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CORES
	
Seus	Significados
e	Influências
em	nossas	Vidas
	
	
	
	
	
	
	
	
	
Maria	Helena	Santos
Publicitária
Escritora
Instrutora	de	Yoga
	
	
Porto	Alegre	/	Rio	Grande	do	Sul	/	Brasil
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
AGRADECIMENTOS
	
Aos	meus	pais,	irmão	e	irmãs	pelo	carinho	e	apoio.
Ao	meu	saudoso	professor,	Hanns	Peter	Struck,	por	sua
valiosa	colaboração	nas	pesquisas	sobre	o	tema.
À	escritora,	coach,	amiga	e	irmã	Bhia	Beatriz,
pelo	incentivo	e	assessoria	para	a	publicação	desta	obra.
Ao	meu	estimado	professor	Nicolau	Chiavaro,	sem	cujo	apoio	eu
não	teria	concluído	o	curso	superior	de	publicidade	e	propaganda.
Ao	meu	amado	filho	Sandro	Santos,	razão	maior	da	minha	existência.
A	todos	os	amigos,	e	à	vida,
por	me	permitir	estar	aqui	até	agora,	apesar	dos	percalços.
	
	
.:.
	
	
DEDICATÓRIA
	
Este	livro	foi	escrito	para	você,	um	ser	humano,	que	vive	num	planeta	incrível,
com	lindos	jardins	cobertos	de	flores	multicoloridas,	com	verdes	matas,
com	rios	e	oceanos	que	fluem	do	azul	ao	verde	passando	por	todas	as	suas
nuances,	tudo	coberto	por	um	imenso	céu	azul,	com	nuvens	brancas	como
algodão,
onde	brilha	um	gigantesco	sol	amarelo	dourado.
Como	você	vê,	um	mundo	repleto	de	cores	por	todos	os	lados.
O	seu	mundo,	o	nosso	mundo.
	
	
A	autora
SUMÁRIO
	
	
INTRODUÇÃO
	
I	–	A	ORDEM	DAS	CORES
1.0	–	Cor	Primária
2.0	–	Cor	Secundária
	
II	–	AS	CORES	COMO	OBJETO	DE	ESTUDO	DA	FISICA,	DA	FISIOLOGIA
E	DA	PSICOLOGIA
1.0	–	Fenômeno	Físico	da	Cor
2.0	–	Fenômeno	Fisiológico	da	Cor
2.1	–	Visão	da	Cor
2.2	–	Daltonismo
3.0	–	Fenômeno	Psicológico	da	Cor
3.1	–	Influências	da	Escolha	de	Cores
3.2	–	Efeitos	Físicos	da	Cor
3.3	–	Linguagem	das	Cores
	
III	–	AS	PROPRIEDADES	DAS	CORES
1.0	–	Quente	e	Frio
2.0	–	Leve	e	Pesado
3.0	–	Ativo	e	Passivo
4.0	–	Claro	e	Escuro
	
IV	–	A	PÓS-IMAGEM
	
V	–	COR	&	MARKETING
	
VI	–	A	COR	NO	AMBIENTE
1.0	–	A	Ação	da	Cor	sobre	o	Homem	no	Ambiente	Colorido
2.0	–	A	Cor	nas	Indústrias
3.0	–	A	Cor	nos	Estabelecimentos	Comerciais
	
VII	–	A	COR	NA	EMBALAGEM
1.0	–	Conotações	da	Cor	com	Produtos	Alimentícios
2.0	–	Conotações	da	Cor	com	Produtos	Farmacêuticos
3.0	–	Influência	Visual	da	Cor	sobre	a	Dimensão	e	Forma	das	Embalagens
4.0	–	A	Cor	da	Embalagem	em	Função	dos	Pontos	de	Venda
	
CONSLUSÃO
	
BIBLIOGRAFIA
INTRODUÇÃO
	
	
														No	princípio	criou	Deus	os	Céus	e	a	Terra.	A	Terra,	porém,	era	sem
forma	 e	 vazia.	 Havia	 trevas	 por	 sobre	 a	 face	 do	 abismo	 e	 o	 espírito	 de	Deus
pairava	por	sobre	as	águas.	Disse	Deus:	-	Haja	luz!	E	houve	luz!	E	viu	Deus	que
a	luz	era	boa.	E	fez	separação	entre	a	luz	e	as	trevas.	Chamou	Deus	à	Luz	Dia	e
às	Trevas	Noite.	E	houve	tarde	e	manhã	o	primeiro	dia.
														E	desde	o	momento	em	que	Deus	disse:	Haja	luz	e	houve	luz,	houve
também	cor.	A	cor	que	está	em	todos	os	momentos	e	em	todas	as	situações	da
vida	do	homem.
														A	cor	está	em	todas	as	coisas	que	nos	cercam	e	que	constituem	a	nossa
existência.	Está	no	sorriso	da	criança.	No	desabrochar	das	flores.	Na	música	que
escutamos.	Na	embalagem	que	compramos.	Na	roupa	que	vestimos.	No	alimento
que	 comemos.	 No	 trabalho	 que	 realizamos.	 E,	 até	 mesmo,	 no	 sonho	 que
sonhamos.	 Não	 é	 possível,	 sequer,	 imaginar	 o	 mundo	 sem	 cor.	 É	 uma	 coisa,
praticamente,	 inconcebível.	 Ela	 se	 faz	 presente	 em	 todos	 os	 nossos	 atos,	 em
todos	os	nossos	pensamentos,	em	todo	o	nosso	“EU”.	O	seu	 império	domina	a
nossa	vida.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Muitos	 estudiosos	 têm	se	preocupado	com	as	 cores	desde	as	mais
remotas	datas,	porém,	muitos	destes	estudos	se	perderam	no	tempo	e	no	espaço.
Sabemos,	apenas,	que	alguém	se	preocupa	com	os	efeitos	causados	pelas	cores,
através	 de	 fragmentos	 encontrados	 no	 decorrer	 da	 História	 da	 humanidade.
Encontramos,	por	exemplo,	nas	páginas	da	História	Antiga,	referências	a	Galeno
e	 Pitágoras,	 os	 quais	 teriam	 praticado	 a	 terapia	 através	 das	 cores.	 Também
Aristóteles	e	Platão	teriam	realizado	estudos	sobre	a	luz	e	a	cor,	cujos	resultados
foram	 sufocados	 pelos	 terrores	 da	 Idade	 Média.	 Pois,	 além	 de	 poucos	 se
aventurarem	a	estudar	os	mistérios	da	cor,	mesmo	estes	eram	barrados	inúmeras
vezes	e	os	resultados	de	seus	estudos	jamais	eram	difundidos,	devido	a	crenças
generalizadas	de	que	experiências	 realizadas	com	cores	eram	atos	de	feitiçaria,
os	quais	não	deviam	ser	praticados.
														Mas,	apesar	das	dificuldades	encontradas	em	relação	ao	estudo	da	cor,
ela	faz	parte	da	vida	da	humanidade	em	todos	os	seus	momentos.	As	cores	são
usadas	 na	 representação	 das	 nações,	 na	 sociedade,	 nas	 ciências,	 nas	 artes,	 na
arquitetura,	na	decoração,	na	indústria,	na	publicidade,	no	comércio,	etc...
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 O	 governo,	 a	 Nação	 é	 representada	 por	 uma	 ou	 mais	 cores,
reconhecidas	universalmente	através	da	bandeira	de	cada	país.	É	o	uso	das	cores
na	representação	das	nações.
	
	
													
	
E	cada	cor	presente	na	bandeira	de	cada	país	não	está	ali	meramente	por	acaso.
Cada	 uma	 delas	 tem	 uma	 razão	 de	 ser	 e	 de	 estar;	 pois	 cada	 uma	 representa
alguma	 coisa.	 Alguma	 coisa	 muito	 importante	 para	 cada	 cidadão	 nascido	 sob
aquela	bandeira.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Muitas	 nações	 na	 Idade	Média	 usavam	 os	 estandartes	 das	 casas
imperiais	 que	 as	 regiam	 e	 no	 estandarte	 a	 casa	 imperial,	 intuitivamente
representava	 o	 seu	 comportamento	 em	 relação	 à	 atitude	 tomada	 com	 as
populações	que	dominava.	A	título	de	exemplo,	do	acima	exposto	basta	lembrar
o	 estandarte	 de	 Borbon	 (França),	 que	 foi	 de	 cor	 azul-clara	 com	 a	 Flor-de-lis
branca.	 Ambas	 as	 cores	 denotam	 “afastamento	 e	 isolamento”,	 comportamento
constatado	historicamente	dos	Louizes	reis	da	França	que	se	isolaram	da	massa
populacional.	Obviamente	 veio	 a	 reação!...	 A	Revolução	 Francesa	 no	 fim	 	 do
século	XVII.	 E	 o	 estandarte	 vermelho,	 como	 símbolo	 das	massas,	 foi	 erguido
pela	 primeira	 vez	 em	 14	 de	 julho,	 data	 da	 Queda	 da	 Bastilha.	 E	 novamente
através	do	estandarte	vermelho,	que	denota	“agressão	e	guerra”,	 intuitivamente
os	líderes	revelaram	o	seu	comportamento.
														No	futebol,	encontramos	outro	exemplo	interessante	do	emprego	das
cores	 no	 estandarte,	 que	 não	 cremos	 ter	 sido	 propositalmente	 idealizado.	 Nos
referimos	ao	Grêmio	e	ao	Internacional,	principais	times	gaúchos.	No	Grêmio	–
os	 alemães	 isolaram-se	 da	 massa	 através	 do	 Branco,	 Azul	 e	 Preto.	 O
Internacional,	 clube	 do	 povo,	 representa	 a	 massa	 através	 do	 seu	 estandarte
predominantemente	vermelho.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Segundo	Aldous	Huxley,	em	seu	 famoso	 livro	“Admirável	Mundo
Novo”,	um	dia	a	sociedade	será	totalmente	criada	em	laboratórios	e	será,	desde	a
mais	 tenra	 idade,	 condicionada	 para	 ser	 feliz.	 Os	 membros	 dessa	 sociedade,
Alfas,	 Betas,	 Gamas,	 Deltas	 e	 Epsilões,	 formarão	 as	 cinco	 classes	 sociais	 da
época.	 E	 cada	 uma	 destas	 criaturas,	 será	 condicionada	 para	 realizar	 um
determinado	 tipo	 de	 tarefa	 na	 sociedade,	 sentindo-se	 sempre	 alegres	 e	 felizes.
Entre	 as	 muitas	 características	 que	 identificarão	 as	 camadas	 sociais,	 a	 mais
distinta	 será	 a	 cor	 das	 roupas	 usadas	 por	 cada	 grupo	 de	 pessoas.	 Os	 alfas,
criaturas	bonitas,	altas,	 inteligentes,	destinadas	a	 realizar	 tarefas	 intelectuais	na
direção	da	sociedade	usarão	vestimentas	brancas.	Os	Betas,	também	inteligentes,
porém	um	pouco	menos	 do	 que	 os	 primeiros,	 dos	 quais	 serão	 uma	 espécie	 de
assessores	 diretos,	 vestir-se-ão	 de	 cinza-claro.	 Os	 Gamas,	 criados	 com	 a
finalidade	de	realizar	tarefas	mais	mecanizadas,	vestirão	roupas	de	cor	verde.	Os
Deltas,	 criaturas	 dotadas	 de	 uma	 inteligência	 mínima,	 usarão	 a	 cor	 Caqui	 em
suas	vestimentas.	E,	por	 fim,	os	Epsilões,	criaturas	propositalmente	 retardadas,
de	feições	deformadas,	destinadas	a	fazer	os	trabalhos	pesados	e	rotineiros	para	a
boa	manutenção	da	sociedade,	usarão	sempre	o	preto	em	suas	vestimentas.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Nas	ciências	a	cor	tem	sido	muitousada	também.	Na	medicina,	por
exemplo,	investigações	e	experiências	têm	sido	realizadas	por	cromoterapeutas,
mostrando	os	diversos	efeitos	das	cores	sobre	os	organismos	vivos.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Estas	 investigações	 realizadas	 por	 cientistas	 cromoterapeutas
confirmam	 diversos	 resultados,	 os	 quais	 se	 encontram	 resumidos	 no	 quadro
abaixo:
	
LUZ	VERDE	acaba	com	as	larvas	das	moscas	e	dos	besouros.
LUZ	VERMELHA	estimula	as	funções	orgânicas	do	homem.	Favorece	a	marcha
da	catapora,	sarampo	e	escarlatina.	Torna	as	plantas	mais	vigorosas.
LUZ	AZULADA	acaba	com	as	plantas.
LUZ	ANILADA	possui	poder	analgésico.
EXCESSO	DE	AMARELO	favorece	indigestões,	gastrites	e	úlceras	gástricas.
EXCESSO	DE	AZUL	favorece	a	pneumonia,	tuberculose	pulmonar	e	pleurisia.
VARIAÇÕES	DA	COR	VERDE	favorece	as	doenças	mentais	e	nervosas.
VARIAÇÕES	 DA	 COR	 VERMELHA	 favorece	 as	 doenças	 do	 coração	 e
reflexos	na	pressão	arterial.
A	COR	AZUL	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 ajuda	 contra	 as	 doenças	 de	 olhos,	 ouvidos,	 nariz	 e
pulmões.
A	COR	VERMELHA	ajuda	contra	doenças	do	estômago,	fígado	e	baço.
A	COR	VERDE	ajuda	contra	doenças	do	sistema	nervoso	e	aparelho	digestivo.
A	 COR	 AMARELA	 e	 A	 COR	 CAFÉ	 produzem	 enjôo	 quando	 o	 interior	 do
veículo,	especialmente	o	avião,	é	pintado	nessas	cores.
CORES	ALEGRES														estimulam	o	apetite,	quando	a	sala	de	jantar	é	assim
pintada.
CORES	SUAVES	geralmente	para	dormitórios,	porque	estimulam	o	repouso.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Desde	 os	 primórdios	 da	 história	 da	 civilização,	 as	 cores	 vem
influenciando	o	homem	e	tomando	parte	integrante	em	sua	vida	e	em	seus	atos.
Na	 arte	 temos,	 por	 exemplo,	 o	 grande	 Leonardo	 Da	 Vinci,	 dando	 expansão,
beleza	e	sentimento	às	suas	obras	por	intermédio	das	cores.	Dizia	ele	que	nada
deve	ser	imitado,	somente	a	natureza	merece	ser	copiada	com	toda	a	sua	luz	e	as
suas	cores.	Leonardo	Da	Vinci	pintava	rostos	humanos	com	a	grande	beleza	que
havia	 em	 sua	 alma	 de	 artista.	 Dizia-se	 dele	 que	 era	 o	 pintor	 dos	 rostos
sorridentes,	 que	 andava	 pelo	 mundo	 sonhando,	 inventando,	 construindo,
pintando	e	filosofando	rodeado	por	idéias,	artes	e	cores.
	
	
	
														Muitos	outros	vultos	célebres	da	nossa	história	podem	ser	citados	aqui,
como	 Dante	 Alighieri,	 Goethe,	 Shakespeare	 e	 Voltaire	 que,	 apesar	 de	 não
trabalharem	diretamente	com	tintas	e	pincéis,	trabalharam	com	a	cor	através	das
idéias	e	expressões	que	legaram	à	humanidade.
														A	cor	nas	mãos	do	artista	é	usada	para	expressar	beleza,	sentimento	e
vida.	 Já	 nas	 mãos	 do	 arquiteto,	 apesar	 de	 ser	 também	 usada	 para	 expressar
beleza	 e	 harmonia	 é	 uma	 poderosa	 ferramenta,	 pois	 serve	 para	 aumentar	 ou
diminuir	volumes,	para	aproximar	ou	afastar	estruturas	imóveis	de	concreto,	de
acordo	com	as	suas	necessidades	ou	desejos,	através	de	uma	simples	 ilusão	de
ótica.
														O	arquiteto,	devido	à	sua	formação,	tem	a	tendência	de	preocupar-se
muito	mais	com	a	forma	do	que	com	a	cor,	considerando	a	escolha	desta	como
algo	bastante	simples	de	ser	realizado.	Porém,	no	final,	não	é	a	forma	e	sim	a	cor
o	que	mais	impressiona	o	observador.
														A	cor,	que	se	encontra	na	natureza,	e	que	é	vista	pelos	olhos	do	homem
é	sentida	com	o	seu	“eu”	interior,	com	a	sua	mente.
														Segundo	um	dos	princípios	da	“Teoria	da	Mente”	de	Sigmund	Freud,	“a
repressão	 deve-se	 à	 qualidade	 desagradável	 do	 material	 reprimido	 e	 conserva
certa	ligação	com	este	soterrada	no	inconsciente.”
														A	“Teoria	da	Mente”,	de	Freud,	vem	assim	explicar	estranhas	reações
de	determinadas	pessoas	diante	desta	ou	daquela	cor	em	particular.	Há	pessoas
que	detestam	determinada	cor	ou	cores	sem,	no	entanto,	conseguirem	explicar	o
porquê	desta	atitude.	Mas,	a	antipatia	ou	mesmo	a	simpatia	de	alguém	diante	de
uma	 cor	 nunca	 é	meramente	 antipatia	 ou	 simpatia.	 Nunca	 é	 gratuita.	 De	 uma
forma	ou	de	outra	está	ligada	à	alguma	coisa	que	lhe	aconteceu,	da	qual	não	se
recorda.	 Alguma	 coisa	 que	 ficou	 arquivada	 para	 sempre	 no	 recôndito	 de	 sua
mente	e	na	qual	estava	presente	a	cor	hoje	odiada	ou	admirada.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Em	outros	casos,	porém,	a	escolha	de	determinada	cor	é	 feita	pelo
indivíduo,	sem	que	este	sinta	simpatia	ou	antipatia	pela	cor	que	escolheu	ou	que
deixou	 de	 escolher,	 respectivamente.	 Nem	 sempre	 é	 necessário	 que	 a	 cor
escolhida	 tenha	 estado	 ligada	 a	 algo	 que	 aconteceu	 ao	 indivíduo	 no	 passado.
Muitas	 vezes	 esta	 escolha	 é	 feita	 com	 bases	 apenas	 na	 empatia;	 ou	 seja,	 na
existência	 de	 uma	 identificação	 do	 ser	 com	 a	 cor,	 através	 dos	 traços	 de
personalidade	 do	 indivíduo	 e	 das	 características	 psicológicas	 da	 cor	 por	 ele
preferida.
														É	importante	que	o	homem	sinta-se	bem	no	ambiente	em	que	vive.	Daí
a	 grande	 importância	 de	 uma	 boa	 decoração	 feita	 com	 as	 cores	 adequadas	 ao
conforto	e	ao	bem	estar	do	ser	humano.	Independente	de	preferências	individuais
de	 cada	 um,	 o	 decorador	 costuma	 usar	 as	 cores	 quentes	 em	 ambientes	 frios.
Cores	 frias	 nos	 locais	 quentes.	 Cores	 que	 aproximam	 ou	 que	 distanciam,
dependendo	 das	 necessidades	 impostas	 pelo	 espaço	 disponível,	 etc...	 como
veremos	no	decorrer	do	presente	trabalho.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	O	processo	de	marketing	envolve	um	produto	desde	a	 idéia	de	sua
concepção	 até	 o	 seu	 consumo,	 satisfazendo	 plenamente	 as	 necessidades	 do
consumidor.	 A	 sua	 fabricação	 nas	 indústrias,	 a	 sua	 divulgação	 através	 da
publicidade	e	o	seu	consumo	tornado	efetivo	por	intermédio	da	venda	realizada
pelo	comércio,	envolvem	a	cor	constantemente	com	suas	influências	positivas	ou
negativas	sobre	este	produto.
														No	interior	das	indústrias	a	cor	assume	importância	capital.	Apesar	de
sua	 importância	 não	 ser	 levada	 em	 conta	 por	 todos	 os	 industriais,	 sabe-se	 que
nos	países	mais	adiantados	a	cor	é	tratada	com	muita	seriedade.	É	grande	o	seu
uso	e	 são	 inúmeras	as	 suas	aplicações	nos	grandes	centros	 industriais.	A	cor	é
usada	no	interior	de	indústrias	para	criar	ambientes	adequados	às	diversas	tarefas
que	os	empregados,	monotonamente,	tem	que	realizar	no	dia	a	dia	de	suas	vidas.
A	 cor	 é	muito	 usada,	 também,	 para	 evitar	 a	 fadiga	 visual,	 o	 cansaço	 físico	 e,
conseqüentemente,	muitos	dos	acidentes	de	trabalho.	As	máquinas,	por	exemplo,
são	pintadas	com	as	cores	mais	adequadas.	Nas	partes	móveis	são	empregadas
cores	 dinâmicas,	 agressivas,	 para	 dar	 a	 impressão	 de	 que	 avançam,	 evitando
assim	que	o	 indivíduo	delas	se	aproxime.	As	partes	estáticas,	ao	contrário,	 são
pintadas	 de	 cores	 mais	 repousantes	 e	 neutras,	 com	 o	 objetivo	 de	 prevenir
acidentes	 no	 ambiente	 geral	 das	 indústrias.	 Sabe-se	 também	 que	 tanto	melhor
será	o	rendimento	de	um	grupo	de	pessoas,	quanto	melhor	e	mais	adequado	for	o
ambiente	 em	 que	 este	 grupo	 se	 encontra.	 Portanto,	 é	 de	 grande	 importância	 o
emprego	de	cores	nos	tetos,	paredes	e	pisos	das	mais	diversas	indústrias.
														Sabe-se	também	que	quanto	mais	bem	feita	for	a	aplicação	das	cores	no
interior	 de	 uma	 fábrica,	 maior	 será	 o	 rendimento	 dos	 operários,	 maior	 será	 a
produção	e	maiores	serão	os	lucros.
														“Podemos	afirmar	que	a	criatividade	dos	homens	de	marketing	é	tão
grande	 no	 seu	 setor	 quanto	 a	 dos	 artistas	 plásticos,	 dos	 escritores	 ou	 dos
cineastas.	Mas,	 além	de	 conhecer	 as	 orientações	 e	medir	 a	 sua	 potencialidade,
eles	 necessitam	 um	 domínio	 técnico-teórico	 bem	 fundamentado	 que	 lhes
possibilite	uma	margem	de	precisão	e	segurança	cuja	meta	certa	é	o	lucro”.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Um	dos	pontos	principais,	 que	pode	até	mesmo	ser	 considerado	o
grande	objetivo	do	processo	de	marketing	é	vender	o	produto.	Mas	para	atingir
este	 objetivo	 não	 basta	 apenas	 anunciar,	 gastar	 somas	 incríveis	 em	 poderosos
veículos	 de	 comunicação,	 se	 o	 anúncio	 veiculado	 não	 possuir	 uma	mensagem
adequadaque	 atinja	 o	 público	 consumidor.	 O	 consumidor	 precisa	 ser
impressionado.	 A	 mensagem	 que	 se	 quer	 transmitir	 precisa	 ficar	 gravada	 no
inconsciente	do	consumidor.	E	nada	melhor	para	isto	do	que	o	uso	das	cores,	de
forma	correta,	no	desempenho	desta	tarefa.	Pois	a	cor	adequada,	no	lugar	certo	e
no	momento	exato	vale	muito	mais	do	que	mil	palavras.
														Apesar	de	o	anúncio	publicitário	apresentado	em	preto	e	branco	possuir
um	grande	poder	de	 impacto,	não	podemos	esquecer	que	o	poder	de	uma	peça
publicitária	colorida	é	muito	maior	por	atuar	diretamente	sobre	a	parte	sensorial
do	 indivíduo.	Uma	boa	combinação	de	cores	num	outdoor,	por	exemplo,	pode
facilitar	 a	 assimilação	 da	mensagem.	A	mensagem	escrita	 pode	 tornar-se	mais
sensível,	facilitando	ao	transeunte	a	sua	rápida	leitura.
														São	muitos	os	aspectos	que	devem	ser	levados	em	conta	quando	usamos
a	cor	como	um	dos	principais	elementos	para	vender	um	determinado	produto.
														A	publicidade,	em	qualquer	país	ou	estado,	está	diretamente	ligada	à
moda	atual.	Por	isso,	o	uso	da	cor	em	publicidade	é	algo	bastante	delicado	que
realmente	funcionará	se	for	feito	com	base	em	estudos	e	pesquisas	neste	sentido.
														Existem	cores	que	vendem	e	cores	que	não	vendem.	Mas	precisamos
não	esquecer	que	uma	cor	que	vende	um	produto	nos	Estados	Unidos	pode	não
vender	 o	 mesmo	 produto	 no	 Brasil.	 Ou	 ainda,	 uma	 cor	 que	 vende	 numa
determinada	 época	 pode	 perfeitamente	 não	 vender	 numa	 outra.	 É	 o	 fenômeno
espaço-tempo	 o	 qual	 está	 intrinsecamente	 ligado	 à	 publicidade.	 E	 o	 bom
publicitário	 não	 pode	 nunca	 esquecer	 estas	 importantes	 variáveis:	 Tempo,
Espaço	e	Moda	quando	for	determinar	as	linhas	e	cores	de	uma	peça	publicitária.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Poderíamos	dizer	que	os	pontos	de	venda	do	produto,	os	 locais	no
comércio	onde	o	produto	se	encontra	à	disposição	do	consumidor,	 são	as	 retas
finais	do	processo	de	marketing.	Pois	é	através	do	comércio	que	um	produto	vem
atingir	o	objetivo	para	o	qual	foi	criado,	ou	seja,	a	satisfação	das	necessidades	do
público	 consumidor.	 E	 neste	 momento	 é	 de	 suma	 importância	 a	 cor	 das
embalagens	e	a	disposição	dos	artigos	nas	prateleiras.	Enfim,	a	apresentação	do
produto	 ao	 consumidor.	E,	 segundo	Modesto	Farina,	 “as	 cores	 estão	 presentes
em	 todos	 os	 processos	 de	 compra,	 pois	 elas	 são	 vibrações	 do	 cosmo	 que
penetram	 em	 nosso	 cérebro	 para	 continuar	 vibrando	 e	 impressionando	 nossa
psique,	para	dar	um	tom	ao	pensamento	e	às	coisas	que	nos	rodeiam.	Enfim,	para
dar	sabor	à	vida	e	ao	ambiente	em	que	vivemos”.
	
CAPÍTULO	I
	
A	ORDEM	DAS	CORES
	
	
I	–	A	ORDEM	DAS	CORES
	
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Há	muitos	séculos	atrás	as	pessoas	pensavam	que	os	sons	musicais
jamais	 poderiam	 ser	 escritos	 e	 que	 certamente	 desapareceriam	 se	 não	 fossem
retidos	 na	 memória.	 Mas,	 o	 aparentemente	 impossível	 foi	 conseguido.	 E	 por
volta	 de	 1700	 já	 havia	 um	 completo	 e	 perfeito	 sistema	 de	 notas	 musicais,
tornando	possível	a	escrita	de	escalas.	Sem	este	sistema	a	realização	das	grandes
composições	 seria,	 praticamente,	 impossível.	 E	 mesmo	 se	 fossem	 criadas
desapareceriam	no	tempo.	Morreriam	juntamente	com	seus	autores.
														Assim	eram	também	os	vocabulários	das	cores	em	todos	os	idiomas	de
todos	 os	 países.	 Vagos,	 improvisados	 e	 quase	 inexistentes.	 Os	 povos	 mais
primitivos	 não	 tinham	nomes	para	 designar	 as	 cores.	Outros	 os	 tinham	apenas
para	designar	algumas	poucas	cores.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Fazia-se	necessário,	portanto,	a	criação	de	um	esquema	gráfico	das
cores	para	facilitar	a	sua	aplicação	e	uniformizar	os	estudos	a	respeito	da	mesma.
														Diz-nos	a	história,	que	o	primeiro	método	de	representação	gráfica	das
cores	 foi	 criado	por	Newton	 e	 que	o	mesmo	consiste	 no	 agrupamento	 circular
das	cores.
														Os	estudos	que	temos	hoje	sobre	cores,	muito	devem	às	experiências
realizadas	por	Newton,	bem	como	às	pesquisas	e	estudos	 feitos	por	Goethe	no
fim	 do	 século	 XVIII	 e	 início	 do	 século	 XIX,	 relatados	 numa	 obra	 de	 1.400
páginas	manuscritas.
														Através	de	uma	revisão	crítica	da	obra	de	Newton,	Goethe	consegue,
em	1810,	evidenciar	suas	falhas,	propondo	ao	mesmo	tempo	uma	nova	teoria	das
cores	que,	no	entanto,	fica	um	pouco	à	margem	dos	sistemas	e	teorias	usuais.	A
teoria	de	Goethe	aponta	o	choque	entre	 luz	e	sombra	como	sendo	a	origem	do
fenômeno	 cromático.	 Portanto,	 de	 acordo	 com	 esta	 teoria,	 as	 cores	 podem	 ser
definidas	como	sendo	semiluzes	e	semissombras.	Goethe	baseia	sua	teoria	num
processo	fisiológico	no	qual	as	imagens	subjetivas	são	como	sombra	cromática,
e	as	ilusões	oriundas	da	interpretação	das	diferenças	de	cores,	de	claridade	e	de
duas	superfícies;	e	num	processo	 físico	em	que	defende	a	uniformidade	da	 luz
branca	em	oposição	a	Newton.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Depois	de	Newton	e	Goethe,	surgiram	muitos	outros	estudiosos	do
assunto,	sendo	que	todos	usavam	o	círculo	como	base	para	seus	estudos.
														Destacam-se	dentre	estes	os	seguintes:	o	de	Moses	Harris,	em	1766;	o
de	Sir	David	Brewster	em	1831;	o	de	Michel	Cevreul	em	1861;	o	de	Albert	H.
Munsell	em	1912;	o	de	Wilhelm	Ostwald	em	1944	e	outros.	Todos	estes	estudos
contribuiram	grandemente	para	a	organização	das	cores	que	 temos	atualmente.
Os	 estudos	 de	Munsell,	 por	 exemplo,	 deram	 origem	 ao	 “Sistema	Munsell	 de
cores”,	o	qual	em	1942	já	tinha	então	demonstrado	sua	validade	e	praticidade,	de
tal	forma,	que	tinha	então	sido	aceito	inteiramente	nos	Estados	Unidos,	como	a
descrição	padrão	da	sensação	psicológica	de	cor.	Em	fevereiro	deste	mesmo	ano
foi	 inaugurada	 a	 Fundação	Munsell	 de	 cor	 para	 auxiliar	 a	 pesquisa	 da	 cor	 na
ciência,	na	psicologia,	nas	artes,	na	educação	e	na	indústria.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Ostwald,	 levado	 pela	 necessidade	 de	 uma	 grande	 exatidão	 na
designação	de	uma	cor,	veio	a	criar	um	sistema	de	amostragem	conhecido	como
“sólido	 das	 cores”.	 Neste	 sólido,	 formado	 por	 triângulos	 unidos	 pela	 base	 em
torno	de	um	eixo	as	cores	são	dispostas	de	 forma	que	as	suas	complementares
fiquem	 diametralmente	 a	 elas	 opostas.	 O	 vértice	 horizontal	 correspondente	 ao
grau	de	saturação	da	cor.	Ou	seja,	ao	grau	de	maior	pureza.	A	divisão	da	cor	em
oito	estágios	permite	uma	degradação	progressiva	da	mesma	até	atingir	o	preto
do	vértice	inferior	e	o	branco	do	superior.	O	referido	sistema	tem	a	vantagem	de
permitir,	com	um	único	olhar,	a	percepção	das	várias	gradações	de	uma	cor,	que
em	progressão	sistemática	chegam	ao	preto	e	ao	branco.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 No	 círculo	 cromático	 de	 Chevreul,	 encontramos	 a	 seguinte
representação	gráfica	de	organização	das	cores:
-	Tomemos	um	círculo,	dividimo-lo	em	doze	partes	iguais	e	coloquemos	nele	as
três	cores	primárias	ou	 fundamentais	–	vermelho,	 amarelo	e	azul,	 cuja	mistura
permite-nos	a	obtenção	de	todas	as	outras	cores	–	a	distâncias	iguais	em	1,	5	e	9.
Se	 prolongarmos	 um	 raio	 partindo	 do	 vermelho,	 obteremos	 um	 raio	 a	 igual
distância	do	azul	e	do	amarelo.	Onde	este	atingir	o	outro	 lado	do	círculo	 será,
então,	colocada	a	cor	verde,	que	é,	exatamente,	a	mistura	de	azul	com	amarelo.
Baseado	 neste	 sistema	 de	 trabalho,	Chevreul	 chegou	 ao	 seu	 catálogo	 de	 cores
contendo	14.420	tons	teoricamente	classificados,	desde	as	cores	saturadas	e	suas
mesclas	até	o	branco	e	o	preto.
	
	
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	DISCO	DE	CORES,	de	Chevreul	–	partindo	deste	disco,	Chevreul
chegou	 ao	 seu	 catálogo	 de	 cores,	 o	 qual	 contém	 cerca	 de	 14.500	 tons
teoricamente	classificados.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Chevreul	 chegou	a	 este	número	de	 cores	 classificadas	da	 seguinte
forma:	 	Dividindo	 cada	 um	dos	 doze	 setores	 obtidos	 no	 círculo	 cromático	 em
seis	 partes	 iguais	 pode	 então	 designar	 72	 cores	 francas.	 Estas	 cores	 francas,
quando	misturadas	com	quantidades	crescentes	de	branco	deram	origem	a	cores
cadavez	 menos	 saturadas,	 para	 as	 quais	 Chevreul	 indicou	 um	 modo	 de
degradação	 em	 vinte	 etapas,	 desde	 o	 tom	 fraco	 até	 o	 branco	 absoluto.	 Deste
processo,	ou	seja,	72	x	20,	resultam	1.440	tons	ou	cores	degradadas	ou	esbatidas.
Mas,	 acrescentando	 às	 cores	 francas	 ou	 esbatidas,	 quantidades	mais	 ou	menos
fortes	 de	 preto,	 obtém-se	 cores	 carregadas	 e	 se	 formarmos	 uma	 série	 de	 nove
tonalidades	 carregadas	 por	 cada	 cor	 franca,	 que	 por	 sua	 vez	 são	 divisíveis	 em
vinte	tons	esbatidos,	chega-se	a	um	total	de	12.960	tons	de	cores	carregadas,	pois
72	x	9	x	20	=	12.960.	Somando-se	1.440	tons	de	cores	francas,	mais	12.960	tons
de	 cores	 carregadas	 com	 20	 tons	 de	 cinzentos	 normais	 teremos	 então	 a
classificação	das	cores	de	Chevreul,	em	14.420	tons.
														O	círculo	cromático	de	Chevreul	é	utilizado	em	todas	as	técnicas	onde
se	 faz	 necessário	 uma	 combinação	 exata	 das	 cores,	 como	 em	 indústrias	 de
tapeçarias,	gráficas,		estampagem,	etc.
														No	entanto,	segundo	Maitland	Graves,	de	todos	os	métodos	criados	para
padronizar	 a	 classificação	 das	 cores-pigmento	 o	 mais	 bem	 sucedido	 foi	 o	 de
Munsell,	que	inicialmente	evoluiu	para	a	confecção	de	seu	“Atlas	do	sistema	de
cores	 Munsell”,	 o	 qual	 atingiu	 uma	 síntese	 ideal	 na	 chamada	 “Árvore	 de
Munsell”,		onde	as	cores	puras	–	vermelho,	amarelo,	verde,	azul	e	violeta	–	são
graficamente	 demonstradas	 intercaladas	 com	 as	 cores	 intermediárias.	 Ou	 seja,
laranja,	verde-amarelado,	azul-violeta	e	vermelho-violeta.	É	uma	representação
de	seu	sistema	em	coordenadas	cilíndricas,	com	escalas	de	valores	neutros	como
eixo	 vertical.	 Seções	 do	 círculo	 em	 torno	 do	 eixo	 representam	 o	 tom,	 e	 as
distâncias	do	centro	até	os	círculos	extremos	representam	a	saturação	das	cores.
														O	Sistema	Munsell	é	usado	e	recomendado	atualmente	por	inúmeras
entidades	como:	U.S.Departament	of	Agriculture,	pelo	International	Printing	Ink
Corporation,	 pelo	 Lakesis	 Press,	 pela	Walt	 Disney	 Productions	 e	 também	 por
muitos	artistas,	decoradores,	arquitetos	e	engenheiros	industriais.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	As	principais	vantagens	do	 sistema	 são	apresentadas	por	Maitland
Graves	da	seguinte	forma:
														Apresenta	uma	nomenclatura	clara,	simples	e	específica	para	designar
as	cores.
														As	cores	podem	ser,	fácil	e	rapidamente	determinadas	através	de	uma
simples	comparação	visual	direta,	pois	o	nome	de	cada	cor	é	dado	com	base	em
seu	grau	de	tonalidade,	seu	valor	e	seu	matiz.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	O	sistema	possibilita	ao	usuário	da	cor	 ler	e	escrever	a	 respeito	da
mesma,	em	linguagem	padronizada	que	pode	ser	usada	para	cada	profissão,	pois
a	nomenclatura	Munsell	é	compreendida	por	todos	os	profissionais	da	cor.
	
														A	flexibilidade	do	sistema	permite	a	sua	expansão.
	
1.0	–	Cor	Pimária
São	 consideradas	 cores	 primárias,	 em	 termos	 de	 pigmentos,	 o	 vermelho,	 o
amarelo	 e	 o	 azul.	 Todas	 as	 demais	 cores	 existentes	 na	 natureza	 que
impressionam	 a	 nossa	 retina	 são	 formadas	 a	 partir	 destas	 três	 cores	 primárias.
Elas	são	encontradas	puras	na	natureza	e	não	podem	ser	formadas	por	nenhuma
mistura.
	
2.0	–	Cor	Secundária
São	chamadas	secundárias	as	cores	resultantes	de	misturas	óticas	de	quantidades
iguais	 das	 cores	 primárias,	 duas	 a	 duas.	 As	 cores	 secundárias	 são:	 laranja
(vermelho	 com	 amarelo),	 verde	 (amarelo	 com	 azul)	 e	 violeta	 (azul	 com
vermelho).
	
	
	
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 ESTRELA	 DE	 GOETHE	 –	 Composta	 pelas	 cores	 primárias	 e
secundárias.
	
														A	mistura	de	quantidades	óticas	iguais	de	uma	cor	primária	com	uma
cor	 secundária	 nos	 dá	 uma	 cor	 terciária.	 Uma	 cor	 primária	 ou	 secundária
misturada	 com	 uma	 cor	 terciária	 nos	 dá	 uma	 cor	 quartenária.	 Uma	 primária,
secundária	 ou	 terciária	 com	 uma	 quartenária	 resulta	 numa	 quintenária	 e	 assim
por	diante.
	
	
CAPÍTULO	II
	
AS	CORES	COMO	OBJETO	DE	ESTUDO	DA	FÍSICA,
DA	FISIOLOGIA	E	DA	PSICOLOGIA
	
	
II	-	AS	CORES	COMO	OBJETO	DE	ESTUDO	DA	FÍSICA,	DA	FISIOLOGIA
E	DA	PSICOLOGIA.
	
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Quando	dizemos	que	cores	são	freqüências	eletromagnéticas	que	ao
atingirem	 a	 retina	 humana	 sensibilizam-se	 despertando	 no	 homem	 sensações
coloridas,	estamos	englobando	neste	simples	conceito	afirmações	de	três	ramos
distintos	da	ciência.	A	Física,	a	Fisiologia	e	a	Psicologia.
														Já	vimos	no	início	deste	trabalho	que	o	fenômeno	cromático	vem	sendo
bastante	 estudado	ultimamente.	Bem	como	 as	 cores	 têm	 tido	 grande	 aplicação
em	 todos	 os	 setores	 da	 vida	 humana,	 tornando-se	 por	 isso	 mesmo	 objeto	 de
estudo	de	quase	todas	as	ciências.
														Mas	não	podemos	fazer	qualquer	estudo	do	fenômeno	cromático	sem
enfocar	a	cor	sob	o	aspecto	físico,	onde	ela	é	entendida	como	sendo	derivada	de
características	 apresentadas	 pela	 energia	 luminosa,	 a	 qual	 age	 como	 estímulo;
sob	o	aspecto	fisiológico	onde	a	cor	é	entendida	como	uma	sensação	proveniente
de	 estímulos	 externos	 que	 atingem	 a	 sensibilidade	 do	 globo	 ocular;	 e,
finalmente,	 sob	 o	 aspecto	 psicológico	 onde	 a	 cor	 é	 tratada	 de	 acordo	 com	 as
tendências	e	condições	sob	as	quais	elas	operam.
	
1.0	–	Fenômeno	Físico	da	Cor
														O	que	é	a	luz?
														Luz	é	a	parte	visível	da	energia	radiante	do	espectro	eletromagnético.	A
luz,	ou	energia	radiante	visível	é	a	forma	mais	comum	de	estímulo	causador	da
sensação	colorida.
														O	espectro	eletromagnético	é	o	conjunto	de	todas	as	ondas	conhecidas	e
classificadas	de	acordo	com	 	a	 sua	 longitude,	 as	quais	 estendem-se	por	 todo	o
universo.
		 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	O	espectro	eletromagnético	é	formado	por	raios	de	luz,	de	rádio,	de
televisão,	raios	quentes,	raios	x,	raios	comuns	e	raios	cósmicos.	Todos	estes	são
formas	 diversas	 de	 energia	 radiante.	 São	 ondas	 de	 energia	 eletromagnéticas
diferenciadas	apenas	pelos	seus	comprimentos	–	distância	entre	duas	cristas	da
onda	–	e	pelas	suas	freqüências	de	oscilações	ou	pulsações.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Das	 longas	 ondas	 de	 rádio	 para	 as	 curtas	 ondas	 cósmicas	 o
comprimento	 do	 espectro	 radiante	 é	 de	 sessenta	 oitavas	 de	 energia
eletromagnética.
	
	
	
														No	meio	deste	espectro,	ocupando	um	quarto	dele,	situam-se	as	quinze
oitavas	 de	 energia	 solar,	 que	 são	 ondas	 irradiadas	 pelo	 sol.	 Destas	 quinze
oitavas,	cinco	são	ultravioletas,	nove	são	infravermelhas	e,	somente	uma	oitava	é
de	energia	solar	visível,	ou	seja,	luz.	Isto	quer	dizer	que	só	podemos	ver	1/15	dos
raios	 do	 sol	 e	 apenas	 1/60	 da	 irradiação	 do	 espectro	 eletromagnético.	 Assim
como	 o	 aparelho	 de	 rádio	 é	 sintonizado	 para	 receber	 e	 responder	 as	 ondas	 de
energia	radiante	mais	longas,	chamadas	ondas	de	rádio,	também	o	olho	humano
é	um	instrumento	altamente	com	capacidade	de	receber	e	responder	somente	as
ondas	de	energia	 radiante,	de	certos	comprimentos,	conhecidas	como	ondas	de
luz.
					O	metro	é	a	unidade	básica	de	medida,	internacionalmente	reconhecida	pela
ciência.	As	ondas	de	 luz	 são,	normalmente	designadas	pela	unidade	conhecida
como	“lilimicrons”	que	corresponde	a	uma	bilionésima	parte	do	metro.
	 	 	 	 	 A	 luz	 vermelha,	 situada	 no	 final	 do	 espectro	 visível,	 tem	 a	 mais	 baixa
freqüência,	ou	seja,	a	que	possui	o	mais	baixo	número	de	vibrações	por	segundo
e	o	maior	 comprimento	de	 ondas	 de	 800	milimicrons.	 Isto	 se	 assemelha	 a	 um
forte	som	de	baixa	 força	ou	potência.	A	freqüência	vai	aumentando	através	do
espectro,	de	tal	modo,	que	o	violeta	na	outra	extremidade	tem	a	maior	freqüência
de	vibrações	por	segundo	e	o	menor	comprimento	de	onda	de	400	milimicrons;	o
violeta	corresponde	a	uma	nota	aguda	de	alta	força	ou	potência.
					O	senhor	James	Jeans	em	seu	livro	“Através	do	Tempo	e	do	Espaço”,	disse:
“Assim	como	as	diferentes	cores	são	produzidas	por	diferentes	ondas	de	luz	de
diversos	comprimentos,	deste	mesmo	modo,	os	sons	de	diferentespotências	são
produzidos	por	ondas	de	sons	de	diferentes	comprimentos.	Por	exemplo,	meio	C
no	piano,	tem	um	comprimento	de	onda	de	quatro	pés.	O	espaço	C	triplo	tem	um
comprimento	de	onda	de	dois	pés.	Quando	um	som	tem	exatamente	a	metade	do
comprimento	de	cada	outro,	nós	dizemos	que	ele	é	1/8	mais	alto	em	potência.	Da
mesma	forma,	quando	uma	cor	de	luz	tem	exatamente	a	metade	do	comprimento
de	onda	da	outra,	nós	podemos	dizer,	por	analogia,	que	ela	é	uma	oitava	mais
alta	em	potência.	Deste	modo,	como	a	luz	violeta	tem	exatamente	a	metade	do
comprimento	de	onda	da	 luz	vermelha,	 nós	podemos	dizer	 que	 a	 luz	violeta	 é
uma	 oitava	 mais	 alta	 em	 potência	 do	 que	 a	 luz	 vermelha.	 Entretanto,	 não
erramos	longe	se	pensamos	a	respeito	das	sete	cores	do	espectro,	como	a	respeito
das	sete	notas	musicais,	vermelho	sendo	C,	 laranja	sendo	D,	amarelo	sendo	E,
verde	F,	e	assim	por	diante.
					Já	vimos	que	todas	as	linhas	visíveis	do	espectro	estão	dentro	de	uma	oitava.
Nossos	ouvidos	podem	ouvir	onze	oitavas	de	som,	mas	nossos	olhos	podem	ver
somente	uma	oitava	de	luz”.
	 	 	 	 	 Além	 do	 violeta	 do	 espectro	 visível,	 estendem-se	 os	 invisíveis	 raios
ultravioletas,	 ou	 raios	 de	 bronzear,	 os	 quais	 podem	passar	 através	 de	 vidro	 de
quartzo,	mas	não	através	de	vidro	comum.	Assim,	como	as	extremamente	altas
freqüências	das	ondas	do	som	são	inaudíveis	para	o	ouvido	humano	–	mas	que
um	 cão	 pode	 ouvir	 –	 as	 ondas	 ultravioletas	 também	 estão	 além	 da	 ordem	dos
sentidos	humanos,	em	regiões	nas	quais	sua	presença	somente	pode	ser	detectada
através	de	 aparelhos	 especiais.	Depois	dos	 raios	ultravioletas	 estão	 situados	os
raios	X.	 E,	 além	 destes,	 estão	 os	 calmos	 e	mais	 curtos	 raios	 gamma	 ou	 raios
radium.	 E,	 bem	 no	 final	 do	 espectro	 radiante,	 localizam-se	 os	 misteriosos	 e
infinitamente	pequenos	raios	cósmicos	cuja	energia	é	 irradiada	de	algum	ponto
desconhecido	do	espaço	celestial.	No	outro	extremo	do	espectro	eletromagnético
encontram-se	 as	 ondas	 mais	 longas.	 Depois	 do	 vermelho	 estão	 os	 raios
infravermelhos,	ou	ondas	quentes,	as	quais	podemos	sentir,	mas	não	ver.	E	além
destes,	estão	os	raios	hertzianos	(ondas	eletromagnéticas	descobertas	pelo	físico
alemão	Heinrich	Hertz).	E	finalmente	as	ondas	mais	longas	–	as	de	rádio.
	 	 	 	 	A	velocidade	da	 luz	é	 incrivelmente	grande.	E	era	desconhecida	até	1675,
quando	Roemer	a	descobriu	por	meio	de	um	simples,	mas	engenhoso	estudo	dos
intervalos	de	tempos,	as	eclipses	de	uma	das	luas	do	Planeta	Júpter.	Após	passar
seis	meses	cronometrando	estes	 intervalos,	Roemer	pode	determinar	que	a	 luz,
igualmente	a	 todas	as	outras	formas	de	energia	radiante,	viaja	no	espaço	a	300
mil	km	por	segundo.	Poderemos	compreender	melhor	esta	espantosa	velocidade
se	considerarmos	que	a	 lua	viajaria	sete	vezes	e	meia	por	segundo	ao	redor	da
terra,	se	ela	possuísse	a	velocidade	da	luz.
					Através	de	materiais	transparentes	como	a	água,	o	álcool	e	o	vidro,	a	luz	viaja
com	 menos	 velocidade	 do	 que	 através	 do	 espaço.	 Isto	 acontece	 devido	 à
curvatura	ou	refração	sofrida	pela	passagem	do	ar	para	um	meio	mais	denso.
	 	 	 	 	 Quando	 falamos	 em	 pigmentos	 ou	 corantes	 consideramos	 como	 cores
primárias	o	vermelho,	o	amarelo	e	o	azul.	Em	termos	de	luz,	porém,	o	vermelho,
o	 verde	 e	 o	 azul	 é	 que	 são	 chamadas	 cores	 primárias,	 porque	 elas	 não	 podem
mais	 ser	 decompostas	 ou	 produzidas	 por	 misturas	 de	 outras	 luzes,	 e	 quando
misturadas	em	várias	proporções	ou	combinações	elas	produzem	luz	branca.
	 	 	 	 	 Outros	 efeitos	 coloridos	 como	 podemos	 ver	 em	 diamantes,	 são	 também
causados	pela	refração	da	luz.
					Newton	demonstrou	em	1666,	que	a	luz	branca	pode	ser	decomposta	nas	sete
cores	 do	 espectro	 eletromagnético.	Se	deixarmos	passar	 um	 raio	de	 luz	do	 sol
através	de	um	prisma,	veremos	que	este	dividir-se-á	nas	sete	cores	do	espectro
ao	 se	 projetar	 sobre	 superfície	 branca.	 A	 luz	 branca	 é,	 portanto,	 a	 soma	 de
irradiações	 dos	 diferentes	 comprimentos	 de	 ondas.	 Ou	 seja,	 o	 branco	 é	 a
presença	de	todas	as	cores	refletidas.	Ao	passo	que	o	preto	á	a	absorção	de	todas
as	cores	pelo	objeto.	Pois	a	 luz,	como	todas	as	demais	formas	de	energia	pode
ser	 transformada,	 mas	 nunca	 destruída.	 Ao	 encontrar	 um	 objeto	 ela	 pode	 ser
totalmente	absorvida	ou	refletida.	Ou	ainda,	e	isto	é	o	mais	comum,	refletida	em
parte	e	em	parte	absorvida.
	 	 	 	 	 Sabemos	 que	 todo	 corpo	 tem	 características	 próprias	 que	 lhe	 permitem
absorver	 uma	 parte	 da	 luz	 branca	 e	 refletir	 a	 outra.	 E	 é	 este	 o	 fato	 que	 dá	 ao
homem	a	sensação	de	cor	em	tudo	o	que	o	rodeia.	Um	objeto	considerado	pelo
olho	humano	como	sendo	amarelo,	por	exemplo,	nada	mais	é	do	que	um	corpo
com	 características	 de	 absorver	 todas	 as	 freqüências	 de	 ondas	 de	 energia
eletromagnética	 incidentes	 sobre	 ele,	menos	 a	 freqüência	 correspondente	 à	 luz
amarela	a	qual	nos	é	devolvida	através	da	reflexão.	E	é	isto	que	causa	em	nós	a
sensação	 colorida	 de	 amarelo	 neste	 determinado	 objeto.	 E	 o	 mesmo	 acontece
com	todas	as	demais	cores	que	conhecemos.
	
2.0	–	Fenômeno	Fisiológico	da	Cor
	 	 	 	 	 	 	 	 “A	 visão	 representa	 uma	 das	 preciosidades	 que	 o	 homem	 recebeu	 da
natureza.	 É	 o	 sentido	 que	 faz	 vibrar	 o	 ser	 humano	 e	 o	 faz	 pensar,	 gozar	 e
desfrutar	as	coisas	do	mundo	que	o	rodeia.
	 	 	 	 	 Os	 olhos,	 através	 dos	 quais	 se	 processa	 a	 visão,	 constituem,	 portanto,	 os
órgãos	de	 ligação	entre	o	mundo	 interior	do	homem	e	o	exterior	que	o	 rodeia.
Esta	ligação	somente	se	realiza	quando	há	luz.
	 	 	 	 	 A	 luz	 é	 assim	 a	 grande	 intermediária	 entre	 a	 natureza	 e	 o	 homem.	 Ela
apresenta	todos	os	detalhes	à	percepção	do	ser	humano	numa	multivariada	gama
de	sensações	visuais	coloridas	ou	não.”
					Como	já	dissemos,	a	luz	é	energia	radiante	visível	que	ocupa	uma	oitava	do
espectro	eletromagnético.	E,	também,	que	o	olho	humano	só	pode	ver	ondas	de
energia	que	medem	entre	400	e	800	milicrons,	aproximadamente.
	 	 	 	 	O	olho	humano	possui	um	mecanismo	de	funcionamento	semelhante	ao	de
uma	máquina	fotográfica.	A	imagem	é	recebida	de	forma	invertida	pela	retina	e
só	é	colocada	em	posição	correta	quando	alcança	o	centro	do	cérebro,	através	do
nervo	ótico.
	 	 	 	 	 O	 olho,	 órgão	 localizado	 numa	 cavidade	 óssea	 do	 crânio,	 compreende	 a
seguinte	estrutura,	tal	como	se	vê	na	figura	abaixo.
	
	
Corte	longitudinal	do	olho	humano.
	
RETINA	–	Os	130	milhões	de	células,	aproximadamente,	 são	as	 receptoras	da
imagem	externa	e	ao	mesmo	tempo	transmissoras	da	mesma	ao	centro	visual.	Os
cones	e	os	bastonetes	são	as	mais	importantes	células.	Os	bastonetes	localizados
mais	 na	 periferia	 da	 retina	 não	 reagem	 aos	 diversos	 comprimentos	 das	 ondas,
sendo,	portanto,	os	responsáveis	pela	visão	da	forma	e	do	movimento	e	não	da
cor.	Os	 responsáveis	 pela	 visão	 da	 cor	 são	 os	 cones,	 os	 quais	 se	 localizam	na
zona	central	da	retina.
ESCLERÓTICA	–	è	o	nome	dado	à	camada	rígida	exterior	do	olho.
COROIDE	–	É	 uma	 camada	 que	 contém	diversos	 vazos	 sanguíneos	 	 e	 que	 se
encontra	logo	depois	da	esclerótica.
CÓRNEA	–	É	uma	camada	transparente	que	fecha	o	globo	ocular,	completando
a	 esclerótica	 na	 parte	 da	 frente.	 Possui	 uma	 curvatura	 que	 atua	 como	 lente
conexa.
HUMOR	AQUOSO	–	Solução	localizada	atrás	da	córnea,	através	da	qual	o	raio
de	luz	tem	que	atravessar	para	poder	chegar	até	o	humor	vítreo	e	posteriormente
à	retina.
HUMOR	VÍTREO	–	É	uma	substância	gelatinosa	e	transparente	localizada	entre
a	retina	e	o	cristlino	que	serve	para	manter	em	seus	 lugares	o	globo	ocular	e	a
retina.
CRISTALINO	 –	 Possui	 uma	 curvatura.	 É	 formado	 de	 tecido	 maleável	 e
transparente.	 Sua	 função	 é	 focalizar	 os	 raios	 luminosos	 quando	 penetram	 na
córnea	para	formar	a	imagem	na	retina.
PÁLPEBRAS	 –	 Por	 seus	 rápidos	 movimentos	 no	 sentido	 de	 abrir	 e	 fechar
servem	 para	 proteger	 o	 olho	 contra	 luzes	 ou	 grandes	 luminosidades.	 Servemtambém	para	manter	a	superfície	do	olho	sempre	úmida.
IRIS	–	Colocada	diante	do	cristalino,	 tem	a	 função	de	 regular	a	quantidade	de
luz	 que	 atinge	 a	 retina.	 Ela	 funciona	 da	 mesma	 forma	 que	 o	 diagrama	 da
máquina	fotográfica,	regulando	a	quantidade	de	luz	que	deve	entrar.	Se	a	luz	for
muito	intensa,	ela	se	alarga	protegendo	a	retina.	Se	a	luz	incidente	for	fraca,	ela
se	contrai	e	a	pupila	–	orifício	central	–	se	alarga	permitindo	a	entrada	de	maior
quantidade	de	luz.
FOVEA	–	Tem	um	diâmetro	aproximado	de	0,5	mm	e	está	localizada	no	centro
da	 retina,	 próxima	 ao	 local	 de	 encontro	de	 todas	 as	 fibras	 nervosas	 à	 saída	da
retina.	 É	 composta	 somente	 de	 cones,	 sendo	 sensível,	 portanto,	 aos	 mínimos
detalhes.
NERVO-ÓTICO	 –	 Serve	 para	 levar	 ao	 cérebro	 o	 estímulo	 transformado	 pela
retina	em	sensação	fisiológica.	No	cérebro	é	que	se	produz	tanto	a	simples	visão,
como	a	sensação	da	visão	de	cor.
PONTO	CEGO	–	É	o	cabo	único	formado	pelas	fibras	nervosas	saídas	da	retina
em	direção	ao	cérebro,	no	qual	não	existem	células	visuais.
														A	formação	da	imagem,	como	já	dissemos,	acontece	no	cérebro,	onde
está	localizada	a	área	de	projeção	visual.	Esta	área	tem	a	função	de	interpretar	as
imagens	recebidas	pela	retina.
														A	movimentação	dos	olhos	se	dá	através	da	coordenação	dos	músculos
formadores	 do	 sistema	 oculomotor.	 Os	 músculos	 controladores	 destes
movimentos	são	os	seguintes:
RETOS	–	 Internos	 e	Externos	–	que	 servem	para	mover	os	olhos,	 de	um	 lado
para	outro,	se	contraindo	reciprocamente.
RETOS	–	Superior	e	Inferior	–	que	movem	os	olhos	para	cima	e	para	baixo.
OBLÍQUOS	 –	 Superior	 e	 Inferior	 –	 mantém	 os	 campos	 visuais	 em	 posições
adequadas,	girando	os	globos	oculares.
														Os	olhos	tem	a	capacidade	de	se	movimentarem,	simultaneamente,	na
mesma	 direção.	 E	 a	 este	 fenômeno	 a	 fisiologia	 dá	 o	 nome	 de	 movimento
conjugado	dos	olhos.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 E	 é	 desta	 forma,	 através	 do	 desencadeamento	 de	 um	 complicado
processo,	que	começa	na	retina	e	termina	no	cérebro,	que	os	estímulos	externos
são	transformados	em	imagens	visuais,	permitindo	ao	homem	ver	o	mundo	que	o
rodeia	e	do	qual	ele	faz	parte.
	
2.1	–	Visão	da	Cor
														A	visão	de	cores	é	um	processo	fisiológico	cujo	mecanismo,	apesar	das
muitas	 teorias	 existentes	 a	 respeito,	 ainda	 não	 está	 totalmente	 esclarecido.
Através	 dos	 séculos,	 desde	 a	 Era	 Cristã,	 cientistas	 vem	 se	 dedicando	 ao
esclarecimento	deste	processo.
														Dentre	as	inúmeras	teorias	existentes	à	respeito	deste	assunto	as	que
mais	se	destacaram	foram	as	seguintes:
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	A	de	Hering,	que	defende	a	existência	de	 três	diferentes	grupos	de
cones	 de	 ação	 dupla.	 O	 primeiro	 destes	 grupos	 sensível	 a	 um	 determinado
comprimento	 de	 ondas	 permitindo	 a	 percepção	 de	 sensações	 coloridas	 azuis	 e
amarelas.	 O	 segundo,	 sensível	 às	 ondas	 geradoras	 de	 sensações	 verdes	 e
vermelho.	 E	 o	 terceiro,	 sensível	 ao	 preto	 e	 ao	 branco.	 Para	 ele,	 as	 três	 cores
primárias	existentes	são	o	vermelho,	o	amarelo	e	o	branco,	cujas	negativas	são
respectivamente,	o	verde,	o	azul	e	o	preto.
		 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Keppers,	defende	outra	teoria,	na	qual	diz	existir	apenas	um	tipo	de
cones	sensíveis	a	todas	as	variações	de	intensidade	e	de	longitude	de	ondas.	Diz
também	 que	 os	 bastonetes	 servem	 para	 registrar	 apenas	 as	 diferenças	 de
tonalidades.
														Uma	terceira	teoria	a	ser	considerada	é	a	de	Christine	Ladd	Franklin,	a
qual	 explica	 que	 o	 fenômeno	 da	 visão	 cromática	 é	 devido	 à	 evolução.	 Isto	 é,
inicialmente	existiam	apenas	os	bastonetes,	permitindo	a	visão	do	preto,	branco
e	cinzentos.	Dos	bastonetes	surgiram	os	cones,	e	destes,	posteriormente,	surgiu	a
visão	das	cores	conhecidas	atualmente.
														E,	por	último,	entre	as	principais	teorias	formuladas	sobre	a	percepção
cromática,	 encontramos	 a	 de	Young-Helmholtz	 a	 chamada	 teoria	 tricromática,
que	se	baseia	na	existência	de	três	tipos	de	cones	sensíveis	às	diferentes	zonas	do
espectro	de	formas	diversas.	Um	grupo	de	cones	sensível	aos	estímulos	causados
pelas	 ondas	 curtas,	 outro	 aos	 causados	 pelas	 ondas	 médias	 e	 por	 último,	 um
terceiro	grupo	que	reagiria	somente	aos	estímulos	ocasionados	pelas	ondas	mais
longas.	A	presente	 teoria	defende,	portanto,	a	existência	de	 três	 tipos	de	cones
reativos	 ao	 azul-violeta,	 ao	 verde	 e	 ao	 vermelho-alaranjado.	 Deste	 modo	 a
sensação	de	cor	se	produziria	pelo	processo	de	mescla	aditiva	de	cores.	Segundo
esta	 teoria,	afirma	Modesto	Farina,	em	seu	 livro	“Psicodinâmica	das	Cores	em
Publicidade”	que,	a	“estimulação	destes	três	tipos	de	cones	diversos	vai	produzir
100.000	ou	mais	sensações	diferentes	da	cor	no	cérebro”.
														Dentre	todas	as	teorias	conhecidas	a	respeito	da	percepção	cromática,	a
de	Young-Helmholtz	parece	 ser	 a	mais	 aceitável	 cientificamente.	Ela	 tem	 sido
aperfeiçoada	 e	 muitos	 detalhes	 foram-lhe	 acrescentados	 desde	 1807,	 quando
Thomas	Young	a	propôs.
	
2.2	–	Daltonismo
														Quando	uma	pessoa	percebe	distintamente	todas	as	cores	do	espectro
dizemos	que	esta	pessoa	é	normal	no	que	se	relaciona	à	visão	das	cores.	Existem
pessoas,	 porém,	 que	 devido	 ao	 fenômeno	 do	 acrotismo	 possuem	 a	 retina
totalmente	 insensível	 às	 cores.	 Isto,	 no	 entanto,	 só	 ocorre	 raramente.	 O	 mais
comum	entre	as	pessoas	que	têm	problemas	quanto	à	visão	cromática	é	que	estas
percebem	 as	 cores	 de	 formas	 anômalas;	 ou	 seja,	 que	 não	 distinguem
perfeitamente	todas	as	cores	do	espectro	solar.
														O	daltonismo	é	a	mais	comum	destas	anomalias.	É	hereditária	e	mais
comum	 entre	 os	 indivíduos	 do	 sexo	 masculino	 do	 que	 feminino.	 Segundo
Modesto	 Farina,	 dos	 indivíduos	 que	 sofrem	 de	 daltonismo	 95%	 são	 do	 sexo
masculino	constituindo	10%	da	população	masculina.
														O	daltonismo	pode	ser	do	tipo	protânopo,	no	qual	o	espectro	solar	é
encurtado	 do	 lado	 dos	 grandes	 comprimentos	 de	 ondas,	 fazendo	 com	 que	 o
indivíduo,	 por	 possuir	 menos	 sensibilidade	 ao	 vermelho,	 confunda	 as	 cores
vermelha,	laranja,	amarela	e	verde;	ou	do	tipo	deuterânopo,	que	é	semelhante	ao
primeiro	mas,	permite	ao	indivíduo	uma	visão	mais	próxima	do	normal	por	não
estar	o	espectro	encurtado	do	lado	do	vermelho.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	A	visão	defeituosa	das	cores,	bem	como	a	própria	cegueira	a	elas,
resulta	sempre	de	um	funcionamento	anormal	dos	cones.
	
3.0											–	FENÔMENO	PSICOLÓGICO	DA	COR
	
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Segundo	Aurélio	Buarque	de	Holanda,	em	seu	“Pequeno	Dicionário
Brasileiro	 de	 Língua	 Portuguesa”,	 o	 termo	 psicologia	 significa	 “ciência	 que
estuda	as	idéias,	sentimentos	e	determinações,	cujo	conjunto	constitui	o	espírito
humano.”
														A	psicologia,	portanto,	se	ocupa	da	vida	espiritual	do	homem,	de	seus
fenômenos	psíquicos,	de	seus	sentimentos	e	reações.
														As	cores,	como	já	vimos	anteriormente,	ocupam	um	lugar	de	destaque
na	vida	do	 ser	humano,	 fazendo-lhe	 companhia	diária,	 tanto	 em	casa	 como	na
rua,	 como	 também	 em	 seu	 trabalho,	 agindo	 constantemente	 sobre	 os	 seus
sentimentos,	a	sua	sensibilidade	e	o	seu	humor.
														Não	é	de	estranhar,	portanto,	que	a	psicologia	venha	preocupando-se
seriamente	com	o	estudo	das	cores.
														A	psicologia	experimental,	onde	mais	especificamente	se	enquadram	os
estudos	da	cor,	teve	sua	autonomia	definitivamente	estabelecida	por	Wundt,	que
pretende	 explicar	 todos	 os	 fenômenos	 como	 nada	mais	 sendo	 do	 que	 reflexos
psicológicos.	Wundt,	como	também	Helmholtz,	define	a	distinção	que	deve	ser
feita	 entre	 sensação	 e	 percepção.	 Define	 sensação	 como	 sendo	 o	 simples
resultado	da	estimulação	de	um	órgão	sensorial;	e	percepção	como	a	tomada	de
consciência	de	objetos	ou	acontecimentos	exteriores.
														Ebbinghaus,	foi	o	sistematizador	do	estudo	dos	processos	superiores	–
memória,	imaginação,faculdade	de	compreender,	etc.	–	tomando	como	ponto	de
partida	 os	 domínios	 da	 sensação	 e	 da	 percepção.	 Juntamente	 com	 os	 estudos
sobre	a	memória,	 realizou	pesquisas	sobre	a	 inteligência	e	estudou	a	 teoria	das
cores.	 Seus	 estudos	 vieram	 mostrar	 a	 existência	 de	 certa	 relação	 entre	 a
percepção	 e	 inteligência;	 isto	 equivale	 a	 dizer	 que,	 quanto	mais	 um	 individuo
percebe	maior	é	a	sua	inteligência.
														A	reação	psicológica	é	muito	importante	na	percepção	da	cor	por	estar
relacionada	 com	 o	 processo	 visual,	 o	 qual	 engloba	 observação,	 memória	 e
adaptação	 dos	 olhos	 à	 cor.	 A	 percepção	 visual	 é	 ocasionada	 por	 estímulos
físicos,	mas	depende	também	da	resposta	psicológica	de	cada	individuo,	a	qual
está	sujeita	a	diversas	variações.
													
3.1	–	Influência	na	escolha	das	cores
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Inúmeros	 são	 os	 fatores	 que	 influenciam	 na	 escolha	 de	 cores.
Consideraremos,	 porém,	 apenas	 os	 mais	 importantes	 de	 ordem	 sociológica,
fisiológica	e	psicológica.
			 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Um	dos	fatores	que	determinam	a	escolha	de	cores	são	os	costumes
sociais	adotados	nas	diversas	regiões.	Podemos	observar,	por	exemplo,	as	cores
nas	vestimentas.	Antigamente,	 em	nossa	cultura	ocidental,	 eram	usadas	 roupas
de	 cores	 diferentes	 para	 distinguir	 as	 mulheres	 jovens	 das	 mais	 idosas.	 Bem
como	os	homens	também	costumavam	vestir-se	com	roupas	de	cores	diferentes
das	usadas	pelo	sexo	feminino.	Mas	atualmente	como	podemos	observar,	estas
diferenças	tendem	a	desaparecer	dos	hábitos	sociais.
														Os	significados	conotativos	das	cores	também	influenciam	na	formação
dos	 hábitos	 de	 um	 povo;	 pois	 estes	 significados	 se	 fixam,	 de	 tal	 forma	 nas
mentes	 das	 pessoas	 que	 se	 torna	 comum	 usar	 na	 linguagem	 diária	 frases	 que
empregam	 sensações	 visuais	 para	 definir	 sentimentos	 ou	 situações	 por	 elas
vividas.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 No	 campo	 psíquico	 temos	 as	 experiências	 de	 Rorschach,	 que
comprovam	 que	 os	 indivíduos	 mais	 abertos	 ao	 mundo	 exterior	 tem	 maiores
preferências	 pelas	 cores	 do	 que	 os	 mais	 introspectivos,	 cuja	 reação	 é	 mais
voltada	para	as	formas.
														Segundo	Bamz	o	fator	fisiológico	é	também	determinante	na	escolha	de
cores,	 porque	 as	 preferências	 variam	 de	 acordo	 com	 a	 idade	 das	 pessoas.
Segundo	ele	temos	o	seguinte	quadro	de	preferências:
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Vermelho:	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	de	01	a	10	anos	(idade	da	efervescência	e	da
espontaneidade)
														Laranja:														de	10	a	20	anos	(idade	da	imaginação,	excitação,
aventura)
														Amarelo:														de	20	a	30	anos	(idade	da	força,	potência,	arrogância)
														Verde:																												de	30	a	40	anos	(idade	da	diminuição	do	fogo
juvenil)
														Azul:																												de	40	a	50	anos	(idade	do	pensamento	e	da
inteligência)
														Lilás:																												de	50	a	60	anos	(idade	do	juízo,	do	misticismo,
da	lei)
														Roxo:																												de	60	anos	em	diante	(idade	do	saber,	da
experiência	e	da	benevolência).
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 De	 fato,	 se	 observarmos	 adultos	 e	 jovens	 fazendo	 compras
perceberemos	que	a	maioria	dos	artigos	adquiridos	pelos	adultos	estão	contidos
em	 embalagens	 de	 cores	 sérias	 como	 o	 azul,	 por	 exemplo.	 Ao	 passo	 que	 os
jovens	já	preferem	as	cores	mais	alegres,	como	mostra	Bamz	no	quadro	acima.
														Em	conseqüência	de	todos	estes	fatores,	as	cores	são	usadas	nos	mais
diversos	 campos	 que	 exploram	 a	 sugestionabilidade	 de	 acordo	 com	 as
influências	e	reações	físico-sócio-psíquicas	do	indivíduo	diante	delas.
	
3.2	–	Efeitos	Físicos	da	Cor
														Este	é	um	campo	muito	vasto	e	ainda	pouco	explorado	no	qual	nada
está	ainda,	cientificamente,	bem	definido.	Mas	inúmeras	experiências	vem	sendo
feitas,	 as	 quais	 têm	 provado	 que	 o	 indivíduo	 reage	 direta	 e	 espontaneamente
diante	da	cor.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Estas	 reações	 causadas	 pela	 cor	 no	 indivíduo	devem-se,	 além	das
conotações	psicológicas	com	fatos	de	sua	vida	passada,	também,	às	propriedades
específicas	de	cada	cor	como:	claro	e	escuro,	quente	e	frio,	leve	e	pesado,	ativo	e
passivo,	que	veremos	mais	tarde	em	capítulo	à	parte.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Na	cromoterapia,	por	exemplo,	os	efeitos	pela	ação	das	cores	sobre
determinadas	enfermidades	são	realmente	fantásticos.
												 	 	A	prática	da	cromoterapia	se	concentrava	antigamente	em	Munique;
hoje	 já	 se	 alastra	 por	 todos	 os	 grandes	 centros	 da	 medicina	 e	 inúmeras
experiências	têm	comprovado	sua	eficácia.
														Sabendo	que	as	cores	atuam	sobre	os	estados	de	espírito	a	cromoterapia
vem	sendo	cada	vez	mais	utilizada	obtendo-se	efeitos	diretos	das	luzes	coloridas
sobre	os	 indivíduos	para	curar-lhe	as	 enfermidades,	 especialmente	as	de	 fundo
nervoso.
														Segundo	Simão	Goldman,	a	ação	das	cores	não	se	faz	sentir	somente
através	 do	 mecanismo	 da	 visão,	 pois,	 segundo	 ele,	 foi	 experimentalmente
constatado	 que,	 dentro	 de	 determinados	 limites,	 também	 os	 cegos	 reagem	 à
cromoterapia	de	maneira	semelhante	a	pessoas	visualmente	normais.
														Além	das	doenças	de	fundo	nervoso	a	cromoterapia	mostra-se	também
eficaz	no	tratamento	de	outros	tipos	de	enfermidades	como:	obesidade,	eczemas
da	 pele,	 reumatismo,	 problemas	 da	 coluna,	 etc.	 Cabe	 lembrar	 aqui	 que	 os
“banhos	de	radiações	vermelhas	e	amarelas	atuam	como	estimulantes	mentais	e
emotivos,	 tendo	 também	 demonstrado	 sua	 eficácia	 em	 inúmeros	 casos	 de
enfermidades	da	pele,	em	anemia	e	na	redução	de	inflamações.	Verdes	e	azuis,
encontram	ótima	aplicaçõe	no	tratamento	das	enfermidades	da	mente,	excitações
e	 transtornos	psicopáticos.	Ao	passo	que	verdes	 são	 sedantes	hipnóticos,	 azuis
funcionam	 como	 tônicos	 e	 antissépticos.	 Somente	 em	 casos	 de	 excitações
extremas	é	que	se	emprega	o	violeta	como	calmante,	enquanto	que	o	 laranja	é
usado	para	levantar	o	ânimo.”
	
3.3	–	Linguagem	das	Cores
														A	cor,	além	de	possuir	sua	nomenclatura	e	sua	sistematização,	a	qual
com	pequenas	divergências	é	universalmente	reconhecida	por	todas	as	ciências,
possui	 também	 o	 seu	 próprio	 vocabulário	 para	 exteriorizar	 os	 sentimentos
humanos.	 Cada	 cor	 componente	 do	 espectro	 possui,	 além	 de	 suas	 vibrações
magnéticas,	 um	 campo	 de	 vibrações	 emotivas	 e	 sensitivas	 com	 suas
características	 peculiares.	 Através	 da	 cor	 o	 artista,	 o	 decorador,	 o	 engenheiro
industrial,	 o	 arquiteto,	 bem	 como	 inúmeros	 outros	 profissionais	 conseguem
transmitir	mensagens	 que	 expressam	 sentimentos,	 estados	 de	 espírito,	 desejos,
etc.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Já	vimos	que	a	 reação	do	homem	à	cor	é	ocasionada	por	diversos
fatores	de	ordem	subjetiva;	mas	apesar	disto,	as	cores	possuem,	e	 isto	 também
influencia,	certos	significados	que	as	caracterizam.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Veremos	 abaixo	 um	 resumo	do	 que	 os	 cientistas	 estabeleceram	 a
respeito	do	significado	psicológico	das	cores:
	
VERMELHO
Associação	Material:	 rubi,	guerra,	cereja,	 fogo,	 lábios,	sinal	de	parada,	sangue,
sol,	coração,	ferida,	perigo,	combate,	luta,	chama,	mulher,	rochas	vermelhas.
Associação	 Afetiva:	 barbarismo,	 vida,	 energia,	 revolta,	 ira,	 perigo,	 paixão,
dinamismo,	 força,	 baixeza,	 movimento,	 coragem,	 intensidade,	 vulgaridade,
vigor,	poderio,	violência,	excitação,	calor,	glória.
	
LARANJA
Associação	Material:	fogo,	pôr	do	sol,	fruto,	festa,	chama,	luz.
Associação	Afetiva:	calor,	luminosidade,	energia,	estímulo,	vivacidade,	luxúria,
dureza,	euforia,	tentação,	alegria,	advertência.
	
AMARELO
Associação	Material:	 topázio,	 palha,	 verão,	 fruto	 maduro,	 enxofre,	 sol,	 flores
grandes,	limão,	terra	argilosa,	ouro.
Associação	 Afetiva:	 traição,	 iluminação.	 covardia,	 vontade,	 ciúme,	 alegria,
orgulho,	fé,	sabedoria,	gozo,	alerta,	conforto.
	
VERDE
Associação	Material:planície,	umidade,	verão,	mar,	 tapete	de	 jogos,	 folhagem,
frescor,	diafaneidade,	primavera,	águas	claras,	bosques,	natureza.
Associação	 Afetiva:	 esperança,	 amizade,	 calma,	 verdade,	 equilíbrio,	 saúde,
segurança,	 ideal,	 tranqüilidade,	 paz,	 bem-estar,	 serenidade,	 abundância,
juventude,	crença,	adolescência,	suavidade.
	
AZUL
Associação	Material:	céu,	espaço,	viagem,	água,	horizonte,	frio,	gelo,	montanhas
longínquas,	mar.
Associação	 Afetiva:	 verdade,	 paz,	 intelectualidade,	 sentido,	 precaução,
advertência,	meditação,	serenidade,	infinito,	nobreza,	confiança,	frieza,	limpeza,
repouso,	imaterialidade,	afastamento.
	
ROXO
Associação	Material:	aurora,	igreja,	noite,	mar	profundo,	sonho.
Associação	 Afetiva:	 mistério,	 profundidade,	 fantasia,	 dignidade,	 justiça,
eletricidade,	grandeza,	misticismo,	egoísmo,	calma,	espiritualidade,	delicadeza.
	
VIOLETA
Associação	Material:	noite,	flor,	igreja.
Associação	 Afetiva:	 mistério,	 fantasia,	 angústia,	 justiça,	 profundidade,
depressão,	intimidade,	feminilidade.
	
PÚRPURA
Associação	Material:	vinho,	flor.
Associação	Afetiva:	 luxo,	 pompa,	 valor,	 satisfação,	 dignidade,	 respeito,	 poder,
nobreza,	riqueza,	pastosidade,	melancolia,	estima.
	
MARROM
Associação	Material:	 outono,	 águas	 lamascentas,	 terra,	 doença,	 madeira,	 café,
chocolate.
Associação	Afetiva:	melancolia,	traição,	isolamento,	pesar,	humildade.
	
BRANCO
Associação	Material:	 farinha,	 casamento,	 nuvens,	 areia	 clara,	 leite,	 neve,	 lírio,
batismo,	cisne,	primeira	comunhão.
Associação	Afetiva:	inocência,	dignidade,	modéstia,	afirmação,	pureza,	piedade,
paz,	 deleite,	 despertar,	 ordem,	 limpeza,	 pensamento,	 simplicidade,	 bem,
otimismo,	juventude,	luz,	virtude,	leveza,	serenidade,	claridade,	amplitude.
	
CINZA
Associação	 Material:	 mar	 tempestuoso,	 neblina,	 ratos,	 pó,	 máquinas,	 chuva,
grafite.
Associação	 Afetiva:	 sombra,	 passividade,	 tédio,	 neutralidade,	 tristeza,
compaixão,	passado,	velhice,	decadência,	seriedade,	pena,	desânimo,	sabedoria,
finura.
	
PRETO
Associação	 Material:	 sujeira,	 morte,	 noite,	 enterro,	 sombra,	 fumaça,
condolência,	carvão,	graxa.
Associação	 Afetiva:	 tristeza,	 oposição,	 mal,	 miséria,	 dor,	 nulidade,	 vácuo,
agressividade,	 medo,	 opressão,	 trevas,	 negação,	 fatalidade,	 frio,	 sordidez,
pessimismo,	desgraça,	temor,	frigidez,	maldade.
													
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Estes	poderes	que	as	cores	exercem	sobre	os	 indivíduos	podem	ser
atenuados	ou	modificados,	dependendo	das	várias	associações	ou	combinações
em	que	as	mesmas	lhes	são	apresentadas.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Examinando	o	campo	das	cores	denominadas	“quentes”,	facilmente
podemos	estabelecer	as	relações	com	as	cores	“frias”,	suas	complementares	no
disco	cromático.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	O	vermelho	é	uma	cor	que	possui	calor	 intenso:	é	excitante,	ativa,
possui	 movimento	 e	 equilibra-se	 quando	 a	 misturamos	 em	 quantidades	 óticas
iguais	com	o	verde,	que	é	uma	cor	passiva,	repousante	e	tranqüila.	Desta	mistura
resulta	o	cinza	neutro.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 O	 laranja	 é	 uma	 cor	 dinâmica	 que	 lembra	 a	 cor	 do	 sol.	 A	 sua
complementar	 que	 lhe	dá	 equilíbrio	 é	 a	 fria,	 estática	 e	 quieta	 cor	 azul.	Ambas
misturadas	em	partes	iguais	originam	o	cinza.
														O	amarelo,	símbolo	do	ouro	e	da	arrogância,	é	a	cor	mais	suave	e	que
contém	mais	 luz.	A	cor	que	 lhe	está	diametralmente	oposta,	ou	seja,	a	 sua	cor
complementar	é	o	violeta,	a	qual	 representa	os	mistérios,	opressões	e	 tristezas,
exatamente	por	ser	a	cor	mais	pesada	e	que	possui	menos	luz	do	espectro.	A	sua
mistura,	em	quantidades	óticas	iguais,	também	dá	origem	ao	cinza	neutro.
														O	branco,	símbolo	da	pureza	e	da	inocência,	quando	misturado	ao	preto
que	representa	a	morte,	a	tristeza,	o	mal,	imediatamente	formam	o	cinza	neutro.
														Podemos	concluir	então,	que	o	cinza	neutro	representa	o	meio	termo
entre	 todas	 as	 cores.	 Representa	 o	 equilíbrio,	 que	 consciente	 ou
inconscientemente,	todos	nós	buscamos	e	que	é	o	eterno	segredo	da	harmonia	do
universo.	Equilíbrio	transmitido	pelo	artista	em	sua	obra	e	revelado	pelos	sábios
através	de	todas	as	ciências.
	
CAPITULO		III
	
AS	PROPRIEDADES	DAS	CORES
	
III	-	AS	PROPRIEDADES	DAS	CORES
	
			 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	As	cores,	através	de	sua	ação	psíquica,	podem	alterar	a	sensação	de
temperatura	criando	num	ambiente	uma	sensação	de	frio	ou	de	calor.	Da	mesma
forma,	 elas	 atuam	 sobre	 as	 sensações	 de	 dimensão,	 de	 peso,	 de	 espaço	 dos
ambientes	e	dos	objetos	criando	ou	modificando	sensações.
														Vemos	assim	que	a	sensação	fisiológica	da	percepção	cromática	pode
causar	uma	sensação	psicológica	confortável	ou	desconfortável.	Isto	é	de	suma
importância	para	os	profissionais	que	usam	a	cor	como	ferramenta	de	trabalho,
como	o	decorador,	o	artista	plástico,	o	publicitário	e	muitos	outros.
														Cada	uma	das	cores	do	espectro	eletromagnético	apresenta	um	certo
grau	 de	 vibração	 emotiva	 e	 possui	 uma	 importância	 específica,	 que	 pode	 ser
usada	para	transformação	de	um	ambiente	ou	de	um	estado	emocional.
														Mas	a	força	expressiva	da	cor	tem	que	ser	submetida	a	uma	série	de
regras,	 para	 realmente	 alcançar	 sucesso	 quando	 usada	 numa	 composição.
Dependendo	da	 forma	 como	 for	 usada	poderá	 até	mesmo	anular	 a	 sua	própria
expressividade.	Certos	artistas,	por	exemplo,	através	das	forças	antagônicas	das
cores,	 procuram	 ocasionar	 tensão	 devido	 à	 luta	 destas	 forças	 em	 um	 mesmo
campo.	 A	 colocação	 em	 plano	 bidimensional	 de	 uma	 série	 de	 tons	 de	 uma
mesma	cor	pode	causar	uma	sensação	de	harmonia.	No	entanto,	esta	harmonia
pode	 ser	 resultante	 de	 um	 estado	 de	 palidez	 das	 cores	 apresentadas,	 não
causando	impacto	nem	transmitindo	a	mensagem	deseja	pelo	artista.
														Podemos	chamar	de	harmonia	uma	composição,	quando	em	todas	as
cores	 utilizadas	 para	 formá-la	 existe	 parte	 da	 cor	 básica.	 A	 combinação	 de
amarelo,	 verde,	 azul	 e	 laranja	 suave	 pode	 ser	 considerada	 uma	 composição
harmônica,	estejam	as	cores	apresentadas	no	mesmo	tom	ou	em	tons	diferentes.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 A	 combinação	 de	 cores	 totalmente	 diferentes	 entre	 si,	 tanto
apresentadas	em	tons	diversos	como	no	mesmo	tom,	é	chamada	de	combinação
contrastante.	Por	exemplo,	uma	combinação	de	azul,	amarelo,	roxo	e	verde.
														Porém	todas	estas	regras	e	fórmulas	são	muito	importantes,	mas	não
servem	 como	 receitas	 padrões	 capazes	 de	 permitir	 a	 alguém	 realizar	 obras
perfeitas	 baseado	 somente	 nelas.	 Conhecer	 as	 instruções	 transmitidas	 por	 leis
psicológicas	ou	por	dados	científicos	do	emprego	do	movimento,	da	cor	e	da	luz,
saber	que	um	espaço	pode	ser	alterado	visualmente	de	maneira	exata	através	do
correto	 emprego	 da	 cor,	 são	 fatores	 tão	 importantes	 como	 todas	 as	 outras
informações	que	o	estudo	da	percepção	pode	fornecer.															Mas,	além	de
tudo	 isto,	 o	 grande	 fator	 decisivo	 para	 a	 realização	 de	 um	 bom	 trabalho	 é	 a
individualidade	daquele	que	utiliza	estes	recursos.	De	qualquer	modo,	as	regras	e
leis	 gerais	 são	 de	 grande	 utilidade	 para	 aqueles	 que	 tem	 a	 capacidade	 de
transmitir	e	comunicar	mensagens	através	de	sua	arte,	utilizando-se	das	formas	e
das	 cores.	 E	 para	 estes,	 conhecê-las	 equivale	 a	 aumentar	 sua	 capacidade	 de
trabalho.
	
1.0	–	QUENTE	E	FRIO
														A	sensação	de	quente	e	frio	diante	de	uma	cor,	além	de	ser	relativa	ao
indivíduo	que	a	percebe,	é	devida	também	ao	significado	psicológico	e	filosófico
específico	 que	 as	 cores	 possuem	 e	 que	 já	 assumiu	 importância	 universal,	 por
serem	experiências	da	humanidade.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 As	 cores	 consideradas	 quentes	 são	 as	 componentes	 do	 grupo	 do
vermelho,	laranja,	grande	parte	do	amarelo	e	uma	pequena	parte	do	violeta.	As
frias	pertencem	ao	grupo	do	verde,	do	azul,	pequena	parte	do	amarelo	e	grande
parte	do	violeta.
	
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Realmente	 estascores	 parecem	 criar	 no	 ambiente	 e	 produzir	 nos
indivíduos,	 estas	 sensações	 de	 calor	 ou	 de	 frio.	 Além	 disto,	 as	 cores	 quentes
transmitem	 também	 sensações	 de	 proximidade,	 opacidade,	 densidade	 e
estimulam	a	atividade.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	As	cores	principais	do	grupo	das	cores	quentes	 são	o	vermelho,	o
laranja	e	o	amarelo	em	seu	estado	cromático.
														O	vermelho	é	estimulante	de	qualquer	ação;	o	laranja	é	estimulante	de
sentimento	e	o	amarelo	é	estimulante	da	comunicação.
														As	cores	frias	parecem	distantes,	leves,	úmidas,	transparentes,	aéreas	e
calmantes.	As	principais	do	grupo	são	o	azul,	o	verde	e	o	violeta.
														O	azul	é	delimitativo	e	retrocessivo.	Quando	no	tom	esverdeado,	induz
o	indivíduo	ao	isolamento	e	à	frieza.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Experiência	realizada	nos	Estados	Unidos	conta	que	numa	indústria
norte-americana,	 localizada	em	zona	de	baixa	 temperatura,	os	 trabalhadores	de
determinada	 seção	 queixavam-se	 constantemente	 de	 sentirem	 frio,	 apesar	 de	 a
temperatura	 ambiente	 ser	mantida	 sempre	 em	 22ºC.	Após	 ser	 revisado	 todo	 o
sistema	 de	 ar	 do	 local,	 um	 especialista	 recomendou	 que	 a	 pintura	 azul-
esverdeada	 das	 paredes	 e	 teto	 fosse	 trocada	 por	 vermelho-alaranjado.	 Isto	 foi
feito	e,	desde	então,	as	reclamações	cessaram.
														“Essa	sensação	de	temperatura	provocada	pelas	cores	foi	questionada
em	sua	natureza	pela	equipe	do	Joint	A.S.H.V.E.	Illuminating	–	Engin	Soc”.	A
dúvida	 residia	 em	 considerar	 esse	 efeito,	 ou	 como	 puramente	 fisiológico,	 ou
como	 psicológico	 derivado	 de	 reação	 fisiológica	 que,	 por	 sua	 vez,	 seria
originada	 nos	 efeitos	 metabólicos	 de	 produção	 de	 calor.	 As	 experiências
demonstraram	que	não	existia	nenhuma	correlação	definida	entre	a	sensação	de
calor	e	a	sensação	de	cor	do	ambiente,	dentro	dos	limites	habituais	de	conforto.
A	 sensação	 de	 frio	 ou	 de	 calor	 existe,	 mas	 fora	 de	 toda	 variação	 térmica	 do
indivíduo.	Assim,	trata-se	de	um	efeito	psicológico	e	não	fisiológico.
	
2.0	–	LEVE	E	PESADO
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	O	peso	atribuído	às	cores,	na	realidade,	não	passa	de	um	valor	peso
psicológico.	Estes	juízos	e	sentimentos	produzidos	no	indivíduo	pela	percepção
cromática	 são	 resultantes	 de	 efeitos	 fisiológicos	 exercidos	 pelas	 cores	 sobre	 o
organismo	humano.	Pois,	 	como	se	sabe,	a	cor	cada	dia	mais	vem	sendo	usada
como	 uma	 força	 de	 terapia.	 E	 experiências	 vêm	 comprovar	 a	 validade	 deste
método	 de	 utilizar	 a	 cor	 para	 curar,	 ou	 então,	 não	 utilizá-la	 quando	 se	 deseja
evitar	determinados	efeitos	psicológicos	ou	fisiológicos.
														Segundo	Modesto	Farina,	recomenda-se	não	pintar	de	branco	o	teto	do
quarto	 onde	 o	 doente	 deva	 permanecer	 por	 longo	 tempo;	 pois	 como	 o	 branco
reflete	 muita	 luz	 (reflete	 todas	 as	 cores),	 pode	 ocorrer	 o	 fenômeno	 do
ofuscamento,	 que	 tem	 a	 propriedade	 de	 ocasionar	 no	 doente	 a	 sensação	 de
cansaço	e	de	peso	na	cabeça,	devido	ao	fato	de	normalmente	ele	ter	de	repousar
deitado	de	costas	com	os	olhos	voltados	para	a	superfície	branca.	Este	fenômeno
pode	 explicar	 o	 cansaço	 numa	 pessoa	 que	 aparentemente	 não	 poderia	 estar
cansada,	já	que	devido	a	seu	estado,	encontra-se	em	repouso.
			 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Uma	cor	dá	a	impressão	de	peso,	quando	em	sua	composição	existe
uma	parcela	de	vermelho	ou	de	preto.	E	mesmo	que	o	tom	apresentado	possua	a
luminosidade	 do	 amarelo	 a	 parcela	 avermelhada,	 embora	 seja	 matiz	 rosa,
concederá	 ao	 tom	 um	 valor-peso	 específico.	 Portanto,	 quando	 estamos	 em
dúvida	para	decidir	 se	uma	cor	é	 leve	ou	pesada,	basta	uma	rápida	análise	das
parcelas	de	vermelho	ou	preto	que	esta	contém.
														No	círculo	cromático	temos	o	grupo	de	cores	pesadas	representando	o
violeta,	o	azul	e	o	vermelho,	sendo	porém	o	violeta	a	cor	de	valor-peso	maior	do
espectro.
	
	
														A	cor	amarela	é	considerada	a	mais	leve,	formando	o	grupo	das	cores
leves	juntamente	com	o	laranja	e	o	verde.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 A	mistura	 destas	 cores	 com	 o	 branco	 ou	 com	 o	 preto	 torna-as,
respectivamente,	mais	leves	ou	mais	pesadas.
														Experiência	foi	realizada	em	determinado	grupo	de	operários	os	quais
foram	mandados	 transportar,	manualmente,	 caixas	metálicas	 pintadas	 de	 preto
até	um	ponto	relativamente	próximo.	Após	poucos	 transportes	vieram	reclamar
junto	ao	gerente,	expedidor	da	ordem,	que	os	pesos	dos	volumes	deveriam	ser
diminuídos,	 pois	 não	 tinham	mais	 condições	 de	 continuar	 o	 trabalho	 devido	 a
fortes	 dores	 sentidas	 nos	 braços	 e	 nas	 costas.	 Pesadas	 as	 caixas,	 a	 balança
comprovou	que	seu	peso	era	inferior	ao	dos	volumes	que	os	reclamantes	estavam
acostumados	 a	 carregar.	Os	volumes	 foram	então	pintados	de	verde-claro	 e	 os
serventes	 receberam	 ordem	 de	 continuar	 o	 trabalho.	 Estes,	 certos	 de	 que	 os
volumes	haviam	diminuído,	 agradeceram	satisfeitos	e	continuaram	 trabalhando
ainda	mais	rápido	do	que	antes	e	sem	falarem	mais	em	dores.
														Outra	experiência	conta	que	alguns	objetos	iguais	foram	pintados	de
cores	diferentes	–	preto,	vermelho,	púrpura,	cinza,	azul,	verde,	amarelo	e	branco
–	e	que	aos	mesmos	foram	atribuídos	pesos	diferentes.	E	os	oito	objetos,	todos
do	 mesmo	 tamanho	 e	 com	 o	 mesmo	 peso,	 porém	 de	 cores	 diferentes,	 foram
colocados	a	uma	certa	distância	um	do	outro.	As	pessoas	ali	presentes	receberam
a	 informação	de	que	os	pesos	destes	 objetos	variavam	entre	3	 e	 6	kg.	Entre	o
objeto	 preto	 e	 o	 branco,	 situados	 nos	 dois	 pontos	 extremos	 do	 conjunto,
registrou-se	a	diferença	na	avaliação	dos	pesos	em	cerca	de	2.5	kg.	Na	verdade,
o	peso	de	todos	os	objetos	era	o	mesmo,	ou	seja,	4	kg.
	
3.0	–	ATIVO	E	PASSIVO
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Outro	efeito	causado	pela	cor	 sobre	o	 indivíduo	que	a	percebe	é	a
sensação	de	atividade	ou	passividade	que	determinadas	cores	transmitem.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 As	 cores	 frias,	 do	 grupo	 do	 azul,	 através	 de	 uma	 sensação	 de
afastamento	ampliam	os	espaços.	O	vermelho,	juntamente	com	as	demais	cores
quentes	 de	 seu	 grupo,	 tem	 a	 propriedade	 de	 se	 aproximarem.	 São	 cores
agressivas,	as	quais	avançam	em	nossa	direção.
														Os	objetos	pintados	com	cores	quentes	e	brilhantes	–	amarelo,	laranja,
vermelho	–	atraem	mais	rapidamente	a	nossa	atenção	por	parecerem	maiores	do
que	os	outros,	que	estão	pintados	com	cores	frias	e	apagadas,	como	o	azul-claro,
o	verde,	o	bege.
														Em	sua	“Teoria	das	Cores”,	Goethe	apresenta	o	amarelo	e	o	azul,	como
sendo	a	cor	mais	ativa	e	a	mais	passiva,	respectivamente.
	
ESCALA	DE	GOETE
	
Mais	ativa:																																										Mais	passiva:
AMARELO																																										AZUL																																																							
Luz																																																								Sombra
Claro																																																								Escuro
Força																																																								Fraqueza
Calor																																																								Frio
Perto																																																								Longe
Atrai																																																								Afasta
Relativo	a	ácido																												Relativo	a	alcalinos
Atividade																																										Passividade
	
														Se	enfileirarmos	uma	série	de	mastros	pintados	de	diversas	cores,	todos
a	uma	mesma	distância,	veremos	que	a	nossa	atenção	se	voltará	primeiramente
para	 os	 amarelos	 e	 brancos	 e	 depois	 então	 para	 os	 cinzas	 ou	 tonalidades
apagadas.	 Os	 mastros	 amarelos	 e	 brancos	 além	 de	 se	 destacarem	 parecerão
maiores	 do	 que	 os	 outros.	 Desta	 forma	 podemos	 modificar	 os	 espaços
ambientais.	 Se	 formos	 cuidadosos	 na	 escolha	 de	 cores	 poderemos	 tanto
transformar	 pequenos	 em	 amplos	 ambientes,	 como	 locais	 exageradamente
grandes	em	espaços	aconchegantes	e	confortáveis.
														Estesconhecimentos	assumem	grande	importância	especialmente	para
aqueles	 profissionais	 que	 lidam	 diretamente	 com	 a	 cor,	 valendo-se	 dela	 para
causar	determinados	efeitos.
		 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Basta	olharmos	as	nossas	cidades	atuais,	onde	inúmeros	edifícios	se
erguem	 em	 ritmo	 frenético,	 todos	 divididos	 em	 pequenos	 apartamentos,	 nos
quais	 cada	 centímetro	 de	 espaço	 será	 grandemente	 disputado.	 Neste	 caos,	 por
exemplo,	o	uso	bem	feito	das	cores	assume	uma	importância	enorme.
														Segundo	Simão	Goldmann,	o	ideal	seria	o	emprego	de	cores	apagadas,
mas	como	estes	pequenos	apartamentos	geralmente	são	escuros	devem	então	ser
usadas	cores	claras,	mas	que	não	sejam	muito	intensas.	Os	amarelos,	bem	como
toda	 a	 série	 de	 amarelos-verdes	 deve	 ser	 evitada.	 Quando	 um	 apartamento	 é
pequeno,	 outro	 recurso	 que	 pode	 ser	 usado	 para	 a	 obtenção	 de	 um	 aparente
aumento,	 é	 pinta-lo	 todo	 de	 uma	 só	 cor,	 ou	 ao	 menos,	 as	 peças	 que	 se
comunicam	diretamente.	Os	 tetos,	 no	caso,	devem	ser	pintados	da	mesma	cor,
porém	em	tonalidades	levemente	mais	claras	do	que	as	empregadas	nas	paredes.
														A	cor	mais	ativa	é	o	quente	e	pesado	vermelho,	o	qual	é	excitante	por
excelência.	 E	 sua	 complementar	 no	 círculo	 cromático,	 representante	 da
tranqüilidade	 e	 da	 paz	 exterior,	 é	 a	 fria	 e	 leve	 cor	 verde,	 a	 qual	 é	 também
indicada	como	sendo	a	cor	que	possui	maior	passividade.
4.0	–	CLARO	E	ESCURO
														Assim	como	as	cores	quentes	são	dinâmicas	e	excitantes	e	as	frias	são
calmantes	e	sedativas,	as	cores	claras	tem	a	prioridade	de	transmitir	alegria,	ao
passo	 que	 as	 cores	 escuras	 inspiram	 no	 indivíduo	 sensações	 de	 tristeza	 e	 de
melancolia.
														É	considerada	cor	clara	aquela	que	envia	à	visão	luz	abundante.	E	cor
escura	 aquela	 que	 envia	 pouca	 luz	 à	 visão.	 O	 preto	 é	 representante,	 por
excelência,	 do	 escuro,	 pois	 quando	 um	 objeto	 causa	 a	 sensação	 de	 preto,
sabemos	que	é	devido	ao	fato	de	ele	absorver	todos	os	raios	de	luz	que	sobre	si
incidem.	O	branco,	ao	contrário,	representante	da	luz	e	da	claridade,	reflete	todos
os	comprimentos	de	ondas	eletromagnéticas	sobre	ele	incidentes,	causando-nos,
por	isso,	a	sensação	de	branco.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Como	 já	 vimos	 anteriormente,	 quando	 falamos	 de	 passividade	 e
atividade	 das	 cores,	 a	 sua	 claridade	 ou	 escuridão	 podem	 também	 interferir	 na
formação	 (ou	 transformação)	 dos	 ambientes.	 Uma	 superfície	 branca	 ou	 clara
parecerá	 sempre	maior,	 pois	 a	 luz	 que	 reflete	 lhe	 confere	 amplidão.	 As	 cores
escuras,	porém,	diminuem	os	espaços.
	
	
														Como	vemos,	em	cima,	a	sala	parece	mais	baixa	por	ter	o	teto	pintado
de	 preto.	 Abaixo,	 a	 sala	 parece	 ser	 mais	 ampla	 por	 ser	 toda	 pintada	 de	 tons
claros.
	
														Sabemos	também	que	um	dos	fatores	determinantes	na	escolha	da	cor	é
o	 clima	 das	 diversas	 regiões.	 Segundo	Modesto	 Farina	 “para	 se	 sentir	 menos
calor	nas	 regiões	quentes	ou	no	verão,	 recomenda-se	o	uso	de	 roupas	brancas,
amarelas,	azuis	e	verdes,	de	tonalidades	claras,	cores	estas	que	refletem	os	raios
solares.
														O	inverno	requer	a	utilização	do	preto,	de	tonalidades	escuras	no	azul,
cinzento	e	marrom,	porque	estas	cores	absorvem	mais	calor.”
	
CAPÍTULO		IV
	
A		PÓS-IMAGEM
	
	
IV		-		A		PÓS-IMAGEM
	
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	O	 fenômeno	da	pós-imagem	pela	primeira	vez	observado	pelo	Dr.
Purknje,	em	1882,	é	explicado	como	sendo	pós-sensações	visuais	produzidas	por
dois	 estímulos	 sucessivos.	 As	 pós-imagens	 são	 também	 conhecidas	 como
sucessivos	contrastes	de	cores.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Todo	estímulo	visual	 repentino	produz	pós-imagens.	Algumas	 são
fracas	e	momentâneas;	outras,	porém,	são	fortes	e	de	longa	duração,	dependendo
da	 intensidade	 de	 exposição	 do	 estímulo.	 Toda	 cor	 intensa,	 franca	 e	 forte
observada	 por	 um	 determinado	 tempo,	 cria	 na	 retina	 o	 fenômeno	 da	 pós-
imagem,	ou	seja,	uma	imagem	retina.
		 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Estas	imagens	fantasmas,	apesar	de	às	vezes	serem	rápidas,	não	são
ilusões	 e	 sim	 sensações	 reais.	 Mas,	 para	 o	 indivíduo	 desconhecedor	 de	 suas
causas	elas	poderão	parecer	misteriosas	ou	ilusórias.
														O	fenômeno	da	pós-imagem	comprova	a	teoria	Tricromática	de	Youn
Helmheltz,	 que	 se	 baseia	 na	 existência	 de	 três	 grupos	 diversos	 de	 cones,
sensíveis	 às	 diferentes	 zonas	 do	 espectro.	 Um	 grupo	 de	 cones,	 diz	 a	 teoria,
reagiria	 à	 ondas	 curtas;	 outro	 às	 ondas	médias	 e	 um	 terceiro	 sensibilizar-se-ia
somente	com	o	estímulo	causado	pelas	ondas	de	luz	denominadas	longas.	Cada
grupo	ou	tipo	de	cones	seria,	então,	responsável	pela	percepção	de	uma	das	três
cores	juntamente	com	todas	as	suas	variações.
														A	reação	da	pós-imagem	causada	pela	recepção	das	três	cores	também
estabelece	a	validade	de	complementaridade	das	cores	componentes	do	círculo
cromático.
														Também	no	uso	prático	da	cor,	o	conhecimento	das	pós-imagens	com
suas	 causas	 e	 efeitos	 é	 de	 grande	 valia.	 Em	 locais	 de	 trabalho,	 por	 exemplo,
deve-se	procurar	dispor	as	cores	de	tal	forma,	que	as	pós-imagens	de	uma	e	outra
não	 afetem	 a	 acuidade	 visual	 necessária.	 Isto	 se	 consegue	 utilizando	 em
ambientes	 de	 muita	 luz	 cores	 complementares,	 para	 que	 as	 pós-imagens	 se
sobreponham	 às	 cores	 posteriormente	 visualizadas.	 Por	 outro	 lado,	 não	 devem
ser	 empregadas	 em	 ambientes	 bastante	 iluminados,	 cores	 francas,	 fortes	 e
intensas	 ao	 lado	 de	 tonalidades	 acinzentadas,	 pois	 isto	 faria	 com	 que	 as	 pós-
imagens	se	sobrepusessem	aos	cinzas.
														As	pós-imagens	são	causadas	pela	excitação	e	conseqüente	fadiga	da
retina.	 Por	 exemplo,	 quando	 fixamos	 por	 determinado	 tempo	 uma	 luz	 muito
intensa	como	a	do	sol,	o	ponto	da	retina	onde	a	luz	foi	focalizada	é	muito	mais
estimulado	 do	 que	 toda	 área	 ao	 seu	 redor.	 E,	 segundo	 Maitland	 Graves,	 ao
olharmos	para	outro	ponto,	primeiro	veremos	um	brilho	e	a	pós-imagem	positiva
do	 sol,	 e	 só	 mais	 tarde,	 quando	 a	 forte	 fadiga	 da	 retina	 começar	 a	 diminuir,
veremos	 então	 a	 pós-imagem	negativa	 do	 sol.	 Isto	 se	 deve	 ao	 fato	 de	 a	 retina
haver	sido	estimulada	por	uma	luz	muito	intensa.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	A	maioria	das	exposições	a	estímulos	 fortes	ou	 intensos	produzem
apenas	 pós-imagens	 negativas	 fortes	 de	 maior	 duração.	 Quanto	 mais	 fraco	 o
estímulo	 e	 menor	 o	 tempo	 de	 exposição,	 mais	 rápidas	 e	 fracas	 serão	 as	 pós-
imagens	negativas.
Se	 olharmos	 fixamente,	 por	 alguns	 segundos,	 para	 o	 ponto	 central	 de	 um
triângulo	preto	sobre	uma	superfície	branca,	sob	a	ação	de	um	a	luz	clara,	a	pós-
imagem	 negativa	 branca	 deste	 triângulo	 aparecerá	 ao	 redor	 do	 ponto	 preto
existente	 abaixo,	 assim	que	 transferirmos	 o	 olhar	 fixo	 para	 este	 ponto.	A	pós-
imagem	 branca	 do	 triângulo	 preto	 aparecerá	 mais	 branca	 do	 que	 a	 superfície
sobre	a	qual	se	projeta,	porque	a	parte	da	retina	sobre	a	qual	o	triângulo	preto	foi
projetado,	foi	mais	estimulada	do	que	a	área	ao	seu	redor.
	
													 	As	pós-imagens	cromáticas	são	causadas	pela	parcial,	ou	temporária
cegueira	da	cor	produzida	em	um	olho	normal	pela	dessensibilização	de	um	ou
dois	 dos	 três	 tipos	 de	 cones	 sensíveis	 às	 luzes	 vermelha,	 verde	 e	 azul.	 Esta
dessensibilização	de	um	ou	dois	cones	receptores	é	feita	estimulando-os	com	luz
colorida	 para	 produzir-lhes	 fadiga,	 a	 qual	 os	 tornará	 menos	 receptivos,	 ou
parcialmente	cegos	à	luz	de	determinada	cor	em	particular.
														Por	exemplo,	ao	fixarmos	um	triângulo	vermelho	por	alguns	segundos
sob	 uma	 luz	 brilhante,	 os	 receptores	 do	 vermelho	 serão	 fatigados	 naquela
mancha	 sobre	 a	 retina	 onde	 o	 triângulo	 vermelho	 foi	 focalizado,	 tornando-os
menos	 sensíveis,	 ou	 parcialmente	 cegos	 à	 luz	 vermelha.	 Desta	 forma	 a	 pós-
imagem	 negativa	 do	 triângulo	 vermelho,	 apóstransferirmos	 o	 olhar	 fixo	 para
uma	superfície	branca,	aparecerá	dominantemente	azul-esverdeada;	isto	se	deve
ao	 fato	 de	 os	 receptores	 da	 luz	 vermelha,	 devido	 à	 sua	 fadiga,	 reagirem
francamente	à	luz	vermelha	refletida	pela	superfície,	enquanto	que	os	receptores
do	 azul	 e	 do	 verde	 estão	 respondendo	normalmente	 aos	 reflexos	 da	 luz	 destas
cores.
	
	
														A	tonalidade	da	pós-imagem	é	sempre	complementar	à	tonalidade	da
imagem	 do	 estímulo.	 Portanto,	 as	 pós-imagens	 causadas	 por	 estímulos	 de
quaisquer	 uma	 das	 sensações	 cromáticas	 do	 disco	 de	 cores	 é	 vista	 da	 cor
complementar	à	do	estímulo,	a	qual	se	encontra	diametralmente	oposta	a	ela	no
círculo	cromático.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Desta	forma,	as	pós-imagens	provam	que	as	tonalidades	opostas	no
disco	 de	 cores	 são	 complementos	 visuais	 verdadeiros.	 Mas,	 a	 pós-imagem
complementar	 da	 cor	 da	 imagem	 original	 só	 será	 possível,	 quando	 projetada
sobre	uma	superfície	acromática	–	branco,	cinza,	preto	–	ou	que	reflita	a	luz	que
é	complementar	à	luz	do	estímulo.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Desta	maneira	 podemos	 prever	 a	 cor	 da	 pós-imagem	negativa	 de
qualquer	estímulo	cromático.	Basta	subtrairmos	aquela	cor	da	luz	refletida	pela
superfície.	Por	exemplo,	a	pós-imagem	negativa	do	verde	projetado	sobre	uma
superfície	azul-esverdeada	é	azul,	pois	azul-esverdeado	menos	o	verde	é	igual	a
azul.
														No	uso	prático	das	cores	é	importante	que	o	profissional	conheça,	além
dos	 efeitos	 da	 iluminação	 sobre	 corantes	 e	 de	 todas	 as	 leis	 dos	 contrastes	 de
cores,	as	causas	e	efeitos	das	pós-imagens,	para	que	as	trocas	de	cores	e	fadigas
visuais	possam	ser	previstas	e	controladas.
	
CAPÍTULO		V
	
COR		&		MARKETING
	
	
V	-	COR		&		MARKETING
	
														Podemos	conceituar	COR,	como	sendo	freqüências	eletromagnéticas
que	atingem	a	retina	humana,	as	quais,	através	do	nervo	ótico,	são	enviadas	ao
cérebro,	 onde	 são	 interpretadas	 e	 posteriormente	 transformadas	 em	 sensações
cromáticas.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 MARKETING	 “é	 o	 conjunto	 de	 atividades	 ligadas	 direta	 e
indiretamente	 a	 um	 produto	 ou	 serviço,	 desde	 sua	 concepção	 até	 a	 satisfação
final	em	seu	consumo,	tendo	em	vista	o	lucro”.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Como	sabemos	que	a	cor	se	faz	presente	em	praticamente	 todas	as
situações	 da	 vida	 do	 homem,	 podemos	 concluir	 que	 ela	 exerce	 papel
preponderante	no	desenrolar	de	todo	o	processo	de	marketing.
														Apesar	de	já	termos	visto	que	as	regras	e	normas	do	bom	uso	da	cor,	por
si	 só	 não	 são	 suficientes	 para	 a	 realização	 de	 um	 bom	 trabalho	 neste	 sentido,
dependendo	 também	 da	 subjetividade	 e	 da	 individualidade	 de	 quem	 o	 realiza,
não	devemos	nos	esquecer,	porém,	que	seu	conhecimento	e	aplicação	adequadas,
poderão	assegurar	a	efetiva	 transmissão	da	mensagem	de	venda,	que	é	um	dos
principais	pontos	da	estratégia	de	marketing.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Há	 dois	momentos	 dentro	 do	 processo	 de	marketing,	 nos	 quais	 o
adequado	uso	da	 cor,	 podemos	dizer	 que,	 atinge	o	 clímax	da	 sua	 importância.
São	os	momentos	da	produção	de	um	produto	–	cor	 	no	ambiente	–	e	de	 sua
venda	ao	público	consumidor	–	cor	na	embalagem.
														Ao	decidir	as	cores	que	serão	utilizadas	num	produto,	precisamos	antes
considerar	 se	 este	 produto	 dá	 margem	 à	 procura	 racional	 ou	 irracional.	 Um
fogão,	 por	 exemplo,	 é	 um	 tipo	 de	 produto	 que	 o	 consumidor	 compra
racionalmente.	Pois,	a	não	ser	que	seja	o	ponto	de	partida	de	um	planejamento,
ele	 terá	 que	 se	 adequar	 a	 todo	o	 esquema	 já	 existente	 na	vida	do	 consumidor.
Neste	caso,	ao	determinar	as	cores	de	um	novo	lançamento	de	fogão	teremos	que
levar	 em	 conta	 os	 produtos	 correlatos	 –	 geladeiras,	 artigos	 plásticos,	 etc.,	 -
existentes	à	venda	no	mercado	atual.
														No	caso	da	compra	irracional	ou	por	impulso	–	artigos	mais	pessoais	–
o	indivíduo	agirá	de	forma	diferente.	Agirá	movido	pelo	impulso.
														E	o	profissional	de	marketing,	além	de	conhecer	categoria	social,	faixa
etária	 e	 sexo,	 deve	 saber	 também	 quais	 os	 “porquês”	 das	 atitudes	 do	 público
consumidor	de	determinado	produto,	antes	de	planejá-lo.
														Neste	momento,	portanto,	é	de	grande	utilidade	a	realização	da	pesquisa
motivacional,	a	qual	revelará	ao	pesquisador	os	“porquês”	que	o	indivíduo	não
costuma	revelar	normalmente.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Atitudes,	 suposições,	 sensações,	 imagens	 e	motivos	 	 são	 tipos	 de
informação	que	a	pesquisa	motivacional		busca	junto	ao	indivíduo	pesquisado	e
que	 servem,	 no	 caso,	 para	 determinar	 com	 pequena	margem	 de	 erro,	 quais	 as
cores	 que	 devem	 ser	 empregadas	 num	 produto	 cuja	 compra	 é	 realizada,
basicamente,	por	impulso.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Todo	 comportamento	 humano	 é	 motivado	 por	 desejos	 e/ou
necessidades.	Mas,	como	nem	sempre	as	pessoas	envolvidas	têm	consciência	dos
motivos	que	as	 levam	a	 	preferir	ou	 rejeitar	determinados	produtos,	a	pesquisa
motivacional	se	propõe	a	descobrir	estes	motivos,	através	de	testes	psicológicos,
que	 determinam	 e	 explicam	 os	 diversos	 tipos	 de	 comportamento	 da	 criatura
humana,	 possibilitando	 ao	 homem	de	marketing,	 planejar	 e	 criar	 produtos	 que
vão	 diretamente	 de	 encontro	 às	 necessidades	 do	 público	 consumidor	 a	 que	 se
destinam.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Todas	estas	 informações	 são	buscadas	pela	pesquisa	motivacional,
através	 de	 diversos	 tipos	 de	 testes,	 como	 por	 exemplo:	 Testes	 de	Associações
Livres,	Testes	de	Frases	Abertas,	TAT	–	Testes	de	Apercepção	Temática,	Testes
de	 Transferência	 de	 Sensações,	 Análises	 de	 Reações,	 Polarização	 de	 Idéias	 e
muitos	outros.
														Apesar	de	haver	polêmicas	a	respeito	da	validade	ou	não,	em	termos
éticos,	da	aplicação	da	pesquisa	motivacional,	sabe-se	que	ela	tem	sido	bastante
utilizada	dentro	das	estratégias	de	marketing,	por	ser	a	mais	eficaz	no	sentido	de
atingir	o	objetivo	do	processo,	que	é	vender	com	considerável	margem	de	lucro.
	
CAPÍTULO		VI
	
A	COR	NO	AMBIENTE
	
	
VI	-	A	COR	NO	AMBIENTE
	
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Sabendo	 que	 as	 cores	 exercem	 influências	 marcantes	 sobre	 os
indivíduos,	é	de	grande	importância	que	o	profissional	que	se	dedica	a	projetar
ambientes	–	arquiteto,	decorador,	engenheiro	–	saiba	empregar	as	cores	de	forma
adequada	para	que	elas	produzam	os	efeitos	desejados.
														A	escolha	das	cores	na	projeção	de	um	ambiente	depende	muito	de	suas
dimensões.	Em	ambientes	médios,	por	exemplo,	é	aconselhável	o	uso	de	cores
complementares,	diametralmente	opostas	no	disco	cromático.
														Para	Simão	Goldmann,	um	ambiente	é	considerado	pequeno	quando
mede	 menos	 de	 15m2;	 médio	 quando	 sua	 dimensão	 fica	 entre	 15	 e	 25m2;	 e
grande	quando	sua	média	é	superior	a	25m2.
													
DIMENSÕES:														AMBIENTE:
Menos	de	15m2														Pequeno
Entre	15	e	25m2														Médio
Superior	a	25m2														Grande
	
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Quando	nos	encontramos	diante	de	um	ambiente	pequeno	devemos
escolher	uma	composição	monocromática	para	ser	empregada	em	sua	decoração.
Ou	 seja,	 devemos	 utilizar	 uma	única	 cor,	 sendo	 que	 esta	 poderá	 ser	 usada	 em
diversas	 tonalidades.	 Pois	 uma	 única	 cor	 dará	 uma	 impressão	 de	 unidade	 no
todo,	tornando	o	espaço	aparentemente	maior.	Ao	passo	que,	se	forem	utilizadas
diversas	 cores	 haverá	 divisão	 de	 áreas	 e	 isto	 redundará	 numa	 diminuição	 do
espaço.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Em	ambientes	 grandes,	 porém,	o	 emprego	de	 três	 cores	 do	disco,
eqüidistantes	entre	si	de	120º	-	amarelo,	vermelho	e	azul,	por	exemplo,	dará	ao
ambiente	os	efeitos	de	uma	harmonia	dinâmica.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Mas,	 além	da	dimensão,	 há	 também	outros	 fatores	que	devem	ser
considerados	 no	 momento	 de	 decidir	 quais	 as	 cores	 que	 serão	 usadas	 para
decorar	o	ambiente.	Além	da	finalidade	do	ambiente	e	tipo	de	indivíduo	que	vai
utilizá-lo–	assuntos	que	veremos	posteriormente	–	é	muito	importante	analisar	a
orientação	solar.	Numa	parede	onde	há	incidência	de	abundante	luz	solar,	o	seu
calor	deve	ser	neutralizado	com	o	emprego	de	uma	cor	fria,	como	o	azul	claro,
por	 exemplo.	 Pois	 tanto	 o	 azul,	 como	 as	 demais	 cores	 frias,	 servem	 como
redutoras	 psicológicas	 de	 temperatura.	 Servem	 também	 	 para	 aumentar	 as
dimensões	criando	sensações	de	distância	e	de	profundidade.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Por	outro	lado,	as	cores	quentes	–	vermelho,	 laranja,	amarelo	–	por
causarem	 sensações	 de	 excitação,	 de	 aproximação	 e	 de	 agressividade,	 são
utilizadas	 para	 elevar	 as	 temperaturas	 ambientais,	 bem	 como	 para	 diminuir,
psicologicamente,	os	espaços.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 De	 acordo	 com	 a	 publicação	 da	 “Novoambiente	 –	Arquitetura	 e
Decoração”,	para	aumentar-se	a	 altura	de	um	ambiente,	 em	aparência,	pode-se
pintar	o	teto	com	uma	cor	pálida	e	empregar	papel	de	parede	ou	revestimento	de
madeira	com	traços	verticais.	Para	aumentar	a	sua	largura,	pode-se	utilizar	linhas
horizontais	em	tons	de	azul.
	
1.0	–	A		AÇÃO	DA	COR	SOBRE	O	HOMEM	NO	AMBIENTE	COLORIDO
	
														“A	cor,	por	sua	expressividade,	tem	a	capacidade	de	liberar,	mais	que
qualquer	outro	elemento,	as	reservas	criativas	do	homem.”	Apesar	de	não	haver
nada	 que	 comprove,	 cientificamente,	 que	 os	 efeitos	 causados	 por	 estímulos
cromáticos	se	devem	a	processos	fisiológicos,	eles	são	tão	reais	e	espontâneos,
que	 atualmente	 estão	 sendo	 bastante	 explorados	 nos	 mais	 diversos	 setores	 da
vida	moderna.
														Experiências	psicológicas	têm	sido	realizadas	neste	sentido,	as	quais
comprovam	que	os	indivíduos	reagem	de	maneira	diferente	diante	de	cada	uma
das	 cores	 do	 espectro.	 Segue,	 abaixo,	 um	 resumo	 do	 que	 os	 cientistas	 têm
concluído	a	respeito	dos	efeitos	da	cor	sobre	o	individuo:
	
														VERMELHO	–	É	uma	cor	quente,	viva	e	atuante.	É	dinâmica	e	age
como	se	corresse,	avançando	em	direção	ao	espectador.	Jamais	se	contrai	sobre
si	própria.	O	vermelho	é	dominante	e	reina	como	senhor	em	qualquer	associação
de	cores,	não	aceitando	o	domínio	de	nenhuma	outra	cor.	Desperta	no	indivíduo
a	paixão,	o	orgulho,	o	desejo,	a	agressividade,	a	violência,	o	poder.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	LARANJA	 –	 Possui	 uma	 espécie	 de	 poder	 hipnótico	 que	 parece
penetrar	 no	 indivíduo.	 É	 a	 mais	 quente	 de	 todas	 as	 cores	 do	 espectro.	 Se	 a
quantidade	 de	 vermelho	 nela	 contida	 for	 pequena	 produz	 uma	 sensação
agradável,	 que	 pode	 se	 transformar	 num	 sentimento	 de	 violência	 se	 esta
quantidade	for	aumentada.	Usada	junto	com	vermelhos	ou	castanhos	pode	criar
ricas	harmonias,	mas	que	correm	o	risco	de	causar	cansaço	e	fadiga	visual.	A	cor
laranja	está	ligada	com	esplendor,	glória,	progresso	e	vaidade.
														AMARELO	–	Também	pertence	ao	grupo	das	cores	quentes,	é	uma	cor
alegre	que	tem	o	poder	de	animar	o	espírito.	Causa	sensações	de	calor,	de	luz,	de
plenitude.	É	a	cor	dos	intelectuais.	Nos	tons	amarelo-dourado,	representa	riqueza
e	 prosperidade;	 amarelo-limão	 representa	 perfídia,	 traição;	 e	 o	 amarelo-
carregado	lembra	engano	e	prudência.
														VERDE	–	O	verde	é	resultante	da	mistura	de	uma	cor	quente	–	amarelo
–	com	uma	cor	 fria	–	azul	–	o	que	a	 torna	uma	cor	cada	vez	mais	 fria	quanto
mais	próxima	estiver	do	azul.	Portanto,	pode	atrair	ou	repelir	o	indivíduo	que	a
observa	dependendo	da	qualidade	da	 sua	mistura.	Destaca-se	quando	 colocada
ao	 lado	do	 azul	 e	 torna-se	 fraca	 junto	 com	o	vermelho,	 laranja	 ou	 amarelo.	O
verde	 causa	 sensações	de	 calma	e	 repouso.	Quando	em	 tonalidades	 carregadas
desperta	euforia	e	plenitude.	O	verde	é	o	grande	símbolo	da	esperança.
														AZUL	–	O	azul,	por	possuir	pouca	luminosidade	e	ser	a	mais	fria	de
todas	as	cores,	parece	 recuar	diante	de	nós.	É	diversas	vezes	empregada	como
cor	 de	 fundo,	 quando	 se	 quer	 salientar	 pormenores	 expressos	 através	 do
dinamismo	das	cores	quentes.	Causa	no	indivíduo	uma	impressão	de	suavidade,
de	 inacessibilidade,	 de	 amplitude,	 de	 distância.	 O	 azul	 é	 também	 usado	 para
simbolizar	 a	 lealdade,	 a	 fidelidade,	 o	 sonho,	 o	 ideal.	Azul-claro	 representa	 fé.
Azul	vivo,	virtude.
														VIOLETA	–	É	uma	cor	séria	e	melancólica	que	provoca	um	sentimento
de	oscilação	e	de	insatisfação.	É	resultante	da	mistura	do	azul	com	o	vermelho	e
quando	tende	muito	para	o	vermelho	pode	provocar	a	impressão	de	que	se	move
em	direção	a	um	ponto	de	 repouso.	Assim	como	pode	 inspirar	uma	espécie	de
receio	no	indivíduo,	pode	também	lembrar	a	majestade,	a	pompa,	o	aparato.
														CASTANHO	–	Surge	da	mistura	do	laranja	com	cinza	ou	preto.	O	seu
efeito	é	proporcional	à	quantidade	de	cor	ativa	nela	contida.	É	considerada	uma
boa	cor	de	fundo,	por	possuir	um	equilíbrio	tranqüilizador	junto	às	cores	ativas,
permitindo	desse	modo	uma	espécie	de	repouso	visual.	Desperta	sentimentos	de
gravidade,	materialidade,	constrangimento	e	severidade.
		 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	BRANCO	-	Situado	ao	lado	de	outras	cores	o	branco	adquire	a	cor
complementar	–	fenômeno	da	pós-imagem.	Serve	para	amenizar	as	 tonalidades
das	cores.	É	uma	cor	que,	psicologicamente,	torna	os	espaços	mais	amplos	e	os
objetos	 mais	 leves.	 Lembra	 a	 pureza,	 a	 perfeição,	 o	 frio.	 Simboliza	 a	 paz,	 a
inocência	e	a	calma.
														PRETO	–	Colocada	junto	com	outras	cores,	age	intensificando	as	suas
tonalidades.	Reflete	também	a	pós-imagem,	além	de	tornar	os	espaços	exíguos.
Ao	 lado	 do	 branco	 se	 mostra	 rígido	 e	 solene.	 Desperta	 medo,	 depressão,
angústia.	O	preto	é	símbolo	de	morte,	luto,	terror,	ignorância,	solidão.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	CINZA	–	Apesar	de	significar,	simbolicamente,	 tristeza,	gravidade,
austeridade	e	indigência,	quando	apresentada	nas	tonalidades	claras,	e	desespero
quando	 em	 tom	 escuro,	 a	 cor	 cinza	 é	 a	mais	 indicada	 para	 servir	 de	 pano	 de
fundo	para	todas	as	demais	cores.	Pois	ela	desperta	no	indivíduo	uma	sensação
de	equilíbrio,	devido	à	sua	ação	compensadora	de	ligação	entre	todas	as	cores.
	
2.0	-		A	COR	NAS	INDÚSTRIAS
	
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 “Wilfrid	Garret,	antigo	 inspetor-chefe	de	 fábricas	do	Ministério	do
Trabalho	 Inglês,	 muito	 apropriadamente	 afirmou:	 -	 Primeiramente	 as	 fábricas
foram	 construídas	 para	 conter	 e	 proteger	 as	máquinas.	 Passou-se	muito	 tempo
antes	 que	 se	 pensasse	 que,	 além	 disso,	 deveriam	 ser	 edifícios	 onde	 vivem	 os
operários	que	manejam	estas	máquinas;	que	as	fábricas	devem	ser	prédios	onde
possam	viver	seres	humanos.”
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Durante	 a	 Idade	Média,	 em	 que	 a	 indústria	 era	 apenas	 artesanal,
existiam	aglomerados	 residenciais	e	de	 trabalho	 formados	por	artesãos	de	uma
mesma	especialidade.	Eram	os	feudos	onde	os	senhores	feudais,	juntamente	com
todos	 os	 seus	 servidores,	 formavam	 uma	 pacata	 comunidade	 com	 um	 espírito
dominante	de	união	e	cooperativismo.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Ao	 longo	do	 tempo	os	aglomerados	ou	bairros	passaram	a	 ter	uma
conceituação	bem	diferente.	Devido	à	atração	exercida	pelos	centros	urbanos	os
bairros	nada	mais	 tem	a	ver	com	as	causas	que	lhes	deram	origem,	passando	a
servir,	praticamente,	apenas	para	o	repouso	dos	indivíduos,	já	que	a	maior	parte
de	 seu	 tempopassou	 a	 ser	 gasta	 dentro	 das	 indústrias	 e	 dos	 estabelecimentos
comerciais	concentrados	nas	grandes	comunidades	urbanas,	e	nas	conduções	que
os	transportam	dos	bairros	para	os	grandes		centros.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	As	 condições	 de	 vida	 começaram	 a	mudar,	 especialmente	 após	 a
Revolução	 Industrial.	 Lentamente	 iniciou-se	 um	 movimento	 no	 sentido	 de
proporcionar	 condições	 um	 pouco	 mais	 propícias	 aos	 trabalhadores.	 É	 muito
gratificante	 sabermos	 que	 atualmente,	 apesar	 de	muitos	 trabalhadores	 urbanos
ainda	não	possuírem	residências	que	lhes	ofereçam	os	níveis	ideais	de	conforto	e
que,	além	disto,	precisam	viajar	todos	os	dias	em	conduções	super	lotadas	parachegarem	 aos	 seus	 locais	 de	 trabalho,	 estes	 pelo	 menos,	 vem	 sendo	 alvos	 de
preocupações	no	sentido	de	serem	transformados	em		ambientes	mais	agradáveis
e	adequados	às	suas	funções.	Apesar	disto	ser	feito	com	o	objetivo,	logicamente,
de	 aumentar	 a	 produção	 e	 os	 níveis	 de	 lucro,	 ainda	 assim	 os	 trabalhadores
também	se	beneficiam,	embora	bem	mais	ainda	possa	ser	feito	se	levarmos	em
consideração	 todos	 os	 efeitos	 e	 possibilidades	 oferecidos,	 especialmente	 pela
correta	aplicação	da	cor	nos	ambientes	de	trabalho,	pois	este	é	um	elemento	de
grande	 importância	 no	 comportamento	 adotado	 por	 um	 indivíduo	 em
determinado	ambiente.
				 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Sabemos	que	a	cor	está	intimamente	ligada	à	luz.	A	cor	só	pode	ser
percebida	 pelo	 olho	 humano	 se	 houver	 no	 ambiente	 condições	 adequadas	 de
iluminação	–	nem	pouca	luz,	nem	luz	em	demasia.
														Por	outro	lado	a	orientação	solar	dos	prédios	industriais	não	pode	ser
esquecida,	quando	da	escolha	de	cores	adequadas,	pois	ela	é	muito	importante,
não	só	do	ponto	de	vista	técnico	de	iluminação,	como	também	do	ponto	de	vista
térmico.
														Da	boa	aplicação	da	cor	na	indústria	dependem	fatores	fundamentais
como	conforto	no	trabalho,	índices	de	rendimento	e	o	próprio	estado	de	espírito
dos	trabalhadores.	Devemos	levar	em	conta,	portanto,	problemas	tanto	de	ordem
psíquica	como	fisiológica.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	O	cansaço	físico	e	a	fadiga	visual	são	reduzidas	a	índices	mínimos,
quando	o	ambiente	é	adequado	ao	tipo	de	trabalho	que	ali	se	realiza.	Cria-se	uma
atmosfera	 de	 unidade	 onde	 as	 tarefas	 são	 realizadas	 com	 maior	 rapidez	 e
precisão,	 alcançando-se	 assim	um	dos	principais	 objetivos	do	planejamento	de
cores	na	 indústria	que	 é	 criar	 um	clima	de	 tranqüilidade	 e	 eficiência,	 evitando
motivos	de	distrações,	reduzindo	acidentes	e	buscando	eliminar	os	desequilíbrios
na	execução	das	tarefas.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Evitar	 contrastes	 excessivos	 ou	 insuficientes	 permite	 uma	melhor
visibilidade	 de	 qualquer	 objeto	 sobre	 as	mesas	 de	 trabalho,	 além	 de	 constituir
também	um	valioso	recurso,	no	sentido	de	evitar	enfermidades	visuais.
														A	visibilidade	(iluminação)	adequada	e	a	ideal	contrastação	de	cores	no
ambiente	 industrial	 assumem	grande	 importância,	 ficando	em	segundo	plano	o
aspecto	 meramente	 decorativo	 ou	 estético.	 O	 uso	 da	 cor,	 portanto,	 deve	 ser
decidido	 em	 função	 da	 luz	 existente	 e	 esta,	 por	 outro	 lado,	 não	 deve	 causar
brilhos	nem	sombras.	Os	contrastes	de	luzes	devem	ser	evitados	e	em	seu	lugar
devem	ser	utilizados	adequados	contrastes	de	cores,	por	meio	dos	quais	pode-se
adequar	 o	 fator	 reflexão	 de	 todas	 as	 superfícies	 existentes	 num	 ambiente
industrial.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Peter	 Hayten	 apresenta	 os	 seguintes	 índices	 de	 reflexão	 para	 as
superfícies	internas	de	uma	instalação	fabril:
														“Os	tetos	devem	ser	em	branco	puro	ou	algo	neutro,	particularmente
quando	a	luz	é	indireta,	determinando	assim	um	fator	de	reflexão	de	75	a	85%.
Com	um	 sistema	de	 iluminação	 direta	 produzirão	 um	 reflexo	 que	 reduzirá	 em
parte	o	contraste	entre	as	luzes	do	ambiente	e	as	naturais.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Para	 evitar	 que	 as	 paredes	 pareçam	 excessivamente	 altas	 quando
ultrapassarem	os	cinco	metros,	o	excedente	deve	ser	considerado	como	teto.
														As	paredes,	em	sua	parte	superior,	devem	possuir	um	reflexo	igual	ou
aproximado	 ao	 do	 teto:	 60	 a	 70%	 se	 o	 piso	 e	 os	 elementos	 inferiores	 forem
claros,	 e	 de	 50	 a	 60%	 quando	 estes	 forem	 escuros;	 as	 partes	 inferiores	 das
paredes	podem	estar	em	torno	de	50%.
														O	fator	de	reflexão	dos	pisos	não	deve	exceder	os	25%.	As	máquinas,
elementos,	mobiliários,	apresentarão	um	reflexo	de	25	a	30%	sendo	claros,	se	os
pisos	 forem	 claros	 e	 mais	 intensos	 quando	 estes	 forem	 escuros;	 porém,	 neste
caso,	 sua	 qualidade	 deve	 ser	 clara	 para	 que	 haja	 um	maior	 reflexo	 de	 luz	 nas
partes	de	concentração	do	trabalho.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	O	órgão	ocular	 fatiga-se	 de	 imediato	 quando	 recebe,	 em	períodos
curtos,	 iluminação	 intensa	 e	 com	 alto	 grau	 de	 resplandecência,	 e	 outra	menos
intensa	e	mais	escura.
														Os	marcos	de	vãos	externos	pintam-se	de	branco	neutro	ou	cores	claras
para	que	seja	atenuado	o	contraste	entre	o	interior	e	o	exterior.”
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 A	 produção	 dos	 operários	 depende	 diretamente	 das	 condições
oferecidas	 pelo	 ambiente	 industrial.	 As	 cores	 não	 são	 usadas	 nas	 indústrias,
logicamente,	com	o	simples	objetivo	de	proporcionar	conforto	e	bem-estar	aos
que	ali	 trabalham.	Experiências	 realizadas	nos	Estados	Unidos	comprovam	um
aumento	de	produção	cerca	de	trinta	por	cento,	em	função	da	boa	aplicação	de
cores	 em	 grandes	 centros	 industriais.	 Além	 do	mais,	 os	 gastos	 efetuados	 para
criar	 um	 ambiente	 adequado	 serão	 rapidamente	 recuperados	 com	 o	 mesmo
número	de	operários	tendo	em	vista	os	seus	resultados.
														“Na	indústria	deve	reinar	uma	atmosfera	verde.	O	verde	funciona	como
um	 complemento	 restaurador	 dos	 esforços	 despendidos	 no	 trabalho,	 que	 são
psicologicamente	 vermelhos.	 Verde	 é	 o	 envoltório	 da	 superfície	 terrestre,	 dos
campos,	dos	bosques,	das	florestas.	Cor	que	serve	de	equilíbrio	entre	a	estática
do	azul	e	a	dinâmica	do	amarelo.	É	a	cor	repousante	e	portanto	restauradora	do
equilíbrio.”
														Segundo	Simão	Goldmann,	é	recomendável	que	em	ambientes	onde	são
executados	trabalhos	físicos,	seja	usado	verde-azulado	nas	paredes	por	ser	uma
cor	 repousante	 e	 equilibrada.	 Cor	 ocre	 nos	 tetos	 para	 possibilitar	 iluminação
suficiente;	 e	 marrom	 nos	 pisos	 com	 objetivo	 de	 causar	 uma	 sensação	 de
estabilidade.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	O	cinza,	em	contrariedade	à	 tendência	geral,	não	deve	ser	utilizado
como	cor	dominante	nos	ambientes	industriais,	por	ser	uma	cor	que	reflete	pouca
luz	e	também	por	se	prestar	negativamente	aos	contrastes	de	cores.
														A	formação	da	pós-imagem,	causada	por	intensos	estímulos	visuais,	é
outro	fator	que	não	deve	ser	esquecido	ao	planejarmos	um	ambiente	industrial.
Por	 exemplo,	 quando	 um	 determinado	 operário	 fixa	 atentamente	 por	 muito
tempo	um	material	de	cor	verde,	ao	transferir	o	olhar	para	uma	parede	branca	ou
cinza,	 verá	 intensas	 manchas	 vermelhas	 –	 as	 pós-imagens	 do	 material	 verde
anteriormente	fixado.	Além	do	cansaço	visual	que	isto	causa,	deve	ser	levado	em
conta	 também	o	 fator	 tempo;	pois	ao	voltar	o	olhar	para	o	material	verde	com
que	está	trabalhando,	o	indivíduo	levará	alguns	segundos	até	recuperar	o	perfeito
controle	 da	 visão.	 Imagine-se	 o	 tempo	 que	 será	 perdido	 durante	 um	 ano	 de
trabalho,	fato	este	que	pode	ser	facilmente	resolvido	pintando-se	as	paredes	com
cores	 semelhantes	 às	 complementares	 dos	 materiais	 usados	 nas	 determinadas
seções	de	uma	indústria.
														“O	único	caso	que	permite	a	utilização	de	cinza-neutro	é	uma	sala	ou
cabina	dos	mostruários	ou	de	controle	de	cores,	onde	o	olho	deve	descansar	em
superfícies	 neutras	 para	 conservar	 todo	 o	 seu	 valor	 crítico	 de	 apreciação	 de
tons.”
														“Quanto	à	maquinaria	que	também	exerce	uma	grande	influência	no
bom	andamento	do	trabalho	e	na	prevenção	contra	acidentes,	seu	tom	geral	deve
ser	 sempre	 baixo	 e	 de	 qualidade	 fria,	 desta	maneira,	 as	 cores	 reservadas	 para
determinados	 avisos	 (atenção,	 perigo,	 etc.)	 pintados	 em	 áreas	 diminutas	 e	 em
cores	intensas,	obtenham	destaque	e	predominem.	O	corpo	da	máquina	deve	ser
pintado	de	cores	que	harmonizem	com	as	do	fundo	ou	paredes:	azul-esverdeado
sobre	 bege,	 verde-claro	 sobre	 avelã,	 azul-claro	 sobre	 creme	 ou	 ocre,	 etc.	 Em
alguma	 maquinaria	 de	 produtos	 de	 certo	 caráter,	 tais	 como	 especialidades
farmacêuticas,	 perfumaria,	 alimentação,	 etc.,	 para	 ajustar	 a	 cor	 à	 exigências
higiênicas	 e	 de	 aspecto	 apropriado,	 écolorido	 o	 corpo	 daquela	 em	 branco,
creme,	ocre	ou	amarelo-claro.	A	área	ou	superfície	sobre	a	qual	se	concentre	a
atenção	do	operador	deve	possuir	um	bom	destaque	sobre	o	corpo	da	máquina,
mas	 sem	 que	 provoque	 deslumbramentos	 nem	 incômodos,	 sendo	 pintada	 com
uma	 cor	 que	 contraste	 com	 a	 peça	 de	 trabalho	 a	 fim	 de	 obter	 a	 melhor
visibilidade,	sem	fadiga	para	os	olhos.”
														Vemos,	portanto,	que	a	cor	possui	importância	capital	sobre	as	reações
físicas	 e	 psicológicas	 do	 trabalhador	 industrial,	 podendo,	 quando	 bem	 usada,
amenizar	o	cansaço	físico	e	estimular-lhe	o	ânimo.	É	sabido	que	a	eficiência	dos
efeitos	cromáticos	depende	muito	das	boas	condições	ambientais	em	geral.	Boa
iluminação	 e	 temperatura	 adequada	 são	 algumas	 destas	 condições
indispensáveis,	mas	 que	 podem	 também	 ser	 auxiliadas	 em	 sua	 solução	 com	 a
correta	aplicação	da	psico-estética	cromática.
		 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Outro	fator	a	ser	levado	em	conta	é	a	fácil	e	rápida	identificação	de
locais	ou	objetos	que	possam	ser	considerados	perigosos.	E	para	evitar	seguidos
acidentes	nestes	locais,	uma	solução	pouco	dispendiosa	é	assinalá-los	com	cores
que	chamem	a	atenção	dos	passantes	ou	usuários.
		 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	A	cor	nos	pisos	deve	ser	aplicada	de	tal	forma	que	torne	facilmente
identificáveis	as	linhas	de	tráfego.	Sinais	de	Segurança,	peças	móveis,	alavancas,
além	 dos	 corredores	 de	 tráfego,	 podem	 ser	 rapidamente	 destacados	 por
colorações	adequadas.
														As	cores	brilhantes	alertam	o	trabalhador	aos	riscos	de	equipamentos
móveis,	mantendo	 um	 clima	 de	 segurança.	Laranja	 é	 a	 cor	 por	 excelência	 das
precauções.	 São,	 em	 conseqüência,	 evitados	 os	 acidentes	 que	 se	 verificam	 tão
seguidamente	nos	locais	onde	não	foram	tomadas	tais	medidas.
														Extintores	de	fogo	devem	ser	pintados	de	vermelho.	Em	caso	de	perigo
podem	 ser	 facilmente	 distinguidos.	 E	 assim	 também	 os	 transportadores,
elevadores,	 equipamentos	 móveis	 são	 limitados	 por	 faixas	 de	 segurança	 em
cores	vivas.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	As	partes	mais	perigosas,	embora	 tornando-se	berrantes,	devem	ser
ainda,	assim	mesmo,	pintados	em	amarelo	e	com	linhas	pretas.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Por	outro	 lado,	pode-se	 reduzir	 a	 sensação	de	deslumbramento	de
janelas	pintando	os	marcos	de	branco	ou	com	uma	cor	clara,	a	fim	de	diminuir	o
contraste	entre	estes	e	a	luz	que	vem	de	fora.
														A	cor	promove	o	trabalho,	relaciona	os	empregados	entre	si	e	assegura	a
freqüência	 ao	 serviço.	 Cores	 alegres	 e	 harmoniosas,	 adequadas	 a	 determinada
função,	tornam	as	tarefas	mais	simples	e	acolhem	ao	trabalho.	Cores	violentas	e
chocantes	terão,	naturalmente,	efeitos	opostos.”
														Apesar	de	sabermos	que	atualmente	muitos	dirigentes	industriais	têm	se
preocupado	 com	 a	 criação	 de	 adequados	 ambientes	 de	 trabalho	 em	 suas
indústrias,	 e	que	grandes	e	objetivos	 estudos	 têm	sido	 realizados	a	 respeito	do
emprego	correto	de	cores	nestes	locais,	muito	mais	ainda	pode	e	deve	ser	feito
neste	sentido.	O	estudo	das	cores	e	dos	efeitos		que	estas	podem	causar	sobre	o
ser	humano	deve	merecer,	de	 todo	 industrial	 inteligente,	uma	atenção	especial,
pois	 incidem	diretamente	sobre	a	produção,	e	em	conseqüência	 ,	dos	 lucros	de
seus	estabelecimentos	industriais.
	
3.0	–	A	COR	NOS	ESTABELECIMENTOS	COMERCIAIS
													
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Antigamente	as	pessoas	efetuavam	compras	em	pequenos	armazéns
geralmente	próximos	de	suas	residências.	Atualmente,	porém,	com	o	surgimento
de	 inúmeras	 redes	de	supermercados	–	que	 tiveram	início	nos	Estados	Unidos,
passando	depois	para	o	México,	estendendo-se	em	seguida	por	 toda	a	América
do	 Sul	 e	 penetrando	 também	 no	 Mercado	 Europeu	 –	 esta	 situação	 mudou
completamente.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 A	maioria	 das	 compras	 são	 realizas	 em	 grandes	 supermercados,
shoppings	 e	 lojas	 de	 departamentos.	 Isto	 sem	 falar	 nas	 atuais	 compras	 on-line
que	 já	 são	 uma	 promissora	 tendência	 que	 aos	 poucos	 	 vem	 ocupando	 o	 seu
espaço	 na	 vida	 das	 pessoas.	 Mas	 este	 é	 tema	 para	 um	 outro	 estudo	 bem
específico	e	com	outras	peculiaridades.
														As	vantagens	que	esses	locais	oferecem	são	inúmeras	e	explicam,	ao
menos	 em	parte,	 o	 segredo	do	 sucesso	 e	popularidade	que	 alcançaram.	Dentre
elas	podemos	destacar	as	seguintes:
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Preços	Mais	Baixos	–	Que	no	caso	dos	supermercados	podem	ser
oferecidos	devido	à	realização	de	compras	em	grande	escala	de	quase	todos	os
produtos	que	neles	são	oferecidos.
														Concentração	de	Produtos	–	Além	de	oferecerem	produtos	de	quase
todas	as	espécies,	ainda	colocam	à	disposição	do	consumidor	uma	variada	gama
de	 produtos	 de	 uma	mesma	 espécie,	 porém	 de	 diversas	marcas,	 embalagens	 e
cores,	dando-lhe	assim	opções	na	escolha	da	mercadoria.
														Ausência	de	Balconistas	-	Apesar	de	algumas	pessoas	acharem	que	a
compra	em	supermercado	é	muito	fria	e	impessoal,	a	grande	maioria	no	entanto
gosta	 de	 sentir-se	 livre	 para	 escolher,	 pelo	 tempo	 que	 quiser,	 e	 da	 forma	 que
desejar	tudo	o	que	irá	adquirir.	Além	do	mais,	há	sempre	pessoas	encarregadas	à
disposição	quando	se	deseja	alguma	informação.
														Estacionamento	Próprio	–	É	outro	fator	importante	já	que,	quase	todas
as	 pessoas,	 por	 disporem	 de	 pouco	 tempo,	 ou	 por	 simples	 comodidade,
costumam	realizar	suas	compras	de	carro.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Em	 várias	 pesquisas	 realizadas	 foi	 observado	 que	 os	 clientes	 de
supermercados	 tendem	 a	 comprar	 os	 produtos	 melhor	 expostos;
conseqüentemente,	se	algum	está	com	pouca	saída	é	então	colocado	em	melhor
exposição,	 ou	 seja,	mais	 à	 vista	 e	 a	 partir	 daí	 o	 seu	 índice	 de	 vendas	 tende	 a
aumentar.	Baseado	nisto,	os	alimentos	básicos,	tais	como	açúcar,	pão,	café,	arroz
e	 similares,	 são	 sempre	 colocados	 nas	 prateleiras	 baixas,	 reservando-se	 as
superiores	 para	 gêneros	 supérfluos	 como	 artigos	 de	 beleza	 em	 geral,	 entre
outros.	Os	primeiros	são	artigos	que	todas	as	pessoas	têm	de	comprar,	enquanto
que	 os	 segundos,	 por	 muitas	 vezes	 poderem	 ser	 deixados	 para	 outro	 dia,
assumem	posição	de	destaque	para	chamar	a	atenção	e	despertar	no	consumidor
o	desejo	de	compra	imediata.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Além	do	manuseio	do	produto	pelo	próprio	 consumidor	 e	de	 suas
posições	 de	 destaque	 nas	 prateleiras,	 a	 cor	 é	 outro	 fator	 que	 exerce	 grande
importância	nas	vendas	de	um	estabelecimento	comercial,	seja	ele	supermercado
ou	qualquer	outro	tipo	de	loja.
														A	composição	de	cores	a	ser	utilizada	num	estabelecimento	comercial,
deve	 ser	 bastante	 estudada	 antes	 de	 sua	 efetiva	 aplicação,	 pois	 uma	 de	 suas
principais	 funções	 é	 atrair	 o	 consumidor,	 estimulando-o	 a	 entrar	 no
estabelecimento.	Pois,	estando	ele	lá	dentro,	as	inúmeras	e	variadas	embalagens
com	 suas	 cores	 quentes,	 alegres	 e	 agressivas,	 se	 encarregarão	 de	 estimular	 a
compra.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Cores	 demasiado	 contrastantes	 nas	 partes	 frontais	 deste	 tipo	 de
estabelecimento,	na	maioria	das	vezes	não	agradam	às	pessoas,	embora	inúmeros
decoradores	 e	 arquitetos	 insistam	 em	 colocá-las.	 Segundo	 pesquisas	 realizadas
neste	 sentido	 está	 	 comprovado	 que	 o	 comprador	 é	mais	 atraído	 por	 suaves	 e
elegantes	combinações	de	cores	claras	do	que	por	cores	fortes	e	agressivas.	Estas
combinações	agressivas	dão	efeito	contrário	ao	desejado.	Afastam	as	pessoas	em
vez	de	atraí-las.
														Com	base	nestes	princípios	deve	ser	levado	em	conta	também	que	as
cores	externas	de	uma	determinada	casa	de	comércio	precisam	ser	harmonizadas
com	a	forma	e	dimensão	da	mesma	e	especialmente	com	o	tipo	de	produto	que
ali	será	vendido.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Outro	fator	considerado	de	grande	 importância,	 juntamente	com	os
resultados	 dos	 esquemas	 de	 cores	 e	 que	 serve	 para	 promover	 a	 venda	 dos
produtos	 é	 a	 existênciade	 iluminação	 adequada	 em	 todo	 o	 interior	 do
estabelecimento.	Os	tetos,	 tanto	das	vitrines	como	dos	espaços	internos,	devem
ser	claros	para	que	permitam	uma	reflexão	de	luz	adequada.
														Quanto	mais	o	consumidor	permanecer	dentro	de	um	estabelecimento
comercial,	atraído	ou	estimulado	por	suas	harmônicas	combinações	cromáticas,
maiores	poderão	ser	os	lucros	deste	comerciante.
														O	cinza-neutro	é	recomendado	para	servir	de	cor	de	fundo	nas	áreas
onde	 serão	 expostas	 as	mercadorias,	 por	 ter	 a	 propriedade	de	 conservar	 o	 tom
exato	de	cada	sensação	visual	cromática	superposta	a	ele,	conservando	assim,	a
verdadeira	tonalidade	de	cada	produto	à	venda.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 “Quando	 forem	expostas	mercadorias	com	embalagens	de	diversas
cores,	se	houver	a	supremacia	de	uma	delas,	o	fundo	permanente	deverá	ser	da
cor	 complementar	 desta,	 em	 tom	bem	acinzentado.	Se	 a	mercadoria	 for	 verde,
por	 exemplo,	 o	 fundo	 deverá	 ser	 pintado	 de	 vermelho	 acinzentado.	 Se	 a
mercadoria	 predominante	 for	 de	 cor	 laranja	 o	 fundo	 deverá	 ser	 num	 cinza
azulado	e	assim	por	diante.
														Se	os	artigos	se	apresentam	em	cores	intensas,	as	estantes	e	os	balcões
deverão	ser	de	cor	neutra.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Casas	que	vendam	flores	são	mais	atrativas	quando	nelas	reina	uma
atmosfera	verde-clara	unindo-as	à	natureza.
														Cores	intensas	nunca	devem	ser	empregadas	como	cores	de	fundo.	Por
outro	lado,	artigos	em	cores	extremas	destacam-se	num	fundo	pérola-claro.”
														É	aconselhável	também	que,	sempre	que	for	possível	separar	os	tipos	de
mercadorias	 existentes	 à	 venda	 num	 estabelecimento	 comercial	 em	 seções
distintas,	 estas	 sejam	 decoradas	 e	 pintadas	 com	 as	 cores	 mais	 adequadas	 aos
tipos	de	produtos	ali	expostos.
														Se	houver	necessidade	de	adequar	cores	às	estações	do	ano,	não	devem
ser	 esquecidas	 as	 conotações	 térmicas	 de	 cada	 cor.	 As	 cores	 frias	 devem	 ser
usadas	 para	 o	 verão	 e	 as	 quentes	 para	 o	 inverno,	 criando-se	 desta	 forma	 uma
sensação	físico-psicológica	de	equilíbrio	térmico.
														Assim	como	no	ambiente	industrial	as	cores	devem	ser		cuidadosamente
planejadas	para	que	sua	aplicação	resulte	em	menor	cansaço	e	maior	produção,
mais	 ainda	 elas	 devem	 ser	 estudadas	 para	 a	 utilização	 nos	 estabelecimentos
comerciais;	pois	de	pouco	ou	nada	adiantará	produzir	muito	se	esta	produção	não
for	vendida	e	consumida	no	mesmo	ritmo.
	
CAPÍTULO		VII
	
A	COR	NA	EMBALAGEM
	
														Como	já	vimos,	a	preferência	dos	indivíduos	por	determinadas	cores
está	intimamente	relacionada	a	fatores	diversos	tais	como	faixas	etárias,	cultura,
clima,	sexo,	classe	social,	etc.,	além	da	ligação	psicológica	das	cores	com	fatos
ocorridos	 no	 passado.	Não	 é	 possível,	 portanto,	 o	 estabelecimento	 de	 critérios
rígidos	para	o	uso	da	cor,	mas	com	base	em	inúmeras	pesquisas	de	preferências
de	 cores	 até	 hoje	 realizadas,	 foram	 formulados	 conceitos	 que	 indicam	 a
tendência	geral	das	preferências	cromáticas	da	maioria	das	pessoas.
														A	aplicação	da	cor	na	embalagem	só	poderá	alcançar	os	objetivos	que
lhe	foram	propostos	se	seu	criador	o	fizer	baseado	em	todos	os	princípios	e	leis
do	fenômeno	cromático,	nas	preferências	gerais	do	público	consumidor,	além	da
conotação	que	deve	haver	entre	cor	da	embalagem	e	produto	nela	contido.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Portanto,	 antes	 de	 lançar	 um	 produto	 no	mercado,	 ou	mesmo	 de
introduzir-lhe	modificações,	devem	ser	realizadas	pesquisas	que	cubram,	através
de	 amostra	 representativa,	 todo	o	universo	 consumidor	 deste	 produto	para	 que
sejam	estabelecidos	todos	os	padrões	segundo	os	quais	o	referido	produto	ou	sua
embalagem	devem	ser	planejados	e	criados.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Quando	 dissemos	 no	 Capítulo	 V	 que	 os	 momentos	 capitais	 de
importância	 da	 cor	 dentro	 do	 processo	 de	 marketing	 eram	 nos	 setores	 de
produção	 (cor	 no	 ambiente	 industrial)	 e	 nos	 setores	 de	 venda	 (cor	 nos
estabelecimentos	 e	 na	 embalagem),	 não	 pretendíamos,	 de	 forma	 alguma,
desmerecer	 o	 valor	 que	 tem	 a	 adequada	 aplicação	 das	 cores	 nos	 setores	 de
propaganda.	 Mas,	 apesar	 de	 ser	 a	 propaganda	 que	 leva	 o	 produto	 ao
conhecimento	do	consumidor,	a	função	da	embalagem	é	ainda	mais	ampla,	pois
além	de	ser	o	elemento	que	caracteriza	o	produto	entre	os	demais	é	também	“um
pequeno	 anúncio	 em	 cartaz	 permanente	 que	 se	 multiplica,	 fantasticamente,
milhares	 ou	milhões	 de	 vezes,	 e	 gratuitamente.	Quando	 o	 consumidor	 compra
um	produto	ele	o	recebe	com	a	sua	embalagem.	Esta	alcança	áreas	imprevisíveis,
funcionando	durante	muito	tempo	como	um	poderoso	fator	de	propaganda,	sem
qualquer	ônus	ao	fabricante.	Cada	embalagem,	além	de	identificar	o	produto,	a
marca,	o	fabricante	e	a	qualidade	é	também	um	poderoso	anúncio.”
														Além	de	proteger	o	produto,	a	embalagem	deve	comunicar	de	forma
clara	e	imediata	a	sua	utilidade	e	as	suas	vantagens	sobre	as	demais.
														A	presença	da	cor	na	embalagem	possui	um	valor	indiscutível,	por	ser	o
primeiro	 detalhe	 a	 atingir	 o	 olhar	 do	 consumidor.	 Se	 levarmos	 em	 conta	 as
conotações	emotivas	e	psicológicas	da	cor	e	de	seus	efeitos	sobre	o	ser	humano,
perceberemos	que	é	o	elemento	mais	importante	na	elaboração	e	que,	portanto,
merece	os	nossos	melhores	cuidados.	Pois,	“a	embalagem	tem	a	mágica	função
de	dar	um	‘psiu’	ao	comprador.	Além	disso	deve	fazer	com	que	a	compra	seja
renovada	impulsionando	o	consumidor	a	ficar	fiel	à	sua	marca.”
	
1.0	–	COMOTAÇÕES	DA	COR	COM	PRODUTOS	ALIMENTÍCIOS
	
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Como	 já	 sabemos,	 as	 reações	dos	 indivíduos	diante	dos	 estímulos
cromáticos	diferem	entre	si	de	maneira	subjetiva	e	 individual,	por	estarem	elas
relacionadas	a	inúmeros	fatores.	Porém,	para	os	indivíduos	que	vivem	dentro	de
uma	mesma	cultura	os	psicólogos	concordam	em	atribuir	certos	valores	comuns
às	cores,	os	quais	representam	as	reações	da	maioria.
														Mas,	apesar	desta	esquematização	geral	de	preferências	pelas	cores,	o
profissional	de	marketing	tem	que	ter	muito	cuidado	ao	determiná-las	durante	a
planificação	de	um	produto,	pois	elas	são	estímulos	psicológicos	que	atingem	e
influem	 na	 sensibilidade	 do	 indivíduo,	 incitando-o	 a	 gostar	 ou	 não	 de	 algo,	 a
negar	ou	afirmar,	a	abster-se	ou	a	agir.	E	muitas	destas	reações	diante	das	cores
estão	intimamente	ligadas	a	experiências	agradáveis	ou	não	que	o	indivíduo	teve
no	passado,	tornando-se	portanto	difíceis	de	serem	mudadas.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Todos	estes	 fatores	devem	ser	 levados	em	consideração	quando	da
determinação	 de	 cores	 para	 os	 produtos,	 especialmente	 os	 alimentícios.
Alimento	 é	 o	 tipo	 de	 artigo	 que	 todos	 –	 quer	 ricos,	 quer	 pobres	 –	 têm	 que
comprar,	pois	ninguém	vive	sem	comer.	E	com	a	 realização	de	quase	 todas	as
compras	 em	 grandes	 supermercados,	 como	 vimos	 anteriormente,	 onde	 existe
uma	enorme	e	variada	gama	de	marcas	de	um	mesmo	tipo	de	produto	ao	alcance
da	mão	do	consumidor,	é	importantíssimo	o	adequado	uso	da	cor	em	relação	aos
alimentos	ali	vendidos.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	O	uso	do	preto	em	embalagens,	por	exemplo,	pode	exercer	efeitos
realmente	curiosos.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 As	 classes	 sociais	 mais	 altas	 consomem	 embalagens	 pretas	 em
percentuais	 muito	 mais	 elevados	 do	 que	 as	 camadas	 mais	 humildes	 da
população.	 Aspargos,	 palmitos,	 vinhos,	 por	 exemplo,	 que	 são	 embalados	 em
recipientes	onde	predomina	a	cor	preta,	mesmo	quando	são	mais	caros	do	que
outras	marcas	 concorrentes	 são	 os	mais	 procurados	 pelos	 consumidores	 destes
produtos,	possuindo	um	grande	giro	nos	supermercados.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	As	embalagens	destinadas	às	classes	menos	 favorecidas	devem	ser
confeccionadas	em	cores	claras,	tendo	como	uma	explicação	bem	simples,	para
contrastar	 com	 a	 vida	 “escura”	 destes	 indivíduos,	 tão	 cheia	 de	 problemas	 e
tristezas.Segundo	pesquisas	feitas	neste	sentido,	o	preto	entre	as	classes	ricas	é
associado	 com	 luxo	 e	 sofisticação,	 ao	 passo	 que	 entre	 as	 classes	 pobres
representa	luto	e	tristeza.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Existem	 cores	 que,	 quando	mal	 utilizadas,	 podem	 exercer	 efeitos
contrários	aos	desejados.	Por	exemplo,	“um	bolo	em	cuja	embalagem	predomina
a	 cor	 verde,	 	 influenciado	 por	 esta	 cor,	 pode	 sugerir	 a	 idéia	 de	 um	 produto
mofado.	Os	produtos	alimentícios	embalados	em	cores	claras	sugerem	um	sabor
menos	 acentuado	 do	 que	 outros	 em	 cores	 fortes.	 Por	 exemplo,	 um	 doce	 de
goiaba,	 cuja	 embalagem	 seja	 de	 um	 vermelho	 esmaecido	 não	 pode	 sugerir	 o
agressivo	sabor	da	goiaba.”
														Inúmeras	pesquisas	têm	concluído	que	a	maioria	dos	alimentos	deve	ser
apresentada	ao	consumidor	em	cores	quentes	–	vermelho,	laranja,	amarelo	–	pois
estas	são	as	cores	que	mais	despertam	o	apetite	nas	pessoas.	Um	exemplo	disto	é
o	apetite	despertado	pela	cereja,	pela	maçã	e	até	mesmo	pela	carne	fresca.
			 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	O	marrom	é	outra	cor	também	indicada	como	bastante	aceitável	aos
nossos	olhos,	quando	se	trata	de	produtos	alimentícios.	Temos,	por	exemplo,	o
marrom	escuro	da	carne	assada,	uma	inúmera	variedade	de	saborosos	chocolates
e	 também	 o	 café	 todos	 em	 tons	 de	 marrom.	 E	 isto,	 sem	 falar	 em	 certos
refrigerantes	que	atingiram	altos	e	significativos	índices	de	venda.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Já	 as	 cores	 frias	 não	 possuem	 grandes	 conotações	 com	 produtos
alimentícios,	 sendo	 indicadas	 nas	 embalagens	 apenas	 em	 alguns	 casos
específicos.	 Além	 de	 frias,	 estas	 cores	 podem,	 quando	 em	 embalagens
transparentes,	 dar	 ao	 produto	 a	 aparência	 de	 que	 está	 se	 diluindo,	 quando	 na
realidade	encontra-se	em	perfeitas	condições	de	ser	consumido.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Num	produto	como	o	pão,	por	exemplo,	esta	cor	é	completamente
desaconselhável.	 Já	 no	 caso	 de	 uma	 água	 mineral	 poderá	 resultar	 em	 efeito
extremamente	benéfico.	Conta	Modesto	Farina,	que	“há	algum	tempo	constatou
a	 mudança	 da	 embalagem	 de	 uma	 conhecida	 água	 mineral	 brasileira,	 a	 qual
passou	 a	 ser	 feita	 de	 um	 plástico	maleável,	 cujas	 análises	 de	 grau	 e	 poluição
tinham	sido	anunciadas	em	vários	órgãos	de	 imprensa	como	acima	do	normal.
Só	a	comprovação	técnica	posterior	de	que	a	água	tinha	condições	de	ser	usada
não	pareceu	suficiente	para	os	que	a	comercializavam.	Era	necessário	algo	que
visualmente	confirmasse	o	grau	de	pureza	da	água.	Isso	foi	resolvido	através	da
embalagem	plástica	transparente	de	cor	azul,	que	dava	à	água	o	aspecto	desejado
por	seus	vendedores	bem	como	por	seus	consumidores”,	sendo	atualmente	esta	a
cor	predominante	na	maioria	das	embalagens	deste	tipo	de	produto.
	
														A	seguir	veremos	o	resumo	das	associações	das	cores	com	os	produtos
contidos	nas	embalagens,	tal	como	o	apresenta	Modesto	Farina:
	
PRODUTO																																										CORES
	
CAFÉ																																																								Marrom	escuro	com	toque	de	laranja
ou	vermelho.
CHOCOLATE																												Marrom	claro	ou	vermelho	alaranjado.
GORDURAS	VEGETAIS														Verde	claro	e	amarelo	não	muito	forte.
LEITE																																																								Azul	em	vários	tons,	às	vezes	com	um
toque	de	vermelho.
CARNES	ENLATADAS														Cor	do	produto	em	fundo	vermelho,	às	vezes
com	um	toque	de	verde.
LEITE	EM	PÓ																												Azul	e	vermelho,	amarelo	e	verde	com	toque	de
vermelho.
FRUTAS	E	COMPOTAS		 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Cor	do	produto	em	fundo	vermelho,	com
toque	de	amarelo.
DOCES	EM	GERAL														Vermelho-alaranjado.
AÇÚCAR																																										Branco	e	azul,	com	toques	de	vermelho,
letras	vermelhas	e	pretas.
MASSAS	ALIMENTÍCIAS	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Produto	 em	 transparência	 com	uso	 de
celofane,	embalagem	vermelha,	branca,	amarelo-ouro	e	às	vezes	com	toques	de
azul.
CHÁ	E	MATE																												Vermelho,	branco	e	marrom.
QUEIJOS																																										Azul	claro,	vermelho	e	branco,	amarelo
claro.
SORVETES																																										Laranja,	azul	claro,	amarelo	ouro.
ÓLEOS	E	AZEITES																												Verde,	vermelho	e	toques	de	azul.
IOGURTE																																										Branco	e	azul.
CERVEJA																																										Amarelo-ouro,	vermelho	e	branco.
	
														De	acordo	com	a	relação	acima	podemos	notar	que	a	cor	vermelha	é	a
de	 maior	 incidência	 nas	 embalagens,	 pois	 se	 faz	 presente	 na	 maioria	 dos
produtos	 mencionados.	 Isto	 vem	 comprovar	 o	 que	 já	 foi	 dito	 a	 respeito	 do
vermelho	ser	a	cor	de	maior	poder	estimulante	do	apetite.
														Outro	ponto	a	ser	mencionado	quando	falamos	de	relação	entre	cor	e
produto	 se	 refere	 ao	 tipo	de	 iluminação	utilizada	 em	 locais	onde	 são	vendidos
produtos	 alimentícios,	pois	 estes	podem	 ter	 sua	 coloração	natural	 alterada	 se	 a
iluminação	 não	 for	 adequada.	 Segundo	 Farina,	 uma	 lâmpada	 néon	 emite
pouquíssimos	 raios	 verdes	 e	 azuis	 e	muitos	 vermelhos.	Devido	 a	 isto,	 objetos
que	seriam	verdes	ou	azuis	sob	a	 luz	natural,	por	absorverem	raios	vermelhos,
parecerão	pretos	sob	a	luz	néon.
														Simão	Goldmann	cita	o	uso	de	luz	vermelha	em	casas	de	carnes	para
dar	uma	aparência	melhor	ao	produto	ali	vendido,	tornando-o,	desta	forma,	mais
apetitoso.	Diz	 também	que	 esta	medida	 tem	 sido	 grandemente	 combatida	 pela
Secretaria	da	Saúde	por	alterar	a	condição	natural	do	produto.
														Outra	relação	interessante	entre	o	produto	e	a	cor,	que	deve	ser	aqui
mencionada,	 diz	 respeito	 à	 sofisticação	 e	 a	 padronização	 de	 muitos	 produtos
agrícolas	e	 industriais,	a	qual	é	 feita	através	da	cor.	Pois,	por	existir	em	certos
produtos	como	frutas,	vegetais,	algodão,	cereais,	etc.,	uma	relação	entre	a	cor	e
seus	conteúdos	de	proteínas,	 amido,	açúcar	e	propriedades	dietéticas,	 é	através
da	 cor	 que	 os	 técnicos	 verificam	 e	 determinam	 o	 grau	 de	 conservação	 destes
produtos	podendo,	conseqüentemente,	classificá-los.
	
2.0	–	CONOTAÇÕES	DA	COR	COM	PRODUTOS	FARMACÊUTICOS
													
														Só	o	fato	de	um	indivíduo	encontrar-se	enfermo	e	portanto	excluído	da
situação	 de	 normalidade	 que	 o	 cerca,	 já	 o	 torna	mais	 sensível	 a	 determinadas
situações.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 A	 cor	 neste	 momento	 pode	 exercer	 grande	 influência	 sobre	 seu
organismo	que	se	encontra	em	estado	debilitado.	Tanto	nas	drogas	que	 lhe	são
medicadas,	como	também	no	ambiente	de	recuperação.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Um	 tranqüilizante,	 por	 exemplo,	 não	 pode	 de	 forma	 alguma	 ser
apresentado	 em	 cores	 quentes	 como	 o	 vermelho	 ou	 o	 rosa-choque,	 pois	 isto
provavelmente	 causaria	 efeitos	 contrários	 aos	 pretendidos,	 devido	 à	 fácil
sugestionabilidade	 a	 que	 está,	 geralmente,	 submetido	 este	 tipo	 de	 consumidor.
Calmantes	exigem,	por	seu	próprio	nome,	uma	cor	repousante	capaz	de	induzir	o
indivíduo	a	um	estado	de	relax	antes	mesmo	de	ingerir	o	remédio.	As	cores	neste
caso	podem	exercer	grande	 influência	como	elementos	de	sugestionabilidade	e
condicionamento	do	indivíduo.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Além	dos	efeitos	causados	pelas	cores	aplicadas	adequadamente	em
medicamentos	reais,	temos	também	a	grande	eficácia	dos	placebos,	os	quais	vêm
sendo	utilizados	há	muitos	anos	sem	que	ninguém	saiba	realmente	desde	quando.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Muitas	doenças	só	existem	na	imaginação	das	pessoas	e	podem	ser
curadas	com	pequenas	doses	de	água	colorida.	São	os	agradáveis	enganos	que
determinadas	pessoas	precisam.
														“Para	provar	que	os	placebos	podiam	ser	eficazes	dois	cardiologistas	de
Londres,	Willian	Evans	e	C.	Heyele,	idealizaram	um	teste	simples	que	permitia
descobrir	 até	 que	 ponto	 as	 propriedades	 analgésicas	 da	morfina	 atuavam	 para
aliviar	os	pacientes	que	sofriam	de	angina,	ou	se	o	alívio	decorria,	ao	menos	em
parte,	da	expectativada	melhora	que	o	paciente	manifestava	ao	receber	a	droga.
Esta	 foi	 aplicada	 na	metade	 dos	 pacientes	 submetidos	 à	 experiência,	 enquanto
que	 a	 outra	 metade	 recebia	 bicarbonato	 de	 sódio.	 Entre	 os	 que	 receberam
bicarbonato	de	sódio,	acreditando	que	fosse	morfina,	mais	de	um	terço	teve	suas
dores	aliviadas	de	forma	satisfatória.”
														“Emille	Coué,	químico	francês	que	viveu	no	início	do	século	passado,
recebeu	a	solicitação	de	um	cliente	que	desejava	um	medicamento	cuja	 receita
não	 podia	 ser	 legalmente	 aviada	 sem	 permissão	 médica.	 Experimentalmente,
Coué	ofereceu-lhe	uma	poção	de	sua	autoria,	de	igual	cor,	sabor	e	cheiro	e	esta
deu	bom	resultado.	Por	ter	tido	êxito	ao	substituir	por	água	colorida	um	remédio
que,	 legalmente,	 ele	não	podia	 receitar,	 a	partir	 dessa	 experiência	desenvolveu
sua	teoria	de	que	a	imagem	mental	pode,	dentro	de	certas	limitações,	substituir	a
virtude	de	uma	droga	e	de	que	a	imaginação	possui	poder	capaz	de	dirigir	certas
atividades	vitais	devolvendo-nos	à	normalidade.”
														Em	pesquisa	com	placebos,	orientada	por	Hanns	Peter	Struck	e	pelo	Dr.
Walmor	Berger,	foram	ministrados	a	258	pessoas	de	ambos	os	sexos,	placebos
de	cor	azul	claro	que	eram	tidos	como	tranqüilizantes	e	placebos	de	cor	rosa	que
eram	tidos	como	estimulantes.
														Os	primeiros	conseguiram	diminuir	o	pulso	e	a	pressão	arterial	em	80%
dos	testados.	E	os	segundos	elevaram	a	pulsação	e	a	pressão	arterial	em	70%	dos
indivíduos	testados.	Além	disto,	as	cores	frias	não	mais	eram	interpretadas	como
sendo	tão	frias,	como	o	eram	em	estado	normal,	e	as	cores	quentes	não	mais	tão
quentes.
														Além	da	utilização	da	cor	nas	drogas	a	sua	aplicação	em	ambientes	tem
sido	também	largamente	usada	como	forma	de	tratamento.
														Segundo	Simão	Goldmann,	em	avançados	sanatórios	europeus	a	cor	faz
parte	 integrante	 do	 tratamento	 das	 desordens	 nervosas	 e	 mentais,	 juntamente
com	os	remédios	e	demais	métodos	modernos	ali	utilizados.	Diz	também	que	as
radiações	vermelhas	e	amarelas	podem	causar	resultados	ótimos	em	tratamentos
de	enfermidades	da	pele	e	anemias.	Já	as	azuis	e	verdes	servem	para	diminuir	a
excitação	 dos	 psicopatas.	 Radiações	 de	 tonalidades	 alaranjadas	 são	 utilizadas
para	resolver	os	problemas	digestivos.
														Modesto	Farina	cita	Fernand	Lérger	que	diz:	“O	hospital	policromo,	a
cura	 pelas	 cores,	 salas	 repousantes,	 verdes	 e	 azuis	 para	 os	 nervosos,	 outras
vermelhas	e	amarelas	para	os	deprimidos	e	anêmicos...	e	a	influência	da	luz-cor
agindo	sobre	eles.”
				 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Apesar	de	muitas	controvérsias	existentes	a	respeito	do	maravilhoso
mundo	 das	 cores	 e	 de	 seus	 efeitos	 causados	 sobre	 o	 indivíduo,	 sabemos	 que
atualmente	estes	efeitos	têm	sido	usados	de	inúmeras	formas	nos	diversos	ramos
da	medicina	moderna.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Na	 ludoterapia,	 por	 exemplo,	que	é	o	 tratamento	 feito	 através	dos
brinquedos,	o	qual	tem	sido	bastante	aplicado,	a	cor	exerce	relevante	papel.	Pois
serve	de	elemento	altamente	eficiente	no	auxílio	que	o	terapeuta	tem	que	dar	à
criança	no	processo	de	desenvolvimento,	de	auto-afirmação	e	de	auto-aceitação,
para	que	possa,	posteriormente,	enfrentar	de	 forma	equilibrada	o	mundo	que	o
rodeia.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Em	 conclusão	 a	 este	 assunto	 transcreveremos	 aqui	 um	 esquema
simplificado	dos	efeitos	fisiológicos	mais	evidentes	que	as	cores	podem	causar
sobre	os	indivíduos:
	
VERMELHO:	Penetrante	e	calorífico;	aumenta	a	tensão	muscular	e,	portanto,	a
pressão	sanguínea	e	o	ritmo	respiratório.	É	estimulante	mental.
LARANJA:	 Favorece	 a	 digestão;	 acelera	 o	 pulso,	 mas	 não	 apresenta	 efeito
algum	sobre	a	pressão	sanguínea.	Estimulante	emotivo.
AMARELO:	Estimulante	da	vista	e,	por	conseqüência,	dos	nervos.	Estimulante
mental.	Pode	acalmar	certos	estados	nervosos.
VERDE:	Baixa	a	pressão	sanguínea	e	dilata	os	capilares.	Tem	sido	utilizado	no
tratamento	de	enfermidades	mentais	(histeria,	 fadiga	nervosa)	e	 também	para	a
insônia.	Equilibrante,	alivia	as	nevralgias	e	enxaquecas,	mas	pode	não	convir	a
certos	indivíduos	nervosos.
AZUL:	 Baixa	 a	 tensão	 muscular	 e	 a	 pressão	 sanguínea,	 acalma	 o	 pulso	 e
diminui	 o	 ritmo	 respiratório.	 Emotivo,	 inspira	 paz	 e	 introspecção	 e	 é	 mais
sedativo	que	o	verde	para	os	nervosos.
VIOLETA:	 Atua	 sobre	 o	 coração	 e	 os	 pulmões	 aumentado-lhes	 a	 resistência
orgânica.
	
3.0	–	INFLUÊNCIA	VISUAL	DA	COR	SOBRE	A	DIMENSÃO	E	FORMA
DAS	EMBALAGENS
													
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	O	atual	homem	de	marketing	não	pode	esquecer	que	o	consumidor
contemporâneo	não	mais	compra	o	produto,	pelo	próprio	produto,	como	o	fazia
antigamente.	 Na	 maioria	 das	 vezes	 ele	 compra	 filosofias,	 idéias,	 maneiras	 de
satisfazer	suas	necessidades	e	até,	por	que	não	dizer,	fórmulas	mágicas	capazes
de	 tornar	 reais	certos	anseios	que	na	verdade	são	 irrealizáveis	para	ele.	São	os
resultados	da	avalanche	publicitária	que	incide,	diariamente,	sobre	ele.
														Dentro	de	toda	essa	variada	gama	de	idéias,	fórmulas,	convites,	surge	a
embalagem,	 como	 um	 último	 estímulo	 para	 que	 o	 produto	 seja	 efetivamente
adquirido.	 Além	 de	 identificar	 o	 artigo,	 a	 marca,	 o	 fabricante,	 a	 embalagem
precisa	 também	 salientar	 as	 vantagens	 do	 seu	 produto	 em	 relação	 aos	 demais
existentes	 ao	 seu	 redor	 nas	 imensas	 prateleiras	 dos	 supermercados	 e	 inúmeras
vitrines	dos	shoppings.	Ela	precisa,	por	si	mesma,	destacar-se	da	maioria.	E	a	cor
é	o	seu	grande	ponto	de	apoio	nas	vitrines	neste	momento.
														Mas	ao	escolher	as	cores	que	serão	utilizadas	numa	embalagem,	além
da	conotação	com	o	produto	nela	contido,	o	ideal	seria	estudar	também	os	efeitos
de	cada	cor	sobre	sua	dimensão	e	forma.
														Sabemos	que	as	cores	claras,	ou	seja,	todos	os	tons	pastéis	conferem	aos
objetos	 um	 aparente	 aumento	 de	 seus	 volumes,	 enquanto	 que	 as	 escuras	 os
diminuem.	Sabemos	também	que	as	cores	claras	são	aquelas	que	refletem	mais
luz,	o	que	lhes	permite	dar	aos	objetos	esta	aparência	de	serem	maiores	do	que
na	realidade	o	são,	devido	a	uma	espécie	de	relação	física	que	parece	haver	entre
claridade	e	 tamanho.	As	passo	que	com	as	cores	escuras,	por	absorverem	mais
luz	e,	conseqüentemente,	emitirem	menos	claridade	acontece	o	inverso.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Uma	 embalagem	 com	 predominância	 de	 amarelo,	 por	 exemplo,
parecerá	 aos	olhos	do	 consumidor	bem	maior	do	que	uma	outra	predominante
em	tons	de	azul	claro	ou	violeta.
														Segundo	Farina	“o	vermelho,	como	é	refratado	levemente	pelas	lentes
do	olho,	vai	se	focar	atrás	da	retina.	Isto	obriga	o	cristalino	a	uma	curvatura	e	ao
se	 tornar	mais	 convexo	 consegue	 focalizar	melhor	 a	 cor.	 Esse	movimento,	 ao
empurrar	 a	 cor	 para	 a	 frente	 provoca	 uma	 visualização	mais	 clara	 e	maior	 do
objeto	ou	área	pintada	de	vermelho.	Com	o	azul,	porém,	acontece	exatamente	o
contrário,	e	obviamente	a	imagem	é	vista	menor.”
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Disto	podemos	concluir	então	que	a	cor	azul	é	indicada	para	fundo,
usando-se	 o	 vermelho	 nas	 partes	 em	 que	 se	 deseja	 maior	 destaque	 na
embalagem.	 Os	 textos,	 por	 exemplo,	 terão	 maior	 capacidade	 de	 estimular	 e
chamar	 a	 atenção	 do	 consumidor,	 quando	 pintados	 em	 vermelho	 sobre	 fundo
azul	do	que	quando	executados	ao	contrário.
														Outro	aspecto	interessante	na	planificação	de	uma	embalagem	é	a	forma
em	que	ela	será	apresentada.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	Temos	conhecimento	de	que	o	olho	humano	 tende	a	simplificar	as
formas	quando	fixadas	por	um	espaço	de	tempo	muito	exíguo.	Uma	prova	disto
são	as	pós-imagens,	que	mostram	contornos	mais	lisos	quando	o	objeto	visto	se
mostrava	muito	rico	em	detalhes	de	linhas.
														Além	disto,	ao	planejar	uma	embalagem	deve	ser	levada	em	conta	a
ligação	 entre	 a	 cor	 e	 a	 forma,	 pois	 a	 primeira	 poderá	 vir	 em	 reforço	 da
mensagem	que	a	segunda	contém.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Entre	 os	 muitos	 estudosa	 respeito	 deste	 assunto	 o	 esquema	 de
associações	entre	cor	e	forma	de	Faber	Birren	tem	sido	muito	difundido.	Ele	diz
o	seguinte:
														“O	vermelho	sugere	a	forma	de	um	quadrado	ou	de	um	cubo.	Esta	cor	é
quente,	seca	e	opaca	na	sua	expressão.	Sendo	sólida	e	substancial,	oferece	uma
atração	vigorosa.	Em	razão	de	uma	distinta	apreensão	pelo	olho,	esta	cor	presta-
se	a	superfícies	estruturais	e	ângulos	definidos,	agudos,	incisivos.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 “O	 laranja	 sugere	 a	 forma	do	 retângulo.	Ele	 é	menos	material	 em
qualidade	 do	 que	 o	 vermelho,	 mais	 impregnado	 de	 uma	 sensação	 de
incandescência.	É	quente,	seco.	Visualmente,	ele	produz	uma	 imagem	vibrante
e,	em	conseqüência,	presta-se	para	expressar	movimento	e	bem	definir	detalhes	a
elementos	que	solicitem	uma	situação	de	evidência.
														“O	amarelo	sugere	a	forma	do	triângulo	ou	da	pirâmide	com	seu	vértice
para	 baixo.	 É	 a	 cor	 da	 extrema	 visibilidade	 no	 espectro	 e,	 portanto,	 incisiva,
angular	 e	 tensa	 em	 qualidade.	Aproxima-se	mais	 a	 uma	 sensação	 lumínica	 do
que	a	uma	substancial,	mais	condizente	à	natureza	 insólita	das	coisas	do	que	à
realista.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 “O	 verde	 reflete	 a	 forma	 do	 hexágono	 ou	 do	 icosaedro.	 É	 frio,
refrescante,	suave.	Não	é	focalizado	distintatemente	e	por	isto	presta-se	demais
às	angulosidades.	Por	sua	presença	dominante	na	natureza	o	verde	é	uma	cor	de
qualidade	e	pode	impressionar	o	olho	sem	perturbá-lo.
														“O	azul	implica	na	forma	do	círculo	ou	da	esfera.	É	frio,	transparente,
úmido,	 atmosférico.	 Sua	 natureza	 evidencia	 nobreza,	 introversão	 e	 cria	 uma
impressão	 de	 turbidez.	 Como	 cor	 dominante,	 não	 se	 presta	 para	 detalhar	 ou
evidenciar.
														“O	púrpura	sugere	a	forma	oval;	é	um	tanto	mais	requintado	que	o	azul
e	a	retina	também	encontra	dificuldade	em	focalizá-lo.	É	suave,	frívolo	e	jamais
angular.
														Portanto,	como	vemos,	para	que	um	produto	alcance	o	esperado	sucesso
no	mercado,	o	mesmo	deve	ser	levado	a	ele	em	embalagens	bem	planejadas,	pois
este	 é	 um	 fator	 que,	 juntamente	 com	 as	 demais	 qualidades	 características	 do
produto,	o	tornam	conhecido	e	desejado	pelo	público	consumidor.
	
4.0	–	A	COR	DA	EMBALAGEM	EM	FUNÇÃO	DOS	PONTOS	DE	VENDA
													
														Os	principais	pontos	de	venda	de	produtos	em	geral,	atualmente	são	os
supermercados,	 os	 shoppings,	 ou	 estabelecimentos	 similares,	 que	 são
considerados	 por	 Neusa	 Froes	 como	 “a	 expressão	 máxima	 do	 consumo	 e	 do
capitalismo.	Estão	dentro	do	ritmo	de	vida	dominante	por	serem	lugares	onde	as
pessoas	encontram	tudo.”
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 É,	 portanto,	 nestes	 lugares	 que	 a	 embalagem	 deve	 se	 encaixar
adequadamente,	 causando	 através	 de	 sua	 aparência	 um	 forte	 impacto	 no
consumidor,	que	o	levará	a	diferenciar	e	adquirir	determinado	produto.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	É	imprescindível	considerar	que	a	embalagem	disposta	no	ponto	de
venda	 passa	 a	 fazer	 parte	 de	 um	 todo	 maior,	 e	 que	 portanto,	 seu	 poder	 de
sugestiona-bilidade	 deve	 ser	 bastante	 forte,	 para	 que,	 unido	 à	 sua	 colocação
dentro	do	todo	–	produtos	localizados	em	prateleiras	superiores	do	supermercado
vendem	melhor	–	possa	despertar	no	consumidor	o	desejo	de	possuir	o	produto.
														Quando	nos	referimos	a	destaque	de	um	produto	em	relação	aos	demais
num	 determinado	 ponto	 de	 venda,	 devemos	 lembrar	 que	 existem	 fatores
grandemente	 decisivos	 neste	 sentido.	Modesto	 Farina	 cita	 três	 como	 sendo	 os
principais:
–																				Ângulo	de	Visão
–																				Clareza	de	Apresentação
–																				Capacidade	Rápida	de	Visualização
	
														Em	termos	de	vendas,	um	produto	possui	bastante	visibilidade,	quando
ele	é	facilmente	distinguido	entre	os	demais.	E	um	dos	elementos	capaz	de	dar-
lhe	 essa	 característica	 de	 visibilidade	 é	 a	 cor,	 bastando,	 para	 isso,	 que	 sejam
escolhidas	 para	 sua	 embalagem	 cores	 suficientemente	 visíveis	 como	 amarelo,
laranja,	vermelho,	etc.,	dependendo	do	caso	como	já	foi	visto	anteriormente.
														É	importante	este	destaque	dado	ao	produto,	pois	inúmeras	vezes,	e	isto
é	 experiência	 diária	 da	 grande	 maioria	 das	 pessoas	 ao	 percorrer	 os	 imensos
corredores	 dos	 grandes	 estabelecimentos	 comerciais	 em	 busca	 do	 produto	 que
foi	comprar,	o	olhar	do	consumidor	é	desviado	por	algo	que	 lhe	chama	mais	a
atenção.	Muitas	vezes	acontece	de	nos	dirigirmos	para	um	ponto	de	venda	com	o
objetivo	 definido	 de	 comprar	 um	 determinado	 produto	 e,	 quando	 nos	 damos
conta,	 estamos	 chegando	 em	casa	 com	uma	 enorme	variedade	de	 produtos,	 os
quais	 não	 pretendíamos	 adquirir	 naquele	 dia.	 Isto	 acontece,	 especialmente,
devido	a	impulsos	psicológicos	que	são	ligados	ao	produto	através	da	cor	e	que
desviam	a	atenção	do	consumidor	naquele	momento	da	 lembrança	de	qualquer
outro	detalhe.
														“As	cores	fortes	podem	tornar	a	embalagem	muito	mais	visível	do	que
as	cores	suaves.	As	letras	impressas	na	embalagem	serão	mais	visíveis	se	forem
de	 cor	 forte	 sob	 fundo	 neutro.	 Por	 exemplo,	 letras	 verdes	 sobre	 um	 fundo
cinzento	são	mais	visíveis	do	que	se	essas	cores	estivessem	invertidas.	Uma	cor
suave	 é	 sempre	 dominada	 por	 uma	 forte,	 como	 é	 o	 caso	 do	 vermelho.
Obviamente,	os	detalhes	que	precisarem	de	destaque	na	embalagem	do	produto
devem	usar	a	cor	forte.	O	branco	não	se	fixa	na	memória,	mas	funciona	em	nível
de	contraste	com	muito	êxito.”
														Outro	ponto	a	ser	destacado	e	que	pode	interferir	na	boa	disposição	das
embalagens	nos	pontos	de	venda	é	o	fenômeno	da	pós-imagem	negativa.
			 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	De	acordo	com	o	Capítulo	IV,	ao	fixarmos	por	alguns	segundos	um
objeto	de	qualquer	cor	 intensa	e	brilhante	e	posteriormente	desviarmos	o	olhar
para	outra	 superfície,	 veremos	a	 imagem	do	objeto	 antes	percebido,	 só	que	da
cor	complementar	à	sua.
Isto	pode	causar	efeitos	indesejáveis	nas	cores	das	embalagens,	dependendo	da
sua	colocação	nos	pontos	de	venda.	Por	exemplo,	se	fixarmos	uma	embalagem
predominantemente	 vermelha	 e	 depois	 uma	 amarela,	 a	 pós-imagem	 negativa
verde	da	embalagem	vermelha,	certamente	irá	interferir	na	tonalidade	amarela,	a
qual	parecerá	aos	nossos	olhos	como	sendo	de	um	amarelo-esverdeado	e	assim
por	diante.
	
CONCLUSÃO
	
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 Vivemos	 em	 um	 mundo	 que	 tem	 muita	 pressa.	 Um	 mundo
extremamente	 agitado,	 onde	muitos	 já	 esqueceram	 sua	 real	 condição	 de	 seres
humanos,	 com	capacidade	para	amar,	para	pensar,	para	 sentir.	Um	mundo	que
feito	 uma	 engrenagem	 maluca,	 vai	 girando	 agitada	 e	 esmagando	 os	 que
tropeçam,	sem	piedade	alguma.
														O	que	o	homem	precisa	é	despertar	para	o	fato	de	que	ele	não	é	apenas
uma	peça	a	mais	nesta	engrenagem.	Ele	é,	 isto	 sim,	a	peça	mais	 importante,	 a
peça	indispensável,	a	mola-mestra	desta	grande	máquina.
	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 É	 necessário	 que	 ele	 se	 conscientize	 disto;	 que	 ele	 pare	 por	 um
momento	 apenas	 e	 pense	 nesta	 realidade;	 que	 uma	 forte	 luz	 ilumine,	 que	 se
imponha	à	sua	frente,	fazendo-o	perder	alguns	minutos	na	sua	corrida	em	busca
de	dólares,	para	que	ele	perceba	que	não	é	tão	poderoso	quanto	pensa.	Que	não	é
tão	forte	e	tão	dono	da	situação	a	ponto	de	poder	viver	sem	se	preocupar	com	o
mundo	 que	 o	 rodeia.	 A	 ponto	 de	 poder	 passar	 pela	 vida	 sem	 conceder	 a	 si
próprio	o	privilégio	da	beleza	e	da	ternura	que	as	coisas	simples	da	vida	podem
oferecer.
														A	vida	da	criatura	humana	é	uma	tênue	e	frágil	chama	de	vela	que	um
simples	 vento	 poderá	 apagar	 num	 momento	 qualquer.	 E	 muitas	 vezes	 não
pensamos	nisto.	Nos	preocupamos	em	entender	o	átomo,	quando	na	verdade	não
entendemos	ainda	o	amor.
														Está	mais	do	que	na	hora	de	começarmos	a	nos	entender	a	nós	mesmos.
De	 começarmos	 a	 valorizar	 a	 simplicidade	da	vida	 como	ela	 realmente	 se	 nos
apresenta.
														Não	pretendemos,com	isto,	dar	conselho	de	boa	forma	de	viver	para
ninguém.	O	fato	é	que	este	trabalho	de	pesquisa	sobre	as	cores	e	suas	influências
despertou-nos	para	uma	realidade	maior.
														A	quantos	anos	a	cor	existe?
														A	milhares	e	milhares	de	anos	certamente.	Pois	sendo	a	cor	o	resultado
direto	 da	 incidência	 da	 luz	 sobre	 os	 corpos	 que	 visualmente	 percebemos,	 ela
existe	desde	que	o	mundo	foi	criado.
														E	apesar	de	haver	inúmeras	comprovações	quanto	à	eficácia	de	seus
efeitos,	 tanto	sobre	o	homem	como	também	sobre	 toda	a	 forma	de	organismos
vivos	 existentes	 sobre	 a	 terra,	 levando-se	 em	 consideração	 a	 “idade	 da	 cor”,
chegamos	à	conclusão	de	que,	praticamente,	nada	foi	feito	para	que	realmente	a
compreendamos	 e	 possamos	 em	 conseqüência,	 utilizá-la	 para	 o	 bem	 da
humanidade.
														E	pensar	que	a	cor	é	tão	antiga	e	tão	poderosa,	existe	naturalmente	no
universo	e	pode	ser	usada	por	todos	para	tornar	a	vida	mais	feliz.	Basta	querer
utilizá-la	com	inteligência	e	bom	senso.
														Para	encerrar,	vale	registrar	aqui	uma	citação	de	Modesto	Farina	em	seu
livro	 Psicodinâmica	 das	 Cores	 em	 Publicidade,	 que	 diz:	 “O	 consumidor	 está
praticamente	envolvido	numa	corrida	sem	fim.	Ele	se	antecipa	ao	futuro,	pois	é	a
própria	 máquina	 (o	 grande	 complexo	 industrial	 moderno)	 que	 lhe	 oferece	 o
tapete	mágico	para	o	seu	avanço.	O	consumidor,	talvez	em	futuro	próximo,	não
sentirá	mais	 o	 produto	 necessitado,	 pois	 ele	 e	 o	 produto	 constituirão	 um	 todo
fugaz	e	temporário”.
														Tomara	que	antes	deste	tempo	chegar,	se	é	que	já	não	está	batendo	à
nossa	 porta,	 possamos	 acordar	 e	 trabalhar	 por	 um	 mundo	 mais	 humano.
Possamos	 de	 alguma	 forma	 contribuir,	mesmo	que	 com	uma	 pequena	 parcela,
para	 diminuir	 as	 diferenças	 e	 paradoxos	 entre	 cifras	 e	 angústias;	 entre	 fome	 e
restos	 de	 banquetes	 jogados	 no	 lixo;	 entre	 crianças	 que	 dormem	 ao	 relento	 e
homens	 que	 gastam	 milhões	 em	 extravagâncias	 fugazes	 e	 temporárias.	 Que
possamos	contribuir	para	melhorar	um	pouquinho	este	mundo	de	paradoxos	e	de
por	quês	sem	resposta.
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14	 –	 NOVO	 AMBIENTE,	 Arquitetura	 e	 Decoração.	 CURSO	 ESPECIAL	 DE
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15	–	PATER,	Walter.	LEONARDO	DA	VINCI.	Círculo	do	Livro	SA.,	São	Paulo,	Brasil.
	
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