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IEOB – Instituto Educacional do Oeste Baiano Curso de Aux. Em Necropsia Módulo IV - Tanatologia Biomédica Prof.ª Vitória Vale Tanatologia Forense IEOB – Instituto Educacional do Oeste Baiano Curso de Aux. Em Necropsia Módulo IV - Tanatologia Biomédica Prof.ª Vitória Vale Aula 03 Conservação de peças anatômicas ▪ A prática da conservação de corpos humanos surgiu com a primeira grande civilização - os egípcios - que criaram a mumificação aproximadamente 3.000 A.C., pois se preocupavam com a vida após a morte. A destruição do corpo levava a perda da vida eterna. HISTÓRICO DE CONSERVAÇÕES ▪ Embora a mumificação tema sido utilizado pelos egípcios, ainda hoje não foi encontrado nenhum documento que reatasse todas as técnicas do processo de mumificação. ▪ A tradição era passada boca a boca. Existe, porém o relato do grego Heródoto, que esteve no Egito no ano de 450 A.C., descrevendo como era feita a mumificação. HISTÓRICO DE CONSERVAÇÕES ▪ A mumificação era feita por sacerdotes- médicos que tinham grande conhecimentos em anatomia e presidiam cerimónias religiosas. ▪ Primeiro se retiravam os órgãos. O cérebro era retirado por um gancho introduzido através das narinas, e o restante das vísceras era retirado através de uma incisão abdome. HISTÓRICO DE CONSERVAÇÕES ▪ Após a evisceração, procedia-se à desidratação, ou seja a retirada da umidade do corpo. Durante 40 dias, o corpo era coberto com natrão, uma mistura de sulfato, cloreto, bicarbonato e carbonato de sódio. Ao fim desse período, só restava a pele, ossos e carne endurecida. Depois o corpo era enfaixado com bandagens de linho iniciando pelos dedos. ▪ Hoje as técnicas de conservação de cadáveres utilizam substâncias químicas com o objetivo de preservar o corpo até o funeral, prevenir a propagação de infecções, assim corno conservar o corpo humano para fins acadêmicos. HISTÓRICO DE CONSERVAÇÕES DESTINOS DO CADÁVER OPÇÕES PARA DESTINAÇÃO DO CADÁVER ▪ I – Inumação (ou sepultamento) ▪ II - Cremação ▪ III - Estudo, Pesquisa e Transplante E quando há necessidade de translado? CONSERVAÇÃO DE RESTOS MORTAIS HUMANOS ▪ Embalsamamento: método de conservação de restos mortais humanos com o objetivo de promover sua conservação total e permanente. ▪ Formolização: método de conservação de restos mortais humanos com o objetivo de promover sua conservação de forma temporária. Corpo Embalsamado Cabeça de serial killer conservada no formol EMBALSAMAMENTO OU FORMOLIZAÇÃO? ▪ Translado internacional: embalsamamento ▪ Translado intermunicipal/interestadual: < 24 horas: não é necessário tanatopraxia = 24-48 horas: formolização > 48 horas: embalsamamento ▪ A conservação do corpo humano depois da morte tem por escopo primordial evitar que os fenómenos transformadores cadavéricos iniciados com o processo de putrefação, evoluam e possam atingir as partes moles e vísceras, resultando em destruição total do arcabouço corporal. ▪ A prática do embalsamamento é feita nos casos em que o cadáver já foi necropsiado e teve suas vísceras manipuladas de alguma forma. Tais situações são muito comuns em mortes violentas, nas quais o cadáver é submetido à necropsia médico-legal, ou ainda nas necropsias, para verificação do óbito. ▪ Já a prática de tanatopraxia está preconizada para os corpos que não foram submetidos necropsia, eviscerados, como nos casos de mortes causadas por doenças. CONSERVAÇÃO DE CORPOS HUMANOS REQUISITOS ▪ A conservação do cadáver, em geral é solicitada por familiares ou par exigências legais de caráter sanitário toda vez que o corpo for transportado e inumado em outra localidade. ▪ A preparação do corpo por meio da técnica de tanatopraxia previne a propagação de enfermidades na comunidade, de maneira que é pré- requisito das empresas que disponibilizam esse serviço a organização de um laboratório de acordo com os padrões de biossegurança. ▪ As técnicas de embalsamamento ou de tanatopraxia deverão ser realizadas em ambiente adequado como salas anatômicas ou tanatórios, com todo o rigor das normas de biossegurança. INUMAÇÃO ▪ Lei nº 6.015 de 31 de Dezembro de 1973: dispõe sobre os registros públicos. CAPÍTULO IX: Do Óbito. Art. 77 –Nenhum sepultamento será feito sem certidão (...)em vista do atestado de médico (...). Art. 78: Prazo de 24 horas para registro. CREMAÇÃO ▪ Lei 6015/1973: Art. 77, § 2º: Declaração de óbito tem que ser firmada por 2 (dois) médicos ou por 1 (um) médico legista e, no caso de morte violenta, depois de autorizada pela autoridade judiciária. ▪ Autorização para cremação!!! ESTUDO, PESQUISA E TRANSPLANTE ▪ Não há legislação específica no Brasil que regulamente a doação de corpo. ▪ Atualmente, os princípios utilizados no país são os mesmos que regulamentam a doação de órgãos para transplante ▪ A doação de corpos no Brasil é prerrogativa exclusiva do responsável legal. ▪ Atualmente somente para faculdades de Medicina. TÉCNICAS DE CONSERVAÇÃO DE CORPOS HUMANOS ▪ FIXAÇÃO é um processo químico pelo qual tecidos biológicos são preservados da decomposição ou alteração indesejada par a fim de exame. O maior composto usado para fixação é o formol; ▪ GLICERINAÇÃO é uma técnica anatômica de preparação e conservação que permite preservar os tecidos úmidos e ao mesmo tempo sem a imersão em soluções conservadoras. Essa técnica teve início com o descobrimento da glicerina; ▪ DESIDRATAÇÃO é aquela reação química ou processo físico-químico que implica perda de água; ▪ TAXIDERMIA é o feito de montar ou reproduzir animais para exibição ou estudo; Fixação ou Formolização Glicerinação Taxidermia TÉCNICAS DE CONSERVAÇÃO DE CORPOS HUMANOS ▪ PLASTINAÇÃO é o procedimento técnico e moderno da preservação de matéria biológica, criado pelo artista e cientista Gunther von Hagens em 1977, e que consiste em extrair os líquidos corporais, tais como a água e os lipídios, através de métodos químicos (acetona fria e morna), para substituí-lo por resinas elásticas de silicone e rígidas e póxicas. Esta técnica tem numerosas vantagens, tanto quanto a conservação dos corpos, como na textura, coloração e na aproximação à coisa natural, e proporciona uma boa manipulação do corpo, sem necessidade de manutenção; ▪ MUMIFICAÇÃO é um método de preservar artificialmente os corpos; das pessoas e animais mortos. Plastinação CONCEITOS ▪ Conceitos da Formalização: Manter a conservação do corpo por maior tempo possível para viagens e velórios. ▪ Conceito do Embalsamamento: Manter a conservação do corpo para viagens aéreas. ▪ Conceitos da Aspiração Peritoneal: Aspirar todo o Hidroperitôneo e o Edema Subcutâneo abdominal. ETAPAS DA TANATOPRAXIA ▪ A tanatopraxia é uma técnica que permite a conservação do cadáver, muito utilizada no setor funerário, associando a preservação dos tecidos à melhor apresentação do corpo à família. ▪ A primeira etapa consiste em ao receber o cadáver é verificar a documentação que o acompanha. ▪ Segunda etapa é determinar quanto tempo permanecerá conservado o cadáver. ▪ Determinado o tempo de conservação, a próxima etapa é realizar a “ectoscopia” do cadáver. ▪ Quanto à escolha da técnica a ser aplicada, a determinação do tempo é imprescindível na conservação do cadáver, assim como determinar a procedência do cadáver. Em casos de doenças oriundos de hospitais ou de residências, o cadáver encontra-se fechado, ou seja, não necropsiado. Nesses casos será escolhida uma via arterial de grande calibre, como artéria femoral ou carótida, e uma via venosa também de grande calibre como veia femoral ou jugular. ▪ No caso de cadáver necropsiado, seja por morte violenta ou simplesmente para verificação da causa da morte, este apresta- se com a caixa craniana, a cavidade e abdome abertos. Nessa situação deve-se retirar a sutura feita no IML ou no SVO, é feita a total retirada dos órgãose colocados dentro de uma balde com solução de formol e agua (dois litros dentro do balde da mesma solução usada para injetar no corpo). ▪ A infusão arterial em cadáveres necropsiados normalmente ocorre de maneira segmentar em que cada membro será injetado individualmente seguido pelo tronco e pela cabeça por via das artérias. Caso a aorta torácica e sua porção descendente estejam preservadas, a infusão do tronco e dos membros inferiores poderá ser realizada simultaneamente. Em seguida, injeta-se fluido arterial, através do arco aórtico, para os membros superiores e a cabeça. ETAPAS DA TANATOPRAXIA ▪ A técnica de tanatopraxia consiste na substituição do sangue por um produto conservante chamado fluido arterial (ou solução do formol na agua). Para a aplicação do fluido, será utilizada uma bomba injetora, dotada de um reservatório para 10 litros, que será regulada por duas válvulas de uma injeção e outra reguladora de pressão. A pressão adequada para a realização de um procedimento de tanatopraxia varia em tomo de 9 a 12lb/pol². ▪ O fluido arterial será diluído em água na proporção de 1 litro de fluído arterial concentrado para 7 litros de água, perfazendo um total de 8 litros de fluido arterial. Essa medida serve como referência para a conservação de até 72 horas. Para conservação mais prolongada deve-se repetir as injeções ou, até mesmo, concentrar mais o fluido arterial, dobrando a quantidade de concentrado. Para isso, devem-se avaliar o tamanho do cadáver, tempo de conservação e ainda se foi necropsiado ou não, se teve suas vísceras manipuladas ou não. APLICAÇÃO DA TÉCNICA ▪ Em casos necropsiados com injeção seletiva, considera- se a seguinte quantidade de fluido para cada segmento: 1 litro para a cabeça, 1 litro para cada membro superior, 1 litro para o tronco e 1 para cada membro inferior e dois litros no balde com as vísceras perfazendo um total de 8 litros de fluido arterial para todo o corpo. ▪ É importante ressaltar que a quantidade de injeções ou a concentração do fluido poderá ser alterada em função das indicações dos procedimentos. APLICAÇÃO DA TÉCNICA ▪ Considerando a artéria carótida comum para injeção, será necessária a abertura da veia jugular para drenagem do expurgo venoso (podendo ser utilizada a artéria femoral para infusão e veia femoral para expurgo). Por meio de uma cânula de injeção, será injetado o fluido conservante, apôs a regulagem de fluxo e pressão de bomba. ▪ A medida que o fluido circula pelo sistema arterial, promove a lavagem de todo sistema circulatório, promovendo, inclusive mudança no aspecto geral do cadáver. A principal mudança é o desaparecimento de livores, o retomo do aspecto rosado da pele, o enrijecimento de tecidos moles e, principalmente, a ação bactericida do fluido conservante. ▪ Após a injeção arterial fecha-se as vias, faz-se a sutura do acesso e inicia-se a fase de aspiração do corpo. APLICAÇÃO DA TÉCNICA ▪ A aspiração em um cadáver não- necropsiado será realizada por meio de pequena perfuração na região abdominal, por onde, por intermédio de uma bomba aspiradora e uma cânula de aspiração será realizada a aspiração da cavidade torácica e abdominal. Inevitavelmente, haverá perfuração de órgãos, assim tomo desejavelmente ocorrerá, a perfuração das alças Intestinais, permitindo a aspiração de seu conteúdo. Ao final a perfuração e fechada utilizando-se de uma sutura simples. ▪ Como a injeção arterial, a aspiração também será influenciada pelo tempo em que se deseja conservar o cadáver. Ao final do processo, será observada dificuldade em movimentar a cânula de aspiração em função da absorção do fluido pelas vísceras. Logo após é feito a sutura da incisão e depois coloca-se o cadáver na urna para vestir, ornamentar e maquiar. APLICAÇÃO DA TÉCNICA EMBALSAMAMENTO ▪ A aspiração em cadáver necropsiado ocorre após a evisceração das cavidades craniana, torácica e abdominal. As cavidades serão aspiradas e em seguida será colocado serragem fina nas cavidades. As vísceras serão tratadas fora do cadáver em um recipiente apropriado com formol, onde serão perfuradas e mantidas imersas por 30 minutos para fixação. ▪ Após esse período, deverão ser retiradas do recipiente e colocadas em um saco plástico apropriado, que será fechado e devolvido ao cadáver, ou será colocado diretamente nas cavidades com serragem fina. ▪ O fechamento do corpo cadavérico deverá ser realizado com as vísceras ensacadas e devidamente tratadas. CUIDADOS ADICIONAIS ▪ A apresentação do cadáver é a etapa final do embalsamamento. Dela fazem parte o tamponamento das vias aéreas superiores, a vestimenta e a maquiagem. ▪ Em alguns casos, como nas mortes violentas muitas vezes são necessárias a realização de reconstituição ou reconstrução de tecidos ou partes ósseas. ▪ Para tanta utilizam-se próteses, massas, ceras, telas, fios de aço, gesso, algodão, silicone, cola, entre outros, que são recursos adicionais para eficácia da técnica. Os diferentes tipos de fluidos arteriais e suas aplicações Os diferentes tipos de fluidos arteriais e suas aplicações Os diferentes tipos de fluidos arteriais e suas aplicações Os diferentes tipos de fluidos arteriais e suas aplicações Os diferentes tipos de fluidos arteriais e suas aplicações Os diferentes tipos de fluidos arteriais e suas aplicações Os diferentes tipos de fluidos arteriais e suas aplicações Os diferentes tipos de fluidos arteriais e suas aplicações PRODUTOS UTILIZADOS EM TANATOPRAXIA O fluido conservante arterial possui: 1. Aldeído fórmico 3% P-P corno princípio ativo; Metanol 1 % p-p; 2. Hidroxibenzeno; 3. Álcool metílico: 4. Sorbitol; 5. Tetraborato de Sódio; 6. Eritrosina: Glicerina; e corante e água. ETAPAS OBRIGATÓRIAS PARA A FORMALIZAÇÃO DE UM CADÁVER NÃO NECROPSIADO 1. Verificar se o cadáver sofreu de Trombose, Hipertensão, arteriosclerose generalizada, Aterosclerose. 2. Saber a diferença entre uma veia e uma artéria. INFORMAÇÕES E IMPEDIMENTO PARA FORMALIZAÇÃO VIA FEMORAL ▪ Função da Veia: Levar o sangue dos órgãos para o coração. ▪ Função da Artéria: Levar o sangue oxigenado do coração para todos os órgãos. ▪ Trombose de Membros: É quando uma artéria entope e leva o membro a uma necrose. ▪ Arteriosclerose: São placas amareladas de ateroma na túnica mais interna da artéria. ▪ Hipertensão: Elevação da pressão arterial que leva a pessoa a ter um infarto ou leva a artéria a uma arteriosclerose. INSTRUMENTOS Materiais básicos para Formalização: ▪ Luvas de procedimentos (Látex), ▪ Bisturi número 22, ▪ Pinça dente de rato, ▪ Linha e agulha para sutura, ▪ Formol em solução de 7x1, ▪ Bomba injetora, ▪ Bomba aspiradora, ▪ Algodão vegetal, ▪ Pinça para tamponamento, ▪ Cânulas de injeção arterial e de aspiração, ▪ Dissecadores: ▪ Diversos tipos de agulhas. ▪ Fazer uma incisão, em um dos membros inferiores (perna), altura Medial da coxa (cerca de 4 dedos da virilha). ▪ Logo após a incisão, deverá ser dissecado cuidadosamente o membro inferior para a visualização da Artéria Femoral. ▪ Após exposto o tecido adiposo deverá ser deslocada com o dedo a artéria femoral para fora, em seguida deverá ser injetado formol na Artéria, deixando a veia livre para saída do sangue. ▪ Injetar a quantidade de formol suficiente no cadáver, dependendo da estatura do corpo. DISSECANDO UM CADÁVER PARA FORMOLIZAÇÃO ▪ Aspiração Peritoneal l. Com um aspirador e um cânula para sucção, deverá ser introduzido no peritônio perfurando todo o tecido da pele. 2. Logo após a perfuração deverá ser aspirado todo o liquido abdominal. PARA FIXAR!!! ▪ TANATOPRAXIA: Procedimento realizado em corpo não necropsiado. ▪ EMBALSAMAMENTO: Procedimento realizado em corpo necropsiado.