Prévia do material em texto
UNIP - Universidade Paulista ICET - Instituto de Ciências Exatas e Tecnológicas - Arquitetura e Urbanismo - Resistência dos Materiais – Estabilidade – Lista 1 de Exercícios Resolvidos - Tensões Lista1 de Exercícios de Aplicação – Tensões Normais na Compressão / Tração Simples 1. Calcular a tensão normal de compressão que está solicitando o pilar da figura abaixo, submetido a uma força normal centrada de 300 tf. O pilar tem seção transversal retangular, de 20cm x 40cm. Desprezar o peso próprio do pilar. Força normal de compressão no pilar: N=300 tf Área de aplicação – seção transversal do pilar: A= 20 x 40 = 800cm² Tensão normal de compressão no pilar: 300 = = 0,375 tf/cm² 800 Observação: Se quisermos, essa tensão pode ser representada em outras unidades. Basta que as unidades dos elementos da equação estejam coerentes. Por exemplo, se utilizarmos N em kgf, teríamos N=300.000 kgf, e o valor da tensão seria: 300.000 = = 375 kgf/cm² 800 Entretanto, se utilizarmos a área em m², ao invés de cm², seu valor seria A = 0,20 x 0,40 = 0,08m². Daí resultaria: 300 = = 3.750 tf/m², ou 0,08 300.000 = = 3.750.000 kgf/m² 0,08 Conclusão: É importante observar as unidades, e de preferência fazer os ajustes às unidades desejadas antes de aplicar as fórmulas, para não correr risco de engano nas unidades depois de feitas as contas. (observar que 1m = 100cm , mas 1m²≠ 100cm². O correto é 1m² = 10000cm², ou seja 10.000cm²) 2. O pilar abaixo esquematizado possui seção circular com 40cm de diâmetro e é feito de um material cujo peso específico é 2,5 tf/m³ e tem resistência à compressão de 100 kgf/cm² e resistência à tração de 10 kgf/cm². Verificar se, para a condição de carregamento indicada (carga de vertical de 20 tf aplicada no topo, centrada), o pilar tem condição de resistir aos esforços. Nesse caso, embora o enunciado não seja específico, temos os dados referentes ao peso específico do material do pilar. Portanto devemos considerar o peso próprio do pilar. Peso próprio do pilar: Gpil = Volume do Pilar x Peso Específico do Material do Pilar Volume do Pilar = Área da base do pilar x altura do pilar = Apil x hpil Como o diâmetro do pilar é Dpil=40cm, ou 0,40m, seu raio é Rpil=20cm, ou 0,20m, temos: (Área de uma seção circular: A = R² ou A = D² / 4) Apil = R² = 3,14 x 0,2² = 0,126 m² Assim, Vpil = 0,126 x 5,00 = 0,628 m³ E Gpil = 0,628 x 2,5 = 1,58 tf Portanto a reação de apoio na base do pilar, que corresponde à maior força normal de compressão no pilar será Nmax = 20 + 1,58 = 21,58 tf. Assim, a máxima tensão que atua no pilar é de compressão. Portanto ela não poderá ser superior à tensão máxima à compressão, que é 100 kgf/cm². Para fazer a comparação, precisamos trabalhar nessa mesma unidade, então na fórmula da tensão, a carga normal deverá estar expressa em kgf e a área em cm². Ou seja: N = 21.580 kgf , e Apil = D² / 4 = 3,14 x 40² / 4 = 1.256 cm² (note que o valor da área difere um pouco da área calculada acima apenas devido ao erro de aproximação por causa das casas decimais cortadas) Assim a tensão de compressão que solicita o pilar é: 21.580 pil = = 17,18 kgf/cm² ( < 100 kgf/cm²) 1.256 Como essa tensão é menor que a resistência do pilar à compressão, pode‐se afirmar que o pilar tem condição de resistir aos esforços aplicados. 3. O pilar do exemplo anterior está apoiado diretamente no solo por meio de uma sapata circular. Sabendo que o solo possui tensão admissível de 2 kgf/cm², e desprezando o peso próprio da sapata, calcular qual deve ser seu diâmetro mínimo para que o solo possa suportar o pilar. Nesse caso a área da sapata deverá ser tal que distribua a mesma carga do pilar no solo de forma que a tensão aplicada seja no máximo igual a 2 kgf/cm². (Se, por acaso a tensão no solo fosse algo igual a 17,17 kgf/cm², não seria necessário criar a sapata para distribuir o esforço e consequentemente diminuir a tensão de compressão no solo, porque já estaria resistindo a tensão aplicada) Nesse caso a resolução do problema se inverte: temos a força de compressão e a tensão, e necessitamos da área do circulo que forma a sapata. Ou seja, a fórmula N = pode ser escrita da seguinte forma: A N A= , onde N = 21.570 kgf e = 2 kgf/cm² . Portanto devemos ter a seguinte área da sapata: 21.570 Asap = = 10.785 cm² . 2,00 E o diâmetro da sapata pode ser calculado a partir da fórmula de sua área: A = D² / 4 D² = 4 A / = 4 x 10.785 / 3,14 = 13.738 D = √13.738 = 117,21 cm Resposta: A sapata deverá ter um diâmetro mínimo de 1,18m (ou, mais precisamente 1,172m) 4. A viga abaixo representada está apoiada em 2 pilares e suporta uma parede feita em blocos de concreto de 19cm de largura com 3,5m de altura. Essa parede é feita em blocos de concreto, cujo peso específico é 1,4 tf/m³. A viga tem seção transversal de 25cm de largura e 40cm de altura, e seu material possui peso específico de 3,0 tf/m³. Os pilares tem seção quadrada de 20cm de lado. Calcular qual resistência devem ter os pilares para poder dar apoio a essa estrutura. O esquema estático da viga é o abaixo indicado: O valor da carga p, distribuída ao longo da extensão da viga é p = gviga + galv, onde gviga é o peso próprio da viga distribuído ao longo de sua extensão e galv é o peso próprio da alvenaria distribuído ao longo da extensão da viga. Observação Importante: os esquemas das estruturas e seus carregamentos, utilizados nos cálculos estruturais, geralmente são unifilares e normalmente se referem aos eixos das estruturas e eixos dos apoios. Assim, todos os cálculos são feitos a partir dos esquemas estáticos unifilares, e portanto usando as distâncias entre eixos. Cálculo da carga distribuída devida ao peso próprio da viga: gviga = bviga x hviga x viga = 0,25 x 0,40 x 3,00 = 0,30 tf/m de forma análoga: galv = balv x halv x alv = 0,19 x 3,50 x 1,40 = 0,93 tf/m assim p= 0,30 + 0,93 = 1,23 tf/m e a reação de apoio em cada um dos dois pilares será: RP1 = R P2 = 1,23 x 5,30 / 2 = 3,26 tf Portanto a carga de compressão aplicada em cada pilar será de 3,26 tf, ou se tomarmos a unidade kgf (apenas mantendo a mesma unidade dos outros exercícios), será 3.260 kgf. Como a seção do pilar é quadrada, com lado de 20cm, a área da seção transversal do pilar será Apil= 20 x 20 = 400cm². E a tensão de compressão aplicada em cada pilar será: 3.260 = = 8,15 kgf/cm² 400 Portanto para poder dar apoio a essa estrutura o material do pilar deverá ter resistência igual ou maior que 8,15 kgf/cm². Observação: essa resposta pode ser fornecida em qualquer unidade, por exemplo: 0,0815 tf/cm²; ou 81,50 tf/m². Justificativa: peso total da viga: base x altura x comprimento x peso específico carga distribuída ao longo de seu comprimento = peso total da viga / comprimento Portanto: carga distribuída = base x altura x comprimento x peso específico / comprimento = base x altura x peso específico) 5. A viga abaixo esquematizada, destinada a suportar uma placa de publicidade, é bi‐apoiada, e sustentada por 2 cabos de aço, cuja tensão limite é de 1.500 kgf/cm². A placa pesa 400 kgf. A viga tem seção transversal de 50cm x 70cm, e seu material tem peso específico de 4,0 tf/m³. Oscabos disponíveis no mercado tem os seguintes diâmetros: 10mm, 12,5 mm, 16mm, 20 mm e 25mm. Indicar qual é o cabo mais apropriado para ser usado nessa estrutura. Semelhante ao exercício anterior, o esquema estático da viga é o de uma viga bi‐apoiada, porém com a carga da placa distribuída parcialmente. Para efeito de reação de apoio, é importante notarmos que ela está centralizada no vão: O valor da carga distribuída ao longo da extensão da viga devida apenas ao peso próprio da viga será: gviga = bviga x hviga x viga = 0,50 x 0,70 x 4,00 = 1,40 tf/m e a reação de apoio em cada cabo devida apenas ao peso próprio será: RC1gviga = R C2gviga = 1,40 x 6,00 / 2 = 4,20 tf Quanto à placa, como ela está centrada em relação à viga, a reação de apoio em cada cabo será a mesma, e igual à metade do peso da placa, ou seja: RC1placa = R C2placa = 0,40 / 2 = 0,20 tf Assim, a força de tração em cada cabo será a mesma e igual à soma das reações devidas ao peso próprio e à placa, ou seja: Ncabo1 = Ncabo2= 4,20 + 0,20 = 4,40 tf = 4.400 kgf Como o material do cabo tem resistência máxima (ou tensão limite) de 1.500 kgf/cm², a área mínima que o cabo precisa ter será determinada da mesma forma que no exercício da sapata ou seja: 4.400 Acabo= = 2,93 cm² 1.500 Portanto o diâmetro mínimo do cabo deverá ser: D = √ 4 A / = √4 x 2,93 / 3,14 = √3,737 = 1,93 cm Ou seja, cada cabo deverá ter um diâmetro mínimo de 1,93cm ou seja, 19,3mm. Resposta: Dentre os diâmetros disponíveis, os únicos que atendem essa necessidade são os de 20mm e de 25mm. E o mais adequado é o mais econômico ou seja, o cabo com diâmetro de 20mm. Obs: Outra forma de resolver o mesmo problema, a partir do ponto em que se tem a força normal no cabo, é calcular a tensão normal para cada um dos cabos fornecidos e compará‐la com a sua resistência máxima, que é 1.500 kgf/cm²: Ou seja: na fórmula da tensão normal, calcula‐se a tensão para cada cabo: Ncabo 4.400 (kgf) cabo= = Acabo Acabo Fazendo essa conta para cada cabo, podemos montar a tabela abaixo: Dcabo(mm) 10 12,5 16 20 25 Dcabo(cm) 1 1,25 1,6 2,0 2,5 Acabo (cm²) 0,785 1,23 2,01 3,14 4,91 cabo (kgf/cm²) 5605,10 3587,26 2189,49 1401,27 896,82 Portanto apenas os cabos com diâmetros de 20mm e 25mm podem resistir à força aplicada. E deles, o de diâmetro 20mm é o mais econômico, portanto o mais adequado.