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TEMPLATE DE PRODUÇÃO DE LIVRO DIDÁTICO DE GRADUAÇÃO

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TEMPLATE DE PRODUÇÃO DE LIVRO DIDÁTICO DE GRADUAÇÃO 
 
 
AUTOR: Professor Doutor Bruno de Paula Caraça Smirmaul 
Professor Doutor João Victor Del Conti Esteves 
DISCIPLINA: Atividade Física e Qualidade de Vida 
MODALIDADE: Graduação 
 
 
 
 
 
INÍCIO DO CURRÍCULO LATTES DO PROFESSOR 
Bruno de Paula Caraça Smirmaul 
Doutor em Atividade Física e Saúde pela UNESP Rio Claro, Mestre em 
Biodinâmica do Movimento e Esporte pela UNICAMP (com estágio de pesquisa 
na University of Kent com o Prof. Samuel M. Marcora) e Graduado em Educação 
Física pela UNICAMP (com estágio de pesquisa na University of Cape Town com 
o Prof. Timothy D. Noakes). Fundador e Autor Principal do site "EFBE - Educação 
Física Baseada em Evidências" (www.efbe.com.br). Professor das Faculdades 
ASSER nas seguintes disciplinas: I) Fisiologia do Exercício; II) Atividade Física 
para Grupos Especiais; III) Medidas e Avaliação; IV) Programas de Academia; 
V) Saúde e Sustentabilidade; VI) Estágio Supervisionado. 
Para saber mais, acesse o currículo disponível em: 
<http://lattes.cnpq.br/1225203348100287>. 
FIM DO CURRÍCULO LATTES DO PROFESSOR. 
 
 
INÍCIO DO CURRÍCULO LATTES DO PROFESSOR 
João Victor Del Conti Esteves 
Doutor em Ciências (Fisiologia Humana) pelo Instituto de Ciências Biomédicas 
da Universidade de São Paulo (ICB-USP) (2016), com período de estágio no 
Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de 
Lisboa (IMM-Lisboa); Mestrado em Educação Física (linha de pesquisa: Ajustes 
e Respostas Fisiológicas e Metabólicas ao Exercício Físico) pelo Programa de 
Pós-Graduação Associado em Educação Física - UEM/UEL (2012); pós-
graduação (lato-sensu) em Prescrição Personalizada de Exercícios Físicos - 
Personal Training (UEM) (2010) e graduação em Educação Física pela 
Universidade Estadual de Maringá (UEM) (2008). Tem experiência na área de 
Fisiologia, Avaliação Física, Treinamento Físico Resistido e Aeróbio, com ênfase 
em Fisiologia do Esforço e Endócrina, atuando principalmente nos seguintes 
temas: atividade física e saúde, avaliação física e funcional, treinamento físico, 
obesidade, diabetes, tecido adiposo, músculo esquelético, GLUT4 e microRNAs. 
http://www.efbe.com.br/
http://www.efbe.com.br/
http://www.efbe.com.br/
http://www.efbe.com.br/
http://www.efbe.com.br/
http://www.efbe.com.br/
http://www.efbe.com.br/
Para saber mais, acesse o currículo disponível em: 
<http://lattes.cnpq.br/2122237844359604>. 
FIM DO CURRÍCULO LATTES DO PROFESSOR. 
 
INÍCIO DA APRESENTAÇÃO GERAL 
Prezado(a) aluno(a), seja bem-vindo à disciplina “Atividade Física e Qualidade 
de Vida”. 
Este livro foi preparado por dois professores, ambos profissionais de 
Educação Física, com o intuito de apresentar a você conteúdos e reflexões 
fundamentais na área de atividade física, saúde e qualidade de vida. Esses 
conhecimentos lhe trarão a oportunidade de aprendizado e de desenvolver uma 
reflexão crítica que o auxiliará sobremaneira na sua formação e futura atuação 
como profissional de Educação Física. 
Este livro está dividido em cinco unidades: 
A Unidade I, intitulada “Saúde e Qualidade de Vida” está dividida em quatro 
tópicos que abordarão sobre os diferentes conceitos de saúde, os aspectos 
relacionados às transições demográfica e epidemiológica e suas consequências 
no cenário da saúde, assim como os diferentes fatores que a determinam. Você 
também aprenderá sobre a qualidade de vida, seus diversos componentes e a 
sua relação com o estilo de vida das pessoas. 
A Unidade II, denominada “Atividade Física e Saúde” está dividida em três 
tópicos que fornecerão uma compreensão da relação entre atividade física e 
saúde numa perspectiva da evolução humana, o impacto da tecnologia nos 
níveis de atividade física cotidiana e também discutirá a trajetória do 
conhecimento na área de atividade física e saúde, bem como as diferentes 
possibilidades de atuação do profissional de Educação Física. 
A Unidade III, denominada “Atividade Física, Aptidão Física e suas Relações 
com a Saúde: Conceitos e Evidências” está dividida cinco tópicos. Nessa 
unidade, você aprenderá conceitos essenciais para a sua atuação profissional: 
atividade física, exercício físico, aptidão física e suas inter-relações com a saúde. 
Além disso, você aprenderá sobre os diferentes componentes da aptidão física 
relacionada à saúde (aptidão cardiorrespiratória, composição corporal, aptidão 
musculoesquelética e flexibilidade), bem como os diferentes métodos de avaliá-
los. 
A Unidade IV, chamada “Prescrição de Exercícios para melhora da Aptidão 
Física e Saúde”, abordará, numa perspectiva mais aplicada, as orientações 
gerais e princípios básicos para a prescrição do exercício aeróbio, de 
condicionamento neuromuscular (força e resistência musculares) e de 
flexibilidade para adultos saudáveis. As recomendações para crianças e 
adolescentes também serão debatidas. 
Por fim, a Unidade V, “Exercício Físico para Grupos Especiais”, discutirá os 
principais aspectos relacionados ao envelhecimento, à obesidade, ao diabetes 
mellitus e à hipertensão arterial, bem como o papel do exercício físico nessas 
condições. 
Este livro possui conteúdos e reflexões valiosas, e, desse modo, esperamos 
contribuir para a sua formação sólida e de qualidade. 
Aproveite a leitura e desejamos um ótimo curso! 
 
Bruno de Paula Caraça Smirmaul 
João Victor Del Conti Esteves 
FIM DA APRESENTAÇÃO GERAL. 
 
 
 
 
 
 
 
INÍCIO DA UNIDADE I 
INÍCIO DA FOLHA DE ABERTURA 
SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA 
Professor Doutor Bruno de Paula Caraça Smirmaul 
 
Objetivos de Aprendizagem 
● Conhecer e refletir sobre os diferentes conceitos de Saúde. 
● Compreender o que é Transição Demográfica e Transição 
Epidemiológica e suas consequências no cenário da saúde. 
● Estudar e refletir sobre os Determinantes da Saúde. 
● Conhecer o conceito de Qualidade de Vida, seus componentes e sua 
relação com o estilo de vida. 
 
Plano de Estudo 
● O que é Saúde? 
● Transições Demográfica e Epidemiológica 
● Determinantes da Saúde 
● Qualidade de Vida 
 
FIM DA FOLHA DE ABERTURA. 
 
INÍCIO DA INTRODUÇÃO 
Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a)! Na Unidade I, abordaremos quatro 
tópicos principais de estudo. 
No primeiro Tópico ("O que é Saúde"), você estudará o conceito de 
Saúde, um conceito essencial para nós, profissionais da área. Para isso, 
apresentarei diferentes conceitos e discutiremos, juntos, sobre os pontos 
positivos e negativos de cada conceituação. Veremos que compreender bem 
esse tema implicará em uma atuação profissional de mais qualidade e mais 
abrangente, potencialmente beneficiando os resultados de nosso trabalho. 
O segundo Tópico ("Transições Demográfica e Epidemiológica") servirá 
para você compreender as mudanças que estão ocorrendo no Brasil e no mundo 
em relação às características da população, assim como o perfil de doenças e 
de causas de mortalidade. Além disso, você refletirá sobre como essa duas 
transições estão conectadas entre si. Esse conhecimento é essencial para 
analisarmos as atuais transformações em nossa sociedade e seu impacto nas 
condições e necessidades de saúde da população. 
No terceiro Tópico (“Determinantes da Saúde”), apresentarei os 
componentes e características de uma pessoa, comunidade ou população que 
influenciam a saúde. Você irá refletir sobre diversos aspectos que afetam a 
nossa saúde, muito além do que apenas as nossas escolhas e comportamentos 
individuais. 
Por fim, o quarto Tópico ("Qualidade de Vida") apresentará elementos que 
facilitará a sua compreensão sobre o que é Qualidade de Vida, conceito tão 
popular e importante para os indivíduos e para a população em geral. Além disso, 
apresentarei um instrumento de fácil utilização para analisar o estilo de vida, 
componente intimamente relacionado à Qualidade de Vida. 
Bons estudos! 
FIM DA INTRODUÇÃO. 
 
INÍCIO DO TÓPICO 1 
1. O QUE É SAÚDE?Começo esta unidade com uma pergunta muito simples. Quero que você, 
antes de prosseguir com o texto, pare, pense e tente responder de forma 
mais completa possível: “você é saudável?”. 
Em uma situação hipotética (no futuro), extrapole agora essa pergunta 
para outras pessoas e responda: “seus alunos, clientes ou pacientes são 
saudáveis?”. 
 Enquanto você pensava nas respostas das perguntas anteriores, tanto 
para você mesmo como para eventuais alunos, clientes e/ou pacientes, há 
grandes chances de que você tenha começado a perceber que a resposta 
para essa pergunta pode não ser tão simples como inicialmente imaginado. 
Quais elementos ou aspectos relacionados à saúde você utilizou para 
compor a sua resposta? É notório que os elementos contidos na resposta vão 
depender, em grande parte, do conceito que temos do “O que é Saúde?”. 
Dependendo desse conceito, utilizaremos diferentes elementos e aspectos 
para definirmos se uma pessoa é saudável ou não ou, ainda, qual o “nível” 
de saúde determinada pessoa possui. 
 Assim, como profissionais da saúde, é muito importante conhecermos 
alguns diferentes conceitos de “saúde” e refletirmos criticamente sobre eles. 
Tal importância se dá pelo fato de que, de acordo com nossa visão de saúde, 
poderemos considerar e abordar (ou não considerar e não abordar) 
determinados aspectos ao longo de nossa atuação profissional, impactando 
diretamente na vida das pessoas. 
 Um primeiro conceito de saúde que podemos considerar é o seguinte: 
Saúde é a ausência de doenças. 
O que você acha desse conceito? Bom? Ruim? Completo? Incompleto? 
Faria alguma alteração? Acrescentaria algo? Novamente, peço que você 
pare, pense e tente responder a essas perguntas antes de prosseguir. 
Independentemente do quanto você conseguiu explorar o tema, vamos 
refletir juntos agora. De acordo com o conceito anterior, se uma pessoa não 
apresenta nenhuma doença específica, ela é considerada saudável. Porém, 
imagine uma pessoa que não possui nenhuma doença específica, mas 
apresenta uma ou várias das características a seguir: 
- tristeza; 
- cansaço; 
- angústia; 
- possui uma deficiência física; 
- é amputada; 
- possui baixa aptidão cardiorrespiratória; 
- possui baixos níveis de força; 
- possui baixa capacidade funcional; 
- é incapaz de realizar as atividades de vida diária (AVDs) de forma 
independente; 
- fuma; 
- se alimenta de forma inapropriada; 
- etc. 
E agora, depois de saber que a pessoa possui alguma, várias ou todas 
essas características, você ainda falaria que essa pessoa é saudável, 
somente por não apresentar nenhuma doença específica? 
Uma evolução do conceito anteriormente estudado é o conceito de 
saúde da Organização Mundial de Saúde ([2017], on-line)1, um dos mais 
populares atualmente. De acordo com esse conceito, saúde é um: 
“Estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não 
apenas a ausência de doenças” 
 E agora, você está satisfeito com esse conceito de saúde? Acha que 
abrange um espectro de elementos bem maior e é mais completo? Porém, 
mesmo assim, você ainda conseguiria pensar em algum ponto negativo ou que 
poderia ser melhorado nesse conceito? 
Isso mesmo, precisamos ter pensamento crítico sempre, mesmo se a fonte 
da informação é um órgão famoso e respeitado, como a Organização Mundial 
de Saúde (ALMEIDA FILHO, 2000). Apesar de ser um conceito bem mais 
interessante que o primeiro, uma palavra presente nesse conceito não parece 
adequada para a definição de “ser saudável” ou não. Você consegue identificar 
a palavra? 
 No conceito da Organização Mundial da Saúde, a palavra “completo” 
acaba sendo um pouco estranha. É só pararmos para pensar. Será que algum 
de nós consegue passar um mês, uma semana, ou mesmo um dia inteiro em um 
“completo bem-estar físico, mental e social”? Dessa forma, ao utilizarmos esse 
conceito, teríamos que classificar a maioria de nós, ou todos nós, como não 
saudáveis. 
 Por fim, apresento um conceito que considero bastante completo e 
interessante para definirmos saúde: 
“Estado dinâmico de bem-estar caracterizado pelo potencial físico e mental 
que satisfaz as demandas vitais compatíveis com a idade, cultura e 
responsabilidade pessoal” (BIRCHER, 2005). 
Esse conceito de saúde inclui a palavra “dinâmico”, considerando que nosso 
bem-estar é influenciado por diversos aspectos e totalmente mutável ao longo 
do tempo. Ainda, explicita a questão da idade, cultura e responsabilidades 
pessoais. É interessante pensar nisso, pois as mesmas características físicas e 
mentais que podem ser consideradas boas para um idoso, podem ser 
consideradas ruins, em termos de saúde, para um adulto jovem, por exemplo. O 
mesmo pode acontecer para diferentes culturas ao redor do mundo. Apesar 
disso, não quero dizer que esse último conceito é perfeito e que não possam 
haver outros mais interessantes ou que não podemos encontrar pontos 
negativos neste. 
 Outro ponto interessante é que esse último conceito de saúde estudado 
nos permite enxergar o processo de saúde como um “contínuo”, ao invés de algo 
binário, definido como “sim” ou “não” (saudável ou não saudável). De acordo com 
a natureza dinâmica de nossa saúde, diferentes comportamentos e fatores 
podem influenciar nosso “nível” de saúde. Veja a figura a seguir: 
 
 
INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM 
 
 
 
Vitor Fernandes 
Descrição: A figura apresenta uma flecha na horizontal apontando para direita 
e para esquerda. Ao lado esquerdo da flecha temos a cor alaranjada, ao lado 
direito a cor verde e ao centro as cores estão em degradê. Acima da flecha, 
alinhado ao centro, está escrito SAÚDE e milimetricamente abaixo está escrito 
na ponta da direita “Mais” e na ponta esquerda “Menos”. Abaixo da flecha temos 
descrito cinco níveis de saúde, sendo da esquerda para direita: Morte, Doenças, 
Comportamento de Risco, Comportamentos Positivos, Saúde. 
 
FIM DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM. 
 
INÍCIO DO REFLITA 
Lembre-se de sua resposta à pergunta inicial da Unidade (“Você é 
saudável?”) e reflita sobre os elementos que você utilizou para responde-la. 
Agora responda novamente, utilizando todos os conceitos e informações que 
estudamos até aqui. 
Fonte: autor. 
FIM DO REFLITA. 
FIM DO TÓPICO 1. 
 
INÍCIO DO TÓPICO 2 
2. TRANSIÇÕES DEMOGRÁFICA E EPIDEMIOLÓGICA 
 Agora que estudamos e refletimos sobre diferentes conceitos de saúde, 
vamos dar o próximo passo e analisar o atual cenário brasileiro, em termos 
de saúde e doenças. Para a compreensão desse cenário, dois aspectos são 
essenciais: a Transição Demográfica e a Transição Epidemiológica. 
 A Transição Demográfica é um conceito que descreve a alteração na 
dinâmica de crescimento da população. Certamente você já deve ter ouvido 
falar que o número de idosos no Brasil está aumentando rapidamente, assim 
como algumas de suas consequências. Uma das consequências que se tem 
falado muito ultimamente se refere à questão previdenciária, por exemplo. 
Porém, no que tange os aspectos de saúde e doenças, tais alterações na 
dinâmica de crescimento da população impactam profundamente esse 
cenário. Uma forma bem interessante de visualizarmos a Transição 
Demográfica que tem ocorrido no Brasil (e no mundo) é por meio da utilização 
das pirâmides etárias. Confira, a seguir, a composição e características da 
pirâmide etária do Brasil em 1980, atualmente (2016) e as projeções para o 
ano de 2050, de acordo com o IBGE. 
 
INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA 
 
 
 
Vitor Fernandes 
Descrição: A imagem são três gráficos de áreas, divididos simetricamente ao meio com 
o lado esquerdo preenchido na cor cinza (representando os homens) e o lado direito em 
rosa (representando as mulheres). Todos estão desenhados sobrepostos em dezessete 
linhas horizontais alinhadas paralelamente com a mesma sequência numérica 
(representando idades) na ponta esquerda de cada linha, sendo respectivamente de 
cima para baixo:80+, 75-79, 70-74, 65-69, 60-64, 55-59, 50-54, 45-49, 40-44, 35-39, 
30-34, 25-29, 20-24, 15-19, 10-14, 5-9, 0-4. Cada gráfico representa um ano, sendo 
respectivamente 1980, 2016 e 2050. 
O primeiro tem o formato de uma pirâmide, a base é maior e começa a afunilar de 30-
34 até chegar ao topo em 80+. 
O segundo, com a base menor que o primeiro, aumenta ao passar pela fase de 15-19 
até 35-39 e afunila gradativamente até chegar em 80+, porém não tanto quanto a 
imagem anteriormente descrita. 
O terceiro gráfico com a base estreitada aumenta gradativamente até a etapa de 45-49 
e começa a afunilar a partir de 50-54 até ao topo em 80+. 
 
FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. 
Analisando a pirâmide etária brasileira, identificamos que, ao longo das 
décadas (e a projeção futura), a proporção de crianças, adolescentes e jovens 
está gradativamente diminuindo, enquanto a proporção de pessoas mais velhas, 
especialmente idosas, está aumentando gradativamente. Tais transformações 
populacionais (Transição Demográfica) têm sido impulsionadas por dois fatores 
principais: a taxa de natalidade e a expectativa de vida. Vamos estudar cada 
uma delas. 
A taxa de natalidade representa o número de nascidos vivos anualmente a 
cada mil habitantes. Atente-se a essa definição, pois ela é diferente da taxa de 
fecundidade, que é o número médio de filhos que uma mulher tem em sua vida. 
Assim, quanto menos filhos uma mulher tem (taxa de fecundidade), 
potencialmente a taxa de natalidade também será menor. Entre os anos de 1970 
e o ano de 2008, por exemplo, houve uma rápida queda na taxa de fecundidade, 
de 5,8 para 1,9 filhos por mulher (PAIM et al, 2011). Essa taxa continua a cair, 
sendo que em 2015 ela já estava em 1,7 filhos por mulher (IBGE, 2017, on-line). 
Como esperado, essa redução da fecundidade tem levado a uma queda na 
taxa de natalidade, indo de 22 nascidos vivos a cada mil habitantes em 1995 
para 15,8 no ano de 2010 (MIRANDA et al, 2017). 
A expectativa de vida representa o número médio de anos esperado de vida 
de uma população, ao nascer. Tal índice aumentou substancialmente nas 
últimas décadas no Brasil, indo de 52,3 anos em 1970, para 72,8 em 2010 (PAIM 
et al, 2011). Esse grande aumento na expectativa de vida se deu, dentre outros 
fatores, principalmente pela drástica redução nas taxas de mortalidade infantil, 
que caíram de 113/1000 nascidos vivos em 1970, para 19/1000 nascidos vivos 
em 2010 (PAIM et al, 2011). 
Assim, a combinação das alterações desses dois fatores ao longo dos anos, 
ou seja, uma redução nas taxas de natalidade e aumento da expectativa de vida, 
são os principais responsáveis pela Transição Demográfica em progresso no 
Brasil, conforme observamos na pirâmide etária. Proporcionalmente nascem 
menos crianças, enquanto os mais velhos sobrevivem por mais tempo, criando 
esse aumento proporcional na quantidade de pessoas mais velhas no país. Em 
termos do perfil e características da saúde e das doenças da população, como 
você acha que essas alterações podem influenciar o cenário brasileiro? 
A Transição Epidemiológica é um conceito que descreve as alterações no 
perfil de mortalidade e morbidade da população, sendo que morbidade é a taxa 
de doenças, lesões ou incapacidade. De uma forma simples, a Transição 
Epidemiológica representa as alterações na mortalidade e nas doenças de uma 
população. 
Ao analisarmos o perfil de mortalidade e doenças ao longo das décadas no 
Brasil, identificamos uma drástica alteração. Em 1930, doenças infecciosas, 
como malária, poliomielite, caxumba, tétano, tuberculose, dentre diversas outras, 
representavam cerca de 46% de todas as mortes do país (SCHMIDT et al, 2011). 
Em grande contraste, em 2003, por exemplo, a mortalidade por doenças 
infecciosas já representava apenas 5% de todas as mortes do Brasil (MALTA et 
al, 2006). 
Por outro lado, enquanto as doenças cardiovasculares representavam 
apenas 12% das mortes na década de 30, atualmente elas representam cerca 
de 31% de todas as mortes (WHO, 2014, on-line)4. Ainda mais notório é o fato 
de que, atualmente, do total de mais de 1 milhão de 300 mil mortes anualmente 
no Brasil, as chamadas doenças crônicas não-transmissíveis representam cerca 
de 74% de todas essas mortes (WHO, 2014, on-line)4. Exemplos de doenças 
crônicas não-transmissíveis são doenças cardiovasculares, cânceres, doenças 
crônicas respiratórias, diabetes etc. 
Ainda, também podemos ver uma grande alteração no perfil de morbidade da 
população. Tomando a prevalência de sobrepeso como exemplo, verificamos 
um aumento de 18,6% em 1974 para mais de 50% atualmente (MALTA; 
BARBOSA DA SILVA, 2012). 
 
INÍCIO DO SAIBA MAIS 
As Doenças Crônicas Não transmissíveis (DCNT) são as principais 
causas de mortes no mundo e têm gerado elevado número de mortes 
prematuras, perda de qualidade de vida com alto grau de limitação nas 
atividades de trabalho e de lazer, além de impactos econômicos para as famílias, 
comunidades e a sociedade em geral, agravando as iniquidades e aumentando 
a pobreza. Apesar do rápido crescimento das DCNT, seu impacto pode ser 
revertido por meio de intervenções amplas e custo-efetivas de promoção de 
saúde para redução de seus fatores de risco, além de melhoria da atenção à 
saúde, detecção precoce e tratamento oportuno. Os principais fatores de risco 
para DCNT são o tabaco, a alimentação não saudável, a inatividade física e o 
consumo nocivo de álcool, responsáveis, em grande parte, pela epidemia de 
sobrepeso e obesidade, pela elevada prevalência de hipertensão arterial e pelo 
colesterol alto. 
Fonte: adaptado de Ministério da Saúde, (2011, p. 30, on-line)5. 
FIM DO SAIBA MAIS. 
Essas grandes alterações nos perfis de mortalidade e morbidade podem 
ser explicadas, em grande parte, pelos avanços tecnológicos, avanços na 
medicina e urbanização ao longo das décadas. O grande avanço em serviços, 
como saneamento básico; avanços na medicina, como vacinas, diagnósticos, 
tratamentos, acesso a diversos serviços de saúde, dentre outros fatores, 
contribuíram fortemente para tais mudanças. 
Até o momento, vimos a Transição Demográfica e Transição 
Epidemiológica como fenômenos isolados por motivos didáticos. Porém, essas 
alterações no perfil da população não ocorreram de forma independente, e sim 
de maneira conjunta, sendo que, ao mesmo tempo, um influenciou e influencia 
o outro. Pare por um momento e tente identificar quais as conexões das duas 
transições. Como a Transição Demográfica influencia a Transição 
Epidemiológica e vice-versa? 
Após a sua reflexão, vamos analisar juntos. Conforme as transformações 
(urbanização, melhorias de saneamento básico e avanços na medicina) foram 
ocorrendo, o perfil das doenças e das causas de mortalidade também 
começaram a se alterar (Transição Epidemiológica). Por exemplo, a existência 
e disponibilidade de vacinas para diversas doenças infecciosas, grande causa 
de mortes no passado, foram reduzindo esse problema e, consequentemente, 
as pessoas passaram a viver mais. 
Como vimos, a grande queda da mortalidade infantil também contribuiu 
bastante para o aumento da expectativa de vida. Com menos mortes prematuras 
e maior expectativa de vida, há uma gradativa alteração na pirâmide etária 
(Transição Demográfica). Por sua vez, se a população em geral vive por mais 
tempo, é natural que as doenças e causas de mortalidade também se alterem, 
uma vez que o perfil das doenças que atinge jovens e adultos se difere, em 
muitos casos, das doenças que afligem os idosos. Isto é, ambas as transições 
contribuíram, ao mesmo tempo, para acentuar as alterações uma da outra. 
Vale ressaltar que estamos abordando apenas alguns dos principais 
fatores responsáveis pelas transições, mas que este é um processo complexo e 
multifatorial, que recebeu influência de diversas outras características do país, 
como características econômicas, políticas e sociais. Além disso, apesar de 
termosfocado o estudo dessas transições apenas no Brasil, tais transformações 
têm ocorrido, em diferentes velocidades, no mundo inteiro. 
FIM DO TÓPICO 2. 
 
INÍCIO DO TÓPICO 3 
3. DETERMINANTES DA SAÚDE 
Depois de estudarmos alguns diferentes conceitos de saúde, assim como o 
impacto das Transições Demográfica e Epidemiológica no cenário da saúde e 
das doenças do Brasil, vamos avançar e refletir sobre os fatores que determinam 
a saúde. 
É muito comum a ideia de que um dos principais fatores que determinam a 
nossa saúde é representado unicamente pelos nossos comportamentos 
voluntários. Essa ideia, que coloca praticamente toda a responsabilidade da 
saúde das pessoas nos próprios comportamentos, tem sido denominada 
"culpabilização do indivíduo". Isto é, a pessoa que não faz atividade física, não 
se alimenta adequadamente, não realiza exames preventivos, dentre outras 
ações, deveria ser responsabilizada pela própria saúde. Apesar de ouvirmos 
frequentemente esse tipo de ideia entre amigos, familiares, na mídia e, até 
mesmo, entre profissionais da área, a "culpabilização do indivíduo" ignora uma 
variedade de conhecimentos atuais sobre os determinantes da saúde. 
Atualmente, sabemos que a saúde de uma pessoa ou de uma população é 
influenciada por uma grande e complexa variedade de fatores. Segundo a 
Organização Mundial da Saúde (2017, on-line)6, em termos gerais, os 
determinantes da saúde incluem: 
- o ambiente social e econômico; 
- o ambiente físico; 
- as características e comportamentos individuais. 
Mais especificamente, a Organização Mundial da Saúde indica diversos 
aspectos que já são conhecidos por afetar a saúde de um indivíduo, comunidade 
ou população: 
- Renda: uma maior renda está ligada a uma melhor saúde. Quanto maior a 
desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres, maior as diferenças nos 
níveis de saúde. 
- Educação: baixos níveis de educação estão ligados a uma pior saúde, maior 
estresse e menor autoconfiança. 
- Ambiente Físico: a qualidade da água e do ar, ambientes saudáveis de 
trabalho, moradia segura, estradas e ruas seguras são todos fatores que 
influenciam a saúde das pessoas. As condições de emprego e o quanto as 
pessoas possuem controle sobre esse ambiente também influenciam a saúde. 
- Aspectos Sociais: um maior suporte social da família, amigos e da 
comunidade como um tudo está relacionado a melhores níveis de saúde. A 
cultural, crenças e tradições locais também afetam a saúde. 
- Fatores Genéticos: fatores hereditários podem influenciar a longevidade e 
o risco de desenvolvimento de determinadas doenças. 
- Serviços de Saúde: a disponibilidade, o acesso e o uso dos serviços de 
saúde agem como fatores que podem colaborar na prevenção e tratamento de 
doenças, afetando a saúde. 
- Gênero: homens e mulheres sofrem de diferentes tipos de doenças em 
diferentes idades. 
 Em resumo, observamos que os determinantes da saúde passam por 
uma série de esferas, desde o comportamento individual (que na verdade 
também é afetado por uma série de outros fatores) até características 
socioeconômicas, culturais e ambientais, em que o indivíduo, de forma isolada, 
tem pouco ou nenhum controle. Uma ilustração bastante didática e interessante 
dos determinantes da saúde é o popular modelo de Dahlgren e Whitehead 
(BUSS; PELLEGRINI FILHO, 2007). Veja a seguir: 
INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA 
 
 
Vitor Fernandes 
Descrição: A imagem apresenta um gráfico de setores com diferentes camadas. Ao 
centro da figura temos um círculo preenchido na cor azul escrito no centro e em branco: 
idade, sexo e fatores hereditários. Acima em um espaço branco e seguindo o desenho 
da circunferência está escrito “ESTILO DE VIDA DOS INDIVÍDUOS”. Em seguida, 
acima, dentro de uma semicircunferência preenchida de marrom está escrito “REDES 
SOCIAIS E COMUNITÁRIAS”. As camadas seguintes, acima, encontram-se os fatores 
relacionados às condições de vida e de trabalho, com oito divisões em diferentes cores, 
sendo elas da esquerda para direita: rosa: “Produção agrícola e de alimentos”; azul 
claro: “Educação”; verde limão: “Ambientes de trabalho”; laranja: “Condições de vida e 
de trabalho”; pink: “Desemprego”; verde musgo: “Água e Esgoto”; verde claro: “Serviços 
Sociais de Saúde”; rosa claro: “Habilitação”. No centro e topo dessa semicircunferência 
nas laterais da divisão alaranjada possui uma flecha vermelha de cada lado indicando 
o lado esquerdo e o direito. A última camada é uma semicircunferência preenchida de 
roxo onde está escrito “CONDIÇÕES SOCIOECONÔMICAS, CULTURAIS E 
AMBIENTAIS GERAIS”. 
FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. 
 
Com base nesses conhecimentos sobre os determinantes da saúde, 
começamos a entender e visualizar que o campo de atuação dos profissionais e 
interessados na área da saúde é bem mais amplo do que costumamos imaginar. 
Ações e intervenções de saúde podem abranger desde uma "simples" oferta de 
atividade física em um espaço público até uma política de planejamento urbano 
para melhoria de ruas, calçadas e parques, para o estímulo do uso do transporte 
ativo, da caminhada no lazer etc. 
 Observe a imagem a seguir, que apresenta um condomínio de luxo 
situado ao lado de uma favela. Considerando o contraste das condições de 
moradia, saneamento básico, presença de árvores, segurança, acesso a 
possibilidades de lazer, dentre outros fatores, reflita sobre a influência dos 
determinantes estudados na saúde das pessoas. Você consegue fazer uma lista 
de quais aspectos da saúde poderão ser influenciados, independentemente do 
comportamento individual? 
Quando pensamos especificamente em relação à prática de atividades 
físicas, é interessante realizarmos uma análise similar. O comportamento da 
prática de atividades físicas é, por si só, um determinante da saúde. Porém, o 
que será que determina esse comportamento? 
 Novamente, é comum ouvir, e nós mesmos pensarmos, que a “culpa” de 
não fazer atividades físicas se dá apenas por fatores pessoais, como falta de 
motivação ou, até mesmo, preguiça. Porém, imagine o seguinte cenário: 
considere duas pessoas que moram em cidades diferentes. Uma cidade possui 
níveis baixíssimos de violência, possui parques e praças iluminadas e com a 
presença de equipamentos de lazer; a prefeitura oferece uma variedade de 
esportes e programas de atividade física gratuitos, possui um sistema de 
transporte público eficiente e barato, ruas e calçadas seguras, sem buracos, 
limpas, dentre outras características. O morador da outra cidade se encontra em 
um cenário em que a cidade é violenta, os poucos parques e praças não têm 
iluminação e manutenção nenhuma, há somente oferta de atividade física e 
esportes privados e caros, ruas e calçadas são perigosas e mal cuidadas etc. 
Em qual cidade você acha que a população praticará mais atividades físicas, 
desde caminhar até a padaria, brincar no parque, usar bicicleta ou mesmo 
praticar esportes? Na primeira ou na segunda? 
 Assim, após trilhar toda essa linha de estudos, finalizaremos esta unidade 
com o estudo de um conceito bastante relevante e que tem ganhado grande 
atenção nas últimas décadas: a qualidade de vida. 
FIM DO TÓPICO 3. 
 
INÍCIO DO TÓPICO 4 
4. QUALIDADE DE VIDA 
Como vimos anteriormente, as Transições Demográfica e Epidemiológica 
estão resultando em uma população que possui maior longevidade (maior 
expectativa de vida), mas que tem apresentado elevado níveis de morbidade. 
Esse último é evidenciado pelos elevados e crescentes níveis de sobrepeso e 
obesidade, hipertensão, diabetes, dentre outras condições crônicas na 
população. Assim, nos últimos anos, grande atenção tem sido direcionada à 
questão da qualidade de vida. 
O conceito de qualidade de vida é definido por Nahas (2013, p. 14) como: 
"a percepção de bem-estar resultante de um conjunto de parâmetros 
individuais e socioambientais, modificáveis ou não, que caracterizam ascondições em que vive o ser humano.” 
 É interessante notar que, baseado no conceito anterior, observamos que 
essa percepção de bem-estar (qualidade de vida) é subjetiva, resultante de uma 
combinação de fatores, fenômenos e situações que, após passar por um “filtro 
individual”, gera essa sensação abstrata (NAHAS, 2013). Assim, uma mesma 
situação de vida, com fatores e fenômenos similares, pode gerar uma percepção 
de bem-estar e qualidade de vida diferente de pessoa para pessoa. O mesmo 
também pode ocorrer, em que pessoas vivendo em situações totalmente 
diferentes podem julgar que suas qualidades de vida são similares. Dentre os 
diversos fatores, fenômenos e situações que podem afetar qualidade de vida de 
uma pessoa ou de uma comunidade ou população, veja alguns considerados 
bastante relevantes no quadro a seguir: 
 Quadro 1 - Parâmetros socioambientais e individuais que podem afetar a 
Qualidade de Vida 
QUALIDADE DE VIDA 
Parâmetros Socioambientais Parâmetros Individuais 
Moradia, transporte, segurança Hereditariedade 
Assistência médica Estilo de Vida: 
Condições de trabalho e remuneração - Hábitos alimentares 
Educação - Controle do estresse 
Opções de lazer - Atividade física habitual 
Meio ambiente - Relacionamentos 
Cultura - Comportamento preventivo 
Fonte: Nahas (2013). 
Conforme observado, a qualidade de vida reflete a percepção das 
pessoas sobre uma variedade de aspectos. Nas últimas décadas, questões 
relacionadas à saúde, mais especificamente ao estilo de vida, têm ganhado 
grande atenção e crescente importância quando falamos de qualidade de vida. 
Isso é muito interessante, uma vez que nós, profissionais da saúde, temos 
grande influência no estilo de vida das pessoas. Assim, nosso foco principal 
serão os aspectos da qualidade de vida que estão intimamente relacionados ao 
estilo de vida. 
Nos últimos anos, a questão da qualidade de vida ganhou muita 
notoriedade, principalmente quando considerada em relação aos cuidados de 
pacientes com doenças infecciosas graves, como AIDS, por exemplo, assim 
como com doenças crônicas não-transmissíveis, por exemplo, doenças 
cardiovasculares, diabetes, hipertensão e câncer. Particularmente um aspecto 
do estilo de vida, a prática de atividade física habitual, hoje é considerada como 
um potente influenciador da qualidade de vida (NAHAS, 2013), sendo associada 
a: 
- Maior capacidade de trabalho físico e mental. 
- Mais entusiasmo para a vida. 
- Positiva sensação de bem-estar. 
- Menores gastos com saúde. 
- Menor risco de doenças crônicas não-transmissíveis. 
- Redução da mortalidade precoce. 
Assim como previamente estudado em relação aos determinantes da 
saúde, o estilo de vida das pessoas, incluindo a prática habitual de atividade 
física, é influenciada por um conjunto complexo de fatores. Nesse sentido, o 
conceito de estilo de vida pode ser entendido como um “conjunto de ações 
habituais que refletem as atitudes, os valores e as oportunidades na vida das 
pessoas” (NAHAS, 2013). Devido ao cenário atual da população, advindos das 
transformações demográfica e epidemiológica, dentre outros fatores, atualmente 
o estilo de vida e seus diversos componentes são considerados essenciais para 
a saúde, bem-estar e qualidade de vida da população. 
Uma forma bem simples e de fácil visualização para a avaliação de alguns 
aspectos do estilo de vida é o instrumento PERFIL DO ESTILO DE VIDA, 
derivado do modelo do Pentáculo do Bem-Estar (NAHAS et al, 2000). Esse 
instrumento inclui cinco aspectos do estilo de vida que estão relacionados ao 
bem-estar e à saúde. São eles: 
1) Alimentação 
2) Atividade Física 
3) Comportamento Preventivo 
4) Relacionamentos 
5) Controle do Estresse 
 
Cada um dos cinco aspectos possui três itens para preenchimento, em 
uma escala que vai de 0 pontos (ausência total de tal característica no estilo de 
vida) até 3 pontos (completa realização do comportamento considerado). O 
instrumento, que deve ser preenchido por meio da pintura dos espaços de 
acordo com a escala de resposta, além de ser autoadministrado, é bastante 
ilustrativo e de fácil visualização, uma vez que quanto mais colorida estiver a 
figura, mais adequado está o estilo de vida da pessoa, baseada nesses cinco 
aspectos (NAHAS, 2013). Confira, a seguir, o instrumento completo: 
 
 
 PERFIL DO ESTILO DE VIDA 
O ESTILO DE VIDA corresponde ao conjunto de ações habituais que 
refletem as atitudes, valores e oportunidades das pessoas. Essas ações têm 
grande influência na saúde geral e qualidade de vida de todos os indivíduos. 
 Os itens a seguir representam características do estilo de vida 
relacionadas ao bem-estar individual. Manifeste-se sobre cada afirmação 
considerando a escala: 
 
[ 0 ] Absolutamente não faz parte do seu estilo de vida. 
[ 1 ] Às vezes corresponde ao seu comportamento. 
[ 2 ] Quase sempre verdadeiro no seu comportamento. 
[ 3 ] A afirmação é sempre verdadeira no seu dia a dia; faz parte do seu estilo 
de vida. 
 
Componente: Alimentação 
a. Sua alimentação diária inclui pelo menos 5 porções de frutas e hortaliças. 
b. Você evita ingerir alimentos gordurosos (carnes gordas, frituras) e doces. 
c. Você faz 4 a 5 refeições variadas ao dia, incluindo um bom café da manhã. 
 
Componente: Atividade Física 
d. Seu lazer inclui a prática de atividades físicas (exercícios, esportes ou dança). 
e. Ao menos duas vezes por semana você realiza exercícios que envolvam força 
e alongamento muscular. 
f. Você caminha ou pedala como meio de deslocamento e, preferencialmente, 
usa as escadas ao invés do elevador. 
 
Componente: Comportamento Preventivo 
g. Você conhece sua pressão arterial, seus níveis de colesterol e procura 
controlá-los. 
h. Você se abstém de fumar e ingere álcool com moderação (ou não bebe). 
i. Você respeita as normas de trânsito (como pedestre, ciclista ou motorista); usa 
sempre o cinto de segurança e, se dirige, nunca ingere álcool. 
 
Componente: Relacionamentos 
j. Você procura cultivar amigos e está satisfeito com seus relacionamentos. 
k. Seu lazer inclui encontros com amigos, atividades em grupo, participação em 
associações ou entidades sociais. 
l. Você procura ser ativo em sua comunidade, sentindo-se útil no seu ambiente 
social. 
 
Componente: Controle do Estresse 
m. Você reserva tempo (ao menos 5 minutos) todos os dias para relaxar. 
n. Você mantém uma discussão sem alterar-se, mesmo quando contrariado. 
o. Você equilibra o tempo dedicado ao trabalho com o tempo dedicado ao lazer. 
 
Considerando suas respostas aos 15 itens, procure colorir a figura abaixo, 
construindo uma representação visual do seu Estilo de Vida atual 
 - Deixe em branco se você marcou zero para o item. 
 - Preencha do centro até o primeiro círculo se marcou [ 1 ]. 
- Preencha do centro até o segundo círculo se marcou [ 2 ]. 
- Preencha do centro até o terceiro círculo se marcou [ 3 ]. 
 
INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA 
 
Vitor Fernandes 
 
Descrição: A imagem é uma demonstração gráfica dos resultados obtidos através do 
questionário do perfil do estilo de vida individual, que inclui características nutricionais, 
nível de estresse, atividade física habitual, relacionamento social e comportamentos 
preventivos, sendo demonstrada em figura no formato do pentáculo (estrela de cinco 
pontas). O Pentáculo tem a configuração de uma estrela e na área de cada ponta dele 
temos uma ou duas palavras e na base, a qual é um triângulo isósceles, tem um traçado 
de quatro segmentos formando meia estrela. A partir da ponta superior do pentáculo e 
em sentido horário, temos os seguintes dizeres e respectivos pontos nas bases: 
Alimentação, pontos (da esquerda para a direita) a, b, c; Atividade física, pontos d, e, f; 
Comportamento Preventivo, pontos g, h, i; Relacionamentos, pontos j, k, l; Controle do 
estresse, pontos m, n, o. No centro do pentáculo tem um ponto ea partir dele segmentos 
que tocam as cinco pontas internas. Ainda partindo do ponto central do pentáculo 
segmentos pontilhados vão até os pontos centrais nas bases dos triângulos isósceles 
(pontas) os quais não estão nomeados. Por fim, ao redor do ponto central preenchendo 
a área central do pentáculo, três circunferências pontilhadas. 
 
FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. 
A utilização do instrumento, que pode ser realizada de maneira individual 
ou em grupo, analisando o perfil do grupo como um todo, permite identificar 
aspectos positivos e negativos do estilo de vida das pessoas, facilitando a 
visualização e reflexão, tanto pelo próprio avaliado como pelo avaliador 
(Profissional de Educação Física). Os resultados podem ser utilizados para a 
identificação de aspectos a serem mantidos, aprimorados ou iniciados. Assim, 
cabe ao profissional, em posse dos resultados, identificar e elaborar estratégias 
para o aprimoramento dos diferentes aspectos, a fim de melhorar o estilo de vida 
das pessoas e, consequentemente, seu bem-estar e qualidade de vida. 
 Ao encerrar essa primeira Unidade, espero que você tenha ampliado a 
sua visão sobre saúde, desde o seu conceito, passando por como as 
transformações populacionais a afetam, seus determinantes e sua estreita 
relação com a Qualidade de Vida. Tais conhecimentos, além de contribuir para 
a sua formação profissional, embasarão diversos aspectos das próximas 
unidades. Até breve! 
FIM DO TÓPICO 4. 
 
FIM DA UNIDADE I. 
INÍCIO DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Caro(a) aluno(a), aqui encerramos a Unidade I. 
No primeiro Tópico ("O que é Saúde"), vimos algumas diferentes 
conceituações para o termo “Saúde”. Discutimos que Saúde não é apenas a 
ausência de doenças e que o atual conceito da Organização Mundial de Saúde 
é questionável, uma vez que raramente temos um completo bem-estar físico, 
emocional e social. Assim, apresentei um modelo de Saúde como um “contínuo”, 
que se revela dinâmico, de acordo com as situações e comportamentos. 
No segundo Tópico ("Transições Demográfica e Epidemiológica"), 
estudamos o que são essas transições, seus principais componentes e como 
elas estão afetando as características populacionais do Brasil, tanto em termos 
de idade, como em termos de mortalidade e morbidade. Ainda, apesar de 
inicialmente estudarmos as transições separadamente, vimos que, na verdade, 
elas estão conectadas. A alteração na mortalidade afeta características da 
população que, por sua vez, afetam novamente o perfil das doenças e da 
mortalidade, formando um ciclo. 
O terceiro Tópico (“Determinantes da Saúde”) foi dedicado a melhor 
compreendermos o que determina a saúde de um indivíduo, comunidade ou 
população. Vimos que a saúde depende de muitos fatores, como a renda, 
educação, ambiente físico, aspectos sociais, fatores genéticos, serviços de 
saúde, dentre outros. Assim, a “culpabilização do indivíduo” por sua saúde é uma 
abordagem muito rasa e simplista. 
Por fim, o quarto Tópico ("Qualidade de Vida") foi dedicado à questão da 
Qualidade de Vida, que tem ganhado bastante atenção devido às 
transformações populacionais que vivenciamos. Além de conceituar e estudar 
alguns fatores do estilo de vida que afetam a Qualidade de Vida, conhecemos o 
"Perfil do Estilo de Vida", um instrumento simples e prático para os profissionais 
utilizarem. 
 Até breve! 
 
FIM DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS. 
 
 
 
INÍCIO DAS ATIVIDADES DE ESTUDO 
1) Considere o seguinte conceito de Saúde: "Saúde é a ausência de doenças". 
Descreva as limitações desse conceito, ilustrando suas explicações com 
exemplos práticos. 
 
2) Atualmente, a Organização Mundial da Saúde conceitua a Saúde como 
"Estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência 
de doenças". Qual é a principal palavra dessa conceituação que não parece 
adequada para o mundo real? Explique. 
 
3) Em relação a Transição Demográfica, assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F). 
( ) Pode ser observada pela alteração no perfil das doenças e causas de morte. 
( ) Pode ser observada pela alteração no perfil da população, vista na pirâmide 
etária, com crescente proporção de idosos. 
( ) Alteração na dinâmica de crescimento da população. 
( ) Alteração no perfil de mortalidade e morbidade da população. 
( ) É caracterizada pela redução das doenças infecciosas e aumento das 
doenças crônicas não-transmissíveis. 
( ) Influenciada principalmente pelas taxas de natalidade (nascimentos) e 
expectativa de vida. 
 
4) Em relação a Transição Epidemiológica, assinale Verdadeiro (V) ou Falso 
(F). 
( ) Pode ser observada pela alteração no perfil das doenças e causas de morte. 
( ) Pode ser observada pela alteração no perfil da população, vista na pirâmide 
etária, com crescente proporção de idosos. 
( ) Alteração na dinâmica de crescimento da população. 
( ) Alteração no perfil de mortalidade e morbidade da população. 
( ) É caracterizada pela redução das doenças infecciosas e aumento das 
doenças crônicas não-transmissíveis. 
( ) Influenciada principalmente pelas taxas de natalidade (nascimentos) e 
expectativa de vida. 
5) Considerando as diversas esferas dos Determinantes da Saúde, indique pelo 
menos três parâmetros socioambientais e três parâmetros individuais que 
tem relação com a Qualidade de Vida. 
FIM DAS ATIVIDADES DE ESTUDO. 
 
INÍCIO DA LEITURA COMPLEMENTAR 
Leia as seguintes passagens de um artigo de opinião bastante interessante 
sobre o tema do envelhecimento populacional e suas consequências. 
O envelhecimento da população mundial é um fato incontestável. É 
praticamente consenso, também, que o ritmo deste processo nas próximas 
décadas será particularmente acelerado em países que, como o Brasil, se 
encontram em vias de desenvolvimento. [...] Entre 2000 e 2025 estima-se que a 
proporção da população com 60 anos e mais aumente de 8% para 15% e 
subsequentemente para 24% no ano 2050 (Nações Unidas, 2005a). Embora 
esta proporção se encontre ainda muito aquém da observada nos países mais 
desenvolvidos, este aumento proporcional irá representar, em termos absolutos, 
um incremento da ordem de 45 milhões de pessoas idosas na população. 
O envelhecimento contínuo de uma população traz uma série de 
implicações que afetam, direta ou indiretamente, diferentes esferas de sua 
organização social, econômica e política. [...] 
Em algumas áreas, como é o caso da saúde, as conseqüências deste 
fenômeno se fazem sentir de forma mais clara e imediata. O impacto de uma 
crescente massa de população idosa não somente sugere a necessidade de 
desenvolvimento de técnicas e metodologias de atendimento diferenciado, mas 
passa também pela questão fundamental da utilização mais intensiva dos 
serviços e equipamentos de saúde por parte da população em idades mais 
avançadas. [...] 
É sabido, portanto, que as transformações demográficas e 
epidemiológicas irão resultar em mudanças dramáticas no quadro de demandas 
na área de saúde. Entre as principais mudanças está, sem dúvida, o aumento 
considerável na demanda por cuidados continuados de pessoas idosas. [...] 
Recentemente, a Organização Mundial da Saúde adotou o termo 
“envelhecimento ativo” para expressar a idéia de que uma vida mais longa deve 
vir acompanhada por oportunidades contínuas de saúde, participação e 
segurança (Organização Mundial da Saúde, 2002). A palavra “ativo”, no caso, 
refere-se não somente à prática de atividades físicas ou à participação no 
mercado laboral, mas também à participação contínua em assuntos sociais, 
econômicos, cívicos, culturais e espirituais. [...] 
A definição de “saúde” adquire uma maior abrangência dentro deste 
conceito, passando a referir-se não somente ao bem-estar físico, mas também 
ao bem-estar mental e social. Portanto, dentro de um contexto de 
envelhecimento ativo, programas e políticas voltadas à promoção de saúde 
mental e ao incremento de conexões sociais passam a ser tão importantesquanto aquelas dedicadas à melhoria das condições de saúde física. 
Manter autonomia e independência à medida que se envelhece é a meta 
primordial tanto para os próprios indivíduos que envelhecem quanto para os 
setores de planejamento na área de saúde. Neste sentido, todas as estratégias 
de promoção de saúde e prevenção de doenças que contribuam para diminuir o 
risco da perda de autonomia do indivíduo idoso constituem peças fundamentais 
das políticas de planejamento em saúde. Em particular, reconhece-se que, em 
todas as idades, a prática de atividades físicas está diretamente associada a 
uma melhor qualidade de vida. Para pessoas de idades mais avançadas, existe 
uma crescente evidência científica indicando a atividade física como um fator 
importante no prolongamento dos anos de vida ativa e independente, na redução 
das incapacidades e na melhoria da qualidade de vida em geral (Pelaez, 2002). 
Embora as evidências sejam claras, elas raramente têm se traduzido em planos 
de ação nacionais direcionados a criar oportunidades de atividades físicas para 
pessoas idosas como uma medida de saúde pública. [...] 
Fonte: Saad ([2017], on-line). 
 
FIM DA LEITURA COMPLEMENTAR. 
 
INÍCIO DO MATERIAL COMPLEMENTAR – WEB 
Vídeo bastante didático sobre os Determinantes Sociais da Saúde que, por meio 
de um exemplo prático, explica como a nossa saúde depende de fatores que vão 
além do comportamento individual. 
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=79z4Thkuw90> 
FIM DO MATERIAL COMPLEMENTAR - WEB. 
 
INÍCIO DAS REFERÊNCIAS 
ALMEIDA FILHO, N. O conceito de saúde: ponto cego da epidemiologia? 
Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 3, n. 1, p. 4-20, 2000. 
BIRCHER, J. Towards a dynamic definition of health and disease. Medicine, 
health care, and philosophy, v. 8, n. 3, p. 335-341, 2005. 
BUSS, P. M.; PELLEGRINI FILHO, A. A saúde e seus determinantes sociais. 
Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 17, n. 1, p. 77-93, 2007. 
MALTA, D. C. et al. A construção da vigilância e prevenção das doenças crônicas 
não transmissíveis no contexto do Sistema Único de Saúde. Epidemiologia e 
Serviços de Saúde, v. 15, p. 47-65, 2006. 
MALTA, D. C.; BARBOSA DA SILVA, J. Policies to promote physical activity in 
Brazil. Lancet, v. 380, n. 9838, p. 195-196, 2012. 
MIRANDA, G. M. D.; MENDES, A. C. G.; SILVA, A. L. A. Desafios das políticas 
públicas no cenário de transição demográfica e mudanças sociais no Brasil. 
Interface (Botucatu), v. 21, n. 61, p. 309-320, 2017. 
NAHAS, M. V. Atividade física, saúde e qualidade de vida: conceitos e 
sugestões para um estilo de vida ativo. 6. ed. Londrina: Midiograf, 2013. 
NAHAS, M. V.; BARROS, M. V. G.; FRANCALACCI, V. L. O pentáculo do bem-
estar: base conceitual para avaliação do estilo de vida de indivíduos ou grupos. 
Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, v. 5, n. 2, p. 48-59, 2000. 
PAIM, J. et al. The Brazilian health system: history, advances, and challenges. 
Lancet, v. 377, n. 9779, p. 1778-1797, 2011. 
SAAD, P. M. Envelhecimento populacional: demandas e possibilidades na 
área da saúde. Demographicas. Disponível em: 
<http://www.abep.org.br/~abeporgb/publicacoes/index.php/series/article/viewFil
e/71/68>. Acesso em: 07 nov. 2017. 
SCHMIDT, M. I. et al. Chronic non-communicable diseases in Brazil: burden and 
current challenges. Lancet, v. 377, n. 9781, p. 1949-1961, 2011. 
FIM DAS REFERÊNCIAS. 
 
INÍCIO DAS REFERÊNCIAS – WEB 
1Em: <http://www.who.int/about/mission/en/>. Acesso em: 07 nov. 2017. 
2Em: 
<https://ww2.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/projecao_da_populacao/2
008/piramide/piramide.shtm>. Acesso em: 26 out. 2017. 
3Em: <https://brasilemsintese.ibge.gov.br/populacao/taxas-de-fecundidade-
total.html>. Acesso em: 07 nov. 2017. 
4Em: <http://www.who.int/nmh/countries/bra_en.pdf>. Acesso em: 07 nov. 2017. 
5Em: 
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/plano_acoes_enfrent_dcnt_2011.p
df>. Acesso em: 07 nov. 2017. 
6Em: <http://www.who.int/hia/evidence/doh/en/>. Acesso em: 07 nov. 2017. 
7Em: <http://www.ccs.saude.gov.br/sus/determinantes.php>. Acesso em: 07 
nov. 2017. 
FIM DAS REFERÊNCIAS - WEB. 
 
INÍCIO DO GABARITO 
1) As principais limitações desse conceito se dão pelo fato de que não possuir 
nenhuma doença específica diagnosticada ("ausência de doenças") não 
significa, necessariamente, que a pessoa seja saudável. Apesar de não ter 
nenhuma doença específica, alguém pode apresentar, por exemplo, tristeza, 
cansaço, angústia, possuir uma deficiência física, ser amputada, possuir baixa 
aptidão cardiorrespiratória, baixos níveis de força, baixa capacidade funcional, 
ser incapaz de realizar as atividades de vida diária de forma independente, 
fumar, se alimentar de forma inapropriada, dentre outros. 
 
2) A principal palavra dessa conceituação que não parece adequada para o 
mundo real é a palavra "completo". Isso se dá pelo fato de que é praticamente 
impossível que algum de nós consiga passar um mês, uma semana ou mesmo 
um dia inteiro em um “completo" bem-estar físico, mental e social. Sempre 
haverá algum problema, pequeno ou grande, que afetará o nosso dia a dia. Um 
estado "dinâmico" de bem-estar é mais realista. 
3) F, V, V, F, F, V. 
4) V, F, F, V, V, F. 
 
5) Enquanto o tópico "Determinantes da Saúde" explora bastante o tema, há um 
quadro no tópico "Qualidade de Vida" que apresenta diversos parâmetros 
socioambientais e individuais. 
FIM DO GABARITO. 
 
INÍCIO DA UNIDADE II 
 
INÍCIO DA FOLHA DE ABERTURA 
ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE 
Professor Doutor Bruno de Paula Caraça Smirmaul 
 
Objetivos de Aprendizagem 
● Entender como a evolução nos ajuda a compreender a atual relação 
entre a Atividade Física e a Saúde. 
● Visualizar e refletir sobre os efeitos da tecnologia na (In)Atividade Física. 
● Conhecer um pouco da trajetória do conhecimento na área de Atividade 
Física e Saúde e suas diferentes possibilidades atuais. 
 
Plano de Estudo 
● Perspectiva Evolutiva da Atividade Física 
● Tecnologia e (In)Atividade Física 
● Passado e Presente dos Conhecimentos sobre Atividade Física e Saúde 
 
FIM DA FOLHA DE ABERTURA. 
 
INÍCIO DA INTRODUÇÃO 
Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a)! Na Unidade II, abordaremos três 
tópicos principais de estudo. 
O primeiro Tópico ("Perspectiva Evolutiva da Atividade Física") servirá 
como base para toda a estrutura seguinte de nossos estudos. Isso acontece 
porque compreenderemos como a evolução humana, em termos de movimento 
corporal e demandas de atividades do dia a dia, nos ajuda a entender grande 
parte da relação entre a prática de atividades físicas e seus efeitos na saúde que 
conhecemos atualmente. Para isso, realizaremos uma jornada ao longo de 
diversas eras da evolução humana e veremos como a necessidade de 
movimento corporal de nosso dia a dia se alterou ao longo do tempo. 
No segundo Tópico ("Tecnologia e (In)Atividade Física"), refletiremos 
sobre o impacto da tecnologia atual nos níveis de atividade física da população 
em geral, com diversos exemplos práticos e reflexões de como isso tem alterado 
o nosso cotidiano. Especificamente, abordaremos como a tecnologia tem 
impactado o nosso gasto energético, com implicações não somente para a 
gordura corporal, mas também para a saúde em geral. Para isso, analisaremos 
o gasto energético de diversas atividades de nosso dia a dia, com e sem a 
utilização da tecnologia atual, e como isso pode impactar em nosso gasto 
energético total ao longo de um dia. Ainda, veremos o quanto precisaríamos 
praticar de atividades físicas específicas para compensar tal diferença. 
Por fim, no terceiro Tópico ("Passado e Presente dos Conhecimentos 
sobre Atividade Física e Saúde"), abordaremos como se deu a trajetória do 
conhecimento na área de Atividade Física e Saúde. Além disso, conheceremos 
alguns temas específicos nos quais o conhecimento tem se aprofundado, o que 
nos permite expandir nosso horizontese possibilidades de atuação profissional. 
Bons estudos! 
FIM DA INTRODUÇÃO. 
 
INÍCIO DO TÓPICO 1 
1. PERSPECTIVA EVOLUTIVA DA ATIVIDADE FÍSICA 
Imagine o dia a dia de uma pessoa que acorda cedo, utiliza seu veículo 
para ir ao trabalho, trabalha por cerca de 8 horas sentada em um escritório, volta 
para sua casa e gasta algumas horas da noite em atividades de lazer antes de 
dormir, geralmente sentado na frente da TV, computador ou celular. Qual a 
quantidade de movimento corporal que essa pessoa realiza diariamente? 
Provavelmente, muito pouco! E, atualmente, essa é a realidade de um número 
enorme de pessoas no Brasil e no mundo. Porém, esse cenário nem sempre foi 
assim. A seguir, utilizarei a linha de raciocínio que desenvolvi em um recente 
trabalho (SMIRMAUL, 2017), para analisarmos a evolução dos níveis de 
atividade física do homem. 
Ao longo da evolução humana, desde que desenvolvemos a capacidade 
de locomoção bípede, o movimento corporal foi um componente essencial para 
a sobrevivência humana e altamente presente no dia a dia de nossos 
antepassados. As atividades essenciais para a sobrevivência envolviam altas e 
frequentes quantidades de movimento corporal, como procurar/explorar por 
água, coletar e caçar alimentos, fugir de predadores, além da locomoção em si 
de uma forma geral (LIEBERMAN, 2011). Esse padrão de vida, com elevada 
quantidade e frequência de movimento corporal, perdurou por cerca de 2 milhões 
de anos (SMIRMAUL, 2017). 
INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA 
 
Vitor Fernandes 
 
Descrição: A ilustração mostra uma comunidade pré-histórica de homens e mulheres 
com seus hábitos de vida, caça e alimentação. Na imagem há três homens, uma mulher 
e uma criança, todos usando vestimentas e botas produzidas com couro e peles de 
animais na cor marrom. Os homens possuem cabelos e barba compridos e castanhos, 
a mulher cabelo castanho na altura dos ombros e a criança usa uma espécie de touca 
com fiapos de cabelo aparecendo na altura do pescoço. 
Da esquerda para a direita temos uma mulher realizando trabalho manual sentada em 
um tronco próxima a uma fogueira em chamas e próximo aos seus pés temos um par 
de lanças e pequenas pedras. Ao fundo há uma tenda no formato triangular, armada 
com galhos e coberta com peles de animais, com chifres decorativos na entrada. Em 
seguida, ao fundo e a direita têm dois homens, um a frente do outro e ambos carregando 
um cervo abatido amarrado pelas patas em uma vara e o homem que está a frente, 
segura na mão esquerda uma lança de caça com o corpo de um animal pequeno 
(semelhante a uma lebre) sem a cabeça espetado na mesma. O canto superior direito 
conta com uma formação rochosa sendo pintado por uma criança o contorno de suas 
próprias mãos e ao lado, na parte inferior da imagem, encontra-se outro homem do 
grupo com uma espécie de graveto na mão esquerda desenhando nessa mesma parede 
rochosa um animal grande semelhante a um touro. A coloração, extraída de materiais 
naturais, que se encontra numa cumbuca aos pés da criança é avermelhada e na 
cumbuca que o homem segura com a mão direita é acinzentada. Por fim, à esquerda 
deste homem, na parte inferior da figura, temos um ancestral canino com uma pelagem 
cinza e marrom olhando para trás na direção da mulher sentada ao tronco. 
 
FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. 
 
Após a Revolução da Agricultura, cerca de 10 mil anos atrás, o padrão de 
vida das pessoas se alterou substancialmente. Apesar disso, a necessidade de 
movimento corporal na rotina continuou bastante elevada. Mesmo após a 
Revolução Industrial - outro marco histórico que ocorreu cerca de 200 anos atrás 
-, as atividades diárias das pessoas ainda envolviam grandes quantidades de 
movimento. 
INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA 
A seguir temos a figura 2, com duas pinturas a óleo que ilustram: na imagem 1, 
cerca de dez mil anos atrás, o padrão de vida após a Revolução da Agricultura 
e na imagem 2, cerca de 200 anos atrás, o padrão de vida após a Revolução 
Industrial. 
 
Vitor Fernandes 
Descrição: Na imagem 1 temos a representação de trabalhadores agrícolas 
com suas ferramentas em mãos. Da direita para a esquerda temos dois homens 
em pé com chapéu de palha e foices em mãos cortando a grama, ambos vestem 
camisolões brancos e túnicas avermelhadas por cima. As calças do homem ao 
fundo possuem dois furos na altura dos joelhos, já o homem a sua frente e a 
direita não usa calças e ambos estão de sapatos pretos. Pode-se ver um terceiro 
homem ao fundo, usando uma espécie de vestido branco com uma túnica lilás 
por cima, botas marrons e chapéu cinza escuro, encurvado, arando a terra com 
suas ferramentas em mãos. Duas mulheres encontram-se ao lado esquerdo da 
pintura recolhendo a folhagem cortada pelos homens da frente. Estas mulheres 
possuem aventais brancos, vestidos longos azuis, chapéus, camisas marrons e 
estão descalças. 
 
Descrição: A imagem 2 mostra o trabalho de homens em uma forja suspensa 
por correntes grossas, num galpão onde existem correntes, ganchos, 
ferramentas e caldeiras. No primeiro plano temos uma criança de longos cabelos 
louros e chapéu tipo coco preto, sentada em uma tábua de madeira, com 
bochechas rosadas, olhar estatelado voltado para frente e semblante leve como 
se fosse sorrir. Quatro homens com marretas em punho trabalham próximo a 
fornalha ao fundo, três deles com suas marretas no alto e um segurando algo 
sobre um balcão ou mesa. Seus uniformes são compostos por camisas e 
chapéus azuis (tipo boinas), aventais beges e botas escuras. A beira do tablado 
suspenso, esquerda dos quatro operários, tem um senhor com bermuda, casaco 
e botas de cano longo até os joelhos, tudo em cores escuras, segurando com 
sua mão esquerda algo semelhante a um chicote e com a mão direita um objeto 
comprido com uma argola na ponta, observando diferentes estilos de pessoas 
que estão conversando ou trabalhando. 
FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. 
 Foi apenas após a Mecanização das Atividades Diárias, com início cerca 
de 60 anos atrás, e da Revolução Digital, aproximadamente 30 anos atrás, que 
a necessidade de movimento corporal em nosso dia a dia se alterou 
drasticamente, com uma grande redução dessa necessidade. O movimento, que 
estava integrado em praticamente todas as atividades do passado, foi 
substancialmente reduzido devido aos avanços tecnológicos das últimas 
décadas. 
 
INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA 
Abaixo temos a figura 3 com outras duas imagens. A imagem 1 representando o 
padrão de vida após a Mecanização das Atividades Diárias, com início cerca de 
60 anos atrás e a imagem 2 após a Revolução Digital, cerca de 30 anos atrás e 
em que vivemos atualmente. 
 
 
Vitor Fernandes 
 
Descrição: A imagem 1 é composta por uma pintura que mostra o 
trabalho de um grupo de mulheres em uma indústria de peças mecânicas. Em 
primeiro plano temos uma mulher de pele clara, cabelos castanhos curtos e 
enrolados, presos por um lenço rendado verde. A mesma está usando uniforme 
azul, com a coluna curvada para frente, trabalhando no torno mecânico. Seus. 
Ao fundo temos grupos de mulheres, algumas em pé e outras sentadas, usando 
uniformes semelhantes a macacões nas cores azul e cinza, com lenços 
vermelhos prendendo os cabelos, trabalhando em diversos equipamentos da 
linha de montagem. 
 
 
 
Descrição: A ilustração representada na imagem 2 é o desenho de quatro 
rapazes sentados em cadeiras com encostos, utilizando computadores de mesa 
postos sobre uma mesa retangular com capacidade para seis lugares, 
apresentada na horizontal. O primeiro está sentado numa cadeira vermelha, com 
os pés completamente apoiados ao chão, na ponta esquerda da mesa, vestindo 
moletom azul com capuz, calçados amarelos, usando fones de ouvido vermelhos 
do tipo headphone, com as mãos sobre o teclado sem fio. A sua direita encontra-
se um mouse sem fio e dois monitores ligados à sua frente. Na outra ponta da 
mesa, outro rapaz sentado em uma cadeira pretacom as mãos sobre um teclado 
e uma tela a sua frente, porém o rosto voltado para a sua esquerda. Na lateral 
superior da mesa um rapaz sentado numa cadeira verde, com antebraço 
esquerdo apoiado sobre a mesa, cabeça levemente voltada para a sua direita e 
para baixo, como se estivesse olhando para um retângulo branco desenhado 
sobre a mesa (supostamente um papel). N a lateral inferior da mesa, um rapaz 
sentado numa cadeira verde com as mãos sobre o teclado sem fio, a sua direita 
encontra-se um mouse também sem fio, um monitor ligado à sua frente e à sua 
esquerda um copo vermelho com um círculo branco representando o rótulo e um 
canudo branco. 
FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. 
 
Por que analisar toda a evolução do homem e sua relação com o 
movimento? Porque é justamente por meio dessa análise que conseguimos 
entender a relação entre a atividade física e a saúde humana. Para melhor 
entender essa relação, recentemente eu criei o “Calendário da Atividade Física” 
(SMIRMAUL, 2017), uma forma pedagógica para melhor visualizar as alterações 
dos níveis de atividade física ao longo da evolução humana. Em resumo, eu 
comprimi cerca de 2 milhões de anos (desde quando nossos antepassados eram 
caçadores-coletores) em um calendário de 1 ano (365 dias). Nesse calendário, 
o dia 01 de Janeiro representa 2 milhões de anos atrás, enquanto o dia 31 de 
Dezembro, às 00:00h (meia-noite), representa o dia de hoje. 
 Nesse calendário (acompanhe a tabela a seguir para melhor 
compreensão), podemos observar alguns dados impressionantes. Por exemplo, 
a Mecanização da Vida Diária e a Revolução Digital, que reduziram 
drasticamente a necessidade de movimento corporal, somente ocorreram depois 
de mais de 71 mil gerações. E, desde então, apenas 2 gerações se sucederam. 
Nos termos do calendário, é como se tivéssemos vivido do dia 01 de Janeiro até 
o dia 31 de Dezembro às 23h44 com muito movimento (atividade física) em 
nosso dia a dia. Isto é, apenas nos últimos 16 minutos, ou 0,003% do tempo de 
nossa evolução, os níveis de atividade física declinaram radicalmente. Confira 
todos os detalhes da Tabela 1: 
 Tabela 1 - Calendário da Atividade Física 
Caçadores-
Coletores 
(2 milhões de anos 
atrás) 
01 de Janeiro a 30 de 
Dezembro 04h00 
71.400 
gerações 
99,5% do 
tempo 
Revolução da 
Agricultura 
(10 mil anos atrás) 
1 dia e 20h atrás 350 
gerações 
0,5% do 
tempo 
Revolução 
Industrial 
(200 anos atrás) 
1h atrás 7 gerações 0,01% do 
tempo 
Mecanização da 
Vida Diária 
(60 anos atrás) 
16 minutos atrás 2 gerações 0,003% do 
tempo 
Revolução Digital 
(30 anos atrás) 
8 minutos atrás 1 geração 0,0015% do 
tempo 
Fonte: adaptada de Smirmaul (2017). 
Você pode estar se perguntando: “ok, todas essas informações são muito 
interessantes, mas como isso me ajuda a entender a relação entre a atividade 
física e a saúde?”. A resposta para essa pergunta advém da compreensão de 
que todos os nossos sistemas corporais sofreram, por milhares de anos e 
milhares de gerações, pressões evolutivas em um ambiente com alta 
necessidade e frequência de movimento corporal e, ao mesmo tempo, de 
escassez de alimento. Em outras palavras, adaptações em nossos sistemas 
corporais, que favoreciam a sobrevivência e reprodução nesse ambiente (altos 
e frequentes níveis de movimento e escassez de alimento), eram passadas de 
geração para geração. 
Sendo assim, nossos sistemas corporais são muito eficientes em 
conservar energia e a responder (se adaptar) a altos e frequentes níveis de 
atividade física. O primeiro ponto pode ser observado em nossa capacidade de 
acumular gordura frente ao consumo excessivo de alimento, enquanto o 
segundo ponto é observado na incrível capacidade de adaptação frente à 
atividade física. Porém, desde a Mecanização da Vida Diária (60 anos atrás) e, 
ainda mais, após a Revolução Digital (30 anos atrás), a redução da necessidade 
de movimento pelas pessoas tem causado um desequilíbrio de nossos sistemas 
corporais. Juntamente com a disponibilidade “ilimitada” de alimento em nosso 
dia a dia, a falta de atividade física gera, por exemplo, problemas como o 
acúmulo de gordura. Características que antigamente eram uma vantagem para 
a sobrevivência, agora são uma grande preocupação devido às mudanças em 
nosso estilo de vida. 
Atualmente, já sabemos que a falta de movimento corporal (atividade 
física) está associada a mais de 35 condições de saúde (veja a Figura 4), 
envolvendo os sistemas cardiorrespiratório, muscular, nervoso, reprodutivo, 
digestivo, imune, ósseo e endócrino (BOOTH et al, 2012; BOOTH et al, 2017). 
Grande parte desses problemas ocorre porque os nossos sistemas corporais 
“precisam” de, relativamente, altos e frequentes estímulos advindos do 
movimento corporal (atividade física) para o seu bom funcionamento. A condição 
de baixos níveis de movimento não é algo para o qual nosso organismo está 
adaptado, sendo esse o motivo pelo qual, atualmente, grande parte dos 
problemas crônicos de saúde estão relacionados à falta de atividade física. 
 
INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA 
 
Vitor Fernandes 
 
Descrição: A figura 4 é composta por um octograma (polígono de oito lados no 
formato estrela) e este encontra-se no centro de um quadrado, formado por oito 
retângulos amarelos organizados ao seu redor, sendo dois grandes um nas 
bases superior e inferior, e três menores em cada lateral. 
Ao centro temos um círculo com os dizeres “Inatividade Física” orbitado pelos 
oito lados deste polígono. Cada lado do polígono é representado por uma palavra 
e estas encontram-se escritas na ponta de flechas que partem da borda do 
círculo para fora. Da direita para a esquerda em sentido horário temos as 
seguintes palavras: cardiorrespiratório, muscular, nervoso, reprodutivo, 
digestivo, imune, ósseo, endócrino, respectivamente. 
Enfim, segue os dizeres de cada retângulo, a partir do superior e maior, em 
sentido horário: 
- Infarto do miocárdio, hipertensão, derrame, aterosclerose, doença arterial 
periférica, etc; 
- Atrofia, sarcopenia; 
- Disfunção cognitiva, depressão, ansiedade; 
- Câncer de mama, ovário policístico, diabetes gestacional, disfunção erétil, etc; 
- Esteatose hepática, câncer de cólon, diverticulite, constipação; 
- Artrite, reumatoide, dor; 
- Osteoporose, osteoartrite, quedas, fraturas; 
- Diabetes, obesidade, síndrome metabólica. A célula do meio conta com 4 
palavras: osteoporose, osteoartrite, quedas e fraturas. A terceira e última célula 
da esquerda possui os dizeres: artrite reumatoide e dor. 
 
FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. 
 
 
INÍCIO DO SAIBA MAIS 
Três linhas de raciocínio de que o corpo humano é "desenhado" para a atividade 
física: 
1) O organismo humano é capaz de se adaptar a uma variedade de demandas 
metabólicas impostas pelos esforços de diferentes atividades físicas. 
2) Baixos níveis de atividade física estão associados a um maior risco de 
doenças (principalmente doenças crônicas) e a morte prematura. 
3) A história evolutiva nos mostra que nossos antepassados não teriam 
sobrevivido sem a capacidade de realizar relativamente altos e frequentes níveis 
de atividades físicas. 
Fonte: adaptado de Bouchard et al (2007). 
FIM DO SAIBA MAIS. 
FIM DO TÓPICO 1. 
 
INÍCIO DO TÓPICO 2 
2. TECNOLOGIA E (IN)ATIVIDADE FÍSICA 
Avanços tecnológicos fazem parte da história da humanidade e têm alterado 
substancialmente diversos aspectos de nossas vidas, como as áreas de saúde, 
transportes, informação, ciência, lazer, educação, dentre outras. Geralmente, 
tais avanços tecnológicos aprimoram componentes de nosso cotidiano, 
tornando-o mais eficiente, mais prático, mais confortável, mais prazeroso etc. 
Quando pensamos no impacto na atividade física, não há dúvida que avanços 
tecnológicos podem ter facilitado o acesso à prática. Porém, quando 
visualizamos o cenário como um todo, verificamos que a tecnologia tem causado 
diminuições, de uma forma geral,nos níveis de atividade física das pessoas. 
 Para refletir melhor sobre isso, vamos imaginar o impacto da tecnologia 
em quatro momentos de nossas vidas bastante comuns quando o assunto é 
atividade física: trabalho, transporte, doméstico e lazer. O trabalho, 
independentemente se realizado no campo ou nas cidades, era 
predominantemente manual, ou seja, exigia relativamente altos níveis de 
esforço. Com o passar do tempo, a substituição por máquinas, automatizações 
e mudanças no tipo de trabalho (trabalhos de escritório, por exemplo) vêm 
exigindo cada vez menos esforço físico. Na área de transportes, a locomoção, 
antes realizada a pé ou de bicicleta, tem sido substituída majoritariamente por 
meios automotivos. Atividades domésticas como lavar roupa e limpar a casa, por 
exemplo, são facilitadas e alteradas cada vez mais pelos avanços tecnológicos, 
de modo a facilitar sua execução. Por fim, as opções de lazer, que se ampliaram 
muito, sofrem uma forte tendência tecnológica, como celulares, videogames, 
televisão (netflix, por exemplo), dentre outros, sendo a maior parte atividades 
sedentárias e envolvendo pouco movimento corporal. 
 Assim, temos um cenário em que os avanços tecnológicos, parte integral 
e essencial do desenvolvimento humano e que têm impactado positivamente 
diversos aspectos de nossas vidas (inclusive a saúde), também têm causado um 
efeito inesperado. Esse efeito é a progressiva diminuição da necessidade de 
esforços físicos na maioria das atividades de nosso cotidiano (NG; POPKIN, 
2012), levando a um quadro de altos índices de sedentarismo. O grande 
problema é que, como visto anteriormente, nosso organismo necessita de 
movimento. 
INÍCIO DO REFLITA 
Ao mesmo tempo que os avanços tecnológicos trouxeram melhorias em 
diversas áreas, inclusive na área da saúde, esses mesmos avanços reduziram 
drasticamente a necessidade de movimento corporal em nosso dia a dia. Para 
onde essa situação paradoxal levará nossa saúde? 
Fonte: o autor. 
FIM DO REFLITA. 
 
Um interessante estudo (LANNINGHAM-FOSTER et al, 2003) intitulado 
"Trabalho, economizando calorias perdidas: o impacto energético dos 
equipamentos domésticos" (tradução pessoal), nos dá uma boa perspectiva de 
como os avanços tecnológicos têm impacto nossos níveis de atividade física. Os 
pesquisadores compararam a diferença de gasto energético entre quatro 
atividades: 
1) Lavar roupa à mão x máquina de lavar. 
2) Lavar louças à mão x lavar máquina de lavar louças. 
3) Subir alguns andares de escada x subir de elevador. 
4) Ir ao trabalho a pé x ir de carro. 
Os resultados mostraram que, juntando o gasto energético despendido das 
atividades sem e com os "avanços tecnológicos", temos um gasto energético de 
111 kcal/dia superior quando essas atividades são realizadas sem o suporte 
tecnológico (LANNINGHAM-FOSTER et al, 2003). Interessantemente, essa 
diferença de gasto energético é equivalente a uma caminhada leve de cerca de 
45 minutos. É importante notar que tamanha diferença se deu apenas com a 
análise de quatro atividades, longe de considerar todas as atividades que 
desenvolvemos em nosso dia a dia. 
Para ampliar essas informações e trazer para uma situação real, a seguir, eu 
mostrarei informações que apresentei em uma palestra do 4º Congresso de 
Educação Física IFSULDEMINAS/UEMG, em Setembro de 2017. Para essa 
palestra, eu levantei algumas informações sobre a rotina de meu pai (hoje com 
61 anos) quando ele tinha 24 anos de idade, em 1980. Após isso, fiz uma 
comparação com as atividades que realiza hoje, em 2017. Para a estimativa do 
gasto energético dessas atividades, eu utilizei o “Compêndio de Atividades 
Físicas” ([2017], on-line)5. Veja a tabela a seguir: 
Tabela 2 - Comparação do gasto energético de diferentes atividades do dia a 
dia de um adulto em 1980 e em 2017 
1980 Kcal 2017 Kcal 
Bicicleta para o Transporte 400 
Kcal 
Carro para o 
Transporte 
200 
Kcal 
Atividades no Trabalho (4h de 
atividades moderadas e 4h sentado) 
1500 
Kcal 
Atividades no 
Trabalho (8h 
sentado) 
880 
Kcal 
Atividades de Lazer (Futebol) 140 
Kcal 
Atividades de Lazer 
(TV) 
40 
Kcal 
Total 2040 
Kcal 
Total 1220 
Kcal 
DIFERENÇA DE 820 Kcal 
Fonte: o autor. 
Apesar da análise envolver grande parte do dia a dia (8h de trabalho), ainda 
assim há atividades rotineiras que foram impactadas pelos avanços tecnológicos 
e, provavelmente, contribuem para reduzir ainda mais o gasto energético total. 
Além disso, independentemente da tecnologia, há comportamentos, ações, 
ambientes e situações que podem impactar a quantidade de movimento e, 
consequentemente, de gasto energético ao longo do dia. Confira mais alguns 
exemplos na Tabela 3: 
 
Tabela 3 - Comparação do gasto energético de diferentes atividades de nosso 
dia a dia 
Subir 6 andares de escada 48 Kcal Subir 6 andares de elevador 1,2 
Kcal 
Estacionar e ir em um 
restaurante 
23 Kcal Pegar comida no drive-
through 
5 Kcal 
Falar ao telefone em pé 
(30 min) 
20 Kcal Falar ao telefone reclinado (30 
min) 
4 Kcal 
Andar com cachorro (30 
min) 
125 
Kcal 
Jogar a bolinha e esperar 
sentado (30 min) 
45 
Kcal 
Total 216 
Kcal 
Total 55 
Kcal 
DIFERENÇA DE 161 
Kcal 
 
Fonte: o autor. 
Após essa ilustração prática de atividades individuais, é interessante 
olharmos para o cenário como um todo. Assim, evidências que utilizaram 
informações dos quatro domínios comentados anteriormente (trabalho, 
doméstico, transporte e lazer) demonstram que, do ano de 1965 para o ano de 
2009, o gasto energético médio das pessoas relacionado às atividades físicas 
caiu de 2467 Kcal para 1680 kcal, ou seja, uma queda de, aproximadamente, 
800 Kcal (NG & POPKIN, 2012). Projeções para o ano de 2030 estimam que o 
declínio continuará, com valores médios chegando a 1323 Kcal. 
Não há dúvidas de que a prática de exercícios físicos e esportes podem 
compensar pela redução do movimento causado pela tecnologia, porém, para 
um gasto adicional de cerca de 1000 Kcal por dia, confira, em média, a 
quantidade de atividades que precisariam ser feitas diariamente: 
- 4 horas de caminhada em intensidade moderada; 
- 2 horas e 30 minutos de pilates em intensidade vigorosa; 
- 2 horas de musculação em intensidade vigorosa; 
- 1 hora e 40 minutos de bicicleta em intensidade moderada; 
- 1 hora e 20 minutos de corrida a 10 km/h. 
 Apesar do gasto energético ser um importante fator relacionado ao ganho de 
gordura, por exemplo, é importante destacar que a redução do gasto energético 
se dá pela redução das atividades físicas (movimento). Dessa forma, olhar 
apenas para o gasto energético é demasiado simplista, uma vez que, como 
vimos anteriormente, baixos níveis de atividade física impactam mais de 35 
condições de saúde (BOOTH et al, 2012; BOOTH et al, 2017). Dentre essas 
condições, podemos destacar algumas muito populares e que afetam a 
população em geral, como a hipertensão, a aterosclerose, o infarto do miocárdio, 
a sarcopenia, a depressão, a diabetes, a obesidade, a síndrome metabólica, a 
osteoporose, dentre outras. 
INÍCIO DO REFLITA 
Faça uma análise de todas as atividades do seu dia a dia, desde o 
momento que acorda até o momento em que vai dormir, incluindo o transporte, 
o trabalho, atividades domésticas e o lazer. Quais atividades poderiam ser 
substituídas ou alteradas para incluir mais movimento? 
FIM DO REFLITA. 
FIM DO TÓPICO 2. 
 
INÍCIO DO TÓPICO 3 
3. PASSADO E PRESENTE DOS CONHECIMENTOS SOBRE ATIVIDADE 
FÍSICA E SAÚDE 
O conhecimento atual de todas as disciplinas científicas, como é o caso 
da Educação Física, não é construído de uma hora para a outra e nem advindo 
da interpretação de um único estudo ou opinião recente. Ao invés disso, todo o 
corpo de conhecimentos de uma área, como a área de Atividade Física e Saúde, 
é construído "tijolo a tijolo", por meio do acúmulo de informações, 
conhecimentos,interpretações, novas descobertas etc. 
Conhecer um pouco como se deu a trajetória do conhecimento na área 
de Atividade Física e Saúde e onde nos encontramos atualmente, nos permite 
enxergar possibilidades e limitações. Além disso, conhecer as diferentes áreas 
nas quais há produção de conhecimento relacionado à Atividade Física e Saúde 
nos empodera e amplia nossos horizontes, contribuindo para o aprimoramento 
constante de nossa atuação profissional. É interessante notar que, 
diferentemente do que costumamos imaginar, não podemos impor fronteiras no 
conhecimento, uma vez que é comum que informações de diferentes áreas e 
profissões nos ajudem a solucionar algum problema de nossa área. 
Um dos primeiros registros históricos do uso da atividade física 
direcionada à promoção da saúde advém de 2500 a.C. na China, juntamente 
com posteriores relatos de filósofos Gregos e registros do período do Império 
Romano (MACAULEY, 1994). Apesar disso, foi apenas no início do século XX 
que os primeiros estudos científicos sistematizados sobre os efeitos da atividade 
física sobre o corpo humano começaram a ser desenvolvidos (BOUCHARD et 
al, 2007). Para conhecermos uma visão geral sobre esse desenvolvimento, 
vamos olhar para quatro áreas muito famosas dentro do nosso campo de 
atuação: 
- Fisiologia do Exercício; 
- Epidemiologia; 
- Ciência Clínica; 
- Ciência Comportamental. 
 
A Fisiologia do Exercício é uma ciência dedicada a estudar as funções 
corporais durante o exercício e suas adaptações fisiológicas à prática regular. 
Há mais de 100 anos, estudos pioneiros foram desenvolvidos sobre a fisiologia 
da contração muscular, alterações de temperatura corporal (termorregulação), 
transporte de gases durante o exercício (consumo de oxigênio e eliminação de 
dióxido de carbono), metabolismo, fadiga, dentre outros temas (BOUCHARD et 
al, 2007). Apesar desses primeiros estudos não focarem especificamente na 
saúde, eles “pavimentaram” o caminho para futuras descobertas e interesse nos 
efeitos do exercício em diversos outros aspectos corporais. 
A Epidemiologia tem como principal foco de estudo a taxa na qual as 
doenças acontecem na população e em identificar os fatores que estão 
relacionados à incidência de doenças específicas (BOUCHARD et al, 2007). 
Nesse sentido, os primeiros estudos epidemiológicos sistematizados, 
(científicos) associando à prática de atividades físicas com impactos na saúde, 
são considerados os estudos de Jerry Morris e seus colaboradores, publicados 
em 1953 (MORRIS et al, 1953a; MORRIS et al, 1953b). 
Nesses estudos, os pesquisadores compararam dois grupos baseados 
em suas atividades de trabalho, um com altos níveis de atividade física 
(cobradores de ônibus, que tinham que subir e descer 1 andar do ônibus - ver 
imagem abaixo - e carteiros) e outro com baixos níveis de atividade física 
(motoristas de ônibus e trabalhadores de escritório). Os pesquisadores 
encontraram uma relação inversa entre o nível de atividade física do trabalho 
com o risco de doenças coronarianas, com menores incidências para os 
trabalhos com maiores níveis de atividade física (MORRIS et al, 1953a; MORRIS 
et al, 1953b). 
Desde então, um grande corpo de evidências tem contribuído para a 
expansão e aprofundamento dos conhecimentos da área de Atividade Física e 
Saúde, especificamente em termos epidemiológicos. Influentes estudos ao longo 
dos anos, principalmente a partir dos anos 80, substanciaram os benefícios da 
atividade física na mortalidade e longevidade, nas doenças coronarianas, na 
saúde psicológica, dentre outros aspectos (POWELL; PAFFENBARGER, 1985). 
A Ciência Clínica investiga os efeitos de uma intervenção em pacientes 
que são diagnosticados com alguma condição específica ou doença. Uma das 
abordagens pioneiras nesse sentido, com a utilização de atividade física como 
tratamento, foi realizada no ano 1950, em que a atividade física foi prescrita 
como parte do programa de reabilitação para pacientes com doenças 
coronarianas (BOUCHARD et al, 2007). 
 É interessante notar que, antes disso, era praticamente unanimidade que 
tais pacientes deveriam fazer repouso quase que absoluto. Tais pesquisas e 
conhecimentos permitiram o aprimoramento do programa de reabilitação 
cardíaca e, consequentemente, trouxeram novas possibilidades para uma 
melhor recuperação, mais saúde e qualidade de vida para os pacientes. Ao longo 
do tempo, estudos clínicos também demonstraram os benefícios da atividade 
física como parte do tratamento para diversas outras condições e doenças, como 
diabetes tipo 2, câncer, doenças pulmonares, dentre outras (BOUCHARD et al, 
2007). 
A Ciência Comportamental, talvez a mais "jovem" entre as quatro 
abordadas aqui, envolve investigar os processos e influências no 
comportamento humano relacionado à prática de atividades físicas (ou qualquer 
outro comportamento relacionado à saúde), desde o nível individual até o nível 
populacional. Tradicionalmente, esse campo de estudo possui forte influência e 
atuação da psicologia e, hoje, já sabemos que diversos fatores influenciam o 
comportamento das pessoas em praticar ou não atividades físicas, como fatores 
pessoais, sociais, ambientais etc. (BOUCHARD et al, 2007). 
Nos dias de hoje, essa é uma das áreas mais desafiadoras e que tem 
recebido grande atenção de especialistas, pesquisadores e profissionais. 
Tamanha atenção se dá pelo fato de que, enquanto o conhecimento sobre o 
impacto da atividade física na saúde cresce a cada dia, os níveis de atividade 
física da população em geral estão caindo. Entender os processos que levam ao 
comportamento e como intervir para modificar tais comportamentos tem sido um 
grande desafio. 
Atualmente, observamos um rápido crescimento dos conhecimentos nas 
áreas anteriormente mencionadas, assim como a criação e expansão de novas 
áreas específicas do conhecimento, como a área molecular e genética, por 
exemplo. Como você já deve ter ouvido, estamos na “Era da Informação”, devido 
à grande quantidade de informação disponível e facilidade de acesso. Apesar 
disso, é preciso ter cautela. Diante de tanta informação disponível atualmente, é 
preciso muito estudo, pensamento crítico e raciocínio para conseguir filtrar, 
interpretar e aplicar os conhecimentos que, na maioria das vezes, é superficial 
ou enviesado. Um grande desafio atual para todos os profissionais, é ser capaz 
de identificar os conhecimentos relevantes para a atuação profissional, integra-
los e utilizá-los no cotidiano. 
 Nessa linha, desde a sua criação em 1954, o Colégio Americano de 
Medicina do Esporte (American College of Sports Medicine - ACSM), atualmente 
considerado a maior organização da área no cenário mundial, tem publicado os 
chamados "Posicionamentos". Estes são revisões detalhadas integrando o 
conhecimento científico da área, com o objetivo de disseminação para 
especialistas, profissionais e pesquisadores. Desde sua criação, quatro 
posicionamentos gerais foram publicados, sendo o mais recente em 2011 
(GARBER et al, 2011). Esse posicionamento geral, assim como outros mais 
específicos de determinados temas, pode ser encontrado facilmente na internet 
(ver Materiais Complementares). Para citar apenas mais uma dentre tantas 
outras organizações e instituições que vêm se esforçando para a produção e 
disseminação dos conhecimentos da área, vale destacar os esforços da 
Organização Mundial da Saúde (WHO, 2010, on-line)6. 
Apenas como um exemplo, em seu último posicionamento, o Colégio 
Americano de Medicina do Esporte resumiu os benefícios da atividade física para 
a saúde que, atualmente, possuem fortes evidências científicas (GARBER et al, 
2011). Tais benefícios foram divididos entre: i) crianças e jovens; e ii) adultos e 
idosos. Confira o quadro a seguir: 
Quadro 1 - Benefícios da Atividade Física para a Saúde que apresentam fortes 
evidências 
Crianças e Jovens Adultos e IdososAptidão Cardiorrespiratória Mortalidade 
Aptidão Muscular Doenças Coronarianas 
Composição Corporal Hipertensão 
Perfil Cardiovascular Infarto 
Perfil Metabólico Diabetes Tipo 2 
Saúde Óssea Síndrome Metabólica 
Ansiedade Câncer de Cólon 
Depressão Câncer de Mama 
 Depressão 
 Aptidão Cardiorrespiratória 
 Aptidão Muscular 
 Composição Corporal 
 Saúde Óssea 
 Qualidade do Sono 
 Saúde Funcional 
 Qualidade de Vida 
 Risco de Quedas 
 Função Cognitiva 
Fonte: adaptado de Garber et al (2011). 
Vale destacar que, atualmente, há evidências de benefícios da atividade 
física para a saúde em uma variedade de aspectos mais específicos não 
mencionados anteriormente, como para mulheres grávidas (tanto durante como 
após a gestação), para diversas doenças e condições específicas, como 
esclerose múltipla, doença de Alzheimer, doença de Parkinson, dentre outras. 
Apesar das diversas áreas de conhecimento vistas até aqui apontarem, 
geralmente, os benefícios da atividade física, é importante que você seja sempre 
crítico em relação à profissão e à sua atuação profissional. Além dos diversos 
benefícios da atividade física, também há conhecimentos de que o aumento dos 
níveis de atividade física, especialmente de intensidade moderada e vigorosa, 
também está associado a possíveis riscos para a saúde. Alguns exemplos são: 
morte súbita, asma, desordens pulmonares, lesões musculoesqueléticas, dentre 
outros (BOUCHARD et al, 2007). Assim, bons profissionais se utilizarão desses 
conhecimentos para tentar minimizar as chances de ocorrência desses 
problemas, por meio de criteriosas anamneses e avaliações, respeito às 
individualidades em termos de nível de aptidão física, perfil de composição 
corporal, aquecimento apropriado, seleção adequada de exercícios e atividades, 
intensidade e duração das atividades, progressão apropriada ao longo do tempo, 
técnicas de movimento etc. 
FIM DO TÓPICO 3. 
FIM DA UNIDADE II. 
 
INÍCIO DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Caro(a) aluno(a), aqui encerramos a Unidade II. 
No primeiro Tópico ("Perspectiva Evolutiva da Atividade Física"), vimos 
que a quantidade de movimento corporal que realizamos atualmente em nosso 
dia a dia, em geral, é bem diferente dos níveis de nossos antepassados. Por 
meio do "Calendário de Atividade Física", uma forma pedagógica para visualizar 
tais alterações ao longo da evolução humana, verificamos que os níveis de 
atividade física foram drasticamente reduzidos nos últimos 0,003% de nossa 
evolução (apenas "16 minutos atrás" em nosso calendário). A consequência 
desse fato é que todos os nossos sistemas corporais necessitam de atividade 
física para funcionarem adequadamente. Além disso, já sabemos que a falta de 
atividade física está associada a mais de 35 condições de saúde. 
No segundo Tópico ("Tecnologia e (In)Atividade Física"), refletimos sobre 
o impacto da tecnologia na necessidade de esforço físico em nossas atividades 
rotineiras. Observamos, por meio de exemplos práticos, que a utilização da 
tecnologia para atividades no âmbito do trabalho, transporte, lazer e doméstico 
resulta em uma redução do gasto calórico de cerca de 1000 Kcal (sem nem 
considerar todas as atividades do dia a dia). Ainda, vimos também o quanto de 
exercícios físicos precisariam ser realizados para compensar tais reduções. 
Por fim, o terceiro Tópico ("Passado e Presente dos Conhecimentos sobre 
Atividade Física e Saúde") foi dedicado a entendermos um pouco a trajetória do 
conhecimento na área de Atividade Física e Saúde, assim como alguns de seus 
temas específicos. A compreensão da diversidade de conhecimento existente 
amplia nossos horizontes e tem o potencial de aprimorar a nossa atuação 
profissional. Cabe a todos nós, profissionais de Educação Física, 
acompanharmos a constante evolução do conhecimento para darmos cada vez 
mais legitimidade à nossa atuação profissional. 
 Até breve! 
FIM DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS. 
 
INÍCIO DAS ATIVIDADES DE ESTUDO 
1.) Analise as seguintes afirmações: 
I - Atualmente, as pessoas, de uma forma geral, realizam muito mais movimento 
do que nossos antepassados. 
II - Desde a Revolução da Agricultura (10 mil anos atrás), o organismo humano 
se adaptou a baixos níveis de movimento. Atualmente, isso não é mais um 
problema. 
III - Todos os nossos sistemas corporais precisam de relativamente altos e 
frequentes níveis de atividade física para funcionar adequadamente. 
IV - O maior problema para nossa saúde atualmente reside na alimentação, uma 
vez que, de forma geral, já realizamos atividade física suficiente. 
V - Baixos níveis de atividade física estão associados a mais de 35 condições de 
saúde. 
Está correto o que se afirma em: 
a. I e II. 
b. III e V. 
c. V. 
d. III e IV. 
e. II e V. 
 
2.) Indique pelo menos três sistemas corporais que são afetados pela falta de 
movimento (atividade física), explicitando pelo menos um problema de saúde de 
cada sistema. 
 
3.) Considerando atividades realizadas nos domínios do trabalho, transporte, 
doméstico e lazer, dê pelo menos um exemplo para cada de como a 
tecnologia tem diminuído a necessidade de movimento e/ou esforço físico 
durante tais atividades. 
 
4.) Dentre as diversas ramificações do conhecimento atual na área de Atividade 
Física e Saúde, quatro campos muito famosos são: Fisiologia do Exercício, 
Epidemiologia, Ciência Clínica e Ciência Comportamental. Indique pelo menos 
um tipo de conhecimento que é produzido dentro de cada um desses 
campos. 
 
5.) A prática de atividades físicas possui algum risco à saúde? Explique. 
 
FIM DAS ATIVIDADES DE ESTUDO. 
 
INÍCIO DA LEITURA COMPLEMENTAR 
Leia as seguintes passagens de um artigo de opinião muito interessante 
recentemente publicado: 
A importância da atividade física/exercício físico na saúde dos indivíduos e 
populações é um fato demonstrado em trabalhos recentes e com evidência 
universal. A questão central, contudo, reside no fato da existência de 
conhecimento e de consciencialização das populações se traduzir numa maior 
procura e de realização de atividades físicas e de exercícios físicos, mas não 
encontrar, contudo, uma fórmula de manutenção e de características duradouras 
e, eventualmente, capazes de um “extensão (scalling-up)” e generalização dessa 
prática. Sendo, a esse propósito, significativo e relevante do ponto de vista social 
e econômico que os gastos públicos efetivos de despesa com o sector da saúde 
associado à ausência ou baixos níveis de atividade física se estimem em valores 
da ordem dos $53,8 biliões de dólares em todo o mundo. 
De todo o modo, as práticas de exercício físico e/ou de atividade física carecem 
de um envolvimento comportamental que se materializa num conjunto de 
determinantes (fatores intrapessoais, como o prazer na prática; fatores 
interpessoais, como o suporte social; fatores culturais, como a aculturação; 
fatores ambientais, como a existência de parques e/ou infraestruturas para a 
prática; fatores/decisões políticas, como a existência de aulas de educação física 
obrigatórias), estruturantes no âmbito motivacional e psicológico, para a prática. 
Como nos é bem evidenciado é encorajador o fato de que mesmo que seja 
incompatível para as pessoas, por múltiplas razões, o evitar de longos períodos 
de inatividade (sitting) durante o dia, essa situação pode ser “compensada” por 
níveis adequados de prática de atividades físicas/exercícios em outros 
momentos do dia. Este é um resultado importante do ponto de vista do 
esclarecimento dos impedimentos efetivos para as pessoas no que respeita a 
uma prática mais consistente que nos leva para o campo da gestão do tempo 
pessoal e da importância do controle comportamental e do estudo do tempo 
compósito, tendo em conta a finitude temporal em que se concretiza a vida 
quotidiana. 
Não é de desprezar o interesse crescente, sustentados, nem novos “statements”, 
traduzindo-se na necessidade que todaa produção científica, bem como a 
consciencialização pública sobre os benefícios do “ser ativo” possam ser 
materializados nas recomendações sobre a atividade física, incorporando 
medidas efetivas na redução do tempo sedentário. Finalmente, a incorporação 
de qualitativamente melhores instrumentos de avaliação objetiva da atividade 
física, no sentido de uma melhoria dos comportamentos, bem como da sua 
manutenção a longo prazo são um desafio promissor. De particular relevância, 
o desenvolvimento de pequenos aparelhos que permitam a captação da 
informação “in loco” e contextualizada dos comportamentos, sejam eles “ativos” 
ou “sedentários”, no sentido de elucidar a complexa interação comportamental 
dos sujeitos. 
Fonte: adaptada de Mota et al. (2017). 
FIM DA LEITURA COMPLEMENTAR. 
 
INÍCIO DO MATERIAL COMPLEMENTAR – WEB 
Vídeo produzido e divulgado pelo Ministério da Saúde sobre a inatividade física 
e sua relação com as doenças crônicas não transmissíveis. 
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=KrGbM-jnxAA>. 
FIM DO MATERIAL COMPLEMENTAR - WEB. 
 
INÍCIO DO MATERIAL COMPLEMENTAR – WEB 
Vídeo produzido e divulgado pelo Ministério da Saúde sobre o sedentarismo e 
como incorporar mais movimento em nosso dia a dia. 
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=nrWnNO95UmI>. 
FIM DO MATERIAL COMPLEMENTAR - WEB. 
 
INÍCIO DO MATERIAL COMPLEMENTAR – WEB 
Site do Colégio Americano de Medicina do Esporte, que contém o acesso a seus 
Posicionamentos Científicos. 
Disponível em: <http://www.acsm.org/public-information/position-stands>. 
FIM DO MATERIAL COMPLEMENTAR - WEB. 
 
INÍCIO DAS REFERÊNCIAS 
BOOTH, F. W. et al. Role of Inactivity in Chronic Diseases: Evolutionary Insight 
and Pathophysiological Mechanisms. Physiological Reviews, v. 97, n. 4, p. 
1351-1402, 2017. 
BOOTH, F. W.; ROBERTS, C. K.; LAYE, M. J. Lack of exercise is a major cause 
of chronic diseases. Comprehensive Physiology, v. 2, n. 2, p. 1143-211, 2012. 
BOUCHARD, C.; BLAIR, S. N.; HASKELL, W. L. Physical activity and health. 
Champaign: Human Kinetics Books, 2007. 
GARBER, C. E. et al. American College of Sports Medicine position stand. 
Quantity and quality of exercise for developing and maintaining cardiorespiratory, 
musculoskeletal, and neuromotor fitness in apparently healthy adults: guidance 
for prescribing exercise. Medicine & Science in Sports & Exercise, v. 43, n. 7, 
p. 1334-1359, 2011. 
LANNINGHAM-FOSTER, L.; NYSSE, L. J.; LEVINE, J. A. Labor saved, calories 
lost: the energetic impact of domestic labor-saving devices. Obesity Research, 
v. 11, n. 10, p. 1178-1181, 2003. 
LIEBERMAN, D. E. Four Legs Good, Two Legs Fortuitous: Brains, Brawn, and 
the Evolution of Human Bipedalism. In: LOSOS, J. B. (Ed.). In the Light of 
Evolution. Greenwood Village: Roberts and Company, 2011, p. 55–71. 
MACAULEY, D. A history of physical activity, health and medicine. Journal of 
the Royal Society of Medicine, v. 87, n. 1, p. 32–35, 1994. 
MORRIS, J. N. et al. Coronary heart-disease and physical activity of work. 
Lancet, v. 262, 1953a. p. 1111-1120. 
______. Coronary heart-disease and physical activity of work. Lancet, v. 262, 
1953b. p. 1053-1057. 
MOTA, J.; OLIVEIRA, J.; DUARTE, J. A. Atividade Física e Saúde - Donde para 
onde? Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, v. 22, n. 2, p. 107-109, 
2017. 
NG, S. W.; POPKIN, B. M. Time use and physical activity: a shift away from 
movement across the globe. Obesity Reviews, v. 13, n. 8, p. 659-680, 2012. 
POWELL, K. E.; PAFFENBARGER, R. S. Workshop on Epidemiologic and Public 
Health Aspects of Physical Activity and Exercise: a summary. Public Health 
Reports, v. 100, n. 2, p. 118-26, 1985. 
SMIRMAUL, B. P. C. Physical activity calendar. British Journal of Sports 
Medicine. Published Online First: 19 Oct. 2017. 
FIM DAS REFERÊNCIAS. 
 
INÍCIO DAS REFERÊNCIAS – WEB 
1Em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Campement.svg>. Acesso em: 
08 nov. 2017. 
2Em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Breviarium_Grimani_-
_Juni_detail.jpg?uselang=pt-br>. Acesso em: 08 nov. 2017. 
3Em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:William_Bell_Scott_-
_Iron_and_Coal.jpg>. Acesso em: 08 nov. 2017. 
4Em: 
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ruby_Loftus_screwing_a_Breech-
ring_(1943)_(Art._IWM_LD_2850).jpg>. Acesso em: 08 nov. 2017. 
 
5Em: <https://sites.google.com/site/compendiumofphysicalactivities/>. Acesso 
em: 08 nov. 2017. 
6Em: <http://www.who.int/dietphysicalactivity/factsheet_recommendations/en/>. 
Acesso em: 08 nov. 2017. 
FIM DAS REFERÊNCIAS - WEB. 
 
INÍCIO DO GABARITO 
1.) B. 
2.) Sistema Cardiorrespiratório: infarto do miocárdio, hipertensão, derrame, 
aterosclerose e doença arterial periférica. 
Sistema Endócrino: diabetes, obesidade e síndrome metabólica. 
Sistema Muscular: atrofia e sarcopenia. 
 
3.) Trabalho: o trabalho, tanto no campo ou na cidade, era predominantemente 
manual, ou seja, exigia relativamente altos níveis de esforço. Com o passar do 
tempo, a substituição por máquinas, automatizações e mudanças no tipo de 
trabalho (trabalhos de escritório, por exemplo) vêm exigindo cada vez menos 
esforço físico. Um exemplo prático é a utilização de computadores para diversas 
áreas de trabalho. 
Transportes: a locomoção, antes realizada a pé ou de bicicleta, tem sido 
substituída majoritariamente por meios automotivos. 
Doméstico: atividades domésticas, como lavar roupa e limpar a casa, por 
exemplo, são facilitadas e alteradas cada vez mais pelos avanços tecnológicos, 
de modo a facilitar sua execução. A máquina de lavar é um exemplo. 
Lazer: as opções de lazer, que se ampliaram muito, sofrem uma forte tendência 
tecnológica, como celulares, videogames, televisão (netflix, por exemplo), dentre 
outros, sendo a maior parte atividades sedentárias e envolvendo pouco 
movimento corporal. 
 
4.) Fisiologia do Exercício: estudar as funções corporais durante o exercício e 
suas adaptações fisiológicas à prática regular. Conhecimentos sobre a contração 
muscular, alterações de temperatura corporal (termorregulação), transporte de 
gases durante o exercício (consumo de oxigênio e eliminação de dióxido de 
carbono), metabolismo, fadiga, dentre outros temas. 
Epidemiologia: a epidemiologia tem como principal foco de estudo a taxa na qual 
as doenças acontecem na população e em identificar os fatores que estão 
relacionados à incidência de doenças específicas. Conhecimentos sobre os 
benefícios da atividade física na mortalidade e longevidade, nas doenças 
coronarianas, na saúde psicológica, dentre outros aspectos. 
Ciência Clínica: investiga os efeitos de uma intervenção em pacientes que são 
diagnosticados com alguma condição específica ou doença. Conhecimentos 
sobre os benefícios da atividade física como parte do tratamento para diversas 
outras condições e doenças, como diabetes tipo 2, câncer, doenças pulmonares, 
dentre outras. 
Ciência Comportamental: investiga os processos e influências no 
comportamento humano relacionado à prática de atividades físicas (ou qualquer 
outro comportamento relacionado à saúde), desde o nível individual até o nível 
populacional. Conhecimentos sobre os diversos fatores influenciam o 
comportamento das pessoas em praticar ou não atividades físicas, como fatores 
pessoais, sociais, ambientais etc. 
 
5.) Sim. Além dos diversos benefícios da atividade física, atualmente também 
há conhecimentos de que o aumento dos níveis de atividade física, 
especialmente de intensidade moderada e vigorosa, também está associado a 
possíveis riscos para a saúde. Alguns exemplos são: morte súbita, asma, 
desordens pulmonares, lesões musculoesqueléticas, dentre outros. 
FIM DO GABARITO. 
 
INÍCIO DA UNIDADE III 
INÍCIO DA FOLHA DE ABERTURA 
ATIVIDADE FÍSICA, APTIDÃO FÍSICA E SUAS RELAÇÕES COM A SAÚDE: 
CONCEITOS E EVIDÊNCIAS 
Professor Doutor João Victor DelConti Esteves 
 
Objetivos de Aprendizagem 
● Compreender os conceitos de atividade física, exercício físico, aptidão 
física e suas relações com a saúde. 
2.) Estudar a aptidão cardiorrespiratória e os diferentes métodos de avaliá-
la. 
3.) Conceituar composição corporal e apresentar os diferentes métodos de 
avaliá-la. 
4.) Compreender os componentes da aptidão musculoesquelética e 
apresentar os métodos de avaliá-los. 
5.) Estudar a flexibilidade e os diferentes métodos de avaliá-la. 
 
Plano de Estudo 
● Atividade física, aptidão física e suas relações com a saúde 
f. Aptidão cardiorrespiratória 
g. Composição corporal 
h. Aptidão musculoesquelética 
i. Flexibilidade 
 
FIM DA FOLHA DE ABERTURA. 
 
INÍCIO DA INTRODUÇÃO 
Caro aluno(a), seja muito bem vem-vindo(a) à Unidade III. Aprenderemos 
conceitos fundamentais para sua atuação como Profissional de Educação Física: 
atividade física, exercício físico, aptidão física, bem como as suas inter-relações 
com a saúde. 
Iniciaremos definindo atividade física e mostrarei um breve panorama do 
sedentarismo no Brasil e no mundo. Veremos as quatro principais categorias 
onde se pode mensurar a atividade física, além de conhecer um dos principais 
questionários internacionais para determinar o nível de atividade física das 
pessoas. Também aprenderemos os conceitos de exercício físico e aptidão 
física. Iremos definir os componentes da aptidão física relacionado ao 
desempenho (agilidade, equilíbrio, coordenação, velocidade, potência e tempo 
de reação), e estudaremos com mais detalhes os componentes da aptidão física 
relacionados à saúde. 
Dentre os componentes da aptidão física relacionada à saúde, veremos a 
importância da aptidão cardiorrespiratória, aprenderemos como avaliar esse 
componente por meio de diferentes testes e veremos a forte associação entre 
os níveis de aptidão cardiorrespiratória com o risco de mortalidade por todas as 
causas. Outro componente estudado será a composição corporal e a sua 
importância no contexto da saúde. Veremos como determinar a composição 
corporal por métodos indiretos (pesagem hidrostática, pletismografia de 
descolamento de ar e DEXA) e os duplamente indiretos, com ênfase na 
avaliação da espessura das dobras cutâneas. Também iremos definir os 
componentes da aptidão musculoesquelética (força e resistência muscular) e a 
flexibilidade, mostrando a sua importância para a saúde, os fatores que podem 
afetar esses componentes e os principais métodos para avaliá-los. 
Tenho certeza que este conteúdo contribuirá para sua formação de qualidade e 
será útil para sua atuação como Profissional de Educação Física. Bons 
estudos! 
FIM DA INTRODUÇÃO. 
 
INÍCIO DO TÓPICO 1 
1. ATIVIDADE FÍSICA, APTIDÃO FÍSICA E SUAS RELAÇÕES COM A 
SAÚDE 
Começo esta unidade com uma pergunta: você sabe o que é atividade física? 
Este não só é um termo muito difundido e usado na área da saúde, mas também 
usado por quase todo mundo. Escutamos sobre atividade física e, 
principalmente, sobre a sua importância na televisão, por nossos amigos e 
família, na internet, no rádio etc, mas será que o termo é utilizado da maneira 
correta? Muitas vezes não! Por isso é importante o definirmos corretamente. 
1.1. Atividade física 
A atividade física é definida como qualquer movimento corporal produzido pelos 
músculos esqueléticos que resulte em gasto energético acima dos níveis de 
repouso, sendo o gasto energético medido frequentemente em quilocalorias 
(kcal) (CASPERSEN et al., 1985). Assim, atividade física inclui atividades de 
trabalho, como andar, dirigir, carregar algum peso etc; as atividades da vida 
diária, como se vestir, tomar banho, comer etc; e as atividades de lazer, incluindo 
exercícios físicos, prática de esportes, danças etc (ARAÚJO, D.; ARAÚJO, C., 
2000). 
Assim, todos nós praticamos atividades físicas, no entanto, a quantidade 
de atividade física varia consideravelmente de pessoa para pessoa, 
principalmente dependendo do estilo de vida de cada um. O estilo de vida 
inadequado pode contribuir para que doenças se manifestem cada vez mais 
cedo, mas, por outro lado, o estilo de vida saudável pode ser o início da 
manutenção da saúde e prevenção de doenças, sejam elas infecto-contagiosas 
(ex: hepatite, tuberculose, AIDS etc) ou crônico-degenerativas. Dessa forma, 
estilos de vida mais ativos estão associados a menores gastos com a saúde, 
menor risco de doenças crônico-degenerativas (como hipertensão arterial, 
diabetes, entre outras) e redução da mortalidade precoce. Desse modo, existe 
uma relação inversa entre o nível de atividade física e a mortalidade, ou seja, 
pessoas ativas fisicamente vivem mais do que pessoas sedentárias, e por isso, 
deve-se estimular estilos de vidas mais saudáveis, incluindo a prática regular de 
atividades físicas (NAHAS, 2010). 
“Professor, existem muitos indivíduos sedentários? Quais são as 
estatísticas?” 
A inatividade física (quantidade de atividade física insuficiente para atingir 
as recomendações atuais) ou sedentarismo é muito prevalente no mundo e tem 
grande impacto na saúde, aumentando o risco para diversas doenças, como 
doenças do coração, diabetes mellitus do tipo 2, alguns tipos de câncer, e diminui 
a expectativa de vida geral. Vou apresentar alguns dados sobre o nível de 
atividade física. 
Em 1988, o Ministério da Saúde fez um levantamento para verificar o nível 
de atividade física dos brasileiros entre 18 e 55 anos. Participaram 2.003 
entrevistados em 12 cidades e verificou-se que 67% dos participantes afirmaram 
não praticar exercícios físicos regularmente (NAHAS, 2010). Em outro estudo 
brasileiro, denominado Atlas do Coração, que foi conduzido pela Sociedade 
Brasileira de Cardiologia (SBC) e que também contou com mais de 2 mil pessoas 
em todos os estados do Brasil, foi estimado que 83% da população estudada 
não praticava exercício físico regularmente (SBC, 2005). 
Existem vários outros estudos realizados com diferentes populações (crianças, 
adultos e idosos) e diferentes abrangências (municipal, estadual e nacional), 
publicados no Brasil, sobre a prevalência de inatividade física, sendo o mais 
recente publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), por 
meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), com amostra 
representativa da população brasileira. 
A pesquisa objetivou mensurar as pessoas com 15 anos ou mais de idade que 
praticaram algum esporte ou atividade física no ano de 2015. Vale ressaltar que 
não houve diferenciação entre esporte a atividade física, ficando a cargo da 
pessoa investigada essa classificação. A pesquisa mostrou que apenas 37,9% 
(cerca de 61 milhões de pessoas) praticaram algum esporte ou atividade física 
no período de referência (2015), ou seja, 62,1% (mais de 100 milhões de 
pessoas) dos brasileiros com 15 anos ou mais não praticaram qualquer esporte 
ou atividade física em 2015 (IBGE, 2017). 
 
INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA 
 
 
Vitor Fernandes 
DESCRIÇÃO: Na figura há representação de um gráfico de colunas, tendo cada coluna 
uma coloração. Ele se divide em três partes sendo denominadas como "Total", 
"Homens" e "Mulheres", que mostra o porcentual de pessoas que realizam algum tipo 
de esporte ou atividade física no “Brasil” representado pela cor azul e nas demais 
regiões, “Norte” com a cor laranja, “Nordeste” com a cor verde, “Sudeste” em lilás, “Sul” 
na cor vermelha e “Centro-Oeste “ em azul claro. Há uma escala que vai de 0 a cem por 
cento. Na parte intitulada de "Total" que seria homens e mulheres juntos, no "Brasil" há 
37,9%; "Norte" há 36,6%; "Nordeste" há 36,3%; "Sudeste" há 37,5%; "Sul" há 40,8% e 
no "Centro-Oeste" há 41,1%. Já na parte intitulada com as somente informações dos 
"Homens", no "Brasil" há 42,7%; "Norte" há 44,2%; "Nordeste" há 40,9%;"Sudeste" há 
42,3%; "Sul" há 45,0% e “Centro-Oeste" há 45,2%. Já na parte intitulada com as 
somenteinformações das "Mulheres", no "Brasil" há 33,4%; "Norte" há 29,0%; 
"Nordeste" há 32,2; "Sudeste" há 33,1%; "Sul" há 36,9% e "Centro-Oeste" há 37,3%. 
 
FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. 
 
É importante fazer uma ressalva quanto às informações das pesquisas 
sobre atividades físicas, porque muitas utilizam instrumentos que não levam em 
consideração informações importantes (ex: idade, sexo, nível social e 
educacional etc), o que pode levar à imprecisão nos resultados, e os 
instrumentos utilizados nas pesquisas não parecem suficientemente sensíveis 
para registrar atividades leves e moderadas, como certas tarefas domésticas, 
atividades de locomoção e inúmeras atividades da vida diária (NAHAS, 2010). O 
resultado é que deve-se considerar a hipótese de que se subestime, em alguns 
casos, o nível de atividade física habitual do brasileiro. 
Em nível mundial, um estudo relativamente recente, conduzido pelo 
professor Pedro Curi Hallal, um renomado pesquisador brasileiro na área da 
Educação Física, com indivíduos de mais de 120 países, estimou que mais de 
30% dos adultos não atingiam as recomendações diárias de atividade física, 
porém, o mais preocupante, cerca de 4/5 (80%) dos adolescentes investigados 
(13 a 15 anos) também não atingiam as recomendações para a prática de 
atividades físicas (HALLAL et al., 2012). 
Pesquisas com crianças e adolescentes brasileiros também demonstram 
elevada prevalência de inatividade física, o que contribui diretamente um balanço 
energético positivo, ou seja, que acumula mais energia e, consequentemente, 
favorece o excesso de peso. Em estudo longitudinal (conduzido por muitos anos, 
onde acompanha os indivíduos ao longo desse tempo) realizado com mais de 
37.000 crianças e adolescentes brasileiros, com idades entre 7 e 14 anos, 
verificaram que quase 30% apresentaram-se com excesso de peso (22,3% 
sobrepeso e 6,8% obesidade) (FLORES et al., 2013). 
Esse panorama é preocupante, uma vez que estudos recentes têm 
demonstrado que crianças com excesso de peso têm probabilidade bastante 
elevada de se tornarem adolescentes com excesso de peso e, 
consequentemente, adultos obesos. A obesidade está associada a diversas 
doenças, como: hipertensão arterial, dislipidemia, diabetes, doença arterial 
coronariana, esteatose hepática, acidente vascular encefálico, alguns tipos de 
câncer, entre outros, e muitas dessas doenças já podem ser manifestadas na 
adolescência, caso a criança/adolescente apresente obesidade infantil (WHO, 
2010). 
Para se ter uma ideia do impacto da inatividade física, foi estimado que 
5,3 milhões de mortes no mundo foram decorrentes da inatividade física. Esse 
número equivale a 10% de todas as mortes, que representa 1 em cada 10 
pessoas mortas anualmente (LEE et al., 2012). Ainda, comparando com o 
tabagismo, um conhecido problema que leva a uma alta taxa de mortalidade, a 
inatividade física mata tanto quanto: em torno de 5 milhões de pessoas por ano 
(LEE et al., 2012). 
 “Professor, quanto de atividade física é necessário para ser saudável? 
Quais são as recomendações? E quanta energia (calorias) eu gasto fazendo as 
diferentes atividades humanas?” Bom, são várias perguntas importantes que 
serão respondidas nesta unidade e também ao longo deste livro. Existem 
diversas recomendações que estão descritas nesse livro para a prática de 
atividades físicas e de exercício físico para a melhora da saúde e também da 
aptidão física (veremos adiante). 
De maneira geral, a WHO (2010) recomenda que sejam realizadas pelo 
menos 30 minutos de atividades físicas de intensidade moderada em pelo menos 
5 dias da semana ou 20 minutos de atividade física de intensidade vigorosa em 
pelo menos 3 dias da semana em adultos. Já crianças e adolescentes são 
incentivados a participarem de pelo menos 60 minutos de atividades físicas 
diariamente, realizadas em intensidade moderada a vigorosa. Essas 
recomendações são gerais e existem outras mais específicas. Só para 
exemplificar, em 2011, o Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM, do 
inglês American College of Sports Medicine) publicou um posicionamento para 
a prescrição de exercícios para o “desenvolvimento e manutenção da aptidão 
cardiorrespiratória, musculoesquelética e neuromotora em adultos saudáveis” 
(GARBER et al., 2011), assim como existem outras recomendações de 
exercícios para diversas situações e que veremos ao longo deste livro. 
Quanto às calorias gastas em cada atividade física, existe um compêndio 
que foi desenvolvido para fornecer uma estimativa do gasto energético das 
principais atividades físicas humanas, sendo a última atualização realizada em 
2011 (AINSWORTH et al., 2011). Nesse compêndio, as atividades físicas foram 
divididas em diversos grupos ou classes, como: atividades que envolvem 
ciclismo, caminhada/corrida, exercícios de condicionamento físico, dança, 
esportes, atividades domésticas etc. Em cada atividade é apresentada uma 
estimativa do gasto energético. Por exemplo, um indivíduo de 70 kg, que realiza 
uma caminhada de 4,8 km/h e permanece nessa atividade por 60 minutos, gasta 
em média 231 calorias. Por outro lado, se o mesmo indivíduo correr a 13,8 km/h 
(vamos considerar que ele tenha aptidão física para isso) por 40 minutos, gastará 
em média 653 calorias. 
As atividades físicas não são de fácil mensuração, e os pesquisadores 
vêm utilizando uma ampla variedade de métodos. Segundo Nieman (2011), mais 
de 50 diferentes mensurações foram descritas e podem ser classificadas 
basicamente em quatro categorias gerais: 
1) Calorimetria – troca direta de calor (em um traje ou câmara isolada), ou 
mensuração indireta, medindo-se o consumo de oxigênio e a produção de 
dióxido de carbono. 
 
INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM 
 
Vitor Fernandes 
Descrição: Na imagem acima há representação de Calorimetria indireta. Na imagem 
mostra um garoto de shorts e camiseta preta, deitado sobre uma maca com braços e 
pernas justapostos ao corpo e as mãos sobre o abdome, cabeça sobre um travesseiro 
e por isso levemente inclinada para frente, olhos abertos e fixos à frente, seu rosto e 
tórax estão sob uma câmara isolada, que se assemelha a uma bolha, no formato de 
semicírculo e transparente, com um plástico preso por toda a borda cobrindo o corpo do 
paciente até a cintura e laterais, na parte superior um tubo azul acoplado e na frente 
acoplado uma saída de ar na cor branca. A imagem representa um exemplo de 
calorimetria indireta realizada em repouso. 
 
FIM DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM. 
 
A imagem representa um exemplo de calorimetria indireta realizada em repouso, mas 
que também pode ser realizada durante uma atividade física, para determinação do 
gasto energético. Esse método estima o gasto energético por meio da medida de gases 
respiratórios; considerando-se que a quantidade de oxigênio (O2) e gás carbônico (CO2) 
trocada nos pulmões normalmente é equivalente àquela utilizada e liberada pelos 
tecidos corporais, o gasto calórico pode ser estimado pela produção de CO2 e pelo 
consumo de O2 (NIEMAN, 2011). 
 
2) Marcadores fisiológicos – medida da frequência cardíaca e utilização de água 
duplamente marcada. 
 
INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM 
 
 
Vitor Fernandes 
Descrição: A figura 3, mostra o tronco de um rapaz sem camisa e o cós de um 
short preto. Ele usa uma cinta estreita de cor preta com uma placa oval cinza ao 
centro, posicionada na altura do músculo diafragma. Está com o braço esquerdo 
flexionado, antebraço na horizontal a frente do abdômen, mão esquerda 
flexionada para baixo com os dedos contraídos e com a mão direita ajusta o 
relógio no pulso esquerdo, que juntamente com a cinta formam o medidor de 
frequência cardíaca. 
 
FIM DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM. 
 
A imagem ilustra um exemplo de marcador fisiológico, como a medida da frequência 
cardíaca por meio de um monitor de frequência cardíaca. Atualmente, a utilização 
desses monitores ou também conhecidos comofrequencímetros é muito comum. 
3) Detectores mecânicos e eletrônicos de movimento – pedômetros, tênis com 
contadores internos de passos, sensores eletrônicos de movimento e 
acelerômetros. 
 
INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM 
 
Vitor Fernandes 
Descrição: A figura 4 apresenta duas imagens, um pedômetro à esquerda e um 
aplicativo de celular à direita. O pedômetro é um objeto retangular revestido de um 
material cinza escuro e transparente, visor digital que mostra “1644” passos, ao redor 
do visor a cor cinza e sólida e abaixo possui dois botões, um menor ao centro e outro 
maior a direita, acima do visor está escrito “pedometer” e ao lado elencado na vertical 
“Cals, Km, Mile”. Já o aplicativo de celular, é um retângulo vertical, apresentado com 
um fundo amarelo forte, um círculo branco desenhado ao centro com ¼ dessa 
circunferência com o traçado branco de espessura maior, no seu interior o número 2502 
e, abaixo, a palavra inglesa STEPS (que significa passos), na parte inferior as seguintes 
informações: GOAL: 10K STEPS, e abaixo, 164 CAL, tradução de goal=metas. 
 
FIM DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM. 
 
A imagem da esquerda apresenta um exemplo de detector mecânico de 
movimento, um pedômetro, muito utilizado para estimativa do gasto calórico por 
meio da contagem do número total de passos de um indivíduo. A imagem da 
direita apresenta um exemplo de detector eletrônico de movimento, um modelo 
de aplicativo de celular, muito comum nos dias de hoje que, entre outras funções, 
estima o número de passos, gasto energético e outras informações. 
 4) Instrumentos para levantamento de tempo ocupacional – classificação do 
trabalho, registros ou diários de atividades e anamnese. 
Os métodos para estimar o nível de atividade física utilizando 
questionários são abordagens muito utilizadas, e são mais práticas e populares 
para grandes grupos de indivíduos como em estudos populacionais. Um dos 
questionários mais utilizados mundialmente para estimativa da atividade física 
dos indivíduos é o Questionário Internacional de Atividade Física – IPAQ (do 
inglês International Physical Activity Questionnaire), e que também foi validado 
para a população brasileira (PARDINI et al., 2001). 
O IPAQ possui duas versões, uma mais longa e outra chamada de versão 
curta. Ele é um instrumento importante porque padroniza as questões referentes 
às atividades físicas, o que o faz comparável com outras populações, além de 
considerar um amplo espectro de atividades. A seguir, você pode verificar o 
IPAQ versão curta. Aproveite para responder o questionário e verificar o seu 
nível de atividade física. 
 
QUESTIONÁRIO INTERNACIONAL DE ATIVIDADE FÍSICA – 
VERSÃO CURTA 
Nome:_______________________________________________________ 
Data: ______/ _______ / ______ Idade: ______ Sexo: F ( ) M ( ) 
Ocupação:_______________________ Cidade:______________________ 
 
Nós estamos interessados em saber que tipos de atividade física as pessoas 
fazem como parte do seu dia a dia. Suas respostas nos ajudarão a entender 
quão ativos nós somos em relação a pessoas de outros países. As perguntas 
estão relacionadas ao tempo que você gasta fazendo atividade física na ÚLTIMA 
semana. As perguntas incluem as atividades que você faz no trabalho, para ir de 
um lugar a outro, por lazer, por esporte, por exercício ou como parte das suas 
atividades em casa ou no jardim. Suas respostas são MUITO importantes. Por 
favor, responda cada questão mesmo que considere que não seja ativo. 
Obrigado pela sua participação! 
 
Para responder as questões lembre-se que: 
Ø Atividades físicas VIGOROSAS são aquelas que precisam de um 
grande esforço físico e que fazem respirar MUITO mais forte que o 
normal. 
Ø Atividades físicas MODERADAS são aquelas que precisam de algum 
esforço físico e que fazem respirar UM POUCO mais forte que o 
normal. 
 
Para responder as perguntas pense somente nas atividades que você realiza 
por pelo menos 10 minutos contínuos de cada vez. 
 
1a Em quantos dias da última semana você CAMINHOU por pelo menos 10 
minutos contínuos em casa ou no trabalho, como forma de transporte para ir de 
um lugar para outro, por lazer, por prazer ou como forma de exercício? 
Dias _____ por SEMANA. ( ) Nenhum. 
 
1b Nos dias em que você caminhou por pelo menos 10 minutos contínuos, 
quanto tempo no total você gastou caminhando por dia? 
Horas: ______ Minutos: _____. 
 
2a. Em quantos dias da última semana, você realizou atividades MODERADAS 
por pelo menos 10 minutos contínuos, como, por exemplo, pedalar leve na 
bicicleta, nadar, dançar, fazer ginástica aeróbica leve, jogar vôlei recreativo, 
carregar pesos leves, fazer serviços domésticos na casa, no quintal ou no jardim, 
como varrer, aspirar, cuidar do jardim, ou qualquer atividade que fez aumentar 
moderadamente sua respiração ou batimentos do coração (POR FAVOR NÃO 
INCLUA CAMINHADA). 
Dias _____ por SEMANA. ( ) Nenhum. 
 
2b. Nos dias em que você fez essas atividades moderadas por pelo menos 10 
minutos contínuos, quanto tempo no total você gastou fazendo essas atividades 
por dia? 
Horas: ______ Minutos: _____. 
 
3a Em quantos dias da última semana, você realizou atividades VIGOROSAS 
por pelo menos 10 minutos contínuos, como, por exemplo, correr, fazer ginástica 
aeróbica, jogar futebol, pedalar rápido na bicicleta, jogar basquete, fazer serviços 
domésticos pesados em casa, no quintal ou cavoucar no jardim, carregar pesos 
elevados ou qualquer atividade que fez aumentar MUITO sua respiração ou 
batimentos do coração. 
Dias _____ por SEMANA. ( ) Nenhum. 
 
3b Nos dias em que você fez essas atividades vigorosas por pelo menos 10 
minutos contínuos, quanto tempo no total você gastou fazendo essas atividades 
por dia? 
Horas: ______ Minutos: _____. 
 
Estas últimas questões são sobre o tempo que você permanece sentado todo 
dia, no trabalho, na escola ou faculdade, em casa e durante seu tempo livre. Isso 
inclui o tempo sentado estudando, enquanto descansa, fazendo lição de casa, 
visitando um amigo, lendo, sentado ou deitado assistindo TV. Não inclua o tempo 
gasto sentando durante o transporte em ônibus, trem, metrô ou carro. 
 
4a. Quanto tempo no total você gasta sentado durante um dia de semana? 
Horas: ______ Minutos: _____. 
 
4b. Quanto tempo no total você gasta sentado durante um dia de final de 
semana? 
Horas: ______ Minutos: _____. 
 
 
 
 
 
CLASSIFICAÇÃO DO NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA IPAQ 
 
1. MUITO ATIVO: aquele que cumpriu as recomendações de: 
 
a) VIGOROSA: ≥ 5 dias/sem e ≥ 30 minutos por sessão. 
 
b) VIGOROSA: ≥ 3 dias/sem e ≥ 20 minutos por sessão + MODERADA e/ou 
CAMINHADA: ≥ 5 dias/sem e ≥ 30 minutos por sessão. 
 
2. ATIVO: aquele que cumpriu as recomendações de: 
 
a) VIGOROSA: ≥ 3 dias/sem e ≥ 20 minutos por sessão. 
 
b) MODERADA ou CAMINHADA: ≥ 5 dias/sem e ≥ 30 minutos por sessão. 
 
c) Qualquer atividade somada: ≥ 5 dias/sem e ≥ 150 minutos/sem (caminhada + 
moderada + vigorosa). 
 
3. IRREGULARMENTE ATIVO: aquele que realiza atividade física, porém 
insuficiente para ser classificado como ativo, pois não cumpre as 
recomendações quanto à frequência ou duração. Para realizar essa 
classificação, soma-se a frequência e a duração dos diferentes tipos de 
atividades (caminhada + moderada + vigorosa). Esse grupo foi dividido em dois 
subgrupos de acordo com o cumprimento, ou não, de alguns dos critérios de 
recomendação: 
 
IRREGULARMENTE ATIVO A: aquele que atinge pelo menos um dos critérios 
da recomendação quanto à frequência ou quanto à duração da atividade: 
 
a) Frequência: 5 dias /semana ou 
 
b) Duração: 150 min / semana 
 
IRREGULARMENTE ATIVO B: aquele que não atingiu nenhum dos critérios da 
recomendação quanto à frequência nem quanto à duração. 
 
4. SEDENTÁRIO: aquele que não realizou nenhuma atividade física por pelo 
menos 10 minutos contínuos durante a semana. 
 
Exemplos: 
 
Indivíduo
s 
Caminhad
a 
 Moderad
a 
 Vigoros
a 
 Classificaçã
o 
 F D F D F D 
1 - - - -- - Sedentário 
2 4 2
0 
1 3
0 
- - Irregularment
e Ativo A 
3 3 3
0 
- - - - Irregularment
e Ativo B 
4 3 2
0 
3 2
0 
1 3
0 
Ativo 
5 5 4
5 
- - - - Ativo 
6 3 3
0 
3 3
0 
3 2
0 
Muito Ativo 
7 - - - - 5 3
0 
Muito Ativo 
F = Freqüência – D = Duração 
 
Fonte: adaptado de Pardini et al. (2001). 
E aí, como está o seu nível de atividade física? Como você foi 
classificado? 
1.2. Exercício e aptidão física 
Vamos, agora, à outra definição que se relaciona à atividade física, mas 
que não é sinônima dela, que é o exercício físico. O exercício físico é uma 
subcategoria de atividade física e pode ser definido como uma das formas de 
atividade física que é planejada, estruturada, repetitiva e que objetiva o 
desenvolvimento ou a manutenção da aptidão física (CASPERSEN et al., 
1985). Assim, praticamente todas as atividades esportivas e de condicionamento 
físico são consideradas exercícios, pois, geralmente, são realizadas com o 
objetivo de aprimorar ou manter a aptidão física ou o condicionamento físico. 
Os exercícios incluem, geralmente, atividades de níveis moderados ou 
intensos, tanto de natureza dinâmica quanto estática (NAHAS, 2010). Tarefas 
domésticas ou ocupacionais são feitas, normalmente, sem que se preocupe com 
o condicionamento físico. Por outro lado, uma pessoa pode estruturar seu 
trabalho e suas tarefas domésticas de forma mais ativa e, assim, aliar o 
condicionamento com execução simultânea das tarefas (NIEMAN, 2011). 
Resumindo: todo exercício físico é considerado atividade física, mas nem toda 
atividade física é considerada um exercício. Entendeu?! E aí, agora que você 
aprendeu esses conceitos, você acha que os termos atividade física e exercício 
físico são usados corretamente? Vamos pensar a respeito... 
 Um outro termo fundamental é aptidão física ou condicionamento físico. 
Diversas organizações sugeriram definições filosóficas para aptidão física, 
dentre elas a WHO, o ACSM, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos 
Estados Unidos (CDC, do inglês Centers for Disease Control and Prevention), 
dentre outros. Utilizaremos, aqui, a definição proposta pelo ACSM, em que 
aptidão física é definida como um conjunto de atributos ou características 
que um indivíduo tem ou alcança e que se relaciona com sua habilidade de 
realizar uma atividade física (ACSM, 2016). 
De uma maneira mais simplista, Nahas (2010) define aptidão física como a 
capacidade de realizar atividades físicas, sendo a aptidão física dividido em dois 
grupos: (a) aptidão física relacionada à saúde, que reúne características 
associadas à disposição para o trabalho e lazer, proporcionando menor risco de 
desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis; e (b) aptidão física 
relacionada à habilidade esportiva ou desempenho motor, que inclui 
componentes necessários ao desempenho no trabalho ou nos esportes. o 
Quadro 1 resume os componentes da aptidão física relativos à saúde e ao 
desempenho. 
Quadro 1 - Componentes da aptidão física. 
 
Fonte: adaptado de Nieman (2011). 
 De acordo com Nieman (2011), os componentes da aptidão física 
relacionados ao desempenho podem ser definidos como: 
- Agilidade: a capacidade de mudar rapidamente a posição do corpo no espaço, 
com rapidez e precisão. 
- Equilíbrio: a manutenção do equilíbrio, tanto estático como dinâmico. 
- Coordenação: a capacidade de usar os sentidos, como a visão e a audição, em 
conjunto com as partes do corpo na realização de tarefas motoras de forma fluida 
(harmônica) e precisa. 
- Velocidade: a capacidade de executar um movimento no menor espaço de 
tempo possível. 
- Potência: a frequência na qual o indivíduo consegue executar tarefas. 
- Tempo de reação: o intervalo de tempo entre o estímulo e o começo da reação 
a ele. 
 O estudo da aptidão física relacionada à saúde tem despertado interesse 
em inúmeros pesquisadores de diferentes países, tanto em populações adultas 
como em crianças e adolescentes. Isso é justificável, uma vez que a sociedade 
moderna tem tido suas atividades físicas diminuídas em decorrência, 
principalmente, dos aparatos tecnológicos que acarretam diminuição do 
movimento corporal, comuns na era tecnológica e da informática, como: telefone 
sem fio; veículos automotores e seus equipamentos; os drive-ins em bancos, 
lanchonetes, cinemas, agências de correio etc; elevadores, escadas e esteiras 
rolantes; jogos eletrônicos etc (NAHAS, 2010). 
 Esse fato tem gerado uma mudança de paradigma, em que se observou uma 
redução das doenças infecto-contagiosas e o crescimento das doenças crônico-
degenerativas, como obesidade, hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 2, 
entre outras (SILVA; DIEFENTHAELER, 2015). Assim, a tendência atual nas 
recomendações de políticas públicas é a de enfatizar o desenvolvimento dos 
diferentes componentes da aptidão física relacionada à saúde e colocá-los em 
destaque em escolas, locais de trabalho e programas comunitários. 
 Dado a importância dos componentes da aptidão física relacionados à 
saúde, trataremos individualmente de cada um deles de maneira mais 
aprofundada e também estudaremos os diferentes testes utilizados para avaliar 
cada um deles 
 
FIM DO TÓPICO 1. 
 
INÍCIO DO TÓPICO 2 
2. APTIDÃO CARDIORRESPIRATÓRIA 
Aptidão cardiorrespiratória ou aeróbia pode ser definida como a capacidade de 
realizar um exercício físico de intensidade moderada à alta, de natureza 
dinâmica e com a participação de grandes grupos musculares por períodos 
prolongados (SILVA; DIEFENTHAELER, 2015). A realização do exercício nesse 
nível de esforço depende da integração dos estados fisiológico e funcional dos 
sistemas respiratório, cardiovascular e musculoesquelético. A aptidão 
cardiorrespiratória pode ser considerada relacionada à saúde por vários motivos: 
(1) níveis baixos de aptidão cardiorrespiratória têm sido associados a um risco 
muito mais elevado de morte prematura de todas as causas e, especialmente, 
de doenças cardiovasculares; (2) aumentos na aptidão cardiorrespiratória estão 
associados a redução de morte por todas as causas; e (3) altos níveis de aptidão 
cardiorrespiratória estão relacionados a níveis maiores de atividade física 
habitual que, por sua vez, estão associados a muitos benefícios para a saúde 
(ACSM, 2016). 
A aptidão cardiorrespiratória é determinada pelo consumo máximo de 
oxigênio (VO2máx) que é expressa, geralmente, em termos relativos (ml/kg/min) 
e não em valores absolutos (L/min), possibilitando comparações entre indivíduos 
com pesos corporais diferentes. O VO2máx pode ser definido como um índice da 
capacidade funcional, ou seja, da capacidade do organismo em captar, 
transportar e utilizar o oxigênio periférico para a produção de energia (PRADO 
et al., 2011). Classicamente, o VO2 está diretamente relacionado com o débito 
cardíaco, o conteúdo arterial de O2, a distribuição fracional do débito cardíaco ao 
músculo em exercício e a habilidade do músculo em extrair O2, e pode ser dada 
pela seguinte equação: 
Equação de Fick: VO2 = DC x (∆a – vO2) 
 
Onde: 
DC= débito cardíaco; 
∆a – VO2= diferença arterio-venosa de O2. 
O VO2máx pode ser determinado de forma direta, num teste progressivo, 
utilizando um ergômetro (geralmente esteira ergométrica ou bicicleta) e um 
analisador de gases (teste ergoespirométrico) ou de maneira indireta (utilizando 
equações preditivas, por exemplo). Além disso, a medida direta pode trazer 
análises precisas, dependendo da população e do protocolo de teste utilizado, 
da frequência cardíaca máxima (FCmáx), limiar anaeróbio/ventilatório, entre 
outras variáveis. Entretanto, devido aos elevados custos associados ao 
equipamento, do espaço e profissionais especializados para conduzir os testes, 
geralmente a medida direta do VO2máx é restrita a instituições e laboratórios de 
pesquisa ou clínicas. 
 
INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM 
 
Vitor FernandesDescrição: A imagem representa Teste ergoespirométrico para medida direta do 
consumo máximo de oxigênio (VO2máx). Nela existe um homem em uma sala de 
camisa cavada cinza e com as bordas verdes e um short cinza em um aparelho parecido 
com uma bicicleta. O aparelho é branco e a onde se apoia as mãos emborrachado em 
azul. Sobre o rosto o homem está uma máscara, com um tubo que se conecta a uma 
máquina de cor branca com vários botões, em cima da máquina encontramos como se 
fosse um laptop realizando o monitoramento. 
 
FIM DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM. 
 
A imagem ilustra um indivíduo realizando um teste de esforço com análise de 
gases (teste ergoespirométrico) para determinação do VO2máx. 
O VO2máx pode ser determinado em um teste de esforço máximo ou 
submáximo, a depender dos motivos da realização do teste, do nível de risco do 
indivíduo e da disponibilidade de equipamentos e pessoal especializado (ACSM, 
2016). Existem diversos tipos de testes: que utilizam esteiras, bicicleta 
ergométrica, degrau (banco/step) e testes de campo. Ainda, a determinação do 
VO2máx também pode ser realizada por meio de equações preditivas sem a 
realização de exercícios. 
Diversos pesquisadores desenvolveram equações matemáticas que são 
capazes de predizer o VO2máx sem a realização de exercícios, por meio de 
variáveis, como idade, sexo, composição corporal e nível de atividade física 
(NIEMAN, 2011). Ainda que tais equações de predição não sejam tão precisas 
quanto às avaliações laboratoriais de estimativa do VO2máx, elas possibilitam 
classificar de um modo geral a aptidão cardiorrespiratória de uma grande 
quantidade de indivíduos, especialmente estudos realizados com grande número 
de indivíduos. 
 
INÍCIO DO SAIBA MAIS 
Para mais informações a esse respeito, existe um artigo de revisão conduzido 
por pesquisadores brasileiros que agruparam várias equações de estimativa do 
VO2máx em diferentes populações que vale muito a leitura. O título de artigo é 
“Equações de predição da aptidão cardiorrespiratória sem testes de exercício e 
sua aplicabilidade em estudos epidemiológicos: revisão descritiva e análise dos 
estudos”, de Neto e Farinatti (2003). 
Fonte: o autor. 
FIM DO SAIBA MAIS. 
 
Quanto aos testes de campo para determinação do VO2máx, diversos são os 
utilizados e devem ser escolhidos com cautela, considerando sempre a 
população a ser avaliada. Por exemplo, a maioria dos testes de campo foram 
desenvolvidos para populações específicas, como adultos jovens (por exemplo: 
universitários), assim, não faz sentido, além de ser errado, uma criança ou um 
idoso realizar um desses testes para estimar o VO2máx. Por isso, é muito 
importante conhecer bem o teste antes de aplicá-lo. 
Os testes mais utilizados são: Teste de 12 minutos de Cooper, indicado para 
adultos saudáveis, em que o indivíduo deve percorrer a maior distância possível 
nesse período; e o teste de 2400 metros, em que o indivíduo deve percorrer a 
essa distância no menor tempo possível. Além disso, outro teste bastante 
utilizado é o teste de caminhada de 1 milha (1609 m), onde o indivíduo deve 
percorrer a distância o mais rápido possível, preferencialmente em uma pista ou 
em uma superfície plana e a frequência cardíaca deve ser medida no minuto final 
(KLINE et al., 1987). Para populações mais debilitadas, como idosos, e em 
algumas populações clínicas (indivíduos com insuficiência cardíaca ou doença 
pulmonar), o teste de caminhada de 6 minutos é uma boa opção. Nesse teste, 
os indivíduos que completam menos de 300 metros durante a caminhada, 
demonstram uma sobrevida a curto prazo menor se comparados aos que 
realizaram mais de 300 metros (CAHALIN et al., 1996). Todos os testes, ao final, 
apresentam uma equação preditiva para a determinação do VO2máx. 
Teste de 12 min de Cooper: 
VO2máx (ml/kg/min) = (distância em metros - 504,09) ÷ 44,78 
 
Teste de caminhada de 1 milha: 
VO2máx (ml/kg/min) = 132,853 – (0,1692 x P) – (0,3877 x I) + (6,315 x S) – 
(3,2649 x T) – (0,1565 x FC) 
Onde: 
P = peso corporal em kg; 
I= idade em anos completos; 
S = sexo, 0 para feminino e 1 para masculino; 
T = tempo para percorrer uma milha em passos rápidos, registrado em 
minutos e centésimos de minuto (multiplica-se os segundos por 100 e divide-se 
por 60). Por exemplo, se o tempo foi de 13min20s, o valor na equação deverá 
ser 13,33 minutos (13 min e 33/100 de minuto); 
FC = frequência cardíaca (batimentos por minuto), determinada no momento 
da chegada. 
Teste de caminhada de 6 minutos: 
VO2máx (ml/kg/min) = (0,02 x D) – (0,191 x I) – (0,07 x P) + (0,09 x E) + (0,26 
x PTP [x10-3]) + 2,45 
Onde: 
D = distância em metros; 
I = idade em anos; 
P = peso corporal em kg; 
E = estatura em centímetros; 
PTP = produto da taxa de pressão (FC x pressão arterial sistólica em mmHg). 
 Vamos colocar a “mão na massa” e fazer algumas contas para estimar o 
VO2máx. Por exemplo: uma mulher de 25 anos possui a massa corporal de 63 
kg, estatura de 1,67 e completou o teste de 1 milha em 12min40s com frequência 
cardíaca de 173 bpm. Qual é o VO2máx estimado? Vamos aos cálculos... 
A equação é a seguinte: 
VO2máx (ml/kg/min) = 132,853 – (0,1692 x P) – (0,3877 x I) + (6,315 x S) – 
(3,2649 x T) – (0,1565 x FC) 
VO2máx (ml/kg/min) = 132,853 – (0,1692 x 63) – (0,3877 x 25) + (6,315 x 0) – 
(3,2649 x 12,66) – (0,1565 x 173) 
VO2máx (ml/kg/min) = 132,853 – (10,66) – (9,69) + (0) – (41,36) – (27,07) 
No nosso exemplo, a pessoa possui um VO2máx estimado de 44,07 
ml/kg/min. 
Os testes submáximos, geralmente, são realizados em esteira ou bicicleta 
ergométrica, mas podem ser realizados em degrau (step padronizado). Muito 
importante para esses testes são a mensuração adequada da FC e o controle 
de algumas variáveis que alteram a FC (por exemplo, temperatura e umidade, 
ingestão de cafeína e outros dietéticos, realização prévia de atividade física e, 
também, a escolha do ergômetro). 
Um teste submáximo bastante simples e amplamente utilizado, desenvolvido 
para adultos jovens, é o teste de banco do Queen’s College, idealizado por 
McArdle et al. (2003), onde o indivíduo deve subir e descer num banco 
padronizado com 41 cm de altura, num ritmo de 24 ciclos por minuto (homens) 
e 22 ciclos por minuto (mulheres). O ritmo deve ser controlado por um aparelho 
de som ou metrônomo durante 3 minutos. Ao final dos 3 min, o indivíduo deve 
permanecer em pé e a FC deve ser medida (NAHAS, 2010). 
Equação para homens: VO2máx (ml/kg/min) = 111,33 – (0,42 x FC) 
Equação para mulheres: VO2máx (ml/kg/min) = 65,81 – (0,1847 x FC) 
 
Onde: 
FC = é frequência cardíaca em batimentos por minuto. 
 É importante mencionar que durante a realização de um teste de esforço, 
várias medidas fisiológicas podem e, dependendo do indivíduo, devem ser 
medidas, como a FC, pressão arterial, eletrocardiograma e, também, sintomas 
subjetivos, como dispneia (dificuldade de respirar) e angina (dor torácica). Além 
disso, existem diretrizes que indicam quais indivíduos devem realizar um teste 
de esforço antes da prática de atividades físicas, além dos critérios para 
interrupção desses testes, porém, foge do escopo desta unidade abordarmos 
esses aspectos. 
Por outro lado, vale a pena ressaltar a importância de se determinar a aptidão 
cardiorrespiratória, pois, além de poder ser acompanhada durante um programa 
de atividades físicas, por exemplo, que objetive a melhora da aptidão física, ela 
está diretamente relacionada à saúde geral do indivíduo. Ainda, baixos níveis de 
aptidão cardiorrespiratória estão associadas à mortalidade por todas as causas, 
especialmente por doenças cardiovasculares (ACSM, 2016). 
 
INÍCIO DO REFLITA 
Você sabia que quanto maior o volume (quantidade) e a intensidade do exercício, 
maior é a redução no risco de mortalidade por todas as causas? Vamos nos 
exercitar! 
Fonte: Samitz et al. (2011). 
FIM DO REFLITA. 
FIM DO TÓPICO 2. 
 
 
INÍCIODO TÓPICO 3 
3. COMPOSIÇÃO CORPORAL 
A composição corporal é um componente chave do perfil de saúde e da 
aptidão física do indivíduo, uma vez que o excesso de gordura corporal 
(obesidade) é considerada uma pandemia, e a obesidade androide (acúmulo de 
gordura na região central) está associado a diversas doenças, como resistência 
insulínica e diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemias, doenças 
cardiovasculares, alguns tipos de câncer, dentre outras (BAMBA; RADER, 2007; 
BODEN et al., 2005; MESHKANI; ADELI, 2009; STEINBERG et al., 2000). 
Por outro lado, a falta de gordura corporal também representa risco à saúde, 
pois o corpo necessita de certa quantidade de gordura para as funções 
fisiológicas normais (HEYWARD, 2004). Desse modo, recomenda-se, por 
exemplo, que a quantidade de gordura para adultos jovens fique entre 10 a 18% 
para homens e entre 16 e 25% para mulheres (NAHAS, 2010). 
Segundo Heyward (2004), além da composição corporal ser importante como 
um indicador de risco de doenças, as medidas de composição corporal são 
importantes para: (a) estimar a massa corporal saudável e formular 
recomendações nutricionais e prescrições de exercícios; (b) estimar a massa 
corporal competitiva para atletas de esportes, cujas classificações da massa 
corporal servem para competições (esportes de combate, fisiculturismo etc); (c) 
monitorar o crescimento de crianças e adolescentes e identificar aqueles em 
risco devido à gordura abaixo ou acima das recomendações; e (d) avaliar 
mudanças na composição corporal associadas com o envelhecimento, 
subnutrição e certas doenças; avaliar a eficácia de intervenções nutricionais e 
de exercícios para contrapor-se a essas mudanças. 
Assim, a composição corporal básica pode ser expressa como a 
porcentagem relativa de massa corporal que é composta por tecidos adiposos e 
magros, ou massa livre de gordura (ex: músculo, ossos e água) (NIEMAN, 2011). 
A composição corporal pode ser avaliada com técnicas laboratoriais e de campo, 
que variam em relação a sua complexidade, custo e precisão. 
Considerando os diferentes modelos existentes, o mais preciso é aquele que 
divide o corpo em quatro compartimentos (água, gordura, minerais e proteína), 
em que cada compartimento é avaliado separadamente com técnicas 
adequadas. Entretanto, o modelo mais amplamente utilizado é o de dois 
compartimentos (gordura e massa livre de gordura), em que se estima a gordura 
corporal e, por consequência, a massa livre de gordura (GUEDES, D.; GUEDES, 
J., 1998). Adiante veremos um exemplo claro disto. 
Massa corporal = massa adiposa + massa livre de gordura 
 
Os métodos considerados padrão-ouro, ou seja, aqueles métodos de alta 
precisão para avaliar a composição corporal são os laboratoriais, tais como: 
pesagem hidrostática, pletismografia por deslocamento de ar e absortometria de 
raio X de dupla energia (DEXA), que são considerados métodos indiretos, uma 
vez que métodos diretos para avaliação da composição corporal não são 
aplicados (dissecação de cadáver). Já os métodos de campo para avaliação da 
composição corporal, cuja a maioria são duplamente indiretos (pois derivaram 
dos métodos indiretos), destaca-se os métodos antropométricos, como a medida 
da espessura das dobras cutâneas e impedância bioelétrica. Vamos ver 
brevemente os principais métodos um pouco mais de perto. 
A pesagem hidrostática é um modelo de laboratório válido, confiável e 
amplamente usado para avaliar a densidade corporal total. Ela proporciona 
estimativa do volume corporal (VC) do avaliado a partir da água deslocada pelo 
volume do corpo. De acordo com princípio de Arquimedes, a perda de peso sob 
a água é diretamente proporcional ao volume de água deslocado pelo volume 
corporal. Para calcular a densidade corporal, a massa corporal é dividida pelo 
volume corporal. A densidade corporal é uma função das quantidades de 
músculo, osso, água e gordura no corpo (HEYWARD, 2004). Assim, com a 
estimativa da densidade corporal, utiliza-se equações para a determinação do 
percentual de gordura corporal por meio de equações padronizadas. 
A pletismografia de deslocamento de ar é um método densitométrico utilizado 
em laboratórios e locais clínicos que avalia e mede o volume corporal e, desse 
modo, estima-se a densidade corporal. Comparado à pesagem hidrostática, 
esse método é relativamente caro, pois exige-se de um pletismógrafo de corpo 
inteiro, porém, a avaliação é bastante rápida (5 a 10 minutos). 
 
 
 
 
 
INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM 
 
Vitor Fernandes 
Descrição: A figura 6 apresenta duas imagens do equipamento de Pletismografia de 
deslocamento de ar. A primeira foto, à esquerda, mostra a parte externa do 
equipamento, que possui formato oval todo em branco, exceto na parte superior frontal 
onde tem um visor circular transparente, permitindo que se veja o paciente dentro da 
máquina a partir do tórax para cima. A abertura do equipamento é exatamente ao meio, 
sendo que na lateral esquerda tem um “puxador” para abri-lo. Na segunda imagem à 
direita, vemos o lado direito e as costas de uma mulher vestindo um jaleco branco, com 
o cabelo amarrado para trás, manipulando um computador que se encontra a sua 
esquerda, este ao fundo e a esquerda da imagem. A direita da imagem um rapaz usando 
sunga e touca de natação, sentado no interior do equipamento de Plestismografia, com 
as mãos apoiadas sobre as coxas, próximas dos joelhos, a planta do pé esquerdo sobre 
o peito do pé direito, olhando no foco da câmera fotográfica. A porta da máquina ao 
abrir, fica suspensa para a direita. 
 
FIM DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM. 
 
INÍCIO DO SAIBA MAIS 
Bod Pod é uma câmera oval de fibra de vidro em que o deslocamento de ar e as 
relações de pressão e volume estabelecem o volume corporal e, assim, a 
densidade corporal. 
FIM DO SAIBA MAIS. 
 
Desse modo, ambos os métodos, pesagem hidrostática e pletismografia de 
descolamento de ar, determinam o volume corporal e, conhecendo a massa 
corporal do indivíduo, chega-se ao valor de densidade corporal. 
Densidade corporal = massa corporal ÷ volume corporal 
 
Com base na densidade corporal, estima-se o percentual de gordura corporal 
por meio de duas possíveis equações, derivadas do modelo de dois 
compartimentos da composição corporal. 
Equação de Siri (1961): 
Percentual de gordura = (495 ÷ densidade corporal) – 450 
 
Ou pela Equação de Brozek et al. (1963): 
Percentual de gordura= (457 ÷ densidade corporal) – 414,2 
 
INÍCIO DO SAIBA MAIS 
Apesar dos métodos de pesagem hidrostática e pletismografia de deslocamento 
de ar serem considerados padrão-ouro (métodos muito precisos) para avaliação 
da densidade corporal, baseada no modelo de dois compartimentos, ambos os 
métodos possuem limitações. Dentre elas, assumir que a densidade dos 
componentes de gordura corporal e da massa livre de gordura (água, proteína e 
mineral) são os mesmos para todos os indivíduos e são constantes. De fato, 
pesquisadores já demonstraram que a densidade da massa livre de gordura 
varia com a idade, o sexo, a etnia, o nível de gordura corporal e o de atividade 
física, dependendo principalmente da proporção relativa de água e mineral que 
compõem a massa livre de gordura. 
 
Fonte: Heyward e Stolarcyk (2000). 
FIM DO SAIBA MAIS. 
 
Outro método de referência para determinação da composição corporal é 
o DEXA. Ele estima o conteúdo mineral ósseo, de gordura e massa magra do 
tecido mole e é considerado altamente confiável. O DEXA é uma alternativa à 
pesagem hidrostática como método de referência, pois é seguro e rápido (exame 
completo varia entre 10 e 20 min.) (HEYWARD, 2004). 
 
INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM 
 
Vitor Fernandes 
Descrição: A figura 7 apresenta uma sala com o equipamento de Absortometria de raio 
X de dupla energia e duas pessoas, uma mulher com um jaleco branco operando a 
máquina e outra deitada que está vestindo uma espécie decamisola de TNT rosa que 
cobre seu corpo até o joelho, seus braços estão estendidos junto ao corpo, sua cabeça 
está sobre um apoio retangular e acima de sua cabeça a parte do equipamento 
retangular do raio x. A mulher de jaleco branco, está em pé, ao lado esquerdo da cabeça 
da que está deitada, operando o computador embutido na superfície superior direita do 
equipamento. 
 
FIM DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM. 
 
Já dentre os diversos métodos de campo para avaliação da composição 
corporal, destacam-se as medidas da espessura das dobras cutâneas e a 
impedância bioelétrica. Daremos foco nas medidas de dobras cutâneas. 
 As medidas de dobras cutâneas se baseiam no princípio de que a 
quantidade de gordura subcutânea é proporcional à quantidade total de gordura 
corporal. Entretanto, já foi demonstrado que a proporção exata entre gordura 
subcutânea e a total varia com o sexo, idade e raça. Assim, é muito importante 
conhecer bem as equações preditivas, saber a população indicada para 
determinada equação e estar apto a realizar a avaliação das medidas. 
Para a avaliação de crianças e adolescentes (6 a 17 anos), existe a 
equação proposta de Slaughter et al. (1988), em que utiliza a medida de apenas 
duas dobras cutâneas e é bastante simples de obter o resultado. 
Meninos (6-17 anos): 
%Gordura corporal: 0,735 (∑2DC) + 1,0 
 
Meninas (6-17 anos): 
%Gordura corporal: 0,610 (∑2DC) + 5,1 
 
Onde: 
∑2DC = é o somatória das dobras cutâneas de tríceps (mm) e perna (mm). 
 No Brasil, uma equação bastante utilizada para determinar a densidade 
corporal é a proposta por Petroski (1995), que utiliza a medida da espessura de 
quatro dobras cutâneas, podendo ser utilizada para homens e mulheres, como 
veremos a seguir. 
Homens (18–66 anos): 
DC = 1,107269 – 0,000812 (A+B+C+D) + 0,000002 (A+B+C+D)2 – 0,000418 
(idade) 
 
Mulheres (18-51 anos): 
DC= 1,029024 – 0,000672 (A+B+C+D) + 0,000002 (A+B+C+D)2 – 0,000261 
(idade) – 0,000560 (MC) + 0,000546 (E) 
 
Onde: 
DC: densidade corporal; idade (anos completos); 
MC: massa corporal (kg); 
E: estatura (CM); 
A: dobra cutânea de tríceps (mm); 
B: dobra cutânea suprailíaca (mm); 
C: dobra cutânea de panturrilha (mm); 
D: dobra cutânea subescapular (mm). 
 Vamos colocar a “mão na massa” e fazer algumas contas para estimar a 
composição corporal. Por exemplo: um homem de 31 anos possui massa 
corporal de 85 kg, estatura de 1,82 metros e as seguintes espessuras de dobras 
cutâneas: tríceps – 13 mm; suprailíaca – 18 mm; panturrilha – 8 mm e 
subescapular de 16 mm. Qual a composição corporal desse indivíduo? 
Primeiro, vamos calcular a densidade corporal usando a equação proposta por 
Petroski: 
DC = 1,107269 – 0,000812 (A+B+C+D) + 0,000002 (A+B+C+D)2 – 0,000418 
(idade) 
DC = 1,107269 - 0,000812 (13+18+8+16) + 0,000002 (13+18+8+16)2 – 0,000418 
(31) 
DC = 1,107269 - 0,000812 (55) + 0,000002 (3025) – 0,012958 
DC = 1,107269 – 0,04466 + 0,00605 – 0,012958 
DC = 1,055701 
Segundo, vamos usar a equação de Siri (1961) para calcular o percentual de 
gordura: 
Percentual de gordura = (495 ÷ densidade corporal) – 450 
Percentual de gordura = (495 ÷ 1,055701) – 450 
Percentual de gordura = 18,9% 
Bom, calculado o percentual de gordura, é possível encontrar a massa de 
gordura por meio da seguinte equação: 
MG = (%G x MC) ÷ 100 
Onde: 
MG= massa de gordura (kg); 
%G: percentual de gordura; 
MC: massa corporal. 
Continuando com o nosso exemplo: 
MG = (%G x MC) ÷ 100 
MG= (18,9 x 85) ÷ 100 
MG= 16,1 kg 
Encontrando a massa de gordura, torna-se simples encontrar a massa livre de 
gordura, usando a seguinte equação: 
MLG = MC - MG 
Onde: 
MLG: massa livre de gordura (kg); 
MC: massa corporal; 
MG: massa de gordura (kg). 
Continuando com o nosso exemplo: 
MLG = MC – MG 
MLG = 85 – 16,1 
MLG = 68,9 kg 
 Desse modo, considerando o modelo que divide o corpo em dois 
compartimentos, temos que o indivíduo exemplificado, que possui 85 kg de 
massa corporal, possui a composição corporal de 16,1 kg de gordura e 68,9 kg 
de massa livre de gordura (músculos, ossos etc). 
 
INÍCIO DO SAIBA MAIS 
 
A respeito da avaliação da composição corporal por meio da medição das dobras 
cutâneas, dê uma olhadinha no artigo de Gonçalves e Mourão (2008): “A 
Avaliação da Composição Corporal: A Medição de Pregas Adiposas como 
Técnica para a Avaliação da Composição Corporal”. 
Fonte: o autor 
 
FIM DO SAIBA MAIS. 
FIM DO TÓPICO 3. 
 
INÍCIO DO TÓPICO 4 
4. APTIDÃO MUSCULOESQUELÉTICA 
Os principais componentes da aptidão musculoesquelética são a força e a 
resistência muscular. Ambos são componentes da aptidão física relacionada à 
saúde que podem melhorar ou manter: (a) massa óssea, que está associada à 
osteoporose (redução da massa óssea que está diretamente relacionada à 
mortalidade); (b) tolerância à glicose, especialmente importante no estado pré-
diabético e diabético; (c) integridade musculotendínea; (d) capacidade de 
realizar atividades cotidianas, que está ligada à percepção de qualidade de vida 
e da independência, entre outros indicadores de saúde mental; (e) massa livre 
de gordura e a taxa metabólica de repouso, que estão relacionadas com a 
manutenção da massa corporal (ACSM, 2016). Ademais, os níveis de aptidão 
musculoesquelética estão envolvidos diretamente com índices de mortalidade 
(NOGUEIRA; ROSCHEL, 2016). 
Em termos conceituais, a força muscular está relacionada à quantidade de 
força externa que o músculo pode exercer, ou seja a capacidade de vencer uma 
resistência (CASPERSEN et al., 1985). A força muscular pode ser medida tanto 
estaticamente (isto é, nenhum movimento muscular em dada articulação ou 
grupo de articulações – exercícios isométricos) quanto dinamicamente (isto é, 
movimento de uma carga externa ou de uma parte corporal em que haja 
alteração do comprimento muscular – exercícios isotônicos) (ACSM, 2016). 
A força estática ou isométrica pode ser mensurada utilizando vários 
aparelhos, incluindo tensiômetros de cabo ou dinamômetros (ver Figura 8). Vale 
ressaltar que as medidas de força estática são específicas para o grupo 
muscular, a velocidade de contração e o ângulo da articulação envolvida na 
testagem. 
 
INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM 
 
Vitor Fernandes 
 
Descrição: A figura 8 apresenta duas imagens, uma maior na parte superior e na 
parte inferior à esquerda um recorte da imagem maior mostrando o uso dos 
dinamômetros de preensão manual. Na imagem maior é composto por duas pessoas, 
um médico – usando jaleco, calças e sapatos brancos, sentado com a lateral do pé 
esquerdo sobre o dinamômetro, e, observa a pressão a segunda pessoa é um rapaz 
que está sobre o aparelho, segurando com as duas mãos uma barra de ferro, puxando 
uma corrente ligada a uma placa redonda do aparelho semelhante a uma balança, ele 
está usando sandálias de couro escura e meias pretas, calças jeans e camiseta azul, 
seus joelhos estão ligeiramente afastados e flexionados e seus calcanhares estão 
aproximados. O recorte mostra o paciente segurando o aparelho paralelo a sua perna 
direita. O equipamento é redondo com a parte superior reta e nas pontas duas retas 
paralelas e entre elas outra reta ligando ambas por onde o rapaz a segura. A área do 
aparelho é azul com um visor retangular e dois botões redondos abaixo do visor. 
 
FIM DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM. 
 
Já a força dinâmica é avaliada, tradicionalmente, pelo teste de uma repetição 
máxima (1-RM), que é a maior resistência (peso máximo) levantada em uma 
repetição completa do movimento, sendo o valor de força de 1-RM obtido por 
tentativa e erro (HEYWARD, 2004). Com a devida familiarização ao teste, 1-RM 
é um indicador confiável da força muscular. Vale ressaltar que para 
determinação da força muscular por esse teste, vários procedimentos básicos 
devem ser seguidos e, em alguns casos, o teste deve ser aplicado com cautela 
ou mesmo nem aplicado, por exemplo, com indivíduosde alto risco ou com 
doença cardiovascular existente, doenças pulmonares etc (ACSM, 2016). 
 A resistência muscular é a capacidade de um músculo ou grupo 
muscular executar ações musculares repetidas ao longo de um período 
suficiente para causar a fadiga ou manter um percentual específico de 1-RM por 
um período prolongado. Existem alguns testes de campo simples, como 
abdominais ou a quantidade máxima de flexões de braço que podem ser 
realizadas durante 1 minuto, podendo ser utilizados para avaliar a resistência 
muscular dos grupos musculares abdominais e músculo de membros superiores 
do corpo, respectivamente (POLLOCK; WILMORE, 1993). 
 
INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM 
 
 
Vitor Fernandes 
Descrição: A figura 9 apresenta uma composição de três imagens, mostrando 3 testes 
para avaliar a resistência muscular de membros superiores e de abdômen. A imagem 1 
ocupa a maior parte da figura estando disposta ao lado esquerdo, em que mostra a 
lateral esquerda de uma jovem vista de lado, usando regata vermelha, calça legging 
cinza e tênis preto com detalhes em amarelo. Ela está com os joelhos apoiados sobre 
um tapete azul, seu rosto voltado para baixo e as palmas das mãos afastadas uma da 
outra, apoiadas no chão, com os braços estendidos sustentando o tronco que está 
suspenso, pernas suspensas com as panturrilhas cruzadas e pés cruzados. A imagem 
2, localizada na parte superior direita da figura, vemos a lateral direita de um rapaz, 
usando shorts, tênis preto e camiseta cinza de manga curta. Ele está realizando flexões 
de braços, exibida em três posições: a primeira, posição inicial, pés paralelos com as 
pontas apoiadas no chão, corpo estendido, com as palmas das mãos afastadas 
apoiadas ao solo, braços estendidos e cotovelos voltados para fora do corpo, cabeça 
suspensa e rosto voltado para frente; segunda posição no mesmo formato da primeira, 
no entanto, flexionando os cotovelos; a terceira posição, no mesmo formato da segunda, 
porém com os cotovelos totalmente flexionados e o corpo rente ao solo. Na imagem 3, 
o rapaz realiza teste para avaliar a resistência muscular de abdômen, exibida em três 
posições: a primeira, sentado com o tronco ereto, pernas flexionadas e braços 
flexionados com antebraços cruzados sobre os joelhos flexionados próximos ao corpo, 
planta dos pés apoiadas ao chão; segunda posição, joelhos flexionados em um ângulo 
de 45º e planta dos pés apoiadas ao chão, tronco afastado dos joelhos e parte inferior 
das costas apoiada ao chão e parte superior suspensa com os braços cruzados sobre 
o peito; a terceira posição, no mesmo formato da segunda, porém a coluna cervical e 
cabeça apoiadas ao solo. 
 
FIM DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM. 
FIM DO TÓPICO 4. 
 
INÍCIO DO TÓPICO 5 
5. FLEXIBILIDADE 
A flexibilidade é um importante componente da aptidão física relacionada 
à saúde. Níveis adequados de flexibilidade são importantes para o desempenho 
atlético em vários esportes (ex: ginástica, balé etc), mantêm a independência 
funcional e o desempenho de atividades da vida diária, tais como curvar-se para 
pegar um jornal ou sair do banco de trás de um carro de duas portas (HEYWARD, 
2004). Consequentemente, preservar a flexibilidade de todas as articulações 
facilita o movimento; por outro lado, quando uma atividade move as estruturas 
de uma articulação além de sua amplitude de movimento articular completa pode 
ocorrer dano tecidual (lesão). 
Em termos conceituais, flexibilidade consiste na capacidade de uma 
articulação, ou série de articulações, mover-se ao longo de determinada 
amplitude de movimento completa (NIEMAN, 2011). Ela pode ser dividida em 
estática e dinâmica. A flexibilidade estática é a medida da amplitude de 
movimento total da articulação e limita-se pela extensibilidade da unidade 
musculotendínea. Já a flexibilidade dinâmica é a medida da taxa de torque ou 
resistência desenvolvida durante o alongamento em toda a amplitude de 
movimento (HEYWARD, 2004). 
A flexibilidade depende de uma série de variáveis e é altamente específica 
para a articulação e depende de fatores morfológicos, como a geometria e a 
cápsula articular, ligamentos, tendões e músculos que envolvem a articulação. 
Além disso, a flexibilidade está relacionada ao tipo corporal, à idade, ao sexo e 
ao nível de atividade física (HEYWARD, 2004). Por exemplo, com o avanço da 
idade, a flexibilidade é reduzida, embora isso tenha maior relação com a 
inatividade física do que com o processo de envelhecimento propriamente dito 
(NIEMAN, 2011). 
Do mesmo modo que a força e a resistência muscular são próprios para 
os músculos envolvidos, a flexibilidade é específica para a articulação e, 
portanto, não existe um teste único que possa ser utilizado para avaliar a 
flexibilidade corporal total (SILVA; DIEFENTHAELER, 2015). Geralmente, os 
testes de laboratório quantificam a flexibilidade em termos de amplitude de 
movimento articular, expressos em graus. Os dispositivos comuns para essa 
finalidade são: goniômetros, eletrogoniômetros, o flexômetro de Leighton, 
inclinômetros e medidas com fitas (ACSM, 2016). Vale ressaltar que essas 
medidas requerem um excelente conhecimento sobre anatomia óssea, muscular 
e articular, bem como certa experiência na aplicação desses testes. Dentre os 
teste de campo mais utilizados, destaca-se o teste de sentar e alcançar, proposto 
por Wells e Dillon, cujo objetivo é avaliar a flexibilidade lombar, de quadril, dos 
membros posteriores e de membros inferiores (POLLOCK; WILMORE 1993). 
 
 
 
INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM 
 
 
Vitor Fernandes 
Descrição: A figura 10 apresenta três imagens uma abaixo da outra. A primeira imagem 
apresenta parcialmente duas pessoas. Em primeiro plano mostra parte do rosto, tronco 
e braços de uma profissional, usando um jaleco branco, e, o quadril e pernas de uma 
pessoa, gênero feminino, que está na posição de decúbito ventral (de bruços) sobre 
uma maca azul, usando calças legging azul marinho, esta última está descalça e seus 
pés estão fora dos limites da maca. A profissional está medindo a amplitude dos 
membros, com auxílio de um goniômetro (dispositivo semelhante a um compasso), 
sendo este aparelho composto por duas réguas metálicas unidas por um círculo de 
metal que permite movimentá-lo em diversos ângulos. A medição é feita nesta foto, 
posicionando a ponta do mesmo na lateral da perna esquerda a partir da parte inferior 
do glúteo formando um ângulo raso, 180 graus, até o calcanhar. A segunda imagem 
mostra parcialmente as duas personagens conforme descrito anteriormente, porém, a 
profissional está segurando o goniômetro e medindo a amplitude de movimento 
articulado, ou seja, a perna esquerda da paciente está flexionada formando um ângulo 
agudo, 90 graus, e a profissional usa o mesmo ponto de partida e fim para posicionar o 
aparelho. A terceira imagem mostra o teste para avaliar a flexibilidade lombar, de 
quadril, dos membros posteriores e dos membros inferiores, proposto por Wells e Dillon. 
É uma foto monocromática de uma jovem, vista na lateral esquerda, onde a moça 
encontra-se sentada sobre um tapete, com as pernas e braços estendidos para frente, 
o rosto voltado para baixo entre os braços e as mãos sobrepostas apoiadas sobre um 
banco de madeira, onde os seus pés estão apoiados em um ângulo de 90 graus. 
 
FIM DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM. 
 
 
As imagens da esquerda e central ilustram a medida de amplitude de movimento 
articular com auxílio de um goniômetro universal. Já a imagem da direita ilustra o teste 
de sentar e alcançar no banco de Wells. 
Caro aluno(a), aprendemos muito conteúdo interessante nessa unidade, 
não é?! Espero que você tenha aproveitado bastante, e tenho certeza que o que 
você aprendeu aqui lhe será muito útil daqui para frente. Prepare-se, pois logo 
iniciaremos a próxima unidade e vamos aprender muita coisa nova. Até lá! 
 
FIM DO TÓPICO 5. 
FIM DA UNIDADE III. 
 
INÍCIO DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Nesta unidade,estudamos muitos conceitos que lhes serão úteis durante 
toda a sua carreira e atuação profissional nos mais diversos campos da 
Educação Física. Vimos a definição de atividade física e como, muitas vezes, 
esse conceito é usado de maneira errada. Também vimos a prevalência de 
sedentarismo ou inatividade física no mundo, e a pesquisa nacional mais atual 
mostrou que mais de 60% dos brasileiros acima de 15 anos não pratica atividade 
física e esporte. Aprendemos como se pode mensurar a atividade física, e você 
respondeu um dos questionários existentes para determinar o nível de atividade 
física das pessoas. 
 Em seguida, aprendemos o conceito de exercício físico e vimos que este 
não é sinônimo de atividade física. 
 Definimos a aptidão física e conceituamos os componentes da aptidão 
física relacionado ao desempenho, que foram: agilidade, equilíbrio, 
coordenação, velocidade, potência e tempo de reação. 
 Nos aprofundamos nos diferentes componentes da aptidão física 
relacionados à saúde. Vimos a importância da aptidão cardiorrespiratória, como 
ela está associada à mortalidade e também aprendemos os diferentes métodos 
de avaliação desse componente, com ênfase em testes de campo. 
 Aprendemos o que é composição corporal, sua relação com a saúde e 
como ela pode ser compartimentalizada (dividida). Vimos que esse componente 
pode ser avaliado por métodos indiretos que são mais precisos, porém pouco 
usuais; e métodos duplamente indiretos, com ênfase na avaliação da espessura 
das dobras cutâneas. 
 Finalmente, vimos a definição dos componentes da aptidão 
musculoesquelética (força e resistência muscular) e flexibilidade, aprendemos 
como estes são importantes para a saúde e quais são os fatores que afetam 
esses componentes. Também aprendemos diferentes métodos de avaliação de 
força e resistência muscular e flexibilidade. 
FIM DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS. 
 
 
INÍCIO DAS ATIVIDADES DE ESTUDO 
1.) Qual elemento foi definido como “qualquer movimento corporal produzido 
pelos músculos esqueléticos que resulte em gasto energético acima dos níveis 
de repouso”? 
a. Potência. 
b. Resistência muscular. 
c. Atividade física. 
d. Aptidão cardiorrespiratória. 
e. Aptidão física. 
 
2.) Qual destes não é um componente mensurável da aptidão física relacionado 
à saúde? 
a. Flexibilidade. 
b. Força muscular. 
c. Composição corporal. 
d. Aptidão cardiorrespiratória. 
e. Agilidade. 
3.) Analise as seguintes afirmações: 
I – O equilíbrio é a capacidade de usar os sentidos, como a visão e a 
audição, em conjunto com as partes do corpo na realização de tarefas 
motoras de forma fluida e precisa. 
II – A flexibilidade é a capacidade funcional das articulações de realizarem 
um movimento em uma amplitude máxima. 
III – O teste de uma repetição máxima é destinado a avaliar a resistência 
muscular localizada. 
IV – Toda atividade física é considerada exercício físico, mas nem todo 
exercício é considerado atividade física. 
 Está correto apenas o que se afirma em: 
a) II e III. 
b) II. 
c) II, III e IV. 
d) I. 
e) I e IV. 
 
4.) Assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F): 
a) ( ) A aptidão cardiorrespiratória é importante para saúde, mas não 
está associada à mortalidade. 
b) ( ) A avaliação por meio das dobras cutâneas é o método mais 
sensível para estimar a gordura corporal. 
c) ( ) Exercício físico é o tipo de atividade física que é planejada, 
estruturada, repetitiva e objetiva melhorar a aptidão física. 
d) ( ) Os níveis de força e resistência muscular estão envolvidos 
diretamente com índices de mortalidade. 
e) ( ) A medida da flexibilidade é altamente específica para a 
articulação a ser testada e existe apenas um teste para avaliá-la. 
 
5.) Waldisney passou na primeira fase de um concurso público que exige uma 
ótima aptidão cardiorrespiratória para exercer a função. Na segunda fase do 
concurso, ele precisa passar por um teste físico (teste de 12 minutos) que 
exige que o candidato alcance pelo menos o VO2máx de 45 ml/kg/min, caso 
contrário será eliminado. Waldisney percorreu a distância de 2320 metros no 
teste de 12 minutos. 
Pergunta: qual foi o VO2máx estimado de Waldisney? Ele foi aprovado no 
concurso? 
 
FIM DAS ATIVIDADES DE ESTUDO. 
 
INÍCIO DA LEITURA COMPLEMENTAR 
Apresento-lhe um artigo científico em que é colocado em prática muito 
dos conceitos aprendidos nesta unidade e que você irá usar em toda a sua 
atuação profissional. O artigo é intitulado “Caracterização da condição física e 
fatores de risco cardiovascular de policiais militares rodoviários”. 
Este trabalho teve o objetivo avaliar os níveis de condição física, 
composição corporal e pressão arterial de policiais rodoviários do estado do 
Paraná - Brasil. Isso é relevante, pois os policiais exercem uma função muito 
importante na sociedade e é exigido que eles apresentem uma ótima aptidão 
física para ingressarem na carreira militar. Entretanto, com o passar dos anos, 
observa-se que muitos militares apresentam um piora da aptidão física, 
apresentando vários fatores de risco cardiovascular. 
Fizeram parte desse estudo 52 oficiais do sexo masculino de diferentes 
patentes, com média de idade de 38,3 anos e massa corporal de 89,6 kg. Eles 
fizeram várias medidas e passaram por uma bateria de testes para obter o índice 
de massa corporal (IMC), circunferência de cintura (CC), relação cintura/quadril 
(RCQ), composição corporal por meio da espessura de dobras cutâneas, aptidão 
cardiorrespiratória estimada indiretamente em teste de esforço ergométrico; 
resistência muscular localizada (RML) de membros superiores e abdominal 
foram avaliadas pelos testes de flexão de braço e abdominais em 1 minutos, 
respectivamente, e os níveis pressóricos. 
 Considerando as variáveis analisadas, os policiais rodoviários 
apresentaram IMC de 28,6 ± 4,8 kg/m2 (que indica que estão acima do peso), 
risco cardiovascular elevado (95,4 ± 10,8 cm) para CC e alto (0,92 ± 0,05) para 
RCQ. O percentual de gordura corporal apresentou-se acima dos valores 
recomendáveis (23,6 ± 4,3 %) para saúde, a aptidão cardiorrespiratória estimada 
foi considerada boa (34,8 ± 1,1 ml/kg/min), a RML de membros superiores (21 ± 
8 repetições) e de abdomen (28 ± 8 repetições) foi classificada como média e 
uma parcela importante dos oficiais (23%) mostraram-se com níveis pressóricos 
elevados. 
Este estudo concluiu que os policiais militares rodoviários mostraram-se 
com níveis inadequados de condição física, apresentando excesso de peso e 
adiposidade corporais, e uma parcela importante exibiu níveis pressóricos 
elevados, sugerindo elevado risco cardiovascular. 
 
Fonte: adaptada de Esteves et al. (2014). 
FIM DA LEITURA COMPLEMENTAR. 
 
INÍCIO DO MATERIAL COMPLEMENTAR – LIVRO 
Título: Atividade Física, Saúde e Qualidade de Vida 
Autor: Markus Vinicius Nahas 
Editora: Midiograf 
Sinopse: a intenção desse livro é veicular as informações mais recentes ligadas 
ao tema de Atividade Física, Saúde e Qualidade de Vida, numa linguagem 
menos técnica, com sugestões para autoavaliações e ações que possam ser 
incluídas no dia a dia da maioria das pessoas. 
Comentário: é um daqueles livros de cabeceira, sabe? Então, vale bastante o 
investimento. 
FIM DO MATERIAL COMPLEMENTAR - LIVRO. 
 
INÍCIO DO MATERIAL COMPLEMENTAR – WEB 
O compêndio de atividades físicas, discutido nesta unidade, também possui uma 
versão que foi traduzida pelo professor Paulo Tarso Veras Farinatti, um 
renomado professor na área de Educação Física. 
Disponível em: 
<http://xa.yimg.com/kq/groups/18719196/1191340261/name/Comp%C3%AAndi
o%20de%20atividades%20f%C3%ADsicas%20-
%20uma%20contribui%C3%A7%C3%A3o%20aos%20pesquisadores%20e%2
0profissionais%20em%20fisiologia%20do%20exerc%C3%ADcio.pdf>. Acesso 
em: 09 nov. 2017. 
FIM DO MATERIAL COMPLEMENTAR - WEB. 
 
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FIM DAS REFERÊNCIAS. 
 
INÍCIO DAS REFERÊNCIAS – WEB 
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2Em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:BodPod.jpg>. Acesso em: 09 
nov. 2017. 
3Em: 
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Adult_body_composition_through_air
_displacement_plethysmography.jpg>. Acesso em: 09 nov. 2017. 
FIM DAS REFERÊNCIAS - WEB. 
 
INÍCIO DO GABARITO 
1) Alternativa C. 
2) Alternativa E. 
3) Alternativa “C. 
4) F, F, V, V, F. 
5) 40,5 ml/kg/min. Não, ele foi reprovado. 
FIM DO GABARITO. 
INÍCIO DA UNIDADE IV 
INÍCIO DA FOLHA DE ABERTURA 
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIOS PARA MELHORA DA APTIDÃO FÍSICA E 
SAÚDE 
Professor Doutor João Victor Del Conti Esteves 
Objetivos de Aprendizagem 
● Descrever as orientações gerais e os princípios básicos para a 
prescrição de exercícios físicos. 
● Apresentar as recomendações para a prescrição do exercício aeróbio. 
● Apresentar as principais recomendações para a prescrição dos 
exercícios de força e resistência muscular. 
● Descrever as recomendações para o exercício de flexibilidade. 
● Apresentar as principais recomendações para a prescrição de 
exercícios para crianças e adolescentes. 
 
Plano de Estudo 
● Orientações gerais para a prescrição de exercícios 
● Exercício aeróbio (condicionamento cardiorrespiratório) 
● Condicionamento neuromuscular 
● Exercício de flexibilidade 
● Exercícios para crianças e adolescentes 
 
FIM DA FOLHA DE ABERTURA. 
 
 
INÍCIO DA INTRODUÇÃO 
Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) à Unidade IV. 
 Como vimos em unidades anteriores, um programa de treinamento de 
exercícios físicos é, geralmente, planejado, tanto para alcançar objetivos gerais 
de saúde como de melhora do condicionamento físico individual. Os princípios 
para a prescrição de exercícios físicos, que serão apresentados nesta unidade, 
irão guiar você, futuro profissional de Educação Física, no desenvolvimento de 
uma prescrição de exercícios ajustada individualmente, não só para o adulto 
aparentemente saudável, cujo objetivo seja melhorar a sua aptidão física e sua 
saúde, mas também para pessoas com algumas doenças crônicas, 
incapacidades ou certas condições de saúde. Além disso, apresentarei as 
orientações para prescrição de exercícios também para crianças e adolescentes. 
Isto é, são princípios básicos para a prescrição de exercícios na maioria das 
situações. 
 A unidade inicia com algumas considerações para a prescrição de 
exercícios, incluindo a descrição dos princípios fundamentais para o treinamento 
físico, a importância do planejamento que inclui uma avaliação física completa e 
alguns outros cuidados antes de iniciar um programa de exercícios. Além disso, 
veremos os componentes de uma sessão de treinamento, incluindo a fase de 
aquecimento, de condicionamento, de volta à calma e a fase de flexibilidade. 
 Em seguida, aprenderemos, de maneira bastante detalhada, as 
recomendações para prescrição de exercícios aeróbios ou de condicionamento 
cardiorrespiratório, exercícios de força e resistência musculares 
(condicionamento neuromuscular) e para os exercícios de flexibilidade e 
neuromotor. Além disso, detalharemos as principais recomendações para a 
prescrição de exercícios para crianças e adolescentes. 
 Esses conteúdos o guiará à uma formação sólida para prescrição 
adequada de exercícios físicos objetivando a melhora da aptidão física e saúde. 
Bons estudos! 
FIM DA INTRODUÇÃO. 
 
 
 
INÍCIO DO TÓPICO 1 
1. ORIENTAÇÕES GERAIS PARA A PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIOS 
Segundo o Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM, do inglês 
American College of Sports Medicine), toda prescrição de exercícios possui seis 
componentes essenciais: Frequência (o quão frequentemente); Intensidade (o 
quão forte/intenso); Tempo (duração); e Tipo (modo ou que tipo), além de 
Volume (quantidade) e Progressão (avanço) ou princípio FITT-VP (GARBER et 
al., 2011; ACSM, 2016). Esta unidade enfatiza os princípios da prescrição de 
exercícios para indivíduos aparentemente saudáveis, com uma atenção especial 
dedicada a um enfoque completo sobre a aptidão física relacionada à saúde. 
 Um programa de exercício regular para a maioria das pessoas deve incluir 
uma variedade de exercícios, além das atividades realizadas como parte da vida 
cotidiana. Assim, uma ótima prescrição de exercícios deve incluir todos os 
componentes básicos da aptidão física relacionada à saúde, como vimos na 
unidade anterior. Os componentes são: a aptidão cardiorrespiratória (aeróbia), 
força muscular e resistência muscular, flexibilidade e composição corporal. Além 
disso, as recomendações atuais incluem o condicionamento neuromotor 
(conceito que que será detalhado adiante). 
 Outra consideração importante para a manutenção da saúde de pessoas 
fisicamente ativas ou inativas é que se deve reduzir o tempo despendido em 
atividades sedentárias ou com baixo gasto energético (ex: sentado em frente à 
televisão ou usando o computador/tablete/celular) e investir na adoção de um 
estilo de vida mais ativo, que inclua exercícios regulares. Estudos têm mostrado 
que períodos longos de sedentarismo estão associados a risco elevado de 
mortalidade por doença cardiovascular, diabetes, dislipidemia, obesidade, 
depressão, dentre outras (ACSM, 2016). 
 “Professor, e aquelas pessoas que se exercitam com regularidade, mas 
passam a maior parte do seu tempo em atividades sedentárias (por exemplo, 
trabalham o dia inteiro em frente ao computador)?” Boa pergunta! Estudos têm 
mostrado que esses períodos de inatividade física são prejudiciais à saúde 
mesmo naqueles indivíduos fisicamente ativos que alcançam as recomendações 
para a prática de exercício físico (OWEN et al., 2010; GARBER et al., 2011). 
Quando períodos de inatividade são intercalados por períodos curtos em pé ou 
com atividade física (por exemplo, uma caminhada curta ao redor do 
trabalho/escritório ou da casa), os efeitos deletérios (prejudiciais) das atividades 
sedentárias são diminuídas (OWEN et al., 2010; GARBER et al., 2011). Por isso, 
quando se pensar em prescrição de exercícios, deve-se incluir um programa 
para redução dos períodos de inatividade física, além de aumentar as atividades 
físicas diárias (seja no trabalho ou em casa). Isso reforça a necessidade de 
termos estilos de vida mais ativos e, consequentemente, mais saudáveis. 
Além disso, para que um programa de exercícios seja eficaz e seguro, 
precisa ser planejado, regular e observar certos princípios básicos que vieram 
dos estudos científicos do treinamento esportivo moderno e da fisiologia do 
exercício (NAHAS, 2010). Os cinco princípios fundamentais são (HEYWARD, 
2004; NAHAS, 2010; NIEMAN, 2011): 
- Princípio da individualidade biológica 
Cada organismo reage aos estímulos de um programa de exercício de maneira 
única. As respostas e adaptações ao treinamento são variáveis (individuais) e 
dependem de fatores, tais como a idade, nível de aptidão física, estado de saúde, 
nutrição, repouso etc. Além disso, cada pessoa tem um teto genético que limita 
o aperfeiçoamento devido ao treinamento físico. Por isso a importância de 
planejar programas de treinamento considerando as necessidades, os 
interesses e as capacidades individuais. 
- Princípio da especificidade 
As respostas e adaptações fisiológicas e metabólicas do corpo ao treinamento 
físico são específicas para o tipo de exercício e para os grupos musculares 
envolvidos. Assim, exercícios aeróbios (contrações contínuas, dinâmicase 
rítmicas de grandes grupos musculares) desenvolvem resistência aeróbia; 
exercícios de alongamento desenvolvem amplitude de movimento articular e a 
flexibilidade; exercícios de força desenvolvem resistência e força musculares, 
sendo específicos para os grupos musculares exercitados, tipo, velocidade e 
intensidade do treinamento. É esse princípio que explica porque um campeão de 
ciclismo não tem, necessariamente, um grande desempenho numa corrida ou 
numa prova de natação. 
- Princípio da sobrecarga de treinamento 
Para desenvolver qualquer um dos componentes da aptidão física, o organismo 
deve ser submetido a estímulos mais fortes do que está normalmente 
acostumado. A sobrecarga pode ser alcançada mediante a aumentos na 
frequência, intensidade ou duração dos exercícios aeróbios, por exemplo. 
Grupos musculares podem ser efetivamente sobrecarregados por meio de 
aumento no número de repetições, séries ou exercícios planejados para 
melhorar a capacidade e a flexibilidade musculares. 
- Princípio da progressão e da continuidade 
Para melhorar a condição funcional do organismo, o programa de treinamento 
deve estimulá-lo de maneira progressiva e com regularidade, aumentando o 
volume ou a sobrecarga para estimular melhorias futuras. Se um mesmo nível 
de esforço é sempre repetido, o organismo se adapta e deixa de progredir. Isso 
parece ser mais importante para atletas e indivíduos interessados em 
desenvolver a aptidão física, sendo menos relevante para a promoção da saúde, 
onde a regularidade da prática de atividades físicas gerais, que estimulem 
suficientemente o organismo, parece ser o mais importante. 
- Princípio da reversibilidade ou princípio do uso e do desuso 
Os efeitos fisiológicos positivos e os benefícios à saúde advindos do treinamento 
físico regular são reversíveis. Quando os indivíduos descontinuam o exercício 
(destreinamento), a capacidade de exercício diminui e os benefícios do 
exercício/treinamento são perdidos. Como o efeito da atividade física não se 
mantém se esta for cessada, vê-se a importância de um estilo de vida ativo por 
toda a vida. 
 
1.1. Planejamento para a realização dos exercícios 
Antes de iniciar um programa de exercícios físicos, o indivíduo deve 
passar por uma avaliação preliminar de saúde. O objetivo da avaliação é detectar 
a presença de doenças e avaliar a classificação de risco do indivíduo. Um 
instrumento que tem sido extensivamente utilizado com adultos para identificar 
possíveis risco na prática de atividades físicas é o Questionário de Prontidão 
para a Atividade Física (PAR-Q, do inglês Physical Activity Readiness 
Questionnaire), desenvolvido pelo Ministério de Saúde do Canadá. Aproveite 
para responder o questionário e aplicar às pessoas próximas a você! 
 
 
Além disso, nessa avaliação preliminar de saúde, deve-se identificar 
sinais e sintomas de doenças, risco coronariano, classificar o risco de doença e 
avaliar o estilo de vida do indivíduo. Nessa fase de planejamento, também se 
deve estabelecer os objetivos do programa e escolher os tipos de atividade 
adequadas. Para aqueles indivíduos sem risco ou contraindicações, deve-se 
avaliar a sua aptidão física. Podendo ser utilizados testes de laboratório e de 
campo para avaliar cada componente da aptidão física. 
Sugere-se respeitar a seguinte ordem na realização dos testes: 
- Aferição da pressão arterial e frequência cardíaca de repouso. 
- Aplicação de questionários para avaliação do estilo de vida e nível de estresse. 
- Avaliação da composição corporal. 
- Avaliação da aptidão cardiorrespiratória. 
- Avaliação da capacidade muscular e flexibilidade. 
Vale ressaltar que para se avaliar os componentes da aptidão física, 
devem ser selecionados testes válidos, confiáveis e objetivos. A validade de um 
teste consiste na capacidade dele medir corretamente, com mínimo de erro, 
determinado componente. A confiabilidade é a capacidade do teste produzir 
dados consistentes e estáveis em várias tentativas ao longo do tempo. A 
objetividade também é conhecida como confiabilidade entre avaliados. Testes 
objetivos produzem resultados de testes similares para determinado indivíduo 
quando o mesmo teste é aplicado por diferentes avaliadores (HEYWARD, 2004). 
 
Quadro 1 - Resumo das medidas diretas (referência) e indiretas (de campo) para 
avaliação dos componentes da aptidão física relacionado à saúde 
Componente da 
aptidão física 
Medida de 
referência 
Método de 
referência 
Medidas indiretas 
Aptidão 
Cardiorrespiratória 
Medição direta 
do VO2máx 
(ml/kg/min). 
Teste de esforço 
máximo. 
Teste de esforço 
submáximo, testes de 
corrida em 
distância/caminhada, degrau 
etc. 
Composição 
corporal 
Densidade 
corporal, MLG 
e %GC** 
Pesagem 
hidrostática, 
pletismografia de 
deslocamento de ar 
e DEXA. 
BIA, dobras cutâneas, 
antropometria. 
Força muscular Força máxima 
ou torque. 
Teste de 1-RM ou 
testes isocinéticos. 
Testes submáximo (valor de 
2 a 10-RM). 
Flexibilidade Amplitude 
máxima na 
articulação. 
Goniometria ou raio 
X. 
Medidas lineares de 
amplitude de movimento. 
MLG: massa livre de gordura; %GC: gordura corporal relativa; BIA: 
bioimpedância elétrica; RM: repetição máxima. 
Fonte: adaptado de Heyward (2004). 
 Além disso, Nahas (2010) sugere alguns outros cuidados antes de se 
iniciar um programa de exercícios: 
- Vista-se apropriadamente: as roupas devem ser leves, confortáveis, adequadas 
ao clima e ao esporte em questão. 
- Calçados e meias apropriados são importantes, especialmente para corrida (as 
solas devem ser flexíveis, ter um bom suporte para o arco plantar, e ter uma sola 
que absorva bem o impacto). Um bom calçado esportivo, com amortecimento, é 
particularmente importante em atividades que envolvem saltos e corridas. 
- Comece devagar – é prudente que se comece de níveis mais baixos, evoluindo 
gradativamente para níveis moderados ou mais fortes. 
- Procure atividades e ambientes agradáveis – forme grupos de amigos. 
- Avalie periodicamente o seu progresso. 
- Procure se exercita com moderação em dias muito quentes e úmidos. 
- Beba água (em doses adequadas) antes, durante e depois de uma sessão de 
atividades físicas – especialmente em dias quentes. 
 
1.2. Componentes da sessão de treinamento de exercícios 
Uma sessão única de exercícios deve incluir as seguintes fases: 
· Aquecimento. 
· Condicionamento e/ou exercício relacionado com esportes. 
· Volta à calma. 
· Flexibilidade. 
A fase de aquecimento consiste em, pelo menos, 5 a 10 minutos de atividade 
aeróbia de intensidade leve à moderada e de resistência muscular localizada 
(RML). O aquecimento é uma fase de transição, permitindo que o corpo se ajuste 
às alterações das demandas fisiológicas, biomecânicas e bioenergéticas que 
ocorrem durante a fase de condicionamento ou esportiva da sessão de 
exercícios. Além disso, a fase de aquecimento também melhora a amplitude de 
movimento e pode reduzir o risco de lesão (GARBER et al., 2011). Ainda, vale 
mencionar que com o objetivo de aumentar o desempenho da aptidão 
cardiorrespiratória, do exercício aeróbio, do esporte ou da RML, especialmente 
para atividades de longa duração ou com muitas repetições, um aquecimento 
com exercícios dinâmicos, de resistência cardiorrespiratória, é superior aos 
exercícios de alongamento (ACSM, 2016). 
A fase de condicionamento inclui exercícios aeróbios, de RML, de 
flexibilidade, neuromotores e/ou atividades esportivas, e serão apresentadas 
nesta unidade. Seguido a fase de condicionamento, vem o período de volta à 
calma que envolve atividade aeróbia de intensidade leve à moderada e de RML, 
com duração de pelo menos 5 a 10 minutos. O objetivo da fase de volta à calma 
é permitir uma recuperação gradual da frequência cardíaca e da pressão arterial 
e a remoção dos produtos finais metabólicos dos músculos utilizadosdurante a 
fase de condicionamento com exercícios mais intensos. 
Já a fase da flexibilidade é diferente das fases de aquecimento e de volta à 
calma. Pode ser realizado depois dessas fases, antes da fase de volta à calma 
ou após a execução de bolsas térmicas, pois o aquecimento dos músculos 
melhora a amplitude de movimento. 
FIM DO TÓPICO 1. 
 
INÍCIO DO TÓPICO 2 
2. EXERCÍCIO AERÓBIO (CONDICIONAMENTO CARDIORRESPIRATÓRIO) 
A seguir, são apresentadas as orientações para a prescrição do exercício 
aeróbio. 
2.1 Frequência do exercício 
A frequência do exercício físico, ou seja, a quantidade de dias por semana 
dedicados a um programa de exercícios, contribui diretamente para os 
benefícios de saúde e de condicionamento físico que resultam do exercício. 
Segundo o ACSM e a Associação Americana do Coração (AHA, do inglês 
American Heart Association), o exercício aeróbio é recomendado de 3 a 5 dias 
por semana para a maioria dos adultos, com uma frequência que varia com a 
intensidade do exercício (HASKELL et al., 2007; NELSON et al., 2007; GARBER 
et al., 2011). Vale ressaltar que o exercício de intensidade vigorosa, realizado 
mais de 5 dias por semana, pode aumentar a incidência de lesão 
musculoesquelética; assim sendo, essa quantidade de atividade física, nessa 
intensidade, pode não ser recomendada para a maioria dos adultos. 
 “Professor, e aquelas pessoas conhecidas como “atletas de fim de 
semana” que geralmente se exercitam uma ou duas vezes por semana? Eles 
podem ter algum benefício ou mesmo risco à saúde?” Bom, o ACSM afirma que 
podem ocorrer benefícios para o condicionamento físico em alguns indivíduos 
que se exercitam uma ou duas vezes na semana com intensidade moderada à 
vigorosa, especialmente com grandes volumes. Contudo, apesar dos possíveis 
benefícios, não se recomenda a prática de exercícios uma a duas vezes por 
semana para a maioria dos adultos, porque o risco de lesão musculoesquelética 
e de eventos cardiovasculares diversos é maior em indivíduos que não são ativos 
fisicamente de modo regular e naqueles que realizam exercício com o qual não 
estão adaptados (ACSM, 2016). 
2.2 Intensidade do exercício 
O princípio da sobrecarga do treinamento estabelece que o exercício abaixo de 
uma intensidade mínima, ou limiar, não desafiará o corpo de modo suficiente 
para resultar em alterações nos parâmetros fisiológicos, incluindo aumento no 
consumo máximo de oxigênio (VO2máx). Contudo, existem estudos que 
demonstram que o limiar mínimo de intensidade para que haja benefício parece 
variar dependendo de vários fatores, como o nível de aptidão cardiorrespiratório 
individual, a idade, o estado de saúde, diferenças genéticas, o nível de atividade 
física habitual e, também, alguns fatores sociais e psicológicos (SWAIN; 
LEUTHOLTZ, 1997; SWAIN; FRANKLIN, 2002). Portanto, pode ser difícil definir 
precisamente um limiar exato para a melhoria da aptidão cardiorrespiratória. Vou 
exemplificar, um atleta altamente treinado pode precisar se exercitar em 
intensidades de treinamento próximas ao máximo (isto é, valores superiores a 
90% do VO2máx) para aprimorar o seu condicionamento cardiorrespiratório, 
enquanto estímulos de 70 a 80% do VO2máx pode ser suficientes para atletas 
moderadamente treinados. 
 De maneira geral, o ACSM recomenda exercícios aeróbios de intensidade 
moderada (por exemplo, 40 a < 60% da FCR ou VO2R) à vigorosa (por exemplo, 
60 a < 90% da FCR ou VO2R) para a maioria dos adultos, e o exercício aeróbio 
de intensidade leve (por exemplo, 30 a 40% da FCR ou VO2R) à moderada pode 
ser benéfico para indivíduos que não estejam condicionados. Você deve estar 
se perguntando, o que são essas diferentes siglas (FCR, VO2R...). Todas essas 
siglas representam métodos desenvolvidos baseados em estudos científicos 
para a determinação da intensidade do exercício. 
 Existem vários métodos eficientes para a prescrição da intensidade de 
exercício que resultam em melhoras da aptidão cardiorrespiratória ou aeróbia e, 
geralmente, são recomendados para a individualização da prescrição do 
exercício. A Tabela 1 mostra a classificação dos métodos da estimativa da 
intensidade de exercícios utilizados comumente na prática. 
Tabela 1 - Métodos para estimativa da intensidade do exercício 
cardiorrespiratório (aeróbio) e de resistência muscular localizada (treinamento 
de força) 
 
Intensidade relativa 
Exercícios de 
resistência 
cardiorrespiratória 
 Exercícios 
de RML 
Intensidade %FCR 
ou 
%VO2R 
%FCmáx % 
VO2máx 
PSE % de 1-RM 
Muito leve < 30 < 57 < 37 Muito 
leve 
(PSE ≤ 
9) 
< 30 
Leve 30 a < 
40 
57 a < 64 37 a < 
45 
Muito 
leve a 
leve 
(PSE 9 a 
11) 
30 a < 50 
Moderada 40 a < 
60 
64 a < 76 46 a < 
64 
Leve a 
um 
pouco 
pesado 
(PSE 12 
a 13) 
50 a < 70 
Vigorosa 60 a < 
90 
76 a < 96 64 a < 
91 
Um 
pouco 
pesado 
a muito 
pesado 
(PSE 14 
a 17) 
70 a < 85 
Próxima ao 
máximo ou máxima 
≥ 90 ≥ 96 ≥ 91 ≥ Muito 
pesado 
(PSE ≥ 
18) 
≥ 85 
RML: resistência muscular localizada; MET: equivalente metabólico; FCR: 
frequência cardíaca de reserva; FCmáx: frequência cardíaca máxima; VO2máx: 
consumo máximo de oxigênio; VO2R: reserva do consumo máximo de oxigênio; 
PSE: percepção subjetiva de esforço; RM: repetição máxima. 
Fonte: adaptado de ACSM (2016). 
 A frequência cardíaca de reserva (FCR) e o consumo de oxigênio de 
reserva (VO2R) máximos são calculados a partir da diferença entre a frequência 
cardíaca de repouso e a frequência cardíaca máxima (FCmáx) e do VO2 de 
repouso e o VO2 máximo, respectivamente (NIEMAN, 2011). Os métodos de 
FCR e VO2R podem ser preferíveis para a prescrição de exercícios, pois a 
intensidade do exercício pode ser sub (para baixo) ou superestimada (para cima) 
em comparação aos métodos de FC (isto é, %FCmáx) ou VO2 (isto é, %VO2máx) 
(SWAIN, 2000; GARBER et al., 2011). Lembrando que a medida mais sensível 
para determinar o VO2máx é por meio de um teste de esforço com análises de 
gases ou teste ergoespirométrico (como visto na Unidade III). 
 Já a FCmáx representa a maior frequência cardíaca atingida no ponto de 
exaustão a partir de um esforço máximo, sendo a fórmula “220 – idade” a mais 
comumente utilizada para predição da FCmáx. Essa fórmula é simples de ser 
utilizada, mas pode sub ou superestimar a FCmáx medida diretamente. Alguns 
estudos sugerem que existem outras equações especializadas para a estimativa 
da FCmáx que são superiores à equação “220-idade”, pelo menos para alguns 
indivíduos (TANAKA et al., 2001; GELLISH et al., 2007; MACHADO; DENADAI, 
2011). 
A Tabela 2 mostra algumas das equações mais utilizadas para a estimativa da 
FCmáx. Lembrando que para obter maior precisão na determinação da 
intensidade do exercício para a prescrição de exercícios, o uso da FCmáx medida 
diretamente é mais indicado do que os métodos de estimativa, porém, quando a 
medida direta não é possível é aceitável a estimativa da intensidade do exercício 
(ACSM, 2016). 
 
INÍCIO DO SAIBA MAIS 
Considerando que a FC é uma variável fisiológica de fácil mensuração e 
amplamente utilizada para a prescrição da intensidade de exercícios, a utilização 
de equação preditiva adequada para essa determinação é de fundamental 
importância. Quando avaliado crianças e adolescentes entre 10 e 16 anos, a 
equação “220 – idade” superestimou a FCmáx medida e não se mostrou válida 
para essa população. No estudo em questão, a equação que mais se aproximou 
e se mostrou válida com resultados bastante próximos à FCmáx medida foi a 
equação “208 – (0,7 x idade)”. 
Fonte: Machado e Denadai (2011). 
FIM DO SAIBA MAIS. 
 
Tabela 2 - Equações utilizadas para a estimativa da frequência cardíaca máxima 
Autor Equação População 
Fox FCmáx = 220 – 
idade 
Pequeno grupo de homens e mulheres 
Astrand FCmáx = 216,6 – 
(0,84 x idade) 
Homens e mulheres com idade entre 4 e 34 anos 
Tanaka FCmáx= 208 – 
(0,7 x idade) 
Homens e mulheres saudáveis 
Gellish FCmáx = 207 – 
(0,7 x idade) 
Homens e mulheres participando de programa 
adulto de condicionamento com ampla variação 
de idade e níveis de aptidão 
Gulati FCmáx = 206 – 
(0,88 x idade) 
Mulheres de meia-idade 
FCmáx = frequência cardíaca máxima. 
Fonte: ACSM (2016). 
Um resumo dos métodos de cálculo da intensidade do exercício utilizando 
FC e o VO2 é apresentado no Quadro 2. 
 
 
 
Quadro 2 - Resumo dos métodos para prescrição da intensidade do exercício 
utilizando a frequência cardíaca (FC) e o consumo de oxigênio (VO2) 
Método FCR: FC alvo = [(FCmáx – FCrepouso) x % da intensidade desejada] + 
FCrepouso 
Método FC: FC desejada = FCmáx % da intensidade desejada 
Método VO2: VO2 desejada = VO2máx x % da intensidade desejada 
FCmáx é o valor mais alto obtido durante um exercício máximo ou pode ser 
estimada por equações; VO2máx é o valor mais alto obtido durante o exercício 
máximo ou pode ser estimado a partir de teste de esforço submáximo ou testes 
de campo; FCmáx: frequência cardíaca máxima; FCrepouso: frequência cardíaca de 
repouso; FCR: frequência cardíaca de reserva; VO2máx: consumo máximo de 
oxigênio. 
Fonte: ACSM (2016). 
A intensidade do treinamento de exercícios geralmente é determinado 
como uma faixa, uma zona alvo de intensidade, com um limite inferior da zona 
de intensidade e um limite superior da zona alvo de intensidade desejada 
(NIEMAN, 2011). A zona alvo de treinamento deve ser determinada levando em 
consideração muitos fatores, que incluem a idade, o nível de atividade física 
habitual, o nível de aptidão física e o estado de saúde. Vamos colocar a “mão na 
massa” e mostrar alguns exemplos de como aplicar os métodos para a 
prescrição da intensidade do exercício. 
Vamos começar pelo método da frequência cardíaca de reserva. No 
exemplo, o indivíduo possui FCrepouso de 70 batimentos por minuto (bpm) e FCmáx 
de 180 bpm e deseja realizar a intensidade do exercício entre 50 e 60%. 
Fórmula: FC alvo= [(FCmáx – FCrepouso) x % da intensidade desejada] + FCrepouso 
 
1) Cálculo da FCR: 
FCR= (FCmáx – FCrepouso) 
FCR= (180 – 70)= 110 bpm 
2) Determinação da intensidade do exercício como %FCR: 
Converta a % de FCR desejada em decimais dividindo por 100 
%FCR= intensidade desejada x FCR 
%FCR= 0,5 x 110 bpm = 55 bpm 
%FCR= 0,6 x 110 bpm = 66 bpm 
3) Determinação da amplitude (zona) da frequência cardíaca desejada (FCD): 
FCD= (%FCR) + FCrepouso 
Para determinar o limite inferior da zona de FCD: 
 FCD= 55 bpm + 70 bpm = 125 bpm 
Para determinar o limite superior da zona de FCD: 
 FCD= 66 bpm + 70 bpm = 136 bpm 
Assim, para o indivíduo do exemplo, o exercício deve ser realizado na 
frequência cardíaca entre 125 bpm e 136 bpm (entre 50 e 60%). 
 Em outro exemplo, vamos calcular a intensidade do exercício pelo método 
da frequência cardíaca ou percentual da frequência cardíaca máxima. No 
exemplo, o indivíduo (uma mulher saudável) tem 45 anos de idade e planeja 
realizar o exercício na intensidade entre 70 e 80% da frequência cardíaca 
máxima. 
Fórmula: FC desejada = FCmáx % da intensidade desejada 
 
Calcule a FCmáx estimada (caso não estiver disponível a medida direta da 
FCmáx): 
FCmáx= 208 – (0,7 x idade) 
FCmáx= 208 – (0,7 x 45) = 176 bpm 
1) Determinação da amplitude (zona) da FCD: 
FCD= % desejada x FCmáx 
Converta a % FCmáx desejada em decimais dividindo por 100 
Determine o limite inferior da zona de FCD: 
FCD= 176 x 0,7 = 123 bpm 
Determine o limite superior da zona de FCD: 
FCD= 176 x 0,8 = 141 bpm 
Assim, para o indivíduo do exemplo, o exercício deve ser realizado na 
frequência cardíaca entre 123 bpm e 141 bpm (entre 70 e 80%). 
O terceiro método bastante utilizado para prescrição da intensidade do 
treinamento aeróbio é por meio do VO2. Assim como mostrado para o método 
da FC, deve-se medir ou estimar o VO2, estabelecer a intensidade e determinar 
a zona alvo desejada por meio das equações apresentadas anteriormente. Além 
disso, um método direto para prescrição de exercício associando a FC e o VO2 
pode ser utilizado quando eles são medidos durante um teste de esforço. Por 
exemplo, durante todos os estágios de um teste de esforço, você tem a medida 
do VO2 e a medida correspondente da FC, estabelecendo o percentual da 
intensidade desejada com base nesses dados. 
Outro método para determinar ou prescrever a intensidade do exercício é 
por meio da utilização da escala de percepção subjetiva de esforço (PSE) ou 
simplesmente escala de Borg (BORG, 1982; NOBLE et al., 1983). Existem duas 
principais escalas de PSE, uma em que os valores vão de 0 a 10 pontos e outra 
de 15 pontos, variando de 6 a 20. 
A escala de Borg possui boa correlação com marcadores de intensidade 
de exercício, como lactato sanguíneo e consumo de oxigênio, mas ela deve ser 
utilizada com indivíduos que a conheça e saiba aplicá-la adequadamente. 
Evidências sugerem que a PSE, de forma independente ou combinada com a 
frequência cardíaca, pode ser utilizada de maneira eficaz para a prescrição da 
intensidade do exercício (NIEMAN, 2011). Outra vantagem da escala de PSE é 
que ela é simples de usar, leva apenas alguns segundos e custa pouco. Além 
disso, a prescrição do exercício baseada na PSE é particularmente útil para os 
indivíduos que utilizam medicamentos que afetam a frequência cardíaca, como 
betabloqueadores; que tenham doença crônica, como diabetes; condições de 
saúde; ou doença cardiovascular aterosclerótica que alteram a resposta da FC 
ao exercício (GARBER et al., 2011). 
Apesar de possuir várias vantagens, a escala de PSE apresenta 
limitações e problemas que precisam ser destacados: (1) a escala pode não 
fornecer uma indicação precisa da intensidade do exercício em crianças, idosos 
e indivíduos obesos; (2) pessoas em estado de depressão, neurose ou 
ansiedade tendem a apontar números altos de PSE, ao passo que pessoas 
extrovertidas tendem a fornecer números baixos; (3) a PSE é menos confiável 
com cargas de trabalho baixas do que com cargas altas; (4) diferentes tipos de 
exercícios (por exemplo, corrida e ciclismo) podem resultar em diferentes 
respostas à PSE, ainda que com níveis semelhantes de percentual de VO2máx; 
(5) no calor, as pessoas tendem a dar números de PSE mais altos ao esforço 
realizado, dentre outros (NIEMAN, 2011). Desse modo, considerando o que foi 
exposto, a medida da PSE deve ser evitada como método principal para a 
prescrição da intensidade de exercício, podendo ser usada conjuntamente à 
medida de FC para essa estimativa. 
Tabela 3 - Escalas de percepção subjetiva de esforço de Borg 
Escala de 15 
pontos 
 Escala de 0 
a 10 pontos 
 
Intensidade 
leve 
 
6 0 Nenhum esforço 
7 Extremamente 
leve 
0,5 Extremamente leve 
(quase imperceptível) 
8 
9 Muito leve 1 Muito leve 
10 2 Leve (fraco) 
11 Leve 3 Moderado 
Intensidade 
moderada 
 
12 4 Relativamente intenso 
13 Relativamente 
intenso 
5 Intenso (difícil) 
14 6 
Intensidade 
vigorosa 
 
15 Intenso (difícil) 7 Muito intenso 
16 8 
17 Muito intenso 9 
18 Extremamente intenso 
19 Extremamente 
intenso 
10 
20 Esforço máximo ● Máximo 
Fonte: adaptado de Nieman (2011). 
 
2.3. Tempo de exercício (duração) 
 A duração do exercício é prescrita como uma medida da quantidade de 
tempo em que é realizada a atividade física (isto é, tempo da sessão.dia.semana) 
para que se desenvolva o VO2máx. O ACSM recomenda que a maioria dos adultos 
acumule 30 a 60 min/dia (≥ 150 min/sem) de exercício de intensidade moderada, 
20 a 60 min/dia (≥ 75 min/sem) de exercício de intensidade vigorosa ou uma 
combinação de exercício de intensidade moderada e vigorosa por dia para a 
obtenção dos volumes recomendados de exercício (GARBER et al., 2011; 
ACSM, 2016). Vale mencionar que menos de 20 min de exercício por dia pode 
ser benéfico, sobretudopara indivíduos inativos fisicamente. Para a perda ou 
manutenção da massa corporal, pode ser necessário exercício com durações 
mais longas (≥ 60 a 90 min/dia), especialmente para os indivíduos que passam 
períodos longos de tempo em comportamentos sedentários (DONNELLY et al., 
2009). Na última unidade deste livro, iremos discutir especificamente as 
recomendações do ACSM para indivíduos com sobrepeso e obesidade. 
 Além disso, a duração recomendada de atividade física pode ser 
alcançada de maneira contínua, ou seja, em uma única sessão ou, ainda, de 
forma intermitente (intervalada/fracionada) e pode ser acumulada ao longo do 
período de 1 dia em uma ou mais sessões de atividade física que totalizem, pelo 
menos, 10 min por sessão (ACSM, 2016). 
 
2.4. Volume de exercício 
O volume (quantidade) de exercício é o produto de Frequência, Intensidade e 
Tempo (duração). Evidências científicas sustentam o papel importante do 
volume de exercício para a obtenção dos resultados de melhora da aptidão 
física, especialmente em relação à composição corporal e à manutenção do 
peso. Assim, o volume de exercício pode ser utilizado para estimar o gasto 
energético (GE) bruto da prescrição de exercícios de um indivíduo. Segundo o 
ACSM, para a estimativa do volume de exercício de modo padronizado podem 
ser utilizados equivalentes metabólicos por minuto e por semana (MET-
min.semana) e quilocalorias por semana (kcal.semana) (ACSM, 2016). 
O MET é um índice de GE que é definido como a razão entre a taxa de 
energia gasta durante uma atividade e a taxa de energia gasta durante o 
repouso; 1 MET é a taxa de GE sentado em repouso que, por convenção, 
equivale ao VO2 de 3,5 ml.kg.min. O MET-min é um índice de GE que quantifica, 
de modo padronizado, a quantidade total de atividade física realizada entre 
indivíduos e tipos de atividades, e pode ser calculado como o produto da 
quantidade de MET associados a uma ou mais atividades e à quantidade de 
minutos em que as atividades foram realizadas. 
Estudos epidemiológicos e ensaios clínicos randomizados (tipo de estudo 
bem controlado e confiável) mostram que existe uma associação dose-resposta 
entre o volume de exercício e resultados de aptidão física (isto é, com mais 
quantidades de atividade física os benefícios para a saúde também aumentam) 
(CHURCH et al., 2007; GARBER et al., 2011; SAMITZ et al., 2011). 
Não está claro se há ou não uma quantidade mínima ou máxima de 
exercício necessária para a obtenção dos benefícios para a saúde e para o 
condicionamento físico. Por outro lado, um GE total ≥ 500 a 1000 MET-
min.semana está associado, consistentemente, a taxas menores de doença 
cardiovascular e mortalidade prematura. Assim, ≥ 500 a 1000 MET-min.semana 
é o volume desejado razoável para um programa de exercícios para a maioria 
dos adultos (GARBER et al., 2011). Esse volume é aproximadamente igual a 
1000 kcal.semana de atividade física de intensidade moderada (ou cerca de 150 
min.sem). 
O volume pode ser estimado pela quantidade de passos por meio de 
pedômetros ou, mais recentemente, por aplicativos tecnológicos que possuam 
essa função. A realização de, pelo menos, 5500 a 7900 passadas.dia pode 
alcançar as quantidades recomendadas de exercícios (TUDOR-LOCKE et al., 
2008; GARBER et al., 2011). Entretanto, por causa dos erros substanciais na 
predição utilizando a contagem de passos do pedômetro, recomenda-se que 
utilize o número de passadas por dia em combinação com as recomendações 
atuais de duração de exercício (por exemplo, ≥ 150 min.sem) (ACSM, 2016). 
 
2.5. Tipo de exercício (modo) 
Exercícios rítmicos, aeróbios, envolvendo grandes grupos musculares são 
recomendados para a melhora da aptidão cardiorrespiratória. Os modos/tipos de 
atividade física que resultam em melhora e manutenção da aptidão 
cardiorrespiratória são vários e devem ser escolhidos com base na capacidade 
funcional, nos interesses, na disponibilidade de tempo, nos equipamentos e 
instalações e nas metas e objetivos pessoais de cada indivíduo (NIEMAN, 2011). 
Os praticantes podem optar por qualquer atividade que utilize grandes 
grupos musculares, possa ser mantida de maneira contínua e seja, por natureza, 
cardiorrespiratória e rítmica. Atividades comuns que requerem pouca habilidade 
específica para a sua realização são recomendadas para todos os adultos, com 
o objetivo de melhorarem a sua saúde e seu condicionamento 
cardiorrespiratório. São exemplos comuns: caminhada, uso de bicicleta por 
lazer, corrida, hidroginástica, dança etc. Outros exercícios e esportes que 
requerem maiores habilidades para a sua realização (exemplo, natação, 
esportes com raquete, basquete etc.), ou níveis maiores de condicionamento 
física, são recomendados apenas para os indivíduos que possuam habilidade e 
condicionamento físico adequado para realizar tal atividade. 
Vale lembrar que o princípio da especificidade do treinamento deve ser 
mantido em mente durante a seleção da modalidade de exercício a ser incluída 
na prescrição, lembrando que esse princípio diz, de maneira geral, que as 
adaptações fisiológicas ao exercício são específicas para o tipo realizado de 
exercício (ACSM, 2016). 
2.6. Taxa de progressão 
A taxa recomendada pelo ACSM de progresso em um programa de exercício 
depende de vários fatores, como o estado de saúde, da idade, do 
condicionamento físico, das respostas ao treinamento e dos objetivos do 
programa de exercício do indivíduo (ACSM, 2016). O progresso pode ser dado 
pelo aumento de qualquer um dos componentes do princípio FITT (frequência, 
intensidade, tempo e o tipo) da prescrição do exercício tolerado pelo indivíduo. 
 Durante a fase inicial do programa, recomenda-se aumentar a duração do 
exercício. Um aumento de duração do exercício de 5 a 10 min por sessão a cada 
1 a 2 semanas durante as primeiras 4 ou 6 semanas de um programa de 
treinamento é razoável para o adulto saudável (GARBER et al., 2011). Qualquer 
progresso no princípio FITT da prescrição de exercícios deve ser feito 
gradualmente, evitando grandes aumentos em qualquer um dos componentes 
para minimizar os riscos de lesão muscular, fadiga indevida e o risco de 
treinamento excessivo a longo prazo (GARBER et al., 2011, ACSM, 2016). 
Qualquer ajuste deve ser monitorado e respostas inadequadas ou adversas, 
como fadiga, encurtamento excessivo da respiração e cãibras, devem ser 
realizadas para que possíveis ajustes decrescentes no progresso possam ser 
empregados. 
FIM DO TÓPICO 2. 
 
INÍCIO DO TÓPICO 3 
3. CONDICIONAMENTO NEUROMUSCULAR 
Os benefícios para a saúde do aumento do condicionamento neuromuscular ou 
aptidão musculoesquelética, especialmente dos parâmetros funcionais de força 
e RML, estão bem estabelecidos e foram mencionados na Unidade III. De 
maneira geral, sabe-se que níveis mais altos de força e RML estão associados 
a um perfil de fatores de risco cardiometabólicos, risco menor de mortalidade por 
todas as causas, menos eventos de doença cardiovascular, risco menor para o 
desenvolvimento de limitações funcionais, além de melhoras na composição 
corporal, massa óssea, nos níveis de glicose no sangue, melhora de 
sensibilidade à insulina e pressão arterial em indivíduos hipertensos (ACSM, 
2009; DONNELLY et al., 2009; COLBERG et al., 2010; GARBER et al., 2011; 
PASCATELLO et al., 2015). 
Cada componente do condicionamento neuromuscular aumenta com um 
regime de treinamento contra resistência (também chamado de treinamento de 
força, treinamento com pesos ou musculação) adequadamente projetado e de 
exercícios de resistência realizados corretamente. Conforme os músculos 
treinados se fortalecem e aumentam (isto é, hipertrofiam), a resistência deve 
aumentar progressivamente, se são desejados ganhos adicionais. Para 
aperfeiçoar a eficiência do treinamento contra resistência, o princípio FITT-VP 
da prescrição de exercícios deve ser ajustado aos objetivosindividuais. Vale 
mencionar que a potência muscular também pode ser considerada um elemento 
do condicionamento neuromuscular, entretanto, força e RML têm importância 
maior para um programa de treinamento geral que enfatize nos resultados para 
a aptidão física relacionada à saúde. 
 
3.1. Frequência dos exercícios de força e resistência musculares 
Para o condicionamento neuromuscular geral, particularmente entre aquelas 
pessoas que não sejam treinadas ou que treinam apenas de modo amador 
(iniciantes), um indivíduo deve treinar a resistência de cada grupo muscular 
principal (isto é, músculos do peitoral, dos ombros, costas, pernas etc.) 2 a 3 
dias/semana com, pelo menos, 48 horas de intervalo separando as sessões de 
treinamento de exercício do mesmo grupo muscular (ACSM, 2009; GARBER et 
al., 2011). 
Dependendo da disponibilidade do indivíduo, todos os grupos musculares 
podem ser treinados na mesma sessão (isto é, o corpo todo) ou cada sessão 
pode “dividir” o corpo em grupos musculares, selecionados de modo que apenas 
alguns grupos sejam treinados em uma única sessão (por exemplo, músculos de 
membros superiores podem ser treinados às segundas e quintas e os músculos 
de membros inferiores treinados às terças e sextas-feiras) (ACSM, 2016). 
 
3.2. Tipos de exercícios de força e resistência musculares 
Podem ser utilizados muitos tipos de equipamentos de treinamento contra 
resistência para aumentar o condicionamento neuromuscular, incluindo pesos 
livres (halteres, dumbbells etc.), máquinas com pesos fixos ou resistência 
pneumática e, até mesmo, bandas de resistência (ACSM, 2016). A prescrição de 
treinamento contra resistência deve incluir exercícios que abordem múltiplas 
articulações, ou compostos, que afetem mais de um grupo muscular. Também 
podem ser incluídos no programa de treinamento exercícios que trabalhem 
articulações únicas e grandes grupos musculares (ACSM, 2009). Além disso, 
para evitar criar desequilíbrios musculares que podem ocasionar em lesões, 
devem ser incluídos na rotina de treinamento contra resistência o trabalho de 
grupos musculares opostos (isto é, agonistas e antagonistas), como lombar e 
abdome ou os músculos quadríceps e da panturrilha (ACSM, 2009, GARBER et 
al., 2011). 
3.3. Volume de exercícios de força e resistência musculares (séries e 
repetições) 
Cada grupo muscular deve ser treinado por um total de duas a quatro séries. 
Estas podem ser proveniente a partir do mesmo exercício ou de alguma 
combinação de exercícios que afetam o mesmo grupo muscular (ACSM, 2009). 
Um intervalo de descanso razoável entre as séries é de 2 a 3 min. Ademais, o 
uso de exercícios diferentes para treinar o mesmo grupo muscular acrescenta 
variedade e pode ser uma estratégia interessante para aumentar a adesão ao 
programa de treinamento. Quatro séries por grupo muscular são mais eficientes 
do que duas, contudo, mesmo uma única série por exercício trará melhoras na 
força muscular, especialmente entre os iniciantes (ACSM, 2009; ACSM, 2016). 
 A intensidade do treinamento com pesos e a quantidade de repetições 
realizadas em cada série estão relacionadas de modo inversos, ou seja, quanto 
maior a intensidade ou resistência, menor a quantidade de repetições que deve 
ser completada. Para aumentar a força, o volume (hipertrofia) e em algum grau 
a RML, deve ser selecionado um exercício contra resistência que permita que o 
indivíduo complete 8 a 12 repetições por série (ACSM, 2009). Esse número de 
repetições equivale a uma resistência de cerca de 60 a 80% de uma repetição 
máxima (1-RM) do indivíduo ou a maior quantidade de peso levantado em uma 
única repetição. 
 Já se o objetivo do programa de treinamento contra resistência for 
principalmente a melhora da RML e não da força e massa muscular, deve ser 
realizada uma quantidade maior de repetições, possivelmente entre 15 a 25, por 
série em conjunto com intervalos de descanso mais cursos e menos séries 
(ACSM, 2009; GARBER et al., 2011). Esse regime de exercícios necessita 
menor intensidade ou resistência, geralmente não mais do que 50% de 1-RM. 
3.4. Técnica de exercícios de força e resistência musculares 
Para garantir ganhos ótimos de condicionamento físico e diminuir a chance de 
lesão, cada exercício contra resistência deve ser realizado utilizando técnicas 
adequadas, independentemente do estado do treinamento individual ou da 
idade. Os exercícios devem ser realizados utilizando o modo e a técnica correta, 
incluindo a realização das repetições de modo controlado, movimentar ao longo 
de toda a amplitude de movimento da articulação e a utilização de técnicas de 
respiração adequada (isto é, expirar durante a fase concêntrica do movimento e 
inspirar durante a fase excêntrica, evitando sempre a manobra de Valsalva ou 
“prender” o ar durante a realização do exercício) (ACSM, 2009; GARBER et al., 
2011). 
Vale mencionar que os indivíduos iniciantes no treinamento com pesos devem 
receber instruções sobre as técnicas adequadas a partir de um profissional de 
Educação Física para cada exercício utilizado durante as sessões de 
treinamento (ACSM, 2016). 
3.5. Progressão/manutenção 
Conforme já diz o princípio da sobrecarga de treinamento, conforme os músculos 
se adaptam a um programa de treinamento contra resistência, o participante 
deve continuar a realizar sobrecarga ou estímulos maiores para continuar a 
aumentar a força, resistência e a massa muscular. A abordagem mais comum é 
aumentar a quantidade de resistência (pesos) levantada durante o treinamento. 
Por exemplo, se o indivíduo realizava um exercício com 40 kg de resistência, 
seus músculos de adaptaram ao ponto em que 12 repetições são realizadas com 
facilidade, então a resistência deve ser aumentada para que sejam realizados 
mais de 12 repetições sem fadiga muscular e dificuldade significativa ao 
completar a última repetição daquela série (ACSM, 2016). 
 Outras maneiras de sobrecarregar progressivamente os músculos incluem a 
realização de um número maior de séries por grupo muscular e o aumento da 
quantidade de dias por semana em que aqueles grupos musculares são 
treinados. 
 Contudo, se o indivíduo alcançou os níveis desejados de força e massa 
musculares e deseja apenas manter aquele nível de condicionamento 
neuromuscular, não é necessário aumentar progressivamente o estímulo de 
treinamento. Isso quer dizer que não é necessário aumentar a sobrecarga com 
o aumento de resistência (pesos), séries ou sessões de treinamento por semana 
durante a manutenção do programa de treinamento contra resistência. A força 
muscular pode ser mantida treinando os grupos musculares em uma frequência 
de 1 dia por semana, desde que a intensidade do treinamento ou a resistência 
seja mantida constante (ACSM, 2009; GARBER et al., 2011). 
 
 
 
 
INÍCIO DO REFLITA 
Você acha que as recomendações apresentadas servem para todos os 
indivíduos (incluindo aqueles cujo objetivo sejam aumentar a força e massa 
muscular ao máximo)? Pense a respeito! 
FIM DO REFLITA. 
FIM DO TÓPICO 3. 
 
INÍCIO DO TÓPICO 4 
4. EXERCÍCIOS DE FLEXIBILIDADE 
A flexibilidade ou a amplitude de movimento de uma articulação pode ser 
melhorada em todos os grupos etários por meio da realização de exercícios de 
flexibilidade (ACSM, 2016). As pessoas com boa flexibilidade movem-se com 
mais facilidade e tendem a sofrer menos problemas de dores e lesões 
musculares e articulares, principalmente na região lombar (NAHAS, 2010). 
Lembrando, conforme visto na Unidade III, que a flexibilidade é específica para 
cada articulação e depende da estrutura anatômica e da elasticidade de 
músculos, tendões e ligamentos. 
 Um programa de flexibilidade é definido como um programa tradicional de 
exercícios planejado e deliberado de modo a gradativamente aumentar a 
amplitude de movimento de uma articulação ou de um conjunto de articulaçõesao longo de um período de tempo (NIEMAN, 2011). Sabe-se que é mais efetivo 
realizar os exercícios de flexibilidade quando a temperatura muscular é 
aumentada por meio de exercícios de aquecimento ou, de maneira passiva, 
utilizando métodos como bolsas térmicas ou banhos quentes (GARBER et al., 
2011). Vale mencionar que os exercícios de alongamento podem resultar em 
diminuição a curto prazo na força muscular e no desempenho de esportes ou 
atividades que exijam essa valência física realizado após alongamento 
(GARBER et al., 2011). 
4.1. Tipos de exercícios de flexibilidade 
Segundo o ACSM (2016), os exercícios de alongamento e os de flexionamento 
devem atingir a maioria dos músculos e tendões da cintura escapular, do peito, 
do pescoço, do tronco, da região lombar, dos quadris, das regiões anterior e 
posterior das pernas e dos tornozelos. 
Existem vários tipos de exercício de flexibilidade que podem aumentar a 
amplitude de movimento, são eles: (1) métodos balísticos ou flexionamentos 
“rápidos”: utilizam o momento do segmento corporal em movimento para a 
produção do aumento do arco de movimento; (2) flexibilidade dinâmica ou de 
movimento lento: envolve a transição gradual a partir de uma posição corporal 
para outra e aumento progressivo no alcance e na amplitude de movimento, 
conforme o movimento é repetido várias vezes; (3) flexibilidade estática: envolve 
o estiramento lento de um músculo e articulação e a manutenção da posição por 
um período de tempo, podendo ser ativos ou passivos; (4) métodos de facilitação 
neuromuscular proprioceptiva: geralmente envolve uma contração isométrica do 
músculo/tendão selecionado, seguido por um flexionamento estático do mesmo 
grupo (contração-relaxamento) (ACSM, 2016). 
 
4.2. Volume de exercícios de flexibilidade (tempo, repetições e frequência) 
Recomenda-se manter um alongamento por 10 a 30 segundos até o ponto de 
enrijecimento ou de leve desconforto (sem que haja dor) para aumentar a 
amplitude de movimento articular, e parece haver pouco benefício adicional em 
manter o alongamento por duração maior, exceto para indivíduos idosos 
(GARBER et al., 2011). 
Os exercícios de flexibilidade devem ser repetidos duas a quatro vezes 
para acumular um total de 60 segundos de forçamento para cada exercício, 
ajustando tempo/duração e quantidade de repetições de acordo com as 
necessidades individuais (ACSM, 2016). Recomenda-se a realização de 
exercícios de flexibilidade ≥ 2 a 3 dias por semana, embora os exercícios são 
mais efetivos quando realizados diariamente (GARBER et al.,2011; NIEMAN, 
2011; ACSM, 2016). 
 
4.3. Condicionamento neuromotor 
O treinamento de exercícios neuromotores envolve habilidades motoras, tais 
como equilíbrio, coordenação, marcha, agilidade e treinamento proprioceptivo, e 
pode ser chamado, às vezes, como treinamento funcional. Outras atividades 
múltiplas, consideradas algumas vezes como exercícios neuromotores, 
envolvem a combinação de variáveis de exercício neuromotor, de resistência e 
de flexibilidade, bem como incluem atividades físicas, como tai chi, ioga, entre 
outros (ACSM, 2016). Existem poucos estudos sobre os benefícios do 
treinamento funcional para adultos mais jovens, embora para idosos, os 
benefícios do treinamento funcional são claros. 
 Segundo o ACSM, os exercícios neuromotores são recomendados ≥ 2 a 
3 dias por semana para idosos e possivelmente também são benéficos para 
adultos mais jovens. A duração e a quantidade de repetições ótimas desses 
exercícios não são bem conhecidas; contudo, as rotinas de exercício funcional 
com duração ≥ 20 a 30 min por sessão por um total de exercícios neuromotor ≥ 
60 min por semana parecem ser efetivos (GARBER et al., 2011; ACSM, 2016). 
Outros aspectos da prescrição, como volume, progresso etc., ainda precisam ser 
determinados. 
FIM DO TÓPICO 4. 
 
INÍCIO DO TÓPICO 5 
5. EXERCÍCIOS PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES 
Crianças e adolescentes (definidos como indivíduos entre 5 a 17 anos de idade) 
são, geralmente, mais fisicamente ativos que adultos. Contudo, atualmente, 
muitas crianças e principalmente os adolescentes não atingem as 
recomendações para a prática de atividades físicas. Estimativas atuais de 
inatividade física, tanto em adultos quanto em crianças e adolescentes, são 
muito preocupantes. 
Em um estudo que abrangeu indivíduos de mais de 120 países, estimou-
se que mais de 30% dos adultos não atingiam as recomendações diárias de 
atividade física; porém - o mais preocupante - cerca de 4/5 (80%) dos 
adolescentes investigados (13 a 15 anos) também não atingiam as 
recomendações para a prática de atividades físicas (HALLAL et al., 2012). 
Pesquisas com crianças e adolescentes brasileiros também demonstram 
elevada prevalência de inatividade física, o que contribui diretamente para o 
excesso de peso (FLORES et al., 2013). 
 Nesse sentido, algumas sociedades científicas têm determinado 
recomendações para a prática de exercícios físicos em crianças e adolescentes. 
A seguir, são apresentadas as recomendações da Organização Mundial da 
Saúde (do inglês World Health Organization – WHO, 2010) e do ACSM (2016). 
Crianças e adolescentes são incentivados a participarem pelo menos 60 minutos 
diários de atividade física com intensidade moderada à vigorosa e a incluírem 
atividade física vigorosa, exercícios contra resistência e atividade de sobrecarga 
óssea (de impacto) durante pelo menos 3 dias por semana. Além disso, 
atividades físicas acima de 60 minutos/dia fornecem benefícios adicionais para 
saúde. Ainda, crianças e adolescentes com sobrepeso ou que sejam fisicamente 
inativos podem não ser capazes de atingir 60 minutos/dia de atividade física de 
intensidade moderada à vigorosa. Eles devem começar com atividades de 
intensidade moderada tolerável, e aumentar gradualmente a frequência e tempo 
para atingir o objetivo de 60 minutos/dia. 
Quadro 3 - Recomendações de exercícios para crianças e adolescentes 
Exercício aeróbio 
Frequência: diária. 
Intensidade: a maior parte deve ser exercício aeróbio moderado a vigoroso e 
deve incluir intensidade vigorosa pelo menos 3 dias/semana. A intensidade 
moderada corresponde a aumentos notáveis na FC e respiração. A 
intensidade vigorosa corresponde a aumentos substanciais na FC e na 
respiração. 
Tempo: ≥ 60 minutos/dia. 
Tipo: atividades físicas aeróbias agradáveis e adequadas ao 
desenvolvimento, incluindo corrida, caminhada rápida, natação, dança, 
ciclismo, dentre outros. 
Exercício de fortalecimento muscular 
Frequência: ≥ 3 dias/semana. 
Tempo: parte dos 60 minutos/dia ou mais de exercício. 
Tipo: atividades físicas de fortalecimento muscular podem ser não 
estruturadas (exemplo: brincar em algum equipamento do playground, escalar 
árvores, cabo de guerra etc.) ou estruturadas (exemplo: levantar peso, 
trabalhar com bandas de resistência etc.). 
Exercício de fortalecimento ósseo 
Frequência: ≥ 3 dias/semana. 
Tempo: parte dos 60 minutos/dia ou mais de exercício. 
Tipo: as atividades de fortalecimento ósseo incluem atividades de impacto, 
como corrida, pular corda, basquete, tênis, treinamento contra resistência, 
pular amarelinha, dentre outros. 
Fonte: adaptado de ACSM (2016). 
Devem ser feitos esforços para diminuir atividades sedentárias (isto é, 
assistir à televisão, navegar na internet, jogar videogames, etc.) e aumentar as 
atividades que promovam a atividade e a aptidão física por toda a vida. Além 
disso, por causa dos sistemas termorregulatórios imaturos, os jovens devem 
evitar o exercício em ambientes quentes e úmidos e devem ser hidratados de 
modo adequado (ACSM, 2016). Por fim, deve-se priorizar a inclusão da atividade 
física no cotidiano e valorizar a educação física escolar que estimule a prática de 
atividade física para toda a vida, de forma agradável e prazerosa, integrando as 
crianças e não discriminando os menos aptos. 
FIM DO TÓPICO5. 
FIM DA UNIDADE IV. 
 
INÍCIO DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Nesta unidade, estudamos em detalhes os princípios para a prescrição de um 
programa de exercícios físicos não só para a melhora da aptidão física e saúde, 
mas também para a maioria das situações. 
Aprendemos sobre os princípios que estão diretamente associados ao 
treinamento físico (princípio da individualidade biológica, da especificidade, da 
sobrecarga, da progressão e da continuidade e princípio da reversibilidade), os 
cuidados no planejamento (avaliação preliminar de saúde e avaliação física, 
determinação dos objetivos, etc.) e os diferentes componentes que compõe uma 
sessão de treinamento de exercícios (aquecimento, condicionamento, volta à 
calma e fase de flexibilidade). 
 Nos aprofundamos nas recomendações para a prescrição dos exercícios 
aeróbios e vimos que eles devem envolver a maioria dos grupos musculares e 
ser de natureza rítmica e praticados ≥ 5 dias/sem em intensidade moderada, 30 
a 60 min/dia (≥ 150 min/sem) ou ≥ 3 dias/sem de intensidade vigorosa, 20 a 60 
min/dia (≥ 75 min/sem). Além disso, recomenda-se um volume de ≥ 500 a 1000 
MET-min, atingindo a contagem de ≥ 5500 passos/dia. 
Quanto ao condicionamento neuromuscular, vimos que os músculos 
devem ser treinados 2 a 3 dias/sem, por meio de pesos livres, equipamentos ou 
bandas de resistência, em intensidade que permita a realização de 8 a 12 
repetições (força muscular) ou acima de 15 repetições (RML) por série. Também 
vimos que a flexibilidade deve ser treinada ≥ 2 a 3 dias/sem, em exercícios de 
alongamento por 10 a 30 segundos, 2 a 4 vezes, totalizando 60 segundos para 
cada exercício. 
Finalmente, aprendemos sobre a prescrição de exercícios para crianças 
e adolescentes e vimos que eles devem ser incentivados a participarem de pelo 
menos 60 minutos diários de atividade física com intensidade moderada à 
vigorosa e a incluírem atividade física vigorosa, exercícios contra resistência e 
atividade de sobrecarga óssea (de impacto) durante pelo menos 3 dias por 
semana. 
Até breve! 
FIM DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS. 
 
INÍCIO DAS ATIVIDADES DE ESTUDO 
1) A prescrição de exercícios possui vários componentes essenciais. Qual das 
opções apresentadas não é um deles? 
a. Tempo. 
b. Intensidade. 
c. Volume. 
d. Frequência. 
e. Força. 
 
2) Analise as assertivas e resposta qual item a seguir não é considerado uma 
vantagem do método da percepção subjetiva de esforço (PSE)? 
a) Apresenta boa correlação com medidas de lactato sanguíneo e consumo de 
oxigênio. 
b) É confiável tanto com cargas baixas como cargas altas de trabalho. 
c) É útil para pessoas que estão tomando determinados medicamentos. 
d) É fácil de usar, leva apenas alguns segundos e é de baixo custo. 
e) É realizado com acompanhamento de um médico cardiologista.. 
 
3) Analise as afirmações. 
I – Para um programa de treinamento contra resistência que vise 
aumentar a força e gerar hipertrofia muscular deve ser realizado 
exercícios em que a pessoa complete entre 8 a 12 repetições por série. 
II – Exercícios de flexibilidade devem ser realizadas pelo menos 2 vezes 
por semana, contudo são mais efetivos quando realizados diariamente. 
III – Um programa de treinamento contra resistência que vise o aumento 
da resistência muscular localizada deve ser realizado com maior número 
de repetições e com intervalos de descanso mais curtos. 
Está correto apenas o que se afirma em: 
 
a) I e II. 
b) II e III. 
c) I. 
d) I, II e III. 
e) II. 
 
4) No calor, as pessoas tendem a fornecer valores de PSE _________ para o 
esforço realizado: 
Assinale a alternativa que completa a lacuna. 
a) Mais altos. 
b) Iguais. 
c) Indiferentes. 
d) Mais baixos. 
e) Nenhuma das alternativas está correta. 
 
5) Assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F): 
a) ( ) O ACSM recomenda a realização de exercício aeróbio de 
intensidade vigorosa pelo menos 5 vezes por semana. 
b) ( ) Recomenda-se a realização de exercício aeróbio 3 a 5 dias por 
semana para a maioria dos adultos. 
c) ( ) O único método para determinar a intensidade do exercício 
aeróbio é por meio da frequência cardíaca. 
d) ( ) A frequência cardíaca de reserva é determinada pela diferença 
entre a frequência cardíaca máxima e o consumo máximo de 
oxigênio. 
e) ( ) Existem diversas equações para determinar a frequência 
cardíaca máxima de uma pessoa. 
f) ( ) Crianças e adolescentes devem ser incentivados a participarem 
de apenas 30 minutos de atividades físicas diárias, pois essa 
quantidade já é o suficiente. 
g) ( ) A prescrição do exercício baseada na PSE não possui nenhuma 
vantagem frente aos outros métodos de intensidade de exercício 
 6) Considerando a prescrição do exercício aeróbio pelo método da frequência 
cardíaca e considerando a equação de Tanaka, qual deve ser a frequência 
cardíaca de uma pessoa de 39 anos de idade que deseja se exercitar a 65%? 
FIM DAS ATIVIDADES DE ESTUDO. 
 
 
 
INÍCIO DA LEITURA COMPLEMENTAR 
Sugiro como material complementar, a leitura do posicionamento publicado pelo 
Colégio Americano de Medicina do Esporte (American College of Sports 
Medicine) a respeito dos modelos de progressão no treinamento de contra 
resistência (ou treinamento de força, treinamento com pesos, musculação...) 
para adultos saudáveis. Apesar de termos estudado sobre o treinamento contra 
resistência nesta unidade, esse posicionamento apresenta com riqueza de 
detalhes e de maneira mais aprofundada o que existe sobre esse tipo de 
treinamento, segundo a literatura científica especializada. 
O resumo do posicionamento está transcrito a seguir: 
Com o objetivo de estimular futuras adaptações em direção aos objetivos 
de treinamento específico, protocolos de treinamento contra resistência ou 
treinamento de força (TF) progressivo são necessários. As características ótimas 
dos programas específicos de força incluem o uso de ações musculares 
concêntricas, excêntricas e isométricas e a performance de exercícios 
multiarticulares, uniarticulares e uni ou bilaterais. Além disso, recomenda-se que 
os programas de força sequenciem os exercícios para otimizar a preservação da 
intensidade do exercício (exercícios de grandes grupos antes de pequenos 
grupos musculares, exercícios de múltiplas articulações antes de exercícios de 
articulação única e exercícios de maior intensidade antes dos exercícios de baixa 
intensidade). 
Para os iniciantes (indivíduos não treinados, sem experiência no TF ou 
que não treinaram durante vários anos), recomenda-se cargas correspondentes 
a um intervalo de 8-12 repetições máximas (RM). Para intermediários (indivíduos 
com aproximadamente 6 meses de experiência em TF de maneira consistente) 
aos avançados (indivíduos com anos de experiência em TF), recomenda-se que 
usem uma variação de 1 a 12 RM de forma periodizada, com eventual ênfase 
em cargas pesadas (1-6 RM) usando períodos de 3 a 5 minutos de descanso 
entre as séries e uma velocidade de contração muscular moderada. 
A recomendação para a frequência de treinamento é 2-3 vezes/sem para 
o treinamento de indivíduos iniciantes, 3-4 dias/sem para treinamento de 
indivíduos intermediários e 4-5 dias/sem para treinamento de indivíduos 
avançados. O planejamento de programas semelhantes é recomendado para o 
treinamento de hipertrofia em relação à seleção e a frequência do exercício. 
Quanto à intensidade, recomenda-se que cargas correspondentes a 1-12 RM 
devam ser usadas de forma periodizada com ênfase na zona de 6-12 RM, 
usando períodos de descanso de 1 a 2 minutos entre as séries a uma velocidade 
moderada. 
Programas com altos volumes e séries múltiplas são recomendados para 
maximizar a hipertrofia muscular. Para treinamento da resistência muscular 
localizada, recomenda-se que cargas levas e moderadas (40-60% de 1-RM) 
sejam utilizadas com altas repetições (>15 repetições)usando curtos períodos 
de descanso (< 90 segundos). Na interpretação desse posicionamento, as 
recomendações devem ser aplicadas em contexto e devem considerar os 
objetivos individuais, a capacidade física e o estado de treinamento do indivíduo. 
Fonte: adaptada de ACSM (2009). 
FIM DA LEITURA COMPLEMENTAR. 
 
INÍCIO DO MATERIAL COMPLEMENTAR – LIVRO 
Título: Diretrizes do ACSM para os testes de esforço e sua prescrição 
Autor: American College of Sports Medicine 
Editora: Guanabara 
Sinopse: referência nas áreas de medicina esportiva, ciência do esporte e saúde 
e condicionamento físico, essa obra apresenta um conteúdo completo e 
atualizado com base nas mais recentes pesquisas. Diretrizes do ACSM para os 
Testes de Esforço e sua Prescrição aborda os testes e as avaliações necessárias 
para a adequada prescrição de programas de exercícios específicos e 
adaptados às necessidades particulares de cada cliente. 
Comentário: um livro atualizado e essencial para todo o profissional de educação 
física. 
FIM DO MATERIAL COMPLEMENTAR - LIVRO. 
 
INÍCIO DAS REFERÊNCIAS 
AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE (ACSM). American College of 
Sports Medicine position stand. Progression models in resistance training for 
healthy adults. Medicine and Science in Sports and Exercise, v. 41, n. 3, p. 
687-708, 2009. 
AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE (ACSM). Diretrizes do ACSM 
para os testes de esforço e sua prescrição. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 
2016. 
BORG, G. A. V. Psychophysical bases of perceived exertion. Medicine and 
Science in Sports and Exercise, v. 14, n. 5, p. 377–381, 1982. 
CHURCH, T. S.; EARNEST, C. P.; SKINNER, J. S.; BLAIR, S. N. Effects of 
different doses of physical activity on cardiorespiratory fitness among sedentary, 
overweight or obese postmenopausal women with elevated blood pressure: a 
randomized controlled trial. JAMA, v. 297, n. 19, p. 2081-91, 2007. 
COLBERG, S. R.; ALBRIGHT, A. L.; BLISSMER, B. J.; BRAUN, B.; CHASAN-
TABER, L.; FERNHALL, B.; REGENSTEINER, J. G.; RUBIN, R. R.; SIGAL, R. 
J.; AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE; AMERICAN DIABETES 
ASSOCIATION. Exercise and type 2 diabetes: American College of Sports 
Medicine and the American Diabetes Association: joint position statement. 
Exercise and type 2 diabetes. Medicine and Science in Sports and Exercise, 
v. 42, n. 12, p. 2282-303, 2010. 
DONNELLY, J. E.; BLAIR, S. N.; JAKICIC, J. M.; MANORE, M. M.; RANKIN, J. 
W.; SMITH, B. K.; AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. American 
College of Sports Medicine Position Stand. Appropriate physical activity 
intervention strategies for weight loss and prevention of weight regain for adults. 
Medicine and Science in Sports and Exercise, v. 41, n. 2, p. 459-71, 2009. 
FLORES, L. S.; GAYA, A. R.; PETERSEN, R. D.; GAYA, A. Trends of 
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FIM DAS REFERÊNCIAS. 
 
INÍCIO DO GABARITO 
 
1) E. 
2) B. 
3) D. 
4) A. 
5) F, V, F, F, V, F, F. 
6) Equação de Tanaka 
FCmáx= 208 – (0,7 x idade) 
 
FCmáx= 208 – (0,7 x 39)= 181 bpm 
Frequência cardíaca desejada (FCD)= % desejada x FCmáx 
FCD= 181 x 0,65 = 118 bpm 
 
FIM DO GABARITO. 
 
INÍCIO DA UNIDADE V 
INÍCIO DA FOLHA DE ABERTURA 
EXERCÍCIO FÍSICO PARA GRUPOS ESPECIAIS 
Professor Doutor João Victor Del Conti Esteves 
 
Objetivos de Aprendizagem 
● Descrever as principais alterações no envelhecimento e o papel do 
exercício físico nesse processo. 
● Apresentar o panorama de obesidade, bem como as recomendações para a 
prescrição de exercícios físicos para indivíduos obesos. 
● Caracterizar a doença e apresentar as recomendações para a prescrição de 
exercícios físicos para indivíduos portadores de diabetes.● Apresentar as recomendações de exercício físico para portadores de 
hipertensão arterial. 
 
Plano de Estudo 
● Envelhecimento e exercício físico. 
● Obesidade e exercício físico. 
● Diabetes mellitus e exercício físico. 
● Hipertensão arterial e exercício físico. 
 
FIM DA FOLHA DE ABERTURA. 
 
INÍCIO DA INTRODUÇÃO 
Prezado(a) aluno(a), seja bem-vindo (a) à Unidade V. 
Se você chegou até aqui, quer dizer que você aprendeu muito ao longo 
desse livro e tenho certeza que os conhecimentos adquiridos serão muito úteis 
para sua formação e futura atuação profissional. 
A Unidade V está dividida em quatro grandes tópicos, onde aprenderemos 
sobre o papel do exercício físico para alguns grupos especiais. 
No primeiro Tópico, será discutido sobre envelhecimento, a prevalência 
de idosos, as alterações fisiológicas que acontecem no período, as doenças 
associadas e os benefícios do exercício físico durante essa fase. Será finalizada 
com as diretrizes para a prescrição de exercícios para a população idosa. 
No segundo, aprenderemos sobre obesidade e exercício físico, 
discutiremos a prevalência do excesso de peso, as doenças associadas, o papel 
do índice de massa corporal, as principais causas que explicam o ganho de peso 
e adiposidade e o papel do exercício físico nesse processo. Finalizaremos com 
recomendações para a prescrição de exercícios para indivíduos com excesso de 
peso, seja para a perda de peso ou manutenção do peso perdido. 
No terceiro Tópico abordaremos sobre diabetes mellitus e exercício físico, 
onde caracterizaremos a doença, discutiremos sua prevalência, suas diferentes 
classificações, critérios de diagnóstico e o papel do exercício na prevenção e 
tratamento do diabetes. O tópico será finalizado com as recomendações para a 
prescrição de exercícios para os indivíduos portadores de diabetes, bem como 
alguns cuidados especiais durante a prática. 
No último tópico, vamos discutir sobre hipertensão arterial e exercício 
físico, caracterizando a doença, os fatores de risco e o papel do exercício físico 
na prevenção e tratamento da hipertensão. Finalizaremos a unidade com as 
recomendações para a prescrição de exercícios para indivíduos hipertensos e 
abordaremos alguns cuidados especiais que deverão ser tomados durante a 
prática de exercícios para essa população. 
Bons estudos! 
FIM DA INTRODUÇÃO. 
 
INÍCIO DO TÓPICO 1 
1. ENVELHECIMENTO E EXERCÍCIO FÍSICO 
A população mundial tem aumentado acentuadamente, em especial a população 
idosa. Esse aumento deve-se em decorrência do aumento da expectativa média 
de vida associada à diminuição da taxa de fecundidade. A expectativa de vida, 
nas sociedades antigas, era extremamente reduzida em relação à atual por 
problemas de saúde pública, doenças endêmicas e epidêmicas e baixo grau de 
educação das populações. A melhora nessas condições produziu não só o 
aumento da população idosa em todo o mundo, como também seu 
envelhecimento (AZEVEDO et al., 2005). 
Existem inúmeras formas de perceber o porquê de um aumento da 
população idosa, desde as teorias que citam fenômenos de modo isolado, bem 
como aquelas mais unificadoras, em que as melhorias da infraestrutura dos 
sistemas de saúde, aliadas aos incrementos das infraestruturas de saneamento 
e habitação e às mudanças sociais nas áreas de educação, percepção e 
comportamento, ligados às áreas de saúde, tiveram papéis fundamentais na 
maior longevidade (MURRAY; CHEN, 1993). 
Como dito, a população mundial, sobretudo nos países em 
desenvolvimento, tem apresentado um aumento na expectativa de vida. Dados 
recentes do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) apontam que de 
1940 a 2015, a expectativa de vida no Brasil para ambos os sexos passou de 
45,5 anos para 75,5 anos, sendo 70,9 anos para os homens e 79,1 anos para as 
mulheres, um aumento de 30 anos (IBGE, 2016). Ainda, a população idosa a 
partir de 60 anos, que em 2005 representava 9,8% da população brasileira, em 
2015 representou 14,3% (IBGE, 2016). 
Envelhecimento refere-se às mudanças biológicas normais, embora 
irreversíveis, que ocorrem ao longo de toda a existência de uma pessoa. Esse é 
um fenômeno muito complexo, influenciado por fatores genéticos, ambientais e 
do estilo de vida (NIEMAN, 2011). É um processo dinâmico, progressivo e 
inevitável, em que ocorre modificações morfológicas, fisiológicas, bioquímicas e 
psicológicas decorrentes da ação do tempo, no qual ocorrem modificações do 
nível molecular ao geral, que induzem ao declínio orgânico, aumentando a 
susceptibilidade e vulnerabilidade a doenças e à morte (GOTTLIE et al., 2007). 
Além disso, o envelhecimento está associado ao surgimento de doenças 
crônico-degenerativas, advindas de hábitos de vida inadequados (tabagismo, 
ingestão alimentar incorreta, tipo de atividade laboral, ausência de atividade 
física regular), que se refletem na redução da capacidade para a realização das 
atividades da vida diária (TIGGEMANN et al., 2015). 
Com o processo de envelhecimento, existem mudanças, principalmente 
na estatura, no peso e na composição corporal. Apesar do componente genético 
no peso e na estatura dos indivíduos, outros fatores, como a dieta, a atividade 
física, fatores psicossociais, doenças, dentre outros, estão envolvidos nas 
alterações desses componentes durante o envelhecimento (MATSUDO, S.; 
MATSUDO, V.; NETO, 2000). 
Dentre as alterações nos componentes fisiológicos e da aptidão física 
advindas com o envelhecimento, destacam-se o aumento da gordura corporal, 
diminuições na massa corporal magra (massa muscular), massa óssea e força 
muscular, reduções na capacidade oxidativa, reduções na frequência cardíaca 
máxima e débito cardíaco, dentre outros (SANTOS et al., 2010). 
As mudanças fisiológicas que ocorrem no idoso podem resultar em 
problemas musculoesqueléticos (osteopenia, osteoporose, osteoartrite, 
reumatismos, instabilidades e quedas), neurológicos (doença de Parkinson, 
Alzheimer, acidente vascular encefálico, demências e alterações no padrão de 
sono) e cardiovasculares (hipertensão, cardiopatias e aterosclerose) 
(TIGGEMANN et al., 2015). As principais alterações fisiológicas que ocorrem no 
processo de envelhecimento podem ser visualizadas na tabela 1. 
Tabela 1 - Alterações nas variáveis fisiológicas e de saúde com o 
envelhecimento 
 Variável Alteração 
Frequência cardíaca de repouso Não se altera 
Frequência cardíaca máxima Diminui 
Débito Cardíaco máximo Diminui 
Pressão arterial durante o repouso e exercício Aumenta 
Consumo de oxigênio Diminui 
Capacidade vital Diminui 
Tempo de reação Diminui 
Força muscular Diminui 
Flexibilidade Diminui 
Massa óssea Diminui 
Massa corporal magra Diminui 
Percentual de gordura Aumenta 
Tolerância à glicose Diminui 
Tempo de reação Maior 
Fonte: adaptado de ACSM (2016). 
 
1.1. Benefícios do exercício físico no envelhecimento 
De acordo com muitos gerontologistas, um ingrediente fundamental para 
o envelhecimento saudável é a atividade física regular. De todos os grupos 
etários, as pessoas idosas são as mais beneficiadas por serem ativas. O risco 
de muitas doenças e problemas de saúde comuns na velhice (ex: doenças 
cardiovasculares, câncer, hipertensão arterial, depressão, osteoporose, fraturas 
ósseas e diabetes) diminuem com a atividade física regular (NIEMAN, 2011). 
 Existem importantes evidências científicas que sustentam os benefícios 
da atividade física para (a) retardar ou diminuir as alterações fisiológicas do 
envelhecimento que impedem a capacidade de realizar exercício; (b) aperfeiçoar 
as alterações na composição corporal relacionadas com a idade; (c) promover 
bem-estar psicológico e cognitivo; (d) auxiliar no tratamento das doenças 
crônicas; (e) reduzir os riscos de incapacidade; e (f) aumentar a longevidade 
(ACSM, 2009). 
Segundo o Posicionamento Oficial conjunto da Sociedade Brasileirade 
Medicina do Esporte (SBME) e da Sociedade Brasileira de Geriatria e 
Gerontologia (SBGG) sobre Atividade Física e Saúde no Idoso, a atividade física 
regular melhora a força, a massa muscular e a flexibilidade articular, 
notadamente, em indivíduos acima de 50 anos (NÓBREGA et al., 1999). 
A atividade física se constitui em um excelente instrumento de saúde em 
qualquer faixa etária, em especial no idoso, induzindo várias adaptações 
fisiológicas e psicológicas, tais como: aumento do VO2 máx; maiores benefícios 
circulatórios periféricos; aumento da massa muscular; melhora do controle 
glicêmico; melhora do perfil lipídico; redução do peso corporal; melhor controle 
da pressão arterial de repouso; melhora da função pulmonar; melhora do 
equilíbrio e da marcha; menor dependência para realização de atividades diárias; 
melhora da autoestima e da autoconfiança; significativa melhora da qualidade de 
vida (NÓBREGA et al., 1999). 
Apesar dos benefícios comprovados da prática de atividades físicas, os 
idosos pertencem ao grupo etário menos ativo fisicamente. Segundo o Colégio 
Americano de Medicina do Esporte (do inglês American College of Sports 
Medicine – ACSM), apenas cerca de 22% dos indivíduos com mais de 65 anos 
participam de atividade física regular (ACSM, 2016). Estudos com a população 
brasileira confirmam essa tendência, sendo a prevalência de inatividade física 
em idosos brasileiros acima de 65% (ALVES et al., 2013; CARVALHO et al., 
2017). 
Os exercícios mais recomendados, descritos na literatura, são os leves e 
moderados, sendo que estes devem ser prescritos a idosos sem necessidade de 
teste de esforço, a não ser aqueles que possuam doenças crônicas ou com 
presença de fatores de alto risco cardiovascular (ACSM, 2016). 
“Professor, quais são as recomendações para prescrição de exercício 
físico para os idosos?” Esta é uma ótima pergunta e no próximo tópico vamos 
ver em detalhes. 
1.2. Prescrição de exercícios físicos para a população idosa 
 Os princípios gerais para a prescrição de exercícios se aplicam a adultos 
de todas as idades (para mais detalhes, ver a Unidade IV). As adaptações 
advindas com o exercício físico e o percentual de melhora nos componentes da 
aptidão física são comparáveis entre idosos e adultos jovens e são importantes 
para a manutenção da saúde, da capacidade funcional e para a atenuação das 
muitas alterações fisiológicas associadas ao envelhecimento (ver Tabela 1). 
Ademais, a redução na capacidade funcional, fraqueza muscular e a baixa 
aptidão física são mais comuns em idosos do que pessoas mais jovens e 
contribuem para a perda da autonomia e maior dependência (ACSM, 2009). 
 Segundo o ACSM (2016), a prescrição de exercícios para os idosos deve 
incluir exercícios de resistência muscular localizada (RML), de fortalecimento 
muscular, de flexibilidade e exercícios aeróbios. Pessoas que tenham 
dificuldades de mobilidade e que caem com mais frequência também podem se 
beneficiar de exercícios de condicionamento neuromuscular específicos para 
aprimorar o equilíbrio, a coordenação, a agilidade e treinamento proprioceptivo, 
além de outros componentes da aptidão física relacionada à saúde (ACSM, 
2016). 
 Uma consideração importante é em relação a intensidade na prescrição 
dos exercícios para a população idosa. O ACSM, em seu posicionamento 
“Exercício e Atividade Física para Idosos”, preconiza que, para os idosos, as 
atividades devem ser definidas em relação ao condicionamento físico individual 
dentro do contexto da percepção subjetiva de esforço (PSE), utilizando a escala 
entre 0 e 10 pontos, em que 0 é considerado um esforço equivalente a estar 
sentado e 10 considerado um esforço completo (máximo) (ACSM, 2009). 
Considera-se a definição de atividade física de intensidade moderada de 
5 ou 6 pontos e da atividade física de intensidade vigorosa de 7 a 8 pontos. Uma 
atividade física de intensidade moderada deve produzir aumento notável da 
frequência cardíaca e na respiração, enquanto a de intensidade vigorosa deve 
produzir aumento substancial na frequência cardíaca e na respiração (ACSM, 
2016). Vale ressaltar que os outros indicadores de intensidade do exercício, 
como a frequência cardíaca de reserva e frequência cardíaca máxima, também 
pode ser utilizada. 
 Para promoção e manutenção da saúde, os idosos devem aderir à 
prescrição de exercícios apresentados na Quadro 1. Quando os idosos não 
conseguirem realizar essas quantidades recomendadas de atividade por causa 
de condições crônicas, eles devem ser tão fisicamente ativos quanto suas 
capacidades e condições permitirem. 
Quadro 1 - Recomendações para prescrição de exercícios para idosos 
Exercício aeróbio 
Frequência: ≥ 5 dias/sem de atividades físicas de intensidade moderada ou ≥ 
3 dias/semana de atividade física de intensidade vigorosa ou alguma 
combinação entre exercícios de intensidade moderada e vigorosa 3 a 5 
dias/sem. 
Intensidade: em uma escala de PSE entre 0 e 10 pontos, 5 a 6 para 
intensidade moderada e 7 a 8 para intensidade vigorosa. 
Tempo: para as atividades físicas de intensidade moderada, acumular pelo 
menos 30 min ou até 60 min/dia em sessões de pelo menos 10 min cada, 
totalizando 150 a 300 min/sem; ou pelo menos 20 a 30 min/dia de atividade 
física de intensidade vigorosa, totalizando 75 a 100 min/sem ou uma 
combinação equivalente de atividades moderadas e vigorosas. 
Tipo: qualquer modalidade que não imponha estresse ortopédico excessivo, 
sendo a caminhada a atividade mais comum. Exercícios aquáticos e o ciclismo 
estacionário podem ser vantajosos para aqueles com tolerância limitada a 
atividades de suspensão de peso. 
Exercício de fortalecimento/RML 
Frequência: ≥ 2 dias/sem. 
Intensidade: intensidade moderada (60 a 70% de 1-RM). Intensidade leve (40 
a 50% de 1-RM) para idosos iniciantes. Quando 1-RM não for medida, a 
intensidade pode ser prescrita como moderada (5 a 6) e vigorosa (7 a 8) da 
PSE de 0 a 10. 
Tipo: programa de treinamento progressivo com peso ou calistenia com 
levantamento de peso (8 a 10 exercícios envolvendo os principais grupos 
musculares; ≥ 1 série de 10 a 15 repetições cada), subir escadas e outras 
atividades fortalecedoras que utilizem os principais grupos musculares. 
Exercício de flexibilidade 
Frequência: ≥ 2 dias/sem. 
Intensidade: alongamento até o ponto em que haja sensação de forçamento 
seguido de flexionamento com a percepção de desconforto. 
Tempo: manter o flexionamento por 30 a 60 seg. 
Tipo: quaisquer atividades que mantenham o alongamento ou aumentem o 
flexionamento, utilizando movimentos lentos que terminem em forçamentos 
sustentados para cada grupo muscular principal, utilizando insistências 
estáticas em detrimento dos movimentos balísticos rápidos. 
PSE: percepção subjetiva de esforço; RM: repetição máxima. 
Fonte: adaptado de ACSM (2016). 
 Em relação aos exercícios de condicionamento neuromuscular (funcional) 
para os indivíduos que caem com maior frequência e com aqueles com limitação 
de mobilidade, não existem recomendações específicas para prescrição. 
Contudo, o treinamento funcional que combina equilíbrio, agilidade e treinamento 
proprioceptivo é efetivo para a redução e a prevenção de quedas, se realizado 2 
a 3 dias/sem (ACSM, 2016). 
FIM DO TÓPICO 1. 
 
INÍCIO DO TÓPICO 2 
2. OBESIDADE E EXERCÍCIO FÍSICO 
A obesidade é considerada, atualmente, um problema mundial de saúde pública, 
cuja prevalência vem aumentando de maneira assustadora. A Organização 
Mundial da Saúde (do inglês, World Health Organization – WHO) estima a 
existência de 1,9 bilhões de pessoas no mundo com excesso de peso e destes, 
mais de 650 milhões são obesos (WHO, 2017). 
O número de crianças e adolescentes com excesso de peso também é alto, com 
estimativas superiores a 340 milhões (WHO, 2017). No Brasil, os dados também 
são muito preocupantes. Segundo a Pesquisa de Vigilância de Fatoresde Risco 
e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), realizada 
em 2016 pelo Ministério da Saúde, foi estimado que 53,8% da população adulta 
brasileira estava com excesso de peso e destes, 18,9% foram considerados 
obesos. 
A obesidade é definida pelo acúmulo excessivo de gordura corporal e está 
associada a inúmeras comorbidades, como resistência insulínica e diabetes 
mellitus tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemias, doenças cardiovasculares, 
alguns tipos de câncer, dentre outras (BAMBA; RADER, 2007; BODEN et al., 
2005; MESHKANI; ADELI, 2009; STEINBERG et al. 2000), representando um 
grande problema de saúde pública. 
A composição corporal, que inclui a gordura corporal, pode ser medida de 
diversas formas por meio de métodos indiretos e duplamente indiretos que 
variam de acordo com a sua precisão, disponibilidade de equipamentos, entre 
outros fatores (para mais detalhes, consultar a Unidade III). Por outro lado, o 
principal indicador utilizado para determinação e classificação do excesso de 
peso e obesidade é o índice de massa corporal (IMC). 
 
INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA 
 
Vitor Fernandes 
 
DESCRIÇÃO: A imagem representa uma fórmula. Onde IMC é igual Massa corporal em 
Kg, dividido pela (Estrutura em metro) quadrados. 
 
FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. 
 
Assim, um indivíduo com 75 kg e 1,78 m de estatura teria o seguinte IMC: 
 
 
 
INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA 
 
Vitor Fernandes 
DESCRIÇÃO: A imagem representa uma fórmula. Onde IMC é igual 75, dividido por 
(1,78) ao quadrado, igual, 75, dividido por 3,17, igual 23,6 Kg por metros quadrados. 
 
FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. 
 
Aproveite e calcule o seu IMC! 
 
INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM 
 
DESCRIÇÃO: A imagem representa uma tabela de IMC. Na figura há cinco setas 
coloridas, todas com escritas dentro na cor branca e com a representação do corpo 
humano com diferentes silhuetas em cima de cada setas com respectivamente as 
mesmas cores. a primeira é na coloração azul, contém a informação "menos de 18,5 
UNDERWEIGHT"; No secundo com a cor verde consta as informações "18, de 5 a 24,9 
NORMAL"; No terceiro na coloração amarela há escrito "de 25 a 29,9 OVERWEIGHT"; 
No quarto de coloração laranja temos "de 30 a 34,9 OBESE" e no quinto na cor rosa 
está intitulado de "maior que 35". 
 
FIM DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM. 
 
 
A Tabela 2 apresenta a classificação do IMC. 
Tabela 2 - Classificação do índice de massa corporal (IMC) 
IMC (kg/m2) Classificação 
Até 18,5 Baixo peso 
18,5 – 24,9 Peso normal (faixa recomendável) 
25 – 29,9 Sobrepeso 
30 – 34,9 Obesidade grau I 
35 – 39,9 Obesidade grau II 
≥ 40 Obesidade grau III ou mórbida 
Fonte: Organização Mundial da Saúde. 
Após o cálculo do IMC, como você foi classificado? Está dentro da faixa 
recomendável? 
O IMC é uma maneira simples e prática de determinar o estado nutricional 
do indivíduo e verificar se ele se encontra dentro do recomendável para a saúde. 
Por outro lado, por utilizar apenas as medidas de massa corporal e estatura, o 
IMC possui a limitação de não diferenciar os diferentes constituintes da 
composição corporal. Assim, seu uso deveria ser descartado para avaliação de 
atletas ou indivíduos com elevado desenvolvimento de massa muscular, 
características que são fáceis de identificar visualmente. Por exemplo, imagine 
o IMC de um homem de 30 anos que possui 85 kg, os mesmos 1,78 m de 
estatura, mas possui um percentual de gordura de 11%. Neste caso, o indivíduo 
ia ser classificado como tendo excesso de peso (sobrepeso), o que não é 
verdade, pois 11% de gordura corporal é um índice excelente para homens. 
O IMC é o mais amplo indicador utilizado em estudos epidemiológicos 
(com grande número de indivíduos) e se correlaciona fortemente com problemas 
de saúde, principalmente com o risco de mortalidade para doenças 
cardiovasculares (ORTEGA et al., 2016). Em outras palavras, quanto maior for 
o IMC, maior o risco de complicações à saúde. Então, quando foi apresentado o 
número absoluto ou os percentuais de pessoas com excesso de peso ou 
sobrepeso em pesquisas científicas quer dizer que o IMC foi ≥ 25 kg/m2, e os 
dados referentes à obesidade refere-se ao IMC ≥ a 30 kg/m2. 
 
INÍCIO DO REFLITA 
Na sua opinião, a classificação do IMC deve ser utilizada em todas as 
situações? Quais casos você considera que a utilização do IMC não é 
adequada? 
FIM DO REFLITA. 
 
A obesidade é uma doença de ordem multifatorial, em que diversos 
fatores podem contribuir para o aumento da adiposidade, desde disfunções 
hormonais que contribuam para a desregulação nos mecanismos de controle de 
fome e saciedade, passando pelo excesso de alimentação em fases específicas 
da vida (por exemplo, período intrauterino e fases iniciais da vida), até causas 
genéticas (BARSH et al., 2000; SCHWARTZ et al., 2001; FRIEDMAN, 2009). 
Entretanto, existe um consenso na literatura em que a principal causa da 
obesidade é o desequilíbrio do balanço energético, que é determinado pela 
ingestão energética e pelo dispêndio (gasto) energético (DONNELLY et al., 
2009). 
Assim, o aumento da proporção de obesos pode ser explicado, em grande 
parte, pelos avanços tecnológicos que proveram comodidades, reduzindo o 
gasto energético diário e aumentando a disponibilidade de alimentos, 
especialmente alimentos industrializados com alto teor calórico e lipídico, mas 
baixo valor de nutrientes (SWINBURN et al., 2011). 
Considerando que o balanço energético é fundamental para a regulação 
do peso corporal, para o indivíduo com sobrepeso ou obesidade reduzir o seu 
peso corporal, o gasto energético deve ultrapassar a ingestão de energia. 
Existem algumas estratégias para a perda de peso que, dependendo do caso, 
pode incluir utilização de medicações, e em casos extremos é recomendado a 
cirurgia bariátrica. Contudo, as intervenções utilizando dieta com restrição 
calórica e exercícios físicos são as opções de tratamento de primeira escolha 
para o sobrepeso e obesidade. Vamos destacar especialmente o papel do 
exercício físico. 
O exercício é capaz de aumentar o gasto energético total diário de duas 
principais formas: (a) gasto induzido pelo exercício físico durante a sessão de 
treinamento; e (b) aumento transiente da taxa metabólica de repouso (que é a 
quantidade de energia/calorias gasta durante o repouso), que pode perdurar de 
24-48 horas após a sessão de treino (BENATTI; CORTÊ, 2016). A prática de 
atividade física influencia, ainda, de maneira positiva, a composição corporal ao 
estimular a perda de gordura e preservar a massa corporal magra. Além disso, 
inúmeras são as evidências que mostram os benefícios do exercício no 
tratamento das doenças associadas à obesidade, como diabetes, hipertensão 
arterial, melhoras no perfil lipídico, dentre outros (BENATTI; CORTÊ, 2016). 
Uma vez que a obesidade pode estar associada a outras doenças, pode 
existir algum risco na prática de exercícios físicos, que está diretamente ligado à 
presença dessas doenças. Por exemplo, se o indivíduo obeso também 
apresenta hipertensão arterial e/ou diabetes, os riscos associados a essas 
doenças devem ser considerados na hora do planejamento e prescrição dos 
exercícios. Mais detalhes sobre exercício e diabetes e hipertensão arterial serão 
abordados ainda nesta unidade. Além disso, a obesidade parece estar associada 
a alterações musculoesqueléticas, portanto, atividades que gerem alto impacto, 
como saltos e corridas em alta intensidade, devem ser evitadas a fim de prevenir 
sobrecarga excessiva nas articulações. 
2.1. Prescrição de exercícios para indivíduos obesos 
 
O ACSM faz algumas recomendações gerais para a prescrição de 
exercícios físicos para indivíduos com sobrepeso e obesidade, que podem ser 
visualizadas no Quadro 2. 
Quadro 2 - Recomendações para a prescrição de exercícios para indivíduos com 
sobrepeso e obesidade 
Exercícios aeróbios, contra resistênciae de flexibilidade 
Frequência: ≥ 5 dias/sem para maximizar o gasto energético. 
Intensidade: a atividade física de intensidade moderada à vigorosa deve ser 
encorajada. A intensidade inicial deve ser moderada (isto é, 40 a < 60% do 
VO2R ou FCR). O progresso eventual para o exercício de intensidade mais 
vigorosa (isto é, ≥ 60% do VO2R ou FCR) pode resultar em benefícios 
adicionais para o condicionamento físico. 
Tempo: mínimo de 30 min/dia (isto é, 150 min/sem) aumentando até 60 
min/dia (isto é, 300 min/sem) de atividade aeróbia de intensidade moderada. 
A incorporação de exercício com intensidade mais vigorosa no volume total de 
exercícios pode fornecer benefícios adicionais para a saúde, entretanto, ele 
deve ser encorajado para indivíduos capazes e dispostos a se exercitarem 
nessa intensidade, reconhecendo que o exercício em intensidade vigorosa 
está associado a um potencial maior de lesões. 
Tipo: o principal modo de exercício deve ser as atividades físicas aeróbias que 
envolvam os principais grupos musculares. Como parte de um programa 
equilibrado de exercícios, deve ser incorporado o treinamento de exercícios 
contra resistência e de flexibilidade. Para mais detalhes, consultar as 
recomendações para a prática de exercícios contra resistência e de 
flexibilidade apresentados na Unidade IV. 
VO2R: consumo de oxigênio de reserva; FCR: frequência cardíaca de reserva. 
Fonte: adaptado de ACSM (2016). 
Algumas observações devem ser levadas em consideração em um 
programa de perda de peso corporal. O ACSM recomenda: (a) determinar uma 
redução mínima no peso corporal de pelo menos 5 a 10% do peso corporal inicial 
ao longo de 3 a 6 meses; (b) ter o objetivo de alterar os comportamentos 
alimentares e de exercícios, pois as alterações sustentadas em ambos os 
componentes resultam em perda de peso significativa a longo prazo; (c) ter o 
objetivo de reduzir a ingestão energética atual em 500 a 1000 kcal/dia para 
alcançar a perda de peso, juntamente com reduções na quantidade de gordura 
da dieta; (d) elevar progressivamente até um mínimo de 150 min/sem de 
atividade física de intensidade moderada para otimizar os benefícios para o 
condicionamento; (e) aumentar até alcançar quantidades maiores de atividade 
física (≥ 250 min/sem) para promover o controle de peso a longo prazo; (f) incluir 
exercício contra resistência como um adicional entre exercício aeróbio e 
reduções modestas na ingestão energética (DONNELLY et al., 2009; ACSM, 
2016). 
Caso o objetivo seja a manutenção da perda de peso, o ACSM faz 
algumas considerações especiais (DONNELLY et al., 2009; ACSM, 2016): 
● Realizar > 250 min/sem, pois essa quantidade de atividade física pode 
aumentar a manutenção da perda de peso a longo prazo. 
● As quantidades adequadas de atividades físicas devem ser realizadas em 
5 a 7 dias por semana. 
● A duração da atividade física de intensidade moderada a vigorosa deve 
progredir inicialmente até pelo menos 30 min/dia e, quando adequado, 
aumentar até > 250 min/sem para intensificar a manutenção de peso a 
longo prazo. 
● Indivíduos com sobrepeso e obesidade podem acumular essa quantidade 
de atividade física em múltiplas sessões diárias com duração de, pelo 
menos, 10 min ou por meio de aumentos em outros tipos de atividade 
física incorporadas ao estilo de vida com intensidade moderada. 
● A adição de exercício contra resistência associado à restrição energética 
não parece impedir a perda de massa corporal magra (massa muscular), 
mas pode aumentar a força muscular e função física desses indivíduos, 
além de poder haver benefícios adicionais para a saúde, como melhora 
nos fatores de risco de doenças cardiovasculares e diabetes. 
Ainda que a maioria dos estudos sobre exercício e obesidade utilizem o 
exercício aeróbio, possivelmente porque este proporciona maiores gastos de 
energia durante a sessão de treino, a combinação com o exercício contra 
resistência é altamente recomendada no tratamento da obesidade. Recomenda-
se 2 a 3 sessões por semana, com 2 a 3 séries de exercícios para os grandes 
grupos musculares, com intensidade de 8 a 12 repetições máximas, respeitando 
a progressão de carga (ACSM, 2009). 
 
FIM DO TÓPICO 2. 
 
 
 
INÍCIO DO TÓPICO 3 
3. DIABETES MELLITUS E EXERCÍCIO FÍSICO 
Diabetes mellitus é uma doença crônica bastante complexa, definido como um 
grupo de doenças metabólicas caracterizado por elevados níveis sanguíneos de 
glicose (isto é, hiperglicemia) resultantes de defeitos na secreção e/ou ação do 
hormônio insulina. A hiperglicemia crônica nos pacientes diabéticos os colocam 
em risco para desenvolverem lesão, disfunção e insuficiência a longo prazo de 
diversos órgãos, especialmente olhos, rins, nervos, coração e vasos sanguíneos 
(NIEMAN, 2011). Essas complicações são chamadas de micro (retinopatia, 
nefropatia, neuropatia) e macrovasculares (doença arterial coronariana e 
cerebrovascular) (ADA, 2017). 
Dados recentes, publicados no Atlas do Diabetes, divulgado pela 
Federação Internacional do Diabetes (do inglês, International Diabetes 
Federation - IDF), estimou que em 2015, 415 milhões de pessoas (cerca de 8,8% 
da população adulta com idades entre 20 e 79 anos) eram portadores de 
diabetes, com projeção de 642 milhões de adultos com a doença até 2040 (IDF, 
2015). 
No Brasil, dados do Vigitel referentes ao ano de 2016 estimou que 8,9% 
da população possuía diabetes. Além da alta prevalência e dos problemas de 
saúde associados à doença, os onerosos gastos direta e indiretamente 
causados nos sistemas de saúde geram muita preocupação. Segundo 
posicionamento da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), os custos diretos 
com DM variam entre 2,5% e 15% do orçamento anual da saúde, dependendo 
de sua prevalência e do grau de sofisticação do tratamento disponível (SBD, 
2016). 
O diabetes é classificado de acordo com a sua origem/causa (etiologia), 
sendo as formas mais prevalentes da doença o diabetes mellitus do tipo 1 (DM1) 
e do tipo 2 (DM2), sendo que o último é responsável por mais de 90% dos casos 
(ADA, 2017). O DM1 é resultado da falta da secreção de insulina, consequente 
à destruição das células beta pancreáticas (que produzem insulina), embora 
alguns casos tenham origem desconhecida (idiopática). Assim, os pacientes com 
DM1 são dependentes de insulina de maneira exógena. 
No DM2, alteração na secreção da insulina se desenvolve em 
consequência à ineficiência do hormônio exercer a sua ação (resistência à 
insulina) em tecidos alvo, especialmente no fígado, tecido adiposo e músculo 
esquelético (ADA, 2017). Fatores genéticos e ambientais que propiciam uma 
diminuição do dispêndio energético e/ou aumento da ingestão energética 
favorecem o desenvolvimento da resistência à insulina, em geral, 
acompanhando obesidade, que é o principal fator de risco da doença (MUOIO; 
NEWGARD, 2008). 
O pré-diabetes é uma condição caracterizada por: (a) elevação da 
glicemia em resposta à dieta, chamada de intolerância à glicose; e/ou (b) 
elevação da glicemia no estado de jejum, chamada de intolerância à glicose no 
jejum (ACSM, 2016). Vale ressaltar que indivíduos com pré-diabetes têm alto 
risco de desenvolver diabetes. Basicamente, quatro métodos são utilizados para 
a determinação do diagnóstico de diabetes, conforme mostra o Quadro 3. 
 
Quadro 3 - Critérios para diagnóstico do diabetes 
Glicose plasmática de jejum ≥ 126 mg/dL (7 mmol/L). 
ou 
Glicose plasmática duas horas após um teste de tolerância oral à glicose 
(administração de 75 g de glicose) ≥ 200 mg/dL (11,1 moml/L). 
ou 
Hemoglobina glicada ≥ 6,5% 
ou 
Glicose plasmática casual ≥ 200 mg/dL (11,1 mmol/L) associada a 
sintomas clássicos de diabetes. 
Fonte: adaptado de ADA (2017). 
 
O objetivo fundamental do tratamento do diabetes é o controle glicêmico, 
que pode ser alcançado com hábitos saudáveis de vida, como alimentação 
adequada e atividade física regular, e, em muitoscasos, tratamento 
farmacológico com insulina ou agentes hipoglicemiantes. O tratamento intensivo 
para o controle da glicose sanguínea diminui o risco de progressão das 
complicações diabéticas em adultos com DM1 e DM2 (ACSM, 2016). 
A prática regular de exercício físico ocupa um papel de destaque na 
prevenção e tratamento do diabetes. Contudo, como qualquer conduta 
terapêutica, os riscos e benefícios do exercício precisam ser balanceados. 
Embora a prática de atividade física seja recomendada para todos os 
diabéticos em bom estado de controle metabólico, pois pode proporcionar 
aumento da capacidade física, melhora do controle glicêmico e redução das 
complicações associadas à doença, a execução do exercício provoca alterações 
metabólicas agudas que podem representar risco ao paciente, principalmente 
para aquele que faz uso de insulina exógena ou de medicamentos que estimulem 
a secreção de insulina (CARDOSO JR. et al., 2016). Assim, o principal risco 
metabólico durante e após o exercício é a ocorrência de hipoglicemia (redução 
excessiva da glicemia), que normalmente decorre da execução do exercício em 
uma condição em que existe excesso de insulina para ingestão de alimentos 
realizada. Esse quadro de hipoglicemia pode ocorrer durante ou mesmo após a 
realização do exercício (ACSM, 2016). 
Portanto, para que o exercício seja utilizado de forma efetiva no 
tratamento do paciente diabético em uso de insulina ou outra droga que estimule 
a secreção do hormônio, isto é, proporcionar um bom controle glicêmico e evitar 
episódios de hipoglicemia por exemplo, ele precisa ser planejado 
antecipadamente para que os ajustes de alimentação e da dosagem de insulina 
possam ser feitos de acordo com o plano diário de exercício (tipo, volume e 
intensidade) (CARDOSO JR. et al., 2016). Além disso, deve-se estar atento à 
presença de complicações crônicas no paciente diabético (doenças 
cardiovasculares, retinopatias, nefropatias, neuropatias) em que o exercício 
deve ser realizado de maneira cautelosa. 
 
3.1. Prescrição de exercícios para pacientes com diabetes 
 
É altamente recomendado que pacientes diabéticos realizem uma avaliação 
clínica detalhada, que inclua informações inerentes ao seu estado de controle 
metabólico, o registro de complicações presentes, bem como possíveis 
limitações para a prática de exercícios, e apresentem consentimento médico 
antes de iniciar ou progredirem em um programa de atividade física (CARDOSO 
JR. et al., 2016). 
De modo geral, crianças, adolescentes e adultos jovens com DM1 e em 
bom estado de controle metabólico podem participar de muitas atividades sem 
risco. Contudo, recomenda-se que pacientes com DM2 ou mesmo DM1, adultos 
e com tempo de diabetes maior do que 15 anos sejam acompanhados por um 
cardiologista antes do início da prática, pois esses pacientes apresentam maior 
risco para doença coronariana e risco de apresentarem algum evento 
cardiovascular durante a prática (ACSM, 2016; ADA, 2017) 
Apesar de alguns eventuais riscos ao paciente diabético, a prática regular 
de exercícios aeróbicos de moderada à alta intensidade, acompanhados de 
exercícios resistidos, está associada a maior sensibilidade à insulina e melhora 
da tolerância a glicose, menor glicemia de jejum e menor concentração de 
hemoglobina glicada (marcador de controle glicêmico de longo prazo), portanto, 
a prática de exercícios leva a um melhor controle glicêmico no paciente com DM2 
(SNOWLING; HOPKINS, 2006). 
Em indivíduos com DM1 e aqueles com DM2 utilizando insulina, o 
exercício regular reduz a necessidade de insulina exógena. Alguns dos 
benefícios importantes causados pelo exercício em indivíduos com DM1 ou DM2 
ou com pré-diabetes incluem melhora dos fatores de risco para as doenças 
cardiovasculares (isto é, perfil lipídico, pressão arterial, pelo corporal e 
capacidade funcional), melhora da aptidão física e do bem-estar e previne o 
desenvolvimento das complicações associados ao diabetes (COLBERG et al., 
2010). 
Quadro 4 - Recomendações para a prescrição de exercícios aeróbios para 
indivíduos com diabetes 
Exercícios aeróbios 
Frequência: 3 a 7 dias/sem. 
Intensidade: 40 a 60% VO2R, correspondendo a uma PSE de 11 a 13 numa 
escala de 6 a 20. Pode ser alcançado um controle melhor da glicemia com 
intensidades maiores de exercício (≥ 60% VO2R). 
Tempo: indivíduos com DM2 devem participar de pelo menos 150 min/sem de 
exercícios realizados com intensidade moderada ou alta. A atividade aeróbia 
deve ser feita em sessões de, pelo menos, 10 min e devem ser espaçadas ao 
longo da semana. São alcançados benefícios adicionais aumentado até ≥ 300 
min/sem de atividade física de intensidade moderada à vigorosa. 
Tipo: enfatize as atividades que utilizem grandes grupos musculares de modo 
rítmico e contínuo. Devem ser levados em consideração os interesses 
pessoais e os objetivos desejados para o programa de exercícios. 
Progresso: como a maximização do gasto calórico sempre será uma grande 
prioridade, aumente progressivamente a duração do exercício. Conforme os 
indivíduos aumentem a sua aptidão física, pode ser desejável adicionar 
atividade física de maior intensidade para promover adaptações benéficas e 
combater o tédio. 
VO2R: Consumo de oxigênio de reserva; PSE: percepção subjetiva de esforço. 
DM2: diabetes tipo 2. 
Fonte: Colberg et al. (2010) e ACSM (2016). 
Os exercícios contra resistência também são indicados ao paciente 
diabético, desde que não haja contraindicações, devido às complicações da 
doença. Os exercícios contra resistência podem ser realizados 2 a 3 vezes na 
semana, com pesos livres ou aparelhos. Recomenda-se iniciar com 1 série de 
10 a 15 repetições com carga leve e, gradualmente, aumentar para 2 séries de 
10 a 15 repetições, até atingir 3 séries de 8 a 12 repetições com carga mais 
vigorosa (equivalente a 60-80% de uma repetição máxima) (ACSM, 2016; 
CARDOSO JR. et al., 2016). 
 
INÍCIO DO SAIBA MAIS 
O treinamento de flexibilidade pode ser incluído como parte de um programa de 
exercícios físicos para indivíduos portadores de diabetes, especialmente para 
indivíduos mais velhos portadores da doença. Porém, os exercícios de 
flexibilidade não devem substituir outros treinamentos (aeróbio e contra 
resistência). Ainda, não existem evidências científicas que imponham qualquer 
risco ou restrição para a prática de exercícios de flexibilidade para indivíduos 
com diabetes. 
Fonte: Colberg et al. (2010). 
FIM DO SAIBA MAIS. 
 
 
Indivíduos diabéticos e cardiopatas, hipertensos ou com outra 
complicação associada devem realizar exercício de maneira supervisionada, e a 
intensidade do exercício deve permanecer leve à moderada e devem ser 
consideradas na prescrição as restrições impostas pela complicação associada 
ao diabetes presente. 
Ainda, durante a prática de exercícios físicos, é fundamental que o 
paciente possua uma ficha na qual ele possa anotar como se alimentou antes do 
treino (horário, o que e quanto comeu), como foi a administração de insulina 
(horário, tipo, dose e local) em caso de uso, quais os valores de glicemia (em 
diferentes momentos do dia e antes de iniciar o exercício) e, principalmente, qual 
a atividade física realizada (tipo, intensidade, duração) (CARDOSO JR. et al., 
2016). 
Recomenda-se que o paciente com DM1 se exercite sempre no mesmo 
horário, tenha uma rotina de exercícios pré-estabelecida, o que permitirá adotar 
uma administração de insulina e alimentação mais adequada para manter o bom 
controle metabólico. Assim, o paciente e o profissional de saúde que o 
acompanha poderão avaliar se os ajustes de alimentação e da insulina estão 
adequados para se ter uma boa resposta glicêmica ao exercício. 
3.2. Considerações especiais 
Hipoglicemia é o problema mais sério para indivíduos com diabetes que 
se exercitam e é a preocupação principal para indivíduos que tomam insulina ou 
agentes hipoglicemiantesaumentem a secreção do hormônio. A hipoglicemia é 
definida como glicemia inferior a 70 mg/dL e/ou a presença de sintomas comuns 
que incluem: fraqueza, suor anormal, tremor, nervosismo, ansiedade, dor de 
cabeça, formigamento da boca e dos dedos, confusão mental, desmaio e coma 
(COLBERG et al., 2010; ACSM, 2016). Ela pode ocorrer durante, imediatamente 
após ou mesmo algumas horas após a prática do exercício. 
De maneira geral, alguns cuidados devem ser tomados durante a prática 
de exercícios físicos para os pacientes diabéticos (COLBERG et al., 2010; 
ACSM, 2016; CARDOSO JR. et al., 2016): 
 Monitorar a glicemia antes, durante e após o exercício. Se estiver abaixo 
de 100 mg/dL nos adultos ou 120 mg/dL em crianças/adolescentes fazer 
ingestão de 20-30 g de carboidrato antes de iniciar. Se a glicemia estiver 
acima de 300 mg/dL e/ou com sinais de descontrole diabético, como 
cetose, evitar o exercício. 
 Reduzir a dose de insulina no dia do exercício (por orientação médica). 
Não se exercitar no horário de pico da ação da insulina, evitar aplicá-la na 
região que será exercitada e evitar o uso de insulina de ação rápida antes 
do exercício. 
 Evitar se exercitar à noite ou aumentar a ingestão de carboidratos antes 
e após a prática noturna ou no final de tarde. 
 Conhecer os sinais e sintomas de hipoglicemia e hiperglicemia, sabendo 
agir se houver uma emergência. 
 Exercitar-se sempre acompanhado, com uma identificação de que é 
diabético e ter disponível uma fonte de carboidrato de fácil absorção para 
ingerir em caso de hipoglicemia. 
 Em caso de hipoglicemia leve, ingerir 15 g de glicose na forma de tabletes 
ou solução, aguardar 15 min e repetir a medida da glicemia. Se 
necessário, ingerir mais 15 g de glicose. No caso de hipoglicemia severa, 
fazer esses procedimentos com 20 g de carboidrato. 
 Se o paciente estiver desacordado, não dar nada para ele ingerir e 
procurar socorro médico urgente. 
Por fim, nos pacientes com diabetes e complicações e/ou doenças 
associadas, o treinamento aeróbio e resistido deve ser prescrito considerando 
as recomendações específicas para a doença/complicação presente. 
FIM DO TÓPICO 3. 
 
 
INÍCIO DO TÓPICO 4 
4. HIPERTENSÃO ARTERIAL E EXERCÍCIO FÍSICO 
 
Hipertensão Arterial (HA) ou Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) pode ser 
entendida como uma condição clínica de natureza multifatorial, caracterizada por 
níveis de pressão arterial elevados e sustentados, sendo a pressão arterial 
sistólica e/ou diastólica de repouso acima de 140 e 90 mmHg, respectivamente 
(SBC, 2016). No Brasil, a HA atinge 32,5% (36 milhões) de indivíduos adultos, 
mais de 60% dos idosos, contribuindo direta ou indiretamente para 50% das 
mortes por doença cardiovascular (SBC, 2016). 
A doença representa um fator de risco independente, linear e contínuo 
para doença cardiovascular (MION JR. et al., 2006). Suas complicações podem 
levar à doença cerebrovascular, doença arterial coronariana, insuficiência renal 
crônica, dentre outras, e essas complicações geram custos médicos altíssimos 
e elevados problemas socioeconômicos, além do comprometimento da saúde e 
da qualidade de vida das pessoas (MION JR. et al., 2006). A Sociedade 
Brasileira de Cardiologia (SBC) descreve vários fatores de risco para a HA, 
como: idade, sexo e etnia, excesso de peso e obesidade, ingestão de sal e de 
álcool, sedentarismo, fatores socioeconômicos e fatores genéticos (SBC, 2016). 
Além disso, a HA está associada a diversas doenças como: síndrome 
metabólica, diabetes mellitus, dislipidemias, entre outros. 
 Dentre as diversas condutas para o combate da doença, o exercício físico 
ocupa um papel de destaque, sendo considerado uma ferramenta essencial na 
prevenção e tratamento da hipertensão arterial (QUEIROZ et al., 2016). 
Contudo, como qualquer conduta terapêutica, os riscos e benefícios do exercício 
precisam ser ponderados para essa população. 
 O risco da prática de exercícios físicos em indivíduos hipertensos está 
principalmente ligado à elevação de pressão arterial que ocorre durante a 
realização do esforço (QUEIROZ et al., 2016). Sabe-se que aumentos 
exacerbados e abruptos da pressão arterial podem provocar o rompimento de 
aneurismas preexistentes e, sabendo que indivíduos hipertensos têm maior 
propensão de desenvolver aneurismas, é um risco especialmente importante 
nesses pacientes (QUEIROZ et al., 2016). Além disso, indivíduos hipertensos 
podem apresentar outras doenças cardiovasculares (doença arterial periférica, 
isquemia miocárdica etc,), que aumentam o risco de acometimentos 
cardiovasculares durante a prática do exercício, como morte súbita, infarto, entre 
outros (ACSM, 2016; SBC, 2016) 
Portanto, antes de iniciar um programa de exercícios físicos para 
hipertensos, é recomendado que se faça uma avaliação de risco cardiovascular 
global antes do início, incluindo a investigação de sintomas de risco e a 
realização de um teste ergométrico. O teste de esforço trará informações 
importantes para a prescrição e o acompanhamento do exercício, como: motivo 
de interrupção do teste, resposta da frequência cardíaca, resposta da pressão 
arterial, presença de arritmias ou isquemias, dentre outros (SBC, 2010). 
4.1. Prescrição de exercícios para pacientes hipertensos 
O exercício físico, seja ele aeróbio ou resistido, tem papel fundamental na 
prevenção, tratamento e controle da hipertensão arterial. A prática regular de 
atividades físicas pode reduzir o risco de HAS em cerca de 30% (FAGARD, 
2005). Além disso, a prática regular de exercício aeróbio pode diminuir a pressão 
arterial em 5 a 7 mmHg, enquanto o treinamento contra resistência diminui a 
pressão arterial na ordem entre 2 a 3 mmHg, ambos em indivíduos com 
hipertensão (PESCATELLO et al., 2004; CORNELISSEN; FAGARD, 2005; 
CORNELISSEN et al., 2011; PESCATELLO et al., 2015). Essa magnitude de 
redução na pressão arterial é semelhante às obtidas com as medicações 
utilizadas para o tratamento da hipertensão e reduz de 20 a 30% o risco de 
doença cardiovascular; demonstrando o papel fundamental do exercício físico 
(PESCATELLO et al., 2015). 
 Após a realização da triagem de risco cardiovascular e da execução dos 
procedimentos clínicos necessários (visita ao médico, teste ergométrico etc.), a 
prescrição do exercício pode ser realizada. O aquadro 5 apresenta as 
recomendações para a prescrição de exercícios para indivíduos com hipertensão 
arterial. 
 
Quadro 5 - Recomendações para prescrição de exercícios para indivíduos com 
hipertensão 
Exercício aeróbio e contra resistência 
Frequência: exercício aeróbio na maioria, preferencialmente todos os dias da 
semana; exercício contra resistência 2 a 3 dias/sem. 
Intensidade: exercício aeróbio de intensidade moderada (isto é, 40 < 60% 
VO2R ou FCR; PSE de 11 a 13 em uma escala de 6 a 20) adicionado com o 
treinamento contra resistência a 60 a 80% 1-RM. 
Tempo: 30 a 60 min/dia de exercício aeróbio contínuo ou intermitente. Se for 
intermitente, utilize sessões de, no mínimo, 10 min para acumular um total de 
30 a 60 min de exercício. O treinamento contra resistência deve consistir em, 
pelo menos, uma série de 8 a 12 repetições para cada um dos principais 
grupos musculares. 
Tipo: deve ser dada ênfase nas atividades aeróbias, como caminhada, corrida, 
ciclismo e natação. O treinamento contra resistência deve suplementar o 
aeróbio. Esses programas de treinamento devem consistir em 8 a 10 
exercícios diferentes trabalhando os principais grupos musculares. 
Progresso: o princípio para a prescrição de exercício a respeito do progresso 
de adultos saudáveis geralmente se aplica a aqueles com hipertensão (mais 
detalhes na Unidade IV). Contudo, devem ser levados em consideração o nível 
de controle da pressão arterial, alterações recentes na terapia medicamentosa, 
nos efeitos colaterais relacionados com os remédios, na presença de doenças 
associadas,e os ajustes devem ser feitos de acordo. O progresso deve ser 
gradual, evitando grandes incrementos em qualquer um dos componentes da 
prescrição (intensidade, frequência, tempo etc.), especialmente na intensidade 
para a maioria dos pacientes hipertensos. 
VO2R: consumo de oxigênio de reserva; FCR: frequência cardíaca de reserva; 
PSE: percepção subjetiva de esforço; RM: repetição máxima. 
Fonte: adaptado de Pescatello et al. (2004), Pescatello et al. (2015) e ACSM 
(2016). 
 Ainda não são estabelecidos os efeitos isolados do treinamento de 
flexibilidade sobre a pressão arterial de indivíduos hipertensos. Assim, 
considerando a importância da flexibilidade para aptidão física, deve realizar o 
treinamento de flexibilidade 2 a 3 vezes/sem, com exercícios realizados de forma 
passiva para as principais articulações. Cada exercício deve ser repetido 2 a 4 
vezes, mantendo-se a posição de máximo alongamento sem dor por 10 a 30 
segundos, totalizando 60 segundos por exercício (mais detalhes, consultar a 
unidade IV) (ACSM, 2016). 
4.2. Considerações especiais 
Durante a prática de exercícios físicos em indivíduos hipertensos, alguns 
cuidados devem ser tomados, com destaque para (QUEIROZ et al., 2016): 
 A pressão arterial deve ser medida regularmente. A sessão só deve ser 
iniciada com pressão arterial sistólica/diastólica inferior a 160/105 mmHg. 
Durante o exercício aeróbio, a pressão arterial não deve ultrapassar 
180/105 mmHg. 
 Pacientes que utilizam medicamentos anti-hipertensivos devem estar sob 
a vigência desses medicamentos na avaliação pré-participação e também 
nas sessões de treinamento. 
 Indivíduos hipertensos que apresentem lesões em órgão-alvo devem se 
exercitar em intensidades mais leves e com acompanhamento mais 
próximo. 
 Sendo assim, finalizamos o tópico sobre hipertensão arterial e exercício 
físico, chegando ao final da Unidade V. 
FIM DO TÓPICO 4. 
FIM DA UNIDADE V. 
 
INÍCIO DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Prezado(a) aluno(o), finalizamos a Unidade V, que é a última do livro. 
Nesta unidade, vimos em detalhes o papel do exercício físico para alguns 
grupos especiais. 
No primeiro Tópico (“Envelhecimento e exercício físico”), vimos algumas 
teorias do envelhecimento populacional e que os dados apontam que o brasileiro 
vive em média 75,5 anos, sendo que as mulheres vivem mais. Ademais, vimos 
que, nesse período, muitas mudanças fisiológicas ocorrem e propiciam o 
surgimento de doenças, e o exercício possui papel fundamental para retardar ou 
diminuir as alterações que acontecem. Finalizamos mostrando que a prescrição 
de exercícios para idosos, muito se assemelham às indicadas para adultos mais 
jovens. 
No segundo Tópico (“Obesidade e exercício físico”), vimos que o excesso 
de peso é um problema de saúde pública que afeta bilhões de pessoas no mundo 
e que a obesidade é causada principalmente por um desequilíbrio no balanço 
energético. O exercício físico tem um grande papel em promover o aumento do 
gasto energético total, contribuindo para a redução de peso e adiposidade. 
No terceiro Tópico (“Diabetes mellitus e exercício físico”), vimos que o 
diabetes é uma doença muito prevalente e onerosa para os cofres públicos, pois 
está associada a diversas complicações de saúde, sendo a forma mais 
prevalente o diabetes tipo 2. Vimos os critérios de diagnóstico da doença e que 
o exercício possui papel essencial no controle glicêmico. Além disso, 
recomenda-se a realização de exercícios aeróbios e contra resistência, sendo 
que a hipoglicemia é o principal risco associado à prática. 
No último tópico (“Hipertensão arterial e exercício físico”), definimos hipertensão 
arterial, mostramos os diversos fatores de risco e vimos que o exercício é uma 
ferramenta essencial na prevenção e tratamento da doença. Pacientes 
hipertensos beneficiam-se de exercícios aeróbios e contra resistência, sendo 
que a elevação da pressão arterial é o principal cuidado durante a realização do 
esforço físico. 
FIM DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS. 
 
INÍCIO DAS ATIVIDADES DE ESTUDO 
1.) Atualmente, a expectativa de vida do brasileiro é? 
a. 71 anos. 
b. 81 anos. 
c. 75 anos. 
d. 63 anos. 
e. 69 anos. 
 
2.) Várias são as variáveis fisiológicas que se alteram com o envelhecimento. 
Qual das opções apresentadas não sofrem redução com o 
envelhecimento? 
 a) Consumo de oxigênio. 
b) Percentual de gordura. 
c) Massa óssea. 
d) Flexibilidade. 
e) Força muscular. 
 
3) A obesidade é uma doença multifatorial em que diversos fatores podem 
contribuir para o aumento da adiposidade. Qual das opções melhor representa 
a principal causa da obesidade? 
a) Genética. 
b) Cirurgia bariátrica. 
c) Disfunção hormonal. 
d) Sedentarismo. 
e) Desequilíbrio energético. 
 
4) Vários são os fatores de risco para a hipertensão arterial. Qual das opções a 
seguir não representa um fator de risco para a doença? 
a) Excesso de peso. 
b) Genética. 
c) Ingestão de açúcar. 
d) Ingestão de sal. 
e) Sedentarismo. 
 
5) Assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F): 
 
a) ( ) Pesquisas apontam que as mulheres brasileiras vivem mais do que os 
homens. 
b) ( ) Os princípios gerais para a prescrição de exercícios físicos não diferem 
muito entre adultos jovens e idosos. 
c) ( ) Não se recomenda que idosos realizem exercícios contra resistência. 
d) ( ) O IMC é um indicador amplamente utilizado na literatura para determinação 
do estado nutricional da população. 
e) ( ) Indivíduos obesos que pretendem perder peso são aconselhados a realizar 
exercício físico no máximo 3 vezes na semana. 
f) ( ) O diabetes, apesar de ser uma doença importante, tende a diminuir a sua 
prevalência nos próximos anos. 
g) ( ) Dentre os tipos de diabetes, a forma mais prevalente é o diabetes tipo 2. 
h) ( ) A hipoglicemia é o principal risco aos pacientes que realizam exercício, 
especialmente os que utilizam insulina para o controle glicêmico. 
i) ( ) Não se recomenda a realização de exercícios contra resistência para 
pacientes diabéticos. 
j) ( ) O exercício físico possui papel fundamental na prevenção, tratamento e 
controle da hipertensão arterial. 
k) ( ) Exercícios contra resistência são contra indicados para indivíduos 
hipertensos. 
 
6) Analise as afirmações. 
I – Indivíduos obesos que desejam perder peso devem focar apenas no 
aumento da atividade física, uma vez que a alimentação não contribui 
tanto para o desequilíbrio energético. 
II – Exercício físico é amplamente indicado no tratamento do diabetes e 
sua prática não apresenta risco ao paciente diabético. 
III – O principal risco associado à prática de exercícios físicos em 
indivíduos hipertensos é a elevação da pressão arterial durante o esforço. 
 É correto apenas o que se afirma em: 
f) I e II. 
a) II e III. 
b) I. 
c) II. 
d) III. 
 
FIM DAS ATIVIDADES DE ESTUDO. 
INÍCIO DA LEITURA COMPLEMENTAR 
Sugiro como material complementar, a leitura de um artigo muito interessante 
intitulado “Atividade física e redução de custos por doenças crônicas ao sistema 
Único de saúde”. Neste estudo, os autores projetam a possível redução nos 
custos que a prática de exercícios físicos poderiam promover nas internações 
hospitalares, assim como nos custos de medicamentos para o tratamento do 
diabetes e hipertensão arterial. Como vimos no decorrer desta unidade, o 
sedentarismo está associado ao aparecimento de diversas doenças, e, por outro 
lado, a prática regular de exercícios é fundamental na prevenção, faz parte do 
tratamento e auxilia no controle das doenças cardiovasculares, do excesso de 
peso, do diabetes mellitus, da hipertensão arterial, dentre outras comorbidades. 
O resumo do artigo está transcrito a seguir: 
O objetivo deste estudo foi avaliar a redução de custos que poderia ser 
promovida pela atividade física para internações hospitalares por doenças do 
aparelho circulatório (DAC) e diabetes, e nos custos com medicamentospara o 
tratamento do diabetes e da hipertensão arterial realizados pelo Sistema Único 
de Saúde (SUS), na cidade de Pelotas no ano de 2007. A avaliação do custo das 
hospitalizações foi realizada por meio do DATASUS, buscando-se os gastos das 
internações. 
O levantamento do custo dos medicamentos foi feito ativamente em 
órgãos competentes da cidade a partir da lista de medicamentos essenciais 
disponibilizados aos cadastrados no Programa HiperDia que foram distribuídos 
no ano de 2007. O impacto econômico da atividade física foi avaliado por meio 
de riscos relativos da literatura. 
O custo das internações hospitalares por DAC foi de, aproximadamente, 
R$ 4 milhões, sendo maior em homens. Para o diabetes, a maioria dos R$ 100 
mil gastos foi a partir das internações realizadas por mulheres. O tratamento 
medicamentoso da hipertensão e do diabetes custou ao SUS, em 2007, 
respectivamente, em torno de R$ 100 mil e R$ 300 mil. O potencial econômico 
da atividade física ao SUS oscilou entre 12% para a utilização de medicamentos 
e 50% para hospitalizações por DAC e foi estimado em R$ 2,2 milhões. A 
inatividade física, além de comprometer a qualidade de vida da população, 
culmina em impacto econômico ao sistema público. Iniciativas de promoção da 
atividade física são necessárias para melhoria do estado de saúde da população 
e consequente redução de gastos. 
Fonte: adaptada de Bielemann et al. (2010). 
FIM DA LEITURA COMPLEMENTAR. 
 
INÍCIO DO MATERIAL COMPLEMENTAR – LIVRO 
Título: Avaliação e prescrição de exercícios físicos: normas e diretrizes. 
 Autor: Antonio Herbert Lancha Jr e Luciana Oquendo Pereira Lancha 
Editora: Manole 
Sinopse: o livro faz um panorama da avaliação da aptidão aeróbica e da 
avaliação da força muscular. A partir desses dois elementos, demonstra, com 
vasto conhecimento técnico e científico, como avaliar e prescrever exercícios 
para muitas doenças: artrite reumatoide, doença arterial periférica, insuficiência 
cardíaca, hipertensão arterial sistêmica, diabete melito, obesidade, osteoartrite, 
osteoporose, dentre outras. A obra é direcionada não somente para estudantes 
e profissionais da área de educação física, mas também de diversas áreas da 
saúde. O texto é conciso e didático, o que possibilita encontrar facilmente as 
diretrizes, explicações e as referências específicas ao tema, sendo 
imprescindível para os interessados nos assuntos abordados. 
FIM DO MATERIAL COMPLEMENTAR - LIVRO. 
 
INÍCIO DAS REFERÊNCIAS 
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2016. Suplemento 3. 
______. III Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Teste 
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Suplemento 1. 
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2017. 
FIM DAS REFERÊNCIAS. 
INÍCIO DO GABARITO 
1) C. 
2) B. 
3) E. 
4) C. 
5) V, V, F, V, F, F, V, V, F, V, F. 
6) E. 
FIM DO GABARITO. 
 
INÍCIO DA CONCLUSÃO GERAL 
Caro(a) aluno(a), esperamos que este livro tenha contribuído para a sua 
formação acadêmica e futura atuação profissional. Nosso objetivo foi traçar uma 
linha de raciocínio com conteúdos progressivamente mais específicos. Assim, 
compreendendo o cenário geral e, posteriormente, aprofundando nos 
conhecimentos específicos, esperamos que você tenha melhor contextualizado 
as informações e a relevância da Atividade Física para a Saúde e Qualidade de 
Vida, assim como a importância e responsabilidade da boa atuação profissional 
nesse processo. 
Nas primeiras unidades, estudamos que as transformações na sociedade 
têm contribuído para uma maior preocupação com a Saúde e Qualidade de Vida. 
Ao entendermos a complexidade e natureza multifatorial dos Determinantes da 
Saúde e da Qualidade de Vida, vimos que o estilo de vida possui forte relação 
com eles. Nesse sentido, por meio da apropriação dos diversos ramos de 
conhecimento da área, o profissional de Educação Física tem uma grande 
oportunidade de intervir e contribuir para um estilo de vida mais ativo e saudável 
das pessoas. 
Os conteúdos e reflexões das últimas unidades aprofundaram em 
conteúdos essenciais para uma boa atuação profissional, como a aptidão 
cardiorrespiratória, composição corporal, aptidão musculoesquelética e 
flexibilidade. No aspecto da prescrição, os princípios básicos e recomendações 
do exercício aeróbio, força, resistência muscular e flexibilidade foram debatidos. 
Por fim, estudamos os principais aspectos de saúde relacionados ao 
envelhecimento, à obesidade, ao diabetes e à hipertensão arterial, assim como 
o papel do exercício físico nesses processos. 
Os conteúdos aqui estudados têm o potencial para dar maior legitimidade 
à sua atuação profissional e, mais importante, melhorar a qualidade dos serviços 
oferecidos à população. Dito isso, é importante enfatizar a necessidade de 
constante atualização e aprimoramento. O conhecimento está em constante 
evolução, com novas descobertas e avanços acontecendo a todo momento. 
Assim, encorajamos não somente o estudo da Leitura Complementar e do 
Material Complementar, mas também a busca constante de novas informações 
ao longo de sua carreira. 
 Com o prazer e a honra de participarmos de sua formação, nos 
despedimos e desejamos muito sucesso! 
FIM DA CONCLUSÃO GERAL.

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