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Resumo das aulas de Biologia Celular e Molecular | 2020 
Elaborado por: Balduíno Milton Aleixo 1 
 
EXTENSÃO DE NIASSA 
APOPTOSE E NECROSE 
O desenvolvimento e a manutenção dos organismos multicelulares dependem de uma interacção 
entre as células que o constituem. No desenvolvimento embrionário, muitas células produzidas em 
excesso são levadas à morte, contribuindo para a formação dos órgãos e tecidos. 
Durante muito tempo, a morte celular foi considerada um processo passivo de carácter 
degenerativo, que ocorre em situações de lesão celular, infecção e ausência de factores de 
crescimento. Como consequência, a célula altera a integridade da membrana plasmática, 
aumenta o seu volume e perde as suas funções metabólicas. Entretanto, nem todos os eventos de 
morte celular são processos passivos. Organismos multicelulares são capazes de induzir a morte 
celular programada como resposta a estímulos intracelulares ou extracelulares. 
Os processos de morte celular podem ser classificados de acordo com suas características 
morfológicas e bioquímicas em: apoptose, autofagia, necrose, mitose catastrófica e senescência. 
Alterações na coordenação desses tipos de morte celular estão implicadas na tumorigênese. 
A apoptose é um programa de morte celular extremamente regulado e de grande eficiência, que 
requer a interacção de inúmeros factores. As alterações morfológicas observadas são 
consequência de uma cascata de eventos moleculares e bioquímicos específicos e geneticamente 
regulados. 
A autofagia é um processo adaptativo conservado evolutivamente e controlado geneticamente. 
Ela ocorre em resposta a um stress metabólico que resulta na degradação de componentes 
celulares. Durante a autofagia, porções do citoplasma são encapsuladas por membrana, 
originando estruturas denominadas autofagossomos. Estes irão se fundir com os lisossomas. A 
seguir, o conteúdo dos autofagossomos será degradado pelas hidrolases lisossomais. 
A necrose é um tipo de morte na qual as células sofrem um insulto que resulta no aumento do 
volume celular, agregação da cromatina, desorganização do citoplasma, perda da integridade da 
membrana plasmática e consequente ruptura celular. Durante a necrose, o conteúdo celular é 
liberado, causando dano às células vizinhas e uma reacção inflamatória no local. É considerada 
uma resposta passiva à injúria celular, entretanto estudos recentes sugerem que a necrose 
também pode ser regulada geneticamente. Assim como a necrose, a mitose catastrófica é um 
processo passivo; porém, alguns estudos sugerem que ela também pode apresentar uma 
regulação genética. 
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A mitose catastrófica envolve uma mitose aberrante, resultando em uma segregação 
cromossômica errónea. Geralmente, não é considerada uma forma de morte, mas sim uma 
sinalização irreversível para a morte. 
A senescência é um processo metabólico activo essencial para o envelhecimento. Ocorre por 
meio de uma programação genética que envolve deterioração dos telômeros e activação de genes 
supressores tumorais. As células que entram em senescência perdem a capacidade proliferativa 
após um determinado número de divisões celulares. 
A célula muitas vezes está exposta a condições que podem levar à lesão celular. Essa lesão pode 
ser reversível até certo ponto, depois do qual a célula morre. A morte celular pode seguir a via da 
necrose ou da apoptose, sendo a primeira sempre patológica, enquanto a segunda pode 
acontecer também em processos fisiológicos normais do organismo. 
O estímulo nocivo desencadeará vários processos intracelulares, como o dano à membrana, que 
afecta a mitocôndria (levando à diminuição da produção de ATP e morte celular), os lisossomos 
(causando digestão enzimática dos componentes celulares) e a membrana plasmática em si, 
culminando na perda do conteúdo celular. Há também aumento do cálcio intracelular e das 
espécies reactivas de oxigénio (radicais livres, como o O2-, H2O2, OH-), o que leva a proteólise e 
dano ao DNA. O cálcio activa muitas enzimas que levam a degradação celular, como as 
endonucleases e as proteases. Acontece diminuição da quantidade de ATP, levando a perda das 
funções celulares dependentes de energia. A actividade da bomba de sódio e potássio ATPase na 
membrana plasmática diminui, acumulando sódio intracelularmente e levando à perda de potássio 
para o meio externo. Acontece edema celular e dilatação do Retículo Endoplasmático, formando 
bolhas. 
O metabolismo energético alterado contribuirá para o aumento da glicólise anaeróbica e 
diminuição das reservas de glicogénio, aumentando o ácido láctico e fosfatos inorgânicos. Esse 
aumento de produção ácida causa diminuição do pH, prejudicando a actividade de muitas 
enzimas celulares. É a deficiência na bomba de cálcio, devido à falta de energia, que leva ao 
aumento intracelular dessa substância, conforme o descrito. Por fim, a diminuição da síntese 
protéica resulta em dano às membranas mitocondriais e lisossomiais. 
A morte celular, definida como perda irreversível da estrutura e funções vitais da célula, ocorre por 
dois processos morfologicamente distintos: necrose e apoptose. Sabe-se actualmente que os dois 
fenómenos contribuem para a morte celular nas doenças hepatobiliares e que a opção da célula 
por uma dessas formas de morte é influenciada pelo seu estado energético (reserva de ATP). 
Como processo activo, a apoptose requer reservas de ATP (pelo menos nas fases iniciais), ao 
passo que a necrose se instala quando há depleção total do ATP. 
 
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Apoptose 
Apoptose, conhecida como "morte celular programada" (a definição correcta é "morte celular não 
seguida de autólise") é um tipo de "auto-destruição celular" que ocorre de forma ordenada e 
demanda energia para a sua execução (diferentemente da necrose). Está relacionada com a 
manutenção da homeostase e com a regulação fisiológica do tamanho dos tecidos, mas pode 
também ser causada por um estímulo patológico (como a lesão ao DNA celular) . O termo é 
derivado do grego, que se referia à queda das folhas das árvores no Outono - um exemplo de 
morte programada fisiológica e apropriada que também implica renovação, ou, 
Apoptose é um tipo de morte celular programada, processo necessário para a manutenção do 
desenvolvimento dos seres vivos, pois está relacionada com a manutenção da homeostase e com 
a regulação fisiológica do tamanho dos tecidos e também, quando há estímulos patológicos. 
Existem diversos processos distintos, além da apoptose, que resultam em morte celular como: 
autofagia, necrose, mitose catastrófica e senescência. No ano de 1964, foi proposto o termo 
“morte celular programada” para designar o processo que ocorre de uma forma não acidental. Já 
no ano de 1972, Kerr, Wyllie e Currie sugeriram o nome apoptose para este processo. 
Características da apoptose 
A apoptose é a via de morte celular programada e controlada intracelularmente através da 
activação de enzimas que degradam o DNA nuclear e as proteínas citoplasmáticas. A membrana 
celular permanece intacta (o que difere bastante das situações de necrose), com alteração 
estrutural para que a célula seja reconhecida como um alvo fagocitário. A célula é eliminada 
rapidamente, de maneira a não dar tempo de o seu conteúdo extravasar, causando uma reacção 
inflamatória que poderia assemelhar-se à necrose tecidual. 
A apoptose acontece tanto em eventos patológicos como em eventos fisiológicos. Morte de 
células nos processos embrionários; involução dependente de hormônios nos adultos; eliminação 
celular em populações celulares em proliferação; neutrófilos e outros leucócitos após término de 
reações inflamatórias ou imunológicas; eliminação de linfócitos auto-reativospotencialmente 
danosos; morte celular induzida por células T citotóxicas são exemplos de apoptose fisiológica. Já 
a patológica ocorre principalmente na presença de vírus, estímulos nocivos (como radiação e 
drogas citotóxicas anticancerosas), atrofia patológica dos órgãos e tumores. 
A apoptose pode ocorrer por duas vias: Intrínseca e Extrínseca. 
A via Intrínseca ou Mitocondrial ocorre quando da retirada de fatores de crescimento ou de 
hormônios, ou quando acontece lesão ao DNA por radiação, toxinas ou radicais livres. Ela é 
regulada por membros da família Bcl-2, ativando moléculas pró-apoptóticas, como o citocromo c. 
http://www.infoescola.com/citologia/apoptose/
http://www.infoescola.com/fisiologia/homeostase/
http://www.infoescola.com/citologia/necrose/
http://www.infoescola.com/citologia/senescencia-celular/
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Além disso, há a participação do gene supressor p53. Tudo isso culmina na activação de 
caspases iniciadoras e efectoras, levando às alterações celulares e à morte. 
A via Extrínseca acontece por meio da interacção receptor-ligante, como por exemplo o Faz e o 
receptor de TNF. Isso activará uma cascata de proteínas adaptadoras, que também culminará na 
activação das caspases. 
A apoptose pode acontecer após a privação de factores de crescimento; mediada por danos ao 
DNA; induzida pela família de receptores do Factor de Necrose Tumoral (TNF) ou mediada pelo 
linfócito T citotóxico. 
Factores da apoptose 
Os factores mais comuns da apoptose são: ausência de oxigénio (hipóxia); agentes físicos 
(traumas, temperatura, radiação, choque); agentes químicos e drogas; agentes infecciosos; 
reacções imunológicas; distúrbios genéticos e desequilíbrios nutricionais. 
A apoptose e a necrose por vezes coexistem e compartilham mecanismos e características. 
Causas da Apoptose 
Como foi dito anteriormente, a apoptose pode ter causas fisiológicas e patológicas. 
Apoptose Causada por Estímulos Fisiológicos 
É útil na manutenção do equilíbrio interno dos organismos multicelulares, sendo que nos humanos 
pode ocorrer em certas situações, como: 
 Nos casos de involução de estruturas fetais durante o desenvolvimento 
embrionário do feto; 
 Situações de corte no suprimento de hormonas estimulatórios (como menopausa); 
 Tecidos onde há uma constante renovação celular; 
 Apoptose estimulada pelo linfócito T citotóxico; 
 Após uma resposta imunológica do organismo a um agente biológico; 
 Nas células fibrosas que originam o cristalino. 
Apoptose Causada por Patologias 
 Casos de lesão do material genético (DNA) da célula, através de estímulos radioactivos, 
químicos ou virais; 
 Nos casos de lesão por isquemia ou hipóxia pode resultar em necrose ou apoptose. Certos 
estímulos à morte celular por necrose também desencadeiam a morte celular por 
apoptose. 
http://www.infoescola.com/embriologia/desenvolvimento-embrionario-humano/
http://www.infoescola.com/embriologia/desenvolvimento-embrionario-humano/
http://www.infoescola.com/embriologia/feto/
http://www.infoescola.com/hormonios/menopausa/
http://www.infoescola.com/citologia/apoptose/
http://www.infoescola.com/citologia/linfocitos/
http://www.infoescola.com/visao/cristalino/
http://www.infoescola.com/biologia/codigo-genetico/
http://www.infoescola.com/biologia/dna/
http://www.infoescola.com/medicina/isquemia/
http://www.infoescola.com/doencas/hipoxia/
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Este processo ocorre muito rápido, sendo que primeiramente há a retracção celular, que 
gera perda de aderência com a matriz extracelular e células vizinhas. Com excepção 
das mitocôndrias, que podem apresentar ruptura da membrana externa, as outras organelos 
mantêm sua morfologia. Por conseguinte, a cromatina se condensa e se concentra próxima 
à membrana nuclear. Logo após, a membrana celular gera prolongamentos, havendo 
desintegração nuclear. Esses prolongamentos aumentam de número e de tamanho e se rompem, 
dando origem a estruturas contendo o conteúdo nuclear. Estas partes envoltas pela membrana 
celular recebem o nome de corpos apoptóticos, sendo esses fagocitados pelos macrófagos e 
removidos rapidamente para não resultar em um processo inflamatório. 
Morfologia da Apoptose 
Morfologicamente, as células apoptóticas apresentam encolhimento celular (citoplasma denso e 
organelos mais agrupadas); condensação da cromatina (a cromatina se agrega na periferia do 
núcleo, em massas densas de várias formas e tamanhos. O próprio núcleo pode se romper em 
dois ou mais fragmentos); formação de bolhas citoplasmáticas e corpos apoptóticos. Fagocitose 
das células ou corpos apoptóticos pelos macrófagos principalmente. As células saudáveis do 
tecido migram e proliferam para ocupar o espaço da célula morta. A degradação intracelular de 
proteínas ocorre por meio de enzimas denominadas caspases, outrora inactivas. Elas clivam 
muitas proteínas nucleares vitais e do citoesqueleto, além de activarem DNAases. A apoptose 
pode ocorrer por duas vias, Intrínseca e Extrínseca. 
Características da Apoptose 
A apoptose, por vezes também designada de morte celular programada, caracteriza-se pela 
ocorrência de várias alterações morfológicas nas células afectadas, nomeadamente ao nível da 
simetria dos folhetos fosfolipídicos da membrana, condensação e agregação da cromatina e 
fragmentação nuclear, terminando com a formação de corpos apoptóticos. Estas alterações 
morfológicas são o reflexo de uma sucessão de acontecimentos bioquímicos que culminaram na 
http://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2010/06/apoptose.jpg
http://www.infoescola.com/citologia/apoptose/
http://www.infoescola.com/biologia/mitocondrias-organelas-celulares/
http://www.infoescola.com/genetica/cromatina/
http://www.infoescola.com/citologia/apoptose/
http://www.infoescola.com/biologia/fagocitose/
http://www.infoescola.com/citologia/macrofagos/
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activação de uma família de proteases de cisteína, conhecidas como caspases, as quais possuem 
especificidade para resíduos de ácido aspártico. As caspases, uma vez activadas, clivam uma 
variedade de proteínas e substratos importantes para a viabilidade celular, numa função 
considerada de “execução”, sendo as proteases envolvidas designadas de “caspases executoras”. 
Exemplos de doenças que resultam de elevados níveis de apoptose 
Doenças Hepáticas 
Numa grande variedade de doenças hepáticas, como os carcinomas ou as doenças virais e 
imunológicas, foram observadas alterações morfológicas e bioquímicas características de um 
processo de morte celular por apoptose. Parece, também, claro que a acumulação de ácidos 
biliares hidrófobos no interior do hepatocito poderá desempenhar um papel central nas lesões 
hepáticas durante a colestase, a qual ocorre em muitas doenças hepáticas crónicas incluindo a 
cirrose biliar primária, a obstrução maligna e iatrogénica dos ductos biliares e a atrésia biliar. 
A toxicidade induzida pelos ácidos biliares hidrófobos foi durante muito tempo caracterizada pelo 
aumento de volume do hepatocito, destruição da membrana plasmática e libertação dos 
constituintes celulares, tendo tal poder citotóxico sido atribuído à capacidade detergente daqueles 
compostos. Hoje, acredita-se que os ácidos biliares hidrófobos, essenciais para a absorção 
intestinal de gorduras, são também capazes de induzir a morte celular por apoptose no tecido 
hepático in vivo, bem como em culturas primárias de hepatocitos de rato e em linhas celulares de 
hepatoma humano. 
Doenças Neurodegenerativas 
A morte prematura de células neuronais tem sido muitas vezes associada ao aparecimento de 
doenças neurodegenerativas, como as doenças de Alzheimer, de Parkinson ede Huntington. No 
cérebro de um doente de Alzheimer encontram-se múltiplas placas senis, que contêm um núcleo 
de substância amilóide predominantemente constituído pelo péptido -amilóide, rodeado por 
células mortas. 
Necrose 
Pode-se definir necrose como as alterações morfológicas que acontecem após a morte celular em 
um tecido vivo, devido à acção progressiva de enzimas nas células que sofreram uma lesão letal. 
A necrose é o correspondente macroscópico e histológico da morte celular causada por uma lesão 
exógena irreversível. Assim que a célula morre, ela ainda não é necrótica, pois esse é um 
processo progressivo de degeneração. As células necróticas não conseguem manter a integridade 
da membrana plasmática, extravasando seu conteúdo e podendo causar inflamação no tecido 
adjacente. 
 
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Morfologia da Necrose 
Morfologicamente, as células necróticas apresentam um aumento da eosinofilia, devido à perda 
da basofilia causada pelo RNA no citoplasma normal e devido também ao aumento da ligação da 
eosina às proteínas plasmáticas desnaturadas. O citoplasma apresenta vacúolos e o citoplasma 
com um aspcto corroído, podendo haver calcificações. As células mortas podem ser substituídas 
por grandes massas de fosfolipídeos, denominadas figuras de mielina, que serão posteriormente 
fagocitadas por outras células ou degradadas em ácidos graxos. As células necróticas são vistas 
ao microscópio electrónico com descontinuidade de membranas plasmáticas e organelos. 
Causas de necrose 
Agentes agressores produzem necrose por: 
1- Redução de energia: 
 Por obstrução vascular (isquemia, anóxia); 
 Inibição processos respiratórios; 
2- Produção de radicais livres; 
3- Acções directas sobre as enzimas (agentes químicos e toxinas); 
4- agressão direta a membrana citoplasmática (formações de canais hidroElicos) 
Características da necrose 
A necrose se caracteriza pela perda da integridade da membrana plasmática quanto a sua 
permeabilidade. Diferentes insultos patológicos como isquemia, hipoxia, hipertermia, irradiação e 
metabólitos tóxicos podem levar à perda abrupta da integridade da membrana plasmática (citólise) 
e à alteração de seus gradientes electroquímicos. 
De um modo geral, a necrose ocorre quando existe um colapso da homeostasia celular, isto é, 
sempre que a célula sofre variações extremas das suas condições fisiológicas, como a hipotermia 
ou a hipóxia, sendo acompanhada por lise da membrana celular e subsequente libertação de 
componentes intracelulares para o exterior. Como consequência deste processo catastrófico, a 
necrose provoca quase sempre inflamação. Pelo contrário, a apoptose é um processo de morte 
celular activo, mas silencioso, que ocorre em condições fisiológicas, de resposta a uma variedade 
de estímulos fisiológicos ou patológicos e em que a célula participa na sua própria destruição. 
Normalmente, como não há perda da integridade membranar, a apoptose não é acompanhada de 
reacções inflamatórias drásticas. 
A fragmentação inespecífica do DNA leva a alterações nucleares que podem aparecer na forma 
de três padrões: cariólise (DNA em degradação, diminuição da basofilia nuclear), picnose 
(encolhimento do núcleo e aumento da basofilia, pela condensação do DNA) cariorréxis 
(fragmentação do núcleo, com seu posterior desaparecimento). 
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Há vários padrões morfológicos de necrose, sendo os principais: necrose de coagulação, necrose 
liquefativa, necrose caseosa e necrose gordurosa. 
A necrose de coagulação acontece caracteristicamente quando da morte celular por hipóxia em 
todos os tecidos, à excepção do cérebro. Nesse tipo de necrose, predomina a coagulação 
protéica, e tende a acontecer em tecidos com alto teor de proteínas. Os tecidos afetados 
apresentam uma textura firme. A acidose intracelular desnatura proteínas e enzimas, bloqueando 
a proteólise celular. Há manutenção da arquitetura básica e contorno das células por, pelo menos, 
alguns dias. 
A necrose de liquefacção é característica de infecções, pois essas promovem o acúmulo 
de células inflamatórias; e também da morte por hipóxia do sistema nervoso. Esse tipo de necrose 
ocorre quando há o predomínio de liquefacção enzimática; acontece quando o tecido tem grande 
teor gorduroso. As células mortas são completamente digeridas e há transformação do tecido em 
uma massa viscosa A necrose caseosa é uma forma distinta de necrose de coagulação, 
encontrada comumente em focos de tuberculose. Esse termo é derivado da aparência branca, 
semelhante a queijo, da área necrótica. Essa área, nos focos tuberculosos, é cercada por uma 
borda inflamatória (reação granulomatosa). 
A necrose gordurosa se refere a áreas de destruição de gordura que ocorre como resultado da 
liberação de lípases pancreáticas activadas na cavidade abdominal, quando de uma pancreatite 
aguda, por exemplo. 
A maioria das células necróticas e de seus fragmentos acaba desaparecendo, devido à digestão 
enzimática e à fragmentação, seguidas da fagocitose por macrófagos e leucócitos. Se essa 
fagocitose e destruição dos restos celulares necróticos não ocorrer rapidamente, sais de cálcio e 
outros minerais podem ser atraídos, acontecendo calcificação no local. Esse fenómeno é 
denominado calcificação distrófica. 
Importância da morte celular 
A morte celular é importância para a homeostasia do organismo. A apoptose participa de funções 
importantes como o remodelamento de órgãos e tecidos durante o desenvolvimento e da resposta 
imune. 
Após o estímulo de morte ocorrem reacções químicas intracelulares que vão culminar na 
degradação do material nuclear, que é o DNA, até a célula realmente completar o processo de 
apoptose e ser retirada daquele ambiente para ter uma morte silenciosa. 
Quando esse ciclo de morte das células não ocorre, pode acarretar em patologias pelo excesso 
ou pela ineficiência de apoptose, como por exemplo, as doenças neurodegenerativas (Alzheimer, 
Parkinson) e o câncer, respectivamente”, reforça. 
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Tabela 1: Características morfológicas, bioquímicas e fisiológicas que distinguem a necrose da 
apoptose 
Características Necrose Apoptose 
Morfológicas  Perda da integridade membranar 
 Lise total da célula 
 Não há formação de vesículas 
 Desintegração dos organitos 
celulares 
 Não há perda da integridade membranar 
 Agregação e marginalização da cromatina 
 Diminuição do volume citoplasmático e 
condensação do núcleo 
 Fragmentação da célula em corpos 
apoptóticos 
 Aumento da permeabilidade mitocondrial 
Bioquímicas  Perda da regulação da 
homeostasia iónica 
 Não requer energia 
 Digestão aleatória do DNA 
 Processo altamente regulado, envolvendo 
activação enzimática 
 Dependente de ATP 
 Digestão não aleatória do DNA 
 Libertação de vários factores mitocondriais 
 Activação da cascata de caspases 
 Alterações na assimetria da membrana 
plasmática 
Fisiológicas  Afecta grupos de células 
 Iniciada por estímulos não 
fisiológicos 
 Fagocitose por macrófagos 
 Resposta inflamatória 
 Afecta células individuais 
 Induzida por estímulos fisiológicos 
 Fagocitose por células adjacentes ou por 
macrófagos 
 Sem resposta inflamatória 
 
Se a morte celular ocorre num organismo vivo e é seguida de autólise, o processo recebe 
nome de 
Necrose. 
Autólise: Degradação enzimática dos componentes da célula por enzimas da própria célula 
liberadas dos lisossomas (pode ser no indivíduo vivo ou morto). 
Apoptose: Morte por processo activo no qual a célula sofre contracção e condensação de suas 
estruturas, fragmenta-se e é fagocitadas por células vizinhasou por macrófagos, não ocorrendo o 
processo de autólise. 
Ex.: processos de metamorfose. 
 Morte celular não pode ser entendida como sinónimo de necrose. 
 Necrose = morte celular no indivíduo vivo seguido de autólise.

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