tem o controle sobre os membros do corpo, estão sempre balançando os pés e pernas, mexendo com as mãos e nas salas de aula quando sentam-se para realizar atividades tem esse mesmo tipo de inquietação, além de levantar do lugar demasiadamente, falar alto e interromper a fala de outro aluno, há também dificuldade em aguardar a sua vez para falar ou brincar.
Além de reconhecer a presença do transtorno, é preciso saber qual o tipo de TDAH que o indivíduo é portador. São três tipos:
TDAH predominante de sistemas de desatenção. Nesse caso, pode haver presença de hiperatividade, porém, a preponderância é do quadro de desatenção.
TDAH predominante de hiperatividade. Pode haver sintomas de desatenção, porém, é predominante a hiperatividade e impulsividade.
TDAH combinado. Apresenta sintomas de desatenção e hiperatividade impulsiva. Podem apresentar alterações no córtex pré-frontal, região parental posterior e em conexões nas duas regiões.
Comportamentos inquietos, impacientes, ansiosos e agitados estão sempre em evidência nos hiperativos. O sujeito portador de TDAH pode apresentar mudanças de humor e instabilidade afetiva e alonga-se por toda a vida do indivíduo, até mesmo em sua fase adulta, dificultando nos relacionamentos, na expressão de sentimentos, no trabalho e na vida social.
Antigamente o TDAH era tratado apenas com medicamentos e os pacientes com distúrbios de atenção e hiperatividade eram encaminhados somente aos neurologistas e psiquiatras. Na maioria dos casos, a hiperatividade é percebida somente quando a criança inicia a vida escolar.
No século XIX, a escola tornou-se obrigatória e, desde então, a escolaridade passou a ter papel fundamental para a ascensão social. A partir deste período, as dificuldades escolares e seus fracassos passaram a ser considerados como um problema importante, quando não uma doença.
Na sala de aula normalmente o aluno portador do transtorno, é reconhecido por não conseguir concluir suas atividades, ter baixo rendimento escolar sendo que seu potencial o permitiria um melhor resultado e a notável falta de atenção e concentração nas atividades, porém, esses sintomas e a intensidade não são iguais em todos os hiperativos.
As alterações de comportamentos normalmente aparecem em conjunto. Na própria casa, escola e vida social. Para que um diagnóstico seja preciso, o indivíduo deve apresentar dificuldades em no mínimo dois contextos.
Na idade escolar, a criança hiperativa começa a se aventurar no mundo e já não tem a família para agir como amortecedor. O comportamento, antes aceito como engraçadinho ou imaturo, já não é tolerado... Ela precisa agora aprender a lidar com regras, a estrutura e os limites de uma educação organizada e seu temperamento simplesmente não se ajusta muito bem as expectativas da escola. (GOLDSTEIN, 1996, p. 106).
Sabe-se que, frequentemente, crianças hiperativas agem melhor quando tem uma rotina na qual podem atuar e quando tem noção de quais são seus limites. Para tanto, pais e professores devem criar um clima propício com o intuito de amenizar as dificuldades encontradas no dia à dia da criança hiperativa, além de se informarem sobre a situação.
Certamente, é necessária a reflexão sobre os efeitos do transtorno de déficit de atenção e da hiperatividade, além de quais percussões no futuro imediato, as formas de identificar a presença desse transtorno e como lidar com isso.
O papel do psicopedagogo dentro da escola voltado aos portadores de TDAH
O psicopedagogo é um especialista da área de educação, que tem seu trabalho voltado para o processo de aprendizagem e de ensino.
Dentro da escola, desenvolve um trabalho junto ao coordenador e o professor, a fim de obter dados sobre a rotina escolar do aluno, comportamento nas aulas, rendimentos e resultados. Realiza também orientação e formação continuada com os professores e com os alunos oficinas que fortaleçam sua aprendizagem.
Seus objetivos visam buscar soluções para todos os aspectos que dificultam a aprendizagem, sejam eles biológicos ou influenciados pelo meio em que a criança vive.
Segundo Neves:
A psicopedagogia estuda o ato de aprender e ensinar, levando em conta as realidades internas e externas da aprendizagem, tomadas em conjunto. E mais procurando estudar a construção do conhecimento em toda a sua complexidade, procurando colocar em pé de igualdade os aspectos cognitivos, afetivos e sociais que lhe esteio implícitos. (1991, p.12)
Esse profissional tem autonomia para intervir no processo de aprendizagem do aluno com dificuldades, as intervenções podem ser de três maneiras: terapêutica, preventiva ou de inclusão escolar.
A intervenção do psicopedagogo dá-se no intuito de auxiliar o aluno a reconstruir suas habilidades, porém, se necessário há também acompanhamento pedagógico feito pelo professor.
Quando há identificação de dificuldade na aprendizagem, o psicopedagogo busca alternativas diferenciadas, evitando ou limitando a dificuldade causada por sintomas decorrentes da hiperatividade.
Os jogos são bem aceitos no trabalho do psicopedagogo com o aluno, principalmente aqueles que permitem o exercício sensório-motor: brincadeiras com bolinhas de gude e amarelinhas, como também os jogos de combinações intelectuais, como xadrez e quebra-cabeças.
Atividades de leitura podem despertar um prazer, onde vários recursos podem ser utilizados, como revistas, livros e sites que abordem assuntos do interesse da criança.
Desenvolvendo um elo com o professor, o psicopedagogo deve fazer suas intervenções buscando hipóteses para alcançar a atenção do aluno por um período cada vez maior.
O Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade não é um problema de aprendizagem. A dificuldade de aprendizagem pode ser variada em problemas gerais de aprendizagem e transtorno específico de aprendizagem, o que não tem haver com a inteligência do aluno. Problemas de aprendizagem se alojam no organismo do aluno aprendente, quando há atraso geral na aprendizagem, como lentidão para aprender, desinteresse, dificuldade de atenção e concentração, que afeta o rendimento global, atraso mental e alterações na psicomotricidade.
A dificuldade na aprendizagem não é diagnosticada em todos os portadores de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, porém o comportamento incansável sim. Segundo TOPAZEWSKI, “os pacientes que não apresentam dificuldades no aprendizado conseguem executar tarefas de modo rápido e eficiente, mas como terminam antes que os outros, ficam a atrapalhar o trabalho dos colegas por conta da hiperatividade” (1999, p.57).
Quando os vestígios de TDAH são percebidos na sala de aula, a professora deve registrar os comportamentos, casos estranhos ocorridos, entre outras curiosidades, por um período de seis meses para depois encaminhá-lo a um tratamento.

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