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Istituto Europeo di Design IED – São Paulo Fashion Marketing and Communication Isabella Silveira Rodrigues Bartholo Márcia Rita Paulino da Costa Raquel Doné Lima Casarim Roberta Pacheco Agostini Planejamento de Ações Estratégicas Para Marca Amaro São Paulo 2017 2 Istituto Europeo di Design IED – São Paulo Fashion Marketing and Communication Isabella Silveira Rodrigues Bartholo Márcia Rita Paulino da Costa Raquel Doné Lima Casarim Roberta Pacheco Agostini Planejamento de Ações Estratégicas Para Marca Amaro O trabalho de conclusão de curso a seguir tem como objetivo entender o posicionamento da marca Amaro e também o cenário no qual a mesma está inserida, a fim de elaborar um planejamento de ações que valorize sua capacidade competitiva. Orientadora: Tereza Cristina Rebello Coordenadora do curso: Katherine Sresnewsky São Paulo 2017 3 Istituto Europeo di Design IED – São Paulo Fashion Marketing and Communication Isabella Silveira Rodrigues Bartholo Márcia Rita Paulino da Costa Raquel Doné Lima Casarim Roberta Pacheco Agostini Planejamento de Ações Estratégicas Para Marca Amaro Aprovado em ___/___/___ BANCA EXAMINADORA: ______________________________________________ Patrícia Sant´Anna ______________________________________________ Francisco Albuquerque ______________________________________________ Caio Esteves São Paulo 2017 4 Agradecimentos Primeiramente agradeço a Deus por sempre guiar e iluminar meus caminhos, me abençoando nas jornadas na vida. Aos meus pais, inexplicável a minha gratidão por não medirem esforços na minha educação. Obrigada por nunca terem desistido de mim e me incentivarem a buscar meus sonhos, mesmo que estes exijam sacrifícios da parte de vocês. Esse amor, mesmo com gostinho de saudade, é combustível em cada voo que eu alço. Agradeço à minha equipe de TCC, que desde o início da pós graduação se uniu com um propósito e carinho que vão além da instituição de ensino e mercado de trabalho. Obrigada pelos ensinamentos, risadas e sonhos compartilhados ao longo desse um ano e meio. A todos os professores que passaram pela nossa turma, obrigada por escolherem uma profissão tão nobre e dividir conosco de forma tão generosa os ensinamentos que, com certeza, farão toda diferença em nossas profissões. Em especial, agradeço a professora Tetê Rebello, que de forma tão gentil e compreensiva, nos incentivou, incansavelmente, a buscar sempre o melhor. Obrigada por se dedicar de forma tão intensa a este projeto. Isabella Silveira Rodrigues Bartholo Gostaria de agradecer infinitamente a todos que sempre me apoiaram e acreditaram em minha capacidade de lutar e vencer. Agradecimentos às minhas amigas de grupo. Agradecimento a todos os professores que tive o grande prazer de conhecer. Agradecimento ao Prof. Caio Esteves, Prof.ª Alexandra Fávero, Coordenadora Katherine Sresnewsky e, em especial, a toda dedicação, apoio, carinho e extrema atenção da Prof.ª Teresa Cristina Tete Rebello. Gratidão Sempre à Vida. Márcia Rita Paulino da Costa 5 Agradeço ao meu marido Bruno, por tornar esse sonho possível e a minha filha Valentina por entender minha ausência nos momentos de total dedicação a este projeto. Agradeço também aos professores e às minhas amigas de tcc. Raquel Doné Lima Casarim Agradeço a Deus por me dar a força necessária para me motivar a crescer e correr atrás dos meus sonhos. Aos meus pais e minhas irmãs, pelo interesse sobre o andamento dos meus estudos com palavras de motivação e orgulho e, em especial, ao meu marido Gabriel, pelo apoio, amor, dedicação e incentivo constantes. À orientadora Teresa Cristina Rebello, por toda sua motivação para apoiar o grupo no desenvolvimento deste trabalho, não poupando esforços para suportar nossas ideias e questionamentos. Roberta Pacheco Agostini 6 RESUMO O cenário de instabilidade política e financeira que o Brasil enfrenta desde 2014, revelou uma necessidade do mercado como um todo de verificar e adequar a oferta de seus produtos e/ou serviços dentro de um novo contexto competitivo e muito mais dinâmico. Nesta mesma direção, e olhando com mais atenção para o mercado de vestuário, vemos um movimento intenso das marcas em reverem seus modelos de negócio, em um cenário onde a inovação parece ser um fator determinante para alavancarem seus resultados. Com um maior aprofundamento sobre o mercado online, foi possível constatar o alto potencial deste segmento e o quanto ele ainda pode ser melhor explorado. Desta forma, este estudo tem o objetivo de avaliar o macroambiente, microambiente e ambiente interno da marca Amaro através da captação de informações relevantes e pertinentes a este novo cenário, com um olhar mais profundo sobre o comportamento do consumidor. Também se fez necessário pesquisa em campo e redes sociais da marca para, através da recomendação de propostas, resgatar o verdadeiro propósito da marca e como este deverá ser potencializado por meio de ações inovadoras, neste caso com foco nos pontos de contato físicos da Amaro. Para a indicação das propostas, foram confeccionadas análises complementares com foco na concorrência, que posteriormente contribuiria para a construção da análise SWOT da marca, o que proporcionou um melhor entendimento sobre sua atuação e o quanto seu modelo de negócio poderia ser expandido para algo realmente inovador. Na condição dos dados captados na pesquisa, foi possível estabelecer um novo posicionamento da marca e o quanto as ações deverão servir de alicerce para esta mudança. Palavras- chave Consumidor; Digital; Omnicanal; Guide Shop; Amaro 7 ABSTRACT The scenario of political and financial instability that Brazil faces since 2014 has revealed a need for the market as a whole to verify and adapt the offer of its products or services within a new and much more dynamic competitive environment. In this same direction, and looking more closely at the apparel market, we see an intense movement of brands in reviewing their business models, in a scenario where innovation seems to be a determining factor to leverage their results. With a deeper insight into the online marketplace, it was possible to see the high potential of this segment and how much it can still be better explored. In this way, this study aims to evaluate the macro environment, microenvironment and internal environment of the Amaro brand through the capture of relevant information pertinent to this new scenario, with a deeper look at consumer behavior. It was also necessary to research in the field and social networks of the brand to, through the recommendation of proposals, to redeem the true purpose of the brand and how it should be enhanced through innovative actions, in this case focusing on the physical contact points of Amaro. For the indication of the proposals, complementary analyzes were made with a focus on competition, which would later contribute to the construction of SWOT analysis of the brand, which provided a better understanding of its performance and how much its business model could be expanded to something truly innovative . In the condition of the data captured in the research, it was possible to establish a new brand positioning and how much the actions should serve as a foundation for this change Key Words Consumer; Digital; Omnichannel; Guide Shop; Amaro 8 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1: Mapa de rendimento nominal mensal domiciliar per capita ........................ 22 Figura 2: Faixa Etária e Região ................................................................................. 27 Figura 3: Destaquesdo e-commerce em 2016 ......................................................... 29 Figura 4: Percentual de atraso na entrega” e “prazo médio prometido” .................... 31 Figura 5: Uso do celular no dia a dia ......................................................................... 33 Figura 6: Os dispositivos utilizados para realizar compras na internet em 2016 ....... 33 Figura 7: Usuários ativos Brasil ................................................................................. 42 Figura 8: Digital é mídia de massa ............................................................................ 43 Figura 9: Brasileiro é o mais engajado da internet .................................................... 43 Figura 10: Audiência em mídia sociais no Brasil ....................................................... 45 Figura 11: Popularidade das redes por país ............................................................. 46 Figura 12: O Brasil mais aberto e conectado ............................................................ 46 Figura 13: Mobile cria novas formas de envolvimento .............................................. 47 Figura 14: Mobile move os diálogos entre pessoas e marcas ................................... 47 Figura 15: O mobile provoca reações ....................................................................... 48 Figura 16: Share de categorias – Categorias mais vendidas .................................... 50 Figura 17: Embalagem Ecológica e Embalagem Premium ....................................... 58 Figura 18: Canvas Business Model Amaro ............................................................... 60 Figura 19: Moodboard ............................................................................................... 61 Figura 20: Vantagens Competitivas .......................................................................... 63 Figura 21: Mapa de Empatia ..................................................................................... 65 Figura 22: Mundo Amaro ........................................................................................... 66 Figura 23: Palavras associadas ao mundo Amaro .................................................... 67 Figura 24: Análise concorrentes – posicionamento atual .......................................... 68 Figura 25: Análise concorrentes – novo posicionamento .......................................... 70 Figura 26: Painel Amaro ............................................................................................ 74 Figura 27: Relevância dos 5 sentidos humanos ........................................................ 78 Figura 28: Golden Circle ........................................................................................... 79 Figura 29: Golden Circle Amaro ................................................................................ 80 Figura 30: Novo Guide Shop ..................................................................................... 83 Figura 31: Novo Guide Shop ..................................................................................... 83 Figura 32: Novo Guide Shop ..................................................................................... 84 Figura 33: Novo Guide Shop ..................................................................................... 84 Figura 34: Novo Guide Shop ..................................................................................... 85 Figura 35: Novo Guide Shop ..................................................................................... 85 Figura 36: Novo Guide Shop ..................................................................................... 86 Figura 37: Novo Guide Shop ..................................................................................... 86 Figura 38: Novo Guide Shop ..................................................................................... 87 Figura 39: Novo Guide Shop ..................................................................................... 87 Figura 40: Novo Guide Shop ..................................................................................... 88 Figura 41: Vitrine de inspiração Kate Spade ............................................................. 90 9 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1: Perfil dos compradores em 2016 .............................................................. 26 Gráfico 2: Renda familiar ........................................................................................... 28 Gráfico 3: Participação das faixas de renda no e-commerce (volume de pedidos) ... 28 Gráfico 4: Evolução dos e-consumidores (ativos) ..................................................... 30 Gráfico 5: Evolução do volume de pedidos no e-commerce ..................................... 30 Gráfico 6: Evolução do tíquete médio de pedidos no e-commerce ........................... 31 Gráfico 7: NPS X ATRASO ....................................................................................... 32 Gráfico 8: Crescimento da participação dos smartphones nas compras virtuais ...... 34 Gráfico 9: Frete grátis ................................................................................................ 35 Gráfico 10: Tempo gasto com mídias sociais ............................................................ 44 Gráfico 11: Ticket médio das compras ...................................................................... 51 Gráfico 12: Pagamento à vista .................................................................................. 51 Gráfico 13: O poder da marca ................................................................................... 52 Gráfico 14: Motivação de compra .............................................................................. 52 Gráfico 15: Produtos diferenciados ........................................................................... 53 Gráfico 16 Canais de compras .................................................................................. 53 Gráfico 17: Idade ..................................................................................................... 105 Gráfico 18: Trabalhando .......................................................................................... 105 Gráfico 19: Grau de escolaridade ............................................................................ 106 Gráfico 20: Estado Civil ........................................................................................... 106 Gráfico 21: Filhos .................................................................................................... 107 Gráfico 22: Renda Familiar...................................................................................... 107 Gráfico 23: Meio de comunicação mais utilizado .................................................... 108 Gráfico 24: Meio de comunicação mais usado para informação de moda .............. 108 Gráfico 25: Compras de moda pela internet ............................................................ 109 Gráfico 26: Vantagem E-commerce sobre a loja física ........................................... 109 Gráfico 27: Se considera vaidoso ............................................................................ 110 Gráfico 28: Se preocupa com o visual no dia a dia ................................................. 110 Gráfico 29: Pratica atividade física .......................................................................... 111 Gráfico30: Motivação de compra ............................................................................. 111 10 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Quadro comparativo concorrência............................................................ 69 Quadro 2: Análise SWOT Amaro .............................................................................. 7111 SUMÁRIO 1 - INTRODUÇÃO .................................................................................................... 13 1.1 - OBJETIVOS ...................................................................................................... 14 1.1.1 - Geral ............................................................................................................. 14 1.1.2 - Específicos ................................................................................................... 14 1.2 - Metodologia ....................................................................................................... 14 1.2.1 - Coleta e análise de dados .............................................................................. 15 1.3 - Fundamentação teórica ..................................................................................... 18 2 – Análise da situação ........................................................................................... 19 2.1 – Análise do Macroambiente ............................................................................... 20 Variável Demográfica ..................................................................................... 20 Possíveis consequências para a marca ......................................................... 21 Variável Econômica ........................................................................................ 21 Possíveis consequências para a marca ......................................................... 23 Variável Tecnológica ...................................................................................... 24 Possíveis consequências para a marca ......................................................... 36 Variável Sócio Cultural ................................................................................... 36 Possíveis consequências para a marca ......................................................... 48 2.2 – Análise do Microambiente ................................................................................ 49 2.3 – Análise do ambiente interno ............................................................................. 54 2.4 – Concorrência .................................................................................................... 67 2.5 – Análise SWOT .................................................................................................. 71 3 – Proposta ............................................................................................................. 73 3.1 – Curadoria do conteúdo ..................................................................................... 73 Proposta Pause .............................................................................................. 75 12 3.2 – Plataforma da marca e posicionamento ........................................................... 78 3.3 – Mapeamento da experiência Amaro ................................................................. 81 Proposta Pause: Renovação das Guides Shops ............................................ 81 Proposta Pause: Parceria Cruzeiros............................................................... 88 Proposta Play ................................................................................................. 89 Proposta Play: Aeroportos .............................................................................. 89 Proposta Play: Congressos ............................................................................ 91 Proposta Play: Aplicativo Amaro + Instagram ................................................ 91 3.4 – Cronograma das ações .................................................................................... 92 4 – Considerações Finais ....................................................................................... 93 5 – Bibliografia ......................................................................................................... 96 5.1 – Bibliografia sugerida ......................................................................................... 98 6 – Apêndices ........................................................................................................ 101 Apêndice A – ROTEIRO DE ENTREVISTA DA PESQUISA ........................ 101 Apêndice B – ROTEIRO ENTREVISTA ESTRUTURADA BLOCO 1: Perfil da mulher, consumo de moda e beleza ............................................................. 102 Apêndice C – ROTEIRO ENTREVISTA ESTRUTURADA BLOCO 2: Percepção das consumidoras sobre a marca Amaro ................................... 104 Apêndice D - RESULTADOS DA PESQUISA: Questões fechadas, tabuladas e expressadas em forma de gráfico pizza ....................................................... 105 13 1. Introdução Diante do crescimento das vendas online1 no Brasil e da grande relevância do segmento de moda neste canal, é cada vez mais extenso o número de marcas que adentram no mercado de comércio eletrônico, buscando captar oportunidades de um mercado relativamente novo. Neste contexto, percebe-se movimentos tanto de marcas consolidadas, direcionando seus esforços para entender e atender o consumidor de e-commerce 2, quanto de novas marcas lançando seus negócios através da plataforma online sem, necessariamente, ter um ponto de varejo físico, como nos últimos anos parecia uma condição de partida para o online. Com todo o dinamismo e desafios do varejo atual, as marcas são cada vez mais conduzidas a estabelecer uma forte relação com seus consumidores, através de ações que vão além da comercialização de produtos e serviços, e miram na satisfação do consumidor em todos os sentidos. A palavra da vez é fidelizar. Nesta mesma direção, a marca online de moda feminina Amaro inova ao ampliar sua operação com o lançamento de guide shops 3 , visando estender a experiência dos seus consumidores para além do universo online. Ao buscar soluções inovadoras, a marca se destaca em um novo cenário onde o consumidor não é mais impactado como antes e sua relação com as marcas precisa se reinventar. Atentando para este novo contexto do mercado, a pesquisa a seguir visa investigar o mercado em que a marca Amaro está inserida, como se dá a recepção dos consumidores para o canal de compras online e, por fim, o estudo procura compreender, através de um planejamento de ações, o papel que a marca poderá desempenhar em busca de sua diferenciação, com o objetivo de estabelecer vínculos com seus consumidores além do momento da compra. 1 Online – tradução: conectado. 2 E-commerce – tradução: comércio eletrônico, loja virtual, site. 3 Guide shop – conceito: pontos físicos direcionados para venda, exposição, experimentação, troca e devolução de produtos. 14 Ao entender como o consumidor faz suas escolhas, foi possível estabelecer um planejamento de ações que a Amaro poderá incorporar nos próximos anos, com o objetivo de ser considerada, definitivamente, uma marca online, atuando com legitimidade em um ambiente cada vez mais competitivo. 1.1 Objetivos 1.1.1 Geral O objetivo geral desta pesquisa é estabelecer um planejamento de ações para a marca de moda feminina Amaro, através da análise do mercado de comércio online no Brasil e da compreensão de seu posicionamento. 1.1.2 Específicos Contextualizar o cenário mercadológico em que a marca está inserida, através da análise do macro ambiente, micro ambiente e ambiente interno da mesma. Analisar sua concorrência direta, considerando o posicionamento atual da Amaro. Construir análise SWOT da marca, estabelecendo suas forças e identificando suas fraquezas, a fim de aprofundar o entendimento sobre seu potencial. Identificar padrões de consumo e como se dá a relação do indivíduo e dasmarcas, com foco nos serviços ofertados pelo comércio eletrônico. Compreender como o cenário competitivo atual está reinventando as formas de marcas e consumidores se relacionar. Desenvolver um planejamento de ações para a marca Amaro. 1.2 Metodologia Pensar sobre o comportamento dos consumidores e como suas expectativas contribuem para o momento da decisão de compra foi o desafio desta pesquisa, que tinha como principal objetivo entender como a marca Amaro é vista e qual o seu potencial de se diferenciar em um cenário cada vez mais inovador e desafiador. 15 Para isso, fez-se necessário entender a percepção dos consumidores sobre a Amaro e, com um olhar ainda mais profundo, captar suas percepções em relação aos guides shops e o quanto este novo canal pode suportar o posicionamento da marca. Para obter diversidade na amostra, foram selecionadas consumidores com base nos seguintes critérios: - Gênero feminino, que servirá de alicerce para análise da pesquisa; - Diferentes realidades socioeconômicas, por pensar que a classe social e poder aquisitivo do indivíduo podem ser um fator relevante na mediação do perfil do consumidor; - Idades distintas, a fim de perceber as diferentes percepções que cada grupo poderá apresentar; - Atividade profissional realizada pelas entrevistadas, com o objetivo de recolher pontos de vista baseados na posição que a entrevistada ocupa no mercado de trabalho e sociedade como um todo; - Escolaridade, que também será uma perspectiva avaliada para a compreensão das diferentes mediações apresentadas conforme a variação do grau de instruções das mulheres. Os perfis mapeados na pesquisa e seu conteúdo serão detalhados no capítulo 2, na análise do ambiente interno da marca, uma vez que este material serviu de base para a análise do posicionamento atual da Amaro e recomendação de ações. 1.2.1 Coleta e análise de dados Este capítulo é dedicado à reconstrução dos principais procedimentos desenvolvidos para a realização da investigação, desde o momento em que a questão fundamental da pesquisa foi definida até sua conclusão com as recomendações de quais ações estariam alinhadas aos objetivos da marca, sustentadas através dos resultados desta pesquisa. 16 Diante das diversas ferramentas que se pode aplicar para mapear e reconhecer os consumidores da marca, fez-se uso de duas principais: Design Thinking4 e Business Model Canvas5 . A abordagem do Design Thinking visa a solução de problemas através da inserção do consumidor final e todos os demais interessados no centro das discussões, que visam o desenvolvimento de novos produtos. Esta abordagem, que estimula uma maior interação entre áreas multidisciplinares, promove uma visão mais ampla entre os envolvidos e, consequentemente, soluções mais criativas e menos “matemáticas”. Nela, não existe uma fórmula única para chegar até as respostas desejadas, e sim um conjunto de pessoas compartilhando suas visões em busca de um objetivo comum. O uso dessa ferramenta permitiu o início da aproximação com a marca, a partir de uma análise que se iniciou do ponto de vista do grupo sobre a Amaro: Em um primeiro momento, através da confecção de mapas de inspiração (mood boards6), e, posteriormente, através da identificação da persona por meio de intensa pesquisa nas redes sociais, o que permitiu conhecer um pouco mais sobre a marca a partir do olhar do consumidor. Para complementar a pesquisa, foi construído um mapa de empatia, ferramenta que facilita a representação de um personagem como cliente da marca, onde é possível enxergar através dos olhos do consumidor pelo mapeamento dos pontos abaixo: O que pensa e sente? O que vê? O que ele faz e fala? O que ouve? Quais as suas necessidades? Quais as suas dores? O foco desta ferramenta, portanto, é estabelecer a maior empatia possível quanto ao consumidor, visando estabelecer associações entre suas angústias, desejos e necessidades, e o quanto estes fatores podem servir de inspiração para as marcas direcionarem seus esforços para resolução de um problema “humano”, 4 Design Thinking – conceito: conjunto de métodos e processos para abordar problemas, relacionados a futuras aquisições de informações, análise de conhecimento e propostas de soluções. 5 Business Model Canvas – conceito: ferramenta de gerenciamento estratégico. 6 Moodboards – conceito: painel de referências visuais para representar o look and feel (conceito visual) do seu projeto. Leticia 17 seja através do desenvolvimento de um novo produto ou serviço. A essência do mapa de empatia pode ser percebida através do fato de que nem sempre o consumidor tem claro em sua mente o que deseja, o que leva as marcas terem que entender o seu perfil para, diante de diversas informações, serem capazes de desenvolver algo que atenda à necessidade deste consumidor. Com um foco maior em aprofundar o entendimento sobre o modelo de negócio da marca, foi feito uso da ferramenta Business Model Canvas, documento que descreve as principais relações de uma marca e como a sua proposta de valor se comunica entre cada uma dessas interações. O detalhamento do Business Model Canvas da marca será apresentado na Análise do Ambiente Interno e, através dele, foi possível mapear todos os pontos de contato da marca, e, assim, estabelecer quem são seus clientes internos e externos e suas expectativas sobre a Amaro. Posterior ao entendimento das ferramentas de Design Thinking e Business Model Canvas, dedicou-se a explorar, através de busca profunda nas redes sociais e pesquisas aplicadas durante visitas aos guides shops, os diferentes perfis de consumidores da marca Amaro e como os mesmos se relacionam com a marca. Ao definir a questão fundamental da pesquisa a ser investigada e pensar os eixos para sua elaboração, vislumbrou-se a necessidade de entender o consumidor sobre esses dois principais pontos de contato: online e físico. Para este último, o objetivo era compreender como a proposta dos guides shops chega até os consumidores, em especial em seu primeiro contato com estes pontos. A seguir, será discorrido como foram conduzidas tais pesquisas. Com a definição de que a identificação do perfil do consumidor partiria inicialmente de investigação através das redes sociais, foi necessária pesquisa e coleta de dados nos perfis da marca nas plataformas Facebook e Instagram. Neste último, foi realizada uma busca mais aprofundada da hashtag7 #mundoamaro, onde foi possível identificar perfis mais recorrentes de mulheres que consomem a marca. Durante a busca, localizou-se uma ampla diversidade de mulheres que possuem relação com a marca, o que exigiu cautela e atenção no sentido de selecionar as informações que realmente poderiam sustentar o contexto geral da pesquisa. 7 Hashtag – conceito: expressão comum entre os usuários das redes sociais, que consiste de uma palavra- chave antecedida pelo símbolo #, conhecido popularmente no Brasil por “jogo da velha”. 18 Posterior a este momento, dedicou-se a visitar as lojas e mapear o processo de compra do consumidor que visita os guides shops, desde sua expectativa com relação aos produtos e preços da marca, até sua experiência de deixar o guide com as “mãos vazias”, e o quanto este fator pode ser decisivo no fortalecimento ou enfraquecimento de seu relacionamento com a Amaro. Neste processo, foi definido um target8 de amostragem de 25 pessoas. Dentre elas, consumidoras da loja Amaro, local onde foi aplicada a pesquisa, e também pessoas de convívio do grupo, tais como familiares e amigos mais próximos, em que foram acompanhados em visitas aos guides shops de diferentes localidades, com o objetivo de captar profundamente suas impressões e entendero quanto este ponto físico da marca contribui ou não para o seu consumo. Para isso, foi aplicada uma entrevista estruturada através de um formulário com questões pontuais, com foco em constatar pontos importantes relativos ao entendimento do consumidor sobre os guides shops e percepções gerais sobre a marca. O questionário, em formato de entrevista, foi aplicado através de um roteiro de tópicos organizados em dois blocos principais: Bloco 1: Perfil da mulher, consumo de moda e beleza; Bloco 2: Percepção das consumidoras sobre a marca Amaro. O roteiro destas entrevistas é apresentado nos apêndices A, B e C. As perguntas relativas ao bloco 1 tinham como objetivo mapear aspectos pontuais da vida pessoal das mulheres entrevistadas, assim como suas visões sobre consumo e, principalmente, o quanto de seu orçamento é dedicado às compras relacionadas à moda e beleza. Neste caso, o hábito de consumo serviu como uma dimensão importante para suportar a recomendação de ações para a marca. Já as perguntas formuladas no bloco 2, visaram estender a compreensão do grupo em relação à percepção das entrevistas sobre a marca e o quanto este fator pode afetar ou potencializar a estratégia da Amaro com seus guides shops. 1.3 Fundamentação teórica Para fundamentar a referida pesquisa foram utilizados diversos autores do campo de marketing, assim como outras informações que serviram de base para a 8 Target – tradução: público alvo. Leticia Leticia 19 construção das variáveis apresentadas na análise de macro ambiente. O conteúdo a seguir visa apresentar brevemente quais autores foram considerados para construção desta pesquisa. Para o entendimento da ferramenta Business Model Canvas foram utilizados os autores Osterwakder e Pigneur (2009). Além destes, foram lidos artigos divulgados pela Harvard Business School 9 , todos relacionados ao modelo de negócio Canvas. Com relação à ferramenta de Design Thinking, foram utilizados os autores Brown (2017) e Martin (2009). Para aprofundar a pesquisa sobre a relevância das questões sensoriais no processo de compra, foi necessário um mergulho na obra de Lindstrom (2012), onde foi possível entender o motivo pelo qual as marcas estão se voltando cada vez mais para explorar os sentidos humanos. Com foco maior no visual merchandising10 e inovação dos pontos de venda, foi necessário explorar os autores Morgan (2017) e Blessa (2006). Como base para todas as análises descritas nesta pesquisa, foram considerados os autores Crescitelli e Shimp (2012) e Bateson e Hoffman (2016) e, ainda neste cenário de abordagens mais amplas sobre estratégias, processos e conceitos de marketing, fez-se uso de duas obras fundamentais dos autores Kotler, Kartajaya e Setiawan (2012 e 2017). A partir da leitura dessas obras, foi possível captar a importância de marcas e profissionais de marketing direcionarem seus esforços para o entendimento do ser humano, cujo foco é o consumidor. Como complemento, também foram utilizados o portal global de tendências WGSN e a obra de Madia de Souza (2016), visando captar as tendências mais relevantes do ano dessa pesquisa e, também, futuras. 2. Análise da situação A pesquisa desenvolvida tem como objetivo principal entender o mercado em que a marca de moda feminina Amaro está inserida, a fim de propor estratégias eficientes para construção de um planejamento de ações da marca. Para tal, fez-se 9 Harvard Business School – tradução: Escola de Negócios Harvard. 10 Visual Merchandising – conceito: ferramenta estratégica usada para trabalhar o ambiente a partir do ponto de venda e, assim, atrair mais clientes. 20 necessário o estudo do ambiente interno e externo da mesma, através da análise do macro e microambiente e de seu ambiente interno. Na análise do macroambiente foram estudados fatores externos, como variáveis ambientais: socioculturais, econômicas, tecnológicas, etc., para que se possa definir quais são as reais ameaças e oportunidades encontradas. Essas variáveis não são controláveis e influenciam direta ou indiretamente, de forma positiva ou negativa, na gestão do negócio da Amaro, o que pode interferir na sua capacidade competitiva. No microambiente, foi estudado o segmento de mercado onde a empresa está inserida, ou seja, fatores que também não podem ser controlados e que afetam diretamente o seu funcionamento. Já o ambiente interno, analisa as variáveis controláveis, aquelas que podem ser gerenciadas pela empresa, de acordo com seus interesses. Essa análise interna possibilitou maior entendimento da marca, sendo um fator de extrema importância para tomada de decisões estratégicas futuras. O resultado da mesma foi de suma relevância, por ser a base para a construção das diretrizes de um plano consistente para a empresa em questão. 2.1 Análise do Macroambiente Variável Demográfica A população brasileira atual é de 206,1 milhões de habitantes (PNAD IBGE, 2016), distribuindo-se da seguinte forma: Sudeste (86,3 milhões), Nordeste (56,9 milhões), Sul (29,4 milhões), Norte (17,7 milhões) e Centro-Oeste (15,6 milhões), com maior concentração na região sudeste (42%). Os cinco estados mais populosos são: São Paulo (44,7 milhões), Minas Gerais (21 milhões), Rio de Janeiro (16,6 milhões), Bahia (15,2 milhões) e Rio Grande do Sul (11,2 milhões). (PNAD IBGE, 2016) 21 A capital paulista é a cidade mais populosa do país, com mais de 11,5 milhões de habitantes. A Região Metropolitana de São Paulo é formada por 32 municípios, dos quais alguns deles concentram grandes números de habitantes. Temos como exemplo as cidades de Guarulhos (1.300.708ha), São Bernardo do Campo (795,541ha), Santo André (687.250ha) e Osasco (674.552ha). (IBGE 2016). Possíveis consequências para a marca Pela análise acima, é possível perceber quão extenso é o território brasileiro. Sendo assim, existem diferentes caminhos para expansão, inclusive para todas as regiões do país. Variável Econômica O rendimento nominal mensal domiciliar per capita da população residente no país será mostrado abaixo conforme os estados brasileiros, em comparação com a média Brasil – R$1226 (IBGE 2016). Através dessa análise, pode-se concluir que os centros de maiores rendas estão localizados no Sul, Sudeste e Centro-Oeste e os menores nas regiões Norte e Nordeste: 22 Figura 1: Mapa de rendimento nominal mensal domiciliar per capita Fonte: IBGE (2016) Partindo para uma análise mais ampla sobre a situação atual do Brasil, é possível constatar sua estagnação, decorrente da crise política e financeira que o país enfrenta desde 2014. Sendo considerado um país emergente, o Brasil ocupa o nono lugar no ranking das maiores economias mundiais (em volume de PIB 2016 – 1,796 trilhão USD). Em julho de 2017, o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou de 0,2% para 0,3% a projeção de crescimento da economia para este ano, devido aos níveis de crescimento alcançados no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. Já para 2018, a revisão foi negativa: a previsão passou de alta de 1,7% para elevação de 1,3%. Quando se trata do Estado de São Paulo - o maior estado brasileiro, segundo a EMPLASA (2016), o PIB da Região Metropolitana (A Grande São Paulo) representa 18% do total brasileiro, e mais de 50% do PIB do estado. 23 Com recorde histórico, o número de inadimplentes chega a atingir 61 milhões de brasileiros, segundo indicador do Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor (2017), o que caracteriza um crescimento de 1,5 milhão de pessoas em relação ao mesmo período do ano passado. Esse fato pode ser explicado pela alta taxa de desemprego no país, que, segundo pesquisa realizada peloIBGE (2017), é de 13,3% no primeiro trimestre, a maior taxa de desocupação para um trimestre concluído, desde o início da série da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2012). Ainda segundo a Pnad (2017), são 13,8 milhões de desempregados, contabilizando 20,4% de crescimento em relação a maio de 2016. Uma breve análise sobre formas de pagamento e insegurança dos consumidores, com foco no segmento de vestuário, será apresentada na análise de microambiente. Possíveis consequências para a marca Ao analisar os dados sobre economia regional no Brasil, conclui-se que a Amaro está localizada em regiões de alta renda per capita quando comparada com a média Brasil, em estados como São Paulo (8 unidades na capital), Rio de Janeiro (2 unidades na capital) e Paraná (1 unidade em Curitiba). O detalhamento da participação das regiões com foco no comércio online (segmento de atuação da marca analisada) será apresentado na figura 4, “Regiões”, na análise macroambiental sobre tecnologia. Em uma análise mais ampla, percebe-se que a crise econômica brasileira afetou todos os setores do país. Caracterizada como uma das maiores já vista na história, a recessão econômica afetou diretamente o orçamento do consumidor. A insegurança do brasileiro em relação à sua fonte de renda e ao futuro, somado à grande instabilidade política e econômica no país, contribuiu para gerar fortes quedas nas vendas do setor varejista, devido à redução e corte de gastos. Apesar da crise, as vendas online ainda tem potencial: Segundo dados do IEMI (2016), o valor das vendas de roupas nesse canal pode chegar em torno de 1,4% do consumo total, ou o equivalente a R$2,5 bilhões por ano, o que pode ser relevante para o crescimento da Amaro, que se apoia em uma plataforma digital. 24 Variável Tecnológica A tecnologia é hoje um dos principais fatores que impactam a execução e sucesso das estratégias de negócio das empresas, por isso reconhecer a relevância e contribuição das variáveis tecnológicas é, no cenário atual, praticamente uma condição para competir em um ambiente cada vez mais dinâmico e exigente. A tecnologia vem promovendo mudanças expressivas no padrão de consumo das pessoas e entender como captar oportunidades dentro deste ambiente não é uma tarefa fácil, uma vez que sua compreensão vai além de simples melhorias aplicadas ao site da empresa ou o desenvolvimento de um novo aplicativo. As pessoas costumam associar tecnologia com fatores distantes ao ser humano, como um composto baseado em cálculos, números e sistemas complexos, porém entender sobre tecnologia depende cada vez mais da capacidade das empresas de estarem próximas dos seus consumidores, entendendo suas necessidades, o que valorizam e, acima de tudo, como seus produtos e/ou serviços interagem com as expectativas e valores destas pessoas, impactadas diariamente por um mercado dinâmico, onde o ciclo de vida dos produtos é reduzido cada vez mais devido à necessidade de lançarem novidades a todo momento. Analisando a variável de tecnologia, é possível ver a globalização assumindo um papel importante no sentido de potencializar a necessidade das empresas de ampliarem suas visões sobre mercado e competidores, pois ao perceberem a atuação de novas marcas em mercados que vão além dos seus territórios de atuação existentes, podem, com base em novos referenciais, estabelecer ações e estratégias que concedam a elas destaque e novas oportunidades dentro dos seus ambientes de atuação. Em um artigo sobre o futuro do varejo, o portal global de tendências WGSN aponta a inteligência artificial como um fator que contribuirá fortemente para a renovação do varejo: A inteligência artificial trará uma mudança geral na indústria do varejo na próxima década, impactando tanto as operações quanto a experiência do consumidor. A era da IA está trazendo novos assistentes virtuais que, conforme se popularizam, se tornam um caminho que refina e controla as escolhas, redirecionando vendas e visita a lojas. A Google Trips 11 está 11 Google Trips – conceito: ferramenta do Google. 25 organizando a presença física dos consumidores antes mesmo de se aproximarem de uma loja. Ela cria mapas offline 12 para viajantes em seus smartphones, agregando as lojas, os cafés e atrações mais populares em um "tour" bem planejado. Os varejistas não podem ignorar a IA: a Google Home 13 , a Alexa da Amazon e a Amica da Coreia estão prontas para filtrar as experiências de compras dos consumidores, o que dificultará o alcance das marcas até eles. As marcas precisam entender o que há por trás destes algoritmos para garantir a presença perante ao consumidor e saber como isto mudará as expectativas do cliente em sua própria proposta de serviço. (...) A IA significa que os varejistas agora estão personalizando e otimizando as experiências de compras em tempo real, com base no que os usuários estão clicando, especialmente em termos de filtros visuais. WGSN (2017). Com isso, é possível perceber a importância de atentar às mudanças pela qual o varejo está passando e, acima de tudo, no que diz respeito à geração de experiências que podem começar desde melhorias na operação (através de sistemas e otimização de processos) até uma ação inusitada em algum ponto físico. A Inteligência Artificial, embora ainda vista como algo distante por muitos, é definitivamente uma ferramenta chave neste processo de mudança entre o modo como operamos o varejo hoje e o que veremos daqui para frente. Ainda sobre o ambiente de tecnologia, percebe-se o mercado do comércio eletrônico como um segmento de grande relevância e, por este motivo, foi necessário estabelecer uma pesquisa mais profunda sobre este setor e o quanto ele pode alavancar o crescimento da marca Amaro, uma vez que sua estratégia competitiva é baseada na sua atuação nas vendas online. Em meio à crise que afeta o país e, ainda que não tenha registrado crescimento expressivo, o setor do comércio eletrônico tem motivos para comemorar. Em 2016, seu desempenho positivo gerou uma alta de 7,4% - caracterizando um dos poucos setores a andar na contramão da crise (Ebit 2016). No ano passado, quase 25% da população brasileira fez compra online pelo menos uma vez, o que pode ser explicado pela oferta de preços: no varejo eletrônico os preços foram menores do que os do varejo físico e isso, em tempos de recessão, fez com que o consumidor encontrasse nas compras virtuais um meio de economizar (FECOMERCIO, 2016). 12 Offline – tradução: desconectado. 13 Google Home – tradução: ferramenta do Google. 26 Um fator relevante a ser considerado ao estabelecermos uma relação entre o desempenho do comércio online apresentado acima, e o fato da marca Amaro atuar neste segmento, é a participação expressiva do público feminino neste canal, superando o volume comprado pelo público masculino, o que pode indicar um alto potencial em explorar oportunidades direcionadas ao público feminino: Figura 2: “Perfil dos compradores em 2016” Fonte: Ebit Informação (2016) Ainda sobre o resultado das vendas de comércio eletrônico em 2016, a figura abaixo traz o perfil quanto a idade média do consumidor e desempenho das regiões. Sobre a faixa etária, percebe-se um grande potencial do público de 35 a 49 anos, seguido do público acima de 50 anos, o que pode servir de base para estabelecer ações que visam atender as demandas destes perfis, que juntos somam participação de quase 70% do total vendido em 2016. Com relação às regiões, há um grande potencial das regiões Sudeste e Sul, que juntas superam 75% do volume total, e são também as regiões em que a marca Amaro se faz presente. As regiões Sul e Centro Oeste apresentaram crescimento,o que pode estar associado à renda per capita dos estados regionais, apresentada no mapa de rendimento nominal mensal domiciliar per capita, mostrada anteriormente na análise macroeconômica. 27 Figura 3: “Faixa Etária” Figura 4: “Regiões” Fonte: Ebit Informação (2016) Abaixo, a figura referente à renda familiar média dos e-consumidores mostra que houve um aumento de 8% no ano de 2016 potencializado pelo enfraquecimento da classe C. Já a figura 6 traz a comparação desde 2013 e mostra como a classe C perdeu participação neste segmento: 28 Figura 5: “Renda familiar” Figura 6: “Participação das faixas de renda no e-commerce (volume de pedidos)” Fonte: Ebit Informação (2016) Ainda sobre o comportamento do consumidor online, percebe-se uma mudança em relação à forma de pagamento que os consumidores adotaram em 2016: enquanto em 2015, 39% dos consumidores preferiram pagar à vista, em 2016, 42% decidiram pagar em uma única parcela suas compras, aproveitando, inclusive, incentivos das lojas com descontos para, por exemplo, pagamento com boleto bancário. Este fenômeno pode estar associado ao cenário de instabilidade do país e o receio dos consumidores em fazerem dívidas de longo prazo, em um contexto onde o futuro se mostra cada vez mais incerto. Por conta de tantas incertezas sobre o cenário atual do país, foi necessário captar o potencial do mercado de comércio eletrônico para os próximos anos e, para isso, foi analisada a pesquisa encomendada pelo Google e realizada pela consultoria Forrester (2017), que estimou que o faturamento do segmento de comércio eletrônico vai aumentar cerca de 80% nos próximos anos, saltando de 47,1 bilhões de reais, em 2016, para R$84,7 bilhões. “O segundo semestre desse ano já deve ser melhor que o primeiro para o e-commerce no Brasil”, diz a diretora de clientes de varejo do Google, Claudia Sciama. De acordo com a mesma fonte, 27 milhões de brasileiros deverão fazer sua primeira compra pela internet nos próximos 29 anos. “Grande parte das vendas online ainda serão de produtos duráveis nos anos seguintes. Os setores de moda, beleza, saúde e decoração vão ganhar cada vez mais espaço”, afirma Flávio Dias, presidente executivo da CNova. (FECOMERCIO, 2017) De acordo com o estudo Webshoppers14 (2016) realizado pela Ebit, alguns destaques do comércio eletrônico foram ressaltados, trazendo dados significativos para quem atua nesse mercado: Figura 7: “Destaques do e-commerce em 2016” Fonte: Webshopper Ebit (2016) 14 Webshoppers – tradução: compradores de internet. 30 Os gráficos abaixo mostram que o consumidor continua na busca das vantagens que o varejo tradicional muitas vezes não consegue oferecer. O primeiro traduz o significativo crescimento de e-consumidores ativos – quase 48 milhões de brasileiros no ano de 2016, aproximadamente 10 milhões a mais que o ano interior. O segundo gráfico apresenta uma queda pouco significativa no volume de pedidos no comércio online, porém o ticket médio de pedidos – apresentado no terceiro gráfico, no e-commerce teve crescimento de 8% em linha com o crescimento das vendas – fator que impulsionou o faturamento do e-commerce em 2016 (FECOMERCIO, 2017). 31 Figura 8: Gráficos com: “Evolução dos e-consumidores (ativos)” “Evolução do volume de pedidos no e-commerce” “Evolução do tíquete médio de pedidos no e-commerce” Fonte Webshopper Ebit (2016) Apesar da qualidade dos serviços prestados ter se mantido estável no comércio online, o volume de atraso na entrega registrou uma alta, saltando de 7,5% em 2015, para 8,5% em 2016, principalmente em datas sazonais, quando ocorre grande concentração das vendas (Ebit 2016). Esses atrasos na entrega podem ser um fator determinante para o balanço de mensuração da satisfação e fidelização dos clientes, realizada através do indicador Net Promoter Score® (NPS) – metodologia criada pelo americano Fred Reichheld. 32 Figura 9: “% de atraso na entrega” e “prazo médio prometido” Figura 10: Gráfico “NPS X ATRASO” Fonte: Ebit informação (2016) Segundo relatório dos últimos 12 meses, o NPS se manteve próximo de 65% a partir de maio de 2016, um resultado semelhante ao mesmo período de 2015. A partir de novembro – época de blackfriday15, com o aumento do atraso, o indicador apresentou queda de satisfação, retomando o patamar próximo de anos anteriores. (FECOMERCIO, 2017) Um fator significativo no aumento das compras no varejo online foi o crescimento do uso dos smartphones16, tendo em vista a facilidade e a praticidade dos telefones móveis, onde o consumidor encontra comodidade na hora da compra, que pode ser realizada em qualquer lugar e hora. Abaixo, pesquisa realizada pelo Facebook (2016) traz o percentual de uso do smartphone no dia a dia do consumidor, provando que o mesmo pode fazer o uso do seu celular em qualquer momento do dia: 15 Blackfriday – tradução: Expressão em inglês que significa Sexta Feira Negra; é a sexta feira depois do dia de Ação de Graças, ou Thanksgiving em inglês; um dia especial no varejo americano onde as lojas oferecem grandes descontos. 16 Smartphones – tradução: telefone celular inteligente. 33 Figura 11: “Uso do celular no dia a dia” Fonte: Mobile Moves, Facebook (2016) Essa comodidade no uso do smartphone facilitou o comércio no ambiente digital: Mais de 21% das transações online foram realizadas por meio de dispositivos móveis: Figura 12: “Os dispositivos utilizados para realizar compras na internet em 2016” Fonte: Ebit informação (2016) 34 “As compras via dispositivos móveis foram importantes para o aumento das vendas no Brasil em 2016. Muitos consumidores, que não tinham acesso à internet, realizaram no ano passado a sua primeira compra utilizando o smartphone”, afirmou Pedro Guasti, CEO da Ebit. Esta popularização do acesso à internet por meio de dispositivos móveis, permitindo rápido acesso às informações de preços, aliada à melhora na qualidade dos serviços e experiência de compra, contribuíram para aumentar migração das compras do consumidor brasileiro para o comércio eletrônico (FECOMERCIO, 2017). Estudos da consultoria Deloitte (2017) mostram que 80% dos brasileiros já usam smartphones em seu cotidiano, com um aumento de 176% em comparação ao ano de 2013, segundo dados da 28ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, realizada pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP). A pesquisa conclui que, até o final de 2017, o Brasil terá um smartphone em uso por habitante. O gráfico a seguir mostra a relação entre os smartphones e as compras realizadas pela internet nos últimos anos: Figura 13: “Crescimento da participação dos smarthphones nas compras virtuais” Fonte: Ebit informação (2016) Em tempos de recessão de consumo devido à crise, na busca por maior rentabilidade e participação nas vendas, a estratégia das empresas de e-commerce 35 em 2016 consistiu em acompanhar ainda mais de perto o preço dos produtos, prazo de entrega e preço do frete na concorrência, sendo esses os fatores decisivos no processo de aumento das vendas (FECOMERCIO, 2017). Seguindo a tendência registrada desde julho/2014, as lojas de e-commerce mantiveram a estratégia de cobrar pelo frete nas vendas, porém foi registrada uma pequena redução no percentual de frete gratuito para os grandes varejistas em 2016:Figura 14: “Frete grátis” Fonte: Ebit informação (2016) Para este ano de 2017, um crescimento nominal de 12% está previsto, atingindo 49,7 bilhões de reais, segundo relatório Webshoppers (2016) da Ebit. “O comércio eletrônico deverá voltar a crescer em um ritmo acima do apresentado em 2016 e com muito espaço para progresso nos próximos anos (...) Com o aperto no bolso dos consumidores, teremos reforço nas vantagens competitivas do varejo on- line”, declara Pedro Guasti. Neste cenário, o comércio eletrônico ganha ainda mais destaque, uma vez que oferece possibilidades de comparação de preços de forma muito simples e rápida pela internet (FECOMERCIO, 2017). 36 Possíveis consequências para a marca Nascida em um ambiente digital, a Amaro iniciou sua comunicação com os consumidores através do seu e-commerce, hoje o maior meio efetivo de compra da marca, além do aplicativo. Com o avanço da tecnologia, cada vez mais usuários estão adeptos ao uso de smartphones (e suas funcionalidades), o que pode potencializar o crescimento da marca. Variável Sócio cultural O comportamento do consumidor em relação ao que procura na hora da compra – comportamento esse que será abordado a seguir, no microambiente, mudou o varejo no Brasil. Os meios de compra tradicionais (lojas físicas) e sua comunicação, por muitas vezes baseada em promoções, eram eficazes para atrair os consumidores, porém hoje vemos uma mudança na motivação de compra dos consumidores e um comportamento cada vez mais interessado em novidades, não só relacionados ao produto final, mas na maneira como as marcas interagem com eles em todos os seus pontos de contato. Com o avanço da tecnologia, mais precisamente da internet e seus diversos canais (redes sociais, sites, e-commerce), há uma busca por mais experiências e produtos com maior valor agregado. Segundo estudo realizado pela SEBRAE (2016), alguns fatores psicológicos possuem relação direta com o comportamento de compra do consumidor: A motivação: o desejo que impulsiona o consumidor à compra Percepção: avaliação do consumo e necessidade de adquiri-lo Aprendizagem: conhecimento adquirido pelo consumidor em virtude de suas experiências Crenças e Atitudes: reação do consumidor em relação a suas escolhas O comportamento do consumidor diante da nova geração de experiências mobile17 vem chamando a atenção de pesquisadores da área de marketing, como a 17 Mobile – tradução: Que se move; móvel. É o termo que se refere a dispositivos móveis. 37 de Jason Spero, profissional de Soluções de Desempenho Global da Google, que vem acompanhando esse novo cenário e revela as mudanças de comportamento do consumidor que estão transformando o futuro das interações digitais. Segundo ele, as expectativas do consumidor estão mais altas do que nunca. As empresas não estão mais competindo apenas com as melhores experiências dentro da sua categoria, mas sim com as melhores experiências que o consumidor já teve na vida, em todas as áreas. Toda vez que uma empresa cria uma experiência percebida de forma positiva, aumenta a lista de detalhes que o consumidor passa a se importar. Em contrapartida, se uma experiência é frustrante, ele pode nunca mais dar outra chance à empresa. (WBI Brasil, 2017) De acordo com o estudo realizado pelo americano, existem três pilares que sustentam o que o consumidor espera na hora da compra: - Que o ajude com rapidez: À medida que as tecnologias proporcionam experiências cada vez mais imediatas, os consumidores ficam mais impacientes: 53% dos consumidores abandonam sites que demoram mais de 3 segundo para carregar; - Que o conheça bem: Experiências personalizadas e relevantes são a chave para as marcas se conectarem com os consumidores e têm um impacto positivo nos resultados. Existe a oportunidade de usar dados de forma mais inteligente, observando importantes sinais sobre o consumidor – como seus hábitos de navegação ou dados do CRM – para moldar suas experiências. Sessenta e três por cento das pessoas esperam que as marcas usem seus históricos de compra para oferecer experiências personalizadas. - Que o surpreenda em todos os lugares: As marcas precisam observar como suas experiências em todas as mídias, canais e aparelhos, se conectam. 63% dos consumidores esperam que as marcas ofereçam uma experiência consistente todas as vezes que interagirem com ele. Em contrapartida, apenas 42% deles acredita que as marcas oferecem, de fato, experiências consistentes. Com as mudanças no comportamento do consumidor, será importante repensar o investimento em experiência do usuário, a fim de entender e atender 38 suas novas demandas. A chave poderá ser o preenchimento das lacunas entre os canais, através de boas experiências que gerem oportunidades no negócio. Ao analisar com maior profundidade o estudo “o futuro do varejo” divulgado no WGSN (2017), fica evidente o quanto é importante as marcas entenderem que a expectativa do consumidor mudou e que precisam se adequar para atender estas novas demandas e conquistar um espaço legítimo, de diferenciação: 2017 será um ano de mudanças. Os varejistas começam a entender o escopo da aplicação comercial da inteligência artificial: da adequação às necessidades do cliente ao corte de custos e processos. A IA também será um dos principais propulsores do comércio conversacional e sua influência no design de produto será mais notável. As transformações no cenário político causarão mudanças significativas na cadeia produtiva. Já o lançamento da Amazon Go irá acelerar o desenvolvimento das compras sem ter que passar no caixa.O conceito de sucesso em lojas físicas continuará a evoluir à medida que as marcas começam a reavaliar o espaço físico. Os produtos serão mais direcionados com base no local e no público- alvo, e os KPIs serão mais alinhados com o marketing e a mídia. (WGSN, 2017). Com isso, é possível enxergar um importante movimento de renovação diante da maneira em que as marcas viam o varejo. Muito além de um ponto de venda para comercialização de produtos, os espaços físicos deverão ser revistos, uma vez que as compras online ganham cada vez mais adeptos e o consumidor passa a valorizar questões maiores que o preço ou a marca. Ele está informado e quer fazer parte de algo maior, e neste novo cenário as marcas precisaram de um propósito mais profundo, algo que simplesmente aumente o faturamento. Este mesmo estudo traz os principais fatores que vão suportar o futuro do varejo: A inteligência artificial limitará o campo de visão dos consumidores; Linguagem natural; Design baseado em dados; A nova finalização de compras; A loja como forma de mídia; Mudanças na fabricação; Vendas sociais; Novos mundos digitais; 39 A nova vida das peças; Monitoramento das emoções; Ao analisar estes fatores, percebe-se o quanto é importante as marcas terem uma visão mais ampla sobre seus negócios e caminhos a percorrer, uma vez que o varejo de hoje já está sendo reinventado. Dos pontos acima, um fator em específico será aberto a seguir, por sua relevância na construção das ações para a marca Amaro e visando o embasamento desta pesquisa: Como a IA está limitando o campo de visão dos consumidores, os varejistas vêem a necessidade de criar novos tipos de lojas que atendam os desejos dos clientes por experiências diferentes, para ativar as marcas de uma nova maneira. As marcas inovadoras estão à frente, criando lojas e espaços temporários que focam somente na experiência. Algumas nem chegam a vender seus próprios produtos. Estes novos espaços estão sendo criados por marcas emergentes que não têm histórico de loja física. Elas estão criando uma nova idéia do que é ser uma loja. As métricas de sucesso estão mais alinhadas ao marketing eà mídia, do que às vendas. A criação de comunidades com mesmos ideais se torna mais importante, entretendo, educando, testando e aprendendo. "Nossa proposta é criar um centro de excelência em marketing", afirmou o CEO da Samsung Electronics da América do Norte, Gregory Lee, sobre o espaço 837 da marca no Meatpacking District, em Nova York, que não vende produtos. É um playground onde as pessoas podem se conectar com a tecnologia, os produtos e os serviços da Samsung de forma interativa e imersiva. (...) A vicepresidente sênior de varejo da Apple Angela Ahrendts falou sobre a mudança: "A loja agora é o nosso maior produto". (...) A loja de produtos para a casa de Nova York Pirch apostou no "experimente antes de comprar". Pias, chuveiros, geladeiras e fornos estão ligados, para que as pessoas possam provar. Eles podem até marcar um horário e tomar banho para escolher qual chuveiro é melhor. (WGSN ,2017) Outro fenômeno que se conecta com esta nova demanda dos consumidores em busca de experiências, reside no conceito de Omnichannel 18 , ainda pouco explorado mundialmente e, por muitas vezes, confundido com Multicanal – que significa estar presente em diversos canais. Muitas marcas hoje em dia já oferecem aos seus consumidores a comodidade de comprarem seus produtos em diferentes canais, tais como lojas físicas, plataformas online, aplicativos para celulares e pontos físicos temporários, e ainda possibilitam que o consumidor cruze sua compra nestes ambientes como, por exemplo, comprar produtos em um canal e trocar em outro (Harvard Business School Brasil, 2017). 18 Omnichannel – conceito: Evolução do conceito de multi canal que integra lojas físicas, virtuais e o comprador. Com foco na experiência do consumidor nos canais existentes de uma determinada marca. 40 Para entender melhor sobre o conceito de Omnichannel, partiu-se inicialmente em busca do significado do termo “omni” e encontrou-se na sua tradução para o latim, uma forma de começar a entender melhor sobre sua ideia central. Omni em latim significa “tudo, universal, algo que engloba todas as possibilidades e variáveis”. Sendo assim, em termos mais práticos, o conceito de Omnichannel, visa a’ integração simultânea de todos os canais de venda de uma marca, o que possibilita que esta tenha uma visão maior sobre o desempenho dos seus negócios e, para os consumidores, uma comodidade ainda maior na medida em que conseguem transitar entre os canais da marca sem rupturas no atendimento. O Omnichannel permite que o processo de compra ou de qualquer interação dos consumidores com as marcas possa fluir de maneira mais natural, onde todos os canais se conectam e fazem com que as marcas possam acompanhar seus consumidores, tendo ainda mais acesso à informação. (UOL, 2017) Em conteúdo divulgado no portal WGSN (2017), com base em um relatório da National Retail Federation19 (NRF), é possível perceber como as lojas físicas ainda são o ponto de destino principal dos consumidores e o quanto as marcas precisam rever sua forma de atuar no varejo. Cerca de ¾ dos consumidores entrevistados ainda são compradores de lojas físicas (com compras ultrapassando o realizado no ano anterior) e que a opção “clicar e coletar” é uma atração chave: Um grande fato que ocorreu é que a loja física é "ainda a pedra angular do varejo americano e provavelmente será por muitos anos, já que os consumidores buscam interação e experiências autênticas com varejistas", de acordo com o CEO da NRF, Matthew Shay. Ele acrescentou que, apesar das mudanças na indústria, "há um apelo para ver e tocar mercadoria pessoalmente e ser capaz de se envolver com outros seres humanos que estão de passagem. Mesmo os compradores mais jovens vêem o valor da loja". Apenas 21% dos consumidores entrevistados disseram que são principalmente compradores on-line, ou seja, comprando mais da metade de seus itens on-line, enquanto 79% compram metade ou menos online. Entre os Millennials e a Generation Z, a porcentagem principalmente em linha aumentou para 34%, mas a maioria ainda faz a maioria de suas compras nas lojas. (WGSN, 2017) Com relação ao consumo por produto, tem-se a moda como um segmento de grande potencial para aplicação do conceito de Omnichannel. Neste segmento, a participação das compras feitas em lojas físicas foi o menor de todos, enunciando o 19 National Retail Federation – tradução: Federação Nacional de Varejo 41 quanto as compras online já estão sendo uma escolha relevante dos consumidores no consumo de vestuário e o quanto as marcas podem se apropriar deste fato para construírem suas estratégias de Omnichannel: E parece que, quando se trata de quais produtos os consumidores compram on-line ou optam por visitar a loja, há diferenças claras, mesmo para aqueles compradores mais jovens que estão cada vez mais focados na web. Dos pesquisados 86% fizeram suas compras principalmente ou totalmente na loja, sendo 65% em itens e ferramentas para melhoria de casa, 64% para produtos de higiene pessoal e produtos de beleza e 57% para decoração / mobiliário doméstico. O vestuário é o grande ponto de inflexão com menos da metade das compras sendo principalmente em lojas, embora apenas muito ligeiramente menos da metade (49%). Cerca de 13%, principalmente, fazem compras on-line e 38% fazem compras igualmente nas lojas e on-line, um número que é susceptível de crescer e ressalta a necessidade de o setor de moda ter fortes estratégias omnichannel. (WGSN ,2017) Ainda que o crescimento das compras online já seja uma constatação, o estudo mostra fatores importantes para entender o porquê das lojas físicas ainda continuarem tendo uma representatividade maior quando se mede compras em geral. De acordo com a pesquisa, os principais pontos são: O maior motivador que faz as pessoas irem até a loja é porque precisam de algo imediatamente; As pessoas querem ver um item antes de comprar; Porque uma nova loja tinha aberto, para entretenimento ou opções de comida, ou porque eles estão coletando itens comprados online; Ainda sobre o comportamento do consumidor e para embasar a análise sócio cultural, fez-se necessário um estudo específico do ambiente digital no Brasil e a influência das mídias sociais, uma vez que a marca estudada, além de estar inserida neste cenário, tem como plataforma principal de vendas e comunicação a plataforma digital. O número de usuários ativos no Brasil nunca foi tão alto e seu crescimento é considerável se comparado aos últimos anos. Um estudo realizado pela agência de publicidade F/Nazca Saatchi Saatchi (2016) mostra, em detalhes, um panorama digital do ano de 2016. Na figura abaixo, pode-se perceber qual a real dimensão, em números, do mundo digital e qual seu impacto sobre o brasileiro, que afirma acreditar que a Mídia Social é a segunda fonte de informação mais confiável. 42 Figura 16: “Brasil, um país conectado”. Figura 15: “Usuários ativos Brasil” Fonte: F/Nazca Saatchi Saatchi (2016) Os altos números apresentados acima confirmam que essa geração está adepta ao uso do smartphone, abordado anteriormente na análise macro tecnológica. Abaixo, a figura 16 mostra a evolução do número de usuários da internet - se em 2014 o percentual de usuários representava pouco mais de 50% da população brasileira, em 2018 a previsão é que ele represente mais de 60%. Além do grande número de usuários, o Brasil também foi considerado o país mais engajado da internet em 2016, conforme mostra figura 17. 43 Figura 16: “Digital é mídia de massa” Fonte: F/Nazca Saatchi Saatchi (2016) Figura 17: “Brasileiro é o mais engajado da internet” Fonte:F/Nazca Saatchi Saatchi (2016) 44 O fato dos brasileiros acharem que a mídia social é uma das fontes de informação mais confiáveis, apresentado na figura 16 desta variável, pode ser compreendido pela importância que os consumidores dão para este canal e o retorno positivo que o mesmo é capaz de proporcionar aos seus usuários. A pesquisa ainda traz informações relevantes sobre o segmento das mídias sociais e sua relação com o público. Figura 18: Quadro “Tempo gasto com mídias sociais” Fonte: F/Nazca Saatchi Saatchi (2016) Na figura acima, é visível que o brasileiro recorre à internet para pesquisar sobre os mais variados assuntos, mas o percentual gasto especificamente com mídias sociais é maior que a junção de vários outros, enfatizando a confiança e importância dadas a esta plataforma. Consequência disso, é a alta audiência em mídias sociais no Brasil, que ultrapassa a soma de outros 4 países da América do Sul, conforme traz figura 19: 45 Figura 19: “Audiência em mídia sociais no Brasil” Fonte: F/Nazca Saatchi Saatchi (2016) Para retratar mais a fundo o assunto de mídias sociais, embasou-se o trabalho em uma pesquisa realizada pelo Facebook (2016) – a “Mobile Moves20”, que mostra que as pessoas estão mais tempo conectadas, e o mobile está presente em todos os momentos. Abaixo, a figura 21, extraída da pesquisa, mostra a quantidade de brasileiros conectados com as principais redes sociais – O Facebook e o Instagram. O alto número de usuários referente a essas redes sociais, apresentados anteriormente, explica o porquê das duas plataformas serem as mais usadas pelos brasileiros: 20 Mobile Moves – tradução: Movimentos do móbile. 46 Figura 20: “Popularidade das redes por país” Fonte: F/Nazca Saatchi Saatchi (2016) Figura 21: “O Brasil mais aberto e conectado” Fonte: Mobile Moves, Facebook (2016) 47 Ainda segundo pesquisa, dentro dos aplicativos favoritos, os brasileiros estão abertos a receber conteúdos personalizados de acordo com suas preferências e afinidades, onde surge a oportunidade das marcas de transformar cada momento de descoberta em uma jornada de consumo, mesmo que não imediata. Com isso, é possível dizer que o mobile cria novas formas de envolvimento entre pessoas e marcas, provocando reações positivas, conforme figuras abaixo. (Facebook, 2016) Figura 22: “Mobile cria novas formas de envolvimento” Fonte: Mobile Moves, Facebook (2016) Figura 23: “Mobile move os diálogos entre pessoas e marcas” Fonte: Mobile Moves, Facebook (2016) 48 Figura 24: “O mobile provoca reações” Fonte: Mobile Moves, Facebook (2016) Esse estudo serviu para mostrar o poder que as mídias sociais hoje exercem sobre seus usuários, e quantas chances existem para tornar dessa plataforma um aliado na busca de novos consumidores e também na integração dos mesmos. Possíveis consequências para a marca Ao entender a mudança no comportamento do consumidor, a Amaro investiu em novas experiências, até então desconhecidas pelo mercado. Com isso, atraiu a atenção do público para a chegada de algo que atendesse às necessidades do consumidor do varejo de moda. A valorização do mobile aproximou a marca dos seus consumidores, possibilitando que novas descobertas se transformem em jornadas de consumo e, consequentemente, oportunidades de conversão para a marca. 49 2.2 Análise do Microambiente No início de 2017, a ABIT (Associação Brasileira de Indústria Têxtil) divulgou o balanço no setor do ano de 2016 e as perspectivas para esse ano. Após dois anos de recessão, a indústria têxtil e de confecção se encontra no início de uma recuperação – a produção de vestuário, que em 2016 teve queda de 6,7%, já apresenta crescimento de 1%, com estimativa de crescimento de até 2% até o final do ano. No ano passado, o varejo fechou com queda de 6 bilhões de peças (10,7%). Em geral, é esperado que o setor registre faturamento de R$135 bilhões em 2017, caracterizando crescimento de 4,6% em relação ao ano anterior (FECOMERCIO, 2017). Com base na perspectiva de que a economia brasileira voltará a crescer, “2017 continuará sendo um ano com muitas dificuldades e incertezas, tanto no âmbito nacional, quanto internacional. Porém, existem alguns sinais de melhora por conta de propostas já encaminhadas e a serem encaminhadas pelo Executivo nas áreas da Previdência, Trabalhista, Tributária e da Desburocratização. A indústria está pronta para ativar a retomada que vier e o setor têxtil e de confecção sempre reagem muito rapidamente”, afirmou Fernando Pimentel, presidente da Abit. (ABIT, 2017). No setor do comércio online - explorado anteriormente em análise tecnológica do macroambiente, um dado levantado de grande valia para a marca é em relação à categoria de produtos comprados em ambiente online. Ao olhar o quadro abaixo, pode-se analisar as categorias mais vendidas através do comércio eletrônico: 50 Figura 25: Quadro “Share 21 de categorias – Categorias mais vendidas” Fonte: Ebit informação (2016) Na primeira linha, referente ao volume de pedidos, a categoria de moda e acessórios domina 13,6% das vendas e, em seguida, quando a análise é referente ao volume financeiro, a categoria representa 5,6% do total. (FECOMERCIO, 2017). Um estudo realizado pelo IEMI Inteligência de Mercado, atualizou no primeiro semestre de 2017 os dados da pesquisa sobre Comportamento de Compra de Vestuário, realizada em 2014 – período pré crise, buscando entender as mudanças no comportamento de compra do consumidor brasileiro. Marcelo Prado, diretor do IEMI declarou que “A forte recessão que se abateu sobre a economia brasileira afetou de maneira significativa o consumo de moda, resultando no encolhimento das vendas de roupas no varejo interno em 11%”. Neste período, o país saiu de um volume anual da ordem de 6,5 bilhões de peças, em 2014, para pouco menos de 5,8 bilhões em 2016. O estudo analisou em profundidade o perfil de compra de 21 Share: tradução: Termo que designa participação de uma empresa em algum ramo de atuação. 51 consumidores de vestuário e identificou que o “Poder da Marca” e “Pagamentos à vista” são os fatores mais importantes no momento da decisão de compra. O estudo buscou entender qual o real impacto da crise e sua influência na decisão de compra. (WBI Brasil, 2017). Ticket médio aumentou – Volume de peças diminuiu Figura 26: Ticket médio das compras Fonte: Wbi Brasil (2017) Pagamento à vista Com o endividamento das famílias, 68% dos consumidores mencionaram que o principal fator de escolha da loja é a possibilidade de “pagamento à vista”. Antes, em 2014, quase metade dos entrevistados mencionaram o “bom atendimento”. Figura 27: Pagamento à vista Fonte: Wbi Brasil (2017) 52 O poder da marca Mesmo com as dificuldades atuais do mercado, segunda pesquisa, a importância das marcas na decisão de compra não foi reduzida: 52% dos entrevistados afirmaram que a marca foi decisiva na escolha dos produtos, mesmo índice observado em período pré crise. Abaixo, estão os motivos alegados para a escolha da marca: Figura 28: O poder da marca Fonte: Wbi Brasil (2017) Motivação de compra Figura 29: Motivação de compra Fonte: Wbi Brasil (2017) 53 Produtos básicos x Produtos diferenciados Segundo Marcelo Prado, diretor do IEMI, a tabela abaixo reforça a ideia de que na crise o quese vende é o novo, o inovador, que encante o consumidor e o estimule a comprar. Figura 30: Produtos diferenciados Fonte: Wbi Brasil (2017) Canais de compra Ainda que com crescimento baixo, a compra pela internet ganhou consumidores nestes 3 últimos anos: Figura 31: Canais de compras Fonte: Wbi Brasil (2017) 54 O diretor do IEMI acredita que os resultados deste trabalho de imersão no setor de vestuário contribui para que os produtores de roupas, gestores de marcas e varejistas possam adequar suas estratégias para a retomada do crescimento. “É chegado o momento de repensarmos as nossas estratégias para colocarmos as nossas marcas à frente na retomada do consumo, mesmo porque ela será lenta e não será para todos”, alerta Marcelo Prado. (WBI Brasil, 2017). 2.3 Análise do ambiente interno Nascida como um comércio eletrônico, a Amaro passou para o mundo offline através dos guides shops, com a primeira inaugurada em 2014, no Shopping Pátio Higienópolis, na cidade de São Paulo. Segundo Dominique Schweingruber, CEO da empresa, a Amaro é “uma marca de moda que nasceu online, porém com uma estratégia omnichannel. Ter um guide shop é fundamental para transmitir ao consumidor o universo completo da Amaro, que oferece produtos premium 22 a preços justos”. Sua missão, declarada no site da marca, é de “todos os dias se desafiar para deslumbrar as clientes através de novas coleções constantes das últimas tendências, a preços disruptivos, entregues com rapidez e estilo”. Atuante no mercado de varejo de moda feminina, a Amaro conquistou um público de faixa etária entre 20 e 50 anos. Com o perfil de seguidora de tendência, a consumidora da marca é antenada e também adepta ao mundo digital, sempre em busca de novidade, tendo em vista que o acesso à internet facilita o acompanhamento de tendências. Preocupada com o tempo, essa consumidora busca por experiências que trazem comodidade e eficiência. A fim de entender melhor qual o perfil dessa consumidora Amaro, o grupo realizou uma pesquisa de campo no guide shop do Shopping Pátio Higienópolis, durante o mês de setembro. A pesquisa, que está disponível na íntegra nos apêndices A, B e C, apresenta informações que contribuíram com o embasamento do projeto e na tomada de decisões sobre as ações estratégicas, tendo em vista que 22 Premium – tradução: O significado pode ser atribuído a algo caro e raro, escasso, precioso. 55 traz ideias reais da atual situação do consumidor em relação à marca. Em resumo, foi concluído que a maioria das entrevistadas apresentam características como: Idade entre 35 e 50 anos Ensino Superior Completo Casada Possui filhos Renda familiar entre 8 mil e 12 mil reais Meio de comunicação que mais utiliza é a internet Faz comprar de moda pela internet Acha o online vantajoso em relação ao físico Se considera vaidosa Se preocupa com o visual no dia a dia Pratica atividade física Acham o preço o fator mais motivador da compra Como dito anteriormente, questões abertas também foram aplicadas na pesquisa. No primeiro bloco, o foco da entrevista foi definição de perfil e em relação à moradia concluiu-se: 100% dos entrevistados residem na Grande São Paulo e a grande maioria na capital paulista, com diversidade de bairros, porém com predominância nas regiões Sul, Leste e Centro de São Paulo. No segundo bloco da pesquisa - com foco na percepção do consumidor em relação à marca, foram pesquisados pontos sobre como conheceram a marca, se realmente sabiam o que era um guide shop e qual o real impacto do consumidor sair sem o produto da loja. Após tabulação de resultados, foi percebida a importância que o Instagram tem sobre a marca: diversos entrevistados afirmaram acompanhar a marca pela rede social, depois de tê-la conhecido através da internet ou por algum amigo/parente. Alguns consumidores ainda afirmaram ter descoberto a marca através “da loja no shopping”. Quando questionados se sabiam o que era um guide shop, quase todos confundiram o conceito com uma loja tradicional, se referindo à marca como loja. Foram poucos os entrevistados que associaram o conceito da marca com o fato de 56 ser um guide shop e não uma loja. Sendo assim, percebe-se uma falha na comunicação sobre o que é um guide shop e qual o seu propósito. Outro ponto relevante da pesquisa foi sobre o atendimento no ponto de venda e como se sentiam sem poder levar o produto para casa no momento da compra. Todos os entrevistados afirmaram que foram bem atendidos “na loja” todas as vezes em que compraram lá, porém todos se referiram às consultoras como vendedoras. Ao serem questionados sobre não levar a sacola para casa, alguns consumidores relataram terem estranhado na primeira vez que compraram algo, outros disseram que foram até a loja já sabendo como funcionava, por isso não estranharam. Nenhum dos entrevistados afirmou ter deixado de comprar na Amaro devido a essa situação. Um fator relevante, positivamente citado nas pesquisas mesmo sem terem sido questionadas diretamente, foi a rotatividade das coleções que, para muitos consumidores, era desconhecida outra marca com tamanha oferta. Com uma média de 18 coleções que se estendem através de uma grande variedade de modelos e estampas, a marca conta ainda com linhas como active wear23 e lingerie – lançadas em 2016. Ao longo do estudo da marca, foram percebidos e identificados valores como a inovação, freshness24, o preço aliado ao valor perceptivo e a agilidade nas entregas. O fato da marca ser Omnichannel oferece também uma experiência exclusiva através do conceito dos guide shops. “os mundos offline e online estão se fundindo rapidamente e o mercado de varejo será bem diferente em 2020. Como uma startup 25 , experimentamos a junção entre moda, varejo omnichannel e tecnologia para criar um modelo de marca de lifestyle 26 para o futuro” (Schweingruber, 2016). 23 Active wear – tradução: Referência ao estilo de roupas destinadas às atividades esportivas. 24 Freshness – tradução: Frescor, significa que algo é recente ou acabou de ser feito. 25 Startup – tradução: Companhias e empresas que estão no início de suas atividades e que buscam explorar atividades inovadoras no mercado. 26 Lifestyle – tradução: estilo de vida. 57 De uma expectativa inicial não tão alta e, hoje, com resultado significativo, os guides shops foram criados como uma estratégia de branding27 para suprir uma dificuldade do brasileiro: comprar na internet sem experimentar o produto. Hoje com 11 unidades e previsão de abertura de mais guides shops até o final deste ano, a ideia é gerar experiência e conhecimento da marca, ou seja, as clientes “podem tocar as roupas, sentir a textura dos tecidos, observar as cores e seguir para o provador se desejarem”. Outro diferencial, é o método da realização da compra, onde a mesma é efetuada através de um dos computadores ou tablets instalados dentro do guide shop, o que torna desnecessário a presença de caixas, agilizando assim todo o processo. Um dos diferencias da experiência é o fato do produto adquirido no espaço físico ser entregue diretamente na casa do consumidor, ou seja, o consumidor compra o produto no guide shop e, ao invés de carregar a sacola ao sair da loja, a entrega é feita no endereço desejado. Cerca de 80% das entregas são realizadas no mesmo dia, já as entregas endereçadas à Grande São Paulo, podem levar até 24hs e para outras localidades o prazo de entrega é menor em relação à média do mercado. Quando se trata de relacionamento com cliente, a Amaro tem a oportunidade de se destacar de seus concorrentes. Com nítido foco no seu consumidor, a marca adotaalgumas ações sutis que a faz se aproximar e conquistar o seu público. O serviço de troca gratuita é um dos fatores que traz confiabilidade à marca - troca 100% gratuita ou devolução de 100% do dinheiro. O consumidor têm a segurança de que se o produto não der certo, seu dinheiro será devolvido ou você terá a possibilidade de, gratuitamente, fazer a troca por outro produto. Outra estratégia adotada pela Amaro é a entrega do que ela realmente promete: você compra sabendo o que vai receber, sem surpresas e, o mais importante, recebe dentro do prazo escolhido. Atentando ao público feminino, a marca também se dedica a valorizar seus produtos através de uma embalagem de nível superior quando comparada às demais utilizadas pelo mercado de moda. Durante a pesquisa realizada nas redes sociais com foco na hashtag #mundoamaro e, brevemente antecipada na 27 Branding – tradução: gestão de marcas. 58 metodologia desta pesquisa, foi possível constatar que a embalagem é algo que os consumidores realmente valorizam e deixam muito clara sua satisfação em receber uma encomenda da Amaro. A marca oferece dois tipos de embalagem, a reciclável e a de presentes, conforme mostra figura abaixo, e é grande o número de consumidores que optam pela embalagem de presente mesmo quando a compra é para si. Neste caso a embalagem é uma caixa preta envolta com um laço de cetim. Ainda que exista a opção de embalagem econômica, o que também é um diferencial uma vez que a sustentabilidade é um fator relevante nos dias de hoje, é interessante constatar que as mulheres optam pela embalagem “especial” para compras que não são para dar de presente. Figura 32: “Embalagem Ecológica” “Embalagem Premium” Fonte: Site da Marca Amaro (amarofashion.com) A escolha das duas embalagens é feita através do site, na hora da compra. Esses são alguns pontos de vantagens que, isolados, parecem não ter efeito expressivo, mas que realmente podem fazer a diferença na hora da escolha da marca por parte do consumidor. Com base na identificação dos pilares da marca, foi possível analisar a proposta de valor da Amaro, através dos produtos e serviços que criam valor para o segmento de clientes onde está posicionada. Devido à essa promessa de valor que entregam, destacam-se alguns itens que atendem ou satisfazem a necessidade deste cliente, indicando as principais razões da possível preferência: 59 A ideia de ganhar tempo – Com o tempo cada vez mais escasso e, por isso, tão valioso, os consumidores procuram otimizá-lo. Poder fazer uma compra no meio da correria do dia a dia, e tê-la entregue em casa em poucas horas, se torna um diferencial para os valorizam cada minuto. Essa é a ideia de se ganhar tempo, ou seja, poder usá-lo no que seria gasto para ir até a loja comprar uma roupa ou para fazer outra tarefa também importante. Além da comodidade na entrega, o ticket médio de tempo é menor que diversos outros sites de varejo de vestuário, o que torna a compra prática e rápida; Produto de moda com preço acessível – Em um mercado onde a concorrência é acirrada, encontrar uma marca que te oferece um produto de moda, de boa qualidade, boa procedência e ainda com preço acessível e justo, é sinônimo de conquista. Omnichannel – A briga pelo espaço e por consumidores, muitas vezes leva as marcas ao desespero e à aposta pelo mais conveniente, pelo que gera resultado instantâneo, fazendo com que as mesmas se percam de seu posicionamento. Oferecer uma gama de pontos de contato para seus consumidores e integrá-los com o intuito de uma melhor experiência, é de fato algo que agrega valor à marca; Entrega além do produto – Encantar um cliente vai muito além de oferecer e vender um produto. Hoje, ao investir em experiência de marca, a AMARO passou a entregar serviço, além do produto em si. Os canais de comunicação da Amaro também fazem parte de uma estratégia de marketing bastante interessante quando analisada no aspecto de que trazem novidade ao mercado. Presente em diversos meios de comunicação, a marca conversa com seu consumidor através dos mais variados canais digitais: Facebook, Instagram, Youtube, Linkedin, Spotify, Pinterest e Twitter, além do próprio guide shop; que é um ponto de contato offline importante para comunicar o modelo de negócio proposto. Quando se trata de canais de vendas, a Amaro oferta seu produto através dos guides shops, e-commerce próprio e também de parceiros, como Dafiti. A fim de aumentar o conhecimento de marca e, consequentemente, aumentar as vendas, a Amaro trabalha com uma proposta chamada “Amaro goes to28”, onde é 28 Goes to – tradução: vai para. Termo usado pela marca Amaro para nomear seu projeto “Amaro goes to”, onde a marca se desloca para diversos lugares para vender seus produtos de forma itinerante. 60 montada uma pop up 29 através de um evento em outras cidades, com digital influencers30. A fim de entender o modelo de negócio da Amaro, planejar e visualizar as principais funções da empresa e suas relações, foi feita uma análise da marca através da ferramenta do método Business Model Canvas – modelo de negócio que descreve o racional de como as organizações criam, entregam e capturam valor. Figura 33: “Canvas Business Model Amaro” Fonte: As autoras (2017) A análise feita acima possibilita a elaboração de um plano bem estruturado e com maior potencial de sucesso. Acreditando que o modelo de negócio da empresa é o futuro do varejo – ser digital com uma estratégia omnichannel, a Amaro busca referências internacionais e foca o olhar para experiências, a fim de se consolidar cada vez mais no mercado de varejo de vestuário. Com base nessa crença, segundo a coordenadora de marketing 29 Pop up – conceito: Lojas temporárias que abre por curtos períodos e muitas até se tornam itinerantes, reabrindo em outros locais. 30 Digital influencers – tradução: influenciadores digitais. 61 de conteúdo da Amaro, Camila Rocha, a empresa visa se tornar global e – daqui alguns anos - a marca top of mind31 Levantadas as informações do ambiente interno da marca, após ter tomado conhecimento de como ela funciona e saber de forma mais detalhada o que a Amaro busca, foi possível iniciar o estudo para o planejamento de estratégias para a mesma. A fim de inspirar o conceito da proposta, o primeiro passo foi desenvolver um moodboard baseados em fatores importantes para a marca, conforme determinado na disciplina de Design Thinking. Figura 34: “Moodboard” Fonte: As autoras (2017) 31 Top of mind – conceito: termo em inglês que classifica marcas conforme sua popularidade na mente dos consumidores. 62 Durante o desenvolvimento dos moodboards foram captadas imagens diversas dentro de quatro fatores principais: visual, inovação, atributos funcionais e frustração conforme descrição a seguir: Visual: ao observar o PDV da marca, os guides shops, pode-se perceber um padrão adquirido. Contando com uma arquitetura moderna, amplo espaço interno para circulação e distribuição organizada de produtos, o visual da guide torna-se um ambiente convidativo para o consumidor. Com relação à exposição dos produtos o espaço oferece um apelo visual que possibilita a visualização da coleção de forma ampla e organizada, aplicando coordenação entre produtos básicos e estampados; Inovação: com uma proposta pouco conhecida no mercado brasileiro, a Amaro oferece, por meio das guides, um novo modelo de operação que se comprova através de diversas ações: entrega rápida, ambiente offline que possibilitamaior informação para compra online, entre outros diferenciais; Atributos Funcionais: alguns atributos adotados pela Amaro destacam-se por sua funcionalidade, comodidade e praticidades. Entre eles a oferta de coleções constantes (fast fashion), entrega rápida, embalagem para presente e troca/devolução gratuita; Frustração: ao estudar o modelo de negócio da Amaro é possível perceber que suas ações podem não estar alinhadas com seu público consumidor e principalmente com seu posicionamento desejado. Neste caso, a visão foi sobre possíveis frustrações da própria marca sobre sua atuação, e não sob a ótica do consumidor; Feito o mapa de inspirações, procuramos entender melhor a experiência que a marca oferece no ambiente online (e-commerce) e no ambiente offline (guide shop) e qual o seu atual posicionamento. Sendo assim, encontramos vantagens competitivas que a Amaro oferece, mas que precisam ser ajustadas ou devidamente entendidas pelo consumidor para que não se transformem em percepções negativas para a marca. 63 Figura 35: “Vantagens Competitivas” Fonte: As autoras (2017) - A localização dos guides shops são, em sua maioria, em shopping centers, local onde as pessoas costumam ir para lazer e também fazer compras, com exceção da recente unidade inaugurada na rua Oscar Freire. Em contrapartida, o consumidor não pode levar o produto adquirido para casa no momento da compra e é neste momento que se formam alguns questionamentos como: de que maneira suprir a expectativa criada de comprar o produto e desfilar com a sacola da loja no shopping? Por isso, é de suma importância que se estabeleçam ações que mostrem ao consumidor o verdadeiro propósito da marca, transformando, assim, uma possível frustração e desconforto e uma experiência diferente. - A entrega expressa é uma possibilidade atrativa, tendo em vista que é mais rápida que as entregas convencionais, otimizando o tempo do consumidor. Todavia, ela é oferecida – no tempo citado acima, apenas para a Grande São Paulo, o que pode confrontar com a idéia da marca de se tornar global, conforme dito por Camila Rocha, uma vez que as vantagens estão, em sua maioria, regionalizadas. Ao entender que a entrega da mercadoria depende de parceiros terceirizados da marca, 64 procuramos soluções que levassem a Amaro até o consumidor, facilitando o acesso à compra e recebimento da mesma. - As constantes coleções oferecidas pela marca, explicadas anteriormente na análise de ambiente interno, e seus produtos com apelo de moda, sempre trazendo o que há de mais novo no mercado, é um dos maiores diferenciais competitivos da marca. Ao explicar a diferença entre uma guide shop e uma loja tradicional, um quesito importante na diferenciação é o atendimento recebido em ambos os pontos de venda. Na Amaro – segundo Camila Rocha, não existem vendedores (pois não é uma loja), mas sim consultores de moda, que auxiliam o consumidor no processo da compra. Porém, nas visitas realizadas por nossa equipe e também por pessoas de nosso convívio, foi percebido um atendimento próximo ao do varejo tradicional, remetendo à ideia de uma loja convencional. Analisando ainda a proximidade da Amaro com o modelo padrão do varejo, foi percebida uma necessidade de estreitamento na interação da loja com o consumidor. Para aprimorar este ponto serão propostas ações no PDV que melhorem o posicionamento da marca – enquanto modelo de negócio diferente do varejo tradicional, e, consequentemente, a percepção do consumidor. Levantados os pontos internos que hoje integram à marca e podem influenciar no entendimento do consumidor sobre a mesma, procuramos entender quem é a consumidora Amaro e qual a sua relação, de fato, com a marca. Uma análise de segmentação de cliente foi feita através de uma ferramenta do método Canvas (explicado anteriormente em ambiente interno), o Mapa de Empatia, que visa descobrir quem é o consumidor da marca, a fim de tomar as diretrizes corretas para as ações que serão eficazes para aquele público. 65 Figura 36: “Mapa de Empatia” Fonte: As autoras (2017) Sendo assim, foram encontrados três perfis diferentes de clientes, as chamadas personas – personagens que representam esses clientes: A antenada, consumidora que está conectada nas redes sociais e que busca produtos de moda com preços acessíveis. Atraída pelas constantes coleções, pelo preço competitivo, e por produtos de boa qualidade e, também por conseguir ter sempre algo novo no seu armário, nutrindo seu desejo de estar atualizada. Este perfil de consumidora é aberta ao novo e à novas experiências digitais; A independente, que trabalha e sabe o valor do seu tempo e do seu dinheiro, busca por boa qualidade e preço acessível, o real custo x benefício. Ela gosta de estar na moda, se encanta com as coleções constantes, mas também se preocupa com peças que possam ser usadas em diversas ocasiões, seja 66 numa reunião de trabalho ou em um happy hour 32 com os amigos. Devido sua rotina intensa, procura otimizar o seu tempo em busca de soluções práticas e rápidas; A aspiracional tem a visão e a percepção de valor diferente do que os outros dois públicos. A mulher deste perfil é atualizada e se preocupa com sua aparência, combinações de peças e “look do dia”. Também atraída pela renovação constante da coleção, ela busca peças únicas e diferenciadas, que possam elevá-la a um patamar de aspiração. É preocupada com sua imagem – principalmente nas redes sociais e aposta em looks mais ousados, com alto apelo modal (traz o que tem de mais atual no mercado). Ao entender a importância que a rede social tem para a consumidora Amaro, foi realizada uma pesquisa no Instagram – hoje o maior canal de mídia social da marca. A pesquisa foi baseada na investigação sobre a hashtag #mundoamaro, lançada pela própria marca: Figura 37: “Mundo Amaro” Fonte: As autoras (2017) 32 Happy hour - tradução: hora feliz 67 Acima, estão algumas imagens encontradas na busca pela hashtag. Através desta pesquisa, foi percebida o quão estreita é a relação da Amaro com seu consumidor e quanto o mesmo preza por esse relacionamento. Como já citado na análise de ambiente interno, é possível perceber o real impacto que a embalagem para presentes tem sobre o consumidor, que valoriza o cuidado da caixa mesmo quando a compra é para si próprio. Além das imagens acima foi possível capturar palavras que foram associadas à hashtag #mundoamaro: Figura 38: “Palavras associadas ao mundo Amaro” Fonte: As autoras (2017) Com isso, percebe-se a oportunidade que a marca tem de potencializar sua relação com seus consumidos, preservando o respeito e cuidado com seu público, uma vez que este é capaz de amplificar a presença da marca nas mídias sociais. 2.4 Concorrência Fatores importantes foram analisados para as estratégias competitivas da Amaro. O gráfico abaixo permite a visualização do mercado em que a marca está inserida em relação aos seus concorrentes mais próximos. Esta análise foi feita com base no posicionamento atual da marca e como a mesma define sua concorrência. Segundo Camila Rocha, e também com base em análises de mercado, durante as aulas da disciplina Design Thinking, foram definidos os concorrentes. A Zara e a Renner, duas marcas de vestuário de grande porte, foram definidas como 68 as concorrentes diretas da Amaro. Sendo assim, fez-se necessário a realização de pesquisas de campo a fim de entender o funcionamento do negócio das concorrentes. Figura 39: “Análise concorrentes - posicionamento atual” Fonte: As autoras (2017) A Renner – que traz o slogan “Vocêtem seu estilo e a Renner tem todos”, é uma marca também brasileira com presença somente nacional. Com mais de 160 lojas e cerca de 14 mil funcionários, possui um mix de produto bastante amplo, entre roupas, acessórios, calçados e cosméticos. Outra grande varejista, há mais de 40 anos no mercado, a marca espanhola Zara é a principal concorrente da Amaro, com coleções constantes e bastante desejadas, conseguindo atender o mesmo público. Com uma intensa variedade de produtos, a marca segue e lança tendência no nicho em que está inserida. De presença global, com uma média de 2.500 lojas em mais de 90 países, a Zara também trabalha com o conceito fast fashion33 em um nível mais elevado que o mercado deste segmento. 33 Fast fashion – conceito: moda rápida: significa um padrão de produção e consumo no qual os produtos são fabricados, consumidos e descartados – literalmente – rápido. 69 A seguir, um quadro comparativo foi desenvolvido com base em dados apresentados pela Amaro e, também, embasado em pesquisa de campo realizada nos principais shoppings de São Paulo. O quadro tem como objetivo analisar de forma comparativa a situação atual da Amaro e suas principais concorrentes no setor de moda feminina: Figura 40: “Quadro comparativo concorrência” Fonte: As autoras (2017) O quadro acima nos permite analisar as vantagens e desvantagens competitivas da Amaro em relação aos seus concorrentes, a fim de detectar possíveis ameaças e oportunidades e, também, levantar alguns pontos negativos e positivos da marca. A fim de estender o entendimento sobre o posicionamento da marca e seus concorrentes, foi feito um novo estudo de mercado considerando a uma revisão no posicionamento da marca que será apresentado nesta pesquisa no capítulo 4. Com base nesta análise, foi possível estabelecer uma nova matriz de concorrentes com 70 eixos que apontam para questões como experiência e conveniência, questões levantadas durante o desenvolvimento e que embasam recomendação de um novo posicionamento para a marca. Figura 41: “Análise concorrentes – novo posicionamento” Fonte: As autoras (2017) Em conversa com Camila Rocha, foi mencionado que a Amaro está direcionando cada vez mais o seu olhar sobre a importância de gerar experiências para seus consumidores e captar oportunidades neste sentido, tendo como referência marcas internacionais. Sendo assim, a nova matriz de posicionamento foi elaborada pensando em quais eixos seriam mais relevantes apontando para este novo olhar sobre a marca. Neste caso, para a elaboração da análise SWOT, foram definidas as marcas Tok&Stok, Westwing e Amazon como principais concorrentes da Amaro nos quesitos como experiência e conveniência, conforme antecipamos anteriormente. 71 2.5 Análise SWOT A análise SWOT permite fazer um diagnóstico estratégico de uma empresa através do mapeamento de seus pontos fortes e fracos, com um olhar profundo para dentro da corporação, e também ameaças e oportunidades, visando entender como a marca se encaixa no ambiente externo: Figura 42: “Análise SWOT Amaro”. Fonte: As autoras (2017) A situação econômica do país, que levou à alta taxa de desemprego e ao recorde brasileiro de maior número de inadimplentes é um fator que, como mostrado em pesquisas anteriores, na análise do macroambiente, influenciou negativamente nas vendas do setor de vestuário no ano de 2016. A queda no consumo poderá interferir diretamente no volume de vendas da Amaro, uma vez que o consumidor deverá controlar seus gastos, adquirindo apenas o necessário. Ao analisar essa ameaça do mercado, pode-se perceber um motivo para a marca ser mais procurada 72 pelos consumidores: Com a crise, a redução de gastos ocasionou o aumento da busca pelas ofertas de preços baixos, gerando uma vantagem para a Amaro, que oferece produtos acessíveis, com bom custo benefício. Outro ponto forte da marca, que pode ser considerado vantajoso em meio à crise, é a ideia do frete grátis em compras acima de determinado valor. Outra oportunidade também encontrada é a mudança no perfil do consumidor, que está cada vez mais antenado ao mundo digital e em busca de novas experiências que otimizem seu tempo. Em um mercado onde o consumidor vive uma busca constante por inovação, a Amaro surge com um ponto considerado forte: as suas mais de 18 coleções anuais trazem o que há de mais novo no mercado. Ao levantar outros pontos positivos da Amaro, é possível perceber que as oportunidades podem ser melhor aproveitadas pela marca. Nascida no mundo digital, em uma era onde o maior meio de comunicação é a internet, a empresa dispara na frente de tantas outras que estagnaram com as lojas físicas. Atender a necessidade do cliente de forma prática e cômoda é um destaque no cenário atual onde as pessoas estão cada vez mais sem tempo, e o mesmo tem se tornado cada vez mais valioso e escasso. Ao pensar nisso, a Amaro se reinventou e surgiu com a proposta do Guide Shops, uma espécie de “teste” do produto, onde o consumidor pode provar o que ele viu na internet, ainda com uma experiência diferente da usual: após a compra, o produto é entregue na sua casa, com uma média de tempo de entrega menor que a do mercado. Mas a ameaça começa aí: O modelo de negócio da Amaro chegou ao mercado trazendo uma proposta diferente ao criar o conceito do Guide Shops, um conceito não conhecido anteriormente pelo consumidor brasileiro. O possível questionamento sobre ser ou não uma loja física abre espaço para o consumidor perceber de maneira negativa ou positiva o modelo proposto. É uma loja que não permite levar a sacola pra casa, ou é um e-commerce que permite o toque e a experimentação da roupa? Essa possível falta de percepção do público é decorrente de uma falha de comunicação da marca, uma vez que tangibilizar a proposta inicial é essencial para que o público entenda e corresponda a esse modelo de negócio sem gerar estranhamento. 73 Percebidos os fatores internos e externos que podem influenciar na tomada de decisão para plano estratégico da Amaro, foi feita uma análise do cenário para diretrizes de ações. O próximo capítulo apresentará essas ações que compõem o plano estratégico desenvolvido para a Amaro, a fim de elevar sua capacidade competitiva e se destacar no mercado. 3. Proposta Este capítulo se dedica a resgatar pontos principais sobre a atuação da marca Amaro, e como as informações apresentadas na análise de ambiente interno foram conduzindo a fundamentação das ações que serão descritas a seguir. 3.1 Curadoria do conteúdo Ao analisar todo o conteúdo mapeado para o desenvolvimento desta pesquisa, foi possível estabelecer ações que elevassem o patamar da marca Amaro como uma referência na entrega de experiências e como uma nova versão do varejo como é conhecido hoje. A marca hoje atua em um segmento com grande potencial, como visto na variável de tecnologia no macroambiente e, portanto, tem a oportunidade de avançar com maior legitimidade e agilidade em questões como inteligência artificial e renovação dos pontos físicos, a fim de se diferenciar das tantas marcas que possuem e-commerce, mas não fazem ativações fora do ambiente online. Diante de todos os levantamentos apresentados até o momento, é importante destacar a pesquisa feita nas redes sociais como um fator muito relevante durante o diagnóstico da marca. O conteúdo extraído desta pesquisa foi crucial para fundamentar as ações que serão listadas a seguir, assim como a constatação das palavras associadas à marca, a pesquisa da hashtag mundo amaro e a representação da persona contribuíram para o entendimento de como a marca atua nos dias de hoje, e como poderá aprimorar sua relação com seus consumidores. 74 A seguir, na apresentaçãodo Golden Circle da marca, feito com base nas pesquisas realizadas em todo o estudo, foi possível traçar um plano de ações eficaz para que a marca exerça sua posição de destaque no mercado. As propostas a seguir visam valorizar a idéia central do modelo de negócio, aprimorando experiências e atendendo de forma inteligente às necessidades do consumidor Amaro. É importante ressaltar que um dos principais diferenciais dentro do modelo de negócio da marca, os guide shops, também precisam ser revistas. Conforme visto no capítulo anterior, ainda existe uma falta de percepção do público sobre este espaço físico e o quanto ele é um elemento essencial na estratégia da marca, que deveria suportar sua diferenciação entre as demais. Nas figuras a seguir – disponibilizadas na internet pela própria marca - é possível verificar como são os guides shops atualmente e o quanto seu modelo de operação poderá ser aprimorado com o objetivo de se distanciar do modelo de varejo atual. Figura: 43 “Painel Amaro” Fonte: As autoras (2017) 75 Proposta Pause Ao analisar este novo momento do consumidor, descrito na variável sócio cultural, que hoje muda seu comportamento em direção a experiências mais enriquecedoras e com um foco maior no que é essencial, foi possível estabelecer um caminho criativo para o que foi intitulado de “Propostas Pause34”. A proposta foi desenvolvida ao perceber um momento do consumidor em que existe uma predisposição para comprar, ou seja, ele busca usar o seu tempo a favor do seu relaxamento e distração e está aberto a testar novidades e novas experiências. Sendo assim, foi detectada uma oportunidade para a marca criar experiências sensoriais e emotivas, que visam ampliar a sua conexão com o seu consumidor. Ainda sobre o conceito de pause, e que posteriormente servirá para embasar ainda a proposta em questão, vê-se novamente o WGSN apontando uma macrotendência relevante para esta pesquisa, intitulada “Visão Pausa”. O momento de pausa descrito pelo portal permite refletir sobre a reflexão atual das pessoas com relação à tecnologia e qual a evolução deste momento: Impulsionados pela pausa tecnológica de 7 anos, os consumidores estão em um estado de espírito menos digitalizado, desfrutando de uma tecnologia sensível e meditativa. À medida que a mentalidade do consumidor passa de agitada para tranquila, o conceito de valorização dos produtos e serviços ostensivos e de luxo se transforma em valorização das experiências e do tempo livre. A pausa tecnológica é um evento cíclico. A cada 15-20 anos, se vê um avanço na tecnologia com adoção em massa e, em seguida, uma pausa de 7 anos até a próxima ascensão. O último grande salto foi a introdução do iPhone, em 2007, seguida pelo lançamento da iTunes App Store, em 2008. Os pesquisadores especulam que a próxima grande inovação tecnológica é a Inteligência Artificial (IA), que está ganhando espaço e deverá ser adotada em massa até 2022. (...) Mas como esse intervalo afeta a mentalidade do consumidor? O tédio tecnológico já atingiu os entusiastas que adquirem as tecnologias recém-lançadas e deverá atingir sua massa crítica em 2016. O design dos produtos tecnológicos também segue em direção ao mundo fora da tecnologia (...). Até o início de 2017, os consumidores usarão a tecnologia para descobertas introspectivas e fortuitas, e o mais interessante, é que a usarão para fortalecer o cérebro em detrimento dos bytes externos. Ainda sobre este tema, destacam-se abaixo suas ideias principais: 34 Pause – tradução: pausa. 76 Nessa pausa de sete anos, o consumidor utilizará a tecnologia a favor do bem-estar e fará intervalos virtuais; As habilidades táteis e sensitivas irão transformar as experiências com as marcas e as reais, tais como, fazer compras; O tempo será considerado um dos maiores luxos; Os cenários 'naturais' criados pelo homem serão os novos locais de refúgio sensorial; Durante o intervalo oferecido pela trégua da tecnologia, o ano 2017 verá o surgimento de produtos simplificados, projetados para desempenhar tarefas essenciais de forma perfeita; Os objetos ganharão vida e revelarão aparência e funcionamento com qualidades pessoais; Na medida em que o homem se encontra com a máquina, os designers explorarão os limites entre o mundo orgânico e o artificial buscando a perfeita integração entre a tecnologia e o corpo; O senso reajustado de luxo inspirará uma refinada ostentação, em que o valor não está somente na função, mas no significado; A vida estará menos relacionada ao que se tem e mais voltada para como ela é vivida; Com base nessas importantes constatações, a proposta de pause surge para endossar este novo perfil do consumidor que se mostra cada vez mais interessado em viver experiências, valorizar seu tempo focando no que é essencial. Com tudo isso, as marcas têm a oportunidade de transformar suas lojas físicas em espaços mais livres, onde o consumidor terá uma experiência de imersão sobre a marca, porém de uma forma mais leve e descontraída, uma vez que os pontos físicos podem oferecer opções de entretenimento de lazer e, ainda assim, garantir que os consumidores comprem seus produtos e tenham a oportunidade de conhecer melhor as marcas e suas propostas. Em um mundo em constante transformação, onde cada vez mais cresce o digital, não se pode esquecer dos cinco sentidos humanos importantes num ponto de venda. Visão, olfato, tato, paladar e audição são estímulos sensoriais que podem desencadear respostas emocionais poderosas nos clientes. Explorar todo o 77 potencial de comunicação da marca através dos sentidos eleva o status da marca e a coloca em vantagem competitiva frente aos concorrentes. O Marketing Sensorial é a exploração dos sentidos como parte de estratégia de diferenciação e posicionamento, capazes de trabalhar no consumidor todo o potencial mental e, assim, comunicar de forma mais clara e natural a mensagem do marketing. Uma simples estratégia de Marketing Sensorial em uma loja de varejo pode ter um impacto extremamente positivo, especialmente no humor dos consumidores e, com isso, impulsionar as vendas. De acordo com Martin Lindstrom, no livro Brand Sense, o projeto brand sense confirma que quanto mais positiva for a sinergia estabelecida entre os sentidos, mais forte será a conexão feita entre o emissor e o receptor”. Abaixo, o texto traz a importância de levar em consideração a relevância dos sentidos e o quanto estes, combinados, podem potencializar a conexão das marcas e seus consumidores: Somos todos íntimos dos nossos sentidos – se não plenamente conscientes deles. Somente quando falta um, percebemos quão importantes eles são. Por alguma razão, contudo, a indústria da propaganda comunica-se quase exclusivamente em um mundo composto por apenas um sentido, alguma vezes dois – o visual e o auditivo. (...) Estima-se que 40% das 500 marcas mundiais da Fortune incluirá uma estratégia de branding sensorial em seu planejamento de marketing até o final da década. Sua sobrevivência no futuro simplesmente vai depender disso. Se as marcas quiserem construir e manter a fidelidade no futuro terão de estabelecer uma estratégia que apele a todos os se sentidos, Não há outra saída. Ainda sobre branding sensorial e atentando ao fato de que a execução do ponto de venda é ainda um dos principais fatores que fazem o consumidor decidir pela sua compra, encontra-se na autora Regina Blessa, do livro Merchandising no ponto de Venda, uma abordagem prática com exemplos práticos de técnicas e ações voltadas ao ponto de venda. Na visão da autora, e conforme o quadro abaixo, é possível perceber a importância de cada sentido e sua percepção sobre o quanto é relevante o sentido da visão dentre todos os demais sentidos: 78Figura 44: “Relevância dos 5 sentidos humanos” Fonte: Livro “Merchandising no ponto de Venda” Voltando à obra de Lindstrom, percebe-se novamente a visão como um sentido muito relevante na captação e retenção de memória, o que não deixa dúvidas sobre sua intensa conexão com o cérebro, porém o autor oferece uma percepção interessante sobre o olfato, informando que este sentido foi apontado em sua pesquisa Brand Sense como o mais persuasivo de todos. Na mesma pesquisa, o olfato ocupa o 2° lugar dentre os sentidos mais relevantes na avaliação de um ambiente. Implementar o Marketing Sensorial dentro do ponto de venda aumenta significativamente os lucros – pois age diretamente na emoção do cliente, além de provocar resultados expressivos na percepção do consumidor quanto a identidade de marca e posicionamento de mercado. 3.2 Plataforma da marca e posicionamento Além de todas as informações sobre a marca levantadas até o momento é importante destacar que o ponto de partida para o desenvolvimento dos projetos que serão apresentados a seguir foi entender o que a Amaro faz, como ela faz e, principalmente, o porquê fazer o que faz. Para chegar nesses resultados, foi utilizada um modelo de liderança (para pessoas e empresas) criado pelo especialista Simon Sinek, chamado de Golden Circle35. 35 Golden circle: conceito: ferramenta estratégica de liderança. 79 Figura 45 : “Golden Circle” Fonte: As autoras (2017) No início desse estudo foi possível constatar que o propósito da marca e a maneira como está o executava não estava claro. Ao fazer uso do modelo de liderança do Golden Circle foi possível estabelecer uma ordem para chegar ao verdadeiro propósito da marca Amaro, diante de uma formatação de pensamento diferente, etapa por etapa. Enquanto a grande maioria faz a leitura do círculo de fora para dentro, ou seja, descobrem o que fazer e como fazer, para depois se perguntarem o qual seu propósito. Os grandes líderes e empresas de sucesso pensam, agem e se comunicam de dentro para fora do círculo. Podemos entender melhor o significado de cada camada do círculo com o resumo abaixo: POR QUÊ: explica o motivo de você fazer o que faz, qual é o significado de tudo isso, ou seja, seu verdadeiro propósito. Qual é sua causa? Porque a sua empresa existe? Porque você levanta e sai da cama todos os dias? Qual é a sua motivação?; COMO: diz respeito à maneira que você faz, que também pode ser entendido como os objetivos, ou seja, as ações práticas e concretas que farão você alcançar seu propósito. Inclui os valores e crenças que você tem. Esse também será o seu diferencial, aquilo que irá fazer você ou o seu negócio se destacarem; 80 O QUE: é aquilo que você efetivamente faz ou vende. 100% das pessoas e das organizações sabem o que fazem, portanto, essa pergunta acaba sendo uma das mais fáceis a ser respondida. Figura 46 : “Golden Circle Amaro” Fonte: As autoras (2017) Ao estabelecer o Golden Circle da marca Amaro, entendendo que seu propósito é “entregar tempo”, foi possível traçar ações que deverão servir de base para o fortalecimento de seu propósito. O fato da marca ser capaz de entregar tempo será discorrido a seguir, através de dois conceitos principais nomeados Play e Pause, que visam ressignificar a visão das pessoas sobre o tempo, em especial aplicado a um modelo de negócio e o quanto a marca Amaro poderá se destacar ao oferecer algo novo em um mercado cada vez mais “padronizado”. 81 3.3 Mapeamento da experiência de Amaro Conforme visto acima, o consumidor está acostumado a ser estimulado com maior enfoque no sentido visual, portanto, quando surpreendido positivamente através de estímulos vindo de outros sentidos, o consumidor automaticamente eleva sua percepção com relação ao ambiente e a qualidade do serviço prestado. Esses estímulos, quando trabalhados continuamente, podem, de fato, diferenciar o seu negócio frente à concorrência e colocá-lo num patamar acima. Em seguida, serão apresentados projetos com foco na operacionalização do modelo de negócio da Amaro. Tais projetos visam estabelecer uma maior conexão entre marca e consumidor, buscando aprimorar a jornada emocional de seus consumidores entre os pontos de contato da marca. Os conceitos de marketing sensorial, abordados anteriormente, deverão nortear o conceito principal dessas ações. Proposta Pause: Renovação dos Guide Shops A proposta central da proposta Pause é recomendar para a marca Amaro uma renovação em seus guides shops para entregar uma imersão digital aos seus consumidores, com foco inicial na unidade da Rua Oscar Freire, transformando-a em um espaço no qual os clientes possam ficar conectados a um ambiente virtual. Uma referencia interessante para recomendação desta idéia foi o projeto “digitalização do varejo” aplicado a marca de moda sul coreana Beanpole, a qual a Samsung é detentora. Neste projeto podemos ver inovações bem focadas ao ponto de venda como paredes com vídeos da marca com conteúdo veiculado através de cabides interativos, espelhos digitais e quiosques dispostos em shopping centers onde os consumidores tiram fotos e podem coletar as imagens impressas na loja. A conexão do ambiente offline com o ambiente online através da imersão digital no espaço físico da marca é de extrema importância para a educação e criação de uma cultura digital, uma vez que a tecnologia hoje oferece recursos que podem ser aliados da Amaro para a oferta de experiências consolidadas, em demanda dos consumidores nos dias de hoje – como visto em análise sócio cultural. 82 O novo projeto do guide shop consiste em criar um ponto de contato do consumidor com a marca através de aparelhos tecnológicos, tais como vídeo wall36, telas interativas com toque, computadores, vitrines holográficas e óculos 3D (realidade virtual). Tudo de mais moderno para que o consumidor tenha uma experiência significativa e completamente interativa nessa nova tendência mundial. Para a fachada do guide – primeiro ponto de visão - foi pensado em uma grande letra A iluminada, fazendo com que o cliente se sinta entrando em um mundo diferente, no novo mundo Amaro, onde ali ele iniciará sua imersão tecnológica. Tendo em vista que o ponto de venda é o momento ideal para se comunicar com o consumidor, pois é nesse contato que muitas decisões de compra são tomadas, serão criados vários totens grandes - instalados nas paredes, com a função “touch”. Dessa forma, o cliente consegue ver as coleções de forma digital, ampliada e facilitada. Os totens serão intercalados com retângulos iluminados nas paredes que fazem com que a loja tenha uma iluminação indireta importante. Ao lado esquerdo do guide, três cabines com painéis de led37 em todo o seu perímetro permitirá que o consumidor se veja de costas ao experimentar os produtos escolhidos para prova. Um dos painéis servirá de pano de fundo para as fotos dos clientes: O consumidor poderá se fotografar simulando estar em outros lugares, como nas principais capitais da moda no mundo. A ideia consiste em oferecer uma experiência diferente ao cliente, que poderá postar nas redes sociais, em tempo real, as suas fotografias - uma divulgação extremamente relevante para a marca que, através dessas postagens, se tornará cada vez mais conhecida. Os provadores também serão equipados com ipads, oferecendo a opção de tocar na tela e chamar um consultor de moda para que ele possa auxiliar o cliente nas escolhas e compra de produtos. Ao fundo da loja, em uma mesa redonda, estarão disponibilizados fones de ouvidos com músicas de diversos estilos, para que o cliente coloque e ouça enquanto observa as coleções sendo passadas, girando ao centro da mesa por umaprojeção holográfica e transmitidas também nos vídeos walls espalhados pela loja. 36 Vídeo Wall – tradução: Equipamento que consiste em uma série de monitores conectados fisicamente em arranjo, de modo a formar uma tela grande. 37 Led – tradução: sigla para Light Emitting Diode, que significa “diodo emissor de luz”. Tecnologia de condução de luz, a partir da energia elétrica. 83 Óculos 3D também estarão na mesa com vídeos mostrando sugestões de combinações dos produtos e suas possíveis formas de uso. Abaixo, seguem imagens do projeto da nova Guide Shop: Figura 47: “Novo Guide Shop” Fonte: As autoras (2017) Figura 48: “Novo Guide Shop” Fonte: As autoras (2017) 84 Figura 49: “Novo Guide Shop” Fonte: As autoras (2017) Figura 50: “Novo Guide Shop” Fonte: As autoras (2017) 85 Figura 51: “Novo Guide Shop” Fonte: As autoras (2017) Figura 52: “Novo Guide Shop” Fonte: As autoras (2017) 86 Figura 53: “Novo Guide Shop” Fonte: As autoras (2017) Figura 54: “Novo Guide Shop” Fonte: As autoras (2017) 87 Figura 55: “Novo Guide Shop” Fonte: As autoras (2017) Figura 56: “Novo Guide Shop” Fonte: As autoras (2017) 88 Figura 57: “Novo Guide Shop” Fonte: As autoras (2017) Proposta Pause: Parceria Cruzeiros A ação em cruzeiros tem como objetivo interagir com o consumidor em sua hora de lazer, onde ele pode se deparar com uma nova experiência e desfrutar dos benefícios que ela traz. Ao fazer um levantamento de dados sobre os cruzeiros no Brasil durante a temporada de 2015 e 2016, concluímos que o fluxo foi de aproximadamente 500 mil pessoas, o que explica do porquê ser o segmento com o maior faturamento. A ideia consiste em levar a Amaro a bordo dos cruzeiros, através de uma mini guide shop, onde o consumidor pode olhar e experimentar com calma todos os produtos. Uma coleção seria desenvolvida exclusivamente para a ocasião, com base na sazonalidade, e seu estoque também seria levado a bordo, possibilitando a entrega do produto na cabine do consumidor no mesmo momento da compra. Os elementos sensoriais que serão usados nesta proposta serão a visão (painéis luminosos), olfato (essência própria Amaro), tato (toque do produto), 89 audição (som ambiente) e paladar (através da oferta de água, café e, em alguns momentos pontuais, aperitivos). Propostas Play Atentando às demandas de um mundo cada vez mais dinâmico e com um olhar especial a um público específico de consumidores que precisam otimizar seu tempo, foram estabelecidas algumas ideias que mais tarde gerariam as ações para o que chamamos de “Propostas Play38”. As propostas, que serão apresentadas a seguir, visam captar consumidores “em movimento”, em momentos da sua rotina onde o tempo é mais escasso e, muitas vezes, curto, não permitindo espaço para adquirir um novo produto, seja por necessidade ou vontade, e que podem ver na marca uma alternativa para suprir esta carência. As “Propostas Play” visam oferecer comodidade e agilidade, ampliando a conexão da marca com seu consumidor. Estas propostas visam atingir dois públicos principais: Tempo escasso: pessoas em situações onde o tempo para consumo de marcas e produtos é menor ou inexistente. São casos de consumidores que tem interesse em buscar por novidades e disposição para consumidor, porém, por algum motivo, não dispõem de tempo para tal; Tempo seletivo: pessoas que dispõem de tempo, porém o consumo de vestuário (roupas) não é prioridade fazendo com que seu tempo seja investido em outros momentos, o que não significa que este grupo não tenha interesse em adquirir novos produtos; Proposta Play: Aeroportos A ideia principal desta proposta é oferecer comodidade e agilidade atentando ao grande fluxo de pessoas que frequentam aeroportos todos os dias. 38 Play – tradução: brincar, jogar. 90 Uma das propostas desta operação é a implantação de vending machines39, máquinas automáticas que oferecerão alguns produtos específicos para compra e retirada na hora. O objetivo é entregar tempo ao consumidor e suprir uma possível demanda: completar a mala de viagem com um item especial ou comprar algo que tenha esquecido para viagem. A outra ideia é disponibilizar um grande painel que funcione como uma vitrine digital. Os produtos serão disponibilizados como no computador, porém em uma tela atrativa, que chame a atenção de quem passar por ela. A ideia é oferecer um ponto para interação e compra dos produtos. Com relação à modalidade de entrega, o consumidor poderá escolher o endereço de entrega. A referência para recomendação deste projeto foi uma ação da marca Kate Spade, que permitia que seus consumidores comprassem os produtos da marca através de um painel interativo em um espaço com vitrine. Os elementos sensoriais usados nesta proposta serão a visão (painéis luminosos) e o tato (toque da tela). Figura 58: “Vitrine de inspiração Kate Spade” Fonte: Portal No Varejo (www.portalnovarejo.com.br) 39 Vending Machines – tradução: máquinas de venda automática. http://www.portalnovarejo.com.br/ 91 Proposta Play: Congressos Pensando na possibilidade de expandir o contato da marca com o seu consumidor, levando-a até ele, a ação em Congressos visa captar oportunidades das pessoas comprarem de maneira exclusiva, suprindo a demanda do “Me surpreenda em todos os lugares”, um dos pilares citados em análise de macroambiente, variável sócio cultural, quando questionado o que o consumidor espera de uma marca. A ideia da Amaro poder interagir com o seu público em um ambiente diferente do convencional, é um convite para conhecer o que mais ela pode oferecer àquele consumidor. Partindo do ponto do porquê a Amaro faz o que faz – que é entregar tempo, como visto no Golden Circle neste capítulo, a marca irá até o seu público alvo – que provavelmente estará pouco tempo na cidade, através de totens digitais que serão distribuídos no local do Congresso (todos na cidade de São Paulo). A compra será realizada de maneira digital, do mesmo modo que é feito nos outros pontos de venda da marca, e o produto será entregue no hotel em que o consumidor estiver hospedado ou em seu local de preferência. A ação visa expandir a visibilidade da marca através de pessoas do país todo, concentradas em um lugar oportuno para um ponto de contato e nova experiência. Os elementos sensoriais que serão usados nesta proposta serão a visão (painéis luminosos e tato (toque da tela). Proposta Play: Aplicativo Amaro + Instagram Como visto em análise anterior de macroambiente, a internet vem ganhando força e conquistando cada vez mais usuários. Ressaltada a importância das redes sociais na pesquisa de campo realizada com consumidores Amaro, foi pensado em uma ação que usasse o Instagram a favor da marca, tendo em vista que esta rede social já é uma aliada da mesma e também muito usada por suas consumidoras. No começo deste ano de 2017, foi lançado o aplicativo Amaro, expandindo, assim, o canal de comunicação e venda da marca, porém, em conversa com a Camila Rocha, 92 foi falado que o engajamento do mesmo ainda era baixo: poucos downloads e pouca conversão em vendas. A fim de aumentar o fluxo de usuários e, possivelmente, o número de vendas por meio do aplicativo da marca, foi planejada uma ação através da ferramenta Stories40 do Instagram: a divulgação de uma novidade no aplicativo, anunciada nos perfis de digitais influencers - já parceiros da marca. A novidadeé a “Consultoria Online de Compra”. Como percebido em pesquisa de campo, ficou claro a confusão ainda feita pelo consumidor do termo vendedora e consultora de moda. Por isso, o serviço da consultora ultrapassará o ambiente físico: Ao baixar o aplicativo Amaro, o consumidor será convidado a um bate papo com uma consultora de moda, que funcionará como o “chat” já disponibilizado no site. Ele pode recusar, e seguir sua navegação pelo aplicativo, ou aceitar e solicitar dicas de compra, perguntar sobre tendências e, até mesmo, ajuda para montar um look Amaro para uma ocasião específica. O objetivo da ação com digital influencers é aumentar o número de downloads do aplicativo, usando a novidade como motivação e, também, oferecer uma experiência diferente do comum, ao pensar na falta de tempo da sua consumidora de ir até a loja escolher um look. 3.4 Cronograma das ações Diante das ações descritas acima, e considerando que a implantação destes projetos deverá acontecer ao longo do ano de 2018, é necessário destacar algumas etapas que a marca Amaro poderá considerar para garantir a execução dessas ações: Definição das frentes estratégicas que deverão ser consideradas durante o planejamento de ações da marca, considerando o ano de 2018. Neste caso, a recomendação é que a marca dedique seu foco na melhoria dos seus pontos de contato físicos, ampliando a experiência de seus consumidores, conforme visto anteriormente; 40 Stories – conceito: Ferramenta do Instagram usada para postagens com duração de 24 horas. 93 Elaboração de plano de negócios, visando implementar estratégia 360° que englobe todas as áreas de interação tais como produto, seu target, comunicação, canais de distribuição e trade marketing; Definição da verba de marketing e de sua distribuição entre as frentes estratégicas da marca e, em seguida, entre cada etapa do plano de negócios; Validação do plano de negócios com equipe interna e acionistas para garantia da execução dos planos; Com isso, é recomendado que a marca considere essas etapas e processos em seu planejamento de ações, garantindo também os devidos investimentos que deverão ser disponibilizados para que possa programar e implementar tais iniciativas. A recomendação final deste capítulo é que as ações listadas anteriormente sejam implementadas ao longo do ano de 2018, sendo a renovação de pelo menos um guide shop a ação mais prioritária entre todas as demais, e que, portanto deverá ser a primeira ação a ser implementada. 4. Considerações Finais Atentando para o espaço que o marketing ocupa atualmente no planejamento estratégico das empresas, foi necessário investigar qual papel este importante setor deverá ocupar a partir de agora, em um cenário cada vez mais competitivo e veloz. Este capítulo dedica-se a apresentar a síntese dos resultados desta pesquisa, visando recapitular o caminho percorrido neste trabalho. No capítulo 2, onde foi feita a análise da situação, foi possível traçar um diagnóstico muito claro ao passar pelas etapas de análise de macroambiente, microambiente e ambiente interno. Com isso, foi possível chegar com mais clareza à etapa de concorrência e Swot e, assim, sobre o modo como a marca atua em seu segmento. Com base nessas informações, foi sendo moldada a metodologia que seria aplicada a seguir, nas pesquisas. Desde o início desta pesquisa, durante a definição de que o foco central do trabalho seria a investigação sobre o mercado que a marca está inserida e traçar um 94 diagnostico sobre a atuação da marca, foi necessário partir para um maior aprofundamento sobre conceitos de marketing, tendências de mercado e consumo assim como estabelecer conexões entre a marca e seus principais concorrentes, diante de seu posicionamento atual e do novo posicionamento recomendado nesta pesquisa. Com relação à pesquisa de investigação feita nas redes sociais e através de questionários aplicados às consumidoras da marca é importante salientar a riqueza dos dados obtidos em ambas as pesquisas e o quanto estas informações foram utilizadas, tanto no reconhecimento de como se dá a atuação e posicionamento da marca no seu mercado de atuação quanto a maneira como seus consumidores recebem sua proposta de negócio, em especial a receptividade das pessoas sobre os guide shops. Sobre o comportamento do consumidor foi possível compreender o quanto este está passando por mudanças, em especial na sua maneira de se relacionar com as marcas e acima de tudo como suas expectativas estão maiores com relação a produtos e atuação das marcas. O consumidor está mais informado do que nunca e hoje em dia, para garantir um lugar de destaque, as marcas necessitam entender ainda mais seus consumidores, retomando o foco central de suas estratégias na elaboração de ações que elevem seu patamar dentro dos seus negócios de atuação. Para compor as ações que seriam recomendadas para a marca Amaro foi preciso desenvolver o conceito das ações play e pause com base no momento atual que as marcas estão vivendo, e como estas ações podem se conectar com a necessidade das marcas de se diferenciarem ao mesmo tempo em que buscam ampliar seu relacionamento com seus consumidores. Ao concluir esta pesquisa, é possível afirmar a importância das marcas e profissionais de marketing entender às mudanças pelas quais o mercado de bens de consumo como um todo está passando e com um olhar ainda mais profundo sobre o segmento de moda. Com isso é possível perceber o quanto o mercado precisa de “novas fórmulas” e de marcas que possam se diferenciar, ao avançarem de forma mais rápida e inovadora no caminho para a conquista e especialmente para fidelização de seus consumidores. 95 Por fim, avaliando os resultados deste estudo, vemos a influência dos sentidos no momento da decisão de compra e de como podemos estender a experiência dos consumidores para além do ponto de venda, captando seus desejos e atendendo suas necessidades nos diferentes pontos de contato com as marcas. Os profissionais de marketing precisam estar atentos ao fato de que o consumidor mudou, e que as marcas precisam acompanhar este novo momento do mercado: onde o produto ou serviço oferecido não vai fidelizar automaticamente o consumidor, onde o preço não pode ser considerado o principal diferencial, e, principalmente, um momento onde, tanto as marcas quanto seus consumidores estão cada vez mais à procura de significado. O tão conhecido “propósito”, peça chave do Golden Circle, nunca foi tão importante, e cabe às marcas entenderem isso o quanto antes. 96 5. Bibliografia OSTERWAKDER, A; PIGNEUR, Y.: Business Model Generation. Pigneur Editor, 2009. MAGRETA, J,; Why Bussiness Models Matters, Harvard Business Review, 2002. ANDREA. O; What is a Business Model?, Harvard Business Review, 2015. GIROTRA, K; NETESSINE, S.; Four Paths to Business Model Innovation Harvard Business Review, 2014. JOHSON, S.; De onde vêm as boas ideias Editora Zahar, 2010. LAS CASAS, Alexandre. Marketing de serviços, 6ª ed. São Paulo: ATLAS, 2012. BROWN, T.; Design Thinking. Uma Metodologia Poderosa Para decretar o Fim das Velhas Ideias. Editora Alta Books. Ano 2017. BLESSA, R.; Merchansing no Ponto de Venda. Editora Atlas. Ano 2006. LINDSTROM, M.; Brandsense. Segredos por trás das coisas que compramos. Editora Bookman, 2012. ISMAIL, S; MALONE, M.; Organizações Exponenciais. 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Acesso em 16/08/2017 5.1. Bibliografia sugerida METODOLOGIA CIENTÍFICA CRESWELL, John W. Projeto de Pesquisa: Método Qualitativo, Quantitativo e Misto. 3ª Edição. Porto Alegre: Bookman, 2009. DA COSTA, Marco Antonio F.; DA COSTA, Maria de Fátima Barrozo. Metodologia da Pesquisa - Conceitos e Técnicas. 2ª Edição. São Paulo: Interciência, 2009. DE FIGUEIREDO, Nébia Maria Almeida (Org.). Método e Metodologia na Pesquisa Científica. 3ª Edição. São Caetano do Sul: Yendis Editora, 2008. https://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/UFs/SP/Not%C3%ADcias/Revista%20Conex%C3%A3o/conexao_39.pdf%3e.%20Acessado%20em%2002/08/2017 https://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/UFs/SP/Not%C3%ADcias/Revista%20Conex%C3%A3o/conexao_39.pdf%3e.%20Acessado%20em%2002/08/2017 http://www.imp.seade.gov.br/frontend/#/ http://www.bibliotecavirtual.sp.gov.br/temas/sao-paulo/sao-paulo-populacao-dos-municipios-paulistas.php http://www.bibliotecavirtual.sp.gov.br/temas/sao-paulo/sao-paulo-populacao-dos-municipios-paulistas.php http://cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=355030&search=||infogr%E1ficos:-informa%E7%F5es-completas http://cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=355030&search=||infogr%E1ficos:-informa%E7%F5es-completas http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2017-06/taxa-de-desemprego-no-pais-se-mantem-em-133-diz-ibge http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2017-06/taxa-de-desemprego-no-pais-se-mantem-em-133-diz-ibge http://link.estadao.com.br/noticias/empresas,vendas-pela-internet-vao-dobrar-ate-2021,10000082303 http://link.estadao.com.br/noticias/empresas,vendas-pela-internet-vao-dobrar-ate-2021,10000082303 http://link.estadao.com.br/noticias/gadget,ate-o-fim-de-2017-brasil-tera-um-smartphone-por-habitante-diz-pesquisa-da-fgv,70001744407 http://link.estadao.com.br/noticias/gadget,ate-o-fim-de-2017-brasil-tera-um-smartphone-por-habitante-diz-pesquisa-da-fgv,70001744407 http://hbr.org/2016/07/how-to-make- http://hbrbr.uol.com.br/o-consumidor- http://blog.adsbrasil.com.br/sala-de-imprensa/comportamento-de-compra-do-consumidor-de-vestuario-na-crise http://blog.adsbrasil.com.br/sala-de-imprensa/comportamento-de-compra-do-consumidor-de-vestuario-na-crise 99 GIL, Antonio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 5ª Edição. São Paulo: Atlas, 2010. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia Científica. São Paulo: Atlas, 2012. ___________________________________________. Técnicas de Pesquisa. 7ª Edição. São Paulo: Atlas, 2008. ___________________________________________. Fundamentos de Metodologia Científica. 7ª Edição. São Paulo: Atlas, 2010. DESIGN THINKING ALT, Luis; PINHEIRO, Tennyson. Design Thinking Brasil - Empatia, Colaboração e Experimentação para Pessoas, Negócios e Sociedade. Rio de Janeiro: Elsevier/Campus Editora, 2011. AMBROSE, Gavin; HARRIS, Paul. Design Thinking. Porto Alegre: Bookman, 2011. BROWN, Tim. Design Thinking - uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Rio de Janeiro: Elsevier/Campus, 2010. PLANO DE MARKETING • CAMPOMAR, Marcos e IKEDA, Ana. Planejamento de Marketing e a Confecção de Planos: dos conceitos a um novo modelo. São Paulo: Saraiva, 2006. • LAS CASAS, Alexandre Luzzi. Plano de Marketing Para Micro e Pequena Empresa. 6ª Edição. São Paulo: Atlas, 2011. • MCDONALD, Malcolm; WILSON, Hugh. Planos de Marketing. 7ª Edição. Rio de Janeiro: Elsevier/Campus, 2013. MARKETING DE MODA BAILEY, Sarah; BAKER, Jonathan. Moda e Visual Merchandising. São Paulo: Editora Gustavo Gili, 2014. CIETTA, Enrico. A Revolução do Fast-fashion - estratégias e modelos organizativos para competir nas indústrias híbridas. 2ª edição revista e ampliada. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2012. http://ggili.com.br/pt/autores/sarah-bailey http://ggili.com.br/pt/autores/jonathan-baker 100 GWYNETH, Moore. Promoção de Moda. São Paulo: Editora Gustavo Gili, 2013. KOTLER, Philip; ARMSTRONG, Gary. Princípios de Marketing. 15ª Edição. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2015. KOTLER, P.; KARTAJAYA, H.; SETIAWAN, I. Marketing 3.0: as forças que estão definindo o novo marketing centrado no ser humano. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. KOUMBIS, Dimitri.Varejo de moda - Da gestão ao merchandising. São Paulo: Editora Gustavo Gili, 2015. BRANDING AAKER, David A. On Branding - 20 Princípios que Decidem o Sucesso das Marcas. Porto Alegre: Bookman, 2015. BEDENDO, Marcos. Branding para Empreendedores - Ferramentas práticas para criar sua marca potencializando o sucesso do seu negócio. São Paulo: Makron Books, 2015. CARVALHAL, André. A moda imita a vida - Como construir uma marca de moda. Barueri: Estação das Letras e Cores. 2014. KAPFERER, Jean-Noël. O que vai mudar as marcas. Porto Alegre: Bookman, 2004. __________________. As Marcas - capital da empresa: criar e desenvolver marcas fortes. 3ª Edição. Porto Alegre: Bookman, 2004. KELLER, Kevin Lane; MACHADO, Marcos. Gestão Estratégica de Marcas. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006. ROBERTS, Kevin. Lovemarks - O futuro além das marcas. São Paulo: Makron Books, 2005. SEMPRINI, Andrea. A Marca Pós-Moderna - Poder e Fragilidade da Marca na Sociedade Contemporânea. Tradução: Elisabeth Leone. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2006. ESTRATÉGIA MINTZBERG, Henry; LAMPEL, Joseph; AHLSTRAND, Bruce. Safári da Estratégia - Um Roteiro pela Selva do Planejamento Estratégico. 2ª Edição. Porto Alegre: Bookman, 2010. http://ggili.com.br/pt/autores/dimitri-koumbis http://www.estacaoletras.com.br/autores/autor65.php 101 MINTZBERG, Henry; LAMPEL, Joseph; QUINN, James B.; AHLSTRAND, Bruce; GHOSHAL, Sumantra. O Processo da Estratégia - conceitos, contextos e casos selecionados. 4ª Edição. Porto Alegre: Bookmann, 2006. JOHNSON, Gerry; SCHOLES, Kevan; WHITTINGTON, Richard. Fundamentos de Estratégia. Porto Alegre: Bookman, 2011. PORTER, Michel. Estratégia Competitiva - Técnicas para Análise de Indústrias e da Concorrência. Rio de Janeiro: Campus/Elsevier, 2005. PORTER, Michel. Competição - Edição Revista e Ampliada. Rio de Janeiro: Campus/Elsevier, 2009. 6. Apêndices Apêndice A – ROTEIRO DE ENTREVISTA DA PESQUISA A coleta de dados se deu através de entrevista aplicada a um grupo de 20 mulheres visando entender seu primeiro contato com a marca Amaro. Entrevista estruturada Bloco I: Perfil da mulher, consumo de moda e beleza. Perfil Indicadores de classe Consumo de moda Relação com o corpo Relação com beleza o Corpo o Aparência o Maneira como cuida da beleza o Investimento com beleza Entrevista estruturada Bloco II: Sua percepção relacionada a marca Amaro. Reconhecendo da marca Amaro Comparação com marcas de moda Relato de experiências 102 Apêndice B – ROTEIRO ENTREVISTA ESTRUTURADA BLOCO 1: Perfil da mulher, consumo de moda e beleza Perfil 1) Nome (opcional) 2) Idade ( ) Menor que 20 ( ) 20 a 35 ( ) 35 a 50 ( ) Maior que 50 3) Qual a sua profissão? Está trabalhando atualmente? 4) Qual o seu grau de escolaridade? 5) Estado Civil: ( ) Solteira ( ) Casada ( ) Divorciada ( ) Viúva 6) Possui filhos? Indicadores de classe 5) Cidade em que reside 6) Bairro em que reside 103 7) Faixa salarial: a) até R$ 1.000,00 b) entre R$ 1.000,00 e R$ 5.000,00 c) entre R$ 5.000,00 e R$ 10.000,00 d) acima de R$ 10.000,00 Consumo dos meios de comunicação/Relação com beleza 1) Quais destes meios de comunicação você mais utiliza (ler/assistir/escutar)? a) TV b) Jornal c) Revista d) Internet e) Rádio 2) Em quais destes meios você entra em contato com assuntos relacionados à moda? a) TV b) Jornal c) Revista d) Internet e) Rádio 3) Qual a sua média de gastos mensais com moda? (roupas, sapatos, acessórios 4) Você faz compras de moda pela internet? Acha vantajoso em relação à loja física? 104 Relação corpo - moda 1) Você se considera vaidosa? 2) Tem preocupação com seu visual no dia a dia? 3) Pratica alguma atividade física? 4) O que te faz decidir entre comprar ou não uma peça de roupa? ( ) Preço ( ) Novidade ( ) Necessidade ( ) Outros: Anexo C – ROTEIRO ENTREVISTA ESTRUTURADA BLOCO 2: Percepção das consumidoras sobre a marca Amaro Relação com a marca Amaro 1) Como conheceu a Amaro? 2) Já conhecia o modelo de negócio da Amaro - o Guide Shop? 3) Para você, o que é um guide shop? 4) Como foi o atendimento durante sua visita à Amaro? Você voltaria? 5) Qual o diferencial da Amaro pra você? 6) Qual a relevância de comprar um produto e não sair com a sacola da loja? 105 Apêndice D – RESULTADOS DA PESQUISA: QUESTÕES FECHADAS: TABULADAS E EXPRESSADAS EM FORMA DE GRÁFICO PIZZA Gráfico 34: Idade Fonte: As autoras (2017) Gráfico 35: Trabalhando Fonte: As autoras (2017) 106 Gráfico 36: Grau de escolaridade Fonte: As autoras (2017) Gráfico 37: Estado Civil Fonte: As autoras (2017) 107 Gráfico 38: Filhos Fonte: As autoras (2017) Gráfico 39: Renda Familiar Fonte: As autoras (2017) 108 Gráfico 40: Meio de comunicação mais utilizado Fonte: As autoras (2017) Gráfico 41: Meio de comunicação mais usado para informação de moda Fonte: As autoras (2017) 109 Gráfico 42: Compras de moda pela internet Fonte: As autoras (2017) Gráfico 43: Vantagem E-commerce sobre a loja física Fonte: As autoras (2017) 110 Gráfico 44: Se considera vaidoso Fonte: As autoras (2017) Gráfico 45: Se preocupa com o visual no dia a dia Fonte: As autoras (2017) 111 Gráfico 46: Pratica atividade física Fonte: As autoras (2017) Gráfico 47: Motivação de compra Fonte: As autoras (2017)