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1. IDENTIFICAÇÃO 1.1 Área: Língua Portuguesa 1.2 Professora PDE: Márcia Aureliano Monteiro Silva 1.3 NRE: Loanda 1.4 Professora Orientadora IES: Prof.ª Dr.ª Aparecida de Fátima Peres 1.5 IES: UEM – Universidade Estadual de Maringá 1.6 Escola de implementação: Colégio Estadual Reynaldo Massi – EFMP 1.7 Público Objeto da Intervenção: 3º ano do Ensino Médio INTRODUÇÃO Perante a necessidade de estimular a percepção de interação, um motivo para se falar ou escrever; tendo em vista para quem e quando se quer dizer e o local de circulação. Selecionamos o gênero textual/discursivo crônica para a realização deste trabalho. Explorar um gênero textual/discursivo em todos seus aspectos: função social, conteúdo temático, estrutura composicional e estilo demanda empenho, estudo, pesquisa e tempo. Como dispomos de pouco tempo para por em prática esse material não iremos trabalhar com o estilo (análise lingüística) do gênero. A escolha pelas crônicas de Moacyr Scliar se deve ao fato de o cronista criar situações baseado em incidentes reais e já vividos; produzir textos a partir do processo de intertextualidade, além de seus textos refletirem fatos e contextos sociais que, muitas vezes, não têm a nossa atenção. Suas narrativas nos levam a refletir também a outros fatos do cotidiano, além de recuperar fatos do cotidiano que passariam despercebidos, se não fossem suas crônicas. CRÔNICAS DO COTIDIANO Nas eleições para a escolha dos prefeitos de 2000, o cronista Moacyr Scliar escreveu uma crônica em que fala sobre a aparência ideal de um candidato político. O Outro Moacyr Scliar “ Atentos ao visual, candidatos usam roupas para disfarçar características durante programa eleitoral, como altura, peso e calvície.” Eleições, 21 ago. 2000 Ele queria muito ser eleito. Não: ele precisava muito ser eleito. Estava atrás de um emprego que lhe desse um bom salário, mordomias e verbas para gastar na contratação de assessores – além, claro, das múltiplas oportunidades que, como vereador, teria. O problema era arrumar votos. Não tinha amigos, não era conhecido, nem sequer recebera um apelido pitoresco que pudesse usar na propaganda. Mas o pior não era isso. O pior que combinava um visual péssimo – baixinho, gordinho, careca – com uma congênita inabilidade para falar em público. Em desespero, resolveu procurar um marqueteiro. Estava disposto a gastar uma boa grana nisso, desde que pudesse adquirir uma nova imagem, uma imagem capaz de garantir a eleição. O marqueteiro, famoso, exigiu honorários salgados, mas garantiu resultados. Que, de fato, não se fizeram esperar. Em poucas semanas o candidato era outro. Mais magro, mais alto (saltos especiais) com uma bela peruca, parecia agora um galã de novela. Além disso, transformara-se num fantástico orador, um orador capaz de galvanizar o público com uma única frase. Se foi eleito? Foi eleito com uma avalanche de votos. O que representou um duplo alívio: de um lado, conquistava o cargo tão sonhado. De outro, podia deixar de lado a peruca, os sapatos com saltos especiais e a dieta. E também podia falar normalmente, no tom meio fanhoso que o caracterizava. E aí começaram as surpresas desagradáveis. Quando foi tomar posse, ninguém o reconheceu. Mas como? Então era aquele tipo charmoso, magnético, da tevê e dos cartazes? Era ele sim, como o comprovou, mostrando a identidade. Não foi a única contrariedade. Logo descobriu que como vereador, era péssimo: não sabia falar, não convencia ninguém, sequer era procurado por lobistas. Bom mesmo, concluiu com amargura, era o Outro, aquele que o marqueteiro tinha inventado. Aquele sim, podia fazer uma grande carreira, chegando quem sabe à Presidência. Mas onde estava o Outro? Só uma pessoa poderia ajudá-lo nessa busca, o marqueteiro. Só que o marqueteiro tinha sumido. Com o dinheiro ganho nas eleições resolvera passar dois anos em alguma praia do Caribe. Todas as noites o vereador sonha com o Outro. Vê-o na Câmara, discursando, empolgando multidões. Mas não sabe o que fazer para encontrá-lo. Sabe, sim, o que dirá se isso um dia acontecer. E o que dirá, numa voz fanhosa e emocionada, será: o senhor pode contar com meu voto - para sempre. Moacyr Scliar. O imaginário cotidiano. São Paulo, Gaia, 2006 CONHECENDO O AUTOR Moacyr Jaime Scliar nasceu em Porto Alegre (RS) no dia 23/03/1937. Sua mãe, professora primaria, foi quem o alfabetizou. Em 1962, publica seu primeiro livro, “Histórias de um Médico em Formação”. A partir daí não parou mais. São mais de 67 livros abrangendo o romance, a crônica, o conto, a literatura infantil, o ensaio, pelos quais recebeu inúmeros prêmios literários. Suas obras foram traduzidas para doze idiomas. Colabora com diversos dos principais meios de comunicação da mídia impressa (Folha de São Paulo e Zero Hora). Em 31 de julho de 2003 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, na cadeira nº. 31. ( Fonte: www.releituras.com) Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Moacyr_Scliar Palavras do Autor para os Estudantes Gente, é uma glória ser lido por vocês. Espero que vocês tenham tanto prazer na leitura quanto eu tive escrevendo. E espero que meus livros ajudem vocês a entender um pouco melhor a nossa realidade e a vida em geral. (Entrevista dada a Vagner Lemos – fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Moacyr_Scliar) Conversando e pensando sobre o texto 1- O que manifestou o desejo do personagem de se tornar um político? 2- Releia o início do texto e responda. Por que o autor troca o verbo querer pelo verbo precisar? 3- Quais as características descritas pelo personagem de si mesmo? Elas se enquadram no tipo ideal de político? Justifique sua resposta com elementos do texto. 4- Qual o recurso utilizado por ele para atingir seu objetivo? 5- Dentre as características apresentadas sobre o personagem uma é mais marcante e nos remete a qual representante da política brasileira? 6- Para compreender o texto é necessário ter um conhecimento compartilhado com o autor. Que conhecimento é este? 7- Após ser eleito há uma descaracterização do personagem criado para a campanha eleitoral que o leva a perceber o quê? 8- Para escrever esta crônica, Moacyr Scliar se baseou numa reportagem da Folha de São Paulo sobre os candidatos à prefeitura de São Paulo nas eleições de 2000. Pesquise quais eram os candidatos e faça uma relação das características deles com as descritas na crônica. INTERTEXTUALIDADE No programa Malhação, exibido pela Rede Globo, que foi ao ar nos dias 23 e 24 de setembro de 2008, há uma cena parecida com o personagem do texto. Na cena aparece o suposto novo namorado de Béatrice se desfazendo dos apetrechos que o tornava um “galã”. As cenas da novela podem ser acessadas no Youtube: Capítulo de 23/09/08. Béatrice vê Jack na internet. http://www.youtube.com/watch?v=5f18d3-7yC0 Capítulo de 24/09/08. O salto de Jack quebra e outros disfarces se desfazem. http://www.youtube.com/watch?v=wIff-lw_QTM Capítulo de24/09/08. Béatrice se desaponta com Jack. http://www.youtube.com/watch?v=C9mg4XMNMVI. Através do texto e da cena do programa da malhação os autores nos levam a questionar sobre a aparência. Você concorda que para ser um tipo ideal é necessário ter a aparência considerada como modelo de beleza pela maioria? • Você dá muita ou pouca importância para sua aparência física? Por quê? • Você conhece alguém que aparenta o que realmente não é? Comente. DE OLHO NO GÊNERO http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/bancoimagem/frm_buscarImagens2.php Leia agora outra crônica do mesmo autor e analise as características do gênero. Laços de Família “Homem de 24 anos joga sua avó do 21º andar.” Folha Online, 20 fev. 2001 Que olhos grandes você tem, meu neto! – São para te olhar, vovó. O olharde um neto sobre sua avó é sempre significativo. No rosto enrugado ele lê a história de sua família, ele lê a sua própria história. Ele compreende que foi precedido, neste mundo, por gente que lutou e sofreu para que ele pudesse viver. Gente que o alimentou, que o embalou para dormir, gente que cuidou dele quando estava enfermo. E também gente que o maltratou, não é, vovó? Enfim: o rosto de todas estas pessoas se condensa, por assim dizer, na face da vovó, a face que o neto contempla com ambivalente melancolia. – Hum. Não sei se compreendi, mas você fala bonito, é bom de escutar. A propósito, meu neto, que orelhas grandes você tem. – São para te ouvir, vovó. Para um neto, as palavras de sua avó são música, às vezes dissonante, a celebrar os mistérios da existência. Ouvindo sua vovó o neto aprende a viver. É claro que vovós em geral são velhinhas e freqüentemente falam baixinho; de modo que as orelhas crescem, se expandem para capturar todos os sons mesmo os mais débeis. – Hum. E que nariz grande você tem, meu neto! – É para te cheirar, vovó. O teu odor me leva de volta à infância; quando entravas em meu quarto era a primeira coisa que eu sentia, esse teu tão característico cheiro. Até hoje me causa engulhos, você sabe? Até hoje. O tempo passou, e muitos outros odores entraram em minhas narinas, inclusive o perfume de belas mulheres, mas o seu cheiro está sempre em minha memória. Que coisa, não é? – É... A propósito, que mãos grandes você tem, meu netinho! – São para te agarrar, vovó. Como você me agarrava quando era pequeno, em geral para me surrar. Você me deu surras homéricas, vovó. Talvez eu as tenha merecido, não sei. O fato é que o ressentimento ficou dentro de mim, um ressentimento que jamais consegui vencer. Cresci olhando minhas mãos, ansiando que elas ficassem fortes o suficiente para mostrar a todos – principalmente a você – que já não sou um garotinho indefeso. Minhas mãos hoje são instrumento de vingança, querida vovó. – É mesmo? Escute, meu neto, não estou gostando desta conversa. Vamos mudar de assunto? Vamos falar deste quarto. Que janela grande tem este quarto, meu netinho! Por que uma janela tão grande? – Você já vai ver, vovó. (Um grito de anciã. Depois, um baque surdo. E o silêncio, mais ensurdecedor que uma batucada de carnaval.) (Moacyr Scliar) Reconhecendo o Gênero O Pitoresco A busca pelo pitoresco permite ao cronista captar o lado engraçado das coisas, fazendo do riso um jeito ameno de examinar determinadas contradições. O texto Laços de Família é uma crônica. O trecho em letras menores que aparece logo abaixo do título do texto é o título da notícia que foi publicada na Folha OnLine - Mundo Observe as características do texto, responda os itens a seguir. 1- Quanto ao tamanho do texto, ele é curto ou longo? 2- Caracterize a linguagem utilizada no texto. 3- Em quanto tempo você acha que acontecem os fatos relatados no texto? 4- O tema e os fatos narrados são raros, incomuns ou corriqueiros e podem realmente acontecer no cotidiano de qualquer pessoa? 5- Com que intenção o texto foi produzido? 6- Onde encontramos esse gênero? 7- Quem lê esse gênero? 8- Por que o lê? 9- Levando em conta os itens anteriores formule um conceito da crônica destacando suas características. Compreendendo o texto Ao escrever a crônica Laços de família, Moacyr Scliar fez intertextualidade com um texto bastante conhecido da literatura infantil. Para compreender o texto precisamos compartilhar deste conhecimento. Que conhecimento é este? Um pouco da história da crônica A palavra crônica deriva do Latim chronica que significava, no início da era cristã, o relato de acontecimentos em ordem cronológica (a narração de histórias segundo a ordem em que se sucedem no tempo). Era, portanto, um breve registro de eventos. No século XIX, com o desenvolvimento da imprensa, a crônica passou a fazer parte dos jornais. Esses textos comentavam, de forma crítica, acontecimentos que haviam ocorrido durante a semana. Tinham, portanto, um sentido histórico e serviam, assim como outros textos do jornal, para informar o leitor. Nesse período, as crônicas eram publicadas no rodapé dos jornais, os "folhetins". Essa prática foi trazida para o Brasil na segunda metade do século XIX. Com o passar do tempo, a crônica brasileira foi, gradualmente, distanciando-se daquela crônica com sentido documentário originada na França. Ela passou a ter um caráter mais literário, fazendo uso de linguagem mais leve e envolvendo poesia, lirismo e fantasia. Diversos escritores brasileiros de renome escreveram crônicas: Machado de Assis, João do Rio, Rubem Braga, Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Paulo Mendes Campos, Alcântara Machado, etc. (fonte: Wikipedia) Produzindo uma crônica Produzindo Uma Crônica Agora você produzirá uma crônica e ajudará compor um livro de crônicas da classe. • Pense em uma situação corriqueira que tenha sido vivida ou presenciada por você e escreva sobre ela. Por exemplo: um susto, um tombo ocorrido em público, um episódio interessante ocorrido no colégio, numa festa, num campeonato, etc. • Inspire-se num fato ocorrido na semana e que saiu no jornal. Crônica, cronista e leitor A crônica possui a marca de registro circunstancial feito por um narrador-repórter que relata um fato não mais a um só receptor, porém a muitos leitores que formam um público determinado.Quem narra uma crônica é o seu outor mesmo, e tudo que ele diz parece ter acontecido de fato como se nós, leitores, estivéssemos diante de uma reportagem. A linguagem jornalística desempenha a função poética no momento em que recria a notícia captando o seu misterioso encantamento. O jornalista, portanto, não deve simplesmente registrar uma notícia. Cabe a ele explorar o poder das palavras para que o leitor possa vivenciar, com emoção semelhante à do repórter, aquilo que está sendo narrado. A crônica assume a transitoriedade da notícia e se dirige a leitores apressados, que lêem nos pequenos intervalos da vida diária. A elaboração da crônica também se prende a essa pressa. O cronista dispõe de pouco tempo para datilografar seu texto, pois ele precisa acompanhar a correria com que se faz um jornal. Por isso a linguagem da crônica é informal e bastante próxima da que é usada em uma conversa entre amigos. http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/bancoimagem/frm_buscarImagens2.php Planejando sua escrita a) Pense no leitor e em seus objetivos. Você quer divertir o leitor, sensibilizá-lo ou fazê-lo refletir sobre a situação que será abordada? b) Sua crônica poderá revelar sua visão pessoal ou a visão de uma das pessoas envolvidas na história. c) Aborde a situação procurando ir além dos fatos acontecidos. Narre com sensibilidade ou, se quiser, com humor. Se possível, guarde uma surpresa para o fim, de modo a fazer o leitor refletir ou achar graça. d) Escreva de forma simples e direta, procurando proximidade com o leitor. e) Faça um rascunho e só passe a limpo depois de realizar uma revisão cuidadosa. f) Avalie sua crônica. Refaça o texto quantas vezes forem necessárias, até que ele esteja pronto para ser publicado. Referências CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Todos os textos: uma proposta de produção textual de gêneros e projetos. 8º ano. 3. ed. São Paulo: Atual, 2007. LAZZAROTTO, Tatiana Carolina. Entre a realidade do jornal e a criação literária: a crônica de Moacyr Scliar. Disponível em <http://www.unicentro.br/pet/artigo09.pdf>. Acesso em 24 de out. 2008. SÁ, Jorge de. A crônica. 6. ed. Ática, 2002. Scliar, Moacyr. O imaginário cotidiano. 4. ed. São Paulo: Gaia, 2006. http://www.youtube.com/watch?v=ef18d3-7yCO>. Acesso em 24de out. 2008 . http://www.youtube.com/watch?v=wIff-lw_QTM>. Acessoem 24de out. 2008 . http://www.youtube.com/watch?v=C9mg4XMNMVI>. Acesso em 24de out. 2008 . http://pt.wikipedia.org/wiki/Moacyr_Scliar>. Acesso em 20 de nov. 2008. http://www.releituras.com/mscliar_bio.asp >. Acesso em 20 de out. 2008. http://pt.wikipedia.org/wiki/Cr%C3%B3nica#Origem>. Acesso em 20 de out. 2008 http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/bancoimagem/frm_buscarImagens2 .php>. Acesso em 7 de dez. 2008 Avalie sua escrita Observe se a crônica escrita apresenta um visão pessoal do assunto escolhido, se há os elementos narrativos básicos; se o texto ficou curto e leve; se diverte e/ou promove uma reflexão crítica sobre o assunto; se a linguagem empregada está adequada ao gênero e ao contexto.