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MATERIAL DE APOIO: 
TÉCNICA CIRÚRGICA 
 
 
 
 
 
 
Grupo dos Acadêmicos de Medicina da 
Universidade de Mogi das Cruzes 
 
HOSPITAL IPIRANGA DE 
MOGI DAS CRUZES 
 
 
 
 
 
 
 
2017 
 
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1. DEFINIÇÕES 
 
- Contaminação = presença de microorganismos 
- Infecção = doença causada por microorganismos 
 
=> Classificação da cirurgia de acordo com o potencial de contaminação: 
-LIMPA: Eletivas, primariamente fechadas e sem dreno; Feridas não traumáticas e não 
infectadas, sem sinais inflamatórios; Não há quebra de técnica; Não há abordagem de vísceras 
ocas;Ex: Safenectomia / herniorrafia 
-POTENCIALMENTE CONTAMINADA: Há abordagem dos tratos digestivo, respiratório, 
genitourinário e orofaringe sob situações controladas, sem sinais de processo inflamatório; Pequena 
quebra de técnica asseptica ou implantação de dreno; Ex: Nefrect. /Gastrectomias; 
-CONTAMINADA: Feridas traumáticas recentes (menos de 04 horas), abertas; Contaminação 
grosseira durante cirurgia do trato digestivo; Manipulação de via biliar ou genitourinária na presença 
de bile ou urina infectadas; Quebras maiores de técnica asséptica; Inflamação, mas não secreção 
purulenta; Ex: Colecistectomia com colecistite aguda; 
-INFECTADA: Presença de secreção purulenta; Tecidos desvitalizados; Corpos estranhos; 
Contaminação fecal; Trauma penetrante há mais de 04 horas; Ex: Perfuração de ceco 
 
 
2. AMBIENTE CIRÚRGICO 
 
O ambiente cirúrgico é onde se realizam as intervenções cirúrgicas, enquanto que a sala 
cirúrgica é um dos seus componentes e onde se realiza de fato o ato cirúrgico. 
Serviços auxiliares para que o ato cirúrgico aconteça: preparo pré-operatório do paciente, 
administração de anestesia, o controle monitorado das variáveis fisiológicas, com auxílio do 
desempenho da enfermagem, laboratório e banco de sangue e recuperação pós-imediata do paciente. 
 
=> Componentes do ambiente cirúrgico 
 Zonas de proteção: vestiários, onde os funcionários do centro cirúrgico retiram sua 
roupa e colocam os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs); 
 Zona asséptica ou estéril: salas de operação e subesterilização; 
 Zona limpa: áreas de transição (lavabo, conforto médico, sala enfermagem). 
 Zona de proteção: também chamado de área de transferência, que seriam as áreas de 
relacionamento entre o sistema hospitalar e a “zona limpa” ex: sala de recepção dos pacientes. 
 
 
ÁREA DE TRANSFERÊNCIA: 
- Local de entrada e saída de ambiente cirúrgico 
 
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- São zonas de proteção para os pacientes 
 
CORREDORES 
- Na parte central são considerados limpos, local onde circula o que vai entrar na sala cirúrgica. 
- Na parte periférica são considerados contaminados, local onde circula o que sai da sala 
cirúrgica após procedimento. 
 
LAVABO 
- Local onde os integrantes da equipe cirúrgica escovam mãos e antebraço antes de entrar na 
sala de cirurgia; deve possuir torneiras com braços longos para serem fechadas com o cotovelo, ou 
com acionamento nos pés, ou sensor de presença. 
 
SALA DE EQUIPAMENTOS 
- Local onde é feita a guarda de materiais prontos para serem utilizados. 
 
DEPÓSITO DE MATERIAL 
- Local onde o material é estocado. 
 
SALA DE OPERAÇÃO 
- Local onde ocorre os procedimentos cirúrgicos. 
 
SALA DE RECUPERAÇÃO PÓS-ANESTÉSICA 
- Local onde o paciente fica no pós-operatório imediato e é mantido sob vigilância constante 
e rigorosa. 
 
SALA DE CONFORTO 
- Local onde as equipes descansam 
 
SERVIÇOS AUXILIARES 
- Local para uso da radiologia, anatomia patológica e laboratório clinico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 3. INSTRUMENTAL CIRÚRGICO 
 
Instrumentos de diérese 
 
 Bisturi 
 
 
 Tesoura de Mayo: mais utilizada para cortar fio 
 
 
 Tesoura de Metzenbaum: utilizada para cortar tecido 
 
 
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 Agulha de Veress: utilizada para puncionar região umbilical, e insuflar ar na cavidade 
abdominal causando pneumoperitônio, para cirurgias laparoscópicas. 
 
 Trocateres descartáveis: utilizado para fazer incisão e através deles passar os materiais de 
laparoscopias 
 
 
Instrumentos de preensão (Síntese) 
 
 Pinça anatômica 
 
 
 Pinça dente de rato 
 
 
 
 
 
 
 
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 Pinça de Adson (com e sem dente) 
 
 
 
 Pinça vascular de Waugh (com e sem dente) 
 
Instrumentos de síntese 
 
 Porta agulha de Hegar (pegada com ranhuras transversais e sulco mediano longitudinal) 
 
 Porta agulha de Mathieu (cremalheira reversa) 
 
 
 
 
 
 
 
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Instrumentos de hemostasia 
 
 Pinça de Halsted (curva e reta) 
 
 
 Pinça de Kelly (curva e reta) 
 
 
 Pinça de Crile (curva e reta) 
 
 
 
 
 
 
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Afastadores 
 Afastador de Farabeuf 
 
 
 
 Afastador de Volkmann 
 
 
 Válvula lateral de Doyen 
 
 
 Válvula supra-púbica 
 
 
 
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 Afastador auto estático de Gosset e de Balfour 
 
 Afastador de tórax de Finochietto 
 
 
 
Instrumentos específicos 
 
 Pinça de Kocher (curva e reta) 
 
 
 
 
AFASTADOR DE BALFOUR 
 
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 Pinça de Rochester (curva e reta) 
 
 Pinça de Allis 
 
 Pinça de Babcock 
 
 Pinça de Duval 
 
 
 
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 Pinça de Collin ou coração curta 
 
 
 
 Pinça de Forster ou coração longa 
 
 
 Pinça de Mixter 
 
 Pinça de Coprostase 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 Pinça de Faure 
 
 
 Pinça de Backhaus 
 
 Pinça vascular de Satinsky 
 
 Pinça vascular de Potts 
 
 
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 Pinça de Johns Hopinks (jacaré ou bulldog) 
 
 
 Pinça Cherron e Pinça Pean ambas usadas para antissepsia paciente 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A mesa do instrumental cirúrgico, de formato retangular, é dividida em duas 
metades por uma linha paralela ao seu maior lado. Na metade próxima ao instrumentador 
são colocados inicialmente os instrumentos de diérese representados pelo bisturi e 
tesouras. Ao lado destes colocam-se as pinças para hemostasia. Os instrumentos são 
colocados com a ponta voltada para o instrumentador para serem apreendidos por esta 
extremidade. As pinças hemostáticas são dispostas de acordo com seu tipo, iniciando-se 
o arranjo pelas pinças curvas, continuando pelas pinças retas do mesmo modelo. Nesta 
primeira linha as ultimas pinças hemostáticas a serem colocadas são as pinças de Kocher, 
que tem utilização menos frequente. Na segunda metade da mesa colocam-se inicialmente 
as pinças com dente de rato e as pinças anatômicas, instrumentos auxiliares das operações 
fundamentais. A seguir é disposto o material de síntese representado pelos porta-agulhas, 
agulhas e fios. A partir deste ponto colocam-se os instrumentos específicos da cirurgia a 
ser realizada, na zona da mesa que corresponde à área eventual de pegada. O arranjo da 
mesa do instrumental vai depender do local da intervenção cirúrgica. 
 
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O instrumentador coloca-se em frente, ao cirurgião e ao lado do assistente, 
ajustando a mesa do instrumental em posição perpendicular à mesa cirúrgica. Nas 
intervenções em que o cirurgião está à direita do paciente, a disposição do instrumental 
inicia-se da direita para a esquerda, ocorrendo o inverso quando o cirurgião coloca-se à 
esquerda. Existem variações no posicionamento da mesa do instrumental. Há cirurgiões 
que preferem tê-la ao seu lado para autonomia na apreensão do instrumental. Alguns 
ainda adotam a mesa de Mayo, colocada sobre os pés do paciente. 
Portanto, pergunte SEMPRE ao médico qual o lado que ele ficará e se a mesa 
ficará com ele ou o instrumentador. 
 
 
 
 
4. PARAMENTAÇÃO DA EQUIPE CIRÚRGICA 
DIÉRESE 
SÍNTESE 
PREENSÃO/ HEMOSTASIA 
ESPECIAIS 
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- Para entrar no Centro Cirúrgico a pessoa deve colocar o uniforme privativo, gorro e pró-
pé. Quando for abrir um material estéril na sala de cirurgia deve-se colocar máscara simples, assim 
como antes de começar a escovação das mãos. 
- Manter asunhas rentes e não utilizar unhas artificiais. 
- Proibir uso de anéis pulseiras, relógios, anéis e demais adornos. 
- A DEGERMAÇÃO DAS MÃOS é uma técnica que consiste na escovação criteriosa e 
sistematizada das mãos utilizando uma escova com cerdas macias, estéril, devidamente embebida 
em solução antisséptica degermante. 
- As soluções antissépticas devem estar em dispensadores fixos ou embebidas em escovas-
esponjas. Não misturar soluções distintas (solução degermante de iodóforo (PVP-I) ou solução de 
gluconato de clorexidina 
O principal objetivo é obter a máxima redução da flora microbiana sobre a pele das 
mãos e dos antebraços. Deve durar de 3 a 5 minutos com o emprego de um antisséptico 
apropriado. A escovação deve ser iniciada a partir do leito ungueal, passando pelos dedos, 
interdigitais, dorso e palma das mãos e antebraço até o cotovelo. Os movimentos devem obedecer 
um único sentido, da ponta dos dedos até o cotovelo, explorando toda a superfície da pele. 
Importante lembrar que durante todo o procedimento, as mãos deverão permanecer elevadas em 
relação aos cotovelos, o que impede que haja refluxo de solução para as mãos. A secagem deve 
ser realizada com toalha estéril. 
 
 
 
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OS PROCEDIMENTOS DE PARAMENTAÇÃO DEVEM SER REALIZADOS APÓS AS 
TÉCNICAS DE DEGERMAÇÃO DAS MÃOS 
 
Para uma paramentação segura e adequada: 
1 - Pedir à circulante disponível que abra o pacote para você; 
2 - Verificar o espaço disponível, se não há mobiliário ou pessoas atrapalhando sua 
movimentação antes de abrir o avental. E então: 
 
 
 
 
 
 
 Retire o avental do pacote, abra-o e segure-o com as duas 
 mãos por dentro dele na região dos ombros. 
 
 
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3- Para calçar as luvas: Seque bem as mãos, principalmente região interdigital, coloque o 
avental enroscando-o no dedão, ao calçar a luva use o conceito: o que ficará em contato com a pele 
da mão do cirurgião pode tocar, é a parte dobrada da luva, segure nessa parte e calce primeiro sua 
mão mais habilidosa, coloque primeiro 4 dedos e por último o dedão, sem tocar na parte da luva que 
ficará em contato com o paciente essa deve permanecer estéril, depois de calçada uma mão, encaixe 
os dedos por dentro da região dobrada (parte estéril c parte estéril) e novamente puxe a luva calçando 
primeiro os 4 dedos e por último o dedão, como mostra a figura abaixo. A luva deve cobrir o início 
do avental: 
Erga as mão e introduza o quanto puder seus braços 
no avental, em seguida o circulante irá ajudar para 
ajeitar e amarrar o avental atrás. 
 
Caso o avental seja do tipo opa, 
entregue uma das pontas ao 
circulante dê uma volta de 360° para 
fechar o avental por completo 
 
Se houver o dedal no punho, prenda o seu 
dedão, logo, o avental ficará mais firme e não 
poderá encolher durante a cirurgia. 
 
Por último calçar as luvas conforme técnica. 
 
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Após a paramentação, deve-se iniciar os preparos no paciente já anestesiado. Numa cúpula 
coloca-se o antisséptico (alcoólico para pele, não alcoólico para mucosas) pelo circulante, gazes 
dobradas e embebidas no produto e com auxilio de uma pinça Cheron realizar a antissepsia. 
 
 
5. OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS 
 
São procedimentos cirúrgicos simples, que quando associados segundo sequencia logica e 
inteligente, possibilita a realização de cirurgias complexas. As Operações Fundamentais são: 
- DIÉRESE OU DIVISÃO 
- HEMOSTASIA 
 
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- SÍNTESE 
 
DIÉRESE 
 
Definição: manobra cirúrgica destinada a criar uma via de acesso através dos tecidos. 
- Sempre se dá por CORTE, sendo o primeiro tempo cirúrgico. 
 
=> Tipos de diérese 
- INCISÃO 
- SECÇÃO 
- DIVULSÃO 
- PUNÇÃO 
- DILATAÇÃO 
- SERRAÇÃO 
 
Os Instrumentos e Equipamentos utilizados na Síntese são: 
 
 Bisturi: Lâmina e cabo 
 
 
 
 Bistiuri elétrico 
 
 
 
 
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 Tesoura (de Metzenbaum e de Mayo) 
 
 
 Rugina 
 
 Cisalha 
 
 Faca de Blair, Serra 
 
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 Costótomo 
 
 Agulha de Verress e trocarteres 
 
 
 Afastador (Lateral de Doyen, Lâmina maleável, Farabeuf, Supra Púbica, Auto 
estático de Gosset/ de Balfour, Supra-púbica, Finochietto etc ) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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SÍNTESE 
 
Definição: conjunto de manobras manuais e instrumentais, que tem por objetivo 
a aproximação dos tecidos seccionados; ou seja, manter a continuidade dos órgãos e 
tecidos, facilitando as fases iniciais da cicatrização. 
 
=> Tipos: 
- NÓ CIRURGICO: É o entrelaçamento ordenado e inteligente feito 
com as extremidades livres do fio cirúrgico, com objetivo de uní-las e fixa-las. 
 
- PONTO CIRURGICO: É o segmento de fio cirúrgico compreendido entre uma 
ou duas passagens deste no tecido. Corresponde à distância entre dois locais consecutivos 
de apoio do fio cirúrgico no tecido orgânico. É a unidade da síntese. 
- SUTURA CIRURGICA: É o ponto ou conjunto de pontos aplicados nos tecidos, 
com o objetivo de união, fixação e sustentação deles, durante o processo de cicatrização. 
A importância da sutura cirúrgica diminui na razão direta do progredir da cicatrização. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os Instrumentos e Equipamentos utilizados na Síntese são: 
=> Agulhas => Porta agulhas 
 
 
 
 
 
 
 
 
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=> Fios => Grampeadores 
 
 
=> Cola cirúrgica => Tela de polipropileno 
 (Marlex) 
 
 
HEMOSTASIA 
 
Definição: impedimento ou coibição do sangramento. 
=> Tipos de hemostasia 
- Temporária ou definitiva 
- Curativa ou profilática 
 
- Pinçamento (rever pinças anteriormente). 
- Garroteamento: faixa de Esmarch, manguito pneumático. 
- Ação farmacológica: Sistêmica – hipotensão controlada (pelo anestesista) 
 Local – adrenalina (vasoconstrição); 
- Hipotermia (gelo para parar temporariamente o fluxo). 
- Balão endovascular: oclusão temporária do vaso (pode evoluir para a definitiva). 
- Tamponamento – Compressivo 
- Primeiro tempo da hemostasia, logo ao iniciar a diérese; 
- Compressão das bordas da incisão com a compressão de compressa ou gaze; 
- Cauterização: aplicação de agente físico, como o calor, eletricidade – o mais usado -, e 
agentes químicos. 
- Ligadura: amarração dos vasos. 
- Grampeamento: uso grampos metálicos. 
- Obturação: colas, surgicell, ceras (usadas em tec. ósseo), arista ou pó hemostático. 
MATERIAL DE APOIO: TÉCNICA CIRÚRGICA 
 
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Produzido por: Poliana Luri Kayama Yabuuti e Erika Saori Gushiken 
(Chefia 2017/2018)

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