Prévia do material em texto
O ácido chiquímico funciona como precursor para a biossíntese tanto de metabolismo primário quanto do metabolismo secundário das plantas. Metabólitos primários: ● Ácidos aminados(tirosina, fenilalanina e triptofano) Metabólitos secundários/especial: ● Taninos, alcaloides aromáticos, arilpropanoides, fenólicos, cumarinas, lignoides e flavonoides(via mista). 1. ALCACHOFRA (Cynara scolymus L., Asteraceae) Droga vegetal: Folhas secas Composição química: ácidos fenólicos (até 2%) → ácido caféico, ácido clorogênico e cinarina ● Atividade colagoga (estimula a contração da vesícula biliar, estimulando o fluxo da bile ao duodeno, o que aumenta a solubilidade do colesterol e da gordura, facilitando a digestão) ● Atividade colerética (estimula o fígado na produção da bile) → derivados cafeoilquínicos BÁLSAMOS O termo deve ser reservado para os bálsamo-do-peru, bálsamo-de-tolu e estoraque São geralmente pré-formados na planta, mas aumentam a produção por um processo de lesão ou injúria. 1. Bálsamo-do-peru Myroxylon balsamum var. pereirae Harms.(Fabaceae) – América Central A droga vegetal é constituída do bálsamo obtido a partir do tronco escarificado à quente. Contém, no mínimo, 45% de ésteres, principalmente benzoato de benzila e cinamato de benzila. ● Líquido viscoso, castanho- escuro a castanho-avermelhado. ● Não se solidifica em exposição ao ar, nem por tempo prolongado ou por aquecimento. ● Externamente: parasiticida, desinfetante, cicatrizante , escaras,assaduras, sarnas, tônico capilar, e como anti-inflamatório. ● Internamente: antisséptico das vias urinárias e pulmonares, expectorante, bronquite, asma. ● Efeitos tóxicos: Irritante das mucosas quando administrada por via oral. 2. Bálsamo-de-tolu Myroxylon balsamum (L.) Harms. var. genuinum Baill. (Fabaceae) é produzido fazendo incisões na casca da árvore, na forma de canais. Contém, no mínimo, 25% e, no máximo, 50% de ácidos fenólicos livres ou combinados, expressos em ácido cinâmico. ● Massa acastanhada a castanho-avermelhada, friável Obtenção do Bálsamo: são feitas incisões em forma de V no tronco. Nos vértices colocam-se recipientes para colher uma óleo-resina semifluida, granulosa (Bálsamo-de-tolu mole), que ao secar fornece uma massa resinosa (Bálsamo-de-tolu seco). ● loção para o tratamento de feridas, úlceras e a sarna, loções e condicionadores de cabelo, anticaspa, desodorantes, sabonetes, cremes, loções, sprays. ● Utilizado na antissepsia das vias respiratórias e urinárias; ● Expectorante, quadros de bronquites; ● Comum em xaropes para tosse feitos com tinturas; ● Externamente utilizado como desinfetante. 3. Benjoim Styrax sp. O benjoim é uma resina balsâmica, obtida por incisões no tronco de Styrax benzoin Dryander ou Styrax paralleloneurus Perkins - Styracaceae.(É necessário fazer incisões muito profundas para obter o benjoim da parte mais interna do caule) Contém, no mínimo, 25% e no máximo, 50% de ácidos totais, calculados como ácido benzóico (C7H6O2). ● São duras e quebradiças Benjoim do Sião predomina o ácido benzóico Benjoim de Sumatra predomina o ácido cinâmico Internamente: expectorante e antisséptico para as vias respiratórias e urinárias, atua na bronquite crônica e uretrites, etc. Externamente: adstringente, cicatrizante, despigmentante e antisséptico. ● Usado como incenso e fixador na indústria de perfumes. ● Conservantes e aromatizantes em alimentos devido as propriedades organolepticas e antioxidantes. ● Podem gerar dermatites de contato em pessoas sensíveis. Cumarinas é derivado da palavra caribenha “cumaru”, nome popular de Dipteryx odorata (Aubl.) Willd., Fabaceae. Propriedades gerais de cumarinas ● Substâncias aromáticas e geralmente coloridas; ● Fluorescentes sob luz UV: Espectro de UV influenciado pela natureza e posição dos grupos substituintes cromóforos. ● instável em pH básico; Tipos de Cumarinas Biossintese de Furano ou Piranocumarinas Uso e propriedades farmacológicas da Cumarina ● O odor característico, estabilidade e baixo custo – amplo uso em produtos de limpeza e cosméticos. ● Toxicidade hepática – uso proibido em alimentos! ● Ação anticoagulante ● Atividade antiespasmódica ● atividade vasodilatadora – agente candidato para o tratamento de impotência masculina; ● antioxidantes. 1. Furanocumarinas ● Forte absorção de energia no UV; ● Altamente reativas sob luz (320 – 400 nm); ● Ação: adições no DNA (fotoadições em bases pirimídicas- citosina e timina), RNA, proteínas e lipídios ● Fotossensibilizantes e fototóxicas; ● Tratamento de enfermidades da pele como vitiligo e psoríase; micoses, urticária, eczemas, etc. ● Efeitos colaterais: carcinogênicos, envelhecimento da pele, catarata Exemplos de Cumarinas 1. Trevo doce - Melilotus officinalis Lam Uso tradicional: tratamento de desordens provocadas por insuficiência venosa crônica, como a trombose, placa de arterosclerose e hipertensão arterial. Deve haver cautela na prescrição do extrato de Melilotus officinalis com ácido acetilsalicílico e anticoagulantes como a varfarina. 2. ÂMIO (Ammi visnaga (L.) Lam., Apiaceae) Droga: frutos (erva-palito; palito de dente) Uso tradicional: alívio de dores em cólicas renais e outros distúrbios do trato urinário, dilatação da uretra (passagem de pedras na região) - cálculo renal, propriedades vasodilatadoras (usada na hipertensão) Tratamento fotoquimioterapêutico: vitiligo e psoríase Alerta→ toxicidade hepática e reações pseudoalérgicas 3. ANGÉLICA (Angelica archangelica, Apiaceae) (Umbelliferae) Farmacógeno: raízes Usos (chás): amenorréia , hepatoprotetor digestivo, antiespasmódico problemas estomacais, úlceras carminativo (alivia flatulência) plenitude (tônico, vigor) e libido psoríase, vitiligo Potencializam o efeito dos anticoagulantes 4. CITROS (Citrus aurantium L. e Citrus medica L., Rutaceae) Farmacógeno: frutos imaturos Uso tradicional: problemas do baço e estomacais O sumo e as cascas dos frutos possuem furanocumarinas → contato pele → lesões escurecidas 5. GUACO (Mikania glomerata e M. laevigata, Asteraceae) Farmacógeno: folhas Uso: expectorante, broncodilatador, antitussígeno, anti-inflamatório. Segundo a ANVISA, o guaco pode ser usado sob as formas de tintura e extrato Interação medicamentosa: guaco x varfarina 6. Dypteryx odorata (Fabaceae) ● sementes (Fava Tonka) ● aromatização de alimentos e bebidas ● perfumes e cosméticos - O óleo possui odor agradável e adocicado. Sua fragrância é uma reminiscência de baunilha, amêndoas, canela e cravo. ● produtos de higiene pessoal e limpeza Lignóides 1. Lignanas As Lignanas (micromoléculas) são dímeros formados através do acoplamento oxidativo de Unidades C6-C3 de álcoois cinamílicos entre si ou ácidos cinâmicos Apresentam o carbono gama (C-9) oxigenado nos dois resíduos n-propilbenzênicos Atividades biológicas e farmacológicas: ● Atividade antitumoral ● Atividade antioxidante ● Atividade anti-inflamatória ● Fitoestrógenos → Ligação dos metabólitos aos receptores estrogênicos Fontes de Lignanas ● Couve ● Brócolis ● Espinafre ● Linhaça ● Semente de gergelim —> atividade antitumoral Há a recirculação entero-hepática das lignanas e esses metabólitos se acumulam nestes órgãos. Quem metaboliza as lignanas é a microbiota. 2. Ligninas As Ligninas (macromoléculas) são Polímeros de unidade básica C6- C3 que se depositam na parede celular. A lignificação da parede confere notável rigidez estrutural. Atividades biológicas em geral de Lignóides Adaptação ecológica → lignóides são indicadores do processo evolutivo em angiospermas; Estão envolvidos em interações de plantas com fungos, insetos ou outras plantas e respostas a stress térmico, salino, hídrico e outros; A lignificação faz parte da reação hipersensitiva de plantas a patógenos, como a formação de lignina em folhas de Coffea arabica Defesa contra insetos → efeito antialimentar Neolignanas acumulam-se em madeiras como resposta a ferimentos mecânicos ou ao ataque de microrganismos ● Antioxidante Mecanismo de ação: Fenóis protegemlipídeos contra o dano oxidativo pela capacidade de reduzir os radicais livres oxidantes pela doação de um átomo de H. ● antineoplásica ● inibe a penetração de cercárias As plantas lenhosas são mais ricas em lignanas, já nos arbustos predominam as neoliganas. Drogas vegetais a. Podofilo (Lignoide) Podophyllum peltatum L. e P. hexandrum Royle (Berberidaceae) Farmacógeno (partes usadas): rizomas e raízes dessecadas; Usos: cáustico (que queima) para certos papilomas, vermífugo e emético Constituintes presentes em podófilo: lignanas na forma livre ou como glicosídeos. Utilização terapêutica sistêmica: podofilotoxina não é aceitável: elevada toxicidade - distúrbios gastrintestinais, renais, hepáticos e no sistema nervoso central. ● Agente antimitótico ● Podofilotoxina - levou ao desenvolvimento do etoposideo (antineoplásico) e teniposideo, derivados semi-sintéticos → agem por inibição de topoisomerases II. b. Guaiacum officinale L. (guaiáco, pau-santo) (Zygophyllaceae) → Neolignana Parte utilizada: Resina obtida do lenho Usos: a resina obtida do lenho tem sido utilizada como anti-inflamatório no tratamento do reumatismo subagudo, profilaxia da gota, reumatismo crônico e artrite reumatoide c. -Cardo-mariano (cardo-branco ou cardo-de-leite) (Silybum marianum L. Gaertn. - Asteraceae/Compositae). Parte usada: Frutos maduros → os frutos contém silimarina Heterolignoide de núcleo benzodioxano formado pela adição do álcool coniferílico à taxifolina → Hepatoprotetor (regeneração tecidual via estimulação do DNA hepático; regeneração e proliferação dos hepatócitos danificados) Os efeitos Hepatoprotetores são graças a: A silimarina ter a capacidade de aumentar os níveis de glutatião no fígado Ação protetora sobre a membrana celular → silimarina e silibina inibem a entrada de toxinas (faloidina e alfa-amanitina) e/ou bloqueiam os sítios de ligação dessas toxinas no fígado, A silimarina é capaz de aumentar a síntese ribossomial de RNA, através da estimulação da RNA polimerase I. Biossíntese dos Lignoides As neolignanas não apresentam o carbono gama (C-γ) (C-9) oxigenado Alolignanas: Um dos monômeros apresenta o C-9 oxigenado Norlignanas: Apresenta um carbono a menos na sua estrutura(C3-C2) Oligolignóides: são os produtos resultantes da condensação de três a cinco unidades Heterolignoides: um lignoide acoplado a outra classe de metabólitos naturais