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DESENHO E PLASTICAS Gabriel Lima Giambastiani Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1 Teoria das cores Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Explicar os princípios da cor. Construir combinações de cores. Indicar a utilização da cor em projetos arquitetônicos. Introdução O fenômeno da cor está associado à percepção humana e é responsável por despertar alguns tipos de emoções. O ser humano pode perceber um grande número de matizes cromáticas, que são uma gama de ondas eletro- magnéticas compreendidas entre as ondas ultravioletas e infravermelhas. A percepção das cores é uma das responsáveis por criar as mais refi- nadas e emocionantes obras de arte e também algumas das mais belas construções da humanidade. Neste capítulo, você irá reconhecer os princípios do fenômeno da cor e as maneiras mais usuais de agrupá-las para criar combinações cromáticas. Além disso, vai ver diferentes maneiras de utilizar as cores em projetos arquitetônicos. 1 Princípios da cor Segundo Corona e Lemos (1972), cor é a impressão visual provocada pela luz e recebida pela visão. A cor, como fenômeno físico, está associada ao compri- mento de onda da luz (KNIGHT, 2009). Os diferentes comprimentos de onda são relacionados a diferentes percepções de cores, como é possível observar na Figura 1. Hewitt (2009) afi rma que a cor, como experiência fi siológica, reside no olho do espectador. Dessa forma, quando dizemos que uma superfície é azul, estamos dizendo que ela “parece” azul. Essa percepção pode variar de acordo com a espécie do observador (p. ex., humanos, cães, gatos) e, ainda, entre indivíduos da mesma espécie (p. ex., pessoas daltônicas). Portanto, é Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1 importante associarmos o fenômeno da cor à experiência do observador, já que, de acordo com Corona e Lemos (1972), a cor pode infl uenciar o objeto arquitetônico sob dois aspectos principais: o plástico e o psicológico. Figura 1. Espectro eletromagnético: ondas de maior comprimento são relacionadas à percepção de cores quentes; ondas de menor comprimento, às cores frias. Fonte: Ocvirk et al. (2012, p. 196). Em relação aos aspectos plásticos do objeto, é fácil perceber que a percepção de superfícies e volumes é influenciada pelas cores. Observe na Figura 2 a representação de três retângulos de cor laranja. Em cada uma das três imagens, é alterada a cor do fundo. Embora não reste dúvida em relação à sua forma e à sua cor, a percepção de seu contorno e de sua intensidade é acentuada ou amenizada em função da cor do fundo. Esse recurso talvez possa ser mais facilmente percebido no design gráfico, em que as variações de cores e de tonalidades são usadas para se obter diferentes relações formais. No entanto, Teoria das cores2 Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1 também é possível imaginarmos casos de emprego de cores com intenção de acentuar ou dissimular relações formais na arquitetura e no design de inte- riores, como, por exemplo, no uso de cores para destacar elementos (p. ex., uso de uma escada colorida, acentuando o elemento de circulação vertical) ou dissimulá-los (p. ex., rodapés de móveis em cores escuras, para ocultar a existência do elemento). A cor, nesse sentido, deve ser entendida como uma ferramenta à disposição do projetista para alcançar o resultado esperado. Assim como simetria, equilíbrio, proporção, a cor faz parte do instrumental de projeto e não deve ser entendida como ornamento ou recurso acessório. Figura 2. Diferentes percepções de um retângulo em razão de alterações na cor do fundo. Fonte: Doyle (2002, p. 20). As cores também influenciam no estado anímico do observador — estu- diosos como Faber Birren e Joseph Albers estão entre os primeiros a fazer esse tipo de associação (OCVIRK et al., 2014). As cores podem, assim, influenciar na valorização ou na aversão a determinadas cores em aspectos naturais — biológicos, inconscientes (p. ex., associação entre a cor vermelha e o sangue, verde e paisagens naturais) — e também em aspectos culturais, simbólicos, conscientes e aprendidos, como na associação de determinadas cores a países (p. ex., Brasil, verde e amarelo; Uruguai, azul-celeste). Times esportivos, partidos políticos, etc. — todos esses aspectos entram em cena na escolha das cores. Observe o exemplo a seguir: o azul é a cor do Grêmio, time de futebol porto-alegrense; seu rival histórico, o Internacional, tem a cor vermelha no escudo. Nos bares existentes dentro da Arena (Figura 3), estádio do Grêmio, os freezers da Coca-Cola devem ser adesivados para não ostentar a cor do rival futebolístico — vemos, portanto, a importância que um aspecto cultural tem na definição do uso de cores em ambientes internos. 3Teoria das cores Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1 Figura 3. Arena do Grêmio em Porto Alegre: o azul é a cor do time de futebol. Fonte: Arena... (2020, documento on-line). A cor é um fenômeno apreciado de maneira natural e intuitiva pela maioria dos humanos. Usada em manifestações esportivas, políticas, religiosas e artísticas e em diferentes contextos, desempenha papeis relevantes tanto em aspectos naturais, relativos à percepção, quanto em aprendidos, como influ- ências culturais. A compreensão e a sensibilidade a essas condições devem ser desenvolvidas no repertório dos profissionais de arquitetura. 2 Combinações cromáticas Agora que você já sabe o que é a cor e os critérios que infl uenciam na sua percepção, pode pensar no seu uso em conjunto, isto é, nas maneiras de combiná-las. Para Ching e Binggeli (2019), as cores têm três dimensões: matiz, valor tonal e saturação. Matiz é o atributo pelo qual a cor é conhecida e descrita — por exemplo, vermelho, amarelo e azul. O valor tonal diz respeito ao grau de luminosidade ou escurecimento de uma cor em relação ao preto e ao branco. Já a saturação está relacionada à quantidade de matiz de uma cor. Teoria das cores4 Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1 Ao longo da história, foram criados diversos sistemas de classificação e agrupamento de cores. Um dos mais conhecidos é a roda de cores de Brewster/ Prang (CHING; BINGGELI, 2019), que organiza as cores em matizes primá- rios, secundários e terciários. Esse sistema nos orientará na demonstração das relações entre as cores (Figura 4). Figura 4. Roda de cores de Brewster/Prang. Fonte: Ching e Binggeli (2019, p. 117). Cores primárias são aquelas que, em processos tradicionais nos quais são usados pigmentos e síntese subtrativa de cores, não podem ser obtidas a partir da mistura de outras cores — são elas o vermelho, o amarelo e o azul (OCVIRK et al., 2014). Quando duas ou mais cores primárias são misturadas, podemos obter todas as cores possíveis. Quando duas cores primárias são misturadas em proporções iguais, teremos uma cor secundária: vermelho com amarelo cria laranja; amarelo com azul cria verde; e azul com vermelho, violeta. Cores intermediárias, por sua vez, 5Teoria das cores Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1 são a mistura de uma cor secundária com uma primária contígua. Por exemplo, a mistura do verde com o azul resultará no verde-azulado. Fique atento ao fato de que quando falamos de cores primárias normalmente nos referimos a vermelho, azul e amarelo; no entanto, outros sistemas de cores podem ter cores primárias diferentes. Quando falamos de cores primárias, normalmente, referimo-nos ao vermelho, ao azul e ao amarelo; no entanto, outros sistemas de cores podem ter cores primárias diferentes. Segundo Ching e Binggeli (2019), há dois modelos principais de síntese cromática: o modelo aditivo e o subtrativo. No primeiro, somamos duas cores para obter uma terceira — nesse processo, há a presença de luz. É, por exemplo, o que ocorre em projetores que utilizam três cores: vermelho, verde e azul (em inglês, formam o acrônimo RGB — red,green e blue). No segundo modelo, a síntese subtrativa, a mistura de dois ou mais pigmentos ou tinta dá origem a uma terceira cor menos luminosa — aqui não há a presença de luz. Compõem as cores primárias desse processo o amarelo, o magenta e o ciano. Observe que essas combinações de cores criam um conjunto de cores que formarão uma série de relações entre si. A maneira mais fácil de visualizar essas relações é organizando as cores em forma de círculo (Figura 5). Podemos observar que uma relação extrema de contraste é obtida quando agrupamos uma cor com aquela que ocupa o espaço diretamente oposto na roda de cores; essas duas cores são chamadas de complementares. Segundo Ocvirk et al. (2014), uma cor é o resultado da reflexão de um comprimento de onda particular, bem como da absorção dos comprimentos de onda da complementar daquela cor. Quando uma cor e a sua complementar estão próximas, uma relação única e vibrante resulta do contraste, em que cada cor tende a aumentar a intensidade aparente da outra cor. Algo diferente ocorre nas relações entre cores análogas: nesse tipo de relação, são utilizadas cores próximas na roda de cores, obtendo-se uma relação extremamente harmônica, pois os matizes contíguos sempre contêm uma cor dominante. Observe que, na Figura 5, o amarelo é a cor dominante nas cores análogas destacadas. Teoria das cores6 Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1 Figura 5. Relações cromáticas na roda de cores de Brewster/Prang. Fonte: Ching e Binggeli (2019, p. 120). Além das relações de analogia e complementariedade, é possível criar outras relações mais complexas. Organizações triádicas, por exemplo, são criadas posicionando um triângulo equilátero na roda de cores. Imagine uma tríade composta por cores primárias (amarelo, vermelho e azul): nela, haverá bastante contraste entre os elementos. Uma tríade composta por cores secundárias (laranja, verde e violeta) tam- bém será bastante contrastante, uma vez que o intervalo entre as cores é o mesmo, mas menos que o primeiro exemplo, pois quaisquer combinações de dois matizes da tríade compartilharão uma cor em comum (p. ex., laranja e verde compartilham a cor amarela). Outra relação bastante difundida é a baseada em retângulo (Figura 6). Esse sistema, conhecido como tétrade de cores, é criado quando relacionamos quatro cores em função de uma figura retangular. Observe que, quando o retângulo é um quadrado, a tétrade cromática é composta por uma dupla de cores complementares; quando um lado do retângulo é maior em relação ao outro, temos um par de cores análogas que têm uma relação de complemen- tariedade com o outro par. 7Teoria das cores Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1 Figura 6. Tétrade de cores. Fonte: Ocvirk et al. (2014, p. 203). A empresa Adobe, responsável por programas como Illustrator e Photoshop, dispo- nibiliza um serviço on-line gratuito para a criação de composições cromáticas. Nele, é possível criar composições análogas, em tríades, tétrades, dentre outras, e fazer o download do esquema de cores para usá-lo em programas especializados. Para saber mais sobre esse serviço, acesse o link a seguir. https://qrgo.page.link/FYb7X Outra maneira de combinar cores, com amplo potencial da aplicação na arquitetura, é o esquema de cor monocromático, em que se utiliza apenas um matiz, mas se explora o valor tonal desse matiz tendendo ao branco e ao preto (Figura 7). Teoria das cores8 Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1 Figura 7. Escala monocromática: valores tonais tendendo ao preto ou o branco, gerando diversas tonalidades de cinza. Fonte: Berrydog/Shutterstock.com. É possível utilizar qualquer matiz para explorar a variação monocromática, e esse tipo de alternativa é muito usado em diversas áreas, como na arquitetura de interiores, no universo das artes, do design e da moda. 3 Utilização de cores em projetos de arquitetura A aplicação da cor em projetos de arquitetura não deve ser compreendida como algo acessório ou prescindível. Sabendo do seu potencial para infl uen- ciar os sentimentos humanos e a percepção da forma, as cores se tornam um poderoso instrumento nas mãos de um projetista habilidoso. A história da disciplina é repleta de exemplos — seja de arquitetos renomados, seja da arquitetura vernacular — em que o uso da cor tem um papel de destaque na composição arquitetônica. Conta-se que o renomado arquiteto alemão Mies van der Rohe propunha aos seus alunos um exercício que consistia em rea- lizar uma composição cromática harmônica com um conta-gotas e algumas vasilhas de diferentes cores de aquarela (QUARONI, 1987). A anedota ilustra uma característica que o uso de cores em arquitetura compartilha com tantos 9Teoria das cores Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1 outros aspectos da profi ssão: seu domínio e seu refi namento são adquiridos com a prática da sensibilidade. Há, também, motivações práticas e culturais que infl uenciam no uso de cores na arquitetura. Um dos exemplos facilmente reconhecíveis são as construções gregas. Casas brancas com telhados azuis são facilmente identificáveis como parte da paisagem grega, como é possível perceber na Figura 8. Em uma conclusão precipitada, poderíamos assumir que a escolha cromática é o resultado de um nacionalismo exacerbado, fazendo alusão à bandeira grega, que é azul e branca. No entanto, a motivação é mais prática que ufanista: com pouca madeira à disposição, a maioria das construções é feita de pedra, um material que, uma vez que absorve o calor, mantém o interior das edificações quente. A cor branca reflete os raios solares, colaborando para manter o interior dos edifícios mais fresco. Perceba que o uso da cor está associado, aqui, à habitabilidade das edificações, algo que pode ser replicado em situações mais prosaicas, como o uso de telhas metálicas claras na cobertura de edifícios. O azul dos telhados tem uma motivação econômica: um produto de limpeza chamado loulaki, usado para lavar roupas, reage com o calcário, formando uma solução azulada, logo se tornou a padrão. Vemos, com isso, como o uso da cor, principalmente na arquitetura vernacular, é comumente associado à disponibilidade dos materiais e à técnica construtiva local — por isso, encontramos cores que remetem a nomes de lugares, como, por exemplo, o amarelo Nápoles, o terra Siena e o verde Nilo. Figura 8. Santorini, Grécia. Fonte: Setti (2012, documento on-line). Teoria das cores10 Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1 Outro exemplo é o da maestria na utilização das cores que fez com que a Casa Gilardi (Figura 9), de Luiz Barragán, se tornasse uma das principais referências mundiais no assunto, sendo possível fazer uma relação direta de sua obra com seu país de origem, o México. Figura 9. Paredes rosas na Casa Gilardi. Fonte: jlanebennett/Shutterstock.com. A obra de Luís Barragán dificilmente pode ser apreciada em forma de fotografias. No vídeo do link a seguir, é apresentada a Casa Gilardi, na Cidade do México. https://qrgo.page.link/TJFsc 11Teoria das cores Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1 A raiz latina para a palavra cor é o vocábulo celare, que significa ocultar, esconder, o que se deve à ideia que se tinha de que a pintura servia para mascarar algo de qualidade inferior (QUARONI, 1987). A origem é curiosa, uma vez que o emprego da cor tem um potencial imenso de transformar tanto a maneira como percebemos algo quanto nossas próprias emoções. Como foi possível compreender, as cores têm a capacidade de influenciar não apenas o bem-estar psicológico dos usuários dos ambientes, mas incentivar comportamentos desejáveis, como, por exemplo, alegria, excitação, calma e até mesmo confiança. Portanto, as cores são parte essencial do projeto arquitetônico nas mais diversas escalas. Agora que você conhece as principais caracterís- ticas das cores, diferentes maneiras de agrupá-las e algunsexemplos de sua utilização na história da arquitetura, está mais preparado para integrá-las ao seu repertório de técnicas projetuais e usá-las em seus projetos. ARENA do Grêmio. In: WIKIPÉDIA, a enciclopedia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2020. 1 imagem. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/ ac/Arena_do_Gr%C3%AAmio_2014.jpg. Acesso em: 27 fev. 2020. CHING, F. D. K.; BINGGELI, C. Arquitetura de interiores ilustrada. 4. ed. Porto Alegre: Book- man, 2019. CORONA, E.; LEMOS, C. A. Dicionário de arquitetura brasileira. São Paulo: Edart, 1972. DOYLE, M. E. Desenho a cores: técnicas de desenho de projeto para arquitetos, paisagistas e designers de interiores. São Paulo: Bookman, 2002. HEWITT, P. G. Física conceitual. Porto Alegre: Bookman, 2009. KNIGHT, R. D. Física. Porto Alegre: Bookman, 2009. v. 2. OCVIRK, O. G. et al. Fundamentos de arte: teoria e prática. 12. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. QUARONI, L. Ocho lecciones de arquitectura. Barcelona: Xarait Ediciones, 1987. SETTI, A. 10 coisas que você precisa saber sobre Santorini antes de ir. Blog Viagem e Turismo, 2012. Disponível em: https://viagemeturismo.abril.com.br/blog/achados/10- -coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-a-ilha-grega-de-santorini-antes-de-ir/. Acesso em: 27 fev. 2020. Leitura recomendada CHING, F. D. K. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. Teoria das cores12 Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1 Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun- cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. 13Teoria das cores Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1 Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1 Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1 Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1 Nome do arquivo: C11_Teoria_Cores_FINAL_202203041039264168219.pdf Data de vinculação ao processo: 04/03/2022 10:39 Processo: 527832 PRODUÇÃO DE IMAGEM NA PROPAGANDA Juliane do Rocio Juski Teoria da cor Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Identificar a influência das cores na comunicação. � Analisar a aplicação das cores por segmento de negócios. � Reconhecer a tabela Pantone e os exemplos clássicos do uso da cor no marketing. Introdução A cor é um aspecto essencial na vida dos seres humanos, e sua informação e seus efeitos estão presentes em nosso cotidiano, desde uma comida com aspecto estranho até sinais de alerta de perigo. Há vários estudos, principalmente na psicologia, que revelam como o cérebro humano iden- tifica e interpreta as cores de diferentes formas e em diversos contextos. A cor não é apenas uma projeção de raios luminosos, mas um ele- mento da linguagem visual que carrega informações e significados, influenciando emoções humanas, sentimentos e desejos. Por estimular sensações diferentes para cada pessoa, é fundamental compreender como usá-la no campo da publicidade. Neste capítulo, você conhecerá os principais conceitos da teoria da cor e identificará como as cores influenciam no processo de comunicação. Além disso, analisará os efeitos e os estímulos causados sob a perspectiva da psicodinâmica das cores, reconhecendo sua aplicação por segmento de negócios. 1 Cor como informação A cor está presente na vida de praticamente todo ser humano e é um aspecto fundamental de seu desenvolvimento. Essa relação intrínseca do homem com a cor existe desde o surgimento da humanidade, por meio do seu reconhecimento e da representação na natureza, que carrega vários significados — por exemplo, de cuidado, como o amarelo indicando animais venenosos e peçonhentos. Além disso, as cores ilustraram produtos culturais, sociais e religiosos das mais diversas civilizações, bem como representaram rituais e ritos essenciais para a constituição dessas sociedades. No Egito antigo, por exemplo, predo- minou o uso das cores nas imagens dos faraós, sendo utilizadas na pele e nas vestimentas, como forma de diferenciação entre as classes. Os índios também as utilizam em rituais, tanto em seus adereços como nas marcas criadas para os momentos sagrados. Desse modo, percebe-se que a cor não envolve apenas uma nomenclatura ou natureza e origem, mas assume um papel simbólico na percepção humana e na consolidação das ações socioculturais. Nesse sentido, Guimarães (2000) apresenta uma reflexão pertinente sobre o tema. Para ele, a cor pode ser compreendida como um elemento essencial da linguagem visual e, portanto, é informação, pois assume essa característica de carregar um significado. Ao longo das últimas décadas, a imagem vem ganhando destaque, mas não apenas ela, como destaca Guimarães (2000), as cores representam a ala- vanca dos meios de comunicação, porque, desde o surgimento da imprensa de Gutemberg até os dias atuais, a evolução dos meios de comunicação sempre ocorreu com a inserção da cor. O jornal, a fotografia, o cinema e a televisão tiveram em seus primórdios apenas imagens em preto e branco, e o salto de desenvolvimento ocorreu quando se introjetou cores nesses meios. Para o Guimarães (2000), essa demonstração revela a importância da cor para a solidificação e o desenvolvimento das sociedades. Outro aspecto destacado por Guimarães (2000) se refere à importância da cor no contexto contemporâneo. Para ele, vivemos uma era em que a imagem ocupa cada vez mais espaço em nosso cotidiano, não apenas ilustrando textos, mas se construindo como texto. A imagem carrega signos e significados, e seu impacto visual ganha ênfase quando é colorida. Isso resulta em uma expansão dos processos de visualidade imagética. Teoria da cor2 Nos estudos da semiótica, o signo é definido como um elemento ou entidade que carrega uma mensagem ou um fragmento dela. Cada signo é uma unidade dicotômica, composta pelo significante, que se refere à forma física, e pelo significado, que diz respeito à interpretação exterior do signo e não precisa ser associado à sua forma. Estudos científicos sobre cor Muitos investigadores se propuseram a compreender a cor e sua origem; desde Platão, Aristóteles e Pitágoras há investigações sobre a origem das cores no mundo. Nesse período, os pesquisadores ficaram convencidos de que a cor era algo próprio do objeto, ou seja, uma propriedade carregada pelo objeto e que não poderia mudar (GUIMARÃES, 2000). A partir do século XV, o estudo das cores foi foco das observações feitas por Leon Battista Alberti e Leonardo da Vinci, das quais emergiram os tratados sobre cor na pintura, e por matemáticos e físicos, como Kepler, Descartes e Newton, cujos estudos sobre a luz, sua refração e a reflexão são os mais conhecidos (GUIMARÃES, 2000). Newton conseguiu, por meio de um ex- perimento, realizar a refração da luz em um prisma, fenômeno que resultou na separação da luz em sete cores visíveis. Como resultado desses estudos, segundo Guimarães (2000), surge, com Goethe, o primeiro estudo interdisciplinar e organizado sobre as cores, no livro Doutrina das cores. Considerado um marco histórico para a teoria da cor, o livro de Goethe é separado em quatro partes, nas quais são estabelecidos os princípios cromáticos, que podem ser compreendidos sob as perspectivas fisiológica e física, como cores químicas, e sob a perspectiva psicológica. “Esta última parte acrescentada em um momento posterior e definida como o estudo da atuação das cores sobre a alma [...]” (GUIMARÃES, 2000, p. 2). No contexto moderno, surgem estudos sobre a importância e o impacto das cores na percepção humana com os estudiosos da Escola da Gestalt, com a semiótica e com os mestres da Bauhaus (GUIMARÃES, 2000).Desse modo, é possível perceber que os estudos sobre a teoria da cor, suas origens, percepções, conceituação e aplicabilidade são tema de diversas áreas do conhecimento, tendo, assim, um caráter interdisciplinar. 3Teoria da cor Para Guimarães (2000), além de apresentar aspectos físicos, fisiológicos e psicológicos, a cor assume uma função essencial como código específico da comunicação humana, e sua significação acontece por meio de variantes culturais que interferem na manutenção ou na mudança desse código. Para o autor, “A apreensão, a transmissão e o armazenamento ‘cor’ (como texto cul- tural) são regidos por códigos culturais que interferem e sofrem interferências dos outros tipos de códigos da comunicação humana (os de linguagem e os biofísicos) [...]” (GUIMARÃES, 2000, p. 4), ou seja, ele defende que a cor é um fenômeno semiótico e uma manifestação cultural, por isso é carregada de informação. Além disso, é um elemento da linguagem visual e, devido à sua complexidade, possibilita a criação de um vocabulário específico para compor sua sintaxe visual. A semiótica designa o campo de estudos que busca compreender a construção do sentido, abrangendo todos os elementos verbais e visuais, por meio do estudo do signo e do significado dado a ele. Conceituação de cor Com os inúmeros pesquisadores dedicados ao estudo das cores, era inevitável que surgissem várias conceituações para o mesmo termo. Guimarães (2000) apresenta essas conceituações desde os autores clássicos, como Aristóteles, passando pelos da Idade Média, como Newton, os do século XIX, como Go- ethe, até as visões modernas e contemporâneas sobre o tema. Por meio dessas conceituações, o autor estabelece que a pesquisa sobre cor se inicia na Grécia antiga, com a compreensão de propriedade ou qualidade de um objeto. Quem corrobora essa ideia é Aristóteles, descrevendo-a como propriedade dos corpos. Teoria da cor4 Um segundo conceito surgiu com Euclides, ainda na literatura clássica, que fez a primeira afirmação explícita sobre a relação da cor com a luz, definindo-a como qualidade da luz sobre os corpos. Porém, apenas com a consolidação dos estudos de Newton, na Idade Média, que se estabeleceu o alicerce sobre a cor como luz. Para Newton “[...] as cores não são qualificações da luz, derivadas das refrações ou reflexão dos corpos naturais, são propriedades originais e inatas que diferem em raios diferentes [...]” (NEWTON, 1704 apud GUIMARÃES, 2000, p. 9). Portanto, com os estudos sobre as propriedades da luz, Newton identifica que a cor não é um elemento pertencente a um objeto, mas sim a reflexão da luz por meio de ondas. Cada cor apresenta uma frequência dife- rente e será percebida por meio da absorção ou reflexão dos raios luminosos. Já Goethe, no século XIX, construiu sua teoria baseado na contestação das ideias de Newton. Para Goethe, a cor é uma ação da luz sobre a visão. “As cores são ações e paixões da luz. Nesse sentido, podemos esperar delas apenas alguma indicação sobre a luz. Na verdade, luz e cores se relacionam perfeitamente, embora devamos pensa-las como pertencendo a natureza em seu todo: é ela inteira que assim quer se revelar ao sentido da visão [...]” (GOETHE, 1810 apud GUIMARÃES, 2000, p. 9). Segundo essa teoria, a cor não é apenas um fenômeno físico, mas uma construção do sentido da visão, incluindo, assim, a questão da percepção visual. Schopenhauer vai além de seu mestre Goethe, definindo a cor como um fenômeno da percepção e da cognição, no qual o mundo sensível é a nossa representação, ou seja, a cor pertencer ao objeto ou não, interfere na forma como é percebida e interpretada, e esse processo só ocorre por meio do intelecto (GUIMARÃES, 2000). Para concluir, Guimarães (2000, p. 12) define uma visão contemporânea e moderna sobre a cor como “[...] uma informação visual, causada por um estímulo físico, percebida pelos olhos e decodificada pelo cérebro [...]”. Desse modo, o autor explica que a cor é percebida ou como um estímulo físico, sendo esse o meio que carrega a materialidade das fontes, ou como causa da cor, sendo ela cor-luz ou cor-pigmento. Esse estímulo é processado pelo cérebro, que atua como o suporte responsável por decodificar o estímulo físico e transformar a informação da causa em sensação, resultando no efeito da cor. Além disso, o significado desse efeito será baseado nas concepções culturais de cada sujeito. 5Teoria da cor Diferença entre cor-luz e cor-pigmento Guimarães (2000) esclarece que quando uma cor tem como fonte de sua formação luzes coloridas, emitidas de forma natural ou produzidas pela filtragem ou decomposição da luz branca, o estímulo visual recebe o nome de cor-luz; já quando é formada por substâncias coloridas ou corantes que cobrem os corpos, e a luz que age como estímulo obtido por meio da refração, recebe o nome de cor-pigmento. Seguindo a vertente da semiótica, Guimarães (2000) estabelece que a cor é um conceito com poder de expressão, portanto, possui uma dimensão aplicativa. Assim, quando aplicada a algum objeto, desempenhará uma função específica com determinada intenção, ou seja, a cor atua como informação. A sua aplicação intencional possibilitará ao objeto que contém a informação cromática receber a denominação de signo. “Ao considerarmos uma aplicação intencional da cor, estaremos trabalhando com a informação latente, que será percebida e decifrada pelo sentido da visão, interpretada pela nossa cognição e transformada numa informação atualizada [...]” (GUIMARÃES, 2000, p. 15). Portanto, ao compreendermos a cor como informação, partimos do pres- suposto de que as cores são elementos da sintaxe da linguagem visual e, portanto, essenciais para o processo de comunicação, pois trata-se de um dos diversos códigos da comunicação humana. Nesse sentido, cabe destacar que a cor assume um papel fundamental na construção das imagens e impacta diretamente nas ações e nos processos da comunicação. Quando aplicada em determinado contexto, a informação fornecida pela cor assume sentidos distintos, que auxiliam no processo de emissão e recepção da mensagem. Cor como função Para Farina, Perez e Bastos (2006) a cor pode ser definida como uma sensação visual consciente de uma pessoa, cuja retina foi estimulada pelos raios de luz irra- diados. Segundo os autores, as cores influenciam o ser humano, tanto na questão fisiológica como psicológica, intervindo no cotidiano e despertando sensações como alegria, tristeza, calor, frieza, equilíbrio, ordem ou desordem, para eles, “As cores podem produzir impressões, sensações e reflexos sensoriais de grande Teoria da cor6 importância, porque cada uma delas tem uma vibração determinada em nossos sentidos e pode atuar como estimulante ou perturbador na emoção, na consciência e em nossos impulsos e desejos [...]” (FARINA; PEREZ; BASTOS, 2006, p. 16). Essa função da cor, como um elemento de percepção visual que necessita de interpretação física e psíquica, é denominada psicodinâmica das cores. Nesse sentido, as cores podem assumir diferentes significados, dependendo do contexto e da bagagem cultural de cada sujeito. A mesma cor pode repre- sentar sensações positivas em determinado contexto e, em outro, assumir uma interpretação de cunho negativo. Portanto, conforme destacam Farina, Perez e Bastos (2006), estudar a psicodinâmica das cores é mais complexo do que apa- renta, porque sua interpretação está relacionada aos aspectos psicológicos, ao mesmo tempo que sofre influência de fatores culturais e aspectos fisiológicos. Assim, a cor assume funções que extrapolam o ato de ilustrar ou colorir determinado objeto, pois possui a função de informar, sensibilizar e dar sentido aos elementos da linguagem visual. No campo da comunicação e do marketing, os conhecimentos acerca da psicodinâmica das cores interferem na recepção da mensagem e na mediação entre marca e público. De acordo com Farina, Perez e Bastos (2006, p. 16): O estudo das coresna comunicação e no marketing permite conhecer sua potência psíquica e aplicá-la como poderoso fator de atração e sedução para identificar as mensagens publicitárias sob todas as formas: apresentação de produtos, embalagens, logotipos, anúncios, etc. [...]. Os autores revelam, portanto, que a linguagem da cor pode ser entendida como um meio atrativo que atua no subconsciente do público-alvo, favorecendo o alinhamento entre as estratégias de comunicação e os objetivos dos produtos e da marca. Quando nos deparamos com cores positivas ou harmônicas, temos uma tendência natural de atração e de reagir favoravelmente a mensagem transmitida, porque elas carregam uma carga simbólica importante. Estamos vivendo em uma iconosfera cada vez mais tomada pelas imagens e, nesse contexto, a linguagem imagética se constrói na ideia de que os elementos visuais são forças psíquicas e simbólicas, que podem ser mais fortes que as experiências reais (FARINA; PEREZ; BASTOS, 2006). Assim, as mutações psicológicas que a formação visual promove irão ter um impacto direto no campo sociológico, resultando em uma nova forma de viver e estar no mundo. É exatamente na captação desse fenômeno que a publicidade se baseia para atingir sua função principal: contribuir para a venda, construir uma imagem e instigar o interesse no consumo. 7Teoria da cor Sintaxe da cor A cor é uma linguagem individual, visto que o homem reage a ela de acordo com suas condições físicas e suas influências culturais, por isso, possui uma sintaxe que pode ser transmitida. O domínio da cor abre inúmeras possibili- dades de estudo para aqueles que se dedicam a compreender os processos de comunicação visual. Essa sintaxe é composta por elementos que compõem a mensagem visual, como luz, o movimento, o peso, o equilíbrio, o espaço e as leis que definem sua utilização (FARINA; PEREZ; BASTOS, 2006). De acordo com Farina, Perez e Bastos (2006), a cor, além de possuir a capacidade de movimento, ao se relacionar com outras cores dentro de um espaço bidimensional, provoca o fenômeno do contraste, que pode influenciar dentro desse espaço. Esse aspecto é essencial no campo da publicidade, pois envolve a questão da legibilidade e da visibilidade. O uso da cor complementar produz esses efeitos contrastantes e resulta em um efeito plástico, que pode aumentar a beleza e o efeito de um projeto gráfico. O contraste entre os tons quentes e frios resulta em sensações de calor e frio, percebidas pelo indivíduo que recebe o estímulo visual. Essas relações de calor e frio são afetadas pela composição das cores em relação aos demais elementos. Em geral, as quentes são classificadas quando derivam do vermelho ou laranja; já as frias, vêm do azul-esverdeado. Portanto, a cor é uma realidade sensorial que atua sobre a emoção humana, pois produz sensação de movimento, uma dinâmica envolvente e compulsiva, por isso, suas propriedades são utilizadas para diversos fins. Percepção cromática Silveira (2015) apresenta uma visão semelhante a de Farina, Perez e Bastos (2006) ao destacar que a cor se constitui por meio de uma percepção cromá- tica, que é constituída com base na construção de significados históricos e culturais atrelados às cores. Para estudar a construção simbólica da cor e seus efeitos perceptivos, a autora afirma que precisamos nos atentar a três aspectos fundamentais sendo: � a construção cultural simbólica social e coletiva; � a materialização dos significados em dicionários de cor; � os efeitos psicológicos da construção, ou seja, como a cor afeta a per- cepção humana. Teoria da cor8 A construção de sentido está diretamente ligada a questões culturais, como tradições e outros elementos de percepção, auxiliando na interpretação ou na construção de novos significados. “Cada cor tem a sua história, marcada por hábitos e significados, e é isto o que a torna passível de classificação. Podem- -se tomar as cores como instrumentos ativos de uma determinada cultura e, no caso da cultura ocidental, tem-se as cores culturalmente atreladas aos significados [...]” (SILVEIRA, 2015, p. 122). Com base nesses estudos, estabeleceu-se uma relação de significados para as cores, assim como o efeito que cada uma tende a causar, dependendo do contexto em que são aplicadas. Conheça os principais significados das cores atribuídos por Pastoreau (1997 apud SILVEIRA, 2015) a seguir. � Vermelho: transmite a sensação de calor e pode ser interpretado como calor, fogo, perigo, sangue, alerta, proibição, mas, também, pode reme- ter a amor, paixão, erotismo, sensualidade ou significar dinamismo e criatividade. Como efeito, o vermelho tende a despertar os sentimentos de alegria, felicidade intensa, beleza, raridade, além das sensações de apreensão, aviso, atenção, prazer proibido, amor sem consequências, energia, movimento e sabedoria. � Amarelo: é normalmente associado à luz e ao calor, remete a qualidades como prosperidade, riqueza, alegria, energia, mas, também, pode ser relacionado a doenças, loucura, mentira, traição, melancolia e outono. Seus efeitos, segundo Silveira (2015), podem estar atrelados à sensação de calor e verão, alegria e energia (devido ao calor do sol), tensão, ao estímulo à busca por poder e riqueza material, além de ser interpretado como excitação e atenção, auxiliando na retenção de informações na memória. � Azul: é a cor preferida pela maior parte da população ocidental, segundo Pastoreau (1997 apud SILVEIRA, 2015), pois está associada a infinito, longínquo, sonho, fidelidade e fé, mas, também, está atrelada à sensação de frio, frescura e água. É a cor real e aristocrática. Seus efeitos estão associados aos sentimentos de paz e tranquilidade, infinito espacial, expansão de superfícies, segurança e conforto da família, frio, pureza, transparência, luxo, requinte e realeza. � Verde: é conhecido como a cor do destino, da fortuna e do dinheiro, tam- bém está associada à esperança, ao meio ambiente e à ecologia. Remete à higiene, à saúde e à juventude, mas, também pode ser interpretada como a cor da libertinagem, do que é estranho, cor ácida, que pica e envenena (PASTOREAU, 1997 apud SILVEIRA, 2015). Seus efeitos 9Teoria da cor estão associados à sensação de esperança, controle do próprio destino, completude, modéstia, refrescância, jardim, ambiente naturalmente saudável, jovialidade e energia, saciedade. � Branco: é ligado ao significado de pureza, castidade, virgindade, ino- cência. É a cor de higiene, limpeza, frio, estéril, simplicidade, paz, sabedoria e velhice, bem como da aristocracia, da monarquia e do divino. Seus efeitos estão atrelados ao sentimento de harmonia, paz, sinceridade e ingenuidade, além de transmitir a sensação de limpeza, realeza, suporte a espiritualidade, harmonia estética, ainda, pode ser interpretada como gelada e inverno. � Preto: é atribuída ao sentido de morte, falta, pecado, desonestidade, tristeza, solidão e melancolia, mas, também, está associada a qualidades como austeridade, renúncia e religião, além de ser interpretada como a cor da elegância, da modernidade e da autoridade. Seus efeitos podem causar sensação de perda, introspecção, escuridão, bem como estimular o sentimento de precisão científica e tecnológica e poder de julgamento. Análise de mercado em função da cor A cor é uma ferramenta mercadológica muito importante. De acordo com Farina, Perez e Bastos (2006), as cores podem ser definidas como um código linguístico visual de fácil entendimento e assimilação e, por isso, podem ser usadas estrategicamente como um instrumento didático. Portanto, as cores formam uma linguagem visual que tem a vantagem de superar as barrei- ras impostas pelos idiomas e seus problemas de decodificação, afinal, não é necessário ser alfabetizado ou poliglota para compreender as sensações transmitidas pelas cores. Essa psicodinâmica das cores, revelada por meio das sensações e percepções a elas atribuídas, é um elemento essencial parao campo da comunicação, principalmente para a publicidade. Desse modo, conforme apresentam Farina, Perez e Bastos (2006), a cor deve ser um elemento crucial no planejamento das ações de comunicação, por exemplo, na escolha para uma embalagem de produto. Para os autores, essa seleção da cor deve ir ao encontro do perfil do consumidor, da região, da classe social e muitos outros fatores. Além disso, é importante atentar à questão do equilíbrio entre forma e cor, uma vez que eles são elementos básicos da comunicação visual “Alguns dos efeitos da cor são: dar impacto ao receptor, criar ilusões óticas, melhorar a legibilidade, identificar uma determinada categoria de produto, entre outros [...]” (FARINA; PEREZ; BASTOS, 2006, p. 136). Teoria da cor10 Segundo Farina, Perez e Bastos (2006), a cor pode ser considerada a alma do design e está, particularmente, arraigada às emoções humanas. Ao assumir sua função prática, tem o papel de distinguir, identificar e designar o status de um produto. Já em sua função simbólica, pode refletir e instigar sensações e percepções cognitivas, como amor, perigo, paz e energia. Quando assume a função indicial e sinalética, ou seja, enquanto índice e símbolo, a cor pode resultar em sinais informativos, como proibição ou advertência. De acordo com Farina, Perez e Bastos (2006), os profissionais de comunicação utilizam das cores de forma estratégica, com o intuito de criar construções visuais de unidade, diferenciação e sequência, ou, até mesmo, com o objetivo de instigar sentimentos, sugerir ações e criar efeitos. Um exemplo prático de como ocorre essa aplicação no mercado é a relação das cores por segmento de negócios. O amarelo, por exemplo, por ser associado à energia, ao calor e ao otimismo, pois representa o sol e o verão e tem como efeito o estímulo às atividades intelectuais e ao raciocínio. Por isso, em geral, está atrelado às empresas dos segmentos jornalísticos, professores, animadores e palhaços. Já o laranja, por estar relacionado ao significado de entusiasmo, vitalidade, prosperidade e sucesso, reflete a ideia de negócios criativos e ousados. Assim, é comum observarmos a aplicação dessa cor em identidades visuais ou colorindo espaços de ginásios, segmentos de aventura e marketing. O vermelho, por sua vez, é uma das cores mais simbólicas do mercado, com muitas significações, desde paixão até fome. Por ser uma cor quente, estimula o sistema nervoso e dá energia ao corpo, por isso, empresas do segmento de fast-food ou negócios que envolvam velocidade e ação a utilizam como elemento identificador. O azul é bastante utilizado nos segmentos de empresas corporativas, além de empresas do ramo financeiro, pois está atrelado à questão da tranquilidade, da serenidade, da harmonia e transmite as sensações de confiança, de força e seriedade. Já o verde, é mais aplicado ao segmento da saúde e do meio ambiente, afinal, sugere a sensação de equilíbrio emocional, harmonia, esperança, saúde e liberdade, além de estar associado à natureza, ao meio ambiente e ao carinho. Em empresas do segmento de limpeza ou de cunho religioso é comum encontrar o branco. Essa associação acontece por se tratar de uma cor que transmite pureza, tranquilidade, paz, além de limpeza e organização. Dessa forma, você pode notar como a escolha das cores não deve ser aleatória, pois sua psicodinâmica apresenta um raciocínio lógico por trás das escolhas, focadas em como elas impactam na recepção e na decodificação das mensagens. 11Teoria da cor McDonald’s e o significado do amarelo e do vermelho inconfundíveis Em qualquer lugar do mundo, ao avistar a letra “M” em amarelo, com um fundo vermelho, haverá a associação inconsciente com a rede de fast-food McDonald’s. Os estudos da psicologia das cores demonstraram que o amarelo é relacionado à energia e ao conforto, desse modo, ver o logo da rede faz o corpo liberar substâncias que estimulam a sensação de felicidade e bem-estar; já a cor vermelha, além de chamar a atenção, está ligada ao sentimento de fome. Portanto, é comum associar as sensações de fome e bem-estar às cores da marca McDonald’s. Um estudo realizado em 2006, pelo periódico Management Decision, revelou que a maioria das pessoas decide comprar algo em apenas 90 segundos. Sobre os fatores que interferem na decisão de compra, 62 a 90% das pessoas entrevistadas responde- ram que fazem a escolha com base nas cores que vêm, ainda que seja uma resposta inconsciente (ÉPOCA NEGÓCIOS ONLINE, 2018). Consciente ou não, as cores possuem um papel estratégico na comunicação, pois são carregadas de significados e conotações, afinal, influenciarão a maneira como as pessoas processam a informação. Por isso, sua combinação, no mundo da publicidade e do marketing, pode gerar um caso de extremo sucesso, ou de desastres visuais que afetam a sobrevivência do negócio. 2 Classificação das cores Existem duas diferenciações básicas entre a origem das cores. Como men- cionado por Guimarães (2000) e corroborado por Silveira (2015), que destaca os principais fundamentos da percepção física da cor, os primeiros aspectos que devem ser consideramos nos estudos são os físicos. Eles envolvem o conhecimento sobre a trajetória luminosa da luz e sua refração em raios luminosos. Além disso, há também a percepção cromática dos sólidos de cor, que indicam a construção dos círculos cromáticos que irão proporcionar a primeira organização do universo visual e as perspectivas sobre as cores saturadas e suas diversas possibilidades de valor. Esses aspectos são essenciais para a compreensão da cor e suas funções em projetos visuais, seja no campo do design ou da publicidade. Segundo Silveira (2015), os sólidos de cor são importantes porque apresentam a primeira noção de construção da identidade. Teoria da cor12 Cor pigmento A cor pigmento, segundo Silveira (2015), pode ser definida como a substância material constituinte do objeto, sendo caracterizada de acordo com a natureza química. As cores pigmentos possuem a propriedade de se fixar, em maior ou menor grau, e se exaltar em determinados objetos. Desse modo, o objeto pode absorver, refratar ou refletir os raios luminosos. Por isso, quando um elemento é chamado de vermelho, ele se caracteriza por possuir a capacidade de absorver quase todos os raios da luz branca incidente, refletindo apenas os raios vermelhos. Esse processo recebe o nome de síntese subtrativa, pois subtrai todos os raios até restar apenas um. De acordo com Silveira (2015), a classificação das cores ocorre segundo suas características e formas de manifestação, além da percepção cromática. Assim, um dos conceitos mais importantes na classificação cromática são as cores primárias. “A cor primária é assim denominada por ser cada uma das três cores indecomponíveis. Quando misturadas em proporções variáveis produzem todas as cores do espectro visível. Existem dois conjuntos de cores- -pigmento com suas respectivas cores primárias ou geradoras, e o processo de obtenção da mistura desses dois conjuntos de cores é o mesmo já́ definido como síntese subtrativa [...]” (SILVEIRA, 2015, p. 47). Na classificação das cores-pigmento, é culturalmente definido que as primárias, indecomponíveis desse conjunto, seriam o vermelho, o amarelo e o azul, sendo o preto resultado da síntese subtrativa entre as três cores primárias. Porém, como esclarece Silveira (2015), esse conjunto de cores foi uma construção cultural, que tem, até hoje, grande força de construção simbólica. No entanto, essa tríade de cores primárias não funciona como cores primárias químicas, ou seja, desse ponto de vista, o vermelho, por exemplo, não é uma cor indecomponível, pois sua decomposição resulta em outras duas cores: o amarelo e o magenta. Do mesmo modo, a síntese das três cores primárias não resulta em preto, mas sim em um cinza neutro, pois não é possível, quimicamente, obter o preto nesse processo. Portanto, na teoria das cores, o conjunto de cores-pigmentoprimárias é composto por magenta, amarelo e ciano. “A mistura destas três cores, assim como a sobreposição destes três filtros coloridos interceptando a luz branca, produz igualmente o cinza-neutro por síntese subtrativa [...]” (SILVEIRA, 2015, p. 48). 13Teoria da cor A partir dessa perspectiva, foi estabelecido no mercado a implementação das cores CMYK (Figura 1) para peças gráficas, ou seja, qualquer projeto que seja impresso em papel ou utilizando tinta e pigmento, deve se basear nessa classificação. A sigla CMYK é a abreviação de ciano (C), magenta (M), amarelo (Y) e preto (K). Embora as cores primárias sejam apenas ciano, magenta e amarelo, como explicado por Silveira (2015), a obtenção do preto é inviável quimicamente, por isso, a indústria incluiu o preto na composição básica. Este é o modelo mais indicado para qualquer tipo de impressão. Figura 1. Sistemas de cores subtrativas. Fonte: Andrade (2016, documento on-line). Cor-luz Além da classificação das cores segundo os aspectos químicos, há também sua classificação de acordo com o espectro eletromagnético. Silveira (2015) define a cor-luz como o intervalo visível do espectro eletromagnético, em que sua principal propriedade consiste na síntese das três cores primárias resultarem na luz branca. Portanto, diferente do sistema de cores-pigmento, no qual a adição das cores primárias vai diminuindo a reflexão dos raios luminosos e, consequentemente, escurecendo-as até atingir, em tese, o preto, na classificação de cores luz o resultado é o inverso, a adição de todas as cores resulta no branco. Segundo Silveira (2015), o estímulo da cor-luz é obtido de duas formas: por meio de uma fonte de luz monocromática ou por meio da dispersão dos raios luminosos não monocromáticos. Teoria da cor14 As cores-luz primárias são formadas pelo vermelho (red), o verde (green) e o azul-violeta (blue), conhecido como sistema RGB. A partir da mistura dessas três cores, em proporções distintas, é possível criar outras cores do espectro cromático. Esse processo, que acompanha as cores-luz, é chamado de síntese aditiva. Conforme descreve Silveira (2015), as cores secundárias do sistema RGB são o magenta, o amarelo e o ciano, que resultam da soma de duas cores-luz primárias. Por exemplo, quando o vermelho (primária) e o verde (primária) estão sobrepostos, haverá́ como resultado o amarelo (secundária). Do mesmo modo, o azul adicionado ao verde resultará em ciano. Esse processo de produção das cores é denominado cores complementares, por exemplo, o vermelho é complementar ao ciano, o verde é complementar ao magenta e o azul complementar ao amarelo. Assim como acontece com as cores-pigmento, a síntese das cores-luz primárias, em tese, deveria resultar no branco, mas isso não ocorre na prática. Segundo Silveira (2015), o branco puro não pode ser reproduzido, pois não se conseguem fontes de luz primárias (R, G e B) absolutamente puras. O sistema RGB (Figura 2) é utilizado em objetos que emitem luz, como computadores, televisão, câmeras e celulares. As cores obtidas nesse sistema seguem uma escala que varia entre 0 e 255, quando todas estão no máximo (255, 255, 255), o resultado é a cor branca (máxima presença de luz); e, quando todos estão no menor valor (0, 0, 0), o resultado é a cor preta (máxima ausência de luz). Portanto, o sistema RGB é indicado para utilização em projetos digitais. Figura 2. Sistemas de cores aditivas. Fonte: Andrade (2016, documento on-line). 15Teoria da cor Tabela Pantone A marca PANTONE, criada em 1963, pela Pantone Inc. de Lawrence Herbert, desenvolveu um sistema inovador de identificação, combinação e comunicação de cores, com o intuito de resolver problemas associados à reprodução precisa de suas combinações na comunidade de artes gráficas. A visão de que o espectro de cores é visto e interpretado diferentemente por cada indivíduo conduziu à invenção do Pantone Matching System, um manual de cores padrão, em formato de leque ou chip (PANTONE, 2020a). O sistema Pantone é passível de aplicação têxtil, digital, impressa ou plástica. A empresa com sede em Carlstadt, Nova Jersey, nos Estados Unidos, tornou- -se, então, autoridade mundial em cores, principalmente por seus sistemas e tecnologias de ponta criados para reproduzi-las com precisão (PANTONE, 2020a). A marca estabelece padrões nas etapas de seleção, comunicação e controle das cores para garantir a exatidão. O nome PANTONE tornou-se referência como a linguagem padrão para a comunicação em todas as fases do processo de gerenciamento de cores, desde o designer até o fabricante. Outro segmento da companhia é o Pantone Color Institute, criado em 1989, que é, atualmente, o setor responsável pelas pesquisas de tendências e busca as fundamentações para a escolha da cor do ano. A metodologia utilizada pelo Instituto Pantone é mantida em segredo, mas a companhia assegura que as premissas básicas de sua metodologia envolvem as etapas de pesquisa. Além disso, o Pantone Color Institute presta consultoria para marcas que querem efetuar melhorias para estar em conformidade com as tendências de consumo por meio do uso de cores (PANTONE, 2020a). Cor do ano Pantone Além de ser conhecida por sua exatidão no processo de obtenção das cores, a Pantone Inc., desde 2000, indica a cor que será tendência no ano e servirá como inspiração para diversas áreas. Segundo a empresa, o processo de seleção da cor do ano é resultado de uma profunda análise e pesquisa do mercado em tendências. Para chegar à seleção, os especialistas em cores do Pantone Color Institute acompa- nham diversos movimentos ao redor do mundo em busca de influências. Isso pode incluir a indústria do entretenimento, com o cinema, as galerias de arte, os novos artistas e os desfiles de moda; as áreas de design gráfico e de produto; e os destinos mais procurados para viagens, incluindo estilos de vida, estilos de jogos e condições Teoria da cor16 socioeconômicas diversas. As influências também podem resultar de novas tecnologias, materiais, texturas e efeitos que afetam a cor, plataformas relevantes de mídia social e até eventos esportivos que capturam a atenção mundial. Ao longo desses vinte anos, a escolha da cor do ano vem influenciando as decisões de desenvolvimento e compra de produtos em vários setores, incluindo moda, decoração e design industrial, além de embalagens de produtos e design gráfico. Veja, na figura a seguir, as seleções de cor do ano dos últimos anos. Fonte: Pantone (2020b, documento on-line). Atualmente, a marca Pantone tornou-se uma grande influenciadora do mercado mundial, ditando tendências por meio da escolha da cor do ano. A iniciativa surgiu em 2000, quando foi anunciada pela primeira vez, desde então, anualmente, uma cor é escolhida para ser a cor do ano, com base nos estudos desenvolvidos pelo Instituto Pantone. Em 2020, a cor escolhida foi a 19-4052 Classic Blue. Segundo a Pantone (2020a), sua escolha inspira calma, confiança e conectividade, para eles, o azul resiliente aumenta a inspiração, por ser uma base sólida e estável, além de representar uma escolha para en- trar no limiar de uma nova era. Logo após o anúncio da cor do ano, surge no mercado mundial uma série de produtos inspirados nela, desde smartphones, computadores, esmaltes, roupas e diversos outros itens. A Pantone, em seu site, define a escolha como uma seleção simbólica de cores, uma representação do que tem sido demonstrado em nossa cultura, uma expressão de atitude e estado de espírito (PANTONE, 2020a). 17Teoria da cor Figura 3. Cor do ano de 2020. Fonte: Pantone (2020b, documento on-line). As cores produzidas pela Pantone são caracterizadas pela exatidão, por isso são bastante utilizadas na indústria gráfica. Diferente dos sistemas CMYK e RGB, apresenta as cores em seu catálogo por meio de uma numeração espe- cífica. Um exemplo é o vermelho da marca Coca-Cola, que nem sempre, por meio da especificação em RBG ou CMYK, é possívelconseguir; já com o uso da tabela Pantone, essa precisão é mais garantida. O vermelho Coca-Cola é representado pela cor Pantone 185. Um outro exemplo para representar a importância dessa tabela no dia a dia do profissional é comunicação, como no caso de uma impressão que utiliza cores fluorescentes, tanto o sistema RGB como o sistema CMYK são incapazes de reproduzir essa cor, pois esse tipo de coloração é resultado da síntese de quatro cores. Desse modo, a tabela Pantone é eficaz para reproduzir cores fluorescentes e garantir que a impressão do material sairá conforme o projeto inicial. Teoria da cor18 Azul Tiffany, exclusividade da Pantone Em 2001, a Pantone fez uma parceria com a famosa joalheria americana Tiffany & Co. para transformar a icônica cor azul Tiffany em uma cor exclusiva, registrada e secreta, com o intuito de que fosse instantaneamente reconhecida, independentemente do seu meio de reprodução. Assim, foi criado o Pantone Azul 1837, numeração que representa o ano de inauguração da primeira loja da grife. Embora a cor tenha ganhado a codificação da tabela Pantone, ela não está disponível na tabela, porque, de acordo com a parceria entre as marcas, não seria disponibilizada para comercialização. Afinal, é um dos valores intangíveis mais valiosos da grife, repre- senta seu branding e se transformou em um verdadeiro caso de sucesso sobre a força de uma cor para a solidificação de uma marca. O sucesso da cor tem um começo peculiar, quando o criador da joalheria Tiffany, Charles Lewis Tiffany, escolheu o azul turquesa para ilustrar a capa do catálogo anual da coleção de joias da marca, em 1845, e teria feito essa opção devido à popularidade das joias de cor turquesa na época. Desse modo, a cor ficou associada à marca e passou a representar luxo e sofisticação. A consolidação da marca foi ainda mais enfática com a criação das famosas embalagens, que consistem em uma caixa azul com laço branco, feitas especialmente para o lançamento das alianças de diamante feitas à mão, em 1886. A aliança era entregue na delicada caixa de presente, que, após sua associação com o anel, tornou-se tão cobiçada quanto à joia, independente do seu conteúdo. ANDRADE, F. Falando sobre cores: entenda o que é CMYK, RGB e Pantone. 2016. Disponível em: https://sala7design.com.br/2016/06/falando-sobre-cores-entenda-o-que-e-cmyk- -rgb-e-pantone.html. Acesso em: 9 mar. 2020. ÉPOCA NEGÓCIOS ONLINE. Porque empresas de fast food têm logos com cores vibrantes. 2018. Disponível em: https://epocanegocios.globo.com/Empresa/noticia/2018/09/ por-que-empresas-de-fast-food-tem-logos-com-cores-vibrantes.html. Acesso em: 9 mar. 2020. FARINA, M.; PEREZ, C.; BASTOS, D. Psicodinâmica das cores em comunicação. São Paulo: Edgard Blücher, 2006. GUIMARÃES, L. A cor como informação: a construção biofísica, linguística e cultural da simbologia das cores. São Paulo: Annablume, 2000. PANTONE. Pantone 19-4052 classic blue. 2020b. Disponível em: https://www.pantone. com.br/inteligencia-da-cor/cor-do-ano-2020-classic-blue/. Acesso em: 9 mar. 2020. 19Teoria da cor PANTONE. Sobre a Pantone. 2020a. Disponível em: https://www.pantone.com.br/sobre- -a-pantone/. Acesso em: 9 mar. 2020. SILVEIRA, L. M. Introdução à teoria da cor. Curitiba: UTFPR, 2015. Leituras recomendadas CUTE DROP. A história da cor que virou uma marca. Ou da marca que virou uma cor. 2016. Disponível em: https://www.cutedrop.com.br/2016/03/a-historia-da-cor-que-virou- -uma-marca-ou-da-marca-que-virou-uma-cor/. Acesso em: 9 mar. 2020. GOETHE, J. W. Doutrina das cores. São Paulo: Nova Alexandria, 2013. GUIMARÃES, L. As cores na mídia: a organização da cor-informação no jornalismo. São Paulo: Annablume, 2003. Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun- cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. Teoria da cor20 TEORIA E PRÁTICA DA COR Derli Kraemer Influência das cores nas artes Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Reconhecer o histórico da cor no campo das artes. � Identificar os aspectos conceituais e simbólicos da cor nas artes. � Aplicar as composições cromáticas utilizadas no campo das artes. Introdução As cores sempre estiveram presentes. No começo da história do homem, as cores faziam parte mais das necessidades psicológicas do que das estéticas, como, por exemplo, na história dos egípcios, que sentiam na cor um profundo sentido psicológico, tendo cada cor uma simbologia. Nas artes, Vincent van Gogh (1853-1890) conferiu às suas pinturas sensa- ções cromáticas que traduzem intensas cargas emotivas e psicológicas. Também foi no século XIX que houve um interesse maior em estudar cientificamente a cor, com a participação de filósofos e escritores. Neste capítulo, você vai conhecer o histórico da cor no campo das artes, identificando os aspectos conceituais e simbólicos da cor nas artes e vendo como aplicar as composições cromáticas utilizadas no campo das artes. Histórico da cor no campo das artes Entre as possibilidades de ferramentas para a expressão artística, a cor está pre- sente desde a Pré-História, nas pinturas rupestres, como a mostrada na Figura 1, encontrada no nordeste brasileiro. Com muita criatividade, os hominídeos criaram cores a partir de diversos materiais, como carvão e ossos queimados para obter o preto; óxido de ferro, cera de abelha e substâncias líquidas como clara de ovo para obter o amarelo; sangue e argila para obter o vermelho; cálcio, giz e outras substâncias para obter o branco. Sua arte representava o cotidiano, com cenas de caça e pessoas, e também tinha características religiosas. Leitores do material impresso, para visualizar as figuras deste capítulo em cores, acessem o link ou o código QR a seguir. https://goo.gl/ogk12E Figura 1. Pintura rupestre encontrada no nordeste do Brasil. Fonte: Arte Brasileira UTFPR (2012, documento on-line). Influência das cores nas artes84 Durante toda a história humana, as cores estiveram presentes nas artes. A técnica e a tecnologia foram aprimoradas, acompanhando sua própria época; por exemplo, as cores estavam presentes em brasões e bandeiras. Expressões representadas por cores, que dependendo da cultura são diferentes, simbolizam religiosidade, paz, guerra, luto e outras situações. Segundo Fraser e Banks (2007), na Idade Média, os artistas, sobretudo europeus, tinham ao seu dispor uma grande quantidade de pigmentos diferen- tes, extraídos de plantas e minerais, assim como pigmentos manufaturados. O vermelho, que inicialmente era extraído de insetos, também podia ser extraído do enxofre e do mercúrio (altamente tóxicos). Tais pigmentos eram difíceis para aplicar, pois alguns reagiam quimicamente com outros, causando efeitos adversos. O pintor italiano Cennino Cennini (1370-1440) escreveu sobre os pigmentos em um trabalho bastante detalhado, que incluía receitas químicas para a ma- nufatura de pigmentos especiais. Seu trabalho explicou regras de proporção, perspectiva e cores. Durante o Renascimento, as técnicas antigas foram modifi- cadas pela presença das tintas a óleo. Algumas cores nem são mais fabricadas, como o ultramarino, que é um azul extremamente escuro, sendo diluído com pigmento branco para sua utilização. Acompanhe exemplos nas Figuras 2 e 3. Figura 2. Madona Cigana, de Ticiano, 1512. Fonte: Dias (2018, documento on-line). 85Influência das cores nas artes Figura 3. Madonna Benois, de Leonardo Da Vinci, 1478. Fonte: Virgem Benois (2017, documento on-line). Observe que na pintura de Ticiano temos uma paleta mais expansiva, enquanto na pintura de Da Vinci temos um efeito extremamente rico, com uma paleta de coresestreita e não saturada. Influência das cores nas artes86 Já Piero Della Francesca (1416-1492) utiliza a pintura como suporte para a construção geométrica da imagem. Na pintura Ressurreição de Jesus, de 1450, pode-se observar a disposição piramidal da obra, na qual o ponto mais alto é justamente a cabeça de Jesus. Observe as cores com ênfase nas cores mais suaves e luminosas para representar o Cristo (Figura 4). Figura 4. A Ressureição de Jesus, de Piero Della Francesca, 1450. Fonte: Della Francesca (2018, documento on-line). Caravaggio (1573-1610) já é um artista que não se interessou pela estética do Renascimento, buscando modelos entre músicos e pessoas comuns, do povo. Não havia, para Caravaggio, beleza apenas na aristocracia. Com grande conhecimento sobre a perspectiva e os efeitos de luz e sombra, o artista explorou espaços amplos em suas obras. 87Influência das cores nas artes Figura 5. O tocador de alaúde, de Caravaggio, 1596. Fonte: Dias (2013, documento on-line). É muito difícil falar sobre o histórico da cor nas artes sem falar de Vincent Van Gogh. Segundo Proença (2014): [...] conhecer Vincent Van Gogh é entrar em contato com um artista apai- xonante. Alguém que se empenhou profundamente em recriar a beleza dos seres humanos e da natureza por meio da cor, que para ele era o elemento fundamental da pintura. Em 1888, Van Gogh libertou-se do naturalismo no emprego das cores. Passou a colorir como sentia e percebia os assuntos de maneira arbitrária. Tinha paixão por cores intensas. Influência das cores nas artes88 Figura 6. Jardim de Maraíchers, de Van Gogh, 1888. Fonte: Beaux-Arts (2012, documento on-line). Nas próprias palavras do artista, citadas por Proença (2014): [...] agora nós temos aqui um glorioso e forte calor sem vento, o que é bom para o meu trabalho. Um sol, uma luz, que por falta de nome melhor, eu chamo de amarelo, amarelo-limão-claro, limão-claro-ouro. Como é bonito o amarelo! (Extraído de Tout l’ouvre peintde Van Gogh, Paris. Flammarion, 1971. V.2, p. 126. Les classiques de l’art Flammarion.). Em sua última fase, após sair de uma profunda crise nervosa e internação, instalou-se em Anvers, uma pequena cidade ao norte da França, e, em um período de três meses, pintou aproximadamente 80 telas, com pinceladas cada vez mais visíveis e cores intensas como suas emoções. Em julho de 1890, suicidou-se, deixando 879 pinturas. Foi reconhecido, apenas após sua morte, como o pintor que deu os primeiros passos no que seria a arte moderna. Como diz Proença (2014), morreu sem que fosse compreendido o seu esforço para libertar a beleza dos seres por meio de uma explosão de cores. Mas a cor não é uma exclusividade da pintura. Observe a Figura 7, um exemplo do uso da cor arquitetura e no design de interiores. A casa Tassel, de 1893, é uma edificação do arquiteto Victor Horta, que fica em Bruxelas. A casa foi projetada completamente estilo Art Noveau, com muitos detalhes em ferro e vidro uso abundante de formas orgânicas. 89Influência das cores nas artes Figura 7. A Casa Tassel, de Victor Horta, 1893. Fonte: Bastos (2017, documento on-line). Na Figura 8, você pode ver a obra Harmonia em vermelho, de Henri Matisse, pintor francês que participou dos movimentos Expressionista e Pós-impres- sionista e foi o expoente máximo do Fauvismo. Nessa obra, o artista fez uma combinação de cor tríade, usando na maior parte o vermelho, complementando com o amarelo e o azul. Influência das cores nas artes90 Figura 8. Harmonia em vermelho, de Matisse, 1908. Fonte: Pacheco (2017, documento on-line). O Fauvismo tem algumas características marcantes, como a aplicação de cores vivas e puras, com pinceladas justapostas e irregulares. As formas são reproduzidas de maneira simplificada, sem preocupação com a forma exata. Há também uma ruptura com o rigor da anatomia, resultando em algo mais espontâneo. A emoção do artista é mais relevante, sendo a impressão sobre a natureza mais importante do que a forma perfeita. Há uma perspectiva exagerada, por vezes. Segundo Müller (1976), o crítico de arte Camille Mouclar, do jornal Le Figaro, disse certa vez que, nas obras fauvistas, parecia que tinham jogaram uma lata de tinta no rosto do público. Sendo um movimento vanguardista do século XX, o Fauvismo gerou comentários pela novidade. Os artistas que compuseram esse movimento eram conhecidos pelo uso da cor, que, na arte medieval, era usada principalmente para detalhar e trazer mais realidade para a forma, enquanto os fauves buscavam um equilíbrio estético, independente da busca que os acadêmicos estavam acostumados. 91Influência das cores nas artes Nos primeiros anos do século XX, havia muita incerteza sobre o futuro, com o avanço tecnológico e econômico em largos saltos. Apesar de Matisse declarar sua busca por “paz e serenidade” (CHIPP, 1999), as telas dos fauvistas causaram grande impacto. Segundo Janson e Janson (2009), os principais representantes desse movimento foram Henri Matisse, André Derain, Maurice Vlaminck e Raoul Dufy. As cores falam. Transmitem uma mensagem que é emoldurada pela forma. Por meio da cor podemos despertar memórias, influenciar comportamentos diversos. Existem cores que são, por exemplo, sagradas em diversas culturas. Segundo Heller (2013), o amarelo é divino para os chineses, já o verde é sagrado para os islâmicos. O azul é a cor da pele dos deuses indianos, para justamente diferenciar dos mortais. Ao escolher uma cor para uma peça, é necessário ter responsabilidade para com a cultura em que está inserida. Aspectos conceituais e simbólicos da cor nas artes Segundo Fernand Léger (1989, p. 93): A cor é uma necessidade vital. É uma matéria-prima indispensável à vida, como a água e o fogo. Não é possível conceber a existência dos homens sem um ambiente colorido. As plantas, os animais se colorem naturalmente; o homem se veste com cores. Sua ação não é só decorativa, é psicológica. Ligada à luz, ela se torna intensidade, se torna necessidade social e humana. O sentimento de alegria, de emulação, de força, de ação se acha fortalecido, ampliado pela cor. Nessa citação, o autor identifica a cor como um elemento vital indispensável à própria vida. Por meio da cor é possível demonstrar além da forma. Nas artes, a cor é, sobretudo, sentimento, como preconizou Van Gogh. Influência das cores nas artes92 Harmonia e contraste Segundo Fraser e Banks (2007), harmonia de cores é o efeito obtido por uma cor cuja tonalidade muda, controlada pela variação da saturação e luminosi- dade. Esse controle é obtido por meio da adição de branco ou preto. O objetivo pode ser a ênfase de um elemento específico. Veja um exemplo de harmonia na Figura 9. Figura 9. Escala harmônica do vermelho. Existem várias formas de se utilizar a harmonia. Por exemplo, a saturação é quando há soma de uma única cor às demais. Já a harmonia monocromática utiliza-se de um matiz e de sua variação de luminosidade. O contraste ou, a harmonia complementar, ocorre ao observarmos o círculo cromático, escolhendo uma cor e seguindo na direção oposta para encontrar a cor complementar — a cor que está do outro lado do disco cro- mático. A isso chama-se díade de complementares. E também há a harmonia triádica: três cores que se ligam por um tri- ângulo equilátero imaginário, inserido no círculo cromático. A harmonia quadrática é formada por tétrades, que definem um quadrado formado pela união de duas díades perpendiculares entre si. E apenas para complementar: as cores se análogas têm uma sequência de cores adjacentes. A Figura 10 ilustra esses exemplos. 93Influência das cores nas artes Figura 10. Exemplos de círculos cromáticos. Fonte: Bastos (2017, documento on-line). Concluímos então que as cores harmônicas não disputam a atenção do observador, enquanto o esquema contrastante deve ser testado com esmero, pois essas cores tendem a competir pela atenção. Essa competição, metodicamente escolhida por pintores como VanGogh, tem uma ligação tanto com as descobertas iniciais de Isaac Newton quanto com os primeiros passos para o estudo da psicologia das cores de Johann Wolfgang von Goethe. Sir Isaac Newton explicou, no século XVII, com o uso de um prisma, como a luz branca é separada em diferentes cores, enquanto, em 1810, Goethe publicou seu trabalho A Teoria das Cores, no qual discorda de Newton sobre a divisão do espectro, pela visão da ciência de dividir algo para estudá-lo, pois achava que isso era nocivo, pois rompendo em pedaços, acabava-se o sentido da unidade. Sob este olhar, Goethe abordou o tema da cor por um olhar mais humano. Esse estudo, aprofundado por Heller (2013), explica as sensações que as cores transmitem, podendo ser usadas também de forma absolutamente consciente na criação de peças, tanto quanto um artista pode escolhe-las de Influência das cores nas artes94 acordo com sua vontade criativa. No caso do uso consciente, artistas, diretores de arte em agências de publicidade, designers gráficos, designers de produto, designers de interiores e outros especialistas podem usar esse conhecimento para obter melhores resultados em seus trabalhos. Acompanhe o Quadro 1. Fonte: Adaptado de Heller (2013). Azul Frio e passivo, tranquilo e confiável. Azul está para virtudes intelectuais como o seu oposto, o vermelho, está para paixão. Vermelho Quente, próximo, atraente e sensível. Amarelo Lúdico com laranja e vermelho, amável com azul e rosa. Combinado ao cinza e ao preto, atua negativamente. Lembra inveja e ciúme. Verde Tranquilizador ao lado do azul e do branco. Esperança com azul e amarelo. Salutar ao lado do vermelho. Venenoso ao lado do violeta. Branco Ideal e nobre com ouro e azul. Objetivo com cinza. Leve com amarelo. Delicado com o rosa. Preto Ríspido e duro com cinza e azul. Elegante ao lado do prata e do branco, poderoso acompanhado de ouro e vermelho. Rosa Terno e feminino com vermelho, infantil com amarelo e branco, doce e barato com laranja. Laranja Divertido com amarelo e vermelho. Com dourado, prazer. Com violeta, intruso. Com verde e marrom, aromático. Marrom Aconchegante com cores ensolaradas e luminosas. Fora de moda com todas as cores inexpressivas. Careta e insuportável com cinza e cor de rosa. Com branco, efeito não erótico. Com verde e violeta, efeito acre e intragável. Quadro 1. Cores comumente citadas como relacionadas a conceitos Essa tabela é mínima, na verdade. Uma pequena amostra de um estudo maior sobre a influência das cores em outras atividades, para demonstrar que as cores estão presentes e são essenciais para as artes. 95Influência das cores nas artes 1. As cores por si só, usadas de forma uniforme, seriam limitadas, porém elas podem ser combinadas, aumentando suas variações. Qual é a classificação dessas combinações de cores nas composições de ambientes? a) Primárias e secundárias. b) Harmônicas e contrastantes. c) Opostas e semelhantes. d) Consonantes e dissonantes. e) Terciárias e opostas. 2. Henri Matisse foi o expoente máximo do movimento artístico que floresceu na França entre 1901 e 1908. O trabalho de Henri Matisse foi influenciado por qual estilo artístico? a) Fauvismo. b) Modernismo tardio. c) Renascimento. d) Pop Arte americana e) Regionalismo. 3. Há 40 mil anos foram criados os primeiros pigmentos, que combinavam carvão queimado, gordura animal e solo, assim os artistas criaram uma paleta básica de quatro cores, quais são elas? a) Amarelo, vermelho, preto e branco. b) Amarelo, vermelho, roxo e branco. c) Vermelho, preto, verde e branco. d) Azul, vermelho, preto e branco. e) Amarelo, vermelho, azul e branco. 4. A oposição entre luz e sombra se desenvolve entre dois polos: preto e branco. O contraste entre as cores dos corpos e do cenário substitui as linhas de contorno na pintura. Essa utilização de luz e sombras ficou conhecida como? a) Chiaroscuro (claro- escuro em italiano). b) Oposição de cores. c) Cor pigmento. d) Cores frias e quentes. e) Luz e cor. 5. Harmonia cromática é o resultado do equilíbrio entre cor dominante (que possui a maior extensão na composição), cor tônica (coloração vibrante que dá tom ao conjunto) e cor intermediária (meio termo entre a dominante e a tônica). Com base no estudo de harmonias, podemos dizer que a imagem a baixo é uma: Fonte: Pierre-Auguste Renoir (documento on- -line, 2012). a) harmonia monocromática. b) harmonia complementar ou de contraste. c) harmonia triádica. d) harmonia quadrática. e) harmonia por saturação. Influência das cores nas artes96 ARTE BRASILEIRA UTFPR. Arte rupestre no Brasil. 1 jun. 2012. Disponível em: <https:// artebrasileirautfpr.wordpress.com/2012/06/01/arte-rupestre-no-brasil/>. Acesso em: 13 jan. 2019. BARROS, L. R. M. A cor no processo criativo: um estudo sobre a Bauhaus e a teoria de Goethe. 3. ed. São Paulo: Senac São Paulo, 2006. BASTOS, T. R. Círculo cromático: aprenda a combinar cores na decoração. Casa e Jardim, 9 mar. 2017. 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Acesso em: 13 jan. 2019. 97Influência das cores nas artes PIERRE AUGUSTE RENOIR, (French — Albert Cahen d’Anvers — Google Art Project. jpg. Wikimedia Commons, the free media repositor, 19 out. 2012. Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pierre-Auguste_Renoir_(French_-_Al- bert_Cahen_d%27Anvers_-_Google_Art_Project.jpg>. Acesso em: 17 jan. 2019. PROENÇA, G. História da arte. 17. ed. São Paulo: Ática, 2014. VIRGEM BENOIS. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2017. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Virgem_Benois>. Acesso em: 13 jan. 2019. Leituras recomendadas BARROSO, P. F.; NOGUEIRA, H. S. História da arte. Porto Alegre: Sagah, 2018. GOETHE, J. W. Zur Farbenlehre. Berlin: Createspace, 2014. Influência das cores nas artes98 Conteúdo: TEORIA E PRÁTICA DA COR Derli Kraemer Sensações visuais acromáticas e cromáticas Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Conceituar as sensações visuais acromáticas e cromáticas. � Identificar as composições formadas por cores acromáticas e cromáticas.� Aplicar as composições acromáticas e cromáticas. Introdução As cores têm forte influência no comportamento das pessoas, desde as artes visuais, passando pela publicidade e propaganda até as áreas de estudo do design. No caso da publicidade e do design, essa influência é usada para instigar o público-alvo a se comportar de determinada maneira, com o objetivo de favorecer seu cliente. Neste capítulo, você vai ver o que são as sensações cromáticas e acromáticas, dentro do estudo da cor. Essas sensações influenciam na escolha das cores a serem usadas em projetos diversos e têm papel crítico, estético e simbólico na funcionalidade de uma peça publicitária ou de design. Conceito de sensação visual acromática e cromática Segundo Fraser e Banks (2007), cientistas começaram a estudar os prismas e seus resultados a partir da luz incidente, no século XVII. O avanço tecnológico para o estudo da luz e, consequentemente, da cor avançou, mas o interesse pelo assunto em seu aspecto psicológico surgiu apenas no século XIX, momento em que o estudo da psicologia das cores começou a ser teorizado. O estudo do fenômeno físico passou a ser acrescido de um conceito mais humano: a sensação. Sensação é uma reação específica provocada por um estímulo externo ou interno, causando uma impressão sobre os órgãos dos nossos sentidos. Para nosso estudo, vamos limitar o conceito de sensação ao que podemos ver, ou seja, às sensações visuais. As cores sempre estiveram presentes nas representações gráficas realiza- das pelo homem. Elas colaboram com o impacto da imagem, ampliando as sensações da narrativa que a obra se propõe. Essa prática evoluiu junto com a nossa civilização, a tal ponto que uma cor tinha o poder de atribuir uma mensagem específica. Parece estranho, mas a sociedade egípcia atribuía à cor uma interpretação específica, como um símbolo de sua escrita. Essa percepção da cor nos conduz a pintores como Van Gogh, que utilizou as cores, mais do que a própria forma, para mostrar suas emoções. Leitores do material impresso, para visualizar as figuras deste capítulo em cores, acessem o link ou o código QR a seguir. https://goo.gl/gbMD2m Sensações visuais acromáticas e cromáticas116 Figura 1. Autorretrato de Van Gogh, óleo sobre tela. Fonte: Vincent van Gogh (1988, documento on-line). Podemos observar que as cores intensificam a tristeza do pintor, com os traços que marcam seu rosto. Esta pintura foi realizada em sua fase em Paris, onde sentia-se esgotado por vários motivos. Conforme relata o site do museu Van Gogh, “ele contou à sua irmã Wil como se retratou: ‘rugas na testa e ao redor da boca, rigidamente de madeira, uma barba muito vermelha, bem despenteada e triste’”. (VINCENT VAN GOGH, 1988, documento on-line). 117Sensações visuais acromáticas e cromáticas A cor vira estudo Podemos explicar o sistema acromático e o sistema cromático pelo olhar da física, que separa a luz de formas diferentes. Trata-se de um fenômeno prismático, em que a luz é dissecada, inclusive no olho humano. No século XIX, o físico inglês Thomas Young defendeu a ideia de que o olho humano continha receptores que oscilavam diante de certos comprimentos de ondas. Essa e a teoria tricromática, que identificou três cores inicialmente, vermelho, amarelo e azul (que mais tarde ele modificou para o verde). Isso possibilitou compreender as combinações cromáticas e todo seu espectro, que passaram a ser divididas em dois sistemas: acromático e cromático, conforme observado por Fraser e Banks (2007). No sistema acromático, o vermelho, o verde e o azul combinados na mesma proporção resultam em branco. A diminuição em mesma proporção resulta em preto. Simples assim. Sempre na mesma intensidade para mais ou para menos. Quando as proporções são diferentes, o resultado é bem diferente, e entramos direto no outro sistema. No sistema cromático, vermelho e verde resultam em amarelo; vermelho e azul resultam em magenta; e verde e azul resultam em ciano. Podemos então concluir que as sensações acromáticas e cromáticas são sensações visuais baseadas na luminosidade. Tudo o que for do preto até o branco, ou seja, todas as tonalidades entre os dois polos, formam a escala acromática: branco, tons de cinza cada vez mais escuros até o preto. Já o sistema cromático é formado pelas intensidades diferentes dessas diversas cores do espectro solar. O estudo vira sensações O significado psicológico das cores se refere às sensações que estão associadas a elas. Com elas é possível influenciar a aceitar, negar, abster, agir e outras ações. As sensações acromáticas, como vimos, referem-se às cores que estão para o branco, cinzas e preto. Veja no Quadro 1 as associações feitas com cada uma dessas cores. Sensações visuais acromáticas e cromáticas118 Branco Associação material: batismo, casamento, neve, nuvens claras, areia clara. Associação afetiva: ordem, simplicidade, modéstia, limpeza, pureza, bem, juventude, otimismo, paz, inocência, dignidade, afirmação, despertar, alma, harmonia. Etimologia: vem do alemão blank (brilhante). Enquanto para os orientais simboliza morte, para os ocidentais representa medo. Cinza Associação material: sujeira, chuva, ratos, neblina, máquinas, poluição. Associação afetiva: tédio, tristeza, decadência e desânimo, mas também pode estar associado a seriedade, sabedoria e passado. Etimologia: vem do latim cinicia (cinza) ou do alemão gris (cinza). Seu significado normalmente está associado à neutralidade. Uma posição intermediária entre o branco e o preto, entre o bem e o mal absolutos. Preto Associação material: sujeira, sombra, enterro, noite, carvão, fumaça, caixão. Associação afetiva: mal, miséria, pessimismo, tristeza, desgraça, dor, medo. Ainda pode ser nobre, sério e alegre, dependendo das combinações. Etimologia: é controversa, podendo vir do latim niger (preto, escuro). Quadro 1. Sensações acromáticas Já para as sensações cromáticas, o Quadro 2 é bem mais diversificado. 119Sensações visuais acromáticas e cromáticas Vermelho Associação material: rubi, cereja, guerra, alerta, perigo, vida, fogo, sangue, lábios e masculinidade. Associação afetiva: força, energia, paixão, revolta, coragem, esplendor, intensidade, paixão, poder, vigor, calor, violência, excitação, ira, ação, violência e alegria. Etimologia: vem do latim vermiculos (verme, inseto), insetos de que se extraia a tinta vermelha. Amarelo Associação material: flores grandes, terra argilosa, palha, luz, sol, topázio, verão e calor. Associação afetiva: iluminação, conforto, alerta, gozo, inveja, ódio e expectativa. Etimologia: vem do latim amaryllis. Simboliza a luz do sol, que se expande em todas as direções. Ciano Associação material: frio, mar, céu, gelo, águas de um lago tranquilo. Associação afetiva: verdade, intelectualidade, paz, apatia, precaução, serenidade, infinito, amizade, amor fraternal, fidelidade, sentimento profundo. Etimologia: vem do árabe lázúrd ou lazaward (azul). Quadro 2. Sensações cromáticas É comum dizermos que as cores primárias são compostas de vermelho (magenta), azul (ciano) e amarelo (yellow), cores comumente encontradas em qualquer revista de pintar para crianças. Tratam-se das cores pigmento: o CMY. Na verdade, as cores primárias são aquelas que estimulam o nosso sistema receptor, localizado nos olhos. Elas são o vermelho (red), o verde (green) e o azul (blue), as cores luz, ou RGB. Isso acontece porque, quando observamos uma cor, não olhamos para uma luz emitida pelo que é observado, mas sim para o reflexo da luz rebatida na superfície do que observamos. Essa é uma confusão bastante comum, pois a tinta que cobre uma superfície é uma cor obtida por pigmentação, enquanto o que estimula o nosso sistema receptor é, na verdade, a cor luz. Sensações visuais acromáticas e cromáticas120 Identificando as composições acromáticas e cromáticas As composições possíveis são muitas. Não são apenas as cores primárias que podemser combinadas, mas também toda a gama de resultados posteriores. Vamos começar com as composições acromáticas. Observe, na Figura 2, que a sua extensão está entre o branco e o preto, conforme já vimos. Figura 2. Exemplo de escala acromática. Fonte: Morato e Machado (2017, documento on-line). Agora, vamos ver as combinações a partir das cores primárias na Figura 3. Figura 3. Exemplo de círculo cromático RGB (a) e círculo cromático CMY (b). 121Sensações visuais acromáticas e cromáticas Ao observar a Figura 3, percebemos dois esquemas diferentes de compo- sições. O primeiro, RGB, é uma projeção luminosa, formado em sua base por vermelho (red), verde (green) e azul (blue). Esse esquema é chamado aditivo, pois a soma das cores resulta em branco. Já o segundo esquema, CMY, usado para impressão, formado por ciano, magenta e amarelo (yellow), é chamado subtrativo, porque absorve a luz, e temos como resultado a ausência de cor. Observe que as composições de duas cores sempre resultam em uma nova cor; essas são as chamadas cores secundárias. Na Figura 4, podemos observar um círculo cromático completo. Ele é a base de muitas composições para projetos de publicidade ou design, por exemplo. Os primeiros sistemas de cores foram criados por Isaac Newton, que iniciou seu estudo do prisma por volta de 1666, e Johan Wolfgang von Goethe, já no século XIX, com seu estudo quase em antagonismo ao de Newton, principal- mente no que diz respeito sobre como as cores se formavam. O estudo passou por vários pensadores até chegar no modelo que usamos hoje. Figura 4. Exemplo de círculo cromático completo. Fonte: Bastos (2017, documento on-line). Sensações visuais acromáticas e cromáticas122 Com esse círculo, iniciamos várias combinações. Para começar, observe, na Figura 5, a divisão que revela as cores complementares e as cores análogas. Figura 5. Exemplo de círculo cromático com indicação de cores complementares e cores análogas. Fonte: Bastos (2017, documento on-line). As cores complementares são sempre opostas, basta, para isso, seguir de um lado para o outro do círculo cromático. O oposto do verde é o roxo, por exemplo, assim como o vermelho é complementar ao azul, e assim por diante. São cores em extremo contraste. Já as cores análogas estão sempre adjacentes à cor de base escolhida. Na Figura 5, a cor base escolhida foi o vermelho e, de cada lado, estão suas cores complementares. Assim ocorre em toda a extensão do círculo. Agora, observando a Figura 6, com seis esquemas de cor, podemos ter uma ideia das possibilidades de combinação. 123Sensações visuais acromáticas e cromáticas Figura 6. Exemplos de círculos cromáticos. Fonte: Bastos (2017, documento on-line). Observe a simetria dentro dos esquemas de cor no círculo cromático. Já vimos as complementares, totalmente opostas, e as análogas, compostas de forma adjacente. Vejamos as outras composições: � Triangulação: de forma equilátera, a formação mostra as cores que são mais agradáveis em uma composição. � Meio-complementares: a partir de uma cor, formam-se outras duas marcações, em que suas distâncias são exatamente iguais a partir de seu tom complementar. � Retângulo: as marcações são formadas pela relação complementar dupla. São dois pares complementares em lados opostos do círculo cromático, com uma distância maior entre duas cores e menor entre as outras duas. � Quadrado: semelhante ao retângulo, porém com distâncias iguais entre todas as cores. Sensações visuais acromáticas e cromáticas124 Vejamos agora o que a temperatura das cores sugere. Observe a Figura 7. Figura 7. Cores quentes e frias. Fonte: Ferrari (2015, documento on-line). Na Figura 7, vemos que, no círculo cromático, as cores quentes e as cores frias estão dispostas em lados contrários. Não significa que não possam ser misturadas, mas que seus significados quanto à sua percepção são distintos. Alguns softwares de edição de imagem e ilustração têm bibliotecas e esquemas de cores pré-configurados para auxiliar na produção de projetos de qualquer espécie. Também há círculos cromáticos disponíveis online, mas, se preferir um meio físico, é fácil encontrar círculos cromáticos com os gabaritos dos esquemas apresentados na aula em lojas especializadas, como lojas de artigos de arte. Projetos de publicidade e design de diferentes especialidades agradecem. 125Sensações visuais acromáticas e cromáticas Como aplicar as composições acromáticas e cromáticas Agora vamos ver como as composições estudadas até aqui podem ser aplicadas em projetos. Observe a Figura 8. Na obra Harmonia em vermelho, do pintor francês Henri Matisse (1869-1954), há uma combinação de cor tríade em que predomina o vermelho, complementado pelo amarelo e o azul. Figura 8. Harmonia em vermelho, de Henri Matisse. Fonte: Pacheco (2017, documento on-line). Já no ambiente da Figura 9, podemos observar as cores complementares vermelho e verde sendo utilizadas em um projeto de design de interiores. Também podemos observar a presença do branco e do preto, que harmoni- zam os tons principais, por vezes intensificando e por vezes diluindo sua intensidade. Sensações visuais acromáticas e cromáticas126 Figura 9. Cores complementares. Fonte: Ribeiro (2011, documento on-line). O design gráfico também utiliza (e muito) esse conhecimento. Observe a Figura 10. 127Sensações visuais acromáticas e cromáticas Figura 10. Logo do Subway, um exemplo do uso de composições cromáticas no design gráfico. Fonte: Subway (2018, documento on-line). O uso de verde e amarelo no logo do Subway remete à proposta da empresa, de vender lanches feitos de produtos frescos, como queijos, saladas e diversas e carnes. É fast food, mas com um toque de frescor. No cinema, a cor também conta histórias sem usar palavras. Observe o cartaz apresentado na Figura 11: o tom avermelhado do cabelo revolto da personagem principal lembra fogo e energia, sensação compartilhada pelas atitudes da personagem, que vive uma aventura sombria. A cor nos ajuda a entender a personagem e compõem um conjunto harmônico. O tom avermelhado do cabelo revolto lembra fogo e energia, compartilhada pelas atitudes da personagem que tem uma sombria aventura. A cor ajuda a entender a personagem e compõe um conjunto harmônico. No link a seguir, você encontra uma dica muito boa sobre a teoria das cores. https://goo.gl/YA2hsg Sensações visuais acromáticas e cromáticas128 Figura 11. Cartaz do filme Brave (Valente, no Brasil). Fonte: Valente (2012, documento on-line). 129Sensações visuais acromáticas e cromáticas BASTOS, T. R. Círculo cromático: aprenda a combinar cores na decoração. Casa e Jardim, 9 mar. 2017. Disponível em: <https://revistacasaejardim.globo.com/Casa-e-Jardim/ Dicas/noticia/2017/03/circulo-cromatico-aprenda-combinar-cores-na-decoracao. html>. Acesso em: 18 nov. 2018. FERRARI, C. Temperatura das cores: cores quentes e frias. Manual do Artista, 9 jun. 2015. Disponível em: <http://manualdoartista.com.br/temperatura-das-cores-cores-quentes- -e-frias/>. Acesso em: 18 nov. 2018. FRASER, T.; BANKS, A. O guia completo da cor. São Paulo: Senac, 2007. MORATO, R. G.; MACHADO, R. P. P. Cores. E-disciplinas, 2017. Disponível em: <https:// edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/2612831/mod_resource/content/2/7%20Cores2017. pdf>. Acesso em: 18 nov. 2018. PACHECO, T. Combinação de cor avançada: tríade, complementar dividida, retângulo e quadrado. Vida de Professor de Arte, 7 mar. 2017. Disponível em: <http://vidadeprofessor. pro.br/combinacao-de-cor-triade-complementar-dividida-retangulo-e-quadrado>. Acesso em: 18 nov. 2018. RIBEIRO, J. O uso das cores na decoração. Design de Interiores, 6 set. 2011. Disponível em: <https://www.designinteriores.com.br/design-de-interiores/o-uso-das-cores-na- -decoracao>. Acesso em: 18 nov. 2018. 131Sensações visuais acromáticas e cromáticas SUBWAY. 2018. Disponível em: <https://www.subway.com/pt-BR>. Acesso em: 18 nov. 2018. VALENTE. IMDb, 2012.Disponívelem: <https://www.imdb.com/title/tt1217209/>. Acesso em: 18 nov. 2018. VINCENT VAN GOGH. Self-Portrait as a Painter. Van Gogh Museum, 1988. Disponível em: <https://www.vangoghmuseum.nl/en/collection/s0022V1962>. Acesso em: 18 nov. 2018. Leituras recomendadas AMBROSE, G.; HARRIS, P. Cor. Porto Alegre: Bookman, 2010. (Design básico, 4). EASTMAN KODAK COMPANY. Eastman professional motion picture films. Rochester: Kodak Prints, 1982. FARINA, M. Psicodinâmica das cores em comunicação. 5. ed. São Paulo: Edgard Blusher, 2000. FRASER, T.; BANKS, A. O essencial da cor no design. São Paulo: Senac, 2010. PEDROSA, I. Da cor à cor inexistente. Rio de Janeiro: Universidade de Brasília, 1982. PERES, M. R. The focal encyclopedia of photography. New York: McGraw-Hill Book Com- pany, 1965. SPOTTISWOODE, R. Enciclopedia focal de las técnicas de cine y television. Barcelona: Ediciones Omega, 1976. SPOTTISWOODE, R. Film and its techniques. Berkeley: University of California Press, 1951. Sensações visuais acromáticas e cromáticas132 Conteúdo: TEORIA E PRÁTICA DA COR Derli Kraemer Psicologia das cores Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Analisar os aspectos psicológicos das cores. � Identificar os fatores que influenciam nas escolhas das cores. � Aplicar a psicologia das cores no âmbito do projeto. Introdução Cores transmitem mensagens tão intensa e rapidamente quanto silen- ciosamente, e essa capacidade faz toda a diferença para o sucesso de um projeto. As cores afetam psicologicamente as pessoas e influenciam suas ações. Neste capítulo, você vai estudar os aspectos psicológicos das cores, identificando os fatores que influenciam nas escolhas das cores e aprendendo a aplicar a psicologia das cores em seus projetos. Aspectos psicológicos das cores Segundo Fraser e Banks (2007), a cor pode ser explicada por meio da física, mas entender a cor do ponto de vista da física é apenas uma parte desse estudo. Há um outro aspecto tão importante quanto interessante: o aspecto psicológico da cores. Enquanto Isaac Newton estudou as cores por meio do prisma e outras ferramentas, lá no século XVII, outro personagem histórico tinha uma opinião antagônica sobre as cores, no século XIX. Em 1810, Johan Wolfgang von Goethe publicou o seu Zur Farbenlehre (A Teoria das Cores). Nessa obra, Goethe discorda com veemência das declara- ções de Newton, abordando as cores pelo viés filosófico e prático. Sua crença era firme quanto à tendência científica de romper o mundo em pedaços para estuda-lo. Para Goethe, a divisão do espectro era sintomático quanto a esse posicionamento da ciência, e essa divisão, para ele, era nociva, pois, rompendo em pedaços, acaba-se destruindo o sentido da unidade. Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1 Goethe, conforme Fraser e Banks (2007), abordou o assunto da cor pela percepção humana, e não sob o olhar da física, atingindo assim uma área ainda mais ampla que o próprio Newton. Entretanto, enquanto Goethe se preocupava com a natureza humana, outros autores, como Johannes Itten, pintor e um dos fundadores da escola Bauhaus, preocupavam-se com o caráter individual. Na mesma linha de pensamento, devemos destacar Max Lüscher, diretor do Instituto de Diagnóstico Psicomédico, situado em Lucena, na Suíça; interessado na psicologia das cores, ele desenvolveu um teste de cartões coloridos para determinar aspectos psicológicos de um indivíduo. Os estudos de Lüscher, iniciados em 1947, são utilizados até hoje por publicitários e designers de várias especialidades em seus projetos. Os cartões de Lüscher têm as seguintes cores: cinza, azul, marrom, vermelho, violeta, verde, preto e amarelo. Os cartões coloridos de Lüscher ainda são utilizados por psicólogos, embora também sejam muito criticados. O teste que utiliza os cartões busca medir o estado psicofísico do indivíduo. Nos anos 1980, Angela Wright, autora de The Beginneŕ s Guide to Colour Psychology, criou um sistema de quatro grupos de cor que lembra os quatro elementos aristotélicos, os quatro humores de Hipócrates e Galeno e as fun- ções predominantes do pensamento, intuição e sentimento de Carl Jung. Esse trabalho trouxe os princípios da influência das cores e seu uso prático para a publicidade e o design. De Lüscher a Wright, o estudo da cor pelo viés psicológico gerou resultados que impactam diretamente na escolha das cores em projetos, como, por exem- plo, a preferência de determinadas cores pelas pessoas. Eva Heller também contribuiu muito para esse estudo. Em uma pesquisa realizada com cerca de 2 mil pessoas, citada no livro A psicologia das cores, a autora apresentou os gráficos que você vê nas Figuras 1 e 2. Psicologia das cores2 Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1 Figura 1. As cores preferidas. Fonte: Heller (2013). Figura 2. As cores menos apreciadas. Fonte: Heller (2013). 3Psicologia das cores Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1 O azul é a cor mais apreciada, seguida pelo verde, vermelho, preto, ama- relo e as demais cores. Essas cores foram apontadas por pessoas de sexos, profissões, classes sociais e faixas etárias diferentes, ou seja, pessoas de um amplo escopo têm afinidades iguais ao se referirem a cores. O azul tem muitos significados. Na Índia, por exemplo, é a cor da pele dos deuses. A cor também lembra a divindade no ocidente. Pinturas do início da Idade Média retratam a Virgem Maria, por exemplo, em vestimentas azuis. Apenas 1% dos entrevistados disseram não gostar do azul. Segundo Heller (2013), […] o azul é a cor de todas as características boas que se afirmam no decor- rer do tempo, de todos os sentimentos bons que não estão sob o domínio da paixão pura e simples, e sim da compreensão mútua. Não existe sentimento negativo em que o azul predomine. Portanto, não é de e estranhar que o azul seja uma cor tão querida. Entre as cores menos apreciadas, a campeã é o marrom, seguido pelo rosa, cinza, violeta e então as demais cores. Individualmente, pessoas podem discordar das duas tabelas, porém devemos lembrar que essa é uma pesquisa que visa a um estudo de massa. Na mesma pesquisa, Heller também questionou quais são as associações que as pessoas fazem para cada cor, e o resultado do cruzamento das informações são termos mais comuns a que determinada cor remete. Resumindo, quando um observador enxerga determinada cor, ela lembra determinada coisa. Várias profissões usam cores e em seus projetos. Artistas em geral, designers gráficos, de produto, interiores e moda, arquitetos, gastrônomos e por aí vai... todos têm uma coisa em comum. Os efeitos das cores sobre os indivíduos são universais, segundo Heller (2013). Fatores que influenciam na escolha das cores As cores são de extrema importância para um projeto. Precisamos lembrar, porém, que o elemento forma completa a equação. Psicologia das cores4 Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1 Ao estudarmos o vermelho, por exemplo, temos uma lista de associações possíveis com essa cor; ela pode representar erotismo, amor e paixão tanto quanto pode significar brutalidade, sangue e violência. Uma forma para essa cor se faz necessária para completar a mensagem. Em uma peça publicitária, por exemplo, a forma poderia ser uma ilustração, um título para o anúncio, um texto ou frase que entrega a ideia ou faz o consumidor pensar, a marca do cliente, uma fotografia... elementos facilitadores que entregam a mensagem. Tudo depende da proposta da peça. Raras vezes a cor estará sozinha. E cor principal atuará com outras, for- mando um conjunto com a forma e, entre as cores, um acorde cromático. Um acorde cromático é a soma de cores que, juntas, causam um efeito — por exemplo, uma cor que lembre ação e vigor, somada a outra que lembre barulho e movimento. Essas escolhas não podem ser aleatórias; para darem certo, elas têm que confirmar a forma apresentada. ConformeHeller (2013), “[...] um acorde cromático não é uma combinação aleatória de cores, mas um efeito conjunto imutável. Tão importantes quanto a cor mais frequentemente citada são as cores que a cada vez a ela se combinam.” Um dado importante na psicologia das cores é que não há cor sem sig- nificado (HELLER, 2013). A cada combinação de cores realizada, há uma mensagem; portanto, é necessário extremo cuidado na escolha das cores, do contrário, um projeto dará, fatalmente, um significado errado daquilo que é pretendido, seja para uma marca, seja para um anúncio, uma coleção de moda ou qualquer projeto que necessite de cor para ser melhor percebido. Observe a Figura 3. Nela vemos três embalagens da marca de batatas chips Pringles, versão original, versão com molho de cebola e versão picante. Cada uma delas tem na cor de suas embalagens a certeza daquilo que está sendo adquirido. A embalagem original (vermelha) chama a atenção e remete à ação e à paixão que o produto desperta. A embalagem seguinte (verde) traz o frescor e a lembrança do sabor da cebola, enquanto a última embalagem (preta e marrom) reforça a ideia de que o sabor é muito forte. Nenhuma cor está sozinha; para a ideia ser entregue, existem vários elementos que harmonizam o conjunto — as diferentes ilustrações para cada sabor e, claro, a marca. 5Psicologia das cores Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1 Figura 3. As cores das embalagens. Fonte: Pringles (2018, documento on-line). Esse exemplo ilustra os fatores que são necessários considerar para a escolha das cores adequadas para um projeto. Vejamos agora o Quadro 1, que apresenta os conceitos comumente relacionados às cores, conforme Heller (2013). Azul Frio e passivo, tranquilo e confiável. Azul está para as virtudes intelectuais como o seu oposto, o vermelho, está para a paixão. Vermelho Quente, próximo, atraente e sensível. Amarelo Lúdico com laranja e vermelho, amável com azul e rosa. Combinado ao cinza e ao preto, atua negativamente. Lembra inveja e ciúme. Verde Tranquilizador ao lado do azul e do branco. Esperança com azul e amarelo. Salutar ao lado do vermelho. Venenoso ao lado do violeta. Branco Ideal e nobre com ouro e azul. Objetivo com cinza. Leve com amarelo. Delicado com rosa. Cinza Inseguro com amarelo, modesto com o branco. Sem imaginação, prosaico, entediante. Hostil com marrom. Quadro 1. Conceitos comumente relacionadas às cores (Continua) Psicologia das cores6 Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1 Preto Ríspido e duro com cinza e azul. Elegante ao lado do prata e do branco, poderoso acompanhado de ouro e vermelho. Violeta Extravagante e artificial com prata. Original e inconformista com laranja. Efeito mágico com preto. Rosa Terno e feminino com vermelho, infantil com amarelo e branco, doce e barato com laranja Laranja Divertido com amarelo e vermelho. Com dourado, prazer. Com violeta, intruso. Com verde e marrom, aromático. Marrom Aconchegante com cores ensolaradas e luminosas. Fora de moda com todas as cores inexpressivas. Careta e insuportável com cinza e rosa. Com branco, efeito não erótico. Com verde e violeta, efeito acre e intragável. Ouro Bem-aventurança com vermelho e verde. Beleza com branco e vermelho, ostentação com laranja e amarelo. Prata Veloz e dinâmico com vermelho. Moderno com preto. Quadro 1. Conceitos comumente relacionadas às cores Além desses conceitos, as cores podem ser opostas também de forma psicológica. São cores que, quando aplicadas juntas em extrema intensidade, dão uma sensação de repulsão muito forte. Ao usar essas cores, devemos estar cientes de que esse efeito de oposição será notado imediatamente. Veja o Quadro 2, que mostra as cores psicologicamente opostas, segundo Heller (2013). Cores psicológicas opostas Contraste simbólico vermelho × azul ativo/passivo quente/frio ruidoso/silencioso corpóreo/mental masculino/feminino vermelho × branco forte/fraco cheio/vazio passional/insensível Quadro 2. Cores psicologicamente opostas (Continuação) (Continua) 7Psicologia das cores Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1 Cores psicológicas opostas Contraste simbólico azul × marrom mental/terreno nobre/plebeu ideal/real amarelo × cinza e laranja × cinza exibido/discreto laranja × branco colorido/incolor insolente/recatado verde × violeta natural/antinatural realístico/mágico branco × marrom limpo/sujo nobre/plebeu claro/abafado inteligente/estúpido preto × rosa forte/fraco grosseiro/delicado duro/macio insensível/sensível exato/difuso grande/difuso masculino/feminino prata × amarelo frio/quente decente/insolente metálico/imaterial ouro × cinza e ouro × marrom puro/impuro caro/barato nobre/trivial Quadro 2. Cores psicologicamente opostas Usando esses conceitos, mais do que apenas as cores isoladamente, já fica mais fácil aplicá-las em projetos. (Continuação) Psicologia das cores8 Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1 Como aplicar a psicologia das cores no âmbito do projeto Aplicar a psicologia das cores em projetos não é difícil, embora as tabelas assustem um pouco. O primeiro passo que precisamos dar é sempre o mesmo: pensar sobre o assunto. Um designer de produto pensa desde a concepção até o que acontece no descarte daquilo que será produzido e, claro, na aparência que o produto terá. Um publicitário dependerá de um briefing, assim como um designer gráfico ou um designer de interiores. E se for um gastrônomo, criando um prato inédito? Vai combinar os ingredientes, incluindo as cores mais apetitosas para o resultado final. Um briefing é um relatório com todas as informações possíveis sobre um projeto. Imagine se a necessidade é mostrar energia e força acima de tudo, ou então, seriedade. Com informações como a que vimos aqui, grandes marcas foram criadas — observe a Figura 4. Observando a Figura 4, podemos reconhecer as características das cores nas marcas que representam. O equilíbrio do preto e branco da Apple, a juventude e a coragem do vermelho em Pinterest ou CNN, ou ainda a con- fiança do azul encontrado na fabricante de computadores DELL ou escovas de dente Oral B. Imagine que você precisa criar algo que tenha força, seja fácil de ler a grande distância, quase ríspido. Nesse caso, o texto em cor preta sobre fundo amarelo apresenta o efeito ideal para ser lido a distância, com letras grandes, textos curtos e símbolos conhecidos (HELLER, 2013). 9Psicologia das cores Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1 Figura 4. As cores nas marcas. Fonte: Redação Adnews (2017, documento on-line). E exemplos do que não devemos fazer? Vejamos (HELLER, 2013): � Muitos acreditam que letras vermelhas aumentem a atenção, mas a impressão em letras vermelhas é menos lida, pois é pouco legível, além de transmitirem pouca seriedade. � Letras brancas sobre fundo vermelho frequentemente se tornam ilegíveis. � Quanto menor o contraste claro-escuro entre o que está escrito e a cor de fundo do impresso, menor a legibilidade. � Texto multicolorido não é lido, além de parecer supérfluo. E como isso se aplica ao design de interiores? Na Figura 5, vemos um projeto da designer sul-africana radicada em Nova York Ghislaine Viñas, conhecida por sua ousadia no uso das cores em suas criações. Sem medo, ela usa a força e a paixão do vermelho com o lúdico do amarelo, harmonizados com o branco, que deixa o ambiente leve e convidativo. Psicologia das cores10 Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1 Figura 5. O uso das cores no design de interiores. Fonte: Scolforo (2017, documento on-line). As cores podem ser fortes, raivosas, delicadas, masculinas, femininas, velozes, fracas, tristes, seguras e vigorosas... e muitas outras coisas. São elementos muito importantes em projetos e, quando bem utilizadas, valorizam a história que é contada — a mensagem que será entregue para alguém. FRASER, T.; BANKS, A. O guia completo da cor. São Paulo: Senac, 2007. HELLER,E. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. São Paulo: Gustavo Gili, 2013. PRINGLES. Kellogg, 2018. Disponível em: <https://www.pringles.com/pt/products. html>. Acesso em: 18 nov. 2018. REDAÇÃO ADNEWS. Infográfico mostra o poder das cores no marketing e no dia a dia. Exame, 14 set. 2017. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/marketing/infografico- -mostra-o-poder-das-cores-no-marketing-e-no-dia-a-dia/>. Acesso em: 18 nov. 2018. 11Psicologia das cores Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1 SCOLFORO, C. 5 regras para usar cores na decoração sem errar. Casa Vogue, 10 set. 2017. Disponível em: <https://casavogue.globo.com/Interiores/Ambientes/noticia/2017/09/5- -regras-para-usar-cores-na-decoracao-sem-errar.html>. Acesso em: 18 nov. 2018. Leituras recomendadas BAMZ, J. Arte y ciência del color. Barcelona: Ediciones de Arte, 1950. DOYLE, M. E. Desenho a cores: técnicas de desenho de projeto para arquitetos, paisagistas e designers de interiores. Porto Alegre: Bookman, 2002. FERRAZ, A. M. F. O uso das cores em publicidade: um estudo do caso Itaú. 2008. 70 p. Tra- balho de Conclusão de Curso (Graduação em Publicidade e Propaganda) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008. Disponível em: <http://www.latec.ufrj. br/monografias/Monografia%20-%20Aline%20Martins.pdf>. Acesso em: 18 nov. 2018. LÜSCHER, M. Lüscher Color Diagnostic. 2017. Disponível em: <https://www.luscher-color. ch/base.asp?p=start.html&s=e&m=m_home.asp>. Acesso em: 18 nov. 2018. PINA, L. M. G. A cor e a moda: a função da cor como suporte para o design de moda e personalidade dentro de um público jovem. 2009. 131 p. Dissertação (Mestrado em Design de Moda/Opção Vestuário) - Universidade da Beira Interior, Covilhã, Portugal, 2009. Disponível em: <https://ubibliorum.ubi.pt/bitstream/10400.6/1671/1/TESE%20 DOCUMENTO%20FINAL%20-%20LILIANA%20PINA.pdf>. Acesso em: 18 nov. 2018. VIÑAS, G. 2018. Ghislaine Viñas. Disponível em: <http://ghislainevinas.com/>. Acesso em: 18 nov. 2018. Psicologia das cores12 Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1 Conteúdo: TEORIA E PRÁTICA DA COR Carolina Corso Rodrigues Marques O papel do sistema visual e a temperatura de cor Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Reconhecer as características da cor. � Identificar matiz, luminosidade, saturação e temperatura da cor. � Construir escalas tonais, de saturação e temperatura. Introdução Neste capítulo, você verá que o sistema visual é considerado, entre os sistemas sensoriais, o mais complexo. Seu funcionamento envolve várias estruturas e mecanismos para a obtenção de informações ambientais, que são obtidas por meio da refração da luz, proveniente das superfícies, objetos, plantas, animais, etc. Constante em projetos luminotécnicos, a temperatura de cor de uma fonte luminosa é uma importante caracte- rística, pois está diretamente ligada a sua aplicação. A temperatura de cor expressa a aparência da cor emitida pela fonte de luz. Características da cor As cores são impressões de faixas luminosas captadas pelos olhos, ou seja, elas designam uma sensação visual que ocorre na presença de luz. A palavra cor vem do latim color e significa cobrir, ocultar. As cores correspondem aos fenômenos físicos gerados pela luz, na qual a cor branca, responsável por originar a luz, representa a união das sete cores do espectro (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta) e, a cor preta, representa a ausência de cor ou de luz (LEÃO, 2017). Identificação interna do documento K8W3A37HWR-PBZOYP1 Todas as cores apresentam cinco importantes características: � Matiz: é o que define as tonalidades das cores — por exemplo, o ama- relo, o verde e o roxo são matizes. Todas as cores são matizes, sejam primárias, secundárias ou terciárias. � Tom: corresponde à quantidade de luz presente na cor, classificada em tonalidades claras e escuras. Dessa forma, quando se acrescenta preto a um matiz, ela fica com uma tonalidade mais escura; se acrescentarmos branco a uma cor, ela fica com uma tonalidade mais clara. Por exemplo, quando misturamos o vermelho e o branco, atingimos uma tonalidade mais clara, ou a matiz rosa. � Intensidade: a intensidade determina a presença de brilho na cor e pode ser considerada fraca (baixa) ou forte (alta). Por exemplo, a cor amarela possui intensidade forte ou alta em comparação com a cor marrom, mais opaca, e, portanto, de fraca intensidade. � Tonalidade: é a característica mais evidente de uma cor. É o que a maioria das pessoas quer dizer quando diz a palavra “cor”. Há um número infinito de tonalidades possíveis; por exemplo, entre o vermelho e o amarelo há infinitas possibilidades de tonalidades de laranja. � Croma: refere-se à pureza de uma cor, sua intensidade ou saturação. Cores de croma alto parecem ricas e cheias; cores de croma baixo podem parecer sombrias ou pálidas. Cores pastel são de croma baixa, enquanto tons intensos são de croma alta. Uma das mais importantes ferramentas que o designer de interiores dispõe é a cor. Pessoas de diferentes culturas respondem à cor de manei- ras diferentes; embora não percebamos, as cores estimulam fisiológica e psicologicamente o usuário do ambiente. A cor é um importante elemento na concepção espacial do projeto de ambientação, pois, visualmente, pode alterar as dimensões e formas do espaço, ressaltando ou disfarçando im- perfeiçoes arquitetônicas. Não podemos falar de cor sem mencionar a iluminação: a incidência da luz altera a cor. Podemos notar que, no decorrer do dia, as cores são vistas e sentidas de formas diferentes, isso por causa da tonalidade e da quantidade e tipo de luz que incidem sobre a cor (LEÃO, 2017). O papel do sistema visual e a temperatura de cor2 Identificação interna do documento K8W3A37HWR-PBZOYP1 Matiz, luminosidade, saturação e temperatura da cor Matiz Matiz é o estado puro da cor, sem o branco ou o preto agregado. É um atributo associado com a longitude de onda dominante na mistura das ondas lumino- sas. O matiz se define como um atributo de cor que nos permite distinguir o vermelho do azul, e se refere ao percurso que faz um tom para um ou outro lado do círculo cromático, pelo qual o verde amarelado e o verde azulado serão matizes diferentes do verde, por exemplo (MORENO, 2008). Figura 1. Matizes no círculo cromático. Fonte: Moreno (2008, documento on-line). 3O papel do sistema visual e a temperatura de cor Identificação interna do documento K8W3A37HWR-PBZOYP1 O matiz se define pela qualidade da luz predominante que a superfície reflete, ou seja, pelos comprimentos de onda que predominam na luz que a superfície reflete e na luz que absorve. Por exemplo, há muitos azuis: mais luminosos ou mais escuros, desbotados ou intensos etc. Eles podem diferir em luminosidade e em pureza, mas pertencem ao mesmo matiz: azul. Figura 2. Matizes de azul. Fonte: Estudo da Cor (2018, documento on-line). Luminosidade ou brilho A luz é formada por um grande número de minúsculas partículas elementares denominadas fótons. A luminosidade ou brilho de uma cor é proporcional ao número de fótons da luz que a superfície reflete ou emite. Ela se refere à quantidade de luz, que determina quão clara ou escura é a cor. A luminosidade ou brilho corresponde a um valor: um tom pertencente a uma escala acromática entre o branco (luminosidade máxima) e o preto (luminosidade mínima), ao qual a cor corresponde ao se considerar apenas o brilho, desconsiderando o matiz. Trata-se do tom que a cor assumiria em uma versão em preto e branco (MORENO, 2008). Matizes diferentes podem refletir a mesma energia luminosa e assim corresponder ao mesmo valor. À medida que se agrega mais preto a uma cor, intensifica-se essa obscuridade e se obtém um valor mais baixo. À medida que se agrega mais branco a uma cor, intensifica-se a claridade da mesma, obtendo-se valores mais altos.Duas cores diferentes (como o vermelho e o azul) podem chegar a ter o mesmo tom, se consideramos o conceito como o mesmo grau de claridade ou obscuridade com relação à mesma quantidade de branco ou preto que contenha segundo cada caso (MORENO, 2008). O papel do sistema visual e a temperatura de cor4 Identificação interna do documento K8W3A37HWR-PBZOYP1 Figura 3. Azuis de luminosidades variadas e seus valores. Fonte: Estudo da Cor (2018, documento on-line). A descrição clássica dos valores corresponde a claro (quando contém quantidades de branco), médio e escuro (quando contém quantidades de preto). Quanto mais brilhante for a cor, maior será a impressão de que o objeto está mais perto do que em realidade está. Essas propriedades da cor deram lugar a um sistema especial de representação, como o sistema HSV. Para expressar uma cor nesse sistema, parte-se das cores puras e se expressa suas variações nessas três propriedades, mediante um tanto por cento (MORENO, 2008). Escala de tons, valor tonal ou escala de valores referem-se à mesma coisa. Em uma escala em tons de cinza, com gradações entre o preto e o branco, os tons mais claros são os valores tonais mais altos e os tons mais escuros são os valores tonais baixos. O valor tonal refere-se ao grau de luminosidade. Figura 4. Escala tonal de cinzas. Fonte: Amo Pintar (2017, documento on-line). 5O papel do sistema visual e a temperatura de cor Identificação interna do documento K8W3A37HWR-PBZOYP1 Prestando atenção na escala do exemplo e olhando para ela a distância, conseguimos perceber que as gradações de cinza-claros parecem distantes e as escuras parecem mais próximas, como mostrado na Figura 5. Figura 5. Perspectiva ilusória. Fonte: Amo Pintar (2017, documento on-line). Podemos assim chegar a uma conclusão: Uma das principais utilizações que se desprendem deste estudo é a capacidade de representar profundidade mediante a correta utilização dos valores de cinzas ou valores de cor numa pintura. Saturação ou croma A saturação ou croma define o grau de pureza da cor. É o máximo que uma cor pode conter de si mesma. Entretanto, nos materiais de cor, o estado de pureza absoluta se reduz a uma hipótese abstrata, uma vez que eles não refletem apenas um raio luminoso, mas um conjunto de radiações luminosas, com predomínio daquela que especifica o seu matiz. Cores “puras” mescladas com branco ou com cinza ou com preto ficam empobrecidas em sua saturação. Misturadas com outros matizes, mesmo que em pequenas quantidades, desviam-se da sua cor original, alterando, inclusive, a sua luminosidade. O nível mais baixo de saturação se obtém mesclando uma cor com a sua cor complementar, em partes iguais. A sensação de pureza de uma cor não se explica somente em termos físicos: os fatores que afetam a percepção visual como os contrastes, a aco- modação, as relações entre figura e fundo, também interferem na saturação (LEÃO, 2017). Para obter maior pureza de um pigmento, convém aplicá-lo sobre uma superfície branca, em uma camada de espessura tal que a luz incidente possa penetrar até o plano do fundo e retornar. A superposição de camadas poderá O papel do sistema visual e a temperatura de cor6 Identificação interna do documento K8W3A37HWR-PBZOYP1 aumentar a espessura, mas não, necessariamente, a pureza nem a intensidade da cor. Com isso, pode dificultar tanto a chegada da luz incidente ao plano do fundo (que reflete toda a luz, posto que seja branco) quanto o seu retorno, pro- vocando maior absorção de luz e, consequentemente, estimulando a percepção de cor menos vibrante e menos luminosa, sem garantir maior saturação, como se poderia esperar. Além disso, os aglutinantes e solventes também podem reduzir a pureza dos pigmentos (LEÃO, 2017). Figura 6. Saturação de cores. Fonte: Moreno (2008, documento on-line). A saturação também pode ser definida pela quantidade de cinza que contém uma cor: quanto mais cinza ou mais neutra for, menos brilhante ou menos “saturada” é. Igualmente, qualquer mudança feita a uma cor pura automa- ticamente baixa sua saturação. Por exemplo, dizemos “um vermelho muito saturado” quando nos referimos a um vermelho puro e rico. Porém, quando nos referimos aos tons de uma cor que tem algum valor de cinza, as chamamos 7O papel do sistema visual e a temperatura de cor Identificação interna do documento K8W3A37HWR-PBZOYP1 de menos saturadas. A saturação da cor se diz que é mais baixa quando se adiciona seu oposto (chamado complemento) no círculo cromático. Para não saturar uma cor sem que varie seu valor, é preciso mesclá-la com um cinza de seu mesmo valor. Uma cor intensa como o azul perderá sua saturação à medida que se adiciona branco e se converta em celeste (MO- RENO, 2008). Figura 7. Saturação da cor vermelha. Fonte: Moreno (2008, documento on-line). Temperatura da cor Cores quentes e frias são cores que transmitem a sensação de calor ou de frio. São muitas vezes usadas para causar sensações diferentes nas pessoas que as visualizam. Vários estudos comprovam que as cores têm um efeito psicológico nas pessoas e, por esse motivo, diferentes cores são usadas para despertar sentimentos e estados de espírito. Cores quentes como o vermelho, laranja e amarelo remetem para a luz solar e calor, enquanto cores frias como roxo, azul e verde são associadas ao mar e ao céu e têm o efeito de acalmar (MORENO, 2008). No design de interiores, as cores quentes costumam ser usadas em grandes salas para criar um ambiente mais acolhedor; por outro lado, cores frias como o azul e verde são ideais para salas pequenas, para criar a sensação de que são maiores. O papel do sistema visual e a temperatura de cor8 Identificação interna do documento K8W3A37HWR-PBZOYP1 Figura 8. Círculo cromático. Fonte: Cores frias (2016, documento on-line). Como você pode ver na Figura 8, as cores frias estão localizadas do lado esquerdo do círculo cromático, enquanto as cores quentes estão situadas do lado direito. Note que as três cores frias básicas (primárias e secundárias) são o verde, o azul e o violeta (roxo ou púrpura); as cores terciárias que surgem da mistura entre elas são azul-esverdeado e azul-arroxeado. Da mesma maneira, as cores quentes básicas são o vermelho, o laranja e o amarelo, e as cores terciárias resultantes da mistura entre elas são o vermelho-alaranjado e o amarelo-alaranjado (MORENO, 2008). O vermelho-arroxeado e o amarelo- -esverdeado resultam da mistura de cores frias e quentes — violeta e vermelho e verde e amarelo, respectivamente. Cores quentes Cores que pertencem à família quente evocam uma sensação de calor de alguma forma — vermelho é apaixonado e ardente, e laranja e amarelo são de verão, como o sol. As três principais cores quentes, situadas no lado direito 9O papel do sistema visual e a temperatura de cor Identificação interna do documento K8W3A37HWR-PBZOYP1 do círculo, são o amarelo, o laranja e o vermelho, e as cores terciárias que surgem da mistura entre elas, vermelho-alaranjado amarelo-alaranjado, além do amarelo-esverdeado. Figura 9. Cores quentes básicas: amarelo, laranja e vermelho. Fonte: Cores quentes (2016, documento on-line). Cores frias As cores que pertencem à família mais fria são os azuis, verdes e roxos do círculo cromático. Esses naturalmente evocam um sentimento mais calmo do que as outras cores, são mais subjugados do que as cores mais quentes, ligando-se mais de perto à água, à natureza etc. Figura 10. Cores frias: azul, verde e violeta. Fonte: Cores frias (2016, documento on-line). O papel do sistema visual e a temperatura de cor10 Identificação interna do documento K8W3A37HWR-PBZOYP1 AMO PINTAR. Valor tonal das cores. Para que serve e como se utiliza? 2017. Disponível em: <http://www.amopintar.com/valor-tonal-das-cores/>. Acesso em: 30 out. 2018. CORES frias. Toda Matéria, 11 mar. 2016. Disponível em: <https://www.todamateria. com.br/cores-frias/>. Acesso em: 30 out. 2018. CORES quentes. Toda Matéria, 11mar. 2016. Disponível em: <https://www.todamateria. com.br/cores-quentes/>. Acesso em: 30 out. 2018. ESTUDO DA COR. Dimensões da cor. 2018. Disponível em: <https://estudodacor.wor- dpress.com/aspectos-fisicos/dimensoes-da-cor/>. Acesso em: 30 out. 2018. LEÃO, F. G. Psicologia das cores no design de interiores. Design Culture, 7 abr. 2017. Disponível em: <https://designculture.com.br/psicologia-das-cores-no-design-de- -interiores>. Acesso em: 30 out. 2018. MORENO, L. Teoria da cor: propriedades das cores. Criarweb, 28 fev. 2008. Disponível em: <http://www.criarweb.com/artigos/teoria-da-cor-propriedades-das-cores.html>. Acesso em: 30 out. 2018. Leitura recomendada KLEINER, A. F. R.; SCHLITTLER, D. X. C.; SÁNCHEZ-ARIAS, M. R. O papel dos sistemas visual, vestibular, somatosensorial e auditivo para o controle postural. Revista Neurociências, v. 19, n. 2, p. 349-357, 2011. 11O papel do sistema visual e a temperatura de cor Identificação interna do documento K8W3A37HWR-PBZOYP1 Conteúdo: TEORIA E PRÁTICA DA COR Derli Kraemer Influência das cores na publicidade Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Reconhecer o histórico da cor na publicidade. � Identificar os aspectos conceituais e simbólicos da cor na publicidade. � Aplicar as composições cromáticas utilizadas na publicidade. Introdução As cores transmitem sensações, mostram emoções, transmitem infor- mação sem usar palavras e dão ênfase a uma mensagem. É por isso que seu uso é essencial para a publicidade, reforçando o conceito de uma campanha e assim confirmando a mensagem. Neste capítulo, você estudará a cor na publicidade e sua influência na mensagem, além de ver algumas aplicações para seus projetos. Breve histórico da cor na publicidade A cor é uma informação visual, causada por um estímulo físico, percebida pelos olhos e decodificada pelo cérebro, segundo Luciano Guimarães (2000). A humanidade utiliza a cor desde que a necessidade de retratar seu cotidiano se fez presente. Sim, falamos sobre pinturas rupestres, aquelas pinturas feitas em cavernas pelo homem primitivo. Sendo esses os primeiros ensaios humanos de comunicação por imagem, a cor já estava ali presente. Através dos tempos, as cores foram utilizadas para transmitir conceitos. De maneira empírica, as pinturas rupestres tinham cores para representar os animais, elementos da natureza como rios, florestas, sangue e o que mais estivesse em sua narrativa. Entretanto, nem sempre as cores estavam dispostas apenas em pinturas. Quando a sociedade humana já estava mais sedimentada, Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1 outras formas de comunicar foram sendo desenvolvidas. Em antigos impérios, como romano, por exemplo, a cor da roupa tinha a função de destacar os nobres de todos os outros não nobres. Na própria Bíblia, no livro do Êxodo, Deus instrui a Moisés que os israe- litas tragam uma oferenda, incluindo panos de cor azul, púrpura e carmesin. Outro exemplo é descrito por Eva Heller (2015): “[…] nos quadros da Idade Média, Jesus muito raramente está trajando azul — e nunca quando está ao lado de Maria. Ele também nunca é o azul luminoso; sua cor é o vermelho, tradicional como cor masculina.” Um nobre precisava ser destacado entre os outros e, para isso, ele usava um manto vermelho, por exemplo, ou um outro detalhe em cor que o destacava da cor de outros mantos. Pode-se dizer que isso, em si, já é uma forma de propaganda. Antes de continuarmos, é interessante vermos alguns conceitos. Propaganda é a ação de exaltar qualidades para o maior número de pessoas possível. Já publicidade é uma arte e também uma ciência, que envolve técnica para resultar na aceitação de um conceito pelo público a que se destina. Esse público também é conhecido, pelo jargão publicitário, como público-alvo ou target. Então vamos avançar a nossa linha de tempo e passar pelos séculos seguin- tes. No século 19, o uso de cores que propaga ideias passa a ser empregado como ferramenta pela publicidade, inicialmente em cartazes. Devido ao número de cópias necessárias, os cartazes eram impressos com uma técnica chamada litogravura. Esses cartazes eram feitos para a divulgação de ofertas diversas pelos comércios locais; neles, a cor passa a figurar como essencial para a peça. As peças que mais impulsionaram a evolução do uso das cores na publicidade foram os cartazes de cabarés, com seus espetáculos noturnos, como o histórico Moulin Rouge, em Paris. O litógrafo francês Jules Chéret (1836–1932) é considerado o pai e o precursor do cartaz publicitário, seguido por outros pintores da Belle Époque. Veja na Figura 1 um exemplo de cartaz feito por ele. Influência das cores na publicidade2 Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1 Figura 1. Cartaz criado por Jules Chéret. Fonte: Cheret (1985, documento on-line). 3Influência das cores na publicidade Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1 Este cartaz não é, necessariamente, o primeiro cartaz de todos, mas cer- tamente é um dos primeiros feitos por Chéret. Para evidenciar a diversidade que surgiu na trilha do precursor, devemos reverenciar os trabalhos realizados pelo artista Tolouse-Lautrec (1864–1901), pintor e litógrafo francês, pós- -impressionista, que ficou conhecido por retratar em sua obra a vida boêmia de Paris no final do século XIX. Veja um exemplo de seus cartazes na Figura 2. Figura 2. Cartaz criado por Toulouse-Lautrec. Fonte: Toulouse-Lautrec (2017, documento on-line). Influência das cores na publicidade4 Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1 Os cartazes foram os precursores da publicidade, nos quais artistas como Jules Chéret e Tolouse-Lautrec usaram seus conhecimentos sobre cores para vender ingressos para espetáculos em cabarés. Entretanto, a época de ouro dos cartazes ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial. Por meio das cores e desenhos, os cartazes de guerra exaltavam as qualidades e mensagens de seus países — técnicas utilizadas com maestria pelos Estados Unidos e Alemanha. Aspectos conceituais e simbólicos da cor na publicidade Quanto mais profunda a experiência de percepção visual, considerando todos os elementos que ampliam a experiência, mais rica é a experiência em si. Essa percepção é o reconhecimento de cenas visuais ou padrões, que são compre- endidos pelo observador de acordo com sua experiência e, em um conjunto maior, a experiência de toda uma cultura para dar significado ao observado. Como vimos, artistas usaram seus conhecimentos para enfatizar as men- sagens em cartazes, sobretudo com a técnica de reprodução litográfica. Agora vamos identificar os seus aspectos conceituais e simbólicos. Ao trabalharmos os aspectos conceituais e simbólicos das cores, é impor- tante delimitar para quem estamos comunicando algo, do contrário, a chance de errar é muito grande. As cores ganham significados diferentes em diferentes partes do mundo; dependendo da cultura local, elas transmitem significados diversos e, até mesmo, completamente opostos. Em culturas ocidentais, o amarelo lembra atenção, alegria, calor e também fraqueza e risco. Já em países asiáticos, o amarelo está ligado ao sagrado, à realeza e à masculinidade. 5Influência das cores na publicidade Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1 Algumas cores variam pouco em seu simbolismo entre culturas, e outras variam muito. Para nosso estudo, precisamos embasar o significado das cores, então, seguiremos os que são relativos à cultura ocidental. No Quadro 1, a seguir, podemos ver uma pequena compilação de signi- ficados das cores. Fonte: Adaptado de Dahan (2017, documento on-line). Vermelho Amor, prazer, paixão e emoção, perigo, urgência e ação. Símbolo universal de amor e romantismo. Amarelo Alegria, animação e otimismo. Também usado para covardia, ganância e mentira. Estimula o apetite e alerta para o cuidado. Azul Paz, água, segurança, confiançae poder. Verde Saúde, tranquilidade, estabilidade, natureza, esperança, vida, ecologia e frescor. Laranja Muita energia. Juventude, criatividade e dinamismo. Motivadora e amigável. Chama a atenção ao movimento. Roxo Realeza, poder, luxo, sabedoria e mistério. Também tem efeito calmante e pode remeter à espiritualidade e à criatividade. Rosa Inocência, desejo, pureza, afeto e feminilidade. Também transmite elegância. Marrom Tradição, conservadorismo, solidez, segurança, natureza e honestidade. Preto Tristeza, luto, escuro e trevas. Pode transmitir sofisticação, seriedade, poder, autoridade e profissionalismo. Branco Paz, fé, pureza, conforto e higiene. Cinza Respeito, elegância, responsabilidade, profissionalismo e tecnologia. Quadro 1. Significado das cores. Influência das cores na publicidade6 Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1 Mas será que é só isso? Na verdade, isso não é tudo. O significado das cores pode sofrer pequenas alterações também de acordo com a idade de quem a percebe. Sim, a idade e a experiência de vida fazem com que a informação de uma peça publicitária sofra pequenas diferenças de percep- ção. E é por isso que também podemos relacionar as cores a certas faixas etárias, e essa percepção etária das cores pode ser classificada conforme vemos no Quadro 2. Fonte: Adaptado de Dahan (2017, documento on-line). Vermelho — de 1 a 10 anos Idade da espontaneidade e da efervescência Laranja — de 10 a 20 anos Idade da aventura, excitação, imaginação Amarelo — de 20 a 30 anos Idade da arrogância, força, potência Verde — de 30 a 40 anos Idade da diminuição do fogo juvenil Azul — de 40 a 50 anos Idade da inteligência e do pensamento Lilás — de 50 a 60 anos Idade da lei, do juízo, do misticismo Roxo — além dos 60 anos Idade da benevolência, do saber, da experiência Quadro 2. Percepção etária das cores. Ao analisarmos as cores considerando a idade, percebemos que as cores tendem a ser mais escuras e sóbrias com a soma dos anos de experiência da pessoa. Este conhecimento ajuda muito para reforçar a identidade visual de uma empresa, por exemplo, ampliando a mensagem percebida e não escrita das peças que a compõem. A partir desses conhecimentos, podemos decidir quais são as cores que influenciam o tipo de ação, ou seja, descobrir as cores que agradam mais o público-alvo. Com cores, podemos potencializar a mensagem transmitida por letras, fotos, desenhos, ilustrações — o que for pensado para dar corpo para a mensagem e, assim, influenciar positivamente a decisão do cliente em confiar e adquirir determinado produto ou serviço. 7Influência das cores na publicidade Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1 As cores são, basicamente, divididas em dois grupos: cor “luz” e cor “pigmento”. Cor luz é uma faixa de frequência visível ao olho humano. Essa frequência permite a percepção de determinada tonalidade de cor, seja a luz emitida pelo sol ou por fontes artificiais, como o monitor do seu computador, televisão ou smartphone. Já a cor pigmento surge da natureza e é percebida pelo reflexo da luz sobre determinado objeto, seja ela original ou processada, como é o caso de cores obtidas com a aplicação de tinta. Composições cromáticas utilizadas na publicidade Vamos estudar alguns casos em que as cores são usadas para potencializar a comunicação, analisando peças publicitárias consagradas e entendendo as composições realizadas. Caso 1: McDonald ś As cores do McDonald ś são, basicamente, vermelho e amarelo. O que sabe- mos sobre o vermelho? Sabemos que ele está ligado ao amor, prazer, paixão e emoção e ação. E sobre o amarelo? Alegria, animação e otimismo. Então, o que podemos sugerir com a composição dessas duas cores? Prazer, ação, animação e alegria. Pensando apenas nas cores, temos como resultado uma construção que fala, sem palavras, do que é muito prazeroso, alegre e que dá vontade de fazer algo, de ter algo, de participar de algo, e de consumir algo. O próprio slogan do McDonald’s, “Amo muito tudo isso”, recorre a esse subterfúgio, sempre mostrando o que é gostoso e prazeroso. Influência das cores na publicidade8 Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1 Figura 3. Logo do McDonald´s. Fonte: McDonald’s (2018, documento on-line). E quem mais usa um esquema de cores parecido? O Burguer King usa vermelho, amarelo e azul. A Pizza Hut usa vermelho, amarelo e preto. A Domino’s Pizza usa vermelho e azul. O iFood usa vermelho e branco. O Giraffas usa vermelho, amarelo e preto. Caso 2: Barbie Com um rosa forte, o logo da boneca Barbie, da Mattel, é outra marca con- sagrada. Como já vimos, o rosa transmite inocência, desejo, pureza, afeto, feminilidade e também elegância. Podemos dizer então que o logo, por meio de sua cor, transmite inocência, desejo de ter uma Barbie, pureza, feminilidade e, claro, elegância presente nos muitos acessórios da boneca. 9Influência das cores na publicidade Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1 Figura 4. Logo da Barbie. Fonte: Justo (2013, documento on-line). Caso 3: Animal Planet O canal Animal Planet pertence à Discovery Channel. Trata-se de um canal por assinatura que mostra, em sua programação, vários programas relacionados à vida animal, de acordo com o próprio site que explica o target do canal. São vários tons de verde na marca principal. O que vimos sobre o verde e que tem a ver com esta peça? Natureza, esperança, vida e ecologia. Vale lembrar que não é apenas a esses significados que o verde remete, mas é fácil associar a cor ao tema a que o canal se propõe. Repare que estes três exemplos não são do mesmo segmento, não são relativos um ao outro e ainda assim têm o uso de cores como expressivo poten- cializador da mensagem a que se propõe. Assim é na direção de arte das peças publicitárias. As formas escolhidas pelo diretor de arte são complementares e simbiontes com as cores, criando, portanto, um conceito que garante uma mensagem equilibrada com a necessidade de comunicação do cliente. Influência das cores na publicidade10 Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1 Figura 5. Logo do canal Animal Planet. Fonte: Justo (2013, documento on-line). A influência é colorida A conclusão de tudo o que vimos é que a cor não é meramente uma escolha ao acaso ou artística. Quando os primeiros cartazes foram criados com a intenção de vender algo, foram usadas cores que chamavam a atenção para as formas. Embora o material fosse artístico a intenção era vender. Com o amadurecimento da publicidade como ciência que difunde e influ- ência ideias, as cores foram estudadas profundamente por muitos profissionais e pesquisadores, que chegaram a conclusões que estão aqui compiladas. As cores, como ferramenta à disposição de um diretor de arte, são de extrema importância para a compreensão total da mensagem pretendida. Uma peça, como um cartaz, tentando vender segurança em que há uma predominância rosa, por exemplo, tem menor chance de sucesso do que se utilizar marrom, por exemplo. Não é uma regra absoluta, mas as chances de acerto são bem maiores. 11Influência das cores na publicidade Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1 Segundo artigo de Eduardo Figueirêdo (2016), 84,7% dos consumidores acham que a cor é muito mais importante do que outros fatores ao escolher um produto. A influência das cores está até mesmo em ditados populares, como “roxo de vergonha”, “verde de raiva” ou ainda “roxo de fome”. Não se pode negar essa influência direta da cor sobre a publicidade. Somos muito influenciados pelo que vemos, e nosso cérebro reage às cores tanto ou mais do que o conteúdo de uma peça publicitária. Quando em conjunto, o resultado mais provável é o sucesso. No link a seguir, você encontra um artigo muito interessante, que analisa o uso das cores em propagandas de automóvel. Acesse e confira. https://goo.gl/p2qHxU CHERET, J. Poster advertising 'Quinquina Dubonnet' aperitif,1895. Disponível em: <http://www.jules-cheret.org/Poster-Advertising-Quinquina-Dubonnet-Aperitif-1895. html>. Acesso em: 18 nov. 2018. DAHAN, J. O significado das cores. Guia de Marketing, 6 mar. 2017. Disponível em: <http://guiademarketing.com.br/o-significado-das-cores/>. Acesso em: 18 nov. 2018. FIGUEIRÊDO, E. A influência das cores na publicidade e propaganda. Markentig Moderno, 28 dez. 2016. Disponível em: <http://www.marketingmoderno.com.br/a-influencia- -das-cores-na-publicidade-e-propaganda/>. Acesso em: 18 nov. 2018. GUIMARÃES, L. A cor como informação: a construção biofísica, linguística e cultural da simbologia das cores. 2. ed. São Paulo: Annablume, 2000. HELLER, E. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. São Paulo: Gustavo Gili, 2015. JUSTO, D. Psicologia das cores em design de logo. Design on The Rocks, 16 ago. 2013. Disponível em: <http://designontherocks.blog.br/psicologia-das-cores-em-design- -de-logo/>. Acesso em: 18 nov. 2018. MCDONALDS. Multimedia Library. 2018. Disponível em: <https://news.mcdonalds. com/press/multimedia-library/logos>. Acesso em: 18 nov. 2018. Influência das cores na publicidade12 Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1 TOULOUSE-LAUTREC. Moulin Rouge La Goulue. 2017. Disponível em: <https://www. toulouse-lautrec-foundation.org/Moulin-Rouge-La-Goulue.html>. Acesso em: 18 nov. 2018. Leituras recomendadas BAMZ, J. Arte y ciência del color. Barcelona: Ediciones de Arte, 1950. GAO, Z. A gramática da cor: consensos culturais no ensino/aprendizagem de PLE por apren- dentes chineses. 2015. 111 f. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa, Lisboa, 2015. Disponível em: <http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/24535/1/ ulfl199977_tm.pdf>. Acesso em: 18 nov. 2018. KANDINSKY, W. Do espiritual na arte. 9. ed. Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2013. MACHADO. K. Significado das cores nas diferentes culturas. Tudo em Design, 3 maio 2017. Disponível em: <https://kenyaom.wixsite.com/tudodesigninteriores/single- -post/2017/05/03/Significado-das-cores-nas-diferentes-culturas>. Acesso em: 18 nov. 2018. NEIL PATEL. Significado das cores no marketing: benefício da psicologia das cores. 29 mar. 2018. Disponível em: <https://neilpatel.com/br/blog/significado-das-cores/>. Acesso em: 18 nov. 2018. REDAÇÃO ADNEWS. Infográfico mostra o poder das cores no marketing e no dia a dia. Exame, 14 set. 2017. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/marketing/infografico- -mostra-o-poder-das-cores-no-marketing-e-no-dia-a-dia/>. Acesso em: 18 nov. 2018. SANTOS, N. A.; SIMAS, M. L. B. Percepção e processamento visual da forma: discutindo modelos teóricos atuais. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 14, n. 1, p.157-166, 2001. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/%0D/prc/v14n1/5215.pdf>. Acesso em: 18 nov. 2018. TEORIA DAS CORES. Cor-pigmento e Cor-luz. 2018. Disponível em: <https://www. teoriadascores.com.br/cor-pigmento-e-cor-luz.php>. Acesso em: 18 nov. 2018. 13Influência das cores na publicidade Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1 Conteúdo: TEORIA E PRÁTICA DA COR Derli Kraemer Cor, memória e comunicação Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Conceituar a interface entre memória, cor e comunicação. � Descrever os enfoques metodológicos que orientam o emprego da cor no âmbito do projeto. � Aplicar as cores no âmbito do projeto. Introdução Neste capítulo, você vai estudar a interface entre memória, cor e comu- nicação, para que, por meio de enfoques metodológicos, possa orientar o emprego dessas cores no âmbito projetual. A aplicação desses conhe- cimentos resulta em peças potencializadas pelo uso correto da cor, que afirma a mensagem de forma mais eficiente. Interface entre memória, cor e comunicação Segundo o site do dicionário Michaelis, memória é a “faculdade de lembrar e conservar ideias, imagens, impressões, conhecimentos e experiências adquiri- dos no passado e habilidade de acessar essas informações na mente.” Aquilo que lembramos está conectado e é um conjunto de experiências que permanece nas recordações. Tudo o que percebemos por meio de nossos sentidos faz parte desse processo. Ainda do mesmo dicionário, há outro conceito: “memória é uma “narração de caráter pessoal, escrita por ter servido como testemunha de evento histórico ou importante.” Um evento histórico, que pode ser muito bem da história de cada indivíduo. Algo que será revisto, acessado, sendo positivo ou não. Para Ivan Antônio Izquierdo, em artigo na revista INCOR, as memórias se formam a partir de experiências pessoais. Segundo o autor, “O aprendizado é a aquisição de memória. Aprendemos pelas experiências e o número delas é lite- ralmente infinito. Lembrar-se do que foi aprendido é o que chamamos memória.” Platão, em Fedro, narra um momento entre o deus Thoth e o rei egípcio Tamuz. Orgulhoso de seus inventos, Thoth explica-os ao rei: geometria, as- tronomia, escrita… para sua surpresa, o rei se preocupa com o resultado que essas invenções podem trazer. Diz o rei (PLATÃO, 1969, p. 121): Oh, Thoth, mestre incomparável, uma coisa é inventar uma arte, outra é julgar os benefícios ou prejuízos que dela advirão para os outros! Tu, nesse momento e como inventor da escrita, esperas dela, e com entusiasmo, todo o contrário do que ele pode vir a fazer! Ela tornará o homem mais esquecido, pois que, sabendo escrever, deixarão de exercitar a memória, confiando apenas nas escrituras, e só se lembrarão de um assunto por força de motivos exteriores, por meio de sinais, e não dos assuntos em si mesmos. É compreensível o medo de Platão, pela perda da capacidade de uso da memória por parte da humanidade, pois ele vivia uma transição da tradição oral para a escrita, e o registro escrito é definitivo para manter as memórias como elas são. Ainda assim, em pleno século XXI, a tradição oral persiste em grupos — por exemplo, em músicas infantis, em que a linguagem falada é aprendida também pela prática (MCLUHAN, 2007). A memória é a experiência pessoal, não um registro externo, e essa experiência entremeia os sentidos. O termo sinestesia nos ajuda a entender. Seu significado, segundo o di- cionário Michaelis é Relação estabelecida de forma espontânea entre sensações de caráter diferente, na qual um estímulo, além de provocar a sensação habitual e normalmente localizada, origina uma sensação subjetiva de caráter e localização diferen- tes, como um perfume evocando uma cor, um sabor evocando uma imagem. Pela definição, cor e memória estão conectadas. Legorreta, arquiteto mexicano (1931-2011), conecta as formas e as cores como referenciais para a memória e a identidade. Segundo Izuka (2014), para Legorreta, a cor enfatiza a forma. O arquiteto afirma que a Cor, memória e comunicação2 [...] relação estabelecida de forma espontânea entre sensações de caráter diferente, na qual um estímulo, além de provocar a sensação habitual e nor- malmente localizada, origina uma sensação subjetiva de caráter e localização diferentes, como um perfume evocando uma cor, um sabor evocando uma imagem. A comunicação se agracia desses conceitos, a partir de campanhas e peças publicitárias que fazem parte da vida de quem as assistiu e, claro, de quem às criou. Segundo Pavan e Maia (2007), memórias que fazem lembrar de momentos especiais, acabam por serem afloradas, sejam elas apresentadas sob qualquer apresentação audiovisual. Cor, memória e comunicação, quando em equilíbrio, são poderosos influenciadores do público-alvo. A peça, que por meio da mensagem, resgata uma memória e a transforma em uma experiência que emociona, especialmente se estiver emoldurada com a paleta de cores adequada ao roteiro. Leitores do material impresso, para visualizar as figuras deste capítulo em cores, acessem o link ou o código QR a seguir. https://goo.gl/RG2pLR Na Figura 1, vemos um cartaz da Coca-cola para o natal de 1952,com o indefectível vermelho, típico da marca. 3Cor, memória e comunicação Figura 1. Cartaz da Coca-Cola, de 1952. Fonte: Coca-Cola Brasil (2016, documento on-line). Cor, memória e comunicação4 Segundo Izuka (2014), a memória e as experiências vivenciadas de cada indivíduo inspiram. Não são cópias fiéis, mas sim reorganizações sutis e simbólicas. Portanto, as cores, a forma e a comunicação fazem parte da nossa história. Essas memórias podem parecer perdidas às vezes, mas podem ser acessadas por acontecimentos processados pelo indivíduo, como considera Moreno (2010). O processo de ativação dessas memórias acontece por uma abertura que faz conexões entre elas, levando até a informação desejada. Metodologias que orientam o emprego da cor no âmbito do projeto Quando Isaac Newton descobriu o uso do prisma para separar as cores, lá no século XVII, iniciou a explicação no âmbito físico da cor e desencadeou um processo que levou Johann Wolfgang von Goethe a estudar e publicar seu trabalho A Teoria das Cores. Nele, Goethe abordou as cores por um âmbito mais humanístico, descobrindo que as cores têm propriedades que estimulam o organismo, conforme Lopes (2017). Esses estímulos aos sentidos, que culminam em sensações, influenciam as decisões dos públicos-alvo, seja qual for o meio ou a peça. Segundo Heller (2013), os efeitos da cor sobre o indivíduo é universal, ou seja, o efeito do vermelho, por exemplo, será o mesmo independentemente da peça apresentada. Portanto, na construção de uma peça, a escolha das cores é essencial para a boa entrega da mensagem; elas devem favorecer a peça, o que leva tanto ao estudo da forma quanto ao da cor. A forma é explicada pela Gestalt; já a influência que as cores exercem sobre o indivíduo pode ser explicada pelos aspectos psicológicos, como apresentado por Heller (2013). Segundo Fraser e Banks, a psicologia das cores tem seu ápice de aplicação direta nos desenvolvimentos de marca. Realmente, as cores bem aplicadas têm enorme impacto no indivíduo, facilitando a impregnação do conceito, da ideia pretendida na mensagem. Na Figura 2, podemos entender o efeito das cores no cérebro. 5Cor, memória e comunicação Figura 2. O efeito das cores no cérebro. Fonte: Psicologia do Brasil (2016, documento on-line). Segundo a revista Scientific American – Brasil, cores estimulam a atividade cerebral. Conforme a matéria publicada, uma pesquisa da universidade de Columbia, Estados Unidos, observou mais de 500 pessoas, que executaram tarefas que exigiam atenção. As pessoas que executaram tarefas com o seu computador com um fundo vermelho apresentaram melhores resultados do que as pessoas que realizaram o mesmo exercício com o fundo azul. Cor, memória e comunicação6 As cores no âmbito do projeto Ao estudarmos as cores, podemos dissecar os simbolismos por elas transmiti- dos. Por exemplo, na arte, as cores podem comunicar diretamente a pretensão do artista. Na obra de Joan Miró, por exemplo, segundo Fraser e Banks (2007), o uso de cores conflitantes reflete seu país arrasado pela guerra. Observe um exemplo na Figura 3. Figura 3. Le Férmer et Son Épouse, Joan Miró, 1936. Fonte: Sotheby's (2007, documento on-line). 7Cor, memória e comunicação Passando para a cor em movimento, segundo Fraser e Banks (2007), o diretor David Lynch, em obras como Veludo Azul (1986) e Twin Peaks (1990), utiliza o vermelho para representar o mistério e o perigo. O vermelho, cor extremamente quente, transmite prazer, paixão e emoção, perigo, urgência e ação. Em conjunto com a forma, apresentada pela cena da obra, fica estabe- lecida a intenção do diretor com esta composição. Compor apenas com cores pode resultar em coisas muito interessantes. Segundo Fraser e Banks (2007), tons avermelhados tendem a avançar em direção ao espectador, enquanto tons azulados tendem a se afastar. Escreve- -se em preto sobre fundo branco porque nos é natural, mas podemos mudar o impacto da mensagem invertendo o esquema de cores. Em publicações, o resultado é o mesmo, embora o público-alvo seja dife- rente. Observe um exemplo na Figura 4. Figura 4. Capa da revista Time, edição de 2 de julho de 2018. Fonte: Metro (2018, documento on-line). Cor, memória e comunicação8 Nessa capa, o presidente dos Estados Unidos, de azul-escuro e um sombre- amento preto, encara uma criança imigrante, vestida de rosa, sobre um fundo vermelho. O vermelho, representando o perigo e a violência. O azul-escuro sombreado com preto: do azul, o poder, acrescido do preto do sombreamento, transmitindo as trevas, assim como o poder e a autoridade, e o rosa, feminino e inocente, como alvo e centro da agressão. Vejamos um exemplo da publicidade, na Figura 5. Figura 5. Anúncio Dona Hermínia. Fonte: Banco do Brasil (2017, documento on-line). No exemplo, o anúncio Dona Hermínia, da LewLara/TBWA, premiado no Prêmio Colunistas em 2017, é um aproveitamento para revista do comercial para TV. Ao observar a peça, o uso do amarelo é incrivelmente pontual e bem distribuído. O amarelo, cor do cliente, é emoldurado na almofada quadrada, como o logo, lembrando o conceito do banco. Além disso, o amarelo é uma cor que lembra a alegria e ouro. No design de interiores, o uso da memória e cor também está presente, para comunicar o sentimento do ambiente. Elementos que, separadamente, têm um significado, são ainda maiores quando reunidos e equilibrados. 9Cor, memória e comunicação Figura 6. Memória afetiva na decoração. Fonte: Sua Casa (2014, documento on-line). Repare, na Figura 6, o ambiente com paleta de cores equilibrada e detalhes que lembram o passado, como almofadas de crochê e mesinha feita com pés de uma antiga máquina de costura, assim como as portas francesas, em um design retrô. Muito branco e azul, misturados com outros tons, que transformam o ambiente em um cenário aconchegante, moderno com um ar clássico, criado pela artista plástica e designer de interiores Analu Guimarães. Todas estas aplicações no âmbito do projeto têm uma coisa em comum: o equilíbrio entre forma e cor. Seguindo a psicologia das cores, formando uma boa paleta de cores, baseada no círculo cromático, podemos influenciar o nosso público-alvo, criando projetos com as propriedades que as cores podem nos oferecer com resultados positivos. Cor, memória e comunicação10 1. Do ponto de vista clínico, segundo Ivan Izquierdo, as memórias se formam a partir de experiências pessoais. Sabendo disso, é possível dizer que: a) Aprendemos pelas experiências, e o número delas é, literalmente, infinito. b) Aprendemos de acordo com a armazenagem de dados que a tecnologia nos oferece. Temos mais memória hoje, psicologicamente falando, do que tínhamos no século XVII. c) A partir da invenção da escrita, aumentamos a nossa memória. d) Adquirimos memórias em pares. e) Adquirimos memória por meio do volume de livros impressos. 2. O conceito que diz “Relação estabelecida de forma espontânea entre sensações de caráter diferente, na qual um estímulo, além de provocar a sensação habitual e normalmente localizada, origina uma sensação subjetiva de caráter e localização diferentes, como um perfume evocando uma cor, um sabor evocando uma imagem” refere-se a: a) Sinestesia. b) Psicologia. c) Catagrafia. d) Singegrafia. e) Heliografia. 3. Para Platão, as invenções de Thoth, embora prodigiosas, seriam desestimulantes para a memória, tal o seu medo das novas tecnologias. A tradição oral seria suplantada pelas novas invenções. Seguindo o raciocínio de Platão, assinale a alternativa certa. a) Platão tinha medo das tecnologias apresentadas por Thoth, por isso, no diálogo que escreveu, acusou Thoth de ser contra a comunicação. b) Platão estava se referindo à queda do império egípcio, uma vez que logo depois, de fato, ele se extinguiu. c) Platão se referia ao medo de que a informação se espalhasse e a memória fosse comum a todos. d) Na obra, Platão demonstra que as tecnologias sãoprejudiciais ao aprendizado. e) Platão narra uma transição entre a tradição oral e a invenção da escrita e, por isso, havia o medo de que isso mudaria o que era estabelecido 4. A intenção de um autor pode ser projetada pela escolha das cores em sua composição. Por exemplo, no cinema, o diretor David Lynch usa muito o vermelho para comunicar certas sensações em seus filmes. Sobre o uso do vermelho na obra do diretor, é correto dizer que a) o vermelho indica sempre velocidade e vontade dos personagens. b) o vermelho indica a frieza com que os crimes são resolvidos. 11Cor, memória e comunicação BANCO DO BRASIL. 2017. Disponível em: <http://www.colunistas.com.br/anos/pc2017/ df/impressas/LEWLARA_TBWA-dona_herminia-mobile_view(rev)-2.jpg>. Acesso em: 28 nov. 2018. COCA-COLA BRASIL. Linha do tempo: conheça a história da Coca-Cola Brasil. 24 maio 2016. Disponível em: <https://www.cocacolabrasil.com.br/sobre-a-coca-cola-brasil/a- -historia-da-coca-cola-brasil>. Acesso em: 28 nov. 2018. FRASER, T.; BANKS, A. O essencial da cor no design. São Paulo: Senac, 2007. HELLER, E. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. São Paulo: Gustavo Gili, 2013. IZQUIERDO, I. A. O apaixonante estudo da memória. Revista do INCOR, São Paulo, n° 48, maio 1999. IZUKA, S. D. V. Cor do lugar: identidade e memória. 2014, 185 p. Tese (Doutorado) – Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, 2014. LOPES, V. G. L. A influência das cores em um projeto de interiores. Revista Especialize On-line IPOG, Goiânia, Ano 8, v. 1, n. 14, dez. 2017. Disponível em: <https://www.ipog. edu.br/download-arquivo-site.sp?arquivo=vinicius-goncalves-lima-lopes-41661112. pdf>. Acesso em: 28 nov. 2018. MCLUHAN, M. Os meios de comunicação como extensão do homem. São Paulo: Cultrix, 2007. MEMÓRIA. Dicionário Michaelis, 2018. Disponível em: <http://michaelis.uol.com.br/ busca?id=3wQeZ>. Acesso em: 28 nov. 2018. c) o vermelho compõe harmonicamente com o azul e transmite fraqueza. d) o vermelho transmite força, juventude e espiritualidade. e) o vermelho transmite mistério e perigo. 5. Segundo Fraser e Banks (2007), ao compor apenas com cores, alguns tons tendem a vir na direção de quem observa e outros fazem justamente o contrário. Pensando em uma composição em que é necessário dar sentido de profundidade, é certo dizer que a) o cinza tende a avançar para o espectador. b) o rosa tende a avançar para o espectador. c) nem o azul, nem o vermelho têm essa tendência. d) o azul tende a avançar para o espectador. e) o vermelho tende a avançar para o espectador. Cor, memória e comunicação12 METRO. Capa da Time insinua Trump dando boas-vindas à menina migrante em prantos. Metro Jornal, 21 jun. 2018. Disponível em: <https://www.metrojornal.com. br/foco/2018/06/21/trump-menina-migrante-capa-da-time-estados-unidos.html>. Acesso em: 28 nov. 2018. MORENO, C. N. Processos psicológicos básicos I: memória. Centro Universitário Anhan- guera de Santo André, nov. 2010. Disponível em: <http://files.meucaderno-psicologia. webnode.com.br/200000091-f2c58f3bfc/Trabalho%20sobre%20Mem%C3%B3ria.pdf>. Acesso em: 28 nov. 2018. PAVAN, M. A.; MAIA, M. R. A memória afetiva da propaganda. 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Leituras recomendadas FREITAS, Ana Karina Miranda de. Nucom, Limeira, ano 4, n. 12, out./dez. 2007. Psicodinâ- mica das cores em comunicação. Disponível em: <http://www.iar.unicamp.br/lab/luz/ ld/Cor/psicodinamica_das_cores_em_comunicacao.pdf>. Acesso em: 28 nov. 2018. LEGORRETA, R. Sonhos Construídos. São Paulo: BEI, 2007. LITE, J. Cores estimulam atividade cerebral. Disponível em: <http://www2.uol.com.br/ sciam/noticias/cores_estimulam_atividade_cerebral.html>. Acesso em: 28 nov. 2018. TOMAZ, C. Psicobiologia da memória. Psicologia USP, São Paulo, v. 4, n. 1-2, 1993. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pi d=S1678-51771993000100004>. Acesso em: 28 nov. 2018. 13Cor, memória e comunicação Conteúdo: LUMINOTECNICA APLICADA Camila Dias de Souza Luz e cor Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Conceituar luz e cor em projetos luminotécnicos. � Identificar as características da luz e da cor. � Diferenciar os efeitos do uso desses elementos na arquitetura e no design de interiores. Introdução Como você sabe, a percepção do mundo se dá por meio dos sentidos. Entre eles, a visão é o que mais fornece informações a respeito do meio circundante. Para que você possa enxergar os objetos, é necessário que exista luz. A qualidade da luz que ilumina os espaços é um fator determi- nante no modo como você os percebe e, por consequência, os vivencia. A luminotécnica é a área do conhecimento que estuda a aplicação da iluminação artificial nos espaços construídos, tanto interiores como exteriores. Ela engloba uma série de definições sobre a luz, responsável pela atmosfera do espaço iluminado. Neste capítulo, você vai estudar as características da luz e da cor, bem como as suas grandezas fotométricas. Você também vai conhecer os efeitos de luz e cor que podem ser aplicados aos projetos luminotécnicos de arquitetura e design de ambientes. Luz A luz é uma manifestação de energia radiante pertencente ao espectro eletro- magnético, capaz de ser detectada pelo olho humano por meio de uma sensação visual. Ela somente é visível, e pode ser percebida, quando encontra uma superfície para refleti-la. Assim, a luz causa ao olho humano a impressão de luz e cor, que é determinada pelas características da luz emitida e do objeto que a reflete (INNES, 2014). A radiação visível de luz está compreendida entre os raios ultravioleta e os raios infravermelhos, na faixa de comprimentos de onda de 380 a 780 nm, como você pode ver na Figura 1. Nesse intervalo do espectro, se têm: as cores violeta, nos comprimentos de onda de 380 a 440 nm; a cor azul, de 440 a 500 nm; a cor verde, de 500 a 570 nm; a cor amarela, de 570 a 590 nm; a cor laranja, de 590 a 630 nm; e a cor vermelha, de 630 a 780 nm. A soma dessa faixa de emissões do espectro gera a luz branca (PEDROSA, 1982). Para visualizar esta figura em cores, acesse o link ou o código QR a seguir: https://goo.gl/jQRhXe Figura 1. Espectro de luz visível. Fonte: Präkel (2015, p. 10). A iluminação, além de possibilitar a visão, influencia a percepção e o comportamento das pessoas. Além disso, causa efeitos psicológicos. A per- cepção da forma dos espaços e dos objetos é possível por meio do equilíbrio de luz e sombra. A aparência das formas é delineada pela direcionalidade e Luz e cor2 pela intensidade da luz, que produzem a sensação de tridimensionalidade dos objetos ao gerar sombra neles. A ausência de sombra, por outro lado, cria a percepção bidimensional dos objetos (LAM, 1992). A luz pode desempenhar diversas funções, de acordo com os objetivos exis- tentes. Nos espaços internos, ela define o grau de conexão ou separação entre interior e exterior. Aspessoas têm a tendência de seguir a luz, são atraídas por ela — seja apenas com o olhar, como também motivando deslocamentos entre ambientes. O olhar pode ser direcionado pela luz: assim, é possível focalizar objetos, destacar elementos arquitetônicos e criar um ponto de interesse visual por meio do contraste entre objeto e entorno (INNES, 2014). As definições de claro e escuro dos espaços podem lhes conferir hierarquia, ritmo e movimento. A distribuição da luz determina a configuração dos espaços. Limites espaciais podem ser definidos pela luz, seja pela iluminação de elementos periféricos, seja pela criação de zonas de luz em um entorno mais escurecido. As baixas relações de contraste dão a ideia de continuidade, ao passo que altos contrastes causam sensação de diferenciação (CHING; BINGGELI, 2013). O contraste é um conceito utilizado em iluminação para indicar a relação de proporção entre as luminâncias de um ponto e o seu entorno imediato. É um recurso usado para dar destaque. Ele é importante para a definição de formato e contornos. Entretanto, você deve ter cuidado para não torná-lo excessivo, o que pode prejudicar a visualização dos objetos. Fenômenos relacionados à luz Em geral, a luz que incide em um objeto é em parte absorvida e em parte refle- tida. O fator que determina quais são as características e qual é a quantidade de luz refletida ou absorvida é a materialidade da superfície em que a luz incide. As características de cor, opacidade e textura definem o comportamento da luz. Portanto, adquirem especial importância no projeto luminotécnico, pois atuam como elementos de controle da luz (DEL-NEGRO, 2012). Quando a luz incide em uma superfície opaca e não é refletida, acontece a sua absorção. A percepção da aparência de cor dos objetos depende da 3Luz e cor cor da superfície incidente e das faixas de comprimento de onda da luz emitida. Se a luz for branca, ou seja, possuir espectro de cor completo, e o objeto também, este não absorverá nenhuma radiação. Se a luz branca incidir em um objeto preto, a absorção da luz será total, de todas as faixas do espectro. Já se a emissão de luz branca incidir em um objeto colorido laranja, por exemplo, a absorção da luz acontecerá em todas as faixas de cor com exceção da laranja, que será refletida, causando a impressão de cor do objeto (LOE; TREGENZA, 2015). A reflexão da luz ocorre quando a luz incidente em uma superfície retorna ao meio de origem. Isso acontece basicamente de três formas: reflexão difusa, reflexão especular e reflexão mista. A reflexão difusa se dá quando a luz incide em uma superfície rugosa ou opaca, se refletindo em todas as direções do espaço e gerando, portanto, luminância constante. A reflexão especular se dá quando a luz incidente em uma superfície especular sob determinado ângulo em relação à normal da superfície é refletida no mesmo ângulo de incidência. Por fim, a reflexão mista ocorre quando a superfície em que a luz incide é rugosa e brilhante, gerando reflexões em diferentes direções, de forma não homogênea. O controle da reflexão da luz é fundamental para se evitarem reflexos indesejados e ofuscamentos e para se obterem os efeitos desejados (LOE; TREGENZA, 2015). Em situações de incidência de luz em objetos translúcidos, a luz pode atravessar a superfície translúcida, ou seja, realizar a transmissão de luz. Esse efeito pode ocorrer de forma difusa ou dirigida, variando conforme as características do material. Ao ultrapassar a superfície do objeto, a luz passa por outro meio, que pode ter diferente densidade do meio de origem. Nesse caso, acontece o fenômeno de refração da luz, que é a variação da direção da luz ao passar por um meio de diferente densidade (BOYCE, 2003). A variação de comportamento da luz em função dos materiais com os quais interage deve sempre ser considerada nos projetos, visto que é determinante na forma como as pessoas percebem os ambientes. Você deve identificar situações em que podem ocorrer prejuízos ao bom desempenho visual, tais como reflexões indesejadas (GONÇALVES; VIANNA, 2001). Na Figura 2, a seguir, você pode ver como ocorrem os fenômenos de reflexão, absorção e refração da luz. Luz e cor4 Figura 2. Reflexão, absorção e refração da luz. Fonte: Fouad A. Saad/Shutterstock.com Re�exão Absorção Refração Grandezas fotométricas As grandezas são uma forma de mensurar parâmetros para estabelecer a sua magnitude. Assim, é possível comparar parâmetros de diferentes fontes de 5Luz e cor luz, como lâmpadas ou luminárias (IESNA, 2000). A seguir, você vai ver as principais grandezas fotométricas. Fluxo luminoso (Φ) É a quantidade de luz que uma fonte luminosa emite em todas as direções. É medida em lúmen (lm). Intensidade luminosa (I) É a quantidade de luz que uma fonte luminosa emite em determinada direção. Essa direção é definida pelo ângulo sólido ω, o ângulo de abertura do facho de luz da fonte luminosa. A unidade de medida da intensidade luminosa é candela. Iluminância (E) É a quantidade de luz (fluxo luminoso) de uma fonte que atinge uma super- fície. A iluminância pode ser determinada a partir da intensidade luminosa da fonte de luz, uma vez que a superfície pode ser hipotética. A iluminância pode ser classificada com relação à superfície em que incide e é medida em lux (lúmens/m2) Luminância (L) É a intensidade luminosa que atinge uma superfície e é refletida em determi- nada direção. É definida pela razão entre a intensidade luminosa (candela) e a área em que a luz é projetada (m2). A medida de luminância é a base para a descrição de claridade percebida, ainda que outros aspectos perceptivos sejam atuantes, como a adaptação visual, a claridade relativa (contrastes) e a refletância da superfície. Eficiência luminosa (η) É a capacidade que uma fonte luminosa possui de converter sua energia elétrica (potência) em luz. Quanto maior quantidade de luz for gerada por um watt de potência, maior será a eficiência luminosa da fonte de luz. No Quadro 1, a seguir, você pode ver uma síntese das grandezas fotométricas. Luz e cor6 Fo nt e: A da pt ad o de B oy ce (2 00 3) . G ra nd ez a fo to m ét ri ca Sí m bo lo Re pr es en ta çã o D ef in iç ão Fó rm ul a de c ál cu lo U ni da de d e m ed id a Fl ux o lu m in os o Φ É a qu an tid ad e de lu z em iti da p or u m a fo nt e em to da s as d ire çõ es . lú m en In te ns id ad e lu m in os a I É a qu an tid ad e de lu z em iti da e m u m a di re çã o de te rm in ad a, s ob re o ân gu lo s ól id o em q ue es tá s en do e m iti da . I = Φ / ω ca nd el a Ilu m in ân ci a E É a lu z qu e in ci de e m um a su p er fíc ie . E = Φ / A 1 lu x Lu m in ân ci a L É a lu z re fle tid a p or um a su p er fíc ie . L = I / A 2 cd /m 2 Ef ic iê nc ia lu m in os a η É a re la çã o da da p el o flu xo lu m in os o de u m a fo nt e e su a p ot ên ci a. η = Φ / P lm /W Q ua dr o 1. G ra nd ez as fo to m ét ric as 7Luz e cor Leis fotométricas Lei do inverso do quadrado das distâncias A intensidade de luz de uma fonte luminosa diminui na proporção do qua- drado da distância da fonte até a superfície (Figura 3). Isso significa que, ao duplicar a distância, a intensidade de luz se reduz quatro vezes. Assim, você pode perceber a importância do fator distância nos projetos, pois ele reduz sensivelmente a quantidade de luz (PRÄKEL, 2015). Figura 3. Lei do inverso do quadrado da distância. Fonte: Präkel (2015, p. 11). Lei do cosseno A lei do cosseno é aplicada quando o facho de luz incidente sobre uma su- perfície forma ângulo diferente de 90º. A incidência normal à superfície (a Luz e cor8 90º) é a condição em que o facho de luz incide de forma mais concentrada. Ao variar a angulação, o facho aumenta a sua área deincidência, reduzindo, portanto, a intensidade luminosa. Nessa condição, o facho de luz que delineia um círculo quando perpendicular à superfície se deforma, configurando uma elipse, quando inclinado (IESNA, 2000). Veja: E = ( I / d2) · cosθ Lei da aditividade A lei da aditividade informa que a quantidade de luz total sobre uma superfície é dada pela soma das iluminações sobrepostas (IESNA, 2000). Veja: Etotal = E1 + E2 + E3 + ... Cor A cor é o resultado do processo fisiológico causado por um estímulo físico (estímulo de cor). Ao longo do tempo, foram desenvolvidas diferentes teorias de cor e sistemas colorimétricos (KELLER, 2010). O sistema de cores de Munsell (1905) adota três dimensões da cor, como você pode ver a seguir. � Matiz: é um ponto definido no círculo de cor. � Valor tonal: é a aparência clara ou escura da cor, definida em uma escala de 0 (preto) a 10 (branco). Assim, é também uma medida da refletância da cor, ou seja, do quanto da luz incidente sobre a cor é absorvida e do quanto é refletida. � Croma (saturação): é dada pela pureza da cor. Munsell estabeleceu uma escala ascendente de até 14 graus para correlacionar as diferenças entre a cor pura e o cinza neutro. O sistema de cores adotado e recomendado pela Comissão Internacional de Iluminação (CIE, Commission Internationale de l'Éclairage) foi desenvolvido com base no sistema aditivo de cores e é bastante utilizado. Nele, é representada a saturação das cores, e o triângulo branco indica em seus vértices os pontos de cores primárias. O sistema de coordenadas é dado em uma escala de 0 a 1, no qual o eixo y é referente à cor verde e o eixo x é referente ao vermelho. Observe a Figura 4, a seguir (LOE; TREGENZA, 2015). 9Luz e cor Para visualizar esta figura em cores, acesse o link ou o código QR a seguir: https://goo.gl/hpKFtn Figura 4. Sistema de cores CIE. Fonte: Loe e Tregenza (2015, p. 32). A geração de cores pode acontecer pelo método aditivo ou pelo método subtrativo. O método aditivo parte da sobreposição das cores vermelha, azul e verde, cores primárias. Tal sobreposição é denominada RGB (Red, Blue, Green) e produz a cor branca. A combinação aos pares de cor gera as chama- das cores secundárias: ciano, magenta e amarelo. Já o método subtrativo faz a sobreposição das três cores secundárias entre si. A sobreposição das três cores secundárias gera o preto, e a sobreposição aos pares de cores secundárias forma uma das cores primárias (PEDROSA, 1982). Para a geração das cores terciárias, é feita a combinação de uma cor se- cundária com a primária que falta em sua composição. Na Figura 5, a seguir, você pode ver os métodos de subtração e adição de cores. Luz e cor10 Para visualizar esta figura em cores, acesse o link ou o código QR a seguir: https://goo.gl/su94sH Figura 5. Métodos aditivo (esquerda) e subtrativo (direita). Fonte: Ambrose e Harris (2012, p. 122). Índice de reprodução de cor (IRC) É a relação que exprime o quanto uma fonte de luz artificial é capaz de repro- duzir a cor dos objetos com precisão. É uma medida dada de 0 a 100 (Ra), na qual 100 é o espectro de cor da luz que emite todas as frequências de onda. O IRC é calculado pela média de cores pastéis do círculo cromático. Quanto mais próximo de 100, melhor é a reprodução de cores, oferecendo maior fidelidade na reflexão das cores dos objetos. A necessidade de qualidade de reprodução de cores está relacionada à atividade desenvolvida no ambiente. Por exemplo, para uma loja de vestuário ou um restaurante, é desejável que as cores sejam valorizadas. Isso requer o uso de fontes com alto IRC. Já locais de circulação, como vias públicas sem relevância maior, aceitam menor qualidade de reprodução de cores (GANSTLAND; HOFMAN, 1992). No Quadro 2, a seguir, você pode ver a relação entre o IRC e a qualidade de reprodução das cores. 11Luz e cor Fonte: Adaptado de Loe e Tregenza (2015, p. 33). Qualidade IRC Próximo à reprodução de cor exata Ra = 100 Reprodução de cores de alta qualidade Ra > 90 Reprodução de cores de boa qualidade Ra > 80 Reprodução de cores de baixa qualidade Ra < 79 Quadro 2. Qualidade do índice de reprodução de cor Temperatura de cor É a grandeza que expressa a aparência de cor da luz. Sua unidade de medida é Kelvin (K). A luz quente tem temperatura de cor na faixa de 3.000 K ou menos e tem aparência amarelada. Já a luz fria tem temperatura de cor na faixa de 6.000 K ou mais e tem aparência de cor azul-violeta. Considera-se branco natural aquela luz emitida pelo sol em céu aberto ao meio-dia, cuja temperatura de cor é 5.800 K (KELLER, 2010). Os termos “quente” e “fria” são atribuídos à luz sob o ponto de vista psicológico. Ou seja, quando se diz que uma luz é quente, não significa que tem uma temperatura de cor mais elevada, e sim que tem temperatura de cor com tonalidade mais amarelada. Esse tipo de iluminação dá a sensação de aconchego. Por isso, é apropriada para ambientes de estar, como dormitórios. Já a luz fria, com temperatura de cor mais azulada, é indicada para espaços de trabalho (OSRAM, 2008). Efeitos de luz e cor nos projetos luminotécnicos As diversas maneiras de utilização da luz e da cor permitem a criação de diferentes ambiências. A ambiência, ou atmosfera, diz respeito à percepção e à avaliação afetiva do ambiente. Ela indica o modo como o espaço é com- Luz e cor12 preendido do ponto de vista emocional. Isso está relacionado às sensações que o espaço provoca nas pessoas, o que tem caráter subjetivo. A atmosfera também está associada ao simbolismo da luz, variando de uma cultura para outra (SOUZA, 2017). Um estudioso da iluminação, precursor de sua aplicação a projetos de arquitetura nos Estados Unidos, na década de 1950, iniciou a teorização so- bre a aplicação da luz nos espaços dando ênfase à questão da ambiência. De forma ampla, Richard Kelly elencou três diferentes tipos de efeitos de luz (NEUMANN; STERN, 2011): � luz para ver; � luz para olhar; � luz para contemplar. A luz para ver, ou luminescência ambiental, é a luz homogênea, sem hie- rarquização de elementos ou espaços. Como exemplo, você pode considerar a cobertura translúcida de um edifício, um céu nublado ou a luz indireta, sem sombras definidas. Essa luz sugere infinitude e liberdade espacial, tor- nando o espaço seguro. Ambientes de trabalho como escritórios demandam homogeneidade. A luz para olhar, ou brilho focal, é a luz que destaca elementos e atrai o olhar gerando foco de atenção. Ela facilita a visualização e estabelece hie- rarquia, contrastando com o entorno. É a luz de destaque presente em obras de arte, por exemplo. Por sua vez, a luz para contemplar, ou jogo de brilhos, é a que expressa uma informação em si. As esculturas de luz são um exemplo, assim como a vista aérea de uma cidade, que evidencia o traçado das ruas, ou o céu estrelado. Essa luz tem hierarquia em si mesma com relação aos demais elementos. A iluminação se divide em dois tipos: difusa e direcional. A difusão da luz no ambiente se dá pela sua distribuição uniforme, gerando uma área de baixo contraste. Assim, as possíveis sombras causadas por objetos nesse espaço tendem a ter bordas pouco definidas, proporcionando um gradiente de luz da área de maior iluminação até a zona de sombra. A luz direcional objetiva criar destaque e definir hierarquias visuais. Portanto, produz contraste entre o ponto focal e o seu entorno. Entretanto, as bordas que separam a área em destaque da área circundante podem ter maior ou menor definição, de acordo com o equipamento utilizado (CUTTLE, 2015). Essas formas de iluminação estão relacionadas à iluminação ambiental geral e à iluminação de destaque, respectivamente, ainda que não sejam 13Luz e cor equivalentes. É importante você lembrar-se da interferência da refletância das superfícies do ambiente, que refletem a iluminação. Essas superfícies definem a quantidade de luz necessária para a configuração da iluminação do ambiente (NEUMANN;STERN, 2010). A proporção de iluminâncias entre zona de destaque e iluminação geral e a avaliação do grau de diferença de percepção estabelecem as relações que você pode ver no Quadro 3. Fonte: Adaptado de Cuttle (2015, p. 39). Proporção de contraste Percepção do contraste 1.5:1 Perceptível 3:1 Discreto 10:1 Forte 40:1 Enfático Quadro 3. Percepção de contrastes Além da distribuição da quantidade de luz sobre o ambiente, outro fator essencial para a criação da ambiência espacial é a cor da luz. Como você viu, as cores são separadas em dois grandes grupos: cores quentes — amarelo, laranja, vermelho, verde-amarelado — e cores frias — verde-azulado, azul e violeta. As diferentes maneiras com que essas cores são utilizadas provocam variações na percepção. Quando as cores são aplicadas com maior saturação, evocam emoções fortes, potência, agressividade. Quando em tons pálidos ou pastéis, trazem a ideia de suavidade e delicadeza (KELLER, 2010). Algumas percepções de cor podem ser alteradas conforme o seu entorno. Por exemplo, as cores complementares lado a lado se acentuam mutuamente, aumentando a relação de contraste de cor. Da mesma forma, o cinza, quando colocado junto a uma cor, produz efeito de acentuação da percepção de cor (PEDROSA, 1982). Além de considerar esses efeitos, lembre-se do seguinte: a luz vista é a luz refletida (luminância). Portanto, a incidência de luz colorida sobre uma superfície também colorida pode gerar inúmeros efeitos de cor. Da mesma forma, dois fachos de luz de diferentes cores podem ser sobrepostos, formando Luz e cor14 uma terceira cor. Essa é uma maneira surpreendente de utilização de cor em iluminação, mais comumente usada em iluminação teatral (KELLER, 2010). As possibilidades de efeitos de luz e cor nos projetos são inúmeras. Como você viu, é possível associar diferentes efeitos, formando composições únicas. Você deve escolher um efeito ou outro considerando a funcionalidade, a integração com as características do espaço e a atmosfera desejada. 1. A ciência que estuda a medição da luz é chamada de fotometria. Por meio da quantificação da luz, é possível comparar situações de projeto. As medições são realizadas a partir da definição conceitual das chamadas grandezas fotométricas. Com relação às grandezas fotométricas, assinale a alternativa correta. a) O fluxo luminoso é a grandeza fotométrica que apresenta a relação entre a luz emitida por uma fonte e a superfície em que ela incide. Sua unidade de medida é a candela. b) A luz incidente em uma superfície é medida em lux e é chamada de luminância. c) A intensidade luminosa é a quantidade de luz emitida por uma fonte em determinada direção. d) A luz refletida por uma superfície é chamada de iluminância. e) A eficiência luminosa de uma fonte de luz é dada pela relação entre a quantidade de luz emitida e a quantidade de luz refletida. 2. A luz natural tem características próprias que lhe diferenciam da luz artificial. Sobre a luz natural, é correto afirmar que: a) o ritmo biológico do corpo humano independe da luz natural. b) tem temperatura de cor variável ao longo do dia. c) é sinônimo de radiação direta da luz do sol. d) a entrada de radiação solar em um ambiente qualifica os espaços construídos. e) tem temperatura de cor constante. 3. Um espaço pode ser iluminado de inúmeras formas, com maior ou menor vinculação do sistema de iluminação ao layout do ambiente. Considerando 15Luz e cor os sistemas de iluminação, assinale a alternativa correta. a) Uma das razões pelas quais um sistema de iluminação suplementar pode ser implantado é devido à sua função de guiar o deslocamento de pessoas. b) O sistema de iluminação de orientação independe do sistema de iluminação geral. c) O sistema de iluminação geral pode oferecer baixos níveis de iluminância, chegando a zero. d) O sistema de iluminação de destaque tem por objetivo a separação de ambientes, criando contrastes entre eles. e) O aumento do nível de iluminância do plano de trabalho é dado pela existência de um sistema de iluminação localizada. 4. A propagação normal da luz é em trajetória reta, mas ela pode sofrer variações de acordo com a sua interação com os materiais em que incide. Considerando a luz incidente em uma superfície, assinale a alternativa correta. a) Se a superfície for translúcida, a luz pode mudar a sua trajetória. b) Se a superfície for especular, não vai transmitir luz. c) Os materiais que compõem a superfície nunca alteram a direção da luz. d) A temperatura de cor da luz incidente não altera a aparência de cor da superfície. e) A aparência de cor da superfície nunca se altera com a qualidade da luz incidente. 5. A luz é uma energia radiante que pode se manifestar de diferentes maneiras. Seus diferentes comprimentos de onda determinam a cor da luz emitida. No caso da luz colorida, a sobreposição de fachos de luz pode gerar adição ou subtração de cores. Entre as alternativas apresentadas a seguir, assinale a que indica a cor resultante correta. a) Verde + vermelho = ciano. b) Verde + azul = magenta. c) Amarelo + ciano = magenta. d) Magenta + amarelo = vermelho. e) Ciano + magenta = verde. Luz e cor16 AMBROSE, G.; HARRIS, P. Fundamentos de design criativo. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. BOYCE, P. Human factors in lighting. 2. ed. New York: Taylor & Francis Group, 2003. CHING, F., BINGGELI, C. Arquitetura de interiores ilustrada. Porto Alegre: Bookman, 2013. CUTTLE, C. Lighting design: a percepion-based approach. New York: Routledge, 2015. DEL-NEGRO, D. Arquitectura em luz. Portugal: Caleidoscópio Edições e Artes Gráficas, 2012. GANSTLAND, R.; HOFMAN, R. Handbook of Lighting Design. ViegBraunschweig/Vies- baden: ViewegVerlag 1992. GONÇALVES, J. C.; VIANNA, N. S. Iluminação e arquitetura. São Paulo: Geros, 2001. ILLUMINATING ENGINEERING SOCIETY OF NORTH AMERICA. Rea, M. S. (ed.). The IESNA lighting handbook: reference and appplication.9. ed. Nova York: Illuminating Engineering Society of North America, 2000. INNNES, M. Iluminação no projeto de interiores. São Paulo: Gustavo Gilli, 2014. KELLER, M. Fantastic Light. 3. ed. Prestel: Munique, 2010. LAM, W. Perception and Lighting as formgivers for architecture. New York: Van Nostrand Reinhold, 1992. LOE, D.; TREGENZA, P. Projeto de Iluminação. Porto Alegre: Bookman, 2015. NEUMANN, D.; STERN, R. The strucutre of light: Richard Kelly and the Illumination of Modern Architecture. Yale University Press, 2010 OSRAM. Iluminação: conceitos e projetos. 2008. Disponível em: Acesso em: 25 set. 2018. PEDROSA, I. Da cor a cor inexistente. Rio de Janeiro: Léo Christinao Editorial, 1982. PRÄKEL, D. Iluminação. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2015. SOUZA, C. A percepção da qualidade do sistema de iluminação da Praça Adair Figueiredo. (Dissertação de mestrado em Arquitetura). Faculdade de Arquitetura da Universidade do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2017 17Luz e cor Conteúdo: TEORIA E PRÁTICA DA COR Carolina Corso Rodrigues Marques Psicodinâmica das cores Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Conceituar o significado cultural e simbólico das cores. � Identificar as harmonias cromáticas, contrastes e a pós-imagem da cor. � Aplicar os conceitos de harmonias de cor em composições. Introdução O estudo psicodinâmico das cores permite conhecer sua potência psíquica e aplicá-la como poderoso fator de atração e sedução para identificar, por exemplo, mensagens publicitárias. As cores são utilizadas com o objetivo de criar uma atmosfera, estimular os rendimentos no trabalho e fazer com que as tarefas sejam mais gratificantes. A linguagem da cor é um meio atrativo que atua sobre o subconsciente. Assim, a psicodinâmica das cores é a ciência que estuda como as pessoas reagem às cores, que são convertidas em estímulos pelo cérebro humano. Neste capítulo, estudaremos o significadocultural e simbólico das cores, conhecendo harmonias cromáticas, contrastes e pós-imagem da cor e vendo como aplicá-las em composições. Significado cultural e simbólico das cores Para cada pessoa, em cada lugar, em cada objeto, as cores têm um significado. Sendo assim, o significado de uma cor depende de seu contexto. A cor ver- melha, por exemplo, é considerada muito mais chamativa aqui no Ocidente do que no Oriente, pois lá eles dispõem de técnicas naturais de extração essa cor há muito mais tempo. Essa relação do significado psicológico das cores dá a cada uma delas significados diferentes em diferentes partes do mundo. Civilizações antigas, como China, Índia, Egito, já sentiam na cor um fundo psicológico. Para eles, cada cor significava um símbolo, e deuses representavam cores como a luz solar, o azul-esverdeado dos mares, o azul-esbranquiçado das nuvens na imensidão dos céus, as cores do arco-íris, que de vez em quando se apresentava como emanação divina e um céu turbulento. Segundo Farina (2011), […] as cores faziam parte, assim, mais das necessidades psicológicas do que das estéticas, e as que mais surpreendiam aos olhos humanos seriam para enriquecer a presença de príncipes e reis, sacerdotes e imperadores, através dos deslumbrantes vestuários e ornamentos que lhes eram atribuídos. O autor complementa: “Nas artes visuais, a cor não é apenas um elemento decorativo ou estético. É o fundamento da expressão. Está ligada à expressão de valores sensuais e espirituais.” A partir da Renascença, no início da Idade Moderna, a cor passou a ser individualizada e identificadora dos diferentes tipos de obra artística. Con- forme o período, as cores nas obras tinham certas tonalidades, às vezes mais escuras, às vezes acompanhando as formas dos objetos criados, procurando certa sofisticação. No século XVII, o Barroco conferiu à cor um caráter dinâmico, enquanto o Romantismo, no século XIX, procurou as cores espirituais das paisagens. Foi quando houve grande interesse no estudo das cores, com a participação de filósofos e escritores. Por meio de estudos científicos, especialistas chegaram à conclusão de que o problema estético das cores segue três pontos de vista, são eles (FARINA, 2011): 1. Óptico-sensível (impressivo): ocorre quando a retina vê em primeira instância uma cor qualquer. 2. Psíquico (expressivo): ocorre quando a mente reage sobre a luz que recebeu. 3. Intelectual-simbólico (estrutural): Ocorre quando o indivíduo pensa sobre o que viu. Essa tríade pode ser comparada com o conceito de Walter Benjamin (2012) sobre primeiridade, secundidade e terceiridade. Primeiridade consiste na incapacidade de poder se situar, como primeiríssimo contato com o objeto ou cor, aquele no qual, ao se pensar sobre ele, ele já se foi. Na secundidade é identificando o outro que o indivíduo tem consciência de si, ele percebe a exis- tência do outro. A terceiridade é quando identificamos o que já conhecemos, Psicodinâmica das cores2 pensamos sobre o que já vimos e tivemos consciência; é quando pegamos um signo de linguagem e transformamos em outro para interpretarmos da melhor maneira, conforme nossa abrangência cultural, tudo o que foi inicialmente visto pela nossa retina. Análise simbólica e cultural das cores Considerando a amplitude e a importância da cor em diversas áreas, o estudo das cores busca evidenciar a capacidade informativa das cores, por meio da análise dos estímulos, da percepção e da sintaxe das cores. Também busca mostrar sua utilização simbólica e linguística na transmissão de mensagens e informação, revelando a influência dos elementos psicodinâmicos. Azul � Significado cultural: frio, mar, céu, horizonte, feminilidade, espaço, intelectualidade, paz, serenidade, fidelidade, confiança, harmonia, afeto, amizade, amor, viagem, verdade, advertência. � Significado simbólico: uma cor imaterial, capaz de despertar no ser humano um profundo desejo de pureza e de contato com o divino. Amarelo � Significado cultural: egoísmo, ciúmes, inveja, prazer, conforto, alerta, esperança, flores grandes, verão, limão, calor da luz solar, iluminação, alerta, euforia. � Significado simbólico: uma cor essencialmente material e terrestre, uma cor fascinante e extravagante, uma explosão de energia, um des- perdiçar das forças. Vermelho � Significado cultural: guerra, sol, fogo, atenção, mulher, conquista, coragem, furor, vigor, glória, ira, emoção, paixão, ação, agressividade, perigo, dinamismo, baixeza, energia, revolta, calor, violência. � Significado simbólico: o vermelho é a cor autoconfiante, transbordante de vida, ardente, agitada, efervescente. Ao misturar-se com o preto, adquire a cor marrom, que se classifica como uma cor dura, estagnada, quase sem vida. No entanto, o marrom também é uma cor potente, na 3Psicodinâmica das cores sua sonoridade interior, capaz de expressar uma beleza interior que não pode ser traduzida em palavras. Verde � Significado cultural: umidade, frescor, bosque, mar, verão, adoles- cência, bem-estar, paz, saúde (medicina), esperança, liberdade, paz repousante. Pode desencadear paixões. � Significado simbólico: é a cor mais calma entre todas as cores. Repre- senta passividade saudável, repleta satisfação, é tonificante e representa a cor da natureza em seu movimento de maior vitalidade e exuberância. Laranja � Significado cultural: prazer, êxtase, dureza, euforia, outono, aurora, festa, luminosidade, tentação, senso de humor, flamejar do fogo. � Significado simbólico: na junção dessas duas cores, as simbologias do vermelho e do amarelo se unem, resultando em uma cor menos ácida que o amarelo, material, ativa, que não tende para a profundidade. Violeta � Significado cultural: calma, dignidade, estima, valor, miséria, roubo, afetividade, miséria, calma, violência, agressão, poder sonífero. � Significado simbólico: tanto o violeta como o laranja possuem um equilíbrio precário, e a determinação dos limites dessas duas cores é imprecisa. Até onde um laranja pode ser considerado laranja e não amarelo? Qual é o limite do violeta entre o vermelho e o azul? Harmonias cromáticas, contrastes e pós- imagem da cor Tecnicamente, harmonia cromática é o resultado do equilíbrio entre a cor dominante (que possui a maior extensão na composição), a cor tônica (coloração vibrante que dá tom ao conjunto) e a cor intermediária (meio-termo entre a dominante e a tônica). Todas as cores podem ser combinadas, o que não significa que o resultado será harmônico. Para que isso ocorra, deve-se buscar o resultado que propor- Psicodinâmica das cores4 cione maior conforto visual, arranjando as cores como um músico faz com as notas musicais. Daí a semelhança terminológica entre a teoria musical e a cromática. O estudo da harmonia não deve ser entendido como um limitador, mas sim como um aliado, que fornece o conhecimento necessário para obter resultados melhores e até mesmo inusitados. Leitores do material impresso, para visualizar as figuras deste capítulo em cores, acessem o link ou o código QR a seguir. https://goo.gl/Tp5W6L Harmonias Harmonia monocromática É a harmonia resultante de uma mesma cor do círculo cromático. As tonali- dades podem mudar, mas todas ficam no mesmo matiz do círculo cromático. O esquema ou harmonia monocromática utiliza variações de luminosidade e saturação de uma mesma cor. Essas harmonias luzem simples e elegantes, sendo de fácil percepção ao observador, especialmente quando se trata de tons azuis e verdes. A cor principal pode ser combinada com cores neutras, preto e branco; no entanto pode ser difícil ressaltar os elementos mais importantes quando se utiliza este tipo de harmonia. Figura 1. Harmonia monocromática. Fonte: Frota (2018, documento on-line). 5Psicodinâmica das cores � Prós: é simples de utilizar e é sempre equilibrada e visualmente apelativa. � Contras: carece de contraste. Não é uma harmonia tão vibrante como a harmonia decomplementares. � Dicas: quando realizar um trabalho com harmonia monocromática, utilize as luzes, sombras e tonalidades da cor principal para tornar mais interessante o trabalho. Experimente o esquema análogo; ele oferece certas nuances, ainda mantendo a simplicidade e elegância da harmonia monocromática. Harmonia complementar É a harmonia que ocorre quando combinamos cores opostas no círculo cromá- tico. Em outras palavras, são cores que se encontram simétricas com respeito ao centro do círculo. O matiz varia em 180° entre um e outro. Esta harmonia funciona ainda melhor se são combinadas cores frias e cores quentes, por exemplo, vermelho com verde com azul ou azul com amarelo. Uma harmonia complementar é intrinsecamente uma harmonia de contraste. Quando utilizar esta harmonia, é importante escolher uma cor dominante e utilizar a complementar para acentos e toques de destaque — por exemplo, utilizar uma cor para fundo e a outra para destacar os elementos de importância. Figura 2. Harmonia complementar ou de contraste. Fonte: Frota (2018, documento on-line). � Prós: oferece uma combinação de alto-contraste ideal para atrair a máxima atenção do espectador. � Contras: é mais difícil de equilibrar do que os esquemas análogos ou monocromáticos, especialmente quando são utilizadas cores quentes não saturadas. Psicodinâmica das cores6 � Dicas: para melhores resultados, é aconselhável escolher cores frias e cores quentes, como por exemplo, azul e laranja. Se for utilizar uma cor quente (vermelho ou amarelo) para ressaltar, é aconselhável utilizar uma cor fria não saturada para dar mais ênfase às cores quentes. Evitar a utilização de cores não saturadas quentes, como castanhos e ocres. O esquema duplo complementaria este, já que oferece mais variedade. Harmonia triádica É a tríade obtida por um triângulo equilátero inserido no círculo cromático. Entre as tríades, a formada pelas cores primárias será mais forte. É possível também obter uma tríade a partir de um triângulo isósceles, deslocando as cores da base do triângulo para uma cor adjacente. Nesta harmonia utilizamos três cores equidistantes no círculo cromático. Por exemplo, azul, amarelo e vermelho. Esse tipo de combinação consegue dar um efeito visual muito atraente. Esta harmonia é muito popular entre os artistas, porque oferece um alto contraste visual, ao mesmo tempo em que conserva o equilíbrio e a riqueza das cores. Esta harmonia não é tão contrastante como o esquema de complementares, mas é mais equilibrada e harmoniosa. Figura 3. Harmonia triádica. Fonte: Frota (2018, documento on-line). � Prós: oferece alto-contraste, mantendo a harmonia. � Contras: não tem tanto contraste como o esquema complementar. � Dicas: escolha uma cor para ser utilizada em áreas maiores do que as restantes. Se a combinação é de mau gosto, tente dominá-las. 7Psicodinâmica das cores Harmonia quadrática Formada por tétrades, que definem um quadrado formado pela união de duas díades perpendiculares entre si. Também é possível fazer uma tétrade a partir de um retângulo formado por duas díades a 60° entre si. Figura 4. Harmonia quadrática. Fonte: Frota (2018, documento on-line). Harmonia derivada Combinações das harmonias citadas anteriormente, como o hexágono formado por duas tríades perpendiculares e o octógono formado por duas tétrades perpendiculares. Figura 5. Harmonia derivada. Fonte: Frota (2018, documento on-line). Psicodinâmica das cores8 Harmonia análoga Este modelo de harmonia das cores é formado por uma cor primária combinada com duas cores vizinhas no círculo cromático. Uma cor é utilizada como a dominante, enquanto as adjacentes são utilizadas para enriquecer a harmonia. Figura 6. Harmonia análoga. Fonte: Frota (2018, documento on-line). � Prós: as harmonias análogas são tão fáceis de criar quanto as mono- cromáticas, com a vantagem de serem mais ricas. � Contras: um esquema de cores análogas carece de cor de con- traste. Não é uma harmonia tão vibrante como a harmonia de complementares. � Dicas: evite utilizar muitos tons em uma harmonia análoga, porque poderia destruir a harmonia. Evite a combinação de cores frias e quentes na mesma harmonia. Harmonia por saturação É a soma de uma única cor às demais. Na Figura 7, a paleta foi saturada com azul. 9Psicodinâmica das cores Figura 7. Harmonia por saturação. Fonte: Frota (2018, documento on-line). Harmonia do complemento dividido É a harmonia obtida pela mistura de uma tonalidade da escala com as duas vizinhas da cor diretamente oposta à primeira. É uma variante da combinação de harmonia de complementares, que utiliza uma cor como principal e as duas cores adjacentes ao seu complementar. Oferece um grande contraste, sem a tensão do esquema complementar. � Prós: oferece mais nuances do que o esquema complementar, ao mesmo tempo em que retém a força e o contraste visual. � Contras: é mais difícil de equilibrar do que as harmonias análogas ou monocromáticas. � Dicas: utilize uma cor quente como dominante e uma gama de cores frias para dar mais ênfase à cor quente — por exemplo, vermelhos contra azuis ou azuis-esverdeados ou laranjas contra azuis ou azuis-violetas. Evite utilizar cores quentes não saturadas, como os castanhos ou ocre, porque podem arruinar o esquema. Psicodinâmica das cores10 Figura 8. Harmonia do complemento dividido. Fonte: Gouveia (2017, documento on-line). Harmonia dupla complementar Como o nome indica, refere-se à harmonia obtida por dois pares de cores complementares entre si. Denominadas por alguns como tetradas, estas com- binações são as mais ricas de todas as harmonias, porque utilizam quatro cores, complementares em pares. É, no entanto, uma harmonia muito difícil de trabalhar. Se as quatro cores são utilizadas em iguais proporções, a harmonia parecerá desequilibrada, motivo pelo qual deverá sempre ser escolhida uma cor como a dominante. � Prós: oferece maior variedade na sua combinação do que qualquer das harmonias mencionadas. � Contras: é a harmonia mais difícil de trabalhar. � Dicas: se o esquema parece desequilibrado, uma ou mais cores deverão ser dominadas. Evite utilizar cores puras em iguais proporções. 11Psicodinâmica das cores Figura 9. Harmonia dupla complementar. Fonte: Gouveia (2017, documento on-line). Contrastes O contraste de cor tem função fundamental, mas é muitas vezes mal compre- endido e subestimado. É o que desperta o interesse e, ao mesmo tempo, intriga quem o vê. Usado de forma correta, não somente chama mais a atenção das pessoas como também facilita a leitura e a compreensão da composição criada. Quando duas cores diferentes entram em contraste direto, o contraste intensifica as diferenças entre ambas, aumentando quanto maior for o grau de diferença e maior for o grau de contato, chegando a seu máximo contraste quando uma cor está rodeada por outra. O efeito de contraste é recíproco, já que afeta as duas cores. Existem diferentes tipos de contrastes — vejamos quais são eles. Contraste de luminosidade Também denominado contraste claro-escuro, é produzido ao se confrontar uma cor clara ou saturada de branco com uma cor escura ou saturada de preto. Psicodinâmica das cores12 É um dos contrastes mais efetivos, sendo muito recomendável para conteúdos textuais, que devem destacar com clareza sobre o fundo. Figura 10. Contraste de luminosidade. Fonte: Moreno (2018, documento on-line). Contraste de valor Quando se apresentam dois valores diferentes em contraste simultâneo, o mais claro parecerá mais alto e o mais escuro, mais baixo. Por exemplo, ao colocar dois quadrados vermelhos, um sobre fundo esverdeado e o outro sobre fundo laranja, o situado sobre fundo esverdeado parecerá mais claro. A justaposição de cores primárias exalta o valor de cada um. 13Psicodinâmica das cores Figura 11. Contraste de valor. Fonte: Moreno (2018, documento on-line). Contraste de saturação Origina-se da modulação de um tompuro, saturando-o com branco, preto ou cinza. O contraste pode se dar entre cores puras ou pela confrontação delas com outras não puras. As cores puras perdem luminosidade quando se adi- ciona preto, e variam sua saturação com a adição do branco, modificando os atributos de calor e frieza. O verde é a cor que menos muda ao ser misturada tanto com o branco quanto com o preto. Como exemplo, se situarmos sobre o mesmo fundo três quadrados com diferentes saturações de amarelo, o mais puro sempre se contrastará mais. Figura 12. Contraste de saturação. Fonte: Moreno (2018, documento on-line). Psicodinâmica das cores14 Contraste de temperatura É o contraste produzido ao se confrontar uma cor quente com outra fria. A frieza de uma cor é relativa, já que a cor é modificada pelas cores que a rodeiam. Sendo assim, um amarelo pode ser quente em relação a um azul e frio em relação a um vermelho. Além disso, um mesmo amarelo pode ser mais quente se estiver rodeado de cores frias, e menos quente se rodeado com vermelho, laranja, etc. Figura 13. Contraste de temperatura. Fonte: Moreno (2018, documento on-line). Contraste de complementares Duas cores complementares oferecem, juntas, as melhores possibilidades de contraste, embora o violenta predomine visualmente quando se combinam 15Psicodinâmica das cores duas cores complementares intensas. Para conseguir uma harmonia, convém que uma delas seja a sua cor pura, e as outras estejam moduladas com branco ou preto. Figura 14. Contraste de complementares. Fonte: Moreno (2018, documento on-line). Contrastes com uso de cor brilhante Uma cor pura e brilhante aplicada a uma grande extensão da página costuma ser irritante e cansativa (especialmente, o amarelo). Entretanto, quando usada em pequenas proporções e sobre um fundo apagado, pode criar a sensação de dinamismo. Duas cores claras brilhantes colocadas uma ao lado de outra produzem um efeito de rejeição, enquanto que, se situamos essas mesmas duas cores uma dentro da outra, o efeito muda completamente. Psicodinâmica das cores16 Figura 15. Contraste uso de cor brilhante. Fonte: Moreno (2018, documento on-line). Figura 16. Cores juntas e sobrepostas. Fonte: Moreno (2018, documento on-line). Metamerismo Uma mesma cor pode mudar muito seu aspecto visual, dependendo da cor na qual se encontrar embutida. Esse efeito muda a aparência de uma cor de- pendendo da luz incidente sobre ela, do material de que é feita ou da cor que lhe sirva de fundo. Na Figura 17, vemos dois retângulos amarelos, um sobre 17Psicodinâmica das cores fundo azul e outro sobre fundo preto. Os dois retângulos são do mesmo tom de amarelo, porém parecem diferentes: no fundo azul, a pureza do amarelo fica mascarada, enquanto no fundo preto, o amarelo mostra toda a sua pureza e frescor. Figura 17. Metamerismo. Fonte: Moreno (2018, documento on-line). A pós-imagem da cor Um fenômeno interessante de ser observado é o da pós-imagem. Quando, por exemplo, fixamos o olhar durante algum tempo em uma superfície vermelho- -magenta e rapidamente mudamos para uma superfície branca, veremos, no lugar dessa superfície branca, uma verde, que é a sua cor complementar. Segundo a teoria da forma, o olho tende a efetuar uma complementação. Assim, as pós-imagens serão sempre complementares da cor que o indivíduo tenha fixado. Psicodinâmica das cores18 Figura 18. Pós-imagem. Fonte: Lablux (2008, documento on-line). A vista adaptada a uma cor torna-se mais sensível às cores contrárias. Essa sensibilidade aumenta de acordo com a intensidade ou duração da excitação, até o ponto de saturação. Quando uma parte da retina se satura sob o efeito de uma cor, a parte restante reage de várias maneiras, podendo até criar, fisiologicamente, a cor que lhe é contrária, como forma de dessaturação, em busca do equilíbrio perdido. Esse é o mecanismo fisiológico da formação dos contrastes simultâneos e sucessivos de cores, das imagens posteriores negativas e positivas, dos efeitos de deslumbramento e da cegueira momentânea causada pelos ambientes escuros aos olhos adaptados à claridade. Independentemente de percebermos ou não, todos os estímulos coloridos geram pós-imagens. Algumas são fracas e momentâneas, outras são mais fortes e de duração mais prolongada, dependendo da intensidade e da duração de exposição ao estímulo. Embora essas imagens transitórias não sejam tratadas como ilusões, mas sim sensações reais, elas podem produzir efeitos de cores, que podem ser considerados misteriosos e ilusórios quando suas causas não são conhecidas. Para que serve o conhecimento tão exato desse fenômeno? Acontece que o cansaço visual que ocorre quando somos expostos a áreas altamente iluminadas (iluminação intensa em locais de trabalho, em laboratórios, salas de cirurgia, ambientes de regulagem de aparelhos de precisão, e até supermercados) pode ser amenizado com o uso correto de cores e iluminação. 19Psicodinâmica das cores Atualmente, em salas de cirurgia, utilizam-se azulejos, pisos, lençóis, aventais, máscaras e vestimentas em cor verde-azulada, pois essa cor é a complementar à dos tecidos do corpo humano, que é vermelho-alaranjada. Lençóis brancos geram pós-imagens negras e fazem os cirurgiões perderem preciosos segundos até que sua retina se adapte ao novo campo visual. Lençóis verde-azulados geram pós-imagens vermelho-alaranjadas e possibilitam ao cirurgião ver com exatidão o campo operatório. Em todo e qualquer trabalho em que a pessoa necessita de extrema acuidade visual, recomenda-se fazer compensações visuais dessa ordem. Nas peças gráficas que estão expostas a luz intensa, também é necessário cuidar para que não aconteça a geração da pós-imagem concomitante. No cinema e na televisão, esse problema ocorre em menor escala, devido à alta emitida refletida pela tela ou vídeo. BENJAMIN, W. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 2012. FROTA, R. Harmonia cromática. Medium, 10 jan. 2018. Disponível em: <https://me- dium.com/@rafaelfrota/harmonia-crom%C3%A1tica-653af6f611d5>. Acesso em: 14 nov. 2018. GOUVEIA, M. Harmonia das cores ou esquemas de cores. Círculo cromático. Amo Pin- tar, 23 out. 2017. Disponível em: <http://www.amopintar.com/harmonia-das-cores/>. Acesso em: 14 nov. 2018. Psicodinâmica das cores20 LABLUX. Luz e cor. Laboratório de Iluminação, 4 abr. 2008. Disponível em: <http://www. iar.unicamp.br/lab/luz/ld/Cor/luz_e_cor_.pdf>. Acesso em: 14 nov. 2018. Leituras recomendadas BARROS, L. R. M. A cor no processo criativo: um estudo sobre Bauhaus e a teoria de Goethe. 3. ed. São Paulo: Senac, 2009. BENJAMIN, W. et al. Benjamin e a obra de arte: técnica, imagem, percepção. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012. FARINA, M.; PEREZ, C.; BASTOS, D. Psicodinâmica das cores em comunicação. 6. ed. São Paulo: Blucher, 2011. FREITAS, A. K. M. Psicodinâmica das cores em comunicação. Nucom, Limeira, v. 4, n. 12, p. 1-18, out./dez. 2007. MORENO, L. Teoria da cor: contrastes de cor. Criar Web, 10 mar. 2018. Disponível: <http:// www.criarweb.com/artigos/teoria-da-cor-contrastes-de-cor.html>. Acesso em: 14 nov. 2018. NUNES, A. C. N. X. Informação através da cor: a construção simbólica psicodinâmica das cores na concepção do produto. 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Nas fachadas externas e, principalmente, nos ambientes internos, as cores são elementos chave para os projetos, pois são capazes de transformar os espaços e transmitir diferentes sensações. Segundo Ching e Eckler (2014, p. 54), a cor pode ser compreendida como: [...] um fenômeno de luz e percepção visual que pode ser descrito em termos da percepção que um indivíduo tem de matiz, saturação e valor tonal. A cor é o atributo que mais claramente distingue uma forma de seu ambiente. Ela também afeta o peso visual de uma forma. Assim, a cor, a textura e o padrão de superfícies, como paredes, teto e pisos, afetam a nossa percepção de suas posições relativas no espaço, bem como a nossa consciência das dimensões, escalas e proporções de um recinto. A cor é um recurso importante na comunicação visual de objetos, mobili- ários e espaços, pois acrescenta dinamismo ao design, atrai a atenção e pode produzir reações emocionais. Ambrose (2012, p. 117) afirma que “com a cor livremente disponível, a disciplina em seu uso é necessária para que designs sejam convincentes e legíveis. O uso da cor deve enriquecer a capacidade de um design de comunicar, conferindo-lhe hierarquia e ritmo”. Por ser um instrumento eficiente de comunicação, é importante compreender a terminologia das cores a fim de utilizá-las da maneira mais adequada. As cores são divididas em primárias, secundárias e terciárias. As cores primárias são aquelas que podem ser combinadas para produzir uma gama de cores. A reprodução da cor se baseia no princípio da visão tricromática do olho humano, que contém receptores sensíveis a cada uma das cores primárias aditivas da luz: vermelho, verde e azul. As cores primárias dividem-se conforme a seguir (Figura 1). � Primárias aditivas: a luz branca é feita de vermelho, verde e azul claro — as primárias aditivas. Quando apenas duas das cores primárias aditivas são combinadas, elas criam uma das cores subtrativas primárias. As cores primárias aditivas também são chamadas de cor luz, utilizadas em refletores, tubos de imagem, computadores e televisores, em que vermelho, verde e amarelo são conhecidos como RGB (red, green, blue). � Primárias subtrativas: as primárias subtrativas funcionam da mesma forma, pois, quando duas são combinadas, formam uma aditiva primária; quando todas são combinadas, geram o preto. Essas são as primárias utilizadas no processo de impressão em quatro cores para reproduzir as primárias aditivas. As cores subtrativas também são chamadas de cor pigmento, utilizadas nos processos de pigmentação de tintas, conhecidas como CMYC (cian, magent, yellow e black). As cores secundárias são produzidas a partir de quaisquer duas cores primárias utilizadas em proporções iguais (Figura 2). As cores terciárias têm misturas ou intensidades iguais às das cores pri- márias e secundárias adjacentes na roda das cores, ou seja, uma cor primária misturada a uma cor secundária gera uma cor terciária. Existem seis cores terciárias: vermelho-alaranjado, amarelo-alaranjado, amarelo-esverdeado, azul-esverdeado, azul-violeta e vermelho-violeta (Figura 3). Para compreender como funcionam as cores primárias, terciárias e suas relações, utiliza-se o círculo cromático (Figura 4). Essa roda de cores é uma ferramenta guia que permite aos profissionais selecionar um esquema de cores que possua certa combinação. Influência das cores no ambiente2 Figura 1. Cores primárias aditivas e subtrativas. Fonte: Ambrose (2012, p. 122). Figura 2. Exemplo de combinação de cores primárias gerando uma cor secundária. Fonte: Ambrose (2012, p. 123). Figura 3. Cores terciárias. Fonte: Ambrose (2012, p. 123). 3Influência das cores no ambiente O círculo é o espectro de cores organizadas em uma roda que explica vi- sualmente a teoria das cores; por exemplo, como as cores primárias podem interagir para criar as cores secundárias e as cores terciárias. As cores podem ser descritas como quentes e frias. Existem associações profundas com as cores vermelho, laranja e amarelo, que nos lembram o fogo, o sol e o calor; tonalidades mais frias nos lembram a água, a natureza (terra e folhagens), o mar e o céu à noite (AMBROSE, 2012, p. 126). Figura 4. Círculo cromático. Fonte: Ambrose (2012, p. 126). O círculo cromático pode ser utilizado para criar uma paleta harmoniosa destinada a um design por meio da seleção de combinações de cores que funcionem bem juntas. Para isso, existem alguns métodos que podem ser utilizados para selecionar uma paleta de cores, dependendo do número de Influência das cores no ambiente4 cores necessárias. Esses métodos são nomeados como: monocromia, cores complementares, cores complementares divididas, tríade, cores análogas, complementares mútuas, cor complementar próxima e cor complementar dupla. É importante ressaltar que, conhecendo a terminologia das cores e os tipos de combinações do círculo cromático, é possível definir uma paleta de cores que esteja voltada à ideia de cada proposta, combinando com o tipo de ambiente, o clima, as atividades, os usos e a mensagem que o projeto quer passar ao seu usuário. Para entender como combinar as cores do círculo cromático a partir dos métodos de combinações, faça a leitura do capítulo “Cor”, da obra Fundamentos de design criativo (AMBROSE, 2012). As características sensoriais das cores A cor é um aspecto que está relacionado à luz. Conforme Pedrosa (1999), a cor é apenas uma sensação produzida por organizações nervosas sob a ação da luz, não tendo qualquer existência material. Assim, pode-se dizer que a cor está condicionada à luz, que age como estímulo, e ao olho humano, que recebe esse estímulo e o transforma em cor. A cor é um recurso utilizado desde os primórdios da humanidade, há mais de 200 mil anos. Em um primeiro momento, era utilizada pelo homem da Idade do gelo, que sepultava os mortos e pintava os ossos na cor vermelha. Aos poucos, as variações foram se desenvolvendo, e novas cores foram surgindo juntamente com a evolução da humanidade. Conforme Farina (1990, p. 49), “a cor exerce uma ação tríplice: a de impressionar, a de expressar e a de construir”. Golding e White (1977, p. 27) ressaltam que “desde a antiguidade, cientistas, filósofos, artistas e estudiosos da arte defendem que a cor tem um forte poder de influência no comportamento dos seres humanos”. Esse recurso apresenta aspectos estéticos e psicológicos importantes na vida das pessoas. Assim, se a cor é aplicada corretamente, interage positivamente, porém, se for inadequada pode provocar cansaço visual, desconforto, estresse, entre outras possíveis consequências. É notório que o uso das cores pode afetar questões psicológicas, 5Influência das cores no ambiente sensoriais e comportamentais das pessoas. As cores sempre influenciaram a humanidade e são, hoje, uma das características básicas da nossa vida, e não podem ser analisadas apenas pela mera sensação visual, mas como uma influência psicológica. A reação dos indivíduos às cores se manifesta de forma particular e sub- jetiva, e está relacionada a vários fatores. As cores são estímulos psicológicos que influenciam o fato de gostar ou não de algo, negar ou afirmar, abster-se ou agir. As sensações sobre as cores baseiam-se em associações ou experiências agradáveis ou desagradáveis. A cor é também dimensão, porque aumenta ou diminui, aparentemente, o tamanho de um ambiente, afastando ou aproximando objetos. Com o uso da cor, as distâncias visuais podem se tornar relativas como, por exemplo: tons claros nas paredes dão a impressão de um ambiente mais amplo; já tetos escuros parecem mais baixos. Na arquitetura, as cores são de fundamentalimportância. Cada cor gera uma sensação diferente, e seu significado deve ser levado em conta na hora de usar as cores nos projetos. Azul: o azul transmite sentimentos de confiança, sabedoria, solidez e tradição. As tonalidades azuis, simbolicamente associadas à imensidão do céu, às águas claras e à espiritualidade, provocam sensações refrescantes. Considerada uma cor fria, causa impressão de profundidade no ambiente. Ao contrário do amarelo, que é estimulante e próximo à luz, o azul pode transmitir serenidade e paz. Por ser a cor mais escura, provoca também sensação de frio e repouso. Deve-se ter cuidado com o tom de azul, pois pode deprimir ao fim de algum tempo. O azul em sua tonalidade mais clara traz sensação mais alegre. Verde: a cor da juventude, da natureza e do crescimento, tem fama de acalmar, pois não força a visão. É a cor que está no ponto de equilíbrio entre claro e escuro, calor e frio, reservada e repousante. Simboliza o bem-estar, a saúde, o frescor, a esperança, a segurança, o equilíbrio, a juventude, a tranquilidade e a suavidade. Em seu tom claro, torna-se uma cor tranquilizante e até sedativa, podendo ser utilizada em quartos, salas de estar e escritórios. Em seu tom mais escuro, pode trazer sensação de seriedade e segurança. Vermelho: cor do fogo e do sangue, o vermelho é a cor mais importante para muitos povos por ter ligação com o princípio da vida. Considerada cor quente, é excitante, anima, traz confiança, força de vontade e agilidade para tomarmos iniciativas. Estimula as emoções e produz nervosismo, inibe o medo e as preocupações. É uma cor estimulante e dinâmica e, por isso, deve ser usada Influência das cores no ambiente6 com cautela. O vermelho provoca sensações diferentes dependendo do grau de saturação. Vermelho escuro causa impressão de seriedade, autoridade e respeito, e ainda de ostentação ao ambiente. Amarelo: conhecida como uma cor que ativa os sentidos, o amarelo pode estimular a criatividade e, ao mesmo tempo, se combinado com cores análogas, passar um sentimento de calor. A cor amarela é muito utilizada para estimular a comunicação e as atividades mentais, como o raciocínio. É a mais clara das cores e a que mais se aproxima do branco. Eleva a nossa capacidade de reali- zação e não apresenta aspecto tão agressivo como o laranja e o vermelho. O amarelo é ideal em áreas de alimentação, como cozinha e sala de jantar, pois estimula o apetite. É também bem empregado em áreas de estudo e escritórios, pois estimula as atividades intelectuais, além de ambientes que necessitam de uma atmosfera ativa. Laranja: não tão excitante quanto o vermelho, nem tão luminoso quanto o amarelo, o laranja pode transmitir uma ideia de transição e, até mesmo, de rusticidade, quando associado a texturas. Está ligado à ideia de vitalidade, alegria e energia. Essa cor representa energia, calor, fogo, podendo proporcio- nar vitalidade, dinamismo, elevar o nosso ânimo e reduzir a depressão. É um estimulante físico e mental, alargando a mente e abrindo-a para novas ideias, podendo ser empregada em locais de trabalho e estudo. Também estimula o apetite, podendo ser usada em locais de alimentação. Roxo ou lilás: o significado dessa cor remete a sabedoria, fantasia, mistério e espiritualidade. É uma cor que acalma e transmite bem-estar. Considerada uma cor fria, estimula nosso lado psíquico e espiritual, trazendo lucidez e equilíbrio às nossas atitudes. Está ligada à ideia de saudade, melancolia, mis- ticismo e espiritualidade. Pode ser empregada em ambientes mais tranquilos, de atividades espirituais ou de meditação, no quarto ou em outro ambiente de relaxamento. Rosa: a cor rosa em tons claros expressa inocência; em tons mais escuros, inspira desejo, afeto e feminilidade. Marrom: a simbologia da cor marrom transmite sensação de tradição, con- servadorismo, confiabilidade, solidez e segurança. O marrom é uma boa cor para atividades que exijam concentração, como bibliotecas e escritórios. Transmite, ainda, sensação de sobriedade e circunspecção. 7Influência das cores no ambiente Preto: a cor preta, de acordo com o contexto, pode representar tristeza e luto. Contudo, se for bem utilizada, transmite nobreza, tradição, curiosidade, superioridade, poder e profissionalismo. Possui a propriedade física de absor- ver quase todos os raios luminosos que incidem sobre ela. Pode transmitir a sensação de seriedade e prudência. O preto é uma cor sofisticada, imponente. É utilizada em pequenas áreas ou em elementos decorativos, quando se deseja um clima solene e sóbrio no ambiente. Branco: a cor branca, em combinação com outras cores, é harmônica, expressa paz, fé, luz e pureza. Não precisa ser utilizada como cor predominante. É uma cor que traz bastante luminosidade e simplicidade ao ambiente. Cinza: o cinza é uma cor clássica, neutra, que transmite elegância e respeito. É uma cor passiva, sem vida, não relaxa, nem anima, não interferindo nas sensações. Por esse motivo, é bem empregada junto com outras cores. O uso correto de cada cor e de suas combinações pode trazer grandes resultados, como aumentar o desempenho nas atividades, elevar a moral, reduzir ou aumentar a intensidade de luz, diminuir o esforço visual, além de ampliar ou reduzir espaços. Com isso, ressalta-se que a cor é um recurso de comunicação poderoso porque apresenta diversos significados codificados enquanto confere certo dinamismo ao design. Ela pode representar diferentes estados emocionais ou humores e ser utilizada para obter reações emotivas específicas do receptor. Também pode referir-se a categorias específicas de produtos ou conceitos. As primeiras pesquisas sobre a psicologia das cores foram realizadas pelo psiquiatra Carl Jung, que as estudou como uma ferramenta para a psicoterapia. A partir desse estudo, ele definiu os seguintes princípios básicos. � Cada cor tem um significado específico. � O significado da cor é biológico ou aprendido. � Uma pessoa que percebe uma cor irá avaliá-la automaticamente. � A avaliação de uma cor provoca um comportamento induzido por ela. � A influência da cor é automática. � O significado de uma cor é afetado pelo contexto em que ela está inserida. As cores de acordo com o tipo de ambiente As cores frias, como azul, roxo e verde, são melhores para locais em que as pessoas precisam estar calmas e relaxadas. Influência das cores no ambiente8 O branco é indicado para áreas como hospitais ou laboratórios, onde a esterilidade é necessária. No entanto, por não ser uma cor muito relaxante, não é muito indicada para escritórios e outros ambientes de trabalho. Nesses locais, opte por cores como verde e azul. O vermelho não é indicado para escritórios ou ambientes residenciais, porém, pode ser uma opção interessante para locais de passagem, em que as pessoas não permanecem por muito tempo, e também para restaurantes e lanchonetes. Além de pensar no efeito das cores sobre os usuários, a escolha certa pode ser um fator importante para mantê-los felizes e satisfeitos. Por isso, é importante pensar no tipo de sensação que você deseja causar para, então, optar pela cor ideal. Fonte: Marques (2017). O uso das cores nos projetos de arquitetura Cada projeto de arquitetura parte de um problema a ser resolvido. A partir disso, ideias são geradas a fim de buscar alternativas que solucionem o problema e que estejam adequadas a cada uso, contexto, necessidade, estilo e perfil de cliente. Nesse sentido, para alcançar determinados objetivos da proposta, utilizam-se as cores mais adequadas para cada finalidade. A cor define a identidade dos espaços, das pessoas, dos objetos. É também uma ferramenta de inestimável utilidade para a indústria, o comércio, os decoradores, etc. O processo de definição e de escolha das cores trata-se de uma ciência que impõe equilíbrio e harmonia. Mas sabe-se que a cor está para além de questões estéticas, pois, por exemplo, os estudos da cromoterapia nos revelam a influênciada cor na vida das pessoas, servindo para estabelecer o equilíbrio e a harmonia do corpo, da mente e das emoções (BECK et al., 2007, p. 3). Para Luft (2011), após conhecer alguns aspectos culturais da cor, é possível observar seu uso na arquitetura, que deve atender à funcionalidade do ambiente, mas também a fatores subjetivos que não são comuns a todos, analisados mediante a necessidade de cada cliente. A cor deve sempre ser usada a fim de favorecer o espaço, trabalhar a atenção, priorizar as atividades que ocorrem no local, evitando a sobrecarga de informações. O ideal é que rompa com a monotonia conforme a personalidade do ambiente e de seus usuários, sem pontos de perturbação, colaborando para a identidade visual necessária a uma boa proposta. 9Influência das cores no ambiente Por meio de alguns projetos de arquitetura e interiores, é possível identificar o uso das cores e seus objetivos. No projeto arquitetônico apresentado pela Figura 5, a cor amarela aplicada na superfície externa evidencia certo volume ou detalhe construtivo, mimetizando, visualmente, determinados aspectos do espaço. Pode também propiciar um conjunto de emoções ou efeitos visuais. Figura 5. Edificação com elemento em destaque. Fonte: Pereira (2018, documento on-line). Em projetos infantis, as cores são utilizadas com a finalidade de estimular o aguçamento psíquico sensorial na criança. Percebe-se isso no projeto da Escola Alto de Pinheiros, localizada em São Paulo. Nessa fachada, o uso das cores teve por intuito evidenciar os valores da escola, melhorando a comunicação com os estudantes, fazendo com que eles se sintam parte do espaço e que possam brincar com os brises coloridos. A ideia de utilizar diferentes tons teve a intenção de promover um ambiente sensorial que contribuísse com a experiência da aprendizagem (Figura 6). Influência das cores no ambiente10 Figura 6. Brises coloridos na fachada da escola. Fonte: Vannucchi (2016, documento on-line). Em projetos hospitalares, ou dedicados à área da saúde, as cores são em- pregadas como elemento complementar na reabilitação de pacientes, como na Fundação Esther Koplowitz para pacientes com paralisia cerebral, localizada em Madri e projetada por Hans Abaton. Esse projeto oferece uma imagem otimista e alegre em seu conjunto, um lar onde reside a esperança da melhora. Por um lado, foi possível integrar o projeto adaptando sua escala ao bairro de casas térreas que o rodeia; por outro, confere-se uma personalidade própria a cada dormitório, com uma gama cromática que consegue atingir unidade e diferenciação simultaneamente (Figura 7). Em projetos de interiores, cada cor está relacionada a uma intenção. Nos espaços da Livraria Zhongshu, localizada na China, foram utilizados materiais e cores com o intuito de remeter a sensações e intenção de cada ambiente. Na área destinada aos lançamentos de livros, prevalece a cor branca, que foi usada para destacar as capas de cada livro, não interferindo em sua percepção (Figura 8). No espaço que interliga a entrada ao salão principal, prevalece o tom azul escuro, a fim de evidenciar o objetivo do ambiente, uma área mais intimista que busca transmitir a sensação de o usuário estar entrando no mundo da imaginação (Figura 9). 11Influência das cores no ambiente Figura 7. Fachada da Fundação Esther Koplowitz. Fonte: Abaton (2015, documento on-line). Figura 8. Espaço de lançamentos da Livraria Zhongshu. Fonte: Pedrotti (2017, documento on-line). Influência das cores no ambiente12 Figura 9. Espaço de circulação da Livraria Zhongshu. Fonte: Pedrotti (2017, documento on-line). A área maior proporciona uma variedade de experiências. Aproveitando as diferentes alturas das prateleiras, dos degraus e das mesas, os arquitetos criaram uma paisagem abstrata de vales, ilhas, oásis e penhascos. Nesse espaço, foram instaladas placas de alumínio perfuradas em diferentes cores simulando um arco-íris dentro da livraria. Esses painéis de 1 cm de espessura dividem zonas com diferentes funções, trazendo uma atmosfera misteriosa para todo o espaço (Figura 10). 13Influência das cores no ambiente Figura 10. Espaço da Livraria Zhongshu. Fonte: Pedrotti (2017, documento on-line). A partir dos exemplos de projetos, podemos perceber que a cor, além de estar associada a diversas sensações, é um recurso que colabora para a seto- rização dos espaços, criação de identidade e definição de intenções. Utilizada em vários tons coloridos, com somente um tom prevalente ou, simplesmente, em elementos pontuais, ela é capaz de contribuir para cada espaço e proposta, com grande valor para os projetos de arquitetura. Influência das cores no ambiente14 ABATON, H. Fundação Esther Koplowitz para pacientes com paralisia cerebral / Hans Abaton. 2015. 1 fotografia. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/771997/ fundacao-esther-koplowitz-para-pacientes-com-parasilia-cerebral-hans-abaton>. Acesso em: 14 dez. 2018. AMBROSE, G. Fundamentos de design criativo. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. BECK, C. L. C. et al. A linguagem sígnica das cores na ressignificação (humanização) de ambientes hospitalares. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 3., 2007, Santos. Anais... São Paulo: Intercom, 2007. p. 1-11. Disponível em: <http://www. intercom.org.br/papers/nacionais/2007/resumos/R1227-1.pdf>. Acesso em: 13 dez. 2018. CHING, F. D. K.; ECKLER, J. F. Introdução à arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2014. FARINA, M. Psicodinâmica das cores em comunicação. 4. ed. São Paulo: Edgard Blucher, 1990. GOLDING, M.; WHITE, D. Guia de cores para Web Designers. São Paulo: Quark, 1977. LUFT, M. G. C. Um estudo de cores em Josef Albers para um ambiente infantil. DAPes- quisa, Florianopolis, v. 6, n. 8, p. 287-305, 2011. 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No design de interiores, além das inúmeras composições possíveis, é ela que determina o conceito do projeto, de acordo com as escolhas do cliente. Para cada escolha é es- sencial o estudo e a prática das possíveis combinações entre as variadas cores existentes. Quando as cores são utilizadas de maneira equivocada em um projeto de ambientes,as sensações provocadas por elas são as mais controversas e podem tornar o ambiente desarmônico e incômodo. Uma boa escolha da paleta de cores favorece a harmonia na composição ambiental e garante a efetividade das variadas percepções que serão estimuladas por esse ambiente. Neste capítulo, você vai estudar esses conceitos de harmonia em design de interiores, assim como os princípios da cor e os seus possí- veis esquemas cromáticos. Também irá aprender a praticar a relação, a percepção e a experimentação dos elementos compositivos a partir da teoria do círculo das cores. Cor em design de interiores A cor sempre esteve presente na história do homem. Na Pré-história, foi encontrada nas pinturas das cavernas, e descobriu-se que ela não era utilizada somente para valorizar os desenhos, mas também para destacar a função de luz e sombra por meio do uso da volumetria. Nessa época, a cor tinha conotação mágica e simbólica. Passando também pelo Egito, por Roma, pela Grécia, pela China da antiguidade e pelos dias atuais, o uso da cor foi se desenvolvendo e marcando cada momento histórico. Na Figura 1, a seguir, você pode observar o uso da cor em alguns desses lugares. Definição Além dos aspectos culturais e históricos, a cor é definida, fisicamente, como a percepção estimulada pela ação da luz sobre os olhos, órgãos do sentido da visão. Para que esse fenômeno aconteça é necessária a participação de dois componentes: a luz e o olho. A cor se origina da capacidade que um corpo tem de absorver e de refletir a luz. Cada cor aparecerá conforme o feixe de luz refletido. Observe essa característica na Figura 2. Cor2 Figura 1. O uso da cor na (a) China, no (b) Egito e em (c) Roma. Fonte: PlusONE/Shutterstock.com, Marcin Sylwia Ciesielski/Shutterstock.com e Marco Ossino/Shutterstock.com. 3Cor Figura 2. Comportamento da superfície de um objeto. Superfície branca Superfície azul Superfície preta Os feixes de luz se originam a partir do espectro de cor, descoberto por Isaac Newton por meio de sua experiência. Seus experimentos partiram do princípio de que a energia é a emanação de ondas eletromagnéticas de fre- quências rápidas e diferentes entre si e invisíveis ao olho humano. Com base nesse conceito, surgiu o espectro colorido que é composto por ondas dessa natureza, com comprimentos diferentes. É delimitado pelas luzes de ondas de maior e de menor comprimento, vermelha e violeta, respectivamente. Observe na Figura 3. Figura 3. Espectro de cor. Fonte: Garcia (2014, documento on-line). Classificação A cor, definida como estímulo, também pode ser classificada em: Cor4 � Cor luz — é a radiação luminosa que tem a luz branca como síntese. A luz solar é a expressão máxima de uma cor luz, pois reúne todas as cores existentes na natureza. Quando essas cores são separadas uma por uma, são chamadas de luzes monocromáticas. � Cor pigmento — componente material que, a depender da sua natureza, absorve, reflete e refrata o raio de luz que determina sua nomeação. As cores pigmentos podem ser classificadas por sua origem como: ■ cores primárias — são aquelas que se formam a partir delas, unica- mente: são a azul, a vermelha e a amarela; ■ cores secundárias — são as derivadas com as misturas de duas cores primárias: laranja, verde, violeta. ■ cores terciárias — são as que se formam com a mistura de uma cor secundária com uma primária: vermelho-arroxeado e vermelho-ala- ranjado, amarelo-esverdeado e amarelo-alaranjado, azul-arroxeado e azul-esverdeado; ■ cores complementares — são as formadas a partir da neutralização e derivam na cor cinza. As cores também podem ser classificadas de acordo com as sensações transmitidas e com as tonalidades. Podem ser neutras (quando possuem pouca reflexão: marrom e tons de cinza), quentes (quando transmitem a sensação de calor: vermelho, laranja e amarelo) e frias (quando transmitem a sensação de frio: azul, verde e violeta). Harmonia das cores em design de interiores Considerando os conceitos citados, pode-se entender o uso das cores no design de interiores. Por meio da harmonização das cores é possível criar ambientes agradáveis, funcionais e atraentes, mas, para isso, é fundamental conhecer as relações de harmonia entre elas. Harmonizar é criar uma relação entre cores que resultem em equilíbrio das forças. Na observação da natureza, é possível encontrar um bom exemplo de como as cores podem conviver de maneira equilibrada. 5Cor O uso das cores no design de interiores deve também oferecer o aspecto funcional e também os aspectos subjetivos do ambiente. A cor tem a finalidade de favorecer os ambientes, focar a atenção e privilegiar as atividades desse ambiente com o intuito de equilibrar os diversos tipos de informações que constam nele. O objetivo é quebrar a monotonia de acordo com os desejos do usuário, contribuindo com a personalização do projeto. Classificação da harmonia das cores As cores se combinam por meio da semelhança, da afinidade, do contraste, da oposição ou da aproximação. Pedrosa (2002), classifica a harmonia das cores em: � consoante — afinidade de tons de uma determinada cor; � dissonante — quando dois tons se complementam; � assonante — quando os pares de complementares e seus tons se combinam. Essa harmonia pode ser dividida em dois grupos: cores relacionadas e cores contrastantes. Cores relacionadas As cores relacionadas são uma combinação de cores que possuem uma parte de uma cor comum a todas e são subdivididas em: � esquema harmônico neutro — formado pela variação do preto e do branco com cinza; � esquema harmônico monocromático — composto pela variação tonal ou de saturação de uma única cor; � esquema harmônico análogo — composto pela combinação de até três cores que se encontram próximas dentro do espectro de cor. A Figura 4 apresenta tipos de cores relacionadas. Cor6 Figura 4. Tipos de cores relacionadas. Cores contrastantes Cores contrastantes são a combinação de cores diferentes entre si; porém com os mesmos tons ou com tonalidades diferentes entre as cores. As cores complementares são as mais usadas para essa combinação. A teoria da cor de Goethe Goethe, escritor alemão, é autor do livro A teoria das cores, o qual é a base para o que se sabe sobre cores. Também criou o círculo de cores (Figura 5). Apesar de Aristóteles e Newton já terem apresentado estudos sobre a cor, foi Goethe que fez os principais estudos sobre elas. Ele concluiu que as sensações transmitidas pelas cores eram mol- dadas pela percepção humana, pela visão e pela forma de como o cérebro processa essa informação. 7Cor Princípios da cor e seus esquemas cromáticos Princípios da cor As cores instigam o homem e seus efeitos, interferem no cotidiano e na vida, provocam sensações de alegria, tristeza, depressão, euforia, atividade ou passividade, frio ou calor, caos ou ordem, etc. Isso proporciona aos usuários a memorização de funções e até de regras, por isso, as cores são classificadas em uma composição cromática: � dominante — quando aplicada em superfícies de grande extensão; � tônica — complementa a dominantes e é utilizada em áreas menores; � intermediária — usada para atenuar os efeitos da tônica e da dominante. A utilização desses tipos de cores provoca a sensação de equilíbrio, ritmo, proporção e destaque, princípios fundamentais das cores. Figura 5. Círculo de cores de Goethe. Fonte: Wikipédia (2018, documento on-line). Cor8 Equilíbrio Orientado pela lei de áreas ou de fundos o equilíbrio é a característica que favorece a relação entre alguns aspectos, como os valores e a intensidade das cores e a dimensão das superfícies em que serão aplicadas. O equilíbrio em uma composição de cores possibilita um ambiente de tranquilidade e seriedade (Figura 6). Figura 6. Ambiente equilibrado. Fonte: Zastolskiy Victor/Shutterstock.com. Ritmo Característica que interfere na distribuição do esquema cromático para di- recionar o olhar das pessoas deuma cor para outra, de maneira agradável, por meio de uma sequência organizada de matizes. Um arranjo poderá ser rítmico quando os tons, nuances ou tonalidades se repetirem em um sentido de variação harmônica e equilibrada (Figura 7). 9Cor Figura 7. Ambiente rítmico. Fonte: Jodie Johnson/Shutterstock.com. Proporção Relação entre os elementos de forma distinta e o todo. Uma proporção apro- priada se faz por meio de uma variedade de cores e extensões. Na composição, é necessário que exista uma cor dominante para anular a desproporção e evitar o caos no esquema (Figura 8). Figura 8. Ambiente com proporção. Fonte: Det-anan/Shutterstock.com. Cor10 Destaque Espaços de foco com a função de despertar a atenção e de quebrar a monotonia do arranjo de cores. É alcançado por meio do contraste ou do domínio de uma cor, variando ou não de intensidade e de valor (Figura 9). Figura 9. Ambiente com a cor azul como destaque. Fonte: united photo studio/Shutterstock.com. Esquemas cromáticos Os esquemas cromáticos são formados a partir do círculo cromático, que é uma ferramenta utilizada por diversos profissionais como arquitetos, designers e designers de interiores para ajudar na decisão das combinações mais ade- quadas na aplicação das cores em um projeto. O círculo representa de maneira simplificada as cores que são percebidas a olho nu, totalizando 12. Elas são as cores primárias, secundárias e complementares (Figura 10). 11Cor Figura 10. Círculo cromático. Fonte: Adaptada de Macrovector/Shutterstock.com. A partir do círculo, há a derivação dos esquemas cromáticos, que podem ser os apresentados a seguir. Monocromático — Utiliza uma variação de tom de uma única cor (Figura 11). Figura 11. Esquema monocromático. Fonte: Adaptada de Macrovector/Shutterstock.com. Cor12 Análogo — Utiliza as cores vizinhas (Figura 12). Figura 12. Esquema análogo. Fonte: Adaptada de Macrovector/Shutterstock.com. Complementar — Utiliza as cores opostas (Figura 13). Figura 13. Esquema complementar. Fonte: Adaptada de Macrovector/Shutterstock.com. 13Cor Triádico — Utiliza a tríade das cores primárias (Figura 14). Figura 14. Esquema triádico. Fonte: Adaptada de Macrovector/Shutterstock.com. Complementar dividido — Utiliza uma cor como dominante e as duas cores adjacentes ao seu complementar (Figura 15). Figura 15. Esquema complementar dividido. Fonte: Adaptada de Macrovector/Shutterstock.com. Cor14 Complementar composto — Utiliza duas cores como dominante e as duas cores adjacentes ao seu complementar (Figura 16). Figura 16. Esquema complementar composto. Fonte: Adaptada de Macrovector/Shutterstock.com. Exercício da relação, da percepção e da experimentação da forma a partir de diferentes esquemas cromáticos A escolha das cores de um ambiente depende dos gostos de cada cliente, assim como de conhecimento técnico e de experiência. É importante saber a classificação das cores (frias, quentes, neutras, etc.) e o que cada uma transmite, já que cada ambiente terá uma função, e escolher a cor de forma correta, pois isso ajudará a realizar os desejos do cliente. Para facilitar a escolha das cores — que podem ser unificadas e chamadas de paleta de cores — uma opção é começar pela escolha das cores das paredes e dos pisos e os respectivos materiais. Em seguida, é feita a composição com a escolha dos objetos. As composições montadas podem seguir o padrão do círculo e do esquema de cores que fidelizam as combinações sem erros, ratificando o resultado equilibrado e harmônico. As combinações podem ser classificadas em harmônicas e contrastantes. As harmônicas são quando as cores não disputam atenção entre si e prevalece a composição no sentido amplo, passando a sensação de tranquilidade. Já as combinações contrastantes são as principais na decoração, variam os tons entre suaves e fortes, transmitem dinamismo no espaço. 15Cor Acompanhe, a seguir, alguns ambientes e suas características. Composição acromática — Ambiente cinza composto pela mistura do preto com o branco (Figura 17). Figura 17. Ambiente em composição acromática. Fonte: Photographee.eu/Shutterstock.com. Composição neutra — Combinações com tons de areia, marrom, terra, bege, branco, preto e cinza aplicados (Figura 18). Figura 18. Ambiente em composição neutra. Fonte: Photographee.eu/Shutterstock.com. Cor16 Combinação monocromática — Combina apenas uma cor e suas diversas tonalidades (Figura 19). Figura 19. Ambiente em composição monocromática. Fonte: Pai9/Shutterstock.com. Heller (2013), em sua pesquisa que virou livro, descobriu que marrom é a cor do aconchego. Ela é vista como uma cor positiva quando aplicada em ambientes e também transmite segurança. Essa característica é potencializada quando o marrom é combinado com as cores alegres (p. ex., laranja e/ou amarelo), ou seja, quando o objetivo é trazer aconchego, o marrom é uma escolha adequada. Combinação complementar — Ambientes com combinações das cores complementares (Figura 20). 17Cor Figura 20. Ambiente em composição complementar. Fonte: Photographee.eu/Shutterstock.com. Combinação triádica — Combinação de três cores que podem ser primárias, secundárias ou terciárias (Figura 21). Figura 21. Ambiente em composição triádica. Fonte: Artazum/Shutterstock.com. Cor18 GARCIA, E. Teoria das cores. 2014. Disponível em: <https://blenderpower.com.br/teo- riadascores/>. Acesso em: 07 nov. 2018. HELLER, E. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. São Paulo: Gustavo Gili, 2013. PEDROSA, I. Da cor à cor inexistente. Rio de janeiro: Léo Christiano Editorial, 2002. WIKIPÉDIA. Teoria das cores. 2018. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Teo- ria_das_cores>. Acesso em: 07 nov. 2018. Leituras recomendadas BANKS, A.; FRASER, T. O guia completo da cor. São Paulo: SENAC, 2007. GRIMLEY, C.; LOVE, M. Cor, espaço e estilo: todos os detalhes que os designers de interiores precisam saber, mas que nunca conseguem encontrar. Rio de Janeiro: Gustavo Gili, 2017. 19Cor TEORIA E PRÁTICA DA COR Carolina Corso Rodrigues Marques Fenômeno da luz Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Conceituar o espectro eletromagnético e a luz visível. � Reconhecer a física da cor: a tríade da cor luz (RGB). � Identificar a formação das cores: sínteses aditiva e subtrativa. Introdução No século XVII, o físico inglês Isaac Newton demostrou que a luz branca é composta por luzes de diferentes cores, que vão do vermelho, com menor frequência e maior comprimento de onda, até o azul, de maior frequência e mais energia. Mais tarde, no fim do século XIX, o físico alemão Max Planck, fundador da Física Quântica, conseguiu comprovar isso. Já no século XX, em 1915, Albert Einstein utilizou a Física Quântica para propor que a luz, além de ser composta por ondas de vários comprimentos de onda, também possui caráter dual, ou seja, é também composta por partículas, os fótons. Essas partículas elementares compõem o largo espectro da radiação eletromagnética proveniente do Sol, das estrelas, galáxias e de todo o universo visível. Neste capítulo, você verá os conceitos de espectro eletromagnético, ondas eletromagnéticas, luz visível, física da cor, além da classificação da cor e de sua formação em sínteses aditiva e subtrativas. O espectro eletromagnético e a luz visível Os cientistas perceberam, com as evoluções da Física, que a luz possui um comportamento muito parecido ao das ondas eletromagnéticas. Ela é uma oscilação que se propaga no vácuo com certa variação no tempo (frequência). Podemos associá-la, por exemplo, como o som, uma vibração mecânica do ar, em que diferentes frequências caracterizariam sons graves e agudos. Assim como o som, as frequências determinam cores para a luz; em determinada faixa de frequência pode-se observar as cores, e essa faixa é chamada de espectro de luz visível (HALLIDAY; RESNICK; WALKER, 2003). Figura 1. Espectrovisível (Luz) Fonte: Präkel (2015, p.10) Os limites do espectro visível podem variar de pessoa para pessoa, mas, em média, os olhos humanos têm uma faixa limitada entre 350 nm a 700 nm dos comprimentos de ondas. Nesse intervalo do espectro, tem-se: as cores violeta, nos comprimentos de onda de 380 a 440 nm; a cor azul, de 440 a 500 nm; a cor verde, de 500 a 570 nm; a cor amarela, de 570 a 590 nm; a cor laranja, de 590 a 630 nm; e a cor vermelha, de 630 a 780 nm. A soma dessa faixa de emissões do espectro gera a luz branca (PEDROSA, 1982). Com isso, podemos dizer que, para cada cor, temos uma frequência e comprimento de onda que a difere das demais — por exemplo, a luz vermelha tem menor frequência e menor energia, e a luz violeta tem maior frequência, que nos submete a maior energia. Existe uma relação inversamente proporcional entre comprimento de onda (λ) e frequência (f). O comprimento da onda é dado pela divisão da velocidade da onda — no caso, a velocidade da luz (c = 3 × 108 m/s) — pela frequência da onda. Observe: λ = c/f Fenômeno da luz2 Ondas eletromagnéticas A radiação eletromagnética é uma das diversas maneiras em que a energia viaja no espaço. O calor de uma fogueira, a luz do Sol, os raios X usados pelos médicos e também a energia usada em um micro-ondas são formas de radiação eletromagnética. Embora pareçam muito diferentes, todas essas energias exibem propriedades de ondas. Ondas são perturbações em um determinado meio ou campo físico, re- sultando em vibrações ou oscilações. A elevação de uma onda no mar e sua imersão são vibrações ou oscilações da água na superfície. Ondas eletromag- néticas são semelhantes, mas também diferem, por consistirem em 222 ondas que oscilam perpendicularmente entre si — uma é um campo magnético oscilante, a outra, um campo elétrico oscilante, podendo ser visto conforme mostra a Figura 2. Figura 2. As ondas eletromagnéticas consistem em um campo elétrico oscilante com um campo magnético oscilante perpendicular. Fonte: Patel, Vo e Hernandez (2015, documento on-line). Embora seja interessante entender sobre radiação eletromagnética, é ne- cessário que se discuta mais sobre propriedades físicas das ondas de luz. Toda onda possui um vale (ponto mais baixo) e uma crista (ponto mais alto). A distância vertical entre a extremidade da crista e o eixo central da onda é denominada amplitude, propriedade associada ao brilho ou intensidade da onda. Já a distância horizontal é conhecida como comprimento de onda da onda. Visualize essas medidas na Figura 3. 3Fenômeno da luz Figura 3. Características básicas de uma onda, entre elas a amplitude e o comprimento de onda. Fonte: Patel, Vo, Hernandez (2015, documento on-line). Algumas ondas, inclusive as eletromagnéticas, oscilam no espaço e, assim, oscilam em determinada posição conforme o tempo passa. A grandeza co- nhecida como frequência corresponde ao número de comprimentos de onda completos que passam por um determinado ponto no espaço a cada segundo. A unidade para frequência é o Hertz (Hz), que equivale à frequência de um evento periódico por segundo (escrito como 1/s ou s−1). O comprimento de onda e a frequência são inversamente proporcionais: quanto menor o comprimento de onda, maior será a frequência e vice-versa. Essa relação é dada pela seguinte equação: c = λν Onde: λ = comprimento de onda em metros. ν = frequência em Hertz. c = constante (a velocidade da luz, 3 × 108 m/s). Podemos concluir então que toda radiação eletromagnética, independen- temente de comprimento de onda ou frequência, viaja à velocidade da luz (CHEMWIKI, 2015). Luz visível A luz visível é um conjunto de ondas eletromagnéticas que sensibilizam a retina e desencadeiam a visão; como qualquer outra radiação eletromagnética, tem sua origem em cargas elétricas oscilantes. Isaac Newton percebeu que a luz Fenômeno da luz4 se propagava em linha reta e também que, ao atravessar um prisma de vidro, a luz branca se dispersava e se decompunha nas cores do arco-íris. Newton defendia que a luz era constituída por partículas constituídas por atividade oscilatória de um meio não identificado, o que levou o físico e astrônomo holandês Christiaan Huygens a propor, em 1687, a teoria ondulatória da luz (BARDINE, 2008). As ondas eletromagnéticas se diferenciam por sua frequência e comprimento de ondas, e a interação dessas ondas com a matéria depende da frequência de onda e da estrutura atômico-molecular da matéria. As ondas eletromagnéticas correspondem ao espectro eletromagnético que nosso olho enxerga. A luz é produzida por corpos em alta temperatura, assim como o filamento de uma lâmpada, e pela reordenação dos elétrons em átomos e moléculas (SILVA, 2018). Reveja a Figura 1 para localizar o espectro de luz visível. As classificações do comprimento de onda são segundo sua cor, por exemplo: a cor violeta tem comprimento de onda λ = 4 × 10−7 m; a cor vermelha λ = 7 × 10−7 m. Sendo assim, a sensibilidade dos olhos também é uma função do comprimento de onda, sendo sua máxima λ = 5,5 × 10−7 m, cor amarelo-esverdeada. A visão seria, então, o resultado de sinais transmi- tidos ao cérebro por elementos presentes na retina: os cones e os bastonetes (SILVA, 2018). Os cones se ativam com a presença de luz intensa, como a luz do dia, e também são muito sensíveis à cor. Já os bastonetes atuam com iluminação menos intensa, como em uma sala escura, e assim são menos sensíveis à cor. De tão importante, a luz originou um ramo especial na Física aplicada: a Óptica, ciência que estuda os fenômenos relacionados à luz e à visão, incluindo instrumentos ópticos (SILVA, 2018). Física da cor As cores, como as percebemos, são produzidas pela luz. A luz do sol, a nosso ver aparentemente branca, na verdade é composta por várias cores. Quando a luz do sol ilumina um objeto, algumas dessas cores são absorvidas, enquanto outras são refletidas na direção dos olhos, e é esse fenômeno nos permite dizer qual a cor dos objetos (MORATO; MACHADO, 2017). De acordo com sua cor, a luz pode ser classificada como monocromática ou policromática. Chamamos de luz monocromática aquela composta por apenas uma cor — por exemplo, a luz amarela emitida por lâmpadas de sódio. 5Fenômeno da luz Chamamos de luz policromática aquela composta pela combinação de duas ou mais cores — por exemplo, a luz branca emitida pelo sol ou por lâmpadas comuns. Utilizando um prisma, é possível decompor a luz policromática nas luzes monocromáticas, o que já não é possível para cores monocromáticas, como o vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. Um exemplo da composição das cores monocromáticas que formam a luz branca é o disco de Newton, uma experiência composta por um disco com as sete cores do espectro visível que, ao girar em alta velocidade, “recompõe” as cores monocromáticas, formando a cor policromática branca. Enxergamos as cores da seguinte maneira: quando a luz branca incide sobre um corpo de cor verde, por exemplo, esse corpo absorve todas as outras cores do espectro visível, refletindo apenas o verde. Um corpo de cor branca reflete todas as cores (sem absorver nenhuma), enquanto um corpo de cor preta absorve todas as cores (sem refletir nenhuma). A luz branca é uma composição de todas as cores (SILVA JÚNIOR, 2018). É por esse motivo que só podemos ver objetos que emitem luz (fonte primária de luz) ou que refletem a luz que recebem (fontes secundárias). Classificação das cores As cores são tradicionalmente classificadas da seguinte forma: � cores primárias: são cores puras — vermelho, azul e amarelo. � cores secundárias: são a união de duas cores primárias — verde (azul e amarelo), laranja (amarelo e vermelho) e roxo ou violeta (vermelho e azul). � cores terciárias: são a união de uma cor primária e uma secundária — vermelho-arroxeado (vermelho e roxo) e vermelho-alaranjado (vermelho e laranja); amarelo-esverdeado (amarelo e verde) e amarelo-alaranjado (amareloe laranja); azul-arroxeado (azul e roxo) e azul-esverdeado (azul e verde). Fenômeno da luz6 Para visualizar esta figura em cores, acesse o link ou código QR a seguir: https://goo.gl/dAJrpQ Figura 4. Círculo de cores complementares. Fonte: Silva Júnior (2018, documento on-line). O círculo de cores apresenta sete cores básicas do espectro e suas variantes, em um total de doze cores. São três cores primárias, três secundárias e seis terciárias. As cores denominadas complementares são aquelas que, juntas, formam tonalidades de cinza e apresentam maior contraste entre si. No círculo, as cores complementares estão localizadas na extremidade oposta às cores primárias; assim, são complementares as seguintes cores: azul (primária) e laranja (secundária); vermelho (primária) e verde (secundária); amarelo (primária) e roxo (secundária). As cores primárias apresentam uma cor secundária como complementar, e vice-versa. Já as cores terciárias possuem outra cor terciária como complementar. 7Fenômeno da luz Formação das cores: sínteses aditiva e subtrativa Tradicionalmente, aprendemos que as cores primárias ou cores puras (verme- lho, azul e amarelo), existem sem mistura de outras cores, sendo assim, não se decompõem em outras. Elas recebiam esse nome pelo fato de que, a partir delas, poderiam ser formadas outras cores, as secundárias. Hoje, no entanto, sabe-se que essa não é a melhor tríade para reproduzir uma mistura de cores. Uma vez que sabemos que as cores somente existem em função da luz, surge então o sistema de cores-luz, as sínteses aditiva e subtrativa (MORATO; MACHADO, 2017). Cores de luz e pigmento As cores aditivas definem-se somando ou sobrepondo luzes emitidas por diferentes fontes. Essa mescla fica visível em ambientes não iluminados e que permitem a obtenção de cores. São cores primárias da luz, porque a soma dessas três resulta na luz branca. A síntese aditiva ocorre a partir de três diferentes conjuntos, que correspondem àqueles que estimulam cada um dos três tipos de receptores da retina humana: vermelho (red, em inglês, composto pelas ondas longas da luz), verde (green, em inglês, composto pelas ondas médias) e azul (blue, em inglês, composto pelas ondas curtas). Temos daí o sistema RGB. Observe a Figura 5. Cada uma das cores primárias da mescla aditiva corresponde a 1/3 da tota- lidade da luz. Se você fizer uma sobreposição de projeções das luzes vermelha e verde em uma superfície branca, em um ambiente não iluminado, obterá uma luz da cor amarela, o que soma 2/3 da totalidade da luz — portanto, mais luminosa que as cores geradoras (MORATO; MACHADO, 2017). As cores subtrativas são cores secundárias da luz e são utilizadas para reproduzir as cores aditivas da luz em impressões coloridas — ou seja, são as cores pigmentos. Elas são obtidas mediante a mistura de cores da tríade aditiva: vermelho + verde = Amarelo; vermelho + azul = magenta; verde + azul = ciano. São chamadas subtrativas em virtude de essa mistura de cores primárias resultarem no preto, ou seja, na ausência de luz. A síntese subtrativa pode ser chamada de sistema CMYK — do inglês Cyan (ciano), Magenta (magenta), Yellow (amarelo) e K (de black/key, ou preto). O K é inserido na escala porque, com a “mistura” de todas as primárias, não obtemos um preto puro (MORATO; MACHADO, 2017). Fenômeno da luz8 Cada tipo de pigmento tem seu próprio poder seletor, ou seja, absorve (subtrai) uma ou mais das radiações da luz branca. A cada sobreposição de um pigmento, diminui o número de radiações refletidas, até se conseguir a ausência absoluta de toda radiação, isto é, a sensação de preto, fim da mistura subtrativa. As cores básicas da mescla subtrativa são o amarelo, o ciano e o magenta. Essa escolha se deve ao fato de que o pigmento de cada uma das três cores não é o resultado da combinação de outros. Pelo contrário, da mistura desses pigmentos, de dois em dois ou de três em três, em porções oportunas, pode-se obter uma vastíssima gama de outras tonalidades. Para visualizar esta figura em cores, acesse o link ou código QR a seguir: https://goo.gl/x9oko4 Figura 5. Cores aditivas e o sistema RGB: Vermelho (Red), Verde (Green) e Azul (Blue). Fonte: Ambrose e Harris (2012, p. 122). 9Fenômeno da luz Para visualizar esta figura em cores, acesse o link ou código QR a seguir: https://goo.gl/SE9pR3 Figura 6. Cores subtrativas e o sistema CMYK: Ciano (Cyan), Magenta (Magenta), Amarelo (Yellow) e Preto (Key/Black). Fonte: Ambrose e Harris (2012, p. 122). Fenômeno da luz10 1. Se analisarmos um pedaço de tecido de cor vermelha em uma sala iluminada com luz na cor azul, esse mesmo tecido parecerá: a) preto. b) branco. c) vermelho. d) azul. e) amarelo. 2. As folhas de uma árvore, quando iluminadas pela luz do Sol, mostram-se verdes por quê? a) Refletem difusamente a luz verde do espectro solar. b) Absorvem somente a luz verde do espectro solar. c) Refletem difusamente todas as cores do espectro solar, exceto o verde. d) Difratam unicamente a luz verde do espectro solar. e) A visão humana é mais sensível a essa cor. 3. As antenas de emissoras de rádio emitem ondas eletromagnéticas que se propagam na atmosfera com a velocidade da luz (3 × 105 km/s) e com frequências que variam de uma estação para a outra. Uma rádio específica emite uma onda de frequência 90,5 MHz e comprimento de onda aproximadamente igual a? a) 2,8m. b) 3,3m. c) 4,2m. d) 4,9m. e) 5,2m. 4. Levando em conta o estudado até agora sobre luz e cores, pode-se afirmar que: a) Ao passar de um meio para o outro, um feixe monocromático de luz muda de cor. b) O comprimento de onda para uma determinada cor permanece inalterado, independentemente do meio de propagação. c) A frequência da luz é diretamente proporcional à sua velocidade de propagação. d) A luz branca é composta por apenas um comprimento de onda. e) A radiação ultravioleta possui comprimento de onda maior que a luz visível. 5. Em 1895, o físico alemão Wilheim Conrad Roentgen descobriu os raios X, que são usados principalmente na área médica e industrial. Esses raios são? a) Ondas eletromagnéticas de frequências iguais as das ondas infravermelhas. b) Ondas eletromagnéticas de frequências menores do que as das ondas luminosas. c) Ondas eletromagnéticas de frequências maiores que as das ondas ultravioletas. d) Radiações formadas por elétrons dotados de grandes velocidades. e) Radiações formadas por partículas alfa com grande poder de penetração. 11Fenômeno da luz AMBROSE, H.; HARRIS, P. Fundamentos de design criativo. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de física. Rio de Janeiro: LTC, 2003. (Óptica e Física Moderna, v. 4). MORTAO, R. G.; MACHADO, R. P. P. Cores. e-Disciplinas, 2017. Disponível em: <https:// edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/2612831/mod_resource/content/2/7%20Cores2017. pdf>. Acesso em: 28 set. 2018. PATEL, N.; VO, K.; HERNANDEZ, M. Electromagnetic radiation. Chemistry, 19 set. 2015. 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Introdução Para estudar a interação da luz com a matéria, você precisa saber que a maior parte dos materiais que constituem nosso mundo não permite a passagem da luz. Notamos que, ao incidir sobre esses materiais, a luz é refletida em todas as direções. É por isso que, desde que haja iluminação adequada, podemos ver os objetos de diferentes posições. As cores (interação da luz com a matéria) são importantes em nossas vidas: elas influenciam nosso humor, nossas emoções e até a maneira como nos divertimos, podendo ser provenientes de fontes naturais ou artificiais. Neste capítulo, você verá o conceito de química da cor, cor pigmento opaco e cor pigmento transparente, além dos meios gráficos tradicionais para a construção de estruturas cromáticas. A química das cores Basta abrirmos nossos olhos e veremos ao nosso redor o quanto as cores são importantes em nossas vidas. Elas influenciam nosso humor, nossas emoções e até a maneira como nos divertimos. Elas podem ser provenientes de fontes naturais ou artificiais. As cores naturais estão na terra, no céu, no mar, nos animais e vegetais; já as sintéticas são usadas nas roupas que vestimos, nas tintas e em materiais multicoloridos, como revistas e jornais, fotografias, cosméticos, cerâmicas, TV e filmes. As cores sintéticas ou artificiais são introduzidas nesses materiais por meio de substâncias conhecidas como corantes e pigmentos. É muito importante saber diferenciar os corantes dos pigmentos. Corantes e pigmentos são substâncias que dão cor, ou seja, quando presentes em um substrato, modificam a reflexão ou transmissão da luz incidente. Durante sua aplicação em substrato, um corante se dissolve ou muda de estado; sua estrutura cristalina é destruída, prendendo-se ao substrato por adsorção, solvatação ou por ligação iônica, coordenada ou covalente. Já o pigmento é insolúvel e não se influencia pelo substrato em que é incorporado. Em alguns casos, pode-se fabricar um pigmento a partir de um corante solúvel (GUIMARÃES, 2010). Corantes Um corante é toda substância que, quando adicionada a outra, altera a cor desta, podendo ser uma tintura, um pigmento ou um composto químico. Em um sentido mais específico, corantes são compostos químicos, tanto naturais quanto sintéticos, relativamente puros, aplicados tanto em água quanto em solventes (etanol). Eles se fixam predominantemente por fenômenos molecu- lares a um substrato, tecido (têxtil), papel, cabelo humano, pelos de animais, couro, etc. (GUARATINI; ZANONI, 2000). De forma ideal, substâncias corantes devem ser estáveis à luz (especial- mente à ultravioleta) e a processos de lavagem (água da chuva), e apresentar fixação uniforme com as fibras do substrato. Com base na perspectiva da comercialização, desenvolvem-se estudos teóricos e empíricos das relações entre a cor obtenível na aplicação quanto à conservação. Até à metade do século XIX, corantes eram retirados de fontes naturais, principalmente vegetais ou animais. Longe do ideal, essas substâncias não atendiam o desejável, problema que se somava à não comercialização por questões de difícil reprodução das suas fontes. Tais problemas conduziram ao desenvolvimento de corantes sintéticos. O primeiro foi descoberto por um feliz acaso. No ano de 1856, William Perkin tentava preparar o alcaloide quinina em seu laboratório, mas seu trabalho experimental resultou na obtenção de um corante sintético hidrossolúvel, adequado ao tingimento de seda. Posteriores descobertas se sucederam e os corantes naturais utilizados por séculos foram quase completamente substituídos por substâncias sintéticas Interação da luz com a matéria2 no início do século XX. Atualmente, quase todos os corantes e pigmentos presentes na indústria e no comércio são substâncias sintéticas orgânicas, com propriedades tecnicamente superiores, de baixo custo e rápida obtenção, e que independem de clima, ecologia ou mesmo rotas comerciais, com exceção de alguns pigmentos inorgânicos importantes (GUARATINI; ZANONI, 2000). O INDEX (Índice Internacional de Cores — em inglês, Colour Index International) serve como um banco de dados de referência padrão dos fabricantes de produtos coloridos e é usado por fabricantes e consumidores. Ele foi impresso pela primeira vez em 1925. Substâncias colorantes (tanto corantes quanto pigmentos) são listadas de acordo com um Índice de Nomes Genéricos (Colour Index Generic Names) e Índice de Números de Constituição de Cor (Colour Index Constitution Numbers). Esses números são prefixados no Brasil e em vários outros países com C.I. ou CI — por exemplo, CI 15510. Um detalhado relatório de produtos disponíveis no mercado é apresentado em cada referência; para cada nome de produto é listado fabricante, apresenta- ção física, principais usos e comentários fornecidos como guia aos consumidores. Atualmente ele é publicado exclusivamente na internet, neste endereço: https:// colour-index.com/. Pigmentos Os pigmentos aparentam cores, pois refletem e absorvem de modo seletivo certos comprimentos de onda da luz. A luz branca nada mais é do que uma mistura idêntica de todo o espectro da luz visível com comprimentos de onda entre 380/400 nm a 760/780 nm. Quando a luz encontra um pigmento, parte do espectro é absorvida, enquanto outras partes são refletidas ou dispersas (SILVEIRA, 2015). A maioria dos pigmentos são complexas transferências de carga, pois seus compostos subtraem a maior parte incidente de cores da luz branca, e é o espectro da luz refletida que cria a aparência da cor — por exemplo, o pigmento de cor ultramarino reflete a luz de cor azul e absorve as outras cores. Substâncias fluorescentes ou fosforescentes apenas subtraem comprimentos de onda da luz incidente e nunca adicionam novos comprimentos de onda. Assim, podemos dizer que a aparência dos pigmentos está ligada à cor da fonte de luz. 3Interação da luz com a matéria A luz solar possui elevada temperatura de cor e um espectro uniforme, sendo por isso considerada como padrão para a luz branca. Já fontes artificiais tendem a ter picos em algumas áreas do espectro e vales profundos em outras; vistos nessas condições, os pigmentos terão cores diferentes. Outras propriedades da cor, como saturação ou luminosidade, são de- terminadas por substâncias que fazem parte do pigmento. Ligantes e cargas adicionadas ao pigmento puro também podem afetar o resultado final: em misturas pigmento/ligante, os raios de luz individuais podem não encontrar moléculas de pigmento e serem refletidas, então, as características e o modo de dispersão desses raios de luz é que contribuem para a saturação da cor. Por exemplo, pigmentos puros permitem que apenas uma pequena parte da luz branca escape, produzindo uma cor muito saturada; já uma pequena quantidade de pigmento, misturado com grande quantidade de ligante branco, produzirá cor pálida e insaturada (SILVEIRA, 2015). Tríade da cor pigmento opaco e cor pigmento transparente Cor pigmento é a substânciamaterial que absorve, transmite ou reflete a coloração. No caso de mescla de pigmentos, ocorre processo de absorção de parte da luz incidente, diminuindo os comprimentos de onda refletidos. Esse processo pode ser chamado de síntese subtrativa, pois a mistura das cores resulta em cinza neutro. O Sistema de Munsell é a classificação universalmente aceita, cuja notação é feita em tom-valor-saturação. A aparência de cor luz deve estar de acordo com o nível de iluminação, e a cor da superfície é influenciada pelo espectro de cores da fonte luminosa (reprodução da cor). A maior ou menor capacidade de uma fonte de luz reproduzir adequadamente as cores é representada índice da reprodução de cor; já a sensação da cor é descrita e medida seguindo o conceito de Munsell, em termos fundamentados, nos três aspectos visuais: tinta, valor e croma (base tridimensional de uma cor) (PEDROSA, 1982). Interação da luz com a matéria4 Para visualizar esta figura em cores, acesse o link ou código QR a seguir: https://goo.gl/fAwCMY Figura 1. Sistema de cores de Munsell, representado tridimensionalmente. Fonte: Encyclopaedia Britannica (1996, documento on-line). As cores pigmento são divididas em dois grupos, cor pigmento opaco e cor pigmento transparente. Vejamos mais sobre cada um. Cor pigmento opaco Cor pigmento opaco é amplamente utilizado por artistas e todos que trabalham com substâncias corantes opacas. As cores primárias são vermelho, amarelo e azul; pode-se dizer que essa tríade é cultural, pois o vermelho pode se de- compor em outras cores, porém, resulta em uma primária. A mistura das três primárias resulta em cinza neutro, pois não é possível obter o preto a partir da mistura das três cores primárias. 5Interação da luz com a matéria Para visualizar esta figura em cores, acesse o link ou código QR a seguir: https://goo.gl/E12LZk Figura 2. Cor pigmento opaco (primárias: vermelho, amarelo e azul). Fonte: Alan (2018, documento on-line). Cor pigmento transparente Na cor pigmento transparente, diferentemente do opaco, as primárias não podem ser obtidas por outras misturas. As cores primárias do sistema são: são o ciano (C), o magenta (M) e o amarelo (Y, do inglês, yellow). A mistura dessas cores, assim como no opaco, produz o cinza neutro por síntese subtrativa. A tríade magenta/amarelo/ciano encontra maior rendimento e precisão cromática nas emulsões transparentes — películas fotográficas, impressões gráficas, aquarelas —, por isso a denominação de cores pigmento “transpa- rentes”, em oposição à tríade “opaca” (encáustica, óleo, têmpera). Com esse tipo de diferenciação, temos a possibilidade de vários tons em torno de uma cor dominante. Interação da luz com a matéria6 Para visualizar esta figura em cores, acesse o link ou código QR a seguir: https://goo.gl/hKgdBY Figura 3. Cor pigmento transparente (primárias: ciano, magenta e amarelo). Fonte: Alan (2018, documento on-line). Meios gráficos para a construção de estruturas cromáticas No campo da arquitetura e design, a simulação cromática de ambientes e de produtos foi, por muito tempo, desenvolvida com meios artesanais, com técnicas manuais como nanquim, aquarela, lápis de cor etc. A partir da segunda metade do século XX, as transformações tecnológicas abriram novas possibilidades para a utilização da informática, mais especifi- camente da computação gráfica, na arte, na arquitetura e no design. O desenvolvimento da informática nos últimos anos tem propiciado a utilização cada vez mais intensa de recursos computacionais nas atividades do homem. Entre as inúmeras aplicações da computação, podemos ressaltar 7Interação da luz com a matéria a simulação computacional como uma das mais importantes e polêmicas. O computador não é mais um simples instrumento; inicialmente, utilizado para trabalhos com números e informações processadas em alta velocidade, o computador vem se tornando mais pessoal. As pessoas começaram a usá-lo como eficiente meio para comunicação com textos, cores, músicas, gráficos, etc. Entendendo o meio em que a cor é trabalhada nesse universo, você estará apto a criar uma interação consistente e compreensiva. A escolha da cor a ser utilizada em um projeto de ambientes internos rea- lizado no meio computacional deve ocorrer de forma criteriosa. A escolha do modelo cromático deve partir do objetivo final do trabalho, das características e da escala cromática disponível no software. Algumas cores apresentadas em RGB (como determinados verdes e azuis brilhantes) não podem ser repro- duzidos em CMYK, portanto, não podem ser impressas. A gama cromática RGB é mais ampla e luminosa que a gama do modelo CMYK. Os modelos de cores foram criados para proporcionar uma maneira de traduzir cores em dados numéricos, para que possam ser descritas de maneira consistente. Por exemplo, quando dizemos que uma cor é “azul-esverdeada”, estamos dando margem à interpretação baseada na percepção pessoal. Por outro lado, atribuindo-se valores específicos por meio de um modelo de cores — no modelo CMYK, azul-esverdeado seria 100% ciano, 3% magenta, 30% amarelo e 15% preto —, é possível reproduzir uma mesma cor repetidas vezes. O modelo de cores CMYK O modelo CMYK baseia-se não na adição de luz, mas sim na subtração. Este modelo é baseado no processo de impressão em quatro cores, que é usado, principalmente, para imprimir imagens em tom contínuo. Nesse processo, as cores são separadas em quatro chapas de impressão diferentes: ciano (C), magenta (M), amarelo (Y, do inglês, yellow) e preto (K, do inglês, key ou black) ao sistema. O sistema cromático CMYK divide as cores nas porcentagens das primárias subtrativas que as formam e adiciona o preto como medida de estabilidade. A cor CMYK é usada em gráficas para a impressão por quadricromia e em impressoras pessoais. Algumas dicas: � 100% de ciano, 100% magenta e 100% de amarelo produzem um marrom turvo que, em tese, representa o preto. � Para obter uma cor primária saturada, selecione 100% na cor de interesse e 0% nas demais cores. Interação da luz com a matéria8 � Para criar as cores secundárias em CMYK (vermelho, azul-arroxeado e verde), selecione 100% de cada uma das primárias que forma a se- cundária desejada: ■ Vermelho: 100% de magenta + 100% de amarelo. ■ Azul: 100% de ciano + 100% magenta. ■ Verde: 100% de amarelo + 100% de ciano. ■ Preto: 100% de todas as primárias e também do preto. Sistemas de correspondência de cores O sistema de correspondência de cores Pantone é o mais comumente utilizado. Esse sistema tem sido tradicionalmente aplicado para a impressão de cores spot (não para trabalhos com separação a quatro cores). A cor spot é similar à impressão em revestimento (overlay), separado de qualquer outra cor — isso é muito diferente da separação em quatro cores, em que ciano, magenta, amarelo e preto se combinam para criar uma cor. Na cor spot, a impressora mistura tinta para criar uma cor correspondente e imprime aquela cor em uma chapa individual. Esse método é ótimo para impressão de uma ou duas cores, mas é muito dispendioso para múltiplas cores. Assim, a cor spot, ou cor especial, impressa com matriz separada é ge- ralmente usada em Pantone e em impressão de filetes ou detalhes de ouro e prata, podendo ser usada como uma quinta cor. Esse termo é usado quando um trabalho impresso com o padrão em quatro cores requer uma quinta cor específica — a quinta cor é usada para criar prateados, cobreados azuis car- regados e certos verdes que não podem ser criados com tintas de processo em quatro cores. A marca PANTONE®, considerada hoje uma autoridade em cores, é mundialmente conhecida pelos seus sistemas e tecnologias de ponta, criados para os processos que envolvem cores com reprodução precisa, nas etapas de seleção, comunicação e controle de cores. O nome PANTONE® é conhecido mundialmente como a linguagem padrão para a comunicação em todas as fases do processo de gerenciamento decores, desde o designer até o fabricante, desde o revendedor e até o consumidor, em várias indústrias. 9Interação da luz com a matéria 1. A luz constituída de duas ou mais cores, como a luz branca do Sol ou a luz emitida pelo filamento aquecido da lâmpada incandescente comum, é classificada como: a) monocromática. b) normal. c) dispersa. d) policromática. e) refratada. 2. “Os estímulos que causam as sensações cromáticas estão divididos em dois grupos: os das cores-luz e o das cores-pigmento. Cor-luz ou luz colorida é a radiação luminosa visível que tem como síntese aditiva a luz branca. Sua expressão máxima é a luz solar, por reunir, de forma equilibrada todos os matizes existentes na natureza. Cor- pigmento é a substância material que, conforme sua natureza, absorve, refrata e reflete os raios luminosos componentes da luz que se difunde sobre ela.”(Israel Pedrosa, 1980). De acordo com a definição de cor luz e cor pigmento, acima citada e analisando as figuras abaixo, assinale a alternativa correta. a) A ilustração 1 representa o conceito de cor luz e a ilustração 2, cor pigmento. b) A ilustração 2 representa o conceito de cor luz e cor pigmento. c) A ilustração 2 representa o conceito de cor luz e cor pigmento. d) A ilustração 1 representa o conceito de cor pigmento e cor luz. e) A ilustração 1 representa o conceito de cor pigmento e a ilustração 2, cor luz. 3. Podemos classificar as cores de duas maneiras: a cor luz e a cor pigmento. A cor luz é a cor derivada diretamente da radiação luminosa, liberada por uma fonte de luz que chega aos nossos órgãos sensoriais. A cor pigmento é baseada na capacidade de absorção e reflexão de ondas luminosas de um objeto iluminado. Considerando isso, se utilizarmos cor pigmento para a criação de sites, qual o nome do sistema de cor, quais as cores primárias desse sistema e no que resulta a junção de todas as cores desse sistema, respectivamente? a) Sistema RGB; cores primárias: azul, vermelho e verde; sua junção resulta na cor marrom/preta. b) Sistema CMYK; cores primárias: ciano, magenta e amarelo; sua junção resulta na luz branca. c) Sistema RGB; cores primárias: azul, vermelho e verde; sua junção resulta na luz branca. Interação da luz com a matéria10 d) Sistema CMYK; cores primárias: ciano, magenta e amarelo; sua junção resulta na cor preta. e) Sistema RGB; cores primárias: vermelho, amarelo e azul; sua junção resulta na cor preta. 4. A reprodução de cores em dispositivos como monitores de computador, retroprojetores, scanners e câmeras digitais, assim como na fotografia tradicional, utiliza de um padrão comum de cores. Em contraposição, impressoras utilizam, na sua grande maioria, o modelo de cores subtrativas denominado pela sigla: a) CMYK. b) RGB. c) PNG. d) HSB. e) HSL. 5. Considerando as teorias de cor pigmento (CMYK), substância material que absorve, transmite ou reflete a coloração, a partir de três combinações obtêm-se as seguintes cores secundárias: a) verde, amarelo e laranja. b) verde, laranja e violeta. c) violeta, verde e vermelho. d) laranja, violeta e preto. e) branco, verde e laranja. ALAN. Atividade 03: Representação de sistemas (modos) de cor. Teoria da cor blog, 12 set. 2018. Disponível em: <https://teoriadacorblog.wordpress.com/2018/09/12/ representacao-dos-sistemas-de-cores/>. Acesso em: 10 out. 2018. ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA. Munsell colour system. 1996. 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Interação da luz com a matéria12 Conteúdo: TEORIA E PRÁTICA DA COR Derli Kraemer O processo de visão e de percepção da cor Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Descrever o processo de visão e de percepção da cor. � Identificar como a cor é percebida pelo olho e interpretada pelo cérebro. � Utilizar os meios gráficos digitais como ferramentas para a construção de estruturas cromáticas. Introdução Neste capítulo, veremos que, para que possamos perceber as cores, é necessário que ocorram fenômenos físicos e fisiológicos. Assim, estu- daremos como funciona o processo da visão e da percepção da cor no âmbito da fisiologia: como a cor é percebida pelo olho e interpretada pelo cérebro. A partir desse conhecimento, veremos também como usar os meios gráficos digitais para construir estruturas cromáticas. Visão e percepção da cor Em uma definição geral, podemos considerar que visão é a capacidade de compreender, assimilar e perceber visualmente tudo que está no mundo exterior por meio da utilização dos olhos e do cérebro. Nessa definição geral, a visão contém a percepção da cor e da forma em todos os aspectos. Existindo luz, o mecanismo da visão é estimulado e passa funcionar, entregando ao cérebro informações para serem interpretadas. As cores, percebidas pela maioria dos humanos, são tão comuns no nosso dia a dia que mal nos damos conta que as percebemos. Segundo Foley e Grimes (1988), o uso incorreto das cores pode levar ao desconforto e à fadiga visual, causando uma percepção errada da mensagem e, assim, reduzindo o seu impacto; se a mensagem fosse monocromática, por exemplo, teria um terço de redução desse impacto. Essa interpretação tem a ver com a psicologia das cores, estudada inicial- mente por Johann Wolfgang von Goethe, no século XIX. Sua teoria desenca- deou todo um estudo sobre o comportamento humano diante das mensagens que são entregues pelas cores, utilizado amplamente em diversas áreas do co- nhecimento e especialidades, como arquitetura, design e publicidade. Segundo Heller (2013), as pessoas têm preferências por certas cores e seus efeitos são universais, transmitindo sensações. Entretanto, há algo anterior às sensações que as cores transmitem ao seu observador: sua percepção. Isaac Newton foi quem descobriu a decomposição da luz utilizando um prisma, que a decompõe em radiações de diferentes comprimentos. Ao che- garem ao olho, essas radiações de diferentes comprimentos permitem sua distinção como cor. A cor, portanto, é uma sensação fisiológica, que, segundo MacDonald (1999), é o efeito fisiológico que esse comprimento de onda produz; cada um desses elementos constituema luz branca. O estudo da cor evoluiu de Newton a Goethe para as escolas de arquitetura, arte e design, como a Vkhutemas, na Rússia, e, mais tarde, a Bauhaus, na Alemanha, onde artistas, arquitetos e designers estudaram a forma e a cor em várias especialidades. A Bauhaus, fundada em 1919 e extinta em 1933, passando por fases tão difíceis quanto sua existência, foi importante para a arquitetura, a indústria e a arte. O conceito principal da Bauhaus sempre foi a Gestalt, que, em uma livre tradução do alemão, significa “boa forma”. Nesse sentido, um árduo estudo sobre cor, forma e projeto resultam em uma “boa forma”. O conceito da Gestalt e da psicologia das cores pode ser usado, por exemplo, no design de interiores. Se dispostas de forma correta, além da ergonomia apropriada, as cores podem estimular o colaborador a se comportar de uma maneira ou outra. O vermelho tanto pode deixar o ambiente dinâmico quanto opressivo; ele tende a deixar o ambiente menor, justamente o contrário das cores frias, que podem ampliar e tranquilizar o ambiente. Segundo Murch (1984), a luz atravessa as camadas de tecido do olho, atinge a retina, uma área sensível do sistema de visão, e então as cores são formadas no cérebro. Já segundo Gomes Filho (2004), para a Gestalt, todo o processo consciente e forma percebida estão estritamente relacionados com o pro- cesso fisiológico, portanto a luz transmitida é estruturada e psicologicamente percebida pelos estímulos visuais. Esses estímulos são padrões constantes organizados como princípios da percepção. Os princípios da percepção são proximidade; similaridade; pregnância; simetria; segmentação; fechamento. Vejamos mais sobre eles. O processo de visão e de percepção da cor2 Princípios da percepção Segundo Gomes Filho (2004), as constantes dos princípios da percepção são as seguintes: 1. Proximidade: objetos que estão localizados próximos são percebidos como mais relacionados entre si do que os que estão posicionados distantemente. Os seres humanos tentem a agrupar objetos quando existe essa proximidade dos signos, unificando-os. 2. Similaridade: objetos similares são percebidos como mais relacionados do que os que não o são. A similaridade acontece por meio da repetição do signo, seja de forma, seja de cor. 3. Pregnância: objetos tendem a ser compreendidos como organizados, o que facilita a percepção e compreensão/interpretação. Normalmente, esta característica está ligada a projetos que resultam do uso de outros princípios da Gestalt. 4. Simetria: objetos são percebidos como signos dispostos de forma simétrica, orientados por uma medida. 5. Segmentação: os signos fazem a percepção humana separar ou identi- ficar partes de uma forma como parte do todo. É justamente o oposto do princípio do fechamento. Essa percepção pode ocorrer por forma, pontos, linhas, cores, formas e outros. 6. Fechamento: objetos são percebidos como fechados, mesmo que não sejam. Sua forma causa a percepção de que constituem um desenho completo, entretanto, não o são. Ao observar signos com esta caracte- rística, a percepção é de que a forma está completa. Ocorre em pontos, linhas, cores, formas e outros. A psicologia das cores é um assunto que, após Goethe, foi estudado profundamente por vários pesquisadores. Um deles, Eva Heller, escreveu um livro intitulado justamente de A psicologia das cores, no qual publicou os resultados de sua pesquisa, realizada principalmente na Alemanha. Nele há curiosidades interessantes, como, por exemplo, que o azul é a cor favorita da maioria das pessoas e que o marrom é a de que menos gostam. Cada cor transmite uma sensação para seu observador; quando compostas por duas ou mais cores, as sensações podem ser ainda mais bem dirigidas, influenciando o comportamento das pessoas. 3O processo de visão e de percepção da cor Como a cor é percebida pelo olho e interpretada pelo cérebro No princípio, existe a luz. Sem ela, não há como a cor ser percebida. Segundo Fraser e Banks (2012), foi no século XIX que o físico inglês Thomas Young (1773-1829) estudou e postulou que o olho devia conter receptores que reagiam a certos comprimentos de ondas luminosas. Como as partículas são numero- sas e os comprimentos de onda são extensos, ele concluiu que os receptores conseguem perceber apenas uma parte do espectro. Antes de entrar um pouco mais a fundo na fisiologia, vale comentar que há uma diferença entre efeito cromático e agente cromático. O efeito cromático é desencadeado pela própria cor em nós — é a realidade psicofisiológica da nossa percepção. Já o agente cromático, segundo Barros (2006), reporta-se à constituição do pigmento. A luz entra no olho e chega até a retina, onde há dois tipos de células fotor- receptoras, ou seja, que percebem a luz. Essas células são os bastonetes e os cones, cada um deles com uma função específica, arquitetada pela natureza. Segundo Murch (1984), os bastonetes tem a capacidade de perceber a presença da luz e de tons intermediários; já os cones percebem as cores. Existem três tipos de receptores do tipo cone: um percebe o vermelho, um percebe o verde e outro o azul. A proporção do número de cada tipo de cone varia, sendo ela da ordem de 40:20:1, respectivamente, o que significa que a sensibilidade para o azul é menor do que para o vermelho e o verde. O olho humano é, portanto, um sistema de percepção de três tipos de células, chamado de sistema tricromático. É por isso que somos aptos a identificar as três cores primárias em luz e pigmento. Quando estimulamos apenas um tipo de cone, por determinado tempo, ocorre uma espécie de saturação, causando a sensação de enxergarmos a cor complementar àquela observada (BARROS, 2006). Além disso, precisamos considerar o próprio formato do olho e seu campo visual, que é o escopo de abrangência do olho. Na área central do olho existem apenas células do tipo cone; em uma área mais afastada do centro há uma mistura de cones e bastonetes; finalmente na periferia, há apenas bastonetes. O processo de visão e de percepção da cor4 Figura 1. Campo de visão. Fonte: Abreu (2010, documento on-line). Lim ite do ca m po de vi sã o Lim ite do cam po de visão Lim ite da disc rim ina ção cro má tica Limite da discriminação cromática Rota ção máx ima do o lho Linha visul padrão Linha visual normal/de péLinha visual normal/sentado Rotação ótima do olho Ro ta çã o ót im a do o lh o D is cr im in aç ão cr om át ic a CA M PO D E V IS ÃO SU PE RI OR CA M PO D E VI SÃ O IN FE RI O R Observando a Figura 1, podemos perceber uma linha perfeitamente ho- rizontal; a partir dela determinamos o campo visual, cerca de 160 graus horizontalmente e 120 graus verticalmente. Segundo Murch (1984), os músculos do olho fazem o cristalino do olho agir como a lente de uma câmera fotográfica, focalizando o que está à volta do observador. Portanto, dada a curvatura do olhos e a disposição dos receptores do tipo cones e bastonetes, a imagem é formada e formas e cores percebidas. 5O processo de visão e de percepção da cor Leitores do material impresso, para visualizar as figuras deste capítulo em cores, acessem o link ou o código QR a seguir. https://goo.gl/qqzHtf Acompanhe a Figura 2, que compara os sistemas de cores. Figura 2. Círculo cromático RGB (a) e círculo cromático CMY (b). Na Figura 2a, temos o esquema de cores RGB, baseado na luz, formado por vermelho (red), verde (green) e azul (blue), no qual existe a soma das cores. Na Figura 2b temos o sistema CMY — ciano, magenta e amarelo (yellow), que foram o sistema de cores pigmento, ou seja, tinta. Segundo Fraser e Banks (2012), percebemos a cor pigmento pelo reflexo que a luz devolve ao nosso olhar. A cor, portanto, depende da luz que ilumina o objeto. Ela não necessariamente é uma característica do objeto iluminado. Um vaso verde pode ser percebido como preto quando iluminado sob luz monocromática azul. O processo devisão e de percepção da cor6 Essa percepção recebe os efeitos causados pelo que está a volta, como, por exemplo, as cores de um cenário televisivo. Vamos supor um cenário no qual o apresentador está no escuro e há uma bandeira azul e outra branca. Se uma luz amarela for lançada no ambiente, as cores serão percebidas de acordo com o comprimento de onda resultante da cor luz atuando sobre o cenário, ou seja, uma bandeira preta e uma bandeira amarela. Isso ocorre porque a luz amarela sobre o azul resultará na soma dessas cores, ou seja, preto, enquanto a bandeira branca se somará à luz amarela e será, portanto, amarela. Então é aí que entra a criatividade para gerar ilusões para um público- -alvo, usando meios gráficos digitais como ferramentas para a construção de estruturas cromáticas. Cultura e religião, embora não pareçam, são fatores que devem ser considerados durante a escolha das cores de um projeto. Azul, por exemplo, é uma cor considerada sagrada para hindus, como também para católicos, enquanto para os povos árabes a cor sagrada é o verde. Por esse motivo é importante ter o máximo de informações sobre o projeto, a fim de evitar uma possível ofensa. Os meios gráficos digitais e a construção de estruturas cromáticas E a cor encontra um meio. Por muito tempo, tinta e pincéis foram os meios para que a cor fosse utilizada, mas com o advento dos meios eletrônicos, novas ferramentas foram criadas e os designers e publicitários ganharam qualidade e velocidade na construção de seus projetos. A vantagem dos meios gráficos digitais não está só na facilidade e na velocidade de construção das formas, mas também na estruturação e no teste das cores do projeto. Citando exemplos, para o design de produto ou o design de interiores, os desenhos técnicos podem ser coloridos, facilitando a identi- ficação de componentes. No design gráfico, é possível testar qual é a melhor cor para uma peça gráfica, e, na fotografia, o ajuste cromático da imagem, que pode valorizar a captura, pode ser avaliado instantaneamente pelo fotógrafo. 7O processo de visão e de percepção da cor Veja no Quadro 1 quais são os principais softwares gráficos utilizados atualmente. Fontes: Autor. AutoCAD Software lançado em 1982; na versão 2019 continua sendo usado tanto para desenho de plantas baixas (2D) quanto para modelagem e animação 3D. Sua versatilidade permite o uso para várias especialidades do design, arquitetura e engenharia. 3DS Max Software da Autodesk, mesma fabricante do AutoCAD, direcionado para modelagem e animação 3D para maquetes eletrônicas e jogos digitais. Revit Software da Autodesk, direcionado para a arquitetura, possibilitando desenho 2D e 3D. Maya Software da Autodesk, direcionado para modelagem e animação 3D para entretenimento, ou seja, comerciais, TV e cinema, principalmente. Adobe Illustrator Software dedicado ao design gráfico. Adobe Photoshop Software dedicado à manipulação de imagens em qualquer sistema de cores. Adobe InDesign Software dedicado à mídia impressa, tanto para a edição quanto para a preparação da impressão. Quadro 1. Softwares utilizados para mídias digitais A história dos meios gráficos digitais começou nos anos 1950, com sistemas de impressão chamados “plotters” e osciloscópios controlados por computador. Nos anos 1960, evoluímos para displays de vetores. Nos anos 1980, a tecnologia já permitia o uso do computador para aplica- ções gráficas como CAD (computer aided design, ou projeto auxiliado por computador). A Autodesk, por exemplo, lançou seu software AutoCAD em 1982, segundo o site da própria empresa. Atualmente, os softwares da Auto- desk são líderes de mercado, auxiliando designers de várias especialidades, incluindo designers de interiores e arquitetos, a desenvolverem projetos de maneira rápida e assertiva. O processo de visão e de percepção da cor8 Em outros segmentos, softwares de manipulação de imagem, como o Photoshop e o Illustrator, ambos da Adobe, fizeram história no design gráfico, na fotografia e na publicidade. Esses são apenas exemplos de softwares usados no meio digital como ferramentas para a construção de estruturas cromáticas. Todos esses exemplos são softwares proprietários, ou seja, requerem licen- ciamento de uso, mas existem no mercado alternativas em softwares livres, como o GIMP, por exemplo. Mas, na mídia digital, não há apenas as construções cromáticas realizadas a partir de softwares, há muitas coisas feitas diretamente por programação. Dependendo do dispositivo utilizado, tudo muda. O sistema de cores, segundo Foley (1996), segue os modelos a seguir: � HSV — Hue (matiz), Saturation (saturação) e Value (valor). � HLS —Hue (matiz), Lightness (Brilho) e Saturation (saturação) � RGB — Red (vermelho), Green (verde) e Blue (azul), que também é o padrão de cores para a WWW (World Wide Web). De modo geral, o programador escreve valores durante a programação e esses valores correspondem a determinada cor que será mostrada no software do dispositivo. Juntando a programação com o 3D, temos a realidade virtual (RV). Figura 3. Óculos de realidade virtual (RV). Fonte: Lustosa (2018, documento on-line). 9O processo de visão e de percepção da cor A realidade virtual é uma importante ferramenta que designers de inte- riores e arquitetos podem utilizar para demonstrar, por meio da interatividade e da modelagem 3D, como será um ambiente que ainda está no estágio proje- tual. Mas não é só isso: a visualização de catálogos de produtos e a realidade aumentada também utilizam recursos da mídia digital para impulsionar a percepção do target sobre a mensagem pretendida. 1. Você já percebeu que uma série de luzes piscando parecem estar em movimento? De acordo com a psicologia da Gestalt, esse “movimento” acontece porque nossa mente preenche a falta de informação. O princípio de similaridade da Gestalt afirma que: a) tendemos a separar figuras de seus fundos com base em uma ou mais variáveis, como contraste, cor ou tamanho. b) formas ou objetos próximos uns dos outros parecem formar grupos. c) tendemos a seguir a direção de um padrão visual estabelecido em vez de nos desviarmos dele. d) elementos que compartilham características visuais como forma, tamanho, cor ou textura são percebidos como um conjunto. e) tendemos a enxergar figuras completas mesmo quando uma parte da informação está ausente. 2. A percepção da cor é muito importante para a compreensão de um ambiente. Durante um importante jogo da Libertadores, desejando alguns efeitos especiais, um dos cinegrafistas gravou uma cena em um estúdio completamente escuro, onde existia uma bandeira de cores azul e branca, iluminada por luz amarela monocromática. Como a bandeira apareceu, quando a cena foi exibida ao público? a) Verde e preta. b) Verde e branca. c) Preta e azul. d) Preta e amarela. e) Azul e branca. 3. A cor de um objeto resulta da luz que ele consegue refletir. Entre um corpo que reflete toda a luz (branco) e um que absorve toda a luz (preto), temos, então, objetos que refletem algumas cores e absorvem outras. A respeito das cores dos objetos, marque a alternativa correta. a) A cor é uma característica própria de cada objeto. b) A cor depende da luz que ilumina o objeto, portanto, não é uma característica própria do objeto. c) Um objeto de cor amarela sob luz policromática é visto com a mesma cor sob luz monocromática verde. O processo de visão e de percepção da cor10 d) Como reflete todas as cores, o corpo negro não tem condição de apresentar coloração, sendo visto, portanto, como preto. e) A cor não depende da luz que ilumina o objeto. 4. As cores de um ambiente de trabalho exercem diversas sensações sobre as pessoas. Quando dispostas corretamente, estimulam áreas do cérebro, promovendo sensações como excitação ou tranquilidade. Sendo assim, a cor de um escritório pode auxiliar ou atrapalhar o desempenho dos funcionários. Levando em consideração o significadoe as sensações das cores em ambientes de trabalho, o que deve ser considerado antes da escolha das cores para escritórios? a) Verde: em tons claros, é escolhido por trazer calma e tranquilidade; em tons escuros, pode trazer a sensação de depressão. b) Vermelho: com cuidado, pode deixar o ambiente mais dinâmico e animado; transmite alegria e proximidade. c) Roxo: é capaz de atuar diretamente sobre o pulmão e o coração, auxiliando, ainda, com problemas na coluna. É uma cor que estimula a criatividade e faz com que as pessoas fiquem mais calmas. d) Branco: sua função principal é multiplicar a luz do espaço, por isso, ele passa a ideia de que o ambiente é mais amplo do que realmente é. Passa a ideia de luxo e estimula a criatividade. Ainda assim, um ambiente totalmente branco pode se tornar monótono. e) Azul: é uma cor que consegue trazer energia, mas ainda assim sugerir calma e seriedade para o ambiente. É importante que o tom do azul não seja muito escuro e que ele também seja utilizado em pontos específicos. 5. Os profissionais de design de interiores devem estar sempre atentos a novas tecnologias, o que permite a criação de projetos maiores com melhores soluções. Hoje, inúmeras tecnologias facilitam o trabalho em todas as etapas dos projetos. Uma delas aumenta as possibilidades de visualização, oportunizando novas maneiras de experimentar e de entender os projetos, bem como o uso de um espaço muito antes de que realmente seja construído. Marque a alternativa que apresenta essa tecnologia de visualização. a) Realidade virtual (RV). b) Catálogos de produtos online. c) Impressoras 3D. d) Realidade aumentada (RA). e) Trena digital. 11O processo de visão e de percepção da cor ABREU, M. A estrutura de um filme. Magda Abreu_nº6_11º9_ESMGA_Espinho10/11, 2010. Disponível em: <https://magdaabreu06.wordpress.com/about/>. Acesso em: 13 jan. 2019. BARROS, L. R. M. A cor no processo criativo: um estudo sobre a Bauhaus e a teoria de Goethe. 3. ed. São Paulo: Senac São Paulo, 2006. FOLEY, J. D.; GRIMES J. Using color in computer graphics. IEEE Computer Graphics and Applications, v. 8, n. 5, p. 25-27, set./out. 1988. FOLEY, J. D. et. al. Computer graphics: principles and practice. 2. ed. Reading: Addison- -Wesley, 1996. Cap. 13, p. 563-604. FRASER, T.; BANKS, A. O essencial da cor no design. São Paulo: Senac São Paulo, 2012. GOMES FILHO, J. Gestalt do objeto: sistema de uma leitura visual da forma. São Paulo: Escritura, 2004. HELLER, E. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. São Paulo: Gustavo Gili, 2013. LUSTOSA, M. Com o óculos de realidade virtual, cliente tem visão 360º do ambiente da casa. In: SZABADI, F. Óculos de realidade virtual na arquitetura permite avaliar am- bientes com maior precisão. G1, 22 maio 2018. Disponível em: <https://g1.globo.com/ sp/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/mercado-imobiliario-do-interior/noticia/oculos- -de-realidade-virtual-na-arquitetura-permite-avaliar-ambientes-com-maior-precisao. ghtml>. Acesso em: 13 jan. 209. MACDONALD, L. W. Using color effectively in computer graphics. IEEE Computer Graphics and Applications, v. 19, n. 4, p. 20-35, jul./ago. 1999. MURCH, S. Physiological principles for the effective use of colors. IEEE Computer Graphics and Applications, v. 4, n. 11, p. 49-54, nov. 1984. Leituras recomendadas AMBROSE, G.; HARRIS, P. Design básico: cor. Porto Alegre: Bookman, 2010. DOYLE, M. E. Desenho a cores: técnicas de desenho de projeto para arquitetos, paisagistas e designers de interiores. Porto Alegre: Bookman, 2001. PEDROSA, I. Da cor à cor inexistente. 3. ed. Rio de Janeiro: Leo Christiano, 1982. O processo de visão e de percepção da cor12 Conteúdo: