REAPOSENTACAO_NOVO ENTENDIMENTO
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20/11/2019 Evento 36 - VOTO1
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EMBARGOS INFRINGENTES Nº 5022240-12.2011.404.7000/PR
RELATOR : CELSO KIPPER
EMBARGANTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
EMBARGADO : NILSON ALVES LEAO
ADVOGADO : KAIO MURILO SILVA MARTINS
: JOSE HERIBERTO MICHELETO
VOTO COMPLEMENTAR
Como se sabe, a contribuição previdenciária do aposentado que retorna à atividade está
amparada no princípio da universalidade do custeio da Previdência Social (Constituição Federal, art.
195), corolário do princípio da solidariedade, insculpido no art. 3º, inciso I, da Constituição Federal
(STF, 1ª Turma, RE 437.640-7/RS, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE; STF, Pleno, ADIn 3.105,
Rel. Min. CÉZAR PELUSO).
Ademais, o sistema previdenciário brasileiro, desde sempre, é o de repartição simples,
ou simplesmente repartição, em que inexiste exata correspondência entre a contribuição recolhida e
o benefício previdenciário (LEDA DE OLIVEIRA PINHO, O Conteúdo Normativo do Princípio da
Solidariedade no Sistema da Seguridade Social, Curso Modular de Direito Previdenciário,
Florianópolis, Conceito Editorial, 2007, p. 69; CARLOS MAURÍCIO FIGUEIREDO E MARCOS
NÓBREGA, O Sistema Multipilar e a Reforma da Previdência, in Interesse Público - Revista
Bimestral de Direito Público, vol. 22, novembro/dezembro de 2003, Porto Alegre, Notadez, 2003;
WLADIMIR NOVAES MARTINEZ, Desaposentação, 4ª ed., São Paulo, LTr, 2011, p. 144; TÁRSIS
NAMETALA SARLO JORGE, Teoria Geral do Direito Previdenciário, Rio, Lúmen Júris, 2005, p.
177).
Dois exemplos ilustram o que acabo de dizer: a) um segurado solteiro ou viúvo, sem
companheira, com dois filhos maiores e capazes, que falece aos 50 anos, em decorrência de acidente
ou infarto fulminante, depois de contribuir ininterruptamente à Previdência Social por 25 anos, sem
nunca se afastar do trabalho, não só não usufruiu de qualquer aposentadoria ou auxílio-doença,
como suas contribuições não geraram qualquer pensão; b) um segurado com 20 anos de idade que,
após apenas um ano de contribuições, vem a se tornar definitivamente incapaz para o trabalho, seja
por doença ou acidente, e vier a morrer aos 80 anos de idade, receberá aposentadoria por invalidez
por 60 anos, em montante global muito superior ao que contribuiu.
Em razão dos princípios da universalidade de custeio e da solidariedade, da
necessidade de preservação do equilíbrio financeiro e atuarial (CF, art. 201, 'caput'), bem como da
inexistência de comutatividade entre as contribuições e os benefícios, não vislumbro
inconstitucionalidade no art. 18, §2º, da Lei nº 8.213/91 (Lei de Benefícios) ao estabelecer que o
aposentado pelo RGPS, tendo permanecido ou retornado à atividade sujeita a tal regime, não fará jus
à prestação alguma da Previdência Social em decorrência do exercício dessa atividade, salvo o
salário-família e a reabilitação profissional, quando empregado.
Ao dizer isso, dou por assentado que tampouco o princípio da igualdade encontra-se
maculado. Com efeito, são essencialmente diversas as situações em que se encontram, de um lado,
aqueles que contribuem sem perceber qualquer benefício previdenciário (caso da grande maioria) e,
de outro, aqueles que, já estando a receber um benefício de aposentadoria, permanecem
contribuindo à Previdência Social (em decorrência do exercício de atividade sujeita à filiação
obrigatória): nesse último caso, os segurados já se encontram sob a proteção da Previdência Social,
não mais estando, em princípio, em situação de risco social. Ante a essencial diferença entre as
situações, justifica-se, salvo exceções, a diferença de tratamento quanto à consequência dos
recolhimentos.
20/11/2019 Evento 36 - VOTO1
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A disciplina legal da matéria não impede, por outro lado, a renúncia à aposentadoria,
nem o aproveitamento, em nova aposentadoria, do tempo de serviço/contribuição considerado na
aposentadoria renunciada - a chamada desaposentação -, desde que haja a integral devolução dos
valores recebidos durante o primeiro benefício, de sorte a se voltar ao status quo anterior e, assim,
não incidir a vedação do parágrafo 2º do art. 18 supracitado. A necessidade de devolução não
decorre, no caso, de um juízo de ilegalidade das prestações então recebidas (pois ilegais não eram),
mas de uma opção pela reutilização do tempo de serviço/contribuição em nova aposentadoria.
Assim, entendo que deve prevalecer o voto minoritário, da lavra do e. Des. Federal
Ricardo Teixeira do Valle Pereira, que entendeu ser necessária a devolução dos valores percebidos
pelo segurado.
Ante o exposto, com o acréscimo desses fundamentos, mantenho o voto que proferi,
para dar provimento aos embargos infringentes.
Ante o exposto, voto por dar provimento aos embargos infringentes.
Des. Federal CELSO KIPPER
Relator
Documento eletrônico assinado por Des. Federal CELSO KIPPER, Relator, na forma do artigo 1º, inciso
III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº 17, de 26 de março de 2010. A
conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico
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Signatário (a): Celso Kipper
Data e Hora: 25/05/2012 16:33