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CORES Seus Significados e Influências em nossas Vidas Maria Helena Santos Publicitária Escritora Instrutora de Yoga Porto Alegre / Rio Grande do Sul / Brasil AGRADECIMENTOS Aos meus pais, irmão e irmãs pelo carinho e apoio. Ao meu saudoso professor, Hanns Peter Struck, por sua valiosa colaboração nas pesquisas sobre o tema. À escritora, coach, amiga e irmã Bhia Beatriz, pelo incentivo e assessoria para a publicação desta obra. Ao meu estimado professor Nicolau Chiavaro, sem cujo apoio eu não teria concluído o curso superior de publicidade e propaganda. Ao meu amado filho Sandro Santos, razão maior da minha existência. A todos os amigos, e à vida, por me permitir estar aqui até agora, apesar dos percalços. .:. DEDICATÓRIA Este livro foi escrito para você, um ser humano, que vive num planeta incrível, com lindos jardins cobertos de flores multicoloridas, com verdes matas, com rios e oceanos que fluem do azul ao verde passando por todas as suas nuances, tudo coberto por um imenso céu azul, com nuvens brancas como algodão, onde brilha um gigantesco sol amarelo dourado. Como você vê, um mundo repleto de cores por todos os lados. O seu mundo, o nosso mundo. A autora SUMÁRIO INTRODUÇÃO I – A ORDEM DAS CORES 1.0 – Cor Primária 2.0 – Cor Secundária II – AS CORES COMO OBJETO DE ESTUDO DA FISICA, DA FISIOLOGIA E DA PSICOLOGIA 1.0 – Fenômeno Físico da Cor 2.0 – Fenômeno Fisiológico da Cor 2.1 – Visão da Cor 2.2 – Daltonismo 3.0 – Fenômeno Psicológico da Cor 3.1 – Influências da Escolha de Cores 3.2 – Efeitos Físicos da Cor 3.3 – Linguagem das Cores III – AS PROPRIEDADES DAS CORES 1.0 – Quente e Frio 2.0 – Leve e Pesado 3.0 – Ativo e Passivo 4.0 – Claro e Escuro IV – A PÓS-IMAGEM V – COR & MARKETING VI – A COR NO AMBIENTE 1.0 – A Ação da Cor sobre o Homem no Ambiente Colorido 2.0 – A Cor nas Indústrias 3.0 – A Cor nos Estabelecimentos Comerciais VII – A COR NA EMBALAGEM 1.0 – Conotações da Cor com Produtos Alimentícios 2.0 – Conotações da Cor com Produtos Farmacêuticos 3.0 – Influência Visual da Cor sobre a Dimensão e Forma das Embalagens 4.0 – A Cor da Embalagem em Função dos Pontos de Venda CONSLUSÃO BIBLIOGRAFIA INTRODUÇÃO No princípio criou Deus os Céus e a Terra. A Terra, porém, era sem forma e vazia. Havia trevas por sobre a face do abismo e o espírito de Deus pairava por sobre as águas. Disse Deus: - Haja luz! E houve luz! E viu Deus que a luz era boa. E fez separação entre a luz e as trevas. Chamou Deus à Luz Dia e às Trevas Noite. E houve tarde e manhã o primeiro dia. E desde o momento em que Deus disse: Haja luz e houve luz, houve também cor. A cor que está em todos os momentos e em todas as situações da vida do homem. A cor está em todas as coisas que nos cercam e que constituem a nossa existência. Está no sorriso da criança. No desabrochar das flores. Na música que escutamos. Na embalagem que compramos. Na roupa que vestimos. No alimento que comemos. No trabalho que realizamos. E, até mesmo, no sonho que sonhamos. Não é possível, sequer, imaginar o mundo sem cor. É uma coisa, praticamente, inconcebível. Ela se faz presente em todos os nossos atos, em todos os nossos pensamentos, em todo o nosso “EU”. O seu império domina a nossa vida. Muitos estudiosos têm se preocupado com as cores desde as mais remotas datas, porém, muitos destes estudos se perderam no tempo e no espaço. Sabemos, apenas, que alguém se preocupa com os efeitos causados pelas cores, através de fragmentos encontrados no decorrer da História da humanidade. Encontramos, por exemplo, nas páginas da História Antiga, referências a Galeno e Pitágoras, os quais teriam praticado a terapia através das cores. Também Aristóteles e Platão teriam realizado estudos sobre a luz e a cor, cujos resultados foram sufocados pelos terrores da Idade Média. Pois, além de poucos se aventurarem a estudar os mistérios da cor, mesmo estes eram barrados inúmeras vezes e os resultados de seus estudos jamais eram difundidos, devido a crenças generalizadas de que experiências realizadas com cores eram atos de feitiçaria, os quais não deviam ser praticados. Mas, apesar das dificuldades encontradas em relação ao estudo da cor, ela faz parte da vida da humanidade em todos os seus momentos. As cores são usadas na representação das nações, na sociedade, nas ciências, nas artes, na arquitetura, na decoração, na indústria, na publicidade, no comércio, etc... O governo, a Nação é representada por uma ou mais cores, reconhecidas universalmente através da bandeira de cada país. É o uso das cores na representação das nações. E cada cor presente na bandeira de cada país não está ali meramente por acaso. Cada uma delas tem uma razão de ser e de estar; pois cada uma representa alguma coisa. Alguma coisa muito importante para cada cidadão nascido sob aquela bandeira. Muitas nações na Idade Média usavam os estandartes das casas imperiais que as regiam e no estandarte a casa imperial, intuitivamente representava o seu comportamento em relação à atitude tomada com as populações que dominava. A título de exemplo, do acima exposto basta lembrar o estandarte de Borbon (França), que foi de cor azul-clara com a Flor-de-lis branca. Ambas as cores denotam “afastamento e isolamento”, comportamento constatado historicamente dos Louizes reis da França que se isolaram da massa populacional. Obviamente veio a reação!... A Revolução Francesa no fim do século XVII. E o estandarte vermelho, como símbolo das massas, foi erguido pela primeira vez em 14 de julho, data da Queda da Bastilha. E novamente através do estandarte vermelho, que denota “agressão e guerra”, intuitivamente os líderes revelaram o seu comportamento. No futebol, encontramos outro exemplo interessante do emprego das cores no estandarte, que não cremos ter sido propositalmente idealizado. Nos referimos ao Grêmio e ao Internacional, principais times gaúchos. No Grêmio – os alemães isolaram-se da massa através do Branco, Azul e Preto. O Internacional, clube do povo, representa a massa através do seu estandarte predominantemente vermelho. Segundo Aldous Huxley, em seu famoso livro “Admirável Mundo Novo”, um dia a sociedade será totalmente criada em laboratórios e será, desde a mais tenra idade, condicionada para ser feliz. Os membros dessa sociedade, Alfas, Betas, Gamas, Deltas e Epsilões, formarão as cinco classes sociais da época. E cada uma destas criaturas, será condicionada para realizar um determinado tipo de tarefa na sociedade, sentindo-se sempre alegres e felizes. Entre as muitas características que identificarão as camadas sociais, a mais distinta será a cor das roupas usadas por cada grupo de pessoas. Os alfas, criaturas bonitas, altas, inteligentes, destinadas a realizar tarefas intelectuais na direção da sociedade usarão vestimentas brancas. Os Betas, também inteligentes, porém um pouco menos do que os primeiros, dos quais serão uma espécie de assessores diretos, vestir-se-ão de cinza-claro. Os Gamas, criados com a finalidade de realizar tarefas mais mecanizadas, vestirão roupas de cor verde. Os Deltas, criaturas dotadas de uma inteligência mínima, usarão a cor Caqui em suas vestimentas. E, por fim, os Epsilões, criaturas propositalmente retardadas, de feições deformadas, destinadas a fazer os trabalhos pesados e rotineiros para a boa manutenção da sociedade, usarão sempre o preto em suas vestimentas. Nas ciências a cor tem sido muitousada também. Na medicina, por exemplo, investigações e experiências têm sido realizadas por cromoterapeutas, mostrando os diversos efeitos das cores sobre os organismos vivos. Estas investigações realizadas por cientistas cromoterapeutas confirmam diversos resultados, os quais se encontram resumidos no quadro abaixo: LUZ VERDE acaba com as larvas das moscas e dos besouros. LUZ VERMELHA estimula as funções orgânicas do homem. Favorece a marcha da catapora, sarampo e escarlatina. Torna as plantas mais vigorosas. LUZ AZULADA acaba com as plantas. LUZ ANILADA possui poder analgésico. EXCESSO DE AMARELO favorece indigestões, gastrites e úlceras gástricas. EXCESSO DE AZUL favorece a pneumonia, tuberculose pulmonar e pleurisia. VARIAÇÕES DA COR VERDE favorece as doenças mentais e nervosas. VARIAÇÕES DA COR VERMELHA favorece as doenças do coração e reflexos na pressão arterial. A COR AZUL ajuda contra as doenças de olhos, ouvidos, nariz e pulmões. A COR VERMELHA ajuda contra doenças do estômago, fígado e baço. A COR VERDE ajuda contra doenças do sistema nervoso e aparelho digestivo. A COR AMARELA e A COR CAFÉ produzem enjôo quando o interior do veículo, especialmente o avião, é pintado nessas cores. CORES ALEGRES estimulam o apetite, quando a sala de jantar é assim pintada. CORES SUAVES geralmente para dormitórios, porque estimulam o repouso. Desde os primórdios da história da civilização, as cores vem influenciando o homem e tomando parte integrante em sua vida e em seus atos. Na arte temos, por exemplo, o grande Leonardo Da Vinci, dando expansão, beleza e sentimento às suas obras por intermédio das cores. Dizia ele que nada deve ser imitado, somente a natureza merece ser copiada com toda a sua luz e as suas cores. Leonardo Da Vinci pintava rostos humanos com a grande beleza que havia em sua alma de artista. Dizia-se dele que era o pintor dos rostos sorridentes, que andava pelo mundo sonhando, inventando, construindo, pintando e filosofando rodeado por idéias, artes e cores. Muitos outros vultos célebres da nossa história podem ser citados aqui, como Dante Alighieri, Goethe, Shakespeare e Voltaire que, apesar de não trabalharem diretamente com tintas e pincéis, trabalharam com a cor através das idéias e expressões que legaram à humanidade. A cor nas mãos do artista é usada para expressar beleza, sentimento e vida. Já nas mãos do arquiteto, apesar de ser também usada para expressar beleza e harmonia é uma poderosa ferramenta, pois serve para aumentar ou diminuir volumes, para aproximar ou afastar estruturas imóveis de concreto, de acordo com as suas necessidades ou desejos, através de uma simples ilusão de ótica. O arquiteto, devido à sua formação, tem a tendência de preocupar-se muito mais com a forma do que com a cor, considerando a escolha desta como algo bastante simples de ser realizado. Porém, no final, não é a forma e sim a cor o que mais impressiona o observador. A cor, que se encontra na natureza, e que é vista pelos olhos do homem é sentida com o seu “eu” interior, com a sua mente. Segundo um dos princípios da “Teoria da Mente” de Sigmund Freud, “a repressão deve-se à qualidade desagradável do material reprimido e conserva certa ligação com este soterrada no inconsciente.” A “Teoria da Mente”, de Freud, vem assim explicar estranhas reações de determinadas pessoas diante desta ou daquela cor em particular. Há pessoas que detestam determinada cor ou cores sem, no entanto, conseguirem explicar o porquê desta atitude. Mas, a antipatia ou mesmo a simpatia de alguém diante de uma cor nunca é meramente antipatia ou simpatia. Nunca é gratuita. De uma forma ou de outra está ligada à alguma coisa que lhe aconteceu, da qual não se recorda. Alguma coisa que ficou arquivada para sempre no recôndito de sua mente e na qual estava presente a cor hoje odiada ou admirada. Em outros casos, porém, a escolha de determinada cor é feita pelo indivíduo, sem que este sinta simpatia ou antipatia pela cor que escolheu ou que deixou de escolher, respectivamente. Nem sempre é necessário que a cor escolhida tenha estado ligada a algo que aconteceu ao indivíduo no passado. Muitas vezes esta escolha é feita com bases apenas na empatia; ou seja, na existência de uma identificação do ser com a cor, através dos traços de personalidade do indivíduo e das características psicológicas da cor por ele preferida. É importante que o homem sinta-se bem no ambiente em que vive. Daí a grande importância de uma boa decoração feita com as cores adequadas ao conforto e ao bem estar do ser humano. Independente de preferências individuais de cada um, o decorador costuma usar as cores quentes em ambientes frios. Cores frias nos locais quentes. Cores que aproximam ou que distanciam, dependendo das necessidades impostas pelo espaço disponível, etc... como veremos no decorrer do presente trabalho. O processo de marketing envolve um produto desde a idéia de sua concepção até o seu consumo, satisfazendo plenamente as necessidades do consumidor. A sua fabricação nas indústrias, a sua divulgação através da publicidade e o seu consumo tornado efetivo por intermédio da venda realizada pelo comércio, envolvem a cor constantemente com suas influências positivas ou negativas sobre este produto. No interior das indústrias a cor assume importância capital. Apesar de sua importância não ser levada em conta por todos os industriais, sabe-se que nos países mais adiantados a cor é tratada com muita seriedade. É grande o seu uso e são inúmeras as suas aplicações nos grandes centros industriais. A cor é usada no interior de indústrias para criar ambientes adequados às diversas tarefas que os empregados, monotonamente, tem que realizar no dia a dia de suas vidas. A cor é muito usada, também, para evitar a fadiga visual, o cansaço físico e, conseqüentemente, muitos dos acidentes de trabalho. As máquinas, por exemplo, são pintadas com as cores mais adequadas. Nas partes móveis são empregadas cores dinâmicas, agressivas, para dar a impressão de que avançam, evitando assim que o indivíduo delas se aproxime. As partes estáticas, ao contrário, são pintadas de cores mais repousantes e neutras, com o objetivo de prevenir acidentes no ambiente geral das indústrias. Sabe-se também que tanto melhor será o rendimento de um grupo de pessoas, quanto melhor e mais adequado for o ambiente em que este grupo se encontra. Portanto, é de grande importância o emprego de cores nos tetos, paredes e pisos das mais diversas indústrias. Sabe-se também que quanto mais bem feita for a aplicação das cores no interior de uma fábrica, maior será o rendimento dos operários, maior será a produção e maiores serão os lucros. “Podemos afirmar que a criatividade dos homens de marketing é tão grande no seu setor quanto a dos artistas plásticos, dos escritores ou dos cineastas. Mas, além de conhecer as orientações e medir a sua potencialidade, eles necessitam um domínio técnico-teórico bem fundamentado que lhes possibilite uma margem de precisão e segurança cuja meta certa é o lucro”. Um dos pontos principais, que pode até mesmo ser considerado o grande objetivo do processo de marketing é vender o produto. Mas para atingir este objetivo não basta apenas anunciar, gastar somas incríveis em poderosos veículos de comunicação, se o anúncio veiculado não possuir uma mensagem adequadaque atinja o público consumidor. O consumidor precisa ser impressionado. A mensagem que se quer transmitir precisa ficar gravada no inconsciente do consumidor. E nada melhor para isto do que o uso das cores, de forma correta, no desempenho desta tarefa. Pois a cor adequada, no lugar certo e no momento exato vale muito mais do que mil palavras. Apesar de o anúncio publicitário apresentado em preto e branco possuir um grande poder de impacto, não podemos esquecer que o poder de uma peça publicitária colorida é muito maior por atuar diretamente sobre a parte sensorial do indivíduo. Uma boa combinação de cores num outdoor, por exemplo, pode facilitar a assimilação da mensagem. A mensagem escrita pode tornar-se mais sensível, facilitando ao transeunte a sua rápida leitura. São muitos os aspectos que devem ser levados em conta quando usamos a cor como um dos principais elementos para vender um determinado produto. A publicidade, em qualquer país ou estado, está diretamente ligada à moda atual. Por isso, o uso da cor em publicidade é algo bastante delicado que realmente funcionará se for feito com base em estudos e pesquisas neste sentido. Existem cores que vendem e cores que não vendem. Mas precisamos não esquecer que uma cor que vende um produto nos Estados Unidos pode não vender o mesmo produto no Brasil. Ou ainda, uma cor que vende numa determinada época pode perfeitamente não vender numa outra. É o fenômeno espaço-tempo o qual está intrinsecamente ligado à publicidade. E o bom publicitário não pode nunca esquecer estas importantes variáveis: Tempo, Espaço e Moda quando for determinar as linhas e cores de uma peça publicitária. Poderíamos dizer que os pontos de venda do produto, os locais no comércio onde o produto se encontra à disposição do consumidor, são as retas finais do processo de marketing. Pois é através do comércio que um produto vem atingir o objetivo para o qual foi criado, ou seja, a satisfação das necessidades do público consumidor. E neste momento é de suma importância a cor das embalagens e a disposição dos artigos nas prateleiras. Enfim, a apresentação do produto ao consumidor. E, segundo Modesto Farina, “as cores estão presentes em todos os processos de compra, pois elas são vibrações do cosmo que penetram em nosso cérebro para continuar vibrando e impressionando nossa psique, para dar um tom ao pensamento e às coisas que nos rodeiam. Enfim, para dar sabor à vida e ao ambiente em que vivemos”. CAPÍTULO I A ORDEM DAS CORES I – A ORDEM DAS CORES Há muitos séculos atrás as pessoas pensavam que os sons musicais jamais poderiam ser escritos e que certamente desapareceriam se não fossem retidos na memória. Mas, o aparentemente impossível foi conseguido. E por volta de 1700 já havia um completo e perfeito sistema de notas musicais, tornando possível a escrita de escalas. Sem este sistema a realização das grandes composições seria, praticamente, impossível. E mesmo se fossem criadas desapareceriam no tempo. Morreriam juntamente com seus autores. Assim eram também os vocabulários das cores em todos os idiomas de todos os países. Vagos, improvisados e quase inexistentes. Os povos mais primitivos não tinham nomes para designar as cores. Outros os tinham apenas para designar algumas poucas cores. Fazia-se necessário, portanto, a criação de um esquema gráfico das cores para facilitar a sua aplicação e uniformizar os estudos a respeito da mesma. Diz-nos a história, que o primeiro método de representação gráfica das cores foi criado por Newton e que o mesmo consiste no agrupamento circular das cores. Os estudos que temos hoje sobre cores, muito devem às experiências realizadas por Newton, bem como às pesquisas e estudos feitos por Goethe no fim do século XVIII e início do século XIX, relatados numa obra de 1.400 páginas manuscritas. Através de uma revisão crítica da obra de Newton, Goethe consegue, em 1810, evidenciar suas falhas, propondo ao mesmo tempo uma nova teoria das cores que, no entanto, fica um pouco à margem dos sistemas e teorias usuais. A teoria de Goethe aponta o choque entre luz e sombra como sendo a origem do fenômeno cromático. Portanto, de acordo com esta teoria, as cores podem ser definidas como sendo semiluzes e semissombras. Goethe baseia sua teoria num processo fisiológico no qual as imagens subjetivas são como sombra cromática, e as ilusões oriundas da interpretação das diferenças de cores, de claridade e de duas superfícies; e num processo físico em que defende a uniformidade da luz branca em oposição a Newton. Depois de Newton e Goethe, surgiram muitos outros estudiosos do assunto, sendo que todos usavam o círculo como base para seus estudos. Destacam-se dentre estes os seguintes: o de Moses Harris, em 1766; o de Sir David Brewster em 1831; o de Michel Cevreul em 1861; o de Albert H. Munsell em 1912; o de Wilhelm Ostwald em 1944 e outros. Todos estes estudos contribuiram grandemente para a organização das cores que temos atualmente. Os estudos de Munsell, por exemplo, deram origem ao “Sistema Munsell de cores”, o qual em 1942 já tinha então demonstrado sua validade e praticidade, de tal forma, que tinha então sido aceito inteiramente nos Estados Unidos, como a descrição padrão da sensação psicológica de cor. Em fevereiro deste mesmo ano foi inaugurada a Fundação Munsell de cor para auxiliar a pesquisa da cor na ciência, na psicologia, nas artes, na educação e na indústria. Ostwald, levado pela necessidade de uma grande exatidão na designação de uma cor, veio a criar um sistema de amostragem conhecido como “sólido das cores”. Neste sólido, formado por triângulos unidos pela base em torno de um eixo as cores são dispostas de forma que as suas complementares fiquem diametralmente a elas opostas. O vértice horizontal correspondente ao grau de saturação da cor. Ou seja, ao grau de maior pureza. A divisão da cor em oito estágios permite uma degradação progressiva da mesma até atingir o preto do vértice inferior e o branco do superior. O referido sistema tem a vantagem de permitir, com um único olhar, a percepção das várias gradações de uma cor, que em progressão sistemática chegam ao preto e ao branco. No círculo cromático de Chevreul, encontramos a seguinte representação gráfica de organização das cores: - Tomemos um círculo, dividimo-lo em doze partes iguais e coloquemos nele as três cores primárias ou fundamentais – vermelho, amarelo e azul, cuja mistura permite-nos a obtenção de todas as outras cores – a distâncias iguais em 1, 5 e 9. Se prolongarmos um raio partindo do vermelho, obteremos um raio a igual distância do azul e do amarelo. Onde este atingir o outro lado do círculo será, então, colocada a cor verde, que é, exatamente, a mistura de azul com amarelo. Baseado neste sistema de trabalho, Chevreul chegou ao seu catálogo de cores contendo 14.420 tons teoricamente classificados, desde as cores saturadas e suas mesclas até o branco e o preto. DISCO DE CORES, de Chevreul – partindo deste disco, Chevreul chegou ao seu catálogo de cores, o qual contém cerca de 14.500 tons teoricamente classificados. Chevreul chegou a este número de cores classificadas da seguinte forma: Dividindo cada um dos doze setores obtidos no círculo cromático em seis partes iguais pode então designar 72 cores francas. Estas cores francas, quando misturadas com quantidades crescentes de branco deram origem a cores cadavez menos saturadas, para as quais Chevreul indicou um modo de degradação em vinte etapas, desde o tom fraco até o branco absoluto. Deste processo, ou seja, 72 x 20, resultam 1.440 tons ou cores degradadas ou esbatidas. Mas, acrescentando às cores francas ou esbatidas, quantidades mais ou menos fortes de preto, obtém-se cores carregadas e se formarmos uma série de nove tonalidades carregadas por cada cor franca, que por sua vez são divisíveis em vinte tons esbatidos, chega-se a um total de 12.960 tons de cores carregadas, pois 72 x 9 x 20 = 12.960. Somando-se 1.440 tons de cores francas, mais 12.960 tons de cores carregadas com 20 tons de cinzentos normais teremos então a classificação das cores de Chevreul, em 14.420 tons. O círculo cromático de Chevreul é utilizado em todas as técnicas onde se faz necessário uma combinação exata das cores, como em indústrias de tapeçarias, gráficas, estampagem, etc. No entanto, segundo Maitland Graves, de todos os métodos criados para padronizar a classificação das cores-pigmento o mais bem sucedido foi o de Munsell, que inicialmente evoluiu para a confecção de seu “Atlas do sistema de cores Munsell”, o qual atingiu uma síntese ideal na chamada “Árvore de Munsell”, onde as cores puras – vermelho, amarelo, verde, azul e violeta – são graficamente demonstradas intercaladas com as cores intermediárias. Ou seja, laranja, verde-amarelado, azul-violeta e vermelho-violeta. É uma representação de seu sistema em coordenadas cilíndricas, com escalas de valores neutros como eixo vertical. Seções do círculo em torno do eixo representam o tom, e as distâncias do centro até os círculos extremos representam a saturação das cores. O Sistema Munsell é usado e recomendado atualmente por inúmeras entidades como: U.S.Departament of Agriculture, pelo International Printing Ink Corporation, pelo Lakesis Press, pela Walt Disney Productions e também por muitos artistas, decoradores, arquitetos e engenheiros industriais. As principais vantagens do sistema são apresentadas por Maitland Graves da seguinte forma: Apresenta uma nomenclatura clara, simples e específica para designar as cores. As cores podem ser, fácil e rapidamente determinadas através de uma simples comparação visual direta, pois o nome de cada cor é dado com base em seu grau de tonalidade, seu valor e seu matiz. O sistema possibilita ao usuário da cor ler e escrever a respeito da mesma, em linguagem padronizada que pode ser usada para cada profissão, pois a nomenclatura Munsell é compreendida por todos os profissionais da cor. A flexibilidade do sistema permite a sua expansão. 1.0 – Cor Pimária São consideradas cores primárias, em termos de pigmentos, o vermelho, o amarelo e o azul. Todas as demais cores existentes na natureza que impressionam a nossa retina são formadas a partir destas três cores primárias. Elas são encontradas puras na natureza e não podem ser formadas por nenhuma mistura. 2.0 – Cor Secundária São chamadas secundárias as cores resultantes de misturas óticas de quantidades iguais das cores primárias, duas a duas. As cores secundárias são: laranja (vermelho com amarelo), verde (amarelo com azul) e violeta (azul com vermelho). ESTRELA DE GOETHE – Composta pelas cores primárias e secundárias. A mistura de quantidades óticas iguais de uma cor primária com uma cor secundária nos dá uma cor terciária. Uma cor primária ou secundária misturada com uma cor terciária nos dá uma cor quartenária. Uma primária, secundária ou terciária com uma quartenária resulta numa quintenária e assim por diante. CAPÍTULO II AS CORES COMO OBJETO DE ESTUDO DA FÍSICA, DA FISIOLOGIA E DA PSICOLOGIA II - AS CORES COMO OBJETO DE ESTUDO DA FÍSICA, DA FISIOLOGIA E DA PSICOLOGIA. Quando dizemos que cores são freqüências eletromagnéticas que ao atingirem a retina humana sensibilizam-se despertando no homem sensações coloridas, estamos englobando neste simples conceito afirmações de três ramos distintos da ciência. A Física, a Fisiologia e a Psicologia. Já vimos no início deste trabalho que o fenômeno cromático vem sendo bastante estudado ultimamente. Bem como as cores têm tido grande aplicação em todos os setores da vida humana, tornando-se por isso mesmo objeto de estudo de quase todas as ciências. Mas não podemos fazer qualquer estudo do fenômeno cromático sem enfocar a cor sob o aspecto físico, onde ela é entendida como sendo derivada de características apresentadas pela energia luminosa, a qual age como estímulo; sob o aspecto fisiológico onde a cor é entendida como uma sensação proveniente de estímulos externos que atingem a sensibilidade do globo ocular; e, finalmente, sob o aspecto psicológico onde a cor é tratada de acordo com as tendências e condições sob as quais elas operam. 1.0 – Fenômeno Físico da Cor O que é a luz? Luz é a parte visível da energia radiante do espectro eletromagnético. A luz, ou energia radiante visível é a forma mais comum de estímulo causador da sensação colorida. O espectro eletromagnético é o conjunto de todas as ondas conhecidas e classificadas de acordo com a sua longitude, as quais estendem-se por todo o universo. O espectro eletromagnético é formado por raios de luz, de rádio, de televisão, raios quentes, raios x, raios comuns e raios cósmicos. Todos estes são formas diversas de energia radiante. São ondas de energia eletromagnéticas diferenciadas apenas pelos seus comprimentos – distância entre duas cristas da onda – e pelas suas freqüências de oscilações ou pulsações. Das longas ondas de rádio para as curtas ondas cósmicas o comprimento do espectro radiante é de sessenta oitavas de energia eletromagnética. No meio deste espectro, ocupando um quarto dele, situam-se as quinze oitavas de energia solar, que são ondas irradiadas pelo sol. Destas quinze oitavas, cinco são ultravioletas, nove são infravermelhas e, somente uma oitava é de energia solar visível, ou seja, luz. Isto quer dizer que só podemos ver 1/15 dos raios do sol e apenas 1/60 da irradiação do espectro eletromagnético. Assim como o aparelho de rádio é sintonizado para receber e responder as ondas de energia radiante mais longas, chamadas ondas de rádio, também o olho humano é um instrumento altamente com capacidade de receber e responder somente as ondas de energia radiante, de certos comprimentos, conhecidas como ondas de luz. O metro é a unidade básica de medida, internacionalmente reconhecida pela ciência. As ondas de luz são, normalmente designadas pela unidade conhecida como “lilimicrons” que corresponde a uma bilionésima parte do metro. A luz vermelha, situada no final do espectro visível, tem a mais baixa freqüência, ou seja, a que possui o mais baixo número de vibrações por segundo e o maior comprimento de ondas de 800 milimicrons. Isto se assemelha a um forte som de baixa força ou potência. A freqüência vai aumentando através do espectro, de tal modo, que o violeta na outra extremidade tem a maior freqüência de vibrações por segundo e o menor comprimento de onda de 400 milimicrons; o violeta corresponde a uma nota aguda de alta força ou potência. O senhor James Jeans em seu livro “Através do Tempo e do Espaço”, disse: “Assim como as diferentes cores são produzidas por diferentes ondas de luz de diversos comprimentos, deste mesmo modo, os sons de diferentespotências são produzidos por ondas de sons de diferentes comprimentos. Por exemplo, meio C no piano, tem um comprimento de onda de quatro pés. O espaço C triplo tem um comprimento de onda de dois pés. Quando um som tem exatamente a metade do comprimento de cada outro, nós dizemos que ele é 1/8 mais alto em potência. Da mesma forma, quando uma cor de luz tem exatamente a metade do comprimento de onda da outra, nós podemos dizer, por analogia, que ela é uma oitava mais alta em potência. Deste modo, como a luz violeta tem exatamente a metade do comprimento de onda da luz vermelha, nós podemos dizer que a luz violeta é uma oitava mais alta em potência do que a luz vermelha. Entretanto, não erramos longe se pensamos a respeito das sete cores do espectro, como a respeito das sete notas musicais, vermelho sendo C, laranja sendo D, amarelo sendo E, verde F, e assim por diante. Já vimos que todas as linhas visíveis do espectro estão dentro de uma oitava. Nossos ouvidos podem ouvir onze oitavas de som, mas nossos olhos podem ver somente uma oitava de luz”. Além do violeta do espectro visível, estendem-se os invisíveis raios ultravioletas, ou raios de bronzear, os quais podem passar através de vidro de quartzo, mas não através de vidro comum. Assim, como as extremamente altas freqüências das ondas do som são inaudíveis para o ouvido humano – mas que um cão pode ouvir – as ondas ultravioletas também estão além da ordem dos sentidos humanos, em regiões nas quais sua presença somente pode ser detectada através de aparelhos especiais. Depois dos raios ultravioletas estão situados os raios X. E, além destes, estão os calmos e mais curtos raios gamma ou raios radium. E, bem no final do espectro radiante, localizam-se os misteriosos e infinitamente pequenos raios cósmicos cuja energia é irradiada de algum ponto desconhecido do espaço celestial. No outro extremo do espectro eletromagnético encontram-se as ondas mais longas. Depois do vermelho estão os raios infravermelhos, ou ondas quentes, as quais podemos sentir, mas não ver. E além destes, estão os raios hertzianos (ondas eletromagnéticas descobertas pelo físico alemão Heinrich Hertz). E finalmente as ondas mais longas – as de rádio. A velocidade da luz é incrivelmente grande. E era desconhecida até 1675, quando Roemer a descobriu por meio de um simples, mas engenhoso estudo dos intervalos de tempos, as eclipses de uma das luas do Planeta Júpter. Após passar seis meses cronometrando estes intervalos, Roemer pode determinar que a luz, igualmente a todas as outras formas de energia radiante, viaja no espaço a 300 mil km por segundo. Poderemos compreender melhor esta espantosa velocidade se considerarmos que a lua viajaria sete vezes e meia por segundo ao redor da terra, se ela possuísse a velocidade da luz. Através de materiais transparentes como a água, o álcool e o vidro, a luz viaja com menos velocidade do que através do espaço. Isto acontece devido à curvatura ou refração sofrida pela passagem do ar para um meio mais denso. Quando falamos em pigmentos ou corantes consideramos como cores primárias o vermelho, o amarelo e o azul. Em termos de luz, porém, o vermelho, o verde e o azul é que são chamadas cores primárias, porque elas não podem mais ser decompostas ou produzidas por misturas de outras luzes, e quando misturadas em várias proporções ou combinações elas produzem luz branca. Outros efeitos coloridos como podemos ver em diamantes, são também causados pela refração da luz. Newton demonstrou em 1666, que a luz branca pode ser decomposta nas sete cores do espectro eletromagnético. Se deixarmos passar um raio de luz do sol através de um prisma, veremos que este dividir-se-á nas sete cores do espectro ao se projetar sobre superfície branca. A luz branca é, portanto, a soma de irradiações dos diferentes comprimentos de ondas. Ou seja, o branco é a presença de todas as cores refletidas. Ao passo que o preto á a absorção de todas as cores pelo objeto. Pois a luz, como todas as demais formas de energia pode ser transformada, mas nunca destruída. Ao encontrar um objeto ela pode ser totalmente absorvida ou refletida. Ou ainda, e isto é o mais comum, refletida em parte e em parte absorvida. Sabemos que todo corpo tem características próprias que lhe permitem absorver uma parte da luz branca e refletir a outra. E é este o fato que dá ao homem a sensação de cor em tudo o que o rodeia. Um objeto considerado pelo olho humano como sendo amarelo, por exemplo, nada mais é do que um corpo com características de absorver todas as freqüências de ondas de energia eletromagnética incidentes sobre ele, menos a freqüência correspondente à luz amarela a qual nos é devolvida através da reflexão. E é isto que causa em nós a sensação colorida de amarelo neste determinado objeto. E o mesmo acontece com todas as demais cores que conhecemos. 2.0 – Fenômeno Fisiológico da Cor “A visão representa uma das preciosidades que o homem recebeu da natureza. É o sentido que faz vibrar o ser humano e o faz pensar, gozar e desfrutar as coisas do mundo que o rodeia. Os olhos, através dos quais se processa a visão, constituem, portanto, os órgãos de ligação entre o mundo interior do homem e o exterior que o rodeia. Esta ligação somente se realiza quando há luz. A luz é assim a grande intermediária entre a natureza e o homem. Ela apresenta todos os detalhes à percepção do ser humano numa multivariada gama de sensações visuais coloridas ou não.” Como já dissemos, a luz é energia radiante visível que ocupa uma oitava do espectro eletromagnético. E, também, que o olho humano só pode ver ondas de energia que medem entre 400 e 800 milicrons, aproximadamente. O olho humano possui um mecanismo de funcionamento semelhante ao de uma máquina fotográfica. A imagem é recebida de forma invertida pela retina e só é colocada em posição correta quando alcança o centro do cérebro, através do nervo ótico. O olho, órgão localizado numa cavidade óssea do crânio, compreende a seguinte estrutura, tal como se vê na figura abaixo. Corte longitudinal do olho humano. RETINA – Os 130 milhões de células, aproximadamente, são as receptoras da imagem externa e ao mesmo tempo transmissoras da mesma ao centro visual. Os cones e os bastonetes são as mais importantes células. Os bastonetes localizados mais na periferia da retina não reagem aos diversos comprimentos das ondas, sendo, portanto, os responsáveis pela visão da forma e do movimento e não da cor. Os responsáveis pela visão da cor são os cones, os quais se localizam na zona central da retina. ESCLERÓTICA – è o nome dado à camada rígida exterior do olho. COROIDE – É uma camada que contém diversos vazos sanguíneos e que se encontra logo depois da esclerótica. CÓRNEA – É uma camada transparente que fecha o globo ocular, completando a esclerótica na parte da frente. Possui uma curvatura que atua como lente conexa. HUMOR AQUOSO – Solução localizada atrás da córnea, através da qual o raio de luz tem que atravessar para poder chegar até o humor vítreo e posteriormente à retina. HUMOR VÍTREO – É uma substância gelatinosa e transparente localizada entre a retina e o cristlino que serve para manter em seus lugares o globo ocular e a retina. CRISTALINO – Possui uma curvatura. É formado de tecido maleável e transparente. Sua função é focalizar os raios luminosos quando penetram na córnea para formar a imagem na retina. PÁLPEBRAS – Por seus rápidos movimentos no sentido de abrir e fechar servem para proteger o olho contra luzes ou grandes luminosidades. Servemtambém para manter a superfície do olho sempre úmida. IRIS – Colocada diante do cristalino, tem a função de regular a quantidade de luz que atinge a retina. Ela funciona da mesma forma que o diagrama da máquina fotográfica, regulando a quantidade de luz que deve entrar. Se a luz for muito intensa, ela se alarga protegendo a retina. Se a luz incidente for fraca, ela se contrai e a pupila – orifício central – se alarga permitindo a entrada de maior quantidade de luz. FOVEA – Tem um diâmetro aproximado de 0,5 mm e está localizada no centro da retina, próxima ao local de encontro de todas as fibras nervosas à saída da retina. É composta somente de cones, sendo sensível, portanto, aos mínimos detalhes. NERVO-ÓTICO – Serve para levar ao cérebro o estímulo transformado pela retina em sensação fisiológica. No cérebro é que se produz tanto a simples visão, como a sensação da visão de cor. PONTO CEGO – É o cabo único formado pelas fibras nervosas saídas da retina em direção ao cérebro, no qual não existem células visuais. A formação da imagem, como já dissemos, acontece no cérebro, onde está localizada a área de projeção visual. Esta área tem a função de interpretar as imagens recebidas pela retina. A movimentação dos olhos se dá através da coordenação dos músculos formadores do sistema oculomotor. Os músculos controladores destes movimentos são os seguintes: RETOS – Internos e Externos – que servem para mover os olhos, de um lado para outro, se contraindo reciprocamente. RETOS – Superior e Inferior – que movem os olhos para cima e para baixo. OBLÍQUOS – Superior e Inferior – mantém os campos visuais em posições adequadas, girando os globos oculares. Os olhos tem a capacidade de se movimentarem, simultaneamente, na mesma direção. E a este fenômeno a fisiologia dá o nome de movimento conjugado dos olhos. E é desta forma, através do desencadeamento de um complicado processo, que começa na retina e termina no cérebro, que os estímulos externos são transformados em imagens visuais, permitindo ao homem ver o mundo que o rodeia e do qual ele faz parte. 2.1 – Visão da Cor A visão de cores é um processo fisiológico cujo mecanismo, apesar das muitas teorias existentes a respeito, ainda não está totalmente esclarecido. Através dos séculos, desde a Era Cristã, cientistas vem se dedicando ao esclarecimento deste processo. Dentre as inúmeras teorias existentes à respeito deste assunto as que mais se destacaram foram as seguintes: A de Hering, que defende a existência de três diferentes grupos de cones de ação dupla. O primeiro destes grupos sensível a um determinado comprimento de ondas permitindo a percepção de sensações coloridas azuis e amarelas. O segundo, sensível às ondas geradoras de sensações verdes e vermelho. E o terceiro, sensível ao preto e ao branco. Para ele, as três cores primárias existentes são o vermelho, o amarelo e o branco, cujas negativas são respectivamente, o verde, o azul e o preto. Keppers, defende outra teoria, na qual diz existir apenas um tipo de cones sensíveis a todas as variações de intensidade e de longitude de ondas. Diz também que os bastonetes servem para registrar apenas as diferenças de tonalidades. Uma terceira teoria a ser considerada é a de Christine Ladd Franklin, a qual explica que o fenômeno da visão cromática é devido à evolução. Isto é, inicialmente existiam apenas os bastonetes, permitindo a visão do preto, branco e cinzentos. Dos bastonetes surgiram os cones, e destes, posteriormente, surgiu a visão das cores conhecidas atualmente. E, por último, entre as principais teorias formuladas sobre a percepção cromática, encontramos a de Young-Helmholtz a chamada teoria tricromática, que se baseia na existência de três tipos de cones sensíveis às diferentes zonas do espectro de formas diversas. Um grupo de cones sensível aos estímulos causados pelas ondas curtas, outro aos causados pelas ondas médias e por último, um terceiro grupo que reagiria somente aos estímulos ocasionados pelas ondas mais longas. A presente teoria defende, portanto, a existência de três tipos de cones reativos ao azul-violeta, ao verde e ao vermelho-alaranjado. Deste modo a sensação de cor se produziria pelo processo de mescla aditiva de cores. Segundo esta teoria, afirma Modesto Farina, em seu livro “Psicodinâmica das Cores em Publicidade” que, a “estimulação destes três tipos de cones diversos vai produzir 100.000 ou mais sensações diferentes da cor no cérebro”. Dentre todas as teorias conhecidas a respeito da percepção cromática, a de Young-Helmholtz parece ser a mais aceitável cientificamente. Ela tem sido aperfeiçoada e muitos detalhes foram-lhe acrescentados desde 1807, quando Thomas Young a propôs. 2.2 – Daltonismo Quando uma pessoa percebe distintamente todas as cores do espectro dizemos que esta pessoa é normal no que se relaciona à visão das cores. Existem pessoas, porém, que devido ao fenômeno do acrotismo possuem a retina totalmente insensível às cores. Isto, no entanto, só ocorre raramente. O mais comum entre as pessoas que têm problemas quanto à visão cromática é que estas percebem as cores de formas anômalas; ou seja, que não distinguem perfeitamente todas as cores do espectro solar. O daltonismo é a mais comum destas anomalias. É hereditária e mais comum entre os indivíduos do sexo masculino do que feminino. Segundo Modesto Farina, dos indivíduos que sofrem de daltonismo 95% são do sexo masculino constituindo 10% da população masculina. O daltonismo pode ser do tipo protânopo, no qual o espectro solar é encurtado do lado dos grandes comprimentos de ondas, fazendo com que o indivíduo, por possuir menos sensibilidade ao vermelho, confunda as cores vermelha, laranja, amarela e verde; ou do tipo deuterânopo, que é semelhante ao primeiro mas, permite ao indivíduo uma visão mais próxima do normal por não estar o espectro encurtado do lado do vermelho. A visão defeituosa das cores, bem como a própria cegueira a elas, resulta sempre de um funcionamento anormal dos cones. 3.0 – FENÔMENO PSICOLÓGICO DA COR Segundo Aurélio Buarque de Holanda, em seu “Pequeno Dicionário Brasileiro de Língua Portuguesa”, o termo psicologia significa “ciência que estuda as idéias, sentimentos e determinações, cujo conjunto constitui o espírito humano.” A psicologia, portanto, se ocupa da vida espiritual do homem, de seus fenômenos psíquicos, de seus sentimentos e reações. As cores, como já vimos anteriormente, ocupam um lugar de destaque na vida do ser humano, fazendo-lhe companhia diária, tanto em casa como na rua, como também em seu trabalho, agindo constantemente sobre os seus sentimentos, a sua sensibilidade e o seu humor. Não é de estranhar, portanto, que a psicologia venha preocupando-se seriamente com o estudo das cores. A psicologia experimental, onde mais especificamente se enquadram os estudos da cor, teve sua autonomia definitivamente estabelecida por Wundt, que pretende explicar todos os fenômenos como nada mais sendo do que reflexos psicológicos. Wundt, como também Helmholtz, define a distinção que deve ser feita entre sensação e percepção. Define sensação como sendo o simples resultado da estimulação de um órgão sensorial; e percepção como a tomada de consciência de objetos ou acontecimentos exteriores. Ebbinghaus, foi o sistematizador do estudo dos processos superiores – memória, imaginação,faculdade de compreender, etc. – tomando como ponto de partida os domínios da sensação e da percepção. Juntamente com os estudos sobre a memória, realizou pesquisas sobre a inteligência e estudou a teoria das cores. Seus estudos vieram mostrar a existência de certa relação entre a percepção e inteligência; isto equivale a dizer que, quanto mais um individuo percebe maior é a sua inteligência. A reação psicológica é muito importante na percepção da cor por estar relacionada com o processo visual, o qual engloba observação, memória e adaptação dos olhos à cor. A percepção visual é ocasionada por estímulos físicos, mas depende também da resposta psicológica de cada individuo, a qual está sujeita a diversas variações. 3.1 – Influência na escolha das cores Inúmeros são os fatores que influenciam na escolha de cores. Consideraremos, porém, apenas os mais importantes de ordem sociológica, fisiológica e psicológica. Um dos fatores que determinam a escolha de cores são os costumes sociais adotados nas diversas regiões. Podemos observar, por exemplo, as cores nas vestimentas. Antigamente, em nossa cultura ocidental, eram usadas roupas de cores diferentes para distinguir as mulheres jovens das mais idosas. Bem como os homens também costumavam vestir-se com roupas de cores diferentes das usadas pelo sexo feminino. Mas atualmente como podemos observar, estas diferenças tendem a desaparecer dos hábitos sociais. Os significados conotativos das cores também influenciam na formação dos hábitos de um povo; pois estes significados se fixam, de tal forma nas mentes das pessoas que se torna comum usar na linguagem diária frases que empregam sensações visuais para definir sentimentos ou situações por elas vividas. No campo psíquico temos as experiências de Rorschach, que comprovam que os indivíduos mais abertos ao mundo exterior tem maiores preferências pelas cores do que os mais introspectivos, cuja reação é mais voltada para as formas. Segundo Bamz o fator fisiológico é também determinante na escolha de cores, porque as preferências variam de acordo com a idade das pessoas. Segundo ele temos o seguinte quadro de preferências: Vermelho: de 01 a 10 anos (idade da efervescência e da espontaneidade) Laranja: de 10 a 20 anos (idade da imaginação, excitação, aventura) Amarelo: de 20 a 30 anos (idade da força, potência, arrogância) Verde: de 30 a 40 anos (idade da diminuição do fogo juvenil) Azul: de 40 a 50 anos (idade do pensamento e da inteligência) Lilás: de 50 a 60 anos (idade do juízo, do misticismo, da lei) Roxo: de 60 anos em diante (idade do saber, da experiência e da benevolência). De fato, se observarmos adultos e jovens fazendo compras perceberemos que a maioria dos artigos adquiridos pelos adultos estão contidos em embalagens de cores sérias como o azul, por exemplo. Ao passo que os jovens já preferem as cores mais alegres, como mostra Bamz no quadro acima. Em conseqüência de todos estes fatores, as cores são usadas nos mais diversos campos que exploram a sugestionabilidade de acordo com as influências e reações físico-sócio-psíquicas do indivíduo diante delas. 3.2 – Efeitos Físicos da Cor Este é um campo muito vasto e ainda pouco explorado no qual nada está ainda, cientificamente, bem definido. Mas inúmeras experiências vem sendo feitas, as quais têm provado que o indivíduo reage direta e espontaneamente diante da cor. Estas reações causadas pela cor no indivíduo devem-se, além das conotações psicológicas com fatos de sua vida passada, também, às propriedades específicas de cada cor como: claro e escuro, quente e frio, leve e pesado, ativo e passivo, que veremos mais tarde em capítulo à parte. Na cromoterapia, por exemplo, os efeitos pela ação das cores sobre determinadas enfermidades são realmente fantásticos. A prática da cromoterapia se concentrava antigamente em Munique; hoje já se alastra por todos os grandes centros da medicina e inúmeras experiências têm comprovado sua eficácia. Sabendo que as cores atuam sobre os estados de espírito a cromoterapia vem sendo cada vez mais utilizada obtendo-se efeitos diretos das luzes coloridas sobre os indivíduos para curar-lhe as enfermidades, especialmente as de fundo nervoso. Segundo Simão Goldman, a ação das cores não se faz sentir somente através do mecanismo da visão, pois, segundo ele, foi experimentalmente constatado que, dentro de determinados limites, também os cegos reagem à cromoterapia de maneira semelhante a pessoas visualmente normais. Além das doenças de fundo nervoso a cromoterapia mostra-se também eficaz no tratamento de outros tipos de enfermidades como: obesidade, eczemas da pele, reumatismo, problemas da coluna, etc. Cabe lembrar aqui que os “banhos de radiações vermelhas e amarelas atuam como estimulantes mentais e emotivos, tendo também demonstrado sua eficácia em inúmeros casos de enfermidades da pele, em anemia e na redução de inflamações. Verdes e azuis, encontram ótima aplicaçõe no tratamento das enfermidades da mente, excitações e transtornos psicopáticos. Ao passo que verdes são sedantes hipnóticos, azuis funcionam como tônicos e antissépticos. Somente em casos de excitações extremas é que se emprega o violeta como calmante, enquanto que o laranja é usado para levantar o ânimo.” 3.3 – Linguagem das Cores A cor, além de possuir sua nomenclatura e sua sistematização, a qual com pequenas divergências é universalmente reconhecida por todas as ciências, possui também o seu próprio vocabulário para exteriorizar os sentimentos humanos. Cada cor componente do espectro possui, além de suas vibrações magnéticas, um campo de vibrações emotivas e sensitivas com suas características peculiares. Através da cor o artista, o decorador, o engenheiro industrial, o arquiteto, bem como inúmeros outros profissionais conseguem transmitir mensagens que expressam sentimentos, estados de espírito, desejos, etc. Já vimos que a reação do homem à cor é ocasionada por diversos fatores de ordem subjetiva; mas apesar disto, as cores possuem, e isto também influencia, certos significados que as caracterizam. Veremos abaixo um resumo do que os cientistas estabeleceram a respeito do significado psicológico das cores: VERMELHO Associação Material: rubi, guerra, cereja, fogo, lábios, sinal de parada, sangue, sol, coração, ferida, perigo, combate, luta, chama, mulher, rochas vermelhas. Associação Afetiva: barbarismo, vida, energia, revolta, ira, perigo, paixão, dinamismo, força, baixeza, movimento, coragem, intensidade, vulgaridade, vigor, poderio, violência, excitação, calor, glória. LARANJA Associação Material: fogo, pôr do sol, fruto, festa, chama, luz. Associação Afetiva: calor, luminosidade, energia, estímulo, vivacidade, luxúria, dureza, euforia, tentação, alegria, advertência. AMARELO Associação Material: topázio, palha, verão, fruto maduro, enxofre, sol, flores grandes, limão, terra argilosa, ouro. Associação Afetiva: traição, iluminação. covardia, vontade, ciúme, alegria, orgulho, fé, sabedoria, gozo, alerta, conforto. VERDE Associação Material:planície, umidade, verão, mar, tapete de jogos, folhagem, frescor, diafaneidade, primavera, águas claras, bosques, natureza. Associação Afetiva: esperança, amizade, calma, verdade, equilíbrio, saúde, segurança, ideal, tranqüilidade, paz, bem-estar, serenidade, abundância, juventude, crença, adolescência, suavidade. AZUL Associação Material: céu, espaço, viagem, água, horizonte, frio, gelo, montanhas longínquas, mar. Associação Afetiva: verdade, paz, intelectualidade, sentido, precaução, advertência, meditação, serenidade, infinito, nobreza, confiança, frieza, limpeza, repouso, imaterialidade, afastamento. ROXO Associação Material: aurora, igreja, noite, mar profundo, sonho. Associação Afetiva: mistério, profundidade, fantasia, dignidade, justiça, eletricidade, grandeza, misticismo, egoísmo, calma, espiritualidade, delicadeza. VIOLETA Associação Material: noite, flor, igreja. Associação Afetiva: mistério, fantasia, angústia, justiça, profundidade, depressão, intimidade, feminilidade. PÚRPURA Associação Material: vinho, flor. Associação Afetiva: luxo, pompa, valor, satisfação, dignidade, respeito, poder, nobreza, riqueza, pastosidade, melancolia, estima. MARROM Associação Material: outono, águas lamascentas, terra, doença, madeira, café, chocolate. Associação Afetiva: melancolia, traição, isolamento, pesar, humildade. BRANCO Associação Material: farinha, casamento, nuvens, areia clara, leite, neve, lírio, batismo, cisne, primeira comunhão. Associação Afetiva: inocência, dignidade, modéstia, afirmação, pureza, piedade, paz, deleite, despertar, ordem, limpeza, pensamento, simplicidade, bem, otimismo, juventude, luz, virtude, leveza, serenidade, claridade, amplitude. CINZA Associação Material: mar tempestuoso, neblina, ratos, pó, máquinas, chuva, grafite. Associação Afetiva: sombra, passividade, tédio, neutralidade, tristeza, compaixão, passado, velhice, decadência, seriedade, pena, desânimo, sabedoria, finura. PRETO Associação Material: sujeira, morte, noite, enterro, sombra, fumaça, condolência, carvão, graxa. Associação Afetiva: tristeza, oposição, mal, miséria, dor, nulidade, vácuo, agressividade, medo, opressão, trevas, negação, fatalidade, frio, sordidez, pessimismo, desgraça, temor, frigidez, maldade. Estes poderes que as cores exercem sobre os indivíduos podem ser atenuados ou modificados, dependendo das várias associações ou combinações em que as mesmas lhes são apresentadas. Examinando o campo das cores denominadas “quentes”, facilmente podemos estabelecer as relações com as cores “frias”, suas complementares no disco cromático. O vermelho é uma cor que possui calor intenso: é excitante, ativa, possui movimento e equilibra-se quando a misturamos em quantidades óticas iguais com o verde, que é uma cor passiva, repousante e tranqüila. Desta mistura resulta o cinza neutro. O laranja é uma cor dinâmica que lembra a cor do sol. A sua complementar que lhe dá equilíbrio é a fria, estática e quieta cor azul. Ambas misturadas em partes iguais originam o cinza. O amarelo, símbolo do ouro e da arrogância, é a cor mais suave e que contém mais luz. A cor que lhe está diametralmente oposta, ou seja, a sua cor complementar é o violeta, a qual representa os mistérios, opressões e tristezas, exatamente por ser a cor mais pesada e que possui menos luz do espectro. A sua mistura, em quantidades óticas iguais, também dá origem ao cinza neutro. O branco, símbolo da pureza e da inocência, quando misturado ao preto que representa a morte, a tristeza, o mal, imediatamente formam o cinza neutro. Podemos concluir então, que o cinza neutro representa o meio termo entre todas as cores. Representa o equilíbrio, que consciente ou inconscientemente, todos nós buscamos e que é o eterno segredo da harmonia do universo. Equilíbrio transmitido pelo artista em sua obra e revelado pelos sábios através de todas as ciências. CAPITULO III AS PROPRIEDADES DAS CORES III - AS PROPRIEDADES DAS CORES As cores, através de sua ação psíquica, podem alterar a sensação de temperatura criando num ambiente uma sensação de frio ou de calor. Da mesma forma, elas atuam sobre as sensações de dimensão, de peso, de espaço dos ambientes e dos objetos criando ou modificando sensações. Vemos assim que a sensação fisiológica da percepção cromática pode causar uma sensação psicológica confortável ou desconfortável. Isto é de suma importância para os profissionais que usam a cor como ferramenta de trabalho, como o decorador, o artista plástico, o publicitário e muitos outros. Cada uma das cores do espectro eletromagnético apresenta um certo grau de vibração emotiva e possui uma importância específica, que pode ser usada para transformação de um ambiente ou de um estado emocional. Mas a força expressiva da cor tem que ser submetida a uma série de regras, para realmente alcançar sucesso quando usada numa composição. Dependendo da forma como for usada poderá até mesmo anular a sua própria expressividade. Certos artistas, por exemplo, através das forças antagônicas das cores, procuram ocasionar tensão devido à luta destas forças em um mesmo campo. A colocação em plano bidimensional de uma série de tons de uma mesma cor pode causar uma sensação de harmonia. No entanto, esta harmonia pode ser resultante de um estado de palidez das cores apresentadas, não causando impacto nem transmitindo a mensagem deseja pelo artista. Podemos chamar de harmonia uma composição, quando em todas as cores utilizadas para formá-la existe parte da cor básica. A combinação de amarelo, verde, azul e laranja suave pode ser considerada uma composição harmônica, estejam as cores apresentadas no mesmo tom ou em tons diferentes. A combinação de cores totalmente diferentes entre si, tanto apresentadas em tons diversos como no mesmo tom, é chamada de combinação contrastante. Por exemplo, uma combinação de azul, amarelo, roxo e verde. Porém todas estas regras e fórmulas são muito importantes, mas não servem como receitas padrões capazes de permitir a alguém realizar obras perfeitas baseado somente nelas. Conhecer as instruções transmitidas por leis psicológicas ou por dados científicos do emprego do movimento, da cor e da luz, saber que um espaço pode ser alterado visualmente de maneira exata através do correto emprego da cor, são fatores tão importantes como todas as outras informações que o estudo da percepção pode fornecer. Mas, além de tudo isto, o grande fator decisivo para a realização de um bom trabalho é a individualidade daquele que utiliza estes recursos. De qualquer modo, as regras e leis gerais são de grande utilidade para aqueles que tem a capacidade de transmitir e comunicar mensagens através de sua arte, utilizando-se das formas e das cores. E para estes, conhecê-las equivale a aumentar sua capacidade de trabalho. 1.0 – QUENTE E FRIO A sensação de quente e frio diante de uma cor, além de ser relativa ao indivíduo que a percebe, é devida também ao significado psicológico e filosófico específico que as cores possuem e que já assumiu importância universal, por serem experiências da humanidade. As cores consideradas quentes são as componentes do grupo do vermelho, laranja, grande parte do amarelo e uma pequena parte do violeta. As frias pertencem ao grupo do verde, do azul, pequena parte do amarelo e grande parte do violeta. Realmente estascores parecem criar no ambiente e produzir nos indivíduos, estas sensações de calor ou de frio. Além disto, as cores quentes transmitem também sensações de proximidade, opacidade, densidade e estimulam a atividade. As cores principais do grupo das cores quentes são o vermelho, o laranja e o amarelo em seu estado cromático. O vermelho é estimulante de qualquer ação; o laranja é estimulante de sentimento e o amarelo é estimulante da comunicação. As cores frias parecem distantes, leves, úmidas, transparentes, aéreas e calmantes. As principais do grupo são o azul, o verde e o violeta. O azul é delimitativo e retrocessivo. Quando no tom esverdeado, induz o indivíduo ao isolamento e à frieza. Experiência realizada nos Estados Unidos conta que numa indústria norte-americana, localizada em zona de baixa temperatura, os trabalhadores de determinada seção queixavam-se constantemente de sentirem frio, apesar de a temperatura ambiente ser mantida sempre em 22ºC. Após ser revisado todo o sistema de ar do local, um especialista recomendou que a pintura azul- esverdeada das paredes e teto fosse trocada por vermelho-alaranjado. Isto foi feito e, desde então, as reclamações cessaram. “Essa sensação de temperatura provocada pelas cores foi questionada em sua natureza pela equipe do Joint A.S.H.V.E. Illuminating – Engin Soc”. A dúvida residia em considerar esse efeito, ou como puramente fisiológico, ou como psicológico derivado de reação fisiológica que, por sua vez, seria originada nos efeitos metabólicos de produção de calor. As experiências demonstraram que não existia nenhuma correlação definida entre a sensação de calor e a sensação de cor do ambiente, dentro dos limites habituais de conforto. A sensação de frio ou de calor existe, mas fora de toda variação térmica do indivíduo. Assim, trata-se de um efeito psicológico e não fisiológico. 2.0 – LEVE E PESADO O peso atribuído às cores, na realidade, não passa de um valor peso psicológico. Estes juízos e sentimentos produzidos no indivíduo pela percepção cromática são resultantes de efeitos fisiológicos exercidos pelas cores sobre o organismo humano. Pois, como se sabe, a cor cada dia mais vem sendo usada como uma força de terapia. E experiências vêm comprovar a validade deste método de utilizar a cor para curar, ou então, não utilizá-la quando se deseja evitar determinados efeitos psicológicos ou fisiológicos. Segundo Modesto Farina, recomenda-se não pintar de branco o teto do quarto onde o doente deva permanecer por longo tempo; pois como o branco reflete muita luz (reflete todas as cores), pode ocorrer o fenômeno do ofuscamento, que tem a propriedade de ocasionar no doente a sensação de cansaço e de peso na cabeça, devido ao fato de normalmente ele ter de repousar deitado de costas com os olhos voltados para a superfície branca. Este fenômeno pode explicar o cansaço numa pessoa que aparentemente não poderia estar cansada, já que devido a seu estado, encontra-se em repouso. Uma cor dá a impressão de peso, quando em sua composição existe uma parcela de vermelho ou de preto. E mesmo que o tom apresentado possua a luminosidade do amarelo a parcela avermelhada, embora seja matiz rosa, concederá ao tom um valor-peso específico. Portanto, quando estamos em dúvida para decidir se uma cor é leve ou pesada, basta uma rápida análise das parcelas de vermelho ou preto que esta contém. No círculo cromático temos o grupo de cores pesadas representando o violeta, o azul e o vermelho, sendo porém o violeta a cor de valor-peso maior do espectro. A cor amarela é considerada a mais leve, formando o grupo das cores leves juntamente com o laranja e o verde. A mistura destas cores com o branco ou com o preto torna-as, respectivamente, mais leves ou mais pesadas. Experiência foi realizada em determinado grupo de operários os quais foram mandados transportar, manualmente, caixas metálicas pintadas de preto até um ponto relativamente próximo. Após poucos transportes vieram reclamar junto ao gerente, expedidor da ordem, que os pesos dos volumes deveriam ser diminuídos, pois não tinham mais condições de continuar o trabalho devido a fortes dores sentidas nos braços e nas costas. Pesadas as caixas, a balança comprovou que seu peso era inferior ao dos volumes que os reclamantes estavam acostumados a carregar. Os volumes foram então pintados de verde-claro e os serventes receberam ordem de continuar o trabalho. Estes, certos de que os volumes haviam diminuído, agradeceram satisfeitos e continuaram trabalhando ainda mais rápido do que antes e sem falarem mais em dores. Outra experiência conta que alguns objetos iguais foram pintados de cores diferentes – preto, vermelho, púrpura, cinza, azul, verde, amarelo e branco – e que aos mesmos foram atribuídos pesos diferentes. E os oito objetos, todos do mesmo tamanho e com o mesmo peso, porém de cores diferentes, foram colocados a uma certa distância um do outro. As pessoas ali presentes receberam a informação de que os pesos destes objetos variavam entre 3 e 6 kg. Entre o objeto preto e o branco, situados nos dois pontos extremos do conjunto, registrou-se a diferença na avaliação dos pesos em cerca de 2.5 kg. Na verdade, o peso de todos os objetos era o mesmo, ou seja, 4 kg. 3.0 – ATIVO E PASSIVO Outro efeito causado pela cor sobre o indivíduo que a percebe é a sensação de atividade ou passividade que determinadas cores transmitem. As cores frias, do grupo do azul, através de uma sensação de afastamento ampliam os espaços. O vermelho, juntamente com as demais cores quentes de seu grupo, tem a propriedade de se aproximarem. São cores agressivas, as quais avançam em nossa direção. Os objetos pintados com cores quentes e brilhantes – amarelo, laranja, vermelho – atraem mais rapidamente a nossa atenção por parecerem maiores do que os outros, que estão pintados com cores frias e apagadas, como o azul-claro, o verde, o bege. Em sua “Teoria das Cores”, Goethe apresenta o amarelo e o azul, como sendo a cor mais ativa e a mais passiva, respectivamente. ESCALA DE GOETE Mais ativa: Mais passiva: AMARELO AZUL Luz Sombra Claro Escuro Força Fraqueza Calor Frio Perto Longe Atrai Afasta Relativo a ácido Relativo a alcalinos Atividade Passividade Se enfileirarmos uma série de mastros pintados de diversas cores, todos a uma mesma distância, veremos que a nossa atenção se voltará primeiramente para os amarelos e brancos e depois então para os cinzas ou tonalidades apagadas. Os mastros amarelos e brancos além de se destacarem parecerão maiores do que os outros. Desta forma podemos modificar os espaços ambientais. Se formos cuidadosos na escolha de cores poderemos tanto transformar pequenos em amplos ambientes, como locais exageradamente grandes em espaços aconchegantes e confortáveis. Estesconhecimentos assumem grande importância especialmente para aqueles profissionais que lidam diretamente com a cor, valendo-se dela para causar determinados efeitos. Basta olharmos as nossas cidades atuais, onde inúmeros edifícios se erguem em ritmo frenético, todos divididos em pequenos apartamentos, nos quais cada centímetro de espaço será grandemente disputado. Neste caos, por exemplo, o uso bem feito das cores assume uma importância enorme. Segundo Simão Goldmann, o ideal seria o emprego de cores apagadas, mas como estes pequenos apartamentos geralmente são escuros devem então ser usadas cores claras, mas que não sejam muito intensas. Os amarelos, bem como toda a série de amarelos-verdes deve ser evitada. Quando um apartamento é pequeno, outro recurso que pode ser usado para a obtenção de um aparente aumento, é pinta-lo todo de uma só cor, ou ao menos, as peças que se comunicam diretamente. Os tetos, no caso, devem ser pintados da mesma cor, porém em tonalidades levemente mais claras do que as empregadas nas paredes. A cor mais ativa é o quente e pesado vermelho, o qual é excitante por excelência. E sua complementar no círculo cromático, representante da tranqüilidade e da paz exterior, é a fria e leve cor verde, a qual é também indicada como sendo a cor que possui maior passividade. 4.0 – CLARO E ESCURO Assim como as cores quentes são dinâmicas e excitantes e as frias são calmantes e sedativas, as cores claras tem a prioridade de transmitir alegria, ao passo que as cores escuras inspiram no indivíduo sensações de tristeza e de melancolia. É considerada cor clara aquela que envia à visão luz abundante. E cor escura aquela que envia pouca luz à visão. O preto é representante, por excelência, do escuro, pois quando um objeto causa a sensação de preto, sabemos que é devido ao fato de ele absorver todos os raios de luz que sobre si incidem. O branco, ao contrário, representante da luz e da claridade, reflete todos os comprimentos de ondas eletromagnéticas sobre ele incidentes, causando-nos, por isso, a sensação de branco. Como já vimos anteriormente, quando falamos de passividade e atividade das cores, a sua claridade ou escuridão podem também interferir na formação (ou transformação) dos ambientes. Uma superfície branca ou clara parecerá sempre maior, pois a luz que reflete lhe confere amplidão. As cores escuras, porém, diminuem os espaços. Como vemos, em cima, a sala parece mais baixa por ter o teto pintado de preto. Abaixo, a sala parece ser mais ampla por ser toda pintada de tons claros. Sabemos também que um dos fatores determinantes na escolha da cor é o clima das diversas regiões. Segundo Modesto Farina “para se sentir menos calor nas regiões quentes ou no verão, recomenda-se o uso de roupas brancas, amarelas, azuis e verdes, de tonalidades claras, cores estas que refletem os raios solares. O inverno requer a utilização do preto, de tonalidades escuras no azul, cinzento e marrom, porque estas cores absorvem mais calor.” CAPÍTULO IV A PÓS-IMAGEM IV - A PÓS-IMAGEM O fenômeno da pós-imagem pela primeira vez observado pelo Dr. Purknje, em 1882, é explicado como sendo pós-sensações visuais produzidas por dois estímulos sucessivos. As pós-imagens são também conhecidas como sucessivos contrastes de cores. Todo estímulo visual repentino produz pós-imagens. Algumas são fracas e momentâneas; outras, porém, são fortes e de longa duração, dependendo da intensidade de exposição do estímulo. Toda cor intensa, franca e forte observada por um determinado tempo, cria na retina o fenômeno da pós- imagem, ou seja, uma imagem retina. Estas imagens fantasmas, apesar de às vezes serem rápidas, não são ilusões e sim sensações reais. Mas, para o indivíduo desconhecedor de suas causas elas poderão parecer misteriosas ou ilusórias. O fenômeno da pós-imagem comprova a teoria Tricromática de Youn Helmheltz, que se baseia na existência de três grupos diversos de cones, sensíveis às diferentes zonas do espectro. Um grupo de cones, diz a teoria, reagiria à ondas curtas; outro às ondas médias e um terceiro sensibilizar-se-ia somente com o estímulo causado pelas ondas de luz denominadas longas. Cada grupo ou tipo de cones seria, então, responsável pela percepção de uma das três cores juntamente com todas as suas variações. A reação da pós-imagem causada pela recepção das três cores também estabelece a validade de complementaridade das cores componentes do círculo cromático. Também no uso prático da cor, o conhecimento das pós-imagens com suas causas e efeitos é de grande valia. Em locais de trabalho, por exemplo, deve-se procurar dispor as cores de tal forma, que as pós-imagens de uma e outra não afetem a acuidade visual necessária. Isto se consegue utilizando em ambientes de muita luz cores complementares, para que as pós-imagens se sobreponham às cores posteriormente visualizadas. Por outro lado, não devem ser empregadas em ambientes bastante iluminados, cores francas, fortes e intensas ao lado de tonalidades acinzentadas, pois isto faria com que as pós- imagens se sobrepusessem aos cinzas. As pós-imagens são causadas pela excitação e conseqüente fadiga da retina. Por exemplo, quando fixamos por determinado tempo uma luz muito intensa como a do sol, o ponto da retina onde a luz foi focalizada é muito mais estimulado do que toda área ao seu redor. E, segundo Maitland Graves, ao olharmos para outro ponto, primeiro veremos um brilho e a pós-imagem positiva do sol, e só mais tarde, quando a forte fadiga da retina começar a diminuir, veremos então a pós-imagem negativa do sol. Isto se deve ao fato de a retina haver sido estimulada por uma luz muito intensa. A maioria das exposições a estímulos fortes ou intensos produzem apenas pós-imagens negativas fortes de maior duração. Quanto mais fraco o estímulo e menor o tempo de exposição, mais rápidas e fracas serão as pós- imagens negativas. Se olharmos fixamente, por alguns segundos, para o ponto central de um triângulo preto sobre uma superfície branca, sob a ação de um a luz clara, a pós- imagem negativa branca deste triângulo aparecerá ao redor do ponto preto existente abaixo, assim que transferirmos o olhar fixo para este ponto. A pós- imagem branca do triângulo preto aparecerá mais branca do que a superfície sobre a qual se projeta, porque a parte da retina sobre a qual o triângulo preto foi projetado, foi mais estimulada do que a área ao seu redor. As pós-imagens cromáticas são causadas pela parcial, ou temporária cegueira da cor produzida em um olho normal pela dessensibilização de um ou dois dos três tipos de cones sensíveis às luzes vermelha, verde e azul. Esta dessensibilização de um ou dois cones receptores é feita estimulando-os com luz colorida para produzir-lhes fadiga, a qual os tornará menos receptivos, ou parcialmente cegos à luz de determinada cor em particular. Por exemplo, ao fixarmos um triângulo vermelho por alguns segundos sob uma luz brilhante, os receptores do vermelho serão fatigados naquela mancha sobre a retina onde o triângulo vermelho foi focalizado, tornando-os menos sensíveis, ou parcialmente cegos à luz vermelha. Desta forma a pós- imagem negativa do triângulo vermelho, apóstransferirmos o olhar fixo para uma superfície branca, aparecerá dominantemente azul-esverdeada; isto se deve ao fato de os receptores da luz vermelha, devido à sua fadiga, reagirem francamente à luz vermelha refletida pela superfície, enquanto que os receptores do azul e do verde estão respondendo normalmente aos reflexos da luz destas cores. A tonalidade da pós-imagem é sempre complementar à tonalidade da imagem do estímulo. Portanto, as pós-imagens causadas por estímulos de quaisquer uma das sensações cromáticas do disco de cores é vista da cor complementar à do estímulo, a qual se encontra diametralmente oposta a ela no círculo cromático. Desta forma, as pós-imagens provam que as tonalidades opostas no disco de cores são complementos visuais verdadeiros. Mas, a pós-imagem complementar da cor da imagem original só será possível, quando projetada sobre uma superfície acromática – branco, cinza, preto – ou que reflita a luz que é complementar à luz do estímulo. Desta maneira podemos prever a cor da pós-imagem negativa de qualquer estímulo cromático. Basta subtrairmos aquela cor da luz refletida pela superfície. Por exemplo, a pós-imagem negativa do verde projetado sobre uma superfície azul-esverdeada é azul, pois azul-esverdeado menos o verde é igual a azul. No uso prático das cores é importante que o profissional conheça, além dos efeitos da iluminação sobre corantes e de todas as leis dos contrastes de cores, as causas e efeitos das pós-imagens, para que as trocas de cores e fadigas visuais possam ser previstas e controladas. CAPÍTULO V COR & MARKETING V - COR & MARKETING Podemos conceituar COR, como sendo freqüências eletromagnéticas que atingem a retina humana, as quais, através do nervo ótico, são enviadas ao cérebro, onde são interpretadas e posteriormente transformadas em sensações cromáticas. MARKETING “é o conjunto de atividades ligadas direta e indiretamente a um produto ou serviço, desde sua concepção até a satisfação final em seu consumo, tendo em vista o lucro”. Como sabemos que a cor se faz presente em praticamente todas as situações da vida do homem, podemos concluir que ela exerce papel preponderante no desenrolar de todo o processo de marketing. Apesar de já termos visto que as regras e normas do bom uso da cor, por si só não são suficientes para a realização de um bom trabalho neste sentido, dependendo também da subjetividade e da individualidade de quem o realiza, não devemos nos esquecer, porém, que seu conhecimento e aplicação adequadas, poderão assegurar a efetiva transmissão da mensagem de venda, que é um dos principais pontos da estratégia de marketing. Há dois momentos dentro do processo de marketing, nos quais o adequado uso da cor, podemos dizer que, atinge o clímax da sua importância. São os momentos da produção de um produto – cor no ambiente – e de sua venda ao público consumidor – cor na embalagem. Ao decidir as cores que serão utilizadas num produto, precisamos antes considerar se este produto dá margem à procura racional ou irracional. Um fogão, por exemplo, é um tipo de produto que o consumidor compra racionalmente. Pois, a não ser que seja o ponto de partida de um planejamento, ele terá que se adequar a todo o esquema já existente na vida do consumidor. Neste caso, ao determinar as cores de um novo lançamento de fogão teremos que levar em conta os produtos correlatos – geladeiras, artigos plásticos, etc., - existentes à venda no mercado atual. No caso da compra irracional ou por impulso – artigos mais pessoais – o indivíduo agirá de forma diferente. Agirá movido pelo impulso. E o profissional de marketing, além de conhecer categoria social, faixa etária e sexo, deve saber também quais os “porquês” das atitudes do público consumidor de determinado produto, antes de planejá-lo. Neste momento, portanto, é de grande utilidade a realização da pesquisa motivacional, a qual revelará ao pesquisador os “porquês” que o indivíduo não costuma revelar normalmente. Atitudes, suposições, sensações, imagens e motivos são tipos de informação que a pesquisa motivacional busca junto ao indivíduo pesquisado e que servem, no caso, para determinar com pequena margem de erro, quais as cores que devem ser empregadas num produto cuja compra é realizada, basicamente, por impulso. Todo comportamento humano é motivado por desejos e/ou necessidades. Mas, como nem sempre as pessoas envolvidas têm consciência dos motivos que as levam a preferir ou rejeitar determinados produtos, a pesquisa motivacional se propõe a descobrir estes motivos, através de testes psicológicos, que determinam e explicam os diversos tipos de comportamento da criatura humana, possibilitando ao homem de marketing, planejar e criar produtos que vão diretamente de encontro às necessidades do público consumidor a que se destinam. Todas estas informações são buscadas pela pesquisa motivacional, através de diversos tipos de testes, como por exemplo: Testes de Associações Livres, Testes de Frases Abertas, TAT – Testes de Apercepção Temática, Testes de Transferência de Sensações, Análises de Reações, Polarização de Idéias e muitos outros. Apesar de haver polêmicas a respeito da validade ou não, em termos éticos, da aplicação da pesquisa motivacional, sabe-se que ela tem sido bastante utilizada dentro das estratégias de marketing, por ser a mais eficaz no sentido de atingir o objetivo do processo, que é vender com considerável margem de lucro. CAPÍTULO VI A COR NO AMBIENTE VI - A COR NO AMBIENTE Sabendo que as cores exercem influências marcantes sobre os indivíduos, é de grande importância que o profissional que se dedica a projetar ambientes – arquiteto, decorador, engenheiro – saiba empregar as cores de forma adequada para que elas produzam os efeitos desejados. A escolha das cores na projeção de um ambiente depende muito de suas dimensões. Em ambientes médios, por exemplo, é aconselhável o uso de cores complementares, diametralmente opostas no disco cromático. Para Simão Goldmann, um ambiente é considerado pequeno quando mede menos de 15m2; médio quando sua dimensão fica entre 15 e 25m2; e grande quando sua média é superior a 25m2. DIMENSÕES: AMBIENTE: Menos de 15m2 Pequeno Entre 15 e 25m2 Médio Superior a 25m2 Grande Quando nos encontramos diante de um ambiente pequeno devemos escolher uma composição monocromática para ser empregada em sua decoração. Ou seja, devemos utilizar uma única cor, sendo que esta poderá ser usada em diversas tonalidades. Pois uma única cor dará uma impressão de unidade no todo, tornando o espaço aparentemente maior. Ao passo que, se forem utilizadas diversas cores haverá divisão de áreas e isto redundará numa diminuição do espaço. Em ambientes grandes, porém, o emprego de três cores do disco, eqüidistantes entre si de 120º - amarelo, vermelho e azul, por exemplo, dará ao ambiente os efeitos de uma harmonia dinâmica. Mas, além da dimensão, há também outros fatores que devem ser considerados no momento de decidir quais as cores que serão usadas para decorar o ambiente. Além da finalidade do ambiente e tipo de indivíduo que vai utilizá-lo– assuntos que veremos posteriormente – é muito importante analisar a orientação solar. Numa parede onde há incidência de abundante luz solar, o seu calor deve ser neutralizado com o emprego de uma cor fria, como o azul claro, por exemplo. Pois tanto o azul, como as demais cores frias, servem como redutoras psicológicas de temperatura. Servem também para aumentar as dimensões criando sensações de distância e de profundidade. Por outro lado, as cores quentes – vermelho, laranja, amarelo – por causarem sensações de excitação, de aproximação e de agressividade, são utilizadas para elevar as temperaturas ambientais, bem como para diminuir, psicologicamente, os espaços. De acordo com a publicação da “Novoambiente – Arquitetura e Decoração”, para aumentar-se a altura de um ambiente, em aparência, pode-se pintar o teto com uma cor pálida e empregar papel de parede ou revestimento de madeira com traços verticais. Para aumentar a sua largura, pode-se utilizar linhas horizontais em tons de azul. 1.0 – A AÇÃO DA COR SOBRE O HOMEM NO AMBIENTE COLORIDO “A cor, por sua expressividade, tem a capacidade de liberar, mais que qualquer outro elemento, as reservas criativas do homem.” Apesar de não haver nada que comprove, cientificamente, que os efeitos causados por estímulos cromáticos se devem a processos fisiológicos, eles são tão reais e espontâneos, que atualmente estão sendo bastante explorados nos mais diversos setores da vida moderna. Experiências psicológicas têm sido realizadas neste sentido, as quais comprovam que os indivíduos reagem de maneira diferente diante de cada uma das cores do espectro. Segue, abaixo, um resumo do que os cientistas têm concluído a respeito dos efeitos da cor sobre o individuo: VERMELHO – É uma cor quente, viva e atuante. É dinâmica e age como se corresse, avançando em direção ao espectador. Jamais se contrai sobre si própria. O vermelho é dominante e reina como senhor em qualquer associação de cores, não aceitando o domínio de nenhuma outra cor. Desperta no indivíduo a paixão, o orgulho, o desejo, a agressividade, a violência, o poder. LARANJA – Possui uma espécie de poder hipnótico que parece penetrar no indivíduo. É a mais quente de todas as cores do espectro. Se a quantidade de vermelho nela contida for pequena produz uma sensação agradável, que pode se transformar num sentimento de violência se esta quantidade for aumentada. Usada junto com vermelhos ou castanhos pode criar ricas harmonias, mas que correm o risco de causar cansaço e fadiga visual. A cor laranja está ligada com esplendor, glória, progresso e vaidade. AMARELO – Também pertence ao grupo das cores quentes, é uma cor alegre que tem o poder de animar o espírito. Causa sensações de calor, de luz, de plenitude. É a cor dos intelectuais. Nos tons amarelo-dourado, representa riqueza e prosperidade; amarelo-limão representa perfídia, traição; e o amarelo- carregado lembra engano e prudência. VERDE – O verde é resultante da mistura de uma cor quente – amarelo – com uma cor fria – azul – o que a torna uma cor cada vez mais fria quanto mais próxima estiver do azul. Portanto, pode atrair ou repelir o indivíduo que a observa dependendo da qualidade da sua mistura. Destaca-se quando colocada ao lado do azul e torna-se fraca junto com o vermelho, laranja ou amarelo. O verde causa sensações de calma e repouso. Quando em tonalidades carregadas desperta euforia e plenitude. O verde é o grande símbolo da esperança. AZUL – O azul, por possuir pouca luminosidade e ser a mais fria de todas as cores, parece recuar diante de nós. É diversas vezes empregada como cor de fundo, quando se quer salientar pormenores expressos através do dinamismo das cores quentes. Causa no indivíduo uma impressão de suavidade, de inacessibilidade, de amplitude, de distância. O azul é também usado para simbolizar a lealdade, a fidelidade, o sonho, o ideal. Azul-claro representa fé. Azul vivo, virtude. VIOLETA – É uma cor séria e melancólica que provoca um sentimento de oscilação e de insatisfação. É resultante da mistura do azul com o vermelho e quando tende muito para o vermelho pode provocar a impressão de que se move em direção a um ponto de repouso. Assim como pode inspirar uma espécie de receio no indivíduo, pode também lembrar a majestade, a pompa, o aparato. CASTANHO – Surge da mistura do laranja com cinza ou preto. O seu efeito é proporcional à quantidade de cor ativa nela contida. É considerada uma boa cor de fundo, por possuir um equilíbrio tranqüilizador junto às cores ativas, permitindo desse modo uma espécie de repouso visual. Desperta sentimentos de gravidade, materialidade, constrangimento e severidade. BRANCO - Situado ao lado de outras cores o branco adquire a cor complementar – fenômeno da pós-imagem. Serve para amenizar as tonalidades das cores. É uma cor que, psicologicamente, torna os espaços mais amplos e os objetos mais leves. Lembra a pureza, a perfeição, o frio. Simboliza a paz, a inocência e a calma. PRETO – Colocada junto com outras cores, age intensificando as suas tonalidades. Reflete também a pós-imagem, além de tornar os espaços exíguos. Ao lado do branco se mostra rígido e solene. Desperta medo, depressão, angústia. O preto é símbolo de morte, luto, terror, ignorância, solidão. CINZA – Apesar de significar, simbolicamente, tristeza, gravidade, austeridade e indigência, quando apresentada nas tonalidades claras, e desespero quando em tom escuro, a cor cinza é a mais indicada para servir de pano de fundo para todas as demais cores. Pois ela desperta no indivíduo uma sensação de equilíbrio, devido à sua ação compensadora de ligação entre todas as cores. 2.0 - A COR NAS INDÚSTRIAS “Wilfrid Garret, antigo inspetor-chefe de fábricas do Ministério do Trabalho Inglês, muito apropriadamente afirmou: - Primeiramente as fábricas foram construídas para conter e proteger as máquinas. Passou-se muito tempo antes que se pensasse que, além disso, deveriam ser edifícios onde vivem os operários que manejam estas máquinas; que as fábricas devem ser prédios onde possam viver seres humanos.” Durante a Idade Média, em que a indústria era apenas artesanal, existiam aglomerados residenciais e de trabalho formados por artesãos de uma mesma especialidade. Eram os feudos onde os senhores feudais, juntamente com todos os seus servidores, formavam uma pacata comunidade com um espírito dominante de união e cooperativismo. Ao longo do tempo os aglomerados ou bairros passaram a ter uma conceituação bem diferente. Devido à atração exercida pelos centros urbanos os bairros nada mais tem a ver com as causas que lhes deram origem, passando a servir, praticamente, apenas para o repouso dos indivíduos, já que a maior parte de seu tempopassou a ser gasta dentro das indústrias e dos estabelecimentos comerciais concentrados nas grandes comunidades urbanas, e nas conduções que os transportam dos bairros para os grandes centros. As condições de vida começaram a mudar, especialmente após a Revolução Industrial. Lentamente iniciou-se um movimento no sentido de proporcionar condições um pouco mais propícias aos trabalhadores. É muito gratificante sabermos que atualmente, apesar de muitos trabalhadores urbanos ainda não possuírem residências que lhes ofereçam os níveis ideais de conforto e que, além disto, precisam viajar todos os dias em conduções super lotadas parachegarem aos seus locais de trabalho, estes pelo menos, vem sendo alvos de preocupações no sentido de serem transformados em ambientes mais agradáveis e adequados às suas funções. Apesar disto ser feito com o objetivo, logicamente, de aumentar a produção e os níveis de lucro, ainda assim os trabalhadores também se beneficiam, embora bem mais ainda possa ser feito se levarmos em consideração todos os efeitos e possibilidades oferecidos, especialmente pela correta aplicação da cor nos ambientes de trabalho, pois este é um elemento de grande importância no comportamento adotado por um indivíduo em determinado ambiente. Sabemos que a cor está intimamente ligada à luz. A cor só pode ser percebida pelo olho humano se houver no ambiente condições adequadas de iluminação – nem pouca luz, nem luz em demasia. Por outro lado a orientação solar dos prédios industriais não pode ser esquecida, quando da escolha de cores adequadas, pois ela é muito importante, não só do ponto de vista técnico de iluminação, como também do ponto de vista térmico. Da boa aplicação da cor na indústria dependem fatores fundamentais como conforto no trabalho, índices de rendimento e o próprio estado de espírito dos trabalhadores. Devemos levar em conta, portanto, problemas tanto de ordem psíquica como fisiológica. O cansaço físico e a fadiga visual são reduzidas a índices mínimos, quando o ambiente é adequado ao tipo de trabalho que ali se realiza. Cria-se uma atmosfera de unidade onde as tarefas são realizadas com maior rapidez e precisão, alcançando-se assim um dos principais objetivos do planejamento de cores na indústria que é criar um clima de tranqüilidade e eficiência, evitando motivos de distrações, reduzindo acidentes e buscando eliminar os desequilíbrios na execução das tarefas. Evitar contrastes excessivos ou insuficientes permite uma melhor visibilidade de qualquer objeto sobre as mesas de trabalho, além de constituir também um valioso recurso, no sentido de evitar enfermidades visuais. A visibilidade (iluminação) adequada e a ideal contrastação de cores no ambiente industrial assumem grande importância, ficando em segundo plano o aspecto meramente decorativo ou estético. O uso da cor, portanto, deve ser decidido em função da luz existente e esta, por outro lado, não deve causar brilhos nem sombras. Os contrastes de luzes devem ser evitados e em seu lugar devem ser utilizados adequados contrastes de cores, por meio dos quais pode-se adequar o fator reflexão de todas as superfícies existentes num ambiente industrial. Peter Hayten apresenta os seguintes índices de reflexão para as superfícies internas de uma instalação fabril: “Os tetos devem ser em branco puro ou algo neutro, particularmente quando a luz é indireta, determinando assim um fator de reflexão de 75 a 85%. Com um sistema de iluminação direta produzirão um reflexo que reduzirá em parte o contraste entre as luzes do ambiente e as naturais. Para evitar que as paredes pareçam excessivamente altas quando ultrapassarem os cinco metros, o excedente deve ser considerado como teto. As paredes, em sua parte superior, devem possuir um reflexo igual ou aproximado ao do teto: 60 a 70% se o piso e os elementos inferiores forem claros, e de 50 a 60% quando estes forem escuros; as partes inferiores das paredes podem estar em torno de 50%. O fator de reflexão dos pisos não deve exceder os 25%. As máquinas, elementos, mobiliários, apresentarão um reflexo de 25 a 30% sendo claros, se os pisos forem claros e mais intensos quando estes forem escuros; porém, neste caso, sua qualidade deve ser clara para que haja um maior reflexo de luz nas partes de concentração do trabalho. O órgão ocular fatiga-se de imediato quando recebe, em períodos curtos, iluminação intensa e com alto grau de resplandecência, e outra menos intensa e mais escura. Os marcos de vãos externos pintam-se de branco neutro ou cores claras para que seja atenuado o contraste entre o interior e o exterior.” A produção dos operários depende diretamente das condições oferecidas pelo ambiente industrial. As cores não são usadas nas indústrias, logicamente, com o simples objetivo de proporcionar conforto e bem-estar aos que ali trabalham. Experiências realizadas nos Estados Unidos comprovam um aumento de produção cerca de trinta por cento, em função da boa aplicação de cores em grandes centros industriais. Além do mais, os gastos efetuados para criar um ambiente adequado serão rapidamente recuperados com o mesmo número de operários tendo em vista os seus resultados. “Na indústria deve reinar uma atmosfera verde. O verde funciona como um complemento restaurador dos esforços despendidos no trabalho, que são psicologicamente vermelhos. Verde é o envoltório da superfície terrestre, dos campos, dos bosques, das florestas. Cor que serve de equilíbrio entre a estática do azul e a dinâmica do amarelo. É a cor repousante e portanto restauradora do equilíbrio.” Segundo Simão Goldmann, é recomendável que em ambientes onde são executados trabalhos físicos, seja usado verde-azulado nas paredes por ser uma cor repousante e equilibrada. Cor ocre nos tetos para possibilitar iluminação suficiente; e marrom nos pisos com objetivo de causar uma sensação de estabilidade. O cinza, em contrariedade à tendência geral, não deve ser utilizado como cor dominante nos ambientes industriais, por ser uma cor que reflete pouca luz e também por se prestar negativamente aos contrastes de cores. A formação da pós-imagem, causada por intensos estímulos visuais, é outro fator que não deve ser esquecido ao planejarmos um ambiente industrial. Por exemplo, quando um determinado operário fixa atentamente por muito tempo um material de cor verde, ao transferir o olhar para uma parede branca ou cinza, verá intensas manchas vermelhas – as pós-imagens do material verde anteriormente fixado. Além do cansaço visual que isto causa, deve ser levado em conta também o fator tempo; pois ao voltar o olhar para o material verde com que está trabalhando, o indivíduo levará alguns segundos até recuperar o perfeito controle da visão. Imagine-se o tempo que será perdido durante um ano de trabalho, fato este que pode ser facilmente resolvido pintando-se as paredes com cores semelhantes às complementares dos materiais usados nas determinadas seções de uma indústria. “O único caso que permite a utilização de cinza-neutro é uma sala ou cabina dos mostruários ou de controle de cores, onde o olho deve descansar em superfícies neutras para conservar todo o seu valor crítico de apreciação de tons.” “Quanto à maquinaria que também exerce uma grande influência no bom andamento do trabalho e na prevenção contra acidentes, seu tom geral deve ser sempre baixo e de qualidade fria, desta maneira, as cores reservadas para determinados avisos (atenção, perigo, etc.) pintados em áreas diminutas e em cores intensas, obtenham destaque e predominem. O corpo da máquina deve ser pintado de cores que harmonizem com as do fundo ou paredes: azul-esverdeado sobre bege, verde-claro sobre avelã, azul-claro sobre creme ou ocre, etc. Em alguma maquinaria de produtos de certo caráter, tais como especialidades farmacêuticas, perfumaria, alimentação, etc., para ajustar a cor à exigências higiênicas e de aspecto apropriado, écolorido o corpo daquela em branco, creme, ocre ou amarelo-claro. A área ou superfície sobre a qual se concentre a atenção do operador deve possuir um bom destaque sobre o corpo da máquina, mas sem que provoque deslumbramentos nem incômodos, sendo pintada com uma cor que contraste com a peça de trabalho a fim de obter a melhor visibilidade, sem fadiga para os olhos.” Vemos, portanto, que a cor possui importância capital sobre as reações físicas e psicológicas do trabalhador industrial, podendo, quando bem usada, amenizar o cansaço físico e estimular-lhe o ânimo. É sabido que a eficiência dos efeitos cromáticos depende muito das boas condições ambientais em geral. Boa iluminação e temperatura adequada são algumas destas condições indispensáveis, mas que podem também ser auxiliadas em sua solução com a correta aplicação da psico-estética cromática. Outro fator a ser levado em conta é a fácil e rápida identificação de locais ou objetos que possam ser considerados perigosos. E para evitar seguidos acidentes nestes locais, uma solução pouco dispendiosa é assinalá-los com cores que chamem a atenção dos passantes ou usuários. A cor nos pisos deve ser aplicada de tal forma que torne facilmente identificáveis as linhas de tráfego. Sinais de Segurança, peças móveis, alavancas, além dos corredores de tráfego, podem ser rapidamente destacados por colorações adequadas. As cores brilhantes alertam o trabalhador aos riscos de equipamentos móveis, mantendo um clima de segurança. Laranja é a cor por excelência das precauções. São, em conseqüência, evitados os acidentes que se verificam tão seguidamente nos locais onde não foram tomadas tais medidas. Extintores de fogo devem ser pintados de vermelho. Em caso de perigo podem ser facilmente distinguidos. E assim também os transportadores, elevadores, equipamentos móveis são limitados por faixas de segurança em cores vivas. As partes mais perigosas, embora tornando-se berrantes, devem ser ainda, assim mesmo, pintados em amarelo e com linhas pretas. Por outro lado, pode-se reduzir a sensação de deslumbramento de janelas pintando os marcos de branco ou com uma cor clara, a fim de diminuir o contraste entre estes e a luz que vem de fora. A cor promove o trabalho, relaciona os empregados entre si e assegura a freqüência ao serviço. Cores alegres e harmoniosas, adequadas a determinada função, tornam as tarefas mais simples e acolhem ao trabalho. Cores violentas e chocantes terão, naturalmente, efeitos opostos.” Apesar de sabermos que atualmente muitos dirigentes industriais têm se preocupado com a criação de adequados ambientes de trabalho em suas indústrias, e que grandes e objetivos estudos têm sido realizados a respeito do emprego correto de cores nestes locais, muito mais ainda pode e deve ser feito neste sentido. O estudo das cores e dos efeitos que estas podem causar sobre o ser humano deve merecer, de todo industrial inteligente, uma atenção especial, pois incidem diretamente sobre a produção, e em conseqüência , dos lucros de seus estabelecimentos industriais. 3.0 – A COR NOS ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS Antigamente as pessoas efetuavam compras em pequenos armazéns geralmente próximos de suas residências. Atualmente, porém, com o surgimento de inúmeras redes de supermercados – que tiveram início nos Estados Unidos, passando depois para o México, estendendo-se em seguida por toda a América do Sul e penetrando também no Mercado Europeu – esta situação mudou completamente. A maioria das compras são realizas em grandes supermercados, shoppings e lojas de departamentos. Isto sem falar nas atuais compras on-line que já são uma promissora tendência que aos poucos vem ocupando o seu espaço na vida das pessoas. Mas este é tema para um outro estudo bem específico e com outras peculiaridades. As vantagens que esses locais oferecem são inúmeras e explicam, ao menos em parte, o segredo do sucesso e popularidade que alcançaram. Dentre elas podemos destacar as seguintes: Preços Mais Baixos – Que no caso dos supermercados podem ser oferecidos devido à realização de compras em grande escala de quase todos os produtos que neles são oferecidos. Concentração de Produtos – Além de oferecerem produtos de quase todas as espécies, ainda colocam à disposição do consumidor uma variada gama de produtos de uma mesma espécie, porém de diversas marcas, embalagens e cores, dando-lhe assim opções na escolha da mercadoria. Ausência de Balconistas - Apesar de algumas pessoas acharem que a compra em supermercado é muito fria e impessoal, a grande maioria no entanto gosta de sentir-se livre para escolher, pelo tempo que quiser, e da forma que desejar tudo o que irá adquirir. Além do mais, há sempre pessoas encarregadas à disposição quando se deseja alguma informação. Estacionamento Próprio – É outro fator importante já que, quase todas as pessoas, por disporem de pouco tempo, ou por simples comodidade, costumam realizar suas compras de carro. Em várias pesquisas realizadas foi observado que os clientes de supermercados tendem a comprar os produtos melhor expostos; conseqüentemente, se algum está com pouca saída é então colocado em melhor exposição, ou seja, mais à vista e a partir daí o seu índice de vendas tende a aumentar. Baseado nisto, os alimentos básicos, tais como açúcar, pão, café, arroz e similares, são sempre colocados nas prateleiras baixas, reservando-se as superiores para gêneros supérfluos como artigos de beleza em geral, entre outros. Os primeiros são artigos que todas as pessoas têm de comprar, enquanto que os segundos, por muitas vezes poderem ser deixados para outro dia, assumem posição de destaque para chamar a atenção e despertar no consumidor o desejo de compra imediata. Além do manuseio do produto pelo próprio consumidor e de suas posições de destaque nas prateleiras, a cor é outro fator que exerce grande importância nas vendas de um estabelecimento comercial, seja ele supermercado ou qualquer outro tipo de loja. A composição de cores a ser utilizada num estabelecimento comercial, deve ser bastante estudada antes de sua efetiva aplicação, pois uma de suas principais funções é atrair o consumidor, estimulando-o a entrar no estabelecimento. Pois, estando ele lá dentro, as inúmeras e variadas embalagens com suas cores quentes, alegres e agressivas, se encarregarão de estimular a compra. Cores demasiado contrastantes nas partes frontais deste tipo de estabelecimento, na maioria das vezes não agradam às pessoas, embora inúmeros decoradores e arquitetos insistam em colocá-las. Segundo pesquisas realizadas neste sentido está comprovado que o comprador é mais atraído por suaves e elegantes combinações de cores claras do que por cores fortes e agressivas. Estas combinações agressivas dão efeito contrário ao desejado. Afastam as pessoas em vez de atraí-las. Com base nestes princípios deve ser levado em conta também que as cores externas de uma determinada casa de comércio precisam ser harmonizadas com a forma e dimensão da mesma e especialmente com o tipo de produto que ali será vendido. Outro fator considerado de grande importância, juntamente com os resultados dos esquemas de cores e que serve para promover a venda dos produtos é a existênciade iluminação adequada em todo o interior do estabelecimento. Os tetos, tanto das vitrines como dos espaços internos, devem ser claros para que permitam uma reflexão de luz adequada. Quanto mais o consumidor permanecer dentro de um estabelecimento comercial, atraído ou estimulado por suas harmônicas combinações cromáticas, maiores poderão ser os lucros deste comerciante. O cinza-neutro é recomendado para servir de cor de fundo nas áreas onde serão expostas as mercadorias, por ter a propriedade de conservar o tom exato de cada sensação visual cromática superposta a ele, conservando assim, a verdadeira tonalidade de cada produto à venda. “Quando forem expostas mercadorias com embalagens de diversas cores, se houver a supremacia de uma delas, o fundo permanente deverá ser da cor complementar desta, em tom bem acinzentado. Se a mercadoria for verde, por exemplo, o fundo deverá ser pintado de vermelho acinzentado. Se a mercadoria predominante for de cor laranja o fundo deverá ser num cinza azulado e assim por diante. Se os artigos se apresentam em cores intensas, as estantes e os balcões deverão ser de cor neutra. Casas que vendam flores são mais atrativas quando nelas reina uma atmosfera verde-clara unindo-as à natureza. Cores intensas nunca devem ser empregadas como cores de fundo. Por outro lado, artigos em cores extremas destacam-se num fundo pérola-claro.” É aconselhável também que, sempre que for possível separar os tipos de mercadorias existentes à venda num estabelecimento comercial em seções distintas, estas sejam decoradas e pintadas com as cores mais adequadas aos tipos de produtos ali expostos. Se houver necessidade de adequar cores às estações do ano, não devem ser esquecidas as conotações térmicas de cada cor. As cores frias devem ser usadas para o verão e as quentes para o inverno, criando-se desta forma uma sensação físico-psicológica de equilíbrio térmico. Assim como no ambiente industrial as cores devem ser cuidadosamente planejadas para que sua aplicação resulte em menor cansaço e maior produção, mais ainda elas devem ser estudadas para a utilização nos estabelecimentos comerciais; pois de pouco ou nada adiantará produzir muito se esta produção não for vendida e consumida no mesmo ritmo. CAPÍTULO VII A COR NA EMBALAGEM Como já vimos, a preferência dos indivíduos por determinadas cores está intimamente relacionada a fatores diversos tais como faixas etárias, cultura, clima, sexo, classe social, etc., além da ligação psicológica das cores com fatos ocorridos no passado. Não é possível, portanto, o estabelecimento de critérios rígidos para o uso da cor, mas com base em inúmeras pesquisas de preferências de cores até hoje realizadas, foram formulados conceitos que indicam a tendência geral das preferências cromáticas da maioria das pessoas. A aplicação da cor na embalagem só poderá alcançar os objetivos que lhe foram propostos se seu criador o fizer baseado em todos os princípios e leis do fenômeno cromático, nas preferências gerais do público consumidor, além da conotação que deve haver entre cor da embalagem e produto nela contido. Portanto, antes de lançar um produto no mercado, ou mesmo de introduzir-lhe modificações, devem ser realizadas pesquisas que cubram, através de amostra representativa, todo o universo consumidor deste produto para que sejam estabelecidos todos os padrões segundo os quais o referido produto ou sua embalagem devem ser planejados e criados. Quando dissemos no Capítulo V que os momentos capitais de importância da cor dentro do processo de marketing eram nos setores de produção (cor no ambiente industrial) e nos setores de venda (cor nos estabelecimentos e na embalagem), não pretendíamos, de forma alguma, desmerecer o valor que tem a adequada aplicação das cores nos setores de propaganda. Mas, apesar de ser a propaganda que leva o produto ao conhecimento do consumidor, a função da embalagem é ainda mais ampla, pois além de ser o elemento que caracteriza o produto entre os demais é também “um pequeno anúncio em cartaz permanente que se multiplica, fantasticamente, milhares ou milhões de vezes, e gratuitamente. Quando o consumidor compra um produto ele o recebe com a sua embalagem. Esta alcança áreas imprevisíveis, funcionando durante muito tempo como um poderoso fator de propaganda, sem qualquer ônus ao fabricante. Cada embalagem, além de identificar o produto, a marca, o fabricante e a qualidade é também um poderoso anúncio.” Além de proteger o produto, a embalagem deve comunicar de forma clara e imediata a sua utilidade e as suas vantagens sobre as demais. A presença da cor na embalagem possui um valor indiscutível, por ser o primeiro detalhe a atingir o olhar do consumidor. Se levarmos em conta as conotações emotivas e psicológicas da cor e de seus efeitos sobre o ser humano, perceberemos que é o elemento mais importante na elaboração e que, portanto, merece os nossos melhores cuidados. Pois, “a embalagem tem a mágica função de dar um ‘psiu’ ao comprador. Além disso deve fazer com que a compra seja renovada impulsionando o consumidor a ficar fiel à sua marca.” 1.0 – COMOTAÇÕES DA COR COM PRODUTOS ALIMENTÍCIOS Como já sabemos, as reações dos indivíduos diante dos estímulos cromáticos diferem entre si de maneira subjetiva e individual, por estarem elas relacionadas a inúmeros fatores. Porém, para os indivíduos que vivem dentro de uma mesma cultura os psicólogos concordam em atribuir certos valores comuns às cores, os quais representam as reações da maioria. Mas, apesar desta esquematização geral de preferências pelas cores, o profissional de marketing tem que ter muito cuidado ao determiná-las durante a planificação de um produto, pois elas são estímulos psicológicos que atingem e influem na sensibilidade do indivíduo, incitando-o a gostar ou não de algo, a negar ou afirmar, a abster-se ou a agir. E muitas destas reações diante das cores estão intimamente ligadas a experiências agradáveis ou não que o indivíduo teve no passado, tornando-se portanto difíceis de serem mudadas. Todos estes fatores devem ser levados em consideração quando da determinação de cores para os produtos, especialmente os alimentícios. Alimento é o tipo de artigo que todos – quer ricos, quer pobres – têm que comprar, pois ninguém vive sem comer. E com a realização de quase todas as compras em grandes supermercados, como vimos anteriormente, onde existe uma enorme e variada gama de marcas de um mesmo tipo de produto ao alcance da mão do consumidor, é importantíssimo o adequado uso da cor em relação aos alimentos ali vendidos. O uso do preto em embalagens, por exemplo, pode exercer efeitos realmente curiosos. As classes sociais mais altas consomem embalagens pretas em percentuais muito mais elevados do que as camadas mais humildes da população. Aspargos, palmitos, vinhos, por exemplo, que são embalados em recipientes onde predomina a cor preta, mesmo quando são mais caros do que outras marcas concorrentes são os mais procurados pelos consumidores destes produtos, possuindo um grande giro nos supermercados. As embalagens destinadas às classes menos favorecidas devem ser confeccionadas em cores claras, tendo como uma explicação bem simples, para contrastar com a vida “escura” destes indivíduos, tão cheia de problemas e tristezas.Segundo pesquisas feitas neste sentido, o preto entre as classes ricas é associado com luxo e sofisticação, ao passo que entre as classes pobres representa luto e tristeza. Existem cores que, quando mal utilizadas, podem exercer efeitos contrários aos desejados. Por exemplo, “um bolo em cuja embalagem predomina a cor verde, influenciado por esta cor, pode sugerir a idéia de um produto mofado. Os produtos alimentícios embalados em cores claras sugerem um sabor menos acentuado do que outros em cores fortes. Por exemplo, um doce de goiaba, cuja embalagem seja de um vermelho esmaecido não pode sugerir o agressivo sabor da goiaba.” Inúmeras pesquisas têm concluído que a maioria dos alimentos deve ser apresentada ao consumidor em cores quentes – vermelho, laranja, amarelo – pois estas são as cores que mais despertam o apetite nas pessoas. Um exemplo disto é o apetite despertado pela cereja, pela maçã e até mesmo pela carne fresca. O marrom é outra cor também indicada como bastante aceitável aos nossos olhos, quando se trata de produtos alimentícios. Temos, por exemplo, o marrom escuro da carne assada, uma inúmera variedade de saborosos chocolates e também o café todos em tons de marrom. E isto, sem falar em certos refrigerantes que atingiram altos e significativos índices de venda. Já as cores frias não possuem grandes conotações com produtos alimentícios, sendo indicadas nas embalagens apenas em alguns casos específicos. Além de frias, estas cores podem, quando em embalagens transparentes, dar ao produto a aparência de que está se diluindo, quando na realidade encontra-se em perfeitas condições de ser consumido. Num produto como o pão, por exemplo, esta cor é completamente desaconselhável. Já no caso de uma água mineral poderá resultar em efeito extremamente benéfico. Conta Modesto Farina, que “há algum tempo constatou a mudança da embalagem de uma conhecida água mineral brasileira, a qual passou a ser feita de um plástico maleável, cujas análises de grau e poluição tinham sido anunciadas em vários órgãos de imprensa como acima do normal. Só a comprovação técnica posterior de que a água tinha condições de ser usada não pareceu suficiente para os que a comercializavam. Era necessário algo que visualmente confirmasse o grau de pureza da água. Isso foi resolvido através da embalagem plástica transparente de cor azul, que dava à água o aspecto desejado por seus vendedores bem como por seus consumidores”, sendo atualmente esta a cor predominante na maioria das embalagens deste tipo de produto. A seguir veremos o resumo das associações das cores com os produtos contidos nas embalagens, tal como o apresenta Modesto Farina: PRODUTO CORES CAFÉ Marrom escuro com toque de laranja ou vermelho. CHOCOLATE Marrom claro ou vermelho alaranjado. GORDURAS VEGETAIS Verde claro e amarelo não muito forte. LEITE Azul em vários tons, às vezes com um toque de vermelho. CARNES ENLATADAS Cor do produto em fundo vermelho, às vezes com um toque de verde. LEITE EM PÓ Azul e vermelho, amarelo e verde com toque de vermelho. FRUTAS E COMPOTAS Cor do produto em fundo vermelho, com toque de amarelo. DOCES EM GERAL Vermelho-alaranjado. AÇÚCAR Branco e azul, com toques de vermelho, letras vermelhas e pretas. MASSAS ALIMENTÍCIAS Produto em transparência com uso de celofane, embalagem vermelha, branca, amarelo-ouro e às vezes com toques de azul. CHÁ E MATE Vermelho, branco e marrom. QUEIJOS Azul claro, vermelho e branco, amarelo claro. SORVETES Laranja, azul claro, amarelo ouro. ÓLEOS E AZEITES Verde, vermelho e toques de azul. IOGURTE Branco e azul. CERVEJA Amarelo-ouro, vermelho e branco. De acordo com a relação acima podemos notar que a cor vermelha é a de maior incidência nas embalagens, pois se faz presente na maioria dos produtos mencionados. Isto vem comprovar o que já foi dito a respeito do vermelho ser a cor de maior poder estimulante do apetite. Outro ponto a ser mencionado quando falamos de relação entre cor e produto se refere ao tipo de iluminação utilizada em locais onde são vendidos produtos alimentícios, pois estes podem ter sua coloração natural alterada se a iluminação não for adequada. Segundo Farina, uma lâmpada néon emite pouquíssimos raios verdes e azuis e muitos vermelhos. Devido a isto, objetos que seriam verdes ou azuis sob a luz natural, por absorverem raios vermelhos, parecerão pretos sob a luz néon. Simão Goldmann cita o uso de luz vermelha em casas de carnes para dar uma aparência melhor ao produto ali vendido, tornando-o, desta forma, mais apetitoso. Diz também que esta medida tem sido grandemente combatida pela Secretaria da Saúde por alterar a condição natural do produto. Outra relação interessante entre o produto e a cor, que deve ser aqui mencionada, diz respeito à sofisticação e a padronização de muitos produtos agrícolas e industriais, a qual é feita através da cor. Pois, por existir em certos produtos como frutas, vegetais, algodão, cereais, etc., uma relação entre a cor e seus conteúdos de proteínas, amido, açúcar e propriedades dietéticas, é através da cor que os técnicos verificam e determinam o grau de conservação destes produtos podendo, conseqüentemente, classificá-los. 2.0 – CONOTAÇÕES DA COR COM PRODUTOS FARMACÊUTICOS Só o fato de um indivíduo encontrar-se enfermo e portanto excluído da situação de normalidade que o cerca, já o torna mais sensível a determinadas situações. A cor neste momento pode exercer grande influência sobre seu organismo que se encontra em estado debilitado. Tanto nas drogas que lhe são medicadas, como também no ambiente de recuperação. Um tranqüilizante, por exemplo, não pode de forma alguma ser apresentado em cores quentes como o vermelho ou o rosa-choque, pois isto provavelmente causaria efeitos contrários aos pretendidos, devido à fácil sugestionabilidade a que está, geralmente, submetido este tipo de consumidor. Calmantes exigem, por seu próprio nome, uma cor repousante capaz de induzir o indivíduo a um estado de relax antes mesmo de ingerir o remédio. As cores neste caso podem exercer grande influência como elementos de sugestionabilidade e condicionamento do indivíduo. Além dos efeitos causados pelas cores aplicadas adequadamente em medicamentos reais, temos também a grande eficácia dos placebos, os quais vêm sendo utilizados há muitos anos sem que ninguém saiba realmente desde quando. Muitas doenças só existem na imaginação das pessoas e podem ser curadas com pequenas doses de água colorida. São os agradáveis enganos que determinadas pessoas precisam. “Para provar que os placebos podiam ser eficazes dois cardiologistas de Londres, Willian Evans e C. Heyele, idealizaram um teste simples que permitia descobrir até que ponto as propriedades analgésicas da morfina atuavam para aliviar os pacientes que sofriam de angina, ou se o alívio decorria, ao menos em parte, da expectativada melhora que o paciente manifestava ao receber a droga. Esta foi aplicada na metade dos pacientes submetidos à experiência, enquanto que a outra metade recebia bicarbonato de sódio. Entre os que receberam bicarbonato de sódio, acreditando que fosse morfina, mais de um terço teve suas dores aliviadas de forma satisfatória.” “Emille Coué, químico francês que viveu no início do século passado, recebeu a solicitação de um cliente que desejava um medicamento cuja receita não podia ser legalmente aviada sem permissão médica. Experimentalmente, Coué ofereceu-lhe uma poção de sua autoria, de igual cor, sabor e cheiro e esta deu bom resultado. Por ter tido êxito ao substituir por água colorida um remédio que, legalmente, ele não podia receitar, a partir dessa experiência desenvolveu sua teoria de que a imagem mental pode, dentro de certas limitações, substituir a virtude de uma droga e de que a imaginação possui poder capaz de dirigir certas atividades vitais devolvendo-nos à normalidade.” Em pesquisa com placebos, orientada por Hanns Peter Struck e pelo Dr. Walmor Berger, foram ministrados a 258 pessoas de ambos os sexos, placebos de cor azul claro que eram tidos como tranqüilizantes e placebos de cor rosa que eram tidos como estimulantes. Os primeiros conseguiram diminuir o pulso e a pressão arterial em 80% dos testados. E os segundos elevaram a pulsação e a pressão arterial em 70% dos indivíduos testados. Além disto, as cores frias não mais eram interpretadas como sendo tão frias, como o eram em estado normal, e as cores quentes não mais tão quentes. Além da utilização da cor nas drogas a sua aplicação em ambientes tem sido também largamente usada como forma de tratamento. Segundo Simão Goldmann, em avançados sanatórios europeus a cor faz parte integrante do tratamento das desordens nervosas e mentais, juntamente com os remédios e demais métodos modernos ali utilizados. Diz também que as radiações vermelhas e amarelas podem causar resultados ótimos em tratamentos de enfermidades da pele e anemias. Já as azuis e verdes servem para diminuir a excitação dos psicopatas. Radiações de tonalidades alaranjadas são utilizadas para resolver os problemas digestivos. Modesto Farina cita Fernand Lérger que diz: “O hospital policromo, a cura pelas cores, salas repousantes, verdes e azuis para os nervosos, outras vermelhas e amarelas para os deprimidos e anêmicos... e a influência da luz-cor agindo sobre eles.” Apesar de muitas controvérsias existentes a respeito do maravilhoso mundo das cores e de seus efeitos causados sobre o indivíduo, sabemos que atualmente estes efeitos têm sido usados de inúmeras formas nos diversos ramos da medicina moderna. Na ludoterapia, por exemplo, que é o tratamento feito através dos brinquedos, o qual tem sido bastante aplicado, a cor exerce relevante papel. Pois serve de elemento altamente eficiente no auxílio que o terapeuta tem que dar à criança no processo de desenvolvimento, de auto-afirmação e de auto-aceitação, para que possa, posteriormente, enfrentar de forma equilibrada o mundo que o rodeia. Em conclusão a este assunto transcreveremos aqui um esquema simplificado dos efeitos fisiológicos mais evidentes que as cores podem causar sobre os indivíduos: VERMELHO: Penetrante e calorífico; aumenta a tensão muscular e, portanto, a pressão sanguínea e o ritmo respiratório. É estimulante mental. LARANJA: Favorece a digestão; acelera o pulso, mas não apresenta efeito algum sobre a pressão sanguínea. Estimulante emotivo. AMARELO: Estimulante da vista e, por conseqüência, dos nervos. Estimulante mental. Pode acalmar certos estados nervosos. VERDE: Baixa a pressão sanguínea e dilata os capilares. Tem sido utilizado no tratamento de enfermidades mentais (histeria, fadiga nervosa) e também para a insônia. Equilibrante, alivia as nevralgias e enxaquecas, mas pode não convir a certos indivíduos nervosos. AZUL: Baixa a tensão muscular e a pressão sanguínea, acalma o pulso e diminui o ritmo respiratório. Emotivo, inspira paz e introspecção e é mais sedativo que o verde para os nervosos. VIOLETA: Atua sobre o coração e os pulmões aumentado-lhes a resistência orgânica. 3.0 – INFLUÊNCIA VISUAL DA COR SOBRE A DIMENSÃO E FORMA DAS EMBALAGENS O atual homem de marketing não pode esquecer que o consumidor contemporâneo não mais compra o produto, pelo próprio produto, como o fazia antigamente. Na maioria das vezes ele compra filosofias, idéias, maneiras de satisfazer suas necessidades e até, por que não dizer, fórmulas mágicas capazes de tornar reais certos anseios que na verdade são irrealizáveis para ele. São os resultados da avalanche publicitária que incide, diariamente, sobre ele. Dentro de toda essa variada gama de idéias, fórmulas, convites, surge a embalagem, como um último estímulo para que o produto seja efetivamente adquirido. Além de identificar o artigo, a marca, o fabricante, a embalagem precisa também salientar as vantagens do seu produto em relação aos demais existentes ao seu redor nas imensas prateleiras dos supermercados e inúmeras vitrines dos shoppings. Ela precisa, por si mesma, destacar-se da maioria. E a cor é o seu grande ponto de apoio nas vitrines neste momento. Mas ao escolher as cores que serão utilizadas numa embalagem, além da conotação com o produto nela contido, o ideal seria estudar também os efeitos de cada cor sobre sua dimensão e forma. Sabemos que as cores claras, ou seja, todos os tons pastéis conferem aos objetos um aparente aumento de seus volumes, enquanto que as escuras os diminuem. Sabemos também que as cores claras são aquelas que refletem mais luz, o que lhes permite dar aos objetos esta aparência de serem maiores do que na realidade o são, devido a uma espécie de relação física que parece haver entre claridade e tamanho. As passo que com as cores escuras, por absorverem mais luz e, conseqüentemente, emitirem menos claridade acontece o inverso. Uma embalagem com predominância de amarelo, por exemplo, parecerá aos olhos do consumidor bem maior do que uma outra predominante em tons de azul claro ou violeta. Segundo Farina “o vermelho, como é refratado levemente pelas lentes do olho, vai se focar atrás da retina. Isto obriga o cristalino a uma curvatura e ao se tornar mais convexo consegue focalizar melhor a cor. Esse movimento, ao empurrar a cor para a frente provoca uma visualização mais clara e maior do objeto ou área pintada de vermelho. Com o azul, porém, acontece exatamente o contrário, e obviamente a imagem é vista menor.” Disto podemos concluir então que a cor azul é indicada para fundo, usando-se o vermelho nas partes em que se deseja maior destaque na embalagem. Os textos, por exemplo, terão maior capacidade de estimular e chamar a atenção do consumidor, quando pintados em vermelho sobre fundo azul do que quando executados ao contrário. Outro aspecto interessante na planificação de uma embalagem é a forma em que ela será apresentada. Temos conhecimento de que o olho humano tende a simplificar as formas quando fixadas por um espaço de tempo muito exíguo. Uma prova disto são as pós-imagens, que mostram contornos mais lisos quando o objeto visto se mostrava muito rico em detalhes de linhas. Além disto, ao planejar uma embalagem deve ser levada em conta a ligação entre a cor e a forma, pois a primeira poderá vir em reforço da mensagem que a segunda contém. Entre os muitos estudosa respeito deste assunto o esquema de associações entre cor e forma de Faber Birren tem sido muito difundido. Ele diz o seguinte: “O vermelho sugere a forma de um quadrado ou de um cubo. Esta cor é quente, seca e opaca na sua expressão. Sendo sólida e substancial, oferece uma atração vigorosa. Em razão de uma distinta apreensão pelo olho, esta cor presta- se a superfícies estruturais e ângulos definidos, agudos, incisivos. “O laranja sugere a forma do retângulo. Ele é menos material em qualidade do que o vermelho, mais impregnado de uma sensação de incandescência. É quente, seco. Visualmente, ele produz uma imagem vibrante e, em conseqüência, presta-se para expressar movimento e bem definir detalhes a elementos que solicitem uma situação de evidência. “O amarelo sugere a forma do triângulo ou da pirâmide com seu vértice para baixo. É a cor da extrema visibilidade no espectro e, portanto, incisiva, angular e tensa em qualidade. Aproxima-se mais a uma sensação lumínica do que a uma substancial, mais condizente à natureza insólita das coisas do que à realista. “O verde reflete a forma do hexágono ou do icosaedro. É frio, refrescante, suave. Não é focalizado distintatemente e por isto presta-se demais às angulosidades. Por sua presença dominante na natureza o verde é uma cor de qualidade e pode impressionar o olho sem perturbá-lo. “O azul implica na forma do círculo ou da esfera. É frio, transparente, úmido, atmosférico. Sua natureza evidencia nobreza, introversão e cria uma impressão de turbidez. Como cor dominante, não se presta para detalhar ou evidenciar. “O púrpura sugere a forma oval; é um tanto mais requintado que o azul e a retina também encontra dificuldade em focalizá-lo. É suave, frívolo e jamais angular. Portanto, como vemos, para que um produto alcance o esperado sucesso no mercado, o mesmo deve ser levado a ele em embalagens bem planejadas, pois este é um fator que, juntamente com as demais qualidades características do produto, o tornam conhecido e desejado pelo público consumidor. 4.0 – A COR DA EMBALAGEM EM FUNÇÃO DOS PONTOS DE VENDA Os principais pontos de venda de produtos em geral, atualmente são os supermercados, os shoppings, ou estabelecimentos similares, que são considerados por Neusa Froes como “a expressão máxima do consumo e do capitalismo. Estão dentro do ritmo de vida dominante por serem lugares onde as pessoas encontram tudo.” É, portanto, nestes lugares que a embalagem deve se encaixar adequadamente, causando através de sua aparência um forte impacto no consumidor, que o levará a diferenciar e adquirir determinado produto. É imprescindível considerar que a embalagem disposta no ponto de venda passa a fazer parte de um todo maior, e que portanto, seu poder de sugestiona-bilidade deve ser bastante forte, para que, unido à sua colocação dentro do todo – produtos localizados em prateleiras superiores do supermercado vendem melhor – possa despertar no consumidor o desejo de possuir o produto. Quando nos referimos a destaque de um produto em relação aos demais num determinado ponto de venda, devemos lembrar que existem fatores grandemente decisivos neste sentido. Modesto Farina cita três como sendo os principais: – Ângulo de Visão – Clareza de Apresentação – Capacidade Rápida de Visualização Em termos de vendas, um produto possui bastante visibilidade, quando ele é facilmente distinguido entre os demais. E um dos elementos capaz de dar- lhe essa característica de visibilidade é a cor, bastando, para isso, que sejam escolhidas para sua embalagem cores suficientemente visíveis como amarelo, laranja, vermelho, etc., dependendo do caso como já foi visto anteriormente. É importante este destaque dado ao produto, pois inúmeras vezes, e isto é experiência diária da grande maioria das pessoas ao percorrer os imensos corredores dos grandes estabelecimentos comerciais em busca do produto que foi comprar, o olhar do consumidor é desviado por algo que lhe chama mais a atenção. Muitas vezes acontece de nos dirigirmos para um ponto de venda com o objetivo definido de comprar um determinado produto e, quando nos damos conta, estamos chegando em casa com uma enorme variedade de produtos, os quais não pretendíamos adquirir naquele dia. Isto acontece, especialmente, devido a impulsos psicológicos que são ligados ao produto através da cor e que desviam a atenção do consumidor naquele momento da lembrança de qualquer outro detalhe. “As cores fortes podem tornar a embalagem muito mais visível do que as cores suaves. As letras impressas na embalagem serão mais visíveis se forem de cor forte sob fundo neutro. Por exemplo, letras verdes sobre um fundo cinzento são mais visíveis do que se essas cores estivessem invertidas. Uma cor suave é sempre dominada por uma forte, como é o caso do vermelho. Obviamente, os detalhes que precisarem de destaque na embalagem do produto devem usar a cor forte. O branco não se fixa na memória, mas funciona em nível de contraste com muito êxito.” Outro ponto a ser destacado e que pode interferir na boa disposição das embalagens nos pontos de venda é o fenômeno da pós-imagem negativa. De acordo com o Capítulo IV, ao fixarmos por alguns segundos um objeto de qualquer cor intensa e brilhante e posteriormente desviarmos o olhar para outra superfície, veremos a imagem do objeto antes percebido, só que da cor complementar à sua. Isto pode causar efeitos indesejáveis nas cores das embalagens, dependendo da sua colocação nos pontos de venda. Por exemplo, se fixarmos uma embalagem predominantemente vermelha e depois uma amarela, a pós-imagem negativa verde da embalagem vermelha, certamente irá interferir na tonalidade amarela, a qual parecerá aos nossos olhos como sendo de um amarelo-esverdeado e assim por diante. CONCLUSÃO Vivemos em um mundo que tem muita pressa. Um mundo extremamente agitado, onde muitos já esqueceram sua real condição de seres humanos, com capacidade para amar, para pensar, para sentir. Um mundo que feito uma engrenagem maluca, vai girando agitada e esmagando os que tropeçam, sem piedade alguma. O que o homem precisa é despertar para o fato de que ele não é apenas uma peça a mais nesta engrenagem. Ele é, isto sim, a peça mais importante, a peça indispensável, a mola-mestra desta grande máquina. É necessário que ele se conscientize disto; que ele pare por um momento apenas e pense nesta realidade; que uma forte luz ilumine, que se imponha à sua frente, fazendo-o perder alguns minutos na sua corrida em busca de dólares, para que ele perceba que não é tão poderoso quanto pensa. Que não é tão forte e tão dono da situação a ponto de poder viver sem se preocupar com o mundo que o rodeia. A ponto de poder passar pela vida sem conceder a si próprio o privilégio da beleza e da ternura que as coisas simples da vida podem oferecer. A vida da criatura humana é uma tênue e frágil chama de vela que um simples vento poderá apagar num momento qualquer. E muitas vezes não pensamos nisto. Nos preocupamos em entender o átomo, quando na verdade não entendemos ainda o amor. Está mais do que na hora de começarmos a nos entender a nós mesmos. De começarmos a valorizar a simplicidade da vida como ela realmente se nos apresenta. Não pretendemos,com isto, dar conselho de boa forma de viver para ninguém. O fato é que este trabalho de pesquisa sobre as cores e suas influências despertou-nos para uma realidade maior. A quantos anos a cor existe? A milhares e milhares de anos certamente. Pois sendo a cor o resultado direto da incidência da luz sobre os corpos que visualmente percebemos, ela existe desde que o mundo foi criado. E apesar de haver inúmeras comprovações quanto à eficácia de seus efeitos, tanto sobre o homem como também sobre toda a forma de organismos vivos existentes sobre a terra, levando-se em consideração a “idade da cor”, chegamos à conclusão de que, praticamente, nada foi feito para que realmente a compreendamos e possamos em conseqüência, utilizá-la para o bem da humanidade. E pensar que a cor é tão antiga e tão poderosa, existe naturalmente no universo e pode ser usada por todos para tornar a vida mais feliz. Basta querer utilizá-la com inteligência e bom senso. Para encerrar, vale registrar aqui uma citação de Modesto Farina em seu livro Psicodinâmica das Cores em Publicidade, que diz: “O consumidor está praticamente envolvido numa corrida sem fim. Ele se antecipa ao futuro, pois é a própria máquina (o grande complexo industrial moderno) que lhe oferece o tapete mágico para o seu avanço. O consumidor, talvez em futuro próximo, não sentirá mais o produto necessitado, pois ele e o produto constituirão um todo fugaz e temporário”. Tomara que antes deste tempo chegar, se é que já não está batendo à nossa porta, possamos acordar e trabalhar por um mundo mais humano. Possamos de alguma forma contribuir, mesmo que com uma pequena parcela, para diminuir as diferenças e paradoxos entre cifras e angústias; entre fome e restos de banquetes jogados no lixo; entre crianças que dormem ao relento e homens que gastam milhões em extravagâncias fugazes e temporárias. Que possamos contribuir para melhorar um pouquinho este mundo de paradoxos e de por quês sem resposta. BIBLIOGRAFIA 1 – BOYD, e Westfall. PESQUISA MERCADOLÓGICA. Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, Brasil. 2 – COCTEAU, Jean e Outros. INSANIA PINGENS. Ciba Limited, Basle. 3 – EGO, Revista 61. Matéria AGRADÁVEIS ENGANOS. Editora Abril, São Paulo, Brasil. 4 – FARINA, Modesto. PSICODINÂMICA DAS CORES EM PUBLICIDADE. 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