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Arbitragem e Perícia 
Contábil
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Arbitragem e Perícia 
Contábil
Organizado por Universidade Luterana do Brasil
Universidade Luterana do Brasil – ULBRA
Canoas, RS
2017
Jucelaine Bitarello
Pedro Edmundo Boll
Conselho Editorial EAD
Andréa de Azevedo Eick
Ângela da Rocha Rolla
Astomiro Romais
Claudiane Ramos Furtado
Dóris Gedrat
Honor de Almeida Neto
Maria Cleidia Klein Oliveira
Maria Lizete Schneider
Luiz Carlos Specht Filho
Vinicius Martins Flores
Obra organizada pela Universidade Luterana do Brasil.
Informamos que é de inteira responsabilidade dos autores 
a emissão de conceitos.
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida 
por qualquer meio ou forma sem prévia autorização da 
ULBRA.
A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei 
nº 9.610/98 e punido pelo Artigo 184 do Código Penal.
ISBN: 978-85-5639-251-0
Dados técnicos do livro
Diagramação: Marcelo Ferreira
Revisão: Marcela Machado
Na disciplina de Arbitragem e Perícia Contábil, do Curso de Ciências Contábeis, são apresentados conteúdos essenciais à prática da perí-
cia contábil, sua área de abrangência, as normas do direito envolvidas, o 
desenvolvimento prático e a elaboração do laudo pericial contábil. Nesse 
sentido, os conceitos teóricos visam às formas e aplicação de fundamentos 
de arbitragem.
Para a ciência da contabilidade, os atos e fatos praticados por Pessoas 
Jurídicas e Físicas são geradores de demandas de trabalho, as quais re-
querem que profissionais dessa área tenham habilidades e conhecimentos 
para o desenvolvimento do papel de auxílio ao Judiciário, para dirimir os 
conflitos, entre partes avençadas. Para o desenvolvimento dos conteúdos 
deste livro contou-se com a colaboração do Prof. Dr. Tarcísio Staudt que 
possui conhecimento prático e teórico dos temas citados. E ainda, agra-
decimento especial ao Prof. Pedro Edmundo Boll que generosamente cedeu 
materiais que serviram de fonte de pesquisa e contribuíram significativa-
mente para o aprofundamento dos conteúdos.
Para o objetivo do estudo busca-se apresentar abordagem teórica de 
conceitos, a organização, o planejamento e as normas da perícia contábil, 
identificando áreas de abrangência e apresentação de laudos periciais. 
Assim, identifica-se que o conhecimento teórico a partir dos conceitos apre-
sentados é relevante subsídio aos profissionais da área da contabilidade 
para as informações que envolvem a relação, a priori, de litígio.
Em relação à problematização, esta disciplina busca o estudo da perí-
cia contábil no que se refere: às normas, à legislação, aos conceitos, à 
organização, ao planejamento, aos meios de provas previstos no direito, 
às áreas de abrangência da perícia contábil, às características e habili-
Apresentação
Apresentação v
dades inerentes ao perito contábil. Diante disso, entende-se que o exercício 
acadêmico pela proposição de atividades de fixação de conteúdo permite 
a compreensão das fases do desenvolvimento da perícia contábil, com 
vistas à elaboração de laudos de perícia contábil.
Em relação à estrutura do livro, este é apresentado em dez capítulos. 
Esses foram divididos numa lógica que permite ao/a leitor/a partir dos 
conceitos fundantes da perícia contábil na compreensão que ela tem, sob 
a dupla visão: atendimento ao direito de alguém e na apuração do correto 
e justo valor. Sendo assim, é de destaque que a Arbitragem e a Perícia 
Contábil são relevantes instrumentos de auxílio, em especial ao Judiciário, 
para a tomada de decisão. O que convém (re)lembrar que é a tênue e 
dinâmica relação entre três atores presentes: o sujeito do direito, o sujeito 
da obrigação e o Estado (agente regulador/mediador).
Recomenda-se que o/a leitor/a não se atenha unicamente a este 
livro-texto, pois este tem a finalidade de servir de apoio e estímulo para a 
busca de leituras adjacentes com o objetivo de enriquecer o conhecimento. 
Entende-se que a área de Arbitragem e Perícia é ampla, mas recorrente a 
interpretações com novos ajustes e jurisprudências.
 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil ...........................1
 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia Contábil ....23
 3 A perícia como um dos Meios de Prova ...............................45
 4 Áreas de Abrangência da Perícia Contábil ...........................66
 5 Perito Contábil e Normas Profissionais ................................85
 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia ..................................106
 7 Provas Documentais e Laudo Pericial Contábil ...................131
 8 Remuneração do Perito-contador ......................................151
 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento .............168
 10 Liquidação de Sentença Trabalhista ...................................190
Sumário
Jucelaine Bitarello1
Capítulo 1
Introdução à Arbitragem 
e Perícia Contábil
1 Jucelaine Bitarello é Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade de 
Santa Cruz do Sul (UNISC), RS, especialista em Administração e Estratégia Empre-
sarial pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), Canoas, RS, e graduada em 
Ciências Contábeis pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), RS. Ela é 
professora dos cursos de Ciências Contábeis, Administração e Gestão Pública da 
ULBRA, presencial e EaD. Jucelaine tem experiência profissional em organizações 
privadas e públicas, é autora de diversos artigos científicos, nacionais e internacio-
nais, é autora de livros e capítulos de livros. Ela é, também, consultora ad hoc do 
Ministério da Educação e Cultura (MEC/INEP).
2 Arbitragem e Perícia Contábil
Introdução
Neste capítulo são apresentados conceitos sobre os conteúdos 
de dois pontos distintos: a Arbitragem e a Perícia. No entanto, 
ambos estão entrelaçados no momento que são abordadas 
questões que tratem do litígio. Assim, busca-se a compreensão 
desses dois pontos para que não haja obscuridade de conhe-
cimento, mínimo e necessário, para dirimir as diferenças entre 
os atores da ação.
Decidiu-se que neste primeiro capítulo sejam fundamen-
tados alguns conceitos desses atores, como visto na apresen-
tação da disciplina, relembrando-os, são: o do direito, o da 
obrigação e o intermediador. O primeiro e o segundo atores, 
acredita-se não haver dificuldade na definição, porém o ter-
ceiro ator, o Estado, ora representado pelo Árbitro, em papel 
de auxílio ao judiciário, tem papel relevante na elucidação da 
ação, que por vezes requer a presença da perícia. Sendo as-
sim, são dois os conteúdos deste capítulo: a Arbitragem e a 
Perícia.
1.1 Conceituação de Arbitragem e Árbitro
A arbitragem é um termo que remete, de forma rápida e ime-
diata, ao imaginário de alguém que esteja acompanhando um 
jogo, com poder de decidir lances que ali ocorrem, de acordo 
com: regulamento e regras predeterminadas. No entanto, no 
decorrer do jogo, podem e ocorrem eventos que necessitam 
da arbitragem, a qual, a priori e rigor, deve ser neutra, e que a 
Capítulo 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil 3
decisão tomada deve ser justa. Diante disso, é o jogo e às ve-
zes percebemos que a arbitragem não foi correta e influenciou 
o resultado, porquanto que ali há interesses de dois competi-
dores, os quais transferem a decisão ao árbitro.
Veja agora que no campo da arbitragem do direito, o ár-
bitro não está imbuído do poder de decisão e sim da interme-
diação do interesse de duas pontas: uma que se intitula do 
direito e a outra da obrigação. Nesse sentido, a Comissão de 
Mediação e Arbitragem (CMA), da Ordem dos Advogados do 
Brasil / Minas Gerais – OAB/MG (2009, p. 6) em sua Cartilha 
de Arbitragem, ensina:
Arbitragem é uma forma extrajudicial de resolução de 
conflitos, com a participação de um ou mais árbitros pri-
vados, escolhidos segundo a vontade das partes. Assim 
como aconteceno Poder Judiciário, os árbitros exami-
nam os argumentos expostos pelas partes demandantes 
e proferem uma decisão final e obrigatória, designada 
“sentença arbitral”. Essa decisão não está sujeita a re-
curso e é considerado pela lei um título executivo judi-
cial, podendo, portanto, ser imediatamente executada, 
em caso de descumprimento. A instauração do proce-
dimento de arbitragem depende do livre consentimen-
to dos envolvidos, que pode ser manifestado através de 
uma cláusula compromissória, inserida previamente em 
um contrato, e/ou mediante um acordo específico, cha-
mado compromisso arbitral, que é firmado já depois do 
surgimento do litígio. Esses dois instrumentos possuem os 
mesmos efeitos: levam as partes à arbitragem e excluem 
a participação do Poder Judiciário.
4 Arbitragem e Perícia Contábil
Nota-se pela citação, que a arbitragem é de certa forma 
um marco novo no arcabouço jurídico brasileiro, instituído 
pela Lei n° 9.307/1996. No entanto, a forma de atuação da 
arbitragem é tão antiga, talvez, quanto à própria existência de 
dois seres humanos na face da terra, que, todavia necessita-
vam da terceira para dirimir conflitos, nem que fosse por posse 
de objeto qualquer. Assim, preceitua a citada Lei no Art. 1º: 
“As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitra-
gem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais dispo-
níveis”. Ainda, no Art. 2º: “A arbitragem poderá ser de direito 
ou de equidade, a critério das partes”. Nota-se assim, que as 
partes envolvidas no litígio têm a possibilidade de estabele-
cer suas regras e encontrar o ponto de convergência, assistido 
pela arbitragem por elas estabelecida.
Diante desse contexto, pode-se (re)lembrar o passado, que 
por vezes o/a leitor/a tenha ouvido falar de histórias de seus 
antepassados, pais, avós ou bisavós, que resolviam os confli-
tos, de diversas ordens, diante de pessoas respeitadas da co-
munidade que assistiam aos conflitantes. No final, em sentido 
simbólico, firmavam o acordo de algumas formas, entre elas: 
palavra dada como se escrita estivesse, o aperto de mão, o fio 
do bigode, entre outras. Estas alusões são vistas em Alberto 
(2012, p. 5) que cita:
Há registros na milenária Índia, surgiu a figura do árbi-
tro, eleito pelas partes, que, na verdade, era perito e juiz 
ao mesmo tempo, pois a ele estava afeta a verificação 
direta dos fatos, o exame do estado das coisas e lugares, 
e, também, a decisão “judicial” a ser homologada pelo 
Capítulo 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil 5
que detinha o poder real, feudal, no sistema de castas e 
privilégios indianos.
No contexto evolutivo, da história do árbitro, Alberto (2012, 
p. 5) cita Carlo Lessona (1898) que em seu livro “Manuale 
dele prove in matéria civile”, refere-se ao primitivo direito ro-
mano sobre a figura do perito ao auxílio do árbitro da seguinte 
forma:
É no primitivo direito romano que vamos encontrar maior 
aclaramento da situação, com definições mais claras e 
objetivas, pois ali já se estabelece a figura do perito – 
embora não dissociada da do árbitro – quando a deci-
são de uma questão dependia da apreciação técnica de 
um fato. [...] Ou seja, tinha o magistrado a faculdade de 
deferir o juízo da causa a homens que, segundo circuns-
tâncias, melhor pudessem, por seus conhecimentos téc-
nicos, pronunciar-se sobre fatos, e essa pessoa – arbiter 
– se constituía em verdadeiro juiz, de modo que era juiz 
e perito ao mesmo tempo.
Assim, percebe-se que a arbitragem, pode servir-se da pe-
rícia para o aclareamento da situação, objeto de litígio, con-
teúdo que será aprofundado no item 1.2 seguinte. No entan-
to, retomando a legislação brasileira, com o advento da Lei 
n° 9.307/1996, as partes envolvidas no litígio, podem estabe-
lecer as regras para o objeto de arbitragem. Sendo que, após 
os litigantes terem convencionados a arbitragem deve levar 
aos efeitos da Lei, que diz:
Art. 3º As partes interessadas podem submeter a solução 
de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de 
6 Arbitragem e Perícia Contábil
arbitragem, assim entendida a cláusula compromissória 
e o compromisso arbitral.
Art. 4º A cláusula compromissória é a convenção através 
da qual as partes em um contrato comprometem-se a 
submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir, 
relativamente a tal contrato.
§ 1º A cláusula compromissória deve ser estipulada por 
escrito, podendo estar inserta no próprio contrato ou em 
documento apartado que a ele se refira.
§ 2º Nos contratos de adesão, a cláusula compromis-
sória só terá eficácia se o aderente tomar a iniciativa de 
instituir a arbitragem ou concordar, expressamente, com 
a sua instituição, desde que por escrito em documento 
anexo ou em negrito, com a assinatura ou visto especial-
mente para essa cláusula.
Verificando a citação, nota-se que a arbitragem atualmente 
está prevista na Lei n° 9.307/1996, em que devem ser de-
signados, ou escolhidos, profissionais capacitados, ou mesmo 
pessoas qualificadas que possam acompanhar a resolução do 
litígio, o qual pode ser executado de forma imediata, em caso 
de descumprimento de acordo. Outro ponto interessante é que 
as partes envolvidas sejam corretamente identificadas, com 
dados, preferencialmente com documentação e endereço pes-
soal; ainda, definição clara dos honorários para a arbitragem, 
que depois de cumprida a convenção fica extinta, conforme 
Art. 12º.
Capítulo 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil 7
Avançando no conteúdo arbitragem, destacam-se os árbi-
tros, os quais, como visto, podem ser escolhidos por livre-arbí-
trio das partes envolvidas, conforme a Lei n° 9.307/1996, Art. 
13º, cita: “Pode ser árbitro qualquer pessoa capaz e que tenha 
a confiança das partes”. Normalmente, em casos mais com-
plexos, e atualmente em cenários econômicos com envolvi-
mentos patrimoniais expressivos de Pessoas Físicas e Jurídicas, 
a Norma recomenda que sejam indicados vários árbitros e em 
número ímpar. Há casos em que a possibilidade de escolha de 
árbitros já esteja preestabelecida. Então a Lei n° 9.307/1996, 
no parágrafo 2º do Art. 13º, cita:
Quando as partes nomearem árbitros em número par, 
estes estão autorizados, desde logo, a nomear mais um 
árbitro. Não havendo acordo, requererão as partes ao 
órgão do Poder Judiciário a que tocaria, originariamen-
te, o julgamento da causa a nomeação do árbitro, apli-
cável, no que couber. O procedimento previsto no art. 7º 
desta Lei.
Esse procedimento citado cabe ao Juiz e está previsto no 
Art. 7º, da Lei n° 9.307/1996, que diz:
Existindo cláusula compromissória e havendo resistência 
quanto à instituição da arbitragem, poderá a parte inte-
ressada requerer a citação da outra parte para compare-
cer em juízo a fim de lavrar-se o compromisso, designan-
do o juiz audiência especial para tal fim.
Dessa forma, o Art. 18º da Lei n° 9.307/1996 refere que: 
“O árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir 
não fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judi-
8 Arbitragem e Perícia Contábil
ciário”. Essa práxis, citada, é uma forma razoável de elimina-
ção de acúmulo de processos nas mesas de magistrados, os 
quais poderiam ocupar seu tempo em outras práticas judiciá-
rias que, às vezes carecem de tempo (JUÍZO NOSSO).
A sentença arbitral está prevista no Art. 23° da Lei 
n° 9.307/1996, a qual “será proferida no prazo estipulado 
pelas partes. Nada tendo sido convencionado, o prazo para a 
apresentação da sentença é de seis meses, contado da insti-
tuição da arbitragem ou da substituição do árbitro”. Em caso 
da sentença proferida e o voto de algum árbitro seja de não 
concordância com a maioria, ele pode apresentar seu voto em 
separado. Ainda, havendo empate, o presidente dos árbitros 
profere o voto minerva, para o desempate.
Na sequência apresenta-seuma ilustração, adaptada da 
CMA/OAB – MG (2009), sobre as vantagens do trabalho de 
arbitragem em relação ao procedimento judicial, em caso 
conflitivo, de litígio:
Vantagem Descrição
Celeridade
Informalidade e ausência de recursos tornam o 
procedimento mais rápido do que a via judi-
ciária. A sentença é definitiva.
Informalidade
Uso da técnica ágil e dinâmica, soluções 
amigáveis e rápidas adequadas com os desejos 
da sociedade.
Sigilo
Ao contrário do Poder Judiciário, toda a arbi-
tragem é em sigilo como regra geral, sem di-
vulgações.
Capítulo 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil 9
Especialização
Atualmente os árbitros são conhecedores da 
matéria arbitral e sua decisão tem conhecimen-
to de qualidade.
Prestígio da autono-
mia da vontade
Na jurisdição estatal o poder é do Estado. Na 
arbitragem a vontade é das partes com maior 
autonomia.
Exequibilidade
A sentença arbitral pode ser imediatamente 
executada, não estando sujeita a homologação 
prévia do judiciário.
Melhor relação cus-
to-benefício
A rapidez na resolução do conflito evita custos 
indiretos por demora e multiplicidade de recur-
sos que oneram o judiciário.
Menor resistência 
ao cumprimento da 
decisão
A sentença proferida por um árbitro de confi-
ança enseja acolhimento do acordo por adesão 
das partes.
Vantagem para os 
advogados
A presença dos advogados das partes enseja 
solução rápida de dúvidas e campo de apli-
cação do trabalho advocatício.
Vantagens para a 
sociedade
A arbitragem é ágil e eficaz na solução de lití-
gios e desafoga o Judiciário e pode melhorar o 
seu padrão de eficiência.
Por fim, verifica-se que atualmente, em matérias que de um 
lado são abordadas Judicialmente e de outro lado Extrajudi-
cialmente, usam, conforme Alberto (2012), de técnicas para 
a solução de conflitos ou dúvidas sobre situações, coisas ou 
fatos. Partindo desses pressupostos, na sequência trata-se da 
conceituação da Perícia e do Perito.
10 Arbitragem e Perícia Contábil
1.2 Conceituação de Perícia Contábil e 
Perito
A perícia tem seu marco mais fundante no direito romano, que 
de acordo com Sá (2011) e Alberto (2012) dão entendimen-
to do termo a Roma Antiga, em que dava valor àqueles que 
possuíam vastos conhecimentos sobre matérias que exigiam 
forma perita de opinar sobre temas que envolviam os homens 
da época. Assim, sugere que os profissionais daquele tempo 
detinham “saber e talento” (SÁ, 2012, p. 3), referindo-se o 
autor aos Anais do Senado Romano. Porquanto a opinião te-
ria que ser válida, com competência e entendimento. Alberto 
(2012, p. 5) cita:
Il modo piú símplice efetivamente seguito era quello di 
nomnari iudex uma persona esperta di quella matéria, per 
modo che il giudice non aveva bisogno di chiamare um 
perito, ma egli stesso era giudice e perito insieme.
Verificando a citação, a qual traduzida de forma literal diz 
que: A maneira mais efetivamente simples de seguir era nomi-
nar formalmente uma pessoa experiente naquela matéria, de 
modo que o juiz não precisa chamar um perito, mas ele mes-
mo era um juiz e especialista em conjunto. Esse entendimento 
remete o/a leitor/a relembrar o item anterior, o qual acenava 
para a similaridade da época antiga, entre Árbitro e Perito. 
Porquanto, Sá (2012, p. 3) cita que a expressão “Perícia” tem 
sua origem no Latim: Peritia, que em seu sentido próprio signi-
fica Conhecimento (adquirido pela experiência) e Experiência.
Capítulo 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil 11
Segundo D’Auria apud Alberto (2007, p. 17), “Perícia é 
conhecimento e experiência das coisas. A função pericial é, 
portanto, aquela pela qual uma pessoa conhecedora e experi-
mentada em certas matérias e assuntos examina as coisas e os 
fatos, reportando sua autenticidade e opinando sobre as cau-
sas, essência e efeitos da matéria examinada”. Dessa forma, o 
conceito de PERÍCIA CONTÁBIL liga-se, necessariamente, ao 
conceito geral de PERÍCIA, pois perícia é sempre perícia, seja 
qual for sua espécie, e a expressão composta busca apenas 
identificar a natureza do objeto da perícia. Gonçalves (1968, 
p. 7 apud ORNELAS, 2011, p. 29) nos diz que: “A perícia 
contábil é, pois, o exame com o objetivo de resolver questões 
contábeis, ordinariamente originárias de controvérsias, dúvi-
das e de casos específicos determinados ou previstos em lei.”.
A Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 - define 
que:
A perícia contábil constitui o conjunto de procedimentos 
técnico-científicos destinados a levar à instância decisó-
ria elementos de prova necessários a subsidiar à justa 
solução do litígio ou constatação de um fato, mediante 
laudo pericial contábil e/ou parecer pericial contábil, em 
conformidade com as normas jurídicas e profissionais, e 
a legislação específica no que for pertinente.
Assim, os resultados da Perícia são expressos através de um 
Laudo Pericial, o qual será abordado mais adiante em capítulo 
específico. Nesse contexto, os principais aspectos da Perícia 
Contábil são os seguintes:
12 Arbitragem e Perícia Contábil
a) A Perícia Contábil serve de elemento de prova, o que, 
geralmente não se espera de uma Auditoria Contábil;
b) A Perícia Contábil tem objeto delimitado, para um fim 
específico, e os exames são minuciosos e profundos, 
abrangendo totalidade do objeto em questão;
c) A Perícia Contábil tem por objetivo apurar determina-
do fato que se cogita principalmente quando há con-
trovérsia entre duas ou mais pessoas físicas ou jurídi-
cas e, para tal apuração, usualmente, são formuladas 
perguntas ou quesitos, cujas respostas formam a parte 
principal do Laudo, peça que consubstancia o resul-
tado do trabalho pericial e a opinião do profissional 
responsável por ele;
Em resumo, para compreender o conteito de PERÍCIA 
CONTÁBIL, é necessária a revisão de três pontos relevantes:
Item Descrição
Conceito
A Perícia Contábil é o conjunto de procedimentos 
técnicos que tem por objetivo a emissão de laudo sobre 
questões contábeis mediante exame, vistoria, indagação, 
investigação, arbitramento, avaliação ou certificação.
Objeto
O objeto maior da perícia contábil é a verdade sobre o 
objeto examinado, ou seja, a transferência da verdade 
contábil para o ordenamento - o processo ou outra for-
ma - da instância decisória.
Objetivo
A perícia contábil tem por objetivo geral a constatação, 
prova ou demonstração contábil da verdade real sobre o 
seu objeto, transferindo-o, através de sua materialização 
- o Laudo - para o ordenamento da instância decisória 
judicial ou extrajudicialmente.
Capítulo 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil 13
Verificando a ilustração, nota-se que o objetivo exposto é 
geral, porém há diversos objetivos específicos a serem atendi-
dos pela Perícia Contábil, tais como:
a) Informação fidedigna;
b) A certificação, o exame e a análise do estado circuns-
tancial do objeto;
c) O esclarecimento e a eliminação de dúvidas suscita-
das sobre o objeto;
d) O fundamento científico da decisão;
e) A formulação de uma opinião ou juízo técnico;
f) A mensuração, a análise, a avaliação ou arbitramento 
sobre o quantum monetário do objeto e
g) Trazer à luz o que está oculto por inexatidão, inverda-
de, má-fé, erro ou fraude.
Para a execução da Perícia Contábil, é requerido ao perito 
que seja profissional, com formação específica, conhecimen-
to sobre o objeto do estudo, devidamente habilitado, sendo 
definido seu conceito pela Norma Brasileira de Contabilidade 
do - NBC PP 01, como segue:
Perito é o contador regularmente registrado em Conselho 
Regional de Contabilidade, que exerce a atividade peri-
cial de forma pessoal, devendo ser profundo conhecedor, 
por suas qualidades e experiências, da matéria periciada.
14 Arbitragem e Perícia Contábil
Dessa forma,há um conjunto de qualidades indispensáveis 
ao perito contador, destacam-se entre elas as QUATRO mais 
relevantes:
 Â A primeira é a Legal, ou seja, a Capacidade Legal é a 
que lhe confere o título de Bacharel em Ciências Con-
tábeis e o registro no Conselho Regional de Contabili-
dade.
 Â A segunda é a Profissional, a Capacidade Profissional é 
caracterizada conforme ilustração a seguir:
Item Descrição
Conhecimentos 
teóricos e práticos da 
Contabilidade
pois, através deste conhecimento técni-
co-científico, o Perito levará aos autos a 
verdade real, na sua essência, sobre os fatos 
em litígio.
Vivência Profissional
A vivência profissional é considerada em 
perícia como seu elemento fundamental. 
Teoricamente definem-se padrões de compor-
tamento profissional, porém a prática os torna 
pessoais, ou seja, dois Contadores podem, 
sobre um mesmo fato, ter duas interpretações 
distintas. Existem práticas grosseiras e que 
saltam à vista até de leigos em contabilidade, 
entretanto, também existem práticas bastante 
sutis, que mesmo o Contador encontra dificul-
dades em encontrar. Daí a extrema necessi-
dade do equilíbrio e bom-senso, advindos da 
exigência profissional exigida de um Perito.
Capítulo 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil 15
Perspicácia, persever-
ança, sagacidade
Segundo o dicionário “Aurélio”, tem-se que 
essas palavras exprimem a qualidade do 
profissional Perito relativo à sua capacidade 
de observação, concentração para identi-
ficar adequadamente o objeto de estudo, 
examinando, analisando, estudando profun-
damente, sem permitir que o trabalho seja 
desenvolvido de forma superficial. Assim, deve 
sempre estar atento e procurar evidências em 
relação aos fenômenos patrimoniais que está 
sendo examinado.
Conhecimento geral 
de ciências afins à 
Contabilidade
No mundo moderno, seja pela globalização 
da economia, seja dos mercados, a neces-
sidade do conhecimento holístico do profis-
sional do próximo milênio ajustou a visão 
distorcida do especialista puro, exigindo que 
o homem tenha conhecimentos sobre todas as 
áreas que afetam a sua especialidade. Nesse 
sentido, a Contabilidade, requer do Contador, 
além do conhecimento profundo, conheci-
mentos gerais, com necessário domínio de 
matemática, especialmente financeira, econo-
mia, direito, lógica e, principalmente língua 
portuguesa.
Índole criativa e 
intuitiva
Essas características pode-se dizer que sejam 
o sexto sentido (e talvez o sétimo) do profis-
sional que encontra no trabalho pericial a sua 
forma plena de trazer a verdade dos fatos, 
proporcionando ao julgador os parâmetros 
necessários para proferir a Sentença. A 
constante busca da verdade, a sintonia com o 
divino, a empatia com aquele que o convocou 
são comportamentos que permitem o aprimo-
ramento, a ampliação e até mesmo o surgi-
mento dessas qualidades no profissional que 
objetiva-se tornar-se um verdadeiro perito.
16 Arbitragem e Perícia Contábil
Probidade
De nada vale possuir as características acima, 
sem que o Perito esteja imbuído de extremo 
senso de probidade. O trabalho justo e ade-
quado do Perito não se faz sem uma causa, o 
conhecimento da verdade pelo Perito é servir, 
auxiliar o Juiz a emitir um juízo perfeito dos 
fatos, para a elaboração mais fundamentada 
de sua sentença que abordou o direito, ou 
permitir que o administrador que o contratou, 
no caso da perícia extrajudicial, possua todos 
os elementos para a conclusão e decisão.
Verificando a ilustração nota-se que a consequência de 
uma perícia desonesta, feita no intuito de distorcer a realidade 
de um fato, pode causar transtornos de difícil reparação. O 
reflexo é sempre negativo e prejudicial a alguém, pois uma 
decisão qualquer, baseada na interpretação distorcida de um 
fato, pode provocar danos irreparáveis, quer sejam pessoais 
ou patrimoniais.
Esta conduta profissional com a isenção, a não tendencio-
sidade, o comportamento leal, a verdade real, o espírito de 
equidade e justiça deve nortear todos os sentimentos do Perito.
A terceira é a Capacidade Ética, a qual estabelece co-
nexão com o Código de Ética Profissional do Contador e a 
Norma do Conselho Federal de Contabilidade. Entre as ca-
pacidades éticas, devem-se destacar basicamente a conduta 
do perito com seus colegas e o caráter de independência e 
veracidade que deve manter em seu Parecer (Laudo Pericial).
Por fim, a quarta é a Capacidade Moral, a qual se estriba 
na virtude das atitudes pessoais do profissional. Nessa última 
Capítulo 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil 17
qualidade, é transformada a essência da ação profissional, 
com lisura e imparcialidade.
Recapitulando
Foram abordados dois itens neste capítulo: o primeiro tratou 
dos conceitos sobre a Arbitragem, no qual foram trazidos os 
conceitos teóricos e a definição conceitual sobre quem é o 
profissional dessa área – o árbitro, sendo que foi verificado 
que esse é um assunto que acompanha a história do ser huma-
no desde os tempos antigos, e ainda, na atualidade, existem 
práticas similares, mas com o advento da Lei n° 9.307/1996, 
no Brasil, de certa forma, há profissionalização na área. No 
segundo item abordou-se a Perícia, na qual se partiu da visão 
genérica para a específica, da contabilidade, na qual se tem o 
Perito Contábil, o qual é o profissional qualificado e capacita-
do para o exercício dessa função.
Num sentido amplo e ao mesmo tempo específico, fez-se 
juízo de que na esteira da profissionalização da Arbitragem e 
da Perícia, se aplicada e tornada de conhecimento da socie-
dade, estas, por sua feita percebida e absorvida, podem ser 
relevantes para prestação de serviços à população, que em 
contrapartida aliviariam os serviços Judiciários, os quais pode-
riam dispender energias para padrões mais eficientes.
18 Arbitragem e Perícia Contábil
Referências
BRASIL. LEI N° 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 
1996. Dispõe sobre a arbitragem. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de 
julho de 2016.
______. LEI N° 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Dis-
põe sobre o Código de Processo Civil. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: de 27 
julho de 2016.
______. LEI N° 13.129, DE 26 DE MAIO DE 2015. Altera a 
Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996, e a Lei n° 6.404, 
de 15 de dezembro de 1976, para ampliar o âmbito de 
aplicação da arbitragem e dispor sobre a escolha dos ár-
bitros quando as partes recorrem a órgão arbitral, a in-
terrupção da prescrição pela instituição da arbitragem, a 
concessão de tutelas cautelares e de urgência nos casos de 
arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral, e revoga 
dispositivos da Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996. 
Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. 
Acesso em: 19 de julho de 2016.
ALBERTO, Valdeir Luiz Palombo. Perícia Contábil: Normas 
Brasileiras de Perícia Contábil Comentadas (NBC T 01 e 
NBC PP 01); Aspectos Legais, Civis e Criminais; Casos Prá-
ticos de Perícia Contábil das Áreas Cível, Federal, Traba-
lhista (Instrução e Liquidação) e Extrajudiciais; Honorários 
Periciais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
Capítulo 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil 19
COMISSÃO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM – CMA/OAB/
MG. Cartilha de Arbitragem. Ordem dos Advoga-
dos do Brasil – Minas Gerais, 2009. Disponível em: 
<http://www.precisao.eng.br/jornal/Arbitragem.pdf>. 
Acesso em: 19 de julho de 2016.
ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia Contábil. 5. 
ed. São Paulo: Atlas, 2011.
RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCTP01, de 19 de março de 2015. 
Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 – PE-
RÍCIA CONTÁBIL.
RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCPP01, de 19 de março de 2015. 
Norma Brasileira de Contabilidade - NBC PP 01 – PE-
RITO CONTÁBIL.
SÁ, Antônio Lopes. Perícia Contábil. 10.ed. Revisada e Am-
pliada. São Paulo: Atlas, 2011.
Atividades
 1) Assinale a alternativa que melhor apresenta o conceito de 
arbitragem:
a) Arbitragem é uma forma obrigatoriamente judicial de 
resolução de conflitos, com a participação de um ou 
mais árbitros privados, escolhidos segundo a vontade 
das partes.
20 Arbitragem e Perícia Contábil
b) Arbitragem, assim como a Perícia é uma forma extra-
judicial de resolução de conflitos, com a participação 
de um ou mais árbitros privados, escolhidos segundo 
a vontade das partes.
c) Arbitragem, assim como a Perícia, é uma forma judi-
cial de resolução de conflitos, com a participação de 
um ou mais árbitros privados, escolhidos segundo a 
vontade das partes.
d) Árbitro é uma forma extrajudicial de intermediação de 
conflitos, com a participação de um ou mais árbitros 
privados, escolhidos segundo a vontade das partes.
e) Arbitragem é uma forma extrajudicial de resolução de 
conflitos, com a participação de um ou mais árbitros 
privados, escolhidos segundo a vontade das partes.
 2) Assinale a alternativa que melhor se adequa com a seguin-
te afirmativa: Com o advento da Lei n° 9.307/1996, que 
trata da Arbitragem, a legislação tornou permissivo que...
a) as partes envolvidas no litígio podem estabelecer as 
regras para o objeto de arbitragem.
b) o Poder Judiciário é o único órgão que pode indicar a 
arbitragem como meio de dirimir conflitos.
c) o sujeito de direito no conflito pode indicar o árbitro, e 
o sujeito da obrigação deve obrigatoriamente aceitar 
a indicação.
Capítulo 1 Introdução à Arbitragem e Perícia Contábil 21
d) as partes envolvidas no litígio podem estabelecer as 
regras para o objeto de arbitragem, mas não podem 
indicar árbitros.
e) As partes envolvidas no litígio podem escolher os árbi-
tros, mas não podem indicar regras para a arbitragem.
 3) A Lei n° 9.307/1996, no parágrafo 2º do Art. 13º, cita 
que quando as partes, envolvidas no litígio nomearem ár-
bitros em número par, estes estão autorizados, desde logo, 
a nomear mais um árbitro. Assim, não havendo acordo, a 
quem compete indicar mais um árbitro?
a) À Prefeitura Municipal, cede do litígio.
b) Ao Ministério da Justiça e do Trabalho.
c) Ao Ministério Público.
d) Ao Poder Judiciário.
e) Ao PROCON do Município, cede do litígio.
 4) Relacione as afirmações de acordo com as vantagens da 
arbitragem:
a) Prestígio da autonomia da vontade.
b) Melhor relação custo-benefício.
c) Menor resistência ao cumprimento da decisão.
d) Vantagens para a sociedade.
( ) Na jurisdição estatal o poder é do Estado. Na arbitra-
gem a vontade é das partes com maior autonomia.
22 Arbitragem e Perícia Contábil
( ) A sentença proferida por um árbitro de confiança en-
seja acolhimento do acordo por adesão das partes.
( ) A rapidez na resolução do conflito evita custos indire-
tos por demora e multiplicidade de recursos que one-
ram o judiciário.
( ) A arbitragem é ágil e eficaz na solução de litígios e 
desafoga o Judiciário e pode melhorar o seu padrão 
de eficiência.
A ordem correta é:
a) A, B, C, D
b) B, A, D, B
c) A, C, B, D
d) B, D, A, C
e) C, A, D, B
 5) Indique a alternativa que apresenta dois termos que defi-
nem Perícia:
a) Profissionalismo e Habilidade.
b) Habilidade e Talento.
c) Talento e Conhecimento.
d) Conhecimento e Experiência.
e) Experiência e Vontade.
Jucelaine Bitarello1
Capítulo 2
Objeto, Organização e 
Planejamento da Perícia 
Contábil1
1 Jucelaine Bitarello é Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade de 
Santa Cruz do Sul (UNISC), RS, especialista em Administração e Estratégia Empre-
sarial pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), Canoas, RS, e graduada em 
Ciências Contábeis pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), RS. Ela é 
professora dos cursos de Ciências Contábeis, Administração e Gestão Pública da 
ULBRA, presencial e EaD. Jucelaine tem experiência profissional em organizações 
privadas e públicas, é autora de diversos artigos científicos, nacionais e internacio-
nais, é autora de livros e capítulos de livros. Ela é, também, consultora ad hoc do 
Ministério da Educação e Cultura (MEC/INEP).
24 Arbitragem e Perícia Contábil
Introdução
Para este capítulo são destinadas as abordagens referentes à 
Perícia Contábil, a qual tem no centro o objeto a ser examina-
do e sobre o qual deve ser emitida opinião. Essa opinião deve 
estar pautada nas evidências materiais que suscitem a verdade 
sobre os fatos periciados e que essa seja consubstanciada em 
elementos objetivos que afastem qualquer subjetividade. Para 
isso o texto está dividido em duas etapas: na primeira busca-se 
dar fundamentação conceitual sobre o objeto da perícia, em 
que se expressa que o patrimônio é o objeto da contabilidade 
e de outra forma o objeto da perícia são as variações que 
ocorrem em bens, direitos e/ou ações de quaisquer entidades. 
Na segunda etapa, aborda-se a organização e o planejamen-
to da perícia, a qual por vezes pode demandar maior ou me-
nor tempo para sua execução, bem como pode ainda requerer 
apoio de outras áreas do conhecimento, e isso requer que 
sejam alinhadas e expressas todas as partes que compõem o 
planejamento do trabalho.
2.1 Perícia Contábil – Objeto – Normas e 
legislação
Como visto no capítulo anterior, para a Perícia Contábil, está o 
objeto como elemento central e a busca da verdade sobre ele, 
em que seja examinado e que haja a transferência da verdade 
contábil para o ordenamento do processo para que sobre ele 
tenha a instância decisória a correta opinião. Porquanto que 
Capítulo 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia... 25
os procedimentos periciais sejam, conforme Sá (2011), aplica-
dos de acordo com a pertinência de cada caso, ou seja, objeto 
examinado. O autor cita ainda (p. 4):
Busca-se a ajuda da tecnologia da perícia contábil, pois, 
para dirimir dúvidas sobre fatos que se relacionam com 
a riqueza dos empreendimentos (aziendas) e/ou das pes-
soas, ou de “grupos”. O que se busca é uma opinião 
válida para atestar sobre a regularidade, irregularidade 
ou situação da riqueza individualizada. Não se trata de 
um informe, mas de uma opinião. O informe serve à pe-
rícia, e esta deve gerar um parecer ou ponto de vista 
tecnológico. Trata-se de uma análise para produzir uma 
conclusão.
Veja pela citação que há lógica preliminar antes de definir 
o que é o objeto da perícia, pois, de um lado, sobre o objeto 
há uma opinião e de outro lado, para a perícia, há um informe 
que serve de análise para a produção da conclusão. Assim, 
Alberto (2012, p. 33) refere que a “Contabilidade enquanto 
ciência, tem algo fundamental sobre o que descobre leis, ob-
serva, experimenta, desenvolve técnicas, etc.” e cita ainda que:
O objeto fundamental da Contabilidade é o Patrimônio, 
na sua expressão ampla [...] abrangendo, pois, todos os 
aspectos quantitativos e qualitativos, não somente em 
termos estáticos, mas principalmente dinâmicos, isto é, 
das suas variações.
Dessa forma, nota-se que na visão de Alberto (2012) o Pa-
trimônio é o objeto da Contabilidade e a sua natureza contábil 
é o campo de investigação para a perícia contábil. No entan-
26 Arbitragem e Perícia Contábil
to, seguindo o raciocínio do autor (p. 34), na linha objetiva o 
“patrimônio é qualificável e quantificável”, que em resumo a 
Contabilidade pelas suas técnicas consegue verificar os “direi-
tos, ações e posse e tudo mais que pertença a uma pessoa”, e 
segue ainda: “É importante agregarmos esta conceituação de 
haveres para introjetarmos a íntima relação com o patrimônio 
(objeto), embora este tenha amplitude maior do que aquele”. 
Assim, é possível a compreensão de que as variações em bens, 
direitos e ações, conforme citação anterior, que ocorrem em 
curto, médioou longo prazo, são o objeto da perícia contábil, 
a qual Alberto (2012, p. 35) cita:
Assim embasados, podemos concluir, como corolário 
lógico, que, conceitualmente, a perícia contábil é: um 
instrumento técnico-científico de constatação, prova ou 
demonstração, quanto à veracidade de situações, coi-
sas ou fatos oriundos das relações, efeitos e haveres que 
fluem do patrimônio de quaisquer entidades.
Ressalta-se que a veracidade é entendida como a busca 
da verdade sobre as variações da riqueza, que, na visão de Sá 
(2011, p. 4), o caráter e objetos da tecnologia contábil para 
a perícia é:
[...] possuir um objeto determinado, requerido, para que 
possa gerar uma opinião abalizada em matéria contá-
bil. A perícia, todavia, pode ser “parcial” ou “total” no 
exame das contas, demonstrações, documentos ou fatos. 
Dependendo do que se pretende, fixa-se o objeto a exa-
minar e sua extensão.
Capítulo 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia... 27
Todavia, a perícia pode ser integral ou parcial, e, por vezes, 
a extensão dos fatos requer envolvimento de outras áreas do 
conhecimento, o que enseja que a opinião sobre determinado 
objeto tenha maior abrangência. No entanto, para a questão 
postulada, especificamente na contabilidade, que é o objetivo 
dessa disciplina, Sá (2011, p. 5) exige que o trabalho pericial 
persiga o objetivo de formar a opinião utilizando-se de:
Todos os meios são válidos para a formação de uma 
opinião que se apoie na Realidade, na Plenitude, na 
Essencialidade e nas Formas dos fatos em exame. Bus-
ca-se a Verdade sobre o que se evidencia e a competen-
te sustentação documental. Como visa ser utilizada para 
fins diversos, a perícia necessita atingir tal fim e deve ser 
suficientemente Confiável.
Partindo dessa citação, Sá (2011, p. 5-6) sublinha que 
“tudo o que for pertinente à opinião a ser emitida deve ser 
objeto de exame da perícia”. Cita ainda que “é preciso, pois 
Abrangência e Segurança ou Confiabilidade, evitando-se 
o subjetivo”. Dessa forma, a ampliação do objeto de exame 
deve ser o limite para o esclarecimento do assunto, que na 
visão do autor, é a “materialidade da prova”, a verdade sobre 
o objeto periciado.
Em relação aos procedimento técnicos, a Perícia Contábil 
está fundamentada na Norma Brasileira de Contabilidade - 
NBC TP 01 – PERÍCIA CONTÁBIL que, em seu objetivo, cita:
Esta Norma estabelece regras e procedimentos técnico-
-científicos a serem observados pelo perito, quando 
da elaboração de perícia contábil, no âmbito judicial, 
28 Arbitragem e Perícia Contábil
extrajudicial, inclusive arbitral, mediante o esclarecimen-
to dos aspectos e dos fatos do litígio por meio de exame, 
vistoria, indagação, investigação, arbitramento, avalia-
ção, ou certificação.
Nota-se que, conforme o Art. 420 do Código de Processo 
Civil, a perícia é um dos meios de provas em que o laudo 
pericial contábil e o parecer pericial têm por limite os obje-
tivos a que a perícia foi solicitada ou contratada. Salienta-se 
que a perícia contábil é competência exclusiva do profissional 
contador registrado no Conselho Regional de Contabilidade. 
A atuação se dá em âmbito Judicial como Extrajudicial. Aqui 
deve distinguir-se o que é Judicial e Extrajudicial: a primeira é 
aquela em que o Estado se apresenta como a tutela da justiça, 
e a segunda é aquela que se apresenta no âmbito arbitral ou 
voluntária, como visto no Capítulo 1.
Destaca-se que o Art. 431 do Código de Processo Civil 
menciona que “As partes terão ciência da data e local de-
signados pelo juiz ou indicados pelo perito para ter início a 
produção da prova”. Assim, em objetos encaminhados para 
a perícia judicial, as partes envolvidas: advogados, assisten-
te técnico e Ministério Público (quando envolvido) devem ser 
cientificados do que está sendo periciado. Esse procedimento 
deve ser de forma oficial, por carta, ofício e atualmente pode 
ser por meio eletrônico.
Após essa formalidade, o perito contador pode iniciar seus 
trabalhos como assistente técnico e também assumir a respon-
sabilidade de toda a documentação que está sob sua guarda 
e posse, mantendo-a com zelo em segurança. Observa-se que 
pode solicitar todo o dossiê para o procedimento e apuração 
Capítulo 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia... 29
dos fatos, sem, no entanto, apensar qualquer documento novo 
ou estranho ao processo, o que enseja falsidade profissional e 
transgressão da Norma do Perito Contábil.
Partindo da Norma Brasileira de Contabilidade - NBC PP 
01 – PERÍCIA CONTÁBIL, verifica-se que esta define como 
objetivo “estabelecer procedimentos inerentes à atuação do 
contador na condição de perito”. Na conceituação desse pro-
fissional cita que “Perito é o contador regularmente registrado 
em Conselho Regional de Contabilidade, que exerce a ativida-
de pericial de forma pessoal, devendo ser profundo conhece-
dor, por suas qualidades e experiências, da matéria periciada”. 
Essas definições encontram fundamento no Art. 139 do Códi-
go de Processo Civil que classifica o perito como auxiliar do 
juiz, e o Art. 145 prevê que:
quando a prova depender de conhecimento técnico ou 
científico, o juiz será assistido por perito, que será escolhi-
do entre profissionais de nível universitário, devidamente 
inscrito no órgão de classe, o qual fornecerá certidão de 
comprovação de especialidade na matéria contábil.
Aqui é relevante que se faça o esclarecimento para que o/a 
leitor/a não tenha dúvida sobre dois personagens: o Perito e o 
Assistente. Há diferenças que se dão de formas diversas:
a) o Perito-contador nomeado é o designado pelo juiz 
em perícia contábil judicial; já o contratado é o que 
atua em perícia contábil extrajudicial; e o escolhido é 
o que exerce sua função em perícia contábil arbitral.
30 Arbitragem e Perícia Contábil
b) o Perito-contador assistente é o contratado e indica-
do pela parte em perícias contábeis, em processos ju-
diciais e extrajudiciais, inclusive arbitral.
Para o exercício das atividades, o profissional deve com-
provar mediante certidão habilidade para o exercício da fun-
ção. A falta de competência técnico-científica constitui-se em 
um dos motivos para recusa da indicação ou nomeação do 
perito. Conforme o Inciso I do Art. 424 do Código de Processo 
Civil, o perito pode ser substituído quando: “carecer de conhe-
cimento técnico ou científico”.
A comprovação de Habilitação Profissional está prevista 
no parágrafo 2° do Art. 145 do CPC que cita: “Os peritos 
comprovarão sua especialidade na matéria sobre que deve-
rão opinar, mediante certidão do órgão profissional em que 
estiverem inscritos”. Por fim, o perito há de comprovar a sua 
habilitação profissional mediante a Declaração de Habilitação 
Profissional – DHP Eletrônica, de que trata a Resolução CFC 
2011/001363, considerando que, face à evolução tecnoló-
gica, todos os Conselhos Regionais de Contabilidade já pos-
suem a estrutura necessária para tal, trata-se de um controle 
de regularidade profissional emitida através de um sistema ele-
trônico com mecanismos de autenticação.
Capítulo 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia... 31
2.2 Organização e planejamento da 
Perícia
Como verificado no tópico anterior há duas formas distintas em 
que a perícia é necessária e o perito é igualmente designado, 
como nos casos Judiciais e Extrajudiciais. As Perícias Extra-
judiciais independem de tramitação judicial. São livremente 
contratadas entre as partes envolvidas e os peritos. Podem ser 
exemplificadas como: Perícia para avaliação patrimonial de 
bens e direitos; Perícia para avaliação de fundo de comércio; 
Perícia para avaliação de bens e direitos para integralização 
do capital das Sociedades Anônimas; Perícia para Cisão, Fu-
são, Incorporação ou Transformação de Sociedade.
Para as Perícias Judiciais pode haveraté três peritos: um 
do juiz e um de cada parte litigante (um dos autores e um dos 
réus). Na verdade, são três contadores; o juiz nomeia o seu e 
as partes indicam assistentes, como visto no tópico anterior. Os 
peritos das partes devem ser indicados no prazo de cinco dias, 
contados da intimação do despacho de nomeação do perito, 
e, no mesmo prazo, os quesitos são apresentados pelas partes.
A fundamentação dos Peritos Judiciais é regulada no 
Art. 421 do Código do Processo Civil com as alterações da 
Lei n° 8.455, de 24 de agosto de 1992. A escolha do perito é 
deveras relevante para o sucesso dos trabalhos. Quanto mais 
complexa a causa, mais experiência e cultura deve ter o pro-
fissional. Ao Juiz compete, também, fixar local, hora e prazo 
para entrega do laudo pericial (conteúdo que será abordado 
em capítulo específico).
32 Arbitragem e Perícia Contábil
Em relação à Nomeação do Perito Judicial, o primeiro 
passo a ser dado pelo Bacharel em Ciências Contábeis jun-
to às Varas existentes no Fórum é o encaminhamento de seu 
Curriculum Vitae ao Juiz de cada Vara e, sendo aconselhável, 
apresentar-se ao Magistrado falando um pouco de si. Os Car-
tórios das Varas possuem um cadastro de Peritos à disposição 
do Juiz. Feita a escolha, o Perito será informado por escrito, 
sendo-lhe solicitado comparecer ao Cartório da Vara.
Após o aceite da indicação, o Perito do Juiz assume o com-
promisso e procura contatar com os assistentes indicados pe-
las partes litigantes. Para inteirar-se do processo e realizar o 
plano de Perícia, o perito precisa conhecer bem os autos. Para 
tal, necessita retirá-lo do Cartório onde se encontra. Para fazer 
carga (retirar o processo), o Perito solicitará ao Juiz, mediante 
petição ou, sendo conhecido, mediante simples controle do 
cartório onde o Perito acusa o recebimento.
Com o processo em posse o Perito procede à Análise dos 
Autos, e tudo o que for pertinente à opinião a ser emitida deve 
ser objeto de exame da perícia. É preciso, pois, abrangência e 
segurança ou confiabilidade, evitando-se o subjetivo (lembre-
-se o/a leitor/a que a subjetividade já fora vista no tópico an-
terior). Assim, a Perícia Contábil deve lastrear-se em elementos 
confiáveis, e nenhum elemento útil deve ser desprezado. Toda-
via, a matéria deve ater-se ao objeto para a qual foi requerida. 
Só, subsidiariamente, deve apelar-se para complementações.
Podem haver casos em que as partes interessadas (o do 
direito - autor e o da obrigação - réu) solicitam ao Perito “adu-
zir comentários que achar pertinente”; nesse caso, é dever do 
Capítulo 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia... 33
Perito ampliar seu objeto de exame até o limite que julgar con-
veniente ao esclarecimento do assunto.
DESTAQUE: É de extrema importância a leitura pausada e 
atenciosa dos Autos a fim de que o Perito assimile o teor da 
documentação que foi juntada. Na análise dos Autos, o Perito 
deve ater-se não só ao teor da documentação apresentada, 
mas também ao fato de se estes estão de acordo com as leis 
comerciais e/ou fiscais. Por exemplo: Se o balanço está assi-
nado por quem é de direito, se está transcrito no Diário, entre 
outros dados relevantes).
Absorvido o teor dos Autos, como citado no parágrafo an-
terior, parte-se para as Diligências. Cita-se que há casos em 
que nos autos constam todas as documentações necessárias 
ao exame pericial. No entanto, há casos, em que se torna 
impraticável a anexação de toda documentação por deman-
dar expressivo volume de papéis. Cabe, nesses casos, as di-
ligências (investigações) ocorrerem na Empresa que possui a 
documentação.
Nesses casos, o Perito deverá requerer, então: livros, docu-
mentos, demonstrações e, em suma, o material necessário ao 
desempenho de sua tarefa. Pode, ainda, deixar com a empre-
sa ou pessoa a ser verificada a relação do que precisa e voltar 
em dia e hora marcados para iniciar a tarefa. Esses detalhes 
servem para o gerenciamento do tempo e pode-se ainda, tele-
fonar, enviar e-mail, solicitando que deixe a documentação a 
sua disposição. Frisa-se que, em todas as ações do Perito, haja 
formalidade, preferencialmente por escrito, o que dá transpa-
rência ao trabalho. Veja um exemplo de carta:
34 Arbitragem e Perícia Contábil
Empresa Y
A/C Diretoria
Prezados Senhores:
Na qualidade de Perito Oficial do MM. Juiz de Direito da... 
Vara... desta Comarca, sirvo-me da presente para solicitar a 
V. Sas. que deixem a minha disposição os seguintes documen-
tos, para análise, no dia... às... horas:
Diário do ano de...
Razão da mesma data
Comprovantes contábeis do mesmo período.
Atenciosamente
Nome e assinatura
Endereço e Telefone
Note que a carta deve ser redigida em duas vias, sendo 
que a segunda via serve de recibo colhendo-se a assinatura de 
quem a recebeu. De outra sorte, a parte examinada pode criar 
obstáculos ao perito, sonegando informações ou dificultando 
a entrega de documentos e livros. Caso não consiga, o Perito 
deve imediatamente cientificar ao Juiz a resistência e requerer 
os elementos necessários ao trabalho.
A partir dessa organização e ajustamentos preliminares é 
que o Perito parte então para o Levantamento dos Dados, 
dir-se-ia, Apuração dos Dados. Dessa forma, todos os ele-
mentos ao alcance do Perito servem de base para os laudos 
periciais, preferencialmente os que tenham capacidade legal 
Capítulo 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia... 35
de prova. Por isso, os livros comerciais de registro, os docu-
mentos fiscais e legais são fundamentais para verificações.
Quanto aos livros são aqueles que obrigatoriamente as leis 
comerciais e fiscais exigem; e, sendo os documentos, aqueles 
que podem suprir as exigências igualmente da lei. Essa cautela 
legal (de lei, norma) é imprescindível, pois tem força probante. 
Citam-se exemplos:
a) Um contrato pode ter todas as suas formalidades cum-
pridas, mas se não tiver a assinatura das partes e não 
tiver registro competente, não tem força de prova pe-
rante terceiros.
b) Não basta ter listagens de computador que elaborem 
o Diário, é necessário que: estejam encadernadas, nu-
meradas, assinadas e registradas nos órgãos compe-
tentes.
Dependendo da Perícia, esta pode ser feita em locais dife-
rentes, ou seja, ela pode abranger agências, filiais, fábricas, 
de um mesmo litigante, em diversas localidades. Nesse caso, o 
Perito terá que deslocar-se e provavelmente haverão despesas, 
tais como: de deslocamentos (combustível), de viagem (pas-
sagens), de estadia, de alimentação, entre outras. Essas des-
pesas não são do Perito, mas custos do processo, e ele deve 
solicitar o reembolso ou antecipação de numerário.
O nível de detalhamento do planejamento da Perícia pode 
ensejar ausência de documentos nos Autos (processo) e, nesse 
caso: Como Proceder Quando Falta Documento nos Au-
tos?
36 Arbitragem e Perícia Contábil
a) Na falta de documentação nos autos, o Perito poderá 
encaminhar ao Cartório da Vara carta dirigida ao Juiz 
solicitando que a(s) parte(s) anexe(m) aos autos a do-
cumentação solicitada. Fará correspondência em duas 
vias, sendo a 2ª via recibo de entrega.
b) Em caso de a falta de documentação dever-se ao 
expressivo volume desta, adotará os procedimentos 
mencionados nos parágrafos anteriores deste tópico, 
onde se trata das “Diligências”.
Em relação ao Prazo de Entrega do Laudo e Prorroga-
ção, consideram-se dois pontos: em primeiro lugar, o Perito 
deve apresentar o laudo no Cartório da Vara, no prazo fixado 
pelo Juiz, pelo menos vinte (20) dias antes da audiência de ins-
trução e julgamento. Pressupõem-se que o Perito Contábil, ao 
planejar a perícia, deve considerar o cumprimento do prazo 
de entrega do laudo. Em segundo lugar, considerando a im-
possibilidade de cumprimento no prazo o Perito contábil deve, 
antesde vencido aquele, solicitar prazo suplementar quando 
na função de Perito Judicial, ou comunicar à parte, quando na 
função de Perito Extrajudicial, sempre por escrito.
Por fim, Alberto (2012, p. 137-139) ilustra um resumo do 
papel de trabalho que o Perito Contador pode usar, com todo 
detalhamento dos dados constantes do Autos (processo), men-
cionados os seguintes:
a) Registros Iniciais;
b) Análises Iniciais dos Autos;
c) Diligências;
Capítulo 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia... 37
d) Análises Complementares para o Laudo;
e) Levantamento de Dados/ Definições de Anexos;
f) Análises, Sistemas e Programação;
g) Digitações e Operação Computadores;
h) Redação do Laudo Pericial Contábil;
i) Análise finais;
j) Impugnações; e,
k) Resultado Final.
Observa-se pelos itens citados, como o próprio autor Al-
berto (2012) menciona: esses não são o limite para o trabalho 
do Perito, mas inovam o controle dos documentos e a ativi-
dade. Assim, de outra forma, Sá (2011, p. 7-8) trata o plane-
jamento da Perícia como metodologia, um método analítico 
com detalhes, tais como:
1) Identificar-se bem o objetivo;
2) Planejar competentemente o trabalho;
3) Executar o trabalho baseado em evidências inequí-
vocas, plenas e totalmente confiáveis;
4) Ter muita cautela na conclusão e só emiti-la depois 
de que se esteja absolutamente seguro sobre os re-
sultados;
5) Concluir de forma clara, precisa e inequívoca.
38 Arbitragem e Perícia Contábil
Diante das duas formas apresentadas, em detalhes, tanto 
Sá (2011) quanto Alberto (2012), ambos comungam da mes-
ma posição de que o planejamento da Perícia, utilizando-se de 
métodos sugerido por eles, não deve ser confundido com au-
ditoria, o que é outro tema, pois a Perícia Contábil é analítica 
e de maior abrangência que visa à formação, ao final, de uma 
opinião confiável e que sirva de prova para terceiros.
Recapitulando
Neste capítulo foram abordados conteúdos sobre a Perícia 
Contábil, a qual teve no centro o objeto a ser examinado e 
sobre o qual deve ser emitida opinião. Essa opinião, pautada 
nas evidências materiais que suscitam a verdade sobre os fa-
tos periciados, deve esta estar consubstanciada em elementos 
objetivos que afastam qualquer subjetividade, de forma clara 
e inequívoca. Para tanto, o texto foi dividido em duas etapas: 
na primeira identificou-se o objeto da Perícia, no que se traçou 
um paralelo entre o objeto da Contabilidade que é o Patri-
mônio, sendo que suas variações são o objeto da Perícia. As 
variações que ocorrem em bens, direitos e ou ações de quais-
quer entidades são a essência para a Perícia. Na segunda eta-
pa, abordou-se a organização e o planejamento da Perícia, a 
qual por vezes pode demandar maior ou menor tempo para 
sua execução, bem como pode ainda requerer apoio de outras 
áreas do conhecimento, e isso requer que sejam alinhadas e 
expressas todas as partes que compõem o planejamento do 
trabalho. Verificou-se, também, as duas formas que deman-
dam a Perícia: a Judicial e a Extrajudicial, em que na primeira 
Capítulo 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia... 39
tem-se o Perito indicado pelo Juiz, com assistentes indicados 
pelas partes litigantes; e na segunda pode ser o Perito escolhi-
do pelas partes de comum acordo.
Referências
BRASIL. LEI N° 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 
1996. Dispõe sobre a arbitragem. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de 
julho de 2016.
______. LEI N° 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Dis-
põe sobre o Código de Processo Civil. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 27 de 
julho de 2016.
______. LEI N° 13.129, DE 26 DE MAIO DE 2015. Altera a 
Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996, e a Lei n° 6.404, 
de 15 de dezembro de 1976, para ampliar o âmbito de 
aplicação da arbitragem e dispor sobre a escolha dos 
árbitros quando as partes recorrem a órgão arbitral, a in-
terrupção da prescrição pela instituição da arbitragem, a 
concessão de tutelas cautelares e de urgência nos casos de 
arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral, e revoga 
dispositivos da Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996. 
Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. 
Acesso em: 19 de julho de 2016.
ALBERTO, Valdeir Luiz Palombo. Perícia Contábil: Normas 
Brasileiras de Perícia Contábil Comentadas (NBC T 01 e 
40 Arbitragem e Perícia Contábil
NBC PP 01); Aspectos Legais, Civis e Criminais; Casos Prá-
ticos de Perícia Contábil das Áreas Cível, Federal, Traba-
lhista (Instrução e Liquidação) e Extrajudiciais; Honorários 
Periciais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
COMISSÃO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM – CMA/OAB/
MG. Cartilha de Arbitragem. Ordem dos Advoga-
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ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia Contábil. 5. 
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Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 – PE-
RÍCIA CONTÁBIL.
RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCPP01, de 19 de março de 2015. 
Norma Brasileira de Contabilidade - NBC PP 01 – PE-
RITO CONTÁBIL.
RESOLUÇÃO CFC 2011/001363, de 02 de dezembro de 
2011. Declaração de Habilitação Profissional - DHP 
Eletrônica.
SÁ, Antônio Lopes. Perícia Contábil. 10. ed. Revisada e Am-
pliada. São Paulo: Atlas, 2011.
Capítulo 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia... 41
Atividades
 1) Assinale a alternativa que melhor indica a lógica entre o 
objeto de perícia e a perícia propriamente dita:
a) sobre o objeto não há opinião e para a perícia há um 
informe que serve de análise para a produção da con-
clusão.
b) sobre o objeto há um informe e para a perícia há uma 
opinião que serve de análise para a produção da con-
clusão.
c) sobre o objeto há uma opinião e para a perícia há 
uma definição que serve para a produção da conclu-
são.
d) sobre o objeto há uma opinião e para a perícia há 
um informe que serve de análise para a produção da 
conclusão.
e) sobre o objeto há uma definição e para a perícia há 
uma opinião que serve de análise para a produção da 
conclusão.
 2) Assinale a alternativa que indica o objeto da Perícia Con-
tábil:
a) As variações em bens, direitos e ações, que ocorrem 
em curto, médio ou longo prazo, são o objeto da pe-
rícia.
42 Arbitragem e Perícia Contábil
b) Apenas as variações em bens, direitos, que ocorrem 
em curto, médio ou longo prazo, são o objeto da pe-
rícia.
c) Apenas as variações em ações, que ocorrem em curto, 
médio ou longo prazo, são o objeto da perícia.
d) As variações em bens, direitos e ações, que ocorrem 
somente em curto prazo, são o objeto da perícia.
e) As variações em bens, direitos e ações, que ocorrem 
somente em longo prazo, são o objeto da perícia.
 3) Considere o termo Perito-contador e relacione as colunas:
A) Nomeado ( ) exerce sua função em perícia Arbitral.
B) Contratado ( ) atua em perícia contábil Extrajudicial.
C) Escolhido ( ) designado pelo juiz em perícia contá-
bil Judicial.
A ordem correta é:
a) A, B, C
b) B, C, A
c) C, A, B
d) B, A, C
e) C, B, A
 4) Considere o Perito-contador assistente e assinale a alter-
nativa que melhor define sua designação e áreas de atua-
ção:
Capítulo 2 Objeto, Organização e Planejamento da Perícia... 43
a) é o contratado e indicado pelo juiz e somente esse 
define os tipos de perícia que pode atuar.
b) é o contratado e indicado pela parte em perícias con-
tábeis, em processos judiciais e extrajudiciais, inclusive 
arbitral.
c) é o contratado e indicado pelo juiz em perícias contá-
beis e processos judiciais.
d) É o indicado pelo juiz em perícias contábeis, em pro-
cessos judiciais e extrajudiciais, inclusive arbitral.e) É o contratado e indicado para assistir as audiências 
que ocorrem em âmbito judiciário para ao final opinar 
sobre a decisão do juiz.
 5) Analise as duas citações a seguir:
I - Na falta de documentação nos autos, o Perito poderá 
encaminhar ao Cartório da Vara carta dirigida ao Juiz 
solicitando que a(s) parte(s) anexe(m) aos autos a do-
cumentação solicitada. Fará correspondência em duas 
vias, sendo a 2ª via recibo de entrega.
II - Em caso de a falta de documentação dever-se ao ex-
pressivo volume desta, adotará os procedimentos 
mencionados nos parágrafos anteriores deste tópico, 
onde se trata das “Diligências”.
Assinale a alternativa que melhor justifica os dois itens:
a) Elas não tem relação entre si.
44 Arbitragem e Perícia Contábil
b) Elas indicam que o planejamento do trabalho da perí-
cia foi mal elaborado e deve ser refeito.
c) Elas referem-se ao procedimento a ser adotado em 
caso de falta de documentos nos Autos.
d) Elas referem-se ao planejamento do trabalho e ausên-
cia de documentos nos Autos.
e) Elas indicam que o Perito planejou mal o trabalho e 
não teve capacidade suficiente de estudar os Autos.
Jucelaine Bitarello1
Capítulo 3
A perícia como um dos 
Meios de Prova1
1 Jucelaine Bitarello é Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade de 
Santa Cruz do Sul (UNISC), RS, especialista em Administração e Estratégia Empre-
sarial pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), Canoas, RS, e graduada em 
Ciências Contábeis pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), RS. Ela é 
professora dos cursos de Ciências Contábeis, Administração e Gestão Pública da 
ULBRA, presencial e EaD. Jucelaine tem experiência profissional em organizações 
privadas e públicas, é autora de diversos artigos científicos, nacionais e internacio-
nais, é autora de livros e capítulos de livros. Ela é, também, consultora ad hoc do 
Ministério da Educação e Cultura (MEC/INEP).
46 Arbitragem e Perícia Contábil
Introdução
Neste capítulo são abordadas questões referentes aos meios 
de provas utilizados no âmbito da perícia. Para tanto, traz-se 
presente em todo o texto a alçada do judiciário como local da 
resolução da lide. Destaca-se que o juiz pode utilizar-se do 
auxílio do perito para realização dos exames do fato ou coisa 
que seja relevante para a elucidação do conflito. Haja vista 
que a perícia é o instrumento que busca desvelar, descobertar, 
a verdade dos fatos.
É fundamental que o/a leitor/a faça a leitura com atenção, 
pois, nos meios de prova apresentados, buscou-se trazer o en-
tendimento de autores sobre os conceitos e dialogando com o 
que preceitua o Código de Processo Civil. Isso requer, ainda, 
que não se pretende neste capítulo tratar dos meios de provas 
específicos da contabilidade, e sim a visão generalista, a qual 
é relevante para os profissionais da contabilidade, pois eles 
podem apresentar-se como auxílio em apuração de valores 
em lides distintas de sua própria área de conhecimento.
3.1 Meios de Prova Previstos no Direito
Para o entendimento dos meios de prova, em se tratando da 
Perícia, é relevante o conceito de Prova Pericial, que é o exa-
me, vistoria ou avaliação necessária para instruir uma decisão, 
é, ainda, a demonstração que se faz da existência, autenticida-
de e veracidade de um fato ou ato, que por fim, juridicamente, 
Capítulo 3 A perícia como um dos Meios de Prova 47
é o meio de convencer o juízo da existência do fato em que se 
baseia o direito do postulante.
Ora, se a Prova Pericial tem por fim reunir elementos sufi-
cientes que sejam o meio de convencer o juízo, então a Fun-
ção da Prova Pericial é a de transformar os fatos relativos 
à Lide em verdade formal e em certeza jurídica. Assim, cita 
Alberto (2012, p. 12), referindo-se a Lide que é “o conflito 
de interesses qualificado pela pretensão de um dos litigantes 
e pela resistência do outro”. Poder-se-ia então, por dedução, 
compreender que a prova desvela o que acoberta a verdade 
sobre determinado fato.
Para a perícia contábil, a prova e os elementos necessá-
rios são os que se encontram nos documentos, registros e de-
monstrações. O Código Civil Brasileiro, conforme Sá (2011, 
p. 232), enfatiza como “prestações de contas, para as socie-
dades simples” (ver Art. 1020) e “às demais” (ver Art. 1.065), 
outras como: “Inventário, o “Balanço Patrimonial” e o que de-
nomina de “Balanço de Resultados Econômicos” ou “Conta de 
Lucros e Perdas”. Para as questões específicas de contabilida-
de será tratado mais adiante em capítulo específico, aqui deve 
o/a leitor/a ater-se em conceituação generalista.
Em relação ao Ônus da Prova, que é o descortinamento 
dos meios, o dever de provar compete a quem alega, a quem 
afirma ou nega determinados fatos da causa. Quem ofere-
cer as provas mais convincentes, fatalmente, obterá sucesso. 
Ressalva: sucesso aqui não significa levar vantagem, e sim 
prosperar na propositura do reparo referente ao fato que está 
em Lide.
48 Arbitragem e Perícia Contábil
Partindo dessa contextualização inicial verifica-se que de 
acordo com o Código de Processo Civil, as Provas Admitidas 
pela Legislação Brasileira atualmente apresentadas na Lide 
são as seguintes:
a) Depoimento Pessoal;
b) Confissão;
c) Exibição (de documento ou coisa);
d) Documento;
e) Testemunho;
f) Inspeção Judicial;
g) Perícia.
Nos parágrafos seguintes discorre-se sobre cada um dos 
tipos de provas admitidas pela legislação. Isso é relevante para 
que o Perito consiga executar o trabalho de Perícia e também 
possa trazer elementos suficientes para a formação de opinião 
que auxilia a decisão do Juízo. Assim segue:
a) Depoimento Pessoal: É classificado como prova se-
miplena, já que não tem o caráter de independência 
e isenção psíquica, que possa dar-lhe caráter de es-
clarecimento definitivo sobre o ato ou fato objeto da 
lide. Normalmente, a produção de outras provas se 
tornará necessária, que, analisadas em conjunto com 
esta, propiciará à autoridade judicial formar sua con-
vicção a respeito do direito que se persegue na lide 
(ALBERTO, 2011, p. 14).
Capítulo 3 A perícia como um dos Meios de Prova 49
No sentido de dar fundamentação sobre o Depoimento 
Pessoal, este está previsto no CPC, seção II do Capítulo VI, 
nos seguintes Arts.:
Art. 342 – O juiz pode, de ofício, em qualquer estado do 
processo, determinar o comparecimento pessoal das partes, a 
fim de interrogá-las sobre os fatos da causa.
Art. 343 – Quando o juiz não o determinar de ofício, 
compete a cada parte requerer o depoimento pessoal da 
outra, a fim de interrogá-la na audiência de instrução e 
julgamento.
[...] Parágrafo 2°. Se a parte intimada não comparecer, 
ou comparecendo, se recusa a depor, o juiz lhe aplicará 
a pena de confissão.
Art. 347 – A parte não é obrigada a depor de fatos:
I – criminosos ou torpes, que lhe forem imputados;
II – a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guar-
dar sigilo.
No entanto, na análise da citação anterior, há que se con-
siderar que o Art. 334 do CPC cita que “Não dependem de 
prova os fatos: I – notórios; II – afirmados por uma parte e con-
fessados pela parte contrária”. Sob esse manto, Alberto (2011, 
p. 13) refere-se à subjetividade do depoimento pessoal, que, 
por vezes, a parte interrogada pelo juiz, apresenta “elemen-
tos, como a sinceridade e a personalidade exteriorizada pelo 
depoente [...] o direito de expressão pessoal, e não através 
daquele que o orienta juridicamente (o advogado) sobre as 
50 Arbitragem e Perícia Contábil
condições sob as quais os fatos se deram”. Portanto, este é o 
fator óbvio da prova exposta e a pericial, que seguindo a vi-
são de Alberto (2011, p. 14) cita que: a primeira “recai sobre 
fatos de qualquer natureza e sem a total isenção de ânimo do 
agente ativo”; já a segunda “recai sobrefatos cuja apreciação 
dependa de conhecimentos técnicos ou científicos [...] isento 
em relação ao resultado da ação”. Por fim, a confissão pode 
não isentar a necessidade da realização da perícia, quanto às 
consequências dessa (confissão).
b) Confissão: A confissão só é admissível como tal sob 
determinadas condições previstas no CPC, veja:
Art. 348 – há confissão, quando a parte admite a verda-
de de um fato, contrário ao seu interesse e favorável ao 
adversário. A confissão é judicial ou extrajudicial.
Art. 351 – Não vale como confissão a admissão, em juí-
zo, de fatos relativos a direitos indisponíveis.
Art. 354 – A confissão é, de regra, indivisível, não po-
dendo a parte, que a quiser invocar como prova, aceitá-
-la no tópico que a beneficiar e rejeitá-la no que lhe for 
desfavorável. Cindir-se-á, todavia, quando o confidente 
aduzir fatos novos, suscetíveis de constituir fundamento 
de defesa de direito material ou de reconvenção.
Verificando os Arts. citados, Alberto (2011) apresenta a 
confissão, espontânea ou provocada, resumidamente nos se-
guintes aspectos:
b.1) Admitir como verdadeiro fato contrário a seu interesse 
e favorável a outra parte;
Capítulo 3 A perícia como um dos Meios de Prova 51
b.2) Não se referir a fatos relativos a direitos indisponíveis;
b.3) O caráter de indivisibilidade desta prova.
Ainda em relação à Confissão, na comparação com a 
prova pericial, pode-se verificar que, quando parte da matéria 
examinada pela perícia (um fato, ligado a um conjunto de fa-
tos) já estiver solucionada pela confissão, esta exclui (elimina) 
a perícia sobre o mesmo fato, ou seja, quando recair sobre o 
mesmo fato serão excluídas. Dessa forma, o Art. 214 do Có-
digo Processo Civil deixa margem para a validade da confis-
são, a qual “é irrevogável, mas pode ser anulada se decorreu 
de erro de fato ou de coação”. Por exemplo: O Reclamante 
requer pagamento de Horas Extraordinárias não contra presta-
das alegando uma determinada jornada de trabalho, e no dia 
da Audiência quando lhe perguntado informa outro horário, 
ou aquele que a Reclamada alega ter efetuado.
c) Exibição de Documento ou Coisa: É importante ob-
servar, principalmente para o profissional da perícia, 
que a exibição será elemento de prova por si ou por 
sua ausência, ou seja, se exibida a coisa ou docu-
mento trará aos autos um elemento probante, ou se 
não exibida, fará com que o juiz admita como verda-
deiros os fatos que, por meio daqueles, a parte preten-
dia provar. É o que dispõe o Art. 359 do CPC:
Art.359 - Ao decidir o pedido, o juiz admitirá como ver-
dadeiros os fatos que, por meio do documento ou da 
coisa, a parte pretendia provar:
52 Arbitragem e Perícia Contábil
I - Se o requerido não efetuar a exibição, nem fizer qual-
quer declaração no prazo do art. 357;
II - Se a recusa fora havida por ilegítima.
Verificando a citação pode o terceiro recusar, ou escusar, a 
exibição de documento ou da coisa, por ordem do juízo ou 
por requerimento das partes. Isso está previsto no Art. 363 do 
CPC que cita:
Art. 363 – A parte e o terceiro se escusam a exibir, em 
juízo, o documento ou a coisa:
I – se concernente a negócios da própria vida da família;
II - se a sua apresentação puder violar dever de honra;
III – se a publicidade do documento redundar em deson-
ra à parte ou terceiro, bem como a seus parentes con-
sanguíneos ou afins até o terceiro grau; ou lhes represen-
tar perigo de ação penal;
IV – se a exibição acarretar divulgação de fatos, a cujo 
respeito, por estado ou profissão, devam guardar segre-
do;
V – se subsistirem outros motivos graves que, segundo 
o prudente arbítrio do juiz, justifiquem a recusa da exi-
bição.
Parágrafo único: se os motivos de que tratam nos inci-
sos I e V disserem respeito só a uma parte do conteúdo 
do documento, da outra se extrairá uma suma para ser 
apresentada em juízo.
Capítulo 3 A perícia como um dos Meios de Prova 53
Com base na citação, Sá (2011) ensina que diante da exi-
bição de documento ou coisa, dois laços ligam esta espécie de 
prova para a perícia: primeiro, se a apreciação do documen-
to ou coisa necessita do conhecimento técnico ou científico, 
torna-se necessário sua exibição; e segundo, se o documento 
ou coisa é indispensável para as faculdades da perícia, e se 
encontrar em poder de repartição pública ou da parte, pode 
ser requisitado seu exame para examinar no intuito de exarar 
o parecer.
d) Documento: A Prova Documental é a mais utilizada, 
pois, revestida das condições que a lei estabelece, tem força 
probante. É uma prova plena, já que as partes quando da fun-
damentação do direito alegado ou direito contestado se vale-
rão da prova que, normalmente, está mais à mão, ou seja, os 
documentos sobre os quais se desenvolverá a causa de pedir 
e as razões de contestar (ALBERTO, 2012, p. 16).
Esses documentos probantes podem ser públicos ou parti-
culares. Os documentos públicos de forma geral são os que 
estão em guarda em repartições públicas e por vezes ainda em 
cartórios. Assim sendo, podem ser requisitadas certidões, as 
quais têm fé pública, que de acordo com o Art. 365 do Código 
Civil estabelece:
Fazem a mesma prova que os originais as certidões tex-
tuais de qualquer peça judicial, do protocolo das audi-
ências, ou de outro qualquer livro a cargo do escrivão 
sendo extraídas por ele, ou sob a sua vigilância, e por 
ele subscritas, assim como os traslados de autos, quando 
por outro escrivão consertados.
54 Arbitragem e Perícia Contábil
Dessa forma, na visão de Sá (2011), a ausência de do-
cumentos originais pode ser suprida pelas certidões, as quais 
suprem a comprovação das originais, em vista de que as re-
partições públicas e cartórios têm a legitimidade de emiti-las, 
de acordo com as formalidades e prescrições da lei.
e) Testemunho: A Prova Testemunhal é sempre admissí-
vel, conforme cita Alberto (2012) referindo-se ao art. 
400 do CPC, exceto quando:
e.1) a lei disponha de modo diverso;
e.2) os fatos já estejam provados por documentos ou con-
fissão da parte;
e.3) os fatos somente possam ser provados por documento 
ou exame pericial.
Veja então o que menciona o Art. 405 do CPC:
Art. 405 – Podem depor como testemunhas todas as pes-
soas, exceto as incapazes, impedidas ou suspeitas:
Parágrafo 1º. São incapazes:
I – o interdito por demência;
II – o que, acometido por enfermidade, ou debilidade 
mental, ao tempo em que ocorreram os fatos, não podia 
discerni-los; ou, em que deve depor, não está habilitado 
a transmitir as percepções;
III – o menor de dezesseis (16) anos;
Capítulo 3 A perícia como um dos Meios de Prova 55
IV – o cego e o surdo, quando a ciência do fato depender 
dos sentidos que lhe faltam;
Parágrafo 2º. São impedidos:
I – o cônjuge, bem como o ascendente e o descendente 
em qualquer grau, ou colateral, até o terceiro grau, de 
alguma das partes, por consanguinidade ou afinidade, 
salvo se o exigir o interesse público, ou, tratando-se de 
causa relativa da pessoa, não se puder obter de outro 
modo a prova, que o juiz repute necessária ao julgamen-
to do mérito;
II – o que é parte da causa;
III – o que intervém em nome de uma parte, como o tu-
tor na causa do menor, o representante legal da pessoa 
jurídica, o juiz, o advogado e outros, que assistam ou 
tenham assistido as partes.
Parágrafo 3º. São suspeitos:
I – o condenado por crime de falso testemunho, havendo 
transitado em julgado a sentença;
II – o que, por seus costumes, não for digno de fé;
III – o inimigo capital da parte, ou seu amigo íntimo;
IV – o que tiver interesse no litígio.
Sob esses aspectos a legislação dispõe de quem pode de-
por como testemunhas, seja, então, quaisquer pessoas, exceto 
as incapazes, as impedidas e as suspeitas, estas devem ser 
caracterizadas. Portanto, otestemunho ocorre para a contri-
56 Arbitragem e Perícia Contábil
buição da produção da prova pericial, o igualmente pode e 
deve ser considerado pela perícia para a realização do laudo. 
Assim, na sequência, tem-se o passo da inspeção judicial.
f) Inspeção Judicial: Conforme Alberto (2012, p. 19-
20), a Inspeção Judicial é um ato do Juiz, pessoal e 
direto, de examinar ou vistoriar pessoas ou coisas, a 
fim de se esclarecer sobre o fato que interesse à deci-
são da lide.
Seguindo ainda a visão de Alberto (2012) em relação a 
essa inspeção direta de pessoas ou coisas por parte do juiz, 
ela dá-se, normalmente, quando este julgue necessário para 
melhor verificação e interpretação, ou quando este determina 
a reconstituição de fatos, ou, ainda, quando o objeto da inspe-
ção não pode ser apresentado em juízo. Veja o que diz o CPC:
Art. 440. O juiz, de ofício ou a requerimento da parte, 
pode, em qualquer fase do processo, inspecionar pes-
soas ou coisas, a fim de se esclarecer sobre fato, que 
interesse à decisão da causa.
Art. 441. Ao realizar a inspeção direta, o juiz poderá ser 
assistido de um ou mais peritos.
Art. 442. O juiz irá ao local, onde se encontre a pessoa 
ou coisa, quando:
I – julgar necessário para a melhor verificação ou inter-
pretação dos fatos que deva observar;
II – a coisa não puder ser apresentada em juízo, sem 
consideráveis despesas ou graves dificuldades;
Capítulo 3 A perícia como um dos Meios de Prova 57
III – determinar a reconstituição dos fatos.
Parágrafo único. As partes têm sempre direito a assistir à 
inspeção, prestando esclarecimentos e fazendo observa-
ções que reputem de interesse para a causa.
Art. 443. Concluída a diligência, o juiz mandará lavrar 
auto circunstanciado, mencionando nele tudo quanto for 
útil ao julgamento da causa.
Parágrafo único. O auto poderá ser instruído com dese-
nho, gráfico ou fotografia.
Nesses casos, se assim julgar necessário, o juiz poderá, 
no ato da inspeção, ser assistido por um ou mais peritos. 
Esse ato, por influir diretamente no convencimento do juiz, é 
prova e como tal deve ser absorvida. Assim, recorrendo, ao 
que menciona o Art. 441, combinado com o Art. 145, am-
bos do CPC, a necessidade de acompanhamento por peritos 
na Inspeção Judicial pode e deve ser procedida dessa forma 
quando a pessoa ou coisa inspecionada ou examinada enseja, 
requeira, conhecimento técnico ou científico.
g) Perícia: A Prova Pericial se inter-relaciona com as de-
mais provas, em menor ou maior grau, pois tem como 
objetivo esclarecer ou complementar as provas já pro-
duzidas ou, simplesmente, contrapô-las (ALBERTO, 
2012).
Verificados os meios de prova, nos parágrafos anteriores, 
recorre-se a Sá (2011) que descreve os dados fornecidos por 
58 Arbitragem e Perícia Contábil
terceiros e que são relevantes meios de prova, podem ser in-
corporados, mas com restrições. Em caso que exija cautela, 
devem até ser desprezados, ou seja, não aceitos pelo perito.
Partindo dessa acepção de que dados fornecidos por ter-
ceiros podem ainda influenciar na opinião do perito sobre a 
lavratura do laudo ao término do trabalho pericial, Sá (2011, 
p. 19) cita:
O perito não deve tomar como sua a opinião que foi 
fruto de informação, dado ou tarefa de terceiros, mas, 
apenas, com restrições procurar em tais elementos um 
subsídio a ser aceito com a relatividade e sobre a qual 
não deve afirmar. Devem merecer recusa como prova 
todo e qualquer elemento derivado de método de amos-
tragem, ainda que fornecido por terceiro que tenha con-
ceito firmado como profissional de qualidade.
Em análise da citação, percebe-se que há aderência com 
o que foi citado nos parágrafos anteriores, especificamente 
quando o documento ou coisa apresentada esteja corrobo-
rado pelo que cita o Art. 359 do CPC, em que a prova seja 
verdadeira e não restem dúvidas, pois o critério pode apresen-
tar restrições, mas o elemento de prova deve ser a certeza. 
Portanto, a perícia tem “características gerais e específi-
cas” em cada caso, de acordo com Alberto (2012, p. 21). 
Assim veja a ilustração a seguir:
Capítulo 3 A perícia como um dos Meios de Prova 59
Perícia: Características gerais
Perícia: Características espe-
cíficas
- surge de um conflito latente e 
manifesto que se quer esclarecer.
- a delimitação da matéria sobre 
que recai – já que são somente 
aquelas matérias, cuja apreciação 
dependa de conhecimento espe-
cial do técnico.
- constata, prova ou demonstra a 
veracidade de alguma situação, 
coisa ou fato.
- a iniciativa técnica, ou seja, a 
absoluta independência técnica 
nos processos, métodos e análises 
que leva a efeito.
- fundamenta-se em requisitos 
técnicos, científicos, legais, psi-
cológicos, sociais e profissionais.
- a limitação de pronunciamen-
to, ou seja, a consonância da 
matéria examinada e da finali-
dade do exame com a forma 
própria e normalizada da espécie 
de laudo que registrará a con-
clusão.
- deve materializar, segundo for-
ma especial, à instância decisória, 
a transmissão da opinião técnica 
ou científica sobre a verdade 
fática, de modo que a verdade 
jurídica corresponda àquela.
- o integral conhecimento técni-
co da matéria, complementado, 
necessariamente, com conhe-
cimentos conexos a sua espe-
cialização e das disposições legais 
e normativas aplicáveis ao caso 
concreto e à própria perícia.
Verificando a ilustração, recorre-se a Alberto (2012) que 
aponta quanto aos aspectos gerais e específicos, forma a ca-
racterística da perícia e sua atuação, fundamentada no orde-
namento lógico das observações, as quais expressam o exer-
cício profissional do perito, na função pericial. Assim, deve ser 
entendido que a perícia é um instrumento técnico e científico 
de prova ou demonstração dos fatos ou coisas.
60 Arbitragem e Perícia Contábil
Recapitulando
Foram abordadas questões referentes aos meios de provas uti-
lizados no âmbito da perícia. Para tanto, destacou-se o judici-
ário que é o local da resolução da lide. Para isso, compreen-
de-se que o juiz serve-se no auxílio do perito para realização 
dos exames, do fato ou coisa, para a elucidação do conflito. 
Notou-se que a perícia é o instrumento, ferramenta, que des-
vela a verdade dos fatos.
Verificou-se que os meios de prova citados e conceitua-
dos trazem o entendimento de autores, os quais dialogaram 
com o que preceitua o Código de Processo Civil. Dessa forma, 
mostrou-se que os conteúdos são generalistas, ou seja, dão a 
visão ampla dos meios de provas, e é relevante o conhecimen-
to para os profissionais da contabilidade, porque eles podem 
ser um auxílio em apuração de valores em lides que requeiram 
apuração e mensuração de valores.
Referências
BRASIL. LEI N° 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 
1996. Dispõe sobre a arbitragem. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de 
julho de 2016.
______. LEI N° 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Dis-
põe sobre o Código de Processo Civil. Disponível em: 
Capítulo 3 A perícia como um dos Meios de Prova 61
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 27 de 
julho de 2016.
______. LEI N° 13.129, DE 26 DE MAIO DE 2015. Altera a 
Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996, e a Lei n° 6.404, 
de 15 de dezembro de 1976, para ampliar o âmbito de 
aplicação da arbitragem e dispor sobre a escolha dos 
árbitros quando as partes recorrem a órgão arbitral, a in-
terrupção da prescrição pela instituição da arbitragem, a 
concessão de tutelas cautelares e de urgência nos casos de 
arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral, e revoga 
dispositivos da Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996. 
Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. 
Acesso em: 19 de julho de 2016.
ALBERTO, Valdeir Luiz Palombo. Perícia Contábil: Normas 
Brasileiras de Perícia ContábilComentadas (NBC T 01 e 
NBC PP 01); Aspectos Legais, Civis e Criminais; Casos Prá-
ticos de Perícia Contábil das Áreas Cível, Federal, Traba-
lhista (Instrução e Liquidação) e Extrajudiciais; Honorários 
Periciais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
COMISSÃO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM – CMA/OAB/
MG. Cartilha de Arbitragem. Ordem dos Advoga-
dos do Brasil – Minas Gerais, 2009. Disponível em: 
<http://www.precisao.eng.br/jornal/Arbitragem.pdf>. 
Acesso em: 19 de julho de 2016.
ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia Contábil. 5. 
ed. São Paulo: Atlas, 2011.
62 Arbitragem e Perícia Contábil
RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCTP01, de 19 de março de 2015. 
Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 – PE-
RÍCIA CONTÁBIL.
RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCPP01, de 19 de março de 2015. 
Norma Brasileira de Contabilidade - NBC PP 01 – PE-
RITO CONTÁBIL.
SÁ, Antônio Lopes. Perícia Contábil. 10. ed. Revisada e Am-
pliada. São Paulo: Atlas, 2011.
Atividades
 1) Assinale a alternativa que, de acordo com o Código de 
Processo Civil, apresenta somente tipos de Provas Admiti-
das pela Legislação Brasileira para a resolução de Lide:
a) Confissão, Documento, Testemunho, Inspeção Veicu-
lar, Perícia.
b) Documento, Testemunho, Inspeção Judicial, Confissão 
do Padre, Perícia.
c) Testemunho, Inspeção Judicial, Confissão, Exibição do 
Registro Geral.
d) Inspeção Judicial, Confissão, Documento do Pai, De-
poimento Pessoal.
e) Depoimento Pessoal, Testemunho, Inspeção Judicial, 
Confissão.
Capítulo 3 A perícia como um dos Meios de Prova 63
 2) Assinale a alternativa que melhor apresenta a função da 
Prova Pericial:
a) tem por fim reunir elementos suficientes que sejam o 
meio de convencer o juízo, então a Função da Prova 
Pericial é a de transformar os fatos relativos à Lide em 
verdade formal e em certeza jurídica.
b) tem por meio reunir elementos suficientes que sejam o 
meio de convencer o juízo, então a Função da Prova 
Pericial é a de transformar os fatos relativos à Lide em 
verdade formal e em certeza jurídica.
c) tem por início reunir elementos suficientes que sejam o 
meio de convencer o juízo, então a Função da Prova 
Pericial é a de transformar os fatos relativos à Lide em 
verdade formal e em certeza jurídica.
d) tem por fim reunir elementos suficientes que sejam o 
meio de convencer o juízo, então a Função da Prova 
Pericial é a de apresentar os fatos relativos à Lide em 
verdade formal e em certeza jurídica.
e) tem por fim reunir elementos suficientes que sejam o 
meio de convencer o juízo, então a Função da Prova 
Pericial é a de manipular os fatos relativos à Lide em 
verdade formal e em certeza jurídica.
 3) Analise os Incisos do Art. 347 do CPC, e assinale a alter-
nativa que melhor justifica o Art.:
I – criminosos ou torpes, que lhe forem imputados;
64 Arbitragem e Perícia Contábil
II – a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar 
sigilo.
a) A parte é obrigada a depor de fatos.
b) A parte não é obrigada a depor de fatos.
c) A parte não é obrigada a comparecer em juízo para 
falar dos fatos.
d) A parte ignora a intimação do juiz e os fatos.
e) A parte faz-se representar por outra pessoa em juízo e 
falar dos fatos.
 4) Considere os meios de prova e marque os Incisos do Art. 
442, com V os verdadeiros e F os falsos, em que o juiz irá 
ao local onde se encontre a pessoa ou coisa, quando:
I – julgar desnecessário para a melhor verificação ou inter-
pretação dos fatos que deva observar;
II – a coisa não puder ser apresentada em juízo, sem con-
sideráveis despesas ou graves dificuldades;
III – determinar a constituição dos fatos.
A ordem correta é:
a) F, F, F
b) F, F, V
c) F, V, F
d) V, F, V
Capítulo 3 A perícia como um dos Meios de Prova 65
e) V, V, V
 5) Observe o que menciona o Art. 405 do CPC sobre pes-
soas que podem depor como testemunhas como meios de 
prova e relacione as colunas:
A) São Incapazes.
B) São Impedidos.
C) São Suspeitos.
( ) o que tiver interesse no litígio.
( ) o que é parte da causa.
( ) o interdito por demência.
( ) o cego e o surdo, quando a ciência do fato depender 
dos sentidos faltantes.
( ) o cônjuge, bem como o ascendente e o descendente 
em qualquer grau.
( ) o que, por seus costumes, não for digno de fé.
A ordem correta é:
a) B, A, C, C, A, B
b) A, C, B, B, C, A
c) C, A, B, B, A, C
d) C, B, A, A, B, C
e) A, B, C, C, B, A
Jucelaine Bitarello1
Capítulo 4
Áreas de Abrangência 
da Perícia Contábil1
1 Jucelaine Bitarello é Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade de 
Santa Cruz do Sul (UNISC), RS, especialista em Administração e Estratégia Empre-
sarial pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), Canoas, RS, e graduada em 
Ciências Contábeis pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), RS. Ela é 
professora dos cursos de Ciências Contábeis, Administração e Gestão Pública da 
ULBRA, presencial e EaD. Jucelaine tem experiência profissional em organizações 
privadas e públicas, é autora de diversos artigos científicos, nacionais e internacio-
nais, é autora de livros e capítulos de livros. Ela é, também, consultora ad hoc do 
Ministério da Educação e Cultura (MEC/INEP).
Capítulo 4 Áreas de Abrangência da Perícia Contábil 67
Introdução
Neste capítulo são abordados os conteúdos referentes às diver-
sas áreas em que a Perícia Contábil pode estar presente. Para 
isso, são trazidos ao texto aspectos da área da justiça criminal, 
em que é diferençado entendimento de questões das varas: 
cível, criminal e trabalhista. Diferencia-se também a visão da 
justiça em âmbito estadual, de primeiro grau, igualmente nas 
varas: cível, criminal, falência e concordata e trabalhista.
Em todos os tipos distintos de áreas de aplicação da Perí-
cia, entende-se que os conhecimentos contábeis dão a susten-
tação técnica e científica para a Perícia, a qual é instrumento 
de auxílio para a tomada de decisão do Juiz no sentenciamen-
to e elucidação da Lide. Para isso, distingue ainda no texto a 
Perícia Contábil Judicial e Extrajudicial.
4.1 Justiça Criminal: Cível – Criminal – 
Trabalhista
Como ponto de partida para o entendimento dos conteúdos 
deste capítulo, é relevante que o/a leitor/a tenha clareza das 
duas espécies de Perícias: a Judicial e a Extrajudicial. Partindo 
desse pressuposto, salienta-se que para o estudo trata-se em 
maior profundidade no primeiro momento a Perícia Contábil 
Judicial e no segundo momento a Perícia Contábil Extraju-
dicial, sem, no entanto, deixar de citar que há Perícia Semi-
judicial e a Perícia Arbitral, as quais não são o foco desse 
estudo.
68 Arbitragem e Perícia Contábil
Em relação à Perícia Contábil Judicial, Sá (2011, p. 63) 
cita que “é a que visa servir de prova, esclarecendo o Juiz 
sobre assuntos em litígio que merecem seu julgamento, obje-
tivando fatos relativos ao patrimônio da empresa (aziendal) ou 
de pessoas”. Assim, “A prova pericial consiste em exame, visto-
ria e avaliação”, conforme estabelecido no Art. 420 do CPC.
Seguindo a visão de Sá (2011), a Perícia geralmente é 
aceita quando as provas dos autos são insuficientes para o 
esclarecimento. Ela se torna imprescindível quando o que se 
discute depende de opinião especializada. Portanto, a perícia 
tem força de prova, mas também pode ser considerada nula, 
se for insuficiente de prova.
Em outra definição conceitual preliminar, ainda, Alberto 
(2012, p. 40) cita que a Perícia Judicial “é aquela realizada 
dentro dos procedimentos processuais do Poder Judiciário, por 
determinação, requerimento ou necessidade de seus agentes 
ativos, e se processa segundo regras legais específicas”. Sob 
essa visão o autor, na mesma página, cita que essa espécie de 
perícia subdivide-se:
Segundo suas finalidades precípuas no processo judicial, 
em meio de prova ou arbitramento.Ou seja, a perícia ju-
dicial será prova quando – no processo de conhecimento 
ou de liquidação por artigos – tiver por escopo trazer 
a verdade real, demonstrável científica ou tecnicamente, 
para subsidiar a formação da convicção do julgador, e 
será arbitrariamente, quando, determinada no processo 
de liquidação de sentença, tiver por objeto quantificar 
Capítulo 4 Áreas de Abrangência da Perícia Contábil 69
mediante critério técnico a obrigação de dar em que 
aquela se constituir.
Então, na verificação da visão de Sá (2011) e Alberto 
(2012), nota-se que o Juiz busca conhecer o assunto pelo es-
clarecimento técnico do perito. O pedido de perícia precisa 
ser justificado pela parte que a requer, e o Juiz pode limitar-se 
a só ouvir o Perito ou acolher parecer técnico de valor. Sendo 
que essa cautela do julgador está em aderência com o que 
preceitua a Lei n° 8.455/1992.
A cautela utilizada na prova da causa em julgamento é 
prudente, pois, para Sá (2011), ao deferi-la, o Juiz indica seu 
perito e as partes do processo (autores e réus), dentro de cin-
co dias da intimação do despacho de nomeação do perito, 
devem indicar os assistentes (cada parte indica seu assistente). 
Assim sendo, o normal é que haja três profissionais trabalhan-
do na causa, o perito e dois assistentes, evidentemente conta-
dores. Conforme o autor cita, ilustra-se na sequência o Ciclo 
da Perícia Judicial, a qual envolve em seu curso três fases:
Fases Ações Desenvolvidas
Preliminar
- a perícia é requerida ao juiz, pela parte interessa-
da na mesma;
- o juiz defere e escolhe seu perito;
- as partes formulam quesitos e indicam seus assis-
tentes;
- os peritos são cientificados da indicação;
- os peritos propõem honorários e requerem depósi-
to;
- o juiz estabelece prazo, local e hora para início.
70 Arbitragem e Perícia Contábil
Operacional
- início da perícia e diligência;
- curso do trabalho;
- elaboração do laudo.
Final
- assinatura do laudo;
- entrega do laudo ou laudos;
- levantamento do honorários;
- esclarecimentos (se requeridos).
Nota-se que há variados tipos de ações judiciais que mo-
tivam as perícias ensejam variadíssimos quesitos, que na con-
cepção de Sá (2011) requerem dos peritos muitos objetos de 
exame. Em alguns desses casos, tem-se os exames periciais 
contábeis parciais, em que as verificações, segundo o mes-
mo autor (p. 65), quase sempre abrangem os seguintes itens:
- existência de bens e valores;
- saldos de contas e registros de contas;
- lançamentos (feitos ou não) em Diário;
[...]
- verificação de documentos e registros;
- verificação de legitimidade e adequação de docu-
mentos;
- análises econômico-financeiras e apuração de re-
sultado;
- outros tipos de análise;
[...].
Capítulo 4 Áreas de Abrangência da Perícia Contábil 71
Para os exames periciais contábeis totais ou integrais 
podem ser objeto de exame os mesmos documentos que fo-
ram objeto de exames parciais. No entanto, seguindo o enten-
dimento de Sá (2011, p. 66), sem exclusão de nada, visando, 
geralmente, à apuração de:
- gestões ruinosas e fraudulentas;
- irregularidade em prestação de contas;
- estado patrimonial para concordatas e falências;
- exame patrimonial para fusões, cisões e liquidações;
- valor patrimonial de ações e quotas, entre outros.
Após esses conteúdos preliminares, na sequência verifi-
cam-se as Espécies de Perícias Judiciais, de diversas mo-
dalidades, de acordo com as necessidades processuais. Na 
ilustração identifica-se as que ocorrem com maior frequência:
Tipo das Varas Características
Cíveis
Prestação de contas, avaliações patrimo-
niais, litígios entre sócios, indenizações, 
avaliações de fundo de comércio e outras.
Criminais
Fraudes e vícios contábeis, adulterações 
de lançamentos e registros, desfalques, 
apropriações indébitas e outras.
De Família
Avaliações de pensões alimentícias, 
avaliações patrimoniais e outras.
Do Trabalho
Indenizações de diversas modalidades, 
litígios entre empregadores e empregados 
de diversas espécies.
72 Arbitragem e Perícia Contábil
Da Fazenda Pública
Litígios onde uma das partes é a Fazenda 
Pública.
De Recuperação Judicial 
e Falências
Perícias Falimentares em geral.
Federais
Litígios onde uma das partes é a União 
(processos referentes a tributos federais: 
PIS, COFINS, CSLL, IRPJ, IRPF, INSS 
etc.) ou uma das partes são instituições 
federais como CEF (Prcessos do SFH).
Em análise dos conteúdos até aqui apresentados, pode-se 
ter uma visão genérica da Perícia Judicial. No entanto, Alberto 
(2012) cita ainda que há a existência da Perícia Semijudi-
cial, a qual não é o foco deste estudo, mas para fins de co-
nhecimento: é aquela que é realizada em âmbito de aparatos 
institucionais do Estado. Assim, são realizadas, fora do Poder 
Judiciário, e têm a finalidade de prova de ordenamentos insti-
tucionais, ou seja, partem de comissões especiais, instaurados 
em esfera estatal para exames específicos de competência es-
tatual, parlamentar ou de governo.
Os próximos parágrafos estão reservados à Perícia Extra-
judicial, perícias as quais independem de tramitação judicial. 
São livremente contratadas entre as partes envolvidas e os pe-
ritos. Os tipos mais importantes e requisitados dessas perícias 
são:
 Â Perícia para Equivalência Patrimonial entre Empresas;
 Â Perícia para Avaliação Patrimonial de Bens e Direitos;
 Â Perícia para Avaliação de Fundo de Comércio;
Capítulo 4 Áreas de Abrangência da Perícia Contábil 73
 Â Perícia para Avaliação de Bens e Direitos para Integrali-
zação do Capital Social das Sociedades Anônimas;
 Â Perícia para Cisão, Fusão, Incorporação ou Transforma-
ção de Empresas;
 Â Perícia para Arbitramento de Valores Indenizatórios;
 Â Perícia para Litígio entre Sócios de Empresas;
 Â Perícias para Avaliação de Resultados Econômicos das 
Empresas;
 Â Outras Perícias que surgem eventualmente para resolver 
litígios.
Partindo desses tipos de Perícias Extrajudiciais, citados an-
teriormente, Alberto (2012, p. 41), conceitua-a da seguinte 
forma:
A perícia extrajudicial é aquela realizada fora do Estado, 
por necessidade e escolha de entes físicos e jurídicos particu-
lares – privados, vale dizer – no sentido estrito, ou seja, não 
submetíveis a outra pessoa encarregada de arbitrar a matéria 
conflituosa (fora do juízo arbitral, também). Essa espécie de 
perícia subdivide-se, segundo as finalidades intrínsecas para 
as quais foram designadas, em demonstrativas, discriminativas 
e comprobatórias.
Seguindo o raciocínio de Alberto (2012), essa subdivisão 
pode ser ilustrada da seguinte forma:
74 Arbitragem e Perícia Contábil
Subtipo de Perícia 
Extrajudicial
Finalidade
Demonstrativa
A busca pretendida por via pericial é 
demonstrar a veracidade ou não do fato ou 
coisa previamente especificados na consulta.
Discriminativa
É a via instada a colocar nos justos termos 
os interesses de cada um dos envolvidos na 
matéria potencialmente duvidosa ou confli-
tuosa.
Comprobatória
Visa à comprovação das manifestações 
patológicas da matéria periciada (fraudes, 
desvios, simulações, entre outras).
Por fim, há ainda a Perícia Arbitral, a qual, conforme Al-
berto (2012), é aquela realizada no âmbito do juízo arbitral, 
uma instância criada por vontade das partes. O autor ensina: 
ela não é enquadrável em nenhuma das espécies de perícias 
estudadas anteriormente, a Judicial e Extrajudicial, pois suas 
características são peculiaríssimas, mas com fim de atuação 
como se judicial ou extrajudicial fosse. Em suma, o autor cita 
(p. 41): “o meio de prova do juízo arbitral é subsidiadora da 
convicção do árbitro, ou seja é ela própria a arbitragem, ou 
seja, funciona seu agente ativo como o próprio árbitro da 
controvérsia”. Assim, verificou-seas espécies de perícias e na 
sequência verifica-se algumas especificidades da Perícia em 
âmbito da Justiça Estadual, em primeiro plano de solicitação 
na ação judicial.
Capítulo 4 Áreas de Abrangência da Perícia Contábil 75
4.2 Tipos de Perícias Contábeis na Justiça 
Federal, Estadual e do Trabalho
Para este tópico são apresentados alguns dos principais Ti-
pos de Perícias Contábeis, nas diferentes esferas da Justiça, 
ou seja, na esfera Federal, na esfera Estadual e na Trabalhista. 
Assim,na Esfera Federal, as pricipais Perícias Contábeis reque-
ridas são em relação aos tributos federais como: PIS, COFINS, 
CSLL, IRPJ, IRPF, INSS, SFH etc., em que figuara como uma das 
partes a União ou Autarquias Federais. Já, na Esfera Estadual, 
as principais Perícias Contábeis requeridas abrangem as se-
guintes matérias:
Ações de Alimentos é o tipo mais conhecido atualmen-
te, a qual é realizada para que o juiz possa fixar os valores 
dos alimentos, devidos pelo cônjuge ou responsável, de forma 
justa, ou seja, atendendo as necessidade dos dependentes. 
O ponto de partida é a avaliação da capacidade econômica 
daquele que responderá pela prestação pecuniária, tornando-
-se, às vezes ou muitas vezes necessária a realização de perícia 
contábil para a verificação dos haveres do réu.
Há o tipo de Perícia que envolve as Ações de Inventário, 
no contexto do direito aos bens, em vida ou após morte, em 
que é necessária a averiguação de que haja patrimônio a ser 
inventariado, para que, dessa forma, a cada herdeiro possa 
ser atribuída à parte que lhe couber, perfeitamente identificada 
e mensurada.
No caso de Desapropriações, em que se tratando de enti-
dade que explore atividade econômica, os haveres totais atin-
76 Arbitragem e Perícia Contábil
gidos pelo ato do poder público certamente incluem o “fundo 
de comércio” (ver parágrafo seguinte) e este terá que ser apu-
rado para fins de mensuração dos haveres convocados com-
pulsoriamente em pecúnia.
Já o Fundo de Comércio, caracterizado como Ativo In-
tangível, no caso de venda da empresa, cisão, fusão etc., a 
sua apuração do chamado “fundo de comércio” da entidade 
econômica é tarefa atribuída principalmente aos peritos con-
tábeis, que podem ou não vir a utilizar outros especialistas em 
seu trabalho.
Outro tipo de Perícia, na atualidade, é a Recuperação Ju-
dicial e Falências, que parte de exames periciais exaustivos, 
os quais são feitos para aprovar um requerimento de concor-
data. Uma criteriosa e severa verificação das situações finan-
ceiras, de resultados, de riscos, produtividade, de equilíbrio 
patrimonial precisa ser realizada.
Seguindo, ainda, o tipo da Perícia de Recuperação Judicial 
e Falências, há que ter vigilância sobre a verificação de possi-
bilidade de fraudes. Essas requerem do Perito um profundo co-
nhecimento sobre as “fraudes contábeis”. Há, ainda, casos de 
notória incompetência administrativa, outros de ausência de 
assessoramento competente, outros decorrentes de Medidas 
Governamentais, mas alguns de inequívoca má-fé ou desejo 
de prejudicar terceiros.
Destaca-se que os exames devem levar à convicção sobre 
a veracidade das peças contábeis, dos documentos e da dinâ-
mica dos acontecimentos que conduziram ao estado de coisas 
que gerou o Pedido de Recuperação Judicial. O Perito pre-
Capítulo 4 Áreas de Abrangência da Perícia Contábil 77
cisa informar ao Juiz se a empresa tem capacidade de recupe-
ração, de cumprir suas obrigações mediante a dilatação dos 
prazos de pagamentos.
Por fim, cabe exemplificadamente, ao Perito, exami-
nar: o fluxo de caixa, a capacidade de realização do Ativo 
Circulante, o volume de vendas, a margem de lucros, o volu-
me de custos e despesas operacionais, se o lucro gerado tem 
capacidade de produzir realizações competentes para pagar 
o custo da concordata, a capacidade produtiva do imobiliza-
do, a situação fiscal da empresa, o estado da escrita contábil 
e outros. Cabe observar que cada item requer uma série de 
exames. A Perícia poderá abordar as causas do desequilíbrio 
empresarial, bem como as perspectivas de solução.
Quanto à Reavaliação de Bens, esse tipo de Perícia 
reavaliativa é espontânea, voluntária e a critério da empresa, 
justamente para melhor atualizar seus ativos. Conforme de-
termina o Art. 8°, combinado com o parágrafo 3° do Art. 182 
da Lei n° 6.404/1976 (Lei das S.A.), a reavaliação de bens do 
ativo será feita por três peritos ou por empresa especializada.
Nos casos de Cisão de Sociedades, é a operação pela 
qual uma sociedade transfere parcelas do seu patrimônio para 
uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já exis-
tentes, extinguindo-se a sociedade cindida, se houver versão 
de todo seu patrimônio (cisão total), ou dividindo-se o seu 
capital, se a versão for parcial.
Já em casos de Fusão de Sociedades, a Perícia se 
apresenta para a verificação dos valores das empresas que se 
fundem, em que a operação pela qual se unem duas ou mais 
78 Arbitragem e Perícia Contábil
sociedades para formar sociedade nova, que lhes sucede em 
todos os direitos e obrigações.
Por último, tem-se a Incorporação de Sociedades, que é 
a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas 
por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. 
Nesse caso a Perícia exerce função relevante para a apuração 
dos valores, pois a sucessão se dá nos direitos e obrigações e 
é importante que não haja surgimento de elementos novos a 
posteriori da incorporação.
Lembrete: a diferença entre fusão e incorporação é que 
na incorporação desaparecem as sociedades incorporadas, 
mas a incorporadora, uma sociedade preexistente, permane-
ce com a sua vida normal, enquanto na fusão desaparecem 
todas as sociedades fusionadas e surge uma sociedade nova.
Na Esfera Trabaslhista, tem-se a Perícia Contábil na fase 
de conhecimento do Processo Trabalhista, que serve para tra-
zer a verdade dos fatos ao Processo e formar o convencimento 
do Juízo para que ele possa proferir a Sentença. E, a Perícia 
na fase de Liquidação de Sentença, que serve para a apuração 
dos haveres do reclamante, inclusive nela se apura a atuali-
zação monetária, os juros de mora e efetua-se os descontos 
previdenciários (INSS parte empregado e parte empregador) e 
os descontos fiscais (IRRF).
Capítulo 4 Áreas de Abrangência da Perícia Contábil 79
Recapitulando
Foram apresentados neste capítulo os conteúdos referentes às 
diversas áreas em que a Perícia Contábil se apresenta, mais 
especificamente nas áreas da justiça criminal, em que foi dife-
rençado entendimento de questões de outra varas, tais como: 
cível, criminal e trabalhista. Demonstrou-se que a justiça em 
âmbito estadual, de primeiro grau, igualmente tem as varas: 
cível, criminal, falência e concordata e trabalhista.
Em todos os tipos distintos de áreas de aplicação da Perí-
cia, buscou-se dar ênfase aos conhecimentos contábeis, técni-
cos e científicos, como instrumentos relevantes para a Perícia. 
Sendo que a Perícia, por sua vez, é instrumento de auxílio para 
a tomada de decisão do Juiz na elucidação da Lide. Dessa 
forma, apresentou-se as espécies de Perícia Contábil: Judi-
cial e Extrajudicial, foco do texto, e outras duas com menos 
expressão, a Semijudicial e Arbitral, mais especificamente no 
primeiro tópico do capítulo. Também, foram apresentados os 
tipos de Perícia nos diversos tipos de eventos que ocorrem, tan-
to para Pessoas Físicas, como Jurídicas, e isso foi apresentado 
no último tópico do capítulo.
Referências
BRASIL. LEI N° 6.404, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1976. 
Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de 
agosto de 2016.
80 Arbitragem e Perícia Contábil
______. LEI N° 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 
1996. Dispõe sobre a arbitragem. Disponível em:<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de 
julho de 2016.
______. LEI N° 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Dis-
põe sobre o Código de Processo Civil. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 27 de 
julho de 2016.
______. LEI N° 13.129, DE 26 DE MAIO DE 2015. Altera a 
Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996, e a Lei n° 6.404, 
de 15 de dezembro de 1976, para ampliar o âmbito de 
aplicação da arbitragem e dispor sobre a escolha dos 
árbitros quando as partes recorrem a órgão arbitral, a in-
terrupção da prescrição pela instituição da arbitragem, a 
concessão de tutelas cautelares e de urgência nos casos de 
arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral, e revoga 
dispositivos da Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996. 
Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. 
Acesso em: 19 de julho de 2016.
ALBERTO, Valdeir Luiz Palombo. Perícia Contábil: Normas 
Brasileiras de Perícia Contábil Comentadas (NBC T 01 e 
NBC PP 01); Aspectos Legais, Civis e Criminais; Casos Prá-
ticos de Perícia Contábil das Áreas Cível, Federal, Traba-
lhista (Instrução e Liquidação) e Extrajudiciais; Honorários 
Periciais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
COMISSÃO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM – CMA/OAB/
MG. Cartilha de Arbitragem. Ordem dos Advoga-
dos do Brasil – Minas Gerais, 2009. Disponível em: 
Capítulo 4 Áreas de Abrangência da Perícia Contábil 81
<http://www.precisao.eng.br/jornal/Arbitragem.pdf>. 
Acesso em: 19 de julho de 2016.
ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia Contábil. 5. 
ed. São Paulo: Atlas, 2011.
RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCTP01, de 19 de março de 2015. 
Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 – PE-
RÍCIA CONTÁBIL.
RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCPP01, de 19 de março de 2015. 
Norma Brasileira de Contabilidade - NBC PP 01 – PE-
RITO CONTÁBIL.
SÁ, Antônio Lopes. Perícia Contábil. 10. ed. Revisada e Am-
pliada. São Paulo: Atlas, 2011.
Atividades
 1) Qual a alternativa que indica as duas espécies mais co-
muns de Perícia?
a) Judicial e Semijudicial
b) Semijudicial e Arbitral
c) Arbitral e Extrajudicial
d) Extrajudicial e Semijudicial
e) Judicial e Extrajudicial
82 Arbitragem e Perícia Contábil
 2) Assinale a alternativa que indica espécies de Perícias que 
ocorrem fora do âmbito do Judiciário:
a) Judicial e Semijudicial.
b) Semijudicial e Arbitral.
c) Arbitral e Extrajudicial.
d) Extrajudicial e Semijudicial.
e) Judicial e Extrajudicial.
 3) Marque a alternativa que melhor conceitua Perícia Judi-
cial:
a) é aquela realizada fora dos procedimentos processuais 
do Poder Judiciário, por determinação, requerimento 
ou necessidade de seus agentes ativos, e se processa 
segundo regras legais específicas.
b) é aquela realizada dentro dos procedimentos proces-
suais do Poder Legislativo, por determinação, reque-
rimento ou necessidade de seus agentes ativos, e se 
processa segundo regras legais específicas.
c) é aquela realizada dentro dos procedimentos proces-
suais do Poder Executivo, por determinação, reque-
rimento ou necessidade de seus agentes ativos, e se 
processa segundo regras legais específicas.
d) é aquela realizada dentro dos procedimentos proces-
suais do Poder Judiciário, por determinação, reque-
rimento ou necessidade de seus agentes ativos, e se 
processa segundo regras legais específicas.
Capítulo 4 Áreas de Abrangência da Perícia Contábil 83
e) é aquela realizada dentro dos procedimentos proces-
suais do Poder Judiciário, por determinação, reque-
rimento ou necessidade de seus agentes ativos, e se 
processa segundo regras legais do Poder Legislativo e 
Executivo.
 4) Indique a alternativa que melhor conceitua Pericial Contá-
bil Judicial:
a) é a que visa servir de prova, esclarecendo as partes 
conflitantes da lide sobre assuntos em litígio que me-
recem seu julgamento, objetivando fatos relativos ao 
patrimônio da empresa (aziendal) ou de pessoas.
b) é a que visa servir de prova, esclarecendo as teste-
munhas sobre assuntos em litígio que merecem seu 
julgamento, objetivando fatos relativos ao patrimônio 
da empresa (aziendal) ou de pessoas.
c) é a que visa servir de prova, esclarecendo o Juiz so-
bre assuntos em litígio que merecem seu julgamento, 
objetivando fatos relativos ao patrimônio da empresa 
(aziendal) ou de pessoas.
d) é a que visa servir de prova, esclarecendo o Perito so-
bre assuntos em litígio que merecem seu julgamento, 
objetivando fatos relativos ao patrimônio da empresa 
(aziendal) ou de pessoas.
e) é a que visa servir de prova, esclarecendo o Juiz sobre 
assuntos sem litígio, que não merecem seu julgamen-
to, objetivando fatos relativos ao patrimônio da em-
presa (aziendal) ou de pessoas.
84 Arbitragem e Perícia Contábil
 5) Relacione a primeira coluna (tipos de Perícia Contábeis) 
com a segunda coluna (finalidade ou características):
a) Ação de Alimentos.
b) Inventários.
c) Fusão.
d) Incorporação.
( ) uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, 
que lhes sucede em todos os direitos e obrigações.
( ) a avaliação da capacidade econômica daquele que 
responderá pela prestação pecuniária à pessoa de-
pendente.
( ) uma forma para que possa ser atribuído a cada parte 
o que lhe couber, perfeitamente identificada e mensu-
rada.
( ) operação pela qual se unem duas ou mais sociedades 
para formar sociedade nova, que lhes sucede em to-
dos os direitos e obrigações.
A ordem correta é:
a) D, A, B, C
b) A, B, C, D
c) B, C, D, A
d) C, D, A, B
e) D, A, C, B
Jucelaine Bitarello1
Capítulo 5
Perito Contábil e 
Normas Profissionais1
1 Jucelaine Bitarello é Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade de 
Santa Cruz do Sul (UNISC), RS, especialista em Administração e Estratégia Empre-
sarial pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), Canoas, RS, e graduada em 
Ciências Contábeis pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), RS. Ela é 
professora dos cursos de Ciências Contábeis, Administração e Gestão Pública da 
ULBRA, presencial e EaD. Jucelaine tem experiência profissional em organizações 
privadas e públicas, é autora de diversos artigos científicos, nacionais e internacio-
nais, é autora de livros e capítulos de livros. Ela é, também, consultora ad hoc do 
Ministério da Educação e Cultura (MEC/INEP).
86 Arbitragem e Perícia Contábil
Introdução
Neste capítulo são apresentados conteúdos conceituais que 
tratam sobre o Perito Contábil, em que se apresentam as ca-
racterísticas profissionais e suas competências: técnicas e cien-
tíficas. Para tanto, abordam-se os deveres e os direitos que o 
Perito tem, assim sendo: os primeiros, os deveres, deve manter 
sigilo e ética no trabalho, e os segundos, os direitos, pode e 
deve solicitar os objetos necessários para cumprir sua função, 
bem como receber honorários pela prestação do serviço.
Também são apresentados conteúdos referentes à Perícia 
Contábil, a qual, em suma é o objeto da existência do profis-
sional, Perito, que concernente a isso requer que hajam Nor-
mas Profissionais. Dessa forma, o trabalho realizado, pela Perí-
cia Contábil, necessita seguir padrões profissionais e, nesse 
sentido, as resoluções da classe contábil são os norteadores 
do trabalho.
5.1 PERITO CONTÁBIL – Qualificação 
Profissional. Competência Técnico-
Profissional. Deveres e Direitos do 
Perito. Habilitação Profissional
Convém relembrar ao/a leitor/a que em capítulos anteriores 
foi trazido conteúdo que discorreu sobre o Perito-Contador 
Assistente. No entanto, nos parágrafos iniciais, relembre-se 
de alguns aspectos para que tenha encadeamento teórico dos 
Capítulo 5 Perito Contábil e Normas Profissionais 87
capítulos, pois a Indicação de assistente incumbe às partes, 
dentro de cinco dias, contados da intimação do despacho de 
nomeação do perito técnico. Retoma-se aqui o Art.146, do 
CPC, que trata dos deveres legais e profissionais do Perito: “O 
perito tem o dever de cumprir o ofício, no prazo que lhe assina 
a lei, empregando toda a sua diligência; pode, todavia, escu-
sar-se do encargo alegando motivo legítimo”. Assim, nota-se 
que de um lado o dever e do outro, da mesma proximidade, o 
direito de aceitar ou não designação.
Em casos que a natureza do fato permitir, a perícia poderá 
consistir apenas na inquirição pelo Juiz do Perito-Contador e 
dos Peritos-Contadores Assistentes por ocasião da audiência 
de instrução e julgamento a respeito das coisas que houverem 
informalmente examinado ou avaliado.
Partindo dessa contextualização inicial, o Relacionamento 
do Perito-Contador com os Peritos-Contadores Assisten-
tes é um dos aspectos relevantes, pois a Perícia Judicial é feita 
com a participação de 3 profissionais. Dessa forma, necessá-
rio se faz o exercício de comportamento ético pautado pela 
cordialidade e respeito. Como cita Alberto (2012), o elemento 
ético é uma das virtudes mínimas, que o Perito necessita ter, 
referindo-se inclusive a Aristóteles que ‘um homem deve ser 
reto e não tido como reto’, em suas funções, ainda mais se 
tratando da perícia.
Refutada deve ser a existência da mentalidade de que pe-
ritos de partes são “litigantes” ou mesmo “inimigos”, e que o 
perito do Juiz é um superior aos demais que são seus subalter-
nos auxiliares. Todos têm influência no trabalho e o princípio 
88 Arbitragem e Perícia Contábil
deve ser o de igualdade, sem prejuízo. Novamente recorre-se 
a Alberto (2012) que discorre sobre a filosofia-doutrinária, de 
que o perito não deve deixar-se levar pelo animus nocendi, 
ou seja, a intenção de prejudicar, o que é em síntese a ação 
moral, princípio básico da conduta.
Então, entende-se que a expressão “auxiliar”, usada pela 
lei, não é das mais felizes, pois são três os peritos, cada um 
preservando o interesse de quem o nomeou ou indicou, em-
bora a maior responsabilidade pese sobre o perito do Juiz. 
Portanto, novamente invoca-se Alberto (2012) que aduz ao 
entendimento de que o perito do Juiz tenha maior responsabi-
lidade, sem, no entanto, a ele dar o ostento do poder.
Agora pode-se compreender a Finalidade do Perito-
-Contador Assistente, pois assim como o Juiz se socorre de 
um “expert” versado nos fatos em discussão, as partes, por 
seu turno, embora possam ter conhecimentos sobre o assunto, 
necessitam de profissional com larga experiência e profundos 
conhecimentos sobre a matéria da lide.
Então, a lógica está que: se de um lado o Juiz se serve do 
Perito Contador, igualmente as partes da lide servem-se de Pe-
ritos-Contadores Assistentes que os orientem e, por outro lado, 
fiscalizem o trabalho do perito oficial. Estes técnicos apontados 
pelos litigantes não têm papel secundário, eis que o Juiz deve-
rá fazer o confronto do laudo oficial com o do Perito-Contador 
Assistente ou Peritos-Contadores Assistentes. Sua finalidade é, 
pois, em conjunto com o Perito do Juiz, auxiliar o Magistrado 
na solução da lide.
Capítulo 5 Perito Contábil e Normas Profissionais 89
Diante desse introito, apresenta-se o Perito, a Perícia e a 
Lei, em que a qualidade maior deve ser o Domínio da Ma-
téria a Ser Periciada, pelo profissional destacado. Portanto, 
perito deve possuir o completo domínio da matéria sob seu 
exame para poder apreciar, analisar, averiguar e concluir so-
bre ela, sem vacilações ou qualquer espécie de dúvidas, sem 
o que lhe faltará competência para o exercício da função. De 
forma que: se o Perito-Contador não possuir essa qualificação 
deve recusar os serviços, em ato de reconhecimento de não 
estar adequadamente capacitado a desenvolvê-los.
Apresenta-se também a qualidade, denominada de Cau-
tela, a qual pauta-se em alguns aspectos que podem ser defi-
nidos da seguinte forma:
a) O zelo: cuidado e responsabilidade que deve ter, não 
só com respeito à matéria, como, também, no trato 
com as pessoas envolvidas e interessadas no assunto.
b) Quanto menos falar, melhor: isso evita que colo-
quem na sua boca algo que não disse, evitando ser 
envolvido em comentários, mexericos e críticas maldo-
sas, itens fáceis de surgirem nessas ocasiões, fruto do 
descontentamento de quem se julgar prejudicado.
c) Riscos dos serviços contábeis: os dados contábeis 
apresentam margem de riscos como as demais áreas. 
Assim, o aspecto risco tem significado maior na Perí-
cia, pois pode levar a opinião errônea, com produção 
de falsa prova, com lesão ao direito de terceiros. Não 
há margem para o Perito errar, e para isso tem que 
precaver-se de todos os meios a seu alcance.
90 Arbitragem e Perícia Contábil
d) Tempo atribuído: esta é uma precaução relevante, 
pois só deve ser aceita a tarefa, cumprida em tem-
po hábil para desempenhá-la com rigor. Se o tempo 
atribuído for incompatível com a necessidade de de-
dicação à execução, solicitar maior prazo, e, se for 
negado, deve recusar a perícia.
e) Na delegação de tarefas: o Perito não delega res-
ponsabilidades porque delegou tarefas e, por isso, 
precisa selecionar com muito rigor auxiliares ou espe-
cialistas nos quais possa confiar.
Outra qualidade que o Perito Contábil deve ter é a Dedi-
cação. Isso diz respeito ao trabalho responsável e firme que 
o perito deve dedicar ao que faz. O Perito não pode esquecer 
que da sua dedicação, imparcialidade e aplicação dos seus 
conhecimentos técnico-profissionais dependerão os procedi-
mentos de outras pessoas, como e principalmente o Juiz (no 
caso de perícias judiciais) e das partes (no caso de perícias ex-
trajudiciais), temas que foram abordados no Capítulo 4. Con-
tudo, um erro, um descuido ou uma omissão pode ocasionar 
prejuízos e induzir ao erro aqueles que nele confiaram.
No fechamento desses parágrafos iniciais, pode-se notar 
que se espera do Perito qualidades subjetivas que estão no 
campo dos requisitos educacionais, básicos e também adqui-
ridos ou desenvolvidos no decorrer da formação profissional. 
Seguindo o desenvolvimento do texto, nos parágrafos seguin-
tes trata-se de alguns Requisitos de Qualificação Profissio-
nal Legal. Assim, cerca-se do que está previsto no CPC, sobre 
os Requisitos jurídico-formais, que dispõe:
Capítulo 5 Perito Contábil e Normas Profissionais 91
Art. 145 – Quando a prova do fato depender de co-
nhecimento técnico ou científico, o juiz será assistido por 
perito, segundo o disposto no Art. 421.
§ 1º. Os peritos serão escolhidos entre profissionais de 
nível universitário, devidamente inscritos no órgão de 
classe competente, respeitado o disposto no Capítulo VI, 
seção VII, deste Código.
§ 2º. Os peritos comprovarão sua especialidade na ma-
téria sobre que deverão opinar, mediante certidão do ór-
gão profissional em que estiverem inscritos.
§ 3º. Nas localidade onde não houver profissionais qua-
lificados que preencham os requisitos dos parágrafos an-
teriores, a indicação dos peritos será de livre escolha do 
juiz.
Ficam explícitos dois pontos: que o Perito tenha curso uni-
versitário e esteja registrado em órgão de classe regulador. No 
entanto, Alberto (2012) salienta que em casos de processos 
trabalhistas, seja subsidiária, mesmo que a legislação não cite, 
mas prudencial, o conhecimento processual trabalhista, o qual 
pode ser verificado na Consolidação das Leis Trabalhistas, em 
seu Art. 769, trata do direito processual do trabalho. Contudo, 
seguindo ainda o autor citado anteriormente, em atuação ex-
trajudicial ou arbitral, a aplicação é análoga, ou seja, restrin-
gida a cada profissão à exigência universitária.
Outro requisito trata da Pessoalidade da Função, enten-
da-se que a função de Perito judicial é exercício da pessoa 
física (também dita civil ou natural) (ALBERTO, 2012). Essa 
92 Arbitragem e Perícia Contábil
lógica está versada no Art. 435 do CPC,que em suma diz: 
quem pode cumprir “conscientemente” um encargo é a pes-
soa física, igualmente é a que pode comparecer fisicamente, 
diferente de representar uma pessoa jurídica; e quem, ainda, 
pode ser “impedida ou suspeita” é a pessoa física, assim como 
os juízes o são.
Essa lógica citada no parágrafo anterior tem fundamen-
tação no que preceitua o Decreto n° 9.295, de 27 de maio 
de 1946, que “Cria o Conselho Federal de Contabilidade”, o 
qual menciona as atribuições do Contador e do Técnico em 
Contabilidade, inerentes às atribuições profissionais que são:
Art. 25. São considerados trabalhos técnicos de contabili-
dade:
a) Organização e execução de serviços de contabilida-
de em geral;
b) Escrituração dos livros de contabilidade obrigató-
rios, bem como de todos os necessários conjuntos 
da organização contábil e levantamento dos respec-
tivos balanços e demonstrações;
c) Perícias judiciais ou extrajudiciais, revisão de balan-
ços de contas em geral, verificação de haveres, revi-
são permanente e periódica de escritas, regulações 
judiciais e extrajudiciais de avarias grossas ou co-
muns, assistências aos Conselhos Fiscais das socie-
dades anônimas e quaisquer outras atribuições de 
natureza técnica conferidas por lei aos profissionais 
de contabilidade.
Capítulo 5 Perito Contábil e Normas Profissionais 93
Art. 26. Salvo direitos adquiridos “ex vi” do disposto no 
art. 2º do Decreto nº 21.033, de 8 de fevereiro de 1932 
(Grifo nosso), as atribuições, definidas na alínea “c” do 
artigo anterior são privativas dos contadores diplomados 
e daqueles que lhes são equiparados legalmente.
Em análise da citação, Alberto (2012) ensina que a perícia 
judicial, extrajudicial ou arbitral, cujo objeto seja dotado de 
características e natureza contábil, incumbe ser realizada pri-
vativamente por Contador, Bacharel em Ciências Contábeis, 
devidamente registrado no Conselho Regional de Contabilida-
de. Embora o CPC estabeleça essa prerrogativa, está vedado 
atualmente essa atribuição aos técnicos de nível médio, ou 
seja, os técnicos em contabilidade.
Ainda no posicionamento sobre perícias que ocorrem em 
repartições da Fazenda Nacional, ou de interesse dela, Alberto 
(2012, p. 51) cita o Decreto n° 24.337, de 14/01/1948, que 
dispõe:
Art. 2º. As perícias ou exames nos livros de escrituração 
e documentos de contabilidade dos contribuintes, do im-
posto de renda, ou quaisquer perícias contábeis de in-
teresse da Fazenda Nacional, só poderão ser realizadas 
por funcionários da carreira de contador dos quadros 
do Ministério da Fazenda, legalmente habilitados para 
o exercício da profissão de contabilista nos termos do 
Decreto n° 9.295, de 27 de maio de 1946.
Parágrafo único. Esses trabalhos técnicos poderão tam-
bém, por conveniência dos serviços, ser realizados por 
funcionários de outras carreiras do mesmo Ministério, 
94 Arbitragem e Perícia Contábil
desde que sejam contadores e satisfaçam a condição a 
que alude o final deste artigo.
Nota-se, assim, que em todas as perícias que requeiram 
conhecimentos específicos de contabilidade, esta definido que 
a função de Perito deve ser atribuída a esse profissional. Por-
quanto, ainda na abordagem da Pessoalidade da Função, 
Alberto (2012) apresenta os tipos variados de conhecimentos 
técnicos profissionais para a competência do Perito Contador, 
conforme ilustração a seguir:
Tipos de Conheci-
mentos
Características do conhecimento
Contábeis essenciais - Auditoria e perícia contábil: análise das 
demonstrações contábeis, análise de custos, 
sistemas contábeis, direito aplicado à contabili-
dade, matemática e economia.
Jurídicos - Nas ciências jurídicas, são três os eixos: o pri-
meiro trata da hermenêutica, que são as regras 
interpretativas; o segundo aborda o roteiro 
legal e processual do seu trabalho; e o terceiro 
refere-se ao conhecimento da legislação que 
pertine o objeto de perícia.
Lógica formal e 
aplicada
- A lógica pertine-se em três sentidos: o pri-
meiro está na lógica formal, do pensamento, 
do raciocínio sobre a matéria periciada; o 
segundo trata da formulação da metodologia, 
a operacionalização do método para a reali-
dade do feito; e o terceiro aborda os sofismos, 
ou seja, as espécies de pensamentos contrários 
às leis, portanto ilegítimos para a defesa da 
perícia e de fácil defesa contrária.
Capítulo 5 Perito Contábil e Normas Profissionais 95
Português instrumen-
tal
- instrumento básico de transmissão e per-
cepção de ideias: expressão e escrita em forma 
culta, expressa em regras gramaticais, com 
ausência plena de linguagem coloquial, baixo 
nível; preservar em laudos e petições a comu-
nicação técnica.
Após essas abordagens referentes ao Perito, suas qualifica-
ções, deveres e direitos, bem como suas habilitações: técnicas 
e científicas, o item seguinte trata-se da Perícia Contábil e as 
Normas Profissionais específicas.
5.2 PERÍCIA CONTÁBIL: Normas 
Profissionais
O desenvolvimento dos conteúdos deste tópico, em seus pará-
grafos iniciais, está alicerçado na Resolução CFC n° 1.243, 
de 10 de dezembro de 2009, que trata das NORMAS 
BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE - NBC TP 01 – PERÍ-
CIA CONTÁBIL; e na RESOLUÇÃO CFC n° 1.244, de 10 
de dezembro de 2009 - NORMAS BRASILEIRAS DE CON-
TABILIDADE - NBC PP 01 – PERITO CONTÁBIL. Tomou-se 
essa forma de apresentação para que a leitura não se torne 
pesada e repetitiva nas citações de autoria.
De outra forma, busca-se, também, no desenvolvimento 
do texto, a absorção dos conhecimentos de Alberto (2012, 
p. 69), que cita três palavras fáceis de serem compreendidas, 
mas também “fáceis de serem confundidas: princípios, normas 
e padrões”. Essas expressões, no entendimento anterior dado 
96 Arbitragem e Perícia Contábil
por Sá (2011, p. 201), em que refere-se às resoluções citadas 
no parágrafo anterior, compreende que “reformulação dada 
pelo Conselho Federal de Contabilidade, órgão máximo de 
fiscalização da atividade profissional”, cumpre sua função nor-
mativa relativa à Perícia Contábil.
O OBJETIVO dessa norma estabelece regras e procedi-
mentos técnico-científicos a serem observados pelo perito, 
quando da elaboração da perícia contábil, no âmbito judicial, 
extrajudicial, inclusive arbitral, mediante o esclarecimento dos 
aspectos e dos fatos do litígio por meio de exame, vistoria, 
indagação, investigação, arbitramento, avaliação ou certifica-
ção.
Quanto ao CONCEITO, específico da perícia contábil, 
este constitui o conjunto de procedimentos técnico-científicos 
destinados a levar à instância decisória elementos de prova 
necessários a subsidiar à justa solução do litígio ou constata-
ção de um fato, mediante laudo pericial contábil e/ou parecer 
pericial contábil, em conformidade com as normas jurídicas e 
profissionais, e a legislação específica no que for pertinente.
Em relação ao laudo pericial contábil e ao parecer pericial 
contábil, tema que ainda será abordado mais adiante, tem-se 
por limite os próprios objetivos da perícia deferida ou con-
tratada. No entanto entende-se ser relevante essa compreen-
são inicial para que o/a leitor/a consiga diferenciar a perícia 
contábil, tanto a judicial como a extrajudicial, o que é de 
competência exclusiva de contador registrado em Conselho 
Regional de Contabilidade (como visto no tópico anterior). Re-
lembrando: entende-se como perícia judicial aquela exercida 
Capítulo 5 Perito Contábil e Normas Profissionais 97
sob a tutela da justiça. A perícia extrajudicial é aquela exercida 
no âmbito arbitral, estatal ou voluntária.
Já no âmbito da perícia arbitral, é aquela exercida sob o 
controle da lei de arbitragem. Perícia no âmbito estatal (Se-
mijudicial) é executada sob o controle de órgão do estado, 
tais como perícia administrativa das Comissões Parlamentares 
de Inquérito,perícia criminal e do Ministério Público. Perícia 
voluntária é aquela contratada espontaneamente pelo interes-
sado ou de comum acordo entre as partes. E assim, por vezes, 
essas tipologias de perícias citadas apresentam regramento 
específico. (Lembrete: em caso de dúvidas, revisite o capítulo 
anterior).
Agora pode-se verificar algumas normas de conduta para 
os peritos nas relações assumidas diante da perícia. Para a 
EXECUÇÃO do trabalho da perícia, o perito-contador assis-
tente pode, tão logo tenha conhecimento da perícia, manter 
contato com o perito-contador, pondo-se à disposição para o 
planejamento, para o fornecimento de documentos em poder 
da parte que o contratou e ainda para a execução conjunta 
da perícia. Uma vez recusada a participação, o perito-conta-
dor pode permitir ao assistente técnico acesso aos autos e aos 
elementos de prova arrecadados durante a perícia, indicando 
local e hora para exame pelo assistente técnico.
Ainda norteando-se pela questão do perito-contador assis-
tente, este pode, logo após sua contratação, manter contato 
com o advogado da parte que o contratou, requerendo dossiê 
completo do processo para conhecimento dos fatos e melhor 
acompanhamento dos atos processuais no que pertine a perí-
98 Arbitragem e Perícia Contábil
cia. Dessa forma, enquanto estiver de posse do processo ou de 
documentos, deve zelar por sua guarda e segurança.
No avanço da execução da perícia contábil, o perito deve 
ater-se ao objeto e ao lapso temporal da perícia a ser reali-
zada. Assim, deve, mediante termo de diligência, solicitar por 
escrito todos os documentos e informações relacionadas ao 
objeto da perícia. No entanto, em eventual recusa no aten-
dimento a diligências solicitadas ou qualquer dificuldade na 
execução do trabalho pericial deve ser comunicada, com a 
devida comprovação ou justificativa, ao juízo, em se tratando 
de perícia judicial; ou à parte contratante, no caso de perícia 
extrajudicial.
Não pode o perito perder de vista que no horizonte está a 
instrução ao laudo pericial contábil. Para isso, deve utilizar os 
meios que lhe são facultados pela legislação e normas con-
cernentes ao exercício de sua função, com vistas a finalidade 
do parecer pericial contábil com as peças que julgarem neces-
sárias.
Relevante, ainda, que se mantenha registros dos locais e 
datas das diligências, nomes das pessoas que os atenderem, 
livros e documentos ou coisas examinadas ou arrecadadas, 
dados e particularidades de interesse da perícia, rubricando 
a documentação examinada, quando julgarem necessário e 
possível, juntando o elemento de prova original, cópia ou cer-
tidão.
Um aspecto interessante na execução da perícia, que não 
pode ser desprezada, é a utilização de equipe técnica, a qual 
deve ser realizada sob a orientação e supervisão do perito, 
Capítulo 5 Perito Contábil e Normas Profissionais 99
que assume a responsabilidade pelos trabalhos, devendo as-
segurar-se que as pessoas contratadas estejam profissional-
mente capacitadas à execução.
Por fim, deve o perito documentar os elementos relevantes 
que serviram de suporte à conclusão formalizada no laudo pe-
ricial contábil e no parecer pericial contábil, por meio de pa-
péis de trabalho, que foram considerados relevantes, visando 
fundamentar o laudo ou parecer e comprovar que a perícia foi 
executada de acordo com os despachos e decisões judiciais, 
bem como as normas legais e Normas Brasileiras de Conta-
bilidade.
Não se pode perder de vista que os papéis de trabalho e 
a documentação preparada pelo perito para a execução da 
perícia são as provas de sustentação do laudo. Eles integram 
um processo organizado de registro de provas, por intermédio 
de termos de diligência, informações em papel, meios eletrôni-
cos, plantas, desenhos, fotografias, correspondências, depoi-
mentos, notificações, declarações, comunicações ou outros 
quaisquer meios de prova fornecidos e peças que assegurem 
o objetivo da execução pericial.
Ainda, o perito-contador assistente que assessorar o con-
tratante, na elaboração das estratégias a serem adotadas na 
proposição de solução por acordo ou demanda, cumprirá, no 
que couber, os requisitos das normas informadas no início des-
te tópico.
100 Arbitragem e Perícia Contábil
Recapitulando
No primeiro tópico deste capítulo foram apresentados conte-
údos conceituais que tratam sobre o Perito Contábil, no qual 
também foram trazidas as características profissionais e suas 
competências: técnicas e científicas. Descreveu-se que os de-
veres e os direitos do Perito são em suma: deveres: manter o 
sigilo e a ética no trabalho, fundamentalmente tratando-se da 
relação com outros profissionais que se envolvem no trabalho 
da perícia; os direitos: sempre que necessário, para o desen-
volvimento do trabalho em sua melhor forma, pode e deve 
solicitar documentos e/ou objetos para o desenvolvimento pe-
ricial, inclusive adiantamento de honorários.
Para o segundo tópico, foram reservados conteúdos refe-
rentes à Perícia Contábil, mais especificamente, na qual verifi-
cou-se que é reservada ao profissional qualificado e reconhe-
cida no conselho da classe contábil, e que atenda as normas 
específicas e reguladas pelo Conselho Federal de Contabilida-
de. Para tanto, sublinhou-se que a Perícia Contábil exige seguir 
padrões profissionais, e, nesse sentido, as resoluções da classe 
contábil, são os princípios norteadores do trabalho Perito.
Referências
BRASIL. LEI N° 6.404, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1976. 
Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de 
agosto de 2016.
Capítulo 5 Perito Contábil e Normas Profissionais 101
______. LEI N° 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 
1996. Dispõe sobre a arbitragem. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de 
julho de 2016.
______. LEI N° 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Dis-
põe sobre o Código de Processo Civil. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 27 de 
julho de 2016.
______. LEI N° 13.129, DE 26 DE MAIO DE 2015. Altera a 
Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996, e a Lei n° 6.404, 
de 15 de dezembro de 1976, para ampliar o âmbito de 
aplicação da arbitragem e dispor sobre a escolha dos 
árbitros quando as partes recorrem a órgão arbitral, a in-
terrupção da prescrição pela instituição da arbitragem, a 
concessão de tutelas cautelares e de urgência nos casos de 
arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral, e revoga 
dispositivos da Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996. 
Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. 
Acesso em: 19 de julho de 2016.
ALBERTO, Valdeir Luiz Palombo. Perícia Contábil: Normas 
Brasileiras de Perícia Contábil Comentadas (NBC T 01 e 
NBC PP 01); Aspectos Legais, Civis e Criminais; Casos Prá-
ticos de Perícia Contábil das Áreas Cível, Federal, Traba-
lhista (Instrução e Liquidação) e Extrajudiciais; Honorários 
Periciais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
COMISSÃO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM – CMA/OAB/
MG. Cartilha de Arbitragem. Ordem dos Advoga-
dos do Brasil – Minas Gerais, 2009. Disponível em: 
102 Arbitragem e Perícia Contábil
<http://www.precisao.eng.br/jornal/Arbitragem.pdf>. 
Acesso em: 19 de julho de 2016.
ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia Contábil. 5. 
ed. São Paulo: Atlas, 2011.
RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCTP01, de 19 de março de 2015. 
Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 – PE-
RÍCIA CONTÁBIL.
RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCPP01, de 19 de março de 2015. 
Norma Brasileira de Contabilidade - NBC PP 01 – PE-
RITO CONTÁBIL.
SÁ, Antônio Lopes. Perícia Contábil. 10. ed. Revisada e Am-
pliada. São Paulo: Atlas, 2011.
Atividades
 1) Considere a indicação do Perito-Contador em uma Perícia 
Judicial, há duas situações: na primeira ele é responsável 
pela Perícia e na segundaé o assistente. Pode-se afirmar 
que:
a) na primeira situação, ele é indicado por uma das par-
tes conflitantes.
b) na segunda situação, ele é indicado pela outra parte 
dos conflitantes.
c) na primeira situação, ele é indicado pelo juiz.
Capítulo 5 Perito Contábil e Normas Profissionais 103
d) na segunda situação, ele é indicado pelo Juiz.
e) na primeira e na segunda situações, ele é indicado 
pelo juiz.
 2) O exercício da atividade de Perito-Contador pautado no 
comportamento ético, na virtude da cordialidade e do res-
peito, tem referência ao:
a) relacionamento do Perito-Contador com os Peritos-
-Contadores Assistentes.
b) relacionamento do Perito-Contador com as Testemu-
nhas.
c) relacionamento do Perito-Contador com os conflitan-
tes que não o contrataram.
d) relacionamento do Perito-Contador com os Peritos-
-Contadores Assistentes sobre os quais é responsável.
e) relacionamento do Perito-Contador com os auxiliares 
por ele contratados sobre os quais não tem responsa-
bilidade.
 3) Considere a qualidade da Cautela que o Perito deve ter e 
relacione a primeira coluna com a segunda:
A) O Zelo.
B) Quanto menos falar, melhor.
C) Riscos dos serviços contábeis.
D) Tempo atribuído.
104 Arbitragem e Perícia Contábil
E) Delegação de tarefas.
( ) evita que coloquem na sua boca algo que não disse.
( ) trato com as pessoas envolvidas e interessadas no as-
sunto.
( ) selecionar com muito rigor auxiliares ou especialistas.
( ) apresentam margem de riscos como as demais áreas.
( ) necessidade de dedicação à execução.
A ordem correta é:
a) A, E, C, D, B
b) E, C, D, B, A
c) D, C, E, A, B
d) A, B, C, D, E
e) B, A, E, C, D
 4) Considere os seguintes itens e marque V para os verda-
deiros e F para os falsos, conforme Art. 25 que cita: “São 
considerados trabalhos técnicos de contabilidade”:
A) Organização e execução de serviços de contabilidade 
em geral.
B) Escrituração dos livros de contabilidade obrigatórios, 
bem como de todos os necessários conjuntos da or-
ganização contábil e levantamento dos respectivos ba-
lanços e demonstrações.
Capítulo 5 Perito Contábil e Normas Profissionais 105
C) Perícias judiciais ou extrajudiciais, revisão de balanços 
de contas em geral, verificação de haveres, revisão 
permanente e periódica de escritas, regulações judi-
ciais e extrajudiciais de avarias grossas ou comuns, as-
sistências aos Conselhos Fiscais das sociedades anôni-
mas e quaisquer outras atribuições de natureza técnica 
conferidas por lei aos profissionais de contabilidade.
Pode-se afirmar que:
a) todas as alternativas não são falsas.
b) nem todas as alternativas são verdadeiras.
c) apenas as alternativas A e B são verdadeiras.
d) apenas as alternativas A e B são falsas.
e) todas as alternativas são falsas.
 5) Assinale a alternativa que indica os três elementos basila-
res da Normalização da Perícia Contábil:
a) Normas, Padrões e Eventos
b) Padrões, Princípios e Juízo
c) Judiciário, Normas, Tribunal
d) Princípios, Normas e Padrões
e) Conflitantes, Lide e Origem
Jucelaine Bitarello1
Capítulo 6
Desenvolvimento e 
Fases da Perícia1
1 Jucelaine Bitarello é Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade de 
Santa Cruz do Sul (UNISC), RS, especialista em Administração e Estratégia Empre-
sarial pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), Canoas, RS, e graduada em 
Ciências Contábeis pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), RS. Ela é 
professora dos cursos de Ciências Contábeis, Administração e Gestão Pública da 
ULBRA, presencial e EaD. Jucelaine tem experiência profissional em organizações 
privadas e públicas, é autora de diversos artigos científicos, nacionais e internacio-
nais, é autora de livros e capítulos de livros. Ela é, também, consultora ad hoc do 
Ministério da Educação e Cultura (MEC/INEP).
Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 107
Introdução
Para este capítulo foram reservados conteúdos que tratam da 
fase de instrução do processo, no qual há algumas proformas 
a serem seguidas, entre estas destacam-se a audiência inau-
gural, a contestação, e se houver a necessidade de provas 
a serem utilizadas, deve assim ser nomeado o perito. Devem 
ainda ser elaborados quesitos das partes envolvidas no confli-
to, que podem indicar seus assistentes técnicos. Dessa forma, 
mais especificamente em se tratando da contabilidade, ela 
pode, mediante ao Perito-Contador contribuir no auxílio para 
a opinião, desenvolver informações sobre: aspectos contábeis, 
fiscais e administrativos.
No avanço do desenvolvimento dos conteúdos inerentes à 
Perícia Contábil, há a manutenção do foco sobre o conheci-
mento técnico e científico que o Perito-Contador deve possuir, 
para o fim específico de auxiliar a decisão de quem profere a 
sentença sobre a causa, lide, em conflito. Para tanto, traz-se 
nas fases da Perícia alguns aspectos, tais como: os procedi-
mentos (iniciais e finais), o planejamento, o desenvolvimento e 
o cronograma, que por fim têm a elaboração do laudo peri-
cial.
6.1 Fase de Instrução do Processo e Fase 
de Liquidação de Sentença 
Neste tópico tem-se o alicerce teórico na Resolução CFC 
n° 1.243, de 10 de dezembro de 2009, que trata das 
108 Arbitragem e Perícia Contábil
NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE - NBC TP 01 
– PERÍCIA CONTÁBIL; e na RESOLUÇÃO CFC n° 1.244, 
de 10 de dezembro de 2009 - NORMAS BRASILEIRAS DE 
CONTABILIDADE - NBC PP 01 – PERITO CONTÁBIL. Haja 
vista que o desenvolvimento da Perícia contábil requer obser-
vação do que cita a norma, sendo assim, o entendimento des-
sa citação constante das Resoluções torna o texto repetitivo, o 
que não se faz necessário.
De modo a tornar o texto mais livre de citações, porém 
amparado em literaturas, cita-se Sá (2012) assim como, mais 
especificamente, Alberto (2012, pp. 169-234) que dimensio-
na as “especificidades de cada caso”, nos âmbitos da: “Perí-
cia Judicial - Trabalhista”, “Perícia Judicial - Cível”, “Perícia 
Extrajudicial – Cível/Comercial”, “Perícia Judicial – liquidação 
de sentença trabalhista” com pesquisa contábil, vistorias, 
entre outras, e a “Perícia Judicial – com provas de pericias 
produzidas”, estas que requerem conhecimentos de áreas 
diversas. Assim, seguindo a visão desses autores, eles têm a 
aderência de seus detalhamentos nas fases e planejamento 
do desenvolvimento da perícia, pautado nos elementos das 
Resoluções citadas no parágrafo inicial desse tópico.
Outro aspecto relevante e que se julga orientação de imedi-
ato, com o intuito de manter o/a leitor/a informado, é concer-
nente aos componentes que devem estar presentes durante o 
estudo, tais como: a petição inicial, a audiência inaugural, a 
contestação, as provas utilizadas, a nomeação do perito (qual 
o prazo), os quesitos (das partes e indicação do assistente 
técnico, do juízo e do Ministério Público, suplementares, com-
plementares, em audiência). Ainda, os elementos da perícia, 
Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 109
no caso, que exigem conhecimentos da contabilidade: dados 
contábeis, fiscais e administrativos. Tendo, por fim, os tipos de 
perícia, a citar: judicial (o perito do juízo, o assistente técnico, 
o árbitro), extrajudicial (perito assistente), e assessoria pericial.
Partindo-se dessa contextualização inicial, na fase de 
instrução do processo, tem-se os procedimentos de perícia 
contábil, que visam fundamentar as conclusões que serão le-
vadas ao laudo pericial contábil ou parecer pericial contábil, 
e abrangem, total ou parcialmente, segundo a natureza e a 
complexidade da matéria. Assim, pode-se resumidamente 
verificar a seguinte ilustração:
Item - Fase Conceituação - Definição
Exame
é a análise de livros, registros das transações e 
documentos.
Vistoria
é a diligência que objetivaa verificação e a 
constatação de situação, coisa ou fato, de forma 
circunstancial.
Indagação
é a busca de informações mediante entrevista com 
conhecedores do objeto ou de fato relacionado à 
perícia.
Investigação
é a pesquisa que busca trazer ao laudo pericial con-
tábil ou parecer pericial contábil o que está oculto 
por quaisquer circunstâncias.
Arbitramento
é a determinação de valores ou a solução de contro-
vérsia por critério técnico-científico.
Mensuração
é o ato de qualificação e quantificação física de 
coisas, bens, direitos e obrigações.
Avaliação
é o ato de estabelecer o valor de coisas, bens, 
direitos, obrigações, despesas e receitas.
110 Arbitragem e Perícia Contábil
Certificação
é o ato de atestar a informação trazida ao laudo 
pericial contábil pelo perito-contador, conferindo-lhe 
caráter de autenticidade pela fé pública atribuída a 
este profissional.
Executados esses procedimentos, ilustrados anteriormen-
te, e concluídas as diligências, o perito-contador apresenta-
rá laudo pericial contábil, e o perito-contador assistente, seu 
parecer pericial contábil, obedecendo aos respectivos prazos. 
Lembrando-se que o laudo será abordado com mais especifi-
cidade em capítulo posterior, porém chama-se a atenção que 
a lógica do trabalho da perícia está em: o laudo pericial é 
tarefa do perito-contador, e o parecer é do perito-conta-
dor assistente.
Ainda, em relação aos procedimentos, o perito-contador, 
depois de concluído seu trabalho, fornecerá, quando solicita-
do, cópia do laudo, ao perito-contador assistente, informan-
do-lhe a data em que o laudo pericial contábil será protoco-
lizado. Isso já foi visto anteriormente, mas relembre-se que a 
formalização de entrega do laudo ocorre no protocolo da vara 
judicial.
Um aspecto interessante a ser observado pelo perito-conta-
dor assistente, o qual não pode firmar o laudo pericial quando 
o documento tiver sido elaborado por: leigo ou profissional 
de outra área. Devendo, nesse caso, apresentar um parecer 
pericial contábil sobre a matéria investigada.
Outro aspecto verificado é que o perito-contador assisten-
te, ao apor a assinatura, em conjunto com o perito-contador, 
em laudo pericial contábil, não pode emitir parecer pericial 
Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 111
contábil contrário ao laudo. Para tanto, é que deve efetiva-
mente acompanhar os trabalhos do perito-contador, o qual é 
o responsável de fato pelo laudo pericial.
A fase do planejamento da perícia é a etapa do traba-
lho pericial, que antecede as diligências, pesquisas, cálculos e 
respostas aos quesitos, na qual o perito estabelece os procedi-
mentos gerais dos exames a serem executados no âmbito judi-
cial, extrajudicial para o qual foi nomeado, indicado ou con-
tratado, elaborando-o a partir do exame do objeto da perícia.
Destarte, então, enquanto o planejamento da perícia é um 
procedimento prévio abrangente que se propõe a estabelecer 
todas as etapas da perícia, o programa de trabalho é a especi-
ficação de cada etapa a ser realizada que deve ser elaborada 
com base nos quesitos e/ou no objeto da perícia. Dessa forma, 
os objetivos do planejamento da perícia podem ser ilustrados 
da seguinte forma lógica:
Subfase Objetivos
Primeira
conhecer o objeto da perícia, a fim de permitir a 
adoção de procedimentos que conduzam à revelação 
da verdade, a qual subsidiará o juízo, o árbitro ou o 
interessado a tomar a decisão a respeito da lide.
Segunda
definir a natureza, a oportunidade e a extensão dos 
exames a serem realizados, em consonância com o 
objeto da perícia, os termos constantes da nomeação, 
dos quesitos ou da proposta de honorários oferecida 
pelo perito.
Terceira
estabelecer condições para que o trabalho seja cum-
prido no prazo estabelecido.
Quarta
identificar potenciais problemas e riscos que possam 
vir a ocorrer no andamento da perícia.
112 Arbitragem e Perícia Contábil
Quinta
identificar fatos que possam vir a ser importantes para 
a solução da demanda de forma que não passem 
despercebidos ou não recebam a atenção necessária.
Sexta identificar a legislação aplicável ao objeto da perícia.
Sétima
estabelecer como ocorrerá a divisão das tarefas entre 
os membros da equipe de trabalho, sempre que o 
perito necessitar de auxiliares.
Oitava facilitar a execução e a revisão dos trabalhos.
Verificados os objetivos do planejamento da perícia, avan-
çam os trabalhos do perito-contador para a fase do Desen-
volvimento do planejamento, em que os documentos dos 
autos servem como suporte para obtenção das informações 
necessárias à elaboração do planejamento da perícia.
Na identificação da necessidade de realização de diligên-
cias, na etapa de elaboração do planejamento, devem ser 
considerados, se não declarada a preclusão de prova docu-
mental, cujo substanciamento da diligência encontra amparo, 
os seguintes itens: a legislação aplicável, documentos, regis-
tros, livros contábeis, fiscais e societários, laudos e parece-
res já realizados e outras informações que forem identificadas 
como pertinentes para determinar a natureza do trabalho a ser 
executado.
Esta etapa pode ser compreendida também como uma re-
tomada de eventos anteriores, em que o planejamento da pe-
rícia deve ser mantido por qualquer meio de registro que facili-
te o entendimento dos procedimentos a serem adotados e sirva 
de orientação adequada à execução do trabalho. O planeja-
mento deve ser revisado e atualizado sempre que fatos novos 
surjam no decorrer da perícia. Pode e deve, o planejamento, 
Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 113
ser realizado pelo perito-contador, ainda que o trabalho ve-
nha a ser realizado de forma conjunta com o perito-contador 
assistente, podendo este orientar-se no referido planejamento 
sugerido.
Considerando, ainda, a fase de elaboração do planeja-
mento da perícia, o perito atenta-se aos Riscos e Custos, com 
vistas nos seguintes quesitos: elaborar a proposta de hono-
rários, avaliar os riscos decorrentes de responsabilidade civil, 
dimensionar as despesas com pessoal e encargos sociais e 
mensurar a depreciação de equipamentos e despesas com 
manutenção do escritório.
Como visto no parágrafo anterior, despesas com pessoal 
e encargos sociais têm relação direta com a Equipe Técnica, 
em que a perícia enseja a necessidade de utilização de traba-
lho de terceiros (equipe de apoio, trabalho de especialistas ou 
profissionais de outras áreas de conhecimento). Nesse aspecto 
o planejamento deve prever a orientação e a supervisão do 
perito, que assumirá responsabilidade pelos trabalhos execu-
tados exclusivamente por sua equipe de apoio (ponto que já 
foi descrito no capítulo anterior, caso o/a leitor/a não lembre, 
revisite-o).
Na atualidade, o conhecimento sobre o objeto que está em 
conflito, a lide requer saberes de outras áreas, e isso por vezes 
pode caracterizar limitação do Perito-contador. Dessa forma, 
deve antes e inclusive durante a execução da perícia, se assim 
o exigir, lançar mão da utilização de perícias interdisciplinares 
ou trabalho de especialistas, que, por sua vez, devem estar de-
vidamente registrados em seus conselhos profissionais, quan-
114 Arbitragem e Perícia Contábil
do aplicável, devendo o planejamento contemplar tal neces-
sidade.
Em relação ao Cronograma, o Perito-contador deve levar 
em consideração que o planejamento da perícia, quando for 
o caso, inicia-se antes da elaboração da proposta de hono-
rários. Esse aspecto, considera-se, pois ao apresentar o cro-
nograma, seja para o juiz ou às partes conflitantes, nos caso 
de Perícia Judicial, ou Extrajudicial, respectivamente, reque-
rem que as etapas do trabalho estejam previstas. Porquanto 
que seja relevante e indispensável que o perito-contador tenha 
conhecimento prévio e amplo de todas asetapas. Ressalva-
-se que podem ocorrer identificações de eventos, durante a 
execução dos trabalhos, que impliquem alterações, ajustes e 
complementos de etapas, inclusive a possibilidade da apresen-
tação de quesitos suplementares, o que será objeto do ajuste 
no planejamento.
Portanto, o planejamento da perícia deve evidenciar as eta-
pas e as épocas (cronograma) em que serão executados os 
trabalhos, em conformidade com o conteúdo da proposta de 
honorários a ser apresentada, incluindo-se a supervisão e a 
revisão do próprio planejamento, os programas de trabalho 
quando aplicáveis, até a entrega do laudo. Assim, no crono-
grama de trabalho, devem ficar evidenciados, quando apli-
cáveis, todos os itens necessários à execução da perícia, tais 
como:
a) diligências a serem realizadas;
b) deslocamentos;
Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 115
c) necessidade de trabalho de terceiros;
d) pesquisas que serão feitas;
e) elaboração de cálculos e planilhas;
f) respostas aos quesitos;
g) prazo para entrega do laudo; e,
h) outros, necessários para assegurar que todas as eta-
pas sejam cumpridas.
Veja, ainda, que para cumprir o prazo determinado ou 
contratado para realização dos trabalhos de perícia, o perito 
deve considerar em seus planejamentos, quando aplicáveis, 
entre outros, os seguintes itens:
a) o conteúdo da proposta de honorários apresentada 
pelo perito-contador e aceita pelo juízo, pelo árbitro 
ou pelas partes no caso de perícia extrajudicial ou pelo 
perito-contador assistente;
b) o prazo suficiente para solicitar e receber os documen-
tos, bem como para a execução e a entrega do traba-
lho e
c) a programação de viagens, quando necessárias.
Observados esses detalhes, encaminha-se a Perícia para a 
fase da Conclusão. Nesse sentido, o planejamento da perícia 
prevê que o perito-contador complete as análises prelimina-
res, dando origem, quando for o caso, à proposta de honorá-
rios (nos casos em que o juízo ou o árbitro não tenha fixado, 
previamente, honorários definitivos), aos termos de diligências 
116 Arbitragem e Perícia Contábil
e aos programas de trabalho. Para melhor entendimento, na 
sequência apresenta-se um modelo de planejamento sugerido 
pela Resolução citada no início deste tópico, no caso de Perí-
cia Judicial.
ATIVIDADE AÇÕES
TEMPO PRAZO
FIXA-
DO
REAL FIXADO REAL
Carga ou 
Recebimento 
do Processo
Após receber a 
intimação do Juiz, 
quando for o caso, 
retirar o Processo do 
Cartório/Vara.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Leitura do 
Processo
Conhecer os detalhes 
acerca do objeto da 
perícia, realizando a 
leitura e o estudo dos 
autos.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Aceitação 
ou não da 
Perícia
Após estudo e 
análise dos autos, 
constatando-se que 
há impedimento, não 
havendo interesse do 
Perito ou não estando 
habilitado para fazer 
a perícia, devolver o 
Processo justificando o 
motivo da escusa.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Aceitando o encargo 
da perícia, proceder 
ao planejamento.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 117
Proposta de 
Honorários
Com base na relevân-
cia, no vulto, no risco 
e na complexidade dos 
serviços, entre outros, 
estimar as horas para 
cada fase do trabalho, 
considerando ainda 
a qualificação do 
pessoal que participará 
dos serviços, o prazo 
para entrega dos tra-
balhos e a confecção 
de laudos interprofis-
sionais.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Assistentes 
Técnicos
Uma vez aceita a 
participação do Peri-
to-Contador Assistente 
ajustar a forma de 
acesso do mesmo aos 
trabalhos.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Diligências Com base no conteú-
do do processo e nos 
quesitos, preparar o(s) 
Termo(s) de Diligên-
cia(s) necessários.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Viagens Programar as viagens 
quando necessárias.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Pesquisa de 
Legislação
Com base no conteú-
do do processo, definir 
as pesquisas, os estu-
dos e o catálogo da 
legislação pertinente.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
118 Arbitragem e Perícia Contábil
Programa de 
Trabalho
Exame de documentos 
pertinentes à perícia.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Exame de livros 
contábeis, fiscais, soci-
etários e outros.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Análises contábeis a 
serem realizadas.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Entrevistas, vistorias, 
indagações, investi-
gações, informações 
necessárias.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Laudos interprofis-
sionais e pareceres 
técnicos.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Cálculos, arbitramen-
tos, mensurações e 
avaliações a serem 
elaborados. 
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Preparação e redação 
do laudo pericial.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Revisões 
Técnicas
Proceder a revisão 
final do laudo para 
verificar eventuais 
correções, bem como 
verificar se todos os 
anexos citados no 
laudo estão na ordem 
lógica e corretamente 
enumerados.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Prazo Suple-
mentar
Diante da expecta-
tiva de não concluir 
o laudo no prazo 
determinado pelo juiz, 
requerer por petição 
prazo suplementar.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 119
Entrega do 
Laudo Peri-
cial Contábil
Devolver os autos do 
processo e peticio-
nar requerendo a 
juntada do laudo 
e levantamento ou 
arbitramento dos 
honorários. Haven-
do necessidade de 
Prazo Suplementar, 
em função da não 
execução da Perícia 
no prazo inicialmente 
estipulado, solicitar 
Prazo Suplementar 
antes do vencimento 
do primeiro prazo e re-
planejar os trabalhos.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Registra-se que na ilustração anterior, nas colunas: tempo 
e prazo, substituiu-se o termo original “estimado” por fixado, 
apenas por questão de espaço. Outro aspecto que por vezes é 
usado é o TERMO DE DILIGÊNCIA, instrumento por meio do 
qual o perito solicita documentos, coisas, dados, bem como 
quaisquer informações necessárias à elaboração do laudo pe-
ricial contábil ou do parecer pericial contábil, o qual é ilustrado 
a seguir em um tipo de modelo (Judicial), pode haver outros:
120 Arbitragem e Perícia Contábil
TERMO DE DILIGÊNCIA N°.../PROCESSO N°...
IDENTIFICAÇÃO DO DILIGENCIADO
SECRETARIA:
PARTES:
PERITO-CONTADOR: (categoria e n° do registro)
PERITO-CONTADOR ASSISTENTE: (categoria e nº do registro) Na 
condição de perito-contador, nomeado pelo Juízo em referência e/ou 
perito-contador assistente indicado pelas partes, nos termos do artigo 
429 do Código do Processo Civil e das Normas Brasileiras de Conta-
bilidade, solicita-se que sejam fornecidos ou postos à disposição, para 
análise, os documentos a seguir indicados:
1.
2.
3.
4.
etc.
Para que se possa cumprir o prazo estabelecido para elaboração e 
entrega do laudo pericial contábil ou parecer pericial contábil, é ne-
cessário que os documentos solicitados sejam fornecidos ou postos 
à disposição deste perito-contador ou perito-contador assistente até 
o dia __-__-__, às __h, no endereço........(do perito-contador e/ou 
perito-contador assistente, e/ou parte). Solicita-se que seja comunica-
do quando os documentos tiverem sido remetidos
ou estiverem à disposição para análise.
Em caso de dúvida, solicita-se esclarecê-la diretamente com o signa-
tário no endereço e telefones indicados.
Local e data
Assinatura
Nome do perito-contador ou perito-contador assistente
Contador – Nº de registro no CRC
Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 121
Reforça-se que o modelo anterior serve também para a 
execução de outros trabalhos que tenham sido a ele, o perito, 
determinados ou solicitados por quem de direito, desde que 
tenham a finalidade de orientar ou colaborar nas decisões, 
judiciais ou extrajudiciais.
Em relação a Aplicabilidade do termo de diligência, este 
deve ser redigido pelo perito, ser apresentadodiretamente à 
parte, ao seu procurador, ou ao terceiro, por qualquer meio 
escrito que se possa documentar a sua entrega. Deve conter 
minuciosamente o rol dos documentos, livros, coisas, ou ou-
tros dados de que se necessite para a elaboração do laudo 
pericial contábil ou parecer pericial contábil.
O Termo de Diligência pode ser aplicado a qualquer pes-
soa física ou jurídica, denominada de diligenciado, inclusive 
de direito público, que tenha a posse de documentos, coisas, 
dados ou informações úteis e indispensáveis para subsidiar a 
elaboração do laudo pericial contábil ou do parecer pericial 
contábil. Por sua vez, o diligenciado, o destinatário, por decor-
rência legal ou determinação de autoridade competente, fica 
obrigado a fornecer elementos de prova.
Em resumo, pode-se identificar os seguintes itens, elemen-
tos indispensáveis, da estrutura do Termo de Diligência:
a) identificação do diligenciado;
b) identificação das partes ou dos interessados, e, em se 
tratando de perícia judicial ou arbitral, o número do 
processo, o tipo e o juízo em que tramita;
122 Arbitragem e Perícia Contábil
c) identificação do perito com indicação do número do 
registro profissional no Conselho Regional de Conta-
bilidade;
d) indicação de que está sendo elaborado nos termos do 
item 49 desta Norma;
e) indicação detalhada dos livros, documentos, coisas e 
demais elementos a serem periciados, consignando as 
datas e/ou períodos abrangidos, podendo identificar o 
quesito a que se refere;
f) indicação do prazo e do local para a exibição dos li-
vros, documentos, coisas e elementos necessários à 
elaboração do laudo pericial contábil ou parecer pe-
ricial contábil, devendo o prazo ser compatível com 
aquele concedido pelo juízo, contratante ou conven-
cionado pelas partes, considerada a quantidade de 
documentos, as informações necessárias, a estrutura 
organizacional do diligenciado e o local de guarda 
dos documentos;
g) depois de atendidos os requisitos da alínea (e), quando 
o exame dos livros, documentos, coisas e elementos, 
tiver de ser realizado junto à parte ou ao terceiro que 
detém em seu poder tais provas, haverá a indicação 
da data e hora para sua efetivação e,
h) local, data e assinatura.
Por fim, verifica-se que na elaboração das fases, assim 
como no desenvolvimento do planejamento da Perícia, é pos-
sível que fiquem ausentes quesitos e elementos, que surgem 
Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 123
somente no decorrer da realização, execução do trabalho pe-
ricial. Momento em que é permitido, de forma imediata da 
percepção da necessidade de ajustes, que o Perito sirva-se da 
formalidade para requerer toda e qualquer espécie de coisa, 
que contribua para a fundamentação da prova.
Recapitulando
Os conteúdos abordados referentes às fases de instrução do 
processo centraram-se na proforma das etapas que ocorrem 
nos processo, de forma abrangente, geral, como: a audiência 
inaugural, a contestação, e se houver a necessidade de pro-
vas a serem utilizadas, que por vezes requerem a nomeação 
do perito. Foram identificados durante o texto que quesitos 
são parte central da lide, pois as partes envolvidas no conflito 
indicam seus assistentes técnicos. Verificou-se, mais especifica-
mente em se tratando da contabilidade, que o Perito-Contador 
contribui no auxílio para a opinião sobre temas das áreas: 
contábeis, fiscais e administrativas.
Durante a abordagem dos conteúdos teóricos, notou-se 
que o desenvolvimento do planejamento de trabalho, em to-
das as suas fases, deu foco ao conhecimento técnico e cientí-
fico que o Perito-Contador deve possuir, para o fim específico 
que ao término do trabalho culmine com a elaboração do 
laudo pericial. Para tanto, exemplificou-se modelos de Plane-
jamento, em que se apresenta inclusive as fases, tempo fixado 
e prazo, e ainda o Termo de Diligência.
124 Arbitragem e Perícia Contábil
Referências
BRASIL. LEI N° 6.404, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1976. 
Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de 
agosto de 2016.
______. LEI N° 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 
1996. Dispõe sobre a arbitragem. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de 
julho de 2016.
______. LEI N° 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Dis-
põe sobre o Código de Processo Civil. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 27 de 
julho de 2016.
______. LEI N° 13.129, DE 26 DE MAIO DE 2015. Altera a 
Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996, e a Lei n° 6.404, 
de 15 de dezembro de 1976, para ampliar o âmbito de 
aplicação da arbitragem e dispor sobre a escolha dos 
árbitros quando as partes recorrem a órgão arbitral, a in-
terrupção da prescrição pela instituição da arbitragem, a 
concessão de tutelas cautelares e de urgência nos casos de 
arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral, e revoga 
dispositivos da Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996. 
Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. 
Acesso em: 19 de julho de 2016.
ALBERTO, Valdeir Luiz Palombo. Perícia Contábil: Normas 
Brasileiras de Perícia Contábil Comentadas (NBC T 01 e 
NBC PP 01); Aspectos Legais, Civis e Criminais; Casos Prá-
Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 125
ticos de Perícia Contábil das Áreas Cível, Federal, Traba-
lhista (Instrução e Liquidação) e Extrajudiciais; Honorários 
Periciais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
COMISSÃO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM – CMA/OAB/
MG. Cartilha de Arbitragem. Ordem dos Advoga-
dos do Brasil – Minas Gerais, 2009. Disponível em: 
<http://www.precisao.eng.br/jornal/Arbitragem.pdf>. 
Acesso em: 19 de julho de 2016.
ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia Contábil. 5. 
ed. São Paulo: Atlas, 2011.
RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCTP01, de 19 de março de 2015. 
Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 – PE-
RÍCIA CONTÁBIL.
RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCPP01, de 19 de março de 2015. 
Norma Brasileira de Contabilidade - NBC PP 01 – PE-
RITO CONTÁBIL.
SÁ, Antônio Lopes. Perícia Contábil. 10. ed. Revisada e Am-
pliada. São Paulo: Atlas, 2011.
Atividades
 1) Assinale na segunda coluna, de acordo com a primeira, a 
relação da Fase da perícia com a definição dos procedi-
mentos de perícia contábil:
A) Exame
126 Arbitragem e Perícia Contábil
B) Vistoria
C) Indagação
D) Investigação
( ) é a pesquisa que busca trazer ao laudo pericial con-
tábil ou parecer pericial contábil o que está oculto por 
quaisquer circunstâncias.
( ) é a análise de livros, registros das transações e docu-
mentos.
( ) é a diligência que objetiva a verificação e a constata-
ção de situação, coisa ou fato, de forma circunstan-
cial.
( ) é a busca de informações mediante entrevista com co-
nhecedores do objeto ou de fato relacionado à perí-
cia.
A ordem correta é:
a) D, A, B, C
b) A, B, C, D
c) B, C, D, A
d) C, D, A, B
e) D, C, B, A
 2) Considere a relação do Perito-contador com o Perito-con-
tador assistente, quanto aos procedimentos e as fases. De-
pois de concluído seu trabalho, o perito deve:
Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 127
a) fornecer, quando solicitado, cópia do contrato, ao 
perito-contador assistente, informando-lhe a data em 
que o laudo pericial contábil será protocolizado.
b) fornecer, quando solicitado, cópia do laudo, ao perito-
-contador assistente, informando-lhe a data em que o 
laudo pericial contábil será protocolizado.
c) fornecer, sempre, cópia do laudo, ao perito-contador 
assistente, informando-lhe a data em que o laudo pe-
ricial contábil será protocolizado.
d) fornecer, jamais, cópia do laudo, ao perito-contador 
assistente, informando-lhe a data em que o laudo pe-
ricial contábil será protocolizado.
e) fornecer, sob força da norma contábil, cópia do laudo, 
ao perito-contadorassistente, informando-lhe a data 
em que o laudo pericial contábil será protocolizado.
 3) Os objetivos do planejamento da perícia, no sentido de es-
tabelecer todas as etapas, no programa de trabalho, que é 
a especificação de cada etapa a ser realizada e que deve 
ser elaborada com base nos quesitos propostos:
I - estabelecer condições para que o trabalho seja cumpri-
do no prazo estabelecido.
II - identificar potenciais problemas e riscos que possam vir 
a ocorrer no andamento da perícia.
III - estabelecer como ocorrerá a divisão das tarefas entre 
os membros da equipe de trabalho, sempre que o pe-
rito necessitar de auxiliares.
128 Arbitragem e Perícia Contábil
IV - facilitar a execução e a revisão dos trabalhos.
Pode-se afirmar que:
a) Todos os itens não são verdadeiros.
b) Apenas os itens II e III são verdadeiros.
c) Todos os itens não são falsos.
d) Apenas os itens I e IV são falsos.
e) É falso o item I e verdadeiros os itens II, III e IV.
 4) Considere que, no cronograma de trabalho, devem ficar 
evidenciados, quando aplicáveis, todos os itens necessá-
rios à execução da perícia. Assinale a alternativa que indi-
ca somente itens indispensáveis:
a) diligências a serem realizadas; deslocamentos; neces-
sidade de trabalho de terceiros; pesquisas que serão 
feitas e tempo de repouso com a família.
b) elaboração de cálculos e planilhas; perguntas aos 
quesitos; prazo para entrega do laudo e outros ne-
cessários para assegurar que todas as etapas sejam 
cumpridas.
c) diligências que não devem ser realizadas; desloca-
mentos; necessidade de trabalho de terceiros e pes-
quisas que serão feitas.
d) elaboração de cálculos e planilhas; respostas aos que-
sitos; prazo para entrega do laudo e outros necessários 
para assegurar que todas as etapas sejam cumpridas.
Capítulo 6 Desenvolvimento e Fases da Perícia 129
e) diligências a serem realizadas; deslocamentos; pernoi-
tes com acompanhantes; necessidade de trabalho de 
terceiros e pesquisas que serão feitas.
 5) Relacione a atividade com a ação que o Perito-contador 
deve considerar no planejamento e execução da Perícia 
Judicial:
A) Carga ou Recebimento do processo
B) Leitura do Processo
C) Aceitação ou não da Perícia
D) Proposta de Honorários
( ) Com base na relevância, no vulto, no risco e na com-
plexidade dos serviços, entre outros, estimar as horas 
para cada fase do trabalho, considerando ainda a 
qualificação do pessoal que participará dos serviços, 
o prazo para entrega dos trabalhos e a confecção de 
laudos interprofissionais.
( ) Após estudo e análise dos autos, constatando-se que 
há impedimento, não havendo interesse do Perito ou 
não estando habilitado para fazer a perícia, devolver o 
Processo justificando o motivo da escusa. Aceitando o 
encargo da perícia, proceder ao planejamento.
( ) Conhecer os detalhes acerca do objeto da perícia, 
realizando a leitura e o estudo dos autos.
( ) Após receber a intimação do Juiz, quando for o caso, 
retirar o Processo do Cartório/Vara.
130 Arbitragem e Perícia Contábil
A ordem correta é:
a) A, B, C, D
b) B, C, D, A
c) C, D, A, B
d) D, A, B, C
e) D, C, B, A
Jucelaine Bitarello1
Capítulo 7
Provas Documentais e 
Laudo Pericial Contábil1
1 Jucelaine Bitarello é Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade de 
Santa Cruz do Sul (UNISC), RS, especialista em Administração e Estratégia Empre-
sarial pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), Canoas, RS, e graduada em 
Ciências Contábeis pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), RS. Ela é 
professora dos cursos de Ciências Contábeis, Administração e Gestão Pública da 
ULBRA, presencial e EaD. Jucelaine tem experiência profissional em organizações 
privadas e públicas, é autora de diversos artigos científicos, nacionais e internacio-
nais, é autora de livros e capítulos de livros. Ela é, também, consultora ad hoc do 
Ministério da Educação e Cultura (MEC/INEP).
132 Arbitragem e Perícia Contábil
Introdução
Neste capítulo são apresentados conteúdos que abordam dois 
aspectos: o primeiro é prova documental preparada e não 
preparada, na qual são descritos os documentos obrigatórios 
e os não obrigatórios, para a identificação das penalidades 
aplicadas, e ainda a prescrição tributária e trabalhista, a qual 
está assegurada, mas tem tempo de carência para sua reivin-
dicação. No segundo, traz-se o entendimento sobre o laudo 
pericial, no qual é pretensão do texto a abordagem conceitual, 
ilustração de sua estrutura, a qual é um formato (estilo) de ser 
construído, bem como quais quesitos devem estar apresenta-
dos no laudo.
7.1 Prova Documental Preparada e Não 
Preparada
Neste tópico atente-se o/a leitor/a para os fundamentos que 
são trazidos na visão de três autores distintos: Ornelas (2011), 
Sá (2011) e Alberto (2012). Veja nessa linha que há também 
três etapas, momentos distintos à questão da PROVA em se 
tratando da Perícia.
PRIMEIRO MOMENTO: O ÔNUS DA PROVA - assim en-
sina Ornelas (2011, p. 27), referindo-se ao termo ônus, que é 
o interesse de oferecer ou produzir provas necessárias com o 
fim de corroborar às alegações oferecidas, sendo que:
Capítulo 7 Provas Documentais e Laudo Pericial Contábil 133
O dever de provar compete a quem alega, a quem afir-
ma ou nega determinados fatos da causa. Quem busca 
proteção da justiça depara-se com a necessidade de pro-
duzir provas. Quem oferecer as provas mais convincentes 
fatalmente obterá sucesso.
Em análise da citação, fica evidente de que a parte que 
não produzir as suas provas, ou deixar de fazê-lo, arcará com 
as consequências em detrimento de não tê-lo feito. Por isso, o 
CPC, em seu Art. 333, trata da dicotomia lógica da seguinte 
forma: “incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo 
de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato 
impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. 
Diante desse aspecto dicotômico, é que a perícia, mediante o 
dispositivo técnico e científico, conforme Ornelas (2011), en-
contra suporte documental para ilustrar os fatos jurídicos sobre 
o objeto periciado.
Neste contexto da prova de fatos jurídicos, Ornelas (2011, 
p. 28) cita Moacyr Amaral dos Santos (1983) quanto a 
definição desses e que devem estar no domínio do perito, da 
seguinte forma:
Fatos constitutivos: se entendem os que têm a eficácia 
jurídica de dar vida, de fazer nascer, de constituir a rela-
ção jurídica [...].
Fatos extintivos: os que têm a eficácia de fazer cessar a 
relação jurídica.
134 Arbitragem e Perícia Contábil
Fatos impeditivos: todas aquelas circunstâncias que im-
pedem decorra de fato o efeito que lhe é normal, ou 
próprio, e que constitui a sua razão de ser.
Fatos modificativos: os que, sem excluir ou impedir a 
relação jurídica, à qual são posteriores, têm a eficácia 
de modificá-la.
Diante desses fatos jurídicos citados, tem-se então a ca-
pacidade da compreensão de qual a lógica estabelecida no 
conflito, em que a matéria fática está no que Ornelas (2011) 
cita como fatos constitutivos. Esses fatos constitutivos, por sua 
vez, são os pressupostos para a prova contrária, em que pese, 
a prova documental. LEMBRETE: no Capítulo 3 tratou-se dos 
outros meios de prova, no entanto, neste, dá-se ênfase à prova 
documental constitutiva do fato.
SEGUNDO MOMENTO: FINS E PROVAS DA PERÍCIA – 
neste ponto cita-se os ensinamentos de Sá (2011, p. 6-7), em 
que “o fim é sempre obter Prova Competente”. Porquanto que 
“a Prova” necessária de estar lastreada em “bases consistentes 
e de plena materialidade (competentes e verdadeiras)”. Essa fi-
xação do autor requer entendimento de que a prova enseja em 
primeira como em última análise, documentos probatórios do 
fato. No entanto, não se desconsidera, de forma alguma, se 
houver interesse de alguma das partes,que o perito amplie co-
mentários, a partir de outros objetos de provas, e não somente 
documentais, desde que autorizados, pelas partes e/ou juiz.
TERCEIRO MOMENTO: DOCUMENTO – tal qual como 
previsto na Seção V do Capítulo VI do CPC, em seus Arts. 
364 a 399, é a chamada “prova documental”. Dessa forma, 
Capítulo 7 Provas Documentais e Laudo Pericial Contábil 135
Alberto (2012, p. 16-17) cita que “documentos” são aqueles 
sobre os quais a perícia se debruça para “fundamentar o di-
reito alegado ou direito contestado”. LEMBRETE: novamente 
recomenda-se revisitar o Capítulo 3, no qual já se tratou sobre 
os tipos e origem de documentos que servem de prova.
7.2 Laudo pericial Contábil
Para o entendimento do Laudo Pericial Contábil, traz-se al-
gumas considerações iniciais, em que Sá (2011, p. 42) cita 
que “Laudo” é uma palavra que provém da expressão verbal 
latina “laudare”, no sentido de “pronunciar”. Assim, é uma 
manifestação de um especialista sobre o objeto da perícia.
Seguindo ainda na definição da conceituação de Laudo, 
Sá (2011, p. 12) cita: “Laudo é o julgamento ou pronuncia-
mento, baseado nos conhecimentos que tem o profissional da 
contabilidade, em face de eventos ou fatos que são submeti-
das a sua apreciação”. Não há o mesmo entendimento para 
os autores citados. Alberto (2012, p. 130) fala sobre o Laudo 
Pericial em sentido amplo:
Laudo, assim, é sempre peça escrita – é documento pro-
duzido, o relatório, enfim, pericial – e deve expor clara-
mente as circunstância de sua elaboração, expondo ao 
usuário as observações e estudos efetuados a respeito da 
matéria e, principalmente, os fundamentos e as conclu-
sões a que chegou.
136 Arbitragem e Perícia Contábil
Neste horizonte, o autor Alberto (2012) cita o entendimen-
to de Moacyr Amaral dos Santos (1968) da seguinte forma: 
“Laudo consiste na fiel exposição das operações e ocorrências 
da diligência com o parecer fundamentado sobre a matéria 
que lhes foi submetida”. Diante disso, cita-se que o Laudo Pe-
ricial especificamente da contabilidade está mencionado no 
item 58 da Norma de Perícia Contábil (NBC TP 01).
Retoma-se novamente o que explica Alberto (2012, p. 130) 
sobre a definição conceitual de Laudo Pericial: “é a forma pura 
da expressão da perícia, eis que é esta espécie predominan-
temente nas aplicações da perícia contábil”. [...] e conclui 
que a Perícia Contábil “distingue-se das demais espécies, pois 
destina-se precipuamente à prova, prestando informações e 
manifestando opiniões subsidiárias à decisão”, a qual pode 
inclusive servir para a liquidação de sentenças (conteúdo que 
será estudado no último capítulo deste livro).
No âmbito de conceituação, Ornelas (2011, p. 87) apre-
senta um fechamento amplo dos tipos de perícias, em que o 
“laudo pericial contábil é a peça técnica da lavra do perito 
nomeado”. Assim, pode ser elaborado em cumprimento da 
determinação “judicial, arbitral, ou ainda por força de con-
tratação”. Pode-se então entender que há possibilidades do 
laudo apresentar, eventualmente, tipificações distintas no aten-
dimento do tipo da perícia, sem, no entanto, distanciar-se das 
suas características e estrutura sugerida, no caso do Laudo em 
Perícias Contábeis, o qual é o foco deste livro.
Após esses conceitos inicias, na sequência do texto apre-
sentam-se diversas especificidades do Laudo Pericial, baseado, 
Capítulo 7 Provas Documentais e Laudo Pericial Contábil 137
em sua maioria, o fundamento teórico nos autores Ornelas 
(2011), Sá (2011) e Alberto (2012), assim como na Resolução 
CFC n° 1.243, de 10 de dezembro de 2009, que trata das 
NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE - NBC TP 01 
– PERÍCIA CONTÁBIL; e na RESOLUÇÃO CFC n° 1.244, 
de 10 de dezembro de 2009 - NORMAS BRASILEIRAS DE 
CONTABILIDADE - NBC PP 01 – PERITO CONTÁBIL.
Inicialmente apresenta-se Característica de um Laudo 
Pericial, que é a peça final e fundamental da perícia. É atra-
vés dele que o Perito fornece subsídios para a formação da 
convicção pessoal do julgador da lide e das partes envolvidas. 
A sua elaboração deve obedecer a alguns princípios técnicos:
a) uso de linguagem simples, objetiva e clara.
b) uso correto do vernáculo, evitando-se ambiguidades.
c) respostas rápidas, claras e objetivas aos quesitos for-
mulados, evitando-se respostas monossilábicas (do 
tipo “Sim” e “Não”). A resposta deve atingir a pergunta 
diretamente, sem rodeios.
d) o Laudo deve ser abrangente, proporcionando uma 
visão generalizada da matéria examinada.
Como citado em parágrafo anterior, nota-se que não existe 
um padrão de laudo, mas existem formalidades que compõem 
a estrutura dos mesmos. Em geral, um laudo deve ter, no míni-
mo, em sua estrutura, os seguintes elementos ilustrados:
138 Arbitragem e Perícia Contábil
Informações 
iniciais
Itens que deve conter
Cabeçalho
I - Vara ou Junta em que a ação está tramitando.
II - Nome do Juiz (de Direito ou do Trabalho).
III - Tipo de ação, número do processo.
IV - Nomes das partes litigantes (Autor e Réu, 
reclamante e Reclamado, Demandante e Deman-
dado).
Introdução
I - Identificação do perito e folha dos autos onde 
consta sua nomeação com a data respectiva.
II - Espécie de perícia a que se refere o laudo.
III - Data e local onde a diligência foi efetuada, 
mencionando o dia e a hora do início e do seu 
término.
IV - Pessoas que assistiram à diligência, principal-
mente as que foram intimadas judicialmente.
Ao analisar-se a ilustração, nota-se que, na parte inicial do 
Laudo, constam as informações que dão a Visão do Conjun-
to, do que está ao exame pericial. Assim, o Perito-Contador 
não pode esquecer-se de ter uma visão do conjunto, atentando 
para tudo aquilo que se relaciona com a o fato a ser periciado. 
Haja vista que os Quesitos são as questões técnicas objeto da 
lide, que se apresentam desenvolvidas por meio de perguntas 
formuladas pelo magistrado ou pelas partes, ou por uma das 
partes. No caso administrativo, os quesitos são identificados 
pelas áreas de interesse que foram objeto de indagação.
Em relação às Respostas aos Quesitos, mencionado no 
parágrafo anterior, o Perito Contábil deve observar algumas 
regras básicas. Veja que as respostas devem seguir-se aos que-
Capítulo 7 Provas Documentais e Laudo Pericial Contábil 139
sitos, e, por uma questão hierárquica, são oferecidas, prelimi-
narmente, as respostas aos formulados pelo magistrado, em 
seguida as respostas aos formulados pelas partes, pela ordem 
de sua juntada aos autos do processo.
Observa-se ainda que os quesitos devam ser pertinentes à 
matéria que forma o motivo da ação. Devem ser formulados 
em sequência lógica, de modo a conduzir-se à conclusão que 
se deseja. Exemplifique-se que: em um caso, no qual se deseja 
provar que o registro realizado pela empresa vale como prova 
de que um capital foi integralizado regularmente, com recur-
sos dos sócios, os quesitos podem ser do tipo:
a) A empresa.... possui escrita regular, na forma da legis-
lação comercial e fiscal e de acordo com os preceitos 
contábeis?
b) Em tal data realizou o registro do aumento de capital?
c) Tal registro está lastreado em documento hábil?
d) O registro está feito de acordo com as normas contá-
beis usuais?
e) O Capital aumentado foi integralizado?
f) A integralização ocorreu em numerário?
g) As contas usadas para o registro são adequadas?
h) O aumento de capital está regularmente comprovado 
e registrado na forma contábil?
140 Arbitragem e Perícia Contábil
Verifica-se pelos itens mencionados que o último quesito é 
a “conclusão” que se desejava. Quando, todavia, são várias 
as conclusões a encontrar, o mesmo critério se usa para “cada 
conclusão desejada”. Nota-se que os quesitos são aspecto 
norteador, pontos de partida, mas podem não ser o ponto de 
chegada. Então,os Requisitos das Respostas no Laudo são 
as respostas aos quesitos que devem ter os seguintes elemen-
tos ilustrados:
Requisitos Elementos de Respostas
Objetividade Uma resposta deve ater-se ao seu objeto, isto é, 
ao que está sendo perguntado.
Justificação Só responder não basta; é necessário se explicar 
por que se chegou à resposta (isso é argumen-
tar).
Rigor Tecnológico Um laudo não é uma peça de suposição, ficção 
ou literatura, mas alto tecnológico, ou seja, 
inspira-se nos princípios da doutrina contábil.
Precisão É necessário que se tenha certeza sobre o que 
se afirma.
Complementação Quando necessária, deve ser feita.
Clareza Para que a resposta seja entendida é preciso 
que esteja ao alcance de quem vai utilizá-la.
Verifica-se na ilustração que há diferença entre os termos: 
primeiro - os quesitos, e segundo - os requisitos. Os quesitos 
são as perguntas, e os requisitos são a forma de como devem 
ser apresentadas as respostas aos primeiros (quesitos). Podem 
haver, também, Quesitos Suplementares, o que não se trata 
Capítulo 7 Provas Documentais e Laudo Pericial Contábil 141
de estabelecer um novo exame, mas de adicionar ao já feito 
elementos que se fazem necessários.
Após a entrega dos laudos, o Juiz abre, às partes, o exa-
me dos mesmos. Isso enseja que pode surgir a necessidade 
de complementar, em razão de as respostas sugerirem novos 
exames pertinentes. Portanto, o Juiz deverá deferir o pedido 
para que o Perito realize seu trabalho com base em quesitos 
complementares. Isso requer o cuidado que deve ter o Perito 
com respeito à coerência entre esses laudos.
Se por um lado podem haver Quesitos Suplementares, 
como visto em parágrafo anterior, podem haver, por outro 
lado, Quesitos Impertinentes, os quais o Perito pode dei-
xar de responder, se julgar que foge a sua especialidade. O 
Perito-Contador deve limitar-se à matéria de sua competência 
profissional. Assim, veja um exemplo de resposta:
Quesito n°........
Resposta: Considera o perito o quesito impertinente ao 
âmbito de sua responsabilidade profissional, deixando, por 
conseguinte de respondê-lo.
Apesar de as perícias se referirem a fatos contábeis, ou 
seja, os alusivos ao patrimônio, e de parecer que só a verifica-
ção ou exame de registros e demonstrações é objeto de perí-
cias, a verdade é que surgem casos especiais em que se requer 
142 Arbitragem e Perícia Contábil
“opinião” do perito, denominado de Comentários Periciais, 
por exemplo:
Quesito n°......
Pergunta e Comentário: Pode o Senhor Perito informar 
se as despesas glosadas pelo Auditor do Tesouro Nacional, 
segundo auto de infração n°...... motivo da presente lide, são 
“operacionais” ou “não”?
IMPORTANTE: A Empresa pode discordar da opinião do 
agente do fisco requerer perícia para determinar se a despesa 
é ou não dedutível para fins de imposto de renda. O Perito 
terá, então, que oferecer seus conceitos assimilados no exer-
cício profissional, de obras especializadas e de normas contá-
beis se existirem sobre o fato em questão.
Depois de verificados esses detalhamentos do Laudo Peri-
cial, apresentam-se as Considerações finais. Dessa forma, o 
laudo concluído é assinado pelos peritos (oficial e assistentes, 
se de consenso). Se não houver consenso o perito auxiliar faz 
laudo à parte ou discordante (como visto em capítulo anterior, 
não há obrigação de concordância, mas requer elementos 
que fundamentem a discordância). Então, na sequência, apre-
senta-se uma ilustração de um modelo de Laudo Pericial:
Capítulo 7 Provas Documentais e Laudo Pericial Contábil 143
AO
EXMO SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA.... VARA CÍVEL DE PORTO ALE-
GRE
Processo:..................
Autor:.......................
Réu:..........................
FULANO DE TAL, nomeado Perito Contábil por V. Exª no processo aci-
ma referido, vem apresentar seu laudo pericial como segue:
Inicialmente, procedi a leitura detalhada dos autos. Na falta de ele-
mentos necessários na elaboração do Laudo Pericial, procedi diligên-
cias na Empresa......, nos dias........, no horário das........, com a par-
ticipação dos peritos assistentes e o acompanhamento do funcionário 
FULANO DE TAL da Empresa.
Respostas aos Quesitos
a) Quesitos formulados pelo Autor
- pergunta
- resposta (ou indicação do anexo onde consta)
b) Quesitos formulados pela Ré
- pergunta
- resposta (ou indicação do anexo onde consta ou da página dos Au-
tos onde consta).
- colocar o demonstrativo dos honorários.
Coloco-me à disposição de V. Exª e das partes para quaisquer esclare-
cimentos que se fizerem necessários.
Atenciosamente.
Local e data.
Assinatura
CRC/RS
144 Arbitragem e Perícia Contábil
Em análise ao modelo do Laudo Pericial, pode-se verificar 
que é simples, mas pode, conforme aventado no início deste 
tópico, haver maior amplitude, dependendo do tipo e espécie 
de Perícia. Por fim, há que se considerar que tem Anexos ao 
Laudo Pericial, os quais “Ilustram” as respostas, para evitar 
que se tornem prolixas ou, então, reforçam a opinião. A jun-
tada destes documentos deve ser feita, mas não no sentido de 
“inchar” o Laudo Contábil, pois deve-se fazer apenas a junta-
da de alguns exemplares de vários documentos, pelas seguin-
tes razões: primeiro porque o Perito Contábil tem fé pública; 
e, segundo, porque o excesso de documentos estará transfor-
mando a prova pericial em prova documental. Exemplificam-
-se alguns documentos que podem ser anexados: extratos de 
contas, documentos auxiliares, demonstrações de cálculos, 
pareceres, inventários, balanços, listagens, declarações, ente 
outros.
Recapitulando
Nos conteúdos apresentados neste capítulo buscou-se o trata-
mento em dois aspectos: o primeiro foi dar ênfase à prova, a 
qual sendo documental preparada e não preparada, é ainda a 
forma mais contundente para a perícia contábil. Assim, foram 
identificados elementos mínimos, descritos nos documentos 
obrigatórios e os não obrigatórios, para a identificação das 
penalidades aplicadas, e ainda a prescrição tributária e tra-
balhista, a qual está assegurada, mas tem tempo de carência 
para sua reivindicação. No segundo momento, aprofundou-se 
conceitos e o entendimentos sobre o laudo pericial, no qual 
Capítulo 7 Provas Documentais e Laudo Pericial Contábil 145
foi pretensão do texto a abordagem conceitual, ilustração de 
sua estrutura, as características, o formato (estilo) de ser cons-
truído, bem como quais quesitos devem estar apresentados no 
laudo, inclusive sua versatilidade de aplicação de acordo com 
o tipo e espécie de perícia.
Referências
BRASIL. LEI N° 6.404, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1976. 
Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de 
agosto de 2016.
______. LEI N° 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 
1996. Dispõe sobre a arbitragem. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de 
julho de 2016.
______. LEI N° 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Dis-
põe sobre o Código de Processo Civil. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 27 de 
julho de 2016.
______. LEI N° 13.129, DE 26 DE MAIO DE 2015. Altera a 
Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996, e a Lei n° 6.404, 
de 15 de dezembro de 1976, para ampliar o âmbito de 
aplicação da arbitragem e dispor sobre a escolha dos 
árbitros quando as partes recorrem a órgão arbitral, a in-
terrupção da prescrição pela instituição da arbitragem, a 
146 Arbitragem e Perícia Contábil
concessão de tutelas cautelares e de urgência nos casos de 
arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral, e revoga 
dispositivos da Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996. 
Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. 
Acesso em: 19 de julho de 2016.
ALBERTO, Valdeir Luiz Palombo. Perícia Contábil: NormasBrasileiras de Perícia Contábil Comentadas (NBC T 01 e 
NBC PP 01); Aspectos Legais, Civis e Criminais; Casos Prá-
ticos de Perícia Contábil das Áreas Cível, Federal, Traba-
lhista (Instrução e Liquidação) e Extrajudiciais; Honorários 
Periciais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
COMISSÃO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM – CMA/OAB/
MG. Cartilha de Arbitragem. Ordem dos Advoga-
dos do Brasil – Minas Gerais, 2009. Disponível em: 
<http://www.precisao.eng.br/jornal/Arbitragem.pdf>. 
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ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia Contábil. 5. 
ed. São Paulo: Atlas, 2011.
RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCTP01, de 19 de março de 2015. 
Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 – PE-
RÍCIA CONTÁBIL.
RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCPP01, de 19 de março de 2015. 
Norma Brasileira de Contabilidade - NBC PP 01 – PE-
RITO CONTÁBIL.
SÁ, Antônio Lopes. Perícia Contábil. 10. ed. Revisada e Am-
pliada. São Paulo: Atlas, 2011.
Capítulo 7 Provas Documentais e Laudo Pericial Contábil 147
Atividades
 1) Assinale a alternativa que melhor justifica o ÔNUS DA 
PROVA:
a) O direito de provar compete a quem alega, a quem 
afirma ou nega determinados fatos da causa. Quem 
busca proteção da justiça depara-se com a necessida-
de de produzir provas. Quem oferecer as provas mais 
convincentes fatalmente obterá sucesso.
b) O dever de provar compete a quem alega, a quem 
afirma ou nega determinados fatos da causa. Quem 
busca proteção da justiça depara-se com a necessi-
dade de não produzir provas. Quem não oferecer as 
provas mais convincentes fatalmente obterá sucesso.
c) O dever de provar compete a quem alega, a quem 
afirma ou nega determinados fatos da causa. Quem 
não busca proteção da justiça depara-se com a neces-
sidade de produzir provas. Quem oferecer as provas 
menos convincentes fatalmente obterá sucesso.
d) O dever de provar compete a quem alega, a quem 
afirma ou nega determinados fatos da causa. Quem 
busca proteção da justiça depara-se com a necessida-
de de produzir provas. Quem oferecer as provas mais 
convincentes fatalmente obterá sucesso.
e) O dever de provar jamais (nunca) compete a quem 
alega, a quem afirma ou nega determinados fatos da 
causa. Quem busca proteção da justiça depara-se 
148 Arbitragem e Perícia Contábil
com a necessidade de produzir provas. Quem oferecer 
as provas mais convincentes fatalmente obterá suces-
so.
 2) O Art. 333 do CPC trata da dicotomia lógica de dois su-
jeitos – o autor e o réu – e cita: “incumbe: I – ao autor, 
quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, 
quanto à existência de fato impeditivo, modificativo 
ou extintivo do direito ao autor”. Assim pode-se afirmar 
que:
a) Não há relação entre os dois itens.
b) Um não justifica a existência do outro.
c) O primeiro é consequência do segundo.
d) Pode haver autor sem réu e vice-versa.
e) O segundo é consequência do primeiro.
 3) Relacione a primeira com a segunda coluna:
A) O Ônus da Prova.
B) Fins e Provas da Perícia.
C) Documento.
( ) sobre os quais a perícia se debruça para “fundamentar 
o direito alegado ou direito contestado.
( ) Bases consistentes e de plena materialidade (compe-
tentes e verdadeiras).
( ) É a consequência em detrimento de não tê-lo feito.
Capítulo 7 Provas Documentais e Laudo Pericial Contábil 149
A ordem correta é:
a) C, B, A
b) B, A, C
c) A, C, B
d) A, B, C
e) B, C, A
 4) Os documentos, em se tratando de perícia, devem ser de 
domínio técnico e científico para o perito, pois eles servem 
para definir os fatos. Diante disso relacione a primeira com 
a segunda coluna:
A) Fatos constitutivos.
B) Fatos extintivos.
C) Fatos impeditivos.
D) Fatos modificativos.
( ) Todas aquelas circunstâncias que impedem que decor-
ra de fato o efeito que lhe é normal, ou próprio, e que 
constitui a sua razão de ser.
( ) Os que têm a eficácia de fazer cessar a relação jurídi-
ca.
( ) Os que, sem excluir ou impedir a relação jurídica, à 
qual são posteriores, têm a eficácia de modificá-la.
( ) Se entendem os que têm a eficácia jurídica de dar vida, 
de fazer nascer, de constituir a relação jurídica [...].
150 Arbitragem e Perícia Contábil
A ordem correta é:
a) A, C, B, D
b) D, A, C, B
c) C, B, D, A
d) B, D, A, C
e) A, B, C, D
 5) Analise a seguinte afirmação: É através dele que o Pe-
rito fornece subsídios para a formação da convicção 
pessoal do julgador da lide e das partes envolvidas. 
Assinale a alternativa a que se refere a frase:
a) Ao documento que prove a existência das duas partes 
conflitantes da lide.
b) Ao Laudo Pericial.
c) Ao documento examinado e vistoriado como base de 
prova.
d) Ao conjunto de diligências procedidas para a produ-
ção do Ônus da Prova.
e) Ao relatório de anexos que subsidiaram as diligências 
como verdade dos fatos.
Pedro Edmundo Boll1
Capítulo 8
Remuneração do 
Perito-contador1
1 Pedro Edmundo Boll é Graduado em Ciências Contábeis pela Universidade 
Luterana do Brasil (ULBRA) (1984), Pós-Graduado em Administração e Planeja-
mento para Docentes pela mesma universidade (1991), Graduado em Ciências 
Jurídicas e Sociais pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) (2001) 
e Mestre em Ciências Empresariais e Fraudes Contábeis pela Universidade de Fer-
nando Pessoa (UFP Portugal) (2003). Tem experiência na área de Administração, 
com ênfase em Ciências Contábeis, desde 1984, e atua como Perito Contábil, nas 
esferas Federal, Estadual e Trabalhista. É empresário na área contábil desde 1988. 
É Professor na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) desde 1990.
152 Arbitragem e Perícia Contábil
Introdução
Neste capítulo é abordada a remuneração do Perito-Con-
tador pelos serviços periciais prestados. O Perito-Contador faz 
um requerimento de honorários, e no decurso da execução 
dos trabalhos pode, em decorrência de eventos novos, ajustar 
o requerimento de honorários, majorando ou minorando o va-
lor inicialmente solicitado, sempre comunicando formalmente, 
através de petição, o juízo, ou a parte que o contratou. E, 
pode, ainda, ocorrer que haja depósitos prévios e/ou comple-
mentares, pois os honorários são o reflexo da complexidade 
exigida no decorrer da execução da perícia.
Verifica-se também que a fase de execução do processo 
caracteriza-se em provisória ou definitiva, em que as partes 
conflitantes almejam a sentença da lide. Sob este aspecto da 
sentença, o relatório dos serviços prestados estão fundamenta-
dos na substanciação de opinião do perito em vista ao auxílio 
do juiz para a conclusão ou decisão.
8.1 Honorários Profissionais ou 
Arbitramento de Honorários e a Fase 
de Execução do Processo
A aceitação da Perícia por parte do Perito é o marco inicial 
para os Honorários Profissionais, os quais requer a quem 
pede a Perícia, e este é o que deve fazer o depósito. Em caso 
de aumento da carga horária do perito, ele pode pedir rea-
juste. A proposta deve ser feita de tal maneira a não cometer 
Capítulo 8 Remuneração do Perito-contador 153
erros contra si nem contra a parte. Cabe efetuá-la na qualida-
de de zelo.
Em relação ao Arbitramento de Honorários, o Perito-
-Contador apresenta uma “estimativa” de honorários e solicita 
ao Juiz o arbitramento de seus honorários, isto em se tratan-
do de perícia Judicial. Nas Perícias Extrajudiciais, os valores 
são ajustados entre a parte e o Perito, bem como na visão de 
Ornelas (2011) a Arbitral.
De outra forma, Sá (2011, p. 71) refere que aceitada a 
perícia, “o profissional deve requerer seus honorários (fazem 
parte das custas e quem pede a perícia é quem deve fazer o 
depósito)”. Segue seu raciocínio citando que: “tal fixação pré-
via pode, todavia, ser reajustada se o prazo da perícia assim o 
exigir e nos casos de inflação (habitual em nosso país)”. Essa 
práticarequer conhecimento do cenário econômico para que 
não haja subestimação dos honorários e tão pouco o inverso 
superestimação.
Avançando no trabalho pericial, a forma de remuneração 
se diferencia em aspecto global, conforme Alberto (2012, 
p. 156), dependendo do tipo e espécie de perícia, da seguinte 
forma:
a) se o profissional está funcionando como perito em 
processo judicial;
b) se está funcionando em inquérito policial;
c) se está funcionando em comissão parlamentar de 
inquérito;
154 Arbitragem e Perícia Contábil
d) se está realizando perícia extrajudicial; e,
e) se está realizando perícia em juízo arbitral.
Os tipos e espécies de perícias mencionados na citação 
podem ser aprofundados em Alberto (2012), nas páginas 161 
a 163, pois não são o objeto de aprofundamento neste livro-
-texto. No entanto, em perícias Judiciais, compete ao magis-
trado fixar a remuneração que, conforme Ornelas (2011, p. 
103), essa é uma forma de “arbitramento” de honorários. No 
entanto, por força do parágrafo único do Art. 33 do CPC, o 
magistrado pode solicitar ao Perito nominado que “ofereça or-
çamento ou estimativa de sua remuneração, a ser fixada antes 
do início do trabalho pericial”. Ornelas (2011, p. 104) deno-
mina esse dispositivo de independência do Perito profissional 
quanto a sua remuneração, em que cita:
Para tanto, o perito subsidia essa decisão, apresentando, 
por meio de petição, sua demonstração do custo do tra-
balho pericial em que conste as horas técnicas, a serem 
aplicadas em cada fase do trabalho pericial e respectivo 
custo da hora técnica, levando em consideração as re-
comendações aprovadas ou homologadas pelos Conse-
lhos Regionais de Contabilidade.
Em verificação a citação anterior, lembre-se o/a leitor/a 
que no Capítulo 6 foi ilustrado um quadro demonstrativo das 
características e etapas do plano de trabalho do Perito. Frisa-
-se que na perícia Judicial, na petição dos honorários, o ma-
gistrado pode dar ciência às partes do conflito, bem como 
pode a remuneração sem a anuência das partes. Essa anuên-
cia seria entendida como prudência do magistrado, evitando 
Capítulo 8 Remuneração do Perito-contador 155
assim possibilidade de impugnação, que, na visão de Alberto 
(2012), em processos judiciais, os peritos funcionam como pe-
rito do juízo, ou assistentes técnicos das partes, e a lógica de 
suas atuações está na relação de uma com a outra parte e isso 
é relevante ser considerado.
Retomando-se novamente a forma arbitral do magistrado, 
em fixar os honorários por estimativa e arbitramento, é acentu-
ada por Ornelas (2011, p. 104) da seguinte forma:
A fixação da remuneração pericial é um ato arbitral do 
magistrado, que normalmente, ao decidir, leva em consi-
deração a relevância e a qualidade do trabalho pericial, 
a complexidade técnica da prova, o orçamento apresen-
tado pelo perito, as possibilidades econômico-financeiras 
das partes, bem como as eventuais reações das partes.
Então, fixados os honorários pelo ato arbitrário do magis-
trado, de um lado, as partes ou a parte que sentir-se insatisfeita 
pode requerer reconsideração dessa decisão. De outro lado, 
o Perito pode também requerer reconsideração se, conforme 
Ornelas (2011), a fixação de honorários representar avilta-
mento de seu trabalho, bem como recorrer à Segunda Ins-
tância, em agravo a decisão do magistrado. Após essa etapa 
procede-se a responsabilidade de cada parte na consecução 
do pagamento, o que está previsto no Art. 33 do CPC:
Cada parte pagará a remuneração do assistente técnico 
que houver indicado; a do perito será paga pela parte 
que houver requerido o exame, ou pelo autor, quando 
requerido por ambas as partes ou determinado de ofício 
pelo juiz.
156 Arbitragem e Perícia Contábil
Essa regra citada pode ser modificada, por diversas for-
mas, a citar-se a desistência, ou acordo entre as partes, pois 
a rigor a fixação de honorários por parte do magistrado não 
é questão obrigatória, mas facultada e isso pode, por vezes, 
acomodar as partes em conflito. Igualmente os modelos de 
Petição de honorários estão ilustrados no Art. 33 do CPC, em 
ordem de modelos distintos de 1 (UM) a 8 (OITO) ou também 
em Ornelas (2011) nas páginas 113 a 123, ou ainda em Al-
berto (2012) nas páginas 163 a 168 e, por fim, os modelos 
sugeridos na Resolução CFC n° 1.244, de 2009 (DEZ modelos 
distintos).
Por conseguinte, definida a questão dos honorários, o Pe-
rito oferece a petição contendo o custo do trabalho pericial, 
ao que despacho do magistrado solicita o feito do depósito. 
Ornelas (2011) explica o depósito sob três formas, conforme 
ilustração a seguir:
Tipo de Depósito Características
Integral
Se de pronto as partes aceitarem a quantia 
estimada efetuam o depósito integral.
Prévio
Depósito dos honorários provisórios, antes 
do início do trabalho, mesmo orçados são 
denominados prévios.
Complementar
Diferença entre os honorários fixados e os 
depositados previamente, os fixados são os 
definitivos e os depositados são prévios.
Chama-se a atenção para o Perito, ao que Ornelas (2011) 
define como depósito complementar, o que por vezes fica dis-
tante do acompanhamento do profissional da perícia, pois 
ocorrem hipóteses como: Instrumento de Agravo em que a 
Capítulo 8 Remuneração do Perito-contador 157
parte não deposita valores complementares; extinção do pro-
cesso, entre outros. Nesses casos, pode trazer prejuízos ao 
Perito, quanto aos honorários periciais. Salvado o direito de 
o Perito solicitar Certidão de inteiro teor, caracterizado como 
título executivo extrajudicial, que prove os serviços prestados e, 
assim, com advogado requerer cobrança judicial.
Em sentido mais cauteloso, ainda sobre os depósitos, Sá 
(2011, p. 71) ensina que a proposta de honorários deve ser 
bem feita, “pois pleitear o depósito são coisas que o perito 
pode realizar concomitantemente” a fase de execução do pro-
cesso, “mas com zelo suficiente para não cometer erros contra 
si, nem contra a parte”. Salienta, ainda, que “cabe ao autor 
adiantar as despesas, mas se o réu perder, deverá com as 
mesmas arcar”. Essa lógica está prevista nos Arts. 19 e 20 do 
CPC.
Em outra via, Alberto (2012, p. 157) também refere-se aos 
tipos de depósito e suas características, como um procedimen-
to normal, pois o perito nomeado pelo juízo examina preli-
minarmente os autos, para que verifique a necessidade dos 
depósitos. Doravante, diz o autor, há que se considerar com 
toda a honestidade o seguinte:
não necessariamente a todo processo judicial em que há 
determinação de realização de perícia há que correspon-
der um pedido de depósito prévio, já que há aquelas pe-
rícias com menor grau de risco ou complexidade, para as 
quais o próprio profissional optará por solicitá-lo ou não.
Como visto, o trabalho é dinâmico, assim como a Fase de 
execução do processo o é também. Destarte é que durante 
158 Arbitragem e Perícia Contábil
a execução provisória, ocorrem eventos que tornam a perícia 
sustentação em parte à sentença. Isso requer novos e mais 
relatórios ou até mesmo extinções, o que dá fundamentação, 
na modificação dos honorários. Contudo, para a conclusão 
ou decisão, cabe o recurso e inclusive à carta de sentença, ao 
que Ornelas (2011) cita como controvérsias nas verbas que 
liquidam a sentença exarada, ao que na maioria das vezes o 
magistrado reconhece em favor do reclamante.
Nos próximos parágrafos são abordados alguns entendi-
mentos a partir da Resolução que trata das NORMAS BRASI-
LEIRAS DE CONTABILIDADE - NBC TP 01 – PERÍCIA CON-
TÁBIL e da NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE 
- NBC PP 01 – PERITO CONTÁBIL.
Dessa forma, para a Apresentação de proposta dos ho-
norários o perito-contador deve apresentar sua proposta de 
honorários, devidamente fundamentada, ao juízo ou contra-
tante, podendoconter o orçamento ou este constituir-se em 
um documento anexo. Contudo, o perito-contador assistente 
deve explicitar a sua proposta no contrato que, obrigatoria-
mente, celebrará com o seu cliente, observando as normas 
estabelecidas pelo Conselho Federal de Contabilidade.
No caso do perito-contador assistente, este deve estabe-
lecer, mediante “Contrato Particular de Prestação de Serviços 
Profissionais de Perícia Contábil”, o objeto, as obrigações das 
partes e os honorários profissionais, podendo, para tanto, 
utilizar-se dos parâmetros estabelecidos nesta Norma com re-
lação aos honorários do perito-contador. O perito-contador 
assistente deve adotar, no mínimo, o modelo constante nesta 
Capítulo 8 Remuneração do Perito-contador 159
Norma (como citado anteriormente neste tópico) referente ao 
seu contrato de prestação de serviços.
Reforça-se que para o Levantamento dos honorários, o 
perito-contador deve requerer o levantamento dos honorários 
periciais, previamente depositados, na mesma petição em que 
requer a juntada do laudo pericial aos autos. Inclusive como 
também fora apresentado em ilustração anterior, com os tipos 
de depósitos. De forma que o perito-contador pode requerer 
a liberação parcial dos honorários quando julgar necessário 
para o custeio de despesas durante a realização dos trabalhos.
Está previsto também na Resolução CFC a Execução de 
honorários periciais. Nesse caso, quando os honorários pe-
riciais forem fixados por decisão judicial, estes podem ser exe-
cutados, judicialmente, pelo perito-contador em conformidade 
com os dispositivos do Código de Processo Civil.
Por fim, podem ocorrer Despesas supervenientes na 
execução da perícia. Nesses casos em que houver necessi-
dade de desembolso para despesas supervenientes, tais como 
viagens e estadas, para a realização de outras diligências, o 
perito deve requerer ao juízo ou solicitar ao contratante o pa-
gamento das despesas, apresentando a respectiva comprova-
ção, desde que não estejam contempladas ou quantificadas 
na proposta inicial de honorários.
Em suma, pode-se entender o arbitramento de honorários, 
especificamente em questões judiciais, haja vista que, segundo 
Alberto (2012, p. 158), o magistrado considera habitualmen-
te:
160 Arbitragem e Perícia Contábil
1) a importância e complexidade do trabalho apresen-
tando;
2) a perfeição técnica;
3) os fundamentos e custos demonstrados pelo perito;
4) a capacidade econômico-financeira das partes e, 
ainda,
5) a importância econômica da ação para as partes.
Verificando os itens citados anteriormente, percebe-se que 
a questão de honorários, estimados ou arbitrados, tem suas 
peculiaridades com o que é exigido ao Perito para a execução 
da Perícia, a qual culmina na elaboração do Laudo, o qual 
deve ser entregue ao final: seja ao juízo ou a parte que o 
contratou. Dessa forma, no próximo capítulo trata-se especifi-
camente do Laudo Pericial.
8.2 Honorários Profissionais na Esfera 
Trabalhista
A contraprestação dos honorários do perito-contador, nesta 
esfera, tanto na fase de conhecimento (Laudo Pericial de Ins-
trução), como no Laudo de Liquidação de Sentença (apuração 
dos haveres), é diferente das demais esferas, eis que a contra-
prestação é feita pela parte sucumbente, e paga somente no 
final do processo, na apuração dos cálculos de liquidação de 
sentença.
Capítulo 8 Remuneração do Perito-contador 161
A determinação do pagamento deve ser expressa em sen-
tença ou despacho, é emitido o alvará de autorização de pa-
gamento, o perito-contador é notificado da disposição do al-
vará e saca o valor dos honorários, depositados pela parte 
sucumbente. No caso de o reclamante ser o sucumbente, e 
estar sob abrigo de AJG, os honorários periciais serão pagos 
pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), segundo seus regu-
lamentos próprios (grifo do autor).
Recapitulando
Foram abordados conteúdos sobre os honorários a que o Pe-
rito tem direito a cobrar, a título dos serviços periciais. Descre-
veu-se a forma de arbitramento de honorários, em que funda-
mentou-se esta possibilidade a partir do magistrado, o qual 
pode valer-se dessa forma. No entanto, verificou-se, que a 
parte discordante de valores pode impugnar tal arbitrariedade, 
o que pode ensejar anulação de sentença. Ocorre que o ar-
bitramento é uma das formas de fixar honorários, mas podem 
ter serviços de peritos que estabeleçam estimação de valores 
por interesse das partes envolvidas no conflito. Em ambos os 
casos ficou identificado que no decurso, execução dos traba-
lhos podem ocorrer oscilações no trabalho, e que necessite 
majoração nos honorários. Verificou-se que a qualquer mo-
mento pode o Perito solicitar ajustamento de valor, desde que 
de forma oficial e fundamentado em demandas de serviços, 
questões econômicas, inflacionários, entre outras.
162 Arbitragem e Perícia Contábil
Apresentou-se os tipos de depósito prévio e/ou comple-
mentar dos honorários. Para tanto, considera-se que os hono-
rários são o reflexo da complexidade exigida no decorrer da 
execução da perícia e, nesse aspecto, o magistrado pode con-
siderar habitualmente a qualidade do serviço esperado, o que 
por fim último é que as partes conflitantes almejam a sentença 
da lide. Sob esse aspecto da sentença, frisou-se que o relatório 
dos serviços prestados estão fundamentados na substanciação 
qualitativa de opinião do perito com vista ao auxílio do juiz na 
conclusão ou decisão.
Referências
BRASIL. LEI N° 6.404, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1976. 
Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de 
agosto de 2016.
______. LEI N° 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 
1996. Dispõe sobre a arbitragem. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de 
julho de 2016.
______. LEI N° 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Dis-
põe sobre o Código de Processo Civil. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 27 de 
julho de 2016.
______. LEI N° 13.129, DE 26 DE MAIO DE 2015. Altera a 
Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996, e a Lei n° 6.404, 
Capítulo 8 Remuneração do Perito-contador 163
de 15 de dezembro de 1976, para ampliar o âmbito de 
aplicação da arbitragem e dispor sobre a escolha dos 
árbitros quando as partes recorrem a órgão arbitral, a in-
terrupção da prescrição pela instituição da arbitragem, a 
concessão de tutelas cautelares e de urgência nos casos de 
arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral, e revoga 
dispositivos da Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996. 
Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. 
Acesso em: 19 de julho de 2016.
ALBERTO, Valdeir Luiz Palombo. Perícia Contábil: Normas 
Brasileiras de Perícia Contábil Comentadas (NBC T 01 e 
NBC PP 01); Aspectos Legais, Civis e Criminais; Casos Prá-
ticos de Perícia Contábil das Áreas Cível, Federal, Traba-
lhista (Instrução e Liquidação) e Extrajudiciais; Honorários 
Periciais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
COMISSÃO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM – CMA/OAB/
MG. Cartilha de Arbitragem. Ordem dos Advoga-
dos do Brasil – Minas Gerais, 2009. Disponível em: 
<http://www.precisao.eng.br/jornal/Arbitragem.pdf>. 
Acesso em: 19 de julho de 2016.
ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia Contábil. 5. 
ed. São Paulo: Atlas, 2011.
RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCTP01, de 19 de março de 2015. 
Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 – PE-
RÍCIA CONTÁBIL.
164 Arbitragem e Perícia Contábil
RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCPP01, de 19 de março de 2015. 
Norma Brasileira de Contabilidade - NBC PP 01 – PE-
RITO CONTÁBIL.
SÁ, Antônio Lopes. Perícia Contábil. 10. ed. Revisada e Am-
pliada. São Paulo: Atlas, 2011.
Atividades
 1) Assinale a alternativa que melhor indica o marco inicial ao 
direito de honorários Profissionais de Perícia:
a) Quandoda suspensão do Perito por parte do Juiz.
b) Quando da aceitação da Perícia por parte do Perito.
c) Quando do acordo na sentença da ação.
d) Quando o magistrado obriga que as partes aceitem o 
valor definido por ele.
e) Quando da suspensão do Perito em relação a determi-
nada Perícia.
 2) Considere a seguinte hipótese: na proposta inicial de ho-
norários o Perito estimou 800 horas de trabalho total, da 
seguinte forma: são quatro momentos que devem ocorrer 
durante a execução dos trabalhos – no primeiro 100 ho-
ras, no segundo 300 horas, no terceiro 250 horas e no 
quarto 150 horas. Depois de transcorridos os dois primei-
ros momentos, verificou que há necessidade de contratar 
mais um especialista para 50 horas no quarto momento. 
Capítulo 8 Remuneração do Perito-contador 165
O fundamento apresentado foi: complexidade da perícia 
e qualificação na análise dos fatos, quesitos e elaboração 
do Laudo. Diante desse cenário pode-se afirmar que:
a) Uma vez aceito o trabalho com honorário definido é 
imexível o valor.
b) Pode ser ajustado uma única vez o honorário profissio-
nal do Perito.
c) Em caso de aumento de carga horária do Perito, ele 
pode pedir reajuste ou ajuste.
d) Jamais o Perito pode pedir reajuste ou ajuste.
e) Somente em casos Judiciais o Perito pode ajustar seus 
honorários, nos casos Extrajudiciais, ou Arbitrais esta 
prática é vedada.
 3) A prática de Arbitramento de honorários em perícias com-
pete:
a) ao Magistrado.
b) ao conflitante Autor.
c) ao conflitante Réu.
d) ao Perito.
e) ao Conselho de Ordem de Classe.
 4) Indique a alternativa que apresenta o tipo de perícia em 
que a parte e o perito ajustam os valor dos honorários 
periciais:
166 Arbitragem e Perícia Contábil
a) Judicial.
b) Inquérito Policial.
c) Inquérito Parlamentar.
d) Inquérito Militar.
e) Extrajudicial.
 5) Relacione a primeira (tipos de depósito de honorários pe-
riciais) com a segunda coluna (características dos honorá-
rios):
A) Integral
B) Prévio
C) Complementar
( ) Diferença entre os honorários fixados e os depositados 
previamente, os fixados são os definitivos e os deposi-
tados são prévios.
( ) Se de pronto as partes aceitarem a quantia estimada 
efetuam o depósito integral.
( ) Depósito dos honorários provisórios, antes do início 
do trabalho, mesmo orçados são denominados pré-
vios.
A ordem correta é:
a) A, B, C
b) B, C, A
Capítulo 8 Remuneração do Perito-contador 167
c) C, B, A
d) B, A, C
e) C, A, B
Pedro Edmundo Boll1
Capítulo 9
Elaboração de 
Laudo de Instrução e 
Arbitramento
1 Pedro Edmundo Boll é Graduado em Ciências Contábeis pela Universidade 
Luterana do Brasil (ULBRA) (1984), Pós-Graduado em Administração e Planeja-
mento para Docentes pela mesma universidade (1991), Graduado em Ciências 
Jurídicas e Sociais pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) (2001) 
e Mestre em Ciências Empresariais e Fraudes Contábeis pela Universidade de Fer-
nando Pessoa (UFP Portugal) (2003). Tem experiência na área de Administração, 
com ênfase em Ciências Contábeis, desde 1984, e atua como Perito Contábil, nas 
esferas Federal, Estadual e Trabalhista. É empresário na área contábil desde 1988. 
É Professor na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) desde 1990.
Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 169
Introdução
Para este capítulo são trazidos os conteúdos referentes a ela-
boração de laudo de instrução. Sob este aspecto busca-se a 
compreensão de quais conteúdos compõem cada parte do 
laudo, o qual, em sua estrutura, foi visto em capítulo anterior. 
No entanto, nestas partes específicas, com foco nos conheci-
mentos da contabilidade, devem constar a apuração das inte-
grações dos elementos qualitativos e quantitativos resultantes 
dos trabalhos efetuados pela perícia.
Verificar-se-á que a finalidade está com vistas à liquidação 
de sentença, a qual será demonstrada no último capítulo deste 
livro. Contudo, no laudo, faz-se a abordagem sobre os tipos 
de laudo, em que são relevantes os aspectos dos cálculos, ar-
bitramento e artigos, as atualizações, deduções e obrigações 
a realizar. E ainda, o parecer, especificamente, da perícia con-
tábil, o qual não necessariamente acompanha o laudo, pois 
pode este ser solicitado, em separado, ao laudo pericial.
9.1 Elaboração de Laudo e Parecer a 
partir da Instrução do Processo com 
vista à Sentença de Liquidação
De imediato é relevante que o leitor tenha clareza e absorção 
do conhecimento, principalmente conceitual, que diferencia – 
Laudo e Parecer. Para Ornelas (2011, p. 87), a definição é:
170 Arbitragem e Perícia Contábil
O laudo pericial contábil é a peça técnica da lavra do 
perito nomeado. Pode ser elaborado em cumprimento 
à determinação judicial, arbitral, ou ainda por força de 
contratação. No primeiro caso, surge o laudo pericial 
contábil judicial. Nos demais, surge o laudo pericial con-
tábil extrajudicial, um por solicitação de Tribunal Arbitral, 
outro em decorrência de contrato.
O parecer pericial contábil é trabalho técnico da la-
vra do perito indicado ou contratado. É elaborado por 
determinação judicial ou em função de contrato. Para o 
primeiro caso será denominado parecer pericial contá-
bil; no segundo caso, será um parecer pericial contábil 
extrajudicial.
Diante desse esclarecimento inicial citado apresenta-se 
primeiro os conceitos sobre o LAUDO PERICIAL CONTABIL, 
que em suma é o resultado da averiguação e coleta das infor-
mações a partir do: exame, vistoria, diligências, entre outros 
aspectos que foram estudados no capítulo anterior. Para tanto, 
conforme Ornelas (2011, p. 87), o laudo é entendido sob dois 
aspectos: “a) é a materialização do trabalho pericial desen-
volvido pelo perito; b) é a própria prova pericial”. Deriva-se 
desse entendimento ao que o citado autor (p. 88) refere à 
Amaral Santos (1968) que a materialização do laudo: “con-
siste na fiel exposição das operações e ocorrência da diligên-
cia, com o parecer fundamentado sobre a matéria que lhe foi 
submetida”. Por isso, o Laudo da perícia contábil independe 
da quantidade de capítulos, mas deve apresentar ao menos 
duas grandes partes: a expositiva e a conclusiva.
Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 171
Partindo dessas duas premissas, a organização e o desen-
volvimento do conteúdo caracterizam o que foi escrito ante-
riormente, um encadeamento lógico que respeite os contornos 
do processo, em que os fatos, pela prova técnica, sejam ex-
postos na parte introdutória (expositiva). Sob essa visão Or-
nelas (2011, p. 89-90) ensina que podem haver “subtópicos”. 
Diante disso apresenta-se uma ilustração sucinta da seguinte 
forma:
Subtópicos Conteúdos ou Características
Primeiro Apresentação sucinta de quem é o proponente da 
ação, e em seguida descrição dos fatos relatados, a 
identificação da controvérsia e, ainda, os contornos e 
os limites do trabalho da perícia.
Segundo Oferecimento das diligências realizadas, como foram 
desenvolvidos os trabalhos de campo, os termos de 
diligências, o que foi requerido nos termos, inclusive 
ocorrências que tenham se sucedido no decorrer do 
trabalho pericial.
Terceiro Evidenciação/apresentação de como foram os 
procedimentos técnicos adotados pelo perito na 
realização dos exames, vistorias, diligências, com vis-
tas à solução competente dos trabalhos que lhe foram 
confiados para a apreciação.
...Último Exposição dos limites quanto à responsabilidade do 
perito, fundamentalmente relacionados às Normas 
Técnicas de Perícia Contábil e Funcionais do Perito.
É relevante destacar que podem haver outros subtópicos, 
mas, ao mesmo momento, deve-se lembrar que o “excesso 
pode tornar o laudo: truculento e poluído” (grifo nosso). Tanto 
é que o laudo deve serapresentado, como visto anteriormen-
te, em encadeamento lógico, por exemplo: os quesitos for-
172 Arbitragem e Perícia Contábil
mulados, em regra apresentam a ordem cronológica e, nesse 
sentido, tão pouco deve o laudo apresentar uma questão fora 
da ordem, sem idas e vindas, retomadas, entre outras formas 
(Quesitos apresentados: 1, 2, 3, 4) – (Quesitos examinados: 
1, 3, 2, 4). Salvo se algum quesito esteja fora de sua compe-
tência, o que foi visto também em capítulo anterior, o que de 
pronto deve comunicar ao juízo ou a quem o contratou.
Após essa parte expositiva, o laudo deve apresentar suas 
considerações, entendido como parte conclusiva. Ornelas 
(2011, p. 90) ensina que deve o perito expor suas conclusões 
técnicas, em que:
Expõe, sinteticamente, os fatos observados, suas conclu-
sões e, eventualmente, oferece comentários técnicos de 
questões surgidas no decorrer do trabalho pericial rela-
cionadas com o objeto da perícia e dentro de seus limites 
que não tenham sido objeto de quesitos.
Em análise da citação anterior, podem ocorrer demandas, 
eventos, que não estavam nos quesitos, mas surgem no decor-
rer do trabalho pericial e as partes não tem ou tinham interes-
se, pois poderiam prejudicá-las. Nesse aspecto, pode o perito 
apresentar em suas considerações finais alusão a esses pontos 
(ver Art. 421, do CPC), em que o recorre ao Art. 145, do CPC, 
e se assiste de outro perito.
Por fim, é de praxe que o laudo apresente um capítulo de 
encerramento dos trabalhos, no qual resumidamente apre-
senta um forma de inventários: o número de folhas, os anexos 
(são normalmente as demonstrações elaboradas que ilustram 
as evidências dos cálculos e apurações de valores pelo perito), 
Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 173
documentos (são as reprografias ou até mesmo originais co-
lhidos pelo perito como substanciação da prova), entre outros 
que sejam relevantes, sendo que em cada um deve constar a 
data e assinatura.
Em relação a estética do laudo pericial é relevante que o 
perito considere, conforme Ornelas (2011, p. 92-93), dois as-
pectos: o primeiro refere-se não apenas “ao que nele consta, 
mas a forma gráfica que adotou” (deve ser um trabalho bonito 
de ver e atrativo para ler), o segundo trata de “oferecer o lau-
do pericial contábil de forma a possibilitar uma leitura fácil”. 
Sob esses aspectos apresenta-se uma ilustração de alguns ele-
mentos gráficos do laudo, conforme segue:
Item Padrão Finalidade
Margem Esquerda 3,00 cm Permite o arquivamento melhor.
Margem Direita 2,00 cm Deixa uniformidade com a 
esquerda quando arquivado.
Margem Superior 3,00 cm Deixa início da página com 
mais destaque.
Margem Inferior 2,00 cm Uniformiza com as demais 
margens.
Quesitos Individual Pergunta e resposta na mesma 
folha, facilita a leitura.
Títulos e Texto Fonte Arial ou Times New Roman (ver 
itens a seguir).
Títulos Tamanho 14 Digitados e realçados con-
forme normas em vigor.
Texto Tamanho 12 Digitados com espacejamento 
entre linha 1.5
174 Arbitragem e Perícia Contábil
Verificando a ilustração, na linha seis (6) “Título e Texto” 
e “Fonte”, fica ressalvado que o laudo deve utilizar padrão 
único, ou seja, a fonte deve ser sempre única, não ter parte 
em “Arial” e outra “Times New Roman”. Qualquer desvio do 
padrão desqualifica esteticamente o laudo. Outro aspecto a 
ser evitado são gráficos e figuras, ilustrações essas que por 
vezes não são compreendidas e nem entendidas, uniforme-
mente, pelos leitores.
No entanto, contrapondo a visão dada nos parágrafos an-
teriores, inclusive a ilustração, não existe na prática tanto pa-
dronismo, mas é sim admissível que peritos façam estruturas e 
ilustrações de laudos "diferentes", que possam apresentar mo-
delos mais atraentes e de melhor visão e compreensão. Assim, 
entende-se que, se o perito puder sintetizar informações em 
gráficos ou organogramas, deve fazê-lo com as devidas legen-
das e comentários pertinentes. De outra sorte, ainda, atual-
mente há a possibilidade de haver processos eletrônicos, logo 
utilizam-se margens mínimas para que o laudo tenha o menor 
número de páginas.
Nos próximos parágrafos são apresentados alguns tipos 
de laudo, em que a modalidade de perícia contábil requeira 
estrutura diferenciada, haja vista que a instrução do processo 
pauta-se no Art. 420 do CPC, que cita: “A prova pericial con-
siste em exame, vistoria ou avaliação”. Então, resumidamente, 
Alberto (2012, p. 127) dá o seguinte ordenamento na elabo-
ração do laudo:
a) Abertura (o parágrafo introdutório dos hispânicos);
Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 175
b) Considerações Iniciais a respeito das circunstâncias 
de determinação judicial ou consulta, bem como os 
exames preliminares da perícia contábil;
c) Determinação e descrição do objeto e dos objetos 
da perícia;
d) Informação da necessidade ou não de diligências e, 
quando houver, a descrição dos atos e acontecimen-
tos dos trabalhos de campo;
e) Exposição dos critérios, exames e métodos emprega-
dos no trabalho;
f) Considerações Finais onde conste a síntese conclusi-
va do perito a respeito da matéria analisada;
g) Transcrição e respostas aos quesitos formulados;
h) Encerramento do laudo (ou parágrafo final), com 
identificação e assinatura do profissional, e
i) Quando houver, a juntada sequencial dos Anexos, 
documentos ou outras peças alojada ao laudo e 
ilustrativas deste.
Dessa forma ampla, Ornelas (2011, p. 94-98) já citava um 
“ordenamento materializado em laudo pericial contábil”, que 
por vezes é específico e requer diferenciação na sua apresen-
tação. Isso também está ordenado em Alberto (2012, p. 129-
131), as espécies distintas de laudos contábeis: o pericial, 
de vistoria, de louvação, o parecer pericial e o laudo arbitral. 
ATENÇÃO: (não confundir espécie com tipos). Assim, ilustra-
-se na sequência uma série de tipos de laudo:
176 Arbitragem e Perícia Contábil
TIPO DE LAUDO: EXAMES, VISTORIAS, INDAGAÇÕES E 
INVESTIGAÇÕES
1. Das considerações 
preliminares
1.1 Aspectos gerais dos autos
1.2 Diligências
1.3 Procedimentos técnicos adotados
1.4 Responsabilidade profissional
2. Dos quesitos
2.1 Do magistrado
2.2 Do autor
2.3 Do réu
3. Das Considerações 
finais
Texto único, pode ser vários parágra-
fos com conclusões técnicas
4. Do encerramento
4.1 Anexos
4.2 Documentos
TIPO DE LAUDO: ARBITRAMENTO, AVALIAÇÃO
1. Das considerações 
preliminares
1.1 Dos aspectos gerais dos autos
1.2 Das diligências
1.3 Dos procedimentos técnicos 
adotados
1.4 Da responsabilidade profissional
2. Do arbitramento
2.1 Das premissas adotadas
2.2 Dos critérios adotados
2.3 Da demonstração dos cálculos
2.4 Da fixação dos valores arbitrados
3. Do encerramento
3.1 Anexos
3.2 Documentos
Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 177
TIPO DE LAUDO: APURAÇÃO DE HAVERES
1. Das considerações 
preliminares
1.1 Dos aspectos gerais dos autos
1.2 Das diligências
1.3 Da responsabilidade profissional
2. Da apuração de 
haveres
2.1 Das demonstrações contábeis 
especiais
2.2 Dos ajustes contábeis
2.3 Dos critérios e procedimentos 
avaliatórios
1.4 Dos ajustes avaliatórios
1.5 Do balanço de determinação
1.6 Dos haveres apurados
3. Do encerramento
3.1 Anexos
3.2 Documentos
Em análise dos três tipos de laudo ilustrados, chama-se a 
atenção para o último: apuração de haveres, o qual costu-
meiramente ocorre entre sócios, ou participações societárias 
de empresas. No entanto, deve ser considerado que: pode 
ser de forma extrajudicial, ou por vezes, judicial. Sendo que 
nesse último, o judicial, pode o perito deparar-se com quesitos 
formulados, e nesse caso acrescente-se mais um item “Dos 
quesitos”, conformeverificado na ilustração no primeiro tipo 
de laudo.
Ainda em face ao último tipo de laudo ilustrado, Sá (2011, 
p. 95) cita que “a apuração de haveres podem dar-se em ra-
zão de morte de sócio, morte da mulher de sócio, dissolução 
de sociedade”. Fatos que ensejam apurar “os direitos” que são 
178 Arbitragem e Perícia Contábil
próprios de alguém sobre o patrimônio da empresa. Podem 
haver ainda a “retirada da sociedade de sócio” ou até mesmo 
“expulsão” e, ainda, “direitos decorrentes de amortização de 
suas quotas de capital ou ações”. O que se busca conhecer, 
conforme o citado autor e mesma página, é:
a) os créditos do sócio, em conta, devidamente atuali-
zados;
b) os débitos do sócio, em conta, devidamente atuali-
zados;
c) o valor de patrimônio líquido real;
d) as expectativas de lucros da sociedade quando ela 
vai continuar em funcionamento;
e) as expectativas de realização do Ativo, quando a so-
ciedade vai liquidar-se.
Verificando a citação, é relevante ao perito, examinar pre-
viamente questões básicas sobre o que se propõe apurar no 
laudo em questões de haveres. O exame detalhado nos as-
pectos que referem-se fundamentalmente sobre a cessação ou 
continuidade da sociedade. Nesse sentido, um exemplo que 
Sá (2011, p. 95) cita é o caso de “sócio falecido”, o que re-
quer “inventário”. Sob esse manto denomina três conotações:
I – se a empresa era individual;
II – se a empresa era sociedade de pessoas;
III – se a empresa era sociedade anônima ou de capital.
Partindo dessas três possibilidades citadas, Sá (2011) en-
sina que, normalmente, em caso de sócio falecido, as ques-
Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 179
tões de haveres passam pelo processo judicial, e ao perito 
designado compete cautela para a apuração dos direitos de 
herdeiros. Nesse sentido apresenta-se uma ilustração de cada 
caso citado:
Tipo de 
sociedade
Características de apuração de haveres
Individual - Utilização do Balanço Patrimonial e sem 
rateios, sem apuração de haveres, pois não há 
sócios.
- Baixo custo da perícia – complexidade baixa.
de Pessoas - São sociedades limitadas, em nome coletivo, 
em comandita simples e outras formas de socie-
dade em que se realiza a apuração de haveres.
- O juiz determina a apuração de haveres no to-
cante ao inventário, com avaliações pelo perito, 
baseado em: contrato social e suas alterações, 
retiradas de valores de sócio, lucros pagos 
ou creditados, antecipações ao sócio (Ativo), 
empréstimos de sócio (Passivo), empréstimo ao 
sócio (Ativo), juros sobre empréstimos (Ativo e 
Passivo), atualização de valor do Patrimônio 
Líquido - PL e demais contas do Ativo e Passivo, 
identificação das contas de contingenciamento e 
identificação de perspectivas e riscos futuros.
- A essência (estado da riqueza) está no substan-
ciamento Patrimonial, em que o rastreamento 
das contas e o rigoroso exame fomentam a 
prova do direito dos haveres.
- Há que o perito manter o caráter minucioso, 
cauteloso e zeloso, pois a saída de capital em 
forma abrupta pode comprometer o negócio da 
empresa, pois envolve o capital de giro, especifi-
camente.
- Médio custo da perícia – complexidade 
moderada.
180 Arbitragem e Perícia Contábil
Anônima ou de 
Capital
- Utilização baseada no estatuto social, bem 
como os demais livros e documentos que regis-
trem as ações da sociedade.
- os meios de provas, nos livros e documen-
tos, são a força probante a favor ou contra, e 
neste caso o juiz determina, em regra “busca e 
apreensão”, como forma de exibição das provas.
- a Lei n° 6.404/1976, em seu Art. 105, de-
termina que detenções iguais ou superiores a 
5% requerem o exame (perícia) (ver também no 
CPC, Arts. 381, 382 e 844).
- Nas Sociedades por Ações, a complexidade 
é ampla, e neste sentido observa-se dois pon-
tos relevantes: maior desconfiança entre os 
acionistas em virtude da gestão e os arranjos nos 
negócios da empresa; e o jogo de interesses, 
ambições, malícias e ciladas.
- Elevado custo da perícia – complexidade alta.
Por fim, como escrito anteriormente neste capítulo, há tam-
bém o Parecer Pericial Contábil, o qual é denominado de 
laudo crítico, que normalmente ocorre quando as partes en-
volvidas no conflito da lide não convergem com o laudo peri-
cial. Assim, Ornelas (2011, p. 98-99) cita:
Por força da legislação vigente, o perito na função de 
assistente técnico é responsável pela oferta de parecer 
pericial contábil, ou seja, oferece, por meio de trabalho 
próprio, sua opinião técnica, crítica ou concordante, a 
respeito do laudo pericial contábil oferecido pelo perito 
judicial.
Dessa forma, resumidamente, o conteúdo deve ser ordena-
do da seguinte forma:
Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 181
1. Das considerações preliminares/Resumo do laudo 
oficial
2. Dos comentários técnicos ao laudo pericial contábil
3. Do parecer pericial contábil
4. Do Encerramento
Anexos
Documentos
Estas duas citações anteriores encontram sua fundamenta-
ção no Art. 431, do CPC: “se houver divergência entre peri-
to e os assistentes técnicos, cada qual escreverá o laudo em 
separado, dando as razões em que se fundar”. Nesse caso, 
o assistente técnico que deve emitir parecer pericial contábil 
destacará eventuais interpretações que podem ser: errôneas 
e/ou distorcidas, distanciando-se de alegações elogiosas ou 
críticas de cunho pessoal.
Para fins de exemplos de Laudos Periciais sugere-se que 
o/a leitor/a visite as obras de Alberto (2012) nas páginas 132 
a 136 e 169 a 234. Nessa bibliografia podem ser vistos mo-
delos distintos com casos práticos de Perícia Contábil.
9.2 Particularidades do Laudo Pericial 
Contábil na Esfera Trabalhista
As Normas Brasileiras de Contabilidade não estabelecem mo-
delos objetivos em relação ao Laudo Pericial Contábil, e, na 
182 Arbitragem e Perícia Contábil
etapa de Instrução processual, o Laudo segue os preceitos do 
bom senso de estética e concisão apresentados acima.
No entanto, na etapa de Liquidação de Sentença, há uma 
recomendação elaborada pela corregedoria do Tribunal Regio-
nal do Trabalho da 4ª Região, que, considerando os princípios 
de economia e celeridade processual, e visando a diminuição 
nos prazos médios de Liquidação de Sentença, bem como a 
necessidade de configuração de laudos mais compreensíveis 
tanto para a unidade judiciária quanto para partes da deman-
da, e face ao estudo realizado pela Assessoria de Gestão 
Estratégica, Dados Estatísticos e Apoio às Ações Institucionais, 
para reorganização do trabalho nas unidades judiciárias de 
1º Grau, direcionado para a uniformização de procedimentos 
relacionados à apresentação de Laudo Pericial Contábil, foi 
sugerido que o Resumo Geral dos Cálculos seguissem o mo-
delo que pode ser acessado através do seguinte link: 
http://www.trt4.jus.br/PortariasProvimentosPortlet/downlo-
ad/714107/RecomendaAcAao_Correg_01.2015.pdf.
Recapitulando
Verificou-se os conteúdos referentes a elaboração de laudo 
pericial a partir da instrução do processo. Sob esse aspecto 
buscou-se a compreensão de quais conteúdos compõem o 
laudo, mais especificamente em cada tópico, o qual em sua 
estrutura foi visto em capítulo anterior. No entanto, nessas par-
tes específicas, o conhecimento da contabilidade é fator rele-
Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 183
vante para a realização dos trabalhos, pois devem constar a 
apuração das integrações dos elementos qualitativos e quan-
titativos resultantes dos objetos examinados ou investigados.
Identificou-se que a finalidade do laudo está em vista à 
liquidação de sentença. No entanto, no laudo, faz-se a abor-
dagem sobre as espécies e os tipos de laudo, em que são 
relevantes os aspectos dos cálculos, arbitramento e artigos, as 
atualizações,deduções e obrigações a realizar, bem como sua 
estrutura de acordo com o tipo de laudo realizado. Ainda, o 
parecer, normalmente por requisição do juiz, especificamente 
da perícia contábil, o qual não necessariamente acompanha 
o laudo, pois pode este ser solicitado, em separado, ao laudo 
pericial, o qual serve de auxílio para a convicção do que foi 
apresentado no laudo.
Referências
BRASIL. LEI N° 6.404, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1976. 
Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de 
agosto de 2016.
______. LEI N° 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 
1996. Dispõe sobre a arbitragem. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de 
julho de 2016.
______. LEI N° 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Dis-
põe sobre o Código de Processo Civil. Disponível em: 
184 Arbitragem e Perícia Contábil
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 27 de 
julho de 2016.
______. LEI N° 13.129, DE 26 DE MAIO DE 2015. Altera a 
Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996, e a Lei n° 6.404, 
de 15 de dezembro de 1976, para ampliar o âmbito de 
aplicação da arbitragem e dispor sobre a escolha dos 
árbitros quando as partes recorrem a órgão arbitral, a in-
terrupção da prescrição pela instituição da arbitragem, a 
concessão de tutelas cautelares e de urgência nos casos de 
arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral, e revoga 
dispositivos da Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996. 
Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. 
Acesso em: 19 de julho de 2016.
ALBERTO, Valdeir Luiz Palombo. Perícia Contábil: Normas 
Brasileiras de Perícia Contábil Comentadas (NBC T 01 e 
NBC PP 01); Aspectos Legais, Civis e Criminais; Casos Prá-
ticos de Perícia Contábil das Áreas Cível, Federal, Traba-
lhista (Instrução e Liquidação) e Extrajudiciais; Honorários 
Periciais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
COMISSÃO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM – CMA/OAB/
MG. Cartilha de Arbitragem. Ordem dos Advoga-
dos do Brasil – Minas Gerais, 2009. Disponível em: 
<http://www.precisao.eng.br/jornal/Arbitragem.pdf>. 
Acesso em: 19 de julho de 2016.
ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia Contábil. 5. 
ed. São Paulo: Atlas, 2011.
Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 185
RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCTP01, de 19 de março de 2015. 
Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 – PE-
RÍCIA CONTÁBIL.
RESOLUÇÃO CFC 2015/NBCPP01, de 19 de março de 2015. 
Norma Brasileira de Contabilidade - NBC PP 01 – PE-
RITO CONTÁBIL.
SÁ, Antônio Lopes. Perícia Contábil. 10. ed. Revisada e Am-
pliada. São Paulo: Atlas, 2011.
Atividades
 1) Considere os seguintes itens referentes ao conjunto final 
da perícia contábil e após assinale a alternativa correta:
I - é a peça técnica da lavra do perito nomeado. Pode ser 
elaborado em cumprimento à determinação judicial, 
arbitral, ou, ainda, por força de contratação.
II - é trabalho técnico da lavra do perito indicado ou con-
tratado. É elaborado por determinação judicial ou em 
função de contrato.
a) O primeiro refere-se ao laudo pericial, e o segundo à 
perícia contábil unicamente.
b) O segundo refere-se ao laudo pericial, e o primeiro à 
perícia contábil unicamente.
c) O primeiro refere-se ao laudo pericial contábil, e o 
segundo ao parecer pericial contábil.
186 Arbitragem e Perícia Contábil
d) O primeiro refere-se ao parecer pericial contábil, e o 
segundo ao laudo pericial contábil.
e) O segundo refere-se ao exame pericial, e o segundo à 
vistoria pericial.
 2) Considere que determinado laudo seja elaborado a partir 
de QUESITOS. Neste caso especificamente o perito deve 
observar que:
a) os quesitos formulados, normalmente são elaborados 
em ordem lógica e em regra apresentam a ordem cro-
nológica, e, nesse sentido, tão pouco o laudo deve 
apresentar uma questão fora da ordem, sem idas e 
vindas, retomadas, entre outras formas.
b) os quesitos formulados nunca são elaborados em or-
dem lógica e, em regra, apresentam a ordem crono-
lógica, e, nesse sentido, tão pouco o laudo deve apre-
sentar uma questão fora da ordem, sem idas e vindas, 
retomadas, entre outras formas.
c) os quesitos formulados normalmente são elaborados 
em ordem lógica e, em regra, apresentam a desordem 
cronológica, e, nesse sentido, tão pouco o laudo deve 
apresentar uma questão fora da ordem, sem idas e 
vindas, retomadas, entre outras formas.
d) os quesitos formulados normalmente são elaborados 
em ordem lógica e, em regra, apresentam a ordem 
cronológica, e, nesse sentido, o laudo deve apresentar 
uma questão fora da ordem, com idas e vindas, reto-
madas, entre outras formas.
Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 187
e) os quesitos formulados normalmente são elaborados 
em ordem lógica e, em regra, apresentam a ordem 
cronológica, e, nesse sentido, tão pouco deve o laudo 
apresentar uma questão fora da ordem, mas o perito 
pode e deve fazer idas e vindas, retomadas, entre ou-
tras formas.
 3) Assinale a alternativa que indica somente tipos de laudos:
a) Exames, vistorias, indagações e procedimentos técni-
cos adotados.
b) Arbitramento, diligências, indagações e avaliação.
c) Apuração de haveres, arbitramento, premissas adota-
das e investigações.
d) Investigações, arbitramento, apuração de haveres e 
vistorias.
e) Vistorias, apuração de haveres, investigações e arbi-
tramento.
 4) Relacione a primeira com a segunda coluna, em que a 
primeira refere-se aos capítulos (tópicos) do laudo, e a se-
gunda refere-se aos contexto e conteúdos abordados.
A) Das considerações preliminares
B) Dos quesitos
C) Das considerações finais
D) Do encerramento
188 Arbitragem e Perícia Contábil
( ) normalmente são elementos probantes do que a perí-
cia utilizou para substanciação do laudo.
( ) aspectos gerais dos autos, procedimentos técnicos 
adotados e a responsabilidade profissional.
( ) elaborada em texto único, ou seja, pode ser um ou 
vários parágrafos que fecha o que foi apurado pela 
perícia.
( ) formulações do magistrado e das partes.
A ordem correta é:
a) B, D, A, C
b) C, B, D, A
c) A, C, B, D
d) D, B, C, A
e) D, A, C, B
 5) Marque os itens considerados necessários no ordenamen-
to do laudo pericial com V para os verdadeiros e F para os 
falsos.
I - Considerações Finais a respeito das circunstâncias de 
determinação judicial ou consulta, bem como os exa-
mes preliminares da perícia contábil.
II - Informação da necessidade ou não de diligências e, 
quando houver, a descrição dos atos e acontecimentos 
dos trabalhos de campo.
Capítulo 9 Elaboração de Laudo de Instrução e Arbitramento 189
III - Considerações Finais onde conste a síntese conclusiva 
do perito a respeito da matéria analisada.
IV - Quando houver, a juntada sequencial somente dos 
Anexos, sem documentos ou outras peças alojadas ao 
laudo e nem ilustrações deste.
A ordem correta é:
a) V, V, F, F
b) F, V, V, F
c) V, F, V, F
d) F, V, F, V
e) F, F, V, V
Pedro Edmundo Boll1
Capítulo 10
Liquidação de Sentença 
Trabalhista1
1 Pedro Edmundo Boll é Graduado em Ciências Contábeis pela Universidade 
Luterana do Brasil (ULBRA) (1984), Pós-Graduado em Administração e Planeja-
mento para Docentes pela mesma universidade (1991), Graduado em Ciências 
Jurídicas e Sociais pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) (2001) 
e Mestre em Ciências Empresariais e Fraudes Contábeis pela Universidade de Fer-
nando Pessoa (UFP Portugal) (2003). Tem experiência na área de Administração, 
com ênfase em Ciências Contábeis, desde 1984, e atua como Perito Contábil, nas 
esferas Federal, Estadual e Trabalhista. É empresário na área contábil desde 1988. 
É Professor na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) desde 1990.
Capítulo 10 Liquidação de SentençaTrabalhista 191
Introdução
Neste último capítulo são abordados conteúdos que tratam da 
liquidação de sentença, nos processos de reclamatória traba-
lhista. Discute-se alguns aspectos que fundamentam o vínculo 
empregatício, a partir dos desconfortos que um empregado 
tenha em relação ao seu contrato de trabalho: sobre a correta 
contraprestação da jornada de trabalho, ou os corretos adicio-
nais legais a que tenha direito, bem como demais conteúdos 
que foram estudados na disciplina de Legislação Trabalhista 
e Previdenciária. Porquanto, os documentos contratuais são o 
objeto do exame pericial, para a apuração dos haveres da 
reclamatória. 
Outro aspecto relevante é que os haveres devem ser atuali-
zados, com critério técnico fundamentado em índice oficial de-
terminado em legislação, ou outro índice que esteja determi-
nado no comando judicial, acrescido de juros de mora, sendo 
apurados os descontos fiscais e previdenciários, tudo na forma 
da lei vigente à época da apuração.
192 Arbitragem e Perícia Contábil
10.1 Liquidação de Sentença em Reclamatória 
Trabalhista - Apuração dos haveres, 
conforme sentença, com a respectiva 
atualização monetária acrescida de juros 
moratórios e apurados os descontos 
previdenciários e fiscais
Nesta parte inicial do capítulo utilizou-se o modelo de uma 
Perícia Judicial, Liquidação de Sentença Trabalhista, baseada 
em Alberto (2012, p. 215–221) que trata de uma “Pesquisa 
Contábil e Várias Vistorias”, as quais decorreram de perícia 
judicial.
Como pode ser verificado, a sentença em reclamatória 
trabalhista é determinada, a priori, por elementos mínimos 
que provem reconhecimento de vínculo empregatício do 
autor. Dessa forma, as “diligências e pesquisas envolvem 
conhecimentos”, que, por parte do perito, requerem as quali-
dades técnicas e científicas em reunir provas através de exames 
em: livros, documentos e inclusive testemunhais, para em pri-
meiro lugar reunir a prova de que houve vínculo empregatício, 
por: tarefa ou salário; e, em segundo lugar, proceder para a 
apuração dos haveres. Esses são fundamentos precípuos para 
evitar que o processo em sua fase final não incorra em impug-
nações e/ou contestações e outros meios jurídicos previstos, 
que podem tornar o processo moroso.
Para os fins de entendimento deste capítulo nos 
próximos parágrafos traz-se os seguintes pontos centrais 
da reclamatória trabalhista, com vistas à sentença de 
Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista 193
liquidação: a síntese, documentos e alegações, objeto e 
objetivos, diligências, e o laudo elaborado.
Na parte inicial da liquidação de sentença trabalhista é 
apresentada a “SINTESE”, nela são determinadas inicialmente 
os indícios da diligência, em que o autor da ação utiliza-se 
da faculdade do arbitramento, que, poder-se-ia afirmar, re-
quer trabalho da perícia. Dessa forma, há apresentação sim-
ples e sucinta em que o autor requer a condenação do réu. 
Para tanto, exemplificaria-se como itens a serem reclamados 
com efeitos de “verbas trabalhistas”: décimo terceiro salário, 
descanso remunerado semanalmente, as férias, horas extraor-
dinárias, entre outros. Como citado anteriormente, poderiam 
constar inclusive outras tarefas executadas pelo autor, as quais 
não integravam seu salário, por exemplo: o autor realizava 
sua atividade funcional interna, mas no caminho de sua casa 
entrega mercadorias para clientes da empresa a pedido dessa. 
Esses exemplos indicam acréscimos de horário de trabalho e 
seus efeitos remuneratórios.
Toda reclamatória trabalhista, assim como qualquer outra 
ação, requer elementos mínimos, os quais denominam-se de 
“DOCUMENTOS E ALEGAÇÕES” que integram os autos. De 
forma que são eles a motivação às provas no que tange a 
“instrução processual”. Nesses documentos podem ser apre-
sentadas ilustrações: quadros, tabelas, figuras, gravuras, fotos, 
gravações, entre outras, que provem minimamente o direito 
do autor quanto ao alegado. O pressuposto está em primeiro 
lugar de que o direito do autor esteja fundamentado, assim 
como em segundo lugar está o direito do réu na contraposição 
194 Arbitragem e Perícia Contábil
do direito à extinção (essa lógica está abordada no Capítulo 7, 
nos Fatos de Ônus da Prova).
Em outo tópico devem ser apresentados: “O OBJETO E OS 
OBJETIVOS”. Dessa forma, o objeto da perícia é o próprio ar-
bitramento e apuração da remuneração do autor, que de outra 
ponta o objetivo da perícia é: “apurar os haveres deferidos ao 
reclamante de forma fundamentada e técnica”. Sob o aspecto 
do objetivo está a qualidade de o perito expressar, mediante 
o laudo, elementos técnicos e científicos que demonstrem a 
verdade dos fatos, ora qualificados e quantificados.
No contexto ainda de apresentação das etapas do laudo 
apresentado, devem constar as “DILIGÊNCIAS” que foram re-
alizadas. A evidência de que as diligências foram realizadas na 
Pessoa: Física ou Jurídica que era a detentora do empregado, 
denominada de empregador. Em caso de os elementos indis-
pensáveis e/ou necessários não serem suficientes no local, réu 
(empregador), podem e devem ser realizadas diligências em 
outros locais e meios que, pelo autor, tenham sido utilizadas 
para a percepção do direito assegurado em honorários devi-
dos, ou a serem pagos pelo réu. Nesse sentido, encontra con-
fluência com os exemplos citados no parágrafo anterior que 
tratou da síntese do laudo.
Na última parte do contexto da perícia judicial, concernen-
te a sentença de liquidação está o “LAUDO ELABORADO”. 
Em se tratando do laudo pericial contábil, ele deve apresentar 
os elementos colhidos pela perícia, com vistas a dar liquidez 
ao que for julgado na ação. Por isso a mensuração do quanto 
deve ser pago ao autor, a partir do homologado em juízo, é 
Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista 195
o que por fim considera-se sentença de liquidação. Portanto, 
em última análise, deve o laudo, a rigor, ser a forma mais 
esclarecedora das divergências, com o fim de que não haja 
controvérsia. Assim, resumidamente pode-se ilustrar as partes 
centrais do laudo:
Item Partes do Laudo
A Síntese
B Documentos e Alegações
C Objeto e Objetivos
D Diligências
E Laudo elaborado
ATENÇÃO: Partindo desta ilustração e contextualização 
inicial, na sequência, é apresentado um modelo de liquida-
ção de sentença, o qual foi elaborado por Alberto (2012, p. 
216 – 221), em que durante a sua descrição far-se-á alguns 
comentários e ilustrações. Optou-se por essa forma com os 
objetivos de: fixar, retomar e compreender o encadeamento 
dos conteúdos que foram apresentados neste livro de estudos. 
Como cita o próprio autor, “trata-se de um caso relativamente 
simples, mas, como envolve alguns raciocínios e conhecimen-
tos diferenciados”. Sob essa visão é relevante considerar que a 
leitura deste livro não é o ponto de chegada, mas sim o ponto 
de partida para conteúdos que tratem de perícia em sentido 
geral.
ESCLARECIMENTO: o modelo de laudo elaborado a se-
guir é denominado em forma de itens, pois tem o sentido de 
196 Arbitragem e Perícia Contábil
comentar cada item apresentado, com o entendimento míni-
mo, mas necessário da lisura do texto, que usualmente pode 
ser utilizado na elaboração prática.
ITEM I:
Esta é a primeira identificação do laudo, em que deve ser 
escrito a quem se dirige o trabalho da perícia, da seguinte for-
ma: (exemplos - de forma clara e de acordo com o processo).
Exmo. Sr. Dr. Juiz da IXª. Junta de Conciliação e Julga-
mento de São Paulo.
ou
EXECELENTÍSSIMA SENHORA DOUTORA JUIZA FEDE-
RAL DA 2ª VARA FEDERAL DE NOVO HAMBURGO, DA 
SEÇÃO JUDICIÁRIA DO RIO GRANDE DO SUL – RS.
Observa-se que os dois exemplos de invocar o Juiz são re-
alizadas distintamente, não há regra para tanto, mas o impor-
tante é que não se cita o nome do/a juiz/ae sim a vara, junta, 
comarca, cidade entre outros dados. Outro ponto interessante 
é que, por vezes, há transferência desses juízes e o processo 
não está vinculado à pessoa e sim à entidade, e ainda no local 
ou circunscrição do réu.
ITEM II:
Identificação do número do processo, das partes envolvi-
das no litígio citando o Reclamante (Autor), Reclamada (Réu) e 
o perito, por exemplo:
Processo n°:...........
Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista 197
Reclamante: .................................................................
.............
Reclamada: ..................................................................
.............
Quanto ao perito inicia-se pelo seu nome, em letra maiús-
cula, registro profissional e os fundamentos legais que ampa-
ram a perícia técnica, por exemplo:
FILISBINO PITANGUEIRA GOIABADA, contador legalmen-
te habilitado a realizar perícias judiciais de natureza contábil 
e trabalhista, inscrito no Conselho Regional de Contabilidade 
do Estado do Rio Grande do Sul sob o n°............, nomeado 
para realizar a prova pericial técnica nos autos do processo 
supra, e observados os termos dos Arts. 421 a 430 do Có-
digo de Processo Civil e também das Normas Brasileiras de 
Perícia e do Perito Contador, respectivamente às Resoluções 
2015/NBCTP01 e 2015/NBCPP01, do Conselho Federal de 
Contabilidade, vem apresentar o resultado do trabalho pericial 
substanciado ao laudo realizado.
ITEM III:
Nesta parte do trabalho deve o perito escrever em letra 
maiúsculo, negritada, LAUDO PERICIAL CONTÁBIL, e logo, 
na linha seguinte, Considerações Iniciais da Perícia, dando 
caráter de fundamentação técnica inicial, por exemplo:
Inicia-se a perícia contábil em atendimento ao que foi de-
terminado à folha n°...... e em consonância a que está nos ter-
mos do item 2.1.1 da NBC,T. 13 (Normas Técnicas de Perícia 
Contábil) do Conselho Federal de Contabilidade, o exame é 
198 Arbitragem e Perícia Contábil
estritamente técnico, em que as peças dos autos, e a docu-
mentação apensada, estão confiadas ao exame, para o cum-
primento do encargo confiado e dessa forma foram realizadas 
as diligências junto à reclamada com o propósito da obtenção 
dos elementos com vista à elaboração da peça técnica.
Após esse primeiro parágrafo pode ser realizado, e é suge-
rido, que sejam descritas as Considerações sobre o desen-
volvimento dos trabalhos da prova pericial contábil, pois 
estas devem ter também fundamentação legal e de acordo 
com o que prevê a Norma Técnica da Contabilidade, a qual 
conduz ao trabalho propriamente requisitado pelo juízo, da 
seguinte forma:
Para a necessária clareza e regular materialização das ca-
racterísticas: “intrínsecas e extrínsecas” para a prova, expõe-se, 
de forma circunstanciada, conforme preceituam os itens 4.1 e 
4.3 da NBC.T.13, a “síntese do objeto da perícia contábil, as 
diligências realizadas, as observações, os estudos e os critérios 
utilizados”, assim como “as conclusões e o parecer técnico” a 
que chegou a prova pericial. Estas últimas, grifa-se, ofertadas 
como meio de se “tornar líquida a obrigação de dar ilíquida 
em que se constitui a decisão”, mas também, como subsídio 
à formação da convicção do Egrégio colegiado encarregado 
de efetuar a entrega da prestação jurisdicional, na forma de 
liquidação em que a presente está-se processando.
INFORMAÇÃO IMPORTANTE: como pode ser verificado 
nos itens elencados nos parágrafos anteriores, nota-se que são 
elementos de proforma, que dão a apresentação dos prolegó-
menos (contexto e fundamentação introdutória) do laudo pe-
Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista 199
ricial. Assim, na sequência, ilustra-se o exemplo sugerido por 
Alberto (2012), que pode ser em forma de Capítulos, Itens ou 
simplesmente Títulos. Optou-se em manter em forma de item.
I - OBJETO DA PROVA PERICIAL
A inicialmente citada e respeitável decisão que determinou 
a realização da prova pericial contábil fê-lo nos seguintes ter-
mos:
“Ante o silêncio da reclamada e a requerimento da parte 
contrária, determino a realização de PERÍCIA CONTÁBIL, no-
meando-se para tanto o Sr. FILISBINO PITANGUEIRA GOIA-
BADA que deverá apresentar seu laudo em 40 dias. Quesitos 
e assistentes, em dez dias”.
Determinada a prova e examinada, do ponto de vista estri-
tamente técnico, pericial contábil, a res judicata a ser tornada 
líquida, vê-se que a prova tem seu objeto perfeitamente delimi-
tado, qual seja, de quantificar, com a precisão necessária, os 
haveres deferidos ao autor, os quais, em síntese, são:
a) o pagamento dos descansos semanais remunerados 
sobre a remuneração variável do autor, constituída por 
salário-tarefa;
b) o pagamento dos valores correspondentes aos déci-
mos terceiros salários;
c) o pagamento das férias em dobro, simples e propor-
cionais;
200 Arbitragem e Perícia Contábil
d) pagamento do aviso-prévio e indenização por tempo 
de serviço, nesta, inclusive quanto à parcela prevista 
no Enunciado 148 do Colendo Tribunal Superior do 
Trabalho e, ainda,
e) em tudo considerado o reconhecimento do vínculo 
correspondente aos períodos de 2-1-1976 a 31-8-
1984 e de 3-5-1988 a 7-5-1990 e a prescrição das 
parcelas anteriores a 5 de outubro de 1986.
II – DILIGÊNCIAS REALIZADAS
Conforme exposto nas considerações iniciais, mister se fez 
a realização de diligências à reclamada para obtenção de ou-
tros documentos necessários à realização do laudo pericial. 
Entretanto, como comprova o incluso documento I abojado 
ao presente trabalho, embora tenha iniciado as diligências em 
10 de outubro de 1994, com insistentes pedidos de solução 
ao setor contábil da empresa ré, através do Sr. Josmário Bento 
(Av. República do Líbano, 529 – Jardim Paulista), a empresa 
culminou por informar não possuir os elementos solicitados.
Dessa forma, no uso da faculdade prevista no Art. 429 do 
Código de Processo Civil, obtive-se do Assistente Técnico do 
Reclamante os elementos propiciadores do levantamento dos 
reais valores percebidos pelo autor no período objeto da liqui-
dação, documentos estes ora juntados, em volume separado, 
como embasamento do laudo pericial.
Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista 201
III – ANÁLISES E APURAÇÕES DOS HAVERES
De posse dos elementos, informações e documentos relata-
dos, passa-se, a seguir, à descrição das análises e conclusões 
desta prova pericial, segundo os critérios, técnicas e exames 
levados a efeito, na profundidade que julga-se cabível para o 
caso, permeados pela equidade e isenção necessárias para a 
total validade do trabalho técnico, de acordo com os anexos 
demonstrativos de n° 1 a 6, elaborados da seguinte maneira:
Anexo 1:
Neste relatório demonstrativo, este profissional aponta o 
montante percebido pelo autor junto a empresa ré, por si ou 
pelas interpostas pessoas (citar o nome completo da Pessoa 
Física ou Jurídica reclamada, tantas quantas forem – GRIFO 
NOSSO), obtendo, desta forma, os valores básicos capazes 
de recompor a remuneração variável consistente em salários-
-tarefas.
Anexo 2:
Neste relatório, a perícia demonstra a integração (citar to-
dos os itens qualificados, sem o valor – GRIFO NOSSO), nos 
termos da res judicata (resposta judicial), observando a pres-
crição determinada, (se houver algum item prescrito deve ser 
qualificado, sem valor – GRIFO NOSSO) dos valores percebi-
dos nos descansos semanais remunerados do período.
Anexo 3:
Em função de tratar-se de salários-tarefas, com forma de 
cálculo integrativa prevista na legislação consolidada, este 
profissional, neste anexo, efetuou a conversão dos valores 
202 Arbitragem e Perícia Contábil
correspondentes aos honorários e seus descansos semanais 
remunerados, em quantidades de unidades de remuneração 
da tarefa – in casu (no caso), os Coeficientes de Honorários(CH’s) da tabela da (citar a que categoria profissional pertença 
e sua remuneração, pode até ser a do sindicato da categoria 
com base no acordo – GRIFO NOSSO). Desta forma, obser-
vados os Arts. 142, § 2°; 478, § 5° e 487, § 3°, todos da CLT, 
demonstra-se as remunerações médias reais a serem utilizadas 
para o cálculo das demais verbas deferidas ao autor, constituí-
das que foram como obrigação de dar a ser cumprida pela ré.
Anexo 4:
Neste anexo, este profissional demonstra a correta apura-
ção dos demais haveres deferidos ao autor, com base na re-
muneração obtida no anexo anterior, apontando, consequen-
temente, os valores concernentes a:
1) décimos terceiros salários de dez./88, dez./89 e 
maio/90;
2) férias dos períodos aquisitivos 76/77, 77/78, 78/79, 
79/80, 80/81, 81/82, 83/84, 88/89 e 89/90, já que não 
foram pagas e devidas à época da rescisão operada;
3) aviso prévio; e,
4) a indenização por tempo de serviço, em dobro, inclusi-
ve quanto à inclusão prevista no Enunciado 148 do C.TST.
Anexo 5:
Neste anexo, este profissional faz a totalização dos valores 
apurados nos demais anexos mês a mês. Este anexo divide-
Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista 203
-se em duas partes: uma totalizando os valores em cruzados 
(de outubro de 1986 a janeiro de 1989) e outra totalizando 
os valores em cruzados novos (de fevereiro de 1989 a maio 
de 1990). Estas eram as denominações da moeda brasileira à 
época, e que a rigor devem ser trazidas a valor atual, confor-
me pode ser verificado no próximo anexo – GRIFO NOSSO).
Anexo 6:
Demonstrativo da atualização do crédito do reclamante, 
observando a vigência temporal das legislações pertinentes à 
matéria, ou seja, o Decreto Lei n° 75/1966, Decreto Lei n° 
2.284/1986, Decreto Lei n° 2.322/1987, Lei n° 7.738/1989 
e Lei n° 8.177/1991. Ao montante acresceram-se os juros mo-
ratórios pertinentes, contados à base de 1% a.m. capitalizados 
até fevereiro de 91 e de 1% simples após março de 1991.
ATENÇÃO: NÃO HÁ ANEXOS NO MATERIAL DO AUTOR 
ALBERTO(2012), ESSES ANEXOS FORAM RECORTES DO LI-
VRO:
PERÍCIA CONTÁBIL, 5. ed. São Paulo, Atlas, 2012. 
Considerações finais da prova pericial de natureza 
contábil
Consideradas as análises e conclusões expostas anterior-
mente e a norma processual aplicável à liquidação de sen-
tença expressa na legislação consolidada, submete a perícia 
às partes e ao MM. Juízo os valores, em resumo, apurados, 
os quais, na opinião técnica da perícia, representam o real 
quantum debeatur (quanto é devido) capaz de tornar líquidos 
204 Arbitragem e Perícia Contábil
os haveres deferidos ao autor na presente reclamatória traba-
lhista. São os seguintes os valores referidos:
Principal R$ 1,65
Correção Monetária R$ 91.359,85
Juros de mora R$ 47.812,60
Total em 1°-2-95 R$ 139.174,10
A seguir apresentam-se as respostas dos quesitos formula-
dos pelo autor e pela empresa ré.
Quesitos do Autor (fls. 226/227)
(a) Roga-se aos dignos louvados, levantar a remuneração 
percebida por último pelo Reclamante, conforme determinado 
pela respeitável sentença de fls. 123.
Resposta:
A remuneração última do autor, assim considerada aquela 
representada pela média em CH’s (Coeficientes de Honorários 
da – ver o que foi informado no anexo três: categoria, sindica-
to, entre outros – GRIFO NOSSO) citado anexo 3.
(b) Com base nessa remuneração, procedeu ao cálculo 
de 22 indenizações por tempo de serviço (11 anos), consi-
derando-se o pagamento em dobro assegurado e + (mais) o 
Enunciado 148 do EGRÉGIO TST assegurado pelo veneran-
do Acórdão de fls. do EGRÉGIO TRT (gratificação natalina 
– 1/12), além de aviso prévio, férias em dobro + (mais) 1/3, 
simples e proporcionais, 13° salários e 13° salário proporcio-
Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista 205
nal (letras “e” e “f” do item 09.01 da inicial), conforme asse-
gurado na respeitável sentença de fls. e quando do julgamento 
dos Embargos de Declaração de fls. opostos pelo Reclamante, 
bem como os DSRs, tudo considerando o período não regis-
trado e não prescrito.
Resposta:
Tendo em vista a respeitável decisão a ser tornada líquida, 
o solicitado no presente quesito encontra-se demonstrado em 
nossos Anexos 2 e 4.
(c) Apurado o principal, proceder ao cálculo de correção 
monetária e juros de mora de lei.
Resposta:
Para atender ao presente quesito, pedimos venia (conside-
ração, referência) para reportar-se ao Anexo 6, integrante do 
presente trabalho.
(d) Considerações dos Srs. Peritos, que julgarem necessá-
rias, para o per- feito esclarecimento dos direitos assegurados 
ao exequente.
Resposta:
As considerações esclarecedoras dos critérios adotados no 
presente trabalho pericial encontram-se descritas no corpo do 
laudo pericial.
Quesitos da ré (fl. 230)
(01) Queira o Sr. Perito demonstrar os valores dos recebi-
mentos do Reclamante pela sua prestação de serviços.
206 Arbitragem e Perícia Contábil
Resposta:
Reporta-se, especificamente, ao Anexo 1 integrante do pre-
sente trabalho.
(02) Queira o Sr. Perito apresentar os quanta (valores) de-
vidos obedecendo estritamente aos limites da r. sentença (res-
posta da sentença) e v. acórdão (versação ao acórdão que 
fundamenta).
Resposta:
Reporta-se, concessa vênia (referência restrita), às Consi-
derações sobre o desenvolvimento do trabalho pericial.
Nada mais havendo a considerar, dá-se por encerrado o 
presente trabalho, constituído de (número quantitativo de fo-
lhas – por exemplo: 12) folhas, sendo (número quantitativo de 
folhas – por exemplo: 5) de texto e (número quantitativo de 
folhas – por exemplo: 7) de anexos, ao final assinado (GRIFO 
NOSSO).
Local________________, _____ de _________ de 1995.
CONTADOR
N° CRC. (UF)
PERITO DO JUÍZO
OBSERVAÇÃO: como informado no início deste texto, o 
modelo de laudo pericial judicial, ora apresentado, não signi-
fica que seja possível ser aplicado em todos os tipos de proces-
sos, mas sim uma ilustração descritiva de fixar conhecimento a 
Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista 207
respeito do tema – Sentença de Reclamatória Trabalhista, com 
vistas a liquidação da sentença.
Recapitulando
Foram abordados conteúdos que trataram da liquidação de 
sentença, em que foi descrita uma reclamatória trabalhista. 
Nela tratou-se os aspectos que fundamentam a vinculação 
empregatícia, a partir de elementos mínimos que comprovas-
sem a relação de trabalho, ou seja, empregador e emprega-
do, conceituação estudada na disciplina de Legislação Tra-
balhista e Previdenciária, a qual deu base para os conteúdos 
deste capítulo.
No desenvolvimento do laudo pericial, os documentos exa-
minados e as diligências realizadas comprovaram o objeto 
examinado, bem como sustentaram a apuração dos haveres 
da reclamatória. Outro aspecto relevante verificado foi que 
os haveres apurados foram atualizados, com critério técnico 
fundamentado em índice oficial, determinado em legislação e 
acrescido de juros moratórios. Quanto aos quesitos, formula-
dos pela Reclamante, quanto pelo Reclamado, foram exempli-
ficados e respondidos com imparcialidade do perito. O laudo 
pericial, como ilustrado, serviu e serve de sustentação ao Juiz 
para proferir a sentença e sentenciada a reclamatória é pro-
cedido o pagamento, sem exclusão dos descontos previdenci-
ários e fiscais.
208 Arbitragem e Perícia Contábil
Referências
BRASIL. LEI N° 6.404, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1976. 
Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de 
agosto de 2016.
______. LEI N° 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 
1996. Dispõe sobre a arbitragem. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 19 de 
julho de 2016.
______. LEI N° 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Dis-
põe sobre o Códigode Processo Civil. Disponível em: 
<www.presidenciadarepública.gov.br>. Acesso em: 27 de 
julho de 2016.
______. LEI N° 13.129, DE 26 DE MAIO DE 2015. Altera a 
Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996, e a Lei n° 6.404, 
de 15 de dezembro de 1976, para ampliar o âmbito de 
aplicação da arbitragem e dispor sobre a escolha dos 
árbitros quando as partes recorrem a órgão arbitral, a in-
terrupção da prescrição pela instituição da arbitragem, a 
concessão de tutelas cautelares e de urgência nos casos de 
arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral, e revoga 
dispositivos da Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996. 
Disponível em: <www.presidenciadarepública.gov.br>. 
Acesso em: 19 de julho de 2016.
ALBERTO, Valdeir Luiz Palombo. Perícia Contábil: Normas 
Brasileiras de Perícia Contábil Comentadas (NBC T 01 e 
NBC PP 01); Aspectos Legais, Civis e Criminais; Casos Prá-
Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista 209
ticos de Perícia Contábil das Áreas Cível, Federal, Traba-
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Periciais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
COMISSÃO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM – CMA/OAB/
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dos do Brasil – Minas Gerais, 2009. Disponível em: 
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ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia Contábil. 5. 
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RITO CONTÁBIL.
SÁ, Antônio Lopes. Perícia Contábil. 10. ed. Revisada e Am-
pliada. São Paulo: Atlas, 2011.
Atividades
 1) Assinale a alternativa que indica elementos para a possibi-
lidade de protelar uma reclamatória trabalhista:
a) Meramente o réu dizer que trabalhou para a Pessoa 
Física ou Jurídica.
210 Arbitragem e Perícia Contábil
b) Apresentar elementos mínimos que provem reconheci-
mento de vínculo empregatício do autor.
c) Apresentar elementos mínimos que provem reconheci-
mento de vínculo empregatício do réu.
d) O autor dizer que trabalhou para o réu sem necessida-
de de provas iniciais.
e) Para que a reclamatória seja aceita pelo juízo, o autor 
deve comunicar previamente o réu da sua intenção.
 2) Qual das alternativas indica as qualidades técnicas e cien-
tíficas que o perito deve ter na lógica das provas que sus-
tentem a reclamatória trabalhista:
a) Em primeiro lugar examinar somente livros, documen-
tos, exceto testemunhas que provem o vínculo empre-
gatício, e, em segundo lugar, proceder a apuração de 
haveres.
b) Em primeiro lugar examinar livros, documentos e in-
clusive testemunhas que provem o vínculo empregatí-
cio, e, em segundo lugar, o perito não deve proceder 
a apuração de haveres.
c) Em primeiro lugar proceder a apuração de haveres, 
e, em segundo lugar, examinar livros, documentos e 
inclusive testemunhas que provem o vínculo emprega-
tício.
d) Em primeiro lugar proceder a apuração de haveres, 
e, em segundo lugar, examinar livros, documentos e 
Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista 211
inclusive testemunhas que fundamentem os direitos de 
haveres.
e) Em primeiro lugar examinar livros, documentos e in-
clusive testemunhas que provem o vínculo emprega-
tício, e, em segundo lugar, proceder a apuração de 
haveres.
 3) A reclamatória trabalhista, a qual requer que seja elabo-
rado um laudo pericial, apresenta alguns pontos centrais 
que servem de base para nortear o trabalho do perito. 
Assinale a alternativa que indica somente estes pontos:
a) a síntese, documentos e declarações, objeto e objeti-
vos, diligências e o laudo elaborado.
b) a síntese, documentos e alegações, objeto e objetivos, 
emergências e o laudo elaborado.
c) a sintaxe, documentos e alegações, objeto e objetivos, 
diligências e o laudo elaborado.
d) a síntese, documentos e alegações, objeto e objetivos, 
diligências e o laudo elaborado.
e) a síntese, documentos e alegações, objeto e adjetivos, 
diligências e o laudo elaborado.
 4) Analise as seguintes afirmações:
I – Nela são determinadas, inicialmente, os indícios da di-
ligência, em que o autor da ação utiliza-se da faculda-
de do arbitramento, que, poder-se-ia afirmar, requer 
trabalho da perícia. Dessa forma há apresentação 
212 Arbitragem e Perícia Contábil
simples e sucinta em que o autor requer a condena-
ção do réu.
II – Nela se busca a evidência de que a Pessoa Física ou 
Jurídica era a detentora do empregado, denominada 
de empregador. Em caso de os elementos indispensá-
veis e/ou necessários não serem suficientes no local, 
réu (empregador), podem e devem ser realizadas em 
outros locais e meios que, pelo autor, tenham sido uti-
lizadas para a percepção do direito assegurado em 
honorários devidos, ou a serem pagos pelo réu.
Assim pode-se afirmar que:
a) A primeira refere-se à diligência, e a segunda refere-se 
aos documentos.
b) A segunda refere-se à síntese, e a primeira refere-se à 
diligência.
c) A primeira refere-se à síntese, e a segunda refere-se à 
diligência.
d) A segunda refere-se aos documentos, e a primeira 
refere-se à síntese.
e) A primeira refere-se à diligência, e a segunda refere-se 
também à diligência.
 5) Relacione a primeira coluna com a segunda, respectiva-
mente: pontos e descrição dos elementos de uma perícia 
de reclamatória trabalhista:
A) Documentos e alegações
Capítulo 10 Liquidação de Sentença Trabalhista 213
B) Objeto e objetivos
C) Diligências
D) Laudo elaborado
( ) É o próprio arbitramento e apuração da remuneração 
do autor, que de outra ponta é apurar os haveres defe-
ridos ao reclamante de forma fundamentada e técnica.
( ) São eles a motivação às provas no que tange a instru-
ção processual.
( ) Apresenta os elementos colhidos pela perícia, com vis-
tas a dar liquidez ao que for julgado na ação.
( ) Podem e devem ser realizadas em locais e meios, que 
provem que o autor tenha o direito assegurado em 
honorários devidos, ou a serem pagos pelo réu.
A ordem correta é:
a) B, A, D, C
b) A, D, C, B
c) D, C, B, A
d) C, B, A, D
e) A, B, C, D
214 Gabarito
Gabaritos
Capítulo 1
 1) e 2) a 3) d 4) c 5) d
Capítulo 2
 1) d 2) a 3) e 4) b 5) c
Capítulo 3
 1) e 2) a 3) b 4) c 5) d
Capítulo 4
 1) e 2) b 3) d 4) c 5) a
Capítulo 5
 1) c 2) a 3) e 4) a 5) d
Capítulo 6
 1) a 2) b 3) c 4) d 5) e
Capítulo 7
 1) d 2) e 3) a 4) c 5) b
Capítulo 8
 1) b 2) c 3) a 4) d 5) e
Capítulo 9
 1) c 2) a 3) d 4) e 5) b
Capítulo 10
 1) b 2) e 3) d 4) c 5) a
Considerações finais 215
Considerações finais
Nesta disciplina, Arbitragem e Perícia Contábil, do Curso de 
Ciências Contábeis, foram abordados conteúdos que versa-
ram sobre a prática da perícia contábil, sua área de abran-
gência, normas do direito, desenvolvimento prático da perícia 
e elaboração do laudo pericial. Nesse sentido, os conceitos 
teóricos visam às formas e aplicação de fundamentos de arbi-
tragem e perícia para por fim a liquidação de sentença.
Verificou-se que os atos e fatos praticados, por Pessoas 
Jurídicas e Físicas, são geradores de demandas de trabalho, 
as quais requerem que profissionais dessa área tenham ha-
bilidades e conhecimentos para o desenvolvimento do papel 
de auxílio ao Judiciário, para dirimir os conflitos, entre partes 
avençadas. Sendo que a apuração pericial é relevante para 
que fique reestabelecido o direito.
Quanto ao objetivo do estudo buscou-se apresentar abor-
dagem teórica de conceitos, a organização, o planejamento e 
as normas da perícia contábil, em que foram identificadas as 
áreas de abrangência e a apresentação delaudos periciais. 
Assim, verificou-se que o conhecimento teórico a partir dos 
conceitos apresentados são relevante subsídio aos profissio-
nais da área da contabilidade para as informações que envol-
vem a relação, a priori, de litígio, com a instrução do laudo e 
apuração do valor para a sustentação de sentença.
Na problematização, esta disciplina trouxe para o estudo 
da perícia contábil a visão sobre as normas, a legislação, os 
conceitos, a organização, o planejamento, os meios de pro-
216 Considerações finais
vas previstos no direito, as áreas de abrangência da perícia 
contábil, as características e habilidades inerentes ao perito 
contábil. Diante disso, sublinhou-se que as atividades de fi-
xação de conteúdo permitiram a compreensão das fases do 
desenvolvimento da perícia contábil, com vistas à elaboração 
de laudos de perícia contábil.
Convém (ré)lembrar, no sentido da compreensão, que é tê-
nue e dinâmica a relação entre três atores presentes: o sujeito 
do direito, o sujeito da obrigação e o Estado (agente regula-
dor/mediador). Por isso, recomenda-se que o/a leitor/a não 
se atenha unicamente a este livro texto, pois este tem a fina-
lidade de servir de apoio e estímulo para a busca de leituras 
adjacentes com o propósito de enriquecer o conhecimento. 
Entende-se que a área de Arbitragem e Perícia é ampla, mas 
recorrente de interpretações com novos ajustes e jurisprudên-
cias. Afirma-se que o livro não é o ponto de chegada, mas 
sim um ponto de partida, compete, a cada uma, avançar no 
campo dos conceitos teóricos para aprofundar conhecimentos 
que sirvam para a sustentação da prática.

Mais conteúdos dessa disciplina