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Lúdico e Musicalização na Educação Infantil

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Os primeiros anos de vida dos seres humanos são marcados por 
descobertas, experiências e aprendizagens, que se dão, principalmente, por meio 
das interações com o meio e com o outro. Por isso, cuidar, orientar e educar são 
ações que se complementam para promover um crescimento saudável, e com esta 
visão a escola recebe um papel importantíssimo no desenvolvimento cognitivo e 
social infantil.
O desenvolvimento das crianças da Educação Infantil depende das 
oportunidades de aprendizagem oferecidas pela escola. É na brincadeira que ela 
expressa suas emoções, seus desejos, seus sentimentos e age de forma natural 
no espaço. Os jogos, brinquedos e as brincadeiras proporcionam uma variedade 
de experiências lúdicas fundamentais para o desenvolvimento cognitivo, motor, 
emocional e social das crianças. 
A partir de agora, exploraremos a evolução do jogo no desenvolvimento 
da criança, percebendo que ele ocorre em cada fase do desenvolvimento infantil, e 
refletindo sobre o jogo e a brincadeira como recurso pedagógico. Vamos em frente!!!
FIGURA 9 – PINTANDO O SETE
FONTE: Disponível em: <http://www.escolagatoxadrez.com.br/galeria>. Acesso em: 11 dez. 2010.
UNIDADE 1 | LÚDICO E EDUCAÇÃO INFANTIL 
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2 A EVOLUÇÃO DO JOGO NO DESENVOLVIMENTO DA 
CRIANÇA
A criança tem uma vida própria: sua vida.
Essa vida, ela tem o direito de vivê-la, e vivê-la feliz.
Claparéde
De acordo com Rizzi e Haydt (2001), o jogo pode ser considerado um 
impulso natural da criança, e neste sentido satisfaz uma necessidade interior, 
pois o ser humano apresenta tendência lúdica. 
É importante salientar que sempre que empregarmos as palavras “jogo” e 
“brincadeira” elas devem ser entendidas como sinônimos, isto é, quando falamos 
de jogo ou brincadeiras queremos dizer “divertimento”. É importante salientar 
que elas têm caráter cultural, isto é, podem variar de uma região para outra 
de acordo com os costumes do povo, mas sempre serão encaradas como uma 
atividade prazerosa. 
Na criança o jogo manifesta, inicialmente, atitudes egocêntricas e 
espontâneas, pois ela acredita que tudo acontece por causa dela, e se considera 
o centro das atenções: o mundo existe em função dela. Ou seja, não percebe a 
importância e a necessidade do outro, apenas ela existe e todo o restante, tudo 
que a cerca, é para satisfazê-la, imagina-se como o centro do universo.
FIGURA 10 – MANIPULAÇÃO DE DIFERENTES MATERIAIS
FONTE: Disponível em: <http://www.revistaescola.abril.com.br/educacao-infaltil/4-a-6anos>. 
Acesso em: 11 dez. 2010.
De acordo com Almeida (2000), os jogos tornam-se mais significativos à 
medida que a criança se desenvolve, pois, a partir da manipulação de vários e 
diferentes materiais que a rodeiam e que servem de estímulo, ela passa a reconstruir 
suas ações, reinventando as coisas, o que exige uma adaptação mais completa. 
Essa adaptação, que é realizada na infância, consiste numa síntese progressiva da 
assimilação com a acomodação, o que leva ao desenvolvimento intelectual. 
TÓPICO 2 | AS ATIVIDADES LÚDICAS NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA
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De acordo com Rizzi e Haydt (2001), em estudo realizado por Jean Piaget 
sobre a evolução do jogo na criança, o estudioso percebeu e dividiu a estrutura do 
jogo infantil em três categorias que veremos a seguir: o jogo do exercício sensório-
motor, o jogo simbólico e o jogo de regras.
2.1 JOGO DO EXERCÍCIO SENSÓRIO-MOTOR
Nos primeiros meses de vida, a criança já demonstra um impulso lúdico, 
o que foi chamado por Piaget do “jogo de exercício sensório-motor”, que consiste 
no surgimento do reflexo através da repetição de gestos e movimentos simples, 
e pelo prazer que sente em esticar e encolher as pernas, observar as mãos em 
movimento, chupar o dedo do pé, manipular e tocar em objetos pequenos, isto 
é, exercitar inúmeras vezes seus movimentos para aprimorá-los. São atividades 
que relacionam o som e o gesto. A criança pode fazer gestos para produzir 
sons e expressar-se corporalmente para representar o que ouve ou canta. Estes 
movimentos favorecem o desenvolvimento e o domínio da motricidade. 
Segundo Almeida (2000, p. 42):
Nesta fase a criança desenvolve seus sentidos, seu movimentos, seus 
músculos, sua percepção e seu cérebro. Olhando, pegando, ouvindo, 
apalpando, mexendo em tudo que encontra a seu redor, ela se diverte 
e conquista novas realidades. Em sua origem sensório-motora, 
o jogo para ela é pura assimilação do real ao ‘eu’ e caracteriza as 
manifestações de seu desenvolvimento. O bebê brinca com o corpo, 
executa movimentos como estender e recolher braços, as pernas, os 
dedos, os músculos.
FIGURA 11 – EXERCÍCIO SENSÓRIO-MOTOR
FONTE: Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil/4-a-6-anos/jogos-
criancas-aprendem-ganhar-perder-faz-parte-vida-613001.shtml>. Acesso em: 6 jan. 2011.
UNIDADE 1 | LÚDICO E EDUCAÇÃO INFANTIL 
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Nesta fase do desenvolvimento, o estímulo dos pais e dos professores da 
Educação Infantil é fundamental para a vivência de novas descobertas. É importante 
apresentar para a criança o máximo possível de experiências, para que ela possa 
aguçar todos os seus sentidos em diferentes atividades e oportunidades de ação. 
Cabe ao adulto, principalmente o professor da Educação Infantil, enriquecer ao 
máximo o universo das crianças através de materiais diversos, explorando-os nas 
brincadeiras, sons, texturas, cheiros, objetos visuais etc. Esses materiais podem 
ser extraídos de um universo extremamente simples, do nosso dia a dia, como: 
uma caixa vazia de leite, que o professor pode lavar e dar para a criança brincar, 
empilhar, bater, ou ainda potes vazios de margarina, onde a criança poderá 
explorar de diferentes formas, como abrir, fechar, guardar um objeto menor 
dentro, portanto, materiais muito simples que poderão proporcionar à criança 
uma riqueza de vivências fundamental para este período. 
Almeida (2000, p. 43) afirma que:
Os jogos de exercícios, que à primeira vista parecem ser apenas a 
repetição mecânica de gestos automáticos, caracterizam para os bebês 
os efeitos esperados, isto é, a criança age para ver o que a sua ação vai 
produzir, sem que por isso se trate de uma ação exploratória. O efeito 
é buscado pelo efeito naquilo que ele tem justamente de comum: a 
criança toca e empurra, desloca e amontoa, justapõe e superpõe para 
ver no que vai dar. Portanto, desde o início introduz na atividade 
lúdica da criança uma dimensão de risco e de gratuidade em que o 
prazer da surpresa opõe-se à curiosidade satisfeita.
FIGURA 12 – EXERCÍCIO SENSÓRIO-MOTOR
FONTE: Disponível em: <http://www.colegiobrasilia.com.br/cursos/infantil/index.html>. Acesso 
em: 11 dez. 2010.
TÓPICO 2 | AS ATIVIDADES LÚDICAS NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA
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Vejamos um exemplo de um material simples, fácil de encontrar e que 
pode ser transformado numa rica fonte de estímulos: o PAPEL CELOFANE 
COLORIDO, aquele papel transparente, que existe em diversas cores, muitas vezes 
utilizados para embalar cestas e outros presentes que precisam ficar aparentes 
no pacote. Pois é, esse papel simples e inofensivo pode transformar o ambiente 
escolar numa divertida e produtiva brincadeira. Quando o professor entrega às 
crianças uma folha inteira de papel celofane, deixando-as brincar livremente, o 
papel pode se transformar em diversas fontes de aprendizagem e brincadeiras. 
Cada criança irá explorá-lo e partilhá-lo com seus colegas. Quando amassado, 
pode fazer sons diferentes, ou ainda, quando é livremente puxado o som do atrito 
do ar com o papel é novo e estimulante, isto é, o som mudará dependendo de 
como ele será manipulado. Isso desperta o interesse da criança. Esta atividade 
pode trabalhar com vários conceitos, entre eles é possível citar: “esconder” e 
“transformar”, como esconder um objeto embaixo do papel, transformar o papel 
num cobertor, esconder a própria criança que, quando olha por baixo do papel, 
percebe que tudo ao seu redor muda de cor – imagine que experiência sensacional 
para uma criança ver as coisas de outra

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