Logo Passei Direto
Buscar

ARTIGO CAROL corrigido 14.06.doc - 2018-06-18 08-56-27.html

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

Prévia do material em texto

Resultado da análise 
Arquivo:​ ARTIGO CAROL corrigido 14.06.doc 
Estatísticas 
 
 
Suspeitas na Internet: ​ 49,21% 
Percentual do texto com expressões localizadas na internet ​ ⚠ 
 
 
Suspeitas confirmadas: 80,98% 
Confirmada existência dos trechos suspeitos nos endereços encontrados ​ ⚠ 
 
 
 
Suspeitas nos arquivos locais: ​{PERCENTUAL_PLAGIO_LOCAL} 
Percentual do texto com suspeitas de plágio localizadas nos arquivos locais ​ ⚠ 
 
 
Texto analisado: 88,88% 
Percentual do texto efetivamente analisado (frases curtas, caracteres especiais, texto quebrado não são analisados). 
 
 
Sucesso da análise: 100% 
Percentual das pesquisas com sucesso, indica a qualidade da análise, quanto maior, melhor. 
 
Endereços mais relevantes encontrados: 
Endereço (URL) Ocorrências Semelhança 
https://monografias.brasilescola.uol.co
m.br/direito/casamento-homoafetivo.ht
m 
148 14,69 % 
https://docobook.com/o-estatuto-da-cri
ana-e-do-adolescente-e-os-direitos.ht
ml 
141 9,54 % 
http://tj-rj.jusbrasil.com.br/jurisprudenci
a/117415388/apelacao-apl-798814120
128190021-rj-0079881-412012819002
1 
125 8,9 % 
https://tj-rj.jusbrasil.com.br/jurispruden
cia/117415388/apelacao-apl-7988141
20128190021-rj-0079881-4120128190
021 
123 8,9 % 
http://www3.pucrs.br/pucrs/files/uni/po
a/direito/graduacao/tcc/tcc2/trabalhos2
014_1/paula_lopes.pdf 
119 12,92 % 
https://www.jusbrasil.com.br/jurisprude
ncia/busca?q=A+fam%C3%ADlia%2C
+base+da+sociedade%2C+tem+espe
cial+prote%C3%A7%C3%A3o+do+Est
ado 
110 2,92 % 
https://monografias.brasilescola.uol.com.br/direito/casamento-homoafetivo.htm
https://monografias.brasilescola.uol.com.br/direito/casamento-homoafetivo.htm
https://monografias.brasilescola.uol.com.br/direito/casamento-homoafetivo.htm
https://docobook.com/o-estatuto-da-criana-e-do-adolescente-e-os-direitos.html
https://docobook.com/o-estatuto-da-criana-e-do-adolescente-e-os-direitos.html
https://docobook.com/o-estatuto-da-criana-e-do-adolescente-e-os-direitos.html
http://tj-rj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/117415388/apelacao-apl-798814120128190021-rj-0079881-4120128190021
http://tj-rj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/117415388/apelacao-apl-798814120128190021-rj-0079881-4120128190021
http://tj-rj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/117415388/apelacao-apl-798814120128190021-rj-0079881-4120128190021
http://tj-rj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/117415388/apelacao-apl-798814120128190021-rj-0079881-4120128190021
https://tj-rj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/117415388/apelacao-apl-798814120128190021-rj-0079881-4120128190021
https://tj-rj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/117415388/apelacao-apl-798814120128190021-rj-0079881-4120128190021
https://tj-rj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/117415388/apelacao-apl-798814120128190021-rj-0079881-4120128190021
https://tj-rj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/117415388/apelacao-apl-798814120128190021-rj-0079881-4120128190021
http://www3.pucrs.br/pucrs/files/uni/poa/direito/graduacao/tcc/tcc2/trabalhos2014_1/paula_lopes.pdf
http://www3.pucrs.br/pucrs/files/uni/poa/direito/graduacao/tcc/tcc2/trabalhos2014_1/paula_lopes.pdf
http://www3.pucrs.br/pucrs/files/uni/poa/direito/graduacao/tcc/tcc2/trabalhos2014_1/paula_lopes.pdf
https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/busca?q=A+fam%C3%ADlia,+base+da+sociedade,+tem+especial+prote%C3%A7%C3%A3o+do+Estado
https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/busca?q=A+fam%C3%ADlia,+base+da+sociedade,+tem+especial+prote%C3%A7%C3%A3o+do+Estado
https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/busca?q=A+fam%C3%ADlia,+base+da+sociedade,+tem+especial+prote%C3%A7%C3%A3o+do+Estado
https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/busca?q=A+fam%C3%ADlia,+base+da+sociedade,+tem+especial+prote%C3%A7%C3%A3o+do+Estado
https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/busca?q=A+fam%C3%ADlia,+base+da+sociedade,+tem+especial+prote%C3%A7%C3%A3o+do+Estado
 
 
Arquivos locais mais referenciados 
{LISTA_ARQUIVOS_LOCAIS_MAIS_REFERENCIADOS} 
 
 
Expressões com mais ocorrências 
{LISTA_EXPRESSOES_MAIS_OCORRENCIAS} 
 
Texto analisado: 
UNIVERSIDADE PRESIDENTE ANTÔNIO CARLOS - UNIPAC 
 
FACULDADE DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS 
 
BARBACENA FADI 
 
CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO 
 
 
 
 
 
 
 
CAROLINE SOUSA DE ABREU LIMA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OS LIMITES DA INTERVENÇÃO NO NOVO CONCEITO DE FAMÍLIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BARBACENA 
 
2018 
 
OS LIMITES DA INTERVENÇÃO NO NOVO CONCEITO DE FAMÍLIA 
 
 
 
Caroline Sousa de Abreu Lima 
 
 
 
Acadêmica ​do 10º período do Curso de Graduação em​ Direito​ da​ Universidade​ Presidente Antônio Carlos UNIPAC 
- Barbacena/MG​. E-mail: carol.-souza@hotmail.com 
 
Fernando Antônio Mont'Alvão do Prado 
 
Professor Orientador. ​Professor ​de Direito Empresarial ​do Curso de Direito da Universidade​ Presidente​ Antônio 
Carlos UNIPAC Barbacena/MG. E-mail: fprado@barbacena.com.br 
 
 
 
RESUMO 
 
 
 
 
A finalidade do presente artigo é analisar​ sobre os diversos tipos de família brasileira, ​tendo em vista que com o 
decorrer dos tempos, ocorreram mudanças também na concepção da expressão família, ampliando-a a todos os 
gêneros de entidades familiares, mesmo as ​que não são provenientes do casamento​. ​A análise discorre, 
primeiramente, sobre os aspectos gerais do instituto da família e como foi evoluindo sua concepção e aprimorando 
na legislação brasileira. ​Por conseguinte, será abordado sobre os diversos tipos de família brasileira, ou seja, a 
matrimonial, informal, monoparental, anaparerental, mosaico e homoafetiva​. ​Diante disso, será oportuno averiguar 
que ​a instituição familiar começou ​a receber proteção​ especial do Estado​, e em virtude disso, ​surgiu ​à igualdade 
entre pai e mãe​ dentro da conjuntura familiar, fazendo também surgir novas formações familiares, presentemente 
consagradas pela Constituição Federal, e demais normas brasileiras​. ​Em razão disso, ​o objetivo principal deste 
artigo é​ ​averiguar a família na atualidade, verificando seus conceitos e​ formações​. ​Nesse sentido, enfoca-se em 
pesquisa teórica, a qual foi realizada pelo método dedutivo, por meio de bibliografia pré-selecionada, utilizando, 
para tanto como recurso metodológico, a pesquisa bibliográfica, realizada por meio de análises e comparações de 
preceitos legais e doutrinárias que ponderam sobre a temática sugerida​. 
 
 
 
Palavras-chave: Família. Novas Formações. Estado. 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO: ​1 INTRODUÇÃO 2 ASPECTOS GERAIS SOBRE FAMÍLIA 2​.​1 Definição sucinta do termo Família 2​.​2 
Evolução do instituto família no ordenamento jurídico pátrio​ 3 TIPOS DE FAMÍLIA 3.1 Matrimonial 3.2 Informal 3.3 
Monoparental 3.4 Anaparerental 3.5 Mosaico 3.6 Eudemonista 3.​7 Homoafetiva 4 INTERVENÇÃO DO ESTADO 
NA FAMÍLIA 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS​ REFERÊNCIAS 
 
 
 
 
 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
 
 
O presente artigo se propõe a​ contextualizar uma breve análise sobre os diversos tipos de família brasileira, uma 
vez que, trata-se de um assunto que vem repercutindo ​no âmbito do Direito de Família​. ​Cabendo ressaltar que não 
é a pretensão deste trabalho esgotar o tema, dada a complexidade do mesmo​. 
 
 
Para ​o desenvolvimento do presente trabalho, utilizou-se como recurso metodológico​, a pesquisa bibliográfica, 
realizada por meio de análises e comparações de preceitos legais, doutrinárias e jurisprudenciais que ponderam 
sobre o tema​. 
 
O trabalho não trata somente dos tipos de famílias, e sua evolução histórica como também tem o foco principal na 
intervenção do Estado no instituto familiar, e como o ordenamento jurídico brasileiro está lidando com a 
modernização da família​. 
 
O primeiro tipo de organização de grupos sociais foi feitos pelas famílias, que é uma instituição de extrema 
importância para a​ sociedade. ​É nela que temos o primeiro contato com outros seres humanos, que será 
determinante para formação pessoal do indivíduo, aonde também se aprende a conviver em grupo, e se tem os 
ensinamentos morais e éticos, que ajudam na convivência com os diversos tipos de grupos sociais que 
posteriormente o ser humano é inserido​. 
 
Com opassar dos tempos, o conceito de família vem se modernizando cada dia mais, não existe somente a 
família tradicional​. ​O ordenamento jurídico deve que ir se atualizando sobre o tema no mesmo passo em que foi 
sendo criado pela sociedade outros tipos de denominação e formação familiares, ampliando-a a todos os gêneros 
de entidades familiares, mesmo as que não são provenientes ​do casamento. ​A ​Constituição Federal de​ 1988 
passou a​ aceitar em seu texto constitucional ​a união estável, a isonomia entre os cônjuges, bem como a igualdade 
entre os filhos, sejam eles biológicos ou não​. 
 
Posto isto, o presente estudo tende a analisar sobre os aspectos gerais no que concerne o instituto família e, por 
conseguinte os tipos ​de família existentes no ordenamento jurídico​ pátrio, bem como se há possibilidade ​de 
intervenção do Estado no âmbito familiar​. 
 
 
Ao final do aludido trabalho, serão apresentadas as devidas considerações finais, com o escopo de ratificar ​o que 
fora exposto no presente artigo, bem como​ trazer a lume as conclusões ocorridas da temática sugerida​. 
 
 
 
 
 
2 ASPECTOS GERAIS SOBRE FAMÍLIA 
 
 
 
2.1 Definição sucinta do termo Família 
 
 
 
O termo família vem se modificando ao longo dos tempos ​no que diz respeito a sua​ instituição, uma vez que não 
vem sendo considerado mais um padrão de família patriarcal e sim uma constante variação quanto ao modelo 
familiar​. ​Entretanto, independentemente dessa variação, a família permanece sendo de suma importância no 
desenvolvimento de sua prole, tendo em vista que, é através do instituto familiar que acontece a primeira interação 
social​. 
 
Nesse diapasão, calham as palavras de Rodrigues 
 
RODRIGUES, Silvio. ​Direito civil brasileiro Direito de Família​. v​.6​. ​27 ​ed. São Paulo: Saraiva, 2002​, p​. 4/5. , ​no que 
diz respeito ao termo família no sentido mais amplo​: 
 
 
 
O ​vocábulo Família é usado em vários sentidos. Num conceito mais amplo poder-se-ia definir a Família como 
formada por todas aquelas pessoas ligadas por vínculo de sangue, ou seja, todas aquelas pessoas provindas de 
um tronco ancestral comum; o que corresponde a incluir dentro da órbita da Família todos os parentes 
consangüíneos. Numa​ ​concepção ​um pouco mais limitada, poder-se-ia compreender a Família como abrangendo 
os consangüíneos em linha reta e os colaterais sucessíveis, isto é, os colaterais até quarto grau​. No ​sentido ainda 
mais restrito, constitui a Família o conjunto de pessoas compreendido​ pelo pai ​e sua prole. É com essa conotação, 
que a maioria das leis a ela se​ refere​. 
 
 
 
Já no que diz respeito ao sentido estrito da palavra família​, Náufel 
 
NÁUFEL, José. Novo dicionário jurídico brasileiro. ​9 ​ed. Rio de Janeiro: Forense​, 1997​, p.468. assevera que: 
 
 
 
Num ​sentido restrito a Família é um grupo cerrado ​de pessoas, composto de pais e filhos​, apresentando​ certas 
unidades ​de relações jurídicas, tendo comunidade de nome, economia, domicílio e nacionalidade, fortemente 
unido por identidade de​ interesses ​e fins morais e materiais, monarquicamente organizado ​sob a autoridade de um 
chefe​, que é o pai​. Um sentido mais amplo, a Família abrange além dos ​cônjuges e dos seus filhos, outros 
parentes mais remotos e afins, como​ ​sogros, tios etc., aos quais o chefe de Família presta alimentos e tem na sua 
companhia, e até os criados ou serviçais domésticos​. 
 
 
 
Compreendida a concepção da palavra família por meio doutrinário, no contexto legal, foi a partir do século XIX, 
especificamente ​no Código Civil de 1916 que​ começou a aplicar algumas normas com referência ao instituto 
família​. ​Pois, tratava a família com ênfase no poder do homem (pai) ​e com a submissão da esposa e de seus 
filhos, inseridos em um matrimônio indissolúvel​. ​Diante disso, se faz necessário averiguar como se deu ​a evolução 
do instituto familiar no ordenamento jurídico brasileiro​. 
 
 
 
2.​2 ​Evolução do instituto familiar no ordenamento jurídico pátrio 
 
 
 
 
 
Há algumas décadas, o instituto familiar era considerado patriarcal, ou seja, eram forçoso ​a figura de homem, 
mulher e​ em consequentemente dos filhos​. ​De acordo com a elucidação de Farias e Rosenvald 
 
 
FARIAS, Cristiano Chaves; ​ROSENVALD, Nelson. Curso de Direito Civil​. 5ª ed. Jus Podivm, 2013, p.40.: 
 
 
 
 
 
Mais ainda, compreendia-se a família como unidade de produção, realçados os laços patrimoniais. As pessoas se 
uniam em família com vistas à formação de patrimônio, para sua posterior transmissão aos herdeiros, pouco 
importando os laços afetivos. Daí a impossibilidade de dissolução do vínculo, pois a desagregação da família 
corresponderia à desagregação da própria sociedade. Era o modelo estatal de família, desenhado com os valores 
dominantes naquele período da revolução industrial​. 
 
 
 
 
Cumpre ​mencionar que a família sob a ótica do antigo Código Civil​ Brasileiro (1916) era tão-somente aquela 
constituída por relações consanguíneas, ou seja, apenas fundada em uma relação biológica entre ​os membros de 
uma relação originada do casamento​. ​O matrimônio era de suma importância na constituição da família​. 
 
 
Além do mais, fazia-se necessário ​a figura do pai, ​da mãe e dos filhos​, para que fosse considerada família, isto​ é, 
era tido como um instituto legitimamente patriarcal​. 
 
Em seguida, com o surgimento da industrialização e da urbanização, estes ​levaram ao padrão de família nuclear, 
isto é, depois décadas​ do surgimento do Código Civil de 1916 apareceram no panorama brasileiro novos valores, 
como por exemplo, a afetividade na sociedade conjugal, seja ou não matrimonializada 
 
FACHIN, Luiz Edson. Direito de família: elementos críticos à luz do novo Código Civil​. Rio de Janeiro​: Renovar, 
2003​.. 
 
Com efeito, antes do ​surgimento ​da Constituição Federal de 1988 a​ lei​ basilar da família encontrava-se ​prevista no 
Código Civil de 1916​, entretanto, com o surgimento da nova carta constitucional, ​ocorreu o feito ​da 
constitucionalização do Direito de Família​. 
 
Nesse liame, têm-se os dizeres de Fachin 
 
FACHIN, Luiz Edson. Direito de família: ​elementos críticos à luz do novo Código Civil​. ​Rio de Janeiro: Renovar, 
2003, p​. 76. ​abrem-se as portas deste século com uma dimensão publicizada da família, sob um renovado 
estatuto, informado por outros valores distintos do privado clássico​. 
 
A Lei Maior de 1988 trouxe alterações de suma relevância ​para o ramo do Direito de Família​, trazendo em seu 
bojo a igualdade e a inocência da filiação, bem como, também foi capaz em estabelecer o refúgio​: à pluralidade da 
família; à família matrimonializada ou não; diárquica; igualitária e eudemonista. 
 
Ibidem. 
 
No entanto, com o passar dos tempos, foram surgindo filhos que não eram concebidos mediante o casamento e, 
em virtude disso, eram tratados de forma desigual frente aos filhos advindos de​ um laço matrimonial. ​Frente a esse 
panorama, surgiu, ​então, ​a Constituição Federal de 1988, a​ qual​ referendou a igualdade dos filhos​. 
 
Com o advento da Constituição Federal de 1988​, esta trouxe uma​ ​crise de legitimidade no Direito de Família, 
sendo consagrado na​ Carta Magna em apreço, a prioridade absoluta das relações familiares fundadas tanto na 
solidariedade social como na​ dignidade da pessoa humana. ​Em virtude disso, ocorreu a necessidade de 
reconstrução do Direito de Família instituído sob a ótica de um modelo patriarcal​. 
 
Contudo, a Constituição Federal de 1988 apenas inseriu no ordenamento jurídico pátrio o entendimento do que 
venha a ser o termo família que há muito tempo já era acolhida e vivenciada pela sociedade brasileira​. 
 
Na atualidade, na legislação pátria, tem-se a proteção à criança nas situações que envolvam a separação de seus 
pais, ou seja, a constituição resguarda e garante o direito da criança de conviver com seus genitores, mesmo que 
estes estejam​ separados. 
 
Frente a isso, se faz necessário trazer a lume, ​a ​redação legal do artigo 226 §5º da Constituição​ Federalde 1988 
 
BRASIL, ​Constituição Federal ​de ​1988. ​Disponível em: 
http://www.planalto.gov​.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao88.htm. ​Acesso em: 14 de março de​ 2018., o qual 
dispõe ​que: 
 
 
 
Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. 
 
(...) 
 
§​ ​5º - Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher​. 
 
 
 
Com efeito, no decorrer dos tempos, veio a calhar modificações também na definição do termo família, 
ampliando-o a todos os gêneros de entidades familiares, mesmo as que não são oriundas do matrimônio​. 
 
A Carta Magna de 1988 
 
BRASIL, Constituição Federal de 1988. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao88.htm. Acesso em: 14 de março de 2018., ​passou a 
referendar em seu bojo a união ​estável, a isonomia entre os cônjuges, bem como a igualdade ​entre os​ ​filhos, 
sejam eles biológicos ou não, conforme se denota​ do artigo 227, § 6º, ​in verbis: 
 
 
 
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta 
prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à 
dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma 
de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão​. 
 
(...) 
 
§ 6º - Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e 
qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação​. 
 
 
 
Posteriormente, ​com o advento do Código Civil de 2002​, este​ também referendou em seu texto legal casos 
habituais que transformaram os paradigmas da realidade familiar que até então eram ignorados​. 
 
Por ​sua vez, o Estatuto da Criança e do Adolescente 
 
________, ​Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras 
providências. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8069​.htm>. Acesso em​: 25 de mar. de 
2018. ​(ECA), também abarcou em seu texto legal sobre ​o afeto explicitamente no parágrafo segundo do art. 28, o 
qual trata da ​colocação ​da criança e do adolescente em​ família​ substituta. Preceitua​ no referido artigo que ​na 
apreciação do pedido levar-se-á em conta ​o grau de parentesco e a relação de afinidade ou de afetividade​, a fim 
de evitar ou minorar as​ consequências decorrentes da​ medida​. 
 
A ​base das relações familiares está atrelada aos laços de​ afetividade, a qual se sobrepõe a dos laços 
consanguíneos, ​conforme se verifica nas palavras de Lôbo 
 
 
LÔBO, Paulo. Direito civil: família. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 27.: 
 
 
 
As ​relações de consangüinidade, ​na prática social, são menos importantes que as oriundas de laços de afetividade 
e da convivência familiar, constituintes do estado de​ filiação, que deve prevalecer quando houver​ conflito ​com o 
dado biológico, salvo se o princípio do melhor interesse da criança ou o princípio da dignidade da pessoa humana 
indicarem outra​ orientação, ​não devendo ser confundido o direito​ aquele estado com o direito á origem genética, 
como demonstramos alhures. ​A adoção foi alçada pela Constituição à mesma dignidade da filiação natural, 
confundindo-se com esta e revelando a primazia dos interesses existenciais e​ repersonalizantes. ​Até mesmo a 
adoção de fato, denominada​ de​ adoção​ á ​brasileira​, ​fundada no crime nobre ​da falsificação do registro de 
nascimento, é um fato social amplamente aprovado, por suas razões solidárias (salvo quando oriundo de rapto)​, 
convertendo-se em estado de filiação indiscutível após a convivência familiar duradoura (posse de estado de filho)​. 
 
 
 
Diante disso e de forma gradual, o Direito de Família adotou o afeto como o base da entidade familiar na 
atualidade, deixando dessa forma, para trás ​o patriarcalismo e colocando o patrimônio em segundo plano​. 
 
Ressalta-se que a família na atualidade democratizou-se, alterando-se em uma estrutura privilegiada de 
convivência, de afeto e liberdade, voltada para a integral realização dos filhos​. 
 
Por derradeiro, entende-se que a filiação não é somente aquela originada de laços consanguíneos, mas também 
aquela que se configura pelo afeto, amor, convivência, dentre outros aspectos, sendo denominada de filiação 
socioafetiva​. ​Portanto, são considerados pais ou mães aqueles que têm uma relação de afeto com a criança, 
adquirindo responsabilidades e deveres independentemente do vínculo​ biológico. 
 
 
 
3 TIPOS DE FAMÍLIA 
 
 
 
No ​ordenamento jurídico pátrio, há inserido vários tipos de família​, fazendo-se necessário abordar cada um de 
forma individualizada, mesmo que seja de maneira sucinta para a melhor compreensão do tema​ proposto. 
 
Nesse sentido, será averiguado no presente tópico, sobre a família matrimonial, informal, monoparental, 
anaparental, mosaico, eudemonista e homoafetiva, tendo em vista que são os tipos de família abarcados no 
ordenamento jurídico brasileiro no presente momento e, em virtude disso, são de suma relevância para a 
compreensão do tópico posterior​. 
 
 
 
3.1 Matrimonial 
 
 
 
A família matrimonial é a procedente do casamento a qual decorre do como ato formal, litúrgico​. ​Contudo, ​antes do 
advento ​da Constituição de 1988, a​ família​ matrimonial era​ o único vínculo familiar reconhecido no ordenamento 
jurídico brasileiro​. 
 
De acordo com as palavras de Diniz 
 
DINIZ, Maria Helena. Código Civil anotado​. 3 ​ed. São Paulo: Saraiva, 1997, p​. 195-196. o casamento é: 
 
 
 
(...​) ​o vínculo jurídico entre o homem e a mulher, livres, que se unem, segundo as formalidades legais, para obter o 
auxílio mútuo material e espiritual de modo que haja uma integração​ fisicopsíquica, ​e a constituição de uma 
família​. ​E​ ​o casamento vem a ser um contrato solene pelo qual duas pessoas de sexo diferentes se unem para 
constituir uma família e viver em plena comunhão de vida. Na celebração do ato, prometem​ elas​ ​mútua ​fidelidade, 
assistência recíproca, e a criação e educação dos filhos​. 
 
 
 
Ressalta-se que após a Proclamação da República em 1​.​889 o casamento religioso, era a única maneira de 
constituir uma família, ainda que os nubentes que não eram​ católicos​. 
 
LEITE, Eduardo de Oliveira. Famílias Monoparentais​. ​2.​ed. São Paulo: Revista dos tribunais, 2003​. 
 
 
O Código Civil Brasileiro de 1.916​, ​estabeleceu que ​a única forma de constituir família​ era​ por meio do matrimônio. 
Era inaceitável outra maneira ​de convívio ​de homem e mulher fora do​ vínculo matrimonial. 
 
 
No ano de 1.​977 ​o divórcio foi constituído com a Emenda Constitucional nº 09, sendo​ regulamentado ​pela ​Lei nº 
6.515 de 26 de dezembro​ do mesmo ano​, o que ocasionou grande discussão, visto que a Igreja Católica exercia 
grande influencia sobre o Estado, não se admitia que os nubentes extinguir-se os vínculos matrimoniais e a 
pessoa contraísse outro casamento​. 
 
 
Já a Constituição ​de 1.988, ​em seu artigo​ 226​, § 6º​, estabelecia que o matrimônio civil ​pudesse ser dissolvido pelo 
divórcio se a separação judicial​ fosse cumprida ​por mais de um ano ​nos casos​ previstos ​em lei, ou comprovada a 
separação de fato por mais de dois anos​. 
 
 
Finalmente, em 2.​010, foi aprovado o Projeto de Emenda Constitucional (PEC) do Divórcio, com a pretensão de 
modificar ​o ​§ ​6º do artigo 226 da Constituição Federal​. 
 
 
Assim​ sendo, o matrimônio civil pode ser dissolvido pelo divorcio e extinta a exigência previa da ​separação judicial 
por mais de um ano ou de comprovada separação de fato por mais de dois anos​. ​Ficando, ​finalmente, aprovado o 
divórcio direto no ordenamento jurídico pátrio​. 
 
 
Ademais, a Constituição de 1988 limitou-se a preceituar ​que a família, ​base da sociedade, tem especial proteção 
do Estado e​ reiterou no § 1º do artigo 226, ser civil o casamento e gratuita a sua celebração​. ​No § 2ºconferiu 
efeito civil ao matrimônio religioso, nos termos​ da lei. 
 
Por derradeiro, é crível constatar que o matrimônio constitui figura intrínseca a família, conforme explana a autora 
Dias 
 
DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias​. 9ª ​edição. ​São Paulo, Editora Revista dos Tribunais, 2013, 
p​.38. ​é ​mais ou menos intuitivo identificar família com a noção de casamento, ou seja​, pessoas ligadas​ ao vinculo 
do matrimônio​. 
 
 
 
3.2 Informal 
 
 
 
A família considerada como informal é aquela procedente de relações extramatrimoniais desenvolvidas sem o 
disposto ​legal, sendo ​consideradas pejorativamente de adulterinas ou​ concubinárias 
 
Ibidem, p.46.. 
 
O legislador brasileiro ​não quis dar juridicidade à família​ formada por diferente ​laço familiar que não fosse o 
matrimônio ​ou quando presentes os requisitos da união estável. A filiação​ apenas acontecia ​com relação ao 
estado civil dos pais​, tendo em vista que ​ao contrário estavam à mercê de quaisquer direitos, sejam sucessórios, 
filiais ou de alimentos entre pai e filho​. 
 
Em linhas gerais, os filhos originários ​de tal relação ​eram considerados como ilegítimos, bastardos, espúrios, 
dentre outros​. Existia​ ​entre os filhos existentes ​a prevalência do vínculo sacramental ​do casamento​, até ​mesmo 
que já desfeito, sobre o vínculo ​atual​, o que​ distinguia a desigualdade entre os filhos​. 
 
Apesar disso, mesmo com a ausência da juridicidade começaram a aparecer novos relacionamentos procedentes 
de relações anteriores desfeitas. Com o​ decorrer dos tempos, foi necessário adaptar o ordenamento ​jurídico à 
realidade social presente e​ encarada por muitas ​pessoas, sob pena de enriquecimento sem​ justa razão ​em virtude 
de que a relação extramatrimonial não​ alcançaria ​qualquer direito patrimonial ou de reconhecimento de filiação​. 
 
Na atualidade, a união estável foi estabelecida como entidade familiar, o que ocasiona ​a imposição do dever de 
mútua assistência e é​ assegurado ​o direito a alimentos, não cabendo mais ​falar em indenização por serviços 
prestados 
 
Leis nºs 8.971 de 29.12.1994 e 9.278 de 10.05.1996​.. 
 
Cumpre ​ressaltar que a família informal apenas ​foi considerada dessa forma em razão do momento de seu 
surgimento, qual seja, quando do rompimento das relações matrimoniais se formava novos pares. A informalidade 
deriva da ausência de suporte social para​ ​aceitar e acatar o que ocorria​. 
 
Ademais, ​a família informal nada mais foi do que​ um tempo vivenciado sem o domínio legal atual, sendo saliente 
assegurar ​que os fatos sociais sempre estarão à frente das​ modificações e/ou​ interpretações legislativas. 
 
Em seguida, com o decorrer dos tempos passou-se a aceitar ​as novas relações como efetivamente de direito de 
família e​ auferiram ​contornos da ordem constitucional (art. 226 da CRFB/88) quanto da legislação 
infraconstitucional pelas Leis de nºs. 8971/94 e 9278/96​. 
 
Hoje em dia, não há que se dizer ​em famílias informais na medida em que presentes ​a igualdade entre os filhos e 
as relações​ originadas da liberdade de opção entre​ os pares. 
 
Portanto, ​a ​família informal ​passou a ser reconhecida como entidade familiar​ respeitada​ ​com a evolução da 
sociedade, sendo considerados os​ componentes ​dessa família como companheiros vinculados pela união estável​. 
 
 
 
3.3 Monoparental 
 
 
 
Já a família monoparental, isto é, a desenvolvida ​por qualquer dos pais e seus​ filhos só veio alcançar 
reconhecimento jurídico como entidade de família no ramo do Direito Brasileiro a partir de 1988 quando foi 
promulgada a ​Constituição Federal. 
 
Com a promulgação da​ Carta Magna modificou-se intensamente a definição jurídica que se tinha sobre o termo 
família, passando a reconhecer o que acontecia no mundo fático e dando-lhe a seriedade que até então o mundo 
jurídico não abrangia​. 
 
A modificação expande a definição trazida ao casamento como o único gerador de uma Família e passa a 
considerar a definição de entidade familiar abarcando ​a união estável, bem como ​a​ união ​constituída por ​qualquer 
dos pais e seus descendentes​, incluído no art​. ​226, 4°, da Constituição Federal, ​Entende-se ​como entidade 
familiar, a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes​. Dessa forma​, esse novo artigo 
constitucional passou a reconhecer como válida a existência das Famílias Monoparentais​ . 
 
LEITE, Eduardo de Oliveira. Famílias Monoparentais. 2.ed. São Paulo: ​Revista dos tribunais, 2003, p. 17​. 
 
Nesse sentido, Dias 
 
DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. 9ª edição. ​São ​Paulo, Editora Revista dos Tribunais, 2013, p​. 
193. assevera ​que: 
 
 
 
A Constituição Federal, ​ao alargar o conceito de família, elencou como entidade familiar uma realidade que não 
mais podia deixar de ser arrostada​ (CF​ 226​ ​4.º): a ​comunidade formada por qualquer dos pais e seus 
descendentes. ​Esses núcleos familiares passam ​a ser nominados ​de famílias monoparentais, para ressaltar a 
presença de somente um dos pais na titularidade do vínculo familiar​. A expressão é pertinente, pois não se pode 
negar caráter familiar à união de afeto que caracteriza as entidades com somente uma parentalidade​. 
 
 
 
Assim sendo, considera-se família monoparental ​o grupo formado por ​qualquer dos pais e​ seus descendentes​. 
Esse grupo pode ser formado tanto pela vontade de admitir a família individualmente, quanto por algumas 
situações que são alheias a vontade humana​. 
 
Para vários doutrinadores, a família formada ​pelo parentesco biológico está defasada, prevalecendo​, na 
atualidade, a socioafetividade​. 
 
LEITE, Eduardo de Oliveira. Famílias Monoparentais. 2.ed. São Paulo: Revista dos tribunais, 2003, p.23. ​Dessa 
forma, de acordo com Dias, as famílias monoparentais​ podem ser comandadas ​por uma pessoa que não seja 
necessariamente o genitor ou um parente. A relação​ constituída ​por alguém que tenha uma criança ou um 
adolescente, parente ou não, sob sua guarda​, em seguida, constituiria​ uma entidade monoparental. ​Ademais, 
assevera a autora supramencionada que nem mesmo é imprescindível ​a presença de menores de idade​ na família 
para​ configurar a monoparentalidade​. ​Assim sendo, basta que não ocorra ​relação sexual entre ambos e que 
aconteça diferença de gerações, conforme explicação da autora supracitada​: 
 
 
 
Dentro da nova realidade familiar, não ​apenas um dos pais e seus descendentes​ se caracterizam como família 
monoparental. [...] Tanto são prestigiadas tais relações de parentesco que os ascendentes e os parentes colaterais 
têm preferência para serem nomeados tutores (CC 1.731). Quando um tio assume a responsabilidade por seus 
sobrinhos , ou um dos avós passa 
 
a ​conviver com os netos, caracteriza-se, também​, um a ​família monoparental​. 
 
Mais uma vez devem ser valorados os vínculos de afeto existentes, merecendo essas realidades familiares igual 
proteção estatal​. 
 
 
 
Comungando do mesmo entendimento, Leite 
 
LEITE, Eduardo de Oliveira. Famílias Monoparentais. 2.ed. São Paulo: Revista dos tribunais, 2003, p.29. ​conceitua 
a família monoparental como aquela em que ​a pessoa​ considerada​ (homem ou mulher) ​encontra-se sem cônjuge, 
ou companheiro, e vive com uma ou várias crianças​. Dessa​ ​forma, o autor não condiciona a configuração ​da 
família monoparental à relação específica entre pai ou mãe e filho​. 
 
 
 
3.4 Anaparental 
 
 
 
De acordo com Barros 
 
BARROS, Sérgio Rezende de. Direitos Humanos da Família. São Paulo: Imago, 2003, p​. 151​., ​nessa espécie de 
família, tem-se a finalidade de buscar ​o reconhecimento ​de convivência sob o mesmo teto​ de pessoas parentes 
uma das outras ou, ainda, de não parentes, na qual se presume que a convivência mútua tenha​ como escopo de 
propósito comum, conjugando esforços para a formação de um​ patrimônio​. 
 
Não se​ baseia em existência de relação sexual entre os componentes desse tipo de família, satisfaz com ​a 
convivência mútua e o desejo recíproco de​ constituira formação de família com finalidades em comum​. 
 
Desse ​modo, nesse tipo de família preserva-se o fim comum dos​ componentes para a configuração da família, 
bem como, que tenham construído ou sustentado ​patrimônio em comum, sob pena de desprivilegiar a ordem de 
vocação hereditária​. 
 
 
 
3.5 Mosaico 
 
 
 
Conforme verificou-se anteriormente, ​a família é um núcleo social composto por, no mínimo, duas pessoas 
atreladas através ​de relações de consanguinidade (parentesco), adoção ou casamento​ e possui três funções ou 
dimensões vitais 
 
ALVES, José Eustáquio Diniz. A família​ mosaico. ​2008. Disponível em:< 
http://www​.ie.ufrj.br/aparte/pdfs/a_familia_mosaico_16nov08.pdf>. Acesso em: 08 de abril de 2018.: 
 
 
 
1) Criar, respeitar ou inovar normas para o casamento e a sexualidade (tabu do 
 
incesto, virgindade, monogamia, fidelidade, etc.); 
 
2) Garantir a procriação dos filhos e a sucessão de gerações; 
 
3) Estabelecer e cumprir normas de convivência pessoais, sociais e econômicas​. 
 
 
 
Em ​linhas gerais, pode-se dizer de maneira ​sintética que no​ sistema burguês hegemônico de família nuclear um 
homem e uma mulher unem-se em​ casamento por toda uma vida, com objetivo​ generativo. 
 
O sexo pré-marital é admitido somente ​para os homens (que deveriam já ter​ experiência ​na noite de núpicias) e a 
virgindade​ ordenada ​para as mulheres, que deveriam se se manter castas e fieis pelo resto da vida ao seu único 
parceiro. 
 
Este​ padrão de família traz encravado ​uma forte desigualdade de gênero. A menor autonomia das mulheres na 
família​ é​, na maioria das vezes, reforçada pela desigualdade social, em específico, pela baixa taxa de atividade de 
trabalho ​e pela segregação no mercado de trabalho. O menor poder​, autoridade e prestígio feminino​ transcorre ​da 
desigualdade de acesso e de controle sobre os​ diferentes recursos econômicos, sociais e culturais​. 
 
Apesar disso esta família considerada modelo começou a desabar ​na mesma época do fim da padronização 
fordista de produção​, isto é, com o período da revolução sexual dos anos 60, ​com a disponibilidade de métodos 
contraceptivos, a entrada​ demasiada ​da mulher no mercado de trabalho e a​ aceitação mais​ comum de novos 
modelos familiares​. 
 
Para Alves 
 
ALVES, José Eustáquio Diniz. A família mosaico. 2008. Disponível em:< 
http://www.ie.ufrj.br/aparte/pdfs/a_familia_mosaico_16nov08.pdf>. Acesso em: 08 de abril de 2018.: 
 
 
 
Dá-se o nome de família mosaico ​o ​arranjo familiar em que os filhos do casal compõem um quadro formado por 
irmãos​, meio-irmãos e​ não-irmãos, ​pois os filhos de união (ou uniões) anteriores do marido e da esposa não são 
irmãos​, mas ambos são​ meio-irmãos ​dos novos filhos do casal​. Desta ​forma, ​nem todos os membros da​ família 
mosaico ​são parentes entre si​, ​mas todos​ tem ​um grau de parentesco com a prole resultante da união do casal 
reconstituído​. 
 
 
 
Em síntese, a família mosaica é somente mais um tipo de ​padrão familiar e /ou doméstico dentre o leque de 
modelos​ ​possíveis em uma sociedade cada vez mais​ caracterizada pela pluralidade e por dinâmicas inovadoras e 
fora do modelo padrão​. 
 
 
 
3.6 Eudemonista 
 
 
 
O Estado prescreve ​a assistência à família na pessoa de cada um dos​ seus​ integrantes, o que recomenda a visão 
de que a pessoa busca a realização pessoal para a finalidade ​de emancipar os horizontes de sua família, não 
competindo ​mais a estática de uma instituição com a dinâmica de​ somente um componente ​com vontade reinante 
e absoluta. 
 
A família não se​ apresenta mais a consentir ​os anseios de uma única pessoa. É​ cediço ​e notório que as relações 
familiares​ saudáveis e afetuosas são o alicerce para o pleno desenvolvimento do indivíduo, ou seja, a 
personalidade do ​integrante da família é decorrente daquela relação familiar​ desempenhada ​e vivenciada 
diariamente, ou seja, o afeto e o amor devem estar sempre presentes​, uma vez que o sucesso de um membro 
defende ​toda a família que se identifica com o ganho pessoal​. 
 
Dias 
 
DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. 9ª edição. ​São Paulo, Editora Revista dos Tribunais, 2013, 
p​.55. assevera que: 
 
 
 
(...​) ​pode-se evidenciar com clarividência ​que ​no momento em que o formato hierárquico da família cedeu​ espaço 
à sua democratização, o que significa que as relações são ​de igualdade e de respeito mútuo​, possuindo como 
traço primordial ​a lealdade, não mais existem razões morais, religiosas, políticas, físicas ou naturais que 
justifiquem a excessiva e indevida ingerência do Estado na vida das​ pessoas​. 
 
 
 
Destarte, ​para uma sociedade justa e sem​ debates, basta a aceitação ​das diferenças e a luta para um fim 
igualitário e de ajuda mútua e recíproca entre todos os​ integrantes da família. ​Em​ seguida, a família eudemonista 
reflete ​o ideal da sociedade e se funda na própria ordem constitucional originária​. 
 
 
 
3.7 Homoafetiva 
 
 
 
A família homoafetiva é formada pela união de duas pessoas de mesmo sexo (gênero), as quais desenvolvem 
entre si laços afetivos​. ​Apesar de uma grande parcela da sociedade não queira reconhecer a entidade familiar de 
casais homoafetivos, já há algum tempo a jurisprudência a reconheceu, bem como ​o Supremo Tribunal Federal, no 
julgamento da​ ​ADI​ 4.277 e​ ADPF 132​, de relatoria do Min​. ​Ayres Britto, que, em face do efeito vinculante do 
julgado​, ​deve sobressair perante todo o ordenamento jurídico​. 
 
 
A ​Resolução nº 175, de 14 de maio de 2013, aprovada durante a​ 169ª ​Sessão Plenária do Conselho Nacional de 
Justiça (CNJ)​, aprovou​ o casamento homoafetivo​. ​Segundo ​o conselheiro Guilherme Calmon do CNJ​: 
 
 
 
 
 
A ​Resolução veio em uma hora importante. Não havia ainda no âmbito das corregedorias dos tribunais de Justiça 
uniformidade de interpretação e de entendimento sobre a possibilidade do casamento entre pessoas do mesmo 
sexo e da conversão da união estável entre casais homoafetivos em​ casamento​. 
 
BRASIL, ​Resolução nº ​175, do Conselho Nacional de Justiça​. Disponível ​em​: 
http​://www2.stf.jus.br/portalStfInternacional/cms/destaquesNewsletter.php​?sigla=newsletterPortalInternacionalDest
aques&idConteudo=238515​. Acesso em: 09 de abril de 2018. 
 
 
 
 
 
A Resolução foi uma maneira de tornar unanime a interpretação nacional, sem a possibilidade de recursos, haja 
vista que os tribunais brasileiros divergiam em suas decisões acerca da temática abordada​. 
 
Nesse ​sentido, veja-se ​o ​julgado ​do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro​: 
 
 
 
APELAÇÃO CÍVEL. PROCEDIMENTO DE JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA. REGISTRO PÚBLICO. CONVERSÃO DE 
UNIÃO ESTÁVEL EM CASAMENTO. RELACIONAMENTO HOMOAFETIVO. POSSIBILIDADE. ARGUIÇÃO DE 
DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL Nº 132 E AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 
Nº 4277. EFICÁCIA ERGA OMNES E EFEITO VINCULANTE. RECONHECIMENTO PELO SUPREMO TRIBUNAL 
FEDERAL DA UNIÃO HOMOAFETIVA COMO ENTIDADES FAMILIARES. INTERPRETAÇÃO DO ART. 1.723 DO 
CÓDIGO CIVIL CONFORME A CONSTITUIÇÃO. RECOMENDAÇÃO CONSTITUCIONAL CONFERINDO À 
UNIÃO ESTÁVEL HOMOAFETIVA OS MESMOS DIREITOS E DEVERES DOS CASAIS HETEROSSEXUAIS. 1. 
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento conjunto da ADI 4277 e da ADPF 132, equiparou as uniões 
homoafetivas as uniões estáveis heterossexuais, sem qualquer ressalva quanto à sua extensão, afastando, de 
forma expressa, todo e qualquer entendimento que pudesse diferenciar estas duas formas de união. Logo, 
qualquer interpretação que subdivida a união estável em união estável homoafetiva e união estável heteroafetiva é 
vedada, como sinaliza a nossa Corte Constitucional. 2. Negar a conversão de união estável homoafetiva em 
casamento civil seria conferir posição hierárquica superior à entidade familiar heteroafetiva sobre a homoafetiva o 
que implicaria afronta aos princípios da igualdade e da dignidade da pessoa humana, ante a arbitrariedade de tal 
conduta e a inexistência de norma proibitiva ou limites semânticos do texto impeditivos de talexegese 
constitucional inclusive de abrangência da união homoafetiva no regime jurídico do casamento civil e da união 
estável​. 3. Qualquer raciocínio ou conclusão que parta de premissa distinta se mostra discriminatório e 
inconstitucional, por sobrepor a literalidade de dispositivos legais à realidade social em que devem ser aplicados. 
4. Agora, a concepção constitucional do casamento diferentemente do que ocorria com os diplomas superados -, 
deve ser necessariamente plural, porque plurais também são as famílias e, ademais, não é ele, o casamento, o 
destinatário final da proteção do Estado, mas apenas o intermediário de um propósito maior, que é a proteção da 
pessoa humana em sua inalienável dignidade. PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO​. 
 
BRASIL, TJ-RJ ​- ​APL: 00798814120128190021 RJ 0079881-41.2012.8.19.0021​, ​Relator: Des. Jose Carlos 
Maldonado de Carvalho​, Data de Julgamento: 02/07/2013, Primeira​ Câmara Cível. Data de Publicação​: 
31/10/2013. 
 
 
 
Desta feita, atualmente, o casamento é estabelecido pela doutrina como ​a união entre homem e mulher​. ​Portanto, 
a expressão mais coerente na conceituação de casamento a partir da Resolução em comento é ​a união entre duas 
pessoas, que se amam e desejam constituir uma família​. 
 
Todavia, no Brasil não há legislação que trate da família homoafetiva, mesmo que ela seja uma realidade social 
dos nossos tempos, sendo meramente debatida somente no âmbito da jurisprudência e doutrina​. 
 
Segundo Dias 
 
DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. 9ª edição. ​São Paulo, Editora Revista dos Tribunais, 2013, p​. 
46. , ​é que a própria Constituição Federal mostrou-se silente ao tratar de uniões estáveis, atribuindo juridicidade 
apenas às ​uniões estáveis entre homens e mulheres​, deixando uma verdadeira lacuna sobre o tema​. 
 
Ainda de acordo com a autora​ supracitada, apesar de vivermos no século XXI, e também em um Estado laico, o 
qual prega como Princípios máximos a liberdade e igualdade ainda persistem um preconceito acentuado ante esse 
tipo de família​. 
 
 
 
4 INTERVENÇÃO DO ESTADO NA FAMÍLIA 
 
 
 
De acordo com a elucidação anterior, a família vem passando, no decorrer dos tempos, por expressivas 
modificações ​em sua constituição, função e finalidade​. ​Contudo, é cediço que em determinados casos ​o Estado 
necessita intervir nas relações familiares​, especialmente quando têm menores envolvidos nos conflitos diários, 
objetivando, portanto criar uma estabilidade social e, sobretudo, impedir que o menor cresça em um ambiente 
desestruturado​. 
 
Em razão disso, o Estado interfere de forma efetiva no âmbito familiar, protegendo ​legalmente por normas jurídicas 
que, além de​ prevenirem ​a licitude dessa intervenção, determinam-na, visando-se a​ assegurar ​a efetividade dos 
direitos referentes ​à infância e à juventude​. 
 
Segundo​ Dias 
 
DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. 9ª edição. ​São Paulo, Editora Revista dos Tribunais, 2013, p​. 
97., ​o Estado é legítimo para adentrar o recesso familiar, com a perspectiva de defender os menores que o 
habitam. Assim, fiscaliza o adimplemento de tal encargo, podendo suspender ou até excluir o poder familiar​. 
 
Comungando do mesmo entendimento, a jurisprudência gaúcha já se posicionou a respeito​ do assunto: 
 
 
 
APELAÇÃO ​CÍVEL. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ​AÇÃO DE DESTITUIÇÃO DO PODER 
FAMILIAR​. SUSPENSÃO DO PODER FAMILIAR DA GENITORA E ​DESTITUIÇÃO DO PODER FAMILIAR DO 
PAI​. SENTENÇA MANTIDA. 1. Comprovado que, nada obstante evidenciado o profundo vínculo afetivo existente, 
a mãe dos infantes não tem condições de exercer, de forma adequada, o poder familiar, necessitando 
acompanhamento especializado, é de rigor a manutenção do abrigamento das crianças e da suspensão do poder 
familiar da genitora. 2. Comprovado que o genitor não tem ​condições de cumprir com ​os deveres inerentes ao 
poder familiar​, submetendo​ os filhos à negligência e ao abandono material e afetivo, bem como à condutas 
sexualmente abusivas, ​impõe-se a destituição do poder familiar, diante da prevalência ​do ​princípio do superior 
interesse da criança​. APELO DESPROVIDO. (Apelação Cível Nº 70072946411, ​Sétima Câmara Cível, Tribunal de 
Justiça do RS, Relator: Sandra Brisolara Medeiros, Julgado em​ 28/06/2017)​. 
 
BRASIL, TJ-RS ​- AC: 70072946411 ​RS, Relator: Sandra Brisolara Medeiros, Data de Julgamento​: 28/06/2017, 
Sétima Câmara Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça do dia​ 30/06/2017​. 
 
 
 
Nesse diapasão, ​o Estado pode punir os pais ou responsáveis que descumprem suas obrigações​ provenientes da 
entidade familiar, até mesmo ​por meio de imposição de multa​, de acordo com a previsão legal​. ​Entrementes, ​essa 
sanção se mostra muitas vezes inócua, dada a​ ocasião econômica difícil ​e o consequente prejuízo de subsistência 
dessas famílias​, de forma geral​. 
 
Cumpre ressaltar que não deve ocorrer ​confusão entre o dever da família para com seu filho ​e o dever do Estado 
na​ influência dessa relação​. ​Afinal, o Código Civil em vigência, em seu artigo 1513, traz em seu bojo que é defeso 
que ​qualquer pessoa de direito público ou privado​ que​ interferir ​na comunhão da vida constituída pela família, 
competindo ​aos​ pais o controle sobre a família e os filhos​ deve agir de maneira digna e moral e, em contrapartida 
compete ao Estado estabelecer ​e executar a política ​de atendimento ​aos direitos da criança e do adolescente​, em 
parceria com a sociedade, controlando a esfera negativa da​ ação dos genitores, tendo responsabilidade para atuar 
quando os pais não desempenham o que dispõe na lei​. 
 
 
Ademais, há algum tempo, doutrinadores e operadores do direito preocupam-se com os cuidados conferidos à 
criança e ao adolescente, apontando ​ao seu bem-estar e desenvolvimento saudável. 
 
 
Com​ ​a promulgação da atual Constituição Federal​, norteou-se o ramo ​da infância e da juventude pelo​ caminho da 
dignidade da pessoa humana, transferindo estes indivíduos da​ qualidade ​de objetos da relação jurídica para a 
qualidade de sujeitos de direitos​. 
 
 
Com o advento do Estatuto da Criança e do Adolescente​, este ​traz em seu bojo, ​a preocupação​ do legislador com 
o​ bem estar dos​ menores do país​. ​Pois, acontece ​que a história ​social da criança e do adolescente​, bem como as 
regras que normatizaram ​a relação jurídica na qual eles estavam inseridos​, evidenciaram ​que a população 
infanto-juvenil sempre foi frágil​ diante da sociedade​. 
 
 
Afinal, é cediço que ​nas antigas civilizações, o pai era​ considerado ​a autoridade máxima e a ele era facultado o 
exercício do ​poder absoluto sobre os filhos, podendo, até​ mesmo, abandoná-lo ou matá-lo​. 
 
 
Mas, com o decorrer dos tempos, ​adotou-se o princípio da situação irregular, pelo qual o Estado começava-se a 
ter preocupação​ ​com as crianças e com os adolescentes, mas​ somente ​em relação àqueles que se encontravam 
em​ circunstância de delinquência ou abandono​. 
 
 
Neste ínterim, ​a Constituição Federal de 1988 afastou a doutrina da situação irregular, até então em vigor​, 
difundida, especialmente, pelo Código de Menores, e ergueu ​a infância e juventude como prioridade absoluta 
dentro do Estado de Direito Brasileiro​. 
 
 
Desta maneira, os jovens ​passaram a ser sujeitos de direitos​, sendo que a observância de seus direitos​ basilares 
tornou-se forçoso não apenas ​para a família na qual estão inseridos, mas também ​para o Estado e a sociedade​. 
 
Nas situações mais graves como, verbi gratia, ​abandono completo ​da criança e do adolescente por​ seus genitores, 
o Código Civil​ vigente ​e o Estatuto da Criança e do Adolescente​ ​preveem a possibilidade ​de suspensão ou 
destituição do poder familiar​. 
 
Contudo, devemos registrar ​que ​a intervenção do estado na​ família​, somente se deve dar nos casos necessários, 
como aqueles que caracterizam abusos por parte dos genitores ou responsáveis ou​, ainda, abandono. 
 
Nesse sentido, a jurisprudência já se manifestou​:APELAÇÃO CÍVEL. ​DESTITUIÇÃO DO PODER FAMILIAR​. ​DESCUMPRIMENTO INJUSTIFICADO DOS 
DEVERES E OBRIGAÇÕES​ PREVISTOS NO ART. 22 DO ECA. ABANDONO PREVISTO NO ART. 1.638, II, DO 
CC. POSSIBILIDADE. MELHOR INTERESSE​ DA​ MENOR. ​1. ​O ​poder familiar ​é o conjunto de direitos e 
obrigações​ ​exercido em igualdade de condições por ambos os pais​ e que está relacionado ao dever de sustento 
dos filhos, além de assegurar-lhes assistência moral, emocional e educacional​. 2. ​Não obstante a regra seja a de 
que o poder familiar perdure ​de forma ininterrupta enquanto durar a menoridade, existem situações em que o 
termo do poder familiar é antecipado, sendo a destituição uma delas​. 3. ​Se o contexto probatório coligido aos 
autos aponta claramente a impossibilidade​ de​ que a criança, já acolhida institucionalmente e sem perspectiva de 
êxito na reintegração familiar, ​possa ser criada em um ambiente familiar saudável​ e que atenda ao seu melhor 
interesse, como ​estabelecido no art. 3º ​do ECA, a destituição do poder familiar encontra guarida no 
descumprimento injustificado dos deveres e obrigações previstos no art. ​22 do ECA, bem como pelo abandono 
previsto no art. 1.638​, II, do CC​. ​4. Recurso conhecido e não provido 
 
BRASIL, TJ-DF 20170130042546 - Segredo de Justiça 0004232-54​.2017.8.07.0013, Relator: ANA CANTARINO, 
Data de Julgamento: ​07/06/2018, ​8ª ​TURMA CÍVEL, Data de Publicação: Publicado no DJE​ : 13/06/2018.. (Grifo 
do autor) 
 
 
 
A intervenção sem qualquer controle, onde o estado quer ter o poder arbitrário de dizer até mesmo se os pais 
podem ou não corrigir seus filhos, e, também por analogia controlar descabidamente a autoridade de professores e 
educadores perante alunos, podem e tendem a levar a família, a escola e a sociedade a uma situação de risco, já 
que também a falta de autoridade, frise-se autoridade e não arbítrio leva a degradação familiar onde muitas vezes 
os próprios pais se tornam reféns dos filhos rebeldes, mal educados, agressivos, e, que quando sentem que 
podem ser corrigidos ameaçam os pais dizendo que vão acionar o conselho tutelar e o juiz da infância, que muitas 
vezes sem conhecer a situação real e contexto familiar, acabam por punir injustamente os pais, quando na 
verdade os filhos é que deveriam ser punidos​. ​Mais uma vez, por analogia, tal situação se repete nas escolas, 
onde os professores, não querem mais dar aulas e se responsabilizar pelos menores, muitas vezes sendo até 
mesmo agredidos, face ao modelo adotado, ​que embora tenha boa intenção, mas na prática é falho​, somam-se a 
isto os péssimos salários e falta de condições de trabalho​. 
 
Ninguém quer ou pode pretender ou mesmo aceitar agressões e abusos, contudo, tais situações devem ser vistas 
e analisadas de forma objetiva e restritiva e não expansiva, ou seja, considerar qualquer correção ou castigo com 
abuso ou agressão, uma vez, que em muitas situações tais procedimentos se fazem necessários à devida 
correção dos filhos​. ​Também deve se considerar que os filhos que não recebem a devida educação e correção, 
quando necessária, no momento que transgride as regras do bom viver ou mesmo o direito, com grande 
probabilidade se tornará um adulto mimado, agressivo, egoísta, individualista, e, quem em nada contribuirá para a 
sociedade​. 
 
Desde os primórdios a família é importante para educar e corrigir os filhos para que possam quando adultos, bem 
convier em sociedade e com seus semelhantes​: 
 
Diz a Bíblia Sagrada: ​Provérbios 29:15 A vara da disciplina e as palavras da repreensão dão sabedoria, mas o 
jovem abandonado à sua própria sorte envergonhará sua mãe​. 
 
Também se deve patrulhar e olhar com reservas e cautela a atuação do estado nas famílias e escolas, já que o 
excesso de intervenção do estado nas famílias e escolas, pode nos levar embora vivendo em uma sociedade 
definida como democrática, liberal, e social em vários aspectos, pode nos levar a situações perigosas e de risco 
para as próprias instituições, a uma prática típica de países socialistas ou bolivarianos, onde o estado usurpou de 
forma imoral, ilegítima e ideológica as funções e o direito legítimo de pais e professores de formarem e educarem 
as crianças, trazendo grande caos familiar e social no seio da sociedade​. 
 
Por fim, ressalta-se ​que o Estatuto da Criança e do Adolescente​ ​veio, portanto, para regulamentar e dar 
efetividade ao texto constitucional​ vigente​. 
 
 
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 
 
Verificou-se no presente artigo sobre os tipos de família​ inseridos no ordenamento jurídico pátrio. ​Desta feita, ​foi 
analisada a nova concepção de família na sociedade atual, e suas​ diversas espécies de família, na qual todos os 
indivíduos seja a mulher ou homem passaram a ter igualdade perante o que dispõe a Lei Maior, podendo inclusive 
administrar o lar de maneira independente​. ​Averiguou que no decorrer ​dos tempos a família foi se expandindo, 
passando a​ ter ​inúmeras formas delas, como as famílias​ monoparentais, homossexuais dentre outras​. 
 
Afinal, ​com o advento da atual Constituição​ Federal, esta consagrou a pluralidade da família, bem como ​deixou 
claro que, ​como base da sociedade, ​a família​ deve ser considerada, como​ uma união de​ pessoas, ​independente 
de sexo e quantidade, que se juntam ​com​ a finalidade ​de constituir família​, unidas pelo afeto que possuem uma 
com a outra​. ​E, em virtude deste fato merece amparo e proteção do Estado​. 
 
Além do mais, a família, independente da forma como é estruturada, deve ser o foco de atenção do Estado e, 
sobretudo protegida e assegurada pela legislação brasileira, com o intuito de que tenha condições econômicas e 
estruturais de continuar com os filhos, protegendo-os e disponibilizando o necessário para um desenvolvimento 
pleno deles​. 
 
A entidade familiar é obra de um importante processo histórico e para entendê-la se faz necessário reportar-se a 
seus paradigmas por meio da análise da dinâmica das relações familiares​. ​Nesse ​cenário contextual ​a intervenção 
do Estado nas relações​ familiares​ é lícita para limitar o poder dos pais, se preciso for, sobretudo ao se tratar de 
um menor ou incapaz​, ​quando os direitos dos filhos se cobrem de status constitucional​ de prioridade absoluta. 
 
Foi oportuno averiguar que no Brasil, o instituto familiar é protegida por meio de ​dispositivos da Constituição 
Federal e do Código Civil​, bem como do Estatuto da Criança ​e do Adolescente, criados com o intuito de resguardar 
esta instituição​. ​Portanto, a intervenção Estatal encontra-se respaldo legal na execução ​da ​política de atendimento 
dos direitos da criança e do adolescente, que​ se fará também com parceria da sociedade​. 
 
Chega-se a conclusão que o Direito, como agente regulador da vida social, deve seguir estas mutações ora 
existentes na sociedade e interferir no que for necessário para que os resultados que podem surgir não impliquem 
em consequências negativas​. 
 
Por derradeiro, conclui-se também que apesar da necessidade do estado interferir para coibir abusos, não se deve 
considerar todo tipo de correção ou castigo como abuso ou excesso, nem dos pais e nem ​da escola, sendo 
necessário sempre, conhecer o contexto familiar, escolar​ e social, bem como a realidade comportamental do filho 
e do anulo para se poder medir com justiça se a correção e castigo foram justos e necessários, ou, se 
extrapolando caracterizam abusos e excessos que devem ser coibidos​. 
 
 
 
THE VARIOUS TYPES OF BRAZILIAN FAMILY 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
 
 
 
The ​purpose of this article is to​ analyze the​ different types of Brazilian family, considering that over time, changes 
have also occurred in the conception of the​ expression "family", ​extending it to all the genera of familiar entities, 
even those that not come from marriage​. ​The analysis first deals with the general aspects of the family institute and 
how its conception evolved and improved in the Brazilian legislation​. ​Therefore, it will be approached about the 
differenttypes of Brazilian family, that is, matrimonial, informal, single parent, anaparental, mosaic and 
homoafetiva​. ​In view of this, it should be noted that ​the family institution began to receive​ special protection from 
the State, and because of this, it emerged ​to equality between father and mother within the family​ context, also 
creating new family formations, presently ​enshrined in the Federal Constitution, and other Brazilian standards​. ​For 
this reason, the main objective of this article is to verify the family in the present time, verifying its concepts​ and 
formations. ​In this sense, it focuses on theoretical research, which was performed by the deductive method, 
through a pre-selected bibliography, using as a methodological resource the bibliographic research, performed 
through analyzes and comparisons of legal and doctrinal precepts who ponder the suggested theme​. 
 
 
 
Keywords: Family. New Formations. State. 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
 
 
ALVES, José Eustáquio Diniz. A família mosaico​. 2008. Disponível em:< 
http://www.ie.ufrj.br/aparte/pdfs/a_familia_mosaico_16nov08.pdf>. Acesso em: 08 de abril de 2018. 
 
 
 
BARROS, Sérgio Rezende de. Direitos Humanos da Família. São Paulo: Imago, 2003. 
 
 
 
BRASIL, ​Código Civil dos Estados Unidos do Brasil de​ 1​.916. ​Código Civil de 1916. Disponível em: 
<http:​//www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L3071.htm>. Acesso em​: 20 de mar. de 2018. 
 
 
 
________,Constituição Federal de 1988. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao88.htm. Acesso em: 14 de março de 2018. 
 
 
 
________, Lei nº 8.​069, de 13 de julho de 1990​. ​Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá​ outras 
providências. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8069.htm>. Acesso em: 25 de mar. de 
2018. 
 
 
 
 
_______, ​Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil​ Brasileiro​. Disponível: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406compilada.htm>. Acesso em: 20 de mar.de 2018. 
 
 
 
_______, ​Resolução nº 175, do Conselho Nacional de Justiça​. Disponível em: 
http://www2.stf.jus.br/portalStfInternacional/cms/destaquesNewsletter.php?sigla=newsletterPortalInternacionalDest
aques&idConteudo=238515. Acesso em: 09 de abril de 2018. 
 
 
 
______, TJ-DF 20170130042546 - Segredo de Justiça 0004232-54​.2017.8.07.0013, Relator: ANA CANTARINO, 
Data de Julgamento: ​07/06/2018, ​8ª TURMA CÍVEL, Data de Publicação​: Publicado no DJE : 13/06/2018. 
Disponível em:< 
https://tj-df.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/588959341/20170130042546-segredo-de-justica-0004232-54201780700
13>. ​Acesso em: 14 de junho de​ 2018. 
 
 
 
______, TJ-RJ - APL: 00798814120128190021 RJ 0079881-41.2012.8.19.0021, Relator: Des. ​Jose Carlos 
Maldonado de Carvalho, Data de Julgamento​: 02/07/2013, Primeira Câmara Cível. Data de Publicação: 
31/10/2013. Disponível em:< 
https://tj-rj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/117415388/apelacao-apl-798814120128190021-rj-0079881-4120128190
021?>. ​Acesso em: 12 de junho de​ 2018. 
 
 
 
______, TJ-RS - AC: 70072946411 RS, Relator: ​Sandra Brisolara Medeiros, Data de Julgamento​: ​28/06/2017, 
Sétima Câmara Cível, Data de Publicação​: ​Diário da Justiça do dia 30/06/2017​. Disponível em:< 
https://tj-rs.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/474185864/apelacao-civel-ac-70072946411-rs>. Acesso em: 12 de 
junho de 2018. 
 
 
 
DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. 9ª edição. ​São ​Paulo, Editora Revista dos Tribunais, 2013​. 
 
 
 
DINIZ, Maria Helena. Código Civil anotado. 3 ed. São Paulo: Saraiva, 1997. 
 
 
 
FACHIN, Luiz Edson. Direito de família: ​elementos críticos à luz do novo Código Civil​. ​Rio de Janeiro: Renovar, 
2003. 
 
 
 
 
 
FARIAS, Cristiano Chaves​; ROSENVALD, Nelson. Curso de Direito Civil. 5ª ed. Jus Podivm, 2013. 
 
 
 
 
 
LEITE, Eduardo de Oliveira. Famílias Monoparentais. 2.ed. São Paulo: Revista dos tribunais, 2003. 
 
 
 
 
 
LÔBO, Paulo. Direito civil: família. São Paulo: Saraiva, 2011. 
 
 
 
 
NÁUFEL, José. Novo dicionário jurídico brasileiro. 9 ed. Rio de Janeiro: Forense, 1997. 
 
 
 
RODRIGUES, Silvio. ​Direito civil brasileiro Direito de Família​. v.6. 27 ed. São Paulo: Saraiva, 2002. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aviso: 
⚠ Não é recomendado utilizar percentuais para medição de plágio, os valores exibidos são apenas dados 
estatísticos. Apenas uma revisão manual pode afirmar plágio. Clique ​aqui​ para saber mais. 
 
Legenda: 
▲ Endereço validado, confirmada a existência do texto no endereço marcado. 
 
Expressão não analisada 
 
 
Expressão sem suspeita de plágio 
 
 
Poucas ocorrências na internet 
 
 
Várias ocorrências na internet 
 
Muitas ocorrências na internet 
Poucas ocorrências na base local 
 
 
Várias ocorrências na base local 
 
 
Mutias ocorrências na base local 
Analisado por ​ Plagius - Detector de Plágio 2.4.25 
 
http://www.plagius.com/wiki/pt-br:interpretinganalysis
http://www.plagius.com/app
segunda-feira, 18 de junho de 2018 08:56

Mais conteúdos dessa disciplina