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EXMO. SR. DR. DESEMBARGADOR RELATOR DA ___ CÂMARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Processo nº ________________________________________ Relator: Desembargador ______________________________________________. _________________________________, por seus advogados abaixo assinados, nos autos do processo em epígrafe, tendo em vista o r. acordão de fls._____, publicado dia __________________no diário oficial do estado do Rio de Janeiro, vem perante vossa Excelência no prazo da Lei, com fulcro nos artigos 609, paragrafo único, do Código de Processo Penal, 126 e seguintes do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, vem apresentar EMBARGOS INFRINGENTES nos seguintes termos I – BREVE RELATÓRIO O Sr. _________________ foi processado nos autos do processo originário nº _____________________, e por fim, condenado pela prática do ilícito culposo previsto no artigo 302, caput, da Lei 9.503/97, (Código de Transito Brasileiro) pelo juízo a quo da ___ Vara Criminal do Estado do Rio de Janeiro. Ao final, foi fixada uma pena de dois anos de detenção em regime aberto. Tal pena foi substituída por duas Penas Restritivas de Direito, sendo elas: prestação de serviços à comunidade e prestação pecuniária no valor de 270 salários mínimos. A Prestação de Serviços à Comunidade foi integralmente cumprida, conforme informação de fls. 172 nos autos do originário de nº____________________ e cálculo atualizado de fls. 173/173-verso (autos principais). Antes do mês de dezembro de 2013, tal prestação já havia sido cumprida em sua integralidade. Em relação à Prestação Pecuniária, esta foi fixada em 270 salários mínimos. Devido ao alto valor desta prestação (R$ _______ – valor atualizado), fora por diversas vezes requisitado pela defesa um parcelamento deste valor astronômico, para que fosse viabilizado seu pagamento, uma vez não condizente com a atual situação econômica do apenado. Essa proposta foi negada pela família da vítima, que informou querer receber a prestação em ____ vezes (fls. 149 – autos principais), o que culminaria no valor mensal de R$ _______. Tal valor ainda está muito além das condições econômicas do apenado. Entretanto, acertou o juízo a quo ao conceder ao agravado a prisão albergue domiciliar – PAD com o uso de tornozeleira (monitoramento eletrônico). Contra esta decisão indevidamente se insurgiu o membro do Parquet estadual, que cuidou de manejar recurso de Agravo de Execução Penal pleiteando a reforma da decisão combatida, a fim de que o embargante cumpra o restante da sua pena, menos de um ano, em Casa de Albergado. Quando do julgamento do agravo ministerial, os Desembargadores que compõem a ___ Câmara Criminal do TJRJ, por maioria de votos (vencido o Des. ________________ – voto às fls. 137/142), decidiram pelo provimento do recurso ministerial para, mantendo a progressão de regime para a modalidade aberta, revogar a concessão da prisão albergue domiciliar para cumprimento do resquício da pena em Casa de Albergado. Contra este julgamento interponho os presentes Embargos Infringentes, uma vez que tal posicionamento não merece prosperar pelos motivos, expostos abaixo. II – Cabimento dos Embargos Infringentes. Quando não for unânime a decisão de segunda instância, desfavorável ao réu é oponível o recurso de embargos infringentes. Nos autos em epígrafe, depreende-se da decisão ora embargada que a maioria dos ilustres Desembargadores do TJRJ, na forma do voto do vencedor, Desembargador_______________, entendeu pelo provimento do recurso ministerial para revogar a concessão da prisão albergue domiciliar do apenado (com monitoramento eletrônico), a fim de que o ora embargante cumpra o restante de sua pena em Casa de Albergado, decisão esta desfavorável ao réu. Entretanto, o i. Desembargador Relator _____________ discordou dos votos vencedores, sendo vencido ao manter o cumprimento do resquício da pena do embargante em prisão albergue domiciliar. A argumentação expendida no voto vencido foi coesa, e já seria suficiente para oposição do presente embargo, senão vejamos: AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL. RECURSO INTERPOSTO CONTRA DECISÃO DO JUÍZO DA VARA DE EXECUÇÕES PENAIS QUE CONCEDEU AO APENADO A PRISÃO ALBERGUE DOMICILIAR, SEM MONITORAMENTO ELETRÔNICO. INTERPRETAÇÃO QUE SE ADEQUA AO PRINCÍPIO DA RESSOCIALIZAÇÃO DO APENADO. Progressão de regime para o aberto com deferimento de prisão domiciliar sem monitoramento eletrônico. Artigo 116 da LEP que autoriza o Juízo das Execuções modificar as condições do regime aberto. Se direito ao regime aberto conquistou, se o Estado encontra-se inadimplente com a efetivação do disposto no art. 95 da LEP, com base no princípio da dignidade da pessoa humana, parece razoável possa o agravado cumprir a pena no regime de PAD, sem monitoramento eletrônico. Prequestionamento que visa unicamente garantir acesso às instâncias superiores. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. (voto vencido – fls. 137) Vale destacar, que a divergência repousa na íntegra do voto vencido. Inicialmente, o Desembargador vencido negava provimento ao recurso ministerial para que o réu pudesse cumprir o resquício de sua pena em prisão albergue domiciliar, defendendo o entendimento de que o rol do art. 117 da LEP é puramente enumerativo para as situações de prisão, e não taxativo, como entende o órgão ministerial estadual. E, ainda, o cumprimento da pena no regime de PAD seria a única forma de se resguardar os princípios da dignidade da pessoa humana e da ressocialização do apenado. “(...) Com efeito, o rol do artigo 117, da LEP, não foi tido como taxativo. Em que pese à divergência doutrinária e jurisprudencial quanto ao alcance da norma do art. 117 da Lei de Execução Penal, que estabelece as hipóteses de prisão domiciliar, predomina no âmbito dos Tribunais Superiores e deste Egrégio Tribunal de Justiça o entendimento que admite a sua ampliação para abarcar outras hipóteses não previstas em lei. (...) A melhor exegese da norma contida na LEP é a de viabilizar o direito à reintegração social através da progressão, harmonizando-se a exigência legal com a realidade social do país. (...) Se direito ao regime aberto conquistou, se o Estado encontra-se inadimplente com a efetivação do disposto no art. 95, LEP, com base no princípio da dignidade da pessoa humana, parece razoável possa cumprir a pena no regime de PAD, sem monitoramento eletrônico. (...) Ora, o Estado que pune, deve, igualmente, proporcionar meios adequados, salubres e seguros para o cumprimento da pena imposta nos moldes a que o apenado faz jus. E sem violar a integridade do preso, em atenção ao princípio da dignidade da pessoa humana. Nesse contexto, agiu com acerto o magistrado de piso, adotando a única solução capaz de conciliar o direito do Estado de ver cumprida a pena imposta com o direito que assiste ao preso de usufruir da progressão de regime como lhe faculta a lei, inclusive sem monitoramento eletrônico, reservando-se as excepcionais vagas disponíveis na Casa do Albergado às situações igualmente excepcionais. SALIENTE-SE QUE A PRISÃO ALBERGUE DOMICILIAR, AINDA QUE SEM A CAUTELA PREVISTA NO ART. 146-B DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL, TERÁ O CUMPRIMENTO DA PENA FISCALIZADO PELO ESTADO, CONFORME CONSTA DA DECISÃO EM DEBATE. Pelo exposto, por entender que a decisão combatida deve ser mantida, em atenção ao Princípio da Ressocialização do apenado, é que conheço do agravo e VOTO pelo NÃO PROVIMENTO DO RECURSO, mantendo a decisão agravada, nos termos em que foi proferida.” (voto vencido – fls. 139/142). O acórdão guerreado pretende fazer valer uma interpretação puramente literal do art. 117 da LEP. Trata-se de uma decisão totalmente avessa aos avanços atuais tanto do Direito Penal quanto das Políticas Penitenciárias. Cabe esclarecer, que ao contrário do que fora exposto no acórdão ora guerreado, há, sim, uma intensa fiscalização que, inclusive, já está sendo desde julho passado, consoante documentação em anexo.Diante disso, o voto vencido do desembargador ____________, presente às fls. 137/142 merece prevalecer. III – DOS PEDIDOS. Por todo o exposto, espera o embargante, seja provido o presente recurso, com o prevalecimento da judiciosa manifestação contida no voto vencido do i. Desembargador Relator ______________, que manteve a decisão da VEP, agravada. Requer-se, ainda, liminarmente, que todos os mandados já expedidos sejam recolhidos e suspensos os seus efeitos até que os presentes Embargos Infringentes tenham seu mérito analisado e julgado pelos Desembargadores do TJRJ. Termos em que pede deferimento Rio de Janeiro, 10 de outubro de 2019. Thaiane do Amaral Catalano Furtado OAB-RJ 3593