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ESTUDO DE PRÉ-FORMULAÇÃO PARA A PRODUÇÃO DE COMPRIMIDOS DE CAPTOPRIL 50 MG SILVA, Bruna sabai da 1 ALMEIDA, Elivelton Melo 2 LAMPIRE, Josiane Rosilene 3 RESUMO Esta pesquisa objetivou realizar o estudo de pré-formulação para o desenvolvimento de uma formulação de captopril 50 mg na forma farmacêutica de comprimidos simples produzidos por compressão direta. As propriedades físico-químicas do captopril e os diversos tipos de excipientes utilizados para a produção dos comprimidos influenciam significativamente nas propriedades de fluxo, compressibilidade e nos resultados dos ensaios de controle de qualidade do produto final obtido. A produção de comprimidos por compressão direta mostra- se bastante atrativa, pois envolve somente operações simples, resultando em menos equipamentos e espaço; custos trabalhistas mais baixos; menor tempo de processamento; menor consumo energético e um processo mais econômico. Foram desenvolvidas duas formulações, contendo cinquenta amostras de comprimidos simples de Captopril. Os mesmos foram desenvolvidos e analisados no laboratório de tecnologia farmacêutica e controle de qualidade da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Cacoal – RO. Todos os comprimidos apresentaram resultados dentro dos limites preconizados na Farmacopeia Brasileira e de acordo com os testes realizados, não foram encontradas variações extremas nas características das formulações. Desta maneira, torna-se essencial o estudo da pré-formulação, para garantir a qualidade e eficácia do medicamento produzido. Palavras-chave: Captopril; Pré-Formulação; Excipientes; Testes De Qualidade. 1 Bacharelando em Farmácia pela Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal – FACIMED, E-mail: bruna_katu@hotmail.com 2 Bacharelando em Farmácia pela Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal – FACIMED, E-mail: eliveltomelo@hotmail.com 3 Especialista em Farmacologia e toxicologia forense; Graduada em Farmácia. E-mail: josianelampire@hotmail.com INTRODUÇÃO No desenvolvimento de uma forma farmacêutica eficaz, segura e de qualidade é necessário um estudo de pré-formulação associado com as Boas Práticas de Fabricação. Tal estudo é fundamental para que o pesquisador reúna propriedades físico-químicas associadas ao fármaco e aos excipientes e à interação dos mesmos para a busca da melhor forma farmacêutica. Deve-se ter um especial cuidado na escolha das substâncias que irão compor a nova formulação, a fim de obter melhores características sensoriais, de estabilidade, segurança e eficácia, preocupando-se primordialmente com a biodisponibilidade desejada (CAMPOS; ALVES; SILVA, 2012). As principais razões da grande utilização de comprimidos em relação às outras formas farmacêuticas são: a via oral é conveniente e segura; boa estabilidade física e química; possui maior precisão da dose; fácil obtenção; resistência mecânica adequada; possui um menor custo; são leves e compactos; podem ser produzidos em grande escala; possuem maior precisão da dose; de fácil deglutição (AULTON, 2005; MOREIRA, 2007). Comprimidos são formas farmacêuticas solidas, geralmente preparadas com o auxílio de adjuvantes farmacêuticos. Eles podem variar em tamanhos, forma, peso, dureza, espessura, em características de desintegração e dissolução e em outros aspectos, dependendo de sua finalidade de uso e método de fabricação. A maioria dos comprimidos é usada na administração oral de fármacos (ALLEN JR; POPOVICH; ANSEL, 2013). Um dos maiores problemas durante a produção das formas farmacêuticas solida, é a escolha dos excipientes utilizados na formulação uma vez que os ativos sofrem influência na sua biodisponibilidade. Os excipientes são fatores que influenciam positivamente na determinação da velocidade e extensão que o ativo pode obter e na sua absorção. Pois a liberação e a dissolução do princípio ativo é limitada (PESSANHA et al., 2012). Portanto, antes do desenvolvimento de uma forma farmacêutica é importante estudar e detalhar as características físicas químicas do fármaco, estabelecendo sua solubilidade, estabilidade, propriedades de fluxo, dentre várias outras. Porém, uma das principais características a serem avaliadas na pré-formulação é, sem dúvida, a solubilidade, dada a sua relação com a biodisponibilidade. A pré-formulação é, portanto, a quantificação das propriedades físicas e químicas do fármaco, para que se possa proceder ao desenvolvimento do produto, de modo a garantir a sua estabilidade, segurança e eficácia, obtendo-se uma biodisponibilidade adequada do fármaco (FERRAZ, 2017). Diante ao exposto, esta pesquisa objetivou realizar o estudo de pré formulação para o desenvolvimento de uma formulação de captopril 50mg na forma farmacêutica de comprimidos simples produzidos por compressão direta. METODOLOGIA O estudo consiste na avaliação qualitativa (desintegração) e quantitativa (determinação de peso, friabilidade e dureza) das propriedades químicas e físicas de comprimidos de Captopril 50 mg, utilizando-se a metodologia experimental descritiva com característica transversal. Tratou-se de uma amostra não probabilística por conveniência. Foram incluídas na pesquisa amostra de comprimido de Captopril 50 mg e excluídas as amostras de outros fármacos, formas farmacêuticas e dosagens e os que apresentavam prazo de validade excedido. A estatística utilizada foi a interfacial onde houve a realização de percentuais estatísticos. A tabulação dos dados foi realizada através do programa Microsoft Office Excel 2013 e os resultados da pesquisa foram expressos por meio de tabelas. Para essa pesquisa não se fez necessária à autorização prévia do CONEP/CEP/resolução 466/12. Foram desenvolvidos, em escala piloto, duas diferentes formulações, contendo, cada qual, cinquenta amostras de comprimidos simples de Captopril. Os mesmos foram desenvolvidos e analisados no laboratório de tecnologia farmacêutica e controle de qualidade da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Cacoal – RO. Para critérios de comparação dos resultados da análise de controle de qualidade e dos constituintes da formulação, foram adquiridas as amostras dos comprimidos contendo Captopril 50 mg genérico (prati donaduzzi), provenientes de uma drogaria da região central do município de Cacoal – RO. Foi utilizado o medicamento genérico, por não ter sido encontrado o referência em nenhuma drogaria da cidade. Métodos Foram obtidas duas formulações (F1 e F2), em escala piloto, de comprimidos de Captopril 50mg através do método de compressão direta. Os excipientes foram selecionados com base em medicamentos já existentes no mercado farmacêutico brasileiro e na literatura especializada. Os percentuais dos excipientes utilizados nas formulações foram baseados na farmacopeia brasileira e literaturas específicas, com variação em algumas concentrações de excipientes (tabela 1) tendo como objetivo estudar se essas variações influenciam nas características dos comprimidos. As formulações foram calculadas para obtenção decomprimidos com peso médio de 193,5 mg. Tabela 1: Composição das formulações dos comprimidos de captopril 50mg. Componentes Laboratórios F1 (%) F2 (%) Função Captopril Galena 25,84 25,84 Principio ativo Celulose microcristalina Via farma 40 30 Diluente Lactose Pharma nostra 20 31,16 Diluente Amido de milho Fagron 10 - Desintegrante Amido de milho glicolato Via farma - 10 Desintegrante Estearato de magnésio Fagron 2,7 2 Lubrificante Dióxido de silício coloidal Henrifarma 1,5 1 Deslizante Fonte: Autor próprio Para o desenvolvimento dos medicamentos contendo o Captopril e seus excipientes específicos, foi utilizada a seguinte técnica de produção: • O fármaco e todos os seus excipientes foram pesados separadamente em balança industrial analítica (BelM214Ai). • O Captopril, Amido, Celulose Microcristalina, Lactose foram tamisados em tamis com malha 45 de abertura 355 mm/um. • Esta primeira mistura foi homogeneizada no misturados em “V” (Lemaq mod. Mini misturador V) por vinte minutos. Após esse tempo, foi acrescentado à mistura o Dióxido de Cilício Coloidal (Aerosil®) e o Estearato de magnésio, previamente tamisado em malha 45 de abertura 355 mm/um e homogeneizado por mais dez minutos. • As mesmas foram homogeneizadas ao total de trinta minutos no aparelho, totalizando uma quantidade de 100 gramas da mistura final na primeira formulação, e 50 gramas na segunda formulação . Logo após a homogeneização e a manipulação do lote piloto, foi iniciado o processo de compressão direta, utilizando para realizá-la esse processo, a maquina de compressão modelo rotatório (Lemaq mod. Mini Express LMD – 10). A compressora supracitada, foi montada com a pulsão regular oito (n = 08) mm e ajustada com o valor de peso e dureza semelhante ao do medicamento genêrico. Foram descartados os comprimidos produzidos que apresentaram padrões fora do estabelecido pela farmacopéia e os que não estavam de acordo com as características físicas do medicamento genêrico. Durante o processo foi avaliado o peso e a dureza dos comprimidos. Do lote piloto de comprimidos produzidos, foi retirado amostras para a realização dos seguintes ensaios: Determinação de Peso Médio O teste de determinação do peso médio permite verificar se as unidades de um mesmo lote apresentam uniformidade de peso. Foram pesados, individualmente, 20 comprimidos de cada medicamento analisado em balança analítica (Bel M214Ai). Os limites de especificação e o cálculo do peso médio e da variação permitida foram realizados de acordo com a Farmacopeia Brasileira (2010) e não se pode tolerar mais que duas unidades individuais fora dos limites especificados. Para comprimidos não revestidos contendo peso médio menor ou igual a 80 mg, a variação de peso permitida é de ± 10,0%; para comprimidos contendo peso médio de 80 até 250mg, a variação permitida é de ± 7,5%; já para aqueles contendo peso médio maior ou igual a 250 mg, o limite de variação permitido é ± 5,0%. Entretanto, nenhuma amostra pode conter peso unitário acima ou abaixo do dobro das porcentagens indicadas na Farmacopeia Brasileira (2010). Determinação da friabilidade A friabilidade foi determinada empregando-se 20 comprimidos, através do cálculo do percentual de perda de material por queda e erosão, utilizando-se friabilômetro numa velocidade de vinte e cinco rotações por minuto durante 4 minutos. Dureza O teste de dureza determina a resistência mecânica dos comprimidos ao esmagamento ou à ruptura sob pressão radial. Este ensaio foi realizado no equipamento Durômetro, de acordo com a Farmacopeia Brasileira 5ª ed, que preconiza a utilização de 10 comprimidos individualmente. O resultado foi expresso como a média dos valores obtidos nas determinações. Tempo de Desintegração O teste de desintegração tem o objetivo de submeter seis comprimidos a condições similares encontradas no organismo humano. Realizado através do aparelho desintegrador, que consiste de sistema de cestas e tubos, recipiente apropriado para o liquido de imersão (água destilada) e de termostatos para manter o líquido a 37°C. As amostras foram inseridas e submetidas a um sistema em movimento, ascendente e descendente, pretendendo produzir os mesmos efeitos sofridos pelo comprimido após ser ingerido e no trajeto boca, estômago e intestino. O limite de tempo ideal para a desintegração de comprimidos não revestidos, como o de captopril, é de 30 minutos, segundo a Farmacopeia Brasileira (2010). Aspecto visual Anasilou-se o aspecto visual dos comprimidos quanto a coloração, presença de comprimidos quebrados, lascados, trincados ou qualquer outras alterações aparentes. Determinação da espessura e diâmetro O diâmetro e a espessura foram determinados com o auxilio de um paquímetro manual, utilizando-se 10 comprimidos de cada amostra. RESULTADOS E DISCUSSÃO Quando se pensa em desenvolvimento de uma forma farmacêutica, é possível identificar que esse processo engloba várias etapas, como o estudo de pré formulações e da formulação propriamente dita, os quais consistem na caracterização física, química, físico- química das matérias primas, incluindo o fármaco e os excipientes utilizados na elaboração do produto, assim como das características e da qualidade do produto final a ser obtido (RIBEIRO; BELISSARI e FRANZINI, 2016). Para o desenvolvimento das formulações, buscou-se através de pesquisa bibliográfica, definição das concentrações utilizadas para os excipientes propostos para a formulação. Os cálculos foram realizados baseados na dose de 50 mg e buscando uma massa total de 193,5 mg. De acordo com Filho (2010), antes da produção de comprimidos, o desenvolvimento de formas farmacêuticas sólidas depende muito das propriedades físico-químicas do princípio ativo e dos excipientes. As propriedades físicas estão intimamente ligadas às especificações do produto final, como pureza, uniformidade, dissolução, estabilidade, aspecto e dureza. Elas também estão frequentemente no centro dos problemas de fabricação que podem emergir inesperadamente durante o ciclo de vida do produto. Sendo assim, o comportamento durante o processamento é uma função complexa das propriedades de particulados múltiplos e de pós. Por isso, os estudos de pré-formulação mostram-se vitais, pois investigam as propriedades físico-químicas da substância de interesse passíveis de afetar o desempenho da forma farmacêutica. Segundo Santos (2012), a compressão direta é um método de escolha por ser um processo simples, econômico que apresenta um tempo de processamento reduzido, diminuindo contudo, os custos operacionais e número de fases inferior. Sendo a compressão propriamente dita uma etapa muito importante, uma vez que influencia diretamente a dureza, friabilidade e desintegração dos comprimidos, podendo comprometer sua qualidade. Por isso que a pressão e a velocidade de compressão precisa ser ajustadas com muita atenção, a fim de garantir as características adequadas dos comprimidos. Na avaliação da qualidade dos comprimidos produzidos, foram analisados as características físicas, sendo utilizados os seguintes testes: peso médio, diâmetro e espessura, dureza, friabilidade, tempo de desintegração e dissolução, utilizando os equipamentos apropriados para cada procedimento. Os dados encontrados estão descritos na tabela 3, sendo analisados com bases nas especificações estabelecidas pela Farmacopeia Brasileira (2010). Tabela 2: Resultados dos testes físicos realizados com os comprimidos obtidos nas formulações F1 e F2 e comprimidos Genérico Parâmetros Especificações F1 F2 Genérico Peso Médio (mg) - 192,95 189,66 193,5 Diâmetro (mm) - 0,8 0,8 0,8 Espessura (mm) - 0,4 0,4 0,4 Dureza (kgf) ≥ 3,0 3,54 3,1 3,12 Friabilidade (%) < 1,5 0,99 0,66 0,29 Desintegração (min) < 30 1 min 02 s 1 min 49 s 18 s Fonte: Autor Próprio De acordo com Aulton (2005) os comprimidos produzidos apresentaram superfícies e bordas lisas e brilhantes (figura 1), não sendo detectada nenhuma alteração visual. Não foi verificada a formação de capping, que é o desprendimento da parte superior do comprimido, tão pouco a presença de rachaduras ou laminação, fenômenos frequentes na obtenção de comprimidos por via direta. Ainda segundo a farmacopeia brasileira (2010) os comprimidos devem apresentar superfície integra, homogênea, com coloração característica, lisa e brilhante, sendo destituída de defeitos, como falhas, fissuras e contaminação. Figura 1: Aspecto visual das formulações F1, F2 e genérico. Fonte: Autoria própria Durante a etapa da compressão, um dos parâmetros maiscríticos a serem controlados, segundo Lachman, Lieberman e Kanig (2010) é o peso do comprimido, que é determinado pela quantidade de pó contida na câmara de compressão. O ajuste do peso do comprimido baseia-se no aumento ou diminuição da câmara de compressão, o que depende da regulagem da punção inferior, e qualquer erro no ajuste poderá alterar o processo de enchimento da matriz e o seu peso médio, que de acordo com o estudo realizado por Peixoto et al. (2005), a determinação e os ajustes dos pesos dos comprimidos, ao longo do processo de compressão são procedimentos importantes, uma vez que as fórmulas estão baseadas no peso das formas farmacêuticas, o qual irá influenciar também na concentração de princípios ativos em cada unidade. O peso médio dos comprimidos desenvolvidos nas duas formulações (F1 e F2) apresentou-se na faixa de 189,66 a 192,95 mg, permitindo um limite de variação de ±7,5%. Podendo-se tolerar ate duas unidades fora dos limites em relação ao peso médio, desde que não ultrapassem o dobro desses limites. Nenhum comprimido analisado ficou fora dos limites especificados. Desta maneira, os valores encontrados estão em conformidade com as especificações estabelecidas na Farmacopeia Brasileira (2010) em relação ao peso dos comprimidos. A determinação e os ajustes dos pesos dos comprimidos, ao longo do processo de compressão, são procedimentos importantes, uma vez que as formulas estão baseadas no peso das formas farmacêuticas, o qual ira influenciar também na concentração de princípios ativos em cada unidade (PEIXOTO et al., 2005). Corrobora com essa afirmação Ribeiro (2007) que descreve em seu estudo que a determinação do peso médio é importante já que as fórmulas estão baseadas no peso das formas farmacêuticas, e influenciam na concentração do princípio ativo. Assim, por exemplo, um comprimido com menor dosagem não produzirá o efeito terapêutico esperado e, por outro lado, com maior dosagem pode acelerar o aparecimento de efeitos colaterais. De acordo com Roesc e Volpato (2010) o coeficiente de variação ou desvio padrão absoluto para o ensaio de peso médio deve ser igual ou inferior a 6%. Desta maneira, todas amostras estão de acordo com esse critério estabelecido (tabela 3). Tabela 3: Valores do Coeficiente de Variação (%) Genérico F1 F2 1,2580% 2,919% 2,323% Fonte: Autor Próprio Os diâmetros dos comprimidos desenvolvidos foram idênticos ao do medicamento genérico, devido ao jogo de punções serem de tamanhos iguais. Segundo Santos (2012) a avaliação da espessura é muito importante, pois é nela que se verifica falhas no processo de compressão. A espessura obtida nas formulações apresentou valores iguais, mesmo sendo o excipiente desintegrante diferente nas duas formulações. Os testes de resistência mecânica, tais como dureza e friabilidade, são considerados oficiais dentro do contexto da Farmacopeia Brasileira (2010). Segundo este compendio, os resultados obtidos nestes ensaios são elementos úteis na avaliação da qualidade integral dos comprimidos. Dessa forma, apesar da Farmacopeia Brasileira (2010), considerar os resultados do teste de dureza apenas informativos, estes devem ser analisados juntamente com os resultados obtidos para o ensaio de friabilidade, a fim de avaliar a resistência mecânica dos comprimidos. Se no ensaio da friabilidade, os comprimidos apresentarem perda acima de 1,5% do pó, os mesmos, serão reprovados em ambos os testes realizados. A avaliação da dureza permite determinar a resistência do comprimido ao esmagamento sob pressão radial (BRASIL, 2010). Todas as formulações apresentaram resultados superiores a 3 Kgf. Segundo a Farmacopeia Brasileira (2010), o resultado desse teste é informativo, pois os limites de dureza são especificados de acordo com o diâmetro e o peso do comprimido e se referem à resistência mínima para que seja retirado da embalagem sem se quebrar, garantindo a dosagem e o aspecto do comprimido. Portanto nenhum lote foi reprovado, pois seus diâmetros estão de acordo com as especificações encontradas nos valores de dureza. O teste de friabilidade traduz a resistência do comprimido ao desgaste, ou seja, avalia a resistência do mesmo à perda de peso, quando submetidos aos choques mecânicos das ações do cotidiano ou decorrentes de processos industriais (PEIXOTO et al., 2005). Todos os lotes apresentaram friabilidade adequada ao critério de aceitação ≤ 1,5% (BRASIL, 2010). Esse resultado esta relacionado com o uso do aglutinante celulose microcristalina, que tem como função manter a coesão das partículas, e que de acordo com Sausen e Mayorga ( 2013), é considerado o melhor aglutinante seco para compressão direta, permitindo a obtenção de comprimidos resistentes à ruptura e à abrasão, sendo muito utilizada como material de enchimento. A Farmacopeia Brasileira (2010) afirma: “Nenhum comprimido pode apresentar-se, ao final do teste, quebrado, lascado, rachado ou partido”. Isso mostra que a etapa de ajuste da pressão é um fator muito importante, uma vez que, pressões baixas influenciam na espessura, dureza e friabilidade. Uma alta friabilidade e baixa dureza ´podem ocasionar quebra e rachaduras durante o transporte e armazenamento, comprometendo a substância ativa e a eficácia terapêutica. Segundo Simch (2013), para comprimidos com peso médio igual ou inferior a 0,65 g, exige-se a utilização de 20 comprimidos de cada formulação. Para comprimidos com peso médio superior a 0,65 g, utiliza-se 10 comprimidos. A diferença entre o peso inicial e o peso final (perda) deve ser igual ou inferior a 1,5% do seu peso ou a porcentagem estabelecida na monografia. Se o resultado for duvidoso ou se a perda for superior ao limite especificado, o teste deve ser repetido por mais duas vezes, considerando-se, na avaliação, o resultado médio das três determinações. De acordo com Ferraz (2017), a compressão direta é um processo mais moderno e uma tendência na Indústria Farmacêutica, pois se baseia na utilização de adjuvantes que permitem uma compressão direta de uma simples mistura de pós (eliminação da etapa de granulação). Assim, suas vantagens são a eliminação do aglutinante (fármacos hidrolisáveis), eliminação da etapa de secagem, o menor número de etapas no processo, menor tempo de processo, obtenção de Formas farmacêuticas sólidas: comprimidos e comprimidos revestidos com bom aspecto, bons resultados de dissolução do fármaco, além de não requerer equipamentos específicos. Quanto a desintegração, todas as formulações apresentaram-se dentro do limite estabelecido (30 min), visto que todos os comprimidos desintegraram-se em tempos extremamente curtos (menos que 2 min). O medicamento genérico desintegrou-se em um tempo extremamente curto (18 segundos). Este teste é muito importante porque comprimidos que não desintegram ou mesmo demoram muito tempo para desintegrar, acabam não produzindo o efeito esperado do medicamento. A importância do teste está no fato de que a desintegração afeta diretamente na absorção, biodisponibilidade e ação do fármaco. É necessário, portanto, para que o princípio ativo fique disponível e exerça sua função terapêutica, que a forma farmacêutica se desintegre em partículas menores, aumentando a superfície de contato com o meio (SIMCH, 2013). As propriedades da forma farmacêutica final, assim como a biodisponibilidade e a estabilidade do princípio ativo são altamente dependentes dos excipientes escolhidos e suas concentrações (SANTOS, 2014 apud KUBBINGAA, 2014). Os fármacos de classe III (captopril) têm um fator limitante da absorção que é a solubilidade. Para estes fármacos que apresentam baixa solubilidade e alta permeabilidade é recomendável optar por excipientes que favoreçam a dissolução, isto é, diluentes solúveis, dessecantes, agentes molhantes e agentes desintegrantes. Os estudos realizados mostraram que os agentes molhantese agentes desintegrantes são os principais excipientes que afetam a biodisponibilidade dos fármacos. Foram então escolhidos de forma a proporcionar o aumento da solubilidade e conseqüente aumento na biodisponibilidade. A partir das análises sobre os agentes desintegrantes, foi possível perceber que o amido glicolato de sódio interfere na formulação aumentando a solubilidade dos fármacos e facilitando a desintegração dos mesmos, sendo então um excipiente facilitador da dissolução (PESSANHA et al., 2012). CONCLUSÃO Antes da produção de uma formulação, deve-se estabelecer quais os excipientes adequados para a classe do ativo utilizado. O principal objetivo da pré-formulação é a geração de informações confiáveis para que se possam desenvolver medicamentos seguros, estáveis e eficazes. Os testes devem ser realizados para avaliar a qualidade do produto final. A utilização de excipientes específicos que favoreçam a liberaçãoe absorção dos fármacos é essencial ao bom desempenho terapêutico dos medicamentos. Dentre todas as classes de excipientes existentes e seus inúmeros constituintes, foram selecionados aqueles que mais contribuíram quanto a solubilidade e/ou permeabilidade dos comprimidos, garantindo a qualidade final do comprimido produzido. O uso da técnica de compressão direta para a obtenção dos comprimidos, mostrou-se satisfatória na produção destas formulações, visto que o uso da pressão adequada durante o processo de produção, contribui diretamente no desempenho da fabricação e nos resultados qualitativos obtidos ao final. Todos os comprimidos apresentaram resultados dentro dos limites preconizados na Farmacopeia Brasileira (2010). De acordo com os testes realizados, não foram encontradas variações extremas nas características das formulações F1 e F2. Destacando ainda mais que, os estudos de pré formulação e os estudos de biodisponibilidade são impressindiveis e buscam diminuir as variações de qualidade, não afetando a eficácio dos comprimidos. PRE-FORMULATION STUDY FOR THE PRODUCTION OF CAPTOPRIL 50 MG TABLETS ABSTRACT: This research aimed to carry out the pre-formulation study for the development of a formulation of captopril 50mg in the pharmaceutical form of simple tablets produced by direct compression. The physicochemical properties of captopril and the various types of excipients used for the production of the tablets significantly influence the flow properties, compressibility and results of the quality control tests of the final product obtained. The production of tablets by direct compression is very attractive, as it involves only simple operations, resulting in less equipment and space; lower labor costs; shorter processing time; energy consumption and a more economical process. Two formulations were developed, containing fifty samples of simple Captopril tablets. They were developed and analyzed in the pharmaceutical technology and quality control laboratory of the Faculty of Pharmaceutical Sciences of Cacoal - RO. All tablets presented results within the limits recommended in the Brazilian Pharmacopoeia and according to the tests performed, no extreme variations were found in the characteristics of the formulations. In this way, it is essential to study the pre-formulation to ensure the quality and efficacy of the drug produced. Palavras-chave: Captopril; Pre-Formulation; Excipients; Quality Tests REFERÊNCIAS ALLEN JR., Loyd; POPOVICH, Nicholas; ANSEL, Howard. Formas Farmacêuticas e Sistemas de Liberação de fármacos. 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