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Apostila - Lições Preliminares do Direito - IED I

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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO I: LIÇÕES PRELIMINARES DE DIREITO 
(MIGUEL REALE)
Direito corresponde à uma exigência 
essencial e indeclinável de uma convivência 
ordenada, pois nenhuma sociedade poderia 
subsistir sem um mínimo de ordem, de 
direção e solidariedade. 
 
A experiência jurídica despende das 
relações intersubjetivas (envolvem dois ou 
mais sujeitos). 
 
“Ubi societas, ibi jus” 
Onde está a sociedade está o Direito. 
 
O Direito não existe sem a sociedade e não 
pode ser concebido fora dela. 
Somente num estágio bem maduro da 
civilização que as regras jurídicas adquirem 
estrutura e valor próprios independente das 
normas religiosas (a lei ligava-se a um 
mandamento divino). 
“Verum ac factum convertuntur” 
O verdadeiro e o fato se convertem. 
 
Multiplicidade e a unidade do Direito 
Direito privado: Relações particulares, 
como entre pai e filho. Não interessa de 
maneira direta ao Estado. 
Direito público: Relações que se referem ao 
Estado e traduzem o predomínio do 
interesse coletivo. 
Disciplina: sistema de princípios e regras 
que os homens se devem ater a sua 
conduta. 
“Ubi jus, ibi ratio” 
Onde o Direito está a razão. 
 
Há, portanto, em cada comportamento 
humano, a presença, embora indireta, do 
fenômeno jurídico. O Direito é um manto 
protetor de organização e de direção dos 
comportamentos sociais. 
 
Se o comportamento humano é de 
delinquência, tal comportamento sofre a 
ação de regras penais, mas se a conduta 
visa à consecução de um objetivo útil aos 
indivíduos e à sociedade, as normas 
jurídicas cobrem-na com seu manto 
protetor. 
 
Complementaridade do Direito 
Não basta ter uma visão unitária do Direito, 
é necessário possuir o sentido da 
complementaridade inerente a essa união. 
Nenhuma das áreas se desenvolve como 
atividade bastante e per de si, cada parte só 
existe e tem significado em razão do todo. 
 
Teoria organicista: concebe a sociedade 
como um corpo social. 
 
Linguagens do Direito 
 
Uma palavra pode mudar o significado, 
quando aplicada na ciência jurídica. Cada 
cientista tem sua própria maneira de se 
expressar. 
 
O método no Direito 
 
Esse caminho deve ser percorrido para a 
aquisição da verdade. Sem método não há 
ciência. O conhecimento vulgar nem 
sempre é errado. Pode ser certo, mas o que 
o compromete é a falta de segurança 
quanto aquilo que afirma. 
 
Cada ciência tem sua forma de verificação. 
 
Direito e suas ciências 
 
Filosofia do Direito: “O que é o Direito? ”. 
Indaga concomitantemente, dos valores 
éticos e históricos da juricidade, as 
condições mediante as quais essas 
concretizações são possíveis. 
Ciência do Direito: também chamada de 
Jurisprudência, é uma forma de 
conhecimento positivo da realidade social 
segundo normas ou regras objetivadas no 
decurso do processo histórico. 
 
Teoria Geral do Direito: converte um 
assunto em problema, sujeito a indagação 
e pesquisa, a fim de superar a 
particularidade dos casos isolados, para 
englobá-los numa forma de compreensão 
que correlacione as partes de um todo. 
 
Sociologia: Verifica como a vida social 
comporta diversos tipos de regras, como 
reage em relação a elas. 
 
Economia: O Estado e o Direito 
“comandam” a economia apresentando 
suas roupagens ideológicas. O Direito está 
sempre presente em qualquer que seja a 
ordenação das forças econômicas. 
 
 
Capítulo III: Natureza e cultura 
 
O homem coexiste, vive necessariamente 
em companhia de outros homens. Em 
virtude dessa coexistência, os indivíduos 
têm entre si, relações de coordenação. 
 
Realidade natural (DADO): são 
apresentadas aos homens sem sua 
participação (leis físico-matemáticas). 
 
Realidade Humana (CONSTRUÍDO): O 
homem exerce sua inteligência e vontade, 
adaptando a natureza a seus fins (leis 
morais jurídicas). 
 
Cultura 
 
Conjunto de tudo aquilo que nos planos 
material e espiritual, o homem constrói 
sobre a base da natureza. É o conjunto dos 
utensílios e instrumentos, das obras e 
serviços, assim como atitudes espirituais e 
formas de comportamento do homem 
através da história. 
A cultura existe porque o homem, em busca 
da realização de seus fins que lhe são 
próprios, altera aquilo que lhe é “dado”, 
alterando a si próprio. 
 
“O mais humilde dos homens tem 
objetivos a atingir, os realiza, muitas vezes, 
sem ter plena consciência dos seus atos”. 
 
DADO DA NATUREZA 
 
 
 
ELEMENTO DA CULTURA 
 
Leis físico-matemáticas: Subordinadas ao 
fato. 
 
Leis culturais: Se impõe ao fato isolado que 
conflitar com ela. 
 
As relações de um fenômeno natural 
exprimem referencias funcionais, cegas 
para valores. A relações entre homens 
envolvem juízos de valor, implicando uma 
adequação de meio a fins. 
 
“As leis culturais têm natureza axiológica 
ou teleológica” 
 
“Teoria dos valores” (AXIOLÓGICA) 
 
“Teoria dos fins” (TELEOLÓGICA) 
 
Leis 
 
Podem ser: 
• Físico-matemáticas ou naturais 
• Culturais: 
 
Sociológicas, históricas econômicas: suas 
conclusões podem e devem influir sobre a 
ordenação dos comportamentos, mas não 
chega a ser uma norma. 
 
Regra, norma: implica o reconhecimento da 
obrigatoriedade de um comportamento. 
 
Bens culturais e ciências culturais 
 
Todas as ciências representam fatos 
culturais, bens culturais, mas nem todas 
podem ser chamadas de ciências culturais. 
Ciências culturais são aquelas que além de 
serem elementos da cultura, tem por objeto 
um bem cultural. A sociedade humana, por 
exemplo, não é só um fato natural, mas algo 
que já sofreu no tempo, interferência das 
gerações sucessivas. 
 
Sociedade das abelhas pode ser vista como 
um dado da natureza, mas a convivência 
entre os homens é algo que modifica 
através dos tempos, sofrendo influencias. 
 
 
Capítulo IV: O mundo ético 
 
 As normas éticas não envolvem apenas 
um juízo de valor sobre o comportamento 
humano, envolvem também uma 
imperatividade. 
 
“Não é como ser atrás de cada regra 
houvesse sempre uma autoridade de arma 
em punho para impor seu adimplemento. ” 
 
A obrigatoriedade do direito vem 
acompanhada de exigências axiológicas, de 
um complexo de ações do qual não se 
desprende a autoridade decisória. 
 
Toda norma enuncia algo que deve ser 
(comportamento obrigatório). Há, pois em 
toda regra um juízo de valor, que esclarece 
o porquê. 
 
“O mundo do ser” pertence as leis naturais 
(no mundo da natureza os acontecimentos 
se passam mecanicamente). Não há 
deveres a cumprir, mas previsões que 
precisam ser confirmadas para 
continuarem sendo válidas. 
“O mundo do dever ser” pertence as leis 
culturais (os acontecimentos se passam 
segundo a vontade racional do homem). 
 
Estrutura das normas éticas 
 
O fato de existir uma sanção, já explica que 
a norma enuncia algo que deve ser. 
Toda norma é formulada no pressuposto 
essencial de liberdade que tem o seu 
destinatário de obedecer ou não. 
 
Uma forma ética se caracteriza pela 
possibilidade de sua violação. Não passaria 
pela cabeça de um físico estabelecer uma 
lei no pressuposto de sua não-
correspondência. 
A violação da regra não atinge sua validade. 
 
Norma: configurada ou estruturada em 
função dos comportamentos previsíveis do 
homem. 
 
Regra: nos diz até que ponto podemos ir. 
 
Formas da atividade ética 
 
Conduta ética: toda atividade humana 
intencionalmente dirigida à realização de 
um valor. (Max Scheler) 
 
Dedicaremos nossa atenção para a ética 
entendida em função do bem individual ou 
social. 
 
Alguns tipos de valores: 
 
BELO: atividades relativas à realização do 
que é belo, têm como consequência o 
aparecimento dos juízos estéticos, das 
normas estéticas. 
 
UTIL: o valor daquilo que é “útil-vital” para 
satisfação de nossas necessidades implica 
um complexo de atividades empenhadas 
na produção, circulação e distribuição de 
riquezas. 
 
SANTO: valor divino que norteia o homem 
na sociedade exigindo determinado 
comportamento. 
 
AMOR: um fim a ser atingido, um valor a ser 
realizado intersubjetivamente. 
 
PODER: valor da política