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Sociologia Brasileira: Miscigenação e Cordialidade Prof. Breno https://www.youtube.com/watch?v=TzBsSdpJ5qQ&l ist=PLjHmQpe56BuI4KCZZzCETWKT5afqFL- lo&index=3 https://www.youtube.com/watch?v=TzBsSdpJ5qQ&list=PLjHmQpe56BuI4KCZZzCETWKT5afqFL-lo&index=3 “Há representações da identidade brasileira que são hegemônicas, oficiais, mas revelam apenas a força do sujeito que as articula. Não falam de uma identidade brasileira em si, de uma brasilidade enquanto tal, essencial (...). Seria possível produzir um discurso sobre o Brasil desapaixonado, científico, “verdadeiro”? Dificilmente. É por isso que todas as representações do Brasil são relevantes, pois, juntas revelam um ideia do Brasil complexa, poliédrica; uma ideia composta por ideais, de projetos, um polígono de múltiplas faces ao mesmo tempo opostas e interligadas em uma mesma figura.(...) E cada brasileiro continua a “reconhecer” em sua diferença a identidade histórica brasileira, apesar de reconstruída, heterogênea, contraditória, plural e múltipla.” Reis, José Carlos. “As Identidades do Brasil: de Varnhagen a FHC”. Editora FGV. Rio de Janeiro. 2007 Gilberto Freyre (1900-1987) Nasceu em Recife , fez seus estudos universitários nos EUA, inicialmente na Universidade de Baylor e depois na Universidade de Columbia onde defendeu em 1922, sob a orientação de Franz Boas , a tese “Vida Social no Brasil em meados do século XIX”. Foi o pioneiro da abordagem cultural na formação da sociedade brasileira Em um período ainda anterior à institucionalização das ciências sociais no contexto brasileiro, Gilberto Freyre publica seu primeiro livro de expressão, Casa-grande & Senzala (1933), adotando uma perspectiva interdisciplinar e elevando a mestiçagem ao patamar de característica positiva da brasilidade. “Casa-Grande & Senzala” é considerada sua obra máxima , pois nela a teoria social renovou-se , apresentando idéias que se contrapunham ao racismo então vigente ; até então atribuía-se o atraso da sociedade brasileira à presença de negros e índios na formação de nosso povo e à sua mistura com os europeus , gerando o mestiço. Freyre defendia que a riqueza e a força cultural dos brasileiros eram conseqüências justamente da mistura de raças (miscigenação), pois ele valorizava o mestiço. Freyre defendia a tese de que a escravidão doméstica com a ama-de-leite e a mucama reiterava o caráter carinhoso , doce e alegre do negro amenizando as relações senhor e escravo “Nas condições econômicas e sociais favoráveis ao masoquismo e ao sadismo criadas pela colonização portuguesa - colonização, a princípio, de homens quase sem mulher - e no sistema escravocrata de organização agrária do Brasil; na divisão da sociedade em senhores todo-poderosos e em escravos passivos é que se devem procurar as causas principais do abuso de negros por brancos, através de formas sadistas de amor que tanto se acentuaram entre nós; e em geral atribuídas à luxúria africana.” FREYRE, Gilberto. Casa Grande e Senzala. Rio de Janeiro: Editora Record, 1994. p. 321. Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) Juntamente com Gilberto Freyre e Caio Prado Júnior, Sérgio Buarque de Holanda, nascido em São Paulo em 11 de julho de 1902, foi um dos “explicadores do Brasil”, isto é, alguém que, por meio de um respeitável obra, procurou tornar o país mais inteligível aos próprios brasileiros. Em 1936 , ele publicou "Raízes do Brasil" , uma obra de orientação weberiana que enfatiza os aspectos culturais do Brasil para a compreensão do nosso desenvolvimento social, político e econômico. É dele o conceito de "homem cordial" para caracterizar o brasileiro. “[...] essa cordialidade, estranha, por um lado, a todo formalismo e convencionalismo social, não abrange, por outro lado, apenas e obrigatoriamente, sentimentos positivos e de concórdia. A inimizade bem pode ser tão cordial como a amizade, nisto que uma e outra nascem do coração, procedem, assim, da esfera do íntimo, do familiar, do privado. Pertencem, efetivamente, para recorrer a um termo consagrado pela moderna sociologia, ao domínio dos ‘grupos primários’, cuja unidade [...] ‘não é somente de harmonia e amor’”. HOLANDA, Sérgio Buarque. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia da Letras, 1995. p. 205. Na realidade, ao referir-se à cordialidade, Sérgio Buarque busca enfatizar uma característica marcante do modo de ser do brasileiro, segundo sua lupa: "a dificuldade de cumprir os ritos sociais que sejam rigidamente formais e não pessoais e afetivos e de não separar, a partir de uma racionalização destes espaços, o público e o privado".