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Arbitragem e Perícia Contábil ??????????? Arbitragem e Perícia Contábil Organizado por Universidade Luterana do Brasil Universidade Luterana do Brasil – ULBRA Canoas, RS 2017 Jucelaine Bitarello Pedro Edmundo Boll Conselho Editorial EAD Andréa de Azevedo Eick Ângela da Rocha Rolla Astomiro Romais Claudiane Ramos Furtado Dóris Gedrat Honor de Almeida Neto Maria Cleidia Klein Oliveira Maria Lizete Schneider Luiz Carlos Specht Filho Vinicius Martins Flores Obra organizada pela Universidade Luterana do Brasil. Informamos que é de inteira responsabilidade dos autores a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem prévia autorização da ULBRA. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei nº 9.610/98 e punido pelo Artigo 184 do Código Penal. ISBN: 978-85-5639-251-0 Dados técnicos do livro Diagramação: Marcelo Ferreira Revisão: Marcela Machado Na disciplina de Arbitragem e Perícia Contábil, do Curso de Ciências Contábeis, são apresentados conteúdos essenciais à prática da perí- cia contábil, sua área de abrangência, as normas do direito envolvidas, o desenvolvimento prático e a elaboração do laudo pericial contábil. Nesse sentido, os conceitos teóricos visam às formas e aplicação de fundamentos de arbitragem. Para a ciência da contabilidade, os atos e fatos praticados por Pessoas Jurídicas e Físicas são geradores de demandas de trabalho, as quais re- querem que profissionais dessa área tenham habilidades e conhecimentos para o desenvolvimento do papel de auxílio ao Judiciário, para dirimir os conflitos, entre partes avençadas. Para o desenvolvimento dos conteúdos deste livro contou-se com a colaboração do Prof. Dr. Tarcísio Staudt que possui conhecimento prático e teórico dos temas citados. E ainda, agra- decimento especial ao Prof. Pedro Edmundo Boll que generosamente cedeu materiais que serviram de fonte de pesquisa e contribuíram significativa- mente para o aprofundamento dos conteúdos. Para o objetivo do estudo busca-se apresentar abordagem teórica de conceitos, a organização, o planejamento e as normas da perícia contábil, identificando áreas de abrangência e apresentação de laudos periciais. Assim, identifica-se que o conhecimento teórico a partir dos conceitos apre- sentados é relevante subsídio aos profissionais da área da contabilidade para as informações que envolvem a relação, a priori, de litígio. Em relação à problematização, esta disciplina busca o estudo da perí- cia contábil no que se refere: às normas, à legislação, aos conceitos, à organização, ao planejamento, aos meios de provas previstos no direito, às áreas de abrangência da perícia contábil, às características e habili- Apresentação Apresentação v dades inerentes ao perito contábil. Diante disso, entende-se que o exercício acadêmico pela proposição de atividades de fixação de conteúdo permite a compreensão das fases do desenvolvimento da perícia contábil, com vistas à elaboração de laudos de perícia contábil. Em relação à estrutura do livro, este é apresentado em dez capítulos. Esses foram divididos numa lógica que permite ao/a leitor/a partir dos conceitos fundantes da perícia contábil na compreensão que ela tem, sob a dupla visão: atendimento ao direito de alguém e na apuração do correto e justo valor. Sendo assim, é de destaque que a Arbitragem e a Perícia Contábil são relevantes instrumentos de auxílio, em especial ao Judiciário, para a tomada de decisão. O que convém (re)lembrar que é a tênue e dinâmica relação entre três atores presentes: o sujeito do direito, o sujeito da obrigação e o Estado (agente regulador/mediador). Recomenda-se que o/a leitor/a não se atenha unicamente a este livro-texto, pois este tem a finalidade de servir de apoio e estímulo para a busca de leituras adjacentes com o objetivo de enriquecer o conhecimento. Entende-se que a área de Arbitragem e Perícia é ampla, mas recorrente a interpretações com novos ajustes e jurisprudências. 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil ...........................1 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia Contábil ....23 3 A perícia como um dos Meios de Prova ...............................45 4 Áreas de Abrangência da Perícia Contábil ...........................66 5 Perito Contábil e Normas Profissionais ................................85 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia ..................................106 7 Provas Documentais e Laudo Pericial Contábil ...................131 8 Remuneração do Perito-contador ......................................151 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento .............168 10 Liquidação de Sentença Trabalhista ...................................190 Sumário Jucelaine Bitarello1 Capítulo 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil 1 Jucelaine Bitarello é Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), RS, especialista em Administração e Estratégia Empre- sarial pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), Canoas, RS, e graduada em Ciências Contábeis pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), RS. Ela é professora dos cursos de Ciências Contábeis, Administração e Gestão Pública da ULBRA, presencial e EaD. Jucelaine tem experiência profissional em organizações privadas e públicas, é autora de diversos artigos científicos, nacionais e internacio- nais, é autora de livros e capítulos de livros. Ela é, também, consultora ad hoc do Ministério da Educação e Cultura (MEC/INEP). 2 Arbitragem e Perícia Contábil Introdução Neste capítulo são apresentados conceitos sobre os conteúdos de dois pontos distintos: a Arbitragem e a Perícia. No entanto, ambos estão entrelaçados no momento que são abordadas questões que tratem do litígio. Assim, busca-se a compreensão desses dois pontos para que não haja obscuridade de conhe- cimento, mínimo e necessário, para dirimir as diferenças entre os atores da ação. Decidiu-se que neste primeiro capítulo sejam fundamen- tados alguns conceitos desses atores, como visto na apresen- tação da disciplina, relembrando-os, são: o do direito, o da obrigação e o intermediador. O primeiro e o segundo atores, acredita-se não haver dificuldade na definição, porém o ter- ceiro ator, o Estado, ora representado pelo Árbitro, em papel de auxílio ao judiciário, tem papel relevante na elucidação da ação, que por vezes requer a presença da perícia. Sendo as- sim, são dois os conteúdos deste capítulo: a Arbitragem e a Perícia. 1.1 Conceituação de Arbitragem e Árbitro A arbitragem é um termo que remete, de forma rápida e ime- diata, ao imaginário de alguém que esteja acompanhando um jogo, com poder de decidir lances que ali ocorrem, de acordo com: regulamento e regras predeterminadas. No entanto, no decorrer do jogo, podem e ocorrem eventos que necessitam da arbitragem, a qual, a priori e rigor, deve ser neutra, e que a Capítulo 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil 3 decisão tomada deve ser justa. Diante disso, é o jogo e às ve- zes percebemos que a arbitragem não foi correta e influenciou o resultado, porquanto que ali há interesses de dois competi- dores, os quais transferem a decisão ao árbitro. Veja agora que no campo da arbitragem do direito, o ár- bitro não está imbuído do poder de decisão e sim da interme- diação do interesse de duas pontas: uma que se intitula do direito e a outra da obrigação. Nesse sentido, a Comissão de Mediação e Arbitragem (CMA), da Ordem dos Advogados do Brasil / Minas Gerais – OAB/MG (2009, p. 6) em sua Cartilha de Arbitragem, ensina: Arbitragem é uma forma extrajudicial de resolução de conflitos, com a participação de um ou mais árbitros pri- vados, escolhidos segundo a vontade das partes. Assim como aconteceno Poder Judiciário, os árbitros exami- nam os argumentos expostos pelas partes demandantes e proferem uma decisão final e obrigatória, designada “sentença arbitral”. Essa decisão não está sujeita a re- curso e é considerado pela lei um título executivo judi- cial, podendo, portanto, ser imediatamente executada, em caso de descumprimento. A instauração do proce- dimento de arbitragem depende do livre consentimen- to dos envolvidos, que pode ser manifestado através de uma cláusula compromissória, inserida previamente em um contrato, e/ou mediante um acordo específico, cha- mado compromisso arbitral, que é firmado já depois do surgimento do litígio. Esses dois instrumentos possuem os mesmos efeitos: levam as partes à arbitragem e excluem a participação do Poder Judiciário. 4 Arbitragem e Perícia Contábil Nota-se pela citação, que a arbitragem é de certa forma um marco novo no arcabouço jurídico brasileiro, instituído pela Lei n° 9.307/1996. No entanto, a forma de atuação da arbitragem é tão antiga, talvez, quanto à própria existência de dois seres humanos na face da terra, que, todavia necessita- vam da terceira para dirimir conflitos, nem que fosse por posse de objeto qualquer. Assim, preceitua a citada Lei no Art. 1º: “As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitra- gem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais dispo- níveis”. Ainda, no Art. 2º: “A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério das partes”. Nota-se assim, que as partes envolvidas no litígio têm a possibilidade de estabele- cer suas regras e encontrar o ponto de convergência, assistido pela arbitragem por elas estabelecida. Diante desse contexto, pode-se (re)lembrar o passado, que por vezes o/a leitor/a tenha ouvido falar de histórias de seus antepassados, pais, avós ou bisavós, que resolviam os confli- tos, de diversas ordens, diante de pessoas respeitadas da co- munidade que assistiam aos conflitantes. No final, em sentido simbólico, firmavam o acordo de algumas formas, entre elas: palavra dada como se escrita estivesse, o aperto de mão, o fio do bigode, entre outras. Estas alusões são vistas em Alberto (2012, p. 5) que cita: Há registros na milenária Índia, surgiu a figura do árbi- tro, eleito pelas partes, que, na verdade, era perito e juiz ao mesmo tempo, pois a ele estava afeta a verificação direta dos fatos, o exame do estado das coisas e lugares, e, também, a decisão “judicial” a ser homologada pelo Capítulo 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil 5 que detinha o poder real, feudal, no sistema de castas e privilégios indianos. No contexto evolutivo, da história do árbitro, Alberto (2012, p. 5) cita Carlo Lessona (1898) que em seu livro “Manuale dele prove in matéria civile”, refere-se ao primitivo direito ro- mano sobre a figura do perito ao auxílio do árbitro da seguinte forma: É no primitivo direito romano que vamos encontrar maior aclaramento da situação, com definições mais claras e objetivas, pois ali já se estabelece a figura do perito – embora não dissociada da do árbitro – quando a deci- são de uma questão dependia da apreciação técnica de um fato. [...] Ou seja, tinha o magistrado a faculdade de deferir o juízo da causa a homens que, segundo circuns- tâncias, melhor pudessem, por seus conhecimentos téc- nicos, pronunciar-se sobre fatos, e essa pessoa – arbiter – se constituía em verdadeiro juiz, de modo que era juiz e perito ao mesmo tempo. Assim, percebe-se que a arbitragem, pode servir-se da pe- rícia para o aclareamento da situação, objeto de litígio, con- teúdo que será aprofundado no item 1.2 seguinte. No entan- to, retomando a legislação brasileira, com o advento da Lei n° 9.307/1996, as partes envolvidas no litígio, podem estabe- lecer as regras para o objeto de arbitragem. Sendo que, após os litigantes terem convencionados a arbitragem deve levar aos efeitos da Lei, que diz: Art. 3º As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de 6 Arbitragem e Perícia Contábil arbitragem, assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. Art. 4º A cláusula compromissória é a convenção através da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir, relativamente a tal contrato. § 1º A cláusula compromissória deve ser estipulada por escrito, podendo estar inserta no próprio contrato ou em documento apartado que a ele se refira. § 2º Nos contratos de adesão, a cláusula compromis- sória só terá eficácia se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar, expressamente, com a sua instituição, desde que por escrito em documento anexo ou em negrito, com a assinatura ou visto especial- mente para essa cláusula. Verificando a citação, nota-se que a arbitragem atualmente está prevista na Lei n° 9.307/1996, em que devem ser de- signados, ou escolhidos, profissionais capacitados, ou mesmo pessoas qualificadas que possam acompanhar a resolução do litígio, o qual pode ser executado de forma imediata, em caso de descumprimento de acordo. Outro ponto interessante é que as partes envolvidas sejam corretamente identificadas, com dados, preferencialmente com documentação e endereço pes- soal; ainda, definição clara dos honorários para a arbitragem, que depois de cumprida a convenção fica extinta, conforme Art. 12º. Capítulo 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil 7 Avançando no conteúdo arbitragem, destacam-se os árbi- tros, os quais, como visto, podem ser escolhidos por livre-arbí- trio das partes envolvidas, conforme a Lei n° 9.307/1996, Art. 13º, cita: “Pode ser árbitro qualquer pessoa capaz e que tenha a confiança das partes”. Normalmente, em casos mais com- plexos, e atualmente em cenários econômicos com envolvi- mentos patrimoniais expressivos de Pessoas Físicas e Jurídicas, a Norma recomenda que sejam indicados vários árbitros e em número ímpar. Há casos em que a possibilidade de escolha de árbitros já esteja preestabelecida. Então a Lei n° 9.307/1996, no parágrafo 2º do Art. 13º, cita: Quando as partes nomearem árbitros em número par, estes estão autorizados, desde logo, a nomear mais um árbitro. Não havendo acordo, requererão as partes ao órgão do Poder Judiciário a que tocaria, originariamen- te, o julgamento da causa a nomeação do árbitro, apli- cável, no que couber. O procedimento previsto no art. 7º desta Lei. Esse procedimento citado cabe ao Juiz e está previsto no Art. 7º, da Lei n° 9.307/1996, que diz: Existindo cláusula compromissória e havendo resistência quanto à instituição da arbitragem, poderá a parte inte- ressada requerer a citação da outra parte para compare- cer em juízo a fim de lavrar-se o compromisso, designan- do o juiz audiência especial para tal fim. Dessa forma, o Art. 18º da Lei n° 9.307/1996 refere que: “O árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir não fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judi- 8 Arbitragem e Perícia Contábil ciário”. Essa práxis, citada, é uma forma razoável de elimina- ção de acúmulo de processos nas mesas de magistrados, os quais poderiam ocupar seu tempo em outras práticas judiciá- rias que, às vezes carecem de tempo (JUÍZO NOSSO). A sentença arbitral está prevista no Art. 23° da Lei n° 9.307/1996, a qual “será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado da insti- tuição da arbitragem ou da substituição do árbitro”. Em caso da sentença proferida e o voto de algum árbitro seja de não concordância com a maioria, ele pode apresentar seu voto em separado. Ainda, havendo empate, o presidente dos árbitros profere o voto minerva, para o desempate. Na sequência apresenta-seuma ilustração, adaptada da CMA/OAB – MG (2009), sobre as vantagens do trabalho de arbitragem em relação ao procedimento judicial, em caso conflitivo, de litígio: Vantagem Descrição Celeridade Informalidade e ausência de recursos tornam o procedimento mais rápido do que a via judi- ciária. A sentença é definitiva. Informalidade Uso da técnica ágil e dinâmica, soluções amigáveis e rápidas adequadas com os desejos da sociedade. Sigilo Ao contrário do Poder Judiciário, toda a arbi- tragem é em sigilo como regra geral, sem di- vulgações. Capítulo 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil 9 Especialização Atualmente os árbitros são conhecedores da matéria arbitral e sua decisão tem conhecimen- to de qualidade. Prestígio da autono- mia da vontade Na jurisdição estatal o poder é do Estado. Na arbitragem a vontade é das partes com maior autonomia. Exequibilidade A sentença arbitral pode ser imediatamente executada, não estando sujeita a homologação prévia do judiciário. Melhor relação cus- to-benefício A rapidez na resolução do conflito evita custos indiretos por demora e multiplicidade de recur- sos que oneram o judiciário. Menor resistência ao cumprimento da decisão A sentença proferida por um árbitro de confi- ança enseja acolhimento do acordo por adesão das partes. Vantagem para os advogados A presença dos advogados das partes enseja solução rápida de dúvidas e campo de apli- cação do trabalho advocatício. Vantagens para a sociedade A arbitragem é ágil e eficaz na solução de lití- gios e desafoga o Judiciário e pode melhorar o seu padrão de eficiência. Por fim, verifica-se que atualmente, em matérias que de um lado são abordadas Judicialmente e de outro lado Extrajudi- cialmente, usam, conforme Alberto (2012), de técnicas para a solução de conflitos ou dúvidas sobre situações, coisas ou fatos. Partindo desses pressupostos, na sequência trata-se da conceituação da Perícia e do Perito. 10 Arbitragem e Perícia Contábil 1.2 Conceituação de Perícia Contábil e Perito A perícia tem seu marco mais fundante no direito romano, que de acordo com Sá (2011) e Alberto (2012) dão entendimen- to do termo a Roma Antiga, em que dava valor àqueles que possuíam vastos conhecimentos sobre matérias que exigiam forma perita de opinar sobre temas que envolviam os homens da época. Assim, sugere que os profissionais daquele tempo detinham “saber e talento” (SÁ, 2012, p. 3), referindo-se o autor aos Anais do Senado Romano. Porquanto a opinião te- ria que ser válida, com competência e entendimento. Alberto (2012, p. 5) cita: Il modo piú símplice efetivamente seguito era quello di nomnari iudex uma persona esperta di quella matéria, per modo che il giudice non aveva bisogno di chiamare um perito, ma egli stesso era giudice e perito insieme. Verificando a citação, a qual traduzida de forma literal diz que: A maneira mais efetivamente simples de seguir era nomi- nar formalmente uma pessoa experiente naquela matéria, de modo que o juiz não precisa chamar um perito, mas ele mes- mo era um juiz e especialista em conjunto. Esse entendimento remete o/a leitor/a relembrar o item anterior, o qual acenava para a similaridade da época antiga, entre Árbitro e Perito. Porquanto, Sá (2012, p. 3) cita que a expressão “Perícia” tem sua origem no Latim: Peritia, que em seu sentido próprio signi- fica Conhecimento (adquirido pela experiência) e Experiência. Capítulo 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil 11 Segundo D’Auria apud Alberto (2007, p. 17), “Perícia é conhecimento e experiência das coisas. A função pericial é, portanto, aquela pela qual uma pessoa conhecedora e experi- mentada em certas matérias e assuntos examina as coisas e os fatos, reportando sua autenticidade e opinando sobre as cau- sas, essência e efeitos da matéria examinada”. Dessa forma, o conceito de PERÍCIA CONTÁBIL liga-se, necessariamente, ao conceito geral de PERÍCIA, pois perícia é sempre perícia, seja qual for sua espécie, e a expressão composta busca apenas identificar a natureza do objeto da perícia. Gonçalves (1968, p. 7 apud ORNELAS, 2011, p. 29) nos diz que: “A perícia contábil é, pois, o exame com o objetivo de resolver questões contábeis, ordinariamente originárias de controvérsias, dúvi- das e de casos específicos determinados ou previstos em lei.”. A Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 - define que: A perícia contábil constitui o conjunto de procedimentos técnico-científicos destinados a levar à instância decisó- ria elementos de prova necessários a subsidiar à justa solução do litígio ou constatação de um fato, mediante laudo pericial contábil e/ou parecer pericial contábil, em conformidade com as normas jurídicas e profissionais, e a legislação específica no que for pertinente. Assim, os resultados da Perícia são expressos através de um Laudo Pericial, o qual será abordado mais adiante em capítulo específico. Nesse contexto, os principais aspectos da Perícia Contábil são os seguintes: 12 Arbitragem e Perícia Contábil a) A Perícia Contábil serve de elemento de prova, o que, geralmente não se espera de uma Auditoria Contábil; b) A Perícia Contábil tem objeto delimitado, para um fim específico, e os exames são minuciosos e profundos, abrangendo totalidade do objeto em questão; c) A Perícia Contábil tem por objetivo apurar determina- do fato que se cogita principalmente quando há con- trovérsia entre duas ou mais pessoas físicas ou jurídi- cas e, para tal apuração, usualmente, são formuladas perguntas ou quesitos, cujas respostas formam a parte principal do Laudo, peça que consubstancia o resul- tado do trabalho pericial e a opinião do profissional responsável por ele; Em resumo, para compreender o conteito de PERÍCIA CONTÁBIL, é necessária a revisão de três pontos relevantes: Item Descrição Conceito A Perícia Contábil é o conjunto de procedimentos técnicos que tem por objetivo a emissão de laudo sobre questões contábeis mediante exame, vistoria, indagação, investigação, arbitramento, avaliação ou certificação. Objeto O objeto maior da perícia contábil é a verdade sobre o objeto examinado, ou seja, a transferência da verdade contábil para o ordenamento - o processo ou outra for- ma - da instância decisória. Objetivo A perícia contábil tem por objetivo geral a constatação, prova ou demonstração contábil da verdade real sobre o seu objeto, transferindo-o, através de sua materialização - o Laudo - para o ordenamento da instância decisória judicial ou extrajudicialmente. Capítulo 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil 13 Verificando a ilustração, nota-se que o objetivo exposto é geral, porém há diversos objetivos específicos a serem atendi- dos pela Perícia Contábil, tais como: a) Informação fidedigna; b) A certificação, o exame e a análise do estado circuns- tancial do objeto; c) O esclarecimento e a eliminação de dúvidas suscita- das sobre o objeto; d) O fundamento científico da decisão; e) A formulação de uma opinião ou juízo técnico; f) A mensuração, a análise, a avaliação ou arbitramento sobre o quantum monetário do objeto e g) Trazer à luz o que está oculto por inexatidão, inverda- de, má-fé, erro ou fraude. Para a execução da Perícia Contábil, é requerido ao perito que seja profissional, com formação específica, conhecimen- to sobre o objeto do estudo, devidamente habilitado, sendo definido seu conceito pela Norma Brasileira de Contabilidade do - NBC PP 01, como segue: Perito é o contador regularmente registrado em Conselho Regional de Contabilidade, que exerce a atividade peri- cial de forma pessoal, devendo ser profundo conhecedor, por suas qualidades e experiências, da matéria periciada. 14 Arbitragem e Perícia Contábil Dessa forma,há um conjunto de qualidades indispensáveis ao perito contador, destacam-se entre elas as QUATRO mais relevantes: Â A primeira é a Legal, ou seja, a Capacidade Legal é a que lhe confere o título de Bacharel em Ciências Con- tábeis e o registro no Conselho Regional de Contabili- dade. Â A segunda é a Profissional, a Capacidade Profissional é caracterizada conforme ilustração a seguir: Item Descrição Conhecimentos teóricos e práticos da Contabilidade pois, através deste conhecimento técni- co-científico, o Perito levará aos autos a verdade real, na sua essência, sobre os fatos em litígio. Vivência Profissional A vivência profissional é considerada em perícia como seu elemento fundamental. Teoricamente definem-se padrões de compor- tamento profissional, porém a prática os torna pessoais, ou seja, dois Contadores podem, sobre um mesmo fato, ter duas interpretações distintas. Existem práticas grosseiras e que saltam à vista até de leigos em contabilidade, entretanto, também existem práticas bastante sutis, que mesmo o Contador encontra dificul- dades em encontrar. Daí a extrema necessi- dade do equilíbrio e bom-senso, advindos da exigência profissional exigida de um Perito. Capítulo 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil 15 Perspicácia, persever- ança, sagacidade Segundo o dicionário “Aurélio”, tem-se que essas palavras exprimem a qualidade do profissional Perito relativo à sua capacidade de observação, concentração para identi- ficar adequadamente o objeto de estudo, examinando, analisando, estudando profun- damente, sem permitir que o trabalho seja desenvolvido de forma superficial. Assim, deve sempre estar atento e procurar evidências em relação aos fenômenos patrimoniais que está sendo examinado. Conhecimento geral de ciências afins à Contabilidade No mundo moderno, seja pela globalização da economia, seja dos mercados, a neces- sidade do conhecimento holístico do profis- sional do próximo milênio ajustou a visão distorcida do especialista puro, exigindo que o homem tenha conhecimentos sobre todas as áreas que afetam a sua especialidade. Nesse sentido, a Contabilidade, requer do Contador, além do conhecimento profundo, conheci- mentos gerais, com necessário domínio de matemática, especialmente financeira, econo- mia, direito, lógica e, principalmente língua portuguesa. Índole criativa e intuitiva Essas características pode-se dizer que sejam o sexto sentido (e talvez o sétimo) do profis- sional que encontra no trabalho pericial a sua forma plena de trazer a verdade dos fatos, proporcionando ao julgador os parâmetros necessários para proferir a Sentença. A constante busca da verdade, a sintonia com o divino, a empatia com aquele que o convocou são comportamentos que permitem o aprimo- ramento, a ampliação e até mesmo o surgi- mento dessas qualidades no profissional que objetiva-se tornar-se um verdadeiro perito. 16 Arbitragem e Perícia Contábil Probidade De nada vale possuir as características acima, sem que o Perito esteja imbuído de extremo senso de probidade. O trabalho justo e ade- quado do Perito não se faz sem uma causa, o conhecimento da verdade pelo Perito é servir, auxiliar o Juiz a emitir um juízo perfeito dos fatos, para a elaboração mais fundamentada de sua sentença que abordou o direito, ou permitir que o administrador que o contratou, no caso da perícia extrajudicial, possua todos os elementos para a conclusão e decisão. Verificando a ilustração nota-se que a consequência de uma perícia desonesta, feita no intuito de distorcer a realidade de um fato, pode causar transtornos de difícil reparação. O reflexo é sempre negativo e prejudicial a alguém, pois uma decisão qualquer, baseada na interpretação distorcida de um fato, pode provocar danos irreparáveis, quer sejam pessoais ou patrimoniais. Esta conduta profissional com a isenção, a não tendencio- sidade, o comportamento leal, a verdade real, o espírito de equidade e justiça deve nortear todos os sentimentos do Perito. A terceira é a Capacidade Ética, a qual estabelece co- nexão com o Código de Ética Profissional do Contador e a Norma do Conselho Federal de Contabilidade. Entre as ca- pacidades éticas, devem-se destacar basicamente a conduta do perito com seus colegas e o caráter de independência e veracidade que deve manter em seu Parecer (Laudo Pericial). Por fim, a quarta é a Capacidade Moral, a qual se estriba na virtude das atitudes pessoais do profissional. Nessa última Capítulo 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil 17 qualidade, é transformada a essência da ação profissional, com lisura e imparcialidade. Recapitulando Foram abordados dois itens neste capítulo: o primeiro tratou dos conceitos sobre a Arbitragem, no qual foram trazidos os conceitos teóricos e a definição conceitual sobre quem é o profissional dessa área – o árbitro, sendo que foi verificado que esse é um assunto que acompanha a história do ser huma- no desde os tempos antigos, e ainda, na atualidade, existem práticas similares, mas com o advento da Lei n° 9.307/1996, no Brasil, de certa forma, há profissionalização na área. No segundo item abordou-se a Perícia, na qual se partiu da visão genérica para a específica, da contabilidade, na qual se tem o Perito Contábil, o qual é o profissional qualificado e capacita- do para o exercício dessa função. Num sentido amplo e ao mesmo tempo específico, fez-se juízo de que na esteira da profissionalização da Arbitragem e da Perícia, se aplicada e tornada de conhecimento da socie- dade, estas, por sua feita percebida e absorvida, podem ser relevantes para prestação de serviços à população, que em contrapartida aliviariam os serviços Judiciários, os quais pode- riam dispender energias para padrões mais eficientes. 18 Arbitragem e Perícia Contábil Referências BRASIL. LEI N° 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a arbitragem. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ______. LEI N° 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Dis- põe sobre o Código de Processo Civil. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: de 27 julho de 2016. ______. LEI N° 13.129, DE 26 DE MAIO DE 2015. Altera a Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996, e a Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, para ampliar o âmbito de aplicação da arbitragem e dispor sobre a escolha dos ár- bitros quando as partes recorrem a órgão arbitral, a in- terrupção da prescrição pela instituição da arbitragem, a concessão de tutelas cautelares e de urgência nos casos de arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral, e revoga dispositivos da Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ALBERTO, Valdeir Luiz Palombo. Perícia Contábil: Normas Brasileiras de Perícia Contábil Comentadas (NBC T 01 e NBC PP 01); Aspectos Legais, Civis e Criminais; Casos Prá- ticos de Perícia Contábil das Áreas Cível, Federal, Traba- lhista (Instrução e Liquidação) e Extrajudiciais; Honorários Periciais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012. Capítulo 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil 19 COMISSÃO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM – CMA/OAB/ MG. Cartilha de Arbitragem. Ordem dos Advoga- dos do Brasil – Minas Gerais, 2009. Disponível em: <http://www.precisao.eng.br/jornal/Arbitragem.pdf>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia Contábil. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2011. RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCTP01, de 19 de março de 2015. Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 – PE- RÍCIA CONTÁBIL. RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCPP01, de 19 de março de 2015. Norma Brasileira de Contabilidade - NBC PP 01 – PE- RITO CONTÁBIL. SÁ, Antônio Lopes. Perícia Contábil. 10.ed. Revisada e Am- pliada. São Paulo: Atlas, 2011. Atividades 1) Assinale a alternativa que melhor apresenta o conceito de arbitragem: a) Arbitragem é uma forma obrigatoriamente judicial de resolução de conflitos, com a participação de um ou mais árbitros privados, escolhidos segundo a vontade das partes. 20 Arbitragem e Perícia Contábil b) Arbitragem, assim como a Perícia é uma forma extra- judicial de resolução de conflitos, com a participação de um ou mais árbitros privados, escolhidos segundo a vontade das partes. c) Arbitragem, assim como a Perícia, é uma forma judi- cial de resolução de conflitos, com a participação de um ou mais árbitros privados, escolhidos segundo a vontade das partes. d) Árbitro é uma forma extrajudicial de intermediação de conflitos, com a participação de um ou mais árbitros privados, escolhidos segundo a vontade das partes. e) Arbitragem é uma forma extrajudicial de resolução de conflitos, com a participação de um ou mais árbitros privados, escolhidos segundo a vontade das partes. 2) Assinale a alternativa que melhor se adequa com a seguin- te afirmativa: Com o advento da Lei n° 9.307/1996, que trata da Arbitragem, a legislação tornou permissivo que... a) as partes envolvidas no litígio podem estabelecer as regras para o objeto de arbitragem. b) o Poder Judiciário é o único órgão que pode indicar a arbitragem como meio de dirimir conflitos. c) o sujeito de direito no conflito pode indicar o árbitro, e o sujeito da obrigação deve obrigatoriamente aceitar a indicação. Capítulo 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil 21 d) as partes envolvidas no litígio podem estabelecer as regras para o objeto de arbitragem, mas não podem indicar árbitros. e) As partes envolvidas no litígio podem escolher os árbi- tros, mas não podem indicar regras para a arbitragem. 3) A Lei n° 9.307/1996, no parágrafo 2º do Art. 13º, cita que quando as partes, envolvidas no litígio nomearem ár- bitros em número par, estes estão autorizados, desde logo, a nomear mais um árbitro. Assim, não havendo acordo, a quem compete indicar mais um árbitro? a) À Prefeitura Municipal, cede do litígio. b) Ao Ministério da Justiça e do Trabalho. c) Ao Ministério Público. d) Ao Poder Judiciário. e) Ao PROCON do Município, cede do litígio. 4) Relacione as afirmações de acordo com as vantagens da arbitragem: a) Prestígio da autonomia da vontade. b) Melhor relação custo-benefício. c) Menor resistência ao cumprimento da decisão. d) Vantagens para a sociedade. ( ) Na jurisdição estatal o poder é do Estado. Na arbitra- gem a vontade é das partes com maior autonomia. 22 Arbitragem e Perícia Contábil ( ) A sentença proferida por um árbitro de confiança en- seja acolhimento do acordo por adesão das partes. ( ) A rapidez na resolução do conflito evita custos indire- tos por demora e multiplicidade de recursos que one- ram o judiciário. ( ) A arbitragem é ágil e eficaz na solução de litígios e desafoga o Judiciário e pode melhorar o seu padrão de eficiência. A ordem correta é: a) A, B, C, D b) B, A, D, B c) A, C, B, D d) B, D, A, C e) C, A, D, B 5) Indique a alternativa que apresenta dois termos que defi- nem Perícia: a) Profissionalismo e Habilidade. b) Habilidade e Talento. c) Talento e Conhecimento. d) Conhecimento e Experiência. e) Experiência e Vontade. Jucelaine Bitarello1 Capítulo 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia Contábil1 1 Jucelaine Bitarello é Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), RS, especialista em Administração e Estratégia Empre- sarial pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), Canoas, RS, e graduada em Ciências Contábeis pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), RS. Ela é professora dos cursos de Ciências Contábeis, Administração e Gestão Pública da ULBRA, presencial e EaD. Jucelaine tem experiência profissional em organizações privadas e públicas, é autora de diversos artigos científicos, nacionais e internacio- nais, é autora de livros e capítulos de livros. Ela é, também, consultora ad hoc do Ministério da Educação e Cultura (MEC/INEP). 24 Arbitragem e Perícia Contábil Introdução Para este capítulo são destinadas as abordagens referentes à Perícia Contábil, a qual tem no centro o objeto a ser examina- do e sobre o qual deve ser emitida opinião. Essa opinião deve estar pautada nas evidências materiais que suscitem a verdade sobre os fatos periciados e que essa seja consubstanciada em elementos objetivos que afastem qualquer subjetividade. Para isso o texto está dividido em duas etapas: na primeira busca-se dar fundamentação conceitual sobre o objeto da perícia, em que se expressa que o patrimônio é o objeto da contabilidade e de outra forma o objeto da perícia são as variações que ocorrem em bens, direitos e/ou ações de quaisquer entidades. Na segunda etapa, aborda-se a organização e o planejamen- to da perícia, a qual por vezes pode demandar maior ou me- nor tempo para sua execução, bem como pode ainda requerer apoio de outras áreas do conhecimento, e isso requer que sejam alinhadas e expressas todas as partes que compõem o planejamento do trabalho. 2.1 Perícia Contábil – Objeto – Normas e legislação Como visto no capítulo anterior, para a Perícia Contábil, está o objeto como elemento central e a busca da verdade sobre ele, em que seja examinado e que haja a transferência da verdade contábil para o ordenamento do processo para que sobre ele tenha a instância decisória a correta opinião. Porquanto que Capítulo 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia... 25 os procedimentos periciais sejam, conforme Sá (2011), aplica- dos de acordo com a pertinência de cada caso, ou seja, objeto examinado. O autor cita ainda (p. 4): Busca-se a ajuda da tecnologia da perícia contábil, pois, para dirimir dúvidas sobre fatos que se relacionam com a riqueza dos empreendimentos (aziendas) e/ou das pes- soas, ou de “grupos”. O que se busca é uma opinião válida para atestar sobre a regularidade, irregularidade ou situação da riqueza individualizada. Não se trata de um informe, mas de uma opinião. O informe serve à pe- rícia, e esta deve gerar um parecer ou ponto de vista tecnológico. Trata-se de uma análise para produzir uma conclusão. Veja pela citação que há lógica preliminar antes de definir o que é o objeto da perícia, pois, de um lado, sobre o objeto há uma opinião e de outro lado, para a perícia, há um informe que serve de análise para a produção da conclusão. Assim, Alberto (2012, p. 33) refere que a “Contabilidade enquanto ciência, tem algo fundamental sobre o que descobre leis, ob- serva, experimenta, desenvolve técnicas, etc.” e cita ainda que: O objeto fundamental da Contabilidade é o Patrimônio, na sua expressão ampla [...] abrangendo, pois, todos os aspectos quantitativos e qualitativos, não somente em termos estáticos, mas principalmente dinâmicos, isto é, das suas variações. Dessa forma, nota-se que na visão de Alberto (2012) o Pa- trimônio é o objeto da Contabilidade e a sua natureza contábil é o campo de investigação para a perícia contábil. No entan- 26 Arbitragem e Perícia Contábil to, seguindo o raciocínio do autor (p. 34), na linha objetiva o “patrimônio é qualificável e quantificável”, que em resumo a Contabilidade pelas suas técnicas consegue verificar os “direi- tos, ações e posse e tudo mais que pertença a uma pessoa”, e segue ainda: “É importante agregarmos esta conceituação de haveres para introjetarmos a íntima relação com o patrimônio (objeto), embora este tenha amplitude maior do que aquele”. Assim, é possível a compreensão de que as variações em bens, direitos e ações, conforme citação anterior, que ocorrem em curto, médioou longo prazo, são o objeto da perícia contábil, a qual Alberto (2012, p. 35) cita: Assim embasados, podemos concluir, como corolário lógico, que, conceitualmente, a perícia contábil é: um instrumento técnico-científico de constatação, prova ou demonstração, quanto à veracidade de situações, coi- sas ou fatos oriundos das relações, efeitos e haveres que fluem do patrimônio de quaisquer entidades. Ressalta-se que a veracidade é entendida como a busca da verdade sobre as variações da riqueza, que, na visão de Sá (2011, p. 4), o caráter e objetos da tecnologia contábil para a perícia é: [...] possuir um objeto determinado, requerido, para que possa gerar uma opinião abalizada em matéria contá- bil. A perícia, todavia, pode ser “parcial” ou “total” no exame das contas, demonstrações, documentos ou fatos. Dependendo do que se pretende, fixa-se o objeto a exa- minar e sua extensão. Capítulo 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia... 27 Todavia, a perícia pode ser integral ou parcial, e, por vezes, a extensão dos fatos requer envolvimento de outras áreas do conhecimento, o que enseja que a opinião sobre determinado objeto tenha maior abrangência. No entanto, para a questão postulada, especificamente na contabilidade, que é o objetivo dessa disciplina, Sá (2011, p. 5) exige que o trabalho pericial persiga o objetivo de formar a opinião utilizando-se de: Todos os meios são válidos para a formação de uma opinião que se apoie na Realidade, na Plenitude, na Essencialidade e nas Formas dos fatos em exame. Bus- ca-se a Verdade sobre o que se evidencia e a competen- te sustentação documental. Como visa ser utilizada para fins diversos, a perícia necessita atingir tal fim e deve ser suficientemente Confiável. Partindo dessa citação, Sá (2011, p. 5-6) sublinha que “tudo o que for pertinente à opinião a ser emitida deve ser objeto de exame da perícia”. Cita ainda que “é preciso, pois Abrangência e Segurança ou Confiabilidade, evitando-se o subjetivo”. Dessa forma, a ampliação do objeto de exame deve ser o limite para o esclarecimento do assunto, que na visão do autor, é a “materialidade da prova”, a verdade sobre o objeto periciado. Em relação aos procedimento técnicos, a Perícia Contábil está fundamentada na Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 – PERÍCIA CONTÁBIL que, em seu objetivo, cita: Esta Norma estabelece regras e procedimentos técnico- -científicos a serem observados pelo perito, quando da elaboração de perícia contábil, no âmbito judicial, 28 Arbitragem e Perícia Contábil extrajudicial, inclusive arbitral, mediante o esclarecimen- to dos aspectos e dos fatos do litígio por meio de exame, vistoria, indagação, investigação, arbitramento, avalia- ção, ou certificação. Nota-se que, conforme o Art. 420 do Código de Processo Civil, a perícia é um dos meios de provas em que o laudo pericial contábil e o parecer pericial têm por limite os obje- tivos a que a perícia foi solicitada ou contratada. Salienta-se que a perícia contábil é competência exclusiva do profissional contador registrado no Conselho Regional de Contabilidade. A atuação se dá em âmbito Judicial como Extrajudicial. Aqui deve distinguir-se o que é Judicial e Extrajudicial: a primeira é aquela em que o Estado se apresenta como a tutela da justiça, e a segunda é aquela que se apresenta no âmbito arbitral ou voluntária, como visto no Capítulo 1. Destaca-se que o Art. 431 do Código de Processo Civil menciona que “As partes terão ciência da data e local de- signados pelo juiz ou indicados pelo perito para ter início a produção da prova”. Assim, em objetos encaminhados para a perícia judicial, as partes envolvidas: advogados, assisten- te técnico e Ministério Público (quando envolvido) devem ser cientificados do que está sendo periciado. Esse procedimento deve ser de forma oficial, por carta, ofício e atualmente pode ser por meio eletrônico. Após essa formalidade, o perito contador pode iniciar seus trabalhos como assistente técnico e também assumir a respon- sabilidade de toda a documentação que está sob sua guarda e posse, mantendo-a com zelo em segurança. Observa-se que pode solicitar todo o dossiê para o procedimento e apuração Capítulo 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia... 29 dos fatos, sem, no entanto, apensar qualquer documento novo ou estranho ao processo, o que enseja falsidade profissional e transgressão da Norma do Perito Contábil. Partindo da Norma Brasileira de Contabilidade - NBC PP 01 – PERÍCIA CONTÁBIL, verifica-se que esta define como objetivo “estabelecer procedimentos inerentes à atuação do contador na condição de perito”. Na conceituação desse pro- fissional cita que “Perito é o contador regularmente registrado em Conselho Regional de Contabilidade, que exerce a ativida- de pericial de forma pessoal, devendo ser profundo conhece- dor, por suas qualidades e experiências, da matéria periciada”. Essas definições encontram fundamento no Art. 139 do Códi- go de Processo Civil que classifica o perito como auxiliar do juiz, e o Art. 145 prevê que: quando a prova depender de conhecimento técnico ou científico, o juiz será assistido por perito, que será escolhi- do entre profissionais de nível universitário, devidamente inscrito no órgão de classe, o qual fornecerá certidão de comprovação de especialidade na matéria contábil. Aqui é relevante que se faça o esclarecimento para que o/a leitor/a não tenha dúvida sobre dois personagens: o Perito e o Assistente. Há diferenças que se dão de formas diversas: a) o Perito-contador nomeado é o designado pelo juiz em perícia contábil judicial; já o contratado é o que atua em perícia contábil extrajudicial; e o escolhido é o que exerce sua função em perícia contábil arbitral. 30 Arbitragem e Perícia Contábil b) o Perito-contador assistente é o contratado e indica- do pela parte em perícias contábeis, em processos ju- diciais e extrajudiciais, inclusive arbitral. Para o exercício das atividades, o profissional deve com- provar mediante certidão habilidade para o exercício da fun- ção. A falta de competência técnico-científica constitui-se em um dos motivos para recusa da indicação ou nomeação do perito. Conforme o Inciso I do Art. 424 do Código de Processo Civil, o perito pode ser substituído quando: “carecer de conhe- cimento técnico ou científico”. A comprovação de Habilitação Profissional está prevista no parágrafo 2° do Art. 145 do CPC que cita: “Os peritos comprovarão sua especialidade na matéria sobre que deve- rão opinar, mediante certidão do órgão profissional em que estiverem inscritos”. Por fim, o perito há de comprovar a sua habilitação profissional mediante a Declaração de Habilitação Profissional – DHP Eletrônica, de que trata a Resolução CFC 2011/001363, considerando que, face à evolução tecnoló- gica, todos os Conselhos Regionais de Contabilidade já pos- suem a estrutura necessária para tal, trata-se de um controle de regularidade profissional emitida através de um sistema ele- trônico com mecanismos de autenticação. Capítulo 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia... 31 2.2 Organização e planejamento da Perícia Como verificado no tópico anterior há duas formas distintas em que a perícia é necessária e o perito é igualmente designado, como nos casos Judiciais e Extrajudiciais. As Perícias Extra- judiciais independem de tramitação judicial. São livremente contratadas entre as partes envolvidas e os peritos. Podem ser exemplificadas como: Perícia para avaliação patrimonial de bens e direitos; Perícia para avaliação de fundo de comércio; Perícia para avaliação de bens e direitos para integralização do capital das Sociedades Anônimas; Perícia para Cisão, Fu- são, Incorporação ou Transformação de Sociedade. Para as Perícias Judiciais pode haveraté três peritos: um do juiz e um de cada parte litigante (um dos autores e um dos réus). Na verdade, são três contadores; o juiz nomeia o seu e as partes indicam assistentes, como visto no tópico anterior. Os peritos das partes devem ser indicados no prazo de cinco dias, contados da intimação do despacho de nomeação do perito, e, no mesmo prazo, os quesitos são apresentados pelas partes. A fundamentação dos Peritos Judiciais é regulada no Art. 421 do Código do Processo Civil com as alterações da Lei n° 8.455, de 24 de agosto de 1992. A escolha do perito é deveras relevante para o sucesso dos trabalhos. Quanto mais complexa a causa, mais experiência e cultura deve ter o pro- fissional. Ao Juiz compete, também, fixar local, hora e prazo para entrega do laudo pericial (conteúdo que será abordado em capítulo específico). 32 Arbitragem e Perícia Contábil Em relação à Nomeação do Perito Judicial, o primeiro passo a ser dado pelo Bacharel em Ciências Contábeis jun- to às Varas existentes no Fórum é o encaminhamento de seu Curriculum Vitae ao Juiz de cada Vara e, sendo aconselhável, apresentar-se ao Magistrado falando um pouco de si. Os Car- tórios das Varas possuem um cadastro de Peritos à disposição do Juiz. Feita a escolha, o Perito será informado por escrito, sendo-lhe solicitado comparecer ao Cartório da Vara. Após o aceite da indicação, o Perito do Juiz assume o com- promisso e procura contatar com os assistentes indicados pe- las partes litigantes. Para inteirar-se do processo e realizar o plano de Perícia, o perito precisa conhecer bem os autos. Para tal, necessita retirá-lo do Cartório onde se encontra. Para fazer carga (retirar o processo), o Perito solicitará ao Juiz, mediante petição ou, sendo conhecido, mediante simples controle do cartório onde o Perito acusa o recebimento. Com o processo em posse o Perito procede à Análise dos Autos, e tudo o que for pertinente à opinião a ser emitida deve ser objeto de exame da perícia. É preciso, pois, abrangência e segurança ou confiabilidade, evitando-se o subjetivo (lembre- -se o/a leitor/a que a subjetividade já fora vista no tópico an- terior). Assim, a Perícia Contábil deve lastrear-se em elementos confiáveis, e nenhum elemento útil deve ser desprezado. Toda- via, a matéria deve ater-se ao objeto para a qual foi requerida. Só, subsidiariamente, deve apelar-se para complementações. Podem haver casos em que as partes interessadas (o do direito - autor e o da obrigação - réu) solicitam ao Perito “adu- zir comentários que achar pertinente”; nesse caso, é dever do Capítulo 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia... 33 Perito ampliar seu objeto de exame até o limite que julgar con- veniente ao esclarecimento do assunto. DESTAQUE: É de extrema importância a leitura pausada e atenciosa dos Autos a fim de que o Perito assimile o teor da documentação que foi juntada. Na análise dos Autos, o Perito deve ater-se não só ao teor da documentação apresentada, mas também ao fato de se estes estão de acordo com as leis comerciais e/ou fiscais. Por exemplo: Se o balanço está assi- nado por quem é de direito, se está transcrito no Diário, entre outros dados relevantes). Absorvido o teor dos Autos, como citado no parágrafo an- terior, parte-se para as Diligências. Cita-se que há casos em que nos autos constam todas as documentações necessárias ao exame pericial. No entanto, há casos, em que se torna impraticável a anexação de toda documentação por deman- dar expressivo volume de papéis. Cabe, nesses casos, as di- ligências (investigações) ocorrerem na Empresa que possui a documentação. Nesses casos, o Perito deverá requerer, então: livros, docu- mentos, demonstrações e, em suma, o material necessário ao desempenho de sua tarefa. Pode, ainda, deixar com a empre- sa ou pessoa a ser verificada a relação do que precisa e voltar em dia e hora marcados para iniciar a tarefa. Esses detalhes servem para o gerenciamento do tempo e pode-se ainda, tele- fonar, enviar e-mail, solicitando que deixe a documentação a sua disposição. Frisa-se que, em todas as ações do Perito, haja formalidade, preferencialmente por escrito, o que dá transpa- rência ao trabalho. Veja um exemplo de carta: 34 Arbitragem e Perícia Contábil Empresa Y A/C Diretoria Prezados Senhores: Na qualidade de Perito Oficial do MM. Juiz de Direito da... Vara... desta Comarca, sirvo-me da presente para solicitar a V. Sas. que deixem a minha disposição os seguintes documen- tos, para análise, no dia... às... horas: Diário do ano de... Razão da mesma data Comprovantes contábeis do mesmo período. Atenciosamente Nome e assinatura Endereço e Telefone Note que a carta deve ser redigida em duas vias, sendo que a segunda via serve de recibo colhendo-se a assinatura de quem a recebeu. De outra sorte, a parte examinada pode criar obstáculos ao perito, sonegando informações ou dificultando a entrega de documentos e livros. Caso não consiga, o Perito deve imediatamente cientificar ao Juiz a resistência e requerer os elementos necessários ao trabalho. A partir dessa organização e ajustamentos preliminares é que o Perito parte então para o Levantamento dos Dados, dir-se-ia, Apuração dos Dados. Dessa forma, todos os ele- mentos ao alcance do Perito servem de base para os laudos periciais, preferencialmente os que tenham capacidade legal Capítulo 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia... 35 de prova. Por isso, os livros comerciais de registro, os docu- mentos fiscais e legais são fundamentais para verificações. Quanto aos livros são aqueles que obrigatoriamente as leis comerciais e fiscais exigem; e, sendo os documentos, aqueles que podem suprir as exigências igualmente da lei. Essa cautela legal (de lei, norma) é imprescindível, pois tem força probante. Citam-se exemplos: a) Um contrato pode ter todas as suas formalidades cum- pridas, mas se não tiver a assinatura das partes e não tiver registro competente, não tem força de prova pe- rante terceiros. b) Não basta ter listagens de computador que elaborem o Diário, é necessário que: estejam encadernadas, nu- meradas, assinadas e registradas nos órgãos compe- tentes. Dependendo da Perícia, esta pode ser feita em locais dife- rentes, ou seja, ela pode abranger agências, filiais, fábricas, de um mesmo litigante, em diversas localidades. Nesse caso, o Perito terá que deslocar-se e provavelmente haverão despesas, tais como: de deslocamentos (combustível), de viagem (pas- sagens), de estadia, de alimentação, entre outras. Essas des- pesas não são do Perito, mas custos do processo, e ele deve solicitar o reembolso ou antecipação de numerário. O nível de detalhamento do planejamento da Perícia pode ensejar ausência de documentos nos Autos (processo) e, nesse caso: Como Proceder Quando Falta Documento nos Au- tos? 36 Arbitragem e Perícia Contábil a) Na falta de documentação nos autos, o Perito poderá encaminhar ao Cartório da Vara carta dirigida ao Juiz solicitando que a(s) parte(s) anexe(m) aos autos a do- cumentação solicitada. Fará correspondência em duas vias, sendo a 2ª via recibo de entrega. b) Em caso de a falta de documentação dever-se ao expressivo volume desta, adotará os procedimentos mencionados nos parágrafos anteriores deste tópico, onde se trata das “Diligências”. Em relação ao Prazo de Entrega do Laudo e Prorroga- ção, consideram-se dois pontos: em primeiro lugar, o Perito deve apresentar o laudo no Cartório da Vara, no prazo fixado pelo Juiz, pelo menos vinte (20) dias antes da audiência de ins- trução e julgamento. Pressupõem-se que o Perito Contábil, ao planejar a perícia, deve considerar o cumprimento do prazo de entrega do laudo. Em segundo lugar, considerando a im- possibilidade de cumprimento no prazo o Perito contábil deve, antesde vencido aquele, solicitar prazo suplementar quando na função de Perito Judicial, ou comunicar à parte, quando na função de Perito Extrajudicial, sempre por escrito. Por fim, Alberto (2012, p. 137-139) ilustra um resumo do papel de trabalho que o Perito Contador pode usar, com todo detalhamento dos dados constantes do Autos (processo), men- cionados os seguintes: a) Registros Iniciais; b) Análises Iniciais dos Autos; c) Diligências; Capítulo 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia... 37 d) Análises Complementares para o Laudo; e) Levantamento de Dados/ Definições de Anexos; f) Análises, Sistemas e Programação; g) Digitações e Operação Computadores; h) Redação do Laudo Pericial Contábil; i) Análise finais; j) Impugnações; e, k) Resultado Final. Observa-se pelos itens citados, como o próprio autor Al- berto (2012) menciona: esses não são o limite para o trabalho do Perito, mas inovam o controle dos documentos e a ativi- dade. Assim, de outra forma, Sá (2011, p. 7-8) trata o plane- jamento da Perícia como metodologia, um método analítico com detalhes, tais como: 1) Identificar-se bem o objetivo; 2) Planejar competentemente o trabalho; 3) Executar o trabalho baseado em evidências inequí- vocas, plenas e totalmente confiáveis; 4) Ter muita cautela na conclusão e só emiti-la depois de que se esteja absolutamente seguro sobre os re- sultados; 5) Concluir de forma clara, precisa e inequívoca. 38 Arbitragem e Perícia Contábil Diante das duas formas apresentadas, em detalhes, tanto Sá (2011) quanto Alberto (2012), ambos comungam da mes- ma posição de que o planejamento da Perícia, utilizando-se de métodos sugerido por eles, não deve ser confundido com au- ditoria, o que é outro tema, pois a Perícia Contábil é analítica e de maior abrangência que visa à formação, ao final, de uma opinião confiável e que sirva de prova para terceiros. Recapitulando Neste capítulo foram abordados conteúdos sobre a Perícia Contábil, a qual teve no centro o objeto a ser examinado e sobre o qual deve ser emitida opinião. Essa opinião, pautada nas evidências materiais que suscitam a verdade sobre os fa- tos periciados, deve esta estar consubstanciada em elementos objetivos que afastam qualquer subjetividade, de forma clara e inequívoca. Para tanto, o texto foi dividido em duas etapas: na primeira identificou-se o objeto da Perícia, no que se traçou um paralelo entre o objeto da Contabilidade que é o Patri- mônio, sendo que suas variações são o objeto da Perícia. As variações que ocorrem em bens, direitos e ou ações de quais- quer entidades são a essência para a Perícia. Na segunda eta- pa, abordou-se a organização e o planejamento da Perícia, a qual por vezes pode demandar maior ou menor tempo para sua execução, bem como pode ainda requerer apoio de outras áreas do conhecimento, e isso requer que sejam alinhadas e expressas todas as partes que compõem o planejamento do trabalho. Verificou-se, também, as duas formas que deman- dam a Perícia: a Judicial e a Extrajudicial, em que na primeira Capítulo 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia... 39 tem-se o Perito indicado pelo Juiz, com assistentes indicados pelas partes litigantes; e na segunda pode ser o Perito escolhi- do pelas partes de comum acordo. Referências BRASIL. LEI N° 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a arbitragem. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ______. LEI N° 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Dis- põe sobre o Código de Processo Civil. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 27 de julho de 2016. ______. LEI N° 13.129, DE 26 DE MAIO DE 2015. Altera a Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996, e a Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, para ampliar o âmbito de aplicação da arbitragem e dispor sobre a escolha dos árbitros quando as partes recorrem a órgão arbitral, a in- terrupção da prescrição pela instituição da arbitragem, a concessão de tutelas cautelares e de urgência nos casos de arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral, e revoga dispositivos da Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ALBERTO, Valdeir Luiz Palombo. Perícia Contábil: Normas Brasileiras de Perícia Contábil Comentadas (NBC T 01 e 40 Arbitragem e Perícia Contábil NBC PP 01); Aspectos Legais, Civis e Criminais; Casos Prá- ticos de Perícia Contábil das Áreas Cível, Federal, Traba- lhista (Instrução e Liquidação) e Extrajudiciais; Honorários Periciais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012. COMISSÃO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM – CMA/OAB/ MG. Cartilha de Arbitragem. Ordem dos Advoga- dos do Brasil – Minas Gerais, 2009. Disponível em: <http://www.precisao.eng.br/jornal/Arbitragem.pdf>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia Contábil. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2011. RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCTP01, de 19 de março de 2015. Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 – PE- RÍCIA CONTÁBIL. RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCPP01, de 19 de março de 2015. Norma Brasileira de Contabilidade - NBC PP 01 – PE- RITO CONTÁBIL. RESOLUÇÃO CFC 2011/001363, de 02 de dezembro de 2011. Declaração de Habilitação Profissional - DHP Eletrônica. SÁ, Antônio Lopes. Perícia Contábil. 10. ed. Revisada e Am- pliada. São Paulo: Atlas, 2011. Capítulo 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia... 41 Atividades 1) Assinale a alternativa que melhor indica a lógica entre o objeto de perícia e a perícia propriamente dita: a) sobre o objeto não há opinião e para a perícia há um informe que serve de análise para a produção da con- clusão. b) sobre o objeto há um informe e para a perícia há uma opinião que serve de análise para a produção da con- clusão. c) sobre o objeto há uma opinião e para a perícia há uma definição que serve para a produção da conclu- são. d) sobre o objeto há uma opinião e para a perícia há um informe que serve de análise para a produção da conclusão. e) sobre o objeto há uma definição e para a perícia há uma opinião que serve de análise para a produção da conclusão. 2) Assinale a alternativa que indica o objeto da Perícia Con- tábil: a) As variações em bens, direitos e ações, que ocorrem em curto, médio ou longo prazo, são o objeto da pe- rícia. 42 Arbitragem e Perícia Contábil b) Apenas as variações em bens, direitos, que ocorrem em curto, médio ou longo prazo, são o objeto da pe- rícia. c) Apenas as variações em ações, que ocorrem em curto, médio ou longo prazo, são o objeto da perícia. d) As variações em bens, direitos e ações, que ocorrem somente em curto prazo, são o objeto da perícia. e) As variações em bens, direitos e ações, que ocorrem somente em longo prazo, são o objeto da perícia. 3) Considere o termo Perito-contador e relacione as colunas: A) Nomeado ( ) exerce sua função em perícia Arbitral. B) Contratado ( ) atua em perícia contábil Extrajudicial. C) Escolhido ( ) designado pelo juiz em perícia contá- bil Judicial. A ordem correta é: a) A, B, C b) B, C, A c) C, A, B d) B, A, C e) C, B, A 4) Considere o Perito-contador assistente e assinale a alter- nativa que melhor define sua designação e áreas de atua- ção: Capítulo 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia... 43 a) é o contratado e indicado pelo juiz e somente esse define os tipos de perícia que pode atuar. b) é o contratado e indicado pela parte em perícias con- tábeis, em processos judiciais e extrajudiciais, inclusive arbitral. c) é o contratado e indicado pelo juiz em perícias contá- beis e processos judiciais. d) É o indicado pelo juiz em perícias contábeis, em pro- cessos judiciais e extrajudiciais, inclusive arbitral.e) É o contratado e indicado para assistir as audiências que ocorrem em âmbito judiciário para ao final opinar sobre a decisão do juiz. 5) Analise as duas citações a seguir: I - Na falta de documentação nos autos, o Perito poderá encaminhar ao Cartório da Vara carta dirigida ao Juiz solicitando que a(s) parte(s) anexe(m) aos autos a do- cumentação solicitada. Fará correspondência em duas vias, sendo a 2ª via recibo de entrega. II - Em caso de a falta de documentação dever-se ao ex- pressivo volume desta, adotará os procedimentos mencionados nos parágrafos anteriores deste tópico, onde se trata das “Diligências”. Assinale a alternativa que melhor justifica os dois itens: a) Elas não tem relação entre si. 44 Arbitragem e Perícia Contábil b) Elas indicam que o planejamento do trabalho da perí- cia foi mal elaborado e deve ser refeito. c) Elas referem-se ao procedimento a ser adotado em caso de falta de documentos nos Autos. d) Elas referem-se ao planejamento do trabalho e ausên- cia de documentos nos Autos. e) Elas indicam que o Perito planejou mal o trabalho e não teve capacidade suficiente de estudar os Autos. Jucelaine Bitarello1 Capítulo 3 A perícia como um dos Meios de Prova1 1 Jucelaine Bitarello é Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), RS, especialista em Administração e Estratégia Empre- sarial pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), Canoas, RS, e graduada em Ciências Contábeis pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), RS. Ela é professora dos cursos de Ciências Contábeis, Administração e Gestão Pública da ULBRA, presencial e EaD. Jucelaine tem experiência profissional em organizações privadas e públicas, é autora de diversos artigos científicos, nacionais e internacio- nais, é autora de livros e capítulos de livros. Ela é, também, consultora ad hoc do Ministério da Educação e Cultura (MEC/INEP). 46 Arbitragem e Perícia Contábil Introdução Neste capítulo são abordadas questões referentes aos meios de provas utilizados no âmbito da perícia. Para tanto, traz-se presente em todo o texto a alçada do judiciário como local da resolução da lide. Destaca-se que o juiz pode utilizar-se do auxílio do perito para realização dos exames do fato ou coisa que seja relevante para a elucidação do conflito. Haja vista que a perícia é o instrumento que busca desvelar, descobertar, a verdade dos fatos. É fundamental que o/a leitor/a faça a leitura com atenção, pois, nos meios de prova apresentados, buscou-se trazer o en- tendimento de autores sobre os conceitos e dialogando com o que preceitua o Código de Processo Civil. Isso requer, ainda, que não se pretende neste capítulo tratar dos meios de provas específicos da contabilidade, e sim a visão generalista, a qual é relevante para os profissionais da contabilidade, pois eles podem apresentar-se como auxílio em apuração de valores em lides distintas de sua própria área de conhecimento. 3.1 Meios de Prova Previstos no Direito Para o entendimento dos meios de prova, em se tratando da Perícia, é relevante o conceito de Prova Pericial, que é o exa- me, vistoria ou avaliação necessária para instruir uma decisão, é, ainda, a demonstração que se faz da existência, autenticida- de e veracidade de um fato ou ato, que por fim, juridicamente, Capítulo 3 A perícia como um dos Meios de Prova 47 é o meio de convencer o juízo da existência do fato em que se baseia o direito do postulante. Ora, se a Prova Pericial tem por fim reunir elementos sufi- cientes que sejam o meio de convencer o juízo, então a Fun- ção da Prova Pericial é a de transformar os fatos relativos à Lide em verdade formal e em certeza jurídica. Assim, cita Alberto (2012, p. 12), referindo-se a Lide que é “o conflito de interesses qualificado pela pretensão de um dos litigantes e pela resistência do outro”. Poder-se-ia então, por dedução, compreender que a prova desvela o que acoberta a verdade sobre determinado fato. Para a perícia contábil, a prova e os elementos necessá- rios são os que se encontram nos documentos, registros e de- monstrações. O Código Civil Brasileiro, conforme Sá (2011, p. 232), enfatiza como “prestações de contas, para as socie- dades simples” (ver Art. 1020) e “às demais” (ver Art. 1.065), outras como: “Inventário, o “Balanço Patrimonial” e o que de- nomina de “Balanço de Resultados Econômicos” ou “Conta de Lucros e Perdas”. Para as questões específicas de contabilida- de será tratado mais adiante em capítulo específico, aqui deve o/a leitor/a ater-se em conceituação generalista. Em relação ao Ônus da Prova, que é o descortinamento dos meios, o dever de provar compete a quem alega, a quem afirma ou nega determinados fatos da causa. Quem ofere- cer as provas mais convincentes, fatalmente, obterá sucesso. Ressalva: sucesso aqui não significa levar vantagem, e sim prosperar na propositura do reparo referente ao fato que está em Lide. 48 Arbitragem e Perícia Contábil Partindo dessa contextualização inicial verifica-se que de acordo com o Código de Processo Civil, as Provas Admitidas pela Legislação Brasileira atualmente apresentadas na Lide são as seguintes: a) Depoimento Pessoal; b) Confissão; c) Exibição (de documento ou coisa); d) Documento; e) Testemunho; f) Inspeção Judicial; g) Perícia. Nos parágrafos seguintes discorre-se sobre cada um dos tipos de provas admitidas pela legislação. Isso é relevante para que o Perito consiga executar o trabalho de Perícia e também possa trazer elementos suficientes para a formação de opinião que auxilia a decisão do Juízo. Assim segue: a) Depoimento Pessoal: É classificado como prova se- miplena, já que não tem o caráter de independência e isenção psíquica, que possa dar-lhe caráter de es- clarecimento definitivo sobre o ato ou fato objeto da lide. Normalmente, a produção de outras provas se tornará necessária, que, analisadas em conjunto com esta, propiciará à autoridade judicial formar sua con- vicção a respeito do direito que se persegue na lide (ALBERTO, 2011, p. 14). Capítulo 3 A perícia como um dos Meios de Prova 49 No sentido de dar fundamentação sobre o Depoimento Pessoal, este está previsto no CPC, seção II do Capítulo VI, nos seguintes Arts.: Art. 342 – O juiz pode, de ofício, em qualquer estado do processo, determinar o comparecimento pessoal das partes, a fim de interrogá-las sobre os fatos da causa. Art. 343 – Quando o juiz não o determinar de ofício, compete a cada parte requerer o depoimento pessoal da outra, a fim de interrogá-la na audiência de instrução e julgamento. [...] Parágrafo 2°. Se a parte intimada não comparecer, ou comparecendo, se recusa a depor, o juiz lhe aplicará a pena de confissão. Art. 347 – A parte não é obrigada a depor de fatos: I – criminosos ou torpes, que lhe forem imputados; II – a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guar- dar sigilo. No entanto, na análise da citação anterior, há que se con- siderar que o Art. 334 do CPC cita que “Não dependem de prova os fatos: I – notórios; II – afirmados por uma parte e con- fessados pela parte contrária”. Sob esse manto, Alberto (2011, p. 13) refere-se à subjetividade do depoimento pessoal, que, por vezes, a parte interrogada pelo juiz, apresenta “elemen- tos, como a sinceridade e a personalidade exteriorizada pelo depoente [...] o direito de expressão pessoal, e não através daquele que o orienta juridicamente (o advogado) sobre as 50 Arbitragem e Perícia Contábil condições sob as quais os fatos se deram”. Portanto, este é o fator óbvio da prova exposta e a pericial, que seguindo a vi- são de Alberto (2011, p. 14) cita que: a primeira “recai sobre fatos de qualquer natureza e sem a total isenção de ânimo do agente ativo”; já a segunda “recai sobrefatos cuja apreciação dependa de conhecimentos técnicos ou científicos [...] isento em relação ao resultado da ação”. Por fim, a confissão pode não isentar a necessidade da realização da perícia, quanto às consequências dessa (confissão). b) Confissão: A confissão só é admissível como tal sob determinadas condições previstas no CPC, veja: Art. 348 – há confissão, quando a parte admite a verda- de de um fato, contrário ao seu interesse e favorável ao adversário. A confissão é judicial ou extrajudicial. Art. 351 – Não vale como confissão a admissão, em juí- zo, de fatos relativos a direitos indisponíveis. Art. 354 – A confissão é, de regra, indivisível, não po- dendo a parte, que a quiser invocar como prova, aceitá- -la no tópico que a beneficiar e rejeitá-la no que lhe for desfavorável. Cindir-se-á, todavia, quando o confidente aduzir fatos novos, suscetíveis de constituir fundamento de defesa de direito material ou de reconvenção. Verificando os Arts. citados, Alberto (2011) apresenta a confissão, espontânea ou provocada, resumidamente nos se- guintes aspectos: b.1) Admitir como verdadeiro fato contrário a seu interesse e favorável a outra parte; Capítulo 3 A perícia como um dos Meios de Prova 51 b.2) Não se referir a fatos relativos a direitos indisponíveis; b.3) O caráter de indivisibilidade desta prova. Ainda em relação à Confissão, na comparação com a prova pericial, pode-se verificar que, quando parte da matéria examinada pela perícia (um fato, ligado a um conjunto de fa- tos) já estiver solucionada pela confissão, esta exclui (elimina) a perícia sobre o mesmo fato, ou seja, quando recair sobre o mesmo fato serão excluídas. Dessa forma, o Art. 214 do Có- digo Processo Civil deixa margem para a validade da confis- são, a qual “é irrevogável, mas pode ser anulada se decorreu de erro de fato ou de coação”. Por exemplo: O Reclamante requer pagamento de Horas Extraordinárias não contra presta- das alegando uma determinada jornada de trabalho, e no dia da Audiência quando lhe perguntado informa outro horário, ou aquele que a Reclamada alega ter efetuado. c) Exibição de Documento ou Coisa: É importante ob- servar, principalmente para o profissional da perícia, que a exibição será elemento de prova por si ou por sua ausência, ou seja, se exibida a coisa ou docu- mento trará aos autos um elemento probante, ou se não exibida, fará com que o juiz admita como verda- deiros os fatos que, por meio daqueles, a parte preten- dia provar. É o que dispõe o Art. 359 do CPC: Art.359 - Ao decidir o pedido, o juiz admitirá como ver- dadeiros os fatos que, por meio do documento ou da coisa, a parte pretendia provar: 52 Arbitragem e Perícia Contábil I - Se o requerido não efetuar a exibição, nem fizer qual- quer declaração no prazo do art. 357; II - Se a recusa fora havida por ilegítima. Verificando a citação pode o terceiro recusar, ou escusar, a exibição de documento ou da coisa, por ordem do juízo ou por requerimento das partes. Isso está previsto no Art. 363 do CPC que cita: Art. 363 – A parte e o terceiro se escusam a exibir, em juízo, o documento ou a coisa: I – se concernente a negócios da própria vida da família; II - se a sua apresentação puder violar dever de honra; III – se a publicidade do documento redundar em deson- ra à parte ou terceiro, bem como a seus parentes con- sanguíneos ou afins até o terceiro grau; ou lhes represen- tar perigo de ação penal; IV – se a exibição acarretar divulgação de fatos, a cujo respeito, por estado ou profissão, devam guardar segre- do; V – se subsistirem outros motivos graves que, segundo o prudente arbítrio do juiz, justifiquem a recusa da exi- bição. Parágrafo único: se os motivos de que tratam nos inci- sos I e V disserem respeito só a uma parte do conteúdo do documento, da outra se extrairá uma suma para ser apresentada em juízo. Capítulo 3 A perícia como um dos Meios de Prova 53 Com base na citação, Sá (2011) ensina que diante da exi- bição de documento ou coisa, dois laços ligam esta espécie de prova para a perícia: primeiro, se a apreciação do documen- to ou coisa necessita do conhecimento técnico ou científico, torna-se necessário sua exibição; e segundo, se o documento ou coisa é indispensável para as faculdades da perícia, e se encontrar em poder de repartição pública ou da parte, pode ser requisitado seu exame para examinar no intuito de exarar o parecer. d) Documento: A Prova Documental é a mais utilizada, pois, revestida das condições que a lei estabelece, tem força probante. É uma prova plena, já que as partes quando da fun- damentação do direito alegado ou direito contestado se vale- rão da prova que, normalmente, está mais à mão, ou seja, os documentos sobre os quais se desenvolverá a causa de pedir e as razões de contestar (ALBERTO, 2012, p. 16). Esses documentos probantes podem ser públicos ou parti- culares. Os documentos públicos de forma geral são os que estão em guarda em repartições públicas e por vezes ainda em cartórios. Assim sendo, podem ser requisitadas certidões, as quais têm fé pública, que de acordo com o Art. 365 do Código Civil estabelece: Fazem a mesma prova que os originais as certidões tex- tuais de qualquer peça judicial, do protocolo das audi- ências, ou de outro qualquer livro a cargo do escrivão sendo extraídas por ele, ou sob a sua vigilância, e por ele subscritas, assim como os traslados de autos, quando por outro escrivão consertados. 54 Arbitragem e Perícia Contábil Dessa forma, na visão de Sá (2011), a ausência de do- cumentos originais pode ser suprida pelas certidões, as quais suprem a comprovação das originais, em vista de que as re- partições públicas e cartórios têm a legitimidade de emiti-las, de acordo com as formalidades e prescrições da lei. e) Testemunho: A Prova Testemunhal é sempre admissí- vel, conforme cita Alberto (2012) referindo-se ao art. 400 do CPC, exceto quando: e.1) a lei disponha de modo diverso; e.2) os fatos já estejam provados por documentos ou con- fissão da parte; e.3) os fatos somente possam ser provados por documento ou exame pericial. Veja então o que menciona o Art. 405 do CPC: Art. 405 – Podem depor como testemunhas todas as pes- soas, exceto as incapazes, impedidas ou suspeitas: Parágrafo 1º. São incapazes: I – o interdito por demência; II – o que, acometido por enfermidade, ou debilidade mental, ao tempo em que ocorreram os fatos, não podia discerni-los; ou, em que deve depor, não está habilitado a transmitir as percepções; III – o menor de dezesseis (16) anos; Capítulo 3 A perícia como um dos Meios de Prova 55 IV – o cego e o surdo, quando a ciência do fato depender dos sentidos que lhe faltam; Parágrafo 2º. São impedidos: I – o cônjuge, bem como o ascendente e o descendente em qualquer grau, ou colateral, até o terceiro grau, de alguma das partes, por consanguinidade ou afinidade, salvo se o exigir o interesse público, ou, tratando-se de causa relativa da pessoa, não se puder obter de outro modo a prova, que o juiz repute necessária ao julgamen- to do mérito; II – o que é parte da causa; III – o que intervém em nome de uma parte, como o tu- tor na causa do menor, o representante legal da pessoa jurídica, o juiz, o advogado e outros, que assistam ou tenham assistido as partes. Parágrafo 3º. São suspeitos: I – o condenado por crime de falso testemunho, havendo transitado em julgado a sentença; II – o que, por seus costumes, não for digno de fé; III – o inimigo capital da parte, ou seu amigo íntimo; IV – o que tiver interesse no litígio. Sob esses aspectos a legislação dispõe de quem pode de- por como testemunhas, seja, então, quaisquer pessoas, exceto as incapazes, as impedidas e as suspeitas, estas devem ser caracterizadas. Portanto, otestemunho ocorre para a contri- 56 Arbitragem e Perícia Contábil buição da produção da prova pericial, o igualmente pode e deve ser considerado pela perícia para a realização do laudo. Assim, na sequência, tem-se o passo da inspeção judicial. f) Inspeção Judicial: Conforme Alberto (2012, p. 19- 20), a Inspeção Judicial é um ato do Juiz, pessoal e direto, de examinar ou vistoriar pessoas ou coisas, a fim de se esclarecer sobre o fato que interesse à deci- são da lide. Seguindo ainda a visão de Alberto (2012) em relação a essa inspeção direta de pessoas ou coisas por parte do juiz, ela dá-se, normalmente, quando este julgue necessário para melhor verificação e interpretação, ou quando este determina a reconstituição de fatos, ou, ainda, quando o objeto da inspe- ção não pode ser apresentado em juízo. Veja o que diz o CPC: Art. 440. O juiz, de ofício ou a requerimento da parte, pode, em qualquer fase do processo, inspecionar pes- soas ou coisas, a fim de se esclarecer sobre fato, que interesse à decisão da causa. Art. 441. Ao realizar a inspeção direta, o juiz poderá ser assistido de um ou mais peritos. Art. 442. O juiz irá ao local, onde se encontre a pessoa ou coisa, quando: I – julgar necessário para a melhor verificação ou inter- pretação dos fatos que deva observar; II – a coisa não puder ser apresentada em juízo, sem consideráveis despesas ou graves dificuldades; Capítulo 3 A perícia como um dos Meios de Prova 57 III – determinar a reconstituição dos fatos. Parágrafo único. As partes têm sempre direito a assistir à inspeção, prestando esclarecimentos e fazendo observa- ções que reputem de interesse para a causa. Art. 443. Concluída a diligência, o juiz mandará lavrar auto circunstanciado, mencionando nele tudo quanto for útil ao julgamento da causa. Parágrafo único. O auto poderá ser instruído com dese- nho, gráfico ou fotografia. Nesses casos, se assim julgar necessário, o juiz poderá, no ato da inspeção, ser assistido por um ou mais peritos. Esse ato, por influir diretamente no convencimento do juiz, é prova e como tal deve ser absorvida. Assim, recorrendo, ao que menciona o Art. 441, combinado com o Art. 145, am- bos do CPC, a necessidade de acompanhamento por peritos na Inspeção Judicial pode e deve ser procedida dessa forma quando a pessoa ou coisa inspecionada ou examinada enseja, requeira, conhecimento técnico ou científico. g) Perícia: A Prova Pericial se inter-relaciona com as de- mais provas, em menor ou maior grau, pois tem como objetivo esclarecer ou complementar as provas já pro- duzidas ou, simplesmente, contrapô-las (ALBERTO, 2012). Verificados os meios de prova, nos parágrafos anteriores, recorre-se a Sá (2011) que descreve os dados fornecidos por 58 Arbitragem e Perícia Contábil terceiros e que são relevantes meios de prova, podem ser in- corporados, mas com restrições. Em caso que exija cautela, devem até ser desprezados, ou seja, não aceitos pelo perito. Partindo dessa acepção de que dados fornecidos por ter- ceiros podem ainda influenciar na opinião do perito sobre a lavratura do laudo ao término do trabalho pericial, Sá (2011, p. 19) cita: O perito não deve tomar como sua a opinião que foi fruto de informação, dado ou tarefa de terceiros, mas, apenas, com restrições procurar em tais elementos um subsídio a ser aceito com a relatividade e sobre a qual não deve afirmar. Devem merecer recusa como prova todo e qualquer elemento derivado de método de amos- tragem, ainda que fornecido por terceiro que tenha con- ceito firmado como profissional de qualidade. Em análise da citação, percebe-se que há aderência com o que foi citado nos parágrafos anteriores, especificamente quando o documento ou coisa apresentada esteja corrobo- rado pelo que cita o Art. 359 do CPC, em que a prova seja verdadeira e não restem dúvidas, pois o critério pode apresen- tar restrições, mas o elemento de prova deve ser a certeza. Portanto, a perícia tem “características gerais e específi- cas” em cada caso, de acordo com Alberto (2012, p. 21). Assim veja a ilustração a seguir: Capítulo 3 A perícia como um dos Meios de Prova 59 Perícia: Características gerais Perícia: Características espe- cíficas - surge de um conflito latente e manifesto que se quer esclarecer. - a delimitação da matéria sobre que recai – já que são somente aquelas matérias, cuja apreciação dependa de conhecimento espe- cial do técnico. - constata, prova ou demonstra a veracidade de alguma situação, coisa ou fato. - a iniciativa técnica, ou seja, a absoluta independência técnica nos processos, métodos e análises que leva a efeito. - fundamenta-se em requisitos técnicos, científicos, legais, psi- cológicos, sociais e profissionais. - a limitação de pronunciamen- to, ou seja, a consonância da matéria examinada e da finali- dade do exame com a forma própria e normalizada da espécie de laudo que registrará a con- clusão. - deve materializar, segundo for- ma especial, à instância decisória, a transmissão da opinião técnica ou científica sobre a verdade fática, de modo que a verdade jurídica corresponda àquela. - o integral conhecimento técni- co da matéria, complementado, necessariamente, com conhe- cimentos conexos a sua espe- cialização e das disposições legais e normativas aplicáveis ao caso concreto e à própria perícia. Verificando a ilustração, recorre-se a Alberto (2012) que aponta quanto aos aspectos gerais e específicos, forma a ca- racterística da perícia e sua atuação, fundamentada no orde- namento lógico das observações, as quais expressam o exer- cício profissional do perito, na função pericial. Assim, deve ser entendido que a perícia é um instrumento técnico e científico de prova ou demonstração dos fatos ou coisas. 60 Arbitragem e Perícia Contábil Recapitulando Foram abordadas questões referentes aos meios de provas uti- lizados no âmbito da perícia. Para tanto, destacou-se o judici- ário que é o local da resolução da lide. Para isso, compreen- de-se que o juiz serve-se no auxílio do perito para realização dos exames, do fato ou coisa, para a elucidação do conflito. Notou-se que a perícia é o instrumento, ferramenta, que des- vela a verdade dos fatos. Verificou-se que os meios de prova citados e conceitua- dos trazem o entendimento de autores, os quais dialogaram com o que preceitua o Código de Processo Civil. Dessa forma, mostrou-se que os conteúdos são generalistas, ou seja, dão a visão ampla dos meios de provas, e é relevante o conhecimen- to para os profissionais da contabilidade, porque eles podem ser um auxílio em apuração de valores em lides que requeiram apuração e mensuração de valores. Referências BRASIL. LEI N° 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a arbitragem. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ______. LEI N° 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Dis- põe sobre o Código de Processo Civil. Disponível em: Capítulo 3 A perícia como um dos Meios de Prova 61 <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 27 de julho de 2016. ______. LEI N° 13.129, DE 26 DE MAIO DE 2015. Altera a Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996, e a Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, para ampliar o âmbito de aplicação da arbitragem e dispor sobre a escolha dos árbitros quando as partes recorrem a órgão arbitral, a in- terrupção da prescrição pela instituição da arbitragem, a concessão de tutelas cautelares e de urgência nos casos de arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral, e revoga dispositivos da Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ALBERTO, Valdeir Luiz Palombo. Perícia Contábil: Normas Brasileiras de Perícia ContábilComentadas (NBC T 01 e NBC PP 01); Aspectos Legais, Civis e Criminais; Casos Prá- ticos de Perícia Contábil das Áreas Cível, Federal, Traba- lhista (Instrução e Liquidação) e Extrajudiciais; Honorários Periciais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012. COMISSÃO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM – CMA/OAB/ MG. Cartilha de Arbitragem. Ordem dos Advoga- dos do Brasil – Minas Gerais, 2009. Disponível em: <http://www.precisao.eng.br/jornal/Arbitragem.pdf>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia Contábil. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2011. 62 Arbitragem e Perícia Contábil RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCTP01, de 19 de março de 2015. Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 – PE- RÍCIA CONTÁBIL. RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCPP01, de 19 de março de 2015. Norma Brasileira de Contabilidade - NBC PP 01 – PE- RITO CONTÁBIL. SÁ, Antônio Lopes. Perícia Contábil. 10. ed. Revisada e Am- pliada. São Paulo: Atlas, 2011. Atividades 1) Assinale a alternativa que, de acordo com o Código de Processo Civil, apresenta somente tipos de Provas Admiti- das pela Legislação Brasileira para a resolução de Lide: a) Confissão, Documento, Testemunho, Inspeção Veicu- lar, Perícia. b) Documento, Testemunho, Inspeção Judicial, Confissão do Padre, Perícia. c) Testemunho, Inspeção Judicial, Confissão, Exibição do Registro Geral. d) Inspeção Judicial, Confissão, Documento do Pai, De- poimento Pessoal. e) Depoimento Pessoal, Testemunho, Inspeção Judicial, Confissão. Capítulo 3 A perícia como um dos Meios de Prova 63 2) Assinale a alternativa que melhor apresenta a função da Prova Pericial: a) tem por fim reunir elementos suficientes que sejam o meio de convencer o juízo, então a Função da Prova Pericial é a de transformar os fatos relativos à Lide em verdade formal e em certeza jurídica. b) tem por meio reunir elementos suficientes que sejam o meio de convencer o juízo, então a Função da Prova Pericial é a de transformar os fatos relativos à Lide em verdade formal e em certeza jurídica. c) tem por início reunir elementos suficientes que sejam o meio de convencer o juízo, então a Função da Prova Pericial é a de transformar os fatos relativos à Lide em verdade formal e em certeza jurídica. d) tem por fim reunir elementos suficientes que sejam o meio de convencer o juízo, então a Função da Prova Pericial é a de apresentar os fatos relativos à Lide em verdade formal e em certeza jurídica. e) tem por fim reunir elementos suficientes que sejam o meio de convencer o juízo, então a Função da Prova Pericial é a de manipular os fatos relativos à Lide em verdade formal e em certeza jurídica. 3) Analise os Incisos do Art. 347 do CPC, e assinale a alter- nativa que melhor justifica o Art.: I – criminosos ou torpes, que lhe forem imputados; 64 Arbitragem e Perícia Contábil II – a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo. a) A parte é obrigada a depor de fatos. b) A parte não é obrigada a depor de fatos. c) A parte não é obrigada a comparecer em juízo para falar dos fatos. d) A parte ignora a intimação do juiz e os fatos. e) A parte faz-se representar por outra pessoa em juízo e falar dos fatos. 4) Considere os meios de prova e marque os Incisos do Art. 442, com V os verdadeiros e F os falsos, em que o juiz irá ao local onde se encontre a pessoa ou coisa, quando: I – julgar desnecessário para a melhor verificação ou inter- pretação dos fatos que deva observar; II – a coisa não puder ser apresentada em juízo, sem con- sideráveis despesas ou graves dificuldades; III – determinar a constituição dos fatos. A ordem correta é: a) F, F, F b) F, F, V c) F, V, F d) V, F, V Capítulo 3 A perícia como um dos Meios de Prova 65 e) V, V, V 5) Observe o que menciona o Art. 405 do CPC sobre pes- soas que podem depor como testemunhas como meios de prova e relacione as colunas: A) São Incapazes. B) São Impedidos. C) São Suspeitos. ( ) o que tiver interesse no litígio. ( ) o que é parte da causa. ( ) o interdito por demência. ( ) o cego e o surdo, quando a ciência do fato depender dos sentidos faltantes. ( ) o cônjuge, bem como o ascendente e o descendente em qualquer grau. ( ) o que, por seus costumes, não for digno de fé. A ordem correta é: a) B, A, C, C, A, B b) A, C, B, B, C, A c) C, A, B, B, A, C d) C, B, A, A, B, C e) A, B, C, C, B, A Jucelaine Bitarello1 Capítulo 4 Áreas de Abrangência da Perícia Contábil1 1 Jucelaine Bitarello é Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), RS, especialista em Administração e Estratégia Empre- sarial pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), Canoas, RS, e graduada em Ciências Contábeis pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), RS. Ela é professora dos cursos de Ciências Contábeis, Administração e Gestão Pública da ULBRA, presencial e EaD. Jucelaine tem experiência profissional em organizações privadas e públicas, é autora de diversos artigos científicos, nacionais e internacio- nais, é autora de livros e capítulos de livros. Ela é, também, consultora ad hoc do Ministério da Educação e Cultura (MEC/INEP). Capítulo 4 Áreas de Abrangência da Perícia Contábil 67 Introdução Neste capítulo são abordados os conteúdos referentes às diver- sas áreas em que a Perícia Contábil pode estar presente. Para isso, são trazidos ao texto aspectos da área da justiça criminal, em que é diferençado entendimento de questões das varas: cível, criminal e trabalhista. Diferencia-se também a visão da justiça em âmbito estadual, de primeiro grau, igualmente nas varas: cível, criminal, falência e concordata e trabalhista. Em todos os tipos distintos de áreas de aplicação da Perí- cia, entende-se que os conhecimentos contábeis dão a susten- tação técnica e científica para a Perícia, a qual é instrumento de auxílio para a tomada de decisão do Juiz no sentenciamen- to e elucidação da Lide. Para isso, distingue ainda no texto a Perícia Contábil Judicial e Extrajudicial. 4.1 Justiça Criminal: Cível – Criminal – Trabalhista Como ponto de partida para o entendimento dos conteúdos deste capítulo, é relevante que o/a leitor/a tenha clareza das duas espécies de Perícias: a Judicial e a Extrajudicial. Partindo desse pressuposto, salienta-se que para o estudo trata-se em maior profundidade no primeiro momento a Perícia Contábil Judicial e no segundo momento a Perícia Contábil Extraju- dicial, sem, no entanto, deixar de citar que há Perícia Semi- judicial e a Perícia Arbitral, as quais não são o foco desse estudo. 68 Arbitragem e Perícia Contábil Em relação à Perícia Contábil Judicial, Sá (2011, p. 63) cita que “é a que visa servir de prova, esclarecendo o Juiz sobre assuntos em litígio que merecem seu julgamento, obje- tivando fatos relativos ao patrimônio da empresa (aziendal) ou de pessoas”. Assim, “A prova pericial consiste em exame, visto- ria e avaliação”, conforme estabelecido no Art. 420 do CPC. Seguindo a visão de Sá (2011), a Perícia geralmente é aceita quando as provas dos autos são insuficientes para o esclarecimento. Ela se torna imprescindível quando o que se discute depende de opinião especializada. Portanto, a perícia tem força de prova, mas também pode ser considerada nula, se for insuficiente de prova. Em outra definição conceitual preliminar, ainda, Alberto (2012, p. 40) cita que a Perícia Judicial “é aquela realizada dentro dos procedimentos processuais do Poder Judiciário, por determinação, requerimento ou necessidade de seus agentes ativos, e se processa segundo regras legais específicas”. Sob essa visão o autor, na mesma página, cita que essa espécie de perícia subdivide-se: Segundo suas finalidades precípuas no processo judicial, em meio de prova ou arbitramento.Ou seja, a perícia ju- dicial será prova quando – no processo de conhecimento ou de liquidação por artigos – tiver por escopo trazer a verdade real, demonstrável científica ou tecnicamente, para subsidiar a formação da convicção do julgador, e será arbitrariamente, quando, determinada no processo de liquidação de sentença, tiver por objeto quantificar Capítulo 4 Áreas de Abrangência da Perícia Contábil 69 mediante critério técnico a obrigação de dar em que aquela se constituir. Então, na verificação da visão de Sá (2011) e Alberto (2012), nota-se que o Juiz busca conhecer o assunto pelo es- clarecimento técnico do perito. O pedido de perícia precisa ser justificado pela parte que a requer, e o Juiz pode limitar-se a só ouvir o Perito ou acolher parecer técnico de valor. Sendo que essa cautela do julgador está em aderência com o que preceitua a Lei n° 8.455/1992. A cautela utilizada na prova da causa em julgamento é prudente, pois, para Sá (2011), ao deferi-la, o Juiz indica seu perito e as partes do processo (autores e réus), dentro de cin- co dias da intimação do despacho de nomeação do perito, devem indicar os assistentes (cada parte indica seu assistente). Assim sendo, o normal é que haja três profissionais trabalhan- do na causa, o perito e dois assistentes, evidentemente conta- dores. Conforme o autor cita, ilustra-se na sequência o Ciclo da Perícia Judicial, a qual envolve em seu curso três fases: Fases Ações Desenvolvidas Preliminar - a perícia é requerida ao juiz, pela parte interessa- da na mesma; - o juiz defere e escolhe seu perito; - as partes formulam quesitos e indicam seus assis- tentes; - os peritos são cientificados da indicação; - os peritos propõem honorários e requerem depósi- to; - o juiz estabelece prazo, local e hora para início. 70 Arbitragem e Perícia Contábil Operacional - início da perícia e diligência; - curso do trabalho; - elaboração do laudo. Final - assinatura do laudo; - entrega do laudo ou laudos; - levantamento do honorários; - esclarecimentos (se requeridos). Nota-se que há variados tipos de ações judiciais que mo- tivam as perícias ensejam variadíssimos quesitos, que na con- cepção de Sá (2011) requerem dos peritos muitos objetos de exame. Em alguns desses casos, tem-se os exames periciais contábeis parciais, em que as verificações, segundo o mes- mo autor (p. 65), quase sempre abrangem os seguintes itens: - existência de bens e valores; - saldos de contas e registros de contas; - lançamentos (feitos ou não) em Diário; [...] - verificação de documentos e registros; - verificação de legitimidade e adequação de docu- mentos; - análises econômico-financeiras e apuração de re- sultado; - outros tipos de análise; [...]. Capítulo 4 Áreas de Abrangência da Perícia Contábil 71 Para os exames periciais contábeis totais ou integrais podem ser objeto de exame os mesmos documentos que fo- ram objeto de exames parciais. No entanto, seguindo o enten- dimento de Sá (2011, p. 66), sem exclusão de nada, visando, geralmente, à apuração de: - gestões ruinosas e fraudulentas; - irregularidade em prestação de contas; - estado patrimonial para concordatas e falências; - exame patrimonial para fusões, cisões e liquidações; - valor patrimonial de ações e quotas, entre outros. Após esses conteúdos preliminares, na sequência verifi- cam-se as Espécies de Perícias Judiciais, de diversas mo- dalidades, de acordo com as necessidades processuais. Na ilustração identifica-se as que ocorrem com maior frequência: Tipo das Varas Características Cíveis Prestação de contas, avaliações patrimo- niais, litígios entre sócios, indenizações, avaliações de fundo de comércio e outras. Criminais Fraudes e vícios contábeis, adulterações de lançamentos e registros, desfalques, apropriações indébitas e outras. De Família Avaliações de pensões alimentícias, avaliações patrimoniais e outras. Do Trabalho Indenizações de diversas modalidades, litígios entre empregadores e empregados de diversas espécies. 72 Arbitragem e Perícia Contábil Da Fazenda Pública Litígios onde uma das partes é a Fazenda Pública. De Recuperação Judicial e Falências Perícias Falimentares em geral. Federais Litígios onde uma das partes é a União (processos referentes a tributos federais: PIS, COFINS, CSLL, IRPJ, IRPF, INSS etc.) ou uma das partes são instituições federais como CEF (Prcessos do SFH). Em análise dos conteúdos até aqui apresentados, pode-se ter uma visão genérica da Perícia Judicial. No entanto, Alberto (2012) cita ainda que há a existência da Perícia Semijudi- cial, a qual não é o foco deste estudo, mas para fins de co- nhecimento: é aquela que é realizada em âmbito de aparatos institucionais do Estado. Assim, são realizadas, fora do Poder Judiciário, e têm a finalidade de prova de ordenamentos insti- tucionais, ou seja, partem de comissões especiais, instaurados em esfera estatal para exames específicos de competência es- tatual, parlamentar ou de governo. Os próximos parágrafos estão reservados à Perícia Extra- judicial, perícias as quais independem de tramitação judicial. São livremente contratadas entre as partes envolvidas e os pe- ritos. Os tipos mais importantes e requisitados dessas perícias são: Â Perícia para Equivalência Patrimonial entre Empresas; Â Perícia para Avaliação Patrimonial de Bens e Direitos; Â Perícia para Avaliação de Fundo de Comércio; Capítulo 4 Áreas de Abrangência da Perícia Contábil 73 Â Perícia para Avaliação de Bens e Direitos para Integrali- zação do Capital Social das Sociedades Anônimas; Â Perícia para Cisão, Fusão, Incorporação ou Transforma- ção de Empresas; Â Perícia para Arbitramento de Valores Indenizatórios; Â Perícia para Litígio entre Sócios de Empresas; Â Perícias para Avaliação de Resultados Econômicos das Empresas; Â Outras Perícias que surgem eventualmente para resolver litígios. Partindo desses tipos de Perícias Extrajudiciais, citados an- teriormente, Alberto (2012, p. 41), conceitua-a da seguinte forma: A perícia extrajudicial é aquela realizada fora do Estado, por necessidade e escolha de entes físicos e jurídicos particu- lares – privados, vale dizer – no sentido estrito, ou seja, não submetíveis a outra pessoa encarregada de arbitrar a matéria conflituosa (fora do juízo arbitral, também). Essa espécie de perícia subdivide-se, segundo as finalidades intrínsecas para as quais foram designadas, em demonstrativas, discriminativas e comprobatórias. Seguindo o raciocínio de Alberto (2012), essa subdivisão pode ser ilustrada da seguinte forma: 74 Arbitragem e Perícia Contábil Subtipo de Perícia Extrajudicial Finalidade Demonstrativa A busca pretendida por via pericial é demonstrar a veracidade ou não do fato ou coisa previamente especificados na consulta. Discriminativa É a via instada a colocar nos justos termos os interesses de cada um dos envolvidos na matéria potencialmente duvidosa ou confli- tuosa. Comprobatória Visa à comprovação das manifestações patológicas da matéria periciada (fraudes, desvios, simulações, entre outras). Por fim, há ainda a Perícia Arbitral, a qual, conforme Al- berto (2012), é aquela realizada no âmbito do juízo arbitral, uma instância criada por vontade das partes. O autor ensina: ela não é enquadrável em nenhuma das espécies de perícias estudadas anteriormente, a Judicial e Extrajudicial, pois suas características são peculiaríssimas, mas com fim de atuação como se judicial ou extrajudicial fosse. Em suma, o autor cita (p. 41): “o meio de prova do juízo arbitral é subsidiadora da convicção do árbitro, ou seja é ela própria a arbitragem, ou seja, funciona seu agente ativo como o próprio árbitro da controvérsia”. Assim, verificou-seas espécies de perícias e na sequência verifica-se algumas especificidades da Perícia em âmbito da Justiça Estadual, em primeiro plano de solicitação na ação judicial. Capítulo 4 Áreas de Abrangência da Perícia Contábil 75 4.2 Tipos de Perícias Contábeis na Justiça Federal, Estadual e do Trabalho Para este tópico são apresentados alguns dos principais Ti- pos de Perícias Contábeis, nas diferentes esferas da Justiça, ou seja, na esfera Federal, na esfera Estadual e na Trabalhista. Assim,na Esfera Federal, as pricipais Perícias Contábeis reque- ridas são em relação aos tributos federais como: PIS, COFINS, CSLL, IRPJ, IRPF, INSS, SFH etc., em que figuara como uma das partes a União ou Autarquias Federais. Já, na Esfera Estadual, as principais Perícias Contábeis requeridas abrangem as se- guintes matérias: Ações de Alimentos é o tipo mais conhecido atualmen- te, a qual é realizada para que o juiz possa fixar os valores dos alimentos, devidos pelo cônjuge ou responsável, de forma justa, ou seja, atendendo as necessidade dos dependentes. O ponto de partida é a avaliação da capacidade econômica daquele que responderá pela prestação pecuniária, tornando- -se, às vezes ou muitas vezes necessária a realização de perícia contábil para a verificação dos haveres do réu. Há o tipo de Perícia que envolve as Ações de Inventário, no contexto do direito aos bens, em vida ou após morte, em que é necessária a averiguação de que haja patrimônio a ser inventariado, para que, dessa forma, a cada herdeiro possa ser atribuída à parte que lhe couber, perfeitamente identificada e mensurada. No caso de Desapropriações, em que se tratando de enti- dade que explore atividade econômica, os haveres totais atin- 76 Arbitragem e Perícia Contábil gidos pelo ato do poder público certamente incluem o “fundo de comércio” (ver parágrafo seguinte) e este terá que ser apu- rado para fins de mensuração dos haveres convocados com- pulsoriamente em pecúnia. Já o Fundo de Comércio, caracterizado como Ativo In- tangível, no caso de venda da empresa, cisão, fusão etc., a sua apuração do chamado “fundo de comércio” da entidade econômica é tarefa atribuída principalmente aos peritos con- tábeis, que podem ou não vir a utilizar outros especialistas em seu trabalho. Outro tipo de Perícia, na atualidade, é a Recuperação Ju- dicial e Falências, que parte de exames periciais exaustivos, os quais são feitos para aprovar um requerimento de concor- data. Uma criteriosa e severa verificação das situações finan- ceiras, de resultados, de riscos, produtividade, de equilíbrio patrimonial precisa ser realizada. Seguindo, ainda, o tipo da Perícia de Recuperação Judicial e Falências, há que ter vigilância sobre a verificação de possi- bilidade de fraudes. Essas requerem do Perito um profundo co- nhecimento sobre as “fraudes contábeis”. Há, ainda, casos de notória incompetência administrativa, outros de ausência de assessoramento competente, outros decorrentes de Medidas Governamentais, mas alguns de inequívoca má-fé ou desejo de prejudicar terceiros. Destaca-se que os exames devem levar à convicção sobre a veracidade das peças contábeis, dos documentos e da dinâ- mica dos acontecimentos que conduziram ao estado de coisas que gerou o Pedido de Recuperação Judicial. O Perito pre- Capítulo 4 Áreas de Abrangência da Perícia Contábil 77 cisa informar ao Juiz se a empresa tem capacidade de recupe- ração, de cumprir suas obrigações mediante a dilatação dos prazos de pagamentos. Por fim, cabe exemplificadamente, ao Perito, exami- nar: o fluxo de caixa, a capacidade de realização do Ativo Circulante, o volume de vendas, a margem de lucros, o volu- me de custos e despesas operacionais, se o lucro gerado tem capacidade de produzir realizações competentes para pagar o custo da concordata, a capacidade produtiva do imobiliza- do, a situação fiscal da empresa, o estado da escrita contábil e outros. Cabe observar que cada item requer uma série de exames. A Perícia poderá abordar as causas do desequilíbrio empresarial, bem como as perspectivas de solução. Quanto à Reavaliação de Bens, esse tipo de Perícia reavaliativa é espontânea, voluntária e a critério da empresa, justamente para melhor atualizar seus ativos. Conforme de- termina o Art. 8°, combinado com o parágrafo 3° do Art. 182 da Lei n° 6.404/1976 (Lei das S.A.), a reavaliação de bens do ativo será feita por três peritos ou por empresa especializada. Nos casos de Cisão de Sociedades, é a operação pela qual uma sociedade transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já exis- tentes, extinguindo-se a sociedade cindida, se houver versão de todo seu patrimônio (cisão total), ou dividindo-se o seu capital, se a versão for parcial. Já em casos de Fusão de Sociedades, a Perícia se apresenta para a verificação dos valores das empresas que se fundem, em que a operação pela qual se unem duas ou mais 78 Arbitragem e Perícia Contábil sociedades para formar sociedade nova, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Por último, tem-se a Incorporação de Sociedades, que é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Nesse caso a Perícia exerce função relevante para a apuração dos valores, pois a sucessão se dá nos direitos e obrigações e é importante que não haja surgimento de elementos novos a posteriori da incorporação. Lembrete: a diferença entre fusão e incorporação é que na incorporação desaparecem as sociedades incorporadas, mas a incorporadora, uma sociedade preexistente, permane- ce com a sua vida normal, enquanto na fusão desaparecem todas as sociedades fusionadas e surge uma sociedade nova. Na Esfera Trabaslhista, tem-se a Perícia Contábil na fase de conhecimento do Processo Trabalhista, que serve para tra- zer a verdade dos fatos ao Processo e formar o convencimento do Juízo para que ele possa proferir a Sentença. E, a Perícia na fase de Liquidação de Sentença, que serve para a apuração dos haveres do reclamante, inclusive nela se apura a atuali- zação monetária, os juros de mora e efetua-se os descontos previdenciários (INSS parte empregado e parte empregador) e os descontos fiscais (IRRF). Capítulo 4 Áreas de Abrangência da Perícia Contábil 79 Recapitulando Foram apresentados neste capítulo os conteúdos referentes às diversas áreas em que a Perícia Contábil se apresenta, mais especificamente nas áreas da justiça criminal, em que foi dife- rençado entendimento de questões de outra varas, tais como: cível, criminal e trabalhista. Demonstrou-se que a justiça em âmbito estadual, de primeiro grau, igualmente tem as varas: cível, criminal, falência e concordata e trabalhista. Em todos os tipos distintos de áreas de aplicação da Perí- cia, buscou-se dar ênfase aos conhecimentos contábeis, técni- cos e científicos, como instrumentos relevantes para a Perícia. Sendo que a Perícia, por sua vez, é instrumento de auxílio para a tomada de decisão do Juiz na elucidação da Lide. Dessa forma, apresentou-se as espécies de Perícia Contábil: Judi- cial e Extrajudicial, foco do texto, e outras duas com menos expressão, a Semijudicial e Arbitral, mais especificamente no primeiro tópico do capítulo. Também, foram apresentados os tipos de Perícia nos diversos tipos de eventos que ocorrem, tan- to para Pessoas Físicas, como Jurídicas, e isso foi apresentado no último tópico do capítulo. Referências BRASIL. LEI N° 6.404, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de agosto de 2016. 80 Arbitragem e Perícia Contábil ______. LEI N° 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a arbitragem. Disponível em:<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ______. LEI N° 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Dis- põe sobre o Código de Processo Civil. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 27 de julho de 2016. ______. LEI N° 13.129, DE 26 DE MAIO DE 2015. Altera a Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996, e a Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, para ampliar o âmbito de aplicação da arbitragem e dispor sobre a escolha dos árbitros quando as partes recorrem a órgão arbitral, a in- terrupção da prescrição pela instituição da arbitragem, a concessão de tutelas cautelares e de urgência nos casos de arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral, e revoga dispositivos da Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ALBERTO, Valdeir Luiz Palombo. Perícia Contábil: Normas Brasileiras de Perícia Contábil Comentadas (NBC T 01 e NBC PP 01); Aspectos Legais, Civis e Criminais; Casos Prá- ticos de Perícia Contábil das Áreas Cível, Federal, Traba- lhista (Instrução e Liquidação) e Extrajudiciais; Honorários Periciais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012. COMISSÃO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM – CMA/OAB/ MG. Cartilha de Arbitragem. Ordem dos Advoga- dos do Brasil – Minas Gerais, 2009. Disponível em: Capítulo 4 Áreas de Abrangência da Perícia Contábil 81 <http://www.precisao.eng.br/jornal/Arbitragem.pdf>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia Contábil. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2011. RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCTP01, de 19 de março de 2015. Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 – PE- RÍCIA CONTÁBIL. RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCPP01, de 19 de março de 2015. Norma Brasileira de Contabilidade - NBC PP 01 – PE- RITO CONTÁBIL. SÁ, Antônio Lopes. Perícia Contábil. 10. ed. Revisada e Am- pliada. São Paulo: Atlas, 2011. Atividades 1) Qual a alternativa que indica as duas espécies mais co- muns de Perícia? a) Judicial e Semijudicial b) Semijudicial e Arbitral c) Arbitral e Extrajudicial d) Extrajudicial e Semijudicial e) Judicial e Extrajudicial 82 Arbitragem e Perícia Contábil 2) Assinale a alternativa que indica espécies de Perícias que ocorrem fora do âmbito do Judiciário: a) Judicial e Semijudicial. b) Semijudicial e Arbitral. c) Arbitral e Extrajudicial. d) Extrajudicial e Semijudicial. e) Judicial e Extrajudicial. 3) Marque a alternativa que melhor conceitua Perícia Judi- cial: a) é aquela realizada fora dos procedimentos processuais do Poder Judiciário, por determinação, requerimento ou necessidade de seus agentes ativos, e se processa segundo regras legais específicas. b) é aquela realizada dentro dos procedimentos proces- suais do Poder Legislativo, por determinação, reque- rimento ou necessidade de seus agentes ativos, e se processa segundo regras legais específicas. c) é aquela realizada dentro dos procedimentos proces- suais do Poder Executivo, por determinação, reque- rimento ou necessidade de seus agentes ativos, e se processa segundo regras legais específicas. d) é aquela realizada dentro dos procedimentos proces- suais do Poder Judiciário, por determinação, reque- rimento ou necessidade de seus agentes ativos, e se processa segundo regras legais específicas. Capítulo 4 Áreas de Abrangência da Perícia Contábil 83 e) é aquela realizada dentro dos procedimentos proces- suais do Poder Judiciário, por determinação, reque- rimento ou necessidade de seus agentes ativos, e se processa segundo regras legais do Poder Legislativo e Executivo. 4) Indique a alternativa que melhor conceitua Pericial Contá- bil Judicial: a) é a que visa servir de prova, esclarecendo as partes conflitantes da lide sobre assuntos em litígio que me- recem seu julgamento, objetivando fatos relativos ao patrimônio da empresa (aziendal) ou de pessoas. b) é a que visa servir de prova, esclarecendo as teste- munhas sobre assuntos em litígio que merecem seu julgamento, objetivando fatos relativos ao patrimônio da empresa (aziendal) ou de pessoas. c) é a que visa servir de prova, esclarecendo o Juiz so- bre assuntos em litígio que merecem seu julgamento, objetivando fatos relativos ao patrimônio da empresa (aziendal) ou de pessoas. d) é a que visa servir de prova, esclarecendo o Perito so- bre assuntos em litígio que merecem seu julgamento, objetivando fatos relativos ao patrimônio da empresa (aziendal) ou de pessoas. e) é a que visa servir de prova, esclarecendo o Juiz sobre assuntos sem litígio, que não merecem seu julgamen- to, objetivando fatos relativos ao patrimônio da em- presa (aziendal) ou de pessoas. 84 Arbitragem e Perícia Contábil 5) Relacione a primeira coluna (tipos de Perícia Contábeis) com a segunda coluna (finalidade ou características): a) Ação de Alimentos. b) Inventários. c) Fusão. d) Incorporação. ( ) uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. ( ) a avaliação da capacidade econômica daquele que responderá pela prestação pecuniária à pessoa de- pendente. ( ) uma forma para que possa ser atribuído a cada parte o que lhe couber, perfeitamente identificada e mensu- rada. ( ) operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes sucede em to- dos os direitos e obrigações. A ordem correta é: a) D, A, B, C b) A, B, C, D c) B, C, D, A d) C, D, A, B e) D, A, C, B Jucelaine Bitarello1 Capítulo 5 Perito Contábil e Normas Profissionais1 1 Jucelaine Bitarello é Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), RS, especialista em Administração e Estratégia Empre- sarial pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), Canoas, RS, e graduada em Ciências Contábeis pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), RS. Ela é professora dos cursos de Ciências Contábeis, Administração e Gestão Pública da ULBRA, presencial e EaD. Jucelaine tem experiência profissional em organizações privadas e públicas, é autora de diversos artigos científicos, nacionais e internacio- nais, é autora de livros e capítulos de livros. Ela é, também, consultora ad hoc do Ministério da Educação e Cultura (MEC/INEP). 86 Arbitragem e Perícia Contábil Introdução Neste capítulo são apresentados conteúdos conceituais que tratam sobre o Perito Contábil, em que se apresentam as ca- racterísticas profissionais e suas competências: técnicas e cien- tíficas. Para tanto, abordam-se os deveres e os direitos que o Perito tem, assim sendo: os primeiros, os deveres, deve manter sigilo e ética no trabalho, e os segundos, os direitos, pode e deve solicitar os objetos necessários para cumprir sua função, bem como receber honorários pela prestação do serviço. Também são apresentados conteúdos referentes à Perícia Contábil, a qual, em suma é o objeto da existência do profis- sional, Perito, que concernente a isso requer que hajam Nor- mas Profissionais. Dessa forma, o trabalho realizado, pela Perí- cia Contábil, necessita seguir padrões profissionais e, nesse sentido, as resoluções da classe contábil são os norteadores do trabalho. 5.1 PERITO CONTÁBIL – Qualificação Profissional. Competência Técnico- Profissional. Deveres e Direitos do Perito. Habilitação Profissional Convém relembrar ao/a leitor/a que em capítulos anteriores foi trazido conteúdo que discorreu sobre o Perito-Contador Assistente. No entanto, nos parágrafos iniciais, relembre-se de alguns aspectos para que tenha encadeamento teórico dos Capítulo 5 Perito Contábil e Normas Profissionais 87 capítulos, pois a Indicação de assistente incumbe às partes, dentro de cinco dias, contados da intimação do despacho de nomeação do perito técnico. Retoma-se aqui o Art.146, do CPC, que trata dos deveres legais e profissionais do Perito: “O perito tem o dever de cumprir o ofício, no prazo que lhe assina a lei, empregando toda a sua diligência; pode, todavia, escu- sar-se do encargo alegando motivo legítimo”. Assim, nota-se que de um lado o dever e do outro, da mesma proximidade, o direito de aceitar ou não designação. Em casos que a natureza do fato permitir, a perícia poderá consistir apenas na inquirição pelo Juiz do Perito-Contador e dos Peritos-Contadores Assistentes por ocasião da audiência de instrução e julgamento a respeito das coisas que houverem informalmente examinado ou avaliado. Partindo dessa contextualização inicial, o Relacionamento do Perito-Contador com os Peritos-Contadores Assisten- tes é um dos aspectos relevantes, pois a Perícia Judicial é feita com a participação de 3 profissionais. Dessa forma, necessá- rio se faz o exercício de comportamento ético pautado pela cordialidade e respeito. Como cita Alberto (2012), o elemento ético é uma das virtudes mínimas, que o Perito necessita ter, referindo-se inclusive a Aristóteles que ‘um homem deve ser reto e não tido como reto’, em suas funções, ainda mais se tratando da perícia. Refutada deve ser a existência da mentalidade de que pe- ritos de partes são “litigantes” ou mesmo “inimigos”, e que o perito do Juiz é um superior aos demais que são seus subalter- nos auxiliares. Todos têm influência no trabalho e o princípio 88 Arbitragem e Perícia Contábil deve ser o de igualdade, sem prejuízo. Novamente recorre-se a Alberto (2012) que discorre sobre a filosofia-doutrinária, de que o perito não deve deixar-se levar pelo animus nocendi, ou seja, a intenção de prejudicar, o que é em síntese a ação moral, princípio básico da conduta. Então, entende-se que a expressão “auxiliar”, usada pela lei, não é das mais felizes, pois são três os peritos, cada um preservando o interesse de quem o nomeou ou indicou, em- bora a maior responsabilidade pese sobre o perito do Juiz. Portanto, novamente invoca-se Alberto (2012) que aduz ao entendimento de que o perito do Juiz tenha maior responsabi- lidade, sem, no entanto, a ele dar o ostento do poder. Agora pode-se compreender a Finalidade do Perito- -Contador Assistente, pois assim como o Juiz se socorre de um “expert” versado nos fatos em discussão, as partes, por seu turno, embora possam ter conhecimentos sobre o assunto, necessitam de profissional com larga experiência e profundos conhecimentos sobre a matéria da lide. Então, a lógica está que: se de um lado o Juiz se serve do Perito Contador, igualmente as partes da lide servem-se de Pe- ritos-Contadores Assistentes que os orientem e, por outro lado, fiscalizem o trabalho do perito oficial. Estes técnicos apontados pelos litigantes não têm papel secundário, eis que o Juiz deve- rá fazer o confronto do laudo oficial com o do Perito-Contador Assistente ou Peritos-Contadores Assistentes. Sua finalidade é, pois, em conjunto com o Perito do Juiz, auxiliar o Magistrado na solução da lide. Capítulo 5 Perito Contábil e Normas Profissionais 89 Diante desse introito, apresenta-se o Perito, a Perícia e a Lei, em que a qualidade maior deve ser o Domínio da Ma- téria a Ser Periciada, pelo profissional destacado. Portanto, perito deve possuir o completo domínio da matéria sob seu exame para poder apreciar, analisar, averiguar e concluir so- bre ela, sem vacilações ou qualquer espécie de dúvidas, sem o que lhe faltará competência para o exercício da função. De forma que: se o Perito-Contador não possuir essa qualificação deve recusar os serviços, em ato de reconhecimento de não estar adequadamente capacitado a desenvolvê-los. Apresenta-se também a qualidade, denominada de Cau- tela, a qual pauta-se em alguns aspectos que podem ser defi- nidos da seguinte forma: a) O zelo: cuidado e responsabilidade que deve ter, não só com respeito à matéria, como, também, no trato com as pessoas envolvidas e interessadas no assunto. b) Quanto menos falar, melhor: isso evita que colo- quem na sua boca algo que não disse, evitando ser envolvido em comentários, mexericos e críticas maldo- sas, itens fáceis de surgirem nessas ocasiões, fruto do descontentamento de quem se julgar prejudicado. c) Riscos dos serviços contábeis: os dados contábeis apresentam margem de riscos como as demais áreas. Assim, o aspecto risco tem significado maior na Perí- cia, pois pode levar a opinião errônea, com produção de falsa prova, com lesão ao direito de terceiros. Não há margem para o Perito errar, e para isso tem que precaver-se de todos os meios a seu alcance. 90 Arbitragem e Perícia Contábil d) Tempo atribuído: esta é uma precaução relevante, pois só deve ser aceita a tarefa, cumprida em tem- po hábil para desempenhá-la com rigor. Se o tempo atribuído for incompatível com a necessidade de de- dicação à execução, solicitar maior prazo, e, se for negado, deve recusar a perícia. e) Na delegação de tarefas: o Perito não delega res- ponsabilidades porque delegou tarefas e, por isso, precisa selecionar com muito rigor auxiliares ou espe- cialistas nos quais possa confiar. Outra qualidade que o Perito Contábil deve ter é a Dedi- cação. Isso diz respeito ao trabalho responsável e firme que o perito deve dedicar ao que faz. O Perito não pode esquecer que da sua dedicação, imparcialidade e aplicação dos seus conhecimentos técnico-profissionais dependerão os procedi- mentos de outras pessoas, como e principalmente o Juiz (no caso de perícias judiciais) e das partes (no caso de perícias ex- trajudiciais), temas que foram abordados no Capítulo 4. Con- tudo, um erro, um descuido ou uma omissão pode ocasionar prejuízos e induzir ao erro aqueles que nele confiaram. No fechamento desses parágrafos iniciais, pode-se notar que se espera do Perito qualidades subjetivas que estão no campo dos requisitos educacionais, básicos e também adqui- ridos ou desenvolvidos no decorrer da formação profissional. Seguindo o desenvolvimento do texto, nos parágrafos seguin- tes trata-se de alguns Requisitos de Qualificação Profissio- nal Legal. Assim, cerca-se do que está previsto no CPC, sobre os Requisitos jurídico-formais, que dispõe: Capítulo 5 Perito Contábil e Normas Profissionais 91 Art. 145 – Quando a prova do fato depender de co- nhecimento técnico ou científico, o juiz será assistido por perito, segundo o disposto no Art. 421. § 1º. Os peritos serão escolhidos entre profissionais de nível universitário, devidamente inscritos no órgão de classe competente, respeitado o disposto no Capítulo VI, seção VII, deste Código. § 2º. Os peritos comprovarão sua especialidade na ma- téria sobre que deverão opinar, mediante certidão do ór- gão profissional em que estiverem inscritos. § 3º. Nas localidade onde não houver profissionais qua- lificados que preencham os requisitos dos parágrafos an- teriores, a indicação dos peritos será de livre escolha do juiz. Ficam explícitos dois pontos: que o Perito tenha curso uni- versitário e esteja registrado em órgão de classe regulador. No entanto, Alberto (2012) salienta que em casos de processos trabalhistas, seja subsidiária, mesmo que a legislação não cite, mas prudencial, o conhecimento processual trabalhista, o qual pode ser verificado na Consolidação das Leis Trabalhistas, em seu Art. 769, trata do direito processual do trabalho. Contudo, seguindo ainda o autor citado anteriormente, em atuação ex- trajudicial ou arbitral, a aplicação é análoga, ou seja, restrin- gida a cada profissão à exigência universitária. Outro requisito trata da Pessoalidade da Função, enten- da-se que a função de Perito judicial é exercício da pessoa física (também dita civil ou natural) (ALBERTO, 2012). Essa 92 Arbitragem e Perícia Contábil lógica está versada no Art. 435 do CPC,que em suma diz: quem pode cumprir “conscientemente” um encargo é a pes- soa física, igualmente é a que pode comparecer fisicamente, diferente de representar uma pessoa jurídica; e quem, ainda, pode ser “impedida ou suspeita” é a pessoa física, assim como os juízes o são. Essa lógica citada no parágrafo anterior tem fundamen- tação no que preceitua o Decreto n° 9.295, de 27 de maio de 1946, que “Cria o Conselho Federal de Contabilidade”, o qual menciona as atribuições do Contador e do Técnico em Contabilidade, inerentes às atribuições profissionais que são: Art. 25. São considerados trabalhos técnicos de contabili- dade: a) Organização e execução de serviços de contabilida- de em geral; b) Escrituração dos livros de contabilidade obrigató- rios, bem como de todos os necessários conjuntos da organização contábil e levantamento dos respec- tivos balanços e demonstrações; c) Perícias judiciais ou extrajudiciais, revisão de balan- ços de contas em geral, verificação de haveres, revi- são permanente e periódica de escritas, regulações judiciais e extrajudiciais de avarias grossas ou co- muns, assistências aos Conselhos Fiscais das socie- dades anônimas e quaisquer outras atribuições de natureza técnica conferidas por lei aos profissionais de contabilidade. Capítulo 5 Perito Contábil e Normas Profissionais 93 Art. 26. Salvo direitos adquiridos “ex vi” do disposto no art. 2º do Decreto nº 21.033, de 8 de fevereiro de 1932 (Grifo nosso), as atribuições, definidas na alínea “c” do artigo anterior são privativas dos contadores diplomados e daqueles que lhes são equiparados legalmente. Em análise da citação, Alberto (2012) ensina que a perícia judicial, extrajudicial ou arbitral, cujo objeto seja dotado de características e natureza contábil, incumbe ser realizada pri- vativamente por Contador, Bacharel em Ciências Contábeis, devidamente registrado no Conselho Regional de Contabilida- de. Embora o CPC estabeleça essa prerrogativa, está vedado atualmente essa atribuição aos técnicos de nível médio, ou seja, os técnicos em contabilidade. Ainda no posicionamento sobre perícias que ocorrem em repartições da Fazenda Nacional, ou de interesse dela, Alberto (2012, p. 51) cita o Decreto n° 24.337, de 14/01/1948, que dispõe: Art. 2º. As perícias ou exames nos livros de escrituração e documentos de contabilidade dos contribuintes, do im- posto de renda, ou quaisquer perícias contábeis de in- teresse da Fazenda Nacional, só poderão ser realizadas por funcionários da carreira de contador dos quadros do Ministério da Fazenda, legalmente habilitados para o exercício da profissão de contabilista nos termos do Decreto n° 9.295, de 27 de maio de 1946. Parágrafo único. Esses trabalhos técnicos poderão tam- bém, por conveniência dos serviços, ser realizados por funcionários de outras carreiras do mesmo Ministério, 94 Arbitragem e Perícia Contábil desde que sejam contadores e satisfaçam a condição a que alude o final deste artigo. Nota-se, assim, que em todas as perícias que requeiram conhecimentos específicos de contabilidade, esta definido que a função de Perito deve ser atribuída a esse profissional. Por- quanto, ainda na abordagem da Pessoalidade da Função, Alberto (2012) apresenta os tipos variados de conhecimentos técnicos profissionais para a competência do Perito Contador, conforme ilustração a seguir: Tipos de Conheci- mentos Características do conhecimento Contábeis essenciais - Auditoria e perícia contábil: análise das demonstrações contábeis, análise de custos, sistemas contábeis, direito aplicado à contabili- dade, matemática e economia. Jurídicos - Nas ciências jurídicas, são três os eixos: o pri- meiro trata da hermenêutica, que são as regras interpretativas; o segundo aborda o roteiro legal e processual do seu trabalho; e o terceiro refere-se ao conhecimento da legislação que pertine o objeto de perícia. Lógica formal e aplicada - A lógica pertine-se em três sentidos: o pri- meiro está na lógica formal, do pensamento, do raciocínio sobre a matéria periciada; o segundo trata da formulação da metodologia, a operacionalização do método para a reali- dade do feito; e o terceiro aborda os sofismos, ou seja, as espécies de pensamentos contrários às leis, portanto ilegítimos para a defesa da perícia e de fácil defesa contrária. Capítulo 5 Perito Contábil e Normas Profissionais 95 Português instrumen- tal - instrumento básico de transmissão e per- cepção de ideias: expressão e escrita em forma culta, expressa em regras gramaticais, com ausência plena de linguagem coloquial, baixo nível; preservar em laudos e petições a comu- nicação técnica. Após essas abordagens referentes ao Perito, suas qualifica- ções, deveres e direitos, bem como suas habilitações: técnicas e científicas, o item seguinte trata-se da Perícia Contábil e as Normas Profissionais específicas. 5.2 PERÍCIA CONTÁBIL: Normas Profissionais O desenvolvimento dos conteúdos deste tópico, em seus pará- grafos iniciais, está alicerçado na Resolução CFC n° 1.243, de 10 de dezembro de 2009, que trata das NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE - NBC TP 01 – PERÍ- CIA CONTÁBIL; e na RESOLUÇÃO CFC n° 1.244, de 10 de dezembro de 2009 - NORMAS BRASILEIRAS DE CON- TABILIDADE - NBC PP 01 – PERITO CONTÁBIL. Tomou-se essa forma de apresentação para que a leitura não se torne pesada e repetitiva nas citações de autoria. De outra forma, busca-se, também, no desenvolvimento do texto, a absorção dos conhecimentos de Alberto (2012, p. 69), que cita três palavras fáceis de serem compreendidas, mas também “fáceis de serem confundidas: princípios, normas e padrões”. Essas expressões, no entendimento anterior dado 96 Arbitragem e Perícia Contábil por Sá (2011, p. 201), em que refere-se às resoluções citadas no parágrafo anterior, compreende que “reformulação dada pelo Conselho Federal de Contabilidade, órgão máximo de fiscalização da atividade profissional”, cumpre sua função nor- mativa relativa à Perícia Contábil. O OBJETIVO dessa norma estabelece regras e procedi- mentos técnico-científicos a serem observados pelo perito, quando da elaboração da perícia contábil, no âmbito judicial, extrajudicial, inclusive arbitral, mediante o esclarecimento dos aspectos e dos fatos do litígio por meio de exame, vistoria, indagação, investigação, arbitramento, avaliação ou certifica- ção. Quanto ao CONCEITO, específico da perícia contábil, este constitui o conjunto de procedimentos técnico-científicos destinados a levar à instância decisória elementos de prova necessários a subsidiar à justa solução do litígio ou constata- ção de um fato, mediante laudo pericial contábil e/ou parecer pericial contábil, em conformidade com as normas jurídicas e profissionais, e a legislação específica no que for pertinente. Em relação ao laudo pericial contábil e ao parecer pericial contábil, tema que ainda será abordado mais adiante, tem-se por limite os próprios objetivos da perícia deferida ou con- tratada. No entanto entende-se ser relevante essa compreen- são inicial para que o/a leitor/a consiga diferenciar a perícia contábil, tanto a judicial como a extrajudicial, o que é de competência exclusiva de contador registrado em Conselho Regional de Contabilidade (como visto no tópico anterior). Re- lembrando: entende-se como perícia judicial aquela exercida Capítulo 5 Perito Contábil e Normas Profissionais 97 sob a tutela da justiça. A perícia extrajudicial é aquela exercida no âmbito arbitral, estatal ou voluntária. Já no âmbito da perícia arbitral, é aquela exercida sob o controle da lei de arbitragem. Perícia no âmbito estatal (Se- mijudicial) é executada sob o controle de órgão do estado, tais como perícia administrativa das Comissões Parlamentares de Inquérito,perícia criminal e do Ministério Público. Perícia voluntária é aquela contratada espontaneamente pelo interes- sado ou de comum acordo entre as partes. E assim, por vezes, essas tipologias de perícias citadas apresentam regramento específico. (Lembrete: em caso de dúvidas, revisite o capítulo anterior). Agora pode-se verificar algumas normas de conduta para os peritos nas relações assumidas diante da perícia. Para a EXECUÇÃO do trabalho da perícia, o perito-contador assis- tente pode, tão logo tenha conhecimento da perícia, manter contato com o perito-contador, pondo-se à disposição para o planejamento, para o fornecimento de documentos em poder da parte que o contratou e ainda para a execução conjunta da perícia. Uma vez recusada a participação, o perito-conta- dor pode permitir ao assistente técnico acesso aos autos e aos elementos de prova arrecadados durante a perícia, indicando local e hora para exame pelo assistente técnico. Ainda norteando-se pela questão do perito-contador assis- tente, este pode, logo após sua contratação, manter contato com o advogado da parte que o contratou, requerendo dossiê completo do processo para conhecimento dos fatos e melhor acompanhamento dos atos processuais no que pertine a perí- 98 Arbitragem e Perícia Contábil cia. Dessa forma, enquanto estiver de posse do processo ou de documentos, deve zelar por sua guarda e segurança. No avanço da execução da perícia contábil, o perito deve ater-se ao objeto e ao lapso temporal da perícia a ser reali- zada. Assim, deve, mediante termo de diligência, solicitar por escrito todos os documentos e informações relacionadas ao objeto da perícia. No entanto, em eventual recusa no aten- dimento a diligências solicitadas ou qualquer dificuldade na execução do trabalho pericial deve ser comunicada, com a devida comprovação ou justificativa, ao juízo, em se tratando de perícia judicial; ou à parte contratante, no caso de perícia extrajudicial. Não pode o perito perder de vista que no horizonte está a instrução ao laudo pericial contábil. Para isso, deve utilizar os meios que lhe são facultados pela legislação e normas con- cernentes ao exercício de sua função, com vistas a finalidade do parecer pericial contábil com as peças que julgarem neces- sárias. Relevante, ainda, que se mantenha registros dos locais e datas das diligências, nomes das pessoas que os atenderem, livros e documentos ou coisas examinadas ou arrecadadas, dados e particularidades de interesse da perícia, rubricando a documentação examinada, quando julgarem necessário e possível, juntando o elemento de prova original, cópia ou cer- tidão. Um aspecto interessante na execução da perícia, que não pode ser desprezada, é a utilização de equipe técnica, a qual deve ser realizada sob a orientação e supervisão do perito, Capítulo 5 Perito Contábil e Normas Profissionais 99 que assume a responsabilidade pelos trabalhos, devendo as- segurar-se que as pessoas contratadas estejam profissional- mente capacitadas à execução. Por fim, deve o perito documentar os elementos relevantes que serviram de suporte à conclusão formalizada no laudo pe- ricial contábil e no parecer pericial contábil, por meio de pa- péis de trabalho, que foram considerados relevantes, visando fundamentar o laudo ou parecer e comprovar que a perícia foi executada de acordo com os despachos e decisões judiciais, bem como as normas legais e Normas Brasileiras de Conta- bilidade. Não se pode perder de vista que os papéis de trabalho e a documentação preparada pelo perito para a execução da perícia são as provas de sustentação do laudo. Eles integram um processo organizado de registro de provas, por intermédio de termos de diligência, informações em papel, meios eletrôni- cos, plantas, desenhos, fotografias, correspondências, depoi- mentos, notificações, declarações, comunicações ou outros quaisquer meios de prova fornecidos e peças que assegurem o objetivo da execução pericial. Ainda, o perito-contador assistente que assessorar o con- tratante, na elaboração das estratégias a serem adotadas na proposição de solução por acordo ou demanda, cumprirá, no que couber, os requisitos das normas informadas no início des- te tópico. 100 Arbitragem e Perícia Contábil Recapitulando No primeiro tópico deste capítulo foram apresentados conte- údos conceituais que tratam sobre o Perito Contábil, no qual também foram trazidas as características profissionais e suas competências: técnicas e científicas. Descreveu-se que os de- veres e os direitos do Perito são em suma: deveres: manter o sigilo e a ética no trabalho, fundamentalmente tratando-se da relação com outros profissionais que se envolvem no trabalho da perícia; os direitos: sempre que necessário, para o desen- volvimento do trabalho em sua melhor forma, pode e deve solicitar documentos e/ou objetos para o desenvolvimento pe- ricial, inclusive adiantamento de honorários. Para o segundo tópico, foram reservados conteúdos refe- rentes à Perícia Contábil, mais especificamente, na qual verifi- cou-se que é reservada ao profissional qualificado e reconhe- cida no conselho da classe contábil, e que atenda as normas específicas e reguladas pelo Conselho Federal de Contabilida- de. Para tanto, sublinhou-se que a Perícia Contábil exige seguir padrões profissionais, e, nesse sentido, as resoluções da classe contábil, são os princípios norteadores do trabalho Perito. Referências BRASIL. LEI N° 6.404, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de agosto de 2016. Capítulo 5 Perito Contábil e Normas Profissionais 101 ______. LEI N° 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a arbitragem. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ______. LEI N° 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Dis- põe sobre o Código de Processo Civil. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 27 de julho de 2016. ______. LEI N° 13.129, DE 26 DE MAIO DE 2015. Altera a Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996, e a Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, para ampliar o âmbito de aplicação da arbitragem e dispor sobre a escolha dos árbitros quando as partes recorrem a órgão arbitral, a in- terrupção da prescrição pela instituição da arbitragem, a concessão de tutelas cautelares e de urgência nos casos de arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral, e revoga dispositivos da Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ALBERTO, Valdeir Luiz Palombo. Perícia Contábil: Normas Brasileiras de Perícia Contábil Comentadas (NBC T 01 e NBC PP 01); Aspectos Legais, Civis e Criminais; Casos Prá- ticos de Perícia Contábil das Áreas Cível, Federal, Traba- lhista (Instrução e Liquidação) e Extrajudiciais; Honorários Periciais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012. COMISSÃO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM – CMA/OAB/ MG. Cartilha de Arbitragem. Ordem dos Advoga- dos do Brasil – Minas Gerais, 2009. Disponível em: 102 Arbitragem e Perícia Contábil <http://www.precisao.eng.br/jornal/Arbitragem.pdf>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia Contábil. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2011. RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCTP01, de 19 de março de 2015. Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 – PE- RÍCIA CONTÁBIL. RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCPP01, de 19 de março de 2015. Norma Brasileira de Contabilidade - NBC PP 01 – PE- RITO CONTÁBIL. SÁ, Antônio Lopes. Perícia Contábil. 10. ed. Revisada e Am- pliada. São Paulo: Atlas, 2011. Atividades 1) Considere a indicação do Perito-Contador em uma Perícia Judicial, há duas situações: na primeira ele é responsável pela Perícia e na segundaé o assistente. Pode-se afirmar que: a) na primeira situação, ele é indicado por uma das par- tes conflitantes. b) na segunda situação, ele é indicado pela outra parte dos conflitantes. c) na primeira situação, ele é indicado pelo juiz. Capítulo 5 Perito Contábil e Normas Profissionais 103 d) na segunda situação, ele é indicado pelo Juiz. e) na primeira e na segunda situações, ele é indicado pelo juiz. 2) O exercício da atividade de Perito-Contador pautado no comportamento ético, na virtude da cordialidade e do res- peito, tem referência ao: a) relacionamento do Perito-Contador com os Peritos- -Contadores Assistentes. b) relacionamento do Perito-Contador com as Testemu- nhas. c) relacionamento do Perito-Contador com os conflitan- tes que não o contrataram. d) relacionamento do Perito-Contador com os Peritos- -Contadores Assistentes sobre os quais é responsável. e) relacionamento do Perito-Contador com os auxiliares por ele contratados sobre os quais não tem responsa- bilidade. 3) Considere a qualidade da Cautela que o Perito deve ter e relacione a primeira coluna com a segunda: A) O Zelo. B) Quanto menos falar, melhor. C) Riscos dos serviços contábeis. D) Tempo atribuído. 104 Arbitragem e Perícia Contábil E) Delegação de tarefas. ( ) evita que coloquem na sua boca algo que não disse. ( ) trato com as pessoas envolvidas e interessadas no as- sunto. ( ) selecionar com muito rigor auxiliares ou especialistas. ( ) apresentam margem de riscos como as demais áreas. ( ) necessidade de dedicação à execução. A ordem correta é: a) A, E, C, D, B b) E, C, D, B, A c) D, C, E, A, B d) A, B, C, D, E e) B, A, E, C, D 4) Considere os seguintes itens e marque V para os verda- deiros e F para os falsos, conforme Art. 25 que cita: “São considerados trabalhos técnicos de contabilidade”: A) Organização e execução de serviços de contabilidade em geral. B) Escrituração dos livros de contabilidade obrigatórios, bem como de todos os necessários conjuntos da or- ganização contábil e levantamento dos respectivos ba- lanços e demonstrações. Capítulo 5 Perito Contábil e Normas Profissionais 105 C) Perícias judiciais ou extrajudiciais, revisão de balanços de contas em geral, verificação de haveres, revisão permanente e periódica de escritas, regulações judi- ciais e extrajudiciais de avarias grossas ou comuns, as- sistências aos Conselhos Fiscais das sociedades anôni- mas e quaisquer outras atribuições de natureza técnica conferidas por lei aos profissionais de contabilidade. Pode-se afirmar que: a) todas as alternativas não são falsas. b) nem todas as alternativas são verdadeiras. c) apenas as alternativas A e B são verdadeiras. d) apenas as alternativas A e B são falsas. e) todas as alternativas são falsas. 5) Assinale a alternativa que indica os três elementos basila- res da Normalização da Perícia Contábil: a) Normas, Padrões e Eventos b) Padrões, Princípios e Juízo c) Judiciário, Normas, Tribunal d) Princípios, Normas e Padrões e) Conflitantes, Lide e Origem Jucelaine Bitarello1 Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia1 1 Jucelaine Bitarello é Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), RS, especialista em Administração e Estratégia Empre- sarial pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), Canoas, RS, e graduada em Ciências Contábeis pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), RS. Ela é professora dos cursos de Ciências Contábeis, Administração e Gestão Pública da ULBRA, presencial e EaD. Jucelaine tem experiência profissional em organizações privadas e públicas, é autora de diversos artigos científicos, nacionais e internacio- nais, é autora de livros e capítulos de livros. Ela é, também, consultora ad hoc do Ministério da Educação e Cultura (MEC/INEP). Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 107 Introdução Para este capítulo foram reservados conteúdos que tratam da fase de instrução do processo, no qual há algumas proformas a serem seguidas, entre estas destacam-se a audiência inau- gural, a contestação, e se houver a necessidade de provas a serem utilizadas, deve assim ser nomeado o perito. Devem ainda ser elaborados quesitos das partes envolvidas no confli- to, que podem indicar seus assistentes técnicos. Dessa forma, mais especificamente em se tratando da contabilidade, ela pode, mediante ao Perito-Contador contribuir no auxílio para a opinião, desenvolver informações sobre: aspectos contábeis, fiscais e administrativos. No avanço do desenvolvimento dos conteúdos inerentes à Perícia Contábil, há a manutenção do foco sobre o conheci- mento técnico e científico que o Perito-Contador deve possuir, para o fim específico de auxiliar a decisão de quem profere a sentença sobre a causa, lide, em conflito. Para tanto, traz-se nas fases da Perícia alguns aspectos, tais como: os procedi- mentos (iniciais e finais), o planejamento, o desenvolvimento e o cronograma, que por fim têm a elaboração do laudo peri- cial. 6.1 Fase de Instrução do Processo e Fase de Liquidação de Sentença Neste tópico tem-se o alicerce teórico na Resolução CFC n° 1.243, de 10 de dezembro de 2009, que trata das 108 Arbitragem e Perícia Contábil NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE - NBC TP 01 – PERÍCIA CONTÁBIL; e na RESOLUÇÃO CFC n° 1.244, de 10 de dezembro de 2009 - NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE - NBC PP 01 – PERITO CONTÁBIL. Haja vista que o desenvolvimento da Perícia contábil requer obser- vação do que cita a norma, sendo assim, o entendimento des- sa citação constante das Resoluções torna o texto repetitivo, o que não se faz necessário. De modo a tornar o texto mais livre de citações, porém amparado em literaturas, cita-se Sá (2012) assim como, mais especificamente, Alberto (2012, pp. 169-234) que dimensio- na as “especificidades de cada caso”, nos âmbitos da: “Perí- cia Judicial - Trabalhista”, “Perícia Judicial - Cível”, “Perícia Extrajudicial – Cível/Comercial”, “Perícia Judicial – liquidação de sentença trabalhista” com pesquisa contábil, vistorias, entre outras, e a “Perícia Judicial – com provas de pericias produzidas”, estas que requerem conhecimentos de áreas diversas. Assim, seguindo a visão desses autores, eles têm a aderência de seus detalhamentos nas fases e planejamento do desenvolvimento da perícia, pautado nos elementos das Resoluções citadas no parágrafo inicial desse tópico. Outro aspecto relevante e que se julga orientação de imedi- ato, com o intuito de manter o/a leitor/a informado, é concer- nente aos componentes que devem estar presentes durante o estudo, tais como: a petição inicial, a audiência inaugural, a contestação, as provas utilizadas, a nomeação do perito (qual o prazo), os quesitos (das partes e indicação do assistente técnico, do juízo e do Ministério Público, suplementares, com- plementares, em audiência). Ainda, os elementos da perícia, Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 109 no caso, que exigem conhecimentos da contabilidade: dados contábeis, fiscais e administrativos. Tendo, por fim, os tipos de perícia, a citar: judicial (o perito do juízo, o assistente técnico, o árbitro), extrajudicial (perito assistente), e assessoria pericial. Partindo-se dessa contextualização inicial, na fase de instrução do processo, tem-se os procedimentos de perícia contábil, que visam fundamentar as conclusões que serão le- vadas ao laudo pericial contábil ou parecer pericial contábil, e abrangem, total ou parcialmente, segundo a natureza e a complexidade da matéria. Assim, pode-se resumidamente verificar a seguinte ilustração: Item - Fase Conceituação - Definição Exame é a análise de livros, registros das transações e documentos. Vistoria é a diligência que objetivaa verificação e a constatação de situação, coisa ou fato, de forma circunstancial. Indagação é a busca de informações mediante entrevista com conhecedores do objeto ou de fato relacionado à perícia. Investigação é a pesquisa que busca trazer ao laudo pericial con- tábil ou parecer pericial contábil o que está oculto por quaisquer circunstâncias. Arbitramento é a determinação de valores ou a solução de contro- vérsia por critério técnico-científico. Mensuração é o ato de qualificação e quantificação física de coisas, bens, direitos e obrigações. Avaliação é o ato de estabelecer o valor de coisas, bens, direitos, obrigações, despesas e receitas. 110 Arbitragem e Perícia Contábil Certificação é o ato de atestar a informação trazida ao laudo pericial contábil pelo perito-contador, conferindo-lhe caráter de autenticidade pela fé pública atribuída a este profissional. Executados esses procedimentos, ilustrados anteriormen- te, e concluídas as diligências, o perito-contador apresenta- rá laudo pericial contábil, e o perito-contador assistente, seu parecer pericial contábil, obedecendo aos respectivos prazos. Lembrando-se que o laudo será abordado com mais especifi- cidade em capítulo posterior, porém chama-se a atenção que a lógica do trabalho da perícia está em: o laudo pericial é tarefa do perito-contador, e o parecer é do perito-conta- dor assistente. Ainda, em relação aos procedimentos, o perito-contador, depois de concluído seu trabalho, fornecerá, quando solicita- do, cópia do laudo, ao perito-contador assistente, informan- do-lhe a data em que o laudo pericial contábil será protoco- lizado. Isso já foi visto anteriormente, mas relembre-se que a formalização de entrega do laudo ocorre no protocolo da vara judicial. Um aspecto interessante a ser observado pelo perito-conta- dor assistente, o qual não pode firmar o laudo pericial quando o documento tiver sido elaborado por: leigo ou profissional de outra área. Devendo, nesse caso, apresentar um parecer pericial contábil sobre a matéria investigada. Outro aspecto verificado é que o perito-contador assisten- te, ao apor a assinatura, em conjunto com o perito-contador, em laudo pericial contábil, não pode emitir parecer pericial Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 111 contábil contrário ao laudo. Para tanto, é que deve efetiva- mente acompanhar os trabalhos do perito-contador, o qual é o responsável de fato pelo laudo pericial. A fase do planejamento da perícia é a etapa do traba- lho pericial, que antecede as diligências, pesquisas, cálculos e respostas aos quesitos, na qual o perito estabelece os procedi- mentos gerais dos exames a serem executados no âmbito judi- cial, extrajudicial para o qual foi nomeado, indicado ou con- tratado, elaborando-o a partir do exame do objeto da perícia. Destarte, então, enquanto o planejamento da perícia é um procedimento prévio abrangente que se propõe a estabelecer todas as etapas da perícia, o programa de trabalho é a especi- ficação de cada etapa a ser realizada que deve ser elaborada com base nos quesitos e/ou no objeto da perícia. Dessa forma, os objetivos do planejamento da perícia podem ser ilustrados da seguinte forma lógica: Subfase Objetivos Primeira conhecer o objeto da perícia, a fim de permitir a adoção de procedimentos que conduzam à revelação da verdade, a qual subsidiará o juízo, o árbitro ou o interessado a tomar a decisão a respeito da lide. Segunda definir a natureza, a oportunidade e a extensão dos exames a serem realizados, em consonância com o objeto da perícia, os termos constantes da nomeação, dos quesitos ou da proposta de honorários oferecida pelo perito. Terceira estabelecer condições para que o trabalho seja cum- prido no prazo estabelecido. Quarta identificar potenciais problemas e riscos que possam vir a ocorrer no andamento da perícia. 112 Arbitragem e Perícia Contábil Quinta identificar fatos que possam vir a ser importantes para a solução da demanda de forma que não passem despercebidos ou não recebam a atenção necessária. Sexta identificar a legislação aplicável ao objeto da perícia. Sétima estabelecer como ocorrerá a divisão das tarefas entre os membros da equipe de trabalho, sempre que o perito necessitar de auxiliares. Oitava facilitar a execução e a revisão dos trabalhos. Verificados os objetivos do planejamento da perícia, avan- çam os trabalhos do perito-contador para a fase do Desen- volvimento do planejamento, em que os documentos dos autos servem como suporte para obtenção das informações necessárias à elaboração do planejamento da perícia. Na identificação da necessidade de realização de diligên- cias, na etapa de elaboração do planejamento, devem ser considerados, se não declarada a preclusão de prova docu- mental, cujo substanciamento da diligência encontra amparo, os seguintes itens: a legislação aplicável, documentos, regis- tros, livros contábeis, fiscais e societários, laudos e parece- res já realizados e outras informações que forem identificadas como pertinentes para determinar a natureza do trabalho a ser executado. Esta etapa pode ser compreendida também como uma re- tomada de eventos anteriores, em que o planejamento da pe- rícia deve ser mantido por qualquer meio de registro que facili- te o entendimento dos procedimentos a serem adotados e sirva de orientação adequada à execução do trabalho. O planeja- mento deve ser revisado e atualizado sempre que fatos novos surjam no decorrer da perícia. Pode e deve, o planejamento, Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 113 ser realizado pelo perito-contador, ainda que o trabalho ve- nha a ser realizado de forma conjunta com o perito-contador assistente, podendo este orientar-se no referido planejamento sugerido. Considerando, ainda, a fase de elaboração do planeja- mento da perícia, o perito atenta-se aos Riscos e Custos, com vistas nos seguintes quesitos: elaborar a proposta de hono- rários, avaliar os riscos decorrentes de responsabilidade civil, dimensionar as despesas com pessoal e encargos sociais e mensurar a depreciação de equipamentos e despesas com manutenção do escritório. Como visto no parágrafo anterior, despesas com pessoal e encargos sociais têm relação direta com a Equipe Técnica, em que a perícia enseja a necessidade de utilização de traba- lho de terceiros (equipe de apoio, trabalho de especialistas ou profissionais de outras áreas de conhecimento). Nesse aspecto o planejamento deve prever a orientação e a supervisão do perito, que assumirá responsabilidade pelos trabalhos execu- tados exclusivamente por sua equipe de apoio (ponto que já foi descrito no capítulo anterior, caso o/a leitor/a não lembre, revisite-o). Na atualidade, o conhecimento sobre o objeto que está em conflito, a lide requer saberes de outras áreas, e isso por vezes pode caracterizar limitação do Perito-contador. Dessa forma, deve antes e inclusive durante a execução da perícia, se assim o exigir, lançar mão da utilização de perícias interdisciplinares ou trabalho de especialistas, que, por sua vez, devem estar de- vidamente registrados em seus conselhos profissionais, quan- 114 Arbitragem e Perícia Contábil do aplicável, devendo o planejamento contemplar tal neces- sidade. Em relação ao Cronograma, o Perito-contador deve levar em consideração que o planejamento da perícia, quando for o caso, inicia-se antes da elaboração da proposta de hono- rários. Esse aspecto, considera-se, pois ao apresentar o cro- nograma, seja para o juiz ou às partes conflitantes, nos caso de Perícia Judicial, ou Extrajudicial, respectivamente, reque- rem que as etapas do trabalho estejam previstas. Porquanto que seja relevante e indispensável que o perito-contador tenha conhecimento prévio e amplo de todas asetapas. Ressalva- -se que podem ocorrer identificações de eventos, durante a execução dos trabalhos, que impliquem alterações, ajustes e complementos de etapas, inclusive a possibilidade da apresen- tação de quesitos suplementares, o que será objeto do ajuste no planejamento. Portanto, o planejamento da perícia deve evidenciar as eta- pas e as épocas (cronograma) em que serão executados os trabalhos, em conformidade com o conteúdo da proposta de honorários a ser apresentada, incluindo-se a supervisão e a revisão do próprio planejamento, os programas de trabalho quando aplicáveis, até a entrega do laudo. Assim, no crono- grama de trabalho, devem ficar evidenciados, quando apli- cáveis, todos os itens necessários à execução da perícia, tais como: a) diligências a serem realizadas; b) deslocamentos; Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 115 c) necessidade de trabalho de terceiros; d) pesquisas que serão feitas; e) elaboração de cálculos e planilhas; f) respostas aos quesitos; g) prazo para entrega do laudo; e, h) outros, necessários para assegurar que todas as eta- pas sejam cumpridas. Veja, ainda, que para cumprir o prazo determinado ou contratado para realização dos trabalhos de perícia, o perito deve considerar em seus planejamentos, quando aplicáveis, entre outros, os seguintes itens: a) o conteúdo da proposta de honorários apresentada pelo perito-contador e aceita pelo juízo, pelo árbitro ou pelas partes no caso de perícia extrajudicial ou pelo perito-contador assistente; b) o prazo suficiente para solicitar e receber os documen- tos, bem como para a execução e a entrega do traba- lho e c) a programação de viagens, quando necessárias. Observados esses detalhes, encaminha-se a Perícia para a fase da Conclusão. Nesse sentido, o planejamento da perícia prevê que o perito-contador complete as análises prelimina- res, dando origem, quando for o caso, à proposta de honorá- rios (nos casos em que o juízo ou o árbitro não tenha fixado, previamente, honorários definitivos), aos termos de diligências 116 Arbitragem e Perícia Contábil e aos programas de trabalho. Para melhor entendimento, na sequência apresenta-se um modelo de planejamento sugerido pela Resolução citada no início deste tópico, no caso de Perí- cia Judicial. ATIVIDADE AÇÕES TEMPO PRAZO FIXA- DO REAL FIXADO REAL Carga ou Recebimento do Processo Após receber a intimação do Juiz, quando for o caso, retirar o Processo do Cartório/Vara. h h XX/XX/XX XX/XX/XX Leitura do Processo Conhecer os detalhes acerca do objeto da perícia, realizando a leitura e o estudo dos autos. h h XX/XX/XX XX/XX/XX Aceitação ou não da Perícia Após estudo e análise dos autos, constatando-se que há impedimento, não havendo interesse do Perito ou não estando habilitado para fazer a perícia, devolver o Processo justificando o motivo da escusa. h h XX/XX/XX XX/XX/XX Aceitando o encargo da perícia, proceder ao planejamento. h h XX/XX/XX XX/XX/XX Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 117 Proposta de Honorários Com base na relevân- cia, no vulto, no risco e na complexidade dos serviços, entre outros, estimar as horas para cada fase do trabalho, considerando ainda a qualificação do pessoal que participará dos serviços, o prazo para entrega dos tra- balhos e a confecção de laudos interprofis- sionais. h h XX/XX/XX XX/XX/XX Assistentes Técnicos Uma vez aceita a participação do Peri- to-Contador Assistente ajustar a forma de acesso do mesmo aos trabalhos. h h XX/XX/XX XX/XX/XX Diligências Com base no conteú- do do processo e nos quesitos, preparar o(s) Termo(s) de Diligên- cia(s) necessários. h h XX/XX/XX XX/XX/XX Viagens Programar as viagens quando necessárias. h h XX/XX/XX XX/XX/XX Pesquisa de Legislação Com base no conteú- do do processo, definir as pesquisas, os estu- dos e o catálogo da legislação pertinente. h h XX/XX/XX XX/XX/XX 118 Arbitragem e Perícia Contábil Programa de Trabalho Exame de documentos pertinentes à perícia. h h XX/XX/XX XX/XX/XX Exame de livros contábeis, fiscais, soci- etários e outros. h h XX/XX/XX XX/XX/XX Análises contábeis a serem realizadas. h h XX/XX/XX XX/XX/XX Entrevistas, vistorias, indagações, investi- gações, informações necessárias. h h XX/XX/XX XX/XX/XX Laudos interprofis- sionais e pareceres técnicos. h h XX/XX/XX XX/XX/XX Cálculos, arbitramen- tos, mensurações e avaliações a serem elaborados. h h XX/XX/XX XX/XX/XX Preparação e redação do laudo pericial. h h XX/XX/XX XX/XX/XX Revisões Técnicas Proceder a revisão final do laudo para verificar eventuais correções, bem como verificar se todos os anexos citados no laudo estão na ordem lógica e corretamente enumerados. h h XX/XX/XX XX/XX/XX Prazo Suple- mentar Diante da expecta- tiva de não concluir o laudo no prazo determinado pelo juiz, requerer por petição prazo suplementar. h h XX/XX/XX XX/XX/XX Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 119 Entrega do Laudo Peri- cial Contábil Devolver os autos do processo e peticio- nar requerendo a juntada do laudo e levantamento ou arbitramento dos honorários. Haven- do necessidade de Prazo Suplementar, em função da não execução da Perícia no prazo inicialmente estipulado, solicitar Prazo Suplementar antes do vencimento do primeiro prazo e re- planejar os trabalhos. h h XX/XX/XX XX/XX/XX Registra-se que na ilustração anterior, nas colunas: tempo e prazo, substituiu-se o termo original “estimado” por fixado, apenas por questão de espaço. Outro aspecto que por vezes é usado é o TERMO DE DILIGÊNCIA, instrumento por meio do qual o perito solicita documentos, coisas, dados, bem como quaisquer informações necessárias à elaboração do laudo pe- ricial contábil ou do parecer pericial contábil, o qual é ilustrado a seguir em um tipo de modelo (Judicial), pode haver outros: 120 Arbitragem e Perícia Contábil TERMO DE DILIGÊNCIA N°.../PROCESSO N°... IDENTIFICAÇÃO DO DILIGENCIADO SECRETARIA: PARTES: PERITO-CONTADOR: (categoria e n° do registro) PERITO-CONTADOR ASSISTENTE: (categoria e nº do registro) Na condição de perito-contador, nomeado pelo Juízo em referência e/ou perito-contador assistente indicado pelas partes, nos termos do artigo 429 do Código do Processo Civil e das Normas Brasileiras de Conta- bilidade, solicita-se que sejam fornecidos ou postos à disposição, para análise, os documentos a seguir indicados: 1. 2. 3. 4. etc. Para que se possa cumprir o prazo estabelecido para elaboração e entrega do laudo pericial contábil ou parecer pericial contábil, é ne- cessário que os documentos solicitados sejam fornecidos ou postos à disposição deste perito-contador ou perito-contador assistente até o dia __-__-__, às __h, no endereço........(do perito-contador e/ou perito-contador assistente, e/ou parte). Solicita-se que seja comunica- do quando os documentos tiverem sido remetidos ou estiverem à disposição para análise. Em caso de dúvida, solicita-se esclarecê-la diretamente com o signa- tário no endereço e telefones indicados. Local e data Assinatura Nome do perito-contador ou perito-contador assistente Contador – Nº de registro no CRC Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 121 Reforça-se que o modelo anterior serve também para a execução de outros trabalhos que tenham sido a ele, o perito, determinados ou solicitados por quem de direito, desde que tenham a finalidade de orientar ou colaborar nas decisões, judiciais ou extrajudiciais. Em relação a Aplicabilidade do termo de diligência, este deve ser redigido pelo perito, ser apresentadodiretamente à parte, ao seu procurador, ou ao terceiro, por qualquer meio escrito que se possa documentar a sua entrega. Deve conter minuciosamente o rol dos documentos, livros, coisas, ou ou- tros dados de que se necessite para a elaboração do laudo pericial contábil ou parecer pericial contábil. O Termo de Diligência pode ser aplicado a qualquer pes- soa física ou jurídica, denominada de diligenciado, inclusive de direito público, que tenha a posse de documentos, coisas, dados ou informações úteis e indispensáveis para subsidiar a elaboração do laudo pericial contábil ou do parecer pericial contábil. Por sua vez, o diligenciado, o destinatário, por decor- rência legal ou determinação de autoridade competente, fica obrigado a fornecer elementos de prova. Em resumo, pode-se identificar os seguintes itens, elemen- tos indispensáveis, da estrutura do Termo de Diligência: a) identificação do diligenciado; b) identificação das partes ou dos interessados, e, em se tratando de perícia judicial ou arbitral, o número do processo, o tipo e o juízo em que tramita; 122 Arbitragem e Perícia Contábil c) identificação do perito com indicação do número do registro profissional no Conselho Regional de Conta- bilidade; d) indicação de que está sendo elaborado nos termos do item 49 desta Norma; e) indicação detalhada dos livros, documentos, coisas e demais elementos a serem periciados, consignando as datas e/ou períodos abrangidos, podendo identificar o quesito a que se refere; f) indicação do prazo e do local para a exibição dos li- vros, documentos, coisas e elementos necessários à elaboração do laudo pericial contábil ou parecer pe- ricial contábil, devendo o prazo ser compatível com aquele concedido pelo juízo, contratante ou conven- cionado pelas partes, considerada a quantidade de documentos, as informações necessárias, a estrutura organizacional do diligenciado e o local de guarda dos documentos; g) depois de atendidos os requisitos da alínea (e), quando o exame dos livros, documentos, coisas e elementos, tiver de ser realizado junto à parte ou ao terceiro que detém em seu poder tais provas, haverá a indicação da data e hora para sua efetivação e, h) local, data e assinatura. Por fim, verifica-se que na elaboração das fases, assim como no desenvolvimento do planejamento da Perícia, é pos- sível que fiquem ausentes quesitos e elementos, que surgem Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 123 somente no decorrer da realização, execução do trabalho pe- ricial. Momento em que é permitido, de forma imediata da percepção da necessidade de ajustes, que o Perito sirva-se da formalidade para requerer toda e qualquer espécie de coisa, que contribua para a fundamentação da prova. Recapitulando Os conteúdos abordados referentes às fases de instrução do processo centraram-se na proforma das etapas que ocorrem nos processo, de forma abrangente, geral, como: a audiência inaugural, a contestação, e se houver a necessidade de pro- vas a serem utilizadas, que por vezes requerem a nomeação do perito. Foram identificados durante o texto que quesitos são parte central da lide, pois as partes envolvidas no conflito indicam seus assistentes técnicos. Verificou-se, mais especifica- mente em se tratando da contabilidade, que o Perito-Contador contribui no auxílio para a opinião sobre temas das áreas: contábeis, fiscais e administrativas. Durante a abordagem dos conteúdos teóricos, notou-se que o desenvolvimento do planejamento de trabalho, em to- das as suas fases, deu foco ao conhecimento técnico e cientí- fico que o Perito-Contador deve possuir, para o fim específico que ao término do trabalho culmine com a elaboração do laudo pericial. Para tanto, exemplificou-se modelos de Plane- jamento, em que se apresenta inclusive as fases, tempo fixado e prazo, e ainda o Termo de Diligência. 124 Arbitragem e Perícia Contábil Referências BRASIL. LEI N° 6.404, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de agosto de 2016. ______. LEI N° 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a arbitragem. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ______. LEI N° 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Dis- põe sobre o Código de Processo Civil. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 27 de julho de 2016. ______. LEI N° 13.129, DE 26 DE MAIO DE 2015. Altera a Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996, e a Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, para ampliar o âmbito de aplicação da arbitragem e dispor sobre a escolha dos árbitros quando as partes recorrem a órgão arbitral, a in- terrupção da prescrição pela instituição da arbitragem, a concessão de tutelas cautelares e de urgência nos casos de arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral, e revoga dispositivos da Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ALBERTO, Valdeir Luiz Palombo. Perícia Contábil: Normas Brasileiras de Perícia Contábil Comentadas (NBC T 01 e NBC PP 01); Aspectos Legais, Civis e Criminais; Casos Prá- Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 125 ticos de Perícia Contábil das Áreas Cível, Federal, Traba- lhista (Instrução e Liquidação) e Extrajudiciais; Honorários Periciais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012. COMISSÃO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM – CMA/OAB/ MG. Cartilha de Arbitragem. Ordem dos Advoga- dos do Brasil – Minas Gerais, 2009. Disponível em: <http://www.precisao.eng.br/jornal/Arbitragem.pdf>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia Contábil. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2011. RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCTP01, de 19 de março de 2015. Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 – PE- RÍCIA CONTÁBIL. RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCPP01, de 19 de março de 2015. Norma Brasileira de Contabilidade - NBC PP 01 – PE- RITO CONTÁBIL. SÁ, Antônio Lopes. Perícia Contábil. 10. ed. Revisada e Am- pliada. São Paulo: Atlas, 2011. Atividades 1) Assinale na segunda coluna, de acordo com a primeira, a relação da Fase da perícia com a definição dos procedi- mentos de perícia contábil: A) Exame 126 Arbitragem e Perícia Contábil B) Vistoria C) Indagação D) Investigação ( ) é a pesquisa que busca trazer ao laudo pericial con- tábil ou parecer pericial contábil o que está oculto por quaisquer circunstâncias. ( ) é a análise de livros, registros das transações e docu- mentos. ( ) é a diligência que objetiva a verificação e a constata- ção de situação, coisa ou fato, de forma circunstan- cial. ( ) é a busca de informações mediante entrevista com co- nhecedores do objeto ou de fato relacionado à perí- cia. A ordem correta é: a) D, A, B, C b) A, B, C, D c) B, C, D, A d) C, D, A, B e) D, C, B, A 2) Considere a relação do Perito-contador com o Perito-con- tador assistente, quanto aos procedimentos e as fases. De- pois de concluído seu trabalho, o perito deve: Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 127 a) fornecer, quando solicitado, cópia do contrato, ao perito-contador assistente, informando-lhe a data em que o laudo pericial contábil será protocolizado. b) fornecer, quando solicitado, cópia do laudo, ao perito- -contador assistente, informando-lhe a data em que o laudo pericial contábil será protocolizado. c) fornecer, sempre, cópia do laudo, ao perito-contador assistente, informando-lhe a data em que o laudo pe- ricial contábil será protocolizado. d) fornecer, jamais, cópia do laudo, ao perito-contador assistente, informando-lhe a data em que o laudo pe- ricial contábil será protocolizado. e) fornecer, sob força da norma contábil, cópia do laudo, ao perito-contadorassistente, informando-lhe a data em que o laudo pericial contábil será protocolizado. 3) Os objetivos do planejamento da perícia, no sentido de es- tabelecer todas as etapas, no programa de trabalho, que é a especificação de cada etapa a ser realizada e que deve ser elaborada com base nos quesitos propostos: I - estabelecer condições para que o trabalho seja cumpri- do no prazo estabelecido. II - identificar potenciais problemas e riscos que possam vir a ocorrer no andamento da perícia. III - estabelecer como ocorrerá a divisão das tarefas entre os membros da equipe de trabalho, sempre que o pe- rito necessitar de auxiliares. 128 Arbitragem e Perícia Contábil IV - facilitar a execução e a revisão dos trabalhos. Pode-se afirmar que: a) Todos os itens não são verdadeiros. b) Apenas os itens II e III são verdadeiros. c) Todos os itens não são falsos. d) Apenas os itens I e IV são falsos. e) É falso o item I e verdadeiros os itens II, III e IV. 4) Considere que, no cronograma de trabalho, devem ficar evidenciados, quando aplicáveis, todos os itens necessá- rios à execução da perícia. Assinale a alternativa que indi- ca somente itens indispensáveis: a) diligências a serem realizadas; deslocamentos; neces- sidade de trabalho de terceiros; pesquisas que serão feitas e tempo de repouso com a família. b) elaboração de cálculos e planilhas; perguntas aos quesitos; prazo para entrega do laudo e outros ne- cessários para assegurar que todas as etapas sejam cumpridas. c) diligências que não devem ser realizadas; desloca- mentos; necessidade de trabalho de terceiros e pes- quisas que serão feitas. d) elaboração de cálculos e planilhas; respostas aos que- sitos; prazo para entrega do laudo e outros necessários para assegurar que todas as etapas sejam cumpridas. Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 129 e) diligências a serem realizadas; deslocamentos; pernoi- tes com acompanhantes; necessidade de trabalho de terceiros e pesquisas que serão feitas. 5) Relacione a atividade com a ação que o Perito-contador deve considerar no planejamento e execução da Perícia Judicial: A) Carga ou Recebimento do processo B) Leitura do Processo C) Aceitação ou não da Perícia D) Proposta de Honorários ( ) Com base na relevância, no vulto, no risco e na com- plexidade dos serviços, entre outros, estimar as horas para cada fase do trabalho, considerando ainda a qualificação do pessoal que participará dos serviços, o prazo para entrega dos trabalhos e a confecção de laudos interprofissionais. ( ) Após estudo e análise dos autos, constatando-se que há impedimento, não havendo interesse do Perito ou não estando habilitado para fazer a perícia, devolver o Processo justificando o motivo da escusa. Aceitando o encargo da perícia, proceder ao planejamento. ( ) Conhecer os detalhes acerca do objeto da perícia, realizando a leitura e o estudo dos autos. ( ) Após receber a intimação do Juiz, quando for o caso, retirar o Processo do Cartório/Vara. 130 Arbitragem e Perícia Contábil A ordem correta é: a) A, B, C, D b) B, C, D, A c) C, D, A, B d) D, A, B, C e) D, C, B, A Jucelaine Bitarello1 Capítulo 7 Provas Documentais e Laudo Pericial Contábil1 1 Jucelaine Bitarello é Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), RS, especialista em Administração e Estratégia Empre- sarial pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), Canoas, RS, e graduada em Ciências Contábeis pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), RS. Ela é professora dos cursos de Ciências Contábeis, Administração e Gestão Pública da ULBRA, presencial e EaD. Jucelaine tem experiência profissional em organizações privadas e públicas, é autora de diversos artigos científicos, nacionais e internacio- nais, é autora de livros e capítulos de livros. Ela é, também, consultora ad hoc do Ministério da Educação e Cultura (MEC/INEP). 132 Arbitragem e Perícia Contábil Introdução Neste capítulo são apresentados conteúdos que abordam dois aspectos: o primeiro é prova documental preparada e não preparada, na qual são descritos os documentos obrigatórios e os não obrigatórios, para a identificação das penalidades aplicadas, e ainda a prescrição tributária e trabalhista, a qual está assegurada, mas tem tempo de carência para sua reivin- dicação. No segundo, traz-se o entendimento sobre o laudo pericial, no qual é pretensão do texto a abordagem conceitual, ilustração de sua estrutura, a qual é um formato (estilo) de ser construído, bem como quais quesitos devem estar apresenta- dos no laudo. 7.1 Prova Documental Preparada e Não Preparada Neste tópico atente-se o/a leitor/a para os fundamentos que são trazidos na visão de três autores distintos: Ornelas (2011), Sá (2011) e Alberto (2012). Veja nessa linha que há também três etapas, momentos distintos à questão da PROVA em se tratando da Perícia. PRIMEIRO MOMENTO: O ÔNUS DA PROVA - assim en- sina Ornelas (2011, p. 27), referindo-se ao termo ônus, que é o interesse de oferecer ou produzir provas necessárias com o fim de corroborar às alegações oferecidas, sendo que: Capítulo 7 Provas Documentais e Laudo Pericial Contábil 133 O dever de provar compete a quem alega, a quem afir- ma ou nega determinados fatos da causa. Quem busca proteção da justiça depara-se com a necessidade de pro- duzir provas. Quem oferecer as provas mais convincentes fatalmente obterá sucesso. Em análise da citação, fica evidente de que a parte que não produzir as suas provas, ou deixar de fazê-lo, arcará com as consequências em detrimento de não tê-lo feito. Por isso, o CPC, em seu Art. 333, trata da dicotomia lógica da seguinte forma: “incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. Diante desse aspecto dicotômico, é que a perícia, mediante o dispositivo técnico e científico, conforme Ornelas (2011), en- contra suporte documental para ilustrar os fatos jurídicos sobre o objeto periciado. Neste contexto da prova de fatos jurídicos, Ornelas (2011, p. 28) cita Moacyr Amaral dos Santos (1983) quanto a definição desses e que devem estar no domínio do perito, da seguinte forma: Fatos constitutivos: se entendem os que têm a eficácia jurídica de dar vida, de fazer nascer, de constituir a rela- ção jurídica [...]. Fatos extintivos: os que têm a eficácia de fazer cessar a relação jurídica. 134 Arbitragem e Perícia Contábil Fatos impeditivos: todas aquelas circunstâncias que im- pedem decorra de fato o efeito que lhe é normal, ou próprio, e que constitui a sua razão de ser. Fatos modificativos: os que, sem excluir ou impedir a relação jurídica, à qual são posteriores, têm a eficácia de modificá-la. Diante desses fatos jurídicos citados, tem-se então a ca- pacidade da compreensão de qual a lógica estabelecida no conflito, em que a matéria fática está no que Ornelas (2011) cita como fatos constitutivos. Esses fatos constitutivos, por sua vez, são os pressupostos para a prova contrária, em que pese, a prova documental. LEMBRETE: no Capítulo 3 tratou-se dos outros meios de prova, no entanto, neste, dá-se ênfase à prova documental constitutiva do fato. SEGUNDO MOMENTO: FINS E PROVAS DA PERÍCIA – neste ponto cita-se os ensinamentos de Sá (2011, p. 6-7), em que “o fim é sempre obter Prova Competente”. Porquanto que “a Prova” necessária de estar lastreada em “bases consistentes e de plena materialidade (competentes e verdadeiras)”. Essa fi- xação do autor requer entendimento de que a prova enseja em primeira como em última análise, documentos probatórios do fato. No entanto, não se desconsidera, de forma alguma, se houver interesse de alguma das partes,que o perito amplie co- mentários, a partir de outros objetos de provas, e não somente documentais, desde que autorizados, pelas partes e/ou juiz. TERCEIRO MOMENTO: DOCUMENTO – tal qual como previsto na Seção V do Capítulo VI do CPC, em seus Arts. 364 a 399, é a chamada “prova documental”. Dessa forma, Capítulo 7 Provas Documentais e Laudo Pericial Contábil 135 Alberto (2012, p. 16-17) cita que “documentos” são aqueles sobre os quais a perícia se debruça para “fundamentar o di- reito alegado ou direito contestado”. LEMBRETE: novamente recomenda-se revisitar o Capítulo 3, no qual já se tratou sobre os tipos e origem de documentos que servem de prova. 7.2 Laudo pericial Contábil Para o entendimento do Laudo Pericial Contábil, traz-se al- gumas considerações iniciais, em que Sá (2011, p. 42) cita que “Laudo” é uma palavra que provém da expressão verbal latina “laudare”, no sentido de “pronunciar”. Assim, é uma manifestação de um especialista sobre o objeto da perícia. Seguindo ainda na definição da conceituação de Laudo, Sá (2011, p. 12) cita: “Laudo é o julgamento ou pronuncia- mento, baseado nos conhecimentos que tem o profissional da contabilidade, em face de eventos ou fatos que são submeti- das a sua apreciação”. Não há o mesmo entendimento para os autores citados. Alberto (2012, p. 130) fala sobre o Laudo Pericial em sentido amplo: Laudo, assim, é sempre peça escrita – é documento pro- duzido, o relatório, enfim, pericial – e deve expor clara- mente as circunstância de sua elaboração, expondo ao usuário as observações e estudos efetuados a respeito da matéria e, principalmente, os fundamentos e as conclu- sões a que chegou. 136 Arbitragem e Perícia Contábil Neste horizonte, o autor Alberto (2012) cita o entendimen- to de Moacyr Amaral dos Santos (1968) da seguinte forma: “Laudo consiste na fiel exposição das operações e ocorrências da diligência com o parecer fundamentado sobre a matéria que lhes foi submetida”. Diante disso, cita-se que o Laudo Pe- ricial especificamente da contabilidade está mencionado no item 58 da Norma de Perícia Contábil (NBC TP 01). Retoma-se novamente o que explica Alberto (2012, p. 130) sobre a definição conceitual de Laudo Pericial: “é a forma pura da expressão da perícia, eis que é esta espécie predominan- temente nas aplicações da perícia contábil”. [...] e conclui que a Perícia Contábil “distingue-se das demais espécies, pois destina-se precipuamente à prova, prestando informações e manifestando opiniões subsidiárias à decisão”, a qual pode inclusive servir para a liquidação de sentenças (conteúdo que será estudado no último capítulo deste livro). No âmbito de conceituação, Ornelas (2011, p. 87) apre- senta um fechamento amplo dos tipos de perícias, em que o “laudo pericial contábil é a peça técnica da lavra do perito nomeado”. Assim, pode ser elaborado em cumprimento da determinação “judicial, arbitral, ou ainda por força de con- tratação”. Pode-se então entender que há possibilidades do laudo apresentar, eventualmente, tipificações distintas no aten- dimento do tipo da perícia, sem, no entanto, distanciar-se das suas características e estrutura sugerida, no caso do Laudo em Perícias Contábeis, o qual é o foco deste livro. Após esses conceitos inicias, na sequência do texto apre- sentam-se diversas especificidades do Laudo Pericial, baseado, Capítulo 7 Provas Documentais e Laudo Pericial Contábil 137 em sua maioria, o fundamento teórico nos autores Ornelas (2011), Sá (2011) e Alberto (2012), assim como na Resolução CFC n° 1.243, de 10 de dezembro de 2009, que trata das NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE - NBC TP 01 – PERÍCIA CONTÁBIL; e na RESOLUÇÃO CFC n° 1.244, de 10 de dezembro de 2009 - NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE - NBC PP 01 – PERITO CONTÁBIL. Inicialmente apresenta-se Característica de um Laudo Pericial, que é a peça final e fundamental da perícia. É atra- vés dele que o Perito fornece subsídios para a formação da convicção pessoal do julgador da lide e das partes envolvidas. A sua elaboração deve obedecer a alguns princípios técnicos: a) uso de linguagem simples, objetiva e clara. b) uso correto do vernáculo, evitando-se ambiguidades. c) respostas rápidas, claras e objetivas aos quesitos for- mulados, evitando-se respostas monossilábicas (do tipo “Sim” e “Não”). A resposta deve atingir a pergunta diretamente, sem rodeios. d) o Laudo deve ser abrangente, proporcionando uma visão generalizada da matéria examinada. Como citado em parágrafo anterior, nota-se que não existe um padrão de laudo, mas existem formalidades que compõem a estrutura dos mesmos. Em geral, um laudo deve ter, no míni- mo, em sua estrutura, os seguintes elementos ilustrados: 138 Arbitragem e Perícia Contábil Informações iniciais Itens que deve conter Cabeçalho I - Vara ou Junta em que a ação está tramitando. II - Nome do Juiz (de Direito ou do Trabalho). III - Tipo de ação, número do processo. IV - Nomes das partes litigantes (Autor e Réu, reclamante e Reclamado, Demandante e Deman- dado). Introdução I - Identificação do perito e folha dos autos onde consta sua nomeação com a data respectiva. II - Espécie de perícia a que se refere o laudo. III - Data e local onde a diligência foi efetuada, mencionando o dia e a hora do início e do seu término. IV - Pessoas que assistiram à diligência, principal- mente as que foram intimadas judicialmente. Ao analisar-se a ilustração, nota-se que, na parte inicial do Laudo, constam as informações que dão a Visão do Conjun- to, do que está ao exame pericial. Assim, o Perito-Contador não pode esquecer-se de ter uma visão do conjunto, atentando para tudo aquilo que se relaciona com a o fato a ser periciado. Haja vista que os Quesitos são as questões técnicas objeto da lide, que se apresentam desenvolvidas por meio de perguntas formuladas pelo magistrado ou pelas partes, ou por uma das partes. No caso administrativo, os quesitos são identificados pelas áreas de interesse que foram objeto de indagação. Em relação às Respostas aos Quesitos, mencionado no parágrafo anterior, o Perito Contábil deve observar algumas regras básicas. Veja que as respostas devem seguir-se aos que- Capítulo 7 Provas Documentais e Laudo Pericial Contábil 139 sitos, e, por uma questão hierárquica, são oferecidas, prelimi- narmente, as respostas aos formulados pelo magistrado, em seguida as respostas aos formulados pelas partes, pela ordem de sua juntada aos autos do processo. Observa-se ainda que os quesitos devam ser pertinentes à matéria que forma o motivo da ação. Devem ser formulados em sequência lógica, de modo a conduzir-se à conclusão que se deseja. Exemplifique-se que: em um caso, no qual se deseja provar que o registro realizado pela empresa vale como prova de que um capital foi integralizado regularmente, com recur- sos dos sócios, os quesitos podem ser do tipo: a) A empresa.... possui escrita regular, na forma da legis- lação comercial e fiscal e de acordo com os preceitos contábeis? b) Em tal data realizou o registro do aumento de capital? c) Tal registro está lastreado em documento hábil? d) O registro está feito de acordo com as normas contá- beis usuais? e) O Capital aumentado foi integralizado? f) A integralização ocorreu em numerário? g) As contas usadas para o registro são adequadas? h) O aumento de capital está regularmente comprovado e registrado na forma contábil? 140 Arbitragem e Perícia Contábil Verifica-se pelos itens mencionados que o último quesito é a “conclusão” que se desejava. Quando, todavia, são várias as conclusões a encontrar, o mesmo critério se usa para “cada conclusão desejada”. Nota-se que os quesitos são aspecto norteador, pontos de partida, mas podem não ser o ponto de chegada. Então,os Requisitos das Respostas no Laudo são as respostas aos quesitos que devem ter os seguintes elemen- tos ilustrados: Requisitos Elementos de Respostas Objetividade Uma resposta deve ater-se ao seu objeto, isto é, ao que está sendo perguntado. Justificação Só responder não basta; é necessário se explicar por que se chegou à resposta (isso é argumen- tar). Rigor Tecnológico Um laudo não é uma peça de suposição, ficção ou literatura, mas alto tecnológico, ou seja, inspira-se nos princípios da doutrina contábil. Precisão É necessário que se tenha certeza sobre o que se afirma. Complementação Quando necessária, deve ser feita. Clareza Para que a resposta seja entendida é preciso que esteja ao alcance de quem vai utilizá-la. Verifica-se na ilustração que há diferença entre os termos: primeiro - os quesitos, e segundo - os requisitos. Os quesitos são as perguntas, e os requisitos são a forma de como devem ser apresentadas as respostas aos primeiros (quesitos). Podem haver, também, Quesitos Suplementares, o que não se trata Capítulo 7 Provas Documentais e Laudo Pericial Contábil 141 de estabelecer um novo exame, mas de adicionar ao já feito elementos que se fazem necessários. Após a entrega dos laudos, o Juiz abre, às partes, o exa- me dos mesmos. Isso enseja que pode surgir a necessidade de complementar, em razão de as respostas sugerirem novos exames pertinentes. Portanto, o Juiz deverá deferir o pedido para que o Perito realize seu trabalho com base em quesitos complementares. Isso requer o cuidado que deve ter o Perito com respeito à coerência entre esses laudos. Se por um lado podem haver Quesitos Suplementares, como visto em parágrafo anterior, podem haver, por outro lado, Quesitos Impertinentes, os quais o Perito pode dei- xar de responder, se julgar que foge a sua especialidade. O Perito-Contador deve limitar-se à matéria de sua competência profissional. Assim, veja um exemplo de resposta: Quesito n°........ Resposta: Considera o perito o quesito impertinente ao âmbito de sua responsabilidade profissional, deixando, por conseguinte de respondê-lo. Apesar de as perícias se referirem a fatos contábeis, ou seja, os alusivos ao patrimônio, e de parecer que só a verifica- ção ou exame de registros e demonstrações é objeto de perí- cias, a verdade é que surgem casos especiais em que se requer 142 Arbitragem e Perícia Contábil “opinião” do perito, denominado de Comentários Periciais, por exemplo: Quesito n°...... Pergunta e Comentário: Pode o Senhor Perito informar se as despesas glosadas pelo Auditor do Tesouro Nacional, segundo auto de infração n°...... motivo da presente lide, são “operacionais” ou “não”? IMPORTANTE: A Empresa pode discordar da opinião do agente do fisco requerer perícia para determinar se a despesa é ou não dedutível para fins de imposto de renda. O Perito terá, então, que oferecer seus conceitos assimilados no exer- cício profissional, de obras especializadas e de normas contá- beis se existirem sobre o fato em questão. Depois de verificados esses detalhamentos do Laudo Peri- cial, apresentam-se as Considerações finais. Dessa forma, o laudo concluído é assinado pelos peritos (oficial e assistentes, se de consenso). Se não houver consenso o perito auxiliar faz laudo à parte ou discordante (como visto em capítulo anterior, não há obrigação de concordância, mas requer elementos que fundamentem a discordância). Então, na sequência, apre- senta-se uma ilustração de um modelo de Laudo Pericial: Capítulo 7 Provas Documentais e Laudo Pericial Contábil 143 AO EXMO SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA.... VARA CÍVEL DE PORTO ALE- GRE Processo:.................. Autor:....................... Réu:.......................... FULANO DE TAL, nomeado Perito Contábil por V. Exª no processo aci- ma referido, vem apresentar seu laudo pericial como segue: Inicialmente, procedi a leitura detalhada dos autos. Na falta de ele- mentos necessários na elaboração do Laudo Pericial, procedi diligên- cias na Empresa......, nos dias........, no horário das........, com a par- ticipação dos peritos assistentes e o acompanhamento do funcionário FULANO DE TAL da Empresa. Respostas aos Quesitos a) Quesitos formulados pelo Autor - pergunta - resposta (ou indicação do anexo onde consta) b) Quesitos formulados pela Ré - pergunta - resposta (ou indicação do anexo onde consta ou da página dos Au- tos onde consta). - colocar o demonstrativo dos honorários. Coloco-me à disposição de V. Exª e das partes para quaisquer esclare- cimentos que se fizerem necessários. Atenciosamente. Local e data. Assinatura CRC/RS 144 Arbitragem e Perícia Contábil Em análise ao modelo do Laudo Pericial, pode-se verificar que é simples, mas pode, conforme aventado no início deste tópico, haver maior amplitude, dependendo do tipo e espécie de Perícia. Por fim, há que se considerar que tem Anexos ao Laudo Pericial, os quais “Ilustram” as respostas, para evitar que se tornem prolixas ou, então, reforçam a opinião. A jun- tada destes documentos deve ser feita, mas não no sentido de “inchar” o Laudo Contábil, pois deve-se fazer apenas a junta- da de alguns exemplares de vários documentos, pelas seguin- tes razões: primeiro porque o Perito Contábil tem fé pública; e, segundo, porque o excesso de documentos estará transfor- mando a prova pericial em prova documental. Exemplificam- -se alguns documentos que podem ser anexados: extratos de contas, documentos auxiliares, demonstrações de cálculos, pareceres, inventários, balanços, listagens, declarações, ente outros. Recapitulando Nos conteúdos apresentados neste capítulo buscou-se o trata- mento em dois aspectos: o primeiro foi dar ênfase à prova, a qual sendo documental preparada e não preparada, é ainda a forma mais contundente para a perícia contábil. Assim, foram identificados elementos mínimos, descritos nos documentos obrigatórios e os não obrigatórios, para a identificação das penalidades aplicadas, e ainda a prescrição tributária e tra- balhista, a qual está assegurada, mas tem tempo de carência para sua reivindicação. No segundo momento, aprofundou-se conceitos e o entendimentos sobre o laudo pericial, no qual Capítulo 7 Provas Documentais e Laudo Pericial Contábil 145 foi pretensão do texto a abordagem conceitual, ilustração de sua estrutura, as características, o formato (estilo) de ser cons- truído, bem como quais quesitos devem estar apresentados no laudo, inclusive sua versatilidade de aplicação de acordo com o tipo e espécie de perícia. Referências BRASIL. LEI N° 6.404, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de agosto de 2016. ______. LEI N° 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a arbitragem. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ______. LEI N° 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Dis- põe sobre o Código de Processo Civil. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 27 de julho de 2016. ______. LEI N° 13.129, DE 26 DE MAIO DE 2015. Altera a Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996, e a Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, para ampliar o âmbito de aplicação da arbitragem e dispor sobre a escolha dos árbitros quando as partes recorrem a órgão arbitral, a in- terrupção da prescrição pela instituição da arbitragem, a 146 Arbitragem e Perícia Contábil concessão de tutelas cautelares e de urgência nos casos de arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral, e revoga dispositivos da Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ALBERTO, Valdeir Luiz Palombo. Perícia Contábil: NormasBrasileiras de Perícia Contábil Comentadas (NBC T 01 e NBC PP 01); Aspectos Legais, Civis e Criminais; Casos Prá- ticos de Perícia Contábil das Áreas Cível, Federal, Traba- lhista (Instrução e Liquidação) e Extrajudiciais; Honorários Periciais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012. COMISSÃO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM – CMA/OAB/ MG. Cartilha de Arbitragem. Ordem dos Advoga- dos do Brasil – Minas Gerais, 2009. Disponível em: <http://www.precisao.eng.br/jornal/Arbitragem.pdf>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia Contábil. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2011. RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCTP01, de 19 de março de 2015. Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 – PE- RÍCIA CONTÁBIL. RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCPP01, de 19 de março de 2015. Norma Brasileira de Contabilidade - NBC PP 01 – PE- RITO CONTÁBIL. SÁ, Antônio Lopes. Perícia Contábil. 10. ed. Revisada e Am- pliada. São Paulo: Atlas, 2011. Capítulo 7 Provas Documentais e Laudo Pericial Contábil 147 Atividades 1) Assinale a alternativa que melhor justifica o ÔNUS DA PROVA: a) O direito de provar compete a quem alega, a quem afirma ou nega determinados fatos da causa. Quem busca proteção da justiça depara-se com a necessida- de de produzir provas. Quem oferecer as provas mais convincentes fatalmente obterá sucesso. b) O dever de provar compete a quem alega, a quem afirma ou nega determinados fatos da causa. Quem busca proteção da justiça depara-se com a necessi- dade de não produzir provas. Quem não oferecer as provas mais convincentes fatalmente obterá sucesso. c) O dever de provar compete a quem alega, a quem afirma ou nega determinados fatos da causa. Quem não busca proteção da justiça depara-se com a neces- sidade de produzir provas. Quem oferecer as provas menos convincentes fatalmente obterá sucesso. d) O dever de provar compete a quem alega, a quem afirma ou nega determinados fatos da causa. Quem busca proteção da justiça depara-se com a necessida- de de produzir provas. Quem oferecer as provas mais convincentes fatalmente obterá sucesso. e) O dever de provar jamais (nunca) compete a quem alega, a quem afirma ou nega determinados fatos da causa. Quem busca proteção da justiça depara-se 148 Arbitragem e Perícia Contábil com a necessidade de produzir provas. Quem oferecer as provas mais convincentes fatalmente obterá suces- so. 2) O Art. 333 do CPC trata da dicotomia lógica de dois su- jeitos – o autor e o réu – e cita: “incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito ao autor”. Assim pode-se afirmar que: a) Não há relação entre os dois itens. b) Um não justifica a existência do outro. c) O primeiro é consequência do segundo. d) Pode haver autor sem réu e vice-versa. e) O segundo é consequência do primeiro. 3) Relacione a primeira com a segunda coluna: A) O Ônus da Prova. B) Fins e Provas da Perícia. C) Documento. ( ) sobre os quais a perícia se debruça para “fundamentar o direito alegado ou direito contestado. ( ) Bases consistentes e de plena materialidade (compe- tentes e verdadeiras). ( ) É a consequência em detrimento de não tê-lo feito. Capítulo 7 Provas Documentais e Laudo Pericial Contábil 149 A ordem correta é: a) C, B, A b) B, A, C c) A, C, B d) A, B, C e) B, C, A 4) Os documentos, em se tratando de perícia, devem ser de domínio técnico e científico para o perito, pois eles servem para definir os fatos. Diante disso relacione a primeira com a segunda coluna: A) Fatos constitutivos. B) Fatos extintivos. C) Fatos impeditivos. D) Fatos modificativos. ( ) Todas aquelas circunstâncias que impedem que decor- ra de fato o efeito que lhe é normal, ou próprio, e que constitui a sua razão de ser. ( ) Os que têm a eficácia de fazer cessar a relação jurídi- ca. ( ) Os que, sem excluir ou impedir a relação jurídica, à qual são posteriores, têm a eficácia de modificá-la. ( ) Se entendem os que têm a eficácia jurídica de dar vida, de fazer nascer, de constituir a relação jurídica [...]. 150 Arbitragem e Perícia Contábil A ordem correta é: a) A, C, B, D b) D, A, C, B c) C, B, D, A d) B, D, A, C e) A, B, C, D 5) Analise a seguinte afirmação: É através dele que o Pe- rito fornece subsídios para a formação da convicção pessoal do julgador da lide e das partes envolvidas. Assinale a alternativa a que se refere a frase: a) Ao documento que prove a existência das duas partes conflitantes da lide. b) Ao Laudo Pericial. c) Ao documento examinado e vistoriado como base de prova. d) Ao conjunto de diligências procedidas para a produ- ção do Ônus da Prova. e) Ao relatório de anexos que subsidiaram as diligências como verdade dos fatos. Pedro Edmundo Boll1 Capítulo 8 Remuneração do Perito-contador1 1 Pedro Edmundo Boll é Graduado em Ciências Contábeis pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) (1984), Pós-Graduado em Administração e Planeja- mento para Docentes pela mesma universidade (1991), Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) (2001) e Mestre em Ciências Empresariais e Fraudes Contábeis pela Universidade de Fer- nando Pessoa (UFP Portugal) (2003). Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Ciências Contábeis, desde 1984, e atua como Perito Contábil, nas esferas Federal, Estadual e Trabalhista. É empresário na área contábil desde 1988. É Professor na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) desde 1990. 152 Arbitragem e Perícia Contábil Introdução Neste capítulo é abordada a remuneração do Perito-Con- tador pelos serviços periciais prestados. O Perito-Contador faz um requerimento de honorários, e no decurso da execução dos trabalhos pode, em decorrência de eventos novos, ajustar o requerimento de honorários, majorando ou minorando o va- lor inicialmente solicitado, sempre comunicando formalmente, através de petição, o juízo, ou a parte que o contratou. E, pode, ainda, ocorrer que haja depósitos prévios e/ou comple- mentares, pois os honorários são o reflexo da complexidade exigida no decorrer da execução da perícia. Verifica-se também que a fase de execução do processo caracteriza-se em provisória ou definitiva, em que as partes conflitantes almejam a sentença da lide. Sob este aspecto da sentença, o relatório dos serviços prestados estão fundamenta- dos na substanciação de opinião do perito em vista ao auxílio do juiz para a conclusão ou decisão. 8.1 Honorários Profissionais ou Arbitramento de Honorários e a Fase de Execução do Processo A aceitação da Perícia por parte do Perito é o marco inicial para os Honorários Profissionais, os quais requer a quem pede a Perícia, e este é o que deve fazer o depósito. Em caso de aumento da carga horária do perito, ele pode pedir rea- juste. A proposta deve ser feita de tal maneira a não cometer Capítulo 8 Remuneração do Perito-contador 153 erros contra si nem contra a parte. Cabe efetuá-la na qualida- de de zelo. Em relação ao Arbitramento de Honorários, o Perito- -Contador apresenta uma “estimativa” de honorários e solicita ao Juiz o arbitramento de seus honorários, isto em se tratan- do de perícia Judicial. Nas Perícias Extrajudiciais, os valores são ajustados entre a parte e o Perito, bem como na visão de Ornelas (2011) a Arbitral. De outra forma, Sá (2011, p. 71) refere que aceitada a perícia, “o profissional deve requerer seus honorários (fazem parte das custas e quem pede a perícia é quem deve fazer o depósito)”. Segue seu raciocínio citando que: “tal fixação pré- via pode, todavia, ser reajustada se o prazo da perícia assim o exigir e nos casos de inflação (habitual em nosso país)”. Essa práticarequer conhecimento do cenário econômico para que não haja subestimação dos honorários e tão pouco o inverso superestimação. Avançando no trabalho pericial, a forma de remuneração se diferencia em aspecto global, conforme Alberto (2012, p. 156), dependendo do tipo e espécie de perícia, da seguinte forma: a) se o profissional está funcionando como perito em processo judicial; b) se está funcionando em inquérito policial; c) se está funcionando em comissão parlamentar de inquérito; 154 Arbitragem e Perícia Contábil d) se está realizando perícia extrajudicial; e, e) se está realizando perícia em juízo arbitral. Os tipos e espécies de perícias mencionados na citação podem ser aprofundados em Alberto (2012), nas páginas 161 a 163, pois não são o objeto de aprofundamento neste livro- -texto. No entanto, em perícias Judiciais, compete ao magis- trado fixar a remuneração que, conforme Ornelas (2011, p. 103), essa é uma forma de “arbitramento” de honorários. No entanto, por força do parágrafo único do Art. 33 do CPC, o magistrado pode solicitar ao Perito nominado que “ofereça or- çamento ou estimativa de sua remuneração, a ser fixada antes do início do trabalho pericial”. Ornelas (2011, p. 104) deno- mina esse dispositivo de independência do Perito profissional quanto a sua remuneração, em que cita: Para tanto, o perito subsidia essa decisão, apresentando, por meio de petição, sua demonstração do custo do tra- balho pericial em que conste as horas técnicas, a serem aplicadas em cada fase do trabalho pericial e respectivo custo da hora técnica, levando em consideração as re- comendações aprovadas ou homologadas pelos Conse- lhos Regionais de Contabilidade. Em verificação a citação anterior, lembre-se o/a leitor/a que no Capítulo 6 foi ilustrado um quadro demonstrativo das características e etapas do plano de trabalho do Perito. Frisa- -se que na perícia Judicial, na petição dos honorários, o ma- gistrado pode dar ciência às partes do conflito, bem como pode a remuneração sem a anuência das partes. Essa anuên- cia seria entendida como prudência do magistrado, evitando Capítulo 8 Remuneração do Perito-contador 155 assim possibilidade de impugnação, que, na visão de Alberto (2012), em processos judiciais, os peritos funcionam como pe- rito do juízo, ou assistentes técnicos das partes, e a lógica de suas atuações está na relação de uma com a outra parte e isso é relevante ser considerado. Retomando-se novamente a forma arbitral do magistrado, em fixar os honorários por estimativa e arbitramento, é acentu- ada por Ornelas (2011, p. 104) da seguinte forma: A fixação da remuneração pericial é um ato arbitral do magistrado, que normalmente, ao decidir, leva em consi- deração a relevância e a qualidade do trabalho pericial, a complexidade técnica da prova, o orçamento apresen- tado pelo perito, as possibilidades econômico-financeiras das partes, bem como as eventuais reações das partes. Então, fixados os honorários pelo ato arbitrário do magis- trado, de um lado, as partes ou a parte que sentir-se insatisfeita pode requerer reconsideração dessa decisão. De outro lado, o Perito pode também requerer reconsideração se, conforme Ornelas (2011), a fixação de honorários representar avilta- mento de seu trabalho, bem como recorrer à Segunda Ins- tância, em agravo a decisão do magistrado. Após essa etapa procede-se a responsabilidade de cada parte na consecução do pagamento, o que está previsto no Art. 33 do CPC: Cada parte pagará a remuneração do assistente técnico que houver indicado; a do perito será paga pela parte que houver requerido o exame, ou pelo autor, quando requerido por ambas as partes ou determinado de ofício pelo juiz. 156 Arbitragem e Perícia Contábil Essa regra citada pode ser modificada, por diversas for- mas, a citar-se a desistência, ou acordo entre as partes, pois a rigor a fixação de honorários por parte do magistrado não é questão obrigatória, mas facultada e isso pode, por vezes, acomodar as partes em conflito. Igualmente os modelos de Petição de honorários estão ilustrados no Art. 33 do CPC, em ordem de modelos distintos de 1 (UM) a 8 (OITO) ou também em Ornelas (2011) nas páginas 113 a 123, ou ainda em Al- berto (2012) nas páginas 163 a 168 e, por fim, os modelos sugeridos na Resolução CFC n° 1.244, de 2009 (DEZ modelos distintos). Por conseguinte, definida a questão dos honorários, o Pe- rito oferece a petição contendo o custo do trabalho pericial, ao que despacho do magistrado solicita o feito do depósito. Ornelas (2011) explica o depósito sob três formas, conforme ilustração a seguir: Tipo de Depósito Características Integral Se de pronto as partes aceitarem a quantia estimada efetuam o depósito integral. Prévio Depósito dos honorários provisórios, antes do início do trabalho, mesmo orçados são denominados prévios. Complementar Diferença entre os honorários fixados e os depositados previamente, os fixados são os definitivos e os depositados são prévios. Chama-se a atenção para o Perito, ao que Ornelas (2011) define como depósito complementar, o que por vezes fica dis- tante do acompanhamento do profissional da perícia, pois ocorrem hipóteses como: Instrumento de Agravo em que a Capítulo 8 Remuneração do Perito-contador 157 parte não deposita valores complementares; extinção do pro- cesso, entre outros. Nesses casos, pode trazer prejuízos ao Perito, quanto aos honorários periciais. Salvado o direito de o Perito solicitar Certidão de inteiro teor, caracterizado como título executivo extrajudicial, que prove os serviços prestados e, assim, com advogado requerer cobrança judicial. Em sentido mais cauteloso, ainda sobre os depósitos, Sá (2011, p. 71) ensina que a proposta de honorários deve ser bem feita, “pois pleitear o depósito são coisas que o perito pode realizar concomitantemente” a fase de execução do pro- cesso, “mas com zelo suficiente para não cometer erros contra si, nem contra a parte”. Salienta, ainda, que “cabe ao autor adiantar as despesas, mas se o réu perder, deverá com as mesmas arcar”. Essa lógica está prevista nos Arts. 19 e 20 do CPC. Em outra via, Alberto (2012, p. 157) também refere-se aos tipos de depósito e suas características, como um procedimen- to normal, pois o perito nomeado pelo juízo examina preli- minarmente os autos, para que verifique a necessidade dos depósitos. Doravante, diz o autor, há que se considerar com toda a honestidade o seguinte: não necessariamente a todo processo judicial em que há determinação de realização de perícia há que correspon- der um pedido de depósito prévio, já que há aquelas pe- rícias com menor grau de risco ou complexidade, para as quais o próprio profissional optará por solicitá-lo ou não. Como visto, o trabalho é dinâmico, assim como a Fase de execução do processo o é também. Destarte é que durante 158 Arbitragem e Perícia Contábil a execução provisória, ocorrem eventos que tornam a perícia sustentação em parte à sentença. Isso requer novos e mais relatórios ou até mesmo extinções, o que dá fundamentação, na modificação dos honorários. Contudo, para a conclusão ou decisão, cabe o recurso e inclusive à carta de sentença, ao que Ornelas (2011) cita como controvérsias nas verbas que liquidam a sentença exarada, ao que na maioria das vezes o magistrado reconhece em favor do reclamante. Nos próximos parágrafos são abordados alguns entendi- mentos a partir da Resolução que trata das NORMAS BRASI- LEIRAS DE CONTABILIDADE - NBC TP 01 – PERÍCIA CON- TÁBIL e da NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE - NBC PP 01 – PERITO CONTÁBIL. Dessa forma, para a Apresentação de proposta dos ho- norários o perito-contador deve apresentar sua proposta de honorários, devidamente fundamentada, ao juízo ou contra- tante, podendoconter o orçamento ou este constituir-se em um documento anexo. Contudo, o perito-contador assistente deve explicitar a sua proposta no contrato que, obrigatoria- mente, celebrará com o seu cliente, observando as normas estabelecidas pelo Conselho Federal de Contabilidade. No caso do perito-contador assistente, este deve estabe- lecer, mediante “Contrato Particular de Prestação de Serviços Profissionais de Perícia Contábil”, o objeto, as obrigações das partes e os honorários profissionais, podendo, para tanto, utilizar-se dos parâmetros estabelecidos nesta Norma com re- lação aos honorários do perito-contador. O perito-contador assistente deve adotar, no mínimo, o modelo constante nesta Capítulo 8 Remuneração do Perito-contador 159 Norma (como citado anteriormente neste tópico) referente ao seu contrato de prestação de serviços. Reforça-se que para o Levantamento dos honorários, o perito-contador deve requerer o levantamento dos honorários periciais, previamente depositados, na mesma petição em que requer a juntada do laudo pericial aos autos. Inclusive como também fora apresentado em ilustração anterior, com os tipos de depósitos. De forma que o perito-contador pode requerer a liberação parcial dos honorários quando julgar necessário para o custeio de despesas durante a realização dos trabalhos. Está previsto também na Resolução CFC a Execução de honorários periciais. Nesse caso, quando os honorários pe- riciais forem fixados por decisão judicial, estes podem ser exe- cutados, judicialmente, pelo perito-contador em conformidade com os dispositivos do Código de Processo Civil. Por fim, podem ocorrer Despesas supervenientes na execução da perícia. Nesses casos em que houver necessi- dade de desembolso para despesas supervenientes, tais como viagens e estadas, para a realização de outras diligências, o perito deve requerer ao juízo ou solicitar ao contratante o pa- gamento das despesas, apresentando a respectiva comprova- ção, desde que não estejam contempladas ou quantificadas na proposta inicial de honorários. Em suma, pode-se entender o arbitramento de honorários, especificamente em questões judiciais, haja vista que, segundo Alberto (2012, p. 158), o magistrado considera habitualmen- te: 160 Arbitragem e Perícia Contábil 1) a importância e complexidade do trabalho apresen- tando; 2) a perfeição técnica; 3) os fundamentos e custos demonstrados pelo perito; 4) a capacidade econômico-financeira das partes e, ainda, 5) a importância econômica da ação para as partes. Verificando os itens citados anteriormente, percebe-se que a questão de honorários, estimados ou arbitrados, tem suas peculiaridades com o que é exigido ao Perito para a execução da Perícia, a qual culmina na elaboração do Laudo, o qual deve ser entregue ao final: seja ao juízo ou a parte que o contratou. Dessa forma, no próximo capítulo trata-se especifi- camente do Laudo Pericial. 8.2 Honorários Profissionais na Esfera Trabalhista A contraprestação dos honorários do perito-contador, nesta esfera, tanto na fase de conhecimento (Laudo Pericial de Ins- trução), como no Laudo de Liquidação de Sentença (apuração dos haveres), é diferente das demais esferas, eis que a contra- prestação é feita pela parte sucumbente, e paga somente no final do processo, na apuração dos cálculos de liquidação de sentença. Capítulo 8 Remuneração do Perito-contador 161 A determinação do pagamento deve ser expressa em sen- tença ou despacho, é emitido o alvará de autorização de pa- gamento, o perito-contador é notificado da disposição do al- vará e saca o valor dos honorários, depositados pela parte sucumbente. No caso de o reclamante ser o sucumbente, e estar sob abrigo de AJG, os honorários periciais serão pagos pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), segundo seus regu- lamentos próprios (grifo do autor). Recapitulando Foram abordados conteúdos sobre os honorários a que o Pe- rito tem direito a cobrar, a título dos serviços periciais. Descre- veu-se a forma de arbitramento de honorários, em que funda- mentou-se esta possibilidade a partir do magistrado, o qual pode valer-se dessa forma. No entanto, verificou-se, que a parte discordante de valores pode impugnar tal arbitrariedade, o que pode ensejar anulação de sentença. Ocorre que o ar- bitramento é uma das formas de fixar honorários, mas podem ter serviços de peritos que estabeleçam estimação de valores por interesse das partes envolvidas no conflito. Em ambos os casos ficou identificado que no decurso, execução dos traba- lhos podem ocorrer oscilações no trabalho, e que necessite majoração nos honorários. Verificou-se que a qualquer mo- mento pode o Perito solicitar ajustamento de valor, desde que de forma oficial e fundamentado em demandas de serviços, questões econômicas, inflacionários, entre outras. 162 Arbitragem e Perícia Contábil Apresentou-se os tipos de depósito prévio e/ou comple- mentar dos honorários. Para tanto, considera-se que os hono- rários são o reflexo da complexidade exigida no decorrer da execução da perícia e, nesse aspecto, o magistrado pode con- siderar habitualmente a qualidade do serviço esperado, o que por fim último é que as partes conflitantes almejam a sentença da lide. Sob esse aspecto da sentença, frisou-se que o relatório dos serviços prestados estão fundamentados na substanciação qualitativa de opinião do perito com vista ao auxílio do juiz na conclusão ou decisão. Referências BRASIL. LEI N° 6.404, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de agosto de 2016. ______. LEI N° 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a arbitragem. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ______. LEI N° 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Dis- põe sobre o Código de Processo Civil. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 27 de julho de 2016. ______. LEI N° 13.129, DE 26 DE MAIO DE 2015. Altera a Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996, e a Lei n° 6.404, Capítulo 8 Remuneração do Perito-contador 163 de 15 de dezembro de 1976, para ampliar o âmbito de aplicação da arbitragem e dispor sobre a escolha dos árbitros quando as partes recorrem a órgão arbitral, a in- terrupção da prescrição pela instituição da arbitragem, a concessão de tutelas cautelares e de urgência nos casos de arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral, e revoga dispositivos da Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ALBERTO, Valdeir Luiz Palombo. Perícia Contábil: Normas Brasileiras de Perícia Contábil Comentadas (NBC T 01 e NBC PP 01); Aspectos Legais, Civis e Criminais; Casos Prá- ticos de Perícia Contábil das Áreas Cível, Federal, Traba- lhista (Instrução e Liquidação) e Extrajudiciais; Honorários Periciais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012. COMISSÃO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM – CMA/OAB/ MG. Cartilha de Arbitragem. Ordem dos Advoga- dos do Brasil – Minas Gerais, 2009. Disponível em: <http://www.precisao.eng.br/jornal/Arbitragem.pdf>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia Contábil. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2011. RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCTP01, de 19 de março de 2015. Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 – PE- RÍCIA CONTÁBIL. 164 Arbitragem e Perícia Contábil RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCPP01, de 19 de março de 2015. Norma Brasileira de Contabilidade - NBC PP 01 – PE- RITO CONTÁBIL. SÁ, Antônio Lopes. Perícia Contábil. 10. ed. Revisada e Am- pliada. São Paulo: Atlas, 2011. Atividades 1) Assinale a alternativa que melhor indica o marco inicial ao direito de honorários Profissionais de Perícia: a) Quandoda suspensão do Perito por parte do Juiz. b) Quando da aceitação da Perícia por parte do Perito. c) Quando do acordo na sentença da ação. d) Quando o magistrado obriga que as partes aceitem o valor definido por ele. e) Quando da suspensão do Perito em relação a determi- nada Perícia. 2) Considere a seguinte hipótese: na proposta inicial de ho- norários o Perito estimou 800 horas de trabalho total, da seguinte forma: são quatro momentos que devem ocorrer durante a execução dos trabalhos – no primeiro 100 ho- ras, no segundo 300 horas, no terceiro 250 horas e no quarto 150 horas. Depois de transcorridos os dois primei- ros momentos, verificou que há necessidade de contratar mais um especialista para 50 horas no quarto momento. Capítulo 8 Remuneração do Perito-contador 165 O fundamento apresentado foi: complexidade da perícia e qualificação na análise dos fatos, quesitos e elaboração do Laudo. Diante desse cenário pode-se afirmar que: a) Uma vez aceito o trabalho com honorário definido é imexível o valor. b) Pode ser ajustado uma única vez o honorário profissio- nal do Perito. c) Em caso de aumento de carga horária do Perito, ele pode pedir reajuste ou ajuste. d) Jamais o Perito pode pedir reajuste ou ajuste. e) Somente em casos Judiciais o Perito pode ajustar seus honorários, nos casos Extrajudiciais, ou Arbitrais esta prática é vedada. 3) A prática de Arbitramento de honorários em perícias com- pete: a) ao Magistrado. b) ao conflitante Autor. c) ao conflitante Réu. d) ao Perito. e) ao Conselho de Ordem de Classe. 4) Indique a alternativa que apresenta o tipo de perícia em que a parte e o perito ajustam os valor dos honorários periciais: 166 Arbitragem e Perícia Contábil a) Judicial. b) Inquérito Policial. c) Inquérito Parlamentar. d) Inquérito Militar. e) Extrajudicial. 5) Relacione a primeira (tipos de depósito de honorários pe- riciais) com a segunda coluna (características dos honorá- rios): A) Integral B) Prévio C) Complementar ( ) Diferença entre os honorários fixados e os depositados previamente, os fixados são os definitivos e os deposi- tados são prévios. ( ) Se de pronto as partes aceitarem a quantia estimada efetuam o depósito integral. ( ) Depósito dos honorários provisórios, antes do início do trabalho, mesmo orçados são denominados pré- vios. A ordem correta é: a) A, B, C b) B, C, A Capítulo 8 Remuneração do Perito-contador 167 c) C, B, A d) B, A, C e) C, A, B Pedro Edmundo Boll1 Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 1 Pedro Edmundo Boll é Graduado em Ciências Contábeis pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) (1984), Pós-Graduado em Administração e Planeja- mento para Docentes pela mesma universidade (1991), Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) (2001) e Mestre em Ciências Empresariais e Fraudes Contábeis pela Universidade de Fer- nando Pessoa (UFP Portugal) (2003). Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Ciências Contábeis, desde 1984, e atua como Perito Contábil, nas esferas Federal, Estadual e Trabalhista. É empresário na área contábil desde 1988. É Professor na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) desde 1990. Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 169 Introdução Para este capítulo são trazidos os conteúdos referentes a ela- boração de laudo de instrução. Sob este aspecto busca-se a compreensão de quais conteúdos compõem cada parte do laudo, o qual, em sua estrutura, foi visto em capítulo anterior. No entanto, nestas partes específicas, com foco nos conheci- mentos da contabilidade, devem constar a apuração das inte- grações dos elementos qualitativos e quantitativos resultantes dos trabalhos efetuados pela perícia. Verificar-se-á que a finalidade está com vistas à liquidação de sentença, a qual será demonstrada no último capítulo deste livro. Contudo, no laudo, faz-se a abordagem sobre os tipos de laudo, em que são relevantes os aspectos dos cálculos, ar- bitramento e artigos, as atualizações, deduções e obrigações a realizar. E ainda, o parecer, especificamente, da perícia con- tábil, o qual não necessariamente acompanha o laudo, pois pode este ser solicitado, em separado, ao laudo pericial. 9.1 Elaboração de Laudo e Parecer a partir da Instrução do Processo com vista à Sentença de Liquidação De imediato é relevante que o leitor tenha clareza e absorção do conhecimento, principalmente conceitual, que diferencia – Laudo e Parecer. Para Ornelas (2011, p. 87), a definição é: 170 Arbitragem e Perícia Contábil O laudo pericial contábil é a peça técnica da lavra do perito nomeado. Pode ser elaborado em cumprimento à determinação judicial, arbitral, ou ainda por força de contratação. No primeiro caso, surge o laudo pericial contábil judicial. Nos demais, surge o laudo pericial con- tábil extrajudicial, um por solicitação de Tribunal Arbitral, outro em decorrência de contrato. O parecer pericial contábil é trabalho técnico da la- vra do perito indicado ou contratado. É elaborado por determinação judicial ou em função de contrato. Para o primeiro caso será denominado parecer pericial contá- bil; no segundo caso, será um parecer pericial contábil extrajudicial. Diante desse esclarecimento inicial citado apresenta-se primeiro os conceitos sobre o LAUDO PERICIAL CONTABIL, que em suma é o resultado da averiguação e coleta das infor- mações a partir do: exame, vistoria, diligências, entre outros aspectos que foram estudados no capítulo anterior. Para tanto, conforme Ornelas (2011, p. 87), o laudo é entendido sob dois aspectos: “a) é a materialização do trabalho pericial desen- volvido pelo perito; b) é a própria prova pericial”. Deriva-se desse entendimento ao que o citado autor (p. 88) refere à Amaral Santos (1968) que a materialização do laudo: “con- siste na fiel exposição das operações e ocorrência da diligên- cia, com o parecer fundamentado sobre a matéria que lhe foi submetida”. Por isso, o Laudo da perícia contábil independe da quantidade de capítulos, mas deve apresentar ao menos duas grandes partes: a expositiva e a conclusiva. Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 171 Partindo dessas duas premissas, a organização e o desen- volvimento do conteúdo caracterizam o que foi escrito ante- riormente, um encadeamento lógico que respeite os contornos do processo, em que os fatos, pela prova técnica, sejam ex- postos na parte introdutória (expositiva). Sob essa visão Or- nelas (2011, p. 89-90) ensina que podem haver “subtópicos”. Diante disso apresenta-se uma ilustração sucinta da seguinte forma: Subtópicos Conteúdos ou Características Primeiro Apresentação sucinta de quem é o proponente da ação, e em seguida descrição dos fatos relatados, a identificação da controvérsia e, ainda, os contornos e os limites do trabalho da perícia. Segundo Oferecimento das diligências realizadas, como foram desenvolvidos os trabalhos de campo, os termos de diligências, o que foi requerido nos termos, inclusive ocorrências que tenham se sucedido no decorrer do trabalho pericial. Terceiro Evidenciação/apresentação de como foram os procedimentos técnicos adotados pelo perito na realização dos exames, vistorias, diligências, com vis- tas à solução competente dos trabalhos que lhe foram confiados para a apreciação. ...Último Exposição dos limites quanto à responsabilidade do perito, fundamentalmente relacionados às Normas Técnicas de Perícia Contábil e Funcionais do Perito. É relevante destacar que podem haver outros subtópicos, mas, ao mesmo momento, deve-se lembrar que o “excesso pode tornar o laudo: truculento e poluído” (grifo nosso). Tanto é que o laudo deve serapresentado, como visto anteriormen- te, em encadeamento lógico, por exemplo: os quesitos for- 172 Arbitragem e Perícia Contábil mulados, em regra apresentam a ordem cronológica e, nesse sentido, tão pouco deve o laudo apresentar uma questão fora da ordem, sem idas e vindas, retomadas, entre outras formas (Quesitos apresentados: 1, 2, 3, 4) – (Quesitos examinados: 1, 3, 2, 4). Salvo se algum quesito esteja fora de sua compe- tência, o que foi visto também em capítulo anterior, o que de pronto deve comunicar ao juízo ou a quem o contratou. Após essa parte expositiva, o laudo deve apresentar suas considerações, entendido como parte conclusiva. Ornelas (2011, p. 90) ensina que deve o perito expor suas conclusões técnicas, em que: Expõe, sinteticamente, os fatos observados, suas conclu- sões e, eventualmente, oferece comentários técnicos de questões surgidas no decorrer do trabalho pericial rela- cionadas com o objeto da perícia e dentro de seus limites que não tenham sido objeto de quesitos. Em análise da citação anterior, podem ocorrer demandas, eventos, que não estavam nos quesitos, mas surgem no decor- rer do trabalho pericial e as partes não tem ou tinham interes- se, pois poderiam prejudicá-las. Nesse aspecto, pode o perito apresentar em suas considerações finais alusão a esses pontos (ver Art. 421, do CPC), em que o recorre ao Art. 145, do CPC, e se assiste de outro perito. Por fim, é de praxe que o laudo apresente um capítulo de encerramento dos trabalhos, no qual resumidamente apre- senta um forma de inventários: o número de folhas, os anexos (são normalmente as demonstrações elaboradas que ilustram as evidências dos cálculos e apurações de valores pelo perito), Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 173 documentos (são as reprografias ou até mesmo originais co- lhidos pelo perito como substanciação da prova), entre outros que sejam relevantes, sendo que em cada um deve constar a data e assinatura. Em relação a estética do laudo pericial é relevante que o perito considere, conforme Ornelas (2011, p. 92-93), dois as- pectos: o primeiro refere-se não apenas “ao que nele consta, mas a forma gráfica que adotou” (deve ser um trabalho bonito de ver e atrativo para ler), o segundo trata de “oferecer o lau- do pericial contábil de forma a possibilitar uma leitura fácil”. Sob esses aspectos apresenta-se uma ilustração de alguns ele- mentos gráficos do laudo, conforme segue: Item Padrão Finalidade Margem Esquerda 3,00 cm Permite o arquivamento melhor. Margem Direita 2,00 cm Deixa uniformidade com a esquerda quando arquivado. Margem Superior 3,00 cm Deixa início da página com mais destaque. Margem Inferior 2,00 cm Uniformiza com as demais margens. Quesitos Individual Pergunta e resposta na mesma folha, facilita a leitura. Títulos e Texto Fonte Arial ou Times New Roman (ver itens a seguir). Títulos Tamanho 14 Digitados e realçados con- forme normas em vigor. Texto Tamanho 12 Digitados com espacejamento entre linha 1.5 174 Arbitragem e Perícia Contábil Verificando a ilustração, na linha seis (6) “Título e Texto” e “Fonte”, fica ressalvado que o laudo deve utilizar padrão único, ou seja, a fonte deve ser sempre única, não ter parte em “Arial” e outra “Times New Roman”. Qualquer desvio do padrão desqualifica esteticamente o laudo. Outro aspecto a ser evitado são gráficos e figuras, ilustrações essas que por vezes não são compreendidas e nem entendidas, uniforme- mente, pelos leitores. No entanto, contrapondo a visão dada nos parágrafos an- teriores, inclusive a ilustração, não existe na prática tanto pa- dronismo, mas é sim admissível que peritos façam estruturas e ilustrações de laudos "diferentes", que possam apresentar mo- delos mais atraentes e de melhor visão e compreensão. Assim, entende-se que, se o perito puder sintetizar informações em gráficos ou organogramas, deve fazê-lo com as devidas legen- das e comentários pertinentes. De outra sorte, ainda, atual- mente há a possibilidade de haver processos eletrônicos, logo utilizam-se margens mínimas para que o laudo tenha o menor número de páginas. Nos próximos parágrafos são apresentados alguns tipos de laudo, em que a modalidade de perícia contábil requeira estrutura diferenciada, haja vista que a instrução do processo pauta-se no Art. 420 do CPC, que cita: “A prova pericial con- siste em exame, vistoria ou avaliação”. Então, resumidamente, Alberto (2012, p. 127) dá o seguinte ordenamento na elabo- ração do laudo: a) Abertura (o parágrafo introdutório dos hispânicos); Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 175 b) Considerações Iniciais a respeito das circunstâncias de determinação judicial ou consulta, bem como os exames preliminares da perícia contábil; c) Determinação e descrição do objeto e dos objetos da perícia; d) Informação da necessidade ou não de diligências e, quando houver, a descrição dos atos e acontecimen- tos dos trabalhos de campo; e) Exposição dos critérios, exames e métodos emprega- dos no trabalho; f) Considerações Finais onde conste a síntese conclusi- va do perito a respeito da matéria analisada; g) Transcrição e respostas aos quesitos formulados; h) Encerramento do laudo (ou parágrafo final), com identificação e assinatura do profissional, e i) Quando houver, a juntada sequencial dos Anexos, documentos ou outras peças alojada ao laudo e ilustrativas deste. Dessa forma ampla, Ornelas (2011, p. 94-98) já citava um “ordenamento materializado em laudo pericial contábil”, que por vezes é específico e requer diferenciação na sua apresen- tação. Isso também está ordenado em Alberto (2012, p. 129- 131), as espécies distintas de laudos contábeis: o pericial, de vistoria, de louvação, o parecer pericial e o laudo arbitral. ATENÇÃO: (não confundir espécie com tipos). Assim, ilustra- -se na sequência uma série de tipos de laudo: 176 Arbitragem e Perícia Contábil TIPO DE LAUDO: EXAMES, VISTORIAS, INDAGAÇÕES E INVESTIGAÇÕES 1. Das considerações preliminares 1.1 Aspectos gerais dos autos 1.2 Diligências 1.3 Procedimentos técnicos adotados 1.4 Responsabilidade profissional 2. Dos quesitos 2.1 Do magistrado 2.2 Do autor 2.3 Do réu 3. Das Considerações finais Texto único, pode ser vários parágra- fos com conclusões técnicas 4. Do encerramento 4.1 Anexos 4.2 Documentos TIPO DE LAUDO: ARBITRAMENTO, AVALIAÇÃO 1. Das considerações preliminares 1.1 Dos aspectos gerais dos autos 1.2 Das diligências 1.3 Dos procedimentos técnicos adotados 1.4 Da responsabilidade profissional 2. Do arbitramento 2.1 Das premissas adotadas 2.2 Dos critérios adotados 2.3 Da demonstração dos cálculos 2.4 Da fixação dos valores arbitrados 3. Do encerramento 3.1 Anexos 3.2 Documentos Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 177 TIPO DE LAUDO: APURAÇÃO DE HAVERES 1. Das considerações preliminares 1.1 Dos aspectos gerais dos autos 1.2 Das diligências 1.3 Da responsabilidade profissional 2. Da apuração de haveres 2.1 Das demonstrações contábeis especiais 2.2 Dos ajustes contábeis 2.3 Dos critérios e procedimentos avaliatórios 1.4 Dos ajustes avaliatórios 1.5 Do balanço de determinação 1.6 Dos haveres apurados 3. Do encerramento 3.1 Anexos 3.2 Documentos Em análise dos três tipos de laudo ilustrados, chama-se a atenção para o último: apuração de haveres, o qual costu- meiramente ocorre entre sócios, ou participações societárias de empresas. No entanto, deve ser considerado que: pode ser de forma extrajudicial, ou por vezes, judicial. Sendo que nesse último, o judicial, pode o perito deparar-se com quesitos formulados, e nesse caso acrescente-se mais um item “Dos quesitos”, conformeverificado na ilustração no primeiro tipo de laudo. Ainda em face ao último tipo de laudo ilustrado, Sá (2011, p. 95) cita que “a apuração de haveres podem dar-se em ra- zão de morte de sócio, morte da mulher de sócio, dissolução de sociedade”. Fatos que ensejam apurar “os direitos” que são 178 Arbitragem e Perícia Contábil próprios de alguém sobre o patrimônio da empresa. Podem haver ainda a “retirada da sociedade de sócio” ou até mesmo “expulsão” e, ainda, “direitos decorrentes de amortização de suas quotas de capital ou ações”. O que se busca conhecer, conforme o citado autor e mesma página, é: a) os créditos do sócio, em conta, devidamente atuali- zados; b) os débitos do sócio, em conta, devidamente atuali- zados; c) o valor de patrimônio líquido real; d) as expectativas de lucros da sociedade quando ela vai continuar em funcionamento; e) as expectativas de realização do Ativo, quando a so- ciedade vai liquidar-se. Verificando a citação, é relevante ao perito, examinar pre- viamente questões básicas sobre o que se propõe apurar no laudo em questões de haveres. O exame detalhado nos as- pectos que referem-se fundamentalmente sobre a cessação ou continuidade da sociedade. Nesse sentido, um exemplo que Sá (2011, p. 95) cita é o caso de “sócio falecido”, o que re- quer “inventário”. Sob esse manto denomina três conotações: I – se a empresa era individual; II – se a empresa era sociedade de pessoas; III – se a empresa era sociedade anônima ou de capital. Partindo dessas três possibilidades citadas, Sá (2011) en- sina que, normalmente, em caso de sócio falecido, as ques- Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 179 tões de haveres passam pelo processo judicial, e ao perito designado compete cautela para a apuração dos direitos de herdeiros. Nesse sentido apresenta-se uma ilustração de cada caso citado: Tipo de sociedade Características de apuração de haveres Individual - Utilização do Balanço Patrimonial e sem rateios, sem apuração de haveres, pois não há sócios. - Baixo custo da perícia – complexidade baixa. de Pessoas - São sociedades limitadas, em nome coletivo, em comandita simples e outras formas de socie- dade em que se realiza a apuração de haveres. - O juiz determina a apuração de haveres no to- cante ao inventário, com avaliações pelo perito, baseado em: contrato social e suas alterações, retiradas de valores de sócio, lucros pagos ou creditados, antecipações ao sócio (Ativo), empréstimos de sócio (Passivo), empréstimo ao sócio (Ativo), juros sobre empréstimos (Ativo e Passivo), atualização de valor do Patrimônio Líquido - PL e demais contas do Ativo e Passivo, identificação das contas de contingenciamento e identificação de perspectivas e riscos futuros. - A essência (estado da riqueza) está no substan- ciamento Patrimonial, em que o rastreamento das contas e o rigoroso exame fomentam a prova do direito dos haveres. - Há que o perito manter o caráter minucioso, cauteloso e zeloso, pois a saída de capital em forma abrupta pode comprometer o negócio da empresa, pois envolve o capital de giro, especifi- camente. - Médio custo da perícia – complexidade moderada. 180 Arbitragem e Perícia Contábil Anônima ou de Capital - Utilização baseada no estatuto social, bem como os demais livros e documentos que regis- trem as ações da sociedade. - os meios de provas, nos livros e documen- tos, são a força probante a favor ou contra, e neste caso o juiz determina, em regra “busca e apreensão”, como forma de exibição das provas. - a Lei n° 6.404/1976, em seu Art. 105, de- termina que detenções iguais ou superiores a 5% requerem o exame (perícia) (ver também no CPC, Arts. 381, 382 e 844). - Nas Sociedades por Ações, a complexidade é ampla, e neste sentido observa-se dois pon- tos relevantes: maior desconfiança entre os acionistas em virtude da gestão e os arranjos nos negócios da empresa; e o jogo de interesses, ambições, malícias e ciladas. - Elevado custo da perícia – complexidade alta. Por fim, como escrito anteriormente neste capítulo, há tam- bém o Parecer Pericial Contábil, o qual é denominado de laudo crítico, que normalmente ocorre quando as partes en- volvidas no conflito da lide não convergem com o laudo peri- cial. Assim, Ornelas (2011, p. 98-99) cita: Por força da legislação vigente, o perito na função de assistente técnico é responsável pela oferta de parecer pericial contábil, ou seja, oferece, por meio de trabalho próprio, sua opinião técnica, crítica ou concordante, a respeito do laudo pericial contábil oferecido pelo perito judicial. Dessa forma, resumidamente, o conteúdo deve ser ordena- do da seguinte forma: Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 181 1. Das considerações preliminares/Resumo do laudo oficial 2. Dos comentários técnicos ao laudo pericial contábil 3. Do parecer pericial contábil 4. Do Encerramento Anexos Documentos Estas duas citações anteriores encontram sua fundamenta- ção no Art. 431, do CPC: “se houver divergência entre peri- to e os assistentes técnicos, cada qual escreverá o laudo em separado, dando as razões em que se fundar”. Nesse caso, o assistente técnico que deve emitir parecer pericial contábil destacará eventuais interpretações que podem ser: errôneas e/ou distorcidas, distanciando-se de alegações elogiosas ou críticas de cunho pessoal. Para fins de exemplos de Laudos Periciais sugere-se que o/a leitor/a visite as obras de Alberto (2012) nas páginas 132 a 136 e 169 a 234. Nessa bibliografia podem ser vistos mo- delos distintos com casos práticos de Perícia Contábil. 9.2 Particularidades do Laudo Pericial Contábil na Esfera Trabalhista As Normas Brasileiras de Contabilidade não estabelecem mo- delos objetivos em relação ao Laudo Pericial Contábil, e, na 182 Arbitragem e Perícia Contábil etapa de Instrução processual, o Laudo segue os preceitos do bom senso de estética e concisão apresentados acima. No entanto, na etapa de Liquidação de Sentença, há uma recomendação elaborada pela corregedoria do Tribunal Regio- nal do Trabalho da 4ª Região, que, considerando os princípios de economia e celeridade processual, e visando a diminuição nos prazos médios de Liquidação de Sentença, bem como a necessidade de configuração de laudos mais compreensíveis tanto para a unidade judiciária quanto para partes da deman- da, e face ao estudo realizado pela Assessoria de Gestão Estratégica, Dados Estatísticos e Apoio às Ações Institucionais, para reorganização do trabalho nas unidades judiciárias de 1º Grau, direcionado para a uniformização de procedimentos relacionados à apresentação de Laudo Pericial Contábil, foi sugerido que o Resumo Geral dos Cálculos seguissem o mo- delo que pode ser acessado através do seguinte link: http://www.trt4.jus.br/PortariasProvimentosPortlet/downlo- ad/714107/RecomendaAcAao_Correg_01.2015.pdf. Recapitulando Verificou-se os conteúdos referentes a elaboração de laudo pericial a partir da instrução do processo. Sob esse aspecto buscou-se a compreensão de quais conteúdos compõem o laudo, mais especificamente em cada tópico, o qual em sua estrutura foi visto em capítulo anterior. No entanto, nessas par- tes específicas, o conhecimento da contabilidade é fator rele- Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 183 vante para a realização dos trabalhos, pois devem constar a apuração das integrações dos elementos qualitativos e quan- titativos resultantes dos objetos examinados ou investigados. Identificou-se que a finalidade do laudo está em vista à liquidação de sentença. No entanto, no laudo, faz-se a abor- dagem sobre as espécies e os tipos de laudo, em que são relevantes os aspectos dos cálculos, arbitramento e artigos, as atualizações,deduções e obrigações a realizar, bem como sua estrutura de acordo com o tipo de laudo realizado. Ainda, o parecer, normalmente por requisição do juiz, especificamente da perícia contábil, o qual não necessariamente acompanha o laudo, pois pode este ser solicitado, em separado, ao laudo pericial, o qual serve de auxílio para a convicção do que foi apresentado no laudo. Referências BRASIL. LEI N° 6.404, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de agosto de 2016. ______. LEI N° 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a arbitragem. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ______. LEI N° 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Dis- põe sobre o Código de Processo Civil. Disponível em: 184 Arbitragem e Perícia Contábil <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 27 de julho de 2016. ______. LEI N° 13.129, DE 26 DE MAIO DE 2015. Altera a Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996, e a Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, para ampliar o âmbito de aplicação da arbitragem e dispor sobre a escolha dos árbitros quando as partes recorrem a órgão arbitral, a in- terrupção da prescrição pela instituição da arbitragem, a concessão de tutelas cautelares e de urgência nos casos de arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral, e revoga dispositivos da Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ALBERTO, Valdeir Luiz Palombo. Perícia Contábil: Normas Brasileiras de Perícia Contábil Comentadas (NBC T 01 e NBC PP 01); Aspectos Legais, Civis e Criminais; Casos Prá- ticos de Perícia Contábil das Áreas Cível, Federal, Traba- lhista (Instrução e Liquidação) e Extrajudiciais; Honorários Periciais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012. COMISSÃO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM – CMA/OAB/ MG. Cartilha de Arbitragem. Ordem dos Advoga- dos do Brasil – Minas Gerais, 2009. Disponível em: <http://www.precisao.eng.br/jornal/Arbitragem.pdf>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia Contábil. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2011. Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 185 RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCTP01, de 19 de março de 2015. Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 – PE- RÍCIA CONTÁBIL. RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCPP01, de 19 de março de 2015. Norma Brasileira de Contabilidade - NBC PP 01 – PE- RITO CONTÁBIL. SÁ, Antônio Lopes. Perícia Contábil. 10. ed. Revisada e Am- pliada. São Paulo: Atlas, 2011. Atividades 1) Considere os seguintes itens referentes ao conjunto final da perícia contábil e após assinale a alternativa correta: I - é a peça técnica da lavra do perito nomeado. Pode ser elaborado em cumprimento à determinação judicial, arbitral, ou, ainda, por força de contratação. II - é trabalho técnico da lavra do perito indicado ou con- tratado. É elaborado por determinação judicial ou em função de contrato. a) O primeiro refere-se ao laudo pericial, e o segundo à perícia contábil unicamente. b) O segundo refere-se ao laudo pericial, e o primeiro à perícia contábil unicamente. c) O primeiro refere-se ao laudo pericial contábil, e o segundo ao parecer pericial contábil. 186 Arbitragem e Perícia Contábil d) O primeiro refere-se ao parecer pericial contábil, e o segundo ao laudo pericial contábil. e) O segundo refere-se ao exame pericial, e o segundo à vistoria pericial. 2) Considere que determinado laudo seja elaborado a partir de QUESITOS. Neste caso especificamente o perito deve observar que: a) os quesitos formulados, normalmente são elaborados em ordem lógica e em regra apresentam a ordem cro- nológica, e, nesse sentido, tão pouco o laudo deve apresentar uma questão fora da ordem, sem idas e vindas, retomadas, entre outras formas. b) os quesitos formulados nunca são elaborados em or- dem lógica e, em regra, apresentam a ordem crono- lógica, e, nesse sentido, tão pouco o laudo deve apre- sentar uma questão fora da ordem, sem idas e vindas, retomadas, entre outras formas. c) os quesitos formulados normalmente são elaborados em ordem lógica e, em regra, apresentam a desordem cronológica, e, nesse sentido, tão pouco o laudo deve apresentar uma questão fora da ordem, sem idas e vindas, retomadas, entre outras formas. d) os quesitos formulados normalmente são elaborados em ordem lógica e, em regra, apresentam a ordem cronológica, e, nesse sentido, o laudo deve apresentar uma questão fora da ordem, com idas e vindas, reto- madas, entre outras formas. Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 187 e) os quesitos formulados normalmente são elaborados em ordem lógica e, em regra, apresentam a ordem cronológica, e, nesse sentido, tão pouco deve o laudo apresentar uma questão fora da ordem, mas o perito pode e deve fazer idas e vindas, retomadas, entre ou- tras formas. 3) Assinale a alternativa que indica somente tipos de laudos: a) Exames, vistorias, indagações e procedimentos técni- cos adotados. b) Arbitramento, diligências, indagações e avaliação. c) Apuração de haveres, arbitramento, premissas adota- das e investigações. d) Investigações, arbitramento, apuração de haveres e vistorias. e) Vistorias, apuração de haveres, investigações e arbi- tramento. 4) Relacione a primeira com a segunda coluna, em que a primeira refere-se aos capítulos (tópicos) do laudo, e a se- gunda refere-se aos contexto e conteúdos abordados. A) Das considerações preliminares B) Dos quesitos C) Das considerações finais D) Do encerramento 188 Arbitragem e Perícia Contábil ( ) normalmente são elementos probantes do que a perí- cia utilizou para substanciação do laudo. ( ) aspectos gerais dos autos, procedimentos técnicos adotados e a responsabilidade profissional. ( ) elaborada em texto único, ou seja, pode ser um ou vários parágrafos que fecha o que foi apurado pela perícia. ( ) formulações do magistrado e das partes. A ordem correta é: a) B, D, A, C b) C, B, D, A c) A, C, B, D d) D, B, C, A e) D, A, C, B 5) Marque os itens considerados necessários no ordenamen- to do laudo pericial com V para os verdadeiros e F para os falsos. I - Considerações Finais a respeito das circunstâncias de determinação judicial ou consulta, bem como os exa- mes preliminares da perícia contábil. II - Informação da necessidade ou não de diligências e, quando houver, a descrição dos atos e acontecimentos dos trabalhos de campo. Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 189 III - Considerações Finais onde conste a síntese conclusiva do perito a respeito da matéria analisada. IV - Quando houver, a juntada sequencial somente dos Anexos, sem documentos ou outras peças alojadas ao laudo e nem ilustrações deste. A ordem correta é: a) V, V, F, F b) F, V, V, F c) V, F, V, F d) F, V, F, V e) F, F, V, V Pedro Edmundo Boll1 Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista1 1 Pedro Edmundo Boll é Graduado em Ciências Contábeis pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) (1984), Pós-Graduado em Administração e Planeja- mento para Docentes pela mesma universidade (1991), Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) (2001) e Mestre em Ciências Empresariais e Fraudes Contábeis pela Universidade de Fer- nando Pessoa (UFP Portugal) (2003). Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Ciências Contábeis, desde 1984, e atua como Perito Contábil, nas esferas Federal, Estadual e Trabalhista. É empresário na área contábil desde 1988. É Professor na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) desde 1990. Capítulo 10 Liquidação de SentençaTrabalhista 191 Introdução Neste último capítulo são abordados conteúdos que tratam da liquidação de sentença, nos processos de reclamatória traba- lhista. Discute-se alguns aspectos que fundamentam o vínculo empregatício, a partir dos desconfortos que um empregado tenha em relação ao seu contrato de trabalho: sobre a correta contraprestação da jornada de trabalho, ou os corretos adicio- nais legais a que tenha direito, bem como demais conteúdos que foram estudados na disciplina de Legislação Trabalhista e Previdenciária. Porquanto, os documentos contratuais são o objeto do exame pericial, para a apuração dos haveres da reclamatória. Outro aspecto relevante é que os haveres devem ser atuali- zados, com critério técnico fundamentado em índice oficial de- terminado em legislação, ou outro índice que esteja determi- nado no comando judicial, acrescido de juros de mora, sendo apurados os descontos fiscais e previdenciários, tudo na forma da lei vigente à época da apuração. 192 Arbitragem e Perícia Contábil 10.1 Liquidação de Sentença em Reclamatória Trabalhista - Apuração dos haveres, conforme sentença, com a respectiva atualização monetária acrescida de juros moratórios e apurados os descontos previdenciários e fiscais Nesta parte inicial do capítulo utilizou-se o modelo de uma Perícia Judicial, Liquidação de Sentença Trabalhista, baseada em Alberto (2012, p. 215–221) que trata de uma “Pesquisa Contábil e Várias Vistorias”, as quais decorreram de perícia judicial. Como pode ser verificado, a sentença em reclamatória trabalhista é determinada, a priori, por elementos mínimos que provem reconhecimento de vínculo empregatício do autor. Dessa forma, as “diligências e pesquisas envolvem conhecimentos”, que, por parte do perito, requerem as quali- dades técnicas e científicas em reunir provas através de exames em: livros, documentos e inclusive testemunhais, para em pri- meiro lugar reunir a prova de que houve vínculo empregatício, por: tarefa ou salário; e, em segundo lugar, proceder para a apuração dos haveres. Esses são fundamentos precípuos para evitar que o processo em sua fase final não incorra em impug- nações e/ou contestações e outros meios jurídicos previstos, que podem tornar o processo moroso. Para os fins de entendimento deste capítulo nos próximos parágrafos traz-se os seguintes pontos centrais da reclamatória trabalhista, com vistas à sentença de Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista 193 liquidação: a síntese, documentos e alegações, objeto e objetivos, diligências, e o laudo elaborado. Na parte inicial da liquidação de sentença trabalhista é apresentada a “SINTESE”, nela são determinadas inicialmente os indícios da diligência, em que o autor da ação utiliza-se da faculdade do arbitramento, que, poder-se-ia afirmar, re- quer trabalho da perícia. Dessa forma, há apresentação sim- ples e sucinta em que o autor requer a condenação do réu. Para tanto, exemplificaria-se como itens a serem reclamados com efeitos de “verbas trabalhistas”: décimo terceiro salário, descanso remunerado semanalmente, as férias, horas extraor- dinárias, entre outros. Como citado anteriormente, poderiam constar inclusive outras tarefas executadas pelo autor, as quais não integravam seu salário, por exemplo: o autor realizava sua atividade funcional interna, mas no caminho de sua casa entrega mercadorias para clientes da empresa a pedido dessa. Esses exemplos indicam acréscimos de horário de trabalho e seus efeitos remuneratórios. Toda reclamatória trabalhista, assim como qualquer outra ação, requer elementos mínimos, os quais denominam-se de “DOCUMENTOS E ALEGAÇÕES” que integram os autos. De forma que são eles a motivação às provas no que tange a “instrução processual”. Nesses documentos podem ser apre- sentadas ilustrações: quadros, tabelas, figuras, gravuras, fotos, gravações, entre outras, que provem minimamente o direito do autor quanto ao alegado. O pressuposto está em primeiro lugar de que o direito do autor esteja fundamentado, assim como em segundo lugar está o direito do réu na contraposição 194 Arbitragem e Perícia Contábil do direito à extinção (essa lógica está abordada no Capítulo 7, nos Fatos de Ônus da Prova). Em outo tópico devem ser apresentados: “O OBJETO E OS OBJETIVOS”. Dessa forma, o objeto da perícia é o próprio ar- bitramento e apuração da remuneração do autor, que de outra ponta o objetivo da perícia é: “apurar os haveres deferidos ao reclamante de forma fundamentada e técnica”. Sob o aspecto do objetivo está a qualidade de o perito expressar, mediante o laudo, elementos técnicos e científicos que demonstrem a verdade dos fatos, ora qualificados e quantificados. No contexto ainda de apresentação das etapas do laudo apresentado, devem constar as “DILIGÊNCIAS” que foram re- alizadas. A evidência de que as diligências foram realizadas na Pessoa: Física ou Jurídica que era a detentora do empregado, denominada de empregador. Em caso de os elementos indis- pensáveis e/ou necessários não serem suficientes no local, réu (empregador), podem e devem ser realizadas diligências em outros locais e meios que, pelo autor, tenham sido utilizadas para a percepção do direito assegurado em honorários devi- dos, ou a serem pagos pelo réu. Nesse sentido, encontra con- fluência com os exemplos citados no parágrafo anterior que tratou da síntese do laudo. Na última parte do contexto da perícia judicial, concernen- te a sentença de liquidação está o “LAUDO ELABORADO”. Em se tratando do laudo pericial contábil, ele deve apresentar os elementos colhidos pela perícia, com vistas a dar liquidez ao que for julgado na ação. Por isso a mensuração do quanto deve ser pago ao autor, a partir do homologado em juízo, é Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista 195 o que por fim considera-se sentença de liquidação. Portanto, em última análise, deve o laudo, a rigor, ser a forma mais esclarecedora das divergências, com o fim de que não haja controvérsia. Assim, resumidamente pode-se ilustrar as partes centrais do laudo: Item Partes do Laudo A Síntese B Documentos e Alegações C Objeto e Objetivos D Diligências E Laudo elaborado ATENÇÃO: Partindo desta ilustração e contextualização inicial, na sequência, é apresentado um modelo de liquida- ção de sentença, o qual foi elaborado por Alberto (2012, p. 216 – 221), em que durante a sua descrição far-se-á alguns comentários e ilustrações. Optou-se por essa forma com os objetivos de: fixar, retomar e compreender o encadeamento dos conteúdos que foram apresentados neste livro de estudos. Como cita o próprio autor, “trata-se de um caso relativamente simples, mas, como envolve alguns raciocínios e conhecimen- tos diferenciados”. Sob essa visão é relevante considerar que a leitura deste livro não é o ponto de chegada, mas sim o ponto de partida para conteúdos que tratem de perícia em sentido geral. ESCLARECIMENTO: o modelo de laudo elaborado a se- guir é denominado em forma de itens, pois tem o sentido de 196 Arbitragem e Perícia Contábil comentar cada item apresentado, com o entendimento míni- mo, mas necessário da lisura do texto, que usualmente pode ser utilizado na elaboração prática. ITEM I: Esta é a primeira identificação do laudo, em que deve ser escrito a quem se dirige o trabalho da perícia, da seguinte for- ma: (exemplos - de forma clara e de acordo com o processo). Exmo. Sr. Dr. Juiz da IXª. Junta de Conciliação e Julga- mento de São Paulo. ou EXECELENTÍSSIMA SENHORA DOUTORA JUIZA FEDE- RAL DA 2ª VARA FEDERAL DE NOVO HAMBURGO, DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO RIO GRANDE DO SUL – RS. Observa-se que os dois exemplos de invocar o Juiz são re- alizadas distintamente, não há regra para tanto, mas o impor- tante é que não se cita o nome do/a juiz/ae sim a vara, junta, comarca, cidade entre outros dados. Outro ponto interessante é que, por vezes, há transferência desses juízes e o processo não está vinculado à pessoa e sim à entidade, e ainda no local ou circunscrição do réu. ITEM II: Identificação do número do processo, das partes envolvi- das no litígio citando o Reclamante (Autor), Reclamada (Réu) e o perito, por exemplo: Processo n°:........... Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista 197 Reclamante: ................................................................. ............. Reclamada: .................................................................. ............. Quanto ao perito inicia-se pelo seu nome, em letra maiús- cula, registro profissional e os fundamentos legais que ampa- ram a perícia técnica, por exemplo: FILISBINO PITANGUEIRA GOIABADA, contador legalmen- te habilitado a realizar perícias judiciais de natureza contábil e trabalhista, inscrito no Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio Grande do Sul sob o n°............, nomeado para realizar a prova pericial técnica nos autos do processo supra, e observados os termos dos Arts. 421 a 430 do Có- digo de Processo Civil e também das Normas Brasileiras de Perícia e do Perito Contador, respectivamente às Resoluções 2015/NBCTP01 e 2015/NBCPP01, do Conselho Federal de Contabilidade, vem apresentar o resultado do trabalho pericial substanciado ao laudo realizado. ITEM III: Nesta parte do trabalho deve o perito escrever em letra maiúsculo, negritada, LAUDO PERICIAL CONTÁBIL, e logo, na linha seguinte, Considerações Iniciais da Perícia, dando caráter de fundamentação técnica inicial, por exemplo: Inicia-se a perícia contábil em atendimento ao que foi de- terminado à folha n°...... e em consonância a que está nos ter- mos do item 2.1.1 da NBC,T. 13 (Normas Técnicas de Perícia Contábil) do Conselho Federal de Contabilidade, o exame é 198 Arbitragem e Perícia Contábil estritamente técnico, em que as peças dos autos, e a docu- mentação apensada, estão confiadas ao exame, para o cum- primento do encargo confiado e dessa forma foram realizadas as diligências junto à reclamada com o propósito da obtenção dos elementos com vista à elaboração da peça técnica. Após esse primeiro parágrafo pode ser realizado, e é suge- rido, que sejam descritas as Considerações sobre o desen- volvimento dos trabalhos da prova pericial contábil, pois estas devem ter também fundamentação legal e de acordo com o que prevê a Norma Técnica da Contabilidade, a qual conduz ao trabalho propriamente requisitado pelo juízo, da seguinte forma: Para a necessária clareza e regular materialização das ca- racterísticas: “intrínsecas e extrínsecas” para a prova, expõe-se, de forma circunstanciada, conforme preceituam os itens 4.1 e 4.3 da NBC.T.13, a “síntese do objeto da perícia contábil, as diligências realizadas, as observações, os estudos e os critérios utilizados”, assim como “as conclusões e o parecer técnico” a que chegou a prova pericial. Estas últimas, grifa-se, ofertadas como meio de se “tornar líquida a obrigação de dar ilíquida em que se constitui a decisão”, mas também, como subsídio à formação da convicção do Egrégio colegiado encarregado de efetuar a entrega da prestação jurisdicional, na forma de liquidação em que a presente está-se processando. INFORMAÇÃO IMPORTANTE: como pode ser verificado nos itens elencados nos parágrafos anteriores, nota-se que são elementos de proforma, que dão a apresentação dos prolegó- menos (contexto e fundamentação introdutória) do laudo pe- Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista 199 ricial. Assim, na sequência, ilustra-se o exemplo sugerido por Alberto (2012), que pode ser em forma de Capítulos, Itens ou simplesmente Títulos. Optou-se em manter em forma de item. I - OBJETO DA PROVA PERICIAL A inicialmente citada e respeitável decisão que determinou a realização da prova pericial contábil fê-lo nos seguintes ter- mos: “Ante o silêncio da reclamada e a requerimento da parte contrária, determino a realização de PERÍCIA CONTÁBIL, no- meando-se para tanto o Sr. FILISBINO PITANGUEIRA GOIA- BADA que deverá apresentar seu laudo em 40 dias. Quesitos e assistentes, em dez dias”. Determinada a prova e examinada, do ponto de vista estri- tamente técnico, pericial contábil, a res judicata a ser tornada líquida, vê-se que a prova tem seu objeto perfeitamente delimi- tado, qual seja, de quantificar, com a precisão necessária, os haveres deferidos ao autor, os quais, em síntese, são: a) o pagamento dos descansos semanais remunerados sobre a remuneração variável do autor, constituída por salário-tarefa; b) o pagamento dos valores correspondentes aos déci- mos terceiros salários; c) o pagamento das férias em dobro, simples e propor- cionais; 200 Arbitragem e Perícia Contábil d) pagamento do aviso-prévio e indenização por tempo de serviço, nesta, inclusive quanto à parcela prevista no Enunciado 148 do Colendo Tribunal Superior do Trabalho e, ainda, e) em tudo considerado o reconhecimento do vínculo correspondente aos períodos de 2-1-1976 a 31-8- 1984 e de 3-5-1988 a 7-5-1990 e a prescrição das parcelas anteriores a 5 de outubro de 1986. II – DILIGÊNCIAS REALIZADAS Conforme exposto nas considerações iniciais, mister se fez a realização de diligências à reclamada para obtenção de ou- tros documentos necessários à realização do laudo pericial. Entretanto, como comprova o incluso documento I abojado ao presente trabalho, embora tenha iniciado as diligências em 10 de outubro de 1994, com insistentes pedidos de solução ao setor contábil da empresa ré, através do Sr. Josmário Bento (Av. República do Líbano, 529 – Jardim Paulista), a empresa culminou por informar não possuir os elementos solicitados. Dessa forma, no uso da faculdade prevista no Art. 429 do Código de Processo Civil, obtive-se do Assistente Técnico do Reclamante os elementos propiciadores do levantamento dos reais valores percebidos pelo autor no período objeto da liqui- dação, documentos estes ora juntados, em volume separado, como embasamento do laudo pericial. Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista 201 III – ANÁLISES E APURAÇÕES DOS HAVERES De posse dos elementos, informações e documentos relata- dos, passa-se, a seguir, à descrição das análises e conclusões desta prova pericial, segundo os critérios, técnicas e exames levados a efeito, na profundidade que julga-se cabível para o caso, permeados pela equidade e isenção necessárias para a total validade do trabalho técnico, de acordo com os anexos demonstrativos de n° 1 a 6, elaborados da seguinte maneira: Anexo 1: Neste relatório demonstrativo, este profissional aponta o montante percebido pelo autor junto a empresa ré, por si ou pelas interpostas pessoas (citar o nome completo da Pessoa Física ou Jurídica reclamada, tantas quantas forem – GRIFO NOSSO), obtendo, desta forma, os valores básicos capazes de recompor a remuneração variável consistente em salários- -tarefas. Anexo 2: Neste relatório, a perícia demonstra a integração (citar to- dos os itens qualificados, sem o valor – GRIFO NOSSO), nos termos da res judicata (resposta judicial), observando a pres- crição determinada, (se houver algum item prescrito deve ser qualificado, sem valor – GRIFO NOSSO) dos valores percebi- dos nos descansos semanais remunerados do período. Anexo 3: Em função de tratar-se de salários-tarefas, com forma de cálculo integrativa prevista na legislação consolidada, este profissional, neste anexo, efetuou a conversão dos valores 202 Arbitragem e Perícia Contábil correspondentes aos honorários e seus descansos semanais remunerados, em quantidades de unidades de remuneração da tarefa – in casu (no caso), os Coeficientes de Honorários(CH’s) da tabela da (citar a que categoria profissional pertença e sua remuneração, pode até ser a do sindicato da categoria com base no acordo – GRIFO NOSSO). Desta forma, obser- vados os Arts. 142, § 2°; 478, § 5° e 487, § 3°, todos da CLT, demonstra-se as remunerações médias reais a serem utilizadas para o cálculo das demais verbas deferidas ao autor, constituí- das que foram como obrigação de dar a ser cumprida pela ré. Anexo 4: Neste anexo, este profissional demonstra a correta apura- ção dos demais haveres deferidos ao autor, com base na re- muneração obtida no anexo anterior, apontando, consequen- temente, os valores concernentes a: 1) décimos terceiros salários de dez./88, dez./89 e maio/90; 2) férias dos períodos aquisitivos 76/77, 77/78, 78/79, 79/80, 80/81, 81/82, 83/84, 88/89 e 89/90, já que não foram pagas e devidas à época da rescisão operada; 3) aviso prévio; e, 4) a indenização por tempo de serviço, em dobro, inclusi- ve quanto à inclusão prevista no Enunciado 148 do C.TST. Anexo 5: Neste anexo, este profissional faz a totalização dos valores apurados nos demais anexos mês a mês. Este anexo divide- Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista 203 -se em duas partes: uma totalizando os valores em cruzados (de outubro de 1986 a janeiro de 1989) e outra totalizando os valores em cruzados novos (de fevereiro de 1989 a maio de 1990). Estas eram as denominações da moeda brasileira à época, e que a rigor devem ser trazidas a valor atual, confor- me pode ser verificado no próximo anexo – GRIFO NOSSO). Anexo 6: Demonstrativo da atualização do crédito do reclamante, observando a vigência temporal das legislações pertinentes à matéria, ou seja, o Decreto Lei n° 75/1966, Decreto Lei n° 2.284/1986, Decreto Lei n° 2.322/1987, Lei n° 7.738/1989 e Lei n° 8.177/1991. Ao montante acresceram-se os juros mo- ratórios pertinentes, contados à base de 1% a.m. capitalizados até fevereiro de 91 e de 1% simples após março de 1991. ATENÇÃO: NÃO HÁ ANEXOS NO MATERIAL DO AUTOR ALBERTO(2012), ESSES ANEXOS FORAM RECORTES DO LI- VRO: PERÍCIA CONTÁBIL, 5. ed. São Paulo, Atlas, 2012. Considerações finais da prova pericial de natureza contábil Consideradas as análises e conclusões expostas anterior- mente e a norma processual aplicável à liquidação de sen- tença expressa na legislação consolidada, submete a perícia às partes e ao MM. Juízo os valores, em resumo, apurados, os quais, na opinião técnica da perícia, representam o real quantum debeatur (quanto é devido) capaz de tornar líquidos 204 Arbitragem e Perícia Contábil os haveres deferidos ao autor na presente reclamatória traba- lhista. São os seguintes os valores referidos: Principal R$ 1,65 Correção Monetária R$ 91.359,85 Juros de mora R$ 47.812,60 Total em 1°-2-95 R$ 139.174,10 A seguir apresentam-se as respostas dos quesitos formula- dos pelo autor e pela empresa ré. Quesitos do Autor (fls. 226/227) (a) Roga-se aos dignos louvados, levantar a remuneração percebida por último pelo Reclamante, conforme determinado pela respeitável sentença de fls. 123. Resposta: A remuneração última do autor, assim considerada aquela representada pela média em CH’s (Coeficientes de Honorários da – ver o que foi informado no anexo três: categoria, sindica- to, entre outros – GRIFO NOSSO) citado anexo 3. (b) Com base nessa remuneração, procedeu ao cálculo de 22 indenizações por tempo de serviço (11 anos), consi- derando-se o pagamento em dobro assegurado e + (mais) o Enunciado 148 do EGRÉGIO TST assegurado pelo veneran- do Acórdão de fls. do EGRÉGIO TRT (gratificação natalina – 1/12), além de aviso prévio, férias em dobro + (mais) 1/3, simples e proporcionais, 13° salários e 13° salário proporcio- Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista 205 nal (letras “e” e “f” do item 09.01 da inicial), conforme asse- gurado na respeitável sentença de fls. e quando do julgamento dos Embargos de Declaração de fls. opostos pelo Reclamante, bem como os DSRs, tudo considerando o período não regis- trado e não prescrito. Resposta: Tendo em vista a respeitável decisão a ser tornada líquida, o solicitado no presente quesito encontra-se demonstrado em nossos Anexos 2 e 4. (c) Apurado o principal, proceder ao cálculo de correção monetária e juros de mora de lei. Resposta: Para atender ao presente quesito, pedimos venia (conside- ração, referência) para reportar-se ao Anexo 6, integrante do presente trabalho. (d) Considerações dos Srs. Peritos, que julgarem necessá- rias, para o per- feito esclarecimento dos direitos assegurados ao exequente. Resposta: As considerações esclarecedoras dos critérios adotados no presente trabalho pericial encontram-se descritas no corpo do laudo pericial. Quesitos da ré (fl. 230) (01) Queira o Sr. Perito demonstrar os valores dos recebi- mentos do Reclamante pela sua prestação de serviços. 206 Arbitragem e Perícia Contábil Resposta: Reporta-se, especificamente, ao Anexo 1 integrante do pre- sente trabalho. (02) Queira o Sr. Perito apresentar os quanta (valores) de- vidos obedecendo estritamente aos limites da r. sentença (res- posta da sentença) e v. acórdão (versação ao acórdão que fundamenta). Resposta: Reporta-se, concessa vênia (referência restrita), às Consi- derações sobre o desenvolvimento do trabalho pericial. Nada mais havendo a considerar, dá-se por encerrado o presente trabalho, constituído de (número quantitativo de fo- lhas – por exemplo: 12) folhas, sendo (número quantitativo de folhas – por exemplo: 5) de texto e (número quantitativo de folhas – por exemplo: 7) de anexos, ao final assinado (GRIFO NOSSO). Local________________, _____ de _________ de 1995. CONTADOR N° CRC. (UF) PERITO DO JUÍZO OBSERVAÇÃO: como informado no início deste texto, o modelo de laudo pericial judicial, ora apresentado, não signi- fica que seja possível ser aplicado em todos os tipos de proces- sos, mas sim uma ilustração descritiva de fixar conhecimento a Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista 207 respeito do tema – Sentença de Reclamatória Trabalhista, com vistas a liquidação da sentença. Recapitulando Foram abordados conteúdos que trataram da liquidação de sentença, em que foi descrita uma reclamatória trabalhista. Nela tratou-se os aspectos que fundamentam a vinculação empregatícia, a partir de elementos mínimos que comprovas- sem a relação de trabalho, ou seja, empregador e emprega- do, conceituação estudada na disciplina de Legislação Tra- balhista e Previdenciária, a qual deu base para os conteúdos deste capítulo. No desenvolvimento do laudo pericial, os documentos exa- minados e as diligências realizadas comprovaram o objeto examinado, bem como sustentaram a apuração dos haveres da reclamatória. Outro aspecto relevante verificado foi que os haveres apurados foram atualizados, com critério técnico fundamentado em índice oficial, determinado em legislação e acrescido de juros moratórios. Quanto aos quesitos, formula- dos pela Reclamante, quanto pelo Reclamado, foram exempli- ficados e respondidos com imparcialidade do perito. O laudo pericial, como ilustrado, serviu e serve de sustentação ao Juiz para proferir a sentença e sentenciada a reclamatória é pro- cedido o pagamento, sem exclusão dos descontos previdenci- ários e fiscais. 208 Arbitragem e Perícia Contábil Referências BRASIL. LEI N° 6.404, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de agosto de 2016. ______. LEI N° 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a arbitragem. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ______. LEI N° 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Dis- põe sobre o Códigode Processo Civil. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 27 de julho de 2016. ______. LEI N° 13.129, DE 26 DE MAIO DE 2015. Altera a Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996, e a Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, para ampliar o âmbito de aplicação da arbitragem e dispor sobre a escolha dos árbitros quando as partes recorrem a órgão arbitral, a in- terrupção da prescrição pela instituição da arbitragem, a concessão de tutelas cautelares e de urgência nos casos de arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral, e revoga dispositivos da Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996. Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ALBERTO, Valdeir Luiz Palombo. Perícia Contábil: Normas Brasileiras de Perícia Contábil Comentadas (NBC T 01 e NBC PP 01); Aspectos Legais, Civis e Criminais; Casos Prá- Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista 209 ticos de Perícia Contábil das Áreas Cível, Federal, Traba- lhista (Instrução e Liquidação) e Extrajudiciais; Honorários Periciais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012. COMISSÃO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM – CMA/OAB/ MG. Cartilha de Arbitragem. Ordem dos Advoga- dos do Brasil – Minas Gerais, 2009. Disponível em: <http://www.precisao.eng.br/jornal/Arbitragem.pdf>. Acesso em: 19 de julho de 2016. ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia Contábil. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2011. RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCTP01, de 19 de março de 2015. Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 – PE- RÍCIA CONTÁBIL. RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCPP01, de 19 de março de 2015. Norma Brasileira de Contabilidade - NBC PP 01 – PE- RITO CONTÁBIL. SÁ, Antônio Lopes. Perícia Contábil. 10. ed. Revisada e Am- pliada. São Paulo: Atlas, 2011. Atividades 1) Assinale a alternativa que indica elementos para a possibi- lidade de protelar uma reclamatória trabalhista: a) Meramente o réu dizer que trabalhou para a Pessoa Física ou Jurídica. 210 Arbitragem e Perícia Contábil b) Apresentar elementos mínimos que provem reconheci- mento de vínculo empregatício do autor. c) Apresentar elementos mínimos que provem reconheci- mento de vínculo empregatício do réu. d) O autor dizer que trabalhou para o réu sem necessida- de de provas iniciais. e) Para que a reclamatória seja aceita pelo juízo, o autor deve comunicar previamente o réu da sua intenção. 2) Qual das alternativas indica as qualidades técnicas e cien- tíficas que o perito deve ter na lógica das provas que sus- tentem a reclamatória trabalhista: a) Em primeiro lugar examinar somente livros, documen- tos, exceto testemunhas que provem o vínculo empre- gatício, e, em segundo lugar, proceder a apuração de haveres. b) Em primeiro lugar examinar livros, documentos e in- clusive testemunhas que provem o vínculo empregatí- cio, e, em segundo lugar, o perito não deve proceder a apuração de haveres. c) Em primeiro lugar proceder a apuração de haveres, e, em segundo lugar, examinar livros, documentos e inclusive testemunhas que provem o vínculo emprega- tício. d) Em primeiro lugar proceder a apuração de haveres, e, em segundo lugar, examinar livros, documentos e Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista 211 inclusive testemunhas que fundamentem os direitos de haveres. e) Em primeiro lugar examinar livros, documentos e in- clusive testemunhas que provem o vínculo emprega- tício, e, em segundo lugar, proceder a apuração de haveres. 3) A reclamatória trabalhista, a qual requer que seja elabo- rado um laudo pericial, apresenta alguns pontos centrais que servem de base para nortear o trabalho do perito. Assinale a alternativa que indica somente estes pontos: a) a síntese, documentos e declarações, objeto e objeti- vos, diligências e o laudo elaborado. b) a síntese, documentos e alegações, objeto e objetivos, emergências e o laudo elaborado. c) a sintaxe, documentos e alegações, objeto e objetivos, diligências e o laudo elaborado. d) a síntese, documentos e alegações, objeto e objetivos, diligências e o laudo elaborado. e) a síntese, documentos e alegações, objeto e adjetivos, diligências e o laudo elaborado. 4) Analise as seguintes afirmações: I – Nela são determinadas, inicialmente, os indícios da di- ligência, em que o autor da ação utiliza-se da faculda- de do arbitramento, que, poder-se-ia afirmar, requer trabalho da perícia. Dessa forma há apresentação 212 Arbitragem e Perícia Contábil simples e sucinta em que o autor requer a condena- ção do réu. II – Nela se busca a evidência de que a Pessoa Física ou Jurídica era a detentora do empregado, denominada de empregador. Em caso de os elementos indispensá- veis e/ou necessários não serem suficientes no local, réu (empregador), podem e devem ser realizadas em outros locais e meios que, pelo autor, tenham sido uti- lizadas para a percepção do direito assegurado em honorários devidos, ou a serem pagos pelo réu. Assim pode-se afirmar que: a) A primeira refere-se à diligência, e a segunda refere-se aos documentos. b) A segunda refere-se à síntese, e a primeira refere-se à diligência. c) A primeira refere-se à síntese, e a segunda refere-se à diligência. d) A segunda refere-se aos documentos, e a primeira refere-se à síntese. e) A primeira refere-se à diligência, e a segunda refere-se também à diligência. 5) Relacione a primeira coluna com a segunda, respectiva- mente: pontos e descrição dos elementos de uma perícia de reclamatória trabalhista: A) Documentos e alegações Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista 213 B) Objeto e objetivos C) Diligências D) Laudo elaborado ( ) É o próprio arbitramento e apuração da remuneração do autor, que de outra ponta é apurar os haveres defe- ridos ao reclamante de forma fundamentada e técnica. ( ) São eles a motivação às provas no que tange a instru- ção processual. ( ) Apresenta os elementos colhidos pela perícia, com vis- tas a dar liquidez ao que for julgado na ação. ( ) Podem e devem ser realizadas em locais e meios, que provem que o autor tenha o direito assegurado em honorários devidos, ou a serem pagos pelo réu. A ordem correta é: a) B, A, D, C b) A, D, C, B c) D, C, B, A d) C, B, A, D e) A, B, C, D 214 Gabarito Gabaritos Capítulo 1 1) e 2) a 3) d 4) c 5) d Capítulo 2 1) d 2) a 3) e 4) b 5) c Capítulo 3 1) e 2) a 3) b 4) c 5) d Capítulo 4 1) e 2) b 3) d 4) c 5) a Capítulo 5 1) c 2) a 3) e 4) a 5) d Capítulo 6 1) a 2) b 3) c 4) d 5) e Capítulo 7 1) d 2) e 3) a 4) c 5) b Capítulo 8 1) b 2) c 3) a 4) d 5) e Capítulo 9 1) c 2) a 3) d 4) e 5) b Capítulo 10 1) b 2) e 3) d 4) c 5) a Considerações finais 215 Considerações finais Nesta disciplina, Arbitragem e Perícia Contábil, do Curso de Ciências Contábeis, foram abordados conteúdos que versa- ram sobre a prática da perícia contábil, sua área de abran- gência, normas do direito, desenvolvimento prático da perícia e elaboração do laudo pericial. Nesse sentido, os conceitos teóricos visam às formas e aplicação de fundamentos de arbi- tragem e perícia para por fim a liquidação de sentença. Verificou-se que os atos e fatos praticados, por Pessoas Jurídicas e Físicas, são geradores de demandas de trabalho, as quais requerem que profissionais dessa área tenham ha- bilidades e conhecimentos para o desenvolvimento do papel de auxílio ao Judiciário, para dirimir os conflitos, entre partes avençadas. Sendo que a apuração pericial é relevante para que fique reestabelecido o direito. Quanto ao objetivo do estudo buscou-se apresentar abor- dagem teórica de conceitos, a organização, o planejamento e as normas da perícia contábil, em que foram identificadas as áreas de abrangência e a apresentação delaudos periciais. Assim, verificou-se que o conhecimento teórico a partir dos conceitos apresentados são relevante subsídio aos profissio- nais da área da contabilidade para as informações que envol- vem a relação, a priori, de litígio, com a instrução do laudo e apuração do valor para a sustentação de sentença. Na problematização, esta disciplina trouxe para o estudo da perícia contábil a visão sobre as normas, a legislação, os conceitos, a organização, o planejamento, os meios de pro- 216 Considerações finais vas previstos no direito, as áreas de abrangência da perícia contábil, as características e habilidades inerentes ao perito contábil. Diante disso, sublinhou-se que as atividades de fi- xação de conteúdo permitiram a compreensão das fases do desenvolvimento da perícia contábil, com vistas à elaboração de laudos de perícia contábil. Convém (ré)lembrar, no sentido da compreensão, que é tê- nue e dinâmica a relação entre três atores presentes: o sujeito do direito, o sujeito da obrigação e o Estado (agente regula- dor/mediador). Por isso, recomenda-se que o/a leitor/a não se atenha unicamente a este livro texto, pois este tem a fina- lidade de servir de apoio e estímulo para a busca de leituras adjacentes com o propósito de enriquecer o conhecimento. Entende-se que a área de Arbitragem e Perícia é ampla, mas recorrente de interpretações com novos ajustes e jurisprudên- cias. Afirma-se que o livro não é o ponto de chegada, mas sim um ponto de partida, compete, a cada uma, avançar no campo dos conceitos teóricos para aprofundar conhecimentos que sirvam para a sustentação da prática.