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1 2 EDUCAÇÃO ESPECIAL E INCLUSIVA MÓDULO III INTRODUÇÃO O curso de Educação Especial e Inclusiva aborda a formação de professores, suas práticas pedagógicas e adaptação curricular. Conforme a LDB, a formação de professores, destaca-se a compreensão do papel social da escola, ao domínio dos conteúdos, à interdisciplinaridade, ao conhecimento dos processos de investigação. Cabe ao profissional assumir e saber lidar com a diversidade existente entre os alunos; incentivar atividades de enriquecimento curricular; utilizar novas metodologias, estratégias e material de apoio; desenvolver hábitos de colaboração e trabalho em equipe. Ninguém aprende a lidar com os alunos deficientes sozinhos, a aprendizagem é através da cooperação, da aceitação das diferenças individuais e valorização de cada pessoa. Requer uma escola colaborativa onde pais, professores, gestores, pedagogos, coordenadores e demais funcionários se unem para que a aprendizagem ocorra, só assim estaremos vivenciando a Educação Especial e Inclusiva. Deve haver também, profissionais qualificados para o atendimento e recursos AEE, onde ele deve ser parceiro do professor da classe comum( regular), para mediar as tarefas e construir um vínculo afetivo com o aluno para interação da aprendizagem, só assim a inclusão acontece! 3 As crianças devem ser trabalhadas para ingressarem também no mundo de trabalho, tendo direitos iguais sobre cursos oferecidos de um modo geral, tanto que, hoje já é garantido por lei vagas para portadores de necessidades especiais em instituições, sejam estas, de cunho educacional, empresarial ou outros. “ A INCLUSÃO É A PORTA E O PROFESSOR É A CHAVE” A adaptação Curricular é apontada como uma das ferramentas mais importantes para um trabalho pedagógico que facilitará o trabalho do professor com máximo de aproveitamento dos alunos, evitando que o aluno especial esteja isolado na sala, mas trabalhando com um material diferenciado, acentuando suas diferenças. Estaremos promovendo a reflexão referente à modalidades de Educação Inclusiva, sobre metodologias utilizadas nas escolas, em relação ao trabalho existente entre o professor da sala de recursos multifuncional e o professor da sala regular de ensino, assim como a formação e socialização de experiências desenvolvidas neste contexto. Alguns alunos deficientes ou que apresentam transtornos não precisa de laudo médico para ter atendimento educacional especializado, mas sim pedagógico, porque o problema não é clínico, mas educacional, conforme nota técnica 04 de 2014 do mec. São muitos os desafios e obstáculos a serem enfrentados, considerando-se avanços científicos, tecnológicos, mas principalmente material (infra- estrutura). o percentual de crianças, jovens e adultos atendidos educativa e sistematicamente ainda é insuficiente face à enorme demanda. Ainda os alunos portadores de necessidades especiais estão à margem da educação. E não é a instituição escolar em si a culpada, mas o próprio sistema, que no papel vem garantir algo e na realidade não cumpre. Esta rede apoio precisa 4 acontecer para que a Educação Especial e Inclusiva se fortaleça. A FORMAÇÃO DE PROFESSORES: SABERES, COMPETÊNCIAS E ATITUDES A alma dos diferentes é feita de uma luz além. Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos capazes de os sentir e entender. Nessas moradas estão tesouros da ternura humana dos quais só os diferentes são capazes. Não mexa com o amor de um diferente. A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois.(Arthur da Távola) Segundo a Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008), para atuar na educação especial, o professor deve ter como base da sua formação, inicial e continuada, conhecimentos gerais para o exercício da docência e conhecimentos específicos da área. Essa formação possibilita a sua atuação no atendimento educacional especializado e deve aprofundar o caráter interativo e interdisciplinar da atuação nas salas comuns do ensino regular, nas salas de recursos, nos centros de atendimento educacional especializado, nos núcleos de acessibilidade das instituições de educação superior, nas classes hospitalares e nos ambientes domiciliares, para a oferta dos serviços e recursos de educação especial. Esta formação deve contemplar também, conhecimentos de gestão de sistema educacional inclusivo, tendo em vista o desenvolvimento de projetos em parceria com outras áreas, visando à acessibilidade arquitetônica, os atendimentos de saúde, a promoção de ações de assistência social, trabalho e justiça (BRASIL, 2008). Percebe-se que a formação docente é um dos vieses de grande interesse quando se trata de política de educação especial e inclusiva. Na formação inicial é preciso superar a histórica 5 dicotomia entre teoria e prática e o divórcio entre a formação pedagógica e a formação no campo dos conhecimentos específicos que serão trabalhados na sala de aula. E em se tratando da formação continuada, esta assume particular importância, em decorrência do avanço científico e tecnológico e de exigência de um nível de conhecimentos sempre mais amplos e profundos na sociedade moderna e que ganhou forma a partir de 2003, com a instituição do Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade, cuja finalidade assumida é disseminar a política de educação inclusiva nos municípios brasileiros e apoiar a formação de gestores e educadores para efetivar a transformação dos sistemas educacionais em sistemas inclusivos (CAIADO; LAPLANE, 2009). A partir de 2007, o programa passou a desenvolver outra modalidade de curso, qual seja, Curso de Aperfeiçoamento de Professores do Atendimento Educacional Especializado3. Tal ação de formação está diretamente articulada ao Programa de Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais4. Estes programas mencionados constituem o esteio da atual política para a educação especial no Brasil e estão vinculados ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), o plano de metas do governo federal que apresenta um corpo de projetos para diferentes níveis e modalidades da educação nacional (GARCIA, 2013). Rodrigues (2008) ressalta que a disseminação do modelo de Educação Inclusiva, nomeadamente pela inclusão de alunos com condições de deficiência na escola regular, origina novos desafios para a formação de professores. Já não se trata de formar professores para alunos que são educados num modelo segregado, mas, sim, professores que são capazes de trabalhar com eficácia com turmas assumidamente heterogêneas. Para isto, é necessário um novo olhar sobre os saberes, as competências e as atitudes que são necessárias para se 6 trabalhar com classes inclusivas. Essas competências são complexas e diversificadas. Integra o programa de formação de professores de educação especial em ação conjunta com a Universidade Aberta do Brasil (UAB). O programa apoia os sistemas de ensino na implantação de salas de recursos multifuncionais (SRMs) com materiais pedagógicos e de acessibilidade para a realização do atendimento educacional especializado, complementar ou suplementar à escolarização. A intenção é atender alunos matriculados nas classes comuns do ensino regular, uma vez que o programa é destinado às escolas das redes estaduais e municipais de educação, nas quais os alunos com deficiências, altas habilidades e transtornos globais do desenvolvimento estejam registrados no censo escolar do Ministério da Educação (MEC)/Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Espera-se que o professor seja competente num largo espectro de domínios que vão desde o conhecimento científico do que ensina à sua aplicação psicopedagógico, bem como em metodologias de ensino, de animação de grupos, atençãoà diversidade, entre outras. Isto sem considerar as grandes expectativas que existem sobre o que o professor deve promover no âmbito educacional mais geral, tal como a educação para a cidadania, educação cívica, sexual, comunitária, entre outras. Alguns autores têm, por isso, denominados a missão do professor na escola contemporânea como uma “missão impossível” (BEN-PERETZ, 2001 apud RODRIGUES, 2008). O mesmo autor acima acredita que existem três dimensões de formação que devem ser consideradas para capacitar os professores no apoio à Educação Inclusiva tanto no âmbito de especialização como nível generalista: os saberes, as competências e as atitudes. Vejamos cada uma delas: a) Dimensão dos saberes: 7 A dimensão dos saberes refere-se ao conjunto de conhecimentos de índole mais teórica que fundamentam as opções de intervenção. Estes conhecimentos vão desde aspectos mais diretamente teóricos, tais como o contato com o pensamento e a teorização de diferentes autores, até (e sobretudo) trabalhos de investigação feitos em contextos reais que possam fundamentar a adoção de determinadas opções metodológicas. No que respeita à Educação Inclusiva, esta dimensão de saberes envolve o conhecimento das características de desenvolvimento e de aprendizagem de alunos com condições não habituais. Envolve certamente a caracterização pedagógica destas condições não habituais de desenvolvimento. Tradicionalmente é dada uma grande ênfase ao estudo das condições de deficiência nomeadamente à etiologia e à patologia em termos clínicos. Precisamos, pelo contrário, reforçar o olhar educacional para as dificuldades encaradas sob o ponto de vista educacional; isto é, conhecer como se avalia, como se planeja, como se desenvolve um processo educacional e de aprendizagem em alunos com dificuldades ou com deficiências que, se não forem enquadradas, poderão influenciar a plena participação no processo educativo. A dimensão dos saberes implica também conhecer formas diversificadas de animação de grupos, quer na esfera da decisão quer no nível do desenvolvimento do currículo, bases sobre o trabalho com famílias e com comunidades em diferentes escalas de compreensão ecológica. a. Dimensão das competências: A dimensão das competências relaciona-se com o “saber fazer”, isto é, o conhecimento específico que o professor deve ter para conduzir, com sucesso, processos de intervenção em contextos assumidamente diversos. Cabe aqui refletir sobre os objetivos do 8 trabalho pedagógico com grupos assumidamente heterogêneos. Podemos dizer “assumidamente” porque todos os grupos são heterogêneos em termos de aprendizagem; a questão é se nós os tratamos como tal ( considerando que a heterogeneidade é inerente ao grupo e, portanto, “natural”) ou se nos relacionamos como grupos (naturalmente) heterogêneos como se fossem problemáticos só pelo fato de não serem homogêneos. Trabalhar com grupos assumidamente heterogêneos é, pois, considerar em termos de avaliação, planejamento e intervenção, que a heterogeneidade é própria do grupo e a situação anômala seria a de encontrar um grupo de aprendizagem que se pudesse considerar homogêneo (RODRIGUES, 2008). Ainda refletindo sobre o trabalho com grupos assumidamente heterogêneos, cabe perguntar o que significa considerar as diferenças dos alunos, porque o simples conhecimento das diferenças não conduz inexoravelmente à adoção de modelos inclusivos. O conhecimento das diferenças entre os alunos pode servir para justificar a sua não inclusão. Pode servir, ainda, para encontrar estratégias e metodologias que levem à anulação dessas diferenças. Neste caso, conhecer as diferenças seria só o primeiro passo para anulá-las; considerar a heterogeneidade não seria mais que a primeira etapa de um processo educativo, que teria como finalidade promover De pouco serviriam os saberes e as competências se os professores não tivessem atitudes positivas face à possibilidade de progresso dos alunos. É fundamental que os professores do ensino regular e de Educação Especial conheçam por experiência própria situações em que uma adequada modificação do currículo e das condições de aprendizagem consiga eliminar barreiras à aprendizagem e promover a aquisição de novos saberes e competências aos alunos. Um 9 professor para desenvolver atitudes positivas, não pode, como era tradicional, construir a sua intervenção baseado no déficit, mas, sim, naquilo que o aluno é capaz de fazer para além da sua dificuldade. Basta imaginar qual seria o futuro acadêmico de um jovem que tendo dificuldades, por exemplo, em Matemática, visse todo o seu currículo escolar ser referenciado a essa matéria. Assim, a construção curricular baseada na deficiência ou na dificuldade, para além de ter uma duvidosa probabilidade de sucesso para o aluno, evidencia uma visão do professor que mais realça as dificuldades do aluno do que as suas potencialidades para desenvolver expectativas positivas, é essencial que o professor conheça múltiplas formas de eliminar e contornar dificuldades e barreiras e que possa, a partir deste trabalho, acreditar e fazer acreditar que o aluno é muito mais do que as suas dificuldades e que existem variadas formas para se chegar ao sucesso. Conhecer casos de boas práticas, conhecer percursos pessoais para além da idade escolar, conhecer, enfim, depoimentos de pessoas que conseguiram construir vidas autônomas e úteis apesar de condições adversas, são certamente fatores que influenciam a formação de atitudes. Claro que quanto maior for a implicação e proximidade da pessoa com estes processos bem sucedidos, mais sedimentada e convicta será a sua atitude positiva face à possibilidade de sucesso de alunos com dificuldade. De acordo com os documentos oficiais, a educação especial, modalidade de educação escolar, é um processo educacional definido por uma proposta pedagógica que assegure recursos e serviços educacionais especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar, suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de modo a garantir a educação escolar e promover o desenvolvimento das potencialidades dos educando que apresentam necessidades 10 educacionais especiais, em todas as etapas e modalidades da educação básica. Ela não caminha sozinha, isolada, ao contrário, hoje é entendida como inclusiva nos sistemas regulares de ensino, tendo como objetivo, não acabar com as diferenças, mas mantê- las ativas para poderem ser rentabilizadas na educação de todos os alunos. A anulação ou impermeabilização das diferenças impede que os alunos se confrontem com outros pontos de vista e realidades e por este motivo empobrece a qualidade da educação (RODRIGUES, 2008). Fazendo uma síntese retrospectiva, vimos que a educação especial se fundamenta em bases filosóficas, históricas, sociológicas, legislativas e pedagógicas. Há um artigo elaborado por Luiza Cortesão (pesquisadora e professora portuguesa), “O arco-íris e o fio da navalha – problemas em face das diferenças” que propõe duas metáforas em que o arco- íris simboliza uma situação de preocupação e intranquilidade, mas oferece também esperança; já o fio da navalha, segundo a autora, poderá acentuar a vertente da dificuldade, do risco que comporta cada passo dado e cada iniciativa. Estas metáforas representam o equilíbrio e a ousadia que ora tombam para um lado, ora para outro. Pois bem, trabalhar com educação especial no contexto da educação inclusiva é complexo, é desafiador e igualmente motivador se nossas opções passarem por vias de mão dupla onde transitem autonomia e emancipação para todos. A ORGANIZAÇÃO DOCENTE NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA TEORIA E PRÁTICA SEGUNDO PESQUISADORES Muitos professores reagem com perplexidade quando se discute questões relacionadas à inclusão na escola regular. Há de sereconhecer que uma expressiva parcela de professores foram formados a partir de um processo de educação tradicional onde 11 priorizava-se a memorização de conteúdos prontos e acabados que ao serem ensinados pelo professor da época tornava-se uma verdade única e indiscutível. Ao analisar esta idéia pode-se notar que nesse modelo de educação havia padronização do saber e todos aqueles que não se enquadravam ao nível mínimo exigido pela escola, eram, totalmente, excluídos dela, sem justificativas que pudessem ser discutidas. Certamente, um professor que fora formado nestes moldes educativos e que não tenha uma formação continuada na profissão docente, poderá ter maiores dificuldades de lidar com as diferenças individuais no seu espaço pedagógico de atuação. Admite-se pensar assim, o fato de carregar na sua bagagem cultural um retrato padronizado de ensino incompatível com as necessidades de um paradigma de educação inclusiva. O que pode acontecer, no entanto, com professores oriundos dessa experiência pedagógica tradicional é o fato dos mesmos encontrar dificuldades de se desgarrar dessa referência de padrões pré-estabelecidos, rígidos e considerados imutáveis. E isso poderia desencadear uma transferência de posturas, aprendizados e crenças para a sua própria prática docente, configurando-a num espaço de educação que favoreça uma relativa parcela de repetição dos moldes tradicionais de educação. Segundo Mantoan (2003) o argumento usado, geralmente, pelos professores quando se vêem diante da possibilidade de envolvimento com um grupo mais heterogêneo de alunos é dizer que não estão preparados ou não terem sido preparados para desenvolver a inclusão de alunos que não se enquadram no padrão da dita normalidade. Alguns professores reagem, inicialmente, à metodologia de oferecer a todos as mesmas oportunidades nas mais variadas estratégias pedagógicas de trabalho. 12 Não é novidade que mesmo que o professor utilize da mesma metodologia para ensinar todos os alunos, os resultados serão diferentes. Porém, sabe-se que há expectativas entre professores de que todos os alunos aprendem os conteúdos num mesmo tempo e espaço. Esta ideia revela a necessidade de conhecimento por parte desses professores de como se processa a construção do conhecimento. E, enquanto esses se fundamentarem no senso comum para desenvolver sua prática de educação não haverá compreensão científica de como desenvolver de forma eficaz uma educação inclusiva de fato. Considerando esta ideia, vale a pena citar as palavras de Mantoan (2003) que sugere que para se efetivar, na realidade, uma educação inclusiva há a necessidade de formação de grupos de estudos e discussões sobre os problemas educacionais nas escolas. Ainda, recomenda que a organização desses grupos deve partir dos próprios professores no momento em que se encontram na escola. As reuniões devem ter como ponto de partida as necessidades e os interesses comuns de alguns professores, como também, a discussão de estratégias de trabalho na sala de aula e a troca de experiências que deram certo questão sugerida acima é pertinente e fundamentalmente, importante para a reflexão dos professores. Pois a interação, as trocas culturais de experiências são estratégias significativas para o desenvolvimento da educação inclusiva. Segundo Mitler (2003) a partir do momento que os profissionais ligados è educação têm compreensão de inúmeros aspectos ligados aos conceitos de igualdade e de diferença, fica mais fácil investir em seres humanos melhores, mais fraternos e isso, consequentemente, vai resultar em boas modificações na área 13 educacional. Neste sentido, o autor chama a atenção para a importância da discussão nas escolas de questões ligadas à diferença e igualdade. Acredita- se que o ponto de partida para iniciar um trabalho de educação inclusiva é o conhecimento desses conceitos. Não é novidade que a implementação de um processo de educação inclusiva irá exigir paciência, estudo, cooperação, solidariedade, conhecimento do funcionamento da inclusão e uma boa dose de coragem e entusiasmo para enfrentar as incertezas, dúvidas e novidades que vão surgir no cotidiano do cenário educativo. E para não se desvencilhar da rota da educação inclusiva, cada profissional envolvido vai precisar se libertar dos velhos, superficiais e rígidos paradigmas de integração e inclusão parcial na escola de ensino regular. Mitler(2003, p. 135) oferece uma contribuição quando assinala que na escola nunca deve deixar de haver questionamentos, e acrescenta: Pensar a educação numa lógica burocrática e corporativa de mera adição, confrontação ou justaposição de “papéis educacionais” é pensar a educação numa perspectiva profundamente redutora, social e culturalmente perversa. Reforçar os mecanismos de interação solidária e os procedimentos cooperativos é, pois, um imperativo de qualquer política educativa que pretenda assumir a educação como uma responsabilidade social. Dessa forma, a interação é uma atividade que deve acontecer como fator imprescindível nos ambientes da escola para que se privilegie a circulação de informações, a cultura da cooperação, o crescimento da formação voltado para a construção de novos conhecimentos, bem como a aprendizagem do aprender sempre. A educação inclusiva não prevê a utilização de práticas de ensino escolar específicas para esta ou aquela deficiência e/ ou dificuldades de aprendizagem. Os alunos aprendem nos seus limites e se o ensino for, de fato, de boa qualidade, o professor levará em conta esses limites e explorará 14 convenientemente, as possibilidades de cada um. Não se trata de uma aceitação passiva do desempenho escolar, e sim de agirmos com realismo e coerência e admitirmos que as escolas existem para formar as novas gerações, e não apenas alguns de seus futuros membros. As palavras da autora mostram o desafio que a realidade desse modelo de educação vai exigir do professor e demais pessoas envolvidas no processo de aprendizagem dos alunos com maiores dificuldades. Contudo, ainda, vai ser necessário reorganizar as estruturas educacionais embasadas nos moldes de uma educação que privilegia uma minoria. A educação inclusiva impõe a reestruturação dos espaços em sala de aula. Neste contexto, os alunos não devem se apoiar somente no professor, ou seja, precisam de liberdade para se apoiarem mutuamente com todos os colegas de classe. O papel controlador do professor como único facilitador da aprendizagem deixa de existir e o cenário educativo se abre para que todos ensinem e aprendem juntos. Uma situação que pode contribuir para a aprendizagem de todos se encontra na oportunidade das trocas de experiências através de trabalhos coletivos em grupos pequenos e diversificados que exercitam a capacidade de decisão dos alunos diante da escolha das tarefas. Mantoan (2003, p. 68), destaca a seguinte reflexão com pertinência: É certo que não se consegue predeterminar a extensão e profundidade dos conteúdos a serem construídos pelos alunos, nem facilitar/adaptar as atividades escolares para alguns, porque somos incapazes de prever, de antemão, as dificuldades e as facilidades que cada um poderá encontrar para realizá-las. Porque é o aluno que se adapta ao novo 15 conhecimento e só ele pode regular o processo de construção intelectual. A maioria dos professores não pensa assim nem é alertada para esse fato e se apavora, com razão, ao receber alunos com deficiência ou com problemas de aprendizagem em suas turmas, pois prevê como será difícil dar conta das diferenciações que um pretenso ensino inclusivo exigir-lhes-á. A educação assim compreendida, proporcionaria aos professores algumas reflexões que poderiam favorecer uma nova estratégia pedagógica, onde o aluno deixaria de aprender sozinho na sua carteira e passariaa buscar conhecimento com todos ou com aqueles que lhe atribuísse maior confiança ou facilidade de entendimento. A superação das dificuldades e insegurança poderia ser erradicada a partir de um trabalho voltado à exploração de talentos, ao desenvolvimento de predisposições, à criação de alternativas pedagógicas atualizadas e recheadas de possibilidades de transcendência da criatividade. O ensino deixaria de ter apenas uma metodologia para ser mediado e passaria a ser relacionado à vida dos alunos e da sociedade em que se vive na realidade atual. O foco central da educação inclusiva não se fundamenta, prioritariamente, no ensino e sim, na aprendizagem do aluno. O processo de educação, assim entendido, segundo Mitler (2003) implica a existência de processos transformadores que decorrem da experiência, algo inerente a cada sujeito e que depende da ação, da interação e transação entre sujeito e objeto, sujeito e meio. Para que a turma toda seja capaz de aprender novos conhecimentos, o professor precisa ter consciência de que cada aluno já sabe alguma coisa, e que qualquer educando é capaz de aprender dentro das suas capacidades cognitivas. Sabendo disso, um dos caminhos é trabalhar os conteúdos e atividades respeitando sempre as diferenças individuais, oferecendo estratégias pedagógicas dinâmicas, interativas, integradoras, cooperativas e dialógicas. Diante dessas sugestões, vale ainda, relembrar a questão já mencionada neste estudo de que o aluno é que vai se adaptar 16 ao novo conhecimento e que somente ele pode regular o processo de construção intelectual, porém, o professor poderá contribuir para que haja um equilíbrio emocional diante das dificuldades de aprendizagem que, muitas vezes, surgem e desencadeia falta de segurança, de ousadia e de motivação. (Algumas outras ideias propostas por Mantoan (2003, p. 71) apud Gallo 1999), podem servir de sugestões para a melhoria da prática da educação inclusiva: ● O rompimento das fronteiras entre as disciplinas curriculares; ● A formação de redes de conhecimento e de significações, em contraposição a currículos Conteudista, a verdades prontas e acabadas, listadas em programas escolares seriados; ● A integração de saberes, decorrente da transversalidade curricular e que se contrapõe ao consumo passivo de informações e de conhecimentos sem sentido; ● A descoberta, a inventividade e a autonomia do sujeito, na conquista do conhecimento; ● Ambientes polissêmicos, favorecidos por temas de estudo que partem da realidade, da identidade sociocultural dos alunos, contra toda a ênfase no primado do enunciado desencarnado e no conhecimento pelo conhecimento. Aliado a essas contribuições, outras de expressiva importância são sugeridas por Mitler(2003, p. 152) para atender à proposta da educação inclusiva: ● Aprende-se não só com a escola e, muito menos, só fora dela; ● Aprende-se a vida inteira, através das formas de viver e conviver; ● Processos cognitivos e processos vitais encontram-se e interagem constantemente; 17 ● Aprende-se pelas expressões da auto-organização da complexidade e da permanente conectividade de TODOS com TODOS, em todos os momentos e etapas do processo evolutivo; ● Cada ser vivo, para existir e viver tem que se flexibilizar, adaptar-se, reestruturar-se, interagir, criar, evoluir e transformar; Diante dessas reflexões, percebe-se que uma proposta de inclusão total vai demandar dos envolvidos no contexto desse processo, algumas posturas inovadoras, atitudes ousadas e conhecimentos biopsicossociais e históricos. Assim, caberá, principalmente o professor, como gestor da sala de aula, promover o ensino para todos, sabendo que cada educando vai aprender dentro do seu ritmo de capacidade cognitiva. Porém, o professor pode e deve estimular e transgressão dos limites oferecendo atividades desafiadoras e carregadas de significado e sentido para os alunos. Parafraseando Mantoan (2003), algumas práticas consagradas nas escolas não são capazes de ensinar a turma toda. Elas contribuem para uma maior seleção e discriminação quando não são desenvolvidas a partir da visão de que cada pessoa possui um processo de conhecimento diferente. Assim sendo a autora destacou que é contra a proposta de trabalhos coletivos que se resumem em atividades individuais realizadas ao mesmo tempo pela turma. É contra ensinar com ênfase e unicamente, a partir dos conteúdos programáticos da série. É contra adotar o livro didático como única ferramenta exclusiva de orientação dos programas de ensino. É contra a considerar a prova final como único instrumento para diagnosticar o desempenho escolar do aluno. Outras práticas, segundo a mesma autora, não contribuem para o pleno desenvolvimento da inclusão. Como por exemplo, não é a favor ao professor que se serve de folhas mimeografadas e xerocadas durante todo o período de ensino para que todos 18 os alunos as preencham ao mesmo tempo, respondendo às mesmas perguntas, com as mesmas respostas. Não é a favor de propor projetos de trabalho totalmente desvinculados das experiências e do interesse da turma, que na maioria das vezes, só serve para demonstrar a pseudo-adesão do professor às inovações. E, também não é a favor da organização do modo fragmentado do emprego do dia letivo, que se apresenta com rigidez e determinação de tempo igual para que todos aprendam num mesmo período, e ainda, com conteúdos estanques desta ou daquela disciplina. A rotina escolar desenvolvida nestes moldes retrata a exclusão escolar que de alguma forma atinge àqueles que apresentam uma maior dificuldade de aprender ou deficiência específica ou necessita de maior tempo para aprender. Pode-se imaginar qual seria a reação desses alunos que rejeitam essas propostas de trabalho. Em muitas ocasiões esse ensino seletivo causa indisciplina, passividade, revolta, evasão e frustrações que poderão ser carregadas pelo resto da vida. Ao refletir sobre as idéias acima, pode-se concluir que o êxito da educação inclusiva depende, de várias mudanças de paradigma educacional escolar, a começar pela transformação nas práticas educativas da escola regular. Foi possível perceber que com práticas pedagógicas inflexíveis, seletivas, preconceituosas e discriminatórias, a exclusão vai se alastrar e se perpetuar no cenário da escola regular. Acredita-se, também que é necessário que os profissionais envolvidos direta e indiretamente, na educação inclusiva trabalhem, inovem e ousem na implantação e execução desse modelo de educação, acreditando na otimização da perspectiva inclusiva. PEDAGOGIA DA NEGAÇÃO x EDUCAÇÃO NA DIVERSIDADE Acreditamos existir dois elementos e/ou características na Educação Especial que somados às condições oferecidas pelo 19 Estado favorecem o desenvolvimento dos alunos dentro de suas limitações. São eles: apagar a idéia da pedagogia da negação e educar na diversidade sobre os quais temos o dever de lançar algumas reflexões. A educação é uma das formas de disseminar o direito de igualdade, isto é, de permitir a todos, as mesmas condições de competição numa sociedade. A cultura imposta pela educação tem por finalidade desenvolver o intelecto de uma pessoa, tornando-a capaz de competir em uma sociedade no âmbito profissional e cultural (FURLAN; ARAÚJO; PERALTA, 2010). Nesse contexto, a Educação Especial é uma modalidade, um processo que visa promover o desenvolvimento das potencialidades de pessoas com necessidades educativas especiais e que abrange os diferentes níveis e graus do sistema de ensino, fundamentando-se em referenciais teóricos compatíveis com as necessidades específicas de seus alunos. Como dizem Kirk e Gallagher (1987, p. 33): [...] nem todas as crianças aprendem e se desenvolvem no mesmo ritmo, reagem emocionalmente do mesmo modo, e veem ou ouvem igualmente [...] as crianças ‘deficientes’ abandonavam a escolaporque não conseguiam competir com as crianças normais e as escolas não estavam organizadas para elas. Pois bem, vamos então partir da Pedagogia da negação, bem explicada por Gomes, Poulin e Figueiredo (2010). Para eles, alguns professores privilegiam o caminho das aprendizagens mecânicas quando atuam junto aos alunos que apresentam deficiência intelectual. Ao invés de apelar para situações de aprendizagem que tenham raízes nas experiências vividas pelo aluno, atividades essas capazes de mobilizar seu raciocínio, propõem atividades baseadas na repetição e na memória. Frequentemente, essas atividades são desprovidas de sentido para os alunos. Esses professores privilegiam o caminho das 20 aprendizagens mecânicas sob o pretexto de que os alunos os quais apresentam deficiência intelectual manifestam numerosas dificuldades nos processos de aprendizagem que eles agem pouco no mundo no qual evoluem e, enfim, sob o pretexto de que os alunos antecipam o fracasso e não se apoiam sobre seus conhecimentos quando estão em situação de aprendizagem ou de resolução de problemas. Agindo desta maneira, tais professores se comportam como se não reconhecessem no aluno que apresenta deficiência intelectual um sujeito capaz de crescimento e de afirmação. Seu acompanhamento pedagógico parece respaldado por uma concepção de aluno que se apoia sobre a ideia de insuficiência ou de lacuna, mesmo de falta no que diz respeito ao raciocínio. Os professores não reconhecem nesse aluno capacidades cognitivas as quais convém mobilizar para favorecer a melhor interação com o meio onde ele vive. Consequentemente, eles negam um aspecto absolutamente fundamental do desenvolvimento humano, a saber, o intelectual. Em suma, eles se fecham em uma pedagogia da negação. Uma pedagogia que não reconhece o potencial dos alunos, sobretudo daqueles que apresentam deficiência intelectual e que, consequentemente, causa prejuízos para as suas aprendizagens e autodeterminação. A Pedagogia da negação encontra sua fonte na superproteção, que é um parente próximo da rejeição. A superproteção de um professor em relação a um aluno que apresenta deficiência intelectual pode se manifestar de várias maneiras. São exemplos: ● Quando o professor propõe frequentemente atividades que não provocam dificuldades verdadeiras para o aluno, com medo que ele perca a motivação para aprender ou com receio que ele não seja capaz de realizar a atividade; 21 ● Quando aprova o trabalho do aluno sem que o aluno tenha demonstrado um esforço para a realização dele; ● Quando resolve o problema no lugar do aluno, logo que ele apresenta dificuldades; ● Quando o professor não desafia o aluno, provocando dúvida, contrapondo ideias; ● Quando o professor coloca na mochila do aluno o material necessário para os deveres e para as lições de casa ou quando resolve a tarefa para o aluno, ele está atuando sob o princípio da pedagogia da negação. É importante considerar que uma das grandes responsabilidades do professor de sala de aula, bem como do professor do Atendimento Educacional Especializado (AEE), consiste no desenvolvimento intelectual e da autonomia do seu aluno. O desenvolvimento intelectual do aluno com deficiência deve ser objeto de preocupação constante do professor. A inteligência deve ser estimulada e educada para que ele possa evoluir. E o aluno que apresenta deficiência intelectual não escapa à regra. Mesmo o aluno que apresenta uma necessidade de apoio importante ou intenso, pode tirar proveito de intervenções educativas destinadas a favorecer ou estimular o desenvolvimento de suas estruturas intelectuais. Os exemplos, neste sentido, são numerosos na literatura científica. Diante dessa realidade, Gomes, Poulin e Figueiredo (2010) afirmam ser inadmissível que a Pedagogia da negação continue a fazer adeptos entre os professores que têm a responsabilidade pela educação dos alunos. 22 Um exemplo de atividades inadequadas é quando o professor impõe aos alunos longos exercícios de multiplicação com ajuda de tabuadas sem que tenham construído o sentido da multiplicação. Os alunos podem dar respostas corretas apoiados apenas na tabuada, de forma mecânica, copiando resultados, sem compreender o sentido da operação. Nem todos os alunos que apresentam deficiência intelectual chegam a assimilar as operações de multiplicação e de divisão e a compreender o sentido destas. Este professor seria mais bem sucedido em sua ação pedagógica, se tivesse como objetivo o desenvolvimento lógico- matemático de seus alunos, se propusesse atividades de aprendizagem próximas aos interesses deles com base nas experiências vivenciadas por eles. Deste modo, o professor, provavelmente, teria contribuído mais para o desenvolvimento dos alunos e permitido a eles aprendizagens mais significativas. A qualidade da vida social e profissional das pessoas que apresentam deficiência intelectual repousa em boa parte sobre bases que são o desenvolvimento intelectual e as aprendizagens significativas que teve na escola e fora dela. Quando o professor percebe a capacidade de o aluno aprender, ele empreende ações que possibilitam essa aprendizagem. Uma vez que a Educação Especial é de suma importância para o desenvolvimento de pessoas com deficiência mental, todo investimento em programas de estimulação precoce, pedagogia e outros profissionais, visa sempre o pleno desenvolvimento do potencial apresentado pelo indivíduo com deficiência mental e a inserção do mesmo em sua comunidade. Quanto maior for a integração da pessoa, maiores serão as oportunidades de aceitação e inclusão na sociedade. Vale aqui ressaltar que o trabalho da família, de instituições como a 23 Associação de pais e amigos dos excepcionais (APAE) e de profissionais formam um canal empático para a obtenção de resultados positivos. Assim, o nível de desenvolvimento a ser alcançado pela criança, com deficiência mental, irá depender não só do grau de comprometimento da mesma, mas também de sua história de vida, particularmente do apoio familiar e das oportunidades verificadas (FURLAN; ARAÚJO; PERALTA, 2010). objetivo de educar com base em valores de respeito e aceitação das diferenças numa sociedade plural e democrática (duk, 2006, p. 62). Eis que uma escola inclusiva caracteriza-se, fundamentalmente, pelo compromisso com o direito de todo(a)s à educação, à igualdade de oportunidades e à participação de cada uma das crianças, adolescentes, jovens e adultos nas várias esferas da vida escolar. É isso que se busca ao retirar do nosso meio a pedagogia da negação e propor concomitantemente a diversidade: fazer acontecer a escola inclusiva na qual o ensino e a aprendizagem, as atitudes e o bem-estar de todos os(as) educando(a)s são considerados igualmente importantes. É uma escola na qual não há discriminação de qualquer natureza e que valoriza a diversidade humana como recurso valioso para o desenvolvimento de todo(a)s, uma escola que busca eliminar as barreiras à aprendizagem para educar de forma igualitária todos os meninos e meninas da comunidade. Na escola inclusiva, todos são reconhecidos em sua individualidade e apoiados diligentemente em sua aprendizagem. QUE CAMINHOS O PROFESSOR DEVE PERCORRER PARA ENSINAR E APRENDER NA DIVERSIDADE? 24 Nesta discussão pretende-se abordar alguns caminhos fundamentais que o professor deve encontrar para desenvolver práticas pedagógicas de qualidade tendo em vista ensinar a turma toda sem preconceitos e exclusão. A expressão parece uma afirmativa simples, mas não é. A dimensão e complexidade que envolve a busca desses caminhos assustam e causam incertezas que irão rondar o dia a dia do professor durante seu trabalho. Antes de destacar quais os compromissos e ações serão necessárias ao professor para que desenvolva uma práticade educação inclusiva de qualidade e dentro dos padrões do atendimento à diversidade, torna-se necessário refletir algumas dificuldades da profissão que o professor enfrenta na realidade dos dias de hoje. Vasconcellos (2003) destacou que nas últimas décadas ocorreram variadas mudanças na escola brasileira, e isso de certa forma, influenciou as condições de vida e de trabalho dos professores, deixando-os num dilema. De um lado, o professor pondera seu gosto pelo magistério, as alegrias que encontra no exercício da função, os anos dedicados à profissão, com também a sua remuneração que, independentemente do valor, de alguma forma garante-lhe a sobrevivência De outro lado, emerge um conjunto de fatores bastante desestimuladores como a falta de reconhecimento de seu trabalho por parte dos dirigentes do sistema de educação, dos pais, da equipe da escola, dos alunos e até dos colegas. Como se não bastasse, a sobrecarga de trabalho, as exigências crescentes frente às condições mínimas que não são garantidas, a falta de clareza do seu papel. Diante desse quadro cabe destacar que esses dilemas precisam que ser discutidos e enfrentados entre toda a equipe de trabalho, além de ser fator fundamental de reflexão para cada educador na sua individualidade, poder suas próprias respostas. 25 É certo que a tarefa é complexa, contudo, torna-se necessário criar perspectivas holísticas em torno da educação escolar. Muitas instituições passam uma visão reducionista da atividade docente, de maneira que o professor recém-formado considera-se um “especialista”, não sendo raro encontrarmos uma postura até arrogante, quando em alguns casos nem se quer há o domínio dos conteúdos básicos a serem ministrados em sala de aula... (VASCONCELLOS, 2003), P. 14). A situação acima destacada denota a fragilidade da formação dos professores para o magistério. Sem contar que muitos deles permanecem muitos anos na carreira docente sem uma formação continuada relacionada à profissão. E isso poderia se denominar o verdadeiro caos da educação. Nesse sentido, vale a pena questionar: Como um professor advindo dessa formação única e, provavelmente, ultrapassada no sentido de conhecimentos científicos, dentre outros, poderia favorecer uma aprendizagem significativa, atualizada e coerente com a diversidade de alunos que ocupa os bancos das escolas de hoje? Seria um equívoco não buscar maior compreensão para essa face da realidade. É necessário discutir resultados de pesquisas, usar a imaginação, a intuição, a criatividade para encontrar alternativas de melhorias nas situações que fazem muitas vezes o professor colecionar rótulos e estigmas A situação de muitos professores, como constatamos, está difícil; procuram então, alternativas: O que fazer? Tal procedimento é absolutamente razoável. Ocorre que acabam buscando fora de si a resposta; não percebem que a alternativa tem de fazer parte do seu plano de ação, tem de entrar no seu movimento 26 reflexivo. Além disso, não conseguem perceber o que de bom já fazem, não valorizam a própria prática, que seria ponto de partida para novos avanços. (VASCONCELLOS, 2003, P. 14) O autor procurou mostrar que é necessário ganhar clareza em relação às finalidades e propósitos que se estabelecem como metas, como sonho. É preciso ser capaz de ter a coragem de mudar o que já está pronto, alçar vôos mais altos e vislumbrar novos caminhos. Entretanto, o que se verifica é que muitos ideais e sonhos morrem, por falta de ousadia e coragem de aprender a aprender sempre, todo dia, toda hora, com todas as pessoas que nos cercam. E pode se considerar que é na escola o lugar mais digno de encontrar novos conhecimentos. Não se pretende aqui nesta discussão esgotar as possibilidades de idéias para ensinar e aprender na diversidade. É preciso conscientizar-se da complexidade de uma prática transformadora. Torna-se necessário pensar que o problema não é apenas ter o que fazer e saber o que deve ser feito. O que interessa é interiorizar conceitos, elaborar planos de ação, lançar mão de métodos criativos, construírem novas competências e descobrir espaços de autonomia. Interessa agora discutir que caminhos o professor deve trilhar para desenvolver uma prática de educação inclusiva com competência e qualidade na docência. De acordo com Imbernon (2000, p. 99), “a qualidade não está unicamente no conteúdo, e sim na interatividade do processo, na dinâmica do grupo, no uso das atividades, no estilo do formador ou professor/a, no material que se utiliza.” Desse modo, assume importância a reflexão sobre a prática em um contexto determinado, a fundamentação em estabelecer estratégias de pensamento, de percepção, e de estímulos. O professor precisa desenvolver sua capacidade reflexiva. É preciso vencer inércias, ter vontade e persistência. É preciso dialogar com o outro e consigo mesmo 27 atingindo o nível da crítica que permita agir, melhorar e falar com o poder da razão. Imbernon (2000, p. 48), destaca cinco grandes linhas e eixos de atuação na formação permanente do professor e que as considera como base para uma reflexão dos sujeitos sobre sua prática docente: ● A reflexão prático-teórica sobre a própria prática mediante a análise, a compreensão, a interpretação e a intervenção sobre a realidade. A capacidade do professor de gerar conhecimento pedagógico por meio da prática educativa; ● A troca de experiências entre iguais para tornar possível a atualização em todos os campos de intervenção educativa e aumentar a comunicação entre os professores; ● A união da formação a um projeto de trabalho; ● A formação como estímulo crítico ante as práticas profissionais como a hierarquia, o sexismo, prolietarização, o individualismo, o pouco prestígio etc., e práticas sociais como a exclusão, a intolerância; ● O desenvolvimento profissional da instituição educativa mediante o trabalho conjunto para transformar essa prática. Possibilitar a passagem da experiência de inovação (isolada e individual) à inovação institucional. Baseando-se nestas reflexões, percebe-se a necessidade de formação permanente do professor a partir do exame de suas teorias implícitas, de auto-avaliação crítica, de recomposição do equilíbrio entre os esquemas teóricos e práticos, bem como a aprendizagem do aprender a interpretar, compreender e refletir sobre a educação e a realidade social de forma comunitária. Além dessas idéias, Imbernon (2000, p. 69-70) elaborou outras relacionadas à formação permanente do professor que são de fundamental importância e merecem destaque: 28 ● Aprender continuamente de forma colaborativa, participativa, isto é, analisar experimentar, avaliar, modificar juntamente com outros colegas ou membros da comunidade. ● Ligar os conhecimentos derivados da socialização comum com novas informações em um processo coerente de formação (adequação das modalidades à finalidade formativa) para rejeitar ou aceitar os conhecimentos em função do contexto. ● Aprender mediante a reflexão individual e coletiva a resolução de situações problemáticas da prática. Ou seja, a partir da prática do professor, realizar um processo de prática teórica. ● Aprender em um ambiente formativo de colaboração e de interação social: compartilhar problemas, fracasso e sucessos com os colegas. ● Elaborar projetos de trabalho conjunto e vinculá-los à formação mediante estratégias de pesquisa-ação. Tudo isso será obtido mediante processos em que se verifique: ● Predisposição numa revisão crítica da própria prática educativa mediante processos de reflexão e análise crítica. Modalidades de formação adequadas ao que o professor tem como finalidade formativa. ● Busca do significado das ações educativas, que devem ser compartilhadas com outras equipes docentes tendo em conta o contexto em que se forma. ● Formação como processode definição de princípios e de elaboração de um projeto educativo conjunto que preveja o uso de atividades educativas mais adequadas à mudança da educação. ● Formação no lugar de trabalho, na própria instituição educacional. 29 A partir dessa perspectiva, segundo o mesmo autor, o trabalho docente incorpora um conhecimento profissional que permite criar processos próprios, autônomos, de intervenção, em vez de buscar uma instrumentação já elaborada e pronta. Dentre as características necessárias para promover esse conhecimento profissional ativo, a formação permanente não deve oferecer apenas novos conhecimentos científicos, mas, principalmente, processos relativos a metodologias de participação, projetos, observação e diagnóstico dos processos, estratégias contextualizadas, comunicação PRÁTICAS E OFICINAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO ESPECIAL DIREITO ÀS DIFERENÇAS NAS ESCOLAS http://juntos2015.blogspot.com.br/2015/05/inclusao-e-o-privilegio-de-conviver-com.html A Constituição Federal de 1988 elucida muitas questões e controvérsias referentes à inclusão escolar, respaldando os que propõem avanços significativos para a educação escolar de pessoas com e sem deficiência, ao eleger como fundamentos da República a cidadania e a dignidade da pessoa humana (art. 1º, incisos II e III), e como um dos seus objetivos fundamentais a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (art. 3º, inciso IV). Ela garante ainda o direito à igualdade (art. 5º), e trata, no art. 205 e seguintes, do direito de todos à 30 educação. Esse direito deve visar ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para a cidadania e sua qualificação para o trabalho. Além disso, nossa atual Constituição institui como um dos princípios do ensino a igualdade de condições de acesso e permanência na escola (art. 206, inciso I), acrescentando que o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um (art. 208, V). Ao garantir a todos o direito à educação e ao acesso à escola, a Constituição Federal não usa adjetivos e, assim sendo, toda escola deve atender aos princípios constitucionais, não excluindo nenhum aluno em razão de sua origem, raça, sexo, cor, idade ou deficiência. Estes dispositivos já seriam suficientes para que ninguém pudesse negar a qualquer aluno com deficiência o acesso à mesma sala de aula que qualquer outro colega, sem deficiência. Mas, no Capítulo III, Da Educação, da Cultura e do Desporto, artigo 205, a Constituição prescreve em seu art. 208, que o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino. Os alunos com deficiência especialmente os em idade de cursar o Ensino Fundamental não podem frequentar unicamente os serviços de Educação Especial (classes especiais, salas de recursos, etc). Eles devem, obrigatoriamente, estar matriculados e freqüentando de modo regular as turmas de sua faixa etária, nas escolas comuns. Trata-se de cumprir uma prerrogativa legal, que diz respeito ao direito indisponível de todo e qualquer aluno à educação. Embora existam pessoas com deficiências bastante significativas, não podemos esquecer que, como 31 alunos, elas têm o mesmo direito de acesso à educação, em ambiente escolar não segregado que aqueles pares com deficiências menos severas e os alunos sem deficiência, da mesma faixa de idade. A participação de alunos severamente prejudicados, nas salas de aula de escolas comuns deve ser, portanto, garantida, para que eles possam se beneficiar do ambiente regular de ensino e aprender conforme as próprias possibilidades. Aliás, são esses os alunos que, de fato, provocam mudanças drásticas e necessárias na organização escolar e que fazem com que seus colegas e professores vivam a experiência da diferença, nas salas de aula. Num rápido olhar para a Declaração Mundial de Educação Para Todos, de 1990, fica claro qual é a verdadeira função da escola que é constituída para atender a todos. Nesse sentido, basta observar que a Convenção defende que toda criança tem direito à educação e ao acesso aos conhecimentos, e que as escolas na perspectiva da diversidade devem acolher todos e todas, independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras. A Declaração Mundial de Educação Para Todos ainda destaca o entendimento de que a expressão “necessidades educativas especiais” refere-se a todas as crianças e jovens cujas necessidades decorrem de sua capacidade ou de suas dificuldades de aprendizagem. Determina também que as escolas têm que encontrar a maneira de educar com êxito todas as crianças, inclusive as com deficiências graves. Frente ao complexo processo de inclusão escolar entendemos que devemos centrar em princípios como: a aceitação das diferenças individuais, a valorização de cada pessoa, a convivência dentro da diversidade humana, a aprendizagem através da cooperação. Pensar nessa prática social presente dentro do sistema escolar e nos processos educativos para além 32 das arestas da escola nos remete pensar numa educação que seja capaz de promover a conscientização de todos e de todas. A Educação Inclusiva é um processo que envolve mudanças em toda a sociedade, por isso é um trabalho longo e desafiador. Mudar o contexto atual de uma hora para outra é impossível. Contudo, a escola inclusiva deve atender ao princípio de aceitação às diferenças, de valorização do outro e da convivência dentro da diversidade. Por décadas a Educação Especial se estruturou nos modelos assistencialistas e segregativos, ou seja, pela segmentação das deficiências, isso contribuiu para que a formação escolar e a vida social das crianças e jovens deficientes ocorressem em um mundo à parte. Os serviços educacionais e a Educação Especial migram de um momento meramente assistencial para outro que prioriza os aspectos médico e psicológico de cada indivíduo. Apesar do leve processo evolutivo, as pessoas com deficiências foram expostas à discriminação e consideradas incapazes de trabalhar, estudar e se relacionarem socialmente, ou seja, levando uma vida como seres inúteis. Para que a escola seja um ambiente de promoção de saberes faz-se necessário que ela deixe de ser preconceituosa e excludente e passe a valorizar a pessoa,seus saberes e conquistas. Cabe ao professor valorizar a diversidade existente em sua sala de aula, pois esta diversidade proporciona trocas de conhecimentos e habilidades, além de permitir o desenvolvimento de valores importantes no reconhecimento de que todos são diferentes, aprendem de formas diferentes e todos contribuem de alguma forma para construção social e histórica da realidade. Ao referir- se à atuação do professor, pressupõe-se uma ação 33 conjunta, com o envolvimento da escola, que disponibiliza os recursos necessários, bem como os apoios de equipe pedagógica, que lhe dê o suporte adequado para ensinar todos os alunos que compõem a heterogeneidade da sala de aula. Uma escola realmente inclusiva possibilita que crianças e jovens deficientes possam não apenas frequentar o sistema educacional, mas também permanecerem nele, superando seus limites e vencendo obstáculos. O processo de inclusão, é um processo de construção de uma sociedade para todos, e dentro dessa sociedade um dos direitos básicos de todo ser humano é a aspiração à felicidade ou, como outros lhe preferem chamar, à qualidade de vida. A ideia de inclusão é a melhor maneira de oportunizar e possibilitar que as pessoas com deficiência possam desenvolver suas potencialidades, qualquer que seja suadeficiência ou condição social. PRÁTICAS PEDAGÓGICAS 34 http://maysaangelgg.blogspot.com.br/2011/05/midias-e-praticas-pedagogicas.html Por volta da década de 60, surgiu o Movimento de Integração, que tinha como principal objetivo a inserção das pessoas com deficiências no cotidiano como um todo na sociedade. Com esse movimento surgiram instituições especializadas, como escola especial, centro de habilitação, centros de reabilitação, oficinas protegidas de trabalho, clubes sociais, associações desportivas especiais. Sem dúvida, o processo de integração foi um grande passo para a busca dos direitos das pessoas com deficiências. No entanto, as escolas especiais separavam os alunos de acordo com o nível de suas deficiências, as atividades propostas em sala de aula eram incompatíveis com a idade e o nível de conhecimento que os alunos tinham, sendo que, em decorrência dessa prática, muitas vezes acontecia, por exemplo, de alunos adolescentes realizarem em atividades para crianças da educação infantil, sendo desse modo, infantilizados. 35 Tendo em vista que o processo de Integração não atendia as necessidades das pessoas com deficiência, a partir de meados da década de 80 surgiu um novo conceito, o de inclusão social. Dentro dessa concepção, o processo de adaptação entre a sociedade e as pessoas com deficiência busca prepará-las para assumir seus papéis na sociedade. A inclusão social é um processo bilateral onde pessoas excluídas e sociedade busca, em parceria, solucionar e efetivar a equiparação de oportunidades para todos. A prática da inclusão social tem o respaldo em princípios até então considerados incomuns, como por exemplo: aceitação das diferenças individuais, a valorização de cada pessoa, a convivência dentro da diversidade humana, a aprendizagem através da cooperação entre outros. A educação passa a ser inclusiva quando a escola enxerga a pessoa com deficiência como alguém que possui necessidades educacionais especiais e diferenciadas e não como uma pessoa sem potencial. A sociedade, dentro desse paradigma, passa a perceber que as pessoas com deficiência têm seu potencial, que ele é capaz como qualquer outra pessoa. Lei de Diretrizes e Bases para Educação Nacional (LDBEN) de 1996, no Art. 3º, incube os docentes na elaboração dos planos de aula, segundo a proposta pedagógica de ensino, para que eles zelem pela aprendizagem dos alunos e que estabeleçam estratégias de recuperação para os alunos que tiveram menor rendimento em sala de aula. No Art. 4º, parágrafo 3º, da LDBEN de 1996, entende que o atendimento educacional especializado deve ser gratuito 36 aos educando com necessidades especiais e que seja preferencialmente na rede regular de ensino. http://semecmaracas.blogspot.com.br/2012/06/profissionais-da-educacao-infantil.html A LDBEN também afirma a necessidade de que os professores tenham especializações adequadas, para atender os alunos com deficiência e que sejam capacitados a integrar esses alunos na classe comum de ensino. A Declaração de Salamanca diz que toda criança tem direito fundamental à educação, e deve ser dada a oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem, e que toda criança possui características,interesses e habilidades diferentes, e suas necessidades de aprendizagem são únicas. A Declaração de Salamanca, diz que existe um consenso de que crianças e jovens com necessidades especiais devam ser incluídas com arranjos nas escolas, por isso levou ao conceito de escola inclusiva. Só que o grande desafio confronta a escola inclusiva é justamente no que diz respeito ao desenvolvimento de uma pedagogia que seja centrada na criança e que seja capaz de educar todas as crianças. 37 A Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, diz no artigo 7º que o Estado deverá assegurar às crianças com deficiência o total desfrute de todos os direitos humanos e de todas as liberdades fundamentais, e ter igualdade de oportunidades com as demais crianças. O Estado reconhece o direito das pessoas com deficiência à educação, e que para a realização desse direito sem discriminação tendo como base a igualdade de oportunidades, o Estado deverá assegurar educação inclusiva em todos os níveis. Como podemos observar são medidas necessárias que o Estado tem que tomar para que a educação inclusiva aconteça de modo satisfatório para as pessoas com deficiência. Cabe lembrar, que apesar da Educação Especial está diretamente relacionada ao processo de inclusão escolar, atualmente este último não se restringe a esta modalidade educacional. Não apenas os alunos com deficiência devem ser atendidos nas escolas regulares, mas também todos aqueles que possuem alguma Necessidade Educacional Especial (NEE). Esta compreensão é reafirmada na forma de lei, pelo Decreto n. 6.571, promulgado em 17 de setembro de 2008 (BRASIL, 2008), que busca avançar nas discussões da inclusão escolar ao regulamentar a possibilidade de 38 atendimentos educacionais especializados aos alunos em processo de inclusão decorrentes de deficiências, transtornos globais do desenvolvimento, e altas habilidades ou superdotação. Dentre os objetivos traçados pela nova regulamentação nacional estão: prover condições de acesso, permanência e participação, com a garantia de transversalidade das ações da educação especial no ensino regular, por meio do desenvolvimento de recursos didáticos e pedagógicos que auxiliem na eliminação das barreiras acadêmicas para esses alunos nos diferentes níveis acadêmicos. Ainda de acordo com a legislação, a compreensão da Educação Especial nessa nova esfera, vem possibilitar a oferta do atendimento especializado aos alunos, com o oferecimento de recursos e procedimentos apropriados, facilitando a acessibilidade e a eliminação de barreiras e, assim, efetivando a promoção da formação integral dos alunos. A descrição das necessidades especiais de acordo com a modalidade de ensino pode ser classificada em três categorias, sendo elas: ● deficiências sensoriais: cegueira, baixa visão surdez, deficiência auditiva e surdocegueira; ● deficiência mental, física e múltipla; ● transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades. As práticas de ensino devem estar embasadas em ações mais solidárias e igualitárias, e se contrapor às práticas ainda focadas em conceitos e ações excludentes, com modelos educacionais competitivos e predatórios. Pensar na qualificação das práticas de ensino é rever novas 39 formas de organização pedagógica que sejam consonantes ao respeito às diferenças dos alunos, uma nova compreensão das práticas dialógicas desenvolvidas em sala de aula, que recuperem os agentes humanos envolvidos na relação. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARRETO, Sidirley de Jesus. Psicomotricidade, educação e reeducação. 2 ed. Blumenau: Livraria Acadêmica, 2000. FONSECA, Vitor da. 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