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Aula 10, 11 e 12 BC0104 – Interações Atômicas e Moleculares INTERAÇÕES INTERMOLECULARES • Hueder Paulo Moisés de Oliveira Ligação Química Porque ocorre a ligação química entre átomos e moléculas??? 2 A curva de energia potencial tem um mínimo na distância de equilíbrio (R0): a) R > R0 i. A energia potencial diminui gradualmente (V →0); ii. Forças atrativas são dominantes. b) R < R0 i. A energia potencial aumenta rapidamente (V →∞); ii. Forças repulsivas são dominantes. c) R = R0 i. As forças atrativas e repulsivas são iguais. 3 Interações de van der Waals As interações atrativas e repulsivas entre as moléculas envolvem as cargas parciais e nuvens eletrônicas de moléculas polares e apolares ou de grupos funcionais. Estas interações são chamadas de interações de van der Waals (ou forças de van der Waals). Este termo exclui as interações que resultam na formação de ligações covalentes ou iônicas. Em geral, a energia potencial que surge de uma interação atrativa de van der Waals é proporcional ao inverso da sexta potência da separação entre moléculas ou grupos funcionais: Johannes Diderik van der Waals (1837-1923) Nobel (Física): 1910 V(r ) = C r 6 C: Constante característica da interação entre átomos, moléculas ou íons. 4 Interações de van der Waals Se a energia potencial é denotada por V, então a força é dada por: dV F dr 6 7 6d C C F dr r r 1nn xnx dx d “Ficará perfeitamente claro que em todos os meus estudos eu estava bastante convencido da real existência das moléculas (...) Quando comecei meus estudos, tive a sensação de que estava quase sozinho ao manter essa visão (...) E agora não acho exagero afirmar que a existência real de moléculas é universalmente assumida pelos físicos. Muitos dos que se opuseram a isso acabaram sendo conquistados, e minha teoria pode ter sido um fator contribuinte”. Johannes D. van der Waals's notes in Nobel Lecture, The equation of state for gases and liquids (12 December 1910). V(r ) = C r 6 5 Interações de van der Waals A energia potencial de qualquer átomo, íon ou molécula é dada por: ( ) m n a b V r r r V(r): Energia potencial da interação em função de r; r : Distância entre os átomos, íons ou moléculas; a, b: Constante de proporcionalidade de atração e repulsão, respectivamente; m, n: Constante característica de cada tipo de ligação e tipo de estrutura. 6 Interações de van der Waals 1924: Potencial de Lennard-Jones ε: Profundidade do poço; σ: Separação para a qual V = 0. John Edward Lennard-Jones (1894-1954) Descreve a energia potencial de interação entre dois átomos ou moléculas não ligadas baseado na sua distância de separação. A equação do potencial de Lennard-Jones considera as interações atrativas (dipolo-dipolo, dipolo-dipolo induzido, e forças de London) e repulsivas entre os átomos e moléculas. 7 O termo 1/r12 - a repulsão entre átomos quando eles são aproximados. Sua origem física está relacionada ao princípio de Pauli: quando as nuvens eletrônicas ao redor dos átomos começam a se sobrepor, a energia do sistema aumenta abruptamente. O expoente 12 foi escolhido em uma base prática: o potencial de Lennard-Jones é particularmente fácil de calcular. De fato, por motivos físicos, um comportamento exponencial seria mais apropriado. O termo 1/r6, dominando a grande distância, constitui a parte atrativa e descreve a coesão ao sistema. Uma atração 1/r6 descreve forças de dispersão de van der Waals (interações dipolo-dipolo devido a dipolos flutuantes). Essas são interações bastante fracas, que são responsáveis pela ligação em sistemas de camada fechada, como gases nobres. 8 Interações de van der Waals 1924: Potencial de Lennard-Jones • As forças repulsivas são as principais responsáveis pelo ponto de fusão das moléculas. As forças repulsivas (que dependem da orientação) refletem a forma das moléculas, que determinam o ponto de fusão. Se a sua forma permitir que as moléculas se empacotem com mais eficiência, o ponto de fusão será maior. As forças atrativas são as principais responsáveis pelo ponto de ebulição das moléculas. O calor das vaporizações está intimamente associado às energias coesivas em sólidos e líquidos. • O diâmetro de empacotamento de uma molécula é dado pelo valor de r no qual a energia potencial é mínima. 9 10 11 Interações de van der Waals 1924: Potencial de Lennard-Jones Raio de van der Waals (rvdW): Representa a distância mínima entre dois átomos. Pode ser considerado como a distância interatômica. rvdW ≈ σ O raio de van der Waals também define a área de van der Waals (SvdW) e volume (VvdW). O volume de van der Waals de uma molécula é dado pela soma dos volumes de van der Waals dos átomos ou grupos de átomos que formam a molécula. 2 34 3 vdW vdWS V σ: Separação para a qual V = 0. • σ é a distância na qual o potencial intermolecular entre as duas partículas é zero (conforme figura anterior). σ fornece uma medida de quão perto duas partículas não-aderentes podem chegar e é, portanto, referido como o raio de van der Waals. É igual à metade da distância internuclear entre partículas não ligadas. • r é a distância de separação entre as duas partículas (medida do centro de uma partícula ao centro da outra partícula). 12 • e e podem ser estimados a partir do comprimento médio da ligação rligação e energia de dissociação de ligação Eligação. • Valores típicos para rligação e Eligação podem ser encontrados na maioria dos textos de química orgânica. Cálculo específico requer cálculo quântico, por exemplo, MOPAC etc.. • Assume F(r) = 0 para r=rbond e U(r= rligação ) – U(r=∞)= Eligação 612 2 24 0)( bondbondbond bondLJ rrr rF e bondbond rr 891.02 61 e e 612 4)()( bondbond bond rr rUU bondEe • Leonard-Jones não é bom para ligações reais. Não representa corretamente a energia de ligação Eligação e força vibracional “k” (por exemplo U(r)=0.5*k*(r-r0) 2 ) no fundo do poço. • Melhor potencial "simples" é o potencial de Morse. • O parâmetro "a" controla a força da vibração no fundo do poço. • Encontrado na frequência do espectro vibracional da ligação. 1)( 2)( bondrrabond eErU 1783: Lei de Coulomb 15 Interações de van der Waals Charles Augustin de Coulomb (1736-1806) Em moléculas a grande distâncias, nós podemos negliciar efeitos quânticos e descrever o núcleo e os elétrons como cargas pontuais seguindo as leis clássicas da eletrostática (Lei de Coulomb): 1 2 2 0 1 4 QQ F r re F: Força elétrica (N); Q1 e Q2: Cargas dos átomos 1 e 2 (C); ε0 : Permissividade no vácuo (8,854 x 10 -12 C2.N-1.m-2); r: Distância entre as duas cargas pontuais (m). 1783: Lei de Coulomb 16 Interações de van der Waals Se considerarmos duas cargas elétricas no vácuo, podemos escrever o potencial de Coulomb como: 1 2 0 1 4 QQ V re Entretanto, em geral, temos que levar em conta a presença de outras partes da moléculas ou outras moléculas entre as cargas. Este não é um problema simples, mas costuma-se considerar um meio homogêneo e o potencial torna-se: 1 21 4 QQ V re 1783: Lei de Coulomb 17 Interações de van der Waals 1 21 4 QQ V re Neste caso, ε é a permissividade do meio. A determinação deste valor pode ser bastante complicada e foram propostos vários modelos para calcular este parâmetro. 782 )OH(e ( ) 2hexanoe 18 Quando consideramos as moléculas, devemos estimar a carga parcial sobre cada um dos átomos (ou grupo de átomos envolvidos). Abaixo, temos uma tabela com os valores de cargas parciais em polipeptídeos: Interações de van der Waals 1783: Lei de Coulomb 19 Momento de Dipolo Elétrico Quando moléculas estão muito separadas, é simples expressarmos a sua interação em termos do momento de dipoloassociado com a distribuição de cargas ao invés de cada carga parcial individual. Um dipolo elétrico consiste de duas cargas q e –q separadas pela distância r. O produto qr é chamado de momento de dipolo elétrico (µ). rq 20 Os dipolos podem ser formados como resultado de um desbalanço da distribuição de elétrons em moléculas assimétricas. Isso é causado pela localização instantânea de mais elétrons de um lado do núcleo do que do outro. simétrico anti-simétrico Portanto, átomos e moléculas contendo dipolos são atraídas pelas outras por forças eletrostáticas. Forças atrativas Nenhuma força atrativa é produzida Momento de Dipolo Elétrico 21 A forma de uma molécula influencia na sua habilidade de formar dipolos temporários. Moléculas longas e finas podem empacotar muito mais próximas uma das outras do que moléculas mais esféricas. As forças de van der Waals são da ordem de 1% da força de uma ligação covalente. Moléculas homonucleares, como o iodo (I2), desenvolvem temporariamente um dipolo devido à flutuação natural de densidade elétronica dentro da molécula. Moléculas heteronucleares, como o HCl possuem um dipolo permanente que atrai o polo oposto em outras moléculas. Momento de Dipolo Elétrico 22 Os momentos de dipolo são calculados considerando o vetor µ com três componentes: µx, µy, e µz. A direção de µ mostra a orientação do momento de dipolo na molécula e o comprimento do vetor µ corresponde à magnitude do momento de dipolo. J JJx xq qJ: A carga parcial do átomo J; xJ: A coordenada x do átomo J. 2/1222 zyx Momento de Dipolo Elétrico 23 Momento de dipolo de algumas ligações moleculares ligação (D) ligação (D) H-F 1.9 C-F 1.4 H-Cl 1.1 C-Cl 1.5 H-N 1.3 C-N 0.2 H-O 1.5 C-O 0.1 1 Debye (D) = 3,335 64 x 10-30 C.m Petrus Josephus Wilhelmus Debye (1884-1966) Nobel (Química): 1936 Momento de Dipolo Elétrico 24 2/1212221 cos2 res Momento de Dipolo Elétrico H N C O +0,18 -0,36 +0,45 -0,38 (182,-87,0) (132,0,0) (0,0,0) (-62,107,0) x = (-0,36e) x (132 pm) + (0,45e) x (0 pm) +(0,18e) x (182 pm) + (-0,38e) x (-62 pm) = 8,8e pm = 8,8 x (1.602 x 10-19 C) x (10-12 m) = 1,4 x 10-30 C m = 0,42 D Exemplo: Calculando o momento de dipolo elétrico 25 Momento de Dipolo Elétrico y = (-0,36e) x (0 pm) + (0,45e) x (0 pm) +(0,18e) x (-86,6 pm) + (-0,38e) x (107 pm) = -56e pm = -9.1 x 10-30 C m = -2,7 D z = 0 2/1222 zyx =[(0,42 D)2 + (-2,7 D)2]1/2 = 2,7 D Exercício: Calcule o momento de dipolo para o formaldeído: 26 Momento de Dipolo Elétrico Forças Intramoleculares 27 Ligação iônica: Força de interação eletrostática entre íons de cargas positivas e negativas. Ocorre entre metais e não-metais (ametais). Exemplo: NaCl. A ligação que mantém os átomos de uma molécula unidos é uma força intramolecular. 28 Ligação covalente: É formada pelo compartilhamento de elétrons entre os átomos, ao invés da transferência de elétrons. Ocorre entre ametais. Forças Intramoleculares 29 Ligação metálica: Força eletrostática de atração entre íons de carga positiva e elétrons externos deslocalizados. Ocorre entre metais. Forças Intramoleculares Forças Intramoleculares 30 ATENÇÃO: O cárater iônico, covalente ou metálico é dado pela simetria da distribuição eletrônica em relação a posição dos núcleos. • O significado da frase no slide anterior é que as ligações covalentes são direcionais. Está relacionado com que os átomos ligados covalentemente preferem orientações específicas no espaço em relação umas às outras. Como resultado, as moléculas nas quais os átomos estão ligados covalentemente têm formas definidas. • A razão dessa direcionalidade é que as ligações covalentes são formadas pelo compartilhamento de elétrons entre os átomos, ou, em outras palavras, pela sobreposição dos orbitais atômicos dos átomos participantes. E, geralmente, apenas alguns padrões de sobreposição são possíveis; consequentemente, apenas alguns arranjos espaciais de átomos são possíveis. • As ligações iônicas são diferentes: não há compartilhamento de elétrons e o número de ânions em torno de um cátion é limitado pelas cargas dos íons, seus tamanhos e a eficiência do empacotamento da rede. • Outra explicação é que, como as ligações covalentes são feitas pelo 'compartilhamento' de elétrons, o elétron 'gasta' mais tempo com o elemento que é mais eletronegativo. Por exemplo, no HCl, o H tem a eletronegatividade de 2,1 enquanto o Cl tem 3, então a 'atração' do Cl no elétron compartilhado é maior que H, daí a direção. Portanto, ligações covalentes mostram direcionalidade devido ao formato de sua função de onda de elétrons. É a probabilidade de encontrar um elétron em uma determinada direção, que por sua vez é efetuada pelas cargas parciais. Até as ligações iônicas mostram direcionalidade (porque não existe uma ligação iônica 'verdadeira'), mas são muito leves. 31 Forças Intramoleculares 32 Exemplo: Transformações Químicas Forças Intermoleculares 33 A atração entre moléculas é uma força intermolecular. Interação íon-íon; Interação íon-dipolo; Dipolo-dipolo; Dispersões (forças) de London; Ligação de hidrogênio. As interações intermoleculares são muito mais fracas do que as intramoleculares. Por exemplo, 16 kJ.mol-1 versus 431 kJ.mol-1 para o HCl. Forças Intermoleculares 34 Forças Intermoleculares 35 Exemplo: Transformações Físicas Quando uma substância se funde ou entra em ebulição, forças intermoleculares são quebradas. Fermentação do açúcar a etanol glicose hexoquinase de levedura ligação da glicose ao sítio ativo da enzima interações intermoleculares específicas Exemplo: Transformações Físicas Forças Intermoleculares 36 Estados físicos da matéria SÓLIDO LÍQUIDO GÁS Partículas não têm energia suficiente para escapar da atração dos vizinhos e podem formar estruturas organizadas. Partículas movem-se em relação aos vizinhos mas não têm energia suficiente para escapar totalmente de sua influência. Partículas possuem muita energia cinética e movem-se quase que livremente. 37 Forças Intermoleculares Ecin << Epot ENERGIA POTENCIAL (interações) ATRAÇÃO REPULSÃO ENERGIA CINÉTICA (depende da temperatura) Epot T = 40 K T = 85 K T = 150 K Ecin >> EpotEcin ≈ Epot (SÓLIDO) (LÍQUIDO) (GÁS) Exemplo ilustrativo: dois átomos de argônio (Ar) se aproximando: Forças Intermoleculares Estados físicos da matéria 38 Considere dois íons com cargas -z1 e +z2 separados pela distância r12 em um sólido cristalino. 39 Interação Íon-Íon 40 Interação Íon-Íon 1 2 12 0 12 ( ) ( ) 4 z e z e V re O potencial do sólido é dado como: Para calcular a energia potencial total de todos os íons, precisamos somar a expressão do potencial para todos os íons: 2 22 2 2 2 2 2 31 2 4 0 1 ..... 4 2 3 4 total z ez e z e z e V x r r r re 41 Interação Íon-Dipolo Considere um dipolo μ1 interagindo com uma carga elétrica Q2: Q2 O potencial de interação é dado por: A ordem de magnetude dessa interação é de 15 kJ.mol-1. A interação pode ser atrativa ou repulsiva dependendo da natureza das cargas e da orientação relativa carga-dipolo. Interação Íon-Dipolo 42 Exemplo: Interação íon-dipolo. Mostre que para uma carga Q2 colinear com um momento de dipolo μ1 a uma distância r, o potencial de interação é dado por: Resolução: Cl- Na+ cloreto de sódio (NaCl) composto iônico molécula polar água (H2O) H O H SOLVATAÇÃO (HIDRATAÇÃO) solução aquosa de cloreto de sódio 43 Interação Íon-Dipolo É encontrada em soluções aquosas de compostos iônicos. Por exemplo: água com sal (cloreto de sódio ). Os elétrons não ligantes do átomo de oxigênio da água são fortemente atraídos pelos íons sódio (Na+). De igual modo, os íons cloreto (Cl-) atraem os átomos de hidrogênio da água, que possuem uma carga parcial positiva. Dissociação de compostos iônicosem água 44 Interação Íon-Dipolo Dissociação de compostos iônicos em água 45 Interação Íon-Dipolo + 400 g NaCl + 200 g NaCl agitação agitação Solubilidade máxima do NaCl em 1 L de H2O: 360 g Compostos iônicos não são infinitamente solúveis em água. 1L H2O solução: 200 g NaCl dissolvidos em 1L H2O solução sobrenadante: 360 g NaCl / 1L H2O precipitado: 40 g NaCl Solubilidade de compostos iônicos Interação Íon-Dipolo 46 Solubilidade de compostos iônicos 47 Interação Íon-Dipolo CaCO3 (carbonato de cálcio): praticamente não se dissolve em água A solubilidade é determinada pelo balanço entre: ENERGIA RETICULAR e ENERGIA DE HIDRATAÇÃO interações íon-íon interações íon-solvente Interação Íon-Dipolo Solubilidade de compostos iônicos 48 MUITO SOLÚVEL 360 g NaCl / 1L H2O a 25°C POUCO SOLÚVEL 0,002 g AgCl / 1L H2O a 25°C E (hidratação) - 774 kJ/mol E (reticular) - 779 kJ/mol E (reticular) - 916 kJ/mol E (hidratação) - 851 kJ/mol NaCl AgCl Interação Íon-Dipolo Solubilidade de compostos iônicos 49 Como saber se um composto iônico é ou não solúvel em água? Estrutura (relação carga/raio e empacotamento dos íons no retículo). Dados termodinâmicos (energias tabeladas). Experimento (TESTANDO NA PRÁTICA NO LABORATÓRIO). Interação Íon-Dipolo Solubilidade de compostos iônicos 50 Ocorre entre moléculas polares. Como moléculas polares contém diferentes átomos com diferentes eletronegatividades, podem formar pequenas barras magnéticas. A interação pode ser atrativa ou repulsiva dependendo da orientação relativa entre os dois momentos de dipolo: 51 Interação Dipolo-Dipolo As moléculas se organizam a fim de maximizar as forças atrativas e minimizar as forças repulsivas dando às moléculas formas específicas. 52 Considere um dipolo μ1 e μ2 com orientações fixas (como um sólido). O potencial de interação entre eles é dado por: Interação Dipolo-Dipolo Observações: 1. A energia potencial diminui muito mais rapidamente que um potencial Columbiano; 2. O fator angular leva em conta o modo como cargas iguais ou opostas se aproximam umas das outras na medida que é alterada a orientação relativa entre dipolos; 3. A energia é a mais baixa quando θ = 0o ou θ = 180o, ou seja, dipolos paralelos ou antiparalelos. -1 2kJ molV Momento de dipolo fixo 53 Interação Dipolo-Dipolo Momento de dipolo fixo Multiplicando pela constante de Avogrado, nós obtemos Interação Dipolo-Dipolo Exemplo: Momento de dipolo fixo. Calcule a energia potencial molar da interação dipolar entre duas ligações peptídicas separadas por 3,0 nm em diferentes regiões da cadeida polipeptídica, com θ = 180o. Considere μ1 = μ2 = 2,7 D, correspondendo a 9,1x10-30C.m. Resolução: 54 55 Considere agora a interação entre moléculares polares movendo-se em uma solução ou gás: Interação Dipolo-Dipolo Momento de dipolo rotacional Orientação desfavorável Orientação favorável A Distribuição de Boltzmann Considera-se que a molécula de massa m colide elasticamente com a parede sombreada. A variação do momento linear ao longo do eixo x, ∆px, é dada por: ∆𝑝𝑥 = 𝑝 − 𝑝0 = −𝑚𝑣𝑥 − 𝑚𝑣𝑥 = −2𝑚𝑣𝑥 Sendo p negativo pois a velocidade da molécula muda de sinal após a colisão com a parede. n mols de um gás ideal estão em uma caixa cúbica de volume V e temperatura T. Qual a relação entre a pressão p e a velocidade das moléculas? O intervalo de tempo que a molécula leva para voltar a colidir com a parede sombreda é dado por: ∆𝑡 = ∆𝑥 𝑣𝑥 = 2𝐿 𝑣𝑥 Onde L é o comprimento do lado da caixa. Ao considerar a taxa média de transmissão do momento (portanto, independente do seu sinal negativo): ∆𝑝𝑥 ∆𝑡 = 2𝑚𝑣𝑥 2𝐿/𝑣𝑥 = 𝑚𝑣𝑥 2 𝐿 Relembrando que, de acordo com a Segunda Lei de Newton: 𝐹𝑥 = ∆𝑝𝑥 ∆𝑡 Logo: 𝐹𝑥 = 𝑚𝑣𝑥 2 𝐿 Essa seria a contribuição feita por apenas uma partícula. Para a pressão total de todas as N partículas sobre a parede, de área igual a L², teremos que: 𝑝𝑟𝑒𝑠𝑠ã𝑜 = 𝑁. 𝑓𝑜𝑟ç𝑎 á𝑟𝑒𝑎 𝑝 = 𝑁𝐹𝑥 𝐴 = 𝑁𝑚𝑣𝑥 2 𝐿 𝐿² = 𝑁𝑚𝑣𝑥 2 𝐿³ 𝑝 = 𝑁𝑚 𝐿³ 𝑣𝑥1 2 + 𝑣𝑥2 2 + 𝑣𝑥3 2 +⋯+ 𝑣𝑥𝑁 2 Onde N é o número de partículas na caixa. Sendo o número de moléculas N = nNA , a massa molar M = mNA e L³ o volume V do gás: 𝑝 = 𝑛𝑀 𝑣𝑥 2 𝑚é𝑑 𝑉 Dada a alta quantidade de moléculas, considera-se que cada componente do quadrado da velocidade contribua igualmente para seu módulo: v² = vx² + vy² + vz² Portanto: 𝑣𝑥 2 = 𝑣𝑦 2 = 𝑣𝑧 2 = 1 3 𝑣² Desse modo, para a pressão p é possível escrever que: 𝑝 = 𝑛𝑀 𝑣² 𝑚é𝑑 3𝑉 A raiz quadrada da média do quadrado da velocidade (v²)méd é denominada velocidade média quadrática, sendo representada por vrms (root mean square). Definindo 𝑣² 𝑚é𝑑 = 𝑣𝑟𝑚𝑠 , temos que: 𝑝 = 𝑛𝑀𝑣𝑟𝑚𝑠 2 3𝑉 𝑣𝑟𝑚𝑠 = 3𝑝𝑉 𝑛𝑀 Relembrando que pV = nRT, se obtém para a velocidade média quadrática que: 𝑣𝑟𝑚𝑠 = 3𝑅𝑇 𝑀 ENERGIA CINÉTICA DE TRANSLAÇÃO Para as moléculas do gás ideal presas na caixa: 𝐾𝑚é𝑑 = 1 2 𝑚𝑣² 𝑚é𝑑 = 1 2 𝑚 𝑣² 𝑚é𝑑 = 1 2 𝑚𝑣𝑟𝑚𝑠 2 Sendo 𝑣𝑟𝑚𝑠 = 3𝑅𝑇 𝑀 : 𝐾𝑚é𝑑 = 1 2 𝑚 3𝑅𝑇 𝑀 Lembrando que M/m = NA: 𝐾𝑚é𝑑 = 3𝑅𝑇 2𝑁𝐴 Utilizando a constante de Boltzmann k = R/NA: 𝐾𝑚é𝑑 = 3 2 𝑘𝑇 Assim a energia cinética das moléculas depende diretamente de sua temperatura. DISTRIBUIÇÃO DE VELOCIDADE DAS MOLÉCULAS Informa a porcentagem de moléculas que possuem velocidade maior ou menor que vrms. A Lei de Distribuição de Velocidades de Maxwell informa o comportamento da velocidade das moléculas de um gás ideal: 𝑃 𝑣 = 4𝜋 𝑀 2𝜋𝑅𝑇 3/2 𝑣²𝑒−𝑀𝑉 2/2𝑅𝑇 Para conhecer a fração das moléculas que possuem determinada velocidade entre zero e infinito, basta calcular a integral: 0 ∞ 𝑃 𝑣 𝑑𝑣 = 1 Pois 100% das moléculas possuem velocidade entre 0 e ∞. Para velocidade entre um valor v1 e outro v2: 𝑣1 𝑣2 𝑃 𝑣 𝑑𝑣 = 𝑝𝑟𝑜𝑏𝑎𝑏𝑖𝑙𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 Velocidade Média, Velocidade Média Quadrática e Velocidade Mais Provável: → Velocidade Média: 𝑣𝑚é𝑑 = 0 ∞ 𝑣𝑃 𝑣 𝑑𝑣 Fornece o valor da média ponderada ao redor de v. Substituindo P(v) e calculando a integral, obtém-se que: 𝑣 = 8𝑅𝑇 𝜋𝑀 → Velocidade Média Quadrática: Para a média dos quadrados da velocidade, repete-se o procedimento: (𝑣²)𝑚é𝑑 = 0 ∞ 𝑣²𝑃 𝑣 𝑑𝑣 Substituindo P(v) e calculando a integral: (𝑣²)𝑚é𝑑 = 3𝑅𝑇 𝑀 Sendo 𝑣² 𝑚é𝑑 = 𝑣𝑟𝑚𝑠: 𝑣𝑟𝑚𝑠 = 3𝑅𝑇 𝑀 → Velocidade Mais Provável: Velocidade para a qual P(v) é máxima. Toma-se 𝑑𝑃(𝑣) 𝑑𝑣 = 0, pois a inclinação da reta tangente à curva em seu ponto máximo é igual a zero, obtendo-se que: 𝑣𝑃 = 2𝑅𝑇 𝑀 67 A energia de interação deve ser uma média de todas as orientações possíveis seguindo a distribuição de Boltzmann: Interação Dipolo-Dipolo Ludwig Eduard Boltzmann (1844-1906) 23 2 224 2 B Mv k T B M P v dv v e dv k T Momento de dipolo rotacional M : massa molar do gás; R : constante dos gases; T : temperatura do gás; v : módulo da velocidade molecular; P(v) : função distribuição de probabilidade de velocidade. 68 Teoria Cinética dos Gases I. A energia cinética é a única contribuição à energia do gás; II. A energia pode ser transferida entre as moléculas; III. A energia cinética total é constante à temperatura constante; IV. A energia cinética média das moléculas é proporcional à temperatura. 21 3 massa molar das moléculas velocidade média quadrática das moléculas pV nMu M u 2 1 2 1 constante 3 3 pV pV nMu nRT RT c M NÍVEL MACROSCÓPICO NÍVEL SUBMICROSCÓPICO P T V, n v F Termodinâmica Estatística grandezas termodinâmicas grandezas mecânicas médias (flutuações, estatística) Teoria Cinética dos Gases 69 M = massa molar do gás; R = constante dos gases; T = temperatura do gás; v = módulo da velocidade molecular; P(v) = função distribuição de probabilidade develocidade.. Em 1852, o físico escocês Maxwell encontrou a distribuição das velocidades moleculares de um gás. Seu resultado, conhecido como a lei da distribuição de velocidades de Maxwell-Boltzmann, é: RTMvev RT M vP 22 2/3 2 2 4)( Teoria Cinética dos Gases Distribuição de Maxwell-Boltzmann: distribuição das velocidades moleculares James Clerk Maxwell (1831-1879) https://www.youtube.com/watch?time_continue=3&v=AXb7LfCoDXc 70 Distribuição de Maxwell-Boltzmann: distribuição das velocidades moleculares 71 Teoria Cinética dos Gases O eixo y do gráfico de Maxwell-Boltzmann pode ser visto como o número de moléculas por unidade de velocidade. Então, se o gráfico está mais alto em uma dada região, significa que há mais moléculas de gás se movendo com aquelas velocidades. Observe que o gráfico não é simétrico. Há uma "cauda" mais longa na região das altas velocidades, na extremidade direita do gráfico. O gráfico continua à direita para velocidades extremamente altas, mas à esquerda o gráfico deve terminar em zero (já que uma molécula não pode ter uma velocidade menor que zero). 72 O que significa raiz da velocidade quadrática média? Você pode achar que a velocidade localizada diretamente abaixo do pico do gráfico de Maxwell- Boltzmann é a velocidade média das moléculas do gás, mas isso não é verdade. A velocidade localizada diretamente abaixo do pico é a velocidade mais provável, já que é mais provável que encontremos moléculas a essa velocidade. A velocidade média das moléculas do gás está, na verdade, localizada um pouco à direita do pico, devido à "cauda" maior no lado direito do gráfico de distribuição de Maxwell-Boltzmann. Essa cauda mais longa puxa a velocidade média um pouco para a direita do pico do gráfico. Outra grandeza útil é conhecida como raiz da velocidade quadrática média. Essa grandeza é interessante porque sua definição está escondida no próprio nome. Raiz da velocidade quadrática média é a raiz quadrada da média dos quadrados das velocidades vetoriais. Podemos escrever a raiz da velocidade quadrática média matematicamente como: 𝑉𝑟𝑚𝑠 = 1 𝑁 𝑣1 2 + 𝑣2 2 + 𝑣3 2 +⋯ 73 Pode parecer que essa técnica de encontrar um valor médio é desnecessariamente complicada, já que elevamos todas as velocidades vetoriais ao quadrado somente para tirar a raiz quadrada depois. Você pode pensar, "Por que não podemos simplesmente tirar uma média das velocidades vetoriais?", mas lembre-se de que a velocidade vetorial é um vetor e tem uma direção. A velocidade vetorial média das moléculas de gás é zero, já que há tanto moléculas de gás indo para a direita (velocidade vetorial +) quanto para a esquerda (velocidade vetorial -). É por isso que primeiro elevamos as velocidades vetoriais ao quadrado, para torná-las positivas. Isso garante que tirar a média (isto é, o valor médio) não resultará em zero. Usa-se geralmente esse artifício para encontrar valores médios de grandezas que podem receber valores positivos e negativos (por exemplo, a tensão e a corrente em um circuito de corrente alternada). É útil conhecer a raiz da velocidade quadrática média porque a energia cinética de uma molécula é proporcional ao quadrado da velocidade (K=1/2mv2). Então, para encontrarmos a energia cinética média Kmed, precisamos tirar a média dos quadrados das velocidades vetoriais. Então, a energia cinética molecular média de um gás é proporcional ao quadrado da raiz da velocidade quadrática média (rms). Pode ser estranho que a energia cinética média seja proporcional à velocidade rms ao invés da velocidade média, mas para encontrar a energia cinética média precisamos primeiro elevar ao quadrado e depois encontrar a média, ao invés de encontrar a média e depois tirar a raiz quadrada. k Lei de Charles: Se a temperatura aumenta com volume constante, a energia cinética média das moléculas do gás aumenta. Consequentemente, há mais colisões com as paredes do recipiente e a pressão aumenta. Teoria Cinética dos Gases 74 Distribuição de Maxwell-Boltzmann: distribuição das velocidades moleculares Teoria Cinética dos Gases 75 Se aquecermos o gás a uma temperatura maior, o pico do gráfico vai se deslocar para a direita (já que a velocidade molecular média vai aumentar). Conforme o gráfico se desloca para a direita, sua altura diminui para manter a mesma área total sob a curva (com o número total de moléculas constante). Da mesma forma, conforme o gás é resfriado a uma temperatura menor, o pico do gráfico é deslocado para a esquerda. Conforme o gráfico se desloca para a esquerda, sua altura aumenta para manter a mesma área sob a curva. Isso pode ser visto nas curvas abaixo, que representam a amostra de gás (com um número constante de moléculas) a temperaturas diferentes. Obs: Se mais moléculas fossem inseridas na amostra, a área total sob a curva aumentaria. Da mesma forma, se moléculas fossem retiradas da amostra, a área total sob a curva diminuiria. Distribuição de Maxwell-Boltzmann: distribuição das velocidades moleculares 76 Interação Dipolo-Dipolo Momento de dipolo rotacional V ∞ 1/r6 → Interações de van der Waals; V ∞ 1/T → Maior movimento das orientações dos dipolos em altas temperaturas. Duas moléculas de HCl à 25 ºC com μ = 1D à 5Å: -1 0.07 kJ molV Gases reais: Desvios do Comportamento Ideal 77 Os gases reais são formados por átomos ou moléculas sujeitos a atrações e repulsões intermoleculares. As atrações tem um alcance maior do que as repulsões. 78 Mesmo em moléculas apolares, podemos ter o surgimento de dipolos temporários devido a interação com outras moléculas. Interação Dipolo-Dipolo Dipolo induzido “semelhante atrai semelhante” 79 Interação Dipolo-Dipolo Dipolo induzido Uma molécula apolar também pode ser polarizada através da ação de um campo elétrico externo: - + + + - + - + - + induzido 1 E 2 α β Polarizabilidade Hiperpolarizabilidade Molécula apolar Campo elétrico 80 Polarizabilidade é uma propriedade molecular que aumenta com o número de elétrons da molécula e diminui com o aumento da energia de ionização: Dipolo induzido Interação Dipolo-Dipolo (número atômico) (energia de ionização) Z I A magnitude do momento do dipolo induzido (µ*) é proporciona à força do campo elétrico (E): µ* = αE 81 Dipolo induzido Interação Dipolo-Dipolo /D /(10 30 m 3 ) Ar 0 1.66 CCl4 0 10.5 C6H6 0 10.4 H2 0 0.819 H2O 1.85 1.48 NH3 1.47 2.22 HCl 1.08 2.63 HBr 0.80 3.61 HI 0.42 5.45 82 Interação Dipolo-Dipolo Exemplo: Dipolo induzido Qual é a força de campo elétrico requerida para induzir um momento de dipolo elétrico de 1 µD em uma molécula de polarizabilidade de volume igual à 1,1 x 10-31 m3? Resolução: 0 ' 4e 31 41 0 1,1 10 1,224 10 4 e -1 2 2J C m 6 30 * 41 5 1 1 5 1 2 1 1 1,0 10 (3,335 10 ) 1,224 10 2,725 10 2,725 10 2,725 10 2,725 E E JC m Vm kVm kVcm 83 Dipolo-dipolo induzido Interação Dipolo-Dipolo Uma molécula polar com um momento de dipolo µ1 pode induzir um momento de dipolo em uma molécula apolar polarizável. O dipolo induzido interage com o dipolo permanente da primeira molécula e os dois são atraídos. Dipolo induzidoDipolo permanente 84 Dipolo-dipolo induzido Interação Dipolo-Dipolo 6 0 2 2 1 r V e 85 Dipolo-dipolo induzido Interação Dipolo-Dipolo Exemplo: Ácido clorídrico (HCl) reagindo com argônio (Ar) Quando se aproximam: o dipolo permanente da molécula de HCl induz a formação de dipolo num átomo de argônio próximo. 86 Dipolo-dipolo induzido Interação Dipolo-Dipolo Atenção: Nem sempre é viável definir a interação das moléculas apenas pelo momento de dipolo… 87 Dispersões (Forças) de London A nuvem eletrônica de átomos e moléculas pode sofrer deformações ao acaso conforme os elétrons semovimentam, gerando um dipolo instantâneo. Fritz Wolfgang London (1900-1954) Um dipolo instantâneo pode induzir outro dipolo instantâneo na partícula adjacente. 88 Dispersões (Forças) de London As forças de London dependem: 1) Da polarizabilidade da primeira molécula: Quanto maior do número de elétrons maior é a flutuação na distribuição eletrônica; 2) Da polarizabilidade da segunda molécula. 21V 1 2 1 2 6 1 2 2 3 I I V r I I Fórmula de London I1, I2: Energia de ionização das duas moléculas. Cl Cl Br Br I I Cl (17 elétrons) Br (35 elétrons) I (53 elétrons) A intensidade das forças de London aumenta com o aumento da polarizabilidade das moléculas. A polarizabilibidade aumenta conforme o número de elétrons aumenta (nuvem eletrônica maior é mais "deformável"). Dispersões (Forças) de London 89 C5 C15 C18 Dispersões (Forças) de London Intensidade das forças de London 90 As forças de dispersão de London entre moléculas esféricas são menores do que entre moléculas alongadas. Dispersões (Forças) de London Intensidade das forças de London 91 Dispersões (Forças) de London 92 Interação Dependência com a distância Energia (kJ.mol-1) Tipo Íon-ion r-1 250 Apenas entre íons Íon-dipolo r-2 12-30 Ligação de Hidrogênio r-3 12-30 Dipolo-dipolo r-3 2 Moléculas polares com dipolos fixos r-6 0,3 Moléculas polares com dipolos rotacionais Dipolo-dipolo induzido r-6 0,3 Forças de London r-6 2 Todas as moleculas e íons Ligação de Hidrogênio 93 Tipo especial de interação dipolo-dipolo. Específica para moléculas contendo um átomo de H ligado a átomos de F, O ou N (três elementos mais eletronegativos da tabela periódica). Interação intermolecular MUITO FORTE. Eletronegatividade: Ligação de Hidrogênio 94 D-(doador) H+ - - - -A-(receptor) Pode ser descrito como uma interação dipolo-dipolo entre dipolos fixos: ligação de hidrogênio 3 - - = - D H A C V r Ligação de hidrogênio na celulose A Celulose é um polímero da glicose. pode formar ligação de hidrogênio com a cadeia vizinha Ligação de Hidrogênio Ligação de Hidrogênio 96 Ligação de hidrogênio na celulose Ligação de Hidrogênio 97 A ordem de magnitude da ligação de hidrogênio é 20 kJ.mol-1 (r ≈ 2 Å); O comprimento e a força da ligação de hidrogênio depende da eletronegatividade do par de átoms doador-receptor e da geometria dos grupos atômicos: Ligação de Hidrogênio 98 Consequências: Rigidez de moléculas sólidas (sacarose, gelo). Ligação de Hidrogênio 99 Consequências: Baixa pressão de vapor. 100 Hidretos da família (IVA) são moléculas apolares (µR = 0) portanto, suas moléculas são atraídas por dispersões de London e a temperatura de ebulição aumenta com a massa molecular da substância. Já em relação aos hidretos da família VA, VIA e VIIA são moléculas polares (µR ≠ 0) a ebulição aumenta com a massa molecular e a anomalia que ocorre com a água, fluoreto de hidrogênio e amônia, é devida às ligações de hidrogênio, que são interações mais fortes que as dipolo-dipolo comuns, aumentando a temperatura de ebulição. As interações intermoleculares criam uma espécie de “pele” na superfície do líquido. Ligação de Hidrogênio Consequências: Alta viscosidade; Alta tensão superficial (água). 101 Ligação de Hidrogênio 102 Consequências: Estrutura secundária de proteínas (dupla hélices). Forças íon-dipolo “Ligações” iônicas Forças de London Forças dipolo-dipolo Ligação Hidrogênio E Forças de van der Waals Energias Relativas das Interações 103 Energias Relativas das Interações 104 Exercício: Colocar as substâncias abaixo em ordem crescente de ponto de ebulição e justificar a resposta: a) CH4 , CaCO3 , H3C—O—CH3 b) H3C—CH2—OH e H3C—O—CH3 H2O I2 Interações intermoleculares: água – água: iodo – iodo: água – iodo: Iodo não é solúvel em água porque as interações água-água e iodo-iodo são mais fortes que as interações água- iodo. ligações de hidrogênio dispersões de London dipolo permanente-dipolo induzido 105 Determinam propriedades da matéria como ponto de fusão/ ebulição e solubilidade. Importância Prática das Interações Intermoleculares CCl4 + I2 Interações intermoleculares: CCl4 – CCl4: iodo – iodo: CCl4 – iodo: Iodo é solúvel em CCl4 (as 3 interações acima são muito semelhantes). dispersões de London dispersões de London dispersões de London 106 Importância Prática das Interações Intermoleculares Determinam propriedades da matéria como ponto de fusão/ ebulição e solubilidade. Regra Prática de Solubilidade Substâncias polares são: bons solventes para substâncias polares; solventes ruins para substâncias apolares. ATENÇÃO: Regras práticas nem sempre capturam a complexidade da realidade experimental e devem ser usadas com cuidado, daí a importância de testar as idéias NO LABORATÓRIO. SEMELHANTE DISSOLVE SEMELHANTE Substâncias apolares são: bons solventes para substâncias apolares; solventes ruins para substâncias polares. 107 Importância Prática das Interações Intermoleculares cana-de-açúcar melaço (açúcar) bagaço (celulose) bagaço de cana etanol açúcar etanol de segunda geração FERMENTAÇÃO FERMENTAÇÃO HIDRÓLISE ENZIMÁTICA Importância Prática das Interações Intermoleculares Têm papel importante em processos químicos e bioquímicos (ex.: produção industrial de etanol). Importância Prática das Interações Intermoleculares O conhecimento adquirido permite o desenvolvimento de novos materiais com propriedades desejadas (ex. adesivos). 9 gotas de adesivo 5 toneladas 109 http://robotics.eecs.berkeley.edu/~ronf/Gecko/index.html diâmetro de 100 nm 9 gotas de adesivo 110 A seguir, serão fornecidos alguns exemplos de como a geometria molecular e as interações intermoleculares influenciam as propriedades dos materiais e substâncias em geral! Formas Alotrópicas do Carbono diamante grafite 111 cadeia apolar ou HIDROFÓBICA capaz de interagir com óleo extremidade polar ou HIDROFíLICA capaz de interagir com água molécula como um todo é ANFIFÍLICA contra-íon Também chamados de "surfactantes" ou "tensoativos". Exemplo: estearato de sódio Sabões e Detergentes 112 Concetração de Micelar Crítica (CMC) abaixo da CMC moléculas de surfactante dissolvidas acúmulo de surfactante na superfície superfície completamente ocupada formação de micelas exterior polar interior apolar acima da CMC 113 Mecanismo de Ação de Sabões e Detergentes 1) ADESÃO DO SURFACTANTE: gota de óleo fibras de tecido surfactante 2) DESLIGAMENTO E EMULSÃO: repulsão 114 Influência de Surfactantes na Tensão Superficial Moléculas de surfactante alojam-se na superfície da água, enfraquecendo as ligações de hidrogênio entre as moléculas de água; Isto causa redução da tensão superficial do líquido, ou seja, a “molhabilidade” da água aumenta (p. ex. capacidade de se infiltrar entre as fibras de um tecido). 115 Coletes à Prova de Balas 116 Kevlar® http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b7/Kevlar_chemical_structure_H-bonds.png http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b7/Kevlar_chemical_structure_H-bonds.png Polímeros Superabsorventes poliacrilato de sódio e Polpa de celulose (polímero natural e hidrofílico) (fraldas descartáveis) polipropileno (copos plásticos e fraldas descartáveis) 117 Vidros 118 http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/4b/Silica.svg http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/4b/Silica.svg Silanização do Vidro e Superfícies Hidrofóbicas http://www.fis.unipr.it/lmn/LB_Contents/17.htm 119 120 121 122 123 124 125