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UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES 
FABIO ALVES DO NASCIMENTO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTUDO DAS JUNTAS DE DILATAÇÃO EM EDIFICAÇÕES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MOGI DAS CRUZES, SP. 
2017 
 
UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES 
FABIO ALVES DO NASCIMENTO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTUDO DAS JUNTAS DE DILATAÇÃO EM EDIFICAÇÕES 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso 
apresentado ao curso de Engenharia Civil 
da Universidade de Mogi das Cruzes 
como parte dos requisitos para a 
obtenção do grau de Bacharel em 
Engenharia Civil. 
 
 
 
Profº Orientador: Carlos Roberto Godoi Cintra 
 
 
 
 
MOGI DAS CRUZES, SP. 
2017 
FABIO ALVES DO NASCIMENTO 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTUDO DAS JUNTAS DE DILATAÇÃO EM EDIFICAÇÕES 
 
Trabalho de Conclusão de Curso 
apresentado ao curso de Engenharia Civil 
da Universidade de Mogi das Cruzes 
como parte dos requisitos para a 
obtenção do grau de Bacharel em 
Engenharia Civil. 
 
 
 
 
Aprovado em__________________________. 
 
BANCA EXAMINADORA 
 
__________________________________ 
Prof. Ms. Carlos Roberto Godoi Cintra 
 
 
 
 
Universidade de Mogi das Cruzes - UMC 
AGRADECIMENTOS 
 
No momento em que este trabalho se aproxima do fim, é hora de reavivar na 
memória todas as pessoas que contribuíram para que ele fosse possível; então, é 
chegada a hora de prestar as homenagens a quem nos marcou e que sempre 
carregarei no coração a sua contribuição. 
Primeiramente, agradeço a Deus, Autor e Senhor da minha vida, por ter me 
sustentado e ajudado até aqui; 
Ao meu pai, pelo exemplo de perseverança e coragem diante das 
adversidades; 
À minha mãe, pelo incentivo e cuidado que sempre teve comigo; 
Aos meus irmãos que sempre atenderam aos meus pedidos nos momentos 
em que precisei deles; 
Aos meus sogros que sempre oraram por mim; 
Ao Jonas e ao Pedro, meus filhos amados e presentes de Deus na minha 
vida; 
À minha linda e amada esposa, a Flávia, por sua paciência, compreensão, 
apoio e cuidado. 
Ao Profº Godoi Cintra que me orientou da melhor maneira possível; 
E, por fim, a todos os professores que me transmitiram seus conhecimentos a fim de 
fazer de mim um profissional qualificado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Grandes realizações não são feitas por impulso, mas por uma soma de pequenas 
realizações”. 
(Vincent Van Gogh) 
 
RESUMO 
 
As patologias na construção civil são fenômenos que têm ganhado especial atenção, 
uma vez que o surgimento delas tem suscitado a necessidade de reforma na maioria 
dos casos, o que gera gastos desnecessários caso tivessem sido consideradas na 
fase do projeto; as juntas de movimentação, que são pequenos espaços vazios 
entre dois elementos estruturais com a finalidade de proporcionar a eles certa 
movimentação sem que seus esforços sejam transmitidos um ao outro, têm sido 
itens que recebem pouca atenção nas obras civis. Por isto, não é raro encontrarmos 
várias patologias relacionadas à sua ausência ou má conservação. Este trabalho 
apresentará as principais técnicas e métodos que devem ser utilizados em juntas de 
movimentação com o fim de se conceder espaço aos movimentos que os elementos 
construtivos de uma obra estão sujeitos, bem como destacara a aplicação de alguns 
desses conceitos em um estudo de caso dentro das dependências da Linha 11 da 
Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). 
 
 
Palavras-chave: Juntas, Patologias, Selantes, Movimentações, edificações. 
 
LISTA DE ILUSTRAÇÕES 
 
Figura 1 – Tipos de juntas de construção................................................................. 19 
Figura 2 – Junta de Trabalho.................................................................................... 20 
Figura 3 – Junta de Estrutura................................................................................... 20 
Figura 4 – Junta de Continuidade............................................................................. 21 
Figura 5 - Juntas de controle.................................................................................... 22 
Figura 6 – Junta de dilatação................................................................................... 22 
Figura 7 – Junta de Mudança de Volume................................................................. 23 
Figura 8 – Junta de Separação Sísmica................................................................... 24 
Figura 9 – Perfil de Neoprene com câmara e cantoneira de aço............................ 29 
Figura 10 – Limitação de Profundidade com Cordão de Polietileno........................ 32 
Figura 11 - Junta sujeita à movimentação de Tração............................................... 34 
Figura 12 – Junta sob a ação da movimentação de compressão........................... 34 
Figura 13 – Movimentação de Cisalhamento.......................................................... 35 
Figura 14 – Junta sujeita a Movimentação de Cisalhamento.................................. 35 
Figura15 – Junta trabalhando sob a movimentação de rotação............................. 35 
Figura 16 – Junta sob a ação combinada das movimentações de tração e 
cisalhamento............................................................................................................. 36 
Figura 17 – Junta sob a ação combinada das movimentações de compressão e 
cisalhamento............................................................................................................. 36 
Figura 18 – Projeto de Juntas: Fluxograma.............................................................. 37 
Figura 19 – Localização das juntas em alvenarias.................................................. 39 
Figura 20 – Juntas entre alvenaria e lajes............................................................... 40 
Figura 21– Juntas utilizadas em pisos de garagem................................................. 41 
Figura 22 – Acabamento das juntas com material de enchimento e selante........... 42 
Figura 23 – Posicionamento as juntas em pisos de garagem.................................. 44 
Figura 24 – Junta de encontro com pilar.................................................................. 44 
Figura 25 – Junta tipo T e junta inferior a 70º........................................................... 45 
Gráfico 1 – Relação da origem dos problemas patológicos com relação as fases de 
produção e de uso das obras civis............................................................................ 50 
Figura 26 – Mecanismo das Fissuras....................................................................... 51 
Figura 27 – Propagação das tensões numa laje de cobertura devido a variações 
térmicas..................................................................................................................... 53 
Figura 28 – Movimentações que ocorrem numa laje de cobertura sob a ação da 
temperatura............................................................................................................... 54 
Figura 29 – Fissura típica na parede junto ao comprimento da laje......................... 54 
Figura 30 – Fissura Típica na Parede 2 junto à largura da laje............................... 55 
Figura 31 – Fissuras de Cisalhamento provocadas por expansão térmica da laje de 
cobertura................................................................................................................... 55 
Figura 32 – Dispositivos para prevenção de fissuras............................................... 56 
Figura 33 – Movimentações Reversíveis e Irreversíveis.......................................... 58 
Figura 34 – Fissuração Vertical da Alvenaria no Canto da Obra............................. 60 
Figura 35 – Destacamentos entre argamassa e componentes de alvenaria........... 60 
Figura 36 – Trinca Horizontal na base da alvenaria por efeito da umidade do solo 61 
Figura 37 – Fissura horizontal na base da alvenariapor movimentações 
higroscópicas diferenciadas...................................................................................... 61 
Figura 38 – Fissuração típica da alvenaria causada por sobrecarga vertical.......... 66 
Figura 39 – Fissuras Horizontais na Alvenaria......................................................... 66 
Figura 40 – ruptura localizada sob ponto de aplicação da carga............................. 67 
Figura 41 – Fissuração no entorno de abertura....................................................... 68 
Figura 42 – Vergas e contravergas.......................................................................... 69 
Figura 43 – Mapa da CPTM..................................................................................... 71 
Figura 44 – Linha 11 – Coral da CPTM.................................................................... 72 
Figura 45 – Estação Guaianases............................................................................. 72 
Figura 46 – Estação José Bonifácio......................................................................... 73 
Figura 47 – Estação Itaquera................................................................................... 73 
Figura 48 – Poça d’agua próxima a bilheteria da estação de Guaianazes.............. 74 
Figura 49 – Trecho do corredor molhado na estação Guaianazes.......................... 75 
Figura 50 – Mancha 1 no Teto da Estação Guaianazes.......................................... 75 
Figura 51 – Mancha 2 no Teto da Estação Guaianazes.......................................... 76 
Figura 52 – Mancha no teto da estação de Itaquera................................................ 76 
Figura 53 – Manchas com pingadeiras..................................................................... 76 
Figura 54 – Mancha na parede do terminal norte..................................................... 77 
Figura 55 – Corrimento de água na parede.............................................................. 77 
Figura 56 – Desnível entre as paredes da junta....................................................... 78 
Figura 57 – Trinca perpendicular à Junta................................................................. 78 
Figura 58 - Trinca entre elementos construtivos...................................................... 79 
Figura 59 - Frestas nas Juntas em Guaianazes....................................................... 79 
Figura 60 - Frestas em Área da estação Itaquera.................................................... 80 
 
LISTA DE TABELAS 
 
Tabela 1: Características exigíveis para os perfis.................................................... 28 
Tabela 2: Tipos de Perfis e Suas Dimensões........................................................... 30 
Tabela 3: Tipos de Perfis e Suas Aplicações........................................................... 31 
Tabela 4: Análise e Definições iniciais do Projeto de Revestimento........................ 38 
Tabela 5: Espaçamentos máximos para juntas de controle em alvenarias.............. 43 
Tabela 6: Classificação das Patologias.................................................................... 51 
Tabela 7: valores máximos de espaçamento entre juntas verticais de controle em 
alvenaria estrutural de blocos cerâmicos.................................................................. 63 
Tabela 8: Valores máximos de espaçamento entre juntas verticais de controle em 
alvenaria estrutural de blocos de concreto................................................................ 64 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO: A NECESSIDADE DAS JUNTAS NAS 
EDIFICAÇÕES................................................................................... 13 
 1.1 OBJETIVOS....................................................................................................... 14 
1.1.1 Objetivo Geral................................................................................................... 14 
1.1.2 Objetivos Específicos....................................................................................... 14 
1.2 METODOLOGIA DO TRABALHO...................................................................... 14 
1.3 JUSTIFICATIVA.................................................................................................. 15 
1.4 ESTRUTURA DO TRABALHO........................................................................... 15 
2 AS JUNTAS NA CONSTRUÇÃO CIVIL............................................. 17 
2.1 CONCEITOS FUNDAMENTAIS......................................................................... 17 
2.1.1. Definição de Juntas...................................................................................... 17 
2.1.2. Classificação das Juntas.............................................................................. 18 
2.1.2.1 Juntas de Trabalho da Construção............................................................... 19 
2.1.2.2 Juntas de Estrutura/ Envoltória..................................................................... 20 
2.1.2.3 Juntas Divisoras de Superficies.................................................................... 21 
2.1.2.3.1 Juntas de continuidade.............................................................................. 21 
2.1.2.3.2 Juntas de controle...................................................................................... 21 
2.1.2.3.3 Juntas de dilatação..................................................................................... 22 
2.1.2.4 Juntas de Separação de Construção............................................................ 22 
2.1.2.4.1 Juntas de mudança de volume................................................................... 23 
2.1.2.4.2 Juntas de Assentamento............................................................................ 24 
2.1.2.4.3 Juntas de separação sísmica..................................................................... 24 
2.2 NORMAS QUE TRATAM DO USO DA JUNTA DE MOVIMENTAÇÃO............ 24 
 2.2.1 NBR 6118 – Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimento........... 25 
 2.2.2 NBR 7187 – Projeto de Pontes de Concreto Armado e de Concreto 
Protendido – Procedimento.................................................................................... 25 
 2.2.3 NBR 12624 – Perfil de Elastômero Para Vedação de Junta de Dilatação 
de Estruturas de Concreto..................................................................................... 25 
 2.2.4 NBR 13755 – Revestimento de Paredes Externas e Fachadas com Placas 
Cerâmicas e com Utilização de Argamassa Colante – Procedimento............... 26 
2.3 MATERIAIS PARA O PREENCHIMENTO DAS JUNTAS................................. 26 
2.3.1 Requisitos de Desempenho dos Selantes................................................... 27 
2.3.2 Selantes Pré-formados.................................................................................. 28 
 2.3.2.1 Perfis de Selantes Pré-formados................................................................ 29 
2.3.3 Selantes Moldados in Loco........................................................................... 31 
2.3.4 Limitadores de Profundidade........................................................................ 32 
 2.3.4.1 Cordões de Polietileno................................................................................ 32 
 2.3.4.2 Fitas Isoladoras............................................................................................ 33 
2.3.5 Primer.............................................................................................................. 33 
2.4. A MOVIMENTAÇÃO DAS JUNTAS SOB A AÇÃO DE 
FORÇAS................................................................................................................... 33 
2.4.1 Movimentação de Tração............................................................................... 34 
2.4.2 Movimentação de Compressão.....................................................................34 
2.4.3 Movimentação de Cisalhamento................................................................... 34 
2.4.4 Movimentação de Rotação............................................................................ 35 
2.4.5 Movimentação Combinada............................................................................ 36 
3 A OCORRENCIA DE JUNTAS EM EDIFICIOS................................. 37 
3.1 PREVISIBILIDADE DAS JUNTAS..................................................................... 38 
3.1.1 Juntas em Fachadas com Revestimento Cerâmico.................................... 38 
3.1.2 Juntas entre Edifícios com Fundações Diferentes..................................... 39 
3.1.3 Juntas em Alvenarias..................................................................................... 39 
3.1.4 Juntas no Encontro de Alvenarias e Lajes.................................................. 40 
3.1.5 Juntas em Pisos de Garagem....................................................................... 40 
3.2 DIMENSIONAMENTO DAS JUNTAS................................................................. 42 
3.2.1 Dimensionamento das Juntas em Fachadas com Revestimento 
Cerâmico.................................................................................................................. 42 
3.2.2 Dimensionamento das Juntas em Alvenarias............................................. 43 
3.2.3 Dimensionamento das Juntas em Pisos de Garagem................................ 44 
3.2.4 Sugestão de Calculo...................................................................................... 45 
3.3 PROCESSO EXECUTIVO DAS JUNTAS.......................................................... 46 
3.3.1 Preparo e recomposição das bordas de junta............................................. 46 
3.3.2 Preparo do Perfil Pré-formado e Aplicação do Adesivo Bicomponente... 46 
3.3.3 Preparo do Perfil Pré-formado e Acabamento da Junta............................. 47 
4 MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS DEVIDO A AUSÊNCIA E/OU A 
MÁ EXECUÇÃO DE JUNTAS............................................................... 48 
4.1 DEFINIÇÃO DE PATOLOGIA NA ENGENHARIA CIVIL................................... 48 
4.2 CLASSIFICAÇÃO DAS PATOLOGIAS.............................................................. 50 
4.3 MECANISMO DAS PATOLOGIAS..................................................................... 51 
4.3.1 Patologias Causadas por Movimentações Térmicas.................................. 52 
4.3.2 Patologias Causadas por Expansão Devido à Umidade............................ 57 
4.3.3 Patologias Causadas por Sobrecargas de Compressão............................ 65 
5. ESTUDO DE CASO........................................................................... 71 
5.1 CARACTERÍSTICAS DA EMPRESA................................................................. 71 
5.2 ESTADO ATUAL................................................................................................ 73 
5.3 PATOLOGIAS..................................................................................................... 74 
5.3.1 Infiltrações Nos Tetos.................................................................................... 74 
5.3.1.1 Poças d’agua................................................................................................. 74 
5.3.1.2 Manchas nos tetos........................................................................................ 75 
5.3.1.3 Manchas nas paredes................................................................................... 77 
5.3.2 Desníveis Nos Pisos...................................................................................... 78 
5.3.3 Trincas Perpendiculares as Juntas.............................................................. 78 
5.3.4 Frestas............................................................................................................. 79 
5.4 DIAGNOSTICO................................................................................................... 80 
5.5 SOLUÇÃO........................................................................................................... 80 
6. CONCLUSÃO ................................................................................... 82 
REFERENCIA BIBLIOGRAFICA.......................................................... 83 
 
 
1 INTRODUÇÃO: A NECESSIDADE DAS JUNTAS NAS 
EDIFICAÇÕES 
 
Apesar do avanço tecnológico no campo das técnicas e dos materiais de 
construção civil, tem-se observado um grande número de edificações, relativamente 
jovens apresentando patologias de toda sorte. Iliescu (2007, p.) afirma que “a 
qualidade de uma construção é a sua capacidade de atender às necessidades dos 
seus usuários nas condições de uso para as quais foi projetada”; considerando tal 
afirmação, um edifício deve atender os requisitos relativos à segurança, ao bom 
desempenho em serviço, à durabilidade, ao conforto visual acústico, tátil e térmico, à 
higiene e à economia, dentre outros. Contudo, a falta de especificação de juntas tem 
criado constrangimentos e causado despesas extras aos moradores destas 
edificações, Meseguer (1991, pg. 25) destaca que: 
“41% das patologias em edificações se devem a problemas na fase 
do projeto, tais como: erros de cálculos, ausência de informações no 
detalhamento do projeto em plantas executivas e construtivas e em 
plantas de montagem; sendo que 32% destinam-se a erros na fase 
de execução, envolvendo erros de reorientação, modificações do 
projeto, não cumprimento de normas, falta de definição do projeto 
e/ou modificações nos materiais”. 
 
Helene (1992) afirma que “os fenômenos patológicos geralmente apresentam 
manifestação externa característica, a partir da qual se pode deduzir a natureza, a 
origem e os mecanismos dos fenômenos envolvidos”. As manifestações patológicas 
de tais edifícios têm maior incidência, devido à necessidade de cuidados que são 
ignorados frequentemente, seja no projeto, na execução ou até mesmo na utilização. 
Com isto, um dos aspectos de grande importância para prevenir futuros 
problemas patológicos, e em particular os que têm sua origem nas movimentações 
estruturais, no momento do projeto e da construção de um edifício é a definição 
correta da junta entre seus elementos, tais como: a. O encontro das paredes com a 
laje de cobertura; b. O encontro entre a alvenaria e os restantes elementos da 
estrutura, isto é, entre alvenaria e pilares, etc. 
Neste trabalho, faz-se uma análise das patologias ocorridas em edifícios 
devido à ausência de juntas ou mesmo da execução da mesma, visando apresentar 
os critérios mais importantes que devem ser considerados na definição deste 
relevante detalhe construtivo, de tal maneira a responder às perguntas de por que, 
como, e onde, especificar juntas. 
 
1.1 OBJETIVOS 
 
1.1.1 Objetivo Geral 
 
O objetivo do trabalho é apresentar e discutir os tipos de patologias que 
ocorrem nos edifícios por contas dos movimentos estruturais aos quais estes estão 
condicionados e que poderiam ser sanados com a previsibilidade de juntas de 
dilatação. Procura-se assim, de forma objetiva, destacar a importância da 
identificação e do correto diagnóstico da origem das patologias a fim de que se 
possam determinar os métodos e técnicas que devem ser aplicados na recuperação 
delas e garantir a vida útil, a segurança, durabilidade e a estética dos elementos 
construtivos, minimizando custos de manutenção e até mesmo de construção. 
 
1.1.2 Objetivos Específicos 
 
Este trabalho tem como objetivos específicos: 
- Apresentar quais são os tipos de juntas a serem consideradas na construção 
de uma edificação; 
- Apresentar alguns exemplos reais das patologias resultantes da ausência 
das juntas nas edificações; 
- Apresentar as recomendações práticas, baseadas em normas vigentes, para 
a utilização das juntas nos projetos construtivos. 
 
1.2 METODOLOGIA DO TRABALHOPara a realização deste trabalho, a metodologia adotada consiste em: 
- Pesquisa em livros, apostilas e teses relativos ao assunto de patologias em 
edificações de alvenaria estrutural, bem como seu diagnóstico e recuperação; 
- Estudo de Normas Técnicas a respeito da previsibilidade e execução das 
juntas; 
- Leitura de artigos em revistas técnicas relacionados ao tema; 
- Consulta a profissionais que trabalham com a fabricação e aplicação de 
juntas em edifícações. 
 
1.3 JUSTIFICATIVA 
 
O estudo de patologias em edificações envolvendo juntas de movimentação 
se mostra extremamente valioso e importante, tendo em vista que se trata de um 
detalhe construtivo ainda muito ignorado na construção civil brasileira. 
Avaliando do ponto de vista de segurança e durabilidade de tais edificações e 
considerando, também, a falta de manutenção preventiva, muitas edificações 
acabam apresentando patologias que reduzem sua vida útil, prejudicam o seu 
desempenho, geram custo com trabalhos de recuperação e, consequentemente, 
colocam em risco a vida das pessoas que as habitam e nelas circulam; por isto, o 
estudo das patologias com a finalidade de se evitar acidentes e garantir o bom 
funcionamento aliado à manutenção preventiva e/ou corretiva é fundamental; ainda, 
outros fatores podem ser apontados como importantes e de igual valor na análise 
das atividades patológicas e consequente aumento da vida útil das edificações. 
Por fim, o estudo de patologias devido à ausência ou a má execução de 
juntas de movimentação constitui numa ferramenta para que a recuperação seja 
bem-sucedida e com isto seja prolongado o tempo de vida útil de um edifício. Para 
tanto, é importante o conhecimento das causas e a escolha do método apropriado 
de tratamento. 
 
1.4 ESTRUTURA DO TRABALHO 
 
A descrição do estudo da necessidade de juntas em construções, e em 
particular nos edifícios, será exposta nos capítulos que se seguem. 
O capitulo 2 apresenta uma revisão bibliográfica sobre os conceitos 
fundamentais relacionados a juntas. Descreve a definição de juntas bem como 
apresenta a classificação das mesmas, trata das Normas relacionadas ao uso de 
juntas, expõe o tipo de tratamento que geralmente recebem; e, ainda trata dos 
movimentos de forças aos quais estão sujeitas. 
O capitulo 3 relaciona os vários elementos construtivos de um edifício onde 
geralmente deve ser previsto a uso das juntas bem como trata do dimensionamento 
e execução da vedação das mesmas. 
O capitulo 4 descreve as patologias que são oriundas da ausência ou má 
execução da vedação das juntas; ainda, neste mesmo capitulo, é apresentado um 
estudo quanto a classificação das patologias bem como a mecânica destes. 
O capitulo 5 mostra os estudos de casos que visam apresentar o estado atual 
de uma determinada obra, suas patologias relacionadas a juntas, bem como seu 
diagnóstico e possível solução. 
No capítulo 6 são apresentadas as conclusões obtidas no trabalho. 
Por fim, são indicadas as Referências Bibliográficas, que permitiram o estudo 
dos assuntos relacionados ao trabalho. 
 
 
2 AS JUNTAS NA CONSTRUÇÃO CIVIL 
 
Ao longo da vida útil de uma construção civil, seus elementos (pilares, vigas, 
lajes, paredes, revestimentos, etc.) sofrem movimentos estruturais que são 
controlados, em alguma extensão, por restrições às quais eles estão submetidos e 
que geram certas patologias inconvenientes que acabam provocando nos usuários 
de tais edifícios uma sensação de insegurança, o que não é admitido pelo item 7.1 
da Norma Brasileira Regulamentadora (NBR) 15575/2013, que determina o que 
segue: 
Sob as diversas condições de exposição (peso próprio, sobrecargas de 
utilização, ação do vento e outras), a estrutura deve atender, durante a vida 
útil de projeto, aos seguintes requisitos: 
a. Não ruir ou perder a estabilidade de nenhuma de suas partes; 
b. Prover segurança aos usuários sob ação de impactos, vibrações e outras 
solicitações decorrentes da utilização normal da edificação, previsíveis na 
época do projeto; 
c. Não provocar sensação de insegurança aos usuários pelas deformações 
de quaisquer elementos da edificação, permitindo-se tal requisito atendido 
caso as deformações se mantenham dentro dos limites estabelecidos nesta 
Norma; 
d. Não repercutir em estados inaceitáveis de fissuras de vedações e 
acabamentos; 
e. Não prejudicar a manobra normal de partes móveis, tais como portas e 
janelas, nem repercutir no funcionamento anormal das instalações em face 
das deformações dos elementos estruturais. 
 
No projeto de uma construção civil, visando atender tais exigências da NBR 
15575/2013, a correta especificação de espaçamentos que possibilitem certa 
liberdade de movimentação entre os elementos de alvenaria e os restantes 
elementos da estrutura deve ser considerada como um detalhe construtivo de 
grande relevância; tais espaçamentos são conceituados, em tecnologia da 
construção, como juntas. 
 
2.1 CONCEITOS FUNDAMENTAIS 
 
2.1.1 Definição de Juntas 
O termo junta significa ligar, unir, associar, adicionar e implica na união de 
duas ou mais coisas; segundo Martin (1977, p. apud RIBEIRO, 2006, p. 22), “junta é 
um ato de unir, modo de fazer um ponto de encontro”. 
Os engenheiros Calixto e Bueno (2011, p. 92) definem que “as juntas são 
aberturas que dividem uma estrutura para que as partes, separadas, possam 
movimentar-se, sem transmitirem esforços umas para as outras”. 
Segundo Alencar (2013, p. 4), as juntas consistem em “interfaces (espaços 
vazios) que permitem a movimentação independente das estruturas de uma 
construção, conferindo flexibilidade sem que a funcionalidade e a segurança do 
conjunto sejam comprometidas”. 
O engenheiro Vilató (1998, p. 2) destaca a relevância das juntas explicando 
que “as juntas têm por função limitar as dimensões de um elemento estrutural a fim 
de que não ocorram elevadas concentrações de tensões em função das 
deformações intrínsecas do mesmo”. 
A NBR 6118 (ABNT, 2001) define que junta é “qualquer interrupção do 
concreto com a finalidade de reduzir tensões que possam resultar em impedimentos 
a qualquer tipo de movimentação da estrutura, principalmente em decorrência de 
retração ou abaixamento de temperatura”; enquanto a NBR 13755 chama de junta a 
qualquer “espaço regular entre duas peças de materiais idênticos ou distintos”. 
As definições apresentadas, então, referem-se a aberturas entre elementos 
construtivos quando usam o termo junta, fazendo desta um detalhe construtivo que 
separa unindo e que é utilizada com o fim de se restringir o tamanho de um 
elemento estrutural como, por exemplo, um muro de longa distancia ou evitar o 
encontro direto entre elementos estruturais diferentes tal como o encontro entre 
parede e laje de cobertura evitando os efeitos negativos provocados pelas 
deformações impostas, proporcionando um comportamento em serviço aceitável ao 
edifício sem comprometer sua segurança, durabilidade e desempenho. 
 
2.1.2 Classificação das Juntas 
 
As juntas de construção estão divididas em duas categorias: 1) Juntas não 
associadas à movimentação – que são utilizadas para conectar peças de matérias 
em uma edificação; como exemplo destas, temos as juntas de argamassa realizadas 
entre os elementos (blocos de concreto, blocos cerâmicos, tijolos, pisos, etc) de 
alvenaria); 2) Juntas de Movimentação – Constituídas de vários tipos diferentes que 
visam ajustar a determinadas quantidades de movimento, sem causar problemas. O 
engenheiro ALLEN (2013, pg396) propõe, na figura 01, um sistema mais lógico de 
terminologia no diz respeito às juntas, pois alguns termos usualmente aplicados em 
edificações são confusos e muitas vezes contraditórios. 
 
Figura 01 - Tipos de juntas de construção 
 
Fonte: Allen (2013, p. 396) 
 
De acordo com sua finalidade e sua localização, as juntas de movimentação 
podem ser classificadas em: 1) Junta de trabalho da construção; 2)Junta de 
estrutura/ envoltórias; 3) Junta divisora de superfícies; e, 4) Junta de 
separação da construção. A seguir apresentamos as características de cada uma 
destas. 
 
2.1.2.1 Junta de Trabalho da Construção 
 
A junta citada é a mais simples entre as juntas de movimentação e é criada 
no processo normal na construção de um edifício e projetada em diversos materiais. 
Temos o telhado como um bom exemplo deste tipo de junta, pois ao ser construído 
é constituído de pequenas unidades de material, que são aplicadas em um padrão 
de sobreposição, de tal maneira que pequenos movimentos oriundos da alteração 
de temperatura ou da umidade não causem problemas. A figura 2 mostra o formato 
de uma junta de trabalho realizado no emboço de uma parede. 
 
Figura 2 – Junta de trabalho 
 
Fonte: Google (2017) 
 
2.1.2.2 Junta de Estrutura/Envoltória 
 
Este tipo de junta separa os elementos estruturais dos não estruturais 
proporcionando uma atuação independente a cada um deles sem que um receba a 
carga do outro e é mais comumente conhecida como junta de isolamento. A junta 
de estrutura/envoltória pode ser encontrada, entre outros exemplos, no topo de uma 
parede de vedação ou de divisão quando estiver junto a uma viga estrutural; nesse 
tipo de situação citado, a junta esta evitando que o elemento não estrutural (parede 
de vedação/divisão) fique sujeito a um possível carregamento do elemento estrutural 
(viga). 
 
Figura 3 – Junta de Estrutura 
 
Fonte: Allen (2013, p. 397) 
2.1.2.3 Junta Divisora de Superfícies 
 
A junta divisora de superfícies acomoda movimentos no plano de uma parede, 
forro, cobertura ou piso e pode ser classificadas como juntas de continuidade, 
juntas de controle e juntas de dilatação. 
 
2.1.2.3.1 Juntas de continuidade 
 
As juntas de continuidade, também conhecidas como “juntas de construção”, 
não devem ser confundidas com as juntas de trabalho de construção, pois estas são 
criadas no processo normal de qualquer construção civil enquanto aquelas são 
utilizadas para separar construções novas de construções antigas objetivando 
permitir que movimentações, que eram normais no passado, ocorram nos materiais 
novos sem causar danos à construção anterior. 
 
Figura 4 – Juntas de Continuidade 
 
Fonte: Allen (2013, p. 402) 
 
2.1.2.3.2 Juntas de controle 
 
As juntas de controle são muito utilizadas em pisos de concreto com a 
profundidade mínima de 30% da espessura do piso; tais juntas, também conhecidas 
como juntas serradas, constituem-se na realização de linha intencionalmente 
frágeis ao longo da qual a fissura irá ocorrer induzindo a mesma de modo planejado 
evitando que surjam em locais aleatórios. A figura 2 nos mostra o formato de uma 
junta de controle. 
Figura 5 – Juntas de controle. 
 
Fonte: Revista Techne, edição 98. 
 
2.1.2.3.3 Juntas de dilatação 
 
A junta de dilatação, que também recebe o nome de junta de movimentação, 
é realizada para combater a dilatação excessiva no encontro entre dois elementos 
de espessuras diferentes ou perpendiculares com o fim de absorver movimentações 
envolvidas no processo de retração de secagem, movimentações térmicas, 
vibrações, deformações por carga e pequenos recalques de acomodação evitando 
possíveis fissuras, patologias muito comum nestes casos. Sempre que houver 
mudança de direção ou na espessura da parede, e ainda se a mesma apresentar 
uma distância muito longa deve-se determinar o uso de tal junta. 
 
Figura 6 – Junta de Dilatação. 
 
Fonte: Revista Techne, edição 98. 
 
2.1.2.4 Junta de Separação da Construção 
 
Na construção de uma grande ou geometricamente complexa edificação, as 
juntas de separação da construção passam a ser detalhes construtivos 
indispensáveis pois dividem tal edificação em estruturas discretas e menores. O 
engenheiro ALLEN (2013, p 397) ressalta a importância de tais juntas porque elas 
possibilitam o movimento independente das estruturas. As juntas de separação da 
construção subsistem em três tipos: juntas de mudança de volume, juntas de 
assentamento e juntas de separação sísmica. 
 
2.1.2.4.1 Juntas de mudança de volume 
 
As juntas de mudança de volume aliviam os efeitos, quando em grande 
escala, de contração e dilatação causados pela alteração na temperatura do material 
ou pela presença de umidade (versaremos mais sobre essas movimentações no 
capitulo 4 deste trabalho). Elas são recomendadas quando há um edifício muito 
longo em largura e são posicionadas na vertical ou horizontal obedecendo a 
intervalos de 40 a 60m, considerando a natureza dos materiais; a figura XX, a 
seguir, mostra dois edifícios longos sendo separados por juntas de mudança de 
volume. 
Figura 7 – Junta de Mudança de Volume 
 
Fonte: Allen (2013, p. 398) 
2.1.2.4.2 Juntas de Assentamento 
 
As fundações produzem diferentes taxas de assentamento que podem gerar 
patologias quando se tem partes de um edifício apoiados em diferentes tipos de 
solos ou que possuam diferentes tipos de fundações, o que faz a junta de 
assentamento ser um item construtivo de considerável relevância. 
 
2.1.2.4.3 Juntas de separação sísmica 
 
Em regiões onde há fortes abalos sísmicos, as juntas de separação sísmica 
dividem um edifício grande e complexo, em pequenos edifícios que podem se 
movimentar independentemente uns dos outros, conforme nos é mostrado na figura 
8. 
Figura 8 – Juntas de Separação Sísmica 
 
Fonte: Allen (2013, p. 398). 
 
2.2 NORMAS QUE TRATAM DO USO DAS JUNTAS 
 
A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), cujo propósito é prover 
a sociedade brasileira de conhecimento sistematizado por meio de documentos 
normativos e contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico, procurou 
uniformizar conceitos e fornecer diretrizes para o uso de juntas de movimentação na 
construção civil, que são encontrados nas seguintes normas: 
 
2.2.1 NBR 6118 – Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimento. 
 
A NBR 6118 tem como objetivo fixar as condições básicas exigíveis para 
projetos de estruturas de concreto simples, armado e protendido; e, no que diz 
respeito a juntas de movimentação, ela especifica, em seu item 7.2.3, “que todas as 
juntas de movimento ou de dilatação, em superfícies sujeitas à ação de água, devem 
ser convenientemente seladas, de forma a torná-las estanques à passagem 
(percolação) de água”. Este procedimento faz com que a durabilidade da obra seja 
maior, evitando transtornos no que tange ao uso adequado da construção. 
 
2.2.2 NBR 7187 – Projeto de pontes de concreto armado e de concreto 
protendido – Procedimento. 
 
A NBR 7187 versa sobre os requisitos que devem ser obedecidos no projeto, 
na execução e no controle das pontes de concreto armado e de concreto protendido; 
esta norma, no item 3.5.7, determina que, “em função da complexidade da obra, faz-
se necessário desenhos específicos de execução de juntas obrigatórias e/ou 
optativas”; é preciso considerar, também, o item 9.8 que orienta que as juntas de 
dilatação devem ser detalhadas no projeto estrutural, prevendo-se dispositivos 
adequados capazes de acompanhar os movimentos da estrutura e de prover uma 
perfeita vedação do local. 
 
2.2.3 NBR 12624 – Perfil de Elastômero para vedação de junta de dilatação de 
estruturas de concreto. 
 
A NBR 12624 determina os requisitos mínimos exigíveis no recebimento de 
perfil elastômérico de junta de dilatação de estrutura de concreto ou aço no que diz 
respeito a composição, forma e dimensão e adesivos utilizados na emenda do perfil; 
quanto a composição, em seu item 5.1 a norma trata da composição do perfil 
elastomérico requisitando que o mesmo seja produzido com elastômero contendo 
resinas, plastificantes, estabilizadores ou materiais adicionais necessários, de modo 
a assegurar um composto homogêneo, livre de bolhas ou outras imperfeições, e a 
atender aos requisitos desta Norma; quanto ao adesivo, a mesmadetermina que 
seja utilizado um que possua características que não comprometam sua 
estanqueidade. 
 
2.2.4 NBR 13755 – Revestimento de Paredes Externas e Fachadas com Placas 
Cerâmicas e com Utilização de Argamassa Colante – Procedimento. 
 
A NBR 13755 estabelece os requisitos para a execução, fiscalização e 
recebimento de revestimento de paredes externas com placas cerâmicas 
assentadas com argamassa colante específica para fachadas. O item 3.5 descreve 
quatro tipos de juntas que devem ser consideradas no projeto de revestimento com 
placas cerâmicas, que são: 1) juntas de Assentamento, que são espaços regulares 
entre duas placas cerâmicas adjacentes; 2) juntas de movimentação, que são 
espaços com a função de subdividir o revestimento a fim de aliviar tensões 
provocadas pela movimentação da base ou do próprio revestimento; 3) juntas de 
dessolidarização, que são espaços com a função de separar o revestimento para 
aliviar tensões provocadas pela movimentação da base ou do próprio revestimento; 
e, 4) juntas estruturais que são espaços cuja função é aliviar tensões provocadas 
pela movimentação da estrutura de concreto. 
 
2.3 MATERIAIS PARA O PREENCHIMENTO DAS JUNTAS 
 
A NBR 6118 – Projeto de Estruturas de Concreto (ABNT, 2004), no item 7.2.3, 
especifica que “todas as juntas de movimento ou dilatação, em superfícies sujeitas à 
ação de água, devem ser convenientemente seladas, de forma a torná-las 
estanques à passagem de água”. 
Verçoza (1983, p. 151) observa que “esse espaço deve ser devidamente 
calafetado sem prejudicar a liberdade de movimentações e que a melhor resposta 
para esse caso, é dada pelo processo de executado durante a construção da junta”. 
Os engenheiros Calixto e Bueno (2011, pg. 92) sugerem que “na maior parte 
dos casos essas juntas precisam ser seladas e impermeabilizadas para evitar a 
penetração de líquidos e ou detritos que possam provocar a deterioração da 
estrutura e ou restringir a sua movimentação e ocasionar patologias”. 
 O tratamento das juntas, então, consiste em vedar os seus espaços vazios 
utilizando materiais que não violem os requisitos de desempenho das peças 
estruturais que estão relacionados, conforme as citações, à durabilidade, dissipação 
de tensões, estanquidade e estética. 
 
2.3.1 Requisitos de Desempenho dos Selantes. 
 
Os materiais utilizados no tratamento das juntas devem ser, segundo o item 
5.1 da NBR 12624 – Perfil de elastômero para vedação de junta de dilatação de 
estruturas de concreto e de aço (ABNT, 2004), à base de elastômeros contendo 
resinas, plastificantes, estabilizadores ou materiais adicionais necessários, de modo 
a assegurar um composto homogêneo, livre de bolhas ou outras imperfeições e, 
ainda, obedeçam aos parâmetros exigíveis especificados; tais materiais devem 
possuir flexibilidade com as variações de abertura por conta dos movimentos de 
tração ou de compressão, e não devem oferecer resistência às movimentações de 
rotação e cisalhamento, é preciso que apresentem estanquidade a passagem de 
água e não provoquem perda de uniformidade superficial, tal como saliências ou 
ressaltos, dos elementos de uma edificação, e sobretudo terem vida útil compatível 
com a da obra. Os materiais utilizados na vedação das juntas de movimentação em 
edifícios são conhecidos como selantes que podem ser pré-formados ou moldados 
in loco. 
A NBR 12624 determina que “os selantes devem submetidos a ensaios que 
são realizados em corpos-de-prova extraídos, preferencialmente, de suas 
superfícies externas superiores, pois são as mais solicitadas às ações da intempérie; 
ainda, seus parâmetros devem atender o especificado na tabela descrita no item 6 
desta Norma. 
 
Tabela 1: Características exigíveis para os perfis. 
Item Parâmetros Unidade Tipo 1 Tipo 2 
Método 
de 
Ensaio 
1 Dureza Shore A A/pontos/1 55 a 66 60 a 70 7.2ª 
2 
Tração 
 Tensão de ruptura Mpa 12 mín. 10 mín. 7.2b 
 Alongamento de ruptura % 350 mín. 350 mín. 7.2b 
3 
Envelhecimento acelerado em estufa, 70 
h/100°C 
 Variação da dureza Shore A A/pontos/1 +10 máx. +10 máx. 7.2c 
Variação da Tensão de ruptura 1 - 20 máx. - 25 máx. 7.2c 
Variação do alongamento de ruptura % - 25 máx. - 30 máx. 7.2c 
4 
Deformação permanente à compressão, 
22 h/100°C % 
35 máx. Não exigível 
7.2d 
5 
Deformação permanente à compressão, 
22 h/70°C % 
NE 30 máx. 
7.2d 
6 
Resistência ao óleo ASTM n° 1, 70 
h/100°C 
 Variação da dureza Shore A A/pontos/1 - 5 a + 10 Não exigível 7.2e 
Variação da Tensão de ruptura à tração % - 25 máx. Não exigível 7.2e 
Variação do alongamento de ruptura à 
tração % 
- 40 máx. Não exigível 7.2e 
Variação do Volume % - 10 a + 15 Não exigível 7.2e 
7 
Resistência ao óleo ASTM n° 3, 70 
h/100°c 
Variação do Volume 
% 
 
% 120 máx. Não exigível 7.2f 
8 
Envelhecimento acelerado em ozônio, 
100 h/ 1ppm/ 40°C 
Fendas 
Não 
apresentar 
Não 
apresentar 
7.2g 
9 Resistência ao rasgo kN/m 26 mín. 26 mín. 7.2h 
Fonte: ABNT NBR 12.624/2004. 
 
2.3.2 Selantes Pré-formados. 
 
A vedação das juntas com selantes pré-formados, segundo os engenheiros 
Calixto e Bueno, é realizada com perfis de elastômeros constituídos de Neoprene, 
Nitrílica ou EPDM (Etileno – Propileno – Dieno) consistindo na utilização de um perfil 
contínuo, maciço ou de câmaras, fixado e calçado entre cantoneiras de aço ou de 
alumínio que protegem os cantos das juntas e depois se efetua a pressurização 
através de ar comprimido e válvulas; as cantoneiras podem ser dispensadas caso o 
elemento estrutural se encontre regular e de elevada resistência mecânica, 
necessitando somente realizar a colagem do perfil com um adesivo de natureza 
epoxídica de alto desempenho. 
A Norma NBR 12624/2004 - Perfil de Elastômero para Vedação de Junta de 
Dilatação classifica os elastômeros em dois tipos: 
a) Tipo 1 - Elastômeros resistentes a óleos parafínicos e aromáticos (ex.: 
neoprene). 
b) Tipo 2 - Não resistentes a óleos parafínicos e aromáticos (ex.: EPDM). 
Alencar (2013, p. 3) ressalta que o perfil de neoprene ainda é muito utilizado 
no tratamento de juntas quando se tem pouca incidência de óleos, mas quando em 
contato prolongado com óleo e combustíveis em geral o uso do perfil de Nitrílica 
responde melhor a exigências impostas por tais agentes; já o perfil de EPDM, em 
virtude de sua composição química, apresenta excelente resistência à radiação 
ultravioleta e ao desgaste por calor (intempéries), o que traz em seu benefício uma 
alta durabilidade e, por permitir uma elasticidade de até 300% de seu estado natural, 
garante uma segura absorção de movimentos estruturais e térmicos. 
 
Figura 9 – Perfil de Neoprene com câmara e cantoneira de aço. 
 
Fonte: Effectus 
 
2.3.2.1 Perfis de Selantes Pré-formados 
 
Os perfis dos selantes pré-formados são elaborados em vários formatos a fim 
de vedar as juntas de diversos tipos de construções, tais como: pontes, viadutos, 
lajes, passarelas, dutos, barragens, paredes, rodovias, galerias, reservatórios, 
fachadas de edifícios, etc; suas dimensões também são diversificadas visando 
atender os diversos vãos existentes entre os elementos de uma construção, 
conforme especificados nos projetos. O engenheiro civil Flavio Caseres apresenta 
uma tabela com os vários tipos de perfis bem como as características de cada um no 
que diz respeito a dimensão do perfil e da sede da junta e a movimentação que um 
determinado tipo pode ser sujeitado sem compromenter sua funcionalidade e, 
também, mostra os tipos que devem ser utilizados conforme a obra a ser realizada; 
tais informações são apresentadas nas tabelas 2 e 3. 
 
Tabela 2: Tipos de Perfis e Suas Dimensões 
PERFIL CÓDIGO 
Dimensões do Perfil 
(mm) 
Dimensões da Sede da Junta (mm) Movimentação (mm) 
Largura Altura Largura Altura Mínima Maxima 
 UT20OAE 
UT25OAE 
UT35OAE 
UT50OAE 
UT60OAE 
UT80OAE 
UT99OAE 
UT15OAE 
20 
25 
35 
50 
60 
80 
99 
150 
30 
4050 
70 
80 
110 
120 
190 
20 
25 
35 
50 
60 
80 
99 
150 
40 
50 
50 
80 
90 
120 
150 
280 
10 
15 
20 
30 
30 
40 
50 
75 
30 
40 
55 
80 
90 
120 
150 
225 
 UT10PAC 
UT15PAC 
UT20PAC 
UT25PAC 
UT30PAC 
UT35PAC 
UT40PAC 
10 
15 
20 
25 
30 
35 
40 
15 
20 
27 
35 
40 
45 
50 
10 
15 
20 
25 
30 
35 
40 
25 
30 
35 
40 
45 
50 
60 
5 
10 
10 
15 
15 
20 
25 
12 
23 
28 
38 
43 
53 
58 
 
 
UT10PPA 
UT15PPA 
UT20PPA 
UT25PPA 
UT3 PPA 
10 
15 
20 
25 
30 
15 
20 
27 
35 
40 
10 
15 
20 
25 
30 
25 
30 
35 
40 
45 
5 
10 
10 
15 
15 
12 
23 
28 
38 
43 
 UT04VMA 
UT06VMA 
UT08VMA 
UT10VMA 
UT15VMA 
UT20VMA 
UT25VMA 
UT30VMA 
UT30VMA 
UT40VMA 
4 
6 
8 
10 
15 
20 
25 
30 
35 
40 
10 
11 
13 
15 
20 
27 
35 
40 
45 
50 
4 
6 
8 
10 
15 
20 
25 
30 
35 
40 
13 
15 
20 
25 
30 
35 
40 
45 
50 
60 
2 
3 
5 
5 
10 
10 
15 
15 
20 
25 
7 
8 
10 
15 
25 
30 
40 
45 
55 
60 
 
 
UT 10 PA 
UT 15 PA 
UT 20 PA 
UT 25 PA 
UT 30 PA 
10 
15 
20 
25 
30 
10 
15 
20 
25 
30 
10 
15 
20 
25 
30 
20 
25 
30 
35 
40 
6 
12 
15 
20 
25 
12 
18 
25 
30 
35 
 UT 15 EPH 
UT 20 EPH 
UT 25 EPH 
UT 30 EPH 
15 
20 
25 
30 
20 
25 
30 
35 
15 
20 
25 
30 
30 
35 
40 
45 
15 
20 
25 
30 
25 
30 
40 
45 
 UT 20PGD 06 
UT 30PGD 08 
UT 50PGD 10 
UT 55PGD 10 
UT 60PGD 10 
20 
30 
50 
55 
60 
18 
26 
48 
50 
55 
 
Fonte: Alencar (2013) 
 
Tabela 3: Tipos de Perfis e Suas Aplicações 
PERFIL APLICAÇÕES PERFIL APLICAÇÕES 
 Pontes, Viadutos, 
Passarelas, aeroportos, 
grandes estruturas. 
Para Pressões Hidrost. 
de até 0,8 Mpa 
 
Áreas de pedestres, 
Pisos em geral, 
mercados shoppings, 
Aeroportos. 
 Prédios; Painéis; 
Estruturas em geral; 
Aeroportos, portos; 
Fissuras.Para Pressões 
Hidr. De até 0,2 Mpa 
 Áreas de pedestres, 
Pisos em geral, 
mercados shoppings, 
Aeroportos Áreas com 
baixas solicitações. 
 
Áreas de pedestres, 
Pisos em geral, 
mercados shoppings, 
Aeroportos. 
 Canais, ETA, ETE, 
Reservatórios, 
barragens, pisos 
vinilicos. 
Para Pressões Hidrost. 
De até 2,0 Mpa 
 
 
 
Desenvolvida para 
OAEs 
em geral. 
Fonte: Alencar (2013) 
 
2.3.3 Selantes Moldados in loco. 
 
O tratamento das juntas em edifícios com selantes moldado in loco é 
realizado com a aplicação de um material composto por polímeros, cargas, 
pigmentos e aditivos modificadores de suas propriedades. São conhecidos no 
mercado de acordo com o tipo de polímero, cura e comportamento mecânico, os 
quais são responsáveis por algumas de suas principais propriedades e seu 
desempenho. No mercado, são encontrados como monocomponentes e utilizados 
pelos consumidores por causa de sua facilidade de aplicação ou, ainda, como 
bicomponentes que polimerizam pela ação de agente endurecedor, também 
chamado de catalizador. Segundo BELTRAME (2009, p. 9), “a escolha do selante 
deve obedecer ao especificado em projeto, pois estes produtos apresentam 
diferentes propriedades de acordo com o tipo e a composição química” que 
encontram-se explicitados a seguir: a) Poliuretanos – produtos à base de polímeros 
sintéticos, produzidos pela reação de poliol e isocianato; b) Silicones – produtos à 
base de silício e os de cura neutra são os adequados; e, c) Silicones Híbridos (MS 
polímeros) – produtos à base de poliéster com terminações de silano. Um exemplo 
de selante moldado in-loco é o Sikaflex Precast que é um selante de juntas elástico, 
monocomponente, que cura com a umidade do ar à base de poliuretano. Sendo 
adequado para juntas de movimentação e juntas de conexão entre elementos pré-
moldados. 
 
2.3.4 Limitadores de Profundidade 
 
Os Limitadores de Profundidade são usados como corpo de apoio que 
servem para nivelar a junta, controlar a espessura do selante e impedir a aderência 
do selante na base da junta; também, deve garantir a relação entre largura e 
profundidade, o que é fundamental para o bom desempenho do selante. A 
espessura do corpo de apoio deve ser 25% maior do que a largura da junta. Existem 
dois tipos de corpos de apoio: os cordões de polietileno e as fitas isoladoras; isto 
significa que materiais como mangueiras de cristal, sacos de cimento, jornais, corda 
de sisal, isopor e outros materiais não são recomendados para o preenchimento de 
juntas. 
 
2.3.4.1 Cordões de Polietileno 
 
Beltrame (2009, p. 28) explica que “os cordões devem ser compostos de 
material compressível, no qual o selante não tenha aderência, o que só é possível 
com o uso do cordão de polietileno expandido de células fechadas”. Com tal 
recomendação, vemos que o uso de alguns materiais, tais como: mangueira de 
cristal, sacos de cimento, jornal, corda de sisal, isopor e outros materiais, não são 
adequados como limitadores de profundidade. 
Figura 10 – Limitação de Profundidade com Cordão de Polietileno. 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Beltrame (2009, pg 28) 
 
2.3.4.2 Fitas Isoladoras 
 
Quando as juntas apresentam uma baixa profundidade tornando dispensável 
o uso dos cordões, então são usadas as fitas isoladoras que, segundo Beltrame 
(2009, p. 28), “tem a função de evitar a adesão do selante no fundo da junta”. A fita é 
autoadesiva, sensível à pressão, geralmente à base de polietileno de célula fechada, 
na qual não existe estabelecimento de ligação adesiva com o selante. 
 
2.3.5 Primer 
 
O primer é um aditivo promotor de aderência dos selantes a diversos 
substratos tais como cimentícios, cerâmicos, tijolos, madeiras ou metais. Este aditivo 
funciona de três modos: a) altera e equaliza as características químicas do 
substrato; b) preenche os vazios do substrato e aumenta a resistência mecânica do 
mesmo; e, c) reduz a pressão capilar do substrato. Alguns selantes necessitam do 
primer em todos os tipos de superfícies; outros, somente em certos tipos de 
substrato. Além disso, para alguns tipos de selantes, pode-se dispensar o uso do 
primer. Como nem sempre há necessidade de sua utilização, a realização de ensaio 
qualitativo de aderência permite melhor definição do procedimento de aplicação do 
selante. De modo geral, existem no mercado dois tipos específicos de primer, um 
para substratos lisos tais como PVC, superfícies metálicas ou esmaltadas, alguns 
tipos de vidros, e outro para substratos porosos como os revestimentos de 
argamassa, placas cerâmicas e concreto. 
A seguir, versaremos sobre a ação de forças a que as juntas estão sujeitas já 
que os elementos estruturais de um edifício encontram-se em movimento. 
 
2.4 A MOVIMENTAÇÃO DAS JUNTAS SOB A AÇÃO DE FORÇAS 
 
 A finalidade da especificação de juntas não é somente a de conferir certa 
liberdade às movimentações estruturais do edifício, mas também, conforme o 
engenheiro Alencar (2013, p. 5), é a de “absorver um grande número de 
movimentações simples e até combinadas”. As movimentações sofridas pelas juntas 
são: 
2.4.1 Movimentação de Tração 
 
É resultante de forças que estão agindo em sentidos opostos numa peça; no 
caso das juntas, tal movimentação causa nelas um alongamento, sendo comum em 
situações que em os elementos estruturais da construção tendem, em virtude do tipo 
de material e do esfriamento destes, a se encolherem, conforme mostrado pela 
figura. 
 
Figura 11 – Junta sujeita a movimentação de Tração. 
 
Fonte: Alencar (2013) 
2.4.2 Movimentação de Compressão 
 
É resultante de forças que ocorrem em direção uma da outra numa peça; 
quando as juntas estão sob a ação de tal movimentação elas são comprimidas, tal 
tipo de movimentação é comum em situações que em os elementos estruturais da 
construção tendem, em virtude do tipo de material e do grau de dilatação quando 
ocorre um aumento na temperatura, a sofre uma expansão de suas moléculas 
(dilatação), conforme mostrado pela figura. 
 
Figura 12 – Junta sob a ação da movimentação de compressão. 
 
Fonte: Alencar (2013) 
2.4.3 Movimentação de Cisalhamento 
 
A movimentação de Cisalhamento é decorrente da deformação sofrida pela 
junta quando submetidaà ação de forças cortantes que atuam em direções 
paralelas e em sentidos opostos sobre seus pontos adjacentes. Esta movimentação 
é comum no encontro entre paredes e lajes de cobertura. 
Figura 13 – Movimentação de Cisalhamento. 
 
 
Figura 14 – Junta sujeita a Movimentação de Cisalhamento. 
 
Fonte: Alencar (2013) 
 
2.4.4 Movimentação de Rotação 
 
Ocorre quando temos o deslocamento entre as placas da junta, fazendo com 
as duas partes da estrutura se movimentem verticalmente, tentando rotacionar a 
estrutura. Esta movimentação é rara acontecer, mas quando ocorre a junta tende a 
acompanhar a estrutura devidamente colada. 
 
Figura 15 – Junta trabalhando sob a movimentação de rotação. 
 
Fonte: Alencar (2013) 
2.4.5 Movimentação Combinada 
 
A movimentação combinada ocorre quando o perfil elastômero tem aplicado 
sobre si as movimentações de tração ou de compressão juntamente com as 
movimentações de cisalhamento, conforme demonstram as figuras 16 e 17. 
Figura 16 – Junta sob a ação combinada das movimentações de tração e 
cisalhamento. 
 
Fonte: Alencar (2013) 
A resultante da combinação das movimentações que geram a movimentação 
combinação da figura 16 é uma reta na diagonal, esticando-se; enquanto, a 
resultante da combinação das movimentações que geram a movimentação 
combinada da figura 17 é uma reta na diagonal comprimindo-se. 
 
Figura 17– Junta sob a ação combinada das movimentações de compressão e 
cisalhamento. 
 
Fonte: Alencar (2013) 
No próximo capítulo trataremos sobre os locais que devem conter juntas de 
movimentação, o que significa determinar a correta dimensão do vão da junta e o 
tipo certo de perfil elastômero bem como sua execução com o fim de vedar e 
possibilitar o movimento dos elementos construtivos sem que gere patologias.
3 A OCORRENCIA DE JUNTAS EM EDIFICAÇÕES. 
 
Na especificação de juntas de movimentação em edifícações, deve-se 
considerar a orientação dos lugares onde constarão a junta, a dimensão de sua 
largura e a execução na fase de implantação que compreende a escolha dos 
materiais a serem usados bem como o uso correto dos mesmos; pois, a negligência 
destes fatores conduz ao mau emprego da junta que se refletirá no aparecimento de 
patologias tais como fissuras e também gerara custos de reformas. 
Ribeiro (2006, p. 84) propõe um processo de projeto de juntas de 
movimentação por meio de um fluxograma, conforme a figura 18. 
 
Figura 18 – Projeto de Juntas: Fluxograma 
 
Fonte: Ribeiro (2006) 
 
Assim, prever as juntas consiste em considerar, com base em informações 
obtidas no projeto, algumas situações que exigem o uso das mesmas. A seguir, 
versaremos sobre os locais que devem ter juntas de movimentação, conforme 
bibliografias consultadas. 
AVALIAÇÃO DA EDIFICAÇÃO E DAS 
CONDIÇÕES DE EXPOSIÇÃO
SELEÇÃO DOS MATERIAIS DE 
PREENCHIMENTO
ENSAIOS
ESPECIFICAÇÃO FINAL
- Preparação das superfícies;
- Definição dos Materiais de Preenchimento;
- Detalhes dos Perfis: Profundidade e Largura;
- Métodos de execução;
- Ferramentas;
- Cura;
- Limpeza Final;
- Controle de Qualidade;
- Critérios de Aceitação;
- Requisitos de Manutenção e Substituição dos Materiais Selantes;
DIMENSIONAMENTO DAS JUNTAS
1. Posicionamento/ 2. Largura/ 3. 
Profundidade
 
3.1 PREVISIBILIDADE DAS JUNTAS 
3.1.1 Juntas em Fachadas com Revestimento Cerâmico 
 
Medeiros propôs que o processo de projeto de produção de revestimentos 
cerâmicos de fachadas ocorra em várias etapas, conforme a tabela 4. 
 
Tabela 4: Análise e Definições iniciais do Projeto de Revestimento 
Etapas Descrição das Atividades 
Avaliação das 
condições de 
exposição da fachada 
Estudo detalhado de cada uma das fachadas do edifício, suas 
condições de exposição possibilidade de ocorrência de choques 
térmicos, incidência de chuvas, ventos, poluição atmosférica e outras 
condições relativas ao meio ambiente onde a construção se insere. 
Análise da arquitetura 
da fachada 
Estudo das características arquitetônicas que possam interferir no 
desempenho do revestimento cerâmico de fachada. Considera-se 
nesta etapa a avaliação da geometria, formas, tipo de 
empreendimento, local da construção e do entorno da obra. 
Avaliação da 
deformabilidade da 
estrutura 
Análise técnica da potencial deformabilidade da estrutura, inclusive ao 
longo do tempo, considerando elementos críticos indutores de 
tensões prejudiciais ao substrato e outras camadas dos revestimentos 
cerâmicos de fachada. Entram em consideração parâmetros como: 
módulo de deformação do concreto, rigidez dos elementos e global da 
estrutura, fluência, sequência e métodos construtivos empregados na 
sua produção. 
Avaliação das 
características das 
alvenarias externas 
Avaliação das condições das superfícies das alvenarias, necessidade 
de preparação da base e aplicação de camada de regularização. 
Avaliação das potenciais movimentações intrínsecas das paredes de 
vedação, sua resistência mecânica, principalmente da superfície, 
capacidade de absorção de deformações e regiões que podem 
provocar o surgimento de tensões. 
Fonte: Ribeiro (2006). 
 
Segundo Woolman (1994, p. 164 apud RIBEIRO, 2006, p. 85), as atividades 
para a especificação de juntas devem ser iniciadas pela avaliação da edificação, a 
qual consiste na análise de projetos a fim de se diagnosticar e caracterizar o 
comportamento dos substratos. Também, Hurley (1998, p. 50 apud RIBEIRO, 2006, 
p. 85) esclarece que as juntas devem ser previstas após uma cuidadosa avaliação 
sobre as razões para seu uso e o estabelecimento dos requisitos de desempenho 
esperado. 
 
3.1.2 Juntas entre Edificações com Vários Tipos de Fundação 
 
De acordo com o engenheiro Allen (2013, p.398), nos edifícios onde há vários 
tipos de fundação, isto é, quando um parte foi construída sobre estacas e outra 
sobre sapatas ou radier, etc; as juntas devem ser criadas construindo-se estruturas 
independentes, em ambos os lados do plano da junta, tendo fundações, colunas e 
lajes inteiramente separadas. Na figura 8, apresentada anteriormente, temos o 
exemplo de uma complexa edificação que esta dividida em vários prédios que estão 
trabalhando estruturalmente independentes mas unidos por juntas. 
 
3.1.3 Juntas em Alvenarias 
 
As alvenarias são elementos construtivos que têm a finalidade de separar 
ambientes externos de ambientes internos. Elas estão divididas em dois grupos: 1) 
Alvenarias Auto-portantes – destinadas a absorver a carga da laje e outros tipos 
sobrecargas; 2) Alvenarias de Vedação – destinadas ao fechamento de áreas, 
trabalhando sobre estruturas. De acordo com o engenheiro Vilató (1998, p.2), “cada 
movimento na parede é controlado em alguma extensão pelo grau de restrição ao 
qual a alvenaria está submetida”, o que faz com que seja recomendável a 
especificação de juntas entre os elementos de alvenaria. Na figura 19, temos 
algumas recomendações quanto aos lugares onde se devem localizar as juntas. 
 
Figura 19 – Localização das juntas em alvenarias 
 
Fonte: Vilató (1998, p.3) 
3.1.4 Juntas no Encontro de Alvenarias e Lajes 
 
Os engenheiros Ramalho e Corrêa (2012, p.72) ressaltam que a “redução da 
desigualdade entre as ações térmicas atuantes na laje e nas paredes e a redução de 
vinculação horizontal entre as paredes e a laje através da definição de um plano de 
escorregamento conveniente” são providências que podem controlar o fenômeno da 
fissuração. 
O engenheiro Vilató (1998, p. 3) também considera, conforme a figura 20, que 
“o encontro da alvenaria com a laje de cobertura também é outra situação em que 
deve haver a determinação de juntas”. a razão para tal recomendação encontra-se 
no fato de a laje sofrer, devido à expansão ou retração por variações de umidade e 
temperatura, deformações longitudinais que, na ausência das juntas, podem causar 
danos às alvenarias. 
 
Figura 20 – Juntas entre Alvenaria e Lajes 
 
Fonte: Vilató(1998, p.3) 
 
3.1.5 Juntas em Pisos de Garagem 
 
Os pisos dos edifícios, sejam eles de garagem ou de quadras esportivas, são 
compostos de concreto que, como sabemos, apresentam variações volumétricas 
significativas por conta da retração hidráulica ou por causa das variações térmicas 
que sofrem durante a vida útil. Então, os pisos de concreto são formados por placas 
retangulares ou quadrados, com dimensões limitadas, separadas pelas juntas que 
são fundamentais para permitir as movimentações do concreto e a adequada 
transferência de carga entre as placas, objetivando assegurar a planicidade e a 
qualidade do piso. Na fase de execução do mesmo, o engenheiro Gasparetto (2009, 
p.1) ressalta que “as barras de transferência devem ser colocadas nos locais pré-
determinados conforme paginação das juntas”, o que significa que elas – as barras 
de transferência – devem ser instaladas de maneira que fiquem paralelas entre si e 
o planejamento do corte deve ser realizado de acordo com as sequencias de 
concretagem; ainda, o engenheiro Helene (1992, p.498) destaca que “a seleção do 
sistema adequado implica, além da escolha do projeto geral, o projeto de soluções 
particulares para os pontos singulares”, tais como o encontro de duas partes de 
concretagem (juntas de movimentação) do pavimento, o encontro do pavimento com 
as superfícies verticais (juntas de encontro piso-parede) e o encontro do pavimento 
com drenos e bueiros (juntas de encontro piso-ralo) que são: 1) Junta de 
Movimentação; 2) Junta de encontro piso-parede; e, 3) Junta de encontro piso-ralo, 
conforme são ilustrados na figura 21. 
 
Figura 21 – Juntas utilizadas em pisos de garagem. 
 
Fonte: Helene (1998, p. 498) 
 
O engenheiro Silva (2015, p 81) alerta para a correto projeto e execução das 
juntas, dizendo que “as juntas representam os pontos frágeis no piso, e se não 
forem adequadamente projetadas e executadas, podem provocar deficiência 
estrutural quer pela não transferência adequada dos esforços ou por movimentações 
verticais excessivas”. 
3.2 DIMENSIONAMENTO DAS JUNTAS 
 
3.2.1 Dimensionamento das Juntas em Fachadas com Revestimento Cerâmico 
 
A NBR 13755, no item 5.1.2, recomenda que no revestimento com placas 
cerâmicas de paredes externas e fachadas que ultrapassem a altura de 3 metros 
devem ser executadas juntas de movimentação horizontais obedecendo a distância 
mínima de 3 metros, ou a cada pé-direito, na região de encunhamento da alvenaria; 
ao mesmo tempo recomenda também a execução de juntas verticais de 
movimentação espaçadas no máximo a cada 6 metros. Quanto a largura “L” destas 
juntas, deve ser dimensionada em função das movimentações previstas para a 
parede e para o revestimento, e em função da deformabilidade admissível do 
selante, respeitado o coeficiente de forma (largura/profundida da junta), que deve 
ser especificado pelo fabricante do selante. 
A figura 22, a seguir, mostra que a profundidade da junta de movimentação 
deve ultrapassar as camadas da argamassa colante e do chapisco e emboço até 
chegar a alvenaria, sendo que tal vão deve ser preenchido com materiais tais como 
borracha alveolar, espuma de poliuretano, manta de algodão para calafetação ou 
cortiça; e, ser vedado com selantes a base de elastômeros. 
 
Figura 22 – Acabamento das juntas com material de enchimento e 
selante. 
 
Fonte: NBR 13755 (1996) 
3.2.2 Dimensionamento das Juntas em Alvenarias. 
 
Considerando o tipo de material utilizado na alvenaria, a largura do bloco, e a 
condição das paredes, isto é, se elas são internas ou externas e se tem ou não 
aberturas, Thomas e Helene (2000, p.15) sugerem que sejam obedecidas a 
distâncias máximas entre as juntas de dilatação indicadas na tabela 5. 
 
Tabela 5: Espaçamentos máximos para juntas de controle em alvenarias. 
 
Fonte: Helene (2000, p 15) 
3.2.3 Dimensionamento das Juntas em Pisos de Garagem 
 
No capítulo anterior foi dito que um projeto de piso de garagem requer o 
planejamento das juntas de encontro e das juntas de movimentação. No 
dimensionamento de tais juntas nestes elementos construtivos – piso de garagem e 
de quadras esportivas – o projeto geométrico é um item indispensável, pois 
relaciona o adequado posicionamento e dimensionamento das juntas, determina o 
processo executivo e especifica os tipos de equipamentos e as limitações que serão 
empregados”. 
O engenheiro Silva (2015, p. 81) determina que a concretagem dos pisos seja 
feita em faixas e o posicionamento das juntas serradas (JS) deve ser realizado 
perpendicularmente ao menor lado da mesma e as juntas de retratação/movimento 
(JR) devem estar localizadas perpendicularmente ao maior lado da faixa, conforme a 
figura 23 esquematiza; e, quando ocorrer o encontro das juntas com pilares, deve-se 
obedecer o que a figura 24 orienta. 
 
Figura 23 – Posicionamento das juntas em pisos de garagem. 
 
Fonte: Silva (2015, p. 81) 
 
Figura 24 – Junta de encontro com pilar 
 
Fonte: Silva (2015, p. 85) 
 
Segundo o engenheiro Silva (2015, p. 82), as principais recomendações a 
serem feitas para permitir um projeto adequado são: 
a – O piso deve trabalhar isolado da estrutura, portanto, no encontro 
de pilares, paredes, base de máquinas etc, deverão ser previstas 
juntas de encontro, permitindo que o piso trabalhe livremente e não 
seja solicitado pela estrutura; 
b – as juntas deverão ser sempre contínuas, podendo apenas ser 
interrompidas nas juntas de encontro. Evitar fazer junta tipo T, exceto 
quando se empregar dispositivos adequados para evitar a 
propagação da fissura; 
c - no encontro de duas juntas, o ângulo formado deve ser 
preferencialmento 90° e não deve ser inferior a 70°, caso contrário, 
ocorrerá fissuras. 
A figura 25 mostra as ocorrências a serem evitadas conforme citadas nos 
itens b e c. 
Figura 25 – Junta tipo T e junta inferior a 70°. 
 
Fonte: Silva (2015, p. 82) 
No dimensionamento das juntas, tanto a sua profundidade quanto a sua 
largura são itens a serem considerados. Nas juntas serradas, a profundidade do 
corte deverá obedecer a um dos seguintes parâmetros: a) pelo menos 40mm; b) 
maior que 1/4 da espessura da placa; ou, c) menor que 1/3 da espessura da placa. 
Já nas juntas de expansão, é muito importante para o correto funcionamento da 
junta ser executado uma folga de pelo menos 20mm entre as paredes das placas 
para a movimentação das mesmas. 
 
3.2.4 Sugestão de Calculo 
 
As dilatações e contrações de origem térmica são as mais comuns, onde a 
largura da junta pode ser obtida através da seguinte fórmula: 
∝ = 
Δ𝐿
m
 
Onde, α é a largura mínima da junta, 𝚫𝑳 é incremento de comprimento devido 
à temperatura e m é movimento admissível do mástique, em %. Sendo que Δ𝐿 é 
obtido conforme a fórmula a seguir: 
Δ𝐿 = 𝐿µΔ𝑇 
Sendo, µ é o coeficiente de dilatação térmica do material, L é o comprimento 
no sentido perpendicular à junta e Δ𝑇 é a variação de temperatura. 
Quanto à profundidade de uma junta, o engenheiro Helene (1998, p. 491) 
ressalta que em alguns tipos de selantes moldados in loco “a profundidade da junta 
deverá ser a metade da largura da mesma”; onde os selantes elásticos são 
utilizados em profundidades maiores que 6mm, os plasto-elasticos em 
profundidades maiores que 10mm e os plásticos em profundidades maiores que 
12mm. A relação entre a largura e a profundida ideal é conhecida como fator de 
forma. 
 
3.3 PROCESSO EXECUTIVO DAS JUNTAS. 
 
O processo executivo é uma parte muito relevante no que diz respeito as 
juntas, pois muitas patologias são oriundas de uma má execução na instalação das 
mesmas; assim, para que uma junta possa responder eficazmente o que lhe for 
solicitado pela obra, faz-se necessário atentar para alguns passos durante o 
processo de instalação, conforme orientado a seguir: 
 
3.3.1 Preparo e recomposição das bordas de junta 
 
Neste primeiro passo, todos os detritos e resíduos entornodas fôrmas 
existentes na junta devem ser removidos; logo em seguida, o concreto nas áreas de 
adesão do perfil deve ser lixado para eliminação da nata de cimento, partes soltas 
ou contaminadas, procurando deixar as paredes rugosos com o propósito de 
aumentar a aderência. Uma vez realizados tais procedimentos, deve-se prosseguir 
com a limpeza das superfícies e tratar as trincas para que sejam evitados possíveis 
pontos de vazamentos. 
 
3.3.2 Preparo do Perfil Pré-Formado e Aplicação do Adesivo Bicomponente 
 
Como o perfil é de material elástico deve-se evitar estica-lo para não se 
cometer erros de medição, pois ele terá de cortado e/ou emendado de acordo com o 
comprimento da junta e as suas extremidades deverão ser tamponadas a fim de que 
se possa proceder com a pressurização. Uma vez que a junta e o perfil já se 
encontram prontos para a instalação, deve-se proceder com o preparo e aplicação 
do adesivo bicomponente; tal preparo, envolve a mistura de dois componentes A e B 
até formar uma pasta homogêneo e a sua consequente aplicação uniforme nas 
paredes internas da junta e nas estrias do perfil. 
 
3.3.3 Aplicação do Perfil Pré-Formado e Acabamento da Junta 
 
Nesta fase o perfil deve ser instalado na profundidade determinada em 
projeto, tomando-se o cuidado para utilizar as ferramentas apropriadas a fim de que 
o perfil não seja danificado e comprometa sua pressurização que deverá ser lenta e 
controlada para se evitar a expulsão do adeviso das laterais do perfil ou deste para 
fora da junta. Constatado que o perfil foi instalado devidamente, o excesso de 
adesivo deverá ser removido com uma espátula da superfície em torno dos cantos 
da junta e do perfil, limpando e removendo todos os detritos produzidos durante o 
trabalho. 
 
 
4. MANIFESTAÇÕES PATOLOGICAS DEVIDO A AUSÊNCIA E/OU 
MÁ EXECUÇÃO DE JUNTAS 
 
4.1 DEFINIÇÃO DE PATOLOGIA NA ENGENHARIA CIVIL 
 
O significado de patologia vem do grego e é um derivado de “pathos” que 
significa sofrimento, doença, e de “logia”, que significa ciência, estudo. O termo 
patologia foi muito difundido pela medicina, que classifica patologia como o estudo 
das doenças, suas origens, seus sintomas e quais os agentes causadores 
(AZEVEDO, 2011). Na Engenharia Civil, o termo aborda as falhas, disfunções e 
defeitos que prejudicam a estética ou o desempenho de uma construção ou de 
qualquer uma de suas partes e, geralmente, ocorrem nas partes sob a sujeição de 
ações que ocasionam uma variação dimensional de seus materiais provocando 
movimentos, estes deslocamentos causam tensões ao longo dos elementos 
estruturais, sendo que muitas delas originam-se por causa da ausência de junta de 
movimentação entre os elementos. 
As causas exatas de uma manifestação patologica em edificios são inumeras 
e provêm de diversos fatores. Segundo Sahlin (1971 apud ALEXANDRE, 2008, P. 
61) E Hendry e Khalaf (2001 apud Alexandre, 2008, p. 61) “... a principal causa de 
aparecimento de fissuras em edificios é o movimento diferencial dos diferentes 
materiais e componentes de construção”. Duarte (1998) afirma que se deve ter em 
mente que os materiais de construção se dilatam e se contraem e “a edifcação deve 
ser provida de meios para permitir estes deslocamentos, tentando evitar tensões de 
tração de forma que atenda aos estados limites de uso e colapso”. Alexandre (2008, 
p 61) completa, “se tais movimentos são restringidos pelos diversos vínculos que 
envolvem os elementos e os componentes da construção, provavelmente ocorrerão 
fissuras devido às tensões geradas”. O mesmo autor ainda afirma que: 
São vários os mecanismos das movimentações diferenciais em 
componentes e elementos construtivos que podem causar fissuras 
nos elementos construtivos de um edificio, entre os quais recalque de 
fundações, recalques diferenciais, variações de temperatura, 
retração de blocos ou de outros elementos de concreto, sobrecarga 
de compressão, expansão por umidade, deformação dos elementos 
da estrutura de concreto armado, reações quimicas, detalhes 
construtivos incorretos, congelamento, vibrações, explosões, 
terremotos. 
 
Bauer (2006) afirma que “as fissuras são as principais manifestações 
patológicas em construções”; isto significa que a incidência de fissuras provoca um 
incômodo preocupante na construção civil, pois o nível de exigência dos usuários é 
grande devido a mudanças de mentalidade e a criação de novos paradigmas tais 
como a qualidade e a satisfação dos clientes. 
As fissuras constituem um estado patológico bastante comum em elementos 
construtivos dos edificios, uma vez que os materiais e componentes são frágeis e 
apresentam baixa resistência à tração, conforme enfatiza Holanda Júnior (2002 apud 
ALEXANDRE, 2008). É sabido que “a alvenaria resiste bem a tensões de 
compressão, sendo que isto não ocorre quando estão submetidos a tensões de 
tração, flexão e de cisalhamento” completam Thomaz e Helene (2000 apud 
ALEXANDRE, 2008) 
Bauer (2006, p 35) lembra que “a configuração da fissura, abertura, 
espaçamento e, se possível, a época de ocorrência podem servir como elementos 
para diagnosticar sua origem”. Isto significa que as diferentes características 
mecânicas e elásticas das partes de um edificio, e em função das requerentes 
atuantes, as fissuras poderrão ocorrer nas juntas de assentamento ou seccionar os 
componentes do edifício. 
Sabbatini (2003, pg 78) afirma que “as manisfetações patológicas que 
surgirem deverão ser solucionadas pela construtora, em caráter definitivo tão logo 
ocorram”. Devido a isto as empresas devem se preocupar com a prevenção, se não 
de todas, das principais manifestações patológicas encontradas nas construções; 
pois, na engenharia, de um modo geral, um dos objetivos principais de qualquer 
empresa privada é o faturamento, portanto todo o gasto extra, acaba diminuindo a 
margem de lucro, que muitas vezes é bastante pequena. Obras de edificios são 
projetadas fazendo-se o uso de material mais barato, onde perde-se na qualidade, 
ocasionando por sua vez muitos retrabalhos necessários. 
O engenheiro Azevedo (2011, p. 51) ressalta que “o conhecimento real do 
agente causador da patologia é vital para que se possa escolher o melhor método 
para seu reparo”, pois o objetivo é se evitar que essa manifestação possa colocar 
em risco as condições de estabilidade e segurança do elemento danificado ou até 
mesmo da edificação como um todo. 
Nota-se que, em alguns casos mais extremos, os danos causados as 
estruturas são irreversíveis, sendo mais viável sua demolição. 
Costuma-se relacionar as manifestações patológicas com as fases de 
produção das obras civis, ou com o mau uso da edificação, a seguir ilustramos 
graficamente a distribuição percentual das ocorrências destes problemas em cada 
etapa: 
 
Grafico 1 – Relação da origem dos problemas patológicos com relação as 
fases de produção e de uso das obras civis. 
 
 
Fonte: Helene, 1992 
 
4.2 CLASSIFICAÇÃO DAS PATOLOGIAS 
 
As patologias são classificadas conforme a espessura de sua abertura. 
Porém, essa classificação têm sido bastante divergente entre alguns profissionais. 
De acordo com Bidweell (1977 apud Duarte, 1998, p11) as patologias podem ser 
classificadas em finas (<1,5mm), médias (1,5 a 10mm) e largas (>10mm); já, para 
Rainer (1983 apud) DUARTE, 1998, p11) as patologias são consideradas de 
natureza muito leve quando a abertura é inferior a 1mm, leve quando a espessura 
for maior que 1mm e menor que 5mm, moderadas quando a dimensão for 
compreendida entre 5 e 15mm e, por fim, são tidas como severas quando 
ultrapassarem os 15mm de abertura. Kaminetzky (1985 apud DUARTE, 1998, p11) 
propõe uma classificação como aberturas negligíveis (<0,1mm), muito leve (0,1 a 
0,4mm), leves (0,8 a 3,2mm), moderada (3,2 a 12,7mm), extensiva (12,7 a 25,4mm) 
ou muito extensiva (>25,4mm). Ainda, conforme Silva (2012 apud OLIVEIRA, 2012, 
p10), as patologias podemser classificadas de acordo com a tabela a seguir: 
 
Tabela 6: Classificação das Patologias. 
 
Fonte: OLIVEIRA, 2012. 
 
4.3 MECANISMO DAS PATOLOGIAS 
 
Os elementos e componentes de uma construção estão sujeitos a variações 
que repercutem numa variação dimensional dos materiais de construção (dilatação 
ou contração), os movimentos de dilatação e contração são tensões que poderão 
provocar o aparecimento de fissuras. 
A figura 26 mostra como ocorre o mecanismo de formação das fissuras em 
um elemento. 
 
Figura 26 – Mecanismo das Fissuras. 
 
Fonte: Google 
 
Neste capítulo, as manifestações patológicas são apresentadas 
resumidamente e separadas por seus tipos de movimentações utilizando-se 
bibliografia disponível; dentre as categorias definidas na metodologia, estão as 
patologias oriundas de variação de temperatura, sobrecarga de compressão e 
expansão por umidade. 
 
4.3.1 Patologias Causadas por Movimentações Térmicas 
 
As patologias causadas por movimentações térmicas ocorrem devido a trocas 
térmicas entre corpos, tais trocas acontecem por conta da radiação solar ou mesmo 
por esfriamento. Segundo Thomas (2002, p.19) 
“Os elementos e componentes de uma construção estão sujeitos a 
variações de temperatura, sazonais e diárias. Essas variações 
repercutem numa variação dimensional dos materiais de construção 
(dilatação e contração); os movimentos de dilatação e contração são 
restringidos pelos diversos vínculos que envolvem os elementos e 
componentes, desenvolvendo-se nos materiais, por este motivo, 
tensões que poderão provocar o aparecimento de fissuras”. 
 
Tanto a radiação solar quanto o esfriamento podem agir igualmente sobre 
dois corpos diferentes, porém, estes podem possuir coeficientes de dilatação 
diferentes. Outra situação que pode ocorrer, é quando os corpos estão expostos a 
variação de temperaturas diferentes, isto é, enquanto um corpo está mais quente o 
outro está mais frio. Ainda, poderá haver o fato em que um mesmo corpo esteja 
exposto a temperaturas diferentes entre suas extremidades. Todos estes fatores 
farão com que os componentes se deformem de maneira desigual, gerando 
movimentações na estrutura. Assim, não só a amplitude da dilatação é importante, 
como também o tempo que ela dura, como por exemplo, no caso de um corpo levar 
mais tempo para se esfriar e voltar as dimensões normais, em relação a outro corpo 
que esteja ligado a ele, isto irá gerar tensões entre estes materiais. Duarte (1998, p. 
14) ressalta que estas tensões, devido a movimentações térmicas ocorrem 
principalmente nas paredes externas e lajes de cobertura: 
“Os materiais de construção se dilatam e se contraem devido a 
variações de temperatura. É óbvio que esta movimentação é mais 
sensível no envelope do prédio do que no seu interior. Paredes de 
fachada e lajes de cobertura aquecem-se durante o dia e resfriam a 
noite, com consequentes movimentos de dilatação e contração. 
Quanto mais escuro for o elemento construtivo, maior o aumento de 
temperatura durante o período de insolação, por consequência, 
maior será a dilatação. Durante a noite, o elemento construtivo perde 
calor para o ambiente, ocorrendo uma contração. Obviamente, as 
propriedades térmicas, dos materiais, notadamente o calor específico 
e o coeficiente de dilatação térmica, são importantes para se estimar 
a variação dimensional devido à variação de temperatura. Esta 
movimentação na direção horizontal não é livre, há sempre alguma 
forma de restrição devido à ligação de paredes com outras paredes, 
ou paredes com a estrutura do prédio ou o atrito das paredes com as 
lajes. Estas restrições induzem ao surgimento de tensões localizadas 
causando fissuras”. 
 
As fissuras por variação de temperatura ocorrem mais comumente em 
elementos construtivos do ultimo pavimento de um edifício, quando da solidarização 
com a laje de cobertura; esta é, normalmente, a parte da edificação mais exposta as 
variações de temperatura e isto faz com que seja a que mais absorva tais variações. 
Esta absorção implicará na expansão de suas dimensões, dilatando a laje, conforme 
Timosnshenko e Woinwsky (1959 apud THOMAZ, 2002, p.23) explicam e detalham 
na figura 27. 
“[...] devido ao fato de que as lajes de cobertura normalmente 
encontram-se vinculadas as paredes de sustentação, surgem 
tensões tanto no corpo das paredes quanto nas lajes; teoricamente 
as tensões de origem térmica são nulas nos pontos centrais das 
lajes, crescendo proporcionalmente em direção aos bordos onde 
atingem seu ponto máxima [...]. 
 
 
Figura 27 – Propagação das tensões numa laje de cobertura devido a variações 
térmicas. 
 
Fonte:THOMAZ, 2002, P. 23 
 
A tensão máxima nos bordos da laje é diretamente absorvida pelas paredes, 
conforme o relato do engenheiro Thomaz (2002, p. 23) no qual ele afirma que a 
dilatação plana das lajes e o abaulamento provocado pelo gradiente de 
temperaturas introduzem tensões de tração e cisalhamento nas paredes das 
edificações, conforme a figura 24 mostra. 
 
Figura 28 – Movimentações que ocorrem numa laje de cobertura sob a ação da 
temperatura. 
 
Fonte:THOMAZ, 2002, p. 23 
 
Thomaz (2002, p.23) explica também que, conforme se constata na prática, 
as fissuras se desenvolvem quase que exclusivamente nas paredes. O mesmo autor 
ainda expõe, na figura 29, uma configuração típica de fissuras na parede junto ao 
maior comprimento da laje: “Fissura típica presente no topo da parede ao 
comprimento da laje; a direção das fissuras, perpendiculares às resultantes da 
tração, indica o sentido da movimentação térmica (no caso, da esquerda para a 
direita)”. 
 
Figura 29 – Fissura típica na parede junto ao comprimento da laje. 
 
Fonte: Thomaz 2002, p.23). 
 
Na figura 30, o engenheiro Thomaz (2002, p.24) detalha a configuração típica 
da fissura na parede junta à largura da laje, e explica que a fissura que aparece no 
topo da parede junto a largura da laje destaca o efeito dos esforços de tração na 
face interna da parede. 
 
Figura 30 – Fissura Típica na Parede 2 junto à largura da laje. 
 
Fonte: Thomaz, 2002, p. 24. 
 
Conforme Pilny (1977 apud THOMAZ, 2002), as fissuras poderão se 
desenvolver inclinadamente próximas ao topo das paredes, por conta das 
dimensões da laje, da natureza dos materiais que constituem as paredes, do grau de 
aderência entre paredes e laje e, ainda, da eventual presença de aberturas; a seguir, 
a figura 31 mostra o comentado por Pilny. 
 
Figura 31 – Fissuras de Cisalhamento provocadas por expansão térmica da laje de 
cobertura. 
 
Fonte: Thomaz, 2002, p. 25. 
 
Considerando que a fissuração é uma patologia proveniente da ausência de 
alguns cuidados na fase de projeto de um edifício; conforme Basso et al. (1997), três 
principais providências podem ser tomadas com o fim evitar aparecimentos destas 
fissuras, onde duas das soluções pressupõem a existência de um telhado de 
proteção à laje, que são: 
a) Colocação correta das telhas para reduzir a absorção de calor pelo telhado 
que protege a laje; 
b) Existência de ventilação correta entre as telhas e a laje; e, 
c) O isolamento térmico da laje. 
Os mesmos autores ainda afirmam que esses dispositivos geram maior 
eficiência na solução do problema se utilizados de forma conjunta. Além desses, 
outros dispositivos também são expostos na literatura, Thomaz (2002), por exemplo, 
propõe que seja feita uma dessolidarização entre as paredes do último pavimento e 
a laje, ou o vigamento da cobertura, com algum material que forme uma junta 
deslizante entre eles. Esta junta e outros dispositivos são apresentados na figura 32. 
 
Figura 32 – Dispositivos para prevenção de fissuras. 
 
Fonte: Thomaz, 2002, p. 60 
 
Para Sabbatini (2003, p.24) as juntas de movimentação devem ser admitidas 
no encontro de paredes com lajes, desde que as mesmas tenham total 
estanqueidade e que o revestimento seja acabado mediante frisos ou mata-juntas 
adequados;a isto, o engenheiro Thomaz (2002, p.60) acrescenta que essas juntas 
deslizantes podem ser constituídas de neoprene, folhas duplas de cobre, polietileno, 
feltro betumado, papel de Kraft betumado, etc; já Loturco (2005, p. 33) diz que: 
“Em todos os casos, como o isolamento térmico não extingue a 
possibilidade de surgirem fissuras, é recomendável permitir a 
movimentação independente dos elementos. A separação pode ser 
feita com o apoio da laje em elementos flexíveis, como mantas de 
impermeabilização. Empregada em camada dupla como apoio de 
laje, a espessura do material alcança 1 cm, o suficiente para dar 
mobilidade ao conjunto”. 
O mesmo autor ainda explica que dividir a laje em diversos trechos, diminui os 
efeitos da dilatação, assim como a desvinculação entre laje e parede, ajuda a evitar 
o surgimento de fissuras. Outros autores concordam com o uso de juntas 
deslizantes no encontro entre a última laje e as paredes do último pavimento. Duarte 
(1998) sugere que as juntas deslizantes sejam empregadas em todos os pavimentos 
nas construções em alvenaria estrutural. 
Embora, a literatura identifique as movimentações devido à variação térmica 
da laje de cobertura como sendo um dos principais causadores de fissuras nas 
edificações, muitas vezes, dedicando capítulos inteiros na busca de soluções para 
este problema. A NBR 10837 (2000), embora já considerada ultrapassada, porém 
vigente, não indica a utilização de juntas horizontais nas lajes intermediárias e na 
laje de cobertura, exigindo até, em alguns pontos, que ela seja solidaria a alvenaria. 
Da mesma forma, a NBR 15812-1(2010), em nenhum ponto comenta sobre a 
utilização de juntas horizontais com a função de evitar as manifestações patológicas 
geradas devido à movimentação térmica, porém, não exige, em nenhuma situação, 
a solidarização com a alvenaria. 
 
4.3.2 Patologias Causadas por Expansão Devido a Umidade 
 
A umidade também é uma das principais causas de manifestações 
patológicas na construção civil e muitos livros e pesquisas tratam deste problema. 
Entre os defeitos mais comuns nas construções encontra-se a penetração de água 
ou a formação de manchas de umidade (VERÇOZA, 1983, pg 149). Uma edificação 
é composta de elementos e materiais diversos, que possuem caraterísticas 
diferentes, tais como o coeficiente de dilatação e o coeficiente de umidade 
higroscópica. Thomaz (2002, p. 24) explica que: 
“As mudanças higroscópicas provocam variações dimensionais nos 
materiais porosos que integram os elementos e componentes da 
construção; o aumento do teor de umidade produz uma expansão do 
material enquanto que a diminuição desse teor provoca uma 
contração. No caso da existência de vínculos que impeçam ou 
restrinjam essas movimentações poderão ocorrer fissuras nos 
elementos e componentes do sistema construtivo”. 
O engenheiro Thomaz (2002, p. 24) ainda acrescenta que: 
“As variações no teor de umidade provocam movimentações de dois 
tipos irreversíveis e reversíveis. As movimentações irreversíveis são 
aquelas que ocorrem geralmente logo após a fabricação do material 
e originam-se pela perda ou ganho de água até que se atinja a 
umidade higroscópica de equilíbrio do material fabricado. As 
movimentações reversíveis ocorrem por variações do teor de 
umidade do material, ficando delimitadas a certo intervalo, mesmo no 
caso de secar-se ou saturar-se completamente o material”. 
 
Figura 33 – Movimentações Reversiveis e Irreversiveis. 
 
Fonte: Thomaz, p 35, 2002) 
 
O engenheiro Thomaz (2002, p.25) acrescenta que a umidade pode ter 
acesso aos materiais de construção através de diversas vias: 
a) Resultante da produção dos componentes; 
b) Proveniente da execução da obra; 
c) Do ar ou proveniente de fenômenos meteorológicos; 
d) Do solo. 
Para isso, Verçoza (1983, p.150) explica que as umidades originadas pela 
própria construção são aquelas necessárias para a obra e em alguns casos essas 
umidades levam até seis meses para secar. Ainda lembra de um outro tipo de 
umidade intitulada “umidade por capilaridade” – aquela que sobe do solo úmido; 
materiais tais como tijolos, concretos, argamassas, madeiras e outros são materiais 
que têm canais que possibilitam o transporte de água ao interior das edificações 
sendo que altura alcançada pela umidade por capilaridade depende do diâmetro e 
forma dos canais. Uma outra situação bastante comum são as umidades devidas às 
infiltrações de chuva, elas podem ser inconstantes, isto é, aparecem em algumas 
chuvas, mas não em outras; pois a infiltração depende da velocidade e direção do 
vento, da quantidade de precipitação, da umidade do ar. 
De acordo com o engenheiro citado anteriormente (Verçoza 1983, p.20), 
mesmo os solos rochosos apresentam umidade, tal como qualquer solo. No tange a 
pressão, alguns casos de umidade apresentam força suficiente para romper a 
tensão superficial da água. Assim, na presença de uma estrutura porosa tal como 
areia ou terra, a água do subsolo sobe por capilaridade e permeabilidade até haver 
equilíbrio; isto significa que, se uma parede porosa entrar em contato com um 
terreno descrito nas condições acima, a capilaridade também se fará presente 
umedecendo a mesma, este é o motivo pelo qual não devemos encostar terra 
diretamente nas paredes pois a umidade do subsolo traz consigo sais perniciosos 
agravantes e tendem a manchá-las. 
É, igualmente interessante, considerarmos que as águas de chuva penetram 
nos prédios e em outras construções por meio da pressão hidrostática e percolação. 
Quanto a definição, percolação é a passagem de água de um corpo por transmissão 
de grão a grão, por isso vemos goteiras em telhados e calhas. No caso das 
alvenarias a água encharca um grão, que por sua vez vai encharcar o grão seguinte, 
até atravessar toda a parede. 
Bauer (2006, p. 36) argumenta que: 
“Sendo constituídas de materiais porosos, as alvenarias terão seu 
comportamento influenciado pelas movimentações higroscópicas 
desses materiais. A expansão das alvenarias por higroscópicidade 
ocorrerá com maior intensidade nas regiões da obra mais sujeitas à 
ação da umidade como, por exemplo, cantos desabrigados, 
platibandas, base das paredes etc”. 
A movimentação interna da estrutura pode ser gerada por um outro fator que 
é o fato da água congelar em canais capilares, conforme Verçoza (1983, p. 13) 
explana: 
“A água, ao congelar, aumenta de volume. E a água em canais 
capilares congela a temperaturas acima de 0ºC. Ela pode congelar a 
temperatura de até 6ºC. Assim sendo, a água depositada nos poros 
e canais capilares dos tijolos e do concreto congela em dias frios. Ao 
congelar aumenta de volume. No miolo, este aumento de volume é 
contido pela massa do tijolo, e se traduz por calor, que então impede 
o congelamento. Mas na superfície a resistência é menor, formando-
se gelo que desloca as camadas mais externas, desagregando 
paulatinamente o material. Então a superfície dos tijolos começa a se 
desgastar, parecendo lixada. Geralmente toma a forma convexa, ou 
arredondada as arestas”. 
A figura 34 apresenta um quadro típico de fissuração provocada por 
movimentação higroscópica conforme salientado pelos engenheiros Bauer e 
Verçoza. 
 
Figura 34 – Fissuração Vertical da Alvenaria no Canto da Obra. 
 
Fonte: Thomaz (2002, p. 38) 
O engenheiro Thomaz (2002, p. 37) comenta que “as fissuras provocadas por 
variação de umidade dos materiais de construção são muito semelhantes aquelas 
provocadas pelas variações de temperatura”. Isto significa que, entre um caso e 
outro, as aberturas poderão variar em função das propriedades higrotérmicas dos 
materiais e das amplitudes de variação da temperatura ou da umidade. Ele ainda 
afirma que ocorrem movimentações entre os componentes da alvenaria de tal forma 
que ocorre o destacamento entre os blocos e a argamassa de assentamento, 
conforme apresentado pela figura 35; tal patologia deve-se, entre muitos fatores,a 
aderência entre a argamassa e os demais componentes de alvenaria, tipo de junta 
adotada, etc. 
 
Figura 35 – Destacamentos entre argamassa e componentes de alvenaria 
 
Fonte: Thomaz, 2002, p 41. 
A umidade na alvenaria pode ser ainda proveniente das fundações da 
edificação, conforme mostram as figuras 36 e 37. 
Figura 36 - Trinca Horizontal na base da alvenaria por efeito da umidade do solo. 
 
Fonte: Thomaz (2002, p. 42) 
Figura 37 – Fissura horizontal na base da alvenaria por movimentações 
higroscópicas diferenciadas. 
 
Fonte: THOMAZ, 2002, p. 101 
Além disso, independente da origem da umidade, a retração higroscópica tem 
sido relatada como um dos principais problemas, pois Parsekian et al. (2007, p 53) 
diz que “a retração causa variação do volume das paredes e, quando não é 
impedida, apenas diminui seu tamanho”. É importante ressaltar que nas construções 
usuais existem restrições a essa retração por causa do intertravamento das faces 
laterais com outro painel de alvenaria, e também, por conta do travamento inferior ou 
superior por lajes, provocando o aparecimento de tensões de tração com a 
possibilidade de sugirmente de fissuras. 
 A movimentação que é oriunda da retração devido à falta do processo de 
cura da laje como sendo a causadora de fissuras e em casos mais críticos, do 
destacamento vertical da alvenaria, é destacado por Loturco (2005). 
Muitos autores indicam que deve ser evitada a presença de água na 
alvenaria acabada, o que pode provocar movimentações higroscópicas acentuadas 
ou até dissolução de compostos da argamassa de assentamento. Nesse sentido de 
pensamento, Thomaz (2002, p. 139) afirma que: 
 “[...] podem ser tomadas providencias tais como: boa 
impermeabilização da fundação, adoção detalhes arquitetônicos que 
façam com que a água de chuva descole da fachada, revestimento 
da parede com película impermeável ou hidrófuga, presença de uma 
cobertura verdadeiramente estanque e medidas que evitem o 
empoçamento de água nas bases das paredes”. 
Durante a construção também deve se evitar a água em seus excessos e não 
somente quando as edificações estiverem prontas; Sabbatini (2003, p20) recomenda 
que “o assentamento da alvenaria não poderá ser feito sob chuva. No caso de 
interrupção dos trabalhos por causa da chuva a alvenaria recém executada deverá 
ser protegida, para que os vazados não sejam cheios de água”. 
Thomaz (2002, p 140) complementa que o comportamento das alvenarias 
será condicionado pela efetividade da ligação componente/argamassa. E ainda 
afirma que: 
“Os blocos, independente do tipo de material, deverão, portanto 
apresentar poder de absorção dentro de uma determinada faixa; se a 
absorção for muito pequena, não haverá boa penetração dos cristais 
hidratados do aglomerante nos poros do bloco, prejudicando-se a 
aderência mecânica. Se, por outro lado, a absorção for muito grande, 
não haverá água suficiente para a hidratação do aglomerante, 
prejudicando-se mais uma vez a aderência”. 
Para Parsekian et al (2007) as juntas de controle podem ser um fator 
contribuinte para a redução do potencial aparecimento de fissuras de retração, pois 
elas permitem que as deformações ocorram livremente, sem o aparecimento de 
tensões. 
De acordo com a NBR 10837 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS 
TÉCNICAS, 2000), a utilização de juntas de controle tem por finalidade básica 
permitir deslocamentos devidos à retração e secundariamente, às variações da 
temperatura. Tais juntas devem ser empregadas da seguinte forma: 
a) Nos locais onde a altura ou carga da parede varia bruscamente; 
b) Em pontos onde a espessura da parede varia (não sendo por causa de 
enrijecedores; 
c) Nos chanfros ou cortes por onde passam tubulações, pilares e fixações; 
d) Nas paredes que mudam bruscamente de direção, e que em planta tem a 
forma de L, T ou U. 
Contudo, nestes locais, as seguintes condições devem ser obedecidas: 
a) A junta deve ser continua ao longo de toda a altura da parede; 
b) O local da junta deve permitir os movimentos para os quais foi projetada; 
para isso, deve ser preenchida com material deformável; 
c) Devem-se interromper 50% da armadura horizontal na junta de controle; 
d) As barras da armadura e o graute, ao nível de pisos e coberturas, podem 
ser continuas. 
Já a NBR 15812-1 (2010), acrescenta que deve ser analisada a necessidade 
da colocação de juntas verticais de controle de fissuração em elementos de 
alvenaria com a finalidade de prevenir o aparecimento de fissuras provocadas por: 
variação de temperatura, expansão, variação brusca de carregamento e variação da 
altura ou da espessura da parede. Elas devem ser utilizadas para painéis de 
alvenaria contidos em um único plano e na ausência de uma avaliação precisa das 
condições específicas do painel, devem ser dispostas juntas verticais de controle 
com espaçamento máximo que não ultrapasse os limites da tabela 7. 
 
Tabela 7: Valores máximos de espaçamento entre juntas verticais de controle em 
alvenaria estrutural de blocos cerâmicos. 
 
Fonte: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2010 
 
No mesmo sentido, o projeto de Norma 02:123.04-015-1, define que deve ser 
analisada a necessidade de colocação de juntas verticais de controle de fissuração 
em elementos de alvenaria com a finalidade de prevenir o aparecimento de fissuras 
provocadas por: variação de temperatura, retração, variação brusca de 
carregamento e variação da altura ou da espessura da parede. Elas devem ser 
utilizadas para painéis de alvenaria contidos em um único plano e na ausência de 
uma avaliação precisa das condições específicas do painel, devem ser dispostas 
juntas verticais de controle com espaçamento máximo que não ultrapasse os limites 
da tabela 8. 
 
Tabela 8: Valores máximos de espaçamento entre juntas verticais de controle em 
alvenaria estrutural de blocos de concreto. 
 
Fonte: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS 2010. 
Parsekian et al (2007) afirma que é de fundamental importância, que após o 
assentamento, os blocos tenham a menor retração possível. Ele argumenta que 
fabricantes de blocos com cura a vapor possuem maior controle da qualidade dos 
blocos, porém não é o único fator para a melhor escolha do fornecedor. Em suas 
recomendações eles lembram que blocos de concreto nunca devem ser molhados 
antes do assentamento, pois eles devem estar secos, equilibrados com a umidade 
média do local, quando do assentamento. 
O projeto de Norma 02:123.04-015-1 acrescenta que na ausência de dados 
experimentais, o coeficiente de retração da alvenaria pode ser admitido igual a 500 x 
10,6 mm/mm. Esse valor deve ser aumentado para 600 x 10-6 mm/mm quando os 
blocos forem produzidos sem cura a vapor e na verificação de perdas quando a 
protensão é aplicada antes de 14 dias após a execução da parede. E para blocos 
cerâmicos a NBR 15812 indica que, na ausência de dados experimentais, o 
coeficiente de expansão por umidade da alvenaria pode ser admitido igual a 300 x 
10-6 mm/mm. 
Outra forma de evitar a retração da alvenaria é com a utilização da armação 
das paredes, as quais permitem o aumento na resistência à tração, promovendo 
dessa forma a capacidade da alvenaria de resistir a eventuais trações ocorridas, 
adverte Parsekian et al (2007). 
A movimentação higroscópica, com referência à retração dos panos de laje, 
pode ser minimizada com a adoção de cura úmida e com o controle desse processo, 
já o seccionamento da laje, provisório ou definitivo, torna a retração menos 
prejudicial ao sistema conforme esclarece Loturco (2005, pg 60). O mesmo autor 
coloca que a utilização de juntas deslizantes, conforme apresentado para 
movimentações térmicas, também auxiliam na prevenção de fissuras na alvenaria 
devido à retração da laje de cobertura. 
 
4.3.3 Patologias Causadas por Sobrecargas de Compressão. 
 
Algumas fissuras também são causadas por conta de movimentações devido 
às sobrecargasde compressão que ocasionam esforços entre blocos e juntas, 
conforme afirma Duarte (1998, p. 12): 
“O mecanismo de ruptura de paredes de alvenaria solicitadas por 
carregamentos verticais de compressão consiste no surgimento de 
fissuras verticais decorrentes de esforços transversais de tração 
induzidos nos tijolos pelo atrito da superfície da junta de argamassa 
com a face maior dos tijolos. Ao ser comprimida a argamassa 
geralmente se deforma mais do que o tijolo, tendendo a expandir 
lateralmente e transmitindo tração lateral aos tijolos”. 
Dois tipos característicos de fissuras podem ocorrer quando surgem 
sobrecargas de compressão, conforme afirma Thomaz (2002, p. 63). 
a) Fissuras verticais (caso mais típico), provenientes da deformação 
transversal da argamassa sob ação das tensões de compressão, ou flexão 
local dos componentes de alvenaria [...]; 
b) Fissuras horizontais, provenientes da ruptura por compressão dos 
componentes de alvenaria ou da própria argamassa de assentamento ou 
ainda de solicitações de flexocompressão da parede [...] 
A figura 38 mostra o primeiro tipo de fissura e a figura 39 mostram os dois 
tipos de fissuras apontados pelo engenheiro Thomaz. 
Figura 38 – Fissuração típica da alvenaria causada por sobrecarga vertical 
 
Fonte: Thomaz (2002, p. 64) 
Figura 39 - Fissuras Horizontais na Alvenaria 
 
Fonte: Thomaz, 2002, p. 64 
Bauer (2006, p.36) explica que, “devido a deformação transversal da 
argamassa de assentamento e da eventual fissuração de blocos ou tijolos por flexão 
local que ocorrem por conta da ação de cargas distribuídas, as paredes apresentam 
fissuras tipicamente verticais”; e, devido a ações de sobrecargas que também 
podem ocorrer devido a cargas concentradas, o engenheiro Thomaz (1989, p.65) 
afirma que “a atuação de sobrecargas também pode provocar ruptura dos 
componentes da alvenaria na região de aplicação da carga e/ou o aparecimento de 
fissuras inclinadas a partir do ponto de aplicação”, conforme demonstra a figura 40. 
Figura 40 – ruptura localizada sob ponto de aplicação da carga. 
 
Fonte: Thomaz, 2002, p. 65. 
Bauer acrescenta que “devido a cargas verticais concentradas, sempre que 
não houver uma correta distribuição dos esforços através de coxins ou outros 
elementos”, a consequência de tais ações são os esmagamentos localizados e 
formação de fissuras a partir do ponto de transmissão da carga. O engenheiro 
Thomaz (2002, p 64) completa que: 
“Nos painéis de alvenaria onde existem aberturas as fissuras 
formam-se a partir dos vértices dessa abertura e sob o peitoril; 
teoricamente, em função do caminhamento dos isostáticas de 
compressão, a configuração das fissuras em uma parede assentada 
sobre suporte indeformável [...]. 
 
Haverá considerável concentração de tensões no contorno dos vãos, em 
trechos com a presença de aberturas; para Thomaz (2002, p. 65), teoricamente, em 
função do caminhamento das isostáticas de compressão, a configuração das 
fissuras em uma parede ocorre conforme a figura (fissuração no entorno da 
abertura), porém, ele afirma que na realidade, essas fissuras poderão manifestar-se 
segundo diversas configurações, em função da influência de uma gama enorme de 
fatores intervenientes, como: dimensões da alvenaria e das aberturas, 
posicionamento das aberturas, dimensões e rigidez das vergas e contravergas. 
Dessa forma ele acrescenta que a maior deformação da alvenaria e a eventual 
deformação do suporte nos trechos mais carregados da parede (fora das aberturas), 
[...] originam nos casos reais fissuras com as configurações indicadas na figura 41. 
 
Figura 41 – Fissuração no entorno de abertura. 
 
Fonte: Thomaz, 2002, p. 66 
No caso da inexistência ou subdimensionamento de vergas e contravergas as 
fissuras se desenvolverão a partir dos vértices das aberturas (BAUER, 2006, p. 36) 
A alvenaria estrutural possui bom comportamento à compressão, não 
ocorrendo o mesmo para esforços de tração e cisalhamento. Carregamentos 
pontuais e excêntricos devem ser evitados, pois Thomaz (2002, p 70) coloca que 
“essas cargas deverão ser distribuídas por meio de coxins, e nas aberturas as 
concentrações de tensão deverão ser absorvidas pelas vergas e contravergas”. 
Bauer (2006, p. 37) afirma que “as fissuras horizontais nas alvenarias, causadas por 
sobrecargas verticais atuando axialmente no plano da parede, não são frequentes; 
poderão ocorrer, entretanto, pelo esmagamento da argamassa das juntas de 
assentamento”. 
Conforme Sabbatini (2003, p. 89), “os componentes metálicos para reforço e 
a distribuição de tensões e os componentes pré-fabricados complementam a 
execução de paredes estruturais”; ainda é complementado pelo autor que tais 
componentes metálicos como fios, barras e telas de reforço também poderão ser 
utilizados como amarração indireta sendo imersos em juntas de argamassa, de 
qualquer forma eles deverão ser ou de aço galvanizado ou constituído de metal 
resistente à corrosão. 
Os engenheiros Thomaz e Helene (2000 apud RICHTER, 2007, p.49) 
argumentam que “as juntas de assentamento em amarração facilitam a 
redistribuição de tensões provenientes de cargas verticais ou introduzidas por 
deformações estruturais e movimentações higroscópicas”. O não preenchimento das 
juntas verticais, segundo Roman et al (1999, p.36) tem pouco efeito na resistência à 
compressão, mas influencia a resistência à flexão e ao cisalhamento da parede. Da 
mesma forma Thomaz e Helene (2000 apud RICHTER, 2007, p. 50) reiteram que 
“não se recomenda em nenhuma circunstância à adoção de ‘juntas secas’ nas 
alvenarias estruturais”. 
A utilização de vergas e contravergas são importantíssimas para as 
alvenarias constituídas com aberturas, o que exige um correto dimensionamento 
para suportarem as tensões concentradas geradas pelas aberturas; as dimensões 
mínimas de verga e contravergas são apresentadas pela figura 42. 
Figura 42 – Vergas e contravergas 
 
Fonte: Sabbatini (2003, p 21). 
Sabbatini (2003, p. 21) explica que: 
“a) contravergas em vãos de janela – devem ser executadas em peças 
reforçadas com aço, moldadas no local ou pré-fabricada, de modo a 
distribuir as tensões concentradas nos cantos inferiores dos vãos. Devem 
ultrapassar a lateral do vão [...] em pelo menos d/5 ou 30 cm (o mais 
rigoroso dos dois, onde “d” é o comprimento da janela). Podem ser 
substituídas por uma cinta contínua, armada, na altura dos parapeitos, por 
todas as paredes externas (usual nos PCAE-PA) ou por juntas de trabalho 
(não usual no Brasil); 
b) vergas de portas e janelas – devem ser previstas em projeto vergas 
armadas na lumieira de portas e janelas. O apoio lateral deve ser de no 
mínimo d/10 ou 10 cm (o que for maior). 
 
Assim, o dimensionamento das vergas e contravergas não é especificado 
claramente pelas normas de alvenaria estrutural, tanto a NBR 10837 quanto a NBR 
15812, as mesmas apenas indicam a forma de determinação do carregamento. 
Segundo a NBR 15812, as contravergas em vãos de janela e as vergas sobre vãos 
de porta e janela podem ser executadas com canaletas preenchidas com graute e 
armadura, peças moldadas no local ou peças pré-fabricadas, conforme especificado 
no projeto. 
No que se refere à utilização de graute na lateral das janelas, como 
usualmente é utilizado por projetistas, esse fator dependerá do carregamento e do 
trespasse da verga, tal carregamento deverá ser atendido pela área efetiva do bloco, 
a qual também irá variar de acordo com o trespasse utilizado. Nenhuma das normas 
para alvenaria aponta como imprescindível a utilização de tal ponto de 
grauteamento. 
 
 
 
 
 
5. ESTUDO DE CASO 
 
O estudo de caso deste trabalho foi realizado em cima da análise de vistorias 
realizadas nas dependências da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – 
CPTM; pois algumas de suas estações apresentaram patologias devido ao uso 
incorreto e também, em alguns casos, a má conservação das juntas o quegerou e 
ainda continua gerando muitos transtornos aos usuários que as utilizam todos os 
dias. 
 
5.1 CARACTERÍSTICAS DA EMPRESA 
 
A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) é uma sociedade 
de economia mista vinculada à Secretaria dos Transportes Metropolitanos do Estado 
de São Paulo cuja atividade é o transporte de passageiros sobre trilhos. 
Figura 43 – Mapa da CPTM 
 
Fonte: Google (2017) 
 
A CPTM teve sua criação autorizada pela Lei nº 7.861, de 28 de maio de 
1992, segundo a qual a nova Companhia deveria assumir os sistemas de trens da 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Economia_mista
https://pt.wikipedia.org/wiki/Secretaria_dos_Transportes_Metropolitanos_do_Estado_de_S%C3%A3o_Paulo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Secretaria_dos_Transportes_Metropolitanos_do_Estado_de_S%C3%A3o_Paulo
Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) em substituição à CBTU – Companhia 
Brasileira de Trens Urbanos (Superintendência de Trens Urbanos de São Paulo 
STU/SP) e à FEPASA – Ferrovia Paulista S/A, de forma a assegurar a 
continuidade e melhoria dos serviços; e, hoje, possui atualmente 92 estações ativas 
em seis linhas, que totalizam 258,4 km na sua malha ferroviária, tal sistema faz parte 
da Rede Metropolitana de São Paulo. 
Em virtude da delimitação dos estudos de casos foi escolhida a linha 11 como 
fonte de pesquisa para a realização do presente trabalho, que é formada pelas 
estações compreendidas entre a estação Luz e Estudantes, conforme demonstra a 
figura 44. 
 
Figura 44 – Linha 11 – Coral da CPTM 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Google (2016) 
 
Dentre as estações visitadas na linha da Cia, encontramos patologias 
relacionadas as juntas nas estações de Guaianazes, Jose Bonifácio e Itaquera. 
Conforme as figuras 45, 46 e 47 mostram. 
 
Figura 45 – Estação Guaianases 
 
Fonte: Google Maps (2017) 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rede_Metropolitana_de_S%C3%A3o_Paulo
 
Figura 46 – Estação Jose Bonifácio 
 
Fonte; Google Maps (2017) 
 
Figura 47 – Estação Itaquera 
 
Fonte: Google Maps (2017) 
 
5.2 ESTADO ATUAL 
 
Infelizmente devido a burocracia na contratação de empresas especializadas 
na manutenção das juntas, estas estações continuam com suas patologias; ao 
passo que as novas estações de Suzano e Ferraz de Vasconcelos tiveram um 
projeto de juntas na fase de sua construção e vimos que este detalhe construtivo 
possibilitou a elas receberem seus usuários com segurança, o que faz delas nosso 
objeto de estudo para apresentar os procedimentos de reabilitação da 
funcionalidade das juntas e também como deveriam encontrar-se as juntas 
danificadas encontradas nas estações mais antigas. 
 
5.3 PATOLOGIAS. 
 
5.3.1 Infiltrações Nos Tetos 
 
Nas vistorias realizadas, as patologias que mais encontramos foram as 
infiltrações nos tetos tanto na estação de Itaquera como na estação de 
Guaianazes; as consequências de tais patologias comprometeram a estética das 
estações bem como a segurança dos seus usuários. 
5.3.1.1 Poças d’agua 
As poças d’agua foram alguns dos casos que constatamos como 
consequência das infiltrações nos tetos, elas apresentavam risco de acidentes e 
atrapalhavam os usuários de dirigirem-se a linha de bloqueios para o embarque, o 
que aconteceu na estação de Guaianases. 
 
Figura 48 – Poça d’agua próxima a bilheteria da estação de Guaianazes. 
 
 
Numa outra situação semelhante, os usuários tiveram trechos estreitados do 
corredor destinado à circulação de pedestres entre os terminais da estação de 
Guaianazes por conta de piso molhado, conforme mostra a figura 49. 
 
Figura 49 – Trecho do corredor molhado na estação Guaianazes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5.3.1.2 Manchas nos Tetos 
 
As manchas nos tetos também foram patologias ocasionadas em virtude das 
infiltrações nos tetos; estas patologias geraram um desconforto visual aos usuários 
das estações de Guaianazes e Itaquera. 
Em vários locais da estação de Guaianazes poderam ser constatadas várias 
manchas nos tetos da mesma. A seta amarela, na figura 50, mostra uma mancha 
no teto da área de acesso as plataformas de embarque causada pela infiltração de 
água junto a junta de movimentação; enquanto, na figura 51, constatamos outra 
mancha ocasionada pela mesma patologia da figura 50 e esta localizada no 
saguão da referida estação. 
Figura 50 – Mancha 1 no Teto da Estação Guaianazes 
 
Figura 51 – Mancha 2 no Teto da Estação Guaianazes. 
 
 
 
 
 
 
 
No primeiro caso de patologia na estação de Itaquera, encontramos uma 
situação em que a junta esta com vários pontos de infiltração de água o que 
ocasionou uma serie de manchas no teto do mezanino da referida estação ao 
longo da junta, conforme apresentado na figura 52. 
 
Figura 52 – Mancha no teto da estação de Itaquera. 
 
 
No segundo caso d e patologia na estação Itaquera, constatamos um ponto 
onde havia pingadeira juntos com as manchas, conforme mostra a figura 53. 
 
Figura 53 – Manchas com pingadeiras. 
 
5.3.1.3 Manchas nas paredes. 
As manchas nas paredes foram, também, situações encontradas por conta 
das infiltrações nas juntas dos tetos; a figura 46 mostra uma mancha ao lado da 
porta na parede do terminal norte da estação Guaianazes que se deu por conta de 
um corrimento de água em detrimento da patologia citada. 
 
Figura 54 – Mancha na parede do terminal norte. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na figura 55 é possível ver o corrimento de água na parede, conforme 
demonstrado a seguir. 
 
Figura 55 – Corrimento de água na parede. 
 
 
5.3.2. Desníveis nos Pisos. 
Os desníveis nos pisos foram situações constatadas como consequências 
oriundas da má conservação das juntas; a figura 56 é uma imagem digitalizada do 
piso da sala operacional da estação de Itaquera, onde se vê um desnível entre um 
e outro lado da junta. 
Figura 56 – Desnível entre as paredes da junta. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5.3.3 Trincas Perpendiculares as Juntas 
 
A figura 57 mostra uma trinca na borda da junta que se expande 
perpendicular a mesma, nota-se também que a trinca alcançou certa magnitude ao 
ponto de apresentar uma saliência em um trecho dela. 
Figura 57 – Trinca perpendicular à Junta. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A figura 58 mostra uma trinca entre os elementos construtivos, uma coluna e 
uma parede, na entrada norte da estação de Guaianazes. 
 
Figura 58 – Trinca entre elementos construtivos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5.3.4 Frestas 
 
As frestas são aberturas que ocorrem nas juntas e foram constatadas tanto na 
estação de Guaianazes como na estação Itaquera. A figura 59 mostra uma junta na 
plataforma de embarque de Guaianazes com várias frestas; enquanto a figura 60 
apresenta a área destinada a circulação dos usuários que irão acessar as 
plataformas da estação de Itaquera com uma junta que também apresenta frestas 
em toda sua extensão, em determinadas frestas dela é possível ver a luz do dia do 
outro lado. A presença destas frestas nas juntas é uma patologia que gera vários 
incômodos aos usuários e a construção pois elas possibilitam a infiltração de água 
e também o acumulo de resíduos que obstruem a funcionalidade das juntas. 
 
Figura 59 – Frestas nas Juntas em Guaianazes 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 60 – Frestas em Área da estação Itaquera 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5.4 DIAGNOSTICOS 
 
Em vistoria realizada no local, foi constatado que o que ocasionou a 
infiltração de agua nos tetos (patologia mencionada no item 5.3.1) foi o 
descolamento do adesivo bicomponente, responsável pela adesão do selante pré-
formado à parede da junta. 
Na patologia destacada no item 5.3.2, a figura 49 mostra que há acumulo 
enrijecido de resíduos na junta, isto fez com que a junta não absorvesse a força 
oriunda da movimentação das partes estruturais o que ocasionou o surgimento de 
uma trinca perpendicular a junta, conforme a figura 50 mostra. 
As fretas surgidas nas juntas da estaçãoItaquera, conforme vistoria 
realizada no local, ocorreram em função da degradação do selante pré-formado 
(perfil elastômero) 
 
5.5 SOLUÇÃO 
 
Em razão das realizações dos serviços de ordem de manutenção estarem 
condicionados a uma analise e aprovação de seus orçamentos, processo que 
costuma demorar um pouco dentro da Companhia, não podemos registrar os 
procedimentos tomados com relação as patologias mencionadas. Contudo, o 
engenheiro Fabio Sêco, funcionário da companhia e responsável pelo 
acompanhamento de tais serviços a serem a realizados nas estações citadas, 
relatou-nos os processos a serem executados na solução de tais patologias, 
conforme passo a descrever: 1) No primeiro caso, que trata do descolamento do 
adesivo bicomponente, o procedimento a ser executado será a remoção do selante 
pré-formado velho junto com o adesivo bicomponente velho, e em seguida, as 
paredes das juntas serão lixadas recebendo logo depois a aplicação de um novo 
adesivo bicomponente de maneira uniforme e continua atentando para não se 
deixar nenhum espaço sem aplicação, procedendo-se então com a fixação do 
selante pré-formado; 2) No segundo caso, se adotara os mesmos procedimentos 
executados no primeiro caso, acompanhados do tratamento do desnível entre as 
paredes das juntas e da trinca perpendicular a junta, onde estes dois últimos 
receberão uma aplicação de argamassa com o fim de elevar o elemento 
construtivo mais baixo até o nível do elemento construtivo mais alto e vedar a 
trinca; e, por fim, 3) No terceiro caso, as fretas serão limpadas, removendo-se toda 
a sujeira e material velho das juntas aplicando-se um selante pré-formado 
cuidando para que seja bem aderido as paredes das juntas. 
 
6. CONCLUSÃO 
 
O desenvolvimento do presente estudo possibilitou uma análise de algumas 
patologias na construção civil e sua relação com as juntas de movimentação nas 
edificações da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Além disso, 
permitiu uma pesquisa de campo para obter dados mais consistentes sobre a 
relevância das juntas de movimentação na construção civil. 
De um modo geral, as patologias são um sintoma de que algum problema 
está ocorrendo, gerando desconforto e até mesmo comprometendo a segurança 
daqueles que utilizam uma edificação; e, algumas delas estão relacionadas à 
ausência ou má conservação das juntas de movimentação exigindo, de acordo com 
sua complexibilidade, um tratamento adequado. 
Ao fazer um levantamento das patologias relacionadas às juntas de 
movimentação nas edificações da CPTM, verificou-se que a maioria delas ocorreu 
por falta da junta ou pela ausência de sua devida manutenção. 
Assim, dada à importância do assunto, a previsibilidade das juntas de 
movimentação torna-se um item de grande relevância que deve ser considerado 
ainda na fase de projeto de qualquer que seja a edificação, pois elas influenciam 
diretamente da vida útil da construção e no bem-estar daqueles que a utilizam. 
 
 
 
 
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