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Lúdico e Musicalização na Educação Infantil

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FIGURA 100 – BRINCADEIRAS
FONTE: Disponível em: <http://www.escolaconstruir.com.br/noticia-detalhe.php?id=60>. 
Acesso em: 29 mar. 2011.
2.2 CANTIGAS DE NINAR
As cantigas de ninar são utilizadas para acalmar e relaxar as crianças 
deixando-as tranquilas, seguras, amparadas e protegidas, principalmente na 
hora do sono. Curtas, repetitivas e fáceis de lembrar, possuem versos rimados 
e melodia suave. Seus temas estão ligados ao folclore brasileiro, à cultura 
popular, podendo estar relacionados a fatores religiosos, ou podem representar 
o imaginário assustador das crianças como o papão, a bruxa, a cuca, ou ainda 
embaladas por questões familiares, como, por exemplo, o trabalho. 
Conforme Rocha e Pires (2000, p. 152), ninar significa “fazer adormecer, 
acalentar”. Portanto, podemos entender que as cantigas de ninar são canções 
suaves, cantadas num ritmo lento para fazer dormir.
Você se lembra das cantigas de ninar que seus pais cantavam suavemente 
para você dormir? E você, já cantou músicas de acalanto para seus filhos ou alunos?
Essas canções foram e são muito importantes para formação musical, 
pois são grandes estímulos para o envolvimento da criança com a música. Na 
Educação Infantil, elas ajudam a estabelecer um laço afetivo entre o educador e 
as crianças, elas aproximam a escola do repertório familiar.
Nana, neném
Que a cuca vem pegar
Papai tá na roça
Mamãe foi cozinhar.
Tutu marambá,
Não venhas mais cá,
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UNIDADE 3 | A MUSICALIZAÇÃO E O LÚDICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Que o pai do menino 
Te manda matar.
Dorme neném,
Que a cuca logo vem
Papai está na roça,
Mamãe foi cozinhar.
Bão balalão
Senhor capitão
Espada na cinta
Ginete na mão.
Boi, boi, boi
Boi da cara preta
Pega esse menino
Que tem medo de careta.
FIGURA 101 – CANTIGAS DE NINAR
FONTE: Disponível em: <http://culturanordestina.blogspot.com/2008/09/cantigas-de-
ninar_8963.html>. Acesso em: 10 jan. 2011.
AS CANTIGAS DE NINAR
 
Lenise Resende
“O acalanto, canção ingênua, sobre uma melodia muito simples, com 
que as mães ninam os filhos, é uma das formas mais rudimentares do canto, 
não raro com uma letra onomatopaica (com palavras cujo som tenta imitar o 
que significa), de forma a favorecer a necessária monotonia, que leva a criança 
a adormecer. “ (Renato Almeida, História da Música Brasileira). 
TÓPICO 2 | QUEM CANTA SEUS MALES ESPANTA!
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Os acalantos ou cantigas de ninar, conhecidos em Portugal como canções 
de berço ou de embalar, são cantados pelas mães do mundo todo para adormecer 
seus filhos. Nomes das cantigas de ninar em outros países: Estados Unidos e 
Inglaterra (lullaby); Suécia (lula); Dinamarca (lulle); Holanda (lullen); Polônia 
(kalebka); França (berceuse); Itália (cantilena ou nane); Alemanha (wiegezang); 
Bulgária (iulkova piesen); Rússia (kolybethnaia piecnh); Japão (komoriuta); Chile 
(rurrupatas); Espanha (cancion de cuña); Romênia (cantec de legan). 
 
Em “Cantigas de ninar: origens remotas”, Mário Souto Maior relata: 
“Muito embora não se tenha conhecimento de como, quando e onde surgiu a 
primeira cantiga de ninar, sabemos que o poeta romano Pérsio, no primeiro 
século da era em que vivemos, já falava de sua existência; o mesmo acontecendo 
com outro poeta, Ausônio, também romano, que viveu no século IV depois de 
Cristo, que chegou a recomendar a Sexto Petrônio, que acostumasse seu filho a 
ouvir as estórias contadas por sua ama, bem como os acalantos.” 
1) Origem - A maioria das cantigas de ninar conhecidas no Brasil tem origem 
portuguesa. E, em muitas delas, o menino Jesus e seus pais são citados. 
.
a) Calai-vos, meu menino, / que a Sra. logo vem / foi lavar os cueirinhos / à 
fontinha de Belém 
b) Cala, cala, meu menino, / que a mãezinha logo vem / foi lavar os cueirinhos 
/ à fontinha de Belém. 
c) Dorme, dorme, meu menino, / que a mãezinha logo vem / foi lavar os teus 
paninhos, / à fontinha de Belém. 
d) Dorme filhinho, / que mãezinha logo vem, / foi lavar sua roupinha / na 
pocinha de Belém.
e) Dorme filhinho, / dorme meu amor, / que a faca que corta / dá talho sem 
dor.
f) Nanai, meu menino, / nanai, meu amor, / que a faca que corta / dá talho sem dor.
g) Não chore, meu menino, / não chore, meu amor / que a faca que corta / dá 
golpes sem dor. 
h) O menino tem soninho, / e o seu sono não quer vir / venham os anjinhos do 
céu / ajudá-lo a dormir. 
i) Sra. Santana / Senhor São Joaquim / acalentai esse menino / que o sono não 
quer “vim”.
j) Sra. Santana / na beira do rio / lavava os paninhos / do seu bento filho.
k) Estava Maria / na beira do rio / lavando os paninhos / do seu bento filho.
l) Maria lavava, / José estendia, / chorava o Menino / do frio que sentia. (in O 
Natal e as cantigas de ninar, Guilherme S. Neves, 1950)
m) A Sra. lavava, / São José estendia, / o Menino chorava / do frio que fazia.
n) Embala, José, embala / que a Sra. logo vem / foi lavar um cueirinho / no 
riacho de Belém.
o) Maria e José / vão para Belém / levando o Menino / que eles querem bem.
p) Sra. Santana / ninai minha filha / vede que lindeza / e que maravilha.
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UNIDADE 3 | A MUSICALIZAÇÃO E O LÚDICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
q) Sra. Santana / ninai vossa filha / enquanto ela dorme / não faz maravilha // 
Esta menina não / dorme na cama / dorme nos braços / de Sra. Santana. (in 
Cantigas de minha infância, Alberto Silva, 1957)
r) Menino pequeno / que dorme na cama/ dorme no regaço/ de Sra. Santana.
s) Dorme, dorme, meu filhinho / é noite, papai já veio / Teu maninho também 
dorme / embalado no meu seio. // Dorme, dorme, meu filhinho / que as 
aves já estão dormindo / E as estrelas cintilantes / lá no céu estão luzindo // 
Anunciando que horas / o galo cucaricou / E lá na torre da igreja / a mesma 
hora soou. (in Cantigas de minha infância, Alberto Silva, 1957) 
2) Acordei de madrugada (I woke up very early) - Segundo Câmara Cascudo, é 
um antigo canto laudatório (que louva) português, ainda cantado no norte de 
Portugal, que é cantado como letra de ronda infantil no Nordeste do Brasil e 
Minas Gerais. Variantes da letra:
a) Acordei de madrugada, / Fui varrer a Conceição, / Encontrei Nossa Sra. / 
Com seu raminho na mão. // Eu lhe pedi um raminho, / Ela me disse que não, 
/ Eu lhe tornei a pedir, / Ela me deu seu cordão. // Numa ponta Sto. Antônio, 
/ Noutra ponta São João, / No meio Nossa Sra. / Com seu lencinho na mão. 
(in Os meus brinquedos, Figueiredo Pimentel, 1959)
b) Levantei de madrugada / Fui varrer a Conceição, / Encontrei Nossa Sra. / 
Com ramo d’ouro na mão. // Eu pedi-lhe o seu raminho, / Ela me disse que 
não, / Eu tornei a lhe pedir, / E ela me deu o seu cordão. // Sto. Antônio e São 
João / Desatei esse cordão / Que me deu Nossa Sra. / Com a sua branca mão. 
(in Música na Escola Primária, MEC, 1962)
c) Acordei de madrugada, / Fui varrer a Conceição, / Encontrei Nossa Sra. / Com 
seu raminho na mão. // Eu pedi-lhe o seu raminho, / Ela me disse que não, / Eu 
tornei a lhe pedir, / E ela me deu o seu cordão. // O cordão de sete voltas / Que 
transpassa o coração / Numa ponta tem São Pedro / Noutra ponta São João // 
Sto. Antônio, S. Francisco / Desatai este cordão / Que me deu Nossa Sra. / Com 
a sua santa mão. (in Música na Escola Primária, MEC, 1962)
d) Acordei de madrugada, / Fui varrer a Conceição, / Encontrei Nossa Sra. / 
Com seu raminho na mão. // Eu pedi-lhe o seu raminho, / Ela me disse que 
não, / Eu tornei a lhe pedir, / E ela me deu o seu cordão. // O cordão de sete 
voltas / Que trespassa o coração / O cordão de sete voltas / Que trespassa 
o coração // Sto. Antônio, S. Francisco, / Desatai este cordão, / Que me deu 
Nossa Sra. / Com a sua benta mão! (in Villa-Lobos: Piano Music, vol. 5, Guia 
Prático I-IX) 
e) I woke up very early / to sweep the Conceição church, / and there I found 
Our Lady / with a little sprig in Her hand. // I asked Her for the sprig, / but 
She said “no”; / I asked for it again / and She gave me a cord instead. // The 
seven-turned cord / that binds Her

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