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QUESTÕES AV 2 TRIB FINANCEIRO

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QUESTÕES AV2
Direito Financeiro Tributário I
Aluna: Paula Fontoura O. Leal
Matrícula: 201502162016
1) Lulu Bergantim, prefeito do Município de Curralzinho Novo, recebeu em seu gabinete a professora Andrelina Tupinambá que lhe relatou a atual situação do ensino no Município. A referida professora expos a deficiência da escola primária e a necessidade de reformas urgentes para atender a demanda por matrículas no Município. Entregou documentação demonstrando: (i) o grande número de alunos que se matricularam em Municípios vizinhos, (ii) abaixo assinado da população e (iii) orçamento estimando a reforma da escola em R$ 100.000,00 (cem mil reais).
O Prefeito resolve consultar o Secretário de Finanças do Município em busca de disponibilidade financeira para a referida obra. O Secretário responde que existe disponibilidade financeira em caixa, contudo não há autorização na Lei Orçamentária Anual - LOA em vigor naquele ano para a referida despesa, o que poderia gerar problemas jurídicos.
Em consulta à LOA, Lulu Bergantim observou uma despesa prevista de R$ 100.000,00 (cem mil reais) para a construção da nova sede da Secretaria de Administração de Obras do Município de Curralzinho Novo, projeto esse que poderia ser adiado para outra oportunidade.
Assim, o Prefeito resolve consultá-lo, na qualidade de Assessor Jurídico da Prefeitura, sobre a possibilidade de iniciar o gasto com a referida obra de reforma da Escola pleiteada pela professora Andrelina Tupinambá ao invés da construção da nova sede da Secretaria de Administração de Obras.
* Referência ao Conto "Porque Lulu Bergantim não atravessou o Rubicon", de José Candido de Carvalho.
Instruções para a redação do parecer:
Redija um parecer fundamentado, endereçado ao Gabinete do Prefeito, abordando a dúvida suscitada e expondo a solução adequada para a controvérsia.
R:
 Ao Excelentíssimo Senhor Prefeito do Município de Curralzinho Novo 
 Pode-se dizer que pelo princípio de reserva da lei, tanto os ingressos como as despesas submetem-se à determinação legal e devem ser previstos em lei, e que pelo princípio de não discricionariedade administrativa, a administração pública se limita ao que a lei estabelece, e, da mesma forma, podemos relacionar o princípio da indisponibilidade administrativa das situações jurídicas subjetivas. Então é preciso assumir que a lei veda a geração de despesa não estejam estimadas no orçamento e nos dois subsequentes. Desta forma, no caso em tela, não há possibilidade de o senhor Prefeito iniciar o gasto com a referida obra de reforma da Escola pleiteada pela professora Andrelina Tupinambá, pois está despesa não consta da lei orçamentaria. E caso utilize o dinheiro da obra de construção da nova sede da Secretaria de Administração de Obras poderá acarretar desvio de finalidade.
2) Determinada pessoa física adquire de outra um estabelecimento comercial e segue na exploração de suas atividades, cessando ao vendedor toda a atividade empresarial. Nesse caso, há responsabilidade por parte do novo adquirente em relação aos tributos devidos pelo estabelecimento comercial até a data da aquisição do referido negócio jurídico? Caso positivo, como será a responsabilização? Justifique.
R: Sim, o novo adquirente responde integralmente por todos tributos pois a obrigação tributária ocorre integralmente ao adquirente, bem com a sua responsabilidade tributária em razão da aquisição do estabelecimento conforme o art. 133 do CTN. 
3) Fazenda Pública do Município de Salvador obteve a penhora do Cemitério Britânico de Salvador, pertencente à Igreja Anglicana, em virtude de uma alegada dívida de IPTU no valor de R$ 41.831,70, relativa aos anos de 1994 a 1996. O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), que não reconheceu o direito de a instituição religiosa deixar de recolher o IPTU referente à área em que se localiza seu cemitério, fundamentou a decisão nos seguintes termos: [...] a imunidade prevista no artigo 150, VI, ¿b¿, da Constituição Federal (CRFB) de 1988 (que veda a tributação de templos religiosos), invocado pela igreja, não se aplica aos cemitérios, pois estes não podem ser equiparados a templos de culto algum, não sendo possível estender sua abrangência. Você foi procurado para opinar se o Cemitério deve ou não interpor recurso A extraordinário ao Supremo Tribunal Federal. Quais os dispositivos constitucionais e os argumentos que você utilizaria para fundamentar o seu recurso?
R: Segundo o entendimento do STF no artigo 150, VI, “b”, da Constituição Federal (CF) de 1988 (que veda a tributação de templos religiosos)em aplicação extensiva decidiu que a imunidade se aplica ao cemitérios opinando pelo voto a favor da tese da imunidade tributária do cemitério nos artigos 5º, inciso VI, e 19, inciso I, da Constituição Federal, que asseguram a liberdade de crença e de culto e garantem a proteção aos locais de culto e suas liturgias, vedando a sua obstrução. o ministro-relator fez uma distinção clara entre os cemitérios de caráter comercial, que alugam jazigos e serviços com objetivo da obtenção de lucro financeiro. Segundo ele, o cemitério em questão, assim como muitos outros pertencentes a entidades religiosas, é extensão do templo dedicado ao culto da religião, no caso, a anglicana. Segundo ele, esta entidade se dedica à preservação do templo, do cemitério e do próprio culto que professa. Equipara-se, assim, a entidade filantrópica.
Desta forma o cemitério por fazer parte dissociável a entidade religiosa aplica se a imunidade em favor ao cemitério.
Processos relacionados
RE 578562 STF
4) Em 10/10/2012, Sampaio comprou um estabelecimento comercial que pertencia a uma grande rede de supermercados. Existiam algumas dívidas de ICMS do estabelecimento adquirido. Sabendo-se que a rede de supermercados deixou de explorar a respectiva atividade no momento da alienação do estabelecimento à Sampaio e que retornou a explorar a atividade econômica, mas agora no setor de confecções em 15/02/2013, explique como ficará a responsabilidade pelo pagamento das dívidas de ICMS incidentes sobre o referido estabelecimento.
R: No presente caso ocorre a Responsabilidade Tributária por sucessão com previsão no art.133, I e II do CTN, o que gera responsabilidade para ambos, exclusiva do adquirente ou subsidiária do alienante de acordo com a situação que se apresenta, caso o adquirente continue a exploração da atividade, este responde integralmente pelos tributos relativos ao fundo de comércio ou estabelecimento adquirido devidos até a data do ato, isso se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade. 
5) Baseado em uma efetiva hipótese de calamidade pública, o Presidente da República edita, em março de determinado ano, Medida Provisória instituindo empréstimo compulsório que passará a incidir a partir do mês subsequente. Responda justificadamente: a) Pode o empréstimo compulsório ser instituído por Medida Provisória? b) Qualquer que seja a resposta à questão anterior, deve o empréstimo compulsório observar o princípio da anterioridade?
R: (A) A Constituição da República veda, expressamente, a edição de Medida Provisória para dispor sobre matéria reservada à lei complementar (Art. 62, § 1º, inciso III). E os empréstimos compulsórios só podem ser instituídos por meio de lei complementar (CRFB, Art. 148). Sendo negativa tal afirmativa.
(B) Também é negativa a resposta à questão B. A observância ao princípio da anterioridade é expressamente excepcionada com relação aos empréstimos compulsórios instituídos por força de calamidade pública (CRFB, Art. 150, § 1º, conjugado com Art. 148, inciso I).