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DESENHO E 
PLASTICAS
Gabriel Lima Giambastiani
Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1
Teoria das cores
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Explicar os princípios da cor.
  Construir combinações de cores.
  Indicar a utilização da cor em projetos arquitetônicos.
Introdução
O fenômeno da cor está associado à percepção humana e é responsável 
por despertar alguns tipos de emoções. O ser humano pode perceber um 
grande número de matizes cromáticas, que são uma gama de ondas eletro-
magnéticas compreendidas entre as ondas ultravioletas e infravermelhas.
A percepção das cores é uma das responsáveis por criar as mais refi-
nadas e emocionantes obras de arte e também algumas das mais belas 
construções da humanidade. 
Neste capítulo, você irá reconhecer os princípios do fenômeno da 
cor e as maneiras mais usuais de agrupá-las para criar combinações 
cromáticas. Além disso, vai ver diferentes maneiras de utilizar as cores 
em projetos arquitetônicos.
1 Princípios da cor
Segundo Corona e Lemos (1972), cor é a impressão visual provocada pela luz 
e recebida pela visão. A cor, como fenômeno físico, está associada ao compri-
mento de onda da luz (KNIGHT, 2009). Os diferentes comprimentos de onda 
são relacionados a diferentes percepções de cores, como é possível observar na 
Figura 1. Hewitt (2009) afi rma que a cor, como experiência fi siológica, reside 
no olho do espectador. Dessa forma, quando dizemos que uma superfície é 
azul, estamos dizendo que ela “parece” azul. Essa percepção pode variar de 
acordo com a espécie do observador (p. ex., humanos, cães, gatos) e, ainda, 
entre indivíduos da mesma espécie (p. ex., pessoas daltônicas). Portanto, é 
Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1
importante associarmos o fenômeno da cor à experiência do observador, já 
que, de acordo com Corona e Lemos (1972), a cor pode infl uenciar o objeto 
arquitetônico sob dois aspectos principais: o plástico e o psicológico.
Figura 1. Espectro eletromagnético: ondas de maior comprimento são relacionadas à 
percepção de cores quentes; ondas de menor comprimento, às cores frias.
Fonte: Ocvirk et al. (2012, p. 196).
Em relação aos aspectos plásticos do objeto, é fácil perceber que a percepção 
de superfícies e volumes é influenciada pelas cores. Observe na Figura 2 a 
representação de três retângulos de cor laranja. Em cada uma das três imagens, 
é alterada a cor do fundo. Embora não reste dúvida em relação à sua forma 
e à sua cor, a percepção de seu contorno e de sua intensidade é acentuada ou 
amenizada em função da cor do fundo. Esse recurso talvez possa ser mais 
facilmente percebido no design gráfico, em que as variações de cores e de 
tonalidades são usadas para se obter diferentes relações formais. No entanto, 
Teoria das cores2
Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1
também é possível imaginarmos casos de emprego de cores com intenção de 
acentuar ou dissimular relações formais na arquitetura e no design de inte-
riores, como, por exemplo, no uso de cores para destacar elementos (p. ex., 
uso de uma escada colorida, acentuando o elemento de circulação vertical) 
ou dissimulá-los (p. ex., rodapés de móveis em cores escuras, para ocultar a 
existência do elemento). A cor, nesse sentido, deve ser entendida como uma 
ferramenta à disposição do projetista para alcançar o resultado esperado. 
Assim como simetria, equilíbrio, proporção, a cor faz parte do instrumental 
de projeto e não deve ser entendida como ornamento ou recurso acessório.
Figura 2. Diferentes percepções de um retângulo em razão de alterações na cor do fundo.
Fonte: Doyle (2002, p. 20).
As cores também influenciam no estado anímico do observador — estu-
diosos como Faber Birren e Joseph Albers estão entre os primeiros a fazer 
esse tipo de associação (OCVIRK et al., 2014). As cores podem, assim, 
influenciar na valorização ou na aversão a determinadas cores em aspectos 
naturais — biológicos, inconscientes (p. ex., associação entre a cor vermelha 
e o sangue, verde e paisagens naturais) — e também em aspectos culturais, 
simbólicos, conscientes e aprendidos, como na associação de determinadas 
cores a países (p. ex., Brasil, verde e amarelo; Uruguai, azul-celeste). Times 
esportivos, partidos políticos, etc. — todos esses aspectos entram em cena 
na escolha das cores. 
Observe o exemplo a seguir: o azul é a cor do Grêmio, time de futebol 
porto-alegrense; seu rival histórico, o Internacional, tem a cor vermelha no 
escudo. Nos bares existentes dentro da Arena (Figura 3), estádio do Grêmio, 
os freezers da Coca-Cola devem ser adesivados para não ostentar a cor do 
rival futebolístico — vemos, portanto, a importância que um aspecto cultural 
tem na definição do uso de cores em ambientes internos. 
3Teoria das cores
Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1
Figura 3. Arena do Grêmio em Porto Alegre: o azul é a cor do time de futebol.
Fonte: Arena... (2020, documento on-line).
A cor é um fenômeno apreciado de maneira natural e intuitiva pela maioria 
dos humanos. Usada em manifestações esportivas, políticas, religiosas e 
artísticas e em diferentes contextos, desempenha papeis relevantes tanto em 
aspectos naturais, relativos à percepção, quanto em aprendidos, como influ-
ências culturais. A compreensão e a sensibilidade a essas condições devem 
ser desenvolvidas no repertório dos profissionais de arquitetura.
2 Combinações cromáticas
Agora que você já sabe o que é a cor e os critérios que infl uenciam na sua 
percepção, pode pensar no seu uso em conjunto, isto é, nas maneiras de 
combiná-las. Para Ching e Binggeli (2019), as cores têm três dimensões: 
matiz, valor tonal e saturação. Matiz é o atributo pelo qual a cor é conhecida 
e descrita — por exemplo, vermelho, amarelo e azul. O valor tonal diz respeito 
ao grau de luminosidade ou escurecimento de uma cor em relação ao preto e 
ao branco. Já a saturação está relacionada à quantidade de matiz de uma cor. 
Teoria das cores4
Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1
Ao longo da história, foram criados diversos sistemas de classificação e 
agrupamento de cores. Um dos mais conhecidos é a roda de cores de Brewster/
Prang (CHING; BINGGELI, 2019), que organiza as cores em matizes primá-
rios, secundários e terciários. Esse sistema nos orientará na demonstração das 
relações entre as cores (Figura 4).
Figura 4. Roda de cores de Brewster/Prang.
Fonte: Ching e Binggeli (2019, p. 117).
Cores primárias são aquelas que, em processos tradicionais nos quais são usados 
pigmentos e síntese subtrativa de cores, não podem ser obtidas a partir da mistura 
de outras cores — são elas o vermelho, o amarelo e o azul (OCVIRK et al., 2014). 
Quando duas ou mais cores primárias são misturadas, podemos obter todas as 
cores possíveis. Quando duas cores primárias são misturadas em proporções iguais, 
teremos uma cor secundária: vermelho com amarelo cria laranja; amarelo com 
azul cria verde; e azul com vermelho, violeta. Cores intermediárias, por sua vez, 
5Teoria das cores
Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1
são a mistura de uma cor secundária com uma primária contígua. Por exemplo, a 
mistura do verde com o azul resultará no verde-azulado. Fique atento ao fato de que 
quando falamos de cores primárias normalmente nos referimos a vermelho, azul e 
amarelo; no entanto, outros sistemas de cores podem ter cores primárias diferentes. 
Quando falamos de cores primárias, normalmente, referimo-nos ao vermelho, ao azul e 
ao amarelo; no entanto, outros sistemas de cores podem ter cores primárias diferentes. 
Segundo Ching e Binggeli (2019), há dois modelos principais de síntese cromática: o 
modelo aditivo e o subtrativo. No primeiro, somamos duas cores para obter uma terceira 
— nesse processo, há a presença de luz. É, por exemplo, o que ocorre em projetores que 
utilizam três cores: vermelho, verde e azul (em inglês, formam o acrônimo RGB — red,green 
e blue). No segundo modelo,  a síntese subtrativa, a mistura de dois ou mais pigmentos 
ou tinta dá origem a uma terceira cor menos luminosa — aqui não há a presença de luz. 
Compõem as cores primárias desse processo o amarelo, o magenta e o ciano.
Observe que essas combinações de cores criam um conjunto de cores que 
formarão uma série de relações entre si. A maneira mais fácil de visualizar 
essas relações é organizando as cores em forma de círculo (Figura 5). Podemos 
observar que uma relação extrema de contraste é obtida quando agrupamos 
uma cor com aquela que ocupa o espaço diretamente oposto na roda de cores; 
essas duas cores são chamadas de complementares. 
Segundo Ocvirk et al. (2014), uma cor é o resultado da reflexão de um 
comprimento de onda particular, bem como da absorção dos comprimentos 
de onda da complementar daquela cor. Quando uma cor e a sua complementar 
estão próximas, uma relação única e vibrante resulta do contraste, em que cada 
cor tende a aumentar a intensidade aparente da outra cor. Algo diferente ocorre 
nas relações entre cores análogas: nesse tipo de relação, são utilizadas cores 
próximas na roda de cores, obtendo-se uma relação extremamente harmônica, 
pois os matizes contíguos sempre contêm uma cor dominante. Observe que, 
na Figura 5, o amarelo é a cor dominante nas cores análogas destacadas.
Teoria das cores6
Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1
Figura 5. Relações cromáticas na roda de cores de Brewster/Prang.
Fonte: Ching e Binggeli (2019, p. 120).
Além das relações de analogia e complementariedade, é possível criar 
outras relações mais complexas. Organizações triádicas, por exemplo, são 
criadas posicionando um triângulo equilátero na roda de cores. Imagine uma 
tríade composta por cores primárias (amarelo, vermelho e azul): nela, haverá 
bastante contraste entre os elementos. 
Uma tríade composta por cores secundárias (laranja, verde e violeta) tam-
bém será bastante contrastante, uma vez que o intervalo entre as cores é o 
mesmo, mas menos que o primeiro exemplo, pois quaisquer combinações de 
dois matizes da tríade compartilharão uma cor em comum (p. ex., laranja e 
verde compartilham a cor amarela). 
Outra relação bastante difundida é a baseada em retângulo (Figura 6). 
Esse sistema, conhecido como tétrade de cores, é criado quando relacionamos 
quatro cores em função de uma figura retangular. Observe que, quando o 
retângulo é um quadrado, a tétrade cromática é composta por uma dupla de 
cores complementares; quando um lado do retângulo é maior em relação ao 
outro, temos um par de cores análogas que têm uma relação de complemen-
tariedade com o outro par.
7Teoria das cores
Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1
Figura 6. Tétrade de cores.
Fonte: Ocvirk et al. (2014, p. 203).
A empresa Adobe, responsável por programas como Illustrator e Photoshop, dispo-
nibiliza um serviço on-line gratuito para a criação de composições cromáticas. Nele, 
é possível criar composições análogas, em tríades, tétrades, dentre outras, e fazer o 
download do esquema de cores para usá-lo em programas especializados. Para saber 
mais sobre esse serviço, acesse o link a seguir.
https://qrgo.page.link/FYb7X
Outra maneira de combinar cores, com amplo potencial da aplicação na 
arquitetura, é o esquema de cor monocromático, em que se utiliza apenas 
um matiz, mas se explora o valor tonal desse matiz tendendo ao branco e ao 
preto (Figura 7).
Teoria das cores8
Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1
Figura 7. Escala monocromática: valores tonais tendendo ao 
preto ou o branco, gerando diversas tonalidades de cinza.
Fonte: Berrydog/Shutterstock.com.
É possível utilizar qualquer matiz para explorar a variação monocromática, 
e esse tipo de alternativa é muito usado em diversas áreas, como na arquitetura 
de interiores, no universo das artes, do design e da moda.
3 Utilização de cores em projetos de arquitetura
A aplicação da cor em projetos de arquitetura não deve ser compreendida 
como algo acessório ou prescindível. Sabendo do seu potencial para infl uen-
ciar os sentimentos humanos e a percepção da forma, as cores se tornam 
um poderoso instrumento nas mãos de um projetista habilidoso. A história 
da disciplina é repleta de exemplos — seja de arquitetos renomados, seja da 
arquitetura vernacular — em que o uso da cor tem um papel de destaque na 
composição arquitetônica. Conta-se que o renomado arquiteto alemão Mies 
van der Rohe propunha aos seus alunos um exercício que consistia em rea-
lizar uma composição cromática harmônica com um conta-gotas e algumas 
vasilhas de diferentes cores de aquarela (QUARONI, 1987). A anedota ilustra 
uma característica que o uso de cores em arquitetura compartilha com tantos 
9Teoria das cores
Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1
outros aspectos da profi ssão: seu domínio e seu refi namento são adquiridos 
com a prática da sensibilidade. Há, também, motivações práticas e culturais 
que infl uenciam no uso de cores na arquitetura.
Um dos exemplos facilmente reconhecíveis são as construções gregas. 
Casas brancas com telhados azuis são facilmente identificáveis como parte 
da paisagem grega, como é possível perceber na Figura 8. Em uma conclusão 
precipitada, poderíamos assumir que a escolha cromática é o resultado de 
um nacionalismo exacerbado, fazendo alusão à bandeira grega, que é azul 
e branca. No entanto, a motivação é mais prática que ufanista: com pouca 
madeira à disposição, a maioria das construções é feita de pedra, um material 
que, uma vez que absorve o calor, mantém o interior das edificações quente. 
A cor branca reflete os raios solares, colaborando para manter o interior 
dos edifícios mais fresco. Perceba que o uso da cor está associado, aqui, à 
habitabilidade das edificações, algo que pode ser replicado em situações mais 
prosaicas, como o uso de telhas metálicas claras na cobertura de edifícios. 
O azul dos telhados tem uma motivação econômica: um produto de limpeza 
chamado loulaki, usado para lavar roupas, reage com o calcário, formando 
uma solução azulada, logo se tornou a padrão. Vemos, com isso, como o uso 
da cor, principalmente na arquitetura vernacular, é comumente associado 
à disponibilidade dos materiais e à técnica construtiva local — por isso, 
encontramos cores que remetem a nomes de lugares, como, por exemplo, o 
amarelo Nápoles, o terra Siena e o verde Nilo.
Figura 8. Santorini, Grécia.
Fonte: Setti (2012, documento on-line).
Teoria das cores10
Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1
Outro exemplo é o da maestria na utilização das cores que fez com que 
a Casa Gilardi (Figura 9), de Luiz Barragán, se tornasse uma das principais 
referências mundiais no assunto, sendo possível fazer uma relação direta de 
sua obra com seu país de origem, o México.
Figura 9. Paredes rosas na Casa Gilardi.
Fonte: jlanebennett/Shutterstock.com.
A obra de Luís Barragán dificilmente pode ser apreciada em forma de fotografias. No 
vídeo do link a seguir, é apresentada a Casa Gilardi, na Cidade do México.
https://qrgo.page.link/TJFsc
11Teoria das cores
Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1
A raiz latina para a palavra cor é o vocábulo celare, que significa ocultar, 
esconder, o que se deve à ideia que se tinha de que a pintura servia para 
mascarar algo de qualidade inferior (QUARONI, 1987). A origem é curiosa, 
uma vez que o emprego da cor tem um potencial imenso de transformar tanto 
a maneira como percebemos algo quanto nossas próprias emoções. 
Como foi possível compreender, as cores têm a capacidade de influenciar 
não apenas o bem-estar psicológico dos usuários dos ambientes, mas incentivar 
comportamentos desejáveis, como, por exemplo, alegria, excitação, calma e até 
mesmo confiança. Portanto, as cores são parte essencial do projeto arquitetônico 
nas mais diversas escalas. Agora que você conhece as principais caracterís-
ticas das cores, diferentes maneiras de agrupá-las e algunsexemplos de sua 
utilização na história da arquitetura, está mais preparado para integrá-las ao 
seu repertório de técnicas projetuais e usá-las em seus projetos.
ARENA do Grêmio. In: WIKIPÉDIA, a enciclopedia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 
2020. 1 imagem. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/
ac/Arena_do_Gr%C3%AAmio_2014.jpg. Acesso em: 27 fev. 2020.
CHING, F. D. K.; BINGGELI, C. Arquitetura de interiores ilustrada. 4. ed. Porto Alegre: Book-
man, 2019.
CORONA, E.; LEMOS, C. A. Dicionário de arquitetura brasileira. São Paulo: Edart, 1972.
DOYLE, M. E. Desenho a cores: técnicas de desenho de projeto para arquitetos, paisagistas 
e designers de interiores. São Paulo: Bookman, 2002.
HEWITT, P. G. Física conceitual. Porto Alegre: Bookman, 2009.
KNIGHT, R. D. Física. Porto Alegre: Bookman, 2009. v. 2.
OCVIRK, O. G. et al. Fundamentos de arte: teoria e prática. 12. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014.
QUARONI, L. Ocho lecciones de arquitectura. Barcelona: Xarait Ediciones, 1987.
SETTI, A. 10 coisas que você precisa saber sobre Santorini antes de ir. Blog Viagem e 
Turismo, 2012. Disponível em: https://viagemeturismo.abril.com.br/blog/achados/10-
-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-a-ilha-grega-de-santorini-antes-de-ir/. Acesso 
em: 27 fev. 2020.
Leitura recomendada
CHING, F. D. K. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.
Teoria das cores12
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cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
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local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
13Teoria das cores
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Identificação interna do documento YUBJO0QRLS-GREGHN1
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Nome do arquivo: 
C11_Teoria_Cores_FINAL_202203041039264168219.pdf
Data de vinculação ao processo: 04/03/2022 10:39
Processo: 527832
PRODUÇÃO DE 
IMAGEM NA 
PROPAGANDA
Juliane do Rocio Juski
Teoria da cor
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Identificar a influência das cores na comunicação.
 � Analisar a aplicação das cores por segmento de negócios.
 � Reconhecer a tabela Pantone e os exemplos clássicos do uso da cor 
no marketing.
Introdução
A cor é um aspecto essencial na vida dos seres humanos, e sua informação 
e seus efeitos estão presentes em nosso cotidiano, desde uma comida 
com aspecto estranho até sinais de alerta de perigo. Há vários estudos, 
principalmente na psicologia, que revelam como o cérebro humano iden-
tifica e interpreta as cores de diferentes formas e em diversos contextos. 
A cor não é apenas uma projeção de raios luminosos, mas um ele-
mento da linguagem visual que carrega informações e significados, 
influenciando emoções humanas, sentimentos e desejos. Por estimular 
sensações diferentes para cada pessoa, é fundamental compreender 
como usá-la no campo da publicidade.
Neste capítulo, você conhecerá os principais conceitos da teoria da cor 
e identificará como as cores influenciam no processo de comunicação. 
Além disso, analisará os efeitos e os estímulos causados sob a perspectiva 
da psicodinâmica das cores, reconhecendo sua aplicação por segmento 
de negócios.
1 Cor como informação
A cor está presente na vida de praticamente todo ser humano e é um aspecto 
fundamental de seu desenvolvimento. Essa relação intrínseca do homem com a 
cor existe desde o surgimento da humanidade, por meio do seu reconhecimento 
e da representação na natureza, que carrega vários significados — por exemplo, 
de cuidado, como o amarelo indicando animais venenosos e peçonhentos. 
Além disso, as cores ilustraram produtos culturais, sociais e religiosos das 
mais diversas civilizações, bem como representaram rituais e ritos essenciais 
para a constituição dessas sociedades. No Egito antigo, por exemplo, predo-
minou o uso das cores nas imagens dos faraós, sendo utilizadas na pele e nas 
vestimentas, como forma de diferenciação entre as classes. Os índios também 
as utilizam em rituais, tanto em seus adereços como nas marcas criadas para 
os momentos sagrados. Desse modo, percebe-se que a cor não envolve apenas 
uma nomenclatura ou natureza e origem, mas assume um papel simbólico na 
percepção humana e na consolidação das ações socioculturais. 
Nesse sentido, Guimarães (2000) apresenta uma reflexão pertinente sobre 
o tema. Para ele, a cor pode ser compreendida como um elemento essencial da 
linguagem visual e, portanto, é informação, pois assume essa característica 
de carregar um significado.
Ao longo das últimas décadas, a imagem vem ganhando destaque, mas 
não apenas ela, como destaca Guimarães (2000), as cores representam a ala-
vanca dos meios de comunicação, porque, desde o surgimento da imprensa de 
Gutemberg até os dias atuais, a evolução dos meios de comunicação sempre 
ocorreu com a inserção da cor. O jornal, a fotografia, o cinema e a televisão 
tiveram em seus primórdios apenas imagens em preto e branco, e o salto 
de desenvolvimento ocorreu quando se introjetou cores nesses meios. Para 
o Guimarães (2000), essa demonstração revela a importância da cor para a 
solidificação e o desenvolvimento das sociedades.
Outro aspecto destacado por Guimarães (2000) se refere à importância da 
cor no contexto contemporâneo. Para ele, vivemos uma era em que a imagem 
ocupa cada vez mais espaço em nosso cotidiano, não apenas ilustrando textos, 
mas se construindo como texto. A imagem carrega signos e significados, e seu 
impacto visual ganha ênfase quando é colorida. Isso resulta em uma expansão 
dos processos de visualidade imagética. 
Teoria da cor2
Nos estudos da semiótica, o signo é definido como um elemento ou entidade que 
carrega uma mensagem ou um fragmento dela. Cada signo é uma unidade dicotômica, 
composta pelo significante, que se refere à forma física, e pelo significado, que diz 
respeito à interpretação exterior do signo e não precisa ser associado à sua forma.
Estudos científicos sobre cor
Muitos investigadores se propuseram a compreender a cor e sua origem; desde 
Platão, Aristóteles e Pitágoras há investigações sobre a origem das cores no 
mundo. Nesse período, os pesquisadores ficaram convencidos de que a cor 
era algo próprio do objeto, ou seja, uma propriedade carregada pelo objeto e 
que não poderia mudar (GUIMARÃES, 2000).
A partir do século XV, o estudo das cores foi foco das observações feitas 
por Leon Battista Alberti e Leonardo da Vinci, das quais emergiram os tratados 
sobre cor na pintura, e por matemáticos e físicos, como Kepler, Descartes 
e Newton, cujos estudos sobre a luz, sua refração e a reflexão são os mais 
conhecidos (GUIMARÃES, 2000). Newton conseguiu, por meio de um ex-
perimento, realizar a refração da luz em um prisma, fenômeno que resultou 
na separação da luz em sete cores visíveis. 
Como resultado desses estudos, segundo Guimarães (2000), surge, com 
Goethe, o primeiro estudo interdisciplinar e organizado sobre as cores, no 
livro Doutrina das cores. Considerado um marco histórico para a teoria da 
cor, o livro de Goethe é separado em quatro partes, nas quais são estabelecidos 
os princípios cromáticos, que podem ser compreendidos sob as perspectivas 
fisiológica e física, como cores químicas, e sob a perspectiva psicológica. 
“Esta última parte acrescentada em um momento posterior e definida como 
o estudo da atuação das cores sobre a alma [...]” (GUIMARÃES, 2000, p. 2). 
No contexto moderno, surgem estudos sobre a importância e o impacto das 
cores na percepção humana com os estudiosos da Escola da Gestalt, com a 
semiótica e com os mestres da Bauhaus (GUIMARÃES, 2000).Desse modo, é 
possível perceber que os estudos sobre a teoria da cor, suas origens, percepções, 
conceituação e aplicabilidade são tema de diversas áreas do conhecimento, 
tendo, assim, um caráter interdisciplinar. 
3Teoria da cor
Para Guimarães (2000), além de apresentar aspectos físicos, fisiológicos 
e psicológicos, a cor assume uma função essencial como código específico 
da comunicação humana, e sua significação acontece por meio de variantes 
culturais que interferem na manutenção ou na mudança desse código. Para o 
autor, “A apreensão, a transmissão e o armazenamento ‘cor’ (como texto cul-
tural) são regidos por códigos culturais que interferem e sofrem interferências 
dos outros tipos de códigos da comunicação humana (os de linguagem e os 
biofísicos) [...]” (GUIMARÃES, 2000, p. 4), ou seja, ele defende que a cor é 
um fenômeno semiótico e uma manifestação cultural, por isso é carregada 
de informação. Além disso, é um elemento da linguagem visual e, devido à 
sua complexidade, possibilita a criação de um vocabulário específico para 
compor sua sintaxe visual. 
A semiótica designa o campo de estudos que busca compreender a construção do 
sentido, abrangendo todos os elementos verbais e visuais, por meio do estudo do 
signo e do significado dado a ele.
Conceituação de cor
Com os inúmeros pesquisadores dedicados ao estudo das cores, era inevitável 
que surgissem várias conceituações para o mesmo termo. Guimarães (2000) 
apresenta essas conceituações desde os autores clássicos, como Aristóteles, 
passando pelos da Idade Média, como Newton, os do século XIX, como Go-
ethe, até as visões modernas e contemporâneas sobre o tema. Por meio dessas 
conceituações, o autor estabelece que a pesquisa sobre cor se inicia na Grécia 
antiga, com a compreensão de propriedade ou qualidade de um objeto. Quem 
corrobora essa ideia é Aristóteles, descrevendo-a como propriedade dos corpos. 
Teoria da cor4
Um segundo conceito surgiu com Euclides, ainda na literatura clássica, que 
fez a primeira afirmação explícita sobre a relação da cor com a luz, definindo-a 
como qualidade da luz sobre os corpos. Porém, apenas com a consolidação dos 
estudos de Newton, na Idade Média, que se estabeleceu o alicerce sobre a cor 
como luz. Para Newton “[...] as cores não são qualificações da luz, derivadas das 
refrações ou reflexão dos corpos naturais, são propriedades originais e inatas 
que diferem em raios diferentes [...]” (NEWTON, 1704 apud GUIMARÃES, 
2000, p. 9). Portanto, com os estudos sobre as propriedades da luz, Newton 
identifica que a cor não é um elemento pertencente a um objeto, mas sim a 
reflexão da luz por meio de ondas. Cada cor apresenta uma frequência dife-
rente e será percebida por meio da absorção ou reflexão dos raios luminosos. 
Já Goethe, no século XIX, construiu sua teoria baseado na contestação 
das ideias de Newton. Para Goethe, a cor é uma ação da luz sobre a visão. 
“As cores são ações e paixões da luz. Nesse sentido, podemos esperar delas 
apenas alguma indicação sobre a luz. Na verdade, luz e cores se relacionam 
perfeitamente, embora devamos pensa-las como pertencendo a natureza em 
seu todo: é ela inteira que assim quer se revelar ao sentido da visão [...]” 
(GOETHE, 1810 apud GUIMARÃES, 2000, p. 9). Segundo essa teoria, a cor 
não é apenas um fenômeno físico, mas uma construção do sentido da visão, 
incluindo, assim, a questão da percepção visual. 
Schopenhauer vai além de seu mestre Goethe, definindo a cor como um 
fenômeno da percepção e da cognição, no qual o mundo sensível é a nossa 
representação, ou seja, a cor pertencer ao objeto ou não, interfere na forma 
como é percebida e interpretada, e esse processo só ocorre por meio do intelecto 
(GUIMARÃES, 2000). 
Para concluir, Guimarães (2000, p. 12) define uma visão contemporânea 
e moderna sobre a cor como “[...] uma informação visual, causada por um 
estímulo físico, percebida pelos olhos e decodificada pelo cérebro [...]”. Desse 
modo, o autor explica que a cor é percebida ou como um estímulo físico, sendo 
esse o meio que carrega a materialidade das fontes, ou como causa da cor, sendo 
ela cor-luz ou cor-pigmento. Esse estímulo é processado pelo cérebro, que atua 
como o suporte responsável por decodificar o estímulo físico e transformar a 
informação da causa em sensação, resultando no efeito da cor. Além disso, o 
significado desse efeito será baseado nas concepções culturais de cada sujeito.
5Teoria da cor
Diferença entre cor-luz e cor-pigmento
Guimarães (2000) esclarece que quando uma cor tem como fonte de sua formação luzes 
coloridas, emitidas de forma natural ou produzidas pela filtragem ou decomposição 
da luz branca, o estímulo visual recebe o nome de cor-luz; já quando é formada por 
substâncias coloridas ou corantes que cobrem os corpos, e a luz que age como estímulo 
obtido por meio da refração, recebe o nome de cor-pigmento. 
Seguindo a vertente da semiótica, Guimarães (2000) estabelece que a 
cor é um conceito com poder de expressão, portanto, possui uma dimensão 
aplicativa. Assim, quando aplicada a algum objeto, desempenhará uma função 
específica com determinada intenção, ou seja, a cor atua como informação. 
A sua aplicação intencional possibilitará ao objeto que contém a informação 
cromática receber a denominação de signo. “Ao considerarmos uma aplicação 
intencional da cor, estaremos trabalhando com a informação latente, que será 
percebida e decifrada pelo sentido da visão, interpretada pela nossa cognição e 
transformada numa informação atualizada [...]” (GUIMARÃES, 2000, p. 15).
Portanto, ao compreendermos a cor como informação, partimos do pres-
suposto de que as cores são elementos da sintaxe da linguagem visual e, 
portanto, essenciais para o processo de comunicação, pois trata-se de um dos 
diversos códigos da comunicação humana. Nesse sentido, cabe destacar que 
a cor assume um papel fundamental na construção das imagens e impacta 
diretamente nas ações e nos processos da comunicação. Quando aplicada 
em determinado contexto, a informação fornecida pela cor assume sentidos 
distintos, que auxiliam no processo de emissão e recepção da mensagem. 
Cor como função
Para Farina, Perez e Bastos (2006) a cor pode ser definida como uma sensação 
visual consciente de uma pessoa, cuja retina foi estimulada pelos raios de luz irra-
diados. Segundo os autores, as cores influenciam o ser humano, tanto na questão 
fisiológica como psicológica, intervindo no cotidiano e despertando sensações 
como alegria, tristeza, calor, frieza, equilíbrio, ordem ou desordem, para eles, 
“As cores podem produzir impressões, sensações e reflexos sensoriais de grande 
Teoria da cor6
importância, porque cada uma delas tem uma vibração determinada em nossos 
sentidos e pode atuar como estimulante ou perturbador na emoção, na consciência 
e em nossos impulsos e desejos [...]” (FARINA; PEREZ; BASTOS, 2006, p. 16). 
Essa função da cor, como um elemento de percepção visual que necessita de 
interpretação física e psíquica, é denominada psicodinâmica das cores. 
Nesse sentido, as cores podem assumir diferentes significados, dependendo 
do contexto e da bagagem cultural de cada sujeito. A mesma cor pode repre-
sentar sensações positivas em determinado contexto e, em outro, assumir uma 
interpretação de cunho negativo. Portanto, conforme destacam Farina, Perez e 
Bastos (2006), estudar a psicodinâmica das cores é mais complexo do que apa-
renta, porque sua interpretação está relacionada aos aspectos psicológicos, ao 
mesmo tempo que sofre influência de fatores culturais e aspectos fisiológicos. 
Assim, a cor assume funções que extrapolam o ato de ilustrar ou colorir 
determinado objeto, pois possui a função de informar, sensibilizar e dar 
sentido aos elementos da linguagem visual. No campo da comunicação e do 
marketing, os conhecimentos acerca da psicodinâmica das cores interferem 
na recepção da mensagem e na mediação entre marca e público. De acordo 
com Farina, Perez e Bastos (2006, p. 16):
O estudo das coresna comunicação e no marketing permite conhecer sua 
potência psíquica e aplicá-la como poderoso fator de atração e sedução para 
identificar as mensagens publicitárias sob todas as formas: apresentação de 
produtos, embalagens, logotipos, anúncios, etc. [...]. 
Os autores revelam, portanto, que a linguagem da cor pode ser entendida 
como um meio atrativo que atua no subconsciente do público-alvo, favorecendo 
o alinhamento entre as estratégias de comunicação e os objetivos dos produtos 
e da marca. Quando nos deparamos com cores positivas ou harmônicas, temos 
uma tendência natural de atração e de reagir favoravelmente a mensagem 
transmitida, porque elas carregam uma carga simbólica importante.
Estamos vivendo em uma iconosfera cada vez mais tomada pelas imagens e, 
nesse contexto, a linguagem imagética se constrói na ideia de que os elementos 
visuais são forças psíquicas e simbólicas, que podem ser mais fortes que as 
experiências reais (FARINA; PEREZ; BASTOS, 2006). Assim, as mutações 
psicológicas que a formação visual promove irão ter um impacto direto no 
campo sociológico, resultando em uma nova forma de viver e estar no mundo. 
É exatamente na captação desse fenômeno que a publicidade se baseia para 
atingir sua função principal: contribuir para a venda, construir uma imagem 
e instigar o interesse no consumo.
7Teoria da cor
Sintaxe da cor
A cor é uma linguagem individual, visto que o homem reage a ela de acordo 
com suas condições físicas e suas influências culturais, por isso, possui uma 
sintaxe que pode ser transmitida. O domínio da cor abre inúmeras possibili-
dades de estudo para aqueles que se dedicam a compreender os processos de 
comunicação visual. Essa sintaxe é composta por elementos que compõem a 
mensagem visual, como luz, o movimento, o peso, o equilíbrio, o espaço e as 
leis que definem sua utilização (FARINA; PEREZ; BASTOS, 2006).
De acordo com Farina, Perez e Bastos (2006), a cor, além de possuir a 
capacidade de movimento, ao se relacionar com outras cores dentro de um 
espaço bidimensional, provoca o fenômeno do contraste, que pode influenciar 
dentro desse espaço. Esse aspecto é essencial no campo da publicidade, pois 
envolve a questão da legibilidade e da visibilidade. O uso da cor complementar 
produz esses efeitos contrastantes e resulta em um efeito plástico, que pode 
aumentar a beleza e o efeito de um projeto gráfico.
O contraste entre os tons quentes e frios resulta em sensações de calor e 
frio, percebidas pelo indivíduo que recebe o estímulo visual. Essas relações 
de calor e frio são afetadas pela composição das cores em relação aos demais 
elementos. Em geral, as quentes são classificadas quando derivam do vermelho 
ou laranja; já as frias, vêm do azul-esverdeado.
Portanto, a cor é uma realidade sensorial que atua sobre a emoção humana, 
pois produz sensação de movimento, uma dinâmica envolvente e compulsiva, 
por isso, suas propriedades são utilizadas para diversos fins. 
Percepção cromática 
Silveira (2015) apresenta uma visão semelhante a de Farina, Perez e Bastos 
(2006) ao destacar que a cor se constitui por meio de uma percepção cromá-
tica, que é constituída com base na construção de significados históricos e 
culturais atrelados às cores. Para estudar a construção simbólica da cor e seus 
efeitos perceptivos, a autora afirma que precisamos nos atentar a três aspectos 
fundamentais sendo: 
 � a construção cultural simbólica social e coletiva; 
 � a materialização dos significados em dicionários de cor;
 � os efeitos psicológicos da construção, ou seja, como a cor afeta a per-
cepção humana.
Teoria da cor8
A construção de sentido está diretamente ligada a questões culturais, como 
tradições e outros elementos de percepção, auxiliando na interpretação ou na 
construção de novos significados. “Cada cor tem a sua história, marcada por 
hábitos e significados, e é isto o que a torna passível de classificação. Podem-
-se tomar as cores como instrumentos ativos de uma determinada cultura 
e, no caso da cultura ocidental, tem-se as cores culturalmente atreladas aos 
significados [...]” (SILVEIRA, 2015, p. 122).
Com base nesses estudos, estabeleceu-se uma relação de significados para 
as cores, assim como o efeito que cada uma tende a causar, dependendo do 
contexto em que são aplicadas. Conheça os principais significados das cores 
atribuídos por Pastoreau (1997 apud SILVEIRA, 2015) a seguir.
 � Vermelho: transmite a sensação de calor e pode ser interpretado como 
calor, fogo, perigo, sangue, alerta, proibição, mas, também, pode reme-
ter a amor, paixão, erotismo, sensualidade ou significar dinamismo e 
criatividade. Como efeito, o vermelho tende a despertar os sentimentos 
de alegria, felicidade intensa, beleza, raridade, além das sensações de 
apreensão, aviso, atenção, prazer proibido, amor sem consequências, 
energia, movimento e sabedoria. 
 � Amarelo: é normalmente associado à luz e ao calor, remete a qualidades 
como prosperidade, riqueza, alegria, energia, mas, também, pode ser 
relacionado a doenças, loucura, mentira, traição, melancolia e outono. 
Seus efeitos, segundo Silveira (2015), podem estar atrelados à sensação 
de calor e verão, alegria e energia (devido ao calor do sol), tensão, ao 
estímulo à busca por poder e riqueza material, além de ser interpretado 
como excitação e atenção, auxiliando na retenção de informações na 
memória. 
 � Azul: é a cor preferida pela maior parte da população ocidental, segundo 
Pastoreau (1997 apud SILVEIRA, 2015), pois está associada a infinito, 
longínquo, sonho, fidelidade e fé, mas, também, está atrelada à sensação 
de frio, frescura e água. É a cor real e aristocrática. Seus efeitos estão 
associados aos sentimentos de paz e tranquilidade, infinito espacial, 
expansão de superfícies, segurança e conforto da família, frio, pureza, 
transparência, luxo, requinte e realeza.
 � Verde: é conhecido como a cor do destino, da fortuna e do dinheiro, tam-
bém está associada à esperança, ao meio ambiente e à ecologia. Remete 
à higiene, à saúde e à juventude, mas, também pode ser interpretada 
como a cor da libertinagem, do que é estranho, cor ácida, que pica e 
envenena (PASTOREAU, 1997 apud SILVEIRA, 2015). Seus efeitos 
9Teoria da cor
estão associados à sensação de esperança, controle do próprio destino, 
completude, modéstia, refrescância, jardim, ambiente naturalmente 
saudável, jovialidade e energia, saciedade.
 � Branco: é ligado ao significado de pureza, castidade, virgindade, ino-
cência. É a cor de higiene, limpeza, frio, estéril, simplicidade, paz, 
sabedoria e velhice, bem como da aristocracia, da monarquia e do 
divino. Seus efeitos estão atrelados ao sentimento de harmonia, paz, 
sinceridade e ingenuidade, além de transmitir a sensação de limpeza, 
realeza, suporte a espiritualidade, harmonia estética, ainda, pode ser 
interpretada como gelada e inverno.
 � Preto: é atribuída ao sentido de morte, falta, pecado, desonestidade, 
tristeza, solidão e melancolia, mas, também, está associada a qualidades 
como austeridade, renúncia e religião, além de ser interpretada como a 
cor da elegância, da modernidade e da autoridade. Seus efeitos podem 
causar sensação de perda, introspecção, escuridão, bem como estimular 
o sentimento de precisão científica e tecnológica e poder de julgamento.
Análise de mercado em função da cor
A cor é uma ferramenta mercadológica muito importante. De acordo com 
Farina, Perez e Bastos (2006), as cores podem ser definidas como um código 
linguístico visual de fácil entendimento e assimilação e, por isso, podem ser 
usadas estrategicamente como um instrumento didático. Portanto, as cores 
formam uma linguagem visual que tem a vantagem de superar as barrei-
ras impostas pelos idiomas e seus problemas de decodificação, afinal, não 
é necessário ser alfabetizado ou poliglota para compreender as sensações 
transmitidas pelas cores. 
Essa psicodinâmica das cores, revelada por meio das sensações e percepções 
a elas atribuídas, é um elemento essencial parao campo da comunicação, 
principalmente para a publicidade. Desse modo, conforme apresentam Farina, 
Perez e Bastos (2006), a cor deve ser um elemento crucial no planejamento 
das ações de comunicação, por exemplo, na escolha para uma embalagem de 
produto. Para os autores, essa seleção da cor deve ir ao encontro do perfil do 
consumidor, da região, da classe social e muitos outros fatores. Além disso, 
é importante atentar à questão do equilíbrio entre forma e cor, uma vez que 
eles são elementos básicos da comunicação visual “Alguns dos efeitos da cor 
são: dar impacto ao receptor, criar ilusões óticas, melhorar a legibilidade, 
identificar uma determinada categoria de produto, entre outros [...]” (FARINA; 
PEREZ; BASTOS, 2006, p. 136).
Teoria da cor10
Segundo Farina, Perez e Bastos (2006), a cor pode ser considerada a alma 
do design e está, particularmente, arraigada às emoções humanas. Ao assumir 
sua função prática, tem o papel de distinguir, identificar e designar o status 
de um produto. Já em sua função simbólica, pode refletir e instigar sensações 
e percepções cognitivas, como amor, perigo, paz e energia. Quando assume 
a função indicial e sinalética, ou seja, enquanto índice e símbolo, a cor pode 
resultar em sinais informativos, como proibição ou advertência. De acordo 
com Farina, Perez e Bastos (2006), os profissionais de comunicação utilizam 
das cores de forma estratégica, com o intuito de criar construções visuais de 
unidade, diferenciação e sequência, ou, até mesmo, com o objetivo de instigar 
sentimentos, sugerir ações e criar efeitos. 
Um exemplo prático de como ocorre essa aplicação no mercado é a relação 
das cores por segmento de negócios. O amarelo, por exemplo, por ser associado 
à energia, ao calor e ao otimismo, pois representa o sol e o verão e tem como 
efeito o estímulo às atividades intelectuais e ao raciocínio. Por isso, em geral, 
está atrelado às empresas dos segmentos jornalísticos, professores, animadores 
e palhaços. Já o laranja, por estar relacionado ao significado de entusiasmo, 
vitalidade, prosperidade e sucesso, reflete a ideia de negócios criativos e 
ousados. Assim, é comum observarmos a aplicação dessa cor em identidades 
visuais ou colorindo espaços de ginásios, segmentos de aventura e marketing. 
O vermelho, por sua vez, é uma das cores mais simbólicas do mercado, 
com muitas significações, desde paixão até fome. Por ser uma cor quente, 
estimula o sistema nervoso e dá energia ao corpo, por isso, empresas do 
segmento de fast-food ou negócios que envolvam velocidade e ação a utilizam 
como elemento identificador.
O azul é bastante utilizado nos segmentos de empresas corporativas, além 
de empresas do ramo financeiro, pois está atrelado à questão da tranquilidade, 
da serenidade, da harmonia e transmite as sensações de confiança, de força e 
seriedade. Já o verde, é mais aplicado ao segmento da saúde e do meio ambiente, 
afinal, sugere a sensação de equilíbrio emocional, harmonia, esperança, saúde 
e liberdade, além de estar associado à natureza, ao meio ambiente e ao carinho.
Em empresas do segmento de limpeza ou de cunho religioso é comum 
encontrar o branco. Essa associação acontece por se tratar de uma cor que 
transmite pureza, tranquilidade, paz, além de limpeza e organização.
Dessa forma, você pode notar como a escolha das cores não deve ser 
aleatória, pois sua psicodinâmica apresenta um raciocínio lógico por trás das 
escolhas, focadas em como elas impactam na recepção e na decodificação 
das mensagens. 
11Teoria da cor
McDonald’s e o significado do amarelo e do vermelho inconfundíveis
Em qualquer lugar do mundo, ao avistar a letra “M” em amarelo, com um fundo 
vermelho, haverá a associação inconsciente com a rede de fast-food McDonald’s. Os 
estudos da psicologia das cores demonstraram que o amarelo é relacionado à energia 
e ao conforto, desse modo, ver o logo da rede faz o corpo liberar substâncias que 
estimulam a sensação de felicidade e bem-estar; já a cor vermelha, além de chamar a 
atenção, está ligada ao sentimento de fome. Portanto, é comum associar as sensações 
de fome e bem-estar às cores da marca McDonald’s. 
Um estudo realizado em 2006, pelo periódico Management Decision, revelou que 
a maioria das pessoas decide comprar algo em apenas 90 segundos. Sobre os fatores 
que interferem na decisão de compra, 62 a 90% das pessoas entrevistadas responde-
ram que fazem a escolha com base nas cores que vêm, ainda que seja uma resposta 
inconsciente (ÉPOCA NEGÓCIOS ONLINE, 2018). 
Consciente ou não, as cores possuem um papel estratégico na comunicação, pois 
são carregadas de significados e conotações, afinal, influenciarão a maneira como as 
pessoas processam a informação. Por isso, sua combinação, no mundo da publicidade 
e do marketing, pode gerar um caso de extremo sucesso, ou de desastres visuais que 
afetam a sobrevivência do negócio.
2 Classificação das cores
Existem duas diferenciações básicas entre a origem das cores. Como men-
cionado por Guimarães (2000) e corroborado por Silveira (2015), que destaca 
os principais fundamentos da percepção física da cor, os primeiros aspectos 
que devem ser consideramos nos estudos são os físicos. Eles envolvem o 
conhecimento sobre a trajetória luminosa da luz e sua refração em raios 
luminosos. Além disso, há também a percepção cromática dos sólidos de 
cor, que indicam a construção dos círculos cromáticos que irão proporcionar 
a primeira organização do universo visual e as perspectivas sobre as cores 
saturadas e suas diversas possibilidades de valor. Esses aspectos são essenciais 
para a compreensão da cor e suas funções em projetos visuais, seja no campo 
do design ou da publicidade. Segundo Silveira (2015), os sólidos de cor são 
importantes porque apresentam a primeira noção de construção da identidade.
Teoria da cor12
Cor pigmento
A cor pigmento, segundo Silveira (2015), pode ser definida como a substância 
material constituinte do objeto, sendo caracterizada de acordo com a natureza 
química. As cores pigmentos possuem a propriedade de se fixar, em maior 
ou menor grau, e se exaltar em determinados objetos. Desse modo, o objeto 
pode absorver, refratar ou refletir os raios luminosos. Por isso, quando um 
elemento é chamado de vermelho, ele se caracteriza por possuir a capacidade 
de absorver quase todos os raios da luz branca incidente, refletindo apenas 
os raios vermelhos. Esse processo recebe o nome de síntese subtrativa, pois 
subtrai todos os raios até restar apenas um. 
De acordo com Silveira (2015), a classificação das cores ocorre segundo 
suas características e formas de manifestação, além da percepção cromática. 
Assim, um dos conceitos mais importantes na classificação cromática são as 
cores primárias. “A cor primária é assim denominada por ser cada uma das 
três cores indecomponíveis. Quando misturadas em proporções variáveis 
produzem todas as cores do espectro visível. Existem dois conjuntos de cores-
-pigmento com suas respectivas cores primárias ou geradoras, e o processo 
de obtenção da mistura desses dois conjuntos de cores é o mesmo já́ definido 
como síntese subtrativa [...]” (SILVEIRA, 2015, p. 47). Na classificação das 
cores-pigmento, é culturalmente definido que as primárias, indecomponíveis 
desse conjunto, seriam o vermelho, o amarelo e o azul, sendo o preto resultado 
da síntese subtrativa entre as três cores primárias. Porém, como esclarece 
Silveira (2015), esse conjunto de cores foi uma construção cultural, que tem, 
até hoje, grande força de construção simbólica. No entanto, essa tríade de cores 
primárias não funciona como cores primárias químicas, ou seja, desse ponto 
de vista, o vermelho, por exemplo, não é uma cor indecomponível, pois sua 
decomposição resulta em outras duas cores: o amarelo e o magenta. Do mesmo 
modo, a síntese das três cores primárias não resulta em preto, mas sim em um 
cinza neutro, pois não é possível, quimicamente, obter o preto nesse processo.
Portanto, na teoria das cores, o conjunto de cores-pigmentoprimárias é 
composto por magenta, amarelo e ciano. “A mistura destas três cores, assim 
como a sobreposição destes três filtros coloridos interceptando a luz branca, 
produz igualmente o cinza-neutro por síntese subtrativa [...]” (SILVEIRA, 
2015, p. 48).
13Teoria da cor
A partir dessa perspectiva, foi estabelecido no mercado a implementação 
das cores CMYK (Figura 1) para peças gráficas, ou seja, qualquer projeto que 
seja impresso em papel ou utilizando tinta e pigmento, deve se basear nessa 
classificação. A sigla CMYK é a abreviação de ciano (C), magenta (M), amarelo 
(Y) e preto (K). Embora as cores primárias sejam apenas ciano, magenta e 
amarelo, como explicado por Silveira (2015), a obtenção do preto é inviável 
quimicamente, por isso, a indústria incluiu o preto na composição básica. Este 
é o modelo mais indicado para qualquer tipo de impressão.
Figura 1. Sistemas de cores subtrativas.
Fonte: Andrade (2016, documento on-line).
Cor-luz
Além da classificação das cores segundo os aspectos químicos, há também 
sua classificação de acordo com o espectro eletromagnético. Silveira (2015) 
define a cor-luz como o intervalo visível do espectro eletromagnético, em 
que sua principal propriedade consiste na síntese das três cores primárias 
resultarem na luz branca. Portanto, diferente do sistema de cores-pigmento, 
no qual a adição das cores primárias vai diminuindo a reflexão dos raios 
luminosos e, consequentemente, escurecendo-as até atingir, em tese, o preto, 
na classificação de cores luz o resultado é o inverso, a adição de todas as cores 
resulta no branco. Segundo Silveira (2015), o estímulo da cor-luz é obtido de 
duas formas: por meio de uma fonte de luz monocromática ou por meio da 
dispersão dos raios luminosos não monocromáticos. 
Teoria da cor14
As cores-luz primárias são formadas pelo vermelho (red), o verde (green) e 
o azul-violeta (blue), conhecido como sistema RGB. A partir da mistura dessas 
três cores, em proporções distintas, é possível criar outras cores do espectro 
cromático. Esse processo, que acompanha as cores-luz, é chamado de síntese 
aditiva. Conforme descreve Silveira (2015), as cores secundárias do sistema RGB 
são o magenta, o amarelo e o ciano, que resultam da soma de duas cores-luz 
primárias. Por exemplo, quando o vermelho (primária) e o verde (primária) estão 
sobrepostos, haverá́ como resultado o amarelo (secundária). Do mesmo modo, o 
azul adicionado ao verde resultará em ciano. Esse processo de produção das cores 
é denominado cores complementares, por exemplo, o vermelho é complementar 
ao ciano, o verde é complementar ao magenta e o azul complementar ao amarelo. 
Assim como acontece com as cores-pigmento, a síntese das cores-luz 
primárias, em tese, deveria resultar no branco, mas isso não ocorre na prática. 
Segundo Silveira (2015), o branco puro não pode ser reproduzido, pois não se 
conseguem fontes de luz primárias (R, G e B) absolutamente puras.
O sistema RGB (Figura 2) é utilizado em objetos que emitem luz, como 
computadores, televisão, câmeras e celulares. As cores obtidas nesse sistema 
seguem uma escala que varia entre 0 e 255, quando todas estão no máximo (255, 
255, 255), o resultado é a cor branca (máxima presença de luz); e, quando todos 
estão no menor valor (0, 0, 0), o resultado é a cor preta (máxima ausência de 
luz). Portanto, o sistema RGB é indicado para utilização em projetos digitais. 
Figura 2. Sistemas de cores aditivas.
Fonte: Andrade (2016, documento on-line).
15Teoria da cor
Tabela Pantone
A marca PANTONE, criada em 1963, pela Pantone Inc. de Lawrence Herbert, 
desenvolveu um sistema inovador de identificação, combinação e comunicação 
de cores, com o intuito de resolver problemas associados à reprodução precisa 
de suas combinações na comunidade de artes gráficas. A visão de que o espectro 
de cores é visto e interpretado diferentemente por cada indivíduo conduziu 
à invenção do Pantone Matching System, um manual de cores padrão, em 
formato de leque ou chip (PANTONE, 2020a). O sistema Pantone é passível 
de aplicação têxtil, digital, impressa ou plástica.
A empresa com sede em Carlstadt, Nova Jersey, nos Estados Unidos, tornou-
-se, então, autoridade mundial em cores, principalmente por seus sistemas e 
tecnologias de ponta criados para reproduzi-las com precisão (PANTONE, 
2020a). A marca estabelece padrões nas etapas de seleção, comunicação e 
controle das cores para garantir a exatidão. O nome PANTONE tornou-se 
referência como a linguagem padrão para a comunicação em todas as fases 
do processo de gerenciamento de cores, desde o designer até o fabricante.
Outro segmento da companhia é o Pantone Color Institute, criado em 1989, 
que é, atualmente, o setor responsável pelas pesquisas de tendências e busca 
as fundamentações para a escolha da cor do ano. A metodologia utilizada pelo 
Instituto Pantone é mantida em segredo, mas a companhia assegura que as 
premissas básicas de sua metodologia envolvem as etapas de pesquisa. Além 
disso, o Pantone Color Institute presta consultoria para marcas que querem 
efetuar melhorias para estar em conformidade com as tendências de consumo 
por meio do uso de cores (PANTONE, 2020a).
Cor do ano Pantone
Além de ser conhecida por sua exatidão no processo de obtenção das cores, a Pantone 
Inc., desde 2000, indica a cor que será tendência no ano e servirá como inspiração para 
diversas áreas. Segundo a empresa, o processo de seleção da cor do ano é resultado 
de uma profunda análise e pesquisa do mercado em tendências. 
Para chegar à seleção, os especialistas em cores do Pantone Color Institute acompa-
nham diversos movimentos ao redor do mundo em busca de influências. Isso pode 
incluir a indústria do entretenimento, com o cinema, as galerias de arte, os novos 
artistas e os desfiles de moda; as áreas de design gráfico e de produto; e os destinos 
mais procurados para viagens, incluindo estilos de vida, estilos de jogos e condições 
Teoria da cor16
socioeconômicas diversas. As influências também podem resultar de novas tecnologias, 
materiais, texturas e efeitos que afetam a cor, plataformas relevantes de mídia social e 
até eventos esportivos que capturam a atenção mundial. Ao longo desses vinte anos, 
a escolha da cor do ano vem influenciando as decisões de desenvolvimento e compra 
de produtos em vários setores, incluindo moda, decoração e design industrial, além 
de embalagens de produtos e design gráfico. Veja, na figura a seguir, as seleções de 
cor do ano dos últimos anos.
Fonte: Pantone (2020b, documento on-line).
Atualmente, a marca Pantone tornou-se uma grande influenciadora do 
mercado mundial, ditando tendências por meio da escolha da cor do ano. A 
iniciativa surgiu em 2000, quando foi anunciada pela primeira vez, desde 
então, anualmente, uma cor é escolhida para ser a cor do ano, com base nos 
estudos desenvolvidos pelo Instituto Pantone. Em 2020, a cor escolhida foi a 
19-4052 Classic Blue. Segundo a Pantone (2020a), sua escolha inspira calma, 
confiança e conectividade, para eles, o azul resiliente aumenta a inspiração, 
por ser uma base sólida e estável, além de representar uma escolha para en-
trar no limiar de uma nova era. Logo após o anúncio da cor do ano, surge no 
mercado mundial uma série de produtos inspirados nela, desde smartphones, 
computadores, esmaltes, roupas e diversos outros itens. A Pantone, em seu 
site, define a escolha como uma seleção simbólica de cores, uma representação 
do que tem sido demonstrado em nossa cultura, uma expressão de atitude e 
estado de espírito (PANTONE, 2020a).
17Teoria da cor
Figura 3. Cor do ano de 2020.
Fonte: Pantone (2020b, documento on-line).
As cores produzidas pela Pantone são caracterizadas pela exatidão, por isso 
são bastante utilizadas na indústria gráfica. Diferente dos sistemas CMYK e 
RGB, apresenta as cores em seu catálogo por meio de uma numeração espe-
cífica. Um exemplo é o vermelho da marca Coca-Cola, que nem sempre, por 
meio da especificação em RBG ou CMYK, é possívelconseguir; já com o 
uso da tabela Pantone, essa precisão é mais garantida. O vermelho Coca-Cola 
é representado pela cor Pantone 185. Um outro exemplo para representar a 
importância dessa tabela no dia a dia do profissional é comunicação, como no 
caso de uma impressão que utiliza cores fluorescentes, tanto o sistema RGB 
como o sistema CMYK são incapazes de reproduzir essa cor, pois esse tipo de 
coloração é resultado da síntese de quatro cores. Desse modo, a tabela Pantone 
é eficaz para reproduzir cores fluorescentes e garantir que a impressão do 
material sairá conforme o projeto inicial.
Teoria da cor18
Azul Tiffany, exclusividade da Pantone
Em 2001, a Pantone fez uma parceria com a famosa joalheria americana Tiffany & Co. 
para transformar a icônica cor azul Tiffany em uma cor exclusiva, registrada e secreta, 
com o intuito de que fosse instantaneamente reconhecida, independentemente 
do seu meio de reprodução. Assim, foi criado o Pantone Azul 1837, numeração que 
representa o ano de inauguração da primeira loja da grife. 
Embora a cor tenha ganhado a codificação da tabela Pantone, ela não está disponível 
na tabela, porque, de acordo com a parceria entre as marcas, não seria disponibilizada 
para comercialização. Afinal, é um dos valores intangíveis mais valiosos da grife, repre-
senta seu branding e se transformou em um verdadeiro caso de sucesso sobre a força 
de uma cor para a solidificação de uma marca. 
O sucesso da cor tem um começo peculiar, quando o criador da joalheria Tiffany, 
Charles Lewis Tiffany, escolheu o azul turquesa para ilustrar a capa do catálogo anual 
da coleção de joias da marca, em 1845, e teria feito essa opção devido à popularidade 
das joias de cor turquesa na época. Desse modo, a cor ficou associada à marca e passou 
a representar luxo e sofisticação. A consolidação da marca foi ainda mais enfática com 
a criação das famosas embalagens, que consistem em uma caixa azul com laço branco, 
feitas especialmente para o lançamento das alianças de diamante feitas à mão, em 
1886. A aliança era entregue na delicada caixa de presente, que, após sua associação 
com o anel, tornou-se tão cobiçada quanto à joia, independente do seu conteúdo.
ANDRADE, F. Falando sobre cores: entenda o que é CMYK, RGB e Pantone. 2016. Disponível 
em: https://sala7design.com.br/2016/06/falando-sobre-cores-entenda-o-que-e-cmyk-
-rgb-e-pantone.html. Acesso em: 9 mar. 2020.
ÉPOCA NEGÓCIOS ONLINE. Porque empresas de fast food têm logos com cores vibrantes. 
2018. Disponível em: https://epocanegocios.globo.com/Empresa/noticia/2018/09/
por-que-empresas-de-fast-food-tem-logos-com-cores-vibrantes.html. Acesso em: 
9 mar. 2020.
FARINA, M.; PEREZ, C.; BASTOS, D. Psicodinâmica das cores em comunicação. São Paulo: 
Edgard Blücher, 2006.
GUIMARÃES, L. A cor como informação: a construção biofísica, linguística e cultural da 
simbologia das cores. São Paulo: Annablume, 2000.
PANTONE. Pantone 19-4052 classic blue. 2020b. Disponível em: https://www.pantone.
com.br/inteligencia-da-cor/cor-do-ano-2020-classic-blue/. Acesso em: 9 mar. 2020.
19Teoria da cor
PANTONE. Sobre a Pantone. 2020a. Disponível em: https://www.pantone.com.br/sobre-
-a-pantone/. Acesso em: 9 mar. 2020.
SILVEIRA, L. M. Introdução à teoria da cor. Curitiba: UTFPR, 2015.
Leituras recomendadas
CUTE DROP. A história da cor que virou uma marca. Ou da marca que virou uma cor. 2016. 
Disponível em: https://www.cutedrop.com.br/2016/03/a-historia-da-cor-que-virou-
-uma-marca-ou-da-marca-que-virou-uma-cor/. Acesso em: 9 mar. 2020.
GOETHE, J. W. Doutrina das cores. São Paulo: Nova Alexandria, 2013.
GUIMARÃES, L. As cores na mídia: a organização da cor-informação no jornalismo. São 
Paulo: Annablume, 2003.
Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
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sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
Teoria da cor20
TEORIA E 
PRÁTICA DA COR
Derli Kraemer 
Influência das 
cores nas artes
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Reconhecer o histórico da cor no campo das artes.
 � Identificar os aspectos conceituais e simbólicos da cor nas artes.
 � Aplicar as composições cromáticas utilizadas no campo das artes.
Introdução
As cores sempre estiveram presentes. No começo da história do homem, 
as cores faziam parte mais das necessidades psicológicas do que das 
estéticas, como, por exemplo, na história dos egípcios, que sentiam na 
cor um profundo sentido psicológico, tendo cada cor uma simbologia. 
Nas artes, Vincent van Gogh (1853-1890) conferiu às suas pinturas sensa-
ções cromáticas que traduzem intensas cargas emotivas e psicológicas. 
Também foi no século XIX que houve um interesse maior em estudar 
cientificamente a cor, com a participação de filósofos e escritores.
Neste capítulo, você vai conhecer o histórico da cor no campo das 
artes, identificando os aspectos conceituais e simbólicos da cor nas artes 
e vendo como aplicar as composições cromáticas utilizadas no campo 
das artes.
Histórico da cor no campo das artes
Entre as possibilidades de ferramentas para a expressão artística, a cor está pre-
sente desde a Pré-História, nas pinturas rupestres, como a mostrada na Figura 
1, encontrada no nordeste brasileiro. Com muita criatividade, os hominídeos 
criaram cores a partir de diversos materiais, como carvão e ossos queimados 
para obter o preto; óxido de ferro, cera de abelha e substâncias líquidas como 
clara de ovo para obter o amarelo; sangue e argila para obter o vermelho; cálcio, 
giz e outras substâncias para obter o branco. Sua arte representava o cotidiano, 
com cenas de caça e pessoas, e também tinha características religiosas.
Leitores do material impresso, para visualizar as figuras 
deste capítulo em cores, acessem o link ou o código 
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Figura 1. Pintura rupestre encontrada no nordeste do Brasil.
Fonte: Arte Brasileira UTFPR (2012, documento on-line).
Influência das cores nas artes84
Durante toda a história humana, as cores estiveram presentes nas artes. A 
técnica e a tecnologia foram aprimoradas, acompanhando sua própria época; 
por exemplo, as cores estavam presentes em brasões e bandeiras. Expressões 
representadas por cores, que dependendo da cultura são diferentes, simbolizam 
religiosidade, paz, guerra, luto e outras situações.
Segundo Fraser e Banks (2007), na Idade Média, os artistas, sobretudo 
europeus, tinham ao seu dispor uma grande quantidade de pigmentos diferen-
tes, extraídos de plantas e minerais, assim como pigmentos manufaturados. O 
vermelho, que inicialmente era extraído de insetos, também podia ser extraído 
do enxofre e do mercúrio (altamente tóxicos). Tais pigmentos eram difíceis para 
aplicar, pois alguns reagiam quimicamente com outros, causando efeitos adversos.
O pintor italiano Cennino Cennini (1370-1440) escreveu sobre os pigmentos 
em um trabalho bastante detalhado, que incluía receitas químicas para a ma-
nufatura de pigmentos especiais. Seu trabalho explicou regras de proporção, 
perspectiva e cores. Durante o Renascimento, as técnicas antigas foram modifi-
cadas pela presença das tintas a óleo. Algumas cores nem são mais fabricadas, 
como o ultramarino, que é um azul extremamente escuro, sendo diluído com 
pigmento branco para sua utilização. Acompanhe exemplos nas Figuras 2 e 3.
Figura 2. Madona Cigana, de Ticiano, 1512.
Fonte: Dias (2018, documento on-line).
85Influência das cores nas artes
Figura 3. Madonna Benois, de Leonardo Da Vinci, 1478.
Fonte: Virgem Benois (2017, documento on-line).
Observe que na pintura de Ticiano temos uma paleta mais expansiva, 
enquanto na pintura de Da Vinci temos um efeito extremamente rico, com 
uma paleta de coresestreita e não saturada.
Influência das cores nas artes86
Já Piero Della Francesca (1416-1492) utiliza a pintura como suporte para 
a construção geométrica da imagem. Na pintura Ressurreição de Jesus, de 
1450, pode-se observar a disposição piramidal da obra, na qual o ponto mais 
alto é justamente a cabeça de Jesus. Observe as cores com ênfase nas cores 
mais suaves e luminosas para representar o Cristo (Figura 4).
Figura 4. A Ressureição de Jesus, de Piero Della Francesca, 1450.
Fonte: Della Francesca (2018, documento on-line).
Caravaggio (1573-1610) já é um artista que não se interessou pela estética 
do Renascimento, buscando modelos entre músicos e pessoas comuns, do 
povo. Não havia, para Caravaggio, beleza apenas na aristocracia. Com grande 
conhecimento sobre a perspectiva e os efeitos de luz e sombra, o artista explorou 
espaços amplos em suas obras.
87Influência das cores nas artes
Figura 5. O tocador de alaúde, de Caravaggio, 1596.
Fonte: Dias (2013, documento on-line).
É muito difícil falar sobre o histórico da cor nas artes sem falar de Vincent 
Van Gogh. Segundo Proença (2014):
[...] conhecer Vincent Van Gogh é entrar em contato com um artista apai-
xonante. Alguém que se empenhou profundamente em recriar a beleza dos 
seres humanos e da natureza por meio da cor, que para ele era o elemento 
fundamental da pintura.
Em 1888, Van Gogh libertou-se do naturalismo no emprego das cores. 
Passou a colorir como sentia e percebia os assuntos de maneira arbitrária. 
Tinha paixão por cores intensas.
Influência das cores nas artes88
Figura 6. Jardim de Maraíchers, de Van Gogh, 1888.
Fonte: Beaux-Arts (2012, documento on-line).
Nas próprias palavras do artista, citadas por Proença (2014): 
[...] agora nós temos aqui um glorioso e forte calor sem vento, o que é bom para 
o meu trabalho. Um sol, uma luz, que por falta de nome melhor, eu chamo de 
amarelo, amarelo-limão-claro, limão-claro-ouro. Como é bonito o amarelo! 
(Extraído de Tout l’ouvre peintde Van Gogh, Paris. Flammarion, 1971. V.2, 
p. 126. Les classiques de l’art Flammarion.).
Em sua última fase, após sair de uma profunda crise nervosa e internação, 
instalou-se em Anvers, uma pequena cidade ao norte da França, e, em um 
período de três meses, pintou aproximadamente 80 telas, com pinceladas cada 
vez mais visíveis e cores intensas como suas emoções. Em julho de 1890, 
suicidou-se, deixando 879 pinturas. Foi reconhecido, apenas após sua morte, 
como o pintor que deu os primeiros passos no que seria a arte moderna. Como 
diz Proença (2014), morreu sem que fosse compreendido o seu esforço para 
libertar a beleza dos seres por meio de uma explosão de cores.
Mas a cor não é uma exclusividade da pintura. Observe a Figura 7, um 
exemplo do uso da cor arquitetura e no design de interiores. A casa Tassel, 
de 1893, é uma edificação do arquiteto Victor Horta, que fica em Bruxelas. 
A casa foi projetada completamente estilo Art Noveau, com muitos detalhes 
em ferro e vidro uso abundante de formas orgânicas.
89Influência das cores nas artes
Figura 7. A Casa Tassel, de Victor Horta, 1893.
Fonte: Bastos (2017, documento on-line).
Na Figura 8, você pode ver a obra Harmonia em vermelho, de Henri Matisse, 
pintor francês que participou dos movimentos Expressionista e Pós-impres-
sionista e foi o expoente máximo do Fauvismo. Nessa obra, o artista fez uma 
combinação de cor tríade, usando na maior parte o vermelho, complementando 
com o amarelo e o azul.
Influência das cores nas artes90
Figura 8. Harmonia em vermelho, de Matisse, 1908.
Fonte: Pacheco (2017, documento on-line).
O Fauvismo tem algumas características marcantes, como a aplicação de 
cores vivas e puras, com pinceladas justapostas e irregulares. As formas são 
reproduzidas de maneira simplificada, sem preocupação com a forma exata. 
Há também uma ruptura com o rigor da anatomia, resultando em algo mais 
espontâneo. A emoção do artista é mais relevante, sendo a impressão sobre 
a natureza mais importante do que a forma perfeita. Há uma perspectiva 
exagerada, por vezes. 
Segundo Müller (1976), o crítico de arte Camille Mouclar, do jornal Le 
Figaro, disse certa vez que, nas obras fauvistas, parecia que tinham jogaram 
uma lata de tinta no rosto do público. Sendo um movimento vanguardista do 
século XX, o Fauvismo gerou comentários pela novidade. Os artistas que 
compuseram esse movimento eram conhecidos pelo uso da cor, que, na arte 
medieval, era usada principalmente para detalhar e trazer mais realidade para 
a forma, enquanto os fauves buscavam um equilíbrio estético, independente 
da busca que os acadêmicos estavam acostumados. 
91Influência das cores nas artes
Nos primeiros anos do século XX, havia muita incerteza sobre o futuro, 
com o avanço tecnológico e econômico em largos saltos. Apesar de Matisse 
declarar sua busca por “paz e serenidade” (CHIPP, 1999), as telas dos fauvistas 
causaram grande impacto. Segundo Janson e Janson (2009), os principais 
representantes desse movimento foram Henri Matisse, André Derain, Maurice 
Vlaminck e Raoul Dufy.
As cores falam. Transmitem uma mensagem que é emoldurada pela forma. Por meio 
da cor podemos despertar memórias, influenciar comportamentos diversos. Existem 
cores que são, por exemplo, sagradas em diversas culturas. Segundo Heller (2013), o 
amarelo é divino para os chineses, já o verde é sagrado para os islâmicos. O azul é a 
cor da pele dos deuses indianos, para justamente diferenciar dos mortais. Ao escolher 
uma cor para uma peça, é necessário ter responsabilidade para com a cultura em 
que está inserida. 
Aspectos conceituais e simbólicos da cor nas 
artes
Segundo Fernand Léger (1989, p. 93):
A cor é uma necessidade vital. É uma matéria-prima indispensável à vida, 
como a água e o fogo. Não é possível conceber a existência dos homens sem 
um ambiente colorido. As plantas, os animais se colorem naturalmente; o 
homem se veste com cores. Sua ação não é só decorativa, é psicológica. 
Ligada à luz, ela se torna intensidade, se torna necessidade social e humana. 
O sentimento de alegria, de emulação, de força, de ação se acha fortalecido, 
ampliado pela cor.
Nessa citação, o autor identifica a cor como um elemento vital indispensável 
à própria vida. Por meio da cor é possível demonstrar além da forma. Nas 
artes, a cor é, sobretudo, sentimento, como preconizou Van Gogh.
Influência das cores nas artes92
Harmonia e contraste 
Segundo Fraser e Banks (2007), harmonia de cores é o efeito obtido por uma 
cor cuja tonalidade muda, controlada pela variação da saturação e luminosi-
dade. Esse controle é obtido por meio da adição de branco ou preto. O objetivo 
pode ser a ênfase de um elemento específico. Veja um exemplo de harmonia 
na Figura 9.
Figura 9. Escala harmônica do vermelho.
Existem várias formas de se utilizar a harmonia. Por exemplo, a saturação 
é quando há soma de uma única cor às demais. Já a harmonia monocromática 
utiliza-se de um matiz e de sua variação de luminosidade.
O contraste ou, a harmonia complementar, ocorre ao observarmos o 
círculo cromático, escolhendo uma cor e seguindo na direção oposta para 
encontrar a cor complementar — a cor que está do outro lado do disco cro-
mático. A isso chama-se díade de complementares. 
E também há a harmonia triádica: três cores que se ligam por um tri-
ângulo equilátero imaginário, inserido no círculo cromático. A harmonia 
quadrática é formada por tétrades, que definem um quadrado formado pela 
união de duas díades perpendiculares entre si. E apenas para complementar: 
as cores se análogas têm uma sequência de cores adjacentes. A Figura 10 
ilustra esses exemplos.
93Influência das cores nas artes
Figura 10. Exemplos de círculos cromáticos.
Fonte: Bastos (2017, documento on-line).
Concluímos então que as cores harmônicas não disputam a atenção do 
observador, enquanto o esquema contrastante deve ser testado com esmero, 
pois essas cores tendem a competir pela atenção.
Essa competição, metodicamente escolhida por pintores como VanGogh, 
tem uma ligação tanto com as descobertas iniciais de Isaac Newton quanto 
com os primeiros passos para o estudo da psicologia das cores de Johann 
Wolfgang von Goethe. Sir Isaac Newton explicou, no século XVII, com o uso 
de um prisma, como a luz branca é separada em diferentes cores, enquanto, 
em 1810, Goethe publicou seu trabalho A Teoria das Cores, no qual discorda 
de Newton sobre a divisão do espectro, pela visão da ciência de dividir algo 
para estudá-lo, pois achava que isso era nocivo, pois rompendo em pedaços, 
acabava-se o sentido da unidade. Sob este olhar, Goethe abordou o tema da 
cor por um olhar mais humano. 
Esse estudo, aprofundado por Heller (2013), explica as sensações que 
as cores transmitem, podendo ser usadas também de forma absolutamente 
consciente na criação de peças, tanto quanto um artista pode escolhe-las de 
Influência das cores nas artes94
acordo com sua vontade criativa. No caso do uso consciente, artistas, diretores 
de arte em agências de publicidade, designers gráficos, designers de produto, 
designers de interiores e outros especialistas podem usar esse conhecimento 
para obter melhores resultados em seus trabalhos. Acompanhe o Quadro 1.
Fonte: Adaptado de Heller (2013).
Azul Frio e passivo, tranquilo e confiável. Azul está para virtudes 
intelectuais como o seu oposto, o vermelho, está para paixão.
Vermelho Quente, próximo, atraente e sensível.
Amarelo Lúdico com laranja e vermelho, amável com azul e rosa. 
Combinado ao cinza e ao preto, atua negativamente. Lembra 
inveja e ciúme.
Verde Tranquilizador ao lado do azul e do branco. Esperança com 
azul e amarelo. Salutar ao lado do vermelho. Venenoso ao 
lado do violeta.
Branco Ideal e nobre com ouro e azul. Objetivo com cinza. Leve com 
amarelo. Delicado com o rosa.
Preto Ríspido e duro com cinza e azul. Elegante ao lado do prata e 
do branco, poderoso acompanhado de ouro e vermelho.
Rosa Terno e feminino com vermelho, infantil com amarelo e 
branco, doce e barato com laranja.
Laranja Divertido com amarelo e vermelho. Com dourado, prazer. 
Com violeta, intruso. Com verde e marrom, aromático. 
Marrom Aconchegante com cores ensolaradas e luminosas. Fora 
de moda com todas as cores inexpressivas. Careta e 
insuportável com cinza e cor de rosa. Com branco, efeito 
não erótico. Com verde e violeta, efeito acre e intragável.
Quadro 1. Cores comumente citadas como relacionadas a conceitos
Essa tabela é mínima, na verdade. Uma pequena amostra de um estudo 
maior sobre a influência das cores em outras atividades, para demonstrar que 
as cores estão presentes e são essenciais para as artes.
95Influência das cores nas artes
1. As cores por si só, usadas de forma 
uniforme, seriam limitadas, porém 
elas podem ser combinadas, 
aumentando suas variações. 
Qual é a classificação dessas 
combinações de cores nas 
composições de ambientes?
a) Primárias e secundárias.
b) Harmônicas e contrastantes.
c) Opostas e semelhantes.
d) Consonantes e dissonantes.
e) Terciárias e opostas.
2. Henri Matisse foi o expoente 
máximo do movimento artístico 
que floresceu na França entre 1901 e 
1908. O trabalho de Henri Matisse foi 
influenciado por qual estilo artístico?
a) Fauvismo.
b) Modernismo tardio.
c) Renascimento.
d) Pop Arte americana
e) Regionalismo.
3. Há 40 mil anos foram criados 
os primeiros pigmentos, que 
combinavam carvão queimado, 
gordura animal e solo, assim os 
artistas criaram uma paleta básica 
de quatro cores, quais são elas?
a) Amarelo, vermelho, 
preto e branco.
b) Amarelo, vermelho, 
roxo e branco.
c) Vermelho, preto, verde e branco.
d) Azul, vermelho, preto e branco.
e) Amarelo, vermelho, azul e branco.
4. A oposição entre luz e sombra 
se desenvolve entre dois polos: 
preto e branco. O contraste entre 
as cores dos corpos e do cenário 
substitui as linhas de contorno na 
pintura. Essa utilização de luz e 
sombras ficou conhecida como?
a) Chiaroscuro (claro-
escuro em italiano).
b) Oposição de cores.
c) Cor pigmento.
d) Cores frias e quentes.
e) Luz e cor.
5. Harmonia cromática é o resultado 
do equilíbrio entre cor dominante 
(que possui a maior extensão na 
composição), cor tônica (coloração 
vibrante que dá tom ao conjunto) e 
cor intermediária (meio termo entre 
a dominante e a tônica). Com base 
no estudo de harmonias, podemos 
dizer que a imagem a baixo é uma:
Fonte: Pierre-Auguste Renoir (documento on-
-line, 2012).
a) harmonia monocromática.
b) harmonia complementar 
ou de contraste.
c) harmonia triádica.
d) harmonia quadrática.
e) harmonia por saturação.
Influência das cores nas artes96
ARTE BRASILEIRA UTFPR. Arte rupestre no Brasil. 1 jun. 2012. Disponível em: <https://
artebrasileirautfpr.wordpress.com/2012/06/01/arte-rupestre-no-brasil/>. Acesso em: 
13 jan. 2019.
BARROS, L. R. M. A cor no processo criativo: um estudo sobre a Bauhaus e a teoria de 
Goethe. 3. ed. São Paulo: Senac São Paulo, 2006.
BASTOS, T. R. Círculo cromático: aprenda a combinar cores na decoração. Casa e Jardim, 
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html>. Acesso em: 13 jan. 2019.
BEAUX-ARTS. Vincent VAN GOGH: JARDIN DE MARAÎCHERS. 25 out. 2012. Disponível 
em: <https://www.devoir-de-philosophie.com/dissertation-vincent-van-gogh-jardin-
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CHIPP, H. B. Fauvismo e expressionismo: a intuição criadora. In: SELZ, P.; TAYLOR, J. C. 
Teorias da arte moderna. São Paulo: Martins Fontes, 1999. p. 121-142.
DELLA FRANCESCA, P. Ressurreição (detalhe) — Resurrection (detail). Warburg: banco 
comparativo de imagens, 2018. Disponível em: <http://warburg.chaa-unicamp.com.br/
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DIAS, L. Ticiano — Madona Cigana. VÍRUS DA ARTE & CIA, 27 nov. 2018. Disponível em: 
<http://virusdaarte.net/ticiano-madona-cigana/>. Acesso em: 13 jan. 2019.
DIAS, L. Caravaggio — O TOCADOR DE ALAÚDE. VÍRUS DA ARTE & CIA, 31 mar. 2013. 
Disponível em: <http://virusdaarte.net/caravaggio-o-tocador-de-alaude/>. Acesso 
em: 13 jan. 2019.
FRASER, T.; BANKS, A. O guia completo da cor. São Paulo: Senac, 2007.
HELLER, E. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. São Paulo: 
Gustavo Gili, 2013.
HORTA, V. Casa Tassel. Diedrica, maio 2014. Disponível em: <http://www.diedrica.
com/2014/05/casa-tassel.html>. Acesso em: 13 jan. 2019.
JANSON, H.W.; JANSON, A. F. Iniciação à história da arte. São Paulo: Martins Fontes, 2009.
LÉGER, F. Funções da pintura. São Paulo: Nobel, 1989.
MÜLLER, J. E. O Fauvismo. São Paulo: Verbo, EDUSP, 1976.
PACHECO, T. Combinação de cor avançada: tríade, complementar dividida, retângulo e 
quadrado. Vida de Professor de Arte, 7 mar. 2017. Disponível em: <http://vidadeprofessor.
pro.br/combinacao-de-cor-triade-complementar-dividida-retangulo-e-quadrado>. 
Acesso em: 13 jan. 2019.
97Influência das cores nas artes
PIERRE AUGUSTE RENOIR, (French — Albert Cahen d’Anvers — Google Art Project.
jpg. Wikimedia Commons, the free media repositor, 19 out. 2012. Disponível em: 
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pierre-Auguste_Renoir_(French_-_Al-
bert_Cahen_d%27Anvers_-_Google_Art_Project.jpg>. Acesso em: 17 jan. 2019.
PROENÇA, G. História da arte. 17. ed. São Paulo: Ática, 2014. 
VIRGEM BENOIS. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2017. 
Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Virgem_Benois>. Acesso em: 13 jan. 2019.
Leituras recomendadas
BARROSO, P. F.; NOGUEIRA, H. S. História da arte. Porto Alegre: Sagah, 2018.
GOETHE, J. W. Zur Farbenlehre. Berlin: Createspace, 2014. 
Influência das cores nas artes98
Conteúdo:
TEORIA E PRÁTICA 
DA COR
Derli Kraemer
Sensações visuais 
acromáticas e cromáticas
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Conceituar as sensações visuais acromáticas e cromáticas.
 � Identificar as composições formadas por cores acromáticas e
cromáticas.� Aplicar as composições acromáticas e cromáticas.
Introdução
As cores têm forte influência no comportamento das pessoas, desde as 
artes visuais, passando pela publicidade e propaganda até as áreas de 
estudo do design. No caso da publicidade e do design, essa influência 
é usada para instigar o público-alvo a se comportar de determinada 
maneira, com o objetivo de favorecer seu cliente.
Neste capítulo, você vai ver o que são as sensações cromáticas e 
acromáticas, dentro do estudo da cor. Essas sensações influenciam na 
escolha das cores a serem usadas em projetos diversos e têm papel 
crítico, estético e simbólico na funcionalidade de uma peça publicitária 
ou de design.
Conceito de sensação visual acromática e 
cromática
Segundo Fraser e Banks (2007), cientistas começaram a estudar os prismas e 
seus resultados a partir da luz incidente, no século XVII. O avanço tecnológico 
para o estudo da luz e, consequentemente, da cor avançou, mas o interesse pelo 
assunto em seu aspecto psicológico surgiu apenas no século XIX, momento 
em que o estudo da psicologia das cores começou a ser teorizado. O estudo 
do fenômeno físico passou a ser acrescido de um conceito mais humano: a 
sensação. 
Sensação é uma reação específica provocada por um estímulo externo ou interno, 
causando uma impressão sobre os órgãos dos nossos sentidos. 
Para nosso estudo, vamos limitar o conceito de sensação ao que podemos 
ver, ou seja, às sensações visuais.
As cores sempre estiveram presentes nas representações gráficas realiza-
das pelo homem. Elas colaboram com o impacto da imagem, ampliando as 
sensações da narrativa que a obra se propõe. Essa prática evoluiu junto com 
a nossa civilização, a tal ponto que uma cor tinha o poder de atribuir uma 
mensagem específica. Parece estranho, mas a sociedade egípcia atribuía à cor 
uma interpretação específica, como um símbolo de sua escrita. Essa percepção 
da cor nos conduz a pintores como Van Gogh, que utilizou as cores, mais do 
que a própria forma, para mostrar suas emoções. 
Leitores do material impresso, para visualizar as 
 figuras deste capítulo em cores, acessem o link ou o 
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Sensações visuais acromáticas e cromáticas116
Figura 1. Autorretrato de Van Gogh, óleo sobre tela.
Fonte: Vincent van Gogh (1988, documento on-line).
Podemos observar que as cores intensificam a tristeza do pintor, com os 
traços que marcam seu rosto. Esta pintura foi realizada em sua fase em Paris, 
onde sentia-se esgotado por vários motivos. Conforme relata o site do museu 
Van Gogh, “ele contou à sua irmã Wil como se retratou: ‘rugas na testa e 
ao redor da boca, rigidamente de madeira, uma barba muito vermelha, bem 
despenteada e triste’”. (VINCENT VAN GOGH, 1988, documento on-line).
117Sensações visuais acromáticas e cromáticas
A cor vira estudo
Podemos explicar o sistema acromático e o sistema cromático pelo olhar 
da física, que separa a luz de formas diferentes. Trata-se de um fenômeno 
prismático, em que a luz é dissecada, inclusive no olho humano. 
No século XIX, o físico inglês Thomas Young defendeu a ideia de que o olho 
humano continha receptores que oscilavam diante de certos comprimentos de 
ondas. Essa e a teoria tricromática, que identificou três cores inicialmente, 
vermelho, amarelo e azul (que mais tarde ele modificou para o verde). Isso 
possibilitou compreender as combinações cromáticas e todo seu espectro, que 
passaram a ser divididas em dois sistemas: acromático e cromático, conforme 
observado por Fraser e Banks (2007).
No sistema acromático, o vermelho, o verde e o azul combinados na 
mesma proporção resultam em branco. A diminuição em mesma proporção 
resulta em preto. Simples assim. Sempre na mesma intensidade para mais ou 
para menos. Quando as proporções são diferentes, o resultado é bem diferente, 
e entramos direto no outro sistema.
No sistema cromático, vermelho e verde resultam em amarelo; vermelho 
e azul resultam em magenta; e verde e azul resultam em ciano.
Podemos então concluir que as sensações acromáticas e cromáticas são 
sensações visuais baseadas na luminosidade. Tudo o que for do preto até o 
branco, ou seja, todas as tonalidades entre os dois polos, formam a escala 
acromática: branco, tons de cinza cada vez mais escuros até o preto. Já o 
sistema cromático é formado pelas intensidades diferentes dessas diversas 
cores do espectro solar. 
O estudo vira sensações
O significado psicológico das cores se refere às sensações que estão associadas a 
elas. Com elas é possível influenciar a aceitar, negar, abster, agir e outras ações. 
As sensações acromáticas, como vimos, referem-se às cores que estão 
para o branco, cinzas e preto. Veja no Quadro 1 as associações feitas com 
cada uma dessas cores.
Sensações visuais acromáticas e cromáticas118
Branco Associação material: batismo, casamento, 
neve, nuvens claras, areia clara. 
Associação afetiva: ordem, simplicidade, modéstia, 
limpeza, pureza, bem, juventude, otimismo, paz, inocência, 
dignidade, afirmação, despertar, alma, harmonia. 
Etimologia: vem do alemão blank (brilhante). 
Enquanto para os orientais simboliza morte, 
para os ocidentais representa medo.
Cinza Associação material: sujeira, chuva, ratos, 
neblina, máquinas, poluição. 
Associação afetiva: tédio, tristeza, decadência 
e desânimo, mas também pode estar associado 
a seriedade, sabedoria e passado. 
Etimologia: vem do latim cinicia (cinza) ou do alemão 
gris (cinza). Seu significado normalmente está associado 
à neutralidade. Uma posição intermediária entre o 
branco e o preto, entre o bem e o mal absolutos.
Preto Associação material: sujeira, sombra, 
enterro, noite, carvão, fumaça, caixão. 
Associação afetiva: mal, miséria, pessimismo, 
tristeza, desgraça, dor, medo. Ainda pode ser nobre, 
sério e alegre, dependendo das combinações.
Etimologia: é controversa, podendo vir 
do latim niger (preto, escuro).
Quadro 1. Sensações acromáticas
Já para as sensações cromáticas, o Quadro 2 é bem mais diversificado.
119Sensações visuais acromáticas e cromáticas
Vermelho Associação material: rubi, cereja, guerra, alerta, perigo, 
vida, fogo, sangue, lábios e masculinidade. 
Associação afetiva: força, energia, paixão, revolta, 
coragem, esplendor, intensidade, paixão, poder, vigor, 
calor, violência, excitação, ira, ação, violência e alegria. 
Etimologia: vem do latim vermiculos (verme, inseto), 
insetos de que se extraia a tinta vermelha. 
Amarelo Associação material: flores grandes, terra argilosa, 
palha, luz, sol, topázio, verão e calor. 
Associação afetiva: iluminação, conforto, 
alerta, gozo, inveja, ódio e expectativa. 
Etimologia: vem do latim amaryllis. Simboliza a luz 
do sol, que se expande em todas as direções.
Ciano Associação material: frio, mar, céu, gelo, 
águas de um lago tranquilo. 
Associação afetiva: verdade, intelectualidade, paz, 
apatia, precaução, serenidade, infinito, amizade, 
amor fraternal, fidelidade, sentimento profundo.
Etimologia: vem do árabe lázúrd ou lazaward (azul). 
Quadro 2. Sensações cromáticas
É comum dizermos que as cores primárias são compostas de vermelho (magenta), azul 
(ciano) e amarelo (yellow), cores comumente encontradas em qualquer revista de pintar 
para crianças. Tratam-se das cores pigmento: o CMY. Na verdade, as cores primárias 
são aquelas que estimulam o nosso sistema receptor, localizado nos olhos. Elas são 
o vermelho (red), o verde (green) e o azul (blue), as cores luz, ou RGB. Isso acontece 
porque, quando observamos uma cor, não olhamos para uma luz emitida pelo que é 
observado, mas sim para o reflexo da luz rebatida na superfície do que observamos. 
Essa é uma confusão bastante comum, pois a tinta que cobre uma superfície é uma 
cor obtida por pigmentação, enquanto o que estimula o nosso sistema receptor é, 
na verdade, a cor luz.
Sensações visuais acromáticas e cromáticas120
Identificando as composições acromáticas e 
cromáticas
As composições possíveis são muitas. Não são apenas as cores primárias que 
podemser combinadas, mas também toda a gama de resultados posteriores.
Vamos começar com as composições acromáticas. Observe, na Figura 2, 
que a sua extensão está entre o branco e o preto, conforme já vimos.
Figura 2. Exemplo de escala acromática.
Fonte: Morato e Machado (2017, documento on-line).
Agora, vamos ver as combinações a partir das cores primárias na Figura 3.
Figura 3. Exemplo de círculo cromático RGB (a) e círculo cromático CMY (b).
121Sensações visuais acromáticas e cromáticas
Ao observar a Figura 3, percebemos dois esquemas diferentes de compo-
sições. O primeiro, RGB, é uma projeção luminosa, formado em sua base por 
vermelho (red), verde (green) e azul (blue). Esse esquema é chamado aditivo, 
pois a soma das cores resulta em branco. Já o segundo esquema, CMY, usado 
para impressão, formado por ciano, magenta e amarelo (yellow), é chamado 
subtrativo, porque absorve a luz, e temos como resultado a ausência de cor.
Observe que as composições de duas cores sempre resultam em uma nova 
cor; essas são as chamadas cores secundárias.
Na Figura 4, podemos observar um círculo cromático completo. Ele é a base 
de muitas composições para projetos de publicidade ou design, por exemplo. 
Os primeiros sistemas de cores foram criados por Isaac Newton, que iniciou 
seu estudo do prisma por volta de 1666, e Johan Wolfgang von Goethe, já no 
século XIX, com seu estudo quase em antagonismo ao de Newton, principal-
mente no que diz respeito sobre como as cores se formavam. O estudo passou 
por vários pensadores até chegar no modelo que usamos hoje.
Figura 4. Exemplo de círculo cromático completo.
Fonte: Bastos (2017, documento on-line).
Sensações visuais acromáticas e cromáticas122
Com esse círculo, iniciamos várias combinações. Para começar, observe, 
na Figura 5, a divisão que revela as cores complementares e as cores análogas.
Figura 5. Exemplo de círculo cromático com indicação de cores complementares e cores 
análogas.
Fonte: Bastos (2017, documento on-line).
As cores complementares são sempre opostas, basta, para isso, seguir de 
um lado para o outro do círculo cromático. O oposto do verde é o roxo, por 
exemplo, assim como o vermelho é complementar ao azul, e assim por diante. 
São cores em extremo contraste.
Já as cores análogas estão sempre adjacentes à cor de base escolhida. Na 
Figura 5, a cor base escolhida foi o vermelho e, de cada lado, estão suas cores 
complementares. Assim ocorre em toda a extensão do círculo.
Agora, observando a Figura 6, com seis esquemas de cor, podemos ter uma 
ideia das possibilidades de combinação. 
123Sensações visuais acromáticas e cromáticas
Figura 6. Exemplos de círculos cromáticos.
Fonte: Bastos (2017, documento on-line).
Observe a simetria dentro dos esquemas de cor no círculo cromático. Já 
vimos as complementares, totalmente opostas, e as análogas, compostas de 
forma adjacente. Vejamos as outras composições:
 � Triangulação: de forma equilátera, a formação mostra as cores que 
são mais agradáveis em uma composição. 
 � Meio-complementares: a partir de uma cor, formam-se outras duas 
marcações, em que suas distâncias são exatamente iguais a partir de 
seu tom complementar.
 � Retângulo: as marcações são formadas pela relação complementar 
dupla. São dois pares complementares em lados opostos do círculo 
cromático, com uma distância maior entre duas cores e menor entre 
as outras duas.
 � Quadrado: semelhante ao retângulo, porém com distâncias iguais 
entre todas as cores.
Sensações visuais acromáticas e cromáticas124
Vejamos agora o que a temperatura das cores sugere. Observe a Figura 7.
Figura 7. Cores quentes e frias.
Fonte: Ferrari (2015, documento on-line).
Na Figura 7, vemos que, no círculo cromático, as cores quentes e as cores 
frias estão dispostas em lados contrários. Não significa que não possam ser 
misturadas, mas que seus significados quanto à sua percepção são distintos.
Alguns softwares de edição de imagem e ilustração têm bibliotecas e esquemas de 
cores pré-configurados para auxiliar na produção de projetos de qualquer espécie. 
Também há círculos cromáticos disponíveis online, mas, se preferir um meio físico, é 
fácil encontrar círculos cromáticos com os gabaritos dos esquemas apresentados na 
aula em lojas especializadas, como lojas de artigos de arte. Projetos de publicidade e 
design de diferentes especialidades agradecem.
125Sensações visuais acromáticas e cromáticas
Como aplicar as composições acromáticas e 
cromáticas
Agora vamos ver como as composições estudadas até aqui podem ser aplicadas 
em projetos. Observe a Figura 8. Na obra Harmonia em vermelho, do pintor 
francês Henri Matisse (1869-1954), há uma combinação de cor tríade em que 
predomina o vermelho, complementado pelo amarelo e o azul.
Figura 8. Harmonia em vermelho, de Henri Matisse.
Fonte: Pacheco (2017, documento on-line).
Já no ambiente da Figura 9, podemos observar as cores complementares 
vermelho e verde sendo utilizadas em um projeto de design de interiores. 
Também podemos observar a presença do branco e do preto, que harmoni-
zam os tons principais, por vezes intensificando e por vezes diluindo sua 
intensidade.
Sensações visuais acromáticas e cromáticas126
Figura 9. Cores complementares.
Fonte: Ribeiro (2011, documento on-line).
O design gráfico também utiliza (e muito) esse conhecimento. Observe 
a Figura 10.
127Sensações visuais acromáticas e cromáticas
Figura 10. Logo do Subway, um exemplo do uso de composições cromáticas no design 
gráfico.
Fonte: Subway (2018, documento on-line).
O uso de verde e amarelo no logo do Subway remete à proposta da empresa, 
de vender lanches feitos de produtos frescos, como queijos, saladas e diversas 
e carnes. É fast food, mas com um toque de frescor.
No cinema, a cor também conta histórias sem usar palavras. Observe o 
cartaz apresentado na Figura 11: o tom avermelhado do cabelo revolto da 
personagem principal lembra fogo e energia, sensação compartilhada pelas 
atitudes da personagem, que vive uma aventura sombria. A cor nos ajuda a 
entender a personagem e compõem um conjunto harmônico.
O tom avermelhado do cabelo revolto lembra fogo e energia, compartilhada 
pelas atitudes da personagem que tem uma sombria aventura. A cor ajuda a 
entender a personagem e compõe um conjunto harmônico.
No link a seguir, você encontra uma dica muito boa sobre a teoria das cores.
https://goo.gl/YA2hsg
Sensações visuais acromáticas e cromáticas128
Figura 11. Cartaz do filme Brave (Valente, no Brasil).
Fonte: Valente (2012, documento on-line).
129Sensações visuais acromáticas e cromáticas
BASTOS, T. R. Círculo cromático: aprenda a combinar cores na decoração. Casa e Jardim, 
9 mar. 2017. Disponível em: <https://revistacasaejardim.globo.com/Casa-e-Jardim/
Dicas/noticia/2017/03/circulo-cromatico-aprenda-combinar-cores-na-decoracao.
html>. Acesso em: 18 nov. 2018.
FERRARI, C. Temperatura das cores: cores quentes e frias. Manual do Artista, 9 jun. 2015. 
Disponível em: <http://manualdoartista.com.br/temperatura-das-cores-cores-quentes-
-e-frias/>. Acesso em: 18 nov. 2018.
FRASER, T.; BANKS, A. O guia completo da cor. São Paulo: Senac, 2007.
MORATO, R. G.; MACHADO, R. P. P. Cores. E-disciplinas, 2017. Disponível em: <https://
edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/2612831/mod_resource/content/2/7%20Cores2017.
pdf>. Acesso em: 18 nov. 2018.
PACHECO, T. Combinação de cor avançada: tríade, complementar dividida, retângulo e 
quadrado. Vida de Professor de Arte, 7 mar. 2017. Disponível em: <http://vidadeprofessor.
pro.br/combinacao-de-cor-triade-complementar-dividida-retangulo-e-quadrado>. 
Acesso em: 18 nov. 2018.
RIBEIRO, J. O uso das cores na decoração. Design de Interiores, 6 set. 2011. Disponível 
em: <https://www.designinteriores.com.br/design-de-interiores/o-uso-das-cores-na-
-decoracao>. Acesso em: 18 nov. 2018.
131Sensações visuais acromáticas e cromáticas
SUBWAY. 2018. Disponível em: <https://www.subway.com/pt-BR>. Acesso em: 18 
nov. 2018.
VALENTE. IMDb, 2012.Disponívelem: <https://www.imdb.com/title/tt1217209/>. Acesso 
em: 18 nov. 2018.
VINCENT VAN GOGH. Self-Portrait as a Painter. Van Gogh Museum, 1988. Disponível 
em: <https://www.vangoghmuseum.nl/en/collection/s0022V1962>. Acesso em: 18 
nov. 2018. 
Leituras recomendadas
AMBROSE, G.; HARRIS, P. Cor. Porto Alegre: Bookman, 2010. (Design básico, 4).
EASTMAN KODAK COMPANY. Eastman professional motion picture films. Rochester: 
Kodak Prints, 1982. 
FARINA, M. Psicodinâmica das cores em comunicação. 5. ed. São Paulo: Edgard Blusher, 
2000. 
FRASER, T.; BANKS, A. O essencial da cor no design. São Paulo: Senac, 2010.
PEDROSA, I. Da cor à cor inexistente. Rio de Janeiro: Universidade de Brasília, 1982. 
PERES, M. R. The focal encyclopedia of photography. New York: McGraw-Hill Book Com-
pany, 1965.
SPOTTISWOODE, R. Enciclopedia focal de las técnicas de cine y television. Barcelona: 
Ediciones Omega, 1976. 
SPOTTISWOODE, R. Film and its techniques. Berkeley: University of California Press, 1951. 
Sensações visuais acromáticas e cromáticas132
Conteúdo:
TEORIA E PRÁTICA 
DA COR
Derli Kraemer
Psicologia das cores
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Analisar os aspectos psicológicos das cores.
 � Identificar os fatores que influenciam nas escolhas das cores.
 � Aplicar a psicologia das cores no âmbito do projeto.
Introdução
Cores transmitem mensagens tão intensa e rapidamente quanto silen-
ciosamente, e essa capacidade faz toda a diferença para o sucesso de 
um projeto. As cores afetam psicologicamente as pessoas e influenciam 
suas ações. Neste capítulo, você vai estudar os aspectos psicológicos das 
cores, identificando os fatores que influenciam nas escolhas das cores e 
aprendendo a aplicar a psicologia das cores em seus projetos.
Aspectos psicológicos das cores
Segundo Fraser e Banks (2007), a cor pode ser explicada por meio da física, 
mas entender a cor do ponto de vista da física é apenas uma parte desse 
estudo. Há um outro aspecto tão importante quanto interessante: o aspecto 
psicológico da cores. Enquanto Isaac Newton estudou as cores por meio do 
prisma e outras ferramentas, lá no século XVII, outro personagem histórico 
tinha uma opinião antagônica sobre as cores, no século XIX.
Em 1810, Johan Wolfgang von Goethe publicou o seu Zur Farbenlehre (A 
Teoria das Cores). Nessa obra, Goethe discorda com veemência das declara-
ções de Newton, abordando as cores pelo viés filosófico e prático. Sua crença 
era firme quanto à tendência científica de romper o mundo em pedaços para 
estuda-lo. Para Goethe, a divisão do espectro era sintomático quanto a esse 
posicionamento da ciência, e essa divisão, para ele, era nociva, pois, rompendo 
em pedaços, acaba-se destruindo o sentido da unidade.
Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1
Goethe, conforme Fraser e Banks (2007), abordou o assunto da cor pela 
percepção humana, e não sob o olhar da física, atingindo assim uma área ainda 
mais ampla que o próprio Newton. Entretanto, enquanto Goethe se preocupava 
com a natureza humana, outros autores, como Johannes Itten, pintor e um 
dos fundadores da escola Bauhaus, preocupavam-se com o caráter individual. 
Na mesma linha de pensamento, devemos destacar Max Lüscher, diretor do 
Instituto de Diagnóstico Psicomédico, situado em Lucena, na Suíça; interessado 
na psicologia das cores, ele desenvolveu um teste de cartões coloridos para 
determinar aspectos psicológicos de um indivíduo.
Os estudos de Lüscher, iniciados em 1947, são utilizados até hoje por 
publicitários e designers de várias especialidades em seus projetos. Os cartões 
de Lüscher têm as seguintes cores: cinza, azul, marrom, vermelho, violeta, 
verde, preto e amarelo. 
Os cartões coloridos de Lüscher ainda são utilizados por psicólogos, embora também 
sejam muito criticados. O teste que utiliza os cartões busca medir o estado psicofísico 
do indivíduo.
Nos anos 1980, Angela Wright, autora de The Beginneŕ s Guide to Colour 
Psychology, criou um sistema de quatro grupos de cor que lembra os quatro 
elementos aristotélicos, os quatro humores de Hipócrates e Galeno e as fun-
ções predominantes do pensamento, intuição e sentimento de Carl Jung. Esse 
trabalho trouxe os princípios da influência das cores e seu uso prático para a 
publicidade e o design.
De Lüscher a Wright, o estudo da cor pelo viés psicológico gerou resultados 
que impactam diretamente na escolha das cores em projetos, como, por exem-
plo, a preferência de determinadas cores pelas pessoas. Eva Heller também 
contribuiu muito para esse estudo. Em uma pesquisa realizada com cerca de 
2 mil pessoas, citada no livro A psicologia das cores, a autora apresentou os 
gráficos que você vê nas Figuras 1 e 2.
Psicologia das cores2
Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1
Figura 1. As cores preferidas.
Fonte: Heller (2013).
Figura 2. As cores menos apreciadas.
Fonte: Heller (2013).
3Psicologia das cores
Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1
O azul é a cor mais apreciada, seguida pelo verde, vermelho, preto, ama-
relo e as demais cores. Essas cores foram apontadas por pessoas de sexos, 
profissões, classes sociais e faixas etárias diferentes, ou seja, pessoas de um 
amplo escopo têm afinidades iguais ao se referirem a cores.
O azul tem muitos significados. Na Índia, por exemplo, é a cor da pele dos 
deuses. A cor também lembra a divindade no ocidente. Pinturas do início da 
Idade Média retratam a Virgem Maria, por exemplo, em vestimentas azuis. 
Apenas 1% dos entrevistados disseram não gostar do azul. Segundo Heller 
(2013),
[…] o azul é a cor de todas as características boas que se afirmam no decor-
rer do tempo, de todos os sentimentos bons que não estão sob o domínio da 
paixão pura e simples, e sim da compreensão mútua. Não existe sentimento 
negativo em que o azul predomine. Portanto, não é de e estranhar que o azul 
seja uma cor tão querida.
Entre as cores menos apreciadas, a campeã é o marrom, seguido pelo 
rosa, cinza, violeta e então as demais cores. Individualmente, pessoas podem 
discordar das duas tabelas, porém devemos lembrar que essa é uma pesquisa 
que visa a um estudo de massa.
Na mesma pesquisa, Heller também questionou quais são as associações que 
as pessoas fazem para cada cor, e o resultado do cruzamento das informações 
são termos mais comuns a que determinada cor remete. Resumindo, quando 
um observador enxerga determinada cor, ela lembra determinada coisa.
Várias profissões usam cores e em seus projetos. Artistas em geral, designers gráficos, 
de produto, interiores e moda, arquitetos, gastrônomos e por aí vai... todos têm uma 
coisa em comum. Os efeitos das cores sobre os indivíduos são universais, segundo 
Heller (2013). 
Fatores que influenciam na escolha das cores
As cores são de extrema importância para um projeto. Precisamos lembrar, 
porém, que o elemento forma completa a equação. 
Psicologia das cores4
Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1
Ao estudarmos o vermelho, por exemplo, temos uma lista de associações 
possíveis com essa cor; ela pode representar erotismo, amor e paixão tanto 
quanto pode significar brutalidade, sangue e violência. Uma forma para essa 
cor se faz necessária para completar a mensagem. Em uma peça publicitária, 
por exemplo, a forma poderia ser uma ilustração, um título para o anúncio, 
um texto ou frase que entrega a ideia ou faz o consumidor pensar, a marca do 
cliente, uma fotografia... elementos facilitadores que entregam a mensagem. 
Tudo depende da proposta da peça. 
Raras vezes a cor estará sozinha. E cor principal atuará com outras, for-
mando um conjunto com a forma e, entre as cores, um acorde cromático.
Um acorde cromático é a soma de cores que, juntas, causam um efeito — por 
exemplo, uma cor que lembre ação e vigor, somada a outra que lembre barulho e 
movimento. Essas escolhas não podem ser aleatórias; para darem certo, elas têm que 
confirmar a forma apresentada. ConformeHeller (2013), “[...] um acorde cromático 
não é uma combinação aleatória de cores, mas um efeito conjunto imutável. Tão 
importantes quanto a cor mais frequentemente citada são as cores que a cada vez 
a ela se combinam.”
Um dado importante na psicologia das cores é que não há cor sem sig-
nificado (HELLER, 2013). A cada combinação de cores realizada, há uma 
mensagem; portanto, é necessário extremo cuidado na escolha das cores, do 
contrário, um projeto dará, fatalmente, um significado errado daquilo que é 
pretendido, seja para uma marca, seja para um anúncio, uma coleção de moda 
ou qualquer projeto que necessite de cor para ser melhor percebido.
Observe a Figura 3. Nela vemos três embalagens da marca de batatas chips 
Pringles, versão original, versão com molho de cebola e versão picante. Cada 
uma delas tem na cor de suas embalagens a certeza daquilo que está sendo 
adquirido. A embalagem original (vermelha) chama a atenção e remete à 
ação e à paixão que o produto desperta. A embalagem seguinte (verde) traz 
o frescor e a lembrança do sabor da cebola, enquanto a última embalagem 
(preta e marrom) reforça a ideia de que o sabor é muito forte. Nenhuma cor está 
sozinha; para a ideia ser entregue, existem vários elementos que harmonizam 
o conjunto — as diferentes ilustrações para cada sabor e, claro, a marca.
5Psicologia das cores
Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1
Figura 3. As cores das embalagens.
Fonte: Pringles (2018, documento on-line).
Esse exemplo ilustra os fatores que são necessários considerar para a escolha 
das cores adequadas para um projeto. Vejamos agora o Quadro 1, que apresenta 
os conceitos comumente relacionados às cores, conforme Heller (2013).
Azul Frio e passivo, tranquilo e confiável. Azul 
está para as virtudes intelectuais como o seu 
oposto, o vermelho, está para a paixão.
Vermelho Quente, próximo, atraente e sensível.
Amarelo Lúdico com laranja e vermelho, amável com 
azul e rosa. Combinado ao cinza e ao preto, atua 
negativamente. Lembra inveja e ciúme.
Verde Tranquilizador ao lado do azul e do branco. 
Esperança com azul e amarelo. Salutar ao lado 
do vermelho. Venenoso ao lado do violeta.
Branco Ideal e nobre com ouro e azul. Objetivo com 
cinza. Leve com amarelo. Delicado com rosa.
Cinza Inseguro com amarelo, modesto com o branco. Sem 
imaginação, prosaico, entediante. Hostil com marrom.
Quadro 1. Conceitos comumente relacionadas às cores
(Continua)
Psicologia das cores6
Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1
Preto Ríspido e duro com cinza e azul. Elegante ao lado do prata 
e do branco, poderoso acompanhado de ouro e vermelho.
Violeta Extravagante e artificial com prata. Original e 
inconformista com laranja. Efeito mágico com preto.
Rosa Terno e feminino com vermelho, infantil com 
amarelo e branco, doce e barato com laranja
Laranja Divertido com amarelo e vermelho. Com dourado, prazer. 
Com violeta, intruso. Com verde e marrom, aromático. 
Marrom Aconchegante com cores ensolaradas e luminosas. Fora 
de moda com todas as cores inexpressivas. Careta e 
insuportável com cinza e rosa. Com branco, efeito não 
erótico. Com verde e violeta, efeito acre e intragável.
Ouro Bem-aventurança com vermelho e verde. Beleza com 
branco e vermelho, ostentação com laranja e amarelo.
Prata Veloz e dinâmico com vermelho. Moderno com preto.
Quadro 1. Conceitos comumente relacionadas às cores
Além desses conceitos, as cores podem ser opostas também de forma 
psicológica. São cores que, quando aplicadas juntas em extrema intensidade, 
dão uma sensação de repulsão muito forte. Ao usar essas cores, devemos 
estar cientes de que esse efeito de oposição será notado imediatamente. 
Veja o Quadro 2, que mostra as cores psicologicamente opostas, segundo 
Heller (2013).
Cores psicológicas opostas Contraste simbólico
vermelho × azul ativo/passivo
quente/frio
ruidoso/silencioso
corpóreo/mental
masculino/feminino
vermelho × branco forte/fraco
cheio/vazio
passional/insensível
Quadro 2. Cores psicologicamente opostas
(Continuação)
(Continua)
7Psicologia das cores
Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1
Cores psicológicas opostas Contraste simbólico
azul × marrom mental/terreno
nobre/plebeu
ideal/real
amarelo × cinza e laranja × cinza exibido/discreto
laranja × branco colorido/incolor
insolente/recatado
verde × violeta natural/antinatural
realístico/mágico
branco × marrom limpo/sujo
nobre/plebeu
claro/abafado
inteligente/estúpido
preto × rosa forte/fraco
grosseiro/delicado
duro/macio
insensível/sensível
exato/difuso
grande/difuso
masculino/feminino
prata × amarelo frio/quente
decente/insolente
metálico/imaterial
ouro × cinza e ouro × marrom puro/impuro
caro/barato
nobre/trivial
Quadro 2. Cores psicologicamente opostas
Usando esses conceitos, mais do que apenas as cores isoladamente, já fica 
mais fácil aplicá-las em projetos.
(Continuação)
Psicologia das cores8
Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1
Como aplicar a psicologia das cores no âmbito 
do projeto
Aplicar a psicologia das cores em projetos não é difícil, embora as tabelas 
assustem um pouco. O primeiro passo que precisamos dar é sempre o mesmo: 
pensar sobre o assunto. Um designer de produto pensa desde a concepção até 
o que acontece no descarte daquilo que será produzido e, claro, na aparência 
que o produto terá. Um publicitário dependerá de um briefing, assim como 
um designer gráfico ou um designer de interiores. E se for um gastrônomo, 
criando um prato inédito? Vai combinar os ingredientes, incluindo as cores 
mais apetitosas para o resultado final. 
Um briefing é um relatório com todas as informações possíveis sobre um projeto.
Imagine se a necessidade é mostrar energia e força acima de tudo, ou então, 
seriedade. Com informações como a que vimos aqui, grandes marcas foram 
criadas — observe a Figura 4.
Observando a Figura 4, podemos reconhecer as características das cores 
nas marcas que representam. O equilíbrio do preto e branco da Apple, a 
juventude e a coragem do vermelho em Pinterest ou CNN, ou ainda a con-
fiança do azul encontrado na fabricante de computadores DELL ou escovas 
de dente Oral B. 
Imagine que você precisa criar algo que tenha força, seja fácil de ler a 
grande distância, quase ríspido. Nesse caso, o texto em cor preta sobre fundo 
amarelo apresenta o efeito ideal para ser lido a distância, com letras grandes, 
textos curtos e símbolos conhecidos (HELLER, 2013).
9Psicologia das cores
Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1
Figura 4. As cores nas marcas.
Fonte: Redação Adnews (2017, documento on-line).
E exemplos do que não devemos fazer? Vejamos (HELLER, 2013):
 � Muitos acreditam que letras vermelhas aumentem a atenção, mas a 
impressão em letras vermelhas é menos lida, pois é pouco legível, além 
de transmitirem pouca seriedade.
 � Letras brancas sobre fundo vermelho frequentemente se tornam ilegíveis.
 � Quanto menor o contraste claro-escuro entre o que está escrito e a cor 
de fundo do impresso, menor a legibilidade.
 � Texto multicolorido não é lido, além de parecer supérfluo.
E como isso se aplica ao design de interiores? Na Figura 5, vemos um 
projeto da designer sul-africana radicada em Nova York Ghislaine Viñas, 
conhecida por sua ousadia no uso das cores em suas criações. Sem medo, ela 
usa a força e a paixão do vermelho com o lúdico do amarelo, harmonizados 
com o branco, que deixa o ambiente leve e convidativo.
Psicologia das cores10
Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1
Figura 5. O uso das cores no design de interiores.
Fonte: Scolforo (2017, documento on-line).
As cores podem ser fortes, raivosas, delicadas, masculinas, femininas, 
velozes, fracas, tristes, seguras e vigorosas... e muitas outras coisas. São 
elementos muito importantes em projetos e, quando bem utilizadas, valorizam 
a história que é contada — a mensagem que será entregue para alguém.
FRASER, T.; BANKS, A. O guia completo da cor. São Paulo: Senac, 2007.
HELLER,E. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. São Paulo: 
Gustavo Gili, 2013.
PRINGLES. Kellogg, 2018. Disponível em: <https://www.pringles.com/pt/products.
html>. Acesso em: 18 nov. 2018.
REDAÇÃO ADNEWS. Infográfico mostra o poder das cores no marketing e no dia a dia. 
Exame, 14 set. 2017. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/marketing/infografico-
-mostra-o-poder-das-cores-no-marketing-e-no-dia-a-dia/>. Acesso em: 18 nov. 2018.
11Psicologia das cores
Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1
SCOLFORO, C. 5 regras para usar cores na decoração sem errar. Casa Vogue, 10 set. 2017. 
Disponível em: <https://casavogue.globo.com/Interiores/Ambientes/noticia/2017/09/5-
-regras-para-usar-cores-na-decoracao-sem-errar.html>. Acesso em: 18 nov. 2018.
Leituras recomendadas
BAMZ, J. Arte y ciência del color. Barcelona: Ediciones de Arte, 1950.
DOYLE, M. E. Desenho a cores: técnicas de desenho de projeto para arquitetos, paisagistas 
e designers de interiores. Porto Alegre: Bookman, 2002.
FERRAZ, A. M. F. O uso das cores em publicidade: um estudo do caso Itaú. 2008. 70 p. Tra-
balho de Conclusão de Curso (Graduação em Publicidade e Propaganda) - Universidade 
Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008. Disponível em: <http://www.latec.ufrj.
br/monografias/Monografia%20-%20Aline%20Martins.pdf>. Acesso em: 18 nov. 2018.
LÜSCHER, M. Lüscher Color Diagnostic. 2017. Disponível em: <https://www.luscher-color.
ch/base.asp?p=start.html&s=e&m=m_home.asp>. Acesso em: 18 nov. 2018.
PINA, L. M. G. A cor e a moda: a função da cor como suporte para o design de moda e 
personalidade dentro de um público jovem. 2009. 131 p. Dissertação (Mestrado em 
Design de Moda/Opção Vestuário) - Universidade da Beira Interior, Covilhã, Portugal, 
2009. Disponível em: <https://ubibliorum.ubi.pt/bitstream/10400.6/1671/1/TESE%20
DOCUMENTO%20FINAL%20-%20LILIANA%20PINA.pdf>. Acesso em: 18 nov. 2018.
VIÑAS, G. 2018. Ghislaine Viñas. Disponível em: <http://ghislainevinas.com/>. Acesso 
em: 18 nov. 2018.
Psicologia das cores12
Identificação interna do documento 96ENBY0YC5-FLBMUD1
Conteúdo:
TEORIA E 
PRÁTICA DA COR
Carolina Corso 
Rodrigues Marques
O papel do sistema visual 
e a temperatura de cor
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Reconhecer as características da cor.
 � Identificar matiz, luminosidade, saturação e temperatura da cor.
 � Construir escalas tonais, de saturação e temperatura.
Introdução
Neste capítulo, você verá que o sistema visual é considerado, entre os 
sistemas sensoriais, o mais complexo. Seu funcionamento envolve várias 
estruturas e mecanismos para a obtenção de informações ambientais, 
que são obtidas por meio da refração da luz, proveniente das superfícies, 
objetos, plantas, animais, etc. Constante em projetos luminotécnicos, a 
temperatura de cor de uma fonte luminosa é uma importante caracte-
rística, pois está diretamente ligada a sua aplicação. A temperatura de 
cor expressa a aparência da cor emitida pela fonte de luz. 
Características da cor
As cores são impressões de faixas luminosas captadas pelos olhos, ou seja, 
elas designam uma sensação visual que ocorre na presença de luz. A palavra 
cor vem do latim color e significa cobrir, ocultar. As cores correspondem 
aos fenômenos físicos gerados pela luz, na qual a cor branca, responsável por 
originar a luz, representa a união das sete cores do espectro (vermelho, laranja, 
amarelo, verde, azul, anil e violeta) e, a cor preta, representa a ausência de 
cor ou de luz (LEÃO, 2017).
Identificação interna do documento K8W3A37HWR-PBZOYP1
Todas as cores apresentam cinco importantes características:
 � Matiz: é o que define as tonalidades das cores — por exemplo, o ama-
relo, o verde e o roxo são matizes. Todas as cores são matizes, sejam 
primárias, secundárias ou terciárias.
 � Tom: corresponde à quantidade de luz presente na cor, classificada em 
tonalidades claras e escuras. Dessa forma, quando se acrescenta preto a 
um matiz, ela fica com uma tonalidade mais escura; se acrescentarmos 
branco a uma cor, ela fica com uma tonalidade mais clara. Por exemplo, 
quando misturamos o vermelho e o branco, atingimos uma tonalidade 
mais clara, ou a matiz rosa.
 � Intensidade: a intensidade determina a presença de brilho na cor e 
pode ser considerada fraca (baixa) ou forte (alta). Por exemplo, a cor 
amarela possui intensidade forte ou alta em comparação com a cor 
marrom, mais opaca, e, portanto, de fraca intensidade.
 � Tonalidade: é a característica mais evidente de uma cor. É o que a 
maioria das pessoas quer dizer quando diz a palavra “cor”. Há um 
número infinito de tonalidades possíveis; por exemplo, entre o vermelho 
e o amarelo há infinitas possibilidades de tonalidades de laranja.
 � Croma: refere-se à pureza de uma cor, sua intensidade ou saturação. 
Cores de croma alto parecem ricas e cheias; cores de croma baixo 
podem parecer sombrias ou pálidas. Cores pastel são de croma baixa, 
enquanto tons intensos são de croma alta. 
Uma das mais importantes ferramentas que o designer de interiores 
dispõe é a cor. Pessoas de diferentes culturas respondem à cor de manei-
ras diferentes; embora não percebamos, as cores estimulam fisiológica e 
psicologicamente o usuário do ambiente. A cor é um importante elemento 
na concepção espacial do projeto de ambientação, pois, visualmente, pode 
alterar as dimensões e formas do espaço, ressaltando ou disfarçando im-
perfeiçoes arquitetônicas. 
Não podemos falar de cor sem mencionar a iluminação: a incidência da 
luz altera a cor. Podemos notar que, no decorrer do dia, as cores são vistas e 
sentidas de formas diferentes, isso por causa da tonalidade e da quantidade e 
tipo de luz que incidem sobre a cor (LEÃO, 2017).
O papel do sistema visual e a temperatura de cor2
Identificação interna do documento K8W3A37HWR-PBZOYP1
Matiz, luminosidade, saturação e temperatura 
da cor
Matiz
Matiz é o estado puro da cor, sem o branco ou o preto agregado. É um atributo 
associado com a longitude de onda dominante na mistura das ondas lumino-
sas. O matiz se define como um atributo de cor que nos permite distinguir o 
vermelho do azul, e se refere ao percurso que faz um tom para um ou outro 
lado do círculo cromático, pelo qual o verde amarelado e o verde azulado serão 
matizes diferentes do verde, por exemplo (MORENO, 2008).
Figura 1. Matizes no círculo cromático.
Fonte: Moreno (2008, documento on-line).
3O papel do sistema visual e a temperatura de cor
Identificação interna do documento K8W3A37HWR-PBZOYP1
O matiz se define pela qualidade da luz predominante que a superfície 
reflete, ou seja, pelos comprimentos de onda que predominam na luz que a 
superfície reflete e na luz que absorve. Por exemplo, há muitos azuis: mais 
luminosos ou mais escuros, desbotados ou intensos etc. Eles podem diferir 
em luminosidade e em pureza, mas pertencem ao mesmo matiz: azul.
Figura 2. Matizes de azul.
Fonte: Estudo da Cor (2018, documento on-line).
Luminosidade ou brilho
A luz é formada por um grande número de minúsculas partículas elementares 
denominadas fótons. A luminosidade ou brilho de uma cor é proporcional 
ao número de fótons da luz que a superfície reflete ou emite. Ela se refere à 
quantidade de luz, que determina quão clara ou escura é a cor. A luminosidade 
ou brilho corresponde a um valor: um tom pertencente a uma escala acromática 
entre o branco (luminosidade máxima) e o preto (luminosidade mínima), ao 
qual a cor corresponde ao se considerar apenas o brilho, desconsiderando o 
matiz. Trata-se do tom que a cor assumiria em uma versão em preto e branco 
(MORENO, 2008).
Matizes diferentes podem refletir a mesma energia luminosa e assim 
corresponder ao mesmo valor. À medida que se agrega mais preto a uma cor, 
intensifica-se essa obscuridade e se obtém um valor mais baixo. À medida 
que se agrega mais branco a uma cor, intensifica-se a claridade da mesma, 
obtendo-se valores mais altos.Duas cores diferentes (como o vermelho e o 
azul) podem chegar a ter o mesmo tom, se consideramos o conceito como o 
mesmo grau de claridade ou obscuridade com relação à mesma quantidade de 
branco ou preto que contenha segundo cada caso (MORENO, 2008).
O papel do sistema visual e a temperatura de cor4
Identificação interna do documento K8W3A37HWR-PBZOYP1
Figura 3. Azuis de luminosidades variadas e seus valores.
Fonte: Estudo da Cor (2018, documento on-line).
A descrição clássica dos valores corresponde a claro (quando contém 
quantidades de branco), médio e escuro (quando contém quantidades de 
preto). Quanto mais brilhante for a cor, maior será a impressão de que o 
objeto está mais perto do que em realidade está. Essas propriedades da 
cor deram lugar a um sistema especial de representação, como o sistema 
HSV. Para expressar uma cor nesse sistema, parte-se das cores puras e se 
expressa suas variações nessas três propriedades, mediante um tanto por 
cento (MORENO, 2008).
Escala de tons, valor tonal ou escala de valores referem-se à mesma coisa. 
Em uma escala em tons de cinza, com gradações entre o preto e o branco, os 
tons mais claros são os valores tonais mais altos e os tons mais escuros são 
os valores tonais baixos. O valor tonal refere-se ao grau de luminosidade.
Figura 4. Escala tonal de cinzas.
Fonte: Amo Pintar (2017, documento on-line).
5O papel do sistema visual e a temperatura de cor
Identificação interna do documento K8W3A37HWR-PBZOYP1
Prestando atenção na escala do exemplo e olhando para ela a distância, 
conseguimos perceber que as gradações de cinza-claros parecem distantes e 
as escuras parecem mais próximas, como mostrado na Figura 5.
Figura 5. Perspectiva ilusória.
Fonte: Amo Pintar (2017, documento on-line).
Podemos assim chegar a uma conclusão: Uma das principais utilizações que 
se desprendem deste estudo é a capacidade de representar profundidade mediante 
a correta utilização dos valores de cinzas ou valores de cor numa pintura.
Saturação ou croma
A saturação ou croma define o grau de pureza da cor. É o máximo que uma cor 
pode conter de si mesma. Entretanto, nos materiais de cor, o estado de pureza 
absoluta se reduz a uma hipótese abstrata, uma vez que eles não refletem apenas 
um raio luminoso, mas um conjunto de radiações luminosas, com predomínio 
daquela que especifica o seu matiz. Cores “puras” mescladas com branco ou 
com cinza ou com preto ficam empobrecidas em sua saturação. Misturadas 
com outros matizes, mesmo que em pequenas quantidades, desviam-se da 
sua cor original, alterando, inclusive, a sua luminosidade. O nível mais baixo 
de saturação se obtém mesclando uma cor com a sua cor complementar, em 
partes iguais.
A sensação de pureza de uma cor não se explica somente em termos 
físicos: os fatores que afetam a percepção visual como os contrastes, a aco-
modação, as relações entre figura e fundo, também interferem na saturação 
(LEÃO, 2017).
Para obter maior pureza de um pigmento, convém aplicá-lo sobre uma 
superfície branca, em uma camada de espessura tal que a luz incidente possa 
penetrar até o plano do fundo e retornar. A superposição de camadas poderá 
O papel do sistema visual e a temperatura de cor6
Identificação interna do documento K8W3A37HWR-PBZOYP1
aumentar a espessura, mas não, necessariamente, a pureza nem a intensidade 
da cor. Com isso, pode dificultar tanto a chegada da luz incidente ao plano do 
fundo (que reflete toda a luz, posto que seja branco) quanto o seu retorno, pro-
vocando maior absorção de luz e, consequentemente, estimulando a percepção 
de cor menos vibrante e menos luminosa, sem garantir maior saturação, como 
se poderia esperar. Além disso, os aglutinantes e solventes também podem 
reduzir a pureza dos pigmentos (LEÃO, 2017).
Figura 6. Saturação de cores.
Fonte: Moreno (2008, documento on-line).
A saturação também pode ser definida pela quantidade de cinza que contém 
uma cor: quanto mais cinza ou mais neutra for, menos brilhante ou menos 
“saturada” é. Igualmente, qualquer mudança feita a uma cor pura automa-
ticamente baixa sua saturação. Por exemplo, dizemos “um vermelho muito 
saturado” quando nos referimos a um vermelho puro e rico. Porém, quando 
nos referimos aos tons de uma cor que tem algum valor de cinza, as chamamos 
7O papel do sistema visual e a temperatura de cor
Identificação interna do documento K8W3A37HWR-PBZOYP1
de menos saturadas. A saturação da cor se diz que é mais baixa quando se 
adiciona seu oposto (chamado complemento) no círculo cromático. 
Para não saturar uma cor sem que varie seu valor, é preciso mesclá-la 
com um cinza de seu mesmo valor. Uma cor intensa como o azul perderá sua 
saturação à medida que se adiciona branco e se converta em celeste (MO-
RENO, 2008).
Figura 7. Saturação da cor vermelha.
Fonte: Moreno (2008, documento on-line).
Temperatura da cor
Cores quentes e frias são cores que transmitem a sensação de calor ou de 
frio. São muitas vezes usadas para causar sensações diferentes nas pessoas 
que as visualizam. Vários estudos comprovam que as cores têm um efeito 
psicológico nas pessoas e, por esse motivo, diferentes cores são usadas para 
despertar sentimentos e estados de espírito. Cores quentes como o vermelho, 
laranja e amarelo remetem para a luz solar e calor, enquanto cores frias como 
roxo, azul e verde são associadas ao mar e ao céu e têm o efeito de acalmar 
(MORENO, 2008).
No design de interiores, as cores quentes costumam ser usadas em grandes 
salas para criar um ambiente mais acolhedor; por outro lado, cores frias como 
o azul e verde são ideais para salas pequenas, para criar a sensação de que 
são maiores.
O papel do sistema visual e a temperatura de cor8
Identificação interna do documento K8W3A37HWR-PBZOYP1
Figura 8. Círculo cromático.
Fonte: Cores frias (2016, documento on-line).
Como você pode ver na Figura 8, as cores frias estão localizadas do lado 
esquerdo do círculo cromático, enquanto as cores quentes estão situadas do 
lado direito. Note que as três cores frias básicas (primárias e secundárias) são 
o verde, o azul e o violeta (roxo ou púrpura); as cores terciárias que surgem da 
mistura entre elas são azul-esverdeado e azul-arroxeado. Da mesma maneira, 
as cores quentes básicas são o vermelho, o laranja e o amarelo, e as cores 
terciárias resultantes da mistura entre elas são o vermelho-alaranjado e o 
amarelo-alaranjado (MORENO, 2008). O vermelho-arroxeado e o amarelo-
-esverdeado resultam da mistura de cores frias e quentes — violeta e vermelho 
e verde e amarelo, respectivamente.
Cores quentes
Cores que pertencem à família quente evocam uma sensação de calor de 
alguma forma — vermelho é apaixonado e ardente, e laranja e amarelo são 
de verão, como o sol. As três principais cores quentes, situadas no lado direito 
9O papel do sistema visual e a temperatura de cor
Identificação interna do documento K8W3A37HWR-PBZOYP1
do círculo, são o amarelo, o laranja e o vermelho, e as cores terciárias que 
surgem da mistura entre elas, vermelho-alaranjado amarelo-alaranjado, além 
do amarelo-esverdeado.
Figura 9. Cores quentes básicas: amarelo, laranja e vermelho.
Fonte: Cores quentes (2016, documento on-line).
Cores frias
As cores que pertencem à família mais fria são os azuis, verdes e roxos do 
círculo cromático. Esses naturalmente evocam um sentimento mais calmo 
do que as outras cores, são mais subjugados do que as cores mais quentes, 
ligando-se mais de perto à água, à natureza etc.
Figura 10. Cores frias: azul, verde e violeta.
Fonte: Cores frias (2016, documento on-line).
O papel do sistema visual e a temperatura de cor10
Identificação interna do documento K8W3A37HWR-PBZOYP1
AMO PINTAR. Valor tonal das cores. Para que serve e como se utiliza? 2017. Disponível 
em: <http://www.amopintar.com/valor-tonal-das-cores/>. Acesso em: 30 out. 2018.
CORES frias. Toda Matéria, 11 mar. 2016. Disponível em: <https://www.todamateria.
com.br/cores-frias/>. Acesso em: 30 out. 2018.
CORES quentes. Toda Matéria, 11mar. 2016. Disponível em: <https://www.todamateria.
com.br/cores-quentes/>. Acesso em: 30 out. 2018.
ESTUDO DA COR. Dimensões da cor. 2018. Disponível em: <https://estudodacor.wor-
dpress.com/aspectos-fisicos/dimensoes-da-cor/>. Acesso em: 30 out. 2018.
LEÃO, F. G. Psicologia das cores no design de interiores. Design Culture, 7 abr. 2017. 
Disponível em: <https://designculture.com.br/psicologia-das-cores-no-design-de-
-interiores>. Acesso em: 30 out. 2018.
MORENO, L. Teoria da cor: propriedades das cores. Criarweb, 28 fev. 2008. Disponível 
em: <http://www.criarweb.com/artigos/teoria-da-cor-propriedades-das-cores.html>. 
Acesso em: 30 out. 2018.
Leitura recomendada
KLEINER, A. F. R.; SCHLITTLER, D. X. C.; SÁNCHEZ-ARIAS, M. R. O papel dos sistemas visual, 
vestibular, somatosensorial e auditivo para o controle postural. Revista Neurociências, 
v. 19, n. 2, p. 349-357, 2011. 
11O papel do sistema visual e a temperatura de cor
Identificação interna do documento K8W3A37HWR-PBZOYP1
Conteúdo:
TEORIA E 
PRÁTICA DA 
COR
Derli Kraemer
Influência das cores 
na publicidade
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Reconhecer o histórico da cor na publicidade.
 � Identificar os aspectos conceituais e simbólicos da cor na publicidade.
 � Aplicar as composições cromáticas utilizadas na publicidade.
Introdução
As cores transmitem sensações, mostram emoções, transmitem infor-
mação sem usar palavras e dão ênfase a uma mensagem. É por isso que 
seu uso é essencial para a publicidade, reforçando o conceito de uma 
campanha e assim confirmando a mensagem.
Neste capítulo, você estudará a cor na publicidade e sua influência na 
mensagem, além de ver algumas aplicações para seus projetos.
Breve histórico da cor na publicidade
A cor é uma informação visual, causada por um estímulo físico, percebida 
pelos olhos e decodificada pelo cérebro, segundo Luciano Guimarães (2000). 
A humanidade utiliza a cor desde que a necessidade de retratar seu cotidiano 
se fez presente. Sim, falamos sobre pinturas rupestres, aquelas pinturas feitas 
em cavernas pelo homem primitivo. Sendo esses os primeiros ensaios humanos 
de comunicação por imagem, a cor já estava ali presente.
Através dos tempos, as cores foram utilizadas para transmitir conceitos. 
De maneira empírica, as pinturas rupestres tinham cores para representar 
os animais, elementos da natureza como rios, florestas, sangue e o que mais 
estivesse em sua narrativa. Entretanto, nem sempre as cores estavam dispostas 
apenas em pinturas. Quando a sociedade humana já estava mais sedimentada, 
Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1
outras formas de comunicar foram sendo desenvolvidas. Em antigos impérios, 
como romano, por exemplo, a cor da roupa tinha a função de destacar os nobres 
de todos os outros não nobres. 
Na própria Bíblia, no livro do Êxodo, Deus instrui a Moisés que os israe-
litas tragam uma oferenda, incluindo panos de cor azul, púrpura e carmesin. 
Outro exemplo é descrito por Eva Heller (2015): “[…] nos quadros da Idade 
Média, Jesus muito raramente está trajando azul — e nunca quando está ao 
lado de Maria. Ele também nunca é o azul luminoso; sua cor é o vermelho, 
tradicional como cor masculina.” 
Um nobre precisava ser destacado entre os outros e, para isso, ele usava um 
manto vermelho, por exemplo, ou um outro detalhe em cor que o destacava 
da cor de outros mantos. Pode-se dizer que isso, em si, já é uma forma de 
propaganda.
Antes de continuarmos, é interessante vermos alguns conceitos. Propaganda é a 
ação de exaltar qualidades para o maior número de pessoas possível. Já publicidade 
é uma arte e também uma ciência, que envolve técnica para resultar na aceitação de 
um conceito pelo público a que se destina. Esse público também é conhecido, pelo 
jargão publicitário, como público-alvo ou target.
Então vamos avançar a nossa linha de tempo e passar pelos séculos seguin-
tes. No século 19, o uso de cores que propaga ideias passa a ser empregado 
como ferramenta pela publicidade, inicialmente em cartazes. Devido ao número 
de cópias necessárias, os cartazes eram impressos com uma técnica chamada 
litogravura. Esses cartazes eram feitos para a divulgação de ofertas diversas 
pelos comércios locais; neles, a cor passa a figurar como essencial para a peça. 
As peças que mais impulsionaram a evolução do uso das cores na publicidade 
foram os cartazes de cabarés, com seus espetáculos noturnos, como o histórico 
Moulin Rouge, em Paris.
O litógrafo francês Jules Chéret (1836–1932) é considerado o pai e o 
precursor do cartaz publicitário, seguido por outros pintores da Belle Époque. 
Veja na Figura 1 um exemplo de cartaz feito por ele.
Influência das cores na publicidade2
Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1
Figura 1. Cartaz criado por Jules Chéret.
Fonte: Cheret (1985, documento on-line).
3Influência das cores na publicidade
Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1
Este cartaz não é, necessariamente, o primeiro cartaz de todos, mas cer-
tamente é um dos primeiros feitos por Chéret. Para evidenciar a diversidade 
que surgiu na trilha do precursor, devemos reverenciar os trabalhos realizados 
pelo artista Tolouse-Lautrec (1864–1901), pintor e litógrafo francês, pós-
-impressionista, que ficou conhecido por retratar em sua obra a vida boêmia de 
Paris no final do século XIX. Veja um exemplo de seus cartazes na Figura 2.
Figura 2. Cartaz criado por Toulouse-Lautrec. 
Fonte: Toulouse-Lautrec (2017, documento on-line). 
Influência das cores na publicidade4
Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1
Os cartazes foram os precursores da publicidade, nos quais artistas como Jules Chéret 
e Tolouse-Lautrec usaram seus conhecimentos sobre cores para vender ingressos para 
espetáculos em cabarés. Entretanto, a época de ouro dos cartazes ocorreu durante 
a Segunda Guerra Mundial. Por meio das cores e desenhos, os cartazes de guerra 
exaltavam as qualidades e mensagens de seus países — técnicas utilizadas com 
maestria pelos Estados Unidos e Alemanha.
Aspectos conceituais e simbólicos da cor na 
publicidade 
Quanto mais profunda a experiência de percepção visual, considerando todos 
os elementos que ampliam a experiência, mais rica é a experiência em si. Essa 
percepção é o reconhecimento de cenas visuais ou padrões, que são compre-
endidos pelo observador de acordo com sua experiência e, em um conjunto 
maior, a experiência de toda uma cultura para dar significado ao observado.
Como vimos, artistas usaram seus conhecimentos para enfatizar as men-
sagens em cartazes, sobretudo com a técnica de reprodução litográfica. Agora 
vamos identificar os seus aspectos conceituais e simbólicos. 
Ao trabalharmos os aspectos conceituais e simbólicos das cores, é impor-
tante delimitar para quem estamos comunicando algo, do contrário, a chance 
de errar é muito grande. As cores ganham significados diferentes em diferentes 
partes do mundo; dependendo da cultura local, elas transmitem significados 
diversos e, até mesmo, completamente opostos. 
Em culturas ocidentais, o amarelo lembra atenção, alegria, calor e também fraqueza e 
risco. Já em países asiáticos, o amarelo está ligado ao sagrado, à realeza e à masculinidade. 
5Influência das cores na publicidade
Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1
Algumas cores variam pouco em seu simbolismo entre culturas, e outras 
variam muito. Para nosso estudo, precisamos embasar o significado das cores, 
então, seguiremos os que são relativos à cultura ocidental.
No Quadro 1, a seguir, podemos ver uma pequena compilação de signi-
ficados das cores.
Fonte: Adaptado de Dahan (2017, documento on-line).
Vermelho Amor, prazer, paixão e emoção, perigo, urgência e 
ação. Símbolo universal de amor e romantismo.
Amarelo Alegria, animação e otimismo. Também usado 
para covardia, ganância e mentira. Estimula 
o apetite e alerta para o cuidado.
Azul Paz, água, segurança, confiançae poder. 
Verde Saúde, tranquilidade, estabilidade, natureza, 
esperança, vida, ecologia e frescor.
Laranja Muita energia. Juventude, criatividade e dinamismo. 
Motivadora e amigável. Chama a atenção ao movimento.
Roxo Realeza, poder, luxo, sabedoria e mistério. 
Também tem efeito calmante e pode remeter 
à espiritualidade e à criatividade.
Rosa Inocência, desejo, pureza, afeto e feminilidade. 
Também transmite elegância.
Marrom Tradição, conservadorismo, solidez, 
segurança, natureza e honestidade.
Preto Tristeza, luto, escuro e trevas. Pode transmitir sofisticação, 
seriedade, poder, autoridade e profissionalismo.
Branco Paz, fé, pureza, conforto e higiene.
Cinza Respeito, elegância, responsabilidade, 
profissionalismo e tecnologia. 
Quadro 1. Significado das cores.
Influência das cores na publicidade6
Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1
Mas será que é só isso? Na verdade, isso não é tudo. O significado das 
cores pode sofrer pequenas alterações também de acordo com a idade de 
quem a percebe. Sim, a idade e a experiência de vida fazem com que a 
informação de uma peça publicitária sofra pequenas diferenças de percep-
ção. E é por isso que também podemos relacionar as cores a certas faixas 
etárias, e essa percepção etária das cores pode ser classificada conforme 
vemos no Quadro 2.
Fonte: Adaptado de Dahan (2017, documento on-line).
Vermelho — de 1 a 10 anos Idade da espontaneidade 
e da efervescência
Laranja — de 10 a 20 anos Idade da aventura, excitação, imaginação
Amarelo — de 20 a 30 anos Idade da arrogância, força, potência
Verde — de 30 a 40 anos Idade da diminuição do fogo juvenil
Azul — de 40 a 50 anos Idade da inteligência e do pensamento
Lilás — de 50 a 60 anos Idade da lei, do juízo, do misticismo
Roxo — além dos 60 anos Idade da benevolência, do 
saber, da experiência
Quadro 2. Percepção etária das cores.
Ao analisarmos as cores considerando a idade, percebemos que as cores 
tendem a ser mais escuras e sóbrias com a soma dos anos de experiência da 
pessoa. Este conhecimento ajuda muito para reforçar a identidade visual de 
uma empresa, por exemplo, ampliando a mensagem percebida e não escrita 
das peças que a compõem. 
A partir desses conhecimentos, podemos decidir quais são as cores que 
influenciam o tipo de ação, ou seja, descobrir as cores que agradam mais o 
público-alvo. Com cores, podemos potencializar a mensagem transmitida por 
letras, fotos, desenhos, ilustrações — o que for pensado para dar corpo para a 
mensagem e, assim, influenciar positivamente a decisão do cliente em confiar 
e adquirir determinado produto ou serviço.
7Influência das cores na publicidade
Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1
As cores são, basicamente, divididas em dois grupos: cor “luz” e cor “pigmento”. Cor luz 
é uma faixa de frequência visível ao olho humano. Essa frequência permite a percepção 
de determinada tonalidade de cor, seja a luz emitida pelo sol ou por fontes artificiais, 
como o monitor do seu computador, televisão ou smartphone. Já a cor pigmento 
surge da natureza e é percebida pelo reflexo da luz sobre determinado objeto, seja 
ela original ou processada, como é o caso de cores obtidas com a aplicação de tinta.
Composições cromáticas utilizadas na publicidade
Vamos estudar alguns casos em que as cores são usadas para potencializar 
a comunicação, analisando peças publicitárias consagradas e entendendo as 
composições realizadas. 
Caso 1: McDonald ś
As cores do McDonald ś são, basicamente, vermelho e amarelo. O que sabe-
mos sobre o vermelho? Sabemos que ele está ligado ao amor, prazer, paixão 
e emoção e ação. E sobre o amarelo? Alegria, animação e otimismo. 
Então, o que podemos sugerir com a composição dessas duas cores? Prazer, 
ação, animação e alegria. Pensando apenas nas cores, temos como resultado 
uma construção que fala, sem palavras, do que é muito prazeroso, alegre e 
que dá vontade de fazer algo, de ter algo, de participar de algo, e de consumir 
algo. O próprio slogan do McDonald’s, “Amo muito tudo isso”, recorre a esse 
subterfúgio, sempre mostrando o que é gostoso e prazeroso.
Influência das cores na publicidade8
Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1
Figura 3. Logo do McDonald´s.
Fonte: McDonald’s (2018, documento on-line).
E quem mais usa um esquema de cores parecido? O Burguer King usa 
vermelho, amarelo e azul. A Pizza Hut usa vermelho, amarelo e preto. A 
Domino’s Pizza usa vermelho e azul. O iFood usa vermelho e branco. O 
Giraffas usa vermelho, amarelo e preto. 
Caso 2: Barbie
Com um rosa forte, o logo da boneca Barbie, da Mattel, é outra marca con-
sagrada. Como já vimos, o rosa transmite inocência, desejo, pureza, afeto, 
feminilidade e também elegância. Podemos dizer então que o logo, por meio 
de sua cor, transmite inocência, desejo de ter uma Barbie, pureza, feminilidade 
e, claro, elegância presente nos muitos acessórios da boneca.
9Influência das cores na publicidade
Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1
Figura 4. Logo da Barbie.
Fonte: Justo (2013, documento on-line).
Caso 3: Animal Planet
O canal Animal Planet pertence à Discovery Channel. Trata-se de um canal por 
assinatura que mostra, em sua programação, vários programas relacionados 
à vida animal, de acordo com o próprio site que explica o target do canal. 
São vários tons de verde na marca principal. O que vimos sobre o verde 
e que tem a ver com esta peça? Natureza, esperança, vida e ecologia. Vale 
lembrar que não é apenas a esses significados que o verde remete, mas é fácil 
associar a cor ao tema a que o canal se propõe.
Repare que estes três exemplos não são do mesmo segmento, não são 
relativos um ao outro e ainda assim têm o uso de cores como expressivo poten-
cializador da mensagem a que se propõe. Assim é na direção de arte das peças 
publicitárias. As formas escolhidas pelo diretor de arte são complementares 
e simbiontes com as cores, criando, portanto, um conceito que garante uma 
mensagem equilibrada com a necessidade de comunicação do cliente.
Influência das cores na publicidade10
Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1
Figura 5. Logo do canal Animal Planet.
Fonte: Justo (2013, documento on-line).
A influência é colorida
A conclusão de tudo o que vimos é que a cor não é meramente uma escolha ao 
acaso ou artística. Quando os primeiros cartazes foram criados com a intenção 
de vender algo, foram usadas cores que chamavam a atenção para as formas. 
Embora o material fosse artístico a intenção era vender. 
Com o amadurecimento da publicidade como ciência que difunde e influ-
ência ideias, as cores foram estudadas profundamente por muitos profissionais 
e pesquisadores, que chegaram a conclusões que estão aqui compiladas. As 
cores, como ferramenta à disposição de um diretor de arte, são de extrema 
importância para a compreensão total da mensagem pretendida.
Uma peça, como um cartaz, tentando vender segurança em que há uma 
predominância rosa, por exemplo, tem menor chance de sucesso do que se 
utilizar marrom, por exemplo. Não é uma regra absoluta, mas as chances de 
acerto são bem maiores.
11Influência das cores na publicidade
Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1
Segundo artigo de Eduardo Figueirêdo (2016), 84,7% dos consumidores 
acham que a cor é muito mais importante do que outros fatores ao escolher 
um produto. A influência das cores está até mesmo em ditados populares, 
como “roxo de vergonha”, “verde de raiva” ou ainda “roxo de fome”. Não se 
pode negar essa influência direta da cor sobre a publicidade. Somos muito 
influenciados pelo que vemos, e nosso cérebro reage às cores tanto ou mais 
do que o conteúdo de uma peça publicitária. Quando em conjunto, o resultado 
mais provável é o sucesso.
No link a seguir, você encontra um artigo muito interessante, que analisa o uso das 
cores em propagandas de automóvel. Acesse e confira.
https://goo.gl/p2qHxU
CHERET, J. Poster advertising 'Quinquina Dubonnet' aperitif,1895. Disponível em: 
<http://www.jules-cheret.org/Poster-Advertising-Quinquina-Dubonnet-Aperitif-1895.
html>. Acesso em: 18 nov. 2018.
DAHAN, J. O significado das cores. Guia de Marketing, 6 mar. 2017. Disponível em: 
<http://guiademarketing.com.br/o-significado-das-cores/>. Acesso em: 18 nov. 2018.
FIGUEIRÊDO, E. A influência das cores na publicidade e propaganda. Markentig Moderno, 
28 dez. 2016. Disponível em: <http://www.marketingmoderno.com.br/a-influencia-
-das-cores-na-publicidade-e-propaganda/>. Acesso em: 18 nov. 2018.
GUIMARÃES, L. A cor como informação: a construção biofísica, linguística e cultural da 
simbologia das cores. 2. ed. São Paulo: Annablume, 2000.
HELLER, E. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. São Paulo: 
Gustavo Gili, 2015.
JUSTO, D. Psicologia das cores em design de logo. Design on The Rocks, 16 ago. 2013. 
Disponível em: <http://designontherocks.blog.br/psicologia-das-cores-em-design-
-de-logo/>. Acesso em: 18 nov. 2018.
MCDONALDS. Multimedia Library. 2018. Disponível em: <https://news.mcdonalds.
com/press/multimedia-library/logos>. Acesso em: 18 nov. 2018. 
Influência das cores na publicidade12
Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1
TOULOUSE-LAUTREC. Moulin Rouge La Goulue. 2017. Disponível em: <https://www.
toulouse-lautrec-foundation.org/Moulin-Rouge-La-Goulue.html>. Acesso em: 18 
nov. 2018.
Leituras recomendadas
BAMZ, J. Arte y ciência del color. Barcelona: Ediciones de Arte, 1950.
GAO, Z. A gramática da cor: consensos culturais no ensino/aprendizagem de PLE por apren-
dentes chineses. 2015. 111 f. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Letras, Universidade de 
Lisboa, Lisboa, 2015. Disponível em: <http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/24535/1/
ulfl199977_tm.pdf>. Acesso em: 18 nov. 2018.
KANDINSKY, W. Do espiritual na arte. 9. ed. Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2013. 
MACHADO. K. Significado das cores nas diferentes culturas. Tudo em Design, 3 maio 
2017. Disponível em: <https://kenyaom.wixsite.com/tudodesigninteriores/single-
-post/2017/05/03/Significado-das-cores-nas-diferentes-culturas>. Acesso em: 18 nov. 
2018.
NEIL PATEL. Significado das cores no marketing: benefício da psicologia das cores. 29 
mar. 2018. Disponível em: <https://neilpatel.com/br/blog/significado-das-cores/>. 
Acesso em: 18 nov. 2018.
REDAÇÃO ADNEWS. Infográfico mostra o poder das cores no marketing e no dia a dia. 
Exame, 14 set. 2017. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/marketing/infografico-
-mostra-o-poder-das-cores-no-marketing-e-no-dia-a-dia/>. Acesso em: 18 nov. 2018.
SANTOS, N. A.; SIMAS, M. L. B. Percepção e processamento visual da forma: discutindo 
modelos teóricos atuais. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 14, n. 1, p.157-166, 2001. Disponível 
em: <http://www.scielo.br/pdf/%0D/prc/v14n1/5215.pdf>. Acesso em: 18 nov. 2018.
TEORIA DAS CORES. Cor-pigmento e Cor-luz. 2018. Disponível em: <https://www.
teoriadascores.com.br/cor-pigmento-e-cor-luz.php>. Acesso em: 18 nov. 2018.
13Influência das cores na publicidade
Identificação interna do documento YQZYMP2U3Y-HCTEYX1
Conteúdo:
TEORIA E PRÁTICA 
DA COR
Derli Kraemer
Cor, memória e 
comunicação
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Conceituar a interface entre memória, cor e comunicação.
 � Descrever os enfoques metodológicos que orientam o emprego da
cor no âmbito do projeto.
 � Aplicar as cores no âmbito do projeto.
Introdução
Neste capítulo, você vai estudar a interface entre memória, cor e comu-
nicação, para que, por meio de enfoques metodológicos, possa orientar 
o emprego dessas cores no âmbito projetual. A aplicação desses conhe-
cimentos resulta em peças potencializadas pelo uso correto da cor, que
afirma a mensagem de forma mais eficiente.
Interface entre memória, cor e comunicação
Segundo o site do dicionário Michaelis, memória é a “faculdade de lembrar e 
conservar ideias, imagens, impressões, conhecimentos e experiências adquiri-
dos no passado e habilidade de acessar essas informações na mente.” Aquilo 
que lembramos está conectado e é um conjunto de experiências que permanece 
nas recordações. Tudo o que percebemos por meio de nossos sentidos faz parte 
desse processo. Ainda do mesmo dicionário, há outro conceito: “memória é 
uma “narração de caráter pessoal, escrita por ter servido como testemunha 
de evento histórico ou importante.” Um evento histórico, que pode ser muito 
bem da história de cada indivíduo. Algo que será revisto, acessado, sendo 
positivo ou não.
Para Ivan Antônio Izquierdo, em artigo na revista INCOR, as memórias se 
formam a partir de experiências pessoais. Segundo o autor, “O aprendizado é a 
aquisição de memória. Aprendemos pelas experiências e o número delas é lite-
ralmente infinito. Lembrar-se do que foi aprendido é o que chamamos memória.”
Platão, em Fedro, narra um momento entre o deus Thoth e o rei egípcio 
Tamuz. Orgulhoso de seus inventos, Thoth explica-os ao rei: geometria, as-
tronomia, escrita… para sua surpresa, o rei se preocupa com o resultado que 
essas invenções podem trazer. Diz o rei (PLATÃO, 1969, p. 121): 
Oh, Thoth, mestre incomparável, uma coisa é inventar uma arte, outra é julgar 
os benefícios ou prejuízos que dela advirão para os outros! Tu, nesse momento 
e como inventor da escrita, esperas dela, e com entusiasmo, todo o contrário 
do que ele pode vir a fazer! Ela tornará o homem mais esquecido, pois que, 
sabendo escrever, deixarão de exercitar a memória, confiando apenas nas 
escrituras, e só se lembrarão de um assunto por força de motivos exteriores, 
por meio de sinais, e não dos assuntos em si mesmos.
É compreensível o medo de Platão, pela perda da capacidade de uso da 
memória por parte da humanidade, pois ele vivia uma transição da tradição 
oral para a escrita, e o registro escrito é definitivo para manter as memórias 
como elas são. Ainda assim, em pleno século XXI, a tradição oral persiste 
em grupos — por exemplo, em músicas infantis, em que a linguagem falada é 
aprendida também pela prática (MCLUHAN, 2007). A memória é a experiência 
pessoal, não um registro externo, e essa experiência entremeia os sentidos.
O termo sinestesia nos ajuda a entender. Seu significado, segundo o di-
cionário Michaelis é 
Relação estabelecida de forma espontânea entre sensações de caráter diferente, 
na qual um estímulo, além de provocar a sensação habitual e normalmente 
localizada, origina uma sensação subjetiva de caráter e localização diferen-
tes, como um perfume evocando uma cor, um sabor evocando uma imagem. 
Pela definição, cor e memória estão conectadas. Legorreta, arquiteto 
mexicano (1931-2011), conecta as formas e as cores como referenciais para a 
memória e a identidade. Segundo Izuka (2014), para Legorreta, a cor enfatiza 
a forma. O arquiteto afirma que a 
Cor, memória e comunicação2
[...] relação estabelecida de forma espontânea entre sensações de caráter 
diferente, na qual um estímulo, além de provocar a sensação habitual e nor-
malmente localizada, origina uma sensação subjetiva de caráter e localização 
diferentes, como um perfume evocando uma cor, um sabor evocando uma 
imagem.
A comunicação se agracia desses conceitos, a partir de campanhas e peças 
publicitárias que fazem parte da vida de quem as assistiu e, claro, de quem 
às criou. Segundo Pavan e Maia (2007), memórias que fazem lembrar de 
momentos especiais, acabam por serem afloradas, sejam elas apresentadas 
sob qualquer apresentação audiovisual. Cor, memória e comunicação, quando 
em equilíbrio, são poderosos influenciadores do público-alvo. A peça, que por 
meio da mensagem, resgata uma memória e a transforma em uma experiência 
que emociona, especialmente se estiver emoldurada com a paleta de cores 
adequada ao roteiro.
Leitores do material impresso, para visualizar as figuras 
deste capítulo em cores, acessem o link ou o código 
QR a seguir.
https://goo.gl/RG2pLR
Na Figura 1, vemos um cartaz da Coca-cola para o natal de 1952,com o 
indefectível vermelho, típico da marca.
3Cor, memória e comunicação
Figura 1. Cartaz da Coca-Cola, de 1952.
Fonte: Coca-Cola Brasil (2016, documento on-line). 
Cor, memória e comunicação4
Segundo Izuka (2014), a memória e as experiências vivenciadas de cada indivíduo 
inspiram. Não são cópias fiéis, mas sim reorganizações sutis e simbólicas. Portanto, 
as cores, a forma e a comunicação fazem parte da nossa história. Essas memórias 
podem parecer perdidas às vezes, mas podem ser acessadas por acontecimentos 
processados pelo indivíduo, como considera Moreno (2010). O processo de ativação 
dessas memórias acontece por uma abertura que faz conexões entre elas, levando 
até a informação desejada.
Metodologias que orientam o emprego da cor 
no âmbito do projeto
Quando Isaac Newton descobriu o uso do prisma para separar as cores, lá 
no século XVII, iniciou a explicação no âmbito físico da cor e desencadeou 
um processo que levou Johann Wolfgang von Goethe a estudar e publicar seu 
trabalho A Teoria das Cores. Nele, Goethe abordou as cores por um âmbito 
mais humanístico, descobrindo que as cores têm propriedades que estimulam 
o organismo, conforme Lopes (2017). 
Esses estímulos aos sentidos, que culminam em sensações, influenciam 
as decisões dos públicos-alvo, seja qual for o meio ou a peça. Segundo Heller 
(2013), os efeitos da cor sobre o indivíduo é universal, ou seja, o efeito do 
vermelho, por exemplo, será o mesmo independentemente da peça apresentada. 
Portanto, na construção de uma peça, a escolha das cores é essencial para a 
boa entrega da mensagem; elas devem favorecer a peça, o que leva tanto ao 
estudo da forma quanto ao da cor. 
A forma é explicada pela Gestalt; já a influência que as cores exercem sobre 
o indivíduo pode ser explicada pelos aspectos psicológicos, como apresentado 
por Heller (2013).
Segundo Fraser e Banks, a psicologia das cores tem seu ápice de aplicação 
direta nos desenvolvimentos de marca. Realmente, as cores bem aplicadas 
têm enorme impacto no indivíduo, facilitando a impregnação do conceito, 
da ideia pretendida na mensagem. Na Figura 2, podemos entender o efeito 
das cores no cérebro. 
5Cor, memória e comunicação
Figura 2. O efeito das cores no cérebro.
Fonte: Psicologia do Brasil (2016, documento on-line). 
Segundo a revista Scientific American – Brasil, cores estimulam a atividade cerebral. 
Conforme a matéria publicada, uma pesquisa da universidade de Columbia, Estados 
Unidos, observou mais de 500 pessoas, que executaram tarefas que exigiam atenção. 
As pessoas que executaram tarefas com o seu computador com um fundo vermelho 
apresentaram melhores resultados do que as pessoas que realizaram o mesmo exercício 
com o fundo azul.
Cor, memória e comunicação6
As cores no âmbito do projeto
Ao estudarmos as cores, podemos dissecar os simbolismos por elas transmiti-
dos. Por exemplo, na arte, as cores podem comunicar diretamente a pretensão 
do artista.
Na obra de Joan Miró, por exemplo, segundo Fraser e Banks (2007), o 
uso de cores conflitantes reflete seu país arrasado pela guerra. Observe um 
exemplo na Figura 3.
Figura 3. Le Férmer et Son Épouse, Joan Miró, 1936.
Fonte: Sotheby's (2007, documento on-line). 
7Cor, memória e comunicação
Passando para a cor em movimento, segundo Fraser e Banks (2007), o 
diretor David Lynch, em obras como Veludo Azul (1986) e Twin Peaks (1990), 
utiliza o vermelho para representar o mistério e o perigo. O vermelho, cor 
extremamente quente, transmite prazer, paixão e emoção, perigo, urgência e 
ação. Em conjunto com a forma, apresentada pela cena da obra, fica estabe-
lecida a intenção do diretor com esta composição.
Compor apenas com cores pode resultar em coisas muito interessantes. 
Segundo Fraser e Banks (2007), tons avermelhados tendem a avançar em 
direção ao espectador, enquanto tons azulados tendem a se afastar. Escreve-
-se em preto sobre fundo branco porque nos é natural, mas podemos mudar 
o impacto da mensagem invertendo o esquema de cores. 
Em publicações, o resultado é o mesmo, embora o público-alvo seja dife-
rente. Observe um exemplo na Figura 4.
Figura 4. Capa da revista Time, edição de 2 de julho de 2018.
Fonte: Metro (2018, documento on-line).
Cor, memória e comunicação8
Nessa capa, o presidente dos Estados Unidos, de azul-escuro e um sombre-
amento preto, encara uma criança imigrante, vestida de rosa, sobre um fundo 
vermelho. O vermelho, representando o perigo e a violência. O azul-escuro 
sombreado com preto: do azul, o poder, acrescido do preto do sombreamento, 
transmitindo as trevas, assim como o poder e a autoridade, e o rosa, feminino 
e inocente, como alvo e centro da agressão.
Vejamos um exemplo da publicidade, na Figura 5.
Figura 5. Anúncio Dona Hermínia.
Fonte: Banco do Brasil (2017, documento on-line).
No exemplo, o anúncio Dona Hermínia, da LewLara/TBWA, premiado no 
Prêmio Colunistas em 2017, é um aproveitamento para revista do comercial 
para TV. Ao observar a peça, o uso do amarelo é incrivelmente pontual e bem 
distribuído. O amarelo, cor do cliente, é emoldurado na almofada quadrada, 
como o logo, lembrando o conceito do banco. Além disso, o amarelo é uma 
cor que lembra a alegria e ouro.
No design de interiores, o uso da memória e cor também está presente, para 
comunicar o sentimento do ambiente. Elementos que, separadamente, têm um 
significado, são ainda maiores quando reunidos e equilibrados.
9Cor, memória e comunicação
Figura 6. Memória afetiva na decoração.
Fonte: Sua Casa (2014, documento on-line). 
Repare, na Figura 6, o ambiente com paleta de cores equilibrada e detalhes 
que lembram o passado, como almofadas de crochê e mesinha feita com pés de 
uma antiga máquina de costura, assim como as portas francesas, em um design 
retrô. Muito branco e azul, misturados com outros tons, que transformam o 
ambiente em um cenário aconchegante, moderno com um ar clássico, criado 
pela artista plástica e designer de interiores Analu Guimarães.
Todas estas aplicações no âmbito do projeto têm uma coisa em comum: o 
equilíbrio entre forma e cor. Seguindo a psicologia das cores, formando uma 
boa paleta de cores, baseada no círculo cromático, podemos influenciar o 
nosso público-alvo, criando projetos com as propriedades que as cores podem 
nos oferecer com resultados positivos.
Cor, memória e comunicação10
1. Do ponto de vista clínico, 
segundo Ivan Izquierdo, as 
memórias se formam a partir de 
experiências pessoais. Sabendo 
disso, é possível dizer que: 
a) Aprendemos pelas 
experiências, e o número 
delas é, literalmente, infinito.
b) Aprendemos de acordo com 
a armazenagem de dados 
que a tecnologia nos oferece. 
Temos mais memória hoje, 
psicologicamente falando, do 
que tínhamos no século XVII.
c) A partir da invenção da escrita, 
aumentamos a nossa memória.
d) Adquirimos memórias em pares.
e) Adquirimos memória por meio 
do volume de livros impressos.
2. O conceito que diz “Relação 
estabelecida de forma espontânea 
entre sensações de caráter 
diferente, na qual um estímulo, 
além de provocar a sensação 
habitual e normalmente localizada, 
origina uma sensação subjetiva 
de caráter e localização diferentes, 
como um perfume evocando 
uma cor, um sabor evocando 
uma imagem” refere-se a:
a) Sinestesia.
b) Psicologia.
c) Catagrafia.
d) Singegrafia.
e) Heliografia.
3. Para Platão, as invenções de 
Thoth, embora prodigiosas, 
seriam desestimulantes para a 
memória, tal o seu medo das novas 
tecnologias. A tradição oral seria 
suplantada pelas novas invenções. 
Seguindo o raciocínio de Platão, 
assinale a alternativa certa.
a) Platão tinha medo das 
tecnologias apresentadas 
por Thoth, por isso, no 
diálogo que escreveu, 
acusou Thoth de ser contra a 
comunicação. 
b) Platão estava se referindo à 
queda do império egípcio, 
uma vez que logo depois, 
de fato, ele se extinguiu.
c) Platão se referia ao medo 
de que a informação se 
espalhasse e a memória 
fosse comum a todos.
d) Na obra, Platão demonstra 
que as tecnologias sãoprejudiciais ao aprendizado.
e) Platão narra uma transição entre 
a tradição oral e a invenção 
da escrita e, por isso, havia o 
medo de que isso mudaria 
o que era estabelecido
4. A intenção de um autor pode ser 
projetada pela escolha das cores em 
sua composição. Por exemplo, no 
cinema, o diretor David Lynch usa 
muito o vermelho para comunicar 
certas sensações em seus filmes. 
Sobre o uso do vermelho na obra 
do diretor, é correto dizer que
a) o vermelho indica sempre 
velocidade e vontade 
dos personagens.
b) o vermelho indica a frieza com 
que os crimes são resolvidos.
11Cor, memória e comunicação
BANCO DO BRASIL. 2017. Disponível em: <http://www.colunistas.com.br/anos/pc2017/
df/impressas/LEWLARA_TBWA-dona_herminia-mobile_view(rev)-2.jpg>. Acesso em: 
28 nov. 2018.
COCA-COLA BRASIL. Linha do tempo: conheça a história da Coca-Cola Brasil. 24 maio 
2016. Disponível em: <https://www.cocacolabrasil.com.br/sobre-a-coca-cola-brasil/a-
-historia-da-coca-cola-brasil>. Acesso em: 28 nov. 2018.
FRASER, T.; BANKS, A. O essencial da cor no design. São Paulo: Senac, 2007.
HELLER, E. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. São Paulo: 
Gustavo Gili, 2013.
IZQUIERDO, I. A. O apaixonante estudo da memória. Revista do INCOR, São Paulo, n° 
48, maio 1999.
IZUKA, S. D. V. Cor do lugar: identidade e memória. 2014, 185 p. Tese (Doutorado) – Escola 
de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, 2014.
LOPES, V. G. L. A influência das cores em um projeto de interiores. Revista Especialize 
On-line IPOG, Goiânia, Ano 8, v. 1, n. 14, dez. 2017. Disponível em: <https://www.ipog.
edu.br/download-arquivo-site.sp?arquivo=vinicius-goncalves-lima-lopes-41661112.
pdf>. Acesso em: 28 nov. 2018.
MCLUHAN, M. Os meios de comunicação como extensão do homem. São Paulo: Cultrix, 
2007.
MEMÓRIA. Dicionário Michaelis, 2018. Disponível em: <http://michaelis.uol.com.br/
busca?id=3wQeZ>. Acesso em: 28 nov. 2018.
c) o vermelho compõe 
harmonicamente com o 
azul e transmite fraqueza.
d) o vermelho transmite força, 
juventude e espiritualidade.
e) o vermelho transmite 
mistério e perigo.
5. Segundo Fraser e Banks (2007), 
ao compor apenas com cores, 
alguns tons tendem a vir na 
direção de quem observa e outros 
fazem justamente o contrário. 
Pensando em uma composição 
em que é necessário dar sentido 
de profundidade, é certo 
dizer que 
a) o cinza tende a avançar 
para o espectador.
b) o rosa tende a avançar 
para o espectador.
c) nem o azul, nem o vermelho 
têm essa tendência.
d) o azul tende a avançar 
para o espectador.
e) o vermelho tende a avançar 
para o espectador.
Cor, memória e comunicação12
METRO. Capa da Time insinua Trump dando boas-vindas à menina migrante em 
prantos. Metro Jornal, 21 jun. 2018. Disponível em: <https://www.metrojornal.com.
br/foco/2018/06/21/trump-menina-migrante-capa-da-time-estados-unidos.html>. 
Acesso em: 28 nov. 2018.
MORENO, C. N. Processos psicológicos básicos I: memória. Centro Universitário Anhan-
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SUA CASA. Memória afetiva na decoração. 29 ago. 2014. Disponível em: <http://www.
revistasuacasa.arq.br/sc/ambientes/ambientes/memoria-afetiva-na-decoracao/>. 
Acesso em: 28 nov. 2018.
Leituras recomendadas
FREITAS, Ana Karina Miranda de. Nucom, Limeira, ano 4, n. 12, out./dez. 2007. Psicodinâ-
mica das cores em comunicação. Disponível em: <http://www.iar.unicamp.br/lab/luz/
ld/Cor/psicodinamica_das_cores_em_comunicacao.pdf>. Acesso em: 28 nov. 2018.
LEGORRETA, R. Sonhos Construídos. São Paulo: BEI, 2007.
LITE, J. Cores estimulam atividade cerebral. Disponível em: <http://www2.uol.com.br/
sciam/noticias/cores_estimulam_atividade_cerebral.html>. Acesso em: 28 nov. 2018.
TOMAZ, C. Psicobiologia da memória. Psicologia USP, São Paulo, v. 4, n. 1-2, 1993. 
Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pi
d=S1678-51771993000100004>. Acesso em: 28 nov. 2018.
13Cor, memória e comunicação
Conteúdo:
LUMINOTECNICA 
APLICADA
Camila Dias de Souza
Luz e cor
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Conceituar luz e cor em projetos luminotécnicos.
 � Identificar as características da luz e da cor.
 � Diferenciar os efeitos do uso desses elementos na arquitetura e no
design de interiores.
Introdução
Como você sabe, a percepção do mundo se dá por meio dos sentidos. 
Entre eles, a visão é o que mais fornece informações a respeito do meio 
circundante. Para que você possa enxergar os objetos, é necessário que 
exista luz. A qualidade da luz que ilumina os espaços é um fator determi-
nante no modo como você os percebe e, por consequência, os vivencia.
A luminotécnica é a área do conhecimento que estuda a aplicação 
da iluminação artificial nos espaços construídos, tanto interiores como 
exteriores. Ela engloba uma série de definições sobre a luz, responsável 
pela atmosfera do espaço iluminado.
Neste capítulo, você vai estudar as características da luz e da cor, bem 
como as suas grandezas fotométricas. Você também vai conhecer os 
efeitos de luz e cor que podem ser aplicados aos projetos luminotécnicos 
de arquitetura e design de ambientes.
Luz
A luz é uma manifestação de energia radiante pertencente ao espectro eletro-
magnético, capaz de ser detectada pelo olho humano por meio de uma sensação 
visual. Ela somente é visível, e pode ser percebida, quando encontra uma 
superfície para refleti-la. Assim, a luz causa ao olho humano a impressão de 
luz e cor, que é determinada pelas características da luz emitida e do objeto 
que a reflete (INNES, 2014).
A radiação visível de luz está compreendida entre os raios ultravioleta 
e os raios infravermelhos, na faixa de comprimentos de onda de 380 a 780 
nm, como você pode ver na Figura 1. Nesse intervalo do espectro, se têm: as 
cores violeta, nos comprimentos de onda de 380 a 440 nm; a cor azul, de 440 
a 500 nm; a cor verde, de 500 a 570 nm; a cor amarela, de 570 a 590 nm; a cor 
laranja, de 590 a 630 nm; e a cor vermelha, de 630 a 780 nm. A soma dessa 
faixa de emissões do espectro gera a luz branca (PEDROSA, 1982).
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Figura 1. Espectro de luz visível.
Fonte: Präkel (2015, p. 10).
A iluminação, além de possibilitar a visão, influencia a percepção e o 
comportamento das pessoas. Além disso, causa efeitos psicológicos. A per-
cepção da forma dos espaços e dos objetos é possível por meio do equilíbrio 
de luz e sombra. A aparência das formas é delineada pela direcionalidade e 
Luz e cor2
pela intensidade da luz, que produzem a sensação de tridimensionalidade dos 
objetos ao gerar sombra neles. A ausência de sombra, por outro lado, cria a 
percepção bidimensional dos objetos (LAM, 1992).
A luz pode desempenhar diversas funções, de acordo com os objetivos exis-
tentes. Nos espaços internos, ela define o grau de conexão ou separação entre 
interior e exterior. Aspessoas têm a tendência de seguir a luz, são atraídas por 
ela — seja apenas com o olhar, como também motivando deslocamentos entre 
ambientes. O olhar pode ser direcionado pela luz: assim, é possível focalizar 
objetos, destacar elementos arquitetônicos e criar um ponto de interesse visual 
por meio do contraste entre objeto e entorno (INNES, 2014).
As definições de claro e escuro dos espaços podem lhes conferir hierarquia, 
ritmo e movimento. A distribuição da luz determina a configuração dos espaços. 
Limites espaciais podem ser definidos pela luz, seja pela iluminação de elementos 
periféricos, seja pela criação de zonas de luz em um entorno mais escurecido. 
As baixas relações de contraste dão a ideia de continuidade, ao passo que altos 
contrastes causam sensação de diferenciação (CHING; BINGGELI, 2013).
O contraste é um conceito utilizado em iluminação para indicar a relação de proporção 
entre as luminâncias de um ponto e o seu entorno imediato. É um recurso usado para 
dar destaque. Ele é importante para a definição de formato e contornos. Entretanto, 
você deve ter cuidado para não torná-lo excessivo, o que pode prejudicar a visualização 
dos objetos.
Fenômenos relacionados à luz
Em geral, a luz que incide em um objeto é em parte absorvida e em parte refle-
tida. O fator que determina quais são as características e qual é a quantidade de 
luz refletida ou absorvida é a materialidade da superfície em que a luz incide. 
As características de cor, opacidade e textura definem o comportamento da 
luz. Portanto, adquirem especial importância no projeto luminotécnico, pois 
atuam como elementos de controle da luz (DEL-NEGRO, 2012).
Quando a luz incide em uma superfície opaca e não é refletida, acontece 
a sua absorção. A percepção da aparência de cor dos objetos depende da 
3Luz e cor
cor da superfície incidente e das faixas de comprimento de onda da luz 
emitida. Se a luz for branca, ou seja, possuir espectro de cor completo, e 
o objeto também, este não absorverá nenhuma radiação. Se a luz branca 
incidir em um objeto preto, a absorção da luz será total, de todas as faixas 
do espectro. Já se a emissão de luz branca incidir em um objeto colorido 
laranja, por exemplo, a absorção da luz acontecerá em todas as faixas de cor 
com exceção da laranja, que será refletida, causando a impressão de cor do 
objeto (LOE; TREGENZA, 2015).
A reflexão da luz ocorre quando a luz incidente em uma superfície retorna 
ao meio de origem. Isso acontece basicamente de três formas: reflexão difusa, 
reflexão especular e reflexão mista. A reflexão difusa se dá quando a luz incide 
em uma superfície rugosa ou opaca, se refletindo em todas as direções do 
espaço e gerando, portanto, luminância constante. A reflexão especular se dá 
quando a luz incidente em uma superfície especular sob determinado ângulo 
em relação à normal da superfície é refletida no mesmo ângulo de incidência. 
Por fim, a reflexão mista ocorre quando a superfície em que a luz incide é 
rugosa e brilhante, gerando reflexões em diferentes direções, de forma não 
homogênea. O controle da reflexão da luz é fundamental para se evitarem 
reflexos indesejados e ofuscamentos e para se obterem os efeitos desejados 
(LOE; TREGENZA, 2015).
Em situações de incidência de luz em objetos translúcidos, a luz pode 
atravessar a superfície translúcida, ou seja, realizar a transmissão de luz. 
Esse efeito pode ocorrer de forma difusa ou dirigida, variando conforme as 
características do material. Ao ultrapassar a superfície do objeto, a luz passa 
por outro meio, que pode ter diferente densidade do meio de origem. Nesse 
caso, acontece o fenômeno de refração da luz, que é a variação da direção da 
luz ao passar por um meio de diferente densidade (BOYCE, 2003).
A variação de comportamento da luz em função dos materiais com os quais 
interage deve sempre ser considerada nos projetos, visto que é determinante 
na forma como as pessoas percebem os ambientes. Você deve identificar 
situações em que podem ocorrer prejuízos ao bom desempenho visual, tais 
como reflexões indesejadas (GONÇALVES; VIANNA, 2001). Na Figura 2, 
a seguir, você pode ver como ocorrem os fenômenos de reflexão, absorção e 
refração da luz.
Luz e cor4
Figura 2. Reflexão, absorção e refração da luz.
Fonte: Fouad A. Saad/Shutterstock.com
Re�exão
Absorção
Refração
Grandezas fotométricas
As grandezas são uma forma de mensurar parâmetros para estabelecer a sua 
magnitude. Assim, é possível comparar parâmetros de diferentes fontes de 
5Luz e cor
luz, como lâmpadas ou luminárias (IESNA, 2000). A seguir, você vai ver as 
principais grandezas fotométricas.
Fluxo luminoso (Φ)
É a quantidade de luz que uma fonte luminosa emite em todas as direções. É 
medida em lúmen (lm).
Intensidade luminosa (I)
É a quantidade de luz que uma fonte luminosa emite em determinada direção. 
Essa direção é definida pelo ângulo sólido ω, o ângulo de abertura do facho de 
luz da fonte luminosa. A unidade de medida da intensidade luminosa é candela.
Iluminância (E)
É a quantidade de luz (fluxo luminoso) de uma fonte que atinge uma super-
fície. A iluminância pode ser determinada a partir da intensidade luminosa 
da fonte de luz, uma vez que a superfície pode ser hipotética. A iluminância 
pode ser classificada com relação à superfície em que incide e é medida em 
lux (lúmens/m2)
Luminância (L)
É a intensidade luminosa que atinge uma superfície e é refletida em determi-
nada direção. É definida pela razão entre a intensidade luminosa (candela) e 
a área em que a luz é projetada (m2). A medida de luminância é a base para 
a descrição de claridade percebida, ainda que outros aspectos perceptivos 
sejam atuantes, como a adaptação visual, a claridade relativa (contrastes) e a 
refletância da superfície.
Eficiência luminosa (η)
É a capacidade que uma fonte luminosa possui de converter sua energia elétrica 
(potência) em luz. Quanto maior quantidade de luz for gerada por um watt de 
potência, maior será a eficiência luminosa da fonte de luz. 
No Quadro 1, a seguir, você pode ver uma síntese das grandezas fotométricas.
Luz e cor6
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7Luz e cor
Leis fotométricas
Lei do inverso do quadrado das distâncias
A intensidade de luz de uma fonte luminosa diminui na proporção do qua-
drado da distância da fonte até a superfície (Figura 3). Isso significa que, ao 
duplicar a distância, a intensidade de luz se reduz quatro vezes. Assim, você 
pode perceber a importância do fator distância nos projetos, pois ele reduz 
sensivelmente a quantidade de luz (PRÄKEL, 2015).
Figura 3. Lei do inverso do quadrado da distância.
Fonte: Präkel (2015, p. 11).
Lei do cosseno
A lei do cosseno é aplicada quando o facho de luz incidente sobre uma su-
perfície forma ângulo diferente de 90º. A incidência normal à superfície (a 
Luz e cor8
90º) é a condição em que o facho de luz incide de forma mais concentrada. 
Ao variar a angulação, o facho aumenta a sua área deincidência, reduzindo, 
portanto, a intensidade luminosa. Nessa condição, o facho de luz que delineia 
um círculo quando perpendicular à superfície se deforma, configurando uma 
elipse, quando inclinado (IESNA, 2000). Veja:
E = ( I / d2) · cosθ
Lei da aditividade
A lei da aditividade informa que a quantidade de luz total sobre uma superfície 
é dada pela soma das iluminações sobrepostas (IESNA, 2000). Veja:
Etotal = E1 + E2 + E3 + ...
Cor
A cor é o resultado do processo fisiológico causado por um estímulo físico 
(estímulo de cor). Ao longo do tempo, foram desenvolvidas diferentes teorias 
de cor e sistemas colorimétricos (KELLER, 2010). O sistema de cores de 
Munsell (1905) adota três dimensões da cor, como você pode ver a seguir.
 � Matiz: é um ponto definido no círculo de cor.
 � Valor tonal: é a aparência clara ou escura da cor, definida em uma 
escala de 0 (preto) a 10 (branco). Assim, é também uma medida da 
refletância da cor, ou seja, do quanto da luz incidente sobre a cor é 
absorvida e do quanto é refletida.
 � Croma (saturação): é dada pela pureza da cor. Munsell estabeleceu 
uma escala ascendente de até 14 graus para correlacionar as diferenças 
entre a cor pura e o cinza neutro.
O sistema de cores adotado e recomendado pela Comissão Internacional de 
Iluminação (CIE, Commission Internationale de l'Éclairage) foi desenvolvido 
com base no sistema aditivo de cores e é bastante utilizado. Nele, é representada 
a saturação das cores, e o triângulo branco indica em seus vértices os pontos 
de cores primárias. O sistema de coordenadas é dado em uma escala de 0 a 1, 
no qual o eixo y é referente à cor verde e o eixo x é referente ao vermelho. 
Observe a Figura 4, a seguir (LOE; TREGENZA, 2015).
9Luz e cor
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Figura 4. Sistema de cores CIE.
Fonte: Loe e Tregenza (2015, p. 32).
A geração de cores pode acontecer pelo método aditivo ou pelo método 
subtrativo. O método aditivo parte da sobreposição das cores vermelha, azul 
e verde, cores primárias. Tal sobreposição é denominada RGB (Red, Blue, 
Green) e produz a cor branca. A combinação aos pares de cor gera as chama-
das cores secundárias: ciano, magenta e amarelo. Já o método subtrativo faz 
a sobreposição das três cores secundárias entre si. A sobreposição das três 
cores secundárias gera o preto, e a sobreposição aos pares de cores secundárias 
forma uma das cores primárias (PEDROSA, 1982).
Para a geração das cores terciárias, é feita a combinação de uma cor se-
cundária com a primária que falta em sua composição. Na Figura 5, a seguir, 
você pode ver os métodos de subtração e adição de cores.
Luz e cor10
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Figura 5. Métodos aditivo (esquerda) e subtrativo (direita).
Fonte: Ambrose e Harris (2012, p. 122).
Índice de reprodução de cor (IRC)
É a relação que exprime o quanto uma fonte de luz artificial é capaz de repro-
duzir a cor dos objetos com precisão. É uma medida dada de 0 a 100 (Ra), na 
qual 100 é o espectro de cor da luz que emite todas as frequências de onda. O 
IRC é calculado pela média de cores pastéis do círculo cromático. Quanto mais 
próximo de 100, melhor é a reprodução de cores, oferecendo maior fidelidade 
na reflexão das cores dos objetos.
A necessidade de qualidade de reprodução de cores está relacionada à 
atividade desenvolvida no ambiente. Por exemplo, para uma loja de vestuário 
ou um restaurante, é desejável que as cores sejam valorizadas. Isso requer 
o uso de fontes com alto IRC. Já locais de circulação, como vias públicas 
sem relevância maior, aceitam menor qualidade de reprodução de cores 
(GANSTLAND; HOFMAN, 1992). No Quadro 2, a seguir, você pode ver a 
relação entre o IRC e a qualidade de reprodução das cores.
11Luz e cor
Fonte: Adaptado de Loe e Tregenza (2015, p. 33).
Qualidade IRC
Próximo à reprodução de cor exata Ra = 100
Reprodução de cores de alta qualidade Ra > 90
Reprodução de cores de boa qualidade Ra > 80
Reprodução de cores de baixa qualidade Ra < 79
Quadro 2. Qualidade do índice de reprodução de cor
Temperatura de cor
É a grandeza que expressa a aparência de cor da luz. Sua unidade de medida 
é Kelvin (K). A luz quente tem temperatura de cor na faixa de 3.000 K ou 
menos e tem aparência amarelada. Já a luz fria tem temperatura de cor na 
faixa de 6.000 K ou mais e tem aparência de cor azul-violeta. Considera-se 
branco natural aquela luz emitida pelo sol em céu aberto ao meio-dia, cuja 
temperatura de cor é 5.800 K (KELLER, 2010).
Os termos “quente” e “fria” são atribuídos à luz sob o ponto de vista psicológico. Ou 
seja, quando se diz que uma luz é quente, não significa que tem uma temperatura de 
cor mais elevada, e sim que tem temperatura de cor com tonalidade mais amarelada. 
Esse tipo de iluminação dá a sensação de aconchego. Por isso, é apropriada para 
ambientes de estar, como dormitórios. Já a luz fria, com temperatura de cor mais 
azulada, é indicada para espaços de trabalho (OSRAM, 2008).
Efeitos de luz e cor nos projetos luminotécnicos
As diversas maneiras de utilização da luz e da cor permitem a criação de 
diferentes ambiências. A ambiência, ou atmosfera, diz respeito à percepção 
e à avaliação afetiva do ambiente. Ela indica o modo como o espaço é com-
Luz e cor12
preendido do ponto de vista emocional. Isso está relacionado às sensações 
que o espaço provoca nas pessoas, o que tem caráter subjetivo. A atmosfera 
também está associada ao simbolismo da luz, variando de uma cultura para 
outra (SOUZA, 2017).
Um estudioso da iluminação, precursor de sua aplicação a projetos de 
arquitetura nos Estados Unidos, na década de 1950, iniciou a teorização so-
bre a aplicação da luz nos espaços dando ênfase à questão da ambiência. De 
forma ampla, Richard Kelly elencou três diferentes tipos de efeitos de luz 
(NEUMANN; STERN, 2011):
 � luz para ver;
 � luz para olhar;
 � luz para contemplar.
A luz para ver, ou luminescência ambiental, é a luz homogênea, sem hie-
rarquização de elementos ou espaços. Como exemplo, você pode considerar 
a cobertura translúcida de um edifício, um céu nublado ou a luz indireta, 
sem sombras definidas. Essa luz sugere infinitude e liberdade espacial, tor-
nando o espaço seguro. Ambientes de trabalho como escritórios demandam 
homogeneidade.
A luz para olhar, ou brilho focal, é a luz que destaca elementos e atrai o 
olhar gerando foco de atenção. Ela facilita a visualização e estabelece hie-
rarquia, contrastando com o entorno. É a luz de destaque presente em obras 
de arte, por exemplo.
Por sua vez, a luz para contemplar, ou jogo de brilhos, é a que expressa uma 
informação em si. As esculturas de luz são um exemplo, assim como a vista 
aérea de uma cidade, que evidencia o traçado das ruas, ou o céu estrelado. 
Essa luz tem hierarquia em si mesma com relação aos demais elementos.
A iluminação se divide em dois tipos: difusa e direcional. A difusão da luz 
no ambiente se dá pela sua distribuição uniforme, gerando uma área de baixo 
contraste. Assim, as possíveis sombras causadas por objetos nesse espaço 
tendem a ter bordas pouco definidas, proporcionando um gradiente de luz 
da área de maior iluminação até a zona de sombra. A luz direcional objetiva 
criar destaque e definir hierarquias visuais. Portanto, produz contraste entre 
o ponto focal e o seu entorno. Entretanto, as bordas que separam a área em 
destaque da área circundante podem ter maior ou menor definição, de acordo 
com o equipamento utilizado (CUTTLE, 2015).
Essas formas de iluminação estão relacionadas à iluminação ambiental 
geral e à iluminação de destaque, respectivamente, ainda que não sejam 
13Luz e cor
equivalentes. É importante você lembrar-se da interferência da refletância 
das superfícies do ambiente, que refletem a iluminação. Essas superfícies 
definem a quantidade de luz necessária para a configuração da iluminação 
do ambiente (NEUMANN;STERN, 2010).
A proporção de iluminâncias entre zona de destaque e iluminação geral 
e a avaliação do grau de diferença de percepção estabelecem as relações que 
você pode ver no Quadro 3.
Fonte: Adaptado de Cuttle (2015, p. 39).
Proporção de contraste Percepção do contraste
1.5:1 Perceptível
3:1 Discreto
10:1 Forte
40:1 Enfático
Quadro 3. Percepção de contrastes
Além da distribuição da quantidade de luz sobre o ambiente, outro fator 
essencial para a criação da ambiência espacial é a cor da luz. Como você viu, 
as cores são separadas em dois grandes grupos: cores quentes — amarelo, 
laranja, vermelho, verde-amarelado — e cores frias — verde-azulado, azul e 
violeta. As diferentes maneiras com que essas cores são utilizadas provocam 
variações na percepção. Quando as cores são aplicadas com maior saturação, 
evocam emoções fortes, potência, agressividade. Quando em tons pálidos ou 
pastéis, trazem a ideia de suavidade e delicadeza (KELLER, 2010).
Algumas percepções de cor podem ser alteradas conforme o seu entorno. 
Por exemplo, as cores complementares lado a lado se acentuam mutuamente, 
aumentando a relação de contraste de cor. Da mesma forma, o cinza, quando 
colocado junto a uma cor, produz efeito de acentuação da percepção de cor 
(PEDROSA, 1982).
Além de considerar esses efeitos, lembre-se do seguinte: a luz vista é a 
luz refletida (luminância). Portanto, a incidência de luz colorida sobre uma 
superfície também colorida pode gerar inúmeros efeitos de cor. Da mesma 
forma, dois fachos de luz de diferentes cores podem ser sobrepostos, formando 
Luz e cor14
uma terceira cor. Essa é uma maneira surpreendente de utilização de cor em 
iluminação, mais comumente usada em iluminação teatral (KELLER, 2010).
As possibilidades de efeitos de luz e cor nos projetos são inúmeras. Como você viu, é 
possível associar diferentes efeitos, formando composições únicas. Você deve escolher 
um efeito ou outro considerando a funcionalidade, a integração com as características 
do espaço e a atmosfera desejada.
1. A ciência que estuda a medição 
da luz é chamada de fotometria. 
Por meio da quantificação da luz, 
é possível comparar situações 
de projeto. As medições são 
realizadas a partir da definição 
conceitual das chamadas 
grandezas fotométricas. Com 
relação às grandezas fotométricas, 
assinale a alternativa correta.
a) O fluxo luminoso é a grandeza 
fotométrica que apresenta a 
relação entre a luz emitida por 
uma fonte e a superfície em 
que ela incide. Sua unidade 
de medida é a candela.
b) A luz incidente em uma 
superfície é medida em lux e 
é chamada de luminância.
c) A intensidade luminosa 
é a quantidade de luz 
emitida por uma fonte em 
determinada direção.
d) A luz refletida por uma superfície 
é chamada de iluminância.
e) A eficiência luminosa de uma 
fonte de luz é dada pela relação 
entre a quantidade de luz emitida 
e a quantidade de luz refletida.
2. A luz natural tem características 
próprias que lhe diferenciam 
da luz artificial. Sobre a luz 
natural, é correto afirmar que:
a) o ritmo biológico do 
corpo humano independe 
da luz natural.
b) tem temperatura de cor 
variável ao longo do dia.
c) é sinônimo de radiação 
direta da luz do sol.
d) a entrada de radiação solar 
em um ambiente qualifica 
os espaços construídos.
e) tem temperatura de 
cor constante.
3. Um espaço pode ser iluminado 
de inúmeras formas, com 
maior ou menor vinculação do 
sistema de iluminação ao layout 
do ambiente. Considerando 
15Luz e cor
os sistemas de iluminação, 
assinale a alternativa correta.
a) Uma das razões pelas quais 
um sistema de iluminação 
suplementar pode ser 
implantado é devido à 
sua função de guiar o 
deslocamento de pessoas.
b) O sistema de iluminação de 
orientação independe do 
sistema de iluminação geral.
c) O sistema de iluminação geral 
pode oferecer baixos níveis de 
iluminância, chegando a zero.
d) O sistema de iluminação de 
destaque tem por objetivo 
a separação de ambientes, 
criando contrastes entre eles.
e) O aumento do nível de 
iluminância do plano de trabalho 
é dado pela existência de um 
sistema de iluminação localizada.
4. A propagação normal da luz é 
em trajetória reta, mas ela pode 
sofrer variações de acordo com 
a sua interação com os materiais 
em que incide. Considerando a 
luz incidente em uma superfície, 
assinale a alternativa correta.
a) Se a superfície for translúcida, a 
luz pode mudar a sua trajetória.
b) Se a superfície for especular, 
não vai transmitir luz.
c) Os materiais que compõem 
a superfície nunca alteram 
a direção da luz.
d) A temperatura de cor da 
luz incidente não altera a 
aparência de cor da superfície.
e) A aparência de cor da 
superfície nunca se altera com 
a qualidade da luz incidente.
5. A luz é uma energia radiante 
que pode se manifestar de 
diferentes maneiras. Seus 
diferentes comprimentos de 
onda determinam a cor da luz 
emitida. No caso da luz colorida, 
a sobreposição de fachos de luz 
pode gerar adição ou subtração 
de cores. Entre as alternativas 
apresentadas a seguir, assinale a 
que indica a cor resultante correta.
a) Verde + vermelho = ciano.
b) Verde + azul = magenta.
c) Amarelo + ciano = magenta.
d) Magenta + amarelo = vermelho.
e) Ciano + magenta = verde.
Luz e cor16
AMBROSE, G.; HARRIS, P. Fundamentos de design criativo. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 
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17Luz e cor
Conteúdo:
TEORIA E 
PRÁTICA DA COR 
Carolina Corso Rodrigues Marques
Psicodinâmica das cores
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Conceituar o significado cultural e simbólico das cores.
 � Identificar as harmonias cromáticas, contrastes e a pós-imagem da cor.
 � Aplicar os conceitos de harmonias de cor em composições.
Introdução
O estudo psicodinâmico das cores permite conhecer sua potência psíquica 
e aplicá-la como poderoso fator de atração e sedução para identificar, por 
exemplo, mensagens publicitárias. As cores são utilizadas com o objetivo 
de criar uma atmosfera, estimular os rendimentos no trabalho e fazer 
com que as tarefas sejam mais gratificantes. A linguagem da cor é um 
meio atrativo que atua sobre o subconsciente. Assim, a psicodinâmica 
das cores é a ciência que estuda como as pessoas reagem às cores, que 
são convertidas em estímulos pelo cérebro humano.
Neste capítulo, estudaremos o significadocultural e simbólico das 
cores, conhecendo harmonias cromáticas, contrastes e pós-imagem da 
cor e vendo como aplicá-las em composições.
Significado cultural e simbólico das cores
Para cada pessoa, em cada lugar, em cada objeto, as cores têm um significado. 
Sendo assim, o significado de uma cor depende de seu contexto. A cor ver-
melha, por exemplo, é considerada muito mais chamativa aqui no Ocidente 
do que no Oriente, pois lá eles dispõem de técnicas naturais de extração essa 
cor há muito mais tempo. Essa relação do significado psicológico das cores 
dá a cada uma delas significados diferentes em diferentes partes do mundo. 
Civilizações antigas, como China, Índia, Egito, já sentiam na cor um fundo 
psicológico. Para eles, cada cor significava um símbolo, e deuses representavam 
cores como a luz solar, o azul-esverdeado dos mares, o azul-esbranquiçado das 
nuvens na imensidão dos céus, as cores do arco-íris, que de vez em quando se 
apresentava como emanação divina e um céu turbulento. Segundo Farina (2011),
[…] as cores faziam parte, assim, mais das necessidades psicológicas do que 
das estéticas, e as que mais surpreendiam aos olhos humanos seriam para 
enriquecer a presença de príncipes e reis, sacerdotes e imperadores, através 
dos deslumbrantes vestuários e ornamentos que lhes eram atribuídos. 
O autor complementa: “Nas artes visuais, a cor não é apenas um elemento 
decorativo ou estético. É o fundamento da expressão. Está ligada à expressão 
de valores sensuais e espirituais.” 
A partir da Renascença, no início da Idade Moderna, a cor passou a ser 
individualizada e identificadora dos diferentes tipos de obra artística. Con-
forme o período, as cores nas obras tinham certas tonalidades, às vezes mais 
escuras, às vezes acompanhando as formas dos objetos criados, procurando 
certa sofisticação. 
No século XVII, o Barroco conferiu à cor um caráter dinâmico, enquanto 
o Romantismo, no século XIX, procurou as cores espirituais das paisagens. 
Foi quando houve grande interesse no estudo das cores, com a participação de 
filósofos e escritores. Por meio de estudos científicos, especialistas chegaram 
à conclusão de que o problema estético das cores segue três pontos de vista, 
são eles (FARINA, 2011): 
1. Óptico-sensível (impressivo): ocorre quando a retina vê em primeira 
instância uma cor qualquer. 
2. Psíquico (expressivo): ocorre quando a mente reage sobre a luz que 
recebeu. 
3. Intelectual-simbólico (estrutural): Ocorre quando o indivíduo pensa 
sobre o que viu. 
Essa tríade pode ser comparada com o conceito de Walter Benjamin (2012) 
sobre primeiridade, secundidade e terceiridade. Primeiridade consiste na 
incapacidade de poder se situar, como primeiríssimo contato com o objeto 
ou cor, aquele no qual, ao se pensar sobre ele, ele já se foi. Na secundidade é 
identificando o outro que o indivíduo tem consciência de si, ele percebe a exis-
tência do outro. A terceiridade é quando identificamos o que já conhecemos, 
Psicodinâmica das cores2
pensamos sobre o que já vimos e tivemos consciência; é quando pegamos um 
signo de linguagem e transformamos em outro para interpretarmos da melhor 
maneira, conforme nossa abrangência cultural, tudo o que foi inicialmente 
visto pela nossa retina.
Análise simbólica e cultural das cores
Considerando a amplitude e a importância da cor em diversas áreas, o estudo 
das cores busca evidenciar a capacidade informativa das cores, por meio da 
análise dos estímulos, da percepção e da sintaxe das cores. Também busca 
mostrar sua utilização simbólica e linguística na transmissão de mensagens 
e informação, revelando a influência dos elementos psicodinâmicos.
Azul
 � Significado cultural: frio, mar, céu, horizonte, feminilidade, espaço, 
intelectualidade, paz, serenidade, fidelidade, confiança, harmonia, 
afeto, amizade, amor, viagem, verdade, advertência.
 � Significado simbólico: uma cor imaterial, capaz de despertar no ser 
humano um profundo desejo de pureza e de contato com o divino.
Amarelo 
 � Significado cultural: egoísmo, ciúmes, inveja, prazer, conforto, alerta, 
esperança, flores grandes, verão, limão, calor da luz solar, iluminação, 
alerta, euforia.
 � Significado simbólico: uma cor essencialmente material e terrestre, 
uma cor fascinante e extravagante, uma explosão de energia, um des-
perdiçar das forças.
Vermelho
 � Significado cultural: guerra, sol, fogo, atenção, mulher, conquista, 
coragem, furor, vigor, glória, ira, emoção, paixão, ação, agressividade, 
perigo, dinamismo, baixeza, energia, revolta, calor, violência.
 � Significado simbólico: o vermelho é a cor autoconfiante, transbordante 
de vida, ardente, agitada, efervescente. Ao misturar-se com o preto, 
adquire a cor marrom, que se classifica como uma cor dura, estagnada, 
quase sem vida. No entanto, o marrom também é uma cor potente, na 
3Psicodinâmica das cores
sua sonoridade interior, capaz de expressar uma beleza interior que não 
pode ser traduzida em palavras.
Verde 
 � Significado cultural: umidade, frescor, bosque, mar, verão, adoles-
cência, bem-estar, paz, saúde (medicina), esperança, liberdade, paz 
repousante. Pode desencadear paixões.
 � Significado simbólico: é a cor mais calma entre todas as cores. Repre-
senta passividade saudável, repleta satisfação, é tonificante e representa 
a cor da natureza em seu movimento de maior vitalidade e exuberância.
Laranja 
 � Significado cultural: prazer, êxtase, dureza, euforia, outono, aurora, 
festa, luminosidade, tentação, senso de humor, flamejar do fogo.
 � Significado simbólico: na junção dessas duas cores, as simbologias do 
vermelho e do amarelo se unem, resultando em uma cor menos ácida 
que o amarelo, material, ativa, que não tende para a profundidade.
Violeta 
 � Significado cultural: calma, dignidade, estima, valor, miséria, roubo, 
afetividade, miséria, calma, violência, agressão, poder sonífero.
 � Significado simbólico: tanto o violeta como o laranja possuem um 
equilíbrio precário, e a determinação dos limites dessas duas cores 
é imprecisa. Até onde um laranja pode ser considerado laranja e não 
amarelo? Qual é o limite do violeta entre o vermelho e o azul?
Harmonias cromáticas, contrastes e pós-
imagem da cor
Tecnicamente, harmonia cromática é o resultado do equilíbrio entre a cor 
dominante (que possui a maior extensão na composição), a cor tônica (coloração 
vibrante que dá tom ao conjunto) e a cor intermediária (meio-termo entre a 
dominante e a tônica).
Todas as cores podem ser combinadas, o que não significa que o resultado 
será harmônico. Para que isso ocorra, deve-se buscar o resultado que propor-
Psicodinâmica das cores4
cione maior conforto visual, arranjando as cores como um músico faz com 
as notas musicais. Daí a semelhança terminológica entre a teoria musical e a 
cromática. O estudo da harmonia não deve ser entendido como um limitador, 
mas sim como um aliado, que fornece o conhecimento necessário para obter 
resultados melhores e até mesmo inusitados.
Leitores do material impresso, para visualizar as 
 figuras deste capítulo em cores, acessem o link ou o 
código QR a seguir.
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Harmonias
Harmonia monocromática
É a harmonia resultante de uma mesma cor do círculo cromático. As tonali-
dades podem mudar, mas todas ficam no mesmo matiz do círculo cromático. 
O esquema ou harmonia monocromática utiliza variações de luminosidade 
e saturação de uma mesma cor. Essas harmonias luzem simples e elegantes, 
sendo de fácil percepção ao observador, especialmente quando se trata de tons 
azuis e verdes. A cor principal pode ser combinada com cores neutras, preto 
e branco; no entanto pode ser difícil ressaltar os elementos mais importantes 
quando se utiliza este tipo de harmonia.
Figura 1. Harmonia monocromática.
Fonte: Frota (2018, documento on-line).
5Psicodinâmica das cores
 � Prós: é simples de utilizar e é sempre equilibrada e visualmente 
apelativa.
 � Contras: carece de contraste. Não é uma harmonia tão vibrante como 
a harmonia decomplementares.
 � Dicas: quando realizar um trabalho com harmonia monocromática, 
utilize as luzes, sombras e tonalidades da cor principal para tornar 
mais interessante o trabalho. Experimente o esquema análogo; ele 
oferece certas nuances, ainda mantendo a simplicidade e elegância da 
harmonia monocromática.
Harmonia complementar 
É a harmonia que ocorre quando combinamos cores opostas no círculo cromá-
tico. Em outras palavras, são cores que se encontram simétricas com respeito 
ao centro do círculo. O matiz varia em 180° entre um e outro. Esta harmonia 
funciona ainda melhor se são combinadas cores frias e cores quentes, por 
exemplo, vermelho com verde com azul ou azul com amarelo. 
Uma harmonia complementar é intrinsecamente uma harmonia de contraste. 
Quando utilizar esta harmonia, é importante escolher uma cor dominante e 
utilizar a complementar para acentos e toques de destaque — por exemplo, 
utilizar uma cor para fundo e a outra para destacar os elementos de importância.
Figura 2. Harmonia complementar ou de contraste.
Fonte: Frota (2018, documento on-line).
 � Prós: oferece uma combinação de alto-contraste ideal para atrair a 
máxima atenção do espectador.
 � Contras: é mais difícil de equilibrar do que os esquemas análogos ou 
monocromáticos, especialmente quando são utilizadas cores quentes 
não saturadas.
Psicodinâmica das cores6
 � Dicas: para melhores resultados, é aconselhável escolher cores frias 
e cores quentes, como por exemplo, azul e laranja. Se for utilizar 
uma cor quente (vermelho ou amarelo) para ressaltar, é aconselhável 
utilizar uma cor fria não saturada para dar mais ênfase às cores 
quentes. Evitar a utilização de cores não saturadas quentes, como 
castanhos e ocres. O esquema duplo complementaria este, já que 
oferece mais variedade.
Harmonia triádica 
É a tríade obtida por um triângulo equilátero inserido no círculo cromático. 
Entre as tríades, a formada pelas cores primárias será mais forte. É possível 
também obter uma tríade a partir de um triângulo isósceles, deslocando as 
cores da base do triângulo para uma cor adjacente. 
Nesta harmonia utilizamos três cores equidistantes no círculo cromático. 
Por exemplo, azul, amarelo e vermelho. Esse tipo de combinação consegue 
dar um efeito visual muito atraente. Esta harmonia é muito popular entre 
os artistas, porque oferece um alto contraste visual, ao mesmo tempo em 
que conserva o equilíbrio e a riqueza das cores. Esta harmonia não é tão 
contrastante como o esquema de complementares, mas é mais equilibrada 
e harmoniosa.
Figura 3. Harmonia triádica.
Fonte: Frota (2018, documento on-line).
 � Prós: oferece alto-contraste, mantendo a harmonia.
 � Contras: não tem tanto contraste como o esquema complementar.
 � Dicas: escolha uma cor para ser utilizada em áreas maiores do que as 
restantes. Se a combinação é de mau gosto, tente dominá-las.
7Psicodinâmica das cores
Harmonia quadrática
Formada por tétrades, que definem um quadrado formado pela união de duas 
díades perpendiculares entre si. Também é possível fazer uma tétrade a partir 
de um retângulo formado por duas díades a 60° entre si.
Figura 4. Harmonia quadrática.
Fonte: Frota (2018, documento on-line).
Harmonia derivada 
Combinações das harmonias citadas anteriormente, como o hexágono formado 
por duas tríades perpendiculares e o octógono formado por duas tétrades 
perpendiculares.
Figura 5. Harmonia derivada.
Fonte: Frota (2018, documento on-line).
Psicodinâmica das cores8
Harmonia análoga
Este modelo de harmonia das cores é formado por uma cor primária combinada 
com duas cores vizinhas no círculo cromático. Uma cor é utilizada como a 
dominante, enquanto as adjacentes são utilizadas para enriquecer a harmonia.
Figura 6. Harmonia análoga.
Fonte: Frota (2018, documento on-line).
 � Prós: as harmonias análogas são tão fáceis de criar quanto as mono-
cromáticas, com a vantagem de serem mais ricas.
 � Contras: um esquema de cores análogas carece de cor de con-
traste. Não é uma harmonia tão vibrante como a harmonia de 
complementares.
 � Dicas: evite utilizar muitos tons em uma harmonia análoga, porque 
poderia destruir a harmonia. Evite a combinação de cores frias e quentes 
na mesma harmonia.
Harmonia por saturação
É a soma de uma única cor às demais. Na Figura 7, a paleta foi saturada com 
azul.
9Psicodinâmica das cores
Figura 7. Harmonia por saturação.
Fonte: Frota (2018, documento on-line).
Harmonia do complemento dividido
É a harmonia obtida pela mistura de uma tonalidade da escala com as duas 
vizinhas da cor diretamente oposta à primeira. É uma variante da combinação 
de harmonia de complementares, que utiliza uma cor como principal e as duas 
cores adjacentes ao seu complementar. Oferece um grande contraste, sem a 
tensão do esquema complementar.
 � Prós: oferece mais nuances do que o esquema complementar, ao mesmo 
tempo em que retém a força e o contraste visual.
 � Contras: é mais difícil de equilibrar do que as harmonias análogas ou 
monocromáticas.
 � Dicas: utilize uma cor quente como dominante e uma gama de cores 
frias para dar mais ênfase à cor quente — por exemplo, vermelhos contra 
azuis ou azuis-esverdeados ou laranjas contra azuis ou azuis-violetas. 
Evite utilizar cores quentes não saturadas, como os castanhos ou ocre, 
porque podem arruinar o esquema.
Psicodinâmica das cores10
Figura 8. Harmonia do complemento dividido.
Fonte: Gouveia (2017, documento on-line).
Harmonia dupla complementar
Como o nome indica, refere-se à harmonia obtida por dois pares de cores 
complementares entre si. Denominadas por alguns como tetradas, estas com-
binações são as mais ricas de todas as harmonias, porque utilizam quatro 
cores, complementares em pares. É, no entanto, uma harmonia muito difícil de 
trabalhar. Se as quatro cores são utilizadas em iguais proporções, a harmonia 
parecerá desequilibrada, motivo pelo qual deverá sempre ser escolhida uma 
cor como a dominante.
 � Prós: oferece maior variedade na sua combinação do que qualquer das 
harmonias mencionadas.
 � Contras: é a harmonia mais difícil de trabalhar.
 � Dicas: se o esquema parece desequilibrado, uma ou mais cores deverão 
ser dominadas. Evite utilizar cores puras em iguais proporções.
11Psicodinâmica das cores
Figura 9. Harmonia dupla complementar.
Fonte: Gouveia (2017, documento on-line).
Contrastes
O contraste de cor tem função fundamental, mas é muitas vezes mal compre-
endido e subestimado. É o que desperta o interesse e, ao mesmo tempo, intriga 
quem o vê. Usado de forma correta, não somente chama mais a atenção das 
pessoas como também facilita a leitura e a compreensão da composição criada.
Quando duas cores diferentes entram em contraste direto, o contraste 
intensifica as diferenças entre ambas, aumentando quanto maior for o grau 
de diferença e maior for o grau de contato, chegando a seu máximo contraste 
quando uma cor está rodeada por outra. O efeito de contraste é recíproco, já 
que afeta as duas cores. 
Existem diferentes tipos de contrastes — vejamos quais são eles.
Contraste de luminosidade 
Também denominado contraste claro-escuro, é produzido ao se confrontar 
uma cor clara ou saturada de branco com uma cor escura ou saturada de preto. 
Psicodinâmica das cores12
É um dos contrastes mais efetivos, sendo muito recomendável para conteúdos 
textuais, que devem destacar com clareza sobre o fundo.
Figura 10. Contraste de luminosidade.
Fonte: Moreno (2018, documento on-line).
Contraste de valor
Quando se apresentam dois valores diferentes em contraste simultâneo, o mais 
claro parecerá mais alto e o mais escuro, mais baixo. Por exemplo, ao colocar 
dois quadrados vermelhos, um sobre fundo esverdeado e o outro sobre fundo 
laranja, o situado sobre fundo esverdeado parecerá mais claro. A justaposição 
de cores primárias exalta o valor de cada um.
13Psicodinâmica das cores
Figura 11. Contraste de valor.
Fonte: Moreno (2018, documento on-line).
Contraste de saturação
Origina-se da modulação de um tompuro, saturando-o com branco, preto ou 
cinza. O contraste pode se dar entre cores puras ou pela confrontação delas 
com outras não puras. As cores puras perdem luminosidade quando se adi-
ciona preto, e variam sua saturação com a adição do branco, modificando os 
atributos de calor e frieza. O verde é a cor que menos muda ao ser misturada 
tanto com o branco quanto com o preto. Como exemplo, se situarmos sobre 
o mesmo fundo três quadrados com diferentes saturações de amarelo, o mais 
puro sempre se contrastará mais.
Figura 12. Contraste de saturação.
Fonte: Moreno (2018, documento on-line).
Psicodinâmica das cores14
Contraste de temperatura
É o contraste produzido ao se confrontar uma cor quente com outra fria. 
A frieza de uma cor é relativa, já que a cor é modificada pelas cores que a 
rodeiam. Sendo assim, um amarelo pode ser quente em relação a um azul e 
frio em relação a um vermelho. Além disso, um mesmo amarelo pode ser 
mais quente se estiver rodeado de cores frias, e menos quente se rodeado com 
vermelho, laranja, etc.
Figura 13. Contraste de temperatura.
Fonte: Moreno (2018, documento on-line).
Contraste de complementares
Duas cores complementares oferecem, juntas, as melhores possibilidades de 
contraste, embora o violenta predomine visualmente quando se combinam 
15Psicodinâmica das cores
duas cores complementares intensas. Para conseguir uma harmonia, convém 
que uma delas seja a sua cor pura, e as outras estejam moduladas com branco 
ou preto.
Figura 14. Contraste de complementares.
Fonte: Moreno (2018, documento on-line).
Contrastes com uso de cor brilhante 
Uma cor pura e brilhante aplicada a uma grande extensão da página costuma 
ser irritante e cansativa (especialmente, o amarelo). Entretanto, quando usada 
em pequenas proporções e sobre um fundo apagado, pode criar a sensação 
de dinamismo.
Duas cores claras brilhantes colocadas uma ao lado de outra produzem um 
efeito de rejeição, enquanto que, se situamos essas mesmas duas cores uma 
dentro da outra, o efeito muda completamente.
Psicodinâmica das cores16
Figura 15. Contraste uso de cor brilhante.
Fonte: Moreno (2018, documento on-line).
Figura 16. Cores juntas e sobrepostas.
Fonte: Moreno (2018, documento on-line).
Metamerismo
Uma mesma cor pode mudar muito seu aspecto visual, dependendo da cor 
na qual se encontrar embutida. Esse efeito muda a aparência de uma cor de-
pendendo da luz incidente sobre ela, do material de que é feita ou da cor que 
lhe sirva de fundo. Na Figura 17, vemos dois retângulos amarelos, um sobre 
17Psicodinâmica das cores
fundo azul e outro sobre fundo preto. Os dois retângulos são do mesmo tom 
de amarelo, porém parecem diferentes: no fundo azul, a pureza do amarelo 
fica mascarada, enquanto no fundo preto, o amarelo mostra toda a sua pureza 
e frescor.
Figura 17. Metamerismo.
Fonte: Moreno (2018, documento on-line).
A pós-imagem da cor
Um fenômeno interessante de ser observado é o da pós-imagem. Quando, por 
exemplo, fixamos o olhar durante algum tempo em uma superfície vermelho-
-magenta e rapidamente mudamos para uma superfície branca, veremos, no 
lugar dessa superfície branca, uma verde, que é a sua cor complementar. 
Segundo a teoria da forma, o olho tende a efetuar uma complementação. 
Assim, as pós-imagens serão sempre complementares da cor que o indivíduo 
tenha fixado. 
Psicodinâmica das cores18
Figura 18. Pós-imagem.
Fonte: Lablux (2008, documento on-line).
A vista adaptada a uma cor torna-se mais sensível às cores contrárias. Essa 
sensibilidade aumenta de acordo com a intensidade ou duração da excitação, 
até o ponto de saturação. Quando uma parte da retina se satura sob o efeito 
de uma cor, a parte restante reage de várias maneiras, podendo até criar, 
fisiologicamente, a cor que lhe é contrária, como forma de dessaturação, em 
busca do equilíbrio perdido. Esse é o mecanismo fisiológico da formação dos 
contrastes simultâneos e sucessivos de cores, das imagens posteriores negativas 
e positivas, dos efeitos de deslumbramento e da cegueira momentânea causada 
pelos ambientes escuros aos olhos adaptados à claridade. 
Independentemente de percebermos ou não, todos os estímulos coloridos 
geram pós-imagens. Algumas são fracas e momentâneas, outras são mais fortes 
e de duração mais prolongada, dependendo da intensidade e da duração de 
exposição ao estímulo. Embora essas imagens transitórias não sejam tratadas 
como ilusões, mas sim sensações reais, elas podem produzir efeitos de cores, 
que podem ser considerados misteriosos e ilusórios quando suas causas não 
são conhecidas. 
Para que serve o conhecimento tão exato desse fenômeno? Acontece 
que o cansaço visual que ocorre quando somos expostos a áreas altamente 
iluminadas (iluminação intensa em locais de trabalho, em laboratórios, 
salas de cirurgia, ambientes de regulagem de aparelhos de precisão, e até 
supermercados) pode ser amenizado com o uso correto de cores e iluminação. 
19Psicodinâmica das cores
Atualmente, em salas de cirurgia, utilizam-se azulejos, pisos, lençóis, aventais, máscaras 
e vestimentas em cor verde-azulada, pois essa cor é a complementar à dos tecidos do 
corpo humano, que é vermelho-alaranjada. Lençóis brancos geram pós-imagens negras 
e fazem os cirurgiões perderem preciosos segundos até que sua retina se adapte ao 
novo campo visual. Lençóis verde-azulados geram pós-imagens vermelho-alaranjadas 
e possibilitam ao cirurgião ver com exatidão o campo operatório. Em todo e qualquer 
trabalho em que a pessoa necessita de extrema acuidade visual, recomenda-se fazer 
compensações visuais dessa ordem.
Nas peças gráficas que estão expostas a luz intensa, também é necessário 
cuidar para que não aconteça a geração da pós-imagem concomitante. No 
cinema e na televisão, esse problema ocorre em menor escala, devido à alta 
emitida refletida pela tela ou vídeo.
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Psicodinâmica das cores20
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21Psicodinâmica das cores
ESTUDO DA 
PLÁSTICA
Vanessa Guerini 
Scopell 
Influência das cores 
no ambiente
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Reconhecer as cores e suas composições.
 � Identificar características sensoriais das cores.
 � Explicar a utilização das cores na concepção dos projetos arquitetônicos.
Introdução
Neste capítulo, você vai estudar sobre o conceitodas cores, seus signifi-
cados e sua importância para a arquitetura e o design de interiores, além 
de aprender a criar, por meio de sua teoria, combinações adequadas para 
cada objetivo específico.
As cores e suas composições
A arquitetura é uma área complexa e instigante influenciada por diversos 
aspectos e fatores. Nas fachadas externas e, principalmente, nos ambientes 
internos, as cores são elementos chave para os projetos, pois são capazes de 
transformar os espaços e transmitir diferentes sensações. Segundo Ching e 
Eckler (2014, p. 54), a cor pode ser compreendida como:
[...] um fenômeno de luz e percepção visual que pode ser descrito em termos 
da percepção que um indivíduo tem de matiz, saturação e valor tonal. A cor 
é o atributo que mais claramente distingue uma forma de seu ambiente. Ela 
também afeta o peso visual de uma forma.
Assim, a cor, a textura e o padrão de superfícies, como paredes, teto e 
pisos, afetam a nossa percepção de suas posições relativas no espaço, bem 
como a nossa consciência das dimensões, escalas e proporções de um recinto. 
A cor é um recurso importante na comunicação visual de objetos, mobili-
ários e espaços, pois acrescenta dinamismo ao design, atrai a atenção e pode 
produzir reações emocionais. Ambrose (2012, p. 117) afirma que “com a cor 
livremente disponível, a disciplina em seu uso é necessária para que designs 
sejam convincentes e legíveis. O uso da cor deve enriquecer a capacidade de 
um design de comunicar, conferindo-lhe hierarquia e ritmo”. 
Por ser um instrumento eficiente de comunicação, é importante compreender a 
terminologia das cores a fim de utilizá-las da maneira mais adequada. As cores são 
divididas em primárias, secundárias e terciárias. As cores primárias são aquelas 
que podem ser combinadas para produzir uma gama de cores. A reprodução da 
cor se baseia no princípio da visão tricromática do olho humano, que contém 
receptores sensíveis a cada uma das cores primárias aditivas da luz: vermelho, 
verde e azul. As cores primárias dividem-se conforme a seguir (Figura 1).
 � Primárias aditivas: a luz branca é feita de vermelho, verde e azul 
claro — as primárias aditivas. Quando apenas duas das cores primárias 
aditivas são combinadas, elas criam uma das cores subtrativas primárias. 
As cores primárias aditivas também são chamadas de cor luz, utilizadas 
em refletores, tubos de imagem, computadores e televisores, em que 
vermelho, verde e amarelo são conhecidos como RGB (red, green, blue). 
 � Primárias subtrativas: as primárias subtrativas funcionam da mesma 
forma, pois, quando duas são combinadas, formam uma aditiva primária; 
quando todas são combinadas, geram o preto. Essas são as primárias 
utilizadas no processo de impressão em quatro cores para reproduzir as 
primárias aditivas. As cores subtrativas também são chamadas de cor 
pigmento, utilizadas nos processos de pigmentação de tintas, conhecidas 
como CMYC (cian, magent, yellow e black).
As cores secundárias são produzidas a partir de quaisquer duas cores 
primárias utilizadas em proporções iguais (Figura 2). 
As cores terciárias têm misturas ou intensidades iguais às das cores pri-
márias e secundárias adjacentes na roda das cores, ou seja, uma cor primária 
misturada a uma cor secundária gera uma cor terciária. Existem seis cores 
terciárias: vermelho-alaranjado, amarelo-alaranjado, amarelo-esverdeado, 
azul-esverdeado, azul-violeta e vermelho-violeta (Figura 3).
Para compreender como funcionam as cores primárias, terciárias e suas 
relações, utiliza-se o círculo cromático (Figura 4). Essa roda de cores é uma 
ferramenta guia que permite aos profissionais selecionar um esquema de cores 
que possua certa combinação.
Influência das cores no ambiente2
Figura 1. Cores primárias aditivas e subtrativas.
Fonte: Ambrose (2012, p. 122).
Figura 2. Exemplo de combinação de cores primárias gerando uma cor secundária.
Fonte: Ambrose (2012, p. 123).
Figura 3. Cores terciárias.
Fonte: Ambrose (2012, p. 123).
3Influência das cores no ambiente
O círculo é o espectro de cores organizadas em uma roda que explica vi-
sualmente a teoria das cores; por exemplo, como as cores primárias podem 
interagir para criar as cores secundárias e as cores terciárias. As cores podem 
ser descritas como quentes e frias. Existem associações profundas com as 
cores vermelho, laranja e amarelo, que nos lembram o fogo, o sol e o calor; 
tonalidades mais frias nos lembram a água, a natureza (terra e folhagens), o 
mar e o céu à noite (AMBROSE, 2012, p. 126).
Figura 4. Círculo cromático.
Fonte: Ambrose (2012, p. 126).
O círculo cromático pode ser utilizado para criar uma paleta harmoniosa 
destinada a um design por meio da seleção de combinações de cores que 
funcionem bem juntas. Para isso, existem alguns métodos que podem ser 
utilizados para selecionar uma paleta de cores, dependendo do número de 
Influência das cores no ambiente4
cores necessárias. Esses métodos são nomeados como: monocromia, cores 
complementares, cores complementares divididas, tríade, cores análogas, 
complementares mútuas, cor complementar próxima e cor complementar dupla.
É importante ressaltar que, conhecendo a terminologia das cores e os 
tipos de combinações do círculo cromático, é possível definir uma paleta de 
cores que esteja voltada à ideia de cada proposta, combinando com o tipo de 
ambiente, o clima, as atividades, os usos e a mensagem que o projeto quer 
passar ao seu usuário.
Para entender como combinar as cores do círculo cromático a partir dos métodos de 
combinações, faça a leitura do capítulo “Cor”, da obra Fundamentos de design criativo 
(AMBROSE, 2012).
As características sensoriais das cores
A cor é um aspecto que está relacionado à luz. Conforme Pedrosa (1999), a 
cor é apenas uma sensação produzida por organizações nervosas sob a ação 
da luz, não tendo qualquer existência material. Assim, pode-se dizer que a 
cor está condicionada à luz, que age como estímulo, e ao olho humano, que 
recebe esse estímulo e o transforma em cor. 
A cor é um recurso utilizado desde os primórdios da humanidade, há mais 
de 200 mil anos. Em um primeiro momento, era utilizada pelo homem da 
Idade do gelo, que sepultava os mortos e pintava os ossos na cor vermelha. Aos 
poucos, as variações foram se desenvolvendo, e novas cores foram surgindo 
juntamente com a evolução da humanidade. Conforme Farina (1990, p. 49), “a 
cor exerce uma ação tríplice: a de impressionar, a de expressar e a de construir”.
Golding e White (1977, p. 27) ressaltam que “desde a antiguidade, cientistas, 
filósofos, artistas e estudiosos da arte defendem que a cor tem um forte poder 
de influência no comportamento dos seres humanos”. Esse recurso apresenta 
aspectos estéticos e psicológicos importantes na vida das pessoas. Assim, se a 
cor é aplicada corretamente, interage positivamente, porém, se for inadequada 
pode provocar cansaço visual, desconforto, estresse, entre outras possíveis 
consequências. É notório que o uso das cores pode afetar questões psicológicas, 
5Influência das cores no ambiente
sensoriais e comportamentais das pessoas. As cores sempre influenciaram 
a humanidade e são, hoje, uma das características básicas da nossa vida, e 
não podem ser analisadas apenas pela mera sensação visual, mas como uma 
influência psicológica.
A reação dos indivíduos às cores se manifesta de forma particular e sub-
jetiva, e está relacionada a vários fatores. As cores são estímulos psicológicos 
que influenciam o fato de gostar ou não de algo, negar ou afirmar, abster-se ou 
agir. As sensações sobre as cores baseiam-se em associações ou experiências 
agradáveis ou desagradáveis. A cor é também dimensão, porque aumenta ou 
diminui, aparentemente, o tamanho de um ambiente, afastando ou aproximando 
objetos. Com o uso da cor, as distâncias visuais podem se tornar relativas 
como, por exemplo: tons claros nas paredes dão a impressão de um ambiente 
mais amplo; já tetos escuros parecem mais baixos. 
Na arquitetura, as cores são de fundamentalimportância. Cada cor gera 
uma sensação diferente, e seu significado deve ser levado em conta na hora 
de usar as cores nos projetos. 
Azul: o azul transmite sentimentos de confiança, sabedoria, solidez e tradição. 
As tonalidades azuis, simbolicamente associadas à imensidão do céu, às águas 
claras e à espiritualidade, provocam sensações refrescantes. Considerada 
uma cor fria, causa impressão de profundidade no ambiente. Ao contrário do 
amarelo, que é estimulante e próximo à luz, o azul pode transmitir serenidade 
e paz. Por ser a cor mais escura, provoca também sensação de frio e repouso. 
Deve-se ter cuidado com o tom de azul, pois pode deprimir ao fim de algum 
tempo. O azul em sua tonalidade mais clara traz sensação mais alegre. 
Verde: a cor da juventude, da natureza e do crescimento, tem fama de acalmar, 
pois não força a visão. É a cor que está no ponto de equilíbrio entre claro e 
escuro, calor e frio, reservada e repousante. Simboliza o bem-estar, a saúde, o 
frescor, a esperança, a segurança, o equilíbrio, a juventude, a tranquilidade e 
a suavidade. Em seu tom claro, torna-se uma cor tranquilizante e até sedativa, 
podendo ser utilizada em quartos, salas de estar e escritórios. Em seu tom 
mais escuro, pode trazer sensação de seriedade e segurança.
Vermelho: cor do fogo e do sangue, o vermelho é a cor mais importante para 
muitos povos por ter ligação com o princípio da vida. Considerada cor quente, 
é excitante, anima, traz confiança, força de vontade e agilidade para tomarmos 
iniciativas. Estimula as emoções e produz nervosismo, inibe o medo e as 
preocupações. É uma cor estimulante e dinâmica e, por isso, deve ser usada 
Influência das cores no ambiente6
com cautela. O vermelho provoca sensações diferentes dependendo do grau 
de saturação. Vermelho escuro causa impressão de seriedade, autoridade e 
respeito, e ainda de ostentação ao ambiente. 
Amarelo: conhecida como uma cor que ativa os sentidos, o amarelo pode 
estimular a criatividade e, ao mesmo tempo, se combinado com cores análogas, 
passar um sentimento de calor. A cor amarela é muito utilizada para estimular 
a comunicação e as atividades mentais, como o raciocínio. É a mais clara das 
cores e a que mais se aproxima do branco. Eleva a nossa capacidade de reali-
zação e não apresenta aspecto tão agressivo como o laranja e o vermelho. O 
amarelo é ideal em áreas de alimentação, como cozinha e sala de jantar, pois 
estimula o apetite. É também bem empregado em áreas de estudo e escritórios, 
pois estimula as atividades intelectuais, além de ambientes que necessitam 
de uma atmosfera ativa. 
Laranja: não tão excitante quanto o vermelho, nem tão luminoso quanto o 
amarelo, o laranja pode transmitir uma ideia de transição e, até mesmo, de 
rusticidade, quando associado a texturas. Está ligado à ideia de vitalidade, 
alegria e energia. Essa cor representa energia, calor, fogo, podendo proporcio-
nar vitalidade, dinamismo, elevar o nosso ânimo e reduzir a depressão. É um 
estimulante físico e mental, alargando a mente e abrindo-a para novas ideias, 
podendo ser empregada em locais de trabalho e estudo. Também estimula o 
apetite, podendo ser usada em locais de alimentação.
Roxo ou lilás: o significado dessa cor remete a sabedoria, fantasia, mistério 
e espiritualidade. É uma cor que acalma e transmite bem-estar. Considerada 
uma cor fria, estimula nosso lado psíquico e espiritual, trazendo lucidez e 
equilíbrio às nossas atitudes. Está ligada à ideia de saudade, melancolia, mis-
ticismo e espiritualidade. Pode ser empregada em ambientes mais tranquilos, 
de atividades espirituais ou de meditação, no quarto ou em outro ambiente 
de relaxamento.
Rosa: a cor rosa em tons claros expressa inocência; em tons mais escuros, 
inspira desejo, afeto e feminilidade. 
Marrom: a simbologia da cor marrom transmite sensação de tradição, con-
servadorismo, confiabilidade, solidez e segurança. O marrom é uma boa cor 
para atividades que exijam concentração, como bibliotecas e escritórios. 
Transmite, ainda, sensação de sobriedade e circunspecção. 
7Influência das cores no ambiente
Preto: a cor preta, de acordo com o contexto, pode representar tristeza e 
luto. Contudo, se for bem utilizada, transmite nobreza, tradição, curiosidade, 
superioridade, poder e profissionalismo. Possui a propriedade física de absor-
ver quase todos os raios luminosos que incidem sobre ela. Pode transmitir a 
sensação de seriedade e prudência. O preto é uma cor sofisticada, imponente. 
É utilizada em pequenas áreas ou em elementos decorativos, quando se deseja 
um clima solene e sóbrio no ambiente.
Branco: a cor branca, em combinação com outras cores, é harmônica, expressa 
paz, fé, luz e pureza. Não precisa ser utilizada como cor predominante. É uma 
cor que traz bastante luminosidade e simplicidade ao ambiente.
Cinza: o cinza é uma cor clássica, neutra, que transmite elegância e respeito. 
É uma cor passiva, sem vida, não relaxa, nem anima, não interferindo nas 
sensações. Por esse motivo, é bem empregada junto com outras cores.
O uso correto de cada cor e de suas combinações pode trazer grandes 
resultados, como aumentar o desempenho nas atividades, elevar a moral, 
reduzir ou aumentar a intensidade de luz, diminuir o esforço visual, além de 
ampliar ou reduzir espaços. Com isso, ressalta-se que a cor é um recurso de 
comunicação poderoso porque apresenta diversos significados codificados 
enquanto confere certo dinamismo ao design. Ela pode representar diferentes 
estados emocionais ou humores e ser utilizada para obter reações emotivas 
específicas do receptor. Também pode referir-se a categorias específicas de 
produtos ou conceitos. 
As primeiras pesquisas sobre a psicologia das cores foram realizadas pelo psiquiatra 
Carl Jung, que as estudou como uma ferramenta para a psicoterapia. A partir desse 
estudo, ele definiu os seguintes princípios básicos.
 � Cada cor tem um significado específico.
 � O significado da cor é biológico ou aprendido.
 � Uma pessoa que percebe uma cor irá avaliá-la automaticamente.
 � A avaliação de uma cor provoca um comportamento induzido por ela.
 � A influência da cor é automática.
 � O significado de uma cor é afetado pelo contexto em que ela está inserida.
As cores de acordo com o tipo de ambiente
As cores frias, como azul, roxo e verde, são melhores para locais em que as pessoas 
precisam estar calmas e relaxadas. 
Influência das cores no ambiente8
O branco é indicado para áreas como hospitais ou laboratórios, onde a esterilidade 
é necessária. No entanto, por não ser uma cor muito relaxante, não é muito indicada 
para escritórios e outros ambientes de trabalho. Nesses locais, opte por cores como 
verde e azul.
O vermelho não é indicado para escritórios ou ambientes residenciais, porém, 
pode ser uma opção interessante para locais de passagem, em que as pessoas não 
permanecem por muito tempo, e também para restaurantes e lanchonetes.
Além de pensar no efeito das cores sobre os usuários, a escolha certa pode ser um 
fator importante para mantê-los felizes e satisfeitos. Por isso, é importante pensar no 
tipo de sensação que você deseja causar para, então, optar pela cor ideal.
Fonte: Marques (2017).
O uso das cores nos projetos de arquitetura
Cada projeto de arquitetura parte de um problema a ser resolvido. A partir disso, 
ideias são geradas a fim de buscar alternativas que solucionem o problema e 
que estejam adequadas a cada uso, contexto, necessidade, estilo e perfil de 
cliente. Nesse sentido, para alcançar determinados objetivos da proposta, 
utilizam-se as cores mais adequadas para cada finalidade. 
A cor define a identidade dos espaços, das pessoas, dos objetos. É também 
uma ferramenta de inestimável utilidade para a indústria, o comércio, os 
decoradores, etc. O processo de definição e de escolha das cores trata-se de 
uma ciência que impõe equilíbrio e harmonia. Mas sabe-se que a cor está para 
além de questões estéticas, pois, por exemplo, os estudos da cromoterapia nos 
revelam a influênciada cor na vida das pessoas, servindo para estabelecer 
o equilíbrio e a harmonia do corpo, da mente e das emoções (BECK et al., 
2007, p. 3).
Para Luft (2011), após conhecer alguns aspectos culturais da cor, é possível 
observar seu uso na arquitetura, que deve atender à funcionalidade do ambiente, 
mas também a fatores subjetivos que não são comuns a todos, analisados 
mediante a necessidade de cada cliente. A cor deve sempre ser usada a fim de 
favorecer o espaço, trabalhar a atenção, priorizar as atividades que ocorrem 
no local, evitando a sobrecarga de informações. O ideal é que rompa com a 
monotonia conforme a personalidade do ambiente e de seus usuários, sem 
pontos de perturbação, colaborando para a identidade visual necessária a 
uma boa proposta.
9Influência das cores no ambiente
Por meio de alguns projetos de arquitetura e interiores, é possível identificar 
o uso das cores e seus objetivos. No projeto arquitetônico apresentado pela 
Figura 5, a cor amarela aplicada na superfície externa evidencia certo volume 
ou detalhe construtivo, mimetizando, visualmente, determinados aspectos do 
espaço. Pode também propiciar um conjunto de emoções ou efeitos visuais.
Figura 5. Edificação com elemento em destaque.
Fonte: Pereira (2018, documento on-line).
Em projetos infantis, as cores são utilizadas com a finalidade de estimular o 
aguçamento psíquico sensorial na criança. Percebe-se isso no projeto da Escola 
Alto de Pinheiros, localizada em São Paulo. Nessa fachada, o uso das cores 
teve por intuito evidenciar os valores da escola, melhorando a comunicação 
com os estudantes, fazendo com que eles se sintam parte do espaço e que 
possam brincar com os brises coloridos. A ideia de utilizar diferentes tons 
teve a intenção de promover um ambiente sensorial que contribuísse com a 
experiência da aprendizagem (Figura 6).
Influência das cores no ambiente10
Figura 6. Brises coloridos na fachada da escola.
Fonte: Vannucchi (2016, documento on-line).
Em projetos hospitalares, ou dedicados à área da saúde, as cores são em-
pregadas como elemento complementar na reabilitação de pacientes, como na 
Fundação Esther Koplowitz para pacientes com paralisia cerebral, localizada 
em Madri e projetada por Hans Abaton. Esse projeto oferece uma imagem 
otimista e alegre em seu conjunto, um lar onde reside a esperança da melhora. 
Por um lado, foi possível integrar o projeto adaptando sua escala ao bairro de 
casas térreas que o rodeia; por outro, confere-se uma personalidade própria 
a cada dormitório, com uma gama cromática que consegue atingir unidade e 
diferenciação simultaneamente (Figura 7).
Em projetos de interiores, cada cor está relacionada a uma intenção. Nos 
espaços da Livraria Zhongshu, localizada na China, foram utilizados materiais 
e cores com o intuito de remeter a sensações e intenção de cada ambiente. 
Na área destinada aos lançamentos de livros, prevalece a cor branca, que foi 
usada para destacar as capas de cada livro, não interferindo em sua percepção 
(Figura 8).
No espaço que interliga a entrada ao salão principal, prevalece o tom azul 
escuro, a fim de evidenciar o objetivo do ambiente, uma área mais intimista 
que busca transmitir a sensação de o usuário estar entrando no mundo da 
imaginação (Figura 9).
11Influência das cores no ambiente
Figura 7. Fachada da Fundação Esther Koplowitz.
Fonte: Abaton (2015, documento on-line).
Figura 8. Espaço de lançamentos da Livraria Zhongshu. 
Fonte: Pedrotti (2017, documento on-line).
Influência das cores no ambiente12
Figura 9. Espaço de circulação da Livraria Zhongshu. 
Fonte: Pedrotti (2017, documento on-line).
A área maior proporciona uma variedade de experiências. Aproveitando 
as diferentes alturas das prateleiras, dos degraus e das mesas, os arquitetos 
criaram uma paisagem abstrata de vales, ilhas, oásis e penhascos. Nesse 
espaço, foram instaladas placas de alumínio perfuradas em diferentes cores 
simulando um arco-íris dentro da livraria. Esses painéis de 1 cm de espessura 
dividem zonas com diferentes funções, trazendo uma atmosfera misteriosa 
para todo o espaço (Figura 10). 
13Influência das cores no ambiente
Figura 10. Espaço da Livraria Zhongshu. 
Fonte: Pedrotti (2017, documento on-line).
A partir dos exemplos de projetos, podemos perceber que a cor, além de 
estar associada a diversas sensações, é um recurso que colabora para a seto-
rização dos espaços, criação de identidade e definição de intenções. Utilizada 
em vários tons coloridos, com somente um tom prevalente ou, simplesmente, 
em elementos pontuais, ela é capaz de contribuir para cada espaço e proposta, 
com grande valor para os projetos de arquitetura.
Influência das cores no ambiente14
ABATON, H. Fundação Esther Koplowitz para pacientes com paralisia cerebral / Hans 
Abaton. 2015. 1 fotografia. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/771997/
fundacao-esther-koplowitz-para-pacientes-com-parasilia-cerebral-hans-abaton>. 
Acesso em: 14 dez. 2018.
AMBROSE, G. Fundamentos de design criativo. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.
BECK, C. L. C. et al. A linguagem sígnica das cores na ressignificação (humanização) de 
ambientes hospitalares. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 
3., 2007, Santos. Anais... São Paulo: Intercom, 2007. p. 1-11. Disponível em: <http://www.
intercom.org.br/papers/nacionais/2007/resumos/R1227-1.pdf>. Acesso em: 13 dez. 2018.
CHING, F. D. K.; ECKLER, J. F. Introdução à arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2014.
FARINA, M. Psicodinâmica das cores em comunicação. 4. ed. São Paulo: Edgard Blucher, 
1990.
GOLDING, M.; WHITE, D. Guia de cores para Web Designers. São Paulo: Quark, 1977.
LUFT, M. G. C. Um estudo de cores em Josef Albers para um ambiente infantil. DAPes-
quisa, Florianopolis, v. 6, n. 8, p. 287-305, 2011. Disponível em: <http://www.revistas.
udesc.br/index.php/dapesquisa/article/view/14017/9123>. Acesso em: 13 dez. 2018.
MARQUES, M. O efeito das cores no ambiente de trabalho. Marcus Marques, Goiânia, 
29 maio 2017. Disponível em: <http://marcusmarques.com.br/pequenas-e-medias-
-empresas/efeito-das-cores-no-ambiente-de-trabalho>. Acesso em: 14 dez. 2018.
PEDROSA, I. Da cor à cor inexistente. Rio de Janeiro: Léo Christiano, 1999.
PEDROTTI, G. Livraria Zhongshu / Wutopia Lab. 2017. 1 fotografia. Disponível em: <ht-
tps://www.archdaily.com.br/br/881074/livraria-zhongshu-wutopia-lab>. Acesso em: 
14 dez. 2018.
PEREIRA, M. O papel da cor na arquitetura. 2018. 1 fotografia. Disponível em: <https://
www.archdaily.com.br/br/894425/o-papel-da-cor-na-arquitetura>. Acesso em: 14 
dez. 2018.
VANNUCCHI, P. Escola em Alto de Pinheiros / Base Urbana + Pessoa Arquitetos. 2016. 1 
fotografia. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/797184/escola-em-alto-
-de-pinheiros-base-urbana-plus-pessoa-arquitetos>. Acesso em: 14 dez. 2018.
Leituras recomendadas
CHING, F. D. K.; JUROSZEK, S. P. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 
2012.
GURGEL, M. Projetando espaços: design de interiores. 5. ed. São Paulo: Senac São Paulo, 
2013.
15Influência das cores no ambiente
Conteúdo:
EXPRESSÃO
PLÁSTICAS 
Amanda Guimarães Rodrigues
Cor
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Conceituar harmonia da cor em design de interiores.
 � Reconhecer os princípios da cor e os seus esquemas cromáticos.
 � Exercitar a relação, a percepção e a experimentação da forma a partir 
de diferentes esquemas cromáticos.
Introdução
A cor é um dos elementos compositivos mais importantes pois transmite 
sensações que dependem tanto da história do homem quanto do seu 
repertório de memórias individuais. No design de interiores, além das 
inúmeras composições possíveis, é ela que determina o conceito do 
projeto, de acordo com as escolhas do cliente. Para cada escolha é es-
sencial o estudo e a prática das possíveis combinações entre as variadas 
cores existentes.
Quando as cores são utilizadas de maneira equivocada em um projeto 
de ambientes,as sensações provocadas por elas são as mais controversas 
e podem tornar o ambiente desarmônico e incômodo. Uma boa escolha 
da paleta de cores favorece a harmonia na composição ambiental e 
garante a efetividade das variadas percepções que serão estimuladas 
por esse ambiente.
Neste capítulo, você vai estudar esses conceitos de harmonia em 
design de interiores, assim como os princípios da cor e os seus possí-
veis esquemas cromáticos. Também irá aprender a praticar a relação, a 
percepção e a experimentação dos elementos compositivos a partir da 
teoria do círculo das cores.
Cor em design de interiores
A cor sempre esteve presente na história do homem. Na Pré-história, foi 
encontrada nas pinturas das cavernas, e descobriu-se que ela não era utilizada 
somente para valorizar os desenhos, mas também para destacar a função de luz 
e sombra por meio do uso da volumetria. Nessa época, a cor tinha conotação 
mágica e simbólica. Passando também pelo Egito, por Roma, pela Grécia, pela 
China da antiguidade e pelos dias atuais, o uso da cor foi se desenvolvendo e 
marcando cada momento histórico. Na Figura 1, a seguir, você pode observar 
o uso da cor em alguns desses lugares.
Definição
Além dos aspectos culturais e históricos, a cor é definida, fisicamente, como 
a percepção estimulada pela ação da luz sobre os olhos, órgãos do sentido 
da visão. Para que esse fenômeno aconteça é necessária a participação de dois 
componentes: a luz e o olho. A cor se origina da capacidade que um corpo 
tem de absorver e de refletir a luz. Cada cor aparecerá conforme o feixe de 
luz refletido. Observe essa característica na Figura 2.
Cor2
Figura 1. O uso da cor na (a) China, no (b) Egito e em (c) Roma.
Fonte: PlusONE/Shutterstock.com, Marcin Sylwia Ciesielski/Shutterstock.com e 
Marco Ossino/Shutterstock.com.
3Cor
Figura 2. Comportamento da superfície de um objeto.
Superfície branca Superfície azul Superfície preta
Os feixes de luz se originam a partir do espectro de cor, descoberto por 
Isaac Newton por meio de sua experiência. Seus experimentos partiram do 
princípio de que a energia é a emanação de ondas eletromagnéticas de fre-
quências rápidas e diferentes entre si e invisíveis ao olho humano. Com base 
nesse conceito, surgiu o espectro colorido que é composto por ondas dessa 
natureza, com comprimentos diferentes. É delimitado pelas luzes de ondas 
de maior e de menor comprimento, vermelha e violeta, respectivamente. 
Observe na Figura 3.
Figura 3. Espectro de cor.
Fonte: Garcia (2014, documento on-line).
Classificação
A cor, definida como estímulo, também pode ser classificada em:
Cor4
 � Cor luz — é a radiação luminosa que tem a luz branca como síntese. 
A luz solar é a expressão máxima de uma cor luz, pois reúne todas as 
cores existentes na natureza. Quando essas cores são separadas uma 
por uma, são chamadas de luzes monocromáticas.
 � Cor pigmento — componente material que, a depender da sua natureza, 
absorve, reflete e refrata o raio de luz que determina sua nomeação. As 
cores pigmentos podem ser classificadas por sua origem como:
 ■ cores primárias — são aquelas que se formam a partir delas, unica-
mente: são a azul, a vermelha e a amarela; 
 ■ cores secundárias — são as derivadas com as misturas de duas cores 
primárias: laranja, verde, violeta. 
 ■ cores terciárias — são as que se formam com a mistura de uma cor 
secundária com uma primária: vermelho-arroxeado e vermelho-ala-
ranjado, amarelo-esverdeado e amarelo-alaranjado, azul-arroxeado 
e azul-esverdeado;
 ■ cores complementares — são as formadas a partir da neutralização 
e derivam na cor cinza. 
As cores também podem ser classificadas de acordo com as sensações 
transmitidas e com as tonalidades. Podem ser neutras (quando possuem pouca 
reflexão: marrom e tons de cinza), quentes (quando transmitem a sensação 
de calor: vermelho, laranja e amarelo) e frias (quando transmitem a sensação 
de frio: azul, verde e violeta).
Harmonia das cores em design de interiores
Considerando os conceitos citados, pode-se entender o uso das cores no design 
de interiores. Por meio da harmonização das cores é possível criar ambientes 
agradáveis, funcionais e atraentes, mas, para isso, é fundamental conhecer 
as relações de harmonia entre elas. 
Harmonizar é criar uma relação entre cores que resultem em equilíbrio das forças. Na 
observação da natureza, é possível encontrar um bom exemplo de como as cores 
podem conviver de maneira equilibrada.
5Cor
O uso das cores no design de interiores deve também oferecer o aspecto 
funcional e também os aspectos subjetivos do ambiente. A cor tem a finalidade 
de favorecer os ambientes, focar a atenção e privilegiar as atividades desse 
ambiente com o intuito de equilibrar os diversos tipos de informações que 
constam nele. O objetivo é quebrar a monotonia de acordo com os desejos do 
usuário, contribuindo com a personalização do projeto.
Classificação da harmonia das cores
As cores se combinam por meio da semelhança, da afinidade, do contraste, 
da oposição ou da aproximação. Pedrosa (2002), classifica a harmonia das 
cores em:
 � consoante — afinidade de tons de uma determinada cor;
 � dissonante — quando dois tons se complementam;
 � assonante — quando os pares de complementares e seus tons se 
combinam.
Essa harmonia pode ser dividida em dois grupos: cores relacionadas e 
cores contrastantes.
Cores relacionadas
As cores relacionadas são uma combinação de cores que possuem uma parte 
de uma cor comum a todas e são subdivididas em:
 � esquema harmônico neutro — formado pela variação do preto e do 
branco com cinza;
 � esquema harmônico monocromático — composto pela variação tonal 
ou de saturação de uma única cor;
 � esquema harmônico análogo — composto pela combinação de até três 
cores que se encontram próximas dentro do espectro de cor. 
A Figura 4 apresenta tipos de cores relacionadas.
Cor6
Figura 4. Tipos de cores relacionadas.
Cores contrastantes
Cores contrastantes são a combinação de cores diferentes entre si; porém 
com os mesmos tons ou com tonalidades diferentes entre as cores. As cores 
complementares são as mais usadas para essa combinação.
A teoria da cor de Goethe
Goethe, escritor alemão, é autor do livro A teoria das cores, o qual é a base para o que 
se sabe sobre cores. Também criou o círculo de cores (Figura 5). Apesar de Aristóteles 
e Newton já terem apresentado estudos sobre a cor, foi Goethe que fez os principais 
estudos sobre elas. Ele concluiu que as sensações transmitidas pelas cores eram mol-
dadas pela percepção humana, pela visão e pela forma de como o cérebro processa 
essa informação. 
7Cor
Princípios da cor e seus esquemas cromáticos
Princípios da cor
As cores instigam o homem e seus efeitos, interferem no cotidiano e na vida, 
provocam sensações de alegria, tristeza, depressão, euforia, atividade ou 
passividade, frio ou calor, caos ou ordem, etc. Isso proporciona aos usuários 
a memorização de funções e até de regras, por isso, as cores são classificadas 
em uma composição cromática:
 � dominante — quando aplicada em superfícies de grande extensão;
 � tônica — complementa a dominantes e é utilizada em áreas menores;
 � intermediária — usada para atenuar os efeitos da tônica e da dominante.
A utilização desses tipos de cores provoca a sensação de equilíbrio, ritmo, 
proporção e destaque, princípios fundamentais das cores. 
Figura 5. Círculo de cores de Goethe.
Fonte: Wikipédia (2018, documento on-line).
Cor8
Equilíbrio
Orientado pela lei de áreas ou de fundos o equilíbrio é a característica que 
favorece a relação entre alguns aspectos, como os valores e a intensidade das 
cores e a dimensão das superfícies em que serão aplicadas.
O equilíbrio em uma composição de cores possibilita um ambiente de 
tranquilidade e seriedade (Figura 6).
Figura 6. Ambiente equilibrado.
Fonte: Zastolskiy Victor/Shutterstock.com.
Ritmo
Característica que interfere na distribuição do esquema cromático para di-
recionar o olhar das pessoas deuma cor para outra, de maneira agradável, 
por meio de uma sequência organizada de matizes. Um arranjo poderá ser 
rítmico quando os tons, nuances ou tonalidades se repetirem em um sentido 
de variação harmônica e equilibrada (Figura 7).
9Cor
Figura 7. Ambiente rítmico.
Fonte: Jodie Johnson/Shutterstock.com.
Proporção
Relação entre os elementos de forma distinta e o todo. Uma proporção apro-
priada se faz por meio de uma variedade de cores e extensões. Na composição, 
é necessário que exista uma cor dominante para anular a desproporção e evitar 
o caos no esquema (Figura 8).
Figura 8. Ambiente com proporção.
Fonte: Det-anan/Shutterstock.com.
Cor10
Destaque 
Espaços de foco com a função de despertar a atenção e de quebrar a monotonia 
do arranjo de cores. É alcançado por meio do contraste ou do domínio de uma 
cor, variando ou não de intensidade e de valor (Figura 9).
Figura 9. Ambiente com a cor azul como destaque.
Fonte: united photo studio/Shutterstock.com.
Esquemas cromáticos
Os esquemas cromáticos são formados a partir do círculo cromático, que é 
uma ferramenta utilizada por diversos profissionais como arquitetos, designers 
e designers de interiores para ajudar na decisão das combinações mais ade-
quadas na aplicação das cores em um projeto. O círculo representa de maneira 
simplificada as cores que são percebidas a olho nu, totalizando 12. Elas são 
as cores primárias, secundárias e complementares (Figura 10).
11Cor
Figura 10. Círculo cromático.
Fonte: Adaptada de Macrovector/Shutterstock.com.
A partir do círculo, há a derivação dos esquemas cromáticos, que podem 
ser os apresentados a seguir. 
Monocromático — Utiliza uma variação de tom de uma única cor (Figura 11).
Figura 11. Esquema monocromático.
Fonte: Adaptada de Macrovector/Shutterstock.com.
Cor12
Análogo — Utiliza as cores vizinhas (Figura 12).
Figura 12. Esquema análogo.
Fonte: Adaptada de Macrovector/Shutterstock.com.
Complementar — Utiliza as cores opostas (Figura 13).
Figura 13. Esquema complementar.
Fonte: Adaptada de Macrovector/Shutterstock.com.
13Cor
Triádico — Utiliza a tríade das cores primárias (Figura 14).
Figura 14. Esquema triádico.
Fonte: Adaptada de Macrovector/Shutterstock.com.
Complementar dividido — Utiliza uma cor como dominante e as duas cores 
adjacentes ao seu complementar (Figura 15).
Figura 15. Esquema complementar dividido.
Fonte: Adaptada de Macrovector/Shutterstock.com.
Cor14
Complementar composto — Utiliza duas cores como dominante e as duas 
cores adjacentes ao seu complementar (Figura 16).
Figura 16. Esquema complementar composto.
Fonte: Adaptada de Macrovector/Shutterstock.com.
Exercício da relação, da percepção e da 
experimentação da forma a partir de 
diferentes esquemas cromáticos
A escolha das cores de um ambiente depende dos gostos de cada cliente, 
assim como de conhecimento técnico e de experiência. É importante saber a 
classificação das cores (frias, quentes, neutras, etc.) e o que cada uma transmite, 
já que cada ambiente terá uma função, e escolher a cor de forma correta, pois 
isso ajudará a realizar os desejos do cliente.
Para facilitar a escolha das cores — que podem ser unificadas e chamadas 
de paleta de cores — uma opção é começar pela escolha das cores das paredes 
e dos pisos e os respectivos materiais. Em seguida, é feita a composição com 
a escolha dos objetos. As composições montadas podem seguir o padrão 
do círculo e do esquema de cores que fidelizam as combinações sem erros, 
ratificando o resultado equilibrado e harmônico. 
As combinações podem ser classificadas em harmônicas e contrastantes. 
As harmônicas são quando as cores não disputam atenção entre si e prevalece 
a composição no sentido amplo, passando a sensação de tranquilidade. Já as 
combinações contrastantes são as principais na decoração, variam os tons 
entre suaves e fortes, transmitem dinamismo no espaço. 
15Cor
Acompanhe, a seguir, alguns ambientes e suas características.
Composição acromática — Ambiente cinza composto pela mistura do preto 
com o branco (Figura 17).
Figura 17. Ambiente em composição acromática.
Fonte: Photographee.eu/Shutterstock.com.
Composição neutra — Combinações com tons de areia, marrom, terra, bege, 
branco, preto e cinza aplicados (Figura 18).
Figura 18. Ambiente em composição neutra.
Fonte: Photographee.eu/Shutterstock.com.
Cor16
Combinação monocromática — Combina apenas uma cor e suas diversas 
tonalidades (Figura 19).
Figura 19. Ambiente em composição monocromática.
Fonte: Pai9/Shutterstock.com.
Heller (2013), em sua pesquisa que virou livro, descobriu que marrom é a cor do 
aconchego. Ela é vista como uma cor positiva quando aplicada em ambientes e 
também transmite segurança. Essa característica é potencializada quando o marrom 
é combinado com as cores alegres (p. ex., laranja e/ou amarelo), ou seja, quando o 
objetivo é trazer aconchego, o marrom é uma escolha adequada.
Combinação complementar — Ambientes com combinações das cores 
complementares (Figura 20). 
17Cor
Figura 20. Ambiente em composição complementar.
Fonte: Photographee.eu/Shutterstock.com. 
Combinação triádica — Combinação de três cores que podem ser primárias, 
secundárias ou terciárias (Figura 21).
Figura 21. Ambiente em composição triádica.
Fonte: Artazum/Shutterstock.com.
Cor18
GARCIA, E. Teoria das cores. 2014. Disponível em: <https://blenderpower.com.br/teo-
riadascores/>. Acesso em: 07 nov. 2018.
HELLER, E. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. São Paulo: 
Gustavo Gili, 2013.
PEDROSA, I. Da cor à cor inexistente. Rio de janeiro: Léo Christiano Editorial, 2002.
WIKIPÉDIA. Teoria das cores. 2018. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Teo-
ria_das_cores>. Acesso em: 07 nov. 2018. 
Leituras recomendadas
BANKS, A.; FRASER, T. O guia completo da cor. São Paulo: SENAC, 2007.
GRIMLEY, C.; LOVE, M. Cor, espaço e estilo: todos os detalhes que os designers de interiores 
precisam saber, mas que nunca conseguem encontrar. Rio de Janeiro: Gustavo Gili, 2017.
19Cor
TEORIA E PRÁTICA 
DA COR
Carolina Corso 
Rodrigues Marques
Fenômeno da luz
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Conceituar o espectro eletromagnético e a luz visível.
 � Reconhecer a física da cor: a tríade da cor luz (RGB).
 � Identificar a formação das cores: sínteses aditiva e subtrativa.
Introdução
No século XVII, o físico inglês Isaac Newton demostrou que a luz branca 
é composta por luzes de diferentes cores, que vão do vermelho, com 
menor frequência e maior comprimento de onda, até o azul, de maior 
frequência e mais energia. Mais tarde, no fim do século XIX, o físico alemão 
Max Planck, fundador da Física Quântica, conseguiu comprovar isso. Já no 
século XX, em 1915, Albert Einstein utilizou a Física Quântica para propor 
que a luz, além de ser composta por ondas de vários comprimentos de 
onda, também possui caráter dual, ou seja, é também composta por 
partículas, os fótons. Essas partículas elementares compõem o largo 
espectro da radiação eletromagnética proveniente do Sol, das estrelas, 
galáxias e de todo o universo visível. 
Neste capítulo, você verá os conceitos de espectro eletromagnético, 
ondas eletromagnéticas, luz visível, física da cor, além da classificação da 
cor e de sua formação em sínteses aditiva e subtrativas.
O espectro eletromagnético e a luz visível
Os cientistas perceberam, com as evoluções da Física, que a luz possui um 
comportamento muito parecido ao das ondas eletromagnéticas. Ela é uma 
oscilação que se propaga no vácuo com certa variação no tempo (frequência). 
Podemos associá-la, por exemplo, como o som, uma vibração mecânica do ar, 
em que diferentes frequências caracterizariam sons graves e agudos. Assim 
como o som, as frequências determinam cores para a luz; em determinada faixa 
de frequência pode-se observar as cores, e essa faixa é chamada de espectro 
de luz visível (HALLIDAY; RESNICK; WALKER, 2003).
Figura 1. Espectrovisível (Luz) 
Fonte: Präkel (2015, p.10)
Os limites do espectro visível podem variar de pessoa para pessoa, mas, em 
média, os olhos humanos têm uma faixa limitada entre 350 nm a 700 nm dos 
comprimentos de ondas. Nesse intervalo do espectro, tem-se: as cores violeta, 
nos comprimentos de onda de 380 a 440 nm; a cor azul, de 440 a 500 nm; a cor 
verde, de 500 a 570 nm; a cor amarela, de 570 a 590 nm; a cor laranja, de 590 
a 630 nm; e a cor vermelha, de 630 a 780 nm. A soma dessa faixa de emissões 
do espectro gera a luz branca (PEDROSA, 1982). Com isso, podemos dizer que, 
para cada cor, temos uma frequência e comprimento de onda que a difere das 
demais — por exemplo, a luz vermelha tem menor frequência e menor energia, 
e a luz violeta tem maior frequência, que nos submete a maior energia.
Existe uma relação inversamente proporcional entre comprimento de onda 
(λ) e frequência (f). O comprimento da onda é dado pela divisão da velocidade 
da onda — no caso, a velocidade da luz (c = 3 × 108 m/s) — pela frequência 
da onda. Observe:
λ = c/f
Fenômeno da luz2
Ondas eletromagnéticas
A radiação eletromagnética é uma das diversas maneiras em que a energia 
viaja no espaço. O calor de uma fogueira, a luz do Sol, os raios X usados 
pelos médicos e também a energia usada em um micro-ondas são formas 
de radiação eletromagnética. Embora pareçam muito diferentes, todas essas 
energias exibem propriedades de ondas. 
Ondas são perturbações em um determinado meio ou campo físico, re-
sultando em vibrações ou oscilações. A elevação de uma onda no mar e sua 
imersão são vibrações ou oscilações da água na superfície. Ondas eletromag-
néticas são semelhantes, mas também diferem, por consistirem em 222 ondas 
que oscilam perpendicularmente entre si — uma é um campo magnético 
oscilante, a outra, um campo elétrico oscilante, podendo ser visto conforme 
mostra a Figura 2.
 Figura 2. As ondas eletromagnéticas consistem em um campo elétrico oscilante com um 
campo magnético oscilante perpendicular.
Fonte: Patel, Vo e Hernandez (2015, documento on-line).
Embora seja interessante entender sobre radiação eletromagnética, é ne-
cessário que se discuta mais sobre propriedades físicas das ondas de luz. 
Toda onda possui um vale (ponto mais baixo) e uma crista (ponto mais alto). 
A distância vertical entre a extremidade da crista e o eixo central da onda é 
denominada amplitude, propriedade associada ao brilho ou intensidade da 
onda. Já a distância horizontal é conhecida como comprimento de onda da 
onda. Visualize essas medidas na Figura 3.
3Fenômeno da luz
Figura 3. Características básicas de uma onda, entre elas a amplitude e o comprimento 
de onda.
Fonte: Patel, Vo, Hernandez (2015, documento on-line).
Algumas ondas, inclusive as eletromagnéticas, oscilam no espaço e, assim, 
oscilam em determinada posição conforme o tempo passa. A grandeza co-
nhecida como frequência corresponde ao número de comprimentos de onda 
completos que passam por um determinado ponto no espaço a cada segundo. 
A unidade para frequência é o Hertz (Hz), que equivale à frequência de um 
evento periódico por segundo (escrito como 1/s ou s−1). 
O comprimento de onda e a frequência são inversamente proporcionais: 
quanto menor o comprimento de onda, maior será a frequência e vice-versa. 
Essa relação é dada pela seguinte equação: 
c = λν
Onde:
λ = comprimento de onda em metros.
ν = frequência em Hertz.
c = constante (a velocidade da luz, 3 × 108 m/s). 
Podemos concluir então que toda radiação eletromagnética, independen-
temente de comprimento de onda ou frequência, viaja à velocidade da luz 
(CHEMWIKI, 2015).
Luz visível
A luz visível é um conjunto de ondas eletromagnéticas que sensibilizam a retina 
e desencadeiam a visão; como qualquer outra radiação eletromagnética, tem 
sua origem em cargas elétricas oscilantes. Isaac Newton percebeu que a luz 
Fenômeno da luz4
se propagava em linha reta e também que, ao atravessar um prisma de vidro, 
a luz branca se dispersava e se decompunha nas cores do arco-íris. Newton 
defendia que a luz era constituída por partículas constituídas por atividade 
oscilatória de um meio não identificado, o que levou o físico e astrônomo 
holandês Christiaan Huygens a propor, em 1687, a teoria ondulatória da luz 
(BARDINE, 2008).
As ondas eletromagnéticas se diferenciam por sua frequência e comprimento 
de ondas, e a interação dessas ondas com a matéria depende da frequência de 
onda e da estrutura atômico-molecular da matéria. As ondas eletromagnéticas 
correspondem ao espectro eletromagnético que nosso olho enxerga. A luz é 
produzida por corpos em alta temperatura, assim como o filamento de uma 
lâmpada, e pela reordenação dos elétrons em átomos e moléculas (SILVA, 
2018). Reveja a Figura 1 para localizar o espectro de luz visível.
As classificações do comprimento de onda são segundo sua cor, por 
exemplo: a cor violeta tem comprimento de onda λ = 4 × 10−7 m; a cor 
vermelha λ = 7 × 10−7 m. Sendo assim, a sensibilidade dos olhos também é 
uma função do comprimento de onda, sendo sua máxima λ = 5,5 × 10−7 m, 
cor amarelo-esverdeada. A visão seria, então, o resultado de sinais transmi-
tidos ao cérebro por elementos presentes na retina: os cones e os bastonetes 
(SILVA, 2018).
Os cones se ativam com a presença de luz intensa, como a luz do dia, e 
também são muito sensíveis à cor. Já os bastonetes atuam com iluminação 
menos intensa, como em uma sala escura, e assim são menos sensíveis à cor.
De tão importante, a luz originou um ramo especial na Física aplicada: a 
Óptica, ciência que estuda os fenômenos relacionados à luz e à visão, incluindo 
instrumentos ópticos (SILVA, 2018).
Física da cor
As cores, como as percebemos, são produzidas pela luz. A luz do sol, a nosso 
ver aparentemente branca, na verdade é composta por várias cores. Quando a 
luz do sol ilumina um objeto, algumas dessas cores são absorvidas, enquanto 
outras são refletidas na direção dos olhos, e é esse fenômeno nos permite dizer 
qual a cor dos objetos (MORATO; MACHADO, 2017).
De acordo com sua cor, a luz pode ser classificada como monocromática 
ou policromática. Chamamos de luz monocromática aquela composta por 
apenas uma cor — por exemplo, a luz amarela emitida por lâmpadas de sódio. 
5Fenômeno da luz
Chamamos de luz policromática aquela composta pela combinação de duas 
ou mais cores — por exemplo, a luz branca emitida pelo sol ou por lâmpadas 
comuns. Utilizando um prisma, é possível decompor a luz policromática nas 
luzes monocromáticas, o que já não é possível para cores monocromáticas, 
como o vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. 
Um exemplo da composição das cores monocromáticas que formam a luz 
branca é o disco de Newton, uma experiência composta por um disco com as 
sete cores do espectro visível que, ao girar em alta velocidade, “recompõe” 
as cores monocromáticas, formando a cor policromática branca.
Enxergamos as cores da seguinte maneira: quando a luz branca incide 
sobre um corpo de cor verde, por exemplo, esse corpo absorve todas as outras 
cores do espectro visível, refletindo apenas o verde. Um corpo de cor branca 
reflete todas as cores (sem absorver nenhuma), enquanto um corpo de cor 
preta absorve todas as cores (sem refletir nenhuma). A luz branca é uma 
composição de todas as cores (SILVA JÚNIOR, 2018). É por esse motivo que 
só podemos ver objetos que emitem luz (fonte primária de luz) ou que refletem 
a luz que recebem (fontes secundárias).
Classificação das cores
As cores são tradicionalmente classificadas da seguinte forma: 
 � cores primárias: são cores puras — vermelho, azul e amarelo. 
 � cores secundárias: são a união de duas cores primárias — verde (azul e 
amarelo), laranja (amarelo e vermelho) e roxo ou violeta (vermelho e azul). 
 � cores terciárias: são a união de uma cor primária e uma secundária — 
vermelho-arroxeado (vermelho e roxo) e vermelho-alaranjado (vermelho 
e laranja); amarelo-esverdeado (amarelo e verde) e amarelo-alaranjado 
(amareloe laranja); azul-arroxeado (azul e roxo) e azul-esverdeado 
(azul e verde).
Fenômeno da luz6
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Figura 4. Círculo de cores complementares.
Fonte: Silva Júnior (2018, documento on-line).
O círculo de cores apresenta sete cores básicas do espectro e suas variantes, 
em um total de doze cores. São três cores primárias, três secundárias e seis 
terciárias. As cores denominadas complementares são aquelas que, juntas, 
formam tonalidades de cinza e apresentam maior contraste entre si. No círculo, 
as cores complementares estão localizadas na extremidade oposta às cores 
primárias; assim, são complementares as seguintes cores: azul (primária) 
e laranja (secundária); vermelho (primária) e verde (secundária); amarelo 
(primária) e roxo (secundária). 
As cores primárias apresentam uma cor secundária como complementar, e vice-versa. 
Já as cores terciárias possuem outra cor terciária como complementar.
7Fenômeno da luz
Formação das cores: sínteses aditiva e subtrativa
Tradicionalmente, aprendemos que as cores primárias ou cores puras (verme-
lho, azul e amarelo), existem sem mistura de outras cores, sendo assim, não 
se decompõem em outras. Elas recebiam esse nome pelo fato de que, a partir 
delas, poderiam ser formadas outras cores, as secundárias. Hoje, no entanto, 
sabe-se que essa não é a melhor tríade para reproduzir uma mistura de cores. 
Uma vez que sabemos que as cores somente existem em função da luz, surge 
então o sistema de cores-luz, as sínteses aditiva e subtrativa (MORATO; 
MACHADO, 2017).
Cores de luz e pigmento
As cores aditivas definem-se somando ou sobrepondo luzes emitidas por 
diferentes fontes. Essa mescla fica visível em ambientes não iluminados e que 
permitem a obtenção de cores. São cores primárias da luz, porque a soma dessas 
três resulta na luz branca. A síntese aditiva ocorre a partir de três diferentes 
conjuntos, que correspondem àqueles que estimulam cada um dos três tipos 
de receptores da retina humana: vermelho (red, em inglês, composto pelas 
ondas longas da luz), verde (green, em inglês, composto pelas ondas médias) 
e azul (blue, em inglês, composto pelas ondas curtas). Temos daí o sistema 
RGB. Observe a Figura 5.
Cada uma das cores primárias da mescla aditiva corresponde a 1/3 da tota-
lidade da luz. Se você fizer uma sobreposição de projeções das luzes vermelha 
e verde em uma superfície branca, em um ambiente não iluminado, obterá 
uma luz da cor amarela, o que soma 2/3 da totalidade da luz — portanto, mais 
luminosa que as cores geradoras (MORATO; MACHADO, 2017).
As cores subtrativas são cores secundárias da luz e são utilizadas para 
reproduzir as cores aditivas da luz em impressões coloridas — ou seja, são 
as cores pigmentos. Elas são obtidas mediante a mistura de cores da tríade 
aditiva: vermelho + verde = Amarelo; vermelho + azul = magenta; verde + 
azul = ciano. São chamadas subtrativas em virtude de essa mistura de cores 
primárias resultarem no preto, ou seja, na ausência de luz. A síntese subtrativa 
pode ser chamada de sistema CMYK — do inglês Cyan (ciano), Magenta 
(magenta), Yellow (amarelo) e K (de black/key, ou preto). O K é inserido na 
escala porque, com a “mistura” de todas as primárias, não obtemos um preto 
puro (MORATO; MACHADO, 2017).
Fenômeno da luz8
Cada tipo de pigmento tem seu próprio poder seletor, ou seja, absorve 
(subtrai) uma ou mais das radiações da luz branca. A cada sobreposição de 
um pigmento, diminui o número de radiações refletidas, até se conseguir a 
ausência absoluta de toda radiação, isto é, a sensação de preto, fim da mistura 
subtrativa.
As cores básicas da mescla subtrativa são o amarelo, o ciano e o magenta. 
Essa escolha se deve ao fato de que o pigmento de cada uma das três cores 
não é o resultado da combinação de outros. Pelo contrário, da mistura desses 
pigmentos, de dois em dois ou de três em três, em porções oportunas, pode-se 
obter uma vastíssima gama de outras tonalidades.
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Figura 5. Cores aditivas e o sistema RGB: Vermelho (Red), Verde (Green) e Azul (Blue).
Fonte: Ambrose e Harris (2012, p. 122).
9Fenômeno da luz
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Figura 6. Cores subtrativas e o sistema CMYK: Ciano (Cyan), Magenta (Magenta), Amarelo 
(Yellow) e Preto (Key/Black).
Fonte: Ambrose e Harris (2012, p. 122).
Fenômeno da luz10
1. Se analisarmos um pedaço de 
tecido de cor vermelha em uma 
sala iluminada com luz na cor azul, 
esse mesmo tecido parecerá: 
a) preto.
b) branco.
c) vermelho.
d) azul.
e) amarelo.
2. As folhas de uma árvore, quando 
iluminadas pela luz do Sol, 
mostram-se verdes por quê?
a) Refletem difusamente a luz 
verde do espectro solar.
b) Absorvem somente a luz 
verde do espectro solar.
c) Refletem difusamente 
todas as cores do espectro 
solar, exceto o verde.
d) Difratam unicamente a luz 
verde do espectro solar.
e) A visão humana é mais 
sensível a essa cor.
3. As antenas de emissoras de rádio 
emitem ondas eletromagnéticas 
que se propagam na atmosfera 
com a velocidade da luz (3 × 105 
km/s) e com frequências que 
variam de uma estação para a 
outra. Uma rádio específica emite 
uma onda de frequência 90,5 
MHz e comprimento de onda 
aproximadamente igual a?
a) 2,8m.
b) 3,3m.
c) 4,2m.
d) 4,9m.
e) 5,2m.
4. Levando em conta o estudado 
até agora sobre luz e cores, 
pode-se afirmar que: 
a) Ao passar de um meio para o 
outro, um feixe monocromático 
de luz muda de cor.
b) O comprimento de onda para 
uma determinada cor permanece 
inalterado, independentemente 
do meio de propagação.
c) A frequência da luz é 
diretamente proporcional à sua 
velocidade de propagação.
d) A luz branca é composta 
por apenas um 
comprimento de onda.
e) A radiação ultravioleta possui 
comprimento de onda 
maior que a luz visível.
5. Em 1895, o físico alemão Wilheim 
Conrad Roentgen descobriu 
os raios X, que são usados 
principalmente na área médica 
e industrial. Esses raios são?
a) Ondas eletromagnéticas de 
frequências iguais as das 
ondas infravermelhas.
b) Ondas eletromagnéticas de 
frequências menores do que 
as das ondas luminosas.
c) Ondas eletromagnéticas de 
frequências maiores que as 
das ondas ultravioletas.
d) Radiações formadas por elétrons 
dotados de grandes velocidades.
e) Radiações formadas por 
partículas alfa com grande 
poder de penetração.
11Fenômeno da luz
AMBROSE, H.; HARRIS, P. Fundamentos de design criativo. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 
2012.
HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de física. Rio de Janeiro: LTC, 2003. 
(Óptica e Física Moderna, v. 4).
MORTAO, R. G.; MACHADO, R. P. P. Cores. e-Disciplinas, 2017. Disponível em: <https://
edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/2612831/mod_resource/content/2/7%20Cores2017.
pdf>. Acesso em: 28 set. 2018.
PATEL, N.; VO, K.; HERNANDEZ, M. Electromagnetic radiation. Chemistry, 19 set. 2015. 
Disponível em: <https://chem.libretexts.org/Textbook_Maps/Physical_and_Theore-
tical_Chemistry_Textbook_Maps/Supplemental_Modules_(Physical_and_Theoreti-
cal_Chemistry)/Spectroscopy/Fundamentals_of_Spectroscopy/Electromagnetic_Ra-
diation>. Acesso em: 28 set. 2018.
PEDROSA, I. Da cor a cor inexistente. Rio de Janeiro: Léo Christinao Editorial, 1982.
PRÄKEL, D. Iluminação. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2015.
SILVA JÚNIOR, J. S. Cores e a frequência da luz. Brasil Escola, 2018. Disponível em: <https://
brasilescola.uol.com.br/fisica/cores-2.htm>. Acesso em: 28 set. 2018.
SILVA, D. C. M. Luz visível. Mundo Educação, 2018. Disponível em: <https://mundoedu-
cacao.bol.uol.com.br/fisica/luz-visivel.htm>. Acesso em: 28 set. 2018. 
Leituras recomendadas
BARROS, L. A cor no processo criativo: um estudo sobre a Bauhaus e a teoria de Goethe. 
São Paulo: Senac, 2006.
COR e frequência. Só Física, 2018. Disponível em: <http://www.sofisica.com.br/conteu-dos/Otica/Refracaodaluz/cor_e_frequencia.php>. Acesso em: 28 set. 2018.
FERREIRA, J. L. Os fenômenos da luz. Xapuri socioambiental, 12 maio 2015. Disponível em: 
<https://www.xapuri.info/ciencia/os-fenomenos-da-luz/2015>. Acesso em: 28 set. 2018.
GONZALEZ, R. C. Processamento digital de imagens. 3. ed. São Paulo: Pearson Prentice 
Hall, 2010.
SILVA JÚNIOR, J. S. A Óptica e as cores dos objetos. Mundo Educação, 2018. Disponível 
em: <https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/fisica/a-optica-as-cores-dos-objetos.
htm>. Acesso em: 28 set. 2018.
Fenômeno da luz12
Conteúdo:
TEORIA E 
PRÁTICA 
DA COR
Carolina Corso 
Rodrigues Marques
Interação da luz 
com a matéria
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Reconhecer a química da cor.
 � Identificar a tríade da cor pigmento opaco e cor pigmento transpa-
rente (CMYK).
 � Utilizar os meios gráficos tradicionais como ferramentas para a cons-
trução de estruturas cromáticas.
Introdução
Para estudar a interação da luz com a matéria, você precisa saber que 
a maior parte dos materiais que constituem nosso mundo não permite 
a passagem da luz. Notamos que, ao incidir sobre esses materiais, a 
luz é refletida em todas as direções. É por isso que, desde que haja 
iluminação adequada, podemos ver os objetos de diferentes posições. 
As cores (interação da luz com a matéria) são importantes em nossas 
vidas: elas influenciam nosso humor, nossas emoções e até a maneira 
como nos divertimos, podendo ser provenientes de fontes naturais 
ou artificiais.
Neste capítulo, você verá o conceito de química da cor, cor pigmento 
opaco e cor pigmento transparente, além dos meios gráficos tradicionais 
para a construção de estruturas cromáticas.
A química das cores
Basta abrirmos nossos olhos e veremos ao nosso redor o quanto as cores são 
importantes em nossas vidas. Elas influenciam nosso humor, nossas emoções 
e até a maneira como nos divertimos. Elas podem ser provenientes de fontes 
naturais ou artificiais. 
As cores naturais estão na terra, no céu, no mar, nos animais e vegetais; 
já as sintéticas são usadas nas roupas que vestimos, nas tintas e em materiais 
multicoloridos, como revistas e jornais, fotografias, cosméticos, cerâmicas, 
TV e filmes. As cores sintéticas ou artificiais são introduzidas nesses materiais 
por meio de substâncias conhecidas como corantes e pigmentos. 
É muito importante saber diferenciar os corantes dos pigmentos. Corantes 
e pigmentos são substâncias que dão cor, ou seja, quando presentes em um 
substrato, modificam a reflexão ou transmissão da luz incidente. Durante 
sua aplicação em substrato, um corante se dissolve ou muda de estado; sua 
estrutura cristalina é destruída, prendendo-se ao substrato por adsorção, 
solvatação ou por ligação iônica, coordenada ou covalente. Já o pigmento 
é insolúvel e não se influencia pelo substrato em que é incorporado. Em 
alguns casos, pode-se fabricar um pigmento a partir de um corante solúvel 
(GUIMARÃES, 2010).
Corantes
Um corante é toda substância que, quando adicionada a outra, altera a cor 
desta, podendo ser uma tintura, um pigmento ou um composto químico. Em 
um sentido mais específico, corantes são compostos químicos, tanto naturais 
quanto sintéticos, relativamente puros, aplicados tanto em água quanto em 
solventes (etanol). Eles se fixam predominantemente por fenômenos molecu-
lares a um substrato, tecido (têxtil), papel, cabelo humano, pelos de animais, 
couro, etc. (GUARATINI; ZANONI, 2000).
De forma ideal, substâncias corantes devem ser estáveis à luz (especial-
mente à ultravioleta) e a processos de lavagem (água da chuva), e apresentar 
fixação uniforme com as fibras do substrato. Com base na perspectiva da 
comercialização, desenvolvem-se estudos teóricos e empíricos das relações 
entre a cor obtenível na aplicação quanto à conservação. 
Até à metade do século XIX, corantes eram retirados de fontes naturais, 
principalmente vegetais ou animais. Longe do ideal, essas substâncias não 
atendiam o desejável, problema que se somava à não comercialização por 
questões de difícil reprodução das suas fontes. Tais problemas conduziram ao 
desenvolvimento de corantes sintéticos. O primeiro foi descoberto por um feliz 
acaso. No ano de 1856, William Perkin tentava preparar o alcaloide quinina 
em seu laboratório, mas seu trabalho experimental resultou na obtenção de 
um corante sintético hidrossolúvel, adequado ao tingimento de seda. 
Posteriores descobertas se sucederam e os corantes naturais utilizados por 
séculos foram quase completamente substituídos por substâncias sintéticas 
Interação da luz com a matéria2
no início do século XX. Atualmente, quase todos os corantes e pigmentos 
presentes na indústria e no comércio são substâncias sintéticas orgânicas, com 
propriedades tecnicamente superiores, de baixo custo e rápida obtenção, e que 
independem de clima, ecologia ou mesmo rotas comerciais, com exceção de 
alguns pigmentos inorgânicos importantes (GUARATINI; ZANONI, 2000).
O INDEX (Índice Internacional de Cores — em inglês, Colour Index International) 
serve como um banco de dados de referência padrão dos fabricantes de produtos 
coloridos e é usado por fabricantes e consumidores. Ele foi impresso pela primeira 
vez em 1925. 
Substâncias colorantes (tanto corantes quanto pigmentos) são listadas de acordo 
com um Índice de Nomes Genéricos (Colour Index Generic Names) e Índice de 
Números de Constituição de Cor (Colour Index Constitution Numbers). Esses números 
são prefixados no Brasil e em vários outros países com C.I. ou CI — por exemplo, 
CI 15510. Um detalhado relatório de produtos disponíveis no mercado é apresentado 
em cada referência; para cada nome de produto é listado fabricante, apresenta-
ção física, principais usos e comentários fornecidos como guia aos consumidores. 
Atualmente ele é publicado exclusivamente na internet, neste endereço: https://
colour-index.com/.
Pigmentos
Os pigmentos aparentam cores, pois refletem e absorvem de modo seletivo 
certos comprimentos de onda da luz. A luz branca nada mais é do que uma 
mistura idêntica de todo o espectro da luz visível com comprimentos de onda 
entre 380/400 nm a 760/780 nm. Quando a luz encontra um pigmento, parte 
do espectro é absorvida, enquanto outras partes são refletidas ou dispersas 
(SILVEIRA, 2015).
A maioria dos pigmentos são complexas transferências de carga, pois 
seus compostos subtraem a maior parte incidente de cores da luz branca, e 
é o espectro da luz refletida que cria a aparência da cor — por exemplo, o 
pigmento de cor ultramarino reflete a luz de cor azul e absorve as outras cores. 
Substâncias fluorescentes ou fosforescentes apenas subtraem comprimentos de 
onda da luz incidente e nunca adicionam novos comprimentos de onda. Assim, 
podemos dizer que a aparência dos pigmentos está ligada à cor da fonte de luz. 
3Interação da luz com a matéria
A luz solar possui elevada temperatura de cor e um espectro uniforme, 
sendo por isso considerada como padrão para a luz branca. Já fontes artificiais 
tendem a ter picos em algumas áreas do espectro e vales profundos em outras; 
vistos nessas condições, os pigmentos terão cores diferentes.
Outras propriedades da cor, como saturação ou luminosidade, são de-
terminadas por substâncias que fazem parte do pigmento. Ligantes e cargas 
adicionadas ao pigmento puro também podem afetar o resultado final: em 
misturas pigmento/ligante, os raios de luz individuais podem não encontrar 
moléculas de pigmento e serem refletidas, então, as características e o modo 
de dispersão desses raios de luz é que contribuem para a saturação da cor. Por 
exemplo, pigmentos puros permitem que apenas uma pequena parte da luz 
branca escape, produzindo uma cor muito saturada; já uma pequena quantidade 
de pigmento, misturado com grande quantidade de ligante branco, produzirá 
cor pálida e insaturada (SILVEIRA, 2015).
Tríade da cor pigmento opaco e cor pigmento 
transparente
Cor pigmento é a substânciamaterial que absorve, transmite ou reflete a 
coloração. No caso de mescla de pigmentos, ocorre processo de absorção de 
parte da luz incidente, diminuindo os comprimentos de onda refletidos. Esse 
processo pode ser chamado de síntese subtrativa, pois a mistura das cores 
resulta em cinza neutro. 
O Sistema de Munsell é a classificação universalmente aceita, cuja notação 
é feita em tom-valor-saturação. A aparência de cor luz deve estar de acordo 
com o nível de iluminação, e a cor da superfície é influenciada pelo espectro 
de cores da fonte luminosa (reprodução da cor). A maior ou menor capacidade 
de uma fonte de luz reproduzir adequadamente as cores é representada índice 
da reprodução de cor; já a sensação da cor é descrita e medida seguindo o 
conceito de Munsell, em termos fundamentados, nos três aspectos visuais: 
tinta, valor e croma (base tridimensional de uma cor) (PEDROSA, 1982).
Interação da luz com a matéria4
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Figura 1. Sistema de cores de Munsell, representado tridimensionalmente.
Fonte: Encyclopaedia Britannica (1996, documento on-line).
As cores pigmento são divididas em dois grupos, cor pigmento opaco e 
cor pigmento transparente. Vejamos mais sobre cada um.
Cor pigmento opaco
Cor pigmento opaco é amplamente utilizado por artistas e todos que trabalham 
com substâncias corantes opacas. As cores primárias são vermelho, amarelo 
e azul; pode-se dizer que essa tríade é cultural, pois o vermelho pode se de-
compor em outras cores, porém, resulta em uma primária. A mistura das três 
primárias resulta em cinza neutro, pois não é possível obter o preto a partir 
da mistura das três cores primárias.
5Interação da luz com a matéria
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Figura 2. Cor pigmento opaco (primárias: vermelho, amarelo e azul).
Fonte: Alan (2018, documento on-line).
Cor pigmento transparente
Na cor pigmento transparente, diferentemente do opaco, as primárias não 
podem ser obtidas por outras misturas. As cores primárias do sistema são: são 
o ciano (C), o magenta (M) e o amarelo (Y, do inglês, yellow). A mistura dessas 
cores, assim como no opaco, produz o cinza neutro por síntese subtrativa. 
A tríade magenta/amarelo/ciano encontra maior rendimento e precisão 
cromática nas emulsões transparentes — películas fotográficas, impressões 
gráficas, aquarelas —, por isso a denominação de cores pigmento “transpa-
rentes”, em oposição à tríade “opaca” (encáustica, óleo, têmpera). Com esse 
tipo de diferenciação, temos a possibilidade de vários tons em torno de uma 
cor dominante. 
Interação da luz com a matéria6
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Figura 3. Cor pigmento transparente (primárias: ciano, magenta e amarelo).
Fonte: Alan (2018, documento on-line).
Meios gráficos para a construção de estruturas 
cromáticas
No campo da arquitetura e design, a simulação cromática de ambientes e 
de produtos foi, por muito tempo, desenvolvida com meios artesanais, com 
técnicas manuais como nanquim, aquarela, lápis de cor etc.
A partir da segunda metade do século XX, as transformações tecnológicas 
abriram novas possibilidades para a utilização da informática, mais especifi-
camente da computação gráfica, na arte, na arquitetura e no design. 
O desenvolvimento da informática nos últimos anos tem propiciado a 
utilização cada vez mais intensa de recursos computacionais nas atividades 
do homem. Entre as inúmeras aplicações da computação, podemos ressaltar 
7Interação da luz com a matéria
a simulação computacional como uma das mais importantes e polêmicas. 
O computador não é mais um simples instrumento; inicialmente, utilizado 
para trabalhos com números e informações processadas em alta velocidade, 
o computador vem se tornando mais pessoal. As pessoas começaram a usá-lo 
como eficiente meio para comunicação com textos, cores, músicas, gráficos, 
etc. Entendendo o meio em que a cor é trabalhada nesse universo, você estará 
apto a criar uma interação consistente e compreensiva.
A escolha da cor a ser utilizada em um projeto de ambientes internos rea-
lizado no meio computacional deve ocorrer de forma criteriosa. A escolha do 
modelo cromático deve partir do objetivo final do trabalho, das características 
e da escala cromática disponível no software. Algumas cores apresentadas 
em RGB (como determinados verdes e azuis brilhantes) não podem ser repro-
duzidos em CMYK, portanto, não podem ser impressas. A gama cromática 
RGB é mais ampla e luminosa que a gama do modelo CMYK. 
Os modelos de cores foram criados para proporcionar uma maneira de 
traduzir cores em dados numéricos, para que possam ser descritas de maneira 
consistente. Por exemplo, quando dizemos que uma cor é “azul-esverdeada”, 
estamos dando margem à interpretação baseada na percepção pessoal. Por outro 
lado, atribuindo-se valores específicos por meio de um modelo de cores — no 
modelo CMYK, azul-esverdeado seria 100% ciano, 3% magenta, 30% amarelo 
e 15% preto —, é possível reproduzir uma mesma cor repetidas vezes.
O modelo de cores CMYK
O modelo CMYK baseia-se não na adição de luz, mas sim na subtração. Este 
modelo é baseado no processo de impressão em quatro cores, que é usado, 
principalmente, para imprimir imagens em tom contínuo. Nesse processo, 
as cores são separadas em quatro chapas de impressão diferentes: ciano (C), 
magenta (M), amarelo (Y, do inglês, yellow) e preto (K, do inglês, key ou 
black) ao sistema.
O sistema cromático CMYK divide as cores nas porcentagens das primárias 
subtrativas que as formam e adiciona o preto como medida de estabilidade. 
A cor CMYK é usada em gráficas para a impressão por quadricromia e em 
impressoras pessoais. Algumas dicas: 
 � 100% de ciano, 100% magenta e 100% de amarelo produzem um marrom 
turvo que, em tese, representa o preto. 
 � Para obter uma cor primária saturada, selecione 100% na cor de interesse 
e 0% nas demais cores. 
Interação da luz com a matéria8
 � Para criar as cores secundárias em CMYK (vermelho, azul-arroxeado 
e verde), selecione 100% de cada uma das primárias que forma a se-
cundária desejada: 
 ■ Vermelho: 100% de magenta + 100% de amarelo.
 ■ Azul: 100% de ciano + 100% magenta. 
 ■ Verde: 100% de amarelo + 100% de ciano. 
 ■ Preto: 100% de todas as primárias e também do preto.
Sistemas de correspondência de cores
O sistema de correspondência de cores Pantone é o mais comumente utilizado. 
Esse sistema tem sido tradicionalmente aplicado para a impressão de cores 
spot (não para trabalhos com separação a quatro cores). 
A cor spot é similar à impressão em revestimento (overlay), separado de 
qualquer outra cor — isso é muito diferente da separação em quatro cores, em 
que ciano, magenta, amarelo e preto se combinam para criar uma cor. Na cor 
spot, a impressora mistura tinta para criar uma cor correspondente e imprime 
aquela cor em uma chapa individual. Esse método é ótimo para impressão de 
uma ou duas cores, mas é muito dispendioso para múltiplas cores. 
Assim, a cor spot, ou cor especial, impressa com matriz separada é ge-
ralmente usada em Pantone e em impressão de filetes ou detalhes de ouro e 
prata, podendo ser usada como uma quinta cor. Esse termo é usado quando 
um trabalho impresso com o padrão em quatro cores requer uma quinta cor 
específica — a quinta cor é usada para criar prateados, cobreados azuis car-
regados e certos verdes que não podem ser criados com tintas de processo 
em quatro cores.
A marca PANTONE®, considerada hoje uma autoridade em cores, é mundialmente 
conhecida pelos seus sistemas e tecnologias de ponta, criados para os processos 
que envolvem cores com reprodução precisa, nas etapas de seleção, comunicação e 
controle de cores. O nome PANTONE® é conhecido mundialmente como a linguagem 
padrão para a comunicação em todas as fases do processo de gerenciamento decores, desde o designer até o fabricante, desde o revendedor e até o consumidor, 
em várias indústrias.
9Interação da luz com a matéria
1. A luz constituída de duas ou mais 
cores, como a luz branca do Sol 
ou a luz emitida pelo filamento 
aquecido da lâmpada incandescente 
comum, é classificada como:
a) monocromática.
b) normal.
c) dispersa.
d) policromática.
e) refratada.
2. “Os estímulos que causam as 
sensações cromáticas estão 
divididos em dois grupos: os das 
cores-luz e o das cores-pigmento. 
Cor-luz ou luz colorida é a radiação 
luminosa visível que tem como 
síntese aditiva a luz branca. Sua 
expressão máxima é a luz solar, por 
reunir, de forma equilibrada todos os 
matizes existentes na natureza. Cor-
pigmento é a substância material 
que, conforme sua natureza, absorve, 
refrata e reflete os raios luminosos 
componentes da luz que se difunde 
sobre ela.”(Israel Pedrosa, 1980).
De acordo com a definição de cor 
luz e cor pigmento, acima citada 
e analisando as figuras abaixo, 
assinale a alternativa correta.
a) A ilustração 1 representa 
o conceito de cor luz e a 
ilustração 2, cor pigmento.
b) A ilustração 2 representa 
o conceito de cor luz 
e cor pigmento.
c) A ilustração 2 representa 
o conceito de cor luz 
e cor pigmento.
d) A ilustração 1 representa 
o conceito de cor 
pigmento e cor luz.
e) A ilustração 1 representa o 
conceito de cor pigmento 
e a ilustração 2, cor luz.
3. Podemos classificar as cores 
de duas maneiras: a cor luz e a 
cor pigmento. A cor luz é a cor 
derivada diretamente da radiação 
luminosa, liberada por uma fonte 
de luz que chega aos nossos 
órgãos sensoriais. A cor pigmento 
é baseada na capacidade de 
absorção e reflexão de ondas 
luminosas de um objeto iluminado. 
Considerando isso, se utilizarmos 
cor pigmento para a criação de 
sites, qual o nome do sistema 
de cor, quais as cores primárias 
desse sistema e no que resulta a 
junção de todas as cores desse 
sistema, respectivamente?
a) Sistema RGB; cores 
primárias: azul, vermelho 
e verde; sua junção resulta 
na cor marrom/preta.
b) Sistema CMYK; cores primárias: 
ciano, magenta e amarelo; sua 
junção resulta na luz branca.
c) Sistema RGB; cores primárias: 
azul, vermelho e verde; sua 
junção resulta na luz branca.
Interação da luz com a matéria10
d) Sistema CMYK; cores primárias: 
ciano, magenta e amarelo; sua 
junção resulta na cor preta.
e) Sistema RGB; cores primárias: 
vermelho, amarelo e azul; sua 
junção resulta na cor preta.
4. A reprodução de cores em 
dispositivos como monitores de 
computador, retroprojetores, 
scanners e câmeras digitais, assim 
como na fotografia tradicional, utiliza 
de um padrão comum de cores. 
Em contraposição, impressoras 
utilizam, na sua grande maioria, 
o modelo de cores subtrativas 
denominado pela sigla:
a) CMYK.
b) RGB.
c) PNG.
d) HSB.
e) HSL.
5. Considerando as teorias de cor 
pigmento (CMYK), substância 
material que absorve, transmite 
ou reflete a coloração, a partir de 
três combinações obtêm-se as 
seguintes cores secundárias:
a) verde, amarelo e laranja.
b) verde, laranja e violeta.
c) violeta, verde e vermelho.
d) laranja, violeta e preto.
e) branco, verde e laranja.
ALAN. Atividade 03: Representação de sistemas (modos) de cor. Teoria da cor blog, 
12 set. 2018. Disponível em: <https://teoriadacorblog.wordpress.com/2018/09/12/
representacao-dos-sistemas-de-cores/>. Acesso em: 10 out. 2018.
ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA. Munsell colour system. 1996. Disponível em: <https://
www.britannica.com/science/Munsell-color-system>. Acesso em: 10 out. 2018.
GUARATINI, C. C. I.; ZANONI. M. V. B. Corantes: a química nas cores. Revista Eletrônica 
do Departamento de Química – UFSC. 2000
GUIMARÃES, F. Disponível em: <http://quimicaintriganteedu.blogspot.com/2010/10/
quimica-das-cores.html>. Acesso em: 10 out. 2018.
PEDROSA, I. Da cor à cor inexistente. Rio de Janeiro: Universidade de Brasília, 1982. 
SILVEIRA, L. M. Introdução à teoria da cor. Curitiba: UTFPR, 2015. 
Leituras recomendadas
ARNHEIM, R. Arte e percepção visual. São Paulo: Thomson Learning, 2004. 
BARROS, L. R. M. A cor no processo criativo: um estudo sobre a Bauhaus e a teoria de 
Goethe. São Paulo: Senac, 2006. 
11Interação da luz com a matéria
EASTMAN KODAK COMPANY. Eastman Professional Motion Picture Films. Rochester: 
Kodak Prints, 1982. 
GUIMARÃES, L. A cor como informação: construção biofísica, linguística e cultural da 
simbologia das cores. São Paulo: Annablume, 2000. 
MODESTO, F. Psicodinâmica das cores. São Paulo: Edgard Blucher, 2006. 
PEDROSA, I. Da cor a cor inexistente. Rio de Janeiro: Léo Christiano, 2002.
PEDROSA, I. O universo da cor. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2003. 
PEREIRA, F. O. R. Iluminação natural no ambiente construído. Florianópolis: UFSC, 1997.
PERES, M. R. The focal encyclopedia of photography. New York: McGraw-Hill, 1965.
QUEIROZ, M. Disponível em <http://acorsimplificada.com.br/circulos-cromaticos>. 
Acesso em: 10 out. 2018.
ROUSSEAU, R. A linguagem das cores: energia, simbolismo, vibrações e ciclos das estru-
turas coloridas. São Paulo: Pensamento, 1980.
SPOTTISWOODE, R. Enciclopedia focal de las técnicas de cine y television. Barcelona: 
Omega, 1976. 
SPOTTISWOODE, R. Film and its techniques. Berkeley: University of California, 1951. 
Interação da luz com a matéria12
Conteúdo:
TEORIA E PRÁTICA 
DA COR
Derli Kraemer
O processo de visão e 
de percepção da cor
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Descrever o processo de visão e de percepção da cor.
 � Identificar como a cor é percebida pelo olho e interpretada pelo 
cérebro.
 � Utilizar os meios gráficos digitais como ferramentas para a construção 
de estruturas cromáticas.
Introdução
Neste capítulo, veremos que, para que possamos perceber as cores, é 
necessário que ocorram fenômenos físicos e fisiológicos. Assim, estu-
daremos como funciona o processo da visão e da percepção da cor no 
âmbito da fisiologia: como a cor é percebida pelo olho e interpretada 
pelo cérebro. A partir desse conhecimento, veremos também como usar 
os meios gráficos digitais para construir estruturas cromáticas.
Visão e percepção da cor
Em uma definição geral, podemos considerar que visão é a capacidade de 
compreender, assimilar e perceber visualmente tudo que está no mundo exterior 
por meio da utilização dos olhos e do cérebro. Nessa definição geral, a visão 
contém a percepção da cor e da forma em todos os aspectos. Existindo luz, o 
mecanismo da visão é estimulado e passa funcionar, entregando ao cérebro 
informações para serem interpretadas.
As cores, percebidas pela maioria dos humanos, são tão comuns no nosso 
dia a dia que mal nos damos conta que as percebemos. Segundo Foley e Grimes 
(1988), o uso incorreto das cores pode levar ao desconforto e à fadiga visual, 
causando uma percepção errada da mensagem e, assim, reduzindo o seu 
impacto; se a mensagem fosse monocromática, por exemplo, teria um terço 
de redução desse impacto. 
Essa interpretação tem a ver com a psicologia das cores, estudada inicial-
mente por Johann Wolfgang von Goethe, no século XIX. Sua teoria desenca-
deou todo um estudo sobre o comportamento humano diante das mensagens 
que são entregues pelas cores, utilizado amplamente em diversas áreas do co-
nhecimento e especialidades, como arquitetura, design e publicidade. Segundo 
Heller (2013), as pessoas têm preferências por certas cores e seus efeitos são 
universais, transmitindo sensações. Entretanto, há algo anterior às sensações 
que as cores transmitem ao seu observador: sua percepção.
Isaac Newton foi quem descobriu a decomposição da luz utilizando um 
prisma, que a decompõe em radiações de diferentes comprimentos. Ao che-
garem ao olho, essas radiações de diferentes comprimentos permitem sua 
distinção como cor. A cor, portanto, é uma sensação fisiológica, que, segundo 
MacDonald (1999), é o efeito fisiológico que esse comprimento de onda produz; 
cada um desses elementos constituema luz branca.
O estudo da cor evoluiu de Newton a Goethe para as escolas de arquitetura, 
arte e design, como a Vkhutemas, na Rússia, e, mais tarde, a Bauhaus, na 
Alemanha, onde artistas, arquitetos e designers estudaram a forma e a cor em 
várias especialidades. A Bauhaus, fundada em 1919 e extinta em 1933, passando 
por fases tão difíceis quanto sua existência, foi importante para a arquitetura, 
a indústria e a arte. O conceito principal da Bauhaus sempre foi a Gestalt, 
que, em uma livre tradução do alemão, significa “boa forma”. Nesse sentido, 
um árduo estudo sobre cor, forma e projeto resultam em uma “boa forma”.
O conceito da Gestalt e da psicologia das cores pode ser usado, por exemplo, 
no design de interiores. Se dispostas de forma correta, além da ergonomia 
apropriada, as cores podem estimular o colaborador a se comportar de uma 
maneira ou outra. O vermelho tanto pode deixar o ambiente dinâmico quanto 
opressivo; ele tende a deixar o ambiente menor, justamente o contrário das 
cores frias, que podem ampliar e tranquilizar o ambiente.
Segundo Murch (1984), a luz atravessa as camadas de tecido do olho, atinge 
a retina, uma área sensível do sistema de visão, e então as cores são formadas 
no cérebro. Já segundo Gomes Filho (2004), para a Gestalt, todo o processo 
consciente e forma percebida estão estritamente relacionados com o pro-
cesso fisiológico, portanto a luz transmitida é estruturada e psicologicamente 
percebida pelos estímulos visuais. Esses estímulos são padrões constantes 
organizados como princípios da percepção. Os princípios da percepção são 
proximidade; similaridade; pregnância; simetria; segmentação; fechamento. 
Vejamos mais sobre eles.
O processo de visão e de percepção da cor2
Princípios da percepção
Segundo Gomes Filho (2004), as constantes dos princípios da percepção são 
as seguintes:
1. Proximidade: objetos que estão localizados próximos são percebidos 
como mais relacionados entre si do que os que estão posicionados 
distantemente. Os seres humanos tentem a agrupar objetos quando 
existe essa proximidade dos signos, unificando-os.
2. Similaridade: objetos similares são percebidos como mais relacionados 
do que os que não o são. A similaridade acontece por meio da repetição 
do signo, seja de forma, seja de cor.
3. Pregnância: objetos tendem a ser compreendidos como organizados, 
o que facilita a percepção e compreensão/interpretação. Normalmente, 
esta característica está ligada a projetos que resultam do uso de outros 
princípios da Gestalt.
4. Simetria: objetos são percebidos como signos dispostos de forma 
simétrica, orientados por uma medida.
5. Segmentação: os signos fazem a percepção humana separar ou identi-
ficar partes de uma forma como parte do todo. É justamente o oposto 
do princípio do fechamento. Essa percepção pode ocorrer por forma, 
pontos, linhas, cores, formas e outros.
6. Fechamento: objetos são percebidos como fechados, mesmo que não 
sejam. Sua forma causa a percepção de que constituem um desenho 
completo, entretanto, não o são. Ao observar signos com esta caracte-
rística, a percepção é de que a forma está completa. Ocorre em pontos, 
linhas, cores, formas e outros.
A psicologia das cores é um assunto que, após Goethe, foi estudado profundamente 
por vários pesquisadores. Um deles, Eva Heller, escreveu um livro intitulado justamente 
de A psicologia das cores, no qual publicou os resultados de sua pesquisa, realizada 
principalmente na Alemanha. Nele há curiosidades interessantes, como, por exemplo, 
que o azul é a cor favorita da maioria das pessoas e que o marrom é a de que menos 
gostam. Cada cor transmite uma sensação para seu observador; quando compostas por 
duas ou mais cores, as sensações podem ser ainda mais bem dirigidas, influenciando 
o comportamento das pessoas.
3O processo de visão e de percepção da cor
Como a cor é percebida pelo olho e interpretada 
pelo cérebro
No princípio, existe a luz. Sem ela, não há como a cor ser percebida. Segundo 
Fraser e Banks (2012), foi no século XIX que o físico inglês Thomas Young 
(1773-1829) estudou e postulou que o olho devia conter receptores que reagiam 
a certos comprimentos de ondas luminosas. Como as partículas são numero-
sas e os comprimentos de onda são extensos, ele concluiu que os receptores 
conseguem perceber apenas uma parte do espectro.
Antes de entrar um pouco mais a fundo na fisiologia, vale comentar que há 
uma diferença entre efeito cromático e agente cromático. O efeito cromático 
é desencadeado pela própria cor em nós — é a realidade psicofisiológica da 
nossa percepção. Já o agente cromático, segundo Barros (2006), reporta-se à 
constituição do pigmento.
A luz entra no olho e chega até a retina, onde há dois tipos de células fotor-
receptoras, ou seja, que percebem a luz. Essas células são os bastonetes e os 
cones, cada um deles com uma função específica, arquitetada pela natureza. 
Segundo Murch (1984), os bastonetes tem a capacidade de perceber a presença 
da luz e de tons intermediários; já os cones percebem as cores. 
Existem três tipos de receptores do tipo cone: um percebe o vermelho, um 
percebe o verde e outro o azul. A proporção do número de cada tipo de cone 
varia, sendo ela da ordem de 40:20:1, respectivamente, o que significa que a 
sensibilidade para o azul é menor do que para o vermelho e o verde. 
O olho humano é, portanto, um sistema de percepção de três tipos de 
células, chamado de sistema tricromático. É por isso que somos aptos a 
identificar as três cores primárias em luz e pigmento. Quando estimulamos 
apenas um tipo de cone, por determinado tempo, ocorre uma espécie de 
saturação, causando a sensação de enxergarmos a cor complementar àquela 
observada (BARROS, 2006).
Além disso, precisamos considerar o próprio formato do olho e seu 
campo visual, que é o escopo de abrangência do olho. Na área central do 
olho existem apenas células do tipo cone; em uma área mais afastada do 
centro há uma mistura de cones e bastonetes; finalmente na periferia, há 
apenas bastonetes. 
O processo de visão e de percepção da cor4
Figura 1. Campo de visão.
Fonte: Abreu (2010, documento on-line).
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Observando a Figura 1, podemos perceber uma linha perfeitamente ho-
rizontal; a partir dela determinamos o campo visual, cerca de 160 graus 
horizontalmente e 120 graus verticalmente. 
Segundo Murch (1984), os músculos do olho fazem o cristalino do olho 
agir como a lente de uma câmera fotográfica, focalizando o que está à volta do 
observador. Portanto, dada a curvatura do olhos e a disposição dos receptores 
do tipo cones e bastonetes, a imagem é formada e formas e cores percebidas. 
5O processo de visão e de percepção da cor
Leitores do material impresso, para visualizar as figuras 
deste capítulo em cores, acessem o link ou o código 
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Acompanhe a Figura 2, que compara os sistemas de cores.
Figura 2. Círculo cromático RGB (a) e círculo cromático CMY (b).
Na Figura 2a, temos o esquema de cores RGB, baseado na luz, formado por 
vermelho (red), verde (green) e azul (blue), no qual existe a soma das cores. 
Na Figura 2b temos o sistema CMY — ciano, magenta e amarelo (yellow), 
que foram o sistema de cores pigmento, ou seja, tinta. Segundo Fraser e Banks 
(2012), percebemos a cor pigmento pelo reflexo que a luz devolve ao nosso olhar. 
A cor, portanto, depende da luz que ilumina o objeto. Ela não necessariamente 
é uma característica do objeto iluminado. Um vaso verde pode ser percebido 
como preto quando iluminado sob luz monocromática azul.
O processo devisão e de percepção da cor6
Essa percepção recebe os efeitos causados pelo que está a volta, como, 
por exemplo, as cores de um cenário televisivo. Vamos supor um cenário no 
qual o apresentador está no escuro e há uma bandeira azul e outra branca. Se 
uma luz amarela for lançada no ambiente, as cores serão percebidas de acordo 
com o comprimento de onda resultante da cor luz atuando sobre o cenário, 
ou seja, uma bandeira preta e uma bandeira amarela. Isso ocorre porque a luz 
amarela sobre o azul resultará na soma dessas cores, ou seja, preto, enquanto 
a bandeira branca se somará à luz amarela e será, portanto, amarela.
Então é aí que entra a criatividade para gerar ilusões para um público-
-alvo, usando meios gráficos digitais como ferramentas para a construção de 
estruturas cromáticas.
Cultura e religião, embora não pareçam, são fatores que devem ser considerados 
durante a escolha das cores de um projeto. Azul, por exemplo, é uma cor considerada 
sagrada para hindus, como também para católicos, enquanto para os povos árabes 
a cor sagrada é o verde. Por esse motivo é importante ter o máximo de informações 
sobre o projeto, a fim de evitar uma possível ofensa.
Os meios gráficos digitais e a construção de 
estruturas cromáticas 
E a cor encontra um meio. Por muito tempo, tinta e pincéis foram os meios 
para que a cor fosse utilizada, mas com o advento dos meios eletrônicos, novas 
ferramentas foram criadas e os designers e publicitários ganharam qualidade 
e velocidade na construção de seus projetos.
A vantagem dos meios gráficos digitais não está só na facilidade e na 
velocidade de construção das formas, mas também na estruturação e no teste 
das cores do projeto. Citando exemplos, para o design de produto ou o design 
de interiores, os desenhos técnicos podem ser coloridos, facilitando a identi-
ficação de componentes. No design gráfico, é possível testar qual é a melhor 
cor para uma peça gráfica, e, na fotografia, o ajuste cromático da imagem, que 
pode valorizar a captura, pode ser avaliado instantaneamente pelo fotógrafo.
7O processo de visão e de percepção da cor
Veja no Quadro 1 quais são os principais softwares gráficos utilizados 
atualmente.
Fontes: Autor.
AutoCAD Software lançado em 1982; na versão 2019 continua 
sendo usado tanto para desenho de plantas 
baixas (2D) quanto para modelagem e animação 
3D. Sua versatilidade permite o uso para várias 
especialidades do design, arquitetura e engenharia.
3DS Max Software da Autodesk, mesma fabricante do 
AutoCAD, direcionado para modelagem e animação 
3D para maquetes eletrônicas e jogos digitais.
Revit Software da Autodesk, direcionado para a 
arquitetura, possibilitando desenho 2D e 3D.
Maya Software da Autodesk, direcionado para modelagem 
e animação 3D para entretenimento, ou seja, 
comerciais, TV e cinema, principalmente.
Adobe Illustrator Software dedicado ao design gráfico.
Adobe Photoshop Software dedicado à manipulação de 
imagens em qualquer sistema de cores.
Adobe InDesign Software dedicado à mídia impressa, tanto para a 
edição quanto para a preparação da impressão.
Quadro 1. Softwares utilizados para mídias digitais
A história dos meios gráficos digitais começou nos anos 1950, com sistemas 
de impressão chamados “plotters” e osciloscópios controlados por computador. 
Nos anos 1960, evoluímos para displays de vetores. 
Nos anos 1980, a tecnologia já permitia o uso do computador para aplica-
ções gráficas como CAD (computer aided design, ou projeto auxiliado por 
computador). A Autodesk, por exemplo, lançou seu software AutoCAD em 
1982, segundo o site da própria empresa. Atualmente, os softwares da Auto-
desk são líderes de mercado, auxiliando designers de várias especialidades, 
incluindo designers de interiores e arquitetos, a desenvolverem projetos de 
maneira rápida e assertiva.
O processo de visão e de percepção da cor8
Em outros segmentos, softwares de manipulação de imagem, como o 
Photoshop e o Illustrator, ambos da Adobe, fizeram história no design gráfico, 
na fotografia e na publicidade. Esses são apenas exemplos de softwares usados 
no meio digital como ferramentas para a construção de estruturas cromáticas. 
Todos esses exemplos são softwares proprietários, ou seja, requerem licen-
ciamento de uso, mas existem no mercado alternativas em softwares livres, 
como o GIMP, por exemplo.
Mas, na mídia digital, não há apenas as construções cromáticas realizadas 
a partir de softwares, há muitas coisas feitas diretamente por programação. 
Dependendo do dispositivo utilizado, tudo muda. O sistema de cores, segundo 
Foley (1996), segue os modelos a seguir:
 � HSV — Hue (matiz), Saturation (saturação) e Value (valor).
 � HLS —Hue (matiz), Lightness (Brilho) e Saturation (saturação)
 � RGB — Red (vermelho), Green (verde) e Blue (azul), que também é o 
padrão de cores para a WWW (World Wide Web). 
De modo geral, o programador escreve valores durante a programação e 
esses valores correspondem a determinada cor que será mostrada no software do 
dispositivo. Juntando a programação com o 3D, temos a realidade virtual (RV).
Figura 3. Óculos de realidade virtual (RV).
Fonte: Lustosa (2018, documento on-line).
9O processo de visão e de percepção da cor
A realidade virtual é uma importante ferramenta que designers de inte-
riores e arquitetos podem utilizar para demonstrar, por meio da interatividade 
e da modelagem 3D, como será um ambiente que ainda está no estágio proje-
tual. Mas não é só isso: a visualização de catálogos de produtos e a realidade 
aumentada também utilizam recursos da mídia digital para impulsionar a 
percepção do target sobre a mensagem pretendida.
1. Você já percebeu que uma série 
de luzes piscando parecem estar 
em movimento? De acordo com 
a psicologia da Gestalt, esse 
“movimento” acontece porque 
nossa mente preenche a falta 
de informação. O princípio de 
similaridade da Gestalt afirma que:
a) tendemos a separar figuras 
de seus fundos com base em 
uma ou mais variáveis, como 
contraste, cor ou tamanho.
b) formas ou objetos próximos 
uns dos outros parecem 
formar grupos.
c) tendemos a seguir a direção de 
um padrão visual estabelecido 
em vez de nos desviarmos dele.
d) elementos que compartilham 
características visuais como 
forma, tamanho, cor ou 
textura são percebidos 
como um conjunto.
e) tendemos a enxergar 
figuras completas mesmo 
quando uma parte da 
informação está ausente.
2. A percepção da cor é muito 
importante para a compreensão 
de um ambiente. Durante um 
importante jogo da Libertadores, 
desejando alguns efeitos 
especiais, um dos cinegrafistas 
gravou uma cena em um estúdio 
completamente escuro, onde 
existia uma bandeira de cores 
azul e branca, iluminada por luz 
amarela monocromática. Como 
a bandeira apareceu, quando a 
cena foi exibida ao público?
a) Verde e preta.
b) Verde e branca.
c) Preta e azul.
d) Preta e amarela.
e) Azul e branca.
3. A cor de um objeto resulta da luz 
que ele consegue refletir. Entre um 
corpo que reflete toda a luz (branco) 
e um que absorve toda a luz (preto), 
temos, então, objetos que refletem 
algumas cores e absorvem outras. 
A respeito das cores dos objetos, 
marque a alternativa correta.
a) A cor é uma característica 
própria de cada objeto.
b) A cor depende da luz que ilumina 
o objeto, portanto, não é uma 
característica própria do objeto.
c) Um objeto de cor amarela 
sob luz policromática é visto 
com a mesma cor sob luz 
monocromática verde.
O processo de visão e de percepção da cor10
d) Como reflete todas as cores, o 
corpo negro não tem condição 
de apresentar coloração, sendo 
visto, portanto, como preto.
e) A cor não depende da luz 
que ilumina o objeto.
4. As cores de um ambiente de 
trabalho exercem diversas sensações 
sobre as pessoas. Quando dispostas 
corretamente, estimulam áreas do 
cérebro, promovendo sensações 
como excitação ou tranquilidade. 
Sendo assim, a cor de um escritório 
pode auxiliar ou atrapalhar o 
desempenho dos funcionários. 
Levando em consideração o 
significadoe as sensações das 
cores em ambientes de trabalho, o 
que deve ser considerado antes da 
escolha das cores para escritórios?
a) Verde: em tons claros, é escolhido 
por trazer calma e tranquilidade; 
em tons escuros, pode trazer 
a sensação de depressão.
b) Vermelho: com cuidado, 
pode deixar o ambiente mais 
dinâmico e animado; transmite 
alegria e proximidade.
c) Roxo: é capaz de atuar 
diretamente sobre o pulmão 
e o coração, auxiliando, ainda, 
com problemas na coluna. 
É uma cor que estimula a 
criatividade e faz com que as 
pessoas fiquem mais calmas.
d) Branco: sua função principal 
é multiplicar a luz do espaço, 
por isso, ele passa a ideia de 
que o ambiente é mais amplo 
do que realmente é. Passa 
a ideia de luxo e estimula a 
criatividade. Ainda assim, um 
ambiente totalmente branco 
pode se tornar monótono.
e) Azul: é uma cor que consegue 
trazer energia, mas ainda assim 
sugerir calma e seriedade 
para o ambiente. É importante 
que o tom do azul não seja 
muito escuro e que ele 
também seja utilizado em 
pontos específicos. 
5. Os profissionais de design de 
interiores devem estar sempre 
atentos a novas tecnologias, o 
que permite a criação de projetos 
maiores com melhores soluções. 
Hoje, inúmeras tecnologias 
facilitam o trabalho em todas as 
etapas dos projetos. Uma delas 
aumenta as possibilidades de 
visualização, oportunizando 
novas maneiras de experimentar 
e de entender os projetos, bem 
como o uso de um espaço 
muito antes de que realmente 
seja construído. Marque a 
alternativa que apresenta essa 
tecnologia de visualização. 
a) Realidade virtual (RV).
b) Catálogos de produtos online.
c) Impressoras 3D.
d) Realidade aumentada (RA).
e) Trena digital.
11O processo de visão e de percepção da cor
ABREU, M. A estrutura de um filme. Magda Abreu_nº6_11º9_ESMGA_Espinho10/11, 
2010. Disponível em: <https://magdaabreu06.wordpress.com/about/>. Acesso em: 
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BARROS, L. R. M. A cor no processo criativo: um estudo sobre a Bauhaus e a teoria de 
Goethe. 3. ed. São Paulo: Senac São Paulo, 2006.
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FOLEY, J. D. et. al. Computer graphics: principles and practice. 2. ed. Reading: Addison-
-Wesley, 1996. Cap. 13, p. 563-604.
FRASER, T.; BANKS, A. O essencial da cor no design. São Paulo: Senac São Paulo, 2012.
GOMES FILHO, J. Gestalt do objeto: sistema de uma leitura visual da forma. São Paulo: 
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HELLER, E. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. São Paulo: 
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sp/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/mercado-imobiliario-do-interior/noticia/oculos-
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Leituras recomendadas
AMBROSE, G.; HARRIS, P. Design básico: cor. Porto Alegre: Bookman, 2010. 
DOYLE, M. E. Desenho a cores: técnicas de desenho de projeto para arquitetos, paisagistas 
e designers de interiores. Porto Alegre: Bookman, 2001.
PEDROSA, I. Da cor à cor inexistente. 3. ed. Rio de Janeiro: Leo Christiano, 1982.
O processo de visão e de percepção da cor12
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