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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA DISCIPLINA: Operações Unitárias com Sistemas Sólido-Fluido (DEQ0515) DOCENTE: Katherine Carrilho de Oliveira APOSTILA CICLONES (2019.2) INTRODUÇÃO Os ciclones, assim como as câmaras de poeira, são equipamentos de separação sólido- fluido no qual um gás contendo partículas sólidas alimentado tangencialmente a uma câmara cilíndrica originando um movimento rotacional que favorece a separação das partículas sólidos. O principio de funcionamento é inercial com a queda das partículas ocorrendo na direção radial. É utilizado normalmente para partículas muito finas nas quais as câmaras de poeira se tornariam inviáveis. PRINCÍPIOS BÁSICOS Os ciclones são os equipamentos de separação sólido-gás mais utilizados nas indústrias pois não possuem partes móveis, podem ser utilizados a temperaturas altas, o produto sai seco e promove uma boa remoção das partículas sólidas presentes na suspensão. Normalmente são utilizados para partículas com tamanho entre 5 e 200 μm. A velocidade de alimentação varia na faixa de 6 a 21 m/s. Os ciclones consistem de um cilindro vertical com a base cônica, uma entrada tangencial para a alimentação da suspensão, uma saída no topo para o gás e uma saída na base para a coleta das partículas sólidas (Figura 1). 2 Figura 1 - Desenho esquemático de um ciclone. Fonte: Adaptado de Ortega-Rivas, E., 2012. De acordo com a Figura 1 observa-se que a tubulação de saída do gás se estende para o interior da câmara cilíndrica que compõe o ciclone. Essa extensão é utilizada para evitar que o gás alimentado passe diretamente para a saída sem ser ciclonado, é conhecido como vortex finder. Mesmo utilizando essa extensão uma parte do gás acaba passando pouco tempo na câmara devido a um by-pass da corrente de alimentação. Os ciclones são caracterizados por diversas dimensões geométricas que deram origem à família de ciclones que seguem uma proporção definida entre essas dimensões. Na Figura 2 consta um esquema do ciclone com suas dimensões características e na Tabela 1 as proporções especificadas para as famílias de ciclones Lapple e Stairmand. 3 Figura 2. Dimensões características dos ciclones. Fonte: Cremasco, M. A., 2012. Tabela 2. Dimensões características das famílias de ciclone Lappe e Stairmand. Dimensões Lapple Stairmand b/D 0,25 0,20 De/D 0,50 0,50 a/D 0,50 0,50 h/D 2,00 1,5 H/D 4,00 4,00 S/D 0,62 0,50 B/D 0,25 0,35 Fonte: Cremasco, M. A., 2012. Os ciclones são equipamentos no qual a força centrífuga, atuando radialmente, substitui a força gravitacional que atuava verticalmente. Por ser utilizado com partículas pequenas é considerado que a lei de Stokes governa o processo de separação. Escrevendo a equação para a velocidade terminal no regime de Stokes sob a ação do campo centrífugo tem-se que: 4 v , (r) = ( ) (1) Em que r é o raio da trajetória descrita pela partícula e ω é a velocidade angular. A velocidade angular pode ser escrita em função da velocidade tangencial (vtan) de acordo com a Equação 2. ω = (2) Substituindo a Equação 2 na Equação 1 tem-se que: v , (r) = ( ) (3) Multiplicando a Equação 3 por g/g obtém-se a Equação 4. v , (r) = ( ) = 𝑣 , (4) A velocidade terminal é máxima no interior do vortex, onde o raio é menor, dessa forma, as menores partículas separadas do gás são removidas no vortex interno. Essas partículas são deslocadas até o vortex externo e em seguida se chocam com as paredes do ciclone. As partículas ainda menores, que não tiveram tempo de se chocar com as paredes, são retidas pelo gás e arrastadas para o topo. Dados experimentais obtidos para a velocidade tangencial do fluido aproximam que a vazão do fluido é dada pelo produto entre a velocidade tangencial e as dimensões da entrada a e b. Pelas dimensões características e suas relações pode-se obter que para os ciclones Lapple, a dimensão a é 0,5D e a dimensão b é 0,25D, resultando na Equação 5. v = (5) O diâmetro de corte para os ciclones é definido como aquele no qual a metade das partículas alimentadas, em massa, são separadas enquanto a outra metade é arrastada com o gás. Substituindo o diâmetro da partícula pelo diâmetro da partícula de corte, na Equação 4, tem-se a velocidade necessária para ocorrer essa separação. O seu valor pode ser obtido a partir de correlações como a apresentada na Equação 6. = K ( ) (6) Em que K é igual a 0,095 para ciclones Lapple e 0,041 para ciclones Stairmand. Para os ciclones Lapple e Stairmand foi obtida uma equação empírica para o cálculo da eficiência individual de coleta apresentada na Equação 7. 5 η = (7) Conforme visto nas câmaras de poeira a eficiência global de coleta pode ser calculada a partir da integração da eficiência individual de coleta para vários valores de frações acumuladas de passante. Utilizando a distribuição contínua de Rosin-Rammler-Bennett (RRB) tem-se que a eficiência global de coleta pode ser descrita pela Equação 8. η = , , , , , × , (8) A queda de pressão associada aos ciclones, normalmente está relacionada às configurações de entrada e de saída do equipamento e perdas de energia cinética. Essa queda de pressão é medida como a diferença entre a pressão no tubo de entrada e a pressão no tubo de saída. A queda de pressão (perda de carga) utilizada em sistemas de tubulações pode ser estendida para utilização em equipamentos como os ciclones. Da equação de Darcy-Weisbach tem-se uma proporcionalidade (linear) entre a razão da diferença de pressão com a densidade do fluido e o termo relativo a energia cinética (v²/2). Com isso tem-se que, de forma simplificada, que a razão entre a queda de pressão e a densidade do fluido pode ser escrita como na Equação 9 cuja velocidade (uc) é dada pela Equação 10. = k (9) u = (10) A constante kf depende da família do ciclone sendo igual a 315 para ciclones Lapple e 400 para ciclones Stairmand. A potência do soprador pode ser calculada como a razão entre o produto da queda de pressão (ΔP) com a vazão (Q) pelo rendimento do motor (Equação 11). Ẇ = (11) Os ciclones podem operar em série ou em paralelo. Na operação em série a vazão dos ciclones é a mesma, porém a queda de pressão é a soma das quedas de pressão individuais de cada ciclone. Essa configuração é utilizada quando deseja-se separar os finos oriundos e um ciclone anterior. A potência pode ser calculada utilizando a queda de pressão como a soma das individuais. Na operação em paralelo a queda de pressão dos equipamentos é a mesma, porém a vazão é a soma das vazões individuais. Essa configuração permite a operação com elevadas 6 vazões visando o aumento da eficiência de coleta já que há um aumento na velocidade de alimentação. Com isso, a potência total seria a soma das potências individuais. Utilizando-se equipamentos com as mesmas dimensões tem-se que a vazão total seria o produto entre o número de ciclones em paralelo e a vazão de um único equipamento. A vazão de um único equipamento pode ser calculada a partir das dimensões do equipamento e da velocidade do fluido.PROJETO DE CICLONES No projeto de ciclones tem-se como variáveis de processo a densidade do sólido, a esfericidade, a distribuição de tamanhos de partículas, a densidade e a viscosidade do fluido. Como variáveis de operação tem-se a vazão e a eficiência de coleta. Um procedimento comum para o projeto é apresentado abaixo: 1. Estabelecer a eficiência de coleta individual para um tamanho de partícula de interesse; 2. Calcular o diâmetro da partícula de corte para a eficiência estipulada (Equação 12); 3. A partir do diâmetro de corte calcular a dimensão D (Equações 10 ou 11); 4. Calcular se serão utilizados ciclones em paralelo e quantos ciclones (n) a partir da dimensão calculada e da vazão fornecida; n = Q á Q 5. Calcular a nova vazão de cada ciclone a partir da necessidade de se utilizar ciclones em paralelo; 6. Calcular a nova dimensão D a partir da nova vazão (Equações 10 ou 11); 7. A partir de D e das relações calculam-se todas as outras dimensões; 8. Calcular perda de carga e a potência. REFERÊNCIAS: Cremasco, M. A. Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecânicos. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2014. Ortega-Rivas, E. Unit Operations of Particulate Solids: Theory and Practice. USA: CRC Press, 2012. Peçanha, R. P. Sistemas Particulados: Operações unitárias envolvendo partículas e fluidos. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.