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2019 Educação Física E saúdE Prof.ª Denise de Castro Insaurriaga Prof.ª Erika Alessandra Rodrigues Prof.ª Paula Dittrich Correa Copyright © UNIASSELVI 2019 Elaboração: Prof.ª Denise de Castro Insaurriaga Prof.ª Erika Alessandra Rodrigues Prof.ª Paula Dittrich Correa Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. IN59e Insaurriaga, Denise de Castro Educação física e saúde. / Denise de Castro Insaurriaga; Erika Alessandra Rodrigues; Paula Dittrich Correa. – Indaial: UNIASSELVI, 2019. 203 p.; il. ISBN 978-85-515-0277-8 1. Educação física - Aspectos da saúde. – Brasil. 2. Hábitos de saúde. – Brasil. I. Insaurriaga, Denise de Castro. II. Rodrigues, Erika Alessandra. III. Correa, Paula Dittrich. IV. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. CDD 613.7 Impresso por: III aprEsEntação Prezado(a) acadêmico(a)! Bem-vindo(a) à disciplina Educação Física e Saúde. Este Caderno de Estudos foi elaborado com o objetivo de contribuir para a realização de seus estudos e para a ampliação de seus conhecimentos sobre a educação física e a sua relação com a qualidade de vida. Faremos uma reflexão sobre o processo de inserção e desenvolvimento da educação física, e as perspectivas da saúde no espaço educacional em geral, com o objetivo de levar os alunos a incorporarem um estilo de vida ativo e saudável. Ao longo da leitura deste caderno, você irá adquirir conhecimentos sobre os valores fundamentais que permitem ao profissional desenvolver atividades que devem ser utilizadas para proporcionar a proteção e o melhoramento da qualidade de vida e saúde dos seus alunos, mediante um maior entendimento da criança na compreensão do seu corpo. Você, também, irá compreender a importância de criar hábitos saudáveis desde a infância até a vida adulta. Para tanto, é necessário adotar uma alimentação equilibrada, juntamente com a realização de atividades física diárias, que assegurem a manutenção da saúde. Neste contexto, nós ressaltamos o papel do professor de educação física ao desenvolver o conceito de saúde, impactando positivamente a vida dos cidadãos, tanto individual, como socialmente. Neste Caderno de Estudos, veremos também a respeito da saúde pública; analisaremos o conceito de saúde e qual a sua relação com a escola, pois a promoção da saúde na escola pode ser um dos veículos de informação mais eficazes para abordar a saúde. Desejamos a você, um bom trabalho e que aproveite ao máximo o estudo desta disciplina. Bons estudos! Prof.ª Denise de Castro Insaurriaga Prof.ª Erika Alessandra Rodrigues Prof.ª Paula Dittrich Correa IV Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade. Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! NOTA V VI VII UNIDADE 1 – EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE ........................................................................................... 1 TÓPICO 1 – EDUCAÇÃO FÍSICA E A ESCOLA .............................................................................. 3 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3 2 A FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA ................................................................................................... 4 3 A EDUCAÇÃO FÍSICA NO CONTEXTO ESCOLAR ................................................................... 16 4 A ATUAÇÃO DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA .......................................................... 22 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 25 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 26 TÓPICO 2 – PROMOÇÃO DA SAÚDE .............................................................................................. 27 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 27 2 A EDUCAÇÃO FÍSICA E A PROMOÇÃO DA SAÚDE ............................................................... 27 3 CONCEITO DE SAÚDE ...................................................................................................................... 29 4 COMO POSSO PROMOVER SAÚDE NAS DIFERENTES ATUAÇÕES ................................. 39 5 SAÚDE NA EDUCAÇÃO INFANTIL, FUNDAMENTAL E MÉDIO ......................................... 42 RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 46 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 47 TÓPICO 3 – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE ....................................................... 49 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 49 2 O PROFESSOR COMO INCENTIVADOR DA SAÚDE .............................................................. 49 3 AS PROPOSTAS DE ATIVIDADES TENDO O PROFESSOR COMO INCENTIVADOR NA MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA ............................................................................... 50 4 A INTERDISCIPLINARIDADE DA EDUCAÇÃO FÍSICA E A SAÚDE .................................. 52 5 HIGIENE ................................................................................................................................................. 55 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 59 RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 66 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 67 UNIDADE 2 – QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO ................................................................................. 69 TÓPICO 1 – QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS ................................................. 71 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 71 2 CONCEITUANDOA QUALIDADE DE VIDA .............................................................................. 71 2.1 QUALIDADE DE VIDA E SAÚDE ............................................................................................... 72 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 75 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 77 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 78 TÓPICO 2 – O CORPO SAUDÁVEL ................................................................................................... 81 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 81 sumário VIII 2 NUTRIENTES E ALIMENTAÇÃO .................................................................................................... 81 2.1 COMPOSTOS ORGÂNICOS .......................................................................................................... 81 2.1.1 Carboidratos ............................................................................................................................ 81 2.1.2 Proteínas ................................................................................................................................... 87 2.1.3 Lipídios ..................................................................................................................................... 92 2.1.4 Compostos inorgânicos .......................................................................................................... 97 2.1.5 Vitaminas ................................................................................................................................. 98 2.1.6 Sais minerais ............................................................................................................................ 99 2.1.7 Água ......................................................................................................................................... 101 2.1.8 Alimentação saudável ............................................................................................................ 102 2.1.9 Distúrbios alimentares ........................................................................................................... 108 2.1.10 Obesidade .............................................................................................................................. 108 2.1.11 Desnutrição ............................................................................................................................ 110 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 112 RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 114 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 115 TÓPICO 3 – APTIDÃO FÍSICA E SAÚDE ......................................................................................... 117 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 117 2 DESAFIOS DA SOCIEDADE ATUAL ............................................................................................. 117 3 ATIVIDADE FÍSICA, APTIDÃO FÍSICA E SAÚDE ..................................................................... 118 3.1 CLASSIFICAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA ................................................................................... 121 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 124 RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 127 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 128 UNIDADE 3 – SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR ....................................................................... 131 TÓPICO 1 – SAÚDE PÚBLICA ............................................................................................................. 133 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 133 2 HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA .................................................................................................... 133 2.1 RELAÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA COM EDUCAÇÃO E ESCOLA ........................................ 135 3 PROGRAMAS DE ATENÇÃO À SAÚDE ....................................................................................... 136 3.1 PROGRAMA DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DA MULHER (PAISM) ...................... 137 3.2 PROGRAMA DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DA CRIANÇA (PAISC) ..................... 138 3.3 PROGRAMA DE ATENÇÃO À SAÚDE DO ADOLESCENTE (PROSAD) ............................ 138 3.4 PROGRAMA DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DO ADULTO (PAISA) ........................ 140 3.5 PROGRAMA DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DO IDOSO (PAISI) ............................. 140 3.6 PROGRAMA DE ATENÇÃO À SAÚDE DO TRABALHADOR .............................................. 141 4 PROGRAMA SAÚDE NA ESCOLA ................................................................................................. 142 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 144 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 145 TÓPICO 2 – IMUNOBIOLÓGICOS .................................................................................................... 147 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 147 2 CONCEITO ............................................................................................................................................ 147 3 HISTÓRICO ........................................................................................................................................... 149 4 VACINAS NO BRASIL ........................................................................................................................ 150 4.1 COMPOSIÇÃO DAS VACINAS .................................................................................................... 152 4.2 VIAS DE APLICAÇÃO ................................................................................................................... 153 4.3 ATUAÇÃO DAS VACINAS NO ORGANISMO E ATIVIDADE FÍSICA ................................ 156 4.4 VACINAÇÃO NAS ESCOLAS ...................................................................................................... 159 IX 4.5 CLASSIFICAÇÃO DAS VACINAS ............................................................................................... 160 5 PROGRAMA NACIONAL DE IMUNIZAÇÃO ............................................................................. 161 5.1 PRINCIPAIS VACINAS .................................................................................................................. 162 5.2 CALENDÁRIO DE VACINAÇÃO ................................................................................................ 164 RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 169 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................170 TÓPICO 3 – DROGAS E O AMBIENTE ESCOLAR ......................................................................... 171 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 171 2 CONCEITO DE DROGAS .................................................................................................................. 171 3 CLASSIFICAÇÃO DAS DROGAS ................................................................................................... 173 4 DROGAS E JUVENTUDE ................................................................................................................... 174 5 TIPOS DE DROGAS MAIS COMUNS ............................................................................................ 176 5.1 MACONHA ...................................................................................................................................... 176 5.2 HAXIXE ............................................................................................................................................. 177 5.3 LSD ..................................................................................................................................................... 178 5.4 HEROÍNA ......................................................................................................................................... 178 5.5 ANFETAMINAS............................................................................................................................... 179 5.6 COCAÍNA E OXI ............................................................................................................................. 181 5.7 ÁLCOOL ........................................................................................................................................... 183 5.8 TABACO ............................................................................................................................................ 184 5.9 CRACK ............................................................................................................................................... 187 6 A EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA COMO AGENTE DE PREVENÇÃO NO COMBATE ÀS DROGAS ......................................................................................................................................... 190 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 192 RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 194 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 195 REFERÊNCIAS ......................................................................................................................................... 197 X 1 UNIDADE 1 EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir desta unidade, você será capaz de: • analisar o processo histórico da educação brasileira; • compreender o processo de inserção e desenvolvimento da Educação Físi- ca na escola; • reconhecer a importância da Educação Física na promoção da qualidade de vida. Esta unidade está dividida em três tópicos. Ao final de cada um deles você encontrará atividades que o auxiliarão a fixar os conhecimentos estudados. TÓPICO 1 – EDUCAÇÃO FÍSICA E A ESCOLA TÓPICO 2 – PROMOÇÃO DA SAÚDE TÓPICO 3 – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 2 3 TÓPICO 1 UNIDADE 1 EDUCAÇÃO FÍSICA E A ESCOLA 1 INTRODUÇÃO Pode-se dizer que a tarefa maior da escola seria a de possibilitar o acesso universal ao saber. O exercício desta função, porém, apresenta variações temporais e contextuais. Costuma-se dizer que a escola foi a instituição que a humanidade criou para socializar o saber sistematizado. Na realidade, é preciso dizer que esta não é essencialmente a sua função, uma vez que, visto desta forma, pode-se dizer que a escola não contribuirá para a construção deste saber. Ao contrário, sabe-se que a escola é a fonte de todas as transformações tanto das pessoas, quanto da sociedade e do próprio saber. Não será a escola ventríloqua de outras instituições, mas a mentora de novos fazeres, posturas e compreensões acerca do mundo em que se vive, desenvolvendo o ser humano da forma mais plena possível. Para cumprir seu papel de contribuir para o pleno desenvolvimento do sujeito e da sociedade, estabelecem-se metas e diretrizes através de leis em cada contexto social (cidade, estado ou país). Assim, no Brasil as incumbências da educação são definidas pela LDB e Constituição Federal, pelo Plano Nacional de Educação, e nos estados e municípios pela sua Constituição ou Lei Orgânica e respectivos Planos de Educação. Na elaboração deste aparato documental e legal é preciso ousar para não excluir e promover o sucesso de todos. Esta não é uma preocupação gratuita, uma vez que, historicamente, se percebe que a educação esteve associada a determinada categoria. Assim, por exemplo, em Roma e na Grécia antigas havia a preocupação com a instrução àqueles que iriam ser a camada dirigente. Caro(a) acadêmico(a), neste tópico nossa intenção é conduzir você ao conhecimento de como se deu o desenvolvimento dos sistemas de ensino e a introdução da Educação Física na escola. UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 4 2 A FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA A organização do ensino começou pelas universidades, surgidas há cerca de um milênio. Porém, após a Revolução Industrial e com a Revolução Francesa e a Independência americana, a educação passou a ser considerada importante também para os trabalhadores. Estes fatos históricos intensificaram a busca pela democracia e a consolidação de preocupações ligadas a questões sociais, sindicais e de organizações diversas. Enquanto na Europa e parte da América Latina as mudanças e a expansão do ensino atendiam as camadas populares, no Brasil continuava elitista e preferencialmente masculina. Pode-se dizer que a universalização do ensino e sua atenção voltada a todos os cidadãos vem sendo percebida no final século XX e início do século XXI. A educação no Brasil começou oficialmente com os jesuítas, que foram trazidos ao país com o propósito de catequisar nativos. Porém, depois de algum tempo percebeu-se que os nativos utilizaram-se dos ensinamentos jesuítas para se organizar e articular, a exemplo do que ocorria com os trabalhadores europeus. Ao longo de cerca de três séculos a educação brasileira era direcionada quase que exclusivamente à elite, a qual enviava seus filhos à Europa. Para uma nação essencialmente agrícola, cuja mão de obra se baseava na escravidão, não havia necessidade de formar os trabalhadores. Com a Constituição do Império (1824) determinou-se que a educação primária seria gratuita a todos os cidadãos. Novas mudanças apenas seriam vistas na República, durante as décadas de 20 e 30 do século XX. Por isso, é correto afirmar que a verdadeira educação pública e gratuita é uma conquista da República do século XX. Assim, pode-se dizer que a escola em que trabalhamos não está solta no espaço, mas encontra-se articulada e acompanhando os movimentos da história da educação como um todo. O acesso ao conhecimento é crucial quando se reflete a função social da escola. Nas décadas de 20 e 30 do século XX, passou-se a dar maior importância à vida urbana (cidades). Vive-se um processo de urbanização marcado pela industrialização e imigração. Os imigrantes vindos de várias partes do mundo, especialmente da Europa, trouxeram consigo a necessidade de trabalhar para reestruturar suas vidas, pois haviam sido praticamente expulsos de suas nações. Em 1932 é divulgado o Manifesto dos Pioneiros (Anísio Teixeira,Fernando de Azevedo e Lourenço Filho), que defende a ideia de uma nova educação pública, gratuita e laica para todos os cidadãos brasileiros. Desta época é que se tem notado pessoas sensíveis que se identificam na aproximação entre a escola, a família e outros parceiros. TÓPICO 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A ESCOLA 5 2 A FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA Passa-se a compreender a escola como parte integrante e determinante da sociedade como um todo. Estas ideias da chamada Escola Nova são incorporadas à Constituição de 1934, que estabeleceu a gratuidade e obrigatoriedade do ensino primário. Nos anos 40 são organizados os sistemas estaduais de ensino primário. Em 1961 é promulgada a primeira LDB (Lei nº 4.024/61). O regime militar estabelece novas leis: • Lei nº 5.540/68, que desencadeou a Reforma Universitária, tornando a universidade um centro de excelência em formação técnica, distanciando-a da formação social, humana e política dos períodos anteriores. As universidades brasileiras construídas a partir da década de 1930 tinham como propósito a formação complexa e diversificada tal qual se via na Europa. Como o país encontrava-se sob a égide do regime ditatorial militar, foi preciso adaptar a universidade aos seus interesses desenvolvimentistas tecnicistas. Grandes líderes estudantis e acadêmicos foram sumariamente perseguidos, professores aposentados e expulsos do país; • Lei nº 5.692/71, que reformulou o ensino primário e secundário, ampliou a obrigatoriedade do ensino de quatro para oito anos e instituiu o 1º e 2º graus profissionalizantes. Este nível de ensino deveria se encarregar da formação da grande massa trabalhadora. Disciplinas humanas (Filosofia, Sociologia, Psicologia) foram substituídas por disciplinas técnicas (preparação para o trabalho) ou de incentivo à prática do civismo (Educação Moral e Cívica, Organização Social e Política do Brasil). Estabeleceu-se uma verdadeira hierarquia disciplinar, privilegiando disciplinas consideradas básicas (Língua Portuguesa, Matemática, Língua Estrangeira e Ciências) e complementares de caráter secundário (Artes, História, Geografia, Educação Física). Já nos anos 50 o crescimento do número de vagas era insuficiente e a qualidade do ensino apresentava problemas. As camadas baixas da população superlotam as salas de aula e o professorado não está preparado para esta nova realidade. A busca pela escolarização se dá pelo fato de que há uma migração da população rural para as grandes cidades. Pessoas vindas da agricultura precisam ser treinadas para abastecer o mercado de trabalho nas indústrias e organizações urbanas. O ganho histórico é que um maior número de pessoas passou a frequentar a escola, porém, no interior da escola passou-se a produzir a cultura do fracasso escolar, um problema de gestão há décadas. O sucesso era um mérito exclusivo do educando e um grande contingente de excluídos (que nunca tiveram acesso ou não puderam permanecer na escola) fez com que se estabelecesse uma verdadeira “seleção natural”. UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 6 Em 1996 tínhamos 29 milhões de pessoas entre sete e 14 anos na escola e 2,7 milhões fora dela. Paralelamente aos problemas de acesso, é preciso considerar o baixo rendimento de nossa escola, associado a problemas de repetência e evasão. Os governos municipais e estaduais vêm criando modelos, como as classes de aceleração e os ciclos, para amenizar o problema. A Constituição, no seu artigo 205, diz que a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família, e será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. O desafio básico de uma gestão escolar bem-sucedida é promover o pleno desenvolvimento de todos os educandos. A população, por sua vez, reivindica escola, que é um dos direitos garantidos no artigo 6º da Constituição, conforme se verifica: Art. 6o São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 26, de 2000). Encontram-se também na Constituição as principais determinações gerais sobre educação (cap. III, seção I, artigos 205 a 214). A LDB complementa a Constituição nos artigos de 1º a 5º orientando a organização da educação nacional e a educação escolar nos diferentes níveis. A Constituição, no artigo 205, apresenta a educação como sendo a responsável pelo pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para a cidadania e sua qualificação para o trabalho. Quando se fala em pleno desenvolvimento, se está falando não apenas do ensinar, mas também de formar um ser humano perfeito, completo e feliz. Este conceito é, pois, uma grande utopia, porém, não se pode deixar de considerá-lo, uma vez que cabe à educação eticamente comprometida com o ser humano aproximá-lo da perfeição, da completude e da felicidade. A nova LDB (Lei nº 9.394/96) estabelece incumbências para a União, estados e municípios e também para a escola e docentes. Uma das características da LDB é a sua flexibilidade, permitindo que em diferentes realidades seja possível articular uma educação de verdade, atenta às verdadeiras demandas humanas. Em seu artigo 23, a LDB prevê autonomia para melhor atender às necessidades locais, considerando aspectos históricos, sociais, políticos e humanos de cada contexto. Já o artigo 24 reza sobre a aceleração, aproveitamento dos estudos e recuperação, vistos como parte fundamental das preocupações de todo o educador, especialmente do gestor escolar. Art. 23. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não TÓPICO 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A ESCOLA 7 seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar. § 1º A escola poderá reclassificar os alunos, inclusive quando se tratar de transferências entre estabelecimentos situados no país e no exterior, tendo como base as normas curriculares gerais. § 2º O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais, inclusive climáticas e econômicas, a critério do respectivo sistema de ensino, sem com isso reduzir o número de horas letivas previsto nesta Lei. Art. 24. A educação básica, nos níveis Fundamental e Médio, será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: I - a carga horária mínima anual será de oitocentas horas, distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar, excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver; II - a classificação em qualquer série ou etapa, exceto a primeira do Ensino Fundamental, pode ser feita: a) por promoção, para alunos que cursaram, com aproveitamento, a série ou fase anterior, na própria escola; b) por transferência, para candidatos procedentes de outras escolas; c) independentemente de escolarização anterior, mediante avaliação feita pela escola, que defina o grau de desenvolvimento e experiência do candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada, conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino; III - nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por série, o regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial, desde que preservada a sequência do currículo, observadas as normas do respectivo sistema de ensino; IV - poderão organizar-se classes, ou turmas, com alunos de séries distintas, com níveis equivalentes de adiantamento na matéria, para o ensino de línguas estrangeiras, artes, ou outros componentes curriculares; V - a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os deeventuais provas finais; b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar; c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado; UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 8 d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito; e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos; VI - o controle de frequência fica a cargo da escola, conforme o disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino, exigida a frequência mínima de setenta e cinco por cento do total de horas letivas para aprovação; VII - cabe a cada instituição de ensino expedir históricos escolares, declarações de conclusão de série e diplomas ou certificados de conclusão de cursos, com as especificações cabíveis. Percebe-se, neste sentido, uma preocupação do legislador em estabelecer na lei elementos que possam garantir direitos e dar credibilidade legal a atos que efetivamente promovam condições favoráveis à permanência do educando na escola. Por outro lado, otimiza tempo e privilegia o aproveitamento de elementos que fazem progredir o educando de forma processual. A chamada sociedade do conhecimento é uma definição bastante complexa, que envolve o conceito de espaço e tempo do saber. O espaço entendido como contexto em que as relações humanas se estabelecem para a geração do saber e tempo no sentido de que tudo o que se sabe ou se produz em termos de conhecimento deriva de uma série de passos históricos através dos quais é possível compreender que nada é fruto do acaso. No artigo 22 a LDB estabelece como função da educação básica utilizar o conhecimento sistematizado como meio para atingir a finalidade de desenvolver o educando de maneira plena. No referido artigo temos a seguinte determinação: Art. 22. A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. Avaliá-la diante desta premissa é verificar o cumprimento desta função, e quando se verifica o contrário é preciso exigir que isto se torne possível. O ideal de colocar todos na escola está previsto em lei há muito tempo, mas nunca foi atingido totalmente. Apesar de termos a grande maioria dos jovens na escola, muitos são reprovados por ela ou a abandonam. Assim, é preciso compreender que estar na escola não significa necessariamente sentir-se nela, acolhido por ela. Eis que se apresenta um grande desafio ao gestor escolar: promover na escola um acolhimento solidário a todos e a todas que a procuram. TÓPICO 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A ESCOLA 9 Como já foi mencionado, até meados do século XVIII o trabalho era essencialmente agrícola, o que caracterizou a primeira fase do processo histórico de construção da escola que temos. A segunda fase tem início com a Revolução Industrial, marcada pelo surgimento da máquina a vapor. O trabalho industrial se liberta do ciclo da natureza e se adapta à linearidade do relógio. A produção em série aumenta o volume da produção e inicia um processo de especialização por subáreas. O capital assentado no lucro e na mais-valia torna-se o fator principal de produção. O terceiro momento relativo ao modo de produção da humanidade se dá a partir da segunda metade do século XX, tendo por base a tecnologia e os meios de comunicação. As informações se acumulam, se modificam, se reciclam, exigindo uma formação contínua e permanente nos conhecimentos específicos e gerais. Por isso, pensar a função social da escola exige que se reflita sobre sua relação com esses equipamentos e meios de comunicação. A sociedade cobrará do jovem formado não apenas o diploma, mas também a excelência do seu conhecimento. Esta excelência não é medida pela capacidade de acumular tais saberes, mas pela habilidade de encontrar ou onde procurar informações de credibilidade. Neste sentido, a ciência vem exigindo da escola novos campos e domínios do saber, como a informática e a divulgação rápida do conhecimento continuamente elaborado. O próprio Papa João Paulo II afirmava que a preocupação (em termos de produção) deve se centrar no homem e no seu conhecimento. Esta visão exige, por sua vez, uma nova forma de gestão da escola e do conhecimento, fazendo-a mais democrática, mais sensível, mais solidária e mais ética. O conhecimento passa a assumir um papel fundamental na vida das pessoas, sendo valorizado mais do que os bens materiais. Se antes nações e organizações desejavam possuir terras, dominar pessoas para fazê-las escravas, atualmente o que há de importante é a possibilidade de partilhar saberes para (re)construí-los. Como nem todos têm o mesmo acesso ao conhecimento, pode-se afirmar que a globalização marginaliza povos e países que têm sido excluídos das redes de informação, uma vez que, segundo a ONU, menos de 15% da população mundial estão inseridos no mundo digital. Para romper este limite que impõe desigualdade é preciso rever o jeito de fazer escola. Considerando esta afirmativa, é possível dizer que o uso das mídias no processo educativo é um fator de exclusão e privilégio. Como se pode supor, em função de custos, o uso das tecnologias na educação será mais promissor entre pessoas das classes média e alta. O gestor da educação necessita considerar este aspecto assumindo uma postura comprometida em favor de acesso ao saber por parte de todos os seres humanos encontrados na escola. É uma questão ética e não de mera distribuição de materiais, porém, é pela ética que políticas públicas podem e devem atingir a todos com mais intensidade e constância. UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 10 As novas contribuições da escola fizeram surgir os quatro pilares da educação: 1. Aprender a conhecer: não apenas adquirir saberes, mas dominar os instrumentos do conhecimento. A gestão do conhecimento, neste sentido, exige que se ofereça ao educando a oportunidade de identificar os caminhos para se chegar ao saber, uma vez que tais caminhos são muitos, diversos e com características muito peculiares. 2. Aprender a fazer: não apenas a qualificação profissional, mas preparar a pessoa a enfrentar situações variadas preconizando a prática de trabalhos em equipe. Uma excelente forma de desenvolver esta prática é a estratégia dos projetos, através dos quais se estabelece uma relação de cumplicidade e comprometimento entre indivíduos, sujeitos de sua própria aprendizagem. 3. Aprender a conviver: tanto a descoberta do outro como a participação em projetos coletivos é importante, conforme afirmamos. Porém, além do fato “acidental” de estar junto, é preciso conviver. Neste sentido, compreende-se a necessidade de as pessoas estabelecerem vínculos, afetivos, éticos e solidários em favor de uma formação complexa, dinâmica e respeitosa. O convívio exige tolerância, convergência e um profundo respeito à diversidade. 4. Aprender a ser: é construir para o desenvolvimento total da pessoa. O ser (verbo) é uma condição essencial para que cada sujeito exerça sua função e possa apresentar-se como autor e ator de sua própria existência. Pode-se dizer que é a essência da cidadania e do compromisso que a sociedade tem e deve estabelecer com cada sujeito. Passa a assumir a condição de indivíduo, de ente e partícipe do que chamamos de sociedade. A educação, assim concebida, indica uma função da escola voltada para a realização plena do ser humano, alcançada pela convivência e pela ação concreta, qualificadas pelo conhecimento. Esta qualificação, entretanto, não é apenas aferida por processos avaliativos tradicionais e convencionais, mas através de estimativas em torno de resultados práticos de intervenção social que cada processo educativoalcança. A qualidade é, pois, um instrumento de análise de processos educativos através dos quais será possível perceber a necessidade de mudar e transformar estratégias pedagógicas de gestão. A qualidade é, pois, um indicador das providências a serem adotadas por gestores (educadores, administradores, educandos e famílias) no sentido de introduzir novas estratégias de ação pedagógica. Qualificação profissional, cidadã e humana são partes de um conceito complexo e de difícil mensuração, porém, devem ser considerados para que a educação e o processo de sua construção sejam arquitetados considerando sua relevância social. TÓPICO 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A ESCOLA 11 Outro aspecto a ser considerado é o cuidado com os conceitos e conteúdos escolares. Apesar de não se desejar centralizar a educação em torno de conceitos e conteúdos, estes jamais poderão ser esquecidos, pois será através deles que cada cidadão poderá dar sua contribuição à sociedade. Assim, pode-se dizer que eles que vão ser sustentados pelos pilares descritos. Conceitos e conteúdos deverão ser articulados para que cada sujeito- cidadão possa, por sua vez, oferecer condições em favor dos pilares fundamentais à educação. Em seu artigo 9º a LDB norteia os currículos e conteúdos mínimos a serem propostos em todas as escolas, conforme veremos no quadro abaixo: Art. 9º A União incumbir-se-á de: I - elaborar o Plano Nacional de Educação, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais do sistema federal de ensino e o dos Territórios; III - prestar assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de ensino e o atendimento prioritário à escolaridade obrigatória, exercendo sua função redistributiva e supletiva; IV - estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, competências e diretrizes para a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica comum; V - coletar, analisar e disseminar informações sobre a educação; VI - assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no Ensino Fundamental, Médio e Superior, em colaboração com os sistemas de ensino, objetivando a definição de prioridades e a melhoria da qualidade do ensino; VII - baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação; VIII - assegurar processo nacional de avaliação das instituições de educação superior, com a cooperação dos sistemas que tiverem responsabilidade sobre este nível de ensino; IX - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar, respectivamente, os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 12 § 1º Na estrutura educacional haverá um Conselho Nacional de Educação, com funções normativas e de supervisão e atividade permanente, criado por lei. § 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX, a União terá acesso a todos os dados e informações necessários de todos os estabelecimentos e órgãos educacionais. § 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser delegadas aos Estados e ao Distrito Federal, desde que mantenham instituições de educação superior. Uma das virtudes desta lei, conforme já mencionamos, é sua flexibilidade, pois atribui obrigações, mas permite que cada ente as cumpra conforme sua possibilidade. Esta flexibilidade provém do conceito de autonomia, através do qual será possível que cada organização escolar seja responsável por avaliar permanentemente seu papel junto à sociedade. Trata-se da necessidade de se considerar aspectos do contexto temporal, local e histórico na organização do processo educativo. A democracia pressupõe a possibilidade de uma vida melhor para todos, independentemente da condição social, econômica, raça, religião e sexo. É uma forma de fazer com que os diferentes tenham oportunidades iguais para exercer sua diferença, sem que um se beneficie em detrimento do prejuízo de outro. A democracia se estabelece através da eleição de representantes que exercerão, em nome da coletividade, um poder que é transitório, que em verdade pertence aos representados. Apesar dos diferentes sinais de deturpação do processo democrático, este ainda é o meio mais eficiente de estabelecer a quem deve ser atribuído o dever de representar e exercer o poder. A escola democrática é tomada por conceitos como cidadania e solidariedade, onde a criança deixa de pertencer apenas à família e torna-se membro de um corpo ainda maior. Visto desta forma, o processo educativo e a própria escola é onde o nós aflora e deve ser cultivado. É nela que nos construímos individual e coletivamente como cidadãos deste mundo. Mas não é por isso que deve ser concebida como espaço de formatação de pessoas em favor de uma postura social estabelecida ou como mera geradora de transformações sociais, sem um comprometimento em relação ao que se espera de um cidadão formado numa perspectiva complexa e ética. Esta complexidade da escola pode ser identificada quando se percebe que é nela que atuam os mais variados grupos e vontades: administradores, professores, especialistas, corpo técnico e alunos. TÓPICO 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A ESCOLA 13 Todos estes entes são gestores, pois, em algum momento devem ter garantidos os direitos de intervenção em relação ao processo pedagógico. São sujeitos que, no exercício da democracia, estabelecem suas necessidades e consolidam seus compromissos pessoais e coletivos. Lembremos também que as famílias fazem parte desta comunidade e necessitam ter um espaço de decisão e especialmente de ação. Em momento algum a escola poderá ser considerada substituta da família. Não se podem estatizar as obrigações e compromissos que cabem à família, que é vista na Constituição, em seu art. 205, como corresponsável pela educação. Vejamos: Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Esta parceria estabelece, portanto, que há funções próprias para cada ente sem que, no entanto, haja sobreposição de atribuições. Cada qual deverá fazer cumprir a função do outro e estabelecer estratégias para que, juntos, todos os entes produzam um processo educativo de qualidade. Outro aspecto a ser considerado na discussão da gestão pedagógica, social e humana da educação é o fato de que a troca sistemática de conhecimentos e a construção de novos conceitos não ocorre exclusivamente em sala de aula. A própria escola, como espaço de celebração da convivência, é um ambiente que favorece este processo, uma vez que, na atual conjuntura, é nela que os diferentes se encontram, se articulam e se aceitam. Costuma-se por isso dizer que a escola é um importante espaço de convivência humana, de socialização, descoberta e de encontro. Esta riqueza de virtudes deste espaço requer uma ampla e articulada ação pedagógica para transformá-la em ações efetivas em favor de uma educação promotora de seres humanos comprometidos com o seu entorno (sociedade, natureza, planeta). Por muito tempo a escola se distanciou deste entorno, sendo este afastamento compreendido como sua meta. Entendia-se que era necessário estabelecer um distanciamento entre o ser humano e todos os entes dos quais se originara. A noção de que cabe ao ser humano construir uma nova realidade, distante de seus princípios biológicos, sociais e políticos, construiu dicotomias brutais e desumanizadoras. Como se percebe, praticamente toda a comunidade tem sua escola, a qual não está solta no espaço. Assim como cada escola possui sua própria demanda,seus interesses e obrigações, cada sujeito nela contido apresenta as suas. Não UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 14 há como considerar o ser humano um mero elemento figurativo num contexto padronizado e preestabelecido. Esta ruptura de paradigmas consolida-se pela emergente necessidade de se consolidar o ser humano como responsável por sua existência nas mais variadas dimensões. Assim, cada escola se constitui numa parte importante de um universo social específico, através do qual diferentes seres humanos celebram sua individualidade e sua virtuosa relação coletiva. Mas tê-la não é o mais importante, é preciso primar pela qualidade do trabalho realizado. Esta qualidade implica a capacidade que a escola tem de intervir na comunidade em que se situa. Não é uma questão meramente geográfica, mas tem suas razões históricas, filosóficas e humanas de ser. Educar é também um ato político, cultural, ético e crítico. O sujeito partícipe do processo educativo é também um sujeito capaz de tomar decisões, analisar, duvidar e se lançar ao desafio do novo e do diferente. Para cumprir sua função social a escola necessita, portanto, estar em ligação com o seu entorno. Não se pode dizer que um seja apêndice do outro, mas, ao contrário, são instituições que haverão de se unir para atingir propósitos comuns e complementares. Esta relação se fortalece à medida que se nota que a comunidade permanece naquele local, ligada àquela instituição por gerações, por isso é dela a escola. Cada geração, evidentemente, demanda propósitos diferentes, únicos e exclusivos. Por isso, caberá ao gestor acompanhar esta mudança e estabelecer tais propósitos coletivos, fazendo com que a escola e o entorno se relacionem de forma comprometida e parceira. Na vivência da realidade escolar é possível compreender uma série de obstáculos na relação entre a escola e seu entorno. Destacamos os seguintes: 1. Há um distanciamento entre a escola e a comunidade por causa de expectativas não atendidas de ambas as partes. A escola costuma lamentar a falta de compromisso da comunidade em relação à educação elementar das crianças e adolescentes e a sociedade denuncia constantemente a incapacidade da escola de atender às demandas de mercado na formação de trabalhadores, por exemplo. 2. A escola é um verdadeiro mistério para os pais. Por muito tempo a família via na escola uma instituição autossuficiente, capaz de formar o sujeito no todo. A exemplo dos antigos pedagogos, os professores eram vistos como os únicos capazes de orientar e estabelecer caminhos para os filhos da sociedade. A TÓPICO 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A ESCOLA 15 escola, por sua vez, percebia a família como mera geradora de pessoas, as quais deveriam ser construídas num espaço social adequado pelo qual ela responde. 3. A escola não tem se preocupado em envolver a família, até por não acreditar que esta teria o que dizer a ela. O que se percebe é que o portão da escola estabelece a divisão em dois mundos. A família e a escola são dois universos diferentes, entre os quais não seria possível estabelecer qualquer relação. Não se trata de imaginar uma mescla institucional, mas de estabelecer um diálogo permanente no sentido de promover uma construção dialética de propostas e ações transformadoras de seres humanos. 4. Os alunos sabem da importância, mas a escola não valoriza a socialização fomentada em seu interior. Os espaços de socialização não são explorados para este fim, mas, ao contrário, são vistos como de pouca aprendizagem e até de conflitos. O pouco aproveitamento destes espaços gera conflitos, indisciplina e dificuldade na compreensão do papel socializador da escola. Não é difícil imaginar um ambiente em que as famílias e a escola se ignoram e, como resultado, ambas perdem por isso. Como já mencionamos, não se trata de sobrepor funções e atribuições, mas de fomentar uma relação de complementações e compromisso, através da qual o sujeito se perceba capaz de dialogar com os diferentes. Não há como a escola tentar apresentar a necessidade dos diferentes se relacionarem, se ela não tolera ou aceita a existência destes. Eis mais um grande desafio ao gestor: mediar o diálogo entre escola e sociedade. Mais do que mediar, participar como instrumento de ação e consolidação de práticas dialéticas através das quais seja possível estabelecer, entre escola e sociedade, uma relação de comprometimento, humildade e solidariedade. Costuma-se dizer que esta relação se fortalece ou não por fatores culturais, através dos quais seja possível compreender os reais interesses de cada grupo social. Porém, deve-se tomar certos cuidados no uso do termo cultural, pois certos hábitos se caracterizam mais por vícios do que por elementos culturais. Entende-se por cultura todo o modo de vida de uma sociedade, e se refere à forma como as pessoas e os grupos sociais produzem sua própria existência a partir das influências que recebem. Assim, é possível dizer que a cultura interfere, sim, no processo de consolidação de ações sociais coerentes, integradas e articuladas à realidade de cada sujeito. As supostas verdades presentes no discurso de setores que se consideram superiores da sociedade ou praticados em determinados lugares têm que passar pelo julgamento e pelo “sim” dos indivíduos e dos grupos, no cotidiano de suas vidas. Assim, um projeto pedagógico articulado em favor de questões culturais precisa ter à frente gestores condicionados a compreender, a analisar com certa propriedade as características básicas dos elementos culturais da sociedade em que a escola se situa. UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 16 Como cultura é essencialmente criação, caberá à escola fomentar, através dela, ações que possam estimular e articular no interior da escola, através de projetos efetivos de ação humanizadora e cultural. Há situações em que o poder criativo encontrado nas escolas é menosprezado pelas pessoas, quando a escola é vista como fonte de repasse de saberes historicamente sistematizados e o educador visto como um mero mediador. Assim, o gestor deve contribuir para que surjam espaços e formas para que educadores, educandos e famílias discutam estas questões e tomem posse de suas ações. A cultura escolar conta também com a constância de valores, posturas, costumes, saberes e crenças que desenham a cultura da comunidade e da escola. A escola deve representar a identidade do coletivo não do(a) diretor(a) da escola ou de uma determinada corrente teórica ou cultural. É preciso fomentar a partilha, para se criar uma cultura positiva na escola. 3 A EDUCAÇÃO FÍSICA NO CONTEXTO ESCOLAR A Educação Física atual pode ser dividida em quatro vertentes: RENDIMENTO - ESCOLAR - FITNESS - PROMOÇÃO DA SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA. Geralmente, supõe-se que o esporte, por si só, proporcionará os benefícios educacionais esperados no desenvolvimento de habilidades motoras, aptidão física, desenvolvimento social e pessoal, e um estilo de vida ativo, nas aulas de Educação Física. O problema é que, na maioria das vezes, o esporte (o meio) passa a ser considerado como um fim em si próprio, ou seja, não é utilizado com uma perspectiva desenvolvimentista, havendo, apenas, o jogar pelo jogar, resultando no desinteresse e exclusão dos alunos menos aptos, pouco habilidosos ou menos dotados geneticamente, que são, exatamente, aqueles que mais deveriam se beneficiar das aulas. No entendimento da maioria das pessoas, a prática esportiva com fim em si mesma pode se dar fora do ambiente escolar e, portanto, não representa uma atividade educacional exclusiva e necessária a ponto de justificar a existência de uma disciplina escolar específica. Deve-se ter em mente que esportes e jogos são componentes fundamentais dos currículos de Educação Física, mas não podem ser entendidos como substituições para um programa como um todo.A Educação Física escolar é responsável por uma variedade de objetivos, mas dispõe de condições estruturais e tempo muito abaixo do ideal para atingi- los. Portanto, é preciso estabelecer prioridades para cada faixa etária ou série, de acordo com as características e necessidades de cada grupo. Sem diminuir a relevância dos demais objetivos, os currículos devem enfatizar os objetivos centrais da Educação Física: o desenvolvimento de habilidades motoras e a TÓPICO 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A ESCOLA 17 3 A EDUCAÇÃO FÍSICA NO CONTEXTO ESCOLAR promoção de atividades físicas relacionadas à saúde. Para atingir esses e outros objetivos da Educação Física, os alunos precisam ser fisicamente ativos, na escola e fora dela (NAHAS, 2006, p.152). O Conselho Federal de Educação Física (CONFEF) nos traz o documento: RECOMENDAÇÕES PARA A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR. Deste texto podemos destacar o seguinte: EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR É o componente curricular obrigatório em todos os níveis da Educação Básica, caracterizado pelo ensino de conceitos, princípios, valores, atitudes e conhecimentos sobre o movimento humano na sua complexidade, nas dimensões biodinâmica, comportamental e sociocultural. Essas dimensões constituem a base para uma nova compreensão sobre a abrangência e interfaces que fundamentam a Educação Física na escola, seja na perspectiva do movimento, inclusão, diversidade, cidadania, educação, lazer, esporte, saúde e qualidade de vida. Essa compreensão se alia à Declaração do Conselho Internacional para a Ciência do Esporte e a Educação Física (ICSSPE, 2010), reafirmada na V Conferência Internacional de Ministros e Altos Funcionários Responsáveis pela Educação Física e o Esporte (MINEPS V, 2013), que define a Educação Física como uma disciplina dos currículos escolares que se refere ao movimento humano, à aptidão física e à saúde. Concentra-se no desenvolvimento da competência física, de modo que todas as crianças possam movimentar-se de forma eficiente, eficaz e segura, bem como entender o que fazem. Que a Educação Física é essencial para o pleno desenvolvimento e realização, e para a participação na atividade física por toda a vida. A importância da Educação Física no contexto escolar deve-se ao fato de a escola ser a maior agência educativa, depois da família, com capacidade para influenciar os alunos na aquisição de hábitos e atitudes que contribuem para um harmonioso desenvolvimento pessoal e social. Nesse sentido, está comprometida com a solidariedade, a cooperação, a tolerância, a inclusão e o respeito pelo outro. Estes aspectos são essenciais à formação dos alunos e devem ser repassados por meio de uma Educação Física bem orientada, alicerçada no conhecimento científico, na qualidade técnica, na ética, no compromisso social dos docentes e no envolvimento com a comunidade escolar. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais, documento norteador da proposta de reorientação curricular da educação escolar no país, ao referir-se à Educação Física, evidencia-a como uma área de conhecimento que introduz e UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 18 integra o aluno na cultura sobre o movimento humano, tendo em vista a formação do cidadão que vai produzi-la, reproduzi-la e transformá-la, instrumentalizando-o para usufruir dos jogos, dos esportes, das danças, das lutas e das ginásticas em benefício do exercício crítico da cidadania e da melhoria da qualidade de vida. Nesse contexto, é importante reafirmar o caráter formativo da Educação Física, assegurando as condições objetivas para o acesso a este campo do saber aos alunos atendidos na Educação Básica, independente de condições físicas, gênero e condição social. Desse modo, a Educação Física se apresenta como um componente curricular singular, sendo a única que promove diretamente as várias linguagens do movimento humano e promove a saúde por meio do ensino de estilo de vida ativo e saudável, além de desenvolver os aspectos motores, cognitivos, afetivos e sociais. As referências sociais e culturais da Educação Física já estão presentes nos hábitos, valores, práticas, no lazer e nas tradições das sociedades modernas, constituindo-se numa representação social das atividades físicas e esportivas. Portanto, deve compor, desde cedo, o currículo escolar, de modo a refletir a cultura social em que está inserida. OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR A Educação Física, enquanto componente curricular, contribui para a formação dos alunos por meio da apreensão dos conhecimentos específicos que favorecem a aquisição de competências motoras, a ampliação do repertório de movimentos e o hábito da prática regular de atividades físicas, integrados a conhecimentos gerais contextualizados às temáticas sobre atualidades sociais, políticas, econômicas, tecnológicas e ambientais. Nessa perspectiva, a proposta para a Educação Física escolar considera os seguintes objetivos: • Proporcionar a aquisição de conhecimentos específicos relacionados ao movimento corporal; • Proporcionar o desenvolvimento de competências e habilidades motoras que proverão o indivíduo de capacidade e autonomia que lhe permita escolher ou organizar a própria atividade física; • Estimular hábitos favoráveis à adoção de um estilo de vida ativo e saudável; • Promover a formação de uma cultura esportiva e de lazer; • Estimular a participação efetiva da comunidade escolar, em especial a família; • Discutir questões relacionadas à sustentabilidade ambiental; • Relacionar conhecimentos sobre aspectos socioculturais, políticos e econômicos; • Promover a harmonia interdisciplinar com outras áreas do conhecimento; • Estimular a autonomia e o protagonismo social; TÓPICO 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A ESCOLA 19 • Conhecer e aplicar as novas tecnologias à Educação Física; • Promover a cultura da paz e respeito às diversidades; • Refletir sobre os valores e princípios éticos e morais. As estratégias utilizadas para alcançar esses objetivos devem reforçar a busca permanente ao pleno conhecimento por meio da qualificação e aperfeiçoamento profissional, bem como, da participação efetiva da família, do despertar de uma nova cultura política de participação democrática, de respeito e preservação ambiental, de acesso aos bens culturais, científicos e tecnológicos produzidos pela humanidade. Para concretizar seus objetivos, a Educação Física escolar se utiliza de uma característica que a diferencia dos demais componentes curriculares, que, em sua especificidade, assume caráter vivencial. Os conteúdos são abordados por meio de práticas corporais com atividades sistemáticas constantes no desenvolvimento de um programa de conteúdos. Estes devem ser organizados em conformidade com as fases, séries, anos ou ciclos de ensino, com base nas necessidades motoras, desenvolvidas e aplicadas em progressão e grau de complexidade. A PRÁTICA DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR Ao longo dos anos, a Educação Física passou de mero instrumento de preparação do corpo humano para um processo de formação psicomotora e sociocultural, sendo responsável não só pela formação do indivíduo, mas também como facilitadora de uma necessária integração social. A história sobre o desenvolvimento da Educação Física envolve uma longa trajetória de discussões, contradições e ressignificações sobre sua natureza e propriedade. Particularmente, em relação à sua vinculação com a atividade escolar, revelam-se aspectos relacionados à apropriação do corpo e aplicabilidade de suas práticas, bem como suas múltiplas representações enquanto componente curricular. De certa maneira, essa ampliação dimensional sobre suas aplicabilidades vem consolidando o caráter formativo com que a Educação Física tem se apresentado em sua função no ambiente escolar. As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), Resolução Nº 4 CNE/CEB, de 13 de julho de 2010, definem para a Educação Básica uma proposta de: Educaçãosequencial e articulada das etapas e modalidades da Educação Básica, baseando-se no direito de toda pessoa ao seu pleno desenvolvimento, à preparação para o exercício da cidadania e à qualificação para o trabalho, na vivência e convivência em ambiente educativo, e tendo como fundamento a responsabilidade que o Estado brasileiro, a família e a sociedade têm de garantir UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 20 a democratização do acesso, a inclusão, a permanência e a conclusão com sucesso das crianças, dos jovens e adultos na instituição educacional, a aprendizagem para continuidade dos estudos e a extensão da obrigatoriedade e da gratuidade da Educação Básica. (DCN, 2010). No artigo 14 desta mesma resolução, as atividades físicas e corporais constituem a base de conhecimentos, corroborando a Educação Física como componente curricular obrigatório da base nacional comum a toda a Educação Básica, que compreende a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. Tal intencionalidade está pautada no desenvolvimento das habilidades indispensáveis ao exercício da cidadania, em ritmo compatível com as etapas do desenvolvimento integral do cidadão. Nas DCN, a Educação Básica está pautada em três dimensões: a orgânica, que observa as especificidades de cada sistema educativo; a sequencial, que compreende as aprendizagens em cada etapa do processo formativo; e a articulação entre a dimensão orgânica e sequencial, que coordena e integra o conjunto da Educação Básica. Diante do exposto, a Educação Física escolar deverá acompanhar esta tendência que norteia a construção do projeto político-pedagógico de cada unidade escolar, observando a realidade de cada aluno. Neste sentido, o artigo 20 desta resolução estabelece: O respeito aos educandos e a seus tempos mentais, socioemocionais, culturais e identitários é um princípio orientador de toda a ação educativa, sendo responsabilidade dos sistemas a criação de condições para que crianças, adolescentes, jovens e adultos, com sua diversidade, tenham a oportunidade de receber a formação que corresponda à idade própria de percurso escolar. (DCN, 2010). Desse modo, hoje a prática da Educação Física escolar deve observar a aplicação dos conteúdos obrigatoriamente em progressão, de modo que os alunos percebam o aumento do grau de complexidade das atividades e apresentem níveis satisfatórios de aprendizagem. Sobretudo, por sua natureza motora, interativa e estimuladora da criatividade, a atividade corporal é fator importante que proporciona: - Estímulo ao raciocínio, quando os alunos participam de experiências dinâmicas que envolvem a tomada de decisão, estratégia, organização do pensamento e atitudes com objetivos definidos; - Vivência de conflitos, pelo fato de divergências de ideias e comportamentos serem constantes e de forma salutar vividas com a intermediação do professor que utiliza esses momentos a fim de educar para a convivência; TÓPICO 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A ESCOLA 21 - Experiências práticas do cotidiano, ao possibilitar que aluno e professor façam as devidas conexões com o que se ensina e aprende na escola e a aplicação para a vida, criando atmosfera real à aprendizagem significativa; - Concentração e participação, fato constatado quando o interesse pela atividade se evidencia na motivação da turma, causando pouca dispersão e sentimento de autoeficácia no aluno com reflexos no bom andamento e participação efetiva nas aulas; - Prazer no aprendizado, vivenciado em ambiente lúdico que alimenta as aulas de Educação Física, proporcionando o aprendizado de forma prazerosa, contemplando orientações pedagógicas eficientes para o ensino, não podendo ser confundida com passatempo ou brincadeira; - Incorporação de hábitos saudáveis, quando promove mudanças de atitude em sintonia com os efeitos fisiológicos do exercício e sua relação com suas próprias condições físicas, despertando a consciência de que um estilo de vida ativo e saudável é fundamental para níveis aceitáveis de saúde e bem-estar. Nesse contexto, os professores devem atuar com base em princípios pedagógicos e de equidade, possibilitando a aquisição das competências e habilidades necessárias à participação em atividades físicas e esportivas dentro e fora do ambiente escolar, incorporando essas experiências ao seu estilo de vida. A ênfase de valores a serem praticados socialmente no processo de ensino-aprendizagem é uma ação fundamental para a formação e exercício da cidadania. É a partir do acesso à educação formal que o aluno inicia o processo de inter-relação dos princípios e valores vivenciados no ambiente familiar com os difundidos pelo professor na escola. Essas experiências são bases fundamentais para o exercício da cidadania e integração social, pois fomentam processos de aprendizagens estruturantes na formação individual e coletiva para o convívio em sociedade. Assim, o aluno constrói, durante a sua formação, conceitos, atitudes e valores em seu processo de desenvolvimento como sujeito. O Conselho Federal de Educação Física – CONFEF reconhece que as possibilidades e potencialidades formativas da Educação Física se efetivam na relação do aluno com o professor, com seus pares, com o conteúdo aprendido, com a família e com o ambiente no contexto de vivência com o real. FONTE: RECOMENDAÇÕES PARA A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR - CONFEF, 2014. Disponível em: <http://www.confef.org.br/>. Acesso em: 20 set. 2015. Assim, é importante a construção de um currículo que atenda às necessidades dos educandos, tanto as atuais como as futuras. Se um dos objetivos é fazer com que os alunos venham a incluir hábitos de atividades físicas como UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 22 parte integrante de seu estilo de vida, é fundamental que compreendam os conceitos básicos relacionados com a saúde e aptidão física, que sintam prazer na prática de exercícios e que desenvolvam habilidades motoras. Esta é uma função educacional relevante e de responsabilidade preponderante da Educação Física Escolar (NAHAS, 2006). Alonso (2000) apud Pereira (2011) completa que a função e o papel social da Educação Física escolar é o de proporcionar a autonomia do livre exercício crítico, por uma prática corporal que advogue um movimento em que se apresente a intencionalidade. É necessário ter um ato de ensinar, em que se planeje e execute o processo ensino-aprendizagem, a partir das questões socioculturais do ambiente em que se dá a aprendizagem, por meio de um constante diálogo entre educador e educando, para um melhor entendimento de sua prática corporal, envolvendo a compreensão dos aspectos cognitivos, motores, afetivo-sociais de forma prazerosa e consciente. Não podemos ignorar como um dos princípios da Educação Física escolar o que Morin (2002) considera como a compreensão da tarefa da educação do futuro, sendo esta, ao mesmo tempo, meio e fim da comunicação humana. “O planeta necessita, em todos os sentidos, de compreensões mútuas. Dada a importância da educação para a compreensão, em todos os níveis educativos e em todas as idades, o desenvolvimento da compreensão necessita da reforma planetária das mentalidades”. (MORIN, 2002, p. 104). Que nossos atores sociais (alunos e professores) tenham um conhecimento não fragmentado, mas a capacidade para compreender a realidade do mundo que oferece, de forma equivocada, inúmeras possibilidades de manifestações das relações humanas. 4 A ATUAÇÃO DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA O professor de Educação Física só tornará sua prática pedagógica realmente significativa para o aluno quando tiver a consciência da sua efetiva função na escola e sua real importância no sistema educacional e no processo de ensino e aprendizagem, e, também, quando reconhece, no seu conhecimento, fatores transformadores do contexto educacional. Para tanto deve: • Serum pesquisador para qualificar e legitimar seu trabalho; • Coletar dados por meio de testagem, que comprovem a eficácia do processo ensino/aprendizagem, bem como a capacidade física dos alunos e seus níveis de desenvolvimento; TÓPICO 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A ESCOLA 23 4 A ATUAÇÃO DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA • Refletir permanentemente sobre os Processos de Ensino nas fases pré- interativa (planejamento das aulas em conformidade com o programa de conteúdos), interativa (durante as aulas no estabelecimento de relações com os alunos) e pós-interativa (avaliação da aula e da aprendizagem dos alunos); • Selecionar e organizar previamente recursos materiais a serem utilizados nas aulas; • Utilizar metodologia que favoreça o aproveitamento do tempo de aula em atividades dinâmicas, mantendo a participação ativa dos alunos em ritmo constante com intensidade, de moderada a vigorosa; • Relatar as práticas pedagógicas por meio de registros de acompanhamento (procedimentos, ocorrências relevantes e resultados); • Avaliar os alunos considerando os aspectos cognitivo, afetivo, biológico e motor; • Apresentar os resultados das avaliações em ficha própria, para que os alunos e responsáveis tenham um feedback de suas necessidades no que se refere ao aprendizado, conduta social, aptidão física e saúde; • Definir em seu plano de aula temáticas relacionadas à promoção de estilo de vida ativo e saudável; • Proporcionar experiências práticas acompanhadas de significado com base teórica, que estimule a participação dos alunos com segurança e autonomia; • Considerar aspectos da diversidade humana, respeitando as características individuais dos alunos; • Interatuar com outras áreas do conhecimento humano, desenvolvendo atitudes interdisciplinares; • Tornar a Educação Física escolar significativa à formação dos alunos, defendendo sua permanência no currículo. FONTE: RECOMENDAÇÕES PARA A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR - CONFEF, 2014. Disponível em: < http://www.confef.org.br/> Acesso em: 20 set. 2015. Mas, de acordo com Libâneo (1994), não são suficientes o amor e a aceitação, para que os alunos adquiram o desejo de estudar mais e progredir. A função do professor é a de intervir para levar o aluno a acreditar nas suas possibilidades para ir mais longe, a prolongar a experiência vivida. Machado (1995) salienta que o professor, no exercício da profissão, poderá deixar marcas significativas nos alunos em formação, sendo responsável por descobertas e experiências, boas ou não. Deve ter conhecimentos suficientes UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 24 para trabalhar seus aspectos físicos e motores e, também, os componentes socioculturais e psicológicos. Isso significa que, além da capacidade de ensinar conhecimentos específicos, é também papel do professor transmitir, de forma consciente ou não, valores, normas, maneiras de pensar e padrões de comportamento para se viver em sociedade. Fica claro que não se pode transmitir todos esses aspectos descartando o aspecto afetivo – a interação professor-aluno (CUNHA, 1996 apud GALVÃO, 2002, p. 67). Podemos, ainda, refletir sobre a prática pedagógica sob o olhar da Dimensão dos Conteúdos, contida nos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998). Nessa perspectiva, temos três dimensões dos conteúdos escolares: Conceitual, Procedimental e Atitudinal. A Dimensão Conceitual - o que saber? - regras, histórico, fundamentos, técnicas e, ainda, reflexões a respeito da ética, estética, desempenho, satisfação, eficiência. A Dimensão Procedimental - o que saber fazer? - conteúdos trabalhados em aula e sua organização. A Dimensão Atitudinal - Como fazer? - comportamento em relação às normas, valores e atitudes durante as aulas. Parece difícil encontrar professores que revelam no seu cotidiano todos esses aspectos e, segundo Silva (1995), é indiscutível que o professor que reunir a maior parte dessas características dificilmente falhará em sua prática pedagógica. Entretanto, a concretização de todos esses aspectos depende também do contexto escolar em que se encontra esse professor. (GALVÃO, 2002, p. 68). 25 Neste tópico você viu que: • As novas contribuições da escola fizeram surgir os quatro pilares da educação: Aprender a conhecer; Aprender a fazer; Aprender a conviver e Aprender a ser. • Na vivência da realidade escolar é possível compreender uma série de obstáculos na relação entre a escola e seu entorno. • A Educação Física atual pode ser dividida em quatro vertentes: Rendimento - Escolar - Fitness - Promoção da saúde e qualidade de vida. • A importância da Educação Física no contexto escolar deve-se ao fato de a escola ser a maior agência educativa, depois da família, com capacidade para influenciar os alunos na aquisição de hábitos e atitudes que contribuem para um harmonioso desenvolvimento pessoal e social. • O professor de Educação Física só tornará sua prática pedagógica realmente significativa para o aluno quando tiver a consciência da sua efetiva função na escola e sua real importância no sistema educacional e no processo de ensino e aprendizagem. RESUMO DO TÓPICO 1 26 1 Podemos refletir sobre a prática pedagógica sob o olhar da Dimensão dos Conteúdos, contida nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Disserte sobre as três dimensões dos conteúdos escolares. AUTOATIVIDADE 27 TÓPICO 2 PROMOÇÃO DA SAÚDE UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Acordar cedo e ir para o trabalho - essa é a rotina da maioria dos adultos. Nosso dia a dia é sempre corrido, a rotina é pesada e há pouco tempo para fazermos o que precisamos, parecendo não sobrar momentos para o lazer e a prática de atividades físicas. O que leva alguém ao lazer ativo é a motivação. As pessoas não têm o hábito da prática de exercícios e, mesmo valorizando a atividade física, não praticam sistematicamente. Neste tópico veremos como a Educação Física na escola e o professor devem atuar na promoção de atividades físicas e sua relação com a saúde. 2 A EDUCAÇÃO FÍSICA E A PROMOÇÃO DA SAÚDE Durante o início do século XX, os estudos da fisiologia têm demonstrado que os exercícios físicos regulares podem modificar a estrutura e o funcionamento orgânico em diversos aspectos. Atividades físicas regulares reduzem o risco de uma pessoa desenvolver diversas doenças crônicas, especialmente as cardiovasculares (principais causas de morte e de dependência funcional no Brasil e em todo o mundo). Segundo Coelho e Burini (2009), essas doenças crônicas requerem um acompanhamento constante de médicos de diversas especialidades, internações e intervenções cirúrgicas frequentes, e requerem que grandes recursos materiais e humanos sejam despendidos, gerando encargos ao sistema público e social. No Brasil significa, aproximadamente, 70% de todos os recursos gastos com a saúde. Como podemos observar no Quadro 1, a adoção de um estilo de vida ativo pode: UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 28 QUADRO 1 - BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA • reduzir o risco de morte prematura por todas as causas; • reduzir o risco de morte por doenças cardíacas; • reduzir o risco de desenvolver diabetes; • reduzir o risco de desenvolver hipertensão; • ajudar no controle da pressão arterial em pessoas hipertensas; • reduzir a sensação de depressão e ansiedade; • manter a autonomia e independência do idoso; • auxiliar no controle do peso corporal; • auxiliar no desenvolvimento e manutenção dos ossos, músculos e articulações saudáveis; • ajudar indivíduos idosos a manter a força muscular e o equilíbrio, dando- lhes mobilidade e reduzindo as quedas; • promover o bem-estar psicológico e a autoestima. FONTE: NAHAS (2006, p. 134) Nenhuma outra forma de estímulo pode atuar de forma direta ou indiretamente em tantos órgão e sistemas (cardiovascular, muscular, ósseo, endócrino e nervoso). Entretanto, segundo Nahas (2006), apenas uma pequena parcela dapopulação mundial, entre 7% e 15% dos adultos, pratica exercícios físicos regulares (três ou mais vezes por semana, de forma contínua ou fracionada). Falta de tempo, de recursos e de oportunidades, ou a simples falta de vontade são os principais motivos alegados por pessoas que não conseguem ou não querem manter um programa de exercícios físicos regulares. Pessoas sedentárias (inativas fisicamente) podem ter os benefícios da atividade física ao incorporarem à sua rotina alguma atividade física moderada e não necessariamente intensa. Porém, maiores serão os benefícios para a saúde se aumentarmos a intensidade, frequência e duração da atividade, desde que respeitadas suas características individuais. UNI Atividade Física Moderada – corresponde às atividades que promovem um gasto energético de, aproximadamente, 150 kcal (quilocalorias) por dia ou 1.000 kcal por semana. Valores com referência a uma pessoa com 70 kg de peso. (NAHAS, 2009). TÓPICO 2 | PROMOÇÃO DA SAÚDE 29 QUADRO 2 – EXEMPLOS DE ATIVIDADES FÍSICAS MODERADAS • Correr 2 km em 15 minutos • Nadar por 20 minutos • Dançar por 30 minutos • Caminhar 3 km em 35 minutos • Andar de bicicleta por 30 minutos (± 8 km) • Jogar voleibol durante 45 minutos • Lavar e encerar o carro (aproximadamente 45 minutos) • Trabalhar no jardim por 40-60 minutos • Subir e descer escadas durante 15 minutos FONTE: NAHAS (2006, p. 136) Cabe ressaltar que as atividades físicas diárias podem ser realizadas de forma contínua ou fracionadas em duas ou três oportunidades. A educação para um estilo de vida ativo representa uma das tarefas educacionais fundamentais que a Educação Física tem a realizar. A importância atual dessas abordagens decorre do grande número de estudos científicos demonstrando a associação inequívoca entre hábitos de atividades físicas e saúde, em particular a saúde cardiovascular. Neste sentido, é importante construir currículos que atendam às necessidades dos indivíduos, tanto as atuais como as futuras. Se um dos objetivos é fazer com que os alunos venham a incluir hábitos de atividades físicas em suas vidas, é fundamental que compreendam os conceitos básicos relacionados com a saúde e a aptidão física, que sintam prazer na prática de atividades físicas e que desenvolvam um certo grau de habilidade motora, o que lhes dará a percepção de competência e motivação para essa prática. Esta parece ser uma função educacional relevante e de responsabilidade preponderante da Educação Física escolar (NAHAS, 2006, p. 152). O currículo de Educação Física corresponde à parte do programa educacional formal destinado a levar os educandos a atingirem objetivos específicos da disciplina e, por conseguinte, atingirem objetivos educacionais e de saúde mais gerais. 3 CONCEITO DE SAÚDE Quando falamos em saúde, logo nos remetemos à Organização Mundial de Saúde (OMS, 1948, p. 100), que a define como "um estado de completo bem- estar físico, mental e social e não somente ausência de doenças e enfermidades". Mas tal definição é considerada, atualmente, ultrapassada, pois os padrões de doença mudaram de 1948 para cá. As pessoas envelhecem com problemas recorrentes e deficiências, mas continuam se mantendo independentes. UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 30 Esta antiga definição dá a entender que as pessoas não conseguem lidar autonomamente com as dificuldades emocionais, físicas e sociais da vida. Não há a percepção de que podemos conviver com alguma deficiência ou doença e termos a sensação de bem-estar ao mesmo tempo. Nahas (2006, p. 41) salienta que: Atividade física e aptidão física têm sido associadas ao bem-estar, à saúde e à qualidade de vida das pessoas em todas as faixas etárias, principalmente na meia-idade e na velhice, quando os riscos potenciais da inatividade se materializam, levando à perda precoce de vidas e de muitos anos de vida útil. Assim como bem-estar e qualidade de vida, saúde representa uma característica difícil de definir objetivamente. Então, entende-se que para se chegar a um conceito de saúde, é necessário reunir condições e recursos fundamentais: • Paz: redução da violência aos menores níveis; • Habitação: condições dignas de moradia, tanto em relação à construção e terreno, quanto à legalidade. • Educação: combate ao analfabetismo, redução da evasão escolar e busca pela qualidade de ensino; • Alimentação: garantia de alimento para todos; • Renda: geração de renda compatível à subsistência da família; • Ecossistema estável: qualidade e disponibilidade de ar, água e alimentos; • Recursos sustentáveis: utilização de recursos naturais com a preocupação de não haver o seu esgotamento para as gerações futuras; • Justiça social e equidade: igualdade de direitos e deveres, independentemente da situação financeira, social, étnica, religiosa e cultural. Segundo a Carta de Ottawa - documento elaborado para a Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, no ano de 1986 em Ottawa, Canadá, para a contribuição com as políticas de saúde mundial -, “a saúde deve ser vista como um recurso para a vida, e não como objetivo de viver”. Assim, entendemos a saúde como uma condição humana com dimensões sociais e pessoais, além das capacidades físicas individuais. TÓPICO 2 | PROMOÇÃO DA SAÚDE 31 CARTA DE OTTAWA PRIMEIRA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE PROMOÇÃO DA SAÚDE Ottawa, novembro de 1986 A Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, realizada em Ottawa, Canadá, em novembro de 1986, apresenta neste documento sua Carta de Intenções, que seguramente contribuirá para se atingir Saúde para Todos no Ano 2000 e anos subsequentes. Esta Conferência foi, antes de tudo, uma resposta às crescentes expectativas por uma nova saúde pública, movimento que vem ocorrendo em todo o mundo. As discussões localizaram principalmente as necessidades em saúde nos países industrializados, embora tenham levado em conta necessidades semelhantes de outras regiões do globo. As discussões foram baseadas nos progressos alcançados com a Declaração de Alma-Ata para os Cuidados Primários em Saúde, com o documento da OMS sobre Saúde Para Todos, assim como com o debate ocorrido na Assembleia Mundial da Saúde sobre as ações intersetoriais necessárias para o setor. PROMOÇÃO DA SAÚDE Promoção da saúde é o nome dado ao processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo. Para atingir um estado de completo bem-estar físico, mental e social, os indivíduos e grupos devem saber identificar aspirações, satisfazer necessidades e modificar favoravelmente o meio ambiente. A saúde deve ser vista como um recurso para a vida, e não como objetivo de viver. Nesse sentido, a saúde é um conceito positivo, que enfatiza os recursos sociais e pessoais, bem como as capacidades físicas. Assim, a promoção da saúde não é responsabilidade exclusiva do setor saúde, e vai para além de um estilo de vida saudável, na direção de um bem-estar global. PRÉ-REQUISITOS PARA A SAÚDE As condições e os recursos fundamentais para a saúde são: Paz – Habitação – Educação – Alimentação – Renda - ecossistema estável – recursos sustentáveis - justiça social e equidade. O incremento nas condições de saúde requer uma base sólida nestes pré-requisitos básicos. DEFESA DE CAUSA A saúde é o maior recurso para o desenvolvimento social, econômico e pessoal, assim como uma importante dimensão da qualidade de vida. Fatores políticos, econômicos, sociais, culturais, ambientais, comportamentais e biológicos podem tanto favorecer como prejudicar a saúde. As ações de promoção da saúde objetivam, através da defesa da saúde, fazer com que as condições descritas sejam cada vez mais favoráveis. UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 32 CAPACITAÇÃO Alcançar a equidade em saúde é um dos focos da promoçãoda saúde. As ações de promoção da saúde objetivam reduzir as diferenças no estado de saúde da população e assegurar oportunidades e recursos igualitários para capacitar todas as pessoas a realizar completamente seu potencial de saúde. Isto inclui uma base sólida: ambientes favoráveis, acesso à informação, a experiências e habilidades na vida, bem como oportunidades que permitam fazer escolhas por uma vida mais sadia. As pessoas não podem realizar completamente seu potencial de saúde se não forem capazes de controlar os fatores determinantes de sua saúde, o que se aplica igualmente para homens e mulheres. MEDIAÇÃO Os pré-requisitos e perspectivas para a saúde não são assegurados somente pelo setor saúde. Mais importante, a promoção da saúde demanda uma ação coordenada entre todas as partes envolvidas: governo, setor saúde e outros setores sociais e econômicos, organizações voluntárias e não governamentais, autoridades locais, indústria e mídia. As pessoas, em todas as esferas da vida, devem envolver-se neste processo como indivíduos, famílias e comunidades. Os profissionais e grupos sociais, assim como o pessoal de saúde, têm a responsabilidade maior na mediação entre os diferentes, em relação à saúde, existentes na sociedade. As estratégias e programas na área da promoção da saúde devem se adaptar às necessidades locais e às possibilidades de cada país e região, bem como levar em conta as diferenças em seus sistemas sociais, culturais e econômicos. SIGNIFICADO DAS AÇÕES DE PROMOÇÃO DA SAÚDE: CONSTRUINDO POLÍTICAS PÚBLICAS SAUDÁVEIS A promoção da saúde vai além dos cuidados de saúde. Ela coloca a saúde na agenda de prioridades dos políticos e dirigentes em todos os níveis e setores, chamando-lhes a atenção para as consequências que suas decisões podem ocasionar no campo da saúde e a aceitarem suas responsabilidades políticas com a saúde. A política de promoção da saúde combina diversas abordagens complementares, que incluem legislação, medidas fiscais, taxações e mudanças organizacionais. É uma ação coordenada que aponta para a equidade em saúde, distribuição mais equitativa da renda e políticas sociais. As ações conjuntas contribuem para assegurar bens e serviços mais seguros e saudáveis, serviços públicos saudáveis e ambientes mais limpos e desfrutáveis. A política de promoção da saúde requer a identificação e a remoção de obstáculos para a adoção de políticas públicas saudáveis nos setores que não estão diretamente ligados à saúde. O objetivo maior deve ser indicar aos dirigentes e políticos que as escolhas saudáveis são as mais fáceis de realizar. TÓPICO 2 | PROMOÇÃO DA SAÚDE 33 CRIANDO AMBIENTES FAVORÁVEIS Nossas sociedades são complexas e inter-relacionadas. Assim, a saúde não pode estar separada de outras metas e objetivos. As inextricáveis ligações entre a população e seu meio ambiente constituem a base para uma abordagem socioecológica da saúde. O princípio geral orientador para o mundo, as nações, as regiões e até mesmo as comunidades é a necessidade de encorajar a ajuda recíproca – cada um a cuidar de si próprio, do outro, da comunidade e do meio ambiente natural. A conservação dos recursos naturais do mundo deveria ser enfatizada como uma responsabilidade global. Mudar os modos de vida, de trabalho e de lazer tem um significativo impacto sobre a saúde. Trabalho e lazer deveriam ser fontes de saúde para as pessoas. A organização social do trabalho deveria contribuir para a constituição de uma sociedade mais saudável. A promoção da saúde gera condições de vida e trabalho seguras, estimulantes, satisfatórias e agradáveis. O acompanhamento sistemático do impacto que as mudanças no meio ambiente produzem sobre a saúde – particularmente, nas áreas de tecnologia, trabalho, produção de energia e urbanização – é essencial e deve ser seguido de ações que assegurem benefícios positivos para a saúde da população. A proteção do meio ambiente e a conservação dos recursos naturais devem fazer parte de qualquer estratégia de promoção da saúde. REFORÇANDO A AÇÃO COMUNITÁRIA A promoção da saúde trabalha através de ações comunitárias concretas e efetivas no desenvolvimento das prioridades, na tomada de decisão, na definição de estratégias e na sua implementação, visando a melhoria das condições de saúde. O centro deste processo é o incremento do poder das comunidades – a posse e o controle dos seus próprios esforços e destino. O desenvolvimento das comunidades é feito sobre os recursos humanos e materiais nelas existentes para intensificar a autoajuda e o apoio social, e para desenvolver sistemas flexíveis de reforço da participação popular na direção dos assuntos de saúde. Isto requer um total e contínuo acesso à informação, às oportunidades de aprendizado para os assuntos de saúde, assim como apoio financeiro adequado. DESENVOLVENDO HABILIDADES PESSOAIS A promoção da saúde apoia o desenvolvimento pessoal e social através da divulgação e informação, educação para a saúde e intensificação das habilidades vitais. Com isso, aumentam as opções disponíveis para que as populações possam exercer maior controle sobre sua própria saúde e sobre o meio ambiente, bem como fazer opções que conduzam a uma saúde melhor. É essencial capacitar as pessoas para aprender durante toda a vida, preparando- as para as diversas fases da existência, o que inclui o enfrentamento das doenças crônicas e causas externas. Esta tarefa deve ser realizada nas escolas, nos lares, nos locais de trabalho e em outros espaços comunitários. As ações devem ser realizadas através de organizações educacionais, profissionais, comerciais e voluntárias, bem como pelas instituições governamentais. UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 34 REORIENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE A responsabilidade pela promoção da saúde nos serviços de saúde deve ser compartilhada entre indivíduos, comunidade, grupos, profissionais da saúde, instituições que prestam serviços de saúde e governos. Todos devem trabalhar juntos, no sentido de criarem um sistema de saúde que contribua para a conquista de um elevado nível de saúde. O papel do setor saúde deve mover-se, gradativamente, no sentido da promoção da saúde, além das suas responsabilidades de prover serviços clínicos e de urgência. Os serviços de saúde precisam adotar uma postura abrangente, que perceba e respeite as peculiaridades culturais. Esta postura deve apoiar as necessidades individuais e comunitárias para uma vida mais saudável, abrindo canais entre o setor saúde e os setores sociais, políticos, econômicos e ambientais. A reorientação dos serviços de saúde também requer um esforço maior de pesquisa em saúde, assim como de mudanças na educação e no ensino dos profissionais da área da saúde. Isto precisa levar a uma mudança de atitude e de organização dos serviços de saúde para que focalizem as necessidades globais do indivíduo, como pessoa integral que é. VOLTADOS PARA O FUTURO A saúde é construída e vivida pelas pessoas dentro daquilo que fazem no seu dia a dia: onde elas aprendem, trabalham, divertem-se e amam. A saúde é construída pelo cuidado de cada um consigo mesmo e com os outros, pela capacidade de tomar decisões e de ter controle sobre as circunstâncias da própria vida, e pela luta para que a sociedade ofereça condições que permitam a obtenção da saúde por todos os seus membros. Cuidado, holismo e ecologia são temas essenciais no desenvolvimento de estratégias para a promoção da saúde. Além disso, os envolvidos neste processo devem ter como guia o princípio de que em cada fase do planejamento, implementação e avaliação das atividades de promoção da saúde, homens e mulheres devem participar como parceiros iguais. COMPROMISSOS COM A PROMOÇÃO DA SAÚDE Os participantes desta Conferência comprometem-se a: • atuar no campo das políticas públicas saudáveis e advogar um compromisso político claro em relação à saúde e à equidade em todos ossetores; • agir contra a produção de produtos prejudiciais à saúde, a degradação dos recursos naturais, as condições ambientais e de vida não saudáveis e a má nutrição; e centrar sua atenção nos novos temas da saúde pública, tais como a poluição, o trabalho perigoso e as questões da habitação e dos assentamentos rurais; • atuar pela diminuição do fosso existente, quanto às condições de saúde, entre diferentes sociedades e distintos grupos sociais, bem como lutar contra as desigualdades em saúde produzidas pelas regras e práticas desta mesma sociedade; TÓPICO 2 | PROMOÇÃO DA SAÚDE 35 • reconhecer as pessoas como o principal recurso para a saúde; apoiá-las e capacitá-las para que se mantenham saudáveis a si próprias, às suas famílias e amigos, através de financiamentos e/ou outras formas de apoio; e aceitar a comunidade como porta-voz essencial em matéria de saúde, condições de vida e bem-estar; • reorientar os serviços de saúde e os recursos disponíveis para a promoção da saúde; incentivar a participação e colaboração de outros setores, outras disciplinas e, mais importante, da própria comunidade; • reconhecer a saúde e sua manutenção como o maior desafio e o principal investimento social dos governos; e dedicar-se ao tema da ecologia em geral e das diferentes maneiras de vida; • a Conferência conclama a todos os interessados juntar esforços no compromisso por uma forte aliança em torno da saúde pública. POR UMA AÇÃO INTERNACIONAL A Conferência conclama a OMS e outras organizações internacionais para a defesa da promoção da saúde em todos os fóruns apropriados e para o apoio aos países no estabelecimento de estratégias e programas para a promoção da saúde. A Conferência está firmemente convencida de que se as pessoas, as ONGs e organizações voluntárias, os governos, a OMS e demais organismos interessados, juntarem seus esforços na introdução e implementação de estratégias para a promoção da saúde, de acordo com os valores morais e sociais que formam a base desta Carta, a Saúde Para Todos no Ano 2000 será uma realidade! FONTE: Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/carta_ottawa.pdf>. Acesso em: 17 nov. 2015. A saúde de uma pessoa pode ser verificada por diversos fatores, como a biologia humana, o ambiente físico, social e econômico a que está exposto e pelo seu estilo de vida, isto é, pelo conjunto de ações cotidianas que refletem as atitudes, valores e oportunidades na vida de cada um (NAHAS, 2006). Os determinantes de saúde abrangem os efeitos combinados dos meios físicos e sociais sobre os indivíduos e as comunidades. A saúde dos indivíduos e da população é influenciada por fatores de diferentes ordens, entre os quais incluem-se: o lugar onde vivemos, as condições ambientais, os fatores genéticos, a renda dos indivíduos e o nível educacional e a rede de relações sociais (FIOCRUZ, 2011). Uma boa saúde está associada ao aumento da qualidade de vida. É sabido que uma alimentação balanceada, a prática regular de exercícios físicos e o bem- estar emocional são fatores determinantes para um estado de saúde equilibrado. A saúde e a qualidade de vida são muito relacionadas e, às vezes, confundidas uma com a outra, pois a saúde é fator fundamental para melhorar a UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 36 qualidade de vida dos indivíduos, enquanto que a qualidade de vida é de grande importância na manutenção da saúde. Para Nahas (2006, p. 13): “O conceito de qualidade de vida é diferente de pessoa para pessoa e tende a mudar ao longo da vida de cada um. Existe, porém, consenso em torno da ideia de que são múltiplos os fatores que determinam a qualidade de vida de pessoas e comunidades. A combinação desses fatores que moldam e diferenciam o cotidiano do ser humano resulta numa rede de fenômenos e situações que, abstratamente, pode ser chamada de qualidade de vida”. Numa visão holística, Nahas (2006, p. 14) considera qualidade de vida como sendo: “a percepção de bem-estar resultante de um conjunto de parâmetros individuais e socioambientais, modificáveis ou não, que caracterizam as condições em que vive o ser humano.” Parâmetros socioambientais ■ Condições de trabalho; ■ Educação; ■ Meio ambiente; ■ Transporte; ■ Atendimento à saúde; ■ Lazer; ■ Etc. Parâmetros individuais ■ Hereditariedade; ■ Personalidade; ■ Estilo de vida: • Hábitos alimentares; • Controle do estresse; • Atividade física habitual; • Relacionamentos; • Comportamento preventivo (não fumar, abstinência ou ingestão moderada de bebida alcoólica, não usar drogas, dirigir defensivamente, usar protetor solar, usar equipamentos de segurança no trabalho e uso de preservativo.) Mudanças no estilo de vida, principalmente no que se refere aos hábitos alimentares, não são fáceis, e só irão apresentar resultados satisfatórios de médio e longo prazo, pois é uma tarefa que associa a troca do prazer por sofrimento, dependem de muita vontade própria e do apoio da família e dos amigos. TÓPICO 2 | PROMOÇÃO DA SAÚDE 37 Para traçar um perfil do estilo de vida individual ou de grupos e identificar setores que poderão ser melhorados, podemos utilizar um instrumento de avaliação baseado no Pentáculo do Bem-Estar. UNI Pentáculo do Bem-Estar - é uma base conceitual para avaliação do estilo de vida de indivíduos ou grupos, formado por cinco indicadores de hábitos diários: Nutrição - Atividade Física - Comportamento Preventivo - Relacionamentos - Controle do Estresse. Será apresentado a seguir o instrumento Perfil do Estilo de Vida Individual. Foi idealizado para uso com adultos, podendo ser interpretado individualmente ou coletivamente (neste caso, consideram-se os escores médios do grupo). O ideal é que, mesmo sendo aplicado a um grupo, a análise individual seja particular, para evitar eventuais constrangimentos, mas que os resultados do grupo sejam discutidos entre os membros, desde que não sejam identificados os respondentes. Escores nos níveis Zero e Um indicam que o indivíduo ou o grupo deve ser orientado e ajudado a mudar seus comportamentos nos itens assim avaliados, pois eles oferecem riscos à saúde e afetam a qualidade de vida. A ideia geral é permitir que a pessoa ou grupo identifique aspectos positivos e negativos em seu estilo de vida, recebendo informações e tendo oportunidades para tomadas de decisões que possam levar a uma vida com mais qualidade. (NAHAS, 2006, p. 27). O ESTILO DE VIDA corresponde ao conjunto de ações habituais que refletem as atitudes, valores e oportunidades das pessoas. Estas ações têm grande influência nas saúde geral e qualidade de vida de todos os indivíduos. Os itens abaixo representam características do estilo de vida relacionadas ao bem-estar individual. Manifeste-se sobre cada afirmação considerando a escala: [0] absolutamente não faz parte do seu estilo de vida [1] às vezes corresponde ao seu comportamento [2] quase sempre verdadeiro no seu comportamento [3] a afirmação é sempre verdadeira no seu dia a dia; faz parte do seu estilo de vida. UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 38 Componente: Nutrição a. Sua alimentação diária inclui pelo menos cinco porções de frutas e hortaliças. [ ] b. Você evita ingerir alimentos gordurosos (carnes gordas, frituras) e doces. [ ] c. Você faz quatro a cinmco refeições variadas ao dia, incluindo um bom café da manhã. [ ] Componente: Atividade Física d. Você realiza ao menos 30 minutos de atividades físicas moderadas/intensas, de forma contínua ou acumulada, cinco ou mais dias na semana. [ ] e. Ao menos duas vezes por semana você realiza exercícios que envolvam força e alongamento muscular. [ ] f. No seu dia a dia, você caminha ou pedala como meio de transporte e, preferencialmente, usa as escadas ao invés do elevador. [ ] Componente: Comportamento Preventivo g. Você conhece sua PRESSÃO ARTERIAL, seus níveis de COLESTEROL eprocura controlá-los. [ ] h. Você NÃO FUMA e NÃO INGERE ÁLCOOL (OU INGERE COM MODERAÇÃO). [ ] i. Você respeita as normas de trânsito (como pedestre, ciclista ou motorista); se dirige, usa sempre o cinto de segurança e nunca ingere álcool. [ ] Componente: Relacionamentos j. Você procura cultivar amigos e está satisfeito com seus relacionamentos. [ ] k. Seu lazer inclui encontros com amigos, atividades esportivas em grupo, participação em associações ou entidades sociais. [ ] l. Você procura ser ativo em sua comunidade, sentindo-se útil no seu ambiente social. [ ] Componente: Controle do Estresse m. Você reserva tempo (ao menos cinco minutos) todos os dias para relaxar. [ ] n. Você mantém uma discussão sem alterar-se, mesmo quando contrariado. [ ] o. Você equilibra o tempo dedicado ao trabalho com o tempo dedicado ao lazer. [ ] Considerando sua resposta aos 15 itens, procure colorir a figura abaixo, construindo uma representação visual do seu Estilo de Vida atual. • Deixe em branco se você marcou zero para o item; • Preencha do centro até o primeiro círculo se marcou [1] • Preencha do centro até o segundo círculo se marcou [2] • Preencha do centro até o terceiro círculo se marcou [3] TÓPICO 2 | PROMOÇÃO DA SAÚDE 39 FIGURA 1 - PENTÁCULO DO BEM-ESTAR FONTE: Disponível em: <http://markusnahas.blogspot.com.br/>. Acesso em: 18 set. 2015. NAHAS, M. V.; BARROS, M. V. G.; FRANCALACCI, V. L. O pentáculo do bem-estar: base conceitual para avaliação do estilo de vida dos indivíduos ou grupos. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, Pelotas, v. 5, n. 2, p. 48-59, 2000. 4 COMO POSSO PROMOVER SAÚDE NAS DIFERENTES ATUAÇÕES O tema SAÚDE deve ser abordado no contexto geral da vivência escolar, e não somente como conteúdos de disciplinas como Ciências, Biologia e Educação Física. Diariamente, as crianças sofrem influências constantes pela temática saúde, tanto numa visão coletiva quanto individual, visto que este tema é parte integrante da grade curricular do Ensino Fundamental, intensamente abordada em diversas disciplinas, direta ou indiretamente. http://markusnahas.blogspot.com.br/ UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 40 Nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) está previsto que a saúde, como conteúdo, seja integrada, transversalmente, aos outros conteúdos, tornando a prática educativa repleta deste importante tema, de maneira globalmente abrangente. UNI A proposta dos temas transversais como parte curricular integrante do Ensino Fundamental é um dos fatores mais louváveis dos PCN, pois visa à formação de cidadãos conscientes de sua cultura, aspectos sociais, ambientais e de saúde. A EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE COMO UM TEMA TRANSVERSAL Sob o ponto de vista do processo saúde/doença, as suas múltiplas dimensões, por si só, justificam a opção de caracterizar a educação para a saúde como um tema transversal do currículo. Com efeito, somente a participação das diferentes áreas, cada qual enfocando conhecimentos específicos à sua competência, pode garantir que os alunos construam uma visão ampla do que é saúde. Como contraponto, a transversalidade requer atenção para a consistência na concepção do tema, que não pode se diluir, levando a perder de vista os objetivos que se pretende atingir. A proposta de permear o conjunto dos componentes curriculares com a dimensão de saúde que lhes é inerente permite, na realidade, a recomposição de um conhecimento que vem sendo progressivamente fragmentado nas diferentes áreas do saber e no interior de cada uma delas. Assim, se os padrões de saúde e os diferentes conceitos de saúde são construções sociais e históricas, resgatar o componente saúde/doença da vida nos diferentes momentos e sociedades permite recompor a história, tradicionalmente reduzida a uma sequência cronológica de fatos. Mais do que isso, ao se tomar em conta a diversidade cultural e, em especial, a pluralidade intrínseca à cultura brasileira, gera-se uma excelente oportunidade para a discussão sobre a situação de saúde de diferentes grupos, suas percepções diferenciadas quanto à questão, como resolvem seus problemas cotidianos e como têm se mobilizado para transformar sua realidade. Isso demonstra que a transversalidade também pressupõe uma inter- relação permanente entre educação para a saúde e os demais temas transversais, pois a própria natureza desses temas faz com que entre eles haja sempre uma grande afinidade, dado que compõem, em seu conjunto, uma visão ética do TÓPICO 2 | PROMOÇÃO DA SAÚDE 41 mundo e das relações humanas. Pode-se dizer, por exemplo, que Orientação Sexual e Saúde são componentes de um mesmo conjunto temático. Ganham dimensões próprias em função de sua amplitude e complexidade, evidenciadas por meio das dificuldades vividas não só pela escola, mas pela sociedade em geral, no tratamento de ambas as questões. A abordagem desses tópicos em diferentes documentos visa favorecer o entendimento das diferentes maneiras como valores e práticas relativos à saúde em geral, ou especificamente, no âmbito da sexualidade humana, compõem e refletem-se nas vivências biológicas, afetivas e sociais. Na realidade, todos os blocos de conteúdo dos dois temas se permeiam e se entrelaçam, não sendo possível trabalhá-los de forma desconectada. O mesmo se pode afirmar para a educação ambiental, que envolve necessariamente a noção de qualidade de vida e o estudo de componentes essenciais à produção de saúde e doença. Além da coincidência ou intersecção de conteúdos, também a perspectiva pedagógica prevê, em ambos os casos, que os alunos lidem com conhecimentos, valores e atitudes que deverão, em última análise, resultar em atitudes e comportamentos concretos. O mesmo raciocínio pode ser aplicado às diferentes áreas e temas transversais. Os exemplos que se apresentam ao longo do texto devem ser tomados apenas como referências, para que não sejam restritivos para o professor, mas, pelo contrário, se constituam num estímulo à criatividade e à construção de um projeto pedagógico coerente com sua realidade. O desenvolvimento de concepções e atitudes, o aprendizado de procedimentos e valores positivos com relação à saúde vão além das áreas e temas do currículo. Realiza-se nas diferentes atividades escolares, em todos os espaços da escola e do entorno escolar, por meio da construção gradual de uma dinâmica que permita a vivência de situações favoráveis ao fortalecimento de compromissos para a busca da saúde. Por isso, a educação para a saúde desenvolve-se, com igual importância, em situações de convivência que se criam e no atendimento oportuno de interesses dos alunos, tanto quanto no ensino de seus conteúdos nas diferentes áreas, de forma regular e contextualizada. Muitas vezes ocorrem manifestações afetivas, conflitos ou casos de doença entre os colegas. São momentos em que o tema já se encontra presente entre os alunos e o interesse do grupo está previamente estabelecido. A transversalidade não exclui a possibilidade de organização de projetos de trabalho em torno de questões da saúde. O desenvolvimento do tema também se dá pela organização de campanhas, seminários, trabalhos artísticos, mobilizando diversas classes, divulgando informações, ou utilizando materiais educativos produzidos pelos UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 42 serviços de saúde. Espera-se, nessas situações, que os alunos aprendam a lançar mão de conhecimentos de Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Naturais, História, Geografia etc., na busca de compreensão do assunto e na formulação de proposições para questões reais. Assim, a educação para a saúde precisa ser assumida como uma responsabilidade e um projeto de toda a escola e de cada um dos educadores, para que não se corra o risco de transformá-la em um projeto vazio. FONTE: BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Saúde. Brasília:MEC/SEF, 1998. 5 SAÚDE NA EDUCAÇÃO INFANTIL, FUNDAMENTAL E MÉDIO A promoção da saúde não é tarefa de um único setor, mas sim de diversas áreas da sociedade, proporcionando que muitas pessoas se envolvam nas diferentes ações educativas relacionadas à saúde, promovendo debates sobre a qualidade de vida das comunidades. Nessa visão, o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação vêm elaborando uma proposta com o intuito de contribuir com a implementação dos conteúdos e práticas educativas em saúde na Educação Infantil, nos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental, no Ensino Médio e, também, na Educação de Jovens e Adultos. A escola pode, então, mobilizar as mães e os pais dos alunos, além de outras pessoas da comunidade, como técnicos, profissionais, empresários, artistas... Participando das ações de saúde na escola, elas descobrem que juntas são capazes de criar soluções e aos poucos melhorar a vida da sua comunidade. Para isso, é necessário promover um amplo diálogo com os diversos grupos, buscando a construção do conhecimento sobre a saúde. Esse processo de construção coletiva do conhecimento, por meio do diálogo, de troca de experiências e saberes, é muito importante. É o jeito de fazer as coisas... Ao incorporar o tema da saúde em seu Projeto Político-Pedagógico, a escola passa a promover ações educativas em saúde que levam à reflexão sobre o que é ter uma vida saudável. É por meio dessa reflexão, a partir da realidade, que as pessoas vão descobrindo que é impossível falar de saúde sem pensar nas condições de moradia, de trabalho, na alimentação, na educação, nos serviços de saúde, no lazer, na forma como nos relacionamos com as pessoas, na forma como protegemos a natureza e o meio ambiente, na força da nossa organização, na decisão política, enfim, nas condições de vida da comunidade. Uma das coisas mais importantes na ação educativa em saúde é o envolvimento de várias pessoas. A escola que interage com a comunidade tem TÓPICO 2 | PROMOÇÃO DA SAÚDE 43 maiores chances de encontrar soluções para os problemas. Às vezes é difícil mudar a prática, mas é importante sensibilizar as pessoas, pois todos podem trazer contribuições. O que motiva a participação, o ponto de partida, é a discussão coletiva dos problemas e das contradições existentes na realidade, como vimos no mapa falante do nosso território. Como cada problema puxa um tipo de solução, para cada solução devemos procurar os melhores caminhos, pois, além do compromisso individual, é importante mobilizar as diversas organizações presentes em nossa realidade. Para fortalecer ou transformar a escola em um espaço de produção de saúde, precisamos de pessoas com experiência em diversas áreas do conhecimento. Além dos próprios profissionais de saúde, agentes de saúde, existem muitas raizeiras, parteiras, benzedeiras, que exercem uma missão importante na saúde das populações. Existem conselheiros de saúde que participam dos conselhos de saúde. Quando a escola se transforma em um espaço de produção de saúde, muitas atividades podem ser desencadeadas pela comunidade escolar, tais como: aulas interdisciplinares, visitas às comunidades, palestras, estudos, seminários, dentre outras. Podem ser atividades educativas abordando os temas como saúde, cidadania e Sistema Único de Saúde (SUS), hábitos e alimentação saudáveis. Além disso, pode-se atuar junto aos conselhos locais e/ou municipais de Saúde, sempre planejando coletivamente. Com a necessidade de divulgação das ações, bem como dos conhecimentos sobre saúde, o Ministério da Saúde vem produzindo materiais para contribuir nas reflexões e no desenvolvimento dessas atividades. À medida que a escola vai se transformando em um espaço de produção de saúde, nasce a necessidade de divulgação das ações e dos conhecimentos que produzimos sobre a saúde. Torna- se crescente o desejo de que outras comunidades também se organizem, planejem ações e possam trocar experiências e conhecimentos, umas com as outras. Nesse caso, é possível criar na escola informativos, folders, histórias em quadrinhos, cartilhas, murais, revistas e tantos outros materiais educativos, em que todos participem da sua elaboração, levando e trocando mensagens de saúde para a comunidade e outros lugares. A produção do material educativo na escola pode ser feita de várias maneiras. Tem escola onde a comunidade participa ativamente, sugerindo o tipo de desenho, dando ideias, discutindo cada frase, o sentido das palavras e o impacto desse material na vida das pessoas e da comunidade. Em outras escolas, essa produção recebe a ajuda de técnicos de comunicação. Eles fazem tudo junto, pois é a comunidade que conhece a realidade e que passa para esses profissionais as informações já discutidas. O mais importante é UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 44 que o material educativo reflita a realidade cultural da comunidade. É preciso que ele tenha o jeito de ser da comunidade, que ajude as pessoas a questionar e a compreender melhor a sua realidade. Uma coisa importante é garantir o registro das atividades realizadas na escola. Quando começamos a elaborar o roteiro para a produção de um material educativo, temos que lançar mão do registro, para não esquecermos as falas mais significativas do processo. FONTE: Brasil. Ministério da Saúde. A educação que produz saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2005. De acordo com a Declaração do Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM), a aptidão física de crianças e adolescentes deve ser desenvolvida como primeiro objetivo no incentivo à adoção de um estilo de vida apropriado com prática de exercícios por toda a vida, com o intuito de desenvolver e manter o condicionamento físico suficiente para melhoria da capacidade funcional e da saúde. Educação Infantil e Ensino Fundamental Nesta fase da escolaridade, atividades praticadas ao ar livre são naturalmente geradoras de prazer. Quanto maior for o espaço da liberdade da criança, como um estímulo à sua aprendizagem, muito se conseguirá fazer de tudo aquilo que pretenda realizar durante este processo educativo. Neste espaço as crianças poderão encontrar estímulos que possuam significado, ao se identificarem com desafios que se concentram na liberdade de participar com alegria e aprender pela própria atividade, como também pela sociabilidade. Sugere-se dentro do Programa Escolar planejar momentos especiais em que aconteçam na Educação Infantil ao 6º ano, a cada 15 dias realizar um piquenique em uma sexta-feira, como uma forma de festejar encerramento da semana e/ou quinzena de aprendizado. Com momentos de descontração, brincadeiras e jogos de livre escolha, com recreação dirigida e/ou orientada; as crianças poderão trazer um brinquedo diferente e partilhar com os colegas; combinar um tipo de lanche nutritivo e saudável (onde não haja “salgadinhos” ou refrigerantes). A cada bimestre poderá ser programada uma gincana de duplas ou de equipe; caça ao tesouro, com atividades de acordo com a faixa etária. Em dias especiais, como “Dia das Mães”, programar uma “Matroginástica”; a mãe passar o período da manhã ou da tarde com o filho na escola com atividades em que mãe e filho participem juntos, e no “Dia dos Pais” elaborar atividades prazerosas entre pais e filhos, e com os alunos maiores uma gincana. Jogos QUADRO 4 - PROGRAMAS APLICÁVEIS NA ESCOLA TÓPICO 2 | PROMOÇÃO DA SAÚDE 45 sociorrecreativos e cooperativos que estimulem a participação e a sociabilização, e não a competição. Nos 7º e 8º anos programar, uma vez por mês, um piquenique, gincana de pares ou em equipes, caça ao tesouro e outras atividades interativas e prazerosas. Jogos sociorrecreativos e pré-desportivos com regras facilitadas ou adaptados (voleibol, basquetebol, futebol, handebol), atividades de atletismo (saltos, corridas e arremesso), de tênis com pequenas bolas de borracha. As atividades recreativas poderãoacontecer durante as aulas de Educação Física nos últimos momentos do período. Os jogos pré-desportivos em uma programação anual especial da escola. O envolvimento gerador de alegria entre os alunos em si e os professores também será um aspecto importante no desenvolvimento integral do educando, ao ser proporcionada vida com qualidade por meio de um relacionamento saudável entre todos. Ensino Fundamental e Ensino Médio A proposta aqui descrita é direcionada à fase inicial da adolescência. Nesse período o treinamento desportivo objetiva conduzir o educando a ampliar suas capacidades físicas. Porém, além dos alunos aprimorarem suas habilidades específicas, é importante acompanhar a conscientização da aptidão física relacionada à manutenção e promoção da saúde. Dentro do Programa Escolar é interessante e amplamente educativo, sob a orientação do professor de Educação Física, de um psicólogo, um médico de Saúde Pública, a participação destes alunos em Feira de Ciências ou em palestras na “Escola de Pais” sobre os efeitos nocivos das drogas, do fumo, do álcool. Com a utilização de cartazes ilustrativos, vídeos e dramatização, encenar como poderão se abster do uso destes narcóticos por meio das práticas esportivas e de uma alimentação saudável. Além dos benefícios imediatos atribuídos à realização de práticas corporais na infância e adolescência, evidências apontam que as experiências positivas associadas à prática de atividades físicas nessas idades contribuem para o bem-estar e qualidade de vida, enaltecendo a presença da Educação Física no âmbito escolar. FONTE: Adaptado de Koren, S. B. R., et al. (2008) 46 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico você viu que: • Atividades físicas regulares reduzem o risco de uma pessoa desenvolver diversas doenças crônicas, especialmente as cardiovasculares. • Apenas uma pequena parcela da população mundial, entre 7% e 15% dos adultos, pratica exercícios físicos regulares (três ou mais vezes por semana, de forma contínua ou fracionada). • A saúde de uma pessoa pode ser verificada por diversos fatores, como a biologia humana, o ambiente físico, social e econômico a que está exposto e pelo seu estilo de vida, isto é, pelo conjunto de ações cotidianas que refletem as atitudes, valores e oportunidades na vida de cada um. • Nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) está previsto que a saúde, como conteúdo, seja integrada, transversalmente, aos outros conteúdos, tornando a prática educativa repleta deste importante tema, de maneira globalmente abrangente. 47 1 Pessoas sedentárias (inativas fisicamente) podem ter os benefícios da atividade física ao incorporarem à sua rotina alguma atividade física moderada e não necessariamente intensa. Defina atividade física moderada. AUTOATIVIDADE 48 49 TÓPICO 3 RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Diversas e importantes mudanças na sociedade, cultura, política e economia, que vêm ocorrendo mundialmente desde o século XIX e intensificadas no século passado, têm produzido significativas alterações na sociedade. Junto a essas mudanças são desenvolvidas novas tecnologias que surgem para nos auxiliar na batalha diária das diversas adversidades enfrentadas. Nesse contexto, a área da saúde tem se tornado cada vez mais importante, não só no tratamento, mas, principalmente, na prevenção de doenças. Dada a importância da atividade física como responsável pela profilaxia de diversas doenças, principalmente relacionadas ao sistema cardiorrespiratório, neste tópico abordaremos as relações entre a escola, o professor e a saúde. 2 O PROFESSOR COMO INCENTIVADOR DA SAÚDE O professor é o ator pedagógico principal para que o processo de construção do conhecimento seja realizado de forma plausível, pois o objetivo de um educador físico deve sair dos muros da escola e chegar até uma sociedade que almeja qualidade de vida. Apesar de a maioria da população já ter consciência dos perigos que o cigarro oferece à saúde, da importância de uma alimentação adequada e da necessidade de se praticar o sexo seguro, ainda existe grande desconsideração aos fatores de risco, através da aquisição de hábitos ou de estilo de vida que não colaboram com a saúde. Citando Murer, Massola e Vilarta (2008, p. 30): “existem muitas pessoas que continuam a colocar seu bem-estar em perigo comendo alimentos gordurosos, levando uma vida sedentária sem praticar exercícios, fumando e mantendo os comportamentos de risco. Nessa direção a escola tem um papel fundamental na orientação dos futuros cidadãos, através de atividades e ações que visem consolidar um estilo de vida saudável desde a infância.” De acordo com Hanauer (2009), cabe ao professor empenhar-se em melhorar a aptidão física, o desenvolvimento psicológico e afetivo, favorecendo 50 UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE assim para que ocorra uma maior harmonia entre corpo e mente, por isso espera- se que o educador tenha um papel formador, tendo como objetivo a formação integral, pautada em conhecimentos significativos para termos cidadãos íntegros, com uma estrutura formada por corpo e mente harmônicos. Para que esta educação de qualidade aconteça, precisamos, além do bom desempenho do educador, motivação dos alunos, bom planejamento, espaço e materiais adequados, uma vez que todos esses fatores trazem o sucesso do aprendizado. Segundo Darido (2004), algumas características podem contribuir com os profissionais da área da Educação Física, como a variação das atividades, tornar cada atividade o mais agradável possível, proporcionando prazer aos alunos, manter sempre uma relação professor e aluno positiva, não esquecendo de adequar as habilidades ao nível dos alunos. Estas propostas trarão um resultado positivo, além de alavancar o bom desempenho do educador e, em contrapartida, garantirão o sucesso da aula, ou melhor, do processo de ensino e aprendizagem. 3 AS PROPOSTAS DE ATIVIDADES TENDO O PROFESSOR COMO INCENTIVADOR NA MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA Tradicionalmente, a Educação Física escolar tem seus programas organizados excessivamente voltados aos esportes tradicionais relacionados ao contexto regional em que a escola está inserida. Supõe-se, geralmente, que a prática esportiva por si só produzirá os benefícios educacionais esperados da Educação Física: desenvolvimento de habilidades motoras, aptidão física, desenvolvimento sociopessoal e um estilo de vida ativo. O problema com esse procedimento é que, em muitos casos, o esporte (o meio) passa a ser considerado como um fim em si próprio, resultando no desinteresse ou mesmo exclusão de um grande número de alunos menos aptos, pouco habilidosos ou menos dotados geneticamente – exatamente aqueles que mais poderiam se beneficiar de atividades físicas regulares. No entendimento da maioria das pessoas, a prática esportiva com fim em si mesma pode se dar fora do ambiente escolar e, portanto, não representa uma “atividade educacional” exclusiva e necessária a ponto de justificar a existência de uma disciplina escolar específica. Deve-se ter em mente que esportes e jogos são componentes fundamentais dos currículos de Educação Física, mas não podem ser entendidos como substitutos para o programa como um todo (NAHAS, 2006, p. 150-151). Existem diversas formas de se ensinar sobre atividade física e saúde na Educação Física escolar. As sugestões a seguir pressupõem definições abrangentes de saúde e aptidão física, considerando-as como matérias pedagógicas de interesse para o bem-estar individual e para a saúde pública. TÓPICO 3 | RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 51 De acordo com Nahas (2006, p. 156), os primeiros anos escolares são próprios para atividades diversificadas que promovam o desenvolvimento motor e o gosto pela recreação ativa. Nesta fase, ensinar sobre aptidão física relacionada à saúde é mais uma questão de mudança de métodos do que de conteúdos. Segundoo autor, na transição para o Ensino Médio é preciso enfatizar estes conteúdos, numa instrução mais concentrada, teórico-prática, possibilitando discussões dos conceitos e a realização de atividades e experiências necessárias para a promoção de mudanças comportamentais mais duradouras. QUADRO 5 - SUGESTÕES DE OBJETIVOS E CONTEÚDOS PARA UM PROGRAMA DE EDUCAÇÃO FÍSICA PARA UM ESTILO DE VIDA ATIVO Objetivos Conteúdos Conhecimentos básicos ■ Atividade física - para quê? Quando precisamos? ■ Aptidão física relacionada à saúde ■ Doenças da civilização e o estilo de vida ■ Postura corporal ■ Fundamentos de nutrição e composição corporal ■ Controle do estresse, relaxamento ■ Orientações para escolhas e práticas de atividades físicas Atividades (vivências práticas) ■ Esportes para aptidão física e bem-estar X aptidão física para esportes ■ Atividades para toda a vida: o conceito de lazer ativo ■ Atividades aeróbicas, alongamento muscular, treinamento de força muscular, exercícios e composição corporal ■ Autoavaliação Solução de problemas relacionados às escolhas e decisões sobre o estilo de vida ■ Independência ■ Autocontrole e motivação ■ Escolha e prescrição de atividades ■ Planejamento pessoal ■ Modismos e consumismo na área da atividade física e aptidão física (consumo consciente) FONTE: NAHAS (2006, p. 157) Para se ter melhores condições de aprendizagem sobre a atividade física relacionada à saúde, algumas sugestões podem ser apresentadas: ● O professor é a figura principal, devendo ter pleno conhecimento do assunto e capacidade de promover um ambiente motivador e estimulante para a aprendizagem; ● Nas aulas expositivas, o ideal é que ocorram em sala de aula, ou outro local adequado, onde os alunos tenham lugares confortáveis para sentar e recursos pedagógicos para o professor; 52 UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE ● Os equipamentos necessários para as aulas podem variar de um simples relógio de pulso (para verificar a frequência cardíaca, por exemplo) e fita métrica, ou até mais sofisticados, como plicômetros, flexímetros e esteiras elétricas; ● Mas o indispensável é algum espaço para a prática de atividades físicas. Como em qualquer planejamento escolar, deve-se conhecer previamente as condições de ensino disponíveis, as necessidades e interesses dos indivíduos, ajustando os objetivos específicos, conteúdos e estratégias ao contexto em que estão inseridos. Para a implementação de programas de atividades físicas relacionadas à saúde na escola, Nahas (2006, p. 161) sugere: (a) Não tornar o programa excessivamente teórico; (b) Optar por formas de aprendizagem onde o aluno seja envolvido diretamente e que sejam motivadoras academicamente; (c) Não abusar dos testes de aptidão física; (d) Os hábitos de atividades físicas (prática regular) devem ser considerados mais importantes que os resultados dos testes. O objetivo maior é a prática continuada de atividades físicas para o bem-estar e a saúde; (e) Aptidão física e saúde, embora de certa forma associadas, significam coisas diferentes; altos níveis de aptidão física não garantem “mais” saúde; (f) Deve-se enfatizar as necessidades individuais; (g) O professor deve ser um bom “modelo” em relação aos conceitos ensinados; (h) Reservar tempo para atividades de recuperação e atendimento individual. Para que as aulas de Educação Física não existam apenas para suprir objetivos imediatos e sejam uma possibilidade de influenciar o comportamento dos alunos para o pós-escola, a Educação Física deveria proporcionar a aquisição de conhecimentos sobre os benefícios das atividades físicas em todas as idades, além de promover conhecimentos suficientes para a independência do aluno na escolha de atividades que irão lhe conceder aptidão física relacionada à saúde. 4 A INTERDISCIPLINARIDADE DA EDUCAÇÃO FÍSICA E A SAÚDE Segundo Zannon (apud GORSKI e PEREIRA, 2013, p. 74): A interdisciplinaridade contempla ações conjuntas, integradas e inter- relacionadas, de profissionais de diferentes procedências quanto à área básica do conhecimento. Implica a tomada de decisão acerca das condutas profissionais, levando em conta os aspectos relativos às diversas disciplinas, além das diversas dimensões da vida humana, de seu estudo e da intervenção profissional. Historicamente a Educação Física foi considerada uma disciplina na qual os participantes deveriam desenvolver tarefas físicas, trabalhando o corpo, e TÓPICO 3 | RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 53 era tida como uma “fuga” em relação ao ambiente de sala de aula. Os próprios critérios de inclusão dos alunos nos cursos superiores (processos seletivos) eram providos de testes físicos e de proficiência nas diversas modalidades esportivas, o que pode ser considerado um processo exclusivo e discriminatório. Considerando essa característica histórica da Educação Física, observamos uma dicotomia “corpo e mente”, como se fosse possível trabalhá-los separadamente, sendo que havia uma grande preocupação com a formação de jovens saudáveis, objetivando a formação de um exército com soldados fortes. Apenas a partir da década de 1970, a Educação Física passou a ter um maior embasamento científico, época em que começaram a surgir os primeiros mestres e doutores e, ainda, a surgir os primeiros cursos de pós-graduação no Brasil voltados para essa área. Atualmente, a Educação Física busca novos rumos, objetivando quebrar esses tabus que foram alicerçados ainda na época do militarismo e com isso tem seus paradigmas bem fixados. Cabe aos profissionais da Educação Física inserir os novos conceitos dessa prática, uma vez que por força legal a mesma é considerada como disciplina integrante do projeto pedagógico da escola, com uma característica interdisciplinar. Muito se diz sobre a interdisciplinaridade da Educação Física, mas de fato, o que isso significa no contexto escolar? De fato, os profissionais da educação estão preparados para abordar a interdisciplinaridade? Quando abordamos esse tema, devemos primeiramente pensar na formação do aluno como um todo e não de forma isolada. Quando pensamos isoladamente em quaisquer das disciplinas, sendo estas consideradas “mais” ou “menos” importantes do que outras, não levamos em consideração o desenvolvimento global do aluno em suas habilidades. E, de fato, o que tem sido feito pelos docentes para promover essa integração entre as disciplinas? Os planejamentos dos professores das diversas disciplinas ocorrem de forma isolada ou em conjunto com as demais? Se a resposta for um planejamento isolado por disciplina, já começa aí um sério problema, dificultando o trabalho interdisciplinar, uma vez que o próprio planejamento não ocorreu em equipe. Considerando o papel interdisciplinar da Educação Física, deveria haver um planejamento das aulas dessa disciplina em conjunto com os professores das demais: Matemática, Ciências, Arte, Geografia, Português, Inglês, História e outras. Nesse contexto, seriam discutidas as maiores dificuldades por parte dos alunos observadas pelos docentes, e assim haveria uma participação do educador físico, que promoveria atividades para fomentar o aluno de atribuições que pudessem tornar o aprendizado mais agradável. Apesar de parecer utopia, é possível elaborar aulas atendendo às necessidades dos alunos nas demais disciplinas. 54 UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE Como nós podemos desvincular a Educação Física da Matemática, se temos quadras com figuras geométricas (retângulo, quadrado, círculo, semicírculo) e ainda os jogos de tabuleiro que exigem o raciocínio lógico-matemático, ou da disciplina Ciências, se trabalhamos com o corpo humano, sistema muscular, esquelético, qualidade de vida? Na disciplina de Inglês, podemos trabalhar com os termos esportivos: Handebol, corner, beque, fairplay e ainda uma quantidade enorme de palavras utilizadasnos esportes. Na Física podemos explorar a velocidade ou o movimento da bola de basquete na hora do arremesso, de um chute ao gol no futsal e, ainda, da velocidade de corrida e fase aérea no salto em distância. Dessa forma, podemos observar uma série de atividades que irão fomentar o aluno de uma gama de conteúdos e valores, contribuindo assim para a sua formação integral. Para isso, o corpo docente das escolas deveria deixar de lado os conceitos às vezes enraizados desde a sua formação como professor e abraçar a causa desse novo conceito da educação, que leva em consideração a formação integral do aluno, e que o processo ensino-aprendizado ocorre de forma dinâmica. Por outro lado, se a abordagem da Educação Física ocorrer de forma integrativa, por que não avaliar as demais disciplinas durante a Educação Física? Se o aluno se mostra capaz de interpretar e redigir textos, realizar cálculos, construir, relatar ou apresentar desenvolvimento em suas diversas capacidades, isso deve ser considerado na avaliação de todas as disciplinas, uma vez que isso é aprendizado. Assim, na proposta pedagógica da escola deveria ser estipulada uma pontuação nas demais disciplinas que deveria ser distribuída dentro da Educação Física, sendo esse processo mediado pelo professor da disciplina em questão, em conjunto com o educador físico. A cada bimestre ou trimestre os professores deveriam se reunir para traçar metas para o próximo período e definir os temas abordados, cabendo ao professor de Educação Física a elaboração de atividades que propiciem o aprendizado do aluno. Dessa forma, teremos uma avaliação global dos conhecimentos do aluno, sendo que a abordagem interdisciplinar da Educação Física ocorrerá no início (planejamento), meio (execução das atividades) e fim (avaliação), apesar de que a avaliação deverá ocorrer em todo o processo e de forma integral. FONTE: PEREIRA, E. R. (2011), Coluna / Educação Física / Interdisciplinaridade. Disponível em: <http://setelagoas.com.br/sete-lagoas/colunistas/emerson/13284-coluna-educacao-fisica- interdisciplinaridade>. Acesso em: 28 set. 2015. http://setelagoas.com.br/sete-lagoas/colunistas/emerson/13284-coluna-educacao-fisica-interdisciplinaridade http://setelagoas.com.br/sete-lagoas/colunistas/emerson/13284-coluna-educacao-fisica-interdisciplinaridade TÓPICO 3 | RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 55 5 HIGIENE Na Educação Física atual, seja no meio profissional, seja no meio universitário, se fala muito em saúde e qualidade de vida. Uma ciência pouco estudada, porém de bastante importância para qualquer educador físico, é a higiene. E você se perguntará: - Mas qual é a relação existente entre a Educação Física e a higiene? - Afinal de contas, o que é que há em comum entre realizar um exercício físico e escovar os dentes, tomar banho e limpar a casa? Para achar uma resposta a estes questionamentos, temos que ter em mente o seguinte: a higiene é muito mais do que escovar os dentes, tomar banho e limpar a casa. A higiene, segundo Barbosa (1999), é na verdade uma ciência cuja finalidade é proteger e melhorar a saúde. Assim como as atividades físicas, a higiene também é um meio que deve ser utilizado pelos educadores físicos para proporcionar a proteção e o melhoramento da qualidade de vida e saúde dos seus alunos. 1) O educador físico e o seu ambiente de trabalho: Muitos atletas ou desportistas acabam por interromper suas atividades em decorrência de problemas, como, por exemplo, contusões e doenças, que surgem em consequência da falta de condições higiênicas no meio em que os exercícios são praticados. Estiramentos, rupturas de ligamentos, tendinites, torções e algumas doenças de origem respiratória ou por contato direto com objetos contaminados são os principais problemas observados. Para diminuir a incidência de tais ocorrências é importante que o educador físico tenha um conhecimento sobre os locais desportivos onde são praticadas as atividades e, com isso, proporcione aos seus alunos exercícios de maneira segura e que não lhes tragam grandes riscos à saúde. Assim sendo, Barbosa (1999, p. 87) nos fala que: "Os locais desportivos devem obedecer a certas e determinadas regras de higiene, e particularmente, de limpeza". Atividades como a caminhada, o atletismo e o ciclismo são praticadas predominantemente ao ar livre. Neste tipo de ambiente se recomenda que o educador físico procure ministrar suas aulas em locais que sejam afastados de poeiras, evitando assim que seu aluno contraia algum tipo de doença respiratória. 56 UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE Entretanto, ambientes completamente asfaltados também devem ser evitados; o ideal é que o ambiente contenha arborização em suas mediações, não só porque favorece a purificação do ar, como também serve de proteção para o desportista (BARBOSA, 1999, p. 87). Locais como bosques, parques e campos de futebol também são bastante recomendados, isto porque o gramado presente neste tipo de ambiente impede o alojamento de poeira e amortece o efeito de possíveis quedas que possam vir a acontecer, evitando que os praticantes possam obter algum tipo de lesão mais séria durante os exercícios. Um cuidado que deve ser tomado pelo educador físico é quanto ao terreno em que sua aula vai ser realizada; neste caso, a melhor medida a ser adotada deve ser a escolha por locais com ausência de depressões ou elevações. Isto porque, em locais que apresentam estas características, há interferência no desempenho dos alunos, com aumento do esforço e consequente antecipação da fadiga, além de apresentar o risco de lesões no aparelho ortopédico (LIMA, 1998). Outra recomendação que se faz é que as atividades sejam praticadas, de preferência, nos horários da manhã ou tarde, pois nestes horários o Sol ainda estará "ativo", o que vai influir com propriedades germicidas sobre os micróbios do solo, e propriedades helioterápicas sobre os corpos dos participantes (BARBOSA, 1999). Outra modalidade esportiva onde alguns cuidados devem ser tomados pelos educadores físicos, em colaboração com o médico, é a natação, visto que as piscinas residem em um ambiente muito propício à contaminação de doenças. Neste sentido, as principais recomendações a serem adotadas seriam: a) determinar quantos alunos podem, no máximo, entrar na piscina sem que esta fique completamente lotada; b) proibir os alunos de assoar o nariz dentro das piscinas; e c) impedir os alunos que estejam resfriados, com feridas, úlceras ou qualquer doença de pele, secreção de olhos ou ouvidos, de entrar na piscina. Ao adotar estas medidas, o professor de Educação Física estará evitando que algumas doenças sejam transmitidas pelo contato direto dos alunos com a água da piscina, tais como: infecções da pele, sinusites, otites e as conjuntivites. 2) O educador físico e seu material de trabalho: Na grande maioria das aulas ministradas por um educador físico, uma vasta quantidade de material é utilizada. Seja no futebol, basquetebol, handebol, atletismo, ciclismo, voleibol ou simples atividades de recreação ao ar livre, sempre se precisam de bolas, bastões, plintos, cordas ou qualquer outro tipo de material a ser usado na aula. TÓPICO 3 | RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 57 Sendo assim, Barbosa (1999) nos fala que é imprescindível ao educador físico vistoriar todos os materiais desportivos a serem utilizados, com o intuito de assegurar que os mesmos estão em suas condições de uso. Em esportes como o karatê e o boxe, por exemplo, recomenda-se que os colchões para ataque e defesa devam ser frequentemente renovados e desinfetados. Já na ginástica, materiais tais como os trampolins para saltos, cavalos de pau, barras paralelas, trapézios, escadas, argolas e cordas também devem ser vistoriados com frequência, de modo a garantir sua integridade para uso. Estes são apenas alguns exemplos de como um educador físico deve agirem relação ao material que utiliza em sua aula. 3) O educador físico e o uniforme de seus alunos: Além de sua atenção para o material a ser utilizado na aula, o professor de Educação Física tem obrigação de orientar seus alunos quanto ao material que estes vão utilizar em suas práticas, para assim garantir que os exercícios serão realizados com o maior conforto e segurança possível. Duas recomendações básicas que um professor pode dar ao seu aluno quanto à utilização do uniforme a ser usado são: I - o uniforme deve estar sempre bem adaptado ao corpo do aluno, de modo a não criar dificuldades nos movimentos, como também não criar problemas à fisiologia orgânica do mesmo, visto que muitos desportistas se utilizam de roupões plásticos ou de náilon por baixo das vestimentas habituais com o intuito de perder gordura, o que na verdade não acontece, visto que tal medida só contribui para perda excessiva de água, o que dá uma falsa ilusão de perda de peso; II - é importante que o uso do uniforme por parte do aluno seja exclusivo, evitando assim que algumas parasitoses transmitidas por contato indireto com roupas contaminadas se estabeleçam. Particularmente, outra orientação que o educador físico tem que dar aos seus alunos é quanto aos calçados que os mesmos devem utilizar. Seja um tênis de basquetebol ou voleibol, chuteiras de futebol ou sapatilhas de correr, recomenda- se aos alunos que os calçados devam estar em bom estado de conservação, sempre limpos e secos, visando assegurar sua flexibilidade e também evitar proliferação de fungos por retenção da umidade, perfeitamente ajustados visando proteger os pés contra as ações nocivas do solo (irregularidades), nunca com cadarços amarrados ao redor do tornozelo, pois evita-se o déficit no retorno da circulação sanguínea, assim como também evita-se a compressão dos músculos e tendões que envolvem o tornozelo, e sempre fazer o uso obrigatório de meias entre os calçados e os pés. 58 UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE Ao orientar os alunos neste sentido, o educador físico está se utilizando de medidas higiênicas para assegurar que durante as práticas de suas aulas os exercícios possam ocorrer com maior conforto, rendimento e segurança para todos aqueles que o praticam. FONTE: COSTA, A. J. S. da. A relação higiene-educação física: uma nova abordagem. Revista virtual EFArtigos, v. 1, n. 9. Natal, 2003. TÓPICO 3 | RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 59 LEITURA COMPLEMENTAR PROMOÇÃO DA SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA NA ESCOLA: ESTRATÉGIAS PARA O DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES PARA UMA VIDA SAUDÁVEL Estela Marina Alves Boccaletto Mestre em Educação Física - UNICAMP Denis Marcelo Modeneze Mestre em Educação Física - UNICAMP Erika da Silva Maciel Mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos - USP Jaqueline Girnos Sonati Mestre em Educação Física - UNICAMP A Promoção da Saúde ocorre através de medidas sociais e políticas globais que propiciam, aos indivíduos e coletividades, um maior controle sobre os fatores que determinam o processo saúde/doença. Nessa perspectiva a saúde é encarada como um direito humano fundamental e um dos pilares necessários para que o indivíduo e a comunidade possam realizar de forma plena seus projetos de vida. (ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD, 1998). Dentre as estratégias para a Promoção da Saúde propostas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e Organização Pan-americana da Saúde (OPAS) encontra-se o modelo “Escolas Promotoras da Saúde”, que tem por finalidade a aplicação, no âmbito escolar, dos princípios e métodos estabelecidos nas Conferências Internacionais de Promoção da Saúde. A OPAS na América Latina e Caribe recomenda a implantação desta estratégia de promoção da saúde de forma articulada e sinérgica entre escola, comunidade e poder público, visando: o desenvolvimento de políticas públicas saudáveis e sustentáveis; a educação para a saúde incluindo o componente de habilidades e competências para a vida; a criação e manutenção de ambientes saudáveis e serviços de saúde escolar, alimentação saudável e vida ativa. (ORGANIZACIÓN PANAMERICANA DE LA SALUD, 2006). O Center for Disease Control and Prevention (2000), em seu Indicador de Saúde Escolar, e a OPAS (2006), através dos Anais da IV Reunião da Rede Latino- americana de Escolas Promotoras da Saúde – Relatórios dos Comitês de Trabalho, indicam os principais conceitos para a elaboração de critérios e procedimentos para a certificação das Escolas Promotoras da Saúde, descritos a seguir: 60 UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE AMBIENTES SAUDÁVEIS • Apresenta ambiente de respeito à diversidade, acolhedor, que desenvolve a autoestima, o sentido de pertinência, a participação, o “empoderamento” e cultura democrática na comunidade; • Desenvolve equidade entre os gêneros e relações não discriminatórias; • Permite gestão escolar participativa e condições adequadas de trabalho; • Apresenta ambiente livre de álcool, tabaco, drogas, abuso, exploração sexual e violência; • Proporciona higiene escolar através do acesso a água potável, coleta seletiva de lixo e esgoto; • Apresenta infraestrutura adequada às necessidades especiais e às necessidades pedagógicas; • Desenvolve ambiente favorável à aprendizagem; • Cria e mantém áreas destinadas para a atividade física e recreação. SERVIÇOS DE SAÚDE, ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO ESCOLAR • Realiza coordenação e planejamento em colaboração com os serviços de saúde; • Facilita o acesso aos serviços de prevenção e atenção em saúde; • Desenvolve equipamentos e materiais de informação de acordo com as demandas; • Implanta sistema de referência e contrarreferência; • Apresenta infraestrutura e equipamentos adequados para a cozinha, cantina e refeitório; • Apresenta condições e medidas higiênicas nas situações de preparo e consumo de alimentos; • Facilita a incorporação de uma dieta saudável e equilibrada; • Regulamenta a oferta de alimentos vendidos dentro e no entorno mais próximo da escola; • Implanta programas de hortas escolares; • Proporciona a alimentação em espaços que valorizam a relação saudável e a educação. PARTICIPAÇÃO COMUNITÁRIA • Desenvolve programas articulados e contextualizados com a comunidade local; • Possibilita espaços de participação: estudantes, familiares, docentes, funcionários e demais membros da comunidade; • Estimula a utilização criativa do tempo livre e apoia as organizações relacionadas com a infância e adolescência; • Proporciona atividades integradoras para crianças e adolescentes não diretamente assistidos pela escola; • Elabora plano de prevenção e manejo de emergências e desastres integrados ao plano geral da comunidade. TÓPICO 3 | RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 61 EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE • Adequada para todas as séries e com o uso de estratégias de aprendizagem ativas e técnicas motivacionais; • Elabora currículo sequencial e culturalmente adequado, abrangendo temas relacionados com a atividade física, a alimentação, doenças crônicas, hábitos posturais, crescimento e desenvolvimento, prevenção do uso de drogas lícitas e ilícitas, violência doméstica e urbana, meio ambiente sustentável, cidadania, entre outros; • Elabora currículo consistente com os Padrões Curriculares Nacionais (PCN) em Educação Física e Temas Transversais: Saúde, Meio ambiente; • Desenvolve tópicos essenciais relacionados com a atividade física e a alimentação saudável; • Elabora atividades que desenvolvem as habilidades necessárias para a adoção de comportamentos saudáveis; • Elabora tarefas que encorajam e promovem a interação entre os estudantes e familiares; • Oferece oportunidades de educação continuada para os professores e funcionários. PROPOSTAS DE AÇÕES PRÁTICAS RELACIONADAS COM A EDUCAÇÃO FÍSICA O professor de Educação Física tem papel importante na promoção da saúde dosescolares e comunidade envolvida com a escola. Dentre os principais aspectos que poderá abordar com a comunidade escolar está o incentivo e promoção de uma vida mais ativa e práticas alimentares saudáveis. (BOCCALETTO e VILARTA, 2007; CENTER FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION, 2000). ASPECTOS GERAIS Para tais ações de intervenção há a necessidade de se garantir o acesso à educação física realizada por professores graduados, em todos os níveis escolares, com frequência e currículo escolar adequados para cada ciclo, respeitando os PCN e as características próprias de cada região, bem como, incentivar a educação continuada dos profissionais da área. Há a necessidade de se realizar uma avaliação regular dos níveis de aptidão física relacionados com a saúde em todos os escolares, garantir padrões mínimos de segurança para a realização da educação física quanto a instalações, equipamentos, vestuário, técnicas e práticas apropriadas, bem como o acesso aos estudantes que necessitam de cuidados especiais em saúde. Outras medidas que visam incentivar a adoção de uma vida ativa entre crianças e jovens é a realização de aulas de Educação Física agradáveis, com a maior parte do tempo em atividades de intensidade moderada a vigorosa e a participação de todos os alunos, dos mais aos menos aptos, evitando a exclusão e discriminação. Não utilizar o acesso às aulas de Educação Física como medida punitiva. UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 62 As práticas de caráter informativo em promoção da saúde devem ser vinculadas a ações educativas, mediadas pelo professor de Educação Física e seus alunos, através de práticas coletivas, workshops, palestras, tarefas para casa, cartazes, boletins, folhetos e demais meios de comunicação disponíveis na comunidade. (GUEDES e GUEDES, 2003; NAHAS, 2001). O professor de Educação Física, a partir de um diagnóstico da comunidade, encontrará as principais demandas em saúde, atividade física e práticas alimentares, podendo assim propor recomendações mais adequadas à sua população. Também poderá avaliar os resultados de sua ação educativa com a finalidade de corrigir os equívocos e redirecionar as medidas adotadas e informações oferecidas. PRÁTICAS SUGERIDAS PARA A COMUNIDADE ESCOLAR EM PROMOÇÃO DA VIDA ATIVA Estima-se que pequenos aumentos nos níveis de atividade física em populações sedentárias poderiam causar um impacto significante na redução de doenças crônicas. No entanto, embora a importância da atividade física na manutenção da saúde seja bem aceita, os níveis dessas têm reduzido nas sociedades modernas, especialmente quando são consideradas as diferenças socioeconômicas (GOMES, SIQUEIRA e SCHIERI, 2001). De acordo com Nahas (2001), um indivíduo pode ser considerado sedentário quando adota um mínimo de atividade física, que equivale a um gasto energético com atividades no trabalho, lazer, atividades domésticas e locomoção inferior a 500 Kcal por semana. Portanto, estimular a realização de atividades da vida cotidiana, como caminhar, subir escadas, dentre outras, além da participação e envolvimento em atividades físicas, dentre elas o exercício físico e o lazer ativo, deve ser uma prática comum e orientada na Escola Promotora da Saúde a toda a comunidade. Recomendações para a prática segura e regular devem ser disponibilizadas por meios acessíveis para auxiliar no aumento da atividade física da população e redução do sedentarismo. Dentre as principais recomendações direcionadas à comunidade escolar, destacamos a possibilidade de se confeccionar cartazes, informes, comunicados, faixas, pôsteres e folhetos apresentando comunicações breves. TÓPICO 3 | RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 63 Confira alguns exemplos a seguir: “Faça uma avaliação médica e pergunte ao seu médico se sua pressão arterial está controlada e se você pode começar a se exercitar”. “Se indicado, faça um teste ergométrico – esteira ou bicicleta, medindo a pressão arterial e a frequência cardíaca. Peça orientação a seu médico e procure um professor de Educação Física para saber a melhor forma de fazer exercício”. “Não obrigue seu corpo a grandes e insuportáveis esforços. Quem não está acostumado a fazer exercícios e resolve ‘ficar em forma’ de uma hora para outra prejudica a saúde. Vá com calma”. “Os exercícios dinâmicos – andar, pedalar, nadar e dançar – são os mais indicados para quem tem pressão alta, porém, devem ser feitos de forma constante, sob supervisão periódica e com aumento gradual das atividades”. “Os exercícios estáticos – levantamento de peso ou musculação – devem ser evitados, porque provocam aumento repentino da pressão arterial”. “A intensidade dos exercícios deve ser de leve a moderada e frequência de pelo menos 30 minutos por dia, três vezes por semana. Se puder, caminhe diariamente. Se não puder cumprir todo o tempo do exercício em um só turno, faça-o em dois ou mais turnos”. “Ao realizar exercícios, contente-se com um progresso físico lento, sem precipitações e com acompanhamento médico. Procure uma atividade física que lhe dê prazer”. MEDIDAS SUGERIDAS PARA A COMUNIDADE ESCOLAR EM PROMOÇÃO DA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL Uma alimentação saudável deve ser baseada em práticas alimentares, assumindo a significação social e cultural dos alimentos como fundamento básico conceitual. A alimentação se dá em função do consumo de alimentos e não somente de seus nutrientes, eles trazem significações culturais, comportamentais e afetivas, muitas vezes esquecidas (BRASIL, 2005). A promoção de práticas alimentares adequadas se inicia com o incentivo ao aleitamento materno e está inserida no contexto da adoção de hábitos de vida saudáveis. A escola é considerada local propício para se desenvolver estratégias para uma alimentação saudável e para o incentivo à prática da atividade física. O Ministério da Saúde desenvolveu os dez passos para a promoção da alimentação saudável na escola: UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E A RELAÇÃO COM A SAÚDE – RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 64 1º passo – A escola deve definir estratégias, em conjunto com a comunidade escolar, para favorecer escolhas saudáveis. 2° Passo – Reforçar a abordagem da promoção da saúde e da alimentação saudável nas atividades curriculares da escola. 3° Passo – Desenvolver estratégias de informação às famílias dos alunos para a promoção da alimentação saudável no ambiente escolar, enfatizando sua corresponsabilidade e a importância de sua participação neste processo. 4° Passo – Sensibilizar e capacitar os profissionais envolvidos com alimentação na escola para produzir e oferecer alimentos mais saudáveis, adequando os locais de produção e fornecimento de refeições às boas práticas para serviços de alimentação e garantindo a oferta de água potável. 5° Passo – Restringir a oferta, a promoção comercial e a venda de alimentos ricos em gorduras, açúcares e sal. 6° Passo – Desenvolver opções de alimentos e refeições saudáveis na escola. 7° Passo – Aumentar a oferta e promover o consumo de frutas, legumes e verduras, com ênfase nos alimentos regionais. 8º Passo - Auxiliar os serviços de alimentação da escola na divulgação de opções saudáveis por meio de estratégias que estimulem essas escolhas. 9° Passo – Divulgar a experiência da alimentação saudável para outras escolas, trocando informações e vivências. 10° Passo – Desenvolver um programa contínuo de promoção de hábitos alimentares saudáveis, considerando o monitoramento do estado nutricional dos escolares, com ênfase em ações de diagnóstico, prevenção e controle dos distúrbios nutricionais. As medidas e ações aqui sugeridas não se esgotam em si mesmas. São sugestões iniciais para que o professor de Educação Física, em sua intervenção no espaço escolar, possa ter a dimensão da importância de suas ações para a promoção da atividade física, qualidade de vida e saúde. Devem servir como um incentivo à pesquisade temas e planejamento de ações que sejam prioridades para a comunidade assistida. REFERÊNCIAS BOCCALETTO, E. M. A.; VILARTA, R. (Organizadores). Diagnóstico da Alimentação Saudável e Atividade Física em Escolas Municipais de Vinhedo/ SP. Campinas: IPES Editorial, 2007. BRASIL. Ministério da Saúde. Coordenação-Geral da Política de Alimentação e Nutrição. O que é uma alimentação saudável? Brasília, 2005. Disponível em: http://dtr2004.saude.gov.br/nutricao/documentos/o_que_e_alimentacao_ saudavel.pdf http://dtr2004.saude.gov.br/nutricao/documentos/alimentacao_ cultura.pdf http://dtr2004.saude.gov.br/nutricao/documentos/planos_aula.pdf http://dtr2004.saude.gov.br/nutricao/documentos/dez_passos_ pas_escolas.pdf TÓPICO 3 | RELAÇÃO ESCOLA, PROFESSOR E A SAÚDE 65 CENTER FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. School Health Index for Physical Activity and Healthy Eating: a self assessment and planning guide. Elementary school version. Atlanta, Georgia. 2000. GOMES, V. B.; SIQUEIRA, K. S.; SCHIERI, R. Atividade física em uma amostra probabilística da população do município do Rio de Janeiro. Cadernos de Saúde Pública. Rio de Janeiro, v. 17, n. 4, p. 969-976, 2001. GUEDES, D. P. & GUEDES, J. E. R. P. Controle de Peso Corporal. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Shape, 2003. NAHAS, M. V. Atividade Física, Saúde e Qualidade de Vida. 2. ed. Londrina: Editora Midiograf, 2001. ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD. Promoción de la salud: Glosario. Genebra: OMS, 1998. Disponível em: <http://www.bvs.org.ar/pdf/glosario_ sp.pdf.> Acesso em: 1 dez 2007. ORGANIZACIÓN PANAMERICANA DE LA SALUD. Memoria de la Cuarta Reunión de la Red Latinoamericana de Escuelas Promotoras de la Salud. Serie Promoción de la Salud, n. 11. Washington, D.C.: OPS, 2006. p. 214-218. 66 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico você viu que: • O professor é o ator pedagógico principal para que o processo de construção do conhecimento seja realizado de forma plausível, pois o objetivo de um educador físico deve sair dos muros da escola e chegar até uma sociedade que almeja qualidade de vida. • Tradicionalmente, a Educação Física tem seus programas organizados excessivamente voltados aos esportes tradicionais relacionados ao contexto regional em que a escola está inserida. • Assim como as atividades físicas, a higiene também é um meio que deve ser utilizado pelos educadores físicos para proporcionar a proteção e o melhoramento da qualidade de vida e saúde dos seus alunos. 67 1 Alguns cuidados devem ser tomados pelos educadores físicos em relação à higiene nas aulas. Na natação, visto que as piscinas residem em um ambiente muito propício à contaminação de doenças, quais cuidados devem ser adotados pelo professor na piscina? AUTOATIVIDADE 68 69 UNIDADE 2 QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir desta unidade, você será capaz de: • compreender a importância de hábitos saudáveis para a qualidade de vida; • reconhecer os nutrientes e suas funções no organismo; • perceber a importância de uma alimentação equilibrada e atividade física para manutenção da saúde; • distinguir aptidão física de atividade física. Esta unidade está dividida em três tópicos. Ao final de cada um deles, você encontrará atividades visando à compreensão dos conteúdos apresentados. TÓPICO 1 – QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS TÓPICO 2 – O CORPO SAUDÁVEL TÓPICO 3 – APTIDÃO FÍSICA E SAÚDE 70 71 TÓPICO 1 QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO O modelo atual da nossa sociedade tem ditado a necessidade de ser bem- colocado profissionalmente, ter uma boa casa, um bom carro, bons aparelhos tecnológicos, dentre outros. O grande problema desse modelo, atinge não só ao meio ambiente em virtude da grande quantidade de recursos naturais necessários para sustentá-lo, mas também favorece a inatividade física em virtude da longa jornada de trabalho, quase sempre necessária para adquirir os bens materiais que achamos imprescindíveis para nosso conforto e felicidade. Diante disso, é necessário que adotemos um estilo de vida equilibrado para que possamos ter qualidade de vida. 2 CONCEITUANDO A QUALIDADE DE VIDA A definição do termo qualidade de vida é bastante complexa, uma vez que é carregado de pessoalidade. O que pode ser algo prioritário para uma pessoa, pode ser desprezado por outra. Dessa forma, são vários fatores que determinam ou não a qualidade de vida de uma pessoa. Nahas (2010) explica que vários fatores estão associados à qualidade de vida como: estado de saúde, longevidade, satisfação no trabalho, salário, lazer, relações familiares, disposição, prazer e espiritualidade. Não necessariamente, os indivíduos precisam atender completamente a todos esses fatores. É possível encontrarmos indivíduos que acreditem ter qualidade de vida, por ter trabalho e saúde física. Dessa forma, a percepção da qualidade de vida envolve muitos aspectos pessoais e culturais. Nahas (2010) propõe um modelo que ilustra melhor este conceito: UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO 72 FIGURA 2 - QUALIDADE DE VIDA Fatores socioambientais Fatores individuais Percepção de bem-estar Qualidade de vida FONTE: Nahas (2010) Para o autor, “a percepção de bem-estar é resultante de um conjunto de parâmetros individuais e socioambientais, modificáveis ou não, que caracterizam as condições em que vive o ser humano.” (NAHAS, 2010, p. 16). “Os fatores individuais, compreendem aspectos relacionados à hereditariedade e ao estilo de vida como: hábitos alimentares, controle do estresse, atividade física, relacionamentos, comportamento preventivo.” (NAHAS, 2010, p. 16). “Já os fatores socioambientais compreendem a moradia, transporte, segurança, assistência médica, condições de trabalho, remuneração, educação, cultura, meio ambiente e opções de lazer.” (NAHAS, 2010, p. 16). A combinação desses dois fatores, socioambiental e individual determina a forma como os indivíduos percebem as questões relacionadas ao seu bem-estar, que por sua vez, determina a qualidade de vida. Entendeu agora o porquê relatamos a dificuldade de formular um conceito para qualidade de vida? Percebeu também o quanto este conceito é carregado de pessoalidade? 2.1 QUALIDADE DE VIDA E SAÚDE A Organização Mundial de Saúde (OMS, 2014) define saúde como o completo estado de bem-estar físico, mental e social, e não simplesmente a ausência de enfermidade. Essa percepção de bem-estar está relacionada aos parâmetros individuais e socioambientais, como detalhamos anteriormente. TÓPICO 1 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS 73 2.1 QUALIDADE DE VIDA E SAÚDE É impossível pensarmos em saúde, sem associarmos a um corpo sadio e em movimento. Sendo assim, chamamos a atenção para a importância da atividade física diária, por impactar positivamente a vida dos cidadãos tanto individualmente, como socialmente. Individualmente, ela pode proporcionar mais entusiasmo em desenvolver as atividades diárias, melhorando a percepção do bem-estar. Socialmente, pessoas mais ativas têm propensão menor a desenvolver doenças, reduzindo a mortalidade precoce e consequentemente os gastos com saúde (NAHAS, 2010). Dessa forma, a atividade física está completamente relacionada à saúde e ao bem-estar e, portanto, à qualidade de vida das pessoas. Ainda assim, o estilo de vida das pessoas em nossa sociedade tem colocado em risco a saúde de grande parte da população. A utilização do fumo, álcool, drogas, estresse, sedentarismo, má-alimentação, isolamento social são alguns dos fatores negativos que podem afetar a saúde e qualidade de vida das pessoas. Por isso, ressaltamos a importância de desenvolver na sociedade o conceito de saúde positiva. Esta perspectiva da saúde busca construir um corpo ativo, com hábitos saudáveis, longe dos problemas citados anteriormente. Sabemos da dificuldadeem transformar a sociedade com vistas a essas questões. Por isso, a escola tem papel fundamental com relação à abordagem deste tema. Acreditamos que o trabalho do professor pode motivar os estudantes a um estilo de vida mais saudável e ativo. É muito comum que nossos jovens em idade escolar experimentem bebidas, cigarros, alimentos industrializados, drogas, dentre outros, que combinados ao estilo de vida atual, quase sempre inativos fisicamente, podem resultar em doenças, ausência de saúde e consequentemente má-qualidade de vida. A grande questão é como fazer isso? A escola não pode estar distante do que acontece no mundo. Ela precisa ir além de fórmulas matemáticas e teorias científicas preparando os estudantes para a vida em sociedade. E isso sempre requer ampla pesquisa e planejamento por parte do professor para encontrar a melhor forma de abordagem e inserção desses conteúdos importantes para a vida no contexto das aulas. O professor precisa ter interesse e estar motivado a realizar atividades diferenciadas, isso certamente resultará em estudantes mais interessados e motivados em aprender. A inclusão dos temas saúde, qualidade de vida, atividade física, alimentação, dentre outros, deve acontecer em todas as disciplinas escolares, uma vez que é um tema que perpassa a vida de todos em diferentes contextos e pode ser adequado à matemática, à história, à geografia etc. No entanto, o professor de educação física tem como aliado a utilização de outros espaços para as aulas, que podem proporcionar diferentes abordagens deste conteúdo. Apesar de as aulas de educação física terem um caráter mais prático, o professor não pode abandonar a parte conceitual (teórica) de suas aulas. UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO 74 Conceitos científicos relacionados à qualidade de vida devem ser incluídos no contexto das aulas, que progressivamente passam a ser incorporados pelos estudantes em suas representações culturais. Somente os conceitos científicos, sem aplicação prática não garantem a aprendizagem dos estudantes, da mesma forma que somente aulas práticas não possibilitam a aquisição dos conceitos científicos, é necessário que haja uma ligação entre essas duas abordagens. Neste sentido, Finck (2011, p. 33) salienta: “os conhecimentos devem ser significativos, interessantes e prazerosos, voltados para uma formação comprometida com questões relacionadas à cidadania”. Dessa forma, as aulas de educação física devem possibilitar intensas reflexões aos estudantes sobre a necessidade e importância de hábitos de vida mais saudáveis para garantir a qualidade de vida em todas as etapas de seu desenvolvimento. UNI Amplie seus conhecimentos sobre o tema educação física e saúde a partir da leitura da dissertação: A saúde nas aulas de educação física escolar: uma trajetória resgatada pela história oral. Disponível em: <http://www.usjt.br/biblioteca/mono_disser/ mono_diss/2011/130.pdf>. Acesso em: 31 ago. 2015. TÓPICO 1 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS 75 LEITURA COMPLEMENTAR QUALIDADE DE VIDA SE APRENDE NA ESCOLA Bianca Bibiano De um lado, professores que acreditam que jogar vôlei e futebol supre a necessidade das práticas propostas para a disciplina de Educação Física. De outro, estudantes que só querem ir para a quadra bater bola e conversar com os amigos. Nesse cenário cada vez mais comum nas escolas, segundo os especialistas da área, o tempo que deveria ser aproveitado para conhecer a cultura do corpo não cumpre seu papel e as crianças deixam de ter contato com conteúdos muito importantes. Um deles é a saúde. “As aulas precisam ser planejadas de maneira ampla para possibilitar a discussão a respeito do que é qualidade de vida e o que tem de ser feito para alcançá-la”, explica Douglas Andrade, pesquisador do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física (Celafics) em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. Para isso, não é preciso deixar de lado as atividades mais tradicionais, em que a garotada entra em campo e sua a camisa. É só combiná-las com o ensino de temas que envolvam conceitos de busca e manutenção da saúde, destacando as características de cada prática e como elas devem ser vivenciadas para beneficiar o corpo. Esse enfoque teórico é fundamental, pois apenas praticar exercícios físicos duas vezes por semana cerca de 45 minutos - tempo que a disciplina ocupa na grade curricular - não é o suficiente para provocar alterações muito significativas no organismo dos alunos. O objetivo do professor deve ser a difusão de novos conhecimentos e a mudança de comportamentos. As questões ligadas à saúde não fazem muito sentido se forem utilizadas esporadicamente ou para se exercitar a fim de emagrecer ou evitar doenças. “A prevenção pode ser o ponto de partida da conversa, mas a escola tem de ser um espaço para discutir aspectos mais ampliados, como a existência de espaços públicos para praticar esportes, o tempo que as pessoas dedicam ao corpo e o que é um corpo saudável”, explica Andrade. É importante também que o docente ajude os alunos a decodificar as informações fornecidas pela mídia. “Temos de ajudá-los a distinguir hábitos saudáveis de sacrifícios para atingir um shape considerado perfeito”, completa Renato Marques, da faculdade de Educação Física da Fundação Municipal de Ensino Superior de Bragança Paulista (Fesb) e doutorando da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Outra distinção que precisa ser feita nas aulas é entre atividade física - que não é intencional, como uma caminhada para ir até o mercado - e exercício físico - prática com intenção e supervisão de um profissional. Atento a essas questões, Ademir Testa Junior resolveu revolucionar as aulas de Educação Física das turmas do 5ª a 8ª série na EE Capitão Henrique Montenegro, em Bocaina, a 248 quilômetros de São Paulo. No início, a garotada estranhou: em vez de ir para a quadra, ele propôs um debate sobre os conceitos de movimento, saúde e qualidade de vida. Foi então que os estudantes se deram UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO 76 conta de que pouco conheciam sobre exercícios físicos. “A ideia era mostrar como eles ajudam na conquista de uma vida saudável. Falamos também sobre hábitos alimentares e questões que despertavam curiosidade, como o uso de anabolizantes”, conta o professor. O projeto foi tão bem organizado que rendeu a Testa Junior um troféu no Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10 de 2009. “A promoção da saúde não ficou reservada a algumas aulas. Permeou todo o planejamento anual e foi trabalhada com atividades diferenciadas”, diz Fabio D’Angelo, coordenador pedagógico do Instituto Esporte e Educação, em São Paulo, e selecionador do Prêmio. Outro mérito de Testa Junior foi ensinar aos jovens a importância da pesquisa para a disciplina. “Alongamento, alimentação saudável e até práticas como ioga foram alvo de estudos teóricos e, enquanto a turma organizava as apresentações para socializar o que tinha sido descoberto, eu planejava como seriam as vivências práticas”, lembra ele. Definir o que é um corpo saudável não é tarefa simples: diversos quesitos devem ser levados em conta. Apesar disso, alguns indicadores podem ajudar o aluno a conhecer o panorama geral de sua saúde. Eles também são excelentes para revelar que a mudança de hábitos tem influência a longo prazo na conquista de uma vida com qualidade. O Índice de Massa Corporal (IMC), por exemplo, que é obtido dividindo o peso (em quilos) pela altura (em metros) ao quadrado, sinaliza se a pessoa está com o peso adequado à sua altura. Outro dado relevante é a potência de resistência aeróbica, medida com o teste de Cooper, que tem como objetivo correr a maior distância possível em 12 minutos. “Esses instrumentos são válidos para perceber os riscos que alguns hábitos (comer demais, fumar e ter uma vida sedentária, por exemplo) acarretam.Porém é bom lembrar que os resultados não podem ser encarados como um diagnóstico completo e definitivo”, pondera D’Angelo. Os estudantes estão em fase de crescimento e, por isso, os resultados variam. Testa Junior, por exemplo, orientou seus alunos a aplicar o que tinham aprendido para orientar os moradores da região a respeito da importância de cuidar do corpo - e como fazê-lo. E sinalizou a validade de aliar o IMC e outros dados aos saberes das aulas teóricas e práticas para desenvolver o hábito da prática pessoal, viabilizando assim a autonomia de todos na atividade física, um dos objetivos da disciplina. FONTE: Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/educacao-fisica/pratica-pedagogica/ gente-saudavel-educacao-fisica-saude-qualidade-vida-528774.shtml>. Acesso em: 31 ago. 2015. 77 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico você viu que: • A definição do termo qualidade de vida é bastante complexa, uma vez que é carregado de pessoalidade. • Vários fatores estão associados à qualidade de vida como: estado de saúde, longevidade, satisfação no trabalho, salário, lazer, relações familiares, disposição, prazer e espiritualidade. • A percepção de bem-estar é resultante de um conjunto de parâmetros individuais e socioambientais. • Os fatores individuais compreendem aspectos relacionados à hereditariedade e ao estilo de vida. • Os fatores socioambientais compreendem a moradia, transporte, segurança, assistência médica, condições de trabalho, remuneração, educação, cultura, meio ambiente e opções de lazer. • A atividade física diária pode impactar a vida dos cidadãos tanto individualmente, como socialmente. • A saúde positiva busca construir um corpo ativo, com hábitos saudáveis. • As aulas de educação física devem possibilitar intensas reflexões aos estudantes sobre a necessidade e importância de hábitos de vida saudáveis. 78 AUTOATIVIDADE 1 Conceitue qualidade de vida e cite dois exemplos de fatores individuais e de fatores socioambientais que podem influenciá-la. 2 Aplique o Perfil do Estilo de vida Individual a duas pessoas. Interprete os resultados e sugira pequenas mudanças no estilo de vida dessas pessoas. PERFIL DO ESTILO DE VIDA INDIVIDUAL O estilo de vida corresponde ao conjunto de ações habituais que refletem atitudes, valores e oportunidades das pessoas. Estas ações têm grande influência na saúde geral e qualidade de vida de todos os indivíduos. Os itens abaixo representam características do estilo de vida relacionadas ao bem-estar individual. Manifeste-se sobre cada afirmação considerando a escala: (0) Absolutamente não faz parte do seu estilo de vida (1) Às vezes corresponde ao seu comportamento (2) Quase sempre verdadeiro no seu comportamento (3) A afirmação é sempre verdadeira no seu dia a dia, faz parte do seu estilo de vida. Componente: NUTRIÇÃO a. Sua alimentação diária inclui pelo menos 5 porções de frutas e hortaliças. ( ) b. Você evita ingerir alimentos gordurosos (carnes gordas, frituras) e doces. ( ) c. Você faz 4 a 5 refeições variadas ao dia, incluindo um bom café da manhã. ( ) Componente: ATIVIDADE FÍSICA d. Seu lazer inclui a prática de atividades físicas (exercícios, esportes ou dança). ( ) e. Ao menos duas vezes por semana você realiza exercícios que envolvam força e alongamento muscular. ( ) f. Você caminha ou pedala como meio de deslocamento e, preferencialmente, usa as escadas ao invés do elevador. ( ) Componente: COMPORTAMENTO PREVENTIVO g. Você conhece sua pressão arterial, seus níveis de colesterol e procura controlá-los. ( ) h. Você não fuma e não ingere álcool (ou ingere com moderação) ( ) i. Você respeita as normas de trânsito (como pedestre, ciclista ou motorista); usa sempre o cinto de segurança e, se dirige, nunca ingere álcool. ( ) Componente: RELACIONAMENTOS j. Você procura cultivar amigos e está satisfeito com seus relacionamentos. ( ) k. Seu lazer inclui encontros com amigos, atividades em grupo, participação em associações ou em entidades sociais. ( ) l. Você procura ser ativo em sua comunidade, sentindo-se útil no seu ambiente social ( ) 79 Componente: CONTROLE DO ESTRESSE m. Você reserva tempo (ao menos 5 minutos) todos os dias para relaxar. ( ) n. Você mantém uma discussão sem alterar-se, mesmo quando contrariado. ( ) o. Você equilibra o tempo dedicado ao trabalho com o tempo dedicado ao lazer. ( ) Considerando duas respostas aos 15 itens, procure colorir a figura abaixo, construindo uma representação visual ao seu estilo de Vida atual. • Deixe em branco se você marcou zero para o item; • Preencha do centro até o primeiro círculo se marcou (1); • Preencha do centro até o segundo círculo se marcou (2); • Preencha do centro até o terceiro círculo se marcou (3). FONTE: NAHAS (2010) 80 81 TÓPICO 2 O CORPO SAUDÁVEL UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO O corpo humano funciona como uma máquina perfeita, onde todos os sistemas corporais estão interligados de forma minuciosa para garantir a homeostase. A nível celular, nossas células precisam de dois componentes: o oxigênio atmosférico, absorvido durante a respiração e a glicose, proveniente dos alimentos que ingerimos. Ao combinarem-se dentro das células, ocorre uma reação química que resulta na produção de água, gás carbônico e energia. É a energia que nos permite viver e executar funções simples e complexas do dia a dia. Dessa forma, é importante compreendermos como os alimentos são classificados para que possamos fazer boas escolhas, que venham suprir nossas necessidades corporais de acordo com o estilo de vida. Ainda, uma boa alimentação auxilia na prevenção de muitas doenças. 2 NUTRIENTES E ALIMENTAÇÃO Ao ingerirmos os alimentos eles fornecerão todos os nutrientes necessários à nossa sobrevivência. Esses nutrientes são classificados de acordo com sua função e estrutura química (RIZZO, 2012). 2.1 COMPOSTOS ORGÂNICOS Os compostos orgânicos apresentam o elemento carbono (C) em sua composição e são extraídos da natureza, como os grãos, vegetais, frutas, verduras, legumes, carnes etc. Em nosso caderno, vamos conhecer os compostos orgânicos relacionados à alimentação. 2.1.1 Carboidratos Os carboidratos apresentam em sua composição química átomos de carbono, hidrogênio e oxigênio formando moléculas que incluem açúcares, amido, celulose e glicogênio (TORTORA; GRABOWSKI, 2006). UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO 82 FIGURA 3 - ESTRUTURA QUÍMICA DOS CARBOIDRATOS FONTE: Disponível em: <http://www.daanvanalten.nl/quimica/module12/ cap0212sacarideos.html>. Acesso em: 14 jul. 2015. Esses nutrientes são classificados de acordo com o tamanho das moléculas, em monossacarídeos, dissacarídeos e polissacarídeos. Observe na figura a seguir que os monossacarídeos apresentam somente uma unidade formadora dos carboidratos. Os dissacarídeos apresentam duas unidades formadoras enquanto que os polissacarídeos são formados por diversos monossacarídeos e, portanto, são os carboidratos mais complexos. FIGURA 4 - CLASSIFICAÇÃO DOS CARBOIDRATOS FONTE: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/Rodoxbio/carboidratos-aula>. Acesso em: 14 jul. 2015. Os açúcares que compreendem os monossacarídeos são: glicose, frutose, galactose, desoxirribose e ribose. A glicose pode ser encontrada no mel e nas frutas, sendo utilizada em reações metabólicas celulares para a produção de energia (TORTORA, GRABOWSKI, 2006). Quando ingerida, não sofre quebra de sua molécula pelo sistema digestório sendo prontamente absorvida pelo intestino delgadoe enviada para as células (GUYTON, 2011). Outros tipos de carboidratos serão transformados em glicose no sistema digestório, para então ser enviado às células para suprir a necessidade energética (GUYTON, 2011). forma em cadeia aberta da glicose forma cílica da glicose TÓPICO 2 | O CORPO SAUDÁVEL 83 FONTE: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/Rodoxbio/carboidratos-aula>. Acesso em: 14 jul. 2015. A frutose pode ser encontrada em frutas diversas, a galactose está presente no leite e ambos apresentam função energética. Com relação à ribose e à desoxirribose, estes são monossacarídeos que compõem os ácidos nucléicos RNA e DNA, respectivamente (RIZZO, 2012). Os dissacarídeos são formados pela união de dois monossacarídeos e como exemplos temos: a sacarose, a lactose e a maltose. A sacarose é encontrada no açúcar de cana e da beterraba, sendo formada pelos monossacarídeos glicose e frutose (TORTORA; GRABOWSKI, 2006). FIGURA 5 - ESTRUTURA DA SACAROSE FONTE: Disponível em: <http://reocities.com/CapeCanaveral/ launchpad/9071/Dissac.html>. Acesso em: 14 jul. 2015. A lactose é o açúcar do leite, sendo formado pelos monossacarídeos glicose e galactose; já a maltose é o açúcar do malte formada por duas moléculas de glicose (TORTORA, GRABOWSKI, 2006). Assim como os monossacarídeos, os dissacarídeos também apresentam função energética. FIGURA 6 - ESTRUTURA DA LACTOSE E DA MALTOSE FONTE: Disponível em: <http://reocities.com/CapeCanaveral/launchpad/9071/Dissac.html>. Acesso em: 14 jul. 2015. UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO 84 Como já vimos anteriormente, os polissacarídeos são formados por muitos monossacarídeos. Como exemplos desses açúcares complexos temos: o amido, o glicogênio, a celulose e a quitina. O amido é um material de reserva dos vegetais, sendo formado a partir da fotossíntese, cuja função principal é produzir energia para os vegetais. Ele é composto por aproximadamente 1.400 moléculas de glicose e pode ser encontrado em raízes, sementes e tubérculos (RIZZO, 2012). Em nossa alimentação as fontes mais utilizadas para obtenção do amido são o milho, a batata, o trigo, o aipim (mandioca) e o arroz (AMIDOS, p. 28). No entanto, também podemos encontrá- los em outros alimentos que levam os ingredientes listados anteriormente em sua composição. FIGURA 7 - FONTES DE AMIDO FONTE: Disponível em: <http://www.brasilescola.com/quimica/amido. htm>. Acesso em: 14 jul. 2014. A celulose constitui a parede celular dos vegetais, e é composta por aproximadamente 4.000 moléculas de glicose, sua principal função é o fortalecimento celular (RIZZO, 2012). Dessa forma, só podemos encontrá-la em alimentos de origem vegetal como: frutas, hortaliças, legumes, sementes etc. TÓPICO 2 | O CORPO SAUDÁVEL 85 FIGURA 8 - ALIMENTOS RICOS EM CELULOSE FONTE: Disponível em: <http://wp.clicrbs.com.br/nutrir/?topo=77,1,1,,,77>. Acesso em: 14 jul. 2015. FONTE: Disponível em: <http://www.conquistesuavida.com.br/livenews/14>. Acesso em: 14 jul. 2015. Diferente dos outros tipos de carboidratos, a molécula de celulose não é quebrada durante a digestão dos alimentos pelas enzimas digestivas, mas fornece fibras para o organismo. As fibras são importantes para o funcionamento do intestino, por reterem maior quantidade de água, além de ajudar na prevenção de muitas doenças intestinais (TORTORA; GRABOWSKI, 2006). Com relação ao glicogênio, este é um material de reserva dos animais formado por aproximadamente 30.000 moléculas de glicose. Ele pode ser armazenado nas células do fígado e nos músculos esqueléticos (TORTORA; GRABOWSKI, 2006, p. 33). O armazenamento de glicogênio pelo fígado envolve a ação de um hormônio, bem como a sua quebra para liberação de moléculas de glicose na corrente sanguínea para ser utilizada como fonte de energia. Para compreendermos melhor como ocorre esse processo, observe a imagem a seguir. UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO 86 FIGURA 9 - ARMAZENAMENTO E QUEBRA DO GLICOGÊNIO FONTE: Disponível em: <http://www.clubdofitness.com.br/glicogenio-descanso-para- reposicao-energetica-aumento-de-massa-muscular/>. Acesso em: 14 jul. 2015. Ao ingerirmos o alimento, ocorre um aumento da taxa de glicose (monossacarídeo) no sangue. Como consequência, as células-beta do pâncreas são estimuladas e produzem um hormônio chamado insulina. A insulina transporta a glicose para dentro das células para produção de energia e também estimula o fígado a armazená-la sob a forma de glicogênio. Se a taxa de glicose ficar baixa no sangue, as células-alfa do pâncreas são estimuladas e produzem um hormônio chamado glucagon, enquanto isso as células-beta são inibidas. O glucagon estimula a quebra do glicogênio pelo fígado, liberando glicose na corrente sanguínea que será utilizada pelo corpo (TORTORA; GRABOWSKI, 2006). Por fim, a quitina é um polissacarídeo que estrutura o exoesqueleto dos animais pertencentes ao filo Arthopoda, cuja principal função é a proteção contra desidratação e proteção mecânica. TÓPICO 2 | O CORPO SAUDÁVEL 87 FIGURA 10 - EXOESQUELETO DOS ARTRÓPODES FONTE: Disponível em: <http://www.colegioweb.com.br/biologia/ como-os-artropodes-enfrentam-seu-processo-de- metamorfose.html>. Acesso em: 14 jul. 2014. É importante salientarmos que a maioria dos carboidratos serão quebrados para que possam executar sua principal função, que é produzir energia. Com exceção da celulose que forma a parede celular dos vegetais e da quitina, que é característica dos artrópodes. 2.1.2 Proteínas As proteínas são formadas de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio, podendo apresentar enxofre em sua composição (RIZZO, 2012, p. 23). Assim como os carboidratos apresentam uma unidade básica que os formam (monossacarídeos), as proteínas são formadas por aminoácidos. Existem vinte aminoácidos que constituem as proteínas corporais. Alguns deles podem ser produzidos pelo corpo a partir de outros aminoácidos, em um complexo processo que ocorre nas células. No entanto, existem dez aminoácidos chamados de essenciais que não podem ser produzidos pelo organismo e precisam ser ingeridos através da alimentação (TORTORA; GRABOWSKI, 2006). Dessa forma, é importante conhecermos que alimentos são ricos em proteínas para que possamos suprir as necessidades corporais com relação a esse nutriente. UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO 88 FIGURA 11 – VINTE AMINOÁCIDOS QUE COMPÕEM AS PROTEÍNAS FONTE: Disponível em: <http://www.infoescola.com/bioquimica/os-20-aminoacidos-essenciais- ao-organismo/>. Acesso em: 14 jul. 2015. Os aminoácidos se unem através de ligações químicas para formar as proteínas, essas ligações são chamadas de peptídicas (RIZZO, 2012). Com relação à sua estrutura, as proteínas são chamadas de polipeptídeos, pois contêm uma grande quantidade de aminoácidos (TORTORA; GRABOWSKI, 2006). Elas apresentam uma estrutura tridimensional formada pelas associações de polipeptídeos, que se torcem e dobram nessa ligação. TÓPICO 2 | O CORPO SAUDÁVEL 89 FIGURA 12 - ESTRUTURA DE UMA PROTEÍNA FONTE: Disponível em: <http://bioquimicamentecorreto.blogspot.com. br/2011/06/proteinas.html>. Acesso em: 14 jul. 2015. Apesar da complexidade de sua estrutura, se subtermos as proteínas a ambientes com alterações de temperatura, pH ou a concentrações iônicas, elas perdem sua forma e consequentemente sua função, esse processo é chamado de desnaturação (TORTORA; GRABOWSKI, 2006). Estrutura secundária (helice) Estrutura primária (Sequência de aminoácidos) Estrutura terciaria (Peptido Individual doblado) Estrutura quaternária (agragados de dos o mas peptidos) UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO 90 UNI O pH é definido como o potencial hidrogeniônico de uma substância e indica se ela é básica, ácida ou neutra (observea imagem). FONTE: Disponível em: <http://www.mundoeducacao.com/quimica/conceito-ph-poh. htm>. Acesso em: 5 ago. 2015. As proteínas podem ser encontradas em alimentos de origem animal como: carnes, ovos, leite e seus derivados. Também as encontramos em alimentos de origem vegetal como: feijão, ervilha e soja. Com relação às funções desempenhadas no organismo podem ser divididas em: estrutural, transporte, defesa e catálise, que serão detalhadas a seguir. Função estrutural: as proteínas são componentes das membranas celulares e de algumas organelas citoplasmáticas. Também podem ser encontradas compondo a pele, cartilagem e tendões (colágeno), além de participar ativamente da contração muscular (actina e miosina) permitindo o movimento, a digestão, a respiração, dentre outros (RIZZO, 2012). Função de transporte: a hemoglobina é uma proteína encontrada no sangue, cuja função é transportar gases respiratórios para todos os órgãos, tecidos e células. Função de defesa: os glóbulos brancos são células especializadas que produzem substâncias chamadas de anticorpos. Essa produção ocorre ao entrar em contato com os antígenos e servem para neutralizá-los (TORTORA; GRABOWSKI, 2006). Observe na figura a seguir. TÓPICO 2 | O CORPO SAUDÁVEL 91 FIGURA 13 - AÇÃO DOS ANTICORPOS FONTE: Disponível em: <http://www.alunosonline.com.br/biologia/ anticorpos.html>. Acesso em: 14 jul. 2015. Função de catálise: as enzimas são tipos específicos de proteínas conhecidas como catalisadoras, cuja principal função é acelerar as reações químicas. Com relação à nomenclatura elas sempre terminam em ase. As enzimas são muito específicas, uma vez que atuam sobre uma reação química particular, que envolve o substrato e dá origem a outras moléculas. FIGURA 14 - ATUAÇÃO DAS ENZIMAS FONTE: Disponível em: <http://saude.hsw.uol.com.br/celulas2.htm>. Acesso em: 14 jul. 2015. A enzima maltase recebe o substrato maltose que se encaixa perfeitamente nela, daí o conceito de especificidade. A enzima quebra a molécula, formando outras duas moléculas de glicose que poderão agora ser utilizadas pelas células SUBSTRATO Maltose Enzima Glicose Glicose Sítio Ativo MALTASE 1 2 3 Antígeno Glóbulos Brancos Anticorpo UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO 92 para produção de energia. Ao final dessa reação, a enzima está livre para se ligar a outra molécula de substrato, pois ela não é alterada (TORTORA; GRABOWSKI, 2006). Ainda, as proteínas podem ser convertidas em energia pelo organismo se necessário. 2.1.3 Lipídios Os lipídios apresentam carbono, hidrogênio e oxigênio em sua composição e são formados por glicerol e ácidos graxos, sendo insolúveis em água (RIZZO, 2012). Podemos encontrar os lipídios em alimentos como: leite, ovos, castanhas, azeite, carnes, manteiga, nata, creme de leite, óleos, dentre outros. Com relação à sua função biológica, os lipídios fornecem mais energia que as proteínas e carboidratos, atuam como isolantes térmicos, protegem contra choques mecânicos, constituem as membranas celulares, atuam como impermeabilizantes, além de ter função hormonal. A família dos lipídios inclui os triglicerídeos, os fosfolipídeos (que constituem as membranas celulares), esteroides e as ceras. Os triglicerídeos são as gorduras e os óleos que podem ser encontrados sob as formas sólidas e líquidas, respectivamente. FIGURA 15 - GORDURAS E ÓLEOS FONTE: Disponível em: <http://www.manualdaquimica.com/ quimica-dos-alimentos/triglicerideos.htm>. Acesso em: 16 jul. 2015. Os carboidratos, proteínas, gorduras e óleos consumidos em excesso são depositados no tecido adiposo como triglicerídeos (TORTORA; GRABOWSKI, 2006, p. 33). TÓPICO 2 | O CORPO SAUDÁVEL 93 2.1.3 Lipídios FIGURA 16 - TECIDO ADIPOSO FONTE: Disponível em: <http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Histologia/ epitelio14.php>. Acesso em: 16 jul. 2015. Com relação à classificação química, as cadeias de um triglicerídeo podem ser saturadas e insaturadas. As gorduras de cadeias saturadas tendem a ser sólidas em temperatura ambiente sendo amplamente encontradas em tecidos animais (carnes) (RIZZO, 2012). As de cadeias insaturadas tendem a ser líquidas em temperatura ambiente, sendo encontradas no óleo de girassol, de milho e de peixe (RIZZO, 2012). Na alimentação, o consumo de gorduras insaturadas deve ser priorizado, pois fazem bem à saúde, oferecendo proteção a doenças cardiovasculares. Já o consumo de gordura saturada em excesso favorece o aparecimento de muitas doenças, dentre elas a aterosclerose. Nesta condição, placas de gorduras ficam aderidas sobre as artérias reduzindo seu volume e consequentemente o fluxo sanguíneo, podendo causar sérias complicações. O excesso de gordura é estocado nos adipócitos, que expandem seu tamanho até que a gordura seja usada como combustível Reservatório de gordura Núcleo UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO 94 FIGURA 17 – ATEROSCLEROSE FONTE: Disponível em: <http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e- saude/2015/03/09/interna_ciencia_saude,474510/cientistas-desenvolvem-tratamento- para-aterosclerose-com-microcapsulas.shtml>. Acesso em: 17 jul. 2015. TÓPICO 2 | O CORPO SAUDÁVEL 95 DICAS As gorduras trans são gorduras de origem vegetal ou animal que passam por um processo de hidrogenização natural ou artificial. Essa gordura está presente em diversos alimentos industrializados como: biscoitos, salgadinhos, sorvetes, dentre outros. Esses alimentos devem ser consumidos ocasionalmente, porque essas gorduras são piores que as saturadas para o organismo, favorecendo o aparecimento de muitas doenças. Os esteroides são lipídeos conhecidos como substâncias químicas que desempenham funções importantes no organismo humano. O colesterol é o esteroide utilizado para produzir outros esteroides pelas células como: estradiol, testosterona, cortisol, sais biliares e a vitamina D. Se a alimentação for pobre em colesterol, ainda assim o esteroide será encontrado no corpo humano sendo sintetizado pelo fígado, um órgão abdominal que desempenha muitas funções importantes no corpo humano (TORTORA; GRABOWSKI, 2006). FIGURA 18 - PRODUÇÃO DE COLESTEROL PELO FÍGADO FONTE: Disponível em: <http://www.simetriaperfeita.com.br/sem-categoria/ colesterol/>. Acesso em: 17 jul. 2015. UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO 96 UNI Amplie seus conhecimentos sobre o colesterol assistindo ao vídeo que possibilita imersão em uma artéria para compreender como os transportadores desse lipídio atuam: <https://www.youtube.com/watch?v=qPiVDpaNxOw>. O colesterol e outras gorduras são insolúveis em água e precisam de transportadores (lipoproteínas plasmáticas). Duas lipoproteínas estão envolvidas no metabolismo do colesterol: as de alta densidade (HDLs ou boas) e as de baixa densidade (LDL ou ruins). As HDLs são responsáveis pela limpeza dos vasos sanguíneos e pela remoção do colesterol das células para eliminação no fígado, as LDLs transportam colesterol do fígado para o resto do corpo (FRANKE; PRÁ, 2006). Dessa forma, se há uma grande quantidade de colesterol no corpo, as LDLs formam placas de gorduras nas artérias causando o entupimento das mesmas. As ceras são lipídeos com funções impermeabilizantes que podem ser encontradas em animais e vegetais. Nos vegetais, elas se encontram nas folhas, enquanto que nos animais podem revestir o corpo, como é o caso das aves aquáticas em que a glândula uropigiana auxilia na flutuação. Nos humanos, as ceras estão relacionadas à proteção contra micro-organismos e podem ser encontradas nos ouvidos. FIGURA 19 - FOLHA COM CERA FONTE: Disponível em: <http://www.brasilescola.com/quimica/ composicao-quimica-das-ceras.htm>. Acesso em: 17 jul. 2015. TÓPICO 2 | O CORPO SAUDÁVEL 97 FIGURA 20 - CERAS IMPERMEABILIZANTES AUXILIANDO A FLUTUAÇÃO FONTE:Disponível em: <http://diariodebiologia.com/2010/10/por- que-o-pato-nao-afunda-na-agua/>. Acesso em: 17 jul. 2015. FIGURA 21 - OUVIDO HUMANO FONTE: Disponível em: <http://revistavivasaude.uol.com.br/clinica-geral/ cuidados-com-as-orelhas/108/#>. Acesso em: 17 jul. 2015. 2.1.4 Compostos inorgânicos Os compostos inorgânicos são do reino mineral, ou seja, das rochas. Como exemplo temos os sais minerais, ácidos, bases e óxidos e não possuem carbono em sua composição, com exceção do HCN (ácido cianídrico). Contudo a maioria dos alimentos orgânicos possuem compostos inorgânicos, como por exemplo: a couve, rica em sais minerais. UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO 98 2.1.5 Vitaminas As vitaminas não apresentam funções como os outros nutrientes estudados até aqui. Apesar de não participarem da estruturação do corpo e produção de energia, elas são fundamentais para manter o corpo saudável. As vitaminas funcionam como coenzimas, atuando em diversas reações químicas (TORTORA; GRABOWSKI, 2006). A maioria das vitaminas não são sintetizadas pelo corpo e precisam ser ingeridas através da alimentação. Há algumas que o corpo é capaz de sintetizar, como a vitamina K, produzida por bactérias que vivem no intestino e a vitamina D, produzida na presença da luz solar (RIZZO, 2012). Com relação à sua classificação, as vitaminas são divididas em lipossolúveis (solúveis em gorduras) e hidrossolúveis (solúveis em água). As lipossolúveis são as vitaminas A, D, E e K e para serem absorvidas em quantidades ideais precisam ser ingeridas com lipídios, as vitaminas hidrossolúveis são as diversas vitaminas B e a C sendo diluídas nos fluidos corporais, se ingeridas em excesso são excretadas na urina ao invés de serem armazenadas (TORTORA; GRABOWSKI, 2006). Dessa forma, é importante conhecer em quais alimentos as vitaminas são encontradas para que elas possam ser ingeridas em quantidades ideais. Caso isso não aconteça, ou o organismo sofra alguma alteração para utilização das vitaminas, poderão surgir doenças por sua carência. TÓPICO 2 | O CORPO SAUDÁVEL 99 FIGURA 22 - PRINCIPAIS VITAMINAS FONTE: Disponível em: <http://tenyad.org.br/blog/vitaminas-sua-mae-estava-certa-voce- precisa-delas/>. Acesso em: 15 jul. 2015. 2.1.6 Sais minerais Os sais minerais são obtidos através da alimentação quando as dietas são equilibradas. No corpo humano, concentram-se em maior quantidade nos ossos. Assim como as vitaminas hidrossolúveis, o excesso dos minerais é excretado pelo corpo através da urina e das fezes (TORTORA; GRABOWSKI, 2006). UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO 100 Esses nutrientes apresentam funções diversas no corpo humano que podem estar relacionadas ao funcionamento das enzimas, síntese de hormônios, contração muscular, dentre outros (GUYTON, 2011). A deficiência de minerais favorece o aparecimento de diversas doenças. Mineral Fontes Funções no organismo Problemas relacionados à carência Cálcio Leite, gema de ovo, crustáceos, vegetais de folhas verdes. Participa da formação dos ossos e dentes, coagulação sanguínea, dentre outros. Raquitismo, cárie, deformações ósseas. Fósforo Laticínios, carnes e nozes. Atua na formação dos ossos e dentes, atividade nervosa, componente do DNA e RNA. Má calcificação. Potássio Carnes bovina, de frango e de peixe, frutas e nozes. Condução de impulsos nervosos. Desequilíbrio interno do meio celular. Enxofre Carnes (bovina, fígado, ovina, peixe, frango), ovos, queijo e feijões. Compõe hormônios e vitaminas, regula várias atividades corporais. Debilidade nas unhas, pele e cabelo. Sódio Sal de cozinha. Interfere no volume celular e na pressão arterial. Fadiga muscular e desidratação. Cloro Sal de cozinha, molho de soja e alimentos processados. Controle do balanço hídrico e formação do ácido clorídrico no estômago. Fadiga muscular e desidratação. Magnésio Vegetais de folhas verdes, frutos do mar e cereais integrais. Funcionamento do tecido muscular e nervoso. Sensibilidade ao frio e ao calor. Ferro Carne bovina, fígado, crustáceos, gema de ovo, feijões, legumes, frutas secas, nozes e cereais. Compõe a hemoglobina. Anemia. Iodo Frutos do mar, sal iodado e vegetais produzidos em solos ricos em iodo. Necessário para a glândula tireoide produzir os hormônios tireoidianos. Bócio, cansaço. Manganês Frutos secos, arroz, aveia, trigo e moluscos. Ativa diversas enzimas. Necessário para o crescimento, reprodução, lactação, dentre outros. Infertilidade nas mulheres, danos ao pâncreas, doenças cardíacas. QUADRO 6 - MINERAIS VITAIS PARA O CORPO TÓPICO 2 | O CORPO SAUDÁVEL 101 Cobre Ovos, farinha de trigo integral, feijão, beterraba, fígado, peixe, espinafre e aspargo. Produz hemoglobina juntamente com o ferro. Manchas na pele, neutropenia. Cobalto Carnes, peixes, amendoins e ervilha. Eritropoiese. Anemia, ansiedade, diarreias, fadigas. Zinco Carnes, grãos integrais, castanhas, legumes e tubérculos. Crescimento, cicatrização de ferimentos, número normal de espermatozoides no homem, dentre outros. Diminui a produção de hormônios masculino e favorece o diabetes. Flúor Frutos do mar e fígado bovino. Melhora a estrutura dentária e inibe as cáries. Cárie. Selênio Castanha do pará, gema de ovo, alho, repolho, feijão, arroz, frango. São antioxidantes. Fertilidade masculina. Melhora do sistema imunológico. Alterações no músculo cardíaco. Cromo Levedo de cerveja. Necessário para a atividade normal da insulina no metabolismo. Perda na sensibilidade da ação da insulina. FONTE: Adaptado de: Tortora; Grabowski (2006) 2.1.7 Água A água é o componente que aparece em maior quantidade em todos os seres vivos, compondo a maior parte do volume celular e dos fluidos corporais (RIZZO, 2012). Graças às suas propriedades, a água é um componente essencial para a vida. PROPRIEDADES 1. SOLVENTE: tem a capacidade de dissolver outros materiais (soluto). 2. PARTICIPA DE REAÇÕES QUÍMICAS: graças à sua capacidade descrita anteriormente, a água é um meio ideal para as reações químicas. 3. ABSORVE E LIBERA CALOR: a quantidade de água no corpo ajuda na manutenção da homeostase da temperatura corporal. 4. RESFRIAMENTO CORPORAL: quando a água contida no suor evapora da pele, leva uma grande quantidade de calor, favorecendo o resfriamento corporal. 5. LUBRIFICAÇÃO: é necessária na cavidade torácica e abdominal, onde os órgãos se tocam e deslizam uns sobre os outros, além das articulações, onde os ossos e tendões se atritam uns contra os outros. FIGURA 23 - CARACTERÍSTICAS DA ÁGUA FONTE: Adaptado de: Tortora; Grabowski (2006) UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO 102 2.1.8 Alimentação saudável A ingestão de alimentos adequados garante o suprimento dos nutrientes necessários à manutenção do organismo e consequentemente da saúde. Os nutrientes que fornecem mais energia são os carboidratos e gorduras, enquanto que as proteínas, sais minerais, vitaminas e a água desempenham outras funções importantes para o corpo humano. A energia dos alimentos é medida em quilocalorias. Cada 1 g de proteína ou carboidrato presente nos alimentos fornecem aproximadamente 4,1 quilocalorias, enquanto que 1 g de lipídio fornece aproximadamente 9,3 quilocalorias (TORTORA; GRABOWSKI, 2006). Um indivíduo adulto do sexo masculino, com aproximadamente 70 kg necessita de 1.600 quilocalorias de energia por dia se estiver deitado sem realizar nenhuma atividade, sendo essa energia utilizada somente para mantê-lo vivo. Se o colocarmos sentado em uma cadeira, acrescentamos cerca de 200 quilocalorias adicionais (GUYTON, 2011). Chamamos de metabolismo basal, a quantidade de energia (quilocalorias) utilizada pelo corpo para suprir as necessidades vitais. Esse valor varia de acordo com a idade, sexo, peso,altura, composição corporal, dentre outros. No entanto, ao realizar qualquer tipo de atividade física a quantidade de energia é maior para suprir as mesmas necessidades. Tipo de atividade Calorias (por hora) Dormindo 65 Acordado e deitado na cama 77 Sentado, descansando 100 Em pé, relaxado 105 Vestindo-se e despindo-se 118 Costurando 135 Exercício leve 170 Andando devagar (4 km/h) 200 Carpintaria, trabalho em metal 240 Exercício pesado 450 Serrando madeira 480 Nadando 500 Correndo (8 km/h) 570 Exercício muito pesado 600 Andando rapidamente (8 km/h) 650 Subindo escadas 1.100 QUADRO 7 - QUANTIDADE DE CALORIAS NECESSÁRIAS FONTE: Guyton (2011) TÓPICO 2 | O CORPO SAUDÁVEL 103 2.1.8 Alimentação saudável UNI Você sabe qual a sua taxa de metabolismo basal? Calcule através do simulador disponibilizado no site: <http://bemstar.globo.com/index.php?modulo=avaliacao_fisica_tmb>. A distribuição da quantidade ideal de carboidratos, proteínas e gorduras em uma dieta deve ser adaptada ao estilo de vida de cada indivíduo, em especial se pratica alguma atividade física. Porém, alguns pesquisadores sugerem a seguinte distribuição: 50 a 60% de carboidratos, com menos de 15% de açúcares simples. Menos de 30% de gorduras, com não mais de 10% de gorduras saturadas; e cerca de 12 a 15% de proteínas (TORTORA; GRABOWSKI, 2006). O Ministério da Saúde (2008) caracteriza como alimentação saudável aquela que apresenta variedade de alimentos, preços acessíveis, preparação de forma tradicional e segura sanitariamente. No documento oficial sobre alimentação, o Ministério da saúde (2008) apresenta dez passos para uma alimentação saudável. 1. Faça pelo menos três refeições (café da manhã, almoço e jantar) e dois lanches saudáveis por dia. Não pule as refeições. Fazendo todas as refeições, você evita que o estômago fique vazio por muito tempo, diminuindo o risco de ter gastrite e de ficar com muita fome e exagerar na quantidade quando for comer. Evite “beliscar” entre as refeições, isso vai ajudar você a controlar o peso. Aprecie a sua refeição, coma devagar, mastigando bem os alimentos. Saboreie refeições variadas dando preferência a alimentos saudáveis típicos da sua região e disponíveis na sua comunidade. O consumo frequente e em grande quantidade de sal, gordura, açúcar, doce, refrigerante, salgadinho e outros alimentos industrializados aumenta o risco de doenças como câncer, obesidade, hipertensão arterial, diabetes e doenças do coração. Escolha os alimentos mais saudáveis, lendo as informações e a composição nutricional nos rótulos dos alimentos. Siga as normas básicas de higiene na hora da compra, do preparo, da conservação e do consumo de alimentos. A higiene é essencial para redução dos riscos de doenças transmitidas pelos alimentos e pela água. 2. Inclua diariamente seis porções do grupo de cereais (arroz, milho, trigo, pães e massas), tubérculos como as batatas e raízes como a mandioca/macaxeira/ aipim nas refeições. Dê preferência aos grãos integrais e aos alimentos na sua forma mais natural. Alimentos como cereais (arroz, milho, trigo), pães e massas, preferencialmente na forma integral; tubérculos como as batatas e raízes como a mandioca/ macaxeira/aipim são a mais importante fonte de energia e devem ser o principal componente da maioria das refeições, pois são ricos em carboidratos. UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO 104 Distribua as seis porções desses alimentos nas principais refeições diárias (café da manhã, almoço e jantar) e nos lanches entre elas. Nas refeições principais, preencha metade do seu prato com esses alimentos. Se utilizar biscoitos para os lanches, leia os rótulos: escolha os tipos e as marcas com menores quantidades de gordura total, gordura saturada, gordura trans e sódio. 3. Coma diariamente pelo menos três porções de legumes e verduras como parte das refeições e três porções ou mais de frutas nas sobremesas e lanches. Frutas, legumes e verduras são ricos em vitaminas, minerais e fibras e devem estar presentes diariamente nas refeições, pois contribuem para a proteção à saúde e diminuição do risco de ocorrência de várias doenças. Varie o tipo de frutas, legumes e verduras consumidos durante a semana. Compre os alimentos da época (estação) e esteja atento para a qualidade e o estado de conservação deles. Para alcançar o número de porções recomendadas, é necessário que esses alimentos estejam presentes em todas as refeições e lanches do dia. Dê preferência a frutas, legumes e verduras crus. Procure combinar verduras e legumes de maneira que o prato fique colorido, garantindo assim diferentes nutrientes. Sucos naturais de fruta feitos na hora são os melhores. A polpa congelada perde alguns nutrientes, mas ainda é uma opção melhor que sucos artificiais, em pó ou em caixinha e aqueles processados com muito açúcar, como os néctares de fruta. 4. Coma feijão com arroz todos os dias ou, pelo menos, cinco vezes por semana. Esse prato brasileiro é uma combinação completa de proteínas e bom para a saúde. Misture uma parte de feijão para duas partes de arroz cozido. Varie os tipos de feijão usados (preto, da colônia, manteiguinha, carioquinha, verde, de corda, branco e outros) e as formas de preparo. Use também outros tipos de leguminosas. A soja, o grão-de-bico, a ervilha seca e a lentilha podem ser cozidos e usados também em saladas frias. A fava também é uma leguminosa de ótima qualidade nutricional. As sementes (de girassol, gergelim, abóbora e outras) e as castanhas (do Brasil, de caju, nozes, nozes-pecan, amendoim, amêndoas e outras) são fontes de proteínas e de gorduras de boa qualidade. 5. Consuma diariamente três porções de leite e derivados e uma porção de carnes, aves, peixes ou ovos. Retirar a gordura aparente das carnes e a pele das aves antes da preparação torna esses alimentos mais saudáveis! Leite e derivados são as principais fontes de cálcio na alimentação. Carnes, aves, peixes e ovos fazem parte de uma alimentação nutritiva e contribuem para a saúde e para o crescimento saudável. Todos são fontes de proteínas, vitaminas e minerais. Os adultos devem preferir leite e derivados com menores quantidades de gorduras (desnatados). Gestantes devem dar preferência a esses alimentos nas formas integrais, se não houver orientação contrária de seu nutricionista ou médico. Consuma mais peixe e frango e sempre prefira as carnes magras. Procure comer peixe fresco pelo menos duas vezes por semana, tanto os de água doce como salgada são saudáveis. Coma pelo menos uma TÓPICO 2 | O CORPO SAUDÁVEL 105 vez por semana vísceras e miúdos, como o fígado bovino, moela, coração de galinha, entre outros. Esses alimentos são excelentes fontes de ferro, nutriente essencial para evitar anemia. Caso opte por uma alimentação sem carnes (com ou sem ovos, leite e derivados), procure um nutricionista para receber orientações necessárias para alimentação adequada. 6. Consuma, no máximo, uma porção por dia de óleos vegetais, azeite, manteiga ou margarina. Fique atento aos rótulos dos alimentos e escolha aqueles com menores quantidades de gorduras trans. Reduza o consumo de alimentos gordurosos, como carnes com gordura aparente, embutidos (salsicha, linguiça, salame, presunto, mortadela), queijos amarelos, frituras e salgadinhos, para, no máximo, uma vez por semana. Use pequenas quantidades de óleo vegetal quando cozinhar (canola, girassol, milho, algodão e soja), sem exagerar nas quantidades. Uma lata de óleo por mês é suficiente para uma família de quatro pessoas. Use azeite de oliva para temperar saladas, sem exagerar na quantidade. Evite usá-lo para cozinhar, pois perde sua qualidade nutricional quando aquecido. Prepare os alimentos de forma a usar pouca quantidade de óleo, como assados, cozidos, ensopados e grelhados. Evite cozinhar com margarina, gordura vegetal ou manteiga. Na hora da compra, dê preferência às margarinas sem gordura transou a marcas com menores quantidades desse ingrediente (procure no rótulo essa informação). 7. Evite refrigerantes e sucos industrializados, bolos, biscoitos doces e recheados, sobremesas doces e outras guloseimas como regra da alimentação. Consuma no máximo uma porção do grupo dos açúcares e doces por dia. Valorize o sabor natural dos alimentos e das bebidas evitando ou reduzindo o açúcar adicionado a eles. Diminua o consumo de refrigerantes e de sucos industrializados; a maioria dessas bebidas contém corantes, aromatizantes, açúcar ou edulcorantes (adoçantes artificiais), que não são bons para a saúde. Prefira bolos, pães e biscoitos doces preparados em casa, com pouca quantidade de gordura e açúcar, sem cobertura ou recheio. 8. Diminua a quantidade de sal na comida e retire o saleiro da mesa. Evite consumir alimentos industrializados com muito sal (sódio) como hambúrguer, charque, salsicha, linguiça, presunto, salgadinhos, conservas de vegetais, sopas, molhos e temperos prontos. A quantidade de sal por dia deve ser, no máximo, uma colher de chá rasa, por pessoa, distribuída em todas as refeições. Utilize somente sal iodado. Não use sal destinado ao consumo de animais, que é prejudicial à saúde humana. Evite consumir alimentos industrializados com muito sal (sódio) como hambúrguer, charque e embutidos (salsicha, linguiça, salame, presunto, mortadela), salgadinhos e outros produtos industrializados como conservas de vegetais, sopas, molhos e temperos prontos. Leia o rótulo dos alimentos e prefira aqueles com menor quantidade de sódio. O consumo excessivo de sódio aumenta o UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO 106 risco de hipertensão arterial e doenças do coração e rins. Utilize temperos como cheiro verde, alho, cebola e ervas frescas e secas ou suco de frutas, como limão, para temperar e valorizar o sabor natural dos alimentos. 9. Beba pelo menos dois litros (seis a oito copos) de água por dia. Dê preferência ao consumo de água nos intervalos das refeições. A água é muito importante para o bom funcionamento do organismo das pessoas em todas as idades. O intestino funciona melhor, a boca se mantém úmida e o corpo hidratado. Use água tratada, fervida ou filtrada para beber e preparar refeições e sucos. Ofereça água para crianças e idosos ao longo de todo o dia. Eles precisam ser estimulados ativamente a ingerir água. Bebidas açucaradas como refrigerantes e sucos industrializados e bebidas com cafeína como café, chá-preto e chá-mate não devem substituir a água. 10. Torne sua vida mais saudável. Pratique pelo menos 30 minutos de atividade física todos os dias e evite as bebidas alcoólicas e o fumo. Mantenha o peso dentro de limites saudáveis. Além da alimentação saudável, a atividade física regular é importante para manter um peso saudável. Movimente-se! Descubra um tipo de atividade física agradável, o prazer é também fundamental para a saúde. Caminhe, dance, ande de bicicleta, jogue bola, brinque com crianças. Aproveite o espaço doméstico e espaços públicos próximos à sua casa para movimentar-se. Convide os vizinhos, amigos e familiares para acompanhá-lo. Incentive as crianças a realizarem brincadeiras mais ativas como aquelas que você fazia na sua infância e ao ar livre: pular corda, correr, pular amarelinha, esconde-esconde, pega-pega, andar de bicicleta e outras. Evitar o fumo e o consumo frequente de bebida alcoólica também ajuda a diminuir o risco de doenças graves, como câncer e cirrose, e pode contribuir para melhorar a qualidade de vida. FONTE: Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_ alimentacao_saudavel.pdf>. Acesso em: 24 jul. 2015. Para orientar a população a manter uma alimentação saudável, foi desenvolvida uma pirâmide alimentar que indica a quantidade de alimentos a serem ingeridos diariamente. TÓPICO 2 | O CORPO SAUDÁVEL 107 FIGURA 24 - PIRÂMIDE ALIMENTAR FONTE: Disponível em: <http://www.nutricaopraticaesaudavel.com.br/index.php/saude-bem- estar/entenda-a-nova-piramide-alimentar/>. Acesso em: 24 jul. 2015. Na base da pirâmide alimentar estão os carboidratos complexos, que fornecem energia ao corpo e devem ser consumidos em maior quantidade em relação aos outros nutrientes. Os legumes, verduras e frutas formam o próximo nível, e fornecerão nutrientes necessários ao funcionamento do corpo e manutenção da saúde. O próximo nível onde estão os queijos, leites, iogurtes, carnes e ovos devem ser consumidos com moderação, uma vez que apresentam maior quantidade de gordura e proteínas que o nível anterior. Sendo assim, é importante optar por alimentos mais magros e saudáveis como, por exemplo, leite desnatado, queijos e carnes magras. Na parte superior da pirâmide estão as gorduras, óleos e doces que devem ser usados ocasionalmente, por serem muito calóricos, ricos em gorduras e açúcares (refinados) não são imprescindíveis para o funcionamento adequado do corpo. Vale ressaltar, que as gorduras boas como: azeite de oliva, óleo de canola, nozes, abacate, dentre outros, são importantes para prevenção de doenças, mas devem ser consumidos com moderação. Guia para escolha dos alimentos Dieta de 2000kcal Óleos e Gorduras 1 porção Leite, Queijo, Iogurte 3 porções Legumes e Verduras 3 porções Açúcares e Doces 1 porção Carnes e Ovos 1 porção Feijões e Oleaginosas 1 porção Frutas 3 porções Naturalmente presente ou adicionado Pratique atividade física, no mínimo 30 minutos diários Faça 6 refeições no dia (café da manhã, almoço e jantar, com lanches intermediários) Phillippi S1, organizador. Pirâmide dos alimentos. Fundamentos básicos da nutrição. Barueri; Manole; 2008 Arroz, Pão, Massa, Batata, Mandioca 6 porções UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO 108 2.1.9 Distúrbios alimentares Alimentar-se de forma errada pode trazer várias consequências ao organismo humano e desencadear diversas doenças. Um dos problemas mais comuns relacionados à má-alimentação é a obesidade, ocasionada pelo consumo de alimentos em excesso e abandono de atividades físicas. 2.1.10 Obesidade A obesidade é um desequilíbrio entre o que é ingerido e o que se gasta de energia. Os indivíduos podem engordar através do aumento do número das células de gordura (hiperplasia) ou pelo aumento do tamanho das células de gordura (hipertrofia) (REUTER et al., 2012). Os adipócitos podem aumentar e diminuir de tamanho, mas seu número se mantém por toda a vida. A obesidade atinge pessoas de todas as idades, sendo cada vez mais comum na infância. De acordo com Vidal (2011), a obesidade já supera a desnutrição nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, para cada criança desnutrida há nove crianças obesas. O aumento da obesidade em crianças se deve aos hábitos alimentares e estilo de vida a que são submetidas, conforme Vidal (2011, p. 81): Causas da obesidade em geral: • Aumento do consumo de alimentos concentrados em calorias (frituras, carnes gordas, embutidos, alimentos ricos em margarina, manteiga, creme de leite, óleo, açúcar e farinhas refinadas); • Consumo abundante de sal ou sódio (salgadinhos, temperos prontos, ketchup, alimentos processados, enlatados, dentre outros); • Pouco ou nenhum consumo de verduras, legumes e frutas; • Abandono da prática de atividade física (as crianças vão e voltam da escola de carro, as brincadeiras movimentadas no quintal foram substituídas por jogos no computador ou video game); • Atrações do video game, da TV ou do computador estão cativando as pessoas em detrimento de esportes de movimentação e exercícios físicos; • Alimentos oferecidos na maioria das cantinas escolares, especialmente em escolas particulares, são altamente calóricos. Em geral, limitam-se a pizzas, pães de queijo, croissants, bolachas recheadas; • Marketing maciço e convincente dos meios de comunicação, criando inclinação para os alimentos calóricos e pouco saudáveis;• Aumento do costume de comer fora (shoppings, restaurantes, lanchonetes); • Tamanho cada vez maior das porções de alimentos comerciais. A obesidade expõe tanto as crianças quanto os adultos a diversos problemas que podem favorecer o aparecimento de doenças. Vidal (2011, p. 79- 80), ressalta algumas complicações: TÓPICO 2 | O CORPO SAUDÁVEL 109 2.1.9 Distúrbios alimentares 2.1.10 Obesidade Doenças causadas pela obesidade: • Dislipidemia (alterações nas frações lipídicas do sangue, como colesterol elevado, triglicérides altos etc.) e suas consequências (diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares); • Hipertensão e suas consequências (derrame, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 etc.) Crianças obesas têm maior predisposição a se tornar hipertensas do que crianças não obesas; • Intolerância à glicose (favorecendo a chegada do diabetes tipo 2); • Apneia do sono; • Problemas ósseos variados; • Pedra na vesícula; • Efeitos sociais e psicológicos indesejáveis; • Crianças obesas correm o grave risco de se tornar adultos obesos. Mais de 20% das crianças tem excesso de peso, é provável que em cada sala de aula existam um ou mais estudantes obesos. Tal fato está associado à má- alimentação, falta de exemplos em casa (quando os pais não se alimentam de forma adequada), estresse psicossocial, inatividade física e sedentarismo (REUTER et al., 2012). Durante as atividades educativas realizadas no espaço escolar é importante que o professor seja o mediador, propondo problematizações sobre a importância de bons hábitos alimentares, saúde e higiene. Na disciplina de educação física, essa abordagem pode ser desenvolvida a partir de projetos interdisciplinares, uma vez que as aulas têm caráter mais prático que as demais disciplinas. Como sugestão, o professor de educação física, poderá trabalhar o IMC com os estudantes, verificar a circunferência abdominal, fazer uma pesquisa sobre a incidência de doenças nos estudantes e seus pais, bem como descobrir se fazem ou não atividades físicas, enquanto outros professores abordam outros conceitos. Para calcular o IMC (Índice de Massa Corpórea) você precisará do peso e da altura dos estudantes. Com esses dados, eles deverão submeter a fórmula (figura a seguir): FIGURA 25 - CÁLCULO DO IMC FONTE: Disponível em: <http://andrezagoulart.com.br/ blog/2012/02/08/duvidas-sobre-a-cirurgia-bariatrica- emagrecimento/>. Acesso em: 28 jul. 2015. UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO 110 Ao encontrar os valores, os estudantes deverão compará-los à tabela a seguir: FIGURA 26 - TABELA IMC FONTE: Disponível em: <http://www.corpoperfeito.com.br/tools/calculadoras/ imc/default.aspx>. Acesso em: 28 jul. 2015. Durante as atividades, é importante tomar cuidado para que os estudantes não se sintam constrangidos. Deixe que cada um faça o seu cálculo e compare com a tabela. Faça comentários gerais durante a explanação, atendo-se para os índices acima de 25 e abaixo de 18,5. UNI Assista ao documentário: “Muito além do peso”. Você poderá utilizá-lo durante as aulas de educação física para ampliar as discussões sobre a obesidade com os seus estudantes. Confira no link: <https://www.youtube.com/watch?v=8UGe5GiHCT4>. 2.1.11 Desnutrição A desnutrição pode ser compreendida como uma condição clínica decorrente de deficiência de um ou mais nutrientes (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2008). Do ponto de vista fisiológico o glicogênio armazenado no corpo (fígado e músculos) é esgotado nas primeiras 12 a 24 horas, o indivíduo sobrevive dos depósitos de gorduras e proteínas armazenadas em seu corpo (GUYTON, 2011). Quando o depósito de gordura acaba, o corpo passa a utilizar as proteínas dos tecidos para obter energia, no entanto, a utilização desses nutrientes leva à morte celular, pois são vitais para o funcionamento celular. TÓPICO 2 | O CORPO SAUDÁVEL 111 2.1.11 Desnutrição De acordo com o Ministério da Saúde (2008, p. 19) essa condição leva a várias alterações no organismo humano: • Grande perda muscular e dos depósitos de gordura, provocando debilidade física. • Emagrecimento: peso inferior a 60% ou mais do peso ideal (adultos) ou do peso normal (crianças). • Desaceleração, interrupção ou até mesmo involução do crescimento. • Alterações psíquicas e psicológicas: a pessoa fica retraída, apática estática, triste. • Alterações de cabelo e de pele: o cabelo perde a cor (fica mais claro), a pele descasca e fica enrugada. • Alterações sanguíneas, provocando, dentre elas, a anemia. • Alterações ósseas, como a má-formação. • Alterações no sistema nervoso: estímulos nervosos prejudicados, número de neurônios diminuídos, depressão, apatia. • Alterações nos demais órgãos e sistemas respiratório, imunológico, renal, cardíaco, hepático, intestinal etc. Outro distúrbio alimentar que os professores devem estar atentos no ambiente escolar, principalmente nos adolescentes é a anorexia e bulimia. Nessa fase em que a personalidade dos estudantes está sendo formada, é importante possibilitar reflexões para direcioná-los a práticas mais saudáveis. Jovens anoréxicos têm sua imagem corporal distorcida, sendo a ingestão de alimentos reduzida, e o gasto energético aumentado por excesso de atividade física, ou por vômito induzido e utilização de diferentes medicamentos (AFFONSO; SONATI, 2007). Nos casos de bulimia, os jovens comem de forma excessiva e por receio de engordar provocam o vômito ou consomem laxantes (AFFONSO; SONATI, 2007). Em todas as situações elencadas a educação nutricional é importante para informar os estudantes sobre a importância de bons hábitos alimentares para a manutenção do corpo, além de atuar na prevenção de diversas doenças. Além disso, hábitos de higiene (corporal e alimentar) são fundamentais para garantir a saúde dos indivíduos. UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO 112 LEITURA COMPLEMENTAR O COMER EMOCIONAL - CONSUMIDO PELA COMIDA Além de manter-nos vivos, o ato de comer serve a propósitos psicológicos, sociais e culturais incontáveis. Comemos para comemorar, punir, confortar, protestar e negar. A ingestão alimentar em resposta a impulsos emocionais, tais como o sentimento de estresse, tédio ou cansaço, em vez de à fome física real, é chamada de comer emocional. A Comida como Resgate Emocional O comer emocional é tão comum que, dentro de certos limites, é considerado entre as variações do comportamento normal. Quem uma vez ou outra não foi diretamente ao refrigerador, após um dia ruim? Os problemas aparecem quando o comer emocional se torna tão excessivo que interfere na saúde. Os problemas físicos incluem a obesidade e as doenças associadas, como hipertensão e doença cardíaca. Os problemas psicológicos abrangem a autoestima, uma incapacidade de lidar eficientemente com os sentimentos de estresse e, em casos extremos, os transtornos alimentares. Para os comedores emocionais, o impulso para comer frequentemente mascara sentimentos desagradáveis, como o tédio, a solidão, a depressão, a ansiedade, a raiva ou a fadiga. Comer proporciona alívio e bem-estar, entorpece a dor e “alimenta o coração faminto”. Alguns hipercomedores emocionais dizem que o enchimento de comida se torna uma metáfora para a supressão de sentimentos indesejáveis. O ato de comer pode estabelecer um “dilema” bioquímico também. Os comedores emocionais se abarrotam tipicamente de alimentos ricos em carboidratos (doces e amidos), que podem elevar os níveis encefálicos de serotonina e provocar sensações de relaxamento. O alimento torna-se um meio de automedicar-se, quando surgem as emoções negativas. Consumida pela Comida Nos casos extremos, o comer transforma-se em uma adição, e a compulsão para consumir quantidades excessivas de alimento começa a dominar a vida pessoal. As pessoas com bulimia ou transtorno de compulsão periódica para comer demais (transtorno de compulsão hiperalimentar) têm umacompulsão urgente irresistível e totalmente incontrolável para comer, levando-as a consumir enormes quantidades de comida várias vezes por semana, ou muitas vezes por dia. As que têm bulimia tentam expurgar as calorias que ingeriram, vomitando, exercitando-se em excesso ou fazendo uso de laxantes e diuréticos, enquanto as que têm o transtorno de compulsão periódica para comer demais (transtorno de compulsão hiperalimentar) geralmente não age assim. TÓPICO 2 | O CORPO SAUDÁVEL 113 Os transtornos alimentares podem ser muito perigosos e até letais, exigindo tratamento profissional imediato, compreensivo e profundo que ajude as pessoas a lidar com os aspectos psicológicos subjacentes. A terapia para os comedores emocionais precisa voltar-se às emoções que desencadeiam a hiperalimentação e planejar estratégias eficazes que eliminem a necessidade de lidar com o estresse por meio da ingestão alimentar excessiva. FONTE: TORTORA, Gerard J.; DERRICKSON, Bryan. Corpo humano: fundamentos de anatomia e fisiologia. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2012, p. 509. 114 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico você viu que: • Os compostos orgânicos apresentam o elemento carbono (C) em sua composição e são extraídos da natureza. • Os carboidratos são formados por açúcares e têm como função principal a produção de energia. São classificados em: monossacarídeos, dissacarídeos e polissacarídeos. • As proteínas são formadas por aminoácidos. Suas funções no organismo são classificadas em: estrutural, transporte, defesa e catálise. • Os lipídios são formados por glicerol e ácidos graxos e fornecem mais energia que as proteínas e carboidratos. Eles atuam como isolantes térmicos, protegem contra choques mecânicos, constituem as membranas celulares, atuam como impermeabilizantes, além de ter função hormonal. • Os compostos inorgânicos são do reino mineral, ou seja, das rochas. Como exemplo temos os sais minerais, ácidos, bases e óxidos e não possuem carbono em sua composição. • As vitaminas não participam da estruturação do corpo e produção de energia, mas são fundamentais para manter o corpo saudável. As vitaminas funcionam como coenzimas, atuando em diversas reações químicas. • Os sais minerais apresentam funções diversas no corpo humano que podem estar relacionadas ao funcionamento das enzimas, síntese de hormônios, contração muscular, dentre outros. • A água é um componente vital para todos os seres vivos, sendo um importante solvente nas reações químicas. Além disso, absorve e libera calor, favorece o resfriamento corporal e atua como lubrificante evitando o atrito dos órgãos. • A alimentação saudável é aquela que apresenta variedade de alimentos, preços acessíveis, preparação de forma tradicional e segura sanitariamente. • A pirâmide alimentar foi desenvolvida para orientar a população a manter uma alimentação saudável, indicando a quantidade de alimentos a serem ingeridos diariamente. • A obesidade é um desequilíbrio entre o que é ingerido e o que se gasta de energia. Ela atinge pessoas de todas as idades, mas está cada vez mais comum na infância superando os índices de desnutrição. • A desnutrição pode ser compreendida como uma condição clínica decorrente de deficiência de um ou mais nutrientes. 115 AUTOATIVIDADE 1 Faça uma pesquisa sobre a homeostase e, em seguida elabore uma síntese sobre o assunto. 2 A alimentação saudável deve valorizar a variedade de alimentos. Além disso, a forma de preparo deve ser o mais natural possível, evitando temperos industrializados, sal e óleo em excesso. Analisando o prato a seguir, identifique os nutrientes que podem ser encontrados em cada alimento e comente suas funções no organismo. 3 A pirâmide alimentar foi desenvolvida para orientar a população a ter uma dieta mais saudável. Nela, os alimentos estão distribuídos de acordo com a prioridade de ingestão. Analisando os alimentos a seguir, classifique-os para estruturar a pirâmide alimentar de forma correta (você pode usar números para a associação). FONTE: Disponível em: <http://www.colorirgratis.com/desenho-de-a-pir%C3%A2mide- alimentar_15100.html>. Acesso em: 7 ago. 2015. 116 117 TÓPICO 3 APTIDÃO FÍSICA E SAÚDE UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Vimos no tópico anterior a importância de conhecermos os nutrientes encontrados nos alimentos e suas funções desempenhadas no organismo para que possamos fazer boas escolhas alimentares. Essas escolhas podem possibilitar uma vida mais saudável ou favorecer o aparecimento de diferentes doenças que comprometem a saúde dos indivíduos. Além da boa alimentação, manter-se ativo é imprescindível para manter o organismo funcionando de forma adequada, além de prevenir muitas doenças. Uma das responsabilidades do professor de Educação Física é ampliar a visão de seus estudantes sobre a necessidade de uma vida ativa, associada a uma alimentação equilibrada, através de atividades diferenciadas que proporcionem momentos de reflexões, para sensibilizar os estudantes sobre essas questões. 2 DESAFIOS DA SOCIEDADE ATUAL O estilo de vida da nossa sociedade mudou muito nos últimos anos. Essas mudanças potencializaram os estudos com relação à atividade física como promotora da saúde, prevenindo e tratando diversas doenças (NAHAS, 2010). De acordo com Nahas (2010, p. 36) as mudanças em nossa sociedade incluem questões sociais e ambientais: A explosão populacional e a urbanização acelerada; o aumento significativo da expectativa de vida decorrentes dos avanços da medicina e melhorias na qualidade de vida em geral; a inversão nas principais causas de morbidade e morte que deixaram de ser as doenças infectocontagiosas, dando lugar aos processos crônico- degenerativos, como as doenças do coração, o diabetes e o câncer; a revolução tecnológica, que fez com que chegássemos à era dos labor saving devices (mecanismos que poupam energia muscular), predispondo a inatividade física e ao lazer passivo. As transformações em nossa sociedade, quer seja no trabalho com máquinas que nos poupam esforços e jornadas diárias extensas; quer seja em casa, com equipamentos tecnológicos que facilitam as atividades cotidianas; ou nas atividades de lazer, requisitam um esforço mental, mas favorecem a inatividade física e ampliam o cenário para uma série de doenças, conforme relatório da OMS. 118 UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO FIGURA 27 - RELATÓRIO DA OMS FONTE: Disponível em: <http://www.news.med.br/p/saude/367834/oms-divulga-as-dez- principais-causas-de-morte-no-mundo-de-2000-a-2011.htm>. Acesso em: 18 ago. 2015. De acordo com a OMS (2014), as principais causas de morte poderiam ser evitadas se a população tivesse informações adequadas sobre a importância da alimentação equilibrada, atividade física e os malefícios do tabagismo. Dessa forma, ressaltamos a importância dessas informações serem trabalhadas no ambiente escolar através de projetos interdisciplinares, e até em conversas informais para que os estudantes possam ser sensibilizados, e então fazer boas escolhas. 3 ATIVIDADE FÍSICA, APTIDÃO FÍSICA E SAÚDE A atividade física faz parte do cotidiano de todas as pessoas, em maior ou menor intensidade. De acordo com Heyward (2013), a atividade física pode ser compreendida como o movimento produzido pelo corpo que resulte em gasto de energia. Atividades como limpar a casa, lavar a louça, estender roupa estão incluídas aqui. Embora a atividade física e o exercício físico se relacionem, eles precisam ser compreendidos separadamente para fins didáticos. O exercício é uma forma da atividade física planejada para desenvolver ou manter a aptidão física, habilidades motoras, dentre outros (NAHAS, 2010). TÓPICO 3 | APTIDÃO FÍSICA E SAÚDE 119 3 ATIVIDADE FÍSICA, APTIDÃO FÍSICA E SAÚDE Ainda que nosso corpo tenha sido projetado para estar em movimento, o exercício físico não faz parte da rotina da maioria da população, sendo chamados de fisicamente inativos.A inatividade física, pode favorecer o aparecimento de diversas doenças, conforme podemos evidenciar a seguir. Distúrbios metabólicos Câncer Doenças cardiovasculares Distúrbios muscoesqueléticos Transtornos psicológicos Doenças pulmonares Inatividade física e estilo de vida sedentário Diabetes Sobrepeso Obesidade Mama Colo Próstata Pulmão Efisema Bronquite Asma Ansiedade Mau humor Depressão Osteoporose Dor lombar Osteoartrite Fraturas ósseas e rompimento de tecidos conjuntivos Cardiopatia coronariana Cardiomiopatia Hipercolesterolemia Aterosclerose Hipertensão Insufiência cardíaca congestiva FIGURA 28 - PROBLEMAS CAUSADOS PELA INATIVIDADE FÍSICA FONTE: Heyward (2013) QUADRO 8 - APTIDÃO FÍSICA PERFORMANCE MOTORA SAÚDE Inclui componentes necessários a uma performance máxima para o trabalho e / ou esportes. Possibilitam energia para o trabalho e o lazer. Proporcionam menos risco de desenvolver doenças crônico-degenerativas. Valorizam: • A agilidade. • O equilíbrio. • A coordenação motora. • A potência. • A velocidade. Valorizam: • A aptidão cardiorrespiratória. • A força/resistência muscular. • A flexibilidade. • A composição corporal (índices de gordura corporal e distribuição da gordura subcutânea- predominância central ou periférica). FONTE: Adaptado de: Araujo; Araujo (2000); Nahas (2010) 120 UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO A atividade física, e a aptidão física são conceitos importantes quando falamos em saúde. É muito comum a associação de um indivíduo saudável, àquele que tem ausência de doença. No entanto, sabe-se que o conceito de saúde engloba outros aspectos, conforme Nahas (2013, p. 47): Saúde é uma condição humana com dimensões física, social e psicológica, caracterizada num contínuo com polos positivos e negativos. A saúde positiva seria caracterizada com a capacidade de ter uma vida satisfatória e proveitosa, confirmada geralmente pela percepção de bem-estar geral; a saúde negativa estaria associada a morbidade e, no extremo, com mortalidade prematura. É impossível falarmos de saúde sem pensarmos em qualidade de vida. No entanto, definir este conceito não é tarefa fácil, uma vez que é muito subjetivo. Segundo os autores Araujo; Araujo (2000), para compreender o conceito de qualidade de vida é necessário respeitar as expectativas que os indivíduos têm com relação à sua vida e à sua saúde, considerando os padrões para o seu gênero, idade, condição social e econômica, valores éticos e culturais. Fica claro que os conceitos de atividade física, aptidão física e saúde (associada a qualidade de vida), se relacionam. Essa relação também é complexa e influenciada por outros fatores. FIGURA 29 - RELAÇÃO ENTRE ATIVIDADE FÍSICA, APTIDÃO FÍSICA E SAÚDE APT. FÍSICA RELACIONADA À SAÚDE • Morfológica • Muscular • Cardiorrespiratória • Metabólica HEREDITARIEDADE SAÚDE • Bem-estar • Morbidade • Mortalidade ATIVIDADE FÍSICA • Lazer • Ocupacional • Outras atividades • Estilo de vida • Características pessoais • Ambiente físico • Ambiente social FONTE: Nahas (2010) TÓPICO 3 | APTIDÃO FÍSICA E SAÚDE 121 3.1 CLASSIFICAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Definimos anteriormente a aptidão física. Esta compreende a capacidade de um indivíduo em realizar atividades físicas (podem ser profissionais, recreativas, da vida diária) sem se fatigar em excesso (HEYWARD, 2013). A atividade física e o exercício são processos desenvolvidos pelos indivíduos que influenciam diretamente a aptidão física, ou seu desempenho. Esta por sua vez, sofre influência de fatores genéticos, alimentação, doenças e condições ambientais. FIGURA 30 - APTIDÃO FÍSICA Exercício Atividade física Comportamento (Processo) Desempenho (Produto) Aptidão física Hereditariedade Alimentação Doenças Ambiente FONTE: Nahas (2010) No tópico anterior, apresentamos brevemente as duas formas de abordar a aptidão física, a que se relaciona à performance motora e outra à saúde. A primeira relaciona componentes da aptidão física que contribuem para um bom desempenho em tarefas específicas, no trabalho ou nos esportes (NAHAS, 2010, p. 49). Com relação à saúde, a aptidão física envolve componentes associados ao estado de saúde, seja nos aspectos de prevenção e redução dos riscos de doenças, e também disposição para as atividades diárias (NAHAS, 2010, p. 49). A aptidão física relacionada à saúde é nosso objeto de estudo nesse material. Dessa forma, vamos conhecer seus componentes importantes: 122 UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO QUADRO 9 – APTIDÃO FÍSICA – SAÚDE COMPONENTES DA APTIDÃO FÍSICA – SAÚDE CONCEITO Resistência cardiorrespiratória É a capacidade que o coração, os pulmões e o sistema circulatório tem de fornecer oxigênio e nutrientes para os músculos trabalharem de maneira eficiente. Flexibilidade É a habilidade de mover uma articulação ou várias delas suavemente ao longo da amplitude completa de movimento. A flexibilidade é limitada por fatores como estrutura óssea da articulação, tamanho e força dos músculos, ligamentos e outros tecidos conjuntivos. Capacidade musculoesquelética É a capacidade que o sistema ósseo e muscular tem para realizar trabalho. A força muscular é o nível máximo de força ou tensão que pode ser produzido por um grupo muscular; a resistência muscular consiste na capacidade de um músculo manter os níveis de força submáxima por períodos prolongados; a resistência óssea está diretamente relacionada ao risco de fratura óssea e é uma função do conteúdo mineral e da densidade dos tecidos ósseos. Composição corporal e massa corporal A massa corporal refere-se ao tamanho ou à massa do indivíduo. A composição corporal refere-se à massa em termos de quantidades absolutas e relativas dos tecidos muscular, ósseo e de gordura. FONTE: Heyward (2013) A importância que damos a uma ou outra forma de aptidão física e seus componentes está completamente relacionado à idade, condições de saúde e interesses pessoais. Por exemplo, para um bombeiro o desempenho motor é uma aptidão mais importante do que para um atendente de call center. Mas você se pergunta, o que a baixa aptidão física pode causar nos indivíduos? • Indivíduos com baixa aptidão cardiorrespiratória têm como implicação para a saúde: baixa capacidade de trabalho; fadiga prematura no trabalho e no lazer; maior risco de doenças cardiovasculares. • Indivíduos com baixa aptidão muscular têm como implicações para a saúde: problemas articulares mais frequentes; problemas posturais; lesões musculares mais frequentes; dores lombares; maior risco de queda em idosos. TÓPICO 3 | APTIDÃO FÍSICA E SAÚDE 123 • Indivíduos com baixa pouca mobilidade (flexibilidade reduzida) têm como implicações para a saúde: problemas posturais; limitada participação em atividades desportivas/recreativas; maiores riscos de lesões musculares e articulares; dores lombares. • Indivíduos com alterações na composição corporal (obesidade) têm como implicações para a saúde: maior incidência de doenças cardiovasculares; morte prematura; hipertensão; diabetes; artrite degenerativa; doenças dos rins; menor resistência orgânica; mais problemas posturais; pior qualidade de vida. Frente ao que abordamos neste tópico, é necessário repensar o estilo de vida que levamos, fazendo pequenas mudanças alimentares e incluindo exercícios físicos em nossa rotina, para que progressivamente resultem em melhorias físicas, emocionais, psicológicas, nos tornando mais saudáveis e aptos para executar funções simples e complexas do dia a dia! 124 UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO LEITURA COMPLEMENTAR ALERTA: MAUS HÁBITOS POSTURAIS Por: Conceição Trucom Parar e observar a forma como praticamos pequenas coisas em nossa rotina é, sem dúvida, algo que passa desapercebido para a grande maioria das pessoas.Uma atenção e pequenos cuidados podem melhorar nossa qualidade de vida, a postura saudável de nossos filhos, trazendo bem-estar e minimizando possíveis patologias. Começa pela escolha da roupa, do sapato adequado e confortável, assim como optar por uma mochila não muito pesada. E, certamente que devemos observar a qualidade da pele, unhas, cabelo e dentes de todos nós. Não só a questão do asseio, mas o brilho, viço ou fragilidade. Mas, não podemos esquecer de prestar atenção em questões posturais como: 1. Altura dos ombros: igual? Inclinados para um dos lados (escoliose)? Qual lado? 2. Joelhos: dobram da mesma forma? Estendem-se para trás (hiperextensão)? São similares? 3. Coluna: postura sempre com a cabeça e ombros arqueados para frente (cifose ou hipercifose)? Ou com o bumbum muito empinado para trás (hiperlordose)? Estas observações estão na nossa frente apontando uma desarmonia, mas que pais e professores não estão preparados para enxergar como um problema postural, que se não tratado a tempo, poderá desencadear problemas no futuro. A observação pode ser mesmo indireta, por exemplo, pela forma como estão gastos os calçados: gasta somente um dos pés? Gasta para dentro? Gasta para fora? A coluna vertebral – ossos - funciona como um tronco de uma árvore, mas quem lhe dá movimento são os músculos e tendões, que devem ser fortes, tônicos e flexíveis. Qualquer alteração ou descompensação acarretará em desequilíbrio, que para compensar descompensa na postura (acentuação de curvaturas), e assim vai até cristalizar numa patologia mais grave. A maioria dos problemas de coluna são causados pelos vícios posturais e pela má conduta de postura. A musculatura do tronco é estática, ou seja, utilizada apenas para sustentação e não para mobilidade, como pernas e braços. Seu movimento é realizado quando estimulado, sendo assim, quanto menos movimentá-lo, mais fraco se tornará e mais dificuldade haverá ao realizar o movimento. Devemos começar a observar – e evitar - desde o posicionamento do berço, algo muito importante, pois a criança sempre irá perceber e procurar a luz TÓPICO 3 | APTIDÃO FÍSICA E SAÚDE 125 e o barulho, muitas vezes virando a cabeça sempre para o mesmo lado, bem como seu corpo. O certo é posicionar o berço de tal forma que a criança não precise fazer esforço algum para enxergar a luminosidade (nem acima, nem atrás, nem ao lado), e os pés da criança fiquem de frente para a porta. Na fase de crescimento e desenvolvimento é primordial ela que tenha uma postura adequada, para que seus músculos se formem fortes e sua estrutura óssea íntegra. Portanto, várias transformações podem ser evitadas, se notadas ou prevenidas precocemente. A prevenção de atitudes prejudiciais, somada ao controle de equilíbrio das necessidades corporais, alcançam um resultado satisfatório. Problemas posturais comuns em crianças Hipercifose – ombros fletidos para a frente e cabeça fletida para baixo. Este quadro é comum em crianças acanhadas, envergonhadas e que sentam muito errado, como no computador ou no hábito diário de jogar video games. Na adolescência, este quadro é mais comum em meninas, pela vergonha e necessidade de proteger ou esconder as mamas. Hiperlordose – bumbum empinado para trás. Embora seja bem-visto pela cultura brasileira, este é um quadro comum de má postura, obesidade e fragilidade da musculatura abdominal. Existe, embora menos comum, muitos casos de meninos com este problema. Alguns esportes, como o balé e a natação, podem agravar este quadro, e o profissional responsável, assim como os pais, deverão estar atentos, na forma de evitar agravamentos. Escoliose – ombro caído para um dos lados. Causada principalmente pela utilização de bolsas ou mochilas em um ombro só, puxar mochila de rodinha ou “andar com gingado”. Todos estes problemas posturais se não forem tratados, irão, ao longo do crescimento, aumentando as tensões, as compensações e curvaturas. Dores localizadas irão surgir cada vez com maior frequência, além de sinais de enfraquecimento abdominal, atonias musculares e comprometimentos da coluna, do movimento e da disposição. Concluindo Todos esses fatores devem chamar a atenção dos pais e parentes, para assim, recorrerem a um profissional para que haja uma investigação e boa orientação. Um alerta: muitos pais (ou parentes) ficam realizados em implementar a prática de um esporte no cotidiano de seus filhos (sobrinhos, netos etc.). Demandam grande energia econômica (custo, uniformes etc.) e de tempo (levar, 126 UNIDADE 2 | QUALIDADE DE VIDA E HÁBITOS SAUDÁVEIS – A SAÚDE, DOENÇAS E SUAS CAUSAS, PREVENÇÃO pegar etc.) para realizar este sonho “saudável”. Mas, é preciso estar atento sobre a existência de algum dos problemas posturais mencionados acima, pois o esporte praticado sem integrar a devida correção postural, irá agravar ou até deixar sequelas. O primeiro passo a ser tomado é procurar um médico especializado em ortopedia para que sejam realizados exames específicos e avaliadas as reais condições de comprometimento postural. Outro passo importante é consultar um fisioterapeuta especializado em RPG (Reeducação Postural Global), para que se faça uma reconstrução de sua postura, com reeducação via conscientização dos seus hábitos de movimento e postura. Mais um alerta: quanto mais cedo for detectado o problema postural, mais fácil será sua correção e cura. FONTE: Disponível em: <http://www.docelimao.com.br/site/soja/524-alerta-maus-habitos- posturais>. Acesso em: 24 ago. 2015. 127 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico você viu que: • A atividade física é promotora de saúde, além de prevenir e tratar diversas doenças. • A atividade física pode ser compreendida como o movimento produzido pelo corpo que resulte em gasto de energia. • O exercício é uma forma da atividade física planejada para desenvolver ou manter a aptidão física, habilidades motoras, dentre outros. • A aptidão física pode ser compreendida como a capacidade de realizar as atividades físicas, sem fadiga excessiva garantindo a sobrevivência dos indivíduos em boas condições orgânicas. • O conceito de qualidade de vida é bastante subjetivo, uma vez que é necessário respeitar as expectativas que os indivíduos têm com relação à sua vida e à sua saúde, considerando os padrões para o seu gênero, idade, condição social e econômica, valores éticos e culturais. • A atividade física e o exercício são processos desenvolvidos pelos indivíduos que influenciam diretamente a aptidão física, ou seu desempenho. Esta por sua vez, sofre influência de fatores genéticos, alimentação, doenças e condições ambientais. • Os componentes da aptidão física com relação a saúde são: resistência cardiorrespiratória, flexibilidade, capacidade musculoesquelética, composição corporal e massa corporal. 128 1 Defina atividade física, exercício físico e aptidão física e explique como eles se relacionam. 2 Aplique o questionário a seguir com duas pessoas e interprete os resultados. QUESTIONÁRIO DE ATIVIDADES FÍSICAS HABITUAIS Você é fisicamente ativo(a)? Para cada questão respondida SIM, marque os pontos indicados à direita. A soma dos pontos é um indicativo de quão ativo(a) você é. A faixa ideal para a saúde da maioria das pessoas é moderadamente ativo(a) – 12 a 20 pontos. AUTOATIVIDADE Atividades Ocupacionais Diárias Pontos 1. Eu geralmente vou e volto do trabalho (ou escola) caminhando ou de bicicleta (ao menos 800 m cada percurso) 3 2. Eu geralmente uso as escadas ao invés do elevador 1 3. Minhas atividades diárias podem ser descritas como: a) Passo a maior parte do tempo sentado e, quando muito, caminho distâncias curtas 0 b) Na maior parte do dia realizo atividades físicas moderadas, como caminhar rápido ou executar tarefas manuais 4 c) Diariamente realizo atividades físicas intensas (trabalho pesado) 9 Atividades de Lazer Pontos 4. Meu lazer inclui atividades físicas leves, como passear de bicicleta ou caminhar (duas ou mais vezes porsemana) 2 5. Ao menos uma vez por semana participo de algum tipo de dança 2 6. Quando sob tensão, faço exercícios para relaxar 1 7. Ao menos duas vezes por semana faço ginástica localizada 3 8. Participo de aulas de ioga ou tai-chi-chuan regularmente 2 9. Faço musculação duas ou mais vezes por semana 4 10. Jogo tênis, basquete, futebol ou outro esporte recreacional, 30 minutos ou mais por jogo: a) Uma vez por semana 2 b) Duas vezes por semana 4 c) Três ou mais vezes por semana 7 11. Participo de exercícios aeróbicos fortes (correr, pedalar, remar, nadar) 20 minutos ou mais por sessão: a) Uma vez por semana 3 b) Duas vezes por semana 6 c) Três ou mais vezes por semana 10 TOTAL DE PONTOS: 129 Classificação: 0-5 pontos: Inativo 6-11 pontos: Pouco ativo 12-20 pontos: Moderadamente Ativo 21 ou mais pontos: Muito ativo FONTE: Nahas (2010) 130 131 UNIDADE 3 SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir desta unidade, você será capaz de: • conheça a história da Saúde Pública; • conheça os programas de Atenção à Saúde; • compreenda a definição de vacina e como ela está relacionada à escola; • entenda sobre o Programa de Imunização; • conheça o Calendário de Vacinação; • entenda de que maneira as drogas estão inseridas no ambiente escolar; • conheça as drogas mais comuns e como a Educação Física pode ser um agente de prevenção às drogas na escola. Esta unidade está dividida em três tópicos. Você encontrará atividades que o(a) ajudarão na compreensão dos conteúdos apresentados. Ao final terá um texto como sugestão de leitura complementar e atividades para auxiliá-lo(a) em assimilar os conhecimentos teóricos adquiridos. TÓPICO 1 – SAÚDE PÚBLICA TÓPICO 2 – IMUNOBIOLÓGICOS TÓPICO 3 – DROGAS E O AMBIENTE ESCOLAR 132 133 TÓPICO 1 SAÚDE PÚBLICA UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO O tema que será abordado nesta unidade diz respeito à saúde pública. Estudaremos que a saúde sempre foi o foco do ser humano, pois desde a antiguidade havia preocupação em evitar doenças que assolavam a população. Perceberemos que houve inúmeras tentativas para que fosse criado um órgão de saúde que atendesse à população e que oferecesse condições de saúde dignas, suscitando interesse político em mantê-lo e implementá-lo de acordo com as necessidades do indivíduo. Neste ínterim, verificaremos o conceito de saúde pública e qual sua relação com a escola, pois a promoção da saúde na escola pode ser um dos veículos de informação mais eficazes para abordar a saúde. Também estudaremos os programas de atenção à saúde, como o PAISA, PAISM, PAISC, PROSAD e PAST, como práticas para enquadrar cada cidadão brasileiro, de acordo com sua idade e sua necessidade em ações de saúde e que possibilitem a prevenção ou cura do mal que aflige o indivíduo. Por fim, estudaremos o Programa Saúde na Escola, cuja iniciativa é de inserir a saúde no espaço escolar, com vistas às ações de prevenção, promoção e atenção à saúde. Vamos juntos nessa caminhada! 2 HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA Desde tempos remotos existiu a preocupação do homem em cuidar da saúde, inicialmente entregue a curandeiros e posteriormente a estudiosos que, aos poucos, foram descobrindo a importância dos microrganismos que causavam doenças à população. Em 1808, com a vinda da Família Real ao Brasil, podemos afirmar que houve a primeira mobilização com vistas à saúde pública. Entretanto, em meio à falta de profissionais habilitados para o desempenho profissional, acrescida do temor da população em relação ao tratamento oferecido, as pessoas ainda preferiam os curandeiros. UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR 134 No início do século XX não eram todas as pessoas que tinham acesso aos serviços de saúde, muito pelo contrário, esse privilégio era para poucos. Nessa época estavam no auge as preocupações sanitárias, em virtude das pestes que atingiam a população, como exemplos podemos citar a varíola, malária e febre amarela. Com relação à economia no período de 1900 a 1920, a indústria cafeeira estava em pleno crescimento. (ROCHA e CÉSAR, 2008). Nesse período ganha destaque o sanitarista Oswaldo Cruz, que em 1902 conseguiu combater a febre amarela, e para dar continuidade, o Dr. Carlos Chagas iniciou em 1921 o combate à tuberculose. (FIGUEIREDO, 2007). O Brasil se espelhou em ideias da Europa sobre saúde para se voltar ao estudo e à prevenção das doenças e desse modo se aprimorar e poder atuar nos surtos epidêmicos. Sendo assim, desenvolveu-se uma área científica chamada de medicina pública, medicina sanitária, higiene ou somente saúde pública. (FIGUEIREDO, 2007). Rocha e César (2008) pressupõem que a primeira atuação do governo federal na esfera da saúde aconteceu em 1923, com a criação do Departamento Nacional de Saúde Pública e da “Caixa de Aposentadorias e Pensões” (ferroviários, marítimos e telegráficos), com a Lei Eloy Chaves. Em 1965 foi criado o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), entretanto, a fragilidade desse serviço negou sua continuação, então foi criado em 1974 o Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS), que passou a incorporar o INPS, buscando eliminar fraudes e corrupções, bem como renovar a promessa de saúde aos segurados. (ROCHA e CÉSAR, 2008). Em 1994, o Ministério da Saúde criou o Programa Saúde da Família (PSF), dentro da vigência do SUS, voltado ao atendimento da saúde em nível primário. O SUS continua enfrentando muitos problemas, mas até agora foi o programa que melhor adentrou na saúde da população (FIGUEIREDO, 2007). UNI Ministério da Saúde é um órgão responsável por administrar e elaborar nosso sistema de saúde, visando oferecer melhor qualidade na saúde da população. Essa administração é feita a partir da verba enviada pelo governo, e essa verba é destinada à compra de medicamentos, ao pagamento dos salários dos médicos e à melhoria dos hospitais públicos. TÓPICO 1 | SAÚDE PÚBLICA 135 2.1 RELAÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA COM EDUCAÇÃO E ESCOLA É importante entendermos alguns conceitos que há na área da saúde, para compreendermos o funcionamento dela. Para isso temos que saber, primeiramente, o que é saúde pública e seus objetivos em relação à população. O termo saúde pública pode dar margem a muitas conotações e termos equivalentes, como: saúde coletiva, medicina social, higienismo e sanitarismo, todos os sinônimos conduzem a um mesmo entendimento, pois fazem referências às formas de atuação da política governamental (programas, serviços, instituições), no sentido de dirigir intervenções voltadas às chamadas necessidades sociais de saúde. A saúde pública se preocupa com a proteção da saúde da população, cuida das condições de saúde da comunidade, visa à promoção da saúde e proporciona oficinas de educação com a ajuda de uma equipe multiprofissional. Para Figueiredo (2007), saúde pública diz respeito ao cuidado, à educação, à ciência de evitar uma doença, prolongar a vida e promover a saúde física e mental, com a ajuda da comunidade. Assim, é possível citar as ações da saúde pública de maneira simplificada, ou seja, quais são suas responsabilidades: • prevenção de doenças não infecciosas; • prevenção de doenças infecciosas; • promoção da saúde; • melhoria da atenção médica e da reabilitação; • promoção de saneamento básico; • combate às doenças transmissíveis que ameaçam a coletividade; • organização dos serviços em que a equipe de saúde atua; • criação de condições sociais que assegurem uma vida favorável à manutenção da saúde. No Brasil, a prática da educação em saúde pública foi introduzida com ações centradas no sanitarismo e na divulgação de informações, abrindo campo para que a saúde e a educação se fundam. É na escola que encontramos o local perfeito para colocar em prática a promoção em saúde, pois o processo de aprendizagem é um fator importante, talvez o mais importante, da atividade escolar (ABRAHÃO e GARCIA, 2009). UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR 136 3 PROGRAMAS DE ATENÇÃOÀ SAÚDE Você já pensou o que é mais importante: a saúde ou a educação? Na verdade, não conseguimos separar a saúde da educação, pois são duas áreas que andam juntas, elas são igualmente importantes, são interdependentes e resistindo a inúmeras mudanças nos processos políticos, econômicos, sociais e ambientais. Não podemos esquecer que sem saúde não há educação e sem educação não há saúde. Você sabe conceituar saúde? Várias definições podem surgir, entretanto houve a necessidade de ampliação desse conceito, pois a maioria das pessoas padronizava saúde como sendo a ausência de doença. Em virtude desse estereótipo errôneo, a Organização Mundial da Saúde relativizou como sendo o bem-estar, bem-estar físico, mental e social. A saúde pode ser entendida como um bem-estar biopsicossocial, ou seja, resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso aos serviços de saúde. A saúde passou de um modelo assistencial e curativo para um integral. Dessa forma, o educador deve se aperfeiçoar para compreender e atuar neste novo paradigma, criando estratégias de promoção à saúde na escola. Conforme Candeias (1997), educação em saúde são as atividades pré- estudadas e analisadas que visam o ensino/aprendizagem. Já promoção em saúde são as práticas que consideram os fatores relacionados à saúde (genético, ambiental, estilo de vida, cultura...) introduzidos na educação, caracterizando uma interação complexa de assuntos a serem trabalhados e discutidos no ambiente escolar, voltados à promoção, manutenção e recuperação da saúde. Você acha que é possível a escola trabalhar com o tema saúde? Será que é o ambiente ideal para esse tipo de assunto? E se o governo interferir nesse processo, seria salutar? Se sua resposta for sim, você acertou, porém, a educação em saúde não pode ser confundida com disciplinas de ciências, biologia, educação física e sociologia de maneira isolada. Deve-se envolver o aluno com todas as disciplinas, de maneira a favorecer as condições de vida e saúde, integralizando vivências e conhecimentos. A Constituição Federal assegura a assistência à família, mediante programas de proteção, prevenção e promoção da saúde, priorizando o atendimento no ambiente familiar e comunitário. TÓPICO 1 | SAÚDE PÚBLICA 137 3 PROGRAMAS DE ATENÇÃO À SAÚDE A partir de agora, vamos conhecer alguns programas de atenção à saúde de maneira geral e posteriormente conhecer as diretrizes do governo no programa de saúde na escola, o que surgiu em termos de educação dentro nas nossas escolas e de que maneira o assunto é abordado. 3.1 PROGRAMA DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DA MULHER (PAISM) Os programas priorizados no universo da saúde pública iniciam pela saúde da mulher, sendo que um dos objetivos é diminuir a mortalidade materna, já que houve grandes problemas e preocupações no universo feminino em virtude de muitas mortes de mães que davam à luz ao filho e neste ínterim acabavam indo a óbito por alguns motivos, como: eclampsia, hipertensão arterial, diabetes, hemorragias provocadas por deslocamento prévio da placenta, aborto, câncer, AIDS, entre outros motivos. Entretanto, uma maneira simples e econômica de diminuir o índice de mortalidade foi a implementação de ações educativas de saúde e atendimento das necessidades básicas da família, especialmente da gestante. O PAISM prevê a assistência à mulher de forma integrada, abordando várias fases de sua vida, da adolescência à menopausa, incluindo a assistência ao pré-natal, parto e puerpério, planejamento familiar, assistência clínico- ginecológica e climatério. Na área ginecológica, o câncer de colo de útero foi destaque nos índices de patologias entre as mulheres, sendo uma doença possível de ser prevenida e curada. Assim, o Ministério da Saúde desenvolveu o Programa Nacional de Controle de Câncer de Colo Uterino, com estratégias de marketing para divulgação das informações, ações educativas, melhoria no atendimento prestado pelo SUS, com público-alvo para mulheres com idade entre 35 e 49 anos. (FIGUEIREDO, 2007). A prevenção contra o câncer de mama também está prevista no programa, entretanto, o governo tem investido em campanhas e folhetos incentivando as mulheres a realizarem o autoexame das mamas, sendo a melhor forma de prevenção contra este mal que atinge várias mulheres. As ações básicas ainda previstas neste programa oferecem esclarecimentos sobre como funciona o corpo feminino, métodos anticoncepcionais, vantagens, desvantagens e escolha do método mais adequado ao seu corpo. Além de prestar informações e acompanhamento no período do climatério, fase que está associada a alterações relacionadas à perda de atividade dos ovários e problemas psicológicos, como a depressão. (FIGUEIREDO, 2007). UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR 138 3.2 PROGRAMA DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DA CRIANÇA (PAISC) As maiores modificações do corpo e da mente acontecem na infância, caracterizando o crescimento e desenvolvimento da criança, precisando ter um acompanhamento diferenciado, com vistas à promoção e manutenção da saúde, intervindo sobre os fatores externos e negativos para preservar a integridade da criança. (SIGAUD e VERÍSSIMO, 1996). Conforme Figueiredo (2007), no Brasil há em torno de 13 milhões de crianças com idade inferior a cinco anos, sendo que uma grande porcentagem ainda morre em decorrência de doenças infecciosas, respiratórias ou distúrbios nutricionais. O Ministério da Saúde teve algumas ideias, que são o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, aleitamento materno e orientação para o desmame, controle de doenças infecciosas e respiratórias agudas, bem como incentivo à vacinação. (FIGUEIREDO, 2007). O cartão da criança é um grande aliado nessas questões relacionadas à saúde, é um instrumento que permite visualizar as ações preventivas e, mais do que isso, permite detectar problemas de crescimento pôndero-estatural (relacionado a peso e altura), problemas nutricionais e, através desse diagnóstico, realizar o planejamento e implementação de ações para resolver ou amenizar estes problemas. (SILVA e VANZIN, 1998). Dessa forma, os objetivos centrais do PAISC são: controlar o crescimento e desenvolvimento; controle das diarreias e desidratação; controle das infecções respiratórias agudas (IRA); prevenção e manejo do recém-nascido de baixo peso; prevenção de acidentes e intoxicações e assistência ao recém-nascido. (SILVA e VANZIN, 1998). 3.3 PROGRAMA DE ATENÇÃO À SAÚDE DO ADOLESCENTE (PROSAD) Este programa abrange adolescentes com idade entre 10 e 19 anos. É nessa fase que a adolescência desperta, sendo uma etapa da vida do ser humano de muitas alterações físicas, emocionais e sociais. A adolescência pode ser definida como a segunda década da vida, momento em que se estabelecem novas relações do adolescente com o mundo. Os adolescentes que procuravam os serviços de saúde se deparavam com profissionais desqualificados e despreparados para compreender e ajudar os problemas típicos dessa fase da vida. TÓPICO 1 | SAÚDE PÚBLICA 139 Para tentar modificar estas distorções do modelo assistencialista em saúde dos adolescentes, foi criado em 1989 o PROSAD, o Programa de Atenção à Saúde do Adolescente, que propôs as alterações necessárias para o enfrentamento da problemática que atinge esse segmento populacional. (FIGUEIREDO, 2007). O caminho percorrido pelo Programa de Saúde do Adolescente é desenvolver ações direcionadas ao conceito de saúde indicado pela Organização Mundial de Saúde, que seria o completo estado de bem-estar biopsíquico e social, e não apenas a ausência de enfermidades ou doenças. UNI A Organização Mundial de Saúde tem sede em Genebra, na Suíça. O Brasil é um dos membros da OMS e tem participação representativa, pois foram seus delegados, inclusive, que propuseram a criação de uma organização dedicada a promover a saúde pública mundial. Atéhoje há intensa cooperação entre Brasil e OMS. Nesse sentido, o PROSAD voltou-se ao atendimento das ações direcionadas para o diagnóstico precoce, tratamento, recuperação e promoção à saúde. Conforme Figueiredo (2007), seus objetivos são: • promover a saúde integral do adolescente, favorecendo o processo geral de seu crescimento e desenvolvimento, buscando reduzir a morbimortalidade; • Normatizar as ações consideradas nas áreas prioritárias; • Estimular e apoiar a implementação dos programas estaduais e municipais, para assegurar atendimento adequado e respeitando as particularidades regionais e a realidade local; • Promover e apoiar estudos e pesquisas relativos à adolescência; • Contribuir com atividades institucionais, governamentais e não governamentais nas três esferas de governo. Conforme Figueiredo (2007), foram considerados áreas prioritárias o acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento, a sexualidade, a saúde bucal, a saúde mental, a saúde reprodutiva, a saúde do escolar adolescente, a prevenção de acidentes, o trabalho cultural, o lazer e o esporte. UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR 140 3.4 PROGRAMA DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DO ADULTO (PAISA) O adulto pertence à faixa etária de 19 a 70 anos de idade, dentro do universo da saúde pública, que abrange os ambientes macro e micro. A saúde do adulto é assegurada em artigos constitucionais, resultando num direito. (SILVA e VANZIN, 1998). Sabe-se que ações voltadas à educação reduzem significativamente o número de hospitalizações no Brasil, além de melhorar as complicações de doenças agudas e crônicas e prevenir ou retardar o aparecimento de patologias. Foi em meio a essas informações que surgiu o Programa de Assistência Integral à Saúde do Adulto (PAISA). Para Silva e Vanzin (1998), as enfermidades crônicas implicam alto custo social e trazem danos severos ao cidadão e sua família, portanto recomenda- se estimular o diagnóstico precoce e tratamento correto. É pela investigação epidemiológica que se verificam os agentes causais e a extensão do problema, partindo daí para o planejamento adequado dos recursos e programas. Esse programa constitui maneiras de priorizar os agravos específicos à saúde do adulto pelo Ministério da Saúde, contando com a ajuda do setor epidemiológico a fim de planejar ações de caráter individual e coletivo. A priorização nessa faixa populacional está voltada a agravos específicos de patologias como a hipertensão arterial, diabetes mellitus, tuberculose e hanseníase. O PAISA atua na promoção dos cuidados primários de saúde junto à comunidade adulta e oferece educação preventiva em assuntos com relação à hipertensão arterial e diabetes mellitus, bem como as transformações pelas quais passam os indivíduos a partir da 5ª década de vida. (FIGUEIREDO, 2007). 3.5 PROGRAMA DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DO IDOSO (PAISI) A Organização Mundial da Saúde classifica cronologicamente como idosos as pessoas com mais de 65 anos de idade em países desenvolvidos e com mais de 60 anos de idade em países em desenvolvimento. Segundo a OMS, até o ano de 2025 o Brasil será o sexto país no mundo em número de idosos. Entre 1980 e 2000, a população com 60 anos ou mais cresceu de 7,3 milhões para 14,5 milhões e, ao mesmo tempo, a expectativa média de vida aumentou no país. Em virtude dos números demonstrados através de pesquisas, a expectativa de vida necessita ser acompanhada e estudada por profissionais capacitados, visando à manutenção da saúde nessa faixa etária e qualidade de vida satisfatória, pois os desafios serão grandes. (COSTA e CIOSAK, 2010). TÓPICO 1 | SAÚDE PÚBLICA 141 Segundo Silva e Vanzin (1998), os profissionais não estão preparados para lidar com o envelhecimento populacional, e isso demonstra sinais urgentes de mudanças. Os cofres públicos sofrem com o dispêndio de internação hospitalar dos idosos, sem falar que as contribuições à Previdência Social não refletem o que chamaríamos de arrecadação ideal, pois os benefícios recebidos pelos idosos são baixos, fazendo com que muitos continuem trabalhando exaustivamente para manter seu sustento. Dessa forma, é necessário juntar esforços a fim de mobilizar categorias profissionais, objetivando prestar melhor atendimento, compreensão e disposição para melhorar a qualidade de vida do idoso, resgatando a dignidade e criando oportunidades para que possam desfrutar o fim de suas vidas junto à sociedade, família, com independência e autonomia dentro de suas possibilidades. Para Silva e Vanzin (1998), os idosos possuem apenas duas opções para suas vidas: desfrutar de uma velhice saudável ou então viver com problemas de saúde. Entretanto, nesse sentido pode-se admitir duas correntes, uma que trabalha a autoestima do idoso e a outra que estimula o agravamento das enfermidades, conduzindo-o à incapacidade parcial ou total. E para que uma delas aconteça, a família é a chave de tudo, pois contribuirá diretamente para uma das correntes. No período em que houve novas mudanças no SUS, no século XX, foram introduzidas políticas de saúde em relação ao idoso, e em 2006 foi implementada a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, que define a Atenção Básica como sendo o início para a atenção à saúde do idoso e o modelo para rede de serviços especializados de média e alta complexidade. (BANDEIRA et al., 2006). Para Bandeira et al. (2006), o PAISI foi criado para promover o envelhecimento saudável, valorizando a autonomia e preservando a independência física e mental da terceira idade, prevenindo a perda de capacidade funcional ou reduzindo os efeitos negativos, como também para garantir o acesso a instrumentos adequados de diagnósticos, medicação e reabilitação funcional. 3.6 PROGRAMA DE ATENÇÃO À SAÚDE DO TRABALHADOR O trabalho faz parte da vida do homem, definindo valores, metas, objetivos, fazendo da sua vida seu estilo de sobrevivência. Conforme Figueiredo (2007), é possível definir o trabalho como qualquer esforço físico ou mental a fim de realizar alguma atividade ou obter algum resultado. Muitas vezes, o trabalho gera prejuízos à saúde do trabalhador, seja pelo modo insalubre, pelo desgaste físico ou emocional, por isso é importante compreender como ocorre o processo de desenvolvimento da doença, a partir da relação do homem com o trabalho, já que o trabalho organiza a vida do homem. UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR 142 Portanto, esse programa visa ao atendimento de forma individual ou coletiva do trabalhador, visando desenvolver ações para proporcionar melhoria da qualidade de vida em seu ambiente de trabalho, adotando práticas para a promoção de saúde e bem-estar do indivíduo. 4 PROGRAMA SAÚDE NA ESCOLA A promoção da saúde na escola é considerada um caminho de grandes resultados, que atingem os alunos e as famílias. Em virtude dessa questão, a escola passa a ter um panorama privilegiado para práticas preventivas e educativas voltadas à saúde, pois “a promoção da saúde no âmbito escolar parte de uma visão integral, multidisciplinar do ser humano, que considera as pessoas em seu contexto familiar, comunitário e social” (ROCHA e CÉSAR, 2008). Conforme a Política Nacional de Promoção da Saúde, uma boa estratégia para a promoção de saúde é estar atento aos fatores que geram riscos à saúde da população, levando em consideração as diferenças de ambiente, território, cultura e necessidades de vida das pessoas. (ROCHA e CÉSAR, 2008). Desde 1950 vêm sendo realizadas várias tentativas de incluir a saúde no ambiente escolar, entretanto, o fracasso demorou para dar lugar ao sucesso. No entanto, nas últimas décadas é possível perceber inovações com esta ideia, unindo educação e saúde, juntamente com a implementação de políticas públicas e a aceitação da escola como espaço promotor de saúde. (BRASIL, 2012). Visando essa integração, o governo federal criou um programa voltado à saúde das crianças, adolescentes e jovens do ensino público básico, instituindo o PSE (ProgramaSaúde na Escola) com atuação do Ministério da Saúde e Ministério da Educação, iniciado no ano de 2007 pelo Decreto Presidencial nº 6.286. (BRASIL, 2007). FIGURA 31 – MANUAL PARA DIRETRIZES DO PROGRAMA SAÚDE NA ESCOLA FONTE: Disponível em: <http://www.sed.sc.gov.br./>. Acesso em: 9 out. 2015. TÓPICO 1 | SAÚDE PÚBLICA 143 4 PROGRAMA SAÚDE NA ESCOLA O objetivo foi o de melhorar a qualidade de vida da população, onde o público-alvo são os estudantes da Educação Básica, gestores e profissionais de educação e saúde, comunidade escolar e, de forma mais amplificada, estudantes da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica e da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A promoção da saúde é a principal atividade trabalhada pelo Programa Saúde na Escola, a fim de desenvolver ações como as práticas corporais, atividade física e lazer. As práticas corporais são atividades individuais ou em grupos, como, por exemplo, a dança, judô, karatê, jogos, as brincadeiras, dentre outras. De acordo com o decreto, a intenção é englobar assuntos relacionados à educação em saúde na rede pública de educação, com ações de prevenção, promoção e atenção à saúde. O documento almeja a aplicação de ações de avaliação em nível nutricional, oftalmológico, bucal e psicossocial, a identificação hábil da hipertensão, a promoção de alimentação saudável, orientações a respeito do uso de drogas lícitas e ilícitas, orientações sobre sexualidade e doenças sexualmente transmissíveis, entre outras ações. Conforme Brasil (2015), o programa está estruturado em quatro blocos. • O primeiro visa avaliar as condições de saúde, envolvendo estado nutricional, incidência precoce de hipertensão e diabetes, saúde bucal (controle de cárie), acuidade visual e auditiva e, ainda, avaliação psicológica do estudante. • O segundo se responsabiliza pela promoção e prevenção de saúde, que cuida das dimensões da construção da paz e combate à violência, etilismo, cigarro, entre outras drogas. Também se preocupa com a questão da educação sexual e reprodutiva, além do incentivo à atividade física e práticas corporais. • O terceiro bloco do programa é voltado à educação permanente e capacitação de profissionais e de jovens. • O quarto está voltado ao monitoramento e à avaliação da saúde dos estudantes através de duas pesquisas. A primeira é a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), que aborda todos os itens da avaliação das condições de saúde e perfil socioeconômico das escolas públicas e privadas. A segunda pesquisa será o Encarte Saúde no Censo Escolar (Censo da Educação Básica), elaborado e aplicado no contexto do Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE) desde 2005. Essa sondagem consiste em cinco questões ligadas mais diretamente ao tema DST/AIDS. Assim, este programa incentivará a saúde dentro da escola e ajudará a realizar muitas mudanças positivas, acima de tudo, a participação de crianças e jovens, a fim de atuarem como sujeitos transformadores da realidade. 144 Neste tópico você viu que: • Em 1808, com a vinda da Família Real ao Brasil, podemos afirmar que houve a primeira mobilização com vistas à saúde pública. • Em 1965 foi criado o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). • Em 1994, o Ministério da Saúde criou o Programa Saúde da Família. • A saúde pública se preocupa com a proteção da saúde da população, cuida das condições de saúde da comunidade e visa à promoção da saúde. • A saúde pública diz respeito à arte e à ciência de prevenir a doença e a incapacidade, prolongar a vida e promover a saúde física e mental. • Podemos citar como programas de atenção à saúde o PAISA, PAISM, PAISC, PROSAD e PAST. • O governo federal criou o PSE (Programa Saúde na Escola), voltado à saúde das crianças, adolescentes e jovens do ensino público básico. RESUMO DO TÓPICO 1 145 1 Conceitue saúde pública. 2 Sabemos que a saúde pública visa à promoção da saúde da comunidade, portanto, cite três ações em que a saúde pública é responsável. 3 Explique qual é o objetivo do Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PAISM). 4 Explique o que significa a sigla PSE e quando surgiu. 5 Explique qual é o objetivo do PSE. AUTOATIVIDADE 146 147 TÓPICO 2 IMUNOBIOLÓGICOS UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Você sabia que os imunobiológicos são os produtos biológicos mais seguros? Você sabe para que servem? A partir de agora você descobrirá que imunobiológico é sinônimo de vacina e foi uma das descobertas mais importantes na história da humanidade, pois ela erradicou muitas doenças que estavam levando a óbito uma grande parte da população global. Lembre-se de que vacina perdida é oportunidade de doença chegando! A vacinação de crianças nos primeiros anos de vida é importante para a redução de doenças e óbitos. Imunização é uma atividade de intervenção em saúde pública que contribui para a redução da mortalidade infantil, sendo de baixo custo, além de ajudar no desenvolvimento econômico e social do Brasil. O Ministério da Saúde é bem atuante no Brasil e desenvolve programas de imunização periodicamente, objetivando erradicar as doenças, cujo alvo são as crianças, principalmente em idade escolar. Após a criação do Programa Nacional de Imunização em 1973, o PNI foi o ponto alto das ações de saúde pública no país, considerado o programa que trouxe melhor resultado, e hoje podemos dizer que o Brasil tem os melhores programas de imunização do mundo. A partir de agora você estudará a importância das vacinas para a população e conhecerá as nuances do programa de imunização, juntamente com os tipos de vacinas para combater cada tipo de doença. 2 CONCEITO Imunobiológico é sinônimo de produto biológico, nada mais é do que vacina, produzido a partir de microrganismos que podem ser vírus ou bactérias, cujo objetivo é o de induzir o organismo humano a produzir uma resposta de defesa, também chamada de resposta imunológica, contra esses agentes infecciosos sem que o organismo desenvolva a doença. 148 UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR Quando o organismo humano reconhece uma substância estranha, inicia o desenvolvimento da proteção, fazendo parte do processo imunológico, para em seguida metabolizá-la, neutralizá-la ou eliminá-la, é assim que as vacinas agem. Vacinar é introduzir substâncias do agente infectante no organismo humano, aonde haverá uma reação imunológica, com o reconhecimento de agentes estranhos, produzindo uma resposta imune específica, no sentido de combater o microrganismo. (SOERENSEN; MARULLI, 1999). O sistema imunológico é sensibilizado pelas vacinas, prevenindo o aparecimento de patologias causadas por vírus e bactérias. Dessa forma, as vacinas colaboram para que o sistema imunológico crie formas de defesa de maneira célere e eficaz contra esses microrganismos, prevenindo as infecções. (SOERENSEN; MARULLI, 1999). Quando a vacina é aplicada, dependendo do local de aplicação, ela atinge rapidamente ou lentamente a corrente sanguínea, deixando as células de defesa em alerta, produzindo anticorpos contra o vírus ou bactéria (vivo ou atenuado) administrado no organismo. (ROUQUAYROL; ALMEIDA, 1999). À medida que o organismo consegue combater o falso inimigo, as células de defesa associam a informação por memorização do perfil e alertam outras células do sistema imunológico de como atacá-lo, produzindo anticorpos apropriados durante muito tempo ou toda a vida do indivíduo. (ROUQUAYROL; ALMEIDA, 1999). Você pode se perguntar: mas para que tomar reforço das vacinas? Então... as doses de reforço são extremamente necessárias, pois, com o passar dos anos, algumas células do sistema de defesa não conseguem codificar a informação para combater o agente patógeno, precisando de um “lembrete”. A produção das vacinas segue padrões com critérios rigorosos de manipulação, necessitando treinamento por parte dos profissionais que trabalham no ramo, a fim de que não haja contaminação dos imunobiológicos durante o processo de fabricação, levandosegurança e conforto para quem os utiliza, sejam crianças, adultos ou idosos. UNI No dia 17 de outubro é comemorado o Dia Nacional da Vacinação, data relevante para que toda a população compreenda a importância dessa medida para a prevenção de doenças. TÓPICO 2 | IMUNOBIOLÓGICOS 149 Conforme Rouquayrol e Almeida (1999), a palavra vacina é de origem francesa vaccine e lembra a palavra latina vacca, pois era das tetas da vaca que se extraía a matéria que continha uma substância com vírus, a qual se introduzia no organismo das crianças para induzir certas reações e a formação de anticorpos capazes de tornar imune esse organismo ao microrganismo utilizado. 3 HISTÓRICO A descoberta das vacinas significou um progresso em termos de saúde pública, considerado um avanço na história da humanidade, proporcionando bem-estar, reduzindo gastos com medicamentos, internações e prevalecendo acima de tudo a vida do ser humano, pois além de manter os patógenos e doenças sob controle, o objetivo primordial foi erradicar as doenças infecciosas. No século XVII a varíola era uma doença transmissível e mortal, sendo considerada o mal do século por pesquisadores. Curiosamente, os mulçumanos, sem saber a fisiologia da doença, já realizavam o procedimento de introduzir o líquido da ferida da varíola de um paciente em outro sadio, com o objetivo de protegê-lo da doença. Esse procedimento foi levado para a Europa e Estados Unidos e posteriormente estudado pelo médico inglês Edward Jenner. (SOERENSEN; MARULLI, 1999). Dessa forma, o médico inglês Edward Jenner fez a grande descoberta da primeira vacina no século XVIII, e em maio de 1796 ele injetou a linfa retirada de uma vesícula da mão de uma mulher, na epiderme do braço de uma criança de oito anos de idade. (SOERENSEN; MARULLI, 1999). FIGURA 32 – REPRESENTAÇÃO CLÁSSICA DE EDWARD JENNER VACINANDO UMA CRIANÇA FONTE: Disponível em: <http://www.revistavitanaturalis.com/artigos/historia- da-ciencia/edward-jenner-e-a-descoberta-da-vacina/>. Acesso em: 20 out. 2015. 150 UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR A criança apresentou a reação eritêmato-pustulosa, que nada mais é do que uma “ferida”, sendo que depois de seis semanas, Edward inoculou o pus da varíola humana no menino, obtendo resultado negativo. A partir daí, descobriu- se a vacina contra a varíola (MOULIN, 2003). Em 1870, Louis Pasteur e Robert Koch conseguiram entender a relação entre agentes patogênicos e doenças, foi a partir de então que Pasteur nominou de vacina qualquer agente microbiano infeccioso que fosse utilizado como imunização, em homenagem a Edward. (MOULIN, 2003). Portanto, passados quase 90 anos entre as ideias de Jenner e a primeira vacina humana realizada contra a raiva, por Pasteur, houve grandes estudos e aperfeiçoamentos com relação aos métodos e composição das vacinas, como também a cogitação da possibilidade de revacinação em alguns casos. (SILVA e VASQUES, 2004). Em 1904 ocorreu no Rio de Janeiro a Revolta da Vacina, que foi um movimento popular com muitos conflitos urbanos e violentos entre a população e policiais militares, devido à obrigação que o governo impôs para que a população realizasse a vacina contra a varicela. (MOULIN, 2003). A grande maioria da população não tinha estudo, era pobre e desinformada. Além disso, eram oprimidos pelos cientistas e higienistas, e dessa forma se recusaram violentamente a aplicarem a vacina. Controlada a situação, a campanha de vacinação obrigatória foi concluída e em pouco tempo houve a erradicação da varíola na cidade do Rio de Janeiro. (MOULIN, 2003). Durante o passar dos séculos e através de histórias e experiências bem- sucedidas de vacinação, houve o desenvolvimento de vacinas mais seguras, devido às novas tecnologias, como a introdução do embrião de galinha para o isolamento do vírus, substituindo o uso de animais como os camundongos. 4 VACINAS NO BRASIL A utilização de imunobiológicos é um dos principais objetivos das políticas de saúde pública visando o combate e controle de doenças infecciosas. Um grande avanço para a medicina, no que diz respeito ao controle de doenças transmissíveis, foi a descoberta da penicilina e dos quimioterápicos. (BRASIL, 2003). No Brasil, os programas de imunização foram ganhando espaço paulatinamente, especialmente nos últimos 40 anos. Por muitos anos, a maior parte das vacinas foi desenvolvida pelo setor público, com verbas do governo e de alguns laboratórios. (FUNASA, 2004). TÓPICO 2 | IMUNOBIOLÓGICOS 151 4 VACINAS NO BRASIL As vacinas produzidas em grande escala no século XIX foram a BCG, DTP, sarampo e vacina oral contra a poliomielite. É interessante destacar o aparecimento de vacinas modernas no século XX, com base no ciclo da tecnologia recombinante de DNA e genética molecular, como exemplo pode-se citar a vacina contra hepatite B. (BRASIL, 2003). A vacinação é uma atividade de prevenção em saúde pública cujo foco é a diminuição da mortalidade infantil, considerada uma intervenção de baixo custo, refletindo positivamente no desenvolvimento econômico e social. O programa de vacinação instituído no Brasil é responsável pelo planejamento e execução das atividades, incluindo as atividades de vacinação, períodos para administração, aquisição dos imunobiológicos, visando o controle, eliminação e erradicação das doenças infecciosas e imunopreveníveis (SANTOS et al., 2009). O Programa Nacional de Imunização (PNI) teve origem em 1973, sendo que a partir de 1988 ele está ao encargo do Ministério da Saúde. Os investimentos nesse programa lograram êxito, como em 1994, quando o país recebeu o certificado internacional de erradicação da transmissão da poliomielite. Já o sarampo, o tétano neonatal, formas graves de tuberculose, difteria e coqueluche estão sob controle. (SANTOS et al., 2009). O planejamento para a eliminação do sarampo ocorreu em 1992, quando foram vacinados 96% da população que completou 14 anos, sendo que em 2001 ele foi erradicado. Em anos posteriores foram realizados outros trabalhos objetivando a eliminação de determinadas doenças, como aconteceu em 2008 para erradicar a síndrome da rubéola congênita. (BRASIL, 2001). O êxito do PNI se deve ao envolvimento de vários profissionais, juntamente com a coordenação nacional, que sempre trabalha de maneira eficiente para que as vacinas cheguem nos destinatários de saúde (postos, policlínicas, hospitais) com qualidade para serem aplicadas. (BRASIL, 2001). Durante os anos 70 a vigilância epidemiológica ganhou força, no sentido de contribuir positivamente com a saúde pública, juntamente com o aparecimento de legislações referentes às ações de imunização. A partir de então, as campanhas de vacinação conquistaram seu espaço, tendo incentivo e apoio de vários setores da comunidade, rádio, TV e sociedades médicas. Toda essa força-tarefa foi importante para erradicar doenças como a febre amarela e varíola, que acometiam grande parte da população em décadas passadas. Posteriormente foi a vez de erradicar a poliomielite, sarampo, tétano neonatal e difteria e, além disso, foi introduzida a vacina contra a gripe, porém com poucas unidades, pois foi aceita gradativamente pela população. 152 UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR Em 2008 foi aprovada a inclusão da vacina contra o vírus HPV (Papiloma Vírus Humano), causador do câncer de colo de útero, entretanto, não se sabe a quantidade de anticorpos necessários à prevenção da doença, como também por quanto tempo o efeito da vacina prevalece no organismo. No entanto, as recomendações técnicas aconselham a vacinação em meninas, antes de iniciarem a vida sexual. (BRASIL, 2014). O esquema vacinal é formado por três doses. Após aplicada a primeira dose, contam-se seis meses para aplicação da segunda e então após cinco anos aplica-se a terceira dose. O Ministério da Saúde pretende vacinar todas as jovens adolescentes de 9 a 11 anos. (BRASIL, 2014). As pessoas devem estar atentas às campanhas de vacinação,que sempre são veiculadas na mídia, como também prestar atenção ao calendário de vacinação, que corresponde ao conjunto de vacinas prioritárias para o país. Não há desculpas para a falta de aplicação de vacinas, pois a rede pública, através dos postos de saúde, hospitais e centros de saúde, as dispõe de modo gratuito. O calendário de vacinação está classificado em quatro tipos: criança, adolescente, adulto e idoso, além da população indígena. 4.1 COMPOSIÇÃO DAS VACINAS Conforme Brasil (2014), a vacina contém alguns componentes, além do agente imunizante, conforme especificados a seguir: a) Líquido de suspensão, constituído geralmente por água destilada ou solução de soro fisiológico, com proteínas e demais componentes que se originam de meios de cultura ou as células utilizadas no processo de produção das vacinas; b) Preservativos, estabilizadores e antibióticos: contêm alguma quantidade de substâncias antibióticas ou germicidas que são acrescentadas na composição das vacinas, a fim de evitar o crescimento de bactérias ou fungos. Já os estabilizadores são conhecidos por nutrientes, os quais são adicionados nas vacinas constituídas por agentes infecciosos vivos atenuados. c) Adjuvantes: são compostos por alumínio, com o objetivo de aumentar a atividade imunogênica de algumas vacinas, aumentando o estímulo provocado por esses agentes imunizantes, como exemplo podemos citar: toxoide tetâncio e toxoide diftérico. TÓPICO 2 | IMUNOBIOLÓGICOS 153 Existem algumas vias para administração das vacinas, classificadas como: intramuscular, subcutânea, intradérmica e oral, sendo que as vias mais utilizadas são intramuscular e subcutânea. Para realizar uma aplicação correta é necessário estar atento a algumas regras e aspectos, entre eles a composição, a apresentação da vacina, a via de administração e o material para cada espécie de imunobiológico. O desconforto com a vacinação, gerando discórdia e choro por parte das crianças, pode ser amenizado pelo profissional que irá aplicá-las, este deve ser habilitado para esta prática com conhecimento e boa destreza. A dor depende do local de aplicação, da constituição da vacina e da velocidade com que a substância é injetada, entretanto, cada vacina tem sua forma de aplicação e deve ser seguida rigorosamente, como conheceremos a partir de agora. Agora vamos especificar os procedimentos básicos segundo as vias de administração dos imunobiológicos, conforme Brasil (2014). • Via Oral (VO) É utilizada para a administração de soluções que são melhor absorvidas no trato gastrointestinal. A dosagem dessa substância é introduzida pela boca, normalmente sob o aspecto de gota, drágea, cápsula, comprimido, entre outros. • Via Intradérmica (ID) A solução é introduzida por meio de uma agulha, nas camadas superficiais da derme, também conhecida por pele. O local mais utilizado é a face anterior do antebraço, esta via é de absorção lenta, utilizada para a administração da vacina BCG (tuberculose), o volume máximo indicado é de 0,5ml, sendo que, geralmente, o volume corresponde a frações inferiores ou iguais a 0,1ml. 4.2 VIAS DE APLICAÇÃO UNI Você sabia que deveria ter sido vacinado contra a doença da tuberculose? Então pare um minuto e verifique se o seu braço direito tem uma pequena cicatriz, deveria ter, pois no Brasil, a recomendação do Ministério da Saúde é que esta vacina seja administrada no braço direito; diante de alguma impossibilidade, então se faz no braço esquerdo. Legal, né? 154 UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR • Via Subcutânea (SC) Na utilização desta via, a solução é administrada nas camadas subcutâneas, ou seja, abaixo da derme. A absorção por este caminho é bem lenta, assegurando uma ação do medicamento de forma contínua. A substância utilizada não pode ser irritante para o organismo e o volume máximo a ser introduzido é de 1,5ml. Os locais mais utilizados para a administração do agente são as regiões do deltoide, face externa do braço e face anterior da coxa. • Via Intramuscular (IM) O próprio nome já sugere a introdução da substância no corpo do músculo. Nessa via podem ser utilizadas substâncias irritantes, ou seja, substâncias aquosas ou oleosas e que necessitam serem absorvidas rapidamente pelo corpo com resultados imediatos. São alguns exemplos de vacinas administradas por essa via: vacinas contra a difteria, tétano, Haemophilus influenzae (contra gripe) e hepatite B; raiva; pneumocócica. Os locais escolhidos devem estar bem distantes dos grandes nervos e vasos sanguíneos, os mais utilizados são: - Músculo deltoide localizado no braço; - Músculo dorso-glútea localizado na nádega; - Músculo ventro-glútea localizado próximo ao osso da crista ilíaca; - Músculo antero-lateral da coxa, localizado entre o joelho e o quadril. FIGURA 33 – DEMONSTRAÇÃO DE APLICAÇÃO DE VACINA OU MEDICAMENTO INTRAMUSCULAR FONTE: Disponível em: <http://medifoco.com.br/injecao-intramuscular/>. Acesso em: 20 out. 2015. http://medifoco.com.br/injecao-intramuscular TÓPICO 2 | IMUNOBIOLÓGICOS 155 • Via Endovenosa (EV) Nesta via a solução é introduzida diretamente na corrente sanguínea, mas não vacinas, essa via é exclusiva para medicamentos, sendo um caminho utilizado para a administração de soluções que necessitam ser absorvidas imediatamente e em grandes volumes, assegurando uma ação imediata. Esta via de administração é ideal para substâncias irritativas e também para aquelas que causam desconforto gástrico. Os locais mais utilizados são as veias calibrosas ou superficiais na fossa antecubital (dobra do braço), dorso da mão e antebraço, da perna e, eventualmente, as veias do pé e jugular. É sempre importante preparar as crianças, o adolescente, adulto ou idoso antes da aplicação da vacina, informando sobre a importância da prevenção. Os pais e os educadores podem ajudar muito no sucesso da aplicação, com os esclarecimentos necessários, como também quanto à transmissão de confiança e segurança, oferecendo suporte emocional. Além dessas orientações, é importante que a escola tenha profissionais capacitados para uma conversa principalmente com as crianças, o professor de educação física também pode criar jogos e brincadeiras lúdicas com o objetivo de assegurar conhecimento e segurança para os alunos da fase escolar. Há necessidade de um cuidado todo especial na preparação das vacinas, como também técnica na aplicação, para que seja feita de forma mais eficiente, segura e confortável possível. FIGURA 34 – ESQUEMA SIMPLIFICADO QUANTO ÀS VIAS DE APLICAÇÃO DE VACINAS OU MEDICAMENTOS FONTE: Disponível em: <http://www.ehealthconnection.com/regions/>. Acesso em: 20 out. 2015. 156 UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR 4.3 ATUAÇÃO DAS VACINAS NO ORGANISMO E ATIVIDADE FÍSICA Você pode pensar que o modo como as vacinas atuam no organismo é simples, entretanto, se pensa dessa forma, está totalmente equivocado. Uma verdade é fato, que as vacinas têm o objetivo de reduzir ou eliminar as patologias causadas por micro-organismos. Vamos tentar descrever a trajetória que o organismo faz para conseguir oferecer imunidade e proteção diante da administração das vacinas. Primeiramente o corpo induz uma resposta imunológica protetora, segura e eficaz para determinadas doenças, sendo que o mecanismo libera anticorpos específicos, como se fosse combater uma patologia, tornando o indivíduo protegido. UNI Você sabia que as vacinas possuem conservantes e aditivos? Sim, pois são substâncias constituintes das vacinas, sendo que o primeiro pretende prevenir infecções secundárias decorrentes de contaminação bacteriana ou vírus, e os aditivos objetivam a inativação das toxinas. Dessa forma, ao entrar em contato com o sistema imune, a vacina provoca uma reação de proteção e gera no organismo uma memória que permitirá que o sistema imunológico forneça uma resposta imediata e eficaz quando o mesmo agente entrar no organismo. Portanto, a intenção da vacina é estimular o sistema imunológicoa produzir anticorpos sem que o corpo fique doente. (FARHAT et al., 2000). A vacinação é uma forma de se ter imunidade ativa, de maneira a não contrair uma doença infecciosa. Quando uma substância ou microrganismo entra no organismo, o corpo responde produzindo anticorpos e ativando células do sistema imunológico, portanto, chamamos esse mecanismo de imunização ativa. (FARHAT et al., 2000). Dessa forma, quando o indivíduo é vacinado, o organismo desenvolve substâncias chamadas de anticorpos ou imunoglobulinas, impedindo a proliferação de agentes patológicos juntamente com outras moléculas no organismo. Nesse momento, o organismo produz células de memória que percorrem o corpo, guardando a informação de produção dos anticorpos durante toda a vida da pessoa ou, pelo menos, por muito tempo. (SILVA, 1996). TÓPICO 2 | IMUNOBIOLÓGICOS 157 FIGURA 35 – REPRESENTAÇÃO DO MECANISMO DE DEFESA ATRAVÉS DA VACINA FONTE: Disponível em: <http://guiadoestudante.abril.com.br/>. Acesso em: 20 out. 2015. Assim, se a pessoa ficar exposta novamente à doença, as células do sistema imunológico produzirão anticorpos combatendo o agente patológico e impedindo a doença de se instaurar. UNI O sistema imunológico de um indivíduo começa a se formar na fase intrauterina, quando também recebe anticorpos da mãe via placenta. O leite materno passa a ser a principal fonte de anticorpos da criança durante alguns meses após seu nascimento; como a natureza é perfeita, após esse período a criança passa a produzir seus próprios anticorpos em resposta à administração de vacinas ou após entrar em contato com agentes patológicos. (BRASIL, 2014). Assim é possível certificar-se de que a imunidade pode ser adquirida de forma passiva ou ativa. A passiva pode ser obtida pelo aleitamento materno, ocorrendo a transferência de anticorpos ao ser humano, com a produção de uma proteção rápida, mas temporária. A imunidade ativa é adquirida a partir do contato com um patógeno ou pela vacinação, neste caso a vacina gera uma memória imunológica, gerando uma proteção duradoura. (BRASIL, 2014). 158 UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR UNI Você sabia que as vacinas não são 100% eficazes? Isso mesmo, entretanto, a maioria delas oferece um altíssimo índice de imunidade, principalmente contra infecções consideradas gravíssimas, sem falar do poder de erradicar doenças, como aconteceu no Brasil com a varíola. Já foi evidenciado que a melhor forma no sentido de melhor custo- benefício para a prevenção de doenças é a vacinação, podemos perceber com afinco a maneira com que os governos federal, estadual e municipal investem em campanhas de vacinação. Também sabemos que para a vacina produzir efeito desejado, ela necessita provocar o sistema imunológico de maneira eficaz, a ponto de ele responder com células de defesa. Entretanto, vários fatores afetam a eficácia das vacinas, como exemplo podemos citar a idade, massa muscular, doenças (diabetes, doença cardiovascular, osteoporose, estresse crônico), medicamentos, entre outros. (BRASIL, 2014). O exercício físico, ao contrário do que se possa pensar, é um fator ambiental descrito na literatura científica como capaz de aumentar a eficácia das vacinas. (IMMUN, 2014). Nesse sentido, quebra-se o mito de que as crianças na fase escolar, quando recebem os imunobiológicos, não podem fazer atividade física, e normalmente esse mito se alonga no período de uma semana, ou até durante todo o mês em que a vacina foi aplicada. O que muitas pessoas desconhecem é que existem alguns aspectos interessantes com a prática de atividade física, pois tanto o exercício agudo quanto o crônico são capazes de otimizar o efeito das vacinas. O exercício agudo potencializa o efeito da vacina através do aumento temporário (durante e/ou logo após o término) em vários aspectos da funcionalidade imunológica, já o exercício crônico contribui pelo fato da imunidade ser fortalecida. Além desses fatores, é importante destacar que quanto maior a dificuldade para o organismo metabolizá-la, maior será a influência do exercício físico. (IMMUN, 2014). Os principais alvos na campanha da vacina contra gripe são as crianças e os idosos, estes últimos têm o sistema imunológico debilitado em função da idade cronológica, mas podem ter fortalecimento da imunidade através da prática frequente de atividade física. TÓPICO 2 | IMUNOBIOLÓGICOS 159 Um exemplo de atividade física que podemos citar é o pilates, e sendo praticado na intensidade leve ou moderada, melhora o sistema cardíaco e respiratório; assim sendo, haverá aumento do transporte de glóbulos brancos que potencializarão os efeitos da vacina contra a gripe. Mesmo que eventualmente a pessoa seja acometida pela gripe, o organismo diminuirá o tempo de resposta diante de uma infecção e, consequentemente, o restabelecimento da saúde será mais rápido. (BRANCO, 2014). 4.4 VACINAÇÃO NAS ESCOLAS Tratar com desleixo o calendário básico de vacinação das crianças pode ocasionar vários infortúnios e agravos, que podem se transformar em graves problemas de saúde pública. Pode aumentar as chances tanto dos pais quanto dos filhos em adquirir doenças imunopreveníveis, além de oportunizar o aparecimento de epidemias na comunidade. O Ministério da Saúde é bem atuante no Brasil e desenvolve programas de imunização periodicamente, objetivando erradicar as doenças cujo alvo são as crianças, principalmente em idade escolar. Infelizmente, muitas crianças deixam de ser vacinadas, ficando totalmente desprotegidas, seja por negligência ou ignorância dos pais, superstição, mito, religião, cultura ou outro motivo peculiar. A fim de evitar a barbárie da falta de administração das vacinas em crianças, em alguns locais do país, autoridades decidiram condicionar a matrícula do aluno na escola à apresentação da carteira de vacinação ou comprovante de vacinação da criança. A ideia é salutar, mas, infelizmente, em muitas regiões não há profissionais habilitados para verificar a carteira de saúde e compreender qual vacina está faltando. Os professores de educação física seriam os profissionais indicados, neste caso, para apoiar e auxiliar neste assunto relacionado à saúde, pois durante o curso universitário recebem informações sobre saúde pública, vindo ao encontro desta ideia. Dessa forma, poderiam verificar se o quadro de vacinas está de acordo com a idade da criança, como também atualizando este calendário com as vacinas faltantes. Em 2014, por exemplo, a água contaminada de uma escola municipal de Porto Velho causou um surto de hepatite A, afetando crianças e professores, esse surto poderia ter sido evitado através da vacinação. (QUIQUIÔ e FERNANDES, 2014). Um exemplo excelente que vivenciamos em Indaial (SC) foi justamente o condicionamento da apresentação da carteira de vacinação quando do ato da 160 UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR matrícula, sendo uma medida que consta no Regimento Interno das Secretarias Escolares do Município de Indaial, elaborado a partir de 2012. (SANTA CATARINA, 2012). Esse documento intitulado como Regimento foi elaborado conforme as realidades e as peculiaridades da rede municipal de ensino, com a finalidade de padronizar as atividades realizadas nas secretarias escolares e que orientará as ações das secretarias escolares frente às diversas necessidades dos alunos, sejam relacionadas à escola, aos professores, pais, alunos e comunidade. (SANTA CATARINA, 2012). 4.5 CLASSIFICAÇÃO DAS VACINAS As vacinas podem ser classificadas conforme Brasil (2014) em: 1) Atenuadas O significado da palavra é amenizar, ou seja, o processo de induzir doença do agente infeccioso é diminuído, possibilitando a estimulação da resposta imunológica. Dessa forma, o agente patogênico se torna frágil, mas estimulado por meio da multiplicação do agente microbiano, sem causar a doença. Nesse grupo podem ser citadas as vacinas contra sarampo, caxumba, rubéola, poliomielite oral, febre amarela e BCG. 2) InativadasSão vacinas produzidas a partir de cepas as quais são mortas, utilizados num todo ou parcialmente, a fim de provocar a resposta imunológica. Neste contexto, podemos citar como vacinas virais: a pólio, raiva e hepatite A e como vacinas bacterianas: coqueluche, febre tifoide, antraz e cólera. 3) Recombinantes Essas vacinas são produzidas a partir de microrganismos geneticamente modificados, utilizando um fragmento de DNA derivado de um microrganismo, neste grupo podemos citar a vacina contra a hepatite B. O DNA pode ter origem no genoma do agente infectante ou através da transcrição do RNA mensageiro. Já as proteínas podem ser produzidas pela colocação do DNA num vetor, tais como Escherichia coli. TÓPICO 2 | IMUNOBIOLÓGICOS 161 4.5 CLASSIFICAÇÃO DAS VACINAS 4) Vacinas combinadas Esse tipo de imunização tem a finalidade de realizar uma proteção que seja imediata, porém com durabilidade; são administrados dois ou mais agentes numa mesma preparação, podemos citar como exemplo a vacina da tríplice (tétano, difteria e coqueluche) e a dupla (difteria e tétano). 5 PROGRAMA NACIONAL DE IMUNIZAÇÃO O Programa Nacional de Imunizações (PNI) foi criado em 1973 pela Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), conforme o Manual de Normas de Vacinação (BRASIL, 2001). Atualmente o Programa Nacional de Imunização (PNI) tem metas concretas, como exemplo podemos citar o controle e a erradicação das doenças imunopreveníveis no Brasil, além de coordenar o suprimento e a administração de imunobiológicos específicos para cada situação ou para cada doença (OLIVEIRA et al., 2009). De acordo com a FUNASA (2004), as competências que foram estabelecidas pelo Decreto nº 78.231, de agosto de 1976, são válidas até hoje, sendo elas: • Implantar ações relacionadas com as vacinas de caráter obrigatório; • Estabelecer critérios e prestar apoio técnico para a elaboração e implantação dos programas de vacinação a cargo das secretarias de Saúde das unidades federais; • Estabelecer normas básicas para a execução das vacinações; • Centralizar e divulgar informações referentes ao PNI; • Supervisionar, controlar e avaliar a execução das vacinações no Brasil. Os imunobiológicos que são encaminhados para a rede de saúde são de garantia da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS). Esse instituto atua como referência para os laboratórios produtores de vacinas no Brasil, e tanto os lotes nacionais ou importados têm a atenção e liberação para consumo do INCQS. (FUNASA, 2004). O Brasil conseguiu bons resultados com a vacinação no que diz respeito à erradicação de algumas doenças no século XX, como a febre amarela e a varíola, conquistadas antes da implantação do PNI, por meio de vacinações de rotina, campanhas e bloqueios vacinais. A conquista após a criação do PNI foi de erradicar a poliomielite em 1989, assim, foram controlados o sarampo, tétano neonatal e acidental, tuberculose, difteria e coqueluche. 162 UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR O PNI é o ponto alto das ações de saúde pública no país. Temos os melhores programas de imunização do mundo. Ele pode ser considerado um dos programas de melhores resultados... A cobertura vacinal pode não ser excelente, mas é muito boa e traduz um trabalho de grande qualidade, considerando a extensão territorial do país, além do tamanho e condições da população (SOPERJ, 2001 apud TEMPORÃO, 2003). O país passa por mudanças constantes, mesmo porque a entrada de imigrantes e visitantes é grande, podendo ocorrer o perigo da entrada de alguma doença no Brasil. Portanto, essas alterações epidemiológicas exigem um planejamento da atuação da vacinação, oferecendo cobertura a toda a população. É possível afirmar que o PNI se mantém em estado de alerta às coberturas de vacinação, podemos constatar através dos esforços do governo federal em investir no programa de imunobiológicos, e isso tem sido relevante para o país. Na década de 90 surgiram algumas novidades, como o controle das infecções pelo Haemophilus influenzae tipo B, rubéola e hepatite B, além da liberação da vacina contra a gripe. (SOPERJ, 2001 apud TEMPORÃO, 2003). As campanhas nacionais de vacinação divulgadas na mídia têm a aderência de boa parte da população, despertando interesse e valorização com relação à saúde da população. É através dessas campanhas que conseguimos interromper a cadeia de transmissão de algumas doenças imunopreveníveis. (BRASIL, 2001). É interessante saber que o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão realizou uma pesquisa nacional de avaliação da satisfação dos usuários dos serviços públicos e constatou que as campanhas de prevenção têm boa aderência por parte da população, além de ser verificado um sentimento de segurança e confiança dentro do sistema de saúde brasileiro referente às vacinas. (BRASIL, 2001). 5.1 PRINCIPAIS VACINAS De modo geral, as vacinas são produtos biológicos destinados à proteção das pessoas que não estão acometidas por nenhuma doença. Além disso, a intervenção em saúde pública é importante para os cofres públicos, pois se a população não adoecer, não há necessidade de despesas por parte de consultas, exames e medicamentos. Conforme Bricks (2004), vamos verificar brevemente e conhecer as vacinas que fazem parte do calendário de vacinação da criança. • BCG: previne os tipos graves da tuberculose (miliar e meníngea). A eficácia varia entre 0 e 80%. Geralmente, a proteção é menor em lugares onde existe TÓPICO 2 | IMUNOBIOLÓGICOS 163 5.1 PRINCIPAIS VACINAS alta incidência da patologia, entretanto, se administrada nos primeiros meses de vida, concede uma vasta proteção. Essa vacina pode causar algumas reações, em virtude das cepas utilizadas, da quantidade de bacilos e da técnica de aplicação. • Hepatite B: previne a infecção pelo vírus da hepatite B, ela é administrada em três doses intramusculares, mais de 90% das pessoas vacinadas produzem respostas adequadas de anticorpos. • Pentavalente: protege contra a difteria, o tétano, a coqueluche, hepatite B e as infecções oriundas da bactéria “Haemophilus influenzae” tipo b. • DTP: produz eficácia contra as doenças de difteria, tétano e coqueluche (pertusis), a sugestão de início da vacina é para crianças com dois meses de idade, pois é nessa idade que a coqueluche se manifesta. • Pneumocócica 10 valente: previne infecções invasivas (septicemia, meningite, pneumonia e bacteremia) e otite média aguda, causadas pelo Streptococcus pneumoniae. • Rotavírus: protege contra as complicações consequentes da infecção pelo vírus rotavírus, que causa diarreia grave, febre e vômito. Esta doença é grave e causa gastroenterites e óbitos em crianças menores de cinco anos em todo o mundo, mas os casos mais graves acontecem principalmente em crianças de até dois anos. • Meningocócica C: previne a meningite causada pela Neisseria meningitidis, atinge pessoas de todas as idades, mas apresenta uma maior incidência em crianças menores de cinco anos, principalmente em lactentes entre três e doze meses. • Febre amarela: protege contra a febre amarela, esta doença produz sintomas de febre e hemorragia, levando a pessoa a óbito. A vacina é constituída de vírus vivos atenuados e cultivados em ovos com embriões de galinha. Deve ser administrada a partir dos nove meses de idade para residentes ou visitantes de áreas endêmicas, áreas de transição e áreas de risco potencial definidas nos calendários de vacinação básicos. Santa Catarina é considerada uma região de transição, havendo pequena chance de contaminação. • Tríplice viral: protege contra sarampo, caxumba e rubéola. • Tetraviral: protege contra o sarampo, a caxumba, a rubéola e a varicela. A primeira dose deve ser administrada aos 15 meses de idade. 164 UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR • DT: protege contra o tétano e a difteria, sendo que o Ministério da Saúde indica a vacina como rotina. • Influenza: previne a patologia causada pelovírus influenza que causa a gripe, infelizmente o Ministério da Saúde não introduziu essa vacina em seu calendário de rotina. Possui eficácia de 30% a 90%, dependendo da idade e das condições de saúde da pessoa vacinada. 5.2 CALENDÁRIO DE VACINAÇÃO O calendário de vacinação foi elaborado como uma ferramenta indispensável para o controle e organização na administração das vacinas. O esquema de vacinação de rotina, e a sequência cronológica com que as vacinas são administradas, é denominado calendário de vacinação, o qual é atualizado periodicamente. Há alguns calendários disponíveis que variam de país para país ou de estado para estado, a diferença é estabelecida de acordo com a realidade das doenças de cada região. (ALBERT EINSTEIN, 2015). No Brasil, quem elabora os calendários de vacinação são os órgãos governamentais como o Ministério da Saúde e Secretarias Estaduais de Saúde, e para sua elaboração são levados em conta a importância da doença a ser prevenida, a disponibilidade de uma vacina segura e eficaz, o melhor esquema para obter uma resposta imune adequada, os recursos disponíveis, a viabilidade do esquema e o número de aplicações. (ALBERT EINSTEIN, 2015). Você está ficando bem experiente no assunto sobre vacinas, então é hora de conhecer os calendários de vacinação, os quais são divididos em quatro categorias: bebês, crianças e adolescentes, adultos e gestantes e, por fim, o de idoso. TÓPICO 2 | IMUNOBIOLÓGICOS 165 5.2 CALENDÁRIO DE VACINAÇÃO FIGURA 36 – CALENDÁRIO BÁSICO DE VACINAÇÃO BEBÊS Idade Vacina Dose Doenças evitadas Ao nascer BCG-ID Única Formas graves de tuberculose (principalmente nas formas miliar meningea) Hepatite B 1ª dose Hepatite B 2 meses Pentavalente (DTP + Hib + hepatite B) 1ª dose Difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus Influenzas tipo B Poliomielite Inativada Poliomielite Oral de Rotavírus humano (VORH) Diarreia por rotavírus Pneumocócica 10 (conjugada) Pneumonia, otite, meningite e outras doenças causadas pelo Pneumococo 3 meses Meningocócica C (conjugada) 1ª dose Doença invasiva causada por Neisseria meningitidis do sorogrupo C 4 meses Pentavalente (DTP + Hib + hepatite B) 2ª dose Difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus Influenzas tipo B Poliomielite Inativa Poliomielite Oral de Rotavírus humano (VORH) Diarreia por rotavírus Pneumocócica 10 (conjugada) Pneumonia, otite, meningite e outras doenças causadas pelo Pneumococo 5 meses Meningocócica C (conjugada) 2ª dose Doença invasiva causada por Neisseria meningitidis do sorogrupo C 6 meses Hepatite B 3ª dose Hepatite B Oral Poliomielite (VOP) Poliomielite Pentavalente (DTP + Hib + hepatite B) Difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus Influenzas tipo B Pneumocócica 10 (conjugada) Pneumonia, otite, meningite e outras doenças causadas pelo Pneumococo 9 meses Febre Amarela Dose inicial Febre amarela 12 meses Tríplice Viral (SCR) 1ª dose Sarampo, caxumba e rubéola Pneumocócica 10 (conjugada) Reforço Pneumonia, otite, meningite e outras doenças causadas pelo Pneumococo 166 UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR 15 meses Tríplice Bacteriana (DTP) 1º reforço Difteria, tétano e coqueluche Oral Poliomielite (VOP) Reforço Poliomielite ou paralisia infantil Meningocócica C (conjugada) Doença invasiva causada por Neisseria meningitidis do sorogrupo C Tetraviral Dose única Sarampo, caxumba, rubéola e varicela FONTE: Disponível em: <http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/calendario-de- vacinas>. Acesso em: 19 out. 2015. FIGURA 37 – CALENDÁRIO DE VACINAÇÃO PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES Idade Vacina Dose Doenças evitadas 4 anos Tríplice Bacteriana (DTP) 2º reforço Difteria, tétano e coqueluche Tríplice Viral (SCR) 2ª dose Sarampo, caxumba e rubéola 10 anos Febre Amarela Uma dose a cada 10 anos Febre amarela 11 a 13 anos Papiloma vírus humano (HPV) Três doses Câncer de colo de útero 10 a 19 anos Hepatite B 1ª dose Hepatite B Hepatite B 2ª dose Hepatite B Hepatite B 3ª dose Hepatite B Dupla tipo adulto (dT) Uma dose a cada 10 anos Difteria e tétano Febre Amarela Uma dose a cada 10 anos Febre amarela Tríplice Viral (SCR) Duas doses Sarampo, caxumba e rubéola FONTE: Disponível em:<http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/calendario-de- vacinas >. Acesso em: 19 out. 2015. TÓPICO 2 | IMUNOBIOLÓGICOS 167 FIGURA 38 – CALENDÁRIO DE VACINAÇÃO PARA ADULTOS E GESTANTES Idade Vacina Dose Doenças evitadas 20 a 59 anos Hepatite B (Grupos vulneráveis) Três doses Hepatite B Dupla tipo adulto (dT) Uma dose a cada 10 anos Difteria e tétano Febre Amarela Uma dose a cada 10 anos Febre amarela Tríplice Viral (SCR) Dose única Sarampo, caxumba e rubéola Gestantes Hepatite B (recombinantes) Três doses Hepatite B dTpa Uma dose a partir da 27ª semana de gestação Difteria, tétano e coqueluche FONTE: Disponível em: <http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/calendario-de- vacinas >. Acesso em: 19 out. 2015. FIGURA 39 – CALENDÁRIO DE VACINAÇÃO PARA IDOSOS Idade Vacina Dose Doenças evitadas 60 anos e mais Hepatite B (Grupos vulneráveis) Três doses Hepatite B Febre Amarela Uma dose a cada 10 anos Febre amarela Influenza (fracionada, inativada) Dose anual Influenza sazonal ou gripe Pneumocócica 23-valente (Pn23) Dose única Infecções causadas pelo Pneumococo Dupla tipo adulto (dT) Uma dose a cada 10 anos Difteria e tétano FONTE: Disponível em: <http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/calendario-de- vacinas>. Acesso em: 19 out. 2015. Não pretendemos esgotar este assunto, porém, caberá a você, acadêmico(a), contribuir através do seu interesse e esforço, em assimilar o conteúdo aqui apresentado. Dessa forma, convidamos você para complementar seu conhecimento assistindo a um clássico: A história de Louis Pasteur. Essa história mostra os passos de Louis Pasteur, cientista que brilhou em conhecimento científico e que em 1860 transformou a história da medicina! Ele investiu seu tempo tentando solucionar o grave problema que alarmava a França, pois mais de 20.000 mulheres estavam morrendo anualmente durante o parto, além de muitas mortes infantis por infecção. Estudando e desenvolvendo a sua Teoria dos Germes, ele recomendou a esterilização dos materiais médicos e o máximo de higiene por parte dos médicos, o que evitaria as infecções. Mas a Academia não lhe dá ouvidos, e até mesmo o imperador ordena seu silêncio! (WILLIAM, 1935). 168 UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR FIGURA 40 – DVD: A HISTÓRIA DE LOUIS PASTEUR FONTE: Disponível em: <http://www.classicline.com.br> Acesso em: 20 out. 2015. 169 Neste tópico estudamos que: • Vacinar é introduzir substâncias do agente infectante no organismo humano, a fim de causar uma reação imunológica para combater o microrganismo. • A palavra vacina é de origem francesa vaccine e lembra a palavra latina vacca, pois era do úbere da vaca que se extraía uma substância que continha vírus e que se colocava nas crianças para induzir anticorpos. • A utilização de imunobiológicos é um dos principais objetivos das políticas de saúde pública visando o combate e controle de doenças infecciosas. • Existem algumas vias para administração das vacinas, classificadas como: intramuscular, subcutânea, intradérmica e oral, sendo que as vias mais utilizadas são intramuscular e subcutânea. • Quando o indivíduo é vacinado, o organismo desenvolve substâncias chamadas de anticorpos, os quais impedem a proliferação de agentes infecciosos. • O calendário de vacinação foi elaborado como uma ferramenta indispensável para o controle e organização na administração das vacinas. • Os principais alvos na campanha da vacina contra gripe são as crianças e os idosos, estes últimos têm o sistema imunológico debilitado em função da idade cronológica, mas podem ter fortalecimentoda imunidade através da prática frequente de atividade física. RESUMO DO TÓPICO 2 170 AUTOATIVIDADE 1 Explique o que é imunobiológico. 2 Agora que você já conhece o calendário de vacinação para crianças e adolescentes, faça a correlação correta entre o tipo de vacina e doença a ser evitada: I- Dupla tipo adulto. II- Tríplice Bacteriana. III- Tríplice Viral. IV- Papiloma vírus humano. ( ) Difteria, tétano e coqueluche. ( ) Difteria e tétano. ( ) Sarampo, caxumba e rubéola. ( ) Câncer de colo de útero. Agora assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) II – I – III – IV. b) ( ) I – II – III – IV. c) ( ) III – I – IV – II. d) ( ) IV – II – III – I. 3 Explique qual é o objetivo do Programa Nacional de Imunização. 4 Explique a correlação entre atividade física e vacina. 171 TÓPICO 3 DROGAS E O AMBIENTE ESCOLAR UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO As drogas constituem um grande problema de saúde pública, como também geram um decreto de morte para muitas famílias, cujos entes queridos são aprisionados pelo vício, não importa se crianças, adolescentes ou adultos. Toda droga altera a capacidade mental do usuário, pois elas proporcionam prazer, conforto, euforia, reduzem a timidez, aumentam a sociabilidade, tudo na fase inicial, porque logo após aparecem o desânimo, o isolamento, taquicardia, infarto, coma e morte. Nem todas as drogas são proibidas pela legislação, pois o álcool e o tabaco são comercializados e consumidos livremente no Brasil. Neste tópico vamos estudar sobre as drogas, conceito, origem, malefícios e verificar de onde pode partir a prevenção. De antemão, podemos arriscar a dizer que o ambiente escolar seria o melhor local de realizar a prevenção do uso de drogas, contando sempre com a ajuda do governo, por meio dos programas de prevenção. Outra questão importante é a associação do esporte com o objetivo de melhorar a saúde e a qualidade de vida, sem falar que a atividade física prepara o indivíduo nas dificuldades enfrentadas pela vida. Todas as faixas etárias estão propensas ao uso de drogas, mas o que fazer para minimizar este problema? A resposta é simples... simplesmente fazer a sua parte e se manter longe das drogas e seguir o lema: “drogas, tô fora”. 2 CONCEITO DE DROGAS Para Vizzolto (1990), drogas são substâncias químicas capazes de modificar o funcionamento do organismo. Entretanto, nem todas as drogas provocam sensação de euforia e prazer ou afetam o comportamento. Grissolia e Sobrinho (2000) também corroboram com esta ideia, sustentando que droga é toda substância que, ao ser introduzida no organismo, altera uma função orgânica ou biológica. UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR 172 Para Braun (2007), o conceito de droga é todo agente químico que afeta processos do organismo vivo, desencadeador de sensações agradáveis ou supressor de sensações desagradáveis, ambas ao mesmo tempo. Conforme o mesmo autor, drogas denominadas psicotrópicas podem ser definidas como sendo uma substância que, quando administrada no organismo, provoca alterações no sistema nervoso central, ocasionando euforia, prazer, alterando o estado psíquico do indivíduo. De acordo com a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), droga é qualquer substância não produzida pelo organismo que tem a propriedade de atuar sobre um ou mais de seus sistemas, produzindo alterações em seu funcionamento. Seibel e Toscano (2001) relatam que as drogas psicoativas são substâncias que modificam o estado de consciência do usuário, e ainda complementam que os efeitos podem se manifestar de maneira suave, efeitos leves de como se fosse ingerida uma xícara de café, ou efeitos avançados, com o uso de LSD, por exemplo, podendo provocar perturbação na percepção de tempo, espaço e de si próprio. Para a medicina as drogas são produtos usados para induzir percepções boas, na consciência e no estado emocional, nesse conceito podemos citar a maconha e a cocaína, mas também existe o Prozac (medicamento). Conforme a legislação jurídica, existem drogas que qualquer pessoa pode comprar sem controle e de maneira legal, como o álcool e o cigarro; já existem outras que são as de uso controlado (compradas com receita médica); e as ilegais (drogas ilícitas). (VERGARA, 2002). Conforme Vizzolto (1990), drogas são substâncias que atuam sobre o sistema nervoso central, modificando as funções mentais, alterando o comportamento das pessoas. Para este autor, as drogas são substâncias químicas naturais ou sintéticas, obtidas de plantas, de animais, de minerais, ou produzidas em laboratórios e que atuam sobre o sistema nervoso central, modificando as funções mentais e alterando o comportamento das pessoas. Este mesmo autor ainda descreve que as drogas podem ser usadas na medicina, tanto para diagnóstico, como para tratamento e prevenção de doenças; a rigor, deveriam ser usadas somente quando receitadas por médico, tendo em vista que podem ocorrer reações e efeitos imprevisíveis nos indivíduos. TÓPICO 3 | DROGAS E O AMBIENTE ESCOLAR 173 3 CLASSIFICAÇÃO DAS DROGAS Há vários tipos de classificação para as drogas, algumas focadas nas propriedades farmacológicas das substâncias, outras nos efeitos que proporcionam, e aquelas baseadas nas percepções dos consumidores. Referente aos efeitos que as drogas produzem, eles podem ser relacionados com a dose utilizada, o biótipo do indivíduo, expectativa em relação à droga, tempo de utilização, via administrada e as circunstâncias em que são ingeridas. Uma das classificações possíveis e que mais frequentemente é utilizada pelos profissionais de saúde divide as drogas em: depressoras, estimulantes e alucinógenas. Conforme Grissolia e Sobrino (2000), veremos esta classificação. a) Drogas depressoras: afetam o sistema nervoso central, atuam diminuindo a atividade cerebral, ou seja, tudo o que o indivíduo faz torna-se vagaroso, lento, fica desligado, alheio às circunstâncias e menos sensível aos estímulos externos. Podemos exemplificar essa categoria com: os soníferos, os ansiolíticos (diazepam), opiáceos (morfina, heroína) e os inalantes (cola, removedores, tintas). O álcool também está incluso nesta categoria, e já existe em nossa civilização desde os primórdios, data de aproximadamente 6.000 a.C., como exemplo podemos citar a cerveja e o vinho. Décadas depois surgiram as bebidas destiladas, que inicialmente foram até consideradas como relaxantes. O problema é que essa droga foi sendo consumida em larga escala e, consequentemente, crescendo o número de alcoólatras e dependentes químicos. b) Drogas estimulantes: essas substâncias aumentam a atividade cerebral, o sistema nervoso central passa a funcionar com maior rapidez, operando com a sensação de alerta, aumentam a disposição e resistência, chegando até mesmo a causar delírios; entretanto, ao fim de seus efeitos, conferem cansaço, indisposição e depressão, devido à sobrecarga a que o organismo se expõe. Nessa categoria podemos citar a cocaína, o cigarro de nicotina, cafeína, derivados da anfetamina, o crack e os anorexígenos (que inibem a fome). c) Drogas perturbadoras: essa classificação de droga causa bagunça no sistema nervoso central, podendo causar até mesmo estados psicóticos. Quem usa este tipo de droga fica fora do normal, muitas vezes perturbado, com quadros de delírio, alucinações e ilusões, que se manifestam no campo visual. O cérebro começa a funcionar fora de suas atividades normais, permanecendo em estado de confusão. Como exemplos dessas drogas podemos citar o LSD, o ecstasy, a maconha, cogumelos do gênero Psilocybe, entre outros. UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR 174 4 DROGAS E JUVENTUDE A adolescência é uma fase de metamorfose, é a saída do período infantil para um mundo cheio de contos e contratempos, um mundo real e imaginário, é a época das descobertas, onde o indivíduo não se sente nem criança nem adulto, a chamada fase da “aborrescência”. Época de rupturas e aprendizados, é uma fase que envolve riscos, medos, amadurecimentose instabilidades. As mudanças orgânicas e hormonais acompanham os adolescentes, tornando-os muitas vezes agressivos, impacientes, agitados, inconsequentes. Apesar dessas instabilidades negativas, ainda se deparam com sonolência, tédio, insatisfação com o seu corpo, com a família, escola e com todas as pessoas que os cercam. A adolescência é uma fase em que os jovens precisam de respostas, de atenção, conforto, amparo, proteção. Infelizmente, muitos jovens não encontram esse equilíbrio e atenção na família, então buscam nos amigos, na turma, na galera, com quem se identificam e com quem compartilham das mesmas vivências, a dose necessária de aconchego, solidariedade e compreensão. Freitas (2002) relata que a adolescência é uma fase onde todos estão à procura de sua própria identidade. É o momento em que querem ser reconhecidos como independentes e “donos do seu nariz”, questionam as normas da casa, tentam escolher seu próprio caminho na busca de sua identidade, deixam de se espelhar nos pais ou parentes próximos e são fáceis de serem influenciados por grupos de amigos. Se o caminho percorrido não for um percurso de erros, o jovem atingirá sua vida adulta na plenitude com todos os seus potenciais e dispondo de substrato orgânico, afetivo, emocional e cognitivo para desenvolvê-los. Entretanto, se por algum motivo houver uma falha nesse percurso, seja na escola, amigos, família ou componentes genéticos e emocionais, o crescimento para a vida pode ser interrompido, em diversos níveis e graus de complexidade. Nessa transição, a normalidade dentro do comportamento dos adolescentes é cheia de dúvidas, questionamentos, eles querem ser formadores de opinião, não querem respostas prontas e se rebelam por motivos torpes. Afinal, querem ser diferentes e pertencer a uma “tribo”, expressam suas vontades através das roupas iradas, gírias, artes, esportes, com estilos de vida um pouco diferentes do habitual. Freitas (2002) mostra que a adolescência é um período de profundas transformações que impõe ao jovem grandes exigências de adaptações, é uma fase de imensas crises existenciais, muitos questionamentos e incertezas, querem TÓPICO 3 | DROGAS E O AMBIENTE ESCOLAR 175 4 DROGAS E JUVENTUDE se indispor com o mundo, querem ter liberdade e ao mesmo tempo serem amados. Nesse período os jovens querem abandonar a educação, a cultura, a moralidade, querem romper referenciais históricos e traçar um novo caminho. Infelizmente, tanta euforia e sensação de liberdade podem ser lesivas ao seu próprio bem-estar, estamos falando da inserção das drogas na vida dos adolescentes, incluindo tanto as substâncias lícitas ou ilícitas. Muitas vezes, o desvio do caminho digno é grande e devastador e, em muitas ocasiões, de modo irreversível. De acordo com Grissolia e Sobrinho (2000), é possível identificar os principais fatores de risco para o uso das drogas. Entre os fatores de risco estão: baixa autoestima, falta de autocontrole e assertividade, comportamento antissocial precoce, doenças preexistentes, vulnerabilidade psicossocial; padrão familiar disfuncional; relações interpessoais onde os pares usam drogas; e o ambiente escolar onde boa parte dos fatores de risco pode ser percebida. Pode-se afirmar que as drogas, atualmente, são elementos presentes na vida de muitos adolescentes brasileiros, é nessa fase que os adolescentes buscam variadas experiências, assim como, iniciam o uso de drogas lícitas ou ilícitas, seja em consumo ocasional ou abusivo. A escola normalmente é onde as crianças e adolescentes passam a maior parte do tempo, sendo considerada uma extensão do lar. Portanto, precisa estar capacitada para tratar da problemática das drogas, desenvolvendo programas de prevenção e, de preferência, trazer os pais para dentro da escola a título de conhecimento do assunto e aproximação com seus filhos. A figura do professor é extremamente importante, pois ele estabelece um vínculo com o aluno e tem papel decisivo nos programas de prevenção, uma vez que influencia na formação de valores e atitudes. Uma dica fundamental é que o professor necessita conhecer o contexto sociopolítico-cultural e econômico em que vivem seus alunos. (ABRAMOVAY, 2005). Fatores como situação financeira, situação psicoemocional e condições de saúde terão influência decisiva no problema das drogas. A personalidade do aluno também é um fator determinante para o abuso das drogas, mas um dos grandes problemas que muitas escolas enfrentam é o despreparo do professor. (ABRAMOVAY, 2005). As universidades e as escolas ainda não se sensibilizaram com relação ao problema das drogas, nos currículos não consta tal assunto e raras são as exceções das instituições que buscam, através de palestras, cursos, debates e seminários, conhecimento a respeito desse problema que assola crianças e adolescentes. UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR 176 O planejamento das disciplinas deve ser elaborado de forma que conste o assunto drogas em sua plenitude, pois torna-se necessária a inserção de conteúdos programáticos no currículo escolar, sendo de competência do professor, que irá constituir o foco de trabalho junto aos alunos, podendo desenvolver atividades que valorizem a saúde, como: esportes, música, teatro, ecologia, entre outros. (ABRAMOVAY, 2005). 5 TIPOS DE DROGAS MAIS COMUNS 5.1 MACONHA Conforme Seibel e Toscano (2001), é uma substância originada de uma planta chamada Cannabis sativa, entretanto a substância que produz os efeitos esperados pelo cérebro é o THC (delta-9-tetraidrocanabinol). Além desta, existem outros elementos químicos na maconha, que apesar de não resultarem em transtornos mentais, produzem outros no corpo. Popularmente é conhecida de moita, erva, diamba, pacau, fininho e branquinha, pode ser consumida em forma de fumo, ocasionalmente aspirada ou ingerida. (BRAUN, 2007). Quando o indivíduo utiliza a maconha, o efeito aparece logo. Se for inalada, a substância vai rapidamente para o cérebro, e o efeito dura aproximadamente cinco horas. Se for ingerida, o efeito é lento, aparecendo as reações após uma hora, mas o efeito dura aproximadamente 12 horas. (SEIBEL e TOSCANO, 2001). Os efeitos de curta duração são: sensação de maior consciência, distorção do espaço, aumento do apetite, especialmente por doces; amnésia transitória, fazendo com que o usuário esqueça vários aspectos do seu dia a dia, sendo que as altas doses provocam o aparecimento de sintomas paranoicos. (GRISSOLIA e SOBRINHO, 2000). Conforme Grissolia e Sobrinho (2000), pode-se citar como efeitos de longa duração o aparecimento de conjuntivite, bronquite ou dependência psicológica. Seu uso contínuo interfere diretamente no procedimento de aprendizagem e de memorização das tarefas diárias; além disso, também foi identificado que ela é ativadora de episódios esquizofrênicos. TÓPICO 3 | DROGAS E O AMBIENTE ESCOLAR 177 5 TIPOS DE DROGAS MAIS COMUNS 5.1 MACONHA FIGURA 41 – EFEITOS DA MACONHA NO CORPO FONTE: Disponível em: <http://www.campinas.sp.gov.br>. Acesso em: 23 out. 2015. Existem alguns exames específicos para detectar a presença dessa substância no organismo humano. Através do exame de sangue, por exemplo, é possível identificar a quantidade de maconha consumida, além de saber se foi utilizada recentemente. Estudos indicam que a maconha é a droga mais utilizada entre os brasileiros e é alarmante saber que 10% dos estudantes do 1º grau já experimentaram a droga. (LARANJEIRA et al., 1998). Ao ser usada por crianças e adolescentes em fase de crescimento e desenvolvimento físico, os malefícios são preocupantes, pois quanto mais tempo a maconha for utilizada, mais afetadas se tornarão as habilidades mentais. 5.2 HAXIXE Derivada da maconha, também chamada de flash, derivada das flores comprimidas da maconha ou da resina da planta. Esta droga é cinco a dez vezes mais potente do que a maconha. Conforme Benjamin (1984), o usuário de haxixe percebe inicialmente os primeiros sintomasda droga quando apresenta ansiedade, imagens mentais que surgem, recordações antigas aparecem, opressão, cenas inteiras e situações completas se tornam presentes, sentimento de incomodação e fadiga. UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR 178 Surgem sensações atmosféricas mais claras e brilhantes, os objetos parecem mais lindos, aparece névoa, ar abafado, o espaço pode se expandir, o chão se abre. (BENJAMIN, 1984). 5.3 LSD Abreviação de Dietilamina do Ácido Lisérgico, descoberto pelo químico suíço Albert Hofmann em 1938, quando tentava descobrir um fortificante para o sangue, pois trabalhava para a empresa farmacêutica Sandoz. No entanto, acidentalmente consumiu um pouco de LSD e, a partir de então, tornaram-se conhecidos os efeitos alucinógenos dessa substância. (GRISSOLIA E SOBRINHO, 2000). Esta droga pode ser consumida em forma de pastilha, tablete, cápsula, gelatina, torrão de “açúcar” e raramente sob a forma líquida, com efeitos que iniciam entre 20 minutos e duas horas após o consumo e costumam durar entre sete e 12 horas. (BRAUN, 2007). Conforme Grissolia e Sobrinho (2000), antes de chegar ao sistema nervoso central, ela é absorvida pelo estômago, motivo porque muitos usuários desenvolvem câncer nesse órgão. Entretanto, o efeito desejado pelo usuário é a “boa viagem”, caracterizada por uma sensação de euforia e excitação acompanhada por sinais frequentes de alucinações, intensificação das percepções sensoriais (visuais e auditivas) e psicóticas, alterações cromossômicas, pânico, taquicardia, convulsões e suicídio. É importante destacar que, além desses efeitos, é frequente os usuários desse tipo de droga “curtirem o barato” das distorções do ambiente, como cores, formas e sons, sem falar dos efeitos sinestésicos dos estímulos olfativos e táteis. Junto com toda essa bagunça de estímulos, ocorre dilatação da pupila, taquicardia e sudorese, pois atinge o sistema nervoso simpático também. (GRISSOLIA E SOBRINHO, 2000). Mas os usuários podem ser acometidos pelos efeitos assustadores, como as “viagens ruins” com delírios persecutórios, enlouquecimento e pânico de morrer, se instaura o mundo da realidade misturada com a fantasia e, muitas vezes, leva o indivíduo à solidão. (BRAUN, 2007). 5.4 HEROÍNA A substância química da heroína chama-se Diacetilmorfina derivada do bulbo da papoula roxa, portanto, essa droga é fabricada a partir da morfina presente no ópio e seu consumo regular sempre causa dependência física, sendo a droga mais perigosa de consumo entre jovens e adultos. (GIKOVATE, 1992). TÓPICO 3 | DROGAS E O AMBIENTE ESCOLAR 179 5.3 LSD 5.4 HEROÍNA 5.5 ANFETAMINAS A origem do nome veio da palavra alemã "heroisch", de heroico, sendo o nome comercial dado pela indústria farmacêutica alemã Bayer, sendo comumente utilizada enquanto fármaco entre os anos de 1898 e 1910, na época era um analgésico potente, utilizado em crianças e adultos. (GIKOVATE, 1992). Conhecida popularmente como cavalo, pó e “H”, ela pode ser inalada, injetada por via subcutânea ou intravenosa e também, excepcionalmente, ingerida. Seu formato é um pó cristalino branco ou marrom, sem cheiro e bem fino, porém seu aspecto pode sofrer alterações, dependendo de como é elaborado o processo de purificação. (GRISSOLIA e SOBRINHO, 2000). A tolerância à droga é uma característica marcante, ou seja, o usuário necessitará, com o passar do tempo, utilizar uma dose maior do que a habitual, para obter a mesma intensidade ou efeito quando do início do uso dessa substância. O efeito dura em torno de quatro horas, causando euforia, sendo que pode trazer graves consequências para a saúde, como náusea, retenção urinária, prisão de ventre, perda do apetite, perda do desejo sexual, insuficiência respiratória, aborto espontâneo, acidente vascular cerebral, doenças infecciosas e morte. (GRISSOLIA e SOBRINHO, 2000). O usuário de heroína não pode permanecer sem a droga, pois quando o organismo sintetiza e elimina essa substância do corpo, o dependente entra em abstinência e imediatamente começa a sentir dores insuportáveis, febres, delírios e diarreias. As anfetaminas têm a forma de cristais com coloração amarela e com sabor amargo, essa é uma droga sintética, produzida em laboratório, portanto não são drogas que se originam da natureza. São popularmente conhecidas por rebite, cristais, velocidade, bolinhas e sal. (BRAUN, 2007). Podem ser consumidas por via oral através de comprimidos ou via intravenosa sendo diluída em água destilada, ou ainda em forma de pó quando são aspiradas. Muito conhecidas pelos caminhoneiros de “rebite” e pelos estudantes de “bola”, cujo consumo visa manter os sentidos apurados, principalmente ausência de sono. (GRISSOLIA e SOBRINHO, 2000). Conforme Grissolia e Sobrinho (2000), essas drogas são associadas ao doping em corridas, jogos de futebol, basquete, entre outras competições. Além disso, as pessoas em busca da beleza e da perfeita forma física consomem anfetaminas para perder o apetite; além disso, o uso é potencializado em profissionais que necessitam usar a criatividade, pois essa droga favorece ideias espetaculares. UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR 180 Quando o indivíduo utiliza essa droga, a forma de ação é rápida, assim ela é assimilada pela corrente sanguínea com efeito que dura em torno de quatro horas a 14 horas, dependendo da dose utilizada. Em seguida aparecem alguns sintomas, como arrepio, sentimento de confiança, euforia, as pupilas dilatam, a respiração fica curta, taquicardia, e a fala fica comprometida. (BRAUN, 2007). FIGURA 42 – EFEITOS DA ANFETAMINA NO ORGANISMO FONTE: Disponível em: <http://www.colegioweb.com.br/drogas/anfetaminas-bolinhas. html>. Acesso em: 23 out. 2015. A partir do momento em que a droga é metabolizada e eliminada pelo organismo, os efeitos diminuem e então surgem a inquietação, o cansaço, a paranoia e depressão. A longo prazo os efeitos psicóticos aparecem, junto com a dependência psicológica. Podemos citar como exemplo de anfetamina o ecstasy, usado por jovens. (BRAUN, 2007). TÓPICO 3 | DROGAS E O AMBIENTE ESCOLAR 181 5.6 COCAÍNA E OXI É um alcaloide branco, inodoro e cristalino, produto final da transformação das folhas de coca (Erythroxylon coca), originária dos países andinos como Peru, Colômbia e Bolívia e muito utilizada na forma mascada. (LARANJEIRA et al., 1998). A preparação da cocaína é feita em duas fases, na primeira as folhas são colocadas em uma prensa junto com ácido sulfúrico e querosene, tornando uma pasta. Na segunda fase, a pasta é tratada com ácido clorídrico, resultando no cloridrato de cocaína em pó. (LARANJEIRA et al., 1998). Conhecida como neve ou coca, seus efeitos comumente observados são alucinações agradáveis, euforia, sensação de grande força muscular e mental e pode estimular atos ilícitos. A longo prazo, esta droga pode causar dependência psicológica, inapetência, náuseas, insônia, paranoias e necrose do septo nasal. (NIEL e SILVEIRA, 2008). Os usuários de drogas sempre inovam com a mistura de substâncias, a fim de obterem mais prazer com um custo mais reduzido, estamos falando da droga “oxi”. Ela é um entorpecente derivado da mistura da pasta da cocaína com querosene, gasolina, cal virgem ou solvente usado em construções. O oxi é mais barato porque são utilizados produtos químicos que podem ser adquiridos sem fiscalização e por baixo preço. (LARANJEIRA et al., 1998). A palavra oxi deriva de "óxido" ou "oxidado", pois durante o consumo há liberação de uma fumaça escura, produzindo um resíduo marrom, semelhante à ferrugem de metais, lembrando a oxidação desse componente. (LARANJEIRA et al., 1998). Normalmente os usuários utilizam essa droga misturada com o cigarro comum ou cigarro de maconha e até mesmo fumada em cachimbos como os que são utilizados pelo crack. É interessante ressaltar que esta droga tem duração curtíssima, a sensação de euforia dura apenas 10 minutos, fazendo com que o indivíduo lance mão de usá-lamais vezes. Essa droga chega no cérebro entre sete a nove segundos, proporcionando prazer, alívio, paranoia, depressão e medo. (LARANJEIRA et al., 1998). Seu uso prolongado aumenta as chances de doenças como cirrose e o acúmulo de gordura no fígado, sem falar que, por conter componentes tóxicos, como o ácido sulfúrico, ela ocasiona queimaduras por onde passa, incluindo boca, garganta, brônquios, pulmões e sistema cardíaco e respiratório. (NIEL e SILVEIRA, 2008). UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR 182 Quando se fuma oxi, se queima o querosene que é seu composto, resultando em sintomas como náuseas, vômitos, tosse, sensação de sufocamento, tremores e até convulsões. Além de apresentar irritação aos olhos, perda parcial da visão, podendo até ocasionar deficiência visual, sendo a pior sequela a cegueira. (LARANJEIRA et al., 1998). Insuficiência renal é outro sintoma bem comum, pois os rins têm a função de filtrar todo o sangue do corpo, porém, muitas vezes eles não conseguem eliminar as grandes quantidades de toxina resultante da composição química da droga, sobrecarregando esse órgão e, gradativamente, fazendo-o parar de funcionar. (NIEL e SILVEIRA, 2008). FIGURA 43 – EFEITOS DO OXI NO ORGANISMO FONTE: Disponível em: <http://www.colegioweb.com.br/drogas.html>. Acesso em: 23 out. 2015. TÓPICO 3 | DROGAS E O AMBIENTE ESCOLAR 183 Para Gikovate (1992), do ponto de vista humano, afetivo e social, a droga é um desastre, pois quem passa a noite cheirando cocaína, usando oxi, não estará em boas condições para o trabalho no dia seguinte. Com o passar do tempo, os malefícios aparecerão e a carreira profissional e relações pessoais e afetivas dessa pessoa serão afetadas. Conviver com uma pessoa dependente de drogas não é agradável, pois são pessoas que falam desesperadamente e de modo irritante e inútil, nunca estão sóbrios, apresentam inibições sexuais, ou seja, só serão suportados por pessoas que estejam nas mesmas condições. Não há ascensão, só há decadência prevista nessa rota. (GIKOVATE, 1992). 5.7 ÁLCOOL Sabemos que o álcool é considerado uma droga lícita no Brasil, entretanto há um contrassenso, pois de um lado existe uma preocupação com relação à prevenção de drogas (maconha, cocaína, heroína etc.), porém, de outro lado, há incentivo para o consumo de determinadas drogas, como o álcool. É fácil comprovar, pois normalmente grandes empresas de cerveja contratam grandes artistas e ídolos do futebol e da música para fazerem propaganda do produto alcoólico, sendo um grande incentivo para todas as faixas etárias e classes sociais. Podemos citar a contratação da modelo americana e socialite Paris Hilton, que supostamente recebeu em torno de US$ 700 mil para estrelar a campanha de reposicionamento da cerveja Devassa. (EXAME.COM, 2010). A substância encontrada nas bebidas alcoólicas é o etanol, nome químico que o álcool recebe, sendo obtido através da fermentação de produtos vegetais, esse tipo de droga não consegue ser extraído diretamente da natureza. (NIEL e SILVEIRA, 2008). O corpo humano demora de 60 a 90 minutos para metabolizar um copo de bebida alcoólica do organismo, porém, não consegue realizar a metabolização em doses altas de álcool, ocasionando a intoxicação aguda pelo etanol, nesse momento as percepções sensoriais do indivíduo são alteradas, dando lugar para a irritabilidade, euforia, apatia, desânimo, comportamento inconveniente, agressividade, diminuição dos reflexos, visão dupla, tontura, sonolência, vômitos, coma, parada cardíaca e, em alguns casos, até levando o sujeito a óbito. O comportamento do álcool no organismo é dividido em duas fases, a primeira é conhecida como estimulante e a outra como depressora, justamente porque no primeiro caso o etanol proporciona sensação de euforia, alegria, bem- estar, mas posteriormente vem o período da depressão. Em pessoas de grande porte ou obesas, é necessária uma dose maior para provocar os efeitos do álcool, pois a resistência ao álcool é maior, em virtude da estrutura física. UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR 184 O relato acima foi referente à intoxicação ocasional, entretanto, a repetição do uso do álcool por longos períodos e constantemente leva à intoxicação crônica, com sinais de perda da memória, demência, lesão do estômago, pâncreas, fígado, ocasionando, respectivamente, gastrite, pancreatite e cirrose. Através de exames de sangue pode-se constatar alterações das hemácias e da coagulação do sangue, deficiência no sistema imunológico, deficiência de vitaminas, especialmente do complexo B, e desnutrição. O álcool provoca dependência psicológica após algum tempo de uso, normalmente entre dois e cinco anos. Provoca dependência física após 15 ou 20 anos de uso regular. Uma vez instalada a dependência física, o indivíduo passa a “curar” a ressaca da bebida de ontem com uma dose de álcool. A ressaca é a falta de álcool, com sintomas como tremor nas mãos e uma angústia desesperadora. (GIKOVATE, 1992). Além dos sintomas já destacados com o uso do álcool, Gikovate (1992) ainda relata que o uso prolongado e regular desta substância provoca inchaço permanente no corpo, visível no rosto, e representa uma sobrecarga de envelhecimento precoce. No psiquismo, pode provocar depressões, gerar quadros psicóticos, loucura, especialmente do tipo delírios de ciúme. A degeneração da personalidade e do caráter é crescente. O indivíduo se torna mentiroso e não cumpridor dos seus deveres, a família muitas vezes não o suporta e ele acaba sendo abandonado por todos, menos pelos colegas de copo, que ficam nos bares, reclamando da vida e das dores de amor, provocadas pela própria bebida. (FERRARINI, 1991). A súbita interrupção do uso do álcool em pacientes dependentes também causa vários sintomas que caracterizam a síndrome de abstinência: irritabilidade, tremores, confusão mental e podendo até levar ao quadro de delirium tremens, caracterizado por alucinações, convulsões, desorientação e agitação psíquica. (FERRARINI, 1991). Quando o indivíduo se torna alcoólatra, cuja dependência do álcool gera transtornos físicos e psíquicos, esta pessoa merece uma atenção de um serviço especializado, pois caso ela entre ou já esteja na fase de delirium tremens, é uma condição que pode resultar em morte, caso o indivíduo não seja tratado. (GIKOVATE, 1992). 5.8 TABACO É uma planta nativa das Américas, cujo nome científico é Nicotiana tabacum, a planta chegou ao Brasil provavelmente pela migração de tribos de índios tupi-guarani. Entretanto, o consumo do tabaco consta desde mil anos a.C., principalmente em rituais mágico-religiosos espalhados pela América Central. (BRAUN, 2007). TÓPICO 3 | DROGAS E O AMBIENTE ESCOLAR 185 5.8 TABACO O estopim no que diz respeito ao seu consumo foi após a Primeira Guerra Mundial, sendo que no século XX foi espalhado para todo o mundo. O tabaco tornou-se o principal produto de exportação das colônias do Novo Mundo. O tabaco, além de ser usado para consumo próprio através de cachimbos e cigarro, também era utilizado como planta medicinal, para tratar úlceras e unha encravada. A partir do século XX, a indústria de tabaco começou a investir em marketing para atingir principalmente jovens, faixa etária que mantinha as vendas dos cigarros, sendo que as propagandas sempre eram associadas a imagens de pessoas bem-sucedidas, influentes, charmosas, bonitas, sensuais e esportistas. Apesar dos malefícios que a nicotina provoca, ela ainda é a droga mais consumida no mundo, sendo uma substância que causa dependência física, trazendo vários malefícios para o organismo, aliás, as primeiras comprovações científicas sobre os prejuízos do tabagismo à saúde surgiram no século XIX. UNI O Dia Nacional de Combate ao Fumo é 29 de agosto. A fumaça do cigarro contém mais de 4.700 substâncias tóxicas, dentre elas amônia, cetonas, formaldeído, alcatrão, que possui em torno de 40 substâncias cancerígenas, monóxido de carbono que dificulta a passagemde hemoglobina, causando aterosclerose (que obstrui os vasos sanguíneos), tontura, cansaço, tosse, falta de ar, dentre outros sinais. (BRAUN, 2007). FIGURA 44 – ALGUMAS SUBSTÂNCIAS PRESENTES NO CIGARRO FONTE: Disponível em: <http://www.lem.seed.pr.gov.br/>. Acesso em: 23 out. 2015. UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR 186 A nicotina que compõe o cigarro é a substância que vicia, que causa dependência e não existe dose baixa ou “dose homeopática”, pois em qualquer quantidade seu efeito é nocivo para a saúde. As pessoas podem consumir o tabaco de várias formas, a mais habitual é através do cigarro, mas também pode ser através do charuto, narguilé, fumo de rolo, rapé, cachimbo e cigarro de palha. UNI No Brasil, 70% do preço de um cigarro são de impostos. Quando o organismo absorve a nicotina, leva em torno de nove segundos para chegar ao cérebro, onde atua em receptores específicos, estimulando a atenção, o desempenho psicomotor, diminui o apetite e melhora o estado de vigília. (GRISSOLIA e SOBRINHO, 2000). Além desses sintomas, a nicotina também provoca taquicardia, aumento da pressão arterial, redução da motilidade gastrintestinal, infartos, hemorragias, elevação do colesterol, derrame cerebral, enfisema pulmonar, bronquite, angina, menopausa precoce, além de câncer no fígado, rins, coração e pulmões. Em 1º de fevereiro de 2002, o Brasil tornava obrigatório o uso de imagens de advertência nas embalagens de cigarro, sendo o segundo país em adotá-las, o primeiro foi o Canadá. (GLOBO, 2008). Essa determinação foi criada através de um pacote de leis restritivas ao cigarro, tendo em vista que em 2002, em algumas regiões do país, 25% da população era fumante. (GLOBO, 2008). As fotos nas embalagens dos maços de cigarro são de referência mundial, assim, podem ser utilizadas por qualquer país que queira causar impactos aos fumantes e simpatizantes do fumo. (ANVISA, 2003). TÓPICO 3 | DROGAS E O AMBIENTE ESCOLAR 187 FIGURA 45 – ILUSTRAÇÃO CHOCANTE NO MAÇO DE CIGARRO, SOBRE OS MALEFÍCIOS DO CIGARRO FONTE: Disponível em: <http://www.veja.abril.com.br/>. Acesso em: 23 out. 2015. As imagens chocantes junto com as mensagens deturpadoras sobre o cigarro são consideradas um dos trunfos na diminuição do número de fumantes no Brasil. O êxito ainda é maior junto com a lei que proíbe o cigarro em ambientes fechados de uso público. (ANVISA, 2003). Essa iniciativa surtiu efeito, as pesquisas realizadas pelo INCA, anualmente divulgadas, mostram que a população diminuiu o consumo de cigarro. Entretanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária decidiu que em 2016 colocará frases de advertência alertando que fumar causa câncer, haverá telefone do Disque Saúde e serão mudadas as fotos de advertência, que não são trocadas há anos. (GLOBO, 2008). 5.9 CRACK Essa droga surgiu nos Estados Unidos na década de 1980, ganhando destaque com o baixo preço, dessa forma, os usuários que não podiam comprar cocaína refinada se beneficiavam do crack. (GRISSOLIA e SOBRINHO, 2000). O crack é uma mistura de cocaína em forma de pasta não refinada com bicarbonato de sódio, soda cáustica e água, posteriormente a água evapora através do aquecimento com temperatura maior a 100°C, resultando em pedra de crack. Para obtenção das pedras de crack também são misturadas à cocaína diversas substâncias tóxicas, como gasolina, querosene e até água de bateria. (NIEL e SILVEIRA, 2008). UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR 188 É um poderoso e perigoso estimulante cerebral, extremamente destruidor, altera a memória e danifica o sistema nervoso central, causando apreensão, depressão, alucinação, perda de peso, epistaxe (sangramento nasal), tosse crônica, irritabilidade, tendências suicidas, entre outros sintomas. (NIEL e SILVEIRA, 2008). O crack é cinco vezes mais potente que a cocaína, com efeito considerado curto, apenas 10 minutos de euforia, sua utilização é por meio da inalação da fumaça produzida pela queima da pedra. A droga chega de maneira rápida ao cérebro, leva apenas 15 segundos. (GRISSOLIA e SOBRINHO, 2000). Essa droga potente normalmente é fumada em cachimbos improvisados, feitos de latas de alumínio e até mesmo em canetas. Também há a possibilidade de usá-la em cigarros de nicotina ou maconha, pois a pedra geralmente pesa menos de um grama, dessa forma, torna-se fácil quebrá-la para misturá-la em outras substâncias. A fumaça inalada é muito quente, contendo várias toxinas, em função disso sempre ocorrem queimaduras e irritação nos olhos. Interessante saber que os pulmões conseguem absorver 100% da droga inalada, como resultado, o dependente apresenta tosse, sangue no catarro, dor no peito e asma. Já as reações de cunho neurológico são derrame cerebral, cefaleia, tontura e convulsões. (NIEL e SILVEIRA, 2008). TÓPICO 3 | DROGAS E O AMBIENTE ESCOLAR 189 FIGURA 46 – EFEITOS DO CRACK NO ORGANISMO HUMANO FONTE: Disponível em: <http://www.campinas.sp.gov.br>. Acesso em: 23 out. 2015. Existem alguns sinais que indicam que o indivíduo pode estar utilizando crack e se tornando um viciado neste tipo de droga, portanto, analisaremos a relação abaixo (NIEL e SILVEIRA, 2008). • abandono das relações sociais; • mudança no círculo de amizade; • alteração no estereótipo do indivíduo, exemplo: alopecia (perda de cabelos) e envelhecimento precoce; • aparência relaxada, cansaço, irritação, impaciência, depressão; • dificuldades ou abandono escolar, perda de interesse pelo trabalho ou estudo; • mudança de hábitos alimentares, inapetência, anorexia e dificuldade de dormir. UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR 190 6 A EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA COMO AGENTE DE PREVENÇÃO NO COMBATE ÀS DROGAS O uso de drogas lícitas e ilícitas é um problema constante no âmbito escolar, pois os jovens são considerados o grupo mais vulnerável às drogas. Assim, podemos pensar em maneiras de realizar prevenção no âmbito escolar, para isso é necessária a implantação de programas e um eficiente planejamento das atividades a serem desenvolvidas pela escola, em que participem alunos, pais, professores e a comunidade escolar e social em geral. Além disso, seria interessante incluir no conteúdo pedagógico o assunto sobre drogas, a fim de orientar os alunos e despertá-los para uma consciência ética frente a essa problemática. São necessárias estratégias de ação para que esta conscientização se estruture no indivíduo, é preciso demonstrar um interesse contra as drogas e defender a preservação da saúde física e mental da comunidade escolar. Conforme Vizzolto (1990), quando as atividades são planejadas e bem dirigidas aos alunos, a contribuição para a formação de uma cultura de prevenção contra drogas se torna mais interessante do ponto de vista pedagógico, onde o professor pode estimular o interesse através de trabalhos em grupos, produção de textos, vídeos, teatro, apresentações de teatro e estimular os alunos em atividades esportivas (gincanas, olimpíadas, treinos). De acordo com Abramovay (2005), a escola deve estar atenta para não contribuir com qualquer forma de rotulação, discriminação ou marginalização do usuário de drogas, eventual ou assíduo, pois ela representa, na figura de seus educadores, um alicerce na formação da identidade dos jovens. O processo educacional deve oferecer conhecimento e segurança para a autonomia do indivíduo, auxiliando no seu desenvolvimento humano, estabelecendo bases para enfrentar as adversidades da vida. Outra questão em que podemos pensar em afastar os alunos das drogas é a implementação da atividade física, despertando interesse pela prática de esportes, promovendo saúde e melhorando a qualidade de vida. É importante destacar sobre a relevância do esporte para a vivência de valores e o desenvolvimento de fatores importantes para o convívio em sociedade, como a tolerância, a educação e o respeito. Outro fator importante em que o esporte pode ganhar destaque é a parte lúdica, pois a atividade física prepara o indivíduonas dificuldades enfrentadas pela vida, assim, os alunos podem ter o prazer de jogar livremente, aproximando- se do seu adversário e oportunizando aprendizado com as vitórias e derrotas. (VIZZOLTO, 1990). TÓPICO 3 | DROGAS E O AMBIENTE ESCOLAR 191 Groppa (1998) corrobora com essa ideia da prática de esportes, principalmente na modalidade coletivo, pois direcionam a criança e o jovem a descobrir as regras que devem ser obedecidas por todos, além de expandir a mente, oferecer crescimento pessoal, vencer desafios, aliviar o tédio e promover uma forma de vida saudável. O simples fato de uma pessoa praticar esportes não é garantia de que não terá problemas relacionados às drogas, mas a atividade física pode agir como auxiliar na prevenção de drogas. Para Grotta (1998), as inúmeras modalidades auxiliam nesta questão, como, por exemplo, através do karatê, capoeira e judô, que ensinam sobre hierarquia e disciplina; futebol ensina o aluno a trabalhar em grupo; xadrez e dama desenvolvem habilidades e estimulam o cérebro. Estes são alguns valores que devem ser trabalhados com crianças e jovens, porém há muitos outros que podem ser criados e desenvolvidos, com o intuito de prevenir quanto ao uso de drogas. Para isso é importante não esquecer que o professor de Educação Física é um agente de educação e saúde, pois necessita de um conhecimento amplo para atuar nesta seara, com afinco, conhecimento e criatividade. (VIZZOLTO, 1990). Acreditamos que o esporte é um bom combatente contra as drogas, principalmente na escola. Em virtude disso, podemos pensar que através da disciplina de Educação Física haveria uma conscientização com a finalidade de demonstrar a importância da prevenção, através de um estilo de vida equilibrado e saudável. Normalmente, quando se pensa ou se fala em drogas, reputa-se imediatamente a maconha, crack, LSD, e deixamos invariavelmente o álcool, tabaco e medicamentos para emagrecer dentro desta classificação. Infelizmente, essas drogas foram liberadas pelo governo e seu acesso é cada vez mais fácil, pois tanto adolescentes, adultos, idosos e até crianças conseguem ter acesso. (GIKOVATE, 1992). Nesses casos, é importante acreditar que a prevenção é o melhor remédio para sua proliferação. Em virtude disso, o aconchego, preocupação e apoio da família merecem atenção especial, junto com a escola, principalmente através de projetos que mantenham as crianças mentalmente ocupadas, saudáveis e felizes, sem necessitar recorrer ao uso de drogas para sanar seus anseios e frustrações. UNIDADE 3 | SAÚDE NO CONTEXTO ESCOLAR 192 LEITURA COMPLEMENTAR OSWALDO CRUZ: TUDO PELA SAÚDE Maria Inês Zanchetta Trazemos para você um texto como reflexão do passado para o presente e que ainda reflete positivamente em nossa sociedade, estamos falando de vacinas... boa leitura! No fim do século XIX, ao se descobrir que certas moléstias eram causadas por micro-organismos, as atenções dos pesquisadores se voltaram para a Bacteriologia. Quando Oswaldo Cruz chegou ao Pasteur tomou contato com as novas técnicas de produção de soros e vacinas, daí especializou-se em soroterapia. Ao fim de três anos regressou ao Rio, pois estava em Paris, disposto a aplicar o que aprendera. Com apenas 27 anos e os cabelos prematuramente grisalhos, instalou o primeiro laboratório de análises clínicas da cidade. Meses depois, em outubro de 1899, irrompeu no porto de Santos um surto de peste bubônica, doença transmitida pela picada das pulgas de ratos infectados. Em dezembro, a peste chegou a São Paulo. Em janeiro, ao Rio, e era preciso fabricar no Brasil o soro e a vacina contra a doença, importados da Europa com dificuldade. Ao assumir a direção da Saúde Pública em março de 1903, para sanear o Rio de Janeiro, como queria o presidente Rodrigues Alves, Oswaldo Cruz estava a par das pesquisas do médico cubano Carlos Juan Finlay. Dois anos antes, Finlay conseguira provar que a febre amarela, doença típica dos meses de verão, era transmitida pela picada de um pernilongo (Aedes aegypti) que depositava larvas em poças de água parada. Impaciente, Oswaldo Cruz não esperou que o Congresso liberasse a verba que lhe permitiria contratar 1.200 homens para auxiliá-lo no combate aos pernilongos. Começou o trabalho com os 85 homens da Saúde Pública, os famosos mata-mosquitos, com o emblema de uma cruz nos bonés. Eles percorriam quintais, jardins, sótãos e porões, aplicando inseticidas. Lacravam caixas-d’água, jogavam petróleo nos alagados e removiam os doentes para os hospitais de isolamento. Era uma verdadeira revolução na ainda provinciana cidade. A campanha contra Oswaldo Cruz tomou conta da cidade. Houve quem impetrasse habeas corpus contra as inspeções domiciliares dos mata-mosquitos. Rodrigues Alves chegou a pedir a Oswaldo Cruz que fosse menos rígido, mas ele ameaçou se demitir. Diante disso, o presidente lhe deu mão forte, convencido de que o jovem médico tinha razão. TÓPICO 3 | DROGAS E O AMBIENTE ESCOLAR 193 Os resultados não tardariam a aparecer: o número de mortes causadas pela febre amarela no Rio caiu de 584 em 1903 para 48 no ano seguinte. Em 1905, os óbitos voltaram a aumentar, mas no começo de 1907 Oswaldo Cruz pôde anunciar que a epidemia de febre amarela estava erradicada. Nesses quatro anos, Oswaldo também atacou a peste bubônica e a varíola. A bordo de uma lancha especial, aplicava-se gás sulfuroso e vapores de fenol nos navios suspeitos; brigadas percorriam os bairros mais pobres para exterminar os ratos. “Esses homens, que ganham por mês uma bagatela”, anunciou Oswaldo Cruz numa entrevista, “têm a obrigação de trazer todos os dias cinco ratos cada um. Os que trouxerem a mais serão pagos a 300 réis por cabeça. Mais de 50 mil ratos foram exterminados. Em abril de 1904, a peste foi dada como extinta no Rio. Já a campanha contra a varíola foi até mais difícil que o combate à febre amarela. O único remédio antivaríola era a vacinação obrigatória e contra ela se insurgiram os positivistas, a imprensa e a população. Enquanto o Congresso debatia a obrigatoriedade ou não da vacina, descoberta pelo médico inglês Edward Jenner (1749-1823), os casos de varíola cresciam. Nesse clima explodiu a Revolta da Vacina, apoiada pelos cadetes da Escola Militar. Para controlar a agitação, o governo voltou atrás e revogou a obrigatoriedade da vacina, aprovada pelo Congresso em outubro de 1904. A varíola só desapareceria do Brasil oficialmente em 1971. FONTE: Disponível em: <http://super.abril.com.br/comportamento/oswaldo-cruz-tudo-pela- saude>. Acesso em 13 out. 2015. 194 Chegamos ao final do tópico de estudos que aborda o assunto drogas, portanto, agora você já é capaz de: • Conceituar drogas. • Citar as drogas mais comuns consumidas por adolescentes e adultos. • Explicar o mecanismo de ação das drogas. • Descrever, de modo geral, quais os sintomas que as drogas causam ao organismo humano. • Citar e explicar a classificação das drogas. • Explicar de que maneira as drogas aparecem na vida dos adolescentes. • Explicar a relação das drogas com o esporte. RESUMO DO TÓPICO 3 195 AUTOATIVIDADE 1 Cite a classificação das drogas conforme os efeitos que elas produzem. 2 Conceitue o que são drogas. 3 Cite e explique uma droga que você conheceu neste estudo. 4 Nem todas as drogas são proibidas pela legislação brasileira, cite duas drogas que são lícitas no país. 5 Qual é a importância da atividade física como forma de prevenção para o uso de drogas? 196 197 REFERÊNCIAS ABRAMOVAY, M. G. C. Drogas nas escolas: versão resumida. 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