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Michel Foucalt Michel Foucault foi filósofo, professor, psicólogo e escritor francês. Dono de um estilo literário único, Foucault revolucionou as estruturas filosóficas do século XX ao analisá-las por meio de uma nova ótica. Profundamente influenciado por Nietzsche, Marx e Freud, o filósofo contemporâneo também recebeu influências do filósofo e amigo Gilles Deleuze, da medicina e da psiquiatria. Podemos dividir o trabalho de Foucault em três partes distintas: uma produção que perdurou até a década de 1960, em que ele faz o que chamou de "arqueologia" das ciências humanas, da literatura, da escrita e do pensamento em geral; uma segunda fase, já nos anos 70, na qual o pensador preocupou-se com as formas de subjetivação e poder, tecendo análises filosóficas mediante o método genealógico; por último, a fase em que escreveu O cuidado de si, como o terceiro volume publicado da coletânea História da Sexualidade. panóptico Embora a teoria panóptica tenha se tornado popular graças a Michel Foucault, o conceito panóptico foi concebido por Jeremy Bentham como um mecanismo aplicável ao controle do comportamento dos prisioneiros nas prisões. O próprio panóptico é uma forma de estrutura arquitetônica projetada para cárceres e prisões. A referida estrutura supunha um arranjo circular das células em torno de um ponto central, sem comunicação entre eles e poder ser o preso observado de fora. No centro da estrutura seria uma torre de vigia onde uma única pessoa poderia visualizar todas as células, podendo controlar o comportamento de todos os reclusos. Estes, no entanto, nunca poderiam estar cientes de que estavam sendo observados ou não, dado que a torre foi construída de tal forma que, de fora, era vista como opaca, sem saber onde estava ou o que o vigia era. Assim, o prisioneiro poderia ser monitorado a cada momento, tendo que controlar seu comportamento para não ser punido.A teoria panóptica de Michel Foucault A ideia do panóptico seria levada por Michel Foucault, que veria na sociedade de hoje um reflexo desse sistema. Para este autor, a passagem do tempo nos fez mergulhar em uma sociedade disciplinar, que controla o comportamento de seus membros através da imposição de vigilância. Assim, o poder procura atuar através da vigilância, controle e correção do comportamento da cidadania. O panoptismo baseia-se, de acordo com a teoria da panóptica de Michel Foucault, em poder impor comportamentos em toda a população com base na ideia de que estamos sendo observados. Procura generalizar um comportamento típico dentro de um intervalo considerado normal, punição de desvios ou premiando-se bom comportamento. Ralf Dahrendorf Ralf Gustav Dahrendorf foi um sociólogo, filósofo e político alemão radicado no Reino Unido. Nasceu em Hamburgo numa família luterana, como a maioria das famílias de Hamburgo. Sua família era ativa na política, seu pai havia representado o Partido Social Democrata (SPD) no Reichstag, entre 1932 e 1933. Estudou filosofia, filologia clássica e sociologia em Hamburgo e Londres entre 1947 e 1952. Doutorou-se em filosofia (dr. phil.) e fez um doutoramento (PhD) na London School of Economics. Foi aluno de Karl Popper. Foi viver em Saarbrücken em 1954, onde obteve a habilitação na Universidade do Sarre. Curiosamente, recebia ali o seu salário em francos franceses. Só em 1955 é que esta cidade optou através do escrutínio popular consentido pelos governos de Mendes France e Konrad Adenauer pelo regresso à Alemanha (então República Federal Alemã). Em 1957, já depois da sua primeira publicação e com 28 anos de idade, foi convidado para passar um ano no Center for Advanced Study in the Behavioural Sciences, em Palo Alto, na Califórnia. Foi ali colega de Fritz Stern e conheceu entre outros os economistas Milton Friedman, George Stigler, Kenneth Arrow e Robert Solow, todos eles laureados com o Prémio Nobel da Economia. Foi depois professor de sociologia em Hamburgo, Tubinga e Constança. Entre 1969 e 1970 foi deputado no parlamento alemão pelo Freie Demokratische Partei (Partido livre democrático) (FDP), os liberais alemães, e secretário de Estado no Ministério de Negócios Estrangeiros. Em 1970 tornou-se comissário na Comissão Europeia em Bruxelas. Entre 1974 e 1984 ele foi professor da London School of Economics, onde foi também foi diretor, e entre 1987 e 1997 Decano do St. Anthony's College na Universidade de Oxford. a lei e a ordem Em seu livro A Lei e a Ordem, o sociólogo e filósofo alemão esclarece que a liberdade deve cercar-se de leis criadas e fiscalizadas por instituições cuja função é preservar a própria liberdade. Dahrendorf escreve: “A resposta ao problema de lei e ordem pode ser colocada numa única expressão: construção de instituições. Isso pode não parecer muito surpreendente, nem muito prático; com certeza, não se trata de nenhum remédio exclusivo, mas constitui uma resposta liberal e, talvez, a única que merece esse nome. Somente através de um esforço consciente para construir e reconstruir as instituições podemos garantir nossa liberdade em face da anomia”. As instituições não servem apenas para garantir ordem e liberdade, mas também para garantir que mudanças possam ser feitas sempre que necessário; e aí está a grande diferença do conceito de “instituição” pregado pelo socialismo, sob o qual a força da lei é direcionada para controlar a liberdade em si mesma, minimizando sua capacidade de autorregularão e de amadurecimento. Numa comparação simples, as instituições cubanas são tão fortes quanto as instituições norte-americanas, porém, é enorme a diferença de papel de cada uma delas. O meridiano entre essas diferenças é o entendimento sobre o princípio de liberdade. Liberdade em relação a quem? Liberdade para quê? Liberdade em benefício de quem? Segundo Dahrendorf, a liberdade defendida pelas instituições devem ter o papel de oferecer a oportunidade de cada pessoa exercê-la em seu próprio benefício, sem, no entanto, ameaçar a liberdade de outros indivíduos; o que vai contra a “liberdade” socialista, que impõe que o indivíduo deve trabalhar em benefício do outro, não de si mesmo – o que nos restaria se não pudéssemos agir em benefício de nós mesmos? Dahrendorf demonstra honestidade intelectual ao reconhecer seu próprio equívoco ao relembrar sua publicação homo sociologicus, de 1958, na qual afirma que os homens são e devem ser totalmente autônomos. É verdade que o liberalismo crê na autonomia do indivíduo, mas a plenitude dessa autonomia está vinculada a leis básicas, assim como o voo dos pássaros é condicionado à lei da gravidade. “Se queremos ser livres, temos que operar com as instituições e através delas, modelando-as e remodelando- as durante o processo, ou seja, construindo-as à imagem das oportunidades que nos são abertas a qualquer momento”, escreve. Voltando à comparação entre Cuba e Estados Unidos, veremos que as instituições da maior ilha caribenha permanecem engessadas desde a revolução. A concessão de liberdades básicas aos cidadãos cubanos ainda são vistas como tabu por um conjunto de instituições moldadas por caprichos ideológicos, ao mesmo tempo em que no país símbolo do capitalismo os debates sobre liberdade visam sua preservação Dahrendorf também expressa sua desconfiança em relação ao exercício da lei e da ordem por meio de “fóruns comunitários” e “células primárias” autônomas, balizadas pelo conceito cru de democracia. “Apoiando-se por demais sobre a sociabilidade do homem, permanecerá exposta aos atos insociáveis de poucos e talvez nem tão poucos”, escreve, expondo a mais perigosa face da democracia: A vontade da maioria se sobrepondo à liberdade individual. Por isso, a necessidade de instituições cujo poder restrinja- se à preservação do indivíduo em suas propriedades essenciais: seu corpo, sua vida, sua liberdade e o fruto de seu trabalho – “A lei protege e a lei dá poderes; as instituições dão significância, substância e permanência a seus poderes”, sintetiza Dahrendorf O que devemos sempre ter em mente é que a existência de tais instituições, em podere abrangência, não justifica a existência do Estado como o conhecemos hoje. O Estado atual cria instituições com o objetivo de preservar a si mesmo, levando-o a limitar a liberdade dos indivíduos de muitas maneiras, principalmente por meio da coerção econômica. O que devemos sempre ter em mente é que a existência de tais instituições, em poder e abrangência, não justifica a existência do Estado como o conhecemos hoje. O Estado atual cria instituições com o objetivo de preservar a si mesmo, levando-o a limitar a liberdade dos indivíduos de muitas maneiras, principalmente por meio da coerção econômica. Dahrendorf resume: “Nossas conclusões sobre o Estado são de que justifica-se a existência de um Estado Mínimo, limitado às funções estreitas de proteção contra a força, furtos, fraudes, aplicação dos contratos e assim por diante; e que qualquer Estado mais extenso, que possa violar os direitos das pessoas em não serem forçadas a fazer certas coisas, não se justifica”; o que remete, num contexto econômico, às palavras de Milton Friedman em seu livro Capitalismo e Liberdade: “(…) a organização de atividade econômica através da troca voluntária presume que se tenha providenciado, por meio do governo, a necessidade de manter a lei e a ordem para evitar a coerção de um indivíduo por outro; a execução de contratos voluntariamente estabelecidos; a definição do significado de direitos de propriedade, a sua interpretação e sua execução; o fornecimento de uma estrutura monetária”.